UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO PROFISSIONAL EM ADMINISTRAÇÃO JOÃO MATHEUS FRANÇA BEZERRA A HEURÍSTICA DA ANCORAGEM E SEUS EFEITOS EM ESTIMATIVAS DE PREÇO: um estudo com produtos da cesta básica. Natal-RN 2011 JOÃO MATHEUS FRANÇA BEZERRA A HEURÍSTICA DA ANCORAGEM E SEUS EFEITOS EM ESTIMATIVAS DE PREÇO: um estudo com produtos da cesta básica. Dissertação apresentada como requisito à obtenção do título de mestre em Administração do Programa de Pós-Graduação do Mestrado Profissional em Administração da Universidade Potiguar - Laureate International Universities. Orientador: Prof. Dr. Rodrigo José Guerra Leone. Natal-RN 2011 B574h Bezerra, João Matheus França. A Heurística Da Ancoragem E Seus Efeitos Em Estimativas De Preço / João Matheus França Bezerra. – Natal, 2011. 102 f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Potiguar. Pró-Reitoria de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação. Referencias: f. 84-89. 1. Administração – Dissertação. 2. Finanças Comportamentais. 3. Heurísticas de Decisão. I Título. RN/UnP/BCM CDU: 658 (043) JOÃO MATHEUS FRANÇA BEZERRA A HEURÍSTICA DA ANCORAGEM E SEUS EFEITOS EM ESTIMATIVAS DE PREÇO: um estudo com produtos da cesta básica. Dissertação apresentada como requisito à obtenção do título de mestre em Administração do Programa de Pós-Graduação do Mestrado Profissional em Administração da Universidade Potiguar - Laureate International Universities. Data da Aprovação: _______/_______/_______. BANCA EXAMINADORA ___________________________________________ Prof. Rodrigo José Guerra Leone, Dr. Orientador __________________________________________ Prof. Kléber Cavalcanti Nóbrega, Dr. Membro Interno - UnP ___________________________________________ Prof. José Dionísio Gomes da Silva, Dr. Membro Externo DEDICATÓRIA A Deus, meu Senhor soberano e responsável por minha existência; A Ele toda honra e toda glória. Aos meus pais Assis (in memorian) e Mundinha, primeiro por terem me concebido, e, como se isso já não fosse o bastante... Pelo carinho e confiança que sempre me devotaram; Pela dignidade e honradez na qual superaram todas as dificuldades encontradas na educação dos seus três filhos; Pelos conselhos sábios quando precisei; Por saberem dizer “não” na hora certa; Pelo caráter humano que demonstraram durante toda minha existência; Pelo legado de ensinamentos e sabedoria deixado ao longo da vida de forma incondicional; Pela forma como me conduziram nos caminhos da vida até que eu me tornasse um verdadeiro cidadão...A vocês o meu reconhecimento. Aos meus irmãos André e Rafaela, com os quais compartilho os momentos mais importantes da minha vida. A minha sobrinha Ana Beatriz, por trazer alegria à nossa casa. AGRADECIMENTOS Ao professor Dr. Rodrigo Leone, meu orientador, pela disponibilidade e presteza com que sempre me recebeu em sua orientações, bem como pelos esclarecimentos às minhas dúvidas e pela sabedoria empregada na condução desta importante etapa da minha vida. Aos professores do mestrado: Dra. Tereza Souza, Dr. Domingos Fernandes Campos, Dr. Kléber Cavalvanti Nóbrega, Dra. Patrícia Whebber S. de Oliveira, Dra. Nilda Maria de C. Pinto Guerra Leone e Dr. Alípio Veiga Neto pelo incentivo e aprendizado repassado. Aos meus amigos do mestrado, em especial, Moisés, Judson, Georgiana e Michelle, meus companheiros de viagem, pelos conhecimentos compartilhados e pelas dificuldades por nós vencidas. A minha amiga Profa. MSc. Adriana Martins, meu espelho profissional, pelo apoio dado, não só no mestrado, mas em toda vida acadêmica. A minha namorada Tâmara Tavares, pelo apoio, compreensão e carinho. A todos que fazem a Múltipla Consultoria, minha segunda casa, pelo suporte dado durante as minhas ausências. Ao meu amigo Raimundo Falcão, com quem pude aprender coisas que somente a vida pode ensinar. Obrigado pelo apoio e pelos ensinamentos. Enfim, a todos que de algum modo colaboraram com a conclusão deste projeto, o meu agradecimento. RESUMO As Finanças Comportamentais correspondem a uma ramificação da teoria financeira que busca explorar os aspectos psicológicos dos indivíduos no momento de avaliação e precificação de ativos financeiros. Considerando que as decisões dos indivíduos nem sempre são tomadas de forma puramente racional, a teoria comportamental descreve que as pessoas recorrem a atalhos mentais em suas escolhas, visando a simplificação do processo decisório. Tais atalhos mentais são classificados como heurísticas de julgamento, aplicadas para ativar probabilidades e estimar valores de quantidades incertas, dando agilidade a decisão. Neste contexto das heurísticas de julgamento está a heurística da ancoragem e ajustamento, que traz a concepção de que as pessoas realizam suas estimativas partindo de um valor inicial, que é ajustado revelando a resposta ideal esperada pelo julgador. Este marco inicial, pode ser sugerido por um precedente histórico, pela maneira ao qual um problema é apresentado ou por uma informação aleatória lançada pelo ambiente em que as pessoas estão inseridas. Nesta perspectiva, esta pesquisa levanta o seguinte questionamento: Quais os efeitos da heurística da ancoragem em estimativas de preços para produtos da cesta básica? Assim, este estudo tem como objetivo identificar os efeitos da heurística da ancoragem em estimativas de preços para produtos da cesta básica. Para tanto, realizou-se uma pesquisa empírica com clientes de supermercados, mediante aplicação de questionário, para que estes realizassem estimativas numéricas para itens da cesta básica, com indicação do valor estimado para cada produto, bem como a grau de confiança para o valor atribuído e o nível de essencialidade de cada produto avaliado. Observou-se que a ancoragem está presente tanto nas estimativas com base em âncoras altas, como nas âncoras baixas, sendo que seus efeitos são mais evidentes nas âncoras baixas. No que tange a relação ancoragem, confiança e essencialidade dos produtos, a regressão linear indica que há uma baixa relação entre a ancoragem, a confiança e a essencialidade dos produtos. Assim, os dados da pesquisa confirmam que o valor das estimativas individuais podem ser influenciadas por valores âncoras, dada a confiança do julgador e a essencialidade do produto avaliado. Palavras-Chave: Finanças Comportamentais. Heurísticas de Decisão. Ancoragem. ABSTRACT The Behavioral Finance correspond to a branch of financial theory that seeks to explore the psychological aspects of individuals at the time of evaluation and pricing of financial assets. Whereas the decisions of individuals are not always taken in a purely rational behavior theory describes the mental shortcuts people use in their choices, in order to simplify the decision process. Such mental shortcuts are classified as judgmental heuristics, applied to activate probabilities and estimate values for uncertain quantities, giving the decision agility. In the context of the trial is heuristic of anchoring and adjustment heuristic, which brings the idea that people make their estimates starting from an initial value, which is set revealing the ideal response expected by the judge. This milestone may be suggested by a historical precedent for the way in which a problem is presented or a random information released by the environment in which people are inserted. In this perspective, this research raises the question: What are the effects of the anchoring heuristic estimates of prices for basic food products? Thus, this study aims to identify the effects of the anchoring heuristic estimates of prices for basic food products. To this end, we carried out an empirical study with supermarket customers, through a questionnaire, so that they perform numerical estimates for items in the basket, giving the estimated value for each product, as well as the degree of confidence to the value assigned and the level of essentiality of each product reviewed. It was observed that the anchor is present in both the anchors based on estimates as high as the low anchor, and its effects are most evident in the lower anchors. Regarding the relationship anchoring, trust and essentiality of the products, linear regression indicates that there is a mismatch between the anchorage, the confidence and the essential nature of the products. Thus, the survey data confirm that the value of the individual estimates may be influenced by anchor values , given the confidence of the judge and the essentiality of the product evaluated. Keywords: Behavioral Finance. Decision Heuristics. Anchoring. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Função Utilidade Neutralidade ao Risco ...................................................20 Figura 2 - Função Utilidade Aversão ao Risco ...........................................................21 Figura 3 - Curva de Utilidade .....................................................................................23 Figura 4 - Curva de Risco-Utilidade ...........................................................................24 Figura 5 - Função Valor..............................................................................................26 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Extratos do Grupo de Calibragem ...........................................................56 Gráfico 2 - Âncora Baixa ............................................................................................59 Gráfico 3 - Índice de Ancoragem e Confiança (Âncora Baixa)...................................61 Gráfico 4 - Índice de Ancoragem e Essencialidade (Âncora Baixa) ..........................63 Gráfico 5 - IA, Confiança e Essencialidade (Âncora Baixa).......................................64 Gráfico 6 - Âncora Alta ...............................................................................................69 Gráfico 7 - Índice de Ancoragem e Confiança (Âncora Alta)......................................70 Gráfico 8 - Índice de Ancoragem e Essencialidade (Âncora Alta) .............................73 Gráfico 9 - IA, Confiança e Essencialidade (Âncora Alta) ..........................................74 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Extratos do Grupo de Calibragem ............................................................55 Tabela 2 - Percentis de Distribuição ..........................................................................57 Tabela 3 - Mediana das Estimativas dos Grupos Experimentais ...............................58 Tabela 4 - Índices de Ancoragem por Produto (Âncora Baixa) ..................................58 Tabela 5 - Relação: IA e Confiança (Âncora Baixa) ...................................................60 Tabela 6 - Relação: IA e Essencialidade (Âncora Baixa) ...........................................62 Tabela 7 - Coeficientes de Correlação (Âncora Baixa) ..............................................65 Tabela 8 - Coeficientes de Análise de Regressão (Âncora Baixa).............................66 Tabela 9 - Índices de Ancoragem por Produto (Âncora Alta) .....................................68 Tabela 10 - Relação: IA e Confiança (Âncora Alta) ....................................................69 Tabela 11 - Relação: IA e Essencialidade (Âncora Alta) ............................................72 Tabela 12 - Coeficientes de Correlação (Âncora Alta) ...............................................75 Tabela 13 - Coeficientes de Análise de Regressão (Âncora Alta)..............................76 Tabela 14 - Extratos Gerais .......................................................................................77 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................12 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA DE PESQUISA ......................................12 1.2 OBJETIVOS .........................................................................................................15 1.2.1 Objetivo Geral..................................................................................................15 1.2.2 Objetivos Específicos .....................................................................................15 1.3 JUSTIFICATIVA....................................................................................................15 2 REFERENCIAL TEÓRICO .....................................................................................18 2.1 TEORIA DA DECISÃO .........................................................................................18 2.2 TEORIA DA UTILIDADE ESPERADA ..................................................................19 2.3 TEORIA DOS PROSPECTOS .............................................................................23 2.4 TEORIA DA RACIONALIDADE LIMITADA...........................................................27 2.5 HEURÍSTICA DE JULGAMENTO ........................................................................29 2.5.1 Heurística da Disponibilidade ........................................................................30 2.5.2 Heurística da Representatividade .................................................................32 2.5.3 Heurística da Acoragem e Ajustamento........................................................34 2.6 MENSURAÇÃO E EFEITOS DA ANCORAGEM..................................................36 2.6.1 Mensuração da Ancoragem em Estimativas de Valores Incertos ..............37 2.6.2 Os Efeitos da Ancoragem em Tarefas de Estimação...................................39 3 METODOLOGIA .....................................................................................................44 3.1 TIPO DE PESQUISA............................................................................................44 3.2 UNIVERSO/AMOSTRA........................................................................................45 3.3 COLETA DE DADOS............................................................................................47 3.3.1 Variáveis Analíticas.........................................................................................47 3.3.2 Instrumento de Coleta ....................................................................................48 3.3.3 Plano de Coleta ...............................................................................................50 3.4 TRATAMENTO DOS DADOS ..............................................................................51 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ......................................55 4.1 GRUPO DE CALIBRAGEM..................................................................................55 4.2 GRUPO EXPERIMENTAL - ÂNCORA BAIXA......................................................58 4.2.1 Análise Descritiva ...........................................................................................58 4.2.2 Análise de Correlação e Regressão ..............................................................64 4.3 GRUPO EXPERIMENTAL - ÂNCORA ALTA ........................................................67 4.3.1 Análise Descritiva ...........................................................................................67 4.3.2 Análise de Correlação e Regressão ..............................................................75 5 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ...................................................................79 REFERÊNCIAS .........................................................................................................84 APÊNDICES ..............................................................................................................90 12 1 INTRODUÇÃO 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMA DE PESQUISA A teoria das finanças, na sua perspectiva mais tradicionalista, sugere que os agentes econômicos em suas decisões são seres racionais e aversos ao risco. Logo seriam guiados pela lógica e racionalidade, analisando todas as alternativas dispostas antes de tomar uma decisão. A validade deste arcabouço que preconiza o comportamento racional dos indivíduos em ambientes de risco e tomada de decisão, passa a não ser capaz de explicar a contento, os diversos fenômenos regularmente observados nos mercados financeiros em pesquisas empíricas realizadas nas últimas décadas, uma vez que não leva em consideração os fatores emocionais e psicológicos, que podem afetar a racionalidadade do processo decisório. Neste sentido, o estudo apresentado por Simon (1959) sobre os efeitos do comportamento humano em seus julgamentos, evidenciam que o processo decisório nem sempre é racional e que os indivíduos muitas vezes são levados a tomar decisões incorretas por vieses cognitivos como excesso de certeza e aversão a perda, culminando no processo de racionalidade limitada. Assim nos ambientes que envolvem risco, nem sempre as decisões são tomadas de maneira puramente racionais. Muitas vezes fatores emocionais influenciam o processo decisório, afastando os indivíduos da racionalidade plena e efetando diretamente o resultado dos julgamentos, uma vez que estes são realizados por pessoas carregadas de emoções. Nesta perspectiva, derivada da necessidade de compreender o comportamento dos indivíduos em suas decisões no mercado financeiro, surgem as Finanças Comportamentais, uma ramificação da teoria financeira que busca incorporar os aspectos psicológicos dos indivíduos ao processo de avaliação e precificação de ativos financeiros. Assim, este ramo das finanças tem como objetivo evidenciar traços de irracionalidade, possivelmente existentes em decisões sobre investimentos. O escopo das Finanças Comportamentais está na Teoria dos Prospectos apresentada por Kahneman e Tvesrky (1979), que expõem padrões de comportamento nunca reconhecidos antes pelos estudiosos e teóricos de processo 13 decisório. Tal estudo aponta duas deficiências humanas que causam esses padrões comportamentais: a primeira é o fato da emoção poder comprometer o autocontrole que é essencial à tomada racional de decisão, a segunda é o fato das pessoas na maioria das vezes não entenderem de forma clara com que estão lidando, criando em suas mentes molduras cognitivas. Estes estudos mostraram ainda que a irracionalidade em decisões e escolhas ocorre também entre investidores, executivos e administradores. Kahneman e Tversky (1974), estabelecem e definem padrões de comportamento em ambientes de risco denominados heurísticas de julgamento. Estas heurísticas funcionam como padrões de decisão ou atalhos mentais e podem levar a erros de avaliação uma vez que os indivíduos não consideram todas as informação disponíveis para tomar a decisão ideal. Na pesquisa os autores descrevem três heurísticas cognitivas: Disponibilidade, Representatividade e Ancoragem e Ajustamento, como sendo as três principais heurísticas do comportamento humano. A heurística da disponibilidade, dispõe que o indivíduo ao avaliar um evento, recorre ao grau de ocorrências com que este evento esteve imediatamente disponível na sua memória. A representatividade sugere que ao fazer um julgamento, as pessoas tendem a procurar particularidades para que possam relacioná-las com esteriótipos formados anteriormente. A ancoragem e ajustamento, objeto deste estudo, é aquela em que se avalia a chance de ocorrência de um evento pela colocação de uma base (âncora) e se faz então um ajuste. Desta forma, o indivíduo começa a realização de suas avaliações a partir de um valor inicial, que é posteriormente ajustado para fins de uma decisão final. O valor inicial, ou ponto de partida, pode ser sugerido por um precedente histórico, pela maneira pela qual um problema é apresentado ou por uma informação aleatória. A tendência à ancoragem faz com que os investidores marquem uma determinada âncora mental. Formada esta âncora, a tendência é que novas informações não sejam tão valorizadas (BAZERMAN; MOORE, 2010). Considerando a significância dos fatores não racionais e suas possíveis influências no processo de tomada de decisão, Jacowitz e Kahneman (1995) criaram um modelo quantitativo de mensuração dos efeitos da ancoragem em tarefas de estimação de valores incertos. Para medir e analisar os efeitos da ancoragem, os 14 autores usam um indexador chamado de Índice de Ancoragem (IA). Tal índice pode ser usado para medir o fluxo da estimativa mediana dos sujeitos em direção à âncora aos quais foram expostos. Os valores do índice variam de 0 (para sujeitos sem nenhum efeito da ancoragem) a 1 (sujeitos expostos aos efeitos da ancoragem). Uma importante etapa para suprir as necessidades do consumidor é entender o comportamento deste agente. Nesta ótica, as finanças comportamentais têm demonstrado que o efeito ancoragem pode influenciar as decisões das pessoas, uma vez que estas muitas vezes fazem suas estimativas com base em um primeiro valor, e em seguida ajustam este valor inicial para produzir a resposta desejada. Assim, preços de produtos dispostos arbitrariamente podem servir como âncoras, afetando o consumidor no que tange a disponibilidade para pagar pelo produto que pretende adquirir (NUNES; BOATWRIGHT, 2004). Delimitando o tema, é oportuno esclarecer que a cesta básica compõe-se de treze produtos alimentícios, conforme Decreto Lei 399 de 1938 e corresponde as necessidades alimentares de um trabalhador adulto por dia de serviço. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos DIEESE (2011), a cesta básica representa em média cinquenta por cento do salário mínimo nas principais capitais do Brasil. Assim, estando os consumidores destes itens influenciados pelos efeitos da ancoragem em suas estimativas de preço, as decisões de consumo podem ser de certa forma, afetadas por tal evento. Nesta perspectiva, considerando a iminente relevância dos produtos da cesta básica para a economia, frente a necessidade de medir como a ancoragem pode influenciar nas estimativas de preço dos consumidores, para estes itens, levanta-se o seguinte questionamento: Quais os efeitos da heurística da ancoragem em estimativas de preços para produtos da cesta básica? Como provável resposta a esta problemática, acredita-se que as pessoas podem ser influenciadas pelos efeitos da ancoragem em suas atribuições de preço para tais produtos. Confirmada a hipótese de que as estimativas de valor para os produtos da cesta básica podem variar em função de valores arbitrários, os consumidores estarão sujeitos a erros de avaliação em seus julgamentos para tais itens, o que de certa forma poderia afetar as decisões de consumo destes. 15 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral • Analisar os efeitos da heurística da ancoragem em estimativas de preços para produtos da cesta básica. 1.2.2 Objetivos Específicos • Investigar influência das âncoras altas e baixas nas estimativas de preço para produtos da cesta básica. • Avaliar a relação da heurística da ancoragem com o nível de confiança dos participantes. • Verificar se os efeitos da ancoragem mantêm algum tipo de relação com a essencialidade dos produtos da cesta básica. 1.3 JUSTIFICATIVA A teoria comportamental tem evidenciado através dos seus estudos, como números arbitrários podem influenciar a tomada de decisão das pessoas. Considerando a onipresença e disponibilidade ao qual os preços relativos a bens e serviços estão dispostos ao consumidor nos mais diversos canais de comunicação, acredita-se que tais informações podem causar um impacto muito mais profundo sobre os clientes do que se possa imaginar, mesmo estando ou não dispostos a comprar (NUNES; BOATWRIGHT, 2004). Segundo Kotler (1998), as pessoas estão submetidas a fatores internos e externos que atuam diretamente sobre o comportamento de compra. Kotler e Keller (2006) asseguram que é necessário acompanhar permanentemente a conduta do consumidor no momento da compra. Para isso as organizações precisam conhecer os atributos mais valorizados pelos consumidores em suas decisões de compra. Desta maneira, conhecer o comportamento do consumidor e modo como este toma as suas decisões de consumo é algo relevante para as organizações que almejam melhores oportunidades de vendas. Nesta 16 perspectiva, Schiffman e Kanuk (2000) dispõem que o consumidor, pode sofrer influências psicológicas, pessoais, sociais e culturais. Considerando a dimensão psicológica, o fenômeno conhecido como efeito ancoragem descreve de que forma uma aleatória inicial pode sistematicamente influenciar as estimativas dos indivíduos. Assim, as pessoas muitas vezes fazem estimativas com base em uma primeira âncora, que pode ser irrelevante para a decisão final. Em seguida ajustam este valor inicial para produzir a resposta desejada. Ao servirem como âncoras, os preços dos produtos dispostos ao consumidor, podem comprometer a sua disponibilidade em pagar por aquilo que pretende adquirir (NUNES; BOATWRIGHT, 2004). Desta forma, considerando que a disposição do consumidor em pagar por um item pode variar sistematicamente de acordo com a forma em que os valores estão dispostos no ambiente de compras, acredita-se que a variância nesta disponibilidade de compra pode afetar tanto na demanda pelo produto, como na oferta de preço destes itens. Os produtos de cesta básica estão definidos pelo Decreto Lei 399 de 30 de maio de 1938, que determina a remuneração mínima devida ao trabalhador adulto, por dia normal de serviço. A referida Lei estabelece treze produtos alimentares (feijão, arroz, açúcar, farinha de mandioca, leite, óleo, manteiga, café, tomate, batata, banana, pão e carne) e suas respectivas quantidades capazes de satisfazer, em determinada época, as necessidades normais de alimentação de um trabalhador adulto. Considerando que os preços dos produtos possivelmente variam em função da quantidade demandada, e abstraindo ainda que, a demanda pode ser afetada pela disponibilidade do consumidor em pagar por determinado item, esta pesquisa se justifica pela necessidade de compreender como propensos consumidores, sobremaneira, podem ser influenciados em suas estimativas de preços para produtos da cesta básica, quando submetidos a valores arbitrários previamente dispostos (âncoras). Assim, dada a necessidade de investigar e disseminar o conhecimento sobre aspectos comportamentais do consumidor em suas estimativas de preço, este estudo se faz relevante no momento em que busca identificar a influência da heurística da ancoragem, em tarefas de valoração. Ante o exposto, a presente pesquisa justifica-se também, pela disseminação do conhecimento prático das 17 finanças comportamentais, uma vez que possibilita a comunidade em geral obter uma maior probabilidade de êxito em suas decisões de estimativa de preço, quando possuidoras do conhecimento da influência da heurística da ancoragem no processo de tomada de decisão. Em termos de gestão empresarial, as heurísticas de julgamento oferecem aos administradores uma simplificação do processo decisório, garantindo a estes avaliações corretas ou parcialmente corretas em um menor espaço de tempo. A compreensão de que uso inadequado das heurísticas pode levar a erros de julgamento, garante ao gestor o poder de decidir quando e onde usar tais ferramentas, eliminando os possíveis vieses que estes padrões de julgamento podem trazer ao processo decisório. O trabalho está apresentado em cinco capítulos, além das referências, apêndices e anexos. O capítulo de introdução contém a apresentação do trabalho, contextualização e problema de pesquisa, objetivos e justificativa. O segundo capítulo, de referencial teórico, é destinado a fundamentação teórica que alicerça a pesquisa, contendo uma revisão da literatuda necessária para a discussão dos resultados. No terceiro capítulo demonstram-se os procedimentos metodológicos da pesquisa. O quarto capítulo é destinado a apresentação e análise dos resultados obtidos. No capítulo quinto apresentam-se as conclusões, limitações do estudo e recomendações para futuras pesquisas. 18 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 TEORIA DA DECISÃO Uma vez consentido o livre arbítrio para que sejam feitas escolhas quando se têm esta alternativa, eminentemente os indivíduos estão expostos à situações onde o julgamento e a decisão são necessários para um direcionamento à melhor escolha entre as possibilidades disponíveis. Segundo Hammond, Keeney e Raiffa (2004, p. 17) “as decisões delimitam nossa vida. Tomadas consciente ou inconscientemente, com boas ou más consequências, elas representam a principal ferramenta utilizada para lidar com oportunidades, desafios e incertezas”. Assim a tomada de decisão é o “curso de ações escolhidas e determinadas como mais eficientes à disposição para o alcance dos propósitos visados no momento” (SIMON, 1970 apud SILVA; AMARAL, [2010]) . Desta forma, pode-se entender que a tomada de decisão é uma possível solução escolhida pelo decisor, após o exame de várias alternativas disponíveis. Assim, pode-se entender a Teoria da Decisão como um conjunto de técnicas que tem por objetivo ajudar o indivíduo a sistematizar e solucionar problemas. Bazerman e Moore (2010) dispõem que o campo da tomada de decisão pode ser, em linhas gerais, dividido em duas partes: o estudo dos modelos prescritivos e estudo dos modelos descritivos. Os modelos prescritivos estão voltados para o desenvolvimento de métodos para tomadas de decisão ideais. Já os modelos descritivos estão preocupados com a forma interligadas pelas quais as decisões são efetivamente tomadas. Ainda segundo os autores supracitados, o modelo descritivo deve ser adotado uma vez que, conhecer o processo decisório individual ajuda a conhecer os erros cometidos e na identificação da necessidade de novas estratégias. Além disso, a decisão ideal em muitas situações depende do comportamento de outras pessoas, assim para tomar a decisão certa seria necessário a reação dos outros às ações do decisor. Apesar de complexo, o processo decisório pode ser analisado e os problemas resolvidos, considerando um conjunto de oito elementos: problema, objetivos, alternativas, consequências, trocas, incerteza, tolerância ao risco, decisões inteligentes. Os cinco primeiros elementos constituem o núcleo central do 19 julgamento e podem ser aplicados a praticamente todas as decisões. Já os três últimos elementos ajudam a tornar mais claras as decisões em situações instáveis ou em andamento (HAMMOND; KEENEY; RAIFFA, 2004). Sob esta mesma perspectiva, Bazerman e Moore (2010) sugerem a divisão do processo racional de tomada de decisão em seis etapas: definição do problema, identificação de todos os critérios inerentes ao problema, ponderação dos critérios de acordo com as preferências do decisor, geração de possíveis alternativas, classificação das alternativas e identificação da solução. Percebe-se que as sugestões de etapas a serem seguidas para uma decisão racional são semelhantes do ponto de vista que fornecem uma ordenação útil para imaginização do que poderia ser a decisão ideal. De acordo com Souza (2009) o processo decisório depende ainda das crenças individuais do decisor. Segundo o referido autor, a fim de garantir aderência à Teoria da Decisão deve-se aceitar como válidas as seguintes afirmações: a ordem numérica das utilidades esperadas deve preservar as preferências do decisor sobre as respectivas consequências; a ordem numérica das utilidades esperadas deve preservar as preferências do decisor sobre as possíveis decisões; o decisor sempre escolhe a ação cujo valor da utilidade esperada é máximo. Considerando estas afirmativas como válidas, pode-se prescrever a melhor decisão a ser tomada pelo agente decisor sobre todas as suas possibilidades. 2.2 TEORIA DA UTILIDADE ESPERADA A Teoria da Utilidade Esperada (TUE) consiste em um modelo de tomada de decisão sob risco que preconiza um comportamento racional das pessoas diante de possibilidades de escolha. De acordo com Fischhoff (2010), a lógica básica desta teoria é simples, para cada opção de escolha, deve-se enumerar seus possíveis resultados, e para cada possível resultado, avaliar o valor esperado de que isso aconteça. Assim, avaliar a probabilidade da ocorrência de cada opção deve ser considerada. Computar a utilidade esperada de cada opção multiplicando-se a utilidade e da probabilidade de cada resultado, ela deve ser empreendidas, em seguida, fazendo a soma de resultados. Escolha a ação com maior utilidade esperada. 20 De acordo com Lima (2003, p. 11) a Teoria da Utilidade “supõe que o investidor avalia o risco de um investimento de acordo com a mudança que ele proporciona em seu nível de riqueza [...]”. Tal proposição sugere que o investidor indiferente ao risco pode ser representado em uma função linear, indicando que um aumento na receita teria o mesmo resultado para o agente, que uma redução de mesma magnitude. Assim, o eixo central da TUE está no pressuposto de que os indivíduos geralmente escolherão a alternativa com maior resultado econômico esperado, conforme Figura 1, onde na função, “u” seria a utilidade e “x” o valor esperado. Desta forma, segundo a Teoria da Utilidade Esperada, esta ótica racional do comportamento humano, neutro ao risco, explicaria, de forma plausível e eficiente, como se processam as decisões de consumo e investimento. Figura 1 - Função Utilidade Neutralidade ao Risco Fonte: Souza (2009) A crença na racionalidade influenciou o trabalho de muitos teóricos, ao longo do tempo, entre eles o matemático Daniel Bernoulli, a quem credita-se os estudos iniciais da TUE. Bernoulli (1954) dispõe que a determinação do valor de um item não deve ser baseada em seu preço, mas na utilidade que ele produz. Por outro lado, o preço de um item é dependente apenas dele próprio e é igual para todo mundo, já a utilidade, porém, é dependente das circunstâncias particulares da pessoa que faz a avaliação (DOROW, 2009; VIANA, 2005). Com esta observação Bernoulli leva a crer que os indivíduos atribuem valores diferentes para uma mesma quantia monetária, desta forma uma pessoa pobre atribui mais valor para uma determinada quantia do que uma pessoa rica. Nesta perspectiva, a utilidade decresce com o aumento da riqueza. 21 Quando as probabilidades refletem as crenças dos tomadores de decisão, em vez que o conhecimento científico, o cálculo produz utilidade esperada subjetiva (FISCHHOFF, 2010). Conforme pode-se observar na Figura 1, à medida que a riqueza aumenta, decresce a utilidade adicional devido a este aumento. Assim, matematicamente falando, a utilidade em função do dinheiro ou da riqueza é uma função côncava. A concavidade para os estados de riqueza denota que, a utilidade de receber $ 100 é maior do que a metade da utilidade de receber $ 200, dessa forma, o decisor prefere ganhar $ 100 com certeza à probabilidade de 50% (cinquenta por cento) de ganhar $ 200 ou nada. Esse comportamento é conhecido como aversão ao risco foi estudado mais adiante por Kahneman e Tversky (1979). Figura 2 - Função Utilidade Aversão ao Risco Fonte: Adaptado de Bernoulli (1954) Após publicação dos estudos de Bernoulli, sobre a Teoria da Utilidade Esperada, a subjetividade foi introduzida definitivamente à Teoria da Decisão. Desta forma, com a TUE, a avaliação subjetiva dos tomadores de decisão passou a ter um papel fundamental uma vez que os possíveis resultados e probabilidade passaram a não ser mais suficientes para determinar a decisão, na medida que a utilidade depende das circunstâncias específicas de quem faz a estimativa, não existindo mais razão para supor que os riscos estimados por cada indivíduo devam ser considerados de mesmo valor (CUSINATO, 2003). Na busca de um melhor entendimento e modelagem do comportamento dos tomadores de decisão, Von Neumann e Morgenstern (1944), deram uma valorosa contribuição à Teoria da Utilidade Esperada. Seus estudos forneceram a base axiomática para esta teoria pois demostram que a maximização da utilidade esperada 22 é equivalente à hipótese de que o comportamento de escolha satisfaz algumas restrições sob a forma destes axiomas. Desta forma, se tais axiomas são satisfeitos então é possível construir uma função utilidade esperada, que represente as preferencias de um indivíduo. Sendo plausíveis tais axiomas pode-se modelar o comportamento dos decisores através da aplicação da teoria. Assim, a TUE desenvolvida por meio dos postulados propostos pelos autores, teoriza o comportamento dos agentes econômicos (VIANA, 2005; CUSINATO, 2003). De acordo com Galdão e Famá (1998), os axiomas propostos por Von Neumann e Morgenstern (1944) são definidos como: Cancelamento, Transitividade, Dominância e Invariância. O primeiro propõe a eliminação, na análise, de qualquer estado da natureza que leve aos mesmos resultados, independentemente da escolha realizada. O segundo define que se a opção A é preferível em relação a alternativa B e B é preferível em relação a C, então A é preferível a C. Este axioma é preconiza que as preferências sejam representadas por uma escala ordinal de utilidade. O terceiro axioma propõe que, se uma determinada opção é melhor do que outra em certo estado e pelo menos tão boa em todos os outros estados, deve-se optar pela opção dominante. O quarto postulado, infere que diferentes representações do mesmo problema devem resultar na mesma escolha, ou seja, a escolha entre diversas opções deve ser independente da forma como estas opções são dispostas. Apesar das suas importantes contribuições para o processo decisório, a Teoria da Utilidade Esperada sofreu várias críticas, que geralmente estavam direcionadas a mensuração da utilidade e à relação feita com a satisfação dos tomadores de decisão. Numa destas críticas externada por Pareto (1906), fica o questionamento de que não existe uma forma clara para mensurar a utilidade uma vez que não se pode objetivamente medir o prazer e a felicidade dos indivívuos (CUSINATO, 2003). Kahneman e Tversky (1979) apesar de reconhecerem o mérito prescritivo da TUE, criticam o modelo observando que este não descreve de forma exata o método como os decisores avaliam as opções de escolha, principalmente em ambientes de risco. Segundo Kahneman e Tversky (1974) a TUE pressupõe o conhecimento, por parte do investidor das probabilidades de ocorrências de cada resultado possível, o que nem sempre acontece, uma vez que indivíduos não processam de forma objetiva todas as informações para se chegar a uma decisão racional, ao invés disto, utilizam atalhos mentais. 23 2.3 TEORIA DOS PROSPECTOS A Teoria dos Prospectos surge como uma alternativa ao modelo normativo de escolha racional e descritivo de tomada de decisão preconizado pela Teoria da Utilidade Esperada, representadada conforme Figura 3. Kahneman e Tversky (1979) levantam a discussão de que se faz necessário a compreensão de outros modelos do comportamento humano, além daqueles puramente racionais, como o da Teoria da Utilidade esperada, principalmente quando tais decisões envolvem perspectivas de risco. Assim, segundo os autores, cada decisão tende a ser avaliada de forma independente. Figura 3 - Curva de Utilidade Fonte: Adaptado de Tversky (1995) De acordo com Baldo (2007), a Teoria dos Prospectos difere da teoria da utilidade esperada em dois principais aspectos. O primeiro é que enquanto TUE considera como ponto de referência o estado final de riqueza do indivíduo, a Teoria dos Prospectos é definida sobre ganhos e perdas em relação a um certo ponto de referência. O segundo ponto de diferenciação, é que a função valor, definida pela teoria não é ponderada por probabilidades propriamente ditas, mas por uma função ponderação de probabilidades que representa a importância que cada pessoa atribui ao problema exposto. Questionando a aplicabilidade da TUE, Kahneman e Tversky (1979) apresentam três efeitos psicológicos aos quais os decisores estão expostos, aos quais classificaram como: efeito certeza, efeito reflexo, efeito isolamento. De acordo com o primeiro efeito, as pessoas tendem a considerar menos os resultados que são 24 prováveis em relação aos resultados considerados como certos. Por outro lado, quando ganhar é possível, mas o ganho não é certo, a maioria das pessoas prefere a probabilidade que oferece maior chance de ganho. Assim, o efeito certeza evidencia que no campo dos ganhos, as pessoas desenvolvem uma preferência por resultados obtidos com certeza ao risco de resultados prováveis, mesmo quando o ganho provável é relativamente maior. No outro extremo, quando ganhar torna-se possível, mas não provável, a maioria das pessoas escolhe a proposição de maior valor (BALDO, 2007; DOROW, 2009). A aversão ao risco no ambiente dos ganhos, associada a propenção de busca pelo risco no ambiente das perdas, foi denominada por Kahneman e Tversky (1979) como efeito reflexo. De acordo com os autores, quando as probabilidade de ocorrência de um evento são dispostos como ganhos ou como perdas, as preferências de risco dos investidores se alteram, passando de aversos ao risco em situações que envolvem ganhos para propensos ao risco no campo das perdas, conforme Figura 4. Figura 4 - Curva de Risco-Utilidade Fonte: Adaptado de Tversky (1995) Devido a esse comportamento de aversão ao risco em situações de ganhos, as pessoas apresentam uma propensão ao risco diante de possibilidades que envolvem perdas. Neste aspecto a Teoria dos Propectos se diferencia da Teoria da Utilidade Esperada, que supõe apenas aversão ao risco (BALDO, 2007; DOROW, 2009; BORGEA; BARROS, 2008). 25 Na pesquisa desenvolvida por Viana (2005), foi abordado o efeito miopia e a aversão à perda nas decisões de risco. O autor verificou que o nível de aversão à perda variou ao se controlar a frequência com que as pessoas avaliam suas perdas, mesmo com igual probabilidade de ganhos e prejuízos. Assim, a aversão ao risco neste estudo foi alterada conforme os elementos recebiam informações sobre seus ganhos e perdas, deixando de lado a decisão racional baseada nas probabilidades. Já o efeito isolamento, denota que a maioria dos investidores desconsidera os componentes comuns entre dois problemas iguais mas dispostos de formas diferentes. Assim, as escolhas dos indivíduos são influenciadas pelo modo como os problemas estão dispostos em termos de ganhos ou perdas, ou seja, a maneira como as possibilidades estão apresentadas permite que as escolhas sejam feitas de forma inconsistente e incoerente. Nesta ótica, este efeito demonstra uma disposição dos investidores em apresentarem preferências incoerentes, para problemas similares, porém demonstrados de forma diversa e separadamente (BALDO, 2007; DOROW, 2009). Considerando que as escolhas nem sempre são racionais, Kahneman e Tversky (1979) observam através de pesquisas experimentais com estudantes de graduação o comportamento decisório destes, explorando a busca pela simplificação de problemas para tomada de decisão em situações que envolvem risco. Deste modo, a base de sustentação da Teoria dos Prospecto é a crença de que o mais importante a se observar não é o resultado final esperado dos investimentos e sim as diferentes reações dos investidores em situações de ganhos e perdas. Nesta ótica, o escopo da teoria está na ideia que ganhos e perdas são avaliados relativamente a um ponto neutro de referência. Os resultados potenciais são expressos em termos de ganhos ou perdas relacionados a este ponto neutro fixado. Assim, maneira como o problema é apresentado pode alterar o ponto neutro de referência. Os indivíduos julgam a dor associada à perda como maior que o prazer associado ao ganho do mesmo tamanho. Há uma tendência a superavaliar eventos de pequena probabilidade e subavaliar eventos de média e grande probabilidade (KAHNEMAN; TVERSKY, 1979). A função demonstrada na Figura 5 denota a aversão ao risco. Definida em termos de ganhos e perdas, presupõe que as respostas dos indivíduos são mais extremadas em relação as perdas que aos ganhos. A inclinação mais acentuada no 26 lado das perdas sugere que estas são mais valorizadas que os ganhos. A curvatura da função em formato de “S” remete a interpretação de que as pessoas são aversas ao risco em ambientes de ganhos certos e propensas ao risco em situações que envolvem perdas. Além da aversão a perda, a teoria relata a interferência das estrutura mentais em tomadas de decisão para escolhas simples com resultados monetários e probabilidades declaradas. Ainda de acordo com esta teoria, as pessoas dão peso inferior aos resultados prováveis em comparação aos que são obtidos com certeza. Esta tendência chamada efeito certeza, contribuiu para a aversão ao risco nas escolhas que envolvem ganhos certos. Figura 5 - Função Valor Fonte: Adaptado de Bazerman; Moore (2008) A função valor proposta pela Teoria dos Prospectos diferencia-se da função utilidade proposta por Bernoulli (1954) em algumas aspectos. O primeiro é a representação matemática da função valor. Na teoria da utilidade esperada, esta função é representada por uma curva côncava, e definido em relação à alteração no estado de riqueza do indivíduos. Na Teoria do Prospectos, a função valor eperado possui um formato de “S”, para ganhos e perdas. Outra diferença é que, a curvatura da função utilidade na TUE se apresenta apenas de forma côncava como demonstrado na figura 1. Já na Teoria dos Prospectos, a curva “S” da função valor é côncava para os ganhos e convexa para as perdas, e evidencia uma perceptível redução em ambas as direções, tanto para ganhos quanto para perdas. Percebe-se ainda na curva “S” da Teoria dos Prospectos, que esta é mais abrupta no campo das 27 perdas do que no campo dos ganhos, isto evidencia que os indivíduos são mais sensíveis à perdas que aos ganhos de mesmo valor. Nesta perspectiva, Macedo e Fontes (2008), com o intuito de analisar o comportamento decisório de analistas contábil-financeiros, promovendo a discussão de que as decisões muitas vezes desviam-se de um comportamento puramente racional, em virtude do uso de heurísticas de julgamento, aplicaram um questionário a 60 analistas, que eram convidados a tomar uma decisão ou emitir uma opinião acerca dos aspectos abordados em cada questão. Os resultados mostram que, de maneira geral o uso de heurísticas conduz as decisões à vieses, que desviam a escolha de uma alternativa meramente racional. Isso pôde ser visto através da constatação de que a apresentação de alternativas de maneiras diferentes, fez com que os analistas contábil-financeiros da amostra analisada, contrariassem o princípio da invariância, pelo efeito do enquadramento da informação e da manipulação da certeza. Segundo Araújo e Silva (2007) as pessoas preferem não sofrer a dor da perda do que o prazer de um ganho equivalente e que também assumem riscos quando estão perdendo, mas são totalmente aversas ao risco quando estão ganhando. Com o objetivo de verificar a percepção de valor e comportamento perante riscos e incertezas em alunos de graduação os autores aplicaram o questionário proposto por Kahneman e Tversky (1979) junto a 180 estudantes do curso de administração da Universidade de Brasília diferentes períodos. Observou-se que os estudantes pesquisados demonstram pouca inferência de molduras cognitivas, levando a concluir que estes frames não ocorrem de forma generalizada, conforme afirmado pela Teoria dos Prospectos. 2.4 TEORIA DA RACIONALIDADE LIMITADA De acordo com Bazerman e Moore (2010, p. 6) “o termo racionalidade referese ao processo de decisão que esperamos que leve ao resultado ideal, dada uma avaliação precisa dos valores e preferências de risco do tomador de decisões.” A inclusão da racionalidade na tomada de decisão individual sob risco foi uma das principais contribuições de Von Neumann e Morgenstein (1944) na área de processo decisório em economia. 28 Compreende-se racionalidade como a capacidade que os indivíduos têm de processar objetivamente todas as informações disponíveis em ambientes de incerteza, onde os fatores emocionais não são considerados. Deste modo, os gestores são considerados racionais quando, ao adquirirem um ativo financeiro, processam as informações de forma objetiva e os possíveis erros acometidos são de caráter eventual (BALDO, 2007). Diante da complexidade e do volume de informação inerentes ao processo decisório, nem todos os dados são processados na sua totalidade, assim os gestores inconscientemente, limitam sua capacidade de raciocínio recorrendo a atalhos mentais denominados heurísticas. Neste sentido, Robbins (2000) infere que a capacidade humana para formular e resolver problemas complexos é insuficiente para atender a demanda da racionalidade plena, por isso os decisores operam dentro das fronteiras da racionalidade limitada. Assim, os tomadores de decisão constroem modelos simplificados que absorvem as características essenciais dos problemas, desconsiderando em partes, a sua complexidade. De acordo com Simon (1979) a Teoria da Racionalide Limitada se apóia exatamente nesta limitação do processamento das informações essenciais ao processo de tomada de decisão. No seu estudo o autor sugere um conceito amplo de racionalidade limitada que abrange a busca de soluções satisfatórias ao invés de otimizadoras, bem como a substituição de objetivos globais e abstratos por objetivos menores e tangíveis, cujo alcance possa ser observado e mensurado (SBICA; FERNANDES, 2005). O conceitos de racionalidade limitada, na percepção de Andrade, Macedo e Alyrio (2007), são importantes para se entender que o comportamento decisório se desvia da racionalidade, uma vez que identificam situações nas quais os decisores podem estar agindo com base em informações restritas, buscando por uma solução satisfatória ao invés de ótima. Esta resposta mais rápida e nem sempre ideal conduz aos vieses de decisão. Nesta ótica, o estudo do comportamento humano no ambiente de decisão deve levar em consideração três importantes perspectivas: o aspecto cognitivo, o processo mental e a capacidade de julgar e decidir. Além disso, deve-se observar que a capacidade da mente humana para formular e solucionar problemas complexos é insulficiente comparada à necessidade de decisão em tempo hábil, de forma racional e estruturada. 29 Após a identificação de um problema, os decisores começam a procurar métodos e alternativas em uma lista heuristicamente mais disponível, formada pelas possibilidades mais fáceis de se encontrar e que tendem a ser extremamente visíveis e com aplicações anteriormente comprovadas. Por esta disponibilidade, a análise destas alternativas, não será abrangente e nem detalhada. Seguindo caminhos já conhecidos o decisor passará a analisar as possibilidades apenas até identificar uma que seja suficientemente boa como resposta. Assim, a primeira alternativa que atender a um nível aceitável de desempenho, encerrará a procura e conduzirá a acomodação, negligenciando o gestor de uma decisão mais acertada. Nesta concepção, a racionalidade limitada não prevê necessariamente um equilíbrio entre a decisão heuristicamente mais acertada e a mais adequada. Em realidade, a decisão não é, em alguns casos o fim do processo, nem dos problemas para os indivíduos que fazem a escolha (MACEDO et al, 2009; SBICA; FERNANDES, 2005). 2.5 HEURÍSTICAS DE JULGAMENTO Considerando a existência de fatores não estritamente racionais nas decisões de escolha dos indivíduos, a Teoria dos Prospectos demonstra que nem sempre os agentes decisores agem racionalmente em suas tomadas de decisão em ambientes de risco. Além disto, o modelo descreve atalhos mentais que tem origem no excesso de certeza, e em heurísticas de julgamento, aplicadas para ativar probabilidades e estimar valores de quantidades incertas, simplificando o processo decisório (DOROW, 2009). Kahneman e Tversky (1974) classificam tais atalhos mentais como heurísticas de julgamento. Os autores descrevem três principais grupos heurísticos e os classificam como: Heurística da Disponibilidade, Heurística da Representatividade e Heurística da Ancoragem e Ajustamento. As heurísticas consistem em regras-padrão que implicitamente dirigem o comportamento decisório das pessoas (MACEDO; FONTES, 2008). Como uma série de estratégias simplificadoras da decisão, as heurísticas são comumente utilizadas pelo potencial benefício na redução de tempo do processo decisório, que em muitas vezes é maior que o custo da redução na qualidade na decisão. Além disto a simplificação do tempo, oferece aos administradores e a outros profissionais 30 pressionados por esta tempestividade um modo simples de tratar com um mundo decisório complexo, produzindo julgamentos corretos ou parcialmente corretos (BAZERMAN; MOORE, 2010). A desvantagem do uso de heurísticas é que normalmente os decisores não estão conscientes que confiam demais nelas. Assim, a aplicação inadequada da heurística induz os indivíduos a erros de julgamento. No momento em que os gestores se conscientizarem dos possíveis impactos negativos quando da utilização destas heurísticas, poderão decidir a forma e o momento ideal de usá-las, eliminando as inadequações dos seus portifólios heurísticos. Percebe-se que as heurísticas funcionam como regras simplificadoras do processo decisório. Tais regras tipicamente conduzem a julgamento corretos, porém se não utilizados de forma comedida, podem conduzir os investidores a erros ou vieses de decisão (BAZERMAN; MOORE, 2010; MACEDO et al 2009; DOROW, 2009). 2.5.1 Heurística da Disponibilidade A heurística da disponibilidade refere-se à facilidade com que as pessoas reportam-se à exemplos de um evento ou ocorrências passadas e como estas afetam o julgamento da frequência com que um novo evento deva ocorrer na realidade. Assim, as pessoas estimam a frequência de um fato ou a probabilidade de ocorrência de um determinado evento pela facilidade com que as ocorrências ou circunstancias dos mesmos estão disponíveis em suas mentes. Deste modo o gestor pode avaliar o sucesso ou fracasso de um certo produto pela lembrança de outros lançamentos em condições parecidas (LUPPE, 2006). De acordo com Kahneman e Tversky (1974, p. 1127) “as pessoas avaliam a frequência, a probabilidade ou as causas prováveis de um evento pelo grau com que exemplos ou ocorrências desse evento estiverem imediatamente disponíveis na memória”. Nesta perspectiva, os decisores tendem a julgar como mais prováveis os acontecimentos que recordam com mais facilidade, por serem mais disponíveis ou mais recentes, do que eventos de igual frequência, cuja ocorrência não são prontamente lembradas. A disponibilidade faz com que as pessoas busquem correlações entre informações que lhe são mais familiares ou mais presentes em suas mentes. Segundo Bazerman e Moore (2010, p. 10) “a heurística da disponibilidade pode ser 31 uma estratégia gerencial de tomada de decisão muito útil, uma vez que exemplos de eventos de maior frequência geralmente se revelam mais rapidamente nas nossas mentes do que eventos menos frequentes”. Os autores propõem que além da frequência, outros fatores como vividez e a proximidade no tempo com o evento ocorrido influenciam a falcilidade da lembrança nas pessoas. Para ilustrar os vieses provenientes desta heurística, Bazerman e Moore (2010, p.23) sugerem o seguinte problema: Classifique a ordem das seguintes causas de morte nos Estados Unidos entre 1990 e 2000, colocando 1 ao lado da causa mais comum e 2 ao lado da segunda mais comum e assim por diante. ____ Cigarro ____ Dieta pobre e inatividade física ____ Acidentes automobilísticos ____ Armas de fogo ____ Uso de drogas Agora estime o número de mortes causadas por cada uma dessas cinco causas entre 1990 e 2000. Neste exemplo, Bazerman e Moore (2010) relatam que de acordo com as publicações da Associação Médica Americana, o número de mortes provocadas por cigarro e dieta pobre são respectivamente 435.000 e 400.000 mortes anuais. Enquanto para as três últimas causas, o número de mortes é muito menor, 43.000, 29.000 e 17.000, respectivamente. As mortes causadas por acidentes automobilísticos, armas de fogo e uso de drogas costumam ter uma maior cobertura da imprensa e isto influencia o julgamento das pessoas. Assim a disponibilidade dessas histórias na mídia desvia a percepcão dos indivíduos da frequência com que ocorrem os fatos. Como resultado, a tendência dos indivíduoas é subestimar a probabilidade de mortes causadas por cigarro e dieta pobre e superestimar os riscos de acidentes de carro, armas de fogo e uso de drogas. Isso ocorre porque as pessoas têm uma forte tendência a concentrar sua atenção em um fato particular ao invés da situação completa, somente porque este fato particular está mais presente na mente. A Heurística da Disponibilidade pode constituir uma estratégia gerencial muito útil para a tomada de decisão, tendo em vista que circunstâncias de eventos de maior frequência são em geral reveladas facilmente, em nossas mentes, do que as daqueles de menor frequência. Porém, não se deve considerar esta heurística 32 infalível ou livre de vieses, em virtude de ser a disponibilidade da informação também afetada por outros fatores não relacionados com a frequência objetiva (real) do evento em julgamento. Estes fatores, que deveriam ser irrelevantes ou pouco importantes na avaliação de probabilidade, podem influenciar indevidamente a proeminência perceptual imediata do evento, a vividez com que se revela ou a facilidade com que é imaginado (MACEDO et al, 2009). 2.5.2 Heurística da Representatividade De acordo com Bazerman e Moore (2010, p. 10) “ao fazer um julgamento sobre um indivíduo (ou objeto ou evento), as pessoas tendem a procurar peculiaridades que ele possa ter que correspondam a esteriótipos formados anteriormente”. Esta heurística sugere que, os indivíduos preferem acreditar que, eventos ocorridos recentemente, podem se repetir no futuro, atribuindo um peso maior a experiências recentes. Assim, não havendo uma característica específica ou um esteriótipo de comparação, um indivíduo tende a associar o quão representativo certa característica é em relação à sua carga cognitiva e/ou experiência de vida, produzindo julgamentos de possibilidades essencialmente similares (BARRETO JR., 2007). Nesta mesma perspectiva Kahneman e Tversky (1974, p. 1124) dispõem que: Muitas das questões probabilísticas com as quais as pessoas estão preocupadas, pertencem a um dos seguintes tipos: qual é a probabilidade de que o objeto A pertença à classe B? Qual é a probabilidade de que o evento A se origine do processo B? Qual é a probabilidade de que o processo B gerará o evento A? Ao responder estas questões, as pessoas, tipicamente, confiam na representatividade heurística, na qual as probabilidades são avaliadas pelo grau em que A seja representativo de B, que significa, pelo grau em que A assemelha-se à B. Por exemplo, quando A é altamente representativo de B, a probabilidade de que A origina-se de B é julgada alta. Por outro lado, se A não é similar a B, a probabilidade de que A se origine de B é julgada baixa. Assim, os indivíduos avaliam a probabilidade de ocorrência de um evento através da similaridade da mesma aos seus estereótipos de acontecimentos semelhantes. De acordo com Bazerman e Moore (2010, p.10) “os administradores também usam a heurística da representatividade. Eles podem prever o desempenho de uma pessoa com base em uma categoria estabelecida de pessoas que o indivíduo representa para eles”. Um exemplo dos efeitos da representatividade é dado por Kahneman e Tversky (1974). Segundo os autores, esta assimilacão do 33 indivíduo ao seu esteriótipo, chamado de “falácia da conjunção” pode ser demonstrado no problema abaixo: Linda tem 31 anos de idade, é solteira, sincera e muito inteligente. Ela formou-se em filosofia. Enquanto era estudante, preocupava-se profundamente com questões de discriminação e justiça social e participava de demonstrações antinucleares. Classifique as seguintes oito descrições na ordem de probabilidade em que elas descrevem Linda. ____ a. Linda é professora em uma escola de ensino fundamental. ____ b. Linda trabalha em uma livraria e frequenta aulas de ioga. ____ c. Linda é ativa no movimento feminista. ____ d. Linda faz trabalho social de psiquiatria. ____ e. Linda é membro da Liga das Mulheres Eleitoras. ____ f. Linda é caixa de banco. ____ g. Linda é vendedora de seguros. ____ h. Linda é caixa de bancos e participa do movimento feminista. Os resultados obtidos por Kahneman e Tversky (1974) mostraram que a maioria das pessoas classificou a alternativa C como mais provável do que a alternativa H, e H mais provável que a alternativa F. Afinal, a descrição de personalidade da Linda foi montada para ser mais representativa de uma feminista do que de um caixa de banco. Observa-se que os pontos críticos da questão são os itens F (caixa de banco), C (feminista) e H (conjunção das duas características), as demais alternativas apenas completam o problema, e atuam como disfarce. Conforme previsto pelos autores, a maioria das respostas seguiu o padrão, que contraria, um princípio estatístico básico: a probabilidade da ocorrência de dois eventos simultaneamente não pode ser maior do que a probabilidade de ocorrência de apenas um evento. Ou seja, ser caixa de banco e feminista é menos provável do que ser apenas caixa de banco porque o primeiro evento é um subconjunto do segundo. É interessante ressaltar que o erro de julgamento permaneceu mesmo quando os autores modificaram a primeira descrição para Linda que é caixa de banco, quer ela seja feminista ou não. No campo dos investimentos, a representatividade pode influenciar a percepção dos investidores sobre o potencial de valorização de um título. Os investidores podem avaliar positivamente o potencial de uma título específico apenas em função de terem formado uma opinião por esteriótipo sobre a empresa 34 investida. Esta visão pode ser consequência da simpatia pela empresa, do desempenho pretérito, de informações obtidas através de outros investidores ou pelos meios de comunicação (KIMURA, 2003). A heurística da representatividade em alguns casos permite uma aproximação mais rápida para melhores opções de escolha. Em outros casos esta heurística pode ocasionar erros sérios de julgamento, atenuando em um nível inconsciente, comportamentos e atitudes considerados repreensíveis em um nível consciente como discriminação racial e formulação de preconceitos por exemplo. Deste modo, pessoas que elaboram julgamentos intuitivamente com o objetivo de avaliar a validade de uma informação com base nesta heurística, são influenciadas pela proporção da amostra que teve acesso, ignorando o tamanho da mesma. Assim estas pessoas consideram uma informação obtida a partir de uma certa amostra como sendo representativa de toda a população (KAHNEMAN; TVERSKY, 1974; BAZERMAN; MOORE, 2010; BARRETO JR., 2007). 2.5.3 Heurística da Ancoragem e Ajustamento Considerando a limitação da capacidade de processamento de informações por seres humanos, o cérebro cria atalhos mentais, chamados de heurísticas cognitivas, para simplificar o processo de tomada de decisão. Tais atalhos mentais tornam-se disponíveis mais facilmente e minimizam o tempo de processamento, demandando um esforço mental relativamente mais baixo. Segundo Baker e Nofsinger (2002), para diminuir a quantidade e a complexidade das informações que exigem análise, o intelecto filtra algumas destas, consideradas desnecessárias e utiliza heurísticas para diminuir a complexidade do processo decisório. Estes atalhos permitem que o cérebro gere respostas antes de processar completamente todas as informações disponíveis. Tal processo, chamado simplificação heurística, leva o avaliador a vieses psicológicos, que podem induzir a erros de avaliação. Ao refletir sobre uma decisão, a mente dá preferência a primeira informação que é recebida. Impressões, ideias, estimativas ou dados iniciais funcionam como âncoras para reflexões subsequentes. Assim, a ancoragem ocorre quando o investidor utiliza um ponto inicial (ou preço inicial que pode ser dado ou estimado) e então utiliza esta informação como base para avaliar uma dada opção ou um curso 35 de ações. O ajustamento ocorre quando o investidor toma este ponto inicial como sendo o de partida, adicionando ou subtraindo valores para estimar as probabilidade potenciais dos resultados (HAMMOND; KEENEY; RAIFFA, 2004; LUPPE, 2006). Para demonstrar o efeito ancoragem, Kahneman e Tversky (1974), questionaram dois grupos de estudantes de nível médio sobre o resultado de equações matemáticas equivalentes. Os dois grupos teriam apenas cinco segundos para responder as expressões propostas. Ao primeiro grupo foi fornecida a seguinte expressão: 8 x 7 x 6 x 5 x 4 x 3 x 2 x 1. Ao segundo grupo, foi fornecido a mesma expressão, porém com valores dispostos de forma crescente: 1 x 2 x 3 x 4 x 5 x 6 x 7 x 8. Para responder a esta questão em tempo hábil, os alunos deveriam rapidamente, multiplicar os números e estimar o produto através da extrapolação ou ajuste. Considerando que os ajustes geralmente não são suficientes, este procedimento deveria levar a subestimação das respostas. Como o resultado da multiplicação dos primeiros números da equação (da esquerda para a direita) é maior na forma decrescente do que na forma crescente, o resultado do primeiro grupo deveria gerar a uma estimativa maior do que o valor estimado pelo segundo grupo. Conforme previsto pelos autores, a estimativa média fornecida pelo primeiro grupo foi 2.250, enquanto a estimativa feita pelo segundo grupo foi 512, quando na verdade a resposta correta é 40.320 para ambos. A heurística da ancoragem pode ser percebida quando um valor inicial é prontamente referencial na predição de estimativas numéricas. Para Kahneman e Tversky (1974), em muitas situações de incerteza os decisores fazem estimativas a partir de um marco inicial, que é ajustado levando à resposta final. Acontece que este ajustamento é insuficiente, logo a decisão pode ser estar enviesada. Este valor inicial, ou ponto de partida, pode ser proposto pela formulação do problema ou resultado de uma estimativa parcialmente formulada. Em ambos os casos, os ajustes nem sempre correspondem a valores ideais. Desta maneira, diferentes pontos de partida podem induzir a diferentes estimativas, sendo estas muitas vezes incoerentes em relação ao valor inicial e divergentes do valor ótimo (BRUNI et al, 2010). Hammond, Keeney e Raiffa (2004) alertam que as âncoras podem assumir vários disfarces, parecendo tão simples e inócuas como um comentário feito por uma estatística publicada em um jornal. A ancoragem pode ainda estar embutida nas 36 palavras que definem o problema a ser resolvido. As vezes o mesmo problema, dispostos de forma diferente por ser interpretado incoerentemente. Um dos tipos de âncora mais habituais é um fato passado ou uma tendência. Os autores alertam ainda que embora este método possa com certa frequência levar a uma estimativa razoavelmente certa, ele tende a atribuir peso diferenciado ao número original e não considerar com a devida importância os outros fatores à disposição. Principalmente em situações caracterizadas por mudanças repentinas, a âncora histórica é capaz de levar a previsões insatisfatórias e por sua vez, a escolhas mal orientadas. Constantemente, as pessoas serão capazes de perceber a falta de razoabilidade da âncora, mas seu ajustamento muitas vezes permanecerá irracionalmente próximo à mesma. O que se pode ver com frequência é que independentemente do valor inicial, os ajustamentos efetuados sobre estes tendem a ser insuficientes. Assim, podem-se ter decisões distintas para problemas similares, dependendo dos valores inicialmente apresentados. Deste modo, qualquer que seja da origem das âncoras, frequentemente prejudicam o raciocínio do indivíduo, uma vez que tendem a impedir tomadas de decisões corretas (HAMMOND; KEENEY; RAIFFA, 2004; MACEDO et al, 2009). 2.6 MENSURAÇÃO E EFEITOS DA ANCORAGEM A ancoragem traz a concepção de que as pessoas fazem estimativas partindo de um valor inicial (âncora) ajustado para revelar a resposta ideal. Este valor de partida pode ser sugerido por um precedente histórico, pela maneira ao qual um problema é apresentado ou por uma informação aleatória lançada pelo ambiente em que os sujeitos estão inseridos. Segundo Carmo (2005), as demonstracões de ancoragem podem ser percebidos em nosso cotidiano. Quando por exemplo, um vendedor começa a negociação apresentando um preço elevado para determinado produto, ele está tentando ancorar o comprador neste preço inicial. Assim, havendo resistência do comprador ao valor inicialmente proposto, quando o vendedor oferecer um desconto o comprador irá interpretar o preço mais baixo como um valor mais justo. 37 2.6.1 Mensuração da Ancoragem em Estimativas de Valores Incertos Os efeitos da ancoragem em tarefas de atribuição de valor normalmente são mensurados a partir de dois estágios. No primeiro momento, os indivíduos antes de realizarem suas estimativas são arbitrariamente submetidos a um valor inicial chamado de âncora. No segundo momento, os personagens atribuem valores para as estimativa realizadas baseando-se no valor disposto inicialmente como âncora. Este método mais tradicional, busca identificar se o valor da âncora influencia ou não as estimativas dos indivíduos. Neste sentido, Mussweiler e Strack (1999) sugerem um modelo para explicar fenômenos de ancoragem chamado de Modelo de Acessibilidade Seletiva. Os autores reconhecem que no paradigma de ancoragem padrão, os participantes têm de realizar duas tarefas consecutivas: uma sentença comparativa e um julgamento absoluto. Em primeiro lugar, na tarefa de comparação, os participantes são convidados a comparar o objeto de destino com um determinado padrão (âncora). Assim, os autores perguntaram aos participantes se a percentagem de países Africano nas Nações Unidas era maior ou menor que um certo número arbitrário. Na segunda tarefa, os participantes foram convidados a dar a sua melhor estimativa deste percentual. Juízos absolutos foram assimilados à âncora que estava saliente na tarefa de julgamento comparativo, de modo que a estimativa média dos participantes que receberam a âncora alta foi de 45%, contra 25% para os participantes que receberam âncora baixa. Nesta perspectiva, o Modelo de Acessibilidade Seletiva sugere que, os indivíduoas ao resolvem uma tarefa de estimativa, fazem por meio de comparação seletiva. Desta forma o conhecimento sobre a estimativa é gerado e estimado a partir de um valor, que é consistente à âncora (a hipótese de seletividade). Gerando este conhecimento inicial, aumentam as probabilidades das estimativas subsequentes, de modo que este valor inicial é usado para formar o julgamento final, que seria a hipótese de acessibilidade. Em outra perspectiva, Jacowitz e Kahneman (1995) propõem um método quantitativo para medição dos efeitos da heurística da ancoragem em tarefas de estimação para valores incertos. De acordo com o modelo proposto pelos autores, são necessários três grupos de uma mesma população, um grupo de calibragem e dois experimentais. O grupo de calibragem fornece estimativas a um conjunto de 38 problemas de quantidades incertas. Em seguida os indivíduos deste grupo atribuem qual o grau de certeza para sua estimativa numa escala de zero a dez. Através de uma análise da relação entre a ancoragem e a confiança depositada na estimativa realizada, demonstra-se que o julgamento inicial da âncora é suscetível a um viés de ancoragem. Com base nestas estimativas, as âncoras baixas e altas são fixados em percentuais pré-determinados da distribuição das estimativas do grupo de calibragem (15º e 85º percentis para as âncoras baixas e altas respectivamente). Este procedimento permite a transformação das estimativas ancoradas em percentis do grupo de calibragem, proporcionando o agrupamento dos resultados em problemas, e fornecendo uma medida natural do tamanho do efeito. Na etapa seguinte os outros dois grupos experimentais são submetidos a estimativas dos mesmos problemas propostos ao grupo de calibragem, sendo que um grupo experimental estará sujeito a âncora alta (85º percentil) do grupo de calibragem, enquanto ou outro grupo experimental estará exposto a âncora baixa (15º percentil) do grupo de calibragem. Para analisar os efeitos da ancoragem, Jacowitz e Kahnemam (1995) usam um indexador chamado de Índice de Ancoragem (IA). Segundo os autores, este índice pode ser usado para medir o fluxo da estimativa mediana dos sujeitos em direção a âncora aos quais foram expostos. Os valores do IA variam de 0 (para sujeitos sem nenhum efeito da ancoragem) a 1 (sujeitos expostos aos efeitos da ancoragem). As técnicas que foram introduzidos para a análise de ancoragem são potencialmente úteis em diversas maneiras, uma vez que permitem comparações dos efeitos ancoragem no âmbito dos problemas expressos em unidades diferentes. Elas também possibilitam a partilha de dados através de vários problemas, aumentando o poder de análises estatísticas. No entanto, duas limitações importantes deste índice de mensuração devem ser anotadas. A primeira limitação é que o cálculo do IA mantém a métrica das estimativas originais, mas a importância psicológica de tais métricas é um fator de dúvida quando a distribuição das respostas é altamente enviesada, como muitas vezes acontece. O problema é atenuado, mas não resolvido, pelo uso de medianas, que são relativamente insensíveis a medidas extremas. A segunda limitação é o método de transformação das estimativas dos percentis do grupo de calibragem para realizar testes 39 estatísticos. Este procedimento reduz o impacto das medidas extremas, mas isto envolve uma transformação não linear que pode afetar os resultados dos testes estatísticos paramétricos (JACOWITZ; KAHNEMAN, 1995). 2.6.2 Efeitos da Ancoragem em Tarefas de Estimação As causas da ancoragem, cujo entendimento é relevante no sentido de evitar ou atenuar possíveis erros no julgamento e tomada de decisão, ainda não estão bem esclarecidas. A teoria das finanças comportamentais tem demonstrado como números independentes podem influenciar a tomada de decisão. A ancoragem descreve como um valor inicial pode influenciar as estimativas das pessoas, uma vez que estas muitas vezes fazem estimativas com base em um valor inicial, que pode ser irrelevante para a decisão, ajustando esta resposta inicial para produzir um resultado final desejado (MUSSWEILER; STRACK, 1999; NUNES; BOATWRIGHT, 2004). Os efeitos da heurística da ancoragem têm sido usualmente explicados através da ideia de ajustamento. Kahneman e Tversky (1974) sugerem um processo cognitivo no qual os decisores primeiro focam uma âncora e a partir de então, fazem uma série de ajustamentos em direção a sua estimativa final. Sendo os ajustamentos frequentemente insuficientes, a resposta final tende a ser enviesada, direcionando-se à âncora firmada (TONETTO et al, 2006). Em outro estudo Nunes e Boatwright (2004) examinaram como os preços dos produtos podem servir como âncoras para os consumidores, afetando a disponibilidade destes em pagar pelo artigo que pretendem comprar. O estudo demonstrou como os preços podem afetar a disposição das pessoas em pagar por determinados itens. Quando os números estão associados a produtos similares ou idênticos, o efeito foi maior. Além disso, descobriu-se ainda que as tentativas para reduzir a atenção das pessoas para as âncoras (abstendo-se de avisar as pessoas para o processo de ancoragem), não diminuiu o efeito desta. Em outro ponto da mesma pesquisa, os dados mostraram que o preço de um carro relativamente caro, pode afetar a disposição do propenso comprados em pagar por um carro de baixo preço. Do ponto de vista prático, a presente pesquisa oferece orientação aos 40 comerciantes, que devem estar cientes dos fatores ambientais que influenciam os limites de gastos dos consumidores. Objetivando investigar os efeitos da ancoragem no setor imobiliário, Northcraft e Neale (1987) realizaram uma experimento com quarenta e oito alunos de graduação em administração e vinte e um agentes imobiliários da região de Tucson, estado do Arizona, Estados Unidos. Através de aplicação de questionário, os autores pediram aos corretores de imóveis profissionais que avaliassem uma casa informando antecipadamente a estes profissionais as características imóvel, os preços das outras propriedades no mesmo setor e o preço que estava sendo pedido pelo imóvel a ser a avaliado. Ao grupo que foi dado o preço de venda $119,900 obteve-se $114,204 como valor de avaliação. Ao grupo que foi dado um preço de venda de $149,900 obteve-se uma avaliação de $128,754. Observou-se que o preço calculado para avaliação da casa acabava de fato sendo influenciado pelo preço inicial sugerido. Contudo, os corretores negavam a influência do valor inicial em suas estimativas. Apesar de o experimento não definir todas as nuances acerca do efeito ancoragem sobre o preço de venda estimado pelos indivíduos, os resultados demonstram que a influência da âncora sobre o preço de venda é significativo, uma vez que muitas outras informações foram fornecidas sobre o imóvel avaliado. Através do estudo pode-se observar ainda que tanto os alunos de graduação quanto os profissionais do ramo imobiliário podem ser influenciados pelos efeitos da ancoragem. Com o objetivo de estudar os efeitos da ancoragem nas estimativas de valores incertos atribuídos a bens públicos, Green et al (1995) relatam a experiência de analisar a fixação de âncoras, quando oferecidas recompensas financeiras aos participantes da pesquisa. O estudo revelou que muitas vezes, a decisão tomada com evidência em um valor pré-fixado pode levar o deturpação da estimativa. Outra constatação do estudo foi que os efeitos da ancoragem psicométricas, ao invés de efeitos de incentivo, é a principal causa dos resultados comumente encontrados nos estudos de valoração contingente, e que atualmente o formato de licitação para atribuição de valor para bens públicos é altamente vulnerável ao viés de ancoragem. Mussweiler e Strack (1999) em estudo realizado com trinta e dois estudantes de psicologia da Universidade de W'tirzburg, na Alemanha, demonstram que a ancoragem é um caso especial de valoração semântica. Especificamente, a 41 informação que é ativada para resolver uma tarefa de estimação de valores incertos, pode ser mais acessível, quando os participantes fazem juízos absolutos. Assim, quando os indivíduos têm de comparar um alvo com um padrão plausível de comparação, pode-se obter estimativas diferentes, de quando se focaliza apenas um valor numérico mentalizado. Os autores verificaram que a força do efeito âncora depende da aplicabilidade de informações ativas. O mesmo estudo revelou um efeito de contraste quando a informação não foi ativada para o julgamento absoluto e as metas das tarefas de julgamento foram suficientemente diferentes. A pesquisa ainda demonstra que a geração de juízos absolutos requer mais tempo quando os julgamentos comparativos incluem uma âncora sem sentido e portanto, pode ser feita sem a informação alvo relevantes que seriam plausíveis. Em pesquisa realizada com 96 estudantes de graduação do curso de administração da Universidade de Göteborg (Suécia), Kristensen e Gärling (2000) investigaram através da fixação de pontos referenciais obtidos no mercado e valores arbitrário, se o concenso de uma negociação poderia ser influenciado por mudanças no ponto de ancoragem, bem como se este concenso é percebido como um ganho ou como uma perda. Assim, os autores instruíram os alunos à simulação de negociação de compra de um imóvel, admitindo a hipótese que pretendiam comprálo. Desta forma, foram fornecidas algumas informações de mercado indicando o preço atual do imóvel e sua localização. Diante destas informações, os acadêmicos deveriam indicar o maior valor que eles pagariam por um imóvel semelhante ao que lhes foi apresentado. Após terem feito as estimativas, os indivíduos receberam descrições de diferentes imóveis, considerando que deveriam dar uma contra proposta ao respectivo vendedor. Nesta fase da experiência, os estudantes foram divididos em quatro grupos para receberem pontos âncora e pontos de referência diferentes. Deste modo, um grupo recebeu a proposta do preço de venda, que era equiparado ao preço inicial dado pelo vendedor e mais alto que o preço de mercado estimado. Já um segundo grupo recebeu a proposta para venda também equiparada ao preço inicial, entretanto, o preço era mais baixo que o preço de mercado. Assim as âncoras foram sendo manipuladas para verificar as estimativas dos estudantes. O objetivo do estudo residia em verificar se os estudantes entrariam em um consenso com o suposto vendedor, para então afirmar a influência da heurística da ancoragem. Os resultados do estudo mostraram que, quando a âncora foi percebida 42 como ganho ou como uma perda, o consenso da negociação foi afetado. Ficou evidente que a âncora e o ponto referencial juntos influenciam o consenso da negociação, assim o valor considerado como justo pode sofrer influência tanto de um ponto âncora, como de um valor sugerido pelo mercado. Dorow (2009), pretendendo investigar a influência da ancoragem nas estimativas de preços de corretores imobiliários profissionais, realizou uma pesquisa por meio da amostragem não probabilística, intencional por conveniência com 162 corretores de imóveis e constatou que em muitos casos, a susceptibilidade à ancoragem está associada a uma baixa confiança. Existe ainda, uma tendência de que as estimativas mais significativamente afetadas por uma âncora, são realizadas relativamente com menor confiança. Observou-se ainda que os efeitos da ancoragem foram maiores no grupo experimental exposto à âncora baixa. Por fim, o autor expõe que os efeitos e a influência da heurística da ancoragem em investimentos imobiliários são notórios, contudo, não são extraordinariamente grandes. Luppe (2006) com o objetivo de examinar quais os efeitos da heurística da ancoragem nas estimativas numéricas sob a perspectiva bens de consumo, realizou uma pesquisa não probabilística por conveniência de acesso junto a alunos do curso de graduação da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade da Universidade de São Paulo com faixa etária de 20 a 35 anos. O autor constatou que as estimativas foram mais afetadas apresentam baixo grau de confiança pelas âncoras quando os respondentes em suas estimativas. Assim quanto mais incertos os indivíduos são em relação a um determinado valor, mais suas estimativas estão assimiladas na direção de um número arbitrário. Outras duas constatações feitas pelo autor foram que um valor arbitrário pode influenciar o julgamento de uma pessoa quanto ao preço de um produto ou serviço e a magnitude deste valor aliada a incerteza quanto ao valor real do intem no mercado influenciaram a estimativa de preço de cada produto. Com o intuito de dar sustentação teórica ao trabalho, este capítulo de referencial teórico buscou algumas das principais pesquisas relacionados a área do estudo. O Quadro 1 apresenta um breve resumo das fontes de pesquisa fundamentalmente consultadas durante a elaboração deste trabalho de dissertação. 43 Tais fontes são postas em evidência por serem consideradas obras clássicas e de grande representatividade para esta pesquisa e outras subsequentes. Quadro 1 - Fontes essenciais de pesquisa Autor (ano) Tema da Pesquisa Bernoulli (1954) Teoria da Utilidade Esperada Foco do Estudo Dispõe que a determinação do valor de um item Simon (1979) Teoria da Racionalide Limitada não deve ser baseada em seu preço, mas na utilidade que ele produz. Pressupõe a existência de limitações no processamento das informações essenciais à tomada de decisão Tratam entre outros efeitos, sobre a aversão ao Kahneman e Tversky (1979) Teoria dos Prospectos risco no ambiente dos ganhos, associada a propenção de busca pelo risco no ambiente das perdas. Explicam a existência de atalhos mentais ou padrões de decisão e descrevem tais atalhos Kahneman e Teoria das Heurísticas mentais como heurísticas de julgamento, Tversky (1974) de Julgamento classificando-as em três principais grupos: Disponibilidade, Representatividade e Ancoragem e Ajustamento. Propõem um indexador chamado de Índice de Ancoragem (IA) para medir o efeito das âncoras Jacowitz e Mensuração da sobre estimativas. Segundo os autores, este índice Kahnemam (1995) Ancoragem pode ser usado para medir o fluxo da estimativa mediana dos sujeitos em direção a âncora aos quais foram expostos. Fonte: Pesquisa. Elaborado pelo Autor (2011). 44 3 METODOLOGIA Neste capítulo apresentam-se e descrevem-se os procedimentos metodológicos utilizados nesta pesquisa. Para melhor definir os métodos científicos utilizados no estudo, estruturou-se este tópico nas seguintes seções: Tipo de pesquisa, Universo/Amostra, Variáveis Analíticas, Plano de Coleta e Tratamento dos Dados. 3.1 TIPO DE PESQUISA Em relação aos objetivos, as pesquisas podem ser classificadas como exploratórias, descritivas e explicativas (GIL, 2010). Neste sentido, de acordo com Mattar (2008) a pesquisa descritiva deve ser utilizada quando o pesquisador tiver o propósito de descrever características de grupos; estimar proporção de elementos numa população específica que tenham determinadas características ou comportamentos; descobrir ou verificar a existência de relação entre variáveis. Desta forma, para o presente estudo, utilizou-se quanto aos objetivos, a pesquisa do tipo descritiva, uma vez que propõe-se a observar e descrever a influência da ancoragem nas estimativas de valor dos indivíduos, com aplicação de técnicas próprias e padronizadas posteriormente descritas nas seções a seguir. Quanto aos meios, podem existir dois tipos básicos de pesquisas descritivas, o levantamento de campo e o estudo de campo. A diferença básica está na grande amplitude e pouca profundidade do levantamento de campo e na média profundidade e amplitude do estudo de campo. Com o estudo de campo, procura-se dados representativos da população de interesse, a ênfase do levantamento de campo está na geração de sínteses estatísticas, como média, modas, variância, decis, centis, percentagens e a relação destes com as sínteses estatísticas levantadas (MATTAR, 2008). Neste aspecto, Malhotra (2005) dispõe que o levantamento de campo é utilizado quando a pesquisa evolve um grande número de indivíduos e a estes são aplicados uma série de perguntas. Assim, esta pesquisa pode ser caracterizada como um levantamento de campo, considerando a representatividade da população envolvida, a alta amplitude e o pouco aprofundamento dos dados pesquisados. 45 No que tange a abordagem do problema, utilizou-se o método de pesquisa quantitativo, uma vez que busca-se quantificar dados e generalizar os resultados obtidos da amostra. Neste contexto, Malhotra (2005) dispõe que a pesquisa quantitativa busca evidências conclusivas, baseando-se em amostras grandes e representativas, e de alguma forma, utilizando-se de análise estatística. 3.2 UNIVERSO/AMOSTRA Buscando identificar os efeitos da heurística da ancoragem nas estimativas de preço de propensos consumidores para produtos de cesta básica, o presente estudo limitou-se a contemplar os habitantes da cidade de Mossoró, município localizado no interior do Rio Grande do Norte, estado situado na região Nordeste do Brasil. Os dados da população foram obtidos a partir do último censo demográfico realizado pelo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, no ano 2010. Segundo o referido instituto de pesquisa, a cidade de Mossoró possui um quantitativo habitacional estimado em 254.032 (duzentos e cinquenta e quatro mil e trinta e dois) habitantes, logo este número corresponde a público de interesse da pesquisa. De acordo com Queiroz, Gouvinhas e Souza (2004), 94,3% dos clientes de supermercados possuem até 64 (sessenta e quatro) anos de idade. O mesmo estudo revela que 17,8% dos clientes de supermercados possuem até 24 (vinte e quatro) anos de idade. Vale ressaltar que os autores supracitados não deixam claro qual a idade mínima para o grupo classificado em até 24 (vinte e quatro) anos e qual a idade máxima para as pessoas acima dos 64 (sessenta e quatro) anos de idade, assim não é possível delimitar o valor inicial da menor faixa etária e o valor final para a maior faixa etária. Considerando que apenas 5,7% dos clientes de supermercados estão acima dos 64 anos de idade (QUEIROZ, GOUVINHAS e SOUZA, 2004) e dada a necessidade de delimitação do estudo, determinou-se como universo da pesquisa apenas os indivíduos com idade situada entre 20 (vinte) e 64 (sessenta e quatro) anos, desprezando-se como fonte de coleta, os indivíduos com idade inferior a primeira faixa e superior a última faixa etária. Conforme dados do IBGE (2010), a população da cidade de Mossoró-RN com faixa etária alocada entre 20 (vinte) e 64 (sessenta e quatro) corresponde a magnitude de 159.125 (cento e cinquenta e nove 46 mil cento e vinte e cinco) indivíduos, logo este foi o número determinado como universo da pesquisa. Concernente a amostra, Mattar (2008) dispõe que: “Amostra é qualquer parte de uma população”. Os estudos amostrais para uma população desta grandeza, considerando um erro amostral de 7,22% e nível de confiança de 90%, revelam a necessidade de uma amostra composta por 130 (cento e trinta) indíviduos. No entanto, considerando a necessidade de se ter três grupos de pesquisa, um de calibragem e dois experimentais, de igual tamanho, para atender ao modelo proposto por Jacowitz e Kahneman (1995), a pesquisa realizou-se com 390 (trezentos e noventa) indivíduos, clientes de supermercados da cidade, divididos em três grupos de iguais proporções. Quanto a técnica de seleção de uma amostragem, a pesquisa pode ser do tipo probabilística ou não probabilística. A amostragem não probabilística depende do julgamento do pesquisador, que pode selecionar arbitrariamente, com base na conveniência ou decidir conscientemente quais os elementos que irão compor a amostra (MALHOTRA, 2005). Considerando que não houve nenhum método estatístico para a escolha dos possíveis participantes da pesquisa, uma vez que estes foram selecionados de acordo com a acessibilidade e disponibilidade em participar do estudo, o tipo de amostra deste pesquisa classifica-se como não probabilístico. Segundo Mattar (2008) existem três variações para as amostras não probabilísticas: Amostras por Conveniência, Amostras Intencionais e Amostras por Cotas. Para Malhotra (2005), muitas vezes o pesquisador escolhe os elementos da amostra por estarem no lugar certo, na hora certa. Esta pesquisa portanto, realizouse quanto a variação, por conveniência de acesso, uma vez que a amostra foi retirada a partir de clientes em compras dos três maiores supermercados da cidade, e selecionados ao acaso de acordo com a acessibilidade do pesquisador ao público de interesse. Este tipo de amostra embora possua limitações do ponto de vista da tendenciosidade na escolha dos participantes, foi utilizada por ser a mais adequada para o pesquisador em termos de custos e tempo de aplicação. 47 3.3 COLETA DE DADOS 3.3.1 Variáveis Analíticas As variáveis do estudo são os elementos a serem analisados e/ou medidos durante a pesquisa. Estas variáveis devem resguardar uma relação direta com os objetivos específicos da pesquisa para que sejam devidamente controladas, afim de que não comprometam ou invalidem o estudo. Para Lakatos e Marconi (2001), uma variável é um conceito operacional que apresenta valores, passível de mensuração, podendo ser considerada como uma classificação ou medida. Assim, as variáveis da pesquisa científica podem ser definidas como propriedades observáveis e passíveis de mensuração. Nesta perspectiva, identificou-se para este estudo as seguintes variáveis analíticas como elementos sujeitos à medição: • Influência da ancoragem nas estimativas de preço • Relação da ancoragem com o nível de confiança dos respondentes • Relação da ancoragem com a essencialidade dos produtos Para verificar a influência da ancoragem nas estimativas de preço dos indivíduos para os produtos da cesta básica, utilizou-se como instumento de coleta, uma adaptação do modelo proposto por Jacowitz e Kahneman (1995). Neste modelo, os autores sugerem que o efeito da ancoragem pode ser reflexo da confiança depositada na estimativa. A confiança refe-se ao grau de certeza que a pessoa atribui ao preço que acabara de sugerir para os itens avaliados. Assim, solicitou-se que fosse assinalado no instrumento além do preço do produto, o nível de confiança do respondente na estimativa que acabara de realizar. Com o intuito de verificar se os efeitos da ancoragem resguardam algum tipo de relação com a essencialidade dos produtos analisados, solicitou-se aos respondentes da pesquisa que após a indicação do grau de confiança, assinalassem também, o quanto essencial consideram o produto avaliado, atribuindo as respostas numa escala de zero a dez conforme o grau de essencialidade. É importante destacar que a essencialidade apontada para os produtos, refere-se ao quanto o item, é importante para a pessoa humana no que tange a necessidade alimentar, 48 não reporta-se a representatividade financeira do produto em função do orçamento familiar do respondente. 3.3.2 Instrumento de Coleta O instrumento escolhido para a coleta dos dados foi um formulário com questões fechadas, adaptado do modelo proposto por Jacowitz e Kahneman (1995), que após inserção de itens da cesta básica, foram aplicados pessoalmente junto a clientes de supermercados da cidade de Mossoró-RN. Sobre tal instrumento de coleta, Dencker (1999) dispõe que a finalidade do formulário é obter, de maneira sistemática e ordenada, informações sobre as variáveis que intervêm em uma investigação, em relação a uma população ou amostra determinada. A aplicação do formulário deu-se em duas etapas. Na primeira, aplicou-se junto a um grupo de 130 (cento e trinta) pessoas, classificado como Grupo de Calibragem, questões de estimativas de preço para produtos da cesta básica, sem nenhuma menção de valor para tais itens. Nesta perspectiva, perguntou-se as estas pessoas qual a melhor estimativa de preço para cada produto, bem como o nível de confiança na estimativa realizada, numa escala de onze pontos, conforme modelo abaixo: A seguir lhe serão apresentados diferentes produtos. Por favor dê a sua melhor estimativa de preço à vista, para cada produto no mercado. Em seguida indique o grau de confiança na estimativa que acabou de realizar. a) FEIJÃO CARIOCA DA MAMÃE TIPO 1 - 1kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Na segunda etapa de aplicação do instrumento, foram elaborados dois formulários semelhantes no que tange aos produtos e ao modo de apresentação das questões, porém diferentes no que tange aos valores dispostos como âncoras. A aplicação dos formulários procedeu-se em dois gupos distintos, classificados como Grupo Experimental Âncora Alta e Grupo Experimental Âncora Baixa. A cada grupo aplicou-se um tipo de formulário. 49 Após a atribuição do valor estimado, o respondente deveria indicar o grau de confiança de tal estimativa que acabara de realizar, numa escala de zero para nenhuma confiança e dez para muita confiança, conforme demonstrado a seguir. GRUPO EXPERIMENTAL ÂNCORA BAIXA: A seguir lhe serão apresentados diferentes produtos. Por favor dê a sua melhor estimativa de preço à vista, para cada produto no mercado. Em seguida indique o grau de confiança na estimativa que acabou de realizar. a) FEIJÃO CARIOCA DA MAMÃE TIPO 1 - 1kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que 1,98. • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto? • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 GRUPO EXPERIMENTAL ÂNCORA ALTA: A seguir lhe serão apresentados diferentes produtos. Por favor dê a sua melhor estimativa de preço à vista, para cada produto no mercado. Em seguida indique o grau de confiança na estimativa que acabou de realizar. a) FEIJÃO CARIOCA DA MAMÃE TIPO 1 - 1kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que 4,17. • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto? • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Com o objetivo específico de verificar a relação da ancoragem com a essencialidade dos produtos, solicitou-se que após a indicação do grau de confiança, o participante assinalasse também, o grau de essencialidade conferido aos produtos avaliados. Assim, os respondentes deveriam assinalar o quanto cada item era essencial na sua concepção, numa escala de onze pontos conforme modelo abaixo: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 Para averiguar a validade do formulário, realizou-se um pré-teste com um grupo de trinta indivíduos, clientes de um dado supermercado localizado na cidade de Mossoró-RN, escolhidos aleatoriamente por conveniência de acesso, de acordo 50 com a disponibilidade destes em responder as questões propostas. Esse teste inicial tem como objetivo verificar a clareza das questões, a existência de perguntas desnecessárias e receber opiniões para melhorá-lo. Sobre o pré-teste, Gil (1999) informa que este é um instrumento de coleta de dados que tem por objetivo assegurar a validade e precisão a fim de evitar que a pesquisa chegue a um resultado falso. Com aplicação deste instrumento, verificou-se que o enunciado das questões estava delineado de forma confusa, uma vez que alguns entrevistados não conseguiam entender o que se propunha de forma clara. Assim este aspecto foi reformulado e as versões finais dos formulários encontram-se nos APÊNDICES A, B e C. 3.3.3 Plano de Coleta Antes de dar início a pesquisa, realizou-se um contato prévio com os três maiores supermercados da cidade, solicitando aos seus responsáveis a devida autorização para realização da pesquisa no ambiente interno das empresas. Foram escolhidas as maiores empresas da cidade pelo fluxo de pessoas em circulação no interior das lojas. Com um maior número de indivíduos circulando pelos estabelecimentos, aumenta-se as chances de possíveis respondentes dispostos a responder aos formulários. O número de empresas escolhidas (três) foi definido em função dos grupos necessários para a pesquisa, uma vez que o instrumento de pesquisa está dividido em três formulários (um para o grupo de calibragem e dois para os grupos experimentais). Considerando que o formulário está dividido em três instrumentos de coleta (Grupo de Calibragem, Grupo Experimental Âncora Alta e Grupo Experimental Âncora Baixa), para atender ao propósito da pesquisa não deve haver repetição das respostas em função das pessoas consultadas. Para garantir esta não reincidência dos participantes, escolheu-se lugares distintos para aplicar cada tipo de instrumento (Grupo de Calibragem, Grupo Experimental Âncora Alta e Grupo Experimental Âncora Baixa). Além desta medida, ao serem abordadas, as pessoas eram indagadas se já haviam respondido a esta pesquisa. Em caso positivo, estes indivíduos que afirmaram já ter respondido a qualquer um dos três instrumentos (Formulário A - Grupo de Calibragem; Formulário B - Grupo Experimental Âncora 51 Baixa; Formulário C - Grupo Experimental Âncora Alta) eram prontamente descartadas como novas fontes de consulta. Após autorização para a pesquisa no ambiente interno das empresas, escolhidas de acordo com o critério de observação da área ocupada e fluxo de pessoas, realizou-se a aplicação dos formulários junto aos clientes em compras, escolhidos aleatoriamente por conveniência de acesso no momento em que estes realizavam suas compras. A abordagem dos respondentes foi feita na parte interna das lojas no instante em que estes aguardavam nas filas para fazer o pagamento das compras. Achou-se conveniente escolher as pessoas que estavam nas filas por acreditar que neste momento, estas estariam mais propensas a responder às questões propostas, uma vez que o formulário preenchia o tempo de espera destas, enquanto aguardavam para fazer o pagamento das compras realizadas. Aplicação do instrumento deu-se entre os dias vinte de junho a dez de julho do corrente ano. Neste período, os dados foram coletados em todos os dias da semana, excetuando-se domingos e feriados. O período compreendido entre os dez dias finais do mês de junho ao décimo dia do mês de julho, foi escolhido a propósito por coincidir com o período em que a maioria dos trabalhadores assalariados recebem os seus devidos pagamentos, o que garante um maior fluxo de pessoas transitando e realizando compras nos supermercados. A coleta dos dados foi realizada por duas alunas de graduação, concluintes do curso de Ciências Contábeis da Universidade Potiguar, Campus Mossoró. As discentes foram escolhidas como auxiliares da pesquisa por serem participantes voluntárias de um projeto de pesquisa do curso, relacionado ao tema da pesquisa. 3.4 TRATAMENTO DOS DADOS O método de tratamento dos dados seguiu as etapas propostas por Jacowitz e Kahneman (1995). Para atender aos objetivos desta pesquisa, adaptou-se o modelo proposto pelos autores, substituindo as questões propostas no instrumento original por produtos que compõem a cesta básica conforme Decreto Lei 399/1938. Seguindo o modelo teórico de Jacowitz e Kahneman (1995), o grau de ancoragem foi mensurado através da aplicação de formulários semelhantes em três grupos distintos de uma mesma população. Um primeiro grupo sem qualquer noção 52 de âncora realizou estimativas para os intens sem nenhum valor previamente disposto. A atribuição de valor deveria ser realizada de acordo com a percepção dos indivíduos, sem nenhuma interveniência do pesquisador ou sugestão do instrumento. Após realizarem as estimativas, os participantes deveriam indicar o grau de confiança depositado nos valores estimados numa escala de onze pontos, sendo assinaldo 0 (zero) quando o participante estivesse totalmente incerto quanto a sua estimativa e 10 (dez) para estimativas com total confiança. Depois de coletados os dados obtidos junto ao grupo de calibragem, tais informações foram tabuladas em uma planilha eletrônica de modo que os valores ficaram dispostos em ordem crescente. Após esta classificação, os dados foram separado em percentis, de modo que se identificasse os valores relativos ao décimo quinto e ao octogésimo quinto percentil de distribuição, conforme proposto por Jacowitz e Kahneman (1995). Extraindo-se as informações das planilhas alimentadas pelo grupo de calibragem, lançou-se os valores para dois outros grupos, chamados de grupos experimentais. Os indivíduos de um grupo experimental responderam as as atribuições de valor, tendo-se como infomação prévia, as estimativas extraídas do 15º percentil da distribuição normal do grupo de calibragem, denominadas como âncoras baixas. O segundo grupo experimental, respondeu suas estimativas com base em valores obtidos do 85º percentil da distribuição normal do grupo de calibragem, ou seja as âncora altas. Desta forma, os sujeitos dos grupos experimentais fizeram seus julgamentos tendo com marco inicial, as estimativas extraídas realizadas pelo grupo de calibragem. Para mensurar a ancoragem, Jacowitz e Kahnemam (1995) indicam um índice de ancoragem (IA) para medir o fluxo da estimativa mediana dos sujeitos em direção a âncora aos quais foram expostos. Os valores do IA variam de zero para sujeitos sem nenhum efeito da ancoragem a um para indivíduos totalmente sujeitos aos efeitos da ancoragem. Assim, de acordo com os autores, para encontrar o IA, utiliza-se o seguinte método: IA = mediana (âncora alta) - mediana (âncora baixa) âncora alta - âncora baixa A mediana, é uma medida de localização central na distribuição de dados de uma amostra. Assim a utilização da mediana para o cálculo do índice de ancoragem 53 consiste no pressuposto de que esta medida é mais resistente a valores extremos que a média. Desta forma, estimativas muito baixas ou muito altas para o mesmo item não invalidam o modelo, uma vez que não refletem de forma alguma no cálculo da mensuração do efeito ancoragem. Os índices de ancoragem específicos para as âncoras altas e baixas foram obtidos na mesma perspectiva de Jacowitz e Kahnemam (1995), que definem uma fórmula semelhante à supracitada para mensuração do índice de ancoragem separadamente. Assim, o IA para as âncoras baixas foram calculados da seguinte maneira: IA (baixa) = mediana (âncora baixa) - mediana (grupo de calibragem) âncora baixa - mediana (grupo de calibragem) Nesta mesma concepção, os índices de ancoragem para as âncoras altas foram calculado da seguinte forma: IA (alta) = mediana (âncora alta) - mediana (grupo de calibragem) âncora alta - mediana (grupo de calibragem) Buscando um aprofundamento quanto à ancoragem das estimativas, calculou-se ainda o IA para cada atribuição individual de todos os indivíduos envolvidos no grupo experimental (260 indivíduos, divididos em dois grupos: âncora alta e âncora baixa). Assim foi possível discriminar a ancoragem por estimativa das pessoas submetidas a âncora alta, bem como para os sujeitos expostos as âncoras baixas. Para encontrar o índice de ancoragem individual para cada estimativa, utilizou-se a fórmula proposta por Jacowitz e Kahnemam (1995), susbstituindo-se a mediana do grupo, pelas estimativas individuais feitas pelos indivíduos consultados. O modelo proposto abaixo, considerou que o preço justo para os produtos seriam as medianas das estimativas do grupo de calibragem. Assim, os índices de ancoragem individuais por estimativa, para os sujeitos submetidos às âncoras baixas, foram calculados da seguinte forma: IAi (baixa) = estimativa de preço - mediana (grupo de calibragem) âncora baixa - mediana (grupo de calibragem) Na mesma instância, os índices de ancoragem individuais por estimativa, para os indivíduos submetidos às âncoras altas, foram calculados da seguinte forma: IAi (alta) = estimativa de preço - mediana (grupo de calibragem) âncora alta - mediana (grupo de calibragem) 54 Após a coleta dos formulários, os dados foram tabulados em planilhas eletrônicas para se conhecer as medianas das âncoras obtidas dos grupos experimentais. As planilhas eletrônicas foram importantes também para os cálculos estatísticos e confecção das tabelas e gráficos correspondentes a percepção dos respondentes relativas às questões propostas. De posse dos dados devidamente tabulados, estes foram analisados através da análise descritiva, medidas de dispersão, comparação de frequências, medianas, desvio padrão, verificados através de métodos paramétricos. Os efeitos das âncoras altas e baixas nas estimativas foram segregados pela comparação das estimativas em dois grupos distintos: grupo âncora alta e grupo âncora baixa. A análise descritiva possibilita o aprofundamento das discussões e identificação do efeito ancoragem de forma individual, por produto. Através da correlação entre as variáveis confiança e essencialidade, analisa-se as associações entre o índice de ancoragem em função da essencialidade atribuída aos produtos e o nível de confiança dos participantes nas estimativas realizadas. Através da regressão linear, verifica-se a significância das relações entre as variáveis e buscando explicar a variação do índice de ancoragem em função a essencialidade e nível de confiança atribuídos pelos participantes da pesquisa. 55 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Neste capítulo apresentam-se os resultados da pesquisa realizada a fim de se analisar os efeitos da heurística da ancoragem sobre as estimativas de preço para os produtos da cesta básica. O modelo de mensuração da ancoragem para as estimativas de preço realizadas, foi desenvolvido com base no Índice de Ancoragem proposto por Jacowitz e Kahneman (1995). Inicialmente as análises concentram-se nas estimativas realizadas pelo grupo de calibragem, que forneceu elementos para definição dos valores dispostos como âncoras aos grupos experimentais. A apresentação dos resultados subdivide-se em três seções secundárias, uma demonstrando os resutados obtidos a partir do grupo de calibragem e outras duas, onde analisa-se as estimativas dos indivíduos submetidos tanto as âncoras baixas, como dos indivíduos expostos as âncoras altas. 4.1 GRUPO DE CALIBRAGEM O grupo de calibragem compõe-se por pessoas sem nenhuma noção de ancoragem. Desta forma, as estimativas realizadas por estas não estavam sujeitas a nenhum valor arbitrário proposto pelo pesquisador. Assim, os preços dos produtos foram estimados com base na percepção individual de cada pessoas participante da pesquisa. Na Tabela 1, evidencia-se os valores das estimativas medianas realizadas pelo grupo de calibragem. Estes valores medianos foram extraídos com bases em cento e trinta estimativas realizadas por indivíduos, sem repetição do respondente. Tabela 1 - Extratos do Grupo de Calibragem VALORES DO GRUPO DE CALIBRAGEM EXTRATOS Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Pão Carne Mediana 2,88 2,10 1,99 1,97 2,08 3,00 2,50 2,50 2,10 2,50 2,00 5,00 14,00 Vl. Mínimo 1,30 0,90 0,80 1,00 1,20 1,35 1,08 1,30 0,69 0,70 0,25 0,25 4,00 Vl. Máximo 5,00 4,20 3,80 3,20 3,90 8,00 4,50 7,00 4,50 4,00 21,50 12,50 20,00 Amplitude 3,70 3,30 3,00 2,20 2,70 6,65 3,42 5,70 3,81 3,30 21,25 12,25 16,00 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Através da Tabela 1 é possível observar uma grande amplitude (diferença entre o menor valor e o maior valor estimado) para alguns produtos, a exemplo da 56 banana, do pão e da carne. Diante de números tão dispersos a utilização da média para analisar estas estimativas poderia invalidar a amostra, uma vez que os extremos poderiam influenciar seriamente o valor médio dos produtos. Por este motivo utiliza-se a mediana como ferramenta de análise, uma vez que esta é mais resistente a valores extremos que a média. Desta forma, os reflexos dos valores extremos são minimizados com a utilização da mediana para analisar os preços das estimativas, uma vez que a mediana considera apenas os valores centrais da amostra e elimina os extremos. Embora os sujeitos do grupo de calibragem não estivessem expostos a nenhum valor arbitrário atribuído de forma direta pelo instrumento de coleta, a falta de uma âncora evidente não sugere que a estimativa realizada esteja desarticulada com o padrão de valor aceitável para um produto. Assim acredita-se que os valores estimados pelo grupo de calibragem estejam razoavelmente alinhados com os preços dos produtos no mercado. O Gráfico 1 demonstra os valores das estimativas realizadas pelo grupo de calibragem. Observa-se que os valores atribuídos aos produtos resguardam uma considerável dispersão entre a máxima atribuição de preço e a mínima. Neste caso, a amplitude revela-se como importante medida de análise, uma vez que através dela pode-se verificar como os valores dispostos pelos indivíduos em suas tarefas de estimação estão dispersos. Gráfico 1 - Extratos do Grupo de Calibragem 20,00 18,00 16,00 14,00 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0 Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Mediana Fonte: Dados da pesquisa (2011). Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Pão Vl. Mínimo Vl. Máximo Amplitude Carne 57 No que tange a dispersão das avaliações, percebe-se uma maior distância entre os valores máximos e mínimos das estimativas, principalmente para os produtos banana, pão e carne. Conforme Engel, Blackwell e Miniard (1986 apud Motta, 2009) é salutar que exista uma linha de tolerância definida no que tange ao preço, nos quais os consumidores esperam pagar por um produto. Este limite aceitável, pode ser reflexo de uma consulta de preços, de uma compra passada, da percepção do preço dos componentes do produto e do preço praticado pelos produtos substitutos. Assim, embora este comportamento disperso dos indivíduos, quanto a atribuição de valores aos produtos, possa estar correlacionado a fatores como essencialidade, percepção de valor agregado, apresentação dos produtos pelos canais de comunicação e experiências passadas, através deste estudo não é possível afirmar de forma segura, quais destas condicionantes podem estar relacionadas a amplitude das estimativas realizadas pelos cparticipantes da pesquisa. Os valores determinados com âncoras e posteriormente dispostos aos grupos experimentais, foram obtidos a partir da divisão do conjunto de dados obtidos nas cento e trinta estimativas realizadas pelo grupo de calibragem em cem subgrupos de tamanhos iguais, chamados de percentis. Assim, conforme recomendado por Jacowitz e Kahneman (1995) o décimo quinto percentil de distribuição de cada produto, ficou disposto aos consumidores de um grupo, sendo estes as âncoras baixas. Já o octuagésimo quinto percentil de distribuição dos produtos, corresponde aos valores subjulgados e dispostos a um outro grupo, e foram considerados como âncoras altas, conforme Tabela 2. Tabela 2 - Percentis de Distribuição VALORES DO GRUPO DE CALIBRAGEM EXTRATOS Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Óleo 15º Percentil 85º Percentil Manteiga Café Tomate Batata Banana 1,98 1,65 1,80 1,50 1,70 2,30 1,96 1,90 1,34 1,70 4,17 2,90 2,47 2,30 2,60 4,00 3,30 3,97 2,90 3,50 Pão Carne 1,48 3,44 12,00 3,65 8,00 17,50 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Na sessão seguinte, apresentam-se os resultados obtidos a partir das estimativas realizados pelo grupo experimental submetido aos valores extraídos do décimo quinto percentil de distribuição do grupo de calibragem. Estes indivíduos foram reunidos e classificados como Grupo Âncora Baixa. 58 Para o cálculo do Índice de Ancoragem (IA), elemento fundamental à discussão dos resultados de acordo com os objetivos desta pesquisa, é necessário calcular as medianas dos valores estimados tanto do grupo de calibragem como dos grupos experimentais. As medianas dos grupos experimentais estão apresentados na Tabela 3. Para uma melhor compreensão, os valores medianos das estimativas foram segregados por produtos e por agrupamento a que pertencem. Tabela 3 - Mediana das Estimativas dos Grupos Experimentais MEDIANAS DAS ESTIMATIVAS GERAIS FEITAS PELOS PARTICIPANTES DOS GRUPOS EXPERIMENTAIS BASE DA ESTIMATIVA Feijão Âncora Alta Âncora Baixa Arroz Açúcar Farinha Leite Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Pão Carne 3,00 2,24 2,30 2,10 2,20 3,60 2,70 2,90 2,20 2,80 2,10 6,50 14,00 2,35 1,99 1,90 1,50 1,99 2,50 2,10 1,90 1,50 1,70 1,50 4,39 13,00 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). 4.2 GRUPO EXPERIMENTAL - ÂNCORA BAIXA 4.2.1 Análise Descritiva A Tabela 4 demonstra, para cada produto, a âncora à que os sujeitos deste grupo de pesquisa foram expostos, bem como as medianas das estimativas destes indivíduos e o índice de ancoragem dos produtos da cesta básica, calculados com base nos atributos de preço aferidos por este grupo. Tabela 4 - Índices de Ancoragem por Produto (Âncora Baixa) MEDIANAS Âncora Baixa 15º Percentil Calibragem Grupo Exper. Índice de Ancoragem Feijão 1,98 2,88 2,35 0,59 Arroz 1,65 2,10 1,99 0,24 Açúcar 1,80 1,99 1,90 0,47 Farinha 1,50 1,97 1,50 1,00 Leite 1,70 2,08 1,99 0,23 Óleo 2,30 3,00 2,50 0,71 Manteiga 1,96 2,50 2,10 0,74 Café 1,90 2,50 1,90 1,00 Tomate 1,34 2,10 1,50 0,78 Batata 1,70 2,50 1,70 1,00 Banana 1,48 2,00 1,50 0,97 Pão 3,44 5,00 4,39 0,39 Carne 12,00 14,00 13,00 0,50 PRODUTOS Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Média 0,66 Desvio Padrão 0,28 59 De acordo com a Tabela 4, observa-se que os reflexos da ancoragem sobre as estimativas deste grupo alcançou valores consideravelmente significativos. Como pode-se perceber, a média da ancoragem deste grupo alcançou o índice de 0,66. Dada a sensibilidade da média a valores extremos, a dispersão dos índices de ancoragem para estas estimativas podem ser explicada com auxílio do desvio padrão. Considerando que a média do IA para os produtos foi de 0,66 e o desvio padrão ficou em 0,28, pode-se perceber que a dispersão do efeito ancoragem para este grupo foi relativamente baixo, uma vez que o desvio está mais próximo a zero. Assim, com base neste IA médio de 0,66 pode-se dizer que as medianas das estimativas dos sujeitos moveram-se claramente em direção às estimativas medianas do grupo de calibragem. Analisando IA de forma individual, percebe-se que para alguns produtos, as estimativas moveram-se totalmente em relação a âncora. Isto acontece quando o IA é igual a 1,00. Neste patamar de movimentação total em relação à âncora pode-se relacionar a farinha, o café e a batata. Em outra prospecção, alguns produtos como o arroz e o leite, tiveram índice de ancoragem 0,24 e 0,23 respectivamente. Isto quer dizer que as estimativas para estes itens não variaram significativamente em função das âncoras à que os participantes da pesquisa foram expostos. No Gráfico 2, demonstra-se a movimentação das estimativas em relação às âncoras. Gráfico 2 - Âncora Baixa 14 13 11 10 9 8 6 5 4 2 1 Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Âncora Baixa Fonte: Dados da pesquisa (2011). Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Grupo Experimental Grupo de Calibragem Pão Carne 60 Para atender aos objetivos propostos nesta pesquisa, analisou-se também a relação entre o índice de ancoragem e a confiança dos indivíduos em suas estimativas. Segundo Jacowitz e Kahneman (1995), quanto maior a incerteza do valor a ser estimado, maior a influência da âncora sobre tal estimativa. A relacão entre o nível de confiança da estimativa e o efeito da ancoragem sobre esta, pode ser observada através da Tabela 5, onde demonstra-se as conexões ente os índices de ancoragem dos preços atribuídos pelos sujeitos deste grupo para cada item, bem como o nível de confiança destes, em suas estimativas. Analisando individualmente os índices de ancoragem, pode-se perceber que a estimativa de preço para alguns produtos variaram em direção à âncora, em uma relação inversamente proporcional à confiança sugerida pelas estimativas. Tabela 5 - Relação: IA e Confiança (Âncora Baixa) Índice de Ancoragem Preço Confiança Feijão 0,59 2,35 7,0 Arroz 0,24 1,99 7,0 Açúcar 0,47 1,90 7,0 Farinha 1,00 1,50 6,5 Leite 0,23 1,99 7,0 Óleo 0,71 2,50 7,0 Manteiga 0,74 2,10 7,0 Café 1,00 1,90 7,0 Tomate 0,78 1,50 7,0 Batata 1,00 1,70 7,0 Banana 0,97 1,50 7,0 Pão 0,39 Carne 0,50 4,39 13,00 8,0 8,0 Média 0,66 - 7,12 Desvio Padrão 0,28 - 0,42 PRODUTOS MEDIANA Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Segundo Wilson, Houston e Etling (1996), mesmo as pessoas bem informadas e confiantes em suas estimativas, são influenciadas significativamente por uma âncora arbitrária. Segundo os autores, esta influência se dá presumivelmente porque os participantes da pesquisa poderiam recuperar da memória a resposta que eles acreditavam ser a correta, e esta resposta provalmente se reporta ao primeiro valor disponível na mente. Considerando os valores medianos da confiança atribuída as estimativas e correlacionando-as ao respectivos índices de ancoragem, observa-se que para o 61 item farinha, onde a confiança teve o menor valor mediando, a ancoragem foi total, ou seja, IA = 1,00. Neste caso a proposição de Wilson, Houston e Etling (1996), não se confirma em todos os itens desta pesquisa, uma vez que produtos como café e batata moveram-se totalmente em direção à âncora, mesmo com níveis satisfatórios de confiança (mediana da confiança = 7,0). Percebe-se que neste estudo específico, a confiança não justifica a ancoragem em sua totalidade. Mussweiler e Strack (1999) afirmam que a estimativa realizada é seriamente influenciada pelo conhecimento que os indivíduos têm sobre o valor considerado como certo. Assim, as pessoas com pouco conhecimento sobre o objeto a ser avaliado podem ser mais suscetíveis a ancoragem, pois elas tendem a perceber valores arbitrários como justos e testar a hipótese de que o valor final do item é igual a esse valor extremo. Desta forma, o tamanho do efeito ancoragem pode ser medido por diferenças na percepção dos indivíduos sobre a certeza do valor de âncora. Assim, com base nos dados apresentados no Gráfico 3, pode-se perceber que nem sempre encontra-se aderência na relação das variáveis ancoragem e confiança, uma vez que não foi uma unanimidade nesta pesquisa, os casos onde a movimentação da estimativa em direção à âncora, variou proporcionalmente à confiança atribuída na estimativa. Assim, os elementos desta pesquisa não são suficientes para afirmar que, quanto maior a confiança do indivíduo em sua estimativa, menor será o efeito da ancoragem sobre suas atribuições de preço. Gráfico 3 - Índice de Ancoragem e Confiança (Âncora Baixa) 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Pão Índice de Ancoragem Fonte: Dados da pesquisa (2011). Confiança Carne 62 Este estudo teve ainda como objetivo verificar a relação da ancoragem com a essencialidade dos produtos. Assim, os indivíduos assinalaram suas estimativas de valor para os itens, bem como o quanto consideram este item essencial numa escala de 0 (zero) a 10 (dez), sendo zero para nenhuma essencialidade e dez para total essencialidade. A Tabela 6, apresenta os resultados encontrados na pesquisa no que tange a ancoragem e essencialidade dos produtos. Tabela 6 - Relação: IA e Essencialidade (Âncora Baixa) Índice de Ancoragem Preço Essencialidade Feijão 0,59 2,35 9,5 Arroz 0,24 1,99 8,0 Açúcar 0,47 1,90 8,0 Farinha 1,00 1,50 7,0 Leite 0,23 1,99 9,0 Óleo 0,71 2,50 8,0 Manteiga 0,74 2,10 8,0 Café 1,00 1,90 7,0 Tomate 0,78 1,50 9,0 Batata 1,00 1,70 8,5 Banana 0,97 1,50 8,0 Pão 0,39 Carne 0,50 4,39 13,00 8,0 10,0 Média 0,66 - 8,31 Desvio Padrão 0,28 - 0,88 PRODUTOS MEDIANA Fonte: Pesquisa de Campo (2011). De acordo com os dados demonstrados na tabela acima, alguns itens como farinha e café, que obtiveram uma mediana de essencialidade menor que os demais produtos, alcançaram índices de ancoragem mais elevados. Para estes dois itens, pode-se observar que a ancoragem teve efeito inversamente proporcional a essencialidade destes. Assim, para estes dois produtos, os dados da pesquisa tendem a sugerir que quanto menos essencial um produto, mais suscetível aos efeitos da ancoragem estará item sujeito. É importante resaltar que a essencialidade tratada no escopo desta pesquisa refere-se a importância dos produtos para a dieta alimentar das pessoas, não estando esta variável relacionada ao impacto financeiro sobre o orçamento familiar dos participantes da pesquisa. Conforme pode-se perceber no Gráfico 4, a afirmativa de que, quanto mais essencial for um produto, menos sujeito ao efeito ancoragem este item será, não pode ser considerada como verdade absoluta, uma vez que o produto tomate, 63 obteve uma ancoragem de 0,78, mesmo com a essencialidade nominado a 9,0. Outro exemplo é o caso da banana, que teve IA = 0,97 e essencialidade igual a 8,0. Gráfico 4 - Índice de Ancoragem e Essencialidade (Âncora Baixa) 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Índice de Ancoragem Pão Carne Essencialidade Fonte: Dados da pesquisa (2011). Analisando a média da ancoragem dos produtos dispostos no Gráfico 4, podese dizer que as estimativas realizadas deslocaram-se mais de 50% (0,66) em direção as âncoras disponíveis aos participantes da pesquisa. Comparando a média da ancoragem com a média dos valores da essencialidade atribuída aos itens, é possível perceber que a essencialidade não explica o índice de ancoragem dos produtos. Uma vez que a mediana das notas atribuídas é relativamente elevada, esperava-se que os respectivos índices de acoragem estivessem representados por números de pequena dimensão, o que não ocorreu. O gráfico 5, demonstra a relação do Índice de Ancoragem com as variáveis confiança e essencialidade. Percebe-se que para o item farinha, o IA variou inversamente proporcional as variáveis confiança e essencialidade. Nota-se que este produto obteve ancoragem máxima (IA = 1,00), na medida que os valores medianos da confiança e da essencialidade atingiram valores menores ou iguais aos demais produtos (confiança = 6,5; essencialidade = 7,0). Observando os dados demonstrados no Gráfico 5, pode-se perceber ainda que o IA dos produtos café, batata e banana, tendem a acompanhar de forma inversa as variáveis confiança e essencialidade. Tais itens demonstraram 64 propenssão total a ancoragem e baixos níveis de certeza e essencialidade de acordo com as estimativas dos avaliadores. Gráfico 5 - IA, Confiança e Essencialidade (Âncora Baixa) 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Índice de Ancoragem Confiança Pão Carne Essencialidade Fonte: Dados da pesquisa (2011). Estudos empíricos demonstram que quanto maior a incerteza sobre o valor a ser estimado, maior será a influência das âncoras sobre esta estimativa (JACOWITZ, KAHNEMAN, 1995; MUSSWEILER, STRACK,1999). Nesta pesquisa, contudo, esta premissa não se confirmou para todos os casos analisados. Alguns produtos como o arroz e açúcar, tiveram baixo índice de ancoragem e confiança relativamente baixa, comparado com os itens que obtiveram alta ancoragem e confiança na mesma dimensão destes dois citados. 4.2.2 Análise de Correlação e Regressão Para analisar a relação da ancoragem com a confiança depositada na estimativa, Jacowitz e Kahneman (1995) propõem que se faça para cada questão, de forma isolada, a correlação entre as estimativas e a confiança depositada pelos respondentes, separando-os em dois grupos, classicicados como grupo âncora baixa e grupo âncora alta. De acordo com os autores, a propensão à ancoragem está associada a uma baixa confiança. Desta forma a correlação entre as estimativas e o nível de confiança deve ser negativa quando a ancoragem é alta e positiva quando é ancoragem é baixa. 65 A Tabela 7 evidencia as correlações entre o Índice de Ancoragem, a Confiança e a Essencialidade dos produtos para cada estimativa. A correlação verifica a existência e o grau de relação entre estas variáveis. Ao todo são 1.690 (um mil seiscentos e noventa) correlações, considerado que foram feitas 130 (cento e trinta) estimativas para 13 (treze) produtos diferentes. Tabela 7 - Coeficientes de Correlação (Âncora Baixa) IA Confiança Essencialidade IA 1 0,17 -0,035 * Confiança 0,17 1 0,25 Essencialidade -0,035 * 0,25 1 Itens marcados com * não são significativos para α = 0,05 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Nesta pesquisa, a variável Confiança refere-se ao grau de crença que o indivíduo atribui a sua estimativa de preço para cada produto. O Índice de Ancoragem está relacionado ao nível influência da âncora nas estimativas de preço dos participantes da pesquisa. Já a Essencialidade, reporta-se ao quanto o produto é indispensável à dieta alimentar das pessoas. Neste sentido, analisando a Tabela 7 pode-se perceber que existe uma significativa relação linear entre as variáveis Índice de Ancoragem e Confiança. Isto demonstra que o efeito ancoragem está associado a confiança depositada nas estimativas dos participantes desta pesquisa. A análise das correlações entre as variáveis IA e Confiança permite afirmar ainda que existe uma correlação positiva entre elas. Segundo Jacowitz e Kahneman (1995), a propensão à ancoragem está associada a um baixo nível de confiança na estimativa realizada. Desta forma, a correlação entre o IA e a avaliação da confiança deve ser negativa quando a estimativa for realizada com alta confiança e negativa quando o indivíduo demonstrar pouca confiança em sua estimativa. Os dados estatísticos permitem afirmar ainda que a relação IA versus Confiança é significativa, quando α = 0,05. Assim, pode-se afirmar que existe uma tendência de que quanto menos o indivíduo se diz conhecedor do preço do produto avaliado, maiores são as probabilidades deste ser influenciado por um valor arbitrário. Nesta perspectiva, pode-se inferir que as pessoas menos confiantes em suas estimativas, tendem a ancorar mais em um valor disposto do que as pessoas altamente confiantes em suas estimativas (WILSON; HOUSTON; ETLING, 1996). 66 As correlacões entre as variáveis Confiança e Essencialidade, permitem observar a existência de uma correlação positiva entre estas duas dimensões. Assim é possível afirmar que a confiança na estimativa pode ser influenciada pela essencialidade do produto avaliado. Isto significa que, as estimativas onde os respondentes demonstram maior grau de certeza, tendem a se relacionar com os produtos considerados mais necessários para a dieta alimentar destas pessoas. Os dados analisados estatisticamente permitem visualizar a existência de uma relação linear significativa entre a Confiança e a Essencialidade. Ainda de acordo com a Tabela 7, pode-se constatar que não há correlação linear entre estas variáveis IA e Essencialidade, isto aponta que o Índice de Ancoragem não está associado ao quanto as pessoas consideram determinado item como necessário. Observa-se ainda que a correlação entre as variáveis IA e Essencialdade não é significativa quando adotado α = 0,05. Nesta perspectiva, pode-se inferir que não é possível explicar o efeito da ancoragem sobre as estimativas realizadas em função da essencialidade atribuída aos produtos avaliados. A Tabela 8, demonstra os coeficientes de análise de regressão para as estimativas realizadas. Esta análise busca descrever sob uma forma matemática, as relações das variáveis através de uma função. Desta forma, para atender aos objetivos desta pesquisa, busca-se com o auxílio da regressão explicar a variação do Índice de Ancoragem (IA) em função das variáveis Confiança (C) e Essencialidade (E). Tabela 8 - Coeficientes de Análise de Regressão (Âncora Baixa) Unstandardized Coef. Constante Confiança Essencialidade -0,156 * 0,145 -0,052 R Square = 0,035 Itens marcados com * não são significativos para α = 0,05 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Através análise de regressão foi possível determinar a seguinte função matemática para explicar a variação do Índice de Ancoragem em função das variáveis Confiança e Essencialidade: IA (âncora baixa) = 0,145 x C - 0,052 x E - 0,156 67 Este modelo explicativo evidencia que a variável Confiança (C = 0,145 ∴ C>0) contribui positivamente para a variação do Índice de Ancoragem. Assim, a cada variação positiva da confiança, acarretará numa oscilação positiva do IA. De outro modo, a Essencialidade (E = -0,052 ∴ E<0) varia de forma inversa ao Índice de Ancoragem, assim a cada acréscimo na variável Essencialidade provocará um decréscimo no IA, e cada decréscimo na Essencialidade provocará uma acréscimo no IA. É importante destacar que esta função (IA baixa = 0,145 x C - 0,052 x E 0,156) deve ser interpretada e possivelmente utilizada com devido cuidado, uma vez que o coeficiente de explicação R² foi de 3,5%. Assim o poder de explicação da função para as variáveis explicativas analisadas é muito baixo. 4.3 GRUPO EXPERIMENTAL - ÂNCORA ALTA 4.3.1 Análise Descritiva A análise do grupo âncora alta, buscou identificar a aderência desta pesquisa ao estudo de Jacowitz e Kahneman (1995), que preconizam uma certa influência em tarefas de estimação de preço para valores incertos, quando os sujeitos são submetidos a valores arbitrários como ponto de partida. Nesta perspectiva, Kahneman e Knetsch (1993 apud Wilson, Houston e Etling ,1996) defendem uma hipótese de retrospecto anterior, ao qual os indivíduos reportam-se mediante a necessidade de responder a uma pergunta, invocando possíveis respostas, e ajustando estas ao valor considerado adequado. Assim, quando uma pesquisa é iniciada, qualquer valor plausível na memória de curto prazo é considerada como uma resposta possível, iniciando o processo de ancoragem no indivíduo sujeito ao problema. Os índices de ancoragem para as estimativas realizadas pelos elementos participantes desta pesquisa foram calculados conforme o modelo de Jacowitz e Kahneman (1995). Na Tabela 9, demonstram-se os Índices de Ancoragem para cada item, referente ao grupo onde as pessoas foram submetidos às âncoras altas. Além dos índices, apresentam-se os valores das âncoras, bem como as medianas das estimativas do grupo de calibragem e deste grupo experimental. 68 Tabela 9 - Índices de Ancoragem por Produto (Âncora Alta) MEDIANAS Âncora Alta 85º Percentil Calibragem Grupo Exper. Índice de Ancoragem Feijão 4,17 2,88 3,00 0,10 Arroz 2,90 2,10 2,24 0,18 Açúcar 2,47 1,99 2,30 0,65 Farinha 2,30 1,97 2,10 0,40 Leite 2,60 2,08 2,20 0,24 Óleo 4,00 3,00 3,60 0,60 Manteiga 3,30 2,50 2,70 0,25 Café 3,97 2,50 2,90 0,27 Tomate 2,90 2,10 2,20 0,13 Batata 3,50 2,50 2,80 0,30 Banana 3,65 2,00 2,10 0,06 Pão 8,00 5,00 6,50 0,50 Carne 17,50 14,00 14,00 0,00 PRODUTOS Média 0,28 Desvio Padrão 0,20 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Conforme Tabela 9, pode-se perceber que os efeitos da âncora alta foram menores que os da âncora baixa, para os mesmos itens. Comparando-se o IA médio da âncora baixa (média = 0,66), com o IA médio da âncora alta (média = 0,28), percebe-se que as estimativas baseadas na âncora alta moveram-se menos em direção a âncora que as estimativas do grupo expostos a âncora alta. O desvio padrão IA do grupo âncora alta também foi menor que o desvio encontrado para o grupo âncora baixa, isto quer dizer que a ancoragem do grupo âncora alta foi mais homogênea, mais concentrada que a do grupo âncora baixa. Deste modo, pode-se inferir que os efeitos das âncoras baixas foram maiores, sendo estas mais eficientes que as âncoras altas. Nesta perspectiva, os dados da pesquisa demonstram que o grupo submetido as âncoras baixas foi mais influenciado por estas que o grupo submetido às âncoras altas. Contrapondo-se a este resultado, Jacowitz e Kahneman (1995) afirmam que os efeitos da ancoragem são notavelmente significativos, as âncoras altas e baixas são bastante efetivas sobre as estimativas dos indivíduos, mas o efeito da âncora alta é significativamente maior que o da âncora baixa. O Gráfico 6 apresenta as âncoras a que os indivíduos deste grupo foram expostas, bem como as medianas do grupo experimental âncora alta e do grupo de calibragem, logo pode-se perceber uma ligeira assimetria entre esta pesquisa, e o estudo dos autores supra-citados. 69 Gráfico 6 - Âncora Alta 18 16 15 13 11 10 8 6 4 3 1 Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Âncora Alta Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Grupo de Calibragem Pão Carne Grupo Experimental Fonte: Dados da pesquisa (2011). A Tabela 10 evidencia a relação entre a ancoragem e a confiança dos participantes da pesquisa em suas estimativas. Neste sentido, Mussweiler e Strack (1999) afirmam que o conhecimento sobre o valor a ser estimado dará ao julgador confiança frente a um problema de estimativa, esta confiança poderá exercer significativa influência sobre as estimativas destas pessoas. Tabela 10 - Relação: IA e Confiança (Âncora Alta) MEDIANA Índice de Ancoragem Preço Confiança Feijão 0,10 3,00 9,0 Arroz 0,18 2,24 9,0 Açúcar 0,65 2,30 9,0 Farinha 0,40 2,10 9,0 Leite 0,24 2,20 9,0 Óleo 0,60 3,60 9,0 Manteiga 0,25 2,70 9,0 Café 0,27 2,90 9,0 Tomate 0,13 2,20 8,0 Batata 0,30 2,80 8,0 Banana 0,06 2,10 8,0 Pão 0,50 6,50 8,0 PRODUTOS Carne 0,00 14,00 9,0 Média 0,28 - 8,69 Desvio Padrão 0,20 - 0,48 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). De acordo com os dados da Tabela 10, percebe-se que, dado o elevado nível de confiança nas estimativas (média Confiança = 8,69), o efeito da ancoragem 70 (média IA = 0,28) foi pouco significativo, comparando-se com os efeitos da âncora baixa (média IA = 0,66). O desvio padrão entre as medianas da confiança para os produtos do grupo âncora alta também foi menor que o desvio do grupo âncora baixa, isto sugere que a confiança desse grupo foi menos dispersa que a confiança depositada nas estimativas daquele grupo. Considerando que o conhecimento adquirido, a fim de resolver uma tarefa de estimação de valores, pode influenciar julgamentos subsequentes dos indivíduos (MUSSWEILER; STRACK, 1999), acredita-se que este fenômeno tenha se aplicado nas estimativas deste grupo focal, uma vez que todas as movimentações das estimativas, com exceção de dois produtos (açúcar com IA = 0,65; óleo com IA = 0,60), variaram em direção à âncora disposta em um escore inferior a 50% (cinquenta por cento). De acordo com Jacowitz e Kahneman (1995), o Índice de Ancoragem manifesta a assimilação da estimativa absoluta de um julgador em relação a âncora. O Gráfico 7, demonstra exatamente esta relação, entre a ancoragem e a confiança para as estimativas dos respondentes da pesquisa submetidos às âncoras altas. Gráfico 7 - Índice de Ancoragem e Confiança (Âncora Alta) 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Índice de Ancoragem Pão Carne Confiança Fonte: Dados da pesquisa (2011). Percebe-se que a nível de ancoragem variou inversamente proporcional a confiança depositada nas estimativas. A mediana da confiança para todos os itens, recebeu escore igual ou superiore a 8,0 (oito), este elevado nível de confiança pode 71 ser um dos responsáveis para a ancoragem relativamente baixa. Neste sentido, Mussweiler e Strack (1999), sugerem que uma informação adquirida aumenta as acessibilidades subsequentes, de modo que é mais provável que seja utilizado para julgamentos absolutos. Nesta ótica, resolver uma tarefa de estimativa, aumenta a acessibilidade à âncoras dispostas no conhecimento. Assim, quando resolvem uma tarefa de atribuição de valor, as pessoas recorrem a este conhecimento prévio de fácil acesso, logo a base de sua estimativa será consubstanciada principalmente na âncora consistente em evidência. Existe uma tendência de que as respostas, mais fortemente afetadas por uma âncora, sejam feitas relativamente com menos confiança (JACOWITZ; KAHNEMAN, 1995). Desta forma, acredita-se que o conhecimento dos julgadores deste grupo, de acordo com o nível de confiabilidade em suas estimativas, tenha relação com a baixa propensão destes indivíduos em relação à âncora a que foram expostos. Tal efeito não se explica para os produtos açúcar e óleo, uma vez que a confiança depositada para as estimativas de valor destes itens foi igual a 9,0 (nove) e o deslocamento do valor atribuído em direção à âncora variou em mais de 60% (sessenta por cento). Com isto, pode-se perceber que as estimativas das pessoas para estes dois produtos sofreram consideráveis efeitos da âncora alta, mesmo estando estes indivíduos confiantes em suas atribuições de preço. Atendendo aos objetivos específicos desta pesquisa, verificou-se ainda, a relação da ancoragem com a essencialidade dos produtos avaliados, também para os sujeitos classificados no grupo âncora alta. Assim, os indivíduos deste grupo focal, assinalaram suas estimativas de preço para os itens da cesta básica e após esta etapa, atribuíram o quanto consideram cada produto necessário a sua dieta alimentar em uma escala de 0 (zero) a 10 (dez), sendo zero para nenhuma essencialidade e dez para total essencialidade. A Tabela 11, demonstra os resultados encontrados na pesquisa no que tange a ancoragem e essencialidade dos itens. Os índice de ancoragem demostrados na tabela foram calculados de acordo com o modelo proposto por Jacowitz e Kahneman (1995). Já os valores atribuídos a essencialidade, correspondem a mediana de todas as estimativas realizadas pelos participantes da pesquisa para os produtos relacionados na tabela. 72 Tabela 11 - Relação: IA e Essencialidade (Âncora Alta) MEDIANA Índice de Ancoragem Preço Essencialidade Feijão 0,10 3,00 10,0 Arroz 0,18 2,24 10,0 Açúcar 0,65 2,30 8,0 Farinha 0,40 2,10 8,0 Leite 0,24 2,20 10,0 Óleo 0,60 3,60 8,0 Manteiga 0,25 2,70 7,0 Café 0,27 2,90 8,0 Tomate 0,13 2,20 9,0 Batata 0,30 2,80 8,0 Banana 0,06 2,10 8,0 Pão 0,50 6,50 8,0 PRODUTOS Carne 0,00 14,00 10,0 Média 0,28 - 8,62 Desvio Padrão 0,20 - 1,04 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Consonante à Tabela 11, percebe-se que o item manteiga, obteve uma mediana de essencialidade menor que os demais produtos. Considerando que, os produtos menos essenciais devem estar mais sujeitos ao efeito ancoragem, esta proposição não se aplica para este item, uma vez que a baixa valoração para a essencialidade deste produto, deveria condiciona-lo a um índice de ancoragem relativamente elevado, fato este que não ocorreu. Analisando de forma isolada os produtos açúcar e óleo, que sofreram um maior efeito da ancoragem, e desconsiderando o efeito relativo ao item manteiga, pode-se considerar que a ancoragem provocou efeitos inversamente proporcional a essencialidade destes itens, uma vez que o valor relaciondo ao quanto estes produtos são essenciais está abaixo da média dos demais itens. Assim, para estes dois produtos, analisando de forma isolada e exclusiva, os dados da pesquisa sugerem que quanto menos essencial, mais suscetível aos efeitos da ancoragem estará determinado item, conforme desmonstrado no Gráfico 8. 73 Gráfico 8 - Índice de Ancoragem e Essencialidade (Âncora Alta) 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Pão Índice de Ancoragem Carne Essencialidade Fonte: Dados da pesquisa (2011). Os dados expostos no Gráfico 8, não fornecem elementos suficientes para afirmar que a essencialidade de um produto produz efeitos sobre estimativas realizadas tendo-se valores arbitrários previamente dispostos aos julgadores. A afirmativa de que quanto mais essencial o produto, menos sujeito a ancoragem, não se confirma para o item manteiga por exemplo, que obteve uma ancoragem de 0,25, mesmo com a essencialidade nominado a 7,0 (o menor valor de essencialidade entre todos os itens). Observando a média da ancoragem dos produtos, pode-se dizer que as mesmas deslocaram-se em menos de 50% (0,28) em direção à âncora a que foram expostos. Comparando a média da ancoragem com a média dos valores medianos atribuídos à dimensão essencialidade dos itens (8,62) e considerando que a mediana das notas atribuídas a esta dimensão é relativamente elevada, observa-se que os respectivos índices de ancoragem estão representados por números de pequena dimensão. Assim compreende-se que a essencialidade não explica o índice de ancoragem dos produtos. Jacowitz e Kahneman (1995) verificaram que as âncoras altas tiveram efeitos maiores do que âncoras baixas, mas os efeitos significativos foram encontrados em ambas as direções. Segundo os autores, uma razão para os maiores efeitos das âncoras altas em relação as baixas, pode ser em razão do "efeitos de fundo", uma 74 vez que em muitos problemas de estimativa para valores incertos, há menos espaço para ir para abaixo em uma estimativa inicial do que há para subir. Nesta pesquisa contudo, os efeitos das âncoras baixas foram superiores aos efeitos provocados pelas âncoras altas, ao contrário da pesquisa dos autores supracitados. O Gráfico 9, demonstra a relação entre as dimensões Índice de Ancoragem, Confiança e a Essencialidade das estimativas para os produtos da cesta básica. Analisando o gráfico, percebe-se que para os itens feijão, arroz, leite e carne, o IA variou inversamente proporcional a confiança e essencialidade depositada pelos respondentes, uma vez que estes itens obtiveram ancoragem relativamente baixas, enquanto a confiança e essencialidade atingiram valores iguais ou maiores que 9,0. É possível verificar que o item carne, não sofreu o efeito da âncora, uma vez que o seu Índice de Ancoragem foi igual a zero. Nesta mesma perspectiva, a confiança para as estimativas atingiu o escore de 90% (noventa por cento) de certeza, enquanto a essencialidade atribuída a este produto alcançou o valor máximo. Gráfico 9 - IA, Confiança e Essencialidade (Âncora Alta) 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Feijão Arroz Açúcar Farinha Leite Índice de Ancoragem Óleo Manteiga Café Tomate Batata Banana Pão Confiança Carne Essencialidade Fonte: Dadosda pesquisa (2011). Com base análise gráfica percebe-se que os produtos açúcar e óleo sofreram o efeito ancoragem demasiadamente maior que os outros itens (açúcar com IA = 0,65; óleo com IA = 0,60). Em contrapartida, percebe-se que os valores medianos da confiança e da essencialidade para estes itens atingiram valores menores ou iguais aos demais produtos, confirmando a proposição de que o deslocamento de uma 75 estimativa em direção a um poro âncora pode variar em função da confiança do julgador e da essencialidade do produto avaliado. Através do Gráfico 9 pode-se observar que os indivíduos deste grupo focal sofreram consideralvelmente, os efeitos das âncoras em suas estimativas, mesmo quando se diziam confiantes nestas. Assim, os dados desta pesquisa corroboram o estudo de Jacowitz e Kahneman (1995), uma vez que tanto as estimativas do grupo âncora alta quanto as estimativas do grupo âncora baixa foram mais influenciadas pelos valores arbitrários quando os participantes tiveram baixa confiança. 4.3.2 Análise de Correlação e Regressão Buscando analisar os efeitos da ancoragem em função da confiança atribuída às estimativas, aliada à essencialidade do produtos avaliados, demonstra-se através da Tabela 12, as correlações entre os índices de ancoragem, a confiança e a essencialidade dos produtos para cada estimativa dos respondentes participantes do grupo experimetal Âncoara Alta. Ao todo são 1.690 (um mil seiscentos e noventa) correlações, considerado que para este grupo, participaram da pesquisa 130 (cento e trinta) indivíduos, que realizaram estimativas para os 13 (treze) itens que compõem a cesta básica, conforme exposto no capítulo introdutório e na metodologia deste estudo. Tabela 12 - Coeficientes de Correlação (Âncora Alta) IA Confiança Essencialidade IA 1 -0,146 -0,086 * Confiança -0,146 1 0,451 Essencialidade -0,086 * 0,451 1 Itens marcados com * não são significativos para α = 0,05 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Existe uma tendência de que as respostas, mais fortemente afetadas por uma âncora, sejam feitas relativamente com menos confiança (JACOWITZ; KAHNEMAN, 1995). Analisando a Tabela 12 pode-se inferir que, o dados desta pesquisa apontam uma correlação fraca e negativa entre a confiança e o efeito ancoragem para as estimativas das pessoas submetidas as âncoras altas. Considerando α = 0,05, podese dizer que a relação IA e Confiança é explicada de forma significativa, porém estas variáveis estão correlacionadas entre si de forma fraca. Desta forma, a análise de 76 correlação revelou que a confiança dos indivíduos deste grupo parece não exercer significativo impacto sobre as avaliações dos produtos da cesta básica. Uma vez que a ancoragem não variou em função da certeza depositada na estimativa, deduzse que as avaliações não são puramente racionais o quanto deveriam. Estes resultados confirmam os fundamentos teóricos de Bazerman (2008). A análise de correlação mede a força, ou grau, de relacionamento entre duas variáveis. Analisando as correlacões entre as variáveis Confiança e Essencialidade, percebe-se que esta associação é forte e significativa. Esta constatação permite inferir que a confiança deste grupo em suas estimativas está relacionada a natureza essencial do produto avaliado. Assim, a análise de correlação das estimativas dos indivíduos deste grupo experimental, permiten afirmar que um produto mais essencial receberá uma atribuição de preço mais confiante que os produtos considerados menos necessários. Observando a Tabela 12, é possível ainda constatar que há uma baixa relação linear entre estas variáveis IA e Essencialidade. Os dados obtidos na análise de correlação permitem inferir que a relação linear entre o Índice de Ancoragem e Essencialdade dos produtos avaliados não é significativa. Nesta perspectiva, podese afirmar que a ancoragem sofrida pelos participantes da pesquisa não varia significativamente em função do caráter essencial dos produtos avaliados. A Tabela 13, demonstra os coeficientes de análise de regressão para as estimativas realizadas. A regressão é utilizada quando o pesquisador desperta o interesse não apenas em saber se existe associação entre duas variáveis, mas quando se quer analisar a provável relação de causa e efeito entre estas. Desta forma, a regressão fornece a equação matemática que descreve o relacionamento das variáveis que se pretende estudar. Tabela 13 - Coeficientes de Análise de Regressão (Âncora Alta) Unstandardized Coef. Constante Confiança Essencialidade 0,774 -0,054 -0,008 * R Square = 0,021 Itens marcados com * não são significativos para α = 0,05 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). 77 A regressão linear foi utilizada nesta pesquisa com o intuito de prever e estimar o quanto a variável Índice de Ancoragem (IA) pode ser influenciada ou modificada em função das variáveis Confiança (C) e Essencialidade (E). Logo, através análise de regressão foi possível determinar a seguinte função matemática: IA (âncora alta) = - 0,054 x C - 0,008 x E + 0,774 Este modelo explicativo evidencia que a variável Confiança contribui negativamente para a variação do IA. Assim, a cada acréscimo na confiança, acarretará um decréscimo proporcional de - 0,054 no IA. Quanto a Essencialidade, pode-se afirmar que esta variável também exerce influência inversamente proporcional sobre o IA , assim a cada variação positiva na Essencialidade, será provocada uma variação negativa - 0,008 sobre o Índice de Ancoragem. Merece atenção o fato de que a função f(IA baixa = - 0,054 x C - 0,008 x E + 0,774) deve ser utilizada com devido critério e cuidado, uma vez que o coeficiente de explicação R² para a fórmula foi de 2,1%. Isto evidencia que o poder de explicação da função para as variáveis explicativas analisadas é relativamente baixo. A tabela 14 mostra as âncoras à que os participantes da pesquisa foram submetidos, bem como as medianas das estimativas para o grupo de calibragem e grupos experimentais, além dos índices de ancoragem obtidos a partir dos resultados das estimativas dos sujeitos partícipes deste estudo. Tabela 14 - Extratos Gerais PRODUTOS ÂNCORAS MEDIANAS ÍNDICES DE ANCORAGEM Alta - 85º Baixa - 15º Calibragem Âncora Alta Âncora Baixa Feijão 4,17 1,98 2,88 3,00 2,35 0,30 0,10 0,59 Arroz 2,90 1,65 2,10 2,24 1,99 0,20 0,18 0,24 Açúcar 2,47 1,80 1,99 2,30 1,90 0,60 0,65 0,47 Farinha 2,30 1,50 1,97 2,10 1,50 0,75 0,40 1,00 Leite 2,60 1,70 2,08 2,20 1,99 0,23 0,24 0,23 Óleo 4,00 2,30 3,00 3,60 2,50 0,65 0,60 0,71 Manteiga 3,30 1,96 2,50 2,70 2,10 0,45 0,25 0,74 Café 3,97 1,90 2,50 2,90 1,90 0,48 0,27 1,00 Tomate 2,90 1,34 2,10 2,20 1,50 0,45 0,13 0,78 Batata 3,50 1,70 2,50 2,80 1,70 0,61 0,30 1,00 Banana 3,65 1,48 2,00 2,10 1,50 0,28 0,06 0,97 Pão 8,00 3,44 5,00 6,50 4,39 0,46 0,50 0,39 Carne 17,50 12,00 14,00 14,00 13,00 0,18 0,00 0,50 Média 0,43 0,28 0,66 Desvio Padrão 0,18 0,20 0,28 Fonte: Pesquisa de Campo (2011). Geral Âncora Alta Âncora Baixa 78 Os índices apresentados na Tabela 14, demostram que o efeito ancoragem em estimativas para produtos de cesta básica são notórios, contudo, não são extraordinariamente grandes, conforme índices de ancoragem evidenciados. Observa-se que os efeitos da heurística ancoragem foram maiores no grupo experimental que foi exposto à âncora baixa, AI = 0,66. Assim, pode-se inferir que as medianas das estimativas deste grupo se moveram em torno de 66% (sessenta e seis por cento) em direção à âncora disposta. Para o grupo que foi exposto à âncora alta o IA apurado foi de 0,28. Este índice demonstra que o efeito ancoragem não são igualmente fortes para âncoras altas e baixas, ao contrário do previsto por Mussweiler e Strack (1999); Jacowitz e Kahneman (1995). Os elementos dispostos na tabela acima, indicam que no tangente ao aspecto efeito ancoragem, esta pesquisa consubstancia os resultados encontrados por Dorow (2009), onde os efeitos das âncoras baixas foram maiores que os das âncoras baixas, contrapondo-se ao estudo de Jacowitz e Kahneman (1995), onde os maiores efeitos foram provocados pelas âncora altas. A análise dos dados permite perceber que um valor arbitrário pode influenciar as estimativas numéricas das pessoas, mesmo quando estas se dizem confiantes em seus julgamentos, corroborando com os estudos de Jacowitz e Kahneman (1995); Mussweiler e Strack (1999); Wilson, Houston e Etling ,1996; Luppe (2006); Tonetto et al (2006). 79 5 CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES Nesta pesquisa buscou-se analisar os efeitos da heurística da ancoragem em estimativas de preços para produtos da cesta básica, uma vez observado que o efeito âncora pode estar presente nas estimativas para estes bens de consumo. Para alcançar o objetivo proposto, utilizou-se do modelo proposto por Jacowitz e Kahneman (1995) para mensuração do índice de ancoragem em estimativas de valor. Além do instrumento citado, foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: pesquisa bibliográfica e de campo através da análise descritiva e aplicação de métodos estatísticos como regressão linear e correlação. Os resultados da pesquisa indicaram que os indivíduos em suas estimativas para os produtos da cesta básica foram fortemente afetados por valores arbitrariamente dispostos. Nesta perspectiva, conforme previsto por Jacowitz e Kahneman (1995), pode-se inferir que valores âncoras influenciaram as estimativas dos julgadores, impulsionando seus julgamentos para mais ou para menos, de acordo com a predição inicial a que os indivíduos estiveram expostos. A pesquisa teve ainda como uma de suas finalidades, investigar a influência das âncoras altas e baixas nas estimativas de preço para itens da cesta básica. Através da análise descritiva dos dados, observou-se que os efeitos da ancoragem foram significativos em ambas as direções, tanto na âncora alta como na âncora baixa, contudo os maiores efeitos foram provocados pelas âncoras baixas, contrapondo-se ao estudo de Jacowitz e Kahneman (1995), que identificaram um efeito ancoragem maior nas estimativas realizadas pelo grupo experimental âncora alta. Existe uma tendência de que as respostas, mais fortemente afetadas por um valor arbitrário, sejam feitas por sujeitos com menor nível de confiança em suas estimativas (JACOWITZ, KAHNEMAN, 1995; MUSSWEILER, STRACK, 1999; WILSON, HOUSTON, ETLING ,1996). Neste sentido, este estudo analisou a relação da heurística da ancoragem com o nível de confiança dos participantes dos dois grupos experimentais. A análise descritiva evidenciou que o efeito ancoragem está presente principalmente nas estimativas onde há menor indicação de confiança, porém não se pode generalizar tal afirmativa, uma vez que para alguns itens, as 80 pessoas com elevada indicação confiança em suas estimativas, também foram afetadas pelas âncoras. As análises de correlação realizadas para o Grupo Experimental Âncora Baixa, considerando α = 0,05, indicam que a relação ente o Índice de Ancoragem e a Confiança é significativa. Assim, pode-se afirmar que existe uma tendência de que quanto menos as pessoas se dizem conhecedoras do preço do produto avaliado, maiores são as probabilidades destas serem influenciadas por um valor arbitrário. Para o Grupo Experimental Âncora Alta a análise dos coeficientes de correlação apontam uma relação fraca e negativa entre a confiança na estimativa e o efeito ancoragem para as estimativas dos indivíduos submetidos às âncoras altas, considerando α = 0,05. Desta forma, a análise da correlação entre estas duas variáveis revelou que a confiança não exerce significativo efeito sobre as estimativas ancoradas dos produtos de cesta básica Buscou-se ainda neste estudo, verificar se os efeitos da ancoragem mantêm algum tipo de relação com a essencialidade dos produtos da cesta básica. A princípio acreditava-se que os produtos considerados mais essenciais, fossem menos propensos aos efeitos de âncoras. A análise descritiva dos dados demonstra que esta hipótese não se aplica para todos os casos. Para alguns itens analisados, não foi possível observar uma relação direta entre o índice de ancoragem e a essencialidade do produto. O estudo das correlações entre a Confiança e Essencialidade do Grupo Experimental Âncora Baixa, permitiram observar a existência de uma relação positiva entre estas duas variáveis. Através da análise dos coeficientes, foi possível constatar que a confiança na estimativa pode ser influenciada pela essencialidade do produto avaliado. Desta forma, as estimativas onde os respondentes demonstram maior grau de certeza, tendem a ser para os produtos considerados mais essenciais. Pôde-se constatar ainda que não há correlação linear entre as variáveis IA e Essencialidade, isto aponta que o Índice de Ancoragem não está associado ao quanto as pessoas deste grupo experimental consideram determinado item como necessário. Assim, com base nestas análises, não é possível explicar o efeito da ancoragem sobre as estimativas realizadas em função da essencialidade atribuída aos produtos da cesta básica. 81 Através da análise de regressão foi possível determinar a função matemática (IA âncora baixa = 0,145 x C - 0,052 x E - 0,156) para explicar a variação do Índice de Ancoragem do Grupo Experimental Âncora Baixa em função das variáveis Confiança e Essencialidade. O modelo explicativo encontrado evidencia que a variável Confiança contribui positivamente para a variação do Índice de Ancoragem. Em contrapartida, a variável Essencialidade contribui de forma negativa para a variação do Índice de Ancoragem deste grupo focal. Analisando as correlações do Grupo Experimental Âncora Alta, observou-se que existe uma associação forte e significativa entre as variáveis Confiança e Essencialidade. Esta constatação permite deduzir que a confiança nas estimativas está relacionada a natureza essencial do produto avaliado. Foi possível perceber que há uma baixa relação linear entre estas variáveis Índice de Ancoragem e Essencialidade. A análise de correlação permitiu ainda verificar que existe uma relação linear entre o Índice de Ancoragem e Essencialdade dos produtos avaliados não é significativa. Nesta perspectiva, pode-se inferir que a ancoragem sofrida pelos participantes da pesquisa não varia significativamente em função da essencialidade dos produtos. A análise dos coeficientes de regressão do Grupo Experimental Âncora Alta tornou possível determinar a regra matemática para explicar a variação do Índice de Ancoragem em função das variáveis Confiança e Essencialidade elencadas com base nas estimativas deste grupo. Pelo modelo obtido, o IA (âncora alta) = - 0,054 x C - 0,008 x E + 0,774. Este modelo evidencia que a variável Confiança contribui negativamente para a variação do Índice de Ancoragem, a exemplo da variável Essencialidade. Assim a cada variação positiva das variáveis Confiança e Essencialidade, estas provocarão uma variação negativa sobre o Índice de Ancoragem. Esta pesquisa tem como objetivo geral investigar o efeito ancoragem sobre estimativas para produtos de cesta básica, assim o estudo restringiu-se a analisar apenas os itens definidos de acordo com o Decreto Lei 399/1938, que determina a remuneração mínima devida ao trabalhador adulto, por dia normal de serviço. A referida legislação estabelece treze produtos alimentícios e suas respectivas quantidades capazes de satisfazer, em determinada época, as necessidades 82 normais de alimentação de um trabalhador adulto. Desta forma esta pesquisa delimitou-se a analisar os produtos definidos na legislação supracitada. Considerando a magnitude da população de interesse, esta pesquisa tem como uma limitação a utilização de um erro amostral de 0,072 e nível de confiança de 90% (noventa por cento) para o cálculo e definição da amostra. Estes níveis de significância foram definidos com base na resposta final desejada para o número de pessoas a serem consultadas, dada a disponibilidade de tempo e possibilidade de acesso do pesquisador aos participantes da pesquisa. Como foi necessário realizar consultas em três grupos diferentes, com um número idêntico de participantes, determinou-se uma amostra igual a cento e trinta participantes por grupo, com base na população descrita no capítulo da metodologia. O estudo analisa apenas estimativas de preço para produtos da cesta básica e condiciona estes como essenciais a alimentação humana. A definição de essencialidade para os itens dispostos à avaliação pode ter sido de certa forma arbitrária, uma vez que esta condicionante pode não ser o critério de essencialidade utilizado para definir a dieta alimentar dos indivíduos participantes da pesquisa, uma vez que alguns itens podem nem ser consumidos pelas pessoas que os avaliaram. Desta forma, a seleção dos produtos da cesta básica como atributo de essencialidade, pode apresentar-se como uma possível limitação da pesquisa. Para minimizar este vies, analisa-se também o grau de essencialidade atribuída ao produto pelo participante da pesquisa. Apesar de não ter sido objeto de análise desta pesquisa, a renda dos indivíduos parece ser um fator que merece a devida análise quando estuda-se os efeitos da heurística da ancoragem em estimativas de preço. Acredita-se que esta variável pode influenciar as avaliações das pessoas na medida em que o produto avaliado seja pouco representativo em relação a renda do julgador. Desta forma, produtos com baixo valor agregado podem ser mais suscetíveis ao efeito ancoragem, uma vez que o participante pode não ter o devido interesse em conhecer o preço real do produto, ancorando-se no primeiro valor disponível. Nesta perspectiva, esta pesquisa tem ainda como limitação, a falta de atenção e análise das variáveis renda e valor agregado dos produtos. Após analisar os dados da pesquisa, percebe-se que a apreciação destes dois fatores poderia incrementar a profundidade dos resultados encontrados. 83 Esta pesquisa busca contribuir para desenvolvimento e diseminação do conhecimento relacionado a temática das Finanças Comportamentais, especialmente através da compreensão do efeito ancoragem. Acredita-se que conhecendo esta heurísticas, os gestores podem desviar-se mais facilmente de vieses não racionais em suas tomadas de decisão. Contudo, não há a menor pretensão de esgotar o tema da pesquisa, uma vez que muito ainda se tem a estudar e descobrir neste universso de pesquisa. Assim, para futuros estudos ficam as seguintes recomendações: • Analisar os efeitos das âncoras, submetendo os participantes da pesquisa a produtos com maior valor agregado. • Verificar a relação entre o nível de renda dos participantes e a propensão ao efeito ancoragem. • Analisar os efeitos da ancoragem, sob a perspectiva de estimativas individuais para serviços, dado o aspecto intangível destes. 84 REFERÊNCIAS AMARAL, Fernando Faletti do; FERRREIRA, Almiro. Estudo da Relação entre Teoria da Decisão e a Teoria dos Perfis de Coportamento Humano Organizacional, [2010]. Disponível em: <http://guaiba.ulbra.tche.br/pesquisas/2006/ artigos/administracao/166.pdf> Acesso em: 22/10/2010. 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FORMULÁRIO A - GRUPO DE CALIBRAGEM 1) A seguir lhe serão apresentados diferentes produtos. Por favor dê a sua melhor estimativa de preço à vista, para cada produto no mercado. Em seguida indique o grau de confiança na estimativa que acabou de realizar. a) FEIJÃO CARIOCA TIPO 1 - 1kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 b) ARROZ PARBOLIZADO TIPO 1 - 1kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 c) AÇÚCAR CRISTAL - 1kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 91 d) FARINHA DE MANDIOCA - 1Kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 e) LEITE PASTEURIZADO TIPO 1 - 1L • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 f) ÓLEO DE SOJA - 1L • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 g) MANTEIGA - 500g • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 h)CAFÉ EM PÓ - 500g • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 i) TOMATE - 1Kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 92 j) BATATA INGLESA - 1Kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 k) BANANA PACOVAN - 1Kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 l) PÃO FRANCÊS - 1Kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 m) CARNE BOVINA COXÃO MOLE - 1Kg • Qual é a sua estimativa de preço para este produto?___________________ • Indique o grau de confiança na estimativa que você realizou. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 93 APÊNDICE B - FORMULÁRIO GRUPO EXPERIMENTAL ÂNCORA BAIXA UNIVERSIDADE POTIGUAR - UNP Mestrado Profissional em Administração FORMULÁRIO DE PESQUISA Orientador: Dr. Rodrigo José Guerra Leone Mestrando: João Matheus França Bezerra Pesquisa: A HEURÍSTICA DA ANCORAGEM E SEUS EFEITOS NAS ESTIMATIVAS DE PREÇO: um estudo com produtos da cesta básica. FORMULÁRIO B - ÂNCORA BAIXA I - ASPECTOS RELATIVOS RENDA DO PARTICIPANTE 1) Qual a sua renda familiar média mensal? ( ) Até um salário mínimo (até R$ 545,00) ( ) De 1 a 5 salários mínimos (de R$ 545,01 a R$ 2.725,00) ( ) De 5 a 10 salários mínimos (de R$ 2.725,01 a R$ 5.450,00) ( ) De 10 a 20 salários mínimos (de R$ 5.450,01 a R$ 10.900,00) ( ) Mais de 20 salários mínimos (a partir de R$ 10.900,01) II - ASPECTOS RELATIVOS A ANCORAGEM NA ESTIMATIVA DE VALOR 2) A seguir lhe serão apresentados valores hipotéticos para diferentes produtos. Por favor dê a sua melhor estimativa de preço à vista, para cada produto no mercado. Em seguida indique o grau de confiança na estimativa que acabou de realizar. a) FEIJÃO CARIOCA TIPO 1 - 1kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,98 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 94 b) ARROZ PARBOLIZADO TIPO 1 - 1kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,65 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 c) AÇUCAR CRISTAL - 1kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,80 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 d) FARINHA DE MANDIOCA - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,50 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 • 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 e) LEITE PASTEURIZADO TIPO 1 - 1L • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,70 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 95 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 f) ÓLEO DE SOJA - 1L • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 2,30 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 g) MANTEIGA - 500g • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,96 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 h) CAFÉ EM PÓ - 500g • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,90 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 i) TOMATE - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,34 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ 96 • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 j) BATATA INGLESA - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,70 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 k) BANANA PACOVAN - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 1,48 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 l) PÃO FRANCÊS - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 3,44 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 97 m) CARNE BOVINA COXÃO MOLE - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 12,00 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 98 APÊNDICE C - FORMULÁRIO GRUPO EXPERIMENTAL ÂNCORA ALTA UNIVERSIDADE POTIGUAR - UNP Mestrado Profissional em Administração FORMULÁRIO DE PESQUISA Orientador: Dr. Rodrigo José Guerra Leone Mestrando: João Matheus França Bezerra Pesquisa: A HEURÍSTICA DA ANCORAGEM E SEUS EFEITOS NAS ESTIMATIVAS DE PREÇO: um estudo com produtos da cesta básica. FORMULÁRIO C - ÂNCORA ALTA I - ASPECTOS RELATIVOS RENDA DO PARTICIPANTE 1) Qual a sua renda familiar média mensal? ( ) Até um salário mínimo (até R$ 545,00) ( ) De 1 a 5 salários mínimos (de R$ 545,01 a R$ 2.725,00) ( ) De 5 a 10 salários mínimos (de R$ 2.725,01 a R$ 5.450,00) ( ) De 10 a 20 salários mínimos (de R$ 5.450,01 a R$ 10.900,00) ( ) Mais de 20 salários mínimos (a partir de R$ 10.900,01) II - ASPECTOS RELATIVOS A Ancoragem NA ESTIMATIVA DE VALOR 2) A seguir lhe serão apresentados valores hipotéticos para diferentes produtos. Por favor dê a sua melhor estimativa de preço à vista, para cada produto no mercado. Em seguida indique o grau de confiança na estimativa que acabou de realizar. a) FEIJÃO CARIOCA TIPO 1 - 1kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 4,17 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 99 b) ARROZ PARBOLIZADO TIPO 1 - 1kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 2,90 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 c) AÇÚCAR CRISTAL - 1kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 2,47 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 d) FARINHA DE MANDIOCA - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 2,30 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 • 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 e) LEITE PASTEURIZADO TIPO 1 - 1L • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 2,60 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 100 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 f) ÓLEO DE SOJA - 1L • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 4,00 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 g) MANTEIGA - 500g • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 3,30 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 h) CAFÉ EM PÓ - 500g • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 3,97 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 i) TOMATE - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 2,90 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ 101 • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 j) BATATA INGLESA - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 3,50 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 k) BANANA PACOVAN - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 3,65 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 l) PÃO FRANCÊS - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 8,00 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10 102 m) CARNE BOVINA COXÃO MOLE - 1Kg • O valor deste produto no mercado poderá ser maior ou menor que R$ 17,50 • Qual é a sua melhor estimativa de preço para este produto?_____________ • Indique o seu grau de confiança na estimativa que acabou de realizar: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 • Indique na escala abaixo, o quanto você considera este produto essencial: Pouco Essencial 0 1 2 Muito Essencial 3 4 5 6 7 8 9 10