ci ci -A SA MEHO ..etjaod etvr A . .e . e. ..... à 'k 251 esc Taac a qu a ténc ofrcuoáioreune CREEN IA i Nota da Redacção ............... 1 À Redacção ........................ 2 Para um dossier PIDE/CTT; Aos irmãos moçambicanos ate ambos os sexos e de todas as raças; Para terminar o diferendo M.A.-J. Antunes Semana a Semana ................ 4 Joaquim Chissano na zona industrial da Matola; Deta já voa para Dar-Es-Salaam Vimos, Lemos e Ouvimos .... 8 Livros - Sílaba a sílaba de Eduardo Pitta; Cinema Golpe de ancas; Vivendo e amando; A serpente de ouro Textos de apoio .......... . Quem é o inimigo? - Alguns aspectos actuais na luta de - libertação nacional por O Agostinho Neto Palavras Cruzadas ........ Tempo Desportivo ......... Casos e acontecimentos; Convite para o Quénia e a Zâmbia; Que o' desporto não O encontro entre o camarada Priuro-Ministro e os trabalhadores da na industrial da Matola revestiu-se Particular significado. E por duas A primeira relaciona-se não apenas n a iaformalldade do encontro -a e os Moçambicanos vão começando aítuar-se - mas especialmei1te com singular poder de comunicação de 3qim Chissano. É claro que não esta,s em tempo de elogios e a própria elim o tem evidenciado duma forma quívoca. Não nos parece, porém, que a referência à maneira extremamente itizada e humana -sobretudo hunacomo o Chefe do Governo de. ansição sabe contactar e auscultar massas populares, o Povo Moçambi, Possa considerar-se um simples 4i. O que se pretende, pelo contrámenos elogiar do que salientar os Ctos positivos- e revolucionáriosnova e inédita política do diáo, característica dominante dos gonos populares. segunda razão é também a razão neira deste comentário. [: verdade, não podemos deixar de embruteça (as pessoas); Moscovo-1980; Jogos olímpicos de rosto humano; Automobilismo Situação: Prostituição - Primeiros e decisivos golpes .... REPORTAGENS 6N.. yf C ota . . . . . . . . . . . 64 I.A.M.: a ciência que é pre- ciso põ- ao serviço do povo 32 B o a t o : uma perigosíssima «granada,, que é preciso despoletar ............................ Transportes de Moçambique (11): qu a n d o atacaremos frontalmente a política dos transportes citadinos? ....... reter e exaltar as af'irmações de Joaquim Chissano no concernente à igualdade entre os homens. E por homens entendam-se TODOS os homens, independentemente da sua cor ou da sua profissão, pois, como sublinhou o Primiro-Minístro, «primeiro somos pessoas, e só depois brancos, pretos ou de outra cor qualquer». Neste contexto, o camarada Primeiro-Ministro apelou para que «o povo não confunda o inimigo». Isto é, como em tantas outras ocasiões, a Frelimo, através da vo-- dos seus mais lídimos representantes, actual\mente no Governo de Transição, não deixa, sempre que pode, de reafirmar que a sua luta primeiro de.armas nas mãos e agora a nível político, social, cultural e económico - foi travada contra um Sistema e não contra uma raça. Pois que o colonialismo e o fascismo não têm cor, pátria ou qualquer espécie de sentimentos.. A sua visão política é unilateral, que o mesmo é dizer, injusta, racista e prepotente. É portanto nesta base de igualdade que a Frelimo pretende trabalhar e construir um país que herdou terrivelmente doente mas que, com a unidade, o trabalho e a vigilância' de todos, há-de sem dúvida ser aquilo que merece ser: belo, próspero, feli e multirracial. E -a melhor garantia para o cumprimento integral e irreversível dessa premissa a partir da qual partem todas as outras de algum modo relacionadas com a consolidação do Poder Popularassenta exactamente nesta insofismável e indesmentível política de diálogo da Frelimo, a mesma política que repugnava ao regime colonial-fascista. Interpretando correctamente as afirmações do camarada Primeiro-Ministro, julgamos interpretar ao mesmo tempo os sentimentos da, esmagadora maioria do Povo Moçambicano que não é nem nunca foi rascista-, mas que tentativas reaccLonárias tentam dividir e confundir, a exemplo do que tem ocorrido em Luanda. Que as palavras de Joaquvim Chissano possam servir, nesta hora de ansiedade e confiança, não apenas de exemplo e de lição mas sobretudo de, base indestrutível para a manutenção da fraternidade com que estamos encetando a Construção Nacional. É este, de resto, o único caminho que nos conduzirá ao Futuro que justamente ansiamos. A NOSSA CAPA: Nos locais onde haviam estado interrompidas, as, aulas do ensino primário recomeçaram esta semana - comprovando assim que a vida em Moçambique assume rapidamente a normalidade necessária à construção de uma sociedade nova. Sobre este assunto o leitor encontrará uma longa reportagem numas páginas desta edição. PARA O DOSSIER PIDE-CTT A PIDE e seus agentes der CTT; a polícia secreta dos C South African Security Police. Compete à Direcção dos CT car todos os seus funcionários boradores da PIDEDGS; - Denunciar imediatamente público todos os agentes da PII actuando ainda dentro dos CTI - Tornar do conhecimento todos os números de apartados e telefones que estiveram coT pela PIDE-DGS; - Devolver imediatamente a ressados, gravações telefónicas pias de correspondência, corre cia e bens, abusivamente ap pela PIDE-DGS e Secreta dos -Proceder urgentemente à tuição de fechos de apartados lução de duplicados de chaves postais, em especial dos apart estiveram à ordem da PIDE; - Transferência imediata de tos -funcionários que colabora actividades em causa; - Abertura de um inquérito mes destas organizações polici nialistas. AOS IRMÃOS MOÇAMBICANOS DE AMBOS OS SEXOS E DE TODAS AS RAÇA Congratulo-me por ter c nosso momento de regozijo conciliação depois de longos que estivemos engolidos pelo lismo e fascismo, neste noss bique. Irmãos, o que 'diremos d mento sagrado? Eis a vida r todos os bons moçambicano Para que sejamos bons m nos, temos que oferecer o no ao trabalho, mostrar a nossa de, ajudarmos uns aos outros faz a força. Com um só dedo matar pulga; isto quer dize mos trabalhar para o bem querido Mocambique e para mento do mesmo. Homens, mulheres, rapazes gas vamos trabalhar de dia 1 para o enriquecimento des novo Moçambique, que dur estava consumido pelo colos pelo fascismo. Avante moçambicanos, se ção, sabemos nós todos que que dorme não apanha galin] re ã fome; é pelo trabalho torna-se macio e recto. tro dos TT e a 'T indiêx-colae tornar DE-DGS público postais ntrolados aos intefotocõspondênirendidos Unamo-nos todos moçambicanos sem excepção, segundo disse anteriormente, para que o progresso do nosso novo Moçambique seja intenso. Temos que oferecer à Frelimo frutos do nosso, trabalho quotidiano. Irmãos meus moçambicanos, sem excepção, não possuo português suficiente com que l ossa-me exprimir, o meu português é como flor em botão que necessita ser regada para desabrochar mais flores. Pois que se encontrem muitos erros, é pois, coisa natural. Guilherme João Mavunja A TERMINAR O DIFERENDO M. A. - J. ANTUNES Picuarvsad qu V.Ea CTI-[ Publicou a revista de que V. Exa. substi- -é mui digno Director, na sua edição e devo- de 20-9-1974, um trabalho intitulado de caixas «Marques Agostinho - João Antunes ados que - a quem interessa o diferendo?» - em que o signatário' é mais uma vez suspei- minimizado' e ofendido por. declararam nas ções que primam pela deturpação e mentira e que em nada dignificam os aos cri- seus autores, tanto mais que o púiais colo- blico conhece sobejamente os meios por eles utilizados para atingirem os W. . seus fins. Mas porque podem ainda subsistir dúvidas, muito grato ficaria a V. Exa. que se dignasse mandar publicar na mesma revista, no seu próximo número, e com idêntico destaque, os esclarecimentos-respostas que a seguir S exponho: 1- Comecemos então pela primeira iegado o MENTIRA da sra. Maria Vitória ao e da re- afirmar que, após a morte do Snr. anos em Marques Agostinho, me recusei a dar colonia- a minha colaboração ao Externato por o Moçam- não ter sido aceite a minha proposta de 40 contos mensais e que só regressei quando a mesma proposta foi leste moaceite. nova para Pois bem, sabe perfeitamente aquela s. senhora que a minha saída, em 1973, oçambica- resultou de incompatibilidades surgisso corpo das entre 0 signatário e um dos famiactivida- liares do casal Marques Agostinho e s; a união que o meu regresso se deve a pedidos não pode insistentes de uma comissão que se r que tedeslocou a minha casa e que era consdo nosso tituída por professores, encarregados o adianta- de educação, alunos e um familiar da viúva. Sabe também aquela senhora que o de noite meu regresso se processou sem quaisete nosso quer condições e só posteriormente uma outra comissão constituída pelo ante anos Dr. Ricardo,\Prof. Danúbio Nunes e Snr. Castro Lopo (familiar do casal Marques Agostinho) acertaram as m excep condições e delas fui então informado. a raposa . has e mor- Ora, tendo aquela senhora conhecique tudo mento de todos estes factos as suas falsas declarações constituem um acto deliberado de Mentir. Isto é francamente chocante para uma «educadora». Note-se que destas minhas afirmações e das que se seguem apresentarei testemunhas, se isso me for solicitado, por quem de direito. 2- Na sua entrevista, afirma a Sra. Maria Vitória que foi o signatário quem mandou comprar a cartolina para a feitura dos cartazes. Tal acusação é -tão absurda que nem vale a pena rebatê-la. O signatário gostaria muito de saber o que .pensam daquela senhora os alunos que de qualquer modo estiveram ligados à feitura ou exibição de tais cartazes. 3 -A falta de argumentos válidos, que não possuem, continua a referida senhora a bater nas mesmas teclas, acusando-me de ter desviado ficheiros, placas das casas de banho, material didáctico e, por anedótico que pareça,. até lhe terei esvaziado os pneus do seu carro e tirei um selo de um contador eléctrico, que por mais esforço de memória que eu faça não consigo descortinar a existência de tal contador, até porque tinha mais com que me preocupar senão com a localização de contadores. Destas acusações, só a que se refere ao material didáctico darei resposta já que as restantes são manifestamente tão caricatas que não merecem resposta. Vejamos então o que se passa acerca do material: O signatário, a partir da assinatura da promessa de trespasse, considerou o Externato sua pertença e a ninguém pode oferecer dúvidas a legitimidade da sua posção já que nesse documento se lê, no seu artigo 4.1: «O segundo outorgante (signatário) não terá de prestar contas da administração que vem mantendo sendo de sua conta todos os débitos e créditos a partir daquela' data (1 de Fev. 1973)». E no seu artigo 6.,: «O segundo outorgante poderá, a partir desta data, dar ao Externato a orientação que entender». Nesta ideia, procedi, na medida dc possível, a beneficiações no Externato, à compra de material didáctico e outros e procurei, com esforço e dedicação, manter-lhe o prestígio. Quando tive de sair, claro que retirei tudo quanto fora comprado na minha administração. Mas o problema do material apre, senta ainda outro aspecto curíosd que atesta as contradições da sra Maria Vitória: - Dias antes da toma da de posse do Externato pelos novôí proprietários e em reunião havidi entre o signatário, a referida senhor e um irmão do falecido sr. Marque, Agostinho, ficou acordado que mE comprariam todo o material adquiri do por mim e não constante do inven tário. Porém, a posição depois assumida pelos novos proprietários revela que a promessa de compra desse material era apenas uma ratoeira na qual o signatário não caiu, pois os mesmos reivindicam agora 0 material para si. Claro que se em vez de ter gasto uas centenas de contos em material tvesse gasto uns milhares como, por exemplo, com a compra de algumas crrinhas, que ainda esteve nos planos do signatário, isso seria um negócio chorudo para os novos proprietários dado que, por 200 contos, adquiriam ,ireitos sobre uns milhares, enquanto que o signatário, a ter de cobrir aquela oferta, estaria a pagar, pela segunda vez, o material comprado a sua custa além de ter de pagar também o seu próprio esforço já que se dedicou, com todas as suas energias, ao prosseguimento de uma obra criada por um homem fora do vulgar, Sr. José Marques Agostinho 4- Noutro passo da entrevista, a Sra. Maria Vitória afirma ter sido minha convicção de que os concorrentes a proprietários não possuiam o dinheiro suficiente para a compra do Colégio, motivo 'porque não cobri a sua oferta. Francamente, como pode uma senhora «educadora» prestar-se a tal farsa? Ora não se lembrará a sra. Maria C. Vitória de que o signatário lhe olereeu, perante o Tribunal de Menores e, eo menos, 7 testemunhas, os seus 50 contos que tinha dado de sinal, bstando, assim, que fosse, uma vez mis, adiada a decisão já que o adianto pedido pela senhora se baseaa no facto de, naquela altura, não dspor de dinheiro? Em que ficamos afinal? Porque: mentea sra. Maria Vitória? 5- Numa das exposições do Sr. Jéo Branco Neves, refere que os aluos eram PERTENÇA INSCRITA E LGAL do Externato Marques Agostinho. Este senhor deve ter poucos contactos com a legislação sobre o enso para não saber que, terminado o ano lectivo, os alunos ficam, sob o onto de vista de matriculas e inscriões, automaticamente desvinculados estabelecimentos de ensino onde nham estado matriculados ou inscritos, tendo de ser feita nova matrícula e inscrição no ano seguinte e onde quer que o aluno o deseje fazer. O sr. José Branco Neves devia entendr que os seres humanos (neste caso alunos, professores e funcionários) no se adquirem em termos de negócomo se faz em relação à mercadia de uma fábrica de sapatos ou duma peixaria. 6 - Noutra altura de nova exposição re-se à carta da sra. Emília Torres que sou acusado de alterar as noass; dos alunos na ausência dos senhoes professores, carta esta publicada o «Notícias». Ora os senhores professores, excep. to, claro, aquela senhora, são testemunhas de tais falsas acusações. O que acontecia, isso sim, é que quando se pretendia evitar que um aluno reprovasse por um valor numa disciplina, o signatário reunia-se sempre com o professor dessa disciplina e pondo-lhe o problema, deixava a sua resolução ao seu critério. De resto vejamos um aspecto importante relativo a este, problema: No ano lectivo de 1972-73 (já não se põe o problema do ano lectivo 1973-74, dado neste não ter havido exames) de cerca de 80 alunos do 2.0 ano submetidos a exame reprovou um na prova escrita e outro na prova oral. Falo apenas dó 2., ano, já que era a única classe de exame a que a referida senhora dava aulas. Como se compreende então que enganando eu os alunos com o aumento das notas tenhamos obtido resultados tão brilhantes? Claro que a senhora Emilía Torres preferia terem reprovado muitos mais para 'justificar a sua posição. De resto a alteração das notas processam-se também em reunião dos conselhos de turma no Ensino Oficial. Só gostaria de fazer uma pergunta à senhora professora Emília Torres: No Externato Marques Agostinho, onde agora trabalha, vai ser tão intransigente ao ponto de numa turma de 35 alunos e num ponto, ter tido apenas duas positivas e com a maioria das notas inferiores a 4 valores? No ensino oficial não teria sido ela obrigada a justificar tal falta de rendimento? Como se compreende uma percentagem de mais de 9517 de negativas na sua disciplina de' francês, quando nas restantes a percentagem era normal? Onde estava o erro? 7- Gostatia também que o sr. José Branco Neves elucidasse o público sobre as razões porque nas, suas exposições apresenta as queixas e propõe desde logo a punição que consistiria apenas na recusa no alvará ao signatário. Mas porquê só esta punição? Receio da concorrência por parte do nosso Externato? Parece-me absurda esta hipótese, já que um indivíduo, como o signatário, que aquele senhor tem procurado retratar como ,um elemento que deve ser posto à margem da sociedade, não pode causar-lhe afronta até porque ninguém confiará nele. Ao responder a esta questão não bata nas mesmas teclas do material, do telefone, etc., pois isso já é por demais conhecido e o público está elucidado. Grato pela atenção dispensada, permita-me que -apresente a V. Exa. os meus respeitosos cumprimentos, João da Ressurreição Antunes (Ex-professor orientador do Externato Marques Agostinho) Após a saída a público do n.° 214 da revista que V. Exa. dirige e por nela se encontrar um depoimento assinado por alguns professores do Externato «João Antunes» referente à entrevista por nós concedida e inserta no n., 212 da mesma Revista, esta Direcção preparou uma carta-resposta ,que não chegou a enviar por, entretanto, ter falecido um dos professores que subscreveram esse depoimento e isso ser motivo (moral) suficiente para dar o assunto por encerrado, tanto mais que só o falecido (e só ele - de todos os' que apuseram as suas assinaturas) era professor no Externato Marques Agostinho ao teipo do falecimento do seu fundador. Por conseguinte, bem se pode avaliar o valor, a veracidade e a consistência das afirmações subscritas por esses senhores que apenas conhecem os factos de ouvido. Como, porém, o n.° 215 traz outro depoimento assinado, desta vez, por alguns funcionários e contínuos a rebater o mesmo assunto, resolveu esta Direcção pedir pela última vez a palavra para dar por terminado o diferendo, até porque «ab initio»} não foi -nossa intenção fazer polémica, bem ao contrário dos nossos contendores que -muito se deleitam em fal(h)ar maciçamente em público. Não vamos pois- rebater as acusações feitas (e de que modo!) mas ape-nas REAFIRMAR e MANTER .o que foi dito na entrevista inserta no nío 212 por estarmos seguros que é essa a verdade, por mais poeira que lhe queiram lançar em cima as pessoas a quem, aliás, essa atitude fica bem, pois agora não há dúvida que os desmandos praticados neste Externato e de que foi acusado o prof. Antunes foram levados a cabo com a solidariedade dos seus «fiéis servidores» agora, por eles próprios; publicamente denunciados. Damos assim por terminado o assunto, pedindo a V. Exa. o favor de publicar ésta carta, bem como de corrigir a expressão «aula, em pleno funcionamt:nto» como legenda de uma fotografia tirada neste Externato aquando da entrevista citada, onde se vê misturados alunos do 1.0 e 2.0 anos dos liceus, já que,' como o Sr. Repórter se deve lembrar, a foto foi tirada da parte da tarde numa aula de estudo, devidamente orientada, onde os alunos, de 'acordo com a 'Escola Activa, reunidos em grupos, trocam impressões e conhecimentos entre si. Este lapso da legenda levou os nossos «bem intencionados» contendores a perguntar: - Nova pedagogia? (sic) Nós respondemos que ela e já velha para uns, nova para outros e nem uma coisa nem outra para uns tantos! Com toda a consideração Branco Neves Maria Vitória Costa PAýGINA 4 DITA VOAI A DETA inaugurou na passada segunda-feira, dia 11, uma carreira semanal para Dar-es-Salam, capital da Tan-zânia, pondo fim ao isolamento a que Moçambique se vira remetido, pelo regime colonial, no contexto das nações africanas independentes. Para o voo inaugural que partiu de LQurenço Marques ao princípio da tarde - foram convidados representantes dos principais órgãos da Informação moçambicana. Seguiram no mesmo avião os minstros Armando Guebuza, da Administração Interna, e óscar Monteiro, da Informação, bem como alguns militantes da FRELIMO, que foram à capital tanzaniana tratar de assuntos relacionados com a actividade do Partido. Após uma escala no Aeroporto da Beira, onde entraram jornalistas e militantes locais, o «Boeing» da DETA aterrou em Dar-es-Salam cerca das 18.30 horas. A aguardar os visitantes, encontravam-se no aeroporto da capital tanzaniana o vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique, Marcelino dos Santos, o ministro da Informação :da Tanzânia e outros elementos da FRELIMO. Além do encontro fraterno entre companheiros de luta, verificou-se, a nível mais restrito, um encontro familiar que referimos c o m o curiosidade: Marcelino dos Santos teve oportunidade de abraçar a sua velha mãe, D. Teresa, que não via há 27 anos, bem como sua irmã, D. SabiRa as quais seguiram igualmente neste voo inaugural, acompanhadas pelo marido da segunda. Ainda no aeroporto, o camarada Guebuza concedeu uma conferência de Imprensa, destinada principalmente à Informação do país vizinho, durante a qual respondeu a numerosas perguntas sobre o actual momento político em Moçambique. Os convidados para este voo inaugural seguiraI depois para o Instituto Moçambieano em Dar-es-Salam onde se encontraram com o presidente Samora Machel, que confraternizou e conversou longamente com os jornalistas presentes. Seguiu-se um passeio noc turno pela cidade, de auto carro, no decorrer do qual o camarada Sérgio Vieira, secretário da Presidência da FRELIMO, prestou aos visitantes numerosos esclarecimentos sobre aquilo que iam vendo da capital tanzaniana. Embarcando de regresso no mesmo avião, a comitiva aterrou na Beira cerca da 1 hora de terça-feira. Aproveitaram o voo oS camaradas Alberto Chipande, Jacinto Veloso e Sebastião Mabote, da cofnissão militar mista, que se encontravam na Tanzânia em missão de serviço. Quanto aos min tros Guebuza e Montei] permaneceram em Dar-es-e Iam por mais alguns dias, fim de tratar' de assunt relacionados com as su funções. Assinala-se que, no mesr voo inaugural, regressou Moçambique o escritor Li Honwana, que perten actualmente aos quadros FRELIMO e se encontra há bastante tempo auser do país, primeiro em Lisb e depois na Tanzânia. Recorda- se, a termin que a Tanzânia foi um 6 países africanos cujo frat nal auxílio foi mais precic ao povo moçambicano longa luta que travou p! sua libertação. A carre aérea agora inaugurada ab portanto, perspectivas a mais fácil e frequente ci tacto entre dois povos q a luta comum pela liber ção africana tornou irmã DAR.- ES'-AIAM' Em cima: Marcelino dos Santos reencontra a mãe, ao fim de 27 anos, no aeroporto de Dar-es-Salam. Ao centro, vêem-se ainda a esposa do vice-presidente da FRELIMO, Pamela (de naturalidade sul-africana), e a sua irmã Sabina'(meio encoberta) Em cima, da esquerda para a direita: Óscar Monteiro r ,.contra o presidente Savmora Maçhel, no Instituto Moçambicano em Dar-esalam. Presentes o vicepresidente Marcelino dos Santos (ao centro) -e Jorge R 5lelo (primeiro da esq.') Womento da chegada. Da esquerda para a direita: Õscar Monteiro, o ministro tanzaniano da Informação, Armando Guebuza e Marceliuno dos Santos. Mãos dadas, fraternalmente, para a luta comum Ao lado, à direita: Samora Mac hel confraterniza com o pessoal da DETA que fez o voo inaugural A&o lado, à esquerda: Imnagem da conferência de Imprensa concedida por* Armqando Guebuza em Dar-es-Salam SEMANA A SEMANA JOAQUIM CHISSANO NA ZONA INDUSTRIAL NÃO OUERO OuE O POVO CONIUNDI TODOS SOmOS Durante uma visita cft.ctuada há dias à zona industrial da Matola, o PrimeiroMinistro do Govekno de Transição de Moçambique, Joaquim Chissano, contactou com as realidades daquela área, num encontro que se singularizou quer pelo poder de comunicação do Chefe do Governo, quer pela adesão verdadeiramente entusiástica de centenas de trabalhadores ao diálogo aberto por Joaquim Chissano. Pela sua importância. e oportunidade, passamos a reproduzir as afirmações dQ Primeiro-M.inistro, por um lado, e, por outro, as perguntas e respostas que foram feitas no decorrer daquele provitoso contacto: «Não quero que o povo confunda o inimigo, e a base para o não confundirmos é a igualdade.... Todos somos homens. Pessoas. Só-depois vem a cor. Somos iguais. Por isso, temos de nos respeitar uns aos outros.... A opressão e a exploração não têm cor, é um sistema.... O papel do povo, e quando digo povo, é preto e branco, é povo, depende dos objectivos de cada um. Não importa a cor dos que querem ser do povo, trabalharem para o povo e lutarem por ele. É muito importante esclarecer este problema da igualdade e da unidade», foráím algumas declaracões do Primeiro-Ministro Joaquim Chissano durante a sua visita ao complexo industrial da. Matola, acompanhado por elementos do Governo de Transição e militantes do Partido. Joaquim Chissano esclareceu bem para pretos e -brancos presentes .iue não existe qualquer táctica da Frelimo quando afirma que todos os homens são iguais e que é necessário descolonizarmos as nossas mentalidades para que negros e brancos possam trabalhar em conjunto para a reconstrução nacional. «A Frelimo não é hipócrita»' disse o Primeiro-Ministro. «No nosso estatuto está escrito que vamos lutar contra a opressão e nunca se diz que vamos lutar contra os brancos». O PrimeiroMinistro criticou duramente as atitudes incorrectas e os desmandos condenáveis de parte da população no dia 21 de Outubro passado, atribuindo-as a «cabeças funcionando ainda como cabeças de explorados e colonizados agindo sob a acção consciente de agitadores e sabotadores» e definiu também de forma clara a diferença entre produção industrial, enquadrada num sistema colonialista e a mesma produção industrial apoiada numa agricultura bem planeada e totalmente dirigida para as necessidades do povo. Joaquim Chissano salientou ainda que de qualquer parte do mundo serão consideradas e bem aceites'todas as sugestões «de quem vier construir fazendo o seu negócio e ganhando os seu lucros justos desde-que produza e oriente a sua indústria de forma a servir o povo de Moçambique. Nesse sentido essas indústrias são nossas, por isso devemos fazê-las crescer pela dedicação e trabalho, defendendo-as.» e A indústria encontra-se no meio e tem os braços dados em dois extremos. Aqui onde. estamos, nesta fábrica de moagem de trigo e de milho, imediatamente tem dois problemas em frente de nós, além da própria indústria de moagem. Primeiro problema, é o da agricultura, o da agricultura para apoiar as indústrias de moagem. PESSOAS. 1 A indústria de moagem sem agricultura não existe. Não pode existir porque precisa de milho, ou nós teremos que comprar .o milho e o trigo no estrangeiro para vir fazer esta indústria. Acham voces que nós devemos realmente comprar trigo e milho no estrangeiro? Vozes- Não. Mas aqui compramos trigo e milho no estrangeiro. Então o que é que A preciso? Vozes - Trabalhar. Cultivar. É preciso cultivar, abrir machambas para produzir o milho e o trigo'que faz mover "esta fábrica. Sem esta fábrica acham, vocês que com aquele processo de pilão nós podemos produzir -para distribuir pelo nosso país e chegar para toda a gente? Vozes - Não. Portanto para podermos utilizar bem o nosso milho, nós precisamos de ter os moinhos que aqui estão. Sem milho, sem farinha, sem trigo, sem pão, sem a farinha de trigo, por. tanto, é'possível alimentar alguém? Sem o arroz é possível alimentar alguém neste pais? Portanto, o problema imediato ligado à moagem, é a solução do problema de cada um de nós, que em primeiro lugar é o problema de comer. Comer é o primeiro problema de cada úm de nós. É o primeiro problema-para o trabalhador que trabalha nesta indústria, para o trabalhador que trabalha na indústria do petróleo, para o trabalhador que cultiva, para o trabalhador que carrega no cais, o prineiro problema é comer. É verdade ou não? Vozes - É verdade. Portanto, temos aqui perante nós um exemplo vivo da importância da indústria. PRODUZIR É VIVER VIVER É PRODUZIR Como também pode ser ,que um agricultor chegue a uma fábrica, olhe para ela' e não a ligue à sua própria vida. Mas o que é certo é que podem ter fábricas de moagem sem um comboic que traga o milho do campo para a fábrica, nós não podemos ter o milhe na fábrica mesmo que o agricultor produza lá, mesmo que nós queiramos ignorar o comboio ou o carro, não' podemo>. ter o milho na fábrica. Quer dizer, que todas estas coisas ns produção, são coisas comuns, para re. solver os problemas humanos, os pro. blemas da nossa própria vida. k MATOLA 0 INIMIGO [ DEPOIS VEMA COlR O PASSADO E O PRESENTE É claro que no passado, dentro do Sistema colonial o interesse primordial da produção, era a exportação dos produtos para a-Metrópole, não era a solução do problema humano, de que estamos a falar hoje. Por isso é que neste país, neste momento em que nós vivemos para a independência, estamos a aproximar-nos do dia 25 de Junho, ainda existem graves problemas de subalimentação. Falta de comida, porque tudo o que se produzia estava orientado duma outra maneira. Hoje transfere-se o poder político para os trabalhadores, e cabe aos trabalhadores, e quando digo aos ttabalhadores quero dizer os trabalhadores agrícolas, da indústria e de todos os tipos, o trabalhadores de transportes, os tralhadores' do comércio, todos os trabaadores. O poder político está a ser transferido para eles. Neste momento, nós devemos repensar fainalidade da nossa produção em todos os sectores, para que a produção possa servir os interesses do homem, os interesses do povo. Por isso é preciso que nós vivamos organizados para que possamos coordenar a produção em todos os sectores. Eu cheguei aqui e disseram-me que algumas máquinas estão paradas por'que havia falta de trigo e milho. Na outra fábrica disseram-me que algumas máquinas estavam paradas porque havia falta de produtos. DEFENDERMO-NOS DA SABOTAGEM DOS INIMIGOS DA REVOLUÇAO - Apareceram sem dúvida iniligos da revolução que orientaram o nosso povo a entrar em contradição- com os seus próprios objectivos e correram efectivamente para algumas fábricas que hoje não estão em funcionamento porque foram destruídas. É preciso que nós defendamos as nossas indústrias contra a sabotagem u possa existir. AGITADORES SABIAM: AMENTAR O SALARIO O É ACABAR A EXPLORAÇÃO Mas o que é certo, em muitas partes, o aumento de salário não foi indicação da solução de um problema, que é o problema da exploração. Pode-se aumentar o salário mil vezes e continuar a ser-se explorado. Esses agitadores aqui sabiam disso, Nós tentámos, muitos donos de fábricas não sabem, mas nós tentámos, lá da nossa sede da Frelimo, minimizar os efeitos das greves. Enviámos para aqui gente que orientava, que contrariava os objectivos daqueles que, com as greves, pretendiam sabotar a econornia de Moçambique, para que o povo pudesse diferencia'r greves justas e injustas. As greves que haviam de trazer calamidade para o país. Porque os patrões aumentavam salários, podiam aumentar, mas alguns, depois desses aumentos, fechavam a fábrira e despediam os trabalhadores. Há muitas fábricas que estão a despedir trabalhadores, é sabotagem económica isso, e foi criada por agitadores. Nós. continuamos com exigências que não têm sentido, que não têm orientação, isso foi uma primeira tentativa de sabotagem. È um ponto importante que vocês podem desenvolver com a orientação dos comités do partido. Corno é que se processa o desenvolvimento da sabotagem económica? Quem sofre com ela? Hoje há tentativas de sabotadores, de agitadores de fazer parar, cair a economia de Moçambique pela criação de um estado psicológico de medo, de falta de confiança no futuro, para os nossos técnicos. NÃO QUEREMOS UMA POLITICA DE TAPAR BURACOS Nós não queremos a política de tapar buracos, nós queremos uma economia planeada. Queremos elevar o nível de vida do nosso povo de uma maneira planeada, de uma maneira pensada, é, por isso que nós dizemos que o primeiro trabalho a fazer aqui é ficarmos organizados. TEMPO DE RECONSTRUÇAO Temos que estabelecer prioridades -para resolver problemas que nos assolam e estes problemas começaram há muito tempo. Começaram antes da guerra. Foi por isso que fizemos a guerra, para corrigir uma situação catastrófica que não servia os interesses do povo de Moçambique. Agora chegou o tempo de reconstruir e não de destruir. Entre patrão e trabalhador, hoje, aqui em Moçambique, e preciso que exista uma unidade, é preciso que haja entendimento, assim como os cinco dedos de uma mão. Só -assim é que podemos construir Moçambique. Nós só admitimos ou começaremos a admitir, as actividades ou indústrias que sirvam o povo de Moçambique. Não interessa quem vem construir, interessa sim combinar esforços para elevar o nível de vida do povo. Há-de chegar a altura em que vamos realmente sentir que somos parte das actividades de produção. Alguns patróes estarão connosco e alguns 'de vocês serão patrões, mas não por saltarem sobre os outros,, mas trabalhando. NÃO VAMOS LUTAR CONTRA OS BRANCOS. VAMOS LUTAR, CONTRA A OPRESSÃO Todos somos homens, pessoas. Primeiro somos pessoas, só depois vem a cor. Somos iguais, por isso nós temos de nos respeitar uns aos outros. Nós .não vamos lutar contra os brancos, não está escrito em nenhum estatuto da Frelimo, vamos lutar contra a opressão. Agora trazemos um sistema democrático, um sistema em que o povo participa para resolver os problemas económicos, para resolver o problema da sua vida. É isto que nós queremos. Um sistema em que as nossas cabeças devem funcionar como cabeças de homens, não como cabeças de exploradores. A opressão não é trazida por cor nenhuma; ela resulta da exploração do homem pelo homem. A exploração não tem cor, é um sistema. Podem acabar todos os brancos mas há-de haver exploradores. É preciso destruir as raízes do mal que é o sistema. Não quero que o povo confunda o inimigo e a base para não o confundirmos, é a igualdade. Nós vamos denunciar publicamente, em breve, os verdadeiros reaccionários. O papel do povo, e quando digo povo, é preto e branco, é povo, depende dos objectivos de cada um. Aqueles que querem ser do povo não importa a cor. Este problema da igualdade e da unidade é que queria esclarecer. Eu sei que há muitas dúvidas, mas haverá tempo para esclarecer. Os Comités terão esse trabalho fundamental. É com o trabalho desses Comités que vamos encontrar as linhas de orientação perfeitas. edxrcb pt «SIL.A de Edi Logo edição cumbui surge colecçãc do», ua Eduard laba». A faz-se vezes c e peri quando que f o segue anateria mar ur Deix: cências lando-a inspira dá-nos ruína, tudo a de do pouco e assu blico q e certe o livro de um qualid tualida devem< Op espaço de for vro de rigor, faz aí melhos «temos para. e a do def ed BA A SILABA», o futuro recusa-se-nos abocanhados que fomos uardo Pítta pelo medo.» a seguir à recente de «Adeus de Gutu» de Orlando Mendes, * segundo volume da «0 som e o sentin livro de poemas de o Pitta, «Sílaba a siiprendizagem poética na maior parte das e forma desordenada gosa, mas é notável superando limitações ram evidentes se conreunir com coragem, 1 suficiente para forn livro. ando para trás as inoenganadoras e reveos uma linguagem de ço temporal, o poeta notícia de dias em de frustrações e sobretremenda ambiguidareal que até há bem tempo podíamos viver Imir. Surgindo a púuando novos caminhos zas podemos contestar, que tem a dignidade * discurso subtil e de adc perfeita, possui virídes importantes que os saudar. oeta que procura um seguro, uma ýcerteza ma, dá-nos já num liestreia uma lição de o que por si só nos guardar muito mais e deste autor. um tempo breve oar todos os dias mesma hora 'lagrar dos corpos distânciae Entre uma permanência insegura e ténue, há uma carga de vivências desgastantes, amargas mas contudo atravessadas por uma plenitude discreta que não atinge o desespero, a angústia tortuosa ou aviltante. «onde a esquizofrenia do silêncio mastreou horizontes de sonho os homens ficaram quedo8 e mudos (conscientes da inutilidade dos caninhos pereoridos). e é chegado o dia de sentir sob a nuca o intermitente silvo dos cogumelos redentores. Fica-nos quase sempre, depois da leitura deste livro, contornando um desencanto vagamente aludido ou uma euforia sensual contida e limpida, a esperança de corpos mais. claros de verdade, saidos dos destroços. Meditação sobre si próprio é certo, mas também e isso importa salientar, um discurso poéticó saído.de estreitas paisagens interiores para um recorte de leitura dramática, sem cair apenas num jogo fácil de palavras. Importa ainda saudar a Livraria Académica pela feitura excelente das últimas edições saídas e pelo.magnífico esforço em prol de uma divulgação maior de autores moçambicanos. L. C. «GOLPE DE ANCAS» - Uma Monica Vitti soberba num filme soberbo! Não sabemos que mais admirar: se a frescura, o irresistível talento de Monica Vitti, se a mordacidade, a sátira e o implacável objectivo do realizadoi Fondato. De qualquer maneira, aplaudimos as duas coisas, pois que são elas indissociáveis, que fazem deste filmE uma das mais brilhantes comédias do2 últimos tempos. Decorrendo naquele inimitável «fin. -du-siècle e princípio de outro, .esta" pi. *caresca história ultrapassa contudo ow limites da comédia pura e simples, parE desaguar numa magnífica crítica socio -política ao regime italiano então vigen te que fica expressivamente classificadi quando emana um decreto onde se pod ler: «Ê proibido o gesto!» Tal gesto não é mais do que o «sub til» mas acidental golpe de ancas qui a incomparável Monica Vitti fará nun daqueles espectáculos de palco que ser via de desopilante ao tédio e ao óci, da alta e 'média burguesia daquele tempos. Cenas hilariantes, mas não sý hão-de transbordar a partir desse golp de ancas que tem, porém, um cariz re volucionário, já que ele acontece nun ímpeto de revolta da heroína contra a leis vigentes, contra o Governo vigentE contra a Polícia vigente, contra a mi séria vigente, contra as prisões vi gentes .... Em suma, um filme para ver e revei E se rimos muito não deixamos, a mesmo tempo, de aprender mais, aconpanhando as graças e desgraças da quela mulher que, com um simples golp de ancas, consegue desarmar e atem rizar os senhores fascistas daquel época! «VIVENDO E AMANDO», -Um filme que não é nada! Alguns camaradas meus têm-se prei cupado insistentemente com a «porni grafia» e a «obscenidade» deste «V vendo e Amando» onde, afinal', nem vive e se ama menos ainda. Na verdade, isto de acordo com uir opinião muito pessoal, filmes como es: só alcançam êxito de bilheteira exa tamente por a crítica lhes conferir importância que não têm. Ora aço] PÁGINA 8 PAGINA 9 VIMOS OUVIMOS E LEMOS tece que «Vivendo e Amando» não tem qualquer importância pela razão simples de não ser nada, de não querer dizer nada, de não se dirigir a ninguém em particular. O filme - supomos - foi feito única e exclusivamente para o lançamento no mundo do celulóide mais caro do mundo. daquele «bonitão» que ainda por cima prima pelo destalento, a exemplo, aliás, de todos os outros intervenientes nesta película que é, realmente, um insulto à inteligência do espectador. Todavia, com os rótulos que se lhe arranjaram, ei-lo em triunfal carreira, com lotações esgotadas, numa demonstração lamentável de quão pouco politizados nos encontramos todos.... Pornografia, aquilo? Obsceno, aquilo? Francamente! Antigamente, isto é, antes do «25 de Abril», sempre que se podia, publicavam-se queixas contra a proibição de determinados filmes, entre os quais, naturalmente, figuravam «O último tango em Paris» e «Os contos da Cantuári,», para só citar dois exemplos. Depois do vitorioso golpe de Estado em Portugal, lá como cá, aqui del'rei que isto é um nojo, é tudo pornográfico, é tudo obsceno, é- tudo uma pcilga, é preciso salvar a (decadente que fascista!) moral pública, etc. Desconfiei 'sempre destes moralismos súbitos, que mais me parecem Teaccionár do que outra coisa. Mas adiante. Voltando ao «Vivendo e Amando»:. Rigorosamente, este filme, (esta «coi>) ,' 1 t o é pornográfico: é mau, é horrível, não é nada, é tudo isso nas não é pornográfico, não tem sequer uma única cena realmente chocante. Porquê então todo o alarido levantado à sua volta? Se há alguma coisa a denunciar neste filme, não é a sua (inexistente) pornografia, mas, pelo contrário e sobretudo, a sua total mediocridade, o seu descarado oportunismo, a sua incomensurável tacanhez, enfim, este «Vivendo e Amando» é chato, muito chato, chatíssimo mesmo! «A SERPENTE DE OURO» -Era uma vez um reaccionário chamado Henri Verneuill.... Era uma vez um reaccionário chamado Henri Verneujil. Este senhor, rico, ocioso, e por acaso e infelizmente, realizador cinematográfico, pegou em alguns outros senhores ricos e ociosos (Y.ull Brynner, Henri Fonda e Dirk Bogarde, por exemplo) e resolveu, possivelmente entre uma bica e uma ideia mais ou menos «fílmica», fazer uma «Serpente de Ouro» que também podia ser um piriquito ou, melhor ainda, um elefante de estupidez e mau gosto. O tema: espionagem e contra-espio. nagem. Como sempre, as duas maiores potências- Rússia e E.U.A. - enfrentando-se e afrontando-se, numa concorrência primacialmente comercial e só depois (ou nunca mais?) social, política, cultural e económica.... Com um desabafo chocante, Verneuill descobriu (finalmente!) que a CIA é uma maravilha- e daí todos aqueles «belos» planos sobre o império daquela PIDE americana! - que só. ela pode salvar o «mundo livre» da abjecta espionagem soviética, pois, em seu entender, é esta que põe em perigo a estabilidade ocidental.... E assina este seu disparate, no final, quando o chefe da tenebrosa CIA, após a troca de prisioneiros, diz para o seu colega francês, apontando o aromático cigarro americano, e referindo-se a Vasslov: «Vai ter- saudades nossas! J4 conheceu o paraíso!!!» Por outras palavras: logo que se fume um cigarro «made in U.S.A.», como se se tivesse ingerido uma pílula anticomunista, conhece-se o paraíso e fica-se de imediato «comprometido» com a política do sr. Kíâsinger, por exemplo, e apaixonado pela filosofia de Salazar, Nixon e Pinochet, por exemplo, também!.... Todo este chorrilho de asneiras é agravado pela ausência (por vezes longa) de legendas, cortadas em Lisboa, já que esta versão pertence ao «antigamente». Assim, o espectador que não fale inglês ou francês, nunca percebe os (ligeiros )ataques ao fascismo nem toma conhecimento da confissão do «número 1» da contra-espionagem britânica, a «trabalhar» para os russos há 30 anos: «Sou marxista desde os 19 anos! Isto é fidelidade!» ROBERTO CORDEIRO VIVENDO E AMANDO ............ AS AVENTURAS DO RABI JACOB .. A SERPENTE DE OURO ......... A CASA DA BONECA ............ 0 PAI MARAVILHOSO ... ......... UM AVENTURA NAS CRUZADAS ... SUADRILHA DE REFÉNS ......... 0 MURO DO ATLANTICO ......... OS CAMISARDOS ... ... <' < O z <j < ~ s o o~ 0 o 0C 0 0 <u c o - o O o o -, Do 0 < O 0, o < Oo 1 ... ........... 0 0 1 0 1 0 1 0 1 . 1 ....... 3 - 3 ... ... ... ... ... ... .. . .. 4 6 2- 14 2 -2 2 .......... ...... ... ... 6 - - - - ' 6 3 5 3.. '~7--:ÔES: 8 - Obra prima; 7 Excepcional; 6 - Não perca; 5 - Com muito interesse; 4 - Com algum interesse; 3 - Passatempo; "2 - Sem interesse; I- Não vá; o Um insulto à inteligência do espectador' R - Viu o filme mas recusa-se a classificá-lo por não se tratar da versão integral. .l 4 PAGINA 10 PAGINA 11 ESCOLAS PRIMARIAS: Texto de MENDES DE OLIVEIRA Fotos de RICARDO RANGEL Para melhor tranquílizaçao nesta fase após-crise elementos do Exército Popular da Frelimo visitam frequentemente as escolas nas suas patrulhas 1 itinerantes Após um período de «crise» em que algumas das escolas primárias de Lourenço Marques e arredores se viram obrigadas a manter 'encerradas as suas portas por falta de comparência da totalidade ou grande parte do corpo docente, e outras só não feý charam graças à consciência e militância de alguns dos seus professores, as escolas primárias reabriram em pleno. Uma vez solucionadas as exigências de «segurança» dos professores - razão fundamental da paralisação -e estando já portanto as escolas a funcionar normalmen*e, afigura-se-nos contudo importantp, analisar as causas e razoabilidade das proporções que assumiu a de certo modo inconsequente «greve» dos professores. PROFESSORS PRIMÃRIOS: Dos RECEiOS JUSTOS Ao NAO RAZOÁVEl Ingénua, frágil, a criança, fácil de impressionar e de chocar foi um dos instrumentos utilizados pelos agitadores na sua covarde campanha de terror lançada sobre a capital do país. O processo principal de a perturbar foi, como em tantos outros casos, a propagação nas escolas de infames boatos. Ou era uma bomba colocada algures na escola, ou veneno numa vacina ou nas bebidas normalmente distribuí d a s, ou, nalguns casos até, a «macabra» professora b r a n c a que «dissera» que ia matar todos os meninos negros; tudo lhes servia... De certo modo «assustados» com o clima gerado pela tragédia de Setembro, mal politizados e incitados pelos mesmos agitadores, os familiares e -vizinhos das crianças envolvidas p e 1 a s merqtiras tendenciosas acorriam às escolas, paus e ferros na mão. Embora não tenha havido. nenhum caso de consequências realmente graves normalmente graças às oportunas intervenções de militantes da Frelimo- o facto de incidentes deste' género se terem repetido em três ou quatro escolas gerou, em todas um clima de certa tensão. Com o desencadear dos distúrbios de 21 de Outubro essa tensão piorou, os receios avolumaram-se, agigantaram-se, e alguns professores primários - particularmente das escolas situadas nas zonas suburbanas, dos arredores de Lourenço Marques e Machava-Matola - açharam que, como nos afirmou uma das professoras em questão com quem falámos, «chegava de riscos». E, ou usando subterfúgios legais como o de «parte-de-doente» ou, noutros casos, m a i s honestamente declarando que não se sentiam «seguros» resolveram' não ir mais às escolas enquanto lhes não garantissem «segurança» O processo generalizou-se à quase totalidade das escolas nessas zonas, tomando foros de «greve», embora não o sendo exactamente porque, por razões julgadas nanas», ter sido particularmente consentido pela maioria dos directores das escolas e até pelo organismo responsável pela coordenação das actividades desses estabelecimentos de ensino. Casos houve em que os próprios directores das escolas também deixaram de ir às mesmas. GARANTIDA A «SEGURANÇA» REGRESSO À NORMALIDADE Postos ao corrente da gravidade da situação pela Repartição Escolar, os responsáveis pelo sector governamental da Educação de imediato procuraram encontrar uma solução. Como a maioria dos receios incidia sobre o$ trajectos da cidade para as escolas e regresso, foi decidido pôr ao serviço do transporte dos professores : para as escolas carrinhas dos Serviços de Educação. No momento em que escrevemos o trabalho encontra-se já assegurado o transporte para as escolas situadas nas zonas da Casa do Gaiato, Jardim, Benficá Nova, Infulene e Parcela T3. Segundo o professor Sardinha, subdirector da- epartição Escolar, esperavam que a reparação de uma outra carrinha, acidentada ficasse concluída dentro de um, dois dias, para iniciar o transporte dos professores para as escolas da Machava-Sede,* Machava A, Machava E e do Bairro do Fomento. E, logo que conseguissem outra carrinha, dificuldade principal na resolução da questão, pensavam também estender a medida às escolas do Bairro Kok, Bairro das Mahotas e de Mavalane. Enquadradas também na preocupação de assegurar a rápida normalização d trabalhos nas escolas prinárias, outras medidas foram tomadas. Para um melhor processo de tranquilização dos professores, alunos e pais de alunos, após o clima gerado pela «crise», as esco~ '4 .deu~ AMýi, -Prof." Santana Pereira - «Sinto-me mais necessária do que nunca» Director Sardinha - «Assegurado o transpoi-te dos professores cumprimos a exigência de segurança» ASSEGURADO TRANSPORTE DE PROFESSORES las são frequentemente visitadas p e 1 a s patrulhas do Exército Popular da Frelimo que na sua missão de vigilância percorrem as zonas. DA REALIDADE DUMA SITUAÇÃO À RAZOABILIDADE DA SOLUÇÃO Referimos acima o consentimento particular com que, por razões julgadashumanas - dissemos - alguns directores autorizaram que os seus professores não fossem às escolas até que estas medidas de «segurança» fossem conseguidas. Também nós não podemos deixar de considerar humano o receio manifestado pelps professores face à situação. Como não podemos deixar de achar justa a sua petição. Aconteceu, porém, que graças à dificuldade em conseguir as carrinhas para transporte dos professores - os serviços de Educação só as conseguiram assegurar entre dez a quinze dias após o 21 de Outubro - registando-se o consequente interromper das aulas. Ora sucedeu também- que, apesar de saberem que o seu pedido lia. via sido achado justo e con. siderado, e que a sua viabilidade era iminente, a grande maioria dos professores, escudados pelo consentimento dos seus directores, não foi às escolas senão quando teve mesmo as carrinhas... Se achamos humano o seu receio e justa a sua petição, não podemos de igual modo, face à rápida normalização da vida da cidade, achar justa, por pouco razoável, a solução de, quando: em todas as fábricas, serviços ou empresas situadas nas mesmas zonas estava totalmente restabelecido o processo de -trabalho ao fim de dois dias, os professores ficaram quatro, cinco, dez, quinze dias (quantos ficariam mais? apetece perguntar) à espera que lhe arranjassem as carrinhas que já lhes haviam prometido como medida a curto-prazo. Se a sua atitude seria em q u a i s q u e r circunstâncias condenável por falta de razoabilidade, no caso particular dos professores primários (ou de alguns deles) afigura-se-nos graves. E afigura-se-nos grave p o r q u e pensamos que, tão ou mais importante que a sua «seguPÁGINA 18 Prol. Assalariado da Escola Machava-E - «,Vão podíamos permitir que a escola fechasse e a crianças ficassem por aí abandonadas» MILITANCIA DE ASSALARIADOS MANTM[ ESCOLAS ABERTAS rança», estava a dos milhares de crianças cuja forma.ção estava à sua responsabilidade e foram por si abandonados à insegurança e à permeabilidade de todo o tipo de novas manobras dos boateiros e agitadores. EXEMPLOS DE CONSCIÊNCIA E MILITÂNCIA Mas, como acontece em todas as situações críticas, paralelamente aos asi ýctos negativos f o r a m também evidenciadas atitudes e iniciativas extraordinariamente válidas. Se na maioria das escolas o processo se desenrolou como expusemos, algumas houve em que - embora situadas em zonas tão ou mais «desprotegidas» - graças à dinamização imposta pelos seus directores (são exemplos que constatámos as escolas da Av. do Brasil e a da Machava A) ou à consciência e militãncia de monitores assalariados (como nas escolas Machava-Sede e Machava E) que, num esforço anormal davam, além das suas, as aulas dos professores em falta, os trabalhos praticamente não foram interrompidos. De salientar também que, mesmo nas escolas sacrificadas pela «greve», numa manifestação de consciência pudemos encontrar algumas professoras cumprindo as suas tarefas. «Se no primeiro dia depois dos incidentes, confesso, tive um certo receio, nunca mais deixei de vir h escola pois achei que aqui era mais necessária que nunca» foi o que por exemplo ouvimos da prof., Santana Pereira, da escola Machava A. Pena que nem todos os professores tenham pensado assim... qualquer montante ~seu. merece * os nossos Toda a poupança, por pequena que seja, merece segurança total 1e máxima rentabilidade AS SUAS ECONOMIAS DEPOSITADAS AO PRAZO DE 1, ANO E 1 DIA, NO INSTITUTO DE CRÉDITO DE MOÇAMBIQUE, RENDEM 7%, QUALQUER QUE SEJA O SEU MONTANTE ISENÇÃO TOTAL DE IMPOSTOS, k GARANTIA DO ESTADO PARA CAPITAL E JUROS. INSTITUTODE CREITO TL H AM ADE MOÇAMBIQUE TRABALHO DE HOJE, MOÇAMMIUE DE AMAHÁ1 PÁGINA 18 Moçambique, território com cerca de 800 mil Km2,. tem uma população de 8,2 milhões de habitantes. É deste (futuro País Livre do Rovuma ao Maputo, das .suas relações de produção, das condições coloniais imperialistas que determinaram as suas relações económicas internacionais, que procuraremos fazer um breve apontamento que tentará caracterizar em síntese uma difícil situação económica, social e financeira resultante como diz o Pre-' sidente Samora Machel, de séculos de opressão e pilhagem colonial, agravada ainda por Uma década de dominação e repressão colonial-fascista. Assim, duas características essenciais marcam de sobremaneira a economia moçambicana: 1) - uma base essencial agrícola - com um evidente subemprego e, 2) - uma excessiva dependência externa que por vezes coloca em dificuldades a sua sobrevivência. A primeira é fundamentada- pela exagerada participação da população activa no sector agrícola, a par de um exíguo contrfí uto para o Produto Interno Bruto total. Assim, 90% da população activa de Moçambique dedica-se à agricultura, contribuindo com cerca de 40% para o Produto Interno Bruto, mas se se tiver ainda em conta que cerca de 50% do valor da produção da indústria transformadora se baseia na simples transformação de produtos originados pelo sector agrícola, mais reforçada fica ainda a imagem de uma estrutura económica desequilibrada com um predomínio excessivo e perigoso de uma agricultura pouco diversificada. De notar ainda que o Sector Industrial emprega somente 2% da População Activa, que por sua vez contribui com 14% para o Produto Total. Dentro do, sector agrícola podemos ainda- constatar, um flagrante dualismo económico, característico aliás, deýte género de economias subdesenvolvidas, sobretudo quando inseridas num tipo de rélações coloniais. Assim, podemos distinguir dentrc do Sector Agrícola dois sub-sectores: um chamado de «Tradicional» e outro dito de «evoluído». No primeiro incluem-se as "explorações agrícolas do tipo familiar, viradas sobretudo para as culturas de auto-consumo. São explorações que se caracterizam 1 33 ~3~333 1 133 <3 3i~ ii 3333 33 33333 33 >~333~33 33 -' 33 3334 333 33 33333333 333 33 33 33333 334 443433333 33 413333 33 33~433 ~~3333333 3~33 --~~333 4 433333~33 43333333333333333333 33 33 3333433443 333 4 33 ~433 33 33333333333333 3333 3~3333~33 33 ~33333333 3333333 433333333 334 44 3344 333333333333434 33 41;~44Y34~33í4333< 33 33 3~~33333333433~ 33 333 ~33333333334333333 4 33333333433313 33333434 3 j~r~ 3333 ~413 334 333~3q435333<~4434 333 ~ 13313333~4 3313 333413333333 3333 33333 3334~433 33333313433433 343333343343 34 3333 3 3 333 333433333 33 433~44433 333333333 3333333 333331434 43334334 3 3~333 1 3343334 3 >333333 33333 44 343>333333 3 ~ ~433 3 33 33 4 43 33 333 3333433~ ~ 3 <)3333~ 33 333 333 43 -3 33 3 33441333333 33333133 33 33 43334~33333333~ 3;~~¶ 33~ 333333 3333333 333333 ~33343333333 3 3333343333433 3 33 33 3333~ 4 33 3 33 3~ - 3 33 13 3 33 34 33 333333 pelo seu" elevado número, pela ,sua diminuta dimensão média, bem como ainda pelo rudimentarismo dos instrumentos de produção que emprega. Por sua vez, as explorações agrícolas do tipo «evoluido» caracterizam-se, ao contrário, pelo seu reduzido número, por uma dimensão média elevadíssima - mais de 500 ha -, emprego de -modernos meios de produção e pela utilização de uma vasta mãode-obra que vende a sua força de trabalho num mercado não regulamentado. Tratam-se essencialmente de explorações viradas. às culturas agro-industriais, destinadas na maioria aos mercados internacionais, e que, em grande parte, são pertença de grandes empresas colonialistas multinacionais que através de uma colonização desenfreada, têm sugado ao povo moçambicano, em proveito do capital financeiro internacional, todo o esforço do seu trabalho. Lembramos ainda que, dentro deste processo, grande parte do povo português foi vítima da sua própria colonização em proveito dos grandes grupos financeiros protegidos e acarinhados pelo Estado Novo Fascista. Moçambique possui pois, um sector agrícola pouco diversificado, 5 a 6 produtos principais, alicerçado numa estrutura produtiva defeituosa, essencialmente virada para o mercado externo e este por sua vez inserido num sistema de relações tipo monopolista-colonialista, onde os preços raramente são estabelecidos pelos mecanismos de livre mercado. Assim,, a agricultura moçambicana origina sobretudo, a transferência de um excedente, criado pela força de trabalho do seu* povo, em proveito dos capitalistas dos países industriais que neles o investem, nada vindo a beneficiar por conseguinte a economia de Mo°çambique. Põe-se deste modo a questão, de sabermos porque é que este pais, em vez de exportar os seus produtos em estado primário, ou acrescentando pouquíssimo valor dos mesmos, não monta a sua própria dinâmica de industrialização, destinada quer a um processo de substituição de importações, onde o mesmo for logicamente comportável, quer a uma maior valorização das suas exportações, de modo a que ficasse retida no território, um maior valor acrescentado ao Produto Social que fosse beneficiar -o seu povo trabalhador. Pois a questão é sobretudo fácil de resposta, e o seu conteúdo insere-se logicamente num esquema de relações económicas, e não só, cuja evolução tem sido bem demarcada. Assim, Moçambique foi durante cerca de cinco séculos um território colonial, portanto com toda a sua actividade regida por um estatuto próprio que na generalidade regula as relações - tipo colónia-metrópole. Isto é, colónias são territórios subdesenvolvidos sem autonomia de facto, cujos recursos naturais são explorados e canalizados em proveito de uma metrópole; metrópole esta que, neste caso concreto, não quererá dizer necessariamente Portugal, pois também este pais como já dissemos atrás, está inserido por sua vez na teia do capital financeiro internacional, funcionando mais como um intermediário na transferência da mais valia em proveito de terceiros, do que como potência colonizadora. Dentro deste contexto, torna-se hoje complexo isolar como colonizadores países ou territórios já que são as relações de produção dentro do S i s tema Capitalista que marcam uma verdadeira colonização da força de trabalho dos trabalhadores em geral, pelo capital internacional na fase de funcionamento imperialista a que o Sistema Capitalista chegou. A colonização está pois inserida, num contexto de exploração imperialista cuja base essencial está assente na reprodução alargada dás relações de produção capitalista à escala mundial. Sempre que estas relações de produção são postas em causa, o imperialismo das nações capitalistas, transforma-se em intervenções político-militares sob a aparência da defesa da «liberdade» ou de uma pretensa missão civilizadora. Assim, e ilustrando o «processo» poderemos prosseguir com a nossa análise. Uma colónia exporta essenCDLDNIALiSMO-I NA ECONOMIA ialmente os seus produtos ob a forma de produtos ;rimários ou matérias-priias, a um valor arbitrariamente estipulado pela parte compradora, quase sempre identificada com a colonizadora, pois será esta que no processo de contratação mais pressão poderá exercer. Estas matérias-primas irão por sua vez servir de «inputs» na actividade industrial dos países desenvolvidos, que por sua vez também irão vender os seus produtos acabados aos países subdesenvolvidos iniciais. Só que estes, claro está, compram os produtos a um valor muito superior àquele que previamente ti-, nham recebido pelas suas exportações dos produtos primários. Surge assim pois, uma Troca Desigual que para além de agravar conti. nuamente a estrutura da economia da colónia, pela deterioração constante da sua Balança de Pagamentos, vem beneficiar sobretudo as regiões industriais, ditas ricas, onde um maior valor acrescentado fica retido em proveito do grande capital internacional. Nas relações comerciais entre colonizados e colonizadores há sempre só uma parte beneficiada. É fácil de ver qual. Foi, pois, num contexto inserido numa economia colonizada que procurámos explicar o aspecto essencialmente agrícola ou a não industrialização da economia moçambicana. Chegamos assim, à outra grande característica da economia de Moçambique: a sua acentuaia dependência económica do exterior, como podemos facilmente avaliar pela participação do valor das importações - exportações debens e serviços no valor do Produto Interno Bruto (30%). Para uma melhor caracterização desta dependência, vamos analisar o grau de concentração de comércio por países, e seguidamente a especialização por produtos comercializados. Quanto às exportações de Moçambique, apenas 8 países detêm 83% do valor total do produto exportado, distribuído da seguinte maneira: metrópole e outras colónias 42%, E. U. 14%, Africa do Sul 10%, União Indiana, Reino Unido, Holanda e Alemanha Federal com o restante. Portanto urna forte concentração das exportações moçambicanas nos mercados internacionais, em função quase que exclusiva das nacionalidades dos grandes grupos financeiros que operam no seu território. * Quanto às importações, 85% das mesmas são originárias de 9 países com a seguinte distribuição: Metrópole com menos de 25%, Africa do Sul com quase 15%, Alemanha Federal com 10%, E. U., França, Reino Unido, Japão, Iraque e Itália com o restante. Assim podemos concluir,' que tanto nas exportações como nas importações a concentração por regiões é notoriamente forte, e a quase coincidência nos dois circuitos vem ilustrar o que dissemos atrás sobre a venda de matérias-primas a certos países e a compra aos mesmos de produtos acabados. Analisando a especialização por produtos, verificamos que as exportações de Moçambique assentam essencialmen'c em 5 produtos primários: Chá, Copra, Açúcar, Caiu e Algodão em rama. Os mesmos produtos aliás, em que como vimos atrás, assentam toda a economia agrícola especialmente no dito subsector «evoluído». Quanto às importações, o leque é mais vasto e diversificado,- assentando sobretudo em bens manufactura. dos e de equipamento. Todavia, nenhum por si tem um peso excessivo no cômputo total, apesar de alguns produtos de natureza semelhante terem pesos consideráveis no valor global das importações como sejam: petróleos e derivados com 10%, máquinas e aparelhos com 18%, material de transporte com mais de 13% e medicamentos com cerca de 5%. Ultimamente porém, as importações de trigo e teci dos tiveram um extraordinário incremento, o que vem revelar uma perigosa depentência externa num sector da economia ligado, ao consumo das grandes massas populacionais. Numa análise comparada, importações / exportações, podemos já adiantar que existe uma tendência extre mamente desfavorável para rUPIRIA1ISMO 1OCAMBICANA COLONIALISMO- 1 NA ECONOMIA PAGINA 22 a deterioração das razões de troca de Moçambique nos mercados -internacionais, já que uma' comercialização baseada na troca de produtos agrícolas ou matériasprimas, nem sempre com uma característica de grande procura, por artigos industriais oriundos de países fortemente Industrializados, com' mercados concorrenciais fortemente sujeitos a pressões da procura, originará forçosamente um desequilíbrio estrutural queý conduzirá a uma perigosa situação de dependência económica (e não sóà.., que poderá em certos momentos de conjuntura, como parece ser a actual, provocar uma situação alarmante para o desenvelvimento da economia moçambicana. Expusemos e provámos, pois, as duas principais caractersticas da economia de Moçambique: o seu dualismo agrícola e a sua forte dependência externa, tudo isto inserido num contexto de colonização situado numa base imperialista cujos corolários são como descrevemos atrás, a reprodução das desigualdades de desenvolvimento nesta ou naquela região, a crescente reprodução das desigualdades das trocas, a reprodução das zonas de «fracturas» do modo de produção capitalista, o que, por sua vez, no fim de contas, vem favorecer a reprodução das relações de produção capitalistas nas próprias formações sóciais dominantes. Serão pois, condicionadas pelas relações de produção inseridas nste contexto político-social-económicoimperialistas, que deveremos procurar as motivações da presente situação em Moçambique. Como disse Samora Machel, na posse do primeiro Governo de transição para um novo país livre «...descolonizar o Estado significa essencialmente desmantelar o sistema político, adminis. trativo, cultural, financeiro, económico, educacional, jurídico e outros, que, como parte integrante do Estado Colonial, se destinavam exclusivamente a impor às massas a dominação estrangeira e a vontade dos exploradores». e EIAIà A MAIOR TAXA DE JURO nos depósitos a prazo dei ano e 1 dia - I BANCO DE FOMENTO NACIONAL dinamiza o progresso Lourenço Marques-A\r.da República,988 Beira -Av Paiva de Andrada, 66 DE TRES MILHÕES. DE CONTOS DE DEPOSITOS Num esk.rço comum com msde cem mil depositantes o Montepio de Moçambique promove o desenõl-vimento e o bem estar social do povo. Capital moçambicano para todos os moçambicanos DEPOSITE NA CAIXA ECONOMICA DO MONTEPIO QUEM O INIMIGO alguns aspectos actuais da luta de libertacão nacional - AGOSTINHO NETO O Camarada Presidente do Movimento Popular para a Libertação de Angola, Agostinho Neto, proferiu há tempos uma importante conferência na Universidade de Dar-Es-Salaam, na Tanúnia, em iue abordou os temas «Quem é o inimigo» e «Qual éo Obíectivo da luta de Libertação». Porque se trata de um texto de grande riqueza teórica e extremamente adequado ao próprio momento histórico que vivemos, aqui o oferecemos para reflexão e estudo aos nossos leitores. Com efeito, e embora referido basicamente a uma problemática angolana o teor dessa conferência pode ser considerado como mais um importante contributo teórico à ideologia da revolução em África e, por conseguinte, em Moçambique. É com o maior prazer que tomo a palavra diante do sempre interessado auditório desta Universidade, cujas preocupações, por parte dos professores e estudantes, revelam o desejo de um conhecimento profundo do nosso continente e dos diferentes factores que afectam o seu desenvolvimento. Esta é uma preocupação digna dos futuros dirigentes do país e daqueles que o formam, facto que transforma o grande prazer deste encontro em honra especial. Que me seja permitido expor brevemente o fruto de uma experiência pessoal, de reflexões sobre a luta de libertação nacional no nosso continente. Esta experiência não é senão a expressão de uma necessidade vivida em África nos últimos cinco séculos e muito especialmente nos últimos decénios, de cada um de nós se sentir livre. É também a expressão mais vasta do desejo comum do Homem sobre a terra, de se considerar livre, capaz de se desligar das amarras de uma sociedade em que estiola e morre, como ser humano. A luta de libertação nacional em África, na minha opiPÁGINA 26 nião, não pode ser desligada do contexto actual em que se dçsenvolve, nem pode isolar-se no mundo. Uma greve de trabalhadores na Inglaterra, a imposição do fascismo ao povo chileno ou uma explosão atómica no' Pacífico, são fenómenos da mesma vida que estamos a viver, através da qual procuramos as vias para uma existência feliz para o homem sobre a terra. O facto universal é portanto particularizado em África, através das formulações no plano político, económico e cultural. Os laços históricos que ligam os nossos povos aos outros povos do mundo vão estreitar-se cada vez mais, pois -que não pode haver outra tendência sobre a terra. O isolamento é impossível e é contrário à ideia de progresso técnico, cultural e polí.tico. O problema que se nos poe neste momento a nós africanos, é como transformar as relações injustas, geralmente de subordinação política e económica, com os outros países e povos do mundo, sem que essa transformação se faça em desfavor do progresso social que necessariamente deve estar inoculado na acção pela liberdade e sem que o comportamento do homem seja de quem sai de uma forma de discriminação para cair numa outra forma tão negativa como a primeira, como pura inversão dos factores intervenientes. A dentro da mesma sociedade africana, o movimento de libertação nacional não deixa também de procurar que as forças socio-económicas internas, isto é, aquelas que se desenvolvem no interior de cada país, se reestratifiquem no sentido do progresso. Em África, estamos dando o melhor do nosso esforço para acabar para sempre o paleocolonialismo, hoje apenas existente nos territórios dominados por Portugal, como geralmente se acredita, mas que de facto são dominados por uma vasta associação imperialista protegendo de maneira injusta, inte-rsses egoístas de homens, organizacões económicas ou de grupos de países. Os chamados regimes racistas de minoria branca, não são senão uma consequência e uma forma especial de palco - colonialismo, em que os laços eom as metrópoles se tornaram ' frouxos e:mais apagados, em favor da ditadura minoritária branca. Esta forma de colonização visível, clara, äber ta,' não impede que uma outra exista no nosso cortinente,, ou.ra forma de dominação mais subtil conhecida pelo nome de neocolonialismo, em que o sujeito da éxploração jáý não se identifica com, a designação de colonizador,, mas que, em diferentes níveis, actua da mesma maneira. No entanto, as formas de submissão internas, causadas pelo fraccionamento em pequenas congregações étnicas ou linguísticas, pelo desenvolvimento de classes priveligiadas e dotadas de um dinamismo próprio, não deixam de ser também formas de opressão ligadas às formas visíveis e conhecidas como colonialismo, antigo ou novo, ou racismo. Elas aliam-se fadilmente ao- impevialismo e facilitam a sua pene tração- e influência. Estes fenómenos são universais, eles encontram-se ou encontraram-se em todas as sociedades do mundo, mas na actualidade são agudas e bemí concretas em África e é aqui que eles mais nos preocupam a nós africanos, e também aos povos com os quais temos relações ou de submissão- ou de cooperação. A dominação e a opressão coloniais ou racistas exercem-se de diferentes maneiras e a diferentes niveis. Elas não se produziram de modo uniforme sobre o nosso continente, não utilizaram sempre os mesmos agentes, não actuaram sempre sobre o mesmo estrato social ou .sbre a mesma forma de organização política ou económica. Por isso, cada um, colonizador ou colonizado, sentiu de maneira diferente este fenómeno hoje anacrónico e que se deseja ver substituído por outro tipo de relações (e quanto a este novo tipo de lelações, nós os africanos ainda não estamos nei' muito claros, nem de acordo). Se para uns, coloníalismo significou e significa trabalho forçado, para outros é discriminação racial; para outros ainda, é a segregação económica ou a impossibilidade de ascenção política. Mas o roubo de terras africanas pelos colonizadores, a escravização do trabalhador, o castigo corporal, ou a intensIva exploração dos bens que nos pertencem, são formas do mesmo colonialismo, e depende da larga compreensão de todos estes factores, a capacidade de cada um se aplicar com maior ou menor inteligência e clareza na dinâmica pela solução do problema colonial. E, como anteriormente dis~ se, a acção contra o colonialismo está estreitamente ligada, insere-se numa outra de carácter aparentemente interno, mas na realidade tão universal como a primeira, que é a necessidade das trans formações sociais de maneira a que o homem seja realmente livre em cada país ou em cada continente do mundo. A maneira como se encara este aspecto do problema, é também muito importante para a tomada de posição e para a orientação a seguirj no processo de libertação. Estão portanto interligados estes dois problemas cruciais do nosso continente e da nossa época, das relações com os povos estranhos, de um lado, e as relações das forças dispostas, no interior de cada país. Depende de como vemos o mundo, como antevemos o futuro do nosso país, como sentimos na nossa pele a acção das forças e;tranhas, a atitude mais ou menos correcta. mais ou menos intensa com que entramos emocionalmente na acção libertadora. A luta de libertação nacional na nossa etapa é pois informada não só pelos factores históricos que determinaram o colonialismo, o neocolonialismo ou os regimes racistas, mas também pelas perspectivas, pelos objectivos e pela maneira de cada um conceber o mundo e a vida. A reacção contra a dominacão estrangeira, seja ela individual, colectiva ou organizada, não pode deixar de se informar de dois factores aporotados e que dizem respeito à história passada e à história para o futuro. Por isso, a importância dos movimentos de libertação nacional é muito maior do que geralmente se admite, porque pela sua actividade, eles se transformam em aceleradores da história, do desenvolvimento da sociedade onde actuam e fora dela, dinamizam processos sociais, para ultrapassar o estadio actual, mesmo aquele que se apresenta em países politicamente independentes. Os diferentes tipos de colonização em África, dotaram-nos a nós, africanos, de formas diferentes de ver o problema da libertação e é normal que assim seja, uma vez que as nossas consciências não podem retirar o material para a sua constituição senão do terreno e da experiência vivida e pelas possibilidades de conhecer o mundo. Por vezes, nas concepções e portanto na aplicação prática dos programas de combate, diferimos e nem sempre a orientação tomada na acção libertadora preenche ambas as iecessidades de se concentrar na transformação das relações entre os. povos e na transformação intrínseca da vida da nação. Daqui a necessidade de realizar com clarez.a o problema, e claramente responder a estas questóes especiais: - quem é o inimigo? o que é o inimigo? -qual é o nosso objectivo? As respostas a estas perguntas, como é óbvio, não dependem apenas do desejo de ser livre, dependem também do conhecimento e da concepção do mundo e da vida, dependem da experiência vivida. O que significa que elas não se podem' desligar das id e i a s políticas adquiridas, d a s tendências ideológicas, fruto, geralmente, da origem de cada um de nós. Sem querer entrar na anãuse do problema angolano, nos seus aspectos particulares, eu quereria no entanto, basear-me na minha experiência, para poder esclarecer as refleXões que acabo de fazer e que farei mais adiante. Angola, um vasto país, hoe muito pouco densamente povoado, é colonizado desde 1482 pelos portugueses. Esta éL ideia geralmente admitida. Contudo, no que respeita -à colonização, Portugal não conseguiu dominar to d o o nosso território desde os primeiros contactos, foram precisos séculos para conseguir impor o seu domínio político e económico a todo o nosso povo. Também não é verdade que Angola seja dominada apnas por Portugal; sobre este ponto, o mundo está suficientenmente esclarecido para saber que em Angola estão em jogo os interesses políticos e económicos de várias potências no mundo. A gerência portuguesa, não impediu a presença dos seus associados, presença que se tem desenvolvido desde há séculos. A Grã-Bretanha, por exemplo, país que possui em Angola o maior volume de capitais investido§, ou os Estados Unidos dá América com crescentes interesses na economia e -ansiando dominar a posição estratégica do n o s s o país, assim como outros países da Europa, da América ou da Ásia, concorrem para a dominação dó nosso povo e a exploração dos bens que nos pertencem. Pensar hoje que Angola, Moçambique, a Guiné e outras colónias são dominadas pelo pequeno e atrasado Portugal, é tão errado como pensar que a sociedade Francesa se encontra na, época feudal, (a referência à França é apenis para exemplificar). Não é o pequeno e atrasado Portugal, o principal elemento para a colonização. Sem os capitais de outros países, sem os crescentes iiivestimentos sem a cooperação técnica, sem as cumplicidades a vários níveis, a transformação radical já se teria verificado há muitos .anos. Portanto se nós podemos dizer que Portugal é o gerente de uma série de combinas político-económicas, compreenderemos que ele não é o nosso inimigo principal, mas apenas o inimigo directo. Ele é por outro lado, o elo mais -fraco de toda a cadeia instituída para a dominação dos povos. Se olharmos para o próprio Portugal, para o seu panor a m a interior, encontramos uma sociedade oue se debate aínde narq. ultra-assar ums obsoleta forma de governo oligárquico, incapaz de abandonar o uso 'da violência contra o seu povo, para o proveito de umas quantas famílias, com uma classe camponesa debatendo-se na miséria mais triste da Europa e onde cada cidadão se sente prisioneiro no seu próprio país. É erdade o que dizem os próprios portugueses, que o seu país constítue hoje uma das maiores vergonhas da Europa e do Mundo. Poderemos neste momento repor a questão: -quem é o inimigo? qual é o seu carácter? Muitas vezes se confunde o inimigo da África com o branco. A cor da pele ainda é um elemento que para muitos determina o inimigo. Há razões históricas, sociais, factos vividos que consolidaram no nQsso continente essa ideia. E é absolutamente explicá-. vel que um trabalhador das minas na Africa do Sul, segregado, violentado e espremido no seu suor até à última gota, sinta que o branco presente aos seus olhos, para quem ele produz riqueza, é o ,,inimigo principal. É para ele que constrói cidades, ruas bem pavimentadas, conserva condições- de higiene e de salubridade que não possui para si próprio. fÉ da experiência da vida que a consciência principalmente se forma. A experiência da Àfrica do Sul pode levar a esa conclusão imediata, até certo ponto lógica e emocionalmente válida. Tanto mais que, para voltar ao caso de Angola, a sociedade criada pelos colonialistas, criou mecanismos vários de defesa racial, postos ao serviço do colonialismo. O mesmo camponês pobre, miserável, oprimido e explorado na sua terra, é alvo de atenções especiais quando se fixa numa das «suas» colónias. Ele não é só imbuido de mitos patrioteiros, como -também começa a gozar de privilégios económicos e sociais de que nunca podc dispor antes. Assim, entra no sistema. O colonalismo começa a servir-lhe 'o apetite e passa a ser o cão de guarda dow interesses da oligarquia fascista. No entanto, nos mais íntimos sentime toe de .eA-, um, tanto o que faz de cão de guarda eomn o oue é emnlorado, não 'deixam de sentir-se escravos do conjunto do sistema. E é assiln que hoje podemos dizer que o fenómeno da opressão colonial ou neocolonial. no nosso continente já não se pode pôr ao nível da cor dos indivíduos. O mesmo sistema que oprime e explora o camponês em Portugal é também o que oprime e explora o cidadão angolano, utilizando motivações diferentes, técnicas diferentes, mas sempre com o mesmo propósito - explorar. E entre o homem português e o homem angolano ou moçambicano ou guineense, é possível o estabelecimento de relações justas, isto é, de relações que impeçam a exploração de um homem pelo outro homem. O factor racial, não jogará senão um papel secundário e durante mais algum tempo, caso terminem as relações de senhor para escravo. A compreensão ideológica deste problema, também facilita a sua resolução, ao serem definidos os objectivo§ da luta de libertação. Em condições especiais, encontram-se já casos em que o problema racial é, ultrapassado. É o que se passa na guerra. Há portugueses conscientes que desertam, para de uma maneira ou de outra se alistarem nas fileiras nacionalistas. . A nossa experiência da clandestinidade mostrou que pode haver essa colaboração racial na luta contra o sistema. E, n- fundo, o que é que nós queremos? Não penso que a luta de libertação nacional se dirija no sentido da inversão dos sistemas de opressão de modo que o senhor de hoje seja o escravo de amanhã. Pensar assim, será querer caminhar contra o sentido da história. *As atitudes de révanche social não são as que poderão trazer aquilo que deseJamos, ou seja a liberdade do homem. É que as lutas de libertação, desejo sublinhá-lo, de novo, não se destinam somente a corrigir violentamente as relacões entre os homens, e especialmente as relacões de producão. dentro do nWs. -n ela,4 constituem um tactor impnrtante Dar»: a trpnsformaeão nn q4f3va de td o o np.so continente e do mundo inteiro. A luta de libertação nacional é também um meio de quebrar todo um sistema injusto de opressão existente no mundo. Vejamos o lado pragmático da questão: Não encoítramos em África um único país que'não mantenha relações preferenciais com a sua antiga metrópole, até pela absorção dos valores culturais inevitável num regime de tipo colonial. E mais, as formas de exploração nâo terminaram; por consequência, não terminaram também as formas de discriminação racial, mais ou menos acentuadas. Nestes casos, a libertação ainda não é completa. Numa independência onde não houvesse apenas a aparência de independência política, mas também a económica e a cultural, onde o re.3.: peito real pelos valores naci iais existissem de modo a permitir a abolição da exploração, eu acredito-o - o homem encontraria então a lih berdade verdadeira. Se quisermos responder à nossa pergunta, diremos que o inimigo e o colonialismo, o sistema colonial, é ainda o imperialismo, que sustenta o primeiro, sendoi até o inimigo principal. Estes inimigos utilizam em seu favor, todas as contradições que possam encontrar na sociedade dominada. Os factores raciais, tribais, de clasýse, e outros. Sobre eles constroem as suas bases de exploração e mantêm, modificando-lhes o aspecto, quando já não poder ser mantidos. Assim, em África, já não é a dominação política formal que pode prevalecer, mas ninguém ýq libertou da dominação económica. Ela aí está presente e por isso mesmo, me é muito grata a fórmula adoptada por alguns partidos políticos no poder em África, ao dizer que eles também são movimentos de libertacão nacional. Assim se exprime o completo significado do fenómeno da libertação. Deste conceito mais largo de libertação nacional, provêm consequências importantíssimas para a necessária cooperação entre os oprimidos da terra. Continuarei dizendo, portanto, que a libertação nacional, tem de ser uma etapa para a realização de uma forma mais vasta de libertação, que é a libertação do homem. Se se afasta desta ideia, o dinamismo desaparece, as contradições essenciais no país não terminam. A experiência a n g o 1 a n a mostrou já que o carácter anti-racista puro, não pode permitir o pleno desenvolvimento da luta pela liberdade. A nossa sociedade, desde há séculos, contém dentro de si os elementos brancos, chegados como ocupantes, c o m o conquistadores, mas que tiveram tempo de se enraizar, de se multiplicar e existir por gerações e gerações sobre o nosso território. Essa população branca domina os centros urbanos, provocando o fenómeno da mestiçagem, que torna a nossa sociedade interligada nos seus componentes raciais.Se a luta de libertação esquece a realidade do país e se atém a formulações gratas a nacionalistas sinceros mas preocupados com o aspecto do desenvolvimento socio-histórico do povo, ela estiola-se e não pode atingir os seus objectivos políticos e humanos. Todos" aqueles que num país desejam' participar de forma qualquer da luta, de libertação, devem poder fazê-lo. A preocupação em África de fazer da luta de libertação uma luta racial de pretos contra brancos, não só é epidémica, mas podemos dizer reaccionária e essa tese não tem futuro, no momento mesmo em que verificamos haver mais contactos entre pretos e brancos sobre o continente do que na época do colonialismo. As relações alargadas com os países socialistas,' com os países anti-coloniais (na forma antiga), as relações chamadas de cooperação com as antigas metrópoles, chamaram à África um notável :número de europeus, americanos, asiáticos que não existiu nunca em nenhuma época da história. Pôs, portanto, o problema preto contra branco, é falsear a -questão; é desviá-la do seu objectivo. Uma v.ida independente como Nação, uma existência em que as relações económicas sejam justas entre os países e dentro do país, um reviver dos valores culturais ainda válidos para a nossa época. O conceito literário de negritude, nascido das correntes filosófica.- literárias que fizeram a sua época, com o existencialismo e o suplI'frealismo, pôs com acerto o problema da consciencialização cultural do homem negro no mundo, independentemente da área geográfica em que ele se dispersou. Conjuntamente com a ideia do panafricanismo, o conceito de negritude, começou a um certo momento, a falsear o problema negro. É justo, era justo realçar os valores culturais na sua essência, que os povos negros transportaram para todos os continentes, com predominância para o continente americano. A nossa cultura deve ser defendida, desenvolvida. O que não significa dizer que deva ser mantidá em estagnação. No fundo e como vários pensadores têm afirmado, a luta de libertação nacional é uma luta pela cultura. Mas eu creio. que os laços culturais não evitam de modo a 1 g u m a compartimentação política. Este tem sido um ponto equívoco em muitas manifestaçóes ditas de libertação nacional. E não posso deixar de exprimir aqui a minha inteira identidade política com a luta dos povos negros da América, lá onde se encontrem e admirar a vitalidade dos descendentes dos africanos ainda hoje oprimidos e segregados na sociedade americana, especialmente,- n o s Estados Unidos. Digo especialmente nos Estados Unidos, porque não acredito muito na inteira liberdade dos negros e na igualdade nacional no Brasil, de que tanto se fala e de que nos pretendem convencer. A ascenção social do negro americano é notável, ao ponto de hoje o negro americano se distinguir em África não só pelo seu comportamento mas também pelo standard intelectual e nível técnico. Raras vezes as características somáticas do negro americano permitem dúvidas sobre a sua origem. E assim é que o fenómeno da miscegenação produziu um outro tipo de homem. Aquele tipo que em Angola o homem vulgar chamaria branco ou mestiço, nos Estados Unidos -é negro. Não existe portanto uma identificação somática e há f o r t e s diferença culturais como não poderia deixar de ser. Por isso, sem confundir origens com os compartimentos políticos, a América é a América, a África é a África. Hoje estamos todos ligados, - solidários numa luta de libertação contra opressores que apresentam a mesma cor, mas amanhã certamente, haverá personalidades sociais diferentes a preservar. E o processo evolutivo da humanidade para que as diferenças se extingam, não podem deixar de provocar nos Estados Unidos, uma diluição ainda maior das diferentes etnias antagónicas. A América tem a sua vida própria, do mesmo modo que Angola ou Moçambique têm a sua própria vida. Embora tenhamos de nos identificar, como negros, na defesa dos nossos valores, não posso esconder a preocupação por vezes mal fundamentada para que alguns dos nossos irmãos do outro lado do Oceano Atlântico t e nh am uma messiânica preocup a ç ã o de encontrar um Moisés para o regresso à África. Certamente, esta teoria, para muitos está ultrapassada. Mas vou voltar ainda à questão de saber quem é o nosso inimigo. Relembro que, na minha compreensão, as reacções contra um sistema de opressão derivam da vivência, da maneira como se sentiu essa opressão. Citei o caso da África do Sul. Não quero ignorar neste momento a pressão que é feita sobre os Movimentos de Libertação p ar a conservar uma pretensa pureza negra. Cita-se muitas vezes o caso da América onde a luta racial é para os negros, a mais aparente. Não sejam estas frases tomadas -como críticas aos nossos bravos i r m ã o s americanos negros, eles melhor do que ninguém sabem como orientar a sua luta, como encarar a transformação da sociedade americana de modo que lá, o homem seja livre. Mas permitam-me também que eu rejeite toda e qualquer ideia que desejo transformar a luta de libertação nacional em Angola, em luta racial. Eu direi que em Angola, a luta também assume o aspecto racial, pois que a discriminação fazse. A exploração do negro faz-se. Mas ela é fundamentalmente uma luta contra o sistema colonial e contra o seu aliado principal, o imperialismo. Rejeito também a ideia da libertação negra, num momento em que a unidade da África é um dos princípios da OUA aceite universalmente e sabendo em África existem os Povos Árabes, existem âreas que não são negras. O problema não pode ser púramente racial. Enquanto houver imperialismo há possibilidade ,de continuar o colonialismo. Estes são os inimigos, para nós. O que nós desejamos é estabelecer uma sociedade nova, onde negros e brancos possam viver em conjunto. Naturalmente e para não ser mal interpretado, devo acrescentar que o processo democrático deve exercer-se de tal modo que a massa popular mais explorada (a negra) tenha o controle do poder politico porque ela é aquela que mais longe pode ir no estabelecímento de direitos apropriados para todos. Luta do povo pelo poder político, pela Independência económica, p e 1 o restabelecimento da vida cultural, pela desalienação, pelas relações com todos os povos, numa base de igualdade e de fraternidade, tais são os objectivos da nossa luta. Estes objectivos são fixados através da definição do inimigo, da definição do nosso povo e do carácter da nossa luta, que é uma luta revolucionária, atingindo não somente as bases do sistema colonial, mas também os fundamentos da nossa própria sociedade, como' nação e como povo. Mas nesta etapa, pode processar-se uma tal libertação? Vejamos. Estamos num período em que as forças imperialistas se dispõem com dinamismo e com tenacidade no palco africano. Combinados com os colonialistas portugueses, com os regimes racistas da África Austral o imperialismo está presente no nosso continente. A sua influência sente-se. A sua acção provoca sobressaltos na vida da África. O neocolonialismo é um facto. Em toda a África, ainda há que lutar pela Independência, ou política em algumas áreas, ou económica noutras, ou cultural na -quase totalidade. O imperialismo procura ao m4ximo manter as fontes de matérias-primas e a mãode-obra barata. Este é o fenómeno em que se debate não só a África mas todo o chamado «terceiro mundo». No mundo dividido em blocos, dos quais era hábito distinguir o bloco socialista do bloco capitalista, surgiu o não-alinhamento para poder tentar o.equilíbrio e a defesa dos menos desenvolvidos. E dentro desta divisão, são os socialistas que arvoram a bandeira do internacionalismo e na realidade dão o maior do apoio aos movimentos de libertação. Mas, hoje o campo socialista encontra-se dividido, enfraquecido por inconciliáveis concepções ideológicas e as relações de solidariedade que faziam destes países uma fortaleza de ferro e impenetrável, quebraram-se e estão longe de se restabelecer. As relações de solidariedade modificaram-se e conflitos de maior ou menor importância, mancham o ideal proclamado pelo socialismo. »Assim, do mesmo modo que em vários países africanos encontramos nos seus mercados os produtos de países dominados pelo inimigo, da África do Sul, de Portugal, da Rodésia, nós vemos com muita preocupação o aumento de relações comerciais e culturais especialmente com Portugal, em particular, por parte de alguns países socialistas. Assim, a libertação nacional em África, sejamos realistas não dispõe de bases muito sólidas na arena internacional e não são as afinidades políticas ou ideológicas que contam. Não são também os próprios objectivos, mas na maior parte dos casos, outros interesses dominam as relações entre as forças de libertação e o mundo. Estamos numa outra época. O mundo transforma-se e te.ns que constatar o facto. Assim, os interstícios por onde o inimigo pode penetrar são numerosos. No entanto, como factor essencial, temos de reconhecer que a luta de libertação nacional é uma causa que, hoje, raros deixam de apoiar, com maior ou menor sinceridade. A independência política para a maioria é uma aquisição do nosso tempo. E como várias correntes políticas e tendências ideoló-, gicas estão em jogo, com iiiteresses por vezes antagónicos, os movimentos de libertação vêm-se a braços com o problema da sua independência política e ideológiça, o problema da preservação da sua personalidade, que deve reflectir a imagem social do yais. A preservação da Independência não é fácil e por vezes a luta é afectada pelas nossas próprias contradições.* E as contradições podem provir das diferentes concepções. De que derivam a definição do inimigo e dos nossos objectivos. Alguns gostariam-de ver-os movimentos' de libertação tomar o rumo de luta de elasses, como na Europa. Outros gostariam de o ver racista, D. Quixote lançado contra o moinho de vento de pele branca. Outros gostariam de o ver tribalizado, federalizado segundo aquilo que imaginam dum país que lhes é desconhecido. Outros, idealistas, gostariam de os ver enveredar na senda do compromisso po1ítico com o inimigo. Estas tentativas de transformar os movimentos de libertação em satélites de partidos no poder, sujeitos a um paternalismo inadmissível,, são provocadas pelo"facto de a maioriá dos movimentos de libertação conduzindo uma luta armada, terem de o fazer a partir'do exterior.da sua pátria. O exílio produz, os seus efeitos. «0 pior mal que nos fizeram os portugueses - dizia um dos meus mais inteligentes amigos - é o de nos obrigarem a fazer a luta de libertação a partir do exterior». Eu concordo. A Organização da Unidade Africana, que algunj? coisa tem feito, especialmente no plano político para valorizar os movimentos de libertação nacional, ainda terá de os ajudar bastante para que eles se vejam. independentes, respeitando as conveniências e as intervenções programáticas das diferentes organizações, de acordo com a realidade do país. O diálogo entre a África independente e a África dependente ainda não é satisfatório e por isso mesmo os combates políticos não se desenvolvem com a força necessária. Nós poderíamos divagar sobre as várias nuances da acção política para demonstrar as nossas insuficiências, mas não desejarei neste momento dar a ideia de haver intenção crítica na apreciação do momento que atravessamos nesta fase de libertação. Direi apenas que, por exemplo, poderíamos cola b o r a r mais no plano económico, de modo a travar também a batalha neste campo. No que respeitaý a Portugal, o roubo das nossas riquezas como petróleo, o café, os diaman tes, o ferro, etc. produtos qt são comercializados por orga nismos internacionais, n o quais participamafricano poderia ser impedido, ou pe lo menos diminuído. E que mal faria a associa ção dos movimentos de libey tação nas discussões sobr problemas cruciais do nosa tempo e que vão certameni, afectar o desenvolvimento d nosso continente, como, po exemplo, a associação mai larga da Ãfrica no Mercad Comum, ou os problemas 1 Segurança Europeia? Enfim, poderíamos demora ainda mais tempo nas refle xões sobre experiências. vivi das nesta luta de libertaçã nacional. Termino aqui, agradecend ao Sr. Presidente e a toda as senhoras e senhores, cara radas, a vossa atenção. dinheiro guardado em casa não esta seguro naovence I,, iuros I deposite na Caixa EconÕmica do .N Montepio e obtenha o mõximo rendimento participando simultaneamente na construção do Moçambique n ovo MONTEPIO O GRANDE MEALHEIRÓ DE MOÇAMBIQUE rr 1 ii"'; O lIAM p- Instituto de Investigação Agronómica de " Moçambique -, cuja sede -tica ali à Avenida do Brasil, é um .departamento estatal que, tal como o nome indica, faz investigações no domínío da agronomia, em Moçambique. Mais: segundo nos declarou o actualdirector, eng.-agrónomo Domingos Godinho Gouveia, o I1AM «destina-se, em primeiro lugar, a fornecer todos os elementos de base para o desenvolvimento da agricultura neste país». Mas de que agricultura?- é preciso perguntar. A, quem I aproveitava, de facto, o tra'balho de investigação técnica e científica desenvolvido pelo LIAM em Moçambique? Aos pequenos agricultores? Ou às grandes companhias? Quem usufruia, realmente, a ciência do LIAM ? Razoavelmente bem apetrechado em pessoal e equipamento -pelo menos até à recente debandada dos técnicos - o IAM constituía, quanto a isso, quase uma excepção no (escasso) quadro geral dos institutos -de investigação moçambicanos. E porquê? Porque o domínio da investigação técnica e científica, salvo raras excepções, é daqueles que só dá frutos, economicamente falando, a médio ou longo prazo. Por outras palavras: não é um sector no qual o antigo regime pudesse investir com lucros imediatos - e, portaný W" "11"ý à direita, o Eng. Agrón. Domingos Godinho Gouveia, director do lIAM Cana Sacarina: uma grande riqueza ainda parcialmente por explorar to, interessava-lhe pouco. Por isso, investigação científica era coisa quase inexistente em Moçambique, uma vez que à exploração colonial interessavam de preferência outros investimentos mais imediatamente lucrativos., Num ou noutro campo, o sistema tinha de abrir excepções: ou por questões de prestígio e então faziam-se grandes obras de fachada; ou porque as próprias necessidades da exploração colonial começassem a exigir, para que esta florescesse, a aplicação de técnicas e ciências mais avançadas. É assim, determinados pelos imperativos da concorrência, ao nível dos mercados mundiais, que o Estado português se vê forçado a incrementar, aqui e ali, trabalhos de investigação onerosos, li-. gados aos sectores mais importantes da economia (colonial) dos territórios ultrámarinos. Neste âmbito, surge em Moçambique, há cerca de oito anos, o IIAM, que agrega a si todos os sectores de investigação agronómica existentes à época em diversos organismos estatais. Dotado com pessoal altamente qualificado e com equipamento de investigação de elevado valor, o lIAM recebe (ou recebia) uma verba anual rondando os 50 mil contos, a qual, dotada por orçamento estatal, continha importantes contribuições do Instituto .do Algodão, do Instituto dos Cereais e, principalmente, do Plano de Fomento. O sistema colonial viu-se portanto forçado, em determinado momento, a investir verbas relativamente elevadas num sector que não lhe traria lucros imediatos. Com o fito, obviamente, de colher esses mesmos lucros a médio ou longo prazo. Isto, na.prática, quer dizer que o trabalho de investigação resultante de tais investimentos deveria servir, antes de mais, os interesses das grandes companhias que exploravam o solo moçambicano; Pouco importando ao sistema que, de tal trabalho, pouco ou nada aproveitasse ao povo que trabalhava o mesmo solo e dele extraia a riqueza. E assim se passariam as coisas se o sistema colonial português funcionasse bem. Incompetente e ineficaz como era, porém, as coisas passavam-se de maneiã diferente: na maioria dos casos, caía-se na Investigação pura, os técnicos e os cientistas afàstavam-se cada vez mais das realidades económicas e políticas da terra onde trabalhavam-e o seu trabalho,. nessa maioria de casos, acabava por não aproveitar a ninguém, dispersando - se e perdendo-se por centenas 'de páginas de densos relatórios anuais (ou simplesmente esporádicos) ue ninguém se dava ao trabalho de ler e interpretar. Assim, muitos dados técnicos e científicos contidos nesses relatórios, valiosos em si e, portanto, potencialmente útèis, acabavam por perder-se ingloriamente no bafio das bibliotecas, arrumados em pratelers que ninguém frequentava. O Instituto de Investigação Agronómica de Moçambique é um pouco o resultado de tudo isto- o resultado de uma situação colonial onde as constantes contradições entre oý objectivos visados e os meios utilizados para os atingir acabavam por levar ao mais completo desperdício dos mesmos meios, que nem ao próprio sistema acabavam por aproveitar. Não espanta, por isso, que, quando no termo de uma longa conversa com o director e outro elemento responsável do HIAM perguntámos a esses dois técnicos qual o contributo real, efectivo, dado pelo Instituto para o desenvólvimento da agricultura em Moçambique, em todos estes anos, a resposta fosse: «Esse contributo limitou-se a pouco mais que o fornècimento de semente seleccionada, não directamente a agricultores, mas a serviços de extensão e fomento, que a distribuiam. Além disso, o IIAM fornecia informação técnica muito variada, através das suas publicações periódicas». Mas seria essa informação bem aproveitada? A resposta foi «não». Mas por que não ? «Essencialmente, por faltar, úma coordenação de todos, esses dados, que permitisse a sua aplicação prá'tica»-foi a resposta que nos deram os referidos técnicos, que adiantaram que a única forma de superar este condicionalismo seri4 a integração do trabalho do, IAM num sistema de desenvolvimento económico planificado, ao qual esse trabalho fosse subordinado. ESCASSEZ DE TÉCNICOS Assim se chegou ao ponto que mais interessava: o que importa, efectivamente, não é chorar sobre o passado, mas virarmo-nos para o futuro e abordarmos as suas perspectivas. Por outras palavras: o que importa, agora, é ver, é saber o que poderá ser oIIAM daqui para a frente, de que maneira poderá ele contribuir de facto para o desenvolvimento da agricultura de Moçambique e colocar-se assim ao serviço do seu povo. Vontade, ao que parece, não faltapelo menos aos doistécnicos com quem falámos. Disse-nos, nomeadamente, o eng.' Godinho Gouveia: «Estávamos todos há muito tempo à espera que acontecesse qualquer coisa. Tínhamos consciência que, como a situação estava, não era possível um trabalho verdadeiramente profícuo. Agora, essa coisa finalmente aconteceu. Agora, finalmente, há çondições para se trabalhar. Vamos, pois, trabalhar. Vamos pôr o trabalho que aqui se faz ao serviço do agricultor, vamos dirigi-lo nesse sentido». O outro técnico com 'quem falámos, eng.-agrónomo Augusto Rodrigues, responsável pelo departamento de investigação, concordou com os pontos de vista do director do lIAM. Mas, para se saber ao certo que contributo pode o 1IAM dar ao futuro de Moçambique, é preciso saber exactaA esqueraa, milho: uma das bases da alimentação do povo moçambicano A direita: um dos pavilhões da sede do Instituto, em Lourenço Marques mente o que é o IAM, de que meios dispõe, quais as suas carências, etc. Como já atrás referimos, o Instituto não pode queixar-se no que respeita a equipamento: segundo as palavras do seu director, «o equipamento satisfaz as necessidades básicas desde que haja verbas e pessoal técnico qualificado para trabalhar com ele». Aqui, esbarramos no que é o principal problema do IIAM neste momento: a fuga dos seus técnicos, ou atemorizados pelos últimos acontecimentos ou descontentes com a nova situação que se esboça em Moçambique. -Concretizando, o Instituto possuia, em 1973, 40 técnicos com formação universitária; 23 técnicos sem formação universitária; 65 técnicos auxiliares; 9 elementos administrativos; e 27 assalariados rprmanentes. Alguns dos referidos escalões de pessoal -os mais baixos -não foram. afectados pela presente situação. A fuga verifica-se precisamente no topo, na cabeça do Instituto, onde os técnicos mais qualificados estão adebandar. O IIAM corre o risco, neste momento, de ver reduzido a metade o número dos seus técnicos com formação universitária, o que comprometeria gravemente, a curto prazo, as actuais actividades do Institu'to. «A situação, quanto a pessoal, é alarmante» - disse-nos o eng.° Gouveia. Mas, se partirmos do princípio de que a actividade doInstituto terá de ser completamente remodelada, de formá a orientar-se mais directamente para os interesses do povo moçambicano, julgamos que talvez essa situação possa surgir menos alarmante. Quer dizer: mesmo que o IIAM tenha que restringir o âmbito dos seus trabalhos de investigação, se, o que se fizer, for feito no sentido mais correcto e orientado pai'a as reaisprioridades que se põem neste momento em Moçambique, então ter-se-á dado, mesmo com a falta de pessoal; um importante passo em frente. Entretanto, terão de desenvolver-se esforços para encorajar esses técnicos a não abandonarem Moçambique e o IIAM, fazendo - lhes ver que, pela primeira vez, terão agora oportunidade de fazer um trabalho verdadeiramente útil e com real aplicação prática, na nova sociedade que aqui se formará. Que aqui terão,, portanto, possibilidades de realização profiásional que talvez não encontrem nos locais para onde pens m ir. Julgamos que um verdadeiro técnico, um verdadeiro cientista, que deseje de facto pôr os seus conhecimentos ao serviço da sociedade em que viver deverá ter este argumento em conta. Mas são compreensíveis, por outro lado, os receios de alguns dos elementos que pretendem debandar. O principal problema que põem neste momento é o da segurança: a sede do HIAM situa-se em plena zona suburbana e receiam que, no caso de eclodir qualquer novo conflito social, venham a ser vítimas de ataques = não propriamente dentro do IAM, onde são conhecidos, mas na ida ou no regresso do serviço. Para lá de qualquer medida imediata que possa ser encarada pelas autoridades para este caso particular, lembramos que a possibilidade de Chá: uma das riquezas agrícolas de Moçambique novos conflitos como os que se registaram no mês passado é cada vez menor, após as medidas tomadas pelo Governo e o trabalho de organização e politizaç0o que desde então tem decorrido. ONZE UNIDADES EXPERIMENTAIS O Instituto de Investigação Agronómica de Moçambique, além da sede em Lourenço Marques, com diversos pavilhões ocupados pelos laboratórios e serviços adninistrativos, possui onze unidades experimentais, nas- seguintes localidades: Mazemi-" nhama (perto de Catuane), Umbelúzi, Ricatia (perto de Marracuene), Guijá (Trigo de Morais), Nhacoongo (perto de Inharrime), Sussundenga, Chemba, Nampula (a 8 quilômetros da cidade), Nametil, Mutuáli e Namapa. Na sede, existe um departamento de experimentação que controla todas estas unidades experimentais, de colaboração com as outras divisões do Instituto e com outras entidades. O IIAM recebeu estas unidades experimentais de diversos organismos anteriormente existentes, integrando-as. De notar que essas unidades haviam surgido em diversos locais, por motivos específicos, sendo depois agrupadas artificialmente aquando da crirção do IAM. As unidades estão equipadas com parque de máquinas e outro material. Lá se realizam ensaios de natureza diversa, se criam plantaçóes experimentais, comparativas, de variedades, de técnicas de cultivo, adubação, controlo de pragas e doenças, etc. 0 Instituto encontra-se dividido em quatre departamentos, oito divisões, um centro de dooumentação agiária, um secretariado técnico e serviços administrativos. Os departamentos têm as seguintes designações: Reconhecimento Agrário; Investigação ; Experimentação e Ordenamento e Planeamento Agrários (este último, nunca tendo funcionado por falta de pessoal). A função de todos eles é, em ligação com as diferentes divisões do Instituto, abordarem os diversos problemas que, dentro da sua esfera de acção, forem sendo postos ao lIAM. ESTUDO E CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS Todo o trabalho do Instituto se encontra, a bem dizer, distribuído pelas suas oito divisões especializadas. A primeira delas é a de, Solos, que se subdivide em dois sectores: Solos e Fertilizante. O primeiro desses sectores faz o reconhecimento dos solos do país- estudo morfológico, químico e físico; o segundo, trata da sistemática dos solos, da sua caracterização e classificação, elaborando mapas cartográficos. Esta divisão tem tido nos últimos dois anos carência de pessoal especializado, o que impediu que determinados reconhecimentos detalhados que era preciso- fazer fossem concluídos - excepto alguns que foram adjudicados pelo Estado a empresas particulares da especialidade. Cita-se o caso concreto da Junta Provincial de Povoamento, que adjudicou a empresas privadas vários trabalhos; tais como os referentes à região de Alto Molócuè-Nauela (cartografia dos solos, da vegetação, clima, etc.). Com base nesse estudo, classificaram-se na região várias unidades territoriais, relativamente às quais se estudaram Em cima, à esquerda: bananas de Moçambique A direita, Sisal: um produto que a crise do petróleo revalorizou Em baixo, Tabaco: outra riqueza a explorar as melhores formas de aproveitamento económico. Este trabalho pertenceria ao IIAM, mas este não teve meios para fazê«lo - segundo nos declarou o seu director. Assim; o HIAM limitou-se ao estudo dos solos das suas unidades experimentais e de uma parte importante dos solos do colonato do Limpopo. .,Fez ainda trabalhos de cartografia de maior escala, como o do concelho de Lourenço Marques, o da Zambézia (escala de 1:1000000), e um de todo o território, nas escalas de 1 para dois milhões e de 1 para quatro milhões. Estas cartas têm interesse pois nelas são assinaladas as diferentes qualidades de solos existentes em cada região, o que constitui um importante elemento para se decidir sobre o seu aprovei, taknento. Este trabalho é o resultado de um trabalho de base executado em 1949-51 pelo Centro de Investigação Científica Algodoeira -o reconhecimento ecológico-agrícola de Moçambique. O sector de fertilizantes, por sua vez, preocupa-se em conhecer os teores dos solos em macroelementos (azoto, fósforo e potássio) e microelementos. Este levantamento foi feito em pequena escala por todo o país. Agora, Em baixo, à esquerda: aparelhagem electrónica da Divisão de Solos e Fertilizantes do IAM Em baixo, à direita: Laboratório de Zoologia do IAM na expressão do eng. Gouveia, «é preciso apertar a malha», isto é, obter estudos mais pormenorizados sobre todas as regiões. Até agora, só as seguintes áreas foram estudad&s minuciosamente, pelo I!AM ou por outros organismos: Alto Molócuè-Nauela, Limpopo, Revuè, planalto de Maníca e Vila Pery, zona de Mecanhelas-Mandimba e Tete (vale do Zambeze). Este 'estudo é feito a partir de amostras recolhidas, não só dos solos como das plantas, a fim de saber o que estas obsorvem, detectar possíveis deficiências dos solos, etc. Neste sector de fertilizantes, fizeram-se vários ensaios de adubação, para várias culturas (algodão, cana-de-açúcar, tabaco, arroz, trigo, girassol, etc.). OUTRAS DIVISÕES Existe depois uma divisão de Bioclimatologia e Hidrometeorologia, que se tem devotado apenas à colectânea dos dados meteorológicos fornecidos pelos postos das unidades experimentais do LIAM. Fornece, às outras - divisões, elementos para uma melhor caracterização climática das várias regiões de Moçambique, com base em elementos do Serviço Meteorológico. Há a seguir uma divisão de Botânica Sistemática e Geobotânica, que classifica todos os constituintes da vegetação de determinada área, não só para conhecer o valor botânico da área como também para ajudar a caracterizá-la do ponto de vista ecológico. Dessa caracterização se tiram indicações úteis para a agricultura. Existe uma carta de todo o Moçambique, relativa a estes elementos, na escala de 1 para dois milhões, e têm-se feito estudos mais localizados, mas em pequeno número. Na divisão de Melhoramento e Selecção das Plantas, faz-se a escolha das melhores variedades das diferentes culturas. Pretende-se obter' va-, riedades que, em determinadas condições, dêem o máximo, tanto em quantidade como em qualidade. Fez-se essa selecção, nomeadamente, com algodão, ananás, caju, citrinos, nogueira pecã, macadêmia, papaia e tomate. Fizeram-se ainda melhoramentos com algodão e com milho. Uma quinta divisão do LIAM é a de Indústrias Agrícolas e Alimentares. Esta, compreende duas secções: A de Química Alimentar e a de Cereais e Produtos Amiláceos. Na primeira detecta-se o valor dos diferentes produtos agrícolas de Moçambique, atendendo tanto a caract e r e s gustativos (paladar, cheiro) c o m o a caracteres químicos, tendo em vista a qualidade do produto. Esta secção trabalha de perto com a divisão anterior. Na outra secção, caracteriza-se quimicamente as farinhas e grãos - trigo, mandioca, mapira, etc. A divisão de Sanidade Vegetal, por sua vez, subdivide-se nas seguintes secções: Fotopatologia, que se devota ao estudo das doenças das plantas provocadas por fungos, bactérias, vírus e nemãtodos, e do combate às mesmas; Zoologia Agrícola, que se dedica ao estudo e combate das principais pragas das culturas (insectos, ácaros, ratos, etc.) ; Herbologia, que estuda as ervas daninhas e o combate às mesmas; e uma Estação de Quarentena de Plantas, que recebe todas as variedades que vêm do estrangeiro, as quais ficam sujeitas a um período de quarentena para detectar possíveia doenças que tragam consigo. Por sua vez, a divisão de Estatística Matemática e DeI i n e a m e nto Experimental, presta apoio' a todas as outras, na interpretação dos dados e esquematização dos mesmos. Possui um mini-computador e máquinas electrónicas. A oitava e última divisão do lIAM é a de Agro-pecuária. Oeipa-se do manuseamento e multiplicação do gado existente nas unidades experimentais. Faz estudos sobre o encabeçamento do gado por área - quer dizer: o número de cabeças que cada área pode suportar sem depradação dos pastos. Estuda também as pastagens e todas as plantas que possam contribuir para a nutrição do gado, e as melhores condições de apascentação. CONCLUSOES Julgamos ter dadó uma panorâmica da actividade do I n s t i t u t o de Investigação Agronómica de Moçambique. Pensamos ter assim mostraMecanização. uma necessidade da agricultura moc'ambieana do como este organism pode ser útil à agricultura de Moçambique - e também como ele se desperdiçava em estudos dispersos e tantas vezes estéreis, na situação anterior. Em condições semèlhantes se encontram outros institutos e organismos similares, que urge agora reconverter de forma a pô-los efectivamente ao serviço de Moçambique e do bem-estar do povo moçambicano. Não h a v e r á mais lugar, em Moçambique, para «ciência pura», nem para «investigação pura». Mas apenas para ciência e técniúa engajadãs no progresso de país, subordinadas às prioridades definidas pela política económica a adoptar pelo povo moçambicano através dos seus órgãos de Partido e de Governo. Este é, julgamos, o caminho correcto a seguir por todos os organismos semelhantes. Em cada um, as próprias pessoas que lá trabalham, nomeadamente os técnicos, os responsáveis, deverão elaborar estudos e propostas nesse sentido, e submetê-los à apreciação do Governo. No caso partioular do IAM, como no de outras instituições afins, o problema agora levantado pela debandada dos técnicõs poderá ser superado, em grande parte, por uma estreita colaboração com a Universidade e as escolas técnicas, que poderão suprir, com estudantes, as carências de técnicas aos diversos níveis. Ao mesmo tempo que se estarão criando mais a m p 1 as possibilidades de aprendizagem prática aos próprios estudantes. e ,-, mimi . i....... li i ii i !i iiii ii........... ..... * ....,. ..... Fábrica de Condutores Eléctricos de Moçambique MANGA* BEIRA Repres.ntante da CELCAT - Fábrica Nacional de Condutores Eléctricos, 8. A. R. L. MOCAMBIQUI NA HORA DICISIVA PIRIGOS NADA E PRECIS O boato deve ser entendido como uma semente daninha, mais precisamente, como um veneno que atirado à terra, tudo corrói e tudo apodrece. A reacção -ISto é, as diversas forças que se opõem à tomada do poder pelo PovO - tem-se servido criminosa e assiduamente do boato para espalhar a confusãO, a divisão e a agitação entre as populações de Moçambique. Mas o principal objectivo do boato é espalhar o medo, a dlvidà e a insegurança, criando um clima de tensão que propicie à reacção campo livre para as suas manobras oportunistas e racistas, ondeý a violência predomina sempre. Como lutar' contra o boa,to? Como detectã-o? Como precavermo- nos contra os seus terríveis eleitos? Antes de mais, isto é, para podermos e sabermos combatá-lo é preciso, primeiro, saber O QUE É O BOATO, como e por que nasce, as várias formas que toma, depois, situa-lo com precisão na actual conjuntura social, política e económica de Moçambique, depois ainda denunciar concretamente pessoas e situações a quem o boato interessa e aproveita, e finalmente prepararmo-nos e mobilizarmo-nos para estarmos permanentemente alerta contra os boateiros que, consciente ou inconscientemente - quase sempre conscientemente - pretendem, deste modo, comprometer, retardar e enfraquecer o processo de descolonização iniciado em 25 de Abril. O 001 1, COMO E POR 01 E A OUEM INTERESSA E O QUE P O BOATO Quando no início deste trabalho afirmamos que o boato é uma semente daninha, um veneno que atirado à terra tudo corrói e tudo apodrece, estamos1 a dar a imagem correcta do que ele pode fazer em qualquer lado e a qualquer pessoa, mas muito especialmente -em situações como a que Moçambique atravessa neste momento. Com efeito, tal como o cancro, também o boato consegue minar e destruir senão o corpo pelo menos a vontade própria de caçla um, voltando uns contra os outros e até voltando-nos contra nós próprios, pois a principal função do boato é deixar em nós a dúvida, que, sem resposta ou com várias 'hipóteses de resposta, sem contudo enbontrar nenhuma, acaba por transformar-se em medo. Recentemente, Lourenço Marques foi vitima de um espectacular boato que, rápido como um rastilho, assenhoreou-se de tudo e de todos, provocando uma autêntica debandada geral. Porquê? Simplesmente porque, alheando-seda informação concreta e correcta, as pessoas «acreditaram» naquilo que foi posto a circular: um ataque vindo não se sabe 'donde! Foi o que se viu. Emocionalmente cegas, traumatizadas ainda pelo triste e sangrento 21 de Outubiro, 'as pessoas esqueceram-se de apurar a verdade e, um tanto inconscientemente, ajudaram, elas próprias, a espalhar o referido boato. Resultado: paralisação quase geral do trabalho, numa hora em que o trabalho deve ser uma das principais armas na luta contra a reacção, com todas as graves consequências na debilitada e c o n o m i a moçambicana. Neste aspecto, a reacção deve ter aguçado os dentes, afiado as unhas,, e deve ter prometido a si mesma preparar outra enxurrada de °boatos, pois, por motivos óbvios, convémlhe imenso a paralisação das fábricas, dos escritórios, do comércio, etc.. Pois o boato é isto mesmo: contaminado pela dúvida e pelo medo, o Povo esquece a unidade e a vigilância, abandona o trabalho e deixa o campo livre para a actuação das forças reaccionárias que, esfregando as mãos do contentes, continuam a aplicar a sua estratégia do boato, que é uma das formas mais insidiosas da acção contra-revolucionária. COMO NASCE O BOATO Se dissermos que o nascimento do boato é como um parto que nenhuma dor provoca em quem o constrói, lhe dá forma e o atira para a rua, não estaremos exagerando. Mas, também, não exageramos se contrapusermos que os que sofrem mais são aqueles que mais acreditam nos boatos e os propalam com a mesma facilidade com que se contam anedotas! Aparentemente o boato nasce ao acaso. Porém, não é assim. Tal como existem os estrategas milit ares, aqueles que põem e dispõem homens em, campo de batálha, que os fazem avançar ou recuar, também existem os «estrategas do boato». Estes, ao contrário dos primeiros; são mais perigosos e mais traiçoeiros porque estão simultaneamente em toda a parte e em par-te nenhuma; isto é, sabemos da sua existência, mas não os vemos, não os ouvimos, e acabamos por confundi-los com o rosto da multidão, já que é esta que, sem querer, vai dar forma concreta àquilo que começando por ser um boato passará a vigorar como «verdade» inalterável. Como nasce qualquer boato? Vamos raciocinar um bocado e exemplificar para melhor nos esclarecermos: dois indivíduos encontram-se numa qualquer esquina. Depois dos cumprimentos da praxe, um diz para o outro: -Então, já sabes? -O quê? -Bem, a mim contaram-me... Consta que vão deitar fogo à Matola! -O quê? Não é possível! -Diz que sim, pelo menos foi o que me contaram... Os dois amigos, ou simplesmente conhecidos, desfiam um sem número de argumentos como se o fogo já houvesse sido ateado, e separam-se com uma ruga de profunda preocupação na testa. Na esquina mais próxima o mesmo indivíduo que pusera em dúvida a autenticí. dade da informação fornecida pelo amigo ou simplesmente conhecido, encontra. um outro amigo: -Então, já sabes? -O quê? - Bem, foi o que me con. NASCEI>o BOATO V[, TA PÁGINA 45 taram: a Matola está a arder! - Não pode ser! Eu acabo de vir de lá! -É o que te digo! Pegaram fogo ,às fábricas e aquilo está a ser tudo pasto de chamas! Uma ou duas horas mais tarde, o terceiro interveniente encontra um grupo de pessoas conhecidas e transmite-lhes a «informação». Um «ah!» de espanto, medo, indignação... e dúvida. Será verdade? Não será! Mas o mesmo interveniente reforça e «compõe» a sua -otícia, acrescentando-lh2, por exem. plo, que os bombeiros já seguiram para a Matola e que o fogo começou entretanto a alastrar-se aos subúrbios de Lourenço Marques, as, labaredas gigantes empurradas pelo vento, etc. Mais adiante o referido grupo vai contar a coisa à sua maneira, e provavelmente, alguém falará em mortos e feridos: - Quantos? - Parece que cento e tal mortos e centenas de feridos! Ou então: --Diz-se que já morreram mais de cem pessoas! Em minutos, numa hora, um fogo que nunca chegou q existir, toma foros de verdade, mata milhares de pessoas, deixa sem abrigo outro tanto, e não tardará um fósforo para que toda a gente comente o fogo da Matola, para uns, o de Lourenço Marques, para outros, seria até possível ver-se todo o géneto de transportes numa corrida louca para salvarem o que restasse dos haveres dos matolenses ou dos lourenço-marquinos! Por mais exagerado - e assustador - que este exemplo possa parecer, não o é de modo nenhum. Pelo contrário. Os boatos, mesmo os mais insignificantes, -, embora não haja boatos insignificantes - começâm assim. Disseram-me, conta ram-me, consta que... E dePÁGINA 46 "ESCOLA DA -AVENIDA O BOATO COMO TiEi pois surge um outro aspecto directamente relacionado com o «contágio» do boato:. a predisposição psicológica de certas pessoas para aumentarem o que se lhes diz,tomadas de autêntico maso-quismo, isto é, do prazer da dor, do sofrimento, do êxtase da dúvida e do medo! E é precisamente isto que a reacção explora: ela lança o boato e o povo, espeeèalmente se for despolitizado, ignorante e mal informado vai fazer o resto, isto é, vai transformar um rato em elefante, uma mosca numleão! É o pânico. Agindd na sombra - a sombra é a casa do boateiro consciente, sempre vestido de anonimato... servida geralmente por indivíduos ambiciosos, marginais, que vivem de subterfúgios e expedientes desonestos, que não têm pátria, cor, lar ou quaisquer outros interesses que não os da sua própria ganância reforçada por uma total ausência de escrúpulos, sejam brancos, pretos, mistos ou asiáticos, a reac*ção pode assim desenvolver a' sua táctica' da atoarda, da invencionice, da mentira transformada em verdade «conhecida, e reconhecida», e oferecê-la numa bandeja como se duma inocente anedota se tratasse... Portanto, o boateiro «sincero>, consciente, que sabe que está -a fazer mal e nem por isso deixa de o fazer, é também um reaccionário. O PORQUÊ DO BOATO Situando tal cancro nas coordenadas geográficas, políticas, sociais e económicas de Moçambique, vejamos, agora, o porquê dele, do boato, especialmente no momento que todos vivemos. Saído dum colonialismo de séculos, Moçambique prepara-se para a independência. Tal como na Argélia, no Congo e em todas as colónias do mundo, também a independência e a -descolonização, de Moçámbique não interessam àqueles que enriqueceram à custa do colonialismo, ou seja, da exploração, do homem pelo homem, apoiados, sempre pelo grandè capital, e que assim pretendem continuar: viver muito bem à custa do muito mal que fizeram, fazêm e querem continuar a fazer ao Povo, sem distinção de raças. Assim sendo, uma das armas com que a reacção trava a sua sinistra luta é o boato, propalando-o sistematicamente para através dele confundir e dividir as populaçães,, levando-as a viver num clima de permanente, tensão, desconfiança e sobretudo de medo. Indiferentes à segurança de pessoas e bens, os boateiros reaccionários n ã o olham a meios para atingirem os seus tenebrosos fins. Aliciando geite impreparada e ambiciosa, utilizam-a, manejam-a a seu belo prazer, mas não hesitarão em eliminá-la logo que os seus interesses estejam servidos... Quanto às diversas formas de que o boato se pode revestir, elas vão desde a mentira mais inocente e ingénua até à mais assusta dora e aterrorizante. Tudo depende do objectivo a aCURIOSAS ninfccõEs cançar. A «importância» do boato está em'função directa da importância da finalidade a atingir. Moçambique tem sido vítima de todo o género de boatos, com particular incidência nos três últimos meses. Desde a repetida «morte» de Samora Machel até ao envenenamento do pão e da água passando.por hipotéticos e próximos ataques internos ou vindos do exterior, para já não falar dos pequenos boatos de 'trazer por casa e cujo efeito é tão terrífico como aqueles, tudo tem servido à reacção para deixar nas populações profundos traumatismos, instalando nos lares a inquietação, a insegurança, a dúvida e o medo. E quando o boato não surte o efeito desejado, então a reacção arreganha os dentes, mostra o seu verdadeiro e hediondo rosto, e desencadeia a violência. A QUEM INTERESSA E APROVEITA O BOATO Fundamentaíment, ,o boato interessa e aproveit» a uma minoria - geralmente de posse de muitos bens, de muitos «tachos» e de outras coisas mais... - que quer continuar a ser colonialista, isto é, dona e senhora das aspirações e dos destinos 'das grandes maiorias. Essa minoria quer permanecer privilegiada, não se resigna com a perda de certas e especialíssimas prorrogativas nem com as influências e riquezas adquiridas à custa do servilismo, da injustiça, da corrupção e da prepotência ( a lei do mais forte sobre o mais fraco). Como a Frelimo está sinceramente empenhada em acabar com o servilismo, a injustiça, a corrupção e a prepptência, é preciso, então, contrariá4a, lutar contra ela, dificultar-lhe, por todos os meios, a sua transcendente missão, boicotar o seu trabalho honesto e isento, fazer desacreditar os seus chefes e as suas intenções verdadeiramente populares e não-raciais e que visam os ii ter o 1 ' ýtivo bm.ý- r do 3?oV( moçab-c3,o. .'s1- ato, o boto 1.;»a r'iu ilar e vew : íoti ia Portanf a x e\ ctro/t tados e t.asirad s factos, fIv a 5 34 n pr;:ul.Oos para ro lu.la os ono . -, p/.p, -a( pla(ýýw,'.l .:o i, .' t O do boaito sc sàrva m vpcnas Dpara £azer o jO/O ria reacção oav tu'"h<.m o Ío.o PAGINA 47 PAGINA 48 lUTM t*HTA O DOMI 1 FURTALECER A. DIVOL Í1 1^ sujo dos seus próprios interesses que não são, naturalmente, os interesses das populaçães de Moçambique. LUTAR CONTRA O BOATO É FORTALECER A REVOLUÇÃO MOÇAMBICANA É preciso e é urgente que as populações moçambicanas se empenhem numa luta tenaz contra o boato e contra oS que o fazem circular. Mobilizemo-nos para sabermos fechar as portas e janelas ao perigo do boato. É necessário e é extremamente importante não darmos ouvidos ao primeiro boato que façam chegar até nós. Procuremos informar-nos correctamente, pois, de contrário, somos nós todos quem sofrerá as terríveis consequências desse cancro que dá pelo nome de boato. Esta , mobilização deve começar em nós próprios e devemos levá-la aos que nos rodeiam. Desconfiar, sempre, de todas as informações que começam por «disseram-me que», «ouvi dizer que», «consta que isto e aquilo», tc. Acreditar em factos e não em hipóteses deles. E não esquecer nunca que o boateiro convicto é simultaneamnente um agitador, um provocador, um reaccionário e que está por isso contra os incomensuráveis benefícios que hão-de advir de um governo verdadeiramente popular. Lutemos também contra a humana tendência que temos de 'complicar, exagerar e aumentar tudo aquilo que nos dizem, muitas.vezes sem inte n ç õ e s divisionistas e reaccionárias, que é como quem diz, daqueles que se opõem à consolidação da PÁGINA 49 MOCIMBIE*NA 1 --4 x \ À41 1* -~qK independência de Moçambique e cujo único desejo é destruir esta nova, esta maravilhosa nação, agora a renascer, das cinzas em que o colonial-fascismo a mergulhou. Ngs escolas, por exemplo, o/boato, bem como os seus perniciosos efeitos, devem ser motivo de profunda reflexão e de sincero esclarecimento, incutindo nos jovens alunos, nos continuadores da Revolução Moçambicana, a necessidade de se prepararem para o destruirem e desarticularem. Assim o julgaram oportuno os responsáveis da «Escola da Àvenida do. Brasil», transformando o boato em tema de curiosas redacções que publicamos em anexo como ilustração bem ilucidativa deste trabalho, e para as quais chamamos a atenção dos nossos leitorps, Tal como se pode ler nas referidas redacções, os garotos sabem já que «o boato é mentira. -Nós não devemos mentir porque as pessoas que falam mentira não são boas», ou ainda que «o boato é uma pessoa que gosta de falar mentira, falar as coisas que não viu...», ou, mais significativo ainda, que o «boato quer nós desunidos, não ajudar...» e «boatos são aqueles que o colonialismo compra por dinheiro ..» . Perante isto, só nos resta iniciar imediatamente, com calma e confiança mútua, unidos.e vigilantes, o despoletamento dessa perigosíssima granada vulgarmente conhecida por boato, capaz de fazer tantas vítimas como as outras que, uma vez rebentadas, espalham a morte, a destruição, o luto e o ódio. ROBERTO CORDEIRO "-4' 44~' 4 t9q o &Ar , E COMPANHIA INDUSTRIAL DA MATOLA, S. A. R. L. Vivam os Matobolistas! Jogámos mais- um Matobola e saiu mais um prémio para um felizardo. O premiado do do Matobola N.° 29 foi o concorrente Jorge Paulo Baião, morador na Av. Pinheiro Chagas, 1788- 4.', Dto. Este menino poderá passar pelas «Produções 1001» e levantar o prémio a que tem direito. Vamos continuar a chutar no «Matobola». Todos juntinhos para parecermos muitos. Tá-tá e até para a semana. 1 .2 3 4 5 6 7 6 9 ló li 5 20 __ " 6 '9 /o HORIZONTAIS: 1-Pele de gamo com que se vestiam as bacantes e os discípulos de Baco, nos mistérios de Eléusis; divindade do mar, de acordo com a mitologia nórdica. 2- Que tem as cores .do arco-íris; cada um dos deuies da teogonia bramânica. 3- Presente que, entre os Gregos antigos, se dava aos hóspedes, depois da refeição; andei de carro 4- Interj. designativa de procedimento rápido (inv.); irritação violenta. 5-Grémio (fig.); palavra árabe que significa 'servo. 6-Artigo antigo; Variedade de azeitona (prov.); vogais iguais. 7- Antign medida de capacidade; espécie de tecido transparente com ramagens (ant.). 8-Aquilo com que se ilude ou seduz alguém; pronome possessivo. 9- Tardio nos movimentos; planta exótica, da família das amarilidáceas. 10-Menina (bras fam.); nome de homem. 11 imploro; pequena embarcação, carregada de matérias inflamáveis ou explosivos, a que se lança fogo para incerndiar os navios inimigos. VERTICAIS: 1 -- Ninfa das águas, na mitologia germânica; opacidade córnea que deixa passar a luz como que através duma nuvem (méd.).2 -Elegante; muito estrito e comprido. 3-Celebrar (o padre) duas missas no mesmo dia (Ecles.); azedo, amargo (prov.). 4-Étimos; ode (ant.). 5-Fiada, série (por ext.), cargo ou dignidade de deão. 6- Nota de música; apêndice helicoidal das plantas trepadeiras; caminhar para lá. 7Cortam os ramos das árvores em toros; espécie de sapo do Amazonas. 8- Zabum. ba; o diabo. 9-Direcção, governo (fig); ruão. 10Empregue como verbo; deusa egípcia, símbolo da maternidade e da lactação. 11-Relativo ou semelhante a náiade; Organização de Unidade Europeia (sigla). SOLUÇÃO DO PROBLEMA N.° 215 HORIZONTAIS e VERTICAIS: 1-Labuta, gradar. 2- Arado, B. enora. 3-Píton, U, comum. 4- Ale, andro, ele. 5- Rola, uso, níal. 6- 0, camoeca, A. 7 ý-Abagi, dabom. 8- A, Mistura, Z. 9- Lapa, môr, lipa. 10- Ofa, falaz, Dag. 11-Gosto, D. Acáva, 12Ontem, A. Rodei. 13- Soares, Teresa. i PAGINA 51 Texto de: CALANE DA SILVA Fotos de ARQUIVO A cintura 'ferrovidria tenm de ser concretizada no mais, curto espaço de tempo. Uma comipsão nomeada para o efeito ainda não apresentou ao público nada de concreto Não há ainda um mós que centenas de trabalhadores pretos e brancos se concentraram na estação dos C.F.M., em Lourenço Marques, protestando veementemente contra a falta de transportes ferroviários em quantidade e contra o péssimo cumprimento dos respectivos horários. Não há dia algum em que milhares e milhares de pessoas no tenham que percorrer a pé uma ou duas dezenas de quilómetros por insuficiência de machimbombos dentro e fora de quase todas as principais cidades moçambicanas. Não há hora, não há minuto em que moçambicanos em toda a parte não se interroguem sobre a necossidade de uma concreta solução para o problema dos transportes. Não há dúvida, sobretudo, que a herança colonial neste sector é também pesada e gravssima. Sabemos, no entanto, que muitos planos de homens válidos foram esquecidos nas gavetas. Muitas ideias repudiadas. 4 Vamos revelar alguns planos. algumas dessas ideias de maneira a que as actuais comissões administrativas municipais possam voltar a debruçar-se sobre a questão - agora concreta e objectivamente, como é necessário. MILHARES E TRIABALHADORES CONTRA CRAVES PROBLEMA S NAS Poderíamos falar do probtema dos transportes de todas as principais cidades moçambicanas e respectivos arredores. A situação, coai mais ou menos gravidade, é semelhante em todas elas, pelo menos numa coisa: há falta de. meios de comunicaÇão. Todavia, sabendo-se que o caso de Lourenço Marques é sem dúvida um dos mais agudos e prementes de solução, iremos tratá-lo isoladamente neste trabalho, crendo no entanto que paralelamente possamos chamar a atenção e contribuir para a resolução dos demais problemas existentes nas diversas capitais de Moçambique. TRABALHADORES CONTRA PROBLEMAS NOS TRANSPORTES O dia 8 de Outubro passado marcou um passo importantíssimo na luta dos trabalhãdores e do público em geral contra a escassez cada vez mais aflitiva de transportes de e para Lourenço Marques. Milhares de trabalhadores afluiram à estação dos CFM na tentativa de solucionar o problema dos transportes ferroviários para a cidade e arredores, cuja crise começou a agudizar-se totalmente a partir de 25 de Abril, em consequência da negligência cada vez maior de alguns funcionários. Não sendo a primeira manifestação pública contra a falta de comunicações em Lourenço Marques resultante das contradições sempre mais acentuadas do colonialismo urbano, o caso não mereceu grande destaque na imprensa diária local. No entanto, merecia. , Foi sem dúvida, alguma a PAGINA 53 O mapa apresenta um simples esboço do que seria uma das redes ferroviárias existentes para a solução dos transportes para milha res de pessoas da cidade satélite de L. Marques e outras vilas dos arredores sano Garcia, na lialvérnia ou Inhambane. Os bilhetes também estão muito caros. Asi paragens também não estão .bem, nião têm hora certa.»' Por fim intervio o terceiro trabalhador: «- Há outra coisa que não estamos a compreender bem.' Os ,condutorés agora não ' importam nada com as co-z branças dos bilhetes ComO antigamente, em que até maudavam sair e m a n d a v a ~, prender, quando não tinhama.os bilhetes. Agora pode-se' viajar de graa. Pode-se pagar, pode não se pagar, não' interessa. Outro dia o meu amigo não comprou bilhete na bilheteira porque chegoui atrasado. Subiu no comboio e quando queria pagar o bilhete lá dentro, aquele senhor disse: «DEIXA ESTAR HOMEM. AGORA O COMBOIO É DE VOCÉ.>--.Eu acho que esta maneira não está bem, tem qualquer coisa. Faz favor de escrever isto no jornal, talvez aquela gente grande há-de saber o que é isto» primeira grande posição política contra o problema dos transportes. No intuito de ,darmos aqui um testemunho vivo do que acabamos de afirmar, transcrevemos em seguida, t r ê s breves opiniões de trabalhadores presentes no dia 8 na manifestação dos C.F.M., à nossa revista: ( - Sofremos muito! Já não fOctemos mais. É por isso que a gente veio aqui., Todo os dias chegamos aqui na Estação às 8 ou 8.30 hora., mas : nossa entrada no serviço às 7 horas. Os patrões marcam-nos falta- e mandam-no,0 embora. Perdemos o dia. No uim do mês nao ganh, amos nada. Pagamos bilhete, paganos passe mensal e perdemos trabalho e pagamento. Os patres dizem que é abuao o que fazemos, de chegar sempre tarde no servço, mas a culpa não é nossa!» Entretanto outro trabalhador interrompe acrescentando: «- Não é só chegar tarde ao serviço. Também chega,mos tarde rias nossas casas, muito tarde. Às vezes chegamos à meia noite! É bom assim? Entr4o a gente não descansa? Então a gente sai às 5 horas do serviço e chega em casa à meia noite? Parece que vivemos em ResCINTURA FERROVIARIA A SOLUCAO . . QUE NINGUÉM VÊ? Nó (ue diz esDeito espeeificamente ao transporte para a cidade e arredores por via ferroviária já por várias vezes se debruçou a imprensa local sobre o assunto teildo a nossa revista tomado posições frontais sobre o problema. Lourenço Marques. que dentro de 10 anos terã-mais de um milhão de habitantes não pode continuar a socorrer-se, como até agora, ainenas dos transportes rodoviários. Será, como em todas as gran-, des urbes, através- de ora rede ferroviária -- uma cintura ferroviária - ae e poderá encontrar "a solII".O para o problema dos t rans portes aqui na capitaJl. A estaffio dos C.F.M. vai desembocar os passageiros no centro da cidade. Serd quea respectiva administração ainda não viu aqui a solução para o transporte de milhares de pessoas de e para os arredores? O povo trabalhador tem de beneficiar de meios rápidos e económicos de comunicação. * Neste sector cumpre aos C.F.M. contribuir eficazmente para a cabal solução do problema do transporte periférico. Não há muitos anos um 'cidadão deu uma opinião bastante válida sobre como se efectuariam as, ligações ferroviárias entre a cidade e os arredores. Ideia válida, que parece ter ficado por concre-izar por falta de material rolante e de verba. Na mesma altura, precisamente em Abril de 1971. o então Governador-Geral Arantes e Oliveira determinou a constituição de uma comissão para tratar do urgente problema dos transportes urbanos e suburbanos. Sobre a inépcia da dita comissão falaremos no fim deste trabalho. ESTAÇOES FERROVIARIAS QUE ,SE PROPUSERAM Para a concretização da aludidá cintura ferroviária, o referido leitor de então propunha um esquema -simples e prático aproveitando as vias férreas já actualmente construídas. Vejamos o que ele dizia: «A, linha ferroviária que segue para Vila Luisa, bem podia ter estações em S. José de Lhanguene, Ponte Pinto Teixeira, Infulene, Jardim, Campo de Corridas, Aeroporto, Craveiro Lopes, etc,. em comboios regulares até às Mahotas. «Os máchimbombos da linha de Benfica, passariam a ter assim o seu términus natural na estação ferroviária a construir no Bairro do Jardím. E até do fundo do Xipamanine (área da Vulcano) vir-se-ia mais fácil e rapidamente para a Baix a, por comboio do que por machimbambos. Entretanto const r u in - s e um ramal ferroviário para o estádio da Machava que somente está a ser utilizado em certas ocasiões. Todavia a poucas centenas de metros do seu actual términus (Estádio da Machava) existe .um núcleo populacional já importante, que aumentará cada vez mais, visto estar destinado a residência da população'de poucos recursos económicos. «Da Machava à vasta zona, (com alguns apeadeiros) que se estende até à MatolaGare, quem utiliza o comboio para se deslocar à cidade, além dlos poucos ferroviários?. «Do desvio do Língamo (local onde trabalham, centenas de residentes em Lourenço Marques e para onde não existe um único omboio de passageiros!) à Vila Salazar e ao Bairro do Fomentto são uns magros quilómetros (dois) que pouco custariam a construir assim como as respectivas estações. «Depois teríamos una Companhia de Transportes de Moçambique (C.T.M.) a agir em toda a Vila Salazar e Bairro do Fomento, tendo como terminais as correspondentes estações ferroviárias, reduzindo desta maneira para a cidade as respectivas carreiras e aumentando as unidades nas zonas intermediárias.» EMPRESAS RODOVIARIAS INTERESSADAS NA SOLUÇÃO? No período anterior verificou-se pois que terá de haver uma colaboração íntima entre as empresas particulares rodoviárias e os CFM para-se poder resolver globalmente o problema dos transportes da cidade e arredores. A pergunta que se põe, no entanto, é: estarão (para já) a participar numa solução desse tipo? Toda a gente sabe que os percúrsos hoje efectuados pelas concessionárias como a «C.T.M.», «Teresa Lino» e ETÒL (Oliveiras)' e st a última apenas em alguns percursos - eram servidos pelas carreiras regulares dos C.F.M., através da sua secção de Camionagem Automóvel. A maneira como os C.F.M. deixaram de repente de se interessar por estas carreiras, deixando-as a particulares, é um caso ainda para se desvendar. Mas adiante. A solução agora não pode estar paralela a privilégios de qualquer espéciei Há que resolver um problema que diz respeito a mais de meio mi"lhão de pessoas. Cerca de 100 milhões de passageiros anualmente. Actualmente as zonas em que há maior afluxo de passageiros aos transportes rodoviários (que como vimos podiam ligar-se aos ferroviários) nos períodos de ponta são os seguintes: Benfica - distanciado 12 quilómetros do centro da cidade, é servida pela «Teresa Lino» e S.M.V. Choupal distanciado 9,5 quilómetros, também servida pela empresa «Teresa Lino» e pelos S.M.V. Jardim Zoológico - distanciado 4 quilômetros; servido pelos S.M.V. Xipamanine distanciado 4 quilómetros; servido pelos S.M.V. Rotunda do Aeroporto-distanciada 5 quilómetros; servida pelos S.M.V. Ponte Pinto Teixeira - distanciada 6 quilómetro$; servida pelos S.M.V. Mahotás - distanciada 12 quilómetros; servi d a pela C.T.M. e pelos S.M.V. Matola - distanciada 17 quilómetros; s e r v i da pela 2T.M. e Oliveiras. Machava (Via Infulene) l i s t anciada 9 quilómetros; servida pela C.T.M. Trevo- distanciado 10 quilómetros; servido pela C.T.M. Nas horas de ponta, e actualmente mesmo nas horas normais, os autocarros passam superlotados ou ficam com a lotação excedida, havendo muitos passageiros que não conseguem transporte. PAGINA 50 ONDE ESTÃO OS TRABALHOS DA COMISSÃO DE TRABALHADORES? Como frisámos mais atrás, em Abril de 1971 o então Governador-Geral, eng. Arantes e Oliveira, devido à já então gravíssima situação dos transportes urbanos e suburbanos determinou a constituição de uma Comissão presidida pelo Secretário Provincial de Comunicações, Vilar Queirós, para estudar e resolver precisamente «o problema dos transportes quotidianos das populações que haPitam nas zonas suburbanas de Lourenço Marques, entre essas zonas e a cidade». A composição dessa comissão não foi revelada nros jornais, mas sabemos que era constituída pelos representantes do Governo do Distrito de Lourenço Marques, da Câmara Municipal de L. M., do Gabinete de Urbanização e Habitação da Região de L. M., da Camionagem dos C.F.M., dos Caminhos de Ferro (C.F.M.), da Repartição de Viação e Trânsito, do Conselho dos Transportes Terrestres, da Junta Autónoma de Estradas e' do Instituto do Trabalho. Sabe-se que esta comissão reuniu-se logo no dia 10 de Maio tendo resolvido cõnsticom os representantes das secom os representantesd as seguintes entidades: Repartição de Viação, Câmara Municipal de L. M., Caminhos de Ferro de Moçambique e G. U. H. R. L. M. Este grupo de trabalho propôs para aprovação uma série de quesitos que não seriam muito diferentes daqueles que apontámos comno faltas graves nos transportes de e para a cidade de Lourenço Marques. Tanto os C.F.M. como a Câmara Municipal limitaram-se na citada proposta a enumerar tudo o que afinal já se sabe sem que uma proposta válida de solução fosse apresentada. Os C.F.M. através do seu representante, cujo nome desconhecemos, chamou a atenção da Comissão, em quatro alíneas, para a «imsibilidade técnica», nas condições actuais, de resolver o problema da cintura ferroviária. GABINETE DE URBANIZAÇÃO: SOLUÇÃO DISPENDIOSA MAS EFICIENTE Para finalizarmos este trab a 1h o queremos apresentar uma opinião do G.U.H.R.L.M., quando este estava empenhado nos seus planos de urbanização, também nunca concretizados. O -dr. Canha e Sã, director daquele Gabinete, propusera ao Governo uma sé rie de questões, nomeadamente sobre transportes ferroviários e rodoviários, gares de passageiros e de mercadorias e ainda um centro de coordenação de transportes. Estas propostas foram feitas já em fins de 1973 pouco antes do dr. Canha e Sá ter deixado o cargo de director do G.U.H.R.L.M., e em parte reveladas por ele ao autor destas linhas. O problema centrava-se na instalação de um Centro de Cordenação de Transportes, na Malha II do Plano Parcial das Lagoas. Esta área, pela sua especial posição, entre a via férrea de Marracuene a Norte e a Av. Craveiro Lopes a Este, com cerca de 17 hectares, permitia e obrigava a instalação de gares de camionagem, terminal de transportes para ligação do futuro a e r o p orto internacional, a Norte, e uma estação de Caminhos de Ferro para passageiros. Mas tudo isto estava por sua vez subordinado ao plano director da cidade com a rede rodoviária de acesso a Lourenço Marques a ser estudada e concretizada pela Junta Autónoma de Estradas. O G.U.R.L.M. apontava por outro lado para o facto de a adaptação da rede ferroviária para o tráfego suburbano de passageiros, ser apenas uma solução de emergência e de carácter temporário, pois devia-se estar a trabalhar neste momento numa efectiva rede de transportes rodoviários e ferroviários com as respectivas centrais, a contar não só com o 1. mas já com o 2." milhão de habitantes para a capital de Moçambique. A necessidade de terminais que coordenem os vários tipos de transportes para servir melhor as populações foi frisado pelo dr. Canha e Sã que a certo passo da sua proposta afirmou que a situação actual traduzia-se em prejuízos vultuosos para os Serviços Municipalizados de Viação, tendo-se Chegado ao ponto de haver carreiras subur banas e até interurbanas com duas terminais na cidade (por exemplo) uma no Xipamanine e oütra na Baixaou se é que se poderão chamar terminais' aos terreiros do Largo do Xipamanine ou da Praça do Infante D. Henrique ou à berma dos passeios da Av. General Machado - e haver por outro lado car iras de transportes públicos de passageiros, pertencentes a empresas privadas, com ambos os términus, dentro da área do foral de Lourenço Marques. Acrescente-se ainda que no transporte de passageiros de e para os pontos situados dentro. do Concelho, efectuado por parte de carreiras privadas interurbanas e suburbanas, segundo parece, ao abrigo da legislação cuja aplicabilidade ao Concelho de Lourenço Marques se afigura ser atentória dos ;iiteresses gerais da população e do respectivo município. TEP 1 1OSRI Hoje um outro assunto. Um assunto diferente. Triste. Lamentável. Profundamente chocante. Uma vergonha e também uma indignidade. Todo um estendal ,de miséria oferecido pelo desporto; um mau exemplo de todo o tamanho. E logo numa altura destas. Não é que, haja alturas próprias para baixezas, só que agora,' a cada momento, 'todos devemos esmerar-nos em ferecer o melhor exemplo, em ofertar o gesto mais amigo. Em darmos o melhor de nós. Mais uma vez - já estamos em cima do acontecimento - aborrecidos eventos conspurcaram uma partida de futebol que, ainda por cima, era disputada por jovens - as equipas junio. res do Sporting e Desportivo, de Lourenço Marques. Infelizmente destemperos desta natureza nada têm de inéditos, na verdade até são um tanto vulgares, o que não admira, visto que até aqui, os desmandos e a violência no desporto foram sempre relativamente tolerados. A balança da justiça desportiva não estava com afinação impecável e quem a segurava não tinha os olhos vendados, não fosse a lei ser dura mas ser leiý e desmantelar alguma -peça importante da engrenagem desportiva que servia para estupidificar pessoas. ., Não vamos relembrar pecados passados, mas também não podem ser esquecidos oa muitos atropelos à ordem e à disciplina que se praticavam no desporto para os quais algumas vezes houve yista muito grossa. O que passou passou. Mas a memória não pao passou. Mas a memória não Provavelmente os responsáveis pelas cenas indecorosas de agora vão ficar impunes. Provavelmente não está bem dito, vão mesmo ficar impunes. Quem são eles? Quem foram? Não se sabe, não se saberá; não acontecerá coisa alguma que desmanche a quietude das coisas desportivas ou lhe belisque hábitos passados. Aliás se se quisesse, finalmente, encetar o caminho da moralização de certos hábitos antigos no nosso desporto, talvez nesta altura nem se pudesse dispor de meios para semelhante tarefa. Não nos admiraria que ainda a esta hora se soltem saborosas gargalhadas relembrando as tristes ocorrências da manhã de domingo 3 de Novembro, no parque desportivo do S.C.L.M.. Não somos profetas se aqui dissermos que esta tão estreita concepção de desporto está condenada. Tem os seus dias contados. Desmandos e propósitos de violência (factos concretos às vezes) nos campos desportivos não terão lugar amanhã. . preciso que os habituais e ocasionais no desencadeamento de situações reprováveis saibam que, nestas circunstãncias, agem em termos de passado. O seu reino há-de ter um fim. E entretanto as consciências bem formadas condenam-os desde já. Não queremos terminar sem tocar em três aspectos mais. O primeiro, o motivo evocado para os atropelos à ética desportiva. Mais uma vez a causa teria sido a má actuação do árbitro. Segundo, a reacção dos órgãos informativos ao sucedido. Terceiro sobre o comportamento das multidões. Relativamente ao primeiro caso erro ou «crime» do árbitro - teriamos um erro ou «crime» a justificar outro erro ou «crime». Isto não tem qualquer lógica. Não seria apenas um disparate mas uma violência. Na verdade qualquer conduta de um árbitro na direcção de um jogo não dá legitimidade a desmandos de qualquer facção, de espectadores. Estes, os entusiastas de clubes, os dirigentes, tem ao seu dispor meios para resolver a questão em termos pacíficos e legais. Inclusivamente pelas vias legislativas, por, normas regulamentares. Nunca pela ýviolència.. : Passemos ao segundo ponto. Também à boa maneira de «antigamente» a imprensa e rádio não viu necessidade de qualquer censura. Eis a única referência ao sucedido que lemos («Noticias», de 4.11.74): «Nos jogos efectuados ontem em Lourenço Marques, a contar para os Campeonatos Distritais de Futebol, nas categorias de Juniores e Juvenis, fase final, registaram-se os seguintes resultados. JUNIORES Académica, 2 - Ferroviárlo, 2 Sporting, 0 - Desportivo, 1 «Este jogo não chegou a terminar por invasão do campo por parte dos, adeptos dos «leões», numa manifestação contra alegado erro de arbitrager». Será que o silêncio é o melhor caminho? Assim, como se corrigem as pessoas (Q as coisas)? E estamos caidos no terceiro caso o do comportamento das multidões. No assunto vertente poder-se-á dizer que uma situação destas não pode ter" significado desfavorável para o Des. porto, pois estamos em face de um tipo de reacção que multidões podem ter, já que estas são vulneráveis a simples faúlha emocional que, só por si, pode desencadear acções imprevisíveis. Assim entraríamos no limiar da psicologia das multidões. .Não avancemos tanto. Não há necesidade de irmos tão longe. O sucedido até nem se enquadrará perfeitamente no fenómeno natural da reacção das massas, bastará atentarmos que o. sucedido agora é um decalque, é cópia fiel; de tantos outros casos passados no nosso ,desporto. Com isto apenas queremos dizer que o problema não deve ser desviado do seu núcleo central e este encontra-se na errada formação desportiva (e cívica) de alguns indivíduos. Para findar. Hoje, e cada vez mais, estes factos constituem «crime». São Indignidades. Digamo-lo sem sofismas: trata-se de um MAU EXEMPLO que classifica o Desporto como actividade desprestigiante, como coisa a pôr de parte por não' interessar a um pais novo que se deseja são e escorreito. o desporto, o seu espectáculo não pode ser o que mais uma vez aconteceu. Recusamin-nos pensar que aquilo volte a suceder. Estamos em tempo de Paz. De Construir. Agostinho de Campos Folheando relatório de clube local (de nomeada)" dLparáms, com pormenor curioso no capitulo<de despesas das secções; são as chamadas «despesas no «bar». Por exemplo, a Secção de Atletismo gastou, no «bar», 6850$00 enquanto em.leite para os atletas apenas 1 860$0; o hóquei em patins consumiu no «bar» mais de 17 contos - a verba mais vultosa das gastas com os jogadores, enquanto a natação não se distingue no «bar» pois fica-se por 2 contos e tal, a despesa mais insignificante da secção. No.basquetebol a verba das despesas no «bar» passa dos 24 contos. A Secçãode Futebol - onde vigora ta, bela de prémios - teve ainda mais de 35 contos de despesa no «bar». Bom consumo. Para abreviar: no relatório que temos presente somámos 95 contos em «despesas do bar» -divididos por seis secções. Não será deniRýs- para clube desportivo? E nem todos os- grupos dos amigos do «copofone» terão tanto dinheiro para gastar no «bar». «Bar», álcool, alcoolismo. Certamente que não é este o caso, mas porque-senão desabitua o praticante despOrtivo do caminho do, «bar» (que, por acaso até se deveria escrever e dizer botequim a palavra correcta). e «Aproximando-se o período estipulado para a apresentação do Orçamento para 1975 ao -«Conselho Leonino» e, posteriormente, à Assembleia Geral, tem causado Viva surpresa na Massa associativa do Sporting lisboeta o facto de a Direcção em exercício ainda não ter providenciado no sentido de prestar contas referentes ao ano transacto». «Assim, aguarda-se (...) que o presidente da Assembleia Geral exija ã Direcção a divulgação do Relatório e Contas de 1973.» e A propósito da noticia acima: Todos estamos lembrados dos gran. des projectos financeiros que iriam transformar o Sporting Clube de Pprtugal numa sociedade gigantesca que, por seu turno, daria gigantismo ao «desporto» do Sporting, embora o obrigasse a mudança de «sexo». Enfim, o capital iria «servir» o desporto ou com mais rigor o espectáculo desportivo. Mas veio o 25 de Abril e da tal Sociedade dê Construções e Planeamentos que havia de dar nçva dimen são ao S.C.P. nada mais, que saibamos, apareceu nos jornais. Poderã haver quem pergunte: se ontem o capital queria auxiliar o desporto (ou o seu espectáculo) por intermédio do Sporting C. P., não o deverá fazer hoje com redobrado vigor para servir o Portugal novo?... A República Democrática Alemã 1 hoje uma das maiores potências desportivas do niundo, o que acontece naturalmente como resultado de um criterioso e planificado trabalho que associa num todo a profissão, o desporto e as actividades sociais em geral. Muitos nomes ce praticantes desportivos correm mundo, não como ldolos ou figuras de fachada, mas como homens de uma sociedade justáa 'e digna. Um desses nomes, Gunhijd Hofimeister - uma jovem atleta grande dama nos 800 e 1500 -m. quando recentemente entrevistada,'e à pergunta se «o desporto dominava a sua vida» respondeu destarte: «Devo-lhe muita alegria, muitos reconhecimentos e caracteristicas extrordinárias. Mas não é o único conteúdo da minha vida. Tenho.a mih profissão, a minha filha e também o meu trabalho como funcionária da organização juvenil». Como é sabido o Comité Olímpico Internacional tem jeitos de «clube privado» sendo que, o preenchimento de vagas é feito pelos membros anti-1 j iRui Couto Sousa ( «(Optimist» )o Anibal- Oliveira («Snipe») e Correia-Correia («Vaurien») foram os vencedores das regatas de vela a contar para o troféu «Gabriel Lopes», O hóquei em patins, nas últimas jorn.a.. o campeonato regional de Lourenço Marques, registou boa presença de público. O que é agradável. O público vai voltando ao futebol. Um certo público. Um dos últimos jogos deu '125 contos de receita -o que foi bom. Mas ainda há-de ser melhor. Temos muito público para muitas manifestações desportivas. A. vida associativa- sempre desencorajada*no «tempo da outra senhora» - acabou por morrer. Mas é imperioso que ressuscite. O basquetebol laurentino ainda não chamou grandes multidões. (í Admite-se que o S.L.M. e Benficâ vença a crise. FUTEBOL, redigimos estas antecedência redo pretérito fim para o campeo[oçambique,- temos iário da Beira e o as mais sérias Equipas, aliás, avoritismo -da cri,ealmente, as que dado. cnzes» o Sporting ma com hipóteses (que mais seriam não fora a derrota in casa frente ao «lanterna vermelha» da prova, o União de Cabora Bassa), Poder-se-á dizer que o Ferroviário laurentino já ficou pelo caminho enquanto o Sporting de Nampula, 1.° de Maio e União de Cabora Bássa, dentro dos condicionalismos que os limitam, não deixaram de oferecer o melhor (nalguns casos a sua surpresa). Ficarão para outra altura considerandos mais amplos. Valha-noS s ao de nem sempre os erros dos árbitros desencadearem iras .e violências. Foi o que vimos uma tarde destas quando em determinado momento da primeira parte do desafio entre o Sporting de LM e Ferroviário da Beira, grande parte da assistência que enchia o campo dos «leões», viu isto é, estamos a supor que teria visto) um derrube à margem das leis dentro da área «leonina» por um jogador desta equipa a um jogador lerroviário, falta que seria punida com castigo máximo. Mas vejamos o que escreveu o «N3tícias» do dia seguinte: «(...) assim como devemos assinalar um derrube a Paulo, já dentro da «grandeárea», quanto este se preparava para r2n-atar, que, quanto a nós, mereceria o cýstigo máximo, mas o sr. Fernando Albuauerque assim não en. tendeu». Mas felizmente não aconteceu nada (salvo a estupefacção de algum público). Espíritos menos bem intencionados logo disseram que o árbitro -bem sabia o que se passara naquela 'manhã.' Maus pensamentos dizemos nós. Pegando na. palavra do articulista transcrito nós diríamos que o árbitro F. A. não assinalou o castigo (aliás até se abanou todo a dizer que nião era nada) por uma questão de entendimento. CONVITES PARA O QUÉNIA E TAlÂNIA * Dizem de Nairobi que o Quênia aceiEle disse que somente o seu país e tou participar nos primeiros Jogos. da a Tanzânia, dos países africanos, tiNova Zelândia, em Janeiro, em Christ- nham sido convidados. church, e enviará uma equipa de correPrecisou que a jovem Sabina Chebidores, declarou Ezekiel Nyarangi, se- chi, medalha de bronze nos 800 metros cretár.o da Associação de Atletismo nos Jogos do Reino Unido fará provaAmador do Quénia. velmente parte da equipa. QUE O DESPORTO NÃO MI.BRUTEfA (AS PESSOAS) «Que o desporto não continue a em-. dios»- ideias do comandante Conceição brutecer esta terra!»- voto do coman- e Silva que afirma ainda àquele jornal dante Conceição e Silva, secretário de desportivo que o governo não é comuEstado e desportista-praticante (vela, nista; «mas os comunistas não comem natação e esqui) numa entrevista con- criancinhas com molho de tmate....» cedida ao jornal «A 'Bola», que acres- acrescentou. centa: «Que o estádio nunca mais seja E a terminar: «Os jornais desporum circo em que as bancadas estejam tivos têm uma importante missão a derepletas de um rebanho para elas con- sempenhar contra a, estupidificação naduzido com intuitos políticos. Estádios cional e todos gostaríamos que fosse sem bancadas, praticantes sem está- efectivamente assumida essa missão». O Comité Olímpico Internacional confiou a Moscovo a organização dos Jogos Olímpicos de Verão de 1980. Os Jogos de Inverno do mesmo ano serão realizados em Lake Placid, estado de Nova .orque. É a primeira vez que a organização dos Jogos de Verão é confiada a um país comunista. Nesta competição Moscovo venceu Los Angeles, a outra cidade candidata. Lake Placid não teve qualquer concorrente à organização dos Jogos de Inverno. Lord Killanin, presidente do COI, anunciou as decisões do 75.' congresso do Comité Olímpico, no município de Viena, tendo observado que a votação fora secreta e que não seriam divulgados pormenores. Finalmente foi prestada justiça ao extraordinário contributo que a União Soviética tem dado ao desporto e educação física, como, aliás, e muito particularmente, todos os países socialistas. Adiantamos que, finalmente, temos esperança de pela primeira vez ir acontecer Jogos Olímpicos com rosto humano. [LIS OLIMPICAS Na sua 75." sessão, realizada em Viena de Áustria, o Comité Olímpico Internacional deliberou adoptar uma nova redacção para o artigo 26." do Regulamento Olímpico no respeiíante à admissão para os Jogos, isto é, o reconhecimento, do carácter amador dos desportistas participantes. O novo artigo 26." entra imediatamente em vigor e aplicar-se-á aos Jogos de Inverno a realizar em Innsbruck, na Áustria, e aos Jogos Olímpicos de Montreal, Canadá, em 1976. Segundo os especialistas desportivos, o mais importante da nova redacção, que define o carácter do desportista, contando somente com a autorização das correspondentes associações desportivas nacionais e federações internacionais, enquanto que anteriormente restringia os treinos a somente 30 dias antes das olimpíadas e a- um máximo de 60 dias dentro de cada ano. Segundo a nova redacção, o desportista que participa nos Jogos Olímpicos tem que respeitar: 1 - As regras e normas do Comité Olímpico Internacional, assim como as regras e normas da sua respectiva Federação Desportiva Internacional. 2 -Em nenhum caso pode o desportista que participa nos Jogos Olímpicos obter qualquer tipo de benefícios financeiros ou materiais relacionados com a sua participação desportiva, com excepção das normas complementares contidas no artigo 26.'. Não será este o tal caminho para a (necessária) reforma olímpica? o SIGNO CERIO PARA AS OLIMPIADAS DE 1O80 A China Popular será convidada e bem-vÍxida a Moscovo, nos Jogos Olímpicos de 1980, se ela se reintegrar no Movimento Olímpico Internacional, anunciou VIadimir Promislov, presidente da Câmara Municipal da capital soviéticã, em Viena, depois da votação do Comité Olímpico Internacional. Na conferência de imprensa, dada após o resultado da votação, pela delegação moscovita, repleta de autoridades desportivas da URSS, Promislov assegurou igualmente que todos os compromissos tomados perante o COI serão escrupulosamente respeitados. Reafirmou que os vistos de entrada serão dados a todas as pessoas acreditadas por um Comité Olímpico Nacional e que as autoridades soviéticas respeitariam para os visitantes, as leis internacionais, aplicadas para os turistas de todos os outros países. O tema «Jogos Olímpicos organizados sob o signo da paz, da amízade e da cooperação entre a juventude de todos os países», foi mais uma vez largamente desenvolvido e os dirigentes soviéticos lembraram que a sua nação sempre defendeu os ' princípios do Movimento Olímpico, depois de lá ter entrado em 1951 e opôs-se sempre à discriminação racial e política. MEDICINA DESPORTIVA NA COSTA DO MARIIM Um grupo de professores de .medi-, cina da Costa do Marfim propôs ao ministro aa Juventude e Desportos a criação dum centro de biologia desportiva em Abidjan. Este centro, segundo o dr. Constant Roux, um dos promotores do projecto, permitirá fazer frente a todos os testes médicos dos atletas, organizando a medicina desportiva na Costa do Marfim. Roux, que foi delegado da África na comissão .-'da da Federação ln"'rnacional de Voleibol no México, afirmóiu que a realização deste projecto peru' mitirá elevar o nível do desporto da Costa do Marfim e evitará dispensar somas astronómicas na preparação das equipas da Costa do Marfim que se dirijam ao estrangeiro. - «G. P. da Bélgica», . designar). -«G. P. da Holanda», 5 de Outubro- «<G. ". dos Estados Unidos», em Watkings Glen. As datas e lugares da competição para o Campeonato do Mundo de Gruade Turisnto são:' 2 de Fevereiro -Daytona (EUA) 23 de Março - Mugelio (Itália) 6 de Abril- Dijon (lrança) 20 de Abril-Monza (Itália) 4 de Maio- SPA (Bélgica) 18 de Maio- Pergusa (Itália)/ 1 de Junho Nurbugring (AI. Oc.) 14-15 de Junho -Le Mans (França) 29 de Junho--Oesterreichring (Ãust.) 13 de Julho- Watkins Glen (EUA) 14 de Agosto - Ricard (França) 14 de Setembro-Brands Hatch (Inglaterra). 19 de Outubro -Buenos Aires (Argentina) 8 de Novembro Kyalami (África do Sul) 1] Não desejaríamos que a inserção deste informe nesta secção se interpretasse como inclusão do automobilismo competivo ,em actividade desportiva. Noutra altura já nos definimos. - Todos nós sabemos que a prostituiçao, o alcoolísmo, assim como outras situaçóes sociais viciosas e degradantes, têm causas especificas que as originam: o desemprego, , a miséria, a fome. Sabemos também porque em Moçambique esses maies grassam, esses males surgi-' ram, esses males se expandiram. Sabemos, mas não vamos lançar mais pedradas ao sistema que os originou, e que neste momento se desmorona imparavelmente. 2 - o facto do sistema colonial estar em derrocada total não quer dizer que os vícios físicos e mentais que pro d u z i u desapareçam ao mesmo ritmo com que o povo está agora a tomar o poder. Não. Todavia, e para além da tomada do poder político, o povo moçambicano está engajado numa revolução, na criação do Homem Novo . despido de vícios - pelo que, em todos os actos públicos e privados, dos homens que neste momento estão à frente do Governo, dos homens que neste momento estão à frente do Partido, dos homens que neste momento estão à frente da organização e mobilização correcta das massas, está latente a sua vontade, de paralelamente à referida tomada do poder, Iniciarem a liquidação dos males que enfermram e oprimem o povo moçambicano. 3 - Um desses males, como dissemos, é a prostituição. Fala-se muito dela. Os jornais referiram-na já. A nossa revista dedicou-lhe um trabalho em profundidade. O Governo, como se vai ver, agiu. De facto, na noite de 7 e na madrugada do dia 8 do corrente mês, Forças Populares de Libertação e Forças Militares Portuguesas, coadjuvadas pela P.S.P., levaram a efeito uma operação conjunta na rua Major Araújo, em Lourenço Marques, tendo sido detidas 284 pessoas - 192 mulheres e 92 homens. Das mulheres 50 foram postas em liberdade, 29 das qúais estavam grávidas. - Ter-se-á já iniciado a luta decisiva pela liquidação da prostituição? Vejamos. 4- Antes de mais nada recordemos que estamos ainda muito próximos dos atalues da reacção. Recordemos como os agentes reaccionários se aproveitaram e se aproveitam dos considerados marginais da sociedade - prostitutas, alcoólicas e mabandido - para levar por diante os seus tenebrosos fins. Recordemos que a rua Major Araújo, para além de ser o, cartaz turístico por excelência do regime colonial-fascista, estava a ser ultimaiente palco -palco ideal precisamente para encontros de certos indivíduos ligados ao jogo violento da reacção. * Porem sobre toda esta questão recordemos o facto principal: a prostituição na rua Major Araújo é a boca escancarada e apodrecidaa montra feérica de toda a corrupção citadina. Por isso a luta contra um dos piores males da nossa sociedade começou por ali. Mas não vai acabar por aquelas bandas, nem se limitará à nossa capital. Por Moçambique inteiro uma campanha contra a prostituição vai, avante. Todas essas mulheres sem possibilidades de emprego nas cidades serão futuramente reintegradas através de esquemas de produção agrícola. 5 -Há quem lamente a sorte de famílias que fica ram repentinamente desamparadas pois viviam do fruto do trabalho e s c r a v o das prostitutas. Estão a ser estudados esses casos. Os comités políticos de bairro têm muito trabalho a desenvolver sobre o assunto. De uma coisa podemos estar certos: forah dados os primeiros e decisivos golpes contra a prostituição. A luta continua. A revolução não se compadece com os fracos e os vici'osos. Triunfará. CALANE DA SILVA ACÇÃO RENOVADA AO SERVIÇO DE MOÇAMBIQUE trazemos para Moçambique a nossa experiência pelo mundo fora. Oferecemos uma actividade em constante renovação. Participamos, de facto, no progresso de Moçambique, atraveýs de uma rede de serviços cada vez mais actuante dinamismo na acçáo NRUt4D0 DOGI pekos qoe, j&Z lhicio Wc e mais týktt,0 n-lun ýfifgýnia e suP?' G-ý 0 clga"O esco do ale de vWeý nul*0ýo tabac fnais sajýSýaçao n, o seu Pu sabof GT CO melkýOf