1 CIÊNCIA CÓSMICA Irmandade dos Anônimos Luiz Guilherme Marques (médium) 2 I A MENTALIZAÇÃO CURATIVA 3 “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.” (Jesus Cristo) “Vós sois deuses; vós podeis fazer tudo que Eu faço e muito mais ainda.” (Jesus Cristo) “Onde estiver o teu tesouro aí estará o teu coração.” (Jesus Cristo) “Cura verdadeira só existe quando ocorre o progresso espiritual.” (anônimos) 4 Esclarecimento sobre o desenho Introdução Primeira Parte: a mediunidade Capítulo I – Dom universal Capítulo II – Tarefeiros da mediunidade 1 – Os médiuns de cura 2 – A mentalização 2.1 – A cura espiritual 2.2 – A cura física Capítulo III – Jesus: Médium de Deus 1 – Curas realizadas por Jesus 1.1 – Curas presenciais 1.2 – Curas à distância Segunda Parte: as condições pessoais do médium Capítulo I – As virtudes 1 – Humildade 2 – Desapego 3 – Simplicidade Capítulo II – Preparação anterior 1 – Reencarnações passadas 2 – O exemplo de Chopin Capítulo III – Integração com seus Orientadores Espirituais 1 – Os terapeutas espirituais da Terra 2 - Os terapeutas espirituais cósmicos Capítulo IV – Semear e seguir adiante 1 – Jesus curou apenas alguns doentes do corpo e do espírito 2 – A verdadeira cura: a auto reforma moral Terceira Parte: um exemplo de mediunidade de cura Capítulo I – Uma vida dedicada à mediunidade de cura e desobsessão 1 – Esclarecimentos práticos 5 ESCLARECIMENTO SOBRE O DESENHO Através do desenho procuramos mostrar para os prezados leitores qual é a realidade dos seres humanos, que não devem ser considerados apenas pela perspectiva do corpo físico, mas sim pela própria essência espiritual, que ultrapassa os limites da máquina orgânica e não vive “dentro do corpo”, mas avança em todas as direções, considerando-se, por exemplo, o caso de Chico Xavier, que, segundo afirmação de Marlene Nobre, tem uma aura cujo diâmetro beira os dez metros de extensão. Essa é a realidade espiritual, que os habitantes da Terra, no seu geral, não consideram e, assim, pensam em si próprios e nos outros seres apenas sob o aspecto físico, visível através dos olhos de carne. A força do Espírito está no pensamento, no caso dos humanos e dos animais superiores (cães, equinos etc.), enquanto que nos outros, menos evoluídos, está na sua irradiação espiritual de menor potência, mas real. Quanto aos seres angélicos (Jesus, Maria de Nazaré e outros) não temos sequer condições de avaliar a sua realidade. O desenho da capa, repita-se, procura destacar a realidade do Espírito humano, tentando mostrar que a aparência sólida é meramente uma sombra da realidade do Espírito, mesmo daqueles encarnados, pois o Espírito não necessita do corpo físico, podendo, muito bem, viver no mundo espiritual, onde apenas o poder mental é que conta. Através do poder mental, cada um pode curar-se e curar os outros seres, dependendo, porém, essa cura do merecimento de cada um, tanto no que diz respeito às mazelas morais quanto às físicas. 6 INTRODUÇÃO Na Terra, no geral, as pessoas podem ser comparadas aos habitantes de uma ilha, da qual se avistam outras, mas cujo atraso tecnológico não lhes permite se comunicarem, de qualquer forma que seja, com os habitantes dessas outras ilhas e, assim, aqueles primeiros acreditam que a única ilha habitada é a sua e todas as demais são desabitadas. A ignorância é a pior das cegueiras, sendo que, por isso, Jesus disse: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.” Assim, voltando à realidade dos terráqueos, pensam, no seu geral, que o Universo é vazio e que, tirante a Terra, pequenino grão de areia no Universo infinito, pensam que os demais astros não servem para outra coisa que não seja para enfeitar as noites terrenas, imaginando que a abóbada celeste ficaria pobre sem o brilho das estrelas e dos outros astros que povoam o firmamento noturno. No fundo, a maioria das pessoas da Terra, se não manifesta explicitamente essa forma de pensar, na verdade assim acredita, ou seja, que o Universo é um imenso vazio, sem sentido, uma pura e simples inutilidade, tal como pensavam, há muitos milênios atrás, os habitantes do Egito antigo, da Atlântida e da Lemúria. O primarismo mental da maioria dos terráqueos é entristecedor, porque, mesmo aqueles que ostentam vaidosamente seus diplomas universitários, costumam ser rudimentares no que pertine às grandes realidades universais, ou seja, a Ciência Cósmica, se compararmos esses homens e mulheres com os habitantes, por exemplo, de Marte, Vênus e Saturno, para mencionarmos apenas planetas próximos da Terra em termos evolutivos. Todavia, muitos seres desses outros planetas têm reencarnado seguidas vezes na Terra a fim de fazerem-na evoluir intelectual e moralmente, pois esse é um dos deveres dos Espíritos Superiores, tal como aos adultos compete ensinar as crianças a ler e escrever, cuidarem da própria 7 higiene corporal e prepararem-nas para, um dia, assumirem o papel de pessoas adultas. A humanidade da Terra é psicologicamente adolescente, quase infantil, pois, tendo à sua disposição, por exemplo, a desintegração atômica, utilizou-a para varrer do mapa Hiroshima e Nagasaki; aprendendo a voar com Santos Dumont e os irmãos Wright, bombardeou populações indefesas e, contando atualmente com a Internet, aplica-a na divulgação da pornografia e das futilidades. Tratam-se de contribuições de Espíritos provenientes de mundos superiores, como no caso, por exemplo, de Wolfgang Amadeus Mozart, que nasceu na Terra, no século XVIII, para contribuir para a evolução da Música, e, ainda assim, apesar de todo aquele esforço, secundado por Beethoven, Schubert, Chopin e outros, a maioria da humanidade da Terra até hoje prefere os barulhos primitivos, como verdadeiros gorilas humanos, que balançam o corpo ao ritmo dessas verdadeiras anomalias sonoras, que são as músicas de hoje, no seu geral. Emissários do Governo Planetário, representado por Jesus, fazem sua trajetória pelo mundo terráqueo, procurando desenvolver todos os ramos da atividade humana, e, agora, neste início do terceiro milênio, muitos Espíritos provenientes de mundos mais evoluídos estão ajudando, como encarnados ou como desencarnados, no esclarecimento desta humanidade, a fim dos terráqueos entenderem que o poder mental é a única verdadeira potência do Espírito na fase humana e que esse poder deve ser treinado, para constituir-se em ferramenta valiosa, porque o primitivismo é tão grande que ainda se utilizam armas ofensivas, pratica-se a corrupção e a maioria vive em função dos interesses mais desprezíveis, resumindo-se sua vida no “comer, dormir e reproduzir”, mesmo quando a aparência requintada tenta encobrir essa triste realidade. O Planejamento do Universo não permite que seres moralmente primários ultrapassem determinadas barreiras, pois têm de aprender, primeiro, a enxergar em si mesmos a 8 realidade espiritual e assim também em relação aos demais seres. Enquanto não entendermos isso, tudo de mais importante nos é interdito, tal como não se entrega as chaves de uma residência a uma criança que mal sabe cuidar de si. Nossa tarefa, presentemente, através deste livro e de todas as outras formas de comunicação com os encarnados de boa vontade, é mostrar-lhes que cada ser, seja de que Reino da Natureza for, é um Espírito e que o pensamento, no caso dos seres humanos, deve ser educado, transformando-se em valiosa ferramenta a serviço do progresso, mas isso depende da aquisição das virtudes da humildade, desapego e simplicidade, sem o que qualquer iniciativa tende a inclinar-se para o Mal e Deus “não dá pérolas aos porcos”, apesar, por outro lado, de não deixá-los morrer de inanição. Compenetrem-se, prezados irmãos, dessas realidades do Espírito e evoluam para merecerem continuar reencarnando na Terra. A Ciência Cósmica é a que Jesus e Seus emissários vêm ensinando na Terra desde tempos imemoriais e outros Espíritos Superiores ensinam em todos os recantos do Universo. Essa Ciência não é válida apenas para um mundo em particular, mas aplica-se a todo o Universo, porque a Lei Divina rege todos os seres sem distinção, dos subatômicos aos angelicais, pois todos são feitos da mesma essência divina e evoluem até o infinito, seguindo o mesmo caminho. É preciso que os habitantes da Terra aprendam essa Ciência, porque não há mais lugar para separatismos, baseados na pretensa superioridade de uma corrente religiosa ou filosófica, uma vez que qualquer rótulo significa primitivismo e, no caso da Terra, Jesus não autorizou ninguém a instituir qualquer separatismo, mesmo que sob o pretexto de homenageá-l’O. Trabalhemos pelo progresso, unindo-nos em torno de Jesus, sob o estandarte do Amor Universal, que não deve 9 circunscrever-se ao mundo terráqueo, mas abranger todo o Universo. Quando, por exemplo, olharmos o planeta Vênus, no céu noturno, enviemos nosso pensamento de solidariedade a essa humanidade vizinha e peçamos-lhe ajuda para nossos empreendimentos no Bem. Que a bênção de Deus seja compreendida por todos nós, que Lhe devemos render graças e Lhe agradecer pelo dom da Vida. PRIMEIRA PARTE: A MEDIUNIDADE CAPÍTULO I – DOM UNIVERSAL Como cada Espírito é um foco de luz - esteja ele em qualquer um dos níveis evolutivos, ou seja na fase mineral, vegetal, animal, hominal, angelical ou superior a essa última – é evidente que sua luminosidade se irradia além do corpo físico no qual eventualmente está reencarnado, sendo percebida essa luminosidade pelos outros seres, na mesma forma como percebe a luminosidade alheia, assim havendo constante permuta energética, bastando haver a necessária sintonia, ou seja, esses seres vibrarem na mesma frequência, tal como acontece com as ondas hertzianas, que são as ondas de rádio. Não há como permanecerem trocando energia psíquica por muito tempo seres que vibram em frequências diversas, tanto quanto ninguém consegue sintonizar, no seu aparelho de rádio uma emissora numa frequência diferente das emissões dela. Dessa forma se explica a mediunidade, porque, no Universo todas as criaturas que vibram na mesma frequência dão e recebem energia psíquica, não havendo nenhuma barreira que as separe, mesmo que umas não conheçam as outras nem saibam em que mundo estão vivendo essas outras: 10 a Lei de Sintonia é universal, como também todas as demais Leis de Deus. A mediunidade é universal, englobando os seres sub humanos, inclusive, é evidente, mas a maioria dos seres humanos da Terra não sabem ainda lidar de forma organizada, planejada, produtiva e útil o poder mental que detém como criatura de Deus. Assim é que a maioria das pessoas emite pensamentos destrutivos, nocivos, perturbadores, desequilibrados, maléficos, tanto quanto, em outros momentos, vibra no Bem. Mas essa oscilação entre o Bem e o Mal prejudica quem emite esses pensamentos e prejudica as pessoas na direção de quem eles são enviados. Por isso é que, por exemplo, os Espíritos de mundos superiores constroem um cordão de isolamento em torno da sua psicosfera, como é o caso de Vênus e Marte, para que as negatividades da Terra não os atinjam no seu estilo de vida todo voltado para o Bem. Eles ajudam os terráqueos, mas fazem como os médicos e enfermeiros em relação aos portadores de doenças contagiosas e os doentes mentais: mantêm determinadas medidas de isolamento em celas ou cômodos especiais. Infelizmente, a realidade terráquea é a de um grande hospital-manicômio-presídio, onde misturam-se doentes da moralidade dos mais variados tipos, com a presença de um número necessário e suficiente de curadores, representados na pessoa de missionários e homens e mulheres de boa vontade, postados em posições estratégicas para educar e curar os doentes e os maus. A quantidade desses trabalhadores do Bem é a suficiente, não havendo falta nem sobra, tanto quanto em cada sala de aula comum há apenas o número de professores necessários, não havendo nunca uma aula dada por três ou quatro mestres, mas apenas um. Ninguém, portanto, se julgue desamparado, pois, acima desses trabalhadores, Jesus está ciente de cada minuto da vida 11 dos Seus pupilos humanos e sub humanos da Terra, sem contar Deus, que acompanha cada átimo da vida das Suas criaturas, estejam onde estiverem no Universo infinito. A fé deve estar presente em todos os corações, portanto, baseada na certeza de todo esse aparato de orientação, sustentação e garantia. Todavia, voltando à questão da mediunidade, pode-se entender que é, não apenas humana, mas universal. Entretanto, como dito, a maioria dos terráqueos, ignorante da própria essência espiritual, vive irradiando e assimilando pensamentos bons e maus numa desordem interna muito grande, portanto, prejudicial. O que temos a tarefa de informar é que o interior de cada um deve organizar-se para haver condições de viver no mundo de regeneração em que a Terra se transformará daqui a alguns anos: sem essa evolução qualitativa não há como alguém permanecer neste planeta, que já cumpriu sua fase de mundo de provas e expiações e merece ter um status mais graduado, tanto quanto as crianças se transformam em adolescentes, depois em jovens, adultos e assim por diante. Entender o que é a mediunidade é uma das mais importantes realizações humanas, sendo que cada pessoa deve conscientizar-se do poder mental que detém e empregá-lo sempre no Bem. Alguns já desenvolveram, em épocas passadas, essa energia criadora, mas a maioria sequer sabe lidar com ela. Para esses últimos é que nos dirigimos presentemente. Não basta apenas orar, para ocorrer esse desenvolvimento, mas é necessário aprender a mentalizar, a meditar, a realizar uma série de exercícios diários, tal como se exercitam os músculos nas atividades braçais. Uma mente atrofiada não consegue realizar no Bem como deveria, tanto quanto braços flácidos não aguentam carregar objetos pesados. A mediunidade se desenvolve na medida exata em que se exercita, mas esse exercício não depende de reuniões em dias 12 certos da semana e em horários predeterminados, porque devemos exercitá-la em todos os momentos da vida. Se alguém está precisando de ajuda ou nós mesmos, devemos colocar em movimento o poder mental e trabalhar para melhorar aquela situação, em qualquer lugar onde estejamos: assim se desenvolve a mediunidade. O estabelecimento de horas predeterminadas não exclui o atendimento a situações emergenciais, tanto quanto um médico não pode deixar morrer uma pessoa que vê atropelada na via pública. Aprendamos que a mediunidade é um dom universal no sentido mais amplo da palavra, apesar de que há médiuns de grande poder, mas todos podemos nos tornar um deles no decurso dos milênios, mas como resultado do esforço de cada dia. CAPÍTULO II – TAREFEIROS DA MEDIUNIDADE Nem todos são grandes tarefeiros da mediunidade, sendo, aliás, seu número muito reduzido em comparação à população da Terra. Em mundos superiores todos são médiuns desenvolvidos, que trabalham em função da evolução dos seres dos mundos mais atrasados, como acontece com os venusinos, os marcianos e os saturninos em relação aos habitantes da Terra e outros mundos inferiores. Como eles não têm mais problemas graves para resolver nos seus próprios mundos fazem como os países ricos, que auxiliam os pobres e aqueles que estão passando por calamidades e emergências coletivas ou individuais. Aprendamos que a solidariedade entre os mundos é um item da Lei Divina. Quando olharmos, por exemplo, o céu noturno, o planeta Vênus, peçamos ajuda a seus habitantes, que essa ajuda virá, na certa. Assim mesmo podemos fazer quanto aos outros planetas mais evoluídos que a Terra. 13 Precisamos despregar os olhos do chão e olharmos mais para o céu, de onde promanam energias superiores, benfazejas, incentivadoras da evolução espiritual. Precisamos aprender a olhar as nuvens navegando pelo firmamento, precisamos fixar o azul claro dos dias e o azul marinho das noites: tudo isso significa evolução espiritual. Não há como alguém evoluir fixando-se apenas nos prédios, no asfalto das ruas, na rotina do trabalho material ou do lazer normalmente nocivo da vida diária das pessoas que acreditam que são corpos e não Espíritos. Sejamos cósmicos, universais, intergalácticos, cidadãos de todos os mundos criados por Deus e nossa vida mudará para melhor em pouquíssimo tempo. Para isso, não tenhamos como metas o dinheiro, os cargos, o sexo, o estômago, os bens e interesses materiais em geral: vivamos no mundo sem sermos do mundo. Isso faz a diferença entre os Espíritos conscientes da sua própria condição de “deuses” e aqueles que não sabem que são tais. Os tarefeiros da mediunidade servem de faróis para a humanidade, sendo alguns exemplos dos mais importantes, nos últimos tempos, Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco, cuja quantidade e qualidade nas realizações incalculáveis em termos de revelações e progresso da humanidade da Terra. Se fosse possível reunir em um único compêndio tudo que informaram estaríamos diante de uma enciclopédia de trezentos ou quatrocentos volumes, cada um com milhares de páginas, tamanha é sua densidade espiritual. Saibamos valorizar esses emissários de Jesus e aqueles que, do mundo espiritual, falam pela sua intuição ou escrevem pela sua pena, isso sem contar as obras que eles realizam no puro mundo mental, o que é impossível de registrar em palavras, mas é o mais importante que alguém pode realizar em benefício das criaturas de Deus e do progresso do Universo. 14 1 – OS MÉDIUNS DE CURA Devemos entender o tempo como um referencial relativo, pois cada civilização conta-o de uma forma diferente, sendo que os índios se baseiam na sucessão das luas, os ocidentais no calendário cristão, os judeus de outra forma e assim por diante. Um médium de qualidade notável vem desenvolvendo essa faculdade há milhares de anos e não se improvisam médiuns em dois ou três séculos. Daremos como exemplo um desses, que, no Egito antigo, de há cinco milênios atrás, já desempenhava tarefas na mediunidade de cura. Dizemos isso, porque estamos tratando da Ciência Cósmica e não dos valores puramente terráqueos. Tenhamos em mente a necessidade de aprendermos a Verdade, que está presente em todo o Universo e também na Terra, revelada principalmente pela mediunidade de cada medianeiro sintonizado com a humildade, o desapego e a simplicidade a serviço do Amor Universal. Curar a si próprio e a outrem demanda o aprendizado de milhares de anos no auto aprimoramento moral e intelectual. Conhecer a si mesmo, conhecer a Natureza, conhecer a Lei de Deus: isso é o que possibilita o engrandecimento da mediunidade curativa. O pensamento, aplicado no Bem, é a ferramenta, manipulando o ectoplasma, que é a energia veiculadora de todas as mudanças para melhor. Como dissemos, são necessários milhares de anos de desenvolvimento, de aprendizado diário, para se formar um bom médium. Quem quer se habilitar tem de deixar para trás uma série de interesses mundanos, pois somente um coração puro consegue curar, mesmo quando pareça o contrário, uma vez que somente a água limpa dessedenta sem adoecer. 15 A humildade de um Chico Xavier fazia-o esconder seu notável progresso espiritual, mas trata-se de um Espírito que está milhares de anos à frente da humanidade comum da Terra. Há muitos outros trabalhadores de menor hierarquia, espalhados pelos quatro cantos da Terra, vindos muitos e outros planetas, para ensinar à humanidade da Terra a manipular o ectoplasma, por meio do poder mental, mas poucos se interessam em aprender essa Ciência, principalmente no mundo ocidental, voltado essencialmente para as questões materiais. Pobre mundo ocidental, que fenece vítima das doenças do corpo e da alma, tais como o câncer, a aids, a depressão, a drogadição etc. etc. Há médiuns curadores tentando salvar essa multidão de desajustados, que confiam nos remédios mas não acreditam que o pensamento é que adoece e que cura. Sejam médiuns curadores, prezados leitores, aprendam a utilizar o pensamento nas mentalizações, na manipulação das energias psíquicas e curem a si próprios, sobretudo das mazelas morais, e ajudem a curar os outros. Ninguém aprenderá a Ciência Cósmica nas universidades, porque muitos analfabetos a conhecem, através das tradições indígenas, tibetanas, indianas etc., mas, sobretudo, a própria mediunidade de cada um pode ser o veículo do aprendizado, como Chico Xavier aprendeu com Emmanuel, Bezerra de Menezes e André Luiz e Divaldo Franco aprende com Joanna de Ângelis e outros Orientadores Espirituais. 2 – A MENTALIZAÇÃO É importante não pensarmos que somente os adeptos da nossa corrente religiosa ou filosófica têm acesso à Verdade, ou seja, à Ciência Cósmica, pois ela existe em todo o Universo e não escolhe credos ou seitas, porque Deus é Pai de todas as criaturas. 16 Depois de concluído isso, passemos a procurá-la onde quer que ela esteja, mas a encontraremos dentro de nós mesmos, pois Jesus falou: “O Reino dos Céus está dentro de vós.” Somente a encontra quem merece, por sua pureza de intenções. Os perversos, os viciosos e os moralmente defeituosos precisam purificar-se para terem condições de descobri-la, pois, em caso contrário, farão mau uso dela. Jesus ensinou a Verdade a quem quisesse ouvi-la, mas aí está apenas o primeiro passo, como um convite que é feito, mas o convidado tem de preparar-se, não podendo comparecer ao festim vestido de andrajos e sem higienizar-se convenientemente. Sejamos sensatos e pensemos nas coisas espirituais com seriedade e não como quem brinca de esconde-esconde, tentando enganar a própria consciência. Para mentalizarmos com proveito é preciso estarmos com o coração puro, livre das segundas intenções, da hipocrisia, dos vícios e das mazelas morais. Não que tenhamos de ser anjos, por enquanto, mas temos que estar a caminho pelo nosso esforço na auto reforma moral. Mentalizar é projetar a própria luz ou a própria sombra no exterior e na direção dos objetivos que almejamos. Não enviemos lixo mental na direção dos outros, mas sim luz, mesmo que não sejamos perfeitos, mas limpos de coração. Mentalizar é lançar para fora tudo o que somos por dentro: daí a responsabilidade com o Bem. 2.1 – A CURA ESPIRITUAL Dentre todos os Espíritos que passaram pela Terra o único que descreveu uma trajetória retilínea, sem nenhum erro cometido, foi Jesus. Por aí se vê a diferença entre Ele e os demais Espíritos, porque Ele é inacessível às induções do Mal, enquanto que 17 todos os outros têm, na sua estrutura psíquica, brechas por onde as induções do Mal podem penetrar e provocar quedas espirituais. Assim é que, ao ser tentado no deserto, como narrado na Sua biografia terrena, Jesus não Se deixou influenciar, nem por uma fração de segundo pelo Espírito que tentou demovêl’O do cumprimento da Sua Missão de ensinar a Ciência Cósmica à humanidade da Terra. Por outro lado, todos os demais Espíritos que já erraram ou continuam errando são suscetíveis de assimilarem as induções dos Espíritos dedicados ao Mal quando eles próprios não procuram o Mal espontaneamente. Para os que já erraram é que se deve pensar em cura espiritual, porque somente quem está doente pode ser curado, sendo ilógico falarmos em cura de quem sempre esteve são. Assim, podemos entender que, no caso dos habitantes da Terra, todos devem procurar a própria cura espiritual e ajudar os demais a se curarem. A cura espiritual abrange defeitos morais grandes e também os mínimos, pois qualquer rachadura num dique pode aumentar e transformar-se numa fresta que, com o tempo, provocará sua queda total e a invasão da água contida, destruindo tudo que se encontra à sua frente. Cada Espírito tem de desempenhar trabalhos no Bem de cada vez maior responsabilidade e complexidade não só no mundo espiritual, mas, principalmente, em mundos inferiores, como é o caso da Terra, onde o Mal predomina sobre o Bem, porque seus habitantes são Espíritos ainda rústicos, afinados com o primitivismo moral. No cumprimento dessas tarefas esses trabalhadores do Bem são literalmente assediados pelas Trevas, de várias formas, que procuram desencaminhá-los na prática do Mal e, quando não cedem a essas induções, induzem-no ao desânimo, ao desespero e procuram-lhe provocar a desencarnação, porque, com isso, sua tarefa será interrompida, pelo menos de forma direta, com um corpo físico. 18 O mais importante é cada um curar-se, pois, em caso contrário, suas boas intenções tenderão a terminar em nada, porque as Trevas lhe vencerão as resistências morais, uma vez que são frágeis. Depois de curado espiritualmente, o que demanda muitos milênios de esforço no “orar e vigiar”, o trabalhador do Bem estará muito mais resistente, mas não imunizado contra as tentações. As tentações sempre existirão em mundos inferiores, tal como se viu no caso de Jesus. A maioria dos trabalhadores procura curar os outros, como se isso lhes adiantasse alguma coisa, mas, na verdade, cada um deve curar a si próprio, espiritualmente falando, pois a cura do corpo é secundária, uma vez que há missionários entrevados em cima de um leito, cegos, fisicamente inviáveis, mas que desempenham elevadas tarefas com a força do pensamento. A ilusão da cura física é uma verdadeira ilusão, mas que engana a muitos, porque enxergam apenas a realidade material e desconhecem a força do pensamento tanto no Bem quanto no Mal. A vida dos missionários do Bem é acompanhada atenta e minuciosamente pelos Espíritos das Trevas, a fim de inviabilizar-lhes os bons propósitos. Entendam, portanto, prezados irmãos, que todo trabalho no Bem necessita de muita oração e vigilância, porque o Mal nos espreita em todos os momentos e ataca das formas mais inimagináveis. Curem-se espiritualmente, porque, assim, estarão menos sujeitos a cair em tentação. Ajudem os demais a curarem-se, mas a principal ajuda é ensinar a Ciência Cósmica, através da qual cada um pode curar-se. Jesus falou: “Pega a tua cruz e segue-Me”, porque não há como alguém curar outrem, mas apenas a si próprio. 19 A trajetória espiritual é infinita e, nesse caminho, que passa por tarefas a cumprir nas condições exteriores mais variadas, inclusive em mundos inferiores e nos ambientes espirituais dominados pelo Mal, a facilidade para ser desviado do Bem é muito grande. Ensinem as demais criaturas humanas a Ciência Cósmica, a fim de elas mesmas se encaminharem para a cura espiritual, desmanchando os focos morais que jazem embutidos no seu próprio íntimo e que afloram em vários momentos da sua trajetória evolutiva, como uma ferida interna, que não sara a não ser com tratamento específico. Curar-se espiritualmente e ensinar os outros a se curarem: esses os principais objetivos da vida de cada Espírito humano. 2.2 – A CURA FÍSICA Jesus curou apenas alguns doentes do corpo, sendo o mais notável deles o cego que nada devia à Justiça Divina e à própria consciência e tinha pedido o benefício da cegueira para testemunhar, com sua cura, o Poder de Deus. Os demais, no seu geral, continuaram presos aos bens e interesses materiais e voltariam a adoecer fisicamente, pois traziam a alma sintonizada no primitivismo moral. A imensa maioria dos homens e mulheres da Terra querem a cura física para continuarem errando e perdendo-se nos defeitos morais do orgulho, egoísmo e vaidade. Esses acreditam na vida terrena e nada querem saber da Ciência Cósmica, porque teriam de renunciar ao “comer, dormir e reproduzir”, que é o foco de suas atenções. Curar seu próprio corpo e contribuir para a cura física de outras pessoas é muito pouco importante, tanto que Chico Xavier passou a maior parte da sua encarnação sofrendo os mais variados tipos de achaques e nunca pretendeu realmente ficar livre deles, a não quando algum lhe impedisse alguma tarefa espiritual. 20 Assim devemos pensar, pois o corpo é simplesmente uma máquina viva, que serve enquanto estamos atrelados a ela, sendo que a maioria das tarefas espirituais é puramente mental e não necessita das faculdades de deambulação, da visão, da audição e das demais. A mentalidade materializada da maioria dos terráqueos fá-los pensar que somente as atividades corporais são importantes, mas é exatamente o contrário. O pensamento voa em todas as direções e realiza prodígios sem a mínima necessidade de movimentação dos ossos, músculos e órgãos corporais. Quem procura conhecer a Ciência Cósmica muda seus pontos de vista sobre o que é realmente importante. A evolução espiritual é a única realidade verdadeira, pois perdura e faz a felicidade do Espírito, sendo todos os demais valores simplesmente passageiros e nada acrescentam ao Espírito. Entendamos essa realidade e invistamos na nossa cura espiritual, ao mesmo tempo os outros a fazerem o mesmo. Jesus ensinou a seguinte Lição: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.” CAPÍTULO III – JESUS: MÉDIUM DE DEUS Um dos itens mais importantes da Ciência Cósmica é entendermos que somos cidadãos do Universo e não de um país ou planeta. Assim pensando, transportemo-nos, em pensamento, para Vênus, de onde podemos avistar a Terra em determinado período da noite de lá e veremos o mundo terráqueo como um astro maior do que nossa visão terráquea de Vênus, pois a Terra tem uma circunferência maior. Todavia, devemos pensar na Terra não apenas pela sua aparência física, mas como Heigorina Cunha desenhou, englobando as sete esferas espirituais que circundam a crosta: 21 Assim, teremos uma visão real do planeta, todavia acrescentando-se a isso a noção de que as realidades material e espiritual se interpenetram e bem assim os Espíritos, dos sub atômicos aos humanos são igualmente interdependentes e Jesus é o responsável, perante Deus, pelo encaminhamento evolutivo de todos eles. Quando Jesus disse: “Ninguém vai ao Pai a não ser por Mim” estava mostrando Sua qualidade de Governador Planetário, mas, por outro lado, afirmou ser apenas Médium de Deus ao declarar: “Eu, de Mim mesmo, nada posso.” Entendamos o significado de cada Lição de Jesus, que outros missionários vieram depois a confirmar, tanto quanto Seus antecessores já tinham dito. 22 A Verdade sempre foi revelada à humanidade da Terra, como também é revelada em todos os pontos do Universo, mas é preciso a cada um ter “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, pois, senão, significa mera semeadura em terreno infértil. Jesus é o Divino Governador da Terra, sendo o único Espírito, que por aqui passou, que descreveu Sua trajetória evolutiva de forma retilínea, sem nunca ter errado. Por essa virtude especial, conquistada pelos Seus próprios Méritos, é totalmente infenso às induções do Mal e, justamente por isso, foi escolhido por Deus para governar um planeta como a Terra, onde os vícios e os defeitos morais dominam até hoje. A História da Terra é contada por Emmanuel em “A Caminho da Luz” e deve ser lida por todos os aprendizes da Ciência Cósmica. Mas não nos circunscrevamos à História da Terra, uma vez que todos somos cidadãos do Universo. Pensemos em Vênus, em Marte, em Saturno e outros planetas superiores e procuremos sintonizar mentalmente com seus habitantes, que eles nos ajudarão a difundir na Terra a Ciência Cósmica. Jesus, como formador da Terra e Seu Divino Dirigente, ensinou a Ciência Cósmica em dois momentos principais: 1 – quando de Sua Estada Pessoal na Terra e 2 – através de missionários, sendo os principais deles Paulo de Tarso reencarnado, na personalidade do sadu Sundar Singh, que escreveu livros como “Aos Pés do Mestre” e Pietro Ubaldi, escrevendo, principalmente, “A Grande Síntese”, que é o principal tratado de Ciência Cósmica escrito na Terra. Quem pensa que Jesus vive distante dos problemas terrestres está enganado, pois Ele mesmo afirmou: “Eu trabalho e Meu Pai também trabalha.” Cada ser da Terra, por mais infinitesimal que seja, está sob Seus Cuidados e Desvelo Paternais. 23 Pensemos na evolução desse número incalculável de seres e não apenas em nós próprios e naqueles que transitam atualmente na fase humana. Essa solidariedade nos ajudará a evoluir, pois o dever que temos quanto aos sub humanos é induzi-los à evolução. Como Francisco de Assis, devemos amar os sub humanos como amamos a nós mesmos e a Deus. Jesus não falou explicitamente nos deveres que temos junto a esses irmãos mais jovens, mas Ele não disse tudo que é importante, mas apenas o que podíamos compreender naquele tempo, reservando-se para fazer novas afirmações posteriormente, uma vez que a Verdade é infinita, comportando sucessivos graus de complexização. Em “A Grande Síntese”, por exemplo, avançou no sentido de novas revelações, que, infelizmente, a maioria dos aprendizes da Ciência Cósmica sequer se dignaram de procurar conhecer. Podemos dizer que, em termos de Ciência Cósmica, na Terra, as principais obras são os Evangelhos e “A Grande Síntese”, pois têm o dedo do Divino Mestre, sendo todas as demais obras secundárias, apesar de importantes, porque foram elaboradas por Seus discípulos mais ou menos graduados na Ciência do Infinito. Todavia, voltamos sempre ao mesmo ponto, consideremo-nos cidadãos do Universo e pensemos em nós próprios em função do Universo, acostumando-nos a olhar muito mais para o céu do que para o solo terreno e sua realidade visível. Com razão dizia um filósofo que: “Tudo que realmente é importante é invisível.” 1 – CURAS REALIZADAS POR JESUS Há pessoas que perdem tempo enorme tentando entender as curas que Jesus realizou, acreditando-O um mero taumaturgo, mas essas pessoas ignoram que Sua Finalidade não era outra que demonstrar o Poder de Deus àquela gente 24 primitiva, incapaz de enxergar a realidade espiritual e que só acreditaria n’Ele vendo-O curar e esclarecer Espíritos obsessores. Não tinha como Meta transformar-se em Médico dos pobres nem dos ricos, mas ensinar-lhes sobre o Poder Mental no Bem. As pessoas ficavam eletrizadas com Aquele Homem que tinha o Dom de Curar doentes do corpo e esclarecer os doentes da alma. Mas tudo aquilo passou e não há mais lugar para pedidos de cura física a Jesus, uma vez que Sua Lição é de cada um pegar a própria cruz e segui-l’O na estrada evolutiva. Os curadores ainda trabalham na Terra, mas apenas para mostrar que a mente é que adoece e que cura o corpo, sendo a mente a sede do Espírito e que ele próprio deve curarse no curso dos milênios de auto aperfeiçoamento. Ninguém deve esperar a auto cura imediata, porque um câncer é o resultado de milhões de emissões mentais negativas, tanto quanto um aleijão e outras mazelas físicas. Os males morais se transformam em doenças físicas, como forma de contaminação das células do corpo. Essas células são outros tantos Espíritos em evolução, que são vitimados pelo encarnados sintonizado no Mal, o qual terá, cedo ou tarde, de encaminhar aquelas irmãzinhas para a saúde: entendamos isso. O mais evoluído tem de encaminhar o menos evoluído e, assim, cada ser humano se torna responsável, pelos trilhões de seres sob sua área de influência espiritual direta durante cada reencarnação. Jesus é o Médium de Deus na Terra e fecunda todas as vidas que pululam neste planeta, tanto quanto cada Espírito reencarnado fecunda as vidas infinitesimais que constituem seu corpo físico: entendamos isso. Glorifiquemos Jesus pelo Seu Amor e Sua Sabedoria e procuremos fazer o mesmo quanto aos seres que dependem de 25 nós: assim estaremos realmente evoluindo, sendo médiuns de Jesus e, lá no final das contas, de Deus. 3.1 – CURAS PRESENCIAIS Quando falamos em cura, temos de pensar sempre em Deus, porque Jesus mesmo disse: “Vinde a Mim vós que estais sobrecarregados, que Eu vos aliviarei.” Somente Deus tem Poder e até Jesus se dispôs apenas a aliviar e orientar, mas nunca disse que curaria. A muitos esclareceu: “Tua fé te curou”. As pessoas que procuram os médiuns pretendem ser curadas principalmente dos males do corpo. Essas pessoas delegam a outrem aquilo que depende somente delas próprias e que se fará possível pela Graça de Deus. A fé a que Jesus se referiu significa o tipo de contato que cada um mantém com Deus, o que varia ao infinito, segundo as intenções mais secretas de cada criatura inteligente. Ninguém tem o dom de curar sequer a si próprio, mas Deus pode permitir que alguém seja Seu intermediário na cura de outrem. Devemos entender essa realidade, a fim de que a vaidade nos tolde nossa visão sobre o Poder de Deus e a insignificância das Suas criaturas. Se o próprio Divino Governador da Terra considerou-Se mero Médium de Deus e sabia que de Si mesmo nada podia, imagine-se um médium comum, cheio de falhas morais, quando não de vícios declarados ou ocultos! Um dos grandes entraves à mediunidade em geral e, em especial, à de cura é a vaidade, porque existe uma tendência ao endeusamento dos médiuns, isso desde o começo da humana na Terra, quando sacerdotes, iniciados etc. eram considerados intermediários entre o Céu e a Terra. A classe sacerdotal tinha mais poder que os próprios reis ou equivalentes e muito tem abusado dessa condição, transformando-se muitos em chefes das Trevas. 26 É preciso muito cuidado para não cairmos nas armadilhas da fascinação pelo auto endeusamento. Por isso recomenda-se o anonimato, que deve ser exercitado com firmeza e desapego total a qualquer forma de reconhecimento público ou particular das pessoas beneficiadas. Devemos saber que somente Deus opera os prodígios, que, na verdade, são decorrência natural da Sua Lei Cósmica e nada têm de favoritismos, privilégios, injustiças etc. etc. Quando uma cura acontece é porque a Lei Divina atuou em favor daquela pessoa, mas nunca pela força pessoal do intermediário humano encarnado ou desencarnado. Vejamos como Jesus procedeu e façamos o mesmo, para não cairmos na tentação da vaidade. Há casos em que se faz necessária a cura presencial, para que a pessoa beneficiada acredite que foi curada não pelo remédio material que ingeriu, mas sim pelo Poder de Deus, sendo que, por isso, Jesus, por exemplo, misturou cuspe e terra para curar o cego mencionado no Evangelho. Se não tivesse feito dessa forma as pessoas não acreditariam. Até hoje há pessoas que precisam de sinais físicos, visíveis, para acreditar no Poder de Deus. Para esses a cura deve processar-se de forma visível e quem é médium , se quiser utilizar recursos materiais, tem de tomar o cuidado suficiente para não deslumbrar essas mentes primitivas, que tendem ao endeusamento, tal como acontece com aqueles que procuram gurus, médiuns, missionários etc. por toda parte, ao invés de cuidarem do auto aprimoramento pessoal, único caminho para a cura verdadeira, que é a auto cura espiritual. 3.2 – CURAS À DISTÂNCIA Jesus curou a filha de Públio Lêntulo Cornélio à distância, alertando-o de que aquilo significaria um agravamento na sua própria situação espiritual, pois estava 27 pleiteando uma revogação do mapa cármico da menina, mas, mesmo assim, curou-a e ela seguiu adiante, na sua trajetória evolutiva, na certa que tendo que ser pensado um traçado diferente para aquela encarnação, que talvez devesse terminar pela desencarnação a curto prazo. Mas, ponderando os prós e os contras, foi deliberado, com a Chancela Divina, que aquela menina fosse curada fisicamente. As mazelas morais continuariam contaminando o próprio corpo, mas tinha sido concedida uma moratória. As curas à distância têm igual força, pois o pensamento viaja o Universo em frações de segundos e um Espírito que está em Marte pode curar o corpo de um habitante de Netuno, se assim Deus permitir. Devemos aprender a lidar com o poder mental no Bem, sem condicionamentos de ordem material. Há recursos terapêuticos que são utilizados, como a energia dos minerais, dos vegetais, dos animais e dos seres na fase humana, mas tudo depende da Chancela Divina e da potência mental humana colocada em ação. Mentalizar no sentido da cura física ou espiritual de alguém é um exercício da mais nobre caridade, acima de todas as benesses materiais, principalmente dependendo da intenção de quem realiza a mentalização, porque nunca deve visar a concessão de vida ociosa a ninguém, mas sim oportunidade de recuperação para o trabalho e a evolução sobretudo espiritual. Devemos saber o que pedimos, pois, como no caso da filha do senador romano, seu pedido foi tão inconveniente que lhe pesou como um débito. Tenhamos em mente essa noção e nunca trabalhemos pelo desrespeito à Vontade de Deus. SEGUNDA PARTE: AS CONDIÇÕES PESSOAIS DO MÉDIUM 28 CAPÍTULO I – AS VIRTUDES O desenho abaixo é uma pirâmide de base triangular, onde estão representadas as três virtudes: humildade, desapego e simplicidade, sem as quais qualquer investimento tende para o Mal. No intercâmbio mental cada um emite pensamentos caracterizados pela quantidade e qualidade das próprias virtudes, defeitos morais e vícios. Não há como despregarem-se as duas realidades: o pensamento e sua caracterização ética. Todo pensamento viaja carregado de intenções boas ou ruins e é assim que cada um se identifica perante o Universo todo, formado pelos demais seres. Por isso é conveniente a auto reforma moral, uma vez que nossa impressão digital no mundo mental é o tipo de emissão psíquica que se desprende de nós. Consideramos as virtudes resumíveis a três porque bastam elas para nos distanciarmos do “homem velho”, que fomos até há pouco tempo, e nos transformarmos em cidadãos cósmicos, que pretendemos ser. Cada uma das virtudes depende das outras, mas, para efeitos didáticos, vamos analisá-las separadamente. 1 – HUMILDADE Jesus era humilde, tanto que disse: “Eu, de Mim mesmo, nada posso.” Se Ele, como Divino Governador da Terra, fez essa afirmação, por conhecer Seus limites, que dirá de nós, quando nos julgamos todo poderosos, superiores aos nossos irmãos e irmãs e os desprezamos como inferiores? Baste isso para refletirmos sobre a humildade. Ser humilde não é ser subserviente, mas consciente de que, apesar de importante no trabalho no Bem, não é insubstituível, pois Jesus mesmo não é insubstituível no Governo do planeta, havendo inúmeros outros, do Seu nível, que podem ocupar-Lhe o lugar, com igual proficiência. 29 Sem humildade não há como desenvolver-se o poder mental, pois Deus é que tudo pode e Ele dará a cada um conforme o bom direcionamento que cada um der as dons recebidos, sempre reconhecendo que “de nós nada podemos”. 2– DESAPEGO O egoísmo é uma das chagas da humanidade, sendo-lhe a virtude oposta correspondente o desapego, que significa a capacidade de renunciar a tudo que não seja realmente essencial, não se restringindo aos bens materiais, mas também a qualquer outro tipo de benefício. O nível de desapego de cada Espírito revela sua estatura espiritual, podendo-se considerar como referencial máximo Jesus, que no-lo ensinou quando disse: “Não tenho uma pedra onde descansar a cabeça.” Por ter ciência de que o Mundo Espiritual é nossa verdadeira pátria, sendo a vida terrena mera passagem temporária necessária, principalmente para quem ainda se encontra nos degraus inferiores da evolução moral, os Espíritos Superiores não se apegam às coisas e interesses materiais. Assim, quem pretende evoluir moralmente necessita desapegar-se, o máximo que conseguir, de tudo que não possa levar para o Mundo Espiritual, ou seja, o que não sejam suas próprias aquisições intelecto-morais. Tudo o mais, inclusive o corpo físico, como se sabe, fica para trás na trajetória para a pátria verdadeira. Exemplifiquemos, para melhor compreensão, por que compensa desapegarmo-nos desde já. O Espírito André Luiz descreve a cidade espiritual de Nosso Lar e as regras que ali vigoram, podendo-se entender que regulamentos semelhantes se aplicam às demais urbes espirituais de igual categoria. Ali cada habitante ou família pode possuir apenas um imóvel para a própria moradia, não havendo a mínima possibilidade de alguém, mesmo os dirigentes, monopolizarem 30 a área imobiliária e, muito menos, explorarem a necessidade dos demais. Quanto ao salário, é idêntico, em tese, para todos, seja um trabalhador braçal, seja o governador da cidade. As necessidades básicas são atendidas sem distinção do nível evolutivo, não havendo ninguém colocado à margem da assistência que a Caridade recomenda. Considerando esses fatores, ainda mais depois da enorme divulgação que o filme Nosso Lar deu a esses aspectos e outros da vida no Mundo Espiritual, não se concebe como muitos de nós ainda vivamos apegados de forma obsessiva aos ganhos materiais, ao poder temporal e a inúmeras questões que nada acrescentam à evolução intelecto-moral. É necessário atentarmos para o que fazemos dos bens que chegam às nossas mãos, principalmente se lhes estamos dando uma destinação útil aos nossos irmãos em humanidade. Em caso contrário, acordemos para a realidade que nos aguarda, porque podemos ser chamados, a qualquer momento, a “prestar contas dos talentos que recebemos”, na certa quando assumimos o compromisso de realizarmos o Bem. Quem vive apegado aos bens e interesses terrenos revela, mesmo que afirme o contrário, pouca certeza quanto à vida espiritual, pois, em caso contrário, não tergiversaria em renunciar a muitas coisas do mundo pelas riquezas espirituais, que se traduzem, basicamente, nas conquistas interiores da inteligência e da moralidade. O tempo urge e não há como adiarmos mais a reflexão sobre o quanto já nos desapegamos de tudo que nos mantém atrelados ao passado primitivista, que nos mantinha jungidos até ao próprio corpo em estado de putrefação, após a morte. A consciência age automaticamente, apesar do Amor Divino nos conceder sempre novas chances de refazimento moral. DESAPEGO DOS BENS MATERIAIS 31 Pedimos licença aos prezados confrades para refletirmos juntos sobre o dinheiro na vida de alguns personagens do Cristianismo e na nossa própria vida. Zaqueu, que viveu muitos anos apegado às riquezas, acumuladas por meios que sua consciência condenou tão logo caiu em si, depois de dialogar com Jesus, abandonou tudo que tinha amealhado e foi viver do próprio trabalho como professor e servidor braçal, conforme lhe foram surgindo as oportunidades, assim, gradativamente, redimindo-se e seguindo adiante na escalada evolutiva, até transformar-se no missionário do Cristo Bezerra de Menezes. Maria de Magdala, vítima da própria luxúria e do apego aos bens materiais, deixou tudo para trás e seguiu Jesus, após receber d’Ele Sua Bênção, passando a dedicar-se ao amparo aos leprosos do corpo e da alma, subindo, nas sucessivas reencarnações, pelos degraus da evolução até chegar a Madre Teresa de Calcutá, a Grande Mãe dos que nunca tiveram mãe que os acalentasse. Paulo de Tarso, que nasceu em família rica e auferia polpudos salários no malsinado trabalho de perseguidor cruel dos adeptos do Cristo, depois que O encontrou às portas de Damasco, renunciou ao poder material e à fonte de renda da Maldade, passando a manter-se com o trabalho de manufatureiro de tendas, progredindo ético-moralmente pelo futuro afora até o estágio espiritual do sadu Sundar Singh, pregando o Evangelho de Jesus entre os tibetanos, na sua última encarnação, no século XX. E nós, como temos garantido nossa sobrevivência material? Podemos realmente olhar-nos no espelho da própria consciência e sentirmos a tranquilidade do dinheiro ganho com honestidade e com desapego ou ele nos queima as mãos e teremos de devolvê-lo à comunidade ou às pessoas, através das doações espontâneas ou escoará por entre nossos dedos com os gastos médicos e medicamentos, tentando, em alguns casos, curas impossíveis? 32 O desapego aos bens materiais é uma das virtudes mais difíceis para os seres humanos da atualidade, fascinados que ainda vivem pelo consumismo e pelo desejo de mais gozarem de facilidades que cheguem ao ponto de não precisarem sequer exercer algum trabalho... Não há como amarmos a Deus e a Mamom ao mesmo tempo, já advertia Jesus, ensinando-nos o desapego aos bens materiais, os quais devem cingir-se ao necessário, enquanto habitamos um corpo de carne, pois na vida espiritual, de nada careceremos a não ser da própria consciência em harmonia com as Leis Divinas. Pensemos no papel que o dinheiro tem representado na nossa vida! Quando temos uma situação financeiramente confortável na posição de encarnados, isso significa que pedimos a Deus a oportunidade de servir na Causa da Fraternidade, proporcionando benefícios para nossos irmãos e não o resultado puro e simples dos nossos méritos, como se Deus recompensasse Seus filhos com a fortuna material: trata-se de um compromisso que prometemos cumprir, para nossa própria evolução. Ninguém precisa de tantos bens para viver, sendo Jesus o Modelo mais significativo também nesse aspecto, pois nada tinha de Seu em termos materiais, mas tinha todos os poderes do Espírito, onde reside a verdadeira potência, onde está concentrado o foco do interesse dos seres evoluídos e não no número de propriedades, títulos, renome na sociedade, prestígio de família e outras realidades temporárias. O aprendiz do Evangelho, dentro do possível, deve guardar para seu uso, apenas o indispensável para bem cumprir suas tarefas, passando a outras mãos, mais necessitadas no momento, tudo que lhe seja dispensável, até como exercício de desapego. Em caso contrário, seu coração estará preso aos bens que “as traças roem e os ladrões desenterram e roubam”. DESAPEGO DOS INTERESSES MATERIAIS 33 O ideal de realizar grandes feitos é natural e louvável. Todavia, o desapego ao poder é virtude que poucos alcançaram. A maioria, aliás, não faz empenho algum em adquirir essa virtude e só se desliga do poder contra sua vontade... Um louvável exemplo foi dado por Lúcio Quinto Cincinato (www.sobiografias.hpg.ig.com.br/LuciusQu.html): [ou Lucius Quinctius Cincinnatus] (519 - 438 a. C.) Guerreiro romano de trajetória parcialmente lendária. Homem simples chegou a cônsul e ditador e, depois de salvar a cidade, tornou-se um dos personagens mais importantes da história de Roma. A república romana atravessava então momentos difíceis por causa de um iminente ataque de volscos e équos, duas tribos tradicionalmente inimigas dos latinos. Um destacamento romano comandado por Minúcio (458 a. C.) enfrentou os équos no monte Álgido, mas ficou acuado num desfiladeiro. Diante da desesperada situação dos sitiados e da própria cidade, os cônsules decidiram recorrer a Cincinato, experiente general que comprovara sua habilidade militar em confrontos anteriores com os volscos. O oficial que procurou Cincinato para entregar a nomeação encontrou-o lavrando a terra. Com dificuldade, conseguiu convencê-lo a aceitar o cargo de ditador, título que lhe outorgava, em caráter provisório, poder absoluto. No comando de um poderoso exército, ele foi ao encontro do inimigo e o venceu, segundo a lenda, em apenas um dia. De posse de vultoso butim, regressou a Roma, renunciou ao cargo e voltou à vida simples de lavrador. Temos que Cincinato: a) não procurou o poder e sim foi convidado para exercê-lo; b) foi-lhe outorgado poder absoluto, mas não consta que tenha agido de forma indevida contra alguém ou em benefício próprio; c) cumprida sua missão, renunciou ao poder. Numa época em que grandes disputas ocorrem pelos postos de comando; em que abusos dos mais graves são praticados por muitos que exercem o poder; em que tudo se 34 faz para continuar em situação de evidência - fica parecendo surrealista o idealismo de um Cincinato. Mas, o antídoto para essa fúria desenfreada pelo poder está na compreensão de que somente o povo detém o poder. Em caso contrário, acreditando cada um que o exercício do poder significa a recompensa aos bem dotados, seres superiores que merecem dirigir os destinos dos menos aquinhoados, estaremos utilizando-o, mesmo que minimamente, com desvio ou excesso de poder. Pensando de forma incorreta e em desacordo com as luzes atuais de valorização do povo, quando chegar a época de deixar o poder, estarão desarvorados, como quem perde um patrimônio pessoal... Os benefícios terrenos servem apenas enquanto o Espírito está vestido com um corpo de carne, para ter as condições de sustentar-se com a dignidade do trabalho útil e honesto. Todavia, há um limite para se obedecer, a partir do qual se ingressa na faixa do supérfluo, do desnecessário, do perigoso para a própria serenidade do Espírito. Se alguém nasce com a tarefa do exercício do poder, deve exercê-lo para o bem comum, como Pedro II, o grande e humilde servidor do povo brasileiro; se a tarefa é na área financeira, como Henri Ford ou Bill Gates, que sejam criados postos de trabalho, mas não uma vida dedicada à usura; se a força é o intelecto, como Einstein e Albert Sabin, que seja empregado em favor da Ética e não da imoralidade, da violência e da competição desenfreada. Cada um tem de prestar contas a Deus dos recursos que d’Ele recebeu, como na parábola dos talentos. DESAPEGO DOS OUTROS ESPÍRITOS Transcrevemos aqui uma reflexão do livro “Luz em Gotas”, psicografado pelo irmão, então encarnado, Gilberto Pontes de Andrade, intitulada “Para que servem os Amigos”: “Quando o homem pretende ser querido pelos demais, passa a adotar a gentileza e a doçura como formas de conduta. Porém, logo que se apropria da 35 confiança dos seus pares, passa a adotar uma atitude inversa, ignorando as mais comezinhas normas de Fraternidade. Isso tem sido uma realidade no cenário humano. E não acrediteis que os deslizes, relacionados às regras da gentileza, devam ser atribuídos ao “modus vivendi” atual das coletividades humanas. Pois, embora seja razoável asseverar que não há mais tempo para as pequeninas normas de etiqueta, devemos saber que uma palavra de amizade, uma expressão delicada, um gesto de meiguice, um sorriso ou um aceno cordial sempre encontram guarida, mesmo naqueles que pareçam indiferentes às boas maneiras. O gesto amável é o passo para sedimentar uma amizade nascente e, também, para apagar uma suspeita infundada, uma informação infeliz uma inspiração negativa. Não aguardeis, porém, que os outros tomem a iniciativa de serem gentis para convosco: a iniciativa deve ser vossa. Sejam os vossos hábitos de culto da gentileza um modo de equilíbrio, que deveis impor a vós mesmos como disciplina de autoburilamento da vontade e do comportamento. E, agindo assim, estareis preparados para viver nas Colônias Espirituais – para onde transferireis, mais tarde, vossa residência, em cujo ambiente preponderam o respeito e a cordialidade, a gentileza e o afeto. Como ninguém tem a obrigação de vos amar, antes deveis amar os outros. Respeitai nos ásperos, nos ingratos e nos frios do vosso caminho criaturas infelizes, a quem deveis maior cota de gentileza, pois isso também é Caridade. E deveis agir assim, principalmente, em vosso próprio lar e em relação aos vossos parentes. 36 Para a vitória sobre vós mesmos, imprescindível será vos submeterdes a eficiente programa de ação nesse sentido, que não pode ser negligenciado. São necessárias autoanálise, trabalho sincero, prece constante e sadia convivência com os mais infelizes. Recordai que a vida física é breve, por mais longa pareça. A oportunidade abençoada que vos chega não é casual: aproveitai-a, gerando simpatia e fazendo o bem, porque o vosso objetivo agora é o aprimoramento espiritual. Dignificai a vossa Fé, traduzindo-a em serviços aos vossos semelhantes – como a fonte que se confia ao próprio curso, guardando a Bondade por destino. Grandes e pequenas ocorrências desfavoráveis sobrevirão, induzindo-vos a declarar, no mundo íntimo, a revolução da revolta incontida, qual se devêsseis quebrar, em crise de ira, a escada que a Vida vos destinou à escalada para o Mais Alto. Entretanto, quando ainda tenhais de comprar o vosso equilíbrio a preço de lágrimas, deveis suportar o tributo da conquista que realizareis na direção da vossa elevação. No claro caminho que vos foi reservado, encontrareis o lamento, as injúrias e as injustiças daqueles que acreditaram na elevação sem trabalho – e, por isso mesmo, viram-se esbulhados pela própria rebeldia, na vala do desencanto. E encontrareis, também, os que transformaram a própria liberdade em passaporte para a Demolição, angustiados na descrença que geraram para si mesmos. Prossegui sem esmorecer, auxiliando e construindo, e sereis, por vossa Fé, o alento dos que choram, a Esperança dos tristes, o raio do sol para os que atravessam a longa noite da penúria, o apoio dos amargurados, abnegação que não teme estender o braço 37 providencial aos caídos e o bálsamo dos que tombaram e se feriram no caminho. Seja a vossa Fé a armadura e o crisol. Com ela defender-vos-eis das arremetidas da Sombra e purificarvos-eis através da lealdade ao Bem Eterno, marcada, quase sempre, pelo fogo do sofrimento. Seja a vossa Fé, enfim, o guia para o ingresso na Suprema Redenção, mas, para semelhante vitória, exigese vossa disposição para abençoar incessantemente e servir sem esmorecer. Que as bênçãos de Jesus iluminem os vossos caminhos e solidifiquem o vosso Espírito nos trabalhos de cada dia. Todavia, até quanto aos amigos devemos ser desapegados, para não dificultar sua liberdade de escolha, seu crescimento intelectual e moral, em outras palavras, sua evolução e sua felicidade, querendo submetê-los, mesmo que suavemente, às nossas vontades e critérios de interpretar e viver a Verdade. Muitas vezes, sob o manto e a aparência de Amar, na verdade, estamos coarctando os voos dos nossos afetos mais caros e sinceros. Devemos aprender o desapego quanto a eles, libertando-os e nos libertando, pois somente o Amor do Pai Criador e Sustentador da Vida detém a Perfeição Absoluta e leva sempre ao Bem, sem jaças. Amar e ser Amado é o ideal de todos os Espíritos, mas devemos Amar com desapego, Amar libertando, Amar com respeito à individualidade dos outros. DESAPEGO DO CORPO ALHEIO A visão materialista principalmente de grande parte dos Espíritos encarnados faz cobiçar o corpo alheio, como objetivo de satisfação egoística, muitas vezes sob o pretexto de Amar, mas, na verdade, sendo a intenção secreta a de utilizar maliciosamente os implementos orgânicos, colocados por Deus sob o comando do outro, para fins educativos. Principalmente no relacionamento afetivo a nível de convivência íntima, 38 costuma-se desvirtuar o Amor, tentando explorar a afetividade alheia através do abuso sobre o corpo do ser que se diz Amar. A falta de verdadeiro respeito à dignidade do outro, que também é filho de Deus, é que leva muitos casais ao rompimento, porque tanto fizeram um contra a honradez do outro, que, no final de algum tempo, o Amor e a admiração iniciais se contaminam com as mágoas e o ressentimento provocados pelos atentados morais que um cometeu contra o outro. Emmanuel afirma: “Há Espíritos que se Amam profundamente e nunca se tocaram.” As necessidades corporais devem ser colocadas sob o controle ético, para que não se convertam em fonte de desapontamento e decepção, quando não de crimes. Os implementos orgânicos representam sagrado material que Deus concede aos Seus filhos para evoluírem e nunca para de comprometerem com o Mal. O limite entre o justo e o injusto, o conveniente e o desarrazoado deve ser estabelecido por cada um, atentando para o alerta de Paulo de Tarso: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém.” As uniões entre pessoas que se dizem Amar deve ser muito mais de almas que de corpos, embasadas na proposta de trabalho no Bem, para que sejam gratificantes e duradouras, fonte inesgotável de felicidade, quando escudadas no desapego um em relação ao outro, no seu sentido mais elevado, e no apego a Deus. Trata-se de um aprendizado de muitas encarnações, que somente se perfectibiliza quando o Espírito já está purificado pela dedicação ao Bem, passando a merecer a luz interior, que passa a iluminar seu exterior como já clareou todos os refolhos do seu psiquismo. É importante começar a investir nessa conquista espiritual, para ser feliz desde agora, e não aguardar algum dia no futuro para começar a respeitar a dignidade de quem está ao nosso lado para evoluirmos juntos, pelo tempo que a 39 Justiça Divina autorizar, pois, do Amor restrito devemos aprender o Amor Universal, como quer nosso Pai. DESAPEGO DA PRÓPRIA INTELIGÊNCIA A inteligência é uma conquista de cada Espírito, inegavelmente, todavia, se há o mérito individual, resultado do esforço persistente em aperfeiçoar-se, temos de considerar dois fatores nessa situação: a programação amorosa e dedicada dos Orientadores Espirituais, que colocam cada Espírito no contexto exato para mais evoluir, tanto quanto a contribuição de todos os demais seres no crescimento intelectual de cada um. Com razão Ralph Waldo Emerson afirmou, em outras palavras, que somos o resultado feliz da humanidade inteira, pois ninguém deve arrogar-se o mérito da sua intelectualidade somente a si próprio. Os Espíritos Superiores já aprenderam a gratidão a Deus e a todos os seus irmãos em humanidade, vivendo em constante harmonia com eles, praticando a gentileza e a doçura, ao lado da caridade e da fraternidade, agindo com igualdade e respeitando a liberdade de todos. Desapegar-se das próprias conquistas intelectuais é aprender a humildade, pois há muitos que se perdem nos desvãos do orgulho pelos títulos intelectuais que adquiriram e, com isso, cortam o elo da intuição, que só beneficia aqueles que nada pretendem além de servir a Deus e à humanidade. Quem se faz orgulhoso pelo seu cabedal intelectual passa a viver a horizontalidade dos conhecimentos do mundo, mas não aprende a Ciência Divina, que só é revelada aos ‘pobres de espírito”, quer dizer, aos realmente humildes. As aquisições culturais terrenas são fragmentárias, pois a Cultura dos encarnados é materialista na sua generalidade, e, mesmo as informações mais avançadas em termos de espiritualidade repassada aos encarnados, são parciais, limitadas, pois que a Verdade, no seu significado mais profundo, vive na pátria espiritual, acessível aos Espíritos desvestidos do corpo físico e gozando da plenitude das suas 40 conquistas evolutivas de muitas encarnações, as quais eles conhecem e valorizam. Desapegar-se da vaidade intelectual é imprescindível para apegar-se a Deus, cuja Luz somente penetra profunda e integralmente em quem não traz em si a couraça vibracional do apego aos interesses mundanos. Há quem se envaideceu tanto da própria acumulação cultural que se castigou com a perda da memória, sendo que alguns casos são verificáveis entre os encarnados, vítimas da falta de humildade. “Quem se humilha será exaltado, e quem se exalta será humilhado”, assim afirmou Jesus. O desapego à aparente superioridade, por causa da cultura, deve fazer parte do esforço diário de cada candidato a aprendiz do Evangelho de Jesus. DESAPEGO DOS INTERESSES ALHEIOS É importante regozijarmo-nos com as conquistas salutares dos nossos irmãos em humanidade, mas devemos sempre nos colocar, nesses casos, na posição de meros coadjuvantes, parceiros com atuação meramente auxiliadora, mas deixando que eles assumam a responsabilidade pelo próprio progresso, sem o que ficarão eternamente dependentes e frágeis. A evolução é individual, mesmo que muito amemos nossos afetos mais caros ao coração. Eles é que têm de palmilhar a escalada da própria evolução: compete-nos acompanhar-lhes os passos, ao seu lado, mas não à sua frente, como o guia do corredor cego, que não pode arrastá-lo para a frente, mas apenas avisá-lo sobre algum perigo do percurso. Os objetivos são individuais tanto quanto os louros. “Cada um está sozinho consigo próprio”, quer dizer, com a própria consciência, portanto, com Deus. A estrada evolutiva é uma vasta e ampla avenida, onde todos seguimos adiante, rumo a Deus, todavia, o que se passa no coração e na mente de cada caminhante somente ele próprio sabe e responde por suas preferências e escolhas. 41 Participar da vida dos nossos afetos ou daqueles que ainda não conseguimos conquistar é de lei, mas como companheiros de algum tempo, segundo o Planejamento Divino, que, em última instância, programou o Amor entre todos os seres e não apenas entre poucos irmãos, isolados dos demais. Se nossa intenção é ajudar a evolução alheia, nunca, por outro lado, devemos invejar suas conquistas justas ou injustas, pois, na verdade, somente Deus sabe por que cada um deve deter nas próprias mãos determinados benefícios. Nosso presente significa apenas um espaço de tempo, diminuto, da nossa viagem para o futuro, tanto quanto acontece com os demais Espíritos. Aquilo que a Justiça divina nos confiou é diferente do que entregou aos demais, cada um devendo olhar apenas para o seu próprio prontuário de deveres a cumprir e não julgar o trabalho alheio, nem nele tentar interferir. Podemos comparar à situação dos trabalhadores da Vinha, referidos na parábola dos trabalhadores da última hora, porque não devemos questionar o salário que cada um venha a receber, uma vez que somente o Pai sabe quanto cada um deve ganhar. Que nossos “olhos sejam bons”, não cobiçando o salário de ninguém, mas contentando-nos com o nosso, como Jesus ensinou, Ele próprio não tendo “uma pedra onde assentar a cabeça.” DESAPEGO DO PASSADO Ao reencarnar, cada Espírito é submetido a um processo hipnótico realizado por especialistas nas ciências psíquicas, com a finalidade de adequar-se-lhe o patrimônio mnemônico às necessidades do reinício, que deverá transcorrer, assim, com maiores chances de sucesso. Na verdade, sem esse esquecimento temporário, seria inviável a reabilitação da maioria dos encarnados, que teriam presentes na memória atual seus erros praticados contra os outros e contra si próprios, além das injustiças reais ou supostas que teriam sofrido. André Luiz afirma que quase ninguém suportaria 42 uma vida longa demais na atual realidade terrena, de planeta de provas e expiações, em que preponderam os defeitos morais, porque as lembranças amargas sobrepujariam as cariciosas. Yvonne do Amaral Pereira afirmava que tinha o triste privilégio de recordar-se de várias encarnações anteriores. Todavia, sua situação era especialíssima, porque as lembranças eram necessária s para o sucesso do trabalho doutrinário que lhe competia, inclusive na elaboração dos seus livros. Há pessoas que gostariam de ter acesso ao próprio passado remoto, o que, todavia, pode lhes prejudicar a atuação na atual encarnação, pois, olhando para trás, correm o risco de se perturbarem. O presente é que importa e os orientalistas têm razão quando aconselham a valorização do “aqui e agora”. Existe quem conserva com excesso de apego papéis, objetos, relíquias e outras lembranças nem sempre convenientes para eles próprios, bem como para eventuais desencarnados que têm a ver com aqueles pertences. Imaginese a angústia dos personagens históricos com a idolatria de admiradores fanatizados; dos que foram canonizados como santos sem merecimento; dos que criaram em seu redor da sua pessoa uma aura de superioridade ou negatividade, que pode influenciar indefinidamente as personalidades desequilibradas... Há casos de parentes desencarnados que não conseguem se equilibrar pela emissão mental descontrolada dos encarnados saudosos, vítimas da inconformação ou da revolta... O passado simplesmente passou e não deve ser perenizado, conforme lição da Mãe de Jesus a Francisco Cândido Xavier ao lhe enviar por Bezerra de Menezes uma frase aparentemente simples, mas de imensa profundidade e digna de reflexão permanente: “Isso também passa.” O pensamento desequilibrado pode atingir seu alvo; a saudade doentia pode desestruturar aquele que precisa de paz; os objetos impregnam-se com o magnetismo de quem os possuiu e quer esquecer o passado para se reformar moralmente. 43 Recomeçar sempre em bases mais saudáveis e elevadas: esse o caminho, desvinculando-se do que prejudique a paz e a reforma moral. O apego ao passado é prejudicial, tanto que as reencarnações significam recomeços. Somente os Espíritos Superiores têm condições de suportar as lembranças de um período muito largo de sua existência. Os encarnados que guardam uma tendência ao saudosismo deveriam rever sua forma de pensar, para não estagnarem enquanto tudo chama para a renovação e o crescimento intelectual e moral. 3– SIMPLICIDADE Para se entender o que é a simplicidade analisemos seu oposto, que é a vaidade, ou seja, o desejo de evidência inútil. Há situações em que se deve aceitar a evidência, ou seja, quando o Bem se propagará. Por isso Jesus disse: “Colocai a candeia sobre o candeeiro, a fim de que dê luz a todos os que estão na casa.” Afora essas situações especiais, estaremos contrariando a regra da simplicidade. Observemos nosso Modelo Máximo, que é Jesus: quando encarnado procurou evidência em raras situações, tanto que a maior parte dos Seus Ensinamentos veio a lume muito tempo depois, inclusive atualmente através dos livros, por exemplo, de Amélia Rodrigues, Cneio Lúcio etc. O gosto, declarado ou disfarçado, pela evidência prejudica totalmente o trabalho a que nos propomos, pois o anonimato é a regra básica. Ninguém precisa saber que beneficiamos determinada pessoa, pois o mérito que temos é o de trabalhar como mais um numa multidão de outros trabalhadores. Entendamos essa outra regra básica: a adoção do anonimato como regra, sujeita a uma ou outra exceção. 44 CAPÍTULO II – PREPARAÇÃO ANTERIOR Há pessoas que querem se transformar em médiuns sem uma preparação anterior à atual reencarnação, como quem muda de profissão aos cinquenta anos de idade. Mas a mediunidade é uma faculdade que, apesar de inerente a todos os seres da fase humana e mesmo sub humana, em menor escala, vai-se desenvolvendo gradativamente, com o exercício, no curso dos milênios. Os terráqueos, no geral, são tão apegados aos dias, meses e anos que acham que quatro ou cinco milênios representam muito tempo, quando, na verdade, não passam de um piscar de olhos na vida dos Espíritos, que, no caso dos humanos da Terra, contam cerca de dois bilhões da fase de vírus ou bactéria até a atual. Que são alguns milênios perto disso? Não devemos pensar apenas na fase humana, considerando as anteriores como desprezíveis, pois representam muito em termos evolutivos. Assim pensando, começaremos a respeitar, valorizar e amar os sub humanos, bem como proceder da mesma forma quanto aos angelicais, dentre os quais contamos Jesus. As faculdades não surgem por encanto, mas representam um longo amadurecimento. Assim é que, por exemplo, Yvonne do Amaral Pereira contava ter sido várias vezes vista, em corpo astral, por animais da zona rural onde morava. Assim, alguém pensará em mediunidade improvisada? Sejamos mais lúcidos do que talvez venhamos sendo até agora e tudo ficará mais claro à nossa visão. A Ciência Cósmica engloba todo o conhecimento da Terra, no que há de mais avançado, e muito mais do que isso, ou seja, o que se constitui na Lei Cósmica, que regula a vida e evolução de todos os seres, dos subatômicos aos angelicais e daí para mais. 45 Toda tarefa exige competência comprovada para desenvolver-se a contento e assim também as tarefas na mediunidade. Improvisação, adaptação de última hora, irresponsabilidade etc. etc. não são admissíveis e cada um deve saber exatamente o que tem condições de fazer, a fim de realmente ser útil. Se minha condição pessoal me permite ser apenas mentalizador que assim eu proceda, se posso ir mais adiante, que eu siga em frente e, dessa forma, estarei colaborando com responsabilidade e utilidade. Ninguém é grande pela tarefa que desempenha, mas sim pelas intenções de que se anima. Um grande médium, porém mercenário, vaidoso, egoísta ou orgulhoso estará sendo condenado pela Justiça Divina e servirá menos que um mentalizador de intenções puras no Bem. Nunca invejemos as tarefas alheias, mas sim cumpramos as nossas, com dedicação verdadeira e virtudes autênticas. 1 – REENCARNAÇÕES PASSADAS Alguns médiuns são informados, normalmente através da própria mediunidade, sobre vidas passadas que viveram no exercício da mediunidade, mas isso somente acontece com uma finalidade útil e nunca para mera satisfação da curiosidade. Assim, de acordo com a necessidade, os Orientadores Espirituais esclarecem sobre vidas passadas, ficando esses médiuns mais seguros e vigilantes, a fim de não reincidirem nos mesmos erros de antes. Todavia, é importante cada um pensar da seguinte forma: o passado não mais existe e o que vale é o “aqui e agora”. Quem se orgulha ou se envergonha do que foi perde precioso tempo, que deve ser dedicado à auto reforma moral e ao desenvolvimento do poder mental no Bem. 46 Ninguém é melhor do que ninguém pelo ato de ter sido esta ou aquela figura histórica, mas sim pela qualidade atual dos seus pensamentos no Bem, em benefício das criaturas. Jesus mesmo afirmou: “O maior no Reino dos Céus é o que mais serve a todos.” Em termos de Ciência Cósmica, todavia, vale o princípio que diz: “Somos todos um.” Um cristal de rocha, um cão, uma samambaia e um ser humano valem tanto quanto um Cristo, porque todos são filhos de Deus e cumprem uma tarefa no Universo. Aprendamos a pensar grande, fazendo-nos cidadãos do Universo e não mesquinhos disputadores de migalhas, porque toda disputa significa primarismo espiritual. 2 – O EXEMPLO DE CHOPIN Yvonne do Amaral Pereira informava que Chopin estava se preparando para encarnar como médium curador, o que deve ter-lhe exigido extensa mudança na própria mentalidade, porque, durante milênios, dedicou-se à Arte, mas, pelo que consta, nada tinha investido ainda em termos de Terapia Espiritual. Todavia, cada Espírito segue a trajetória que mais lhe convém, mas estamos mencionando este exemplo não para falar gluma coisa contra esse missionário da Arte e sim apenas analisarmos, com os prezados leitores, a questão da preparação anterior, porque não se improvisam faculdades em séculos, mas consolidam-se em milênios. Não pretendemos desanimar ninguém, mas esclarecer sobre essa faculdade tão difundida, mas, ao mesmo tempo, tão desconhecida. Há muitos mitos em torno da mediunidade, mas ela é como todas as competências: o resultado do esforço e seriedade de cada um. 47 CAPÍTULO III – INTEGRAÇÃO COM SEUS ORIENTADORES ESPIRITUAIS O trabalho conjugado entre encarnados e desencarnados é uma realidade, porque, se os primeiros precisam contar com as induções daqueles que estão libertos de um corpo material, o qual funciona como um abafador, um redutor da luminosidade de uma lâmpada, os segundos precisam da energia física, densa, dos primeiros para atuarem junto aos encarnados, na cura dos seus problemas físicos. Trata-se de uma verdadeira interdependência, ficando acertado entre os trabalhadores do Bem quem encarnará e quem ficará no mundo espiritual a fim de cumprirem-se tarefas na realidade terrena. Dessa forma, por exemplo, Chico Xavier e Emmanuel formaram uma dupla, bem como Divaldo Pereira Franco e Joanna de Ângelis. Aqueles que permanecem no mundo espiritual nem sempre são os mais evoluídos, mas sim porta vozes de outros que se situam em Planos Superiores, como sendo médiuns daqueles, com o objetivo de fazerem chegar ao mundo dos encarnados as grandes verdades da Ciência Cósmica. Um dos missionários mais destacados dessa Ciência desencarnou há pouco tempo e chamava-se Hermínio Corrêa de Miranda, a quem prestamos homenagem neste momento, sendo que outro, a quem também homenageamos, chamou-se Hernani Guimarães Andrade. Não se identificaram perante o público em geral os Orientadores Espirituais desses dois últimos missionários, mas, na certa, são seus companheiros de milênios de jornada nos estudos psíquicos, sabendo-se que Hermínio tinha sido sacerdote no Egito antigo. Em suma, queremos dizer que não há como alguém ser conhecedor da Ciência Cósmica a nível razoável se sua bagagem de informações for a acumulação de menos de quatro ou cinco milênios. 48 Os Orientadores Espirituais também podem ser Espíritos encarnados em mundos superiores, como Marte, Saturno, Vênus etc. etc. ou mesmo encarnados na própria Terra, porque os Espíritos muito evoluídos atuam de forma muito mais ampla do que se possa imaginar. Citaremos apenas um exemplo para compreensão dos prezados leitores: Eurípedes Barsanulfo desdobrava, ou seja, saía do corpo físico várias vezes durante o estado de vigília: imagine-se, então, as atividades espirituais que desempenhava durante o sono físico! Para um Espírito do nível de um Sathya Sai Baba, por exemplo, o corpo não funcionava como empecilho intransponível, o mesmo se dizendo de Babaji, que se diz estar encarnado há mais de mil anos: esta última informação pode parecer estranha para um ocidental, mas temos a dizer que ele vive no Himalaia, onde as condições de vida são muito melhores do que em qualquer outro local do planeta. Aprendamos a pensar em termos de Ciência Cósmica e não como está escrito nos catecismos de tantas religiões que desvirtuaram as verdades ensinadas desde tempos imemoriais. 1 – OS TERAPEUTAS ESPIRITUAIS DA TERRA Conhecem-se, pelo nome, alguns terapeutas, como Bezerra de Menezes e Manoel Philomeno de Miranda, mas há muitos outros, que tomam pseudônimos como Zé Pilintra, Caboclo Sete Estrelas, Caboclo Sete Flechas, Xangô, Vovó e outros tantos. É preciso acabarmos com a crença falsa de que os Orientadores Espirituais são seres iluminados, porque, no geral, são homens e mulheres em redenção. A Igreja Romana rotula alguns desses trabalhadores com o título de santos e santas, o que os desagrada profundamente, tanto que Joanna de Ângelis prefere esse nome ao de Santa Clara, pelo qual ficou conhecida no mundo católico. 49 Endeusou-se Bezerra de Menezes, como, depois, endeusou-se Chico Xavier e Emmanuel, sendo que eles, muitas vezes, apresentam-se com pseudônimos, a fim de evitarem a idolatria, que faz mal a eles e aos que procuram coroá-los como luminares da humanidade. Não importa se estamos classificando esses Espíritos como terapeutas daqui da Terra mesmo ou se dissermos que eles provêm de outros planetas, pois, na verdade, todo ser é um cidadão do Universo. 2 - OS TERAPEUTAS ESPIRITUAIS CÓSMICOS Há Espíritos que percorrem vários mundos, em atendimento aos necessitados encarnados e desencarnados, como os médicos fazem ao atender pacientes em vários hospitais de uma cidade ou de várias cidades. A Medicina, todavia, na realidade espiritual, é muito mais ampla do que a maioria dos encarnados imagina e engloba especialistas e especialidades inumeráveis. Entretanto, temos de frisar que não se utilizam apenas produtos fabricados em laboratórios, mas inúmeros recursos vivos da própria Natureza. Veja-se, por exemplo, no livro “Nosso Lar”, um tratamento empregado por Narcisa à base de essência de manga e outros recursos naturais não especificados claramente por André Luiz, naturalmente que para não chocar a mentalidade conservadora ou misoneísta na maioria dos leitores. Ninguém é cidadão de um planeta, mas do Universo, principalmente quando trabalha no Bem, pois somente aos maus é interdita a locomoção de uma unidade planetária a outra, tal como se fez aos presidiários, que não podem escolher a cela onde devem permanecer. CAPÍTULO IV – SEMEAR E SEGUIR ADIANTE 50 Ninguém deve aguardar qualquer resultado que seja da sua atuação no Bem, pois a colheita pertence a Deus, tal como na parábola do trigo e do joio. Ninguém deve também se vangloriar de ter sido intermediário, colaborador, na cura de outrem, pois alguém só sara se Deus permite, depois de avaliar os prós e os contras. Jesus mesmo disse: “Eu, de Mim mesmo, nada posso.” 1 – JESUS CUROU APENAS ALGUNS DOENTES DO CORPO E DO ESPÍRITO Jesus, como dito linhas atrás, não encarnou para desenvolver a Medicina, mas para ensinar a Ciência Cósmica, que muitos transformaram em correntes religiosas sob o nome de Cristianismo. Curou, pela Graça de Deus, alguns doentes do corpo e da alma, mas apenas aqueles que Deus julgou conveniente, principalmente para servirem de propagadores da Ciência Cósmica, pois, como o cego que se tornou um divulgador dessa Ciência, outros também se desdobraram na multiplicação de adeptos desse Conhecimento. A saúde do corpo é secundária, mas a saúde espiritual é dada a quem faz por merecê-la pela sua dedicação ao Bem. Entendamos que o que importa é a evolução espiritual e não a abolição de sintomas desagradáveis. Assim, trabalhemos para aliviar os sofrimentos, mas, sobretudo, para esclarecer as mentes sobre a Ciência Cósmica e, na medida do merecimento de cada um, Deus autorizará as curas do corpo e da alma. Maria de Magdala, Zaqueu e Paulo de Tarso se curaram dos respectivos males da alma. O cego foi curado da carência no sistema ocular. Cada um é curado das próprias impregnações negativas no corpo espiritual, na medida do próprio merecimento e na hora certa, sendo que trabalhadores especializados militam nessa área, providenciando a retirada de implantes maléficos, através dos quais são feitas induções das Trevas para o 51 suicídio, a drogadição, a sexolatria, a agressividade e outras negatividades, que tanto infelicitam encarnados e desencarnados por milênios seguidos. 2 – A VERDADEIRA CURA: A AUTO REFORMA MORAL As emissões mentais curam ou adoecem o corpo espiritual e, em seguida, o corpo físico. Gandhi tinha razão ao dizer que uma pessoa de má índole ou viciosa nunca gozaria de saúde física por muito tempo. Aprendamos a investir na auto reforma moral para sararmos e orientemos as pessoas a fazerem o mesmo. Sem essa providência tudo redunda em nada, tanto quanto o paralítico, que, curado por Jesus, voltou ao ambiente do vício. TERCEIRA PARTE: UM EXEMPLO DE MEDIUNIDADE DE CURA CAPÍTULO I – UMA VIDA DEDICADA À MEDIUNIDADE DE CURA E DESOBSESSÃO O médium a que nos referimos é apenas mais um que trabalha no anonimato, mas seu número pode ser multiplicado por milhares, caracterizado pelo desinteresse material absoluto, não é mercenário, não é vaidoso e dedica-se ao Bem há muitos milênios, tal como Hermínio Miranda, realizando desobsessões através da regressão de memória. Quanta gente curou-se ao retornar ao passado de crimes e verificar que deveria investir, atualmente, no Bem da humanidade. Esses trabalhadores estão espalhados nas várias correntes religiosas e filosóficas, não importando se são rotulados pelos pacientes como espíritas, xamanistas, umbandistas, iogues, indígenas ou o que seja. 52 Eles são servidores do Bem, adeptos da Ciência Cósmica, mesmo quando não utilizem esse nome explicitamente, pois, acima dos nomes está a essência, que é o Amor Universal. 1 – ESCLARECIMENTOS PRÁTICOS Duas recomendações finais devem ser feitas: 1- é necessária a auto reforma moral urgente e 2 – somente devem se aventurar pela área da cura aqueles que já trazem de muitos milênios passados uma bagagem de conhecimentos relevantes, pois, tal como não se fazem médicos em cursinhos de uma semana, não se fazem médiuns de cura pela mera leitura de manuais simples ou complexos. Louvados sejam Deus e Jesus! 53 II RECONCILIA-TE COM TEU ADVERSÁRIO 54 “Reconcilia-te depressa com teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não aconteça de ele te entregar ao juiz, o juiz te entregar ao seu ministro e te encerrarem na prisão, e de lá não sairás enquanto não tiveres pago o último quadrante.” (Jesus Cristo) “No Reino dos Céus é necessário que vítimas e algozes se reconciliem.” (Jesus Cristo) “Quando ainda somos espiritualmente primitivos consideramos adversários todos aqueles que não se submetem ao nosso arbítrio.” (anônimos) 55 Esclarecimento sobre o desenho Introdução Primeira Parte: o adversário interno Capítulo I – A essência divina das criaturas 1 – Necessidade de ajustamento à essência divina Capítulo II – A demora na evolução do Espírito 1 – O tempo suficiente 2 – O empenho de cada um Capítulo III – A consciência: juiz de cada um 1 – Consciências despertas 2 – Consciências entorpecidas 2.1 – O despertamento 2.1.1 – Processos de despertamento 2.1.2 – Confissão e prece Segunda Parte: os adversários externos Capítulo I – Os que nos apoiam no Mal 1 – Os adversários do nosso progresso 1.1 – Os aduladores 1.2 – Os cúmplices Capítulo II – Os que nos combatem 1 – Inimigos com razão 2 – Inimigos sem razão 56 ESCLARECIMENTO SOBRE O DESENHO Os terrícolas humanos, no geral, por ignorância misturada ao orgulho, julgam-se os únicos habitantes do Universo, desconsiderando os próprios irmãos sub humanos da Terra, que eles maltratam e exploram como se não fossem também filhos de Deus destinados à perfeição. Através do desenho procuramos retratar um ser humano de outro planeta, com outro tipo de fisionomia, porque resultado de outras necessidades e outro tipo de vivência evolutiva. Ninguém deve estranhar a aparência diferente dos seres dos outros mundos, porque não encontrará em todos a mesma composição química, e igualmente a necessidade de aparelhos respiratório e digestivo, bem como um sistema deambulatório sequer parecido e a presença de mãos e braços com as mesmas características. O desenvolvimento do poder mental, aliado a uma tecnologia muito mais avançada, facilita a vida desses extraterrestres, justificando, com tudo isso, sua diferença em relação aos terrícolas. Imaginem se vocês não tivessem necessidades tão próximas dos animais superiores, como seria diferente sua estrutura física e, com isso, terão ideia dos seres dos mundos superiores ao seu! Mas ainda não respondemos à indagação que muitos possam vir a fazer quanto à relação entre o desenho da capa e o tema deste livro, mas diremos que, nesse desenho, fizemos não o retrato de uma pessoa, mas a simbolização de uma fisionomia humana de outros mundos, no caso, uma trabalhadora da cura espiritual, que visita outros planetas, inclusive a Terra, providenciando o referido trabalho de extração de implantes psíquicos do Mal e sua imediata substituição por elementos psíquicos do Bem, no caso de criaturas que a Justiça Divina entende merecedoras dessa substituição, a fim de evoluírem mais depressa. 57 Tudo depende do merecimento de cada um e das Decisões de Deus. Sabemos quando se trata da Vontade de Deus conforme sejam os resultados do trabalho que realizamos, pois não fazemos outra coisa que obedecer à Vontade de Deus, a quem nos submetemos de boa vontade e espontaneamente, pois somente nessa obediência se alcançam bons resultados. INTRODUÇÃO Não pretendemos, com este livro, fazer jogo de palavras nem distorcer um Ensino tão conhecido de Jesus aos terrícolas, mas apenas tentar informá-los sobre a profundidade da Ciência Cósmica, que o Divino Governador Planetário veio transmitir. Na verdade, o foco principal deste livro é mostrar a necessidade do auto conhecimento, mas que não deve parar nos primeiros degraus do mergulho interno, como a maioria faz, mas sim aprofundar-se na revivescência parcial das vidas passadas, tal como ensinado por Hermínio Corrêa de Miranda e outros conhecedores das técnicas de terapia de vidas passadas. Lá, quando se volta a vivenciar, por segundos ou minutos, as situações traumáticas, normalmente com o auxílio de terapeutas especializados e espiritualmente capacitados, encontram-se os focos infecciosos que geram links com os obsessores, com Espíritos das Trevas e as criaturas humanas ficam presas a induções mentais perigosas, que as levam ao suicídio, à drogadição, à sexolatria, em suma, aos defeitos morais e vícios em geral. Depois de auto conhecer-se com essa profundidade, há condições de reconciliar-se com os adversários externos, que são as outras criaturas. Mas, primeiro, é preciso cada um saber quais foram seus erros, para eliminação do complexo de culpa. Tratam-se de verdadeiras cirurgias espirituais, em que os pacientes têm de estar despertos, para participarem do 58 processo, possibilitando que terapeutas espirituais retirem os implantes psíquicos realizados por seus inimigos espirituais, Espíritos dedicados ao Mal. Logo após a retirada cirúrgica desses implantes do Mal, colocamos, em seu lugar, elementos psíquicos do Bem, conforme o merecimento dos pacientes. Dessa forma, os Espíritos mal intencionados, que utilizavam aqueles implantes como forma de indução das suas vítimas ao Mal ou ao sofrimento físico ou moral, perdem importante meio de prejudicá-las, mas também assistimos aos algozes, procurando encaminhá-los para a renovação espiritual. Trata-se de um trabalho de desobsessão mais aprofundado, que a maioria dos médiuns terráqueos desconhece. Assim, nosso trabalho vai além daquele que Hermínio Miranda descreve em seus escritos, porque ele não aprofundou os acontecimentos da realidade espiritual, ficando a parecer para a maioria dos seus leitores que bastava levar os pacientes a reviver o passado, que estaria tudo resolvido, como se isso representasse a verdadeira cura. O processo é complexo e exige a vontade firme do paciente, no sentido da auto cura moral, do médium especializado nesse tipo de trabalho e da equipe espiritual conhecedora das técnicas de cirurgia espiritual desse tipo. Manoel Philomeno de Miranda é quem diz alguma coisa sobre esse assunto, mas de forma muito sumária, talvez para não chocar seus leitores, ainda despreparados, até então, para esse tipo de tratamento. Todas as pessoas deveriam submeter-se a esse tipo de incursão no passado, a fim de livrarem-se das conexões psíquicas com os inimigos espirituais, assim podendo realmente evoluir espiritualmente, sem permanecerem atreladas aos maus feitos do passado, que, enquanto não limpados, atam as criaturas como que a um poste de tortura, 59 que, volta e meia, é utilizado pelos Espíritos das Trevas para provocarem desajustes e sofrimentos nas suas vítimas. Todavia, como podem perceber, não pode ser qualquer médium o intermediário nesse tipo de trabalho espiritual, mas sim muito poucos e não será qualquer equipe espiritual que estará habilitada a essa forma de tratamento. Também temos a dizer que a retirada dos referidos implantes não significará a cura definitiva se o paciente voltar a sintonizar com a Mal, assim atraindo de volta seus obsessores ou outros: trata-se de uma oportunidade que é dada ao paciente, mas sua cura definitiva dependerá sempre do seu livre arbítrio na escolha do Bem ou do Mal. Como dito, é uma importante forma de contribuição para a verdadeira cura espiritual, pois a maioria dos problemas de hoje tem suas raízes no passado multimilenário de cada um. Mas deixemos os comentários mais extensos para os itens que se seguirão. A expressão adversário foi interpretada aqui em dois sentidos diferentes: no primeiro como sendo a essência divina que Deus implantou em cada criatura, porque adversário é apenas o que se encontra “do outro lado” e, no caso dos seres humanos dominados pelos vícios e defeitos morais, o que está do outro lado é a essência divina, que cobra a sintonia consciente com Deus. Quanto ao segundo significado de adversário tratam-se das outras pessoas, quando elas não nos ajudam a evoluir espiritualmente: assim, são nossos adversários todos aqueles que, direta ou indiretamente, querem nos levar para o afastamento em relação à Lei Cósmica, ou Lei Divina. Passemos, então, a estudar esses assuntos, da forma mais direta e simples possível, na Graça de Deus e sob as bênção do Divino Governador da Terra. PRIMEIRA PARTE: O ADVERSÁRIO INTERNO 60 CAPÍTULO I – A ESSÊNCIA DIVINA DAS CRIATURAS A maioria dos seres humanos da Terra sabe muito pouco acerca da sua própria essência espiritual, porque o auto conhecimento ainda não é praticado por essas criaturas, que vivem em função das exterioridades, normalmente, as mais primárias, como “comer, dormir e reproduzir”. Apesar dos iniciados de todos os tempos falarem no auto conhecimento, dentre os quais citaremos apenas Sócrates, verificamos que a maioria dos humanos da Terra sequer acredita que são Espíritos e duvidam fortemente de tudo que seus cinco sentidos não possam detectar pessoalmente. Infelizmente essa é a realidade de um mundo tão primitivo como a Terra. Somente pelo fato de reconhecermos que este mundo é primitivo e que os valores aqui consagrados o são igualmente já estará sendo dado o primeiro passo para o auto conhecimento, pois o pior cego é aquele que acredita que a cegueira é o estado natural da natureza humana. Verificando que é cego já poderá identificar em si o bom senso e, a partir daí, procurar aprender como curar-se dessa doença. A cura está na evolução espiritual, ou seja, no aperfeiçoamento da luz interna, na aproximação entre o ego e o Eu, ou também, em outras palavras, a aquisição das virtudes da humildade, desapego e simplicidade, canal para o aperfeiçoamento do poder mental no Bem. Sem virtudes não há evolução espiritual e o poder mental fica limitado a um espaço pequeno, por onde circula sem chance de expandir-se, tal como acontece com os Espíritos do Mal, que, mesmo acreditando-se poderosos, são meros presidiários, que arquitetam planos dentro de uma cela, mas dali não podem sair. Deus não permite que o Mal ultrapasse determinados limites, ou seja, que funcione além daquilo que representara sofrimento para quem terá proveito ao ser sua vítima. 61 Por isso é que Jesus disse: “O escândalo é necessário, mas ai daquele que seja seu realizador.” Os Espíritos do Mal estão autorizados a gerar sofrimentos apenas até o ponto em que tal seja benéfico para quem precisa deles para evoluir. Todavia, no fundo de cada ser está sua essência divina. Mas a maioria dos seres humanos da Terra, como dito, por sua ignorância e orgulho conjugados, não acredita nessa essência divina e deixa-se dominar pelas más inclinações, perdendo-se e fazendo outros também se perderem, porque quase todos se comprazem no Mal. Jesus encarnou para ensinar a Ciência Cósmica, no centro da qual está a questão da essência divina de cada ser, como um dos postulados básicos, apesar do principal ser a própria existência de Deus e o Governo do Universo estar nas Suas Santas Mãos. Cada ser humano deve estudar o significado dessa expressão “essência divina”, que traduziu na expressão: “Vós sois deuses; vós podeis fazer tudo que Eu faço e muito mais ainda.” Não há como traduzirmos em palavras terrenas o significado dessa expressão, pois seu sentido é infinito, tal como todas as verdades espirituais, sendo que cada criatura humana deve aprofundar a sonda da pesquisa interior para entender o que realmente significa essa verdade. A criatura, ao ver o que vivenciou em tempos passados, muitas vezes há milhares de anos, terá muito mais certeza do que significa a essência divina que existe dentro de si do que lendo extensos tratados teóricos sobre o psiquismo. Somente a vivência gera a certeza realmente. Quem passa por esse processo terapêutico passa a conhecer-se de verdade e estará em condições de seguir adiante sem as amarras do complexo de culpa, das fobias, dos vícios e defeitos morais. 62 É importante realizar-se esse tratamento enquanto se está num corpo físico, porque, no mundo espiritual, o mérito dessa cura será muito menor. Conheçam-se em profundidade e descobrirão a alegria de verem em si a essência divina, que parece a fênix da lenda antiga, que sempre ressurge das próprias cinzas e nunca morre, porque toda criatura de Deus é imortal e traz a chama da Divindade dentro de si. 1 – NECESSIDADE DE AJUSTAMENTO À ESSÊNCIA DIVINA Alguém poderá indagar por que Deus não quis criar cada criatura perfeita. Mas, afinal, como criaria criaturas perfeitas sem que fossem outros tantos deuses, tanto quanto Ele? Isso sem contar que nenhuma satisfação interior experimentariam se não tivessem a alegria do merecimento pela perfeição. Se Deus assim fez foi para que cada um ficasse feliz e, de outra forma qualquer, não haveria felicidade. A Sabedoria Divina é infinita e Suas Leis são perfeitas. Portanto, não questionemos as Leis Divinas, mas tratemos de aprendê-las e cumpri-las. Ajustar-se à Lei Divina é um processo gradativo, pois que, quando vivenciamos as experiências evolutivas dos Reinos sub humanos, cumpríamos tudo sem consciência da própria existência da Divindade e, na fase humana, já conseguimos perceber alguma coisa de Deus, mas como cegos que acabam de identificar os primeiros sinais luminosos. Na verdade, apenas na fase da angelitude, que Jesus vivencia, há a noção mais completa sobre Deus, tanto que Jesus disse: “Eu e o Pai somos Um.” Na fase humana, por mais evoluído que seja um Espírito, sua noção sobre Deus é imprecisa, embaçada, turva, mas vai se delineando cada vez mais perfeita, nítida, luminosa. Assim se processa a evolução. 63 A essência divina que habita em nós somente se torna acessível quando mergulhamos no nosso próprio passado até o ponto em que conseguimos chegar, havendo quem chegue a níveis inimagináveis de conhecimento das fases sub humanas. Jesus também falou: “O Reino dos Céus está dentro de vós.” O Universo, que existe foca de cada um, existe, em miniatura, dentro de cada um. Não há grande nem pequeno, mas apenas continuidade e a inteligência humana não consegue compreender nem o muito grande nem o muito pequeno, mas, no máximo, o que está dentro de si, assim mesmo até certo ponto. Ajustemos, portanto, nossas inclinações às regras éticas, porque, assim, dentro das limitações que nos caracterizam, estaremos sendo menos animais e mais próximos da angelitude, pois a fase humana é apenas essa transição, como todas as fases são apenas transições. Mesmo sabendo que estamos distantes da angelitude, procuremos seguir o conselho de Jesus, começando por saber o que significa nossa essência divina e adequarmo-nos a ela. CAPÍTULO II – A DEMORA NA EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO Para darmos uma referência de tempo aos nossos queridos irmãos citaremos uma informação de André Luiz, o qual afirma que de vírus ou bactéria à fase humana primitiva o tempo gasto é de mais ou menos um bilhão e meio de anos terrestres. Por aí se pode entender que há uma previsão de tempo para cada fase e, quando o Espírito da fase humana se retarda, sofre as consequências da sua desídia ou rebeldia. No Universo nada acontece sem consequências, pois “a toda ação corresponde uma reação igual e contrária”. Jesus descreveu Sua trajetória evolutiva de forma retilínea, ou seja, obediente aos prazos de cada fase. 64 Mas os demais terrícolas são rebeldes ou desidiosos e estão em atraso quanto ao tempo de cumprimento de cada fase, sendo que, por isso, a Lei de Causa e Efeito os atinge e faz sofrer, a fim de evoluírem pela dor, porque se recusam a evoluir pelo Amor. Cada iniciativa negativa retarda o progresso do Espírito, bem como cada atitude no Bem o ajuda a aperfeiçoar-se, mas devemos identificar o que realmente é progresso e não ficarmos repetindo exterioridades que não geram a evolução interna. Enquanto praticamos apenas a caridade exterior, mas não limpamos nosso mundo interno das sujidades do passado estaremos fazendo apenas como os antigos faziam: comprando indulgências, mas enganando-nos, pois nossas irradiações ainda sintonizam com o Mal. O tempo de evolução depende da mudança da sintonia mental, o que retrata o íntimo de cada um. Não adianta alguém querer enganar a Justiça Divina, pois os julgamentos são automáticos, baseados na frequência mental de cada um. Evoluir significa passar a vibrar numa frequência superior e não acumular obras exteriores: entendamos isso e deixemos a prática da compra de indulgências no passado. 1 – O TEMPO SUFICIENTE André Luiz somente fala no tempo quando se refere às fases em que o livre arbítrio ainda não existe tal como entendido pelos seres da fase humana. Mas é certo que há um tempo certo para cada fase evolutiva, sendo que, na fase humana, como em todas as outras, o que ocorre é que as influências astrológicas apresentam-se como favoráveis em determinados períodos e desfavoráveis em outros. Dessa maneira, sabendo-se que os ciclos se sucedem em determinado espaço de tempo, se perdida a oportunidade evolutiva num determinado ciclo, as condições passam a ser 65 desfavoráveis e maior empenho terá um Espírito para evoluir do que se o fizesse na época certa. Acreditamos, com esta explicação, ter esclarecido os prezados leitores. A questão do tempo não é irrelevante, mas sim muito importante na trajetória de cada Espírito. Daremos outro exemplo: como a Terra passará, agora, à categoria de mundo de regeneração, todos aqueles que não se adequarem ao padrão vibracional exigido, serão degredados para mundos inferiores. Não há como alguém impor sua pequena vontade ao estabelecido na Lei Divina. As criaturas que tratem de conhecer os dispositivos da Lei Divina e agirem conforme eles e não o contrário. Aprendamos a respeitar o transcurso de cada minuto da nossa vida, sobretudo pensando no “aqui e agora”, pois o tempo não está à nossa disposição, mas apenas o momento que passa, que é logo sucedido por outro e assim por diante. 2 – O EMPENHO DE CADA UM Como dito linhas atrás, Jesus é o único, dos Espíritos que passou pela Terra, que sempre cumpriu Suas metas evolutivas no tempo certo, sem nenhum atraso, sendo, por isso, diferenciado, não por favor de Deus, mas pelo Seu próprio mérito. O empenho de cada um diferencia uns de outros e os Espíritos evoluídos não perdem tempo nem com divagações filosóficas inúteis, mas convertem tudo em ouro, ou seja, em crescimento espiritual seu e dos outros. A Ciência Cósmica ensina que há tempo para tudo e tudo deve ser realizado da forma correta, útil, adequada, conveniente. Montaigne dizia que Sócrates tinha a medida certa para cada ato de sua vida e sabe-se que Jesus esteve presente nas bodas de Caná, a fim de ali plantar exemplos de Fraternidade 66 e Alegria, apesar de não constar que tenha ido a qualquer outra festividade desse tipo. Em suma, devemos saber o que fazemos e por que fazemos, não sendo conveniente simplesmente ser mais um a seguir a imensa corrente dos irresponsáveis ou inconscientes. “O tempo vale ouro e quem o desperdiça é tolo” diz um ditado antigo. CAPÍTULO III – A CONSCIÊNCIA: JUIZ DE CADA UM Como estamos entendendo que o adversário do ser humano moralmente pouco evoluído é a sua própria essência divina, no sentido de que adversário é aquele que está do outro lado, não significando inimigo, podemos concluir que o juiz a que se refere o Ensinamento de Jesus é a consciência. Não há necessidade de juízes externos, porque a consciência de cada um analisa seus mínimos pensamentos e intenções. Não adianta querer enganar esse julgador atento, porque, mesmo que o auto julgamento demore milhares de anos, chega a hora da avaliação. Há Espíritos que abafam a própria consciência por milênios seguidos e, quando despertam para a auto análise, sofrem baques terríveis. Por isso é importante cada um realizar logo sua viagem interior e ali encontrar seus fantasmas do passado do que adiar o auto encontro. Todos que passaram pela Terra, menos Jesus, encontrarão coisas negativas no próprio passado, mas, por outro lado, ficando limpos dessas manchas, estarão aliviados e poderão seguir adiante sem amarras. Há quem, até, se esconda atrás de realizações nobilitantes por muitas encarnações seguidas, mas que evita encontrar suas sujidades acumuladas de tempos passados e, com essa covardia moral, acumula infelicidades, mesmo tendo extensa folha de serviços prestados. 67 Esse auto encontro não representa nada terrificante nem é uma forma de crueldade de Deus, mas sim o momento do crescimento espiritual verdadeiro, para o fim de cada um reconhecer sua própria essência divina. Os auxiliadores do paciente, no caso, o médium de cura e os Orientadores Espirituais devem fazer com que o paciente ingresse no estado de autopunição, de auto piedade ou qualquer outro estado psicológico negativo, pois, então, terá sido vão o remédio, pois não melhorou o doente. Costumam acontecer casos de adoecimento físico, devido ao abalo espiritual sofrido, por causa da mudança brusca da sintonia espiritual, mas essa fase transitória de adoecimento deve ser tratada com perícia, com conhecimento adequado do médium, o qual deve orientar o paciente na recuperação orgânica, se for o caso. Em resumo, o desplugamento de energia negativa e a inserção de energias positivas provoca, muitas vezes, abalo físico, decorrente do abalo espiritual. Por isso se disse, linhas atrás, que o médium deve ser conhecedor da área em que está trabalhando, bem como a equipe espiritual tem de ser especializada nesse tipo de trabalho. Quanto ao paciente deve estar movido de sincero e firme propósito de auto reforma moral, pois, em caso contrário, pode retornar, cedo ou tarde, ao antigo regime de obsessão, que o vinha vitimando há muito tempo. A consciência, nessa viagem ao passado, mostrará onde está o ponto fraco do paciente, ou seja, aquilo que está atrasando sua evolução espiritual. É preciso humildade verdadeira para reconhecer os erros cometidos, mas otimismo bastante para não ingressar nas faixas da auto piedade ou de outra negatividade destrutiva. É importante pensarmos que mais importante que qualquer outro julgamento, o que vale mesmo é o que nossa consciência aponta. 68 Se outros nos aprovam ou condenam isso nada significa perto do julgamento da nossa consciência profunda, que aflora durante o tratamento de terapia de vidas passadas. Como dissemos, a orientação do médium e dos Orientadores Espirituais leva o paciente à visualização do passado, para de lá extrair as lições para o presente e o futuro, bem como para a extração de implantes maléficos e sua substituição por implantes do Bem. Podemos dizer que somente nessa viagem ao passado a consciência aflora com toda sua potência, pois, no dia a dia, ela jaz adormecida em parte, pela necessidade da concentração nas lutas de cada dia, mas, principalmente, por falta do hábito de consulta-la, uma vez que trata-se de uma faculdade igual às outras, que, exercitada, manifesta-se facilmente, mas, atrofiada, somente atua com dificuldade. É importante exercitar-se a consciência, pois, em caso contrário, acontecerá como é o caso da maioria dos terráqueos: desperta quase sempre após a desencarnação e há casos em que nem após esse choque, permanecendo muitos Espíritos como que semiadormecidos espiritualmente, com sérios prejuízos para sua evolução espiritual. 1 – CONSCIÊNCIAS DESPERTAS Para nos fazermos entender com a possível clareza, vamos citar dois exemplos, sendo pessoas que se encontraram pessoalmente com Jesus: o primeiro é o caso de Paulo de Tarso, que mudou de vida a partir desse encontro, e o segundo é o caso do senador Públio Lentulo (Emmanuel), que ficou reticente e, somente daí a algum tempo, mudou de vida. A consciência do primeiro despertou de imediato e a do segundo demorou a começar seu trabalho de apontar os itens a serem reformulados no psiquismo do orgulhoso político romano. Não há um tempo igual para todas as pessoas, mas é certo que um dia todos despertarão. 69 No caso do tratamento a que nos referimos, as reações são as mais variadas possíveis, de acordo com o propósito de cada um de aperfeiçoar seu próprio íntimo. O importante não é fixar os erros do passado, pois o passado não existe mais, ou melhor, não deve existir no sentido de reverberar negativamente, produzindo desequilíbrios e males sejam de que natureza forem. Esse retorno rápido ao passado deve significar apenas a detecção de um mal, caso ainda perdure, mas com a finalidade desse mal ser extirpado, através da cirurgia a que nos referimos e consequente auto reforma moral. A consciência - que estava adormecida, escondendo o erro, muitas vezes muito antigo, que não tinha sido encarado de frente e solucionado – deverá passar a ser acionada com frequência, através da auto análise quanto ao propósito de mudança de atitude interna e externa no que diz respeito ao vício ou defeito moral detectado. Paulo de Tarso e Públio Lêntulo tinham se desencaminhado por orgulho, sendo que o primeiro despertou para uma vida de dedicação à auto reforma moral de imediato, enquanto que o segundo apenas iniciou uma vida totalmente diferente na encarnação seguinte, na figura de Nestório. Este tema demanda muitas reflexões, mas cada um deve ponderar sua própria situação, pois não há como alguém estabelecer um referencial padrão, porque o íntimo de cada um é que irá dizer se houve sinceridade e firmeza no propósito da auto reforma moral ou não. 2 – CONSCIÊNCIAS ENTORPECIDAS Muitos que vivem com a consciência entorpecida enveredam pelos caminho do Mal, porque acreditam que, assim, estarão livres do auto encontro, mas não há como alguém enganar a si mesmo por tanto tempo, porque chega sempre a hora do despertamento e quanto mais for 70 procrastinado mais doloroso será, como quem encobre uma ferida ao invés de tratá-la. Se estamos adormecidos por milênios, que tenhamos a coragem de enfrentar nossas culpas, defeitos morais e vícios, porque, em primeiro lugar, não devemos deixar de evoluir por causa do que já fomos e, em segundo lugar, o que importa é termos a intenção sincera de superarmos as antigas mazelas e isso é possível para quem crê na Bondade Divina e procura ser firme no Bem. Que esta mensagem seja entendida como de otimismo, mas o caminho deve ser percorrido com determinação, porque não estamos brincando de viver, como muitos fazem, mas sabemos que a felicidade é resultado da opção pela escalada evolutiva. Despertem suas consciências, ajam corretamente, sigam a estrada da evolução rumo ao infinito! 2.1 – O DESPERTAMENTO O despertamento, muitas vezes, é doloroso, causando, inclusive, reveses orgânicos, mas isso faz parte do recomeço em novas bases, como quem tem de demolir uma construção mal feita para edificar uma perfeita. Afinal, na vida do Espírito, há inúmeros recomeços, com a diferença entre uns e outros apenas quanto ao nível de qualificação, mas sempre há recomeços, porque a área de atuação de cada Espírito é a metragem quadrada do seu próprio íntimo. Nenhuma outra construção perdura para ele, a não ser essa, sendo que tal construção, ou reconstrução, começou há bilhões de anos, na fase sub atômica, passou pelos Reinos inferiores da Natureza e irá em direção ao infinito. Que não haja medo das mudanças, porque muitas já houveram e outras tantas haverão, pelo infinito do tempo afora. 71 Por isso é importante cada homem e cada mulher ter certeza quanto à sua passagem pelos Reinos inferiores da Natureza. Que o medo do desconhecido nunca nos impeça de caminhar e nos sintamos sempre filhos de Deus, que merecem a felicidade. Temos um fato para contar, que não deve ser interpretado como desestímulo ao trabalho de auto reforma moral, mas uma observação para a reflexão dos prezados leitores. Quando dissemos que Paulo de Tarso superou o próprio orgulho, estávamos afirmando que libertou-se da camada mais grossa, mais espessa desse defeito moral, com o que teve condições de levar adiante sua missão de divulgador da Lei Cósmica, trazida através dos Ensinamentos de Jesus. Mas isso não significa que tenha se libertado totalmente desse defeito moral, uma vez que, daí a mil e setecentos anos, ao reencarnar na figura do “sadu” Sundar Singh, na Índia, a fim de cumprir uma missão de divulgação da Palavra de Jesus sobretudo no Tibet, aos dezesseis anos de idade, Jesus teve de aparecer-lhe novamente à visão espiritual para ele acreditar no Divino Mestre, pois seu orgulho o fez perder o foco da missão que teria de cumprir. Veja-se, por aí, que não se cura alguém num passe de mágica, apesar de haver a possibilidade do “salto qualitativo”, que Paulo de Tarso deu. A evolução do Espírito é infinita e os defeitos morais vão sendo superados como quem vai descascando uma cebola, mas não há como chegarmos ao seu cerne num único golpe. Tenhamos consciência disso e fiquemos felizes à medida que mais uma camada é jogada fora de nós. A orientação, por exemplo, para dependentes do álcool é que somente se considerem livres realmente depois de um ano ou um ano e meio de tomada da decisão, sem recaídas. 72 Quanto aos dependentes de drogas, devem estar presentes para o tratamento desobsessivo de quinze em quinze dias, regra à qual a maioria deles se recusa a cumprir. Sejamos conscientes das cautelas necessárias e da recomendação de Jesus quanto ao “orai e vigiai”. Devemos também abordar outra questão, que não pode ser ignorada: trata-se da inconformação dos obsessores, que costumam ficar irritados pelo fato de perderem uma presa e que se voltam contra o ex-obsidiado e quem o esteja ajudando. Por isso, é necessário que o paciente tenha real firmeza de propósitos e o médium de cura seja qualificado e dedicado realmente ao Bem para não desistir de auxiliar aos necessitados encarnado e desencarnados, pois todo tratamento de desobsessão é coletivo e costuma beneficiar uns e outros. Quanto à possibilidade de recaídas do paciente, deve-se observar que, se tal ocorrer, costumam ser feitos novos implantes de “plugs” do Mal, os quais apresentam-se mais contundentes que os anteriores, pois os obsessores não querem mais correr o risco de perder sua presa. Todavia, como dito, não devemos encarar tudo isso com medo, mas sim sabendo que a evolução do Espírito é eterna e, por exemplo no caso do Espírito Paulo de Tarso, mostrou ser um ser humano como qualquer outro, sujeito a falhas, mas bem intencionado e voltado realmente para o Bem. O que diferencia umas criaturas humanas das outras é a sinceridade da sua procura pela auto reforma moral. 2.1.1 – PROCESSOS DE DESPERTAMENTO A Espiritualidade Superior, para dizer a verdade, não precisa de médiuns para solucionar problemas dos encarnados ou desencarnados, mas sim o contrário, porque estes é que ganham com a oportunidade de participarem das atividades no Bem. 73 Todavia, neste livro, mencionamos dois tipos diferentes de processos: 1 - no caso de Paulo de Tarso e Públio Lentulo, seu encontro pessoal com Jesus, oportunidades em que foram tratados em tempo recorde devido à potência mental de Jesus, e 2 – através de médiuns especializados e respectivas equipes espirituais, o que, infelizmente, é muito raro, devido à qualificação que devem ter. Infelizmente, o número de médiuns realmente dedicados ao Bem, que cumprem suas tarefas conforme devem é muito reduzido, porque devem ser Espíritos já de muito tempo conhecedores desse tipo de trabalho, como também levarem uma vida limpa, sem nenhum interesse material, o que os faz merecer ajuda espiritual de trabalhadores desencarnados igualmente qualificados moral e também na especialidade. De qualquer forma, cada paciente recebe sempre de acordo com o próprio merecimento e, se merece, os Espíritos Orientadores arranjarão uma forma de tratá-lo, inclusive durante o sono físico ou outra situação que entenderem propícia. 2.1.2 – CONFISSÃO E PRECE Inserimos, abaixo, um livro de Maria Clara intitulado “Confissão e Prece”, devido à sua utilidade para o presente estudo. Sem confissão sincera dos próprios vícios e defeitos morais e sem preces partidas do fundo do coração, significando pedidos de ajuda a Deus, ninguém sara espiritualmente. INTRODUÇÃO A orientação de Tiago (Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.) é de uma profundidade muito grande, que pretendemos analisar, tratando-se de um dentre tantos desdobramentos das Lições de Jesus. 74 São dois temas diferentes: a confissão e a prece, que, aparentemente, nada têm a ver um com o outro, mas, na verdade, estão interligados, pois têm como ponto de conexão a ideia da Fraternidade, conforme veremos. Primeiro, para introduzir os queridos leitores no nosso estudo, falemos um pouco sobre a confissão, a qual exige coragem de quem a faz. Citemos alguns exemplos de seres humanos que se confessaram, mesmo com o risco da desmoralização pública: 1) Santo Agostinho expôs, no seu livro intitulado “Confissões”, suas vacilações como ser humano, sobretudo quanto à questão da sexualidade. 2) Mohandas Gandhi confessou, em livro de sua autoria, certo episódio: mesmo sendo casado, certa vez, compareceu a uma casa de meretrício, todavia, arrependendo-se antes de realizar qualquer ato sexual com a profissional, pediu-lhe desculpas, pagou-a e foi embora. 3) Yvonne do Amaral Pereira, tendo identificado no mundo terreno seu noivo espiritual, o qual era casado, entusiasmou-se com a possibilidade de conhecê-lo pessoalmente e acabaram combinando um encontro, tendo ele de vir ao Brasil. Quando ele desceu do avião, ela, que o aguardava no aeroporto, depois de ter pesado os prós e os contras daquela situação, foi para casa sem encontrá-lo e continuaram mantendo contato apenas por correspondência. 4) Emmanuel, no seu livro “Há Dois Mil Anos”, psicografado por Chico Xavier, relaciona seus equívocos morais praticados na sua encarnação como o senador Públio Lêntulo Cornélio e fala alguma coisa da anterior, quando foi seu próprio bisavô: o cônsul Públio Lêntulo Sura. 5) Atentemos para o fato dos romances de Yvonne do Amaral Pereira serem todos autobiográficos, onde se 75 estampam seus equívocos morais perpetrados em vidas passadas. Vejamos um caso, não de confissão de culpas, mas de uma vivência que poderia ser interpretada como imoral por parte dos “moralistas de plantão”: Bezerra de Menezes, ao enviuvar, casou com a cunhada, a qual já convivia naquele ambiente doméstico. Quanto à confissão, igualmente é interessante relatar duas realidades que ocorrem no mundo espiritual: Camilo Castelo Branco, no seu livro “Memórias de um Suicida”, relata que faz parte do tratamento de suicidas seu desnudamento moral perante numerosa assembleia, através do sistema audiovisual e André Luiz afirma que os Orientadores Espirituais de Nosso Lar atendem os Espíritos em duplas e não um de cada vez. Verifiquemos que os modernos tratamentos de terapia de grupo, seguidos, inclusive, pelos Alcoólicos Anônimos e outros igualmente notáveis, são uma aplicação da ideia da confissão, divulgada inicialmente pelo apóstolo Tiago. Os Espíritos Superiores têm coragem suficiente para confessar suas culpas, mesmo quando consequências graves possam advir. Os medianos e os primitivos procuram se preservar, com receio da perda de prestígio e de vantagens materiais. Quanto à prece, analisaremos nos itens próprios. O presente estudo visa, sobretudo, esmiuçar a orientação de Tiago à luz dos conhecimentos espíritas. Estando às portas do ingresso da Terra na categoria de mundo de regeneração, não se deve continuar permitindo o encobrimento da Verdade com o véu do “faz de conta”, o qual, durante milênios, vem utilizando o nome da Moral, teorizada, mas nem sempre praticada: é preciso que se cumpra o que Jesus afirmou: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. 76 Uma das facetas da Verdade é a orientação de Tiago, que precisamos conhecer para evoluir intelectual e moralmente. Que Deus, nosso Pai, e Jesus, nosso Divino Pastor, nos abençoem, bem como aos nossos queridos irmãos e irmãs que nos prestigiarem com sua atenção, compulsando estas despretensiosas anotações. 1 – CONFISSÃO Temos de considerar, em primeiro lugar, que o Evangelho não se destina ao conhecimento de um número restrito de iniciados, mas Jesus o trouxe para servir de referência para todos os habitantes da Terra, pois, na qualidade de Divino Governador Planetário, compete-Lhe conduzir todos os Seus pupilos. Assim, a orientação de Tiago pode ser adotada por toda a humanidade e não apenas pelos cristãos. Dessa maneira, quando fala em confissão, sua palavra deve ultrapassar os estreitos limites de um povo, uma corrente religiosa e abarcar a humanidade terrestre, incluindo-se os Espíritos Superiores, os medianos e os primitivos. Conclui-se, portanto, que quem assume o papel corajoso de confessar suas culpas não deverá, obrigatoriamente, verificar se os ouvintes são bons ou maus e se farão bom ou mau uso das informações que estarão recebendo. Alguém pode contrapor a esta fala o argumento de que há pessoas de má índole, que irão desmoralizar o homem ou a mulher de boa fé e boa vontade que confessarem suas culpas. No entanto, vejamos que Santo Agostinho, Gandhi, Yvonne do Amaral Pereira e Emmanuel não procuraram escolher as pessoas que tomariam conhecimento das suas confissões: cumpriram seu dever consciencial e ficaram livres de parte do peso que os torturava e lhes tirava a paz. Realizaram uma 77 catarse e iniciaram o processo de recomposição da própria serenidade, que se completaria com a posterior ação intensiva no Bem, a fim de beneficiarem os eventuais prejudicados ou, em caso de impossibilidade, outras pessoas que necessitariam de sua ajuda. Afinal, “o Amor cobre a multidão dos pecados.” Temos, então, três opções neste caso: ou cumprimos a orientação sábia de Tiago, confessando-nos a todos, portanto, despindo-nos do orgulho, ou confessamo-nos apenas aos nossos amigos, a fim de receber seus conselhos, ou não confessamos a ninguém as nossas culpas. A pior das alternativas é a última, pois mantém intacto nosso orgulho e não realizamos a catarse. A segunda visa mais um benefício pessoal do que representa uma iniciativa idealista. A primeira retrata a mentalidade cristã, no seu sentido mais amplo e universalista. As personalidades que mencionamos acima são universalistas, Espíritos Superiores realmente e sua conduta representa exemplos a serem seguidos. Alguém perguntará: - Neste mundo de hoje, competitivo do jeito que é, se alguém confessar suas culpas não conseguirá emprego, ficará desmoralizado perante a sociedade e nenhum benefício surtirá sua iniciativa idealista. Realmente, os paradigmas que vigoram são mais ou menos os mesmos de dois milênios atrás, tanto que Joanna de Ângelis afirmou que, nesse período, a humanidade moralmente evoluiu muito pouco: as pessoas procuram mais “parecer boas e honestas” do que serem realmente tais. Pode-se perceber que a maioria, sem nenhum peso na consciência, sonega tributos, comete uma série de deslizes morais e procura apresentar-se como “homens e mulheres de bem”, sem, na verdade, o serem. 78 Quem confessará suas culpas aos outros sem a garantia de que não serão divulgadas? Esse número é muito pequeno, na certa. Todavia, apesar de tentarmos esconder nossas falhas morais, nossos adversários as reconhecem facilmente. Por isso, Chico Xavier afirmava: “Quando uma pessoa não gosta da gente essa pessoa tem sempre razão.” No mundo de regeneração, às cujas portas se encontra a humanidade terrena, prevalecerá o “ser” em lugar do “parecer”: assim, cada um, confessando suas culpas, será reconhecido pelo que realmente é e não pela máscara que afivele ao rosto, mostrando uma personalidade cheia de virtudes inexistentes. Quem tiver a coragem de confessar suas culpas ao maior número de pessoas estará se adiantando na escala evolutiva, contanto que não se restrinja a isso, mas inicie seu trabalho de realização no Bem, para, em lugar do Mal que fez, colocar o Bem, que irá proporcionar às pessoas. Coragem é o que se exige para tanto, bem como humildade verdadeira, desapego, simplicidade e verdadeira fé em Deus e na Sua Justiça, a qual contempla o Amor e a Caridade, formando um tripé de valores. Conforme o nível evolutivo de cada um conseguirá cumprir seu dever de confessar suas culpas: atentemos para isso. 1.1 - AS CULPAS Quando Jesus afirmou que a Lei e os profetas poderiam ser resumidos no “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” estava querendo dizer que quem agisse de forma contrária incidiria em culpa. As culpas, portanto, são os pensamentos, sentimentos e ações que contrariem essa Regra Divina. É impossível relacionar todas as situações em que alguém contrarie a 79 Lei de Amor, devendo cada qual analisar a si próprio para verificar como está sua posição frente à própria consciência. Os Espíritos Superiores que orientaram o trabalho de Allan Kardec na Codificação informaram-lhe que A Lei de Deus está escrita na consciência de cada um. Assim, todos têm condições de saber se estão pensando, sentindo e agindo conforme a Lei Divina: basta auto analisar-se com sinceridade e honestidade moral. Todavia, é necessário que se leve em conta igualmente o nível evolutivo de cada um para a avaliação da culpa: “àquele a quem muito é dado muito é pedido”. Quem já alcançou um nível mais elevado de compreensão deve Amar mais, enquanto que aqueles que ensaiam os primeiros passos na escalada evolutiva, naturalmente, serão considerados meras crianças espirituais, vivendo sob a tutela mais ou menos direta dos mais evoluídos, sendo, portanto, restrita sua área de atuação. Para efeito deste estudo é importante que cada prezado leitor e cada prezada leitora compreenda bem em que nível evolutivo se encontra, ou seja, o quanto de Amor já introjetou: se já consegue Amar mais intensa e amplamente, suas faltas serão consideradas mais graves do que se fossem menos evoluídos. Essa situação não deve ser encarada, todavia, como penosa, sacrificial, desagradável, mas o contrário, pois feliz de quem pode dar, porquanto é muito melhor do que estender a mão em pedido de socorro. Cumpram seus deveres para não incidirem em culpa, mas façam isso alegremente, pois, como dizia Montaigne: “a maior glória do ser humano é servir às pessoas, ao maior número possível de pessoas.”! O filósofo renascentista, com essa ideologia, estava apenas repetindo o que Jesus tinha ensinado pela palavra e pelo exemplo. 80 Não incidam em culpa pela falta de Amor e, assim, sua vida será muito mais feliz do que possam, por ora, imaginar, pois a Espiritualidade Superior suprirá suas energias nos momentos de fraqueza e lhes instilará, em nome de Deus e de Jesus, a paz e a serenidade na consciência! Sem querer estabelecer parâmetros rígidos para a vida alheia, pois sabemos que a consciência de cada um é o melhor juiz, podemos apontar um indicativo que foi abordado no diálogo entre Chico Xavier e Banerjee: na Índia tem-se como pontos importantes na vida de cada pessoa a sexualidade, a sociedade, a riqueza e a religiosidade. Portanto, é conveniente que cada um se analise e verifique como está pensando, sentindo e agindo quanto a cada um desses itens. No Oriente é conhecido um ditado que diz: “As pessoas costumam envergonhar-se do que não devem e não se envergonharem do que devem.” Os defeitos morais podem resumir-se em orgulho, egoísmo e vaidade, sendo as virtudes correspondentes, respectivamente, a humildade, o desapego e a simplicidade. Temos, assim, alguns referenciais, que podem nos ajudar na auto avaliação, sem contar aquele que diz: “não devemos fazer ao próximo o que não gostaria que ele nos fizesse.” Amemos a todos os seres o mais ampla e profundamente que conseguirmos e, dessa forma, estaremos evoluindo mais depressa, pois não podemos cobrar de nós uma perfeição que não temos de alcançar, mas, sendo encontrados sempre no serviço do Bem, estaremos na estrada correta, felizes dentro do possível para o nosso grau evolutivo. Também devemos considerar, como dizem os orientais, que “o melhor da caminhada é a própria 81 caminhada”: assim, sem auto cobrança estressante, vivamos em paz com nossos semelhantes, auxiliemos o progresso de todos, aprendamos a fazer o Bem indistintamente e aperfeiçoemo-nos na inteligência e na espiritualidade. As culpas irão se diluindo com esse investimento no Bem, tal como a água corrente vai limpando as sujidades de qualquer superfície barrenta: “O Amor cobre a multidão dos pecados.” 1.1.1 - CONCEITO DE CULPA Para efeito da orientação de Tiago não devemos nos ater à forma terrena de entender o conceito de culpa, uma vez que estamos lidando com o Direito Divino, ou seja, as Leis de Deus. Toda vez que manchamos nossa consciência ela nos cobrará através do arrependimento e teremos, em seguida, de beneficiar outrem para curarmos essa nossa “ferida moral interior”. Emmanuel, Yvonne do Amaral Pereira, Mohandas Gandhi e Santo Agostinho sentiram a necessidade premente de confessarem suas culpas e tal se transformou em benefício para as pessoas que tomaram conhecimento dessas afirmações, alertando-as para não tropeçarem nas mesmas pedras que eles, bem como ensinaram a humildade e a igualdade. Apesar de serem Espíritos evoluídos, ainda estão sujeitos a erros, pois somente Jesus descreveu sua trajetória evolutiva de forma retilínea. Culpa, como dito, significa qualquer infração às Leis Divinas, inscritas na consciência. Manifestam-se as culpas de milhares de maneiras diferentes, desde o pensamento negativo, o sentimento malsão, até as atitudes incorretas. É importante cada um auto analisar-se e levar a sério a tarefa da auto reforma moral, pois Allan Kardec, com 82 sabedoria, afirmou: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pelo esforço que empreende para domar suas más tendências.” Assim também quanto aos adeptos das demais correntes filosóficas ou religiosas. Não se exige perfeição, mas esforço em aperfeiçoarse moralmente. Cada um se encontra em um degrau evolutivo diferente e, portanto, sua consciência lhe cobrará conforme seu nível de progresso intelecto-moral. Não é necessário escrevermos mais do que isto para mostrar o que significa a expressão “culpa”, que alguns chamam de “pecado” ou expressão equivalente. “Errar é humano”: eis um provérbio de grande sabedoria, pois errando se aprende. Todavia, errar tendo condições de acertar, provoca os resultados dolorosos da Lei de Causa e Efeito. É melhor bem proceder do que receber a visita dos sofrimentos físicos e morais. É preciso aprendermos a identificar o que é realmente mau e o que representa mera adequação às Leis da Natureza: a sexualidade é um dos pontos nevrálgicos nesse aspecto, havendo muitos que se culpam pelo exercício da sexualidade enquanto que há outros tantos que se entregam ao desalinho moral, ficando ambos os tipos em cada um dos extremos: da autopunição indevida e da devassidão. Cada um deve perquirir sua própria consciência e aprender a proceder conforme seu nível evolutivo. 1.1.1.1 - AS LEIS DE DEUS As Leis de Deus, na sua complexidade, são inacessíveis à compreensão dos seres humanos medianos. Somente os Espíritos Superiores estão em condições de alcançar-lhes a essência. Quando foi dito a Allan Kardec que elas estão escritas na consciência de cada ser, a intenção era mostrar que, à medida que evolui, vai compreendendo 83 melhor sua essência, de tal maneira que, ao mesmo tempo que as compreende, elas lhe cobram um procedimento compatível com o nível de compreensão, atuando automaticamente tanto na recompensa quanto na reação pedagógica através da dor. Jesus afirmou que as Leis Divinas se resumem no “Amor a Deus sobre todas as coisas e no próximo como a si mesmo”. Dezoito séculos depois, no cumprimento da promessa de envio do Consolador, a Allan Kardec foram apresentados desdobramentos das Leis Divinas nos seguintes itens: Adoração, Trabalho, Reprodução, Conservação, Destruição, Sociedade, Progresso, Igualdade, Liberdade e Justiça, Amor e Caridade. Mais uns anos depois, em “A Grande Síntese”[*], Jesus, através da mediunidade de Pietro Ubaldi, aprofundou mais as informações sobre as Leis Divinas, mas é impraticável resumir aqui, neste modesto estudo, o que essa obra gigantesca expõe: seria o mesmo que a pretensão de “colocar o oceano num dedal”. Todavia, em todas essas revelações, o ponto em comum é o Amor, primeiro a Deus, como forma de gratidão ao Pai (ou Mãe) Criador de tudo que existe, e, em segundo lugar, a todos os demais seres, do mais singelo, ou seja, aquele que se inicia na escalada evolutiva, até o mais perfeito. O Amor deve ser o mais Universal possível. Assim é que Francisco de Assis, como profundo conhecedor das Leis Divinas, cunhou as expressões “irmão Sol”, “irmã Lua”, “irmão lobo”, “irmã árvore” etc. O Amor Universal deve ser exercitado em todos os dias da nossa vida: não há fundamento algum para se pensar em separatismos, elitismo, discriminações de que tipo forem, exclusão, facciosismo, preferências injustas e outras formas de destacar uns em detrimento dos outros. O provérbio: “Aos amigos tudo; aos inimigos a lei” retrata o primitivismo e a insciência dos tempos passados, 84 mas não pode nos acompanhar no mundo de regeneração. Dessa maneira, os conceitos de família, amizade, inimizade, classes sociais etc. devem mudar totalmente, passando dos padrões estritamente egoísticos do mundo de provas e expiações para aqueles outros, progressistas, da Nova Era. É preciso que atentem para esse novo foco, que, na verdade, nada tem de novo, uma vez que Jesus, ensinou o Amor Universal, entregando Sua Mãe a João, para ele dela cuidasse na qualidade de filho adotivo e entregandoo a Ela, a fim de Ela cuidar dele como Mãe adotiva. Esse é apenas um dos múltiplos exemplos, sendo outro, escolhido aleatoriamente, o fato de Jesus afirmar: “Minha mãe e Meus irmãos são aqueles que seguem os Meus Ensinamentos.” Na verdade, quis apenas concitar todos a Lhe seguirem as Lições: trata-se de uma linguagem figurada. Devemos começar a mudar o nosso modo de pensar, sentir e agir em relação a tudo e a todos, entendendo-os como nossos irmãos e irmãs e realmente sentindo por eles um afeto crescente, na medida em que consolidamos essa visão universalista. Assim pensam, sentem e agem os Espíritos Superiores, os quais acolhem com “olhos bons” todos os seres, sejam eles classificados, segundo a tábua de valores materialistas, como bons ou maus, evoluídos ou primitivos e assim por diante. Esforcemo-nos por mudar nossos paradigmas internos, deixando para trás o primitivismo dos modelos do passado e enxerguemos em tudo verdadeiras manifestações de Deus, uma vez que Suas criaturas são Suas Idealizações Mentais: não há por que odiar ou desprezar o que quer que seja ou a quem quer que seja. As Leis de Deus, como disse Jesus, podem ser resumidas, para o nosso nível de compreensão, no Amor 85 Universal. Todavia, deve ser o mais Universal possível, o mais amplo que conseguirmos, irrestrito, incondicional e benévolo. Quando Ele aconselhou: “Que teus olhos sejam bons” estava, de outra maneira, indicando o caminho do Amor Universal. Portanto, “que nossos olhos sejam bons” para que “todo o nosso corpo tenha luz”, ou seja, evoluamos intelectual e moralmente rumo à perfeição relativa. Saibamos que até a inteligência somente ultrapassa determinados limites se o coração está cheio de Amor, pois Deus “não dá pérolas aos porcos”, ou seja, não permite que Seus filhos que Amam pouco tenham acesso às Grandes Facetas da Verdade, pois fariam mau uso delas. 1.1.1.2 - A CONSCIÊNCIA DE CADA UM É importante cada um saber até que ponto pode cobrar de si mesmo, a fim de, num extremo, não se acomodar aos vícios e defeitos morais, nem, no outro extremo, cair nas malhas dos complexos de culpa infundados. Joanna de Ângelis orienta muito bem neste aspecto, sendo de capital importância conhecer seus livros da “Série Psicológica”, os quais deveriam ser estudados em todos os Centros Espíritas. Não basta conhecer as obras da Codificação, onde se encontra a base do grande edifício do Conhecimento espírita, uma vez que tal construção vai pelo infinito afora, sendo que lhe são acrescentados, periodicamente, novos pavimentos, à medida que as lições precedentes vão sendo assimiladas, segundo um planejamento minuciosamente elaborado pelos Espíritos Superiores, encarregados de instruírem a humanidade encarnada, sob o Comando de Jesus, o Divino Governador da Terra. 86 O nível da consciência de cada um é muito diferente do de qualquer outro ser criado por Deus. Por isso, Jesus, em “A Grande Síntese”, esclarece a respeito. Solicitamos a leitura serena e reflexiva do excerto que apresentamos abaixo, a fim de que cada um se analise sem os excessos, para mais ou para menos, que mencionamos. Segue a lição do Divino Mestre na linguagem do século XX: DESTINO — O DIREITO DE PUNIR Outro fator complica o cálculo das responsabilidades: o determinismo das causas introduzidas no passado, com as próprias ações, na trajetória do próprio destino; impulsos assimilados, por livre e responsável escolha, no edifício cinético do próprio psiquismo. Essas causas são forças colocadas em movimento pelo próprio “eu” e uma vez lançadas, são autônomas, até exaurir-se. Vossos atos prosseguem em seus efeitos, irresistivelmente, por leis de causalidade. Seu impulso é medido pela potência que imprimistes a esses atos, proporcionais e da mesma natureza, benéfica ou maléfica, ao impulso que destes. Assim o bem ou o mal dirigido aos outros é feito sobretudo a si mesmo; é regido pelas reações da Lei e recai sobre o autor como uma chuva de alegrias ou de dores. O destino implica, pois, uma responsabilidade composta, que é resultante do passado e do presente. Cada ato é sempre livre em sua origem, mas não depois, porque então já pertence ao determinismo da lei de causalidade, que lhe impõe as reações e as consequências. O destino, como efeito do passado, contém, pois, zonas de absoluto determinismo, mas a ele sobrepõe-se a cada momento a liberdade do presente, que vai chegando continuamente e tem o poder de introduzir sempre novos impulsos e, neste sentido, de “corrigir” os 87 precedentes. O impulso do destino pode comparar-se à inércia de u’a massa lançada, que tende a prosseguir na direção iniciada, mas, no entanto, pode sofrer atrações e desvios colaterais; esse impulso pode ser corrigido. Determinismo e liberdade, dessa maneira, contrabalançam-se, e o caminho é a resultante dada pela inércia do passado e pela constante ação corretora do presente. Nesses equilíbrios íntimos de forças reside o cálculo das responsabilidades. O presente pode corrigir o passado, numa vida de redenção; pode somar-se a ele nas estradas do bem, tanto quanto nas do mal. Diante do determinismo da Lei, que impõe a cada causa seu efeito, está o poder do livre-arbítrio, de corrigir a trajetória dos efeitos com a introdução de novos impulsos. Destino não é fatalismo, não é cega “Ánánke” (necessidade, determinismo, inevitabilidade), é a base de criações ou destruições contínuas. O que a cada momento está em ação no destino é a resultante de todas essas forças. Responsabilidade progressiva, função do conhecimento e liberdade progressiva, cálculo complexo de forças; evolução, ao mesmo tempo libertação do determinismo das causas (destino), como do determinismo da matéria, eis a realidade mais profunda do fenômeno. Uma ética racional tornada ciência exata, que não seja mera arma de defesa, deve levar em conta todos esses fatores complexos; deve saber pesar essas forças e calcular-lhes a resultante; deve saber avaliar as motivações; reconstruir na personalidade seu passado biológico e orientar-se na vasta rede de causas e efeitos, de impulsos e contra impulsos, que constituem o destino e sua correção. Para cada indivíduo o ponto de partida é muito diferente e não há maior absurdo, num mundo de substanciais desigualdades, que uma lei humana a posteriori, externa, igual para todos. Esta poderá satisfazer a funções sociais defensivas, mas não pode 88 chamar-se justiça. Somente esta pode, pelas sanções morais e penais, constituir a base do direito de punir. Isto está estritamente vinculado ao cálculo das responsabilidades, sem o qual não pode ser estabelecido. Tendo-se estabilizado por meio da força, como todos os direitos — na origem mera reação e necessidade de defesa —, transforma-se, por evolução, da fase de vingança pessoal à fase de proteção coletiva. A normalização jurídica da força, como no mais amplo processo da evolução da força em direito, a legalização da defesa dirige-se à conservação de um grupo sempre mais extenso, à proporção que surgem unidades coletivas cada vez mais vastas, do indivíduo à família, à classe, à nação, à humanidade. Em sua evolução, o direito penal circunscreve cada vez mais, até a eliminação das zonas indefesas, tornando mais difícil escapar à sua sanção (extradição), até cobrir todo o planeta; ao mesmo tempo atinge e disciplina cada vez mais numerosas formas de atividades humanas. Paralelamente, quanto mais se estende o direito, mais diminui a ferocidade, torna-se mais racional e inteligente; quanto mais se torna proteção da ordem pública, menos se faz pela reivindicação da ofensa sofrida pelo particular; é sempre menos “força” e sempre mais “justiça”. À medida que o homem se afasta das necessidades da vida animal, manifesta-se contínua circunscrição do arbítrio na defesa, que se torna mais equilíbrio jurídico; a justiça fica menos incompleta; à proporção que o juiz evolui, torna-se digno de conquistar o direito de julgar. Assim, o fenômeno não apenas se projeta da fase individual à fase social, não só tende a estabelecer mais profunda ordem, tornando-se mais substancial, mas se desenvolve sempre mais e contém o fator moral, harmonizando-se em sistema ético. O conceito originário de prejuízo, ressarcimento, ofensa, eleva-se à reconstrução de equilíbrios mais altos, enriquecidos dos 89 novos valores que a evolução terá desenvolvido; a balança da justiça se fará muito mais precisa, até o cálculo das responsabilidades específicas, isto é, até as diferentíssimas responsabilidades individuais. A primitiva e grosseira justiça do direito de defender-se, evoluirá para justiça que dá o direito de julgar e de punir; cada vez mais a balança do direito substituirá a espada da vingança; cada vez mais pesará a responsabilidade moral do culpado e sempre menos a própria tutela egoística. Em sua evolução, o jus de punir penetrará sempre mais a substância das motivações. A ascensão moral e psíquica do legislador o autorizará a fazer uma sindicância moral sempre mais profunda, porque só um juiz mais sensível e perfeito poderá ousar, sem tornar tirania de pensamento, aproximar-se da justiça substancial que vem da mão de Deus. Esta é a meta das formas humanas. Quanto mais evolução elevar o legislador, tanto mais o submeterá a um ato de bondade e de compreensão para com o culpado. A função social da defesa se enriquecerá mais de funções preventivas e educativas, porque o dever dos dirigentes é ajudar o homem involuído a subir. Assim as duas ferocidades, da culpa e do castigo, abrandam-se; aproximam-se os extremos, harmoniza-se seu choque. Melhor que investir contra uma alma que só sabe ser má, porque é involuída, é ajudá-la a evoluir, demolindo-se os focos de infecções morais onde nascem essas flores maléficas. Absurdo enfurecer-se contra os efeitos, se as causas forem deixadas intactas. Não se resolve o problema apenas com o egoísmo da autodefesa, com a repressão sem a prevenção. Justo, muitas vezes, é só o que protege a si mesmo; deve ampliar-se até proteger a todos. Na balança social há um tributo anual de expulsos, segundo uma lei expressa pelas estatísticas. É preciso compreender essa lei e cortá-la pela raiz. Há deserdados cujo crime é o de serem marcados no nascimento por uma tara hereditária. Outros são falidos 90 na luta pela vida, com a mesma psicologia e valor moral dos vencedores. Indispensável saber ler e trabalhar na alma; saber fazer o cálculo das responsabilidades; ultrapassar a desastrosa psicologia materialista da antropologia criminal. Delinquência é fenômeno de involução. É necessário alimentar todos os fatores de evolução, demolir os opostos, se quiserdes que o decurso da doença melhore e a sociedade possa arriar o fardo. O trabalho deve ser de penetração de espírito, de educar, corrigir, ajudar e, sobretudo — pretende-se guiar e punir em nome de uma justiça divina — de recordar a máxima evangélica: “Quem esteja sem pecado, lance a primeira pedra”. 1.2 - A INICIATIVA DE CONFESSAR SUAS CULPAS Os Espíritos Superiores têm olhos para enxergar sua fragilidade e não se envergonham de reconhecê-las. Vejamos a prece de Allan Kardec ao tomar conhecimento da sua tarefa na Codificação da Doutrina dos Espíritos: “Senhor! Pois que te dignaste lançar os olhos sobre mim para cumprimento dos teus desígnios, faça-se a tua vontade! Está nas tuas mãos a minha vida; dispõe do teu servo. Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande tarefa; a minha boa vontade não desfalecerá, as forças, porém, talvez me traiam. Supre a minha deficiência; dáme as forças físicas e morais que me forem necessárias. Ampara-me nos momentos difíceis e, com teu auxilio e dos teus celestes mensageiros, tudo envidarei para corresponder aos teus desígnios”. Não se trata de “humildade de vitrine”, mas sim da noção exata proporcionada por uma consciência exercitada na auto análise, o que faz a um homem ou uma mulher se verem tal qual são: com as virtudes consolidadas e as fraquezas ainda por serem suplantadas. Aqueles que não consolidaram o hábito do exame permanente de consciência não sabem quem realmente 91 são e, assim, tendem a se julgar moralmente mais sólidos do que realmente são, e, de uma hora para outra, podem falir e, então, ver o quanto ainda frágeis. Principalmente quando passamos para o mundo espiritual é que vemos quem realmente somos, pois aí se patenteia toda a nossa realidade interior. Irmão Jacob, por exemplo, mesmo tendo muito realizado no setor da Caridade, verificou que não irradiava nenhuma luz... Quando, certa vez, perguntado se era humilde ou sem vergonha, Chico Xavier respondeu: - sem vergonha, porque sabia o quanto lhe era sacrificial a luta pela aquisição da humildade e que teria muito que trabalhar o próprio íntimo para não se sentir melindrado com as ofensas reais ou imaginárias que lhe ocorriam e com os próprios acontecimentos aparentemente desagradáveis do dia a dia. Confessar suas culpas é característica dos Espíritos evoluídos, pois, quanto mais se aprofundam na auto análise, tomando conhecimento, inclusive, de suas encarnações anteriores, vêm, com maior clareza, que precisam fazer muito para se purificarem. É o que, por exemplo, retrata Jésus Gonçalves no seu poema intitulado “O Cego de Jericó”: “...Sim! Somos cegos de espírito! Vivemos nas sombras dos caminhos da vida, como mendigos de ilusões quiméricas, como mendigos de uma felicidade que não sabemos encontrar, porque não sabemos defini-la. Muitas vezes, nas encruzilhadas dos caminhos tortuosos, nos sentimos vencidos pelo cansaço, acabrunhados pelas desilusões, esmagados pelas dolorosas decepções. Somos cegos tateantes, que vamos e vimos, sempre pelos mesmos caminhos, num horroroso círculo vicioso. Então, nessas horas de suprema angústia, lembramo-nos de que o meigo Rabi que curou a cegueira material do cego de Jericó, pode iluminar o caminho do nosso 92 espírito atormentado. E queremos gritar: "Jesus! Filho de Davi! Tem compaixão de mim". Mas... quando pensamos em nos valer do Divino Médico, eis que uma multidão de vozes nos manda calar. Vozes sinistras, que reboam dentro de nós mesmos, com o imperativo de uma força dominante! E ante essa multidão de monstros, constituída de nossos vícios, dos nossos mil defeitos, da nossa imperfeição moral, do nosso desejo de acomodação com os bens efêmeros e transitórios da vida material, nós nos calamos, acovardados, incapazes de fazer partir de nosso coração o grito de angústia salvador! Sabemos que o Mestre pode nos curar. Sabemos que Ele está junto de nós, bondoso como sempre, pronto para a aplicação do "passe magistral"! Mas sabemos, ou fingimos não saber, que é necessária a energia moral do cego de Jericó. Assim, pois, se não quisermos permanecer no vai-e-vem das curvas tortuosas, tapemos os ouvidos ao sinistro clamor da multidão nefanda e procuremos o Celestial Enviado, que habita conosco. Procuremos Aquele que é o "Caminho, a Verdade e a Vida": aquele que pode curar o corpo e o espírito e, tapando os ouvidos às seduções deste mundo, aos preconceitos e acomodações, aos interesses mesquinhos, gritemos cada um de nós, com a força de nossa angústia, do nosso desespero, do nosso desejo de luz: – Jesus! Meu Senhor! Põe sobre mim tuas divinas mãos e aclara o meu caminho, como o fizeste ao cego de Jericó!” 1.3 - A CARIDADE DE OUVIR 93 Chico Xavier se sentia incomodado ao ouvir as anedotas picantes de um seu conhecido, até que Emmanuel aconselhou-o a exercer a Caridade de deixálo falar o que quisesse, sem julgamentos, pois essa é uma das formas de Caridade. Aprender a ouvir o que os outros queiram dizer representa um passo adiante na senda evolutiva, pois estaremos respeitando a liberdade alheia tanto quanto queremos que os outros respeitem a nossa. Não é propriamente cristã a simples disponibilidade para ouvir a confissão alheia, se ocorre em postura de falsa superioridade como a maioria dos antigos confessores, mas sim em ouvir em atitude interior e exterior de igualdade diante de quem confessa: aí está o diferencial: ouvir sem diminuir a dignidade daquele que se penitencia, porque é certo que nossa vez de confessarmos também chegará, mais cedo ou mais tarde. Por isso, “com a mesma medida com que medirdes, vos medirão também a vós”, ou seja, se ouvirmos com simpatia, informalmente e com naturalidade as confissões alheias, teremos igualmente condições de expormos nossas faltas naturalmente, sem receios infundados e com a certeza de que pelo menos uma pessoa nos ouvirá com “olhos bons”. Quando ouvimos as confissões alheias é muito comum sentirmos uma pitadinha de satisfação maldosa ou maliciosa: é como se aquelas pessoas reconhecessem que lhes somos superiores, o que, na verdade, pode ser exatamente o contrário. Chico Xavier ouvia reclamações, lamentações, ofensas, pedidos inviáveis, falas prolixas e todo tipo de inconveniências com o mesmo espírito de respeito à dignidade alheia e consideração pelas necessidades que caracterizam cada um: não se tratava de “humildade de vitrine”, mas ele aproveitava aquelas oportunidades para beneficiar os consulentes, muitas vezes, com passes 94 espirituais, mentalizações benéficas, desobsessão e outras formas de ajudá-los. Assim também devemos proceder, dentro das nossas possibilidades. 1.3.1 - “EU A NINGUÉM JULGO” Quando Jesus aconselhou: “Não julgueis”, estava querendo ensinar a humanidade a não interferir na individualidade alheia, uma vez que, quando analisamos negativamente qualquer item da personalidade dos outros, enviamos na sua direção raios mentais que os atingem, caso estejam vibrando em faixa negativa, ou, no mínimo, se estão sintonizados em faixa superior, correm o risco de turbulências, por menores que sejam. Devemos nos lembrar também de que, em qualquer dos dois casos, os primeiros a ser atingidos, com essas emissões negativas, somos nós mesmos, porque as ondas eletromagnéticas deletérias atingem o nosso próprio cérebro e o sistema nervoso, e, daí, os demais órgãos do nosso corpo físico. Ao afirmar: “Eu a ninguém julgo”, Jesus estava informando que, de forma alguma, interfere na liberdade dos Seus irmãos e irmãs, todos filhos do mesmo Pai. Assim também procedem os Espíritos Superiores, não acontecendo o mesmo com os medianos e os primitivos, os quais, a todo momento, através do pensamento, do sentimento e das ações, procuram exercer alguma forma de dominação sobre os demais seres. Devemos nos descondicionar dos reflexos automatizados, que, na verdade, nos mantêm atrelados aos impulsos primitivistas de julgar tudo e todos a todo momento, prejudicando-os e também danificando nosso próprio organismo, além de ocasionar em nós e nos desavisados em geral desequilíbrios psicológicos ou psíquicos mais ou menos graves. Esse exercício deve ser 95 diário, a partir da conscientização de que tratamos neste estudo. Representa medida de profilaxia sanitária, independente de qualquer credo religioso ou crença filosófica, porque é matéria pertinente à própria Ciência, considerada no seu sentido mais elevado. Façamos dessa forma, e, com o tempo, teremos mais saúde e felicidade, além de proporcioná-las aos nossos semelhantes. É evidente que não conseguiremos mudar nossa realidade como num passe de mágica, mas só o desejo sincero já provoca o início da transformação do quimismo cerebral, o que, a longo prazo, faz de caluniadores, rigoristas, difamadores, maldosos e maliciosos verdadeiros abençoadores da vida alheia. 1.3.2 - “VAI E NÃO PEQUES MAIS” Ao invés de tecermos comentários sobre este tema, de capital importância para a auto reforma moral, iremos apenas transcrever a Introdução de um outro livro, ditado por um membro da nossa equipe espiritual: INTRODUÇÃO A expressão: “Vai e não peques mais” costuma ser interpretada como uma “determinação” do Sublime Governador da Terra aos seres humanos, os quais, todavia, na verdade, são Espíritos imperfeitos. Fica parecendo para os ortodoxos que os habitantes deste planeta, a partir dessa fala, “nunca” mais poderiam cometer nenhum equívoco moral. Todavia, pelo fato mesmo de serem imperfeitos, cometem erros, tanto quanto acertam durante sua trajetória evolutiva a partir do momento em que adquiriram a razão. Somente Jesus, dentre todos os Espíritos ligados à Terra, nunca errou. Como Espírito que seguiu esse rumo diferenciado, não por algum privilégio divino, mas por ter 96 optado, desde o começo da Sua fase humana, livremente, pelo Bem incondicionalmente, detém determinados conhecimentos que não temos e talvez nunca venhamos a ter, bem explicado que não pela Vontade de Deus, que nunca seria parcial, mas pelos próprios méritos do Filho obediente, que nunca se enquadraria na parábola do filho pródigo, mas também não foi o irmão egoísta, que ficou em companhia do Pai somente por comodismo, mas sim se encaixaria Sua situação em outra parábola, que não foi ensinada a nós talvez por humildade do Seu protagonista, que sempre esteve ao lado do Pai ajudando Seus demais irmãos e, gradativamente, tornando-se Seu Mestre, como Ele o é. Nós, os restantes dos homens e mulheres terrenos, não fazemos a mínima ideia do que é “nunca ter errado”, pois que, na nossa trajetória, temos errado incontáveis vezes, sendo que, no máximo, não por fatalidade, que não existe, mas por rebeldia nossa, gradativamente, no curso dos séculos e milênios, vamos diminuindo a quantidade e gravidade dos erros até nos libertarmos das amarras terrestres, ou seja, de um mundo onde os defeitos morais ainda se sobrepõem às virtudes, até passarmos, um dia, a merecer habitar mundos onde predominam o Bem. Teremos, para efeito deste estudo, de mencionar algumas situações reais, que mostram que até Espíritos Superiores estão sujeitos a errar, e erram realmente, mas neles prevalecem as virtudes, que superam, de muito, os equívocos que venham a praticar. Citemos como exemplo o Espírito Paulo de Tarso, que, antes do Encontro com Jesus na estrada de Damasco, cometeu atrocidades em nome da preservação da Lei Mosaica. Continuando a tê-lo como referência, podemos relatar que ele mesmo, apesar de todo o progresso realizado como o “apóstolo dos gentios” e nos séculos posteriores, apareceu, novamente, no cenário 97 terrestre, como encarnado, no final do século XIX, na figura do sadu Sundar Singh, quando, apegado à fé hinduísta, tomou-se de ira contra Jesus e, em determinado dia, praticamente repetiu sua incompreensão daquela época anterior e dirigiu-se em pensamento a Jesus dizendo-Lhe que somente acreditaria n’Ele se Ele se mostrasse de forma explícita, completando a ousadia ao dizer-Lhe, ainda pelo fio invisível, mas poderoso do pensamento, que, caso não atendesse ao seu pedido-exigência, praticaria o suicídio, portanto, pela segunda vez, “desafiando” Aquele que, na verdade, em estado de lucidez como Espírito eterno, sem as amarras do corpo físico, tinha como seu Mestre Muito Amado. Mais uma vez repetimos que, mesmo com todo o progresso realizado em várias encarnações e com sua dedicação autêntica e total a Jesus, ao encarnar novamente, passou a sofrer da mesma “miopia” espiritual em relação ao Divino Mestre. Essa a situação real vivenciada por um Espírito reconhecidamente Superior: imagine-se, agora, não mais a “miopia”, mas sim a “cegueira” quase total que oculta a Verdade quanto aos Espíritos medianos, os quais formam a maior parte da humanidade da Terra! Ao encarnarem, sua capacidade de compreensão da Verdade, ou, em outras palavras, seus compromissos morais, assumidos quando ainda no mundo espiritual, ficam sepultados sob uma montanha de atavismos arquivados do passado muito mais próximo da animalidade do que daquilo que ainda está pouco sedimentado no seu íntimo, que são as virtudes e os bons propósitos. Tentemos responder à seguinte indagação: - Quando Jesus disse: “Vai e não peques mais” estava derrogando a progressividade evolutiva, pretendendo que a humanidade atinja a perfeição em um átimo de tempo, ou seja, a partir da prática do equívoco ou o Divino Mestre simplesmente estava nos induzindo à honestidade 98 conosco próprios a fim de cada um tentar, o máximo que consiga, ouvir e seguir a “voz da consciência”, que é Deus dentro de nós? São duas conclusões totalmente diferentes: na primeira, proibidos de errar, os seres humanos teriam de transformar-se, de seres imperfeitos em Espíritos Puros, ou, no mínimo, em Espíritos Superiores, enquanto que, na segunda, devem ficar atentos para realizarem o melhor que consigam, mesmo sabendo que “a Natureza não dá saltos”. O presente estudo pretende ser uma reflexão sobre esse assunto, que atormenta a muitos que querem ser bons e se esforçam nesse sentido, muitos deles se sentindo culpados quando erram, quando, na verdade, cada erro deve ser objeto de análise serena sob as luzes das noções da evolução e do alo e auto perdão. Não estaremos incentivando a irresponsabilidade, mas sim procurando tranquilizar nossos irmãos e irmãs sobre a necessidade de cada um fazer o melhor que consegue em termos morais, todavia, sem os sofrimentos enraizados pelo complexo de culpa que trouxemos das vidas que experienciamos na Idade Média europeia, quando qualquer atitude que contrariasse os padrões obscurantistas da Igreja Católica e, pouco adiante no tempo, do Protestantismo, era considerado “pecado”. Essas correntes religiosas, se contribuíram, por um lado, para a contenção de muitos abusos da humanidade de então, por outra parte, provocaram a sedimentação de muitas fobias nas pessoas que vivenciaram aqueles períodos, inclusive no que diz respeito à sexualidade, que, até hoje, é tabu na mente de milhões de pessoas, que sofrem com o desconhecimento da sua verdadeira essência. Joanna de Ângelis, que viveu naquela época com extremos de auto rigor, agora, com uma visão muito mais ampla da Verdade, tem pregado o Auto Amor, indiretamente combatendo aquilo em que acreditava 99 anteriormente, ou seja, que os seres humanos deveriam tornar-se “santos” e “santas” de uma hora para outra, a peso de auto castigos e castrações morais. Iniciemos, então, nossas reflexões, pedindo a bênção de Deus, nosso Criador, e de Jesus, nosso Divino Mestre, para que sejamos realmente úteis aos nossos irmãos e irmãs em humanidade com estas análises, todas baseadas na Ética do Cristo. 2 – PRECE Em qualquer manifestação de religiosidade existe sempre algum meio dos adeptos se dirigirem aos Seres por eles considerados Superiores: daí a existência das preces. No caso do Cristianismo, há uma oração tida como a mais expressiva, que é “Pai Nosso”, ditada pelo próprio Divino Mestre, e que consideramos, com razão, a mais perfeita de todas, pois resume tudo que se possa dizer ao Pai Celestial. Há uma outra de grande valor, que é a “Ave Maria”, como se sabe, dirigida à Mãe Santíssima, Espírito cuja evolução sequer temos condições de avaliar, mas que se preocupa com todos os habitantes da Terra na qualidade de sua verdadeira Mãe Espiritual, a quem dedica atenções maternais, principalmente aos suicidas. Uma terceira, de imenso potencial espiritual, é a que ficou conhecida como “Prece de Francisco de Assis”. Podemos acrescentar a esse rol uma quarta, que é a “Prece de Cáritas”, muito conhecida dos espíritas em geral. Quando Tiago aconselhou a oração, sugeriu que, através dela, uns pedissem em favor dos outros. Cabem aqui as seguintes indagações: 1) os pedidos devem ser dirigidos a quem? 2) a expressão “outros” englobaria apenas os irmãos e irmãs da mesma corrente religiosa? 3) quais os tipos de pedidos devem ser feitos? 100 Estudaremos este tema da forma mais acessível que conseguirmos. 2.1 – DEVER DIÁRIO O hábito de orar diariamente não é comum entre os ocidentais, pois encontram-se muito ligados aos interesses materiais e, na verdade, sua fé em Deus não é tão sólida quanto dizem ser: preferem confiar em si mesmos e nos recursos materiais com os quais possam contar ao invés de esperarem alguma coisa de Deus, que não veem. O materialismo é muito forte no Ocidente, apesar da imensa quantidade de correntes religiosas e filosóficas, cujo número cresce a cada dia. Orar, no sentido mais elevado da palavra, é entregar-se a Deus, sem nada pretender que não seja estar em contato com nosso Pai, que nos Ama Infinitamente. O que se aconselha é iniciarmos cada dia com uma breve oração, de agradecimento ao Pai pela Vida, pelas bênçãos que recebemos e o pedido de que nosso dia transcorra pleno de realizações no Bem; e, antes de dormir, agradecer pelo dia vivido e pedir um sono reparador, a fim de que, no dia seguinte, continuemos nossas tarefas no Bem. Devemos criar esse hábito, o qual muito beneficiará a cada um em todos os sentidos. Todavia, deve haver o propósito verdadeiro de servir no Bem e não apenas relacionarmos petitórios em favor de nós próprios, dos nossos amigos e parentes. Tiago nos aconselha a orar uns pelos outros, ou seja, em favor de todo mundo, sem distinção. A oração dos egoístas contempla apenas seus afetos, mas se assemelha à do falso religioso, a que Jesus se referiu. Conscientizemo-nos quanto ao dever de orar em favor de todos, a fim de evoluirmos no Amor Universal. 101 2.2 – PEDIDOS EM FAVOR DOS OUTROS Se formos analisar literalmente o “Pai Nosso”, a “Ave Maria” e a “Prece de Francisco de Assis”, veremos que nelas não há nenhum pedido explícito em favor dos outros, todavia, na “Prece de Cáritas” sim. Comentaremos ligeiramente cada um dos seus tópicos: Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, As expiações, provações e missões exigem de cada Espírito muita determinação em continuar adiante, havendo momentos de insegurança e fragilidade. Chico Xavier mesmo dizia que havia dias em que parecia que iria enlouquecer. Todos, indistintamente, são submetidos ao aprendizado, conforme seu nível evolutivo, o qual apresenta lições de certa dificuldade. Por isso, devemos pedir em favor dos outros a “força” necessária para continuarem evoluindo. dai a luz àquele que procura a verdade; Jesus falou: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, na qualidade de Médium de Deus, portanto, autorizado pelo Pai Celestial. Quem procura Jesus, na própria pessoa d’Ele ou de algum dos Seus discípulos, merece receber a luz do conhecimento espiritual. Trata-se de outro pedido em favor dos que são sinceros na procura de Deus. ponde no coração do homem a compaixão e a caridade! A Compaixão representa o sentimento de benevolência geral e a Caridade é mais direta no sentido de beneficiarmos os demais seres. Esses pedidos devem ser formulados em favor de todos, para que se transformem de egoístas em desapegados, de orgulhosos 102 em humildes e de vaidosos em simples, pois, somente assim, serão felizes, realizando no Bem. Deus, dai ao viajor a estrela guia, Todos são viajores da evolução, mas necessitam de uma referência, que é o próprio Divino Mestre, quanto aos habitantes da Terra. Por isso, devemos pedir a Deus que faça nascer no íntimo de cada um a noção de que Jesus é sua “estrela guia”. ao aflito a consolação, Jesus prometeu aliviar os aflitos, ou sejam, os que estão inquietos, sendo que o melhor remédio para acalmar as aflições é compreender que “não cai uma folha de uma árvore sem que Deus o permita” e que a Lei é “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Devemos pedir a Deus que console os aflitos fazendo-os compreender que tudo tem uma finalidade construtiva e o cumprimento dos deveres amaina as tempestades interiores e exteriores. ao doente o repouso. As doenças podem ter vários significados: um em Francisco de Assis, outro no paralítico que Jesus curou e que retornou à vida de despautérios e assim por diante. Em alguns a cura pode significar a queda em um abismo mais profundo ainda, enquanto que em outro a oportunidade de servir em uma área diferente, porque a doença não impede ninguém de servir pelo pensamento. O doente em favor de quem pedimos o repouso pode fazer bom ou mau uso desse descanso, seguindo no rumo do Bem ou despencando no Mal. Todavia, devemos pedir sempre que, acima de tudo, seja feita a Vontade Augusta do Pai, que Ama a cada filho e filha Infinitamente. 103 Pai, dai ao culpado o arrependimento, Neste estudo, em que tratamos também da culpa, vem a propósito este tópico da “Prece de Cáritas”: “Pai, dai ao culpado o arrependimento.” Depois de arrepender-se deve confessar suas culpas, da melhor forma que conseguir, como estudamos no item 1, e, por fim, trabalhar no Bem, para pacificar sua consciência e contribuir para a evolução dos outros. A respeito da profundidade do arrependimento Montaigne dizia: “... para que haja arrependimento, a meu ver, é preciso que nada lhe escape, que atinja as entranhas e que magoe até onde penetra o olhar de Deus.” Ele queria dizer que deve ser profundo e abrangente de todas as facetas da situação que criamos com nossa conduta, representada pela atuação mental ou material. Atentemos para este detalhe, sob pena de não conseguirmos realmente “sarar”, ou seja, evoluir. ao espírito a verdade, Todo Espírito precisa da Verdade, que é Deus, através de Jesus, que é o Caminho para chegarmos ao Pai Celestial. à criança o guia, Toda criança precisa de quem dela cuide e oriente, sobretudo pela exemplificação no Bem, muito mais do que pela mera instrução escolar e encaminhamento para o exercício de uma profissão na idade adulta. e ao órfão o pai! Podemos ser pais ou mães dos filhos e filhas dos outros, pois o parentesco físico não é o mais importante e sim o Amor Universal, que deve repletar o nosso coração. Devemos pedir a Deus que faça nascer no coração de cada um o Amor Universal. 104 Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Não devemos pedir em favor apenas dos seres humanos, mas de todos os seres, que Deus criou, desde aqueles que se iniciam na escalada evolutiva até os mais evoluídos, pois a interdependência de todos os seres é total, conforme estabeleceu o Pai, visando a prática do Amor Universal entre todos os Seus filhos e filhas. Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem, Os homens e mulheres que procuram ignorar a existência do Pai merecem piedade, pois recusam-se a querer a aproximação de quem mais os Ama, que é Deus, que os criou e sustenta com Seu Pensamento e que, se deixasse de Pensar em qualquer das Suas criaturas, ela simplesmente deixaria de existir a partir daquele momento. esperança para aqueles que sofrem. Um coração sem esperança é o caminho mais curto para os vícios, o suicídio e o crime. Devemos contribuir para que as pessoas tenham esperança na solução dos seus problemas, caso lhes seja benéfica à própria evolução. Nem sempre a solução melhor para um ser humano é aquela que ele imagina, pois há casos em que os sofrimentos representam a verdadeira prevenção de males maiores. Devemos pedir a Deus que faça cada um compreender o que é melhor para o seu progresso como Espírito imortal. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem, por toda a parte, a paz, Os Espíritos consoladores são os discípulos de Jesus, que, espalhados por toda a Terra, ensinam, sobretudo através do exemplo, a prática do Bem: eles mostram como 105 é viver bem, ou seja, mesmo no meio das dificuldades mais pungentes, sempre visar o Bem. Assim, vivem em paz e ensinam a Paz. a esperança Os missionários de Jesus transmitem a esperança, porque mostram que todo ser humano pode ser feliz, bastando proceder no Bem. e, a fé. Eles também induzem todos à fé em si próprios, nos demais seres humanos e em Deus: sua vida é um incentivo à fé no Bem. Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa Bondade fecunda e infinita, Bebendo nas “fontes dessa Bondade fecunda e infinita”, todos igualmente aprenderão a ser generosos. Note-se que Jesus recusou o qualificativo de Bom, dizendo que apenas Deus o é: aqui encontramos uma referência à Bondade “fecunda”, ou seja, produtiva, e “infinita”, ou seja, inesgotável em benefícios. e todas as lágrimas secarão, Tornando-nos generosos, nossas lágrimas secarão, porque cuidaremos das dores alheias, ao invés de concentrarmos nossa atenção nos problemas muitas vezes insignificantes ou, até, imaginários, que nos apoquentam quando somos egoístas. todas as dores se acalmarão. Confiantes em Deus, as dores ganharão uma justificativa e passaremos a aceitá-las como degraus para o nosso progresso intelectual e moral. 106 E um só coração, um só pensamento, subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de Amor. Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos, de alguma sorte, merecer a Vossa Divina Misericórdia. São palavras de louvor a Deus e fé na Sua Bondade. Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, a fim de subirmos até Vós; Neste tópico o pedido é em nosso favor, ou seja, “a força para ajudar o progresso”, “a fim de subirmos até Deus”. Esse pedido deve ser estendido aos nossos irmãos e irmãs em humanidade, a fim de que ajudem o progresso geral. dai-nos a caridade pura, Outro pedido em nosso favor é o ajudar-nos a adquirir a “Caridade pura”, ou seja, sem “a mão direita saber o que faz a esquerda”. Devemos pedir a Deus que também instile nos corações a “Caridade pura”. dai-nos a fé e a razão; A fé e a razão aparentemente se contrapõem, mas, na verdade, Allan Kardec considerou a irmandade das duas na seguinte afirmação: “Não há fé inabalável senão aquela capaz de enfrentar a razão face a face em qualquer época da humanidade”. Devemos pedir a Deus nos dê a fé e a razão na mesma proporção, o mesmo fazendo em favor dos outros. dai-nos a simplicidade, que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem. 107 É interessante ressaltarmos que a simplicidade foi colocada no ápice das virtudes, pois somente ela nos permite refletir a Perfeição Divina. Não se trata da ingenuidade ou do descaso com o auto aprimoramento intelecto-moral, mas o abandono das vaidades, do desejo de projeção, de evidência sem utilidade para o bem comum. A simplicidade é a virtude contrária à vaidade, induzindo-nos a procurar realce apenas quando necessário a “colocar a candeia sobre o candeeiro, a fim de que dê luz a todos os que estão na casa.” Assim Seja. 2.2.1 – O QUE PEDIR Nosso atual companheiro de trabalho na Seara de Jesus Michel de Montaigne, quando encarnado, aconselhava a quem ora que peça simplesmente o que mencionaremos a seguir, ao invés de formular uma série de solicitações, quase todas voltadas para os interesses materiais. Dizia ele: “... suplicamos ao Senhor que mantenha nossa consciência tranquila, livre de qualquer comércio com o mal.” Veja-se, por aí, o que também podemos pedir em favor dos outros, além de que desperte cada um para a compreensão e o cumprimento das Leis Divinas, as quais Jesus resumiu no “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Atentemos para a repercussão do que venhamos a pedir: se realmente será útil ao progresso intelecto-moral daqueles por quem oramos ou se apenas representará uma nova carga de responsabilidades para quem receberá o benefício. 108 Quando o senador Públio Lêntulo Cornélio pediu a Jesus, sem palavras, a cura da sua filhinha leprosa, o Divino Mestre o alertou para o aumento da sua responsabilidade perante Deus. Vejamos como Emmanuel relata esse aspecto do nosso estudo: “Agora, volta ao lar, consciente das responsabilidades do teu destino... Se a fé instituiu na tua casa o que consideras a alegria com o restabelecimento de tua filha, não te esqueças de que isso representa um agravamento de deveres para o teu coração, diante de nosso Pai, TodoPoderoso!... O que pedir, inclusive em favor dos outros: eis aí mais uma grande interrogação, ou seja, um tema para reflexão, em que a consciência de cada um será chamada a indicar o caminho! 2.2.2 – “PEDI E DAR-SE-VOS-Á” Jesus é quem proferiu essa afirmativa. Analisemoslhe o significado, até onde nossa compreensão consegue alcançar, pois todos os Ensinos de Jesus têm uma profundidade ilimitada, que cada Espírito percebe segundo seu nível evolutivo: assim, os Espíritos Superiores conseguem compreender muito melhor o alcance verdadeiro de cada um desses tópicos, ao contrário dos Espíritos medianos e dos primitivos. “Dar-se-vos-á” tudo o que pedirdes? – Não, mas sim tudo que vos for necessário à evolução. Por exemplo, quando Públio Lêntulo foi à procura de Jesus pedindolhe, sem palavras, a cura da filha, foi alertado de que estava sendo atendido, não o pedido dele, mas da sua esposa, que era um Espírito Superior em tarefa no mundo terreno. Então, perguntar-se-á: - Para que, então, pedir-se? A resposta é: deve-se pedir o que for útil à própria evolução 109 e não as benesses puramente terrenas ou facilidades que redundarão em estagnação para o Espírito. Serão atendidos todos os pedidos, não da forma que, como crianças espirituais, pretendemos, mas sim conforme os “adultos”, ou sejam, os Espíritos Superiores, em nome de Deus, entenderem que melhor servirão ao progresso de cada um dos seus pupilos espirituais. Assim Jesus atendeu aos pedidos de cada um de uma forma diferente, mas nunca deixou de atender ao pedido de quem quer que fosse. A Nicodemos prestou esclarecimentos até onde ele podia compreender, a uns deu a cura do corpo, a Lázaro levantou da morte aparente, aos famintos deu de comer pães e peixes no conhecido episódio da “multiplicação dos pães”, aos que o condenaram deu o exemplo da humildade e da submissão a Deus e assim por diante. Cada um daqueles Espíritos, a maioria silenciosamente, pediu-Lhe alguma coisa, um ensinamento, um rumo novo para sua vida, a Verdade, a exemplificação, irradiando interrogações do fundo da sua alma e Ele deu a cada um o melhor que cada um podia receber. Oremos a Deus pedindo que todos também peçam uns pelos outros, para aprenderem o Amor Universal. 2.2.3 – “BATEI E A PORTA SE ABRIRÁ” A “porta” é o conhecimento das Leis Divinas, escritas na consciência de cada um. Para quem “bate” conscientemente, com o sincero desejo de evoluir, a porta e ele entra por ela. Mas quem “bate” à porta de má vontade, como o fez Públio Lêntulo, esse fica do lado de fora. A verdade é que Deus não desampara a ninguém, pois todos são Seus filhos ou filhas, todavia Ele os educa conforme o tipo de receptividade que cada um demonstra: os humildes ingerem o Alimento Divino alegremente e os orgulhosos ingerem-no a contra gosto, mas, mesmo 110 assim, ele é metabolizado pelo seu psiquismo, como aconteceu a Públio Lêntulo e, uma vez assim acontecido, o Espírito não conseguirá esquecer a faceta da Verdade que lhe foi mostrada. Repitamos: são duas situações diferentes: para uns a porta de abre de par em par e eles entram por ela; para outros ela se abre, mas ficam de fora, remoendo suas mágoas, seu orgulho e sua má vontade, até que o sofrimento lhes inspire o desejo de entrar pela porta. A Lição foi dada em linguagem figurada, mas podemos entender, através dela, que nunca a porta fica fechada quando um Espírito está em condições de dar um passo adiante na sua evolução: ele pode aproveitar ou não a oportunidade de imediato ou procrastinar sua marcha. Todavia, cedo ou tarde, “passará” pela porta. Oremos pedindo ao Pai Celestial que inspire em cada um o desejo sincero de “bater” à porta da própria consciência. 2.2.4 – “BUSCAI E ACHAREIS” “Buscar” o que?: pode-se perguntar. “Achar” o que: também se pode indagar. Cada Espírito traz dentro de si a semente da evolução e, assim, como a semente comum, no seio da terra, é atraída para a superfície, o Espírito é atraído para a evolução intelecto-moral. Consciente ou inconscientemente, todos vão caminhando para a evolução: apenas se diferenciam pelo fato de uns se submeterem às Leis Divinas de boamente enquanto que outros resistem ao Tropismo que os encaminha para Deus. “Buscar” todos buscam, mas é importante que essa “busca” seja a mais proposital possível, através da autoanálise, aconselhada por Santo Agostinho, realizada pelo menos um vez por dia. 111 A única “busca” que realmente compensa é a imersão no nosso próprio mundo interior, à procura de Deus. Devemos pedir a Deus, em nossas preces, que proporcione a cada um o desejo sincero de realizar essa “busca” e cada um “achará” conforme a sinceridade dos seus propósitos. 3 – SARAR Enquanto um Espírito não se conscientiza das suas faltas, permanece “doente” nos aspectos a elas relacionados. Sejamos mais claros: Jésus Gonçalves, cujo retrato está acima, quando em estágio avançado da hanseníase, foi cada vez mais se conscientizando dos seus defeitos morais e aceitou a doença com o máximo de serenidade possível, pois viu nela a “drenagem” da acumulação psíquica negativa de muitos séculos de consagração da violência e do egoísmo. Sarar vem depois da confissão, esta última que funciona como catarse, bem como faz o Espírito crescer em humildade, ao mesmo tempo em que exemplifica que o Mal não compensa e mais outras consequências benéficas. A “cura” não se processa de imediato, pois a evolução é infinita: depois de criado, o Espírito evolui para sempre. Maria de Magdala teve de vivenciar muitas outras encarnações para se transformar em Madre Tereza de Calcutá e Zaqueu em Bezerra de Menezes. Entendamos isso, sob pena de repetirmos os pontos de vista equivocados da Idade Média, em que a ideia da “cura” miraculosa e instantânea dos defeitos morais fez muita gente adquirir complexos de culpa que até hoje reverberam no seu psiquismo, causando sofrimentos morais mais ou menos dolorosos. A expressão “sarar” deve ser interpretada como evoluir. 112 De tempos em tempos cada Espírito é chamado, pela própria consciência, a refletir sobre sua própria vida: a desencarnação obriga os Espíritos a colocarem em um prato da balança da consciência seus progressos intelecto-morais e no outro suas carências intelectomorais. Depois dessa pesagem, orientados pelos seus Mentores Espirituais, programa-se uma nova encarnação, a fim de que, passando por determinadas experiências vivenciais, meticulosamente planejadas, evoluam mais depressa. Ninguém “sara” em pouco tempo, mas sim à medida que vai encarnando e progredindo, até o nível em que sua consciência passará a não lhe cobrar mais nada: então estará “curado”, no sentido das palavras de Tiago. Se, de um lado, devemos encarar com responsabilidade esse fato, por outro, devemos acalmar nossa ansiedade, pois o progresso transcorre lentamente, segundo o calendário terreno, mas no tempo certo, no curso incessante dos milênios. Para se ter uma ideia de tempo e evolução, pensemos no seguinte: Chico Xavier, certa feita, afirmou que a diferença de idade espiritual existente entre a média dos seus amigos presentes à conversa que se realizava e a da humanidade em geral girava por volta de dez mil anos. Acreditamos que ele não tenha se incluído naquele número, pois, em caso contrário, a diferença seria maior ainda... Da encarnação de Jesus até agora passaram-se dois milênios e ainda não conseguimos pensar, sentir e agir conforme Seus Ensinamentos nem como individualidades nem como coletividade: mesmo com dois milênios de Evangelho, realizamos pouco no Bem, se compararmos com a quantidade enorme de tempo que gastamos em inutilidades e egoísmo, quando não na prática declarada ou disfarçada do Mal! 113 Todavia, é preciso começarmos a investir na nossa “cura”, para deixarmos de sofrer os golpes de retorno da Lei de Causa e Efeito. Se não nos arrependemos, não confessamos nossas culpas e não investimos na reparação, carreamos para a nossa vida os sofrimentos físicos e morais que nos farão, mais cedo ou mais tarde, ingressar nas hostes do Bem. Se já estamos investindo no Bem de forma permanente, diária, persistente, continuemos indo adiante, porque a “cura” estará se processando, mudando nosso destino para melhor, pois o destino se constrói a cada minuto. A hora de começar é agora: não deixemos para o dia seguinte, pois amanhã as condições poderão não estar favoráveis! 3.1 – A EVOLUÇÃO Precisamos entender claramente o que é a evolução. Emmanuel afirma, numa bela figura de linguagem, que o Espírito tem duas asas: a inteligência e a moralidade, sendo que a primeira significa o nível de conhecimento teórico e prático que decorre da vivência de cada minuto, enquanto que a segunda é consequência da opção de pensar, sentir e agir conforme as Leis de Deus. Com a simples vivência, mesmo que ociosa ou maldosa, o Espírito evolui intelectualmente, mas só evoluirá moralmente quando se decidir a pensar, sentir e agir no Bem. Ninguém, na verdade, estaciona, porque, mesmo a prática do Mal, ao gerar o sofrimento, faz o Espírito concluir que deve optar pelo Bem. Deus impulsiona todos os seus filhos para o progresso. Cada um deve analisar-se e verificar se está realmente investindo no próprio progresso intelectomoral, pois chegará fatalmente a hora da desencarnação 114 e será grande o sofrimento dos que não cumpriram seu programa de realizações: não queiram conhecer “ao vivo e a cores” esse julgamento da consciência! Antecipem-se, invistam em si próprios, ao invés de deixarem o tempo se escoar vazio de boas realizações dentro e fora de si próprios! 3.1.1 – O DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL O desenvolvimento intelectual normalmente antecede o moral, pois, rebeldes como são os seres humanos da Terra - com exceção de Jesus, que desenvolveu uma trajetória retilínea - primeiro erramos para depois aprendermos que o Mal não compensa e, então, começamos a pensar, sentir e agir no Bem. Assim é que o nível intelectual dos habitantes da Terra é relativamente avançado, mas a evolução espiritual deixa muito a desejar, fazendo com que a vida de quase todos decorra de uma forma insatisfatória, por força dos defeitos morais, que, a cada momento, se revelam, provocando incidentes negativos e sofrimentos para nós e para os outros. Somente ser inteligente não faz alguém ser feliz. A felicidade decorre do cumprimento das Leis de Deus, que Jesus resumiu no “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Aprendamos essas lições, pois, somente assim, sairemos da roda das reencarnações provacionais e passaremos a reencarnar em cumprimento de missões meritórias no Bem! 3.1.2 – O DESENVOLVIMENTO MORAL De “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, extraímos os seguintes excertos: Na questão 629 dá-se o conceito de Moral: "A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O 115 homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus." Na questão 630 faz-se a distinção entre o Bem e o Mal: "O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la." Na questão 631 responde-se se o homem tem capacidade para distinguir o Bem e o Mal: "Sim, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu inteligência para distinguir um do outro." Na questão 632 dá-se a regra segura para não se equivocar na apreciação entre o Bem e o Mal: "Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis." Na questão 633 explica-se como proceder na distinção entre o Bem e o Mal quando se trata de conduta que envolva apenas a própria pessoa: "Quando comeis em excesso, verificais que isso vos faz mal. Pois bem, é Deus quem vos dá a medida daquilo de que necessitais. Quando excedeis dessa medida, sois punidos. Em tudo é assim. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades. Se ele ultrapassa esse limite, é punido pelo sofrimento. Se atendesse sempre à voz que lhe diz - basta, evitaria a maior parte dos males, cuja culpa lança à Natureza." Na questão 634 fala-se sobre porque Deus permite a existência do Mal e porque não criou perfeitos os seres: "Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa que o homem escolha o caminho. Tanto pior para ele, se toma o caminho mau: mais longa será sua peregrinação. Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer; se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito ganhe experiência; é preciso, portanto, que conheça o bem e o mal. Eis por que se une ao corpo." 116 Na questão 636 diz-se se o Bem e o Mal são absolutos: "A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem é sempre o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade." Na questão 639 trata-se da culpabilidade das pessoas que agem premidas por determinadas circunstâncias: "O mal recai sobre quem lhe foi o causador. Nessas condições, aquele que é levado a praticar o mal pela posição em que seus semelhantes o colocam tem menos culpa do que os que, assim procedendo, o ocasionaram. Porque, cada um será punido, não só pelo mal que haja feito, mas também pelo mal a que tenha dado lugar." A questão 641 trata da culpabilidade de pensar-se em fazer o Mal: "[...] Há virtude em resistir-se voluntariamente ao mal que se deseja praticar, sobretudo quando há possibilidade de satisfazer-se a esse desejo. Se apenas não o pratica por falta de ocasião, é culpado quem o deseja." A questão 642 esclarece se há valor em simplesmente não se praticar o Mal sem praticar também o Bem: "Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem." A questão 646 explica que uma mesma atitude é considerada mais ou menos meritória de acordo com o grau de dificuldade em agirmos bem: "O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o 117 rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva." A questão 647 diz da necessidade do esclarecimento maior da máxima do Amor ao próximo ensinada por Jesus: "Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens uns para com os outros. Cumpre, porém, se lhes mostre a aplicação que comporta, do contrário deixarão de cumpri-lo, como o fazem presentemente. Demais, a lei natural abrange todas as circunstâncias da vida e esse preceito compreende só uma parte da lei. Aos homens são necessárias regras precisas; os preceitos gerais e muito vagos deixam grande número de portas abertas à interpretação." 3.1.3 – A INTERDEPENDÊNCIA DOS SERES Montaigne, nosso companheiro de trabalho, ditou, pelo médium que ora nos serve, um livro com esse título, que pode ser baixado da internet e lido do seguinte endereço: luizguilhermemarques.com.br e também da Biblioteca Virtual Espírita. Ali, o querido companheiro expõe suas reflexões sobre o quanto os seres todos criados por Deus estão ligados pelo fio invisível das emanações psíquicas, interagindo constantemente, o que deve fazer com que cada um procure dar o melhor de si aos outros a fim de ser evoluir e viver feliz. Mencionemos aqui apenas a frase da quarta capa do livro: “A troca incessante de emanações psíquicas, na vivência diária, é que sustenta os seres, proporcionando felicidade aos que doam aos outros o melhor de si.” 4 – OS JUSTOS A expressão “justo” tem sido atribuída a pessoas que simplesmente analisam situações e as demais pessoas 118 como se estivessem resolvendo friamente um problema de Matemática. Não terá sido esse o sentido que Tiago quis dar à palavra quando fez a afirmação de que: “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” Quando Jesus apresentou os traços identificadores dos Seus discípulos disse: “Reconhecereis Meus discípulos pelo muito Amor que manifestarem.” Portanto, podemos concluir que as preces feitas por quem muito Ama pode muito nos seus efeitos. Não pretendemos mergulhar na pesquisa dos textos antigos para procurar interpretar literalmente a expressão que ora é estudada: seria uma forma de polemizar, ao invés de evangelizar. Infelizmente, sempre houve quem estudasse a Boa Nova como se estivesse tratando de mais um ramo do Conhecimento terreno, como a Matemática, a História, a Geologia etc., sendo que Jesus mesmo aconselhou que interpretássemos Suas Lições com “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, ou seja, focalizando a finalidade evangelizadora, quer dizer, espiritualizante. Se o apóstolo utilizou a expressão “justo” ou outra qualquer, não faz diferença, porque o que potencializa uma prece é o nível espiritual de quem a profere: se se trata de um Espírito Superior, portanto, pleno de Amor Universal, ele somente pedirá o que é consentâneo com as Leis Divinas, naturalmente. Todavia, todos, sejam mais evoluídos ou não, sempre são ouvidos em suas rogativas ao Pai Celestial. O apóstolo Tiago deve ter pretendido incentivar-nos a sermos “justos” no sentido evangélico da palavra e, assim, acreditamos que a frase “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.”, se não tivesse sido enunciada, em nada prejudicaria o início da sua orientação: “Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis.” 119 4.1 – “RECONHECEREIS MEUS DISCÍPULOS PELO MUITO AMOR QUE MANIFESTAREM” Para analisarmos as afirmações de Jesus devemos considerar, em primeiro lugar, que as palavras são insuficientes para representar Suas Ideias, uma vez que se trata de uma linguagem primária, tanto que, entre os Espíritos Superiores, a linguagem utilizada é a do pensamento, e, em segundo lugar, não temos condições intelecto-morais de compreender as Leis Divinas em toda a sua profundidade, sendo que, por isso, Jesus resumiuas no “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, sendo essa a maneira mais acessível que encontrou de nos ensinar, digamos, a escrever a letra “a”, no processo da nossa alfabetização espiritual. A diferença de idade espiritual entre nós e Jesus é inimaginável, podendo-se entender que sequer existíamos como seres enquanto Jesus já era um Espírito Puro. As questões de idade, tempo, espaço e outras assemelhadas estão muito acima da nossa capacidade de compreensão, principalmente quando estamos encarnados, portanto, limitados pelos cinco sentidos. A expressão que ora estudamos está ao alcance do entendimento de todas as pessoas e, por enquanto, basta entendermos que devemos Amar todos os seres da Natureza, porque, assim procedendo, no decurso dos milênios, iremos compreendendo outras ideias mais complexas. “A cada dia basta o seu cuidado” pode ser interpretado também como: cumpram seu programa de trabalho no nível evolutivo em que estão e deixem as questões que não lhes competem para os mais evoluídos resolverem. “A Natureza não dá saltos” é outra grande lição, no sentido de fazermos o que nos compete e não estar a esmiuçar o que nossos neurônios não comportam. 120 Os discípulos (alunos) de Jesus, na verdade, são todos os seres colocados por Deus sob Sua responsabilidade, como Divino Governador da Terra, e não apenas os seres humanos e, muito menos, somente aqueles que muito Amam: trata-se de uma linguagem figurada, todavia útil para nos induzir a Amar a todas as criaturas de Deus, que são nossos irmãos, como bem afirmava Francisco de Assis. 5 – PODER ESPIRITUAL Somente Deus tem Poder, pois Ele cria, através do simples ato de Pensar, e mantém cada ser como tal pelo fato de continuar Pensando em cada um como um ser individualizado. Suas criaturas, inclusive os Espíritos Puros, apenas trabalham os elementos existentes no Universo, em obediência direta às Leis Divinas, mas não têm poder, no sentido de decidirem arbitrariamente, sem obedecerem às Leis Divinas. Por isso Jesus, nos orientando, afirmou: “Eu, de Mim, nada posso.” Se Jesus assim disse quanto a Si mesmo, que poder teremos: nós que sequer sabemos ao certo quem somos, uma vez que desconhecemos nossas aquisições intelectomorais, arquivadas no fundo da nossa memória espiritual? Devemos reconhecer, humildemente, nosso primarismo intelecto-moral, uma vez que até Espíritos da envergadura de um Chico Xavier se julgam, acertadamente, verdadeiras insignificâncias perto da grandeza de outros Espíritos que lhes são superiores: essa humildade já representa um início de expressiva evolução espiritual. Chico Xavier afirmou, certa vez, que Emmanuel se apresenta de joelhos diante de Ismael: eis uma constatação de como há diferença gritante de graus 121 evolutivos, que começam no infinito para Baixo e terminam no infinito para Cima, ou seja, não há como se identificar o começo e o final da escala evolutiva, pelo menos para Espíritos medianos. Os Espíritos Superiores nunca se arrogam poder algum, mas, ao contrário, dizem sempre que são meros servidores humildes de Jesus ou de Deus. A arrogância representa um sinal evidente de inferioridade intelecto-moral, decorrente da ignorância da própria pequenez. 5.1 – “EU, DE MIM, NADA POSSO” Jesus também disse: “Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” Essa expressão complementa a primeira: o que seria a “vontade” de um Espírito Puro? O que seria a Vontade de Deus? Por mais que se proponha a fazer o Bem à humanidade da Terra, Jesus nunca conseguiria cumprir Sua Tarefa, na qualidade de seu Divino Governador, se não consultasse sempre a Vontade do Pai Celestial para poder nunca se equivocar. Trata-se de encaminhar a evolução de “nonilhões” (usemos essa expressão, por falta de outra melhor) de seres sob Sua responsabilidade, desde os mais rudimentares até os seres humanos. Jesus não é responsável pela evolução apenas dos seres humanos que habitam este planeta, mas de todos os demais, inclusive os mais primitivos: é importante que entendamos isso. Ele encaminha cada um desses seres de uma forma compatível com sua capacidade de assimilação. Sua Felicidade consiste em cumprir a Vontade do Pai. 122 Devemos nos esforçar por fazer o mesmo, dentro das nossas limitações de Espíritos que agora é que estão dando os primeiros passos na própria evangelização. 5.2 – “NÃO CAI UMA FOLHA DE UMA ÁRVORE SEM QUE DEUS O PERMITA” Em “A Grande Síntese” Jesus afirma: “A Lei é Deus. Ele é a grande alma que está no centro do universo. Não centro espacial, mas centro de irradiação e de atração. Desse centro, Ele irradia e atrai, pois Ele é tudo: o princípio e suas manifestações. Eis como Ele pode — coisa inconcebível para vós — ser realmente onipresente.” Sem o estudo dessa obra não há como alguém poder dizer que conheça, pelo menos razoavelmente, as Leis Divinas, que Jesus, há dois milênios, resumiu no “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Como sempre afirmamos, há, no meio espírita, muita resistência à ideia do estudo dessa obra, apesar de saberse que foi ditada por Jesus, conforme garantido por Emmanuel, através de mensagem ditada através de Chico Xavier. Tal resistência se deve a uma pitada de farisaísmo, pois muitos desses opositores amam demasiadamente o poder, reminiscência inconsciente do passado de mandos e desmandos, em que impunham sua vontade, utilizando indebitamente o Nome de Deus e de Jesus. Quem pretenda conhecer mais as Leis Divinas deve estudar as obras da Codificação Espírita e “A Grande Síntese”, psicografada pelo médium italiano Pietro Ubaldi. 5.3 – CAMPO DE ATUAÇÃO DE CADA ESPÍRITO Aqui também temos de recorrer às obras da Codificação e à referida obra psicografada por Pietro 123 Ubaldo. Todavia, podemos complementar com a afirmativa de Jesus: “A cada um será dado de acordo com suas obras”. Quanto mais obras um Espírito tiver realizado no Bem maior será sua área de atuação, pois tudo que fizer será em favor dos que precisam da sua inteligência e bondade. Os Espíritos Superiores, como Bezerra de Menezes e outros, têm um campo de atuação muito amplo, porque, tal como um Jesus em miniatura, afirmam: “Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” 6 –EXEMPLOS PARA SEGUIRMOS “Se a palavra convence, o exemplo arrasta”: diz o provérbio. Estudar a biografia dos homens e mulheres que se destacaram pela prática do Amor Universal é um dos mais importantes investimentos, pois ali vemos que é possível a prática de tal virtude. Relacionamos abaixo alguns homens e mulheres que exemplificaram a confissão e a prece, a fim de que os prezados leitores se mirem neles e invistam, dentro do possível, nessas duas áreas da evolução. 6.1 – CONFISSÃO Não basta alguém arrepender-se e efetuar a reparação dos males que causou, sendo necessário que entre ambas as iniciativas esteja a confissão como forma de lavar as sujidades acumuladas no nosso interior e, ao mesmo tempo, exemplificar para os nossos irmãos e irmãs no sentido dos benefícios do Bem e das desvantagens do Mal, dentre as quais, quanto ao Mal, o “peso na consciência”. O receio de confessar suas culpas é sinal de falta de autoconfiança e fé em Deus, pois, na verdade, tirante a figura pura de Jesus, nenhum ser que passou pela Terra 124 deixou de errar com maior ou menor gravidade: somos todos aprendizes na Escola da Evolução, variando apenas de grau a diferença entre os Espíritos Superiores e os medianos e primitivos. Normalmente, os Espíritos Superiores são muito mais antigos que nós e aprenderam mais, acertando e errando. Os que são menos evoluídos que nós costumam ser Espíritos mais jovens, portanto, menos experientes. Veremos alguns casos de Espíritos de uma superioridade incontestável, que confessaram a todos suas culpas. 6.1.1 – SANTO AGOSTINHO Aquele que ousou revelar sua tendência para a sexolatria, foi um dos primeiros a confessar publicamente essa inclinação, que, aos poucos, foi-se diluindo, à medida que ele investia na auto análise e esforço pelo próprio aprimoramento moral. Seu livro “Confissões” deveria ser lido por todos os espíritas e pessoas em geral, a fim de melhor lidarem com a questão da sexualidade, sem exageros para mais ou para menos. 6.1.2 – YVONNE DO AMARAL PEREIRA A missionária amorável do Bem trazia de muitas vivências passadas a inclinação para a infidelidade conjugal, mas esforçou-se por vencê-la, mas teve a coragem suficiente para revelar que quase sucumbiu novamente, quando programou o já mencionado com seu noivo espiritual, que, no estado de encarnado, era casado com outra mulher; todavia, antes de dar o desastroso passo em falso, de encontra-lo pessoalmente, voltou atrás e conseguiu terminar a encarnação sem comprometer-se espiritualmente nesse ponto. 6.1.3 – MOHANDAS GANDHI 125 O grande missionário da não-violência confessou que, mesmo sendo casado, foi a uma casa de prostituição, mas desistiu de praticar o adultério e voltou para casa. São exemplos de verdadeira coragem: a de mostrarem-se como verdadeiramente são: falíveis, apesar de bem intencionados e constantes na vivência do Bem. 6.1.4 – EMMANUEL Emmanuel retratou-se com toda fidelidade à verdade ao relatar fatos das suas encarnações como Públio Lêntulo Sura e Públio Lêntulo Cornélio, na sua obra “Há Dois Mil Anos”, psicografada por Chico Xavier. Sua confissão drenou-lhe da consciência as acumulações de culpa, que deveriam martirizá-lo ainda, apesar de todo o progresso espiritual realizado. 6.2 – PRECE Se a confissão é necessária para alívio da consciência, a prece é imprescindível para adquirirmos a força interior suficiente para todo o processo evolutivo (curativo). Quando Jesus aconselhou: “Vigiai e orai a fim de não cairdes em tentação” estava introduzindo a prece e a auto análise como requisitos para chegarmos à reparação. Veja-se, portanto, que, além da confissão e da prece, ao lado do arrependimento e da reparação, há ainda a vigilância (auto análise). Não estudaremos, todavia, neste livro, sobre a vigilância, pois iria engrossar mais ainda nosso opúsculo, que pretende ser apenas uma cartilha de alfabetização espiritual. 6.2.1 – CHICO XAVIER A vida de Chico Xavier foi totalmente diferente da imensa maioria dos homens e mulheres de todos os 126 tempos, a começar pelas três surras diárias que levava da madrinha durante o tempo em teve sob sua guarda, sem contar as vezes em que ela lhe enfiava um garfo no abdômen, tendo o menino, de cinco anos de idade, de andar dentro de casa com aquele instrumento pendurado, num espetáculo deprimente de crueldade, sem nunca ter reclamado da dor que sentia, o que redundou na formação de uma hérnia, somente operada na idade adulta, daí a algumas dezenas de anos. Assim preparado para não falhar, em hipótese alguma, na tarefa importantíssima que trouxe para sua encarnação, suas orações representavam exatamente o que Tiago ensinou: “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” O muito Amor que sentia por todos os seres da Criação não era menor que o de Francisco de Assis, manifestado em cada minuto da sua longa encarnação. Estudemos a biografia de Chico Xavier como fonte de referência e sigamos sua exemplificação de vida, dentro das nossas possibilidades, para evoluirmos mais depressa. Dentre os livros escritos sobre Chico Xavier queremos pedir a atenção dos prezados leitores para os escritos por Nena Galves, intitulados: “Até Sempre, Chico Xavier” e “Chico Xavier – luz em nossas vidas”. 6.2.2 – SOS PRECE Trata-se de uma das mais importantes iniciativas de determinados Centros Espíritas, funcionando, muitas vezes, em regime de “vinte e quatro horas”. Quantas pessoas foram preservadas do desespero e do suicídio ao ouvirem uma palavra repassada de Caridade! Deus abençoe aqueles que exercem esse serviço voluntário de Amor Universal! 6.2.2.1 – VOLUNTÁRIOS 127 Bem aventurados os voluntários, que, de variadas formas, trabalham para a implantação de uma mentalidade de serviço ao próximo, contribuindo para a elevação do nível espiritual da Terra! A eles se aplica as palavras de Jesus: “Todas as vezes em que beneficiardes a um destes pequeninos é a Mim que o fazeis.” Vemos uma quantidade enorme de pessoas vivendo em estado de sofrimento, vítimas da solidão, mas que, saindo da auto piedade desarrazoada, poderia desenvolver tarefas filantrópicas junto a algumas das milhares ou milhões de Entidades Caritativas espalhadas pelo mundo afora. Com razão, Joanna de Ângelis diz: “Só é solitário quem não é solidário.” FIM NOTA [*] “A Grande Síntese” pode ser baixada da internet através de vários endereços, além de poder ser adquirida, em formato de livro de papel, junto à própria editora da Fundação Pietro Ubaldi – FUNDAPU, localizada em Campos-RJ. SEGUNDA PARTE: OS ADVERSÁRIOS EXTERNOS CAPÍTULO I – OS QUE NOS APOIAM NO MAL Esta Segunda Parte será resumida, porque há muitos estudos e exposições sobre esse tema e a maioria das pessoas, em todas as correntes religiosas e filosóficas ouvem falar sobre isso, há muitos milênios. Costumamos considerar como amigos aqueles que nos apoiam no Mal, mas, na verdade, tratam-se de verdadeiros 128 inimigos, porque os amigos de verdade nos alertam para que não tomemos nenhuma atitude negativa. Assim também devemos proceder, alertando as pessoas para que não enveredem pelo mau caminho. Um verdadeiro amigo nunca incentiva alguém ao Mal nem lhe apoia qualquer atitude negativa. 1 – OS ADVERSÁRIOS DO NOSSO PROGRESSO Os adversários do nosso progresso espiritual são, não somente aqueles que, propositadamente, procuram nos intimidar para não seguirmos adiante na escalada evolutiva, mas também aqueles outros, que, a pretexto de nos amarem, induzem-nos a manter nossos defeitos morais e vícios. Muitas vezes esses últimos são piores que os primeiros, porque, sob a capa do Amor, atrapalham nossa auto reforma moral e contribuem para nossa estagnação espiritual ou até para cairmos nos precipícios do Mal. Quantos pais e mães escolhem esse triste papel, de desencaminhadores indiretos dos próprios filhos. Devemos sempre analisar se nossos entes queridos nos induzem ao Bem ou ao Mal. 1.1– OS ADULADORES André Luiz afirmava que “o elogio costuma ser lodo verbal”, pois, se não for trabalhado com bom senso, transforma-se em visgo, que se agarra ao psiquismo da sua vítima e fá-la pensar que é realmente um ser privilegiado, encaminhando-a para o orgulho, o egoísmo e a vaidade, com sérios resultados negativos. Os Espíritos Superiores não aceitam elogios e nem distribuem elogios por toda parte, pois sabem que incentivar é uma coisa, mas bajular é outra totalmente diferente. Jesus, por exemplo, recusou o qualificativo de Bom, dizendo que apenas Deus o é. 129 Saibamos nos livrar dos aduladores e não adulemos ninguém, mas sejamos incentivadores dos esforços no Bem. 1.2 – OS CÚMPLICES A cumplicidade no Mal molda laços de trevas, que devem ser desfeitos o quanto antes. Quem se alia no Mal depois tem de quebrar essas algemas que atam os cúmplices uns aos outros por muito tempo, com péssimos resultados. Devemos desfazer esses elos com a maior rapidez possível, pois os cúmplices nos cobrarão a continuidade nas realizações negativas. Daí surgem muitas obsessões, que costumam perdurar por muito tempo se não forem desfeitas imediatamente. CAPÍTULO II – OS QUE NOS COMBATEM Costumamos considerar perigosos apenas aqueles que nos combatem, taxando-os como inimigos, que devem ser neutralizados o mais rápido possível. Mas analisemos melhor essa questão, o que faremos nos itens seguintes. Vejamos como Jesus sempre procedeu quanto aos que o combatiam. 1 – INIMIGOS COM RAZÃO Chico Xavier, certa vez, disse: “Quando uma pessoa não gosta da gente, essa pessoa tem sempre razão.” Devemos analisar nossa vida em função dessa frase, pois, muitas vezes, preferimos passar como vítimas, quando, na verdade, somos algozes. Baste, quanto a este item, a reflexão sobre a frase de Chico Xavier. 2 – INIMIGOS SEM RAZÃO 130 Todo trabalhador do Bem é perseguido pelas Trevas, que procuram embaraçar-lhe a tarefa por todas as formas possíveis e imagináveis. Saibamos sempre ter a prudência da serpente no trato com as pessoas e conosco próprios, pois as Trevas espreitam e avançam contra os idealistas e os bem intencionados. Ninguém se julgue protegido de forma inexpugnável contra as arremetidas do Mal. Quando Jesus determinou que constasse do Evangelho o episódio da Sua tentação foi para deixar registrado que o caminho de cada um que se propusesse a evoluir espiritualmente seria referto de urzes e armadilhas. Todavia, esse é o caminho de todos e não apenas o de alguns, porque é importante para a evolução o surgimento de testes imprevistos, portanto, avaliadores do nosso nível de seriedade e compromisso com o Bem. 131 III TRATAMENTO ESPIRITUAL 132 “A cura espiritual está na superação do orgulho.” (anônimos) “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.” (Jesus Cristo) “O Reino dos Céus está dentro de vós.” (Jesus Cristo) “O tempo é uma ficção, que, no caso da humanidade da Terra, foi estabelecida a partir da alternância dos dias e das noites, pelo movimento de rotação, mas que, para o Espírito, tem importância apenas relativa, uma vez a eternidade é sua única realidade interna.” (anônimos) 133 Esclarecimento sobre o desenho Introdução Primeira Parte: Viagem astral Capítulo I – Técnica de relaxamento 1 – Uma posição corporal conveniente 2 – Apagando a própria luminosidade Capítulo II – Encontrando Orientadores e acompanhantes 1 – Orientador Espiritual 2 – Animal de poder Capítulo III – Descendo uma escada 1 – Os dez degraus Capítulo IV – O gramado 1 – O descarregamento de energia negativa no gramado Capítulo V – O banho de cachoeira 1 – O reabastecimento da energia positiva no contato com a água Capítulo VI – As indagações sobre questões espiritualmente relevantes Segunda Parte: Auto reforma moral profunda Capítulo I – A descoberta de erros do passado ou do presente 1 – Duas opções 1.1 – A recusa em admitir o próprio orgulho 1.1.1 – Os disfarces do orgulho 1.2 – A humildade e a procura da auto reforma moral profunda Capítulo II – Confissão e prece 1 – O livro de Maria Clara Terceira Parte: Aprendendo a lidar com o pensamento Capítulo I – O que é o pensamento 1 – Características éticas do pensamento 1.1 – Pensamentos do Bem 1.2 – Pensamentos do Mal 134 ESCLARECIMENTO SOBRE O DESENHO O desenho retrata um dos Espíritos que trabalha na área da cura espiritual. Seu nome não importa, porque ninguém é proprietário de nome algum e, a partir de um determinado grau de compreensão, depois de tantas experiências evolutivas, mas principalmente quando se desperta a consciência, não importam nomes, fatos históricos e outros referenciais materiais, mas apenas o que cada um conseguiu de luz em si próprio e o que pode fazer em prol do desenvolvimento espiritual das outras criaturas humanas e sub humanas. Portanto, do desenho, o que importa é a valorização da cor violeta, com a qual esse Espírito trabalha, mentalizando pontos infeciosos do psiquismo das criaturas necessitadas, a fim de contribuir para livrá-las deles, o que lhes prejudica o equilíbrio e que funcionam como plugs para induções negativas de Espíritos vingativos ou adversários gratuitos do Bem. A luz violeta é muito importante para a cura espiritual, como veremos neste estudo. 135 INTRODUÇÃO Em primeiro lugar, devemos esclarecer sobre o título deste estudo: “Tratamento Espiritual – implementação da Ciência Cósmica”, pois abordaremos a evolução espiritual, que só ocorre com a cura moral, proveniente da auto reforma moral profunda, o que exige a limpeza gradativa dos corpos espirituais das feridas nele registradas pelos comportamentos negativos do passado e do presente, sendo que todas essas questões pertinem à Ciência Cósmica. Temos muito a dizer aos principiantes nestas reflexos, mas nada de novo aos que já sabem lidar com as viagens astrais, já realizaram a auto reforma moral profunda, inclusive tendo controle sobre os próprios pensamentos, direcionando-os para o Bem. O entrosamento entre os seres que habitam o mundo material e os Espíritos desencarnados é muito intenso, apenas que a maioria dos primeiros não consegue perceber essa interação, pois têm embotados os sentidos espirituais, não somente pelo efeito abafador do próprio grosseiro corpo físico, como também e, principalmente, pelo próprio primitivismo evolutivo, que não os despertou ainda para o sexto sentido, que é apanágio dos Espíritos evoluídos. A comunicação entre os seres, mesmo encarnados, é muito mais mental que verbal, apenas das pessoas comuns pensarem o contrário, pois umas percebem as intenções das outras pela irradiação positiva ou negativa que todas emanam e, durante o sono, comunicam-se exclusivamente pelo pensamento, mesmo quando acreditam que estão falando, porque trata-se de mero condicionamento do hábito dos encarnados. Precisamos nos desvincular dos padrões primitivistas do mundo encarnado e pensarmos em termos de Ciência Cósmica, segundo a qual a Lei de Deus não está em livro algum ou biblioteca alguma, mas dentro do íntimo de cada criatura, que Ele criou e que chegará à perfeição cada vez maior, direcionada por essa essência luminosa. 136 Desvinculemo-nos da falsa noção de que é necessário termos referenciais externos para evoluir, porque, enquanto não aprendermos a mergulhar no próprio íntimo e de lá extrair a Verdade quanto a nós mesmos e à Lei de Deus, estaremos repetindo experiências primárias de evolução e teremos de ficar reencarnando no mesmo patamar de não ter olhos de ver e ouvidos de ouvir o que está em nós mesmos e nunca no exterior, o qual passa, modifica-se a nada sobra para termos como modelo para evoluirmos. A única realidade que deve interessar-nos é a que está no fundo da nossa essência divina, porque os planetas são formados, têm um prazo de vida e são desintegrados, mas o Espírito nasce, desenvolve-se e nunca mais deixa de existir, mudando de um mundo a outro e passa a uma consciência interna cada vez mais aperfeiçoada, tornando-se focos de luz inimagináveis para a nossa pobreza de concepção espiritual. Cada criatura será um desses seres, sem exceção de nenhuma. Não há vegetais, minerais, animais, humanos e anjos, mas sim passamos por essas fases evolutivas e vamos adiante, na direção de Deus, para atuarmos cada vez mais conscientes dentro do Universo, que nada mais é que o conjunto dos seres que Ele criou e continua criando. Cada um de nós, humanos, guarda em si as conquistas que adquiriu no mundo mineral, no mundo vegetal e no mundo animal, apesar de, por orgulho, querer pensar que é somente humano, sentindo-se humilhado se tiver de aceitar que foi uma planta da beira de uma estrada, uma pedra perdida num monte um animal que saía á cata de alimento e da satisfação do instinto de reprodução. O grande problema, que aflige os seres humanos, é não encarar com naturalidade seu próprio mundo interior, e, por isso, deixar pendentes questões do passado remoto e do próximo e as outras questões do presente que contrariam seu orgulho e lhe cobram atitudes de humildade, reconhecimento dos próprios erros e limitações, sendo que esse material 137 doentio fica arquivado, como tudo o mais, no nosso próprio íntimo e ficamos diante de duas opções: um dia temos de lavar essa feridas e curá-las, com humildade e desejo sincero de auto reforma moral profunda, ou resvalamos pela depressão ou pela revolta e, nesses dois últimos casos, ou pedimos que Espíritos malvados instalem em nós amortecedores da consciência e concordamos em fazer parte de falanges do Mal ou então vamos sendo vítimas das maldades dos inimigos que amealhamos ou de outros Espíritos malevolentes, que utilizam o nome da Justiça Divina para castigar os faltosos. Nada disso deve assustar ninguém, pois Deus quer a evolução das Suas criaturas, mas, para tanto, elas devem ser honestas em reconhecer as próprias culpas e ressarcir os prejudicados: é um mínimo de Justiça que Deus impõe e não a condenação na medida exata das faltas, pois, para Deus, não há “olho por olho, dente por dente”, mas uma fração de ressarcimento, com o desejo sincero de cobrir com Amor a multidão de pecados. Entendamos essa lógica de Deus e não desacreditemos de que podemos nos redimir com um milésimo de Amor para cada milhão de faltas, mas somente Deus sabe o momento da nossa libertação da Lei de Causa e Efeito e não autoriza ninguém a fazer justiça em Seu Nome. Conceber o Universo, formado de muitas dimensões diferentes, que não se chocam entre si, apesar de se interpenetrarem, é essencial para curar-se das próprias mazelas morais, pois quem fica conhecendo o Infinito deixa de lado as miudezas, que são seus vícios e defeitos morais. Ninguém quererá trocar a grandiosidade pela mediocridade, a indigência espiritual pela luminosidade dos seres angelicais, o Amor Universal pelo orgulho idiota. O setor de tratamento espiritual engloba muitas áreas, pois é, realmente, interdisciplinar, não se resumindo à Medicina, à Pedagogia, à Psicologia, Religião, Filosofia e outras disciplinas, mas engloba todas elas, o que podemos denominar de Ciência Cósmica, porque estuda a Lei Divina, 138 que regula a vida de todos os seres e, portanto, abrange todo o Universo. Quando pretendemos nos tratar espiritualmente, a primeira noção é de que a Lei de Deus está escrita dentro de nós. Para conhecermos seu teor, temos de mergulhar no nosso próprio íntimo, através de viagens astrais, que outros denominam regressão de memória, realizadas em sucessivas ocasiões, assim, igualmente, aprofundando um outro setor que é o do auto conhecimento. São, portanto, duas as utilidades das viagens astrais: 1 – o conhecimento da Lei Divina e 2 – o auto conhecimento. Depois, mas concomitantemente, temos de realizar a auto reforma moral profunda, que podemos resumir na substituição do orgulho pela humildade. O orgulho pode ser entendido como a concentração excessiva de energia psíquica, sendo que é lícito armazenarmos uma certa quantidade dessa energia, como quem guarda uma parte do seu próprio salário, mas o que daí passa representa o orgulho e pagaremos pelo excesso. A doação do excesso chama-se Amor Universal, que deve encampar os seres da Natureza de todos os níveis evolutivos. Quando procedemos com bom senso, ou seja, quando obedecemos ao que nos indica a consciência, conseguimos contrabalançar as exigências da nossa própria sobrevivência psíquica e material com o Amor Universal. Os terráqueos, no geral, ainda não sabem equilibrar os dois pratos da balança, pois estão muito próximos da fase animal e seu orgulho fala muito alto: por isso as infelicidades, uma vez que cada desrespeito ao direito ou à dignidade alheios representa um estigma que assinalamos no nosso corpo espiritual, o que demandará um esforço futuro para ser curado. As pessoas, no geral, querem ser curadas imediatamente, esquecendo-se de que o tempo não existe para o Espírito, como essência divina, pois sua trajetória evolutiva não tem 139 fim, mas apenas começo, sendo que toda cura é apenas parcial, uma vez que, aprofundando pelo próprio passado, somente chegará à cura integral quando alcançar a angelitude e, daí para a frente, evoluirá sem feridas morais internas, mas apenas auxiliando as criaturas mais primitivas a evoluírem. Portanto, ao pretendermos a nossa própria cura ou a de outrem, pensemos, em primeiro lugar, que o principal objetivo é a aquisição da fé em Deus do tamanho de um grão de mostarda, sendo que, quanto ao mais, o processo varará pela eternidade afora. Ninguém pretenda curas imediatas, como aparentaram ser algumas das que Jesus realizou, pois essa aparência é enganosa e cada um daqueles Espíritos tem uma história diferente e vários deles voltaram ao erro ao invés de aproveitarem a graça da cura para evoluir. Ninguém queira simplesmente ficar sarado das mazelas físicas, pois que o corpo não é o Espírito, e, quanto a sarar das mazelas morais exige milênios de esforço. Apenas para citarmos um exemplo, vejamos o exemplo de Paulo de Tarso, que somente ingressou no caminho do cumprimento da própria tarefa ao ser impactado pela advertência de Jesus e, daí a mil e setecentos anos, quando encarnado sob o nome de Sundar Singh, teve de passar pela mesma conjuntura, para não falhar na tarefa missionária que o trouxe à Terra. Sejamos, então, ponderados, calmos, resignados, obedientes e humildes diante da Lei Divina, porque Deus não fixou no íntimo de cada criatura a noção das horas, dos dias e dos anos, mas sim uma noção mais ampla de tempo interno, que obedece a outros referenciais que não esses que os encarnados na Terra levam tanto em conta. Trataremos, na Primeira Parte deste estudo, da viagem astral, na Segunda da auto reforma moral profunda e, na Terceira, do pensamento. 140 Que Deus abençoe a todos os nossos irmãos em humanidade, a fim de despertarem para a própria evolução espiritual. PRIMEIRA PARTE: VIAGEM ASTRAL CAPÍTULO I – TÉCNICA DE RELAXAMENTO Cada um pode idealizar sua própria técnica de relaxamento, mas, para quem não conhece nenhuma, apresentamos a sugestão que se segue. O principal no relaxamento é asserenar o pensamento, pois é mais fácil asserenar o corpo do que a mente. Há quem tenha mais facilidade para acalmar a própria mente, por uma série de fatores, mas ninguém deve se considerar sem condições de conseguir um nível razoável de tranquilização mental. Acredite em você mesmo e tenha real desejo de realizar o exercício que propomos. Com o tempo, haverá mais facilidade e você verá que compensa relaxar, até para sua própria vida profissional, familiar etc. etc. Um pensador falou certa vez: “- Não pense, porque você acabará falando.” Ele queria dizer, com isso, que é importante o controle sobre os próprios pensamentos. Isso sem contar que os pensamentos podem estar sendo induzidos por Espíritos malévolos e, nesses casos, mais ainda, devem ser tratados com cuidado. Divaldo Pereira Franco ensina uma técnica interessante e muito boa quando diz que não devemos guerrear contra os pensamentos negativos, pois isso gera um desgaste muito grande, mas sim devemos mudar de pensamentos. Assim, quando vier uma indução negativa, focalizemos uma referência nobilitante. Mas devemos saber que os Espíritos malévolos somente nos induzem pensamentos compatíveis com nossos pontos fracos. 141 Ninguém tentará induzi-lo a assaltar uma pessoa se você não tem esse ponto fraco e assim por diante. Porém, como dissemos, o principal no relaxamento é asserenar os pensamentos. 1 – UMA POSIÇÃO CORPORAL CONVENIENTE Apesar de várias pessoas preferirem a posição de lótus, a maioria, pelo menos no Ocidente, opta pelo decúbito ventral, ou seja, deitar-se de barriga para cima. Essa posição é confortável, contanto que a pessoa assuma o propósito firme de manter-se relaxada fisicamente e com a mente serena, sem oscilar os pensamentos. Como dissemos anteriormente, o principal é como estaremos mentalmente: se boiando numa superfície aquosa serena ou no topo de uma gigantesca onda marinha, balançando violentamente entre altos e baixos. Para isso é necessário nos desvincularmos de qualquer outro tipo de pensamento que não seja de encontrarmos o nosso próprio Eu, ou seja, nossa essência divina, a fim de estarmos, em última instância, em contato com Deus. Deus está presente em toda parte e não precisamos olhar para cima para falarmos com Ele. Os indianos em geral dirigem-se diretamente a Ele, sem intermediários. Os ocidentais em geral, induzidos erradamente pelos sacerdotes cristãos, aprenderam a considerá-los como indispensáveis à conversa com Deus. Mas, cada um pode e deve falar direto com Deus. Na viagem para dentro de si, na verdade, cada criatura humana vai estar em contato com Deus, que permitirá ou não respostas às necessidades individuais, conforme Sua Justiça de Amor e Caridade. A posição corporal não é o item mais importante da viagem astral e cada um pode escolher a que melhor lhe aprouver, inclusive sentado. 142 2 – APAGANDO A PRÓPRIA LUMINOSIDADE Uma das múltiplas formas de relaxar é imaginar-se como uma lâmpada acesa e que vai-se apagando a começar pelos pés, pernas, coxas, cintura, tronco, mãos, braços, antebraços, ombros, pescoço, face e cérebro, mas deixando a mente acesa. Outras formas podem ser utilizadas, contanto que, ao final desse trabalho inicial, a pessoa sinta-se fisicamente relaxada e serena espiritualmente. Não deve haver medo algum, pois não há nenhum perigo nessa iniciativa tão saudável para o próprio corpo, que precisa de descanso, tanto quanto para o próprio Espírito, que deve procurar a paz interior. A presença de música calmante fica ao gosto de cada um, de incenso etc. etc. Há pessoas que utilizam cristais próximas de si ou segurando-os nas mãos ou colocados sobre o corpo. Outros recorrem à Cromoterapia, utilizando luzes de cores apropriadas, dentre as quais a mais adequada é a violeta, pelos seus efeitos curativos. Porém, o mais importante de tudo é o próprio pensamento, sem o que os resultados podem ser inócuos, uma vez que a sintonia mental no Bem é que propicia a cura ou melhoria. Acreditar que os recursos internos suprem a má sintonia mental é fantasia, porque tudo isso é um trabalho mental. Façamos uma comparação: ninguém consegue sintonizar uma determinada emissora de rádio procurando na faixa errada. Sejamos bem intencionados, o mais puro de intenções que conseguirmos, sem ambição à perfeição, que está muito acima da fase humana, mas sinceros na procura de Deus e da nossa própria evolução espiritual, confiando no Pai Celestial e pedindo-Lhe a oportunidade de redenção, que tudo irá dando certo, porém, sem querermos cobrar de Deus milagres que não merecemos. 143 CAPÍTULO II – ENCONTRANDO ORIENTADORES E ACOMPANHANTES Como dissemos linhas atrás, o intercâmbio entre encarnados e desencarnados é muito maior e intenso do que a maioria dos encarnados imagina e esse contato se faz pelo pensamento, de forma espontânea e automática. Por isso, devemos pedir a ajuda espiritual de algum desencarnado que nos inspire intensa confiança e que seja alguém realmente evoluído, pois, nesse trabalho, não basta apenas a boa vontade, mas sim a superioridade espiritual. Falaremos, adiante, também, na ajuda do nosso animal de poder, ou seja, um Espírito que ainda moureja na fase animal, cuja presença se faz indispensável, porque há necessidades que somente são supríveis mais facilmente por Espíritos cujas vibrações são dessa frequência. Para entendermos isso, podemos dizer que não pediremos a uma senhora que carregue para nós um saco de cimento, mas sim a um trabalhador braçal, acostumado a esse tipo de serviço. Entendido isso, passemos adiante. 1 – ORIENTADOR ESPIRITUAL Yvonne do Amaral Pereira dizia sempre da importância da sintonização com o Orientador Espiritual ou no plural. Cada pessoa deveria saber quem são seus Orientadores Espirituais, tal como sabe o nome de cada um dos seus grandes amigos. 2 – ANIMAL DE PODER Há algumas formas de cada um descobrir seu animal de poder, havendo pessoas que detectam mais de um, mas o mais comum é cada um identificar apenas um. Quando a pessoa não sabe qual é o seu deve procurar a ajuda de um terapeuta ou médium encarnado, inclusive para o fim do animal de poder dessa outra acompanhar o trabalho. 144 CAPÍTULO III – DESCENDO UMA ESCADA Há várias formas de aprofundarmos o transe, sendo uma delas imaginar que estamos descendo uma escada com dez degraus. A descida deve ser calma, sempre sentindo-se seguro, em paz e acompanhado do Orientador Espiritual e do animal de poder. Não há razão para temores, pois é apenas um contato com a nossa própria realidade interior, onde estão arquivadas nossas reminiscências do passado multimilenário, ou melhor, os bilhões de anos de nossa existência como Espírito, desde a fase sub humana. Qualquer ideia que nos venha à mente deve ser admitida com tranquilidade, pois poderá representar uma revelação para ser trabalhada no processo terapêutico. Não devemos nos envergonhar nem nos orgulharmos de nada do que nos vier à mente, pois tudo isso pode representar pontos a seres retificados no nosso íntimo, feridas a serem lavadas e tratadas, com humildade, com obediência à Lei de Deus, caso queiramos realmente redimirmo-nos dos erros passados e seguirmos adiante na estrada evolutiva. Em caso contrário, aquela dívida nos manterá presos a uma época que já passou e que não merece mais ser lembrada, pois, tirante Jesus, todos os demais passantes pela Terra erraram, e muito. 1 – OS DEZ DEGRAUS Alguém pode querer imaginar mais degraus, mas isso fica a critério de cada um. O importante é que seja aprofundado o relaxamento físico e tranquilizada a mente. 145 CAPÍTULO IV – O GRAMADO Ao final da escadaria, é conveniente imaginar um imenso gramado. Podemos nos ver pisando descalços nesse gramado, sentindo todas as energias negativas que trazemos em nós saindo do nosso corpo e entrando no solo, o que nos dará grande alívio. Devemos sentir esse prazer e essa serenidade. 1 – O DESCARREGAMENTO DE ENERGIA NEGATIVA NO GRAMADO Por mais que nos julguemos acima das contingências humanas, por orgulho, na verdade, somos frágeis barquinhos no oceano da Vida, o que não nos diminui, mas sim nos valoriza, pois somos todos filhos de Deus e não há nada mais importante que isso. Sejamos, portanto, gratos a Deus por nos ter criado e gratos a todas as demais criaturas, porque, sem elas, não haveria motivação para vivermos. Fiquemos feliz pelo gramado ter recebido nossas energias negativas. CAPÍTULO V – O BANHO DE CACHOEIRA Para nos reabastecermos, podemos imaginar uma cachoeira do jeito que mais nos aprouver. A água pode ser brilhante e cheia de energia pacificadora e calmante, ao mesmo tempo que portadora de espiritualidade. 1 – O REABASTECIMENTO DA ENERGIA POSITIVA NO CONTATO COM A ÁGUA A água é um dos melhores condutores de energia e, por isso, pode ser mentalizada neste trabalho de cura espiritual. 146 Qualquer banho comum de chuveiro leva ralo abaixo muita energia negativa impregnada no nosso psiquismo e no corpo físico. Imagine-se o quanto pode nos beneficiar uma mentalização com uma água purificada de uma natureza muito mais sutil que a nossa água comum da Terra! Todavia, como sempre dizemos, tudo isso é puramente mental e a absorção da energia benéfica deve fazer parte desse nosso esforço mental. CAPÍTULO VI – AS INDAGAÇÕES SOBRE QUESTÕES ESPIRITUALMENTE RELEVANTES Normalmente, não deveremos, sem orientação espiritual adequada, descer outro ou outros lances de escada, porque, no primeiro mesmo, poderemos ter muitas soluções para nossa problemática espiritual. Ninguém indagará, nesse estado alterado de consciência, sobre questões materiais, nem procurará enganar a própria consciência, pois, se não, será vão todo o esforço realizado. Na verdade, quem estará encaminhando as soluções é o Orientador Espiritual, que conhece a biografia do seu assistido e quererá ajudá-lo a evoluir. As indagações internas podem variar de uma viagem para outra, porque, com sua repetição, as soluções internas vão surgindo, tudo dependendo do propósito verdadeiro de cada um. Trata-se da hora da verdade e cada um colherá os frutos que merece, sob o Olhar Atento de Deus. Muitas pessoas que conhecem os segredos desse mergulho espiritual recusam-se a informar maiores detalhes ao grande público ou promover cursos a respeito, porque, infelizmente, haverá quem quererá captar pacientes para ganhar dinheiro às suas custas, ao invés de realizar a caridade pura e simples. Dessa forma, nosso estudo quanto às viagens astrais vai apenas até este ponto. 147 Mas, na verdade, trata-se esta fase apenas a primeira de uma série bem mais complexa. SEGUNDA PARTE: AUTO REFORMA MORAL PROFUNDA CAPÍTULO I – A DESCOBERTA DE ERROS DO PASSADO OU DO PRESENTE Ninguém pode garantir, de antemão, o que surgirá na nossa mente durante as viagens astrais. Todavia, se estamos sinceramente procurando nossas deficiências morais, elas tenderão a nos ser mostradas, por indução do próprio Orientador Espiritual que nos acompanhar nessa oportunidade. Assim, por exemplo, pode ser revelada uma encarnação anterior, mesmo que de forma apenas superficial e os erros que lá cometemos. Todavia, se a humildade verdadeira ainda não está aflorada no nosso interior, ficamos deprimidos ou revoltados e, em ambas essas situações, os resultados são um tanto perigosos, pois, ao invés de avançarmos espiritualmente, reconhecendo nossos erros e limitações, ao mesmo tempo encarando-nos como mais um Espírito a evoluir no Universo, entramos numa faixa mental negativa. Saber sobre o próprio passado não é uma carga que qualquer um suporte e é justamente por isso que, quando reencarnamos, sofremos um processo hipnótico de esquecimento temporário do passado. Poucos, na verdade, têm condições de ter esse conhecimento, porque, se o tiverem, correm o risco de entrar em faixas mentais perigosas para o próprio equilíbrio espiritual. Por isso, a regressão de memória não é recomendável para cerca de noventa por cento das pessoas. Apenas Espíritos mais evoluídos devem ter acesso ao próprio passado, pois muitos ficarão encantados com o 148 prestígio que tiveram e outros chocados com os erros que cometeram. Tanto uns quanto outros demonstram falta de humildade, pois prestígio nada acrescenta na evolução de alguém e errar é comum na trajetória de todo Espírito, principalmente quando não erramos em determinada área, os erros do passado não devem nos levar à depressão ou à revolta. O orgulho é que gera essa inconformação declarada ou disfarçada. Também temos a considerar que, para detectarmos de somos muito orgulhosos, podemos fazer alguns testes, como, por exemplo, nosso grau de suportabilidade com relação aos defeitos morais e vícios alheios e com as situações e pontos de vista diferentes dos nossos. Se conseguimos nos manter tranquilos diante de tudo que, no fundo nos desagrada, já avançamos um tanto no caminho da humildade. O orgulho é uma forma de tentar impor aos outros nossos pontos de vista, que, sendo ou não melhores, não podemos querer impô-los ao livre arbítrio alheio. Lembremo-nos de que Jesus disse: “Eu a ninguém julgo”, pois sabe que cada um tem direito de fazer as próprias escolhas e, se forem erradas, pagará por isso. Essa regra é relativa, pois há casos em que devemos interferir na liberdade alheia, como no que pertine ao trabalho profissional, pela responsabilidade que nos compete, e na educação de pessoas sob nossa responsabilidade, até o ponto em que tal se faça indispensável, como na educação dos filhos enquanto menores. Mas devemos vigiar e orar para combatermos nosso próprio orgulho, pois, senão, as Trevas nos pegarão facilmente nas suas armadilhas, que são sutis e, quando formos despertar, já teremos caído e não será fácil levantarmos. 149 Até com relação a essas armadilhas devemos ter a humildade de não nos incomodarmos com elas, porque é certo que elas aparecerão sempre que estivermos trabalhando no Bem, pois os Espíritos trevosos não nos deixarão em paz. Chico Xavier afirmava que havia dias em que sentia que estava a ponto de enlouquecer, porque a carga negativa que lhe era endereçada era enorme, tanto decorrente dos pensamentos maldosos dos trevosos de ambos os planos da vida quanto de pedintes inveterados, que lhe endereçavam pensamentos de súplicas, tudo isso que funciona como uma nuvem escura de ódio ou angústia, de acordo com o caso, como veremos adiante. Mas, com humildade, o grande missionário ia suportando aquela carga psíquica e libertando-se dela, dentro do possível, inclusive utilizando determinadas técnicas de isolamento mental, contando em parte com a ajuda de Orientadores Espirituais e outros recursos adequados. Todavia, o peso do passado de erros não é insuportável por si próprio, mas pela insubmissão de cada um aceitar que os cometeu, sendo-se humilhado com a revelação daquilo que procurou esconder a sete chaves. Se, por exemplo, descobrimos algo que procuramos disfarçar, esconder, camuflar, a tendência é aquilo nos causar depressão ou revolta e, em ambos os casos, até piorarmos nosso quadro atual. Trata-se de uma faca de dois gumes o conhecimento do passado, ou seja, dos erros do passado. Normalmente, os Orientadores Espirituais somente permitem que vejamos o que é suportável para nós. Somente os Espíritos Superiores, ou seja, os que já evoluíram muito na sua integração no Bem e avançaram muito na humildade, podem conhecer o próprio passado multimilenário sem se perturbarem, pois aceitam as próprias limitações e não se julgam insuscetíveis de continuar errando. 150 Como não fazem questão nenhuma de auto promoção pessoal, o reconhecimento das suas falhas passadas não lhes arranha a tranquilidade. Não se mede a evolução de um Espírito pelo seu destaque principalmente no mundo dos encarnados, mas sim na suportação das adversidades: esse é um critério infalível para verificarmos se já adquirimos maior dose de humildade. Quem se incomoda com as adversidades ainda está pouco evoluído espiritualmente e vice-versa. Há outros critérios para essa avaliação, mas podemos considerar esse como um dos mais perfeitos. 1 – DUAS OPÇÕES As suas opções são aquelas a que já nos referimos: encaramos com humildade a identificação das nossas falhas do passado, sem nosso íntimo se alterar com elas, mas procurarmos aprender com os próprios erros, ou nos deprimimos ou revoltamos com a identificação daquilo que procuramos esconder a sete chaves, ou sejam, nossas mazelas morais e nossos vícios. Detalharemos adiante cada uma dessas situações. 1.1– A RECUSA EM ADMITIR O PRÓPRIO ORGULHO Quase ninguém admite que é orgulhoso, porque esse defeito afasta de nós a maioria das pessoas, que se sentem manipuladas por todo aquele que se lhes acha superior. O orgulhoso, no fundo, sente desprezo pelos outros e procura humilhá-los direta ou indiretamente e, normalmente, ninguém gosta de ser manipulado, a não ser que leve alguma vantagem com essa posição de subalternidade. Por isso, mesmo os orgulhosos mais impenitentes preferem disfarçar o próprio orgulho, simulando generosidade ou espírito democrático. Assim, até os mais arrogantes ditadores, vez por outras, procuram agradar seus subordinados através de atitudes simpáticas, que, normalmente, visam cooptar-lhes a adesão, a 151 fim de continuarem explorando-lhes a subserviência frequentemente falsa e interesseira. Até os Espíritos do Mal procedem assim, muitas vezes, disfarçando a própria maldade e a própria arrogância. Muitos homens e mulheres tidos como beneméritos, muitas vezes escondem o próprio orgulho dominador sob a capa da humildade, mas ficam extremamente melindrados com os pontos de vista diferentes dos seus e com situações que lhes arranhem o prestígio. Esses, que gostam de comandar e dirigir a vida das pessoas, muitas vezes nada têm de melhor para oferecer, pois, se dão com a mão direita, tomam com a esquerda. Os verdadeiros missionários não são dominadores, não pretendem evidência e nada querem para si a não ser o cumprimento do seu ideal de servir: assim se posicionaram, por exemplo, Chico Xavier, Gandhi, Jesus, Madre Tereza de Calcutá, contrariamente ao que apresentaram Napoleão Bonaparte e outros amantes do poder, bem como líderes religiosos ciumentos, dominadores, exclusivistas, que pululam em todas as correntes religiosas e filosóficas. Ao invés de criticá-los, temos de ver se não somos um desses orgulhosos disfarçados de humildes. Se somos um deles, passemos a vigiar e orar redobradamente, para não cairmos nas armadilhas das Trevas, pois seremos presas fáceis. 1.1.1 – OS DISFARCES DO ORGULHO O orgulho se disfarça de mil maneiras e até da aparência da caridade, do desapego e da simplicidade, pois, nesses casos, no fundo, queremos mostrar uma superioridade espiritual que estamos muito longe de ter conquistado. A conquista da humildade demanda milhares de anos de esforço continuado para consolidar-se. Vejamos o exemplo de Paulo de Tarso, que, mesmo depois de mil e setecentos anos de dedicação ao Bem, desafiou Jesus na sua encarnação como Sundar Singh e somente não se 152 perdeu porque Jesus lhe apareceu à visão espiritual e o advertiu para cumprir a tarefa que trouxe na divulgação da Verdade Espiritual. Alguém pode achar que os rotulados como santos ou iluminados estão infensos ao orgulho, mas eles também lutam contra as atrações do orgulho, apesar de já terem vencido muito mais essas amarras do que os Espíritos medianos. Entendamos essa realidade e procuremos vigiar e orar, para não cairmos na tentação do orgulho nefasto. 1.2– A HUMILDADE E A PROCURA DA AUTO REFORMA MORAL PROFUNDA Chico Xavier sabia do próprio orgulho e, por isso, necessitado de cumprir suas tarefas, pediu uma série de doenças e limitações financeiras, a fim de não falhar na sua missão. Caso tivesse tido uma série de facilidades, corria o risco de fracassar: entendamos isso com clareza e apliquemos essa lição à nossa própria vida, ou seja, não procuremos facilidades nem nos deprimamos ou revoltemos com as dificuldades, para não cairmos na tentação do orgulho. Somente Jesus foi absolutamente humilde, pois nunca errou e não tem nenhum defeito moral ou vício, dentre todos os Espíritos que passaram pela Terra. Gandhi assumiu algumas atitudes de violência, mas teve a humildade de confessá-las e assim por diante. Não dissemos isso para deprimir a imagem desses missionários, mas sim para servir de alerta para o nosso orgulho declarado ou disfarçado e lutarmos contra ele. CAPÍTULO II – CONFISSÃO E PRECE Esta questão será desenvolvida no item seguinte. A maioria das pessoas não admite a ideia de confessar as próprias culpas a ninguém. Um número menos aceita confessar as próprias culpas a um ente muito querido. 153 Apenas os Espíritos Superiores confessam publicamente as próprias faltas. Vejamos o que Maria Clara a respeito. Pode parecer ser importância a questão da confissão, mas o apóstolo Tiago a considerou como requisito da cura, justamente porque quebra a rocha do orgulho, onde está assentado o bloqueio à evolução. Sem humildade ninguém se redime, pois não consegue admitir as próprias inferioridades e, com isso, não lava suas feridas interiores e não se cura espiritualmente. 1 – O LIVRO DE MARIA CLARA INTRODUÇÃO A orientação de Tiago (Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.) é de uma profundidade muito grande, que pretendemos analisar, tratando-se de um dentre tantos desdobramentos das Lições de Jesus. São dois temas diferentes: a confissão e a prece, que, aparentemente, nada têm a ver um com o outro, mas, na verdade, estão interligados, pois têm como ponto de conexão a ideia da Fraternidade, conforme veremos. Primeiro, para introduzir os queridos leitores no nosso estudo, falemos um pouco sobre a confissão, a qual exige coragem de quem a faz. Citemos alguns exemplos de seres humanos que se confessaram, mesmo com o risco da desmoralização pública: 1) Santo Agostinho expôs, no seu livro intitulado “Confissões”, suas vacilações como ser humano, sobretudo quanto à questão da sexualidade. 2) Mohandas Gandhi confessou, em livro de sua autoria, certo episódio: mesmo sendo casado, certa vez, compareceu a uma casa de meretrício, todavia, arrependendo-se antes de realizar qualquer ato sexual 154 com a profissional, pediu-lhe desculpas, pagou-a e foi embora. 3) Yvonne do Amaral Pereira, tendo identificado no mundo terreno seu noivo espiritual, o qual era casado, entusiasmou-se com a possibilidade de conhecê-lo pessoalmente e acabaram combinando um encontro, tendo ele de vir ao Brasil. Quando ele desceu do avião, ela, que o aguardava no aeroporto, depois de ter pesado os prós e os contras daquela situação, foi para casa sem encontrá-lo e continuaram mantendo contato apenas por correspondência. 4) Emmanuel, no seu livro “Há Dois Mil Anos”, psicografado por Chico Xavier, relaciona seus equívocos morais praticados na sua encarnação como o senador Públio Lêntulo Cornélio e fala alguma coisa da anterior, quando foi seu próprio bisavô: o cônsul Públio Lêntulo Sura. 5) Atentemos para o fato dos romances de Yvonne do Amaral Pereira serem todos autobiográficos, onde se estampam seus equívocos morais perpetrados em vidas passadas. Vejamos um caso, não de confissão de culpas, mas de uma vivência que poderia ser interpretada como imoral por parte dos “moralistas de plantão”: Bezerra de Menezes, ao enviuvar, casou com a cunhada, a qual já convivia naquele ambiente doméstico. Quanto à confissão, igualmente é interessante relatar duas realidades que ocorrem no mundo espiritual: Camilo Castelo Branco, no seu livro “Memórias de um Suicida”, relata que faz parte do tratamento de suicidas seu desnudamento moral perante numerosa assembleia, através do sistema audiovisual e André Luiz afirma que os Orientadores Espirituais de Nosso Lar atendem os Espíritos em duplas e não um de cada vez. Verifiquemos que os modernos tratamentos de terapia de grupo, seguidos, inclusive, pelos Alcoólicos 155 Anônimos e outros igualmente notáveis, são uma aplicação da ideia da confissão, divulgada inicialmente pelo apóstolo Tiago. Os Espíritos Superiores têm coragem suficiente para confessar suas culpas, mesmo quando consequências graves possam advir. Os medianos e os primitivos procuram se preservar, com receio da perda de prestígio e de vantagens materiais. Quanto à prece, analisaremos nos itens próprios. O presente estudo visa, sobretudo, esmiuçar a orientação de Tiago à luz dos conhecimentos espíritas. Estando às portas do ingresso da Terra na categoria de mundo de regeneração, não se deve continuar permitindo o encobrimento da Verdade com o véu do “faz de conta”, o qual, durante milênios, vem utilizando o nome da Moral, teorizada, mas nem sempre praticada: é preciso que se cumpra o que Jesus afirmou: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Uma das facetas da Verdade é a orientação de Tiago, que precisamos conhecer para evoluir intelectual e moralmente. Que Deus, nosso Pai, e Jesus, nosso Divino Pastor, nos abençoem, bem como aos nossos queridos irmãos e irmãs que nos prestigiarem com sua atenção, compulsando estas despretensiosas anotações. 1 – CONFISSÃO Temos de considerar, em primeiro lugar, que o Evangelho não se destina ao conhecimento de um número restrito de iniciados, mas Jesus o trouxe para servir de referência para todos os habitantes da Terra, pois, na qualidade de Divino Governador Planetário, compete-Lhe conduzir todos os Seus pupilos. Assim, a orientação de Tiago pode ser adotada por toda a humanidade e não apenas pelos cristãos. 156 Dessa maneira, quando fala em confissão, sua palavra deve ultrapassar os estreitos limites de um povo, uma corrente religiosa e abarcar a humanidade terrestre, incluindo-se os Espíritos Superiores, os medianos e os primitivos. Conclui-se, portanto, que quem assume o papel corajoso de confessar suas culpas não deverá, obrigatoriamente, verificar se os ouvintes são bons ou maus e se farão bom ou mau uso das informações que estarão recebendo. Alguém pode contrapor a esta fala o argumento de que há pessoas de má índole, que irão desmoralizar o homem ou a mulher de boa fé e boa vontade que confessarem suas culpas. No entanto, vejamos que Santo Agostinho, Gandhi, Yvonne do Amaral Pereira e Emmanuel não procuraram escolher as pessoas que tomariam conhecimento das suas confissões: cumpriram seu dever consciencial e ficaram livres de parte do peso que os torturava e lhes tirava a paz. Realizaram uma catarse e iniciaram o processo de recomposição da própria serenidade, que se completaria com a posterior ação intensiva no Bem, a fim de beneficiarem os eventuais prejudicados ou, em caso de impossibilidade, outras pessoas que necessitariam de sua ajuda. Afinal, “o Amor cobre a multidão dos pecados.” Temos, então, três opções neste caso: ou cumprimos a orientação sábia de Tiago, confessando-nos a todos, portanto, despindo-nos do orgulho, ou confessamo-nos apenas aos nossos amigos, a fim de receber seus conselhos, ou não confessamos a ninguém as nossas culpas. A pior das alternativas é a última, pois mantém intacto nosso orgulho e não realizamos a catarse. A segunda visa mais um benefício pessoal do que representa uma iniciativa idealista. A primeira retrata a 157 mentalidade cristã, no seu sentido mais amplo e universalista. As personalidades que mencionamos acima são universalistas, Espíritos Superiores realmente e sua conduta representa exemplos a serem seguidos. Alguém perguntará: - Neste mundo de hoje, competitivo do jeito que é, se alguém confessar suas culpas não conseguirá emprego, ficará desmoralizado perante a sociedade e nenhum benefício surtirá sua iniciativa idealista. Realmente, os paradigmas que vigoram são mais ou menos os mesmos de dois milênios atrás, tanto que Joanna de Ângelis afirmou que, nesse período, a humanidade moralmente evoluiu muito pouco: as pessoas procuram mais “parecer boas e honestas” do que serem realmente tais. Pode-se perceber que a maioria, sem nenhum peso na consciência, sonega tributos, comete uma série de deslizes morais e procura apresentar-se como “homens e mulheres de bem”, sem, na verdade, o serem. Quem confessará suas culpas aos outros sem a garantia de que não serão divulgadas? Esse número é muito pequeno, na certa. Todavia, apesar de tentarmos esconder nossas falhas morais, nossos adversários as reconhecem facilmente. Por isso, Chico Xavier afirmava: “Quando uma pessoa não gosta da gente essa pessoa tem sempre razão.” No mundo de regeneração, às cujas portas se encontra a humanidade terrena, prevalecerá o “ser” em lugar do “parecer”: assim, cada um, confessando suas culpas, será reconhecido pelo que realmente é e não pela máscara que afivele ao rosto, mostrando uma personalidade cheia de virtudes inexistentes. Quem tiver a coragem de confessar suas culpas ao maior número de pessoas estará se adiantando na escala evolutiva, contanto que não se restrinja a isso, mas inicie 158 seu trabalho de realização no Bem, para, em lugar do Mal que fez, colocar o Bem, que irá proporcionar às pessoas. Coragem é o que se exige para tanto, bem como humildade verdadeira, desapego, simplicidade e verdadeira fé em Deus e na Sua Justiça, a qual contempla o Amor e a Caridade, formando um tripé de valores. Conforme o nível evolutivo de cada um conseguirá cumprir seu dever de confessar suas culpas: atentemos para isso. 1.1 - AS CULPAS Quando Jesus afirmou que a Lei e os profetas poderiam ser resumidos no “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” estava querendo dizer que quem agisse de forma contrária incidiria em culpa. As culpas, portanto, são os pensamentos, sentimentos e ações que contrariem essa Regra Divina. É impossível relacionar todas as situações em que alguém contrarie a Lei de Amor, devendo cada qual analisar a si próprio para verificar como está sua posição frente à própria consciência. Os Espíritos Superiores que orientaram o trabalho de Allan Kardec na Codificação informaram-lhe que A Lei de Deus está escrita na consciência de cada um. Assim, todos têm condições de saber se estão pensando, sentindo e agindo conforme a Lei Divina: basta auto analisar-se com sinceridade e honestidade moral. Todavia, é necessário que se leve em conta igualmente o nível evolutivo de cada um para a avaliação da culpa: “àquele a quem muito é dado muito é pedido”. Quem já alcançou um nível mais elevado de compreensão deve Amar mais, enquanto que aqueles que ensaiam os primeiros passos na escalada evolutiva, naturalmente, serão considerados meras crianças espirituais, vivendo 159 sob a tutela mais ou menos direta dos mais evoluídos, sendo, portanto, restrita sua área de atuação. Para efeito deste estudo é importante que cada prezado leitor e cada prezada leitora compreenda bem em que nível evolutivo se encontra, ou seja, o quanto de Amor já introjetou: se já consegue Amar mais intensa e amplamente, suas faltas serão consideradas mais graves do que se fossem menos evoluídos. Essa situação não deve ser encarada, todavia, como penosa, sacrificial, desagradável, mas o contrário, pois feliz de quem pode dar, porquanto é muito melhor do que estender a mão em pedido de socorro. Cumpram seus deveres para não incidirem em culpa, mas façam isso alegremente, pois, como dizia Montaigne: “a maior glória do ser humano é servir às pessoas, ao maior número possível de pessoas.”! O filósofo renascentista, com essa ideologia, estava apenas repetindo o que Jesus tinha ensinado pela palavra e pelo exemplo. Não incidam em culpa pela falta de Amor e, assim, sua vida será muito mais feliz do que possam, por ora, imaginar, pois a Espiritualidade Superior suprirá suas energias nos momentos de fraqueza e lhes instilará, em nome de Deus e de Jesus, a paz e a serenidade na consciência! Sem querer estabelecer parâmetros rígidos para a vida alheia, pois sabemos que a consciência de cada um é o melhor juiz, podemos apontar um indicativo que foi abordado no diálogo entre Chico Xavier e Banerjee: na Índia tem-se como pontos importantes na vida de cada pessoa a sexualidade, a sociedade, a riqueza e a religiosidade. Portanto, é conveniente que cada um se analise e verifique como está pensando, sentindo e agindo quanto a cada um desses itens. 160 No Oriente é conhecido um ditado que diz: “As pessoas costumam envergonhar-se do que não devem e não se envergonharem do que devem.” Os defeitos morais podem resumir-se em orgulho, egoísmo e vaidade, sendo as virtudes correspondentes, respectivamente, a humildade, o desapego e a simplicidade. Temos, assim, alguns referenciais, que podem nos ajudar na auto avaliação, sem contar aquele que diz: “não devemos fazer ao próximo o que não gostaria que ele nos fizesse.” Amemos a todos os seres o mais ampla e profundamente que conseguirmos e, dessa forma, estaremos evoluindo mais depressa, pois não podemos cobrar de nós uma perfeição que não temos de alcançar, mas, sendo encontrados sempre no serviço do Bem, estaremos na estrada correta, felizes dentro do possível para o nosso grau evolutivo. Também devemos considerar, como dizem os orientais, que “o melhor da caminhada é a própria caminhada”: assim, sem auto cobrança estressante, vivamos em paz com nossos semelhantes, auxiliemos o progresso de todos, aprendamos a fazer o Bem indistintamente e aperfeiçoemo-nos na inteligência e na espiritualidade. As culpas irão se diluindo com esse investimento no Bem, tal como a água corrente vai limpando as sujidades de qualquer superfície barrenta: “O Amor cobre a multidão dos pecados.” 1.1.1 - CONCEITO DE CULPA Para efeito da orientação de Tiago não devemos nos ater à forma terrena de entender o conceito de culpa, uma vez que estamos lidando com o Direito Divino, ou seja, as Leis de Deus. 161 Toda vez que manchamos nossa consciência ela nos cobrará através do arrependimento e teremos, em seguida, de beneficiar outrem para curarmos essa nossa “ferida moral interior”. Emmanuel, Yvonne do Amaral Pereira, Mohandas Gandhi e Santo Agostinho sentiram a necessidade premente de confessarem suas culpas e tal se transformou em benefício para as pessoas que tomaram conhecimento dessas afirmações, alertando-as para não tropeçarem nas mesmas pedras que eles, bem como ensinaram a humildade e a igualdade. Apesar de serem Espíritos evoluídos, ainda estão sujeitos a erros, pois somente Jesus descreveu sua trajetória evolutiva de forma retilínea. Culpa, como dito, significa qualquer infração às Leis Divinas, inscritas na consciência. Manifestam-se as culpas de milhares de maneiras diferentes, desde o pensamento negativo, o sentimento malsão, até as atitudes incorretas. É importante cada um auto analisar-se e levar a sério a tarefa da auto reforma moral, pois Allan Kardec, com sabedoria, afirmou: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pelo esforço que empreende para domar suas más tendências.” Assim também quanto aos adeptos das demais correntes filosóficas ou religiosas. Não se exige perfeição, mas esforço em aperfeiçoarse moralmente. Cada um se encontra em um degrau evolutivo diferente e, portanto, sua consciência lhe cobrará conforme seu nível de progresso intelecto-moral. Não é necessário escrevermos mais do que isto para mostrar o que significa a expressão “culpa”, que alguns chamam de “pecado” ou expressão equivalente. “Errar é humano”: eis um provérbio de grande sabedoria, pois errando se aprende. Todavia, errar tendo condições de acertar, provoca os resultados dolorosos da 162 Lei de Causa e Efeito. É melhor bem proceder do que receber a visita dos sofrimentos físicos e morais. É preciso aprendermos a identificar o que é realmente mau e o que representa mera adequação às Leis da Natureza: a sexualidade é um dos pontos nevrálgicos nesse aspecto, havendo muitos que se culpam pelo exercício da sexualidade enquanto que há outros tantos que se entregam ao desalinho moral, ficando ambos os tipos em cada um dos extremos: da autopunição indevida e da devassidão. Cada um deve perquirir sua própria consciência e aprender a proceder conforme seu nível evolutivo. 1.1.1.2 - AS LEIS DE DEUS As Leis de Deus, na sua complexidade, são inacessíveis à compreensão dos seres humanos medianos. Somente os Espíritos Superiores estão em condições de alcançar-lhes a essência. Quando foi dito a Allan Kardec que elas estão escritas na consciência de cada ser, a intenção era mostrar que, à medida que evolui, vai compreendendo melhor sua essência, de tal maneira que, ao mesmo tempo que as compreende, elas lhe cobram um procedimento compatível com o nível de compreensão, atuando automaticamente tanto na recompensa quanto na reação pedagógica através da dor. Jesus afirmou que as Leis Divinas se resumem no “Amor a Deus sobre todas as coisas e no próximo como a si mesmo”. Dezoito séculos depois, no cumprimento da promessa de envio do Consolador, a Allan Kardec foram apresentados desdobramentos das Leis Divinas nos seguintes itens: Adoração, Trabalho, Reprodução, Conservação, Destruição, Sociedade, Progresso, Igualdade, Liberdade e Justiça, Amor e Caridade. Mais uns anos depois, em “A Grande Síntese”[*], Jesus, através da mediunidade de Pietro Ubaldi, 163 aprofundou mais as informações sobre as Leis Divinas, mas é impraticável resumir aqui, neste modesto estudo, o que essa obra gigantesca expõe: seria o mesmo que a pretensão de “colocar o oceano num dedal”. Todavia, em todas essas revelações, o ponto em comum é o Amor, primeiro a Deus, como forma de gratidão ao Pai (ou Mãe) Criador de tudo que existe, e, em segundo lugar, a todos os demais seres, do mais singelo, ou seja, aquele que se inicia na escalada evolutiva, até o mais perfeito. O Amor deve ser o mais Universal possível. Assim é que Francisco de Assis, como profundo conhecedor das Leis Divinas, cunhou as expressões “irmão Sol”, “irmã Lua”, “irmão lobo”, “irmã árvore” etc. O Amor Universal deve ser exercitado em todos os dias da nossa vida: não há fundamento algum para se pensar em separatismos, elitismo, discriminações de que tipo forem, exclusão, facciosismo, preferências injustas e outras formas de destacar uns em detrimento dos outros. O provérbio: “Aos amigos tudo; aos inimigos a lei” retrata o primitivismo e a insciência dos tempos passados, mas não pode nos acompanhar no mundo de regeneração. Dessa maneira, os conceitos de família, amizade, inimizade, classes sociais etc. devem mudar totalmente, passando dos padrões estritamente egoísticos do mundo de provas e expiações para aqueles outros, progressistas, da Nova Era. É preciso que atentem para esse novo foco, que, na verdade, nada tem de novo, uma vez que Jesus, ensinou o Amor Universal, entregando Sua Mãe a João, para ele dela cuidasse na qualidade de filho adotivo e entregandoo a Ela, a fim de Ela cuidar dele como Mãe adotiva. Esse é apenas um dos múltiplos exemplos, sendo outro, escolhido aleatoriamente, o fato de Jesus afirmar: “Minha mãe e Meus irmãos são aqueles que seguem os 164 Meus Ensinamentos.” Na verdade, quis apenas concitar todos a Lhe seguirem as Lições: trata-se de uma linguagem figurada. Devemos começar a mudar o nosso modo de pensar, sentir e agir em relação a tudo e a todos, entendendo-os como nossos irmãos e irmãs e realmente sentindo por eles um afeto crescente, na medida em que consolidamos essa visão universalista. Assim pensam, sentem e agem os Espíritos Superiores, os quais acolhem com “olhos bons” todos os seres, sejam eles classificados, segundo a tábua de valores materialistas, como bons ou maus, evoluídos ou primitivos e assim por diante. Esforcemo-nos por mudar nossos paradigmas internos, deixando para trás o primitivismo dos modelos do passado e enxerguemos em tudo verdadeiras manifestações de Deus, uma vez que Suas criaturas são Suas Idealizações Mentais: não há por que odiar ou desprezar o que quer que seja ou a quem quer que seja. As Leis de Deus, como disse Jesus, podem ser resumidas, para o nosso nível de compreensão, no Amor Universal. Todavia, deve ser o mais Universal possível, o mais amplo que conseguirmos, irrestrito, incondicional e benévolo. Quando Ele aconselhou: “Que teus olhos sejam bons” estava, de outra maneira, indicando o caminho do Amor Universal. Portanto, “que nossos olhos sejam bons” para que “todo o nosso corpo tenha luz”, ou seja, evoluamos intelectual e moralmente rumo à perfeição relativa. Saibamos que até a inteligência somente ultrapassa determinados limites se o coração está cheio de Amor, pois Deus “não dá pérolas aos porcos”, ou seja, não permite que Seus filhos que Amam pouco tenham acesso às Grandes Facetas da Verdade, pois fariam mau uso delas. 165 1.1.1.2 - A CONSCIÊNCIA DE CADA UM É importante cada um saber até que ponto pode cobrar de si mesmo, a fim de, num extremo, não se acomodar aos vícios e defeitos morais, nem, no outro extremo, cair nas malhas dos complexos de culpa infundados. Joanna de Ângelis orienta muito bem neste aspecto, sendo de capital importância conhecer seus livros da “Série Psicológica”, os quais deveriam ser estudados em todos os Centros Espíritas. Não basta conhecer as obras da Codificação, onde se encontra a base do grande edifício do Conhecimento espírita, uma vez que tal construção vai pelo infinito afora, sendo que lhe são acrescentados, periodicamente, novos pavimentos, à medida que as lições precedentes vão sendo assimiladas, segundo um planejamento minuciosamente elaborado pelos Espíritos Superiores, encarregados de instruírem a humanidade encarnada, sob o Comando de Jesus, o Divino Governador da Terra. O nível da consciência de cada um é muito diferente do de qualquer outro ser criado por Deus. Por isso, Jesus, em “A Grande Síntese”, esclarece a respeito. Solicitamos a leitura serena e reflexiva do excerto que apresentamos abaixo, a fim de que cada um se analise sem os excessos, para mais ou para menos, que mencionamos. Segue a lição do Divino Mestre na linguagem do século XX: DESTINO — O DIREITO DE PUNIR Outro fator complica o cálculo das responsabilidades: o determinismo das causas introduzidas no passado, com as próprias ações, na trajetória do próprio destino; impulsos assimilados, por livre e responsável escolha, no edifício cinético do próprio psiquismo. Essas causas são forças colocadas em 166 movimento pelo próprio “eu” e uma vez lançadas, são autônomas, até exaurir-se. Vossos atos prosseguem em seus efeitos, irresistivelmente, por leis de causalidade. Seu impulso é medido pela potência que imprimistes a esses atos, proporcionais e da mesma natureza, benéfica ou maléfica, ao impulso que destes. Assim o bem ou o mal dirigido aos outros é feito sobretudo a si mesmo; é regido pelas reações da Lei e recai sobre o autor como uma chuva de alegrias ou de dores. O destino implica, pois, uma responsabilidade composta, que é resultante do passado e do presente. Cada ato é sempre livre em sua origem, mas não depois, porque então já pertence ao determinismo da lei de causalidade, que lhe impõe as reações e as consequências. O destino, como efeito do passado, contém, pois, zonas de absoluto determinismo, mas a ele sobrepõe-se a cada momento a liberdade do presente, que vai chegando continuamente e tem o poder de introduzir sempre novos impulsos e, neste sentido, de “corrigir” os precedentes. O impulso do destino pode comparar-se à inércia de u’a massa lançada, que tende a prosseguir na direção iniciada, mas, no entanto, pode sofrer atrações e desvios colaterais; esse impulso pode ser corrigido. Determinismo e liberdade, dessa maneira, contrabalançam-se, e o caminho é a resultante dada pela inércia do passado e pela constante ação corretora do presente. Nesses equilíbrios íntimos de forças reside o cálculo das responsabilidades. O presente pode corrigir o passado, numa vida de redenção; pode somar-se a ele nas estradas do bem, tanto quanto nas do mal. Diante do determinismo da Lei, que impõe a cada causa seu efeito, está o poder do livre-arbítrio, de corrigir a trajetória dos efeitos com a introdução de novos impulsos. Destino não é fatalismo, não é cega “Ánánke” (necessidade, determinismo, inevitabilidade), é a base de criações ou 167 destruições contínuas. O que a cada momento está em ação no destino é a resultante de todas essas forças. Responsabilidade progressiva, função do conhecimento e liberdade progressiva, cálculo complexo de forças; evolução, ao mesmo tempo libertação do determinismo das causas (destino), como do determinismo da matéria, eis a realidade mais profunda do fenômeno. Uma ética racional tornada ciência exata, que não seja mera arma de defesa, deve levar em conta todos esses fatores complexos; deve saber pesar essas forças e calcular-lhes a resultante; deve saber avaliar as motivações; reconstruir na personalidade seu passado biológico e orientar-se na vasta rede de causas e efeitos, de impulsos e contra impulsos, que constituem o destino e sua correção. Para cada indivíduo o ponto de partida é muito diferente e não há maior absurdo, num mundo de substanciais desigualdades, que uma lei humana a posteriori, externa, igual para todos. Esta poderá satisfazer a funções sociais defensivas, mas não pode chamar-se justiça. Somente esta pode, pelas sanções morais e penais, constituir a base do direito de punir. Isto está estritamente vinculado ao cálculo das responsabilidades, sem o qual não pode ser estabelecido. Tendo-se estabilizado por meio da força, como todos os direitos — na origem mera reação e necessidade de defesa —, transforma-se, por evolução, da fase de vingança pessoal à fase de proteção coletiva. A normalização jurídica da força, como no mais amplo processo da evolução da força em direito, a legalização da defesa dirige-se à conservação de um grupo sempre mais extenso, à proporção que surgem unidades coletivas cada vez mais vastas, do indivíduo à família, à classe, à nação, à humanidade. Em sua evolução, o direito penal circunscreve cada vez mais, até a eliminação das zonas indefesas, tornando mais difícil escapar à sua sanção (extradição), até cobrir todo o planeta; ao mesmo tempo 168 atinge e disciplina cada vez mais numerosas formas de atividades humanas. Paralelamente, quanto mais se estende o direito, mais diminui a ferocidade, torna-se mais racional e inteligente; quanto mais se torna proteção da ordem pública, menos se faz pela reivindicação da ofensa sofrida pelo particular; é sempre menos “força” e sempre mais “justiça”. À medida que o homem se afasta das necessidades da vida animal, manifesta-se contínua circunscrição do arbítrio na defesa, que se torna mais equilíbrio jurídico; a justiça fica menos incompleta; à proporção que o juiz evolui, torna-se digno de conquistar o direito de julgar. Assim, o fenômeno não apenas se projeta da fase individual à fase social, não só tende a estabelecer mais profunda ordem, tornando-se mais substancial, mas se desenvolve sempre mais e contém o fator moral, harmonizando-se em sistema ético. O conceito originário de prejuízo, ressarcimento, ofensa, eleva-se à reconstrução de equilíbrios mais altos, enriquecidos dos novos valores que a evolução terá desenvolvido; a balança da justiça se fará muito mais precisa, até o cálculo das responsabilidades específicas, isto é, até as diferentíssimas responsabilidades individuais. A primitiva e grosseira justiça do direito de defender-se, evoluirá para justiça que dá o direito de julgar e de punir; cada vez mais a balança do direito substituirá a espada da vingança; cada vez mais pesará a responsabilidade moral do culpado e sempre menos a própria tutela egoística. Em sua evolução, o jus de punir penetrará sempre mais a substância das motivações. A ascensão moral e psíquica do legislador o autorizará a fazer uma sindicância moral sempre mais profunda, porque só um juiz mais sensível e perfeito poderá ousar, sem tornar tirania de pensamento, aproximar-se da justiça substancial que vem da mão de Deus. Esta é a meta das formas humanas. Quanto mais evolução elevar o legislador, tanto mais o submeterá a um 169 ato de bondade e de compreensão para com o culpado. A função social da defesa se enriquecerá mais de funções preventivas e educativas, porque o dever dos dirigentes é ajudar o homem involuído a subir. Assim as duas ferocidades, da culpa e do castigo, abrandam-se; aproximam-se os extremos, harmoniza-se seu choque. Melhor que investir contra uma alma que só sabe ser má, porque é involuída, é ajudá-la a evoluir, demolindo-se os focos de infecções morais onde nascem essas flores maléficas. Absurdo enfurecer-se contra os efeitos, se as causas forem deixadas intactas. Não se resolve o problema apenas com o egoísmo da autodefesa, com a repressão sem a prevenção. Justo, muitas vezes, é só o que protege a si mesmo; deve ampliar-se até proteger a todos. Na balança social há um tributo anual de expulsos, segundo uma lei expressa pelas estatísticas. É preciso compreender essa lei e cortá-la pela raiz. Há deserdados cujo crime é o de serem marcados no nascimento por uma tara hereditária. Outros são falidos na luta pela vida, com a mesma psicologia e valor moral dos vencedores. Indispensável saber ler e trabalhar na alma; saber fazer o cálculo das responsabilidades; ultrapassar a desastrosa psicologia materialista da antropologia criminal. Delinquência é fenômeno de involução. É necessário alimentar todos os fatores de evolução, demolir os opostos, se quiserdes que o decurso da doença melhore e a sociedade possa arriar o fardo. O trabalho deve ser de penetração de espírito, de educar, corrigir, ajudar e, sobretudo — pretende-se guiar e punir em nome de uma justiça divina — de recordar a máxima evangélica: “Quem esteja sem pecado, lance a primeira pedra”. 1.2 - A INICIATIVA DE CONFESSAR SUAS CULPAS Os Espíritos Superiores têm olhos para enxergar sua fragilidade e não se envergonham de reconhecê-las. 170 Vejamos a prece de Allan Kardec ao tomar conhecimento da sua tarefa na Codificação da Doutrina dos Espíritos: “Senhor! Pois que te dignaste lançar os olhos sobre mim para cumprimento dos teus desígnios, faça-se a tua vontade! Está nas tuas mãos a minha vida; dispõe do teu servo. Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande tarefa; a minha boa vontade não desfalecerá, as forças, porém, talvez me traiam. Supre a minha deficiência; dáme as forças físicas e morais que me forem necessárias. Ampara-me nos momentos difíceis e, com teu auxilio e dos teus celestes mensageiros, tudo envidarei para corresponder aos teus desígnios”. Não se trata de “humildade de vitrine”, mas sim da noção exata proporcionada por uma consciência exercitada na auto análise, o que faz a um homem ou uma mulher se verem tal qual são: com as virtudes consolidadas e as fraquezas ainda por serem suplantadas. Aqueles que não consolidaram o hábito do exame permanente de consciência não sabem quem realmente são e, assim, tendem a se julgar moralmente mais sólidos do que realmente são, e, de uma hora para outra, podem falir e, então, ver o quanto ainda frágeis. Principalmente quando passamos para o mundo espiritual é que vemos quem realmente somos, pois aí se patenteia toda a nossa realidade interior. Irmão Jacob, por exemplo, mesmo tendo muito realizado no setor da Caridade, verificou que não irradiava nenhuma luz... Quando, certa vez, perguntado se era humilde ou sem vergonha, Chico Xavier respondeu: - sem vergonha, porque sabia o quanto lhe era sacrificial a luta pela aquisição da humildade e que teria muito que trabalhar o próprio íntimo para não se sentir melindrado com as ofensas reais ou imaginárias que lhe ocorriam e com os próprios acontecimentos aparentemente desagradáveis do dia a dia. 171 Confessar suas culpas é característica dos Espíritos evoluídos, pois, quanto mais se aprofundam na auto análise, tomando conhecimento, inclusive, de suas encarnações anteriores, vêm, com maior clareza, que precisam fazer muito para se purificarem. É o que, por exemplo, retrata Jésus Gonçalves no seu poema intitulado “O Cego de Jericó”: “...Sim! Somos cegos de espírito! Vivemos nas sombras dos caminhos da vida, como mendigos de ilusões quiméricas, como mendigos de uma felicidade que não sabemos encontrar, porque não sabemos defini-la. Muitas vezes, nas encruzilhadas dos caminhos tortuosos, nos sentimos vencidos pelo cansaço, acabrunhados pelas desilusões, esmagados pelas dolorosas decepções. Somos cegos tateantes, que vamos e vimos, sempre pelos mesmos caminhos, num horroroso círculo vicioso. Então, nessas horas de suprema angústia, lembramo-nos de que o meigo Rabi que curou a cegueira material do cego de Jericó, pode iluminar o caminho do nosso espírito atormentado. E queremos gritar: "Jesus! Filho de Davi! Tem compaixão de mim". Mas... quando pensamos em nos valer do Divino Médico, eis que uma multidão de vozes nos manda calar. Vozes sinistras, que reboam dentro de nós mesmos, com o imperativo de uma força dominante! E ante essa multidão de monstros, constituída de nossos vícios, dos nossos mil defeitos, da nossa imperfeição moral, do nosso desejo de acomodação com os bens efêmeros e transitórios da vida material, nós nos calamos, acovardados, incapazes de fazer partir de nosso coração o grito de angústia salvador! 172 Sabemos que o Mestre pode nos curar. Sabemos que Ele está junto de nós, bondoso como sempre, pronto para a aplicação do "passe magistral"! Mas sabemos, ou fingimos não saber, que é necessária a energia moral do cego de Jericó. Assim, pois, se não quisermos permanecer no vai-e-vem das curvas tortuosas, tapemos os ouvidos ao sinistro clamor da multidão nefanda e procuremos o Celestial Enviado, que habita conosco. Procuremos Aquele que é o "Caminho, a Verdade e a Vida": aquele que pode curar o corpo e o espírito e, tapando os ouvidos às seduções deste mundo, aos preconceitos e acomodações, aos interesses mesquinhos, gritemos cada um de nós, com a força de nossa angústia, do nosso desespero, do nosso desejo de luz: – Jesus! Meu Senhor! Põe sobre mim tuas divinas mãos e aclara o meu caminho, como o fizeste ao cego de Jericó!” 1.3 - A CARIDADE DE OUVIR Chico Xavier se sentia incomodado ao ouvir as anedotas picantes de um seu conhecido, até que Emmanuel aconselhou-o a exercer a Caridade de deixálo falar o que quisesse, sem julgamentos, pois essa é uma das formas de Caridade. Aprender a ouvir o que os outros queiram dizer representa um passo adiante na senda evolutiva, pois estaremos respeitando a liberdade alheia tanto quanto queremos que os outros respeitem a nossa. Não é propriamente cristã a simples disponibilidade para ouvir a confissão alheia, se ocorre em postura de falsa superioridade como a maioria dos antigos confessores, mas sim em ouvir em atitude interior e exterior de igualdade diante de quem confessa: aí está o diferencial: ouvir sem diminuir a dignidade daquele que 173 se penitencia, porque é certo que nossa vez de confessarmos também chegará, mais cedo ou mais tarde. Por isso, “com a mesma medida com que medirdes, vos medirão também a vós”, ou seja, se ouvirmos com simpatia, informalmente e com naturalidade as confissões alheias, teremos igualmente condições de expormos nossas faltas naturalmente, sem receios infundados e com a certeza de que pelo menos uma pessoa nos ouvirá com “olhos bons”. Quando ouvimos as confissões alheias é muito comum sentirmos uma pitadinha de satisfação maldosa ou maliciosa: é como se aquelas pessoas reconhecessem que lhes somos superiores, o que, na verdade, pode ser exatamente o contrário. Chico Xavier ouvia reclamações, lamentações, ofensas, pedidos inviáveis, falas prolixas e todo tipo de inconveniências com o mesmo espírito de respeito à dignidade alheia e consideração pelas necessidades que caracterizam cada um: não se tratava de “humildade de vitrine”, mas ele aproveitava aquelas oportunidades para beneficiar os consulentes, muitas vezes, com passes espirituais, mentalizações benéficas, desobsessão e outras formas de ajudá-los. Assim também devemos proceder, dentro das nossas possibilidades. 1.3.1 - “EU A NINGUÉM JULGO” Quando Jesus aconselhou: “Não julgueis”, estava querendo ensinar a humanidade a não interferir na individualidade alheia, uma vez que, quando analisamos negativamente qualquer item da personalidade dos outros, enviamos na sua direção raios mentais que os atingem, caso estejam vibrando em faixa negativa, ou, no mínimo, se estão sintonizados em faixa superior, correm o risco de turbulências, por menores que sejam. 174 Devemos nos lembrar também de que, em qualquer dos dois casos, os primeiros a ser atingidos, com essas emissões negativas, somos nós mesmos, porque as ondas eletromagnéticas deletérias atingem o nosso próprio cérebro e o sistema nervoso, e, daí, os demais órgãos do nosso corpo físico. Ao afirmar: “Eu a ninguém julgo”, Jesus estava informando que, de forma alguma, interfere na liberdade dos Seus irmãos e irmãs, todos filhos do mesmo Pai. Assim também procedem os Espíritos Superiores, não acontecendo o mesmo com os medianos e os primitivos, os quais, a todo momento, através do pensamento, do sentimento e das ações, procuram exercer alguma forma de dominação sobre os demais seres. Devemos nos descondicionar dos reflexos automatizados, que, na verdade, nos mantêm atrelados aos impulsos primitivistas de julgar tudo e todos a todo momento, prejudicando-os e também danificando nosso próprio organismo, além de ocasionar em nós e nos desavisados em geral desequilíbrios psicológicos ou psíquicos mais ou menos graves. Esse exercício deve ser diário, a partir da conscientização de que tratamos neste estudo. Representa medida de profilaxia sanitária, independente de qualquer credo religioso ou crença filosófica, porque é matéria pertinente à própria Ciência, considerada no seu sentido mais elevado. Façamos dessa forma, e, com o tempo, teremos mais saúde e felicidade, além de proporcioná-las aos nossos semelhantes. É evidente que não conseguiremos mudar nossa realidade como num passe de mágica, mas só o desejo sincero já provoca o início da transformação do quimismo cerebral, o que, a longo prazo, faz de caluniadores, rigoristas, difamadores, maldosos e maliciosos verdadeiros abençoadores da vida alheia. 175 1.3.2 - “VAI E NÃO PEQUES MAIS” Ao invés de tecermos comentários sobre este tema, de capital importância para a auto reforma moral, iremos apenas transcrever a Introdução de um outro livro, ditado por um membro da nossa equipe espiritual: INTRODUÇÃO A expressão: “Vai e não peques mais” costuma ser interpretada como uma “determinação” do Sublime Governador da Terra aos seres humanos, os quais, todavia, na verdade, são Espíritos imperfeitos. Fica parecendo para os ortodoxos que os habitantes deste planeta, a partir dessa fala, “nunca” mais poderiam cometer nenhum equívoco moral. Todavia, pelo fato mesmo de serem imperfeitos, cometem erros, tanto quanto acertam durante sua trajetória evolutiva a partir do momento em que adquiriram a razão. Somente Jesus, dentre todos os Espíritos ligados à Terra, nunca errou. Como Espírito que seguiu esse rumo diferenciado, não por algum privilégio divino, mas por ter optado, desde o começo da Sua fase humana, livremente, pelo Bem incondicionalmente, detém determinados conhecimentos que não temos e talvez nunca venhamos a ter, bem explicado que não pela Vontade de Deus, que nunca seria parcial, mas pelos próprios méritos do Filho obediente, que nunca se enquadraria na parábola do filho pródigo, mas também não foi o irmão egoísta, que ficou em companhia do Pai somente por comodismo, mas sim se encaixaria Sua situação em outra parábola, que não foi ensinada a nós talvez por humildade do Seu protagonista, que sempre esteve ao lado do Pai ajudando Seus demais irmãos e, gradativamente, tornando-se Seu Mestre, como Ele o é. Nós, os restantes dos homens e mulheres terrenos, não fazemos a mínima ideia do que é “nunca ter 176 errado”, pois que, na nossa trajetória, temos errado incontáveis vezes, sendo que, no máximo, não por fatalidade, que não existe, mas por rebeldia nossa, gradativamente, no curso dos séculos e milênios, vamos diminuindo a quantidade e gravidade dos erros até nos libertarmos das amarras terrestres, ou seja, de um mundo onde os defeitos morais ainda se sobrepõem às virtudes, até passarmos, um dia, a merecer habitar mundos onde predominam o Bem. Teremos, para efeito deste estudo, de mencionar algumas situações reais, que mostram que até Espíritos Superiores estão sujeitos a errar, e erram realmente, mas neles prevalecem as virtudes, que superam, de muito, os equívocos que venham a praticar. Citemos como exemplo o Espírito Paulo de Tarso, que, antes do Encontro com Jesus na estrada de Damasco, cometeu atrocidades em nome da preservação da Lei Mosaica. Continuando a tê-lo como referência, podemos relatar que ele mesmo, apesar de todo o progresso realizado como o “apóstolo dos gentios” e nos séculos posteriores, apareceu, novamente, no cenário terrestre, como encarnado, no final do século XIX, na figura do sadu Sundar Singh, quando, apegado à fé hinduísta, tomou-se de ira contra Jesus e, em determinado dia, praticamente repetiu sua incompreensão daquela época anterior e dirigiu-se em pensamento a Jesus dizendo-Lhe que somente acreditaria n’Ele se Ele se mostrasse de forma explícita, completando a ousadia ao dizer-Lhe, ainda pelo fio invisível, mas poderoso do pensamento, que, caso não atendesse ao seu pedido-exigência, praticaria o suicídio, portanto, pela segunda vez, “desafiando” Aquele que, na verdade, em estado de lucidez como Espírito eterno, sem as amarras do corpo físico, tinha como seu Mestre Muito Amado. Mais uma vez repetimos que, mesmo com todo o progresso realizado em várias encarnações e com sua 177 dedicação autêntica e total a Jesus, ao encarnar novamente, passou a sofrer da mesma “miopia” espiritual em relação ao Divino Mestre. Essa a situação real vivenciada por um Espírito reconhecidamente Superior: imagine-se, agora, não mais a “miopia”, mas sim a “cegueira” quase total que oculta a Verdade quanto aos Espíritos medianos, os quais formam a maior parte da humanidade da Terra! Ao encarnarem, sua capacidade de compreensão da Verdade, ou, em outras palavras, seus compromissos morais, assumidos quando ainda no mundo espiritual, ficam sepultados sob uma montanha de atavismos arquivados do passado muito mais próximo da animalidade do que daquilo que ainda está pouco sedimentado no seu íntimo, que são as virtudes e os bons propósitos. Tentemos responder à seguinte indagação: - Quando Jesus disse: “Vai e não peques mais” estava derrogando a progressividade evolutiva, pretendendo que a humanidade atinja a perfeição em um átimo de tempo, ou seja, a partir da prática do equívoco ou o Divino Mestre simplesmente estava nos induzindo à honestidade conosco próprios a fim de cada um tentar, o máximo que consiga, ouvir e seguir a “voz da consciência”, que é Deus dentro de nós? São duas conclusões totalmente diferentes: na primeira, proibidos de errar, os seres humanos teriam de transformar-se, de seres imperfeitos em Espíritos Puros, ou, no mínimo, em Espíritos Superiores, enquanto que, na segunda, devem ficar atentos para realizarem o melhor que consigam, mesmo sabendo que “a Natureza não dá saltos”. O presente estudo pretende ser uma reflexão sobre esse assunto, que atormenta a muitos que querem ser bons e se esforçam nesse sentido, muitos deles se sentindo culpados quando erram, quando, na verdade, cada erro deve ser objeto de análise serena sob as luzes das noções da evolução e do alo e auto perdão. 178 Não estaremos incentivando a irresponsabilidade, mas sim procurando tranquilizar nossos irmãos e irmãs sobre a necessidade de cada um fazer o melhor que consegue em termos morais, todavia, sem os sofrimentos enraizados pelo complexo de culpa que trouxemos das vidas que experienciamos na Idade Média europeia, quando qualquer atitude que contrariasse os padrões obscurantistas da Igreja Católica e, pouco adiante no tempo, do Protestantismo, era considerado “pecado”. Essas correntes religiosas, se contribuíram, por um lado, para a contenção de muitos abusos da humanidade de então, por outra parte, provocaram a sedimentação de muitas fobias nas pessoas que vivenciaram aqueles períodos, inclusive no que diz respeito à sexualidade, que, até hoje, é tabu na mente de milhões de pessoas, que sofrem com o desconhecimento da sua verdadeira essência. Joanna de Ângelis, que viveu naquela época com extremos de auto rigor, agora, com uma visão muito mais ampla da Verdade, tem pregado o Auto Amor, indiretamente combatendo aquilo em que acreditava anteriormente, ou seja, que os seres humanos deveriam tornar-se “santos” e “santas” de uma hora para outra, a peso de auto castigos e castrações morais. Iniciemos, então, nossas reflexões, pedindo a bênção de Deus, nosso Criador, e de Jesus, nosso Divino Mestre, para que sejamos realmente úteis aos nossos irmãos e irmãs em humanidade com estas análises, todas baseadas na Ética do Cristo. 2 – PRECE Em qualquer manifestação de religiosidade existe sempre algum meio dos adeptos se dirigirem aos Seres por eles considerados Superiores: daí a existência das preces. 179 No caso do Cristianismo, há uma oração tida como a mais expressiva, que é “Pai Nosso”, ditada pelo próprio Divino Mestre, e que consideramos, com razão, a mais perfeita de todas, pois resume tudo que se possa dizer ao Pai Celestial. Há uma outra de grande valor, que é a “Ave Maria”, como se sabe, dirigida à Mãe Santíssima, Espírito cuja evolução sequer temos condições de avaliar, mas que se preocupa com todos os habitantes da Terra na qualidade de sua verdadeira Mãe Espiritual, a quem dedica atenções maternais, principalmente aos suicidas. Uma terceira, de imenso potencial espiritual, é a que ficou conhecida como “Prece de Francisco de Assis”. Podemos acrescentar a esse rol uma quarta, que é a “Prece de Cáritas”, muito conhecida dos espíritas em geral. Quando Tiago aconselhou a oração, sugeriu que, através dela, uns pedissem em favor dos outros. Cabem aqui as seguintes indagações: 1) os pedidos devem ser dirigidos a quem? 2) a expressão “outros” englobaria apenas os irmãos e irmãs da mesma corrente religiosa? 3) quais os tipos de pedidos devem ser feitos? Estudaremos este tema da forma mais acessível que conseguirmos. 2.1 – DEVER DIÁRIO O hábito de orar diariamente não é comum entre os ocidentais, pois encontram-se muito ligados aos interesses materiais e, na verdade, sua fé em Deus não é tão sólida quanto dizem ser: preferem confiar em si mesmos e nos recursos materiais com os quais possam contar ao invés de esperarem alguma coisa de Deus, que não veem. O materialismo é muito forte no Ocidente, apesar da imensa quantidade de correntes religiosas e filosóficas, cujo número cresce a cada dia. 180 Orar, no sentido mais elevado da palavra, é entregar-se a Deus, sem nada pretender que não seja estar em contato com nosso Pai, que nos Ama Infinitamente. O que se aconselha é iniciarmos cada dia com uma breve oração, de agradecimento ao Pai pela Vida, pelas bênçãos que recebemos e o pedido de que nosso dia transcorra pleno de realizações no Bem; e, antes de dormir, agradecer pelo dia vivido e pedir um sono reparador, a fim de que, no dia seguinte, continuemos nossas tarefas no Bem. Devemos criar esse hábito, o qual muito beneficiará a cada um em todos os sentidos. Todavia, deve haver o propósito verdadeiro de servir no Bem e não apenas relacionarmos petitórios em favor de nós próprios, dos nossos amigos e parentes. Tiago nos aconselha a orar uns pelos outros, ou seja, em favor de todo mundo, sem distinção. A oração dos egoístas contempla apenas seus afetos, mas se assemelha à do falso religioso, a que Jesus se referiu. Conscientizemo-nos quanto ao dever de orar em favor de todos, a fim de evoluirmos no Amor Universal. 2.2 – PEDIDOS EM FAVOR DOS OUTROS Se formos analisar literalmente o “Pai Nosso”, a “Ave Maria” e a “Prece de Francisco de Assis”, veremos que nelas não há nenhum pedido explícito em favor dos outros, todavia, na “Prece de Cáritas” sim. Comentaremos ligeiramente cada um dos seus tópicos: Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, As expiações, provações e missões exigem de cada Espírito muita determinação em continuar adiante, havendo momentos de insegurança e fragilidade. Chico 181 Xavier mesmo dizia que havia dias em que parecia que iria enlouquecer. Todos, indistintamente, são submetidos ao aprendizado, conforme seu nível evolutivo, o qual apresenta lições de certa dificuldade. Por isso, devemos pedir em favor dos outros a “força” necessária para continuarem evoluindo. dai a luz àquele que procura a verdade; Jesus falou: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, na qualidade de Médium de Deus, portanto, autorizado pelo Pai Celestial. Quem procura Jesus, na própria pessoa d’Ele ou de algum dos Seus discípulos, merece receber a luz do conhecimento espiritual. Trata-se de outro pedido em favor dos que são sinceros na procura de Deus. ponde no coração do homem a compaixão e a caridade! A Compaixão representa o sentimento de benevolência geral e a Caridade é mais direta no sentido de beneficiarmos os demais seres. Esses pedidos devem ser formulados em favor de todos, para que se transformem de egoístas em desapegados, de orgulhosos em humildes e de vaidosos em simples, pois, somente assim, serão felizes, realizando no Bem. Deus, dai ao viajor a estrela guia, Todos são viajores da evolução, mas necessitam de uma referência, que é o próprio Divino Mestre, quanto aos habitantes da Terra. Por isso, devemos pedir a Deus que faça nascer no íntimo de cada um a noção de que Jesus é sua “estrela guia”. ao aflito a consolação, Jesus prometeu aliviar os aflitos, ou sejam, os que estão inquietos, sendo que o melhor remédio para acalmar as aflições é compreender que “não cai uma 182 folha de uma árvore sem que Deus o permita” e que a Lei é “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Devemos pedir a Deus que console os aflitos fazendo-os compreender que tudo tem uma finalidade construtiva e o cumprimento dos deveres amaina as tempestades interiores e exteriores. ao doente o repouso. As doenças podem ter vários significados: um em Francisco de Assis, outro no paralítico que Jesus curou e que retornou à vida de despautérios e assim por diante. Em alguns a cura pode significar a queda em um abismo mais profundo ainda, enquanto que em outro a oportunidade de servir em uma área diferente, porque a doença não impede ninguém de servir pelo pensamento. O doente em favor de quem pedimos o repouso pode fazer bom ou mau uso desse descanso, seguindo no rumo do Bem ou despencando no Mal. Todavia, devemos pedir sempre que, acima de tudo, seja feita a Vontade Augusta do Pai, que Ama a cada filho e filha Infinitamente. Pai, dai ao culpado o arrependimento, Neste estudo, em que tratamos também da culpa, vem a propósito este tópico da “Prece de Cáritas”: “Pai, dai ao culpado o arrependimento.” Depois de arrepender-se deve confessar suas culpas, da melhor forma que conseguir, como estudamos no item 1, e, por fim, trabalhar no Bem, para pacificar sua consciência e contribuir para a evolução dos outros. A respeito da profundidade do arrependimento Montaigne dizia: “... para que haja arrependimento, a meu ver, é preciso que nada lhe escape, que atinja as entranhas e que magoe até onde penetra o olhar de Deus.” Ele queria dizer que deve ser profundo e abrangente de todas as facetas da situação que criamos 183 com nossa conduta, representada pela atuação mental ou material. Atentemos para este detalhe, sob pena de não conseguirmos realmente “sarar”, ou seja, evoluir. ao espírito a verdade, Todo Espírito precisa da Verdade, que é Deus, através de Jesus, que é o Caminho para chegarmos ao Pai Celestial. à criança o guia, Toda criança precisa de quem dela cuide e oriente, sobretudo pela exemplificação no Bem, muito mais do que pela mera instrução escolar e encaminhamento para o exercício de uma profissão na idade adulta. e ao órfão o pai! Podemos ser pais ou mães dos filhos e filhas dos outros, pois o parentesco físico não é o mais importante e sim o Amor Universal, que deve repletar o nosso coração. Devemos pedir a Deus que faça nascer no coração de cada um o Amor Universal. Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Não devemos pedir em favor apenas dos seres humanos, mas de todos os seres, que Deus criou, desde aqueles que se iniciam na escalada evolutiva até os mais evoluídos, pois a interdependência de todos os seres é total, conforme estabeleceu o Pai, visando a prática do Amor Universal entre todos os Seus filhos e filhas. Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem, Os homens e mulheres que procuram ignorar a existência do Pai merecem piedade, pois recusam-se a querer a aproximação de quem mais os Ama, que é Deus, que os criou e sustenta com Seu Pensamento e que, se 184 deixasse de Pensar em qualquer das Suas criaturas, ela simplesmente deixaria de existir a partir daquele momento. esperança para aqueles que sofrem. Um coração sem esperança é o caminho mais curto para os vícios, o suicídio e o crime. Devemos contribuir para que as pessoas tenham esperança na solução dos seus problemas, caso lhes seja benéfica à própria evolução. Nem sempre a solução melhor para um ser humano é aquela que ele imagina, pois há casos em que os sofrimentos representam a verdadeira prevenção de males maiores. Devemos pedir a Deus que faça cada um compreender o que é melhor para o seu progresso como Espírito imortal. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem, por toda a parte, a paz, Os Espíritos consoladores são os discípulos de Jesus, que, espalhados por toda a Terra, ensinam, sobretudo através do exemplo, a prática do Bem: eles mostram como é viver bem, ou seja, mesmo no meio das dificuldades mais pungentes, sempre visar o Bem. Assim, vivem em paz e ensinam a Paz. a esperança Os missionários de Jesus transmitem a esperança, porque mostram que todo ser humano pode ser feliz, bastando proceder no Bem. e, a fé. Eles também induzem todos à fé em si próprios, nos demais seres humanos e em Deus: sua vida é um incentivo à fé no Bem. 185 Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa Bondade fecunda e infinita, Bebendo nas “fontes dessa Bondade fecunda e infinita”, todos igualmente aprenderão a ser generosos. Note-se que Jesus recusou o qualificativo de Bom, dizendo que apenas Deus o é: aqui encontramos uma referência à Bondade “fecunda”, ou seja, produtiva, e “infinita”, ou seja, inesgotável em benefícios. e todas as lágrimas secarão, Tornando-nos generosos, nossas lágrimas secarão, porque cuidaremos das dores alheias, ao invés de concentrarmos nossa atenção nos problemas muitas vezes insignificantes ou, até, imaginários, que nos apoquentam quando somos egoístas. todas as dores se acalmarão. Confiantes em Deus, as dores ganharão uma justificativa e passaremos a aceitá-las como degraus para o nosso progresso intelectual e moral. E um só coração, um só pensamento, subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de Amor. Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos, de alguma sorte, merecer a Vossa Divina Misericórdia. São palavras de louvor a Deus e fé na Sua Bondade. Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, a fim de subirmos até Vós; 186 Neste tópico o pedido é em nosso favor, ou seja, “a força para ajudar o progresso”, “a fim de subirmos até Deus”. Esse pedido deve ser estendido aos nossos irmãos e irmãs em humanidade, a fim de que ajudem o progresso geral. dai-nos a caridade pura, Outro pedido em nosso favor é o ajudar-nos a adquirir a “Caridade pura”, ou seja, sem “a mão direita saber o que faz a esquerda”. Devemos pedir a Deus que também instile nos corações a “Caridade pura”. dai-nos a fé e a razão; A fé e a razão aparentemente se contrapõem, mas, na verdade, Allan Kardec considerou a irmandade das duas na seguinte afirmação: “Não há fé inabalável senão aquela capaz de enfrentar a razão face a face em qualquer época da humanidade”. Devemos pedir a Deus nos dê a fé e a razão na mesma proporção, o mesmo fazendo em favor dos outros. dai-nos a simplicidade, que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem. É interessante ressaltarmos que a simplicidade foi colocada no ápice das virtudes, pois somente ela nos permite refletir a Perfeição Divina. Não se trata da ingenuidade ou do descaso com o auto aprimoramento intelecto-moral, mas o abandono das vaidades, do desejo de projeção, de evidência sem utilidade para o bem comum. A simplicidade é a virtude contrária à vaidade, induzindo-nos a procurar realce apenas quando necessário a “colocar a candeia sobre o candeeiro, a fim de que dê luz a todos os que estão na casa.” 187 Assim Seja. 2.2.1 – O QUE PEDIR Nosso atual companheiro de trabalho na Seara de Jesus Michel de Montaigne, quando encarnado, aconselhava a quem ora que peça simplesmente o que mencionaremos a seguir, ao invés de formular uma série de solicitações, quase todas voltadas para os interesses materiais. Dizia ele: “... suplicamos ao Senhor que mantenha nossa consciência tranquila, livre de qualquer comércio com o mal.” Veja-se, por aí, o que também podemos pedir em favor dos outros, além de que desperte cada um para a compreensão e o cumprimento das Leis Divinas, as quais Jesus resumiu no “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Atentemos para a repercussão do que venhamos a pedir: se realmente será útil ao progresso intelecto-moral daqueles por quem oramos ou se apenas representará uma nova carga de responsabilidades para quem receberá o benefício. Quando o senador Públio Lêntulo Cornélio pediu a Jesus, sem palavras, a cura da sua filhinha leprosa, o Divino Mestre o alertou para o aumento da sua responsabilidade perante Deus. Vejamos como Emmanuel relata esse aspecto do nosso estudo: “Agora, volta ao lar, consciente das responsabilidades do teu destino... Se a fé instituiu na tua casa o que consideras a alegria com o restabelecimento de tua filha, não te esqueças de que isso representa um agravamento de deveres para o teu coração, diante de nosso Pai, TodoPoderoso!... O que pedir, inclusive em favor dos outros: eis aí mais uma grande interrogação, ou seja, um tema para 188 reflexão, em que a consciência de cada um será chamada a indicar o caminho! 2.2.2 – “PEDI E DAR-SE-VOS-Á” Jesus é quem proferiu essa afirmativa. Analisemoslhe o significado, até onde nossa compreensão consegue alcançar, pois todos os Ensinos de Jesus têm uma profundidade ilimitada, que cada Espírito percebe segundo seu nível evolutivo: assim, os Espíritos Superiores conseguem compreender muito melhor o alcance verdadeiro de cada um desses tópicos, ao contrário dos Espíritos medianos e dos primitivos. “Dar-se-vos-á” tudo o que pedirdes? – Não, mas sim tudo que vos for necessário à evolução. Por exemplo, quando Públio Lêntulo foi à procura de Jesus pedindolhe, sem palavras, a cura da filha, foi alertado de que estava sendo atendido, não o pedido dele, mas da sua esposa, que era um Espírito Superior em tarefa no mundo terreno. Então, perguntar-se-á: - Para que, então, pedir-se? A resposta é: deve-se pedir o que for útil à própria evolução e não as benesses puramente terrenas ou facilidades que redundarão em estagnação para o Espírito. Serão atendidos todos os pedidos, não da forma que, como crianças espirituais, pretendemos, mas sim conforme os “adultos”, ou sejam, os Espíritos Superiores, em nome de Deus, entenderem que melhor servirão ao progresso de cada um dos seus pupilos espirituais. Assim Jesus atendeu aos pedidos de cada um de uma forma diferente, mas nunca deixou de atender ao pedido de quem quer que fosse. A Nicodemos prestou esclarecimentos até onde ele podia compreender, a uns deu a cura do corpo, a Lázaro levantou da morte aparente, aos famintos deu de comer pães e peixes no conhecido episódio da “multiplicação dos pães”, aos que o condenaram deu o exemplo da humildade e da 189 submissão a Deus e assim por diante. Cada um daqueles Espíritos, a maioria silenciosamente, pediu-Lhe alguma coisa, um ensinamento, um rumo novo para sua vida, a Verdade, a exemplificação, irradiando interrogações do fundo da sua alma e Ele deu a cada um o melhor que cada um podia receber. Oremos a Deus pedindo que todos também peçam uns pelos outros, para aprenderem o Amor Universal. 2.2.3 – “BATEI E A PORTA SE ABRIRÁ” A “porta” é o conhecimento das Leis Divinas, escritas na consciência de cada um. Para quem “bate” conscientemente, com o sincero desejo de evoluir, a porta e ele entra por ela. Mas quem “bate” à porta de má vontade, como o fez Públio Lêntulo, esse fica do lado de fora. A verdade é que Deus não desampara a ninguém, pois todos são Seus filhos ou filhas, todavia Ele os educa conforme o tipo de receptividade que cada um demonstra: os humildes ingerem o Alimento Divino alegremente e os orgulhosos ingerem-no a contra gosto, mas, mesmo assim, ele é metabolizado pelo seu psiquismo, como aconteceu a Públio Lêntulo e, uma vez assim acontecido, o Espírito não conseguirá esquecer a faceta da Verdade que lhe foi mostrada. Repitamos: são duas situações diferentes: para uns a porta de abre de par em par e eles entram por ela; para outros ela se abre, mas ficam de fora, remoendo suas mágoas, seu orgulho e sua má vontade, até que o sofrimento lhes inspire o desejo de entrar pela porta. A Lição foi dada em linguagem figurada, mas podemos entender, através dela, que nunca a porta fica fechada quando um Espírito está em condições de dar um passo adiante na sua evolução: ele pode aproveitar ou não a oportunidade de imediato ou procrastinar sua marcha. Todavia, cedo ou tarde, “passará” pela porta. 190 Oremos pedindo ao Pai Celestial que inspire em cada um o desejo sincero de “bater” à porta da própria consciência. 2.2.4 – “BUSCAI E ACHAREIS” “Buscar” o que?: pode-se perguntar. “Achar” o que: também se pode indagar. Cada Espírito traz dentro de si a semente da evolução e, assim, como a semente comum, no seio da terra, é atraída para a superfície, o Espírito é atraído para a evolução intelecto-moral. Consciente ou inconscientemente, todos vão caminhando para a evolução: apenas se diferenciam pelo fato de uns se submeterem às Leis Divinas de boamente enquanto que outros resistem ao Tropismo que os encaminha para Deus. “Buscar” todos buscam, mas é importante que essa “busca” seja a mais proposital possível, através da autoanálise, aconselhada por Santo Agostinho, realizada pelo menos um vez por dia. A única “busca” que realmente compensa é a imersão no nosso próprio mundo interior, à procura de Deus. Devemos pedir a Deus, em nossas preces, que proporcione a cada um o desejo sincero de realizar essa “busca” e cada um “achará” conforme a sinceridade dos seus propósitos. 3 – SARAR Enquanto um Espírito não se conscientiza das suas faltas, permanece “doente” nos aspectos a elas relacionados. Sejamos mais claros: Jésus Gonçalves, cujo retrato está acima, quando em estágio avançado da hanseníase, foi cada vez mais se conscientizando dos seus defeitos morais e aceitou a doença com o máximo de serenidade possível, pois viu nela a “drenagem” da 191 acumulação psíquica negativa de muitos séculos de consagração da violência e do egoísmo. Sarar vem depois da confissão, esta última que funciona como catarse, bem como faz o Espírito crescer em humildade, ao mesmo tempo em que exemplifica que o Mal não compensa e mais outras consequências benéficas. A “cura” não se processa de imediato, pois a evolução é infinita: depois de criado, o Espírito evolui para sempre. Maria de Magdala teve de vivenciar muitas outras encarnações para se transformar em Madre Tereza de Calcutá e Zaqueu em Bezerra de Menezes. Entendamos isso, sob pena de repetirmos os pontos de vista equivocados da Idade Média, em que a ideia da “cura” miraculosa e instantânea dos defeitos morais fez muita gente adquirir complexos de culpa que até hoje reverberam no seu psiquismo, causando sofrimentos morais mais ou menos dolorosos. A expressão “sarar” deve ser interpretada como evoluir. De tempos em tempos cada Espírito é chamado, pela própria consciência, a refletir sobre sua própria vida: a desencarnação obriga os Espíritos a colocarem em um prato da balança da consciência seus progressos intelecto-morais e no outro suas carências intelectomorais. Depois dessa pesagem, orientados pelos seus Mentores Espirituais, programa-se uma nova encarnação, a fim de que, passando por determinadas experiências vivenciais, meticulosamente planejadas, evoluam mais depressa. Ninguém “sara” em pouco tempo, mas sim à medida que vai encarnando e progredindo, até o nível em que sua consciência passará a não lhe cobrar mais nada: então estará “curado”, no sentido das palavras de Tiago. Se, de um lado, devemos encarar com responsabilidade esse fato, por outro, devemos acalmar 192 nossa ansiedade, pois o progresso transcorre lentamente, segundo o calendário terreno, mas no tempo certo, no curso incessante dos milênios. Para se ter uma ideia de tempo e evolução, pensemos no seguinte: Chico Xavier, certa feita, afirmou que a diferença de idade espiritual existente entre a média dos seus amigos presentes à conversa que se realizava e a da humanidade em geral girava por volta de dez mil anos. Acreditamos que ele não tenha se incluído naquele número, pois, em caso contrário, a diferença seria maior ainda... Da encarnação de Jesus até agora passaram-se dois milênios e ainda não conseguimos pensar, sentir e agir conforme Seus Ensinamentos nem como individualidades nem como coletividade: mesmo com dois milênios de Evangelho, realizamos pouco no Bem, se compararmos com a quantidade enorme de tempo que gastamos em inutilidades e egoísmo, quando não na prática declarada ou disfarçada do Mal! Todavia, é preciso começarmos a investir na nossa “cura”, para deixarmos de sofrer os golpes de retorno da Lei de Causa e Efeito. Se não nos arrependemos, não confessamos nossas culpas e não investimos na reparação, carreamos para a nossa vida os sofrimentos físicos e morais que nos farão, mais cedo ou mais tarde, ingressar nas hostes do Bem. Se já estamos investindo no Bem de forma permanente, diária, persistente, continuemos indo adiante, porque a “cura” estará se processando, mudando nosso destino para melhor, pois o destino se constrói a cada minuto. A hora de começar é agora: não deixemos para o dia seguinte, pois amanhã as condições poderão não estar favoráveis! 3.1 – A EVOLUÇÃO 193 Precisamos entender claramente o que é a evolução. Emmanuel afirma, numa bela figura de linguagem, que o Espírito tem duas asas: a inteligência e a moralidade, sendo que a primeira significa o nível de conhecimento teórico e prático que decorre da vivência de cada minuto, enquanto que a segunda é consequência da opção de pensar, sentir e agir conforme as Leis de Deus. Com a simples vivência, mesmo que ociosa ou maldosa, o Espírito evolui intelectualmente, mas só evoluirá moralmente quando se decidir a pensar, sentir e agir no Bem. Ninguém, na verdade, estaciona, porque, mesmo a prática do Mal, ao gerar o sofrimento, faz o Espírito concluir que deve optar pelo Bem. Deus impulsiona todos os seus filhos para o progresso. Cada um deve analisar-se e verificar se está realmente investindo no próprio progresso intelectomoral, pois chegará fatalmente a hora da desencarnação e será grande o sofrimento dos que não cumpriram seu programa de realizações: não queiram conhecer “ao vivo e a cores” esse julgamento da consciência! Antecipem-se, invistam em si próprios, ao invés de deixarem o tempo se escoar vazio de boas realizações dentro e fora de si próprios! 3.1.1 – O DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL O desenvolvimento intelectual normalmente antecede o moral, pois, rebeldes como são os seres humanos da Terra - com exceção de Jesus, que desenvolveu uma trajetória retilínea - primeiro erramos para depois aprendermos que o Mal não compensa e, então, começamos a pensar, sentir e agir no Bem. Assim é que o nível intelectual dos habitantes da Terra é relativamente avançado, mas a evolução espiritual deixa muito a desejar, fazendo com que a vida 194 de quase todos decorra de uma forma insatisfatória, por força dos defeitos morais, que, a cada momento, se revelam, provocando incidentes negativos e sofrimentos para nós e para os outros. Somente ser inteligente não faz alguém ser feliz. A felicidade decorre do cumprimento das Leis de Deus, que Jesus resumiu no “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Aprendamos essas lições, pois, somente assim, sairemos da roda das reencarnações provacionais e passaremos a reencarnar em cumprimento de missões meritórias no Bem! 3.1.2 – O DESENVOLVIMENTO MORAL De “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, extraímos os seguintes excertos: Na questão 629 dá-se o conceito de Moral: "A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus." Na questão 630 faz-se a distinção entre o Bem e o Mal: "O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-la." Na questão 631 responde-se se o homem tem capacidade para distinguir o Bem e o Mal: "Sim, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu inteligência para distinguir um do outro." Na questão 632 dá-se a regra segura para não se equivocar na apreciação entre o Bem e o Mal: "Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis." Na questão 633 explica-se como proceder na distinção entre o Bem e o Mal quando se trata de conduta que envolva apenas a própria pessoa: 195 "Quando comeis em excesso, verificais que isso vos faz mal. Pois bem, é Deus quem vos dá a medida daquilo de que necessitais. Quando excedeis dessa medida, sois punidos. Em tudo é assim. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades. Se ele ultrapassa esse limite, é punido pelo sofrimento. Se atendesse sempre à voz que lhe diz - basta, evitaria a maior parte dos males, cuja culpa lança à Natureza." Na questão 634 fala-se sobre porque Deus permite a existência do Mal e porque não criou perfeitos os seres: "Já te dissemos: os Espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa que o homem escolha o caminho. Tanto pior para ele, se toma o caminho mau: mais longa será sua peregrinação. Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer; se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito ganhe experiência; é preciso, portanto, que conheça o bem e o mal. Eis por que se une ao corpo." Na questão 636 diz-se se o Bem e o Mal são absolutos: "A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem é sempre o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade." Na questão 639 trata-se da culpabilidade das pessoas que agem premidas por determinadas circunstâncias: "O mal recai sobre quem lhe foi o causador. Nessas condições, aquele que é levado a praticar o mal pela posição em que seus semelhantes o colocam tem menos culpa do que os que, assim procedendo, o ocasionaram. Porque, cada um será punido, não só pelo mal que haja feito, mas também pelo mal a que tenha dado lugar." 196 A questão 641 trata da culpabilidade de pensar-se em fazer o Mal: "[...] Há virtude em resistir-se voluntariamente ao mal que se deseja praticar, sobretudo quando há possibilidade de satisfazer-se a esse desejo. Se apenas não o pratica por falta de ocasião, é culpado quem o deseja." A questão 642 esclarece se há valor em simplesmente não se praticar o Mal sem praticar também o Bem: "Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem." A questão 646 explica que uma mesma atitude é considerada mais ou menos meritória de acordo com o grau de dificuldade em agirmos bem: "O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva." A questão 647 diz da necessidade do esclarecimento maior da máxima do Amor ao próximo ensinada por Jesus: "Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens uns para com os outros. Cumpre, porém, se lhes mostre a aplicação que comporta, do contrário deixarão de cumpri-lo, como o fazem presentemente. Demais, a lei natural abrange todas as circunstâncias da vida e esse preceito compreende só uma parte da lei. Aos homens são necessárias regras precisas; os preceitos gerais e muito vagos deixam grande número de portas abertas à interpretação." 3.1.3 – A INTERDEPENDÊNCIA DOS SERES 197 Montaigne, nosso companheiro de trabalho, ditou, pelo médium que ora nos serve, um livro com esse título, que pode ser baixado da internet e lido do seguinte endereço: luizguilhermemarques.com.br e também da Biblioteca Virtual Espírita. Ali, o querido companheiro expõe suas reflexões sobre o quanto os seres todos criados por Deus estão ligados pelo fio invisível das emanações psíquicas, interagindo constantemente, o que deve fazer com que cada um procure dar o melhor de si aos outros a fim de ser evoluir e viver feliz. Mencionemos aqui apenas a frase da quarta capa do livro: “A troca incessante de emanações psíquicas, na vivência diária, é que sustenta os seres, proporcionando felicidade aos que doam aos outros o melhor de si.” 4 – OS JUSTOS A expressão “justo” tem sido atribuída a pessoas que simplesmente analisam situações e as demais pessoas como se estivessem resolvendo friamente um problema de Matemática. Não terá sido esse o sentido que Tiago quis dar à palavra quando fez a afirmação de que: “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” Quando Jesus apresentou os traços identificadores dos Seus discípulos disse: “Reconhecereis Meus discípulos pelo muito Amor que manifestarem.” Portanto, podemos concluir que as preces feitas por quem muito Ama pode muito nos seus efeitos. Não pretendemos mergulhar na pesquisa dos textos antigos para procurar interpretar literalmente a expressão que ora é estudada: seria uma forma de polemizar, ao invés de evangelizar. Infelizmente, sempre houve quem estudasse a Boa Nova como se estivesse tratando de mais um ramo do Conhecimento terreno, como a Matemática, a História, a 198 Geologia etc., sendo que Jesus mesmo aconselhou que interpretássemos Suas Lições com “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, ou seja, focalizando a finalidade evangelizadora, quer dizer, espiritualizante. Se o apóstolo utilizou a expressão “justo” ou outra qualquer, não faz diferença, porque o que potencializa uma prece é o nível espiritual de quem a profere: se se trata de um Espírito Superior, portanto, pleno de Amor Universal, ele somente pedirá o que é consentâneo com as Leis Divinas, naturalmente. Todavia, todos, sejam mais evoluídos ou não, sempre são ouvidos em suas rogativas ao Pai Celestial. O apóstolo Tiago deve ter pretendido incentivar-nos a sermos “justos” no sentido evangélico da palavra e, assim, acreditamos que a frase “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.”, se não tivesse sido enunciada, em nada prejudicaria o início da sua orientação: “Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis.” 4.1 – “RECONHECEREIS MEUS DISCÍPULOS PELO MUITO AMOR QUE MANIFESTAREM” Para analisarmos as afirmações de Jesus devemos considerar, em primeiro lugar, que as palavras são insuficientes para representar Suas Ideias, uma vez que se trata de uma linguagem primária, tanto que, entre os Espíritos Superiores, a linguagem utilizada é a do pensamento, e, em segundo lugar, não temos condições intelecto-morais de compreender as Leis Divinas em toda a sua profundidade, sendo que, por isso, Jesus resumiuas no “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, sendo essa a maneira mais acessível que encontrou de nos ensinar, digamos, a escrever a letra “a”, no processo da nossa alfabetização espiritual. 199 A diferença de idade espiritual entre nós e Jesus é inimaginável, podendo-se entender que sequer existíamos como seres enquanto Jesus já era um Espírito Puro. As questões de idade, tempo, espaço e outras assemelhadas estão muito acima da nossa capacidade de compreensão, principalmente quando estamos encarnados, portanto, limitados pelos cinco sentidos. A expressão que ora estudamos está ao alcance do entendimento de todas as pessoas e, por enquanto, basta entendermos que devemos Amar todos os seres da Natureza, porque, assim procedendo, no decurso dos milênios, iremos compreendendo outras ideias mais complexas. “A cada dia basta o seu cuidado” pode ser interpretado também como: cumpram seu programa de trabalho no nível evolutivo em que estão e deixem as questões que não lhes competem para os mais evoluídos resolverem. “A Natureza não dá saltos” é outra grande lição, no sentido de fazermos o que nos compete e não estar a esmiuçar o que nossos neurônios não comportam. Os discípulos (alunos) de Jesus, na verdade, são todos os seres colocados por Deus sob Sua responsabilidade, como Divino Governador da Terra, e não apenas os seres humanos e, muito menos, somente aqueles que muito Amam: trata-se de uma linguagem figurada, todavia útil para nos induzir a Amar a todas as criaturas de Deus, que são nossos irmãos, como bem afirmava Francisco de Assis. 5 – PODER ESPIRITUAL Somente Deus tem Poder, pois Ele cria, através do simples ato de Pensar, e mantém cada ser como tal pelo fato de continuar Pensando em cada um como um ser individualizado. 200 Suas criaturas, inclusive os Espíritos Puros, apenas trabalham os elementos existentes no Universo, em obediência direta às Leis Divinas, mas não têm poder, no sentido de decidirem arbitrariamente, sem obedecerem às Leis Divinas. Por isso Jesus, nos orientando, afirmou: “Eu, de Mim, nada posso.” Se Jesus assim disse quanto a Si mesmo, que poder teremos: nós que sequer sabemos ao certo quem somos, uma vez que desconhecemos nossas aquisições intelectomorais, arquivadas no fundo da nossa memória espiritual? Devemos reconhecer, humildemente, nosso primarismo intelecto-moral, uma vez que até Espíritos da envergadura de um Chico Xavier se julgam, acertadamente, verdadeiras insignificâncias perto da grandeza de outros Espíritos que lhes são superiores: essa humildade já representa um início de expressiva evolução espiritual. Chico Xavier afirmou, certa vez, que Emmanuel se apresenta de joelhos diante de Ismael: eis uma constatação de como há diferença gritante de graus evolutivos, que começam no infinito para Baixo e terminam no infinito para Cima, ou seja, não há como se identificar o começo e o final da escala evolutiva, pelo menos para Espíritos medianos. Os Espíritos Superiores nunca se arrogam poder algum, mas, ao contrário, dizem sempre que são meros servidores humildes de Jesus ou de Deus. A arrogância representa um sinal evidente de inferioridade intelecto-moral, decorrente da ignorância da própria pequenez. 5.1 – “EU, DE MIM, NADA POSSO” Jesus também disse: “Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me 201 enviou.” Essa expressão complementa a primeira: o que seria a “vontade” de um Espírito Puro? O que seria a Vontade de Deus? Por mais que se proponha a fazer o Bem à humanidade da Terra, Jesus nunca conseguiria cumprir Sua Tarefa, na qualidade de seu Divino Governador, se não consultasse sempre a Vontade do Pai Celestial para poder nunca se equivocar. Trata-se de encaminhar a evolução de “nonilhões” (usemos essa expressão, por falta de outra melhor) de seres sob Sua responsabilidade, desde os mais rudimentares até os seres humanos. Jesus não é responsável pela evolução apenas dos seres humanos que habitam este planeta, mas de todos os demais, inclusive os mais primitivos: é importante que entendamos isso. Ele encaminha cada um desses seres de uma forma compatível com sua capacidade de assimilação. Sua Felicidade consiste em cumprir a Vontade do Pai. Devemos nos esforçar por fazer o mesmo, dentro das nossas limitações de Espíritos que agora é que estão dando os primeiros passos na própria evangelização. 5.2 – “NÃO CAI UMA FOLHA DE UMA ÁRVORE SEM QUE DEUS O PERMITA” Em “A Grande Síntese” Jesus afirma: “A Lei é Deus. Ele é a grande alma que está no centro do universo. Não centro espacial, mas centro de irradiação e de atração. Desse centro, Ele irradia e atrai, pois Ele é tudo: o princípio e suas manifestações. Eis como Ele pode — coisa inconcebível para vós — ser realmente onipresente.” Sem o estudo dessa obra não há como alguém poder dizer que conheça, pelo menos razoavelmente, as Leis Divinas, que Jesus, há dois milênios, resumiu no “Amor 202 a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” Como sempre afirmamos, há, no meio espírita, muita resistência à ideia do estudo dessa obra, apesar de saberse que foi ditada por Jesus, conforme garantido por Emmanuel, através de mensagem ditada através de Chico Xavier. Tal resistência se deve a uma pitada de farisaísmo, pois muitos desses opositores amam demasiadamente o poder, reminiscência inconsciente do passado de mandos e desmandos, em que impunham sua vontade, utilizando indebitamente o Nome de Deus e de Jesus. Quem pretenda conhecer mais as Leis Divinas deve estudar as obras da Codificação Espírita e “A Grande Síntese”, psicografada pelo médium italiano Pietro Ubaldi. 5.3 – CAMPO DE ATUAÇÃO DE CADA ESPÍRITO Aqui também temos de recorrer às obras da Codificação e à referida obra psicografada por Pietro Ubaldo. Todavia, podemos complementar com a afirmativa de Jesus: “A cada um será dado de acordo com suas obras”. Quanto mais obras um Espírito tiver realizado no Bem maior será sua área de atuação, pois tudo que fizer será em favor dos que precisam da sua inteligência e bondade. Os Espíritos Superiores, como Bezerra de Menezes e outros, têm um campo de atuação muito amplo, porque, tal como um Jesus em miniatura, afirmam: “Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” 6 –EXEMPLOS PARA SEGUIRMOS “Se a palavra convence, o exemplo arrasta”: diz o provérbio. Estudar a biografia dos homens e mulheres 203 que se destacaram pela prática do Amor Universal é um dos mais importantes investimentos, pois ali vemos que é possível a prática de tal virtude. Relacionamos abaixo alguns homens e mulheres que exemplificaram a confissão e a prece, a fim de que os prezados leitores se mirem neles e invistam, dentro do possível, nessas duas áreas da evolução. 6.1 – CONFISSÃO Não basta alguém arrepender-se e efetuar a reparação dos males que causou, sendo necessário que entre ambas as iniciativas esteja a confissão como forma de lavar as sujidades acumuladas no nosso interior e, ao mesmo tempo, exemplificar para os nossos irmãos e irmãs no sentido dos benefícios do Bem e das desvantagens do Mal, dentre as quais, quanto ao Mal, o “peso na consciência”. O receio de confessar suas culpas é sinal de falta de autoconfiança e fé em Deus, pois, na verdade, tirante a figura pura de Jesus, nenhum ser que passou pela Terra deixou de errar com maior ou menor gravidade: somos todos aprendizes na Escola da Evolução, variando apenas de grau a diferença entre os Espíritos Superiores e os medianos e primitivos. Normalmente, os Espíritos Superiores são muito mais antigos que nós e aprenderam mais, acertando e errando. Os que são menos evoluídos que nós costumam ser Espíritos mais jovens, portanto, menos experientes. Veremos alguns casos de Espíritos de uma superioridade incontestável, que confessaram a todos suas culpas. 6.1.1 – SANTO AGOSTINHO Aquele que ousou revelar sua tendência para a sexolatria, foi um dos primeiros a confessar publicamente essa inclinação, que, aos poucos, foi-se diluindo, à 204 medida que ele investia na auto análise e esforço pelo próprio aprimoramento moral. Seu livro “Confissões” deveria ser lido por todos os espíritas e pessoas em geral, a fim de melhor lidarem com a questão da sexualidade, sem exageros para mais ou para menos. 6.1.2 – YVONNE DO AMARAL PEREIRA A missionária amorável do Bem trazia de muitas vivências passadas a inclinação para a infidelidade conjugal, mas esforçou-se por vencê-la, mas teve a coragem suficiente para revelar que quase sucumbiu novamente, quando programou o já mencionado com seu noivo espiritual, que, no estado de encarnado, era casado com outra mulher; todavia, antes de dar o desastroso passo em falso, de encontra-lo pessoalmente, voltou atrás e conseguiu terminar a encarnação sem comprometer-se espiritualmente nesse ponto. 6.1.3 – MOHANDAS GANDHI O grande missionário da não-violência confessou que, mesmo sendo casado, foi a uma casa de prostituição, mas desistiu de praticar o adultério e voltou para casa. São exemplos de verdadeira coragem: a de mostrarem-se como verdadeiramente são: falíveis, apesar de bem intencionados e constantes na vivência do Bem. 6.1.4 – EMMANUEL Emmanuel retratou-se com toda fidelidade à verdade ao relatar fatos das suas encarnações como Públio Lêntulo Sura e Públio Lêntulo Cornélio, na sua obra “Há Dois Mil Anos”, psicografada por Chico Xavier. Sua confissão drenou-lhe da consciência as acumulações de culpa, que deveriam martirizá-lo ainda, apesar de todo o progresso espiritual realizado. 205 6.2 – PRECE Se a confissão é necessária para alívio da consciência, a prece é imprescindível para adquirirmos a força interior suficiente para todo o processo evolutivo (curativo). Quando Jesus aconselhou: “Vigiai e orai a fim de não cairdes em tentação” estava introduzindo a prece e a auto análise como requisitos para chegarmos à reparação. Veja-se, portanto, que, além da confissão e da prece, ao lado do arrependimento e da reparação, há ainda a vigilância (auto análise). Não estudaremos, todavia, neste livro, sobre a vigilância, pois iria engrossar mais ainda nosso opúsculo, que pretende ser apenas uma cartilha de alfabetização espiritual. 6.2.1 – CHICO XAVIER A vida de Chico Xavier foi totalmente diferente da imensa maioria dos homens e mulheres de todos os tempos, a começar pelas três surras diárias que levava da madrinha durante o tempo em teve sob sua guarda, sem contar as vezes em que ela lhe enfiava um garfo no abdômen, tendo o menino, de cinco anos de idade, de andar dentro de casa com aquele instrumento pendurado, num espetáculo deprimente de crueldade, sem nunca ter reclamado da dor que sentia, o que redundou na formação de uma hérnia, somente operada na idade adulta, daí a algumas dezenas de anos. Assim preparado para não falhar, em hipótese alguma, na tarefa importantíssima que trouxe para sua encarnação, suas orações representavam exatamente o que Tiago ensinou: “A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” 206 O muito Amor que sentia por todos os seres da Criação não era menor que o de Francisco de Assis, manifestado em cada minuto da sua longa encarnação. Estudemos a biografia de Chico Xavier como fonte de referência e sigamos sua exemplificação de vida, dentro das nossas possibilidades, para evoluirmos mais depressa. Dentre os livros escritos sobre Chico Xavier queremos pedir a atenção dos prezados leitores para os escritos por Nena Galves, intitulados: “Até Sempre, Chico Xavier” e “Chico Xavier – luz em nossas vidas”. 6.2.2 – SOS PRECE Trata-se de uma das mais importantes iniciativas de determinados Centros Espíritas, funcionando, muitas vezes, em regime de “vinte e quatro horas”. Quantas pessoas foram preservadas do desespero e do suicídio ao ouvirem uma palavra repassada de Caridade! Deus abençoe aqueles que exercem esse serviço voluntário de Amor Universal! 6.2.2.1 – VOLUNTÁRIOS Bem aventurados os voluntários, que, de variadas formas, trabalham para a implantação de uma mentalidade de serviço ao próximo, contribuindo para a elevação do nível espiritual da Terra! A eles se aplica as palavras de Jesus: “Todas as vezes em que beneficiardes a um destes pequeninos é a Mim que o fazeis.” Vemos uma quantidade enorme de pessoas vivendo em estado de sofrimento, vítimas da solidão, mas que, saindo da auto piedade desarrazoada, poderia desenvolver tarefas filantrópicas junto a algumas das milhares ou milhões de Entidades Caritativas espalhadas pelo mundo afora. 207 Com razão, Joanna de Ângelis diz: “Só é solitário quem não é solidário.” .......................................................................... NOTA [*] “A Grande Síntese” pode ser baixada da internet através de vários endereços, além de poder ser adquirida, em formato de livro de papel, junto à própria editora da Fundação Pietro Ubaldi – FUNDAPU. TERCEIRA PARTE: APRENDENDO A LIDAR COM O PENSAMENTO CAPÍTULO I – O QUE É O PENSAMENTO Vamos transcrever uma parte do livro “A Sugestão Mental”, que o cientista Julian Ochorowicz escreveu, quando encarnado. Por aí se vê a complexidade da questão, mas também como uma pessoa pode influir na vontade de outra. Pretendemos, com isso, mostrar para os prezados leitores, que, com o conhecimento aprofundado da técnica adequada ou casualmente, acabamos interferindo no campo mental alheio e, ao mesmo tempo, recebemos as induções mentais de outras criaturas humanas de boa ou de má índole. Por isso, devemos vigiar os próprios pensamentos, a fim de não fazermos o mal aos outros, bem como nos isolarmos dos maus pensamentos alheios, para não sermos prejudicados por eles. Viajam pelo Universo inteiro todos os nossos pensamentos, emitidos desde que passamos a existir, o mesmo acontecendo com todas as outras criaturas, e não só as humanas, mas realmente todas. Todas as emissões vibracionais que emitimos, por outro lado, estão registradas no nosso íntimo, tanto quanto as vibrações que assimilamos dos outros aí estão arquivadas. Daí termos de nos livrar das impregnações negativas, que são objeto deste estudo e tal somente se faz possível através de ajuda espiritual e vontade firme de auto reformar- 208 se moralmente, tudo, evidentemente, sob o Olhar de Deus, cuja Justiça de Amor e Caridade identifica o momento da libertação de cada criatura e a cura só acontece nesse momento. Vejamos, então, o que diz Ochorowicz: “CAPÍTULO III A sugestão mental verdadeira Dediquei minha atenção a uma dama afetada de histeroepilepsia e cuja doença, já antiga, foi agravada por acessos de mania de suicídio. A Sra. M., de 27 anos, forte e bem constituída, tem a aparência de uma saúde perfeita. Ataques convulsivos de grande histeria datam da infância. Influências hereditárias muito fortes. Há algum tempo, além dos ataques clássicos em muitos períodos, acessos de loucura com congestões dos lobos anteriores e anemia dos lobos posteriores. Desmaios nervosos paralíticos e acessos epileptiformes de curta duração. Um só ponto histerógeno abaixo da clavícula esquerda. Um ponto delirógeno no occiput direito correspondente à fossa occipital superior. Nada de anestesia. A pressão ovariana detém o ataque momentaneamente. Sensível ao estanho, mas também a outros metais em graus diferentes e inconstantes. Temperamento ativo e alegre unido a uma extrema sensibilidade moral, interior, isto e, sem sinais exteriores. Caráter verídico por excelência, tendência ao sacrifício. Inteligência notável, talento, sentido de observação. Em momentos, falta de vontade, indecisão penosa, depois uma firmeza excepcional. Um certo dia, ou melhor, uma certa noite, terminado seu ataque (inclusive a fase de delírio), a doente adormeceu tranquilamente. Subitamente despertou e eu e seu amigo chegamos junto dela. Ela pediu-nos que fôssemos embora, que não nos preocupássemos. 209 Insistiu tanto que, para evitar uma crise nervosa, saímos. Desci lentamente a escada (ela morava no terceiro andar) e de vez em quando eu apertava a orelha, perturbado por um mau pressentimento (ela havia se ferido várias vezes, anteriormente). Chegado ao fim, parei ainda uma vez, pensando se devia partir ou não. De repente a janela se abre com estrondo e eu percebo o corpo da doente se inclinar para fora. Corro para o ponto em que ela poderia cair e, maquinalmente, concentro minha vontade no objetivo de me opor à queda. Era algo insensato. Entretanto a doente, já inclinada, se detém e recua lentamente. A mesma manobra recomeça cinco ou seis vezes até que a doente, como fatigada, fica imóvel, as costas apoiadas contra o caixilho da janela, sempre aberta. Ela não me podia ver, pois era noite e eu estava numa parte mais escura. Nesse momento a Srta. X, amiga da doente, correu e tomou-a pelos braços. Eu as ouvi se debaterem e subi rapidamente as escadas. Encontrei a doente numa crise de loucura. Ela não nos reconheceu. Só consegui afastá-la da janela aplicando a pressão ovariana, o que a fez cair de joelhos. Provoquei a contratura dos braços e consegui adormecê-la. Uma vez em sonambulismo, sua primeira palavra foi: – Obrigada e perdão. Então contou que ela queria atirar-se da janela, mas que cada vez que tentava, sentia-se “erguida” por uma forca que vinha “de baixo”. – Por alguns momentos, disse ela, pareceu-me que você estava a meu lado e que não queria que eu saltasse. Essa experiência não era suficiente para provar uma ação à distância. Mas me sugeriu a ideia de um novo estudo da questão. Eu tinha o hábito de adormecer a doente cada dois dias e deixá-la num sono profundo enquanto tomava notas. Eu 210 podia ter certeza de que ela não se moveria, nessas sessões, antes que me aproximasse dela, para provocar o sonambulismo. Então preparei uma experiência, sem contar a ninguém meu projeto. Adormeci-a e, depois de tomar algumas notas, sem mudar de atitude (eu estava a alguns metros de distância, fora de seu campo visual), fingi que escrevia, mas interiormente concentrei minha vontade numa ordem dada. Ordenei mentalmente que ela levantasse a mão direita e no segundo minuto ela agitou a mão direita. Recomecei, mandando que ela se levantasse e viesse até mim. Ela se levantou com dificuldade e veio até onde eu estava, a mão estendida. Eu a reconduzi para seu lugar e ordenei (sempre mentalmente) que ela tirasse o bracelete de sua mão esquerda e me entregasse. Ela estendeu a mão esquerda, depois retirou, vacilando, o bracelete, entregando-o a mim. Continuei dando ordens e ela cumpria, como estender-me a mão direita (ela estendeu a esquerda), sentar-se a meu lado etc. Em seguida declarou-se o sonambulismo ativo e ela conversou agradavelmente. Não me obedecia mais e disse: – Agora vou dormir. Observei alguns traços de um ataque durante o sono e depois ela pareceu acordar. – Tenho um tique-taque na cabeça que não me deixa dormir. Não quero mais dormir. Sente-se a meu lado. No dia seguinte, 3 de dezembro, ela adormece pelo olhar e cai num sono muito profundo. Recomeço a experiência e ordeno que ela me dê a mão direita. Nada. Qualquer mão! Ela, então, estende a mão esquerda. Se eu lhe falo tocando-a, ela me responde; se eu lhe falo sem tocá-la, ela não ouve senão sons incompreensíveis. Digo-lhe que devo retirar-me por 15 minutos, mas, uma vez fora, eu tento chamá-la mentalmente. “Venha a mim!”. Ela se agita. 211 Nesse momento a experiência é interrompida por um acidente curioso. A ação à distância provoca nela uma hiperestesia geral e nesse estado “ela se sente incomodada por alguma coisa à direita”, sente “um odor insuportável”, ouve “um ruído imaginário provocado pela congestão cerebral que a impede de me ouvir”. Diz! “Alguma coisa me impedia... alguma coisa de que você não gosta.” – O que é? – Não sei, mas quero que me livre disso. Faz gestos repulsivos à direita. Vejo que no móvel onde há flores está uma planta nova. Retiro-a. – Ah, finalmente – diz ela –, obrigada. Eu quase tive um ataque. Era uma planta que lhe havia sido dada naquele mesmo dia, por uma amiga que ela amava muito quando no seu estado normal, mas a quem não suportava quando em sonambulismo. Eu sabia disso, mas não podia imaginar que um objeto pertencido a essa pessoa pudesse provocar a mesma repulsa. Pensei então na ação do odor dessa planta, mas ela não tinha cheiro algum. Passei a fazer, então, uma série de experiências com objetos procedentes dessa mesma pessoa, misturando-os com outros. Coloquei, por exemplo, ao lado da doente, mas um pouco longe, no canapé, um rolo de músicas para piano trazidas por essa mesma pessoa. E ela fez um gesto, dizendo que se sentia mal. O mesmo em relação a outros objetos. Jamais ela adivinhou o que era, mas sempre sentia uma influência antipática. Devo acrescentar que esta jovem amava muito a Srta. M. e que ela sentia ciúmes da influência que eu exercia sobre minha paciente. No dia 7 de dezembro, depois de mais uma experiência no dia 5, a doente está em estado de a-ideia, os braços rígidos, as pernas um pouco esticadas. Ordeno 212 mentalmente que ela se levante, vá ate o piano, apanhe uma caixa de fósforos, venha até mim, acenda um deles e volte para o seu lugar. Ela se levanta com dificuldade, aproxima-se de mim, vai ao piano mas passa adiante (eu continuo ordenando mentalmente), seu braço se ergue, toca a caixa, apanhaa, vem a mim e quer entregá-la. Eu ordeno que ela acenda. Ela acende e volta ao seu lugar. Nova experiência no dia 11 de dezembro, na presença do engenheiro Sosnowski. Adormeço a doente e demonstro os três estados principais: 1o) a-ideia (sem pensamento, sono profundo); 2o) monoideia (uma só ideia possível); e 3o) poli-ideia (sonambulismo). Ordeno-lhe, depois de adormecê-la, que venha até mim e ela vem, que estenda a mão ao engenheiro. Ela estende. Nesse momento ela abre os olhos, pois o contato com uma pessoa estranha lhe provoca uma sensação desagradável. Novas experiências, nas quais ela obedece, em estado de sonambulismo, a quase todas as minhas ordens. Mas contra algumas se rebela. Numa ocasião ela adivinhou meu desejo. Perguntei o que eu queria naquele momento e ela declarou: “Você quer um pouco de vinho no seu chá.” E era correto. Fico por aqui. A historia dessa doente foi das mais instrutivas para mim. Tenho sobre ela um volume inteiro de notas, tomadas na hora. Só relato aqui as experiências essenciais que têm relação direta com a transmissão psíquica, para não complicar demais. Para mim essas experiências foram decisivas. Tive, afinal, a impressão pessoal, ha tantos anos procurada, de uma ação verdadeira, direta, indubitável; com a certeza de que não houve nem coincidências fortuitas, nem sugestões por atitudes, nem outra causa de erro possível. Para mim, tudo foi relativamente claro; é preciso considerar a transmissão mental como uma espécie de 213 audição, guardadas, é claro, as proporções. Não se ouve quando se e surdo e não se ouve quando se esta distraído. É-se surdo a uma transmissão de pensamento desde que se durma tão bem que o cérebro não funciona nada. Como querer que um paciente mergulhado numa a-ideia paralítica profunda obedeça a um pensamento se ele não ouve nem à viva voz? Ele é surdo. Também as sugestões mentais são mais difíceis nesse estado do que no estado de vigília e, em consequência, aqueles que imaginam que é suficiente adormecer alguém magneticamente para torná-lo sensível à ação enganam-se. Não se ouve quando há barulho demais e um sujeito hipnotizado não ouvirá seu pensamento porque ele está à mercê de todo mundo, porque ele tem sensações fortes e diferentes demais. Em consequência, mesmo que você deixe o sujeito hiperestesiado, pela fixação de um objeto brilhante, por exemplo, você não o tornará facilmente sensível às influencias mínimas pessoais, tais como a ação do pensamento. Não se ouve quando se está distraído porque uma ação exclui a outra. Aquele que fala ouve mal. Os sonhos do sonambulismo ativo, sendo mais vivos do que no estado normal, sendo quase sempre sonhos falados, se opõem mais a uma percepção delicada do que em estado de vigília. Em consequência, é inútil tentar a sugestão mental direta num sonâmbulo que fala com vivacidade, que executa um projeto sonambúlico qualquer; ele não ouvirá. Sua atenção não é nula como num hipnotizado, mas – o que é pior para o objetivo que se tem em mira –, ela é dirigida para outra parte qualquer. Assim, apesar das aparências favoráveis (ele pode ouvir sempre seu magnetizador), o estado de poli ideia fortemente ativo não convém as experiências mais do que uma a ideia paralítica. 214 Restam os estados intermediários. Certos sujeitos, capazes de apresentar fases opostas de a-ideia e de poli ideia, não passam diretamente de uma para outra. Eles param, mais ou menos por um tempo longo, na fase monoideia. Não se trata de uma inércia, de uma paralisia completa do cérebro, mas de um cérebro que concentra toda sua ação funcional e só pode concentrá-lo numa só ideia, única, dominante. Ela é dominante, não sendo contrabalançada por nenhuma outra. Ela é alucinatória pela mesma razão e pela vivacidade, pela vitalidade fisiológica de um cérebro que está repousando melhor que de hábito (sem nenhuma ideia). É preciso, pois, pouca coisa para pô-lo em funcionamento. Um nada o abala, um nada o domina. É o momento das sugestões. Das sugestões mentais? Sim e não. Esta fase é ainda mais complicada do que parece. O estado monoideico pode ser duplo; ele pode ser ativo e passivo. O monoideísmo é ativo se se aproxima do poli-ideismo, permanecendo como está. Ele se aproxima por uma preponderância muito grande de uma só ideia, associada a algumas outras muito fracas. É o chamado estado de monomania sonâmbula. As ideias fracas pertencem ao mundo real, a ideia forte à imaginação. Ele não pode, por isso, se conduzir tão bem no meio real como um sonâmbulo ativo propriamente dito, pois este reflete, percebe, evita os obstáculos e cumpre um trabalho difícil. Mas se ele vê (mal) um objeto qualquer, seu sonho pode persuadi-lo facilmente de que se trata de um livro, uma lanterna ou um pássaro e então ele cumprirá um certo número de atos, apropriados à sua visão. Esse estado de alucinação espontânea não é mais favorável à transmissão mental do que o poli-ideismo ativo, onde ele não está mais do que um grau inferior 215 como lucidez, mas mais avançado e mais isolado como vivacidade das sensações. O monoideísmo passivo, ao contrário, se aproxima mais da a ideia, precisamente por seu caráter de passividade, de inércia. A vivacidade de sensações é a mesma. Mas elas não podem mais nascer por si mesmas, elas devem ser sugeridas e o são com extrema facilidade. Tudo o que você diz é sagrado. Tudo o que você deixa adivinhar é já obrigatório e a adivinhação se cumpre, não por uma reflexão, mas por associações inconscientes, imperceptíveis, que enganam, que aparecem e desaparecem, tão logo sua tarefa seja cumprida. Pois este estado e, por assim dizer, ainda mais monoideico do que o precedente. As ideias fracas, acessórias, são quase imperfeitas. E é sempre um estado de tensão, de tensão violenta mesmo, como a outra, com a diferença de que a tensão do monoideísmo ativo entra em jogo por si mesma, enquanto a tensão do monoideísmo passivo espera sempre um estimulo exterior, por menor que seja, um sopro, um indício, um nada. Dir-se-ia que se trata de uma “energia involuntária” que espera apenas um impulso para se manifestar. Será esta a fase das sugestões mentais? Quase: Em todo o caso, as sugestões mentais têm sempre uma ação nesta fase, o que quer dizer que bastará concentrar fortemente seu pensamento para que o sujeito sinta. Haverá logo um franzir de cenhos, uma expressão de atenção no rosto, uma agitação nos membros e, enfim, uma execução de sua vontade ou um começo de execução. Uma coisa, entretanto, o ameaça e pode prejudicar a experiência: se a sua ação for demasiadamente viva no começo, ou então se ela for muito vivamente (embora indistintamente) sentida pelo sujeito, ela terá sobre ele uma influência reanimadora, reanimadora no sentido relativo da palavra, isto é, que o sujeito, ao executar a ordem mental, e por causa dela, 216 passará muito rapidamente para um estado um pouco menos profundo, para o monoideísmo ativo, no qual se obstinará em executar suas ordens, sem tê-las compreendido bem; ele o procurará, correrá atrás de você e se insensibilizará, ele próprio, por esta monomania involuntariamente sugerida; ou então passará para um estado menos profundo ainda, mais tranquilo e mais lúcido ao mesmo tempo, do que o do poli-ideismo ativo; ele começará a adivinhar, a presumir por reflexões próprias aquilo que não pode mais sentir passivamente, e então será capaz de executar qualquer outra coisa que não a que você pediu. Finalmente, o que é mais raro, mas que ocorre nos sujeitos mais sensíveis, a sua agitação mental excita primeiro, como fazem os narcóticos, para adormecer depois; e o sujeito, depois de ter manifestado um começo de agitação, cai outra vez na a-ideia completa. Eis por que este estado não nos dá o máximo de garantia de êxito. O máximo será preciso procurar um pouco adiante. O verdadeiro momento da sugestão mental é o do limite entre o estado a-ideico e o monoideísmo passivo. Mas se é assim, se a sua experiência tem mais chance aqui do que no monoideísmo passivo declarado, isto ocorre unicamente porque ela tem mais tempo à sua disposição e porque em geral fazemos um esforço muito grande no começo da ação mental, o que é útil deste lado do limiar da a-ideia, ao passo que é perigoso do lado de lá. Se pudéssemos estar certos do grau exato, bastaria conformarmo-nos com suas exigências; agiríamos um pouco violentamente em a-ideia (para despertar o cérebro), um pouco mais suavemente em monoideia (para não despertar demais) e livremente, até o limite dos dois estados. Em todo caso o cérebro deve ser regulado, ele deve ser regulado na monoideia nascente. Permito-me fazer uma comparação telefônica. 217 Um telefone não reproduz bem a palavra à distância, a não ser em condições bem reguladas. Mas tudo é relativo, na telefonia como na neurologia. Um telefone está bem regulado quando a placa vibradora se encontra bem perto, mas não muito perto do núcleo magnético da bobina; daí, podemos gritar fortemente, sem perturbar a nitidez da transmissão. Ao contrário, quanto mais gritarmos, melhor somos ouvidos do outro lado. Ouviremos relativamente melhor ainda se a placa estiver ainda mais perto do núcleo, quase tocando-o, mas então, falando muito alto arriscamos colar a placa contra o ímã e anular quase completamente a transmissão. Uma regulagem média, próxima do máximo – eis o que a prática precisa, um pouco em desacordo com a teoria. Mas como regular um sonâmbulo? Eis a questão! Felizmente não se trata de uma questão muito mais difícil em hipnologia do que na telefonia. Só que, aqui como lá, é preciso que o instrumento seja regulável. Ora, há sujeitos que não se deixam manobrar sob esta relação. Bastará que os ocupemos em outra coisa ou que nos contentemos com uma ação furtiva, como fizemos até agora. Mas aqui também é preciso evitar os sujeitos obedientes demais ou já educados, os sujeitos manobráveis. Em troca é preciso aprender a provocar o grau do sono desejado. Mas as primeiras sessões devem ser destinadas unicamente a uma observação puramente passiva, como a que produziu a sua ação primitiva, para que nos demos conta da natureza do sujeito. Se for preciso devemos esperar mesmo muitas horas, para que o sujeito desperte por si mesmo, a menos que ele peça para ser despertado mais cedo. Nos sujeitos eminentemente sensíveis ao sono (pois há aqueles com os quais você pode fazer todas as experiências físicas, mas não psíquicas), poder-se-á obter 218 sempre duas fases principais: o sono profundo, que pouco a pouco se dissipa, e depois o sono lúcido, ou o sonambulismo propriamente dito. Do que precisamos é de um estado intermediário. Não deixar o sujeito despertar demais, recuperando sua atividade espontânea e não deixá-lo adormecido demais, pois do contrario ele não o ouvirá. O melhor meio de se obter esta graduação é utilizar os passes ditos magnéticos, longitudinais e transversais, pois a profundeza do sono geralmente aumenta com o número desses passes, diminuindo com o número dos mesmos. Assim, fazendo dois, três, quatro passes diante do sujeito (sem contado), obtém-se um pouco mais ou um pouco menos de sono e chega-se às vezes até a poder graduar a vontade às fases intermediárias que acabo de enumerar. Se esta graduação não for possível através de passes, será difícil obtê-la por outro meio qualquer. E será preciso sobretudo evitar o emprego de um método diferente para fases diferentes, pois então você criará uma associação ídeo-orgânica artificial, um mau hábito que acabará desorganizando o sujeito. Está claro que eu não entro aqui numa discussão sobre a ação dos passes. Pode-se imaginar que eles têm uma ação física ou puramente sugestiva, o que não tem importância para os objetivos propostos. Indico simplesmente o meio mais antigo, mais conhecido, que dá resultados mais constantes e mais favoráveis para o sujeito (certas práticas hipnóticas são prejudiciais) e o melhor para graduar à vontade o sono, ali onde a graduação é possível. Uma vez senhor de seu sujeito, você não terá mais do que escolher o momento em que ele possa ouvi-lo e não responder ainda muito bem. Procure não confundir uma dificuldade de falar causada por uma contração dos músculos da voz, com uma dificuldade afásica, isto e, puramente cerebral.” 219 1 – CARACTERÍSTICAS ÉTICAS DO PENSAMENTO Não há pensamentos neutros, ou seja, que não sejam do Bem ou do Mal. Pagamos caro pelos pensamentos do Mal que saem de nós ou pelos que assimilamos e que provêm de outras criaturas, pois transformam-se em verdadeiras feridas espirituais, que tendem a sangrar espiritualmente, ou seja, manterem-se ativas, induzindo à repetição permanente, provocando desastres morais em nós e nos outros. Brincar de pensar é uma irresponsabilidade e, por isso, devemos verificar no que estamos pensando. 1.1 – PENSAMENTOS DO BEM Há muitas formas de pensarmos no Bem, sendo que verificamos uma delas nas intenções de Ochorowicz, de auxiliar sua paciente. 1.2 – PENSAMENTOS DO MAL Tanto quanto alguém pode direcionar seus pensamentos em favor de outras criaturas, pode igualmente mirar objetivos malévolos e pode ter certeza de que sua consciência lhe cobrará essas iniciativas. Aqui cabe a lição de Jesus, interpretada extensivamente: “Reconcilia-te depressa com teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao juiz, o juiz de entregue ao seu ministro e te encerrem na prisão, e de lá não sairás antes de ter pago o último quadrante.” A saída da prisão representa a limpeza interior, a verdadeira cura, que só se efetiva com a auto reforma moral profunda, a qual não significa mera repetição de palavras sacramentais, mas o resultado de uma longa caminhada redentora, como a do filho pródigo que volta para a Casa Paterna. 220 A cura, na verdade, demanda milênios de esforço na aquisição, sobretudo, da virtude da humildade, que é contrária ao orgulho, este que é resultado do primarismo espiritual, reminiscências dos períodos de concentração energética das fases sub humanas. Por isso a cura demanda muitos milênios: porque é resultado da concentração energética das fases sub humanas, que perdurou por bilhões de anos. Somente doando da sua própria energia, como quem se desfaz de pesada carga, nos sentimos aliviados. O orgulho é isso exatamente: a recusa em doar o excesso energético que fomos acumulando. Sem essa doação não seremos felizes, pois a pressão interna, o peso da cruz de erros e vícios passa a ficar insuportável e vêm o suicídio direto ou indireto, a auto punição, a depressão, a aliança com as Trevas e outras opções desesperadas. Ninguém se assuste com o que estamos dizendo, mas também ninguém se arrisque a brincar de viver, a desafiar o Poder de Deus, que quer a felicidade das Suas criaturas, mas que sejam ordeiras e disciplinadas, pois, em caso contrário, o Universo se desagregaria no caos. 221 IV COMO FUNCIONA A CONSCIÊNCIA 222 “Reconcilia-te depressa com teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não aconteça de ele te entregar ao juiz, o juiz te entregar ao seu ministro e te encerrarem na prisão, e de lá não sairás enquanto não tiveres pago o último quadrante.” (Jesus Cristo) “O chakra coronário é a sede da consciência, ou seja, é onde se localiza a essência divina, que Deus implantou no íntimo de cada criatura, no instante em que Lhe deu a vida e que funciona, a partir daí, como orientadora da sua evolução, desde as fases mais rudimentares dos Reinos inferiores da Natureza até chegar ao ponto em que a criatura se harmonize integralmente com sua essência divina, tornando-se, assim, um Espírito Puro.” (anônimos) “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.” (Jesus Cristo) “O Reino dos Céus está dentro de vós.” (Jesus Cristo) 223 Esclarecimento sobre o desenho Introdução Primeira Parte: A Lei Divina registrada em livros Capítulo I – Os Dez Mandamentos (Moisés e os profetas de Israel) Capítulo II – Os três Amores (Jesus e o Cristianismo) Capítulo III – As Revelações dos séculos XIX, XX e XXI 1 – Allan Kardec, Léon Denis, Emmanuel, André Luiz, Joanna de Ângelis etc. etc. 2 – Helena Blavatsky 3 – Rudolf Steiner 4 – Yukteswar e Paramahansa Yogananda 5 – Jesus através de Pietro Ubaldi 6 – Sathya Sai Baba 7 – O Xamanismo 8 – Samael Aun Weor e Litelantes 9 – O Holismo 10 – A Ciência Cósmica Segunda Parte: A Lei Divina revelada a cada criatura humana pela própria mediunidade Capítulo I – A viagem interior 1 – Estado alterado de consciência 2 – Hermínio Corrêa de Miranda 3 – Mestres de outros planetas Capítulo II – O registro das experiências astrais 1 – A necessidade de ensinamento do caminho 2 – O despertamento das criaturas humanas Terceira Parte: Como funciona a consciência Capítulo I – O despertamento da consciência 1 – A luta interna do Ego contra o Eu 1.1 – O complexo de culpa 2 – A pacificação 2.1 – A implementação da auto reforma moral profunda Capítulo II – Os humanos do mundo de regeneração 1 – Criaturas obedientes à Lei de Deus inserida no seu íntimo 224 ESCLARECIMENTO SOBRE O DESENHO O desenho é apenas uma tentativa de representar a noção que pretendemos passar aos prezados leitores de que o chakra coronário é a sede da consciência, a qual analisa todas as intenções, por mínimas que sejam, das criaturas já despertas para a racionalidade, enquanto que, nos seres sub humanos, a essência divina funciona como norteadora da evolução, que segue um rumo pré estabelecido por Deus, igual para todas as criaturas. As criaturas humanas devem identificar esse elemento divino que há dentro de si, o que exige humildade e submissão a Deus, o Pai, o Criador, através da obediência às Suas Leis, que valem para todo o Universo, que estão escritas dentro de cada ser e que não podem ser derrogadas para satisfazer as veleidades das criaturas, pois, se não, instalar-se-ia o caos. Os olhos que aparecem no desenho representam a Percepção Divina das mínimas intenções das criaturas humanas, porque não são levadas em conta as atitudes externas, mas as intenções mais secretas, sendo que elas é que mostram quem somos e não as palavras, gestos e iniciativas. Não colocamos a figura dentro do cérebro humano e este dentro do crâneo, pois essa realidade é totalmente espiritual e não se limita pelas barreiras da matéria, irradiando-se em outra dimensão, mais elevada. Precisamos aprender a interpretar tudo em função da ideia de quarta dimensão, que é a espiritual, pois essa é a realidade do Espírito e não a tridimensional, que é a da matéria. A realidade quadridimensional é a dos Espíritos da fase humana, mas a dos seres angelicais é superior a essa, mas não temos condições de entendê-la e só a compreenderemos quando chegarmos a esse patamar. 225 INTRODUÇÃO O caminho da evolução das criaturas da fase humana passa pela harmonização do ego com o Eu, sendo que o ego é o Espírito humano, o qual deve procurar identificar-se com o Eu, ou seja, a essência divina que há dentro de si. Pode parecer estranha a afirmativa acima, que, para muitos, dará a ideia da presença de dois seres numa única criatura, mas a verdade é que cada Espírito traz dentro de si um verdadeiro “adversário”, ou seja, aquele que “está do outro lado”, que é a consciência. Quando Jesus disse que devemos nos reconciliar com nosso adversário visualizou o adversário interno e os externos. Quanto à compreensão do que significa reconciliarmo-nos com nosso adversário interno isso quer dizer que devemos adequar nosso mundo interior à qualidade espiritual da centelha divina que está dentro de nós, colocada por Deus e que é o que se chama de consciência. Allan Kardec perguntou sobre onde está escrita a Lei Divina e seus Orientadores responderam: na consciência. Para os Espíritos Superiores e os que já aprenderam a consultar seu Eu, através da introspecção profunda, não há mais necessidade de nenhum registro material, em livros ou equivalentes, porque cada um desses Espíritos enxerga, compreende, através desse registro, o caminho a seguir, tal como a semente, enterrada no solo, atende ao tropismo irresistível que a leva a dirigir-se para a superfície, transformando-se, gradativamente, em um ser adulto. A luta interna de cada criatura humana ainda não harmonizada é muito intensa, porque o orgulho, o egoísmo e a vaidade a faz rejeitar essa luz exigente, que é a consciência, mas sua presença é indispensável, porque aponta o caminho do aperfeiçoamento. Jesus não lutou contra esse elemento cobrador, desde quando iniciou-se na fase da razão, mas submeteu-se a ele, porque sabia que é a Voz de Deus. 226 As outras criaturas humanas que passaram pela Terra enfrentaram essa luz, rebelaram-se contra ela e, por isso, desviaram-se do caminho do Bem, sendo, por isso, retardatários do progresso interior, o qual é o único que importa. Nada tem valor realmente para o Espírito a não ser o que pode realizar dentro dos poucos centímetros ou metros quadrados da sua realidade interna. Com a evolução, o Espírito deixa de ser espacialmente pequenino e passa a ocupar uma área cada vez maior, sendo, assim, que Jesus, por exemplo, abrange, com sua realidade espiritual, um espaço incalculável para nós, que estamos vivenciando a fase humana. Chico Xavier, por exemplo, pode ser compreendido como um globo de mais ou menos dez metros de diâmetro. Há Espíritos humanos primários cuja estrutura espiritual mal ultrapassa os limites do corpo físico, tanto quanto há os que se ovoidizam e reduzem-se ao mínimo. Mas, voltando ao tema do nosso estudo, que é a consciência e como ela funciona, temos a dizer, nesta Introdução, que somente evolui quem se submete a Deus e, com isso, pacifica-se o conflito interno do ego contra o Eu. Os chakras básico, sexual, umbilical, cardíaco, laríngeo e frontal representam o Ego, enquanto que o coronário representa o Eu. Entendamos isso, de início, para, em seguida, seguirmos adiante, analisando como funciona o chakra coronário, ou seja, a sede da consciência. Que as criaturas da fase humana procurem conhecer a própria realidade interna, adequando-se à Lei Divina, inscrita na própria consciência, porque, se, nas fases sub humanas, obedeciam à Lei Divina sem possibilidade de descumprimento, pois não tinham ainda o livre arbítrio, agora têm de aprender a lidar com esse elemento novo, que as prepara para o cumprimento voluntário, espontâneo da Lei Divina, com isso passando a ser colaboradores conscientes de 227 Deus, o que antes não acontecia, pois lhes faltava um dado, que é a inteligência. Alguém perguntará qual a vantagem desse dado, pois que os animais, os vegetais e os minerais, na sua inconsciência, sofrem menos que os humanos, mas a resposta é simples e a daremos através de uma comparação: - Você prefere ser uma planta, um cristal de rocha ou um cão a ser uma criatura humana? A evolução, a partir da fase humana, rumando para outras fases mais adiantadas, tem o encantamento de vivermos a realidade da consciência, da compreensão muito mais desenvolvida do mundo em que vivemos e prepara novos empreendimentos, cada vez mais elevados. Não há parto sem dor, como não há evolução sem esforço. Aprendamos a controlar as emoções, os instintos, os impulsos, a respeitar nossos próprios limites, a não julgar as outras criaturas, a viver o “aqui e agora” e outras lições da Ciência Cósmica, que Jesus e outros mestres vêm ensinando, que nossa vida deixará de ser um conflito entre o ego e o Eu, predominando cada vez mais o segundo e pacificando-se o nosso íntimo. A caminhada evolutiva é maravilhosa para quem aprende a arte de viver bem. Pedimos a bênção de Deus para todas as criaturas da Terra. PRIMEIRA PARTE: A LEI DIVINA REGISTRADA EM LIVROS CAPÍTULO I – OS DEZ MANDAMENTOS (MOISÉS E OS PROFETAS DE ISRAEL) Devido ao atraso espiritual dos habitantes da Terra foi necessário que missionários de Jesus editassem leis para regular a sociedade terrena, bem como informar sobre a Lei Divina. 228 Assim é que, mais ou menos adequadas, foram sendo pensados regulamentos, que, com o tempo, foram sendo substituídos por outros melhores, de acordo com a evolução da humanidade terráquea. Todavia, para que algo de melhor pudesse esperar-se das criaturas humanas do planeta, que teimavam em viver dentro do maior primitivismo, encarnou o Espírito que ficou conhecido como Moisés, com a missão de registrar em livros do estilo da época o que se convencionou chamar de Decálogo, ou Dez Mandamentos. Esse seria um retrato da Lei Divina para as criaturas da fase humana, mais parecendo um Código Penal primitivo do que a Lei Cósmica, válida para todo o Universo. Todavia, as criaturas de mentalidade superior, ou seja, os missionários vindos de outros mundos mais evoluídos não precisavam daquelas prescrições rudimentares para tomarem conhecimento da Verdade, que lhes vinha pelo conduto da própria mediunidade, ouvindo a consciência, auxiliada pelos Espíritos Superiores que as orientavam. Entendamos esse aspecto da realidade humana, pois os Espíritos Superiores ouvem sua própria essência divina e ouvem os Emissários de Deus ao invés de consultarem alfarrábios, textos novos e anotações de registradores nem sempre evoluídos espiritualmente. As verdades mais importantes normalmente não estão registradas em livros do mundo dos encarnados, mas circulam nos registros do mundo espiritual. A Terra é um mundo recém saído da fase do primitivismo mais denso, tanto que faz apenas quarenta milênios que sua humanidade ingressou na fase da razão, o que representa muito pouco tempo. A maioria se assusta com esse número, mas é, realmente, um tempo muito pequeno quando se fala em evolução do Espírito. 229 Deixamos de ser um mundo primitivo há alguns milênios e ainda não saímos da categoria de mundo de provas e expiações. Mas, se o progresso coletivo depende da massa enorme de habitantes do planeta, que vive em função do “comer, dormir e reproduzir”, passar a pensar na sua essência divina, o progresso individual está nas mãos de cada um, que pode assumir a meta de superar aquele referencial primitivo e procurar a reconciliação com o adversário interno. As leis exteriores pouco representam para quem está empenhado na harmonização interna. No geral, as pessoas que se baseavam nos Dez Mandamentos, a não ser raras e nobilitantes exceções, procuravam burlar os dispositivos da Lei, mantendo conduta incompatível com aquelas regras, sendo que, por isso, Jesus as chamava de hipócritas. Feriam a consciência de inúmeras maneiras e acabaram sendo penalizadas no decurso das sucessivas reencarnações, acumulando culpas, que as faziam infelizes e sujeitas às perseguições dos Espíritos das Trevas, que encontravam ali brechas por ode faziam entrar suas induções para o suicídio, os desajustes morais e os vícios, pois ninguém sairá da prisão das próprias culpas sem ter limpado seu mundo interior. Não há como seguirmos adiante, na escalada evolutiva, sem termos pago, perante a própria consciência, os débitos que contraímos, mas a Justiça Divina é de Amor e Caridade e nunca cobra exatamente o que devemos, mas há um mínimo que somente Deus sabe medir e, por isso, está na parábola do trigo e do joio que somente Ele separará o joio do trigo, o que significa que somente Ele analisará se já é suficiente o tempo do nosso sofrimento e nos passa para um degrau mais elevado. Não há lei externa que justifique nossas falhas morais nem que nos promova sem merecimento. 230 A única Lei que conta é a lei interna, registrada na consciência incorruptível: ela julga e absolve ou condena, sem nenhuma possibilidade de erro. Por isso, ao invés de consultarmos qualquer lei escrita, seja ela de autoria de quem for, devemos mergulhar no nosso próprio íntimo e assim saberemos qual é o veredito a nosso respeito. Com todo o respeito que devemos ao missionário que clareou os horizontes dos primitivos seres da Terra, temos a dizer que, se ele evoluiu ao cumprir sua missão, a humanidade pouco ganhou com isso, pois continuou a não ouvir a voz da própria consciência. Aprendamos a ouvir o que nos é falado através do mergulho profundo no Eu interno, através da mediunidade desenvolvida dentro de técnicas apropriadas, aprendidas agora ou em tempos passados. CAPÍTULO II – OS TRÊS AMORES (JESUS E O CRISTIANISMO) Jesus, quando Encarnado, não teve condições de ensinar toda a Lei Divina, pois o primarismo da humanidade, naquele tempo, era pior do que hoje. Todavia, abordou a questão magna do Amor, nas suas três vertentes: Amor a Deus, Auto Amor e Amor Universal. Deixaria para mais tarde outras revelações mais aprofundadas sobre cada uma dessas três axes, porque tudo vem a seu tempo. O avanço foi muito grande, podendo-se dizer que a partir daí a Terra passou a ser um mundo de provas e expiações, enquanto que antes poderia ser considerado apenas como um mundo primitivo. Na verdade, havia revelações muito importantes, como as de Buda, Confúcio, Lao Tsé, Sócrates e Pitágoras, as dos antigos iniciados do Egito, além de outras, mas tudo isso era inacessível às massas, que continuavam à margem do 231 conhecimento religioso e filosófico, vivendo em função de um politeísmo grosseiro e explorada pelos sacerdotes em geral. Jesus foi, realmente, o primeiro a levar a Verdade ao povo das ruas e mostrar-lhe que a Lei Divina está dentro de cada um, seja rico ou pobre, intelectual ou ignaro, evoluído ou primitivo. Essa foi a primeira vez que se viu, na Terra, Deus ao alcance de todos, podemos dizer assim. Todavia, a Mensagem de Jesus, como tem acontecido até hoje, foi deturpada pelas Trevas, para tanto utilizando homens e mulheres ambiciosos, que instituíram uma estrutura hierarquizada, que gerou a Igreja Romana e, mais tarde as várias fragmentações protestantes e, mesmo depois do trabalho de Allan Kardec, Amélie Boudet e outros missionários, continuou o desvirtuamento, agora com outra denominação, mas estando esses Movimentos nas mãos, muitas vezes, de antigos sacerdotes e pessoas ligadas ao poder e ao prestígio mundanos, correndo o risco de soçobrar, fazendo-se, por isso, necessária a criação de novas opções de divulgação da Verdade, que não pode ficar ao alvedrio de pessoas induzidas pelas Trevas, mesmo vestindo peles de cordeiros. Tenhamos consciência da realidade e saibamos separar o joio do trigo, os verdadeiros e os falsos profetas, sendo que o critério mais seguro de identificarmos cada um é o do desapego dos interesses materiais, do destaque pessoal, da vaidade: assim se identificam missionários como Allan Kardec, Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Yvonne do Amaral Pereira e podem-se considerar desviados aqueles outros que fazem questão de destacar o próprio nome e, de uma forma ou de outra, trabalharem em função da própria vaidade, mesma quando finjam o contrário. Na verdade, a expressão Cristianismo sequer deveria ser cunhada, pois Jesus nunca pregou o separatismo, mas ensinou apenas a Verdade, que não pode nem deve ser subdividida em grupos, que se guerreiem e pretendam a hegemonia. 232 Aguardamos novos trabalhadores sem bandeiras divisionistas, mas que, sob a Proteção Divina, preguem o Amor Universal, sem privilégios, sem discriminações, englobando todas as criaturas de Deus, Amando a Natureza, Amando as criaturas humanas, aprendendo com os missionários do Bem, provenientes da Terra ou de outros mundos mais evoluídos, porque chegou a hora da promoção do planeta a mundo de regeneração e não há mais lugar para farisaísmos, igrejismo, divisionismos, partidarismos. Por isso adotamos o nome Ciência Cósmica, sem pretendermos substituir esse nome aos outros, porque nomes não importam, mas sim a divulgação do Conhecimento, da Lei Divina, que dirige todo o Universo, e que está inscrita no cerne de cada ser, podendo e devendo ser conhecida pelo trabalho de introspecção e não pela leitura de livros, que, em sua maioria, representa a reflexo da vaidade dos antigos e novos sacerdotes de si mesmos. Jesus disse que quem mais servisse seria o maior no Reino dos Céus. Assim também fazemos, pretendendo servir sem nenhuma intenção de nos auto promovermos, mas apenas cumpriremos nossa tarefa de semearmos a Verdade, a que Jesus se referiu. Pode parecer que queremos desmerecer o esforço das pessoas, mas a verdade é que os três Amores ensinados por Jesus não foram compreendidos, pois o Amor a Deus, no geral, continuou a ser o que era antes, ou seja, o culto externo, hipócrita; o Amor a si mesmo ficou parecendo a muitos uma justificativa para o orgulho, o egoísmo e a vaidade e o Amor ao próximo resumiu-se a esmolas esporádicas ou praticadas com um tanto de desprezo e má vontade. Sejamos honestos conosco mesmos e não encubramos as nossas intenções com o manto da hipocrisia: quantas vezes temos feito da nossa parte com desdém pelos necessitados do corpo e da alma! 233 Essa bondade não nos redime, mas apenas procura disfarçar nossa frieza interior. Sejamos bons sem segundas intenções, sem o propósito de comprar uma vaga no Paraíso, agora denominado colônias espirituais! Por isso tudo vemos que as prescrições externas nada resolvem e que somente o mergulho no nosso próprio interior nos faz ver a quantas andam nossas intenções no Bem ou no Mal! Para terminar estas reflexões sobre a Mensagem de Jesus de há dois milênios atrás deixamos para sua reflexão, prezados leitores, a frase: “O Reino dos Céus está dentro de vós.” O que Jesus quis significar com essa expressão, se não que deve haver a procura pelo Reino dos Céus dentro de nós mesmos? Compreenderam que não estamos inventando nada de novo, mas apenas repetindo o que é uma verdade do Repositório das Leis Divinas? A Ciência Cósmica é apenas uma expressão nova, mas pode ser interpretada como Lei Divina, Código Universal etc. etc. CAPÍTULO III – AS REVELAÇÕES DOS SÉCULOS XIX, XX E XXI O século XIX foi programado por Jesus, o Divino Governador da Terra, para início das grandes revelações, para tanto organizando-se extensas frentes de trabalho de informação aos encarnados. Missionários provenientes de mundos mais evoluídos aqui reencarnaram, tais como Allan Kardec, Amélie Boudet, Léon Denis, Samael Aun Weor, Litelantes, Ochorovicz, Charcot, Pierre Janet, Rudolf Steiner, Helena Blavatsky, Pecotche, Mestre Irineu, sem contar a presença de trabalhadores de alta evolução espiritual como Joanna de Ângelis, Sathya Sai Baba, Yogananda e Yukteswar, Chico 234 Xavier, Divaldo Pereira Franco, Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo e vários outros. Não devemos considerar uma corrente como superar às outras, porque trata-se de uma única equipe, formada sob o Comando de Jesus, com a finalidade de cada um desses missionários falar para o “seu público”, ou seja, pessoas que iriam simpatizar com as características diferenciadas de cada um. Se é verdade que esses missionários nunca disputaram entre si, muitos dos seus seguidores passaram a guerrear uns aos outros, acreditando, em alguns casos, com isso estar honrando seus mestres, no que se equivocaram redondamente, pois são todos membros do mesmo grupo de missionários. Assim, devem acabar os divisionismos, irmanando-se espíritas, teósofos, rosa-cruzes, logósofos, antropósofos, xamanistas, daimistas, holísticos, gnósticos, iogues, hinduístas, budistas etc. etc. 1 – ALLAN KARDEC, LÉON DENIS, EMMANUEL, ANDRÉ LUIZ, JOANNA DE ÂNGELIS ETC. ETC. Esse é o grupo dos denominados espíritas, que, infelizmente, acabou encontrando seguidores provenientes, em sua maioria, dos antigos redutos católicos, que infernizaram a Europa, instituindo o Tribunal do Santo Ofício e as guerras contra protestantes, as cruzadas, as perseguições contra judeus, a matança de São Bartolomeu e a Revolução Francesa, sem contar outras tantas manifestações de arrogância e conexão com as Trevas. Se os missionários eram bons, ligados diretamente a Jesus, muitos dos seus seguidores são apenas aproveitadores, que disputam a presidência de entidades, a ponto de Manoel Philomeno de Miranda ditar, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, um livro alertando para a dominação que as Trevas estão conseguindo alcançar em muitos centros 235 espíritas, para tanto utilizando dirigentes e médiuns vinculados com elas. Não estamos inventando maledicência contra ninguém, mas reproduzindo a preocupação de Manoel Philomeno de Miranda, Bezerra de Menezes e Eurípedes Barsanulfo. Que cada um verifique se está com Deus ou Mamom, com Jesus ou com César, a fim de não contaminar a Mensagem de Jesus com suas próprias ambições e pagará por isso, porque assim acontece com quem mercadeja com as coisas santas. Se há muitos trabalhadores sinceros e movidos por bons propósitos, a direção de muitas entidades está nas mãos de trevosos, que disputam cargos, ao invés de servirem desinteressada e anonimamente. Apesar de Allan Kardec dizer que somente se pode dizer espírita quem se esforça por domar suas más inclinações, a maioria continua se afirmando espírita sem investir realmente na auto reforma moral e o que lhes aguarda é o sofrimento em zonas purgatoriais, porque “a quem muito é dado muito será pedido”. 2 – HELENA BLAVATSKY A grande missionária cumpriu sua tarefa de ensinar o que pode ou sabia da Verdade, mas já abandonou aquele terreno elitista e reencarnou como uma missionária da mediunidade, sem as luzes da instrução formal, a fim de servir ao povo, sem nenhum destaque. Ninguém a reconheceria na pessoa de uma médium de alta potencialidade, mas que não sabe ler nem escrever. Mas assim acontece com os verdadeiros propagadores da Verdade: não se pejam de enfrentar a pobreza, o anonimato, as dificuldades e desprivilégios de toda ordem, a fim de ensinarem aquilo que realmente é importante para a humanidade, ou seja, a espiritualização. 236 Seus discípulos, no geral, continuam estudando teorias que ela mesma já deixou para trás, ao invés de assumirem a humildade que ela vive atualmente. Apenas estudar não promove ninguém espiritualmente, mas sim arregaçar as mangas e pisar no barro das misérias humanas, socorrendo os necessitados de esclarecimento espiritual, ao mesmo tempo em que se aprende que o Amor cobre a multidão dos pecados atuais e dos tempos passados. O isolamento, o elitismo e o orgulho não fazem senão cairmos nas armadilhas das Trevas. 3 – RUDOLF STEINER Pode parecer que, neste livro, nos propomos a assumir o papel de sensores da vida alheia, mas a verdade é que, como dissemos, se os verdadeiros missionários eram movidos pelo idealismo mais puro, muitos dos seus seguidores se transformaram em desvirtuadores da mensagem inicial, pois não tinham o idealismo dos mestres. Assim é que cristalizam-se ideias maravilhosas, tal como aconteceu, por exemplo, em relação a Sócrates, Jesus, Moisés e outros tantos. O mestre germânico realizou um trabalho maravilhoso, mas não estão muitos dos seus seguidores à altura da sua mentalidade generosa. Essa é a verdade que temos o dever de apontar. 4 – YUKTESWAR E PARAMAHANSA YOGANANDA Tratam-se de mestres do Yoga, que encarnaram na Terra com a finalidade de fazerem essa Ciência Espiritual chegar ao Ocidente e assim foi feito. Felizes dos que seguem à risca as prescrições dessa Ciência Cósmica, porque nela reside a chave da evolução, que começa pelo auto conhecimento, no sentido mais profundo dessa expressão. Jesus não pretende obras de caridade exterior, mudanças políticas e jurídicas, rebeliões em nome da 237 Liberdade, Igualdade e Fraternidade, lutas fratricidas sob a bandeira de Democracia e outras tantas formas de hipocrisia, que Ele viu no mundo do Seu tempo, inclusive na figura dos zelotes, que pretendiam a liberdade de Israel pelas armas. O segredo da evolução não está na edição de leis humanas, nem da Lei Divina, mas na procura interna e no cumprimento, por parte de cada um, da Lei Divina que está registrada na própria consciência. 5 – JESUS ATRAVÉS DE PIETRO UBALDI Se é verdade que Jesus tinha, há dois milênios, falado à humanidade da Terra nos três Amores como sendo a chave das Leis Divinas, no início do século XX, através do Seu médium Pietro Ubaldi, esclareceu, em “A Grande Síntese”, sobre o funcionamento do Universo, sobre questões até então desconhecidas da Lei Divina, pelo menos no que diz respeito ao grande público. Essa é a obra mais importante que se escreveu em toda a História da humanidade da Terra. Fala inclusive sobre a consciência: “Não ignorais isto totalmente; olhais admirados tantas coisas que afloram de vossa consciência mais profunda, sem poderdes descobrir as origens: instintos, tendências, atrações, repulsas, intuições. Daí nascem irresistíveis todas as maiores afirmações de vossa personalidade. Aí está o vosso verdadeiro e eterno Eu. Não o Eu exterior, aquele que sentes mais quando estais no corpo, aquele Eu que é filho da matéria e que morre com ela. Esse Eu exterior, essa consciência clara, expande-se no contínuo evolver da vida, aprofunda-se para aquela consciência latente que tende a vir à tona e a revelar-se. Os dois polos do ser — consciência exterior clara e consciência interior latente — tendem a fundir-se. A consciência clara experimenta, assimila, imerge na latente os produtos assimilados através do movimento da vida — destilação de valores, automatismos, que constituirão os instintos do 238 futuro. Assim expande-se a personalidade com essas incessantes trocas e se realiza o grande objetivo da vida. Quando a consciência latente tiver se tornado clara e o Eu tiver pleno conhecimento de si mesmo, o homem terá vencido a morte.” “CONSCIÊNCIA E MEDIUNIDADE Tendes meios para comunicar-vos com seres mais importantes que aqueles a quem chamais habitantes de Marte, mas são meios de ordem psíquica, não instrumentos mecânicos; meios psíquicos que a ciência (que pesquisa de fora para dentro) e a vossa evolução (que se expande de dentro para fora) trarão à luz. Pode chamar-se consciência latente uma consciência mais profunda que a normal, onde se encontram as causas de muitos fenômenos inexplicáveis para vós. O sistema de pesquisa positiva, ao fazer-vos olhar mais profundamente as leis da natureza, fez-vos descobrir o modo de transformar as ondas acústicas em elétricas, dando-vos um primeiro termo de comparação sensível daquela materialização de meios que empregamos. Já avizinhastes um pouco e hoje podeis, mesmo cientificamente, compreender melhor. Acompanhai-me, caminhando do exterior, onde estais com vossas sensações e vossa psique, para o interior onde estou eu como Entidade e como pensamento. No mundo da matéria, temos, primeiro, os fenômenos; depois, vossa percepção sensória e, finalmente, por meio de vosso sistema nervoso convergente para o sistema cerebral, vossa síntese psíquica: a consciência. Até aqui chegastes, pela pesquisa científica e experiência cotidiana. Vosso materialismo não errou, quando viu nessa consciência uma alma, filha 239 da vida física e destinada a morrer com ela. Mas é apenas uma psique de superfície, resultado do ambiente e da experiência, servindo à satisfação de vossas necessidades imediatas; sua tarefa termina quando vos tenha guiado na luta pela vida. Esse instrumento, como já vos disse, não pode ultrapassar essa tarefa; lançado no grande mar do conhecimento, perde-se; trata-se da razão, do bom senso, da inteligência do homem normal, que não vai além das necessidades da vida terrena. Se descermos mais na profundidade encontraremos a consciência latente; que está, para a consciência exterior e clara, como as ondas elétricas estão para as ondas acústicas. A essa consciência mais profunda pertence aquela intuição, é o meio perceptivo e a ele é necessário poder chegar, como vos disse, para que vosso conhecimento possa progredir. Vossa consciência latente é vossa verdadeira alma eterna, existe antes do nascimento e sobrevive à morte corporal. Quando, ao avançar, a ciência chegar até ela, ficará demonstrada a imortalidade do espírito. Mas hoje não estais conscientes dessa profundidade, não sois sensíveis a esse nível e, não tendo em vós mesmos nenhuma sensação, a negais. Vossa ciência corre atrás de vossas sensações, sem suspeitar que elas podem ser superadas, e aí fica circunscrita como num cárcere. Essa parte de vós mesmos está imersa em trevas, pelo menos, assim é para a grande maioria dos homens que, por conseguinte, nega; sendo maioria, faz e impõe a lei, relegando a um campo comum de fora da normalidade e juntando em dolorosa condenação, tanto o subnormal, isto é, o patológico ou involuído, como o supranormal, 240 elemento super-evoluído do amanhã. Neste campo, muito errou o materialismo. Apenas alguns indivíduos excepcionais, precursores da evolução, estão conscientes na consciência interior. Esses ouvem e dizem coisas maravilhosas, mas vós não os compreendeis senão muito tarde, depois que os martirizastes. No entanto, esse é o estado normal do super-homem do futuro. Acenei a essa consciência interior, porque é a base da mais alta forma de vossa mediunidade, a mediunidade inspirativa, ativa e consciente; ela é justamente a manifestação da personalidade humana quando, por evolução, atinge esses estados profundos de consciência, que podem chamar-se intuição. Vossa consciência humana é o órgão exterior através do qual vossa verdadeira alma eterna e profunda se põe em contato com a realidade exterior do mundo da matéria. Por seu intermédio, experimenta todas as vicissitudes da vida, destas experiências faz um tesouro, delas assimila o suco destilado, do qual ela se apodera, tornando suas as qualidades e capacidades, que mais tarde constituirão os instintos e as ideias inatas do futuro. Assim, a essência destilada da vida desce em profundidade no íntimo do ser; fixa-se na eternidade como qualidades imperecíveis e nada de tudo o que viveis, lutais e sofreis, perder-se-á em sua substância. Vedes que, com a repetição, todos os vossos atos tendem a fixar-se em vós, como automatismos que são os hábitos, isto é, um hábito, uma roupagem sobreposta à personalidade. Essa descida das experiências da vida se estratifica em torno do núcleo central do Eu que, com isso, agiganta-se num processo de expansão contínua; assim, a realidade exterior (tanto 241 mais relativa e inconsistente quanto mais exterior) sobrevive àquela caducidade, condena-a àquele constante transformismo que a acompanha e transmite ao eterno aquilo que vale e sua existência produz. Por isso, nada morre no imenso turbilhão de todas as coisas; todo ato de vossa vida tem valor eterno. Quem consegue ser consciente também na consciência latente, encontra seu Eu eterno e, na vasta complexidade das vicissitudes humanas, pode reencontrar o fio condutor ao longo do qual, logicamente, segundo uma lei de justiça e de equilíbrio, desenvolve-se o próprio destino. Então, vive sua vida maior na eternidade e com isso vence a morte. Ele se comunica livremente, mesmo na Terra, por um processo de sintonia que implica afinidade com as correntes de pensamento, que existem além das dimensões do espaço e do tempo. Em outro lugar acenei à técnica dessa comunicação conceptual ou mediunidade inspirativa. Tracei-vos, assim, o quadro da técnica de vossa ascensão espiritual, efeito e meta de vossa vida. Em minhas palavras vereis sempre pairar esta grande ideia da evolução, não no limitado conceito materialista de evolução de formas orgânicas, mas no bem mais vasto conceito de evolução de formas espirituais, de ascensão de almas. Este é o princípio central do universo, a grande força motriz de seu funcionamento orgânico. O universo infinito palpita de vida que, ao reconquistar sua consciência, retorna a Deus. É esse o grande quadro que vos mostrarei. Essa é a visão que, partindo de vossos conhecimentos científicos, indicar-vos-ei. Minha demonstração, lembrai-vos, embora se inicie com uma 242 investigação para uso dos céticos, é um lampejo de luz que lanço ao mundo, é imensa sinfonia que canto em louvor de Deus.” 6 – SATHYA SAI BABA Alguém perguntará o que cada missionário da Verdade veio ensinar na Terra e a resposta é simples: veio, através da própria vida, mostrar que devemos evoluir espiritualmente. Nenhum deles resumirá em um livro ou em muitos livros, em discursos e realizações filantrópicas, o caminho, porque o caminho é individual, na procura interior, no mergulho na própria consciência. Tratam-se de Espíritos Superiores, mas nem Jesus carrega a cruz alheia, porque disse: “Pega a tua cruz e segueMe.” A expressão cruz é simbólica e ninguém evolui sacrificadamente, mas sim viajando para dentro do próprio interior. Sathya Sai Baba deu sua contribuição ao progresso da humanidade da Terra e, daqui a poucos anos, estará reencarnado novamente, mas não poderá carregar a cruz de outras pessoas, pois tem a própria para carregar, ou seja, estará sempre viajando para dentro de si, na procura de referenciais para sua própria vida. 7 – O XAMANISMO Quem nunca ouviu falar no Xamanismo, pensa, talvez, que se trate de uma forma de religiosidade indígena, primitiva, mas, na verdade, é uma manifestação filosófica surgida em vários pontos da Terra, trazida por Espíritos aqui reencarnados provenientes de mundos da Constelação de Órion. Procuram despertar a humanidade terráquea para o auto conhecimento e não têm como meta principal organizarem-se como partido religioso, à moda do que aconteceu com cristãos, hinduístas etc. etc. 243 Não estamos pregando aqui o Xamanismo, mas sim chamando a atenção para a procura interior, que os adeptos que todas as correntes religiosas e filosóficas podem realizar. 8 – SAMAEL AUN WEOR E LITELANTES Esses Espíritos Superiores encarnaram na Terra com a missão de despertar as criaturas que as ouvissem para o chamamento interior pela consciência. Na verdade, o mestre é discípulo da mestra, tanto quanto Allan Kardec é discípulo de Amélie Boudet, Emmanuel é discípulo de Lívia e assim por diante. Trabalharam juntos e cumpriram sua nobre tarefa, deixando um legado que não se sabe se todos os discípulos estarão à altura de continuar no mesmo nível deles. 9 – O HOLISMO Trata-se de outra tentativa de despertamento espiritual da humanidade da Terra, tão apegada às exterioridades. 10 – A CIÊNCIA CÓSMICA A denominação Ciência Cósmica, pelo menos de nossa parte, não pretende transformar-se em mais uma facção para disputar com as já existentes. O que pretendemos é, em Nome de Jesus, Única Autoridade na Terra, convidar as criaturas humanas ao auto conhecimento no sentido mais profundo da palavra, por reconhecermos que lei externa alguma tem o condão de suprir a necessidade da viagem de cada um para dentro de si, na procura do encontro com a própria essência divina que habita em cada criatura. Não somos sectários, não pretendemos a auto valorização, somos anônimos trabalhadores do Bem no Universo. 244 SEGUNDA PARTE: A LEI DIVINA REVELADA A CADA CRIATURA HUMANA PELA PRÓPRIA MEDIUNIDADE CAPÍTULO I – A VIAGEM INTERIOR A viagem interior tem de ser acompanhada de um mestre, ou seja, um Espírito encarnado ou desencarnado, que inspire confiança ao discípulo, mas faz-se necessária também a presença do que se convencionou chamar de animal de poder, o qual já tenha se revelado ao discípulo e que trabalha ao seu lado como assessor para as empreitadas arriscadas, em que o elemento animal se faz imprescindível, porque o ser humano não está preparado para enfrentar perigos mais sérios. Vê-se que, realmente, há uma técnica para esse trabalho de viagem interior, que não pode ser realizada sem esses requisitos, porque não se trata de um trabalho comum, mas sim de um passo importante na vida do Espírito. A partir dessa viagem, se bem sucedida e se ele realizar a auto reforma moral, irá avançar mais um passo adiante na sua evolução. Paulo de Tarso, por exemplo, não se modificou pelo simples fato de ter encontrado Jesus, mas fez-se necessária sua permanência, durante dois anos, no deserto, a fim de adaptar seu íntimo aos novos referenciais, deixando para traz, integralmente, o “homem velho”. A evolução do Espírito não se processa de forma simplista, como a maioria imagina, pois há momentos em que é necessário olhar o passado multimilenário e redimir-se dos erros cometidos, mesmo que tais fatos tenham ocorrido há milhares de anos atrás. Quem dirá o que tem de ser corrigido é a consciência e ela só falará nesses momentos de introspecção profunda, no estado alterado de consciência, que é mais propício nos médiuns, devido à sua maior ligação psíquica com o mundo espiritual. 245 Por isso faz-se necessário o acompanhamento de um mestre espiritual e do animal de poder, a que nos referimos linhas atrás. Essa viagem, normalmente, é induzida, pelo menos na primeira vez, por um orientador encarnado. Hermínio Corrêa de Miranda informou sobre ela, apesar de não entrar em detalhes, para não chocar as pessoas mal informadas. Foi um dos poucos que realizou esse tipo de trabalho espiritual, que ele chamava de regressão de memória. Hermínio, inclusive, realizou esse tipo de atividade socorrista e esclarecedora com Espíritos sofredores, libertando-os das amarras do passado de erros. Mas realizou também esse tipo de trabalho, com algumas variantes, com relação a encarnados, sendo um deles o jornalista Luciano dos Anjos, daí surgindo o livro “Eu sou Camille Desmoulins”. O processo de indução do discípulo ou paciente varia ao infinito, conforme o entendimento dos orientadores encarnados e desencarnados, mas o importante é que, depois de trazido do passado, o paciente ou discípulo esteja imbuído do desejo sincero de realizar a auto reforma moral. Em caso contrário, poderá se perturbar com as revelações negativas e piorar sua vida ao invés de melhorá-la. O objetivo deve ser sempre a cura espiritual e não a satisfação de curiosidade perigosa para a evolução espiritual do paciente ou discípulo. 1 – ESTADO ALTERADO DE CONSCIÊNCIA Quem é médium tem muito mais facilidade de ingressar no estado alterado de consciência, que é, nada mais nada menos, que o desprendimento maior do Espírito em relação ao corpo. Nesse estado psíquico, quando seja esse seu propósito e conte com o auxílio espiritual o seu Orientador Espiritual, 246 consegue visualizar, ou melhor, viver de novo, os dramas que lhe provocam distonias e sofrimentos até hoje. Assim, não só se recorda de incidentes que marcaram sua vida de Espírito, como também, e principalmente, volta a viver esses incidentes, com a finalidade de trazê-los para o nível do consciente e trabalhar as falhas morais, conscientemente, a fim de superá-las. Deixaremos outros comentários para os itens que se seguem. 2 – HERMÍNIO CORRÊA DE MIRANDA Recomendamos a leitura de dois livros de sua autoria: “Diálogo com as Sombras” e “Eu sou Camille Desmoulins”, mas que sejam lidos com olhos de observador da Ciência Cósmica e não como quem lê romances, querendo saber o final da história. 3 – MESTRES DE OUTROS PLANETAS Hermínio sabia de encarnações muito antigas, que viveu, inclusive, no Egito antigo, onde estudou a Ciência Cósmica, mas pode-se calcular que tenha aprendido essa área do conhecimento espiritual em outro planeta, antes de passar a encarnar na Terra como divulgador da Ciência Cósmica. Mestres como ele, Charcot, Ochorovicz, Moreno, Pierre Janet, Allan Kardec, Lavater, Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Samael Aun Weor, Litelantes, Mestre Irineu, Helena Blavatsky, Rudolf Steiner, Yukteswar, Yogananda e outros não são Espíritos terrenos, pois sua ciência supera, de muito, a pobre mentalidade terráquea, que começou a vivenciar a fase da inteligência humana propriamente dita há apenas quarenta milênios, o que representa muito pouco para a evolução de um Espírito. Na verdade, não há mestres terráqueos nessa área, porque o psiquismo dos Espíritos originários da Terra é ainda muito precário para compreenderem essa Ciência a nível de mestre: no máximo, são aprendizes. 247 CAPÍTULO II – O REGISTRO DAS EXPERIÊNCIAS ASTRAIS Hermínio registrou suas experiências de forma superficial, para não chocar as pessoas em geral, ainda despreparadas para entenderem essas verdades, que, daqui a algum tempo, serão corriqueiras, quando a Terra passar à categoria de mundo de regeneração. Vemos algumas informações em livros psicografados por Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco, mas há autores espiritualistas que aprofundam o assunto e que devem ser consultados por aqueles que pretendem evoluir nessa área. Nosso registro, neste livro, será apenas superficial, porque sabemos que haverá dificuldade de muitos leitores em aceitar até o que estamos dizendo de forma rudimentar. Mas a nossa finalidade é despertar os prezados leitores para esse tema, visando sua evolução espiritual, pois, como dito alhures, é preferível realizar essa transmutação enquanto encarnado do que ser pego de surpresa pela desencarnação e cair nas malhas das Trevas, o que acontece com mais da metade da humanidade, pois somente dissolvendo-se os focos do mal que há dentro de nós é que passamos a vibrar numa frequência superior. 1 – A NECESSIDADE DE ENSINAMENTO DO CAMINHO No mundo de regeneração a maioria das pessoas não estará sofrendo em função das dívidas pretéritas, pois terá realizado sua libertação. Não se concebe a evolução com débitos pendentes, o que se consegue apenas com a realização de determinados processos curativos. No livro “Memórias de um Suicida” também há muito de informações sobre um tipo de processo de cura nesse sentido. Recomendamos a leitura dessa obra preciosa, que a humanidade da Terra deve ao esforço conjugado de Yvonne do Amaral Pereira e Camilo Castelo Branco. 248 Orientar sobre esse resgate espiritual representa uma imensa caridade aos seres humanos da Terra, que, com esse tratamento, esvaziarão os consultórios dos psicólogos e psiquiatras, os quais, por enxergarem apenas o cérebro e o sistema nervoso físicos, não alcançam a raiz dos problemas psíquicos, que, normalmente, está no passado dos Espíritos devedores, que representam a maioria dos habitantes da Terra. 2 – O DESPERTAMENTO DAS CRIATURAS HUMANAS Nesta época de transição todas as falanges do Bem se desdobram em socorro da humanidade desarvorada de hoje. Espíritos da Terra e de outros mundos mais evoluídos juntam forças para informarem a todas as criaturas sobre sua própria essência espiritual, visando adequar sua mente ao novo mundo que se avizinha a passos largos. Ao invés de ficarem dopados pelos medicamentos nem sempre necessários, deve-se tratar do psiquismo com métodos adequados, conhecidos pelos antigos iniciados do Egito e outros povos já desaparecidos. A Ciência Cósmica não tem pátria e circula o Universo, porque faz parte do Plano Divino, que Jesus organiza para os habitantes da Terra. Não importa o nome que se dê a esse conhecimento, pois o que importa é a auto reforma moral profunda e não apenas o rótulo de cristão, budista, hinduísta etc. etc. As criaturas devem compreender que são Espíritos e viver conforme essa realidade e não como se fossem corpos. TERCEIRA PARTE: COMO FUNCIONA A CONSCIÊNCIA CAPÍTULO I – O DESPERTAMENTO DA CONSCIÊNCIA Quem pensa que a consciência está desperta espontaneamente está totalmente enganado, pois, principalmente nos encarnados, mas mais precisamente nos 249 Espíritos menos evoluídos, ela está adormecida parcial ou totalmente, até que chegue o momento em que ela desperta, por iniciativa do próprio Espírito ou por um abalo, que funciona como impulsionador do seu progresso. A essência divina é como uma flor preciosa, que não pode ficar exposta às oscilações de temperatura, tal como acontece com algumas espécies raras de vegetais. Os seres primitivos têm a consciência muito pouco desperta, bem como aqueles que nunca se preocuparam com sua própria essência divina, apesar de serem Espíritos mito antigos. O despertamento depende do grau de espiritualização de cada um: entendamos isso. Há quem passe centenas de reencarnações voltado para a materialidade, ou seja, ignorando propositadamente sua essência espiritual e ela continua presente, como não poderia deixar de ser, mas adormecida. Em todos os casos, todavia, seu despertar é doloroso, pois o Espírito fica numa conjuntura dramática, com uma de duas opções: 1 – assume os erros que cometeu e vence o próprio orgulho, admitindo ser um ser cheio de falhas morais e encara de frente a necessidade de evoluir ou 2 – revolta-se, pois seu orgulho fala mais alto e, ou entra em depressão, que pode levar ao suicídio, ou torna-se um Espírito das Trevas. Vejamos como é séria a evolução espiritual e não se trata de mero passeio por entre árvores verdejantes e paisagem aprazível. Evoluir é carregar a própria cruz, como Jesus afirmou na Sua linguagem simbólica, mas essa cruz não é pesada, no sentido de estar acima do que conseguimos suportar, mas sim exige de cada um a assunção humilde das próprias limitações. O principal nessa tomada de consciência é a criatura humana assumir suas próprias limitações, vendo que há Espíritos que lhe são superiores, a quem passa a encarar sem inveja e Espírito que lhe são inferiores, os quais passa a ver sem desprezo. 250 Ninguém deve se comparar com outrem, pois cada um tem de desempenhar sua tarefa específica, mas é importante aprender a obedecer, pois, sem obediência, que significa humildade, ninguém evolui espiritualmente. O orgulho é o defeito que mais dificulta a assunção dos próprios erros do passado. O despertar da consciência exige que dominemos nosso orgulho e não partamos nem para a depressão nem para a revolta, mas sim humilhemo-nos diante de Deus, que é nosso Pai, e iniciemos o caminho de volta como o filho pródigo da parábola evangélica. De todos os Espíritos que passaram pela Terra somente Jesus nunca errou, porque sempre foi obediente. Devemos aprender a ser obedientes, primeiro em relação à Lei de Deus, que está escrita dentro de nós, e, segundo, aos que, por uma razão ou outra, nos são superiores no mundo material ou na hierarquia espiritual. Diz-se com razão: “Quem obedece não erra”, valendo esse ditado para quem obedece à voz da própria consciência. 1 – A LUTA INTERNA DO EGO CONTRA O EU Emergindo, gradativamente, das caracterizações dos Reinos inferiores da Natureza, é normal que cada criatura humana tenha dificuldades em assumir um papel de Espírito consciente da sua própria realidade espiritual. Por muito tempo acredita ser um mero corpo e vive, realmente, em função das necessidades corporais de “comer, dormir e reproduzir”. Um dado importante para os terrícolas é de que, na Terra, a razão surgiu há apenas quarenta milênios, o que representa muito pouco tempo para a vida de um Espírito. Há humanidades em que esse marco ocorreu há muitos milênios a mais, como são os casos de Marte, Saturno e Vênus. A humanidade da Terra deve saber dessa realidade, a fim de não ficar acreditando que é uma coisa excepcional em termos evolutivos, tanto que, se em Marte, por exemplo, os 251 seres humanos não se alimentam de vegetais nem animais, aqui na Terra as pessoas ainda se refestelam com os despojos sangrentos dos animais, em festas que mais parecem um festival quase antropofágico. Sejamos conscientes do nosso nível evolutivo e tenhamos humildade suficiente, mas, por outro lado, invistamos na nossa evolução, pois a Terra está deixando de ser um mundo de provas e expiações e passando a mundo de regeneração. Para essa mudança, cada um deve despertar a própria consciência, revendo seus erros de outras vidas e deletando-os através da auto reforma moral profunda, o que demanda um processo especial, sempre orientado por Espíritos Superiores, e que pode acontecer na trajetória do Espírito como encarnado ou como desencarnado. Todavia, sem essa limpeza, essa faxina espiritual, não há como alguém evoluir: é como se alguém se programe para ir a um festejo e vê que não pode deixar de tomar banho e mudar de roupa. Nos itens anteriores já falamos que o ego procura manter-se dominante, porque representa as reminiscências dos Reinos inferiores da Natureza, por onde passamos. Mas, quando despertamos a consciência, limpamo-nos dessas sujidades e seguimos adiante, como quem tomou um banho exemplar, e, assim, retiramos as bactérias que estavam agarradas à nossa pele. Com essa mudança de frequência, passamos a sintonizar com as estações do Bem e não as do Mal. 1.1 – O COMPLEXO DE CULPA Como dissemos, há o perigo de estagnarmos na faixa do complexo de culpa, derrapando na faixa da depressão ou ingressando na sintonia da revolta. Somente quem se esforçar para ser realmente humilde conseguirá passar ileso por esse fogo cruzado interno, porque a consciência não aceita meios termos e temos que dizer a nós mesmos sim sim, não não. 252 2 – A PACIFICAÇÃO Seja procurando adquirir logo a humildade, seja depois de muito sofrer por causa do orgulho, não há quem fique eternamente lutando contra a própria consciência. Um dia cada um retorna à Casa Paterna. Aí terá ocorrido a pacificação, mas, para os rebeldes está reservado o degredo ao planeta Quírom, muito mais atrasado do que a Terra, enquanto que para quem se humilhar perante a própria consciência, se seja, perante Deus estará reservada a própria Terra, tanto que Jesus disse que esses herdarão a Terra. 2.1 – A IMPLEMENTAÇÃO DA AUTO REFORMA MORAL PROFUNDA As criaturas humanas da Terra estão acostumadas à religiosidade puramente exterior, sendo, na verdade, sepulcros caiados por fora, mas podres por dentro. Chegou a hora da declaração da verdade interna de cada um e é necessário que a auto reforma moral seja realizada em profundidade, sem subterfúgios nem hipocrisia. CAPÍTULO II – OS HUMANOS DO MUNDO DE REGENERAÇÃO No mundo de regeneração cada criatura humana terá de viver segundo os ditames da própria consciência, onde está escrita a Lei de Deus. Assim, as criaturas aprenderão a realizar periodicamente sua viagem interna, de onde voltarão com as indicações necessárias para evoluir espiritualmente. 1 – CRIATURAS OBEDIENTES À LEI DE DEUS INSERIDA NO SEU ÍNTIMO Para terminarmos, vamos apenas citar uma expressão de Jesus: “O Reino dos Céus está dentro de vós.”