ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS-ABRI SEMINÁRIO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS Clarissa Barbosa Ramos Prudêncio de Carvalho* O PROTAGONISMO DO BNDES NO FINANCIAMENTO DA INFRAESTRUTURA SUL-AMERICANA DURANTE O GOVERNO LULA: INTERFACE ENTRE INTERESSES DOMÉSTICOS E A POLÍTICA EXTERNA. Artigo apresentado no I Seminário Nacional de Pós-Graduação de Relações Internacionais, entre os dias 12 e 13 e de julho de 2012. Painel: O Brasil na América do Sul (2) Área Temática Política Externa. Brasília, 2012 *Mestre em Ciência Política. Professara da Associação Caruaruense de Ensino Superior (ASCES). [email protected] RESUMO Este trabalho – conclusão da pesquisa do mestrado - mostra como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tornou-se um agente da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e contribuiu para aprofundar o processo de integração regional sul-americano. A definição da integração da América do Sul como prioridade da política externa, paralela ao posicionamento do BNDES dentro da ala desenvolvimentista do governo, fez com que as ações desta instituição impactassem diretamente na integração sulamericana. Argumentamos que o BNDES, apesar de sua autonomia, segue as diretrizes do governo em curso e que durante o governo Lula, ele passa a ser agente de política externa, entrelaçando ainda mais o projeto de desenvolvimento nacional com o de política externa.A política de incentivos para as empresas brasileiras realizarem obras de infraestrutura nos países vizinhos e entre eles e o Brasil, é o vínculo que une os dois objetivos. Concluímos que a crescente disposição do BNDES em financiar o setor de construção e engenharia convergiu com a demanda dos demais países sul-americanos por maiores investimentos em infraestrutura, e com a mudança de enfoque do próprio regionalismo ao longo da primeira década do século XXI. PALAVRAS-CHAVE: Integração regional; BNDES; Governo Lula 2 INTRODUÇÃO A Integração Sul-Americana, um dos principais pilares da política externa brasileira, passou a ser parte da missão do BNDES, a partir de 2003, tendo em vista que a expansão dos mercados nacionais e do comércio entre os países é fundamental para acelerar o desenvolvimento econômico com justiça social (trecho retirado do Informe BNDES, nº 187, nov. 2004). O fortalecimento da integração da América do Sul passou a fazer parte da missão do BNDES já em 2003, tendo como objetivos principais a expansão do comércio entre os países; a atração de investimentos, sobretudo em infraestrutura; o ganho de escala na produção; capacitação tecnológica e humana mediante cooperação e o fortalecimento do poder de negociação dos países (BNDES, 2004). A importância de atuar na integração sul-americana foi constantemente ressaltada desde o início do governo Lula e o BNDES instado a participar como agente financeiro em diversos empreendimentos. Os eixos de maior repercussão da atuação do BNDES foram o apoio à internacionalização das empresas brasileiras, que teve na América do Sul um destino importante no recebimento desses investimentos, e o financiamento de obras de infraestrutura na região. Há, contudo, outro eixo que é menos divulgado, mas que tem importância significativa na atuação do BNDES na integração regional, que se refere a sua participação em órgãos regionais do processo integracionista e em grupos interministeriais para elaboração de políticas voltadas para a integração. São três as frentes onde o BNDES participa do financiamento da infraestrutura regional: i)financiando projetos da carteira da Iniciativa para Integração Regional Sul-Americana1.; ii)em parceria com a Corporação Andina de Fomento e iii) na concessão de financiamento direto às empresas2. Em todas essas frentes, a atuação do BNDES ocorre, em última instância, pela disponibilização de recursos às 1 A IIRSA foi formulada na I Cúpula Sul-Americana, realizada em 2000. Esta foi a primeira reunião dos doze mandatários dos países sul-americanos, a qual teve como tema “Democracia, Comércio, Infra-estrutura de Integração, Drogas e Delitos Conexos”. A ideia contida na IIRSA era que ela se tornasse a instância regional aglutinadora dos projetos de infraestrutura da América do Sul, com um mandato de 10 anos. Diante do enorme volume de projetos elencados para participar da IIRSA - a relação inicial continha mais de 330 projetos - e a dificuldade de operacionalização de carteira tão ampla dentro do prazo estipulado de 10 anos, os governos resolveram diminuir o escopo da iniciativa. Na III Reunião de Presidentes da América do Sul em 2004, os países optaram por priorizar 31 projetos, no que veio a se chamar Agenda de ImplementaçãoConsensuada 2005-2010 (AIC). 2 Esses financiamentos podem ser para a produção, na forma de suppliercredit, ou para a comercialização, refinanciando o importador, com a modalidade de buyercredit. 3 empresas brasileiras para exportação de bens e serviços, categoria na qual se incluem os serviços de engenharia e construção. O FINANCIAMENTO DA INFRAESTRUTURA REGIONAL A literatura especializada está longe de um consenso acerca do impacto dos financiamentos do BNDES para o aprofundamento da integração regional. Entre os fatores a alimentar esse dissenso, destacamos dois, como de grande relevância. Por um lado, falta convergência sobre a validade da IIRSA como instrumento de adensamento do processo integracionista. Por outro lado, não se encontra disponível ao público, uma base de dados clara e exaustiva sobre todas as obras financiadas pelo BNDES na América do Sul, sob o argumento de respeito ao sigilo bancário das empresas. No que tange ao primeiro fator elencado, às críticas feitas à IIRSA são de diversos matizes, entre as mais recorrentes, estão sua identificação como uma ferramenta dos interesses brasileiros para ampliar mercado para suas grandes empresas de construção (LUCE, 2007); a crítica à concepção de desenvolvimento sob a qual a Iniciativa se assenta, chegando a ser denominada de ‘arma imperialista/sub-imperialista inteligente com embalagem de desenvolvimento e integração’ (NOVOA, 2009, p. 200). À sua carteira de projetos também é atribuída grande capacidade de gerar fortes impactos ambientais, devido aos investimentos em obras de geração de energia e contribuir para a criação de corredores de exportação dos recursos naturais do continente que favorecem principalmente as grandes empresas multinacionais (CECEÑA, 2009; TAUTZ et al, 2010). Essas críticas não podem ser desconsideradas. Entretanto, não tiram a legitimidade da IIRSA como um dos instrumentos de promoção da integração regional, uma vez que foi elaborada e aprovada pelos doze países do continente, os quais continuaram mostrando seus compromissos com a iniciativa nos anos posteriores a sua criação. Uma primeira reafirmação aconteceu na III Reunião de Presidentes Sul-americanos em 2004, onde foi criada a Agenda de ImplementaçãoConsensuada 2005-2010, e em 2008 durante a criação da União das Nações Sul-americanas, que inseriu em seu tratado constitutivo a importância de 4 desenvolver uma infraestrutura que conecte as regiões e os povos (ARAÚJO JR., 2009). A IIRSAparte da constatação de que há uma grande defasagem infraestrutural em toda a região, tanto dentro dos países como entre eles, a qual precisa ser superada a fim de possibilitar maior crescimento às economias nacionais e maior comércio e conexão entre estas. Desse modo, é a partir dessas reflexões que o envolvimento do BNDES nessa iniciativa é considerado como um dos referenciais para qualificar sua participação no aprofundamento da integração sulamericana. Tendo em vista a inexistência de uma base de dados completa disponível ao púbico tanto por parte do BNDES quanto da IIRSA3, fica bastante difícil analisar qual o peso real da instituição para a consecução da iniciativa de forma acurada.Para dar uma idéia da complexidade da situação, vejamos o seguinte: um estudo realizado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados em 2008 fornece uma lista de 10 obras de construção e engenharia financiadas pelo BNDES como sendo parte da carteira da IIRSA (BORGES, 2008). Essa mesma relação de projetos é analisada em Couto (2006) como sendo projetos financiados pelo BNDES na região fora da carteira da IIRSA e da CAF. Deos (2009) e Iglesias (2008), por sua vez, fazem uso desse mesmo conjunto de projetos os apresentando como aqueles desembolsos do BNDES que não estão nem na Agenda de ImplementaçãoConsensuada (AIC) nem na IIRSA. Todos os autores supracitados citam como fonte de seus dados a apresentação feita por Guido Mantega na ocasião da ‘Primeira Rodada de Consultas para Construção da Visão Estratégica Sul-americana do Brasil’, enquanto este ainda era presidente da instituição do BNDES (MANTEGA, 2005). Na apresentação não fica claro se os projetos pertencem ou não a alguma carteira de projetos específica. Assim, as interpretações da literatura sobre a participação do BNDES na IIRSA variam significativamente. Dados similares geram análises opostas, não ficando claro qual o referencial usado pelos autores para saber se a participação do BNDES na IIRSA é alta ou baixa. De um lado, Iglesias (2008) afirma que o BNDES adotou uma carteira própria de projetos paralela àquela proposta pela IIRSA, 3 Uma das críticas destacadas pelo relatórioEvaluationofthe IDB action in IIRSA, elaborado pelo Escritório de Avaliação e Supervisão do BID e citado no trabalho de Vince McElhinny (2009, p.68) é: “Depois de 8 anos, a IIRSA não tem uma base de dados oficial e completa dos projetos, que permita um mecanismo confiável de rastreamento de financiamento ou resultados”. 5 embora os interesses sejam muito próximos. Uma forte demonstração disso, segundo o autor, é que nenhum dos financiamentos na linha de exportação de serviços de engenharia e construção para a América do Sul aprovados pelo Banco em 2008 constava na carteira da IIRSA. Já Vaz (2008) argumenta que nesse mesmo ano o envolvimento do BNDES foi parcial, uma vez que apenas quatro dos projetos da IIRSA estavam em análise no Banco. Por outro lado, para Silveira (2010) e Verdum (2008), o BNDES teve grande importância na viabilidade da IIRSA. Segundo Silveira, ao institucionalizar um programa de empreendimentos de grande porte que demanda financiamento de longo prazo, a IIRSA tornou-se uma importante plataforma para a atuação do BNDES nos países vizinhos e a prova é que todos os projetos da IIRSA em 2009 tinham a participação do BNDES. Nesse mesmo sentido, Verdum (2008) afirma que o BNDES está tão comprometido em disponibilizar recursos para as empresas brasileiras de engenharia e construção que se tornou uma das instituições que mais investem nas IIRSA, além de ser a principal fonte de recursos do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC) do governo federal. É certo que os governos nacionais têm grande participação no financiamento total da IIRSA. Conforme o seu Comitê Técnico, dos US$ 21 bilhões investidos na AIC até dezembro de 2007, 62% dos recursos eram oriundos do orçamento dos doze países membros, face aos aportes de 7% do BID e de 8% da CAF. Seguindo nesta mesma direção, Araújo Jr. (2009) identifica um forte envolvimento do BNDES com a IIRSA e com PAC e argumenta que as semelhanças entre essas duas estratégias são sinais da aprovação do governo quanto à estratégia regional. Segundo ele, através do PAC o governo está financiando 34 projetos que constam na carteira da IIRSA (Tabela 1.1). Araújo Jr. defende ainda que o fato de o Brasil financiar apenas 6 projetos da AIC é porque um dos motivos principais para que o projeto fosse considerado prioritário e, portanto incluído na AIC, era a possibilidade de conclusão dentro do prazo estabelecido até 2010, de modo a preservar a credibilidade da IIRSA em meio a tantas iniciativas regionais que ficaram só no campo da retórica. Como o PAC foi lançado só em 2007, esses projetos não eram considerados prioritários no momento da elaboração da Agenda. Tabela 1.1 - Projetos da IIRSA incluídos no PAC 6 Setor Eixo Amazonas Capricórnio Escudo Guianense Hidrovia ParaguaiParaná Interoceânico Central Mercosul-Chile Peru-Brasília-Bolívia Fonte: Araújo Jr, (2009). Rodovias e Pontes 2 2 2 - Ferrovias 2 1 Passagens de Fronteira 1 1 - Portos e Hidrovias 2 3 9 - Energia - Total: 35 3 5 2 3 - 1 6 - - 2 5 15 2 Assim, dos sete projetos do Eixo de Capricórnio da IIRSA que incluem o Brasil, cinco estão no PAC, ao lado de quinze projetos do Eixo Mercosul-Chile, de um conjunto de vinte e quatro. Essa interface entre a IIRSA e o PAC é possível porque 60% dos projetos da IIRSA são obras nacionais que causam algum impacto no país vizinho. A maioria dos demais são empreendimentos binacionais como pontes, túneis, passagens de fronteira, transmissão de energia, hidrovias, ferrovias e hidrovias (ARAÚJO JR., 2009). Destarte, diante da diversidade de análises sobre a mesma problemática, torna-se difícil extrair conclusões a partir da literatura dedicada ao assunto. De forma geral, poderíamos dividir os argumentos em dois grupos: para aqueles que, mesmo reconhecendo as limitações da AIC, reconhecem o potencial integrador da IIRSA, o BNDES não tem investido a contento; já para aqueles que destacam o potencial predatório dos projetos financiados pela IIRSA, ou a entende como um instrumento da hegemonia brasileira frente aos demais países sul-americanos, o BNDES vem desempenhando papel-chave. O que em geral os estudos concordam é que há grande interesse do governo em aumentar a exportação de serviços e fortalecer as grandes empresas brasileiras de engenharia e construção. Concordamos com Deos, quanto à seguinte proposição: Tentar estabelecer um juízo categórico sobre a visão e ação do governo do Brasil no tema da agenda de integração regional em infra-estrutura sul-americana, do financiamento público dos projetos e do impulso para a internacionalização das firmas locais no setor constitui uma tarefa extremamente complexa por si só. A realidade é que, na hora de pôr os fatos sob a lupa, as óticas políticas e econômicas se entrelaçam constantemente conduzindo a conclusões diversas segundo o peso atribuído a uma ou outra na análise (DEOS, 2009, p. 48). 7 Tendo em vista que o Brasil participa da IIRSA também através da alocação de recursos orçamentários da União, não se pode dizer que tudo o que o Brasil destina à IIRSA seja por meio do BNDES. Além disso, o BNDES firmou parceria com a Corporação Andina de Fomento para co-financiar obras de infraestrutura regional, e aumentou sua participação no fundo conjunto da instituição, que também financia obras da IIRSA. A parceria com a CAF para financiar obras na América do Sul teve início em 2003, com a realização do ‘Primeiro Seminário Internacional de Co-financiamento BNDES/CAF’4. O objetivo do encontro era elaborar um Plano de Ação onde estivessem identificados projetos de infraestrutura que poderiam ser financiados pelos dois organismos nos doze países da América do Sul, dado o reconhecimento de que a assimetria entre os países sul-americanos, no tocante à infraestrutura, se apresentava como um dos principais desafios à integração desses países. Nesse encontro, os doze países sul-americanos apresentaram um total de 23 projetos. Com esta parceria, as instituições pretendiam aprofundar o conhecimento das políticas operacionais uma da outra, a fim de compreender as complementaridades e as especificidades dos diferentes tipos de financiamento e avaliar conjuntamente os projetos apresentados pelos países, classificando-os de acordo com sua maturidade e possibilidade de vir a ser financiado pela CAF e/ou o BNDES (BNDES, 2003). A celebração da cooperação entre as duas instituições financeiras ocorreu finalmente em 2005, com a realização de um memorando de entendimento entre as partes. Com a possibilidade deste cofinanciamento, os dezessete países membros da CAF5 passaram a ter mais uma possibilidade de financiamento para a melhoria nas condições de infraestrutura. Paralelamente, o BNDES passou a aumentar sua contribuição no Fundo da própria CAF, como se vê no gráfico abaixo (Gráfico 1.2). O aumento das contribuições mirava elevar a condição acionária do Brasil a fim de tornar sua carteira de empréstimos mais robusta, migrando da situação de acionista tipo ‘C’, para membro pleno ou especial, como acionista tipo ‘A’. Essa mudança ocorreu finalmente em 2007, quando foi acertada a subscrição de ações de capital ordinário 4 Primeiro Seminário Internacional de Co-financiamento BNDES/CAF: Prospecção de Projetos de Integração Sul-americana. Rio de Janeiro, agosto de 2003. 5 Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Espanha, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela. 8 no valor de US$ 467 milhões, mais o aporte de US$ 126 milhões ao capital de garantia da instituição. Essa ascensão na condição de acionista amplia tanto os poderes como a cobertura para a contratação de novos financiamentos. Postura semelhante vem sendo adotada nos últimos anos também por Argentina, Uruguai e Chile, resultando na caracterização da CAF não mais como instituição andina, mas sim como latino-americana (DEOS, 2009). Gráfico 1.2 - Evolução da condição das ações do Brasil junto a Corporação Andina de Fomento, 2001-2009 (em US$ milhões) 180 156,7 150 120 90 60 30 24,06 28,17 29,34 2001 2002 2003 56,48 59,62 62,6 65,1 2005 2006 2007 2008 42,48 0 2004 2009 Fonte: Adaptado de Alves (2011) Elaboração própria Esse incremento de fundos resultou irremediavelmente na disponibilização de maior quantidade de recursos para obras de infraestrutura, como também na divisão de custos e riscos com a instituição no financiamento de tais projetos. Alves (2011) destaca algumas obras que fazem parte da carteira da IIRSA que tem financiamento da CAF e participação de construtoras brasileiras. Tabela 1.3 – Projetos financiados pela CAF que contam com a participação de empresas brasileiras (em US$ milhões). EIXO PROJETO Escudo Guianense Brasil: Interconexão viária Brasil-Venezuela Brasil: interconexão elétrica Brasil-Venezuela Brasil: projeto viário do Estado de Rondônia Brasil/Bolívia: gasoduto Amazônico Interoceânico Central Mercosul-Chile Argentina/Brasil: centro fronteiriço Paso de los Libres – Uruguaina Brasil: programa de integração regional do Estado de Santa Catarina Aporte CAF US$ milhões 86 86 35 215 TOTAL 168 210 89,2 2.055 10 10 32,6 65,5 9 Peru –Brasil- Bolívia Uruguai: Construção de vias de ligação com Argentina e Brasil Bolívia: Rodovia Guayaramirim-Ribalta Brasil: programa vial de Integração, estado de Rondônia Peru: Corredor Vial Interoceânico Sul (tramos 2, 3 e 4)) e garantias para estruturação privada 25 136,5 42 56,4 45,5 134,2 804,5 1.615,0 Fonte: Alves, 2011. Nota: números com ‘ponto’ se referem a bilhões. Tendo em vista a realização de ações diretas e indiretas no que diz respeito ao financiamento de projetos de infraestrutura, e a falta de uma base de dados clara, é difícil apontar precisamente o que é financiado pelo BNDES dentro da carteira tanto da IIRSA como da CAF. Por fim, a terceira frente de atuação do BNDES no fomento a infraestrutura regional é mediante o atendimento da solicitação de financiamentos por parte de construtoras brasileiras para linha de financiamento de exportação de bens e serviços, sem que a obra pertença à carteira da IIRSA ou da CAF. Em relatório elaborado pelo Ministério de Relações Exteriores (MRE, 2010) consta que o Brasil aprovou desde 2003, financiamentos para mais de 80 projetos de infraestrutura na América do Sul, somando aproximadamente US$ 10 bilhões, fazendo uso tanto do BNDES como do PROEX. Novamente, a ausência de dados desagregados se torna um obstáculo para a devida avaliação da presença do BNDES na construção da infraestrutura regional. Mais uma vez, encontramos o obstáculo da pobreza das informações oficiais. Em geral, dada a restrição no acesso aos valores detalhados, os autores recorrem a valores globais. Usam como fonte o montante da carteira para a América do Sul, ou os valores desembolsados pela linha de exportação do Banco para a região, ou ainda os valores correspondentes aos desembolsos de financiamentos de serviços e bens relacionados à realização de infraestrutura, mas sem ser especificamente para a América do Sul. Em Deos (2009) encontramos que os desembolsos do BNDES para financiar obras de infraestrutura no exterior no ano de 2007 totalizaram US$ 665 milhões. Verdum (2008) afunila mais o escopo da informação para este mesmo ano, apontando que destes, US$ 490 milhões foi para projetos de infraestrutura na América Latina, e no que tange à América do Sul especificamente, os desembolsos foram da ordem de US$ 430 milhões, inserido em uma carteira total de US$ 11 bilhões para o subcontinente. 10 Tabela 1.4 – Desembolsos totais do BNDES-Exim por setor de infraestrutura 2004-2008 (em R$ milhões) Setores 2004 2005 2006 2007 2008 - - - - 1.095 227.990 292.152 180.322 599.766 917.846 542 - 1.427 - 334 - 14.754 95.210 41 - 228.532 495 294.074 180.656 709.730 918.982 Água e saneamento Engenharia e construção Eletricidade e gás Informação e comunicações Telecomunicações Total Exim Infraestrutura Fonte: Deoset al. (2009) Operacionalmente, os financiamentos para comercialização dos serviços brasileirosde engenharia e construção brasileiros são feitos através da modalidade pós-embarque do BNDES-Exim, refinanciando o exportador ou entidades públicas estrangeiras, com contratos internacionais sujeitos a cláusulas de confidencialidade e sigilo comercial. Os dados precisos sobre o valor de cada obra não está disponível ao público. O BNDES disponibiliza em seu site, apenas os valores contratados pelos países nos últimos três anos. Em apresentação feita por Machado e Esposito (2009), funcionários da Área de Comércio Exterior do Banco, podemos encontrar o montante destinado aos países da América do Sul (Gráfico 1.5). Gráfico 1.5 - Desembolsos do BNDES-Exim para América do Sul, 1997-2009 (em US$ milhões) Realizado 500 450 433 427 443 400 349 US$ Milhões 350 300 344 284 276 250 219 208 185 200 207 182 150 116 100 50 0 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009* Realizado *até Abril Fonte: Machado e Esposito (2009) No intuito de dar maior embasamento à pesquisa, buscamos compilar em um único quadro todas as referências feitas pela literatura especializada, pelo noticiário 11 e por fontes oficiais sobre as obras de infraestrutura que foram realizadas na América do Sul desde 2003 que contaram com o financiamento direto do BNDES. Devido ao tamanho da relação dos financiamentos, optamos por colocá-lo como anexo do trabalho (Anexo I). Conseguimos identificar 43 financiamentos dentro da linha de exportação de bens e serviços para a América do Sul que estão relacionados com a infraestrutura A partir desse quadro, percebemos uma diversidade de projetos realizados, com impacto nos diversos setores de infraestrutura, tanto nacionais, binacionais e multinacionais. Foram realizadas pontes, estradas, rodovias, usinas, gasodutos, projetos de irrigação, melhoras em complexos hidroviários, exportação de aviões e ônibus, expansão de linhas de metrô, etc. Ressaltamos que as conclusões feitas a partir dessa tabela não podem ser generalizadas para o conjunto dos financiamentos feitos do BNDES para a América do Sul, já que não contempla todas as operações. Porém, com as informações que nos foi possível coletar, observamos que os financiamentos não privilegiam um setor infraestrutural mais que outro, nem distinguem obras para um único país ou que são para interligar os países, e que o financiamento do BNDES na maioria dos casos supre apenas uma parte do valor total do empreendimento. Analisando a importância por destino, verificamos grande diferença entre os países em cada ano. Isso ocorre devido ao peso que o país receptor da obra tem no ano da contratação do financiamento (Tabela 1.6). Tabela 1.6 - Desembolsos do BNDES-Exim por países da América do Sul, 1997-2009 (em US$ milhares). 1997-1998 Argentina Bolívia a Chile a Colômbia e Equador a Peru r Paraguai u Uruguai i Venezuela i TOTAL 273.662 1998 141.943 1999-2000 2001-2002 238.240 2000 49.776 2003-2004 70.933 2002 16.003 1.556 2004 1.767 2005-2006 221.760 2006 882 2007-2008 2009* 586.121 2008 - 158.812 * - TOTAL 1.551.085 L 210.371 - 323.174 - - 28.701 174.608 18.018 - 693.034 14.021 6.498 764 - 158.728 32.065 43.367 8.009 - - 113.622 44.757 27.285 307 2.633 5.555 - 89.855 66.511 25.518 98.265 99.705 51.455 113.524 48.066 503.044 702.909 633.151 366.320 323.401 562.970 875.985 206.878 2.952 16.915 4.797 49.384 906 1.678 25.556 560 100.576 209.887 77.209 112.735 79.097 44.142 14.206 27.943 2.237 9.318 97.124 - 152.003 3.671.612 *Atéabril 12 Fonte: Machado e Esposito (2009) As empresas de engenharia e construção que realizam mais obras no exterior foram a Camargo Correa, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Essas empresas já haviam começado seu processo de internacionalização nas décadas passadas, em 1970 e 1980, e na década de 2000 já se encontravam consolidadas no mercado internacional. O aumento dos recursos do BNDES as beneficiou à medida que puderam contar com melhores condições de produção e comercialização para concorrer internacionalmente. Nesse sentido, o trabalho de Iglesias (2008) destaca a alavancagem que essas empresas tiveram na década de 2000, e aponta que o apoio do BNDES foi fundamental para aliar o interesse de maior inserção das empresas brasileiras com a propósito de financiar projetos de infraestrutura no exterior. Esta estreita vinculação dos financiamentos do Banco com a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras e o aumento das exportações de produtos de valor agregado fez com que diversos autores concluíssem que este fosse o único do objetivo do BNDES, quando alega estar participando da integração regional. O aumento dos desembolsos para a América do Sul nos últimos anos foi interpretado como sendo o braço financeiro do governo para criar e/ou impulsionar empresas multinacionais brasileiras. Contudo, no que concerne aos financiamentos dispensados mediante o BNDES-Exim, ficou demonstrado seu potencial de aprofundar o processo integracionista em curso. Claro está a interface entre a estratégia do BNDES em aumentar o mercado para as construtoras, e a disponibilização de recursos crescentes para a realização de projetos de infraestrutura na América do Sul. Como coloca Deos, O crédito do BNDES completa assim uma tríade interessante junto com a agenda de integração em infraestrutura e a política de diversificação exterior das companhias brasileiras. Por outro lado, tendo em conta que o fim institucional do BNDES-Exim é a promoção de exportações, cabem sérias dúvidas sobre a possibilidade de que o banco possa chegar a assumir o papel de ente ‘desinteressado’ de financiamento regional (DEOS, 2009, p. 51). 13 Entendemos que as políticas do BNDES de promoção das exportações e de atuação na integração regional não são excludentes, nem se baseiam em uma atitude desprovida de interesses. Ao somar os financiamentos diretos às empresas com o aumento dos fundos destinados à CAF e sua participação na IIRSA, o Banco contribuiu significativamente para o incremento das fontes de financiamento de longo prazo destinadas ao provimento de infraestrutura na América do Sul, reconhecidamente precária. Embora seja um banco nacional, as liberações do BNDES para a América do Sul se comparam às dos bancos regionais de desenvolvimento que atuam na região. Tomando o ano de 2007 como referência, temos os seguintes valores: o BNDES desembolsou para a região aproximadamente US$ 4,2 bilhões, enquanto que a CAF liberou US$ 5,85 bilhões e o Fonplata6 US$ 49,5 milhões. Na comparação com os desembolsos de US$ 8 bilhões do Bladex em 2007, banco que financia importação e exportação para toda a América Latina, sozinho o BNDES desembolsou metade desse valor. Em 2010, foram destinados US$ 1,1 bilhão de dólares na linha pósembarque do BNDES-Exim para apoiar exportações de bens e serviços para a região, frente a US$ 184 milhões ofertados em 2001. Nesse contexto, os aportes do BNDES para a região não podem ser considerados marginais, ainda que representem uma parte menor dentro do total de suas operações. O fomento à infraestrutura é também prioridade nos financiamentos da CAF e do Fonplata dos últimos anos, o que mostra a convergência de enfoque entre essas instituições financeiras regionais. Outras medidas tomadas pelo governo brasileiro apontam nessa mesma direção. Para citar algumas, a reestruturação do Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira possibilitou o financiamento de projetos de infraestrutura em regiões fronteiriças, aumentando a ligação entre o Brasil e seus vizinhos. A participação no Focem e no recém criado Banco do Sul são sinais do compromisso do Brasil em atuar em diversas frentes para aumentar os recursos disponíveis para se investir na região. Desse modo, a abertura do escritório do BNDES no Uruguai e o incremento dos recursos para financiar projetos de infraestrutura apontam não apenas para o objetivo de incrementaro mercado para as construtoras brasileiras, mas se inserem 6 Deos inclui o Fonplata nessa relação porque ele, mesmo sendo um fundo, cumpre diversas funções de um banco de desenvolvimento (DEOS, 2009). 14 dentro de uma estratégia mais ampla de política externa, que é o fortalecimento da integração sul-americana. Ademais das linhas de financiamento, há outra dimensão através da qual o BNDES também participa da integração regional, mas que tem sido pouco abordada, que é na função de consultor técnico, sobretudo no âmbito da integração produtiva do Mercosul. Nessa esfera, o BDNES tem atuado na geração de projetos de integração produtiva, fornecendo consultoria técnica para outros órgãos governamentais e desenhando novos instrumentos financeiros. CONSIDERAÇÕES FINAIS Prestes a completar sessenta anos de existência, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social continua a desempenhar papel central na economia brasileira. No decorrer destas seis décadas, cresceu como instituição financeira de desenvolvimento e se consolidou como centro de referência na elaboração de análises sobre a realidade econômica nacional. Diante do vasto campo de pesquisas possíveis acerca do BNDES, essetrabalho buscou contribuir para a compreensão de seu papel como ator relevante da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) para a integração sul-americana. Quando surgiu no governo Vargas, sua principal tarefa era financiar a infraestrutura que possibilitasse o florescimento da industrialização. Logo depois, passou a financiar fortemente a indústria pesada com Juscelino Kubitschek, permitindo implantar o modelo de industrialização por substituição de importações. No governo do ditador militar Geisel, realizou grandes desembolsos para fortalecer o capital privado nacional, perna deficiente do tripé sustentador da industrialização (ao lado do Estado e do capital internacional). Passou também por momentos críticos, sobretudo na década de 1980, quando faltava ao país um claro projeto de desenvolvimento para nortear a ação governamental. Ainda assim, o BNDES logrou sair desse momento fortalecido enquanto organização detentora de um quadro técnico diferenciado e capaz de influenciar os rumos da economia. Mais tarde, foi impregnado pelas ideias neoliberais, trazidas pelos nomes escolhidos para lhe presidir durante os 1980 e 1990. Desempenhando o papel diferentepara o qual foi criado, o Banco se tornou um dos principais condutores das privatizações. Foi direcionado, principalmente no 15 governo de Fernando Henrique Cardoso, a vender o patrimônio nacional que durante décadas contribuiu decisivamente a construir. Chegando ao governo Lula, o papel desenvolvimentista do BNDES começa a ser resgatado, rompendo com o padrão de atuação que a instituição vinha desenvolvendo desde os 1980. A intervenção estatal volta a ser uma bandeira do Presidente da República e a escolha de Carlos Lessa para presidente do BNDES é reveladora do papel atribuído ao Banco nesse governo. Lessa, assim como os presidentes que o sucederam à frente da instituição, tinha postura claramente desenvolvimentista, fazendo do Banco um foco constante de oposição à política macroeconômica do governo. Nesse novo contexto, favorecido por uma conjuntura internacional em expansão, principalmente entre os países em desenvolvimento, o BNDES teve seus recursos aumentados a um patamar sem precedentes, tornando-se um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo. Tamanha capacidade de intervenção econômica foi instrumentalizada para dar suporte ao crescimento da economia desde o início do governo e foi ainda mais incisiva durante a crise internacional de 2008. Uma dessas medidas foi a política do Banco para apoiar a criação e o fortalecimento de empresas brasileiras multinacionais (desde que seu capital fosse nacional), escolhida aqui por seu elo com a política externa de integração regional. Através dessa diretriz, construtoras brasileiras receberam aportes significativos de recursos para realizar obras de infraestrutura na América do Sul. Desse modo, o vínculo entre a política doméstica de fomento à internacionalização das empresas com a estratégia de política externa de priorizar a integração sul-americana foi estabelecido. Ao lado desse reposicionamento do banco, o conceito de integração regional sofreu mudanças durante a década de 2000 influenciado pela ascensão de diversos presidentes de esquerda, que propunham um processo integracionista que fosse além das relações comerciais que marcaram a década anterior. Com esta ampliação dos temas de integração, a necessidade de ações conjuntas para rever a situação precária da infraestrutura regional ocupou lugar de destaque. Dentro do governo brasileiro, essa mudança na concepção de integração da América do Sul foi acompanhada por uma novidade. Pela primeira vez, além de atuar na busca pelo desenvolvimento nacional, o BNDES seria incumbido de 16 participar na política externa do governo fortalecendo a integração regional. Ao comparar o desempenho do Banco com outros órgãos de fomento que atuam na região, argumentamos que a missão de fomentar a integração sul-americana tem sido cumprida. Vimos que a atuação do BNDES no financiamento de obras pertencentes à Iniciativa para a Integração Infraestrutural da América do Sul, na parceria com a Corporação Andina de Fomento e no financiamento de empresas brasileiras, foi decisiva para que a região pudesse contar com um estoque significativo de recursos para investir em infraestrutura. Além da participação nas iniciativas regionais, como a IIRSA e a CAF, algumas políticas domésticas adotadas pelo governo federal também impactaram positivamente o incremento de infraestrutura na América do Sul, como o Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC) e a reestruturação do Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira. Nestes programas, o BNDES também teve uma participação ativa. Defendemos, pelo exposto, que a ação do BNDES no governo Lula articula os objetivos da política doméstica de desenvolvimento com a estratégia de política externa de priorizar a América do Sul, tornando-se um agente de política externa do governo. A política de incentivos para as empresas brasileiras realizarem obras de infraestrutura nos países vizinhos e entre eles e o Brasil, é o vínculo que une os dois objetivos. É certo que a política externa brasileira sempre esteve fortemente articulada com as diretrizes de desenvolvimento nacional. A novidade é que no governo Lula este entrelaçamento se torna mais intenso e o BNDES é instado a participar também da política externa. Diante disso, concluímos que a crescente disposição do BNDES em financiar o setor de construção e engenharia convergiu com a demanda dos demais países sul-americanos por maiores investimentos em infraestrutura, e com a mudança de enfoque do próprio regionalismo ao longo da primeira década do século XXI. ANEXO I:OBRAS COM FINANCIAMENTO DO BNDES REALIZADAS NA AMÉRICA DO SUL APÓS 2003. PAÍS PROJETO FINANCIAMENTO EMPRESA BRASILEIRA ARGENTINA Gasoduto San Martin US$ 200 milhões Odebrecht; Confab 17 Gasoduto Norte US$ 37 milhões Confab Gasoduto Sul US$ 279 milhões Confab Exportação 20 aeronaves US$ 646 milhões Embraer Aqueduto do Chaco US$ 180 milhões Odebrecht; Techint; Oas; Isolux Aqueduto Santa Fé ** Trem Transandino Central ** Gasoduto Nordeste ** Hidrovia Paraná-Paraguai * Rodovia San Inacio de Moxos US$ 332 milhões Projeto Haciael Norte – Rurrenabaque – El Chorro US$ 199 milhões Rodovia Tarija – Bernejo US$ 179 milhões Queiroz Galvão Ampliação do metrô de Santiago US$ 208 milhões Alstom Brasil Apoio ao Transantiago US$ 350 milhões Ônibus sistema transmilênio US$ 28 milhões Marcopolo Exportação 127 ônibus coletivos US$ 26,8 milhões San Marino Complexo Hidroviário rio Meta ** Ferrovia Del Carare US$ 650 milhões Odebrecht; Camargo Corrêa Projeto Tabacondo US$ 65 milhões Andrade Gutierrez Construção de canais e barragens US$ 77 milhões Estrada Quito-Guayaquil * Irrigação Manabi US$ 113 milhões Rodovia Interoceânica US$ 30 milhões Hidrelétrica ToachiPilatón ** Venda de Aviões para Tame US$ 61,6 milhões Embraer Usina Hidrelétrica San Francisco US$ 242,9 milhões Odebrecht Aeroporto Internacional de Quito US$ 50 milhões Andrade Gutierrez GUIANA Ponte sobre rio Tacutu US$ 17,1 milhões PARAGUAI Ruta 10 US$ 77 milhões 2º ponte rio Paraná US$ 200 milhões CarreteraPaita-Yurimaguas e CarreteraHuancayo-Pucalipa ** Ponte Assis Brasil-Iñapari US$ 17,1 milhões Rodovia Interoceânica Sul US$ 420 milhões Usina termelétrica San José * Rede de distribuição de gás de Montevideu US$ 7 milhões Linha de transmissão da Usina Termoelétrica e irrigação Maldonado US$ 29 milhões Usina Hidrelétrica laVueltosa US$ 121 milhões BOLIVIA CHILE COLÔMBIA EQUADOR PERU URUGUAI VENEZUELA Construtora Oas ARG – Minas Gerais Camargo Corrêa; Odebrecht; Andrade Gutierrez: Queiroz Galvão Oas Alstom Brasil 18 Metrô Caracas – linhas III e IV US$ 185,5 milhões Odebrecht Modernização de produção milho e gado/ Fondafa2 US$ 19 milhões Cotia Trading Usina Hidrelétrica Tocoma ** 3º ponte do rio Orinoco ** Construção do metrô de Caracas US$ 943 milhões Irrigação El diluvio – Palmar, Maracaibo US$ 194,6 milhões Fontes: Deos (2009); Borges (2010), MRE (2010), Couto(2006). Elaboração própria. * Não há referência ao valor do financiamento ** Projeto em análise pelo BNDES no momento da citação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, Rodrigo Maschion. Corporação Andina de Fomento: o financiamento da infraestrutura integradora sulamericana e a participação do Brasil. Boletim Meridiano 47, Brasília. v. 12, n.123, p. 3-13, jan/fev 2011. ARAÚJO JR., José Tavares. Infraestrutura e Integração Regional: o papel da IIRSA. CINDES, Rio de Janeiro. Breves Cindes, set 2009. BNDES. Integração da América do Sul: o BNDES como agente de política externa. Informe BNDES, Rio de Janeiro, n. 187, nov. 2004. Disponível em: <http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Publicacoes/Con sulta_Expressa/Tipo/Informe_BNDES/>. Acesso em: 25 out. 2010. BNDES. Parcerias para a integração sul-americana. Informe BNDES, Rio de Janeiro, n. 173, ago. 2003. Disponível em: <http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Publicacoes/Con sulta_Expressa/Tipo/Informe_BNDES/>. Acesso em: 25 out. 2010 BORGES, Rodrigo. Obras de Integração Física na América do Sul. Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados. Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados. Jun 2008. Disponível em: <http://bd.camara.gov.br>. Acesso em:09 nov. 2010. CECEÑA, Ana Esther. Os caminhos e os agentes do saqueio da América Latina. In: Empresas transnacionais brasileiras na América Latina: um debate necessário. Instituo Rosa Luxemburgo Stiftunget al. São Paulo: Ed. Expressão Popular, 2009. p. 205-218 COUTO, Leandro Freitas. A Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana: IIRSA como instrumento da política exterior do Brasil para a América do Sul. Revista Oikos, Rio de Janeiro, v. 5, n. 1, 2006. DEOS, Simone (coord.) Perspectivas do Investimento na Dimensão do Mercosul e da América Latina. Equipe Ana Rosa Mendonça et al. Estudo Transversal 08. Projeto Perspectivas do Investimento no Brasil. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008/2009. 19 IGLESIAS, Roberto.Algunos elementos para caracterizar losinteresesbrasileñosenlaintegracióneninfraestrutucturaen América delSur. Integración y Comercio, n. 28, 2008. LUCE, Mathias Seibel. O subimperialismo brasileiro revisitado: a política de integração regional do governo Lula (2003-2007). Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais). Universidade Federal do rio Grande do Sul, RS, 2007. MACHADO, Luciene; ESPOSITO, Alexandre. Atuação do BNDES no setor de energia elétrica: Integração Brasil-Peru. 34 slides. BNDES, 2009. Disponível em: www.nuca.ie.ufrj.br/gesel/eventos/peru/AlexandreLuciene.ppt>. Acesso em: 18 dez. 2010. MANTEGA, Guido. Integração da Infraestrutura de América do Sul. Anais. Foz do Iguaçu: Primeira Rodada de Consultas para Construção da Visão Estratégica SulAmericana no Brasil, 2005. 16 slides.Disponível em: <http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivo s/empresa/download/apresentacoes/mantega_IIRSA.pdf>. Acesso em: 09 nov. 2010. MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES. Balanço da política externa 2003/2010. América do Sul – Infraestrutura. 2010. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/temas/balanco-de-politica-externa-2003-2010/1.1.6america-do-sul-infraestrutura/view>. Acesso em: 05 fev. 2011 NOVOA, Luis Fernando. O Brasil e seu ‘desbordamento’: o papel central do BNDES na expansão das empresas transnacionais brasileiras na América do Sul. . In: Empresas transnacionais brasileiras na América Latina: um debate necessário. Instituto Rosa LuxemburgStiftunget al. São Paulo: Ed. Expressão Popular, 2009. p. 187-204. SILVEIRA, Natália Dutra. O BNDES como instrumento de política externa: expansão econômica brasileira sobre a América do Sul. Monografia (Curso de Relações Internacionais). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, RS. 2010. TAUTZ, Carlos; SISTON, Felipe; PINTO, João Roberto Lopes; BADIN, Luciana. In: Os anos Lula: contribuições para um balanço crítico 2003-2010. Rio de Janeiro: Ed. Garamond, 2010, p. 249-286. VAZ, Alcides Costa. A Cooperação Brasileira na América do Sul: Evolução, características e condicionantes. CINDES, Rio de Janeiro. Breves Cindes, Maio 2008. VEIGA, Pedro da Motta; RIOS, Sandra Polónia. 25 anos de política comercial no Brasil: continuidade e mudança. Revista Brasileira de Comércio Exterior. n. 100, pp. 26-33, 2008. VERDUM, Ricardo (org.). Financiamento e Megaprojetos. Uma interpretação da dinâmica regional sul-americana. Brasília: Inesc, 2008. 20 21