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Nota da Redacção ............... 1
À Redacção ........................ 2
Para um dossier PIDE/CTT;
Aos irmãos moçambicanos ate ambos os sexos e de todas as raças; Para terminar
o diferendo M.A.-J.
Antunes
Semana a Semana ................ 4
Joaquim Chissano na zona
industrial da Matola; Deta já voa para Dar-Es-Salaam
Vimos, Lemos e Ouvimos .... 8
Livros - Sílaba a sílaba de
Eduardo Pitta; Cinema Golpe de ancas; Vivendo e amando; A serpente de
ouro
Textos de apoio .......... .
Quem é o inimigo? - Alguns
aspectos actuais na luta de
- libertação nacional por O Agostinho Neto
Palavras Cruzadas ........ Tempo Desportivo .........
Casos e acontecimentos; Convite para o Quénia e a Zâmbia; Que o' desporto não
O encontro entre o camarada Priuro-Ministro e os trabalhadores da na industrial
da Matola revestiu-se Particular significado. E por duas
A primeira relaciona-se não apenas n a iaformalldade do encontro -a e os
Moçambicanos vão começando aítuar-se - mas especialmei1te com singular poder
de comunicação de 3qim Chissano. É claro que não esta,s em tempo de elogios e
a própria elim o tem evidenciado duma forma quívoca. Não nos parece, porém,
que a referência à maneira extremamente itizada e humana -sobretudo hunacomo o Chefe do Governo de. ansição sabe contactar e auscultar massas
populares, o Povo Moçambi, Possa considerar-se um simples 4i. O que se
pretende, pelo contrámenos elogiar do que salientar os Ctos positivos- e
revolucionáriosnova e inédita política do diáo, característica dominante dos gonos
populares.
segunda razão é também a razão neira deste comentário. [: verdade, não podemos
deixar de
embruteça (as pessoas); Moscovo-1980; Jogos olímpicos de rosto humano;
Automobilismo
Situação: Prostituição - Primeiros e decisivos golpes ....
REPORTAGENS
6N.. yf C ota . . . . . . . . . . .
64
I.A.M.: a ciência que é pre- ciso põ- ao serviço do povo 32
B o a t o : uma perigosíssima «granada,, que é preciso despoletar
............................
Transportes de Moçambique
(11): qu a n d o atacaremos frontalmente a política dos transportes citadinos? .......
reter e exaltar as af'irmações de Joaquim Chissano no concernente à igualdade
entre os homens. E por homens entendam-se TODOS os homens,
independentemente da sua cor ou da sua profissão, pois, como sublinhou o
Primiro-Minístro, «primeiro somos pessoas, e só depois brancos, pretos ou de
outra cor qualquer». Neste contexto, o camarada Primeiro-Ministro apelou para
que «o povo não confunda o inimigo». Isto é, como em tantas outras ocasiões, a
Frelimo, através da vo-- dos seus mais lídimos representantes, actual\mente no
Governo de Transição, não deixa, sempre que pode, de reafirmar que a sua luta primeiro de.armas nas mãos e agora a nível político, social, cultural e económico - foi travada contra um Sistema e não contra uma raça. Pois que o colonialismo e
o fascismo não têm cor, pátria ou qualquer espécie de sentimentos.. A sua visão
política é unilateral, que o mesmo é dizer, injusta, racista e prepotente.
É portanto nesta base de igualdade que a Frelimo pretende trabalhar e construir
um país que herdou terrivelmente doente mas que, com a unidade, o trabalho e a
vigilância' de todos, há-de
sem dúvida ser aquilo que merece ser: belo, próspero, feli e multirracial.
E -a melhor garantia para o cumprimento integral e irreversível dessa premissa a
partir da qual partem todas as outras de algum modo relacionadas com a
consolidação do Poder Popularassenta exactamente nesta insofismável e
indesmentível política de diálogo da Frelimo, a mesma política que repugnava ao
regime colonial-fascista.
Interpretando correctamente as afirmações do camarada Primeiro-Ministro,
julgamos interpretar ao mesmo tempo os sentimentos da, esmagadora maioria do
Povo Moçambicano que não é nem nunca foi rascista-, mas que tentativas
reaccLonárias tentam dividir e confundir, a exemplo do que tem ocorrido em
Luanda.
Que as palavras de Joaquvim Chissano possam servir, nesta hora de ansiedade e
confiança, não apenas de exemplo e de lição mas sobretudo de, base indestrutível
para a manutenção da fraternidade com que estamos encetando a Construção
Nacional. É este, de resto, o único caminho que nos conduzirá ao Futuro que
justamente ansiamos.
A NOSSA CAPA:
Nos locais onde haviam estado interrompidas, as, aulas do ensino primário
recomeçaram esta semana - comprovando assim que a vida em Moçambique
assume rapidamente a normalidade necessária à construção de uma sociedade
nova.
Sobre este assunto o leitor encontrará uma longa reportagem numas páginas
desta edição.
PARA O DOSSIER PIDE-CTT
A PIDE e seus agentes der CTT; a polícia secreta dos C South African Security
Police.
Compete à Direcção dos CT car todos os seus funcionários boradores da PIDEDGS;
- Denunciar imediatamente público todos os agentes da PII actuando ainda dentro
dos CTI
- Tornar do conhecimento todos os números de apartados e telefones que
estiveram coT pela PIDE-DGS;
- Devolver imediatamente a ressados, gravações telefónicas pias de
correspondência, corre cia e bens, abusivamente ap pela PIDE-DGS e Secreta dos
-Proceder urgentemente à tuição de fechos de apartados lução de duplicados de
chaves postais, em especial dos apart estiveram à ordem da PIDE;
- Transferência imediata de tos -funcionários que colabora actividades em causa;
- Abertura de um inquérito mes destas organizações polici nialistas.
AOS IRMÃOS MOÇAMBICANOS DE AMBOS OS SEXOS E DE TODAS AS
RAÇA
Congratulo-me por ter c nosso momento de regozijo conciliação depois de longos
que estivemos engolidos pelo lismo e fascismo, neste noss bique.
Irmãos, o que 'diremos d mento sagrado? Eis a vida r todos os bons moçambicano
Para que sejamos bons m nos, temos que oferecer o no ao trabalho, mostrar a
nossa de, ajudarmos uns aos outros faz a força. Com um só dedo matar pulga; isto
quer dize mos trabalhar para o bem querido Mocambique e para mento do mesmo.
Homens, mulheres, rapazes gas vamos trabalhar de dia 1 para o enriquecimento
des novo Moçambique, que dur estava consumido pelo colos pelo fascismo.
Avante moçambicanos, se
ção, sabemos nós todos que que dorme não apanha galin] re ã fome; é pelo
trabalho
torna-se macio e recto.
tro dos TT e a
'T indiêx-colae tornar DE-DGS
público postais ntrolados
aos intefotocõspondênirendidos
Unamo-nos todos moçambicanos sem excepção, segundo disse anteriormente,
para que o progresso do nosso novo Moçambique seja intenso.
Temos que oferecer à Frelimo frutos do nosso, trabalho quotidiano.
Irmãos meus moçambicanos, sem excepção, não possuo português suficiente com
que l ossa-me exprimir, o meu português é como flor em botão que necessita ser
regada para desabrochar mais flores.
Pois que se encontrem muitos erros, é pois, coisa natural.
Guilherme João Mavunja
A TERMINAR O DIFERENDO M. A. - J. ANTUNES
Picuarvsad
qu V.Ea
CTI-[
Publicou a revista de que V. Exa.
substi- -é mui digno Director, na sua edição e devo- de 20-9-1974, um trabalho
intitulado de caixas «Marques Agostinho - João Antunes ados que - a quem
interessa o diferendo?»
- em que o signatário' é mais uma vez
suspei- minimizado' e ofendido por. declararam nas ções que primam pela
deturpação e
mentira e que em nada dignificam os aos cri- seus autores, tanto mais que o
púiais colo- blico conhece sobejamente os meios
por eles utilizados para atingirem os W. . seus fins.
Mas porque podem ainda subsistir
dúvidas, muito grato ficaria a V. Exa.
que se dignasse mandar publicar na mesma revista, no seu próximo número, e
com idêntico destaque, os esclarecimentos-respostas que a seguir S
exponho:
1- Comecemos então pela primeira
iegado o MENTIRA da sra. Maria Vitória ao e da re- afirmar que, após a morte
do Snr. anos em Marques Agostinho, me recusei a dar colonia- a minha
colaboração ao Externato por o Moçam- não ter sido aceite a minha proposta
de 40 contos mensais e que só regressei quando a mesma proposta foi leste moaceite.
nova para Pois bem, sabe perfeitamente aquela
s.
senhora que a minha saída, em 1973,
oçambica- resultou de incompatibilidades surgisso corpo das entre 0 signatário
e um dos famiactivida- liares do casal Marques Agostinho e s; a união que o meu
regresso se deve a pedidos não pode insistentes de uma comissão que se r que tedeslocou a minha casa e que era consdo nosso tituída por professores,
encarregados o adianta- de educação, alunos e um familiar da
viúva.
Sabe também aquela senhora que o de noite meu regresso se processou sem
quaisete nosso quer condições e só posteriormente
uma outra comissão constituída pelo ante anos Dr. Ricardo,\Prof. Danúbio
Nunes e
Snr. Castro Lopo (familiar do casal Marques Agostinho) acertaram as m excep
condições e delas fui então informado. a raposa .
has e mor- Ora, tendo aquela senhora conhecique tudo mento de todos estes
factos as suas
falsas declarações constituem um acto
deliberado de Mentir. Isto é francamente chocante para uma «educadora».
Note-se que destas minhas afirmações e das que se seguem apresentarei
testemunhas, se isso me for solicitado, por quem de direito.
2- Na sua entrevista, afirma a Sra. Maria Vitória que foi o signatário quem
mandou comprar a cartolina para a feitura dos cartazes. Tal acusação é -tão
absurda que nem vale a pena rebatê-la. O signatário gostaria muito de saber o que
.pensam daquela senhora os alunos que de qualquer modo estiveram ligados à
feitura ou exibição de tais cartazes.
3 -A falta de argumentos válidos, que não possuem, continua a referida senhora a
bater nas mesmas teclas, acusando-me de ter desviado ficheiros, placas das casas
de banho, material didáctico e, por anedótico que pareça,. até lhe terei esvaziado
os pneus do seu carro e tirei um selo de um contador eléctrico, que por mais
esforço de memória que eu faça não consigo descortinar a existência de tal
contador, até porque tinha mais com que me preocupar senão com a localização
de contadores.
Destas acusações, só a que se refere ao material didáctico darei resposta já que as
restantes são manifestamente tão caricatas que não merecem resposta.
Vejamos então o que se passa acerca do material:
O signatário, a partir da assinatura da promessa de trespasse, considerou o
Externato sua pertença e a ninguém pode oferecer dúvidas a legitimidade da sua
posção já que nesse documento se lê, no seu artigo 4.1: «O segundo outorgante
(signatário) não terá de prestar contas da administração que vem mantendo sendo
de sua conta todos os débitos e créditos a partir daquela' data (1 de Fev. 1973)». E
no seu artigo 6.,: «O segundo outorgante poderá, a partir desta data, dar ao
Externato a orientação que entender».
Nesta ideia, procedi, na medida dc
possível, a beneficiações no Externato, à compra de material didáctico e outros e
procurei, com esforço e dedicação, manter-lhe o prestígio. Quando tive de sair,
claro que retirei tudo quanto fora comprado na
minha administração.
Mas o problema do material apre,
senta ainda outro aspecto curíosd que atesta as contradições da sra Maria Vitória:
- Dias antes da toma da de posse do Externato pelos novôí proprietários e em
reunião havidi entre o signatário, a referida senhor e um irmão do falecido sr.
Marque, Agostinho, ficou acordado que mE comprariam todo o material adquiri
do por mim e não constante do inven
tário.
Porém, a posição depois assumida pelos novos proprietários revela que a
promessa de compra desse material era apenas uma ratoeira na qual o signatário
não caiu, pois os mesmos reivindicam agora 0 material para si.
Claro que se em vez de ter gasto uas centenas de contos em material tvesse gasto
uns milhares como, por exemplo, com a compra de algumas crrinhas, que ainda
esteve nos planos do signatário, isso seria um negócio chorudo para os novos
proprietários dado que, por 200 contos, adquiriam ,ireitos sobre uns milhares,
enquanto que o signatário, a ter de cobrir aquela oferta, estaria a pagar, pela
segunda vez, o material comprado a sua custa além de ter de pagar também o seu
próprio esforço já que se dedicou, com todas as suas energias, ao prosseguimento
de uma obra criada por um homem fora do vulgar, Sr. José Marques Agostinho
4- Noutro passo da entrevista, a Sra. Maria Vitória afirma ter sido minha
convicção de que os concorrentes a proprietários não possuiam o dinheiro
suficiente para a compra do Colégio, motivo 'porque não cobri a sua oferta.
Francamente, como pode uma senhora «educadora» prestar-se a tal farsa? Ora não
se lembrará a sra. Maria C. Vitória de que o signatário lhe olereeu, perante o
Tribunal de Menores e, eo menos, 7 testemunhas, os seus 50 contos que tinha
dado de sinal, bstando, assim, que fosse, uma vez mis, adiada a decisão já que o
adianto pedido pela senhora se baseaa no facto de, naquela altura, não dspor de
dinheiro?
Em que ficamos afinal? Porque: mentea sra. Maria Vitória? 5- Numa das
exposições do Sr. Jéo Branco Neves, refere que os aluos eram PERTENÇA
INSCRITA E LGAL do Externato Marques Agostinho. Este senhor deve ter
poucos contactos com a legislação sobre o enso para não saber que, terminado o
ano lectivo, os alunos ficam, sob o onto de vista de matriculas e inscriões,
automaticamente desvinculados estabelecimentos de ensino onde nham estado
matriculados ou inscritos, tendo de ser feita nova matrícula e inscrição no ano
seguinte e onde quer que o aluno o deseje fazer. O sr. José Branco Neves devia
entendr que os seres humanos (neste caso alunos, professores e funcionários) no
se adquirem em termos de negócomo se faz em relação à mercadia de uma fábrica
de sapatos ou duma peixaria.
6 - Noutra altura de nova exposição re-se à carta da sra. Emília Torres
que sou acusado de alterar as noass; dos alunos na ausência dos senhoes
professores, carta esta publicada o «Notícias».
Ora os senhores professores, excep. to, claro, aquela senhora, são testemunhas de
tais falsas acusações.
O que acontecia, isso sim, é que quando se pretendia evitar que um aluno
reprovasse por um valor numa disciplina, o signatário reunia-se sempre com o
professor dessa disciplina e pondo-lhe o problema, deixava a sua resolução ao seu
critério.
De resto vejamos um aspecto importante relativo a este, problema: No ano lectivo
de 1972-73 (já não se põe o problema do ano lectivo 1973-74, dado neste não ter
havido exames) de cerca de 80 alunos do 2.0 ano submetidos a exame reprovou
um na prova escrita e outro na prova oral. Falo apenas dó 2., ano, já que era a
única classe de exame a que a referida senhora dava aulas.
Como se compreende então que enganando eu os alunos com o aumento das notas
tenhamos obtido resultados tão brilhantes? Claro que a senhora Emilía Torres
preferia terem reprovado muitos mais para 'justificar a sua posição.
De resto a alteração das notas processam-se também em reunião dos conselhos
de turma no Ensino Oficial.
Só gostaria de fazer uma pergunta à senhora professora Emília Torres: No
Externato Marques Agostinho, onde agora trabalha, vai ser tão intransigente ao
ponto de numa turma de 35 alunos e num ponto, ter tido apenas duas positivas e
com a maioria das notas inferiores a 4 valores?
No ensino oficial não teria sido ela obrigada a justificar tal falta de rendimento?
Como se compreende uma percentagem de mais de 9517 de negativas na sua
disciplina de' francês, quando nas restantes a percentagem era normal? Onde
estava o erro?
7- Gostatia também que o sr. José Branco Neves elucidasse o público sobre as
razões porque nas, suas exposições apresenta as queixas e propõe desde logo a
punição que consistiria apenas na recusa no alvará ao signatário. Mas porquê só
esta punição? Receio da concorrência por parte do nosso Externato? Parece-me
absurda esta hipótese, já que um indivíduo, como o signatário, que aquele senhor
tem procurado retratar como ,um elemento que deve ser posto à margem da
sociedade, não pode causar-lhe afronta até porque ninguém confiará nele. Ao
responder a esta questão não bata nas mesmas teclas do material, do telefone, etc.,
pois isso já é por demais conhecido e o público está elucidado.
Grato pela atenção dispensada, permita-me que -apresente a V. Exa. os meus
respeitosos cumprimentos,
João da Ressurreição Antunes
(Ex-professor orientador do
Externato Marques
Agostinho)
Após a saída a público do n.° 214 da revista que V. Exa. dirige e por nela se
encontrar um depoimento assinado por alguns professores do Externato «João
Antunes» referente à entrevista por nós concedida e inserta no n., 212 da mesma
Revista, esta Direcção preparou uma carta-resposta ,que não chegou a enviar por,
entretanto, ter falecido um dos professores que subscreveram esse depoimento e
isso ser motivo (moral) suficiente para dar o assunto por encerrado, tanto mais
que só o falecido (e só ele - de todos os' que apuseram as suas assinaturas) era
professor no Externato Marques Agostinho ao teipo do falecimento do seu
fundador. Por conseguinte, bem se pode avaliar o valor, a veracidade e a
consistência das afirmações subscritas por esses senhores que apenas conhecem
os factos de ouvido.
Como, porém, o n.° 215 traz outro depoimento assinado, desta vez, por alguns
funcionários e contínuos a rebater o mesmo assunto, resolveu esta Direcção pedir
pela última vez a palavra para dar por terminado o diferendo, até porque «ab
initio»} não foi
-nossa intenção fazer polémica, bem ao contrário dos nossos contendores que
-muito se deleitam em fal(h)ar maciçamente em público.
Não vamos pois- rebater as acusações feitas (e de que modo!) mas ape-nas
REAFIRMAR e MANTER .o que foi dito na entrevista inserta no nío 212 por
estarmos seguros que é essa a verdade, por mais poeira que lhe queiram lançar em
cima as pessoas a quem, aliás, essa atitude fica bem, pois agora não há dúvida que
os desmandos praticados neste Externato e de que foi acusado o prof. Antunes
foram levados a cabo com a solidariedade dos seus «fiéis servidores» agora, por
eles próprios; publicamente denunciados.
Damos assim por terminado o assunto, pedindo a V. Exa. o favor de publicar ésta
carta, bem como de corrigir a expressão «aula, em pleno funcionamt:nto» como
legenda de uma fotografia tirada neste Externato aquando da entrevista citada,
onde se vê misturados alunos do 1.0 e 2.0 anos dos liceus, já que,' como o Sr.
Repórter se deve lembrar, a foto foi tirada da parte da tarde numa aula de estudo,
devidamente orientada, onde os alunos, de 'acordo com a 'Escola Activa, reunidos
em grupos, trocam impressões e conhecimentos entre si. Este lapso da legenda
levou os nossos «bem intencionados» contendores a perguntar:
- Nova pedagogia? (sic) Nós respondemos que ela e já
velha para uns, nova para outros e nem uma coisa nem outra para uns tantos!
Com toda a consideração
Branco Neves
Maria Vitória Costa
PAýGINA 4
DITA
VOAI
A DETA inaugurou na passada segunda-feira, dia 11, uma carreira semanal para
Dar-es-Salam, capital da Tan-zânia, pondo fim ao isolamento a que Moçambique
se vira remetido, pelo regime colonial, no contexto das nações africanas
independentes.
Para o voo inaugural que partiu de LQurenço Marques ao princípio da tarde
- foram convidados representantes dos principais órgãos da Informação
moçambicana. Seguiram no mesmo avião os minstros Armando Guebuza, da
Administração Interna, e óscar Monteiro, da Informação, bem como alguns
militantes da FRELIMO, que foram à capital tanzaniana tratar de assuntos
relacionados com a actividade do Partido. Após uma escala no Aeroporto da
Beira, onde entraram jornalistas e militantes locais, o «Boeing» da DETA aterrou
em Dar-es-Salam cerca das 18.30 horas.
A aguardar os visitantes, encontravam-se no aeroporto da capital tanzaniana o
vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique, Marcelino dos Santos, o
ministro da Informação :da Tanzânia e outros elementos da FRELIMO. Além do
encontro fraterno entre companheiros de luta, verificou-se, a nível mais restrito,
um encontro familiar que referimos c o m o curiosidade: Marcelino dos Santos
teve oportunidade de abraçar a sua velha mãe, D. Teresa, que não via há 27 anos,
bem como sua irmã, D. SabiRa as quais seguiram igualmente neste voo inaugural,
acompanhadas pelo marido da segunda.
Ainda no aeroporto, o camarada Guebuza concedeu uma conferência de Imprensa,
destinada principalmente à Informação do país vizinho, durante a qual respondeu a numerosas perguntas sobre o actual momento político em Moçambique. Os
convidados para este voo inaugural seguiraI depois para o Instituto Moçambieano
em Dar-es-Salam onde se encontraram com o presidente Samora Machel, que
confraternizou e conversou longamente com os jornalistas presentes. Seguiu-se
um passeio noc turno pela cidade, de auto carro, no decorrer do qual o camarada
Sérgio Vieira, secretário da Presidência da FRELIMO, prestou aos visitantes
numerosos esclarecimentos sobre aquilo que iam vendo da capital tanzaniana.
Embarcando de regresso no mesmo avião, a comitiva aterrou na Beira cerca da 1
hora de terça-feira. Aproveitaram o voo oS camaradas Alberto Chipande, Jacinto
Veloso e Sebastião Mabote, da cofnissão militar mista, que se encontravam na
Tanzânia em missão de
serviço. Quanto aos min tros Guebuza e Montei] permaneceram em Dar-es-e Iam
por mais alguns dias, fim de tratar' de assunt relacionados com as su funções.
Assinala-se que, no mesr voo inaugural, regressou Moçambique o escritor Li
Honwana, que perten actualmente aos quadros FRELIMO e se encontra há
bastante tempo auser do país, primeiro em Lisb e depois na Tanzânia.
Recorda- se, a termin que a Tanzânia foi um 6 países africanos cujo frat nal
auxílio foi mais precic ao povo moçambicano longa luta que travou p! sua
libertação. A carre aérea agora inaugurada ab portanto, perspectivas a mais fácil e
frequente ci tacto entre dois povos q a luta comum pela liber ção africana tornou
irmã
DAR.- ES'-AIAM'
Em cima: Marcelino dos Santos reencontra a mãe, ao fim de 27 anos, no
aeroporto de Dar-es-Salam. Ao centro, vêem-se ainda a esposa do vice-presidente
da FRELIMO, Pamela (de naturalidade sul-africana), e a sua irmã Sabina'(meio
encoberta)
Em cima, da esquerda para a direita: Óscar Monteiro r ,.contra o presidente
Savmora Maçhel, no Instituto Moçambicano em Dar-esalam. Presentes o vicepresidente Marcelino dos Santos (ao centro) -e Jorge R 5lelo (primeiro da esq.')
Womento da chegada. Da esquerda para a direita: Õscar Monteiro, o ministro
tanzaniano da Informação, Armando Guebuza e Marceliuno dos Santos. Mãos
dadas, fraternalmente, para a
luta comum
Ao lado, à direita: Samora Mac hel confraterniza com o pessoal da DETA que fez
o voo inaugural
A&o lado, à esquerda: Imnagem da conferência de Imprensa concedida por*
Armqando Guebuza em Dar-es-Salam
SEMANA A SEMANA
JOAQUIM CHISSANO NA ZONA INDUSTRIAL
NÃO OUERO OuE O POVO CONIUNDI
TODOS SOmOS
Durante uma visita cft.ctuada há dias à zona industrial da Matola, o PrimeiroMinistro do Govekno de Transição de Moçambique, Joaquim Chissano, contactou
com as realidades daquela área, num encontro que se singularizou quer pelo
poder de comunicação do Chefe do Governo, quer pela adesão verdadeiramente
entusiástica de centenas de trabalhadores ao diálogo aberto por Joaquim Chissano.
Pela sua importância. e oportunidade, passamos a reproduzir as afirmações dQ
Primeiro-M.inistro, por um lado, e, por outro, as perguntas e respostas que foram
feitas no decorrer daquele provitoso contacto:
«Não quero que o povo confunda o inimigo, e a base para o não confundirmos é a
igualdade.... Todos somos homens. Pessoas. Só-depois vem a cor. Somos iguais.
Por isso, temos de nos respeitar uns aos outros.... A opressão e a exploração não
têm cor, é um sistema.... O papel do povo, e quando digo povo, é preto e branco, é
povo, depende dos objectivos de cada um. Não importa a cor dos que querem ser
do povo, trabalharem para o povo e lutarem por ele. É muito importante
esclarecer este problema da igualdade e da unidade», foráím algumas declaracões
do Primeiro-Ministro Joaquim Chissano durante a sua visita ao complexo
industrial da. Matola, acompanhado por elementos do Governo de Transição e
militantes do Partido. Joaquim Chissano esclareceu bem para pretos e -brancos
presentes .iue não existe qualquer táctica da Frelimo quando afirma que todos os
homens são iguais e que é necessário descolonizarmos as nossas mentalidades
para que negros e brancos possam trabalhar em conjunto para a reconstrução nacional. «A Frelimo não é hipócrita»'
disse o Primeiro-Ministro. «No nosso estatuto está escrito que vamos lutar contra
a opressão e nunca se diz que vamos lutar contra os brancos». O PrimeiroMinistro criticou duramente as atitudes incorrectas e os desmandos condenáveis
de parte da população no dia 21 de Outubro passado, atribuindo-as a «cabeças
funcionando ainda como cabeças de explorados e colonizados agindo sob a acção
consciente de agitadores e sabotadores» e definiu também de forma clara a
diferença entre produção industrial, enquadrada num sistema colonialista e a
mesma produção industrial apoiada numa agricultura bem planeada e totalmente
dirigida para as necessidades do povo. Joaquim Chissano salientou ainda que de
qualquer parte do mundo serão consideradas e bem aceites'todas as sugestões «de
quem vier construir fazendo o seu negócio e ganhando os seu lucros justos
desde-que produza e oriente a sua indústria de forma a servir o povo de
Moçambique. Nesse sentido essas indústrias são nossas, por isso devemos fazê-las
crescer pela dedicação e trabalho, defendendo-as.»
e
A indústria encontra-se no meio e tem os braços dados em dois extremos. Aqui
onde. estamos, nesta fábrica de moagem de trigo e de milho, imediatamente tem
dois problemas em frente de nós, além da própria indústria de moagem.
Primeiro problema, é o da agricultura, o da agricultura para apoiar as indústrias de
moagem.
PESSOAS. 1
A indústria de moagem sem agricultura não existe.
Não pode existir porque precisa de milho, ou nós teremos que comprar .o milho e
o trigo no estrangeiro para vir fazer esta indústria. Acham voces que nós devemos
realmente comprar trigo e milho no estrangeiro?
Vozes- Não.
Mas aqui compramos trigo e milho no estrangeiro. Então o que é que A preciso?
Vozes - Trabalhar. Cultivar.
É preciso cultivar, abrir machambas para produzir o milho e o trigo'que faz mover
"esta fábrica.
Sem esta fábrica acham, vocês que com aquele processo de pilão nós podemos
produzir -para distribuir pelo nosso país e chegar para toda a gente?
Vozes - Não.
Portanto para podermos utilizar bem o nosso milho, nós precisamos de ter os
moinhos que aqui estão.
Sem milho, sem farinha, sem trigo, sem pão, sem a farinha de trigo, por. tanto,
é'possível alimentar alguém?
Sem o arroz é possível alimentar alguém neste pais?
Portanto, o problema imediato ligado à moagem, é a solução do problema de cada
um de nós, que em primeiro lugar é o problema de comer.
Comer é o primeiro problema de cada úm de nós.
É o primeiro problema-para o trabalhador que trabalha nesta indústria, para o
trabalhador que trabalha na indústria do petróleo, para o trabalhador que cultiva,
para o trabalhador que carrega no cais, o prineiro problema é comer. É verdade ou
não?
Vozes - É verdade.
Portanto, temos aqui perante nós um exemplo vivo da importância da indústria.
PRODUZIR É VIVER VIVER É PRODUZIR
Como também pode ser ,que um agricultor chegue a uma fábrica, olhe para ela' e
não a ligue à sua própria vida. Mas o que é certo é que podem ter fábricas de
moagem sem um comboic que traga o milho do campo para a fábrica, nós não
podemos ter o milhe na fábrica mesmo que o agricultor produza lá, mesmo que
nós queiramos ignorar o comboio ou o carro, não' podemo>. ter o milho na
fábrica. Quer dizer, que todas estas coisas ns produção, são coisas comuns, para
re. solver os problemas humanos, os pro. blemas da nossa própria vida.
k MATOLA
0 INIMIGO
[ DEPOIS VEMA COlR
O PASSADO E O PRESENTE
É claro que no passado, dentro do Sistema colonial o interesse primordial da
produção, era a exportação dos produtos para a-Metrópole, não era a solução do
problema humano, de que estamos a falar hoje.
Por isso é que neste país, neste momento em que nós vivemos para a
independência, estamos a aproximar-nos do dia 25 de Junho, ainda existem graves
problemas de subalimentação. Falta de comida, porque tudo o que se produzia
estava orientado duma outra maneira.
Hoje transfere-se o poder político para os trabalhadores, e cabe aos trabalhadores,
e quando digo aos ttabalhadores quero dizer os trabalhadores agrícolas, da
indústria e de todos os tipos, o trabalhadores de transportes, os tralhadores' do
comércio, todos os trabaadores. O poder político está a ser transferido para eles.
Neste momento, nós devemos repensar fainalidade da nossa produção em todos os
sectores, para que a produção possa servir os interesses do homem, os interesses
do povo.
Por isso é preciso que nós vivamos organizados para que possamos coordenar a
produção em todos os sectores.
Eu cheguei aqui e disseram-me que algumas máquinas estão paradas por'que
havia falta de trigo e milho. Na outra fábrica disseram-me que algumas máquinas
estavam paradas porque havia falta de produtos.
DEFENDERMO-NOS DA SABOTAGEM DOS INIMIGOS
DA REVOLUÇAO
- Apareceram sem dúvida iniligos da revolução que orientaram o nosso povo a
entrar em contradição- com os seus próprios objectivos e correram efectivamente
para algumas fábricas que hoje não estão em funcionamento porque foram
destruídas.
É preciso que nós defendamos as nossas indústrias contra a sabotagem u possa
existir.
AGITADORES SABIAM: AMENTAR O SALARIO O É ACABAR A
EXPLORAÇÃO
Mas o que é certo, em muitas partes, o aumento de salário não foi indicação
da solução de um problema, que é o problema da exploração. Pode-se aumentar
o salário mil vezes e continuar
a ser-se explorado.
Esses agitadores aqui sabiam disso, Nós tentámos, muitos donos de fábricas não
sabem, mas nós tentámos, lá da nossa sede da Frelimo, minimizar os efeitos das
greves. Enviámos para aqui gente que orientava, que contrariava os objectivos
daqueles que, com as greves, pretendiam sabotar a econornia de Moçambique,
para que o povo pudesse diferencia'r greves justas e injustas. As greves que
haviam de trazer calamidade para o país. Porque os patrões aumentavam
salários, podiam aumentar, mas alguns, depois desses aumentos, fechavam a
fábrira e despediam os trabalhadores.
Há muitas fábricas que estão a despedir trabalhadores, é sabotagem económica
isso, e foi criada por agitadores. Nós. continuamos com exigências que não têm
sentido, que não têm orientação, isso foi uma primeira tentativa de sabotagem. È
um ponto importante que vocês podem desenvolver com a orientação dos
comités do partido. Corno é que se processa o desenvolvimento da sabotagem
económica? Quem sofre com ela?
Hoje há tentativas de sabotadores, de agitadores de fazer parar, cair a economia de
Moçambique pela criação de um estado psicológico de medo, de falta de
confiança no futuro, para os nossos técnicos.
NÃO QUEREMOS UMA POLITICA
DE TAPAR BURACOS
Nós não queremos a política de tapar buracos, nós queremos uma economia
planeada. Queremos elevar o nível de vida do nosso povo de uma maneira
planeada, de uma maneira pensada, é, por isso que nós dizemos que o primeiro
trabalho a fazer aqui é ficarmos organizados.
TEMPO DE RECONSTRUÇAO
Temos que estabelecer prioridades
-para resolver problemas que nos assolam e estes problemas começaram há muito
tempo. Começaram antes da
guerra.
Foi por isso que fizemos a guerra, para corrigir uma situação catastrófica
que não servia os interesses do povo de Moçambique.
Agora chegou o tempo de reconstruir
e não de destruir.
Entre patrão e trabalhador, hoje, aqui em Moçambique, e preciso que exista uma
unidade, é preciso que haja entendimento, assim como os cinco dedos de uma
mão.
Só -assim é que podemos construir Moçambique.
Nós só admitimos ou começaremos a admitir, as actividades ou indústrias que
sirvam o povo de Moçambique. Não interessa quem vem construir, interessa sim
combinar esforços para elevar o nível de vida do povo. Há-de chegar a altura em
que vamos realmente sentir que somos parte das actividades de produção. Alguns
patróes estarão connosco e alguns 'de vocês serão patrões, mas não por saltarem
sobre os outros,, mas trabalhando.
NÃO VAMOS LUTAR CONTRA OS BRANCOS. VAMOS LUTAR, CONTRA
A OPRESSÃO
Todos somos homens, pessoas. Primeiro somos pessoas, só depois vem a cor.
Somos iguais, por isso nós temos de nos respeitar uns aos outros.
Nós .não vamos lutar contra os brancos, não está escrito em nenhum estatuto da
Frelimo, vamos lutar contra a opressão.
Agora trazemos um sistema democrático, um sistema em que o povo participa
para resolver os problemas económicos, para resolver o problema da sua vida.
É isto que nós queremos. Um sistema em que as nossas cabeças devem funcionar
como cabeças de homens, não como cabeças de exploradores.
A opressão não é trazida por cor nenhuma; ela resulta da exploração do homem
pelo homem.
A exploração não tem cor, é um sistema.
Podem acabar todos os brancos mas há-de haver exploradores.
É preciso destruir as raízes do mal que é o sistema.
Não quero que o povo confunda o inimigo e a base para não o confundirmos, é a
igualdade.
Nós vamos denunciar publicamente, em breve, os verdadeiros reaccionários.
O papel do povo, e quando digo povo, é preto e branco, é povo, depende dos
objectivos de cada um. Aqueles que querem ser do povo não importa a cor.
Este problema da igualdade e da unidade é que queria esclarecer.
Eu sei que há muitas dúvidas, mas haverá tempo para esclarecer.
Os Comités terão esse trabalho fundamental.
É com o trabalho desses Comités que vamos encontrar as linhas de orientação
perfeitas.
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do def
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BA A SILABA»,
o futuro recusa-se-nos
abocanhados que fomos uardo Pítta
pelo medo.»
a seguir à recente de «Adeus de Gutu» de Orlando Mendes,
* segundo volume da «0 som e o sentin livro de poemas de o Pitta, «Sílaba a
siiprendizagem poética na maior parte das e forma desordenada gosa, mas é
notável superando limitações ram evidentes se conreunir com coragem, 1
suficiente para forn livro.
ando para trás as inoenganadoras e reveos uma linguagem de ço temporal, o poeta
notícia de dias em de frustrações e sobretremenda ambiguidareal que até há bem
tempo podíamos viver Imir. Surgindo a púuando novos caminhos zas podemos
contestar, que tem a dignidade
* discurso subtil e de adc perfeita, possui virídes importantes que os saudar.
oeta que procura um seguro, uma ýcerteza ma, dá-nos já num liestreia uma lição
de o que por si só nos guardar muito mais e deste autor.
um tempo breve oar
todos os dias mesma hora 'lagrar dos corpos distânciae
Entre uma permanência insegura e ténue, há uma carga de vivências
desgastantes, amargas mas contudo atravessadas por uma plenitude discreta que
não atinge o desespero, a angústia tortuosa ou aviltante.
«onde a esquizofrenia do silêncio
mastreou horizontes
de sonho
os homens ficaram quedo8
e mudos
(conscientes da inutilidade dos caninhos pereoridos).
e é chegado o dia de sentir
sob a nuca
o intermitente silvo dos cogumelos
redentores.
Fica-nos quase sempre, depois da leitura deste livro, contornando um
desencanto vagamente aludido ou uma euforia sensual contida e limpida, a
esperança de corpos mais. claros de verdade, saidos dos destroços.
Meditação sobre si próprio é certo, mas também e isso importa salientar, um
discurso poéticó saído.de estreitas paisagens interiores para um recorte de leitura
dramática, sem cair apenas num jogo fácil de palavras.
Importa ainda saudar a Livraria Académica pela feitura excelente das últimas
edições saídas e pelo.magnífico esforço em prol de uma divulgação maior de
autores moçambicanos.
L. C.
«GOLPE DE ANCAS»
- Uma Monica Vitti soberba
num filme soberbo!
Não sabemos que mais admirar: se a frescura, o irresistível talento de Monica
Vitti, se a mordacidade, a sátira e o implacável objectivo do realizadoi Fondato.
De qualquer maneira, aplaudimos as duas coisas, pois que são elas indissociáveis,
que fazem deste filmE uma das mais brilhantes comédias do2 últimos tempos.
Decorrendo naquele inimitável «fin.
-du-siècle e princípio de outro, .esta" pi. *caresca história ultrapassa contudo ow
limites da comédia pura e simples, parE desaguar numa magnífica crítica socio
-política ao regime italiano então vigen te que fica expressivamente classificadi
quando emana um decreto onde se pod ler: «Ê proibido o gesto!»
Tal gesto não é mais do que o «sub til» mas acidental golpe de ancas qui a
incomparável Monica Vitti fará nun daqueles espectáculos de palco que ser via de
desopilante ao tédio e ao óci, da alta e 'média burguesia daquele tempos. Cenas
hilariantes, mas não sý hão-de transbordar a partir desse golp de ancas que tem,
porém, um cariz re volucionário, já que ele acontece nun ímpeto de revolta da
heroína contra a leis vigentes, contra o Governo vigentE contra a Polícia vigente,
contra a mi séria vigente, contra as prisões vi gentes ....
Em suma, um filme para ver e revei E se rimos muito não deixamos, a mesmo
tempo, de aprender mais, aconpanhando as graças e desgraças da quela mulher
que, com um simples golp de ancas, consegue desarmar e atem rizar os senhores
fascistas daquel época!
«VIVENDO E AMANDO»,
-Um filme que não é nada!
Alguns camaradas meus têm-se prei cupado insistentemente com a «porni grafia»
e a «obscenidade» deste «V vendo e Amando» onde, afinal', nem vive e se ama
menos ainda.
Na verdade, isto de acordo com uir opinião muito pessoal, filmes como es: só
alcançam êxito de bilheteira exa tamente por a crítica lhes conferir importância
que não têm. Ora aço]
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PAGINA 9
VIMOS
OUVIMOS
E
LEMOS
tece que «Vivendo e Amando» não tem qualquer importância pela razão simples
de não ser nada, de não querer dizer nada, de não se dirigir a ninguém em
particular. O filme - supomos - foi feito única e exclusivamente para o lançamento
no mundo do celulóide mais caro do mundo. daquele «bonitão» que ainda por
cima prima pelo destalento, a exemplo, aliás, de todos os outros intervenientes
nesta película que é, realmente, um insulto à inteligência do espectador.
Todavia, com os rótulos que se lhe arranjaram, ei-lo em triunfal carreira, com
lotações esgotadas, numa demonstração lamentável de quão pouco politizados nos
encontramos todos....
Pornografia, aquilo? Obsceno, aquilo? Francamente! Antigamente, isto é, antes do
«25 de Abril», sempre que se podia, publicavam-se queixas contra a proibição de
determinados filmes, entre os quais, naturalmente, figuravam «O último tango em
Paris» e «Os contos da Cantuári,», para só citar dois exemplos. Depois do
vitorioso golpe de Estado em Portugal, lá como cá, aqui del'rei que isto é um
nojo, é tudo pornográfico, é tudo obsceno, é- tudo uma pcilga, é preciso salvar a
(decadente que fascista!) moral pública, etc. Desconfiei 'sempre destes
moralismos súbitos, que mais me parecem Teaccionár do que outra coisa. Mas
adiante.
Voltando ao «Vivendo e Amando»:. Rigorosamente, este filme, (esta «coi>) ,' 1 t
o é pornográfico: é mau, é horrível, não é nada, é tudo isso nas não é pornográfico, não tem sequer uma única
cena realmente chocante. Porquê então todo o alarido levantado à sua volta? Se há
alguma coisa a denunciar neste filme, não é a sua (inexistente) pornografia, mas,
pelo contrário e sobretudo, a sua total mediocridade, o seu descarado
oportunismo, a sua incomensurável tacanhez, enfim, este «Vivendo e Amando» é
chato, muito chato, chatíssimo mesmo!
«A SERPENTE DE OURO»
-Era uma vez um reaccionário
chamado Henri Verneuill....
Era uma vez um reaccionário chamado Henri Verneujil. Este senhor, rico, ocioso,
e por acaso e infelizmente, realizador cinematográfico, pegou em alguns outros
senhores ricos e ociosos (Y.ull Brynner, Henri Fonda e Dirk Bogarde, por
exemplo) e resolveu, possivelmente entre uma bica e uma ideia mais ou menos
«fílmica», fazer uma «Serpente de Ouro» que também podia ser um piriquito ou,
melhor ainda, um elefante de estupidez e mau gosto.
O tema: espionagem e contra-espio. nagem. Como sempre, as duas maiores
potências- Rússia e E.U.A. - enfrentando-se e afrontando-se, numa concorrência
primacialmente comercial e só
depois (ou nunca mais?) social, política, cultural e económica....
Com um desabafo chocante, Verneuill descobriu (finalmente!) que a CIA é uma
maravilha- e daí todos aqueles «belos» planos sobre o império daquela PIDE
americana! - que só. ela pode salvar o «mundo livre» da abjecta espionagem
soviética, pois, em seu entender, é esta que põe em perigo a estabilidade
ocidental.... E assina este seu disparate, no final, quando o chefe da tenebrosa
CIA, após a troca de prisioneiros, diz para o seu colega francês, apontando o
aromático cigarro americano, e referindo-se a Vasslov: «Vai ter- saudades nossas!
J4 conheceu o paraíso!!!» Por outras palavras: logo que se fume um cigarro
«made in U.S.A.», como se se tivesse ingerido uma pílula anticomunista,
conhece-se o paraíso e fica-se de imediato «comprometido» com a política do sr.
Kíâsinger, por exemplo, e apaixonado pela filosofia de Salazar, Nixon e Pinochet,
por exemplo, também!....
Todo este chorrilho de asneiras é agravado pela ausência (por vezes longa) de
legendas, cortadas em Lisboa, já que esta versão pertence ao «antigamente».
Assim, o espectador que não fale inglês ou francês, nunca percebe os (ligeiros
)ataques ao fascismo nem toma conhecimento da confissão do «número 1» da
contra-espionagem britânica, a «trabalhar» para os russos há 30 anos: «Sou
marxista desde os 19 anos! Isto é fidelidade!»
ROBERTO CORDEIRO
VIVENDO E AMANDO ............
AS AVENTURAS DO RABI JACOB .. A SERPENTE DE OURO ......... A
CASA DA BONECA ............
0 PAI MARAVILHOSO ... .........
UM AVENTURA NAS CRUZADAS ... SUADRILHA DE REFÉNS ......... 0
MURO DO ATLANTICO ......... OS CAMISARDOS ... ...
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.......... ...... ... ... 6 - - - - ' 6
3
5
3.. '~7--:ÔES: 8 - Obra prima; 7 Excepcional; 6 - Não perca; 5 - Com muito interesse; 4
- Com algum interesse; 3 - Passatempo; "2 - Sem interesse;
I- Não vá; o Um insulto à inteligência do espectador' R - Viu o filme mas
recusa-se a classificá-lo por não se tratar da versão integral.
.l
4
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ESCOLAS PRIMARIAS:
Texto de MENDES DE OLIVEIRA Fotos de RICARDO RANGEL
Para melhor tranquílizaçao nesta fase após-crise elementos do Exército Popular da
Frelimo visitam
frequentemente as escolas nas suas patrulhas
1 itinerantes
Após um período de «crise» em que algumas das escolas primárias de Lourenço
Marques e arredores se viram obrigadas a manter 'encerradas as suas portas por
falta de comparência da totalidade ou grande parte do corpo docente, e outras só
não feý charam graças à consciência e militância de alguns dos seus professores,
as escolas primárias reabriram em pleno. Uma vez solucionadas as exigências de
«segurança» dos professores - razão fundamental da paralisação -e estando já
portanto as escolas a funcionar normalmen*e, afigura-se-nos contudo importantp,
analisar as causas e razoabilidade das proporções que assumiu a de certo modo
inconsequente «greve» dos professores.
PROFESSORS PRIMÃRIOS:
Dos RECEiOS JUSTOS Ao NAO RAZOÁVEl
Ingénua, frágil, a criança, fácil de impressionar e de chocar foi um dos
instrumentos utilizados pelos agitadores na sua covarde campanha de terror
lançada sobre a capital do país. O processo principal de a perturbar foi, como em
tantos outros casos, a propagação nas escolas de infames boatos. Ou era uma
bomba colocada algures na escola, ou veneno numa vacina ou nas bebidas
normalmente distribuí d a s, ou, nalguns casos até, a «macabra» professora b r a n
c a que «dissera» que ia matar todos os meninos negros; tudo lhes servia...
De certo modo «assustados» com o clima gerado pela tragédia de Setembro, mal
politizados e incitados pelos mesmos agitadores, os familiares e -vizinhos das
crianças envolvidas p e 1 a s merqtiras tendenciosas acorriam às escolas, paus e
ferros na mão.
Embora não tenha havido. nenhum caso de consequências realmente graves normalmente graças às oportunas intervenções de militantes da Frelimo- o facto
de incidentes deste' género se terem repetido em três ou quatro escolas gerou, em
todas um clima de certa tensão.
Com o desencadear dos distúrbios de 21 de Outubro essa tensão piorou, os receios
avolumaram-se, agigantaram-se, e alguns professores primários - particularmente
das escolas situadas nas zonas suburbanas, dos arredores de Lourenço Marques e
Machava-Matola - açharam que,
como nos afirmou uma das professoras em questão com quem falámos, «chegava
de riscos». E, ou usando subterfúgios legais como o de «parte-de-doente» ou,
noutros casos, m a i s honestamente declarando que não se sentiam «seguros»
resolveram' não ir mais às escolas enquanto lhes não garantissem «segurança»
O processo generalizou-se à quase totalidade das escolas nessas zonas, tomando
foros de «greve», embora não o sendo exactamente porque, por razões julgadas
nanas», ter sido particularmente consentido pela maioria dos directores das
escolas e até pelo organismo responsável pela coordenação das actividades desses
estabelecimentos de ensino. Casos houve em que os próprios directores das
escolas também deixaram de ir às mesmas.
GARANTIDA A «SEGURANÇA» REGRESSO
À NORMALIDADE
Postos ao corrente da gravidade da situação pela Repartição Escolar, os
responsáveis pelo sector governamental da Educação de imediato procuraram
encontrar uma solução.
Como a maioria dos receios incidia sobre o$ trajectos da cidade para as escolas e regresso, foi decidido
pôr ao serviço do transporte dos professores : para as escolas carrinhas dos
Serviços de Educação.
No momento em que escrevemos o trabalho encontra-se já assegurado o
transporte para as escolas situadas nas zonas da Casa do Gaiato, Jardim, Benficá
Nova, Infulene e Parcela T3.
Segundo o professor Sardinha, subdirector da- epartição Escolar, esperavam que a
reparação de uma outra carrinha, acidentada ficasse concluída dentro de um, dois
dias, para iniciar o transporte dos professores para as escolas da Machava-Sede,*
Machava A, Machava E e do Bairro do Fomento. E, logo que conseguissem outra
carrinha, dificuldade principal na resolução da questão, pensavam também
estender a medida às escolas do Bairro Kok, Bairro das Mahotas e de Mavalane.
Enquadradas também na preocupação de assegurar a rápida normalização d
trabalhos nas escolas prinárias, outras medidas foram tomadas. Para um melhor
processo de tranquilização dos professores, alunos e pais de alunos, após o clima
gerado pela «crise», as esco~ '4
.deu~ AMýi, -Prof." Santana Pereira - «Sinto-me mais necessária do que nunca»
Director Sardinha - «Assegurado o transpoi-te dos professores cumprimos a
exigência de segurança»
ASSEGURADO TRANSPORTE DE PROFESSORES
las são frequentemente visitadas p e 1 a s patrulhas do Exército Popular da
Frelimo que na sua missão de vigilância percorrem as zonas.
DA REALIDADE DUMA SITUAÇÃO À RAZOABILIDADE DA SOLUÇÃO
Referimos acima o consentimento particular com que, por razões
julgadashumanas - dissemos - alguns directores autorizaram que os seus
professores não fossem às escolas até que estas medidas de «segurança» fossem
conseguidas.
Também nós não podemos deixar de considerar humano o receio manifestado
pelps professores face à situação. Como não podemos deixar de achar justa a sua
petição.
Aconteceu, porém, que graças à dificuldade em conseguir as carrinhas para
transporte dos professores - os serviços de Educação só as conseguiram assegurar
entre dez a quinze dias após o 21 de Outubro - registando-se o consequente
interromper das aulas. Ora sucedeu também- que, apesar de saberem que o seu
pedido lia. via sido achado justo e con. siderado, e que a sua viabilidade era
iminente, a grande maioria dos professores, escudados pelo consentimento dos
seus directores, não foi às escolas senão quando teve mesmo as carrinhas... Se
achamos humano o seu receio e justa a sua petição, não podemos de igual modo,
face à rápida normalização da vida da cidade, achar justa, por pouco razoável, a solução de, quando: em
todas as fábricas, serviços ou empresas situadas nas mesmas zonas estava
totalmente restabelecido o processo de
-trabalho ao fim de dois dias, os professores ficaram quatro, cinco, dez, quinze
dias (quantos ficariam mais? apetece perguntar) à espera que lhe arranjassem as
carrinhas que já lhes haviam prometido como medida a curto-prazo.
Se a sua atitude seria em q u a i s q u e r circunstâncias condenável por falta de
razoabilidade, no caso particular dos professores primários (ou de alguns deles)
afigura-se-nos graves. E afigura-se-nos grave p o r q u e pensamos que, tão ou
mais importante que a sua «seguPÁGINA 18
Prol. Assalariado da Escola Machava-E - «,Vão podíamos permitir que a escola
fechasse e a crianças ficassem por aí abandonadas»
MILITANCIA DE ASSALARIADOS
MANTM[ ESCOLAS ABERTAS
rança», estava a dos milhares de crianças cuja forma.ção estava à sua
responsabilidade e foram por si abandonados à insegurança e à permeabilidade
de todo o tipo de novas manobras dos boateiros e agitadores.
EXEMPLOS DE CONSCIÊNCIA E MILITÂNCIA
Mas, como acontece em todas as situações críticas, paralelamente aos asi ýctos
negativos f o r a m também evidenciadas atitudes e iniciativas
extraordinariamente válidas.
Se na maioria das escolas o processo se desenrolou como expusemos, algumas
houve em que - embora situadas em zonas tão ou mais «desprotegidas» - graças à
dinamização imposta pelos seus directores (são exemplos que constatámos as
escolas da Av. do Brasil e a da Machava A) ou à consciência e militãncia de
monitores assalariados (como nas escolas Machava-Sede e Machava E) que, num
esforço anormal davam, além das suas, as aulas dos professores em falta, os
trabalhos praticamente não foram interrompidos.
De salientar também que, mesmo nas escolas sacrificadas pela «greve», numa
manifestação de consciência pudemos encontrar algumas professoras cumprindo
as suas tarefas.
«Se no primeiro dia depois dos incidentes, confesso, tive um certo receio, nunca
mais deixei de vir h escola pois achei que aqui era mais necessária que nunca» foi o que por exemplo ouvimos da prof., Santana Pereira, da escola Machava A.
Pena que nem todos os professores tenham pensado assim...
qualquer montante
~seu.
merece
*
os nossos
Toda a poupança, por pequena que seja,
merece segurança total
1e máxima rentabilidade
AS SUAS ECONOMIAS DEPOSITADAS
AO PRAZO DE 1, ANO E 1 DIA, NO INSTITUTO DE CRÉDITO DE
MOÇAMBIQUE, RENDEM 7%,
QUALQUER QUE SEJA O SEU MONTANTE
ISENÇÃO TOTAL DE IMPOSTOS,
k
GARANTIA DO ESTADO PARA CAPITAL E JUROS.
INSTITUTODE CREITO TL
H AM ADE
MOÇAMBIQUE
TRABALHO DE HOJE, MOÇAMMIUE DE AMAHÁ1
PÁGINA 18
Moçambique, território com cerca de 800 mil Km2,. tem uma população de 8,2
milhões de habitantes.
É deste (futuro País Livre do Rovuma ao Maputo, das .suas relações de produção,
das condições coloniais imperialistas que determinaram as suas relações
económicas internacionais, que procuraremos fazer um breve apontamento que
tentará caracterizar em síntese uma difícil situação económica, social e financeira
resultante como diz o Pre-' sidente Samora Machel, de séculos de opressão e
pilhagem colonial, agravada ainda por Uma década de dominação e repressão
colonial-fascista.
Assim, duas características essenciais marcam de sobremaneira a economia
moçambicana:
1) - uma base essencial agrícola - com um evidente subemprego e, 2) - uma
excessiva dependência externa que por vezes coloca em dificuldades a sua
sobrevivência. A primeira é fundamentada- pela exagerada participação da
população activa no sector agrícola, a par de um exíguo contrfí uto para o Produto
Interno Bruto total. Assim, 90% da população activa de Moçambique dedica-se à
agricultura, contribuindo com cerca de 40% para o Produto Interno Bruto, mas se
se tiver ainda em conta que cerca de 50% do valor da produção da indústria
transformadora se baseia na simples transformação de produtos originados pelo
sector agrícola, mais reforçada fica ainda a imagem de uma estrutura económica
desequilibrada com um predomínio excessivo e perigoso de uma agricultura pouco
diversificada. De notar ainda que o Sector Industrial emprega somente 2% da
População Activa, que por sua vez contribui com 14% para o Produto Total.
Dentro do, sector agrícola podemos ainda- constatar, um flagrante dualismo
económico, característico aliás, deýte género de economias subdesenvolvidas,
sobretudo quando inseridas num tipo de rélações coloniais. Assim, podemos
distinguir dentrc do Sector Agrícola dois sub-sectores: um chamado de
«Tradicional» e outro dito de «evoluído».
No primeiro incluem-se as "explorações agrícolas do tipo familiar, viradas
sobretudo para as culturas de auto-consumo. São explorações que se caracterizam
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pelo seu" elevado número, pela ,sua diminuta dimensão média, bem como ainda
pelo rudimentarismo dos instrumentos de produção que emprega. Por sua vez, as
explorações agrícolas do tipo «evoluido» caracterizam-se, ao contrário, pelo seu
reduzido número, por uma dimensão média elevadíssima - mais de 500 ha
-, emprego de -modernos meios de produção e pela utilização de uma vasta mãode-obra que vende a sua força de trabalho num mercado não regulamentado.
Tratam-se essencialmente de explorações viradas. às culturas agro-industriais,
destinadas na maioria aos mercados internacionais, e que, em grande parte, são
pertença de grandes empresas colonialistas multinacionais que através de uma
colonização desenfreada, têm sugado ao povo moçambicano, em proveito do
capital financeiro internacional, todo o esforço do seu trabalho. Lembramos ainda
que, dentro deste processo, grande parte do povo português foi vítima da sua
própria colonização em proveito dos grandes
grupos financeiros protegidos e acarinhados pelo Estado Novo Fascista.
Moçambique possui pois, um sector agrícola pouco diversificado, 5 a 6 produtos
principais, alicerçado numa estrutura produtiva defeituosa, essencialmente virada
para o mercado externo e este por sua vez inserido num sistema de relações tipo
monopolista-colonialista, onde os preços raramente são estabelecidos pelos
mecanismos de livre mercado. Assim,, a agricultura moçambicana origina
sobretudo, a transferência de um excedente, criado pela força de trabalho do seu*
povo, em proveito dos capitalistas dos países industriais que neles o investem,
nada vindo a beneficiar por conseguinte a economia de Mo°çambique.
Põe-se deste modo a questão, de sabermos porque é que este pais, em vez de
exportar os seus produtos em estado primário, ou acrescentando pouquíssimo
valor dos mesmos, não monta a sua própria dinâmica de industrialização,
destinada quer a um processo de
substituição de importações, onde o mesmo for logicamente comportável, quer a
uma maior valorização das suas exportações, de modo a que ficasse retida no
território, um maior valor acrescentado ao Produto Social que fosse beneficiar
-o seu povo trabalhador. Pois a questão é sobretudo fácil de resposta, e o seu
conteúdo insere-se logicamente num esquema de relações económicas, e não só,
cuja evolução tem sido bem demarcada. Assim, Moçambique foi durante cerca de
cinco séculos um território colonial, portanto com toda a sua actividade regida por
um estatuto próprio que na generalidade regula as relações - tipo colónia-metrópole. Isto é, colónias são territórios subdesenvolvidos sem autonomia de
facto, cujos recursos naturais são explorados e canalizados em proveito de uma
metrópole; metrópole esta que, neste caso concreto, não quererá dizer
necessariamente Portugal, pois também este pais como já dissemos atrás, está
inserido por sua vez na teia do capital financeiro internacional, funcionando mais como um intermediário na transferência da mais valia em proveito de
terceiros, do que como potência colonizadora. Dentro deste contexto, torna-se
hoje complexo isolar como colonizadores países ou territórios já que são as
relações de produção dentro do S i s tema Capitalista que marcam uma verdadeira
colonização da força de trabalho dos trabalhadores em geral, pelo capital
internacional na fase de funcionamento imperialista a que o Sistema Capitalista
chegou. A colonização está pois inserida, num contexto de exploração
imperialista cuja base essencial está assente na reprodução alargada dás relações
de produção capitalista à escala mundial. Sempre que estas relações de produção
são postas em causa, o imperialismo das nações capitalistas, transforma-se em
intervenções político-militares sob a aparência da defesa da «liberdade» ou de
uma pretensa missão civilizadora. Assim, e ilustrando o «processo» poderemos
prosseguir com a nossa análise. Uma colónia exporta essenCDLDNIALiSMO-I NA ECONOMIA
ialmente os seus produtos ob a forma de produtos ;rimários ou matérias-priias, a
um valor arbitrariamente estipulado pela parte compradora, quase sempre
identificada com a colonizadora, pois será esta que no processo de contratação
mais pressão poderá exercer. Estas matérias-primas irão por sua vez servir de
«inputs» na actividade industrial dos países desenvolvidos, que por sua vez
também irão vender os seus produtos acabados aos países subdesenvolvidos
iniciais. Só que estes, claro está, compram os produtos a um valor muito superior
àquele que previamente ti-, nham recebido pelas suas exportações dos produtos
primários. Surge assim pois, uma Troca Desigual que para além de agravar conti.
nuamente a estrutura da economia da colónia, pela deterioração constante da sua
Balança de Pagamentos, vem beneficiar sobretudo as regiões industriais, ditas
ricas, onde um maior valor acrescentado fica retido em proveito do grande capital
internacional. Nas relações comerciais entre
colonizados e colonizadores há sempre só uma parte beneficiada. É fácil de ver
qual.
Foi, pois, num contexto inserido numa economia colonizada que procurámos
explicar o aspecto essencialmente agrícola ou a não industrialização da economia
moçambicana.
Chegamos assim, à outra grande característica da economia de Moçambique: a
sua acentuaia dependência económica do exterior, como podemos facilmente
avaliar pela participação do valor das importações - exportações debens e serviços
no valor do Produto Interno Bruto (30%).
Para uma melhor caracterização desta dependência, vamos analisar o grau de
concentração de comércio por países, e seguidamente a especialização por
produtos comercializados. Quanto às exportações de Moçambique, apenas 8
países detêm 83% do valor total do produto exportado, distribuído da seguinte
maneira: metrópole e outras colónias 42%, E. U. 14%, Africa do Sul 10%, União
Indiana, Reino Unido, Holanda
e Alemanha Federal com o restante.
Portanto urna forte concentração das exportações moçambicanas nos mercados
internacionais, em função quase que exclusiva das nacionalidades dos grandes
grupos financeiros que operam no seu território. * Quanto às importações, 85%
das mesmas são originárias de 9 países com a seguinte distribuição: Metrópole
com menos de 25%, Africa do Sul com quase 15%, Alemanha Federal com 10%,
E. U., França, Reino Unido, Japão, Iraque e Itália com o restante.
Assim podemos concluir,' que tanto nas exportações como nas importações a
concentração por regiões é notoriamente forte, e a quase coincidência nos dois
circuitos vem ilustrar o que dissemos atrás sobre a venda de matérias-primas a
certos países e a compra aos mesmos de produtos acabados.
Analisando a especialização por produtos, verificamos que as exportações de
Moçambique assentam essencialmen'c em 5 produtos primários: Chá, Copra,
Açúcar, Caiu e Algodão em rama. Os mesmos produtos aliás, em que como vimos
atrás, assentam toda a economia agrícola especialmente no dito subsector
«evoluído».
Quanto às importações, o leque é mais vasto e diversificado,- assentando
sobretudo em bens manufactura. dos e de equipamento. Todavia, nenhum por si
tem um peso excessivo no cômputo total, apesar de alguns produtos de natureza
semelhante terem pesos consideráveis no valor global das importações como
sejam: petróleos e derivados com 10%, máquinas e aparelhos com 18%, material
de transporte com mais de 13% e medicamentos com cerca de 5%. Ultimamente
porém, as importações de trigo e teci dos tiveram um extraordinário incremento, o
que vem revelar uma perigosa depentência externa num sector da economia
ligado, ao consumo das grandes massas populacionais. Numa análise comparada,
importações / exportações, podemos já adiantar que existe uma tendência extre
mamente desfavorável para
rUPIRIA1ISMO
1OCAMBICANA
COLONIALISMO- 1 NA ECONOMIA
PAGINA 22
a deterioração das razões de troca de Moçambique nos mercados -internacionais,
já que uma' comercialização baseada na troca de produtos agrícolas ou matériasprimas, nem sempre com uma característica de grande procura, por artigos
industriais oriundos de países fortemente Industrializados, com' mercados
concorrenciais fortemente sujeitos a pressões da procura, originará forçosamente
um desequilíbrio estrutural queý conduzirá a uma perigosa situação de
dependência económica (e não sóà.., que poderá em certos momentos de
conjuntura, como parece ser a actual, provocar uma situação alarmante para o
desenvelvimento da economia moçambicana.
Expusemos e provámos, pois, as duas principais caractersticas da economia de
Moçambique: o seu dualismo agrícola e a sua forte dependência externa, tudo isto
inserido num contexto de colonização situado numa base imperialista cujos
corolários são como descrevemos atrás, a reprodução das desigualdades de
desenvolvimento nesta ou naquela região, a crescente reprodução das
desigualdades das trocas, a reprodução das zonas de «fracturas» do modo de
produção capitalista, o que, por sua vez, no fim de contas, vem favorecer a
reprodução das
relações de produção capitalistas nas próprias formações sóciais dominantes.
Serão pois, condicionadas
pelas relações de produção inseridas nste contexto político-social-económicoimperialistas, que deveremos procurar as motivações da presente situação em
Moçambique.
Como disse Samora Machel, na posse do primeiro Governo de transição para um
novo país livre «...descolonizar o Estado significa essencialmente desmantelar o
sistema político, adminis. trativo, cultural, financeiro, económico, educacional,
jurídico e outros, que, como parte integrante do Estado Colonial, se destinavam
exclusivamente a impor às massas a dominação estrangeira e a vontade dos
exploradores».
e
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povo.
Capital moçambicano
para todos os moçambicanos
DEPOSITE NA CAIXA ECONOMICA DO MONTEPIO
QUEM
O INIMIGO
alguns aspectos actuais da luta de libertacão nacional
- AGOSTINHO NETO
O Camarada Presidente do Movimento Popular para a Libertação de Angola,
Agostinho Neto, proferiu há tempos uma importante conferência na Universidade
de Dar-Es-Salaam, na Tanúnia, em iue abordou os temas «Quem é o inimigo» e
«Qual éo Obíectivo da luta de Libertação». Porque se trata de um texto de grande
riqueza teórica e extremamente adequado ao próprio momento histórico que
vivemos, aqui o oferecemos para reflexão e estudo aos nossos leitores. Com
efeito, e embora referido basicamente a uma problemática angolana o teor dessa
conferência pode ser considerado como mais um importante contributo teórico à
ideologia da revolução em África e, por conseguinte, em Moçambique.
É com o maior prazer que tomo a palavra diante do sempre interessado auditório
desta Universidade, cujas preocupações, por parte dos professores e estudantes,
revelam o desejo de um conhecimento profundo do nosso continente e dos
diferentes factores que afectam o seu desenvolvimento. Esta é uma preocupação
digna dos futuros dirigentes do país e daqueles que o formam, facto que
transforma o grande prazer deste encontro em honra especial. Que me seja
permitido expor brevemente o fruto de
uma experiência pessoal, de reflexões sobre a luta de libertação nacional no nosso
continente. Esta experiência não é senão a expressão de uma necessidade vivida
em África nos últimos cinco séculos e muito especialmente nos últimos decénios,
de cada um de nós se sentir livre. É também a expressão mais vasta do desejo
comum do Homem sobre a terra, de se considerar livre, capaz de se desligar das
amarras de uma sociedade em que estiola e morre, como ser humano.
A luta de libertação nacional em África, na minha opiPÁGINA 26
nião, não pode ser desligada do contexto actual em que se dçsenvolve, nem pode
isolar-se no mundo. Uma greve de trabalhadores na Inglaterra, a imposição do
fascismo ao povo chileno ou uma explosão atómica no' Pacífico, são fenómenos
da mesma vida que estamos a viver, através da qual procuramos as vias para uma
existência feliz para o homem sobre a terra. O facto universal é portanto
particularizado em África, através das formulações no plano político, económico
e cultural.
Os laços históricos que ligam os nossos povos aos outros povos do mundo vão
estreitar-se cada vez mais, pois
-que não pode haver outra tendência sobre a terra. O isolamento é impossível e é
contrário à ideia de progresso técnico, cultural e polí.tico.
O problema que se nos poe neste momento a nós africanos, é como transformar as
relações injustas, geralmente de subordinação política e económica, com os outros
países e povos do mundo, sem que essa transformação se faça em desfavor do
progresso social que necessariamente deve estar inoculado na acção pela
liberdade e sem que o comportamento do homem seja de quem sai de uma forma
de discriminação para cair numa outra forma tão negativa como a primeira, como
pura inversão dos factores intervenientes. A dentro da mesma sociedade africana,
o movimento de libertação nacional não deixa também de procurar que as
forças socio-económicas internas, isto é, aquelas que se desenvolvem no interior
de cada país, se reestratifiquem no sentido do progresso.
Em África, estamos dando o melhor do nosso esforço para acabar para sempre o
paleocolonialismo, hoje apenas existente nos territórios dominados por Portugal,
como geralmente se acredita, mas que de facto são dominados por uma vasta
associação imperialista protegendo de maneira injusta, inte-rsses egoístas de
homens, organizacões económicas ou de grupos de países.
Os chamados regimes racistas de minoria branca, não são senão uma consequência e uma forma especial de palco - colonialismo, em que os laços eom as
metrópoles se tornaram ' frouxos e:mais apagados, em favor da ditadura
minoritária branca.
Esta forma de colonização visível, clara, äber ta,' não impede que uma outra exista
no nosso cortinente,, ou.ra forma de dominação mais subtil conhecida pelo
nome de neocolonialismo, em que o sujeito da éxploração jáý não se identifica
com, a designação de colonizador,, mas que, em diferentes níveis, actua da
mesma maneira.
No entanto, as formas de submissão internas, causadas pelo fraccionamento em
pequenas congregações étnicas ou linguísticas, pelo desenvolvimento de classes
priveligiadas e dotadas de um dinamismo próprio, não deixam de ser também
formas de opressão ligadas às formas visíveis e conhecidas como colonialismo,
antigo ou novo, ou racismo. Elas aliam-se fadilmente ao- impevialismo e
facilitam a sua pene tração- e influência.
Estes fenómenos são universais, eles encontram-se ou encontraram-se em todas as
sociedades do mundo, mas na actualidade são agudas e bemí concretas em África
e é aqui que eles mais nos preocupam a nós africanos, e também aos povos com
os quais temos relações ou de submissão- ou de cooperação.
A dominação e a opressão coloniais ou racistas exercem-se de diferentes
maneiras e a diferentes niveis. Elas não se produziram de modo uniforme sobre o
nosso continente, não utilizaram sempre os mesmos agentes, não actuaram
sempre sobre o mesmo estrato social ou .sbre a mesma forma de organização
política ou económica.
Por isso, cada um, colonizador ou colonizado, sentiu de maneira diferente este
fenómeno hoje anacrónico e que se deseja ver substituído por outro tipo de
relações (e quanto a este novo tipo de lelações, nós os africanos ainda não
estamos nei' muito claros, nem de acordo).
Se para uns, coloníalismo significou e significa trabalho forçado, para outros é
discriminação racial; para outros ainda, é a segregação económica ou a
impossibilidade de ascenção política. Mas o roubo de terras africanas pelos
colonizadores, a escravização do trabalhador, o castigo corporal, ou a intensIva
exploração dos bens que nos pertencem, são formas do mesmo colonialismo, e
depende da larga compreensão de todos estes factores, a capacidade de cada um
se aplicar com maior ou menor inteligência e clareza na dinâmica pela solução do
problema colonial.
E, como anteriormente dis~ se, a acção contra o colonialismo está estreitamente
ligada, insere-se numa outra de carácter aparentemente interno, mas na realidade
tão universal como a primeira, que é a necessidade das trans formações sociais de
maneira a que o homem seja realmente livre em cada país ou em cada continente
do mundo.
A maneira como se encara este aspecto do problema, é também muito
importante para a tomada de posição e
para a orientação a seguirj no processo de libertação.
Estão portanto interligados estes dois problemas cruciais do nosso continente e da
nossa época, das relações com os povos estranhos, de um lado, e as relações das
forças dispostas, no interior de cada país.
Depende de como vemos o mundo, como antevemos o futuro do nosso país, como
sentimos na nossa pele a acção das forças e;tranhas, a atitude mais ou menos
correcta. mais ou menos intensa com que entramos emocionalmente na acção
libertadora.
A luta de libertação nacional na nossa etapa é pois informada não só pelos
factores históricos que determinaram o colonialismo, o neocolonialismo ou os
regimes racistas, mas também pelas perspectivas, pelos objectivos e pela maneira
de cada um conceber o mundo e a vida.
A reacção contra a dominacão estrangeira, seja ela individual, colectiva ou
organizada, não pode deixar de se informar de dois factores
aporotados e que dizem respeito à história passada e à
história para o futuro.
Por isso, a importância dos
movimentos de libertação nacional é muito maior do que geralmente se admite,
porque pela sua actividade, eles se transformam em aceleradores da história, do
desenvolvimento da sociedade onde actuam e fora dela, dinamizam processos
sociais, para ultrapassar o estadio actual, mesmo aquele que se apresenta em
países politicamente independentes.
Os diferentes tipos de colonização em África, dotaram-nos a nós, africanos, de
formas diferentes de ver o problema da libertação e é normal que assim seja, uma
vez que as nossas consciências não podem retirar o material para a sua
constituição senão do terreno e da experiência vivida e pelas possibilidades de
conhecer o mundo. Por vezes, nas concepções e portanto na aplicação prática dos
programas de combate, diferimos e nem sempre a orientação tomada na acção
libertadora preenche ambas as iecessidades de se concentrar na transformação das
relações entre os. povos e na transformação intrínseca da vida da nação.
Daqui a necessidade de realizar com clarez.a o problema, e claramente responder
a estas questóes especiais:
- quem é o inimigo? o que é o inimigo?
-qual é o nosso objectivo?
As respostas a estas perguntas, como é óbvio, não dependem apenas do desejo de
ser livre, dependem também do conhecimento e da concepção do mundo e da
vida, dependem da experiência vivida. O que significa que elas não se podem'
desligar das id e i a s políticas adquiridas, d a s tendências ideológicas, fruto,
geralmente, da origem de cada um de nós.
Sem querer entrar na anãuse do problema angolano, nos seus aspectos
particulares, eu quereria no entanto, basear-me na minha experiência, para poder
esclarecer as refleXões que acabo de fazer e que farei mais adiante.
Angola, um vasto país, hoe muito pouco densamente povoado, é colonizado desde
1482 pelos portugueses. Esta éL ideia geralmente admitida. Contudo, no que respeita
-à colonização, Portugal não conseguiu dominar to d o o nosso território desde os
primeiros contactos, foram precisos séculos para conseguir impor o seu domínio
político e económico a todo o nosso povo. Também não é verdade que Angola
seja dominada apnas por Portugal; sobre este ponto, o mundo está
suficientenmente esclarecido para saber que em Angola estão em jogo os
interesses políticos e económicos de várias potências no mundo. A gerência
portuguesa, não impediu a presença dos seus associados, presença que se tem
desenvolvido desde há séculos. A Grã-Bretanha, por exemplo, país que possui em
Angola o maior volume de capitais investido§, ou os Estados Unidos dá América
com crescentes interesses na economia e
-ansiando dominar a posição estratégica do n o s s o país, assim como outros
países da Europa, da América ou da Ásia, concorrem para a dominação dó nosso
povo e a exploração dos bens que nos pertencem.
Pensar hoje que Angola, Moçambique, a Guiné e outras colónias são dominadas
pelo pequeno e atrasado Portugal, é tão errado como pensar que a sociedade
Francesa se encontra na, época feudal, (a referência à França é apenis para
exemplificar).
Não é o pequeno e atrasado Portugal, o principal elemento para a colonização.
Sem os capitais de outros países, sem os crescentes iiivestimentos sem a
cooperação técnica, sem as cumplicidades a vários níveis, a transformação radical
já se teria verificado há muitos .anos.
Portanto se nós podemos dizer que Portugal é o gerente de uma série de combinas
político-económicas, compreenderemos que ele não é o nosso inimigo principal,
mas apenas o inimigo directo. Ele é por outro lado, o elo mais
-fraco de toda a cadeia instituída para a dominação dos povos.
Se olharmos para o próprio Portugal, para o seu panor a m a interior, encontramos
uma sociedade oue se debate aínde narq. ultra-assar ums obsoleta forma de
governo oligárquico, incapaz de abandonar o uso 'da violência contra o seu povo, para o proveito de umas quantas famílias, com uma classe
camponesa debatendo-se na miséria mais triste da Europa e onde cada cidadão se
sente prisioneiro no seu próprio país. É erdade o que dizem os próprios
portugueses, que o seu país constítue hoje uma das maiores vergonhas da Europa
e do Mundo.
Poderemos neste momento repor a questão:
-quem é o inimigo? qual é o seu carácter?
Muitas vezes se confunde o inimigo da África com o branco. A cor da pele ainda
é um elemento que para muitos determina o inimigo. Há razões históricas, sociais,
factos vividos que consolidaram no nQsso continente essa ideia.
E é absolutamente explicá-. vel que um trabalhador das minas na Africa do Sul,
segregado, violentado e espremido no seu suor até à última gota, sinta que o
branco presente aos seus olhos, para quem ele produz riqueza, é o ,,inimigo
principal. É para ele que constrói cidades, ruas bem pavimentadas, conserva
condições- de higiene e de salubridade que não possui para si próprio.
fÉ da experiência da vida que a consciência principalmente se forma. A
experiência da Àfrica do Sul pode levar a esa conclusão imediata, até certo ponto
lógica e emocionalmente válida.
Tanto mais que, para voltar ao caso de Angola, a sociedade criada pelos
colonialistas, criou mecanismos vários de defesa racial, postos ao serviço do
colonialismo. O mesmo camponês pobre, miserável, oprimido e explorado na sua
terra, é alvo de atenções especiais quando se fixa numa das «suas» colónias. Ele
não é só imbuido de mitos patrioteiros, como
-também começa a gozar de privilégios económicos e sociais de que nunca podc
dispor antes. Assim, entra no sistema. O colonalismo começa a servir-lhe 'o
apetite e passa a ser o cão de guarda dow interesses da oligarquia fascista.
No entanto, nos mais íntimos sentime toe de .eA-, um, tanto o que faz de cão de
guarda eomn o oue é emnlorado, não 'deixam de sentir-se escravos do conjunto do sistema.
E é assiln que hoje podemos dizer que o fenómeno da opressão colonial ou neocolonial. no nosso continente já não se pode pôr ao nível da cor dos indivíduos.
O mesmo sistema que oprime e explora o camponês em Portugal é também o
que oprime e explora o cidadão angolano, utilizando motivações diferentes,
técnicas diferentes, mas sempre com o mesmo propósito - explorar. E entre o
homem português e o homem angolano ou moçambicano ou guineense, é possível
o estabelecimento de relações justas, isto é, de relações que impeçam a exploração
de um homem pelo outro homem. O factor racial, não jogará senão um papel
secundário e durante mais algum tempo, caso terminem as relações de senhor para
escravo.
A compreensão ideológica deste problema, também facilita a sua resolução, ao
serem definidos os objectivo§ da luta de libertação.
Em condições especiais, encontram-se já casos em que o problema racial é,
ultrapassado. É o que se passa na guerra. Há portugueses conscientes que
desertam, para de uma maneira ou de outra se alistarem nas fileiras nacionalistas.
. A nossa experiência da clandestinidade mostrou que pode haver essa
colaboração racial na luta contra o sistema.
E, n- fundo, o que é que nós queremos?
Não penso que a luta de libertação nacional se dirija no sentido da inversão dos
sistemas de opressão de modo que o senhor de hoje seja o escravo de amanhã.
Pensar assim, será querer caminhar contra o sentido da história.
*As atitudes de révanche social não são as que poderão trazer aquilo que
deseJamos, ou seja a liberdade do homem.
É que as lutas de libertação, desejo sublinhá-lo, de novo, não se destinam somente
a corrigir violentamente as relacões entre os homens, e especialmente as relacões
de producão. dentro do nWs. -n ela,4 constituem um tactor impnrtante Dar»: a
trpnsformaeão nn q4f3va de td o o np.so continente e do mundo inteiro.
A luta de libertação nacional é também um meio de quebrar todo um sistema
injusto de opressão existente no
mundo.
Vejamos o lado pragmático
da questão:
Não encoítramos em África
um único país que'não mantenha relações preferenciais com a sua antiga
metrópole, até pela absorção dos valores culturais inevitável num regime de tipo
colonial. E mais, as formas de exploração nâo terminaram; por consequência, não
terminaram também as formas de discriminação racial, mais ou menos
acentuadas. Nestes casos, a libertação ainda não é completa.
Numa independência onde
não houvesse apenas a aparência de independência política, mas também a
económica e a cultural, onde o re.3.: peito real pelos valores naci iais existissem
de modo a permitir a abolição da exploração, eu acredito-o - o homem
encontraria então a lih berdade verdadeira.
Se quisermos responder à
nossa pergunta, diremos que o inimigo e o colonialismo, o sistema colonial, é
ainda o imperialismo, que sustenta o primeiro, sendoi até o inimigo
principal.
Estes inimigos utilizam em
seu favor, todas as contradições que possam encontrar na sociedade dominada. Os
factores raciais, tribais, de clasýse, e outros. Sobre eles constroem as suas bases
de exploração e mantêm, modificando-lhes o aspecto, quando já não poder ser
mantidos. Assim, em África, já não é a dominação política formal que pode
prevalecer, mas ninguém ýq libertou da dominação económica. Ela aí está
presente e por isso mesmo, me é muito grata a fórmula adoptada por alguns
partidos políticos no poder em África, ao dizer que eles também são movimentos
de libertacão nacional. Assim se exprime o completo significado do fenómeno
da libertação.
Deste conceito mais largo
de libertação nacional, provêm consequências importantíssimas para a necessária
cooperação entre os oprimidos da terra.
Continuarei dizendo, portanto, que a libertação nacional, tem de ser uma etapa
para a realização de uma forma mais vasta de libertação, que é a libertação do
homem.
Se se afasta desta ideia, o
dinamismo desaparece, as contradições essenciais no país
não terminam.
A experiência a n g o 1 a n a
mostrou já que o carácter
anti-racista puro, não pode permitir o pleno desenvolvimento da luta pela
liberdade. A nossa sociedade, desde há séculos, contém dentro de si os elementos
brancos, chegados como ocupantes, c o m o conquistadores, mas que tiveram
tempo de se enraizar, de se multiplicar e existir por gerações e gerações sobre o
nosso território. Essa população branca domina os centros urbanos, provocando o
fenómeno da mestiçagem, que torna a nossa sociedade interligada nos seus
componentes raciais.Se a luta de libertação esquece a realidade do país e se atém
a formulações gratas a nacionalistas sinceros mas preocupados com o aspecto do
desenvolvimento socio-histórico do povo, ela estiola-se e não pode atingir os seus
objectivos políticos e humanos.
Todos" aqueles que num país desejam' participar de forma qualquer da luta, de
libertação, devem poder fazê-lo.
A preocupação em África de fazer da luta de libertação uma luta racial de pretos
contra brancos, não só é epidémica, mas podemos dizer reaccionária e essa tese
não tem futuro, no momento mesmo em que verificamos haver mais contactos
entre pretos e brancos sobre o continente do que na época do colonialismo.
As relações alargadas com os países socialistas,' com os países anti-coloniais (na
forma antiga), as relações chamadas de cooperação com as antigas metrópoles,
chamaram à África um notável :número de europeus, americanos, asiáticos que
não existiu nunca em nenhuma época da história.
Pôs, portanto, o problema preto contra branco, é falsear a -questão; é desviá-la do
seu objectivo.
Uma v.ida independente como Nação, uma existência em que as relações
económicas sejam justas entre os países e dentro do país, um reviver dos valores
culturais ainda válidos para a nossa época.
O conceito literário de negritude, nascido das correntes filosófica.- literárias que
fizeram a sua época, com o existencialismo e o suplI'frealismo, pôs com acerto o
problema da consciencialização cultural do homem negro no mundo,
independentemente da área geográfica em que ele se dispersou.
Conjuntamente com a ideia do panafricanismo, o conceito de negritude, começou
a um certo momento, a falsear o problema negro.
É justo, era justo realçar os valores culturais na sua essência, que os povos negros
transportaram para todos os continentes, com predominância para o continente
americano. A nossa cultura deve ser defendida, desenvolvida. O que não significa
dizer que deva ser mantidá em estagnação.
No fundo e como vários pensadores têm afirmado, a luta de libertação nacional é
uma luta pela cultura. Mas eu creio. que os laços culturais não evitam de modo a
1 g u m a compartimentação política.
Este tem sido um ponto equívoco em muitas manifestaçóes ditas de libertação
nacional.
E não posso deixar de exprimir aqui a minha inteira identidade política com a luta
dos povos negros da América, lá onde se encontrem e admirar a vitalidade dos
descendentes dos africanos ainda hoje oprimidos e segregados na sociedade
americana, especialmente,- n o s Estados Unidos. Digo especialmente nos Estados
Unidos, porque não acredito muito na inteira liberdade dos negros e na igualdade
nacional no Brasil, de que tanto se fala e de que nos pretendem convencer.
A ascenção social do negro americano é notável, ao ponto de hoje o negro
americano se distinguir em África não só pelo seu comportamento mas também
pelo standard intelectual e nível técnico.
Raras vezes as características somáticas do negro americano permitem dúvidas
sobre a sua origem. E assim é que o fenómeno da miscegenação produziu um
outro tipo de homem. Aquele tipo que em Angola o homem vulgar chamaria
branco ou mestiço, nos Estados Unidos -é negro.
Não existe portanto uma identificação somática e há f o r t e s diferença culturais
como não poderia deixar de ser.
Por isso, sem confundir origens com os compartimentos políticos, a América é a
América, a África é a África.
Hoje estamos todos ligados,
- solidários numa luta de libertação contra opressores que apresentam a mesma
cor, mas amanhã certamente, haverá personalidades sociais diferentes a preservar.
E o processo evolutivo da humanidade para que as diferenças se extingam, não
podem deixar de provocar nos Estados Unidos, uma diluição ainda maior das
diferentes etnias antagónicas. A América tem
a sua vida própria, do mesmo modo que Angola ou Moçambique têm a sua
própria vida. Embora tenhamos de nos identificar, como negros, na defesa dos
nossos valores, não posso esconder a preocupação por vezes mal fundamentada
para que alguns dos nossos irmãos do outro lado do Oceano Atlântico t e nh am
uma messiânica preocup a ç ã o de encontrar um Moisés para o regresso à África.
Certamente, esta teoria, para muitos está ultrapassada.
Mas vou voltar ainda à questão de saber quem é o nosso inimigo. Relembro que,
na minha compreensão, as reacções contra um sistema de opressão derivam da
vivência, da maneira como se sentiu essa opressão. Citei o caso da África do Sul.
Não quero ignorar neste momento a pressão que é feita sobre os Movimentos de
Libertação p ar a conservar uma pretensa pureza negra. Cita-se muitas vezes o
caso da América onde a luta racial é para os negros, a mais aparente. Não sejam
estas frases tomadas -como críticas aos nossos bravos i r m ã o s americanos
negros, eles melhor do que ninguém sabem como orientar a sua luta, como
encarar a transformação da sociedade americana de modo que lá, o homem seja
livre.
Mas permitam-me também que eu rejeite toda e qualquer ideia que desejo
transformar a luta de libertação nacional em Angola, em luta racial. Eu direi que
em Angola, a luta também assume o aspecto racial, pois que a discriminação fazse. A exploração do negro faz-se. Mas ela é fundamentalmente uma luta contra o
sistema colonial e contra o seu aliado principal, o imperialismo.
Rejeito também a ideia da libertação negra, num momento em que a unidade da
África é um dos princípios da OUA aceite universalmente e sabendo em África
existem os Povos Árabes, existem âreas que não são negras. O problema não pode
ser púramente racial. Enquanto houver imperialismo há possibilidade ,de
continuar o colonialismo.
Estes são os inimigos, para nós.
O que nós desejamos é estabelecer uma sociedade nova, onde negros e brancos
possam viver em conjunto. Naturalmente e para não ser mal interpretado, devo
acrescentar que o processo democrático deve exercer-se de tal modo que a massa
popular mais explorada (a negra) tenha o controle do poder politico porque ela é aquela que mais longe pode ir no estabelecímento de direitos
apropriados para todos.
Luta do povo pelo poder político, pela Independência económica, p e 1 o
restabelecimento da vida cultural, pela desalienação, pelas relações com todos os
povos, numa base de igualdade e de fraternidade, tais são os objectivos da nossa
luta.
Estes objectivos são fixados através da definição do inimigo, da definição do
nosso povo e do carácter da nossa luta, que é uma luta revolucionária, atingindo
não somente as bases do sistema colonial, mas também os fundamentos da nossa
própria sociedade, como' nação e como povo. Mas nesta etapa, pode processar-se
uma tal libertação?
Vejamos.
Estamos num período em que as forças imperialistas se dispõem com dinamismo
e com tenacidade no palco africano. Combinados com os colonialistas portugueses, com os regimes racistas da África Austral o imperialismo está
presente no nosso continente. A sua influência sente-se. A sua acção provoca
sobressaltos na vida da África. O neocolonialismo é um facto. Em toda a África,
ainda há que lutar pela Independência, ou política em algumas áreas, ou
económica noutras, ou cultural na -quase totalidade.
O imperialismo procura ao m4ximo manter as fontes de matérias-primas e a mãode-obra barata. Este é o fenómeno em que se debate não só a África mas todo o
chamado «terceiro mundo».
No mundo dividido em blocos, dos quais era hábito distinguir o bloco socialista
do bloco capitalista, surgiu o não-alinhamento para poder tentar o.equilíbrio e a
defesa dos menos desenvolvidos.
E dentro desta divisão, são os socialistas que arvoram a bandeira do
internacionalismo e na realidade dão o maior do apoio aos movimentos de
libertação.
Mas, hoje o campo socialista encontra-se dividido, enfraquecido por
inconciliáveis concepções ideológicas e as relações de solidariedade que faziam
destes países uma fortaleza de ferro e impenetrável, quebraram-se e estão longe
de se restabelecer. As relações de solidariedade modificaram-se e conflitos de
maior ou menor importância, mancham o ideal proclamado pelo socialismo.
»Assim, do mesmo modo que em vários países africanos encontramos nos seus
mercados os produtos de países dominados pelo inimigo, da África do Sul, de
Portugal, da Rodésia, nós vemos com muita preocupação o aumento de relações
comerciais e culturais especialmente com Portugal, em particular, por parte de
alguns países socialistas.
Assim, a libertação nacional em África, sejamos realistas não dispõe de bases
muito sólidas na arena internacional e não são as afinidades políticas ou
ideológicas
que contam. Não são também os próprios objectivos, mas na maior parte dos
casos, outros interesses dominam as relações entre as forças de libertação e o
mundo.
Estamos numa outra época. O mundo transforma-se e te.ns que constatar o facto.
Assim, os interstícios por onde o inimigo pode penetrar são numerosos. No
entanto, como factor essencial, temos de reconhecer que a luta de libertação
nacional é uma causa que, hoje, raros deixam de apoiar, com maior ou menor
sinceridade. A independência política para a maioria é uma aquisição do nosso
tempo.
E como várias correntes políticas e tendências ideoló-, gicas estão em jogo, com
iiiteresses por vezes antagónicos, os movimentos de libertação vêm-se a braços
com o problema da sua independência política e ideológiça, o problema da
preservação da sua personalidade, que deve reflectir a imagem social do yais.
A preservação da Independência não é fácil e por vezes a luta é afectada pelas
nossas próprias contradições.* E as contradições podem provir das diferentes
concepções. De que derivam a definição do inimigo e dos nossos objectivos.
Alguns gostariam-de ver-os movimentos' de libertação tomar o rumo de luta de
elasses, como na Europa. Outros gostariam de o ver racista, D. Quixote lançado
contra o moinho de vento de pele branca. Outros gostariam de o ver tribalizado,
federalizado segundo aquilo que imaginam dum país que lhes é desconhecido.
Outros, idealistas, gostariam de os ver enveredar na senda do compromisso
po1ítico com o inimigo.
Estas tentativas de transformar os movimentos de libertação em satélites de
partidos no poder, sujeitos a um paternalismo inadmissível,, são provocadas
pelo"facto de a maioriá dos movimentos de libertação conduzindo uma luta
armada, terem de o fazer a partir'do exterior.da sua pátria.
O exílio produz, os seus efeitos.
«0 pior mal que nos fizeram os portugueses - dizia um dos meus mais
inteligentes amigos - é o de nos obrigarem a fazer a luta de libertação a partir do
exterior». Eu concordo.
A Organização da Unidade Africana, que algunj? coisa tem feito, especialmente
no plano político para valorizar os movimentos de libertação nacional, ainda terá
de os
ajudar bastante para que eles se vejam. independentes, respeitando as
conveniências e as intervenções programáticas das diferentes organizações, de
acordo com a realidade do país.
O diálogo entre a África independente e a África dependente ainda não é
satisfatório e por isso mesmo os combates políticos não se desenvolvem com a
força necessária.
Nós poderíamos divagar sobre as várias nuances da acção política para
demonstrar as nossas insuficiências, mas não desejarei neste momento dar a ideia
de haver intenção crítica na apreciação do momento que atravessamos nesta fase
de libertação.
Direi apenas que, por exemplo, poderíamos cola b o r a r mais no plano
económico, de modo a travar também a batalha neste campo. No que respeitaý a
Portugal, o roubo
das nossas riquezas como petróleo, o café, os diaman tes, o ferro, etc. produtos qt
são comercializados por orga nismos internacionais, n o quais participamafricano poderia ser impedido, ou pe lo menos diminuído.
E que mal faria a associa ção dos movimentos de libey tação nas discussões sobr
problemas cruciais do nosa tempo e que vão certameni, afectar o desenvolvimento
d nosso continente, como, po exemplo, a associação mai larga da Ãfrica no
Mercad Comum, ou os problemas 1 Segurança Europeia?
Enfim, poderíamos demora ainda mais tempo nas refle xões sobre experiências.
vivi das nesta luta de libertaçã nacional.
Termino aqui, agradecend ao Sr. Presidente e a toda as senhoras e senhores, cara
radas, a vossa atenção.
dinheiro
guardado
em casa
não esta seguro
naovence I,, iuros I
deposite na
Caixa EconÕmica do .N Montepio e obtenha o mõximo
rendimento participando
simultaneamente na
construção do Moçambique
n ovo MONTEPIO
O GRANDE MEALHEIRÓ DE MOÇAMBIQUE
rr
1
ii"';
O lIAM p- Instituto de Investigação Agronómica de " Moçambique -, cuja
sede -tica ali à Avenida do Brasil, é um .departamento estatal que, tal como o
nome indica, faz investigações no domínío da agronomia, em Moçambique. Mais:
segundo nos declarou o actualdirector, eng.-agrónomo Domingos Godinho
Gouveia, o I1AM «destina-se, em primeiro lugar, a fornecer todos os elementos
de base para o desenvolvimento da agricultura neste país».
Mas de que agricultura?- é preciso perguntar. A, quem
I aproveitava, de facto, o tra'balho de investigação técnica
e científica desenvolvido pelo LIAM em Moçambique? Aos pequenos
agricultores? Ou às grandes companhias? Quem usufruia, realmente, a ciência do
LIAM ?
Razoavelmente bem apetrechado em pessoal e equipamento -pelo menos até à
recente debandada dos técnicos - o IAM constituía, quanto a isso, quase uma
excepção no (escasso) quadro geral dos institutos -de investigação moçambicanos.
E porquê? Porque o domínio da investigação técnica e científica, salvo raras
excepções, é daqueles que só dá frutos, economicamente falando, a médio ou
longo prazo. Por outras palavras: não é um sector no qual o antigo regime pudesse
investir com lucros imediatos - e, portaný
W" "11"ý
à direita, o Eng. Agrón. Domingos Godinho Gouveia, director do lIAM
Cana Sacarina: uma grande riqueza ainda parcialmente por explorar
to, interessava-lhe pouco. Por isso, investigação científica era coisa quase
inexistente em Moçambique, uma vez que à exploração colonial interessavam de
preferência outros investimentos mais imediatamente lucrativos., Num ou noutro
campo, o sistema tinha de abrir excepções: ou por questões de prestígio e então
faziam-se grandes obras de fachada; ou porque as próprias necessidades da
exploração colonial começassem a exigir, para que esta florescesse, a aplicação
de técnicas e ciências mais avançadas.
É assim, determinados pelos imperativos da concorrência, ao nível dos mercados
mundiais, que o Estado português se vê forçado a incrementar, aqui e ali,
trabalhos de investigação onerosos, li-. gados aos sectores mais importantes da
economia (colonial) dos territórios ultrámarinos. Neste âmbito, surge em
Moçambique, há cerca de oito anos, o IIAM, que agrega a si todos os sectores de
investigação agronómica existentes à época em diversos organismos estatais.
Dotado com pessoal altamente qualificado e com equipamento de investigação de
elevado valor, o lIAM recebe (ou recebia) uma verba anual rondando os 50 mil
contos, a qual, dotada por orçamento estatal, continha importantes contribuições
do Instituto .do Algodão, do Instituto dos Cereais e, principalmente, do Plano de
Fomento.
O sistema colonial viu-se portanto forçado, em determinado momento, a investir verbas relativamente elevadas num sector que não lhe
traria lucros imediatos. Com o fito, obviamente, de colher esses mesmos lucros a
médio ou longo prazo. Isto, na.prática, quer dizer que o trabalho de investigação
resultante de tais investimentos deveria servir, antes de mais, os interesses das
grandes companhias que exploravam o solo moçambicano; Pouco importando ao
sistema que, de tal trabalho, pouco ou nada aproveitasse ao povo que trabalhava o
mesmo solo e dele extraia a riqueza. E assim se passariam as coisas se o sistema
colonial português funcionasse bem.
Incompetente e ineficaz como era, porém, as coisas passavam-se de maneiã
diferente: na maioria dos casos, caía-se na Investigação pura, os técnicos e os
cientistas afàstavam-se cada vez mais das realidades económicas e políticas da
terra onde trabalhavam-e o seu trabalho,. nessa maioria de casos, acabava por não
aproveitar a ninguém, dispersando - se e perdendo-se por centenas 'de páginas de
densos relatórios anuais (ou simplesmente esporádicos) ue ninguém se dava ao
trabalho de ler e interpretar. Assim, muitos dados técnicos e científicos contidos
nesses relatórios, valiosos em si e, portanto, potencialmente útèis, acabavam por
perder-se ingloriamente no bafio das bibliotecas, arrumados em pratelers que
ninguém frequentava.
O Instituto de Investigação Agronómica de Moçambique é um pouco o resultado de tudo isto- o resultado
de uma situação colonial onde as constantes contradições entre oý objectivos
visados e os meios utilizados para os atingir acabavam por levar ao mais completo
desperdício dos mesmos meios, que nem ao próprio sistema acabavam por
aproveitar.
Não espanta, por isso, que, quando no termo de uma longa conversa com o
director e outro elemento responsável do HIAM perguntámos a esses dois
técnicos qual o contributo real, efectivo, dado pelo Instituto para o
desenvólvimento da agricultura em Moçambique, em todos estes anos, a
resposta fosse: «Esse contributo limitou-se a pouco mais que o fornècimento de
semente seleccionada, não directamente a agricultores, mas a serviços de extensão
e fomento, que a distribuiam. Além disso, o IIAM fornecia informação técnica
muito variada, através das suas publicações periódicas».
Mas seria essa informação bem aproveitada? A resposta foi «não». Mas por que
não ? «Essencialmente, por faltar, úma coordenação de todos, esses dados, que
permitisse a sua aplicação prá'tica»-foi a resposta que nos deram os referidos
técnicos, que adiantaram que a única forma de superar este condicionalismo seri4
a integração do trabalho do, IAM num sistema de desenvolvimento económico
planificado, ao qual esse trabalho fosse subordinado.
ESCASSEZ DE TÉCNICOS
Assim se chegou ao ponto que mais interessava: o que importa, efectivamente,
não é chorar sobre o passado, mas virarmo-nos para o futuro e abordarmos as suas
perspectivas. Por outras palavras: o que importa, agora, é ver, é saber o que
poderá ser oIIAM daqui para a frente, de que maneira poderá ele contribuir de
facto para o desenvolvimento da agricultura de Moçambique e colocar-se assim
ao serviço do seu povo. Vontade, ao que parece, não faltapelo menos aos doistécnicos com quem falámos. Disse-nos, nomeadamente, o eng.' Godinho
Gouveia: «Estávamos todos há muito tempo à espera que acontecesse qualquer
coisa. Tínhamos consciência que, como a situação estava, não era possível um
trabalho verdadeiramente profícuo. Agora, essa coisa finalmente aconteceu.
Agora, finalmente, há çondições para se trabalhar. Vamos, pois, trabalhar. Vamos
pôr o trabalho que aqui se faz ao serviço do agricultor, vamos dirigi-lo nesse
sentido». O outro técnico com 'quem falámos, eng.-agrónomo Augusto Rodrigues,
responsável pelo departamento de investigação, concordou com os pontos de
vista do director do lIAM.
Mas, para se saber ao certo que contributo pode o 1IAM dar ao futuro de
Moçambique, é preciso saber exactaA esqueraa, milho: uma das bases da alimentação do povo moçambicano
A direita: um dos pavilhões da sede do Instituto,
em Lourenço Marques
mente o que é o IAM, de que meios dispõe, quais as suas carências, etc. Como já
atrás referimos, o Instituto não pode queixar-se no que respeita a equipamento:
segundo as palavras do seu director, «o equipamento satisfaz as necessidades
básicas desde que haja verbas e pessoal técnico qualificado para trabalhar com
ele».
Aqui, esbarramos no que é o principal problema do IIAM neste momento: a fuga
dos seus técnicos, ou atemorizados pelos últimos acontecimentos ou descontentes
com a nova situação que se esboça em Moçambique. -Concretizando, o Instituto
possuia, em 1973, 40 técnicos com formação universitária; 23 técnicos sem
formação universitária; 65 técnicos auxiliares; 9 elementos administrativos; e 27
assalariados rprmanentes. Alguns dos referidos escalões de pessoal
-os mais baixos -não foram. afectados pela presente situação. A fuga verifica-se precisamente no topo, na
cabeça do Instituto, onde os técnicos mais qualificados estão adebandar. O IIAM
corre o risco, neste momento, de ver reduzido a metade o número dos seus
técnicos com formação universitária, o que comprometeria gravemente, a curto
prazo, as actuais actividades do Institu'to. «A situação, quanto a pessoal, é
alarmante» - disse-nos o eng.° Gouveia.
Mas, se partirmos do princípio de que a actividade doInstituto terá de ser
completamente remodelada, de formá a orientar-se mais directamente para os
interesses do povo moçambicano, julgamos que talvez essa situação possa surgir
menos alarmante. Quer dizer: mesmo que o IIAM tenha que restringir o âmbito
dos seus trabalhos de investigação, se, o que se fizer, for feito no sentido
mais correcto e orientado pai'a as reaisprioridades que se põem neste momento
em Moçambique, então ter-se-á dado, mesmo com a falta de pessoal; um
importante passo em frente.
Entretanto, terão de desenvolver-se esforços para encorajar esses técnicos a não
abandonarem Moçambique e o IIAM, fazendo - lhes ver que, pela primeira vez,
terão agora oportunidade de fazer um trabalho verdadeiramente útil e com real
aplicação prática, na nova sociedade que aqui se formará. Que aqui terão,,
portanto, possibilidades de realização profiásional que talvez não encontrem nos
locais para onde pens m ir. Julgamos que um verdadeiro técnico, um verdadeiro
cientista, que deseje
de facto pôr os seus conhecimentos ao serviço da sociedade em que viver deverá
ter este argumento em conta.
Mas são compreensíveis, por outro lado, os receios de alguns dos elementos
que pretendem debandar. O principal problema que põem neste momento é o da
segurança: a sede do HIAM situa-se em plena zona suburbana e receiam que, no
caso de eclodir qualquer novo conflito social, venham a ser vítimas de ataques =
não propriamente dentro do IAM, onde são conhecidos, mas na ida ou no regresso
do serviço. Para lá de qualquer medida imediata que possa ser encarada pelas
autoridades para este caso particular, lembramos que a possibilidade de
Chá: uma das riquezas agrícolas
de Moçambique
novos conflitos como os que se registaram no mês passado é cada vez menor,
após as medidas tomadas pelo Governo e o trabalho de organização e politizaç0o
que desde então tem decorrido.
ONZE UNIDADES EXPERIMENTAIS
O Instituto de Investigação Agronómica de Moçambique, além da sede em
Lourenço Marques, com diversos pavilhões ocupados pelos laboratórios e
serviços adninistrativos, possui onze unidades experimentais, nas- seguintes
localidades: Mazemi-" nhama (perto de Catuane), Umbelúzi, Ricatia (perto de
Marracuene), Guijá (Trigo de Morais), Nhacoongo (perto de Inharrime),
Sussundenga, Chemba, Nampula (a 8 quilômetros da cidade), Nametil, Mutuáli
e Namapa.
Na sede, existe um departamento de experimentação que controla todas estas
unidades experimentais, de colaboração com as outras divisões do Instituto e com
outras entidades. O IIAM recebeu estas unidades experimentais de diversos
organismos anteriormente existentes, integrando-as. De notar que essas unidades
haviam surgido em diversos locais, por motivos específicos, sendo depois
agrupadas artificialmente aquando da crirção do IAM. As unidades estão
equipadas com parque de máquinas e outro material. Lá se realizam ensaios de
natureza diversa, se criam plantaçóes experimentais, comparativas, de variedades,
de técnicas de cultivo, adubação, controlo de pragas e doenças, etc.
0 Instituto encontra-se dividido em quatre departamentos, oito divisões, um
centro de dooumentação agiária,
um secretariado técnico e serviços administrativos.
Os departamentos têm as seguintes designações: Reconhecimento Agrário;
Investigação ; Experimentação e
Ordenamento e Planeamento Agrários (este último, nunca tendo funcionado por
falta de pessoal). A função de todos eles é, em ligação com as diferentes divisões
do Instituto, abordarem os diversos problemas que, dentro da sua esfera de acção,
forem sendo postos ao lIAM.
ESTUDO
E CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS
Todo o trabalho do Instituto se encontra, a bem dizer, distribuído pelas suas oito
divisões especializadas.
A primeira delas é a de, Solos, que se subdivide em dois sectores: Solos e
Fertilizante. O primeiro desses
sectores faz o reconhecimento dos solos do país- estudo morfológico, químico e
físico; o segundo, trata da sistemática dos solos, da sua caracterização e
classificação, elaborando mapas cartográficos.
Esta divisão tem tido nos últimos dois anos carência de pessoal especializado, o
que impediu que determinados reconhecimentos detalhados que era preciso- fazer
fossem concluídos - excepto alguns que foram adjudicados pelo Estado a
empresas particulares da especialidade. Cita-se o caso concreto da Junta
Provincial de Povoamento, que adjudicou a empresas privadas vários
trabalhos; tais como os referentes à região de Alto Molócuè-Nauela (cartografia
dos solos, da vegetação, clima, etc.). Com base nesse estudo, classificaram-se na
região várias unidades territoriais, relativamente às quais se estudaram
Em cima, à esquerda: bananas de Moçambique
A direita, Sisal: um produto que a crise do petróleo revalorizou
Em baixo, Tabaco: outra riqueza a explorar
as melhores formas de aproveitamento económico. Este trabalho pertenceria ao
IIAM, mas este não teve meios para fazê«lo - segundo nos declarou o seu
director. Assim; o HIAM limitou-se ao estudo dos solos das suas unidades
experimentais e de uma parte importante dos solos do colonato do Limpopo.
.,Fez ainda trabalhos de cartografia de maior escala, como o do concelho de
Lourenço Marques, o da Zambézia (escala de 1:1000000), e um de todo o
território, nas escalas de 1 para dois milhões e de 1 para quatro milhões.
Estas cartas têm interesse pois nelas são assinaladas as diferentes qualidades de
solos existentes em cada região, o que constitui um importante elemento para se
decidir sobre o seu aprovei, taknento. Este trabalho é o resultado de um trabalho
de base executado em 1949-51 pelo Centro de Investigação Científica Algodoeira
-o reconhecimento ecológico-agrícola de Moçambique.
O sector de fertilizantes, por sua vez, preocupa-se em conhecer os teores dos
solos em macroelementos (azoto, fósforo e potássio) e microelementos. Este
levantamento foi feito em pequena escala por todo o país. Agora,
Em baixo, à esquerda: aparelhagem electrónica da Divisão de Solos e Fertilizantes
do IAM
Em baixo, à direita: Laboratório de Zoologia do IAM
na expressão do eng. Gouveia, «é preciso apertar a malha», isto é, obter estudos
mais pormenorizados sobre todas as regiões. Até agora, só as seguintes áreas
foram estudad&s minuciosamente, pelo I!AM ou por outros organismos: Alto
Molócuè-Nauela, Limpopo, Revuè, planalto de Maníca e Vila Pery, zona de
Mecanhelas-Mandimba e Tete (vale do Zambeze).
Este 'estudo é feito a partir de amostras recolhidas, não só dos solos como das
plantas, a fim de saber o que estas obsorvem, detectar possíveis deficiências dos
solos, etc. Neste sector de fertilizantes, fizeram-se vários ensaios de adubação,
para várias culturas (algodão, cana-de-açúcar, tabaco, arroz, trigo, girassol, etc.).
OUTRAS DIVISÕES
Existe depois uma divisão
de Bioclimatologia e Hidrometeorologia, que se tem devotado apenas à
colectânea dos dados meteorológicos fornecidos pelos postos das unidades
experimentais do LIAM. Fornece, às outras - divisões, elementos para uma
melhor caracterização climática das
várias regiões de Moçambique, com base em elementos do Serviço
Meteorológico.
Há a seguir uma divisão de Botânica Sistemática e Geobotânica, que classifica
todos os constituintes da vegetação de determinada área, não só para conhecer o
valor botânico da área como também para ajudar a caracterizá-la do ponto de vista
ecológico. Dessa caracterização se tiram indicações úteis para a agricultura.
Existe uma carta de todo o Moçambique, relativa a estes elementos, na escala de 1
para dois milhões, e têm-se feito estudos mais localizados, mas em pequeno
número.
Na divisão de Melhoramento e Selecção das Plantas, faz-se a escolha das
melhores variedades das diferentes culturas. Pretende-se obter' va-, riedades que,
em determinadas condições, dêem o máximo, tanto em quantidade como em
qualidade. Fez-se essa selecção, nomeadamente, com algodão, ananás, caju, citrinos, nogueira pecã, macadêmia, papaia e tomate. Fizeram-se ainda
melhoramentos com algodão e com milho.
Uma quinta divisão do LIAM é a de Indústrias Agrícolas e Alimentares. Esta,
compreende duas secções: A de Química Alimentar e a de Cereais e Produtos
Amiláceos. Na primeira detecta-se o valor dos diferentes produtos agrícolas de
Moçambique, atendendo tanto a caract e r e s gustativos (paladar, cheiro) c o m o
a caracteres químicos, tendo em vista a qualidade do produto. Esta secção trabalha
de perto com a divisão anterior. Na outra secção, caracteriza-se quimicamente as
farinhas e grãos
- trigo, mandioca, mapira, etc.
A divisão de Sanidade Vegetal, por sua vez, subdivide-se nas seguintes secções:
Fotopatologia, que se devota ao estudo das doenças das plantas provocadas por
fungos, bactérias, vírus e nemãtodos, e do combate às mesmas; Zoologia
Agrícola, que se dedica ao estudo e combate das principais pragas das culturas
(insectos, ácaros, ratos, etc.) ; Herbologia, que estuda as ervas daninhas e o
combate às mesmas; e uma Estação de
Quarentena de Plantas, que recebe todas as variedades que vêm do estrangeiro,
as quais ficam sujeitas a um período de quarentena para detectar possíveia
doenças que tragam consigo.
Por sua vez, a divisão de Estatística Matemática e DeI i n e a m e nto
Experimental, presta apoio' a todas as outras, na interpretação dos dados e
esquematização dos mesmos. Possui um mini-computador e máquinas
electrónicas.
A oitava e última divisão do lIAM é a de Agro-pecuária. Oeipa-se do
manuseamento e multiplicação do gado existente nas unidades experimentais. Faz
estudos sobre o encabeçamento do gado por área - quer dizer: o número de
cabeças que cada área pode suportar sem depradação dos pastos. Estuda também
as pastagens e todas as plantas que possam contribuir para a nutrição do gado, e as
melhores condições de apascentação.
CONCLUSOES
Julgamos ter dadó uma panorâmica da actividade do I n s t i t u t o de
Investigação Agronómica de Moçambique. Pensamos ter assim mostraMecanização. uma necessidade da agricultura
moc'ambieana
do como este organism pode ser útil à agricultura de Moçambique - e também
como ele se desperdiçava em estudos dispersos e tantas vezes estéreis, na situação
anterior.
Em condições semèlhantes se encontram outros institutos e organismos similares,
que urge agora reconverter de forma a pô-los efectivamente ao serviço de
Moçambique e do bem-estar do povo moçambicano. Não h a v e r á mais lugar,
em Moçambique, para «ciência pura», nem para «investigação pura». Mas apenas
para ciência e técniúa
engajadãs no progresso de país, subordinadas às prioridades definidas pela
política económica a adoptar pelo povo moçambicano através dos seus órgãos de
Partido e de Governo. Este é, julgamos, o caminho correcto a seguir por todos
os organismos semelhantes. Em cada um, as próprias pessoas que lá trabalham,
nomeadamente os técnicos, os responsáveis, deverão elaborar estudos e propostas
nesse sentido, e submetê-los à apreciação do Governo.
No caso partioular do
IAM, como no de outras instituições afins, o problema agora levantado pela
debandada dos técnicõs poderá ser superado, em grande parte, por uma estreita
colaboração com a Universidade e as escolas técnicas, que poderão suprir, com
estudantes, as carências de técnicas aos diversos níveis. Ao mesmo tempo que se
estarão criando mais a m p 1 as possibilidades de aprendizagem prática aos
próprios estudantes.
e
,-, mimi .
i....... li i ii
i !i iiii ii........... .....
*
....,. .....
Fábrica de Condutores Eléctricos de Moçambique MANGA* BEIRA
Repres.ntante da CELCAT - Fábrica Nacional de Condutores Eléctricos, 8. A. R.
L.
MOCAMBIQUI NA HORA DICISIVA
PIRIGOS
NADA
E PRECIS
O boato deve ser entendido como uma semente daninha,
mais precisamente, como um veneno que atirado à terra, tudo corrói e tudo
apodrece.
A reacção -ISto é, as diversas forças que se opõem à tomada do poder pelo PovO
- tem-se servido criminosa e assiduamente do boato para espalhar a confusãO, a
divisão e a agitação entre as populações de Moçambique.
Mas o principal objectivo do boato é espalhar o medo, a dlvidà e a insegurança,
criando um clima de tensão que propicie à reacção campo livre para as suas
manobras oportunistas e racistas, ondeý a violência predomina sempre.
Como lutar' contra o boa,to? Como detectã-o? Como precavermo- nos contra os
seus terríveis eleitos? Antes de mais, isto é, para podermos e sabermos combatá-lo
é preciso, primeiro, saber O QUE É O BOATO, como e por que nasce, as várias
formas que toma, depois, situa-lo com precisão na actual conjuntura social,
política e económica de Moçambique, depois ainda denunciar concretamente
pessoas e situações a quem o boato interessa e aproveita, e finalmente
prepararmo-nos e mobilizarmo-nos para estarmos permanentemente alerta contra
os boateiros que, consciente ou inconscientemente - quase sempre
conscientemente - pretendem, deste modo, comprometer, retardar e enfraquecer o
processo de descolonização iniciado
em 25 de Abril.
O 001 1, COMO E POR 01 E A OUEM INTERESSA E
O QUE P O BOATO
Quando no início deste trabalho afirmamos que o boato é uma semente daninha,
um veneno que atirado à terra tudo corrói e tudo apodrece, estamos1 a dar a
imagem correcta do que ele pode fazer em qualquer lado e a qualquer pessoa,
mas muito especialmente
-em situações como a que Moçambique atravessa neste momento.
Com efeito, tal como o cancro, também o boato consegue minar e destruir senão
o corpo pelo menos a vontade própria de caçla um, voltando uns contra os outros
e até voltando-nos contra nós próprios, pois a principal função do boato é deixar
em nós a dúvida, que, sem resposta ou com várias 'hipóteses de resposta, sem
contudo enbontrar nenhuma, acaba por transformar-se em medo.
Recentemente, Lourenço Marques foi vitima de um espectacular boato que,
rápido como um rastilho, assenhoreou-se de tudo e de todos, provocando uma
autêntica debandada geral. Porquê? Simplesmente porque, alheando-seda
informação concreta e correcta, as pessoas «acreditaram» naquilo que foi posto a
circular: um ataque vindo não se sabe 'donde! Foi o que se viu. Emocionalmente
cegas, traumatizadas ainda pelo triste e sangrento 21 de
Outubiro, 'as pessoas esqueceram-se de apurar a verdade e, um tanto
inconscientemente, ajudaram, elas próprias, a espalhar o referido boato.
Resultado: paralisação quase geral do trabalho, numa hora em que o trabalho
deve ser uma das principais armas na luta contra a reacção, com todas as graves
consequências na debilitada e c o n o m i a moçambicana. Neste aspecto, a
reacção deve ter aguçado os dentes, afiado as unhas,, e deve ter prometido a si
mesma preparar outra enxurrada de °boatos, pois, por motivos óbvios, convémlhe imenso a paralisação das fábricas, dos escritórios, do comércio, etc..
Pois o boato é isto mesmo: contaminado pela dúvida e pelo medo, o Povo esquece
a unidade e a vigilância, abandona o trabalho e deixa o campo livre para a
actuação das forças reaccionárias que, esfregando as mãos do contentes,
continuam a aplicar a sua estratégia do boato, que é uma das formas mais
insidiosas da acção contra-revolucionária.
COMO NASCE
O BOATO
Se dissermos que o nascimento do boato é como um parto que nenhuma dor
provoca em quem o constrói, lhe dá forma e o atira para a rua, não estaremos
exagerando. Mas, também,
não exageramos se contrapusermos que os que sofrem mais são aqueles que mais
acreditam nos boatos e os propalam com a mesma facilidade com que se
contam anedotas!
Aparentemente o boato nasce ao acaso. Porém, não é assim. Tal como existem
os estrategas milit ares, aqueles que põem e dispõem homens em, campo de
batálha, que os fazem avançar ou recuar, também existem os «estrategas do
boato». Estes, ao contrário dos primeiros; são mais perigosos e mais traiçoeiros
porque estão simultaneamente em toda a parte e em par-te nenhuma; isto é,
sabemos da sua existência, mas não os vemos, não os ouvimos, e acabamos por
confundi-los com o rosto da multidão, já que é esta que, sem querer, vai dar forma
concreta àquilo que começando por ser um boato passará a vigorar como
«verdade» inalterável.
Como nasce qualquer boato? Vamos raciocinar um bocado e exemplificar para
melhor nos esclarecermos: dois indivíduos encontram-se numa qualquer esquina.
Depois dos cumprimentos da praxe, um diz para o outro:
-Então, já sabes?
-O quê?
-Bem, a mim contaram-me... Consta que vão deitar fogo à Matola!
-O quê? Não é possível!
-Diz que sim, pelo menos foi o que me contaram... Os dois amigos, ou
simplesmente conhecidos, desfiam um sem número de
argumentos como se o fogo já houvesse sido ateado, e separam-se com uma ruga
de profunda preocupação na testa.
Na esquina mais próxima o mesmo indivíduo que pusera em dúvida a autenticí.
dade da informação fornecida pelo amigo ou simplesmente conhecido, encontra.
um outro amigo:
-Então, já sabes?
-O quê?
- Bem, foi o que me con.
NASCEI>o BOATO V[, TA
PÁGINA 45
taram: a Matola está a arder!
- Não pode ser! Eu acabo de vir de lá!
-É o que te digo! Pegaram fogo ,às fábricas e aquilo está a ser tudo pasto de
chamas!
Uma ou duas horas mais tarde, o terceiro interveniente encontra um grupo de
pessoas conhecidas e transmite-lhes a «informação». Um «ah!» de espanto, medo,
indignação... e dúvida. Será verdade? Não será! Mas o
mesmo interveniente reforça e «compõe» a sua -otícia, acrescentando-lh2, por
exem. plo, que os bombeiros já seguiram para a Matola e que o fogo começou
entretanto a alastrar-se aos subúrbios de Lourenço Marques, as, labaredas gigantes
empurradas pelo vento, etc. Mais adiante o referido grupo vai contar a coisa à sua
maneira, e provavelmente, alguém falará em mortos e feridos:
- Quantos?
- Parece que cento e tal mortos e centenas de feridos!
Ou então:
--Diz-se que já morreram mais de cem pessoas! Em minutos, numa hora, um fogo
que nunca chegou q existir, toma foros de verdade, mata milhares de pessoas,
deixa sem abrigo outro tanto, e não tardará um fósforo para que toda a gente
comente o fogo da Matola, para uns, o de Lourenço Marques, para outros,
seria até possível ver-se todo o géneto de transportes numa corrida louca para
salvarem o que restasse dos haveres dos matolenses ou dos lourenço-marquinos!
Por mais exagerado - e assustador - que este exemplo possa parecer, não o é de
modo nenhum. Pelo contrário. Os boatos, mesmo os mais insignificantes, -,
embora não haja boatos insignificantes - começâm assim. Disseram-me, conta
ram-me, consta que... E dePÁGINA 46
"ESCOLA DA -AVENIDA O BOATO COMO TiEi
pois surge um outro aspecto directamente relacionado com o «contágio» do
boato:. a predisposição psicológica de certas pessoas para aumentarem o que se
lhes diz,tomadas de autêntico maso-quismo, isto é, do prazer da dor, do
sofrimento, do êxtase da dúvida e do medo! E é precisamente isto que a reacção
explora: ela lança o boato e o povo, espeeèalmente se for despolitizado, ignorante
e mal informado vai fazer o resto, isto é, vai transformar um rato em elefante, uma
mosca numleão! É o pânico. Agindd na sombra - a sombra é a casa do boateiro
consciente, sempre vestido de anonimato... servida geralmente por indivíduos
ambiciosos, marginais, que vivem de subterfúgios e expedientes desonestos, que
não têm pátria, cor, lar ou quaisquer outros interesses
que não os da sua própria ganância reforçada por uma total ausência de
escrúpulos, sejam brancos, pretos, mistos ou asiáticos, a reac*ção pode assim
desenvolver a' sua táctica' da atoarda, da invencionice, da mentira transformada
em verdade «conhecida, e reconhecida», e oferecê-la numa bandeja como se
duma inocente anedota se tratasse...
Portanto, o boateiro «sincero>, consciente, que sabe que está -a fazer mal e nem
por isso deixa de o fazer, é também um reaccionário.
O PORQUÊ DO BOATO
Situando tal cancro nas coordenadas geográficas, políticas, sociais e económicas
de Moçambique, vejamos, agora, o porquê dele, do boato, especialmente no
momento que todos vivemos.
Saído dum colonialismo de séculos, Moçambique prepara-se para a
independência. Tal como na Argélia, no Congo e em todas as colónias do mundo,
também a independência e a -descolonização, de Moçámbique não interessam
àqueles que enriqueceram à custa do colonialismo, ou seja, da exploração, do
homem pelo
homem, apoiados, sempre pelo grandè capital, e que assim pretendem continuar:
viver muito bem à custa do muito mal que fizeram, fazêm e querem continuar a
fazer ao Povo, sem distinção de raças.
Assim sendo, uma das armas com que a reacção trava a sua sinistra luta é
o boato, propalando-o sistematicamente para através dele confundir e dividir as
populaçães,, levando-as a viver num clima de permanente, tensão, desconfiança e
sobretudo de medo.
Indiferentes à segurança de pessoas e bens, os boateiros reaccionários n ã o
olham a meios para atingirem os seus tenebrosos fins. Aliciando geite
impreparada e ambiciosa, utilizam-a, manejam-a a seu belo prazer, mas não
hesitarão em eliminá-la logo que os seus interesses estejam servidos...
Quanto às diversas formas de que o boato se pode revestir, elas vão desde a
mentira mais inocente e ingénua até à mais assusta dora e aterrorizante. Tudo
depende do objectivo a aCURIOSAS ninfccõEs
cançar. A «importância» do boato está em'função directa da importância da
finalidade a atingir.
Moçambique tem sido vítima de todo o género de boatos, com particular
incidência nos três últimos meses. Desde a repetida «morte» de Samora Machel
até ao envenenamento do pão e da água passando.por hipotéticos e próximos
ataques internos ou vindos do exterior, para já não falar dos pequenos boatos
de 'trazer por casa e cujo efeito é tão terrífico como aqueles, tudo tem servido à
reacção para deixar nas populações profundos traumatismos, instalando nos lares
a inquietação, a insegurança, a dúvida e o medo.
E quando o boato não surte o efeito desejado, então a reacção arreganha os
dentes, mostra o seu verdadeiro e hediondo rosto, e desencadeia a violência.
A QUEM INTERESSA
E APROVEITA
O BOATO
Fundamentaíment, ,o boato interessa e aproveit» a uma minoria - geralmente de
posse de muitos bens, de muitos «tachos» e de outras coisas mais... - que quer
continuar a ser colonialista, isto é, dona e senhora das aspirações e dos destinos
'das grandes maiorias. Essa minoria quer permanecer privilegiada, não se resigna
com a perda de certas e especialíssimas prorrogativas nem com as influências e
riquezas adquiridas à custa do servilismo, da injustiça, da corrupção e da prepotência ( a lei do mais forte sobre o mais fraco).
Como a Frelimo está sinceramente empenhada em acabar com o servilismo, a
injustiça, a corrupção e a prepptência, é preciso, então, contrariá4a, lutar contra
ela, dificultar-lhe, por todos os meios, a sua transcendente missão, boicotar o seu
trabalho honesto e isento, fazer desacreditar os seus chefes e as suas intenções
verdadeiramente populares e não-raciais e que
visam os ii ter o 1 ' ýtivo bm.ý- r do 3?oV( moçab-c3,o. .'s1- ato, o boto
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PAGINA 47
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sujo dos seus próprios interesses que não são, naturalmente, os interesses das
populaçães de Moçambique.
LUTAR CONTRA
O BOATO
É FORTALECER A REVOLUÇÃO
MOÇAMBICANA
É preciso e é urgente que as populações moçambicanas se empenhem numa luta
tenaz contra o boato e contra oS que o fazem circular. Mobilizemo-nos para sabermos fechar as portas e
janelas ao perigo do boato. É necessário e é extremamente importante não darmos
ouvidos ao primeiro boato que façam chegar até nós. Procuremos informar-nos
correctamente, pois, de contrário, somos nós todos quem sofrerá as terríveis
consequências desse cancro que dá pelo nome de boato.
Esta , mobilização deve começar em nós próprios e devemos levá-la aos que nos
rodeiam. Desconfiar, sempre, de todas as informações que começam por
«disseram-me que», «ouvi dizer que», «consta que isto e aquilo»,
tc. Acreditar em factos e não em hipóteses deles. E não esquecer nunca que o
boateiro convicto é simultaneamnente um agitador, um provocador, um reaccionário e que está por isso contra os incomensuráveis benefícios que hão-de advir
de um governo verdadeiramente popular. Lutemos também contra a humana
tendência que temos de 'complicar, exagerar e aumentar tudo aquilo que nos
dizem, muitas.vezes sem inte n ç õ e s divisionistas e reaccionárias, que é como
quem diz, daqueles que se opõem à consolidação da
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MOCIMBIE*NA
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independência de Moçambique e cujo único desejo é destruir esta nova, esta
maravilhosa nação, agora a renascer, das cinzas em que o colonial-fascismo a
mergulhou.
Ngs escolas, por exemplo, o/boato, bem como os seus perniciosos efeitos, devem
ser motivo de profunda reflexão e de sincero esclarecimento, incutindo nos jovens
alunos, nos continuadores da Revolução Moçambicana, a necessidade de se prepararem para o
destruirem e desarticularem.
Assim o julgaram oportuno os responsáveis da «Escola da Àvenida do. Brasil»,
transformando o boato em tema de curiosas redacções que publicamos em anexo
como ilustração bem ilucidativa deste trabalho, e para as quais chamamos a
atenção dos nossos leitorps,
Tal como se pode ler nas referidas redacções, os garotos sabem já que «o boato é
mentira. -Nós não devemos mentir porque as pessoas que falam mentira não são
boas», ou ainda que «o boato é uma pessoa que gosta de falar mentira, falar as
coisas que não viu...», ou, mais significativo ainda, que o «boato quer nós
desunidos, não ajudar...» e «boatos são aqueles que o colonialismo compra por dinheiro ..» .
Perante isto, só nos resta iniciar imediatamente, com calma e confiança mútua,
unidos.e vigilantes, o despoletamento dessa perigosíssima granada vulgarmente
conhecida por boato, capaz de fazer tantas vítimas como as outras que, uma vez
rebentadas, espalham a morte, a destruição, o luto e o ódio.
ROBERTO CORDEIRO
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COMPANHIA INDUSTRIAL DA MATOLA, S. A. R. L.
Vivam os Matobolistas!
Jogámos mais- um Matobola e saiu mais um prémio para um felizardo. O
premiado do do Matobola N.° 29 foi o concorrente Jorge Paulo Baião, morador na
Av. Pinheiro Chagas, 1788- 4.', Dto. Este menino poderá passar pelas «Produções
1001» e levantar o prémio a que tem direito.
Vamos continuar a chutar no «Matobola». Todos juntinhos para parecermos
muitos. Tá-tá e até para a semana.
1 .2 3
4 5 6 7 6 9 ló li
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HORIZONTAIS: 1-Pele de gamo com que se vestiam as bacantes e os discípulos
de Baco, nos mistérios de Eléusis; divindade do mar, de acordo com a mitologia
nórdica. 2- Que tem as cores .do arco-íris; cada um dos deuies da teogonia
bramânica. 3- Presente que, entre os Gregos antigos, se dava aos hóspedes, depois
da refeição; andei de carro 4- Interj. designativa de procedimento rápido (inv.);
irritação violenta. 5-Grémio (fig.); palavra árabe que significa 'servo. 6-Artigo
antigo; Variedade de azeitona (prov.); vogais iguais. 7- Antign medida de
capacidade; espécie de tecido transparente com ramagens (ant.). 8-Aquilo com
que se ilude ou seduz alguém; pronome possessivo. 9- Tardio nos movimentos;
planta exótica, da família das amarilidáceas. 10-Menina (bras fam.); nome de
homem. 11 imploro; pequena embarcação, carregada de matérias inflamáveis ou
explosivos, a que se lança fogo para incerndiar os navios inimigos. VERTICAIS:
1 -- Ninfa das águas, na mitologia germânica; opacidade córnea que deixa passar
a luz como que através duma nuvem (méd.).2 -Elegante; muito estrito e comprido.
3-Celebrar (o padre) duas missas no mesmo dia (Ecles.); azedo, amargo (prov.).
4-Étimos; ode (ant.). 5-Fiada, série (por ext.), cargo ou dignidade de deão. 6- Nota
de música; apêndice helicoidal das plantas trepadeiras; caminhar para lá. 7Cortam os ramos das árvores em toros; espécie de sapo do Amazonas. 8- Zabum.
ba; o diabo. 9-Direcção, governo (fig); ruão. 10Empregue como verbo; deusa
egípcia, símbolo da maternidade e da lactação. 11-Relativo ou semelhante a
náiade; Organização de Unidade Europeia (sigla).
SOLUÇÃO DO PROBLEMA N.° 215
HORIZONTAIS e VERTICAIS: 1-Labuta, gradar. 2- Arado, B. enora. 3-Píton, U,
comum. 4- Ale, andro, ele. 5- Rola, uso, níal. 6- 0, camoeca, A. 7 ý-Abagi,
dabom. 8- A, Mistura, Z. 9- Lapa, môr, lipa. 10- Ofa, falaz, Dag. 11-Gosto, D.
Acáva, 12Ontem, A. Rodei. 13- Soares, Teresa. i
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Texto de: CALANE DA SILVA
Fotos de ARQUIVO
A cintura 'ferrovidria tenm de ser concretizada no mais, curto espaço de tempo.
Uma comipsão nomeada para o efeito ainda não apresentou
ao público nada de concreto
Não há ainda um mós que centenas de trabalhadores pretos e brancos se
concentraram na estação dos C.F.M., em Lourenço Marques, protestando
veementemente contra a falta de transportes ferroviários em quantidade e contra o
péssimo cumprimento dos respectivos horários.
Não há dia algum em que milhares e milhares de pessoas no tenham que percorrer
a pé uma ou duas dezenas de quilómetros por insuficiência de machimbombos
dentro e fora de quase todas as principais cidades moçambicanas.
Não há hora, não há minuto em
que moçambicanos em toda a parte não se interroguem sobre a necossidade de
uma concreta solução para o problema dos transportes.
Não há dúvida, sobretudo, que
a herança colonial neste sector é
também pesada e gravssima.
Sabemos, no entanto, que muitos planos de homens válidos foram esquecidos nas
gavetas. Muitas ideias repudiadas.
4 Vamos revelar alguns planos.
algumas dessas ideias de maneira a que as actuais comissões administrativas
municipais possam voltar a debruçar-se sobre a questão - agora concreta e
objectivamente, como é necessário.
MILHARES E TRIABALHADORES CONTRA CRAVES PROBLEMA S NAS
Poderíamos falar do probtema dos transportes de todas as principais cidades
moçambicanas e respectivos arredores. A situação, coai mais ou menos gravidade,
é semelhante em todas elas, pelo menos numa coisa: há falta de. meios de
comunicaÇão.
Todavia, sabendo-se que o caso de Lourenço Marques é sem dúvida um dos
mais agudos e prementes de solução, iremos tratá-lo isoladamente neste trabalho, crendo no entanto que paralelamente possamos chamar a
atenção e contribuir para a resolução dos demais problemas existentes nas
diversas capitais de Moçambique.
TRABALHADORES
CONTRA PROBLEMAS NOS TRANSPORTES
O dia 8 de Outubro passado marcou um passo importantíssimo na luta dos trabalhãdores e do público em geral contra a escassez
cada vez mais aflitiva de transportes de e para Lourenço Marques. Milhares de
trabalhadores afluiram à estação dos CFM na tentativa de solucionar o problema
dos transportes ferroviários para a cidade e arredores, cuja crise começou a
agudizar-se totalmente a partir de 25 de Abril, em consequência da negligência
cada vez maior de alguns funcionários.
Não sendo a primeira manifestação pública contra a falta de comunicações em
Lourenço Marques resultante das contradições sempre mais acentuadas do
colonialismo urbano, o caso não mereceu grande destaque na imprensa diária
local. No entanto, merecia. , Foi sem dúvida, alguma a
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O mapa apresenta um simples esboço do que seria uma das redes ferroviárias
existentes para a solução dos transportes para milha res de pessoas da cidade
satélite de L. Marques e outras vilas dos arredores
sano Garcia, na lialvérnia ou Inhambane. Os bilhetes também estão muito caros.
Asi paragens também não estão .bem, nião têm hora certa.»'
Por fim intervio o terceiro trabalhador:
«- Há outra coisa que não
estamos a compreender bem.' Os ,condutorés agora não ' importam nada com as
co-z branças dos bilhetes ComO antigamente, em que até maudavam sair e m a n
d a v a ~, prender, quando não tinhama.os bilhetes. Agora pode-se' viajar de graa.
Pode-se pagar, pode não se pagar, não' interessa. Outro dia o meu amigo não
comprou bilhete na bilheteira porque chegoui atrasado. Subiu no comboio e
quando queria pagar o bilhete lá dentro, aquele senhor disse: «DEIXA ESTAR
HOMEM. AGORA O COMBOIO É DE VOCÉ.>--.Eu acho que esta maneira não
está bem, tem qualquer coisa. Faz favor de escrever isto no jornal, talvez aquela
gente grande há-de saber o que é isto»
primeira grande posição política contra o problema dos transportes.
No intuito de ,darmos aqui um testemunho vivo do que acabamos de afirmar,
transcrevemos em seguida, t r ê s breves opiniões de trabalhadores presentes no
dia 8 na manifestação dos C.F.M., à nossa revista:
( - Sofremos muito! Já não fOctemos mais. É por isso que
a gente veio aqui., Todo os dias chegamos aqui na Estação às 8 ou 8.30 hora.,
mas : nossa entrada no serviço às 7 horas. Os patrões marcam-nos falta- e
mandam-no,0 embora. Perdemos o dia. No uim do mês nao ganh, amos nada.
Pagamos bilhete, paganos passe mensal e perdemos trabalho e pagamento. Os
patres dizem que é abuao o que fazemos, de chegar
sempre tarde no servço, mas a culpa não é nossa!»
Entretanto outro trabalhador interrompe acrescentando:
«- Não é só chegar tarde ao serviço. Também chega,mos tarde rias nossas casas,
muito tarde. Às vezes chegamos à meia noite! É bom assim? Entr4o a gente não
descansa? Então a gente sai às 5 horas do serviço e chega em casa à meia noite?
Parece que vivemos em ResCINTURA
FERROVIARIA A SOLUCAO
. .
QUE NINGUÉM VÊ?
Nó (ue diz esDeito espeeificamente ao transporte para a cidade e arredores por via
ferroviária já por várias vezes se debruçou a imprensa local sobre o assunto teildo
a nossa revista tomado posições frontais sobre o problema.
Lourenço Marques. que dentro de 10 anos terã-mais de um milhão de habitantes
não pode continuar a socorrer-se, como até agora, ainenas dos transportes
rodoviários. Será, como em todas as gran-, des urbes, através- de ora rede
ferroviária -- uma cintura ferroviária - ae e poderá encontrar "a solII".O para o
problema dos t rans portes aqui na capitaJl.
A estaffio dos C.F.M. vai desembocar os passageiros no centro da cidade. Serd
quea respectiva administração ainda não viu aqui a solução para o transporte de
milhares de pessoas de e para os arredores?
O povo trabalhador tem de beneficiar de meios rápidos e económicos de
comunicação. * Neste sector cumpre aos C.F.M. contribuir eficazmente para a
cabal solução do problema do transporte periférico.
Não há muitos anos um 'cidadão deu uma opinião bastante válida sobre como se
efectuariam as, ligações ferroviárias entre a cidade e os arredores. Ideia válida,
que parece ter ficado por concre-izar por falta de material rolante e de verba.
Na mesma altura, precisamente em Abril de 1971. o então Governador-Geral
Arantes e Oliveira determinou a constituição de uma comissão para tratar do
urgente problema dos transportes urbanos e suburbanos. Sobre a inépcia da dita comissão falaremos no fim deste
trabalho.
ESTAÇOES
FERROVIARIAS QUE ,SE PROPUSERAM
Para a concretização da aludidá cintura ferroviária, o referido leitor de então
propunha um esquema -simples e prático aproveitando as vias férreas já
actualmente construídas.
Vejamos o que ele dizia: «A, linha ferroviária que segue para Vila Luisa, bem
podia ter estações em S. José de Lhanguene, Ponte Pinto Teixeira, Infulene,
Jardim,
Campo de Corridas, Aeroporto, Craveiro Lopes, etc,. em comboios regulares até
às Mahotas.
«Os máchimbombos da linha de Benfica, passariam a ter assim o seu términus
natural na estação ferroviária a construir no Bairro do Jardím. E até do fundo do
Xipamanine (área da Vulcano) vir-se-ia mais fácil e rapidamente para a Baix a,
por comboio do que por machimbambos.
Entretanto const r u in - s e um ramal ferroviário para o estádio da Machava que
somente está a ser utilizado em certas ocasiões. Todavia a poucas centenas de
metros do seu actual términus (Estádio da Machava) existe .um núcleo
populacional já importante, que aumentará cada
vez mais, visto estar destinado a residência da população'de poucos recursos
económicos.
«Da Machava à vasta zona, (com alguns apeadeiros) que se estende até à MatolaGare, quem utiliza o comboio para se deslocar à cidade, além dlos poucos
ferroviários?.
«Do desvio do Língamo (local onde trabalham, centenas de residentes em
Lourenço Marques e para onde não existe um único omboio de passageiros!) à
Vila Salazar e ao Bairro do Fomentto são uns magros quilómetros (dois) que
pouco custariam a construir assim como as respectivas estações.
«Depois teríamos una Companhia de Transportes de Moçambique (C.T.M.) a agir
em toda a Vila Salazar e Bairro
do Fomento, tendo como terminais as correspondentes estações ferroviárias,
reduzindo desta maneira para a cidade as respectivas carreiras e aumentando as
unidades nas zonas intermediárias.»
EMPRESAS
RODOVIARIAS INTERESSADAS NA SOLUÇÃO?
No período anterior verificou-se pois que terá de haver uma colaboração íntima
entre as empresas particulares rodoviárias e os CFM para-se poder resolver
globalmente o problema dos transportes da cidade e arredores.
A pergunta que se põe, no
entanto, é: estarão (para já) a participar numa solução desse tipo?
Toda a gente sabe que os percúrsos hoje efectuados pelas concessionárias como a
«C.T.M.», «Teresa Lino» e ETÒL (Oliveiras)' e st a última apenas em alguns
percursos - eram servidos pelas carreiras regulares dos C.F.M., através da sua
secção de Camionagem Automóvel.
A maneira como os C.F.M. deixaram de repente de se interessar por estas
carreiras, deixando-as a particulares, é um caso ainda para se desvendar.
Mas adiante.
A solução agora não pode estar paralela a privilégios de qualquer espéciei Há que
resolver um problema que diz
respeito a mais de meio mi"lhão de pessoas. Cerca de 100 milhões de passageiros
anualmente.
Actualmente as zonas em que há maior afluxo de passageiros aos transportes
rodoviários (que como vimos podiam ligar-se aos ferroviários) nos períodos de
ponta são os seguintes:
Benfica - distanciado 12 quilómetros do centro da cidade, é servida pela «Teresa
Lino» e S.M.V.
Choupal distanciado 9,5
quilómetros, também servida pela empresa «Teresa Lino» e pelos S.M.V.
Jardim Zoológico - distanciado 4 quilômetros; servido pelos S.M.V.
Xipamanine distanciado
4 quilómetros; servido pelos S.M.V.
Rotunda do Aeroporto-distanciada 5 quilómetros; servida pelos S.M.V.
Ponte Pinto Teixeira - distanciada 6 quilómetro$; servida pelos S.M.V.
Mahotás - distanciada 12 quilómetros; servi d a pela C.T.M. e pelos S.M.V.
Matola - distanciada 17 quilómetros; s e r v i da pela 2T.M. e Oliveiras.
Machava (Via Infulene) l i s t anciada 9 quilómetros; servida pela C.T.M.
Trevo- distanciado 10 quilómetros; servido pela C.T.M.
Nas horas de ponta, e actualmente mesmo nas horas normais, os autocarros
passam superlotados ou ficam com a lotação excedida, havendo muitos
passageiros que não conseguem transporte.
PAGINA 50
ONDE ESTÃO OS TRABALHOS DA COMISSÃO DE TRABALHADORES?
Como frisámos mais atrás, em Abril de 1971 o então Governador-Geral, eng.
Arantes e Oliveira, devido à já então gravíssima situação dos transportes urbanos
e suburbanos determinou a constituição de uma Comissão presidida pelo
Secretário Provincial de Comunicações, Vilar Queirós, para estudar e resolver
precisamente «o problema dos transportes quotidianos das populações que
haPitam nas zonas suburbanas de Lourenço Marques, entre essas zonas e a
cidade».
A composição dessa comissão não foi revelada nros jornais, mas sabemos que era
constituída pelos representantes do Governo do Distrito de
Lourenço Marques, da Câmara Municipal de L. M., do Gabinete de Urbanização e
Habitação da Região de L. M., da Camionagem dos C.F.M., dos Caminhos de
Ferro (C.F.M.), da Repartição de Viação e Trânsito, do Conselho dos Transportes
Terrestres, da Junta Autónoma de Estradas e' do Instituto do Trabalho.
Sabe-se que esta comissão reuniu-se logo no dia 10 de Maio tendo resolvido
cõnsticom os representantes das secom os representantesd as seguintes entidades:
Repartição de Viação, Câmara Municipal de L. M., Caminhos de Ferro de
Moçambique e G. U. H. R. L. M.
Este grupo de trabalho propôs para aprovação uma série de quesitos que não
seriam muito diferentes daqueles que apontámos comno faltas graves nos
transportes
de e para a cidade de Lourenço Marques.
Tanto os C.F.M. como a Câmara Municipal limitaram-se na citada proposta a
enumerar tudo o que afinal já se sabe sem que uma proposta válida de solução
fosse apresentada. Os C.F.M. através do seu representante, cujo nome
desconhecemos, chamou a atenção da Comissão, em quatro alíneas, para a «imsibilidade técnica», nas condições actuais, de resolver o problema da cintura
ferroviária.
GABINETE DE URBANIZAÇÃO: SOLUÇÃO
DISPENDIOSA MAS EFICIENTE
Para finalizarmos este trab a 1h o queremos apresentar
uma opinião do G.U.H.R.L.M., quando este estava empenhado nos seus planos de
urbanização, também nunca concretizados.
O -dr. Canha e Sã, director daquele Gabinete, propusera ao Governo uma sé rie de
questões, nomeadamente sobre transportes ferroviários e rodoviários, gares de
passageiros e de mercadorias e ainda um centro de coordenação de transportes.
Estas propostas foram feitas já em fins de 1973 pouco antes do dr. Canha e Sá ter
deixado o cargo de director do G.U.H.R.L.M., e em parte reveladas por ele ao
autor destas linhas.
O problema centrava-se na instalação de um Centro de Cordenação de
Transportes, na Malha II do Plano Parcial das Lagoas.
Esta área, pela sua especial posição, entre a via férrea de Marracuene a Norte e a Av. Craveiro Lopes a Este, com cerca de 17
hectares, permitia e obrigava a instalação de gares de camionagem, terminal de
transportes para ligação do futuro a e r o p orto internacional, a Norte, e uma
estação de Caminhos de Ferro para passageiros. Mas tudo isto estava por sua vez
subordinado ao plano director da cidade com
a rede rodoviária de acesso a Lourenço Marques a ser estudada e concretizada
pela Junta Autónoma de Estradas.
O G.U.R.L.M. apontava por outro lado para o facto de a adaptação da rede
ferroviária para o tráfego suburbano de passageiros, ser apenas uma solução de
emergência e de carácter temporário, pois devia-se estar a trabalhar neste
momento numa efectiva
rede de transportes rodoviários e ferroviários com as respectivas centrais, a contar
não só com o 1. mas já com o 2." milhão de habitantes para a capital de
Moçambique.
A necessidade de terminais que coordenem os vários tipos de transportes para
servir melhor as populações foi frisado pelo dr. Canha e Sã que a certo passo da
sua proposta afirmou que a situação actual traduzia-se em prejuízos vultuosos
para os Serviços Municipalizados de Viação, tendo-se Chegado ao ponto de haver carreiras subur banas e até interurbanas
com duas terminais na cidade (por exemplo) uma no Xipamanine e oütra na
Baixaou se é que se poderão chamar terminais' aos terreiros do Largo do
Xipamanine ou da Praça do Infante D. Henrique ou à berma dos passeios da Av.
General Machado - e haver por outro lado car iras de transportes públicos de
passageiros, pertencentes a empresas privadas, com ambos os términus, dentro da
área
do foral de Lourenço Marques.
Acrescente-se ainda que no transporte de passageiros de e para os pontos situados
dentro. do Concelho, efectuado por parte de carreiras privadas interurbanas e
suburbanas, segundo parece, ao abrigo da legislação cuja aplicabilidade ao
Concelho de Lourenço Marques se afigura ser atentória dos ;iiteresses gerais da
população e do respectivo município.
TEP 1 1OSRI
Hoje um outro assunto. Um assunto diferente. Triste. Lamentável. Profundamente
chocante. Uma vergonha e também uma indignidade. Todo um estendal ,de
miséria oferecido pelo desporto; um mau exemplo de todo o tamanho. E logo
numa altura destas. Não é que, haja alturas próprias para baixezas, só que agora,' a
cada momento, 'todos devemos esmerar-nos em ferecer o melhor exemplo, em
ofertar o gesto mais amigo. Em darmos o melhor de nós.
Mais uma vez - já estamos em cima do acontecimento - aborrecidos eventos
conspurcaram uma partida de futebol que, ainda por cima, era disputada por
jovens - as equipas junio. res do Sporting e Desportivo, de Lourenço Marques.
Infelizmente destemperos desta natureza nada têm de inéditos, na verdade até são
um tanto vulgares, o que não admira, visto que até aqui, os desmandos e a
violência no desporto foram sempre relativamente tolerados. A balança da justiça
desportiva não
estava com afinação impecável e quem a segurava não tinha os olhos vendados,
não fosse a lei ser dura mas ser leiý e desmantelar alguma -peça importante da
engrenagem desportiva que servia para estupidificar pessoas. ., Não vamos
relembrar pecados passados, mas também não podem ser esquecidos oa muitos
atropelos à ordem e à disciplina que se praticavam no desporto para os quais
algumas vezes houve yista muito grossa. O que passou passou. Mas a memória
não pao passou. Mas a memória não
Provavelmente os responsáveis pelas cenas indecorosas de agora vão ficar
impunes. Provavelmente não está bem dito, vão mesmo ficar impunes. Quem são
eles? Quem foram? Não se sabe, não se saberá; não acontecerá coisa alguma que
desmanche a quietude das coisas desportivas ou lhe belisque hábitos passados.
Aliás se se quisesse, finalmente, encetar o caminho da moralização de certos
hábitos antigos no nosso desporto, talvez nesta altura nem se pudesse dispor de
meios para
semelhante tarefa. Não nos admiraria que ainda a esta hora se soltem saborosas
gargalhadas relembrando as tristes ocorrências da manhã de domingo 3 de
Novembro, no parque desportivo do S.C.L.M.. Não somos profetas se aqui
dissermos que esta tão estreita concepção de desporto está condenada. Tem os
seus dias contados. Desmandos e propósitos de violência (factos concretos às
vezes) nos campos desportivos não terão lugar amanhã. . preciso que os habituais
e ocasionais no desencadeamento de situações reprováveis saibam que, nestas
circunstãncias, agem em termos de passado. O seu reino há-de ter um fim. E
entretanto as consciências bem formadas condenam-os desde já.
Não queremos terminar sem tocar em três aspectos mais. O primeiro, o motivo
evocado para os atropelos à ética desportiva. Mais uma vez a causa teria sido a má
actuação do árbitro. Segundo, a reacção dos órgãos informativos ao sucedido. Terceiro sobre o comportamento das multidões.
Relativamente ao primeiro caso erro ou «crime» do árbitro - teriamos um erro ou
«crime» a justificar outro erro ou «crime». Isto não tem qualquer lógica. Não seria
apenas um disparate mas uma violência. Na verdade qualquer conduta de um
árbitro na direcção de um jogo não dá legitimidade a desmandos de qualquer
facção, de espectadores. Estes, os entusiastas de clubes, os dirigentes, tem ao seu
dispor meios para resolver a questão em termos pacíficos e legais. Inclusivamente
pelas vias legislativas, por, normas regulamentares. Nunca pela ýviolència.. :
Passemos ao segundo ponto.
Também à boa maneira de «antigamente» a imprensa e rádio não viu necessidade
de qualquer censura. Eis a única referência ao sucedido que lemos («Noticias», de
4.11.74):
«Nos jogos efectuados ontem em
Lourenço Marques, a contar para os Campeonatos Distritais de Futebol, nas
categorias de Juniores e Juvenis, fase final, registaram-se
os seguintes resultados.
JUNIORES
Académica, 2 - Ferroviárlo, 2
Sporting, 0 - Desportivo, 1
«Este jogo não chegou a terminar por invasão do campo por parte dos, adeptos
dos «leões», numa manifestação contra alegado
erro de arbitrager».
Será que o silêncio é o melhor caminho? Assim, como se corrigem as pessoas (Q
as coisas)?
E estamos caidos no terceiro caso o do comportamento das multidões.
No assunto vertente poder-se-á dizer que uma situação destas não pode ter"
significado desfavorável para o Des. porto, pois estamos em face de um tipo de
reacção que multidões podem ter, já que estas são vulneráveis a simples faúlha
emocional que, só por si, pode desencadear acções imprevisíveis. Assim
entraríamos no limiar da psicologia das multidões. .Não avancemos tanto. Não há
necesidade de irmos tão longe. O sucedido até nem se enquadrará perfeitamente
no fenómeno natural da reacção das massas, bastará atentarmos que o. sucedido
agora é um decalque, é cópia fiel; de tantos outros casos passados no nosso
,desporto. Com isto apenas queremos dizer que o problema não deve ser desviado
do seu núcleo central e este encontra-se na errada formação desportiva (e cívica)
de alguns indivíduos.
Para findar. Hoje, e cada vez mais, estes factos constituem «crime». São
Indignidades. Digamo-lo sem sofismas: trata-se de um MAU EXEMPLO que
classifica o Desporto como actividade desprestigiante, como coisa a pôr de parte
por não' interessar a um pais novo que se deseja são e escorreito. o desporto, o seu
espectáculo não pode ser o que mais uma vez aconteceu. Recusamin-nos pensar
que aquilo volte a suceder. Estamos em tempo de Paz. De Construir.
Agostinho de Campos
Folheando relatório de clube local (de nomeada)" dLparáms, com pormenor
curioso no capitulo<de despesas das secções; são as chamadas «despesas no
«bar». Por exemplo, a Secção de Atletismo gastou, no «bar», 6850$00 enquanto
em.leite para os atletas apenas 1 860$0; o hóquei em patins consumiu no «bar»
mais de 17 contos - a verba mais vultosa das gastas com os jogadores, enquanto a
natação não se distingue no «bar» pois fica-se por 2 contos e tal, a despesa mais
insignificante da secção. No.basquetebol a verba das despesas no «bar» passa dos
24 contos. A Secçãode Futebol - onde vigora ta, bela de prémios - teve ainda mais
de 35 contos de despesa no «bar». Bom consumo.
Para abreviar: no relatório que temos presente somámos 95 contos em «despesas
do bar» -divididos por seis secções. Não será deniRýs- para clube desportivo? E
nem todos os- grupos dos amigos do «copofone» terão tanto dinheiro para gastar
no «bar». «Bar», álcool, alcoolismo. Certamente que não é este o caso, mas
porque-senão desabitua o praticante despOrtivo do caminho do, «bar» (que, por
acaso até se deveria escrever e dizer botequim a palavra correcta).
e
«Aproximando-se o período estipulado para a apresentação do Orçamento para
1975 ao -«Conselho Leonino» e, posteriormente, à Assembleia Geral, tem
causado Viva surpresa na Massa associativa do Sporting lisboeta o facto de a
Direcção em exercício ainda não ter providenciado no sentido de prestar contas
referentes ao ano transacto».
«Assim, aguarda-se (...) que o presidente da Assembleia Geral exija ã Direcção a
divulgação do Relatório e Contas de 1973.»
e
A propósito da noticia acima: Todos estamos lembrados dos gran.
des projectos financeiros que iriam transformar o Sporting Clube de Pprtugal
numa sociedade gigantesca que, por seu turno, daria gigantismo ao «desporto» do
Sporting, embora o obrigasse a mudança de «sexo». Enfim, o capital iria «servir»
o desporto ou com mais rigor o espectáculo desportivo.
Mas veio o 25 de Abril e da tal Sociedade dê Construções e Planeamentos que
havia de dar nçva dimen são ao S.C.P. nada mais, que saibamos, apareceu nos
jornais. Poderã haver quem pergunte: se ontem o capital queria auxiliar o
desporto (ou o seu espectáculo) por intermédio do Sporting C. P., não o deverá
fazer hoje com redobrado vigor para servir o Portugal novo?...
A República Democrática Alemã 1 hoje uma das maiores potências desportivas
do niundo, o que acontece naturalmente como resultado de um criterioso e
planificado trabalho que associa num todo a profissão, o desporto e as actividades
sociais em geral.
Muitos nomes ce praticantes desportivos correm mundo, não como ldolos ou
figuras de fachada, mas como homens de uma sociedade justáa 'e digna. Um
desses nomes, Gunhijd Hofimeister - uma jovem atleta grande dama nos 800 e
1500 -m. quando recentemente entrevistada,'e à pergunta se «o desporto
dominava a sua vida» respondeu destarte: «Devo-lhe muita alegria, muitos
reconhecimentos e caracteristicas extrordinárias. Mas não é o único conteúdo da
minha vida. Tenho.a mih profissão, a minha filha e também o meu trabalho como
funcionária da organização juvenil».
Como é sabido o Comité Olímpico Internacional tem jeitos de «clube privado»
sendo que, o preenchimento de vagas é feito pelos membros anti-1
j
iRui Couto Sousa ( «(Optimist» )o
Anibal- Oliveira («Snipe») e Correia-Correia («Vaurien») foram os vencedores
das regatas de vela a contar para o troféu «Gabriel Lopes»,
O hóquei em patins, nas últimas jorn.a.. o campeonato regional de Lourenço
Marques, registou boa presença de público. O que é agradável.
O público vai voltando ao futebol.
Um certo público. Um dos últimos jogos deu '125 contos de receita -o que
foi bom. Mas ainda há-de ser melhor. Temos muito público para muitas
manifestações desportivas.
A. vida associativa- sempre desencorajada*no «tempo da outra senhora» - acabou
por morrer. Mas é imperioso que ressuscite.
O basquetebol laurentino ainda não
chamou grandes multidões.
(í Admite-se que o S.L.M. e Benficâ
vença a crise.
FUTEBOL,
redigimos estas antecedência redo pretérito fim para o campeo[oçambique,- temos
iário da Beira e o as mais sérias
Equipas, aliás, avoritismo -da cri,ealmente, as que dado.
cnzes» o Sporting ma com hipóteses
(que mais seriam não fora a derrota in casa frente ao «lanterna vermelha» da
prova, o União de Cabora Bassa),
Poder-se-á dizer que o Ferroviário laurentino já ficou pelo caminho enquanto o
Sporting de Nampula, 1.° de Maio e União de Cabora Bássa, dentro dos
condicionalismos que os limitam, não deixaram de oferecer o melhor (nalguns
casos a sua surpresa).
Ficarão para outra altura considerandos mais amplos.
Valha-noS s ao de nem sempre os erros dos árbitros desencadearem iras .e
violências. Foi o que vimos uma tarde destas quando em determinado momento
da primeira parte do desafio entre o Sporting de LM e Ferroviário da Beira,
grande parte da assistência que enchia o campo dos «leões», viu isto é, estamos a
supor que teria visto) um derrube à margem das leis dentro da área «leonina» por
um jogador desta equipa a um jogador lerroviário, falta que seria punida com
castigo máximo. Mas vejamos o que escreveu o «N3tícias» do dia seguinte:
«(...) assim como devemos assinalar um derrube a Paulo, já dentro da «grandeárea», quanto este se preparava para r2n-atar, que, quanto a nós, mereceria o cýstigo máximo, mas o sr. Fernando Albuauerque assim não en. tendeu».
Mas felizmente não aconteceu nada (salvo a estupefacção de algum público).
Espíritos menos bem intencionados logo disseram que o árbitro
-bem sabia o que se passara naquela 'manhã.' Maus pensamentos dizemos nós.
Pegando na. palavra do articulista transcrito nós diríamos que o árbitro F. A. não
assinalou o castigo (aliás até se abanou todo a dizer que nião era nada) por uma
questão de entendimento.
CONVITES PARA O QUÉNIA
E TAlÂNIA *
Dizem de Nairobi que o Quênia aceiEle disse que somente o seu país e
tou participar nos primeiros Jogos. da a Tanzânia, dos países africanos, tiNova
Zelândia, em Janeiro, em Christ- nham sido convidados. church, e enviará uma
equipa de correPrecisou que a jovem Sabina Chebidores, declarou Ezekiel
Nyarangi, se- chi, medalha de bronze nos 800 metros
cretár.o da Associação de Atletismo
nos Jogos do Reino Unido fará
provaAmador do Quénia.
velmente parte da equipa.
QUE O DESPORTO
NÃO
MI.BRUTEfA
(AS PESSOAS)
«Que o desporto não continue a em-. dios»- ideias do comandante Conceição
brutecer esta terra!»- voto do coman- e Silva que afirma ainda àquele jornal
dante Conceição e Silva, secretário de desportivo que o governo não é
comuEstado e desportista-praticante (vela, nista; «mas os comunistas não
comem natação e esqui) numa entrevista con- criancinhas com molho de
tmate....» cedida ao jornal «A 'Bola», que acres- acrescentou. centa: «Que o
estádio nunca mais seja
E a terminar: «Os jornais desporum circo em que as
bancadas estejam
tivos têm uma importante missão a derepletas de um
rebanho para elas con- sempenhar contra a, estupidificação naduzido com
intuitos políticos. Estádios cional e todos gostaríamos que fosse sem bancadas,
praticantes sem está- efectivamente assumida essa missão».
O Comité Olímpico Internacional confiou a Moscovo a organização dos Jogos
Olímpicos de Verão de 1980.
Os Jogos de Inverno do mesmo ano serão realizados em Lake Placid, estado de
Nova .orque.
É a primeira vez que a organização dos Jogos de Verão é confiada a um país
comunista. Nesta competição Moscovo venceu Los Angeles, a outra cidade
candidata.
Lake Placid não teve qualquer concorrente à organização dos Jogos de Inverno.
Lord Killanin, presidente do COI, anunciou as decisões do 75.' congresso do
Comité Olímpico, no município de Viena, tendo observado que a votação fora
secreta e que não seriam divulgados pormenores.
Finalmente foi prestada justiça ao extraordinário contributo que a União Soviética
tem dado ao desporto e educação física, como, aliás, e muito particularmente,
todos os países socialistas.
Adiantamos que, finalmente, temos esperança de pela primeira vez ir acontecer
Jogos Olímpicos com rosto humano.
[LIS OLIMPICAS
Na sua 75." sessão, realizada em Viena de Áustria, o Comité Olímpico
Internacional deliberou adoptar uma nova redacção para o artigo 26." do
Regulamento Olímpico no respeiíante à admissão para os Jogos, isto é, o
reconhecimento, do carácter amador dos desportistas participantes.
O novo artigo 26." entra imediatamente em vigor e aplicar-se-á aos Jogos de
Inverno a realizar em Innsbruck, na Áustria, e aos Jogos Olímpicos de Montreal,
Canadá, em 1976.
Segundo os especialistas desportivos, o mais importante da nova redacção, que
define o carácter do desportista, contando somente com a autorização das
correspondentes associações desportivas nacionais e federações internacionais, enquanto que anteriormente restringia os treinos a somente 30 dias
antes das olimpíadas e a- um máximo de 60 dias dentro de cada ano.
Segundo a nova redacção, o desportista que participa nos Jogos Olímpicos tem
que respeitar:
1 - As regras e normas do Comité Olímpico Internacional, assim como as regras e
normas da sua respectiva Federação Desportiva Internacional.
2 -Em nenhum caso pode o desportista que participa nos Jogos Olímpicos obter
qualquer tipo de benefícios financeiros ou materiais relacionados com a sua
participação desportiva, com excepção das normas complementares contidas no
artigo 26.'.
Não será este o tal caminho para a (necessária) reforma olímpica?
o SIGNO CERIO
PARA AS OLIMPIADAS
DE 1O80
A China Popular será convidada e bem-vÍxida a Moscovo, nos Jogos Olímpicos
de 1980, se ela se reintegrar no Movimento Olímpico Internacional, anunciou
VIadimir Promislov, presidente da Câmara Municipal da capital soviéticã, em
Viena, depois da votação do Comité Olímpico Internacional.
Na conferência de imprensa, dada após o resultado da votação, pela delegação
moscovita, repleta de autoridades desportivas da URSS, Promislov assegurou
igualmente que todos os compromissos tomados perante o COI serão
escrupulosamente respeitados. Reafirmou que os vistos de entrada serão dados a
todas as pessoas acreditadas por um Comité Olímpico Nacional e que as
autoridades soviéticas respeitariam para os visitantes, as leis internacionais,
aplicadas para os turistas de todos os outros países.
O tema «Jogos Olímpicos organizados sob o signo da paz, da amízade e da
cooperação entre a juventude de todos os países», foi mais uma vez largamente
desenvolvido e os dirigentes soviéticos lembraram que a sua nação sempre
defendeu os ' princípios do Movimento Olímpico, depois de lá ter entrado em
1951 e opôs-se sempre à discriminação racial e política.
MEDICINA
DESPORTIVA
NA COSTA
DO MARIIM
Um grupo de professores de .medi-, cina da Costa do Marfim propôs ao ministro
aa Juventude e Desportos a criação dum centro de biologia desportiva em
Abidjan.
Este centro, segundo o dr. Constant Roux, um dos promotores do projecto,
permitirá fazer frente a todos os testes médicos dos atletas, organizando a
medicina desportiva na Costa do Marfim.
Roux, que foi delegado da África na comissão .-'da da Federação ln"'rnacional
de Voleibol no México, afirmóiu que a realização deste projecto peru' mitirá
elevar o nível do desporto da Costa do Marfim e evitará dispensar somas
astronómicas na preparação das equipas da Costa do Marfim que se dirijam ao
estrangeiro.
- «G. P. da Bélgica», . designar).
-«G. P. da Holanda»,
5 de Outubro- «<G. ". dos Estados Unidos», em Watkings Glen.
As datas e lugares da competição para o Campeonato do Mundo de Gruade
Turisnto são:'
2 de Fevereiro -Daytona (EUA)
23 de Março - Mugelio (Itália)
6 de Abril- Dijon (lrança) 20 de Abril-Monza (Itália) 4 de Maio- SPA (Bélgica)
18 de Maio- Pergusa (Itália)/
1 de Junho Nurbugring (AI. Oc.) 14-15 de Junho -Le Mans (França) 29 de
Junho--Oesterreichring (Ãust.) 13 de Julho- Watkins Glen (EUA)
14 de Agosto - Ricard (França)
14 de Setembro-Brands Hatch (Inglaterra).
19 de Outubro -Buenos Aires (Argentina)
8 de Novembro Kyalami (África
do Sul)
1]
Não desejaríamos que a inserção deste informe nesta secção se interpretasse como
inclusão do automobilismo competivo ,em actividade desportiva. Noutra altura já
nos definimos.
- Todos nós sabemos que
a prostituiçao, o alcoolísmo, assim como outras situaçóes sociais viciosas e
degradantes, têm causas especificas que as originam: o desemprego, , a miséria, a
fome.
Sabemos também porque em Moçambique esses maies grassam, esses males
surgi-' ram, esses males se expandiram. Sabemos, mas não vamos lançar mais
pedradas ao sistema que os originou, e que neste momento se desmorona
imparavelmente.
2 - o facto do sistema colonial estar em derrocada total não quer dizer que os
vícios físicos e mentais que pro d u z i u desapareçam ao mesmo ritmo com que o
povo está agora a tomar o poder.
Não.
Todavia, e para além da tomada do poder político, o povo moçambicano está
engajado numa revolução, na criação do Homem Novo . despido de vícios - pelo
que, em todos os actos públicos e privados, dos homens que neste momento estão
à frente do Governo, dos homens que neste momento estão à frente do Partido,
dos homens que neste momento estão à frente da organização e mobilização
correcta das massas, está latente a sua vontade, de paralelamente à referida
tomada do poder, Iniciarem a liquidação dos males que enfermram e oprimem o povo moçambicano.
3 - Um desses males, como
dissemos, é a prostituição. Fala-se muito dela. Os jornais referiram-na já. A nossa
revista dedicou-lhe um trabalho em profundidade. O Governo, como se vai ver,
agiu. De facto, na noite de 7 e na madrugada do dia 8 do corrente mês, Forças
Populares de Libertação e Forças Militares Portuguesas, coadjuvadas pela P.S.P.,
levaram a efeito uma operação conjunta na rua Major Araújo, em Lourenço
Marques, tendo sido detidas 284 pessoas
- 192 mulheres e 92 homens. Das mulheres 50 foram postas em liberdade, 29 das
qúais estavam grávidas.
- Ter-se-á já iniciado a luta decisiva pela liquidação da prostituição?
Vejamos.
4- Antes de mais nada recordemos que estamos ainda muito próximos dos atalues
da reacção. Recordemos como os agentes reaccionários se aproveitaram e se
aproveitam dos considerados marginais da sociedade
- prostitutas, alcoólicas e mabandido - para levar por diante os seus tenebrosos
fins.
Recordemos que a rua Major Araújo, para além de ser o, cartaz turístico por
excelência do regime colonial-fascista, estava a ser ultimaiente palco -palco ideal
precisamente para encontros de certos indivíduos ligados ao jogo violento da
reacção.
* Porem sobre toda esta questão recordemos o facto principal: a prostituição na
rua Major Araújo é a boca escancarada e apodrecidaa montra feérica de toda a
corrupção citadina.
Por isso a luta contra um dos piores males da nossa sociedade começou por ali.
Mas não vai acabar por aquelas bandas, nem se limitará à nossa capital.
Por Moçambique inteiro uma campanha contra a prostituição vai, avante. Todas
essas mulheres sem possibilidades de emprego nas cidades serão futuramente
reintegradas através de esquemas de produção agrícola.
5 -Há quem lamente a sorte de famílias que fica ram repentinamente
desamparadas pois viviam do fruto do trabalho e s c r a v o das prostitutas.
Estão a ser estudados esses casos. Os comités políticos de bairro têm muito
trabalho a desenvolver sobre o assunto.
De uma coisa podemos estar certos: forah dados os primeiros e decisivos golpes
contra a prostituição. A luta continua. A revolução não se compadece com os
fracos e os vici'osos. Triunfará.
CALANE DA SILVA
ACÇÃO RENOVADA
AO SERVIÇO
DE MOÇAMBIQUE
trazemos para Moçambique
a nossa experiência pelo mundo fora.
Oferecemos uma actividade em constante renovação.
Participamos, de facto, no progresso de Moçambique,
atraveýs de uma rede de serviços
cada vez mais actuante
dinamismo na acçáo
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