Tratamento de Águas para
Consumo Humano

A água, que é captada directamente de
um lago, albufeira ou de um rio, pode
conter impurezas altamente prejudiciais à
saúde, se for consumida sem tratamento
algum.

Estas impurezas, que também podem
conferir cor, turvação, sabor e cheiro
desagradáveis à água em questão, podem
ser agrupadas em três categorias:
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 FÍSICAS
- se forem substâncias que
não estão dissolvidos na água e que se
encontram em suspensão;
 QUÍMICAS
- se forem substâncias que
estão dissolvidas na água;
 BIOLÓGICAS
- se forem vírus,
bactérias, algas ou outros pequenos
seres vivos.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
Assim, toda a água destinada ao
consumo humano deve ser sujeita a um
processo de tratamento, que remova as
impurezas, para:
 a tornar agradável à vista e ao paladar;
 a tornar compatível com a saúde
humana;
 e para evitar a destruição dos materiais
do sistema de abastecimento de água.

Tratamento de Águas para
Consumo Humano

O processo de tratamento da água para
consumo humano consiste numa série
de etapas (operações unitárias), que
variam de acordo com o grau da
qualidade da água bruta.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

As várias etapas ocorrem em locais
apropriados e dimensionados para uma
determinada população (número de
habitantes) e quantidade de água a
tratar (caudal máximo), necessária para
o abastecimento público – ETA
(Estação de Tratamento de Águas).

Deve-se evitar a afluência à ETA de
caudais superiores ao caudal máximo.
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Consumo Humano
Capitação da água, em litros por habitante e por dia,
nas cidades de Lisboa e Porto.
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Consumo Humano

O tratamento da água constitui a base
do abastecimento de água e é uma
tarefa que deverá ser mantida sem
interrupções, para que se disponha da
quantidade de água indispensável para
a satisfação das necessidades das
populações .
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

A quantidade da água produzida na ETA
pode não ser suficiente para satisfazer as
necessidade de consumo, não por
insuficiência da capacidade de tratamento,
mas devido aos elevados índices de perda
na rede de distribuição.

Deste modo, é altamente prioritário
proceder-se à detecção e extinção de fugas
ao longo do sistema de distribuição.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

As águas subterrâneas, de uma
maneira geral, só necessitam de uma
desinfecção, o mesmo já não
acontecendo com as águas superficiais,
que necessitam de tratamentos mais
completos antes de serem distribuídas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
Quando a adução à ETA é feita através
de um canal a céu aberto, verifica-se o
arrastamento dos organismos
fitoplanctónicos presentes na superfície
da albufeira:
 estes organismos desenvolvem-se ao
longo do canal, dadas as condições
climáticas propícias ao seu
desenvolvimento (temperatura e
radiação solar).

Tratamento de Águas para
Consumo Humano
Para obter água, com melhor qualidade,
a partir da profundidade, deve-se
instalar uma torre de captação.
 No caso de albufeiras, deve-se realizar
descargas de fundo, para diminuir a
carga interna de nutrientes, acumulada
no fundo da albufeira devido à retenção
da água.

Tratamento de Águas para
Consumo Humano

Entre o local de captação e a ETA pode
existir uma Estação Elevatória, que permite
elevar a água para uma cota superior.

As Estações Elevatórias estão equipadas
com uma ou duas bombas imersas, com
comando automático por bóia de nível e
válvulas de retenção, que impedirão o
retorno da água, devido à inversão da
pressão ou à formação de bolhas de ar no
interior das canalizações, evitando assim
danos nas bombas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
Um tratamento de águas para consumo
humano pode ser constituído por
10 etapas, as quais podem variar de
acordo com a qualidade da água da
origem:
 Arejamento;
 Gradagem;
 Tamisação;

Tratamento de Águas para
Consumo Humano

Mistura Rápida:
- Remoção da Dureza ou Amaciamento;
- Correcção da Acidez (Agressividade);
 Coagulação / Floculação;
 Sedimentação (Decantação);
 Filtração;
 Desinfecção;
 Fluoretação;
 Tratamento de Águas Residuais.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

AREJAMENTO:
O
arejamento é adequado para remover
sabores, cheiros, gases dissolvidos e
os elementos químicos ferro e
manganésio.
 Pode
ser aplicado logo no local de
captação da água.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Durante
o arejamento, é introduzido ar
na água: podem criar-se desníveis que
obriguem a produzir pequenas cascatas
artificiais, ou pode proceder-se ao
arejamento mecânico.
 A quantidade
de ar adicionada deve
estar adequada ao caudal a tratar e às
concentrações de ferro e manganésio a
remover.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
O
ferro e o manganésio, que estão
dissolvidos na água, reagem com o
oxigénio do ar (reacção química de
oxidação) e transformam-se em
compostos insolúveis (precipitados).
 Isto também pode acontecer adicionando
à água reagentes oxidantes como o cloro
ou o permanganato de potássio .
 Os precipitados serão removidos nas
etapas seguintes.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

GRADAGEM:
 Consiste
na remoção de sólidos de grande
dimensão (> 12,5 mm), que poderiam
afectar o equipamento mecânico a
jusante.
 Utilizam-se
barras metálicas paralelas
(grades grossas - 150 a 50 mm - , médias
- 50 a 20 mm - e finas - 20 a 5 mm)
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

A água deve ter um limite de velocidade
ao passar nas grades (< 0,7 – 1 m/s),
porque comprime objectos sólidos
(esponjas...) que, por serem
compressíveis e flexíveis, podem
acabar por passar pelas grades.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

TAMISAÇÃO:
 Consiste
na remoção de sólidos de
pequenas dimensões, utilizando malhas
(crivos) de dimensão igual ou inferior a
12,5 mm (macrotamisadores e
microtamisadores).
 A instalação de microtamisadores, à
entrada da ETA, permite reduzir a
afluência de microorganismos
fitoplanctónicos.
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Consumo Humano

Os tamisadores podem ser estáticos ou
móveis (com tambor rotativo ou banda
móvel).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano



MISTURA RÁPIDA:
Consiste na adição de produtos
químicos em tanques com agitação
(câmaras de mistura rápida).
A agitação é provocada pelo
movimento de grandes pás
(electroagitadores) e garante as
condições de mistura necessárias à
dispersão dos produtos químicos.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 As
dosagens dos produtos químicos e o
seu tempo de contacto, devem ser
sistematicamente ajustados ao caudal a
tratar e à concentração inicial do
parâmetro que se pretende corrigir:
 para isso deve-se proceder à realização
de um teste laboratorial simples,
conhecido por jar test.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

Quando se utilizam produtos químicos devese ter em atenção os seguintes factores:
 Transporte;
 Armazenamento;
 Preparação e Doseamento;
 Consumo diário, semanal e mensal (Stock);
 Bombagem e Injecção.

A utilização de tratamentos biológicos pode
evitar esta sequência complicada de factores.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A mistura
rápida inclui os processos de
Remoção da Dureza (Amaciamento) e
de Correcção da Acidez.
 O agente coagulante, necessário para
provocar o processo de
coagulação/floculação, também pode
ser adicionado na câmara de mistura
rápida.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

REMOÇÃO DA DUREZA OU
AMACIAMENTO:
 Consiste
na remoção dos compostos
de cálcio e magnésio, que contribuem
para a dureza da água, por
precipitação química ou por permuta
iónica.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Teores
elevados de dureza não
oferecem perigo para a saúde, mas
estas águas têm vários
inconvenientes:
 incrustações nas canalizações
(principalmente nas de água quente);
 consumos suplementares de sabão.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Tratamento

por precipitação química:
adiciona-se cal viva, cal apagada (hidróxido
de cálcio) ou soda cáustica (hidróxido de
sódio), que têm como efeito transformar os
compostos de cálcio e magnésio, dissolvidos
na água, em compostos insolúveis
(precipitados), que são depois removidos nas
etapas seguintes.
 Este esquema de tratamento é
particularmente vantajoso quando as águas
são duras e turvas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
Tratamento por permuta iónica:
 utilizam-se resinas permutadoras
(naturais ou artificiais) que têm a
capacidade de trocar iões seus com
iões de cálcio ou magnésio que existem
em excesso na água.
 Em geral, este tipo de tratamento
aplica-se apenas a uma parte do
caudal, procedendo-se depois à mistura
com o caudal restante.

Tratamento de Águas para
Consumo Humano

CORRECÇÃO DA ACIDEZ (AGRESSIVIDADE):
 Consiste
na adição de produtos químicos
que neutralizem as águas ácidas
(<10 mg CaCO3 /l), reduzindo ou
eliminando o dióxido de carbono em
excesso, que é um dos responsáveis pela
acidez da água.
 As
águas ácidas têm uma acção corrosiva
sobre as canalizações e as máquinas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Também
é necessário manter o pH em
valores convenientes para o processo
de coagulação / floculação
(entre 6,5 - 7).
 Mesmo
que as águas não sejam
ácidas, o agente coagulante aumenta a
acidez devido à produção de dióxido de
carbono gasoso, pelo que é necessário
adicionar um agente neutralizante.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A acidez
da água também pode ser
neutralizada à saída do reservatório
de água tratada (cisterna).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Os
produtos químicos neutralizantes
utilizados são a cal apagada (hidróxido
de cálcio) ou o hidróxido de sódio (soda
cáustica).
 Pode
diminuir-se o tempo de contacto
ou a dosagem do produto neutralizante
através do arejamento prévio da água,
para libertação do dióxido de carbono
livre para a atmosfera.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Pode-se
adicionar dióxido de carbono
quando o pH no final do tratamento for
elevado, devido à adição produtos
químicos neutralizantes.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Também
se pode obter o mesmo efeito
obrigando a água a passar por um
reservatório com brita calcária:
o carbonato de cálcio existente no
calcário funciona como um agente
neutralizante, reagindo com o dióxido
de carbono em excesso.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

A acidez pode estar associada à
presença de ferro e manganésio.

Nestes casos, a remoção de ferro e
manganésio deve anteceder a
correcção da acidez, evitando que o
ferro se deposite na superfície da
brita.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

COAGULAÇÃO / FLOCULAÇÃO:
 A coagulação
consiste na adição de
produtos químicos que têm por finalidade
agrupar partículas de dimensões
microscópicas (coloidais).
 A floculação
consiste na formação de
agregados maiores e mais pesados
(flóculos), devido a uma agitação
moderada da água.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Após
a retenção das partículas de
maior dimensão, a água ainda pode
apresentar turvação devido à presença
de partículas coloidais de argila e lama.
 Estas
partículas, por possuírem cargas
electrostáticas do mesmo sinal, não se
atraem e não se aglomeram de forma
natural em partículas de maiores
dimensões e mais pesadas (flóculos).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Para
provocar esta aglomeração, é
necessário adicionar um produto
químico (coagulante), de modo a
neutralizar a carga eléctrica e formar
pequenos núcleos com capacidade de
atrair as partículas coloidais
(coagulação).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A agitação
moderada da água favorece
a colisão entre as partículas coloidais e
a formação de agregados maiores e
mais pesados - flóculos (floculação).
 Além
disso, a agitação também garante
as condições de mistura necessárias à
dispersão do coagulante.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Os
coagulantes contêm alumínio ou
ferro, sendo o sulfato de alumínio o
mais utilizado.
 Nesta
operação consegue-se remover a
cor, a turvação e, em certa medida, os
microrganismos presentes.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Os
processos de coagulação e
floculação dependem muito das
características do coagulante e das
condições de temperatura, turvação,
acidez (pH entre 6,5 e 7) e grau de
agitação da água.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Durante
a adição do sulfato de alumínio
é necessário ajustar o pH da água,
porque ocorre uma reacção química
com os carbonatos da água, dando
origem a dióxido de carbono gasoso, o
que provoca uma diminuição do pH:

AI2(S04)3 (aq) + 3 Ca(HC03) (aq)  2 AI(OH)3 (s) + 3 CaS04 (aq) + 6 C02 (g)
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Por
isso, a adição de sulfato de
alumínio ocorre na câmara de mistura
rápida, onde também se adiciona
hidróxido de cálcio (cal apagada) para
neutralizar o pH.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 SEDIMENTAÇÃO
 Consiste
(DECANTAÇÃO):
na remoção da matéria
suspensa na forma de flóculos, que se
depositam no fundo de um tanque, por
acção da gravidade (sedimentação),
formando lamas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 As
lamas não são biodegradáveis
(acumulam-se sem decomposição) e
são retiradas pela parte inferior do
tanque.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A sedimentação
ocorre em
decantadores (tanques de
sedimentação), sem agitação, e é
facilitado aumentando o tamanho e a
densidade das partículas e esperando
um tempo suficiente para que se
depositem no fundo.
 Pode
ser discreta, floculenta, retardade
ou acelerada.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Na
entrada do decantador (ou na saída
da câmara de mistura rápida) pode-se
adicionar carvão activado em pó, de
modo a obter um tempo de contacto
mais elevado, entre a água e o carvão
activado;
 Isto é importante em condições de
acentuado cheiro e sabor.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Os
decantadores podem ser
rectangulares, quadrados ou circulares.
 Têm
um ligeiro declive na base para
permitir uma fácil remoção das lamas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano


O decantador deve possuir um
sistema de módulos de lamelas,
garantindo uma carga hidráulica
inferior a 1 m3/m2.h, e permitir uma
boa separação sólido/líquido;
Deve também possuir um sistema de
protecção superficial, para minimizar a
interferência do vento.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
Decantador PULSATOR
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
É
o decantador que obtém melhores
performances.
 Tem
uma grande fiabilidade, é simples
de utilizar e é facilmente adaptável a
tanques pré-existentes aumentando
assim a eficácia do tratamento.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Permite
o tratamento de mais de
1 milhão de m3 de água por hora.
 Permite
a obtenção de velocidades
compreendidas entre 2 - 4 m/h,
conseguindo-se velocidades maiores
em casos excepcionais, dependendo do
valor do coeficiente de coesão das
lamas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
É
constituído por um tanque de fundo
plano, munido na sua base por uma série
de tubos perfurados(9) que permitem a
introdução da água bruta(1)
uniformemente por todo o fundo do
decantador.
 Na parte superior uma série de tubos
perfurados(2) permitem uma recolha
uniforme da água tratada, evitando
velocidades diferentes nas diferentes
zonas do decantador.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Para
alimentar o colector inferior de
uma forma descontínua podem ser
empregues diferentes modos,
baseando-se todos numa introdução
rápida de um certo volume de água
bruta no decantador.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
O
procedimento mais económico para
efectuar esta operação consiste na
introdução da água bruta numa secção
individual dentro do tanque, "cloche"(6), à
qual se retira o ar através de uma
aparelho de sucção(7), de maneira a que
quantidade de ar que é retirado seja
aproximadamente igual à quantidade
máxima de água que se quer fazer entrar
no decantador.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Nestas
condições o nível de água sobe
progressivamente dentro da "cloche", até
atingir uma valor entre 0,6 – 1 m acima do
nível da água do decantador.
 Um comando eléctrico regula a abertura
brusca de uma válvula(8) pondo a "cloche"
em comunicação com a atmosfera.
A pressão atmosférica exerce força na
água da "cloche" fazendo com que esta
penetre rapidamente no decantador.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Estes
aparelhos são normalmente
regulados de modo que a entrada da água
bruta na "cloche" dure durante 20 – 40 s
enquanto que a sua descarga para o
decantador se faz durante 5 – 20 s.
 A abertura e fecho da válvula de
comunicação com a atmosfera são feitas
através do nível atingido pela água bruta
dentro da "cloche".
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
O
colector geral situado na parte inferior
do decantador, tem uma secção grande
de modo a reduzir-se a perda de carga.
 Os orifícios são dispostos de modo a
permitir que o fundo de decantador
tenha uma camada de lamas
homogénea(4).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Esta
camada de lamas está sujeita a
movimentos verticais e tende a
aumentar de volume à medida que a
água bruta vai chegando ao
decantador, ficando retidas as
impurezas em suspensão.
 A coagulação é realizada por intermédio
da adição de reagentes
apropriados(11).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 As
extremidades do decantador são
constituídos por fossas de fundo
inclinado(10),onde chegam as lamas
em excesso que atingiram o nível
máximo(5) da camada de lamas, e que
depois de sofrerem uma concentração,
são purgadas intermitentemente para
as condutas(3).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Uma
vantagem deste decantador, é que
mesmo que se efectue uma purga
demasiado grande de lamas, devido a
que estas lamas estão em fossa
separada, não afecta a homogeneidade
da camada de lamas, ou seja não
afecta o bom funcionamento do
aparelho.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Uma
outra vantagem é que o
decantador não possui qualquer
raspagem mecânica susceptível de
destruir os flocos previamente
formados.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

FILTRAÇÃO:
 Consiste
na remoção de substâncias
em suspensão ou no estado coloidal,
para as quais a sedimentação não foi
eficaz (flóculos, compostos de ferro e
manganésio, bactérias), através da
passagem da água por um leito filtrante
de areia, gravilha, carvão, telas ou
membranas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A areia,
gravilha, telas e membranas só
permitem a passagem de partículas
com dimensões inferiores aos seus
poros, bem como partículas dissolvidas.
 Tal
como acontece na Natureza, em
que a água se vai purificando ao
atravessar camadas sólidas mais ou
menos arenosas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano


O carvão adsorve as substâncias, isto
é, liga-se às substâncias através da
sua superfície de contacto e impedeas de serem arrastadas com a água
(elimina detergentes, insecticidas,
toxinas, hidrocarbonetos e compostos
organoclorados).
Podem existir filtros de carvão
activado granulado, a jusante dos
filtros de areia.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A Filtração
pode ser gravítica ou em
pressão, lenta ou rápida (quando existe
 10 g/m3 de sólidos).
 Os
filtros, perdem a permeabilidade
com o tempo, por obstrução dos
orifícios de passagem da água
(colmatação).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Por
esta razão, é fundamental proceder
à sua limpeza periódica e eventual
substituição:
 substituir sempre que necessário a
camada superficial de areia (nos filtros
lentos) ou procedendo à sua lavagem
em contracorrente (nos filtros rápidos).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

Deve-se também verificar os
respectivos sistemas de drenagem e de
lavagem, por forma a evitar perdas de
areia.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

Os filtros de areia só com uma camada
são lavados do seguinte modo:
 10 min só com água;
 2 – 3 min com ar e 6 – 7 min com água ou
ar + água ao mesmo tempo;
 só com água.

Os filtros de areia de dupla camada nunca
são lavados com ar + água ao mesmo
tempo, para evitar que as camadas se
misturem.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

Pode-se lavar os filtros por gravidade,
construindo-se um reservatório sobre
os filtros (principalmente se existirem
muitos filtros) e utilizando bombas de
pequeno caudal menos dispendiosas.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 DESINFECÇÃO:
 Consiste
na eliminação dos
microrganismos, principalmente os
patogénicos (transmissores de
doenças), através de um processo de
oxidação, a fim de garantir a
qualidade bacteriológica da água.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

O processo de oxidação mais utilizado
é a cloração, adicionando-se cloro
(de preferência dióxido de cloro em
vez de cloro gasoso ou de hipoclorito
de sódio, que podem reagir com a
matéria orgânica existente na água,
produzindo compostos químicos
organoclorados perigosos
(trihalometanos, como o tetracloreto
de carbono - CHCI3).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Assim,
deve-se ter cuidado quando a
água é captada em albufeiras com
muita matéria orgânica, porque a
adição de cloro pode provocar a
formação de compostos muito tóxicos,
que dificilmente poderão ser eliminados
posteriormente.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
O
cloro é um antiséptico poderoso e
persistente.
 A acção antiséptica do cloro é
consequência da existência das espécies
químicas HCIO e CIO-, que são
verdadeiros desinfectantes e constituem o
chamado "cloro livre" da água:


CI2 (g) + H2O(I)  HCIO (aq) + H+(aq) + CI- (aq)
HCIO(aq)  CIO-(aq) + H+(aq)
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A destruição
dos microrganismos
patogénicos, por adição de cloro à água,
pode ser realizada:
à
entrada do processo (câmara de mistura
rápida) - pré-cloração (pré-oxidação);
 no final do processo (reservatório) –
pós-cloração (pós-oxidação);
 à entrada e no final – supercloração
(super-oxidação).
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A quantidade
de cloro a adicionar
depende das características da água e
do tempo de contacto entre o cloro e a
água.
 Isto porque deve existir sempre um
nível residual de cloro, durante o
transporte da água até aos
consumidores, de modo a evitar uma
contaminação bacteriológica após o seu
tratamento.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Para
manter um nível residual de cloro,
adiciona-se à água, no final do
tratamento, dióxido de enxofre, que se
combina com o excesso de cloro, e
solução aquosa de amoníaco, que evita
a evaporação do cloro dissolvido.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A desinfecção
também pode ser feita
com ozono ou com radiação
ultravioleta. Ambos os processos são
eficazes porque eliminam os
microrganismos.
 Porém,
nenhum deles garante um efeito
residual como o cloro, que proteja a
água de posteriores contaminações, por
isso não devem substituir o cloro.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

FLUORETAÇÃO:
 Consiste
na adição de flúor, elemento
essencial na prevenção da cárie
dentária, de modo a garantir o teor
recomendado nas normas da OMS.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS:

A ETA também produz águas residuais
(lamas provenientes do decantador e água
de lavagem dos filtros), que devem ser
tratadas:

podem ser espessadas num espessador e
desidratadas em filtro de prensa, após o
que são ensacadas e enviadas para aterro
sanitário.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

OUTROS CUIDADOS A TER NUMA ETA:

Beneficiar as instalações.
Verificar o estado dos equipamentos e
da instalação eléctrica, e indicar
medidas para a sua beneficiação.
Manutenção das cubas de preparação
de produtos químicos.


Tratamento de Águas para
Consumo Humano



Verificação da capacidade de transporte
das caleiras superficiais dos
decantadores.
Verificação do sistema de distribuição
de água no fundo do decantador, dos
estabilizadores e do sistema "Pulsator“.
Verificação dos electroagitadores e
bombas doseadoras face às
necessidades actuais.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

Adquirir equipamento de laboratório,
para determinar as doses de reagentes
a utilizar e para realizar determinações
de rotina de modo a optimizar o
funcionamento do sistema de
tratamento.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano

COMO SE GARANTE A QUALIDADE DA
ÁGUA DISTRIBUíDA?
 A realização
de análises, só por si, não
garante um efectivo controlo de
qualidade. A garantia de qualidade da
água distribuída por sistemas públicos
de abastecimento só é possível pela
articulação de um conjunto de medidas, tais como:
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Adopção
de medidas preventivas da
contaminação dos recursos hídricos;
 Protecção adequada das captações;
 Adequação do tratamento às
características da água captada;
 Manutenção adequada do sistema de
distribuição;
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 Diagnóstico
periódico e sistemático da
qualidade da água captada e distribuída
aos consumidores;
 Actuação rápida e eficaz em face de
anomalias diagnosticadas
analiticamente.
Tratamento de Águas para
Consumo Humano
 A protecção
eficaz das captações de
água destinada ao consumo humano,
investindo prioritariamente na
prevenção da contaminação, é a única
forma de preservar convenientemente a
qualidade final da água que
consumimos.
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Tratamento de Águas para Consumo Humano