C a d e r n o s L i n k Investigação e desenvolvimento aplicado... Link na OTLIS: interoperabilidade cada vez mais próxima Poucos duvidam que um dia, se calhar não muito distante, haverá uma moeda única. Menos são ainda aqueles que duvidam de que, no futuro, o Bilhete de Identidade será um simples cartão inteligente, do tamanho de um cartão de crédito, e que nele residirão os dados essenciais de cada cidadão. Outros – e são muitos –, sonham com o dia em que o passe social utilizado nos transportes públicos de Lisboa possa ser comprado em qualquer ponto do país ou da Europa, para não dizer no Mundo, e que a sua utilização seja válida em quaisquer serviços, independentemente do operador e do transporte. N5 - Setembro de 2003 E a razão é muito simples: se podemos utilizar o nosso telemóvel em qualquer parte do mundo e se os operadores de telecomunicações promovem essa funcionalidade, porque razão não podemos utilizar o passe nas mesmas circunstâncias? Porque essa resposta passa pela existência de um sistema que permita a integração entre todos estes agentes, ou seja, pela existência de Interoperabilidade entre tecnologias alinhadas com este tipo de negócio. E a questão tecnológica, apesar de não ser um obstáculo, não deixa de ter alguma complexidade técnica. Por um lado, é preciso encontrar uma solução tecnológica que permita fazer uma repartição correcta das receitas entre operadores de transportes. Por outro lado, esta solução deve possibilitar, em simultâneo, a consolidação e a gestão da informação dos passageiros e dos Sistemas de Informação de backoffice dos diversos operadores. É este o desafio que foi colocado à Link Consulting pelo consórcio OTLIS (Operadores de Transporte da Região de Lisboa), que integra a Carris, o Metropolitano de Lisboa, a Rodoviária de Lisboa, a Rodoviária da C a d e r n o s L i n k Investigação e desenvolvimento aplicado... Estremadura, os Transportes do Sul do Tejo, a Transtejo e os Caminhos-deFerro Portugueses: criar um Sistema de Informação Intermodal de Transportes (SIIT). A iniciativa de criar o SIIT é uma consequência do Projecto Calypso (1998-1999), um projecto de Investigação e Desenvolvimento apoiado pela Comissão Europeia, em que a Link participou, do qual resultou a primeira plataforma tecnológica que poderá vir a suportar um futuro passe a nível comunitário. Este processo encontrase já em andamento, tendo como pioneiro em Portugal o Metropolitano de Lisboa. No âmbito do fecho da rede, este operador foi a primeira empresa a avançar com esta nova plataforma, que serviu de suporte ao novo Sistema de Bilhética, concretizado no cartão Lisboa Viva, cujo início de emissão ocorreu no final de 2001. O projecto SIIT O projecto, que teve início em 2000 e termina no final do corrente ano, visa criar um novo cartão que proporcione a interoperabilidade com outros sistemas dos diferentes operadores de transportes da região de Lisboa, a desenvolver posteriormente. A implementação do SIIT começou pelo desenvolvimento de uma infraestrutura agregadora, que oferecia uma primeira forma de comunicação e integração. Actualmente procura-se pôr a comunicar, através de um mecanismo de integração seguro e standard, os diversos Sistemas de Bilhética dos operadores que fazem parte do consórcio OTLIS. No fundo, o SIIT consiste num centro de consolidação de todas as instâncias envolvidas neste processo, ou seja um Sistema de Informação coordenador dos sistemas dos diversos operadores. Nesta primeira fase, foram desenvolvidos três módulos. O primeiro consistiu no desenvolvimento de um módulo de comunicação de mensaN5 - Setembro de 2003 C a d e r n o s L i n k Investigação e desenvolvimento aplicado... A chave no sistema de Bilhética intermodal é o SIIT uma vez que será ele a dar suporte aos diferentes sistemas de bilhética que hoje existem nos vários operadores, mas que também possam vir a existir, nos operadores ou em outros prestadores de serviços, por exemplo na rede de ATMs da SIBS. gens que liga todos os operadores ao SIIT – denominado de MessIAS –. O segundo traduziu-se no desenvolvimento de um módulo de gestão de clientes e cartões. Antes da existência deste modulo, existia um cartão passe, mas não se conhecia o cliente, pois não havia consolidação da informação entre as empresas. Finalmente, foi construído um terceiro módulo que consolida o processo de vendas e carregamentos de cartões, porque o objectivo era o de desmaterializar estes processos. Progressivamente, deixou-se de vender vinhetas aos clientes, sendo este processo de venda substituído pelo carregamento electrónico dos títulos de transporte em máquinas ATM ou outras máquinas automáticas. A API Universal A chave no sistema de Bilhética intermodal é o SIIT uma vez que será ele a dar suporte aos diferentes sistemas de bilhética que hoje existem nos vários operadores, mas que também possam vir a existir, noutros operadores ou em outros prestadores de serviços, por exemplo a rede de ATMs da SIBS, ou rede de vendas Payshop. Além disso, no âmbito do SIIT, foi desenvolvido um módulo exterior ao sistema central que permite a interacção e interoperabilidade entre diferentes equipamentos relacionados com a bilhética e entre estes e os cartões. Trata-se de uma “Aplication Programing Interface”, a que foi dado o nome de “API Universal Lisboa Viva”, que tem por objectivo permitir e certifiN5 - Setembro de 2003 Um embrião de um futuro cartão universal "Um desafio permanente" Com trabalho de Investigação & Desenvolvimento (I&D) que data pelo menos desde 1996, por via do INESC, este é um desafio permanente, sendo a aposta no sector dos transportes uma das áreas estratégicas da Link, A Link evidencia uma dupla satisfação com este projecto. Por um lado, é a concretização em ambientes empresariais e com impacto real nos passageiros (são cerca de 800.000 em Lisboa) de um projecto de investigação, o que nem sempre é possível. Deste ponto de vista, é uma oportunidade de demonstração e concretização em negócio de um trabalho de I&D que não tinha tido ainda a possibilidade de ser aplicado. Por outro lado, é uma oportunidade para a Link demonstrar as suas capacidades e conhecimento neste domínio, e em simultâneo, cumprir uma das suas missões, que é participar na realização da Sociedade da Informação em Portugal, nomeadamente junto de uma fatia considerável da população num serviço essencial como o dos transportes. Finalmente, é ainda uma oportunidade para exportar algumas das competências e módulos desenvolvidos pela Link a partir do projecto Calypso. A link concretizou assim um dos objectivos destes projectos de I&D, que é disseminar de forma sustentável os seus resultados. car a interoperabilidade dos diferentes equipamentos que interagem com o cartão independentemente do fabricante. Neste sentido, a API Universal é o “portal” de interacção com o cartão dos diferentes Sistemas de Bilhética, garantindo coerência da informação trocada entre o cartão e os sistemas. Outra característica da API Universal em conjunto com o SIIT é o constituir uma solução vertical. Este facto permite aos operadores de transportes lançar novos serviços suportados no cartão, sem que isso se traduza numa inconsistência entre sistemas, uma vez que a leitura/escrita do cartão é feita pela mesma API, qualquer que seja o operador e respectivo Sistema de Bilhética. Em síntese, o SIIT é um sistema que permite várias soluções, integrando cada vez mais funcionalidades inerentes a este negócio. Por exemplo, realiza a consolidação das vendas, o que permite aos operadores desenvolver um módulo justo e equilibrado de repartição das receitas em função das vendas e utilização; ajuda a transformar a ATM cada vez mais como um canal de vendas; e prepara o próprio sistema para poder emitir cartões multiserviço. Permitirá ainda que o cliente pesquise os meios de transporte que deve utilizar com base num determinado percurso, tendo também como sugestão os títulos que deve adquirir, C a d e r n o s L i n Investigação e desenvolvimento aplicado... Interface SIIT Arquitectura do SIIT Back-office em lote Utilizador Interno / Call Center (no SIIT) PORTAL Sistema Bilhética do Operador podendo depois carregá-los no seu cartão através da Internet. O princípio da utilização de uma API Universal é o cerne do sistema que a Link está a desenvolver para a OTLIS, e que só consegue desempenhar este papel porque é uma tecnologia standard, desenvolvida com C/C++ e Java, com XML como linguagem de troca de informação. Além disso o SIIT é baseado em tecnologias standard e abertas, acesso via Web e aplicações baseadas em tecnologia Open Source, Linux e JBOSS, sendo que a base de dados actual é Oracle. O sistema assenta ainda sobre um Middleware de integração EAI (Entreprise Application Integration). ¶ Cliente MessIAS Personalização Média Cap. API Atendimento Recuperação INTERNET Gestão Clientes Cartões (GCC) Repartição de Receitas Análise Gestão de Vendas Gestão de Validações Info. Integrada de Passageiros Vendas Carregamentos Consolidação Validações Gestão de Contratos OPERADOR Middleware EAI MessIAS Utilizador Remoto (no Operador e/ou Posto) Front-office cartão a cartão Personalização externa Digitalização externa API Cartão Lisboa VIVA N5 - Setembro de 2003 Gestão de Segurança e Fraude k