REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA SAÚDE ANÁLISE DA MORTALIDADE NACIONAL INTRA-HOSPITALAR MOÇAMBIQUE Sistema de Informação de Saúde-Registo de Óbitos Hospitalares (SIS-ROH) Análise de 3 anos - 2009-2011 Maputo, Novembro de 2012 Com apoio técnico da MOASIS/Jembi Health Systems Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Lista dos conteúdos I. Prefacio 2 II. Abreviações 3 1. Sumário executivo 4 2. Introdução 8 3. Objectivos da análise 9 4. Metodologia utilizada para apuração dos dados 9 5. Resultados 10 5.1. Secção I – Análise dos dados nacionais 10 5.1.1.Resultados gerais 10 5.1.2.Análise detalhada sobre algumas condições específicas 34 5.1.2.1. 5.1.2.2. 5.1.2.3. 5.1.2.4. 5.1.2.5. 5.1.2.6. 5.1.2.7. 5.1.2.8. 5.1.2.9. 5.1.2.10. HIV/SIDA Tuberculose Malária Doenças evitáveis com vacinas Doenças do aparelho cardiovascular Doenças do aparelho respiratório Tumores Diabete Causas externas Mortalidade materna 34 38 40 41 42 43 45 48 49 52 5.1.3.Comparação dos resultados do SIS-ROH com outros dados de mortalidade de Moçambique 5.2. Secção II – Análise dos dados do Hospital Central de Maputo (HCM) 54 59 6. Análise da qualidade dos dados do SIS-ROH 73 6.1. Resultados da análise da qualidade 73 6.2. Algumas medidas para aumentar a qualidade dos dados 74 7. Conclusões 75 8. Anexos 76 8.1. Anexo 1 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capitulo CID-10) por cada hospital 8.2. Anexo 2 – Distribuição de todos os óbitos por causa básica de morte (subcategorias 4 dígitos), numero, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011 8.3. Anexo 3 – Distribuição de todos os óbitos por causa directa de morte (subcategorias 4 dígitos), numero, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011 8.4. Anexo 4 – Inconsistência entre sexo do falecido e tipo de causa básica de óbito 8.5. Anexo 5 – Frequência dos códigos lixo por ano, 2009-2011 8.6. Anexo 6 – Percentagem de óbitos com intervalo de internamento=0 minutos, por hospital, 2009-2011 8.7. Anexo 7 – Analise da plausibilidade da causa directa tendo uma determinada causa básica 8.8. Anexo 8 – Distribuição de todos os óbitos do 2009-2011 por causa básica de morte na base da lista dos agrupamentos de causas de óbito do Certificado de Óbito Página 1 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Prefácio Pela primeira vez em o Ministério da Saúde da República de Moçambique publica estatísticas sobre as causas de óbito de âmbito nacional obtidas através de um sistema de informação de rotina. Desde 2008 o “Sistema de Registo de Óbitos Hospitalares” (SIS-ROH) está sendo progressivamente implementado com êxito no País permitindo recolher informações de alta qualidade. O sistema irá ser expandido ulteriormente abrangendo todos os hospitais do País. No âmbito dos esforços multissectoriais visando o fortalecimento das estatísticas vitais em Moçambique o SIS-ROH poderá servir como ferramenta para o registo das causas de óbito de indivíduos que morrem fora do Serviço Nacional de Saúde, tornando-se assim uma ferramenta essencial para medição da mortalidade e das suas causas em Moçambique. As estatísticas de mortalidade e a sua evolução ou tendência no tempo permitirão subsidiar acções de promoção/prevenção à saúde e avaliar o impacto dos programas de saúde, dentre os quais o Programa Nacional de Controlo do HIV/SIDA, o Programa da Tuberculose, o da Malária, o da Saúde Materno-Infantil e outros, em termos de redução da mortalidade. As estatísticas de mortalidade permitirão também individualizar e quantificar novos e emergentes desafios tais como a prevenção e controlo das doenças não infecciosas, dos acidentes de transporte, do seguimento dos pacientes portadores de doenças crónicas. Informações de qualidade sobre as causas de óbito serão cada vez mais utilizadas para orientar ainda melhor as políticas e as estratégias do sector de saúde, melhorando assim a situação de saúde e a qualidade de vida do povo Moçambicano. Espera-se que o presente relatório seja útil para os gestores de saúde e comunidades aos diferentes níveis, a leitura e análise das informações reportadas fornecem subsídios motivadores para acompanhar a Política Nacional de Saúde em Moçambique, a implementação do PARP, a proposição de soluções custo-efectivas que permitem ganhos em Saúde e o entendimento de que dados padronizados também contribuem para salvar vidas. Página 2 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Abreviações CDC CID-10 CO DIS DPC HCB HCM HCN HGJM HIV/SIDA HPC HPI HPL HPP HPQ HPX INCAM MISAU MOASIS OMS SIS-ROH SNS UEM - Center of Disease Control and Prevention Classificação Internacional das Doenças, 10ª versão Certificado de Óbitos Departamento de Informação para a Saúde Direcção de Planificação e Cooperação Hospital Central de Beira Hospital Central de Maputo Hospital Central de Nampula Hospital Geral de José Macamo Vírus da Imunodeficiência Humana / Síndrome de imunodeficiência adquirida Hospital Provincial de Chimoio Hospital Provincial de Inhambane Hospital Provincial de Lichinga Hospital Provincial de Pemba Hospital Provincial de Quelimane Hospital Provincial de Xai-Xai (HPX) Inquérito sobre Causas de Mortalidade Ministério da Saúde Mozambican Open Architectures, Standards and Information Systems Organização Mundial da Saúde Sistema de Registo de Óbitos Hospitalares Serviço Nacional de Saúde Universidade Eduardo Mondlane Página 3 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 1. Sumário executivo O “Sistema de Registo de Óbitos Hospitalares” (SIS-ROH) foi desenvolvido em 2008 no âmbito da parceria entre o Ministério da Saúde (MISAU), através do Departamento de Informação para a Saúde (DIS), a MOASIS (Mozambican Open Architectures, Standards and Information Systems) e Jembi Health Systems. O SIS-ROH permite o registo electrónico individual de cada óbito ocorrido dentro dos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os dados são recolhidos através do novo Certificado de Óbito (CO) e as causas de óbito são seleccionadas e codificadas segundo a Classificação Internacional das Doenças, 10ª versão (CID-10). Inicialmente o SIS-ROH foi instalado no Hospital Central de Maputo (HCM) e, até Setembro de 2012 foi expandido a 28 locais em todo o país, entre os quais todos os hospitais de nível IV e III e 23% de nível II. Esta é a primeira análise completa e exaustiva dos dados estatísticos do SIS-ROH, recolhidos desde o ano de 2009 até 2011. Os objectivos da análise são: 1) apresentar os principais resultados de nível nacional, 2) apresentar a evolução de alguns indicadores no tempo para o HCM, e 3) avaliar a qualidade e cobertura dos dados do SIS-ROH. Análise nacional Em total, os dados de 10 hospitais (cerca de 20% de todos os hospitais de Moçambique) foram incluídos; com exclusão de Tete e Maputo Província, todas as outras províncias estão representadas. O total de óbitos registados foi 5.259 de 2009 (somente HCM), 8.995 no ano de 2010 e 15.063 no ano de 2011, mostrando uma rápida expansão da abrangência do sistema. A análise das características demográficas dos falecidos mostra que o ratio de óbitos entre homens e mulheres é 1.3 (variação entre hospitais: 0.99 - 1.77); os óbitos intra-hospitalares são maiores no sexo masculino em todas as faixas etárias com excepção da faixa 15-24 anos. A idade média de óbito é 26.7 anos (variação entre hospitais: 18.1 e 33.1); a distribuição por idade mostra dois picos, nas crianças com menos de um ano (28% de todos os óbitos) e nos jovens adultos de 25-34 anos (16%). No âmbito da mortalidade infantil, a mortalidade neonatal precoce é a mais importante (17% de todos os óbitos). Mais da metade dos óbitos é residente na Cidade e Província de Maputo (40% e 12% respectivamente); 0.2% dos óbitos são de estrangeiros. 99.4% dos óbitos ocorreram em indivíduos de raça negra. Globalmente, os tipos de admissão mais frequentes para os doentes que morrem durante o internamento são “admissão urgente dum serviço de urgência” (58%) e “transferência doutra unidade sanitária” (22%). O padrão de distribuição do tipo de admissão é substancialmente parecido entre os vários níveis de assistência hospitalar (II, II e IV). 43% dos óbitos aconteceram nas primeiras 48 horas de internamento (variação entre hospitais: 29% - 58%). Na maioria dos hospitais, a mortalidade nas primeiras 48 horas é maior nos departamentos/serviços de urgência, mas a diferença entre urgência e serviços normais é muito pequena em alguns hospitais (Hospital Central (HC) da Beira, Hospitais Provinciais (HP) de Chimoio e Inhambane). A análise das causas básicas de óbito, agrupadas por capítulos CID-10, mostra que 38% dos óbitos são devidos a doenças infecciosas e parasitárias, 19% a afecções originadas no período perinatal, 8% a doenças do aparelho circulatório, 5% a doenças do aparelho respiratório e 5% a neoplasias; todas as outras causas originam uma proporção inferior a 4% dos óbitos. Este padrão é parecido na maioria dos hospitais, todavia os HP de Quelimane e Xai-Xai destacam-se por ter uma percentagem Página 4 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 de óbitos por doenças infecciosas mais elevada à da média nacional (57% e 65% respectivamente); pelo contrário, o HP de Inhambane tem uma baixa percentagem de óbitos por doenças infecciosas (23%) e alta por doenças do aparelho cardiovascular (13%). A proporção de óbitos por afecções perinatais é alta no Hospital Geral ´José Macamo´ (HGJM) (29%) e baixa no HP de Inhambane (4%). Comparando os óbitos em hospitais de nível diferente aferentes ao mesmo território, o HCM (nível IV) e HGJM (nível II), o HCM regista um número de óbitos maior por causas que requerem cuidados mais especializados sugerindo que esta unidade sanitária está a ser realmente utilizada como hospital de referência. Em detalhe, as causas de óbito mais frequentes são “Doença pelo HIV” que é responsável por 28% de todos os óbitos (17% é HIV não especificado (NE), 7% é HIV resultando em doenças infecciosas, 1% resultando em neoplasias malignas, 3%, resultando em outras doenças especificadas como síndrome de emaciação, demência, etc.); a co-infecção HIV/TB causa 3.8% de todos os óbitos. A seguir, as causas mais frequentes são os transtornos relacionados com a gestação de curta duração e baixo peso ao nascer (9%; sendo 6% em recém-nascidos pré-termo, entre 28 e 37 semanas). Entre algumas das patologias de interesse de saúde pública, a malária (por P. falciparum e NE) causa 4% dos óbitos e a TB 2.1 % (1.3% por TB respiratória); entre as causas não infecciosas a hipertensão essencial causa 3% dos óbitos e a diabete 1%. Os acidentes de transporte causaram 1% dos óbitos (entre estes 62% são devidos a atropelamento de pedestre). Entre as neoplasias, a localização mais frequente são os órgãos digestivos (75% são tumores do fígado e das vias biliares intra-hepáticas) que causam 1% dos óbitos totais. Houve 43 óbitos devidos a doenças para as quais a vacinação é incluída no Programa Alargado de Vacinações (PAV) em Moçambique. Em quase todos os hospitais o HIV e alguns transtornos perinatais são as causas mais frequentes; destacam-se o HC de Nampula onde a malária causa 16% dos óbitos reportados e o HP de Inhambane que registou uma prevalência muito baixa de óbitos por HIV e onde nenhuma das causas totaliza mais de 5%. A distribuição dos óbitos por causa básica e causa directa é muito diferente sugerindo que a diferença conceptual entre os dois tipos de causas foi entendida e bem preenchida pelos médicos e codificadores. Entre as causas directas mais frequentes e de interesse para gestão hospitalar há a septicemia bacteriana do recém-nascido (5.8%) e a septicemia do adulto (5.2%); assepsia insuficiente foi reportada em 0.2% dos óbitos. Outras causas directas frequentes são broncopneumonia NE (3.8%), insuficiência respiratória aguda (2.2%), anemia NE (2.4%) e choque hipovolêmico (1.2%). A análise das causas de óbito por faixa etária mostra que as doenças infecciosas e parasitárias são as mais frequentes em todas as faixas etárias (variando de 38% a 61%), com excepção dos recémnascidos (0-28 dias) e os maiores de 64 anos entre os quais as causas de morte predominantes são, respectivamente, as afecções do período perinatal (84%) e as doenças do aparelho circulatório (30%). Em geral, a idade média de óbito em maiores de 1 ano é significativamente inferior nos óbitos por HIV que nos óbitos por qualquer outra doença, sendo respectivamente 34.9 e 39.1 (p<0.005). A percentagem das doenças do aparelho circulatório aumenta progressivamente com o aumento da idade, sendo cerca de 5% até 44 anos, 19% na faixa de 45-64 anos e 30% nos maiores de 64 anos. As neoplasias são mais frequentes nas faixas etárias de 5-14 anos (8%, principalmente neoplasias malignas do tecido linfóide e hematopoiético), e maiores de 64 anos (11%). As causas externas são mais frequentes nos homens e tem distribuição não homogénea entre faixas etárias: entre 1-14 anos causam 11% dos óbitos (principalmente por queimaduras e corrosões) e entre 15-24 anos 13% Página 5 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 (principalmente por acidentes de transporte e agressões – nenhum óbito por síndrome dos maus tratos e agressão sexual foi reportado). A diabete, nas suas várias formas, representa globalmente apenas 1.4% das causas básicas de óbito; todavia a percentagem varia entre faixas etárias registando um aumento constante com o aumentar da idade. As causas da mortalidade infantil mudam nas diferentes faixas etárias. A mortalidade neonatal precoce é devida principalmente a nascimento pré-termo (28-37 semanas) (27%) e asfixia ao nascer (19%); óbitos por extrema imaturidade (<28 semanas) e peso ao nascer <1000 gramas são mais raros (respectivamente 7% e 9% dos óbitos). A mortalidade neonatal tardia é devida principalmente a nascimento pré-termo (26%) e septicemia bacteriana do recém-nascido (18%). A mortalidade pósneonatal depende principalmente de HIV NE (13%), desnutrição grave (9%), diarreia de origem infecciosa e a broncopneumonia NE (ambas 7%). A mortalidade entre 1-4 anos é devida principalmente a HIV NE (13%), desnutrição grave (12%) e malária confirmada complicada (10%). Em geral, 40% dos óbitos por malária acontece nas crianças de 0-4 anos (31% destes óbitos são devido à malária por P. falciparum com complicações cerebrais). Nas mulheres adultas (>14 anos), o HIV causa cerca de metade dos óbitos nas faixas etárias de 15-24 anos (44%), 25-34 anos (59%) e 35-44 anos (50%). As patologias e condições ligadas à gravidez, parto e puerpério (GPP) são entre as causas de óbitos mais frequentes causando 9% dos óbitos de mulheres de 15-24 anos, 6% nas de 25-34 anos e 4% nas de 35-44 anos; 60% dos óbitos por GPP aconteceram nas primeiras 48 horas de internamento. A modalidade de admissão foi “urgente” em 56% dos casos e transferência doutra unidade sanitária em 40%. Nos homens adultos (>14 anos), o HIV causa cerca da metade dos óbitos na faixa etária de 25-34 anos (51%) e 35-44 anos (51%); contrariamente às mulheres, na faixa de 15-24 anos a mortalidade por HIV não é especialmente alta (28%). As causas externas são entre as causas de óbitos mais frequentes, com percentagem elevada entre os jovens adultos (19% e 11% respectivamente em 15-24 e 25-34 anos). Análise HCM Os dados do SIS-ROH do HCM são muito completos para o triénio 2009-2011 (SIS-ROH registou 10% mais óbitos que o censo hospitalar), permitindo avaliar de maneira fiável a mudança de alguns dados no tempo. Houve uma diminuição importante de óbitos entre os admitidos em urgência (de 60% para 35%) e os nascimentos, com um aumento importante de óbitos entre transferidos por outras unidades de saúde; houve também diminuição da percentagem de óbitos nas primeiras 48 horas (de 45% para 37%). Isso poderia estar ligado ao esforço de utilizar cada vez mais o HCM como hospital de referência e menos como primeiro ponto de assistência. As doenças infecciosas são a causa principal desde 2008, com um pico de 38% no ano de 2009 e uma prevalência de 31% no ano de 2011. A principal causa de óbito é a doença pelo HIV, que está em ligeiro declínio depois de 2009 (causou 35% dos óbitos em 2008, 29% dos óbitos em 2009 e 24% em 2010 e 2011). As afecções do período perinatal mostram um leve mas constante aumento desde 2008. Entre as causas de óbitos neonatais, os óbitos por imaturidade extrema (<28 semanas) estão em ascensão sendo 11% em 2009, 15% em 2010 e 25% no ano de 2011. As doenças do aparelho circulatório, as neoplasias e a GPP mostram um aumento leve mas constante. Desde 2009 até 2011 nota-se um aumento de óbitos por hipertensão essencial e uma diminuição dos por malária por p. falciparum: estes dados parecem coerentes com a modificação do perfil epidemiológico das causas de óbitos em área urbana. Página 6 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Analisando as causas directas, observa-se que a causa principal é a septicemia NE e a septicemia do recém-nascido, ambas com tendência a aumentar de 2009 até 2011. Cobertura e qualidade A representatividade dos dados do SIS-ROH para a mortalidade nacional tem limitações porque o SIS-ROH ainda não foi instalado em todos os hospitais e, por enquanto, abrange somente os óbitos intra-hospitalares (estimados ser cerca de um quinto de todos os óbitos). Na base da comparação dos dados do SIS-ROH e os dados estimados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ou estudos nacionais como o INCAM (Inquérito Nacional sobre Causas de Mortalidade), o SIS-ROH tem uma cobertura geral de 4% de todos os óbitos anuais em Moçambique; a cobertura é de 5% para os óbitos infantis e 12% para os óbitos neonatais. A cobertura não é homogénea em todas as províncias, sendo igual ou menor de 3% na maioria das províncias e muito alta nas províncias de Maputo Cidade (43%) e Maputo Província (15%). A comparação entre SIS-ROH e INCAM mostra que a proporção dos óbitos devido a HIV/SIDA é parecida. Em geral a qualidade dos dados é boa. O número de óbitos cuja causa básica foi mal definida (codificada como “Sintomas, sinais e achados anormais” e “Fatores que influenciam o estado de saúde”), codificada com códigos “lixo” ou condições pouco prováveis é limitado, sendo em total menos de 5%. A plausibilidade entre causa básica e causa directa é muito alta e sugere ausência de erros sistemáticos na atribuição das causas de óbito. Cerca a metade dos óbitos por causas externas foram codificadas utilizando códigos de “Consequências de causas externas” limitando a possibilidade de obter estatísticas sobre o tipo de causa externa (ex. acidentes de transporte, quedas, etc.). A qualidade de dados poderá ser mantida e melhorada através de algumas validações automáticas já incluídas no aplicativo SIS-ROH e da promoção de algumas ferramentas como o mICD-10 que permitem fácil acesso aos código CID-10 por parte do pessoal que preenche os COs e que codifica as causas. Nos locais onde a formação sobre a codificação CID-10 e a supervisão sejam problemáticas, uma lista standard de códigos seleccionados e agregados poderá ser introduzida. Em conclusão, o SIS-ROH fornece informações sobre a mortalidade intra-hospitalar que podem guiar decisões a nível de gestão hospitalar, de gestão dos pacientes no território e de gestão dos programas de saúde pública. Apesar duma cobertura do sistema ainda baixa, o mesmo teve um bom desempenho: em 3 anos foi expandido a 18 hospitais em todo o pais fornecendo dados de boa qualidade. Actualmente a cobertura do SIS-ROH é já muito alta para os residentes da Cidade e Província de Maputo e os dados podem ser considerados representativos da mortalidade intrahospitalar nesta área, permitindo medir directamente e monitorar as mudanças no perfil epidemiológico da população no que diz respeito à mortalidade específica por causa e o impacto de programas de controlo de condições como HIV/SIDA. Actualmente a cobertura do SIS-ROH é também bastante elevada para os óbitos neonatais; as informações sobre as causas de morte podem ser orientadoras para a saúde materno-infantil e o fortalecimento dos cuidados pediátricos neonatais nos hospitais. No imediato, o plano para aumentar a abrangência do sistema inclui a sua instalação em todos os hospitais até 2014 e o registo dos óbitos extra-hospitalares por causas externas (violentas ou acidentes) até 2013. A médio/longo prazos, com a devida coordenação com outros setores dentre os quais o Registo Civil, o SIS-ROH tem condições para tornar-se no sistema de registo de todos os óbitos nacionais para os quais será preenchido um certificado de óbito ou outro documento oficial nacional com indicação de causas ou circunstâncias de óbito. Página 7 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 2. Introdução Em 2008 o Ministério da Saúde (MISAU) através do Departamento de Informação para a Saúde (DIS) da Direcção de Planificação e Cooperação (DPC) e o MOASIS (Mozambican Open Architectures, Standards and Information Systems)1 embarcaram numa parceria visando o desenvolvimento de iniciativas e sistemas que facilitem o processo de gestão no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e contribuam para o sucesso das políticas nacionais de saúde. Um dos sistemas desenvolvidos no âmbito desta parceria é o “Sistema de Registo de Óbitos Hospitalares” (SIS-ROH) - um sistema de recolha de dados e um aplicativo informático desenvolvido pelo MOASIS para apoiar o MISAU na obtenção e tratamento de informação relevante para o conhecimento das causas de morte das unidades sanitárias do SNS de nível II, III e IV (Hospitais). O SIS-ROH é uma evolução do projeto piloto de introdução da codificação CID-10 para as causas de morte implementado no Hospital Geral de Mavalane em 2006, posteriormente melhorado, informatizado e expandido ao Hospital Central de Maputo no ano de 2007. Com início em 2008 o SIS-ROH foi desenvolvido como sistema mais abrangente que permite o registo electrónico individual de cada óbito ocorrido dentro dos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), fazendo uso da codificação internacional CID-10, e recolhe variáveis mínimas para a realização de estatísticas de saúde nomeadamente relacionadas com as causas de morte, importante suporte para melhorar a qualidade da atenção hospitalar e ajuste das políticas de saúde pública a nível nacional e regional. No início o sistema baseava-se sobre uma ficha de recolha ´ad hoc´ sendo o certificado de óbito (CO) oficial pouco ou nada utilizado; ademais, somente uma cópia do CO era preenchida e transferida para o registo civil, não podendo ser utilizada para o armazenamento de dados localmente, no sector de saúde. Sucessivamente, no ano de 2009, como consequência positiva da introdução do SISROH o CO foi revisto em termos de conteúdos e procedimentos: actualmente 3 cópias (vias) são preenchidas e uma destas é arquivada no Hospital onde acontece o evento de morte e é assim usada como fonte que alimenta o SIS-ROH sem necessidade de uma ficha específica. Por conseguinte, a actual fonte de dados e único input para o SIS-ROH é o novo Certificado de Óbitos (CO) (Mod. SISD06). Na actualidade o SIS-ROH regista somente os óbitos que acontecem nos hospitais, entre os pacientes ou pessoas internados; todavia o CO é um documento oficial a ser preenchido para todos os óbitos, intra e extra-hospitalares, e o SIS-ROH tem condições para tornar-se no sistema de registo de toda a mortalidade nacional. O sistema assim reformado teve uma rápida aceitação pelos utilizadores e foi adoptado a nível nacional e apresentado em vários fóruns internacionais como exemplo de boas práticas. Esta é pois a primeira análise completa e exaustiva dos dados estatísticos do SIS-ROH, recolhidos desde o ano de 2009 até 2011 em todos os hospitais onde o SIS-ROH foi instalado com base do plano de expansão então elaborado e acordado. 1 MOASIS é uma organização moçambicana sem fins lucrativos ligada à investigação e prestação de serviços, filiada à Universidade ‘Eduardo Mondlane’ (UEM) e integrante duma rede que persegue o objectivo de fortalecer as capacidades africanas na área de e-Health envolvendo os sectores público, privado e de investigação. Página 8 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 3. Objectivos da análise A análise que a seguir se apresenta tem como objectivos essenciais: Apresentar os principais resultados de nível nacional, em todos os hospitais, nos anos 20102011; Apresentar a evolução de alguns indicadores no tempo para o Hospital Central de Maputo; Avaliar a qualidade e cobertura dos dados do SIS-ROH. 4. Metodologia utilizada para apuração dos dados Foi feita uma análise descritiva das bases de dados dos óbitos dos anos 2009-2011 fornecidas pelos principais hospitais do país onde o SIS-ROH foi instalado e está sendo usado. Para a apresentação dos dados nacionais foram utilizados os dados grupados dos anos 2009, 2010 e 2011 de todos os hospitais cuja base de dados estava disponível. Todavia, para apresentação de indicadores estratificados por hospital, foram selecionados somente os dados de 2010 e 2011, sendo que só o Hospital Central de Maputo tem dados para o ano 2009. A comparação entre 2010 e 2011 não será apresentada neste trabalho porque para 2010 alguns dos hospitais têm uma base de dados de menos de 12 meses, isto devido à expansão gradual do SIS-ROH no País ao longo do ano 2010; todavia os dados de 2010 e 2011 foram confrontados em termos de distribuição por principais características (causas de morte, sexo, faixa etária, etc.) tendo resultado serem muito parecidos. Alguns indicadores selecionados foram analisados estratificados por hospital para permitir uma comparação entre as unidades sanitárias e como proxy para uma comparação entre províncias. Para o Hospital Central de Maputo, foram analisados os dados do triénio 2009-2011 permitindo assim a análise da tendência de alguns indicadores neste triénio. Os dados do censo diário hospitalar (contagem a cada 24 horas do número de camas ocupadas) foram utilizados para: 1) calcular a taxa de mortalidade intra-hospitalar (geral e por departamento); 2) confrontar o número de óbitos registados através do censo diário e pelo SIS-ROH e obter uma avaliação da cobertura do SIS-ROH no HCM. Nas análises sobre causa básica de óbito não foram retirados os capítulos de causas mal definidas e os dois capítulos que não podem, segundo a OMS, serem classificados como causa básica do óbito: “XIX. Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas” e “XXI. Factores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde”, pretendendo assim quantificar os óbitos que foram impropriamente classificados com o objectivo de usar os dados para melhorar a qualidade de dados do SIS-ROH. Página 9 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 5. Resultados gerais 5.1 Secção I – Análise dos dados nacionais 5.1.1 Resultados gerais Até Agosto 2012 o SIS-ROH foi implementado em 17 dos 53 hospitais do país (32%), ou seja em todos os 3 hospitais centrais, todos os 7 hospitais provinciais, 4 dos 6 hospitais gerais, 3 dos 27 hospitais rurais, e nenhum dos hospitais distritais e especializados. Os dados incluídos na presente análise são de 10 destes 17 hospitais (equivalentes a 19% de todos os hospitais de Moçambique). Os 3 hospitais rurais foram excluídos porque o SIS-ROH foi implementado somente em 2012 e não tinham dados de 2010-2011; as bases de dados do Hospital Provincial de Tete e dos Hospitais Gerais de Chamanculo (Cidade de Maputo), Machava (Província de Maputo) e Mavalane (Cidade de Maputo) não estavam disponíveis para esta análise devido a: (i) problemas de perda de dados na sequência do roubo do computador onde estava fisicamente colocada a base de dados, (ii) problemas técnicos e (iii) falta de introdução atempada de dados por falta de pessoal dedicado. Com exclusão de Tete e Maputo Província, todas as outras províncias estão representadas. A tabela 1 mostra o número de óbitos registados no SIS-ROH por hospital e por ano e incluídos nesta análise. Tabela 1 - Número de óbitos registados no SIS-ROH, por hospital e por ano Hospital Central de Beira (HCB) Central de Maputo (HCM) Central de Nampula (HCN) Geral de José Macamo (HGJM) Provincial de Chimoio (HPC) Provincial de Inhambane (HPI) Provincial de Lichinga (HPL) Provincial de Pemba (HPP) Provincial de Quelimane (HPQ) Provincial de Xai-Xai (HPX) Total Província Sofala Maputo Cidade Nampula Maputo Cidade Manica Inhambane Niassa Cabo Delgado Zambézia Gaza Ano 2009 2010 2011 1480 1911 5259 4970 5279 72 945 2657 616 313 453 522 838 242 268 1270 1413 126 683 5259 8995 15063 Total 3391 15508 1017 2657 616 766 1360 510 2683 809 29317 O ratio de óbitos entre homens e mulheres é 1.3 em geral, com uma variação (range) entre 0.99 no hospital provincial de Xai-Xai e 1.77 no hospital central de Nampula, mostrando uma prevalência de óbitos registados no sexo masculino. Os óbitos sem informação sobre o sexo são menos de 1% em todos os hospitais com excepção do hospital provincial de Lichinga onde falta a informação para 3.8% dos óbitos (fig.1). Página 10 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 1 – Distribuição dos óbitos registados no SIS-ROH, por hospital e sexo, 2009-2011 100% 90% 80% 70% 60% 50% Não especificado 40% Masculino 30% Feminino 20% 10% 0% A idade média de óbito é 26.7 anos, com uma variação entre 18.1 e 33.1 entre os vários hospitais. Em muitos hospitais e especialmente nos hospitais de Nampula, Chimoio e Lichinga a média desacosta-se muito da idade mediana, sugerindo que a distribuição da idade dos óbitos não é normal (gaussiana) (tab.2). De facto, a distribuição por idade mostra dois picos, nas crianças e nos jovens-adultos, como discutido a seguir. Tabela 2 – Idade média e idade mediana de óbito por hospital, 2009-2011 Hospital HC Beira HC Maputo HC Nampula HG José Macamo HP Chimoio HP Inhambane HP Lichinga HP Pemba HP Quelimane Total Idade Média Idade Mediana 27.3 30.5 18.1 22.2 20.9 33.1 19.1 28.3 30.7 26.7 27 28 28 27 27 28 28 28 28 27 A distribuição por idade dos óbitos mostra uma mortalidade intra-hospitalar elevada nas crianças com menos de um ano (28%); a seguir as faixas de idade com mais mortalidade são os jovens adultos de 25-34 anos (16%) e de 35-44 anos (13%). No âmbito da mortalidade infantil, a mortalidade neonatal precoce é a mais importante representando 17% de todas as mortes intrahospitalares. (Fig.2) Página 11 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 2 – Distribuição dos óbitos registados no SIS-ROH, por faixa etária, 2009-2011 55-64 7% 45-54 10% 65+ 8% 35-44 13% 0-7d 17% <1 28% 25-34 16% 15-24 8% 29d-12m 7% 5-14 4% 8-28d 4% 1-4 7% A distribuição por idade é parecida em todos os hospitais, todavia algumas faixas etárias têm piques em alguns hospitais; nomeadamente a mortalidade neonatal precoce oscila entre menos de 5% nos hospitais de Inhambane e Xai-Xai até mais de 26% nos hospitais de Chimoio e José Macamo. Também na faixa etária de 1-4 anos tem uma grande variabilidade, indo de 5% nos hospitais da Beira e Quelimane a 19% no hospital de Nampula (fig.3) Figura 3 – Percentagem de óbitos registados no SIS-ROH, por faixa etária e hospital, 2009-2011 30% HCB 25% HCM 20% HCN HGJM 15% 10% 5% HPC HPI HPL HPP 0% HPQ HPX A distribuição dos óbitos por província de residência mostra que mais da metade dos óbitos é residente na Cidade de Maputo (40%), na Província de Maputo (12%) e de Sofala (14%); sendo todas as outras províncias sub-representadas, especialmente pensando que províncias como Nampula e Zambézia têm 20% e 19% da população do Moçambique, respectivamente (tab.3). Página 12 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Tabela 3 – Distribuição dos óbitos por província de residência (2010-2011) e comparação com a distribuição da população por província em Moçambique (população projectada para o ano 2012 – Instituto Nacional de Estatística) Província de residência Numero % Cabo Delgado Cidade de Maputo Gaza Inhambane Manica Província de Maputo Nampula Niassa Sofala Tete Zambézia Total 508 9664 908 876 617 3005 1005 1364 3339 23 2749 24058 População projectada. % 2012 (INE) 2% 1.797.335 8% 40% 4% 4% 3% 12% 4% 6% 14% 0% 11% 1.194.121 5% 1.344.095 6% 1.426.684 6% 1.735.351 7% 1.506.442 6% 4.647.841 20% 1.472.387 6% 1.903.728 8% 2.228.527 9% 4.444.204 19% 23.700.715 0.2% dos óbitos são de estrangeiros. 99.4% dos óbitos ocorreram em indivíduos de raça negra. Observando a correspondência entre província de residência e província onde se encontram os hospitais, nota-se que o Hospital Central de Maputo e o Hospital Geral José Macamo têm um excesso de óbitos não residentes em Maputo Cidade, o 23% dos quais são residentes na Província de Maputo; em reflexo, os hospitais em Gaza e Inhambane tem um número de óbitos totais inferior ao número de óbitos residentes na mesma província (fig.4). Este achado é consequencial ao forte papel de hospital de referência para toda a Região Sul do HCM e a vizinhança do HGJM à Província de Maputo; infelizmente faltam os dados dos hospitais situados na Província de Maputo para dispôr de um quadro ainda mais claro do fluxo dos pacientes nesta Região. A análise do fluxo de pacientes que morrem nos hospitais na Região Norte é afectada pela falta de dados do Hospital Provincial de Tete. Página 13 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 4 – Discrepância entre os óbitos totais registados nos hospitais de cada província e os óbitos por província de residência dos falecidos, 2010-2011 600 500 Residência em uma província diferente da onde se encontra o hospital onde aconteceu o óbito 400 300 200 100 -400 Zambézia Tete Sofala Niassa Nampula Manica Gaza Prov. Maputo -300 Inhambane -200 C. de Maputo -100 Cabo Delgado 0 Residência na mesma província Globalmente, os tipos de admissão mais frequentes para os doentes que morrem durante o internamento são “admissão urgente dum serviço de urgência” (58%) e “transferência doutra unidade sanitária” (22%; somente para uma pequena percentagem é especificado se a transferência foi em modalidade urgente ou normal) (fig. 5). Figura 5 – Distribuição dos óbitos por tipo de admissão, 2009-2011 Nascimento nesta US 11% Normal das Consultas Externas Normal de outras 3% US 0.5% Sem informação 3% Urgente dum serviço de urgência 58% Transferência doutra US 20% Urgente de consultas externas 3% Urgente doutra US 2% Na maioria dos hospitais o tipo de admissão “urgente dum serviço de urgência” é o mais frequente, com excepção dos hospitais de Inhambane e Pemba onde os nascimentos e consultas externas são as mais frequentes. Esta diferença poderia depender duma real diferença de organização e gestão Página 14 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 dos hospitais e dos serviços territorial ou de uma errada codificação e atribuição de tipo de admissão (fig.6). Figura 6 – Distribuição do número de óbitos por hospital e por tipo de admissão (agrupamento em 3 grupos), 2010-2011 5000 4000 3000 2000 1000 0 HCB HCM HCN HGJM HPC Transferencia doutra US HPI HPL HPP HPQ HPX Nascimentos e consultas externas Urgente dum servico de urgencia A comparação entre tipo de hospital mostra um padrão de distribuição do tipo de admissão substancialmente parecido entre os vários níveis de assistência hospitalar (fig.7). É esperado que o perfil dos hospitais centrais (nível IV) e provinciais (nível III) seja parecido. No entanto, surpreende que não haja uma diferença maior entre hospitais centrais, - onde deveria prevalecer as transferências doutra unidade de saúde para cuidados especializados -, e hospitais gerais (nível II), onde deveriam prevalecer as urgências. Infelizmente, nesta fase de implementação do SIS-ROH, ainda a comparação entre o nível IV e nível II é possível somente para Maputo e os achados não são estendíveis às outras províncias. Figura 7 – Distribuição em percentagem dos óbitos por tipo de hospital (hospitais centrais – HC, provinciais –HP e gerais – HG) e por tipo de admissão (agrupamento em 3 grupos), 2010-2011 100% 90% 80% 70% 8346 1321 4247 60% 50% 30% 2053 20% 10% Nascimentos e consultas externas 520 40% 3448 Urgente dum servico de urgencia 1323 Transferencia doutra US 816 1174 0% HC HG HP Página 15 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 A distribuição dos óbitos por mês foi analisada só para o ano de 2011 porque, ao longo dos anos anteriores, o SIS-ROH foi implementado cada vez em mais hospitais, portanto a tendência de aumento de óbitos de janeiro até dezembro é fictícia. Em 2011 o número de óbitos parece ser maior entre julho e outubro (fig.8). Esta tendência é difícil de ser explicada porque este período não corresponde ao pico epidémico de algumas doenças infecciosas nem com o período das chuvas e cheias, nem mesmo com o pique de frio. Analisando as curvas por cada hospital, os hospitais com um padrão parecido ao geral, são o Hospital Central de Beira (Sofala) e o Hospital Provincial de Chimoio (Manica): nestes hospitais este efeito poderia ser explicado pelo fortalecimento do SIS-ROH durante o ano de 2011 (fig.9). No Hospital Geral de ´José Macamo’ (Cidade de Maputo) a diminuição de casos em dezembro parece claramente ligada a um atraso na introdução de dados estatísticos de um mês no sistema. O registo de mortalidade parece não ter ainda uma cobertura de dados que permita interpretar tendências sazonais de mortalidade. Figura 8 – Distribuição de todos os óbitos por mês, ano-2011 1400 1300 1200 1100 1000 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dec Figura 9 – Distribuição dos óbitos por mês e hospital, ano-2011 500 HCB 400 HCM HCN HGJM 300 HPC HPI 200 HPL HPP 100 HPQ HPX 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dec A análise dos óbitos por departamentos e serviços de internamento não é possível a nível nacional por falta de padronização da estrutura organizacional hospitalar que não permitiu a codificação dos departamentos e serviços. Ademais, com excepção do Hospital Central de Maputo - cuja análise é Página 16 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 mostrada a seguir, - não foi possível obter os dados de internamentos e então foi impossível calcular a taxa de mortalidade específica por departamento/serviço. 43% dos óbitos aconteceu nas primeiras 48 horas de internamento, com uma variação entre um mínimo de 29% em Xai-Xai (Província de Gaza) e um máximo de 58% em Chimoio (Província de Manica). Na maioria dos hospitais, a mortalidade nas primeiras 48 horas é maior nos departamentos/serviços de urgência, mesmo se a diferença é muito pequena em alguns dos hospitais (Hospital Central da Beira, Hospitais Provincial de Chimoio e Provincial de Inhambane) (fig. 10). Figura 10 – Distribuição dos óbitos por intervalo de tempo entre internamento e morte, por departamentos/serviços de urgência e não urgência, por hospital, 2010-2011 (a análise foi feita para os hospitais que permitiam diferenciar claramente entre serviços de urgência e normais) 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% >48h HCB HCM HCN HGJM HPC HPI HPL HPQ Urgencia Não urgencia Urgencia Não urgencia Urgencia Não urgencia Urgencia Não urgencia Urgencia Não urgencia Urgencia Não urgencia Urgencia Não urgencia Urgencia Não urgencia Urgencia Não urgencia <48h HPX A análise das causas básicas de óbito, grupadas na base dos capítulos CID-10, mostra que mais do que um terço dos óbitos é devido a doenças infecciosas e parasitárias e quase um quinto é devido a afecções originadas no período perinatal; 43% dos óbitos é devida a todas as outras causas, entre as quais as principais são as doenças do aparelho circulatório, do aparelho respiratório e neoplasias (tab.4). Tabela 4 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capítulo CID-10), 2009-2011 Causa básica de óbito (capitulo CID-10) Doenças infecciosas Afecções do período perinatal Doenças do aparelho circulatório Doenças do aparelho respiratório Neoplasias Número % % Cumulativa 11110 37.9 37.9 5448 18.6 56.5 2369 8.1 64.6 1534 5.2 69.8 1391 4.7 74.5 Página 17 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Causa básica de óbito (capitulo CID-10) Doenças endócrinas e nutricionais Consequências de causas externas Causas externas Doenças do sistema nervoso Doenças hematológicas e imunitárias Doenças do aparelho digestivo Gravidez, parto e puerpério Sintomas, sinais e achados anormais Doenças do aparelho geniturinário Malformações congênitas e anomalias cromossômicas Factores que influenciam o estado de saúde Não especificada Doenças do sistema osteomuscular Doenças do olho e anexos Doenças da pele e do subcutâneo Transtornos mentais Doenças do ouvido e da mastóide Total Número % % Cumulativa 1093 3.7 78.3 971 3.3 81.6 793 2.7 84.3 739 2.5 86.8 737 2.5 89.3 643 2.2 91.5 525 1.8 93.3 481 1.6 94.9 431 1.5 96.4 361 1.2 97.6 159 0.5 98.2 132 0.5 98.6 124 0.4 99.1 94 0.3 99.4 90 0.3 99.7 81 0.3 100.0 11 0.0 100.0 29317 A análise das causas básicas de óbito por capítulos CID-10 mostra um padrão parecido na maioria dos hospitais, sendo as doenças infecciosas e as afecções do período perinatal as mais prevalentes (anexos 1). Todavia, alguns hospitais têm características salientes. Os hospitais provinciais de Quelimane e Xai-Xai têm uma percentagem de óbitos por doenças infecciosas significativamente mais elevada da média nacional (57% e 65% respectivamente). Ao contrário, o Hospital de Inhambane tem uma percentagem significativamente menor de óbitos por doenças infecciosas (23%) e significativamente maior de óbitos por doenças do aparelho cardiovascular (13%). A proporção de óbitos por afecções perinatais é significativamente muito maior no Hospital Geral ´José Macamo´ (29%) e muito menor no Hospital Provincial de Inhambane (4%). As tabelas 5 e 6 permitem uma comparação da distribuição dos óbitos por causa básica (agrupamento dos capítulos do CID-10) entre todos os hospitais incluídos nesta análise. Tabela 5 – Número de óbitos por causa básica de morte (capitulo CID-10) e hospital, 2010-2011 Causa básica (Capítulo CDI-10) D. infecciosas HCB HCM HCN HGJM HPC HPI HPL HPP HPQ HPX Total 1056 3158 504 1280 256 176 444 215 1517 524 9130 Afecções do período perinatal 843 2008 125 764 167 34 291 72 270 34 4608 D. hematológicas e imunitárias Neoplasias 257 98 45 56 11 41 49 7 95 14 673 221 654 23 27 2 104 28 8 60 26 1153 D. do aparelho respiratório 209 409 86 161 40 50 129 43 121 29 1277 D. do aparelho circulatório 141 1148 60 100 19 97 71 28 118 49 1831 D. endócrinas e nutricionais 102 393 52 90 20 41 79 22 68 28 895 Página 18 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Causa básica (Capítulo CDI-10) D. do sistema nervoso HCB HCM HCN HGJM HPC HPI HPL 12 45 32 HPP HPQ HPX Total 8 68 13 584 5 116 94 258 28 26 D. do sistema osteomuscular 73 23 2 2 3 2 6 Fatores que influenciam o estado de saúde Consequências de causas externas D. do aparelho digestivo 58 47 1 1 4 3 15 50 288 12 22 17 57 62 39 98 39 684 50 300 23 9 4 17 40 17 47 14 521 Sintomas, sinais e achados anormais Malformações congênitas e anomalias cromossômicas D. do olho e anexos 47 140 16 36 14 39 37 20 43 7 399 46 189 7 18 3 5 6 15 1 290 40 7 3 2 1 16 20 3 Causas externas 29 474 12 6 16 14 16 11 25 8 611 Gravidez, parto e puerpério 26 254 5 28 33 14 38 9 90 9 506 Transtornos mentais 17 19 2 8 - 1 6 2 6 2 63 D. do aparelho geniturinário 15 224 7 16 - 6 7 6 15 5 301 D. da pele e do subcutâneo 13 39 4 5 3 2 2 71 D. do ouvido e da mastóide 4 3 - - - - - - 116 - - - - - - 1017 2657 616 766 1360 510 Não Especificada Total 3391 10249 1 2 1 129 92 - 8 - - 116 2683 809 24058 Tabela 6 – Percentagem de óbitos por causa básica de morte (capítulo CID-10) e hospital, 20102011 Causa básica (Capítulo CDI-10) HCB HCM D. infecciosas 31.1 30.8 Afecções do período perinatal 24.9 D. hematológicas e imunitárias HCN HGJM HPC HPI HPL HPP HPQ HPX Total 49.6 48.2 41.6 23.0 32.6 42.2 56.5 64.8 37.9 19.6 12.3 28.8 27.1 4.4 21.4 14.1 10.1 4.2 19.2 7.6 1.0 4.4 2.1 1.8 5.4 3.6 1.4 3.5 1.7 2.8 Neoplasias 6.5 6.4 2.3 1.0 0.3 13.6 2.1 1.6 2.2 3.2 4.8 D. do aparelho respiratório 6.2 4.0 8.5 6.1 6.5 6.5 9.5 8.4 4.5 3.6 5.3 D. do aparelho circulatório 4.2 11.2 5.9 3.8 3.1 12.7 5.2 5.5 4.4 6.1 7.6 D. endócrinas e nutricionais 3.0 3.8 5.1 3.4 3.2 5.4 5.8 4.3 2.5 3.5 3.7 D. do sistema nervoso 2.8 2.5 2.8 1.0 1.9 5.9 2.4 1.6 2.5 1.6 2.4 D. do sistema osteomuscular 2.2 0.2 0.2 0.1 0.0 0.4 0.1 0.0 0.2 0.6 0.5 Fatores que influenciam o estado de saúde Consequências de causas externas 1.7 0.5 0.1 0.0 0.0 0.5 0.2 0.0 0.6 0.0 0.5 1.5 2.8 1.2 0.8 2.8 7.4 4.6 7.6 3.7 4.8 2.8 D. do aparelho digestivo 1.5 2.9 2.3 0.3 0.6 2.2 2.9 3.3 1.8 1.7 2.2 Sintomas, sinais e achados anormais Malformações congênitas e anomalias cromossômicas D. do olho e anexos 1.4 1.4 1.6 1.4 2.3 5.1 2.7 3.9 1.6 0.9 1.7 1.4 1.8 0.7 0.7 0.5 0.7 0.4 0.0 0.6 0.1 1.2 1.2 0.1 0.3 0.1 0.2 2.1 1.5 0.0 0.1 0.0 0.4 Causas externas 0.9 4.6 1.2 0.2 2.6 1.8 1.2 2.2 0.9 1.0 2.5 Gravidez, parto e puerpério 0.8 2.5 0.5 1.1 5.4 1.8 2.8 1.8 3.4 1.1 2.1 Página 19 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Causa básica (Capítulo CDI-10) HCB HCM HCN HGJM HPC HPI HPL HPP HPQ HPX Total Transtornos mentais 0.5 0.2 0.2 0.3 0.0 0.1 0.4 0.4 0.2 0.2 0.3 D. do aparelho geniturinário 0.4 2.2 0.7 0.6 0.0 0.8 0.5 1.2 0.6 0.6 1.3 D. da pele e do subcutâneo 0.4 0.4 0.4 0.2 0.2 0.3 0.0 0.6 0.1 0.2 0.3 D. do ouvido e da mastóide 0.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 Não Especificada 0.0 1.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.5 3391 10249 1017 2657 616 766 1360 510 2683 809 24058 Total Comparando os óbitos em hospitais de nível diferente aferentes ao mesmo território, o Hospital Central de Maputo (nível IV) e Hospital Geral ´José Macamo´ (nível II), a distribuição por agrupamentos de causas parece ser coerente com o nível de especialização: o HGJM apresenta uma mortalidade elevada por doenças infecciosas (notavelmente HIV) e doenças perinatais; o HCM regista um número de óbitos considerável também por outras causas (doenças do aparelho circulatório, causas externas, neoplasias) sugerindo que esta unidade sanitária esta a ser utilizada como hospital de referência para casos que requerem cuidados mais especializados (tab.7). Estes dados sugerem também a necessidade de fortalecer os cuidados para doentes com HIV e os cuidados neonatais a nível dos hospitais de nível II, pelo menos na província de Maputo Cidade . Todavia, este tipo de comparação deveria ser feito em conjunto com dados sobre a morbilidade para poder guiar recomendações sobre a gestão dos doentes no território. Tabela 7 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capítulo CID-10) nos hospitais Central de Maputo e Geral José Macamo, em número, percentagem e intervalos de confiança 95%, 2010-2011 Causa de morte Afecções do período perinatal Causas externas Doenças do aparelho circulatório Doenças do aparelho digestivo Doenças do aparelho geniturinário Doenças do aparelho respiratório Doenças do sistema nervoso Doenças infecciosas Neoplasias Hosp. Geral José Macamo No. % CI95% 764 29% 27% 31% 28 1% 1% 2% 100 4% 3% 5% 9 0% 0% 1% 16 1% 0% 1% 161 6% 5% 7% 26 1% 1% 1% 1280 48% 46% 50% 27 1% 1% 2% Hosp. Central de Maputo No. % CI95% 2848 18% 18% 19% 1231 8% 7% 9% 1686 11% 10% 11% 422 3% 2% 3% 354 2% 2% 3% 666 4% 4% 5% 413 3% 2% 3% 5138 33% 32% 34% 892 6% 5% 6% Uma comparação entre níveis hospitalares à escala nacional é mais difícil de interpretar não só porque os dados não são representativos para o nível II (só 1 hospital incluído nesta categoria) mas também porque os dados de mortalidade deveriam ser analisados em conjunto com dados sobre a morbilidade. Todavia pode-se observar que no nível IV, mais especializado, os óbitos por doenças infecciosas são menos frequentes que nos outros níveis (32% contra 46-48%), e os por doenças do aparelho circulatório são mais frequentes (9% contra 6-4%); também os óbitos por neoplasias e causas externas são mais frequentes nos níveis de atendimento mais elevados (tab.8). Página 20 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Tabela 8 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capitulo CID-10) e nível de hospital, em número, percentagem e intervalos de confiança 95%, 2010-2011 Causa de morte Doenças infecciosas Afecções do período perinatal Doenças do aparelho circulatório Neoplasias Causas externas Hospital Central (nível IV) No. % CI95% Hospital Provincial (nível III) No. % CI95% Hospital Geral (nível II) No. % CI95% 4718 32% 31% 33% 3132 46% 45% 48% 1280 48% 46% 50% 2976 20% 20% 21% 868 13% 12% 14% 764 29% 27% 31% 1349 9% 9% 10% 382 6% 5% 6% 100 4% 3% 5% 898 6% 6% 7% 228 3% 3% 4% 27 1% 1% 2% 865 6% 5% 6% 402 6% 5% 7% 28 1% 1% 2% A seguir, a análise por causa básica de óbito é feita com maior detalhe. A estrutura da classificação CID-10 permite ter uma descrição das causas de óbito extremamente detalhada (códigos de 4 dígitos), muito detalhada (códigos de 3 dígitos) e por grupamentos de patologias homogéneos (bloques). Apresentamos a análise com estes 3 níveis de detalhe para dar uma ideia o mais completa da mortalidade intra-hospitalar. Utilizando as categorias de 4 dígitos da classificação CID-10 (o nível de codificação mais específico), observa-se que 84 dos 2365 códigos2 registados na base de dados representam 70% de todas as causas de óbitos (Anexo 2). As causas mais frequentes são doença pelo HIV - não especificada (17%), recém-nascidos pré-termo (entre 28 e 37 semanas) (6%), hipertensão essencial (3%) e HIV resultando em doenças infecciosas (2.5%). As outras doenças têm uma prevalência de 2% ou menor; nesta comprida lista de causas de óbito, algumas de particular interesse para a saúde pública são: gastroenterite de origem infecciosa presumível (1.5%), doenças pelo HIV resultando em infecções múltiplas (1.4%) e outras doenças (1%), malária por plasmodium falciparum com ou sem complicações cerebrais (respectivamente 1.1% e 1.0%), malária não especificada (0.8%), diabete melito (0.7%), marasmo nutricional e Kwashiorkor marasmático (respectivamente 0.7% e 0.6%). A tuberculose respiratória com e sem confirmação bacteriológica é respectivamente só 0.3% e 0.2% das causas de óbito. A causa externa de óbito mais frequente é queimaduras (0.4%) e os acidentes de transporte não especificados e quedas são ambos 0.2% das causas. Entre as causas de óbito de interesse da gestão hospitalar pode-se evidenciar que a septicemia bacteriana do recém-nascido, não especificada e genérica, causam respectivamente 1.1% e 0.7% dos óbitos; a septicemia do adulto causa 0.5% dos óbitos. 2 No sistema de classificação CID-10, existem 12,455 códigos em total. Alguns não são admitidos como causas de óbito. Página 21 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Utilizando as categorias de 3 dígitos da classificação CID-10, onde algumas condições são agrupadas em categorias específicas3 (por exemplo todas as condições devidas a infecção por plasmodium falciparum) é mais fácil individualizar grupos de causas de óbito que podem ter um interesse de saúde pública. Observa-se que 37 dos 1088 códigos de 3 dígitos registados na base de dados representam 70% de todas as causas de óbitos (tab.9). As causas mais frequentes são doença pelo HIV (não especificada 17%, resultando em doenças infecciosas 7%, resultando em neoplasias malignas 1%, resultando em outras doenças especificadas 1%, resultando em outras doenças 2%) e transtornos relacionados com a gestação de curta duração e peso baixo ao nascer (9%). Entre algumas das patologias de interesse de saúde pública, a malária por P. falciparum e não especificada causa 4% dos óbitos e a TB 2,5% (2% por TB respiratória e 0.5% por TB miliar); entre as causas não infecciosas a hipertensão essencial causa 3% dos óbitos e a diabete 1%. Tabela 9 – Distribuição de todos os óbitos por causa básica de morte (categoria de 3 dígitos, CID10), numero, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011 Código Descrição da causa de óbito Total % % Cum. B24 Doença pelo HIV, não especificada 4850 17% 17% P07 Transtornos relacionados com a gestação de curta duração e peso baixo ao nascer não classificados em outra parte Doença pelo HIV, resultando em doenças infecciosas e parasitárias Asfixia ao nascer Pneumonia por microorganismo não especificada Hipertensão essencial (primária) Malária por plasmodium falciparum Septicemia bacteriana do recém-nascido Doença pelo HIV resultando em outras doenças Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível Doença pelo HIV resultando em outras doenças especificadas Acidente vascular cerebral, não especificado Outras septicemias Meningite bacteriana não classificada em outra parte Morte fetal de causa não especificada Diabetes mellitus não especificado Doença pelo HIV, resultando em neoplasias malignas Hipoxia intra-uterina Outras anemias Malária não especificada Pedestre traumatizado em outros acidentes de transporte e em acidentes de transporte não especificados 2774 9% 26% 2169 7% 33% 1093 897 889 795 557 503 445 402 4% 3% 3% 3% 2% 2% 2% 1% 37% 40% 43% 46% 48% 50% 51% 52% 350 345 249 240 240 239 228 228 228 215 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 54% 55% 56% 56% 57% 58% 59% 60% 60% 61% B20 P21 J18 I10 B50 P36 B23 A09 B22 I64 A41 G00 P95 E14 B21 P20 D64 B54 V09 3 Algumas condições não têm um quarto dígito, sendo o código a 3 dígitos o máximo nível de especificação: por exemplo A09=Diarreia e Gastroenterite de Origem Infecciosa Presumível ou I10=hipertensão primaria Página 22 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código Descrição da causa de óbito Total % % Cum. E41 C22 Marasmo nutricional Neoplasia maligna do fígado e das vias biliares intrahepáticas Tuberculose respiratória, com confirmação bacteriológica e histológica Pneumonia bacteriana não classificada em outra parte Kwashiorkor marasmático Tuberculose das vias respiratórias, sem confirmação bacteriológica ou histológica Insuficiência renal crônica Queimadura e corrosão, parte não especificada do corpo Anemia por deficiência de ferro Traumatismo intracraniano Insuficiência cardíaca Cardiomiopatias Não especificado Tuberculose miliar Outras imunodeficiências Desconforto (angústia) respiratório(a) do recém-nascido Outras doenças 213 206 1% 1% 62% 63% 203 1% 63% 193 189 188 1% 1% 1% 64% 65% 65% 179 176 174 169 155 149 132 132 123 118 8682 1% 1% 1% 1% 1% 1% 0.5% 0.5% 0.4% 0.4% 30% 66% 66% 67% 68% 68% 69% 69% 70% 70% 70% 100% A15 J15 E42 A16 N18 T30 D50 S06 I50 I42 111 A19 D84 P22 Apesar de uma diferença de distribuição das causas básicas entre hospitais, para a maioria dos hospitais as primeiras 15 causas da tabela acima, cobrem pelo menos a metade de todas as causas de óbito, indicando que o HIV e alguns transtornos perinatais são umas das causas mais frequentes. Vale a pena evidenciar que no Hospital Central de Nampula a malária por P. falciparum causa 15% dos óbitos (mais 1% por malária não especificada); ao contrário de todos os outros hospitais, o Hospital Provincial de Inhambane tem uma prevalência muito baixa de óbitos por HIV e nenhuma das causas de óbito totaliza mais de 5% (tab.10). Tabela 10 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (categoria de 3 dígitos, CID-10) e por hospital, percentagem, 2009-2011 Código CID-10 (3 dígitos) B24 P07 B20 P21 J18 I10 B50 P36 B23 A09 B22 HCB HCM HCN 4 18 14 13 11 6 11 6 1 4 3 2 3 2 6 1 5 0.3 1 2 15 4 2 1 3 0.2 2 1 1 4 3 0.5 1 Hospitais (%) HGJM HPC HPI HPL HPP HPQ HPX 21 12 5 5 4 27 37 11 10 0.3 6 6 0 2 13 21 0.1 13 19 4 6 8 10 4 5 2 1 1 5 5 5 5 6 3 2 2 0 0.3 1 2 0 3 2 4 0.3 5 5 4 4 3 1 0 4 4 0.3 0.5 4 0 0 0.3 0.4 6 11 2 1 2 3 3 1 1 2 0.5 0 1 0.4 6 1 Página 23 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código CID-10 (3 dígitos) I64 A41 G00 P95 Outras causas HCB HCM HCN 1 2 1 1 1 5 0.3 1 1 0 1 0 50 45 41 Hospitais (%) HGJM HPC HPI HPL HPP HPQ HPX 1 2 1 1 1 1 0 1 1 1 1 5 2 1 0.2 0.5 0 0.4 0.2 0.1 1 5 4 0 0 0 0.3 0 21 30 83 51 42 43 30 Um outro tipo de análise de dados é a análise por agrupamentos (bloques) de códigos CID-10 que são um nível intermédio entre o agrupamento em capítulos e os códigos de 3 dígitos; mesmo perdendo um nível fino de detalhe, mantém-se um nível de especificação suficiente para orientar intervenções de saúde pública (tab.11). Sobre 239 agrupamentos que existem no sistema CID-10, 220 são registados na base de dados e 26 constituem 80% de todas as causas básicas de óbito. A análise por bloques permite em um olhar ver o enorme impacto da doença por HIV, em todas as suas manifestações clínicas, sobre a mortalidade intra-hospitalar: mais que um quarto dos óbitos (28%) são relacionados com HIV/SIDA. Para poder fortalecer os cuidados para os doentes com HIV/SIDA é importante tentar melhorar a codificação dos óbitos por HIV reduzindo o uso do código genérico B24 e promovendo o uso dos códigos de quatro dígitos das categorias B20-B23 (B24 foi utilizado para 17% dos óbitos e os códigos B20-B23 somente para 11%). Além das observações sobre o HIV/SIDA, esta análise não acrescenta muito à tabela 9, por categoria de 3 dígitos. Todavia vale a pena comentar que a quase totalidade dos transtornos relacionados com a duração da gestação e crescimento fetal, 99% dependem de curta duração e baixo peso ao nascer. No bloque “Gripe e pneumonia”, a Pneumonia por microorganismo não especificada é 77% do total e a Pneumonia bacteriana não classificada em outra parte é 17%; entre os diabetes mellitus, 58% é representado por diabetes mellitus não especificado; estes dois exemplos indicam que existe uma baixa tendência a efectuar uma diagnose mais cuidadosa em algumas patologias. Esta tendência pode depender da limitada capacidade diagnóstica (ex. por falta de laboratórios para análises microbiológicas, bioquímicas ou serológicas) ou de um insuficiente treinamento dos codificadores que escolhem códigos genéricos ao invés dos mais específicos. 80% das doenças hipertensivas é a hipertensão essencial; este dado parece compatível com o perfil epidemiológico deste grupo de doenças. Somente 7% das doenças causadas por agentes protozoários não é ligado a plasmodia (P. falciparum e não especificados). Os óbitos por tuberculose são devidos a TB respiratória em 62% (códigos A15 e A16). Entre a grande variedade de acidentes de transporte, o tipo mais frequente é atropelamento de pedestre (pedestre traumatizado em acidentes de transporte outros e não especificados) sendo quase dois terços dos acidentes (62%). As neoplasias são só 4,8% de todas as causas de óbito (tab.6); entre as neoplasias malignas, a localização mais frequente são os órgãos digestivos (1%), dos quais 75% são tumores do fígado e das vias biliares intra-hepáticas. Página 24 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Tabela 11 – Distribuição de todos os óbitos por causa básica de morte (agrupamentos, bloques CID-10), número, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011 Grupos de códigos B20-B24 P05-P08 P20-P29 J09-J18 I10-I15 B50-B64 A15-A19 P35-P39 I60-I69 E40-E46 A00-A09 G00-G09 A30-A49 E10-E14 I30-I52 V01-V99 T20-T32 D60-D64 N17-N19 C15-C26 P90-P96 D00-D09 K70-K77 S00-S09 R50-R69 C81-C96 Descrição da causa de óbito Doença Pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) Transtornos relacionados com a duração da gestação e crescimento fetal Doenças respiratórias e cardiovasculares específicas do período perinatal Gripe e pneumonia Doenças hipertensivas Doenças causadas por protozoários Tuberculose Infecções próprias do período perinatal Doenças cerebrovasculares Desnutrição Doenças infecciosas intestinais Doenças inflamatórias do sistema nervoso central Outras doenças bacterianas Diabetes mellitus Outras formas de doença cardíaca Acidentes de transporte Queimaduras e corrosões Anemia aplástica e outras Insuficiência renal Neoplasias malignas dos órgãos digestivos Outras afecções originadas no período perinatal Carcinomas in situ Doenças do fígado Lesões na cabeça Sintomas e sinais gerais Neoplasias malignas, declaradas ou presumidas ser primárias, do tecido linfóide, hematopoiético e afins Outras causas Total 8163 2813 % % Cum. 28% 28% 37% 10% 1597 1158 1118 1105 626 579 576 550 507 472 442 416 413 348 347 319 305 274 264 254 253 226 224 203 5765 43% 5% 4% 4% 4% 2% 2% 2% 2% 2% 2% 2% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 20% 47% 51% 54% 57% 59% 60% 62% 64% 66% 67% 69% 70% 71% 72% 74% 75% 75% 76% 77% 78% 79% 80% 80% 100% A análise das causas directas de óbito por capítulos CID-10 mostra uma distribuição diferente das causas básicas, mesmo sendo as doenças infecciosas e as afecções do período perinatal as mais frequentes (23% e 19% respectivamente). Todavia as doenças do aparelho respiratório são significativamente mais frequentes entre as causas directas que entre as causas básicas (13% versus 5%); as doenças hematológicas e as do sistema nervoso são importantes, sendo respectivamente 7% e 6%; também os sintomas, sinais e achados anormais são 4,2% contra 1.6% entre as causas básicas (tab.12 e tab.4) Página 25 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Tabela 12 – Distribuição dos óbitos por causa directa de morte (capítulo CID-10), 2009-2011 Causa directa de óbito (capitulo CID-10) Doenças infecciosas Afecções do período perinatal Doenças do aparelho respiratório Doenças do aparelho circulatório Doenças hematológicas e imunitárias Doenças do sistema nervoso Neoplasias Sintomas, sinais e achados anormais Doenças endócrinas e nutricionais Consequências de causas externas Doenças do aparelho geniturinário Doenças do aparelho digestivo Gravidez, parto e puerpério Causas externas Malformações congênitas e anomalias cromossômicas Fatores que influenciam o estado de saúde Não Especificada Doenças do sistema osteomuscular Transtornos mentais Doenças da pele e do tecido subcutâneo Fatores que influenciam o estado de saúde Doenças do olho e anexos Doenças da pele e do subcutâneo Doenças do ouvido e da apófise mastóide Doenças do ouvido e da mastóide Total Número % 6630 5574 3829 2402 2027 1767 1346 1217 1002 986 616 616 293 192 173 161 159 86 81 55 47 39 10 8 1 29317 22.6% 19.0% 13.1% 8.2% 6.9% 6.0% 4.6% 4.2% 3.4% 3.4% 2.1% 2.1% 1.0% 0.7% 0.6% 0.5% 0.5% 0.3% 0.3% 0.2% 0.2% 0.1% 0.0% 0.0% 0.0% % Cum. 23% 42% 55% 63% 70% 76% 80% 85% 88% 91% 93% 96% 97% 97% 98% 98% 99% 99% 99% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Esta diferença na distribuição entre causa básica e causa directa não é surpreendente, ao contrário é esperado e a explicação é dada pela prevalência de causas de óbitos entre as quais: broncopneumonia não especificada (3.8%), insuficiência respiratória aguda (2.2%), anemia não especificada (2.4%), choque hipovolêmico (1.2%), etc., visíveis com uma análise dos códigos a 4 dígitos. Utilizando as categorias de 4 dígitos da classificação CID-10, observa-se que 95 dos 2121 códigos registados na base de dados representam 70% de todas as causas directas de óbitos (uma variedade mais ampla de códigos do que para as causas básicas) (anexo 3). Nenhuma das causas directas chega a 4% de frequência. A doença pelo HIV não especificada foi causa directa de óbito somente em 2%. Todas as formas de tuberculose registadas como causa directa causaram 4.6% dos óbitos, uma percentagem maior em comparação com as causas básicas (este assunto será discutido de forma mais aprofundada a seguir). Página 26 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 As diferenças entre causa básica e directa sugerem que a diferença conceptual entre os dois tipos de causas foi entendida e bem preenchida pelos médicos e codificadores. Entre as causas de óbito de interesse da gestão hospitalar pode-se evidenciar que a septicemia bacteriana do recém-nascido, não especificada, genérica e bacteriana, causam respectivamente 3.2%, 1.3% e 1.3% dos óbitos; a septicemia outra e não especifica do adulto causou 3% e 2.2% dos óbitos. Entre as consequências de prestação de cuidado cirúrgico e médico, a assepsia insuficiente foi reportada em 0.2%. A comparação da distribuição de causa directa (3 dígitos) entre hospitais mostra uma distribuição pouco homogénea, com algumas divergências importantes da média nacional (tab.13). Por exemplo as outras septicemias dos adultos e a septicemia do recém-nascido são menos frequentes nos hospitais provinciais de Chimoio e Inhambane; mas na Beira a septicemia dos adultos é menor e a dos recém-nascidos mais frequente que a média nacional (1% e 10% respectivamente). Os transtornos relacionados com a gestação de curta duração e peso baixo ao nascer são especialmente altos no hospital ´José Macamo´. A anemia por deficiência de ferro é particularmente elevada no hospital de Chimoio (13%). Os acidentes vasculares cerebrais não especificados são muito mais frequentes no hospital de Inhambane (25%), onde também havia uma percentagem elevada de causas básica do capítulo de doenças do aparelho cardiovascular. Todavia, as diferenças entre hospitais nem sempre parecem coerentes com outros dados discutidos acima. Tabela 13 – Percentagem de óbitos por causa directa de morte (códigos de 3 dígitos) e hospital, (primeiras 20 causas mais frequentes), 2010-2011 Cod. Descrição HCB HCM HCN HPC HPI HPL HPP HPQ HPX Total 7 HGJ M 8 A41 Outras septicemias 1 7 1 0 4 2 4 26 6 J96 Insuficiência respiratória não classificada de outra parte Septicemia bacteriana do recém-nascido 3 8 9 1 2 1 6 10 4 7 5 10 6 2 3 2 0 4 4 0 1 5 5 4 5 7 11 4 3 5 8 2 5 P22 Pneumonia por microorganismo não especificada Angústia respiratória do recém-nascido 2 2 10 6 0 3 1 3 10 1 4 P21 Asfixia ao nascer 6 6 1 0 3 0 2 0 0 0 3 D64 Outras anemias 3 3 3 9 9 3 4 3 1 0 3 P07 Transtornos relacionados com a gestação de curta duração e peso baixo ao nascer Acidente vascular cerebral, não especificado Malária por plasmodium falciparum 2 2 2 11 4 0 3 0 0 1 3 1 1 3 2 7 25 2 0 4 1 2 0 3 2 0 2 1 3 2 2 10 2 2 1 6 2 4 0 4 4 5 3 2 G93 Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível Outros transtornos do encéfalo 1 3 1 2 2 1 1 1 2 0 2 B24 Doença pelo HIV não especificada 2 2 2 4 1 1 2 3 2 1 2 R57 Choque não classificado em outra parte 0 2 3 0 3 2 5 5 2 3 2 D50 Anemia por deficiência de ferro 4 0 0 4 13 0 3 3 1 0 2 B20 Doença pelo HIV, resultando em 2 1 2 1 1 0 3 5 3 1 2 P36 J18 I64 B50 A09 Página 27 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Cod. Descrição HCB HCM HCN HGJ M HPC HPI HPL HPP HPQ HPX Total 2 1 2 1 0 0 1 0 3 2 2 3 1 1 3 2 0 0 0 2 1 1 I50 Tuberculose das vias respiratórias, sem confirmação bacteriológica Tuberculose respiratória, com confirmação bacteriológica Insuficiência cardíaca 1 1 2 1 0 11 1 3 2 1 1 C46 Sarcoma de Kaposi 1 2 1 1 0 0 1 1 1 1 1 doenças infecciosas e parasitárias A16 A15 A análise das causas de óbito (capítulos CID-10) por faixa etária mostra que as doenças infecciosas e parasitárias são as mais frequentes em todas as faixas etárias (variando de 38 a 61%), com excepção dos recém-nascidos (0-28 dias) entre os quais as causas de morte predominantes são as afecções do período perinatal (84%) e os maiores de 64 anos entre os quais as causas predominante são as doenças do aparelho circulatório (30%) (fig.11). A percentagem das doenças do aparelho circulatório aumenta progressivamente com o aumento da idade, sendo menor de 2% até 4 anos, cerca de 5% até 44 anos, 19% na faixa de 45-64 anos e 30% nos acima de 64 anos. As neoplasias são proporcionalmente mais frequente nas faixas etárias de 5-14 anos (8%) e acima de 45 anos (8% e 11% respectivamente para os grupos 45-64 e >64 anos); as neoplasias mais frequentes na faixa pediátrica são as neoplasias malignas do tecido linfóide e hematopoiético, e nas faixas adultas as neoplasias malignas dos órgãos digestivos. As causas externas são proporcionalmente mais frequentes entre 1 e 24 anos (variando de 11% a 13%), sendo as queimaduras e corrosões as causas principais entre as crianças de 1 a 14 anos de idade e os acidentes de transporte nos de 15-24 anos. Figura 11 – Distribuição dos óbitos por faixa etária e por causa básica de óbito (capítulo CID-10), 2009-2011 9000 8000 Outras causas 7000 D. hematológicas e imunitárias D. do sistema nervoso 6000 Causas externas 5000 D. endócrinas e nutricionais 4000 Neoplasias 3000 D. do aparelho respiratorio 2000 D. do aparelho circulatório Afecções do período perinatal 1000 D. infecciosas 0 0-28d 29d-12m 1-4 5-14 15-24 25-44 45-64 65+ Una análise das causas de óbito nas faixas etárias pediátricas mostra que a mortalidade neonatal precoce é devida principalmente a nascimento pré-termo (28-37 semanas) (27%) e asfixia ao nascer (19%); óbitos por extrema imaturidade (<28 semanas) e peso ao nascer <1000 gramas são Página 28 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 respectivamente a causa de 7% e 9% dos óbitos. A mortalidade neonatal tardia é devida principalmente a nascimento pré-termo (28-37 semanas) (26%) e septicemia bacteriana do recémnascido (18%). A mortalidade pós-neonatal depende principalmente da doença pelo HIV não especificadas (13%) e desnutrição (9%), que é representada em igual medida pelo marasmo nutricional e kwashiorkor marasmático; também a diarreia de origem infecciosa e a broncopneumonia não especificada são causas importantes sendo ambas correspondentes a 7%. A mortalidade da faixa 1-4 anos é devida principalmente a doença pelo HIV não especificadas (13%), desnutrição (12%), marasmo nutricional e kwashiorkor marasmático em igual medida, e a malária grave complicada (plasmodium falciparum e/ou vivax e/ou malariae) (10%). (tab.14) A mortalidade infantil intra-hospitalar poderia ser reduzida quase em 50% através do fortalecimento dos cuidados neonatais, pelo menos para os casos de imaturidade não extrema com maior probabilidade de sobrevivência, e melhorando as condições de assepsia durante o parto. A prevenção da transmissão vertical do HIV e o seguimento nutricional dos infantes contribuiriam a ulterior 10% de redução. Tabela 14 – Distribuição dos óbitos nas faixas etárias pediátricas por causa básica de óbito, 20092011 Causa básica de óbito (agrupamentos) Outros recém-nascidos de pré-termo (28-37 semanas de gestação) ou não especificados Asfixia ao nascer 0-7 dias 8-28 dias 29-364 dias N % 1-4 anos N % N % N % 1341 27 286 26 75 4 13 1 936 19 100 9 47 2 6 0 Doença pelo HIV resultando em outras doenças ou não especificadas Recém-nascido com peso muito baixo (<1000 g) 30 1 18 2 275 13 252 13 456 9 71 7 27 1 2 0 Septicemia bacteriana do recém-nascido 297 6 191 18 51 2 10 0 10 0 10 1 186 9 235 12 338 7 40 4 12 1 2 0 Desnutrição Imaturidade extrema (<28 semanas de gestação) Malaria grave complicada (Falciparum e/ou Vivax e/ou Malariae) Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa 7 0 6 1 94 4 206 10 14 0 13 1 139 7 95 5 Broncopneumonia não especificada 20 0 22 2 138 7 78 4 Morte fetal de causa não especificada 231 5 2 0 4 0 0 Hipoxia intra-uterina 214 4 6 1 5 0 0 26 1 23 2 92 4 66 3 121 2 20 2 15 1 11 1 Pneumonias 11 0 11 1 80 4 54 3 Outras malformações congênitas e deformidades 88 2 32 3 21 1 9 0 0 2 0 18 1 129 6 4 0 7 1 63 3 70 3 100 2 13 1 5 0 Malaria outra e não especificada 4 0 3 0 38 2 72 4 Meningite bacteriana não classificada em outra parte 5 0 16 1 54 3 39 2 Septicemia não especificada Outras afecções originadas no período perinatal Queimaduras e corrosões Doença pelo HIV resultando em outras infecções bacterianas Desconforto respiratório do recém-nascido 0 Página 29 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Causa básica de óbito (agrupamentos) 0-7 dias N Outros recém-nascidos de peso baixo (1000-2500 g) Outras causas Total % 8-28 dias N % 29-364 dias N % 1-4 anos N % 75 2 21 2 6 0 2 0 594 12 176 16 644 31 653 33 4922 1089 2089 2004 Considerando somente os óbitos por prematuridade, todos os tipos, as causas de óbitos directas mais frequentes são desconforto/angústia respiratório/a (37%), septicemia bacteriana do recémnascido (23%) (fig.12). Figura 12 – Distribuição dos óbitos por prematuridade (Transtornos relacionados com a gestação de curta duração e peso baixo ao nascer (N=2774) por causa directa de óbito (códigos de 3 dígitos), 2009-2011 Outras causas 3% Pneumonia não esp. 0.4% Desconforto respiratório do RN 37% Hipotermia do RN Outras 1% Septicemias 1% Outras afecções respiratórias perinatais 1% Síndrome de Aspiração Neonatal 2% Asfixia ao Nascer 11% Septicemia bacteriana do RN 23% Prematuridade 21% Na maioria dos hospitais a distribuição as causas de óbitos em idade infantil não é significativamente diferente. Comparando a distribuição das primeiras 10 causas de óbito em menores de 1 ano de idade, pode-se notar como o Hospital de Quelimane se destaca por ter uma percentagem muito elevada de hipoxia intra-uterina; o Hospital Provincial de Inhambane não reporta casos de nascimentos pré-termo; o Hospital Central de Beira tem uma percentagem de imaturidade extrema muito mas alta dos outros hospitais; o Hospital Provincial de Xai-Xai apresenta uma percentagem elevada de óbitos por HIV (fig.13). É difícil poder dizer se estas diferenças dependem de uma real diferença de frequência de causas de óbito ou de uso diferente da codificação das causas básicas. Página 30 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 13 – Distribuição dos óbitos em minores de 1 ano de idade por as 10 causas de óbito mais frequentes e hospital, 2010-2011 Desnutrição 100% 90% Hipóxia intra-uterina 80% Morte Fetal de causa não esp. 70% 60% HIV não especificado 50% Imaturidade extrema (<28 sem.) 40% Septicemia Bacteriana do RN 30% 20% RN com peso muito baixo (<1000 gramas) Asfixia ao Nascer 10% 0% RN de pré-termo (28-37 sem.) Os óbitos em idade pediátrica por tempo de admissão mostram que, com excepção da faixa de 0-7 dias, os óbitos acontecem principalmente depois de 48 horas de internamento (fig.14). Figura 14 – Distribuição dos óbitos em faixa etária pediátrica por causa intervalo de internamento, 2009-2011 6000 >48h = 38% 5000 4000 3000 >48h = 61% >48h = 55% 29d-12m 1-4 >48h = 80% 2000 1000 0 0-7d 8-28d <48h >48h A distribuição por sexo mostra que os óbitos intra-hospitalares são consistentemente maiores no sexo masculino, de 2009 a 2011 (fig.15), em todas as faixas etárias com excepção da faixa 15-24 anos (tab.15). O número maior de óbitos de sexo masculino pode depender de acesso aos cuidados hospitalares mais fácil para os homens que para as mulheres, mas poderia também indicar que os homens chegam aos cuidados hospitalares quando o estado de saúde é mais deteriorado. Lamentavelmente não estão disponíveis dados de internamento por sexo para poder calcular a mortalidade intra-hospitalar específica por sexo. Página 31 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 15 – Distribuição dos óbitos por sexo e ano, 2009-2011 9000 8000 7000 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 M = 56% M = 58% M = 56% 2009 2010 Feminino 2011 Masculino Tabela 15 – Distribuição dos óbitos por sexo e faixa etária, número e proporção sexo masculino/feminino, 2009-2011 Faixa etária Masculino Feminino Proporção M/F <1 4290 3717 1.2 1-4 1083 918 1.2 5-14 670 529 1.3 15-24 1036 1204 0.9 25-34 2622 1992 1.3 35-44 2281 1423 1.6 45-54 1943 1075 1.8 55-64 1276 764 1.7 65+ 1391 991 1.4 Total 16592 12613 1.3 Analisando os óbitos nas mulheres adultas (>14 anos), nota-se que o HIV/SIDA causa cerca de metade dos óbitos nas mulheres de 15-24 anos (44%), 25-34 anos (59%) e 35-44 anos (50%), sendo uma causa importante mas menos predominante nas mulheres mais velhas (a frequência diminui de 37% para 7% dos 45-55 anos até >64 anos). Em todas as faixas etárias as outras doenças infecciosas causam 7 a 10% dos óbitos. As doenças do aparelho circulatório aumentam progressivamente com o aumentar da idade, chegando a ser 26% das causas de óbito nas mulheres de 55-64 anos e 33% nas de >64 anos. Também as neoplasias aumentam com a idade, atingindo 10% em todas as faixas de >44 anos. As outras causas têm uma frequência aproximadamente parecida em todas as faixas etárias. (fig.16). As patologias e condições ligadas à gravidez, parto e puerpério são entre as 8 causas de óbitos mais frequentes nas mulheres: 9% dos óbitos de mulheres de 15-24 anos são devidos à gravidez, parto e puerpério; a percentagem diminui para 6% e 4% nas mulheres de 25-34 e 35-44 anos respectivamente. Página 32 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 16 – Distribuição dos óbitos entre adultos de sexo feminino, por faixa etária e por causa básica de óbito (capítulo CID-10), 2009-2011 2000 Outras causas 1800 D. hematológicas e imunitárias D. endócrinas e nutricionais 1600 1400 1200 Gravidez, parto e puerpério 1000 D. do aparelho respiratorio 800 Neoplasias 600 D. do aparelho circulatório 400 Outras d. infecciosas 200 Doença pelo HIV 0 15-24 25-34 35-44 45-54 55-64 65+ Nos homens adultos (>14 anos), o HIV/SIDA causa cerca da metade dos óbitos na faixa etária de 2534 anos (51%) e 35-44 anos (51%), sendo uma causa importante mas menos predominante nos homens mais velhos (a frequência diminui de 37% para 8% dos 45-55 anos até >64 anos); contrariamente às mulheres, a faixa de 15-24 anos a mortalidade por HIV/SIDA não é especialmente alta sendo 28% do total. Em todas as faixas etárias as outras doenças infecciosas causam entre 8 a 13% dos óbitos. Como para as mulheres, as doenças do aparelho circulatório, aumentam progressivamente com o aumentar da idade, chegando a ser 22% das causas de óbito nos homens de 55-64 anos e 28% nos de >64 anos. Também as neoplasias aumentam com a idade, atingindo 11% em homens de >64 anos. As outras causas têm uma frequência aproximadamente parecida em todas as faixas etárias. (fig.17). Diferentemente do observado antes para as mulheres, as causas externas (incluindo consequências de causas externas) são entre as 8 causas de óbitos mais frequentes nos homens, com percentagem elevada entre os jovens adultos (19% e 11% respectivamente nos homens de 15-24 e 25-34 anos); acima de 35 anos a frequência de mortalidade por causas externas é constantemente 7%. Página 33 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 17 – Distribuição dos óbitos entre adultos de sexo masculino, por faixa etária e por causa básica de óbito (capítulo CID-10), 2009-2011 Outras causas 2500 D. hematológicas e imunitárias 2000 D. do aparelho digestivo Causas externas 1500 D. do aparelho respiratorio Neoplasias 1000 D. do aparelho circulatório 500 Outras d. infecciosas Doença pelo HIV 0 15-24 25-34 35-44 45-54 55-64 65+ 5.1.2 Análise detalhada sobre algumas condições específicas 5.1.2.1 HIV/SIDA O HIV/SIDA é a causa básica de óbito mais frequente. Como já discutido, entre os 15 e 44 anos constitui proporcionalmente a principal causa de óbito; todavia, em números absolutos, as faixas de idade mais afectadas são as de 25 a 54 anos (fig.18). Figura 18 – Distribuição dos óbitos com causa básica = HIV/SIDA por sexo e faixa etária, 2009-2011 1400 1200 Feminino Masculino 1000 800 600 400 200 0 <1 1-4 5-14 15-24 25-34 35-44 45-54 55-64 65+ Página 34 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 A mortalidade por HIV/SIDA é maior nos homens em todas as faixas etárias, com excepção de 15-24 anos; a proporção de óbitos por HIV/AIDS entre homens e mulheres é parecida à proporção por mortalidade geral (provavelmente porque o HIV/SIDA é uma das causas principais e influencia todas as estatísticas gerais). Confrontando os óbitos por HIV/SIDA e os outros nota-se uma diferença importante na faixa de idades compreendidas entre os 15-24 anos, onde as mulheres morrem muito mais de HIV/SIDA (M/F ratio 0.5) e os homens de outras doenças (M/F ratio 1.6) (tab.16); esta diferencia é estatisticamente significativa, sendo que as mulheres de 15-24 anos tem um risco de morrer de HIV/SIDA 1.6 (1.4-1.8) (p<0.001) vezes mais alto dos homens da mesma idade. As causas para este excesso de óbitos por HIV/SIDA nas mulheres de 15-24 anos deveria ser investigada; condições como a gravidez poderiam ser um factor de aumentado risco de mortalidade entre as mulheres HIV positivas. Tabela 16 – Proporção de óbitos entre homens e mulheres (M/F ratio) para a mortalidade geral, HIV/SIDA e todas outras causas diferente de HIV/SIDA, por faixa etária, 2009-2011 Faixa etária <1 1-4 5-14 15-24 25-34 35-44 45-54 55-64 65+ Total Proporção M/F Mortalidade Geral HIV/SIDA Não-HIV/SIDA 1.2 1.3 1.1 1.2 1.2 1.2 1.3 1.0 1.1 0.9 0.5 1.6 1.3 1.1 1.6 1.6 1.6 1.8 1.8 1.8 1.3 1.7 1.7 1.7 1.4 1.5 1.4 1.3 1.3 1.3 A idade média de morte em maiores de 1 ano é significativamente inferior nos óbitos por HIV/SIDA que nos óbitos por qualquer outra doença, sendo respectivamente 34.9 e 39.1 (p<0.005) Na tabela 17 aparece a lista de todos os códigos utilizados na base de dados com as suas respectivas frequências. Infelizmente o código mais utilizado é o código B24, correspondente a “Doença pelo HIV não especificada” (59%); seguido do código B20 “Doença pelo HIV, resultando em doenças infecciosas e parasitárias” que mesmo sendo mais detalhado agrupa todas as infecções correlacionadas com o HIV/SIDA sem fornecer os detalhes que poderiam ser úteis para orientar as intervenções de saúde pública e gestão hospitalar. Nesta conformidade, é necessário sensibilizar os usuários do SIS-ROH a preferir, quando possível, os códigos CID-10 com 4 dígitos aos códigos de condições não especificadas. Página 35 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Tabela 17 – Códigos específicos utilizados para os óbitos que tem como causa básica HIV/SIDA, 2009-2011 Código B20 B200 B201 B202 B203 B204 B205 B206 B207 B208 B209 B21 B210 B211 B212 B213 B217 B218 B219 B22 B220 B222 B227 B23 B230 B231 B232 B238 B24 Total Descrição Doença pelo HIV, resultando em(*) doenças infecciosas e parasitárias *infecções micobacterianas *outras infecções bacterianas *doença citomegálica *outras infecções virais *candidíase *outras micoses *pneumonia por Pneumocystis jirovecii *infecções múltiplas *outras doenças infecciosas e parasitárias *doença infecciosa ou parasitária não especificada *neoplasias malignas *sarcoma de Kaposi *linfoma de Burkitt *outros tipos de linfoma não-Hodgkin *outras neoplasias malignas dos tecidos linfático, hematopoético e correlatos *múltiplas neoplasias malignas *outras neoplasias malignas *neoplasia maligna não especificada *outras doenças especificadas *encefalopatia *síndrome de emaciação *doenças múltiplas classificadas em outra parte *outras doenças Síndrome de infecção aguda pelo HIV *linfadenopatias generalizadas (persistentes) *anomalias hematológicas e imunológicas não classificadas em outra parte *outra afecções especificadas Doença pelo HIV não especificada N % 745 171 238 8 42 30 6 86 410 169 264 67 135 15 3 2 9.1% 2.1% 2.9% 0.1% 0.5% 0.4% 0.1% 1.1% 5.0% 2.1% 3.2% 0.8% 1.7% 0.2% 0.0% 0.0% 5 3 9 236 103 29 34 299 60 1 112 31 4850 8163 0.1% 0.0% 0.1% 2.9% 1.3% 0.4% 0.4% 3.7% 0.7% 0.0% 1.4% 0.4% 59.4% A qualidade da codificação não é igual em todos os hospitais (tab.18). Os hospitais que mais utilizaram os códigos de 4 dígitos (os mais específicos) para os óbitos devidos a HIV/SIDA são os hospitais de Pemba e de Chimoio; os que mais utilizaram o código B24 (o menos específico) foram o hospital de Inhambane e de Nampula. É interessante o facto de o Hospital Central de Maputo, onde o SIS-ROH foi instalado há mais tempo, ter bastante mais de metade dos óbitos por HIV/SIDA codificados com B24. Estes dados podem dar uma indicação mais ou menos clara de onde deveria ser fortalecida ou repetida a formação sobre o uso da codificação CID-10. Página 36 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Tabela 18 – Tipo de códigos CID-10 utilizados para os óbitos que têm como causa básica HIV/SIDA, comparação entre hospitais, 2010-2011 Hospital N HCB HCM HCN HGJM HPC HPI HPL HPP HPQ HPX Total 4 dígitos % 342 459 41 429 133 1 100 100 324 142 2071 3 dígitos N % 47% 257 19% 329 23% 0 40% 91 64% 3 3% 0 38% 101 81% 2 28% 131 32% 10 31% 924 B24 N 35% 14% 0% 8% 1% 0% 38% 2% 11% 2% 14% Total % 127 1604 140 558 71 36 62 21 719 298 3636 17% 67% 77% 52% 34% 97% 24% 17% 61% 66% 55% 726 2392 181 1078 207 37 263 123 1174 450 6631 A qualidade da codificação para os óbitos por HIV/SIDA não parece óptima também olhando as causas directas de óbito para os óbitos cuja causa básica é HIV/SIDA (tab.19). 12% das causas directas são as várias formas de tuberculose: nestes casos teria sido correcto utilizar o código B20.0 de HIV resultando em infecções micobacterianas (ou TB associada a HIV), como recomendado pela OMS. A subestimação do impacto, em termos de mortalidade, da co-infecção TB/HIV afecta a utilidade dos dados de mortalidade para a tomada de decisões estratégicas do sector de saúde. Um outro aspecto não menos importante é que 12% de causas directas são as várias formas de HIV/SIDA; esta informação é redundante e não ajuda a melhorar os cuidados hospitalares ou do território para os doentes com HIV/SIDA para prevenir as suas mortes. Os 5% de óbitos por sarcoma de Kaposi assim codificado pode trazer erradamente à ideia de uma elevada prevalência deste tipo de tumor; é importante utilizar o código B21.0 “HIV resultando em sarcoma de Kaposi” para não alterar artificiosamente os indicadores epidemiológicos de Moçambique. Todavia, além das considerações sobre a qualidade da codificação, é interessante notar igualmente que as causas directas de óbito para doentes com HIV/SIDA sejam frequentemente de tipo infeccioso (ex. diarreia, septicemia, meningite e meningoencefalite bacteriana), respiratório (ex. broncopneumonia, insuficiência respiratória), anemia e desnutrição. Tabela 19 – Causas directas para os óbitos que têm como causa básica HIV/SIDA, 2009-2011 Código A15-A16 B20-B24 J180 D64 C46 A09 J960 Descrição Tuberculose HIV/SIDA Broncopneumonia não especificada Outras anemias Sarcoma de Kaposi Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível Insuficiência respiratória aguda N % 951 12% 942 12% 428 5% 395 5% 371 5% 313 4% 234 3% Página 37 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código D50 J969 A419 J96 G009 G042 B50 A86 A41 E41 E42 Z111 B59 G039 N18 G934 J18 D610 N17 G939 Descrição Anemia por deficiência de ferro Insuficiência respiratória não especificada Septicemia não especificada Insuficiência respiratória não classificada de outra parte Meningite bacteriana não especificada Meningoencefalite e meningomielite bacterianas não classificadas em outra parte Malária por Plasmodium Falciparum Encefalite viral, não especificada Outras septicemias Marasmo nutricional Kwashiorkor marasmático Exame especial de rastreamento de tuberculose pulmonar Pneumocistose Meningite não especificada Insuficiência renal crônica Encefalopatia não especificada Pneumonia por microorganismo não especificada Anemia aplástica constitucional Insuficiência renal aguda Transtorno não especificado do encéfalo Outras causas N % 208 3% 190 2% 171 2% 160 2% 154 2% 143 2% 127 111 104 99 98 72 68 66 66 65 56 55 53 48 2415 2% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 30% 5.1.2.2 Tuberculose A tuberculose é uma causa básica de óbito bastante frequente, representando 2.1% do total dos óbitos e 5.6% dos óbitos por doenças infecciosas. Todos os códigos para notificação de TB foram utilizados na base de dados, dos quais os mais frequentes são TB Respiratória com confirmação bacteriológica e histológica (14%), TB das vias respiratórias, sem confirmação bacteriológica ou histológica (12%), TB pulmonar com confirmação por meio não especificado (12%) e TB miliar (11%) (tab.20). Tabela 20 – Códigos específicos utilizados para os óbitos que têm como causa básica Tuberculose, 2009-2011 Código A15 A150 A151 A152 A153 A154 A157 Descrição TB Respiratória, com confirmação bacteriológica e histológica TB pulmonar, com confirmação por exame microscópico da expectoração, com ou sem cultura TB pulmonar, com confirmação somente por cultura TB pulmonar, com confirmação histológica TB pulmonar, com confirmação por meio não especificado TB dos gânglios intratorácicos, com confirmação bacteriológica e histológica TB primária das vias respiratórias, com confirmação bacteriológica e N % 86 14 13.7% 2.2% 2 17 72 2 1 0.3% 2.7% 11.5% 0.3% 0.2% Página 38 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código A158 A159 A16 A161 A162 A163 A164 A165 A167 A168 A169 A17 A170 A171 A178 A179 A18 A180 A182 A183 A188 A19 A190 A191 A198 A199 Total Descrição N % histológica Outras formas de TB das vias respiratórias, com confirmação bacteriológica e 4 0.6% histológica TB não especificada das vias respiratórias, com confirmação bacteriológica e 5 0.8% histológica TB das vias respiratórias, sem confirmação bacteriológica ou histológica 75 12.0% TB pulmonar, sem realização de exame bacteriológico ou histológico 2 0.3% TB pulmonar, sem menção de confirmação bacteriológica ou histológica 67 10.7% TB dos gânglios intratorácicos, sem menção de confirmação bacteriológica 2 0.3% ou histológica TB da laringe, da traqueia e dos brônquios, sem menção de confirmação 5 0.8% bacteriológica ou histológica Pleurisia tuberculosa, sem menção de confirmação bacteriológica ou 2 0.3% histológica Tuberculosa respiratória primária sem menção de confirmação 2 0.3% bacteriológica ou histológica Outras formas de TB das vias respiratórias, sem menção de confirmação 1 0.2% bacteriológica ou histológica TB respiratória, não especificada, sem menção de confirmação 32 5.1% bacteriológica ou histológica TB do Sistema Nervoso 10 1.6% Meningite tuberculosa 6 1.0% Tuberculoma meníngeo 2 0.3% Outras TBs do sistema nervoso 3 0.5% TB não especificada do sistema nervoso 4 0.6% TB de outros órgãos 15 2.4% TB óssea e das articulações 1 0.2% Linfadenopatia tuberculosa periférica 4 0.6% TB do intestino, do peritónio e dos gânglios mesentéricos 5 0.8% TB de outros órgãos especificados 53 8.5% TB miliar 71 11.3% TB miliar aguda de localização única e especificada 3 0.5% TB miliar aguda de múltiplas localizações 7 1.1% Outras TB miliares 2 0.3% TB miliar não especificada 49 7.8% 626 Utilizando agregações de códigos, observa-se que a TB respiratória (pulmonar, dos gânglios intratorácicos e das vias respiratória) representa 62% (códigos A15 e A16), dos quais metade dos casos foram confirmados bacteriologicamente ou histologicamente; a segunda forma mais frequente é a TB miliar (21%), seguida pela TB de outros órgãos (13%) (fig.19). Pensando que Moçambique em 2011 notificou que 87% dos casos de TB é TB pulmonares, estes dados sugerem que a letalidade das formas de TB extrapulmonares seja maior ou que o nível de atendimento para as formas pulmonares e extrapulmonares seja diferente. Página 39 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Os 7% dos óbitos por TB acontecem nas crianças de 0-4 anos; Moçambique não notifica os casos de TB por faixa etária, todavia esta informação seria importante porque a mortalidade por TB em crianças hospitalizadas não é negligenciável. Não foi observada uma diferença significativa de frequência de TB pulmonar, extrapulmonar e miliar entre as várias faixas etárias. 63% dos óbitos por TB são de sexo masculino; este dado concorda com a prevalência maior de TB nos homens. Figura 19 – Distribuição dos óbitos por tuberculose por tipo de tuberculose, 2009-2011 TB miliar 21% TB de outros órgãos 13% TB do Sistema Nervoso 4% TB Respiratória, com confirmação 32% TB respiratória, sem confirmação 30% 5.1.2.3 Malária A malária é uma causa básica de óbito bastante frequente, representando 3.6% do total dos óbitos e 9.5% dos óbitos por doenças infecciosas. As formas mais frequentes de malaria é malária por Plasmodium falciparum (75% do total), com complicações especificadas em 40% e não especificadas em 36%; foi notificado apenas 1 caso de óbito por plasmodium vivax, 13 por plasmodium malariae (1% de todos os casos); não houve nenhum óbito por plasmodium ovale (tab.21). Tabela 21 – Códigos específicos utilizados para os óbitos que têm como causa básica Malária, 2009-2011 Código B50 B500 B508 B509 B518 B52 B528 B529 Descrição Malária Por Plasmodium Falciparum Malária por Plasmodium falciparum com complicações cerebrais Outras formas graves e complicadas de malária por Plasmodium falciparum Malária não especificada por Plasmodium falciparum Malária por Plasmodium vivax com outras complicações Malária Por Plasmodium Malariae Malária por Plasmodium malariae com outras complicações Malária por Plasmodium malariae sem complicações N 293 334 84 84 1 2 10 1 % 27.7% 31.6% 8.0% 8.0% 0.1% 0.2% 0.9% 0.1% Página 40 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código B53 B531 B538 B54 Descrição Outras Formas de Malária Confirmadas Por Exames Parasitológicos Malária por plasmódios de macacos Outras formas de malárias com confirmação parasitológica, não classificadas em outra parte Malária Não Especificada Total N % 8 2 9 0.8% 0.2% 0.9% 228 1056 21.6% 40% dos óbitos por malária acontece nas crianças de 0-4 anos (fig.20), entre as quais, como para o total dos casos, 31% dos óbitos é devido à malária por Plasmodium falciparum com complicações cerebrais. Este dado confirma que a população pediátrica é especialmente vulnerável a complicações fatais da malária. 60% dos óbitos por malária é de sexo masculino. Figura 20 – Distribuição dos óbitos tendo malária como causa básica por faixa etária, 2009-2011 55-64 5% 65+ 5% <1 14% 45-54 9% 35-44 11% 25-34 12% 1-4 26% 15-24 5-14 10% 8% 5.1.2.4 Doenças evitáveis com vacinas As doenças evitáveis com vacinas da idade pediátrica aparecem como causa básica de óbito em 81 casos (0.7% de todos os óbitos por doenças infecciosas e apenas 0.3% de todos os óbitos), dos quais 43 devidos a doenças para as quais a vacinação é incluída no Programa Alargado de Vacinações (PAV) em Moçambique (tab.22). É provável que as doenças que precisam de exames microbiológicos para confirmação do diagnóstico sejam subestimadas; por exemplo há 24 óbitos por hepatite viral não especificada mas nenhum caso de óbito por hepatite viral crónica B; há igualmente 445 óbitos por diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível mas zero óbitos por rotavírus. Página 41 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Tabela 22 – Óbitos que têm como causa básica as doenças evitáveis com vacinas da idade pediátrica, 2009-2011 Código A33 A35 A36 A37 A809 B05 B16 B180/B181 Total Descrição Doença evitáveis com vacinas incluídas no PAV Tétano do Recém-nascido (neonatal) Outros Tipos de Tétano Difteria Coqueluche Poliomielite aguda não especificada Sarampo Hepatite Aguda B Hepatite Viral Crônica B Doença evitáveis com vacina não incluídas no PAV B26 Caxumba (Parotidite Epidêmica) P350 Síndrome da rubéola congênita B01 Varicela A39 Infecção Meningocócica A413/J14 Doença por Hib G001/A403/B953/J13 Doenças por Estreptococos Pneumoniae B15 Hepatite Aguda A A080 Rotavirus Total N 4 21 3 0 1 4 10 0 43 2 0 3 15 2 2 14 0 38 5.1.2.5 Doenças do aparelho cardiovascular Como já discutido acima, as doenças cardiovasculares são globalmente 8% das causas básicas de óbito; todavia a percentagem varia muito entre faixas etárias. A proporção de óbitos por doenças cardiovasculares sobre todas as causas mantém-se bastante parecida entre mulheres e homens em todas as faixas etárias com excepção das faixas de mais de 55 anos onde as mulheres têm uma proporção superior aos homens (tab.23). Tabela 23 – Proporção de óbitos que têm como causa básica as doenças cardiovasculares entre todos os óbitos, por sexo e faixas etárias, 2009-2011 Idade <1 1-4 5-14 15-24 25-34 35-44 Sexo Feminino n doenças n total cardiovasc. 27 3717 16 918 20 529 64 1204 74 1992 113 1423 % 1% 2% 4% 5% 4% 8% Sexo Masculino n doenças n % cardiovasc total 28 4383 1% 14 1086 1% 35 672 5% 63 1041 6% 92 2625 4% 155 2283 7% Total n doenças n total cardiovasc. 55 8100 30 2004 55 1201 127 2245 166 4617 268 3706 % 1% 1% 5% 6% 4% 7% Página 42 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Idade 45-54 55-64 65+ Total Sexo Feminino n doenças n total cardiovasc. 183 1075 200 764 325 991 1022 12613 % 17% 26% 33% 8% Sexo Masculino n doenças n cardiovasc total 293 1946 275 1277 392 1391 1347 16704 % 15% 22% 28% 8% Total n doenças n total cardiovasc. 476 3021 475 2041 717 2382 2369 29317 % 16% 23% 30% 8% Entre as causas específicas de doenças cardiovasculares, as mais frequentes são a hipertensão primária e o acidente vascular cerebral que juntos representam mais de 50% de todas as causas (tab.24) Tabela 24 – Frequência das primeiras 20 causas básicas do capítulo Doenças do aparelho cardiovascular, 2009-2011 Código I10 I64 Descrição Hipertensão essencial (primária) Acidente vascular cerebral, não especificado como hemorrágico ou isquémico I509 Insuficiência cardíaca não especificada I420 Cardiomiopatia dilatada I11 Doença cardíaca hipertensiva I709 Aterosclerose generalizada e a não especificada I279 Cardiopatia pulmonar não especificada I61 Hemorragia Intracerebral I429 Cardiomiopatia não especificada I63 Infarto Cerebral I159 Hipertensão secundária, não especificada I674 Encefalopatia hipertensiva I500 Insuficiência cardíaca congestiva I119 Doença cardíaca hipertensiva sem insuficiência cardíaca (congestiva) I44 Bloqueio atrioventricular e do ramo esquerdo I42 Cardiomiopatias I672 Aterosclerose cerebral I67 Outras doenças cerebrovasculares I46 Parada cardíaca I158 Outras formas de hipertensão secundária Outras causas N % 889 37.5% 350 14.8% 124 73 73 52 50 44 43 39 39 28 28 26 20 20 18 17 17 16 403 5.2% 3.1% 3.1% 2.2% 2.1% 1.9% 1.8% 1.6% 1.6% 1.2% 1.2% 1.1% 0.8% 0.8% 0.8% 0.7% 0.7% 0.7% 17.0% 5.1.2.6 Doenças do aparelho respiratório Como já discutido acima, as doenças respiratórias são globalmente 5% das causas básicas de óbito. A percentagem não varia muito entre faixas etárias, situando-se sempre num intervalo de 4-9%; as faixas etárias com maior frequência de doenças respiratórias são as extremas, de 1-4 anos e de mais de 64 anos. A proporção de óbitos por doenças respiratórias sobre todas as causas mantém-se Página 43 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 substancialmente parecida entre mulheres e homens em todas as faixas etárias, mesmo se os homens parecem ligeiramente mais afectados. (tab.25). Tabela 25 – Proporção de óbitos que têm como causa básica as doenças respiratórias entre todos os óbitos, por sexo e faixas etárias, 2009-2011 Idade <1 1-4 5-14 15-24 25-34 35-44 45-54 55-64 65+ Total Sexo Feminino n doenças n tot resp. 150 3717 73 918 38 529 54 1204 67 1992 47 1423 49 1075 37 764 87 991 602 12613 % 4% 8% 7% 4% 3% 3% 5% 5% 9% 5% Sexo Masculino n doenças n tot resp. 184 4383 90 1086 42 672 62 1041 118 2625 115 2283 111 1946 76 1277 134 1391 932 16704 % 4% 8% 6% 6% 4% 5% 6% 6% 10% 6% Total n doenças n tot resp. 334 8100 163 2004 80 1201 116 2245 185 4617 162 3706 160 3021 113 2041 221 2382 1534 29317 % 4% 8% 7% 5% 4% 4% 5% 6% 9% 5% As primeiras 10 causas mais frequentes entre as causas do capítulo doenças respiratórias, abrangem já 85% de todas as causas, 52% sendo uma única causa “broncopneumonia não especificada”. Infelizmente estas causas têm um nível de detalhe muito escasso (ex. broncopneumonia e pneumonia por organismos não especificados) e algumas deveriam ser causas directas (ex. insuficiência respiratória) e não causas básicas (fig.21). O escasso uso de códigos específicos provavelmente depende ou está relacionada a pouca disponibilidade de exames microbiológicos para confirmação do agente etiológico; mas uma outra razão pode ser a escassa tendência dos médicos de pedir exames microbiológicos e reportá-los ao momento de preencher o certificado de óbito. Página 44 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 21 – Frequência das primeiras 10 causas básicas* do capítulo Doenças do aparelho respiratório, 2009-2011 Derrame pleural não classificado em outra parte Pneumonia 2% por outros microorg. Infec. esp. Insuficiência 2% respiratória aguda 2% Edema Pulmonar 4% Bronquiolite aguda Asma 1% 2% Broncopneumonia não esp. 52% Insuficiência respiratória não Pneumonia esp. bacteriana não esp. 5% 14% Pneumonia por microorg. não esp. 16% *Códigos correspondentes: J180, J18, J159, J969, J81, J960, J16, J90, J45, J21 5.1.2.7 Tumores Como já discutido acima, os tumores são globalmente 5% das causas básicas de óbito; todavia a percentagem varia muito entre faixas etárias, registando um aumento constante com o aumentar da idade. A proporção de óbitos por tumores sobre todas as causas é maior entre as mulheres de 35-64 anos que nos homens da mesma idade (tab.26): esta diferença é devida à incidência relativamente elevada de tumores do útero e da mama (ver abaixo). Tabela 26 – Proporção de óbitos que tem como causa básica as neoplasias entre todos os óbitos, por sexo e faixas etárias, 2009-2011 Idade <1 1-4 5-14 15-24 25-34 35-44 45-54 55-64 65+ Total Sexo Feminino Sexo Masculino Total Nº Nº tot % Nº Nº tot % Nº Nº tot % neoplasias neoplasias neoplasias 29 3717 1% 23 4383 1% 52 8100 1% 31 918 3% 33 1086 3% 64 2004 3% 43 529 8% 51 672 8% 94 1201 8% 48 1204 4% 54 1041 5% 102 2245 5% 84 1992 4% 103 2625 4% 187 4617 4% 104 1423 7% 109 2283 5% 213 3706 6% 110 1075 10% 129 1946 7% 239 3021 8% 87 764 11% 95 1277 7% 182 2041 9% 99 991 10% 159 1391 11% 258 2382 11% 635 12613 5% 756 16704 5% 1391 29317 5% Página 45 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Entre as causas específicas de neoplasias, as mais frequentes são as Neoplasias benignas ou de comportamento incerto ou desconhecido (22%), os mais frequentes dos quais são carcinomas in situ do esófago (19%) e da próstata (8%). Entre os tumores malignos, tem um nível de detalhe bastante elevado, e o tipo mais frequente é o carcinoma hepatocelular (14%), seguido pelo tumor do colo do útero (5%) (tab.27). Tabela 27 – Frequência das primeiras 20 causas básicas do capítulo Neoplasias (excluindo as benignas e de comportamento incerto ou desconhecido) (N=1079), 2009-2011 Código Descrição C220 Carcinoma de células hepáticas C53 Neoplasia maligna do colo do útero C46 Sarcoma de Kaposi C80 Neoplasia maligna, sem especificação de localização C531 Neoplasia maligna do exocérvix C22 Neoplasia maligna do fígado e das vias biliares intra-hepáticas C837 Tumor de Burkitt C717 Neoplasia maligna do tronco cerebral C021 Neoplasia maligna da borda da língua C859 Linfoma não-Hodgkin de tipo não especificado C762 Neoplasia maligna do abdome C71 Neoplasia maligna do encéfalo C83 Linfoma não-Hodgkin difuso C07 Neoplasia maligna da glândula parótida C50 Neoplasia maligna da mama C020 Neoplasia maligna da face dorsal da língua C229 Neoplasia maligna do fígado, não especificada C031 Neoplasia maligna da gengiva inferior C910 Leucemia linfoblástica aguda C962 Tumor maligno de mastócitos Outras neoplasias Nº % 150 53 53 43 33 28 25 19 19 17 16 15 15 14 14 14 13 13 13 13 499 14% 5% 5% 4% 3% 3% 2% 2% 2% 2% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 46% Visando facultar uma visão mais geral, foi feita uma análise por agrupamento de localização dos tumores malignos (fig.22). Como esperado, com base na tabela acima, os tumores mais frequentes são os dos órgãos digestivos (25%), as neoplasias malignas, declaradas ou presumidas serem primárias, do tecido linfóide, hematopoiético e afins (19%); os tumores do lábio, cavidade oral e faringe e dos órgãos genitais femininos (29 tipos em total) são igualmente frequentes (10%) mas no primeiro grupo nenhuma das 29 formas registadas no SIS-ROH é preponderante; pelo contrário, no segundo grupo os tumores malignos do colo do útero e do ovário são as duas formas preponderantes (respectivamente 82% e 10% dos tumores dos órgãos genitais femininos). Os tumores de localizações mal definidas, secundárias e não especificadas, são uma percentagem bastante alta que deveria ser reduzida através dum diagnóstico mais acurado e uma melhor codificação. Página 46 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Fig.22 – Distribuição dos óbitos por neoplasias malignas (N=1079) por agrupamentos de localização, 2009-2011 Órgãos respiratórios 3% Outras 10% Mesotelio e tecidos moles 6% Órgãos digestivos 25% Cérebro, olhos e outras partes do SNC 7% Localizações mal definidas, secund., não esp. 10% Tecido linfóide, hematopoiético e afins 19% Órgãos genitais femininos 10% Lábio, cavidade oral e faringe 10% Uma comparação entre homens e mulheres mostra que as diferenças principais são claramente devidas aos tumores dos órgãos genitais femininos, que mas mulheres são 20% de todas as formas e os tumores do trato urinário que nos homens são quatro vezes mais frequentes por causa dos tumores da próstata (fig.23). Nos homens nota também uma frequência maior de tumores do lábio, cavidade oral e faringe: 13% nos homens contra 8% nas mulheres (percentagem calculada sem contabilizar os tumores dos órgãos genitais femininos). O tumor maligno da mama é apenas 3% dos tumores das mulheres. Figura 23 – Distribuição dos óbitos por neoplasias malignas por agrupamentos de localização e sexo (N. sexo Feminino=496; N. sexo Masculino=583), 2009-2011 Órgãos digestivos Tecido linfóide, hematopoiético Lábio, cavidade oral e faringe M Localizações mal definidas, sec., não esp. Cérebro, olhos e outras partes do SNC Mesotelio e tecidos moles Trato urinário F Órgãos respiratórios Órgãos genitais femininos Outras 0% 20% 40% 60% 80% 100% Página 47 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 5.1.2.8 Diabete A diabete, nas suas várias formas, representa globalmente apenas 1.4% das causas básicas de óbito; todavia a percentagem varia entre faixas etárias registando um aumento constante com o aumentar da idade. A proporção de óbitos por diabete é igual entre homens e mulheres em geral e em cada faixa etária (fig.24). Figura 24 – Número de óbitos que têm como causa básica a diabete, por sexo e faixas etárias; em purpura a proporção de óbitos por diabete em cada faixa etária sem distinção de sexo, 2009-2011 80 5.6% 70 60 4.5% 2.6% 50 40 1.6% 30 20 0.5% 0.2% 1.1% 10 0 0-14 15-24 25-34 Feminino 35-44 45-54 55-64 65+ Masculino Entre os tipos específicos de diabete, os mais frequentes são diabete mellitus não especificada (58%), seguido pelo diabetes mellitus insulino-dependente (24%) e diabetes mellitus não-insulinodependente (14%). Em total as formas registadas como diabete com complicações são 18%, sem complicações 1% e o resto são formas sem especificação (tab.28). Tabela 28 – Códigos específicos utilizados para os óbitos que tem como causa básica Diabete, 2009-2011 Código E10 E100 E101 E106 E107 E108 E109 E11 E111 E116 E117 Descrição Diabetes mellitus (DM) insulino-dependente DM insulino-dependente - com coma DM insulino-dependente - com cetoacidose DM insulino-dependente - com outras complicações esp. DM insulino-dependente - com complicações múltiplas DM insulino-dependente - com complicações não esp. DM insulino-dependente - sem complicações DM não-insulino-dependente DM não-insulino-dependente - com cetoacidose DM não-insulino-dependente - com outras complicações esp. DM não-insulino-dependente - com complicações múltiplas N % 52 12.5% 25 6.0% 18 4.3% 1 0.2% 1 0.2% 1 0.2% 3 0.7% 51 12.3% 2 0.5% 1 0.2% 1 0.2% Página 48 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código E119 E12 E13 E130 E131 E138 E14 E140 E141 E142 E144 E148 E149 Total Descrição N % DM não-insulino-dependente - sem complicações 2 0.5% DM Relacionado Com a Desnutrição 4 1.0% Outros tipos Especificados de DM 10 2.4% Outros tipos especificados de DM - com coma 1 0.2% Outros tipos especificados de DM - com cetoacidose 1 0.2% Outros tipos especificados de DM - com complicações não esp. 2 0.5% DM não Especificado 217 52.2% DM não especificado - com coma 11 2.6% DM não especificado - com cetoacidose 8 1.9% DM não especificado - com complicações renais 1 0.2% DM não especificado - com complicações neurológicas 1 0.2% DM não especificado - com complicações não esp. 1 0.2% DM não especificado - sem complicações 1 0.2% 416 5.1.2.9 Causas externas No total as causas externas são a causa básica de 6% de todos os óbitos. Infelizmente a análise das causas externas é afectada pelo facto de, para muitos óbitos, terem sido utilizados os códigos do capítulo XIX “Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas” apesar deste capítulo do CID-10 não ser permitido para a codificação das causas básicas. Consequentemente somente 45% dos 1764 óbitos por causas externas foi correctamente codificado com os código do capítulo XX “Causas externas de morbidade e de mortalidade” e será utilizado para a presente análise. A distribuição das causas externas varia muito nos dois sexos, sendo significativamente maior nos homens em quase todas as faixas etárias. Nos homens de 5-34 anos as causas externas causam uma percentagem de óbitos não negligenciável (tab.29). Tabela 29 – Proporção de óbitos que têm como causa básica as causas externas entre todos os óbitos, por sexo e faixas etárias, 2009-2011 Idade <1 1-4 5-14 15-24 25-34 35-44 45-54 55-64 65+ Total Sexo feminino Sexo Masculino Total n causas ext. n tot % n causas ext. n tot % n causas ext. n tot % 21 3717 0.6% 21 4383 0.5% 42 8100 0.5% 21 918 2% 34 1086 3% 55 2004 3% 18 529 3% 49 672 7% 67 1201 6% 26 1204 2% 94 1041 9% 120 2245 5% 30 1992 2% 147 2625 6% 177 4617 4% 31 1423 2% 79 2283 3% 110 3706 3% 23 1075 2% 66 1946 3% 89 3021 3% 20 764 3% 37 1277 3% 57 2041 3% 27 991 3% 49 1391 4% 76 2382 3% 217 12613 2% 576 16704 3% 793 29317 3% Página 49 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Entre as causas externas têm um nível de detalhe bastante elevado; o acidente de pedestre traumatizado em um acidente de trânsito é, com destaque, a causa básica mais frequente (24%), dos quais 40% acontecem em homens de 15-34 anos. Das outras causas são relativamente frequentes vários acidentes de transporte, outras formas de atropelamento, quedas e envenenamento acidental. É interessante observar que, mesmo se com frequência pequena, nas 20 causas mais frequentes figuram a assepsia insuficiente durante a prestação de cuidados cirúrgicos e médicos (3%) e intoxicação alcoólica (2%) (tab.30). Tabela 30 – Frequência das primeiras 20 causas básicas do capítulo Neoplasias (excluindo as benignas e de comportamento incerto ou desconhecido) (N=1079), 2009-2011 Cod. V093 V99 Y03 W19 X44 Descrição Pedestre traumatizado em um acidente de trânsito não especificado Acidente de Transporte Não Especificado Agressão por meio de impacto de um veículo a motor Queda sem especificação Envenenamento (intoxicação) acidental por e exposição a outras drogas, medicamentos e substâncias biológicas não especificadas Y04 Agressão por meio de força corporal Y850 Sequelas de um acidente de veículo a motor V87 Acidente de trânsito de tipo especificado, mas sendo desconhecido o modo de transporte da vítima Y629 Assepsia insuficiente durante a prestação de cuidado cirúrgico e médico não especificado X93 Agressão por meio de disparo de arma de fogo de mão X49 Envenenamento (intoxicação) acidental por e exposição a outras substâncias químicas nocivas e às não especificadas Y912 Intoxicação alcoólica grave e muito grave X99 Agressão por meio de objeto cortante ou penetrante V099 Pedestre traumatizado em um acidente de transporte não especificado V092 Pedestre traumatizado em um acidente de trânsito envolvendo outros veículos e os não especificados, a motor X679 Auto-intoxicação intencional por outros gases e vapores - local não especificado W76 Outro enforcamento e estrangulamento acidental Y09 Agressão por meios não especificados V98 Outros acidentes de transporte especificados V46 Ocupante de um automóvel (carro) traumatizado em colisão com outro veículo não-motorizado X91 Agressão por meio de enforcamento, estrangulamento e sufocação W80 Inalação e ingestão de outros objetos causando obstrução do trato respiratório Outras causas N 192 64 55 50 40 % 24% 8% 7% 6% 5% 32 30 24 4% 4% 3% 20 3% 19 16 2% 2% 15 14 12 6 2% 2% 2% 1% 6 1% 5 5 5 5 1% 1% 1% 1% 5 5 1% 1% 168 21% Página 50 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Com vista a fornecer uma visão mais geral, foi feita uma análise por agrupamento de causas externas (fig.25). Como esperado, com base da tabela acima, as causas externas mais frequentes são os acidentes de transporte (em total 43%) e as agressões (18%) dentre as quais não é reportado nenhum óbito por síndrome dos maus tratos e agressão sexual. A lesão autoprovocada é igualmente frequente nos homens e nas mulheres. Das mordeduras e golpes de répteis, 2 casos foram de mordedura de crocodilo e 5 de outros répteis. Figura 25 – Distribuição dos óbitos por causas externas (N=793) por agrupamentos, 2009-2011 Mordedura de crocodilo/cobra s/outros répteis 1% Acidentes durante cuidados médicos e cirúrgicos 4% Lesão autoprovocada Intoxicação intencionalm. acidental 5% 8% Outras causas 13% Pedestre traumatizado em acidente de transporte 27% Agressões 18% Acidentes de transporte 16% Quedas 8% Uma análise por idade mostra uma diferença de distribuição de causas externas por idade (fig.26). As crianças pequenas são principalmente interessadas para intoxicação acidental e para acidentes ocorridos em pacientes durante a prestação de cuidados médicos e cirúrgicos. As faixas etárias entre 5 e 54 anos são fundamentalmente parecidas, mesmo se as intoxicações são mais frequentes nos 514 anos e as lesões provocadas intencionalmente (dentre as quais estão classificados os suicídios) são mais frequentes nos 15-34 anos. Nas faixas de mais de 55 anos as quedas são uma causa relevante. Página 51 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 26 – Distribuição dos óbitos por causas externas por agrupamentos e faixas etárias, 20092011 Pedestre traumatizado em acidente de transporte Agressões 55+ 35-54 Outros acidentes de transporte Quedas 15-34 Intoxicação acidental Lesão autoprovocada intencionalmente Acidentes durante cuidados médicos e cirúrgicos Mordedura de répteis 5-14 0-4 0% 5.1.2.10 20% 40% 60% 80% 100% Outras causas externas Mortalidade materna A definição de mortalidade materna inclui todos os óbitos de uma mulher durante a gravidez ou até 42 dias depois do fim da gravidez, independentemente da duração e localização da gravidez, por qualquer causa directamente ligada à gravidez ou por esta agravada, com excepção de causas acidentais. Na base desta definição os dados registados no SIS-ROH não permitem mensurar a mortalidade materna. Todavia podem ser analisados os óbitos por as causas obstétricas directas, ou seja as causas do capitulo XV “Gravidez, parto e Puerpério”. Os óbitos para as causas do capítulo XV foram 301 em mulheres de mais de 15 anos. Na base de dados há também outros 101 óbitos de <15 anos (incluindo casos de sexo masculino), sendo provavelmente consequência de uma escolha errada de tipo de código (uso do capítulo XV ao invés do capítulo XVI “Condições originadas no período perinatal” tais como as condições ligadas à gestação e consequências do trabalho de parto e parto). Entre as mulheres de >15 anos as causas ligadas à gravidez, parto e puerpério representam 4% de todas as causas de óbito; esta percentagem varia bastante entre os diferentes hospitais, com um intervalo de 0.5-11%, sugerindo uma diferente qualidade dos cuidados maternos e/ou uma diferente organização da gestão das pacientes no território (tab.31). Tabela 31 – Proporção de óbitos devidos a causas básicas ligadas a gravidez, parto e puerpério (GPP) entre mulheres de >15 anos entre todos os óbitos, por cada hospital, 2010-2011 GPP HCB HCM HCN HGJM HPC Causas ligadas a GPP 7 161 5 3 15 Todas causas % 668 2743 114 643 141 1% 6% 4% 0.5% 11% Página 52 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 GPP HPI HPL HPP HPQ HPX Total Causas ligadas a GPP 7 30 6 42 6 282 Todas causas % 249 280 119 807 289 6053 3% 11% 5% 5% 2% 5% 39% dos óbitos ligados à GPP acontecem na faixa etária de 25-34 anos, 37% em mulheres de 15-24 anos, 18% em mulheres de 35-44 anos e os restantes 6% em mulheres de mais de 45 anos. Entre as causas por gravidez, parto e puerpério existe um nível de detalhe bastante elevado e as primeiras 20 causas básicas abrangem apenas 62% dos óbitos. As causas mais frequentes são a eclâmpsia nas suas várias formas clínicas (22%) e outros transtornos hipertensivos da gravidez (9%), incluindo a pré-eclâmpsia (tab.32). Entre as causas não incluídas nas primeiras 20, vale a pena referir que houve 2 abortos voluntários. 60% dos óbitos por gravidez, parto e puerpério aconteceram nas primeiras 48 horas de internamento. A modalidade de admissão foi urgente de serviço de urgência em 56% dos casos, transferência doutra unidade sanitária em 40%, e transferência de consultas externas apenas para 3%. Tabela 32 – Frequência das primeiras 20 causas básicas do capítulo Gravidez, parto e puerpério, 2009-2011 Código Descrição Nº % O159 Eclâmpsia não especificada quanto ao período 41 14% O711 Ruptura do útero durante o trabalho de parto 18 6% O151 Eclâmpsia no trabalho de parto 13 4% O150 Eclâmpsia na gravidez 13 4% O85 Infecção puerperal 12 4% O06 Aborto não especificado 12 4% O72 Hemorragia pós-parto 10 3% O10 Hipertensão pré-existente complicando a gravidez, parto e puerpério 10 3% O459 Descolamento prematuro da placenta, não especificado 9 3% O821 Parto por cesariana de emergência 6 2% O16 Hipertensão materna não especificada 6 2% O149 Pré-eclâmpsia não especificada 6 2% O141 Pré-eclâmpsia grave 6 2% O009 Gravidez ectópica, não especificada 4 1% O713 Laceração obstétrica do colo do útero 4 1% O03 Aborto espontâneo 4 1% O269 Afecções ligadas a gravidez, não especificadas 4 1% O710 Ruptura do útero antes do início do trabalho de parto 3 1% O622 Outras formas de inércia uterina 3 1% O722 Hemorragias pós-parto, tardias e secundárias 3 1% Outras causas 114 38% Página 53 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 A distribuição das causas básicas de óbito ligadas à gravidez, parto e puerpério, agrupadas por patologias homogéneas, mostram que não há muitas diferenças entre as várias faixas etárias: a frequência de eclâmpsia diminui ligeiramente com o aumentar de idade; a laceração do períneo e os traumatismos são mais frequentes no 35-44 anos e as hemorragias pós-parto nos 25-34 anos. Na faixa de idade de mais de 45 anos há só 17 óbitos dos quais 9 por edema, proteinuria e transtornos hipertensivos da gravidez, parto e puerpério (fig.27) Figura 27 – Distribuição dos óbitos por gravidez, parto e puerpério por agrupamentos e faixas etárias, 2009-2011 Eclâmpsia 45+ Outros edema, proteinúria e transtornos hipertensivos Gravidez que termina em aborto 35-44 Laceração do períneo e outros traumatismos do parto Outras complicações do trabalho e do parto 25-34 Hemorragia Pós-parto Infecções puerperais 15-24 0% 20% 40% 60% 80% 100% Outras condições ligadas a gravidez, parto e puerpério 5.1.3 Comparação dos resultados do SIS-ROH com outros dados de mortalidade de Moçambique Os dados de mortalidade estimados pela Organização Mundial da Saúde para o ano 2010 são apresentados na tabela 33. Os dados calculados utilizando os dados do SIS-ROH mostram uma marcada subnotifica de todos os óbitos, menos acentuada para os óbitos neonatais. Todavia este dado não surpreende porque o SIS-ROH regista somente os óbitos intra-hospitalares em 17 dos 53 hospitais do país, dos quais 10 disponibilizaram dados para esta análise. Tabela 33 – Comparação entre os indicadores de mortalidade estimados pela OMS (2010) e os calculados com os dados do SIS-ROH (2011) Indicador WHO (2010) Mortalidade em <5 anos Mortalidade em <1 ano Mortalidade neonatal (0-28 dias) Taxa bruta de mortalidade (em 2009) Taxa de mortalidade por HIV/SIDA 135/1000 92/1000 30/1000 15/1000 325 [248-400]/100,000 SIS-ROH (2011) 6.0/1000 4.7/1000 3.5/1000 0.6/1000 19/100,000 Cobertura do SIS-ROH (%) 4% 5% 12% 4% 6% Página 54 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 O INCAM (Inquérito Nacional sobre Causas de Mortalidade)4, um inquérito associado ao censo de 2007 e baseado na autópsia verbal para o registo de causas de óbitos em Moçambique, forneceu os dados ilustrados na tabela 34. Os dados do INCAM são representativos da mortalidade de toda a população a nível nacional, portanto, o INCAM reflecte a situação da população tanto urbana quanto rural, e inclui os óbitos intra e extra-hospitalares. É possível observar o mesmo nível de subnotificação dos óbitos por parte do SIS-ROH como discutido acima. Nota-se também muita diferença de distribuição dos óbitos por faixa de idade e por causa de óbito. A proporção de óbitos neonatais (0-28 dias de idade) é muito maior entre os óbitos intra-hospitalares, no SIS-ROH, (20%) que no INCAM (8%), possivelmente para uma concentração nos hospitais de partos complicados (principalmente prematuros) que necessitam de assistência ao parto. A septicemia do recémnascido é causa de morte neonatal em 35% dos casos registados no INCAM e é muito menos frequente nos recém-nascidos hospitalizados (8% dos casos registados no SIS-ROH). A proporção dos óbitos de crianças de 28dias-4 anos de idade é muito maior no INCAM (35% de todos os óbitos contra 14% do SIS-ROH) e a causa principal de óbito é malária (51%). Na faixa de idade de 5-14 anos e >14 anos a diferença mais relevante, - mais uma vez - é a proporção de óbitos devidos a malária (49% e 14% no INCAM, respectivamente para 5-14 anos e >14 anos, e 10% e 3% no SIS-ROH). No total de óbitos e em cada faixa etária a proporção de óbitos causados pelo HIV/SIDA é muito parecida tanto no INCAM como no SIS-ROH: as duas fontes de dados mostram que o HIV/SIDA é a causa principal de óbito nos adultos. Tabela 34 – Comparação entre os indicadores de mortalidade mensurados no INCAM (2007) e os calculados com os dados do SIS-ROH (2011) Indicador Mortalidade em <1 ano Taxa bruta de mortalidade (em 2009) Mortalidade neonatal (0-28 dias) Óbitos de 0-27 dias de idade Septicemia do recém-nascido Factores Maternos Prematuridade Óbitos de 28 dias-4 anos de idade Malária HIV/SIDA Diarreia Óbitos de 5-14 anos Malária HIV/SIDA Acidentes Diarreia INE/CDC (2007) 99/1000 14.6/1000 32.8/1000 8% 35% 10% 28% 35% 51% 16% 7% 7% 49% 14% 8% 6% SIS-ROH (2011) 4.7/1000 0.6/1000 3.5/1000 20% 8% 1.3% 40% 14% 9% 16% 5% 4% 10% 20% 5% 3% 4 Mozambique National Institute of Statistics, U.S. Census Bureau, MEASURE Evaluation, U.S. Centers for Disease Control and Prevention. Mortality in Mozambique: Results from a 2006–2007 Post-Census Mortality Survey. Chapel Hill, USA: MEASURE Evaluation, 2012 Página 55 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Indicador Óbitos de >14 anos de idade HIV/SIDA Malária Doenças cardiovasculares Acidentes e causas externas Total de óbitos HIV/SIDA Malária INE/CDC (2007) 50% 40% 14% 7% 6% 27% 29% SIS-ROH (2011) 61% 49% 3.2% 11% 5% 30% 7% O INCAM mostra que 62% dos mortos foi à procura de tratamento clínico para a condição que levou ao óbito, mas somente 21% dos óbitos aconteceram em uma unidade sanitária. A nível nacional 75% dos óbitos aconteceram em casa, mas esta percentagem muda em áreas rurais (82%) e urbanas (54%); 4% acontece em outros lugares (via pública, local de trabalho, etc.). Confrontando com os dados de óbitos intra-hospitalares do SIS-ROH, a grande discrepância em termos de óbitos de <5 anos (neonatais e pós-neonatais) e em termos de proporção de óbitos por malária, permitem formular a hipótese de que as crianças de 28-dias-4 anos não têm adequado acesso aos serviços de saúde, em geral e principalmente por complicações agudas da malária; na generalidade parece que os casos de malária morrem mais em casa, em áreas rurais, que nas unidades de sanitárias (pelo menos nas dos níveis II-IV) e isso explicaria a grande diferença entre os achados do INCAM e SIS-ROH e mostra as limitações de um registo de mortalidade baseado nos óbitos intra-hospitalares para representar o perfil epidemiológico do país. É também provável que a autópsia verbal sobrestime os casos de malária (por falta de confirmação do diagnóstico com laboratório/testes rápidos) e/ou que a situação epidemiológica de 2007 seja diferente daquela de 2011: de facto, vários indicadores do programa de controlo da malária indicam uma diminuição da incidência desta infecção. Utilizando as taxas de mortalidade estimadas por cada província pelo INCAM, é possível avaliar o grau de cobertura do SIS-ROH em cada província (tab.35). Mesmo se as taxas de mortalidade mudaram entre 2007 e 2011 e os dados de cobertura não podem ser considerados certos, é indubitável que a cobertura do SIS-ROH é muito mais alta nas províncias de Maputo, Cidade e Província, que nas outras. A cobertura na Cidade de Maputo é especialmente alta (43%) e pode ser considerada parecida também nos anos 2009 e 2010: os dados do HCM podem ser considerados uma importante e representativa fonte de dados para avaliar as tendências de mortalidade nesta área geográfica. Página 56 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Tabela 35 – Comparação entre os óbitos registados no SIS-ROH (2011), distribuídos por província de residência, e os óbitos totais estimados utilizando as taxas de mortalidade do INCAM (2007) por cada província Província de residência Cabo Delgado Número óbitos do SIS-ROH (2011) Taxa de População mortalidade/1000 projectada pelo por província do INE (2011) INCAM (2007) Número de óbitos anuais estimado Cobertura do SISROH por província 211 16.5 1 764 194 29109 1% 5073 10.1 1 178 116 11898 43% Gaza 820 20.7 1 320 970 27344 3% Inhambane 540 15.2 1 402 245 21314 3% Manica 610 15.5 1 672 038 25916 2% 2662 11.9 1 444 624 17191 15% Nampula 928 13.4 4 529 803 60699 2% Niassa 842 14.5 1 415 157 20519 4% Sofala 1890 16.4 1 857 611 30464 6% 21 14 2 137 700 29927 0% 1466 14.5 4 327 163 62743 2% Cidade deMaputo Província deMaputo Tete Zambézia A comparação com um estudo da Universidade Eduardo Mondlane (UEM)5, feito recolhendo dados das Conservatórias de Registo Civil das cidades de Maputo, Beira, Chimoio e Nampula em 2001 é ilustrada na tabela 35. O estudo da UEM é enfocado sobre os óbitos das áreas urbanas, portanto a população dos óbitos é, em princípio, mais parecida à do SIS-ROH; a diferença reside claramente no facto de que o estudo abrange ambos os óbitos intra e extra-hospitalares. Outra diferença importante é que em 2001 a escolha e codificação das causas de óbito não seguia rigorosamente as regras da CID. Como para o INCAM, a proporção de óbitos devidos a malária mostra uma diminuição muito marcada em Maputo, Beira e Chimoio; a diminuição existe mas menos acentuada em Nampula. Entre as doenças infecciosas também as diarreias mostram uma diminuição. Esta diferença pode indicar uma real mudança do perfil epidemiológico das áreas urbanas. A proporção de óbitos por HIV/SIDA mostra um aumento em todas as cidades, particularmente grande em Maputo e Chimoio. Isso, além de ser o efeito da ampliação da epidemia de HIV, pode ser devido a um aumento da detecção da infecção por HIV e o diagnóstico do SIDA como causa de óbito. Contemporaneamente observa-se uma diminuição importante da proporção de óbitos por tuberculose que pode ser o real efeito dos progressos do programa de controlo da tuberculose (desde 2001 aumentou a taxa de detecção dos casos e da taxa de cura) mas também pode depender da codificação dos óbitos por TB nos doentes HIV+ com óbitos por HIV/SIDA. 5 Cliff J., Jahit S., Orvalho A., Novoa A., Dgedge M., Machatine G., Cossa H. Estudo das principais causas de morte registadas, nas cidades de Maputo, Beira, Chimoio e Nampula, em 2001. Maputo, Moçambique: Ministério da Saúde, Faculdade de Medicina/UEM e CISM, 2003 Página 57 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 A proporção de óbitos por causas perinatais em 2010 é muito mais alta que em 2001 em todas as cidades, especialmente Beira e Chimoio: isto pode ser um bias devido à selecção dos óbitos intrahospitalares por parte do SIS-ROH (como discutido anteriormente durante a comparação com o INCAM). Tabela 36 – Comparação entre a frequência das primeiras 10 causas de óbito mais frequentes por cada cidade em 2001 (estudo da UEM) e 2011 (SIS-ROH) Maputo/HCM Causa de óbito Beira/HCB 2001 (%) Malária 22 2011 (%) 2 Causa de óbito 2001 (%) 2011 (%) HIV/SIDA 21 26 Causas de morte perinatal 13 19 Malária 15 4 Tuberculose 10 2 Tuberculose 13 2 HIV/SIDA 8 24 Pneumonia/brocopneumonia 7 5 Anemias 5 0.2 Causas de morte perinatal 6 22 Pneumonia/brocopneumonia 5 3 Malnutrição 5 2 Doenças diarreicas 5 2 Doenças diarreicas 4 1 Acidente de viação 3 2 Anemias 4 6 Hipertensão arterial 3 6 Septicemia 2 1 Acidente vascular cerebral 2 2 Meningites 2 0.3 Chimoio/HPC Causa de óbito Nampula/HCN 2001 (%) 2011(%) Malária 21 4 HIV/SIDA 16 Tuberculose 10 Pneumonia/brocopneumonia 9 Doenças diarreicas Causas de morte perinatal Causa de óbito 2001 (%) 2011(%) Malária 22 17 34 HIV/SIDA 11 18 2 Tuberculose 8 2 5 Doenças diarreicas 7 4 8 1 Pneumonia/brocopneumonia 6 7 5 27 Anemias 5 4 Malnutrição 4 2 Acidente vascular cerebral 4 2 Anemias 3 2 Meningites 4 2 Envenenamento 3 2 Hipertensão arterial 2 0.3 Meningites 2 1 Insuficiência cardíaca 2 1 Página 58 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 5.2 Secção II - Análise dos dados do Hospital Central de Maputo (HCM) A análise dos dados do HCM permite avaliar a tendência dos óbitos intra-hospitalares em três anos, de 2009 até 2011. Os dados de 2008 não foram incluídos na análise detalhada porque a respectiva base de dados não foi disponibilizada a tempo. Os dados de internamento do HCM utilizados para calcular a taxa de mortalidade intra-hospitalar são os reportados no relatório “Mortalidade Hospitalar no HCM, 2008-2010” - elaborado pela DPC em 2011 para os anos 2008-2011 - e os fornecidos directamente pelo Núcleo de Estatística e Planificação (NEP) do HCM para o ano de 2011: por isso, alguns dados são incompletos. Olhando para os dados de 2011, pode-se observar que a taxa de mortalidade muda grandemente entre departamentos: na Unidade de cuidados intensivos (UCI) a mortalidade chega a ser de 42% dos doentes internados; a segunda mortalidade mais alta é nos Departamentos de Medicina (15%) e de Pediatria (12%). A taxa de mortalidade geral do HCM é de 9.5% (tab.36). A taxa de mortalidade geral, considerando o subtotal dos departamentos de Cirurgia, Ginecologia/Obstetrícia, Medicina, Pediatria e Ortopedia, mostra um aumento desde o ano de 2008 (7.7%) até 2011 (8.4%) depois de uma leve diminuição em 2009 e 2010 (ambas 7.2%) (tab.42). Todavia, a tendência de aumento observa-se, mais ou menos acentuada, em todos os departamentos com excepção do Departamento de Medicina, onde há uma diminuição constante de 2008 até 2010, seguida de um aumento importante em 2011 (fig.28). Os óbitos de Medicina são muito menos no ano de 2010 que nos outros anos e não se exclui que isso dependa eventualmente de um incompleto registo dos óbitos de Medicina neste ano. Tabela 37 – Número dos óbitos registados através do SIS-ROH, número de pacientes internados e taxa de mortalidade intra-hospitalar no Hospital Central de Maputo por departamento e por ano, 2008-2011 Departamentos do HCM Cirurgia Gineco/Obst Medicina Ortopedia Pediatria Total parcial (5 depart.) UCI SO de Adultos Clinica Especial Total Óbitos SIS-ROH Taxa de mortalidade intrahospitalar/100 Internamentos 2008 2009 2010 2011 2008 2009 2010 2011 2008 2009 2010 297 284 273 330 10303 10831 10448 9643 2.9 2.6 2.6 3.4 146 78 210 266 11269 11682 12011 10223 1.3 0.7 1.7 2.6 2223 2079 1662 2051 14176 14736 14149 13840 15.7 14.1 11.7 14.8 26 34 29 51 2621 3026 2753 3500 1.0 1.1 1.1 1.5 1765 1711 1729 1647 19796 17790 15223 14228 8.9 9.6 11.4 11.6 4457 4186 3903 4345 58165 58065 54584 51434 7.7 7.2 7.2 8.4 - - - 787 - - - 1867 - - - - - - 93 - - - - - - - - - - - 54 - - - 2273 - - - 2.4 4457 5259 4970 5279 - - - 55574 - - - 9.5 Página 59 de 94 2011 42.2 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 28 – Taxa de mortalidade intra-hospitalar no Hospital Central de Maputo por departamento e por ano, 2008-2011 18 15.7 16 14.8 14 11.6 12 8.9 10 8 6 4 2.9 3.4 2.6 1.3 2 1.0 1.5 0 Cirurgia Ginecologia / Obstetrícia 2008 Medicina 2009 2010 Ortopedia Pediatria 2011 É para observar que desde 2008 até 2011 o número dos pacientes internados diminui em todos os departamentos, excepto Ortopedia; em total o número de pacientes internados em 2011 diminuiu 12% se comparado com os dados de 2008 (tab.41). Isso pode indiciar uma mudança na gestão do HCM, para que pacientes com condições não urgentes (ex. parto eutócico) e menos graves, tenham acesso através da consulta externa (sem serem necessariamente internados) e sejam cuidados em primeira instância em hospitais de nível II em Maputo Cidade e Província. Uma mudança da gestão do HCM assim como a introdução em 2011 dum pequeno pagamento para ser atendidos ao banco de socorros do HCM (Taxa Moderadora) pode ter influenciado o número de pacientes hospitalizados e a gravidade da sua condição, explicando o aumento de taxa de mortalidade em 2011. Esta interpretação dos dados parece encontrar uma confirmação na análise do tipo de admissão dos doentes: de facto, o número de nascimentos diminui, e em 2011 os internamentos por transferência de outra unidade de saúde e consulta externa aumentam (as transferências são 42% em 2011 contra 21% em 2009) paralelamente a uma diminuição das admissões como urgente de um serviço de urgência (nesta categoria frequentemente são classificados doentes que acedem através do banco de socorros apesar da urgência do diagnóstico) que passam ser 33% no ano de 2011 contra 60% no de 2009 (fig.29). Página 60 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 29 – Distribuição dos óbitos do HCM por tipo de admissão e por ano, 2009-2011 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 Nascimento nesta US Sem informação 2009 Urgencia 2010 Transferencia doutra US Consultas externas 2011 A tendência de diminuição de admissões de serviços de urgência e aumento de transferências doutra unidade de saúde descrita acima é constante em todos os departamentos. Em pediatria os nascimentos diminuem 43% entre 2009 e 2001, e as consultas externas duplicam-se (fig.30). Figura 30 – Distribuição dos óbitos do HCM por tipo de admissão, por departamento e por ano, 2009-2011 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 09 10 Cirurgia 11 09 10 11 Gineco/Obst 09 10 11 Medicina 09 10 11 Ortopedia Nascimentos e consultas externas 09 10 11 Pediatria 09 10 11 SO Adultos 09 10 11 UCI Transferencia doutra US Urgente dum servico de urgencia Em 2011 o perfil do HCM assemelha-se ao dum hospital de referência de IV nível, com uma alta proporção de doentes internados após transferência doutras unidades sanitárias; o Hospital Geral José Macamo, de nível II, aferentes da mesma população do HCM, tem um perfil complementar, com uma proporção mais alta de doentes admitidos através do Banco de Socorros do que os Página 61 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 admitidos por transferência ou consultas externas. Contrariamente ao HCM, os hospitais centrais da Beira e Nampula têm um perfil mais parecido ao do HGJM que ao HCM, sugerindo que funcionam principalmente como primeiro nível de referência dos cuidados hospitalares ao invés de nível de referência superior (fig.31). Este tipo de informações podem orientar decisões sobre a gestão dos doentes no território para melhorar o sistema de referência de doentes e não sobrecarregar os hospitais de alta especialização com casos geráveis a níveis mais baixos. Figura 31 – Comparação da distribuição dos óbitos por tipo de internamento nos Hospitais Centrais de Maputo, Beira e Nampula e no Hospital Geral José Macamo, 2011 2500 2000 1500 1000 500 0 HC Maputo HG José Macamo Nascimentos e consultas externas HC Nampula HC Beira Transferencia doutra US Urgente dum servico de urgencia A comparação entre os dados do SIS-ROH e os dados do censo hospitalar foi possível somente para 2011. Neste ano o SIS-ROH é mais completo que o censo em todos os departamentos, excepto no de pediatria; em total o SIS-ROH conseguiu registar 10% de óbitos adicionais. A grande desproporção entre o SIS-ROH e o censo hospitalar pode derivar do facto de no SIS-ROH alguns recém-nascidos (principalmente os recém-nascidos mortos imediatamente depois do parto) serem registado como internados em Obstetrícia no lugar de Pediatria; isso explica também a discrepância entre SIS-ROH e censo hospitalar em Pediatria (tab.37). Tabela 38 – Comparação entre número de óbitos intra-hospitalares do HCM registados através do SIS-ROH e os registados através do censo hospitalar por departamento, 2011 Óbitos HCM/departamento Cirurgia Ginecologia/Obstetrícia Medicina Ortopedia Pediatria UCI SO de Adultos Clínica Especial Total Óbitos SIS-ROH 330 266 2051 51 1647 787 93 54 5279 Óbitos censo % óbitos adicionais hospitalar registados pelo SIS-ROH 307 7% 66 75% 1845 10% 28 45% 1719 -4% 727 8% ND ND 47 13% 4739 10% Página 62 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 O intervalo entre internamento e óbito é de menos de 48 horas em 45% dos casos no ano de 2009, 42% no de 2010 e 37% em 2011. A tendência de diminuição dos óbitos nas primeiras 48 horas de internamento observa-se igualmente em cada departamento, excepto na Clínica Especial e no Departamento de Ginecologia/Obstetrícia onde os óbitos nas primeiras 48 horas passam a ser 35% em 2009 até 69% no ano de 2011. Em todos os departamentos, com excepção de ginecologia/obstetrícia, unidade de cuidados intensivos e serviço de observação de adultos, os óbitos nas primeiras 48 horas são menos de 50% (fig.32). Figura 32 – Distribuição dos óbitos do HCM por intervalo de tempo entre internamento e óbito, por departamento e ano, 2009-2011 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% Cirurgia Clínica Esp. Gin/Obst Medicina Ortopedia Pediatria SO Adultos <48 2011 2010 2009 2011 2010 2009 2011 2010 2009 2011 2010 2009 2011 2010 2009 2011 2010 2009 2011 2010 2009 2011 2010 2009 0% UCI >48 A média do intervalo de internamento no HCM é de 6.2 dias em 2009, 7.6 em 2010 e 7.8 em 2011. A média é máxima em Ortopedia (20-32 dias) e mínima no Serviço de Observação de Adultos (0.5-3 dias) (tab.38). Em geral, um internamento longo é um factor de risco para óbitos devidos a doenças nosocomiais. Tabela 39 – Média do intervalo de tempo entre internamento e óbito (em dias) dos óbitos do HCM por, por departamento e ano, 2009-2011 Departam. Cirurgia Gin/Obst Ano 2009 2010 2011 2009 2010 2011 Intervalo médio Departam. entre internamento e óbito 9.5 14.3 Pediatria 13.9 13.5 6.6 SO Adultos 7.9 Ano 2009 2010 2011 2009 2010 2011 Intervalo médio entre internamento e óbito 5.8 7.2 6.4 1.0 2.9 0.5 Página 63 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Departam. Medicina Ortopedia Ano Intervalo médio Departam. entre internamento e óbito 6.9 8.6 UCI 8.7 26.4 20.1 Clínica Esp. 32.0 2009 2010 2011 2009 2010 2011 Ano 2009 2010 2011 2009 2010 2011 Intervalo médio entre internamento e óbito 2.9 4.8 5.1 14.6 14.0 7.2 A análise dos óbitos do HCM por meses, não mostra um claro padrão sasonal. De facto no ano de 2009 o número de óbitos parece diminuir de janeiro a dezembro mas em 2010 não se encontra a mesma tendência tendo um pico em maio e um outro em dezembro. Em 2010 o pico mínimo em setembro parece um artefacto devido a dados incompletos no sistema: como referido acima em 2010 o número total de óbito do departamento de medicina parece excessivamente menor do que em 2009 e 2011. Em 2011 a mortalidade parece ser maior entre agosto e setembro, mas tanto o número de óbitos quanto a taxa de mortalidade flutuam bastante e não indiciam uma clara tendência (fig.33) 700 13 650 12 600 11 Numero 550 500 10 450 9 400 8 350 7 300 6 200 5 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dec Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dec Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dec 250 obitos/100 internamentos Figura 33 – Distribuição do número de óbitos do HCM nos anos 2009- 2011 e da taxa de mortalidade intra-hospitalar no ano 2011 por mês 2009 Obitos (N) 2010 2011 Taxa de mortalidade intra-hospitalar (%) A análise dos óbitos do HCM nos primeiros três meses de 2011 mostra que não existe um aumento sistemático dos óbitos nos fins de semana, dias de risco de serem caracterizados por uma menor qualidade da assistência hospitalar (fig.34) Página 64 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 34 – Distribuição dos óbitos do HCM por dia da semana. As linhas vermelhas estão em correspondência com os domingos. Janeiro-março 2011 A distribuição dos óbitos por idade é muito parecida em cada ano, sendo que as crianças de 0-7 dias e os adultos de 25-34 anos são as faixas de idade mais afectadas. Todavia, há algumas diferenças, especialmente na mortalidade neonatal tardia que aumenta no tempo e a mortalidade pós-neonatal que diminui de quase metade desde o ano de 2009 até 2011 (fig.35) Figura 35 – Distribuição de óbitos do HCM por faixas de idade por ano, 2009-2011 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 0-7d 8-28d 29d-12m 1-4 5-14 2009 15-24 2010 25-34 35-44 45-54 55-64 65+ 2011 A proporção de óbitos de sexo masculino é de 57% em cada ano. A análise das causas básicas de óbito agrupadas por capítulo do CID-10 mostra que as doenças infecciosas são a causa principal desde 2008, com um pico de 38% no ano de 2009 e uma prevalência de 31% no ano de 2011. A seguir estão as afecções do período perinatal que mostram um leve mas constante aumento desde 2008. Também as doenças do aparelho circulatório, as neoplasias e a gravidez, parto e puerpério mostram um aumento leve mas constante; pelo contrário, Página 65 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 as doenças respiratórias, as hematológicas e as do sistema nervoso diminuem. As “Consequências das causas externas” diminuem e as “Causas externas” aumentam: isso é devido principalmente a uma melhor codificação das causas externas ao longo dos anos; as causas externas, consideradas como um conjunto das causas externas e das consequências de causas externas diminuem ligeiramente de 2009 até 2011 sendo 9% e 7% respectivamente em cada ano. Por vários grupos de causas básicas os dados de 2008 destacam-se e isso pode depender do facto que o SIS-ROH foi implantado no HCM neste ano e a qualidade da seleção e codificação da causa de óbito pode ter tido uma qualidade não ótima (fig.36 e tab.39). É interessante notar que as causas básicas dos capítulos Sintomas, sinais e achados anormais e Fatores que influenciam a saúde (códigos de causas mal definidas) são utilizados progressivamente menos e isso contribui para aumentar a qualidade dos dados do SIS-ROH. Figura 36 – Número de óbitos do HCM por causa básica de morte (capítulo CID-10) e ano, 20092011 2000 1800 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 2008 2009 2010 2011 Tabela 40 – Distribuição de óbitos do HCM por causa básica de morte (capítulo CID-10) e ano (número e percentagem), 2009-2011 Causas básicas de óbito (capítulos CID-10) D. infecciosas Afecções período perinatal Doenças do aparelho circulatório Doenças do aparelho respiratório Doenças do sistema nervoso Doenças do sangue e órgãos hematopoéticos Neoplasias [tumores] 2008 2009 2010 2011 N % N % N % N % 1202 22% 1980 38% 1527 31% 1631 31% 802 15% 840 16% 986 20% 1022 19% 505 9.4% 538 10% 567 11% 581 11% 500 9.3% 257 4.9% 207 4.2% 202 3.8% 329 6.2% 155 2.9% 137 2.8% 121 2.3% 326 6.1% 64 1.2% 38 0.8% 60 1.1% 297 5.6% 238 4.5% 283 5.7% 371 7.0% Página 66 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Causas básicas de óbito (capítulos CID-10) Consequências de causas externas Doenças endócrinas e nutricionais Doenças do aparelho geniturinário Doenças do aparelho digestivo Sintomas, sinais e achados anormais Fatores que influenciam a saúde Malformações congênitas Gravidez, parto e puerpério Transtornos mentais Causas externas Doenças da pele e do subcutâneo Doenças do sistema osteomuscular Doenças do olho e anexos Doenças do ouvido e mastóide Não Especificada Total 2008 2009 2010 2011 N % N % N % N % 284 5.3% 287 5.5% 179 3.6% 109 2.1% 262 4.9% 198 3.8% 188 3.8% 205 3.9% 198 3.7% 130 2.5% 80 1.6% 144 2.7% 160 3.0% 122 2.3% 138 2.8% 162 3.1% 160 3.0% 82 1.6% 82 1.6% 58 1.1% 155 2.9% 30 0.6% 31 0.6% 16 0.3% 44 0.8% 71 1.4% 82 1.6% 107 2.0% 35 0.7% 19 0.4% 85 1.7% 169 3.2% 26 0.5% 18 0.3% 5 0.1% 14 0.3% 23 0.4% 182 3.5% 231 4.6% 243 4.6% 21 0.4% 19 0.4% 20 0.4% 19 0.4% 10 0.2% 8 0.2% 9 0.2% 14 0.3% 8 0.1% 2 0.0% 3 0.1% 4 0.1% 1 0.0% 3 0.1% 3 0.1% 0 0.0% 0 0.0% 16 0.3% 89 1.8% 27 0.5% 5348 5259 4970 5279 Analisando as causas básicas utilizando a categoria de 3 dígitos (fig.37 e tab.40), observa-se que a causa de óbito principal é a doença pelo HIV não especificada que é responsável por 23%, 17% e 14% de todos os óbitos do HCM em 2009, 2010 e 2011 respectivamente. Todavia esta diminuição corresponde ao aumento de óbitos por doença pelo HIV resultando em doenças infecciosas e parasitárias (de 5% em 2009 a 8% em 2011) e resultando em outras doenças especificadas. Em total a proporção de óbitos por HIV, todas as formas, é bastante estável sendo 29% em 2009, 23% em 2010 e 24% no ano de 2011. A segunda causa de óbito é a prematuridade que tem uma proporção constante em todos os anos. A maioria dos óbitos por prematuridade situa-se nos recém-nascidos com 28-37 semanas de gestação ou duração não especificada (88% das prematuridades em 2009, 76% em 2010 e 60% em 2011); todavia os óbitos por imaturidade extrema (<28 semanas de gestação) estão em ascensão sendo 11% em 2009, 15% em 2010 e 25% no ano de 2011. A definição do tipo de prematuridade é muito importante para a planificação dos cuidados pré-natais. Um aumento dos casos de imaturidade extrema pode depender de uma melhor codificação mas pode também ser reflexo de uma gestão cada vez mas importante dos partos de menor risco em outros hospitais do território. Desde 2009 até 2011 nota-se um aumento de óbitos por hipertensão essencial e uma diminuição dos por malária por plasmodium falciparum: estes dados parecem coerentes com a modificação do perfil epidemiológico das causas de óbitos em áreas urbanas de outros países, onde as doenças não transmissíveis substituem gradualmente as doenças transmissíveis como causas principais de morbilidade e mortalidade. Nas primeiras 20 causas básicas de óbito aparecem os atropelamentos (pedestre traumatizado em acidentes de transporte não especificados) que registam uma leve tendência de aumento. Página 67 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 37 – Número de óbitos do HCM para as primeiras 10 causas básicas de óbito mais frequentes (categoria 3 dígitos) e ano, 2009-2011 1400 1200 2009 1000 2010 800 2011 600 400 200 0 Tabela 41 – Distribuição dos óbitos do HCM para as primeiras 20 causas básicas de óbito mais frequentes (categoria 3 dígitos) e ano, 2009-2011 Causa básica 3dígitos B24 P07 B20 I10 P21 J18 B50 P36 I64 A09 V09 G00 N18 E14 C22 HIV não especificada. Gestação de curta duração e peso baixo ao nascer HIV resultando em doenças infecciosas Hipertensão essencial Asfixia ao nascer Pneumonia por microorganismo não esp. Malária por P. Falciparum Septicemia bacteriana do recém-nascido Acidente Vascular Cerebral Diarreia infecciosa Pedestre traumatizado em acidentes de transporte não esp. Meningite bacteriana não classificada em outra parte Insuficiência renal crônica Diabetes mellitus não especificado Neoplasia maligna do fígado e das vias 2009 2010 2011 N % N % N % 1214 23% 845 17% 759 14% 581 11% 603 12% 583 11% 240 192 161 115 129 58 145 90 60 5% 4% 3% 2% 2% 1% 3% 2% 1% 213 249 187 96 105 94 66 57 55 4% 5% 4% 2% 2% 2% 1% 1% 1% 409 308 144 111 47 102 40 77 100 8% 6% 3% 2% 1% 2% 1% 1% 2% 77 1% 63 1% 65 1% 48 53 53 1% 1% 1% 40 36 24 1% 1% 0% 78 75 77 1% 1% 1% Página 68 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Causa básica 3dígitos N biliares intra-hepáticas A41 Outras septicemias B21 HIV resultando em neoplasias malignas 1111 Não especificada S06 Traumatismo intracraniano J15 Pneumonia bacteriana não classificada em outra parte Outras causas 2009 % N 2010 % N 2011 % 61 42 16 96 51 1% 1% 0% 2% 1% 60 36 89 24 45 1% 1% 2% 0% 1% 26 63 27 9 31 0% 1% 1% 0% 1% 1777 34% 1983 40% 2148 41% No total a proporção de óbitos por HIV, todas as formas, está em ligeira regressão, sendo 29% em 2009, 23% em 2010 e 24% em 2011. Esta diminuição é mais marcada incluindo os dados de 2008 (35%) na tendência; todavia a qualidade dos dados de 2008 pode ser inferior e, portanto, os dados de 2008 são para ser interpretados com cuidado. De maneira espetacular, os óbitos por todas as outras causas (excluindo HIV) aumentam ligeiramente, seja em termos de percentagem quer em termos de número absoluto (fig.38). Figura 38 – Tendência do número de óbitos por HIV/SIDA, por todas as outras causas e óbitos totais, no HCM do 2008 até 2011 5000 4000 Totale 3000 Outras causas 2000 HIV/SIDA 1000 0 2008 2009 2010 2011 Analisando as causas directas utilizando a categoria de 4 dígitos (fig.38 e tab.41), observa-se que a causa de óbito principal é a septicemia não especificada que está com tendência a aumentar de 2009 (5%) a 2011 (8%); também a septicemia não especificada do recém-nascido, além de ser a terceira causa mais frequente, tem uma tendência de aumento (de 4% a 7% desde 2009 até 2011). Considerando que 66% dos óbitos com causa directa “septicemia” e 73% dos óbitos “septicemia do recém-nascido” acontecem em pacientes internados por >48 horas não pode ser excluída a necessidade de fortalecer a assepsia das intervenções e as medidas de prevenções das doenças nosocomiais. A diminuição dos óbitos por síndrome da angústia respiratória do recém-nascido e síndrome da aspiração neonatal pode sugerir uma melhoria dos cuidados neonatais. Página 69 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Em 2011 observa-se um aumento considerável dos óbitos com causa directa “insuficiência respiratória” seja aguda seja não especificada. Figura 39 – Número de óbitos do HCM por primeiras 10 causas directas de óbito mais frequentes (categoria 4 dígitos) e ano, 2009-2011 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 2009 2010 2011 Tabela 42 – Distribuição dos óbitos do HCM por primeiras 20 causas directas de óbito mais frequentes (categoria 4 dígitos) e ano, 2009-2011 Causa directa 4 dígitos A419 P220 P369 I64 J180 J960 P210 J969 A09 P249 D649 D50 G936 N18 G009 Septicemia não especificada Síndrome da angústia respiratória do recém-nasc Septicemia bacteriana não esp. do recém-nascido Acidente Vascular Cerebral Broncopneumonia não especificada Insuficiência respiratória aguda Asfixia grave ao nascer Insuficiência respiratória não especificada Diarreia de Origem Infecciosa Presumível Síndrome de aspiração neonatal não especificada Anemia não especificada Anemia Por Deficiência de Ferro Edema cerebral Insuficiência Renal Crônica Meningite bacteriana não especificada 2009 N 269 319 196 137 190 55 134 40 150 103 46 99 31 74 76 2010 % 5.1% 6.1% 3.7% 2.6% 3.6% 1.0% 2.5% 0.8% 2.9% 2.0% 0.9% 1.9% 0.6% 1.4% 1.4% N 345 322 277 155 168 99 98 90 80 86 70 84 80 64 46 2011 % 6.9% 6.5% 5.6% 3.1% 3.4% 2.0% 2.0% 1.8% 1.6% 1.7% 1.4% 1.7% 1.6% 1.3% 0.9% N 418 231 348 191 113 268 143 190 84 53 118 39 108 44 59 % 7.9% 4.4% 6.6% 3.6% 2.1% 5.1% 2.7% 3.6% 1.6% 1.0% 2.2% 0.7% 2.0% 0.8% 1.1% Página 70 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Causa directa 4 dígitos 2009 N C46 1111 R571 A19 B500 Sarcoma de Kaposi Não especificado Choque hipovolêmico Tuberculose Miliar Malária por Plasmodium falciparum com complicações cerebrais Outras causas 2010 % 1.1% 0.3% 0.0% 1.1% 1.4% 58 16 0 58 71 3406 64.8% N 55 94 64 63 45 2011 % 1.1% 1.9% 1.3% 1.3% 0.9% 2930 59.0% N 57 49 94 26 30 % 1.1% 0.9% 1.8% 0.5% 0.6% 3034 57.5% A análise das causas básicas de óbito por departamento mostra que o HIV/SIDA absorve muitos dos recursos do HCM, considerando que o HIV/SIDA está entre as 5 primeiras causas básicas em todos os departamentos, sendo 49% no Departamento de Medicina (tab.42). Surpreende que o HIV/SIDA seja responsável por 22% dos óbitos em Cirurgia, especialmente considerando que para estes casos a causa directa é o mesmo HIV/SIDA em 5% e a septicemia em 22%: isso parece indicar um problema de codificação das causas de óbito ou uma seleção não adequada do departamento de internamento. Tabela 43 – Primeiras cinco causas básicas (agrupamentos de bloques CID-10) dos óbitos do HCM por cada departamento, total do período 2009-2011 Gineco./Obst. Causa básica Edema, proteinúria e hipertensão na gravidez Afecções originadas no período perinatal Neoplasias malignas de órg. genitais femininos HIV/SIDA Não especificado Total Ortopedia Causa básica Acidentes de transporte Quedas Lesões do quadril e da coxa HIV/SIDA Lesões no joelho e perna Total N % Cirurgia Causa básica 103 12% HIV/SIDA 79 73 9% Queimaduras e corrosões 8% Carcinomas in situ 58 7% 53 887 N 35 25 8 6 4 114 Acidentes de transporte 6% Agressão N 121 22% HIV/SIDA 2828 49% 452 8% 247 4% 177 3% 41 157 3% 554 SO de Adultos % Causa básica N 4% Tuberculose 24 0% Doenças inflamatórias do SNC Total % 81 15% Doenças hipertensivas 74 13% Doenças cerebrovasculares 62 11% Insuficiência renal Total 3% HIV/SIDA 1% Acidentes de transporte 1% Gripe e pneumonia % Medicina Causa básica N 7% Gripe e pneumonia Total % 4% 21 13 4% 2% 12 2% 7 1% 195 5792 UCI Causa básica Doenças hipertensivas HIV/SIDA Acidentes de transporte Doenças cerebrovasc. Diabetes mellitus Total N 370 % 6% 350 193 6% 3% 151 3% 151 3% 2749 Página 71 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Pediatria Causa básica Duração da gestação e crescimento fetal Doenças resp. e cardiovasc. do período perinatal HIV/SIDA Infecções próprias do período perinatal Desnutrição Total N % 1775 35% 606 12% 514 10% 258 5% 217 5087 4% Página 72 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 6 Análise da qualidade dos dados do SIS-ROH 6.1 Resultados da análise da qualidade O número de óbitos cuja causa básica de óbito foi codificada através de códigos do capítulo XVIII “Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte” é limitado, sendo 1.6% no anos de 2009 e 2011, e 1.8% em 2010. Como anteriormente discutido, uma parte dos óbitos por causa externa foram codificados utilizando os códigos do capítulo XIX “Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas” sendo em total 3.3% de todos os óbitos: este erro está sendo corrigido com o tempo dado que a percentagem destes casos foi 5.5 em 2009, 3.5 em 2010 e 2.5 em 2011. O número de óbitos cuja causa básica de óbito foi codificada através de códigos do capítulo XXI “Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde” é limitado, sendo 0.6% em 2009, 0.8% em 2010, e 0.4% em 2011. As causas de óbito registadas no SIS-ROH que correspondem à lista de condições que é pouco provável que sejam causas de óbito (no Segundo Volume do CID-10) são 0.3% de todas as causas. Cento e trinta e dois óbitos têm como causa básica de óbito o código 111=sem informação introduzido pelo HCM; isto corresponde a 0.3% dos óbitos do HCM em 2009, 1.8% em 2010 e 0.5% em 2011. Todas as informações estão completas, com excepção do sexo que não foi registado para 112 óbitos, ou seja 0.2% de todos os óbitos em 2009, 0.6% em 2010 e 0,4% no ano de 2011. A inconsistência entre tipo de causa e sexo do falecido (ex. tumor da próstata em uma mulher) é um erro que se encontra todos os anos com uma frequência variável mas sempre <1%; para o sexo masculino, o erro de classificação é parcialmente devido a uso dos códigos do capítulo XV “Gravidez, parto e puerpério” no lugar de XVI “Afecções originadas no período perinatal”para os recémnascidos (anexo 4). Considerando alguns dos códigos “lixo”6, nota-se que a sua percentagem não é muito elevada (entre 0.7% e 1.2%) e têm tendência a diminuir no tempo (anexo 5). Alguns óbitos têm um tempo de internamento igual a 0 minutos. Esta percentagem varia bastante de ano para ano, sendo 1% no ano de 2009, 6% no de 2010 e 11% no de 2011; o dado de 2009 reflecte somente a situação do HCM e, nos anos seguintes, os dados são os números cumulativos de cada vez mais hospitais. De facto, existe uma diferença importante entre hospitais (anexo 6). Numa parte destes casos este intervalo de internamento nulo pode reflectir uma real situação, por exemplo no caso dos óbitos fetais (40% destes casos acontecem nos departamentos de pediatria ou ginecologia/obstetrícia aos quais são atribuídos os óbitos perinatais), ou no caso dos casos de urgência que morrem ao chegar ao hospital, antes que os cuidados possam ser devidamente 6 Colin D. Mathers, WHO, March 2005 Página 73 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 prestados (22% destes casos acontecem nos departamentos de cuidados intensivos e sala de observação, e 5% no banco de socorros). Para transformar este dado em informação útil é necessário introduzir o registo da informação sobre óbitos fetais e deve ser estabelecida uma clara definição para os óbitos que acontecem no Banco de Socorros, para distinguir entre óbitos intra e extra-hospitalares. Todavia, se alguns destes dados podem ter uma justificação real, uma percentagem dos casos com intervalo de internamento nulo é muito provavelmente simplesmente devido a erro de preenchimento do certificado de óbito ou erro de introdução de dados no SIS-ROH. A qualidade da seleção das causas básica e directa de óbito pode ser analisada vendo a plausibilidade da causa directa tendo uma determinada causa básica. Esta análise é apresentada no anexo 7. 6.2 Algumas medidas para aumentar a qualidade dos dados No SIS-ROH foram incluídas algumas validações para que o codificador seja avisado que alguns códigos não permitidos para as causas básicas ou são restringidos por sexo. Em muitos locais o acesso à lista de definições e códigos CID-10 não é fácil porque não existem livros e não têm conexão a internet; isso dificulta muito o correcto preenchimento dos certificados de óbito e a codificação das causas de morte. Para permitir um acesso mais abrangente para todos os usuários do SIS-ROH, o MOASIS desenvolveu um aplicativo para telemóveis (feature phones) distribuído gratuitamente e de fácil uso que permite consultar a lista CID-10 em português procurando seja pela definição da doença seja pelos códigos. Esta ferramenta foi já testada e mostrou-se ser muito apreciada e útil especialmente no momento do preenchimento dos certificados de óbito. O aplicativo e o respetivo manual estão disponíveis no site do MOASIS através do seguinte link: http://www.moasis.org.mz/micd/ A expansão do SIS-ROH para todos os hospitais do país será um desafio para manter uma qualidade de dados aceitável, especialmente nos hospitais de nível II onde a capacidade diagnóstica é mais limitada e menor os recursos. Por isso, foi desenvolvida uma lista de códigos seleccionados e agregados a ser utilizada em locais onde não se consegue alcançar um uso correcto e integral da lista completa CID-10. Esta lista reduzida compreende em total 201 códigos: 82 correspondem a códigos de 3 ou 4 dígitos e 119 correspondem a agrupamentos de vários códigos CID-10. Nenhum código da lista completa CID-10 está excluído. Há 1 código adicional, totalmente novo, específico para Moçambique que é U50 = “Complicação não especificada do uso da medicina tradicional”. O CID-10 prevê o uso de códigos que iniciam por U para condições que ainda não estão classificadas e codificadas universalmente. Se na nova revisão do CID-10 (o CID-11) vier a ser introduzido um código para complicação da medicina tradicional, o código U50 de Moçambique será devidamente substituído. Cento e noventa códigos da lista reduzida foram realmente registados na base de dados do SIS-ROH dos anos 2009-2011 (anexo 8), demonstrando que a lista reduzida deveria permitir obter um nível de detalhe suficiente para monitorar as causas de óbito mais frequentes, as ligadas a condições/doenças de relevância para a saúde pública e as condições/doenças importantes para melhorar a gestão hospitalar. Página 74 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 7 Conclusões O SIS-ROH fornece informações sobre a mortalidade intra-hospitalar que podem guiar decisões a nível de gestão hospitalar, de gestão dos pacientes no território e de gestão dos programas de saúde pública. O sistema teve um bom desempenho: em 3 anos foi expandido a nível nacional para 18 hospitais, entre os quais estão todos os de nível IV e III e 8 de nível II (4 gerais, 2 distritais e 2 rurais). Apesar duma cobertura do sistema ainda baixa, mas este dado é esperado considerando que o sistema ainda não foi implementado em todos os hospitais. Ademais os óbitos registados no SIS-ROH são somente os que aconteceram entre pacientes internados. Na base do INCAM a percentagem dos falecidos que receberam cuidados clínicos (não exclusivamente hospitalares) antes do óbito são 62% do total. A rápida expansão do SIS-ROH deixa prever que a cobertura do SIS-ROH para os óbitos intra-hospitalares aumentará consideravelmente até finais de 2014. A curto prazo o SIS-ROH será também capaz de abranger igualmente os óbitos extra-hospitalares por causas externas (violentas ou acidentes) que são certificados obrigatoriamente pelos serviços de medicina legal e anatomia patológica. A cobertura do SIS-ROH é mais alta para os óbitos neonatais que para os óbitos gerais e o SIS-ROH fornece dados sobre as causas de morte neonatal e infantil que podem ser orientadores para a saúde materno infantil e para o fortalecimento dos cuidados pediátricos neonatais nos hospitais. Por outro lado, o SIS-ROH está sendo melhorado para que possa permitir registar os dados do certificado de óbito sobre mortes fetais e dados adicionais sobre os óbitos em menores de um ano de idade (ex. óbito em relação ao parto, paridade da mãe, etc.). A cobertura do SIS-ROH para os residentes da Cidade e Província de Maputo é muito alta e os dados podem ser considerados representativos da mortalidade intra-hospitalar. No Hospital Central de Maputo o SIS-ROH regista um número constante de óbitos desde 2009 (com base do censo hospitalar todos os óbitos são capturados pelo sistema) e a sua cobertura dos óbitos dos residentes na área geográfica de Maputo é constantemente muito elevada. O SIS-ROH no HCM tornou-se uma ferramenta de medição directa da tendência das causas de óbito e representa uma importante fonte de dados para avaliar as mudanças no perfil epidemiológico da população e o impacto de programas de controlo de doenças entre as quais o HIV/SIDA. A qualidade dos dados é boa, considerando a baixa percentagem de códigos lixo e de causas de óbitos mal identificadas. Apesar de alguns problemas de codificação das causas básicas e da escolha da sequência de eventos que levaram à morte, a representatividade das causas de óbitos pode-se considerar aceitável e fiável. A formação e capacitação em CID-10 e a melhoria dos mecanismos de validações de dados do aplicativo SIS-ROH são necessárias para melhorar e manter a qualidade dos dados. O uso de listas reduzidas e ferramentas como mICD em hospitais de nível II, onde haja dificuldade de formar devidamente o pessoal e de fazer a supervisão, podem ajudar a manter uma qualidade alta dos dados do SIS-ROH quando este fôr instalado em todos os hospitais. Numa perspectiva de médio-longo prazo, a articulação e coordenação com outros setores, dentre os quais o Registo Civil, é essencial para integrar o SIS-ROH no sistema de registo de mortalidade nacional, fora do Sistema Nacional de Saúde, para que se possam registar dados de todos os óbitos e permitir uma descrição do perfil epidemiológico dos óbitos intra-hospitalares quanto os extrahospitalares do país. Página 75 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 8 Anexos Anexo 1 - Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capitulo CID-10) por cada hospital Figura 1 –Hospital Central da Beira, 2010-2011 (numero total 3391) Fatores que influenciam o D. do sistema estado de osteomuscular saúde 2% D. do sistema 2% nervoso 3% D. endócrinas D. do aparelho circulatório e 4% nutricionais 3%D. do aparelho respiratorio 6% Outras causas 10% Neoplasias 6% D. infecciosas 31% Afecções do período perinatal 25% D. hematológicas e imunitárias 8% Figura 2 –, Hospital Central de Maputo, 2009-2011 (numero total 15508) D. do sistema nervoso 3% D. do aparelho digestivo 3% Conseqüências de causas externas D. endócrinas e 4% nutricionais 4% Causas externas Outras causas 10% D. infecciosas 33% 4% D. do aparelho respiratorio 4% Neoplasias 6% Afecções do período perinatal 18% D. do aparelho circulatório 11% Página 76 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 3 –Hospital Central de Nampula, 2010-2011 (numero total 1017) Neoplasias 2% D. do sistema nervoso 3% D. hematológicas e imunitárias 4% Outras causas 9% D. endócrinas e nutricionais 5% D. infecciosas 50% D. do aparelho circulatório 6% D. do aparelho respiratorio 9% Afecções do período perinatal 12% Figura 4 –Hospital Provincial de Chimoio, 2011 (numero total 616) Conseqüências de causas externas D. do aparelho 3% Outras circulatório causas 3% 10% D. endócrinas e nutricionais 3% Gravidez, parto e puerpério 5% D. do aparelho respiratorio 7% D. infecciosas 42% Afecções do período perinatal 27% Página 77 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 5 –Hospital Geral José Macamo, 2011 (numero total 2657) D. endócrinas e nutricionais 3% D. do aparelho circulatório 4% Outras causas 10% D. do aparelho respiratorio 6% D. infecciosas 48% Afecções do período perinatal 29% Figura 6 –Hospital Provincial de Inhambane, 2010-2011 (numero total 766) Afecções do período perinatal 4% Sintomas, sinais e achados anormais 5% Outras causas 11% D. hematológicas e imunitárias 5% D. endócrinas e nutricionais 5% D. do sistema nervoso 6% D. do aparelho respiratorio Conseqüências de 7% causas externas 7% D. infecciosas 23% Neoplasias 14% D. do aparelho circulatório 13% Página 78 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 7 –Hospital Provincial de Lichinga, 2010-2011 (numero total 1360) Gravidez, parto e D. do aparelho puerpério 3% digestivo 3% Outras causas 11% D. hematológicas e imunitárias 4% D. infecciosas 33% Conseqüências de causas externas 5% D. do aparelho circulatório 5% D. endócrinas e nutricionais D. do aparelho 6% respiratorio 9% Afecções do período perinatal 21% Figura 8 –Hospital Provincial de Pemba, 2010-2011 (numero total 510) Sintomas, sinais e achados anormais 4% D. do aparelho digestivo 3% D. endócrinas e nutricionais 4% D. do aparelho circulatório 6% Conseqüências de causas externas 8% D. do aparelho respiratorio 8% Outras causas 11% D. infecciosas 42% Afecções do período perinatal 14% Página 79 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Figura 9 –Hospital Provincial de Quelimane, 2010-2011 (numero total 2683) Gravidez, parto e puerpério 3% Conseqüências de causas externas 4% D. endócrinas e nutricionais 3% Outras causas 11% D. hematológicas e imunitárias 4% D. do aparelho circulatório 4% D. infecciosas 57% D. do aparelho respiratorio 4% Afecções do período perinatal 10% Figura 10 – Hospital Provincial de Xai-Xai, 2010-2011 (numero total 809) D. endócrinas e Neoplasias 3% nutricionais 3% D. do aparelho respiratorio 4% Afecções do período perinatal Conseqüências de 4% causas externas 5% Outras causas 10% D. infecciosas 65% D. do aparelho circulatório 6% Página 80 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Anexo 2 – Distribuição de todos os óbitos por causa básica de morte (subcategorias 4 dígitos), numero, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011 Código B24 P073 I10 B20 J180 P210 P07 A09 B207 P072 P21 I64 P369 B500 B23 B50 B209 P95 B201 B22 B54 E14 E41 P36 V093 E42 A419 D649 B200 B208 C220 A41 G009 B210 N18 P20 Descrição da causa de óbito Doença pelo HIV, não especificada Outros recém-nascidos de pré-termo (entre 28 e 37 semanas) Hipertensão essencial (primária) Doença pelo HIV, resultando em doenças infecciosas e parasitárias Broncopneumonia não especificada Asfixia grave ao nascer Transtornos relacionados com a gestação de curta duração e peso baixo ao nascer não classificados em outra parte Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível Doença pelo HIV resultando em infecções múltiplas Imaturidade extrema (<28 semanas) Asfixia ao nascer Acidente vascular cerebral, não especificado como hemorrágico ou isquémico Septicemia bacteriana não especificada do recém-nascido Malária por plasmodium falciparum com complicações cerebrais Doença pelo HIV resultando em outras doenças Malária por plasmodium falciparum Doença pelo HIV resultando em doença infecciosa ou parasitária não especificada Morte fetal de causa não especificada Doença pelo HIV resultando em outras infecções bacterianas Doença pelo HIV resultando em outras doenças especificadas Malária não especificada Diabetes mellitus não especificado Marasmo nutricional Septicemia bacteriana do recém-nascido Pedestre traumatizado em um acidente de trânsito não especificado Kwashiorkor marasmático Septicemia não especificada Anemia não especificada Doença pelo HIV resultando em infecções micobacterianas Doença pelo HIV resultando em outras doenças infecciosas e parasitárias Carcinoma de células hepáticas Outras septicemias Meningite bacteriana não especificada Doença pelo HIV resultando em sarcoma de Kaposi Insuficiência renal crônica Hipoxia intra-uterina Total % % Cum. 4850 17% 17% 1719 5.9% 22% 889 3.0% 25% 745 2.5% 28% 668 2.3% 30% 606 2.1% 32% 459 1.6% 34% 445 410 394 366 350 1.5% 1.4% 1.3% 1.2% 1.2% 35% 37% 38% 39% 41% 337 334 299 293 264 1.1% 1.1% 1.0% 1.0% 0.9% 42% 43% 44% 45% 46% 240 238 236 228 217 213 196 192 189 175 171 171 169 0.8% 0.8% 0.8% 0.8% 0.7% 0.7% 0.7% 0.7% 0.6% 0.6% 0.6% 0.6% 0.6% 47% 47% 48% 49% 50% 50% 51% 52% 52% 53% 54% 54% 55% 150 149 138 135 134 132 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 55% 56% 56% 57% 57% 58% Página 81 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código 1111 D50 J189 D849 T300 B232 P071 G00 B220 J159 P219 P070 E40 P209 J18 A15 B206 B509 B508 J15 A16 I420 I11 S062 A153 A19 P249 G039 I509 A162 B21 G042 N17 V99 P220 B230 D001 Descrição da causa de óbito Causa não especificada Anemia por deficiência de ferro Pneumonia não especificada Imunodeficiência não especificada Queimadura, parte do corpo não especificada, grau não especificado Doença pelo HIV resultando em anomalias hematológicas e imunológicas não classificadas em outra parte Outros recém-nascidos de peso baixo (entre 1000 e 2500 gramas) Meningite bacteriana não classificada em outra parte Doença pelo HIV resultando em encefalopatia (demência pelo HIV) Pneumonia bacteriana não especificada Asfixia ao nascer, não especificada Recém-nascido com peso muito baixo (<1000 gramas) Kwashiorkor Hipoxia intra-uterina não especificada Pneumonia por microorganismo não especificada Tuberculose respiratória, com confirmação bacteriológica e histológica Doença pelo HIV resultando em pneumonia por pneumocystis jirovecii Malária não especificada por plasmodium falciparum Outras formas graves e complicadas de malária por plasmodium falciparum Pneumonia bacteriana não classificada em outra parte Tuberculose das vias respiratórias, sem confirmação bacteriológica ou histológica Cardiomiopatia dilatada Doença cardíaca hipertensiva Traumatismo cerebral difuso Tuberculose pulmonar, com confirmação por meio não especificado Tuberculose miliar Síndrome de aspiração neonatal não especificada Meningite não especificada Insuficiência cardíaca não especificada Tuberculose pulmonar, sem menção de confirmação bacteriológica ou histológica Doença pelo HIV, resultando em neoplasias malignas Meningoencefalite e meningomielite bacterianas não classificadas em outra parte Insuficiência renal aguda Acidente de transporte não especificado Síndrome da angústia respiratória do recém-nascido Síndrome de infecção aguda pelo HIV Carcinoma in situ do esôfago Total % % Cum. 132 0.5% 58% 128 0.4% 59% 123 0.4% 59% 120 0.4% 59% 113 0.4% 60% 112 0.4% 60% 105 105 103 98 97 97 95 92 89 86 0.4% 0.4% 0.4% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 60% 61% 61% 62% 62% 62% 63% 63% 63% 63% 86 0.3% 64% 84 84 0.3% 0.3% 64% 64% 80 75 0.3% 0.3% 65% 65% 73 73 72 72 71 70 70 67 67 0.2% 0.2% 0.2% 0.2% 0.2% 0.2% 0.2% 0.2% 0.2% 65% 65% 66% 66% 66% 66% 67% 67% 67% 67 66 0.2% 0.2% 67% 67% 65 64 63 60 58 0.2% 0.2% 0.2% 0.2% 0.2% 68% 68% 68% 68% 69% Página 82 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código I50 Y03 T290 C53 A188 E10 R54 J81 E11 W19 J969 Descrição da causa de óbito Insuficiência cardíaca Agressão por meio de impacto de um veículo a motor Queimaduras múltiplas, grau não especificado Neoplasia maligna do colo do útero Tuberculose de outros órgãos especificados Diabetes mellitus insulino-dependente Senilidade Edema pulmonar, não especificado de outra forma Diabetes mellitus não-insulino-dependente Queda sem especificação Insuficiência respiratória não especificada Outras doenças Total % % Cum. 57 0.2% 69% 55 0.2% 69% 53 0.2% 69% 53 0.2% 69% 53 0.2% 69% 52 0.2% 70% 51 0.2% 70% 51 0.2% 70% 51 0.2% 70% 50 0.2% 70% 50 0.2% 70% 8658 30% 100% Página 83 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Anexo 3 – Distribuição de todos os óbitos por causa directa de morte (subcategorias 4 dígitos), numero, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011 Código J180 P369 P220 A419 D649 I64 A41 J960 A09 B24 J969 P210 P073 D50 P36 R571 P21 J96 B500 P249 G936 C46 P95 G009 B50 G042 N18 B54 P22 E41 E42 A15 J81 A19 G934 N17 I509 1111 Descrição da causa de óbito Broncopneumonia não especificada Septicemia bacteriana não especificada do recém-nascido Síndrome da angústia respiratória do recém-nascido Septicemia não especificada Anemia não especificada Acidente Vascular Cerebral, Não Especificado Outras Septicemias Insuficiência respiratória aguda Diarreia e Gastroenterite de Origem Infecciosa Presumível Doença Pelo HIV Não Especificada Insuficiência respiratória não especificada Asfixia grave ao nascer Outros recém-nascidos de pré-termo Anemia Por Deficiência de Ferro Septicemia Bacteriana do Recém-nascido Choque hipovolêmico Asfixia ao Nascer Insuficiência Respiratória Não Classificada de Outra Parte Malária por Plasmodium falciparum com complicações cerebrais Síndrome de aspiração neonatal não especificada Edema cerebral Sarcoma de Kaposi Morte Fetal de Causa Não Especificada Meningite bacteriana não especificada Malária Por Plasmodium Falciparum Meningoencefalite bacterianas não classificadas em outra parte Insuficiência Renal Crônica Malária Não Especificada Desconforto (angústia) Respiratório(a) do Recém-nascido Marasmo Nutricional Kwashiorkor Marasmático Tuberculose Respiratória, Com Confirmação Bacteriológica Edema Pulmonar, Não Especificado de Outra Forma Tuberculose Miliar Encefalopatia não especificada Insuficiência Renal Aguda Insuficiência cardíaca não especificada Não especificado Total % % Cum. 1110 3.8% 4% 949 3.2% 7% 924 3.2% 10% 886 3.0% 13% 696 2.4% 16% 666 2.3% 18% 649 2.2% 20% 641 2.2% 22% 605 2.1% 24% 598 2.0% 26% 585 2.0% 28% 509 1.7% 30% 440 1.5% 32% 396 1.4% 33% 392 1.3% 34% 366 1.2% 36% 365 1.2% 37% 311 1.1% 38% 308 1.1% 39% 287 1.0% 40% 287 1.0% 41% 249 0.8% 42% 241 0.8% 43% 221 0.8% 43% 217 0.7% 44% 206 0.7% 45% 205 0.7% 45% 200 0.7% 46% 197 0.7% 47% 187 0.6% 47% 184 0.6% 48% 178 0.6% 49% 171 0.6% 49% 168 0.6% 50% 167 0.6% 50% 165 0.6% 51% 161 0.5% 51% 159 0.5% 52% Página 84 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código A162 B20 D648 I50 A16 G00 P20 P072 A86 I10 T794 J189 A153 C220 B207 G039 I61 J18 S062 R402 Z111 J15 J159 A199 R579 P209 N19 I63 I500 C468 P285 E162 K729 A169 B59 I619 P07 I46 D630 G939 R092 Descrição da causa de óbito Tuberculose pulmonar, sem menção de confirmação bacteriológica ou histológica Doença Pelo HIV resultando em doença infecciosa e parasitária Outras anemias especificadas Insuficiência Cardíaca Tuberculose Das Vias Respiratórias, Sem Confirmação Meningite Bacteriana Não Classificada em Outra Parte Hipoxia Intra-uterina Imaturidade extrema Encefalite Viral, Não Especificada Hipertensão Essencial (primária) Choque traumático Pneumonia não especificada Tuberculose pulmonar, com confirmação não especificada Carcinoma de células hepáticas Doença pelo HIV resultando em infecções múltiplas Meningite não especificada Hemorragia Intracerebral Pneumonia Por Microorganismo Não Especificada Traumatismo cerebral difuso Coma não especificado Exame especial de rastreamento de tuberculose pulmonar Pneumonia Bacteriana Não Classificada em Outra Parte Pneumonia bacteriana não especificada Tuberculose miliar não especificada Choque não especificado Hipoxia intra-uterina não especificada Insuficiência Renal Não Especificada Infarto Cerebral Insuficiência cardíaca congestiva Sarcoma de Kaposi de múltiplos órgãos Insuficiência respiratória do recém-nascido Hipoglicemia não especificada Insuficiência hepática, sem outras especificações Tuberculose respiratória, não especificada Pneumocistose Hemorragia intracerebral não especificada Transtornos Relacionados Com a Gestação de Curta Duração e Peso Baixo ao Nascer Não Classificados em Outra Parte Parada Cardíaca Anemia em neoplasias Transtorno não especificado do encéfalo Parada respiratória Total % % Cum. 154 0.5% 53% 147 145 144 144 140 137 137 136 133 131 130 130 126 124 122 117 113 112 97 95 95 94 89 88 88 88 86 85 85 84 82 79 79 79 78 76 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.5% 0.4% 0.4% 0.4% 0.4% 0.4% 0.4% 0.4% 0.4% 0.4% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 53% 54% 54% 55% 55% 55% 56% 56% 57% 57% 58% 58% 59% 59% 59% 60% 60% 61% 61% 61% 62% 62% 62% 63% 63% 63% 63% 64% 64% 64% 65% 65% 65% 65% 66% 66% 76 76 75 74 0.3% 0.3% 0.3% 0.3% 66% 66% 67% 67% Página 85 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Código P219 D610 B201 B509 S06 P910 E14 B508 E40 R688 Y629 T869 B220 K72 D638 Z030 Descrição da causa de óbito Asfixia ao nascer, não especificada Anemia aplástica constitucional Doença pelo HIV resultando em outras infecções bacterianas Malária não especificada por Plasmodium falciparum Traumatismo Intracraniano Isquemia cerebral neonatal Diabetes Mellitus Não Especificado Outras formas graves e complicadas de malária por P. falciparum Kwashiorkor Outros sintomas e sinais gerais especificados Assepsia insuficiente durante a prestação de cuidado cirúrgico e médico não especificado Falência e rejeição a transplante de órgão ou tecido não especif. Doença pelo HIV resultando em encefalopatia (Demência) Insuficiência Hepática Não Classificada em Outra Parte Anemia em outras doenças classificadas em outra parte Observação por suspeita de tuberculose Outras causas Total 73 73 73 70 67 67 66 65 64 61 59 % % Cum. 0.2% 67% 0.2% 67% 0.2% 68% 0.2% 68% 0.2% 68% 0.2% 68% 0.2% 69% 0.2% 69% 0.2% 69% 0.2% 69% 0.2% 69% 59 0.2% 59 0.2% 57 0.2% 57 0.2% 56 0.2% 8675 29% 70% 70% 70% 70% 70% 100% Página 86 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Anexo 4 - Inconsistência entre sexo do falecido e tipo de causa básica de óbito Tipo de inconsistência Sexo Masculino para causas restringidas ao sexo feminino Sexo Feminino para causas restringidas ao sexo masculino % de óbitos mal classificados 2009 2010 2011 0.3% 0.9% 0.7% 0.1% 0.6% 0.1% Anexo 5 – Frequência dos códigos lixo por ano, 2009-2011 Códigos lixo* C76 Neoplasia Maligna de Outras Localizações e de Localizações Mal Definidas C80 Neoplasia Maligna, Sem Especificação de Localização C97 Neoplasias malignas de localizações múltiplas independentes (primárias) I46 Parada Cardíaca I490 Flutter e fibrilação ventricular I50 Insuficiência Cardíaca I514 Miocardite não especificada I516 Doença cardiovascular não especificada I519 Doença não especificada do coração I709 Aterosclerose generalizada e a não especificada Y10-Y34 Causas externas com intenção não determinada Total códigos lixo 2009 5 2010 16 2011 10 1 2 19 2 23 1 4 1 17 9 1 46 1 4 36 1 10 6 110 4 1 92 1 3 6 15 2 158 Total óbitos do ano 5259 8995 15063 1 Percentagem de códigos lixo 0.7% 1.2% *Os códigos lixo analisados são I472, I515, Y872: nenhum óbito registado com estas causas Anexo 6 – Percentagem de óbitos com intervalo de internamento=0 minutos, por hospital, 2009-2011 Hospital HCB HCM HCN HGJM HPC HPI HPL HPP HPQ HPX Total N com intervalo = 0 Total por hospital 568 3391 724 15508 217 1017 280 2657 31 616 3 766 52 1360 126 510 263 2683 18 809 2282 29317 % com int.=0 17% 5% 21% 11% 5% 0% 4% 25% 10% 2% 8% Página 87 de 94 1.0% Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Anexo 7 – Analise da plausibilidade da causa directa tendo uma determinada causa básica Esta análise foi já apresentada pelos óbitos que tem como causa básica o HIV (B20-B24) no texto principal do relatório. A seguir vão ser analisadas as causas directas para óbitos cuia causa básica foi hipertensão essencial (I10), diabete (E10-E14) e acidentes de viação (V01-V99). Para condições como diabete e hipertensão essencial existe o risco de sobre estimação da sua prevalência como causa de óbito; de facto, sendo estas um factor de risco por várias patologias, pode ter uma tendência a seleccioná-las como causa básica mesmo se não são claramente ligadas a cadeia de eventos que levam à morte. Para os óbitos por hipertensão o 95% dos casos tem uma causa directa plausível (ex. acidente vascular cerebral, hemorragia intracerebral, encefalopatia hipertensiva, insuficiência cardíaca, etc.); esta proporção é constante do 2009 ao 2011 (tab.1). As causas directas não plausíveis são uma percentagem bastante pequena e não tem nenhum pattern que sugira erro sistemático ou recorrente por parte dos médicos ou codificadores. Tabela 1 – Causas directas registadas para os óbitos com causa básica = Hipertensão essencial (I10), por ano, 2009-2011 Causa directa 2009 2010 2011 Total Causas directas plausíveis tendo causa básica=Hipertensão 182 248 418 848 essencial (N) % de causas plausíveis 95% 96% 95% 95% Causas directas não plausíveis tendo causa básica=Hipertensão 10 10 21 41 essencial (N) % de causas não plausíveis 5% 4% 5% 5% Detalhes sobre causas directas não plausíveis com Hipertensão essencial A162 Tuberculose pulmonar, sem confirmação 1 1 A41 Outras Septicemias 1 2 3 A480 Gangrena gasosa 1 1 A89 Infecções virais não esp. do sistema nervoso central 1 1 B206 HIV resultando em pneumonia por Pneumocystis jirovecii 1 1 B24 Doença pelo HIV não especificada 1 1 B500 Malária por P. falciparum com complicações cerebrais 1 1 B99 Doenças infecciosas, outras e as não especificadas 1 1 C531 Neoplasia maligna do exocérvix 1 1 D14 Neoplasia benigna do ouvido médio e do aparelho respiratório 1 1 D610 Anemia aplástica constitucional 2 2 D65 Coagulação intravascular disseminada (síndrome de desfibrinação) 1 1 E14 Diabetes mellitus não especificado 3 1 1 5 E162 Hipoglicemia não especificada 1 1 F04 Síndrome amnésica orgânica não induzida pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas F29 Psicose não-orgânica não especificada 1 G009 Meningite bacteriana não especificada G933 Síndrome da fadiga pós-viral I271 Cardiopatia cifoescoliótica 1 1 1 2 1 1 2 1 1 2 Página 88 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Causa directa J160 Pneumonia devida a clamídias J64 Pneumoconiose não especificada L039 Celulite não especificada N343 Síndrome uretral, não especificada R093 Escarro anormal R458 Outros sintomas e sinais relativos ao estado emocional R59 Aumento de volume dos gânglios linfáticos R75 Evidência laboratorial do HIV T659 Efeito tóxico de substância não especificada Total óbitos com causa básica = hipertensão essencial 2009 2010 1 1 1 192 258 2011 Total 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 4 5 1 1 1 439 889 Para os óbitos por diabete o 93% dos casos tem uma causa directa plausível (ex. septicemia, insuficiência renal, encefalopatia não especificada, pneumonia, etc.); esta proporção aumenta ligeiramente no 2011 (tab.2). Todavia, o 25% das causas directas plausíveis é a diabete mesmo (13% sem menção de complicações e o 12% com complicações): isso fornece uma informação redundante e de pouca utilidade epidemiológica. As causas directas não plausíveis, mesmo sendo uma percentagem bastante pequena, sugerem que alguns erros podem ser feitos com sistematicidade por parte dos médicos ou codificadores: por exemplo o uso do código E15 deveria ser substituído para E10.0, E11.0, E12.0, E13.0 e E14.0 que são os códigos dos vários tipos de diabete mellitus complicados com coma. Tabela 2 – Causas directas registadas para os óbitos com causa básica = Diabete (E10-E14), por ano, 2009-2011 Causa directa 2009 2010 2011 Total Causas directas plausíveis tendo causa básica=Diabete (N) 89 117 179 385 % de causas plausíveis 91% 91% 94% 93% Causas directas não plausíveis tendo causa básica=Diabete (N) 9 11 11 31 % de causas não plausíveis 9% 9% 6% 7% Detalhes sobre causas directas não plausíveis com Diabete E15 Coma hipoglicêmico não-diabético I10 Hipertensão essencial (primária) B24 Doença pelo HIV não especificada R59 Aumento de volume dos gânglios linfáticos J60 Pneumoconiose dos mineiros de carvão B50 Malária por Plasmodium Falciparum X54 Falta de Água I271 Cardiopatia cifoescoliótica S060 Concussão cerebral J681 Edema pulmonar devido a químicos, gases, vapores I470 Arritmia ventricular por reentrada P942 Hipotonia congênita T15 Corpo estranho na parte externa do olho Total óbitos com causa básica = diabete 1 4 3 1 1 3 4 1 1 2 1 1 1 1 1 1 1 3 1 1 1 1 1 1 1 98 7 5 5 128 190 1 1 1 416 Página 89 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Para os óbitos por acidentes de transporte 98% dos casos tem uma causa directa plausível (ex. choque traumático, choque hipovolêmico, traumatismo intracraniano, traumatismo cerebral difuso, septicemia não especificada, etc.); esta proporção é constante do 2009 ao 2011 (tab.3). As causas directas não plausíveis são uma percentagem bastante pequena e não tem nenhum pattern que sugira erro sistemático ou recorrente por parte dos médicos ou codificadores; causas como “pneumotórax espontâneo” sugerem mais um problema de escolha do quarto dígito do código CID10 que um problema de preenchimento do certificado de óbito. É para notar que em 3% até 7% dos casos a causa directa foi codificada com códigos do capítulo XX “causas externas”, a ser utilizados somente para as causas básicas, ao lugar dos códigos do capítulo XIX “Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas” Tabela 3 – Causas directas registadas para os óbitos com causa básica = Acidentes de transporte (V01-V99), por ano, 2009-2011 Causa directa 2009 2010 2011 Total Causas directas plausíveis tendo causa básica=Acidente de transporte 73 116 152 341 % de causas plausíveis 99% 97% 98% 98% Causas directas não plausíveis tendo causa básica=acidente de 1 3 3 7 transporte % de causas não plausíveis 1% 3% 2% 2% Detalhes sobre causas directas não plausíveis com Acidentes de transporte B508 Outras formas graves e complicadas de malária por Plasmodium falciparum 1 1 G040 Encefalite aguda disseminada 1 1 A169 Tuberculose respiratória, não especificada 1 1 J931 Outras formas de pneumotórax espontâneo 1 1 T869 Falência e rejeição a transplante de órgão ou tecido não especificado 2 2 J961 Insuficiência respiratória crônica 1 1 Causas directas codificadas com causas do capítulo XX V01-Y98 5 2 4 11 % de causas directas codificadas como V01-Y98 7% 2% 3% 3% Total de óbito com causa básica=Acidente de transporte 74 119 155 348 Página 90 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Anexo 8 – Distribuição de todos os óbitos do 2009-2011 por causa básica de morte na base da lista dos agrupamentos de causas de óbito do Certificado de Óbito Grupos de códigos B24 P073 P21 B200 I10 J180 B500-B508, B510B518, B520-B528 H00-H58, R00-39, R41-R49, R51-R53, R55-R68, R70-R94 I60-I64, I67-I69 P36 P070 E40-E46 I30-I33, I40-I43, I50I52, I65-I66, I70-I79, I81-I95, I98-I99 A09 E10-E14 B207 J12-J18 (excl. J180) P072 A15-A16 A40-A41 D51-D64 T20-T32 B220 B509, B519, B529, B53-B54 D00-D48 J00-J11, J30-J39, J60J84, J90-J94, J96-J98 K70-K77 G00 P95 Descrição da causa de óbito Doença pelo HIV resultando em outras doenças ou não especificadas Outros recém-nascidos de pré-termo (28-37 semanas de gestação) ou não especificados Asfixia ao Nascer Doença pelo HIV resultando em infecções micobacterianas Hipertensão Essencial (primária) Broncopneumonia não especificada Malaria grave complicada (Falciparum e/ou Vivax e/ou Malariae) Outras causas de morte não incluídas na lista do certificado de óbito Total % % cum. 5870 20 20 1719 6 26 1093 916 4 3 30 33 889 757 724 3 3 2 36 38 41 620 2 43 Doenças Cerebrovasculares Septicemia Bacteriana do Recém-nascido Recém-nascido com peso muito baixo (<1000 gramas) Desnutrição Outras doenças do aparelho circulatório 569 557 556 550 541 2 2 2 2 2 45 47 49 51 52 Diarreia e Gastroenterite de Origem Infecciosa Presumível Diabetes mellitus Doença pelo HIV resultando em infecções múltiplas Pneumonias Imaturidade extrema (<28 semanas de gestação) Tuberculose respiratória Septicemia não especificada Outras anemias Queimaduras e corrosões Doença pelo HIV resultando em encefalopatia (Demência pelo HIV) Malaria outra e não especificada 445 2 54 416 410 397 394 391 366 364 347 339 1 1 1 1 1 1 1 1 1 55 57 58 59 61 62 63 64 66 332 1 67 Neoplasia benigna ou de comportamento incerto ou desconhecido Outras doenças do aparelho respiratório 312 1 68 282 1 69 Doenças do fígado Meningite Bacteriana Não Classificada em Outra Parte Morte Fetal de Causa Não Especificada 253 249 240 1 1 1 70 70 71 Página 91 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 Grupos de códigos B201 S00-S19 A17-A19 P20 G04-G25, G31-G96, G98-G99 A02, A04-A08, A21A26, A28, A30-A32, A38, A42-A49, A65A79, B00-B04, B06B09, B25-B49, B55B64, B85-B94, B99 V01-V09 C30-C31, C37-C39, C45-C49, C60, C63, C69, C76-C80, C88, C96-C97 C22 B210 P05, P08, P23, P25P35, P37-P39, P70P94, 96 N18 Descrição da causa de óbito Doença pelo HIV resultando em outras infecções bacterianas Traumatismo da Cabeça e pescoço Tuberculose extrapulmonar Hipoxia Intra-uterina Outras doenças do sistema nervoso Total % % cum. 238 1 72 236 235 228 227 1 1 1 1 73 74 74 75 Outras doenças infecciosas e parasitárias 222 1 76 Pedestre Traumatizado em acidente de transporte Outras Neoplasias malignas 217 216 1 1 77 77 Neoplasia Maligna do Fígado e Das Vias Biliares Intrahepáticas Doença pelo HIV resultando em sarcoma de Kaposi Outras afecções originadas no período perinatal 206 1 78 202 179 1 1 79 79 Insuficiência Renal Crônica 179 1 80 Página 92 de 94 Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011 FICHA TÉCNICA Título: ANÁLISE DA MORTALIDADE NACIONAL INTRA-HOSPITALAR, MOÇAMBIQUE. Sistema de Informação de Saúde - Registo de Óbitos Hospitalares (SIS-ROH): Análise de 3 anos - 2009-2011 Editor: Ministério da Saúde - Direcção de Planificação e Cooperação (DPC) – Departamento de Informação para a Saúde – Maputo Equipa de redacção: Roberta Pastore, Alessandro Campione, António Sitói, Adelino Covane Coordenação: Cidália Balói, Moisés Ernesto Mazivila Direcção: Célia Gonçalves Revisão: António Sitói Colaboradores: Jembi Health Systems/MOASIS, Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Hospital Central de Maputo (HCM). Responsáveis do SIS-ROH dos Hospitais: Geral “José Macamo”; Provincial de Pemba, Provincial de Lichinga, Provincial de Quelimane, Provincial de Xai-Xai, Provincial de Chimoio, Provincial de Inhambane, Central de Nampula e Central da Beira. Apoio técnico: Organização Mundial da Saúde (OMS) [Escritórios em Genebra], Rede de Metrologia de Saúde (HMN), Medical Research Council da Africa do Sul através do WHO-FIC Collaborating Centre, CDC Moçambique Financiamento: MISAU, Rede de Metrologia para a Saúde (HMN)/OMS através do Projecto MOVE-IT, Jembi Health Systems/MOASIS, CDC, Twinning Center Design: Moasis/Jembi Health Systems Impressão e acabamentos: Endereço: Moasis e Jembi Health Systems http://www.jembi.org/ http://www.moasis.org.mz/ Departamento de Informação para a Saúde Direcção de Planificação e Cooperação Ministério da Saúde Av. Eduardo Mondlane/Salvador Allende, 1008 www.misau.gov.mz Maputo - Moçambique Página 93 de 94