20, 21 e 22 de junho de 2013
ISSN 1984-9354
A INFLUÊNCIA DA FALTA DE
ESTOQUE NOS CUSTOS DE
MANUTENÇÃO NA GESTÃO DE FROTA
- O CASO DE UMA EMPRESA DE
TRANSPORTE DE PASSAGEIROS DO
CEARÁ
MÁRIO CÉSAR DA SILVA
(Centro Universitário Estácio FIC)
ROSÊNGELA VENÃNCIO NUNES
(Centro Universitário Estácio FIC)
CHARLES WASHINGTON COSTA DE ASSIS
(FATE)
RITA DE CÁSSIA FONSECA
(UNICENTRO)
Resumo
A fase atual da economia mundial, assim como a alta competitividade
vivida pelo mercado contemporâneo, tem gerado nas empresas a
necessidade de buscar cada vez mais atuar de forma eficiente e eficaz.
Com as empresas de transporte coletivo dde passageiros, que na sua
grande maioria tem sua renda influenciada pelo governo, não é
diferente; a busca pela economia de recursos é uma realidade
corriqueira. Por este motivo, o papel da administração de estoques
junto a uma boa atuação do setor de manutenção é crucial no
resultado final da empresa. Assim, este artigo possui por objetivo geral
discutir a influência da falta de estoque de peças nos custos de
manutenção na gestão de frota da empresa. Referente aos aspectos
metodológicos aplicados na realização da pesquisa, utilizou-se tanto
do método científico dedutivo quanto do indutivo, assim como de
pesquisa bibliográfica e estudo de caso. Diante dos resultados
apresentados no decorrer do artigo, ficou comprovado que a falta de
peças no estoque gera altos custos não só ao setor de manutenção, mas
também a toda empresa, tais como a perda de passageiros nos dias em
que o veículo ficar parado e também a perda no tocante à imagem e
credibilidade da empresa junto aos clientes e governo. Por estes
motivos, torna-se relevante a possibilidade de se manter um estoque
mínimo também para peças com pouca movimentação, mas com
considerável importância dentro dos processos de manutenção dos
veículos.
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
Palavras-chaves: estoque, gestão, manutenção e custos.
4
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
1 INTRODUÇÃO
As constantes mudanças que vêm ocorrendo no mundo dos negócios exigem uma
visão estratégica para que as empresas enfrentem os desafios diários, buscando, cada vez
mais, competências e habilidades para sua gestão em diferentes áreas.
Neste contexto de transformações, uma boa gestão está ligada a estratégias
competitivas, cuja finalidade é agregar valor ao negócio da empresa, fazendo com que ela se
posicione no mercado em que atua e ainda se destaque na concorrência.
Ao considerar que gerenciar um estoque é administrar de forma inteligente os
materiais, sejam eles matérias-primas ou produtos acabados, este processo é bastante
complexo na realidade empresarial, pois envolve da análise da necessidade de aquisição,
aquisição propriamente dita, armazenagem e movimentação, à entrega destes materiais aos
clientes.
A gestão de estoque é importante na gestão empresarial, principalmente porque
interfere no resultado financeiro independentemente do segmento, tamanho ou porte da
empresa. Essa interferência pode acontecer de duas formas: positiva ou negativa. Positiva, se
a organização estiver administrando de forma eficiente e eficaz seus estoques, fazendo com
que as aquisições atendam à demanda, sem que haja sobras e, de maneira negativa, se a
empresa gerar estoque sem se preocupar com o consumo ou deixando de comprar,
ocasionando falta de material para atender à demanda interna ou aos clientes externos.
Na prestação de serviços, o estoque também tem fundamental importância, mesmo
não transparecendo para o cliente essa importância, pois é fazendo uso desse estoque que as
empresas conseguem atender de forma adequada seus clientes.
Manter altos níveis de estoque, com o objetivo de atender a demanda, sem que
ocorram problemas por falta de material, pode gerar alguns indesejáveis problemas para a
organização, dentre eles os altos custos de manutenção de estoque, as perdas de materiais por
obsolescência, o alto valor financeiro investido em itens que possuem pouca ou nenhuma
movimentação e as perdas por falhas de inventário ou por apropriação indevida por parte de
funcionários mal-intencionados.
5
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
Na busca da melhor forma de gerir o estoque é que o gestor passa a ter a necessidade
de fazer uso de métodos, empíricos ou estatísticos, de previsão de demanda, que irão lhe
auxiliar na tomada de decisão no tocante à quantidade de material que será necessário para
suprir as demandas da empresa durante um determinado período de tempo, sem que haja falta,
ou sobra de material em excesso.
Segundo Ballou (2006), o planejamento e o controle das atividades da cadeia de
suprimentos dependem de estimativas acuradas dos volumes de produtos e serviços a serem
processados pela cadeia de suprimentos.
Obter informações precisas sobre os volumes de produtos e serviços de uma empresa
não é uma tarefa das mais fáceis, principalmente pela volatilidade do mercado
contemporâneo. Como exemplos tem-se as empresas de ônibus de Ceará; existem hoje na
capital cearense, segundo informações publicadas por Pinheiro (2011), 22 empresas de ônibus
operando e cada uma delas busca manter da melhor forma possível a sua frota em perfeito
funcionamento, utilizando-se das manutenções corretivas e preventivas de forma coordenada
e mantendo um estoque pronto para atender as necessidades do setor de manutenção.
Para não comprometer o nível do serviço é que as empresas deste segmento possuem
gastos expressivos em manutenção, preventiva e corretiva da frota, sendo que para tal não há
como abdicar de se manter um estoque de peças que possa dar suporte ao setor de
manutenção.
Atualmente é um desafio para estas empresas ter uma boa manutenção, sem que
hajam informações acuradas e atualizadas sobre os equipamentos, histórico de ocorrências e
controle de estoque (CAMPOS & BELHOT, 1994). Essas informações são imprescindíveis
no auxilio à tomada de decisão, tanto no tocante da manutenção dos veículos quanto à
necessidade de aquisição de novas peças de reposição.
Diante da contextualização apresentada, esse artigo direciona-se a responder a
seguinte indagação: qual a influência que a falta de estoque pode causar nos custos de
manutenção na gestão de frotas de uma empresa de transporte de passageiros do Ceará?
O presente artigo tem por objetivo geral discutir a influência da falta de estoque de
peças nos custos de manutenção na gestão de frota de uma empresa de transporte urbano e
metropolitano de passageiros de Ceará.
Do objetivo geral exposto têm-se os seguintes objetivos específicos: conceituar
manutenção e identificar os tipos manutenção aplicados ao transporte de passageiros: definir
estoques e apresentar os tipos de estoques; realizar um estudo de caso identificando a
6
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
influência da falta de estoque nos custos de manutenção na gestão de frota de uma empresa de
transporte de passageiros do Ceará.
O presente artigo parte da premissa de que ao desenvolver atividades no segmento de
transporte de passageiros para que haja uma gestão de frota capaz de oferecer os serviços
adequados de forma eficiente e eficaz, a forma de administrar os estoques exerce uma forte
influência da eficiência e eficácia dos resultados da empresa.
Justifica-se a realização desse estudo pelo fato de que manter uma frota de veículos
gera um custo elevado, principalmente quando se trata de manutenção, tendo em vista que
para se manter uma frota operando nas mais perfeitas condições é necessário se investir altos
valores em tecnologia, peças de reposição e mão de obra.
Quando uma determinada empresa se propõe a adquirir um veículo, surge a
preocupação em administrar racionalmente este bem, até mesmo por se tratar de um bem de
alto valor agregado.
A escolha pelo tema surgiu a partir da percepção de que o assunto gestão de estoque
relacionado aos custos de manutenção de uma empresa de transporte de passageiros é muito
relevante, tornando-se até mesmo crucial no resultado final da empresa, tendo em vista a
grande competitividade do mercado e a busca, por parte do governo, pela redução do valor
das passagens. No momento em que há grande competitividade em serviços que são
contratados pelo governo, é de grande relevância ter gerenciamento e redução de custos para
que assim possa oferecer o serviço a um preço menor e ter resultados econômicos (lucro) para
remunerar o capital investido pelos proprietários.
No tocante aos aspectos metodológicos aplicados na realização da pesquisa, utilizouse tanto do método científico dedutivo quanto do indutivo, assim como de pesquisa
bibliográfica sobre custos e tipos de manutenção e estocagem. Realizou-se também uma
pesquisa qualitativa com a realização de estudo de caso em uma empresa prestadora de
serviços de transporte de passageiros.
O presente artigo encontra-se estruturado em três etapas: (I) Considerações gerais
sobre manutenção, passando pelos tipos de manutenção; (II) Estudo de caso de uma empresa
de transporte de passageiros do Estado do Ceará; (III) Análise de resultados e conclusão.
2 CONSIDERAÇÕES SOBRE MANUTENÇÃO
7
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
A manutenção exerce um papel fundamental dentro de uma empresa, tendo em vista
que é objetivo da empresa evitar acidentes e ter o mínimo de custo possível na manutenção
dos seus equipamentos, sejam eles veículos ou máquinas.
Desta forma a manutenção não pode se limitar a apenas corrigir problemas
cotidianos, mas deve perseguir sempre a melhoria constante, tendo como norte o
aproveitamento máximo dos instrumentos de produção, aliado ao zero defeito
(VIANA, 2002, p.5).
Quando se consegue planejar bem o que será necessário para se ter um maquinário
funcionando em perfeito estado, pode-se manter um estoque bem enxuto, sem excessos.
Por último e não menos importante, a manutenção preditiva, que consiste em tentar
predizer a proximidade da ocorrência de falhas no maquinário através do acompanhamento,
por monitoramento, de medições e/ou controles estatísticos; seu objetivo é determinar o
tempo correto em que será necessária uma intervenção por parte do pessoal de manutenção.
O plano de manutenção deve estar em conformidade com a estratégia de controles
de recursos adotada pela empresa, uma vez que o custo de manutenção influencia
sensivelmente as estruturas organizacionais e administrativas vigentes (CAMPOS &
BELHOT, 1994, p.173).
Para Campos (1994) apud Harris (1980) diversas são as políticas de manutenção que
podem ser aplicadas a uma empresa, quer isoladamente, quer combinadas, deste modo
definindo a constituição do plano de manutenção:
I. Manutenção a intervalos pré-fixados, em que pode ocorrer substituição individual ou em
grupo de componentes;
II. Manutenção baseada na condição do parâmetro, sendo assumida contínua ou
periodicamente;
III. Manutenção corretiva por reparo local ou por substituição de componente. É o
procedimento de "operação até falhar”;
IV. Manutenção de oportunidade, usada normalmente quando o componente é complexo e
demanda um tempo longo de manutenção e
V. Modificações de projeto.
Por meio do exposto, observa-se que a manutenção é um dos setores mais
importantes de uma empresa, pois através de uma manutenção bem feita as empresas
conseguem adquirir melhores condições de buscar melhorar sua competitividade junto ao
mercado.
8
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
As políticas de manutenção são formas de detalhar, de definir os tipos de
manutenção, corretiva, preventiva e preditiva, identificando o momento em que cada uma
delas é posta em prática. Assim, é oportuno discutir o detalhamento dos principais tipos de
manutenção.
2.1 Tipos de manutenção
De acordo com Alves (2008), a manutenção se divide em três tipos: a corretiva, a
preventiva e a preditiva.
2.1.1 Manutenção corretiva
Segundo Alves (2008), a manutenção corretiva é aquela executada após a ocorrência
da falha, ou da queda do desempenho do equipamento e para que esta queda de desempenho
possa ser considerada falha, depende das diretrizes de cada empresa. Para que a manutenção
corretiva seja viável, o custo de perda de produção, mais o custo da corretiva deverão ser
menores que o custo de perda da produção pela manutenção preventiva. O quadro 1 evidencia
os tipos de manutenção corretiva.
Manutenção corretiva planejada
Manutenção corretiva não planejada
- Há necessidade de planejar os serviços para a parada do
equipamento, quando os serviços a serem executados forem
- A manutenção corretiva não planejada tem
complexos;
altos custos, devido a altas perdas de produção;
- Há necessidade de recursos humanos especializados e os
mesmos não estão disponíveis de forma imediata;
- Há necessidade de peças sobressalentes, equipamentos e
ferramental específicos;
- A falha não apresenta riscos de acidentes;
- As falhas podem gerar sequelas em outros
equipamentos e/ou componentes,
principalmente em plantas de processo
contínuo.
- É necessário compatibilizar os interesses do setor
operacional da empresa com o setor de manutenção.
Quadro 1 – Tipos de manutenção corretiva
Fonte: Adaptado (ALVES, 2008).
O quadro 1 mostra que a manutenção corretiva é dividida em dois tipos, a
manutenção corretiva planejada, onde o serviço pode ser planejado de acordo com a
9
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
complexidade do serviço a ser executado e a manutenção corretiva não planejada, onde não há
como planejar a execução do serviço e que por conta disso a perda na produção é inevitável.
Corrigir falhas é sempre muito difícil, principalmente pelo que pode estar envolvido,
em alguns casos, quando se há a necessidade da manutenção corretiva, se há a possibilidade
de se haver perdas irreparáveis, como nos casos em que há acidentes com vítimas fatais.
Na manutenção preventiva, tenta-se exatamente evitar a falha durante a operação do
equipamento, minimizando-se os riscos de acidentes.
Conclui-se que a manutenção corretiva é efetuada quando ocorre uma pane, pois seu
objetivo é atacar os problemas e dar ao maquinário condições de voltar a sua operação
normal.
Quando se faz necessária uma intervenção corretiva, é comum se deixar o gestor de
estoque em situação difícil, tendo em vista que o que deverá ser mantido em estoque é apenas
aquilo que tenha uma considerável rotatividade.
2.1.2 Manutenção preditiva
Conforme Alves (2008), a manutenção preditiva é predizer as condições sem
desmontar o equipamento. É aquela executada no limite da vida útil do componente, pois as
condições de operação são monitoradas com frequência cada vez crescente. Sua prática
aumenta consideravelmente a vida dos componentes, pois detecta problemas de simples
solução que só seriam percebidos mais tarde, ou seja, em estado crítico. A manutenção
preditiva se justifica nos casos em que os custos de uma manutenção preventiva são muito
altos, compensando os custos de monitoramento.
2.1.3 Manutenção preventiva
Para Alves (2008), a manutenção preventiva é aquela manutenção executada antes da
ocorrência da falha, normalmente feita por períodos de tempo, lotes de produção ou
quilometragem, ou seja, depende da forma com que o equipamento é utilizado. Permite que o
mesmo volte a operar satisfatoriamente, cumprindo suas funções. A manutenção preventiva
apresenta vantagens e desvantagens detalhadas no quadro 2.
Apesar de apresentar pontos negativos ou desvantagens consideráveis conforme
vistas no quadro 2, tais como as possíveis sequelas deixadas quando se faz a desmontagem de
10
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
peças até então em bom estado e a perda com relação a não utilização inadequada da vida útil
das peças, pois corre-se o risco de se errar na frequência adequada de substituição das peças e
terminar por se trocar peças em bom estado e que ainda teriam condições de serem utilizadas
por mais tempo.
A manutenção preventiva é imprescindível, principalmente por proporcionar, à
empresa, maior segurança quanto às condições operacionais do equipamento.
Quando a manutenção preventiva é posta em prática com o auxílio da manutenção
preditiva, a eficácia da manutenção preventiva aumenta consideravelmente.
Vantagens
Desvantagens
- Quando se desmonta equipamentos de qualquer tipo, para
verificação do estado de seus componentes, corre-se o risco
de se deixar sequelas em componentes até então perfeitos e
- Aumenta a disponibilidade dos equipamentos.
vir a gerar falhas futuras, sem falar nas possibilidades de
falhas humanas no momento da remontagem destes
equipamentos.
- A manutenção preventiva só será eficaz se a relação entre a
frequência de troca estiver compatível com a probabilidade
- Reduz as interrupções e paralisações por de ocorrência da falha. Por isso, existem empresas que
motivo de quebra do equipamento.
possuem manutenção preventiva, mas as falhas não se
reduzem, sendo necessário fazer o ajuste na frequência das
atividades.
- Evita que as ocorrências de falhas
prejudiquem os cronogramas de produção.
- Estas frequências devem ser baseadas no plano de
manutenção do fabricante do equipamento, nas condições de
- É muito usada em manutenção de aviões, operação, no ambiente onde irá operar e principalmente na
elevadores, teleféricos, áreas onde o custo de experiência do pessoal de do setor de manutenção.
manutenção é menor do que os custos gerados
por acidentes e em sistemas de produção
contínua.
Quadro 2 – Vantagens e desvantagens da manutenção preventiva
Fonte: adaptado (ALVES, 2008).
11
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
Assim pode-se concluir que a manutenção preventiva nada mais é do que todo e
qualquer serviço executado em máquinas que estão sem defeito, isto é, em condições
adequadas de funcionamento.
3 CONSIDERAÇÕES SOBRE GESTÃO DE ESTOQUE
A gestão de estoque, dependendo do ramo de negócio ao qual a empresa está
inserida, é uma tarefa muito complexa e necessita de um acompanhamento rigoroso por parte
do gestor, tendo em vista os impactos significativos que podem gerar na qualidade dos
serviços prestados aos clientes, assim como nos custos totais da organização.
De acordo com Harland et al (1997) apud Ching (2008), o conceito de gestão de
estoque teve origem na função de compras em empresas que compreenderam a importância de
integrar o fluxo de materiais a suas funções de suporte, tanto por meio do negócio, como por
intermédio do fornecimento aos clientes diretos. A essas funções de suporte estão inclusas a
função de compras, de acompanhamento, de gestão de armazenagem, planejamento e controle
de produção e gestão de distribuição física dos materiais. Sob estes aspectos tornasse claro
entender que o conceito de gestão de estoque saiu do âmbito local e passou a ser global, pois
engloba desde a aquisição da matéria-prima, passando pela produção, até a distribuição ou
entrega ao cliente final.
Uma da muitas razões porque muitas empresas mantêm estoques elevados, aos
padrões modernos, é que essa atitude permite à firma comprar lotes econômicos, que é a visão
ultrapassada da produtividade (POZO, 2007).
Com o passar dos anos, a gestão de estoque deixou de ter o simples objetivo de não
deixar faltar material, para que a produção não parasse ou o cliente saísse da loja sem efetuar
a compra, para se tornar algo bem mais complexo; essa complexidade se deu a partir do
momento que em que as organizações perceberam a necessidade de reduzir os níveis de
estoques e assim reduzir os custos, sem que isso venha a acarretar falta de material para
atender aos clientes internos e/ou externos.
Um dos grandes desafios encontrados pelas empresas que possuem uma frota de
veículos próprios e se propõe a dar manutenção a estes veículos, é atender às necessidades do
setor de manutenção quanto ao abastecimento através da aquisição de peças de reposição,
12
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
com tempo hábil para que não existam paradas por tempo excessivo por parte dos veículos,
tendo em vista o que se deixa de arrecadar quando um veículo permanece em manutenção por
um longo período de tempo.
Por outro lado, não deixa de existir também a preocupação com o possível acúmulo
de peças nos estoques, gerando um alto custo de manutenção destes. Ressaltando-se que a
manutenção de frota sofre muita influência de condições e fatores ambientais que a torna uma
atividade das mais complexas. Nesse sentido, faz-se necessário discutir sobre a gestão
financeira de estoques, bem como os seus tipos.
3.1 A gestão financeira de estoques e suas modalidades
Os principais aspectos relacionados com a gestão financeira de estoques são os
custos e os riscos ligados aos estoques. Assaf Neto e Silva (2010, p.159) afirmam que
“investimento em estoques é um dos fatores mais importantes para adequada gestão financeira
de uma empresa.” Esta relevância pode ser consequência tanto da participação deste ativo no
total de investimento, quanto da importância de gerir o ciclo operacional ou por ambos os
motivos.
Para muitas empresas, os estoques representam valores expressivos, necessitando de
controles eficientes para fornecer informações gerenciais para a tomada de decisões. Portanto,
planejar estoque é prover todas as necessidades de materiais que a empresa precisa na
quantidade certa e na hora certa (just-in-time), como segue:
• indústria: matéria-prima, materiais auxiliares e produtos acabados;
• comércio: mercadorias para revenda e
• serviços: materiais necessários à realização dos serviços.
Assim, controlar estoques envolve respostas para as questões de “o que?”, “quando?”
e “quanto?” deve ser reposto no estoque, controlando o que sai e o que resta de material
estocado. Essa informação deve estar disponível de forma tempestiva, sem que haja
necessidade de contar ou medir fisicamente o estoque.
Assaf Neto e Silva (2010, p.159) afirmam que os principais motivos para que a
empresa invista num controle de estoques eficiente são:
• evitar desvios, perdas, validade (para produtos perecíveis) e roubo;
13
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
• conhecer quais as necessidades de reposição;
• identificar os itens que estão encalhados;
• entender a influência do estoque nos custos dos produtos/serviços;
• administrar as necessidades de capital de giro da empresa;
• informar “o que”, “quando” e “quanto” comprar.
Deste modo, os estoques constituem um investimento, funcionado como uma
ferramenta flexível das entradas e saídas, para que os custos de estocagem sejam
adequadamente controlados. De acordo com Matias (2007, p. 100), “o volume de estoques
está relacionado ao ciclo operacional da empresa”. Ainda segundo Matias (2007, p.103) “o
objetivo da gestão de estoque é proporcionar um nível adequado de estoques, que seja capaz
de sustentar o nível de atividade da empresa ao menor custo”.
Apesar da importância para a gestão de capital de giro, os estoques não são geridos
pelo departamento financeiro. Cada uma das fases operacionais retratadas apresenta
determinada duração.
Assim, a compra de matérias-primas denota um prazo de estocagem; a fabricação, o
tempo que se despende para transformar os materiais em produtos acabados; os
produtos acabados, o prazo necessário às vendas (ASSAF NETO, 2010, p.19).
Os departamentos visualizam a variedade, os volumes e a localização dos estoques,
em função de seus interesses, o que gera conflitos, como é ilustrado pela figura 1.
Figura 1: Gestão de estoques
Fonte: Matias (2007).
Cada área da empresa visualiza a composição, o volume e a localização
/armazenagem seus próprios objetivos, gerando conflitos. Por exemplo, a área de compras
prefere estoques grandes, com baixa variedade de itens e menos dispersos. A área de vendas
prefere estoques grandes, com alta variedade de itens e muito dispersos (exemplo: muitas
14
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
cores). A área financeira prefere estoques pequenos, com baixa variedade de itens e menos
dispersos.
A administração financeira de estoques deve ser avaliada de acordo com o ciclo
operacional da empresa e seus diversos departamentos, isto é, suas atividades cotidianas, de
modo com que estejam sempre interagindo, pois os estoques desenvolvem um papel
importante na dinâmica operacional da empresa.
Enquanto os investimentos em contas a receber variam após a entrega de mercadoria,
os estoques devem ser adquiridos antes das vendas acontecerem. Assim, para que a empresa
estabeleça o nível ideal de estoques, é necessário prever o volume de vendas esperado para os
próximos períodos
Estabelecer o nível adequando de estoque é fundamental para que a empresa sustente
sua atividade ao menor custo. Os riscos de estoque podem ser, segundo Matias (2007, p.101),
classificados em riscos de mercado ou riscos operacionais.
 Os riscos de mercados estão relacionados à possibilidade de queda nos preços
dos produtos estocados, quer seja por sazonalidade, por obsolescência, ou por queda de preços
de mercado;

Os riscos operacionais são referentes a furtos, quebras, danos por transporte e
deterioração, além dos riscos por perdas de vendas, devido à falta de produtos disponíveis no
estoque.
Matias (2007) ressalta que uma das medidas para avaliar desempenho do estoque e
sua gestão é o cálculo do giro ou rotação dos recursos contidos no estoque. Matias (2007, p.
103) afirma ainda que “erros no estabelecimento dos níveis de estoque podem levar a perdas
de vendas, caso ocorra falta de estoque, ou custos elevados de estoque, caso o volume de
estoque esteja acima do necessário para atividade da empresa”.
Assim, as vantagens de possuir estoques devem ser comparadas com seus custos.
Matias (2007, p. 103) afirma que:
O controle efetivo do estoque geralmente não está sob o controle direto do gerente
financeiro. Embora a gestão de estoques seja uma importante etapa da gestão do
capital de giro, muitas das decisões condizentes com os estoques são tomadas por
outros departamentos, como produção e marketing, e não pelo financeiro. Isso se
deve ao fato de os estoques possuírem características físicas, em vez de
características financeiras, estando ligados mais à produção e vendas do que a
finanças.
Apesar disto, é necessário que a área financeira participe das decisões tomadas no
que condiz aos níveis adequados de estoque.
15
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
A grande diversidade de ramos de atuação das empresas tornou necessária a
manutenção de estoques dos mais diversos e consequentemente diversos tipos de
almoxarifados para armazenar estes estoques, de acordo com as particularidades de cada tipo
de material armazenado, buscando sempre atender às necessidades das organizações.
Conforme Pozo (2007), são cinco os tipos de almoxarifado:

Almoxarifado de matérias-primas; estoque composto por materiais básicos que irão
receber algum tipo de transformação dentro na fábrica.

Almoxarifado de materiais auxiliares; são os estoques de materiais agregados que
participam do processo de transformação da matéria-prima, ou seja, ferramentas, lixas, tintas,
lubrificantes etc.

Almoxarifado de materiais de manutenção; este almoxarifado é composto por
materiais utilizados no apoio à manutenção de equipamentos e edifícios, tais como parafusos,
rolamentos, peças e ferramentas.

Almoxarifado intermediário; este almoxarifado também é conhecido como
almoxarifado de materiais em processo, ou seja, materiais que não são matérias-primas, mas
que vão se juntar a outros materiais para se tornarem um produto final.

Almoxarifado de materiais acabados; composto pelo estoque de produtos prontos,
acabados e embalados para serem destinados aos clientes.
Definir com que tipo de estoque a empresa irá trabalhar é fundamental para que se
possa decidir e montar um almoxarifado estruturado e apto a armazenar e movimentar este
estoque.
3.2 Custos relacionados a estoque
Uma das características da gestão de estoque que é fundamental para qualquer tipo
de organização e que sua existência independe do tipo de estoque que a empresa mantenha,
são os chamados custos associados aos estoques. Ching (2008) diz que com exceção dos
custos de aquisição de material, os custos associados aos estoques podem ser divididos em
três categorias a seguir:
 Custos no pedido do material:são os custos relacionados ao processo de
aquisição dos materiais, custos burocráticos, na contabilidade e no almoxarifado, custos de
receber o material e da verificação do mesmo através da conferência, físico versus nota fiscal.
16
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
 Custos de manutenção de estoques: são os custos associados à manutenção de
certas quantidades de materiais em estoque por um determinado período de tempo. Estes
custos incluem componentes como custos de armazenagem, custos com seguros, custos com
obsolescência e custos de oportunidade, que são os custos relacionados às oportunidades que
a empresa estará perdendo, pois poderia estar utilizando o capital que está parado no estoque
em outros investimentos com maior liquidez.
 Custo total: Este custo é definido pela soma dos dois custos anteriores, custos
de pedir e custos de manter estoque e é importante no modelo do lote econômico, quantidade
a ser pedida com o objetivo de minimizar os custos de pedir e de manter o estoque.
Alem dos três tipos de custos descritos acima, Dias (1993) acredita existir o custo
causado pela falta de estoque ou custo por ruptura, podendo se determinado das seguintes
maneiras:

Perda de lucro com o cancelamento de pedidos por incapacidade do fornecedor
de atender aos pedidos;

Custos causados pelo não cumprimento dos prazos estabelecidos em contratos;

Por meio de “quebra da imagem” da empresa, beneficiando a concorrência.
A ciência destes custos relacionados à gestão de estoque, os quais foram descritos
anteriormente, são fundamentais para que se possa definir qual o tamanho do pedido, em
outras palavras, lote econômico que a organização deverá adquirir, de forma a reduzir os
custos totais dos estoques. Após a apresentação do embasamento teórico que dá apoio à
pesquisa desenvolvida, mostra-se, a seguir, um estudo de caso, que aborda de forma aplicada
a influência da falta de estoque de peças nos custos de manutenção na gestão de frota de uma
empresa de transporte urbano e metropolitano de passageiros do Ceará.
4 ESTUDO DE CASO
Pensando em atingir o objetivo principal desta pesquisa, que é analisar a influência
da falta de estoque de peças nos custos de manutenção na gestão de frota de uma empresa de
transporte de passageiros do Ceará, foi realizada uma pesquisa de campo no âmbito de uma
empresa cearense, onde foram colhidos dados que são apresentados e analisados.
4.1 Metodologia aplicada na pesquisa
17
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
Esta pesquisa realizou um estudo de caso que teve como universo o setor de
manutenção, onde funcionam o almoxarifado e a oficina, setores analisados nesse estudo. A
decisão por realizar a pesquisa nestes dois subssetores, do setor de manutenção, se deu devido
os objetos de estudo (gestão do estoque e manutenção) serem realizadas por eles.
No setor de almoxarifado, foram colhidas informações quanto aos valores de
algumas peças de considerável importância, assim como o lead time dessas peças, levando em
consideração a influência causada pela falta das mesmas no resultado final da empresa e na
produtividade do setor da oficina. Essa influência foi analisada através do cruzamento de
informações, de um lado o valor das peças e do outro o custo gerado pela paralisação do
veículo, medido através da coleta de algumas informações, tais como preço médio da
passagem e quantidade de passageiros transportados diariamente. Na oficina, foram coletados
dados referentes à manutenção e aos processos quando do momento de solicitar novas peças e
os procedimentos quando as peças solicitadas não estão disponíveis no almoxarifado.
4.2 Identificação do Ambiente de estudo
A Empresa aqui denominada de “Empresa Boa Viagem” foi fundada em setembro
de 1956, em Caucaia, atuando atualmente no segmento de transporte urbano e metropolitano
de passageiros do estado do Ceará. Ela possuía, até momento da realização da pesquisa, 235
ônibus, sendo que destes 176 são ônibus modelo OF-1722, OF-1418 e OF-1721, 32 microônibus modelo OF-1218 e LO-915 e ainda 27 ônibus OF-1722 que são utilizados como
escolar, de segunda á sexta-feira a serviço do município de Caucaia e nos finais de semana
são fretados para excursões dentro do estado. Tendo uma quantidade considerável de veículos
na sua frota a empresa opta por ser responsável por toda a manutenção de sua frota, exceto
nos casos em que algum veículo se envolve em algum acidente, gerando grandes avarias.
4.3 Tipos de estoque da Empresa Boa Viagem
Para realizar a manutenção desta frota, a empresa conta com um estoque de mais de
3.000 peças, peças consideradas de consumo, ou seja, que têm uma vida útil e, com o passar
do tempo e a utilização se faz necessária a substituição. A administração do estoque dessas
18
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
peças de consumo é mais fácil de se realizar devido se ter informações, se não precisas, mas
próximas da precisão, da vida útil esperada para cada componente e como a empresa controla
criteriosamente a utilização de todos os seus veículos. Registrando cada quilômetro percorrido
em sistemas informatizados que auxiliam neste controle, consegue prevê a quantidade de cada
peça que será necessária para atender a demanda de um determinado período de tempo,
adotando um percentual mínimo como margem de erro para mais ou para menos. Alguns
exemplos de peças de consumo: lonas de freio, lubrificantes, filtros etc.
Além dessa categoria de peças consideradas de consumo, teoricamente mais fáceis
de gerir, existem as peças que possuem a gestão mais complexas; essas peças são
denominadas como peças de aplicação, pois normalmente são adquiridas diretamente para um
veiculo, sem que haja a necessidade de serem estocadas no almoxarifado. Sua vida útil é
muito inconstante e as condições as que as mesmas estão expostas são fundamentais na
determinação da necessidade de sua substituição. Essas peças não fazem parte do estoque da
empresa devido a sua pouca rotatividade e o seu alto preço; por isso, são adquiridas apenas de
forma emergente, ou seja, quando o veículo se encontra em manutenção motivado pela quebra
desta peça.
Outro problema enfrentando pelos gestores do setor de manutenção é a falta de peças
de reposição no mercado local e quando se encontram estas peças se constata uma diferença
considerável com relação ao preço, levando-se em consideração que no mercado local de
vendas de peças automotivas as encontramos com valores acima de 30% mais caros do que
em outros mercados, tais como São Paulo e Rio de Janeiro. Como exemplo, podemos citar o
para-brisa do ônibus modelo Torino GV, que em Fortaleza custa R$ 530,00 e no Rio de
Janeiro custa R$ 327,00, uma diferença que ultrapassa os 35%.
4.4 Manutenção na Empresa Boa Viagem
A manutenção exerce um papel fundamental dentro de uma empresa, tendo em vista
que é objetivo da empresa ter o mínimo de custo possível na manutenção dos seus
equipamentos, sejam eles veículos ou máquinas, pensando exatamente na redução dos custos
é que o gestor de manutenção da empresa, quando verifica a possibilidade de se fazer uso de
peças de outros ônibus que se encontram também em manutenção por outros motivos, dois
ônibus parados em manutenção por motivos distintos, opta por esperar e efetua a aquisição
das peças em outros estados, tendo em vista a utilização de um dos ônibus como fonte para
19
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
encontrar a peça avariada no outro veículo que também se encontra em manutenção,
reduzindo assim os custos com as peças. Quando não existe este outro veículo em manutenção
e em condições de atender às necessidades da manutenção, a opção usada é a de adquirir a
peça no mercado local, mesmo pagando bem mais pela peça, levando em consideração o alto
custo de se ter um ônibus em manutenção por vários dias.
É comum também e faz parte dos processos da manutenção a análise detalhada da
peça danificada, observando se há como aproveitá-la, ainda que por um determinado tempo,
desde que este tempo seja o menor possível e não gere riscos à integridade física tanto dos
tripulantes quanto dos usuários, para que se possam adquirir peças de reposição fora do
mercado local.
Um ônibus OF-1722, modelo de ônibus mais usado pela empresa, transporta por dia
útil aproximadamente 3.000 passageiros, que pagam em média, por passagem, R$ 1,65, ou
seja, em um dia em que um ônibus fica em manutenção a empresa deixa de arrecadar algo em
torno de R$ 4.950,00.
Outra opção a ser analisada pelos gestores da empresa estudada é a possibilidade de
se manter em estoque ao menos uma unidade de cada peça, das peças consideradas de baixa
rotatividade, tendo em vista as dificuldades apresentadas acima. Porém, neste caso há o risco
de se elevar muito o custo do estoque com peças de valor relativamente alto e pouca
rotatividade. Isto posto, segue-se na sequência a análise dos dados coletados na pesquisa.
5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Como foi descrito anteriormente, a empresa estudada administra seu estoque dividindo
o mesmo em dois tipos, estoque de peças de consumo, que é o estoque que tem consumo
constante, consequentemente alta rotatividade e o estoque de aplicação, que é destinado a
peças com baixa rotatividade, mas que assim como o estoque de peças de consumo, tem uma
grande importância na produtividade do setor de manutenção.
Devido a sua baixa rotatividade e, em alguns casos, alto valor financeiro, é comum a
empresa optar por adquirir as peças de aplicação fora do mercado local, ou seja, fora do
Ceará, devido à considerável diferença nos preços dessas peças. Segue abaixo alguns valores
de algumas peças de aplicação que mostram essa diferença relatada no tocante aos mercados:
20
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
Preços por mercados
Peças
Local
Externo
Diferença
Mangueira do Intecooler OF-1722
R$ 858,00
R$ 720,00
R$ 138,00
Volante do Motor OF-1722
R$ 454,00
R$ 310,00
R$ 144,00
Para-brisa Marcopolo Torino GV
R$ 530,00
Quadro 3 – Diferença de preços entre mercados
Fonte: pesquisa de campo 2012.
R$ 327,00
R$ 203,00
As peças descritas no quadro 3 possuem fundamental importância na funcionalidade
de um ônibus, sendo que sua ausência ou quebra resulta na impossibilidade total ou parcial da
operação do veículo. Os valores, também descritos no quadro acima, são utilizados pelo
gestor do setor de manutenção como um dos critérios de avaliação da necessidade de se
buscar peças de reposição fora do mercado local, mesmo sabendo-se do lead-time mínimo de
72 horas para a chegada destas peças. Outra informação importantíssima para a tomada de
decisão relacionada ao mercado de aquisição do material são os custos de se ter um ônibus
parado durante um dia.
Custo médio de um ônibus por dia de paralisação
Quat. Ônibus
1
Quat.
Dias
1
Passag. Transp. por dia
Valor médio da passag.
1000
1
2
2000
Quadro 4 – Custo médio de um ônibus parado por dia
Fonte: pesquisa de campo 2012.
Total
R$
2,00
R$ 2.000,00
R$
2,00
R$ 4.000,00
O quadro 4 mostra os custos relacionados a paralisação de um ônibus por um ou dois
dias, na primeira linha é demonstrado os valores relacionados a um dia em que um ônibus fica
parado e na segunda linha demonstra os valores relacionados a dois dias de paralisação do
veículo. Como pode ser visto no quadro acima, manter um ônibus em manutenção por falta de
peças de reposição gera um ônus relevante para a empresa, tendo em vista que alem dos
custos mensuráveis, como é o caso dos custos descritos anteriormente, existem também os
custos imensuráveis, ou seja, que não há como medir, no caso as perdas relacionadas à
imagem da empresa junto ao governo e aos clientes.
Quando um ônibus deixa de realizar uma viagem ou deixa de atender a uma
determinada linha, inúmeras pessoas, que dependem deste veículo para se locomover, para
chegar aos seus locais de trabalho, terminam por serem bastante prejudicadas, gerando assim
21
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
uma desconfiança do cliente para com o serviço prestado pela empresa. Apesar deste custo
não ser mensurável, é um dos mais preocupantes para os gestores e acionistas da empresa,
pois são dos clientes que vivem qualquer empresa.
A falta de peças de reposição para o setor de manutenção da empresa ocasiona
problemas para a organização, tanto financeiros, gerados pela perda causada pela falta de
arrecadação no período em que o veículo deixa de operar por estar em manutenção, valor em
torno de R$ 4.950,00 por dia, quanto problemas de perda na imagem da empresa junto ao
governo municipal e clientes.
6 CONSIDERAÇÕES
As empresas, nos dias atuais, estão sendo conduzidas a terem um extremo controle
de seus estoques, pois as mesmas estão cada dia mais conscientes quanto é importante manter
um abastecimento bem preparado para atender a demanda do mercado, pois este mercado tem
se tornado cada dia mais exigente e que não tem mais tempo a perder com esperas por
suprimentos e com a falta dos mesmos. Seguindo essa exigência, as organizações que não
estão preparadas para atender esta demanda tendem a perder mercado para a concorrência que
poderá está mais preparada e à frente da necessidade do mercado.
O estudo obteve resposta para o problema formulado na medida em que evidenciou a
influência que a falta de estoque pode causar nos custos de manutenção na gestão de frotas de
uma empresa de transporte de passageiros. O artigo atingiu a todos os seus objetivos
propostos, na medida em que: conceituou manutenção e identificou os tipos manutenção
aplicados ao transporte de passageiros; definiu estoques e apresentou os tipos de estoques e
realizou um estudo de caso identificando a influência da falta de estoque nos custos de
manutenção na gestão de frota de uma empresa de transporte de passageiro do Ceará.
Por meio do estudo, observou-se que dentre os diversos setores que compõem uma
empresa de ônibus, um dos mais importantes é o setor de manutenção, pois dele é a
responsabilidade de manter todos os veículos da empresa funcionando, ou seja, operando nas
mais perfeitas condições mecânicas ao menor custo possível, tendo em vista a constante
necessidade de reduzir os custos sempre, já que os valores relacionados à passagem dos
ônibus, principal fonte de renda da empresa, dependem de um acordo junto ao governo.
Diante das informações apresentadas, das situações que envolvem o setor de manutenção, o
22
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
estudo apresentou o quanto a falta de peças de reposição no estoque e/ou a má administração
do estoque podem causar consideráveis impactos no resultado final da empresa.
O presente estudo revelou que a análise de todos os dados, de todas as informações
são cruciais para a tomada de decisão correta, tanto no tocante à necessidade ou não de se
adquirir uma determinada peça, quanto no que diz respeito à quantidade de peças que deve ser
mantida em estoque e ainda onde estas peças deverão ser adquiridas, tendo em vista as
diferenças de valores para as diferentes regiões do Brasil. Observou-se também que gestão de
estoque na empresa analisada busca manter um estoque cada vez menor, desde que não
comprometa o atendimento ao cliente; é justificável que se mantenha um estoque mínimo,
mesmo de peças com baixa rotatividade, principalmente devido ao alto custo de se ter um
ônibus parado, em manutenção, por falta de peça no estoque.
A falta de estoque na empresa para atender ao setor de manutenção influencia nos
custos da empresa de forma direta e indireta, pois ocasiona problemas tanto no aspecto
financeiro, gerados pela perda causada pela falta de arrecadação no período em que o veículo
deixa de operar por estar em manutenção, valor em torno de R$ 4.950,00 por dia, quanto no
que se referem ao nome da empresa, problemas de perda na imagem da empresa junto ao
governo municipal e clientes.
Conclui-se que todo o estoque deve ser administrado de acordo com as
particularidades de cada empresa e que o presente estudo comprova que no caso da empresa
estudada é mais viável para ela manter uma peça em seu estoque, por tempo indeterminado,
do que ter que comprá-la de forma urgente, no mercado local ou manter um veículo parado
aguardando esta peça ser adquirida em outros estados.
REFERÊNCIAS
ALVES, Renato B. Gestão da qualidade em manutenção de frotas. 2008. Curso ministrado
na Organização Guimarães Ltda. dia 14 de mar. 2008.
ASSAF NETO, Alexandre e SILVA, César A. T. Administração do capital de giro. 3. ed.
São Paulo: Atlas, 2010.
BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. 5.
ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.
CAMPOS, Fernando Celso de; BELHOT, Renato Vairo. Gestão de manutenção de frota de
veículos: uma revisão. Revista gestão e produção, v.1, n.2 p. 171-188, ago. 1994.
23
IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
20, 21 e 22 de junho de 2013
CHING, Hong Yuh. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada: Suply Chain. 3.
ed. São Paulo: Atlas, 2008.
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 4. Ed. São
Paulo: Atlas, 1993.
FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter; FIGUEIREDO, Kleber Fossati. Logística
empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2009.
MATIAS, Alberto Borges. Finanças corporativas de curto prazo: a gestão do valor do
capital de giro. São Paulo: Atlas, 2007. v. 1.
PINHEIRO, Kellyanne. Prefeitura faz licitação para escolher empresa de ônibus. 2011.
Disponível em : < HTTP://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=331886
&modulo=966.> Acessado em: 15 dez. 2012.
POZO, Hamilton. Administração de recursos materiais e patrimoniais: uma abordagem
logística. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
VIANA, Hebert Ricardo Garcia. PCM, Planejamento e controle de manutenção. Rio de
Janeiro: Qualitymark, 2002.
WANKE, Peter. Gestão de estoques na cadeia de suprimento: decisões e modelos
quantitativos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
24
Download

a influência da falta de estoque nos custos - CNEG