REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
MINISTÉRIO DA SAÚDE
ANÁLISE DA
MORTALIDADE
NACIONAL
INTRA-HOSPITALAR
MOÇAMBIQUE
Sistema de Informação de Saúde-Registo de Óbitos
Hospitalares (SIS-ROH)
Análise de 3 anos - 2009-2011
Maputo, Novembro de 2012
Com apoio técnico da MOASIS/Jembi Health Systems
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Lista dos conteúdos
I. Prefacio
2
II. Abreviações
3
1. Sumário executivo
4
2. Introdução
8
3. Objectivos da análise
9
4. Metodologia utilizada para apuração dos dados
9
5. Resultados
10
5.1. Secção I – Análise dos dados nacionais
10
5.1.1.Resultados gerais
10
5.1.2.Análise detalhada sobre algumas condições específicas
34
5.1.2.1.
5.1.2.2.
5.1.2.3.
5.1.2.4.
5.1.2.5.
5.1.2.6.
5.1.2.7.
5.1.2.8.
5.1.2.9.
5.1.2.10.
HIV/SIDA
Tuberculose
Malária
Doenças evitáveis com vacinas
Doenças do aparelho cardiovascular
Doenças do aparelho respiratório
Tumores
Diabete
Causas externas
Mortalidade materna
34
38
40
41
42
43
45
48
49
52
5.1.3.Comparação dos resultados do SIS-ROH com outros dados de mortalidade de
Moçambique
5.2. Secção II – Análise dos dados do Hospital Central de Maputo (HCM)
54
59
6. Análise da qualidade dos dados do SIS-ROH
73
6.1. Resultados da análise da qualidade
73
6.2. Algumas medidas para aumentar a qualidade dos dados
74
7. Conclusões
75
8. Anexos
76
8.1. Anexo 1 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capitulo CID-10) por cada hospital
8.2. Anexo 2 – Distribuição de todos os óbitos por causa básica de morte (subcategorias 4 dígitos), numero,
percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011
8.3. Anexo 3 – Distribuição de todos os óbitos por causa directa de morte (subcategorias 4 dígitos), numero,
percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011
8.4. Anexo 4 – Inconsistência entre sexo do falecido e tipo de causa básica de óbito
8.5. Anexo 5 – Frequência dos códigos lixo por ano, 2009-2011
8.6. Anexo 6 – Percentagem de óbitos com intervalo de internamento=0 minutos, por hospital, 2009-2011
8.7. Anexo 7 – Analise da plausibilidade da causa directa tendo uma determinada causa básica
8.8. Anexo
8 – Distribuição de todos os óbitos do 2009-2011 por causa básica de morte na base da lista dos
agrupamentos de causas de óbito do Certificado de Óbito
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Prefácio
Pela primeira vez em o Ministério da Saúde da República de Moçambique publica estatísticas sobre
as causas de óbito de âmbito nacional obtidas através de um sistema de informação de rotina.
Desde 2008 o “Sistema de Registo de Óbitos Hospitalares” (SIS-ROH) está sendo progressivamente
implementado com êxito no País permitindo recolher informações de alta qualidade. O sistema irá
ser expandido ulteriormente abrangendo todos os hospitais do País. No âmbito dos esforços
multissectoriais visando o fortalecimento das estatísticas vitais em Moçambique o SIS-ROH poderá
servir como ferramenta para o registo das causas de óbito de indivíduos que morrem fora do Serviço
Nacional de Saúde, tornando-se assim uma ferramenta essencial para medição da mortalidade e das
suas causas em Moçambique.
As estatísticas de mortalidade e a sua evolução ou tendência no tempo permitirão subsidiar acções
de promoção/prevenção à saúde e avaliar o impacto dos programas de saúde, dentre os quais o
Programa Nacional de Controlo do HIV/SIDA, o Programa da Tuberculose, o da Malária, o da Saúde
Materno-Infantil e outros, em termos de redução da mortalidade. As estatísticas de mortalidade
permitirão também individualizar e quantificar novos e emergentes desafios tais como a prevenção
e controlo das doenças não infecciosas, dos acidentes de transporte, do seguimento dos pacientes
portadores de doenças crónicas. Informações de qualidade sobre as causas de óbito serão cada vez
mais utilizadas para orientar ainda melhor as políticas e as estratégias do sector de saúde,
melhorando assim a situação de saúde e a qualidade de vida do povo Moçambicano.
Espera-se que o presente relatório seja útil para os gestores de saúde e comunidades aos diferentes
níveis, a leitura e análise das informações reportadas fornecem subsídios motivadores para
acompanhar a Política Nacional de Saúde em Moçambique, a implementação do PARP, a proposição
de soluções custo-efectivas que permitem ganhos em Saúde e o entendimento de que dados
padronizados também contribuem para salvar vidas.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Abreviações
CDC
CID-10
CO
DIS
DPC
HCB
HCM
HCN
HGJM
HIV/SIDA
HPC
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
INCAM
MISAU
MOASIS
OMS
SIS-ROH
SNS
UEM
-
Center of Disease Control and Prevention
Classificação Internacional das Doenças, 10ª versão
Certificado de Óbitos
Departamento de Informação para a Saúde
Direcção de Planificação e Cooperação
Hospital Central de Beira
Hospital Central de Maputo
Hospital Central de Nampula
Hospital Geral de José Macamo
Vírus da Imunodeficiência Humana / Síndrome de imunodeficiência adquirida
Hospital Provincial de Chimoio
Hospital Provincial de Inhambane
Hospital Provincial de Lichinga
Hospital Provincial de Pemba
Hospital Provincial de Quelimane
Hospital Provincial de Xai-Xai (HPX)
Inquérito sobre Causas de Mortalidade
Ministério da Saúde
Mozambican Open Architectures, Standards and Information Systems
Organização Mundial da Saúde
Sistema de Registo de Óbitos Hospitalares
Serviço Nacional de Saúde
Universidade Eduardo Mondlane
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
1. Sumário executivo
O “Sistema de Registo de Óbitos Hospitalares” (SIS-ROH) foi desenvolvido em 2008 no âmbito da
parceria entre o Ministério da Saúde (MISAU), através do Departamento de Informação para a Saúde
(DIS), a MOASIS (Mozambican Open Architectures, Standards and Information Systems) e Jembi
Health Systems. O SIS-ROH permite o registo electrónico individual de cada óbito ocorrido dentro
dos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os dados são recolhidos através do novo
Certificado de Óbito (CO) e as causas de óbito são seleccionadas e codificadas segundo a
Classificação Internacional das Doenças, 10ª versão (CID-10). Inicialmente o SIS-ROH foi instalado no
Hospital Central de Maputo (HCM) e, até Setembro de 2012 foi expandido a 28 locais em todo o
país, entre os quais todos os hospitais de nível IV e III e 23% de nível II. Esta é a primeira análise
completa e exaustiva dos dados estatísticos do SIS-ROH, recolhidos desde o ano de 2009 até 2011.
Os objectivos da análise são: 1) apresentar os principais resultados de nível nacional, 2) apresentar a
evolução de alguns indicadores no tempo para o HCM, e 3) avaliar a qualidade e cobertura dos
dados do SIS-ROH.
Análise nacional
Em total, os dados de 10 hospitais (cerca de 20% de todos os hospitais de Moçambique) foram
incluídos; com exclusão de Tete e Maputo Província, todas as outras províncias estão representadas.
O total de óbitos registados foi 5.259 de 2009 (somente HCM), 8.995 no ano de 2010 e 15.063 no
ano de 2011, mostrando uma rápida expansão da abrangência do sistema.
A análise das características demográficas dos falecidos mostra que o ratio de óbitos entre homens e
mulheres é 1.3 (variação entre hospitais: 0.99 - 1.77); os óbitos intra-hospitalares são maiores no
sexo masculino em todas as faixas etárias com excepção da faixa 15-24 anos. A idade média de óbito
é 26.7 anos (variação entre hospitais: 18.1 e 33.1); a distribuição por idade mostra dois picos, nas
crianças com menos de um ano (28% de todos os óbitos) e nos jovens adultos de 25-34 anos (16%).
No âmbito da mortalidade infantil, a mortalidade neonatal precoce é a mais importante (17% de
todos os óbitos). Mais da metade dos óbitos é residente na Cidade e Província de Maputo (40% e
12% respectivamente); 0.2% dos óbitos são de estrangeiros. 99.4% dos óbitos ocorreram em
indivíduos de raça negra.
Globalmente, os tipos de admissão mais frequentes para os doentes que morrem durante o
internamento são “admissão urgente dum serviço de urgência” (58%) e “transferência doutra
unidade sanitária” (22%). O padrão de distribuição do tipo de admissão é substancialmente parecido
entre os vários níveis de assistência hospitalar (II, II e IV). 43% dos óbitos aconteceram nas primeiras
48 horas de internamento (variação entre hospitais: 29% - 58%). Na maioria dos hospitais, a
mortalidade nas primeiras 48 horas é maior nos departamentos/serviços de urgência, mas a
diferença entre urgência e serviços normais é muito pequena em alguns hospitais (Hospital Central
(HC) da Beira, Hospitais Provinciais (HP) de Chimoio e Inhambane).
A análise das causas básicas de óbito, agrupadas por capítulos CID-10, mostra que 38% dos óbitos
são devidos a doenças infecciosas e parasitárias, 19% a afecções originadas no período perinatal, 8%
a doenças do aparelho circulatório, 5% a doenças do aparelho respiratório e 5% a neoplasias; todas
as outras causas originam uma proporção inferior a 4% dos óbitos. Este padrão é parecido na
maioria dos hospitais, todavia os HP de Quelimane e Xai-Xai destacam-se por ter uma percentagem
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
de óbitos por doenças infecciosas mais elevada à da média nacional (57% e 65% respectivamente);
pelo contrário, o HP de Inhambane tem uma baixa percentagem de óbitos por doenças infecciosas
(23%) e alta por doenças do aparelho cardiovascular (13%). A proporção de óbitos por afecções
perinatais é alta no Hospital Geral ´José Macamo´ (HGJM) (29%) e baixa no HP de Inhambane (4%).
Comparando os óbitos em hospitais de nível diferente aferentes ao mesmo território, o HCM (nível
IV) e HGJM (nível II), o HCM regista um número de óbitos maior por causas que requerem cuidados
mais especializados sugerindo que esta unidade sanitária está a ser realmente utilizada como
hospital de referência.
Em detalhe, as causas de óbito mais frequentes são “Doença pelo HIV” que é responsável por 28%
de todos os óbitos (17% é HIV não especificado (NE), 7% é HIV resultando em doenças infecciosas,
1% resultando em neoplasias malignas, 3%, resultando em outras doenças especificadas como
síndrome de emaciação, demência, etc.); a co-infecção HIV/TB causa 3.8% de todos os óbitos. A
seguir, as causas mais frequentes são os transtornos relacionados com a gestação de curta duração e
baixo peso ao nascer (9%; sendo 6% em recém-nascidos pré-termo, entre 28 e 37 semanas). Entre
algumas das patologias de interesse de saúde pública, a malária (por P. falciparum e NE) causa 4%
dos óbitos e a TB 2.1 % (1.3% por TB respiratória); entre as causas não infecciosas a hipertensão
essencial causa 3% dos óbitos e a diabete 1%. Os acidentes de transporte causaram 1% dos óbitos
(entre estes 62% são devidos a atropelamento de pedestre). Entre as neoplasias, a localização mais
frequente são os órgãos digestivos (75% são tumores do fígado e das vias biliares intra-hepáticas)
que causam 1% dos óbitos totais. Houve 43 óbitos devidos a doenças para as quais a vacinação é
incluída no Programa Alargado de Vacinações (PAV) em Moçambique. Em quase todos os hospitais o
HIV e alguns transtornos perinatais são as causas mais frequentes; destacam-se o HC de Nampula
onde a malária causa 16% dos óbitos reportados e o HP de Inhambane que registou uma prevalência
muito baixa de óbitos por HIV e onde nenhuma das causas totaliza mais de 5%.
A distribuição dos óbitos por causa básica e causa directa é muito diferente sugerindo que a
diferença conceptual entre os dois tipos de causas foi entendida e bem preenchida pelos médicos e
codificadores. Entre as causas directas mais frequentes e de interesse para gestão hospitalar há a
septicemia bacteriana do recém-nascido (5.8%) e a septicemia do adulto (5.2%); assepsia
insuficiente foi reportada em 0.2% dos óbitos. Outras causas directas frequentes são
broncopneumonia NE (3.8%), insuficiência respiratória aguda (2.2%), anemia NE (2.4%) e choque
hipovolêmico (1.2%).
A análise das causas de óbito por faixa etária mostra que as doenças infecciosas e parasitárias são as
mais frequentes em todas as faixas etárias (variando de 38% a 61%), com excepção dos recémnascidos (0-28 dias) e os maiores de 64 anos entre os quais as causas de morte predominantes são,
respectivamente, as afecções do período perinatal (84%) e as doenças do aparelho circulatório
(30%). Em geral, a idade média de óbito em maiores de 1 ano é significativamente inferior nos óbitos
por HIV que nos óbitos por qualquer outra doença, sendo respectivamente 34.9 e 39.1 (p<0.005). A
percentagem das doenças do aparelho circulatório aumenta progressivamente com o aumento da
idade, sendo cerca de 5% até 44 anos, 19% na faixa de 45-64 anos e 30% nos maiores de 64 anos. As
neoplasias são mais frequentes nas faixas etárias de 5-14 anos (8%, principalmente neoplasias
malignas do tecido linfóide e hematopoiético), e maiores de 64 anos (11%). As causas externas são
mais frequentes nos homens e tem distribuição não homogénea entre faixas etárias: entre 1-14 anos
causam 11% dos óbitos (principalmente por queimaduras e corrosões) e entre 15-24 anos 13%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
(principalmente por acidentes de transporte e agressões – nenhum óbito por síndrome dos maus
tratos e agressão sexual foi reportado). A diabete, nas suas várias formas, representa globalmente
apenas 1.4% das causas básicas de óbito; todavia a percentagem varia entre faixas etárias registando
um aumento constante com o aumentar da idade.
As causas da mortalidade infantil mudam nas diferentes faixas etárias. A mortalidade neonatal
precoce é devida principalmente a nascimento pré-termo (28-37 semanas) (27%) e asfixia ao nascer
(19%); óbitos por extrema imaturidade (<28 semanas) e peso ao nascer <1000 gramas são mais raros
(respectivamente 7% e 9% dos óbitos). A mortalidade neonatal tardia é devida principalmente a
nascimento pré-termo (26%) e septicemia bacteriana do recém-nascido (18%). A mortalidade pósneonatal depende principalmente de HIV NE (13%), desnutrição grave (9%), diarreia de origem
infecciosa e a broncopneumonia NE (ambas 7%). A mortalidade entre 1-4 anos é devida
principalmente a HIV NE (13%), desnutrição grave (12%) e malária confirmada complicada (10%). Em
geral, 40% dos óbitos por malária acontece nas crianças de 0-4 anos (31% destes óbitos são devido à
malária por P. falciparum com complicações cerebrais).
Nas mulheres adultas (>14 anos), o HIV causa cerca de metade dos óbitos nas faixas etárias de 15-24
anos (44%), 25-34 anos (59%) e 35-44 anos (50%). As patologias e condições ligadas à gravidez, parto
e puerpério (GPP) são entre as causas de óbitos mais frequentes causando 9% dos óbitos de
mulheres de 15-24 anos, 6% nas de 25-34 anos e 4% nas de 35-44 anos; 60% dos óbitos por GPP
aconteceram nas primeiras 48 horas de internamento. A modalidade de admissão foi “urgente” em
56% dos casos e transferência doutra unidade sanitária em 40%. Nos homens adultos (>14 anos), o
HIV causa cerca da metade dos óbitos na faixa etária de 25-34 anos (51%) e 35-44 anos (51%);
contrariamente às mulheres, na faixa de 15-24 anos a mortalidade por HIV não é especialmente alta
(28%). As causas externas são entre as causas de óbitos mais frequentes, com percentagem elevada
entre os jovens adultos (19% e 11% respectivamente em 15-24 e 25-34 anos).
Análise HCM
Os dados do SIS-ROH do HCM são muito completos para o triénio 2009-2011 (SIS-ROH registou 10%
mais óbitos que o censo hospitalar), permitindo avaliar de maneira fiável a mudança de alguns dados
no tempo. Houve uma diminuição importante de óbitos entre os admitidos em urgência (de 60%
para 35%) e os nascimentos, com um aumento importante de óbitos entre transferidos por outras
unidades de saúde; houve também diminuição da percentagem de óbitos nas primeiras 48 horas (de
45% para 37%). Isso poderia estar ligado ao esforço de utilizar cada vez mais o HCM como hospital
de referência e menos como primeiro ponto de assistência. As doenças infecciosas são a causa
principal desde 2008, com um pico de 38% no ano de 2009 e uma prevalência de 31% no ano de
2011. A principal causa de óbito é a doença pelo HIV, que está em ligeiro declínio depois de 2009
(causou 35% dos óbitos em 2008, 29% dos óbitos em 2009 e 24% em 2010 e 2011). As afecções do
período perinatal mostram um leve mas constante aumento desde 2008. Entre as causas de óbitos
neonatais, os óbitos por imaturidade extrema (<28 semanas) estão em ascensão sendo 11% em
2009, 15% em 2010 e 25% no ano de 2011. As doenças do aparelho circulatório, as neoplasias e a
GPP mostram um aumento leve mas constante. Desde 2009 até 2011 nota-se um aumento de óbitos
por hipertensão essencial e uma diminuição dos por malária por p. falciparum: estes dados parecem
coerentes com a modificação do perfil epidemiológico das causas de óbitos em área urbana.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Analisando as causas directas, observa-se que a causa principal é a septicemia NE e a septicemia do
recém-nascido, ambas com tendência a aumentar de 2009 até 2011.
Cobertura e qualidade
A representatividade dos dados do SIS-ROH para a mortalidade nacional tem limitações porque o
SIS-ROH ainda não foi instalado em todos os hospitais e, por enquanto, abrange somente os óbitos
intra-hospitalares (estimados ser cerca de um quinto de todos os óbitos). Na base da comparação
dos dados do SIS-ROH e os dados estimados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) ou estudos
nacionais como o INCAM (Inquérito Nacional sobre Causas de Mortalidade), o SIS-ROH tem uma
cobertura geral de 4% de todos os óbitos anuais em Moçambique; a cobertura é de 5% para os
óbitos infantis e 12% para os óbitos neonatais. A cobertura não é homogénea em todas as
províncias, sendo igual ou menor de 3% na maioria das províncias e muito alta nas províncias de
Maputo Cidade (43%) e Maputo Província (15%). A comparação entre SIS-ROH e INCAM mostra que
a proporção dos óbitos devido a HIV/SIDA é parecida.
Em geral a qualidade dos dados é boa. O número de óbitos cuja causa básica foi mal definida
(codificada como “Sintomas, sinais e achados anormais” e “Fatores que influenciam o estado de
saúde”), codificada com códigos “lixo” ou condições pouco prováveis é limitado, sendo em total
menos de 5%. A plausibilidade entre causa básica e causa directa é muito alta e sugere ausência de
erros sistemáticos na atribuição das causas de óbito. Cerca a metade dos óbitos por causas externas
foram codificadas utilizando códigos de “Consequências de causas externas” limitando a
possibilidade de obter estatísticas sobre o tipo de causa externa (ex. acidentes de transporte,
quedas, etc.). A qualidade de dados poderá ser mantida e melhorada através de algumas validações
automáticas já incluídas no aplicativo SIS-ROH e da promoção de algumas ferramentas como o
mICD-10 que permitem fácil acesso aos código CID-10 por parte do pessoal que preenche os COs e
que codifica as causas. Nos locais onde a formação sobre a codificação CID-10 e a supervisão sejam
problemáticas, uma lista standard de códigos seleccionados e agregados poderá ser introduzida.
Em conclusão, o SIS-ROH fornece informações sobre a mortalidade intra-hospitalar que podem guiar
decisões a nível de gestão hospitalar, de gestão dos pacientes no território e de gestão dos
programas de saúde pública. Apesar duma cobertura do sistema ainda baixa, o mesmo teve um bom
desempenho: em 3 anos foi expandido a 18 hospitais em todo o pais fornecendo dados de boa
qualidade. Actualmente a cobertura do SIS-ROH é já muito alta para os residentes da Cidade e
Província de Maputo e os dados podem ser considerados representativos da mortalidade intrahospitalar nesta área, permitindo medir directamente e monitorar as mudanças no perfil
epidemiológico da população no que diz respeito à mortalidade específica por causa e o impacto de
programas de controlo de condições como HIV/SIDA. Actualmente a cobertura do SIS-ROH é
também bastante elevada para os óbitos neonatais; as informações sobre as causas de morte
podem ser orientadoras para a saúde materno-infantil e o fortalecimento dos cuidados pediátricos
neonatais nos hospitais. No imediato, o plano para aumentar a abrangência do sistema inclui a sua
instalação em todos os hospitais até 2014 e o registo dos óbitos extra-hospitalares por causas
externas (violentas ou acidentes) até 2013. A médio/longo prazos, com a devida coordenação com
outros setores dentre os quais o Registo Civil, o SIS-ROH tem condições para tornar-se no sistema de
registo de todos os óbitos nacionais para os quais será preenchido um certificado de óbito ou outro
documento oficial nacional com indicação de causas ou circunstâncias de óbito.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
2. Introdução
Em 2008 o Ministério da Saúde (MISAU) através do Departamento de Informação para a Saúde (DIS)
da Direcção de Planificação e Cooperação (DPC) e o MOASIS (Mozambican Open Architectures,
Standards and Information Systems)1 embarcaram numa parceria visando o desenvolvimento de
iniciativas e sistemas que facilitem o processo de gestão no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e
contribuam para o sucesso das políticas nacionais de saúde. Um dos sistemas desenvolvidos no
âmbito desta parceria é o “Sistema de Registo de Óbitos Hospitalares” (SIS-ROH) - um sistema de
recolha de dados e um aplicativo informático desenvolvido pelo MOASIS para apoiar o MISAU na
obtenção e tratamento de informação relevante para o conhecimento das causas de morte das
unidades sanitárias do SNS de nível II, III e IV (Hospitais). O SIS-ROH é uma evolução do projeto piloto
de introdução da codificação CID-10 para as causas de morte implementado no Hospital Geral de
Mavalane em 2006, posteriormente melhorado, informatizado e expandido ao Hospital Central de
Maputo no ano de 2007.
Com início em 2008 o SIS-ROH foi desenvolvido como sistema mais abrangente que permite o
registo electrónico individual de cada óbito ocorrido dentro dos Hospitais do Serviço Nacional de
Saúde (SNS), fazendo uso da codificação internacional CID-10, e recolhe variáveis mínimas para a
realização de estatísticas de saúde nomeadamente relacionadas com as causas de morte,
importante suporte para melhorar a qualidade da atenção hospitalar e ajuste das políticas de saúde
pública a nível nacional e regional.
No início o sistema baseava-se sobre uma ficha de recolha ´ad hoc´ sendo o certificado de óbito (CO)
oficial pouco ou nada utilizado; ademais, somente uma cópia do CO era preenchida e transferida
para o registo civil, não podendo ser utilizada para o armazenamento de dados localmente, no
sector de saúde. Sucessivamente, no ano de 2009, como consequência positiva da introdução do SISROH o CO foi revisto em termos de conteúdos e procedimentos: actualmente 3 cópias (vias) são
preenchidas e uma destas é arquivada no Hospital onde acontece o evento de morte e é assim usada
como fonte que alimenta o SIS-ROH sem necessidade de uma ficha específica. Por conseguinte, a
actual fonte de dados e único input para o SIS-ROH é o novo Certificado de Óbitos (CO) (Mod. SISD06). Na actualidade o SIS-ROH regista somente os óbitos que acontecem nos hospitais, entre os
pacientes ou pessoas internados; todavia o CO é um documento oficial a ser preenchido para todos
os óbitos, intra e extra-hospitalares, e o SIS-ROH tem condições para tornar-se no sistema de registo
de toda a mortalidade nacional.
O sistema assim reformado teve uma rápida aceitação pelos utilizadores e foi adoptado a nível
nacional e apresentado em vários fóruns internacionais como exemplo de boas práticas.
Esta é pois a primeira análise completa e exaustiva dos dados estatísticos do SIS-ROH, recolhidos
desde o ano de 2009 até 2011 em todos os hospitais onde o SIS-ROH foi instalado com base do plano
de expansão então elaborado e acordado.
1
MOASIS é uma organização moçambicana sem fins lucrativos ligada à investigação e prestação de serviços,
filiada à Universidade ‘Eduardo Mondlane’ (UEM) e integrante duma rede que persegue o objectivo de
fortalecer as capacidades africanas na área de e-Health envolvendo os sectores público, privado e de
investigação.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
3. Objectivos da análise
A análise que a seguir se apresenta tem como objectivos essenciais:



Apresentar os principais resultados de nível nacional, em todos os hospitais, nos anos 20102011;
Apresentar a evolução de alguns indicadores no tempo para o Hospital Central de Maputo;
Avaliar a qualidade e cobertura dos dados do SIS-ROH.
4. Metodologia utilizada para apuração dos dados
Foi feita uma análise descritiva das bases de dados dos óbitos dos anos 2009-2011 fornecidas pelos
principais hospitais do país onde o SIS-ROH foi instalado e está sendo usado.
Para a apresentação dos dados nacionais foram utilizados os dados grupados dos anos 2009, 2010 e
2011 de todos os hospitais cuja base de dados estava disponível. Todavia, para apresentação de
indicadores estratificados por hospital, foram selecionados somente os dados de 2010 e 2011, sendo
que só o Hospital Central de Maputo tem dados para o ano 2009. A comparação entre 2010 e 2011
não será apresentada neste trabalho porque para 2010 alguns dos hospitais têm uma base de dados
de menos de 12 meses, isto devido à expansão gradual do SIS-ROH no País ao longo do ano 2010;
todavia os dados de 2010 e 2011 foram confrontados em termos de distribuição por principais
características (causas de morte, sexo, faixa etária, etc.) tendo resultado serem muito parecidos.
Alguns indicadores selecionados foram analisados estratificados por hospital para permitir uma
comparação entre as unidades sanitárias e como proxy para uma comparação entre províncias.
Para o Hospital Central de Maputo, foram analisados os dados do triénio 2009-2011 permitindo
assim a análise da tendência de alguns indicadores neste triénio. Os dados do censo diário hospitalar
(contagem a cada 24 horas do número de camas ocupadas) foram utilizados para: 1) calcular a taxa
de mortalidade intra-hospitalar (geral e por departamento); 2) confrontar o número de óbitos
registados através do censo diário e pelo SIS-ROH e obter uma avaliação da cobertura do SIS-ROH no
HCM.
Nas análises sobre causa básica de óbito não foram retirados os capítulos de causas mal definidas e
os dois capítulos que não podem, segundo a OMS, serem classificados como causa básica do óbito:
“XIX. Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas” e “XXI. Factores
que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde”, pretendendo assim
quantificar os óbitos que foram impropriamente classificados com o objectivo de usar os dados para
melhorar a qualidade de dados do SIS-ROH.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
5. Resultados gerais
5.1 Secção I – Análise dos dados nacionais
5.1.1 Resultados gerais
Até Agosto 2012 o SIS-ROH foi implementado em 17 dos 53 hospitais do país (32%), ou seja em
todos os 3 hospitais centrais, todos os 7 hospitais provinciais, 4 dos 6 hospitais gerais, 3 dos 27
hospitais rurais, e nenhum dos hospitais distritais e especializados. Os dados incluídos na presente
análise são de 10 destes 17 hospitais (equivalentes a 19% de todos os hospitais de Moçambique). Os
3 hospitais rurais foram excluídos porque o SIS-ROH foi implementado somente em 2012 e não
tinham dados de 2010-2011; as bases de dados do Hospital Provincial de Tete e dos Hospitais Gerais
de Chamanculo (Cidade de Maputo), Machava (Província de Maputo) e Mavalane (Cidade de
Maputo) não estavam disponíveis para esta análise devido a: (i) problemas de perda de dados na
sequência do roubo do computador onde estava fisicamente colocada a base de dados, (ii)
problemas técnicos e (iii) falta de introdução atempada de dados por falta de pessoal dedicado. Com
exclusão de Tete e Maputo Província, todas as outras províncias estão representadas.
A tabela 1 mostra o número de óbitos registados no SIS-ROH por hospital e por ano e incluídos nesta
análise.
Tabela 1 - Número de óbitos registados no SIS-ROH, por hospital e por ano
Hospital
Central de Beira (HCB)
Central de Maputo (HCM)
Central de Nampula (HCN)
Geral de José Macamo (HGJM)
Provincial de Chimoio (HPC)
Provincial de Inhambane (HPI)
Provincial de Lichinga (HPL)
Provincial de Pemba (HPP)
Provincial de Quelimane (HPQ)
Provincial de Xai-Xai (HPX)
Total
Província
Sofala
Maputo Cidade
Nampula
Maputo Cidade
Manica
Inhambane
Niassa
Cabo Delgado
Zambézia
Gaza
Ano
2009
2010 2011
1480 1911
5259
4970 5279
72
945
2657
616
313
453
522
838
242
268
1270 1413
126
683
5259 8995 15063
Total
3391
15508
1017
2657
616
766
1360
510
2683
809
29317
O ratio de óbitos entre homens e mulheres é 1.3 em geral, com uma variação (range) entre 0.99 no
hospital provincial de Xai-Xai e 1.77 no hospital central de Nampula, mostrando uma prevalência de
óbitos registados no sexo masculino. Os óbitos sem informação sobre o sexo são menos de 1% em
todos os hospitais com excepção do hospital provincial de Lichinga onde falta a informação para
3.8% dos óbitos (fig.1).
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 1 – Distribuição dos óbitos registados no SIS-ROH, por hospital e sexo, 2009-2011
100%
90%
80%
70%
60%
50%
Não especificado
40%
Masculino
30%
Feminino
20%
10%
0%
A idade média de óbito é 26.7 anos, com uma variação entre 18.1 e 33.1 entre os vários hospitais.
Em muitos hospitais e especialmente nos hospitais de Nampula, Chimoio e Lichinga a média
desacosta-se muito da idade mediana, sugerindo que a distribuição da idade dos óbitos não é
normal (gaussiana) (tab.2). De facto, a distribuição por idade mostra dois picos, nas crianças e nos
jovens-adultos, como discutido a seguir.
Tabela 2 – Idade média e idade mediana de óbito por hospital, 2009-2011
Hospital
HC Beira
HC Maputo
HC Nampula
HG José Macamo
HP Chimoio
HP Inhambane
HP Lichinga
HP Pemba
HP Quelimane
Total
Idade Média
Idade Mediana
27.3
30.5
18.1
22.2
20.9
33.1
19.1
28.3
30.7
26.7
27
28
28
27
27
28
28
28
28
27
A distribuição por idade dos óbitos mostra uma mortalidade intra-hospitalar elevada nas crianças
com menos de um ano (28%); a seguir as faixas de idade com mais mortalidade são os jovens
adultos de 25-34 anos (16%) e de 35-44 anos (13%). No âmbito da mortalidade infantil, a
mortalidade neonatal precoce é a mais importante representando 17% de todas as mortes intrahospitalares. (Fig.2)
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 2 – Distribuição dos óbitos registados no SIS-ROH, por faixa etária, 2009-2011
55-64
7%
45-54
10%
65+
8%
35-44
13%
0-7d
17%
<1
28%
25-34
16%
15-24
8%
29d-12m
7%
5-14
4%
8-28d
4%
1-4
7%
A distribuição por idade é parecida em todos os hospitais, todavia algumas faixas etárias têm piques
em alguns hospitais; nomeadamente a mortalidade neonatal precoce oscila entre menos de 5% nos
hospitais de Inhambane e Xai-Xai até mais de 26% nos hospitais de Chimoio e José Macamo.
Também na faixa etária de 1-4 anos tem uma grande variabilidade, indo de 5% nos hospitais da Beira
e Quelimane a 19% no hospital de Nampula (fig.3)
Figura 3 – Percentagem de óbitos registados no SIS-ROH, por faixa etária e hospital, 2009-2011
30%
HCB
25%
HCM
20%
HCN
HGJM
15%
10%
5%
HPC
HPI
HPL
HPP
0%
HPQ
HPX
A distribuição dos óbitos por província de residência mostra que mais da metade dos óbitos é
residente na Cidade de Maputo (40%), na Província de Maputo (12%) e de Sofala (14%); sendo todas
as outras províncias sub-representadas, especialmente pensando que províncias como Nampula e
Zambézia têm 20% e 19% da população do Moçambique, respectivamente (tab.3).
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Tabela 3 – Distribuição dos óbitos por província de residência (2010-2011) e comparação com a
distribuição da população por província em Moçambique (população projectada para o ano 2012 –
Instituto Nacional de Estatística)
Província de residência Numero %
Cabo Delgado
Cidade de Maputo
Gaza
Inhambane
Manica
Província de Maputo
Nampula
Niassa
Sofala
Tete
Zambézia
Total
508
9664
908
876
617
3005
1005
1364
3339
23
2749
24058
População projectada. %
2012 (INE)
2%
1.797.335 8%
40%
4%
4%
3%
12%
4%
6%
14%
0%
11%
1.194.121 5%
1.344.095 6%
1.426.684 6%
1.735.351 7%
1.506.442 6%
4.647.841 20%
1.472.387 6%
1.903.728 8%
2.228.527 9%
4.444.204 19%
23.700.715
0.2% dos óbitos são de estrangeiros. 99.4% dos óbitos ocorreram em indivíduos de raça negra.
Observando a correspondência entre província de residência e província onde se encontram os
hospitais, nota-se que o Hospital Central de Maputo e o Hospital Geral José Macamo têm um
excesso de óbitos não residentes em Maputo Cidade, o 23% dos quais são residentes na Província de
Maputo; em reflexo, os hospitais em Gaza e Inhambane tem um número de óbitos totais inferior ao
número de óbitos residentes na mesma província (fig.4). Este achado é consequencial ao forte papel
de hospital de referência para toda a Região Sul do HCM e a vizinhança do HGJM à Província de
Maputo; infelizmente faltam os dados dos hospitais situados na Província de Maputo para dispôr de
um quadro ainda mais claro do fluxo dos pacientes nesta Região.
A análise do fluxo de pacientes que morrem nos hospitais na Região Norte é afectada pela falta de
dados do Hospital Provincial de Tete.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 4 – Discrepância entre os óbitos totais registados nos hospitais de cada província e os óbitos
por província de residência dos falecidos, 2010-2011
600
500
Residência em uma província
diferente da onde se encontra o
hospital onde aconteceu o óbito
400
300
200
100
-400
Zambézia
Tete
Sofala
Niassa
Nampula
Manica
Gaza
Prov. Maputo
-300
Inhambane
-200
C. de Maputo
-100
Cabo Delgado
0
Residência na mesma
província
Globalmente, os tipos de admissão mais frequentes para os doentes que morrem durante o
internamento são “admissão urgente dum serviço de urgência” (58%) e “transferência doutra
unidade sanitária” (22%; somente para uma pequena percentagem é especificado se a transferência
foi em modalidade urgente ou normal) (fig. 5).
Figura 5 – Distribuição dos óbitos por tipo de admissão, 2009-2011
Nascimento
nesta US
11%
Normal das
Consultas
Externas
Normal de outras
3%
US
0.5%
Sem informação
3%
Urgente dum
serviço de
urgência
58%
Transferência
doutra US
20%
Urgente de
consultas externas
3%
Urgente doutra
US
2%
Na maioria dos hospitais o tipo de admissão “urgente dum serviço de urgência” é o mais frequente,
com excepção dos hospitais de Inhambane e Pemba onde os nascimentos e consultas externas são
as mais frequentes. Esta diferença poderia depender duma real diferença de organização e gestão
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
dos hospitais e dos serviços territorial ou de uma errada codificação e atribuição de tipo de admissão
(fig.6).
Figura 6 – Distribuição do número de óbitos por hospital e por tipo de admissão (agrupamento em
3 grupos), 2010-2011
5000
4000
3000
2000
1000
0
HCB
HCM
HCN
HGJM
HPC
Transferencia doutra US
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
Nascimentos e consultas externas
Urgente dum servico de urgencia
A comparação entre tipo de hospital mostra um padrão de distribuição do tipo de admissão
substancialmente parecido entre os vários níveis de assistência hospitalar (fig.7). É esperado que o
perfil dos hospitais centrais (nível IV) e provinciais (nível III) seja parecido. No entanto, surpreende
que não haja uma diferença maior entre hospitais centrais, - onde deveria prevalecer as
transferências doutra unidade de saúde para cuidados especializados -, e hospitais gerais (nível II),
onde deveriam prevalecer as urgências. Infelizmente, nesta fase de implementação do SIS-ROH,
ainda a comparação entre o nível IV e nível II é possível somente para Maputo e os achados não são
estendíveis às outras províncias.
Figura 7 – Distribuição em percentagem dos óbitos por tipo de hospital (hospitais centrais – HC,
provinciais –HP e gerais – HG) e por tipo de admissão (agrupamento em 3 grupos), 2010-2011
100%
90%
80%
70%
8346
1321
4247
60%
50%
30%
2053
20%
10%
Nascimentos e consultas
externas
520
40%
3448
Urgente dum servico de
urgencia
1323
Transferencia doutra US
816
1174
0%
HC
HG
HP
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
A distribuição dos óbitos por mês foi analisada só para o ano de 2011 porque, ao longo dos anos
anteriores, o SIS-ROH foi implementado cada vez em mais hospitais, portanto a tendência de
aumento de óbitos de janeiro até dezembro é fictícia. Em 2011 o número de óbitos parece ser maior
entre julho e outubro (fig.8). Esta tendência é difícil de ser explicada porque este período não
corresponde ao pico epidémico de algumas doenças infecciosas nem com o período das chuvas e
cheias, nem mesmo com o pique de frio. Analisando as curvas por cada hospital, os hospitais com
um padrão parecido ao geral, são o Hospital Central de Beira (Sofala) e o Hospital Provincial de
Chimoio (Manica): nestes hospitais este efeito poderia ser explicado pelo fortalecimento do SIS-ROH
durante o ano de 2011 (fig.9). No Hospital Geral de ´José Macamo’ (Cidade de Maputo) a diminuição
de casos em dezembro parece claramente ligada a um atraso na introdução de dados estatísticos de
um mês no sistema. O registo de mortalidade parece não ter ainda uma cobertura de dados que
permita interpretar tendências sazonais de mortalidade.
Figura 8 – Distribuição de todos os óbitos por mês, ano-2011
1400
1300
1200
1100
1000
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dec
Figura 9 – Distribuição dos óbitos por mês e hospital, ano-2011
500
HCB
400
HCM
HCN
HGJM
300
HPC
HPI
200
HPL
HPP
100
HPQ
HPX
0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun
Jul
Ago Set Out Nov Dec
A análise dos óbitos por departamentos e serviços de internamento não é possível a nível nacional
por falta de padronização da estrutura organizacional hospitalar que não permitiu a codificação dos
departamentos e serviços. Ademais, com excepção do Hospital Central de Maputo - cuja análise é
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
mostrada a seguir, - não foi possível obter os dados de internamentos e então foi impossível calcular
a taxa de mortalidade específica por departamento/serviço.
43% dos óbitos aconteceu nas primeiras 48 horas de internamento, com uma variação entre um
mínimo de 29% em Xai-Xai (Província de Gaza) e um máximo de 58% em Chimoio (Província de
Manica). Na maioria dos hospitais, a mortalidade nas primeiras 48 horas é maior nos
departamentos/serviços de urgência, mesmo se a diferença é muito pequena em alguns dos
hospitais (Hospital Central da Beira, Hospitais Provincial de Chimoio e Provincial de Inhambane) (fig.
10).
Figura 10 – Distribuição dos óbitos por intervalo de tempo entre internamento e morte, por
departamentos/serviços de urgência e não urgência, por hospital, 2010-2011 (a análise foi feita
para os hospitais que permitiam diferenciar claramente entre serviços de urgência e normais)
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
>48h
HCB
HCM
HCN
HGJM
HPC
HPI
HPL
HPQ
Urgencia
Não urgencia
Urgencia
Não urgencia
Urgencia
Não urgencia
Urgencia
Não urgencia
Urgencia
Não urgencia
Urgencia
Não urgencia
Urgencia
Não urgencia
Urgencia
Não urgencia
Urgencia
Não urgencia
<48h
HPX
A análise das causas básicas de óbito, grupadas na base dos capítulos CID-10, mostra que mais do
que um terço dos óbitos é devido a doenças infecciosas e parasitárias e quase um quinto é devido a
afecções originadas no período perinatal; 43% dos óbitos é devida a todas as outras causas, entre as
quais as principais são as doenças do aparelho circulatório, do aparelho respiratório e neoplasias
(tab.4).
Tabela 4 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capítulo CID-10), 2009-2011
Causa básica de óbito (capitulo CID-10)
Doenças infecciosas
Afecções do período perinatal
Doenças do aparelho circulatório
Doenças do aparelho respiratório
Neoplasias
Número
%
% Cumulativa
11110
37.9
37.9
5448
18.6
56.5
2369
8.1
64.6
1534
5.2
69.8
1391
4.7
74.5
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Causa básica de óbito (capitulo CID-10)
Doenças endócrinas e nutricionais
Consequências de causas externas
Causas externas
Doenças do sistema nervoso
Doenças hematológicas e imunitárias
Doenças do aparelho digestivo
Gravidez, parto e puerpério
Sintomas, sinais e achados anormais
Doenças do aparelho geniturinário
Malformações congênitas e anomalias cromossômicas
Factores que influenciam o estado de saúde
Não especificada
Doenças do sistema osteomuscular
Doenças do olho e anexos
Doenças da pele e do subcutâneo
Transtornos mentais
Doenças do ouvido e da mastóide
Total
Número
%
% Cumulativa
1093
3.7
78.3
971
3.3
81.6
793
2.7
84.3
739
2.5
86.8
737
2.5
89.3
643
2.2
91.5
525
1.8
93.3
481
1.6
94.9
431
1.5
96.4
361
1.2
97.6
159
0.5
98.2
132
0.5
98.6
124
0.4
99.1
94
0.3
99.4
90
0.3
99.7
81
0.3
100.0
11
0.0
100.0
29317
A análise das causas básicas de óbito por capítulos CID-10 mostra um padrão parecido na maioria
dos hospitais, sendo as doenças infecciosas e as afecções do período perinatal as mais prevalentes
(anexos 1). Todavia, alguns hospitais têm características salientes. Os hospitais provinciais de
Quelimane e Xai-Xai têm uma percentagem de óbitos por doenças infecciosas significativamente
mais elevada da média nacional (57% e 65% respectivamente). Ao contrário, o Hospital de
Inhambane tem uma percentagem significativamente menor de óbitos por doenças infecciosas
(23%) e significativamente maior de óbitos por doenças do aparelho cardiovascular (13%). A
proporção de óbitos por afecções perinatais é significativamente muito maior no Hospital Geral
´José Macamo´ (29%) e muito menor no Hospital Provincial de Inhambane (4%).
As tabelas 5 e 6 permitem uma comparação da distribuição dos óbitos por causa básica
(agrupamento dos capítulos do CID-10) entre todos os hospitais incluídos nesta análise.
Tabela 5 – Número de óbitos por causa básica de morte (capitulo CID-10) e hospital, 2010-2011
Causa básica (Capítulo
CDI-10)
D. infecciosas
HCB
HCM
HCN
HGJM
HPC
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
Total
1056
3158
504
1280
256
176
444
215
1517
524
9130
Afecções do período perinatal
843
2008
125
764
167
34
291
72
270
34
4608
D. hematológicas e
imunitárias
Neoplasias
257
98
45
56
11
41
49
7
95
14
673
221
654
23
27
2
104
28
8
60
26
1153
D. do aparelho respiratório
209
409
86
161
40
50
129
43
121
29
1277
D. do aparelho circulatório
141
1148
60
100
19
97
71
28
118
49
1831
D. endócrinas e nutricionais
102
393
52
90
20
41
79
22
68
28
895
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Causa básica (Capítulo
CDI-10)
D. do sistema nervoso
HCB
HCM
HCN
HGJM
HPC
HPI
HPL
12
45
32
HPP
HPQ
HPX
Total
8
68
13
584
5
116
94
258
28
26
D. do sistema osteomuscular
73
23
2
2
3
2
6
Fatores que influenciam o
estado de saúde
Consequências de causas
externas
D. do aparelho digestivo
58
47
1
1
4
3
15
50
288
12
22
17
57
62
39
98
39
684
50
300
23
9
4
17
40
17
47
14
521
Sintomas, sinais e achados
anormais
Malformações congênitas e
anomalias cromossômicas
D. do olho e anexos
47
140
16
36
14
39
37
20
43
7
399
46
189
7
18
3
5
6
15
1
290
40
7
3
2
1
16
20
3
Causas externas
29
474
12
6
16
14
16
11
25
8
611
Gravidez, parto e puerpério
26
254
5
28
33
14
38
9
90
9
506
Transtornos mentais
17
19
2
8
-
1
6
2
6
2
63
D. do aparelho geniturinário
15
224
7
16
-
6
7
6
15
5
301
D. da pele e do subcutâneo
13
39
4
5
3
2
2
71
D. do ouvido e da mastóide
4
3
-
-
-
-
-
-
116
-
-
-
-
-
-
1017
2657
616
766
1360
510
Não Especificada
Total
3391
10249
1
2
1
129
92
-
8
-
-
116
2683
809
24058
Tabela 6 – Percentagem de óbitos por causa básica de morte (capítulo CID-10) e hospital, 20102011
Causa básica (Capítulo CDI-10)
HCB
HCM
D. infecciosas
31.1
30.8
Afecções do período perinatal
24.9
D. hematológicas e imunitárias
HCN
HGJM
HPC
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
Total
49.6
48.2
41.6
23.0
32.6
42.2
56.5
64.8
37.9
19.6
12.3
28.8
27.1
4.4
21.4
14.1
10.1
4.2
19.2
7.6
1.0
4.4
2.1
1.8
5.4
3.6
1.4
3.5
1.7
2.8
Neoplasias
6.5
6.4
2.3
1.0
0.3
13.6
2.1
1.6
2.2
3.2
4.8
D. do aparelho respiratório
6.2
4.0
8.5
6.1
6.5
6.5
9.5
8.4
4.5
3.6
5.3
D. do aparelho circulatório
4.2
11.2
5.9
3.8
3.1
12.7
5.2
5.5
4.4
6.1
7.6
D. endócrinas e nutricionais
3.0
3.8
5.1
3.4
3.2
5.4
5.8
4.3
2.5
3.5
3.7
D. do sistema nervoso
2.8
2.5
2.8
1.0
1.9
5.9
2.4
1.6
2.5
1.6
2.4
D. do sistema osteomuscular
2.2
0.2
0.2
0.1
0.0
0.4
0.1
0.0
0.2
0.6
0.5
Fatores que influenciam o estado
de saúde
Consequências de causas externas
1.7
0.5
0.1
0.0
0.0
0.5
0.2
0.0
0.6
0.0
0.5
1.5
2.8
1.2
0.8
2.8
7.4
4.6
7.6
3.7
4.8
2.8
D. do aparelho digestivo
1.5
2.9
2.3
0.3
0.6
2.2
2.9
3.3
1.8
1.7
2.2
Sintomas, sinais e achados
anormais
Malformações congênitas e
anomalias cromossômicas
D. do olho e anexos
1.4
1.4
1.6
1.4
2.3
5.1
2.7
3.9
1.6
0.9
1.7
1.4
1.8
0.7
0.7
0.5
0.7
0.4
0.0
0.6
0.1
1.2
1.2
0.1
0.3
0.1
0.2
2.1
1.5
0.0
0.1
0.0
0.4
Causas externas
0.9
4.6
1.2
0.2
2.6
1.8
1.2
2.2
0.9
1.0
2.5
Gravidez, parto e puerpério
0.8
2.5
0.5
1.1
5.4
1.8
2.8
1.8
3.4
1.1
2.1
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Causa básica (Capítulo CDI-10)
HCB
HCM
HCN
HGJM
HPC
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
Total
Transtornos mentais
0.5
0.2
0.2
0.3
0.0
0.1
0.4
0.4
0.2
0.2
0.3
D. do aparelho geniturinário
0.4
2.2
0.7
0.6
0.0
0.8
0.5
1.2
0.6
0.6
1.3
D. da pele e do subcutâneo
0.4
0.4
0.4
0.2
0.2
0.3
0.0
0.6
0.1
0.2
0.3
D. do ouvido e da mastóide
0.1
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
Não Especificada
0.0
1.1
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
0.5
3391
10249
1017
2657
616
766
1360
510
2683
809
24058
Total
Comparando os óbitos em hospitais de nível diferente aferentes ao mesmo território, o Hospital
Central de Maputo (nível IV) e Hospital Geral ´José Macamo´ (nível II), a distribuição por
agrupamentos de causas parece ser coerente com o nível de especialização: o HGJM apresenta uma
mortalidade elevada por doenças infecciosas (notavelmente HIV) e doenças perinatais; o HCM
regista um número de óbitos considerável também por outras causas (doenças do aparelho
circulatório, causas externas, neoplasias) sugerindo que esta unidade sanitária esta a ser utilizada
como hospital de referência para casos que requerem cuidados mais especializados (tab.7). Estes
dados sugerem também a necessidade de fortalecer os cuidados para doentes com HIV e os
cuidados neonatais a nível dos hospitais de nível II, pelo menos na província de Maputo Cidade .
Todavia, este tipo de comparação deveria ser feito em conjunto com dados sobre a morbilidade para
poder guiar recomendações sobre a gestão dos doentes no território.
Tabela 7 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capítulo CID-10) nos hospitais
Central de Maputo e Geral José Macamo, em número, percentagem e intervalos de confiança 95%,
2010-2011
Causa de morte
Afecções do período perinatal
Causas externas
Doenças do aparelho circulatório
Doenças do aparelho digestivo
Doenças do aparelho geniturinário
Doenças do aparelho respiratório
Doenças do sistema nervoso
Doenças infecciosas
Neoplasias
Hosp. Geral José Macamo
No.
%
CI95%
764 29% 27% 31%
28
1%
1%
2%
100
4%
3%
5%
9
0%
0%
1%
16
1%
0%
1%
161
6%
5%
7%
26
1%
1%
1%
1280 48% 46% 50%
27
1%
1%
2%
Hosp. Central de Maputo
No.
%
CI95%
2848 18% 18% 19%
1231
8%
7%
9%
1686 11% 10% 11%
422
3%
2%
3%
354
2%
2%
3%
666
4%
4%
5%
413
3%
2%
3%
5138 33% 32% 34%
892
6%
5%
6%
Uma comparação entre níveis hospitalares à escala nacional é mais difícil de interpretar não só
porque os dados não são representativos para o nível II (só 1 hospital incluído nesta categoria) mas
também porque os dados de mortalidade deveriam ser analisados em conjunto com dados sobre a
morbilidade. Todavia pode-se observar que no nível IV, mais especializado, os óbitos por doenças
infecciosas são menos frequentes que nos outros níveis (32% contra 46-48%), e os por doenças do
aparelho circulatório são mais frequentes (9% contra 6-4%); também os óbitos por neoplasias e
causas externas são mais frequentes nos níveis de atendimento mais elevados (tab.8).
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Tabela 8 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capitulo CID-10) e nível de hospital,
em número, percentagem e intervalos de confiança 95%, 2010-2011
Causa de morte
Doenças
infecciosas
Afecções do
período perinatal
Doenças do
aparelho
circulatório
Neoplasias
Causas externas
Hospital Central
(nível IV)
No.
%
CI95%
Hospital Provincial
(nível III)
No.
%
CI95%
Hospital Geral
(nível II)
No.
%
CI95%
4718 32% 31% 33% 3132 46% 45% 48% 1280 48% 46% 50%
2976 20% 20% 21%
868 13% 12% 14%
764 29% 27% 31%
1349
9%
9% 10%
382
6%
5%
6%
100
4%
3%
5%
898
6%
6%
7%
228
3%
3%
4%
27
1%
1%
2%
865
6%
5%
6%
402
6%
5%
7%
28
1%
1%
2%
A seguir, a análise por causa básica de óbito é feita com maior detalhe. A estrutura da classificação
CID-10 permite ter uma descrição das causas de óbito extremamente detalhada (códigos de 4
dígitos), muito detalhada (códigos de 3 dígitos) e por grupamentos de patologias homogéneos
(bloques). Apresentamos a análise com estes 3 níveis de detalhe para dar uma ideia o mais completa
da mortalidade intra-hospitalar.
Utilizando as categorias de 4 dígitos da classificação CID-10 (o nível de codificação mais específico),
observa-se que 84 dos 2365 códigos2 registados na base de dados representam 70% de todas as
causas de óbitos (Anexo 2). As causas mais frequentes são doença pelo HIV - não especificada (17%),
recém-nascidos pré-termo (entre 28 e 37 semanas) (6%), hipertensão essencial (3%) e HIV
resultando em doenças infecciosas (2.5%). As outras doenças têm uma prevalência de 2% ou menor;
nesta comprida lista de causas de óbito, algumas de particular interesse para a saúde pública são:
gastroenterite de origem infecciosa presumível (1.5%), doenças pelo HIV resultando em infecções
múltiplas (1.4%) e outras doenças (1%), malária por plasmodium falciparum com ou sem
complicações cerebrais (respectivamente 1.1% e 1.0%), malária não especificada (0.8%), diabete
melito (0.7%), marasmo nutricional e Kwashiorkor marasmático (respectivamente 0.7% e 0.6%). A
tuberculose respiratória com e sem confirmação bacteriológica é respectivamente só 0.3% e 0.2%
das causas de óbito. A causa externa de óbito mais frequente é queimaduras (0.4%) e os acidentes
de transporte não especificados e quedas são ambos 0.2% das causas.
Entre as causas de óbito de interesse da gestão hospitalar pode-se evidenciar que a septicemia
bacteriana do recém-nascido, não especificada e genérica, causam respectivamente 1.1% e 0.7% dos
óbitos; a septicemia do adulto causa 0.5% dos óbitos.
2
No sistema de classificação CID-10, existem 12,455 códigos em total. Alguns não são admitidos como causas
de óbito.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Utilizando as categorias de 3 dígitos da classificação CID-10, onde algumas condições são agrupadas
em categorias específicas3 (por exemplo todas as condições devidas a infecção por plasmodium
falciparum) é mais fácil individualizar grupos de causas de óbito que podem ter um interesse de
saúde pública. Observa-se que 37 dos 1088 códigos de 3 dígitos registados na base de dados
representam 70% de todas as causas de óbitos (tab.9). As causas mais frequentes são doença pelo
HIV (não especificada 17%, resultando em doenças infecciosas 7%, resultando em neoplasias
malignas 1%, resultando em outras doenças especificadas 1%, resultando em outras doenças 2%) e
transtornos relacionados com a gestação de curta duração e peso baixo ao nascer (9%). Entre
algumas das patologias de interesse de saúde pública, a malária por P. falciparum e não especificada
causa 4% dos óbitos e a TB 2,5% (2% por TB respiratória e 0.5% por TB miliar); entre as causas não
infecciosas a hipertensão essencial causa 3% dos óbitos e a diabete 1%.
Tabela 9 – Distribuição de todos os óbitos por causa básica de morte (categoria de 3 dígitos, CID10), numero, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011
Código
Descrição da causa de óbito
Total
%
% Cum.
B24
Doença pelo HIV, não especificada
4850
17%
17%
P07
Transtornos relacionados com a gestação de curta duração e
peso baixo ao nascer não classificados em outra parte
Doença pelo HIV, resultando em doenças infecciosas e
parasitárias
Asfixia ao nascer
Pneumonia por microorganismo não especificada
Hipertensão essencial (primária)
Malária por plasmodium falciparum
Septicemia bacteriana do recém-nascido
Doença pelo HIV resultando em outras doenças
Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível
Doença pelo HIV resultando em outras doenças
especificadas
Acidente vascular cerebral, não especificado
Outras septicemias
Meningite bacteriana não classificada em outra parte
Morte fetal de causa não especificada
Diabetes mellitus não especificado
Doença pelo HIV, resultando em neoplasias malignas
Hipoxia intra-uterina
Outras anemias
Malária não especificada
Pedestre traumatizado em outros acidentes de transporte e
em acidentes de transporte não especificados
2774
9%
26%
2169
7%
33%
1093
897
889
795
557
503
445
402
4%
3%
3%
3%
2%
2%
2%
1%
37%
40%
43%
46%
48%
50%
51%
52%
350
345
249
240
240
239
228
228
228
215
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
54%
55%
56%
56%
57%
58%
59%
60%
60%
61%
B20
P21
J18
I10
B50
P36
B23
A09
B22
I64
A41
G00
P95
E14
B21
P20
D64
B54
V09
3
Algumas condições não têm um quarto dígito, sendo o código a 3 dígitos o máximo nível de especificação:
por exemplo A09=Diarreia e Gastroenterite de Origem Infecciosa Presumível ou I10=hipertensão primaria
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código
Descrição da causa de óbito
Total
%
% Cum.
E41
C22
Marasmo nutricional
Neoplasia maligna do fígado e das vias biliares intrahepáticas
Tuberculose respiratória, com confirmação bacteriológica e
histológica
Pneumonia bacteriana não classificada em outra parte
Kwashiorkor marasmático
Tuberculose das vias respiratórias, sem confirmação
bacteriológica ou histológica
Insuficiência renal crônica
Queimadura e corrosão, parte não especificada do corpo
Anemia por deficiência de ferro
Traumatismo intracraniano
Insuficiência cardíaca
Cardiomiopatias
Não especificado
Tuberculose miliar
Outras imunodeficiências
Desconforto (angústia) respiratório(a) do recém-nascido
Outras doenças
213
206
1%
1%
62%
63%
203
1%
63%
193
189
188
1%
1%
1%
64%
65%
65%
179
176
174
169
155
149
132
132
123
118
8682
1%
1%
1%
1%
1%
1%
0.5%
0.5%
0.4%
0.4%
30%
66%
66%
67%
68%
68%
69%
69%
70%
70%
70%
100%
A15
J15
E42
A16
N18
T30
D50
S06
I50
I42
111
A19
D84
P22
Apesar de uma diferença de distribuição das causas básicas entre hospitais, para a maioria dos
hospitais as primeiras 15 causas da tabela acima, cobrem pelo menos a metade de todas as causas
de óbito, indicando que o HIV e alguns transtornos perinatais são umas das causas mais frequentes.
Vale a pena evidenciar que no Hospital Central de Nampula a malária por P. falciparum causa 15%
dos óbitos (mais 1% por malária não especificada); ao contrário de todos os outros hospitais, o
Hospital Provincial de Inhambane tem uma prevalência muito baixa de óbitos por HIV e nenhuma
das causas de óbito totaliza mais de 5% (tab.10).
Tabela 10 – Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (categoria de 3 dígitos, CID-10) e por
hospital, percentagem, 2009-2011
Código CID-10
(3 dígitos)
B24
P07
B20
P21
J18
I10
B50
P36
B23
A09
B22
HCB HCM HCN
4
18
14
13
11
6
11
6
1
4
3
2
3
2
6
1
5
0.3
1
2
15
4
2
1
3
0.2
2
1
1
4
3
0.5
1
Hospitais (%)
HGJM HPC HPI HPL HPP HPQ HPX
21
12
5
5
4
27
37
11
10 0.3
6
6
0
2
13
21 0.1
13
19
4
6
8
10
4
5
2
1
1
5
5
5
5
6
3
2
2
0 0.3
1
2
0
3
2
4 0.3
5
5
4
4
3
1
0
4
4
0.3
0.5
4
0
0 0.3 0.4
6
11
2
1
2
3
3
1
1
2 0.5
0
1 0.4
6
1
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código CID-10
(3 dígitos)
I64
A41
G00
P95
Outras causas
HCB HCM HCN
1
2
1
1
1
5
0.3
1
1
0
1
0
50
45
41
Hospitais (%)
HGJM HPC HPI HPL HPP HPQ HPX
1
2
1
1
1
1
0
1
1
1
1
5
2
1
0.2 0.5
0 0.4 0.2
0.1
1
5
4
0
0
0
0.3
0
21
30 83
51
42
43
30
Um outro tipo de análise de dados é a análise por agrupamentos (bloques) de códigos CID-10 que
são um nível intermédio entre o agrupamento em capítulos e os códigos de 3 dígitos; mesmo
perdendo um nível fino de detalhe, mantém-se um nível de especificação suficiente para orientar
intervenções de saúde pública (tab.11). Sobre 239 agrupamentos que existem no sistema CID-10,
220 são registados na base de dados e 26 constituem 80% de todas as causas básicas de óbito. A
análise por bloques permite em um olhar ver o enorme impacto da doença por HIV, em todas as
suas manifestações clínicas, sobre a mortalidade intra-hospitalar: mais que um quarto dos óbitos
(28%) são relacionados com HIV/SIDA. Para poder fortalecer os cuidados para os doentes com
HIV/SIDA é importante tentar melhorar a codificação dos óbitos por HIV reduzindo o uso do código
genérico B24 e promovendo o uso dos códigos de quatro dígitos das categorias B20-B23 (B24 foi
utilizado para 17% dos óbitos e os códigos B20-B23 somente para 11%).
Além das observações sobre o HIV/SIDA, esta análise não acrescenta muito à tabela 9, por categoria
de 3 dígitos. Todavia vale a pena comentar que a quase totalidade dos transtornos relacionados com
a duração da gestação e crescimento fetal, 99% dependem de curta duração e baixo peso ao nascer.
No bloque “Gripe e pneumonia”, a Pneumonia por microorganismo não especificada é 77% do total
e a Pneumonia bacteriana não classificada em outra parte é 17%; entre os diabetes mellitus, 58% é
representado por diabetes mellitus não especificado; estes dois exemplos indicam que existe uma
baixa tendência a efectuar uma diagnose mais cuidadosa em algumas patologias. Esta tendência
pode depender da limitada capacidade diagnóstica (ex. por falta de laboratórios para análises
microbiológicas, bioquímicas ou serológicas) ou de um insuficiente treinamento dos codificadores
que escolhem códigos genéricos ao invés dos mais específicos.
80% das doenças hipertensivas é a hipertensão essencial; este dado parece compatível com o perfil
epidemiológico deste grupo de doenças. Somente 7% das doenças causadas por agentes
protozoários não é ligado a plasmodia (P. falciparum e não especificados). Os óbitos por tuberculose
são devidos a TB respiratória em 62% (códigos A15 e A16).
Entre a grande variedade de acidentes de transporte, o tipo mais frequente é atropelamento de
pedestre (pedestre traumatizado em acidentes de transporte outros e não especificados) sendo
quase dois terços dos acidentes (62%).
As neoplasias são só 4,8% de todas as causas de óbito (tab.6); entre as neoplasias malignas, a
localização mais frequente são os órgãos digestivos (1%), dos quais 75% são tumores do fígado e das
vias biliares intra-hepáticas.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Tabela 11 – Distribuição de todos os óbitos por causa básica de morte (agrupamentos, bloques
CID-10), número, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011
Grupos de
códigos
B20-B24
P05-P08
P20-P29
J09-J18
I10-I15
B50-B64
A15-A19
P35-P39
I60-I69
E40-E46
A00-A09
G00-G09
A30-A49
E10-E14
I30-I52
V01-V99
T20-T32
D60-D64
N17-N19
C15-C26
P90-P96
D00-D09
K70-K77
S00-S09
R50-R69
C81-C96
Descrição da causa de óbito
Doença Pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV)
Transtornos relacionados com a duração da gestação
e crescimento fetal
Doenças respiratórias e cardiovasculares específicas
do período perinatal
Gripe e pneumonia
Doenças hipertensivas
Doenças causadas por protozoários
Tuberculose
Infecções próprias do período perinatal
Doenças cerebrovasculares
Desnutrição
Doenças infecciosas intestinais
Doenças inflamatórias do sistema nervoso central
Outras doenças bacterianas
Diabetes mellitus
Outras formas de doença cardíaca
Acidentes de transporte
Queimaduras e corrosões
Anemia aplástica e outras
Insuficiência renal
Neoplasias malignas dos órgãos digestivos
Outras afecções originadas no período perinatal
Carcinomas in situ
Doenças do fígado
Lesões na cabeça
Sintomas e sinais gerais
Neoplasias malignas, declaradas ou presumidas ser
primárias, do tecido linfóide, hematopoiético e afins
Outras causas
Total
8163
2813
%
% Cum.
28%
28%
37%
10%
1597
1158
1118
1105
626
579
576
550
507
472
442
416
413
348
347
319
305
274
264
254
253
226
224
203
5765
43%
5%
4%
4%
4%
2%
2%
2%
2%
2%
2%
2%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
20%
47%
51%
54%
57%
59%
60%
62%
64%
66%
67%
69%
70%
71%
72%
74%
75%
75%
76%
77%
78%
79%
80%
80%
100%
A análise das causas directas de óbito por capítulos CID-10 mostra uma distribuição diferente das
causas básicas, mesmo sendo as doenças infecciosas e as afecções do período perinatal as mais
frequentes (23% e 19% respectivamente). Todavia as doenças do aparelho respiratório são
significativamente mais frequentes entre as causas directas que entre as causas básicas (13% versus
5%); as doenças hematológicas e as do sistema nervoso são importantes, sendo respectivamente 7%
e 6%; também os sintomas, sinais e achados anormais são 4,2% contra 1.6% entre as causas básicas
(tab.12 e tab.4)
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Tabela 12 – Distribuição dos óbitos por causa directa de morte (capítulo CID-10), 2009-2011
Causa directa de óbito (capitulo CID-10)
Doenças infecciosas
Afecções do período perinatal
Doenças do aparelho respiratório
Doenças do aparelho circulatório
Doenças hematológicas e imunitárias
Doenças do sistema nervoso
Neoplasias
Sintomas, sinais e achados anormais
Doenças endócrinas e nutricionais
Consequências de causas externas
Doenças do aparelho geniturinário
Doenças do aparelho digestivo
Gravidez, parto e puerpério
Causas externas
Malformações congênitas e anomalias cromossômicas
Fatores que influenciam o estado de saúde
Não Especificada
Doenças do sistema osteomuscular
Transtornos mentais
Doenças da pele e do tecido subcutâneo
Fatores que influenciam o estado de saúde
Doenças do olho e anexos
Doenças da pele e do subcutâneo
Doenças do ouvido e da apófise mastóide
Doenças do ouvido e da mastóide
Total
Número %
6630
5574
3829
2402
2027
1767
1346
1217
1002
986
616
616
293
192
173
161
159
86
81
55
47
39
10
8
1
29317
22.6%
19.0%
13.1%
8.2%
6.9%
6.0%
4.6%
4.2%
3.4%
3.4%
2.1%
2.1%
1.0%
0.7%
0.6%
0.5%
0.5%
0.3%
0.3%
0.2%
0.2%
0.1%
0.0%
0.0%
0.0%
%
Cum.
23%
42%
55%
63%
70%
76%
80%
85%
88%
91%
93%
96%
97%
97%
98%
98%
99%
99%
99%
100%
100%
100%
100%
100%
100%
Esta diferença na distribuição entre causa básica e causa directa não é surpreendente, ao contrário é
esperado e a explicação é dada pela prevalência de causas de óbitos entre as quais:
broncopneumonia não especificada (3.8%), insuficiência respiratória aguda (2.2%), anemia não
especificada (2.4%), choque hipovolêmico (1.2%), etc., visíveis com uma análise dos códigos a 4
dígitos.
Utilizando as categorias de 4 dígitos da classificação CID-10, observa-se que 95 dos 2121 códigos
registados na base de dados representam 70% de todas as causas directas de óbitos (uma variedade
mais ampla de códigos do que para as causas básicas) (anexo 3). Nenhuma das causas directas chega
a 4% de frequência. A doença pelo HIV não especificada foi causa directa de óbito somente em 2%.
Todas as formas de tuberculose registadas como causa directa causaram 4.6% dos óbitos, uma
percentagem maior em comparação com as causas básicas (este assunto será discutido de forma
mais aprofundada a seguir).
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
As diferenças entre causa básica e directa sugerem que a diferença conceptual entre os dois tipos de
causas foi entendida e bem preenchida pelos médicos e codificadores.
Entre as causas de óbito de interesse da gestão hospitalar pode-se evidenciar que a septicemia
bacteriana do recém-nascido, não especificada, genérica e bacteriana, causam respectivamente
3.2%, 1.3% e 1.3% dos óbitos; a septicemia outra e não especifica do adulto causou 3% e 2.2% dos
óbitos. Entre as consequências de prestação de cuidado cirúrgico e médico, a assepsia insuficiente
foi reportada em 0.2%.
A comparação da distribuição de causa directa (3 dígitos) entre hospitais mostra uma distribuição
pouco homogénea, com algumas divergências importantes da média nacional (tab.13). Por exemplo
as outras septicemias dos adultos e a septicemia do recém-nascido são menos frequentes nos
hospitais provinciais de Chimoio e Inhambane; mas na Beira a septicemia dos adultos é menor e a
dos recém-nascidos mais frequente que a média nacional (1% e 10% respectivamente). Os
transtornos relacionados com a gestação de curta duração e peso baixo ao nascer são especialmente
altos no hospital ´José Macamo´. A anemia por deficiência de ferro é particularmente elevada no
hospital de Chimoio (13%). Os acidentes vasculares cerebrais não especificados são muito mais
frequentes no hospital de Inhambane (25%), onde também havia uma percentagem elevada de
causas básica do capítulo de doenças do aparelho cardiovascular. Todavia, as diferenças entre
hospitais nem sempre parecem coerentes com outros dados discutidos acima.
Tabela 13 – Percentagem de óbitos por causa directa de morte (códigos de 3 dígitos) e hospital,
(primeiras 20 causas mais frequentes), 2010-2011
Cod.
Descrição
HCB
HCM
HCN
HPC
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
Total
7
HGJ
M
8
A41
Outras septicemias
1
7
1
0
4
2
4
26
6
J96
Insuficiência respiratória não classificada
de outra parte
Septicemia bacteriana do recém-nascido
3
8
9
1
2
1
6
10
4
7
5
10
6
2
3
2
0
4
4
0
1
5
5
4
5
7
11
4
3
5
8
2
5
P22
Pneumonia por microorganismo não
especificada
Angústia respiratória do recém-nascido
2
2
10
6
0
3
1
3
10
1
4
P21
Asfixia ao nascer
6
6
1
0
3
0
2
0
0
0
3
D64
Outras anemias
3
3
3
9
9
3
4
3
1
0
3
P07
Transtornos relacionados com a
gestação de curta duração e peso baixo
ao nascer
Acidente vascular cerebral, não
especificado
Malária por plasmodium falciparum
2
2
2
11
4
0
3
0
0
1
3
1
1
3
2
7
25
2
0
4
1
2
0
3
2
0
2
1
3
2
2
10
2
2
1
6
2
4
0
4
4
5
3
2
G93
Diarreia e gastroenterite de origem
infecciosa presumível
Outros transtornos do encéfalo
1
3
1
2
2
1
1
1
2
0
2
B24
Doença pelo HIV não especificada
2
2
2
4
1
1
2
3
2
1
2
R57
Choque não classificado em outra parte
0
2
3
0
3
2
5
5
2
3
2
D50
Anemia por deficiência de ferro
4
0
0
4
13
0
3
3
1
0
2
B20
Doença pelo HIV, resultando em
2
1
2
1
1
0
3
5
3
1
2
P36
J18
I64
B50
A09
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Cod.
Descrição
HCB
HCM
HCN
HGJ
M
HPC
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
Total
2
1
2
1
0
0
1
0
3
2
2
3
1
1
3
2
0
0
0
2
1
1
I50
Tuberculose das vias respiratórias, sem
confirmação bacteriológica
Tuberculose respiratória, com
confirmação bacteriológica
Insuficiência cardíaca
1
1
2
1
0
11
1
3
2
1
1
C46
Sarcoma de Kaposi
1
2
1
1
0
0
1
1
1
1
1
doenças infecciosas e parasitárias
A16
A15
A análise das causas de óbito (capítulos CID-10) por faixa etária mostra que as doenças infecciosas e
parasitárias são as mais frequentes em todas as faixas etárias (variando de 38 a 61%), com excepção
dos recém-nascidos (0-28 dias) entre os quais as causas de morte predominantes são as afecções do
período perinatal (84%) e os maiores de 64 anos entre os quais as causas predominante são as
doenças do aparelho circulatório (30%) (fig.11). A percentagem das doenças do aparelho circulatório
aumenta progressivamente com o aumento da idade, sendo menor de 2% até 4 anos, cerca de 5%
até 44 anos, 19% na faixa de 45-64 anos e 30% nos acima de 64 anos. As neoplasias são
proporcionalmente mais frequente nas faixas etárias de 5-14 anos (8%) e acima de 45 anos (8% e
11% respectivamente para os grupos 45-64 e >64 anos); as neoplasias mais frequentes na faixa
pediátrica são as neoplasias malignas do tecido linfóide e hematopoiético, e nas faixas adultas as
neoplasias malignas dos órgãos digestivos. As causas externas são proporcionalmente mais
frequentes entre 1 e 24 anos (variando de 11% a 13%), sendo as queimaduras e corrosões as causas
principais entre as crianças de 1 a 14 anos de idade e os acidentes de transporte nos de 15-24 anos.
Figura 11 – Distribuição dos óbitos por faixa etária e por causa básica de óbito (capítulo CID-10),
2009-2011
9000
8000
Outras causas
7000
D. hematológicas e imunitárias
D. do sistema nervoso
6000
Causas externas
5000
D. endócrinas e nutricionais
4000
Neoplasias
3000
D. do aparelho respiratorio
2000
D. do aparelho circulatório
Afecções do período perinatal
1000
D. infecciosas
0
0-28d
29d-12m
1-4
5-14
15-24
25-44
45-64
65+
Una análise das causas de óbito nas faixas etárias pediátricas mostra que a mortalidade neonatal
precoce é devida principalmente a nascimento pré-termo (28-37 semanas) (27%) e asfixia ao nascer
(19%); óbitos por extrema imaturidade (<28 semanas) e peso ao nascer <1000 gramas são
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
respectivamente a causa de 7% e 9% dos óbitos. A mortalidade neonatal tardia é devida
principalmente a nascimento pré-termo (28-37 semanas) (26%) e septicemia bacteriana do recémnascido (18%).
A mortalidade pós-neonatal depende principalmente da doença pelo HIV não especificadas (13%) e
desnutrição (9%), que é representada em igual medida pelo marasmo nutricional e kwashiorkor
marasmático; também a diarreia de origem infecciosa e a broncopneumonia não especificada são
causas importantes sendo ambas correspondentes a 7%. A mortalidade da faixa 1-4 anos é devida
principalmente a doença pelo HIV não especificadas (13%), desnutrição (12%), marasmo nutricional
e kwashiorkor marasmático em igual medida, e a malária grave complicada (plasmodium falciparum
e/ou vivax e/ou malariae) (10%). (tab.14)
A mortalidade infantil intra-hospitalar poderia ser reduzida quase em 50% através do fortalecimento
dos cuidados neonatais, pelo menos para os casos de imaturidade não extrema com maior
probabilidade de sobrevivência, e melhorando as condições de assepsia durante o parto. A
prevenção da transmissão vertical do HIV e o seguimento nutricional dos infantes contribuiriam a
ulterior 10% de redução.
Tabela 14 – Distribuição dos óbitos nas faixas etárias pediátricas por causa básica de óbito, 20092011
Causa básica de óbito (agrupamentos)
Outros recém-nascidos de pré-termo (28-37 semanas
de gestação) ou não especificados
Asfixia ao nascer
0-7 dias
8-28 dias
29-364 dias
N
%
1-4 anos
N
%
N
%
N
%
1341
27
286
26
75
4
13
1
936
19
100
9
47
2
6
0
Doença pelo HIV resultando em outras doenças ou
não especificadas
Recém-nascido com peso muito baixo (<1000 g)
30
1
18
2
275
13
252
13
456
9
71
7
27
1
2
0
Septicemia bacteriana do recém-nascido
297
6
191
18
51
2
10
0
10
0
10
1
186
9
235
12
338
7
40
4
12
1
2
0
Desnutrição
Imaturidade extrema (<28 semanas de gestação)
Malaria grave complicada (Falciparum e/ou Vivax
e/ou Malariae)
Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa
7
0
6
1
94
4
206
10
14
0
13
1
139
7
95
5
Broncopneumonia não especificada
20
0
22
2
138
7
78
4
Morte fetal de causa não especificada
231
5
2
0
4
0
0
Hipoxia intra-uterina
214
4
6
1
5
0
0
26
1
23
2
92
4
66
3
121
2
20
2
15
1
11
1
Pneumonias
11
0
11
1
80
4
54
3
Outras malformações congênitas e deformidades
88
2
32
3
21
1
9
0
0
2
0
18
1
129
6
4
0
7
1
63
3
70
3
100
2
13
1
5
0
Malaria outra e não especificada
4
0
3
0
38
2
72
4
Meningite bacteriana não classificada em outra parte
5
0
16
1
54
3
39
2
Septicemia não especificada
Outras afecções originadas no período perinatal
Queimaduras e corrosões
Doença pelo HIV resultando em outras infecções
bacterianas
Desconforto respiratório do recém-nascido
0
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Causa básica de óbito (agrupamentos)
0-7 dias
N
Outros recém-nascidos de peso baixo (1000-2500 g)
Outras causas
Total
%
8-28 dias
N
%
29-364 dias
N
%
1-4 anos
N
%
75
2
21
2
6
0
2
0
594
12
176
16
644
31
653
33
4922
1089
2089
2004
Considerando somente os óbitos por prematuridade, todos os tipos, as causas de óbitos directas
mais frequentes são desconforto/angústia respiratório/a (37%), septicemia bacteriana do recémnascido (23%) (fig.12).
Figura 12 – Distribuição dos óbitos por prematuridade (Transtornos relacionados com a gestação
de curta duração e peso baixo ao nascer (N=2774) por causa directa de óbito (códigos de 3 dígitos),
2009-2011
Outras causas
3%
Pneumonia não
esp.
0.4%
Desconforto
respiratório do
RN
37%
Hipotermia do
RN
Outras
1%
Septicemias
1%
Outras afecções
respiratórias
perinatais
1%
Síndrome de
Aspiração
Neonatal
2%
Asfixia ao
Nascer
11%
Septicemia
bacteriana
do RN
23%
Prematuridade
21%
Na maioria dos hospitais a distribuição as causas de óbitos em idade infantil não é significativamente
diferente. Comparando a distribuição das primeiras 10 causas de óbito em menores de 1 ano de
idade, pode-se notar como o Hospital de Quelimane se destaca por ter uma percentagem muito
elevada de hipoxia intra-uterina; o Hospital Provincial de Inhambane não reporta casos de
nascimentos pré-termo; o Hospital Central de Beira tem uma percentagem de imaturidade extrema
muito mas alta dos outros hospitais; o Hospital Provincial de Xai-Xai apresenta uma percentagem
elevada de óbitos por HIV (fig.13). É difícil poder dizer se estas diferenças dependem de uma real
diferença de frequência de causas de óbito ou de uso diferente da codificação das causas básicas.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 13 – Distribuição dos óbitos em minores de 1 ano de idade por as 10 causas de óbito mais
frequentes e hospital, 2010-2011
Desnutrição
100%
90%
Hipóxia intra-uterina
80%
Morte Fetal de causa não esp.
70%
60%
HIV não especificado
50%
Imaturidade extrema (<28 sem.)
40%
Septicemia Bacteriana do RN
30%
20%
RN com peso muito baixo (<1000
gramas)
Asfixia ao Nascer
10%
0%
RN de pré-termo (28-37 sem.)
Os óbitos em idade pediátrica por tempo de admissão mostram que, com excepção da faixa de 0-7
dias, os óbitos acontecem principalmente depois de 48 horas de internamento (fig.14).
Figura 14 – Distribuição dos óbitos em faixa etária pediátrica por causa intervalo de internamento,
2009-2011
6000
>48h = 38%
5000
4000
3000
>48h = 61%
>48h = 55%
29d-12m
1-4
>48h = 80%
2000
1000
0
0-7d
8-28d
<48h
>48h
A distribuição por sexo mostra que os óbitos intra-hospitalares são consistentemente maiores no
sexo masculino, de 2009 a 2011 (fig.15), em todas as faixas etárias com excepção da faixa 15-24 anos
(tab.15). O número maior de óbitos de sexo masculino pode depender de acesso aos cuidados
hospitalares mais fácil para os homens que para as mulheres, mas poderia também indicar que os
homens chegam aos cuidados hospitalares quando o estado de saúde é mais deteriorado.
Lamentavelmente não estão disponíveis dados de internamento por sexo para poder calcular a
mortalidade intra-hospitalar específica por sexo.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 15 – Distribuição dos óbitos por sexo e ano, 2009-2011
9000
8000
7000
6000
5000
4000
3000
2000
1000
0
M = 56%
M = 58%
M = 56%
2009
2010
Feminino
2011
Masculino
Tabela 15 – Distribuição dos óbitos por sexo e faixa etária, número e proporção sexo
masculino/feminino, 2009-2011
Faixa etária Masculino Feminino Proporção M/F
<1
4290
3717
1.2
1-4
1083
918
1.2
5-14
670
529
1.3
15-24
1036
1204
0.9
25-34
2622
1992
1.3
35-44
2281
1423
1.6
45-54
1943
1075
1.8
55-64
1276
764
1.7
65+
1391
991
1.4
Total
16592
12613
1.3
Analisando os óbitos nas mulheres adultas (>14 anos), nota-se que o HIV/SIDA causa cerca de
metade dos óbitos nas mulheres de 15-24 anos (44%), 25-34 anos (59%) e 35-44 anos (50%), sendo
uma causa importante mas menos predominante nas mulheres mais velhas (a frequência diminui de
37% para 7% dos 45-55 anos até >64 anos). Em todas as faixas etárias as outras doenças infecciosas
causam 7 a 10% dos óbitos. As doenças do aparelho circulatório aumentam progressivamente com o
aumentar da idade, chegando a ser 26% das causas de óbito nas mulheres de 55-64 anos e 33% nas
de >64 anos. Também as neoplasias aumentam com a idade, atingindo 10% em todas as faixas de
>44 anos. As outras causas têm uma frequência aproximadamente parecida em todas as faixas
etárias. (fig.16).
As patologias e condições ligadas à gravidez, parto e puerpério são entre as 8 causas de óbitos mais
frequentes nas mulheres: 9% dos óbitos de mulheres de 15-24 anos são devidos à gravidez, parto e
puerpério; a percentagem diminui para 6% e 4% nas mulheres de 25-34 e 35-44 anos
respectivamente.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 16 – Distribuição dos óbitos entre adultos de sexo feminino, por faixa etária e por causa
básica de óbito (capítulo CID-10), 2009-2011
2000
Outras causas
1800
D. hematológicas e
imunitárias
D. endócrinas e nutricionais
1600
1400
1200
Gravidez, parto e puerpério
1000
D. do aparelho respiratorio
800
Neoplasias
600
D. do aparelho circulatório
400
Outras d. infecciosas
200
Doença pelo HIV
0
15-24 25-34 35-44 45-54 55-64
65+
Nos homens adultos (>14 anos), o HIV/SIDA causa cerca da metade dos óbitos na faixa etária de 2534 anos (51%) e 35-44 anos (51%), sendo uma causa importante mas menos predominante nos
homens mais velhos (a frequência diminui de 37% para 8% dos 45-55 anos até >64 anos);
contrariamente às mulheres, a faixa de 15-24 anos a mortalidade por HIV/SIDA não é especialmente
alta sendo 28% do total. Em todas as faixas etárias as outras doenças infecciosas causam entre 8 a
13% dos óbitos. Como para as mulheres, as doenças do aparelho circulatório, aumentam
progressivamente com o aumentar da idade, chegando a ser 22% das causas de óbito nos homens
de 55-64 anos e 28% nos de >64 anos. Também as neoplasias aumentam com a idade, atingindo 11%
em homens de >64 anos. As outras causas têm uma frequência aproximadamente parecida em
todas as faixas etárias. (fig.17).
Diferentemente do observado antes para as mulheres, as causas externas (incluindo consequências
de causas externas) são entre as 8 causas de óbitos mais frequentes nos homens, com percentagem
elevada entre os jovens adultos (19% e 11% respectivamente nos homens de 15-24 e 25-34 anos);
acima de 35 anos a frequência de mortalidade por causas externas é constantemente 7%.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 17 – Distribuição dos óbitos entre adultos de sexo masculino, por faixa etária e por causa
básica de óbito (capítulo CID-10), 2009-2011
Outras causas
2500
D. hematológicas e imunitárias
2000
D. do aparelho digestivo
Causas externas
1500
D. do aparelho respiratorio
Neoplasias
1000
D. do aparelho circulatório
500
Outras d. infecciosas
Doença pelo HIV
0
15-24
25-34
35-44
45-54
55-64
65+
5.1.2 Análise detalhada sobre algumas condições específicas
5.1.2.1 HIV/SIDA
O HIV/SIDA é a causa básica de óbito mais frequente. Como já discutido, entre os 15 e 44 anos
constitui proporcionalmente a principal causa de óbito; todavia, em números absolutos, as faixas de
idade mais afectadas são as de 25 a 54 anos (fig.18).
Figura 18 – Distribuição dos óbitos com causa básica = HIV/SIDA por sexo e faixa etária, 2009-2011
1400
1200
Feminino
Masculino
1000
800
600
400
200
0
<1
1-4
5-14
15-24
25-34
35-44
45-54
55-64
65+
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
A mortalidade por HIV/SIDA é maior nos homens em todas as faixas etárias, com excepção de 15-24
anos; a proporção de óbitos por HIV/AIDS entre homens e mulheres é parecida à proporção por
mortalidade geral (provavelmente porque o HIV/SIDA é uma das causas principais e influencia todas
as estatísticas gerais). Confrontando os óbitos por HIV/SIDA e os outros nota-se uma diferença
importante na faixa de idades compreendidas entre os 15-24 anos, onde as mulheres morrem muito
mais de HIV/SIDA (M/F ratio 0.5) e os homens de outras doenças (M/F ratio 1.6) (tab.16); esta
diferencia é estatisticamente significativa, sendo que as mulheres de 15-24 anos tem um risco de
morrer de HIV/SIDA 1.6 (1.4-1.8) (p<0.001) vezes mais alto dos homens da mesma idade. As causas
para este excesso de óbitos por HIV/SIDA nas mulheres de 15-24 anos deveria ser investigada;
condições como a gravidez poderiam ser um factor de aumentado risco de mortalidade entre as
mulheres HIV positivas.
Tabela 16 – Proporção de óbitos entre homens e mulheres (M/F ratio) para a mortalidade geral,
HIV/SIDA e todas outras causas diferente de HIV/SIDA, por faixa etária, 2009-2011
Faixa etária
<1
1-4
5-14
15-24
25-34
35-44
45-54
55-64
65+
Total
Proporção M/F
Mortalidade Geral HIV/SIDA Não-HIV/SIDA
1.2
1.3
1.1
1.2
1.2
1.2
1.3
1.0
1.1
0.9
0.5
1.6
1.3
1.1
1.6
1.6
1.6
1.8
1.8
1.8
1.3
1.7
1.7
1.7
1.4
1.5
1.4
1.3
1.3
1.3
A idade média de morte em maiores de 1 ano é significativamente inferior nos óbitos por HIV/SIDA
que nos óbitos por qualquer outra doença, sendo respectivamente 34.9 e 39.1 (p<0.005)
Na tabela 17 aparece a lista de todos os códigos utilizados na base de dados com as suas respectivas
frequências. Infelizmente o código mais utilizado é o código B24, correspondente a “Doença pelo HIV
não especificada” (59%); seguido do código B20 “Doença pelo HIV, resultando em doenças
infecciosas e parasitárias” que mesmo sendo mais detalhado agrupa todas as infecções
correlacionadas com o HIV/SIDA sem fornecer os detalhes que poderiam ser úteis para orientar as
intervenções de saúde pública e gestão hospitalar. Nesta conformidade, é necessário sensibilizar os
usuários do SIS-ROH a preferir, quando possível, os códigos CID-10 com 4 dígitos aos códigos de
condições não especificadas.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Tabela 17 – Códigos específicos utilizados para os óbitos que tem como causa básica HIV/SIDA,
2009-2011
Código
B20
B200
B201
B202
B203
B204
B205
B206
B207
B208
B209
B21
B210
B211
B212
B213
B217
B218
B219
B22
B220
B222
B227
B23
B230
B231
B232
B238
B24
Total
Descrição
Doença pelo HIV, resultando em(*) doenças infecciosas e parasitárias
*infecções micobacterianas
*outras infecções bacterianas
*doença citomegálica
*outras infecções virais
*candidíase
*outras micoses
*pneumonia por Pneumocystis jirovecii
*infecções múltiplas
*outras doenças infecciosas e parasitárias
*doença infecciosa ou parasitária não especificada
*neoplasias malignas
*sarcoma de Kaposi
*linfoma de Burkitt
*outros tipos de linfoma não-Hodgkin
*outras neoplasias malignas dos tecidos linfático, hematopoético e
correlatos
*múltiplas neoplasias malignas
*outras neoplasias malignas
*neoplasia maligna não especificada
*outras doenças especificadas
*encefalopatia
*síndrome de emaciação
*doenças múltiplas classificadas em outra parte
*outras doenças
Síndrome de infecção aguda pelo HIV
*linfadenopatias generalizadas (persistentes)
*anomalias hematológicas e imunológicas não classificadas em outra parte
*outra afecções especificadas
Doença pelo HIV não especificada
N
%
745
171
238
8
42
30
6
86
410
169
264
67
135
15
3
2
9.1%
2.1%
2.9%
0.1%
0.5%
0.4%
0.1%
1.1%
5.0%
2.1%
3.2%
0.8%
1.7%
0.2%
0.0%
0.0%
5
3
9
236
103
29
34
299
60
1
112
31
4850
8163
0.1%
0.0%
0.1%
2.9%
1.3%
0.4%
0.4%
3.7%
0.7%
0.0%
1.4%
0.4%
59.4%
A qualidade da codificação não é igual em todos os hospitais (tab.18). Os hospitais que mais
utilizaram os códigos de 4 dígitos (os mais específicos) para os óbitos devidos a HIV/SIDA são os
hospitais de Pemba e de Chimoio; os que mais utilizaram o código B24 (o menos específico) foram o
hospital de Inhambane e de Nampula. É interessante o facto de o Hospital Central de Maputo, onde
o SIS-ROH foi instalado há mais tempo, ter bastante mais de metade dos óbitos por HIV/SIDA
codificados com B24. Estes dados podem dar uma indicação mais ou menos clara de onde deveria
ser fortalecida ou repetida a formação sobre o uso da codificação CID-10.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Tabela 18 – Tipo de códigos CID-10 utilizados para os óbitos que têm como causa básica HIV/SIDA,
comparação entre hospitais, 2010-2011
Hospital
N
HCB
HCM
HCN
HGJM
HPC
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
Total
4 dígitos
%
342
459
41
429
133
1
100
100
324
142
2071
3 dígitos
N
%
47%
257
19%
329
23%
0
40%
91
64%
3
3%
0
38%
101
81%
2
28%
131
32%
10
31%
924
B24
N
35%
14%
0%
8%
1%
0%
38%
2%
11%
2%
14%
Total
%
127
1604
140
558
71
36
62
21
719
298
3636
17%
67%
77%
52%
34%
97%
24%
17%
61%
66%
55%
726
2392
181
1078
207
37
263
123
1174
450
6631
A qualidade da codificação para os óbitos por HIV/SIDA não parece óptima também olhando as
causas directas de óbito para os óbitos cuja causa básica é HIV/SIDA (tab.19). 12% das causas
directas são as várias formas de tuberculose: nestes casos teria sido correcto utilizar o código B20.0
de HIV resultando em infecções micobacterianas (ou TB associada a HIV), como recomendado pela
OMS. A subestimação do impacto, em termos de mortalidade, da co-infecção TB/HIV afecta a
utilidade dos dados de mortalidade para a tomada de decisões estratégicas do sector de saúde.
Um outro aspecto não menos importante é que 12% de causas directas são as várias formas de
HIV/SIDA; esta informação é redundante e não ajuda a melhorar os cuidados hospitalares ou do
território para os doentes com HIV/SIDA para prevenir as suas mortes.
Os 5% de óbitos por sarcoma de Kaposi assim codificado pode trazer erradamente à ideia de uma
elevada prevalência deste tipo de tumor; é importante utilizar o código B21.0 “HIV resultando em
sarcoma de Kaposi” para não alterar artificiosamente os indicadores epidemiológicos de
Moçambique.
Todavia, além das considerações sobre a qualidade da codificação, é interessante notar igualmente
que as causas directas de óbito para doentes com HIV/SIDA sejam frequentemente de tipo
infeccioso (ex. diarreia, septicemia, meningite e meningoencefalite bacteriana), respiratório (ex.
broncopneumonia, insuficiência respiratória), anemia e desnutrição.
Tabela 19 – Causas directas para os óbitos que têm como causa básica HIV/SIDA, 2009-2011
Código
A15-A16
B20-B24
J180
D64
C46
A09
J960
Descrição
Tuberculose
HIV/SIDA
Broncopneumonia não especificada
Outras anemias
Sarcoma de Kaposi
Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível
Insuficiência respiratória aguda
N
%
951
12%
942
12%
428
5%
395
5%
371
5%
313
4%
234
3%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código
D50
J969
A419
J96
G009
G042
B50
A86
A41
E41
E42
Z111
B59
G039
N18
G934
J18
D610
N17
G939
Descrição
Anemia por deficiência de ferro
Insuficiência respiratória não especificada
Septicemia não especificada
Insuficiência respiratória não classificada de outra parte
Meningite bacteriana não especificada
Meningoencefalite e meningomielite bacterianas não classificadas em
outra parte
Malária por Plasmodium Falciparum
Encefalite viral, não especificada
Outras septicemias
Marasmo nutricional
Kwashiorkor marasmático
Exame especial de rastreamento de tuberculose pulmonar
Pneumocistose
Meningite não especificada
Insuficiência renal crônica
Encefalopatia não especificada
Pneumonia por microorganismo não especificada
Anemia aplástica constitucional
Insuficiência renal aguda
Transtorno não especificado do encéfalo
Outras causas
N
%
208
3%
190
2%
171
2%
160
2%
154
2%
143
2%
127
111
104
99
98
72
68
66
66
65
56
55
53
48
2415
2%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
30%
5.1.2.2 Tuberculose
A tuberculose é uma causa básica de óbito bastante frequente, representando 2.1% do total dos
óbitos e 5.6% dos óbitos por doenças infecciosas. Todos os códigos para notificação de TB foram
utilizados na base de dados, dos quais os mais frequentes são TB Respiratória com confirmação
bacteriológica e histológica (14%), TB das vias respiratórias, sem confirmação bacteriológica ou
histológica (12%), TB pulmonar com confirmação por meio não especificado (12%) e TB miliar (11%)
(tab.20).
Tabela 20 – Códigos específicos utilizados para os óbitos que têm como causa básica Tuberculose,
2009-2011
Código
A15
A150
A151
A152
A153
A154
A157
Descrição
TB Respiratória, com confirmação bacteriológica e histológica
TB pulmonar, com confirmação por exame microscópico da expectoração,
com ou sem cultura
TB pulmonar, com confirmação somente por cultura
TB pulmonar, com confirmação histológica
TB pulmonar, com confirmação por meio não especificado
TB dos gânglios intratorácicos, com confirmação bacteriológica e histológica
TB primária das vias respiratórias, com confirmação bacteriológica e
N
%
86
14
13.7%
2.2%
2
17
72
2
1
0.3%
2.7%
11.5%
0.3%
0.2%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código
A158
A159
A16
A161
A162
A163
A164
A165
A167
A168
A169
A17
A170
A171
A178
A179
A18
A180
A182
A183
A188
A19
A190
A191
A198
A199
Total
Descrição
N
%
histológica
Outras formas de TB das vias respiratórias, com confirmação bacteriológica e
4
0.6%
histológica
TB não especificada das vias respiratórias, com confirmação bacteriológica e
5
0.8%
histológica
TB das vias respiratórias, sem confirmação bacteriológica ou histológica
75
12.0%
TB pulmonar, sem realização de exame bacteriológico ou histológico
2
0.3%
TB pulmonar, sem menção de confirmação bacteriológica ou histológica
67
10.7%
TB dos gânglios intratorácicos, sem menção de confirmação bacteriológica
2
0.3%
ou histológica
TB da laringe, da traqueia e dos brônquios, sem menção de confirmação
5
0.8%
bacteriológica ou histológica
Pleurisia tuberculosa, sem menção de confirmação bacteriológica ou
2
0.3%
histológica
Tuberculosa respiratória primária sem menção de confirmação
2
0.3%
bacteriológica ou histológica
Outras formas de TB das vias respiratórias, sem menção de confirmação
1
0.2%
bacteriológica ou histológica
TB respiratória, não especificada, sem menção de confirmação
32
5.1%
bacteriológica ou histológica
TB do Sistema Nervoso
10
1.6%
Meningite tuberculosa
6
1.0%
Tuberculoma meníngeo
2
0.3%
Outras TBs do sistema nervoso
3
0.5%
TB não especificada do sistema nervoso
4
0.6%
TB de outros órgãos
15
2.4%
TB óssea e das articulações
1
0.2%
Linfadenopatia tuberculosa periférica
4
0.6%
TB do intestino, do peritónio e dos gânglios mesentéricos
5
0.8%
TB de outros órgãos especificados
53
8.5%
TB miliar
71
11.3%
TB miliar aguda de localização única e especificada
3
0.5%
TB miliar aguda de múltiplas localizações
7
1.1%
Outras TB miliares
2
0.3%
TB miliar não especificada
49
7.8%
626
Utilizando agregações de códigos, observa-se que a TB respiratória (pulmonar, dos gânglios
intratorácicos e das vias respiratória) representa 62% (códigos A15 e A16), dos quais metade dos
casos foram confirmados bacteriologicamente ou histologicamente; a segunda forma mais
frequente é a TB miliar (21%), seguida pela TB de outros órgãos (13%) (fig.19). Pensando que
Moçambique em 2011 notificou que 87% dos casos de TB é TB pulmonares, estes dados sugerem
que a letalidade das formas de TB extrapulmonares seja maior ou que o nível de atendimento para
as formas pulmonares e extrapulmonares seja diferente.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Os 7% dos óbitos por TB acontecem nas crianças de 0-4 anos; Moçambique não notifica os casos de
TB por faixa etária, todavia esta informação seria importante porque a mortalidade por TB em
crianças hospitalizadas não é negligenciável. Não foi observada uma diferença significativa de
frequência de TB pulmonar, extrapulmonar e miliar entre as várias faixas etárias.
63% dos óbitos por TB são de sexo masculino; este dado concorda com a prevalência maior de TB
nos homens.
Figura 19 – Distribuição dos óbitos por tuberculose por tipo de tuberculose, 2009-2011
TB miliar
21%
TB de outros
órgãos
13%
TB do Sistema
Nervoso
4%
TB Respiratória,
com
confirmação
32%
TB respiratória,
sem
confirmação
30%
5.1.2.3 Malária
A malária é uma causa básica de óbito bastante frequente, representando 3.6% do total dos óbitos e
9.5% dos óbitos por doenças infecciosas. As formas mais frequentes de malaria é malária por
Plasmodium falciparum (75% do total), com complicações especificadas em 40% e não especificadas
em 36%; foi notificado apenas 1 caso de óbito por plasmodium vivax, 13 por plasmodium malariae
(1% de todos os casos); não houve nenhum óbito por plasmodium ovale (tab.21).
Tabela 21 – Códigos específicos utilizados para os óbitos que têm como causa básica Malária,
2009-2011
Código
B50
B500
B508
B509
B518
B52
B528
B529
Descrição
Malária Por Plasmodium Falciparum
Malária por Plasmodium falciparum com complicações cerebrais
Outras formas graves e complicadas de malária por Plasmodium falciparum
Malária não especificada por Plasmodium falciparum
Malária por Plasmodium vivax com outras complicações
Malária Por Plasmodium Malariae
Malária por Plasmodium malariae com outras complicações
Malária por Plasmodium malariae sem complicações
N
293
334
84
84
1
2
10
1
%
27.7%
31.6%
8.0%
8.0%
0.1%
0.2%
0.9%
0.1%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código
B53
B531
B538
B54
Descrição
Outras Formas de Malária Confirmadas Por Exames Parasitológicos
Malária por plasmódios de macacos
Outras formas de malárias com confirmação parasitológica, não
classificadas em outra parte
Malária Não Especificada
Total
N
%
8
2
9
0.8%
0.2%
0.9%
228
1056
21.6%
40% dos óbitos por malária acontece nas crianças de 0-4 anos (fig.20), entre as quais, como para o
total dos casos, 31% dos óbitos é devido à malária por Plasmodium falciparum com complicações
cerebrais. Este dado confirma que a população pediátrica é especialmente vulnerável a
complicações fatais da malária.
60% dos óbitos por malária é de sexo masculino.
Figura 20 – Distribuição dos óbitos tendo malária como causa básica por faixa etária, 2009-2011
55-64
5%
65+
5%
<1
14%
45-54
9%
35-44
11%
25-34
12%
1-4
26%
15-24 5-14
10%
8%
5.1.2.4 Doenças evitáveis com vacinas
As doenças evitáveis com vacinas da idade pediátrica aparecem como causa básica de óbito em 81
casos (0.7% de todos os óbitos por doenças infecciosas e apenas 0.3% de todos os óbitos), dos quais
43 devidos a doenças para as quais a vacinação é incluída no Programa Alargado de Vacinações
(PAV) em Moçambique (tab.22).
É provável que as doenças que precisam de exames microbiológicos para confirmação do
diagnóstico sejam subestimadas; por exemplo há 24 óbitos por hepatite viral não especificada mas
nenhum caso de óbito por hepatite viral crónica B; há igualmente 445 óbitos por diarreia e
gastroenterite de origem infecciosa presumível mas zero óbitos por rotavírus.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Tabela 22 – Óbitos que têm como causa básica as doenças evitáveis com vacinas da idade
pediátrica, 2009-2011
Código
A33
A35
A36
A37
A809
B05
B16
B180/B181
Total
Descrição
Doença evitáveis com vacinas incluídas no PAV
Tétano do Recém-nascido (neonatal)
Outros Tipos de Tétano
Difteria
Coqueluche
Poliomielite aguda não especificada
Sarampo
Hepatite Aguda B
Hepatite Viral Crônica B
Doença evitáveis com vacina não incluídas no PAV
B26
Caxumba (Parotidite Epidêmica)
P350
Síndrome da rubéola congênita
B01
Varicela
A39
Infecção Meningocócica
A413/J14
Doença por Hib
G001/A403/B953/J13 Doenças por Estreptococos Pneumoniae
B15
Hepatite Aguda A
A080
Rotavirus
Total
N
4
21
3
0
1
4
10
0
43
2
0
3
15
2
2
14
0
38
5.1.2.5 Doenças do aparelho cardiovascular
Como já discutido acima, as doenças cardiovasculares são globalmente 8% das causas básicas de
óbito; todavia a percentagem varia muito entre faixas etárias. A proporção de óbitos por doenças
cardiovasculares sobre todas as causas mantém-se bastante parecida entre mulheres e homens em
todas as faixas etárias com excepção das faixas de mais de 55 anos onde as mulheres têm uma
proporção superior aos homens (tab.23).
Tabela 23 – Proporção de óbitos que têm como causa básica as doenças cardiovasculares entre
todos os óbitos, por sexo e faixas etárias, 2009-2011
Idade
<1
1-4
5-14
15-24
25-34
35-44
Sexo Feminino
n doenças
n total
cardiovasc.
27
3717
16
918
20
529
64
1204
74
1992
113
1423
%
1%
2%
4%
5%
4%
8%
Sexo Masculino
n doenças
n
%
cardiovasc total
28
4383
1%
14
1086
1%
35
672
5%
63
1041
6%
92
2625
4%
155
2283
7%
Total
n doenças n total
cardiovasc.
55
8100
30
2004
55
1201
127
2245
166
4617
268
3706
%
1%
1%
5%
6%
4%
7%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Idade
45-54
55-64
65+
Total
Sexo Feminino
n doenças
n total
cardiovasc.
183
1075
200
764
325
991
1022 12613
%
17%
26%
33%
8%
Sexo Masculino
n doenças
n
cardiovasc total
293
1946
275
1277
392
1391
1347 16704
%
15%
22%
28%
8%
Total
n doenças n total
cardiovasc.
476
3021
475
2041
717
2382
2369 29317
%
16%
23%
30%
8%
Entre as causas específicas de doenças cardiovasculares, as mais frequentes são a hipertensão
primária e o acidente vascular cerebral que juntos representam mais de 50% de todas as causas
(tab.24)
Tabela 24 – Frequência das primeiras 20 causas básicas do capítulo Doenças do aparelho
cardiovascular, 2009-2011
Código
I10
I64
Descrição
Hipertensão essencial (primária)
Acidente vascular cerebral, não especificado como hemorrágico ou
isquémico
I509
Insuficiência cardíaca não especificada
I420
Cardiomiopatia dilatada
I11
Doença cardíaca hipertensiva
I709
Aterosclerose generalizada e a não especificada
I279
Cardiopatia pulmonar não especificada
I61
Hemorragia Intracerebral
I429
Cardiomiopatia não especificada
I63
Infarto Cerebral
I159
Hipertensão secundária, não especificada
I674
Encefalopatia hipertensiva
I500
Insuficiência cardíaca congestiva
I119
Doença cardíaca hipertensiva sem insuficiência cardíaca (congestiva)
I44
Bloqueio atrioventricular e do ramo esquerdo
I42
Cardiomiopatias
I672
Aterosclerose cerebral
I67
Outras doenças cerebrovasculares
I46
Parada cardíaca
I158
Outras formas de hipertensão secundária
Outras causas
N
%
889
37.5%
350
14.8%
124
73
73
52
50
44
43
39
39
28
28
26
20
20
18
17
17
16
403
5.2%
3.1%
3.1%
2.2%
2.1%
1.9%
1.8%
1.6%
1.6%
1.2%
1.2%
1.1%
0.8%
0.8%
0.8%
0.7%
0.7%
0.7%
17.0%
5.1.2.6 Doenças do aparelho respiratório
Como já discutido acima, as doenças respiratórias são globalmente 5% das causas básicas de óbito. A
percentagem não varia muito entre faixas etárias, situando-se sempre num intervalo de 4-9%; as
faixas etárias com maior frequência de doenças respiratórias são as extremas, de 1-4 anos e de mais
de 64 anos. A proporção de óbitos por doenças respiratórias sobre todas as causas mantém-se
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
substancialmente parecida entre mulheres e homens em todas as faixas etárias, mesmo se os
homens parecem ligeiramente mais afectados. (tab.25).
Tabela 25 – Proporção de óbitos que têm como causa básica as doenças respiratórias entre todos
os óbitos, por sexo e faixas etárias, 2009-2011
Idade
<1
1-4
5-14
15-24
25-34
35-44
45-54
55-64
65+
Total
Sexo Feminino
n doenças
n tot
resp.
150
3717
73
918
38
529
54
1204
67
1992
47
1423
49
1075
37
764
87
991
602 12613
%
4%
8%
7%
4%
3%
3%
5%
5%
9%
5%
Sexo Masculino
n doenças
n tot
resp.
184
4383
90
1086
42
672
62
1041
118
2625
115
2283
111
1946
76
1277
134
1391
932 16704
%
4%
8%
6%
6%
4%
5%
6%
6%
10%
6%
Total
n doenças
n tot
resp.
334
8100
163
2004
80
1201
116
2245
185
4617
162
3706
160
3021
113
2041
221
2382
1534 29317
%
4%
8%
7%
5%
4%
4%
5%
6%
9%
5%
As primeiras 10 causas mais frequentes entre as causas do capítulo doenças respiratórias, abrangem
já 85% de todas as causas, 52% sendo uma única causa “broncopneumonia não especificada”.
Infelizmente estas causas têm um nível de detalhe muito escasso (ex. broncopneumonia e
pneumonia por organismos não especificados) e algumas deveriam ser causas directas (ex.
insuficiência respiratória) e não causas básicas (fig.21). O escasso uso de códigos específicos
provavelmente depende ou está relacionada a pouca disponibilidade de exames microbiológicos
para confirmação do agente etiológico; mas uma outra razão pode ser a escassa tendência dos
médicos de pedir exames microbiológicos e reportá-los ao momento de preencher o certificado de
óbito.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 21 – Frequência das primeiras 10 causas básicas* do capítulo Doenças do aparelho
respiratório, 2009-2011
Derrame pleural
não classificado em
outra parte
Pneumonia
2%
por outros
microorg.
Infec. esp.
Insuficiência
2%
respiratória aguda
2%
Edema Pulmonar
4%
Bronquiolite aguda
Asma 1%
2%
Broncopneumonia
não esp.
52%
Insuficiência
respiratória não
Pneumonia
esp.
bacteriana
não esp.
5%
14%
Pneumonia por
microorg. não esp.
16%
*Códigos correspondentes: J180, J18, J159, J969, J81, J960, J16, J90, J45, J21
5.1.2.7 Tumores
Como já discutido acima, os tumores são globalmente 5% das causas básicas de óbito; todavia a
percentagem varia muito entre faixas etárias, registando um aumento constante com o aumentar da
idade. A proporção de óbitos por tumores sobre todas as causas é maior entre as mulheres de 35-64
anos que nos homens da mesma idade (tab.26): esta diferença é devida à incidência relativamente
elevada de tumores do útero e da mama (ver abaixo).
Tabela 26 – Proporção de óbitos que tem como causa básica as neoplasias entre todos os óbitos,
por sexo e faixas etárias, 2009-2011
Idade
<1
1-4
5-14
15-24
25-34
35-44
45-54
55-64
65+
Total
Sexo Feminino
Sexo Masculino
Total
Nº
Nº tot %
Nº
Nº tot %
Nº
Nº tot %
neoplasias
neoplasias
neoplasias
29
3717
1%
23
4383
1%
52
8100
1%
31
918
3%
33
1086
3%
64
2004
3%
43
529
8%
51
672
8%
94
1201
8%
48
1204
4%
54
1041
5%
102
2245
5%
84
1992
4%
103
2625
4%
187
4617
4%
104
1423
7%
109
2283
5%
213
3706
6%
110
1075
10%
129
1946
7%
239
3021
8%
87
764
11%
95
1277
7%
182
2041
9%
99
991
10%
159
1391
11%
258
2382 11%
635 12613
5%
756 16704
5%
1391 29317
5%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Entre as causas específicas de neoplasias, as mais frequentes são as Neoplasias benignas ou de
comportamento incerto ou desconhecido (22%), os mais frequentes dos quais são carcinomas in situ
do esófago (19%) e da próstata (8%).
Entre os tumores malignos, tem um nível de detalhe bastante elevado, e o tipo mais frequente é o
carcinoma hepatocelular (14%), seguido pelo tumor do colo do útero (5%) (tab.27).
Tabela 27 – Frequência das primeiras 20 causas básicas do capítulo Neoplasias (excluindo as
benignas e de comportamento incerto ou desconhecido) (N=1079), 2009-2011
Código
Descrição
C220
Carcinoma de células hepáticas
C53
Neoplasia maligna do colo do útero
C46
Sarcoma de Kaposi
C80
Neoplasia maligna, sem especificação de localização
C531
Neoplasia maligna do exocérvix
C22
Neoplasia maligna do fígado e das vias biliares intra-hepáticas
C837
Tumor de Burkitt
C717
Neoplasia maligna do tronco cerebral
C021
Neoplasia maligna da borda da língua
C859
Linfoma não-Hodgkin de tipo não especificado
C762
Neoplasia maligna do abdome
C71
Neoplasia maligna do encéfalo
C83
Linfoma não-Hodgkin difuso
C07
Neoplasia maligna da glândula parótida
C50
Neoplasia maligna da mama
C020
Neoplasia maligna da face dorsal da língua
C229
Neoplasia maligna do fígado, não especificada
C031
Neoplasia maligna da gengiva inferior
C910
Leucemia linfoblástica aguda
C962
Tumor maligno de mastócitos
Outras neoplasias
Nº
%
150
53
53
43
33
28
25
19
19
17
16
15
15
14
14
14
13
13
13
13
499
14%
5%
5%
4%
3%
3%
2%
2%
2%
2%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
1%
46%
Visando facultar uma visão mais geral, foi feita uma análise por agrupamento de localização dos
tumores malignos (fig.22). Como esperado, com base na tabela acima, os tumores mais frequentes
são os dos órgãos digestivos (25%), as neoplasias malignas, declaradas ou presumidas serem
primárias, do tecido linfóide, hematopoiético e afins (19%); os tumores do lábio, cavidade oral e
faringe e dos órgãos genitais femininos (29 tipos em total) são igualmente frequentes (10%) mas no
primeiro grupo nenhuma das 29 formas registadas no SIS-ROH é preponderante; pelo contrário, no
segundo grupo os tumores malignos do colo do útero e do ovário são as duas formas
preponderantes (respectivamente 82% e 10% dos tumores dos órgãos genitais femininos). Os
tumores de localizações mal definidas, secundárias e não especificadas, são uma percentagem
bastante alta que deveria ser reduzida através dum diagnóstico mais acurado e uma melhor
codificação.
Página 46 de 94
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Fig.22 – Distribuição dos óbitos por neoplasias malignas (N=1079) por agrupamentos de
localização, 2009-2011
Órgãos respiratórios
3%
Outras
10%
Mesotelio e tecidos
moles
6%
Órgãos digestivos
25%
Cérebro, olhos e
outras partes do
SNC
7%
Localizações mal
definidas, secund.,
não esp.
10%
Tecido linfóide,
hematopoiético e
afins
19%
Órgãos genitais
femininos
10%
Lábio, cavidade oral
e faringe
10%
Uma comparação entre homens e mulheres mostra que as diferenças principais são claramente
devidas aos tumores dos órgãos genitais femininos, que mas mulheres são 20% de todas as formas e
os tumores do trato urinário que nos homens são quatro vezes mais frequentes por causa dos
tumores da próstata (fig.23). Nos homens nota também uma frequência maior de tumores do lábio,
cavidade oral e faringe: 13% nos homens contra 8% nas mulheres (percentagem calculada sem
contabilizar os tumores dos órgãos genitais femininos). O tumor maligno da mama é apenas 3% dos
tumores das mulheres.
Figura 23 – Distribuição dos óbitos por neoplasias malignas por agrupamentos de localização e
sexo (N. sexo Feminino=496; N. sexo Masculino=583), 2009-2011
Órgãos digestivos
Tecido linfóide,
hematopoiético
Lábio, cavidade oral e faringe
M
Localizações mal definidas,
sec., não esp.
Cérebro, olhos e outras partes
do SNC
Mesotelio e tecidos moles
Trato urinário
F
Órgãos respiratórios
Órgãos genitais femininos
Outras
0%
20%
40%
60%
80%
100%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
5.1.2.8 Diabete
A diabete, nas suas várias formas, representa globalmente apenas 1.4% das causas básicas de óbito;
todavia a percentagem varia entre faixas etárias registando um aumento constante com o aumentar
da idade. A proporção de óbitos por diabete é igual entre homens e mulheres em geral e em cada
faixa etária (fig.24).
Figura 24 – Número de óbitos que têm como causa básica a diabete, por sexo e faixas etárias; em
purpura a proporção de óbitos por diabete em cada faixa etária sem distinção de sexo, 2009-2011
80
5.6%
70
60
4.5%
2.6%
50
40
1.6%
30
20
0.5%
0.2%
1.1%
10
0
0-14
15-24
25-34
Feminino
35-44
45-54
55-64
65+
Masculino
Entre os tipos específicos de diabete, os mais frequentes são diabete mellitus não especificada
(58%), seguido pelo diabetes mellitus insulino-dependente (24%) e diabetes mellitus não-insulinodependente (14%). Em total as formas registadas como diabete com complicações são 18%, sem
complicações 1% e o resto são formas sem especificação (tab.28).
Tabela 28 – Códigos específicos utilizados para os óbitos que tem como causa básica Diabete,
2009-2011
Código
E10
E100
E101
E106
E107
E108
E109
E11
E111
E116
E117
Descrição
Diabetes mellitus (DM) insulino-dependente
DM insulino-dependente - com coma
DM insulino-dependente - com cetoacidose
DM insulino-dependente - com outras complicações esp.
DM insulino-dependente - com complicações múltiplas
DM insulino-dependente - com complicações não esp.
DM insulino-dependente - sem complicações
DM não-insulino-dependente
DM não-insulino-dependente - com cetoacidose
DM não-insulino-dependente - com outras complicações esp.
DM não-insulino-dependente - com complicações múltiplas
N
%
52 12.5%
25 6.0%
18 4.3%
1 0.2%
1 0.2%
1 0.2%
3 0.7%
51 12.3%
2 0.5%
1 0.2%
1 0.2%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código
E119
E12
E13
E130
E131
E138
E14
E140
E141
E142
E144
E148
E149
Total
Descrição
N
%
DM não-insulino-dependente - sem complicações
2 0.5%
DM Relacionado Com a Desnutrição
4 1.0%
Outros tipos Especificados de DM
10 2.4%
Outros tipos especificados de DM - com coma
1 0.2%
Outros tipos especificados de DM - com cetoacidose
1 0.2%
Outros tipos especificados de DM - com complicações não esp.
2 0.5%
DM não Especificado
217 52.2%
DM não especificado - com coma
11 2.6%
DM não especificado - com cetoacidose
8 1.9%
DM não especificado - com complicações renais
1 0.2%
DM não especificado - com complicações neurológicas
1 0.2%
DM não especificado - com complicações não esp.
1 0.2%
DM não especificado - sem complicações
1 0.2%
416
5.1.2.9 Causas externas
No total as causas externas são a causa básica de 6% de todos os óbitos. Infelizmente a análise das
causas externas é afectada pelo facto de, para muitos óbitos, terem sido utilizados os códigos do
capítulo XIX “Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas” apesar
deste capítulo do CID-10 não ser permitido para a codificação das causas básicas.
Consequentemente somente 45% dos 1764 óbitos por causas externas foi correctamente codificado
com os código do capítulo XX “Causas externas de morbidade e de mortalidade” e será utilizado para
a presente análise.
A distribuição das causas externas varia muito nos dois sexos, sendo significativamente maior nos
homens em quase todas as faixas etárias. Nos homens de 5-34 anos as causas externas causam uma
percentagem de óbitos não negligenciável (tab.29).
Tabela 29 – Proporção de óbitos que têm como causa básica as causas externas entre todos os
óbitos, por sexo e faixas etárias, 2009-2011
Idade
<1
1-4
5-14
15-24
25-34
35-44
45-54
55-64
65+
Total
Sexo feminino
Sexo Masculino
Total
n causas ext. n tot
%
n causas ext. n tot
%
n causas ext. n tot
%
21 3717 0.6%
21 4383 0.5%
42 8100 0.5%
21
918
2%
34 1086
3%
55 2004
3%
18
529
3%
49
672
7%
67 1201
6%
26 1204
2%
94 1041
9%
120 2245
5%
30 1992
2%
147 2625
6%
177 4617
4%
31 1423
2%
79 2283
3%
110 3706
3%
23 1075
2%
66 1946
3%
89 3021
3%
20
764
3%
37 1277
3%
57 2041
3%
27
991
3%
49 1391
4%
76 2382
3%
217 12613
2%
576 16704
3%
793 29317
3%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Entre as causas externas têm um nível de detalhe bastante elevado; o acidente de pedestre
traumatizado em um acidente de trânsito é, com destaque, a causa básica mais frequente (24%), dos
quais 40% acontecem em homens de 15-34 anos. Das outras causas são relativamente frequentes
vários acidentes de transporte, outras formas de atropelamento, quedas e envenenamento
acidental. É interessante observar que, mesmo se com frequência pequena, nas 20 causas mais
frequentes figuram a assepsia insuficiente durante a prestação de cuidados cirúrgicos e médicos
(3%) e intoxicação alcoólica (2%) (tab.30).
Tabela 30 – Frequência das primeiras 20 causas básicas do capítulo Neoplasias (excluindo as
benignas e de comportamento incerto ou desconhecido) (N=1079), 2009-2011
Cod.
V093
V99
Y03
W19
X44
Descrição
Pedestre traumatizado em um acidente de trânsito não especificado
Acidente de Transporte Não Especificado
Agressão por meio de impacto de um veículo a motor
Queda sem especificação
Envenenamento (intoxicação) acidental por e exposição a outras drogas,
medicamentos e substâncias biológicas não especificadas
Y04
Agressão por meio de força corporal
Y850
Sequelas de um acidente de veículo a motor
V87
Acidente de trânsito de tipo especificado, mas sendo desconhecido o modo
de transporte da vítima
Y629
Assepsia insuficiente durante a prestação de cuidado cirúrgico e médico não
especificado
X93
Agressão por meio de disparo de arma de fogo de mão
X49
Envenenamento (intoxicação) acidental por e exposição a outras substâncias
químicas nocivas e às não especificadas
Y912
Intoxicação alcoólica grave e muito grave
X99
Agressão por meio de objeto cortante ou penetrante
V099
Pedestre traumatizado em um acidente de transporte não especificado
V092
Pedestre traumatizado em um acidente de trânsito envolvendo outros
veículos e os não especificados, a motor
X679
Auto-intoxicação intencional por outros gases e vapores - local não
especificado
W76
Outro enforcamento e estrangulamento acidental
Y09
Agressão por meios não especificados
V98
Outros acidentes de transporte especificados
V46
Ocupante de um automóvel (carro) traumatizado em colisão com outro
veículo não-motorizado
X91
Agressão por meio de enforcamento, estrangulamento e sufocação
W80
Inalação e ingestão de outros objetos causando obstrução do trato
respiratório
Outras causas
N
192
64
55
50
40
%
24%
8%
7%
6%
5%
32
30
24
4%
4%
3%
20
3%
19
16
2%
2%
15
14
12
6
2%
2%
2%
1%
6
1%
5
5
5
5
1%
1%
1%
1%
5
5
1%
1%
168
21%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Com vista a fornecer uma visão mais geral, foi feita uma análise por agrupamento de causas
externas (fig.25). Como esperado, com base da tabela acima, as causas externas mais frequentes são
os acidentes de transporte (em total 43%) e as agressões (18%) dentre as quais não é reportado
nenhum óbito por síndrome dos maus tratos e agressão sexual. A lesão autoprovocada é igualmente
frequente nos homens e nas mulheres. Das mordeduras e golpes de répteis, 2 casos foram de
mordedura de crocodilo e 5 de outros répteis.
Figura 25 – Distribuição dos óbitos por causas externas (N=793) por agrupamentos, 2009-2011
Mordedura de
crocodilo/cobra
s/outros répteis
1%
Acidentes
durante
cuidados
médicos e
cirúrgicos
4%
Lesão
autoprovocada
Intoxicação
intencionalm.
acidental
5%
8%
Outras
causas
13%
Pedestre
traumatizado
em acidente de
transporte
27%
Agressões
18%
Acidentes
de transporte
16%
Quedas
8%
Uma análise por idade mostra uma diferença de distribuição de causas externas por idade (fig.26).
As crianças pequenas são principalmente interessadas para intoxicação acidental e para acidentes
ocorridos em pacientes durante a prestação de cuidados médicos e cirúrgicos. As faixas etárias entre
5 e 54 anos são fundamentalmente parecidas, mesmo se as intoxicações são mais frequentes nos 514 anos e as lesões provocadas intencionalmente (dentre as quais estão classificados os suicídios)
são mais frequentes nos 15-34 anos. Nas faixas de mais de 55 anos as quedas são uma causa
relevante.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 26 – Distribuição dos óbitos por causas externas por agrupamentos e faixas etárias, 20092011
Pedestre traumatizado em
acidente de transporte
Agressões
55+
35-54
Outros acidentes de
transporte
Quedas
15-34
Intoxicação acidental
Lesão autoprovocada
intencionalmente
Acidentes durante cuidados
médicos e cirúrgicos
Mordedura de répteis
5-14
0-4
0%
5.1.2.10
20%
40%
60%
80%
100%
Outras causas externas
Mortalidade materna
A definição de mortalidade materna inclui todos os óbitos de uma mulher durante a gravidez ou até
42 dias depois do fim da gravidez, independentemente da duração e localização da gravidez, por
qualquer causa directamente ligada à gravidez ou por esta agravada, com excepção de causas
acidentais. Na base desta definição os dados registados no SIS-ROH não permitem mensurar a
mortalidade materna. Todavia podem ser analisados os óbitos por as causas obstétricas directas, ou
seja as causas do capitulo XV “Gravidez, parto e Puerpério”. Os óbitos para as causas do capítulo XV
foram 301 em mulheres de mais de 15 anos. Na base de dados há também outros 101 óbitos de <15
anos (incluindo casos de sexo masculino), sendo provavelmente consequência de uma escolha
errada de tipo de código (uso do capítulo XV ao invés do capítulo XVI “Condições originadas no
período perinatal” tais como as condições ligadas à gestação e consequências do trabalho de parto e
parto). Entre as mulheres de >15 anos as causas ligadas à gravidez, parto e puerpério representam
4% de todas as causas de óbito; esta percentagem varia bastante entre os diferentes hospitais, com
um intervalo de 0.5-11%, sugerindo uma diferente qualidade dos cuidados maternos e/ou uma
diferente organização da gestão das pacientes no território (tab.31).
Tabela 31 – Proporção de óbitos devidos a causas básicas ligadas a gravidez, parto e puerpério
(GPP) entre mulheres de >15 anos entre todos os óbitos, por cada hospital, 2010-2011
GPP
HCB
HCM
HCN
HGJM
HPC
Causas ligadas a GPP
7
161
5
3
15
Todas causas
%
668
2743
114
643
141
1%
6%
4%
0.5%
11%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
GPP
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
Total
Causas ligadas a GPP
7
30
6
42
6
282
Todas causas
%
249
280
119
807
289
6053
3%
11%
5%
5%
2%
5%
39% dos óbitos ligados à GPP acontecem na faixa etária de 25-34 anos, 37% em mulheres de 15-24
anos, 18% em mulheres de 35-44 anos e os restantes 6% em mulheres de mais de 45 anos.
Entre as causas por gravidez, parto e puerpério existe um nível de detalhe bastante elevado e as
primeiras 20 causas básicas abrangem apenas 62% dos óbitos. As causas mais frequentes são a
eclâmpsia nas suas várias formas clínicas (22%) e outros transtornos hipertensivos da gravidez (9%),
incluindo a pré-eclâmpsia (tab.32).
Entre as causas não incluídas nas primeiras 20, vale a pena referir que houve 2 abortos voluntários.
60% dos óbitos por gravidez, parto e puerpério aconteceram nas primeiras 48 horas de
internamento. A modalidade de admissão foi urgente de serviço de urgência em 56% dos casos,
transferência doutra unidade sanitária em 40%, e transferência de consultas externas apenas para
3%.
Tabela 32 – Frequência das primeiras 20 causas básicas do capítulo Gravidez, parto e puerpério,
2009-2011
Código Descrição
Nº
%
O159
Eclâmpsia não especificada quanto ao período
41
14%
O711
Ruptura do útero durante o trabalho de parto
18
6%
O151
Eclâmpsia no trabalho de parto
13
4%
O150
Eclâmpsia na gravidez
13
4%
O85
Infecção puerperal
12
4%
O06
Aborto não especificado
12
4%
O72
Hemorragia pós-parto
10
3%
O10
Hipertensão pré-existente complicando a gravidez, parto e puerpério
10
3%
O459
Descolamento prematuro da placenta, não especificado
9
3%
O821
Parto por cesariana de emergência
6
2%
O16
Hipertensão materna não especificada
6
2%
O149
Pré-eclâmpsia não especificada
6
2%
O141
Pré-eclâmpsia grave
6
2%
O009
Gravidez ectópica, não especificada
4
1%
O713
Laceração obstétrica do colo do útero
4
1%
O03
Aborto espontâneo
4
1%
O269
Afecções ligadas a gravidez, não especificadas
4
1%
O710
Ruptura do útero antes do início do trabalho de parto
3
1%
O622
Outras formas de inércia uterina
3
1%
O722
Hemorragias pós-parto, tardias e secundárias
3
1%
Outras causas
114
38%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
A distribuição das causas básicas de óbito ligadas à gravidez, parto e puerpério, agrupadas por
patologias homogéneas, mostram que não há muitas diferenças entre as várias faixas etárias: a
frequência de eclâmpsia diminui ligeiramente com o aumentar de idade; a laceração do períneo e os
traumatismos são mais frequentes no 35-44 anos e as hemorragias pós-parto nos 25-34 anos. Na
faixa de idade de mais de 45 anos há só 17 óbitos dos quais 9 por edema, proteinuria e transtornos
hipertensivos da gravidez, parto e puerpério (fig.27)
Figura 27 – Distribuição dos óbitos por gravidez, parto e puerpério por agrupamentos e faixas
etárias, 2009-2011
Eclâmpsia
45+
Outros edema, proteinúria e
transtornos hipertensivos
Gravidez que termina em aborto
35-44
Laceração do períneo e outros
traumatismos do parto
Outras complicações do trabalho e do
parto
25-34
Hemorragia Pós-parto
Infecções puerperais
15-24
0%
20%
40%
60%
80%
100%
Outras condições ligadas a gravidez,
parto e puerpério
5.1.3 Comparação dos resultados do SIS-ROH com outros dados de mortalidade de
Moçambique
Os dados de mortalidade estimados pela Organização Mundial da Saúde para o ano 2010 são
apresentados na tabela 33. Os dados calculados utilizando os dados do SIS-ROH mostram uma
marcada subnotifica de todos os óbitos, menos acentuada para os óbitos neonatais. Todavia este
dado não surpreende porque o SIS-ROH regista somente os óbitos intra-hospitalares em 17 dos 53
hospitais do país, dos quais 10 disponibilizaram dados para esta análise.
Tabela 33 – Comparação entre os indicadores de mortalidade estimados pela OMS (2010) e os
calculados com os dados do SIS-ROH (2011)
Indicador
WHO (2010)
Mortalidade em <5 anos
Mortalidade em <1 ano
Mortalidade neonatal (0-28 dias)
Taxa bruta de mortalidade (em 2009)
Taxa de mortalidade por HIV/SIDA
135/1000
92/1000
30/1000
15/1000
325 [248-400]/100,000
SIS-ROH
(2011)
6.0/1000
4.7/1000
3.5/1000
0.6/1000
19/100,000
Cobertura do
SIS-ROH (%)
4%
5%
12%
4%
6%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
O INCAM (Inquérito Nacional sobre Causas de Mortalidade)4, um inquérito associado ao censo de
2007 e baseado na autópsia verbal para o registo de causas de óbitos em Moçambique, forneceu os
dados ilustrados na tabela 34. Os dados do INCAM são representativos da mortalidade de toda a
população a nível nacional, portanto, o INCAM reflecte a situação da população tanto urbana quanto
rural, e inclui os óbitos intra e extra-hospitalares. É possível observar o mesmo nível de
subnotificação dos óbitos por parte do SIS-ROH como discutido acima. Nota-se também muita
diferença de distribuição dos óbitos por faixa de idade e por causa de óbito. A proporção de óbitos
neonatais (0-28 dias de idade) é muito maior entre os óbitos intra-hospitalares, no SIS-ROH, (20%)
que no INCAM (8%), possivelmente para uma concentração nos hospitais de partos complicados
(principalmente prematuros) que necessitam de assistência ao parto. A septicemia do recémnascido é causa de morte neonatal em 35% dos casos registados no INCAM e é muito menos
frequente nos recém-nascidos hospitalizados (8% dos casos registados no SIS-ROH).
A proporção dos óbitos de crianças de 28dias-4 anos de idade é muito maior no INCAM (35% de
todos os óbitos contra 14% do SIS-ROH) e a causa principal de óbito é malária (51%).
Na faixa de idade de 5-14 anos e >14 anos a diferença mais relevante, - mais uma vez - é a proporção
de óbitos devidos a malária (49% e 14% no INCAM, respectivamente para 5-14 anos e >14 anos, e
10% e 3% no SIS-ROH).
No total de óbitos e em cada faixa etária a proporção de óbitos causados pelo HIV/SIDA é muito
parecida tanto no INCAM como no SIS-ROH: as duas fontes de dados mostram que o HIV/SIDA é a
causa principal de óbito nos adultos.
Tabela 34 – Comparação entre os indicadores de mortalidade mensurados no INCAM (2007) e os
calculados com os dados do SIS-ROH (2011)
Indicador
Mortalidade em <1 ano
Taxa bruta de mortalidade (em 2009)
Mortalidade neonatal (0-28 dias)
Óbitos de 0-27 dias de idade
Septicemia do recém-nascido
Factores Maternos
Prematuridade
Óbitos de 28 dias-4 anos de idade
Malária
HIV/SIDA
Diarreia
Óbitos de 5-14 anos
Malária
HIV/SIDA
Acidentes
Diarreia
INE/CDC (2007)
99/1000
14.6/1000
32.8/1000
8%
35%
10%
28%
35%
51%
16%
7%
7%
49%
14%
8%
6%
SIS-ROH (2011)
4.7/1000
0.6/1000
3.5/1000
20%
8%
1.3%
40%
14%
9%
16%
5%
4%
10%
20%
5%
3%
4
Mozambique National Institute of Statistics, U.S. Census Bureau, MEASURE Evaluation, U.S. Centers for
Disease Control and Prevention. Mortality in Mozambique: Results from a 2006–2007 Post-Census Mortality
Survey. Chapel Hill, USA: MEASURE Evaluation, 2012
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Indicador
Óbitos de >14 anos de idade
HIV/SIDA
Malária
Doenças cardiovasculares
Acidentes e causas externas
Total de óbitos
HIV/SIDA
Malária
INE/CDC (2007)
50%
40%
14%
7%
6%
27%
29%
SIS-ROH (2011)
61%
49%
3.2%
11%
5%
30%
7%
O INCAM mostra que 62% dos mortos foi à procura de tratamento clínico para a condição que levou
ao óbito, mas somente 21% dos óbitos aconteceram em uma unidade sanitária. A nível nacional 75%
dos óbitos aconteceram em casa, mas esta percentagem muda em áreas rurais (82%) e urbanas
(54%); 4% acontece em outros lugares (via pública, local de trabalho, etc.). Confrontando com os
dados de óbitos intra-hospitalares do SIS-ROH, a grande discrepância em termos de óbitos de <5
anos (neonatais e pós-neonatais) e em termos de proporção de óbitos por malária, permitem
formular a hipótese de que as crianças de 28-dias-4 anos não têm adequado acesso aos serviços de
saúde, em geral e principalmente por complicações agudas da malária; na generalidade parece que
os casos de malária morrem mais em casa, em áreas rurais, que nas unidades de sanitárias (pelo
menos nas dos níveis II-IV) e isso explicaria a grande diferença entre os achados do INCAM e SIS-ROH
e mostra as limitações de um registo de mortalidade baseado nos óbitos intra-hospitalares para
representar o perfil epidemiológico do país. É também provável que a autópsia verbal sobrestime os
casos de malária (por falta de confirmação do diagnóstico com laboratório/testes rápidos) e/ou que
a situação epidemiológica de 2007 seja diferente daquela de 2011: de facto, vários indicadores do
programa de controlo da malária indicam uma diminuição da incidência desta infecção.
Utilizando as taxas de mortalidade estimadas por cada província pelo INCAM, é possível avaliar o
grau de cobertura do SIS-ROH em cada província (tab.35). Mesmo se as taxas de mortalidade
mudaram entre 2007 e 2011 e os dados de cobertura não podem ser considerados certos, é
indubitável que a cobertura do SIS-ROH é muito mais alta nas províncias de Maputo, Cidade e
Província, que nas outras. A cobertura na Cidade de Maputo é especialmente alta (43%) e pode ser
considerada parecida também nos anos 2009 e 2010: os dados do HCM podem ser considerados
uma importante e representativa fonte de dados para avaliar as tendências de mortalidade nesta
área geográfica.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Tabela 35 – Comparação entre os óbitos registados no SIS-ROH (2011), distribuídos por província
de residência, e os óbitos totais estimados utilizando as taxas de mortalidade do INCAM (2007)
por cada província
Província de
residência
Cabo Delgado
Número
óbitos do
SIS-ROH
(2011)
Taxa de
População
mortalidade/1000 projectada pelo
por província do
INE (2011)
INCAM (2007)
Número
de óbitos
anuais
estimado
Cobertura
do SISROH por
província
211
16.5
1 764 194
29109
1%
5073
10.1
1 178 116
11898
43%
Gaza
820
20.7
1 320 970
27344
3%
Inhambane
540
15.2
1 402 245
21314
3%
Manica
610
15.5
1 672 038
25916
2%
2662
11.9
1 444 624
17191
15%
Nampula
928
13.4
4 529 803
60699
2%
Niassa
842
14.5
1 415 157
20519
4%
Sofala
1890
16.4
1 857 611
30464
6%
21
14
2 137 700
29927
0%
1466
14.5
4 327 163
62743
2%
Cidade deMaputo
Província deMaputo
Tete
Zambézia
A comparação com um estudo da Universidade Eduardo Mondlane (UEM)5, feito recolhendo dados
das Conservatórias de Registo Civil das cidades de Maputo, Beira, Chimoio e Nampula em 2001 é
ilustrada na tabela 35. O estudo da UEM é enfocado sobre os óbitos das áreas urbanas, portanto a
população dos óbitos é, em princípio, mais parecida à do SIS-ROH; a diferença reside claramente no
facto de que o estudo abrange ambos os óbitos intra e extra-hospitalares. Outra diferença
importante é que em 2001 a escolha e codificação das causas de óbito não seguia rigorosamente as
regras da CID.
Como para o INCAM, a proporção de óbitos devidos a malária mostra uma diminuição muito
marcada em Maputo, Beira e Chimoio; a diminuição existe mas menos acentuada em Nampula.
Entre as doenças infecciosas também as diarreias mostram uma diminuição. Esta diferença pode
indicar uma real mudança do perfil epidemiológico das áreas urbanas.
A proporção de óbitos por HIV/SIDA mostra um aumento em todas as cidades, particularmente
grande em Maputo e Chimoio. Isso, além de ser o efeito da ampliação da epidemia de HIV, pode ser
devido a um aumento da detecção da infecção por HIV e o diagnóstico do SIDA como causa de óbito.
Contemporaneamente observa-se uma diminuição importante da proporção de óbitos por
tuberculose que pode ser o real efeito dos progressos do programa de controlo da tuberculose
(desde 2001 aumentou a taxa de detecção dos casos e da taxa de cura) mas também pode depender
da codificação dos óbitos por TB nos doentes HIV+ com óbitos por HIV/SIDA.
5
Cliff J., Jahit S., Orvalho A., Novoa A., Dgedge M., Machatine G., Cossa H. Estudo das principais causas de
morte registadas, nas cidades de Maputo, Beira, Chimoio e Nampula, em 2001. Maputo, Moçambique:
Ministério da Saúde, Faculdade de Medicina/UEM e CISM, 2003
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
A proporção de óbitos por causas perinatais em 2010 é muito mais alta que em 2001 em todas as
cidades, especialmente Beira e Chimoio: isto pode ser um bias devido à selecção dos óbitos intrahospitalares por parte do SIS-ROH (como discutido anteriormente durante a comparação com o
INCAM).
Tabela 36 – Comparação entre a frequência das primeiras 10 causas de óbito mais frequentes por
cada cidade em 2001 (estudo da UEM) e 2011 (SIS-ROH)
Maputo/HCM
Causa de óbito
Beira/HCB
2001 (%)
Malária
22
2011
(%)
2
Causa de óbito
2001 (%)
2011 (%)
HIV/SIDA
21
26
Causas de morte perinatal
13
19
Malária
15
4
Tuberculose
10
2
Tuberculose
13
2
HIV/SIDA
8
24
Pneumonia/brocopneumonia
7
5
Anemias
5
0.2
Causas de morte perinatal
6
22
Pneumonia/brocopneumonia
5
3
Malnutrição
5
2
Doenças diarreicas
5
2
Doenças diarreicas
4
1
Acidente de viação
3
2
Anemias
4
6
Hipertensão arterial
3
6
Septicemia
2
1
Acidente vascular cerebral
2
2
Meningites
2
0.3
Chimoio/HPC
Causa de óbito
Nampula/HCN
2001 (%)
2011(%)
Malária
21
4
HIV/SIDA
16
Tuberculose
10
Pneumonia/brocopneumonia
9
Doenças diarreicas
Causas de morte perinatal
Causa de óbito
2001 (%)
2011(%)
Malária
22
17
34
HIV/SIDA
11
18
2
Tuberculose
8
2
5
Doenças diarreicas
7
4
8
1
Pneumonia/brocopneumonia
6
7
5
27
Anemias
5
4
Malnutrição
4
2
Acidente vascular cerebral
4
2
Anemias
3
2
Meningites
4
2
Envenenamento
3
2
Hipertensão arterial
2
0.3
Meningites
2
1
Insuficiência cardíaca
2
1
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
5.2 Secção II - Análise dos dados do Hospital Central de Maputo (HCM)
A análise dos dados do HCM permite avaliar a tendência dos óbitos intra-hospitalares em três anos,
de 2009 até 2011. Os dados de 2008 não foram incluídos na análise detalhada porque a respectiva
base de dados não foi disponibilizada a tempo. Os dados de internamento do HCM utilizados para
calcular a taxa de mortalidade intra-hospitalar são os reportados no relatório “Mortalidade
Hospitalar no HCM, 2008-2010” - elaborado pela DPC em 2011 para os anos 2008-2011 - e os
fornecidos directamente pelo Núcleo de Estatística e Planificação (NEP) do HCM para o ano de 2011:
por isso, alguns dados são incompletos.
Olhando para os dados de 2011, pode-se observar que a taxa de mortalidade muda grandemente
entre departamentos: na Unidade de cuidados intensivos (UCI) a mortalidade chega a ser de 42%
dos doentes internados; a segunda mortalidade mais alta é nos Departamentos de Medicina (15%) e
de Pediatria (12%). A taxa de mortalidade geral do HCM é de 9.5% (tab.36).
A taxa de mortalidade geral, considerando o subtotal dos departamentos de Cirurgia,
Ginecologia/Obstetrícia, Medicina, Pediatria e Ortopedia, mostra um aumento desde o ano de 2008
(7.7%) até 2011 (8.4%) depois de uma leve diminuição em 2009 e 2010 (ambas 7.2%) (tab.42).
Todavia, a tendência de aumento observa-se, mais ou menos acentuada, em todos os
departamentos com excepção do Departamento de Medicina, onde há uma diminuição constante de
2008 até 2010, seguida de um aumento importante em 2011 (fig.28). Os óbitos de Medicina são
muito menos no ano de 2010 que nos outros anos e não se exclui que isso dependa eventualmente
de um incompleto registo dos óbitos de Medicina neste ano.
Tabela 37 – Número dos óbitos registados através do SIS-ROH, número de pacientes internados e
taxa de mortalidade intra-hospitalar no Hospital Central de Maputo por departamento e por ano,
2008-2011
Departamentos
do HCM
Cirurgia
Gineco/Obst
Medicina
Ortopedia
Pediatria
Total parcial
(5 depart.)
UCI
SO de Adultos
Clinica Especial
Total
Óbitos SIS-ROH
Taxa de mortalidade intrahospitalar/100
Internamentos
2008
2009
2010
2011
2008
2009
2010
2011
2008
2009
2010
297
284
273
330
10303
10831
10448
9643
2.9
2.6
2.6
3.4
146
78
210
266
11269
11682
12011
10223
1.3
0.7
1.7
2.6
2223
2079
1662
2051
14176
14736
14149
13840
15.7
14.1
11.7
14.8
26
34
29
51
2621
3026
2753
3500
1.0
1.1
1.1
1.5
1765
1711
1729
1647
19796
17790
15223
14228
8.9
9.6
11.4
11.6
4457
4186
3903
4345
58165
58065
54584
51434
7.7
7.2
7.2
8.4
-
-
-
787
-
-
-
1867
-
-
-
-
-
-
93
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
54
-
-
-
2273
-
-
-
2.4
4457
5259
4970
5279
-
-
-
55574
-
-
-
9.5
Página 59 de 94
2011
42.2
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 28 – Taxa de mortalidade intra-hospitalar no Hospital Central de Maputo por departamento
e por ano, 2008-2011
18
15.7
16
14.8
14
11.6
12
8.9
10
8
6
4
2.9
3.4
2.6
1.3
2
1.0
1.5
0
Cirurgia
Ginecologia /
Obstetrícia
2008
Medicina
2009
2010
Ortopedia
Pediatria
2011
É para observar que desde 2008 até 2011 o número dos pacientes internados diminui em todos os
departamentos, excepto Ortopedia; em total o número de pacientes internados em 2011 diminuiu
12% se comparado com os dados de 2008 (tab.41). Isso pode indiciar uma mudança na gestão do
HCM, para que pacientes com condições não urgentes (ex. parto eutócico) e menos graves, tenham
acesso através da consulta externa (sem serem necessariamente internados) e sejam cuidados em
primeira instância em hospitais de nível II em Maputo Cidade e Província. Uma mudança da gestão
do HCM assim como a introdução em 2011 dum pequeno pagamento para ser atendidos ao banco
de socorros do HCM (Taxa Moderadora) pode ter influenciado o número de pacientes hospitalizados
e a gravidade da sua condição, explicando o aumento de taxa de mortalidade em 2011. Esta
interpretação dos dados parece encontrar uma confirmação na análise do tipo de admissão dos
doentes: de facto, o número de nascimentos diminui, e em 2011 os internamentos por transferência
de outra unidade de saúde e consulta externa aumentam (as transferências são 42% em 2011 contra
21% em 2009) paralelamente a uma diminuição das admissões como urgente de um serviço de
urgência (nesta categoria frequentemente são classificados doentes que acedem através do banco
de socorros apesar da urgência do diagnóstico) que passam ser 33% no ano de 2011 contra 60% no
de 2009 (fig.29).
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 29 – Distribuição dos óbitos do HCM por tipo de admissão e por ano, 2009-2011
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
Nascimento
nesta US
Sem informação
2009
Urgencia
2010
Transferencia
doutra US
Consultas
externas
2011
A tendência de diminuição de admissões de serviços de urgência e aumento de transferências
doutra unidade de saúde descrita acima é constante em todos os departamentos. Em pediatria os
nascimentos diminuem 43% entre 2009 e 2001, e as consultas externas duplicam-se (fig.30).
Figura 30 – Distribuição dos óbitos do HCM por tipo de admissão, por departamento e por ano,
2009-2011
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
09
10
Cirurgia
11
09
10
11
Gineco/Obst
09
10
11
Medicina
09
10
11
Ortopedia
Nascimentos e consultas externas
09
10
11
Pediatria
09
10
11
SO Adultos
09
10
11
UCI
Transferencia doutra US
Urgente dum servico de urgencia
Em 2011 o perfil do HCM assemelha-se ao dum hospital de referência de IV nível, com uma alta
proporção de doentes internados após transferência doutras unidades sanitárias; o Hospital Geral
José Macamo, de nível II, aferentes da mesma população do HCM, tem um perfil complementar,
com uma proporção mais alta de doentes admitidos através do Banco de Socorros do que os
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
admitidos por transferência ou consultas externas. Contrariamente ao HCM, os hospitais centrais da
Beira e Nampula têm um perfil mais parecido ao do HGJM que ao HCM, sugerindo que funcionam
principalmente como primeiro nível de referência dos cuidados hospitalares ao invés de nível de
referência superior (fig.31). Este tipo de informações podem orientar decisões sobre a gestão dos
doentes no território para melhorar o sistema de referência de doentes e não sobrecarregar os
hospitais de alta especialização com casos geráveis a níveis mais baixos.
Figura 31 – Comparação da distribuição dos óbitos por tipo de internamento nos Hospitais
Centrais de Maputo, Beira e Nampula e no Hospital Geral José Macamo, 2011
2500
2000
1500
1000
500
0
HC Maputo
HG José Macamo
Nascimentos e consultas externas
HC Nampula
HC Beira
Transferencia doutra US
Urgente dum servico de urgencia
A comparação entre os dados do SIS-ROH e os dados do censo hospitalar foi possível somente para
2011. Neste ano o SIS-ROH é mais completo que o censo em todos os departamentos, excepto no de
pediatria; em total o SIS-ROH conseguiu registar 10% de óbitos adicionais. A grande desproporção
entre o SIS-ROH e o censo hospitalar pode derivar do facto de no SIS-ROH alguns recém-nascidos
(principalmente os recém-nascidos mortos imediatamente depois do parto) serem registado como
internados em Obstetrícia no lugar de Pediatria; isso explica também a discrepância entre SIS-ROH e
censo hospitalar em Pediatria (tab.37).
Tabela 38 – Comparação entre número de óbitos intra-hospitalares do HCM registados através do
SIS-ROH e os registados através do censo hospitalar por departamento, 2011
Óbitos HCM/departamento
Cirurgia
Ginecologia/Obstetrícia
Medicina
Ortopedia
Pediatria
UCI
SO de Adultos
Clínica Especial
Total
Óbitos
SIS-ROH
330
266
2051
51
1647
787
93
54
5279
Óbitos censo % óbitos adicionais
hospitalar
registados pelo SIS-ROH
307
7%
66
75%
1845
10%
28
45%
1719
-4%
727
8%
ND
ND
47
13%
4739
10%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
O intervalo entre internamento e óbito é de menos de 48 horas em 45% dos casos no ano de 2009,
42% no de 2010 e 37% em 2011. A tendência de diminuição dos óbitos nas primeiras 48 horas de
internamento observa-se igualmente em cada departamento, excepto na Clínica Especial e no
Departamento de Ginecologia/Obstetrícia onde os óbitos nas primeiras 48 horas passam a ser 35%
em 2009 até 69% no ano de 2011. Em todos os departamentos, com excepção de
ginecologia/obstetrícia, unidade de cuidados intensivos e serviço de observação de adultos, os
óbitos nas primeiras 48 horas são menos de 50% (fig.32).
Figura 32 – Distribuição dos óbitos do HCM por intervalo de tempo entre internamento e óbito,
por departamento e ano, 2009-2011
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
Cirurgia Clínica Esp. Gin/Obst Medicina Ortopedia Pediatria SO Adultos
<48
2011
2010
2009
2011
2010
2009
2011
2010
2009
2011
2010
2009
2011
2010
2009
2011
2010
2009
2011
2010
2009
2011
2010
2009
0%
UCI
>48
A média do intervalo de internamento no HCM é de 6.2 dias em 2009, 7.6 em 2010 e 7.8 em 2011. A
média é máxima em Ortopedia (20-32 dias) e mínima no Serviço de Observação de Adultos (0.5-3
dias) (tab.38). Em geral, um internamento longo é um factor de risco para óbitos devidos a doenças
nosocomiais.
Tabela 39 – Média do intervalo de tempo entre internamento e óbito (em dias) dos óbitos do HCM
por, por departamento e ano, 2009-2011
Departam.
Cirurgia
Gin/Obst
Ano
2009
2010
2011
2009
2010
2011
Intervalo médio
Departam.
entre internamento
e óbito
9.5
14.3 Pediatria
13.9
13.5
6.6 SO Adultos
7.9
Ano
2009
2010
2011
2009
2010
2011
Intervalo médio
entre internamento
e óbito
5.8
7.2
6.4
1.0
2.9
0.5
Página 63 de 94
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Departam.
Medicina
Ortopedia
Ano
Intervalo médio
Departam.
entre internamento
e óbito
6.9
8.6 UCI
8.7
26.4
20.1 Clínica Esp.
32.0
2009
2010
2011
2009
2010
2011
Ano
2009
2010
2011
2009
2010
2011
Intervalo médio
entre internamento
e óbito
2.9
4.8
5.1
14.6
14.0
7.2
A análise dos óbitos do HCM por meses, não mostra um claro padrão sasonal. De facto no ano de
2009 o número de óbitos parece diminuir de janeiro a dezembro mas em 2010 não se encontra a
mesma tendência tendo um pico em maio e um outro em dezembro. Em 2010 o pico mínimo em
setembro parece um artefacto devido a dados incompletos no sistema: como referido acima em
2010 o número total de óbito do departamento de medicina parece excessivamente menor do que
em 2009 e 2011. Em 2011 a mortalidade parece ser maior entre agosto e setembro, mas tanto o
número de óbitos quanto a taxa de mortalidade flutuam bastante e não indiciam uma clara
tendência (fig.33)
700
13
650
12
600
11
Numero
550
500
10
450
9
400
8
350
7
300
6
200
5
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dec
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dec
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dec
250
obitos/100 internamentos
Figura 33 – Distribuição do número de óbitos do HCM nos anos 2009- 2011 e da taxa de
mortalidade intra-hospitalar no ano 2011 por mês
2009
Obitos (N)
2010
2011
Taxa de mortalidade intra-hospitalar (%)
A análise dos óbitos do HCM nos primeiros três meses de 2011 mostra que não existe um aumento
sistemático dos óbitos nos fins de semana, dias de risco de serem caracterizados por uma menor
qualidade da assistência hospitalar (fig.34)
Página 64 de 94
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 34 – Distribuição dos óbitos do HCM por dia da semana. As linhas vermelhas estão em
correspondência com os domingos. Janeiro-março 2011
A distribuição dos óbitos por idade é muito parecida em cada ano, sendo que as crianças de 0-7 dias
e os adultos de 25-34 anos são as faixas de idade mais afectadas. Todavia, há algumas diferenças,
especialmente na mortalidade neonatal tardia que aumenta no tempo e a mortalidade pós-neonatal
que diminui de quase metade desde o ano de 2009 até 2011 (fig.35)
Figura 35 – Distribuição de óbitos do HCM por faixas de idade por ano, 2009-2011
900
800
700
600
500
400
300
200
100
0
0-7d
8-28d 29d-12m
1-4
5-14
2009
15-24
2010
25-34
35-44
45-54
55-64
65+
2011
A proporção de óbitos de sexo masculino é de 57% em cada ano.
A análise das causas básicas de óbito agrupadas por capítulo do CID-10 mostra que as doenças
infecciosas são a causa principal desde 2008, com um pico de 38% no ano de 2009 e uma
prevalência de 31% no ano de 2011. A seguir estão as afecções do período perinatal que mostram
um leve mas constante aumento desde 2008. Também as doenças do aparelho circulatório, as
neoplasias e a gravidez, parto e puerpério mostram um aumento leve mas constante; pelo contrário,
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
as doenças respiratórias, as hematológicas e as do sistema nervoso diminuem. As “Consequências
das causas externas” diminuem e as “Causas externas” aumentam: isso é devido principalmente a
uma melhor codificação das causas externas ao longo dos anos; as causas externas, consideradas
como um conjunto das causas externas e das consequências de causas externas diminuem
ligeiramente de 2009 até 2011 sendo 9% e 7% respectivamente em cada ano. Por vários grupos de
causas básicas os dados de 2008 destacam-se e isso pode depender do facto que o SIS-ROH foi
implantado no HCM neste ano e a qualidade da seleção e codificação da causa de óbito pode ter tido
uma qualidade não ótima (fig.36 e tab.39). É interessante notar que as causas básicas dos capítulos
Sintomas, sinais e achados anormais e Fatores que influenciam a saúde (códigos de causas mal
definidas) são utilizados progressivamente menos e isso contribui para aumentar a qualidade dos
dados do SIS-ROH.
Figura 36 – Número de óbitos do HCM por causa básica de morte (capítulo CID-10) e ano, 20092011
2000
1800
1600
1400
1200
1000
800
600
400
200
0
2008
2009
2010
2011
Tabela 40 – Distribuição de óbitos do HCM por causa básica de morte (capítulo CID-10) e ano
(número e percentagem), 2009-2011
Causas básicas de óbito
(capítulos CID-10)
D. infecciosas
Afecções período perinatal
Doenças do aparelho circulatório
Doenças do aparelho respiratório
Doenças do sistema nervoso
Doenças do sangue e órgãos
hematopoéticos
Neoplasias [tumores]
2008
2009
2010
2011
N
%
N
%
N
%
N
%
1202
22% 1980 38% 1527 31% 1631
31%
802
15%
840 16%
986 20% 1022
19%
505 9.4%
538 10%
567 11%
581
11%
500 9.3%
257 4.9%
207 4.2%
202
3.8%
329 6.2%
155 2.9%
137 2.8%
121
2.3%
326 6.1%
64 1.2%
38 0.8%
60
1.1%
297
5.6%
238 4.5%
283
5.7%
371
7.0%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Causas básicas de óbito
(capítulos CID-10)
Consequências de causas externas
Doenças endócrinas e nutricionais
Doenças do aparelho geniturinário
Doenças do aparelho digestivo
Sintomas, sinais e achados anormais
Fatores que influenciam a saúde
Malformações congênitas
Gravidez, parto e puerpério
Transtornos mentais
Causas externas
Doenças da pele e do subcutâneo
Doenças do sistema osteomuscular
Doenças do olho e anexos
Doenças do ouvido e mastóide
Não Especificada
Total
2008
2009
2010
2011
N
%
N
%
N
%
N
%
284 5.3%
287 5.5%
179 3.6%
109
2.1%
262 4.9%
198 3.8%
188 3.8%
205
3.9%
198 3.7%
130 2.5%
80 1.6%
144
2.7%
160 3.0%
122 2.3%
138 2.8%
162
3.1%
160 3.0%
82 1.6%
82 1.6%
58
1.1%
155 2.9%
30 0.6%
31 0.6%
16
0.3%
44 0.8%
71 1.4%
82 1.6%
107
2.0%
35 0.7%
19 0.4%
85 1.7%
169
3.2%
26 0.5%
18 0.3%
5 0.1%
14
0.3%
23 0.4%
182 3.5%
231 4.6%
243
4.6%
21 0.4%
19 0.4%
20 0.4%
19
0.4%
10 0.2%
8 0.2%
9 0.2%
14
0.3%
8 0.1%
2 0.0%
3 0.1%
4
0.1%
1 0.0%
3 0.1%
3 0.1%
0
0.0%
0 0.0%
16 0.3%
89 1.8%
27
0.5%
5348
5259
4970
5279
Analisando as causas básicas utilizando a categoria de 3 dígitos (fig.37 e tab.40), observa-se que a
causa de óbito principal é a doença pelo HIV não especificada que é responsável por 23%, 17% e 14%
de todos os óbitos do HCM em 2009, 2010 e 2011 respectivamente. Todavia esta diminuição
corresponde ao aumento de óbitos por doença pelo HIV resultando em doenças infecciosas e
parasitárias (de 5% em 2009 a 8% em 2011) e resultando em outras doenças especificadas. Em total
a proporção de óbitos por HIV, todas as formas, é bastante estável sendo 29% em 2009, 23% em
2010 e 24% no ano de 2011.
A segunda causa de óbito é a prematuridade que tem uma proporção constante em todos os anos. A
maioria dos óbitos por prematuridade situa-se nos recém-nascidos com 28-37 semanas de gestação
ou duração não especificada (88% das prematuridades em 2009, 76% em 2010 e 60% em 2011);
todavia os óbitos por imaturidade extrema (<28 semanas de gestação) estão em ascensão sendo
11% em 2009, 15% em 2010 e 25% no ano de 2011. A definição do tipo de prematuridade é muito
importante para a planificação dos cuidados pré-natais. Um aumento dos casos de imaturidade
extrema pode depender de uma melhor codificação mas pode também ser reflexo de uma gestão
cada vez mas importante dos partos de menor risco em outros hospitais do território.
Desde 2009 até 2011 nota-se um aumento de óbitos por hipertensão essencial e uma diminuição
dos por malária por plasmodium falciparum: estes dados parecem coerentes com a modificação do
perfil epidemiológico das causas de óbitos em áreas urbanas de outros países, onde as doenças não
transmissíveis substituem gradualmente as doenças transmissíveis como causas principais de
morbilidade e mortalidade.
Nas primeiras 20 causas básicas de óbito aparecem os atropelamentos (pedestre traumatizado em
acidentes de transporte não especificados) que registam uma leve tendência de aumento.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 37 – Número de óbitos do HCM para as primeiras 10 causas básicas de óbito mais
frequentes (categoria 3 dígitos) e ano, 2009-2011
1400
1200
2009
1000
2010
800
2011
600
400
200
0
Tabela 41 – Distribuição dos óbitos do HCM para as primeiras 20 causas básicas de óbito mais
frequentes (categoria 3 dígitos) e ano, 2009-2011
Causa básica 3dígitos
B24
P07
B20
I10
P21
J18
B50
P36
I64
A09
V09
G00
N18
E14
C22
HIV não especificada.
Gestação de curta duração e peso baixo ao
nascer
HIV resultando em doenças infecciosas
Hipertensão essencial
Asfixia ao nascer
Pneumonia por microorganismo não esp.
Malária por P. Falciparum
Septicemia bacteriana do recém-nascido
Acidente Vascular Cerebral
Diarreia infecciosa
Pedestre traumatizado em acidentes de
transporte não esp.
Meningite bacteriana não classificada em
outra parte
Insuficiência renal crônica
Diabetes mellitus não especificado
Neoplasia maligna do fígado e das vias
2009
2010
2011
N
%
N
%
N
%
1214 23%
845 17%
759 14%
581 11%
603 12%
583 11%
240
192
161
115
129
58
145
90
60
5%
4%
3%
2%
2%
1%
3%
2%
1%
213
249
187
96
105
94
66
57
55
4%
5%
4%
2%
2%
2%
1%
1%
1%
409
308
144
111
47
102
40
77
100
8%
6%
3%
2%
1%
2%
1%
1%
2%
77
1%
63
1%
65
1%
48
53
53
1%
1%
1%
40
36
24
1%
1%
0%
78
75
77
1%
1%
1%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Causa básica 3dígitos
N
biliares intra-hepáticas
A41
Outras septicemias
B21
HIV resultando em neoplasias malignas
1111
Não especificada
S06
Traumatismo intracraniano
J15
Pneumonia bacteriana não classificada em
outra parte
Outras causas
2009
%
N
2010
%
N
2011
%
61
42
16
96
51
1%
1%
0%
2%
1%
60
36
89
24
45
1%
1%
2%
0%
1%
26
63
27
9
31
0%
1%
1%
0%
1%
1777
34%
1983
40%
2148
41%
No total a proporção de óbitos por HIV, todas as formas, está em ligeira regressão, sendo 29% em
2009, 23% em 2010 e 24% em 2011. Esta diminuição é mais marcada incluindo os dados de 2008
(35%) na tendência; todavia a qualidade dos dados de 2008 pode ser inferior e, portanto, os dados
de 2008 são para ser interpretados com cuidado. De maneira espetacular, os óbitos por todas as
outras causas (excluindo HIV) aumentam ligeiramente, seja em termos de percentagem quer em
termos de número absoluto (fig.38).
Figura 38 – Tendência do número de óbitos por HIV/SIDA, por todas as outras causas e óbitos
totais, no HCM do 2008 até 2011
5000
4000
Totale
3000
Outras causas
2000
HIV/SIDA
1000
0
2008
2009
2010
2011
Analisando as causas directas utilizando a categoria de 4 dígitos (fig.38 e tab.41), observa-se que a
causa de óbito principal é a septicemia não especificada que está com tendência a aumentar de
2009 (5%) a 2011 (8%); também a septicemia não especificada do recém-nascido, além de ser a
terceira causa mais frequente, tem uma tendência de aumento (de 4% a 7% desde 2009 até 2011).
Considerando que 66% dos óbitos com causa directa “septicemia” e 73% dos óbitos “septicemia do
recém-nascido” acontecem em pacientes internados por >48 horas não pode ser excluída a
necessidade de fortalecer a assepsia das intervenções e as medidas de prevenções das doenças
nosocomiais.
A diminuição dos óbitos por síndrome da angústia respiratória do recém-nascido e síndrome da
aspiração neonatal pode sugerir uma melhoria dos cuidados neonatais.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Em 2011 observa-se um aumento considerável dos óbitos com causa directa “insuficiência
respiratória” seja aguda seja não especificada.
Figura 39 – Número de óbitos do HCM por primeiras 10 causas directas de óbito mais frequentes
(categoria 4 dígitos) e ano, 2009-2011
450
400
350
300
250
200
150
100
50
0
2009
2010
2011
Tabela 42 – Distribuição dos óbitos do HCM por primeiras 20 causas directas de óbito mais
frequentes (categoria 4 dígitos) e ano, 2009-2011
Causa directa 4 dígitos
A419
P220
P369
I64
J180
J960
P210
J969
A09
P249
D649
D50
G936
N18
G009
Septicemia não especificada
Síndrome da angústia respiratória do recém-nasc
Septicemia bacteriana não esp. do recém-nascido
Acidente Vascular Cerebral
Broncopneumonia não especificada
Insuficiência respiratória aguda
Asfixia grave ao nascer
Insuficiência respiratória não especificada
Diarreia de Origem Infecciosa Presumível
Síndrome de aspiração neonatal não especificada
Anemia não especificada
Anemia Por Deficiência de Ferro
Edema cerebral
Insuficiência Renal Crônica
Meningite bacteriana não especificada
2009
N
269
319
196
137
190
55
134
40
150
103
46
99
31
74
76
2010
%
5.1%
6.1%
3.7%
2.6%
3.6%
1.0%
2.5%
0.8%
2.9%
2.0%
0.9%
1.9%
0.6%
1.4%
1.4%
N
345
322
277
155
168
99
98
90
80
86
70
84
80
64
46
2011
%
6.9%
6.5%
5.6%
3.1%
3.4%
2.0%
2.0%
1.8%
1.6%
1.7%
1.4%
1.7%
1.6%
1.3%
0.9%
N
418
231
348
191
113
268
143
190
84
53
118
39
108
44
59
%
7.9%
4.4%
6.6%
3.6%
2.1%
5.1%
2.7%
3.6%
1.6%
1.0%
2.2%
0.7%
2.0%
0.8%
1.1%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Causa directa 4 dígitos
2009
N
C46
1111
R571
A19
B500
Sarcoma de Kaposi
Não especificado
Choque hipovolêmico
Tuberculose Miliar
Malária por Plasmodium falciparum com
complicações cerebrais
Outras causas
2010
%
1.1%
0.3%
0.0%
1.1%
1.4%
58
16
0
58
71
3406 64.8%
N
55
94
64
63
45
2011
%
1.1%
1.9%
1.3%
1.3%
0.9%
2930 59.0%
N
57
49
94
26
30
%
1.1%
0.9%
1.8%
0.5%
0.6%
3034 57.5%
A análise das causas básicas de óbito por departamento mostra que o HIV/SIDA absorve muitos dos
recursos do HCM, considerando que o HIV/SIDA está entre as 5 primeiras causas básicas em todos os
departamentos, sendo 49% no Departamento de Medicina (tab.42). Surpreende que o HIV/SIDA seja
responsável por 22% dos óbitos em Cirurgia, especialmente considerando que para estes casos a
causa directa é o mesmo HIV/SIDA em 5% e a septicemia em 22%: isso parece indicar um problema
de codificação das causas de óbito ou uma seleção não adequada do departamento de
internamento.
Tabela 43 – Primeiras cinco causas básicas (agrupamentos de bloques CID-10) dos óbitos do HCM
por cada departamento, total do período 2009-2011
Gineco./Obst.
Causa básica
Edema, proteinúria e
hipertensão na gravidez
Afecções originadas no
período perinatal
Neoplasias malignas de
órg. genitais femininos
HIV/SIDA
Não especificado
Total
Ortopedia
Causa básica
Acidentes de transporte
Quedas
Lesões do quadril e da
coxa
HIV/SIDA
Lesões no joelho e perna
Total
N
%
Cirurgia
Causa básica
103 12% HIV/SIDA
79
73
9% Queimaduras e
corrosões
8% Carcinomas in situ
58
7%
53
887
N
35
25
8
6
4
114
Acidentes de
transporte
6% Agressão
N
121 22% HIV/SIDA
2828 49%
452
8%
247
4%
177
3%
41
157
3%
554
SO de Adultos
%
Causa básica
N
4% Tuberculose
24
0% Doenças
inflamatórias do SNC
Total
%
81 15% Doenças
hipertensivas
74 13% Doenças
cerebrovasculares
62 11% Insuficiência renal
Total
3% HIV/SIDA
1% Acidentes de
transporte
1% Gripe e pneumonia
%
Medicina
Causa básica
N
7% Gripe e
pneumonia
Total
%
4%
21
13
4%
2%
12
2%
7
1%
195
5792
UCI
Causa básica
Doenças
hipertensivas
HIV/SIDA
Acidentes de
transporte
Doenças
cerebrovasc.
Diabetes mellitus
Total
N
370
%
6%
350
193
6%
3%
151
3%
151
3%
2749
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Pediatria
Causa básica
Duração da gestação e
crescimento fetal
Doenças resp. e
cardiovasc. do período
perinatal
HIV/SIDA
Infecções próprias do
período perinatal
Desnutrição
Total
N
%
1775 35%
606 12%
514 10%
258 5%
217
5087
4%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
6 Análise da qualidade dos dados do SIS-ROH
6.1 Resultados da análise da qualidade
O número de óbitos cuja causa básica de óbito foi codificada através de códigos do capítulo XVIII
“Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra
parte” é limitado, sendo 1.6% no anos de 2009 e 2011, e 1.8% em 2010.
Como anteriormente discutido, uma parte dos óbitos por causa externa foram codificados utilizando
os códigos do capítulo XIX “Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas
externas” sendo em total 3.3% de todos os óbitos: este erro está sendo corrigido com o tempo dado
que a percentagem destes casos foi 5.5 em 2009, 3.5 em 2010 e 2.5 em 2011.
O número de óbitos cuja causa básica de óbito foi codificada através de códigos do capítulo XXI
“Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde” é limitado, sendo
0.6% em 2009, 0.8% em 2010, e 0.4% em 2011.
As causas de óbito registadas no SIS-ROH que correspondem à lista de condições que é pouco
provável que sejam causas de óbito (no Segundo Volume do CID-10) são 0.3% de todas as causas.
Cento e trinta e dois óbitos têm como causa básica de óbito o código 111=sem informação
introduzido pelo HCM; isto corresponde a 0.3% dos óbitos do HCM em 2009, 1.8% em 2010 e 0.5%
em 2011.
Todas as informações estão completas, com excepção do sexo que não foi registado para 112 óbitos,
ou seja 0.2% de todos os óbitos em 2009, 0.6% em 2010 e 0,4% no ano de 2011.
A inconsistência entre tipo de causa e sexo do falecido (ex. tumor da próstata em uma mulher) é um
erro que se encontra todos os anos com uma frequência variável mas sempre <1%; para o sexo
masculino, o erro de classificação é parcialmente devido a uso dos códigos do capítulo XV “Gravidez,
parto e puerpério” no lugar de XVI “Afecções originadas no período perinatal”para os recémnascidos (anexo 4).
Considerando alguns dos códigos “lixo”6, nota-se que a sua percentagem não é muito elevada (entre
0.7% e 1.2%) e têm tendência a diminuir no tempo (anexo 5).
Alguns óbitos têm um tempo de internamento igual a 0 minutos. Esta percentagem varia bastante
de ano para ano, sendo 1% no ano de 2009, 6% no de 2010 e 11% no de 2011; o dado de 2009
reflecte somente a situação do HCM e, nos anos seguintes, os dados são os números cumulativos de
cada vez mais hospitais. De facto, existe uma diferença importante entre hospitais (anexo 6). Numa
parte destes casos este intervalo de internamento nulo pode reflectir uma real situação, por
exemplo no caso dos óbitos fetais (40% destes casos acontecem nos departamentos de pediatria ou
ginecologia/obstetrícia aos quais são atribuídos os óbitos perinatais), ou no caso dos casos de
urgência que morrem ao chegar ao hospital, antes que os cuidados possam ser devidamente
6
Colin D. Mathers, WHO, March 2005
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
prestados (22% destes casos acontecem nos departamentos de cuidados intensivos e sala de
observação, e 5% no banco de socorros). Para transformar este dado em informação útil é
necessário introduzir o registo da informação sobre óbitos fetais e deve ser estabelecida uma clara
definição para os óbitos que acontecem no Banco de Socorros, para distinguir entre óbitos intra e
extra-hospitalares. Todavia, se alguns destes dados podem ter uma justificação real, uma
percentagem dos casos com intervalo de internamento nulo é muito provavelmente simplesmente
devido a erro de preenchimento do certificado de óbito ou erro de introdução de dados no SIS-ROH.
A qualidade da seleção das causas básica e directa de óbito pode ser analisada vendo a
plausibilidade da causa directa tendo uma determinada causa básica. Esta análise é apresentada no
anexo 7.
6.2 Algumas medidas para aumentar a qualidade dos dados
No SIS-ROH foram incluídas algumas validações para que o codificador seja avisado que alguns
códigos não permitidos para as causas básicas ou são restringidos por sexo.
Em muitos locais o acesso à lista de definições e códigos CID-10 não é fácil porque não existem livros
e não têm conexão a internet; isso dificulta muito o correcto preenchimento dos certificados de
óbito e a codificação das causas de morte. Para permitir um acesso mais abrangente para todos os
usuários do SIS-ROH, o MOASIS desenvolveu um aplicativo para telemóveis (feature phones)
distribuído gratuitamente e de fácil uso que permite consultar a lista CID-10 em português
procurando seja pela definição da doença seja pelos códigos. Esta ferramenta foi já testada e
mostrou-se ser muito apreciada e útil especialmente no momento do preenchimento dos
certificados de óbito. O aplicativo e o respetivo manual estão disponíveis no site do MOASIS através
do seguinte link: http://www.moasis.org.mz/micd/
A expansão do SIS-ROH para todos os hospitais do país será um desafio para manter uma qualidade
de dados aceitável, especialmente nos hospitais de nível II onde a capacidade diagnóstica é mais
limitada e menor os recursos. Por isso, foi desenvolvida uma lista de códigos seleccionados e
agregados a ser utilizada em locais onde não se consegue alcançar um uso correcto e integral da lista
completa CID-10. Esta lista reduzida compreende em total 201 códigos: 82 correspondem a códigos
de 3 ou 4 dígitos e 119 correspondem a agrupamentos de vários códigos CID-10. Nenhum código da
lista completa CID-10 está excluído. Há 1 código adicional, totalmente novo, específico para
Moçambique que é U50 = “Complicação não especificada do uso da medicina tradicional”. O CID-10
prevê o uso de códigos que iniciam por U para condições que ainda não estão classificadas e
codificadas universalmente. Se na nova revisão do CID-10 (o CID-11) vier a ser introduzido um código
para complicação da medicina tradicional, o código U50 de Moçambique será devidamente
substituído. Cento e noventa códigos da lista reduzida foram realmente registados na base de dados
do SIS-ROH dos anos 2009-2011 (anexo 8), demonstrando que a lista reduzida deveria permitir obter
um nível de detalhe suficiente para monitorar as causas de óbito mais frequentes, as ligadas a
condições/doenças de relevância para a saúde pública e as condições/doenças importantes para
melhorar a gestão hospitalar.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
7 Conclusões
O SIS-ROH fornece informações sobre a mortalidade intra-hospitalar que podem guiar decisões a
nível de gestão hospitalar, de gestão dos pacientes no território e de gestão dos programas de saúde
pública. O sistema teve um bom desempenho: em 3 anos foi expandido a nível nacional para 18
hospitais, entre os quais estão todos os de nível IV e III e 8 de nível II (4 gerais, 2 distritais e 2 rurais).
Apesar duma cobertura do sistema ainda baixa, mas este dado é esperado considerando que o
sistema ainda não foi implementado em todos os hospitais. Ademais os óbitos registados no SIS-ROH
são somente os que aconteceram entre pacientes internados. Na base do INCAM a percentagem dos
falecidos que receberam cuidados clínicos (não exclusivamente hospitalares) antes do óbito são
62% do total. A rápida expansão do SIS-ROH deixa prever que a cobertura do SIS-ROH para os óbitos
intra-hospitalares aumentará consideravelmente até finais de 2014. A curto prazo o SIS-ROH será
também capaz de abranger igualmente os óbitos extra-hospitalares por causas externas (violentas
ou acidentes) que são certificados obrigatoriamente pelos serviços de medicina legal e anatomia
patológica.
A cobertura do SIS-ROH é mais alta para os óbitos neonatais que para os óbitos gerais e o SIS-ROH
fornece dados sobre as causas de morte neonatal e infantil que podem ser orientadores para a
saúde materno infantil e para o fortalecimento dos cuidados pediátricos neonatais nos hospitais. Por
outro lado, o SIS-ROH está sendo melhorado para que possa permitir registar os dados do certificado
de óbito sobre mortes fetais e dados adicionais sobre os óbitos em menores de um ano de idade (ex.
óbito em relação ao parto, paridade da mãe, etc.).
A cobertura do SIS-ROH para os residentes da Cidade e Província de Maputo é muito alta e os dados
podem ser considerados representativos da mortalidade intra-hospitalar. No Hospital Central de
Maputo o SIS-ROH regista um número constante de óbitos desde 2009 (com base do censo
hospitalar todos os óbitos são capturados pelo sistema) e a sua cobertura dos óbitos dos residentes
na área geográfica de Maputo é constantemente muito elevada. O SIS-ROH no HCM tornou-se uma
ferramenta de medição directa da tendência das causas de óbito e representa uma importante fonte
de dados para avaliar as mudanças no perfil epidemiológico da população e o impacto de programas
de controlo de doenças entre as quais o HIV/SIDA.
A qualidade dos dados é boa, considerando a baixa percentagem de códigos lixo e de causas de
óbitos mal identificadas. Apesar de alguns problemas de codificação das causas básicas e da escolha
da sequência de eventos que levaram à morte, a representatividade das causas de óbitos pode-se
considerar aceitável e fiável.
A formação e capacitação em CID-10 e a melhoria dos mecanismos de validações de dados do
aplicativo SIS-ROH são necessárias para melhorar e manter a qualidade dos dados. O uso de listas
reduzidas e ferramentas como mICD em hospitais de nível II, onde haja dificuldade de formar
devidamente o pessoal e de fazer a supervisão, podem ajudar a manter uma qualidade alta dos
dados do SIS-ROH quando este fôr instalado em todos os hospitais.
Numa perspectiva de médio-longo prazo, a articulação e coordenação com outros setores, dentre os
quais o Registo Civil, é essencial para integrar o SIS-ROH no sistema de registo de mortalidade
nacional, fora do Sistema Nacional de Saúde, para que se possam registar dados de todos os óbitos e
permitir uma descrição do perfil epidemiológico dos óbitos intra-hospitalares quanto os extrahospitalares do país.
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
8 Anexos
Anexo 1 - Distribuição dos óbitos por causa básica de morte (capitulo CID-10) por cada
hospital
Figura 1 –Hospital Central da Beira, 2010-2011 (numero total 3391)
Fatores que
influenciam o
D. do sistema
estado de
osteomuscular
saúde
2%
D. do sistema 2%
nervoso
3%
D.
endócrinas D. do aparelho
circulatório
e
4%
nutricionais
3%D. do aparelho
respiratorio
6%
Outras
causas
10%
Neoplasias
6%
D. infecciosas
31%
Afecções do
período
perinatal
25%
D.
hematológicas
e imunitárias
8%
Figura 2 –, Hospital Central de Maputo, 2009-2011 (numero total 15508)
D. do sistema
nervoso
3%
D. do aparelho
digestivo
3%
Conseqüências
de causas
externas
D. endócrinas e
4%
nutricionais
4% Causas externas
Outras
causas
10%
D. infecciosas
33%
4%
D. do aparelho
respiratorio
4%
Neoplasias
6%
Afecções do
período perinatal
18%
D. do aparelho
circulatório
11%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 3 –Hospital Central de Nampula, 2010-2011 (numero total 1017)
Neoplasias
2%
D. do sistema
nervoso
3%
D. hematológicas
e imunitárias
4%
Outras
causas
9%
D. endócrinas e
nutricionais
5%
D. infecciosas
50%
D. do aparelho
circulatório
6%
D. do aparelho
respiratorio
9%
Afecções do
período
perinatal
12%
Figura 4 –Hospital Provincial de Chimoio, 2011 (numero total 616)
Conseqüências
de causas
externas
D. do aparelho 3%
Outras
circulatório
causas
3%
10%
D. endócrinas e
nutricionais
3%
Gravidez,
parto e
puerpério
5%
D. do aparelho
respiratorio
7%
D. infecciosas
42%
Afecções do
período perinatal
27%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 5 –Hospital Geral José Macamo, 2011 (numero total 2657)
D. endócrinas e
nutricionais
3%
D. do aparelho
circulatório
4%
Outras
causas
10%
D. do aparelho
respiratorio
6%
D. infecciosas
48%
Afecções do
período perinatal
29%
Figura 6 –Hospital Provincial de Inhambane, 2010-2011 (numero total 766)
Afecções do
período perinatal
4%
Sintomas, sinais e
achados anormais
5%
Outras
causas
11%
D. hematológicas
e imunitárias
5%
D. endócrinas e
nutricionais
5% D. do sistema
nervoso
6% D. do aparelho
respiratorio
Conseqüências de
7%
causas externas
7%
D. infecciosas
23%
Neoplasias
14%
D. do aparelho
circulatório
13%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 7 –Hospital Provincial de Lichinga, 2010-2011 (numero total 1360)
Gravidez, parto e
D. do aparelho puerpério
3%
digestivo
3%
Outras
causas
11%
D. hematológicas
e imunitárias
4%
D. infecciosas
33%
Conseqüências de
causas externas
5%
D. do aparelho
circulatório
5%
D. endócrinas e
nutricionais
D. do aparelho
6%
respiratorio
9%
Afecções do
período perinatal
21%
Figura 8 –Hospital Provincial de Pemba, 2010-2011 (numero total 510)
Sintomas, sinais e
achados anormais
4%
D. do aparelho
digestivo
3%
D. endócrinas e
nutricionais
4%
D. do aparelho
circulatório
6%
Conseqüências de
causas externas
8%
D. do aparelho
respiratorio
8%
Outras
causas
11%
D. infecciosas
42%
Afecções do
período perinatal
14%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Figura 9 –Hospital Provincial de Quelimane, 2010-2011 (numero total 2683)
Gravidez, parto e
puerpério
3%
Conseqüências de
causas externas
4%
D. endócrinas e
nutricionais
3%
Outras
causas
11%
D. hematológicas e
imunitárias
4%
D. do aparelho
circulatório
4%
D. infecciosas
57%
D. do aparelho
respiratorio
4%
Afecções do
período perinatal
10%
Figura 10 – Hospital Provincial de Xai-Xai, 2010-2011 (numero total 809)
D. endócrinas e Neoplasias
3%
nutricionais
3%
D. do aparelho
respiratorio
4%
Afecções do
período perinatal Conseqüências de
4%
causas externas
5%
Outras
causas
10%
D. infecciosas
65%
D. do aparelho
circulatório
6%
Página 80 de 94
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Anexo 2 – Distribuição de todos os óbitos por causa básica de morte (subcategorias 4
dígitos), numero, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011
Código
B24
P073
I10
B20
J180
P210
P07
A09
B207
P072
P21
I64
P369
B500
B23
B50
B209
P95
B201
B22
B54
E14
E41
P36
V093
E42
A419
D649
B200
B208
C220
A41
G009
B210
N18
P20
Descrição da causa de óbito
Doença pelo HIV, não especificada
Outros recém-nascidos de pré-termo (entre 28 e 37 semanas)
Hipertensão essencial (primária)
Doença pelo HIV, resultando em doenças infecciosas e parasitárias
Broncopneumonia não especificada
Asfixia grave ao nascer
Transtornos relacionados com a gestação de curta duração e peso
baixo ao nascer não classificados em outra parte
Diarreia e gastroenterite de origem infecciosa presumível
Doença pelo HIV resultando em infecções múltiplas
Imaturidade extrema (<28 semanas)
Asfixia ao nascer
Acidente vascular cerebral, não especificado como hemorrágico ou
isquémico
Septicemia bacteriana não especificada do recém-nascido
Malária por plasmodium falciparum com complicações cerebrais
Doença pelo HIV resultando em outras doenças
Malária por plasmodium falciparum
Doença pelo HIV resultando em doença infecciosa ou parasitária não
especificada
Morte fetal de causa não especificada
Doença pelo HIV resultando em outras infecções bacterianas
Doença pelo HIV resultando em outras doenças especificadas
Malária não especificada
Diabetes mellitus não especificado
Marasmo nutricional
Septicemia bacteriana do recém-nascido
Pedestre traumatizado em um acidente de trânsito não especificado
Kwashiorkor marasmático
Septicemia não especificada
Anemia não especificada
Doença pelo HIV resultando em infecções micobacterianas
Doença pelo HIV resultando em outras doenças infecciosas e
parasitárias
Carcinoma de células hepáticas
Outras septicemias
Meningite bacteriana não especificada
Doença pelo HIV resultando em sarcoma de Kaposi
Insuficiência renal crônica
Hipoxia intra-uterina
Total
%
% Cum.
4850 17%
17%
1719 5.9%
22%
889 3.0%
25%
745 2.5%
28%
668 2.3%
30%
606 2.1%
32%
459 1.6%
34%
445
410
394
366
350
1.5%
1.4%
1.3%
1.2%
1.2%
35%
37%
38%
39%
41%
337
334
299
293
264
1.1%
1.1%
1.0%
1.0%
0.9%
42%
43%
44%
45%
46%
240
238
236
228
217
213
196
192
189
175
171
171
169
0.8%
0.8%
0.8%
0.8%
0.7%
0.7%
0.7%
0.7%
0.6%
0.6%
0.6%
0.6%
0.6%
47%
47%
48%
49%
50%
50%
51%
52%
52%
53%
54%
54%
55%
150
149
138
135
134
132
0.5%
0.5%
0.5%
0.5%
0.5%
0.5%
55%
56%
56%
57%
57%
58%
Página 81 de 94
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código
1111
D50
J189
D849
T300
B232
P071
G00
B220
J159
P219
P070
E40
P209
J18
A15
B206
B509
B508
J15
A16
I420
I11
S062
A153
A19
P249
G039
I509
A162
B21
G042
N17
V99
P220
B230
D001
Descrição da causa de óbito
Causa não especificada
Anemia por deficiência de ferro
Pneumonia não especificada
Imunodeficiência não especificada
Queimadura, parte do corpo não especificada, grau não especificado
Doença pelo HIV resultando em anomalias hematológicas e
imunológicas não classificadas em outra parte
Outros recém-nascidos de peso baixo (entre 1000 e 2500 gramas)
Meningite bacteriana não classificada em outra parte
Doença pelo HIV resultando em encefalopatia (demência pelo HIV)
Pneumonia bacteriana não especificada
Asfixia ao nascer, não especificada
Recém-nascido com peso muito baixo (<1000 gramas)
Kwashiorkor
Hipoxia intra-uterina não especificada
Pneumonia por microorganismo não especificada
Tuberculose respiratória, com confirmação bacteriológica e
histológica
Doença pelo HIV resultando em pneumonia por pneumocystis
jirovecii
Malária não especificada por plasmodium falciparum
Outras formas graves e complicadas de malária por plasmodium
falciparum
Pneumonia bacteriana não classificada em outra parte
Tuberculose das vias respiratórias, sem confirmação bacteriológica
ou histológica
Cardiomiopatia dilatada
Doença cardíaca hipertensiva
Traumatismo cerebral difuso
Tuberculose pulmonar, com confirmação por meio não especificado
Tuberculose miliar
Síndrome de aspiração neonatal não especificada
Meningite não especificada
Insuficiência cardíaca não especificada
Tuberculose pulmonar, sem menção de confirmação bacteriológica
ou histológica
Doença pelo HIV, resultando em neoplasias malignas
Meningoencefalite e meningomielite bacterianas não classificadas
em outra parte
Insuficiência renal aguda
Acidente de transporte não especificado
Síndrome da angústia respiratória do recém-nascido
Síndrome de infecção aguda pelo HIV
Carcinoma in situ do esôfago
Total
%
% Cum.
132 0.5%
58%
128 0.4%
59%
123 0.4%
59%
120 0.4%
59%
113 0.4%
60%
112 0.4%
60%
105
105
103
98
97
97
95
92
89
86
0.4%
0.4%
0.4%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
60%
61%
61%
62%
62%
62%
63%
63%
63%
63%
86
0.3%
64%
84
84
0.3%
0.3%
64%
64%
80
75
0.3%
0.3%
65%
65%
73
73
72
72
71
70
70
67
67
0.2%
0.2%
0.2%
0.2%
0.2%
0.2%
0.2%
0.2%
0.2%
65%
65%
66%
66%
66%
66%
67%
67%
67%
67
66
0.2%
0.2%
67%
67%
65
64
63
60
58
0.2%
0.2%
0.2%
0.2%
0.2%
68%
68%
68%
68%
69%
Página 82 de 94
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código
I50
Y03
T290
C53
A188
E10
R54
J81
E11
W19
J969
Descrição da causa de óbito
Insuficiência cardíaca
Agressão por meio de impacto de um veículo a motor
Queimaduras múltiplas, grau não especificado
Neoplasia maligna do colo do útero
Tuberculose de outros órgãos especificados
Diabetes mellitus insulino-dependente
Senilidade
Edema pulmonar, não especificado de outra forma
Diabetes mellitus não-insulino-dependente
Queda sem especificação
Insuficiência respiratória não especificada
Outras doenças
Total
%
% Cum.
57 0.2%
69%
55 0.2%
69%
53 0.2%
69%
53 0.2%
69%
53 0.2%
69%
52 0.2%
70%
51 0.2%
70%
51 0.2%
70%
51 0.2%
70%
50 0.2%
70%
50 0.2%
70%
8658 30% 100%
Página 83 de 94
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Anexo 3 – Distribuição de todos os óbitos por causa directa de morte (subcategorias 4
dígitos), numero, percentagem e percentagem cumulativa, 2009-2011
Código
J180
P369
P220
A419
D649
I64
A41
J960
A09
B24
J969
P210
P073
D50
P36
R571
P21
J96
B500
P249
G936
C46
P95
G009
B50
G042
N18
B54
P22
E41
E42
A15
J81
A19
G934
N17
I509
1111
Descrição da causa de óbito
Broncopneumonia não especificada
Septicemia bacteriana não especificada do recém-nascido
Síndrome da angústia respiratória do recém-nascido
Septicemia não especificada
Anemia não especificada
Acidente Vascular Cerebral, Não Especificado
Outras Septicemias
Insuficiência respiratória aguda
Diarreia e Gastroenterite de Origem Infecciosa Presumível
Doença Pelo HIV Não Especificada
Insuficiência respiratória não especificada
Asfixia grave ao nascer
Outros recém-nascidos de pré-termo
Anemia Por Deficiência de Ferro
Septicemia Bacteriana do Recém-nascido
Choque hipovolêmico
Asfixia ao Nascer
Insuficiência Respiratória Não Classificada de Outra Parte
Malária por Plasmodium falciparum com complicações cerebrais
Síndrome de aspiração neonatal não especificada
Edema cerebral
Sarcoma de Kaposi
Morte Fetal de Causa Não Especificada
Meningite bacteriana não especificada
Malária Por Plasmodium Falciparum
Meningoencefalite bacterianas não classificadas em outra parte
Insuficiência Renal Crônica
Malária Não Especificada
Desconforto (angústia) Respiratório(a) do Recém-nascido
Marasmo Nutricional
Kwashiorkor Marasmático
Tuberculose Respiratória, Com Confirmação Bacteriológica
Edema Pulmonar, Não Especificado de Outra Forma
Tuberculose Miliar
Encefalopatia não especificada
Insuficiência Renal Aguda
Insuficiência cardíaca não especificada
Não especificado
Total
%
% Cum.
1110 3.8%
4%
949 3.2%
7%
924 3.2%
10%
886 3.0%
13%
696 2.4%
16%
666 2.3%
18%
649 2.2%
20%
641 2.2%
22%
605 2.1%
24%
598 2.0%
26%
585 2.0%
28%
509 1.7%
30%
440 1.5%
32%
396 1.4%
33%
392 1.3%
34%
366 1.2%
36%
365 1.2%
37%
311 1.1%
38%
308 1.1%
39%
287 1.0%
40%
287 1.0%
41%
249 0.8%
42%
241 0.8%
43%
221 0.8%
43%
217 0.7%
44%
206 0.7%
45%
205 0.7%
45%
200 0.7%
46%
197 0.7%
47%
187 0.6%
47%
184 0.6%
48%
178 0.6%
49%
171 0.6%
49%
168 0.6%
50%
167 0.6%
50%
165 0.6%
51%
161 0.5%
51%
159 0.5%
52%
Página 84 de 94
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código
A162
B20
D648
I50
A16
G00
P20
P072
A86
I10
T794
J189
A153
C220
B207
G039
I61
J18
S062
R402
Z111
J15
J159
A199
R579
P209
N19
I63
I500
C468
P285
E162
K729
A169
B59
I619
P07
I46
D630
G939
R092
Descrição da causa de óbito
Tuberculose pulmonar, sem menção de confirmação
bacteriológica ou histológica
Doença Pelo HIV resultando em doença infecciosa e parasitária
Outras anemias especificadas
Insuficiência Cardíaca
Tuberculose Das Vias Respiratórias, Sem Confirmação
Meningite Bacteriana Não Classificada em Outra Parte
Hipoxia Intra-uterina
Imaturidade extrema
Encefalite Viral, Não Especificada
Hipertensão Essencial (primária)
Choque traumático
Pneumonia não especificada
Tuberculose pulmonar, com confirmação não especificada
Carcinoma de células hepáticas
Doença pelo HIV resultando em infecções múltiplas
Meningite não especificada
Hemorragia Intracerebral
Pneumonia Por Microorganismo Não Especificada
Traumatismo cerebral difuso
Coma não especificado
Exame especial de rastreamento de tuberculose pulmonar
Pneumonia Bacteriana Não Classificada em Outra Parte
Pneumonia bacteriana não especificada
Tuberculose miliar não especificada
Choque não especificado
Hipoxia intra-uterina não especificada
Insuficiência Renal Não Especificada
Infarto Cerebral
Insuficiência cardíaca congestiva
Sarcoma de Kaposi de múltiplos órgãos
Insuficiência respiratória do recém-nascido
Hipoglicemia não especificada
Insuficiência hepática, sem outras especificações
Tuberculose respiratória, não especificada
Pneumocistose
Hemorragia intracerebral não especificada
Transtornos Relacionados Com a Gestação de Curta Duração e
Peso Baixo ao Nascer Não Classificados em Outra Parte
Parada Cardíaca
Anemia em neoplasias
Transtorno não especificado do encéfalo
Parada respiratória
Total
%
% Cum.
154 0.5%
53%
147
145
144
144
140
137
137
136
133
131
130
130
126
124
122
117
113
112
97
95
95
94
89
88
88
88
86
85
85
84
82
79
79
79
78
76
0.5%
0.5%
0.5%
0.5%
0.5%
0.5%
0.5%
0.5%
0.5%
0.4%
0.4%
0.4%
0.4%
0.4%
0.4%
0.4%
0.4%
0.4%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
53%
54%
54%
55%
55%
55%
56%
56%
57%
57%
58%
58%
59%
59%
59%
60%
60%
61%
61%
61%
62%
62%
62%
63%
63%
63%
63%
64%
64%
64%
65%
65%
65%
65%
66%
66%
76
76
75
74
0.3%
0.3%
0.3%
0.3%
66%
66%
67%
67%
Página 85 de 94
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Código
P219
D610
B201
B509
S06
P910
E14
B508
E40
R688
Y629
T869
B220
K72
D638
Z030
Descrição da causa de óbito
Asfixia ao nascer, não especificada
Anemia aplástica constitucional
Doença pelo HIV resultando em outras infecções bacterianas
Malária não especificada por Plasmodium falciparum
Traumatismo Intracraniano
Isquemia cerebral neonatal
Diabetes Mellitus Não Especificado
Outras formas graves e complicadas de malária por P. falciparum
Kwashiorkor
Outros sintomas e sinais gerais especificados
Assepsia insuficiente durante a prestação de cuidado cirúrgico e
médico não especificado
Falência e rejeição a transplante de órgão ou tecido não especif.
Doença pelo HIV resultando em encefalopatia (Demência)
Insuficiência Hepática Não Classificada em Outra Parte
Anemia em outras doenças classificadas em outra parte
Observação por suspeita de tuberculose
Outras causas
Total
73
73
73
70
67
67
66
65
64
61
59
%
% Cum.
0.2%
67%
0.2%
67%
0.2%
68%
0.2%
68%
0.2%
68%
0.2%
68%
0.2%
69%
0.2%
69%
0.2%
69%
0.2%
69%
0.2%
69%
59 0.2%
59 0.2%
57 0.2%
57 0.2%
56 0.2%
8675 29%
70%
70%
70%
70%
70%
100%
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Anexo 4 - Inconsistência entre sexo do falecido e tipo de causa básica de óbito
Tipo de inconsistência
Sexo Masculino para causas restringidas
ao sexo feminino
Sexo Feminino para causas restringidas ao
sexo masculino
% de óbitos mal classificados
2009
2010
2011
0.3%
0.9%
0.7%
0.1%
0.6%
0.1%
Anexo 5 – Frequência dos códigos lixo por ano, 2009-2011
Códigos lixo*
C76
Neoplasia Maligna de Outras Localizações e de Localizações Mal
Definidas
C80
Neoplasia Maligna, Sem Especificação de Localização
C97
Neoplasias malignas de localizações múltiplas independentes
(primárias)
I46
Parada Cardíaca
I490
Flutter e fibrilação ventricular
I50
Insuficiência Cardíaca
I514
Miocardite não especificada
I516
Doença cardiovascular não especificada
I519
Doença não especificada do coração
I709
Aterosclerose generalizada e a não especificada
Y10-Y34 Causas externas com intenção não determinada
Total códigos lixo
2009
5
2010
16
2011
10
1
2
19
2
23
1
4
1
17
9
1
46
1
4
36
1
10
6
110
4
1
92
1
3
6
15
2
158
Total óbitos do ano
5259
8995
15063
1
Percentagem de códigos lixo
0.7%
1.2%
*Os códigos lixo analisados são I472, I515, Y872: nenhum óbito registado com estas causas
Anexo 6 – Percentagem de óbitos com intervalo de internamento=0 minutos, por hospital,
2009-2011
Hospital
HCB
HCM
HCN
HGJM
HPC
HPI
HPL
HPP
HPQ
HPX
Total
N com intervalo = 0
Total por hospital
568
3391
724
15508
217
1017
280
2657
31
616
3
766
52
1360
126
510
263
2683
18
809
2282
29317
% com int.=0
17%
5%
21%
11%
5%
0%
4%
25%
10%
2%
8%
Página 87 de 94
1.0%
Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Anexo 7 – Analise da plausibilidade da causa directa tendo uma determinada causa básica
Esta análise foi já apresentada pelos óbitos que tem como causa básica o HIV (B20-B24) no texto
principal do relatório. A seguir vão ser analisadas as causas directas para óbitos cuia causa básica foi
hipertensão essencial (I10), diabete (E10-E14) e acidentes de viação (V01-V99). Para condições como
diabete e hipertensão essencial existe o risco de sobre estimação da sua prevalência como causa de
óbito; de facto, sendo estas um factor de risco por várias patologias, pode ter uma tendência a
seleccioná-las como causa básica mesmo se não são claramente ligadas a cadeia de eventos que
levam à morte.
Para os óbitos por hipertensão o 95% dos casos tem uma causa directa plausível (ex. acidente
vascular cerebral, hemorragia intracerebral, encefalopatia hipertensiva, insuficiência cardíaca, etc.);
esta proporção é constante do 2009 ao 2011 (tab.1). As causas directas não plausíveis são uma
percentagem bastante pequena e não tem nenhum pattern que sugira erro sistemático ou
recorrente por parte dos médicos ou codificadores.
Tabela 1 – Causas directas registadas para os óbitos com causa básica = Hipertensão essencial
(I10), por ano, 2009-2011
Causa directa
2009 2010 2011 Total
Causas directas plausíveis tendo causa básica=Hipertensão
182
248
418
848
essencial (N)
% de causas plausíveis
95%
96%
95%
95%
Causas directas não plausíveis tendo causa básica=Hipertensão
10
10
21
41
essencial (N)
% de causas não plausíveis
5%
4%
5%
5%
Detalhes sobre causas directas não plausíveis com Hipertensão essencial
A162 Tuberculose pulmonar, sem confirmação
1
1
A41
Outras Septicemias
1
2
3
A480 Gangrena gasosa
1
1
A89
Infecções virais não esp. do sistema nervoso central
1
1
B206 HIV resultando em pneumonia por Pneumocystis jirovecii
1
1
B24
Doença pelo HIV não especificada
1
1
B500 Malária por P. falciparum com complicações cerebrais
1
1
B99
Doenças infecciosas, outras e as não especificadas
1
1
C531 Neoplasia maligna do exocérvix
1
1
D14
Neoplasia benigna do ouvido médio e do aparelho respiratório
1
1
D610 Anemia aplástica constitucional
2
2
D65
Coagulação intravascular disseminada (síndrome de desfibrinação)
1
1
E14
Diabetes mellitus não especificado
3
1
1
5
E162 Hipoglicemia não especificada
1
1
F04
Síndrome amnésica orgânica não induzida pelo álcool ou por outras
substâncias psicoativas
F29
Psicose não-orgânica não especificada
1
G009 Meningite bacteriana não especificada
G933 Síndrome da fadiga pós-viral
I271 Cardiopatia cifoescoliótica
1
1
1
2
1
1
2
1
1
2
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Causa directa
J160 Pneumonia devida a clamídias
J64
Pneumoconiose não especificada
L039 Celulite não especificada
N343 Síndrome uretral, não especificada
R093 Escarro anormal
R458 Outros sintomas e sinais relativos ao estado emocional
R59
Aumento de volume dos gânglios linfáticos
R75
Evidência laboratorial do HIV
T659 Efeito tóxico de substância não especificada
Total óbitos com causa básica = hipertensão essencial
2009
2010
1
1
1
192
258
2011 Total
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
4
5
1
1
1
439
889
Para os óbitos por diabete o 93% dos casos tem uma causa directa plausível (ex. septicemia,
insuficiência renal, encefalopatia não especificada, pneumonia, etc.); esta proporção aumenta
ligeiramente no 2011 (tab.2). Todavia, o 25% das causas directas plausíveis é a diabete mesmo (13%
sem menção de complicações e o 12% com complicações): isso fornece uma informação redundante
e de pouca utilidade epidemiológica. As causas directas não plausíveis, mesmo sendo uma
percentagem bastante pequena, sugerem que alguns erros podem ser feitos com sistematicidade
por parte dos médicos ou codificadores: por exemplo o uso do código E15 deveria ser substituído
para E10.0, E11.0, E12.0, E13.0 e E14.0 que são os códigos dos vários tipos de diabete mellitus
complicados com coma.
Tabela 2 – Causas directas registadas para os óbitos com causa básica = Diabete (E10-E14), por
ano, 2009-2011
Causa directa
2009 2010 2011 Total
Causas directas plausíveis tendo causa básica=Diabete (N)
89
117
179
385
% de causas plausíveis
91%
91%
94%
93%
Causas directas não plausíveis tendo causa básica=Diabete (N)
9
11
11
31
% de causas não plausíveis
9%
9%
6%
7%
Detalhes sobre causas directas não plausíveis com Diabete
E15
Coma hipoglicêmico não-diabético
I10
Hipertensão essencial (primária)
B24
Doença pelo HIV não especificada
R59
Aumento de volume dos gânglios linfáticos
J60
Pneumoconiose dos mineiros de carvão
B50
Malária por Plasmodium Falciparum
X54
Falta de Água
I271 Cardiopatia cifoescoliótica
S060 Concussão cerebral
J681 Edema pulmonar devido a químicos, gases, vapores
I470 Arritmia ventricular por reentrada
P942 Hipotonia congênita
T15
Corpo estranho na parte externa do olho
Total óbitos com causa básica = diabete
1
4
3
1
1
3
4
1
1
2
1
1
1
1
1
1
1
3
1
1
1
1
1
1
1
98
7
5
5
128
190
1
1
1
416
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Para os óbitos por acidentes de transporte 98% dos casos tem uma causa directa plausível (ex.
choque traumático, choque hipovolêmico, traumatismo intracraniano, traumatismo cerebral difuso,
septicemia não especificada, etc.); esta proporção é constante do 2009 ao 2011 (tab.3). As causas
directas não plausíveis são uma percentagem bastante pequena e não tem nenhum pattern que
sugira erro sistemático ou recorrente por parte dos médicos ou codificadores; causas como
“pneumotórax espontâneo” sugerem mais um problema de escolha do quarto dígito do código CID10 que um problema de preenchimento do certificado de óbito. É para notar que em 3% até 7% dos
casos a causa directa foi codificada com códigos do capítulo XX “causas externas”, a ser utilizados
somente para as causas básicas, ao lugar dos códigos do capítulo XIX “Lesões, envenenamento e
algumas outras consequências de causas externas”
Tabela 3 – Causas directas registadas para os óbitos com causa básica = Acidentes de transporte
(V01-V99), por ano, 2009-2011
Causa directa
2009 2010 2011 Total
Causas directas plausíveis tendo causa básica=Acidente de transporte
73
116
152
341
% de causas plausíveis
99% 97% 98% 98%
Causas directas não plausíveis tendo causa básica=acidente de
1
3
3
7
transporte
% de causas não plausíveis
1%
3%
2%
2%
Detalhes sobre causas directas não plausíveis com Acidentes de transporte
B508
Outras formas graves e complicadas de malária por Plasmodium falciparum
1
1
G040
Encefalite aguda disseminada
1
1
A169
Tuberculose respiratória, não especificada
1
1
J931
Outras formas de pneumotórax espontâneo
1
1
T869
Falência e rejeição a transplante de órgão ou tecido não especificado
2
2
J961
Insuficiência respiratória crônica
1
1
Causas directas codificadas com causas do capítulo XX
V01-Y98
5
2
4
11
% de causas directas codificadas como V01-Y98
7%
2%
3%
3%
Total de óbito com causa básica=Acidente de transporte
74
119
155
348
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Anexo 8 – Distribuição de todos os óbitos do 2009-2011 por causa básica de morte na base
da lista dos agrupamentos de causas de óbito do Certificado de Óbito
Grupos de códigos
B24
P073
P21
B200
I10
J180
B500-B508, B510B518, B520-B528
H00-H58, R00-39,
R41-R49, R51-R53,
R55-R68, R70-R94
I60-I64, I67-I69
P36
P070
E40-E46
I30-I33, I40-I43, I50I52, I65-I66, I70-I79,
I81-I95, I98-I99
A09
E10-E14
B207
J12-J18 (excl. J180)
P072
A15-A16
A40-A41
D51-D64
T20-T32
B220
B509, B519, B529,
B53-B54
D00-D48
J00-J11, J30-J39, J60J84, J90-J94, J96-J98
K70-K77
G00
P95
Descrição da causa de óbito
Doença pelo HIV resultando em outras doenças ou não
especificadas
Outros recém-nascidos de pré-termo (28-37 semanas de
gestação) ou não especificados
Asfixia ao Nascer
Doença pelo HIV resultando em infecções
micobacterianas
Hipertensão Essencial (primária)
Broncopneumonia não especificada
Malaria grave complicada (Falciparum e/ou Vivax e/ou
Malariae)
Outras causas de morte não incluídas na lista do
certificado de óbito
Total
%
% cum.
5870
20
20
1719
6
26
1093
916
4
3
30
33
889
757
724
3
3
2
36
38
41
620
2
43
Doenças Cerebrovasculares
Septicemia Bacteriana do Recém-nascido
Recém-nascido com peso muito baixo (<1000 gramas)
Desnutrição
Outras doenças do aparelho circulatório
569
557
556
550
541
2
2
2
2
2
45
47
49
51
52
Diarreia e Gastroenterite de Origem Infecciosa
Presumível
Diabetes mellitus
Doença pelo HIV resultando em infecções múltiplas
Pneumonias
Imaturidade extrema (<28 semanas de gestação)
Tuberculose respiratória
Septicemia não especificada
Outras anemias
Queimaduras e corrosões
Doença pelo HIV resultando em encefalopatia (Demência
pelo HIV)
Malaria outra e não especificada
445
2
54
416
410
397
394
391
366
364
347
339
1
1
1
1
1
1
1
1
1
55
57
58
59
61
62
63
64
66
332
1
67
Neoplasia benigna ou de comportamento incerto ou
desconhecido
Outras doenças do aparelho respiratório
312
1
68
282
1
69
Doenças do fígado
Meningite Bacteriana Não Classificada em Outra Parte
Morte Fetal de Causa Não Especificada
253
249
240
1
1
1
70
70
71
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
Grupos de códigos
B201
S00-S19
A17-A19
P20
G04-G25, G31-G96,
G98-G99
A02, A04-A08, A21A26, A28, A30-A32,
A38, A42-A49, A65A79, B00-B04, B06B09, B25-B49, B55B64, B85-B94, B99
V01-V09
C30-C31, C37-C39,
C45-C49, C60, C63,
C69, C76-C80, C88,
C96-C97
C22
B210
P05, P08, P23, P25P35, P37-P39, P70P94, 96
N18
Descrição da causa de óbito
Doença pelo HIV resultando em outras infecções
bacterianas
Traumatismo da Cabeça e pescoço
Tuberculose extrapulmonar
Hipoxia Intra-uterina
Outras doenças do sistema nervoso
Total
%
% cum.
238
1
72
236
235
228
227
1
1
1
1
73
74
74
75
Outras doenças infecciosas e parasitárias
222
1
76
Pedestre Traumatizado em acidente de transporte
Outras Neoplasias malignas
217
216
1
1
77
77
Neoplasia Maligna do Fígado e Das Vias Biliares Intrahepáticas
Doença pelo HIV resultando em sarcoma de Kaposi
Outras afecções originadas no período perinatal
206
1
78
202
179
1
1
79
79
Insuficiência Renal Crônica
179
1
80
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Análise da mortalidade nacional intra-hospitalar - Moçambique - SIS-ROH 2009-2011
FICHA TÉCNICA
Título:
ANÁLISE DA MORTALIDADE NACIONAL INTRA-HOSPITALAR, MOÇAMBIQUE.
Sistema de Informação de Saúde - Registo de Óbitos Hospitalares (SIS-ROH):
Análise de 3 anos - 2009-2011
Editor:
Ministério da Saúde - Direcção de Planificação e Cooperação (DPC) –
Departamento de Informação para a Saúde – Maputo
Equipa de
redacção:
Roberta Pastore, Alessandro Campione, António Sitói, Adelino Covane
Coordenação:
Cidália Balói, Moisés Ernesto Mazivila
Direcção:
Célia Gonçalves
Revisão:
António Sitói
Colaboradores:
Jembi Health Systems/MOASIS, Universidade Eduardo Mondlane (UEM),
Hospital Central de Maputo (HCM). Responsáveis do SIS-ROH dos Hospitais:
Geral “José Macamo”; Provincial de Pemba, Provincial de Lichinga, Provincial de
Quelimane, Provincial de Xai-Xai, Provincial de Chimoio, Provincial de
Inhambane, Central de Nampula e Central da Beira.
Apoio técnico:
Organização Mundial da Saúde (OMS) [Escritórios em Genebra], Rede de
Metrologia de Saúde (HMN), Medical Research Council da Africa do Sul através
do WHO-FIC Collaborating Centre, CDC Moçambique
Financiamento:
MISAU, Rede de Metrologia para a Saúde (HMN)/OMS através do Projecto
MOVE-IT, Jembi Health Systems/MOASIS, CDC, Twinning Center
Design:
Moasis/Jembi Health Systems
Impressão e
acabamentos:
Endereço:
Moasis e Jembi Health Systems
http://www.jembi.org/
http://www.moasis.org.mz/
Departamento de Informação para a Saúde
Direcção de Planificação e Cooperação
Ministério da Saúde
Av. Eduardo Mondlane/Salvador Allende, 1008
www.misau.gov.mz
Maputo - Moçambique
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