X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 MODELAGEM MATEMÁTICA: A CONSTRUÇÃO SIGNIFICATIVA DO ENSINO DA GEOMETRIA Vlademir Marim Universidade Federal de Uberlândia [email protected] Ana Carolina Igawa Barbosa Universidade Federal de Uberlândia [email protected] Resumo: A modelagem matemática se apresenta como uma proposta alternativa para o ensino. Isso significa ir além das simples resoluções de questões matemáticas e levar a aquisição de uma melhor compreensão tanto da teoria quanto da natureza do problema a ser modelado. Trabalhamos neste projeto com a embalagem de um determinado chocolate, de forma a obter uma embalagem que utilizasse menos material para a sua fabricação. Este projeto teve como objetivo criar um modelo matemático utilizando a trigonometria durante o processo de modelagem. Com objetivo de propor uma embalagem “ótima”, que utilize uma menor área que comporte o mesmo volume, para o chocolate Toblerone de 100g, que leve em consideração apenas o fator economia de papel cartão para a fabricação do invólucro. Para que isso seja possível, deve-se mudar também a forma do chocolate, já que tanto a embalagem quanto o seu conteúdo estão na forma de prismas triangulares. Conclui-se que a caixa atual é a que gasta mais material para a fabricação e a embalagem na forma de cilindro circular reto é a que gasta a menor quantidade de papel cartão para sua fabricação, pois possui a menor área total, sendo esta a embalagem ideal procurada para solucionar a questão. Palavras-chave: Modelagem; Trigonometria; Geometria espacial. INTRODUÇÃO No Brasil a modelagem conquistou espaço a partir da década de 1980 com trabalhos desenvolvidos pelos professores Barreto, PUC do Rio de Janeiro e Bassanezzi, UNICAMP de Campinas-SP (BIEMBENGUT & HEIN, 2005). Sendo esses os precursores desta prática no país, que atualmente vêm tornando-se cada vez mais aplicada no campo educacional, científico e social. Segundo Bassanezi (1994), podemos compreender a modelagem matemática como o estudo de problemas ou situações reais como linguagem para a sua compreensão, simplificação e resolução com vistas à uma possível previsão ou modificação do objeto estudado. Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 1 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 A principal finalidade do processo de modelagem é desenvolver a capacidade de analisar e interpretar dados, testar hipóteses formuladas, criar modelos e verificar se eles são eficazes; dando condições para que os alunos possam entender um fenômeno e tenham condições de atuar para sua transformação. Desta forma, a matemática deve ser vista como uma disciplina dinâmica, pois quando se analisa uma situação do ponto de vista matemático, o processo de ensino-aprendizagem é desencadeado, estimulando a abstração, a criação de novos instrumentos matemáticos e a formulação de novas teorias. Assim, a única maneira que se tem de conduzir os alunos para a modelagem matemática, é expô-los uma ampla variedade de problemas e a uma ampla variedade de modelos. A Modelagem Matemática permite a interação do sujeito com o objeto de estudo sendo que o conhecimento não é inato nem transmitido, não está no sujeito nem no objeto, mas na forma de interação entre sujeito e objeto. Além do que, o aluno não é passivo e nem o professor é um simples transmissor de conhecimento, logo essa interação é uma construção contínua, dada pela invenção e descoberta (ARANHA, 1996), visto que essa interação pela descoberta é uma possibilidade de levar o aluno a ser cidadão crítico, participativo e reflexivo. A modelagem sempre faz apelo à realidade na qual está inserido o sistema que deu origem ao modelo com o qual se trabalha, sempre procurando verificar a adequação dos parâmetros selecionados e as implicações dessa seleção no inter-relacionamento desse sistema com a realidade com um todo (BIEMBENGUT, 1999). Assim, os modelos nem sempre são exatos. Devem-se explorar então, todos os detalhes do modelo, examinando as hipóteses, checando as precisões, efetuando os ajustes necessários que tornem o modelo adequado, fazendo as previsões que consigam validar as hipóteses. Não se devem abandonar os modelos porque eles são aproximados, pois em cada modelo encontra-se um caminho para chegar a uma previsão e tomar uma decisão na melhoria do sistema abordado. A partir de um modelo já existente, no caso a embalagem do chocolate suíço Toblerone, é que buscamos um modelo otimizado visando à obtenção de uma embalagem ótima, ou seja, que utilize o mínimo de material, onde caiba a mesma quantidade do produto, reduzindo os custos da embalagem e economizando papel. Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 2 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 Ao se propor uma nova embalagem para o produto, não é esperado que o fabricante troque a forma da caixa, já que o grande marketing da empresa está na forma tanto do chocolate quanto da caixa, que são patenteados e somente ela pode produzir chocolates na forma de prismas triangulares, e este é um dos grandes fatores que contribuem para o sucesso deste chocolate que possui 98 anos de tradição. Este projeto teve como objetivo criar um modelo matemático que utilize a trigonometria durante o processo de modelagem. O objetivo específico é propor uma embalagem ótima, que utilize a menor área onde caiba o mesmo volume, para o chocolate Toblerone de 100g, que leve em consideração apenas o fator economia de papel cartão para a fabricação da mesma e para que isso seja possível, deve-se mudar também a forma do chocolate, já que tanto a embalagem quanto o seu conteúdo estão na forma de prismas triangulares. Visando a economia de material na fabricação da embalagem, qual a forma ótima para a embalagem do chocolate Toblerone de 100g? A partir desta pergunta, seguiremos os passos do processo de modelagem. OS PROCESSOS DA MODELAGEM MATEMÁTICA Existem infinitos tipos de embalagens, isto porque cada uma corresponde a um tipo de marketing. Alguns fabricantes investem mais na estética, pois esta é a principal característica que “encanta os olhos” dos consumidores. Quanto mais diferente, colorida for a embalagem mais atenção ela recebe. Sabe-se que ao comprar um produto não só se paga por este como também por sua embalagem. Dessa forma, quanto mais cara é a embalagem, mais caro fica o preço final do produto. Atualmente, ante a concorrência, o fabricante ou o comerciante além de procurar oferecer um bom produto, com boa aparência, necessita detectar as diversas variáveis que permitem baratear o produto, em particular a embalagem. Na embalagem uma das propostas é estabelecer um formato adequado que utilize a quantidade mínima de material e o máximo aproveitamento ou o volume. Por este motivo propõe-se uma nova forma de embalagem para o chocolate, a fim de baratear o preço para o consumidor, reduzir o custo para o fabricante, assim como o desperdício de papel. Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 3 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 Não é interesse deste projeto o desperdício de papel no momento que se faz o corte do material para a fabricação das embalagens, já que é proposto um modelo planificado, reduzindo a utilização da cola na hora de agrupar as partes. Utiliza-se como base a embalagem de chocolate de 100g que possui a forma de um prisma triangular regular com arestas da base medindo 3,5cm e altura hT igual a 21cm. Para calcular a quantidade de material de uma embalagem de qualquer forma temos que abri-la, ou seja, planificá-la. A planificação desta embalagem nos fornece dois triângulos equiláteros cujas arestas medem 3,5cm e três retângulos de medidas 3,5 cm e 21 cm. A partir destes dados podemos calcular a quantidade de material utilizado para a fabricação da embalagem. Como os triângulos que compõem a embalagem do chocolate são equiláteros, ou seja, são polígonos regulares, eles podem ser inscritos em uma circunferência de raio r 2 h , onde h é a altura do triângulo da base. 3 Utilizando o software Geogebra, construímos o triângulo equilátero cujas arestas medem 3,5cm, traçamos todas as bissetrizes do triângulo e encontramos o ponto D que é o “incentro” do triângulo. Depois traçamos uma circunferência de centro em D cujos vértices do triângulo constituem pontos da circunferência. Para acharmos a medida do raio traçamos o segmento CD e encontramos o raio igual a 2,02cm conforme a figura 2. Figura 1 Figura 2 Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 4 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 Utilizando a trigonometria podemos calcular a medida da altura do triângulo da base em função do lado. O triângulo formado pelo incentro e os vértices da base formam um triângulo isósceles, ou seja, com dois lados congruentes. Assim pela figura 3, temos que x=y. Desta forma. cos 30 l x x y l 2x y 3 x 2 r 2x r 3 x x r l 2x l 2*r l r 3 3 2 3 r 2 Figura 3 A partir da medida do lado, pode-se calcular a área da base do triângulo (ABT), assim como o volume (VT) e a área total (ATT) do prisma triangular regular: ABT ABT ABT ABT ABT l2 3 4 (r 3 ) 2 * 3 4 2 3r 3 4 3( 2,02 ) 2 3 4 5,30 cm 2 VT VT VT ABT * hT 3r 2 3 * hT 4 111,31cm 3 ATT ATT ATT 2 * (3r 2 3 ) 3 * l * hT 4 (3r 2 3 ) 3 * ( r 3 ) * hT 2 231,11cm 2 Após esta etapa é necessário propor novos formatos para a embalagem, mas que mantenham o mesmo volume, os modelos propostos serão todos polígonos regulares inscritos na circunferência de raio r = 2,02cm. Utilizando a mesma circunferência, mas modificando o polígono inscrito - um quadrado - obtêm-se a figura 4. Novamente o triângulo formado entre o incentro e os vértices do quadrado é isóscele, desta forma, temos que x = y, pois a altura m do triângulo divide a base em dois segmentos congruentes. Desta forma temos que: Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 5 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 x r cos 45 l x x y l 2x y 2 x 2 r 2x r 2 x r 2 2 l 2x l 2 r l r 2 2 2 Figura 4 A partir desta fórmula, podemos determinar em função do raio r a área AQ, assim como o volume VQ e a área total ATQ do prisma quadrangular regular. Desta forma, tem-se que: AQ (r 2 ) 2 AQ 2r 2 VQ AQ * hQ AQ 2(2,02 ) 2 VQ 2r 2 * hQ AQ 8,16 cm 2 ATQ 2 * AQ 4 * r 2 * hQ Como hT mede 21 cm e levando-se em consideração que as embalagens devem ter o mesmo volume, podemos calcular a altura HQ e a área total do prisma quadrangular ATQ. VT VQ (3r 2 3 ) * hT 2 r 2 * hQ 4 3r 2 3 hQ * hT 8r 2 hQ hQ hQ 3 3 * hT 8 3 3 * 21 8 13,64 cm ATQ 2 * AQ 4 * r 2 * hQ ATQ 2 * (r 2 ) 2 ATQ 2 * (r 2 ) 2 ATQ 4r 2 ATQ 4(2,02 ) 2 ATQ 172 ,18cm 2 4 * r 2 * hQ 4 * r 2 * 13,64 4 * r 2 * hQ 4 * ( 2,02 ) * 2 * 13,64 Após os cálculos temos que ATT > ATQ 231,11cm2 > 172,18cm2 Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 6 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 A diferença entre as áreas é pequena, porém quando somado a milhares de embalagens, essa diferença é significativa. Analogamente propomos um novo formato para a embalagem, modificando a base e a altura do prisma, mas mantendo o volume calcularemos os dados relativos a um cilindro circular reto cujo raio mede 2,02cm. *r2 AC * (2,02 ) 2 AC AC VC AC * hC 2 VC 12 ,82 cm 2 * r * hC ATC 2 AC 2 * * r * hC ATC 2( r 2 ) 2 * * r * h C ATC 2 r (r hC ) A partir destas fórmulas e do princípio de que os prismas triangular e o cilindro devem ter o mesmo volume determinamos a medida da altura hC do cilindro e a área total do mesmo ATC. VT VC 3r 2 3 * hT 4 3r 2 3 hC 4 r2 hC hc hC * r 2 * hC 3 3 * hT 4 ATC 2 * * r * (r hC ) ATC 2 * * 2,02 * ( 2,02 8,68 ) ATC 135 ,80 cm 2 3 3 * 21 4 8,68 cm Comparando com os resultados obtidos temos que: ATT > ATQ > AC 231,11cm2 > 172,18cm2 > 135,80cm2 Organizando os dados calculados obtemos a seguinte tabela: Tabela 1: Formas das embalagens Forma da embalagem Prisma triangular regular Prisma quadrangular regular Número de Área da base 2 Área total 2) Altura lados (cm ) (cm (cm) 3 5,30 231,11 21,00 4 8,16 172,18 13,64 Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 7 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 Cilindro 0 12,82 135,80 8,68 Analisando a relação entre a área total e a área da base, podemos observar que quanto maior o número de lados do polígono da base, isto é, quanto maior a área da base menor a área total do prisma. Então quanto mais lados têm o polígono regular da base, mais esta área se aproxima de um círculo. Desta forma, maior será a área da base e menor será a área total do prisma. Assim, a base que possui a maior área da base é o cilindro circular reto. Portanto, a embalagem que utilizaria a menor quantidade de papel cartão para a fabricação é a embalagem que possui a forma de um cilindro circular reto, com raio igual a 2,02cm e altura igual a 8,68cm. Mesmo após todos os cálculos é necessário chegarmos a um modelo matemático dito genérico que comprove que o cilindro circular reto é a melhor opção de embalagem. Faremos então, os cálculos para qualquer polígono regular de n lados, inscrito na circunferência de r, neste caso r = 2,02 cm. Desta forma, se o polígono tem n lados, podemos formar n triângulos cujos vértices é o incentro e dois vértices do polígono, conforme a figura 5. Assim, é possível calcular a soma de todos os ângulos internos do polígono SAI e consequentemente a medida de cada ângulo interno do polígono AI. SAI (n 2) *180 AI (n 2) *180 n Com base na última fórmula e na figura 6, podemos calcular a medida do ângulo que é dada por (n 2) *180 2n (n 2) * 90 . n Considerando os vértices A0 e A1 do polígono inscrito na circunferência, como mostra a figura 5, conseguimos um triângulo genérico. Desta maneira, podemos calcular a aresta l do polígono, bem como a altura m do triângulo. O cálculo é feito da seguinte maneira: Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 8 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 l x y x y l 2x x l 2x sen l 2r cos cos m x r r cos m r rsen Figura 5 A partir da medida da aresta em função do raio, podemos determinar a área da base AN, assim como a área total ATN do prisma de n lados. ABN ABN ABN b*h 2 n * (2r cos * rsen ) 2 2 n * r cos * sen n* VN AN * hN VN nr 2 sen cos * hN Partindo do princípio que os polígonos estão inscritos na mesma circunferência e os primas devem ter o mesmo volume, podemos determinar a altura hN do polígono de n lados e a área total AN do mesmo. VT VN 3r 2 3 * hT nr 2 cos * sen * hN 4 3 3 * hT hN 4 * n * cos * sen ATN 2 * ABN n * (l * hN ) ATN 2nr 2 cos sen n ATN 2nr 2 cos sen 3r 3hT 2 sen ATN 2n(2,02 ) 2 cos sen ATN 8,1608 n cos sen (2r cos )(3 3hT ) 4nsen cos 3(2,02 ) 3 (21) 2 sen 110 ,2103929 sen Calculando o limite da função da área da base do polígono regular de n lados, ABN, quando n tende a infinito obtemos 12,818cm2, o que confirma que quanto mais lados o polígono da base tiver, mais sua área se aproximará da área da circunferência que é de 12,82cm2. Analogamente, calculando o limite da área total do prisma regular Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 9 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 de n lados, ATN, com n tendendo a infinito obtemos 135,796cm2, cujo valor se aproxima da área total do cilindro proposto como ideal que é de 135,80cm2. A partir da análise dos limites calculados podemos concluir que: ABN AC ATN ATC ABN 12,82cm 2 ATN 135 ,80 cm 2 Desta forma, conclui-se que a caixa atual do chocolate Toblerone é a embalagem que gasta mais material para a fabricação como foi mostrado nos cálculos e nos gráficos expostos e a embalagem na forma do cilindro circular reto é a embalagem que gasta a menor quantidade de papel cartão para sua confecção, pois possui a menor área total, sendo esta a embalagem ideal procurada para solucionar a questão. Encontrado o modelo matemático, é necessário propor novos formatos para a embalagem de modo a validar o mesmo. Utilizando as fórmulas definidas para qualquer polígono de n lados, com n assumindo os valores 5, 6 e 8, podemos determinar as áreas da base, a área total e a altura destes prismas. Os valores foram tabulados de acordo com a tabela 2 e a relação entre a área da base e a área total é mostrada na figura 6. Tabela 2: Forma das Embalagens Forma da Número de vértices Área da base 2 Área total 2 Altura embalagem do polígono (n) (cm ) (cm ) (cm) Prisma triangular 3 5,30 231,11 21,00 Prisma quadrangular 4 8,16 172,18 13,64 Prisma pentagonal 5 9,70 155,59 11,47 Prisma hexagonal 6 10,60 148,46 10,50 Prisma octogonal 8 11,54 142,31 9,64 Cilindro 0 12,82 135,80 8,68 Comparando estes resultados temos que: ATT > ATQ > ATP > ATH > ATO > ATC 231,11cm2 > 172,18cm2 > 155,59cm2 > 148,46cm2 > 142,31cm2 > 135,80cm2 Após a análise dos dados, notamos que o modelo matemático proposto continua valendo após a validação, ou seja, qualquer prisma regular de n lados inscrito na Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 10 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 circunferência de raio 2,02cm possui área total maior do que a área total do cilindro reto. Relação Área total X Área da base 250 Área Total 200 150 100 50 0 5,30 8,16 9,70 10,6 11,54 12,82 Área da base Figura 6 – Relação área total x área da base CONCLUSÃO Após todos os cálculos e todas as demonstrações contatou-se que a embalagem que utiliza menor quantidade de material para produzi-la é a que possui a forma de cilindro circular reto com raio igual a 2,02cm e altura igual a 8,68cm. Assim, a caixa proposta é capaz de armazenar a mesma quantidade de chocolate como a do modelo original. Destaca-se neste projeto, utilizando o processo de modelagem, uma forma diferente de se trabalhar a trigonometria, a geometria espacial, além de outros conteúdos matemáticos, de forma diferente da convencional. Utilizando a modelagem matemática para o ensino, percebe-se que os alunos podem aprender e aplicar a matemática em seu cotidiano de uma forma contextualizada, consequentemente minimizando a não aprendizagem. Na ação de modelar, dentro do processo de modelagem, pode-se vislumbrar uma aprendizagem por excelência, isto é, tornar o aprendiz capaz de comunicar, de apreender e compreender, de enfrentar novas situações, resolver problemas, aprendendo com isso não apenas o mero domínio de técnicas matemáticas, principalmente de cálculos, e sim desenvolver as habilidades necessárias para a sua vida. Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 11 X Encontro Nacional de Educação Matemática Educação Matemática, Cultura e Diversidade Salvador – BA, 7 a 9 de Julho de 2010 A mudança do ensino da matemática para essa nova perspectiva pode significar a obtenção de um ambiente de aprendizagem culturalmente sensitivo. Também pode significar a otimização de currículos, a introdução de novas tecnologias, das normas da sala de aula ou na introdução de métodos de resolução de problemas, de conhecimentos, de práticas ou de crenças dos professores e alunos, no sentido de proporcionar uma aprendizagem de qualidade e que seja significativa ao aluno no momento de grandes transformações técnicas e científicas em que vivemos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. Editora Moderna. 1996. BASSANEZI, R. Modelagem Matemática, Dynamis, V.1, n.7, p.55-83. Blumenau-SC: Abr/Jun 1994. BIEMBENGUT, M.S. Modelagem matemática e implicações no ensino aprendizagem de matemática. Blumenau: FURB, 1999. BIEMBENGUT, M. S.; HEIN, N. Modelagem Matemática no Ensino. São Paulo: Editora Contexto, 2005. Anais do X Encontro Nacional de Educação Matemática Relato de Experiência 12