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O ENFERMEIRO(A) DA PÓS- MODERNIDADE
NELLI, Eunice Maria Zangari1
KURAMOTO, Jaqueline Bergara2
Resumo: Este artigo, de caráter reflexivo, tem como objetivo chamar a atenção para os
desafios na educação e formação dos profissionais de Enfermagem do século XXI, com
base e conceitos de Schön, Tacla e Contreras, propõe novas perspectivas para repensar e
reinventar o ensino da Enfermagem. Tem como ponto de partida reflexões que advêm
de seus componentes históricos e científicos estendendo-se a um perfil profissional
inserido na pós-modernidade.
Palavra Chave: Enfermagem – Educação – Tecnologia - Racionalidade.
Abstract: This article has a reflective nature, aims to draw attention to the challenges in
education and training of nursing in the XXI century, based on concepts and Schön,
Tacla and Contreras, offers new perspectives to rethink and reinvent the teaching of
nursing . Its starting point reflections that come from their historical and scientific
components spanning a professional profile inserted in post-modernity.
Keywords: Nursing – Education – Technology - Rationality
INTRODUÇÃO
As diferentes concepções de saúde-doença como o modelo assistencial das
práticas de enfermagem são históricas e culturais e com isso ainda permanece
influenciando fortemente a formação e o perfil profissional do enfermeiro inclusive até
os dias atuais.
Desse modo, esse artigo discute a perspectiva para o ensino de graduação de
enfermagem traçando uma breve retrospectiva histórica do enfermeiro e os desafios
para a educação e formação de um profissional pós-modernidade, visando uma sintonia
com dimensões locais, regionais e nacionais, em consonância com os desafios globais e
os avanços tecnológicos que tanto tem influenciado o fazer e o pensar dos profissionais
da saúde, e por conseqüência a enfermagem.
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O PAPEL DO ENFERMEIRO NA LINHA DO TEMPO
Considerando que historicamente o exercício profissional da enfermagem
sempre foi visto como o de uma profissão de “gente que cuida de gente”, em que o
comportamento e o agir do enfermeiro ainda trazem resquícios de um modelo de
submissão às ordens médicas, e da religião, acaba reforçando a idéia do cuidar enquanto
caridade, onde as ações estão fundamentadas somente na compaixão, na benevolência e
na misericórdia para com aqueles que sofrem.
Wilkinson & Leuven (2010), menciona que várias foram às imagens, os
estereótipos que a enfermagem passou no decorrer da história. Nesse sentido, acreditase que compreendendo o passado possamos ter um auxílio para entender o presente.
Visto que, ouve um tempo em que os enfermeiros exerceram o papel de “Anjo de
Misericórdia”, ou seja, eram criaturas angelicais, serenas, felizes, mostrado com uma
aura ou outros símbolos religiosos. Essa imagem é tão penetrante que até mesmo lojas
de uniformes e de equipamentos médicos, vendem canecas, camisetas e broches com a
imagem da enfermeira angelical.
Outro papel segundo Wilkinson & Leuven (2010), foi o da “Serva” do médico,
que traz a enfermeira como uma mulher que auxilia o homem médico ao lado do leito
de um paciente. Dentro desse estereótipo o médico é mostrado no papel dominante, com
a enfermeira aguardando as suas ordens, ou apoiando o paciente enquanto o médico
cuida dele. Com o passar do tempo essa imagem sofreu algumas alterações agregando
as funções anteriores, outras como a de banhar, de alimentar e de segurar o paciente,
além de manter o ambiente do paciente limpo e organizado.
Existiu também, outra imagem da enfermeira como “Algoz” ou “Torturadora”,
aquelas que tratavam seus pacientes com crueldade e desdém. Esse papel foi
representado por algumas personagens no filme “O estranho no ninho (1975)” e no
romance de Martin Chuzzlewit em 1844, por intermédio da personagem de Sarry Gamp,
mostrou a visão de uma enfermeira corrupta, áspera e freqüentemente alcoolizada.
Imagem essa que trouxe uma visão muito negativa a enfermagem.
Não menos significativo de acordo com Wilkinson & Leuven (2010), foi o papel
da enfermeira “Maliciosa”, ou seja, a figura daquela mulher sensual, provocante, que
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surgiu no início do século XX nos espetáculos teatrais e, persiste na cultura popular de
hoje. Esse modelo trouxe para a profissão de enfermagem a imagem de a profissão ser
composta apenas e tão somente por mulheres atraentes, porém, sem capacidade de
pensar, eram tidas popularmente como, “desmioladas”. Eram elas as potenciais
namoradas para os inteligentes e talentosos cirurgiões. Freqüentemente eram retratadas
usando saias curtas, meia arrastão, saltos e corpetes, essa imagem ocorre em romances
baratos, histórias em quadrinhos e até em discos. Para ver quão penetrante é essa
imagem, basta procurar na internet a palavra “enfermeira” e observarem as imagens que
estão a ela atreladas.
Teve ainda a “Imagem Militar” na história da enfermagem, que eram retratadas
usando uniforme de guerra, prestando auxílio em campos de batalha. Com freqüência,
elas ainda eram representadas como guerreiros lutando contra doenças.
Um ponto importante dentro desse contexto, é a contratação até então que todas
essas imagens/papeis descritos até então, são predominantemente de mulheres sendo
todas de cor branca. Assim, mulheres negras e homem de qualquer raça raramente são
mostrados como enfermeiros. Os homens ainda atualmente, constituem uma minoria do
total da população mundial da profissão enfermagem, mesmo assim as antigas ordens
(mando, comando) de enfermagem exclusivamente masculina.
Atualmente as funções dos homens na enfermagem são tão variadas quanto as
das mulheres, e as oportunidades para satisfação pessoal e profissional são igualmente
grandes.
Como demonstrado até agora pelas autoras Wilkinson & Leuven (2010), os
profissionais da enfermagem são mostrados cuidando ativamente do paciente, fazendo
curativos, dando banho, administrando medicamentos, mas o lado intelectual ou
pensante quase nunca aparece.
Assim, os estereótipos de “anjos de misericórdia” e “militar” reforçam a idéia de
que a enfermagem é um dever e de que os enfermeiros estão cumprindo ordens. As
imagens das enfermeiras maliciosas, algoz e severa sugerem uma mulher propensa a
ação, mas que pode não avaliar suas ações com cautela.
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A enfermagem exige um pensar cuidadoso e criterioso sobre a saúde e o bemestar do paciente. Isso para ter subsídios para traçar um plano de cuidados/tratamento,
um sistema de apoio ao paciente, para tanto se faz necessário os enfermeiros recorrerem
ao julgamento clinico, pensamento critico e a solução de conflitos enquanto
sistematizam cuidados necessários aos seus pacientes.
Em síntese, o enfermeiro atual deve manter alguns papéis positivos histórico, de
suas funções que muito se vincula ao FAZER, sem se esquecer de agregar a esse fazer o
PENSAR. Esse pensar estruturado em três raciocínios, a saber: o julgamento clinico, o
pensamento critico e a capacidade para administrar problemas.
Embora a trajetória histórica da enfermagem apresente uma forte interferência na
prática profissional do enfermeiro (a), Tacla (2002, p. 15) menciona que já é tempo de
se romper com a formação profissional modelada pelo discurso religioso e médico que
acaba por construir uma imagem estereotipada do comportamento do enfermeiro dentre
elas: “o silêncio, a cortesia, a obediência e o espírito de servir ao próximo sem esperar
recompensa”.
As constantes mudanças no cenário do trabalho em saúde, especialmente em
enfermagem, revelam a necessidade da inserção do Enfermeiro(a) na evolução do
mundo globalizado, passando a repensar e redefinir suas funções, desenvolvendo um
saber e fazer crítico, conduzindo-o para uma formação que seja capaz de resolver
desafios do seu cotidiano, de maneira que possa assegurar seu compromisso com a
sociedade que nesse momento, aspira por maior qualidade na prestação da assistência à
saúde. (SIMÕES & FÁVERO, 2000).
Para mudar essa realidade, Tacla (2002) afirma ser necessário construir uma
enfermagem ancorada na ciência do conhecimento, um ensino que deixe de lado esse
modelo histórico de educação submissa, tecnicista e mecanicista, em favor de um novo
modelo de aparelho formador que através do Projeto Político Pedagógico (PPP), tenha
como meta um enfermeiro que além dessas características históricas mencionadas,
agregue o paradigma do profissional crítico, reflexivo, e que seja capaz de fazer no
exercício profissional uma análise e compreender as necessidades tanto individual como
coletiva dos problemas que afligem o indivíduo saudável, a pessoa portadora de uma
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doença e o processo saúde-doença da comunidade, dentro do contexto social que se
encontra inserido.
Principalmente, considerando que o conceito atual de saúde segundo a
Organização Mundial da Saúde-OMS é o de completo bem estar físico, mental, social e
espiritual e não a mera ausência de doença. O enfermeiro da atualidade será aquele
capaz de se inserir como promotor de saúde, e, ao mesmo tempo, quando necessário
combater os processos patológicos, juntamente com o auxílio de uma equipe
multiprofissional, e ter habilidade e destreza manual para utilizar os mais sofisticados
aparelhos e equipamentos advindos da moderna tecnologia aplicada ao ser humano, ou
seja, a tecnologia para manter a vida.
A INTERFERÊNCIA DA BIOTECNOLOGIA NA FORMAÇÃO ATUAL DO
ENFERMEIRO
O desenvolvimento científico e tecnológico provocou modificações nas
tradicionais ações de cuidar que, até então, no decorrer dos anos, foram de competência
exclusiva dos profissionais da Enfermagem.
Assim, da biotecnologia antiga podem ser identificados os hábito
familiares decorrentes da cultura popular, como o uso de chás,
escalda-pés, dentre outros; da moderna, a utilização de vacinas, de
antibióticos e técnicas na área do pré-natal; e da de ponta ou atual, a
manipulação e o controle de material hospitalar de alta complexidade,
como o balão intra-aórtico e a bomba de infusão, entre outros.
(VIEIRA; ROSA, 2006, p. 216).
É relevante pensar na realidade de um mundo globalizado, onde tantas
descobertas tecnológicas e científicas passam a fazer parte do cotidiano dos
profissionais de saúde, principalmente dos enfermeiros, que a todo o momento se
deparam com equipamentos e máquinas de última geração, usadas tanto no diagnóstico
cada vez mais preciso de uma doença, como no tratamento de enfermidades
consideradas intratáveis e incuráveis. Todo esse contexto tecnológico acabou por
provocar várias modificações no processo de profissionalização do enfermeiro, cuja
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ação passou de uma simples prestação de cuidados, ligada à caridade e solidariedade,
para se tornar uma profissão remunerada e embasada na ciência do conhecimento.
Logo, esses avanços tecnológicos e científicos, que, na atualidade, impregnam a
prestação do cuidado ao enfermo, têm incorporado novas funções ao profissional da
enfermagem. No século XXI, com os avanços da tecnologia, o enfermeiro deixou de ser
visto como simples prestador de cuidados e começou a ser tido como um profissional
que integra uma equipe multidisciplinar.
Para tanto, faz-se necessário incorporar novos conhecimentos na sua formação,
uma vez que não basta que esse enfermeiro saiba tão somente cuidar ou simplesmente
administrar medicações, nem tão pouco ser exímio conhecedor da fisiologia de uma
doença; de fato, é necessário que, além de todos esses requisitos, o profissional de
enfermagem seja também um intelectual consciente da necessidade de ter incorporado,
em suas ações valores éticos fundamentados no respeito aos outros.
A EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO CRÍTICA E REFLEXIVA DOS
PROFISSIONAIS DA ENFERMAGEM
O ensino da prática de Enfermagem atravessou vários momentos, no decorrer da
história, porém nenhum deles provocou mudanças tão drásticas como a que está
acontecendo atualmente, ou seja, a necessidade legal de se formar enfermeiros com
perfil crítico e refletivo.
Assim, transformar uma profissão, que historicamente sempre foi tida como
submissa cordata e subordinada às ordens superiores, em uma profissão autônoma e
liberal, será com certeza o grande desafio para os docentes deste século. Como salienta
Tacla (2002, p. 18), “[...] a realidade nos mostra que avançar nessa direção não será de
fácil execução. Passar de um modelo educacional tradicional para outro, críticoreflexivo, exige um longo processo de descobertas e conquistas, avanços e
paralisações”.
Nesse sentido, Sudan (2005, p. 124), acrescenta que na Enfermagem as
atividades educativas não podem apresentar um condicionamento limitante, mas que
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deva sim, “[...] desenvolver conhecimento contextualizado, no qual esteja presente a
reflexão crítica sobre as situações, o trabalho em equipe, constituindo-se realmente
como processo educativo, construtor de caráter, de valores, de reflexão crítica,
essenciais ao exercício da cidadania e de uma prática de saúde com qualidade”.
Como a função dos enfermeiros sempre esteve ligada à execução de técnicas e
procedimentos, isso traz algumas consequências:
Muitas atividades na Enfermagem têm enfoque predominantemente
mecanicista: a execução de técnicas, o cumprimento de normas e
rotinas. Esta visão limitada de seu papel profissional faz com que o
enfermeiro tenha uma percepção simplista de suas atribuições,
transforma-o em mero executor de tarefas, dificultando a construção
de um profissional crítico e refletivo. (TACLA, 2002, p. 43).
Para se atingir a formação de um enfermeiro crítico e reflexivo, num primeiro
momento deve ocorrer algumas adequações quanto ao desenho curricular, isto é, no
entender de Tacla (2002), é imperioso que a formação profissional do enfermeiro não
mais aconteça de forma fragmentada, devido à forte ligação com o modelo pedagógico
da racionalidade técnica, pois o futuro enfermeiro precisa ser estimulado a refletir,
analisar e não apenas a cumprir ordens e agir segundo normas e rotinas; que ele tenha
um amplo conhecimento de base para mobilizar recursos, coordenar ações e avaliar
resultados, na busca de um novo ensinar.
Outro ponto a se considerar para a formação do enfermeiro crítico e reflexivo
está centrado na função do docente como mediador entre o conhecimento teórico e o
prático. Por essa razão, Contreras (2002) critica o modelo da racionalidade técnica como
concepção da atuação profissional, porque revela a incapacidade para se resolver e tratar
questões cotidianas imprevisíveis, ou seja, tudo aquilo que não possa ser resolvido e
tratado de maneira lógica, como num raciocínio matemático. Dessa forma, um
enfermeiro com formação puramente tecnicista muito provavelmente não estará
preparado para enfrentar e desenvolver sua prática com segurança e responsabilidade.
Por formação tecnicista entende-se aquela recebida segundo modelo da
racionalidade técnica, no qual
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[...] os profissionais são aqueles que solucionam problemas
instrumentais, selecionando os meios técnicos mais apropriados para
propósitos específicos. Profissionais rigorosos solucionam problemas
instrumentais claros, através da aplicação da teoria e da técnica
derivadas de conhecimento sistemático, de preferência científico. A
medicina, o direito e a administração – as profissões principais de
Nathan Glazer (Glazer, 1974), figuram nessa visão, como exemplares
de prática profissional. (SCHÖN, 2000, p. 15).
Nesse sentido, provavelmente, a formação profissional do enfermeiro sempre
esteve centrada no modelo da racionalidade técnica, quer dizer, no cumprimento de
normas e rotinas. No entender de Contreras (2002), o modelo da racionalidade técnica é
incapaz de lidar com situações imprevisíveis, já que é razão pura. Portanto, para
determinadas situações não existem regras ou, se elas existem, não contemplam a
solução do problema, o que normalmente ocorre quando nos deparamos com situações
as quais envolvem conflitos de valores.
Para que tal fato não se perpetue, é fundamental propor que os profissionais da
Enfermagem passem a ter uma formação não apenas fundada na racionalidade técnica,
mas num modelo que Contreras (2002) chamou de Prática Reflexiva.
Por isso é necessário resgatar a base reflexiva da atuação profissional,
com objetivo de entender a forma em que realmente se abordam as
situações problemáticas da prática. Deste modo será possível
recuperar como elemento legítimo e necessário da prática de ensino
aquelas competências que, a partir da racionalidade técnica, ficavam
ou subordinadas ao conhecimento científico e técnico, ou excluídas de
sua análise e consideração. (CONTRERAS, 2002, p. 105-106).
Assim, questionamos se, para se conseguir formar um enfermeiro com perfil
crítico e reflexivo, não seria indicado seguir o modelo estudado por Schön. Trata-se de
um modelo em que, de acordo com Contreras (2002, p.114), coloca-se “[...] a prática
reflexiva como oposição à idéia do profissional como especialista técnico”, ou seja, a
tese defendida por Schön pressupõe que, para ser um profissional reflexivo, é necessário
que, desde a formação acadêmica, a ele seja ensinado fazer uma interação dos
conteúdos teóricos com os práticos de maneira que consiga distinguir, em suas
atividades diárias, desenvolvidas muitas vezes através do conhecimento-na-ação, para
uma prática caracterizada por uma reflexão-na-ação.
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Explica ainda Contreras (2002, p. 107) que conhecer-na-ação, implica ações que
realizamos, porém “[...] muitas vezes nem sequer somos consciente de tê-las aprendido,
simplesmente nos descobrimos fazendo-as. Nesse tipo de situação, o conhecimento não
precede a ação, mas sim, está na ação”. Nesse sentido, fica claro que muito das ações da
Enfermagem apenas passaram pelo “conhecimento-na-ação”, mantendo uma abordagem
tecnicista.
Por conseguinte, refletimos se, para atingir o perfil do enfermeiro crítico
reflexivo, não seria indicado partir das considerações de Schön (2000), que propõe uma
nova epistemologia da prática, o qual define como sendo a reflexão-na-ação, isto é,
para se atingir, no futuro, um profissional da Enfermagem com um raciocínio crítico e
reflexivo, seria preciso surgir uma nova maneira de trabalhar o pensamento dos alunos,
estimulando-os “a pensar o que fazem, enquanto o fazem, e que os profissionais
desenvolvam em situações de incerteza, singularidade e conflito” (SCHÖN, 2000,
p.vii, grifos nossos).
Desse modo, o desafio de pensar a formação do enfermeiro dentro da
determinação legal atual nos remete, em primeiro lugar, à estrutura do Projeto PolíticoPedagógico (PPP) e do currículo, posteriormente a uma reflexão sobre a ação do
educador em Enfermagem.
Entende Tacla (2002, p.52) que a função do docente vai além do direcionamento
do saber, da disposição para ouvir e da tolerância com a diversidade. Para a autora, cabe
ao docente “desmistificar a prática da Enfermagem pelo contínuo contato com a atuação
do enfermeiro”, de maneira que ele consiga despertar no aluno atitudes, habilidades e
conhecimento, que conduzam o futuro profissional a ser além de um técnico
propriamente, um profissional com o perfil que prevê a Resolução CNE/CES nº. 1133,
de 07 de agosto de 2001 – um enfermeiro “generalista, humanista, crítico e reflexivo”
(grifo nosso).
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabemos que o século XX foi palco de mudanças profundas, na área social,
política e científica. Várias descobertas científicas vêm alterando significativamente o
agir tradicional dos profissionais da saúde e os valores quanto à saúde das pessoas.
Vários foram os papéis que a enfermagem assumiu no decorrer da história da
humanidade, sempre procurando se ajustar a realidade cultural e histórica segundo o
contexto social estava vivendo. Por exemplo, nos momentos de guerra, os pacientes
necessitavam terem ao seu lado, profissionais de enfermagem com o perfil da
enfermeira militar, que não mediam esforços para combater as doenças e socorrer os
feridos de guerra. Com isso, foi se desenvolvendo ao longo dos tempos, sempre
procurando construir seu perfil profissional segundo as necessidades de seus pacientes.
Fato esse que permanece até os dias atuais, pois, imensa é a influência da
tecnologia na saúde humana. A cada minuto novas pesquisas e novos equipamentos
estão sendo ofertados à população em geral com a finalidade de auxiliar no
restabelecimento da saúde e bem-estar do ser humano.
Com isso surge a necessidade da enfermagem acompanhar esse novo papel que a
sociedade contemporânea esta desenhando. Para tanto, as Faculdades e Universidades
estão se mobilizando através dos Projetos Políticos Pedagógicos do Curso para
formarem enfermeiros que agreguem além do perfil histórico um novo papel, ou seja, o
de um profissional acima de tudo, humano, capaz de tomar decisões quando em
situações de conflito, criativo, comprometido com a saúde do paciente e da comunidade,
envolvido no compromisso social, e principalmente, ser capaz de refletir sobre suas
atitudes, habilidades de competências profissionais.
No momento atual, a formação profissional do enfermeiro encontra-se centrada
no modelo da racionalidade técnica, quer dizer, no cumprimento de normas e rotinas.
Modelo esse denominado por Contreras (2002), de racionalidade técnica, o qual torna o
profissional incapaz de lidar com situações imprevisíveis, já que é razão pura. Portanto,
para determinadas situações não existem regras ou, se elas existem, não contemplam a
solução do problema, o que normalmente ocorre quando nos deparamos com situações
as quais envolvem conflitos de valores.
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Para que tal fato não se perpetue, é fundamental propor que os profissionais da
Enfermagem passem a ter uma formação não apenas fundada na racionalidade técnica,
mas num modelo que Contreras (2002) chamou de Prática Reflexiva, o paradigma da
pós-modernidade.
Em um país como o Brasil, em que o serviço público de saúde funciona de
forma precária, a visão empresarial tem marcado fortemente a prática da saúde, de sorte
que é imperioso colocar em questão a formação dos profissionais da enfermagem,
sobretudo numa época em que a saúde se tornou, para muitos, um negócio lucrativo.
Esse é um ponto importante, que só vem a reforçar a necessidade de se pensar, no
âmbito dos processos formativos a formação do enfermeiro, que esse não seja um
técnico agindo de forma mecânica, sendo simplesmente um mero assistente da doença.
Assim, demonstra-se que, além da formação técnica do enfermeiro, existe a necessidade
da formação de profissionais reflexivos, aptos a lidarem com situações práticas, ou seja,
um profissional formado nos moldes da Prática reflexiva, segundo preconiza Contreras
(2000). O enfermeiro(a) da pós-modernidade.
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Conceitos e Aplicações. São Paulo: Roca, 2010.
1
Enfermeira, Especialista em Obstetrícia e Bioética, Mestre em Educação pela FCT- UNESP de Presidente Prudente,
Docente da Faculdade de Enfermagem de Presidente Prudente – UNIESP.
2
Enfermeira, Advogada, Especialista em Bioética, Mestre em Educação pela FCT-UNESP de Presidente Prudente,
Coordenadora da Faculdade de Enfermagem de Presidente Prudente – UNIESP
Texto Recebido em 23 de novembro de 2010.
Aprovado em 10 de dezembro de 2010.
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