UMinho | 2011 de TSC e de Cargas Elétricas para Nuno Miguel Figueira Manuel Desenvolvimento Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Universidade do Minho Escola de Engenharia Nuno Miguel Figueira Manuel Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Novembro de 2011 Universidade do Minho Escola de Engenharia Nuno Miguel Figueira Manuel Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Tese de Mestrado Ciclo de Estudos Integrados Conducentes ao Grau de Mestre em Engenharia Eletrónica Industrial e Computadores Trabalho efetuado sob a orientação do Professor Doutor João Luiz Afonso Novembro de 2011 À minha mãe Júlia Filomena Van-Dúnem. À Maria José Garcia de La Iglesia. Agradecimentos Gostaria de começar por apresentar os meus sinceros agradecimentos ao meu orientador Doutor João Luiz Afonso, pela exigência e incentivo demonstrado durante a realização do trabalho de dissertação. Aos Investigadores do Laboratório de Eletrónica de Potência da Universidade do Minho, Doutor Henrique Gonçalves, Eng.º Bruno Exposto, Eng.º Delfim Pedrosa, Eng.º Vítor Monteiro e ao Eng.º Gabriel Pinto, agradeço pelo apoio sempre demonstrado, pelas críticas e sugestões que enriqueceram ainda mais o trabalho de dissertação. Aos meus amigos, Acácio Crespo, Pedro Lafuente, Manuel Romeu e à Sofia Azevedo, os meus sinceros agradecimentos pelas primeiras revisões feitas ao texto. Aos técnicos das oficinas do Departamento de Engenharia Eletrónica Industrial, ao Senhor Joel Almeida quero agradecer pela disponibilidade e simpatia sempre demonstradas e ao Senhor Carlos Torres agradeço pelas ajudas prestadas no desenvolvimento das placas de circuito impresso. A todos os professores do Departamento de Engenharia Eletrónica da Universidade do Minho, agradeço pela partilha de conhecimentos e pelo fato de terem ajudado a cumprir um sonho. Ao Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, agradeço pelos apoios financeiros com base na bolsa de estudos que usufruí durante os 5 anos. A Microchip, a Texas Instruments e a Analog Device, agradeço pelas amostras de componentes que têm vindo a disponibilizar de forma grátis aos estudantes que pretendem desenvolver protótipos. Aos meus colegas de curso, Sérgio Gonçalves, Nilton Lopes, Pedro Portela, Delfim Pinto, Martinho Fernando, Nuno Teixeira, Samira Helena, Amândio Barbosa, João Elias Jesus e Mauro Luís Domingos da Silva, agradeço pela amizade e pela partilha de conhecimento que tivemos ao longo de todo curso. Por último, mas não menos importante, quero expressar os meus mais sinceros agradecimentos à família Van-Dúnem, pela ajuda prestada em todos os momentos da minha vida, em especial o meu tio Jerónimo António Figueira. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel iii Resumo A compensação da potência reativa no sistema elétrico assume uma importância crescente, face ao imperativo de se utilizar ao máximo a capacidade de transmissão das linhas e dos transformadores [1]. No que diz respeito ao consumidor industrial, a compensação da potência reativa representa uma gestão adequada da potência contratada. Os equipamentos clássicos para compensação da potência reativa são os bancos de condensadores [2][3]. Devido aos problemas de Qualidade de Energia Elétrica, comummente, os harmónicos de corrente e de tensão, a compensação da potência reativa com base em bancos de condensadores provoca distorção harmónica na tensão e na corrente e transitórios de comutação na tensão. O Thyristor Switched Capacitor (TSC) é um equipamento de Eletrónica de Potência do tipo FACTS capaz de compensar a potência reativa indutiva. Nesta dissertação, desenvolveu-se um Thyristor Switched Capacitor com três níveis de compensação/módulos. Os estudos realizados foram minuciosos no sentido de melhorarem a resposta dinâmica do equipamento e mitigar a corrente de inrush que ocorre quando os condensadores são ligados à rede elétrica. O sistema de controlo implementado mede o valor da tensão e da corrente no sistema elétrico e calcula a potência ativa, o fator de potência e a potência reativa necessária para corrigir o fator de potência para a unidade, ou para valores superiores a 0,93, valor limite aceite na legislação em vigor em Portugal. As cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica são equipamentos de apoio utilizados em Laboratórios de Investigação e Desenvolvimento em Eletrónica de Potência. O objetivo destas cargas é provocarem distorções na tensão e na corrente nas fases. Neste caso as cargas desenvolvidas serão utilizadas em teste de Filtros Ativos de Potência e Monitorizadores de Qualidade de Energia Elétrica. Nesta dissertação começou-se por os problemas de Qualidade de Energia Elétrica, que mais contribuem para degradação do sistema Elétrico e passando de seguida ao estudo do Thyristor Switched Capacitor e das cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica. Palavras-Chave: TSC (Thyristor Switched Capacitor), Cargas de Teste, Compensação do fator de potência, Qualidade da Energia Elétrica, Correção do fator de potência, Controlo Digital baseado em Microcontrolador. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel v Abstract The reactive power compensation in the electrical system is an important issue due to the necessity of using the maximum transmission capacity of lines and transformers. Regarding the industrial consumer, the reactive power compensation is a suitable contracted power management. The most common equipments for reactive power compensation are Capacitors Banks. Due to Power Quality problems, such as current and voltage harmonics, the reactive power compensation based on Capacitors Banks can cause harmonics in current and voltage and also voltage transients. The Thyristor Switched Capacitor is type of FACTS (Flexible AC Transmission Systems) equipment capable to compensate inductive reactive power. In this thesis it was developed a Thyristor Switched Capacitor with three levels of compensation/modules. Studies were carried out in order to improve the dynamic response of the equipment and to mitigate the inrush current that occurs when the capacitors are switched to the mains. The implemented control system measures the voltage and current in the electrical system and calculates the active power, power factor and reactive power needed to compensate the power factor to unit or to above 0.93, the reference value in Portuguese’s legislation. Electrical loads for study of Power Quality problems are support equipments used in Research and Development Laboratories for Power Electronics. The purpose of these loads is to cause current and voltage harmonics in the studied electric grid. In this case loads will be used for testing Active Power Filters and Power Quality Monitoring equipments. In this dissertation, it is first presented, in Chapter 2, the Power Quality problems with most influence in electrical system degradation. The remaining chapters deal with the Thyristor Switched Capacitor and the Electrical loads to study Power Quality Problems. Keywords: TSC (Thyristor Switched Capacitor), Power Factor Correction, Test Loads, Power Quality, Digital Controller on Microcontroller. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel vii Índice Resumo ................................................................................................................................................. v Abstract .............................................................................................................................................. vii Lista de Figuras ................................................................................................................................... xi Lista de Tabelas ................................................................................................................................ xvii Lista de Abreviaturas ........................................................................................................................ xix CAPÍTULO 1 Introdução ............................................................................................................... 1 1.1.1. Identificação do Problema .............................................................................................. 1 1.2. Enquadramento ......................................................................................................................... 2 1.3. Motivações ............................................................................................................................... 3 1.4. Objetivos do Trabalho ............................................................................................................... 3 1.5. Organização da Dissertação....................................................................................................... 4 CAPÍTULO 2 Qualidade da Energia Elétrica ................................................................................ 5 2.1. Introdução................................................................................................................................. 5 2.2. Cargas Elétricas ........................................................................................................................ 6 2.2.1. Cargas Elétricas Não Lineares ........................................................................................ 7 2.2.2. Cargas Elétricas Lineares ............................................................................................... 8 2.3. Problemas de Qualidade de Energia Elétrica ............................................................................ 11 2.3.1. Variações da Tensão de Curta Duração ......................................................................... 11 2.3.2. Variações da Tensão de Longa Duração ........................................................................ 13 2.3.1. Desequilíbrio das Tensões ............................................................................................ 14 Legenda: 15 2.3.1. Distorção da Forma de Onda ........................................................................................ 15 2.3.2. Transitório ................................................................................................................... 19 2.4. Fator de Potência .................................................................................................................... 20 2.4.1. Displacement Power Factor ......................................................................................... 21 2.4.2. Inconvenientes do Baixo Fator de Potência ................................................................... 22 2.5. Consequências dos Problemas de Qualidade de Energia Elétrica .............................................. 23 2.5.1. Efeitos dos Harmónicos de Tensão e de Corrente .......................................................... 23 2.5.2. Equipamentos para Compensação de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica ........ 24 2.6. Normas de Qualidade de Energia Elétrica ................................................................................ 25 2.6.1. Recomendação IEEE 519 - 1992................................................................................... 26 2.6.2. Norma Europeia EN50160 - 2007 ................................................................................. 28 2.7. Conclusão ............................................................................................................................... 28 CAPÍTULO 3 Equipamentos para Compensação da Potência Reativa ....................................... 31 3.1. Introdução............................................................................................................................... 31 3.2. Compensador Síncrono ........................................................................................................... 32 3.3. Bancos de Condensadores ....................................................................................................... 34 3.4. Filtro Ativo de Potência Paralelo ............................................................................................. 35 3.5. Compensadores FACTS (Flexible AC Transmission System) do tipo Paralelo........................... 36 3.5.1. STATCOM .................................................................................................................. 36 3.5.2. Thyristor-Controlled Reactor ....................................................................................... 37 3.5.3. Thyristor Switched Capacitor ....................................................................................... 40 3.5.4. Estado da arte do Thyristor Switched Capacitor ............................................................ 41 3.5.5. Thyristor Switched Capacitor Implementado ................................................................ 43 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel ix Índice 3.6. Conclusão ............................................................................................................................... 50 CAPÍTULO 4 Simulações do Thyristor Switched Capacitor e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica .................................................................................... 53 4.1. Introdução............................................................................................................................... 53 4.2. Modelo de Simulação do Andar de Potência do Thyristor Switched Capacitor ......................... 55 4.2.1. Estratégia de Controlo .................................................................................................. 56 4.3. Resultado das Simulações ....................................................................................................... 62 4.3.1. Operação do Thyristor Switched Capacitor ................................................................... 62 4.3.2. Thyristor Switched Capacitor e Carga Linear Equilibrada em Estrela ............................ 63 4.3.3. Thyristor Switched Capacitor em Sistema Elétrico com Harmónicos na corrente e Carga Linear Equilibrada conectada em Estrela ............................................................................ 64 4.3.4. Thyristor Switched Capacitor e Carga Linear e Carga não Linear em Estrela Desequilibrada ............................................................................................................................ 65 4.3.5. Thyristor Switched Capacitor e Carga Indutiva Equilibrada em Triângulo ..................... 68 4.3.6. Thyristor Switched Capacitor e Carga Indutiva Desequilibrada em Triângulo................ 69 4.3.7. Thyristor Switched Capacitor vs Banco de Condensadores com Filtro Passivo .............. 72 4.4. Cargas de Teste para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica ........................... 75 4.5. Conclusões ............................................................................................................................. 82 CAPÍTULO 5 Implementação do Thyristor Switched Capacitor .................................................. 85 5.1. Introdução............................................................................................................................... 85 5.2. Diagrama de Blocos do Thyristor Switched Capacitor ............................................................. 85 5.2.1. Constituição dos Módulos do Thyristor Switched Capacitor .......................................... 86 5.3. Sistema de Controlo ................................................................................................................ 88 Unidade de Processamento Central (UPC) ................................................................................... 88 Caraterísticas do Microcontrolador .............................................................................................. 88 Caraterísticas dos Periféricos Analógicos do Microcontrolador .................................................... 88 5.3.1. Software Utilizado para Programar o Microcontrolador ................................................. 90 5.3.2. Tarefas Executadas pelo Microcontrolador.................................................................... 90 5.4. Circuito de Medição de Tensões e Correntes............................................................................ 93 5.5. Circuito de Condicionamento de Sinal ..................................................................................... 95 5.6. Circuito de Comando .............................................................................................................. 99 Conclusão ...................................................................................................................................... 101 CAPÍTULO 6 Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica .................................................................................. 103 6.1. Introdução............................................................................................................................. 103 6.2. Resultados Experimentais do TSC a Compensar a Potência Reativa ....................................... 104 6.3. Resultados Experimentais ..................................................................................................... 104 6.3.1. Carga Indutiva A Conectada ao Sistema Elétrico......................................................... 105 6.3.2. Carga Indutiva B Conectada ao Sistema Elétrico ......................................................... 106 6.3.3. Carga Indutiva C Conectada ao Sistema Elétrico ......................................................... 107 6.4. Ensaio do TSC com Tensão de Alimentado de 200 V ............................................................ 108 6.5. Resultados Experimentais das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE................. 108 6.6. Conclusão ............................................................................................................................. 111 CAPÍTULO 7 Conclusões e Sugestões de Trabalho Futuro ....................................................... 113 7.1. Conclusões ........................................................................................................................... 113 7.2. Trabalho Futuro .................................................................................................................... 115 Referências ....................................................................................................................................... 117 x Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Lista de Figuras Figura 2.1 - Exemplo da forma de onda da tensão e da corrente no sistema elétrico de baixa tensão, no caso ideal........................................................................................................................................... 6 Figura 2.2 - Tipos de equipamentos eletrónicos cada vez mais usados em ambientes residenciais e de escritório que provocam problemas de QEE. ........................................................................................... 7 Figura 2.3 - Retificador trifásico não controlado com Filtro Capacitivo e Carga RL. ................................ 7 Figura 2.4 - Formas de ondas da tensão e corrente na entrada de um retificador trifásico. ......................... 8 Figura 2.5 - Exemplo da forma de onda da tensão e da corrente aos terminais de uma carga elétrica puramente resistiva. ................................................................................................................................ 9 Figura 2.6 - Exemplo da forma de onda da tensão e da corrente aos terminais de uma carga elétrica puramente capacitiva. ............................................................................................................................. 9 Figura 2.7 - Exemplo da forma de onda da tensão e da corrente aos terminais de uma carga elétrica puramente indutiva. .............................................................................................................................. 10 Figura 2.8 - Tipos de cargas elétricas lineares........................................................................................ 10 Figura 2.9 - Exemplo do modelo equivalente da estrutura da linha de transporte de energia elétrica........ 11 Figura 2.10 - Exemplo de um Swell devido ao desligar de um banco de condensadores. ......................... 12 Figura 2.11 - Exemplo de um Sag causado por um motor elétrico. ......................................................... 12 Figura 2.12 - Exemplo da interrupção momentânea no sistema provocada por falha no sistema de alimentação. ......................................................................................................................................... 13 Figura 2.13 - Exemplo do desequilíbrio das tensões no sistema elétrico. ................................................ 14 Figura 2.14 - Distorção harmónica de um sinal na presença do , e harmónico............................ 16 Figura 2.15 - Diagrama fasorial correspondente a sequência dos harmónicos. ........................................ 16 Figura 2.16 - Exemplo de Notches na tensão do sistema elétrico devido à comutação de um retificador trifásico a tirístor com carga indutiva. ................................................................................... 18 Figura 2.17- Exemplo de um ruído de 10 kHz sobreposto ao sinal de tensão no sistema elétrico. ............ 19 Figura 2.18 - (a) Exemplo de Transitório impulsivo na tensão devido a uma descarga atmosférica; (b) Transitório oscilatório na tensão devido a comutação de cargas indutivas e banco de condensadores. ..................................................................................................................................... 19 Figura 2.19 - Triângulo de potência, definição do ângulo de fase e sentido de rotação dos fasores. ......... 21 Figura 2.20 - Retificador monofásico não controlado com PFC. ............................................................ 22 Figura 2.21 - Cargas não lineares e carga linear conectadas ao mesmo barramento. ................................ 25 Figura 3.1 - Esquema de compensação da potência reativa. ................................................................... 31 Figura 3.2 - Circuito equivalente de uma das fases do compensador síncrono......................................... 32 Figura 3.3 - Diagrama fasorial do modelo equivalente do compensador síncrono. .................................. 32 Figura 3.4 - Digrama de blocos do sistema de excitação e regulação da tensão do compensador síncrono [8]. ......................................................................................................................................... 33 Figura 3.5- Compensador síncrono com sistema de excitação estático.................................................... 34 Figura 3.6 - Exemplo de um banco de condensadores conectado em estrela para compensação global de potência reativa. ............................................................................................................................... 35 Figura 3.7 - Esquema unifilar de um filtro ativo paralelo monofásico..................................................... 36 Figura 3.8 - Representação do diagrama de bloco do STATCOM monofásico. ....................................... 37 Figura 3.9 - Representação gráfica do fluxo de potência reativa injetada ou absorvida pelo STATCOM. ......................................................................................................................................... 37 Figura 3.10 - Esquema unifilar monofásico do TCR. ............................................................................. 38 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel xi Lista de Figuras Figura 3.11 - Configura aos 12 pulsos do TCR (Thyristor- Controlled Reactor). .................................... 39 Figura 3.12 - (a) Topologia básica do TSC que não permite filtragem de harmónico de corrente; (b) Topologia com filtro passa baixo LC para filtragem de harmónico de corrente. ...................................... 40 Figura 3.13 - SVC trifásico com potência nominal de 350 MVAr em funcionamento desde 2008 na Austrália [45]. ...................................................................................................................................... 42 Figura 3.14 - SVC trifásico com potência nominal de 500 MVAr em funcionamento desde 1995 no Brasil [45]. ........................................................................................................................................... 42 Figura 3.15 - Thyristor Switched Capacitor trifásico com potência nominal de 300 MVAr em funcionamento desde 2006 nos Estados Unidos da América [45]. .......................................................... 43 Figura 3.16 - Thyristor Switched Capacitor com potência nominal de 300 MVAr em funcionamento desde Agosto de 2011 numa central a carvão no Canadá [45]. ............................................................... 43 Figura 3.17 - Esquema elétrico do Thyristor Switched Capacitor (TSC) Implementado. ......................... 44 Figura 3.18 - Algoritmo de controlo do cálculo da potência reativa a injeta no sistema elétrico. ............. 45 Figura 3.19 - Algoritmo de controlo da estratégia de comutação dos módulos do TSC. .......................... 46 Figura 3.20 - Característica tensão v corrente do Thyristor Switched Capacitor. .................................... 47 Figura 3.21 - Modelo equivalente do Thyristor Switched Capacitor considerando o semicondutor (k) como ideal. ........................................................................................................................................... 48 Figura 3.22- Lugar das raízes do sistema dinâmico do TSC para C =33 , R = 0.2 ῼ e L = 0.1 mH. ... 50 Figura 3.23 - Diagrama de Bode correspondente aos pares de pólo do sistema. ...................................... 50 Figura 4.1 - Ambiente de programação em linguagem C do PSIM que permite desenvolver algoritmos de controlo digital................................................................................................................ 54 Figura 4.2 - Ambiente de desenvolvimento do PSIM versão 9.1. ........................................................... 55 Figura 4.3 - Simulação do andar de potência do Thyristor Switched Capacitor em paralelo com uma carga elétrica indutiva. .......................................................................................................................... 56 Figura 4.4 - Amplitude da corrente oscilatória para diferentes valores de n e para diferentes valores da tensão inicial no condensador [40]. ................................................................................................... 57 Figura 4.5 - Estratégia de comutação dos módulos de TSC no pico da tensão da rede elétrica [40]. ........ 58 Figura 4.6 - Circuito de sample and hold implementado no PSIM para parte de controlo do circuito de condicionamento de sinal e ADC...................................................................................................... 59 Figura 4.7 - Microcontrolador com 5 entradas e 9 saídas desenvolvido no PSIM com base no bloco C para implementação do sistema de controlo do Thyristor Switched Capacito. ........................................ 59 Figura 4.8 - Circuito de enable dos módulos do Thyristor Switched Capacitor e detetor de passagem por zero implementados no PSIM para a parte de controlo. .................................................................... 60 Figura 4.9 - Sistema de controlo da potência reativa simulada com base em blocos matemáticos. ........... 60 Figura 4.10 - Simulação da estratégia de comutação com base em dispositivos analógicos com sensores de tensão e de corrente e com detetor da passagem por zero. .................................................... 61 Figura 4.11 - Forma de onda da corrente injetada na rede elétrica pelo Thyristor Switched Capacitor. .... 62 Figura 4.12 - Amplitude e frequência do harmónico na corrente que o Thyristor Switched Capacitor injeta no sistema elétrico. ...................................................................................................................... 62 Figura 4.13 - Forma de onda da tensão na rede e corrente injetada no sistema elétrico pelo Thyristor Switched Capacitor. ............................................................................................................................. 63 Figura 4.14 - Desfasamento entre a tensão e a corrente provocado por uma carga indutiva. .................... 63 Figura 4.15 - Compensação do fator de potência de carga indutiva com o Thyristor Switched Capacitor. ............................................................................................................................................ 64 Figura 4.16 - Forma de onda da tensão e da corrente num sistema elétrico com carga indutiva e retificador trifásico com filtro capacitivo. .............................................................................................. 65 Figura 4.17 - Forma de onda da tensão e da corrente depois da compensação da potência reativa no sistema elétrico com carga não linear e carga indutiva. .......................................................................... 65 xii Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Lista de Figuras Figura 4.18 - Exemplo da compensação individual da potência reativa num sistema trifásico desequilibrado: forma de onda da tensão e da corrente após a compensação da potência reativa da carga indutiva conectada na fase a. ....................................................................................................... 66 Figura 4.19 - Exemplo de sistemas trifásico desequilibrado: forma de onda da tensão e da corrente na fase b que alimenta uma carga não linear. ............................................................................................. 67 Figura 4.20 - Exemplo de sistemas trifásico desequilibrado: forma de onda da tensão e da corrente na fase c que alimenta uma carga resistiva. ................................................................................................ 67 Figura 4.21 - Amplitude e frequência dos harmónicos de corrente no neutro de um sistema trifásico em estrela desequilibrado, com carga indutiva e carga não linear. .......................................................... 67 Figura 4.22 - Modelo de simulação do Thyristor Switched Capacitor e carga indutiva equilibrada em triângulo. .............................................................................................................................................. 68 Figura 4.23 - Formas de onda da tensão e da corrente na fase no sistema elétrico trifásico com carga indutiva e carga não linear conectados em triângulo. ............................................................................. 69 Figura 4.24 - Thyristor Switched Capacitor e carga indutiva equilibrada conectada em triângulo: exemplo da forma de onda da tensão e da corrente na fase depois da compensação da potência reativa. ................................................................................................................................................. 69 Figura 4.25 - Exemplo de sistema elétrico trifásico com carga linear em triângulo desequilibrada: tensão e corrente na fase a. ................................................................................................................... 70 Figura 4.26 -. Exemplo de sistema elétrico trifásico com carga linear em triângulo desequilibrada: tensão e corrente na fase b. ................................................................................................................... 70 Figura 4.27 - Exemplo de sistema elétrico trifásico com carga linear em triângulo desequilibrada: tensão e corrente na fase c..................................................................................................................... 71 Figura 4.28 - Compensação da potência reativa no sistema elétrico trifásico desequilibrado em triângulo com carga linear: forma de onda da tensão e da corrente na fase a depois da compensação. ..... 71 Figura 4.29 - Compensação da potência reativa no sistema elétrico trifásico desequilibrado em triângulo com carga linear: forma de onda da tensão e da corrente na fase b depois da compensação. ..... 72 Figura 4.30 - Compensação da potência reativa no sistema elétrico trifásico desequilibrado em triângulo com carga linear: forma de onda da tensão e da corrente na fase c depois da compensação. ..... 72 Figura 4.31 - Modelo simulado do Thyristor Switched Capacitor em paralelo com bancos de condensadores e filtro passivo para compensação da potência reativa de uma carga indutiva e de uma carga não linear, em estrela. .................................................................................................................. 73 Figura 4.32 - Desfasamento entre a tensão e a corrente na fase a provocado por uma carga indutiva e um retificador trifásico com filtro capacitivo e carga resistiva, ambos conectados em estrela. ................. 73 Figura 4.33 - Amplitude e fase dos harmónicos de corrente que a carga não linear injeta no sistema elétrico. ................................................................................................................................................ 74 Figura 4.34 - Compensação da potência reativa com banco de condensadores sem filtro passivo: tensão e corrente na fase. ...................................................................................................................... 74 Figura 4.35 - Compensação da potência reativa com banco de condensadores com filtro passivo, para filtragem do 5º harmónico: tensão e corrente na fase. ............................................................................ 75 Figura 4.36 - Mitigação dos harmónicos de corrente com base em filtros passivo: amplitude e frequência da fundamental, 5º e 7º harmónicos. ..................................................................................... 75 Figura 4.37 - Exemplo de uma bancada de teste para estudo de problemas de qualidade de energia elétrica. Tipos de cargas utilizadas para provocarem distorções nas tensões e nas correntes. ................... 76 Figura 4.38 - Formas de ondas da corrente e da tensão no lado CA do retificador monofásico não controlado com filtro capacitivo. Parâmetros da simulação: R = 27 Ω; C = 1500 F; resistência de pré-carga de 502 Ω. .............................................................................................................................. 77 Figura 4.39 - (a) Formas de onda da corrente e da tensão no lado CA do retificador trifásico não controlado com filtro capacitivo; (b) Amplitude e frequência dos harmónicos de corrente do lado CA; (c) Amplitude e frequência dos harmónicos de tensão do lado CA. Parâmetros da simulação R = 52 Ω e C = 1 F. ............................................................................................................................ 78 Figura 4.40 - (a) Tensão e corrente no lado CA do retificador controlado com carga resistiva; (b) amplitude e frequência dos harmónicos de corrente no lado CA. Parâmetros da simulação R = 52 Ω e Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel xiii Lista de Figuras ângulo de condução . ............................................................................................................... 79 Figura 4.41 - (a) Tensão e corrente no lado CA do retificador trifásico controlado com carga LR; (b) Amplitudes e frequências dos harmónicos de corrente do lado CA. Parâmetros da simulação: R = 52 Ω;L = 0,1 mH; ............................................................................................................. 80 Figura 4.42 - Forma de onda da corrente injetada pelo Thyristor Controlled Reactor para diferentes valores do ângulo de disparo: (a) ; (b) ; (c) ; (d) . Parâmetros da simulação: L = 10 mH. ..................................................................................................................... 81 Figura 4.43 - Exemplo da amplitude e das frequência dos harmónicos de corrente que o TCR injeta na rede elétrica: (a) Harmónicos de corrente para . (b) harmónicos de corrente para . .................................................................................................................................................... 82 Figura 5.1 - Diagrama de bloco do Thyristor Switched Capacitor com os sinais de controlo representados........................................................................................................................................ 86 Figura 5.2 - (a) Pinout do tirístor usado na constituição dos módulos; (b) Gráfico da variação da corrente nominal em função da temperatura. ......................................................................................... 86 Figura 5.3 - (a) Esquema elétrico do optoacoplador MOC3052; (b) Curva da corrente de gate normalizada [59]. ................................................................................................................................. 87 Figura 5.4 - Aspeto final de um dos módulos de Thyristor Switched Capacitor desenvolvido. ................ 88 Figura 5.5- Representação do diagrama de bloco do PIC32MXX512L utilizado para desenvolver o Sistema de Controlo [61]. ..................................................................................................................... 89 Figura 5.6 - Placa de desenvolvimento da Microchip PIC32MXX512L, utilizada para desenvolver o Sistema de Controlo. ............................................................................................................................ 90 Figura 5.7 - Ambiente de desenvolvimento de código em linguagem C e em linguagem assembler do MPLAB versão 8.6. ............................................................................................................................... 90 Figura 5.8 - Representação gráfica passo a passo das rotinas do software de controlo desenvolvido no PIC32MXX512L. ............................................................................................................................. 92 Figura 5.9 - Fluxograma do algoritmo da deteção da passagem por zero da tensão implementado por software. .............................................................................................................................................. 93 Figura 5.10 - Sensor de corrente de efeito Hall LA 55 – fotografia e respetivo esquema de ligação. ........ 94 Figura 5.11 - Sensor de tensão de efeito Hall e respetivo esquema de ligação......................................... 95 Figura 5.12 - Circuito de offset implementado para garantir que os sinais de tensão e corrente a entrada do ADC variam entre o máximo e o mínimo admissível. ........................................................... 96 Figura 5.13 - Representação do diagrama de blocos da eliminação do offset por software....................... 96 Figura 5.14 - Exemplo da forma de onda da tensão à saída do sensor e a entrada do circuito de ADC. .... 97 Figura 5.15 - Circuito detetor da passagem por zero da tensão implementado com o comparador LM339. ................................................................................................................................................ 97 Figura 5.16 - Formas de onda da tensão à entrada e à saída do circuito detetor de zero. .......................... 98 Figura 5.17 - Circuitos de condicionamento de sinal desenvolvido para sistemas trifásicos com detetor de zero por hardware. ............................................................................................................... 98 Figura 5.18 - Fonte de alimentação de corrente contínua para alimentação do circuito de condicionamento de sinal e do circuito de medições de tensões e correntes. ........................................... 99 Figura 5.19 - Aspeto final da fonte de tensão contínua utilizada para alimentar os circuitos de condicionamento de sinal. ..................................................................................................................... 99 Figura 5.20 - Circuito de comando com ajuste do tempo da duração do pulso. ..................................... 100 Figura 5.21 - Diagrama de blocos do sistema de comando e representação dos sinais de gates à saída do microcontrolador. .......................................................................................................................... 100 Figura 6.1 - Bancada de trabalho e ambiente de desenvolvimento do TSC e das cargas RL utilizadas para realizar os ensaios. ...................................................................................................................... 103 Figura 6.2 - Indutâncias utilizadas para compor os três tipos de cargas RL utilizadas durante a fase dos ensaios. ........................................................................................................................................ 104 xiv Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Lista de Figuras Figura 6.3 - Desfasamento entre a tensão e a corrente no sistema elétrico provocado pela carga A. ...... 105 Figura 6.4 - Forma de onda da tensão e da corrente na rede quando estão conectadas a carga A e o TSC. .................................................................................................................................................. 105 Figura 6.5 - Desfasamento entre a tensão e a corrente no sistema elétrico provocado pela carga B. ....... 106 Figura 6.6 - Forma de onda da tensão e da corrente na rede quando estão conectadas o TSC e a carga B. ....................................................................................................................................................... 106 Figura 6.7 - Desfasamento entre a tensão e a corrente no sistema elétrico provocado pela carga C. ....... 107 Figura 6.8 - Forma de onda da tensão e da corrente na rede elétrica quando conectados o TSC e a carga C. .............................................................................................................................................. 107 Figura 6.9 - Forma de onda da tensão e da corrente no sistema elétrico depois da compensação da potência reativa com o TSC alimentado a 200 V. ................................................................................ 108 Figura 6.10 - (a) Forma de onda da tensão na fase quando a corrente é nula, (b) valor do THD e da amplitude dos harmónicos da tensão. .................................................................................................. 108 Figura 6.11 - (a) Forma de onda da tensão quando conectado um retificador monofásico com filtro capacitivo e carga resistiva; (b) Forma de onda da corrente absorvida pelo retificador monofásico com filtro capacitivo e carga resistiva.................................................................................................. 109 Figura 6.12 - Forma de onda da tensão e da corrente no lado CA do retificador monofásico e ponte completa com filtro capacitivo e carga resistiva. .................................................................................. 109 Figura 6.13 - Valor do THD e da amplitude dos harmónicos da tensão provocados por um retificador com filtro capacitivo. (b) Valor do THD e da amplitude dos harmónicos da corrente absorvida pelo retificador........................................................................................................................................... 110 Figura 6.14 - Valor da potência ativa, da potência aparente, da potência reativa, do fator e do ângulo de desfasamento entre a tensão e a corrente, associados ao retificador com filtro capacitivo. ................ 110 Figura 6.15 - (a) Forma de onda da corrente na entrada do retificador com carga RL. (b) Forma de onda da tensão e da corrente na entrada do retificador. ........................................................................ 110 Figura 6.16 - (a) Valor do THD e da amplitude dos harmónicos da tensão provocado por um retificador monofásico com carga RL; (b) Valor do THD e da amplitude dos harmónicos da corrente. . 111 Figura 6.17 - Valor da potência ativa, da potência aparente, da potência reativa, do fator de potência e do desfasamento entre a tensão e a corrente, associados ao retificador monofásico e carga RL........... 111 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel xv Lista de Tabelas Tabela 2.1 - Tipos de variações de tensão [21]. ..................................................................................... 14 Tabela 2.2 - Variação da secção do condutor em função do fator de potência. ........................................ 23 Tabela 2.3 - Dispositivos para compensação de problemas de Qualidade de Energia Elétrica. ................ 24 Tabela 2.4 - Principias Normas de Qualidade de Energia Elétrica. ......................................................... 26 Tabela 2.5 Bases para os limites dos harmónicos de corrente [35]. ......................................................... 27 Tabela 2.6 - Limite para distorção da tensão no PCC [35]. ..................................................................... 27 Tabela 2.7 - Limite da Distorção da Corrente em sistemas de distribuição de 120 V até 69 kV [35]. ....... 28 Tabela 4.1 - Ângulos de comutação dos módulos do Thyristor Switched Capacitor de acordo o tipo da configuração: Estrela ou Triângulo. .................................................................................................. 68 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel xvii Lista de Abreviaturas ADC Analogic to Digital Converter BTN Baixa Tensão Nominal CA Corrente Alternada CC Corrente Contínua CSI Current Source Inverter CI Circuito Integrado CLP Controlador Lógico Programável DAC Digital to Analog Converter DPF Displacement Power Factor ERSE Entidade Regulador dos Serviços Energéticos FACTS Flexible AC Transmission Systems FAP Filtro Ativo de Potência Paralelo PFC Power Factor Correction FAS Filtro Ativo de Potência Série FP Fator de Potência GEPE Grupo de Eletrónica de Potência e Energia IEC International Electrotechnical Commission IEEE Institute of Electrical and Electronic Engineers LCD Liquid Crystal Display MATLAB Software Desenvolvido pela “Math Works Corp” MAT Muito Alta Tensão MCU Microcontroller unity MT Média Tensão MVAr Mega Volte Ampere Reativo “ PC Computador PCB Printed Circuit Board PCC Point of Commom Coupling PWM Pulse Width Modulation QEE Qualidade de Energia Elétrica SEE Sistema Elétrico de Energia STATCOM Static Synchronous Compensator Watts” Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel xix Lista de Abreviaturas SVC Static Var Compensator TCR Thyristor-Controlled Reactor TDD Total Demand Distortion THD Total Harmonic Distortion TSC Thyristor Switched Capacitor UC Unidade Curricular UE União Europeia UPS Uninterruptible Power Supply UPQC Unified Power Quality Conditioner xx Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel CAPÍTULO 1 Introdução O presente capítulo tem como objetivo fazer uma breve introdução a todo o trabalho desenvolvido ao longo desta dissertação. Primeiro apresentam-se algumas considerações sobre o tema e seguidamente o respetivo enquadramento, as motivações e os objetivos deste trabalho enquanto projeto inserido e desenvolvido no Grupo de Eletrónica de Potência e Energia (GEPE) da Universidade do Minho. 1.1.1. Identificação do Problema O consumo de energia elétrica tem aumentado de forma contínua ao longo dos anos, sendo que, grande parte da energia produzida mundialmente deriva de fontes não renováveis. Esta situação tem condicionado o desenvolvimento do setor energético, com novas diretivas e preocupações económicas e ambientais. Neste contexto, a eficiência energética assume uma importância crucial quer a nível da produção quer do consumo. A maior parte das indústrias utilizam um elevado número de cargas elétricas que necessitam de potência reativa indutiva para funcionar, situação que no contexto económico e de eficiência energética leva a maior consumo de energia devido ao aumento das perdas nas linhas pelo maior valor da corrente nas linhas. O trânsito de potência reativa representa uma preocupação para a Entidade Reguladora dos Serviços Energético (ERSE) e para o consumidor final para se alcançar uma gestão adequada. Neste sentido, a ERSE passou a penalizar os consumidores industriais pelo consumo de potência reativa indutiva nas horas fora de vazio, sempre que o fator de potência for inferior a 0,93, ou seja, sempre que existir um desfasamento maior que 21,8 entre a tensão e a corrente na respectiva fase. O regime relativo à faturação da potência reativa foi aprovado pela ERSE através do Despacho n.º 18 413-A/2001, de 1 de Setembro de 2001. Esse regime prevê que a energia reativa integre a faturação das tarifas de uso das redes de transporte e de distribuição dos respetivos operadores de rede. A energia reativa objeto de faturação corresponde à energia reativa indutiva que, nas horas fora de vazio, exceda 40 % do total da energia ativa transitada, no mês a que a fatura diz respeito. A totalidade da energia reativa capacitiva medida nas horas de vazio pode igualmente ser objeto de faturação pelos operadores das redes [4]. A compensação da potência reativa indutiva pode ser feita com base em equipamentos de Eletrónica de potência, com equipamentos do tipo FACTS (Flexible AC Transmission Systems) [5], e através de bancos de condensadores. Porém, os problemas de Qualidade de Energia Elétrica que as cargas não lineares têm vindo a introduzir no sistema elétrico, em particular, os harmónicos de corrente que por sua vez Desenvolvimento de TSC e de Cargas Eléctricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Eléctrica Nuno Miguel Figueira Manuel 1 Capítulo 1 – Introdução introduzem harmónicos na tensão do sistema, influenciam cada vez mais a seleção do tipo de equipamento de compensação a utilizar para compensação da potência reativa. Segundo [6], a forma clássica da compensação de potência reativa, com base em banco de condensadores, deve ser feita quando a tensão e a corrente no sistema elétrico forem sinusoidais, pois o recurso a banco de condensadores pode provocar ressonâncias no sistema elétrico na presença de harmónicos de corrente, concorrendo para a sua amplificação. Assim sendo, os equipamentos do tipo FACTS e os Filtros Ativos Paralelos, são cada vez mais utilizados na compensação de potência reativa. Nesta dissertação, desenvolveu-se um Thyristor Switched Capacitor (TSC) e cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica (QEE). 1.2. Enquadramento Os problemas de Qualidade de Energia Elétrica que as cargas não lineares provocam no sistema elétrico, como a distorção da forma de onda da tensão e da corrente, não devem ser descurados. Os harmónicos provocam problemas a curto e a longo prazo aos equipamentos nos pontos de consumo, bem como nos equipamentos associados à rede elétrica, tipicamente nos transformadores, onde o aquecimento excessivo que os harmónicos de corrente provocam reduz o tempo de vida útil dos equipamentos [7]. O Grupo de Eletrónica de Potência e Energia (GEPE) da Universidade do Minho, tem vindo a desenvolver equipamentos e soluções para a resolução de problemas de Qualidade de Energia Elétrica. No âmbito do projeto SINUS, um dos projetos do GEPE, foram desenvolvidos Filtros Ativos Paralelos e Monitorizadores de Energia Elétrica. No intuito de manterem esta linha de investigação e desenvolvimento, o GEPE pretende desenvolver um Thyristor Switched Capacitor e cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica. Este trabalho será desenvolvido no âmbito desta dissertação de Mestrado Integrado, para obtenção do grau de Mestre. As cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica são equipamentos de Eletrónica de Potência que provocam distorção na forma de onda da tensão e da corrente nas fases do sistema elétrico. O desenvolvimento destas cargas permite observar, sempre que necessário, a resposta dos Filtros Ativos e dos Monitorizadores de Qualidade de Energia Elétrica, desenvolvidos no âmbito de outros projetos, de forma rápida, segura e sem a necessidade de se recorrer a instalações exteriores que apresentem condições para realização dos testes. O Thyristor Switched Capacitor (TSC) é um equipamento de Eletrónica de Potência do tipo FACTS capaz de compensar a potência reativa indutiva. A combinação do TSC com os equipamentos de Eletrónica de Potência utilizados para mitigar os harmónicos de tensão, nomeadamente o Filtro Ativo Série e o Condicionador Unificado de Qualidade de Energia Elétrica (UPQC- Unified Power Quality Conditioner), mostra2 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 1 – Introdução se mais vantajosa, uma vez que a distorção harmónica na tensão compromete o correto funcionamento do TSC. 1.3. Motivações O interesse primordial neste trabalho surge como uma consequência do programa do governo que visa aumentar a eficiência enérgica do país, e reduzir as emissões de dióxido de carbono que resultam da produção de energia elétrica. O TSC e as cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica foram desenvolvidos com intuito de servirem como equipamentos de teste, utilizados na investigação e desenvolvimento de equipamentos de Eletrónica de Potência. Nomeadamente, de Filtros Ativos e de Monitorizadores de Qualidade de Energia Elétrica. Outra motivação consiste em desenvolver um TSC capaz de compensar a potência reativa para diferentes valores, em especial a parte do sistema de controlo, e software, capaz de calcular as potências no sistema elétrico e implementar a estratégia de comutação. A nível pessoal, a oportunidade de dissertar na área da Eletrónica de Potência, tem a vantagem de ser uma das áreas do Mestrado Integrado em Engenharia Eletrónica Industrial e Computadores que abarca grande parte das disciplinas ministradas ao longo do curso, e essencialmente as seguintes unidades curriculares (UC): Instrumentação e Medidas, Eletrónica de Potência; Microcontroladores, Processamento de Sinal, Eletrónica I e II, e Controlo Automático. 1.4. Objetivos do Trabalho Para implementar o Thyristor Switched Capacitor e as Cargas Elétricas é imprescindível que se cumpram os seguintes objetivos: Desenvolvimento de simulações computacionais, com recurso ao PSIM, com diversas cargas que causam e que são suscetíveis a problemas de Qualidade de Energia Elétrica. Simulação de cargas de teste e instalações que emulem a maioria dos problemas de Qualidade de Energia Elétrica. Simulações da operação de Thyristor Switched Capacitor. Implementação das Cargas Elétricas tendo em conta os estudos e as simulações computacionais efetuadas. Desenvolvimento do Sistema de Controlo do Thyristor Switched Capacitor. Desenvolvimento do Andar de Potência do Thyristor Switched Capacitor. Teste do Thyristor Switched como único elemento de compensação na instalação. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 3 Capítulo 1 – Introdução 1.5. Organização da Dissertação Esta Dissertação de Mestrado Integrado está organizada da seguinte forma: No Capítulo 1, denominada Introdução, estão descritas as situações relevantes que serviram como base para elaboração desta dissertação, nomeadamente: os problemas de Qualidade de Energia Elétrica, motivações do trabalho, enquadramento e os objetivos devidamente enquadrados nos projetos do GEPE. No Capítulo 2, com nome Problemas de Qualidade de Energia Elétrica, se apresentam os principais problemas de qualidade de energia, que mais contribuem para degradação dos sistemas elétricos. No Capítulo 3 apresentam-se os equipamentos comummente utilizados para compensação da potência reativa, e é feito uma breve descrição do estado da arte do Thyristor Switched Capacitor (TSC). No final deste capítulo, faz-se um estudo sobre a configuração do TSC implementado. No Capítulo 4 são apresentadas diversas simulações computacionais do TSC e das cargas elétricas para teste de problemas de Qualidade de Energia Elétrica. No Capítulo 5 apresenta-se a implementação do andar de potência do TSC, o sistema de controlo, o circuito de comutação dos tirístores, o circuito de condicionamento de sinal e o circuito de medições de tensões e de correntes. No Capítulo 6, referente aos resultados obtidos, são apresentados resultados experimentais que monstram o funcionamento e desempenho do sistema de controlo do Thyristor Switched Capacitor, que foi implementado no âmbito desta dissertação. No Capítulo 7, referente as conclusões gerais e trabalhos futuro, são apresentados os aspetos mais relevantes registados ao longo desta dissertação, e são apontados alguns trabalhos futuros que visam otimizar o sistema de controlo e aumentar a diversidade das cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica. 4 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel CAPÍTULO 2 Qualidade da Energia Elétrica Neste capítulo, são abordados de forma pormenorizada os problemas de Qualidade de Energia Elétrica (QEE) que mais influenciam a degradação do Sistema de Energia Elétrica (SEE). Considerando o estado da arte, serão apresentados alguns dos equipamentos usados para solucionar problemas de Qualidade de Energia Elétrica. A Qualidade da Energia Elétrica, dada a importância dos sistemas elétricos e dos benefícios da eletrificação, representa um vetor dominante no funcionamento das instituições e da sociedade no geral. Neste contexto, encontra-se juridicamente documentada com normas e decretos nacionais e internacionais. Comummente as normas e recomendações do Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE) são as mais referenciadas. No final será apresentada a norma europeia EN 50160-2007 e a recomendação IEEE 519-1992. 2.1. Introdução Conforme a bibliografia consultada verificou-se que a definição de Qualidade de Energia Elétrica ou Power Quality, como é popular na literatura inglesa, não é totalmente uniforme, partindo do princípio que a definição de Power Quality varia segundo o autor e o tipo de consumidor final. Por exemplo, a Qualidade de Energia Elétrica que o consumidor doméstico diz ser ótima, pode não corresponder aos padrões qualitativos para o consumidor industrial. Porém, dentre as diversas definição de QEE que se consultou, de modo abrangente, a Qualidade de Energia Elétrica pode ser definida como: “qualquer perturbação na tensão, corrente ou frequência que comprometa o correto funcionamento dos equipamentos conectados à rede” [6]. Logo, a produção e comercialização da energia elétrica por ser um dos setores de maior impacto na sociedade, deve cumprir com os padrões de qualidade que visam proteger o consumidor e o produtor. Sendo assim, há uma série de normas nacionais e internacionais que visam assegurar que a energia elétrica seja entregue ao consumidor final de modo seguro e dentro dos padrões que delimitam a sua qualidade. Como principais objetivos, de acordo com [8][9] é possível destacar: Fornecer a potência contratada. Manter a tensão nominal do sistema estável ou com uma variação que não ultrapasse os do valor nominal e com forma de onda sinusoidal. Manter a frequência do sistema estável ou com uma variação que não ultrapasse os do valor nominal. Respeitar as normais ambientais Assegurar elevada fiabilidade do SEE. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Eléctricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Eléctrica Nuno Miguel Figueira Manuel 5 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Por exemplo, a tensão no sistema elétrico de baixa tensão deve ter forma de onda sinusoidal, como representada na Figura 2.1. Porém, devidos a problemas de QEE torna-se difícil assegurar que a tensão no sistema elétrico se mantenha sinusoidal [6]. Figura 2.1 - Exemplo da forma de onda da tensão e da corrente no sistema elétrico de baixa tensão, no caso ideal. 2.2. Cargas Elétricas Com os progressos da Eletrónica de Potência, após quatro décadas de evolução tecnológica [8], tornou-se possível desenvolver diversos tipos de dispositivos eletrónicos que melhoraram a performance de certos equipamentos de uso doméstico e industrial [11]. Como por exemplo, com base nos dispositivos de Eletrónica de Potência, é possível substituir o circuito de alimentação dos equipamentos elétricos, como fontes lineares e transformadores de baixa frequência, 50 Hz no geral, por fontes de alimentação comutadas [12][13]. Uma vez que as fontes comutadas apresentam elevada eficiência energética e dimensões reduzidas, são cada vez mais usadas em: televisores; computadores pessoais (PC); aspiradores robotizados; lâmpadas de baixo consumo; impressoras e em diversos equipamentos eletrónicos [14][15]. A par das fontes comutadas, outros dispositivos desenvolvidos com base em Eletrónica de Potência, como variadores de velocidade e carregadores de baterias, também são usados em equipamentos eletrónicos. Por exemplo, o variador de velocidade é usado em máquinas de lavar e o carregador de baterias em computadores portáteis. É de realçar que o desenvolvimento destes dispositivos provocou uma mudança de paradigma no modelo comportamental das cargas elétricas em geral. Dessa forma surgiu uma nova nomenclatura que está associada a algumas cargas elétricas desenvolvidas com base nos semicondutores de potência, exemplo disso é a fonte comutada comummente observada como uma carga elétrica não linear. A definição e descrição do que é a carga elétrica não linear serão apresentadas ainda neste capítulo. De modo a diferenciar o tipo de cargas elétricas conectadas ao sistema elétrico, as cargas elétricas podem ser divididas em duas categorias: cargas lineares e cargas não lineares. Apesar da importância dos equipamentos representados na Figura 2.2 estes provocam problemas de QEE no 6 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica sistema elétrico devido a serem cargas não lineares [1][16]. Figura 2.2 - Tipos de equipamentos eletrónicos cada vez mais usados em ambientes residenciais e de escritório que provocam problemas de QEE. 2.2.1. Cargas Elétricas Não Lineares Quando uma carga elétrica submetida a uma tensão sinusoidal absorver uma corrente não sinusoidal, esta, é classificada como carga não linear. Um exemplo disso é o retificador com filtro capacitivo [2]. O retificador é um circuito eletrónico capaz de converter uma tensão alternada (CA) (comummente sinusoidal) em contínua (CC). Podendo ser do tipo controlado, utilizando tirístores ou não controlado utilizando díodos. Na Figura 2.3 encontra-se representado o esquema básico do retificador trifásico não controlado com filtro capacitivo na saída e carga RL. R A B Filtro Capacitivo C L Figura 2.3 - Retificador trifásico não controlado com Filtro Capacitivo e Carga RL. Apesar dos equipamentos eletrónicos serem conectados diretamente à rede elétrica, eles são, na sua maioria, circuitos de corrente contínua com retificadores na entrada. Televisores, Computadores, lâmpadas fluorescentes com balastro eletrónico, Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 7 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica variadores de velocidade para motores CA e para motores DC, e todos os equipamentos de escritório (impressoras, fotocopiadoras, faxes, etc.), são alguns dos equipamentos que possuem retificadores na entrada [17]. Neste sentido, o efeito que as cargas não lineares como as anteriormente citadas provocam na tensão e corrente da rede podem ser observadas na Figura 2.4. A distorção que a corrente não sinusoidal provoca na tensão poderá ser desprezada para cargas não lineares de baixo consumo. Como por exemplo, o consumo de corrente não sinusoidal que deriva de uma residência é relativamente baixo para provocar grandes distorções na tensão na rede, mas o efeito cumulativo de várias residências com este tipo de cargas não pode ser desprezado [8][18]. Sendo que, quanto maior for a corrente não sinusoidal absorvida maior é a distorção que provoca na tensão. Figura 2.4 - Formas de ondas da tensão e corrente na entrada de um retificador trifásico. 2.2.2. Cargas Elétricas Lineares A Carga elétrica linear apresenta um comportamento elétrico diferente da carga não linear, uma vez que, a forma de onda da corrente é igual à da tensão que lhe é aplicada. Se for aplicada uma tensão sinusoidal, aos terminais de uma resistência, bobina ou condensador, a corrente absorvida também será sinusoidal. O problema de QEE que está associado à carga linear deve-se a alteração do fator de potência (FP) para valores abaixo da unidade, na presença de carga linear indutiva ou capacitiva. Uma vez que neste item apenas apresentam-se os tipos de cargas elétricas, o FP será abordado de forma detalhada no item 2.4, onde serão apresentados os problemas de QEE em pormenor. A carga linear mais usada nos pontos de consumo é indutiva, sendo na sua grande maioria motores elétricos. As formas de onda da tensão e da corrente aos terminais da carga linear indutiva, capacitiva e resistiva estão representadas na Figura 2.5, na Figura 2.6 e na Figura 2.7. As cargas elétricas idealmente devem apresentar um comportamento elétrico similar ao das cargas resistivas, ou seja, forma de onda sinusoidal e desfasamento nulo entre a tensão e a corrente. No Capítulo 3 apresentam-se alguns equipamentos de compensação de potência reativa, que visam compensar o desfasamento entre a tensão e a corrente no 8 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica sistema elétrico, no intuito de tornar as cargas lineares (indutivas e capacitivas) e as não lineares equivalentes à carga resistiva, do ponto de vista do sistema elétrico. Figura 2.5 - Exemplo da forma de onda da tensão e da corrente aos terminais de uma carga elétrica puramente resistiva. Figura 2.6 - Exemplo da forma de onda da tensão e da corrente aos terminais de uma carga elétrica puramente capacitiva. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 9 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Figura 2.7 - Exemplo da forma de onda da tensão e da corrente aos terminais de uma carga elétrica puramente indutiva. Na Figura 2.8. encontram-se representados os símbolos e expressões matemáticas associadas às cargas elétricas lineares. As equações lineares (2.1), (2.2) e (2.3) representam as equações de base das cargas lineares. Segundo as equações de base associadas às tensões e correntes na carga linear, estas, absorvem corrente distorcida quando a tensão também está distorcida. Cargas Eléctricas Lineares Condensador Resistência Corrente na resistência Equação 2.1 Corrente no condensador Equação 2.2 Bobina Tensão na Bobina Equação 2.3 Figura 2.8 - Tipos de cargas elétricas lineares. (2.1) (2.2) (2.3) 10 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica 2.3. Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Uma linha elétrica de corrente alternada (CA) pode ser modelizada essencialmente por resistências, reatância indutiva e capacitiva. As impedâncias de linha são distribuídas uniformemente ao logo da linha [19]. Uma vez que as impedâncias da linha não são nulas, a própria estrutura da rede elétrica é suscetível a problemas de QEE [20]. Como por exemplo, harmónicos de tensão, cavas e desequilíbrio das tensões, que são problemas de Qualidade de Energia Elétrica que ocorrem devido à queda de tensão nas impedâncias de linha. Na Figura 2.9 pode-se observar um modelo equivalente de uma rede elétrica. Figura 2.9 - Exemplo do modelo equivalente da estrutura da linha de transporte de energia elétrica. Os consumidores industriais, devido às potências de operação e os tipos de equipamentos que usam, são na maioria das vezes as fontes dos problemas de QEE. Por exemplo, os bancos de condensadores que são usados nas indústrias são suscetíveis a subtensões e sobretensões [12][16]. Os problemas de QEE descrevem a alteração da forma de onda da tensão e da corrente na presença de fenómenos eletromagnéticos no SEE (sistema elétrico de energia) [3]. A frequência de oscilação, a duração do fenómeno a cada período da rede e a deformação que a onda sofre, caracteriza o tipo de problema de QEE. 2.3.1. Variações da Tensão de Curta Duração As variações da tensão são dos problemas de QEE que mais afetam o funcionamento dos equipamentos nos pontos de consumo. As variações de tensão encontram-se divididas em dois tipos: variações de longa duração e variações de curta duração. A seguir são apresentadas as variações de tensão de curta duração. A sobretensão de curta duração ou Swell como é conhecido na literatura inglesa, é um aumento indesejado do valor RMS (Root Mean Square) da tensão nominal do sistema, que poderá ir de 110 a 180 % acima do valor eficaz nominal. A duração deste fenómeno varia entre 0,5 período da rede e 1 minuto [12]. O Swell geralmente ocorre devido a comutação incorreta de certas cargas ou dispositivos de manobras, como interruptores e disjuntores de linha. Por exemplo, o desligar de um banco de condensadores pode causar o Swell [21]. Em algumas bibliografias é utilizado o termo momentary overvoltage como sinónimo de Swell. Na Figura 2.10 encontra-se representado o exemplo da forma de onda para um Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 11 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Swell. Figura 2.10 - Exemplo de um Swell devido ao desligar de um banco de condensadores. As Cavas (Sag) são variações da tensão que ocorrem quando o valor da tensão nominal do sistema baixa para 10 a 90 %, do valor nominal num curto intervalo de tempo [12][22]. Como se pode observar na Figura 2.11 o Sag pode ter uma duração que vai de meio período a um minuto. Este tipo de problema de QEE pode ocorrer devido à comutação de cargas elétricas de grande consumo, como por exemplo, motores elétricos1 com arranque direto ou bancos de condensadores [6][12]. O IEC (International Electromecaminal Commission) define este tipo de problema de QEE como dip [21]. Porém, ambos os termos são utilizados na literatura. Na Figura 2.11 pode observar-se a variação de tensão do tipo Sag. Figura 2.11 - Exemplo de um Sag causado por um motor elétrico. 1 Nas regras técnicas das instalações elétricas de baixa tensão, de 11 de Setembro de 2006, pode consultar-se na secção 553.2 – As limitações das perturbações devido ao arranque dos motores elétrico. 12 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica A interrupção de curta duração é uma redução a 10 % ou menos do valor nominal RMS da tensão do sistema elétrico, durante um intervalo de tempo inferior a 3 períodos da rede ou 60 segundos [2]. A Figura 2.12 representa uma interrupção de curta duração no sistema. As interrupções podem derivar de falhas no sistema elétrico ou de avarias nos equipamentos. A interrupção de curta duração, que tem origem no sistema elétrico, é habitualmente precedida por Sag [21]. Figura 2.12 - Exemplo da interrupção momentânea no sistema provocada por falha no sistema de alimentação. 2.3.2. Variações da Tensão de Longa Duração A diferença existente entre às variações de tensão de curta duração e de longa duração, está no intervalo de tempo que o fenómeno demora a estabilizar. As variações de tensão de longa duração acontecem por períodos superiores a um minuto e são classificadas como: sobretensões, subtensões e interrupções de longa duração. Considerando que a principal diferença entre as variações de tensão de longa e curta duração está no tempo associado à estabilização do evento, não será necessário duplicar as formas de onda que estão associadas as variações de longa duração. Na Tabela 2.1 encontram-se listados os problemas de Qualidade de Energia Elétrica que estão relacionados com a variação da tensão e o intervalo de tempo que o evento poderá durar. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 13 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Tabela 2.1 - Tipos de variações de tensão [21]. 2.3.1. Evento Duração Swell 0.5 – 30 Ciclos Sobretensão >1min Sag 0.5 – 30 Ciclos Subtensão >1min Interrupção momentânea 0.5 – 30 Ciclos Interrupção de longa duração >1min Desequilíbrio das Tensões O desequilíbrio das tensões é definido como o desvio máximo da média da tensão nas três fases do Sistema Elétrico de Energia (SEE), expresso em percentagem [6]. A má distribuição de cargas monofásicas no SEE trifásico provoca o desequilíbrio da corrente nas fases. Na Figura 2.13 apresenta-se um exemplo do desequilíbrio das tensões no sistema elétrico. Figura 2.13 - Exemplo do desequilíbrio das tensões no sistema elétrico. O desequilíbrio de tensão não deve ser descurado, uma vez que provoca problemas aos equipamentos, no caso dos motores elétrico provoca o aparecimento de campo girante de sequência negativa e aumento da temperatura em máquinas e transformadores. O desequilíbrio de tensão pode ser compensado com base em equipamentos de Eletrónica de Potência, como por exemplo, Filtro Ativo Série (FAS), UPQC (Condicionador Unificado de Qualidade de Energia Elétrica), UPS online. A diferença de tensão ou corrente nas fases desequilibradas pode ser numericamente determinada utilizando o método das componentes simétricas. Este método analítico foi desenvolvido em 1918 por D.L Fortescue. O teorema de Fortescue permite decompor sistemas trifásicos desequilibrados em n sistemas trifásicos equilibrados. Na prática, quando aplicado o teorema de Fortescue, obtém-se três 14 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica sistemas trifásicos equilibrados, e de sequências diferentes: negativas, positivas e zero ou homopolar. A equação matricial (2.4) é usada para calcular as componentes simétricas das tensões desequilibradas, e a equação (2.5) é usada no cálculo das correntes. (2.4) (2.5) Legenda: - componente simétrica da tensão de sequência zero, - componente simétrica da tensão de sequencia positiva, - componente simétrica da tensão de sequencia negativa, = . 2.3.1. Distorção da Forma de Onda A distorção da forma de onda da tensão e da corrente no sistema elétrico, ou Waveform Distortion, como é geralmente tratada na literatura, está intrinsecamente relacionada em cinco problemas de QEE: Valor Médio (ou Offset DC na literatura inglesa), Harmónicos, Interharmónicos, Microcortes (Notching), Ruído eletromagnético. A distorção da forma de onda da corrente, que geralmente tem origem nos pontos de consumo, devido às cargas não lineares, degrada à forma de onda da tensão na rede. Neste item, dentre os cinco problemas de QEE que provocam distorções nas formas de onda da tensão e da corrente, apenas serão focados os harmónicos, o ruído eletromagnético e os microcortes. Segundo o teorema de Joseph Fourier, qualquer função periódica, , pode ser representada através de uma soma infinita de senos e cossenos, adicionada a uma constante. A expressão matemática que traduz o teorema de Fourier é a equação (2.6). (2.6) A frequência de qualquer termo trigonométrico, da série de Fourier é um múltiplo inteiro da frequência fundamental, ou harmónico da fundamental. Como por exemplo, um retificador com filtro capacitivo absorve corrente com o 3º, 5º e 7º harmónicos, Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 15 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica (pares além de outros de frequência impares) ponderando apenas os três primeiros harmónicos ímpares. Considerando a função periódica da equação (2.7), e assumindo que se trata da corrente fundamental, ou primeiro harmónico da seria de Fourier, os três primeiros múltiplos ímpares ou harmónicos da série de Fourier são: (2.7) (2.8) (2.9) (2.10) Na Figura 2.14 é possível observar um exemplo da distorção harmónica que os três primeiros harmónicos de ordem ímpar provocam na forma de onda da corrente. Figura 2.14 - Distorção harmónica de um sinal na presença do , e harmónico. Na Figura 2.15 encontram-se representadas as sequências dos harmónicos na forma fasorial. É de salientar, que os harmónicos de tensão surgem devido à queda de tensão que os harmónicos de corrente causam nas impedâncias de linha. Vc Vb Va Vb Va Va Vc Sequência positiva Sequência zero Vb Sequência negativa Vc Figura 2.15 - Diagrama fasorial correspondente a sequência dos harmónicos. Legenda: - Componente fundamental do sinal que representa a parte do sinal que tem frequência igual a 50 Hz (frequência nominal da rede elétrica em Portugal). 16 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica - Representa o harmónico múltiplo de três de mais baixa ordem. Os harmónicos múltiplos de três são de sequência zero e somam-se no neutro em sistemas trifásicos conectados em estrela. - O quinto harmónico é de sequência positiva, e em sistemas equilibrados anulam-se. - O sétimo harmónico é de sequência negativa e também em sistemas trifásicos equilibrados anulam-se. A distorção harmónica total ou Total Harmonic Distortion (THD) como é designado na literatura, mede o nível de conteúdo harmónico do sinal. A THD da corrente é calculada através da equação (2.11). (2.11) Legenda: -Número de harmónicos presentes no sinal. – Índice dos harmónicos. -Representa o primeiro harmónico ou componente fundamenta do sinal. -Representa o enésimo harmónico. A recomendação IEEE 519-1992 define um novo termo para QEE que está relacionado com o nível de distorção harmónica, Total Demand Distortion (TDD), este termo é equivalente ao THD com a principal diferença, que o valor da distorção é dado em percentagem da corrente harmónica da carga no instante de leitura [6]. A seguir listam-se alguns dispositivos e equipamentos que se comportam como cargas não lineares introduzindo harmónicos na rede: Forno a arco, Variadores de velocidade, Aparelho de soldadura, Aparelhos de aquecimento por indução, Lâmpada fluorescente de balastro eletrónico e de descarga. Os harmónicos de corrente e de tensão podem ser mitigados com base em equipamentos de Eletrónica de Potência como: FAP (Filtro Ativo Paralelo), FAS (Filtro Ativo SÉRIE), UPQC (Condicionador Unificado de Qualidade de Energia Elétrica) e UPS online [23][24]. Também os filtros passivos ( ) desenvolvidos com bobinas e condensadores, quando sintonizados na frequência do harmónico, criam um caminho de baixa impedância para o harmónico de corrente que se deseja filtrar. Deste modo, o harmónico de corrente não é injetado na rede elétrica. O transformador de isolamento também é capaz de isolar os harmónicos de corrente do sistema elétrico. Quando as cargas são conectadas em triângulo é bloqueada a passagem dos harmónicos de corrente de sequência zero à rede elétrica. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 17 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Dentre os dispositivos usados para filtragem dos harmónicos de corrente, o mais económico é o filtro passivo. Este equipamento quando comparado com os demais, apresenta a vantagem de não necessitar de uma unidade de controlo ou de um sistema de controlo microprocessado. Porém, os Filtros Ativos de Potência têm a vantagem de serem capazes de compensar em simultâneo vários problemas de QEE: harmónicos de corrente ou de tensão, desequilíbrio de corrente ou de tensão, fator de potência. Microcortes (nocthes) são perturbações periódicas na tensão do sistema, que ocorrem devido à comutação de cargas elétricas não lineares, como por exemplo o retificador controlado [21][14]. Sendo que, os notches ocorrem continuamente, podendo ser caracterizados através do espectro harmónico da tensão. Na Figura 2.16 encontra-se representado o efeito do notch na tensão, que resultou da comutação de uma carga não linear do tipo retificador trifásico controlado, com carga indutiva na saída. O notching provoca harmónico na tensão da carga e reduz o valor médio da tensão aos terminais da mesma [3][25]. Este pode ser compensado através de filtros ativos FAS e UPQC. Figura 2.16 - Exemplo de Notches na tensão do sistema elétrico devido à comutação de um retificador trifásico a tirístor com carga indutiva. O ruído eletromagnético é um sinal elétrico indesejado com conteúdo espetral inferior à 200 kHz, que aparece sobreposto ao sinal de tensão no condutor de fase no sistema elétrico [21]. A presença de ruído no sistema elétrico compromete o correto funcionamento de controladores lógicos programáveis (CLP) e de microprocessadores. O ruído eletromagnético pode ser mitigado através de filtros para ruído, de transformadores de isolamento e de condicionadores de linha. Na Figura 2.17 está representado de um ruído de 10 kHz sobreposto ao sinal da tensão. 18 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Figura 2.17- Exemplo de um ruído de 10 kHz sobreposto ao sinal de tensão no sistema elétrico. 2.3.2. Transitório Existem dois tipos de transitórios, com designação Impulsivo e Oscilatório. O transitório impulsivo é uma variação unidirecional da tensão ou corrente na linha [12]. Este tipo de transitório pode ocorrer devido as descargas atmosféricas ou à comutação de carga indutiva. A alteração na forma de onda da tensão ou corrente devido aos transitórios causa problemas aos equipamentos conectados ao sistema elétrico, principalmente aos equipamentos mais sensíveis a variações de tensão e corrente. A desconexão inesperada ou destruição de equipamentos são algumas situações que podem ocorrer na presença de transitórios no sistema elétrico. O transitório impulsivo é comum ser mitigado através de supressores de transitórios do tipo varístor [12]. Na Figura 2.18 (a) encontra-se representado a forma de onda do transitório impulsivo na tensão devido a uma descarga atmosférica e na Figura 2.18 (b) encontra-se representado a forma de onda do transitório oscilatório também na tensão devido a comutação de um banco de condensadores e cargas indutivas. Figura 2.18 - (a) Exemplo de Transitório impulsivo na tensão devido a uma descarga atmosférica; (b) Transitório oscilatório na tensão devido a comutação de cargas indutivas e banco de condensadores. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 19 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica 2.4. Fator de Potência A potência contratada ou instalada é a máxima potência que o distribuidor de energia garante fornecer ao consumidor [26]. Porém, a presença de carga elétrica indutiva ou capacitiva, nos pontos de consumo faz com que nem toda a potência elétrica seja utilizada de forma útil. O fator de potência é a grandeza elétrica que representa a fração da potência consumida que gera trabalho útil [27]. No SEE a potência contratada é designada como aparente e representa-se com a letra (S), tendo como unidade o Volt/Ampere (VA). A potência aparente é dada pela equação (2.12) [28]. [VA] (2.12) Onde: V -valor eficaz da tensão. -valor eficaz da corrente. A máxima utilização da potência contratada ocorre quando o fator potência é igual à unidade, pelo que, a potência ativa (P) nunca será maior que à potência aparente. Como se pode observar na equação (2.13) que relaciona fator de potência, potência ativa, aparente e o cosseno do ângulo de desfasamento entre a tensão e a corrente. O fator de potência também é igual ao cosseno do ângulo de desfasamento entre a tensão e a corrente ( ). (2.13) A potência ativa (P) é a parte da potência aparente que gera trabalho útil. A potência ativa em sistemas trifásicos equilibrados é dada pela equação (2.14). [W] (2.14) Onde: -é a tensão composta do sistema trifásico. -é a corrente de linha. A potência reativa (Q) é a parte da potência aparente que não produz trabalho útil, uma vez que, a quantidade de potência reativa fornecida à carga é igual à quantidade que a carga devolve à fonte [28]. Em sistemas trifásicos equilibrados a potência reativa é dada pela equação (2.15). [VAr] (2.15) No triângulo de potência representado na Figura 2.19 pode-se observar a relação entre as potências (S, P, Q) e o . A potência reativa corresponde ao cateto oposto ao ângulo de desfasamento ( ) entre a tensão e a corrente, sendo que, o fator de potência também é igual ao cosseno deste ângulo. A existência da potência reativa reduz a magnitude do fator de potência para valores abaixo da unidade. 20 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica I FP capacitivo Sentido positivo S Triângulo de potência Q V cos P FP indutivo I Figura 2.19 - Triângulo de potência, definição do ângulo de fase e sentido de rotação dos fasores. O baixo fator de potência é um problema de QEE que não está relacionado com as distorções da forma de onda da tensão e da corrente na rede, uma vez que, os termos Potencia Ativa, Potência Reativa e Aparente são usadas para descrever o estado estável de circuitos de corrente alternada, com tensões e correntes sinusoidais [9][29]. O baixo fator de potência pode ser compensado através de: FAP, Compensador Síncrono, Banco de Condensadores, STATCOM, TSC (Thyristor Switched Capacitor), (SVC) Static Var Compensator, etc. 2.4.1. Displacement Power Factor Neste sentido, quando a tensão e a corrente estão distorcidas, o fator de potência total é calculado em função do DPF (Displacement Power Factor) e da THD [30][31] [32]. Como descreve a equação (2.16). (2.16) O DPF é o fator de deslocamento entre a tensão e a corrente fundamental, é igual ao fator de potência quando a carga é puramente linear e, calcula-se com base na equação (2.17). (2.17) Legenda: - Corrente fundamental. - Valor RMS da corrente no SEE. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 21 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica O retificador com filtro capacitivo, devido a injetar harmónicos de corrente no sistema elétrico, apresenta um baixo fator de potência, mesmo que a carga seja resistiva. No intuito de serem mitigados os problemas de QEE que estão associados aos retificadores, tem-se desenvolvido retificadores com topologias que permitam o consumo de corrente sinusoidal tendo fator de potência unitário. Como por exemplo, o retificador com Power Factor Correction (PFC), ilustrado na Figura 2.20, absorve corrente sinusoidal com fator de potência unitário (FP = 1). Existem outras topologias para impor alto fator de potência e o consumo de corrente sinusoidal. [12][33]. L F Sistema de Controlo PFC N C C A R G A Figura 2.20 - Retificador monofásico não controlado com PFC. 2.4.2. Inconvenientes do Baixo Fator de Potência O baixo fator de potência não deve ser descurado uma vez que provoca aumento das perdas nos condutores, aumento de queda de tensão nas linhas, e uma vez que aumenta a corrente nas fases, o que pode conduzir no caso extremo à necessidade de aumentar a secção dos condutores [34]. A relação entre fator de potência e perdas nos condutores, no sistema trifásico, pode-se observar na equação (2.20). (2.18) (2.19) (2.20) A equação (2.20) mostra que quanto menor for o fator de potência, maior serão as perdas nos condutores. O baixo fator de potência também reduz a capacidade de transporte de potência ativa nas linhas, tornando inviável, o incremento de potência ativa sem que antes se faça o redimensionamento da secção do condutor ou a compensação da potência reativa. Na Tabela 2.2 encontram-se listados os valores dos coeficientes para redimensionar a secção do condutor em função do fator de potência. Embora determinados equipamentos elétricos, como por exemplo, as máquinas elétricas, necessitem de potência reativa para funcionar, esta não deve ser necessariamente fornecida pelo distribuidor, uma vez que a potência reativa poderá ser 22 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica produzida localmente. A produção local de potência reativa é comummente conhecida em sistemas elétricos como compensação do fator de potência. No sistema elétrico trifásico de Média Tensão (MT), Alta Tensão (AT) e Muito Alta Tensão (MAT), o consumo de potência reativa, em determinadas horas do dia é faturado, a partir de um determinado valor da (em Portugal, o valor fixado é 0,4) [8]. Uma vez que, a produção de potência reativa não é onerosa como a da potência ativa, esta medida permite maximizar a capacidade de transporte de potência ativa nas horas de maior consumo, e incentivar o consumidor final a produzir localmente toda a potência reativa que necessita. Tabela 2.2 - Variação da secção do condutor em função do fator de potência. Secção ( ) Diâmetro FP 1 1,13 1 1,23 1,25 0,9 1,56 1,41 0,8 2,04 1,61 0,7 2,78 1,9 0,6 4,0 2,25 0,5 11,1 3,75 0,3 2.5. Consequências dos Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Operações que necessitem de grande precisão e fiabilidade do sistema de alimentação, como sistemas de telecomunicações, controlo de processos industriais e sistemas automatizados, são sensíveis aos problemas de QEE, com grande ênfase nas variações de tensão. Como por exemplo, o Sag, se ocorrer aquando de um processo de fabrico de semicondutores, toda produção terá que ser suspensa, uma vez que a variação da tensão altera as características físicas do material. Normalmente as cargas não lineares, embora consumam correntes com harmónicos, são sensíveis a variações de tensão. Como consequências de problemas de QEE devido as variações de tensão podese citar: interrupções em processos automáticos, perda de memória em computadores, erros em sistemas de transmissão de dados, cintilação de lâmpadas, paragem de máquinas, perda de produção, interferência em recetores de rádio e TV, irritação na visão humana e funcionamento incorreto de equipamentos. 2.5.1. Efeitos dos Harmónicos de Tensão e de Corrente Os harmónicos de corrente geram harmónicos de tensão e provocam o envelhecimento prematuro dos equipamentos [6], devido a: Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 23 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Sobreaquecimento de transformadores e motores elétricos, Oscilação mecânica em geradores e motores, Disparo de relés térmicos, Aumento do ruído em dispositivos de áudio, Ressonância em bancos de condensadores e sistema de distribuição, Sobreaquecimento dos condutores elétricos e perdas de potência, Aumento da corrente de neutro em sistemas trifásicos com neutro, Erros em aparelhos de medida. 2.5.2. Equipamentos para Compensação de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Na Tabela 2.3 encontram-se listados de forma resumida os problemas de QEE mais frequentes, sua origem e os tipos de equipamentos usados para os compensar. É de salientar que dentre os equipamentos de compensação, a UPS dependendo do tipo pode ser utilizada para mitigar interrupções de curta duração, variações de tensão e harmónicos de tensão. Tabela 2.3 - Dispositivos para compensação de problemas de Qualidade de Energia Elétrica. 2 Problema Origem Dispositivo para compensar Harmónicos Cargas não lineares FAP, FAS, UPQC, Filtros passivos2 Subtensão Comutação de cargas Elétricas UPS, DVR e FAS Sobretensão Comutação de bancos de condensadores UPS, DVR, FAS Notching Retificadores controlados FAS Ruído Eletromagnético Equipamentos Eletrónicos Isoladores óticos e Filtro Transitório Oscilatório Comutação de bancos de condensadores e Transformadores ferro-ressonantes TVSS e indutâncias de linha. Transitório Impulsivo Descargas atmosféricas TVSS, Varístor Interrupção Avarias no sistema elétrico UPS Flicker Cargas pulsantes UPS, TCR Fator de Potência Motores Elétricos FAP, TSC, Banco de condensadores FAP (filtro ativo paralelo), FAS (filtro ativo série), UPQC (condicionador unificado de QEE), DVR (Dynanic Voltage Regulator), UPS (Uninterruptible Power Supply), TVSS (Transient Voltage Surge Suppressors), TCR (Thyristor Controlled Reactor) e TSC (Thyristor Switched Capacitor). 24 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica 2.6. Normas de Qualidade de Energia Elétrica Com a finalidade de proteger todos os consumidores conectados ao mesmo ponto de acoplamento (PCC- Point of Commom Coupling), existem normas que delimitam os níveis de poluição injetada em qualquer ponto do sistema elétrico, sendo que, é cada vez mais comum conectar cargas lineares e não lineares ao mesmo ponto de acoplamento comum. Como representado na Figura 2.21. Legenda: -tensão no ponto de acoplamento comum. - parte resistiva da impedância de linha. - parte indutiva da impedância de linha. Carga não linear R L VPCC Carga não linear AC Carga linear Figura 2.21 - Cargas não lineares e carga linear conectadas ao mesmo barramento. Uma vez que, a impedância de linha é equivalente a um circuito RL (carga linear), a queda de tensão que os harmónicos de corrente provocam não será sinusoidal. Se a corrente que circula na linha não é sinusoidal, a queda de tensão que provoca também não será sinusoidal. Os harmónicos de tensão comprometem o correto funcionamento dos equipamentos conectados no PCC [23], em particular das cargas lineares que devido aos harmónicos de tensão também absorve corrente com harmónicos. Neste sentido, as limitações recomendadas pelo IEEE em 519-1992, visam proteger todos os equipamentos conectados no PCC3. Esta dissertação tem como objetivo apresentar alguns dos pontos das principais normas que enquadram a QEE, que se encontram listadas na Tabela 2.4. Apesar da 3 O Ponto de acoplamento comum (PCC - point of common coupling) é um barramento elétrico onde encontram-se conectados diversos consumidores. Neste sentido a distorção da forma de onda tensão neste ponto afeta todos os consumidores. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 25 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica existência de diversas normas e recomendações, as recomendações do IEEE, são as mais referenciadas. Tabela 2.4 - Principias Normas de Qualidade de Energia Elétrica. Enquadramento Norma Classificação dos Problemas QEE IEC 61000-2-1:1990; IEC 61000-2-5:1995 IEEE 1159:1995 Transitório IEC 816:1984; IEC 61000-2-1:1990 IEEE 1159:1995; IEEE 6241:1991 Interrupções, Cavas e Sobretensões da Tensão IEC 61000-2-1:1990 Harmónicos IEC 61000-2-1:1990; IEC 61000-4-7:1991 IEEE 1159:1995 IEE 519:1992 Tremulação (Flicker) IEC 61000-415:1990 IEC 61000-4-15:1990 Classificação de Equipamentos para IEC 61000-4-30:2003 Monitorização da QEE 2.6.1. Recomendação IEEE 519 - 1992 A recomendação IEEE 519-1992 é intitulada como Recomendações Práticas e requisitos para Controlo de Harmónicos no Sistema Elétrico de Potência [35]. Esta recomendação derivou da revisão de um trabalho desenvolvido pelo Institute of Electrical and Electronic Engineers (IEEE) no ano de 1981. Esta recomendação prática tem como objetivo desenvolver um modelo de rede elétrica que permita conectar ao mesmo PCC uma carga linear e uma carga não linear, assegurando que a corrente absorvida pela carga não linear seja insuficiente para provocar problemas de QEE que possam comprometer o correto funcionamento dos restantes equipamentos conectados ao PCC [12][35]. Na Tabela 2.5 encontram-se listados os limites das frequências dos harmónicos de tensão no PCC, expressos em percentagens. O limite da frequência do harmónico de tensão listado em percentagem na Tabela 2.5 é dado em função do número de consumidores que absorvem correntes com elevado conteúdo harmónico, e da potência individual consumida por cada utilizador [35]. 26 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Tabela 2.5 Bases para os limites dos harmónicos de corrente [35]. SCR4 no PCC Frequência Máxima dos Harmónico (%) Tipo de consumidor de Tensão no PCC 10 2.5-3.0 % Sistemas dedicados 20 2.0-2.5 % 1-2 Grandes consumidores 50 1.0-1.5 % Médios consumidores 100 0.5-1.0 % 5-20 Consumidores médios 1000 0.05-0.10 % Vários pequenos consumidores A recomendação IEEE 519-1992 recomenda aos distribuidores de energia elétrica manterem os níveis de distorção harmónica total da tensão ( ) em 3 % para distorção individual e em 5 % para distorção total, isto para tensões maiores ou iguais a 69 kV. Para outros valores de tensão dentro desta gama, os níveis percentuais da distorção harmónica individual e total encontram-se listados na Tabela 2.6. Esta recomendação visa garantir que será entregue ao consumidor final energia com qualidade [12][35]. Tabela 2.6 - Limite para distorção da tensão no PCC [35]. Tensão no PCC Distorção Individual da Tensão Distorção Total da Tensão THD (%) 69 kV 3,0 5,0 69 kV-161 kV 1,5 2,5 ≤161 kV 1,0 1,5 A distorção harmónica total que o consumo de corrente não sinusoidal causa na forma de onda da tensão, deve ser limitada com base no quociente da corrente máxima de curto-circuito no PCC e da corrente absorvida pelas cargas [35][12][36]. Como descreve a equação (2.24). (2.24) Legenda: 4 O SCR é definido como a razão entre a corrente de curto- circuito no PCC e a corrente máxima absorvida pela carga. Uma carga elétrica de elevada potência apresenta um SCR igual a 10 e uma de baixa potência apresenta um SCR igual a 1000. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 27 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica – Corrente máxima de curto-circuito junto do PCC; – Corrente que circuita no PCC. Esta recomendação assegura que os consumidores finais e as empresas distribuidoras estarão protegidas quanto aos problemas de QEE que os harmónicos de corrente introduzem na rede. Na Tabela 2.7 encontram-se listados os valores estabelecidos. Tabela 2.7 - Limite da Distorção da Corrente em sistemas de distribuição de 120 V até 69 kV [35]. Máxima Distorção dos Harmónicos de Corrente em Percentagem da Ordem Individual dos Harmónicos < 11 11 ≤h <17 17 ≤h< 23 23 ≤h< 35 35 ≤h TDD < 20*5 4,0 2,0 1,5 0,6 0,3 5,0 20 < 50 7,0 3,5 2,5 1,0 0,5 8,0 50 < 100 10,0 4,5 4,0 1,5 0,7 12,0 100 < 1000 12,0 5,5 5,0 2,0 1,0 15,0 > 1000 15,0 7,0 6,0 2,5 1,4 20,0 2.6.2. Norma Europeia EN50160 - 2007 A norma europeia EN50160 define parâmetros de QEE para sistemas de distribuição de Baixa Tensão (BT) e Média Tensão (MT), de igual modo define os limites das variações de tensão e dos harmónicos de corrente. Esta norma faz uma apreciação da distorção dos harmónicos ímpares e inter-harmónicos no sistema elétrico. É de salientar que esta norma tem grande impacto na norma nacional de alguns países europeus, e passou a ser obrigatória desde Julho de 2008, nos países membros da União Europeia (EU) adotarem a nova versão como norma nacional [37][38]. 2.7. Conclusão A Qualidade de Energia Elétrica (QEE), ou Power Quality na literatura inglesa, começou a ter impacto na sociedade no final da década de 1980, e passadas três décadas a QEE é cada vez mais um tópico de interesse, de vários institutos (IEEE, IEC), agências nacionais e internacionais, empresas de monitorização de QEE e entidades 5 Este valor é o limite aceitável da distorção harmónica da corrente que os equipamentos de produção de energia podem introduzir no sistema elétrico. E não depende do valor da razão 28 . Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica individuais (Leonard Energy), que têm contribuído para o incremento da QEE. A QEE é um tema que envolve diversas áreas da engenharia e tecnologia, pelo que, a compensação dos problemas de QEE não se limita ao melhoramento do serviço prestado pelo distribuidor e à compensação das distorções nos pontos de consumo, mas também passa pela modernização dos tipos de equipamentos usados nos pontos de consumo. Como por exemplo, é necessário que se desenvolva cada vez mais cargas não lineares com consumo de corrente sinusoidal, retificadores com PFC (Power Factor Correction), carregadores de baterias com consumo sinusoidal, motores com arranque suave, etc. Neste capítulo, a análise dos problemas de QEE centrou-se nos problemas mais comuns como: Sag ou dip, Swell, Interrupção de curta duração, Sobretensão, Subtensão, Interrupção de longa duração, Notching, Ruído Eletromagnético, Distorção Harmónica, Transitórios (Oscilatório e Impulsivo), Fator de potência e Displacement Power Factor. As interrupções de curta duração, sempre que possível, devem ser mitigadas no intuito de se eliminar a possibilidade de ocorrer paragem de equipamentos, perdas de produção e erros em sistemas de transmissão de dados. Uma vez que estes problemas acarretam custos financeiros elevados para as indústrias. A distorção harmónica da corrente, ou harmónicos de corrente, que têm origem nos pontos de consumo, devido à estrutura da rede elétrica provoca harmónicos na tensão do sistema. As cargas lineares e outras cargas sensíveis a distorções na tensão, quando conectadas em barramentos nos quais a tensão contém harmónicos, absorvem correntes com harmónicos. Sendo assim, a distorção harmónica deve ser mitigada no intuito de se evitar perdas de energia, sobredimensionamento das instalações, envelhecimento prematuro dos equipamentos e ressonância no SEE (Sistema Elétrico de Energia). O banco de condensadores, na maioria das vezes usado para compensar a potência reativa, pode provocar problemas de QEE do tipo Swells e sobretensões transitórias. Também quando instalado em ambiente com harmónicos na corrente provoca problemas de ressonância no sistema e aumenta a distorção harmónica na tensão e na corrente. As indústrias, embora abarquem grande parte dos equipamentos que provocam problemas de QEE, também são afetadas pela má QEE. Pelo que a QEE requerida pelo consumidor industrial é diretamente proporcional ao tipo de tecnologia que este utiliza. Atualmente, os problemas de QEE são maiores dentro das indústrias, mas os benefícios associados à utilização de cargas não lineares fazem com que estas sejam cada vez mais utilizadas também pelos consumidores residenciais e de serviço o que tem contribuído para maior degradação da QEE [16]. Portanto, é indispensável haver avanços tecnológicos que levem ao melhoramento dos equipamentos e melhoria da QEE. [6][17]. Embora exista um número cada vez maior de equipamentos de compensação de Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 29 Capítulo 2 – Problemas de Qualidade de Energia Elétrica problemas de QEE [39], tais como UPQC, FAP, FAS, DVR, TSC, capazes de mitigar de forma dinâmica os problemas de QEE, e normas que regem os SEE (Sistema Elétrico de Energia), como as normas internacionais: IEEE-519 e EN50160, ainda há carência dessas soluções que apresentem custos reduzidos. As cargas elétricas para estudos de problemas de Qualidade de Energia Elétrica desenvolvidas nesta dissertação são elementos de estudo de problemas de QEE de baixo custo. 30 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel CAPÍTULO 3 Equipamentos para Compensação da Potência Reativa 3.1. Introdução Neste capítulo é feita a apresentação dos equipamentos usados para compensação de potência reativa, sua constituição e princípio de funcionamento. A potência reativa que circula nas linhas do Sistema Elétrico de Energia, devido às cargas indutivas (como por exemplo, motores elétricos e lâmpadas fluorescente de balastro ressonante) nos pontos de consumo, não deve ser descurada. Uma vez que provoca queda de tensão nas linhas e reduz a capacidade de transporte de potência ativa. Além disso, a produção de potência reativa não é de forma alguma um processo oneroso para produtor e o distribuidor. Neste sentido, a forma mais eficaz de evitar as quedas de tensão nas linhas consiste, por conseguinte, no caso limite, em persuadir o consumidor final a produzir localmente toda a potência reativa necessária ao funcionamento das cargas indutivas [8][6]. Esta medida, visa limitar o trânsito de potência reativa na rede, e fazer com que a potência reativa passe a ser trocada entre carga e equipamento de compensação, ou seja, produzida localmente. Um equipamento para compensação de potência reativa, quando conectado em paralelo com a rede e a carga, deve ser capaz de injetar uma corrente , tal que subtraída de , origina uma corrente , em fase com a tensão da rede. Na Figura 3.1 representa-se o diagrama de blocos de um sistema de compensação de potência reativa. Rede Elétrica i c arg a is Carga Elétrica V I ic V I Compensador de Potência Reativa Figura 3.1 - Esquema de compensação da potência reativa. Um compensador de reativos deve ser capaz de anular, ou reduzir para valores aceitáveis, o trânsito de reativos nas linhas do sistema elétrico. A compensação de potência reativa pode ser feita com base nos seguintes equipamentos: Compensadores estáticos; Compensadores dinâmicos; Compensadores síncronos. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Eléctricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Eléctrica Nuno Miguel Figueira Manuel 31 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa No final deste capítulo é feito um pequeno resumo sobre o estado da arte do Thyristor Switched Capacitor, baseado em alguns artigos científicos mencionados nas referências bibliográficas. 3.2. Compensador Síncrono Um compensador síncrono é uma máquina síncrona que funciona em vazio com a corrente de excitação acima (sobre-excitado) ou abaixo (sub-excitado) da nominal [2]. O modelo equivalente do motor síncrono encontra-se representado na Figura 3.2. A variação da corrente de excitação, responsável pelo funcionamento do motor como compensador, pode ser analisada no diagrama fasorial do modelo equivalente do motor representado na Figura 3.3. Como ilustra o diagrama fasorial, para uma corrente de excitação , menor que a corrente nominal de excitação , a tensão do estator mantém-se atrasada em relação à corrente no estator; e o compensador síncrono injeta potência reativa na rede. No caso em que a corrente de excitação é igual a , a tensão no estator permanece em avanço em relação a corrente no estator, e o compensador síncrono absorve potência reativa. Assim sendo, o compensador síncrono produz potência reativa capacitiva quando sub-excitado e absorve potência reativa quando indutiva sobre-excitado. jXs Ra Ia Vt Ea Figura 3.2 - Circuito equivalente de uma das fases do compensador síncrono. Ia1 Ia2 Vt jXsIa1 jXsIa3 jXsIa2 Ia3 Ea1 Ea2 Ea3 Figura 3.3 - Diagrama fasorial do modelo equivalente do compensador síncrono. Legenda: - Tensão aos terminais do motor; - Corrente de excitação nominal; - Magnitude da corrente de excitação para sub-excitar o motor; 32 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva - Magnitude da corrente de excitação para sobre-excitar o motor; -Tensão induzida quando motor funciona sub-excitado; - Tensão induzida para corrente de excitação nominal; - Tensão induzida quando o motor funciona sobre-excitado; - Valor da reatância síncrona quando motor está sub-excitado; - Valor da reatância síncrona para corrente de excitação nominal; - Valor da reatância síncrona para corrente de excitação sobre-excitada. O compensador síncrono necessita de um sistema de excitação, que forneça uma corrente contínua para criar o campo magnético no entre-ferro. Na Figura 3.4 representa-se o diagrama de blocos do sistema de excitação do motor síncrono. O sistema de excitação também assegura funções de regulação e proteção do gerador, através do controlo da tensão aplicada ao enrolamento de excitação e, por conseguinte, da corrente de excitação. Entrada auxiliar (por .ex. estabilizador ) Valor de referência Regulador Sistema de Excitação Compensador Síncrono Medida de tensão e corrente Figura 3.4 - Digrama de blocos do sistema de excitação e regulação da tensão do compensador síncrono [8]. Os tipos de sistemas de excitação são variados e têm vindo a evoluir ao longo do tempo, uma vez que o advento da Eletrónica de Potência tem dado azo as novas técnicas de controlo com base nos semicondutores de potência. Na Figura 3.5 representa-se um compensador síncrono com sistema de excitação estático. Neste sistema de excitação a corrente de excitação é fornecida pelo próprio gerador, por meio de um transformador auxiliar e de um retificador estático controlado. Outros sistemas de excitação também desenvolvidos com base em Eletrónica de Potência, como o sistema de excitação sem escovas e excitação por excitatriz de corrente alternada, também são aplicados na prática. Porém, apresentam tempos de respostas mais lentos em relação ao sistema de excitação estático. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 33 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa TT TI Transformador de excitação Retificador Aneis de regulação Gerador Regulador Referência Entrada auxiliar Figura 3.5- Compensador síncrono com sistema de excitação estático. Devido ao elevado custo de um compensador síncrono, só em casos especiais se justifica a sua utilização como compensador de reativos [8][19]. Como por exemplo, no transporte a longa distância utiliza-se para regular a tensão ao longo da linha. O tempo de resposta lento, a instabilidade rotacional, a baixa impedância de curto-circuito e as manutenções constantes, são outras das desvantagens dos compensadores síncronos. 3.3. Bancos de Condensadores O banco de condensadores é um equipamento elétrico capaz de produzir potência reativa capacitiva, desenvolvido com base em condensadores e comutadores eletromecânicos, desprovido de qualquer sistema de controlo microprocessado [36]. A gama de potência reativa associada aos bancos de condensadores abrange valores que vão desde algumas dezenas de VAr a MVAr [12][40]. A capacidade total ou equivalente do banco de condensadores é dimensionada em função do valor da potência reativa a compensar e calcula-se segundo a expressão matemática dada pela equação 3.1. (3.1) Legenda: Potência reativa total da instalação; Capacidade total equivalente em Farad; Valor RMS da tensão de alimentação; Frequência. Na Figura 3.6 apresenta-se o esquema de compensação de potência reativa através de um banco de condensadores. Esta solução é uma das soluções mais utilizadas pelas indústrias. No entanto, o aumento das cargas não lineares em ambientes industriais faz com que a compensação da potência reativa através de bancos de condensadores seja suscetível a problemas de Qualidade de Energia Elétrica, devidos os harmónicos na 34 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva tensão e na corrente [6][19]. Instalação Parte de comando do motor Contactores Electromêcanicos Motor Figura 3.6 - Exemplo de um banco de condensadores conectado em estrela para compensação global de potência reativa. 3.4. Filtro Ativo de Potência Paralelo O filtro ativo paralelo é um equipamento de Eletrónica de Potência capaz de compensar problemas de qualidade de energia de forma dinâmica. Embora a abordagem principal dos filtros ativos esteja centrada na filtragem das correntes harmónicas, este também é usado para compensar potência reativa [41]. Na Figura 3.7 apresenta-se o esquema básico de um filtro ativo paralelo. O filtro ativo paralelo é constituído por dois componentes essenciais: o conversor comutado de eletrónica de potência, que funciona com modulação de largura de impulso, e o circuito de controlo. Para um sistema trifásico, o controlador mede as tensões do sistema ( ), a tensão do barramento CC ( ), as correntes nas linhas ( ) e gera os sinais de PWM para os semicondutores de potência. O inversor por sua vez sintetiza as correntes de referência ( , ) a injetar no sistema elétrico. Devido aos harmónicos de corrente de alta frequência resultantes da comutação dos semicondutores, na saída do inversor existem filtros passivos RC passa baixo para minimizarem os harmónicos de corrente de alta frequência [42]. O algoritmo de controlo a implementar no filtro ativo de potência determina a performance da compensação feita pelo filtro ativo. Segundo os autores Akagi etal [41] e João Luiz Afonso etal [43], a teoria (p-q quando aplicada no controlo do filtro ativo paralelo, apresenta elevada performance, sendo que, os cálculos são feitos no domínio do tempo. O inversor do filtro ativo paralelo pode ser implementado com fonte de tensão ou fonte de corrente. Como exemplo, o inversor do filtro ativo paralelo representado na Figura 3.7 usa fonte de tensão. Constatou-se, ao longo da bibliografia consultada, que grande parte dos autores implementava o filtro ativo com inversor fonte Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 35 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa de tensão. ic is F N Rede Elétrica ica Carga L va ia Vdc Controlador i ca* c Inversor Figura 3.7 - Esquema unifilar de um filtro ativo paralelo monofásico. 3.5. Compensadores FACTS (Flexible AC Transmission System) do tipo Paralelo Os compensadores FACTs do tipo paralelo, desenvolvidos com base em semicondutores de Eletrónica de Potência, representam o estado da arte dos equipamentos utilizados no controlo da potência reativa em Sistemas Elétricos de Potência [19]. Um equipamento FACTs do tipo paralelo funciona como uma fonte de corrente controlada capaz de absorver ou injetar potência reativa na rede elétrica. Os compensadores estáticos de reativos SVC (Static VAR Compensator) utilizam indutâncias e condensadores controlados por tirístor. 3.5.1. STATCOM O STATCOM (Static Synchronous Compensator) é um equipamento de Eletrónica de Potência capaz de compensar de forma dinâmica o fator de potência injetando ou absorvendo potência reativa na rede elétrica [17]. As características principais do STATCOM são: manter a tensão estável na rede elétrica, e aumentar o fluxo de potência ativa em sistemas de transmissão. A constituição do STATCOM é semelhante à do filtro ativo paralelo. Porém, a conexão do STATCOM à rede elétrica é feita através de um transformador de média tensão. O STATCOM funciona como uma fonte controlada de potência reativa, que através da regulação da tensão ou da corrente, dependendo do tipo da configuração do inversor (VSC ou CSI), controla o fluxo de potência do sistema elétrico. Como por exemplo, para o STATCOM com inversor fonte 36 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva de tensão, representado na Figura 3.8 quando a amplitude da tensão à saída do inversor é maior que a tensão da rede, a corrente , flui do STATCOM para a rede e o inversor injeta potência reativa na rede elétrica. Quando a amplitude da tensão da rede é menor que a tensão à saída do inversor a corrente flui da rede para o STATCOM, e o inversor absorve potência reativa [40]. A quantidade de potência reativa a injetar ou absorver é diretamente proporcional à diferença de tensão entre a rede e o STATCOM. Na Figura 3.9 encontra-se representado o fluxo de potência do STATCOM em função da tensão do sistema. Rede Elétrica 230V, 50Hz ica va va * Sistema de Controlo STATCOM ia Carga ia * Inversor Barramento DC Figura 3.8 - Representação do diagrama de bloco do STATCOM monofásico. V Ic Injeta potência reativa V STACOM > V STACOM > V S VS Absorve potência reativa IL Figura 3.9 - Representação gráfica do fluxo de potência reativa injetada ou absorvida pelo STATCOM. 3.5.2. Thyristor-Controlled Reactor O Thyristor-Controlled Reactor (TCR) é um equipamento de Eletrónica de Potência capaz de absorver potência reativa indutiva. Apesar de o TCR ser conectado de forma isolada no sistema elétrico, na prática o TCR é comummente combinado com bancos de condensadores e filtros passivos. Os filtros passivos destinam-se a fazer a filtragem dos harmónicos de corrente que o TCR produz, e o banco de condensadores Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 37 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa aumenta a resposta dinâmica do sistema [40]. O TCR é constituído essencialmente por dois tirístor conectados em anti-paralelo, formando um interruptor bidirecional em série com uma indutância. Na Figura 3.10 representa-se o esquema básico de um módulo do TCR. Tipicamente, o TCR funciona como uma fonte de corrente controlada que através do ângulo de condução, , dos tirístores permite ajustar a quantidade de potência reativa absorvida. A gama de controlo do ângulo de condução dos tirístores varia entre e . A corrente absorvida pelo TCR é sinusoidal quando o ângulo de condução for igual a , e zero para .O TCR injeta harmónicos de corrente no sistema elétrico se o ângulo de condução dos tirístores for maior que . Como exemplo, para um ângulo de condução igual a o TCR injeta corrente com harmónico na rede elétrica [19][44]. i TCR T2 T1 Ângulo de disparo L Figura 3.10 - Esquema unifilar monofásico do TCR. A corrente, , que o TCR injeta é dada pela equação diferencial descrita na equação (3.2). Pelo que, se pode observar que o TCR comporta-se como um circuito puramente indutivo, desprezando a resistência interna da indutância. (3.2) Resolvendo a equação em função de obtém-se: (3.3) A corrente pode ser reescrita em função do ângulo de condução dos tirístores, como ilustra a equação (3.4). (3.4) 38 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva Legenda: - Valor da indutância; - Ângulo de condução dos tirístores; 1 - É igual a um sobre a indutância; - Tensão da rede; - Corrente na indutância. Em sistemas trifásicos os módulos de TCR, quando conectados em triângulo, isolam os harmónicos múltiplos de três ( ) da rede elétrica, ou seja, os harmónicos circulam no triângulo e deste modo não são injetados na rede elétrica. A ea harmónica são eliminadas usando dois compensadores iguais conectados a dois enrolamentos secundários de um transformador abaixador; sendo um ligado em estrela, e o outro, em triângulo, conforme ilustra a Figura 3.11. Esta montagem é descrita como configuração a doze pulsos, porque ocorrem 12 disparos dos tirístores num único ciclo da rede elétrica [36]. Barramento (M)AT Figura 3.11 - Configura aos 12 pulsos do TCR (Thyristor- Controlled Reactor). 1 Representa a característica de controlo do TCR uma vez que este funciona como uma como uma indutância variável. Neste sentido, variando o ângulo de condução dos tirístores varia-se o valor da indutância, e consequentemente da potência reativa absorvida. Sendo que a tensão é constante. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 39 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa 3.5.3. Thyristor Switched Capacitor O Thyristor Switched Capacitor (TSC) é um equipamento de Eletrónica de Potência com uma topologia análoga à do Thyristor-Controlled Reactor. A diferença é marcada pelo tipo de potência reativa que um e outro são capazes de compensar. O TSC é conectado em paralelo com o sistema elétrico com intuito de compensar a potência reativa indutiva, injetando potência reativa capacitiva na rede. O TSC monofásico consiste em dois tirístores conectados em anti-paralelo e em série com um banco de condensadores. Na Figura 3.12 representa-se o esquema básico de um módulo de TSC. No sistema monofásico, o número de módulos de TSC depende da quantidade de potência reativa a compensar e da precisão do sistema de compensação. Dependendo do tipo de topologia, o TSC também é capaz de compensar harmónicos de corrente. Como por exemplo, conectando uma indutância em série com o condensador molda-se um filtro passivo , que sintonizado na frequência do harmónico, estabelece um caminho de baixa impedância para o harmónico de corrente. Embora o TSC seja largamente utilizado como sistema de compensação de potência reativa indutiva, também pode ser utilizado para compensar outros problemas de qualidade de energia, dentre os quais: variações de tensão e harmónicos de corrente. Quando comparado com o TCR, este, tem a vantagem de não introduzir harmónicos no sistema elétrico, pelo que, do ponto de vista do sistema elétrico, o conjunto TSC e carga indutiva comporta-se como uma carga puramente resistiva. i TSC i TSC C C L a b Figura 3.12 - (a) Topologia básica do TSC que não permite filtragem de harmónico de corrente; (b) Topologia com filtro passa baixo LC para filtragem de harmónico de corrente. O princípio de funcionamento do TSC é relativamente simples, uma vez que em regime permanente comporta-se como um circuito puramente capacitivo. Este equipamento tem como principal inconveniente o surgimento da corrente de inrush, que 40 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva ocorre quando o banco de condensadores é comutado a ON. No intuito de ser mitigada a corrente de inrush, diversas estratégias de comutação (das gates dos tirístores) têm sido implementadas. Segundo Mathur etal [40], quando os tirístores são comutados a ON aos da tensão da rede a corrente de inrush é nula. Na bibliografia consultada muitos autores afirmam que colocando uma indutância em série com o banco de condensadores limita-se a corrente de inrush, uma vez que, a indutância opõem-se a variação abrupta da corrente. O valor da indutância é calculado com base na frequência dos harmónicos de mais baixa ordem ( equação (3.5). e e na capacidade do condensador, como se pode observar na (3.5) Legenda: - Frequência do harmónico. A introdução da indutância em série com o condensador, além de mitigar a corrente de inrush, também cria um caminho de baixa impedância para os harmónicos de corrente. 3.5.4. Estado da arte do Thyristor Switched Capacitor Neste item apresentam-se alguns Thyristor Switched Capacitors que se encontram atualmente em funcionamento, em sistemas de produção e distribuição de energia elétrica. O Static Var Compensator representado na Figura 3.13 é composto por dois Thyristor Switched Capacitors, por um Thyristor-Controlled Reactor e por três filtros passivos. O sistema de comutação é feito a tirístores com capacidade de bloqueio de 8 kV. A potência nominal é de 250 MVAr (capacitivo) e 100 MVA (indutivo). O Static Var Compensator representado na Figura 3.14 é composto por um Thyristor Switched Capacitor, por dois Thyristor-Controlled Reactors e por dois filtros passivos. O sistema de comutação é feito a tirístores com capacidade de bloqueio de 8 kV. O TSC é capaz de injetar 250 MVAr (capacitivo) e o TCR é capaz de absorver 250 MVA (indutivo). Na Figura 3.15 encontra-se representado um Thyristor Switched Capacitor trifásico com potência nominal de 300 MVAr que destina-se a manter estável uma tensão de 230 kV. O Thyristor Switched Capacitor representado na Figura 3.16 é o mais recente TSC desenvolvido pela Siemens, e representa o estado da arte do SVC (Static VAR Compensator). Este equipamento é capaz de variar a potência reativa (injetada) de 0 a 300 MVAr, e é constituído por 4 transformadores monofásicos de 117 MVA e 5 módulos de Thyristor Switched Capacitor. Foi instalado numa subestação a carvão com potência nominal de 4000 MVA e 500 kV. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 41 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa O Thyristor Switched Capacitor é geralmente instalado em sistemas de Alta Tensão (AT) e Muito Alta Tensão (MAT), pelo que o fabrico do mesmo é comummente feito por encomenda. Porém, já existem no mercado Thyristor Switched Capacitor para médias potências desenvolvidos pela ABB e a Toshiba . Figura 3.13 - SVC trifásico com potência nominal de 350 MVAr em funcionamento desde 2008 na Austrália [45]. Figura 3.14 - SVC trifásico com potência nominal de 500 MVAr em funcionamento desde 1995 no Brasil [45]. 42 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva Figura 3.15 - Thyristor Switched Capacitor trifásico com potência nominal de 300 MVAr em funcionamento desde 2006 nos Estados Unidos da América [45]. Figura 3.16 - Thyristor Switched Capacitor 2com potência nominal de 300 MVAr em funcionamento desde Agosto de 2011 numa central a carvão no Canadá [45]. 3.5.5. Thyristor Switched Capacitor Implementado Dentre, os equipamentos para compensação de potência reativa que foram apresentados nesta dissertação foi implementado um Thyristor Switched Capacitor trifásico conectado em estrela, capaz de compensar a potência reativa indutiva nas três fases de forma independente. A topologia implementada não contém indutâncias conectadas em série com os condensadores, como se pode observar na Figura 3.17. Optou-se por esta topologia uma vez que não possui indutância conectada em série com o banco de condensadores o sistema torna-se mais compacto [46], além de reduzir o custo do projeto. 2 Na figura 3.16 apenas se encontra representado o esquema elétrico do do TSC uma vez que aquando da publicação desta dissertação não haviam fotos recentes onde fosse possível observar o aspeto final do equipamento. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 43 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa O controlador mede as tensões do sistema ( , e ), as correntes na linha ( , e ) e calcula a potência reativa ( ) a injetar, e envia os sinais de controlo aos tirístores. O sinal de controlo, ON/OFF, liga os módulos do TSC ao sistema elétrico, conforme a necessidade de potência reativa na carga. A estratégia de comutação implementada para eliminar a corrente de inrush é feita com base na seleção do ângulo de comutação dos tirístores, neste caso, os tirístores são comutados nos da tensão da fase. No intuito de garantir que os condensadores não provocam transitórios quando comutados a ON, estes, devem ser descarregados sempre que removidos do sistema elétrico. As resistências de descargas estão conectadas em paralelo com os condensadores, através de um interruptor eletrónico unidirecional. Na Figura 3.18 encontra-se representado o fluxograma do algoritmo de controlo e cálculo da potência reativa no sistema elétrico. O fluxograma da estratégia de comutação do TSC está representado na Figura 3.19. Rede Eléctrica ia ib ic ia i La ib i Lb ic i Lc i TSC i TSC Carga i TSC G1 Controlador G 2 va G3 vb vc G 4 G5 G6 C C C Resistência de descarga Figura 3.17 - Esquema elétrico do Thyristor Switched Capacitor (TSC) Implementado. 44 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva Start PIC32_BIT Imprime os valores da tensão e da corrente na carga Descarrega os condensaodres Espera 1 segundo Tensão maior que 230V Não Sim Return Lê a Tensão na fase a,b e c Lê a corrente na fase a,b ec. Calcula a potência reactiva no sistema eléctrico Potência reactiva maior que zero ? Desliga o TSC Sim Não Detecta a passagem por zero da tensão na fase a Não (ocorreu a passagem por zero) Espera detecção ? Sim (passagem por zero detectada) 1 (a) Figura 3.18 - Algoritmo de controlo do cálculo da potência reativa a injeta no sistema elétrico. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 45 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa 1 Timer conta 5ms T>=5ms? Não Sim Comuta módula da fase a Timer conta 12ms T>=12ms ? Não Sim Comuta módula da fase b Timer conta 18,3ms T>=18ms ? Não Sim Comuta módula da fase a Desligar o TSC ? Sim Ligar o Interruptor para descarregar os condensadores Não Volta para a rotina de leitura Fim (b) Figura 3.19 - Algoritmo de controlo da estratégia de comutação dos módulos do TSC. 46 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva 3.5.5.1. Dimensionamento do Banco de Condensadores O processo utilizado neste trabalho para dimensionar o banco de condensadores ( ) teve em conta a quantidade de potência reativa máxima que o TSC é capaz de compensar. Neste sentido, adotando a tensão nominal do sistema como 230 V valor nominal RMS, a capacidade do banco de condensadores calcula-se com base na seguinte expressão matemática: (3.6) Onde é a potência reativa total a compensar, é a frequência da rede elétrica e V o valor RMS da tensão nominal da rede entre a fase e o neutro. A Figura 3.20 representa a curva característica tensão corrente ( ) do TSC variando a tensão. Vc max Bc 0 Ic I c max Figura 3.20 - Característica tensão v corrente do Thyristor Switched Capacitor. 3.5.5.2. Modelo Dinâmico do Thyristor Switched Capacitor Na Figura 3.21 encontra-se representado o modelo equivalente do Thyristor Switched Capacitor [47], considerando os semicondutores de potência ideais, e desprezando a resistência de fuga do dielétrico, representa-se os parâmetros internos do condensador para uma indutância e uma resistência em série. Deste modo, modela-se um condensador com características reais. Aplicando as leis de Kirchhoff ao modelo equivalente do circuito, obtém-se as seguintes equações de base; equação (3.6) e equação (3.7). Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 47 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa Carga desconectada do sistema elétrico is Semicondutor ideal K i c arg a ic v vc C Carga L R Figura 3.21 - Modelo equivalente do Thyristor Switched Capacitor considerando o semicondutor (k) como ideal. (3.7) (3.8) Substituindo a equação (3.7) em (3.8) e ordenando os termos em função de obtém-se a corrente no condensador. (3.9) (3.10) A corrente no condensador ou corrente de compensação, a injetar na rede elétrica, é descrita pela equação diferencial de segunda ordem dada na equação (3.9), e a tensão no condensador é dada pela equação diferencial também de segunda ordem dada na equação (3.10). A representação em notação de espaço de estado 3 do sistema relaciona as variáveis das equações diferenciais de primeira ordem (3.7) e (3.8). A notação em espaço de estado descreve de forma trivial quais as variáveis de entrada, saída (ou de controlo) e o grau de estabilidade do sistema. Portanto, substituindo as equações diferenciais de primeira ordem (3.11) e (3.12) na expressão: (t) = , obtém-se o modelo do sistema em espaço de estado equação (3.13). 3 A notação em espaço de estado é um método analítico utilizado para determinar a estabilidade de sistemas elétricos ou mecânicos, com base nas equações diferencias destes. Este método analítico apenas é aplicado em sistemas dinâmicos lineares. 48 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva (3.11) (3.12) (3.13) A matriz A é a matriz da dinâmica do sistema ou matriz do sistema, e a matriz B é a matriz de controlo que descreve quais as variáveis a controlar. As variáveis de controlo do TSC ou parâmetros a controlar são: tensão e corrente no condensador. Como se pode observar na matriz de controlo representada na equação (3.15). (3.14) (3.15) Os valores próprios da matriz do sistema A, elementos da diagonal principal, representam o lugar geométrico dos pólos no plano . Uma vez que, um dos pólos do sistema ou valor próprio da matriz A está na origem, conclui-se que o sistema é criticamente estável [48][49]. Na Figura 3.22 representa-se o lugar das raízes dos pólos e dos zeros do sistema no plano , para , e . O diagrama de Bode consiste numa representação gráfica da resposta em frequência do sistema, sendo constituído por dois diagramas: características de amplitude e de fase, em função da frequência natural do sistema ( ). No gráfico mostrado na Figura 3.23 encontra-se representada a resposta em frequência do modelo equivalente do Thyristor Switched Capacitor. Pelo que, se pode observar que um par de pólos complexos conjugados ( ) provoca mudança de fase abrupta e consequentemente ressonância no sistema. Ou seja, o Thyristor Switched Capacitor, segundo as equações do modelo, representa um par de pólos complexos conjugados, deste modo é um sistema criticamente estável [40][46]. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 49 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa 10 1.5 Lugar das raizes do sistema, plano s x 10 0.86 0.76 0.64 0.5 0.34 0.16 1 0.94 0.5 parte imaginaria 0.985 2.5e+010 0 2e+010 1.5e+010 1e+010 5e+009 0.985 -0.5 0.94 -1 -1.5 -2.5 0.76 0.86 -2 0.64 0.5 -1.5 0.34 -1 -0.5 0.16 0 0.5 10 parte real x 10 Figura 3.22- Lugar das raízes do sistema dinâmico do TSC para C =33 , R = 0.2 ῼ e L = 0.1 mH. Respota em Frequencia do Sistema, Diagrama de Bode 60 40 Magnitude (dB) 20 0 -20 -40 -60 0 Phase (deg) -45 -90 -135 -180 5 6 10 7 10 10 Frequency (rad/sec) Figura 3.23 - Diagrama de Bode correspondente aos pares de pólo do sistema. 3.6. Conclusão O Thyristor Switched Capacitor (TSC) é um equipamento de Eletrónica de Potência constituído essencialmente por dois tirístores em anti-paralelo e conectado em série com um banco de condensadores. É um equipamento de baixo custo e capaz de compensar a potência reativa indutiva, sem injetar harmónicos de corrente no sistema elétrico. O Thyristor-Controlled Reactor (TCR) é um equipamento de Eletrónica de Potência também constituído por dois tirístores em anti-paralelo conectado em série com uma indutância. Ao contrário do TSC o TCR absorve potência reativa e injeta harmónicos de corrente no sistema elétrico, pelo que, na prática este é comummente conectado em paralelo com filtros passivos sintonizados na frequência dos harmónicos de baixa ordem, como por exemplo (3ª, e ) harmónica [40]. Em aplicações práticas, como as que foram referenciadas no último item deste Capítulo, é comum 50 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reactiva combinar o TSC e o TCR. O sistema híbrido que resulta da combinação destes dois equipamentos é conhecido na literatura como Static Var Compensator (SVC). Devida à sua característica dinâmica o Static Var Compensator, é cada vez mais utilizado em sistemas de transporte e distribuição de energia elétrica para manter a tensão dentro dos limites aceitáveis e compensar a potência reativa [50]. O STATCOM é um equipamento de Eletrónica de Potência capaz de injetar ou absorver potência reativa. É constituído essencialmente por um inversor (VSC ou CSI) comutado de Eletrónica de Potência e um sistema de controlo que gera os sinais de PWM para os semicondutores. É de salientar que dentre os dispositivos FACTs, o STATCOM é o que apresenta melhor resposta dinâmica e sistema de controlo mais complexo. O banco de Condensadores, dentre os equipamentos para compensação de potência reativa, apresenta as seguintes vantagens: não possui sistema de controlo, fácil implementação e baixo custo. Porém, é suscetível a problemas de qualidade de energia como (dip e swells), quando as formas de onda da tensão e da corrente no sistema elétrico não são sinusoidais. Neste sentido, devido as distorções da forma de onda da tensão e da corrente no sistema elétrico, torna-se cada vez menos utilizado. O Filtro Ativo Paralelo (FAP) é constituído essencialmente por um inversor comutado (VSI ou CSI) de Eletrónica de Potência e por um sistema de controlo que mede as tensões e correntes na rede e gera os sinais de PWM para os semicondutores de potência. A máquina síncrona, responsável pela geração de quase 70% da energia elétrica produzida mundialmente em centrais térmicas e hidroelétricas, quando opera em vazio sobre-excitada injeta potência reativa na rede elétrica, e quando sub-excitada absorve potência reativa da rede. Uma vez que, os seus custos de manutenção são elevados e o seu tempo de resposta é na ordem dos segundos, a máquina síncrona só em casos especiais deve funcionar como compensador de recativos [19]. Segundo a bibliografia consultada, muitos autores afirmam que, embora o Static Var Compensator apresenta uma resposta dinâmica relativamente rápida, os problemas de qualidade de energia que as cargas não lineares têm vindo a causar no sistema elétrico os tornam inadequados quando as instalações apresentam elevado conteúdo harmónico na tensão e corrente do sistema. Já, o STATCOM e o FAP, dentre os compensadores de potência reativa representados neste capítulo, são os mais adequados em instalações onde as cargas são não lineares e as tensões e correntes são desequilibradas [44]. Como por exemplo, o Filtro Ativo Paralelo é capaz de compensar harmónicos de corrente, desequilíbrio de corrente e o baixo fator de potência, em simultâneo. As equações dinâmicas do TSC, representadas em notação de espaço de estado, serviram para analisar a estabilidade do circuito. Pois, apesar de ser um circuito que em Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 51 Capítulo 3 – Equipamentos para Compensação de Potência Reativa regime permanente comporta-se como uma carga puramente capacitiva, desprezando a resistência do condensador e da bobina, é um sistema criticamente estável e suscetível a problemas de ressonância, sendo que um dos pólos é complexo conjugado. A compensação de potência reativa, não só visa compensar o fator de potência das cargas nos pontos de consumo, mas também, melhora a estabilidade do sistema elétrico. Neste capítulo versou-se sobre os equipamentos para compensação de potência reativa, do TSC implementado nesta dissertação, e de alguns equipamentos do tipo Static Var Compensators instalados em centros de produção de energia elétrica. No Capítulo 4 são apresentadas as simulações computacionais do TSC e de Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica. 52 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel CAPÍTULO 4 Simulações do Thyristor Switched Capacitor e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica 4.1. Introdução A análise comportamental dos equipamentos de Eletrónica de Potência, quando feita de forma analítica, com base nas equações dinâmicas do circuito e segundo as leis da física, torna o projeto e implementação do circuito moroso, complexo e divergente da realidade. Uma vez que as condições reais nem sempre são matematicamente tratáveis, de forma fácil, a análise comportamental do circuito estará limitada às condições ideais. De modo a minimizar o tempo na elaboração do projeto e analisar o comportamento do circuito tendo em conta as caraterísticas reais dos componentes e do sistema elétrico, é cada vez mais frequente o uso de ferramentas de simulação no desenvolvimento de projetos eletrónicos. O aumento da performance dos processadores e a evolução das linguagens de programação permitem que se desenvolvam ferramentas de simulação cada vez mais precisas [51]. Ou seja, os resultados obtidos são cada vez mais próximos aos resultados esperados ou de simulação. Segundo a bibliografia consultada [52][53][54][55], se pode constar que as ferramentas de simulação permitem aos investigadores analisar diversas topologias de equipamentos, diferentes técnicas de controlo, realizar testes com várias cargas elétricas (lineares e não lineares) e analisar o funcionamento dos equipamentos em sistemas com tensões equilibradas e tensões desequilibradas. Tudo isto de forma rápida, segura e sem a necessidade de se recorrer a protótipos. Deste modo, se diminui o custo do projeto e aumenta-se o grau de segura na fase de implementação. Também se observou ao longo dos artigos científicos consultados, que grande parte dos autores apenas discutia as suas teses com base nos resultados de simulação tanto no que diz respeito a técnicas de controlo quanto ao princípio de funcionamento de equipamentos [56]. Nesta dissertação a ferramenta de simulação usada para simular o Thyristor Switched Capacitor e as cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica foi o PSIM (Power System - versão 9.1). O PSIM é uma ferramenta de simulação desenvolvida pela Powersim capaz de simular circuitos eletrónicos: domésticos (fontes comutadas), industriais (UPSs), aeroespacial (sistemas de alimentação de aviões), veículos elétricos (drivers para motores de locomotivas), etc. Tem como principais programas: SIMCAD (programa de desenvolvimento de esquemático de circuitos eletrónicos), PSIM (programa de Desenvolvimento de TSC e de Cargas Eléctricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Eléctrica Nuno Miguel Figueira Manuel 53 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE simulação), SIMVIEW (programa de interface gráfica e visualização das formas de onda). Como foi referido anteriormente, as ferramentas de simulação aproximam cada vez mais os modelos computacionais dos reais. Exemplo disso é a versão 9.1 do PSIM que permitiu simular de forma trivial todo sistema de controlo digital escrito em linguagem de programação C. Na Figura 4.1 encontra-se representado o ambiente de programação do PSIM versão 9.1. Figura 4.1 - Ambiente de programação em linguagem C do PSIM que permite desenvolver algoritmos de controlo digital. O sistema de controlo desenvolvido em linguagem de programação C foi simulado através do Bloco C. O Bloco C é uma nova ferramenta de programação que está incorporada na versão 9.1 do PSIM e vem substituir a DLL (Dynamic Link Library). As funcionalidades que o Bloco C disponibiliza encontram-se listadas a seguir: Permite trabalhar com variáveis globais e variáveis locais, Permite trabalhar com funções, estruturas e vetores dinâmicos, Permite configurar um número infinito de entradas e saídas, Permite definir o método como as funções são chamadas no programa. A vantagem do Bloco C em relação as DLL 1 está no fato do Bloco C não necessitar de um compilador externo. O interface amigável e o baixo consumo de memória na realização dos cálculos, durante as simulações são algumas das vantagens do PSIM tidas em conta na seleção da ferramenta de simulação. O ambiente de simulação do PSIM onde foi simulado o TSC se encontra representado na Figura 4.2. 1 A DLL é um ficheiro executável de vínculo dinâmico que permite que os programas informáticos partilhem bibliotecas e recursos necessários para executar códigos específicos. 54 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Figura 4.2 - Ambiente de desenvolvimento do PSIM versão 9.1. Neste capítulo é feita a apresentação das simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica. As simulações visam analisar o comportamento do equipamento em diferentes situações de funcionamento do sistema elétrico, como em sistemas desequilibrados e em sistemas com harmónicos de tensão e de corrente. Além da análise comportamental do próprio equipamento em regime permanente, e em diversas situações de operação do sistema elétrico, também serão simuladas outras topologias e configurações do mesmo, com intuito de validar o seu desempenho. Nomeadamente, simulação do TSC conectado em triângulo para bloqueio dos harmónicos de corrente de terceiro ordem e a combinação do TSC com bancos de condensadores e filtros passivos. Inicialmente, apresenta-se a descrição do Andar de Potência e do Sistema de Controlo implementados nesta dissertação. E em seguida são apresentados os resultados de simulação obtidos. 4.2. Modelo de Simulação do Andar de Potência do Thyristor Switched Capacitor O esquema representado na Figura 4.3 é constituído por três fontes de tensão alternada e sinusoidal, com tensões equilibradas de 230 V, a 50 Hz, simulando uma rede elétrica trifásica de baixa tensão, com impedâncias de linha de 0,1 Ω parte resistiva e 1 H parte indutiva. A rede elétrica alimenta uma carga indutiva e um TSC para compensação da potência reativa. O equipamento de compensação da potência reativa, TSC, é conectado em paralelo com a carga através de interruptores que conectam ou desconectam o equipamento da rede elétrica. A primeira carga elétrica conectada à rede é do tipo indutiva, constituída por uma indutância de 32,25 mH em série com uma resistência de 5,8 Ω. Este tipo de carga provoca o desfasamento entre a tensão e a Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 55 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE corrente na rede elétrica e aumenta as correntes nas linhas. Em cada fase do sistema elétrico conectou-se um sensor de tensão e outro sensor de corrente para fazerem as medições das respetivas grandezas. Figura 4.3 - Simulação do andar de potência do Thyristor Switched Capacitor em paralelo com uma carga elétrica indutiva. 4.2.1. Estratégia de Controlo A estratégia de controlo do Thyristor Switched Capacitor tem como objetivo limitar a corrente de inrush ou os transitórios de corrente, que ocorrem quando os tirístores são comutados a ON, para valores que garantam a segurança do equipamento e não provoquem a degradação da qualidade de energia no sistema elétrico. Deste modo, a estratégia de controlo decide o instante em que tirístores, e logo o banco de condensadores, devem ser comutados, como as anteriormente descritas. Existem duas estratégias de comutação do TSC implementadas na prática recorrendo ao controlo da tensão no banco de condensadores: uma das estratégias visa garantir que a comutação dos tirístores é feita quando a tensão no condensador é igual a tensão da rede; a outra estratégia assegura que os tirístores são comutados no pico da tensão da rede (para quando os condensadores estiverem carregados com o valor de pico da tensão da rede). Estratégia A: Os condensadores devem ser descarregados quando desconectados do sistema elétrico. Garantindo que qualquer tensão residual no condensador é inferior a tensão da rede ( ). Neste caso, o ângulo de condução dos tirístores é dado pela equação (4.1) e a corrente de inrush é dada pela equação (4.2). (4.1) (4.2) 56 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Legenda: - Ângulo de comutação dos tirístores. - Tensão inicial do banco de condensadores no instante . - Valor de pico da tensão nominal do sistema elétrico. - Amplitude do termo oscilatório da corrente. - Amplitude da corrente no sistema elétrico. - Ordem dos harmónicos de corrente sintonizado através do ramo LC. Na Figura 4.4 pode-se observar o comportamento da equação (4.2) para diferentes módulos de TSC sintonizados para diferentes valores de n, e para diferentes valores da tensão de pré-carga do banco de condensadores. Como é possível observar a corrente oscilatória nunca é maior que a amplitude da corrente no sistema elétrico, e quanto maior é a tensão inicial do banco de condensadores menor é a corrente transitória. Especialmente para os módulos que apresentam maior frequência de ressonância. Também se pode observar que o maior transitório ocorre quando o banco de condensadores está totalmente descarregado. Figura 4.4 - Amplitude da corrente oscilatória para diferentes valores de n e para diferentes valores da tensão inicial no condensador [40]. Estratégia B O condensador é carregado com o valor de pico da tensão da rede, através da comutação de um dos tirístores. Neste caso, a corrente de inrush é dada pela equação (4.3) e o ângulo de condução é calculado através da equação (4.4). Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 57 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE (4.3) (4.4) Na Figura 4.5 encontra-se representado o gráfico que descreve o comportamento da equação (4.3) em função de n e do valor inicial da tensão no banco de condensadores. Esta estratégia de comutação também pode ser aplicada com o condensador sobrecarregado. Porém, como ilustra a figura os maiores transitórios ocorrem quando o banco de condensadores está descarregado ( ). Quando n maior que 2 e menor ou igual que 5 a corrente oscilatória é menor que amplitude da corrente para qualquer valor da tensão inicial no banco de condensadores. Figura 4.5 - Estratégia de comutação dos módulos de TSC no pico da tensão da rede elétrica [40]. A desconexão do TSC do sistema elétrico deve ser feita quando a corrente no condensador vai a zero, o que ocorre no pico da tensão da rede (ângulo de fase igual a ). A duas estratégias de controlo (estratégia A e estratégia B), na prática são muito similares, pelo que, a diferença reside no hardware implementado para controlar a tensão no condensador. Porém, a lei de controlo em ambos os casos é a ON/OFF. Neste sentido, de modo a tornar o modelo computacional mais próximo do real, o sistema de controlo desenvolvido num microcontrolador foi todo simulado através do Bloco C e de outros componentes que permitem simular o circuito de condicionamento de sinal e o circuito de deteção da passagem por zero da tensão, implementado por hardware. Uma vez que o microcontrolador desenvolvido é programado em linguagem de programação C, o código foi facilmente transferido para o microcontrolador real, PIC32MXX512L, fazendo-se apenas alguns ajustes. 58 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Na Figura 4.6 encontra-se representado o circuito de Sample and Hold que faz a amostragem do sinal a uma frequência fixa, antes de o ADC (Analog to Digital converter) inicializar a conversão. Os circuitos de Sample and Hold 2são muito utilizados na implementação de sistema de aquisição de dados analógicos, fazendo parte do front end destes sistemas, simultaneamente com os circuitos de condicionamento de sinais [57][58]. Figura 4.6 - Circuito de sample and hold implementado no PSIM para parte de controlo do circuito de condicionamento de sinal e ADC. O código executado pelo microcontrolador é capaz de calcular a potência reativa no sistema elétrico, enviar os sinais de enable (ON/OFF) para a gate dos tirístores, implementar a estratégia de comutação e descarregar os condensadores quando o TSC é desconectado do sistema elétrico. Na Figura 4.7 pode-se observar o bloco representativo do microcontrolador com todas as entradas e saídas de que dispõe. Figura 4.7 - Microcontrolador com 5 entradas e 9 saídas desenvolvido no PSIM com base no bloco C para implementação do sistema de controlo do Thyristor Switched Capacito. O microcontrolador, em ambiente de simulação, é equivalente ao microcontrolador PIC32MXX512L fabricado pela Microchip, considerando que realiza as mesmas funções. O circuito de enable responsável pela comutação das gates dos tirístores pode ser visualizado na Figura 4.8. Este, deteta a passagem por zero da tensão e recebe como parâmetro o valor do ângulo de comutação. Cada módulo do TSC está associado a um circuito de enable. 2 Os circuitos de sample and hold desempenham um papel crucial no desenvolvimento de sistemas de aquisição de dados particularmente na conversão analógica para digital (ADC). Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 59 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE Figura 4.8 - Circuito de enable dos módulos do Thyristor Switched Capacitor e detetor de passagem por zero implementados no PSIM para a parte de controlo. O sistema de controlo, também foi desenvolvido com base em blocos matemáticos e no filtro Butterrworth passa baixo com frequência de corte de 10 Hz. Na Figura 4.9 está representada a parte dos cálculos e o controlo da potência reativa desenvolvidos de modo analógico, do ponto de vista da ferramenta de simulação. Figura 4.9 - Sistema de controlo da potência reativa simulada com base em blocos matemáticos. Uma vez que através do valor RMS da tensão e da corrente apenas é possível calcular a potência aparente, foi utilizado o filtro passa baixo para calcular o valor médio desta que é igual à potência ativa. Com base nestas duas potências é possível 60 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE determinar potência reativa e o fator de potência no sistema elétrico. Na Figura 4.10 pode-se visualizar a estratégia de comutação desenvolvida com base em blocos discretos. A diferença entre o sistema de controlo digital e o analógico é relativamente pequena. Porém, o controlo digital ou desenvolvido com base no Bloco C é de certa forma mais realista, sendo que permite emular todo sistema de aquisição de sinal, com realce para os circuitos de sample and hold, e realizar os cálculos de acordo com os valores amostrados. Tornando possível analisar até que ponto o sistema de controlo é capaz de efetuar as operações matemáticas dentro do intervalo entre as amostras, e também analisar a precisão dos resultados segundo as amostras retiradas a cada período da rede elétrica. Figura 4.10 - Simulação da estratégia de comutação com base em dispositivos analógicos com sensores de tensão e de corrente e com detetor da passagem por zero. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 61 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE 4.3. Resultado das Simulações Após a descrição dos modelos simulados (andar de potência e sistema de controlo), neste item apresentam-se os resultados de simulação do TSC para várias situações do sistema elétrico. 4.3.1. Operação do Thyristor Switched Capacitor Os resultados de simulação começam por apresentar a forma de onda da corrente que o TSC injeta na rede elétrica. Na Figura 4.11 pode ser visualizada a forma de onda da corrente de compensação que o equipamento injeta no sistema elétrico. É possível observar que a mesma não possui transitórios, ou seja, a estratégia de controlo implementada é capaz de mitigar a corrente de inrush. Como foi referido no Capítulo 3, este equipamento de compensação de potência reativa não injeta harmónicos de corrente no sistema elétrico, pelo que, o seu funcionamento é semelhante ao de uma carga linear. Aplicou-se à transformada de Fourier a corrente que o TSC injeta na rede elétrica e como se observa na Figura 4.12 na corrente injetada apenas existe a fundamental. Figura 4.11 - Forma de onda da corrente injetada na rede elétrica pelo Thyristor Switched Capacitor. Figura 4.12 - Amplitude e frequência do harmónico na corrente que o Thyristor Switched Capacitor injeta no sistema elétrico. 62 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE A forma de onda da tensão e da corrente, de um dos módulos do equipamento, encontram-se representadas na Figura 4.13, onde se observa que a corrente está adiantada em relação à tensão, como seria de esperar. Figura 4.13 - Forma de onda da tensão na rede e corrente injetada no sistema elétrico pelo Thyristor Switched Capacitor. 4.3.2. Thyristor Switched Capacitor e Carga Linear Equilibrada em Estrela Nesta simulação apresenta-se a compensação de potência reativa de uma carga indutiva equilibrada conectada em estrela (Y). As caraterísticas da carga foram descritas no item 4.2. Antes da compensação da potência reativa o fator de potência da carga é de 0,51 indutivo. Tratando-se de uma carga equilibrada apenas será apresentada a forma de onda da tensão e da corrente numa das linhas. Na Figura 4.14 pode-se observar o desfasamento entre a tensão e a corrente no sistema elétrico antes da compensação da potência reativa. Figura 4.14 - Desfasamento entre a tensão e a corrente provocado por uma carga indutiva. Na Figura 4.15 está representada a tensão e a corrente na linha quando o sistema de compensação entra em funcionamento. Como pode ser observado a tensão e a corrente ficam em fase e o fator de potência é compensado para 0,98 indutivo. Verificou-se também que do ponto de vista do sistema elétrico, o TSC e a carga Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 63 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE indutiva consomem apenas energia ativa de forma semelhante a uma carga puramente resistiva. Figura 4.15 - Compensação do fator de potência de carga indutiva com o Thyristor Switched Capacitor. 4.3.3. Thyristor Switched Capacitor em Sistema Elétrico com Harmónicos na corrente e Carga Linear Equilibrada conectada em Estrela No Capítulo 2 foi referido que os harmónicos de corrente que as cargas não lineares absorvem provocam distorção na forma de onda da tensão no sistema elétrico. Uma vez que, o algoritmo de controlo do TSC apenas determina o fator de potência para tensões e correntes sinusoidais, quando a tensão e a corrente estão distorcidas, o equipamento compensa apenas o fator de potência da componente fundamental, sendo este equipamento adequado a sistemas elétricos onde as tensões e as correntes são sinusoidais. No intuito de mostrar a compensação do fator de potência, com cargas lineares e cargas não lineares, foi simulado uma carga indutiva em paralelo com uma carga não linear. A carga não linear é constituída por um retificador monofásico não controlado com filtro capacitivo de 1 F e carga resistiva de 52 Ω, e as caraterísticas da carga linear já foram descritas no item anterior. O desfasamento entre a tensão e a corrente, numa das linhas, antes do equipamento de compensação entrar em funcionamento pode ser visualizado na Figura 4.16. Como também é referido no Capítulo 2, quando a tensão ou a corrente estão distorcidas o fator de potência real é o Displacement Power Factor, neste caso é de 0,62. Na Figura 4.17 estão representadas as formas de onda da tensão e da corrente depois da compensação da potência reativa. Pode ser visto que apesar da distorção harmónica que a carga não linear provoca na corrente o fator de potência foi compensado para um valor unitário. 64 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Figura 4.16 - Forma de onda da tensão e da corrente num sistema elétrico com carga indutiva e retificador trifásico com filtro capacitivo. Figura 4.17 - Forma de onda da tensão e da corrente depois da compensação da potência reativa no sistema elétrico com carga não linear e carga indutiva. 4.3.4. Thyristor Switched Capacitor e Carga Linear e Carga não Linear em Estrela Desequilibrada O desequilíbrio de cargas elétricas no sistema elétrico tem dado azo a novas técnicas de controlo dos equipamentos capazes de minorar problemas de qualidade de energia. De modo a otimizar o sistema de compensação, no intuito de ser capaz de compensar de forma individual a potência reativa em cada fase, o algoritmo de controlo do TSC calcula a potência reativa a injetar em cada fase do sistema elétrico de modo individual. Pelo que, quando o sistema está desequilibrado o sistema de controlo comuta apenas os módulos conectados à fase a compensar. Nesta simulação apresenta-se o funcionamento do TSC com carga desequilibrada. Assim sendo, em cada fase conectou-se uma carga monofásica: fase a carga indutiva; fase b carga resistiva; fase c carga não linear. A carga indutiva é constituída por uma resistência de 2,92 Ω e indutância de 12,7 mH, que absorve uma corrente de 49,3 A com fator de potência de 0,59 indutivo. A Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 65 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE carga resistiva é constituída apenas por uma resistência de 100 Ω, e absorve uma corrente de 2,3 A em fase com a tensão. A carga não linear é constituída essencialmente por um retificador a díodos com filtro capacitivo de 1500 F e carga resistiva de 52 Ω. Uma vez que a carga está desequilibrada, serão apresentadas as tensões e as correntes nas três fases do sistema elétrico. Na Figura 4.18 está representada a forma de onda da tensão e da corrente na fase a. É possível observar que a compensação do fator de potência para 0,97 indutivo ocorre logo no início do segundo período da rede, instante em que o equipamento inicia a compensação. Na Figura 4.19 está representada a forma de onda da tensão e da corrente na fase b. Na Figura 4.20 está representada a forma de onda da tensão e da corrente na fase c. As tensões e as correntes na fase b e na fase c mantêm-se iguais, uma vez que a potência reativa é nula. Uma vez que as cargas são desequilibradas a corrente no neutro é diferente de zero, contendo harmónicos devido à presença de uma carga não linear no sistema elétrico. Na Figura 4.21 está representada a amplitude e a frequência dos harmónicos da corrente no neutro. Figura 4.18 - Exemplo da compensação individual da potência reativa num sistema trifásico desequilibrado: forma de onda da tensão e da corrente após a compensação da potência reativa da carga indutiva conectada na fase a. 66 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Figura 4.19 - Exemplo de sistemas trifásico desequilibrado: forma de onda da tensão e da corrente na fase b que alimenta uma carga não linear. Figura 4.20 - Exemplo de sistemas trifásico desequilibrado: forma de onda da tensão e da corrente na fase c que alimenta uma carga resistiva. Figura 4.21 - Amplitude e frequência dos harmónicos de corrente no neutro de um sistema trifásico em estrela desequilibrado, com carga indutiva e carga não linear. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 67 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE 4.3.5. Thyristor Switched Capacitor e Carga Indutiva Equilibrada em Triângulo O Thyristor Switched Capacitor, por ser um equipamento constituído essencialmente por módulos, pode ser facilmente conectado em estrela ou triângulo. Neste item apresenta-se a simulação do TSC e de uma carga indutiva conectados em triângulo. A carga indutiva é basicamente constituída por uma resistência de 2,29 Ω em série com uma indutância de 12,7 mH e apresenta um fator de potência de 0,53 indutivo. Uma vez que o sistema de controlo foi desenvolvido para módulos conectados em estrela, os ângulos de comutação foram redefinidos de modo que as comutações ocorram nos das tensões compostas. Assim sendo, os ângulos correspondentes a cada configuração podem ser consultados na Tabela 2.1. Tabela 4.1 - Ângulos de comutação dos módulos do Thyristor Switched Capacitor de acordo o tipo da configuração: Estrela ou Triângulo. Ângulo de disparo ( ) Ângulo de disparo ( ) Conexão em Estrela Conexão em Triângulo TSC Módulo A/AB: Módulo B/BC: Módulo C/CA: O modelo de simulação que representa a conexão do TSC e da carga indutiva, conectados em triângulo, pode ser visualizado na Figura 4.22. ia ib ic Rede Eléctrica i bc C3 R R L C1 i ab L R C2 i ca L Carga indutiva Conectada em Triângulo TSC Figura 4.22 - Modelo de simulação do Thyristor Switched Capacitor e carga indutiva equilibrada em triângulo. 68 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Como as cargas estão equilibradas apenas serão apresentadas as formas de onda da tensão e da corrente na fase a. Na Figura 4.23 pode ser observado o desfasamento entre a tensão e a corrente antes da compensação da potência reativa. Na Figura 4.24 pode-se observar o desfasamento entre a tensão e a corrente depois da compensação da potência reativa com o TSC. A potência reativa injetada no sistema elétrico compensa o fator de potência para 0,97 indutivo, valor que se encontra dentro dos limites na legislação em vigor em Portugal. A conexão em triângulo do TSC é comummente feita em sistemas equilibrados. Uma das vantagens desta conexão é que permite isolar os harmónicos de corrente múltiplos de 3 (de sequencia zero) do sistema elétrico, uma vez que estes circulam apenas dentro do triângulo. Figura 4.23 - Formas de onda da tensão e da corrente na fase no sistema elétrico trifásico com carga indutiva e carga não linear conectados em triângulo. Figura 4.24 - Thyristor Switched Capacitor e carga indutiva equilibrada conectada em triângulo: exemplo da forma de onda da tensão e da corrente na fase depois da compensação da potência reativa. 4.3.6. Thyristor Switched Capacitor e Carga Indutiva Desequilibrada em Triângulo Com esta simulação, pretende-se analisar o funcionamento do equipamento de compensação conectado em triângulo quando as cargas estão desequilibradas. As cargas Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 69 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE conectadas entre as fases (a, b e c) são cargas indutivas constituídas essencialmente por uma resistência em série com uma indutância. A seguir são listados os valores das resistências e das indutâncias conectadas entre a fase a e a fase b, entre a fase b e a fase c e entre a fase c e a fase a. Fase ab: R= 26,7 Ω e L= 73 mH. Fase bc: R= 52 Ω e L= 146 mH. Fase ca: R=52 Ω e L= 255 mH. Na Figura 4.25, na Figura 4.26 e na Figura 4.27 encontram-se representados os desfasamentos entre a tensão e a corrente na fase a, na fase b e na fase c antes da compensação da potência reativa, respetivamente. O valor do fator de potência está abaixo do limite aceite na legislação em vigor: fase a 0,75, fase b 0,75 e na fase c 0,54. Figura 4.25 - Exemplo de sistema elétrico trifásico com carga linear em triângulo desequilibrada: tensão e corrente na fase a. Figura 4.26 -. Exemplo de sistema elétrico trifásico com carga linear em triângulo desequilibrada: tensão e corrente na fase b. 70 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Figura 4.27 - Exemplo de sistema elétrico trifásico com carga linear em triângulo desequilibrada: tensão e corrente na fase c. O desfasamento entre a tensão e a corrente, depois da compensação da potência reativa, nas fases a, b e c encontram-se representados respetivamente na Figura 4.28, na Figura 4.29 e na Figura 4.30. Como era de esperar, o TSC compensa a potência reativa de modo individual nas três fases. É de salientar que o fator de potência na fase b foi compensado para 0,89 indutivo e na fase a e na fase c foi compensado para 0,99 indutivo. Figura 4.28 - Compensação da potência reativa no sistema elétrico trifásico desequilibrado em triângulo com carga linear: forma de onda da tensão e da corrente na fase a depois da compensação. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 71 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE Figura 4.29 - Compensação da potência reativa no sistema elétrico trifásico desequilibrado em triângulo com carga linear: forma de onda da tensão e da corrente na fase b depois da compensação. Figura 4.30 - Compensação da potência reativa no sistema elétrico trifásico desequilibrado em triângulo com carga linear: forma de onda da tensão e da corrente na fase c depois da compensação. 4.3.7. Thyristor Switched Capacitor vs Banco de Condensadores com Filtro Passivo Após apresentação dos TSC em diferentes situações do sistema elétrico, nesta secção, apresenta-se a simulação do banco de condensadores e dos filtros passivos. O objetivo desta simulação é analisar a resposta transitória do banco de condensares em ambiente com harmónicos e sem harmónicos, e comparar com a resposta do TSC. As cargas simuladas foram as seguintes: carga indutiva trifásica conectada em estrela e carga não linear trifásica conectada em estrela. A carga indutiva é constituída por uma resistência de 5,8 Ω em série com uma indutância de 32,25 mH. A carga não linear é um retificador trifásico com filtro capacitivo de 1 F e carga resistiva de 26,7 Ω. O filtro passivo LC está sintonizado para filtragem do 5º harmónico. O fator de potência da carga linear é de 0,52 indutivo, mas devido à carga não linear o Displacement Power factor no sistema elétrico é de 0,65, e a corrente na fase é de 22,18 A indutiva. O circuito simulado representa um sistema elétrico com um TSC, um banco de 72 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE condensadores, um filtro passivo e uma carga indutiva, como pode ser visualizado na Figura 4.31. Rede Eléctrica L C R L C1 C2 C3 TSC Carga indutiva Banco de condensador com Filtro Passivo Figura 4.31 - Modelo simulado do Thyristor Switched Capacitor em paralelo com bancos de condensadores e filtro passivo para compensação da potência reativa de uma carga indutiva e de uma carga não linear, em estrela. O desfasamento entre a tensão e a corrente, numa das fases, quando os bancos de condensadores se encontram desligados, pode ser visualizado na Figura 4.32 e na Figura 4.33 está representada a amplitude e frequência dos harmónicos de corrente, onde o 5º harmónico tem amplitude de 4,66 A. Figura 4.32 - Desfasamento entre a tensão e a corrente na fase a provocado por uma carga indutiva e um retificador trifásico com filtro capacitivo e carga resistiva, ambos conectados em estrela. Pode-se observar pela Figura 4.33 que o 3º harmónico é nulo e o 5º harmónico é o que apresenta maior amplitude dentre os harmónicos na corrente. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 73 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE Figura 4.33 - Amplitude e fase dos harmónicos de corrente que a carga não linear injeta no sistema elétrico. Após a simulação do sistema elétrico com os bancos de condensadores desligados, a seguir apresenta-se a compensação da potência reativa com o banco de condensadores sem filtros passivos. O desfasamento entre a tensão e a corrente numa das fases quando o banco de condensadores entra em funcionamento pode ser visualizado na Figura 4.34 Figura 4.34 - Compensação da potência reativa com banco de condensadores sem filtro passivo: tensão e corrente na fase. Como ilustrado na Figura 4.34 a tensão e a corrente na rede mantém-se em fase quando o banco de condensadores está ligado. Também se pode observar que a distorção da forma de onda da corrente tornou-se maior, após ter sido ligado o banco de condensadores. A seguir, apresentam-se as formas de onda da tensão e da corrente na rede depois da compensação da potência reativa e da filtragem do 5º harmónico, feita com base em bancos de condensadores e filtros passivos. Como pode-se observar na Figura 4.35 os harmónicos de corrente foram amplificados depois da compensação da potência reativa. Apesar da distorção harmónica na corrente ser elevada o fator de potência passou a ser unitário. 74 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Figura 4.35 - Compensação da potência reativa com banco de condensadores com filtro passivo, para filtragem do 5º harmónico: tensão e corrente na fase. Na Figura 4.36 encontram-se representadas as amplitudes e as frequências dos harmónicos na corrente depois da filtragem do 5º harmónico. Como pode ser visualizado a amplitude do 5º harmónico diminuiu. Figura 4.36 - Mitigação dos harmónicos de corrente com base em filtros passivo: amplitude e frequência da fundamental, 5º e 7º harmónicos. A entrada em funcionamento do banco de condensadores com filtros passivos provocou transitórios na corrente durante os dois primeiros períodos da rede e aumentou a distorção harmónica da mesma. Como já foi referido no Capítulo 2 e 3, os bancos de condensadores são suscetíveis a problemas de ressonância quando as instalações contêm harmónicos. As simulações do TSC nas mesmas condições de operação, com carga linear e carga não linear conectadas em estrela, apresentaram melhor resposta transitória. 4.4. Cargas de Teste para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Neste item apresentam-se as simulações das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia. O objetivo destas simulações é exibir os problemas Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 75 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE que estas cargas podem causar nas formas de onda da tensão e da corrente no sistema elétrico. As cargas simuladas são cargas lineares e cargas não lineares como: o TCR, o retificador monofásico não controlado com filtro capacitivo, o retificador monofásico controlado e o filtro passivo sintonizado para filtragem dos harmónicos de corrente. Os problemas de qualidade de energia que estas cargas provocam listam-se a seguir: O TCR provoca alteração do fator de potência para valores abaixo da unidade e também harmónicos de corrente quando comutado com ângulo de disparo superior a 90º ( ). O Retificador monofásico com filtro capacitivo e carga resistiva provoca harmónicos de corrente no sistema. O Retificador monofásico controlado e carga resistiva provocam harmónicos de corrente e notching na tensão do sistema. O Filtro passivo para filtragem de harmónicos de corrente amplifica os harmónicos de corrente no sistema. Na Figura 4.37 encontram-se representadas as cargas simuladas e o nome de alguns equipamentos capazes de mitigar os problemas que estas cargas injetam no sistema elétrico. Carga de Teste ajustável COMPENSADORES FAP FAS UPQC Produção de harmónicos de tensão e de corrente Produção de harmónicos de tensão e de corrente Produção de Notches Produção de Transitório Figura 4.37 - Exemplo de uma bancada de teste para estudo de problemas de qualidade de energia elétrica. Tipos de cargas utilizadas para provocarem distorções nas tensões e nas correntes. O cenário representado na Figura 4.37 é também cada vez mais frequente dentro das instalações elétricas que requerem um baixo nível de distorção harmónica na tensão e na corrente. Os equipamentos utilizados para mitigar os problemas de qualidade de energia são comummente conectados a montante das cargas elétricas, como representado na Figura 4.37. O retificador com filtro capacitivo absorve corrente com harmónicos e provoca harmónicos na tensão. Aproveitando estas caraterísticas, utilizou-se o retificador para gerar harmónicos de corrente que de forma indireta geram harmónicos de tensão. As amplitudes dos harmónicos de corrente podem ser ajustadas com base no valor do filtro 76 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE capacitivo ou da corrente absorvida pela carga resistiva. Na Figura 4.38 estão representadas a forma de onda da corrente e da tensão no lado CA do retificador monofásico com filtro capacitivo com carga resistiva. Figura 4.38 - Formas de ondas da corrente e da tensão no lado CA do retificador monofásico não controlado com filtro capacitivo. Parâmetros da simulação: R = 27 Ω; C = 1500 F; resistência de précarga de 502 Ω. As formas de onda da tensão e da corrente no lado CA do retificador trifásico com filtro capacitivo podem ser visualizadas na Figura 4.39 (a), na Figura 4.39 (b) pode ser visualizada a amplitude e a frequência dos harmónicos na corrente e na Figura 4.39 (c) a amplitude e a frequência dos harmónicos na tensão. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 77 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE Figura 4.39 - (a) Formas de onda da corrente e da tensão no lado CA do retificador trifásico não controlado com filtro capacitivo; (b) Amplitude e frequência dos harmónicos de corrente do lado CA; (c) Amplitude e frequência dos harmónicos de tensão do lado CA. Parâmetros da simulação R = 52 Ω e C = 1 F. O retificador a tirístores permite controlar a corrente absorvida pela carga através da variação do ângulo de comutação dos tirístores. Portanto, a carga de teste desenvolvida com base neste equipamento, permite variar a distorção harmónica da tensão e da corrente quando o sistema está a funcionar, de modo seguro, uma vez que 78 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE não é necessário desconectar o sistema para mudar a carga, com intuito de variar a corrente absorvida. Na Figura 4.40 (a) podem ser observadas as formas de onda da corrente e da tensão no lado CA do retificador monofásico controlado de onda completa com carga resistiva. A amplitude e frequência dos harmónicos de corrente no lado CA estão representadas na Figura 4.40 (b). O retificador controlado trifásico injeta harmónicos de corrente de ordem impar na corrente do lado CA, como representado na Figura 4.41 (b). Na Figura 4.41 (a) estão representadas as formas de onda da corrente e da tensão no lado CA. Figura 4.40 - (a) Tensão e corrente no lado CA do retificador controlado com carga resistiva; (b) amplitude e frequência dos harmónicos de corrente no lado CA. Parâmetros da simulação R = 52 Ω e ângulo de condução . Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 79 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE Figura 4.41 - (a) Tensão e corrente no lado CA do retificador trifásico controlado com carga LR; (b) Amplitudes e frequências dos harmónicos de corrente do lado CA. Parâmetros da simulação: R = 52 Ω;L = 0,1 mH; . Como referido no Capítulo 4, o Thyristor Controlled Reactor injecta harmónicos de corrente no sistema elétrico quando o ângulo de condução é superior a . Assim sendo, este equipamento, pode ser utilizado como uma fonte controlada de harmónicos de corrente por variação o ângulo de condução dos tirístores. A forma de onda da corrente que o TCR injeta no sistema elétrico para vários valores dos ângulos de condução encontram-se representadas na Figura 4.42: (a) forma de onda da corrente para ; (b) forma de onda da corrente para ; (c) forma de onda corrente para ; (d) forma de onda da corrente para . Na Figura 4.43 (a) está representada a amplitude dos harmónicos de corrente quando o ângulo de condução é igual a 90º, e na Figura 4.43 (b) está representada a amplitude dos harmónicos de corrente quando o ângulo de condução é igual a 150º. Como se pode observar para a corrente é sinusoidal. 80 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Figura 4.42 - Forma de onda da corrente injetada pelo Thyristor Controlled Reactor para diferentes valores do ângulo de disparo: (a) ; (b) ; (c) ; (d) . Parâmetros da simulação: L = 10 mH. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 81 Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudos de Problemas de QEE Figura 4.43 - Exemplo da amplitude e das frequência dos harmónicos de corrente que o TCR injeta na rede elétrica: (a) Harmónicos de corrente para . (b) harmónicos de corrente para . 4.5. Conclusões Neste Capítulo foram apresentadas as simulações do Thyristor Switched Capacitor e das cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica (QEE). As simulações começaram por apresentar a estratégia de comutação do Thyristor Switched Capacitor, no intuito de analisar a mitigação da corrente de inrush, sendo este um dos parâmetros importantes a mitigar. No que diz respeito à estratégia de controlo do TSC, foi possível simular todo o algoritmo de controlo através do bloco C. Constatou-se ao longo das simulações, que o sistema de controlo é relativamente simples e capaz de eliminar a corrente de inrush para valores que não degradam a qualidade de energia no sistema elétrico. Verificou-se também que a estratégia de comutação é praticável e pode ser implementada num microcontrolador de 8 bits. De modo geral, as simulações do TSC permitiram também compreender melhor o seu funcionamento para diferentes situações do sistema elétrico. Neste sentido, registou-se 82 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 4 – Simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE que a compensação da potência reativa com o TSC, quando a tensão e a corrente no sistema elétrico são sinusoidais, do ponto de vista do sistema elétrico o equipamento comporta-se como uma carga puramente linear, pois, o TSC apenas compensa o fator de potência para a componente fundamental. No que diz respeito às cargas elétricas para estudo de problemas de qualidade de energia, foram simuladas algumas cargas elétricas lineares e cargas não lineares, capazes de provocarem distorções nas formas de onda da tensão e da corrente. As cargas não lineares simuladas, são soluções de baixo custo, uma vez que os componentes que usam são relativamente mais económicos quando comparados com outros semicondutores de potência, além disso, são exequíveis e podem ser facilmente montadas em bancadas. Após a apresentação e discussão dos resultados de simulação, com intuito de comparar os resultados obtidos durante as simulações, com os resultados práticos, no Capítulo 5 será apresentado o circuito de hardware e o sistema de controlo do TSC desenvolvido no âmbito desta dissertação, no Laboratório de Eletrónica de Potência da Universidade do Minho, no Departamento de Eletrónica Industrial. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 83 CAPÍTULO 5 Implementação do Thyristor Switched Capacitor 5.1. Introdução Como resultado de um trabalho prático realizado no Laboratório de Eletrónica de Potência e Energia, do Departamento de Eletrónica da Universidade do Minho, no âmbito desta dissertação foi desenvolvido um Thyristor Switched Capacitor (TSC) capaz de compensar a potência reativa indutiva num sistema elétrico. O TSC desenvolvido é capaz de injetar uma corrente de 25 A, valor nominal RMS, desfasada de (adiantada) em relação à tensão no sistema elétrico. Será apresentado neste capítulo, de forma sumária, o hardware do TSC implementado: o Andar de Potência, o Sistema de Controlo, o Circuito de Condicionamento de Sinal, a Fonte de Alimentação Contínua e o Circuito de Descarga dos Condensadores. Alguns trabalhos intermédios que foram igualmente desenvolvidos ao longo desta dissertação, na sua componente prática, não serão apresentados de forma isolada, sendo que estão espelhados no resultado final. 5.2. Diagrama de Blocos do Thyristor Switched Capacitor O Andar de Potência do TSC é constituído por três módulos de pares de tirístores, conectados em antiparalelo, cada um em série com um ou mais condensadores, como já foi descrito no Capítulo 3 e no Capítulo 4. Na Figura 5.1 encontra-se representado um sistema elétrico com uma carga RL e com um TSC capaz de compensar a potência reativa do sistema. Em cada fase do sistema elétrico foi conectado um sensor de tensão e outro de corrente para medirem os respetivos valores. Com base nestas duas grandezas o sistema de controlo determina a potência reativa absorvida1 pela carga. O TSC também já foi apresentado no Capítulo 4, mas, neste item apresenta-se de forma mais detalhada, uma vez que estão representadas algumas das funcionalidades do sistema de controlo, como a deteção da passagem por zero da tensão, o bloco de cálculo do ângulo de comutação, o bloco de aquisição do sinal da tensão e da corrente, o bloco de comutação dos módulos, e o bloco de enable do circuito de descarga dos condensadores. O circuito de descarga dos condensadores é essencialmente constituído por uma resistência em série com um tirístor. Este circuito funciona como um interruptor 1 A potência reativa indutiva é geralmente denominada como potência absorvida e a potência reativa capacitiva é denominada como fornecida. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Eléctricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Eléctrica Nuno Miguel Figueira Manuel 85 Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor unidirecional que conecta o condensar aos terminais da resistência de descarga. va ia vb ib vc ic Carga Indutiva Neutro ADC SH A ADC SH B Ângulo de comutação a b c Detector de zero Circuito de enable enable descraga Sistema de Controlo C1 R1 Módulo fase a C2 R 2 Módulo fase b C 3 R 3 Módulo fase c Figura 5.1 - Diagrama de bloco do Thyristor Switched Capacitor com os sinais de controlo representados. 5.2.1. Constituição dos Módulos do Thyristor Switched Capacitor O semicondutor interruptor usado para desenvolver os módulos dos TSC foi o tirístor BT152 fabricado pela Philips Semiconductors, com capacidade de bloqueio de 800 V de tensão ânodo cátodo ( ) e corrente nominal de 20 A RMS. Na Figura 5.2 estão representados o pinout do tirístor e a curva característica da corrente em função da temperatura da junção, respetivamente. Figura 5.2 - (a) Pinout do tirístor usado na constituição dos módulos; (b) Gráfico da variação da corrente nominal em função da temperatura. Como pode ser observado na Figura 5.2 (b) o máximo valor RMS da corrente permitido mantém-se constante para temperaturas inferiores a 103 ºC e para valores superiores a 103 ºC a corrente começa a decrescer. Para garantir que a temperatura dos semicondutores permanece dentro dos valores recomendados os módulos foram 86 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor montados sobre um dissipador. A cada módulo do TSC está associado um circuito de comando que ativa ou desativa as gates dos tirístores, responsáveis pela comutação dos condensadores à rede elétrica. Com intuito de isolar o sistema de controlo e o andar de potência o circuito de interface entre os dois sistemas foi desenvolvido com base em optoacopladores rápidos. O optoacoplador usado foi o MOC3052 fabricado pela FAIRCHILD Semiconductor. Este optoacoplador é constituído internamente por um TRIAC e permite operar com tensões de 240 V RMS em regime permanente. Uma das vantagens que apresenta é a gama de rejeição interna do ruído, que garante que o ruído provocado durante as comutações das cargas indutivas e dos transitórios na rede elétrica não provoca comutações indesejadas [59]. Na Figura 5.3 (a) encontra-se representado o esquema elétrico do optoacoplador usado e na Figura 5.3 (b) a curva normalizada da corrente. Como ilustra o gráfico a corrente de normalização mantém-se constante para variações de tensão de até 1000 V/ . Dado que o circuito de comutação dos tirístores não faz parte do andar de potência este será apresentado posteriormente no item 5.2.2. Figura 5.3 - (a) Esquema elétrico do optoacoplador MOC3052; (b) Curva da corrente de gate normalizada [59]. Na Figura 5.4 pode-se observar o aspeto final de um dos módulos desenvolvidos. Para proteger os tirístores contra sobretensões foram conectados dois varístores de 350 V em paralelo entre o cátodo e o ânodo. O circuito de snubber2 é constituído essencialmente por uma resistência 100 Ω e um condensador poliéster de 100 nF. Os condensadores utilizados para produzir potência reativa são de polipropileno fabricados pela ECOFILL [60]. Estes condensadores apresentam uma gama de valores entre 1,5 F 2 Os circuitos snubber são circuitos auxiliares à comutação que têm como finalidade proteger os semicondutores, neste caso os tiristores, de elevadas taxas de variação da tensão (dv/dt) e da corrente. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 87 Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor e 70 F. Figura 5.4 - Aspeto final de um dos módulos de Thyristor Switched Capacitor desenvolvido. 5.3. Sistema de Controlo Neste item apresentam-se as partes que compõem o sistema de controlo desenvolvido. O sistema de controlo é desenvolvido no microcontrolador PIC32MXX512L fabricado pela Microchip, e apresenta as seguintes características: Unidade de Processamento Central (UPC) Processador de 32 bits de alta performance com arquitetura RISC. MIPS32 M4K núcleo de 32 bits com pipeline com 5 estágios. Frequência máxima de relógio de 80 MHz. Acesso a memória flash com 1.56 DMIPS/MHz sem tempos de espera. Multiplicações realizadas num único cíclico de operação e divisões com alta performance. Permite configurações no modo Kernel e modo user para sistemas embebidos robustos. Dois bancos de registos de 32 bits para reduzir o tempo da latência das interrupções. Módulo de memória cache para aumentar execução da memória flash. Caraterísticas do Microcontrolador Tensões de operação entre 2,6 V a 3,3 V. Dependendo do modelo a memória flash vária de 32KBytes a 512KBytes. Dependendo do modelo a memória SRAM varia de 8KBytes a 32KBytes. Múltiplos vetores de interrupção com diferentes níveis de prioridades. Caraterísticas dos Periféricos Analógicos do Microcontrolador Possui um circuito de ADC de 10 bits de resolução com taxa de amostragem de 500 ksampes/s e 16 canais de leitura multiplexados entre 88 dois circuitos de Sample and Hold. Dois comparadores analógicos. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor O circuito de condicionamento de sinal e o circuito de medições de tensões e correntes desenvolvidos são circuitos auxiliares do sistema de controlo, embora sejam apresentados em secções diferentes. Na Figura 5.5 encontra-se representado o diagrama de bloco do PIC32XXM521L. Figura 5.5- Representação do diagrama de bloco do PIC32MXX512L utilizado para desenvolver o Sistema de Controlo [61]. Na Figura 5.6 pode-se observar a placa de desenvolvimento do microcontrolador e o circuito impresso que permite a expansão dos portos e a adição de periféricos, também desenvolvidos pela Microchip. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 89 Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor Figura 5.6 - Placa de desenvolvimento da Microchip PIC32MXX512L, utilizada para desenvolver o Sistema de Controlo. 5.3.1. Software Utilizado para Programar o Microcontrolador Para o desenvolvimento do código em linguagem de programação C foi utilizado o software MPLAB versão 8.66, e o Compilador MPLAB C32, ambos desenvolvidos pela Microchip. Na Figura 5.7 encontra-se representado o ambiente de desenvolvimento do MPLAB onde foi escrito o código. O MPLAB é uma ferramenta de programação que permite fazer a depuração do código e analisar o estado das variáveis em tempo real. Figura 5.7 - Ambiente de desenvolvimento de código em linguagem C e em linguagem assembler do MPLAB versão 8.6. 5.3.2. Tarefas Executadas pelo Microcontrolador O microcontrolador faz amostragem dos sinais da tensão e da corrente a uma frequência superior à frequência da rede elétrica (50 Hz). Para eliminar o aliasing, 90 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor segundo o teorema de Nyquist, a frequência de amostragem deve ser no mínimo duas vezes maior que a frequência do sinal a medir, neste caso a frequência de amostragem selecionada é de 20 kHz e o período de amostragem é de 50 . Isto corresponde a 400 amostras num único cíclico da rede elétrica (20 ms). Com base nas amostras dos valores da tensão e da corrente, calcula-se a tensão RMS, a corrente RMS, a potência aparente, a potência ativa, a potência reativa e o fator de potência. A seguir listam-se as equações discretas utilizadas para calcular as grandezas elétricas anteriormente mencionadas: A equação (5.1) é utilizada para calcular o valor RMS da corrente. A equação (5.2) é utilizada para calcular o valor RMS da tensão. A equação (5.3) é utilizada para calcular a potência aparente. A equação (5.4) é utilizada para calcular a potência ativa. A equação (5.5) é utilizada para calcular a potência reativa. A equação (5.6) é utilizada para calcular o fator de potência. Nas equações (5.1), (5.2) e (5.4) a variável N corresponde ao número das amostras da tensão e da corrente retirada durante um período da rede. (5.1) (5.2) (5.3) (5.4) (5.5) (5.6) As rotinas implementadas no sistema de controlo encontram-se representadas de forma gráfica passo a passo na Figura 5.8, respetivamente. Também foram representados alguns dos periféricos utilizados, como o ADC, os canais de entrada das tensões e das correntes, e um dos pinos configurados para gerar uma interrupção externa, que tem como principal função detetar a passagem por zero da Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 91 Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor tensão. PIC32MXX512L 3 3 4 GATE ON S v a * ia ia N 0 ADC 2 i v a 0 ADC v N 2 ADC ADC v 2 v 1 SIM N 1 P 0 ADCv * ADCi N Q ADCv * ADCi ADCi * ADCv TSC_fase a TSC_fase b Q>50 NÃO N ADC v N ADC TSC_fase c GATE OFF ADC 1 5 ESTRATEGIA DE COMUTAÇÃO PORTD.BIT RD0==1 ADC SHA va vb vc ADC SHB i a ib ic Pinout va Figura 5.8 - Representação gráfica passo a passo das rotinas do software de controlo desenvolvido no PIC32MXX512L. 1 - Amostragem das tensões e das correntes. 2 - Filtragem. 3 - Cálculo das potências na rede elétrica. 4 - Implementação da lei de controlo ON/OFF. 5 - Deteção da passagem por zero e implementação da estratégia de comutação. A deteção da passagem por zero da tensão pode ser feita por software ou por hardware. Nesta dissertação foram implementadas as duas técnicas para detetar a passagem por zero da tensão. O fluxograma do algoritmo que deteta a passagem por zero da tensão por software pode ser visualizado na Figura 5.9. Na primeira leitura do ADC o resultado da conversão é armazenado numa variável temporária e multiplicado pelo resultado da segunda conversão. Caso o resultado seja negativo conclui-se que ocorreu uma passagem por zero com um atraso igual ao tempo da aquisição das amostras, neste caso igual a 50 s. 92 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor Inicio da rotina Declaração das variáveis de controlo Flag_test=0 p_zero=0 V_1=0 V_2=0 Configuração do ADC Não Flag_test=0 Sim Lê a tensão e armazena o valor lido na variável V_1 Incrementa o valor da variável Flag_test Lê a tensão e armazena o valor lido na variável V_2 P_zero= V_1*V_2 V_1=V_2 Não Sim p_zero<0 Passagem por zero detectada Fim Figura 5.9 - Fluxograma do algoritmo da deteção da passagem por zero da tensão implementado por software. 5.4. Circuito de Medição de Tensões e Correntes O circuito de medição das tensões e das correntes utilizado garante o isolamento galvânico entre a rede elétrica e o circuito de condicionamento de sinal. O mesmo é desenvolvido com base em sensores de efeito Hall. Os sensores de efeito Hall utilizados Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 93 Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor apresentam as suas saídas do lado do secundário em corrente. Estando por isso imunizados quanto ao ruído eletromagnético gerado. Para a medição da corrente foi usado o sensor LA 55-P fabricado pela LEM. Este sensor é alimentado em tensão contínua com valores compreendidos entre +15 V e -15 V, e é capaz de medir até 50 A RMS. Optou-se por este sensor pelo seguinte motivo: o valor da corrente máxima que é capaz de medir é superior ao valor da corrente que se pretende medir em cada fase do sistema elétrico, e além disso apresenta elevada linearidade, e erro em fim de escala de apenas . A relação de conversão do sensor de corrente é de 1:1000, pelo que, quando a corrente que circula no primário é igual a 50 A, a corrente no secundário é de 50 mA. Uma vez que a saída do sensor é em corrente, esta deve ser convertida em tensão quando se deseja medir o valor com um ADC. A conversão da corrente de saída em tensão é feita através da lei de Ohm. A resistência de leitura ( ) é dimensionada com base no valor da corrente que circula no secundário e do valor máximo da tensão que se deseja à entrada do ADC. Porém, o fabricante delimita o valor máximo e o mínimo da resistência de leitura em função da tensão de alimentação do sensor. É de salientar que à entrada deste sensor são comummente conectados condensadores cerâmicos para filtragem do sinal. Na Figura 5.10 pode-se visualizar a estrutura do sensor de corrente LA 55 - P e o seu respetivo esquema de ligação. + - LA 55 - P iS RM Figura 5.10 - Sensor de corrente de efeito Hall LA 55 – fotografia e respetivo esquema de ligação. Para a medição da tensão foi utilizado o sensor LV 20 – P, também fabricado pela LEM. O princípio de funcionamento deste sensor consiste na conversão da tensão à entrada do sensor em corrente, através de uma resistência ( ) conectada no lado do primário. A resistência do primário deve ser selecionada pelo utilizador de modo à corrente no primário não ultrapassar o valor nominal de 10 mA. Na ficha do fabricante encontram-se listados os valores recomendados para as resistências de medida em função da corrente no secundário. O cálculo da resistência de medida é semelhante ao cálculo da resistência de medida do sensor de corrente, sendo que a única diferença está na relação de transformação que neste caso é de 2500:1000 (ou seja 2,5:1). A Figura 5.11 exibe uma imagem da estrutura do sensor de tensão de efeito Hall LV 20 – P e do seu respetivo esquema de ligação. 94 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor R1 LV 20 - P R M Figura 5.11 - Sensor de tensão de efeito Hall e respetivo esquema de ligação. 5.5. Circuito de Condicionamento de Sinal Os circuitos de condicionamento de sinal são circuitos eletrónicos alimentados em corrente contínua. Estes circuitos ajustam os valores da tensão à entrada do microcontrolador, de modo a corresponderem com os valores exatos dos circuitos de driver e do próprio microcontrolador, respeitando os valores recomendados pelos fabricantes. Exemplos disso são os sinais à entrada do microcontrolador que devem ser ajustados para 3,3 V, valor nominal de funcionamento convencionado pelo fabricante. Uma vez que o ADC do microcontrolador PIC32MXX512L não é bipolar, adicionou-se um valor de offset à tensão e à corrente a saída dos sensores, com intuito de ajustar os sinais à entrada do circuito de Sample and Hold do ADC para valores compreendidos entre 0 V e 3,3 V. Estes valores correspondem aos valores máximo e mínimo admissíveis pelo microcontrolador. O circuito de offset, foi desenvolvido com base no amplificador operacional LM324N, e as resistências de ganho à entrada são selecionadas de modo a obter-se ganho unitário. Garantiu-se também que a tensão na entrada do circuito de Sample and Hold do ADC não ultrapassa o limite superior admissível, conectando-se um díodo zener em paralelo com a saída. Na Figura 5.12 pode-se observar que a tensão a saída do sensor e a tensão de offset são somadas através da entrada não inversora do LM324N. Legenda: - tensão a saída do sensor. - offset adicionado a tensão a saída do sensor. - tensão de entrada do circuito de ADC. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 95 Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor v1 100K V2 100K 100K LM324N vo 3.5V 100K 100K 100K Figura 5.12 - Circuito de offset implementado para garantir que os sinais de tensão e corrente a entrada do ADC variam entre o máximo e o mínimo admissível. O offset adicionado ao sinal, após a conversão do sinal analógico em digital é removido por software de modo a não introduzir erros nos cálculos. Na Figura 5.13 está representado o diagrama de blocos que apresenta a eliminação do offset por software e a filtragem do mesmo. Antes dos valores instantâneos serem armazenados num vetor de tamanho constante, é filtrado o ruído que o próprio ADC introduz, pelo fato de apresentar um erro de leitura de ½ do bit menos significativo. O filtro digital utiliza a média aritmética dos valores instantâneos da tensão ou da corrente para calcular o valor do ruído introduzido no sinal. Figura 5.13 - Representação do diagrama de blocos da eliminação do offset por software. Na Figura 5.14 encontram-se representadas as formas de onda da tensão antes e depois de adicionado o offset. A sinusóide vermelha representa a tensão à saída do sensor com valor médio nulo, e a sinusóide azul representa a tensão à entrada do ADC depois de ser adicionado o offset. 96 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor Figura 5.14 - Exemplo da forma de onda da tensão à saída do sensor e a entrada do circuito de ADC. O circuito que faz a deteção da passagem por zero da tensão, por hardware, é desenvolvido com base no comparador LM339N. Para garantir que este circuito não introduza offset na tensão, a impedância de entrada da porta inversora deve ser de 10 MΩ. Uma vez que o comparador LM339N é do tipo coletor aberto conectou-se à sua saída uma resistência de 10 kΩ. Na Figura 5.15 encontra-se representado o circuito de deteção da passagem por zero da tensão implementado por hardware. Figura 5.15 - Circuito detetor da passagem por zero da tensão implementado com o comparador LM339. A deteção da passagem por zero da tensão ocorre sempre que o sinal na entrada não inversora for menor ou igual a zero. Deste modo, obtém-se na saída uma onda quadrada com duty-cycle de 50 %. Na saída do circuito detetor de zero foi conectado um díodo zener para limitar a tensão em 3,3 V. Na Figura 5.16 podem ser observadas as formas de onda da tensão à saída do sensor, e a onda quadrada que representa os instantes em que a mesma passa por zero. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 97 Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor Figura 5.16 - Formas de onda da tensão à entrada e à saída do circuito detetor de zero. Com base nos resultados obtidos das duas montagens observou-se que a diferença entre as duas formas de deteção da passagem por zero, hardware e software, em termos de precisão da deteção é nula. Porém, a deteção da passagem por zero por software tem a vantagem de reduzir o hardware associado ao circuito de condicionamento de sinal. Assim sendo, optou-se por usar a deteção da passagem por zero da tensão por software. Na Figura 5.17 é possível observar o aspeto final do circuito de condicionamento de sinal. Este circuito foi desenvolvido para funcionar no máximo com três tensões e três correntes, e permite fazer a deteção da passagem por zero da tensão de uma das fases por hardware. Figura 5.17 - Circuitos de condicionamento de sinal desenvolvido para sistemas trifásicos com detetor de zero por hardware. Como já foi referido anteriormente, o circuito de condicionamento de sinal e o circuito de medição da tensão e da corrente são alimentados através de uma fonte de tensão contínua. A fonte de tensão contínua foi desenvolvida com base num transformador de 230 V para 12 V a 50 Hz e numa ponte retificador a díodos. Para filtragem das ondulações na tensão, após a retificação, foram conectados dois condensadores na saída do circuito retificador. Para garantir que a tensão à saída se 98 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor mantém entre os valores estipulados. Foram conectados dois reguladores de tensão LM7815, um para ajustar a tensão negativa e o outro para a tensão positiva. As caraterísticas do regulador de tensão LM7815 estão listadas a seguir: Tensão máxima de entrada 35 V; Corrente máxima de saída 1 A; Tensão de saída 15 V; Temperatura máxima da junção 150 ºC. Para proteger a fonte contra curto-circuitos conectou-se um fusível rápido de 3 A do lado AC. Como ilustrado na Figura 5.18 a fonte de alimentação contínua fornece duas tensões fixas de +15 V e -15 V. O aspeto final da fonte de tensão contínua pode ser visualizado na Figura 5.19. +15V 1 15,33 1400uF 230V/50Hz 1400uF -15V Figura 5.18 - Fonte de alimentação de corrente contínua para alimentação do circuito de condicionamento de sinal e do circuito de medições de tensões e correntes. Figura 5.19 - Aspeto final da fonte de tensão contínua utilizada para alimentar os circuitos de condicionamento de sinal. 5.6. Circuito de Comando O circuito de comando é responsável pelo ajuste do sinal de enable enviado pelo microcontrolador para ativar as gates dos tirístores. Para ativar as gate dos tirístores e isolar o sistema de controlo do andar de Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 99 Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor potência, foi desenvolvido um circuito de comando constituído pelo circuito integrado NE555 fabricado pelo Texas Instruments, e como já foi referido anteriormente, o circuito de comando e o andar de potência encontram-se isolados através de optoacopladores. O NE555 está configurado para gerar um delay capaz de aumentar a duração do pulso de gate. O tempo associado ao delay é ajustado com base no valor de uma resistência e de um condensador. Para ajustar a tensão a saída dos pinos do microcontrolador para 5V foi utilizado o circuito schmitt trigger CD40106B. Na Figura 5.20 encontra-se representado a configuração do circuito de comando para um dos módulos com as entradas e as saídas descriminadas. VD 8 4 PIC32MXX512L 2 R 5 5 5 7 6 3 1 5 C R Figura 5.20 - Circuito de comando com ajuste do tempo da duração do pulso. Uma vez que o tempo de duração do sinal de comando é gerido por hardware, isto permite maximizar o tempo de processamento, dado que não é necessário recorrer ao software para executar uma rotina de temporização. É possível ser observado na Figura 5.21 o diagrama de blocos do sistema de comando e a respetiva representação dos sinais de gate à saída do microcontrolador. Isolamento óptico PORTD Vcc1 3,3 V 5V RD1 RD2 RD3 Gate_A C D 4 0 1 0 6 B RD4 NE555 Gate_B Andar de Potência Delay Gate_C Gate_C GND MCU Figura 5.21 - Diagrama de blocos do sistema de comando e representação dos sinais de gates à saída do microcontrolador. 100 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 5 – Implementação do Thyristor Switched Capacitor Conclusão Neste capítulo, foi descrito o hardware e o sistema de controlo associado ao TSC implementado. Uma vez que neste capítulo apenas foram abordados aspetos relacionados à implementação, os resultados experimentais obtidos serão apresentados no próximo capítulo. Porém, é de salientar que, embora o TSC, do ponto de vista da sua estrutura eletrónica, aparente tratar-se de um equipamento não tão complexo, a parte de controlo que implementa a estratégia de comutação e o cálculo das potências na rede elétrica representou 70% do tempo útil dedicado ao projeto. As rotinas que realizam os cálculos do sistema de controlo foram escalonadas de modo a ocorrerem dentro do período de amostragem. Deste modo, garante-se uma precisão dos resultados com erro na ordem das décimas. Apesar da otimização do software não ser trivial, dado o número de variáveis de estado e rotinas do programa, a atualização dos valores das potências com base no algoritmo da janela deslizante mostrou-se ideal na redução dos tempos de execução dos cálculos. Os sensores de corrente e de tensão utilizados, fabricados pela LEM, apresentam elevada imunidade ao ruído e um circuito de ligação relativamente simples. De modo geral, se pode afirmar que a implementação do TSC realizada nesta dissertação não está restritamente associada a aplicações de Eletrónica de Potência, mas sim a aplicações de conhecimentos multidisciplinares adquiridos ao longo do curso, nomeadamente: Eletrónica de Potência, Sistemas Embebidos, Eletrónica Analógica, Instrumentação e Medidas, Controlo Automático e Processamento de Sinal. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 101 CAPÍTULO 6 Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica 6.1. Introdução Após apresentação e descrição do TSC (Thyristor Switched Capacitor) e das cargas elétricas para estudo de problemas de QEE (Qualidade de Energia Elétrica), no Capítulo 5, neste capítulo são apresentados os resultados experimentais obtidos. Como tal, apresentam-se os resultados experimentais do TSC a funcionar com três módulos de compensação, e as formas de onda da tensão e da corrente no lado AC das cargas elétricas para estudo de problemas de qualidade de energia elétrica. Na Figura 6.1 se pode visualizar a bancada de trabalho onde se desenvolveu o TSC e as três cargas indutivas necessárias para realização dos ensaios. Figura 6.1 - Bancada de trabalho e ambiente de desenvolvimento do TSC e das cargas RL utilizadas para realizar os ensaios. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Eléctricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Eléctrica Nuno Miguel Figueira Manuel 103 Capítulo 6 – Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE 6.2. Resultados Experimentais do TSC a Compensar a Potência Reativa Os resultados experimentais apresentados exibem a compensação da potência reativa com base no TSC. Essencialmente apresenta-se a tensão e a corrente na fase antes e depois da compensação. Os ensaios do TSC foram realizados com três cargas RL (carga A, carga B e carga C) constituídas por indutâncias e resistências, com as seguintes características: Carga A: constituída por uma resistência de 26,7 Ω em paralelo com uma indutância de 73 mH, que apresenta um fator de potência de 0,77. Carga B: constituída por uma resistência de 26,7 Ω em paralelo com uma indutância de 255 mH, que apresenta um fator de potência de 0,83. Carga C: constituída por uma resistência de 26,7 Ω em paralelo com uma indutância de 328 mH, que apresenta um fator de potência de 0,59. Na Figura 6.2 pode-se observar a estrutura das indutâncias utilizadas para formar as três cargas indutivas. Figura 6.2 - Indutâncias utilizadas para compor os três tipos de cargas RL utilizadas durante a fase dos ensaios. Foi utilizado o osciloscópio YOKOGAWA DL708E e o Monitorizador de Qualidade de Energia FLUKE 43B para se registarem as formas de onda da tensão e da corrente na rede, antes e depois de se compensar a potência reativa com o TSC. 6.3. Resultados Experimentais De modo a que a potência reativa injetada pelo módulo A compense o fator de potência da carga A, a do módulo B compense o fator de potência da carga de B e a potência reativa injetada pelo módulo C compense o fator de potência da carga C tevese de baixar a tensão de alimentação do sistema para 50 V a 50 Hz. Porém, com intuito de mostrar que o equipamento de compensação é capaz de funcionar com outras tensões se realizou um outro ensaio onde o TSC funciona com uma tensão de alimentado a 200 V. Os ensaios começaram com uma carga puramente resistiva conectada, e de forma gradual foi-se introduzindo cargas indutivas com intuito de provocar o desfasamento 104 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 6 – Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE entre a tensão e a corrente no sistema. 6.3.1. Carga Indutiva A Conectada ao Sistema Elétrico Na Figura 6.3 é possível visualizar o desfasamento entre a tensão e a corrente provocado pela carga A antes da compensação do fator de potência. Figura 6.3 - Desfasamento entre a tensão e a corrente no sistema elétrico provocado pela carga A. Na Figura 6.4 encontram-se representadas as formas de onda da tensão e da corrente em regime permanente, depois da compensação da potência reativa. É possível visualizar os harmónicos de corrente que surgem quando os condensadores são ligados à rede, devido aos harmónicos da tensão da rede elétrico. Também é possível observar que, apesar da distorção da forma de onda da corrente e da tensão, o fator de potência foi compensado para 0,98 indutivo. Figura 6.4 - Forma de onda da tensão e da corrente na rede quando estão conectadas a carga A e o TSC. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 105 Capítulo 6 – Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE 6.3.2. Carga Indutiva B Conectada ao Sistema Elétrico No segundo ensaio foi desconectada a carga A e conectada a carga B. O desfasamento entre a tensão e a corrente provocado pela carga B pode ser visualizado na Figura 6.5. Figura 6.5 - Desfasamento entre a tensão e a corrente no sistema elétrico provocado pela carga B. Como se verificou no primeiro ensaio, a ligação do TSC aumenta os harmónicos de corrente, que indiretamente aumentam a distorção harmónica da tensão. Apesar desta situação, o fator de potência neste caso foi compensado para 0,96 indutivo. A distorção harmónica da tensão e da corrente devido a conexão do TSC e da carga B podem ser observadas na Figura 6.6. Figura 6.6 - Forma de onda da tensão e da corrente na rede quando estão conectadas o TSC e a carga B. 106 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 6 – Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE 6.3.3. Carga Indutiva C Conectada ao Sistema Elétrico Antes de ser conectada a carga C desconectou-se a carga B do sistema elétrico. As formas de onda da tensão e da corrente depois da conexão desta carga encontram-se representadas na Figura 6.7. O único problema de QEE que esta provoca é o desfasamento entre a tensão e a corrente no sistema elétrico. Figura 6.7 - Desfasamento entre a tensão e a corrente no sistema elétrico provocado pela carga C. Para compensar o desfasamento entre a tensão e a corrente também foi conectado um dos módulos do TSC capaz de compensar o fator de potência para 0,90 indutivo. A comutação do TSC, embora tenha melhorado o fator de potência amplificou os harmónicos de corrente, que indiretamente provocaram um aumento da distorção harmónica da tensão. As formas de onda da tensão e da corrente depois da ligação do TSC encontram-se exibidas na Figura 6.8. Figura 6.8 - Forma de onda da tensão e da corrente na rede elétrica quando conectados o TSC e a carga C. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 107 Capítulo 6 – Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE 6.4. Ensaio do TSC com Tensão de Alimentado de 200 V Para realização deste ensaio foi utilizada uma carga RL constituída por uma resistência de 26,7 ῼ em série com uma indutância de 73 mH, esta carga apresenta um fator de potência de 0,75 indutivo. As formas de onda da tensão e da corrente no sistema elétrico antes de ser ligado o TSC podem ser observadas na Figura 6.9 (a) e quando conectado o TSC e a carga podem ser observas na Figura 6.9 (b). Apesar da distorção harmónica da corrente devido a ligação do TSC o fator de potência fica unitário. Figura 6.9 - Forma de onda da tensão e da corrente no sistema elétrico depois da compensação da potência reativa com o TSC alimentado a 200 V. 6.5. Resultados Experimentais das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Os resultados experimentais referentes aos problemas de QEE que as cargas não lineares desenvolvidas provocam apresentam-se em seguida. As formas de onda que são exibidas ilustram a distorção da forma de onda da tensão e da corrente antes e depois das cargas não lineares serem conectadas no sistema elétrico. Na Figura 6.10 (a) se pode visualizar a forma de onda da tensão no sistema elétrico quando a corrente é igual a zero. Figura 6.10 - (a) Forma de onda da tensão na fase quando a corrente é nula, (b) valor do THD e da amplitude dos harmónicos da tensão. 108 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 6 – Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE As formas de onda da tensão e da corrente no sistema, quando conectada uma carga não linear, constituída por um retificador monofásico de ponte completa com filtro capacitivo de 177,7 F e com carga resistiva de 100 ῼ podem ser visualizadas na Figura 6.11. Figura 6.11 - (a) Forma de onda da tensão quando conectado um retificador monofásico com filtro capacitivo e carga resistiva; (b) Forma de onda da corrente absorvida pelo retificador monofásico com filtro capacitivo e carga resistiva. Na Figura 6.12 estão representadas as formas de onda da tensão e da corrente em simultâneo. Como pode ser observado, é nos picos de corrente que a onda da tensão apresenta a maior distorção. Figura 6.12 - Forma de onda da tensão e da corrente no lado CA do retificador monofásico e ponte completa com filtro capacitivo e carga resistiva. O valor do THD e da amplitude dos harmónicos da tensão e da corrente depois de conectado o retificador encontram-se listados na Figura 6.13 (a) e Figura 6.13 (b), respetivamente. Como foi referido no Capítulo 2 devido aos harmónicos de corrente que o retificador absorve, o fator de potência deixa de ser unitário. Neste caso o fator de potência é de 0,68. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 109 Capítulo 6 – Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Figura 6.13 - Valor do THD e da amplitude dos harmónicos da tensão provocados por um retificador com filtro capacitivo. (b) Valor do THD e da amplitude dos harmónicos da corrente absorvida pelo retificador. Figura 6.14 - Valor da potência ativa, da potência aparente, da potência reativa, do fator e do ângulo de desfasamento entre a tensão e a corrente, associados ao retificador com filtro capacitivo. Após a apresentação dos resultados experimentais do retificador com filtro capacitivo e carga resistiva, apresentam-se os resultados experimentais do retificador monofásico e ponte completa e carga RL. A carga RL é constituída por uma indutância de 146 mH conectada em série com uma resistência de 100 Ω. Esta carga também absorve corrente com harmónicos e provoca distorção na tensão. Na Figura 6.15 (a) pode ser observada a forma de onda da corrente absorvida pelo retificador, e na Figura 6.15 (b) a forma de onda da tensão e da corrente no sistema. Figura 6.15 - (a) Forma de onda da corrente na entrada do retificador com carga RL. (b) Forma de onda da tensão e da corrente na entrada do retificador. 110 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 6 – Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE O valor do THD e da amplitude dos harmónicos da tensão, provocados pelo retificador, neste caso, podem ser visualizados na Figura 6.16 (a) e na Figura 6.16 (b) a THD e a amplitude dos harmónicos da corrente. Figura 6.16 - (a) Valor do THD e da amplitude dos harmónicos da tensão provocado por um retificador monofásico com carga RL; (b) Valor do THD e da amplitude dos harmónicos da corrente. Na Figura 6.17 encontram-se listados os valores das potências e do desfasamento entre a tensão e a corrente na rede depois de conectado o equipamento. Figura 6.17 - Valor da potência ativa, da potência aparente, da potência reativa, do fator de potência e do desfasamento entre a tensão e a corrente, associados ao retificador monofásico e carga RL. 6.6. Conclusão Neste capítulo foram apresentados os resultados experimentais do Thyristor Switched Capacitor a funcionar com três módulos de compensação, e três cargas RL conectadas ao sistema elétrico. As três cargas RL foram conectadas ao sistema elétrico de forma sequencial, com intuito de se observar a variação da distorção harmónica da corrente e da tensão em função do valor da corrente que o equipamento de compensação injeta para corrigir o fator de potência. Uma vez que as cargas de teste apresentavam valores diferentes de potência reativa, também foi possível mostrar a compensação do fator de potência para 0,90, 0,94 e 0,98 indutivos. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 111 Capítulo 6 – Resultados Experimentais do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de QEE Através das formas de onda da tensão e da corrente, antes e depois da compensação do fator de potência, foi possível registar que a compensação da potência reativa com o TSC, devido aos harmónicos na tensão, provoca harmónicos na corrente. Também como já foi referido no Capítulo 2, os harmónicos de corrente provocam harmónicos na tensão, neste sentido, a entrada em funcionamento do TSC além de produzir harmónicos na corrente, aumenta a distorção harmónica da tensão. 112 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel CAPÍTULO 7 Conclusões e Sugestões de Trabalho Futuro 7.1. Conclusões Nesta Dissertação, foi implementado e testado um Thyristor Switched Capacitor (TSC), assim como cargas elétricas para estudo de problemas de qualidade de energia. Estes equipamentos foram desenvolvidos com intuito de serem testados com um UPQC (Condicionador Unificado de Qualidade de Energia Elétrica), que está a ser desenvolvido no âmbito do doutoramento do Eng.º Gabriel Pinto, cujos trabalhos de implementação e desenvolvimento da UPQC estão a decorrer no Laboratório de Eletrónica de Potência e Energia da Universidade do Minho. O Thyristor Switched Capacitor apresenta algumas vantagens relativamente aos bancos de condensadores, com realce para a mitigação da corrente de inrush e do algoritmo de controlo que permite ajustar o fator de potência para uma gama de valores pré definidos de forma dinâmica. Quanto aos problemas de Qualidade de Energia Elétrica, estes equipamentos amplificam os harmónicos de corrente no sistema elétrico. No Capítulo 2, o estudo versou sobre os problemas de Qualidade de Energia Elétrica, e com base nas pesquisas, conclui-se que o aumento das cargas não lineares em ambientes resistências, de escritórios e industriais, tem sido uma das fontes dos problemas de qualidade de energia, comummente, dos harmónicos de corrente e de tensão. A norma europeia EN 50160-2007 e a recomendação do IEEE 519-1992 convencionam limites para a distorção harmónica da corrente e da tensão no ponto de acoplamento comum, que visam proteger todos os equipamentos conectados ao mesmo ponto. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) convenciona o valor do limite do fator de potência nas instalações de Média Tensão (MT), Alta Tensão (AT) e Muito Alta Tensão (MAT) em 0,93. Esta medida visa reduzir as perdas nos condutores e maximizar a capacidade de transmissão das linhas. É de salientar que a compensação do fator de potência para valores perto da unidade representa uma gestão adequada da potência contratada e melhora a estabilidade do sistema elétrico. No Capítulo 3 foram apresentados equipamentos comummente usados para compensação da potência reativa em sistemas elétricos de Média Tensão de Alta Tensão e de Muito Alta Tensão. Também apresentou-se um breve estado da arte do TSC com base nos equipamentos desenvolvidos pela Siemens, e a topologia do TSC implementado nesta dissertação. Quanto ao TSC implementado, versou-se sobre o seu sistema de controlo e o modelo dinâmico do equipamento, que foi descrito com base nas equações diferenciais da tensão e da corrente no condensador. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Eléctricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Eléctrica Nuno Miguel Figueira Manuel 113 Capítulo 7 – Conclusões e Sugestões de Trabalho Futuro A análise da estabilidade do sistema de equações do modelo matemático do TSC foi desenvolvida com base na aplicação do modelo em espaço de estados e na interpretação geométrica dos pólos do sistema no plano S. Através da análise dos valores próprios da matriz do sistema, que derivou do modelo em espaço de estados, e com base localização geométrica dos pólos no plano S, pode-se concluir que o TSC representa um sistema linear criticamente estável. No que diz respeito a estratégia de comutação dos tirístores, avaliou-se que os condensadores devem ser comutados aos 90 da tensão na rede. O algoritmo de controlo do TSC calcula a potência reativa no sistema, faz a combinação dos diferentes módulos de modo a potência reativa injetada ser capaz de compensar o fator de potência. Foi notório na bibliografia consultada que dentre os equipamentos para compensação da potência reativa versados, o Filtros Ativo paralelo e o STATCOM foram os mais referenciados. No Capítulo 4 foram apresentadas as simulações do TSC e das Cargas Elétricas para Estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica. As simulações do Thyristor Switched Capacitor também permitiram analisar a resposta dinâmica do sistema de controlo. As cargas para estudo de problemas de qualidade de energia simulada são cargas elétricas não lineares, como o retificador não controlado com filtro capacitivo e carga resistiva, o retificador controlado com carga resistiva e o TCR com ângulo de condução superior a 90 . A ferramenta de simulação PSIM versão 9.1 mostrou-se precisa e adequada, essencialmente o Bloco C, que permitiu desenvolver todo o sistema de controlo escrito em linguagem de programação C tornando possível integrar as duas partes Andar de Potência e Sistema de Controlo num único ficheiro de simulação. Os resultados obtidos durante as simulações foram vitais para se compreender alguns aspetos relevantes que surgiram na fase de estudo e análise do equipamento. No Capítulo 5 foram apresentadas as diversas partes do hardware associado ao Thyristor Switched Capacitor implementado nesta dissertação, nomeadamente, o andar de potência, o circuito de descarga dos condensadores, o sistema de controlo, o circuito de condicionamento de sinal e o circuito de medição de tensões e correntes. O sistema de controlo e de aquisição dos sinais foi todo desenvolvido no microcontrolador PIC32 da Microchip. No Capítulo 6 foram apresentados os resultados experimentais obtidos com o TSC a funcionar com três módulos, bem como as cargas elétricas para estudos de problemas de QEE. Dos resultados obtidos aquando dos testes realizados com o TSC a funcionar com três módulos monofásicos, pode-se concluir que o algoritmo de controlo desenvolvido é capaz de compensar a potência reativa para vários valores. Quanto às 114 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Capítulo 7 – Conclusões e Sugestões de Trabalho Futuro cargas elétricas testadas, estas provocaram as distorções harmónicas na tensão, do sistema como era esperado. 7.2. Trabalho Futuro No Capítulo 6 foram apresentados os resultados experimentais do Thyristor Switched Capacitor. Como se pode observar, o equipamento é capaz de compensar a potência reativa para diversos valores, combinando os vários módulos de condensadores estáticos. Porém, pode observar-se nos resultados experimentais obtidos, que a corrente no sistema elétrico depois da comutação dos condensadores apresenta maior distorção harmónica, isto porque os condensadores amplificam os harmónicos de corrente no sistema elétrico. Neste sentido, a compensação da potência reativa com base no TSC é uma ótima solução apenas quando a tensão no sistema é sinusoidal. Como tal, seria interessante realizar um trabalho cujo objetivo fosse conectar ao mesmo barramento do TSC um equipamento para compensação de harmónicos de tensão, nomeadamente um Filtro Ativo Série. Em relação ao sistema de controlo, apesar dos bons resultados experimentais obtidos, existem trabalhos que podem ser feitos para otimizar o algoritmo de controlo de modo a aumentar a gama de compensação e diminuir o tempo de resposta. Assim sendo, sugere-se que o sistema de controlo do TSC seja implementado em FPGA. Principalmente os cálculos realizados para determinar os valores das correntes, das tensões, das potências e o algoritmo de controlo que determinar a combinação dos módulos. Este trabalho futuro não só visa otimizar os cálculos, mas também apostar numa ferramenta da área de Sistemas Embebidos que é cada vez mais utilizada no desenvolvimento de sistemas de controlo para equipamentos de Eletrónica de Potência. No que diz respeito às cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica, é interessante desenvolver cargas que provoquem problemas de qualidade de energia na tensão do sistema como Swells, Flickers e Sags. No futuro poderá combinar-se um conjunto de cargas elétricas para estudo de problemas de Qualidade de Energia Elétrica, com intuito de constituir uma Bancada de Ensaios para Teste de Problemas de QEE. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 115 Referências [1] M.I. Marei, S. Member, E.F. El-saadany, and M.M.A. Salama, “A Novel Control Algorithm for the DG Interface to Mitigate Power Quality Problems,” Power, vol. 19, 2004, pp. 1384-1392. [2] A.L. Ara, “COMPARISON OF THE FACTS EQUIPMENT OPERATION IN TRANSMISSION AND DISTRIBUTION SYSTEMS,” Distribution, 2003, pp. 12-15. [3] K. Trar and T. Soe, “Design and Economics of Reactive Power Control in Distribution Substation,” Engineering and Technology, 2008, pp. 416-421. [4] F.D.E.E. Reactiva, Proposta de alteração das regras de facturação de energia reactiva, Lisboa: nº 18 413-A/2001, de 1 de Setembro, 2009. [5] R.K. Varma, “Introduction to FACTS Controllers,” Control, 2009, pp. 1-6. [6] R.C. Dugan, M.F. McGranaghan, S. Santoso, and H.W. Beaty, Electrical Power Systems Quality, New York: McGraw-Hill, 2002. [7] R.D. Henderson and P.J. Rose, “Harmonics : The Effects on Power Quality and Transformers,” Control, vol. 30, 1994, p. 5. [8] J.P.S. Paiva, Redes de Energia eléctrica, Lisboa: IST Press, 2005. [9] T. Wildi, Electrical Machines Drivers and Power Systems, New Jersey: Charles E. Stewart, Jr, 2002. [10] H.A. Toliyat, B.K. Bose, and L. Fellow, “Recent Advances and Applications of Power Electronics and Motor Drives,” Power, 2008, p. 3. [11] M.S. Witherden, R. Rayudu, and R. Rigo-mariani, “The Influence of Nonlinear Loads on the Power Quality of the New Zealand Low Voltage Electrical Power Distribution Network,” Computer, 2008, p. 6. [12] A.K.A.M.T. Thompson, “Power Quality in Electrical Systems,” vol. 1, 2007. [13] B.K. Bose, “Modern Power Electronics And Ac Drives [Bimal K. Bose].pdf,” 2002, p. 691. [14] R. Red, E.L.F.S. A, A.S. Kislsvski, and C.- Bern, “Telecom Power Supplies And Power Quality,” Power Quality, 1995, p. 9. [15] S. Ratanapanachote, H.J. Cha, and P.N. Enjeti, “A Digitally Controlled Switch Mode Power Supply Based on Matrix Converter,” Power, vol. 21, 2006, pp. 124130. [16] S. Santoso, W.M. Grady, S. Member, E.J. Powers, J. Lamoree, and S.C. Bhatt, “Characterization of Distribution Power Quality Events with Fourier and Wavelet Transforms,” Power, vol. 15, 2000, pp. 247-254. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Eléctricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Eléctrica Nuno Miguel Figueira Manuel 117 Referências [17] N. Mohan, Power Electronics and Drives, Minneapolis: MNPERE, 2003. [18] V. Grigore, “TOPOLOGICAL ISSUES IN SINGLE-PHASE,” Power, 2001. [19] T. Miller, D. Hanselman, T.M.J. M, and J. McDonald, eds., Power Electronic Control in Electrical Systems, London: Matthew Deans, 2002. [20] G.-joon Lee, S. Member, M.M. Albu, and G.T. Heydt, “A Power Quality Index Based on Equipment Sensitivity , Cost , and Network Vulnerability,” Power, vol. 19, 2004, pp. 1504-1510. [21] I. Std, I. Standards, C. Committee, P. Quality, and I.S. Board, “IEEE Recommended Practice for Monitoring Electric Power Quality,” Power Quality, 1995. [22] F. Mcgranaghan, D. R, and M.J. Samotyj, “Voltage Sags in Industrial Systems,” Journalism, vol. 29, 1993, p. 7. [23] L.H. Tey, P.L. So, and Y.C. Chu, “Improvement of Power Quality Using Adaptive Shunt Active Filter,” Power, vol. 20, 2005, pp. 1558-1568. [24] B. Singh, K. Al-haddad, and A. Chandra, “Power Quality Improvement,” October, vol. 46, 1999, pp. 960-971. [25] M. Mcgranaghan, R. Ferraro, A. Power, and B. Hunt, “Voltage Notching Interaction Caused by Large Adjustable Speed Drives on Distribution Systems,” Power, vol. 11, 1996, pp. 1444-1453. [26] EDP, Manual de Boas Práticas na Utilização da Energia, Lisboa: 2006. [27] S.F. Abril, “COMPENSAÇÃO DO FACTOR DE POTÊNCIA,” 2006. [28] J. Willian H. Hayt and J.E. Kemmerly, Steven M. Durbin, Engineering Circuit Analysis, Elizabeth A.Jones, 2002. [29] P.S. Applications, P. Semiconductors, and T. Applications, “Power Control with Thyristors and Triacs,” Control. [30] S.B. Dewan and S. Member, “Optimum Input and Output Filters for Single-Phase Rectifier Power Supply,” vol. I, 1981, pp. 0093-0094. [31] J.-G. Boudrias and J. Bannard, “Power Factor Correction And Energgy Savings,” 2004, p. 47. [32] S.L. Muller, with J.V.R. Nunes and R.A.M. Braga, F.B.Líbano, “A Linear Displacement Power Factor Compensator,” 2004, p. 6. [33] R. De and O. De, “Eletrônica de potência,” SOBRAEP, vol. 7, 2002, p. 82. [34] L. Encarnação, J.F. Silva, S. Member, and V. Soares, “Reactive Power Compensation using Sliding-Mode Controlled Three-Phase Multilevel Converters,” Converter, 2004, pp. 1-7. 118 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel Referências [35] I.S. M, “IEEE Recommended Practices and Requirements for Harmonic Control in Electrical Power Systems IEEE Recommended Practices and,” America, 1992. [36] J.D. Irwin, POWER ELECTRONICS HANDBOOK, Florida: Academic Press Series in Engineering, 2001. [37] P. Quality and A. Guide, “Voltage Disturbances,” Power Quality. [38] S. Mendes, “Norma Internacional EN 50160:2007,” Norma Internacional de Qualidade de Energia, disponível online em 16 de Maio de 2011http://mieec.sergiomendes.pt/. [39] A.C. Parsons, S. Member, W.M. Grady, S. Member, E.J. Powers, and J.C. Soward, “A Direction Finder for Power Quality Disturbances Based Upon Disturbance Power and Energy,” Power, vol. 15, 2000, pp. 1081-1086. [40] R.M. Marhur and R.K. Varma, THYRISTOR-BASED FACTS CONTROLLERS FOR ELECTRICAL TRANSMISSION SYSTEMS, Toronto: John Wiley Sons, 2002. [41] M.A. Hirofumi Akagi, Edson Hirokazu Watanabe, INSTANTANEOUS POWER THEORY AND APPLICATIONS TO POWER CONDITIONING, New Jersey: John Wiley, 2007. [42] R.L. Pregitzer, T.N. Sousa, J.S. Martins, and J.L. Afonso, “Interface entre Fontes de Energia Renovável e a Rede Eléctrica,” Interface, 2005, p. 5. [43] J.L. Afonso, M.J.S. Freitas, and J.S. Martins, “p-q Theory Power Components Calculations,” Industrial Electronics, 2003, pp. 9-11. [44] D.B. Kulkarni, S. Member, and G.R. Udupi, “Optimum Switching of TSC-TCR Using GA Trained ANN for Minimum Harmonic Injection,” Control, 2009, pp. 527-532. [45] Siemens, “FACTS – Flexible AC Transmission Systems,” Siemens, 2010, p. 20. [46] T.Y. Ayetu GELEN, “THE BEHAVIOR THYRISTOR SWITCHED CAPACITOR (TSC) INSTALLED IN INFINITE BUS SYSTEM,” vol. 7, 2009, pp. 7-10. [47] N. Garcia and M. Aurelio, “FAST PERIODIC STEADY STATE SOLUTION OF SYSTEMS CONTAINING THYRISTOR SWITCHED CAPACITORS,” Order A Journal On The Theory Of Ordered Sets And Its Applications, vol. 00, 2000, p. 6. [48] Katsuhiko Ogata, Modern Control Engineering, New York: Tom Robbins, 1997. [49] I. Lourtie, Sianis e Sistemas, Lisboa: Fernando da Silva Miguel, 2002. [50] S. Torseng, “Shunt-connected reactors and capacitors,” System, 1981, p. 8. [51] ABB, “CONTROL OF HARMONICS IN ELECTRICAL,” Control, 2006, p. 221. Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel 119 Referências [52] I. Zamora, A.J.M.P. Eguia, I. Albizu, K.J. Sagastabeitia, and E. Fernández, “Simulation by MATLAB / Simulink of active filters for reducing THD created by industrial systems,” System, 2003, p. 8. [53] C.E.D. Lavers, P.W. Lehn, I. Task, F. Members, M.R. Iravani, D. Durbak, D. Fletcher, P. Wilson, R. Wachal, K. Sen, J. Martinez, B. Johnson, H. Tyll, B. Feero, A. Sannino, G. Sybille, and A. Keri, “A Benchmark System for Digital Time-Domain Simulation of an Active Power Filter,” Power, vol. 20, 2005, pp. 234-241. [54] E.F. Couto, J.S. Martins, and J.L. Afonso, “Resultados de Simulações de um Filtro Activo Paralelo com Controlo baseado na Teoria p-q,” System, 2003, pp. 35. [55] S.B. Rewatkar, Y.C.C.E. Nagpur, and S.G. Kewte, “Role of Power Electronics based FACTS Controller SVC for mitigation of Power Quality Problems,” October, 2009, pp. 731-735. [56] Z. Chen, S. Member, E. Spooner, and S. Member, “Grid Power Quality with Variable Speed Wind Turbines,” Energy, vol. 16, 2001, pp. 148-154. [57] “Design of Sample-and-Hold Amplifiers for High-speed Low-Voltage,” Techniques, 1997, pp. 59-66. [58] M. Patil and A.J. Sheu, “Measurement and Analysis of Charge Injection in MOS Analog Switches,” 1987, pp. 277-281. [59] F. SEMICONDUTOR, 6-Pin DIP Random-Phase Optoisolators Triac Drivers MOC3051, 2000. [60] I.U.N.I. En, “Tecchnology looking ahead,” Innovation, vol. 29001, 2004, p. 12. [61] L.D. Jasio, Programming 32-bit Microcontrollers in C, ELSERVIER, 2008. 120 Desenvolvimento de TSC e de Cargas Elétricas para Estudo de Problemas de Qualidade de Energia Elétrica Nuno Miguel Figueira Manuel