UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE Faculdade de Engenharia Mestrado em Gestão e Administração Educacional Amâncio Maurício Xavier Rêgo ANÁLISE DOS FACTORES DO INSUCESSO ESCOLAR DOS ALUNOS DO 2° CICLO NA ESCOLA SECUNDÁRIA DA VILA NOVA NA CIDADE DE CHIMOIO. Chimoio Fevereiro de 2015 UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE Faculdade de Engenharia Mestrado em Gestão e Administração Educacional Amâncio Maurício Xavier Rêgo ANÁLISE DOS FACTORES DO INSUCESSO ESCOLAR DOS ALUNOS DO 2° CICLO NA ESCOLA SECUNDÁRIA DA VILA NOVA NA CIDADE DE CHIMOIO. Dissertação apresentada à Faculdade de Engenharia da Universidade Católica de Moçambique como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Gestão e Administração Educacional, realizada sob a orientação científica do Professor Mestre Rafael Luís Fernando Benny. Chimoio Fevereiro de 2015 DECLARAÇÃO O presente trabalho foi realizado pelo autor na Universidade Católica de Moçambique em 2015. Este trabalho é da sua autoria excepto para as citações que aqui foram referenciadas. Nunca foi e nunca será submetido a nenhuma outra Universidade. Nenhuma parte deste trabalho deverá ser reproduzida sem a permissão do autor ou da Universidade Católica de Moçambique. Nome do autor: Amâncio Maurício Xavier Rêgo --------------------------------------------------------------Data: 04/02/2015 Nome do Supervisor: Rafael Luís Fernando Benny. Doutorando. -------------------------------------------------------------Data: 04/02/2015 I DEDICATÓRIA Aos gestores da educação, aos supervisores pedagógicos e a todos os professores Moçambicanos. Aos meus pais e aos meus filhos. II AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus professores do curso de Mestrado, especialmente ao Mestre Rafael Luís Fernando Benny, por ter sido um orientador paciente, compreensivo, generoso, disponível, e competente em todas as etapas da realização deste trabalho, e mormente pela inspiração na escolha do tema de pesquisa, a partir do trabalho da sua cadeira curricular de Psicopedagogia, que consistia em identificar os problemas de aprendizagem dos alunos numa escola. Agradeço à minha família, à minha esposa, Carlota Tomé Gerente, pelo constante apoio, encorajamento, carinho e dedicação, à minha filha, Odete Amâncio Rêgo, aos meus filhos, Amâncio Rêgo Júnior e Beatífico Amâncio Rêgo, a quem a realização deste trabalho fez escassear a atenção merecida. À direcção da escola onde se realizou o trabalho de campo, aos professores entrevistados e aos alunos das turmas inquiridas pela sua disponibilidade e colaboração. Aos meus colegas de mestrado, pelas contribuições que me foram dando, em algumas fases da elaboração do trabalho, e a quem devo muitos momentos de alegria e distracção. A todos os que não foram citados, que directa ou indirectamente contribuíram para que este trabalho se tornasse uma realidade, vai o meu sincero e muito obrigado! III EPÍGRAFE “Não se nasce estudante. Ser estudante é um ofício que se constrói, que se aprende.” (Carita et al., 2001, p. 121). IV RESUMO Este trabalho de pesquisa foi motivado pelo nosso contexto profissional e pela nossa necessidade de compreender, na sua generalidade, as reais causas do insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio e, especificamente, identificar e caracterizar as reais causas do insucesso escolar desses alunos. Temos consciência que a invenção de estratégias eficazes para a redução e prevenção do insucesso escolar dos alunos no nosso país, só será possível compreendendo na sua essência as verdadeiras causas que levam os nossos alunos ao insucesso escolar. O insucesso escolar tem sido estudado sob várias perspectivas dependendo do contexto em que se insere e da área disciplinar recorrida para a sua compreensão, contudo, neste trabalho é considerado como a não obtenção dos resultados escolares esperados que se traduzem nas elevadas taxas de reprovação, sendo abordado na perspectiva psicossociológica e no âmbito psicopedagógico. Tal é um problema que ainda preocupa o nosso Governo, na medida em que o direito a educação significa também a garantia do sucesso escolar para todos, visto que, o Ensino Secundário Geral em Moçambique, incluindo a escola estudada, reprova anualmente cerca de 20% a 25% dos alunos, o que por sua vez se reflecte no aumento do número de desempregados, de conflitos e exclusões sociais. Este estudo apresenta uma abordagem metodológica mista, com princípios quantitativos e qualitativos, e trata-se de um estudo de caso, cujo problema circunscreve-se na seguinte questão – Que factores determinam o insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio? Para a concretização deste estudo foram aplicados diferentes instrumentos de recolha de dados, tais como a entrevista semi – estruturada, o inquérito por questionário misto e a análise documental, que nos facultaram dados, que depois de devidamente tratados, analisados e interpretados, nos consentiram a discussão de resultados e as conclusões. Em relação aos resultados, verificamos que há uma discordância entre as respostas dos alunos inquiridos e as respostas dos entrevistados, na medida em que 56% dos alunos indicaram, ‘Não entender a matéria e não saber estudar’, como principais motivos do seu insucesso escolar, enquanto, 73% dos entrevistados mencionaram o desinteresse como principal motivo do insucesso escolar dos seus alunos. Com isso concluímos que as Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística, são as razões centrais do insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio, e que por não conhecerem os tipos de Dificuldades de Aprendizagem e formas de sua superação, os professores ainda persistem em culpar os alunos pelo insucesso escolar. Palavras-chave: Insucesso escolar; Factores do insucesso; Dificuldades de Aprendizagem. V ABSTRACT This research work was motivated by our professional context and for our need to understand, in your generality, the real causes of the students' of the 2° cycle school failure in the high school of the New Villa of the city of Chimoio and, specifically, to identify and to characterize the real causes of those students' school failure. We are aware that the invention of effective strategies for the reduction and prevention of the students' school failure in our country will only be possible understanding in your essence the true causes that take our students to the school failure. The school failure has been studied under several perspectives depending on the context in that interferes and of the area to discipline appealed for your understanding, however, in this work it is considered as the non obtaining of the expected school results that translate her in the high reproof rates, being approached in the perspective psychosociologic and in the ambit psychopedagogic. Such it is a problem that still worries our Government, in the measure in that the right the education also means the warranty of the school success for all, because, the General Secondary Teaching in Mozambique, including the studied school, it reproves annually about 20% to 25% of the students, which for your time if reflect in the increase of the number of unemployed, of conflicts and social exclusions. Does this study present a mixed methodological approach, with quantitative and qualitative beginnings, and is it treated of a case study, whose problem is bounded in the following subject - What factors do determine the students' of the 2° cycle school failure in the high school of the New Villa of the city of Chimoio? For the materialization of this study they were different applied instruments of it picks up of data, such as the interview semi structured, the inquiry for mixed questionnaire and the documental analysis, that allowed us data, that after properly agreements, analyzed and interpreted, they consented us the discussion of results and the conclusions. In relation to the results, we verified that there is a disagreement between the inquired students' answers and the interviewees' answers, in the measure in that 56% of the students indicated, ‘not to understand the matter and not to know to study’, as main reasons of your school failure, while, 73% of the interviewees mentioned the indifference as principal reason of your students' school failure. With that we ended that Learning Organizational' Difficulties and Auditory - linguistics, they are the central reasons of the students' of the 2° cycle school failure in the high school of the New Villa of the city of Chimoio, and that for they know not the types of Difficulty of Learning and forms of your overcoming, the teachers still persist in accusing the students for school failure. Keywords: School failure; Factors of the failure; Difficulties of Learning. VI LISTA DE GRÁFICOS E ESQUEMAS Gráfico – 1: Sentimento do aluno após a reprovação ........................................................... 55 Gráfico – 2: Culpado pela reprovação do aluno ................................................................... 56 Gráfico – 3: Atitudes dos alunos nas aulas da disciplina reprovada ..................................... 57 Gráfico – 4: Dificuldades de Aprendizagem conhecidas pelos alunos ................................. 58 Gráfico – 5: Alunos que sabem resumir e apresentar oralmente a matéria .......................... 58 Gráfico – 6: Alunos que conhecem técnicas de estudo......................................................... 59 Gráfico – 7: Motivos de reprovação citados pelos alunos .................................................... 61 Gráfico – 8: Tratamento que os alunos recebiam quando obtinham negativa numa avaliação ............................................................................................................................................... 62 Gráfico – 9: Métodos didácticos indicados pelos alunos que os professores mais usam ..... 62 Gráfico – 10: Opinião dos professores sobre o culpado pela reprovação dos alunos ........... 63 Gráfico – 11: Desinteresse como principal motivo de reprovação ....................................... 69 Gráfico – 12: Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – Linguística como principal motivo de reprovação ............................................................................................ 70 Gráfico – 13: Atitudes dos professores para alunos com resultados negativos nas avaliações ............................................................................................................................................... 71 Esquema – 1: Modelo de Classe Cooperativa de Freinet. .................................................... 29 Esquema – 2: Modelo do sistema contra o insucesso escolar dos alunos ............................. 81 VII LISTA DE QUADROS, TABELAS E FOTOGRAFIAS Quadro – 1: Comparação entre Dificuldades escolares, problemas e distúrbios .................. 25 Quadro – 2: Categorias analíticas e Unidades de análise das respostas: .............................. 44 Quadro – 3: Opinião dos professores sobre as características do aluno desinteressado ....... 64 Quadro – 4: Dificuldades de Aprendizagem conhecidas pelos professores entrevistados ... 65 Quadro – 5: Características das Dificuldades de Aprendizagem Organizacional ................ 66 Quadro – 6: Características da Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – linguística mencionadas pelos professores ............................................................................................. 67 Quadro – 7: Métodos didácticos utilizados pelos professores e respectivas características . 72 Tabela – 1: Distribuição dos alunos inquiridos por classe e idade ....................................... 50 Tabela – 2: Distribuição dos alunos inquiridos por parentes com quem vivem ................... 50 Fotografia 1: Interior da sala – 10 com carteiras organizadas segundo o modelo de classe tradicional ........................................................................................................................... 102 Fotografia 2: Sombra da acácia em frente da sala dos professores..................................... 102 Fotografia 3: Bancada em frente do edifício administrativo situado à esquerda ................ 102 VIII LISTA DE SIGLAS E ACRÓNIMOS APPDAE: Associação Portuguesa de Pessoas com Dificuldades de Aprendizagem Específicas. CAP: Comissão de Apoio Pedagógico. CCS: Comunicação e Ciências Sociais. CNM: Ciências Naturais e Matemática. DA: Dificuldades de Aprendizagem. DDP: Departamento da Direcção Pedagógica. DEE: Departamento da Educação Especial. DPE: Direcção Provincial de Educação. E1: Entrevistado um – primeiro entrevistado. EDAP: Entrevistado, Director Adjunto Pedagógico. EUA: Estados Unidos da América. MEC: Ministério de Educação e Cultura. MINED: Ministério da Educação. NEE: Necessidades Educativas Especiais. PE: Projecto Educativo. PEE: Plano Estratégico de Educação. PQT: Paradigma da Qualidade Total. QI: Quociente de Inteligência. SDEJT: Serviços Distritais de Educação Juventude e Tecnologia. SNE: Sistema Nacional de Educação. SPN: Supervisão Pedagógica Nacional. SPSS: Statistical Package for Social Science. TDAH: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperactividade. UCM: Universidade Católica de Moçambique. UNESCO: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. IX ÍNDICE DECLARAÇÃO ......................................................................................................................... I DEDICATÓRIA ........................................................................................................................ II AGRADECIMENTOS ............................................................................................................ III EPÍGRAFE .............................................................................................................................. IV RESUMO................................................................................................................................... V ABSTRACT ............................................................................................................................ VI LISTA DE GRÁFICOS E ESQUEMAS ................................................................................ VII LISTA DE QUADROS, TABELAS E FOTOGRAFIAS .................................................... VIII LISTA DE SIGLAS E ACRÓNIMOS .................................................................................... IX CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO ................................................................................................. 1 1.1 O Tema em Estudo ......................................................................................................... 1 1.2 Formulação do Problema de Pesquisa ............................................................................ 2 1.3 Hipóteses ........................................................................................................................ 3 1.4 Justificativa..................................................................................................................... 3 1.5 Objectivos....................................................................................................................... 5 1.6 Descrição da estrutura da dissertação ............................................................................. 6 CAPÍTULO 2: REVISÃO DA LITERATURA ......................................................................... 7 2.1 Revisão da Literatura Teórica ........................................................................................ 7 2.2 Revisão da Literatura Empírica ...................................................................................... 9 2.2.1 Origem, conceito, classificação e panorama do insucesso escolar .............................. 9 2.2.1.1 Origem do insucesso escolar..................................................................................... 9 2.2.1.2 Conceito do insucesso escolar .................................................................................. 9 2.2.1.3 Classificação do insucesso escolar ......................................................................... 10 2.2.1.4 Panorama do insucesso escolar ............................................................................... 11 2.2.2 Manifestações, consequências e causas do insucesso escolar ................................... 14 2.2.2.1 Manifestações do insucesso escolar ........................................................................ 14 2.2.2.2 Consequências do insucesso escolar ....................................................................... 14 2.2.2.3 Causas do insucesso escolar ................................................................................... 15 X 2.2.3 Conceito e classificação de Aprendizagem, Aprendizagem mais adequada ............. 18 2.2.3.1 Conceito de Aprendizagem ..................................................................................... 18 2.2.3.2 Classificação de Aprendizagem .............................................................................. 19 2.2.3.3 Aprendizagem mais adequada ................................................................................ 21 2.2.4 Conceito e classificação de Dificuldades de Aprendizagem (DA)............................ 24 2.2.4.1 Conceito de Dificuldade de Aprendizagem ............................................................ 24 2.2.4.2 Classificação de Dificuldades de Aprendizagem.................................................... 25 2.2.5 Factores da superação das Dificuldades de Aprendizagem ....................................... 27 2.2.6 Estratégias de melhoria da qualidade de educação .................................................... 29 2.3 Revisão da Literatura Focalizada ................................................................................. 33 CAPÍTULO 3: METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO ...................................................... 36 3.1 Método de abordagem e tipo de pesquisa .................................................................... 36 3.2 Universo e amostra ....................................................................................................... 36 3.3 Instrumentos de recolha de dados ................................................................................ 37 3.4 Métodos de procedimento ............................................................................................ 40 3.4.1 Recolha de dados primários ....................................................................................... 40 3.4.2 Recolha de dados secundários ................................................................................... 41 3.5 Validade dos instrumentos ........................................................................................... 42 3.6 Método de apresentação, análise e interpretação de dados .......................................... 43 3.7 Limitações do estudo .................................................................................................... 46 3.8 Considerações éticas .................................................................................................... 46 3.9 Caracterização do local da investigação ....................................................................... 46 CAPÍTULO 4: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS ............ 49 4.1 Dados sóciodemográficos dos alunos .......................................................................... 49 4.2 Dados sobre a identidade profissional dos professores e do EDAP ............................. 52 4.2.1 Dados sobre a identidade profissional dos professores ............................................. 52 4.2.2 Identidade profissional do EDAP .............................................................................. 53 4.3 Dados sobre o insucesso escolar .................................................................................. 54 4.3.1 Dados dos alunos inquiridos sobre o insucesso escolar ............................................ 54 4.3.1.1 Categoria de análise: Reprovação ........................................................................... 54 4.3.1.2 Categoria de análise: Desinteresse nos estudos ...................................................... 56 4.3.1.3 Categoria de análise: Dificuldades de Aprendizagem ............................................ 57 XI 4.3.1.4 Categoria de análise: Motivos de reprovação indicados pelos alunos .................... 59 4.3.1.5 Categoria de análise:Relação professor – aluno ..................................................... 61 4.3.1.6 Categoria de análise: Métodos didácticos mais usados pelo professor .................. 62 4.3.2 Dados dos professores entrevistados sobre o insucesso escolar ................................ 63 4.3.2.1 Categoria de análise: Responsabilidade sobre reprovação ..................................... 63 4.3.2.2 Categoria de análise: Desinteresse no aluno ........................................................... 64 4.3.2.3 Categoria de análise: Dificuldades de Aprendizagem ............................................ 65 4.3.2.4 Categoria de análise: Motivos de reprovação indicados pelos professores ............ 68 4.3.2.5 Categoria de análise: Relação professor - alunos ................................................... 71 4.3.2.6 Categoria de análise: Métodos didácticos utilizados pelos professores ................. 71 4.3.2.7 Categoria de análise: Avaliações escolares ............................................................ 73 4.3.2.8 Capacitação psicopedagógica contínua .................................................................. 73 4.3.3 Dados do EDAP sobre o insucesso escolar ............................................................... 75 CAPÍTULO 5: CONCLUSÕES E SUGESTÕES .................................................................... 78 5.1 Conclusões ................................................................................................................... 78 5.2 Sugestões ...................................................................................................................... 79 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 82 ANEXOS .................................................................................................................................. 87 APÊNDICES ............................................................................................................................ 89 XII CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO No primeiro capítulo apresentamos o enquadramento temático e delineiamos claramente tanto a problemática e as hipóteses da investigação, a justificativa e relevância, os objectivos e ainda as partes constituintes da Dissertação. 1.1 O Tema em Estudo O presente estudo tem como tema, ‘Análise dos Factores do Insucesso Escolar dos Alunos do 2°ciclo na Escola Secundária da Vila Nova na Cidade de Chimoio’, esse estudo foi efectuado não apenascom o propósito de se cumprir com as normas da Universidade Católica de Moçambique (UCM) para a obtenção do título académico de Mestre em Gestão e Administração da Educação, mas especialmente, refletir sobre os obstáculos que levam muitos dos nossos alunos aoinsucesso escolar, para conhece-los melhor, e consequentemente adoptar medidas mais eficazes para superá-los. O insucesso escolar não é um fenómeno recente, ele surgiu a partir da escolaridade obrigatória no século XIX, e dentre os vários autores que se debruçaram no seu estudo destacam-se Abreu (1983), Alexandre (1999), Benavente (1990), Pereira e Martins (1978), Rosa (2013) e Simbine (2009), esses autores abordaram o insucesso escolar na perspectiva quantitativa e consideraram-no como sendo o baixo aproveitamento escolar ou as altas taxas de reprovações escolares. Neste trabalho também abordamos o insucesso escolar na perspectiva quantitativa, pois, essa é a perspectiva mais reconhecida pelos responsáveis da Educação, no entanto, consideramos o insucesso escolar como a não obtenção dos resultados escolares esperados que se traduzem nas elevadas taxas de reprovação dos alunos no final do ano lectivo e que revela a não aquisição de competências necessárias pelo aluno. Quanto a abordagem teórica e disciplinar, neste estudo as causas do insucesso escolar foram explicadas sob o ponto de vista da teoria Psicossociológica da acção educativa e no contexto Psicopedagógico. 1 1.2 Formulação do Problema de Pesquisa O insucesso escolar entendido como elevadas taxas de reprovação anual dos alunos, é um problema antigo mas que ainda não está resolvido, o que patenteia que trata-se de um problema que se reveste de um mistério de incertezas quanto à descoberta das suas razões reais e medidas de correcção e prevenção. Observando o estágio actual do sector da Educação em Moçambique, verificase que apesar de se registarem grandes progressos no acesso a educação, permanece o desafio damelhoria da qualidade da educação, voltada para a melhoria do aproveitamento escolar e desenvolvimento dascompetências requeridas pelos alunos emtodos os níveis de ensino (Ministério da Educação [MINED] – Moçambique, 2012). Segundo os dados apresentados no Plano estratégico da educação em Moçambique 2012 – 2016, o Ensino Primário do Primeiro Grau e do Segundo Grau reprovam por ano respectivamente cerca de 32% e 29% dos alunos (MINED – Moçambique, 2012), enquanto o Ensino Secundário Geral tem reprovado anualmente cerca de 20% a 25% dos alunos, e é considerada como alta, uma taxa de reprovação de 8%, pelo Ministério da Educação (Ministério da Educação e Cultura [MEC] – Moçambique, 2009). Outrossim, a Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio enfrenta esse problema, pois, o 2° ciclo tem alcançado uma taxa média de reprovação anual de 23,5%, conforme os dados dos relatórios anuais de aproveitamento pedagógico desta Escola obtidos no dia 04 de Junho de 2014 (ver anexo B). É evidente que as reprovações constituem não só um grande desperdício de recursos, quer materiais, financeiros ou psíquicos, também contribuem para o aumento do desemprego, dos conflitos e exclusões sociais, e a sua redução continua a ser um dos grandes desafios e constitui uma das prioridades do Ministério da Educação (MEC – Moçambique, 2009 & Ministério da Educação [MINED] – Moçambique, 2014). Igualmente é indubitável que apesar do esforço que tem sido efectuado no nosso país para garantir a qualidade no Ensino Secundário Geral, as taxas de reprovação continuam altas, constituindo uma fonte de preocupação para o nosso Governo (MINED – Moçambique, 2012). 2 Cientes de que só será possível eliminar o mal pela raiz se forem conhecidas as reais causas do problema, essa situação leva-nos a persistir na procura de respostas eficazes sobre: Que factores determinam o insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio? 1.3 Hipóteses Assumiu-se como hipótese básica da pesquisa, a seguinte: Provavelmente o insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundáriada Vila Nova na cidade de Chimoio esteja directamente ligado aos factores psicossociológicos e pedagógicos. A partir da hipótese básica derivaram-se as hipóteses secundárias, mencionadas abaixo: Talvez o desinteresse pela disciplina curricular, não seja o que determina o insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio; Possivelmente as Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística, sejam as razões centrais do insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio; E quiçá, o conhecimento sobre Dificuldades de Aprendizagem, a relação professor – aluno, a finalidade das avaliações escolares, os métodos didácticos e o aperfeiçoamento psicopedagógico, sejam os factores psicossociológicos e pedagógicos que estejam a influir as Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística. 1.4 Justificativa As altas taxas de reprovação verificadas na Escola em estudo desde que o 2° ciclo entrou em funcionamento em 2010, bem como no país em geral, para o Ensino Secundário Geral, atestam a necessidade de aprofundar os estudos sobre os factores do insucesso escolar dos alunos. Assim, escolhemos este tema sobretudo porque temos a informação de que o Governo Moçambicano não entende porquê as políticas e reformas adoptadas continuam a 3 conduzir a resultados insatisfatórios, por que as altas taxas de reprovação continuam a existir (Relatório da AfriMAP, 2012), e porque temos assistido ano após ano muitos casos de insucesso escolar nos nossos alunos. Conquanto, a escolha do local da pesquisa deveu-se ao facto de o pesquisador deste trabalho ser um dos professores do 2° ciclo desta Escola e ao facto de essa Escola ter anualmente maior taxa de reprovação do que a Escola Secundária Samora Moisés Machel, já que essa cidade tem apenas duas (2) Escolas Pré – Universitárias estatais, segundo os dados comparativos dos relatórios anuais de aproveitamento pedagógico da Escola estudada. O Ministério da Educação indica a insuficiência de professores com formação psicopedagógica, os métodos de ensino expositivos, a falta de materiais de ensino, a fraca supervisão e apoio pedagógico, como sendo os principais factores do insucesso escolar no nosso país (MEC – Moçambique, 2009); Entretanto, nossas pesquisas bibliográficas apontam para as Dificuldades de Aprendizagem como sendo as principais causas do insucesso escolar dos alunos (Conceição, 2011 & Gomes, 2013). A melhoria das condições estruturais da escola e a alocação de professores do nível superior com formação psicopedagógica constituem as principais medidas adoptadas no nosso país para combater o insucesso escolar (MEC – Moçambique, 2009); Porém, contribuímos com novos conhecimentos relativos as causas do insucesso escolar dos alunos, na medida em que nossas investigações levam a percepção de que, a solução para o insucesso escolar dos alunos passa sobretudo pela compreensão profunda por parte de cada um dos professores tanto do conceito e classificação das Dificuldades de Aprendizagem como das formas de sua superação e prevenção nos alunos. O impacto directo da implementação dos resultados desse trabalho pelo Ministério da Educação no nosso país será tanto na mudança de atitudes do professor perante os alunos com Dificuldades de Aprendizagem, como na melhoria das acções educativas e redução das actuais taxas de reprovação que se verificam no nosso país. Já que, “sempre algum tipo de explicação para a realidade torna-se necessário” (Luckesi, Barreto, Cosma & Baptista, 2012, p. 73), a relevância científica e política desta investigação circunscreve-se respectivamente, na necessidade de proporcionar uma nova vertente da compreensão das causas do insucesso escolar dos nossos alunos aos cientistas da área de educação, e influenciar os fazedores das políticas públicas educacionais do país, para 4 garantirem o aperfeiçoamento contínuo dos professores na matéria das Dificuldades de Aprendizagem e das formas de sua superação e prevenção. Dado que a Educação é a chave para o desenvolvimento sócio – económico e sustentável de qualquer país, a relevância sócio – económica da presente pesquisa justifica-se pelo facto de, a não existência de marginalidade, desemprego, pobreza e exclusões na nossa sociedade passa necessariamente pela garantia do sucesso escolar a todo o cidadão do nosso país, através do atendimento satisfatório a cada um dos alunos nas nossas escolas pelos professores. O estudo tem relevância pessoal na medida em que, quer o pesquisador deste trabalho, quer qualquer outro professor, ao compreender as reais causas do insucesso escolar e as formas de sua superação e prevenção, estará em excelência para dar atendimento satisfatório a cada um dos seus alunos. Esta pesquisa é especialmente pertinente para os supervisores escolares, gestores pedagógicos e para os professores na medida em que, se por um lado, pode contribuir para a reflexão e compreensão das reais causas do insucesso escolar dos alunos, por outro lado, lança propostas de práticas e acções educativas adequadas para a redução e prevenção das causas concretas do insucesso escolar dos alunos no ensino secundário geral. 1.5 Objectivos Constituiu objectivo geral do nosso estudo, o seguinte: Compreender as reais causas do insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio. Esse objectivo desdobrou-se em outros, que são específicos e que se circunscrevem em: Identificar as causas do insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio; Caracterizar as causas do insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio; Analisar as percepções que os professores e alunos do 2° ciclo da Escola Secundária da Vila Nova têm sobre as causas do insucesso escolar e as Dificuldades de Aprendizagem; Propor medidas e acções estratégicas a longo prazo para a redução e prevenção das causas do insucesso escolar dos alunos, tanto nessa Escola como no país em geral. 5 1.6 Descrição da estrutura da dissertação Além dos elementos pré – textuais que contêm a declaração de honra, a dedicatória, o agradecimento e o resumo, e os pós – textuais com referências bibliográficas, anexos e apêndices, a Dissertação tem a parte textual com cinco (5) capítulos ordenados abaixo: O primeiro é da introdução onde apresentamos o tema da pesquisa, o problema da investigação e as hipóteses, a justificativa e relevância, os objectivos, e ainda a organização geral do trabalho; O segundo capítulo é da revisão bibliográfica onde apresentamos o enquadramento teórico do estudo e os estudos pertinentes efectuados por outros investigadores internacionais e nacionais; O terceiro capítulo é da metodologia e aqui descrevemos essencialmente o tipo de pesquisa, as técnicas e os procedimentos de recolha de dados bem como os métodos e técnicas de apresentação e análise dos resultados; No quarto capítulo que é da apresentação, análise e interpretação de dados, apresentamos os dados quantitativos em gráficos e tabelas, e os dados qualitativos em grelhas e descrições, tambémanalisamos e interpretamos os resultados relevantes à luz das hipóteses propostas e da revisão da literatura; No quinto capítulo, das conclusões e sugestões, respondemos a pergunta de partida e apresentamos medidas de solução do problema. 6 CAPÍTULO 2: REVISÃO DA LITERATURA Nesta parte realizamos um enquadramento teórico do estudo, que consistiu na apresentação e discussão dos estudos pertinentes que existem sobre o insucesso escolar e as Dificuldades de Aprendizagem, as informações dessa parte do trabalho ajudaram-nos não só a construir um modelo de análise eficiente, mas também a interpretar de forma segura os resultados obtidos no campo da pesquisa. 2.1 Revisão da Literatura Teórica O insucesso escolar pode ser visto na perspectiva quantitativa como sendo reprovações (Benavente, 1990) e na pespectiva qualitativa como sendo a não aquisição de competências curriculares necessárias pelos alunos (Dias, 2010), todavia, apesar de não ser um fenómeno novo, é um problema ainda não resolvido (Rodrigues & Reis, 2010). Várias são as teorias explicativas do insucesso escolar que foram evoluindo ao longo do tempo, destacando-se, a teoria dos «dotes» enfatizada desde o final da segunda guerra mundial até ao final dos anos 60 e que culpaaos alunos, a teoria do handicap sócio – cultural consolidada desde o final dos anos 60 até o início dos anos 70 e que culpabiliza a família, e a teoria sócio – institucional que surgiu a partir dos anos 70 e que culpabiliza a escola pelo insucesso escolar (Abreu, 1983; Benavente, 1990; Pereira & Martins, 1978). Ultimamente surgiu a teoria ecológica, nos anos 90, queculpabiliza a todos, os alunos, a família e a escola, pelo insucesso escolar dos alunos (Rosa, 2013). Contudo, nosso trabalho é fundamentado pela teoria sócio - institucional oupsicossociológica da acção educativa, quesustenta que as Dificuldades de Aprendizagem e o respectivo insucesso escolar têm origem na qualidade das acções e práticas educativas da própria escola (Abreu, 1983; Benavente, 1990; Pereira & Martins, 1978), pois a nossa preocupação está voltada essencialmente para a melhoria das acções e práticas educativas; Tal é uma teoria que reúne estudos que investigam diferentes factores escolares como intervenientes na produção do fracasso escolar dos alunos, evidenciando-se, por exemplo, factores como, a inadequação dos métodos pedagógicos, a finalidade das avaliações, as dificuldades na relação professor – aluno, a precária formação do professor e a falta de infra-estruturas das escolas da rede pública de ensino (Abreu, 2013). 7 Essa teoria preocupa-se com a facilitação da aprendizagem de cada aluno (Benavente, 1990), já que cabe a escola o papel de transformação integral e positiva tanto de uma pessoa como da própria sociedade (Bock, Furtado & Teixeira, 2001). Sobre as teorias de aprendizagem, Piaget e Vygotsky explicaram como a aprendizagem de uma pessoa pode ocorrer da melhor forma, na teoria dePiaget o aluno deve ser activo na construção do seu saber, enquanto na teoria de Vygotsky a aprendizagem depende não só da participação activa do aluno, como também da mediação do professor e da boa relação professor – aluno e aluno – aluno (Piaget, 1975 & Vygotsky, 1984). Com isso, aprendemos que na teoriade Vygotskyo aluno com Dificuldades de Aprendizagem pode ser ajudado a superá-las tanto pelo professor como pelos colegas, sendo esta a melhor teoria para garantir a aprendizagem dos alunos que têm Dificuldades de Aprendizagem. 8 2.2 Revisão da Literatura Empírica O insucesso escolar tem sido alvo de muitas análises, reflexões e inquietações, tanto por parte dos governantes quanto de pesquisadores da área da Educação, bem como de todos os agentes sociais envolvidos no processo. Professores, alunos e pais encontram-se no centro da discussão, e persiste o registo de uma elevada taxa de insucesso escolar no nosso país, impelindo-nos por sua vez na continuidade da procura dos factores que permitam identificar as suas reais causas. 2.2.1 Origem, conceito, classificação e panorama do insucesso escolar 2.2.1.1 Origem do insucesso escolar Tendo em reflexão toda a sua grandeza, chegaremos a conclusão de que o insucesso escolar não é um fenómeno recente, discordando deste modo com o que muitos outros autores têm dito (Rosa, 2013); De factoa noção de insucesso escolar na História da Educação surge a partir da escolaridade obrigatória no século XIX, em função das mudanças económicas e estruturais da Sociedade Industrial (Lima, 2008). O insucesso escolar começou a ser observado no momento em que a escola passou a ser pública e gratuita, sendo frequentada pela maioria da população constituída por membros das classes trabalhadoras urbanas e rurais (Forgiarini & Silva, 2007); É um momento em que a escola se tornou uma organização pública bem definida, com currículos estruturados, metas de aprendizagem a serem alcançadas pelos alunos e com o propósito de transmitir o saber instituído bem como inculcar a aquisição desse saber nos alunos, entrementes, existiam alunos que não alcançavam tais metas de aprendizagem, observando-se assim o insucesso escolar, cuja sua existência desde então foi persistindo até aos nossos dias (Mendonça, 2006). 2.2.1.2 Conceito do insucesso escolar O termo ‘insucesso’ tem várias significações, podendo ser abordado sob diferentes perspectivas disciplinares ou em função de diferentes contextos em que se insere; 9 Etimologicamente a palavra ‘insucesso’vem do latim insucessu (m), e da pesquisa do termo ‘insucesso’ no Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, de Ferreira (2010), verificamos que significa ‘mau resultado, falta de bom êxito, malogro, fracasso’. No entanto, percebemos por meio de nossas pesquisas que a expressão ‘insucesso escolar’ é de natureza polissémica, podendo significar, reprovações, atrasos, repetências, abandonos, desinteresse, fracasso escolar, mau aproveitamento escolar (Benavente, 1990), e na perspectiva mais ampla, a qualitativa, o insucesso escolar significa a não aquisição de competências inerentes aos objectivos curriculares da classe em que os alunos aprovaram (Dias, 2010). Membros da comunidade educativa, responsáveis da administração e políticos, adoptam a perspectiva quantitativa, e consideram o insucesso escolar como sendo as altas taxas de reprovações escolares (Pires etal., 1991, cit. por Ferreira, 2009); O mesmo ponto de vista é adoptado por vários autores Portugueses, tais como, Justino, Pascueiro, Franco, Santos, Almeida e Batista (2014, p. 37), aoentenderem o insucesso escolar comosendo “a repetência ou retenção, durante um oumais anos ao longo do percurso escolar dos alunos”; Nota-se que tais autores expressão o insucesso escolar pela acumulação de retenções. Enquanto, Weiss (2004) conceituouo insucesso escolar como “uma resposta insuficiente do aluno a uma exigência ou demanda da escola” (Lima, 2008, p. 4). Esse conceito faz-nos entenderque o insucesso escolar é o resultado negativo ou insatisfatório que um aluno adquire quer após a realização de uma determinada avaliação escolar quer no final do ano lectivo e que revela a não aquisição de competências necessárias pelo aluno. 2.2.1.3 Classificação do insucesso escolar Devido a sua essência polissémica, o insucesso escolar tem sido distribuído em classes por diversos autores; Há autores que classificam o insucesso escolar emparcial ou selectivo, que se refere a apenas uma ou algumas disciplinas curriculares, e em generalizado, que se refere à maioria ou a todas as disciplinas necessárias para a progressão de ano (Chansou, 1970 & Mannoni, 1979, cit. por Mendonça, 2006); Outros autores classificam o insucesso escolar em, visível, na medida em que é produzido em termos quantitativos através de reprovações, repetências ou abandonos, e em 10 invisível, quando é expresso em termos qualitativos como no caso das frustrações individuais e da formação inadequada (Pires, 1988, cit. por Mendonça, 2006). O insucesso escolar pode ainda ser classificado em, constante, que resulta de uma desorganização grave da personalidade, e em insucesso pontual, quando corresponde apenas a uma ruptura na continuidade (Chiland, 1971, cit. por Mendonça, 2006). Portanto, constatamos que não é utilizado apenas um indicador para o fenómeno do insucesso escolar, mas sim vários, tais como os resultados negativos nos exames, as reprovações, os abandonos e os atrasos da escolaridade. Assim, neste estudo optamos por considerar o conceito mais institucional, insucesso escolar visível e generalizado, isto é, a não obtenção dos resultados escolares esperadosque se traduzem nas elevadas taxas de reprovação dos alunos no final do ano lectivo, não querendo com isto menosprezar osrestantes indicadores, na medida em que importa interrogarmo-nos sobre as causas do insucesso escolar, e entendê-las obriga impreterivelmente a sua análise, recorrendoa perspectivade interpretação mais contextualizada, tendo sempre como finalidade o aperfeiçoamento das acções e práticas educativas e consequentemente a melhoria da qualidade do ensino. 2.2.1.4 Panorama do insucesso escolar Avaliando a situação do insucesso escolar pela sua extensão e generalidade, nota-se que este constitui um dos sintomas mais significativos do mal-estar existente nos sistemas educativos de um grande número de países e é um indício queevidencia a crise mundial da educação (Abreu, 1983). As avaliações internacionais de desempenho escolartiveram seu início nos anos de 1960, e foram expandindo-seaté aos nossos dias, e as conclusões dessas avaliações têmmostrado baixos resultados em muitos países, sendopiores nos países em desenvolvimento do que nosdesenvolvidos (UNESCO, 2008). De acordo com o Relatório de Monitoramento Globalde Educação Para Todos (EPT) de 2008, arepetência é um problema presente em muitos países do mundo, sendo mais elevada nos da África Subsaariana, da América Latina e Caribe e do Sul e Oeste da Ásia (UNESCO, 2008). Esse Relatório mostra ainda que entre 1999 e 2004, a taxa de rendimento escolar aumentou na maior parte dos países que dispõem de estatísticas, porém continua 11 reduzida na África Subsaariana (média de 63%) e naÁsia Meridional e Ocidental (79%) (UNESCO, 2008). Com vista a introdução de aperfeiçoamentos e de mudanças qualitativas no sistema educativo, tem-se assistido nos últimos anos a uma crescente preocupação pela problemática do insucesso escolar traduzida na realização de trabalhos de pesquisa, na publicação de numerosos livros e artigos, e na organização de simpósios, colóquios e reuniões de professores, psicólogos, sociólogos, pedagogos, especialistas de organização e planificação do ensino. Contudo, escassos são ainda os trabalhos que procuram aliar a preocupação de estudo ou de esclarecimento dos factores e processos responsáveis pelo insucesso escolar à preocupação de intervenção prática na perspectiva Psicossociológica da acção educativa. No Brasil, por exemplo, autoras como Pinheiro e Weber (2012) em sua análise documental de 15 artigos publicados entre os anos de 2008 e 2011, sobre o insucesso escolar, concluíram que as explicações para o insucesso escolar focadas no aluno, em sua família e em sua cultura continuam vigentes, sendo que 67% dos artigos analisados apontam para os factores psicológicos do insucesso escolar, 19% para os factores sócio-culturais e apenas 9% apontam para os factores psicossociológicos da acção educativa. Em Portugal, onde a taxa de insucesso escolar de 2011 no ensino secundário foi de 39,42%, não se conseguiu ainda reduzir de forma significativa, neste ensino, a acumulação da retenção, e estima-se que dos alunos actualmente a frequentar o ensino secundário cerca de 1/3 tem pelo menos uma retenção no seu trajecto escolar (Justino et al., 2014, p. 39). Igualmente neste pais, num estudo recente de Miguel, Rijo e Lima (2012, p. 138), intitulado ‘Factores de Risco para o Insucesso Escolar: A relevância das variáveis psicológicas e comportamentais do aluno’concluiu-se que, “são os fatores de natureza cognitiva, comportamental e interpessoal, focados no aluno, que apresentam maior potencial de mudança. (…) variáveis (…) intervencionadas à luz dos modelos psicológicos”. Noutros estudos sobre o insucesso escolar, tais como os efectuados por Freire (2006) em Cabo Verde, por Mendonça (2006) e Martinho (2007) ainda em Portugal, relacionou-se o insucesso escolar com os factores sócio-culturais; Os resultados conseguidos por Freire (2006, p. 63) na sua pesquisa permitiramna confirmar que “oinsucesso escolar está fortemente marcado: pela posição sócio económico 12 familiar”, Mendonça (2006, p. 554) por sua vez destacou que “o desempenho académico dos alunos é indissociável das atitudes e dos contextos familiares de origem”, enquanto Martinho (2007, p. 6) observou que os resultados do seu estudo “permitem estabelecer um nexo de relação entre os problemas sócio-culturais familiares e o insucesso escolar” dos alunos pesquisados. Portanto, prevalecem as explicações para o insucesso escolar baseadas sobretudo na teoria dos «dotes» e na teoria do handicap sócio – cultural. Todavia, quer a perpectiva psicológica do insucesso escolar, quer a sóciocultural, apresentam suas limitações e insuficiências, na medida em que não favorecem mudanças e melhorias qualitativas ao nível da escola, pois, se por um lado na perspectiva psicológicadá-se maior ênfase ao apoio médico-pedagógico individualizado, por outro ladona perspectiva sócio-cultural a preocupaçãocentra-se nas transformações súbitas da macroestrutura social ou nas mutações do sistema de organização económica e política da sociedade (Abreu, 1983). Com efeito, neste trabalho escolhemos a perspectiva psicossociológica, que supera em grande medida as limitações impostas quer pela perspectiva psicológica que considera o comportamento como produto exclusivo da herança genética, quer pela sóciocultural que encara o comportamento como produto das condições ambientais, porque, a perspectiva psicossociológica concebe o comportamento como uma estrutura ou sistema de interacções recíprocas, organismo-meio, sujeito-situaçãoou eu-mundo, e tal concepção torna favorável a melhoria da qualidade das acções e práticas educativas ao nível da escola. E dentre os poucos estudos recentes cujas conclusões estão voltadas para a transformação da realidade escolar destacam-se os das BrasileirasNery (2009) e Silva (2012); Baseando-se numa pesquisa etnográfica, Nery (2009, p. 6) identificou os factores psicossociológicos da acção educativa que se mostram fundamentais para a qualificação do processo ensino-aprendizagem dos alunos, quando afirmou que: Por meio da pesquisa etnográfica, percebeu-se a importância no cotidiano da sala de aula de valores, atitudes e ações pedagógicas voltadas para a co-responsabilização da professora e dos/as alunos/as sobre o espaço da sala de aula; a construção do respeito mútuo; a importância da produção coletiva e da elaboração contínua de atividades lúdicas e prazerosas; o desenvolvimento de atividades diferenciadas com o mesmo objetivo pedagógico; a qualidade das interações com o patrimônio cultural da sala de aula e o exercício do afeto e do cuidado com o outro. 13 Entretanto, após uma reflexão sobre o insucesso escolar aos olhos da psicopedagogia, Silva (2012, p. 6) concluiu que “o compromisso do psicopedagogo é com a transformação” da realidade actual que a escola vive. 2.2.2 Manifestações, consequências e causas do insucesso escolar 2.2.2.1 Manifestações do insucesso escolar O insucesso escolar pode manifestar-se de diversas formas, porém muitos autores têm mencionado apenas três (3) delas, por oferecem a possibilidade de se poder medir a própria eficácia do sistema educativo, e evidenciam-se: ü O abandono precoce da escola pelos alunos; ü As reprovações sucessivas que dão lugar a grandes desníveis entre a idade cronológica do aluno e o nível escolar, bem como os níveis de fracasso que podem ser totais (em todas as disciplinas ou quase) ou parciais (numa ou duas disciplinas); ü A passagem dos alunos para tipos de ensino menos exigentes, que conduzem a aprendizagens profissionais imediatas, mas os afasta do ingresso no ensino superior (Abreu, 2013; Delors, 1996; Martins, 2006 & Pires, 2008). 2.2.2.2 Consequências do insucesso escolar As consequências do insucesso escolar são várias e não são boas, pode-se até dizer que são dramáticas, na medida em que o insucesso escolar é sinónimo do insucesso social. A lista das consequências do insucesso escolar inclui a frustração dos alunos que os leva a desmotivação e ao desinteresse escolar, a baixa auto-estima, o baixo autoconceito académico, a angústia, a depressão, o absentismo nas aulas, o abandono escolar precoce, o consumo de droga, a prostituição, a gravidez indesejada, o desemprego, a dificuldade de inserção sócio – profissional, a não rentabilização dos esforços individual, familiar e social, a delinquência, a sóciopatia ou os conflitos e exclusões sociais, o desperdício de energia psíquica investida por professores e alunos, o desperdício de recursos materiais e financeiros pelo governo e a falta de mão – de – obra qualificada (Abreu, 1983; Camargo, 1975, cit. por Roazzi &Almeida, 1988; Fonseca, 1999 &Martins, 2006). 14 Portanto, são consequências realmente catastróficas, que tornam necessário que todos os actores sociais envolvidos no processo educativo redobrem esforços no sentido de encontrar as verdadeiras causas do insucesso escolar nos diferentes níveis de ensino e propor soluções eficazes para a sua redução. Entrementes, há quem valorize a reprovação alegando que constitui um factor de reforço para que o aluno se aplique nos estudos; Todavia, a reprovação ou a repetência escolar nem sempre desencadeiam os comportamentos e os resultados esperados de modo a sua justificação como prática educativa, e dizer que isso eleva o nível de ensino ou obriga o aluno a estudar nem sempre corresponde a verdade, porque existem alunos que repetem um mesmo ano de escolaridade sem se motivarem acabando geralmente por abandonar a escola sem aprenderem o mínimo ou ficarem mais habilitados para a vida (Roazzi & Almeida, 1988). Sendo assim, tais consequências devem impelir a escola a se reorganizar urgentemente para dar a cada aluno a possibilidade de desenvolver as suas áreas fortes (Campos, 2010), pois, a “razão da escola justifica-se pela transformação das crianças em seres humanos autónomos, independentes e pensadores, ouseja, capazes de iniciarem, elaborarem e pragmatizarem ideias” (Fonseca, 1999, p. 524). 2.2.2.3 Causas do insucesso escolar Existem várias causas para o insucesso escolar, que estão em função das diferentes teorias explicativas deste problema (Abreu, 2013); Porém, devemos ter a consciência de que o insucesso escolar não é uma fatalidade e que os alunos não estão destinados a serem maus ou bons alunos, tudo depende do funcionamento da escola, da sua interacção com o meio social e das características do próprio aluno; Issopor sua vez nos remete a sintetizar as causas em três (3) categorias, a saber, causas individuais ou psicológicas relacionadas com o aluno, causas sociais relacionadas com o ambiente social, e causas escolares relacionadas com a estrutura e funcionamento da instituição escolar (Abreu, 1983; Freire, 2006 &Silva, 2004). As causas individuais são explicadas pela teoria dos ‘dotes’ ou pela perspectiva individualista – defectológica e envolvem o atraso do desenvolvimento cognitivo e a instabilidade característica na adolescência, são as que levam os alunos ao desinteresse e a 15 indisciplina; As causas sociais são explicadas pela teoria sócio – cultural ou pela perspectiva ambientalista – sociológica e abrangem os conflitos familiares, a origem social dos alunos e a demissão dos pais da educação dos filhos, são causas que levam os alunos a se sentirem rejeitados e a abandonarem a escola; Enquanto, as causas escolares são explicadas pela teoria sócio – institucional ou psicossociológica e pedagógica, na qual o insucesso escolar é visto como o resultado duma relação quotidiana entre as práticas escolares e os alunos, assim, trata-se de explicar as causas do insucesso escolar tendo como base científica a Psicossociologia que “interessa-se pelos componentes e pelos processos que intervêm na vida dos grupos onde todos os membros, numa relação interpessoal, existem psicologicamente uns para os outros e em situação de interdependência de interacção potencial” (Galinha, 2011, p. 5); As causas escolares abarcamos métodos didácticos, a relação professor – aluno, o padrão de avaliações, o estilo de liderança do director, o número de alunos por turma, os currículos, as cargas horárias semanais para alunose a centralização do sistema educativo, essas são causas que acarretam sobretudo a falta de paciência e tempo ao professor para ultrapassar as dificuldades de aprendizagem de cada um dos seus alunos e o consequente insucesso escolar (Abreu, 1983; Freire, 2006 & Silva, 2004). Apesar de seremvariadíssimas as causas que podem levar um aluno ao insucesso escolar, é essencial isolaras que mais contribuem de forma contextualizada para o insucesso escolar quer a nível da escola quer a nível de um determinado ciclo de ensino ou mesmo a nível do aluno (Rosa, 2013), e é nesta tarefa onde reside a grande dificuldade dos analistas das causas do insucesso escolar (Abreu, 2013). Mas, é importante saber que actualmente o desinteresse escolar deixou de ser aceite como explicação para o insucesso escolar anual de muitos alunos (Alexandre, 1999) e a culpa passou a ser assumida como um fracasso de toda a comunidade escolar, na medida em que o sistema escolar não tem sido capaz de motivar os alunos, de os reter e fazer com que tenham êxito (Abreu, 2013 & Pires, 2008). Não obstante, quando abordou o insucesso escolar na perspectiva sociológica, Mendonça (2006, p. 149) corroborou o facto de que a teoria dos ‘dotes’ relacionada com as causas individuais, onde se inclui o desinteresse do aluno, está fora de uso, porque disseque “a 16 crença de que o sucesso escolar é um facto natural, ligado aos dons individuais, parece-nos pois, ultrapassada, (…).” Considera-se aluno com desinteresse escolar, aquele que frequenta as aulas por obrigação, não participa nas actividades escolares básicas, não se preocupa em fazer a prova perdida e não entrega os trabalhos escolares (Pezzini & Szymanski, s/d, 2014), enquanto, um aluno desmotivado nos estudos é aquele que tem desinteresse escolar (Carrilho, 2012, p. 17). Entretanto, alguns autores verificaram que o desinteresse do aluno pelos estudos surge como consequência do seu insucesso escolar, quando observaram que“o insucesso assim como expectativas permanentes de insucesso levam ao desinteresse (…) ” (Robinson & Tayler, 1988, p. 106). Sendo assim, como fazedores da educação temos um grande desafio de cumprira nova missão da escola que é de igualizar todos os alunos no sucesso educativo, garantindo 0% de negativas, o que implica um trabalho incansável na procura das reais causas que levam os alunos de uma determinada escola ou ciclo de ensino ao insucesso escolar (Abreu, 2013). Encontramos hoje muitos autores que consideram as Dificuldades de Aprendizagem como sendo as reais causas do insucesso escolar dos alunos, evidenciando-se, Conceição (2011), Ferreira (2008) e Gomes (2013); Nos seus estudos Conceição (2011, p. 45) verificou que, “um dos problemas mais persistentes e intrigantes é o fracasso escolar proporcionado pelas dificuldades de aprendizagem.” Essa verificação é semelhante com a de Ferreira (2008, s/p), que declarou que“as dificuldades de aprendizagem acabam por provocar o fracasso escolar”, e que nos fez perceber ainda que as Dificuldades de Aprendizagem são muitas vezes reacções incompreendidas de crianças neurologicamente normais, mas que estão sendo obrigadas a adaptar-se às condições antagónicas das salas de aulas. A autora Gomes (2013, s/p), foi mais precisa no seu discurso que indica as reais causas do insucesso escolar dos alunos, quando disse que: As dificuldades de aprendizagem apresentam-se como factores determinantes do baixo rendimento escolar de muitos educandos levando-os, muitas vezes, à evasão e a repetência por não conseguirem aprender significativamente e acompanhar o desenvolvimento da turma na abordagem dos conteúdos curriculares. 17 Os alunos com Dificuldades de Aprendizagem manifestam problemas nas áreas de expressão oral, compreensão auditiva, expressão escrita, capacidade básica de leitura, compreensão da leitura, cálculos matemáticos e raciocínio lógico, e embora apresentem uma capacidade intelectual normal ou superior, mostram uma realização escolar que é abaixo donormalem algumas áreas académicas, havendo deste modo uma discrepância entre a realização escolar e a capacidade intelectual (Campos, 2010); Isso está em harmonia com a análise de Mwamwenda (2009, p. 319), na qual o aluno com Dificuldades de Aprendizagem tem capacidade intelectual normal, porque o seu aproveitamento em algumas disciplinas corre melhor do que em outras. As Dificuldades de Aprendizagem interferem significativamente quer no rendimento escolar dos alunos quer nas actividades da vida que exigem capacidade de leitura, escrita ou matemática (Associação Portuguesa de Pessoas com Dificuldades de Aprendizagem Específicas [APPDAE], 2013). E torna-se fundamental que a avaliação e a intervenção nas Dificuldade de Aprendizagem dos alunos seja feita na idade infantil, pois, por ser a fase mais moldável, é fácil levar os alunos ao sucesso na aprendizagem escolar, e o papel da escola tanto nesse como em muitos outros sentidos na vida das crianças, deve ultrapassar o âmbito pessoal e se reflectir no crescimento da sociedade como um todo (Maluf, 2013). No entanto, antes de aduzir os detalhes sobre o conceito das Dificuldades de Aprendizagem, seus tipos e sua diferença com outros problemas de aprendizagem, é indispensável tecermos algumas considerações sobre a Aprendizagem, já que encontra-se envolvida nesse processo. 2.2.3 Conceito e classificação de Aprendizagem, Aprendizagem mais adequada 2.2.3.1 Conceito de Aprendizagem A Aprendizagem é “um processo de aquisição espontânea ou intencional, institucionalizada ou não, mais ou menos complexo que modifica em alguma medida a pessoa” (Quintas & Munoz, 1988, p. 48). Na perspectiva do condicionamento a Aprendizagem é considerada como a conexão entre o estímulo e a resposta, enquanto na perspectiva cognitivistaé vista como umprocesso de organização de informações e integração do material pela estrutura cognitiva na medida em que o aprendente se relaciona com o mundo externo (Bock et al., 2001). 18 Analisando as ideias acima mencionadas sobre o conceito de Aprendizagem, podemos ainda entender a Aprendizagem como sendo um processo de aquisição ou modificação de competências, habilidades, conhecimentos, comportamentos ou valores, por um sujeito, através de estudo, experiência, formação, raciocínio e observação. No entanto, tendo em conta que a mudança do comportamento significa manifestação de novos pensamentos e novas acções sobre uma determinada situação por um indivíduo, durante o processo da sua aprendizagem, o aprendente tem a obrigação de observar e praticar o que deve aprender, bem como raciocinar sobre o que está a aprender; Sendo assim, se o aprendente não tiver habilidades ou se tiver dificuldades em observar e praticar o que deve aprender ou raciocinar sobre o que está a aprender, a sua aprendizagem estará comprometida; Isso remete-nos para a compreensão de que a dificuldade ou a falta de aptidões no aprendente para estudar ou raciocinar logicamente sobre a matéria a ser apreendida, constitui um factor que pode afectar negativamente o processo da sua aprendizagem culminando com o seu insucesso escolar e subsequentemente social. 2.2.3.2 Classificação de Aprendizagem Em conformidade com Quintas e Munoz (1988, pp. 48-52) as Aprendizagens são classificadas segundo vários critérios, dentre os quais destacam-se: a) Segundo o nível de consciência ou intencionalidade: ü Dirigida – didáctica: O aluno recebe os conhecimentos; ü Espontânea – heurística: O aluno descobre os conhecimentos. b) Segundo o grau de personalização ou significação: Ø Memorística ou mecânica: Há memorização sem compreensão do significado; Ø Significativa ou efectiva: Há compreensão e integração do novo conteúdo na estrutura mental ou cognitiva do aluno. c) Segundo o grau de participação do sujeito: v Memorística: Quando a actividade mental realizada pelo aluno é mínima; v Significativa: Quando a actividade mental realizada pelo aluno é máxima; v Manipulativa: Quando o aluno realiza somente a actividade motora; v Experimental – investigadora: Quando o aluno realiza actividade motora e mental. 19 d) Segundo o grau de planificação e estruturação da informação: Receptiva: Relaciona-se com o ensino directo centrado no professor, no qual o aluno recebe a informação previamente estruturadapelo professor, é fundamentada na teoria comportamentalista de Pavlov e Watson, e inclui o método da Aprendizagem de Mestria de Benjamim Bloom, o método Expositivo de David Ausubel, o método do Ensino Programado de Burrhus Skinner e o método interrogativo (Gago, 2012, p. 17). Por descoberta autónoma ou pura: Relaciona-se com o ensino indirecto centrado no aluno, no qual o aluno é quem investiga e estrutura a informação sem orientação do professor, enfatiza-se apenas a interacção entre o alunoe a matéria, baseia-se na teoria cognitivista de Piaget, e assemelha-seao método deTrabalho Independente, ao método de Aprendizagem por Pesquisa, ao método de Estudo de Caso, e ao método de Resolução de Problemas, assentes sobretudo nas teorias de John Dewey, Jerome Bruner e Seymour Papert (Gago, 2012). No método indirecto o “formador é um observador e só intervém para ajudar a compreender a situação vivida pelos formandos e para analisar certos comportamentos ou reacções” (Rodrigues & Ferrão, 2007, p. 95). Por descoberta guiada: Relaciona-se com o ensino semi – directo centrado tanto no aluno como no professor, no qual o aluno é quem investiga e estrutura a informação com uma boa orientação do professor, enfatiza-se não só a interacção entre o alunoe a matéria, mas também a interacção social entre o aluno e o professor ou colegas, baseia-senateoria sócio – cognitivista de Vygotsky, e pode ter como variedades o método de pesquisa guiada, o método de trabalho em grupo, o método de discussão, o método de elaboração conjunta e o método de tempestade mental (Gago, 2012; Libâneo, 1994; Marques, 2006; Tarrio, 2008& Tavares, 2011). O método de ensino semi-directodiferencia-se dos outros porque nele “os participantes interagem entre si, é lançada a discussão e há troca de opiniões sobre o problema, mas continuam ligados ao formador. (…) formador (…) seu papel é fundamental enquanto orientador e regulador da dinâmica formativa” (Rodrigues & Ferrão, 2007, p. 95). 20 2.2.3.3 Aprendizagem mais adequada Pode perceber-se que na Aprendizagem receptiva o aluno é passivo, pois não lhe é dada a oportunidade de construir as suas experiências e monitorar as suas aprendizagens; Esse tipo de Aprendizagem tem a desvantagem de não estimular no aluno o desenvolvimento da autonomia, criatividade einovação, todavia é muito importante quando se trata de apresentar nova informação, da indisponibilidade dos recursos aos alunos e de ensinar regras e procedimentos para a realização de uma determinada tarefa, como por exemplo, a tarefa de estudar (Oliveira, 2010). Por outro lado, embora a aprendizagem por descoberta pura proporcione no aluno o desenvolvimento da autonomia, criatividade, e capacidade para inovação e resolução de problemas quotidianos, essa aprendizagem não é adequada para os alunos que têm Dificuldades de Aprendizagem (Mayer, 2004); Pois, os problemas na compreensão da leitura, nos cálculos matemáticos e no raciocínio lógico, que os alunos com Dificuldades de Aprendizagem possuem, constituem factores impeditivos para que possam efectuar uma aprendizagem autónoma (Campos, 2010). Por essa razão muitos alunos quando são dados trabalhos de investigação não fazem e acabam tendo resultado escolar negativo. Apenas os alunos que não têm Dificuldades de Aprendizagem e que têm um domínio profundo dos métodos e técnicas de estudo ou de pesquisa é que são capazes de ter sucesso numa aprendizagem por descoberta pura. A Aprendizagem pela descoberta mas guiada é a melhor para a promoção de aprendizagens em ambientes construtivistas, porque envolve aexplicação e aorientação do professor aos alunos sobre os objectivos a serem alcançados e as ferramentas e técnicas de estudo básicas a serem utilizadas pelos alunos para alcançarem os objectivos (Mayer, 2004). Constituem ainda características da Aprendizagem por descoberta guiada, as seguintes: Utiliza, em determinados momentos, o modelo conductista (ocasiões mais escassas em que o uso deste modelo se faz necessário); Adquirem especial importância as relações de comunicação em que professor e aluno, cada um de sua situação, se sentem igualmente protagonistas. Trata-se não de que só o aluno seja protagonista (purocentrismo) ou o professor (métodos tradicionais) mas de que sejam ambos, tendo cada um suas próprias iniciativas e acções (Gervilla, 1988, p. 123). 21 Uma das actividades mais importantes de orientação do professor aos seus alunos é o ensino de técnicas de estudo, pois geralmente por não conhecerem as técnicas de estudo, os alunos acabam adquirindo o insucesso escolar, conforme atestam as palavras que se seguem, “as técnicas de estudo e de trabalho pessoal são ignoradas ou pouco conhecidas por um bom número de alunos, que com frequência obtém um rendimento baixo” (Gervilla, 1988, p. 108). As técnicas de estudo devem ser fornecidas aos alunos nos ciclos iniciais e médio, procurando garantir neles uma aprendizagem verdadeira, isto é, uma aprendizagem que seja significativa, integradora, operante, transferente e motivadora, descartando-se assim a habitual aprendizagem fragmentária, memorística, repetitiva, sem relações e sobretudo sem significação e desmotivadora (Gervilla, 1988). A necessidade do domínio das técnicas de estudo pelo aluno para o seu sucesso escolar também é sustentada por Carita, Silva, Monteiro e Diniz (2001), quando disseram que: Vale a pena ajudar a desenvolver competências transversais de estudo, nomeadamente pelo valor preventivo das mesmas na emergência de algumas dificuldades no percurso escolar. Não se nasce estudante. Ser estudante é um ofício que se constrói, que se aprende. Por conseguinte é possível e necessário que a escola ajude explicitamente os estudantes na construção deste papel. Trata-se, alias, de uma ajuda que se tornou tanto mais indispensável quanto o desenvolvimento social trouxe à escola crianças e jovens cujas famílias de origem a ela não tiveram acesso e que, portanto, conhecem mal os seus mecanismos e as suas exigências (p. 121). Compreendemos que estudar não é simplesmente decorar algo, mas sim é um trabalho específico que implica a utilização de habilidades, técnicas e instrumentos apropriados pelo Homem para a aquisição de conhecimentos necessários para o seu bem – estar, ou para a compreensão e elucidação da realidade que o cerca (Luckesi, et al., 2012). A importância do conhecimento das técnicas de estudo pelos alunos reside no facto de garantir o seu sucesso escolar, na medida em que evita o surgimento de algumas Dificuldades de Aprendizagem nos alunos, e também de garantir a aprendizagem ao longo da vida, pois, como afirmou Tavares (2011, p. 102), o “mais importante do que aprender o conteúdo transmitido pelo professor é o aluno dominar o método de se chegar ao conhecimento.” 22 No entanto, o aluno não sai de casa para a escola munido dessas habilidades ou técnicas, pois, muitas das vezes o seu encarregado de educação também não conhece essas técnicas, sendo imprescindível que a própria escola ensine as técnicas de estudo a cada um dos seus alunos. Não é propósito deste trabalho pormenorizar as técnicas de estudo (técnicas de organização ou tratamento da informação), por constituírem um tema muito vasto, contudo é importante apresentar as principais técnicas de estudo, úteis para o sucesso escolar de um aluno, a saber, leitura (global, selectiva, compreensiva, crítica e reflexiva), sublinhado, anotação, parafraseado ou comentário de textos, realização de esquemas e gráficos, resumo ou síntese de livros e elaboração de fichas, incluindo a composição de livros e revistas com essas fichas (Carita et al., 2001; Carrilho, 2012&Gervilla, 1988). Por não terem adquirido as competências necessárias para uma leitura orientada para o estudo, muitos alunos confundem o saber ler com o ‘seguir com os olhos’ ou com a reprodução em som dos caracteres impressos, sem atentar na necessidade de compreender o que é lido, provocando com isso a falta da compreensão da matéria pelo aluno e o consequente insucesso escolar (Carita et al., 2001). Sobre a técnica de resumo temos a seguinte informação: De todas as actividades de tratamento da informação escrita, o resumo é a que exige da parte do aluno uma maior (…) capacidade de seleccionar informação relevante sobre um tema. É uma técnica muito útil para que o aluno faça uma retenção e assimilação eficaz dos conteúdos.O resumo é uma etapa fundamental para a aprendizagem (…). Assim, é importante que o professor despenda algumas aulas treinando os alunos através de vários textos da sua disciplina (Carita et al., 2001, p.66). Notamos que o resumo, tido como a condensação do essencial de um texto a cerca de vinte e cinco por cento da sua extenção mantendo a ideia básica e as características do texto orginal (Carrilho, 2012), é uma técnica central para o sucesso escolar dos alunos, na medida em que nela culminam as outras técnicas, tais como a de leitura, sublinhado, anotaçãoe elaboração de esquemas, pois constituem caminhos para se alcançar o resumo (Carita et al., 2001, p. 82), por isso, podemos dizer que o aluno que não sabe resumir também não sabe estudar, ele tem Dificuldade de Aprendizagem Organizacional (Correia, 2004, p. 373). Diferentemente das actividades do aluno na Aprendizagem Receptiva que são basicamente de escutar, anotar e questionar o professor, na Aprendizagem por descoberta pura ou guiada as actividades do aluno passam a ser de investigar, analisar dados, consultar fontes, 23 organizar materiais, sintetizar ideias, elaborar informes eapresentar oralmente resultados, no entanto, nestes últimos tipos de aprendizagem requer-se uma preparação anterior nas técnicas de estudo mencionadas (Barrios, s/d cit. por Gervilla, 1988, p. 109). Apreendemosque na aprendizagem por descoberta pura o aluno investiga por si só a matéria, enquanto na aprendizagem por descoberta guiada o aluno investiga sob orientação do professor, sendo essa a Aprendizagem mais adequada para alunos que têm Dificuldades de Aprendizagem, pois podem ser ajudados a superá-las, enfim é uma Aprendizagem que torna também a pessoa íntegra, responsável e solidária, por incluir a interação social. 2.2.4 Conceito e classificação de Dificuldades de Aprendizagem (DA) 2.2.4.1 Conceito de Dificuldade de Aprendizagem No presente trabalho adoptamos o conceito de Silva e Lautert (s/d), segundo o qual a Dificuldade de Aprendizagem é um problema simples de aprendizagem, experimentado por qualquer indivíduo normal, em algum momento da sua vida estudantil, é transitório e é comum ocorrer. Tal conceito harmoniza-se com o de Hashimoto (1977, p. 105) citado por Oliveira (2014) que considerou a Dificuldade de Aprendizagem como sendo “uma situação momentânea na vida do aluno, que não consegue caminhar em seus processos escolares, dentro do currículo esperado pela escola, acarretando comprometimento em termos de aproveitamento e/ou avaliação.” 24 Oliveira (2014) apresentou-nos um quadro que nos ajuda a compreender as diferenças entre os principais problemas de aprendizagem, o qual se segue: Quadro – 1: Comparação entre Dificuldades escolares, problemas e distúrbios Profissional Médico Especialista (fonoaudiólogo, psicólogo ou psicopedagogo) Professor e orientador educacional Professor capacitado - perfil de pedagogo com educação especial Fonte: Oliveira, 2014. Competência Distúrbio/Transtorno/deficiência (doença) Actuação Consultório Problema/Transtorno/deficiência (diagnóstico específico) Consultório Dificuldade de Aprendizagem Escola Deficiência SIR - Salas de Integração e Recursos Medidas Exames clínicos Medicação Terapias específicas Metodologias, estratégias, recuperação do aluno Apoio ao aluno e escola na parte pedagógica da aprendizagem Nesse quadro entendemos que as Dificuldades de Aprendizagem constituem um problema do ensino regular cujos responsáveis são os professores e os supervisores pedagógicos ou técnicos da Comissão de Apoio Pedagógico (CAP) que devem estudar estratégias metodológicas para ajudarem os seus alunos a superarem as suas Dificuldades de Aprendizagem. 2.2.4.2 Classificação de Dificuldades de Aprendizagem A classificação das Dificuldades de Aprendizagem e respectiva caracterização é muito importante para a solução da problemática do insucesso escolar dos alunos, na medida em que permite a identificação dos alunos com Dificuldades de Aprendizagem pelos professores ou supervisores pedagógicos e a compreensão da situação de cada um dos seus alunos com vista ao estudo de estratégias metodológicas e de acompanhamento para a sua superação; As Dificuldades de Aprendizagem são classificadas de diversas formas por diferentes autores e sob distintas perspectivas, na perspectiva comportamentalista as Dificuldades de Aprendizagem significam inabilidades ou distúrbios que exigem um tratamento clínico, enquanto na perspectiva sócio – construtivista de Vygotsky, são simples dificuldades que qualquer um enfrenta ao longo do processo da sua aprendizagem necessitando de um mediador para a sua superação (Brito, s/d). Tendo em conta a lógica do nosso conceito sobre as Dificuldades de Aprendizagem, decidimos aceitar, pela sua simplicidade, clareza e precisão, à proposta de 25 classificação apresentada porCorreia (2004, p. 373) citado por Cruz (2009, p. 96), o qual, suportando-se numa vasta revisão bibliográfica, nos sugere que, até então, já foram identificadas, pelo menos seis categorias de Dificuldades de Aprendizagem, no entanto, resolvemos excluir a categoria de Dificuldade de Aprendizagem Motora e Visuo – espacial por envolverem inabilidades, passando a considerar quatro categorias de DA, nomeadamente: Ø Académica: É uma das mais comuns no seio das Dificuldades de Aprendizagem, e os alunos podem apresentar dificuldades nas áreas da matemática (discalculia), leitura (dislexia) e escrita (disgrafia e/ou disortografia); Ø Organizacional: O aluno tem dificuldades em cumprir tarefas com sequência, “o aluno tem, ainda, dificuldade em resumir e organizar informação, o que o impede, com frequência, de fazer os trabalhos de casa, apresentações orais e outras tarefas escolares afins.” Aqui compreendemos que um dos motivos que leva um aluno a não fazer trabalhos escolares é não saber resumir eorganizar ou tratar uma informação, isto é, não saber estudar (Carita et al., 2001). Ø Sócio – emocional: O aluno tem “dificuldade em cumprir regras sociais (esperar pela sua vez) e em interpretar expressões faciais, o que faz com que seja, muitas vezes, incapaz de desempenhar tarefas consentâneas com a sua idade cronológica e mental.” Em relação a essa Dificuldade de Aprendizagem, podemos entender que é a que se encontra no aluno indisciplinado, visto que, a sua conduta é antagónica àquela estabelecida pela escola ou pela sociedade. Ø Auditivo – linguística: Prende-se com um problema de percepção que, frequentemente, “ (…), leva o aluno a ter dificuldade na execução ou compreensão das instruções que lhe são dadas. Não é, portanto, um problema de acuidade auditiva (o aluno consegue ouvir bem), mas sim de compreensão/percepção daquilo que é ouvido.” A nossa compreensão sobre essa Dificuldade é que o aluno que a apresenta não consegue entender a matéria explicada pelo professor; Essa Dificuldaderelaciona-se com a Dificuldade de AprendizagemOrganizacional, na medida em que um aluno que não sabe estudar dificilmente pode assimilar ou entender a matéria (Carita et al., 2001, pp. 64, 66). 26 2.2.5 Factores da superação das Dificuldades de Aprendizagem Dentre os factores da superação das Dificuldades de Aprendizagem destacam- se, o conhecimento sobre as Dificuldades de Aprendizagem pelos professores, a finalidade das avaliações escolares, a relação professor – aluno e os métodos didácticos (Carvalho, Crenitte & Ciasca, 2007; Costa, Penco & Silva, 2009; Libâneo, 1994& Vitale, 2007). As Dificuldades de Aprendizagem constituem uma variável pouco conhecida nos professores, o que tem prejudicado o desenvolvimento intelectual de milhares de alunos (Vitale, 2007); Por isso, o supervisor pedagógico, dado que é a sua função, deve promover o aperfeiçoamento profissional aos professores na matéria das Dificuldades de Aprendizagem, ajudando-os “a diagnosticar as dificuldades dos alunos na aprendizagem e a elaborar planos de ensino para superação das mesmas” (Nérici, 1990, pp. 44-45), num processo de supervisão construtiva, que visa “o desenvolvimento pessoal e profissional do professor”, e supervisão criativa para “estimular (…) para uma acção criativa” (Andrade, 1976, pp. 12-13). A avaliação escolar é um processo contínuo que deve ocorrer nos mais diferentes momentos do trabalho e constitui um importante instrumento de verificação do rendimento escolar, com a finalidade não apenas de classificar os alunos, mas sim sobretudo para “diagnosticar e superar dificuldades, corrigir falhas e estimular os alunos a que continuem dedicando-se aos estudos” (Libâneo, 1994, p. 203); Diferentemente do conceito de avaliação no modelo didáctico tradicional, em que uma das suas principais finalidades é de “comprovar (…) no aluno o grau de aquisição dos conhecimentos transmitidos”, no modelo sócio – construtivista os propósitos da avaliação circunscrevem-se nos seguintes aspectos: Não deve ser um instrumento a serviço das notas, (…) não deve concentrar-se exclusivamente na valorização do produto final, (…) deve situar-se no interior do processo ensino – aprendizagem, (…) deve ter uma finalidade didáctica: conhecer o grau de compreensão, detectar lacunas, incompreensões, (…) deve ter um carácter formativo para os alunos e informativo para o professor (Quintas & Munoz, 1988, pp. 220-221). Não obstante, há autores que observaram que o quotidiano escolar tem sido todo permeado pela prática da avaliação meramente classificatória, que se distancia da função diagnóstica ou formativa, dando mais relevo a função sumativa, e que revela a predominância 27 de uma pedagogia do exame, na qual dá-se mais atenção as provas, as notas e a promoção dos alunos em detrimento da própria formação (Goleman, 1995 & Hoffmann, 1997). A avaliação meramente classificatória é desvantajosa para o aluno, na medida em que não favorece a identificação e a superação das suas dificuldades de aprendizagem, conforme indicam as seguintes palavras, o “sistema classificatório (…). Não aponta as reais dificuldades dos alunos e dos professores. Não sugere qualquer encaminhamento, porque discrimina e selecciona antes de mais nada” (Hoffmann, 1997, p. 26). O sistema classificatório tem ainda várias consequências negativas nos alunos, evidenciando-se a ansiedade, o traumatismo, a estigmatização, a rotulação, a discriminação, o uso da cola (fraude), o medo e a falta de confiança (Hoffmann, 1997). Essas consequências por sua vez não favorecem uma boa qualidade da relação professor – aluno, tal como atestam as palavras que se seguem, “os exames são um estigma da escolaridade, comprometendo a mútua confiança professor – aluno” (Gervilla, 1988, p. 24). A escola devia assumir uma postura que ajudasse o aluno a identificar seus pontos fortes e fracos e na qual o aluno pode ser visto como um todo, como pessoa que age e interage, estabelecendo-se uma relação de compreensão, confiança e de colaboração em que a avaliação sirva realmente para promover no aluno o desenvolvimento integral segundo os objectivos educacionais propostos (Goleman, 1995; Hoffmann, 1997 & Nérici, 1990). Tendo em conta que uma das tarefas da Supervisão Escolar é de “promover (…), continuamente, actividades de aperfeiçoamento didáctico – pedagógico do professor”, ela deve ajudar a se estabelecer uma boa relação professor – aluno, onde o professor toma como base a avaliação para estimular, amparar, dialogar, e ajudar a superar dificuldades de aprendizagem de seus alunos (Nérici, 1990, pp. 52-53 e 239-240). Em relação aos métodos didácticos observamos que, “o fracasso de muitos alunos é devido ao caminho que se tem usado para sua aprendizagem”, e que “só por métodos activos o aluno alcança seu pleno rendimento” (Gervilla, 1988, p. 24). Este autor salientou ainda que, “a cooperação é a moral em acção tal como a aprendizagem activa é a inteligência no acto” (p. 24). Isso leva-nos a considerar a Classe Cooperativa de Freinet como sendo a alternativa de relações de comunicação mais eficaz para os alunos com Dificuldades de Aprendizagem, já que envolve uma interacção social entre professor – alunos e aluno – aluno, 28 o que garante uma ajuda mútua na superação das Dificuldades de Aprendizagem que possam existir ou surgir nos alunos; Nesta Classe, o conhecimento encontra-se no professor e no material (livro), o professor é orientador e facilitador da aprendizagem, os alunos se colocam em grupo segundo as tarefas a realizar e consultam a documentação livremente, e as comunicações são livres e estão baseadas no trabalho em equipa (Quintas & Munoz, 1988, p. 191). Entendemos que trata-se de uma classe baseada no modelo didáctico semi – directo, cujas características acima mencionadas resumem-se no esquema abaixo. Esquema – 1: Modelo de Classe Cooperativa de Freinet. Fonte: Quintas e Munoz, 1988, p. 191. Consequentemente, é necessário garantir continuamente por meio de seminários de capacitação a cada um dos professores do nosso país, o domínio profundo da matéria de Dificuldades de Aprendizagem e formas de sua superação e prevenção, sendo esta uma alternativa mais eficaz de combater o insucesso escolar, e não apenas melhorar as condições estruturais e de funcionamento da escola (Simbine, 2009 & Loures, 2012). 2.2.6 Estratégias de melhoria da qualidade de educação O sistema escolar deve procurar melhorara qualidade da educação, não apenas oferecendo boas condições infra-estruturais, materiais, financeiras e recursos humanos com nível superior, mas sobretudo melhorandoas acções e práticas educativas de cada escola; A qualidade das acções e práticas educativas pode ser melhorada recorrendo-se ao método de reengenhariaou demelhoramentodeprocessoseducativos, a partir da elaboração colectiva de um ProjectoEducativo, procurando adaptar a escola às necessidades de cada 29 aluno preocupando-se com a facilitação da sua aprendizagem (Cushway & Lodge, 1998, p. 53; Lemmer, 2006, p. 86; Ferreira, Neves & Caetano, 2011, p. 639). Tal métodoexamina os processos que são críticos para o sucesso da organização, determina quais os processos prioritários e os tipos de alterações ou de novos investimentos necessários para assegurar a máxima eficiência e eficácia desses processos, bem como, revê as responsabilidades de gestão e redefine as funções de modo a assegurar a optimização dos processos (Cushway & Lodge, 1998, p. 53; Ferreira et al., 2011, p. 639). O ponto de partida para esse tipo de método deve ser os alunos, encarregados de educação e sociedade em geral, através do desenvolvimento de sistemas que apoiem as suas necessidades e pedidos (Cushway & Lodge, 1998, p. 53; Ferreira et al., 2011, p. 639). O processo de melhoria da qualidade da educação deviatambém estar mais relacionado com o modelo democrático – participativo de gestão educacional ou com o Paradigma da Qualidade Total (PQT), que se baseia no estabelecimento de parcerias na resolução de problemas educativos, que se preocupa mais com as expectativas dos alunos e encarregados de educação e que recorre aos círculos de qualidade e a grupos de trabalho para melhoria contínua do trabalho educacional (Rocha, 2011). As parceriasdevem ser estabelecidas quer ao nível interno da escola principalmente através de uma boa relação professor – aluno, gestor – professor, ou ao nível externo através da cooperação escola – casa, escola – escola e escola – instituições comerciais ou industriais (Lemmer, 2006, pp. 136-149). Considera-se Círculo de qualidade, a um grupo de trabalhadores voluntários dum mesmo departamento que reúnem semanalmente para encontrar formas de resolver os problemas e melhorar os processos educativos (Rocha, 2011). A Gestão do processo educacional é tida como uma metodologia que permite com sensibilização, acompanhar, avaliar e redesenhar os processos de trabalho educativo, com as funções básicas administrativas, visando à melhoria contínua destes e o alcance dos objectivos estratégicos da organização educativa com a eficácia e a eficiência almejada (Cushway & Lodge, 1998, p. 18). Entendemos que a melhoria contínua de uma organização educativa e dos seus processos envolve factores como a inovação e a criatividade, incluindo a recolha de sugestões de todos os funcionários, a pesquisa, bem como as comparações de desempenho. 30 A importância do Paradigma da Qualidade Total reside no facto de promover uma gestão educacional mais eficiente e eficaz, promover a melhoria das actividades da Escola, desenvolver o conhecimento e a competência do pessoal bem como o seu comprometimento em termos de vontade e determinação pelo seu trabalho, estimular o trabalho em grupo ao unir as competências e forças para melhoria do serviço, e enfatizar o movimento permanente de repensar e revisar o trabalho em busca de novos patamares (Rocha, 2011). Percebemos nas nossas análises que para a acção pedagógica sereficiente e eficaz é necessário que hajauma boa organização e articulação entre as acções promovidas, um bom uso do tempo e dos recursos disponíveis, uma adequada mobilização e ritmo de emprego das competências humanas na promoção da aprendizagem dos alunos. Sendo assim, a realização colectiva e periódica do Projecto Educativo (PE) em função da realidade da Escola e da comunidade em que se insere sem deixar de considerar os princípios orientadores comuns ou os preceitos legais aplicáveis de âmbito nacional, constitui uma alternativa infalível para a melhoria contínua dos processos educativos de uma Escola. Aprendemos que o ProjectoEducativo é a “planificação ou organização de todas aquelas acções que os professores, pessoas e instituições implicadas no mesmo, devem realizar para conseguir «finalidades educativas», previamente fixadas” (Gervilla, 1988, p. 14). Um Projecto Educativo não é puramente um Plano de Desenvolvimento Escolar mais voltado para o apetrechamento e desenvolvimento da infra-estrutura Escolar, nem é meramente um Projecto Pedagógico – didácticomais voltado para os problemas pedagógicos e os relacionados com o ensino – aprendizagem, mas sim, é um conceito muito amplo que abarca todo tipo de acções, que não só podem aplicar-se a instituição escolar como também a educação em geral ao nível da comunidade, e tanto o Plano de Desenvolvimento Escolar assim como o Projecto Pedagógico – didáctico são partes que se integram no Projecto Educativo (Gervilla, 1988). A elaboração do Projecto Educativo é missão de todas as pessoas implicadas no processo educativo, instituição, professores, pais de alunos, município, comunidade, todas elas vão ser usuárias do Projecto, e por isso, devem ser desenhadores e realizadores do mesmo (Gervilla, 1988). Dentre os elementos fundamentais de um Projecto Educativo destacam-se, as grandes finalidades pedagógicas, as bases científicas (filosóficas, psicológicas, sociologia da educação e didáctica), o desenho curricular (objectivos, áreas de conteúdos educativos, 31 selecção e sequenciação de actividades, critérios ou estratégias metodológicas e avaliações), e recursos materiais e sistemas organizativos (meios e recursos, organização de alunos e professores e órgãosescolares) (Gervilla, 1988, pp. 15-16). 32 2.3 Revisão da Literatura Focalizada Em Moçambique a Educação é vista como um direito humano e um instrumento chave para a consolidação da Paz, da unidade nacional e para o desenvolvimento económico, social e político, através da formação de cidadãos com elevada auto-estima e espírito patriótico (MINED, 2012). Entretanto, apesar dos êxitos logrados no acesso à educação e na capacidade institucional devido a reformas introduzidas no sistema educativo, permanece actualmente o desafio do baixo aproveitamento pedagógico (MINED, 2012). No Ensino Secundário Geral do nosso país, cerca de 20% a 25% dos alunos reprovam anualmente, por isso, está estabelecido actualmente como um dos enfoques principais do Plano Estratégico da Educação – PEE (2012-2016), a redução das reprovações e desistências (MEC – Moçambique, 2009 &MINED – Moçambique, 2014). O currículo, o sistema de avaliação, a insuficiência de professores com formação psicopedagógica, métodos de ensino expositivos, a falta de materiais de ensino, a fraca supervisão e apoio pedagógico, são as causas de reprovaçõesapontadas pelo MEC – Moçambique (2009, p. 25). E muitas reformas têm sido implementadas pelo Governo Moçambicano no sentido de reduzir as altas taxas de reprovação, essas reformas implicam, a formação de professores, omelhoramento curricular, a política do material escolar e o aumento do tempo lectivo, contudo ainda prevalecem as altas taxas de reprovação (MINED - Moçambique, 2012). Assim, o Governo Moçambicano não entende por que razão as políticas e reformas adoptadas continuam a conduzir a resultados insatisfatórios, e por que as altas taxas de reprovação continuam a existir no sistema (Relatório da AfriMAP, 2012). Dentre os autores Moçambicanos que de uma forma particular se interessaram em estudar os factores do insucesso escolar destacamos, Antunes (2013) e Simbine (2009). A análise efectuada por Antunes (2013) aos factores do insucesso escolar dos alunos centrou-se no ensino secundário, ele notou que existe nos alunos uma deficiente consciência do que é ser estudante, e associou isso a preocupante ausência de hábitos de estudo que consequentemente conduz os alunos ao insucesso escolar. 33 Enquanto, Simbine (2009, p. 7) citou a deficiente supervisão pedagógica como sendo a razão principal do insucesso escolar dos alunos no país, alegando “que uma verdadeira supervisão pedagógica pode inverter a situação do insucesso escolar e também aliviará os professores das frustrações”. Na verdade, a supervisão escolar impõe-se como órgão interessado no desempenho da escola, para que a sua acção seja constantemente melhorada e os bons resultados sejam garantidos de maneira objectiva e científica. Aumentamos a nossa certeza de que o insucesso escolar é uma realidade no nosso país e que constitui uma grande preocupação não só para o Governo, mas também para a sociedade Moçambicana no geral, a partir da corroboração dada pelas palavras que se seguem, “éum facto que a sociedade, de uma maneira geral, perdeu a confiança sobre o ensino e questiona a razão dos actuais resultados nas escolas,” (Simbine, 2009, p. 112). Com efeito, no nosso país a qualidade de ensino tem sido considerada deficiente, pelo facto de muitos alunos estarem a transitar “de uma classe para outra com sérias dificuldades de aprendizagem, em todos os níveis e subsistemas do SNE” (Simbine, 2009, p. 112). Entretanto, é fundamental conhecer a forma como essas Dificuldades de Aprendizagem são entendidas pelos fazedores da educação do nosso país, pois a forma de compreensão pode ser favorável ou desfavorável para a solução do problema do insucesso escolar de muitos alunos. Para o MINED (2003, p. 50), apresentam “necessidades educativas especiais quaisquer crianças que: __ tenham dificuldades de aprendizagem incluindo aquelas que se relacionam com deficiências originadas por factores diversos; __ sejam superdotadas”; Percebe-se com isso queos fazedores da educação do nosso país entendem as Dificuldades de Aprendizagem como sendo uma das subcategorias das Necessidades Educativas Especiais, cuja responsabilidade cabe aos técnicos do Departamento da Educação Especial (MINED, 2003 & MINED, 2014, pp. 86-87); Todavia, muitos estudos actuais revelam que essa forma de compreensão das Dificuldades de Aprendizagem impede o conhecimento das reais causas do insucesso escolar de muitos alunos normais das escolas regulares, não favorece a descoberta de uma solução eficaz para o problema do insucesso escolarque muitos alunos normais adquirem; 34 Mas sim, apenas contribui para o agravamento do problema do insucesso escolar dos alunos nas nossas escolas, na medida em que, possibilita a rotulação dos alunos, a criação de estigma neles, a sua desmotivação e o desinteresse pelos estudos, bem como a indiferença, a ignorância e a irresponsabilidade nos supervisores pedagógicos da Comissão de Apoio Pedagógico (CAP) e nos professores em relação as Dificuldades de Aprendizagem (Fonseca, 1999; Silva, s/d, citada por Bueno, 2007& Simbine, 2009). Portanto, somenteuma supervisão pedagógica efectiva pode mudar a situação do insucesso escolar de muitos alunos no nosso país, pois, cabe a ela ou a CAP, e não aos técnicos do Departamento da Educação Especial, garantir o melhoramento da acção dos professores, incutir neles o espírito de preocupação pela aprendizagem dos alunos, e proporcioná-los conhecimentos que realmente possam contribuir para a solução do insucesso escolar dos alunos; Isto é, dotá-los não só de saberesreais sobre as Dificuldades de Aprendizagem, mas também de instrumentos e estratégias metodológicas eficazes para ajudarem a cada um dos seus alunos a superar tais Dificuldades. 35 CAPÍTULO 3: METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO Descrevemos neste capítulo a estratégia metodológica utilizada, o procedimento de administração dos instrumentos de recolha de dados, o tipo de amostragem e análise, definimos os métodos e as técnicas seleccionadas para o estudo, e ainda apresentamos as limitações do estudo, as considerações éticas e as características do local da investigação. 3.1 Método de abordagem e tipo de pesquisa Neste estudo foi utilizado o métodohipotético – dedutivo, sobre o qual, Quivy e Campenhoudt (2008, p. 144) disseram que, “gera, através de um trabalho lógico, hipóteses, conceitos e indicadores para os quais se terão de procurar correspondentes no real.” É considerado como um método lógico por excelência, dado que permite a generalização fundamentada das observações realizadas. A utilização desse método de abordagem justificou-se pelo facto de a partir da consulta de várias obras literárias terem sido elaboradas hipóteses que foram corroboradas após a recolha, análise e interpretação de dados. A forma da abordagem do problema foi mista, pois, incluiu princípiosqualitativosrelacionados com as entrevistas e a análise de conteúdo, e princípiosquantitativosrelacionados com o inquérito por questionário e a análise estatística. Assim, já que cada uma das formas quer qualitativa ou quantitativa tem seus pontos fracos e fortes, a combinação das duas formas foi muito útil na medida em que permitiu uma tese mais precisa e aprofundada, e um estudo mais completo (Reis, 2010). Tratou-se de uma pesquisaexplicativa, porquanto, procurou explicar as causas do insucesso escolar dos alunos no ensino secundário geral de Moçambique (Reis, 2010; Sousa & Baptista, 2011). 3.2 Universo e amostra O 2° ciclo da Escola pesquisadafuncionou no ano de 2014 com um total de 2.219 alunos, 51 professores e 2 Directores Adjuntos Pedagógicos, constituindo uma população de 2.272 pessoas; 36 Dos 2.219 alunos, foram inquiridos 100 (4,5%) alunos repetentes do curso diurno, distribuídos em 33 para 11ª classe e 67 para 12ª classe, enquanto dos 51 professores foram entrevistados 11 (21,5%) do curso diurno em função das principais disciplinas leccionadas neste ciclo (Português, Inglês, Filosofia, Matemática, Psicopedagogia, Geografia, História, Francês, Biologia, Química e Física); E dos 2 directores adjuntos pedagógicos foi entrevistado 1 (50%) do curso diurno. Trabalhou-se com um total de 19 turmas, nas quais se encontravam distribuídos os alunos inquiridos, dentre as turmas, 8 são da 11ª classe e 11 turmas são da 12ª classe, por sua vez as turmas da 11ª classe subdividem-se em 3 da 11ª CCS e 5 da 11ª CNM, enquanto, as turmas da 12ª classe subdividem-se em 5 da 12ª CCS e 6 da 12ª CNM. Deste modo constituiu-se uma amostra geral de 112 participantes, o que corresponde a 4,9% da população de 2.272 pessoas envolvidas. Este grupo de alunos, professores e directores adjuntos pedagógicos teve uma característica comum na medida em que todos estavam envolvidos activamente no processo de ensino e aprendizagem do 2° ciclo dessa Escola. A amostragem foi aleatóriaouprobabilística, e para os alunos foi o método por clusters ouporconglomerados, que “é especialmente útil quando o universo estatístico é formado por populações de grande dimensão e dispersas por vastas áreas” (Sousa & Baptista, 2011, p. 76); Enquanto, para professores e o director adjunto pedagógico foi a amostracausalsimples na qual “cada elemento da população tem igual oportunidade de ser incluído na amostra” (Reis, 2010, p. 77). Segundo essas autoras a amostragem aleatória permite demonstrar a representatividade da amostra, assim como calcular estatisticamente o grau de confiança com o qual as conclusões tiradas da amostra se aplicam ao universo. 3.3 Instrumentos de recolha de dados No presente trabalho foram utilizadas as técnicas de, entrevista semi – estruturada, questionário misto e análise documental; As entrevistas tiveram uma duração média de 15 minutos e dependeram da disponibilidade de cada participante. 37 As entrevistas foram individuais, presenciais e gravadas por meio de um computador portátil, o que permitiu um posterior registo cuidadoso das informações obtidas. Essas técnicas foram eficientes, pois, permitiram obter as informações pertinentes à pesquisa, além disso, foram submetidas a um teste piloto para apurar a sua eficiência e eficácia antes de terem sido administradas a população – alvo. Tanto para a entrevista assim como para o questionário, o teste piloto foi efectuado na tarde do dia 4 de Julho de 2014, abarcando 2 professores, dos quais 1 da disciplina de Língua Portuguesa e 1 da disciplina de História, e 4 alunos repetentes do 2° ciclo do curso diurno distribuídos em, 1 da 11ª classe turma CCS1, 1 da 11ª classe turma CNM1, 1 da 12ª classe turma CCS1 e 1 da 12ª classe turma CNM1, de salientar que a escolha dos participantes para o teste piloto foi aleatória; O teste piloto permitiu principalmente alterar a sequência de algumas questões tanto do formulário de entrevista como da ficha de questionário, com a finalidade de harmoniza-las ordeiramente, permitiu também tornar algumas questões mais completas e outras mais sintéticas, e ainda eliminar algumas questões que achamos ser inúteis. a) Entrevista semi – estruturada A entrevista semi - estruturada depende da existência de um guião com um conjunto de perguntas abertas e fechadas, tendo características próximas de uma conversa do dia-a-dia, mas que se distingue pelo seu carácter profissional e pela flexibilidade do guião de entrevista que agrupa as questões básicas do investigador (Sousa & Baptista, 2011); Sendo assim, foram utilizados formulários de entrevista, com 6 perguntas relacionadas com os dados pessoais e 13 perguntas relacionadas com o tema em estudo, para os professores e o director adjunto pedagógico do 2° ciclo do curso diurno, esses formulários permitiram obter informações não só sobre a sua percepção em relação aos motivos da reprovação dos seus alunos, como também sobre os seus dados pessoais tais como o sexo, a escolaridade, a idade e o tempo de serviço. 38 b) Questionáriomisto O questionário misto é um instrumento com vantagens de padronização, autonomia e rapidez na recolha de informação, que apresenta questões de resposta aberta e fechada (Sousa & Baptista, 2011); Deste modo, foram utilizadas fichas de um questionário cuja finalidade era de aprofundar as opiniões dos alunos sobre os motivos que os levaram a reprovar, e também, obter informação sócio – demográfica desses alunos, que inclui, o sexo, a idade e o local de residência. As fichas do questionário desenhado em conformidade com as hipóteses do trabalho possuem 8 perguntas relacionadas com os dados pessoais e 14 perguntas relacionadas com o tema em estudo, e foram distribuídas a 5 (cinco) alunos repetentes em cada uma das 20 (vinte) turmas do 2° ciclo do curso diurno na tarde do dia 07 de Julho de 2014, por intermédio do chefe de cada uma dessas turmas; No entanto, surgiram outros alunos repetentes do mesmo ciclo sobretudo da 12ª classe que se voluntariaram em responder o questionário, e como não tínhamos um número de fichas suficiente, orientamo-los para pedirem aos colegas que tinham e que ainda não haviam preenchido, para poderem fotocopiar o exemplar e preencherem, e esses alunos assim ofizeram, e acabamos por perceber que os alunos almejavam uma oportunidade para poderem expressar a sua indignação em relação ao seu insucesso escolar, contudo após a recolha das fichas, seleccionamos apenas 100 para a análise, por terem sido preenchidas de forma correcta, e por corresponder ao número do tamanho da nossa amostra. c) Análise de documentação Aqui, foram consultados os documentos que forneceram informações pertinentes ao estudo, tais como, os Planos Estratégicos da Educação em Moçambique, os relatórios anuais de aproveitamento pedagógico que permitiram obter dados tanto sobre o historial da Escola como sobre as taxas de reprovações anuais do 2° ciclo, e o relatório de levantamento estatístico do 1° trimestre de 2014 que permitiu obter informação sobre os efectivos da Escola tais como o número dealunos e de professores. 39 3.4 Métodos de procedimento Nesta investigação foi utilizado o método de estudo de caso ou monográficoque consiste na “exploração de um único fenómeno, limitado no tempo e na acção, onde o investigador recolhe informação detalhada” (Sousa & Baptista, 2011, p. 64). Segundo essas autoras, o método procura responder perguntas do tipo “como?” e “por quê?”, com enfoque em algum fenómeno da actualidade num contexto real, onde os limites do fenómeno e do seu contexto não estão claramente evidentes. É um método que permitiu um estudo mais aprofundado sobre as causas do insucesso escolar. O enquadramento do estudo de caso no presente trabalho circunscreveu-se no contacto directo no campo da execução da pesquisa para a recolha de dados pertinentes e na análise dos factores que determinam o insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo de uma escola secundária pública localizada no Bairro da Vila Nova da cidade de Chimoio. Também foi recorrido ao métodoestatístico que implicou a redução de fenómenos a termos quantitativos e a manipulação estatística, para comprovar relações entre os fenómenos de modo a obter generalizações sobre sua ocorrência (Marconi & Lakatos, 2007, p. 93); É um método que permitiu a produção da melhor informação possível a partir dos dados recolhidos no campo da pesquisa, garantindo assim a melhor compreensão das situações que condicionam o insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo na Escola estudada. 3.4.1 Recolha de dados primários Os dados primários são “informações que o investigador obtém directamente através da concepção e aplicação de inquéritos, planeamento e condução de entrevistas (…)” (Sousa & Baptista, 2011, p. 71); Deste modo, a recolha de dados primários consistiu nas entrevistas aos professores e no inquérito aos alunos; O inquérito é recorrido quando se pretende trabalhar com muitos indivíduos, tendo como base o questionário (Sousa & Baptista, 2011, p. 90). Em relação às entrevistas, para cada um dos entrevistados, primeiro procedeuse um acordo sobre o dia, a hora, e o local da entrevista, chegado o dia, dirigimo-nos ao local 40 conforme o acordo e procedeu-se a entrevista começando sempre por ler a Carta de Intenções e Termos de Consentimento Livre e Esclarecido; As entrevistas decorreram entre os dias 09 de Julho de 2014 a 05 de Agosto do mesmo ano, na Escola estudada, sobretudo na sombra da acácia em frente da sala dos professores e na bancada ao lado do edifício administrativo, com excepção de um entrevistado que preferiu dentro da sala-10 e do EDAP que preferiu no seu gabinete (ver apêndice I); Em geral as entrevistas foram efectuadas no período da tarde, conforme a sequência, E1 as 17:30 horas do dia 09/7/2014, E2 as 15:20 horas do dia 11/7/2014, E3 as 16:30 horas do dia 11/7/2014, E4 as 17:06 horas do dia 17/7/2014, E5 as 10:36 horas do dia 22/7/2014, E6 as 17:53 horas do dia 23/7/2014, E7 as 14:45 horas do dia 25/7/2014, E8 as 15:00 horas do dia 25/7/2014, E9 as 13:30 horas do dia 30/7/2014, E10 as 15:58 horas do dia 01/8/2014, E11 as 14:45 horas do dia 04/8/2014, e o EDAP as 10:50 horas do dia 05/8/2014, dependendo sempre da disponibilidade de cada entrevistado. Em relação ao inquérito, com autorização da Direcção da Escola (ver apêndice A), conversou-se com os alunos antecipadamente, no dia 4 de Julho de 2014, passando pelas turmas alvo a pedir a sua participação no estudo, em seguida realizou-se o inquérito no período da tarde do dia 07 de Julho de 2014 na Escola estudada; Neste processo, os questionários foram entregues aos chefes de cada turma contemplada as 12 horas e 25 minutos, esses por sua vez entregaram aos seus colegas repetentes que preencheram os questionários durante o intervalo maior, após o preenchimento, cada chefe recolheu os questionários, que em seguida foram devolvidos entre as 16 horas e 45 minutos a 17 horas e 35 minutos. 3.4.2 Recolha de dados secundários Os dados secundários são os que “provem da análise documental.” E podem ser recolhidos em livros, dicionários, enciclopédias, Internet, artigos científicos, dissertações de mestrado e teses de Doutoramento, que se encontram disponíveis tanto em centros de investigação como em bibliotecas (Sousa & Baptista, 2011, p. 71). De facto, a revisão da literatura foi a primeira tarefa a ser efectuada, logo após a escolha do tema, sobretudo para a fundamentação, aconstruçãodo problema, das hipóteses, do formulário de entrevista e da ficha de questionário deste trabalho, ela teve o seu início em 41 Março do ano de 2014 e foi prosseguindo ao longo da realização do trabalho até o seu término em Fevereiro do ano de 2015; E dentre as fontes consultadas, destacam-se os vários livros adquiridos na Biblioteca da Universidade Católica de Moçambique (UCM) da cidade de Chimoio e a Internet, essas fontes forneceram informações pertinentes não só sobre a metodologia mas também sobre o problema do insucesso escolar. 3.5 Validade dos instrumentos No presente estudo optou-se por combinar os métodos quantitativos com os métodos qualitativos, a “combinação de métodos de investigação” para estudar um dado problema recebe o nome de triangulação metodológica (Sousa & Baptista, 2011, p. 63); Segundo essas autoras, a triangulação é uma estratégia que permite tornar o processo de investigação mais consistente e sólido, e que permite uma melhor compreensão dos fenómenos e assim alcançar resultados mais seguros. Em conformidade com tais autoras, existe ainda a triangulação de dados, na qual recorre-se a uma variedade de fontes num mesmo estudo, e a triangulação de investigadores, na qualrecorre-se a vários avaliadores ou investigadores para uma mesma questão. Essa estratégia foi muito útil para a validação dos resultados destainvestigação, na medida em que, para o mesmo tema, procedeu-se a entrevista aos professores e ao director adjunto pedagógico e também procedeu-se o inquérito aos alunos, recorreu-se a análise de conteúdo assim como a análise estatística, os dados recolhidos foram analisados e interpretados, e finalmente fez-se o cruzamento desses dados, chegando-se deste modo a uma conclusão exacta. Os instrumentos de pesquisa, que foram construídos com base nos objectivos propostos e nas hipóteses fundamentadas pela revisão da literatura, foram revistos quer pelo supervisor quer pela comissão de avaliação de projectos de pesquisa do curso de Mestrado, no acto da defesa do projecto de pesquisa para essa dissertação, na Universidade Católica de Moçambique da Delegação de Chimoio, o que também corresponde a triangulação de investigadores (Sousa & Baptista, 2011). 42 3.6 Método de apresentação, análise e interpretação de dados Foi utilizada a análise de conteúdo, na qual “recorre-se à (…) grelhas de análise e à categorização das respostas dos inquiridos” para se efectuar uma leitura de modo a descobrir padrões de comparação e relação entre as categorias (Sousa & Baptista, 2011, p. 115). Utilizou-se também a análise estatística, que permitiu determinar as percentagens das opções de resposta em cada item e calcular a moda das variáveis qualitativas a partir das técnicas estatísticas de análisemultivariadae de gráficosderesultados e comparativos (Sousa & Baptista, 2011, p. 114); A análise estatística multivariada “consiste na exploração de possíveis relações que possam surgir entre duas ou mais variáveis, de forma a atingir os objectivos e comprovar as hipóteses consideradas” (Reis, 2010, p. 108). No entanto, a apresentação dos resultados baseou-se nas categorias analíticas e nas unidades de análise derivadas, indicadas no quadro – 2 que se segue. 43 Quadro – 2: Categorias analíticas e Unidades de análise das respostas: Questionário Categoria Entrevista Categoria Unidades Dificuldades de aprendizagem Classe, turma, idade, sexo, vive com, é órfão, ambiente familiar, situação de emprego do encarregado, bairro de residência, deficiência. Disciplinas reprovadas, sensação após reprovar, culpado pela reprovação. Atitudes do ano anterior nas aulas da disciplina reprovada. Conhecimento sobre os tipos de Dificuldades de Aprendizagem, saber resumir e apresentar oralmente, conhecimento sobre as técnicas de estudo. Motivos de reprovação Desinteresse como principal motivo, não entender a matéria e o não saber estudar como principal motivo, outros motivos indicados. Dificuldades de Aprendizagem Tratamento que o aluno recebia quando obtinha resultados negativos numa avaliação. Motivos de reprovação Características das aulas do ano anterior nas disciplinas reprovadas pelo aluno. Relação professor – aluno Identidade dos inquiridos Reprovação Desinteresse nos estudos Relação professor – aluno Método didáctico mais usado pelo professor Unidade Sexo, idade, nível académico, curso de formação, formação psicopedagógica, disciplina leccionada, classe leccionada, anos de leccionação ou da função. Existência do projecto escolar, missão da escola, cumprimento da missão. Identidade dos entrevistados Projecto Educativo da Escola Responsabilidade sobre reprovação Opinião sobre o culpado Conhecimento sobre as características do aluno desinteressado Conhecimento sobre os tipos de Dificuldades de Aprendizagem, conhecimento sobre as características da Dificuldade de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística, conhecimento sobre a origem das Dificuldades de Aprendizagem. Desinteresse como principal motivo, Dificuldades mencionadas como principal motivo, outros motivos indicados. Desinteresse no aluno Métodos didácticos Avaliações escolares Capacitação psicopedagógica continua Atitudes dos professores para alunos com resultados negativos nas avaliações. Métodos privilegiados pelos professores e suas características. Finalidade das avaliações escolares Número de seminários de capacitação sobre as Dificuldades de Aprendizagem, relação professor - aluno, métodos didácticos; necessidade de seminários de capacitação psicopedagógica nessa matéria. Fonte: O autor. As variáveis podem ser dependentes, independentes, moderadas e intervenientes; Avariável dependente “se conota directamente com as respostas que se procuram na investigação”, nas variáveis independentes “o investigador recorre à sua manipulação para observar os efeitos produzidos nas variáveis dependentes”, a variável 44 moderada “apresenta-se geralmente ligada à variável independente, reforçando ou inibindo a sua acção”, enquanto a variável interveniente “necessita de ser identificada e controlada, pois pode influenciar o resultado da investigação” (Sousa & Baptista, 2011, p. 49). O presente trabalho focalizou nove (9) variáveisque são: v Variável dependente – insucesso escolar; v Variáveis independentes – Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística; v Variáveis moderadas – conhecimento sobre Dificuldades de Aprendizagem, relação professor – aluno, finalidade das avaliações escolares, métodos didácticos e aperfeiçoamento psicopedagógico; v Variável interveniente – desinteresse escolar. O estabelecimento de relações de causa e efeito entre essas variáveis permitiu a construção de um modelo de análise, que é “um esquema teórico representativo de um fenómeno”, que explicade uma forma narrativa as variáveis e as presumíveis relações entre elas, e que serviu de base para a discussão dos resultados (Sousa & Baptista, 2011, p. 43). Com a excepção da variável ‘aperfeiçoamentopsicopedagógico’ que foi medida pelo número de seminários de capacitação a partir da escala discreta (que resulta de contagem) devido a sua natureza quantitativa, as restantes variáveis são de natureza qualitativa e foram medidas a partir daescala binária (com apenas duas categorias não ordenadas – desinteresse, dificuldades de aprendizagem, conhecimento sobre dificuldades de aprendizagem, e métodosdidácticos) e nominal (com mais de duas categorias não ordenadas relaçãoprofessor – aluno e finalidadedasavaliações) (Reis, 2010, p. 108). De salientar que foi recorrida a Aplicação em Microsoft Excel – 2007 tanto para o cálculo percentual dos dados, da moda das variáveis, como para a construção de tabelas, grelhas e gráficos de barras; O recurso ao gráfico de barras deveu-se a suas vantagens, pois, são propícios para as variáveis qualitativas, fáceis de construir e de ler (Gilani, 1999). 45 3.7 Limitações do estudo Os resultados apresentados neste trabalho são objecto da metodologia utilizada, conquanto, o estudo possui algumas limitações que se centram sobretudo no tamanho não representativo da amostra e na falta da aplicação do software SPSS, que respectivamente dificulta a extrapolação da conclusão para todas as Escolas do nosso país e que não nos permitiu ser flexíveis no tratamento dos dados. 3.8 Considerações éticas Foram observadas as questões éticas, que para além do credencial (ver anexo A), abrangeram a elaboração de Cartas de Intenções e Termos de Consentimento Livre e Esclarecido para os Participantes da Pesquisa e Director da Escola, além de que, a pesquisa não trouxe risco aos participantes e para alguns entrevistados não se efectuou a gravação por não terem aceitado, os participantes podiam também se assim o desejassem, retirar-se a qualquer momento ou não preencher o questionário, osigilo quanto à identidade dos participantes foi mantido através do uso de códigos de letra – número (E1…) para os professores ou acrónimo (EDAP) para o Director Adjunto Pedagógico do 2° ciclo do curso diurno, e os resultados foram utilizados apenas para fins científicos. 3.9 Caracterização do local da investigação Breve Historial da Escola De acordo com a informação proporcionada pela Secretaria da Escola em estudo no dia 19 de Agosto de 2014, a Instituição Estatal de nome, Escola Secundária de Vila Nova - Chimoio, localizada no Bairro de Vila Nova da cidade de Chimoio, na província de Manica, a cerca de 3 quilómetros do centro da cidade, tem uma área de 17.184,2 m2, e foi inaugurada no dia 17 de Maio de 2001, pela Sua Excia. Presidente da República cessante, Joaquim Alberto Chissano, data que ficou marcada como dia da escola; Nessa altura era uma Escola Primária do Segundo Grau (EP2) leccionando 6ª à 7ª Classes. No ano de 2004 foi oficializada como uma Escola Secundária Geral do 1º Ciclo (ESG1), leccionando 8ª à 10ª Classes; Em 2010 a escola passou a gozar de autonomia como uma Escola Pré-Universitária (ESG2) leccionando da 8ª à 12ª classe e também já tinha uma Biblioteca embora com défice de livros. 46 Desde a sua inauguração até ao ano de 2014, essa Escola foi Dirigida subsequentemente por Carlos Manlia Mutarentre 2001 à 2009, Sazària Gauteentre 2009 à 2010 e Lucas Sindique Buaneentre 2010 à 2014. Características Infra-estruturais da Escola A Escola funciona com 24 salas de aulas das quais uma (1) é de informática, uma (1) é para o Ensino à Distância de 8ª à 10ª classe, e vinte e duas (22) são para turmas normais nas quais as carteiras estão organizadas segundo o modelo da classe tradicional (ver apêndice I), baseado puramente nos métodos didácticos directos (Quintas & Munoz, 1988); Para além das 24 salas de aulas, a Escola tem um Bloco Administrativo no qual funciona uma (1) Secretaria, um (1) Gabinete Administrativo e um (1) Gabinete do 2° ciclo; Tem também um (1) edifício no qual funciona uma (1) Biblioteca, um (1) Gabinete do 1° ciclo e uma (1) sala de professores; A Escola tem ainda uma (1) Cantina, três (3) Balneários, um (1) Campo Desportivo Polivalente, um (1) Campo para produção escolar e três (3) casas para os Gestores da Escola, contudo a Escola não tem laboratório de Química, Física nem de Biologia. Como perspectiva a Escola prevê ampliar o Bloco Administrativo e construir um (1) Ginásio escolar. Efectivo de Gestores da Escola Em relação a equipa de gestão, a Escola tem 1 Director Geral, 4 Directores Adjuntos Pedagógicos dos quais 2 são do 1° ciclo sendo 1 do curso diurno 1 do curso nocturno, e outros 2 são do 2° ciclo também distribuídos em diurno e nocturno, a Escola tem ainda 1 (uma) Directora Adjunta Administrativa e 1 (uma) Chefe da Secretaria. Efectivo dos Funcionários da Escola A Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio tem um total de 153 funcionários incluindo os gestores, dentre os quais 98 são mulheres e 55 são homens, tais funcionários encontram-se distribuídos por carreira do seguinte modo: 31 docentes de N1, 48 docentes de N2, 49 docentes de N3, 2 docentes de N4, 1 docente de N5, 13 agentes de serviço, 6 assistentes técnicos, 1 auxiliar administrativo, 1 auxiliar e 1 técnico profissional de administração pública. Efectivo dos Docentes da Escola A Escola tem um total de 93 docentes, dos quais 42 são do 1° ciclo e 51 do 2° ciclo, por sua vez dentre os 42 docentes 28 são do sexo masculino e 14 do sexo feminino, enquanto, dentre os 51 docentes 40 são do sexo masculino e 11 do sexo feminino. 47 Efectivo dos alunos da Escola A Escola iniciou o ano lectivo de 2014 com um total de 4802 alunos dentre os quais 1879 são do 1° ciclo do curso diurno, 704 do 1° ciclo do curso nocturno, 1363 do 2° ciclo do curso diurno e 856 do 2° ciclo do curso nocturno Conselho de Escola O Conselho de Escola tem 20 membros eleitos pela comunidade e garante a tomada de decisões de forma colectiva pela participação dos seguintes elementos: O presidente do conselho da Escola, o Director da Escola, 4 membros do colectivo da Direcção da Escola, 2 representantes dos professores, 1 chefe do clube da Escola, 2 chefes de turma por ciclo, 6 representantes dos pais, 2 representantes da comunidade e o chefe da secretaria. Projecto Educativo na Escola Segundo o EDAP do 2° ciclo do curso diurno da escola estudada, a escola não tem Projecto Educativo, outrossim, o próprio EDAP não sabe o que é um Projecto Educativo, conforme atestam as suas palavras, “o que é isso de projecto educativo? …tem plano de desenvolvimento…” (EDAP), no entanto, as suas palavras indicam também que a escola tem um Plano de Desenvolvimento Escolar como principal instrumento orientador do seu desenvolvimento; Questionado sobre a missão da escola, o EDAP respondeu dizendo que a missão da escola é de “…melhoria das condições mesmo da Escola…promover cidadania…” (EDAP), nesta resposta entendemos que por meio do Plano de Desenvolvimento Escolar a missão da escola não só está mais voltada para a formação de indivíduos capazes de exercerem os seus direitos e deveres cívicos, políticos e sociais estabelecidos na constituição do país, mas também para o crescimento físico da própria escola. De acordo com o EDAP a escola tem cumprido com a sua missão na medida em que no final de cada ano lectivo muitos alunos transitam para classes posteriores, conforme certificam as suas palavras, “…sim…no fim de cada ano os alunos passam, apesar de que não é cem por cento…” (EDAP), pelas suas palavras entendemos que o cumprimento da missão desta escola circunscreve-se na transição de muitos alunos para as classes posteriores. 48 CAPÍTULO 4: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS Neste capítulo apresentamos os dados quantitativos em gráficos e tabelas, e os dados qualitativos em grelhas e descrições, também analisamos os dados e discutimos os resultados relevantes à luz das hipóteses propostas e da revisão da literatura. Tendo em conta que cada questionário ou formulário subdivide-se em duas partes (ver apêndices B, C, D), sendo a primeira de dados pessoais dos participantes, relacionados com os indicadores sóciodemográficos dos alunos e de identidade profissional dos entrevistados, e a segunda de dados relacionados com o tema em estudo, primeiro apresentamososdados pessoais que permitiram caracterizar a amostra, e de seguida apresentamososdados relacionados com o tema em estudo, cuja análise permitiuvalidar as hipóteses anteriormente colocadas. 4.1 Dados sóciodemográficos dos alunos Apresentamosaqui os dados referentes às unidades de análise derivadas da categoria de ‘identidade dos inquiridos’ (ver apêndice E), segundo o quadro – 2. Quanto a classe e idade, temos na tabela – 1a relação entre a idade dos alunos inquiridos e a classe que frequentam, a idade varia de 17 a 24 anos, tendo uma média de 20 anos; De acordo com o número 4 do artigo 9 da lei 6/92 de 6 de Maio do Sistema Nacional de Educação (SNE), as crianças Moçambicanas começam a frequentar o ensino geral na 1ª classe com 6 anos de idade, sendo assim, todos os alunos inquiridos têm pelo menos um (1) ano de escolaridade em atraso na classe que estão frequentar; Em relação a 11ª classeverifica-se que 4 (12%) alunos inquiridos estão atrasados a um (1) ano de escolaridade, 5 (15%) a dois (2) anos, 13 (39%) a 3 (três) anos, 9 (27%) a 4 (quatro), 1 (3%) a cinco (5) anos e 1 (3%) a seis (6) anos de escolaridade; Enquanto, para os alunos inquiridos da 12ª classe, 22 (33%) estão atrasados a 1 (um) ano, 26 (39%) a 2 (dois) anos, 10 (15%) a 3 (três) anos, 5 (7%) a quatro (4) anos e 1 (1%) a cinco (5) anos de escolaridade. 49 Idade Tabela – 1: Distribuição dos alunos inquiridos por classe e idade Classe 11ª 12ª Total Geral 17 18 19 20 21 22 24 sem indicação Total Geral 4(12%) 5(15%) 13(39%) 9(27%) 1(3%) 1(3%) % 1(1%) 3(4%) 4 27 39 19 6 1 1 3 4% 27% 39% 19% 6% 1% 1% 3% 67 100 100% 22(33%) 26(39%) 10(15%) 5(7%) 33 Fonte: O autor. Sobre o sexo, verificou-se que dentre os 100 alunos inquiridos, 52% são do sexo masculino (M) e 46% do sexo feminino (F), entretanto, 2% não deram indicação; Embora a diferença entre ambos géneros seja mínima, esses dados relacionados ao sexo podem indicar que o insucesso escolar é mais frequente nos indivíduos do sexo masculino, o que por sua vez se assemelha à verificação deRosa (2013) de que o insucesso escolar é um fenómeno que afeta numericamente mais rapazes do que raparigas. No que diz respeito aos parentes com quem vivem, constatou-se que dos alunos inquiridos 45% vivem com os pais, 21% vivem com irmão, 13% vivem com a mãe, outros 13% vivem com os tios, 2% vivem somente com o pai e 6% não deram indicação, conforme mostra a tabela – 2;Nota-se que há um número considerável de alunos que não vivem com os pais destacando-se os 21% de alunos que vivem com irmão e 13% que vivem com os tios. Tabela – 2: Distribuição dos alunos inquiridos por parentes com quem vivem Vivem com Número de alunos % Irmão Mãe Pai Pais sem indicação Tios 21 13 2 45 6 13 21% 13% 2% 45% 6% 13% Total Geral Fonte: O autor. 100 100% Quanto a orfandade, dentre os 100 alunos inquiridos, 51% não são órfãos, 17% são órfãos de pai, 5% são órfãos dos pais, 4% são órfãos de mãe e 23% não deram indicação; Verifica-se que há menor percentagem (5%) de alunos que são órfãos de ambos progenitores. 50 Sobre o ambiente familiar em que vivem, dos 100 alunos, 79 (79%) vivem num ambiente familiar de paz e 6 (6%) vivem num ambiente familiar de confusão, outros 15% não deram indicação. Quanto a situação de emprego do encarregado, verificou-seque 51% dos alunos têm encarregados empregados e 36% têmencarregados desempregados o que podeconstituir um problema nas despesas escolares dos seus filhos, enquanto, outros 13% não deram indicação. No que diz respeito ao Bairro de residência, constatou-se que dos 100 alunos inquiridos, 17% é que vivem no Bairro da Vila Nova, onde a escola se localiza, esses alunos não percorrem mais de 2 km de casa – escola; Dentre os Bairros próximos em relação ao Bairro em que a Escola se localiza destacam-se, o Bairro 16 de Junho com 8% dos alunos, o Bairro Chinfura com 5% e o Bairro Bloco nove com 4%, os alunos destes Bairros percorrem menos de 3 km de casa – escola; Também verificou-se que há alunos que percorrem entre 3 km à menos de 5 km de distância casa – escola, esses alunos são dos seguintes Bairros, Bairro – 1, Bairro – 2, 1° de Maio e 5° Congresso com 1%, 25 de Junho e Josina Machel com 7%, 7 de Setembro e Nhamadjessa com 5%, 3 de Fevereiro com 3%, Bairro – 4 com 2% e Centro hípico com 6%; Notou-se aindaque há alunos que percorrem mais de 5 km de distância casa – escola, o que pode implicar o seu atraso nas aulas sobretudo do primeiro tempo, são alunos dos seguintes Bairros, Bairro – 5 com 14%, 7 de Abril, Soalpo e Mudzingaze com 2%, Piloto e Tembwe com 1%e o Bairro Nhamaonha com 3%. Todavia, 2%não deramindicação; As distâncias citadas foram obtidas pela pesquisa do mapa da cidade de Chimoio via Internet na Google Maps através de um telemóvel, a partir da escola estudada. Em relação a deficiência orgânica, dos 100 alunos inquiridos 94% indicaram que não tem nenhuma deficiência no seu organismo, 3% mencionaram a fraca visão, e outros 3% não deram indicação. Portanto, da análise dos dados sóciodemográficos dos alunos destaca-se que 55% dos alunos não vivem com ambos progenitores, 49% são orfãos de um ou ambos progenitores, 6% vivem num ambiente familiar de confusão, 36% tem encarregados de educação desempregados e 20% dos alunos percorrem mais de 5 km de distância casa – 51 escola, esses dados podem indicar factores de insucesso escolar de nível sócio – cultural, porém torna-se necessário considerar o facto de que os alunos matriculam-se e empreendem um esforço de estarem presentes na escola mostrando deste modo o seu interesse escolar, por isso cabe a Escola criar condições quer para motivar os alunos, para os reter, assim como para fazer com que tenham êxito na Escola (Abreu, 2013 & Pires, 2008), tais condições podem incluir serviços de Acção Social Escolar (ASE) eficazes, serviços de aconselhamento e orientação escolar e de transporte escolar (Alexandre, 1999). 4.2 Dados sobre a identidade profissional dos professores e do EDAP Foram apresentados aqui os dados referentes às unidades de análise derivadas da categoria de ‘identidade dos entrevistados’ segundo o quadro – 2. 4.2.1 Dados sobre a identidade profissional dos professores No que diz respeito ao sexo, 8 (73%) professores entrevistados são do sexo masculino (M) e 3 (27%) são do sexo feminino (F) (ver apêndice G). Quanto a idade dos professores, esta varia de 27 a 49 anos, distribuídos em, 9% com 27 anos, 9% com 29 anos, 19% com 30 anos, 9% com 31 anos, 18% com 32 anos, 9% com 39 anos, 18% com 41 anos e 9% com 49 anos de idade. Sobre o nível académico, 10 (91%) são Licenciados e 1 (9%) é Bacharel. Em relação ao curso de formação verificou-se que dos 11 professores entrevistados, 1 (9%) foi formado em Psicologia escolar, 1 (9%) em ensino de Química, 1 (9%) em ensino de Português, 1 (9%) em ensino de Matemática, 1 (9%) em ensino de Inglês, 1 (9%) em ensino de História, 1 (9%) em ensino de Geografia, 1 (9%) em ensino de Francês, 1 (9%) em ensino de Física, 1 (9%) em ensino de Filosofia e 1 (10%) em ensino de Biologia. Notou-se que o curso de formação de cada um dos professores entrevistados está relacionado com o ensino de uma determinada disciplina científica. Sobre a formação psicopedagógica, os 11 (100%) professores entrevistados afirmaram que têm formação psicopedagógica. Quanto a classe de leccionação, 64% dos professores entrevistados leccionam tanto a 11ª classe como a 12ª classe, 27% leccionam a 12ª classe e 9% a 11ª classe. 52 Em relação a disciplina que lecciona, verificou-se que dentre os 11 professores entrevistados, 1 (9%) lecciona a disciplina de Psicopedagogia, 1 (9%) de Química, 1 (9%) de Língua Portuguesa, 1 (9%) de Matemática, 1 (9%) de Inglês, 1 (9%) de História, 1 (9%) de Geografia, 1 (9%) de Francês, 1 (9%) de Física, 1 (9%) de Filosofia e 1 (10%) de Biologia. Articulando esses dados com os do curso de formação, nota-se que cada professor lecciona a disciplina científica do curso em que teve a formação psicopedagógica. Quanto aos anos de leccionação na Escola estudada, constatou-se que 4 (37%) professores entrevistados têm 4 anos de leccionação, 2 (18%) têm 6 anos, 2 (18%) têm 3 anos, 1 (9%) tem 5 anos, 1 (9%) tem 8 anos e 1 (9%) tem 11 anos de leccionação na escola estudada. Nota-se que 82% dos professores tem mais de 3 anos de leccionação nesta escola. Por conseguinte, em relação a identidade profissional dos professores entrevistados, de um modo geral e sintético constatou-se que todos eles têm formação de nível superior na disciplina que leccionam, no entanto, de acordo com Alexandre (1999) o sucesso escolar de um aluno não depende apenas de competências científicas e da formação pedagógica e didáctica do seu professor, mas ainda e sobretudo das suas atitudes e valores, isto é, o professor vale mais por aquilo que é do que por aquilo que faz, tornando-se assim imprescindível que o professor tenha também competências psicossociais. 4.2.2 Identidade profissional do EDAP Verificou-se que o EDAP do 2° ciclo do curso diurno da Escola estudada tem 50 anos de idade, com formação psicopedagógica e licenciado em ensino de Biologia, exerce a função de docente nesta escola a 4 anos, no entanto, só tem 2 anos de serviço como chefe (ver apêndice H). 53 4.3 Dados sobre o insucesso escolar Neste ponto foram apresentados os dados quer dos alunos inquiridos quer dos entrevistados, sobre o tema em estudo, o que permitiu relativamente às opiniões desses, aferir os principais motivos do insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo da Escola Secundária da Vila Nova na cidade de Chimoio. 4.3.1 Dados dos alunos inquiridos sobre o insucesso escolar Apresentamos aqui os dados concernentes às unidades de análise derivadas das categorias de ‘Reprovação, Desinteresse nos estudos, Dificuldades de Aprendizagem, Motivos de reprovação, Relação professor – aluno e Métodos didácticos mais usados pelo professor’ (ver apêndice F), conforme o quadro – 2. 4.3.1.1 Categoria de análise: Reprovação A partir da análise dessa categoria foi possível identificar as disciplinas mais críticas para os alunos, o sentimento dos alunos após a reprovação bem como a sua opinião sobre o culpado pela reprovação, respectivamente pelas perguntas número 1, 2 e 3 da segunda parte do questionário para alunos (ver apêndice B). a) Número de alunos por disciplina reprovada O número de alunos inquiridos por disciplina reprovada obedece a seguinte ordem: 32 alunos reprovados na disciplina de Química, 8 na disciplina de Psicopedagogia, 18 na disciplina de Português, 16 respectivamente nas disciplina de Matemática, Inglês, e História, 9 respectivamente nas disciplinas de Geografia e Francês, 38 na disciplina de Física, 26 na disciplina de Filosofia, 17 na disciplina de Biologia e 3 alunos não deram indicação; Nota-se que dentre as disciplinas reprovadas as mais críticas são a Física com 38 (38%) alunos reprovados, a Química com 32 (32%) alunos e a Filosofia com 26 (26%) alunos, sendo a disciplina de psicopedagogia a menos crítica com 8 (8%) alunos reprovados dentre os 100 alunos inquiridos; O maior índice de insucesso escolar nas disciplinas de Física e Química pode estar relacionado com a falta de laboratórios dessas disciplinas, dado que a Escola não possui nenhum laboratório, e para o caso da disciplina de Filosofia o problema pode estar mais relacionado com atitudes e valores por parte do professor (Alexandre, 1999). 54 b) Sentimento do aluno após a reprovação Dos 100 alunos inquiridos, 1% disse que não sente nada após reprovar, 11% disseram que se sentem alegres quando reprovam numa disciplina escolar, 39% admitiram que após reprovar se sentem aflitos e infelizes, enquanto, 48% afirmaram que se sentem frustrados quando reprovam numa disciplina escolar. Como se pode verificar no gráfico – 1, os alunos não se sentem bem após a reprovação, na medida em que 87% deles se sentem frustrados, aflitos e infelizes. Entretanto, de acordo comAbreu (2013), no sentido de evitarem frustrações e depressões causadas pelo insucesso escolar que adquirem, alguns alunos adoptam estratégias de realização de actividades nas quais obtem sucesso e que lhes proporciona prazer, tais como o desporto e a música, assim, pode ser o mesmo caso para o aluno (1%) que disse que não sente nada após reprovar e para os alunos (11%) que disseram que se sentem alegres quando reprovam numa disciplina escolar. Gráfico – 1: Sentimento do aluno após a reprovação Sem indicação 1% Não faz diferença 1% Frustrado 48% 11% Alegre Aflito e infeliz 39% 0 10 20 30 40 50 Fonte: O autor. c) Culpado pela reprovação do aluno É notório no gráfico – 2que, 12% dos alunos inquiridos afirmaram que a culpa pela reprovação é de todos, 1% disse que ninguém é culpado pela sua reprovação, 8% lançaram a culpa para a sua família, 5% imputaram a escola pela reprovaçãoe 69% dos alunos inquiridos culparam-se pela sua reprovação, o que por sua vez indica que os alunos culpam-se pela sua reprovação, tal facto também foi observado por Abreu (2013) quando referiu que o primeiro a se culpar é o próprio aluno, depois quem os culpam são os professores e por último são os seus pais. 55 Gráfico – 2: Culpado pela reprovação do aluno 12% Todos Sem indicação Ninguem 5% 1% 8% Familia Escola 5% Aluno 69% Fonte: O autor. 4.3.1.2 Categoria de análise: Desinteresse nos estudos Essa categoria foi analisada a partir das atitudes dos alunos no ano anterior nas aulas da disciplina reprovada, se foram atitudes de interesse ou de falta de interesse pela disciplina curricular, de modo a saber se o desinteresse é o principal motivo de reprovação dos alunos, conforme a pergunta número12 do questionário para alunos (ver apêndice B). a) Atitudes dos alunos nas aulas da disciplina reprovada Dos 100 alunos inquiridos, 86% indicaram a opção ‘Não faltar as aulas, frequentar as aulas por vontade própria, fazer todo o TPC e outros trabalhos de investigação, preocupar-se para realizar as provas perdidas, querer estudar para os testes; Mas mesmo assim reprovei’, que anuncia que as suas atitudes do ano anterior nas aulas da disciplina reprovada eram de interesse; Enquanto, 12% indicaram a opção ‘Faltar as aulas, frequentar as aulas por obrigação, não fazer o TPC e outros trabalhos de investigação, não se preocupar para realizar as provas perdidas, preferir não estudar para os testes; Por isso reprovei’, que revela que as suas atitudes eram de falta de interesse nos estudos. O gráfico – 3 expõe claramente que para 86% dos alunos o desinteresse não é o motivo da sua reprovação, pois cumpriam com os deveres escolares, isso entra em concordância com a observação de Robinson e Tayler (1988) de que o desinteresse escolar não é a causa do insucesso escolar, mas sim surge como consequência do insucesso. 56 Gráfico – 3: Atitudes dos alunos nas aulas da disciplina reprovada 2% Sem indicação 12% Não cumpria Cumpria 86% 0 50 100 Fonte: O autor. 4.3.1.3 Categoria de análise: Dificuldades de Aprendizagem Pretendeu-se a partir da análise dessa categoria saber se os alunos conhecem os tipos de Dificuldades de Aprendizagem, se sabem resumir e apresentar oralmente a informação que investigam e se conhecem as diferentes técnicas de estudo, respectivamente pelas perguntas número 8, 9 – 10 e 11 do questionário para alunos (ver apêndice B). a) Dificuldades de Aprendizagem conhecidas pelos alunos O gráfico – 4 mostra que dos 100 alunos inquiridos, 89% expressaram que não conhecem nenhum tipo de Dificuldades de Aprendizagem; No entanto, os outros mencionaram características que podem se enquadrar em alguns tipos de Dificuldades de Aprendizagem, é o caso de 5% que referiram a característica de ‘Compreender a matéria’ que éda Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – Linguística, 2% referiram ‘Não investigar e não fazer o TPC’ o que corresponde a Dificuldade de Aprendizagem Organizacional, 1% referiu ‘Ter vergonha’ que é uma característica relacionada com a Dificuldade de Aprendizagem Sócio – Emocional; As outras características mencionadas tais como, 1% ‘Preguiça mental’, 1% ‘Esquecimento da matéria’ e 1% ‘Deficiência visual e auditiva’ não se enquadram em nenhum tipo de Dificuldades de Aprendizagem. 57 Gráfico – 4: Dificuldades de Aprendizagem conhecidas pelos alunos Ter vegonha 1% Preguiça mental 1% Nenhuma Não invesOgar e não fazer o TPC. 2% Esquecimento da matéria 1% 89% 1% Deficiencia visual e audiOva 5% Compreender a matéria 0 20 40 60 80 100 Fonte: O autor. b) Alunos que sabem resumir e apresentar oralmente a matéria Conforme mostra o gráfico – 5, 60% dos alunos inquiridos disseram que não sabem resumir e apresentar oralmente a matéria que investigam, são alunos que têm Dificuldades de Aprendizagem Organizacional (Correia, 2004), para 28% dos alunos resumir é ‘Tirar informação mais importante’, já 2% dos alunos admitiram que resumir é ‘Reunir o que entendeu’ e 1% referiu que resumir consiste na ‘Síntese da informação’. Segundo Carita et al., (2001) o resumo é uma técnica de estudo essencial para a compreensão e memorização eficaz da matéria, mas os dados acima citados indicam que os alunos não sabem resumir, e o não saber resumir impede os alunos de assimilaremos conteúdos leccionados pelos professores levando-os consequentemente ao insucesso escolar. Gráfico – 5: Alunos que sabem resumir e apresentar oralmente a matéria Tirar informacao mais importante 28% 1% Sintese da informação 9% 2% Sem idicação Reunir o que entendeu Não sabe 60% 0 20 40 60 Fonte: O autor. 58 c) Alunos que conhecem técnicas de estudo Pode-se ver no gráfico – 6 que dentre os alunos inquiridos, 75% indicaram que não conhecem nenhuma técnica de estudo, são alunos que não sabem estudar (Carita et al., 2001), 18% mencionaram a técnica de leitura, 5% indicaram a técnica de ‘Auto – explicação’, outros como 1%, e 1% dos alunos referiram-se respectivamente de ‘Consultar dicionário’, e ‘Análise’ como técnicas de estudo. De acordo com Carita et al., (2001) as técnicas de estudo são indispensáveis no processo da aprendizagem do aluno, pois elas permitem ao aluno reter e assimilar de forma eficaz os conteúdos ao utilizá-las para organizar ou tratar uma determinada informação seja ela oral ou escrita, e quando o aluno não domina e não aplica essas técnicas na sua aprendizagem acaba por adquirir o insucesso escolar, assim o facto de 75% dos inquiridos terem dito que não conhecem nenhuma técnica de estudo mostra que infelizmente os nossos alunos não conhecem técnicas de estudo, por isso não compreendem a matéria e adquirem o insucesso escolar. Gráfico – 6: Alunos que conhecem técnicas de estudo Nenhuma 75% 18% Leitura 1% Consultar dicionário 5% 1% Auto-‐explicação Análise 0 20 40 60 80 Fonte: O autor. 4.3.1.4 Categoria de análise: Motivos de reprovação indicados pelos alunos A análise dessa categoria foi fundamental na medida em que permitiu identificar de forma directa as causas reais do insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo da Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio, as unidades de análise desta categoria baseiam-se nas perguntas número 4, 5, 6, e 7 da parte – II do questionário para alunos (ver apêndice B). 59 a) Motivos de reprovação citados pelos alunos No gráfico – 7 verifica-se que dos alunos inquiridos, 56% declararam que reprovaram por ‘Não entender a matéria e não saber estudar’, são alunos que têm respectivamente Dificuldades de Aprendizagem Auditivo – linguística e Organizacional (Correia, 2004), 11% referiram o ‘Atraso nas aulas’ como causa real da sua reprovação, 7% indicaram ‘Doença’, 5% indicaram o ‘Excesso de faltas’, 4% disseram que reprovaram por ‘Brincadeira e desleixo’, 3% mencionaram a ‘Longa distância casa – escola’, dentre os outros motivos indicados que se distribuem em 1% por cada destacam-se respectivamente, o ‘Transporte’, ‘Problemas psicológicos’, ‘O professor só deixava o apontamento’, ‘Não participar nas aulas enão fazer o TPC’, ‘Não participar nas aulas’, ‘Família não me deixava estudar’ e ‘É gago e não consegue defender trabalhos’. Nota-se neste estudo que as Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística sobressaem como sendo as principais causas do insucesso escolar na Escola pesquisada, na medida em que 56% (Gráfico – 7) dos alunos disseram que reprovaram por não entender a matéria e por não saber estudar, o que é reforçado com o facto de 60% (Gráfico – 5) dos alunos terem dito que não sabem resumir e 75% (Gráfico – 6) terem dito que não conhecem nenhuma técnica de estudo; Isso condiz com a ideia de Carita et al. (2001, pp. 117,121), de que um dos principais factores do insucesso escolar é a má compreensão das instruções pelo aluno devido a Dificuldades na compreensão dos termos utilizados, sendo obrigatório o desenvolvimento de competências de estudo nos alunos pelo professor, para prevenir e combater essas Dificuldades de Aprendizagem. Mesmo Carrilho (2012) percebeu que o principal motivo do insucesso escolar é a ausência de métodos de estudo por parte dos alunos, e propôs que se ensine também os alunos a estudar. 60 Gráfico – 7: Motivos de reprovação citados pelos alunos 1% Transporte sem indicação Problemas psicológicos O professor só deixava apontamento não parOcipar nas aulas e não fazer o TPC não parOcipar nas aulas Não entender a matéria e não saber estudar Longa distância casa-‐escola Familia não me deixava estudar Excesso de faltas É gago e não consegue defender trabalhos Doença Brincadeira e desleixo Atraso nas aulas 7% 1% 1% 1% 1% 56% 3% 1% 5% 1% 7% 4% 11% 0 10 20 30 40 50 60 Fonte: O autor. 4.3.1.5 Categoria de análise: Relação professor – aluno Essa categoria foi analisada a partir da verificação do tratamento que o aluno recebia quando obtinha resultados negativos nas avaliações, o que por sua vez permitiu conhecer a qualidade da relação que o professor estabelecia com os seus alunos, tal unidade de análise baseou-se na pergunta número 13 do questionário para alunos (ver apêndice B). a) Tratamento que os alunos recebiam quando obtinham negativa numa avaliação Dos 100 alunos inquiridos, 56% mostraram que a relação professor – aluno tem sido razoável, na medida em que indicaram que o professor ‘Dialogava e dizia para estudar, mas não explicava como se deve estudar’, tanto os 17% que citaram que o professor não dava ‘Nenhum’ tratamento, como os 16% que notaram que o professor ‘Deixava a critério do aluno’revelaram que há professores que estabelecem uma relação má com os seus alunos, enquanto, os 7% que acharam que o professor dava um tratamento ‘De compreensão e explicava como se deve estudar e dava teste de recuperação’, mostraram que são muito poucos os professores que estabelecem uma boa relação com os seus alunos, conforme o gráfico – 8. 61 Gráfico – 8: Tratamento que os alunos recebiamquando obtinham negativa numa avaliação 4% sem indicacao 17% Nenhum 56% Diálogo 7% compreensão, apoio moral e técnico 16% A critério do aluno 0 10 20 30 40 50 60 Fonte: O autor. 4.3.1.6 Categoria de análise: Métodos didácticos mais usados pelo professor A análise desta categoria que teve como objectivo de identificar o método didáctico mais usado pelo professor, consistiu na verificação das Características das aulas do ano anterior nas disciplinas reprovadas pelo aluno, com base na pergunta número 14 do questionário para alunos (ver apêndice B). a) Método didáctico mais usado pelo professor Da observação do gráfico – 9 verifica-se que dos alunos inquiridos, 82% referiram-se ao método expositivo quando indicaram que ‘Em muitas aulas o professor explicava, ditava apontamentos, e os alunos escutavam e anotavam a matéria’, isso mostra um desacordo em relação a ideia de Gervilla (1988) de que os melhores métodos didácticos são os métodos cooperativos, enquanto 18% referiram-se ao método semi – directo quando indicaram que ‘Nas aulas os alunos apresentavam e explicavam a matéria investigada por eles com boa orientação e síntese do professor após a discussão’. Gráfico – 9: Métodos didácticos indicados pelos alunos que os professores mais usam 18 % Semi-‐directo ExposiOvo 82% 0 50 100 Fonte: O autor. 62 4.3.2 Dados dos professores entrevistados sobre o insucesso escolar Neste ponto apresentamos os dados dos professores entrevistados atinentes às unidades de análise derivadas das categorias de ‘Responsabilidade sobre reprovação, Desinteresse no aluno, Dificuldades de Aprendizagem, Motivos de reprovação, Relação professor – aluno, Métodos didácticos, Avaliações escolares e Capacitação psicopedagógica contínua’, segundo o quadro – 2. 4.3.2.1 Categoria de análise: Responsabilidade sobre reprovação A partir da análise dessa categoria conhecemos a opinião dos professores entrevistados sobre o culpado pela reprovação dos seus alunos, pela pergunta número 1 da segunda parte do formulário de entrevista para professores (ver apêndice C). a) Opinião dos professores sobre o culpado pela reprovação dos alunos O gráfico – 10 mostra que, 55% dos professores entrevistados referiram a Escola como sendo a culpada pela reprovação dos seus alunos, tal como Bock et al. (2001), esses professores reconhecem o papel da própria Escola na garantia do sucesso escolar para todos os seus alunos, 27% mencionaram o aluno como sendo o culpado pela sua reprovação, enquanto, 18% admitiram que todos têm culpa pela reprovação dos alunos. Gráfico – 10: Opinião dos professores sobre o culpado pela reprovação dos alunos 2 (18%) Todos Escola 6 (55%) 3 (27%) Aluno 0 2 4 6 Fonte: O autor. 63 4.3.2.2 Categoria de análise: Desinteresse no aluno O objectivo da análise desta categoria foi de conhecer a opinião dos professores entrevistados sobre as características do aluno desinteressado nos estudos, essa análise baseia-se na pergunta número 2 do formulário de entrevista para professores (ver apêndice C). Quadro – 3: Opinião dos professores sobre as características do aluno desinteressado Professores entrevistados Características do aluno desinteressado E1 "…não participa…" E2 "…tem disciplina como obrigatória…" E3 "…gazetear…" E4 "…tarefa…não faz…" E5 "…não fazem…TPC…" E6 "…problema…do…professor…depende da motivação." E7 "…não fazem…TPC…" E8 "…várias actividades…não tem feito…" E9 "…não faz trabalhos." E10 "…atitude do professor perante o aluno." E11 Fonte: O autor. "…gazetear…" O quadro – 3 apresenta as características do aluno desinteressado mencionadas pelos professores entrevistados, examinandoessas respostas verifica-se que para 9 (82%) professores o problema do desinteresse no aluno é do próprio aluno, na medida em que, o aluno não participa nas aulas, sente-se obrigado a estudar uma disciplina que não quer, abandona com frequência às aulas e não cumpre os deveres escolares; Essas características assemelham-se com às de Pezzini e Szymanski, (s/d, 2014). No entanto, nem todos os professores entrevistados comungam tais características do aluno desinteressado, é o caso de 2 (18%) professores, o ‘E6’ e o ‘E10’, para os quais o problema do desinteresse não é do próprio aluno, mas sim do professor, pois, todas as disciplinas são importantes para o aluno e cabe ao professor com ajuda do supervisor ter atitudes ou estudar estratégias eficazes que possam motivar e estimular o interesse do aluno na disciplina curricular. 64 4.3.2.3 Categoria de análise: Dificuldades de Aprendizagem Objectivou-se a partir da análise dessa categoria saber se os professores conhecem os tipos de Dificuldades de Aprendizagem, as características da Dificuldade de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística, e também conhecer a sua opinião sobre a origem das Dificuldades de Aprendizagem, relativamente às perguntas número 3, 3.1 e 3.3 do formuláriode entrevista para professores (ver apêndice C). a) Dificuldades de Aprendizagem conhecidas pelos professores entrevistados Quadro – 4: Dificuldades de Aprendizagem conhecidas pelos professores entrevistados Professores Dificuldades de aprendizagem conhecidas E1 "…não estou a recordar." E2 "Não conheço." E3 "...não estou a recordar." E4 "…falta de material didáctico." E5 "Quer dizer o quê os tipos de dificuldades de aprendizagem?" E6 "…não tem esse espírito de pesquisa." E7 "…não participa…" E8 "…escrita, leitura, cálculo, …" E9 "…talvez o saber estar e ser do aluno…" E10 "…deficiências no aluno…" E11 Fonte: O autor. "…falta de…biblioteca." Em relação ao conhecimento sobre os tipos de Dificuldades de Aprendizagem, no quadro – 4 destacam-se as respostas dos professores entrevistados; Da análise dessas respostas nota-se que 10 (91%) professores não conhecem os diferentes tipos de Dificuldades de Aprendizagem, visto que, não mencionaram nenhum tipo, nem sequer mencionaram características de algum tipo de Dificuldade de Aprendizagem, até há quem não sabe o que quer dizer tipos de dificuldades de Aprendizagem (E5); Apenas 1 (9%) professor (E8) que lecciona a disciplina de psicopedagogia e Licenciado em Psicologia Escolar é que foi capaz de mencionar algumas subcategorias da categoria de Dificuldade de Aprendizagem Académica, o que por sua vez mostra também que não conhece as diferentes categorias das Dificuldades de Aprendizagem. Os dados mencionados indicam que os professores (91%) não conhecem os tipos de Dificuldades de Aprendizagem, conforme a noção de Vitale (2007) o não 65 conhecimento das Dificuldades de Aprendizagem pelos professores impede o pleno desenvolvimento de milhares de alunos num país, isto é, impede aos alunos de serem ajudados pelos professores a superar suas DA, culminando com o seu insucesso escolar. Quando Carrilho (2012, p. 19) disse que, “tomar consciência das principais dificuldades que impedem cada um de alcançar resultados satisfatórios é essencial para os superar,” deixou claro que o conhecimento das principais Dificuldades de Aprendizagem pelos intervenientes do processo de ensino – aprendizagem é o primeiro passo indispensável para superá-las e consequentemente garantir o sucesso escolar dos alunos. Tal como um médico que não conhece os tipos de doenças dos seus pacientes, um professor que não conhece os tipos de Dificuldades de Aprendizagem que os seus alunos podem ter não será capaz de identificar o tipo de Dificuldade de Aprendizagem que um aluno esteja a sofrer e de ajudar um aluno a superar a Dificuldade de Aprendizagem que esteja a sofrer, nem será capaz de compreender na sua essência as causas reais do insucesso escolar dos seus alunos, podendo por isso limitar-se a dizer que o aluno adquire o insucesso escolar por falta de interesse pela disciplina curricular. b) Características da Dificuldade de Aprendizagem Organizacional Quadro – 5: Características das Dificuldades de Aprendizagem Organizacional Professores Características da Dificuldade de Aprendizagem Organizacional E1 "Não conheço." E2 "..ter…calendário de estudo em casa…" E3 "Não conheço." E4 "...não..." E5 "…não…se organizar." E6 "…infra-estruturas podem fazer parte…" E7 "Não posso responder." E8 "…organização do…sistema de ensino em si." E9 "…se a direcção...não está organizada então alunos também." E10 "…instituição…tarefas…tem que estar bem organizadas." E11 "…aluno não consegue esboçar um calendário de estudo." Fonte: O autor. Sobre as características da Dificuldade de Aprendizagem Organizacional, destacam-se as respostas dos professores entrevistados no quadro – 5; Espiolhando essas respostas verifica-se que nenhum 0 (0%) professor conhece a Dificuldade de Aprendizagem Organizacional, dado que das características mencionadas nenhuma pertence a Dificuldade de Aprendizagem Organizacional; 66 Outrossim nota-se que alguns, 4 (36,4%) dos professores entrevistados tais como o ‘E1’, ‘E3’, ‘E4’ e ‘E7’ referiram claramente que não conhecem essa Dificuldade de Aprendizagem, outros 4 (36,4%) professores como o ‘E6’, ‘E8’, ‘E9’ e ‘E10’confundem tal Dificuldade de Aprendizagem com a ineficácia da organização da instituição escolar, há também 3 (27.2%) os que pensam que ter essa Dificuldade de Aprendizagem significa respectivamente não saber se organizar – ‘E5’ e não saber elaborar calendário de estudo – ‘E2/E11’, no entanto, não basta saber se organizar ou saber elaborar calendário de estudo, é imprescindível que um aluno saiba estudar ou tenha um domínio profundo das técnicas de estudo. Relacionando as respostas do quadro – 5 com as do quadro – 3 podemos perceber que, por não conhecerem as características da Dificuldade de Aprendizagem Organizacional muitos professores podem incorrer no erro de pensar que os alunos não fazem trabalhos escolares porque não estão interessados nos estudos, porém verificamos no gráfico – 3 que os alunos estão interessados nos estudos, todavia, eles não sabem estudar (gráfico – 5, 6 e 7) e é por isso que não fazem trabalhosescolares ou fazem de forma errada, diferentemente de um aluno desinteressado, que apesar de saber estudar opta por não fazer ou não entregar trabalhos escolares. c) Características da Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – Linguístca Quadro – 6: Características da Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – linguística mencionadas pelos professores Professores Características da Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – Linguística E1 "…problema de compreensão…" E2 "…deficiência auditiva…não ouve…língua presa…" E3 "…não, podemos saltar essa pergunta." E4 "…perceber mal o que se fala…" E5 "…problema de compreensão…" E6 "…compreensão dos alunos." E7 "…problema de audição…não consegue se articular bem." E8 "…dificuldade em ouvir e…expressar." E9 "…não entende a língua." E10 "…caso de deficiência…merece cuidados especiais." E11 "…na escola temos um deficiente…deve ter um ensino…especial…" Fonte: O autor. O quadro – 6 apresenta as respostas dos professores sobre as características da Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – linguística; 67 Nas respostas mencionadas verifica-se que 6 (55%) professores respectivamente o ‘E2’, ‘E3’, ‘E7’, ‘E8’, ‘E10’ e ‘E11’revelaram que não conhecem a Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – linguística, na medida em que, o ‘E3’ referiu que não conhece essa Dificuldade de Aprendizagem e para os ‘E2’, ‘E7’, ‘E8’, ‘E10’ e‘E11’ o aluno com Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – linguística é deficiente auditivo; Contudo, 5 (45%) professores respectivamente o ‘E1’, ‘E4’, ‘E5’, ‘E6’e o ‘E9’ mencionaram características da Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – linguística dando a entender que tem algum conhecimento sobre essa Dificuldade de Aprendizagem. d) Opinião dos professores sobre a Origem das Dificuldades de Aprendizagem Dos 11 professores entrevistados, 1 (9%) pronunciou que as Dificuldades de Aprendizagem tem ambas origens, tanto extrínseca como intrínseca em relação ao aluno, 6 (55%) expressaram que tem origem extrínseca, 1 (9%) disse que tem origem extrínseca na medida em que o aluno não aprende correctamente e 3 (27%) disseram que as Dificuldades de Aprendizagem têm origem intrínseca relacionada com deficiência. Verifica-se que para 7 (64%) professores as Dificuldades de Aprendizagem têm origem extrínseca ao aluno, o que remete-nos para a compreensão semelhante a de Oliveira (2014), na qual as Dificuldades de Aprendizagem não devem ser trabalhadas no contexto clínico, porque os alunos com Dificuldades de Aprendizagem não são doentes (Coudry, s/d, cit. Por Bueno, 2007, ¶ 6), mas é necessário que os professores com ajuda dos supervisores pedagógicos estudem e adoptem estratégias metodológicas e de recuperação eficazes para ajudarem os seus alunos a ultrapassar Dificuldades de Aprendizagem que têm. 4.3.2.4 Categoria de análise: Motivos de reprovação indicados pelos professores Esta categoria foi analisada na perspectiva de conhecer a opinião dos professores sobre as causas reais do insucesso escolar dos alunos do 2° ciclo da Escola Secundária da Vila Nova da cidade de Chimoio, as unidades de análise desta categoria baseiam-se nas perguntas número 2.1 e 3.2 da parte – II do formulário para professores (ver apêndice C). 68 a) Desinteresse como principal motivo de reprovação Dos 11 professores, 5 (46%) indicaram o desinteresse como sendo o principal motivo da reprovação dos seus alunos, 2 (18%) referiram a falta de motivação no aluno o que também está relacionado com o desinteresse no aluno, 1 (9%) citou a amnistia da Direcção da Escola em relação aos alunos, 1 (9%) mencionou a influência da fase da adolescência no aluno, 1 (9%) citou o desinteresse e o número de alunos por turma, e 1 (%) disse que o desinteresse não é o principal motivo de reprovação. Nota-se no gráfico – 11 que 8 (73%) professores, incluindo os que citaram a falta de motivação, consideram o desinteresse pela disciplina curricular como sendo o principal motivo da reprovação dos seus alunos, tal ponto de vista pode estar relacionado com o facto desses professores não terem conhecimentos críveis sobre as Dificuldades de Aprendizagem. Gráfico – 11: Desinteresse como principal motivo de reprovação 1 (9%) sim e nr. De alunos 5 (46%) Sim Não 1 (9%) Influência da adolescência 1 (9%) 2 (18%) Falta de moOvação 1 (9%) AnisOa da Direcção 0 1 2 3 4 5 Fonte: O autor. b) Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística como principal motivo de reprovação. Dentre os professores entrevistados, 6 (55%) afirmaram que as Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística não são o principal motivo de reprovação dos seus alunos, 3 (27%) admitiram que essas Dificuldades são o principal motivo de reprovação dos seus alunos, 1 (9%) mencionou a falta de interesse como principal motivo de reprovação dos seus alunos, e 1 (9%) citou a falta de material e métodos como motivos principais de reprovação dos alunos. No gráfico – 12 verifica-se claramente que para 8 (73%) professores, incluindo os que mencionaram a falta de interesse e a falta de material, as Dificuldades de 69 Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística não são os principais motivos de reprovação dos seus alunos, essa opinião pode também justificar-se com o facto desses professores não possuírem conhecimentos críveis sobre as Dificuldades de Aprendizagem. Gráfico – 12: Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – Linguística como principal motivo de reprovação 3 (27%) Sim 6 (55%) Não Falta de material, métodos 1 (9%) Falta de interesse 1 (9%) 0 1 2 3 4 5 6 Fonte: O autor. c) Outros motivos de reprovação indicados pelos professores Nos gráficos – 11 e 12 verificamos que há 1 (9%) professor que indicou a amnistia da Direcção da Escola, 1 (9%) que notou a influência da fase de adolescência no alunoe 1 (9%) que declarou a falta de material, como sendo outros motivos da reprovação. Em relação aos motivos de reprovação, verifica-se que os professores (73%) apontam para o desinteresse escolar como sendo a causa central do insucesso escolar dos seus alunos, o que corresponde a teoria explicativa dos «dotes», naqualculpa-se o aluno, entretanto, Martins e Figueiredo (2011, p. 4) salientaram que os professores recorrem a essa explicação como uma forma de se livrarem e de tirarem de suas costas a responsabilidade da não aprendizagem de grande parte de seus alunos. Esses autores esclareceram que, quer a preguiça ou a falta de interesse deixaram de ser aceites como explicação para o insucesso escolar dos alunos, passando a culpa do seu insucesso escolar a ser assumida como um fracasso de toda a comunidade escolar, visto que o sistema escolar não cria condições para motivar e encaminhar os seus alunos ao êxito escolar. O ponto de vista desses autores é similar ao de Alexandre (1999, p. 2), que também notou que a responsabilização do insucesso escolar ao aluno é a forma mais antiga de explicar o fenómeno do insucesso escolar dos alunos e que actualmente deixou de ser válida, conforme atestam as suas palavras, “tempos atrás, o ‘culpado’ do insucesso era essencialmente o aluno, que era apodado de ‘preguiçoso’, ‘distraído’, ‘desinteressado’…” 70 4.3.2.5 Categoria de análise: Relação professor - alunos A análise desta categoria partiu da verificação de atitudes dos professores para os alunos que adquirem resultados negativos nas avaliações, o que por sua vez permitiu conhecer a qualidade da relação que o professor estabelece com os seus alunos, essa unidade de análise circunscreve-se na pergunta número 4 da parte - II do formulário para professores (ver apêndice C). a) Atitudes dos professores para alunos com resultados negativos nas avaliações Dentre os professores entrevistados, 55% disseram que costumam dar testes de recuperação aos alunos, para 36% dos professores repisar no conteúdo não dominado tem sido a melhor forma de ajudar os alunos que adquirem negativas nas avaliações, enquanto 9% recorrem ao diálogo como forma de ajudar os alunos na situação negativa. No gráfico – 13 verifica-se que a relação professor – aluno tem sido razoávelna medida em que os professores mostram alguma preocupação para os alunos, dando-lhes testes de recuperação, repisando a matéria não compreendida e dialogando com os tais alunos. Gráfico – 13: Atitudes dos professores para alunos com resultados negativos nas avaliações Teste de recuperação 6 (55%) Repisar no conteúdo não dominado 4 (36%) 1 (9%) Diálogo 0 2 4 6 Fonte: O autor. 4.3.2.6 Categoria de análise: Métodos didácticos utilizados pelos professores Objectivou-se a partir da análise desta categoria, não só identificar os métodos privilegiados pelos professores, mas também conhecer a opinião dos professores sobre as características dos métodos didácticos que utilizam, tal análise baseou-se na pergunta número 5 e 5.1 da parte – II do formulário para professores (ver apêndice C). 71 a) Métodos didácticos utilizados pelos professores e respectivas características Quadro – 7: Métodos didácticos utilizados pelos professores e respectivas características Professores E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 E9 E10 Métodos didácticos privilegiados e respectivas características "…elaboração conjunta. Deixo o TPC…aluno vai…ler antes…coloco o tema no quadro e os alunos vão introduzir…explico depois…" "…elaboração conjunta. Antecede-se por alguns textos…vai dando a sua aula…perguntando…e eles vão dando respostas." "…elaboração conjunta (…) começo sempre com uma pergunta…vão respondendo." "…chuva de ideias e interrogativo (…) fazer a pergunta e o estudante responde se tiver…professor acrescenta." "…elaboração conjunta. (…) o conteúdo fica na parte central (…) o aluno discute "…dialógico, debate (…) dá-se um tema então põe-se em debate…expositivo tem sido o principal." "…elaboração conjunta. (…) alunos é que são os donos da aula." "…elaboração conjunta. (…) auscultar o que os estudantes tem como conteúdo daquela aula a ser dada." "…elaboração conjunta. (…) alunos falam sobre o tema dado que se recebe pelo programa no início do ano." "…trabalho independente. (…) resolver de forma independente as questões elaboradas pelo professor" E11 "…interrogativo e expositivo. (…) sequência de questões (…) explicar um assunto novo." Fonte: O autor. Questionados sobre os métodos didácticos mais privilegiados nas suas aulas e respectivas características, os professores responderam proferindo as expressões patentes no quadro – 7; Examinandotais expressões verifica-se que 8 (73%) professores utilizam o método de elaboração conjunta, como no caso do ‘E1’, ‘E2’, ‘E3’, ‘E5’, ‘E6’, ‘E7’, ‘E8’ e ‘E9’, e outros2 (18%) como o ‘E4’ e o ‘E11’ privilegiam respectivamente o método de chuva de ideias, e o interrogativo e expositivo, enquanto, 1 (9%) que é o ‘E10’ privilegia o método de trabalho independente. Quanto às características dos métodos didácticos mencionados pelos professores, sobretudo para o método de elaboração conjunta, nota-se que há semelhanças nas características mencionadas, que se circunscrevem no facto de que tal método didácticoorganiza-se pelas perguntas feitas pelo professor aos alunos. No entanto, nota-se também que o método de elaboração conjunta implica a participação do aluno na aula, e dificilmente um aluno pode participar de forma satisfatória na aula sem saber estudar ou sem ter o domínio das técnicas de estudo. 72 4.3.2.7 Categoria de análise: Avaliações escolares Pretendeu-se a partir da análise desta categoria verificar a finalidade das avaliações escolares dadas pelos professores entrevistados aos seus alunos, com base na pergunta número 6 da parte – II do formulário para professores (ver apêndice C). a) Finalidade das avaliações escolares Todos (100%) os professores entrevistados foram unânimes em mencionar a expressão, ‘verificar nível de assimilação, classificar e dar nota’, como sendo a finalidade das avaliações escolares que administram aos seus alunos. Nota-se na expressão dos professores que nas avaliações não se inclui a finalidade de identificar Dificuldades de Aprendizagem dos alunos e ajudá-los a superá-las, são avaliações que tem finalidade meramente classificatória, esse facto entra em conformidade com a observação de Goleman (1995) e de Hoffmann (1997) de que o quotidiano escolar tem sido todo permeado pela prática da avaliação somente classificatória. 4.3.2.8 Capacitação psicopedagógica contínua Essa categoria foi analisada na perspectiva de conhecertanto o número de seminários de capacitação sobre as Dificuldades de Aprendizagem, relação professor – aluno e métodos didácticos que os professores entrevistados tiveram, como a opinião desses professores sobre a necessidade de seminários de capacitação psicopedagógica nessa matéria, as unidades de análise basearam-se nas perguntas número 7 e 7.1 do formulário de entrevista para professores (ver apêndice C). a) Número de seminários de capacitação sobre Dificuldades de Aprendizagem Todos (100%) os professores entrevistados afirmaram que ‘nunca’ tiveram seminário de capacitação psicopedagógica sobre as Dificuldades de Aprendizagem, essa é uma situação que contribui para a falta de conhecimentos sobre Dificuldades de Aprendizagem nesses professores. 73 b) Número de seminários de capacitação sobre a Relação Professor – Aluno Todos (100%) os professores entrevistados declararam que ‘nunca’ tiveram seminário de capacitação sobre o tema Relação professor – aluno, o que por sua vez fundamenta o facto de que a relação professor – aluno não tem sido boa. c) Número de seminários de capacitação sobre os métodos didácticos Dentre os professores entrevistados 1 (9%) disse que teve dois (2) seminários sobre métodos didácticos em aulas de simulação dadas por colegas, 3 (27%) disseram que tiveram duas (2) vezes, 3 (27%) disseram que tiveram um (1) seminário em forma de aula de simulação dada por colega, 3 (27%) disseram que tiveram uma (1) vez, 1 (9%) disse que nunca (0) teve seminário de capacitação sobre os métodos didácticos. Isso revela que nessa Escola tem havido aulas de simulação dadas por colegas, nas quais aproveita-se discutir assuntos relacionados com os métodos didácticos, no entanto o ideal seria que os professores recebecem um treinamento contínuo pelos supervisores pedagógicos em matérias fundamentais, tais como as Dificuldades de Aprendizagem e formas de sua superação, o mesmo foi referido por Andrade (1976), segundo o qual os supervisores pedagógicos devem promover o desenvolvimento pessoal e profissional do professor e estimulá-lo para uma acção criativa. d) Necessidade de seminários de capacitação sobre Dificuldades de Aprendizagem, Relação professor – aluno e métodos didácticos Sobre a necessidade de seminários de capacitação relacionados com a matéria de Dificuldades de Aprendizagem, Relação professor – aluno e métodos didácticos, as respostas dos professores foram as seguintes: 2 (18%) professores expressaram ‘Sim, para saber identificar dificuldades dos alunos’, 5 (46%) falaram ‘Sim, para recordar’, 1 (9%) afirmou ‘Sim, para perceber novos métodos’, 1 (9%) declarou ‘Sim, para desenvolvimento profissional’, 1 (9%) pronunciou‘Sim, aprendizagem é contínua’, e 1 (9%) disse ‘Não, pois é repetição do que já se estudou’. Examinando essas respostas, nota-se que 10 (91%) professores entrevistados almejam ter seminários de capacitação sobre a matéria das Dificuldades de Aprendizagem, Relação professor – alunos e métodos didácticos, de modo a serem capazes de atender satisfatoriamente os alunos com Dificuldades de Aprendizagem. 74 4.3.3 Dados do EDAP sobre o insucesso escolar Apresentamosneste ponto os resultados dos dados do EDAP, concernentes às unidades de análise derivadas das categorias de ‘Responsabilidade sobre reprovação, Desinteresse no aluno, Dificuldades de Aprendizagem, Motivos de reprovação, Relação professor – aluno, Métodos didácticos, Avaliações escolares e Capacitação psicopedagógica contínua’, segundo o quadro – 2. Respondendo a pergunta número 1 da parte – II do respectivo formulário de entrevista (ver apêndice D), o EDAP proferiu as seguintes expressões, "…docentes e com alunos; docentes são negligentes e alunos não se entregam…alem de que há enchentes nas turmas." (EDAP), nessas expressões compreende-se que para o EDAP a responsabilidade sobre a reprovação dos alunos recai contra a própria Escola, na medida em que por um lado os professores são desleixados e por outro lado as próprias turmas andam superlotadas de alunos. Para o EDAP o problema do desinteresse nos estudosestá no próprio aluno dado que o aluno com falta de interesse pelos estudos é aquele que manifesta com frequência atitudes de indiferença nos assuntos escolares e não cumpre com os deveresescolares, tal como atestam as suas palavras, "…mostra sempre apatia, não faz o TPC…" (EDAP). Segundo oEDAP, o principal motivo de reprovação dos alunos é o desinteresse pela disciplina curricular, dado que ele afirmou categoricamente, "…com certeza…" (EDAP). Questionado sobre os tipos de Dificuldades de Aprendizagem que conhece, o EDAP respondeu dizendo que, "…não…professor não levou meios para demonstrar…" (EDAP), analisando essa resposta nota-se que o EDAP não conseguiu mencionar nenhum tipo de Dificuldade de Aprendizagem, o que significa que não conhece os tipos de Dificuldades de Aprendizagem, e deste modo dificilmente pode-se ajudar os alunos a superar suas DA. O EDAP não conhece as características da Dificuldade de Aprendizagem Organizacional, e confunde-a com a ineficácia da organização da instituição escolar, no entanto, tem algum conhecimento sobre a Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – linguística na medida em que conseguiu mencionar a principal característica dessa Dificuldade de Aprendizagem, pois, sobre a Dificuldade de Aprendizagem Organizacional respondeu dizendo que "…talvez uma Escola mal organizada…" (EDAP) e sobre a Dificuldade de Aprendizagem Auditivo – linguística disse, "…problema de percepção da língua." (EDAP). 75 Na opinião do EDAP as Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística não constituem o principal motivo de reprovação dos alunos, tal como certifica a sua resposta, "…principal não concordo…" (EDAP); E sobre as origens das Dificuldades de Aprendizagem ele respondeu dizendo que são "externas, os alunos não estão doentes." (EDAP), o que significa que essas Dificuldades de Aprendizagem não se justificam pela deficiência Orgânica do alunos. Questionado sobre as atitudes que os professores tomam para os alunos que adquirem resultados negativos nas avaliações escolares o EDAP deu a seguinte resposta: "…o professor passa a zombar este «você é burro» e passa a agravar…já nem tem tempo para atender esses alunos…falta de paciência." (EDAP), essa resposta indica que a relação professor – aluno tem sido má, na medida em que os alunos na situação negativa não são ajudados na superação dos seus problemas de aprendizagem pelos professores, que por sinal ofendem moralmente aos alunos atribuindo-lhes o nome de burro, de acordo com Quintas e Munoz (1988) uma relação má não estimula o envolvimento do aluno no processo de ensino – aprendizagem, e ainda compromete tanto a sua auto – estima e o seu interesse pela escola. Segundo o EDAP o método didáctico mais utilizado pelos professores é o método expositivo, no qual a principal actividade do professor é fornecer a matéria aos alunos explicando, enquanto os alunos escutam e anotam nos seus cadernos, podendo tornar-se uma aula cansativa ao ponto do aluno apanhar sono, conforme a seguinte resposta: "Expositivo. Professor canta e o aluno escuta, é quando apanha sono…" (EDAP), por conseguinte é um método inadequado porque provoca sono nos alunos, e segundo Gervilla (1988) esse método não possibilita que o aluno seja parceiro no processo de ensino – aprendizagem e não permite uma aprendizagem activa no aluno. Em relação a finalidade das avaliações a resposta do EDAP foi a seguinte, "…ver o grau do cumprimento da assimilação do aluno." (EDAP), nessa resposta não há indício de que as avaliações tenham também a finalidade de identificar as Dificuldades de Aprendizagem dos alunos e ajudá-los a superá-las, são avaliações meramente classificatórias, isto é, são utilizadas apenas como instrumento a serviço das notas, e limitam-se a “comprovar (…) no aluno o grau de aquisição dos conhecimentos transmitidos” (Quintas & Munoz, 1988, pp. 220-221). Segundo o EDAP os professores nunca tiveram algum seminário de capacitação sobre a matéria das Dificuldades de Aprendizagem, Relação professor – aluno e 76 Métodos didácticos, tal como atestam as suas respostas, sobre as Dificuldades de Aprendizagem o EDAP falou que os professores "…nunca…" (EDAP) tiveram seminário de capacitação nessa matéria, no que diz respeito a Relação professor – aluno o EDAP afirmou que "…nunca…" (EDAP) tiveram, e em relação a Métodos didácticos disse também que "…nunca…apenas algumas reuniões." (EDAP); Sendo assim, a capacitação é uma necessidade almejada e urgente para os professores, conforme certifica a sua resposta sobre a necessidade dos seminários de capacitação nessas matérias"...é muito, está a faltar tem que ser constante…" (EDAP). De um modo sintético pode-se identificar também por meio das respostas do EDAP alguns elementos que segundo Abreu (2013) contribuem para a manutenção das Dificuldades de Aprendizagem nos alunos, evidenciando-se o desconhecimento das Dificuldades de Aprendizagem, a má relação – professor aluno, as avaliações escolares meramente classificatórias, métodos didácticos expositivos e a falta de capacitação pelos supervisores pedagógicos nessas matérias, e por sua vez de acordo com Gomes (2013), são as Dificuldades de Aprendizagem que acabam por levar os alunos ao insucesso escolar. 77 CAPÍTULO 5: CONCLUSÕES E SUGESTÕES Apresentamos aqui as conclusões básicas do trabalho efectuado, essas conclusões basearam-se na revisão da literatura e no estudo empírico realizados; Também apresentamos as pistas para o desenvolvimento de futuros trabalhos. 5.1 Conclusões As nossas conclusões circunscrevem-se nos seguintes factos: O insucesso escolar é um problema antigo mas que ainda não está resolvido porque no nosso país continua a atingir percentagens alarmantes, e as suas causas podem ser agrupadas essencialmente em individuais, sociais e escolares. A nível individual no presente estudo foram identificadas as causas tais como, doença (9%), brincadeira e desleixo (4%), e influência da adolescência (1%); Em relação as causas sociais patenteiam-se, a longa distância casa-escola (3%) o atraso nas aulas (11%), o excesso de faltas (5%) e o impedimento da família no estudo; E quanto as causas escolares apresentam-se, o número de alunos por turma (1%), a amnistia da Direcção da Escola (1%), a falta de material escolar e métodos (1%), o não saber estudar e o não entender a matéria explicada pelo professor (56%). O não saber estudar constitui a característica fundamental de um aluno que tem Dificuldade de Aprendizagem Organizacional, enquanto o não entender a matéria explicada pelo professor significa ter Dificuldade de Aprendizagem Auditiva – linguística. Há uma discordância entre a opinião dos alunos e dos professores sobre as causas do insucesso escolar, porque, por um lado os alunos (56%) dizem que reprovaram por não entender a matéria e por não saber estudar e por outro lado os professores (73%) e o EDAP dizem que os alunos reprovam por desinteresse e desmotivação nos estudos; Entretanto, o EDAP e os professores não conhecem os tipos de Dificuldades de Aprendizagem e formas de sua superação, por isso não ajudam os alunos a superar as suas Dificuldades de Aprendizagem e procuram livrar-se da culpa pelo insucesso escolar dos seus alunos dizendo que esses reprovam basicamente por desinteresse nos estudos; 78 E ainda, o desconhecimento sobre Dificuldades de Aprendizagem, a deficiente relação professor – aluno, o uso de métodos didácticos expositivos, as avaliações escolares meramente classificatóriase a falta de capacitação psicopedagógica contínuados professores sobre as Dificuldades de Aprendizagem e formas de sua superação, são situações que a Escola estudada vive e que mantêm as Dificuldades de Aprendizagem nos alunos, e que essas Dificuldadeslevam os alunos ao insucesso escolar; Assim, a referência feita pelos alunos de que reprovaram por não saber estudar e não entender a matéria, e as situações que a Escola estudada vive, indicam que no nosso estudo os factores escolares são os mais evidentes, sendo por conseguinte as Dificuldades de Aprendizagem Organizacional e Auditivo – linguística as razões centrais do insucesso escolar dos alunos na Escola estudada, e não o desinteresse nos estudos, patenteando-se deste modo que os objectivos do nosso trabalho foram alcançados e que as hipóteses anteriormente referidas foram validadas. 5.2 Sugestões Tendo em conta que as nossas conclusões apontam para os factores escolares como sendo os que têm mais relevo em relação ao insucesso escolar dos alunos, as nossas sugestões, que se assemelham com às de Fonseca (1999, p. 516), envolvem mudanças sobretudo no tipo de funcionamento e no grau de articulação dos diferentes níveis implicados na educação. A primeira secção de sugestões centra-se ao nível da sala de aulas, na qual: v Devia adoptar-se o modelo da classe cooperativa de Freinet, o método da aprendizagem por descoberta guiada e o professor devia também ensinar os seus alunos a estudar a matéria da sua disciplina; v Cada professor de forma rotineira devia, por meio de cada avaliação, identificar e registar os alunos da (s) sua (s) turma (s) com DAe as respectivas DA e remeter o registo à Direcção Pedagógica da Escola; v Oprofessordevia também tentar minimizar as DA dos tais alunos, e caso não consigadevia exigir a Direcção Pedagógica Escolar o estudo das soluções destas DA, que pode incluir não só os professores mas também os encarregados de educação dos alunos. 79 A segunda secção de sugestões centra-se ao nível da Escola, na qual: v Devia-se construir colectivamente um Projecto Educativo; v AEscola devia ser rigorosa no processo demotivação, esclarecimento e aconselhamento dos encarregados de educação dos alunos e da garantia de uma maior integração e participação destes na vida da escola; v A Escola devia criar modelos de identificação das principais DA de modo a possibilitar a aplicação de estratégias educacionais preventivas; v O estudo de casos nas reuniões de conselho pedagógico devia ser prioritário em relação às avaliações puramente numéricas que se verificam nos balanços trimestrais, com vista a prover à escola não só os materiais necessários, mas também as estratégias metodológicas adequadas para cada caso; v O psicólogo escolar e o psicopedagogodeviam ser solicitados e consultados para reuniões pedagógicas em que se decidam acções e orientações de acompanhamento e metodológicas que satisfaçam as potencialidades básicas de cada aluno; v Os gestores pedagógicos da Escola deviam ser dotados de competências necessárias e garantirem um aperfeiçoamento contínuo dos professores na matéria das DA; v A Escola devia enviar o relatório das DA identificadas e respectivas propostas de superação ao Serviço Distrital de Educação Juventude e Tecnologia (SDEJT). A terceira secção de sugestões centra-se ao nível de SDEJT, no qual: v Os técnicos da Repartição de Assuntos Pedagógicos (RAP) do SDEJT deviam estudar as soluções para cada uma das DA enviadas pela Escola e reencaminhar as propostas de solução em todas as escolas da sua jurisdição; v Os supervisores do SDEJT deviam capacitar os gestores escolares e os professores na matéria das DA e formas de sua superação; v O SDEJT devia enviar o seu relatório das DA com propostas de superação à Direcção Pedagógica Provincial. A quarta secção de sugestões centra-se ao nível da Direcção Provincial de Educação (DPE), na qual: v Os técnicos da CAP do Departamento da Direcção Pedagógica (DDP) deviam proceder um estudo cuidadoso das soluções para as DA e elaborar as respectivas brochuras que deviam ser encaminhadas para todas as escolas da província; v Os supervisores pedagógicos Provinciais deviam capacitar aos supervisores Distritais, gestores escolares e/ou aos professores na matéria das DA e formas de sua superação; 80 Supervisão distrital Supervisão nacional Supervisãoprovincial interna Supervisão Aula (professor) v A DPE devia remeter as suas propostas de superação das DA identificadas a nível da Escola à Supervisão Pedagógica Nacional (SPN). E finalmente, a quinta secção de sugestões centra-se ao nível da SPN, na qual, devia fazer parte do trabalho normal dos supervisores pedagógicos deste nível: v O estudo das DA, a produção das brochuras que contenham explicações detalhadas e precisas das soluções para uma determinada DA e a distribuição das brochuras em todas as escolas do país; v A capacitação dos gestores escolares, distritais e/ou provinciais na matéria das DA; v Um estudo mais cuidadoso das soluções para as DAenviadas pelas Direcções Pedagógicas Provinciais e elaborar as respectivas brochuras que devem ser remetidas para todas as escolas do país; v A análise das propostas locais que foram bem sucedidas e reeditar as propostas para serem endereçadas a todas as escolas do país. Portanto, apreendemos que a luta contra o insucesso escolar exige um trabalho em equipa que implica a participação de todos os envolvidos no processo educativo do SNE, com isso, a partir das sugestões acima apresentadas propomos um sistema contra o insucesso escolar dos alunos nas nossas escolas, que deve obedecer a lei de retroacção entre o que ocorre na sala de aulas e o que é feito a nível da Direccão Pedagógica Nacional, tal sistema representa-se no esquema abaixo: Esquema – 2: Modelo do sistema contra o insucesso escolar dos alunos Dificuldades de Aprendizagem Capacitação e brochuras identificadas Capacitação e brochuras Fonte: O autor. 81 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Marlene Aparecida Viana. (2013). Analisando as razões do fracasso escolar no ensino fundamental. ___________________________________. ABREU, M. V.(1983). Da prevenção do insucesso escolar ao desenvolvimento interpessoal. Portugal. AFRIMAP. (2012). 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A informação sobre ti é totalmente confidencial. Esperamos que colabore com respostas de forma livre e sincera, e agradecemos desde já pela sua colaboração na luta contra a reprovação de alunos. Marque X nas questões que tem o símbolo: □. Escreva as respostas nas questões que tem traço: _____. I. Dados pessoais do (a) aluno (a): Classe e Turma _______________. Data ________. 1.Idade _____. 2.Sexo: □ M □ F. 3.Vive com: □ O pai □ A mãe □ Os pais □ Irmão □ Tios. 4.É órfão? □ de pai □ de mãe □ dos pais □ não. 5.O ambiente familiar é: □ de paz □ de confusões. 6.O encarregado é: □ desempregado □ empregado. 7.Vive no bairro…______________. 8.Tem alguma deficiência no organismo? □ Não □ Sim, que é…_____. II. Dados referentes ao tema em estudo sublinhado na introdução acima: 1.Quais são as disciplinas nas quais reprovou? ____________________________________________________________________________________. 2.Como se sente por ter reprovado (a)? □ Frustrado/a □ Aflito/a e infeliz □ Alegre □ Não faz diferença. 3.Quem é o culpado pela reprovação dos alunos? □ Alunos □ Família □ Escola □ Todos. Justifique: _______. 4.Explique os principais motivos que levaram-te a reprovar? ___________________________________. 5.Reprovou por causa de falta de interesse pela (s) disciplina (s)? □ Sim □ Não. 6.Quando se diz que um aluno tem falta de interesse por uma disciplina? ______________________________. 7.Reprovou por não entender a matéria explicada e por não saber estudar para ter positiva nos testes da (s) disciplina (s)? □ Sim □ Não. 8.Conhece os tipos de Dificuldades de Aprendizagem? □ Não □ Sim, tais como _. 9.Sabe resumir, organizar e apresentar oralmente um trabalho de investigação na turma? □ Sim □ Não. 10.Explique em passos como se resume uma informação investigada? □ Não sei □ Sei…__________________. 11.Quais são as técnicas de estudo que conhece? □ Nenhuma □ Algumas, tais como…___________________. 12.Qual dos quadradinhos abaixo representa as tuas acções do ano passado nas aulas da disciplina reprovada? □ Faltar as aulas, frequentar as aulas por obrigação, não fazer o TPC e outros trabalhos de investigação, não se preocupar para realizar as provas perdidas, preferir não estudar para os testes; Por isso reprovei. □ Não faltar as aulas, frequentar as aulas por vontade própria, fazer todo o TPC e outros trabalhos de investigação, preocupar-se para realizar as provas perdidas, querer estudar para os testes; Mas mesmo assim reprovei. 13.Que tratamento recebia do professor quando tirava negativa nas avaliações da (s) disciplina (s) reprovada? □ De compreensão e explicava como se deve estudar e dava teste de recuperação. □ Dialogava e dizia para estudar, mas não explicava como se deve estudar □ Deixava a critério do aluno □ Nenhum □ Outros, como…. 14.Qual dos quadradinhos abaixo caracteriza as aulas do ano passado na (s) disciplina (s) que reprovaste? □ Em muitas aulas o professor explicava, ditava apontamentos, e os alunos escutavam e anotavam a matéria. □ Nas aulas os alunos apresentavam e explicavam a matéria investigada por eles com boa orientação e síntese do professor após a discussão. Muito obrigado pela sua sincera colaboração. 90 APÊNDICE C – Formulário de entrevista para os professores do 2° ciclo do curso diurno Caro Sr. (a) professor (a) o presente questionário faz parte do estudo sobre os factores da reprovação dos alunos do 2° ciclo nesta Escola. Essas questões visam recolher informações sobre a sua percepção em relação a esse tema; As suas opiniões como professor (a) são de extrema importância na medida em que um dos grandes desafios actuais da Educação é a redução das altas taxas de reprovações, que também se verificam nesta escola. Sua informação será totalmente confidencial, o resultado desse estudo será dado à Escola em relatório, e agradeço desde já pela sua sincera e livre colaboração. O questionário subdivide-se em duas partes, sendo uma de dados pessoais e outra de dados referentes ao tema em estudo, no entanto, antes de começar com as questões queria saber se me permite gravar a entrevista, obrigado. I. Dados pessoais do (a) entrevistado (a): Código _____. Local _________________________. Data _____________. Horas ____________. Masculino □ Feminino. 2.Idade_____. 1.Sexo: □ 3.Qual o seu nível académico ___________________ e curso de formação ________________? 4.Tem formação psicopedagógica? □ Sim □ Não. 5.Que disciplina e classe lecciona nesta Escola? _____________________. 6.Há quantos anos lecciona nesta Escola? ______________________. II. Dados referentes ao tema em estudo: 1.Na sua opinião, de quem é a responsabilidade sobre a reprovação dos alunos do 2° ciclo nesta Escola? □ Aluno □ Família □ Escola □ Todos. Justifique a resposta: ___________________________________. 2.Quando se diz que um aluno tem falta de interesse por uma disciplina curricular? ___________________. 2.1.Tendo em conta que os motivos da reprovação podem ser vários, acha que a falta de interesse é o principal motivo da reprovação dos alunos do 2° ciclo nesta Escola? □ Sim □ Não □ Não sabe □ Outros motivos _______. 3.Que tipos de Dificuldades de Aprendizagem conhece? _____________________________________. 3.1.Quando se diz que um aluno tem Dificuldades de Aprendizagem Organizacional (a) e Auditivo – linguística (b)? ______. 3.2.Acha que essas Dificuldades de Aprendizagem são os principais motivos da reprovação dos alunos do 2° ciclo nessa Escola? □ Sim □ Não □ Não sabe □ São outras, tais como ____________________________. 3.3.Quais são as origens das Dificuldades de Aprendizagem? □ Intrínsecas ao aluno. □ Extrínsecas ao aluno. □ Intrínsecas e extrínsecas ao aluno. □ Não sabe. Justifique a resposta ___________________________________. 4.Que atitudes toma para os alunos que adquirem negativas nas tuas avaliações? □ Aproximação, carinho, compreensão e apoio moral e técnico. □ Dialoga e diz para o aluno estudar □ Deixa a critério do aluno □ Nenhuma □ Outra. Qual? ___________________________. 5.Que método didáctico privilegia nas tuas aulas? ___________________________________ 5.1.Caracterize esse método didáctico tendo em conta as actividades do professor e dos alunos na aula? ________________ 6.Qual tem sido a finalidade das avaliações? □ Verificar nível de assimilação, classificar e dar nota Identificar e superar dificuldades de aprendizagem dos alunos □ Ambas. □ 7.Quantas vezes já recebeu seminários de capacitação sobre Dificuldades de Aprendizagem (__), Relação professor – aluno (___) e Métodos didácticos (___)? □ nunca. 7.1.Acha que é necessária a capacitação aos professores nessa matéria? □ Sim □ Não. Justifique Muito obrigado pela sua colaboração. 91 APÊNDICE D – Formulário de entrevista para o EDAP Caro participante, o presente questionário faz parte do estudo sobre os factores da reprovação dos alunos do 2° ciclo nesta Escola. Essas questões visam recolher informações sobre a sua percepção em relação a esse tema; As suas opiniões são de extrema importância na medida em que um dos grandes desafios actuais da Educação é a redução das altas taxas de reprovações, que também se verificam nesta escola. Sua informação será totalmente confidencial, o resultado desse estudo será dado à Escola em relatório, e agradeço desde já pela sua sincera e livre colaboração. O questionário subdivide-se em duas partes, sendo uma de dados pessoais e outra de dados referentes ao tema em estudo, no entanto, antes de começar com as questões queria saber se me permite gravar a entrevista, obrigado. I. Dados pessoais do entrevistado e da Escola: Código _______. Local ________________. Data ______________. Horas __________. 1. Idade ___________. 2.Sexo: □ Masculino □ Feminino. 3.Qual é o seu nível académico e curso de formação? __________________________________. 4.Tem formação psicopedagógica? □ Sim □ Não. 5.Há quantos anos exerce essa função nesta Escola? _________________________. 6.A Escola tem um projecto educativo? □ Sim □ Não. 7.Qual é a missão desta Escola? _______________________________________. 8.A Escola tem cumprido com a sua missão? □ Sim □ Não. Justifique _________________________ II. Dados referentes ao tema em estudo: 1.De quem é a responsabilidade sobre a reprovação dos alunos do 2° ciclo nesta Escola? □ Aluno □ Família □ Escola □ Todos. Justifique a resposta: _______________________ 2.Quando se diz que um aluno tem falta de interesse por uma disciplina curricular? _____________________ 2.1.Acha que a falta de interesse é o principal motivo da reprovação dos alunos do 2° ciclo nesta Escola? □ Sim □ Não □ Não sabe □ Outros motivos ______________________________ 3.Que tipos de Dificuldades de Aprendizagem conhece? ____________________________ 3.1.Caracterize Dificuldades de Aprendizagem Organizacional (a) e Auditivo – linguística (b)? ____________ 3.2.Acha que essas Dificuldades de Aprendizagem são os principais motivos da reprovação dos alunos do 2° ciclo nessa Escola? □ Sim □ Não □ Não sabe □ São outras, tais como 3.3.Quais são as origens das Dificuldades de Aprendizagem? □ Intrínsecas ao aluno. □ Extrínsecas ao aluno. □ Intrínsecas e extrínsecas ao aluno. □ Não sabe. Justifique a resposta 4.Que atitudes tomam os professores para os alunos que adquirem negativas nas avaliações? □ Aproximação, carinho, compreensão e apoio moral e técnico. □ Dialoga e diz para o aluno estudar □ Deixa a critério do aluno □ Nenhuma □ Outra. Qual? __________________________. 5.Que métodos didácticos privilegiam os professores nas aulas? _____________ 5.1.Caracterize esses métodos didácticos tendo em conta as actividades do professor e dos alunos na aula? 6.Qual tem sido a finalidade das avaliações? □ Avaliar nível de assimilação, classificar e dar nota □ Identificar e superar dificuldades dos alunos □ Ambas. 7.Quantas vezes os professores já receberam seminários de capacitação sobre Dificuldades de Aprendizagem (___), Relação professor – aluno (__) e Métodos didácticos (____? □ nunca. 7.1.Acha que é necessária a capacitação aos professores nessa matéria? □ Sim □ Não. Justifique _______ Muito obrigado pela sua colaboração. 92 APÊNDICE E – Respostas dos alunos sobre a sua identidade Classe Turma Idade Sexo Vive com É órfão Ambie. familiar Encarregado Bairro Deficiê. 12 CNM4 20 M Pais Nao Paz Empregado Chinfura Nao 12 CNM2 19 M Tios Nao Paz Empregado bairro-5 Nao 12 CCS1 M Irmao Nao Paz Desempregado bairro-piloto Nao 12 CNM6 19 M Pais Nao Paz Empregado 25 de Junho Nao 11 CNM5 19 F Irmao sem indi. Paz Empregado vila nova Nao 12 CCS4 18 F Pais sem indi. Paz Empregado bairro-5 Nao 11 CNM5 19 F Tios Pais Paz Empregado bairro-5 Nao 11 CNM4 17 F Pais Nao Paz Empregado 16 de Junho Nao 11 CNM4 19 M Pais Nao Paz Empregado 25 de Junho Nao 11 CNM4 18 M Pais Nao Paz Empregado bairro-5 Nao 11 CNM3 18 M Irmao Nao Paz Desempregado bairro-5 Nao 11 CNM4 20 M Pais Nao Paz Empregado 7 de Setembro Nao 11 CNM3 19 M Mae Pai Paz Empregado bairro-4 Nao 11 CNM3 18 F Irmao Nao Paz Empregado Soalpo Nao 11 CCS1 18 M Tios sem indica. Paz Desempregado 25 de Junho 11 CCS1 22 F Tios Nao Paz Empregado Chinfura Nao Sem indi. 11 CCS1 19 F Mae Nao Sem indi. Empregado 16 de Junho Nao 12 CCS3 18 M Pais sem indi. Sem indi. Sem indicacao Chinfura Nao 12 CCS3 19 M Pais sem indic. Sem indi. Sem indicacao vila nova Nao 12 CNM2 18 M Mae Pai Paz Desempregado 7 de Setembro Nao 12 CNM2 21 M Pais Nao Sem indi. Sem indicacao 25 de Junho Nao 11 CNM2 20 F Mae Nao Paz Desempregado Nhamadjessa Nao 12 CNM2 19 M Irmao Pais Paz Desempregado Chinfura Nao 12 CNM2 21 F sem indi. Nao Paz Empregado vila nova 12 CNM2 19 M Pais sem indi. Sem indi. Desempregado Bairro-4 Nao fraca visao 12 CNM2 19 F Pais Nao Paz Empregado Josina Machel Nao 11 CNM2 20 F Pais sem indi. Paz Sem indicacao Bairro-5 Nao 11 CNM2 19 M Mae Pai Paz Desempregado Bairro-5 Nao 11 CNM2 20 M Pais Nao Paz Empregado Centro Hipico Nao 11 CNM2 20 M Pais Nao Paz Empregado vila nova Nao 11 CCS3 19 M Tios Pai Confusao Desempregado vila nova Nao 11 CCS3 17 M Mae Pai Paz Empregado Josina Machel Nao 11 CCS3 19 M Pais Nao Paz Empregado Bairro-5 Nao 11 CCS3 20 F Pai Mae Confusao Desempregado bloco nove Nao 11 CCS3 20 F Irmao Nao Paz Empregado Mudzingaze Nao 12 CNM6 20 M Irmao Pai Paz Empregado 16 de Junho Nao 12 CNM6 19 M Pais Nao Paz Desempregado Mudzingaze Nao 12 CNM6 18 M Pais Nao Paz Empregado Nhamadjessa Nao 12 CNM6 18 M Pais Nao Paz Desempregado 5° congress Nao sem indi. 93 12 CNM6 18 F sem indi. Pais Sem indi. Sem indicacao vila nova Nao 12 CNM6 18 M Pais sem indi. Paz Empregado 3 de fevereiro Nao 12 CNM6 19 F Tios Pai Paz Empregado vila nova Nao 12 CNM6 19 F Tios Pai Paz Empregado vila nova Nao 12 CNM6 19 M Irmao sem indi. Paz Desempregado 16 de Junho Nao 12 CNM6 20 F Tios sem indi. Paz Empregado 7 DE Abril Nao 12 CNM6 18 M Pai Mae Paz Empregado bloco nove Nao 12 CNM6 19 M Mae Pai Paz Desempregado bairro-5 Nao 11 CNM1 19 M Pais sem indi. Paz Desempregado 7 de Setembro 11 CNM1 20 M Irmao Nao Confusao Desempregado vila nova Nao fraca visao 11 CCS4 19 F Pais Nao Paz Empregado 25 de Junho Nao 11 CCS4 20 M Tios sem indi. Confusao Desempregado Bairro-5 Nao 11 CCS4 17 F Irmao Pai Paz Desempregado vila nova Nao 11 CCS4 17 F Pais sem indi. Paz Desempregado 3 de fevereiro Nao 12 CCS5 18 F Irmao Nao Paz Empregado 25 de Junho Nao 12 CCS5 19 F Tios Pai Sem indi. Empregado 16 de Junho Nao 12 CCS5 24 F Irmao Pais Sem indi. Desempregado Josina Machel Nao 12 CCS5 20 F Pais Nao Paz Empregado 16 de Junho Nao 12 CCS5 19 F Pais sem indi. Sem indi. Sem indicacao vila nova Nao 11 CNM5 19 F Irmao Nao Paz Empregado Nhamadjessa Nao 12 CNM5 19 F Pais Nao Paz Sem indicacao 7 de Setembro Nao 12 CNM5 18 F Pais Nao Paz Desempregado Centro Hipico Nao 12 CNM5 21 F Pais Nao Paz Desempregado Nhamadjessa 12 CNM5 20 M Mae sem indi. Paz Desempregado vila nova Nao Sem indicacao 12 CNM5 18 F Pais Nao Paz Empregado Sem indicacao Nao 12 CCS4 19 F Pais Nao Paz Desempregado 16 de Junho Nao 12 CCS1 19 F Pais Nao Paz Empregado bairro-2 12 CCS1 19 F Pais Nao Paz Empregado Sem indicacao Nao Sem indicacao 12 CCS1 21 F Pais Nao Confusao Desempregado Nhamadjessa Nao 12 CCS1 21 M sem indi. sem indi. Confusao Desempregado 7 DE Abril Nao 12 CCS1 19 M Pais Nao Paz Empregado Josina Machel Nao 12 CCS2 18 F Irmao Nao Paz Empregado Nhamaonha Nao 12 CNM4 19 sem indi. Pais Nao Sem indi. Sem indicacao Nhamaonha Nao 12 CNM4 F Tios Pais Paz Desempregado bairro-1 Nao 12 CNM4 18 M Irmao Pai Paz Empregado Josina Machel Nao 12 CNM4 18 F Tios Mae Paz Desempregado Chinfura Nao 12 CNM4 20 M Pais Nao Paz Desempregado vila nova Nao 12 CNM4 18 M Pais Nao Paz Empregado bairro-5 Nao 12 CNM4 19 F Irmao sem indi. Paz Empregado vila nova Nao 11 CNM5 21 M Pais Nao Paz Desempregado Centro Hipico Nao 12 CNM4 20 M Pais Nao Paz Empregado bloco nove Nao 12 CNM4 18 F irmao sem indi. Sem indi. Sem indicacao vila nova Nao 12 CNM4 18 F Irmao Mae Paz Empregado vila nova Nao 12 CNM4 18 F sem indi. sem indi. Sem indi. Sem indicacao 25 de Junho Nao sem indi. 94 12 CNM4 18 F sem indi. sem indi. Sem indi. Sem indicacao bloco nove Nao 12 CNM4 19 F sem indi. Pai Sem indi. Empregado Soalpo Nao 12 CNM4 19 M Tios Pai Sem indi. Desempregado bairro-5 Nao 11 CNM5 18 F Irmao sem indi. Paz Sem indicacao 3 de fevereiro Nao 11 CNM5 19 M Pais Nao Paz Empregado Josina Machel 12 CNM1 20 M Pais Nao Paz Empregado Josina Machel Nao fraca visao 12 CNM1 19 M Pais Nao Paz Empregado vila nova Nao 12 CNM1 19 M Mae Pai Paz Desempregado bairro-5 Nao 12 CNM1 19 sem indi. Mae Pai Paz Desempregado 1° de maio Nao 12 CCS5 F Irmao sem indi. Paz Empregado 16 de Junho Nao 12 CNM3 18 M Mae Nao Paz Sem indicacao Tembwe Nao 12 CNM3 19 M Pais Nao Paz Empregado Nhamaonha Nao 12 CNM3 18 M Irmao sem indi. Paz Desempregado bairro-5 Nao 12 CNM3 20 F Pais Nao Paz Empregado Centro Hipico Nao 12 CNM3 20 M Mae Pai Paz Desempregado Centro Hipico Nao 11 CNM1 19 M Mae Nao Paz Desempregado Centro Hipico Nao 12 CCS2 18 M Pais Nao Paz Empregado 7 de Setembro Nao sem indi. Fonte: O autor. 95 APÊNDICE F – Respostas dos alunos sobre o tema Dificuldade s conhecidas Sentimen to Culpad o Aluno His Frustrado Aflito e… Aflito e… Fis Frustrado Aluno Mat; Fis Sem indi. Aluno His Mat; Fis; Bio; Qui; Ing; Ps Bio; Qui; Ing; Port qui; Bio; Fis; Ps Frustrado Aluno Frustrado Aluno Frustrado Aluno Frustrado Aluno Doença Não entender… Brincadeira … Não entender… Bio; Fis; Ps Frustrado Aluno Não entender… Qui; Fis; Bio Frustrado Aflito e… Aluno Atraso Aluno Nenhuma Alegre Aflito e… Aluno Frustrado Aluno Ningue m É gago… Não entender… Não entender… Não entender… Não entender… Nenhuma Aluno Exces faltas Não entender… Não entender… Não entender… Não entender… Aluno Doença Nenhuma Não investigar e não fazer o TPC. Discipl.Repro. Fis Qui; Ing. Sem indi. Qui; Fis; Bio; Qui; Port; Mat; Ing; His. Geo; Fil; Ing; Por; His Ing; Geo; Fra; Fil; His; Port Frustrado Todos Sem indi. Aluno Motivos Atraso Não entender… Não entender… Não entender… Não entender… Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Compreend er. Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Compreend er Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Saber resumir … Reunir … Não sabe Sem indi Não sabe Não sabe Não sabe Não sabe Não sabe Não sabe Reunir o que entende u Não sabe Não sabe Tirar infor. Não sabe Não sabe Não sabe Frustrado Aflito e… Aflito e… Aluno Aluno Fil Frustrado Aflito e… Aflito e… Fis; Ps Frustrado Aluno Port; Aluno Fis; Qui; Alegre Aflito e… Familia Não entender… Não entender… Problemas psico. Port; Bio; Mat Frustrado Todos Atraso Nenhuma Bio; Fis; Qui Bio; Fis; Ps; Qui Port; Mat; Qui; Fis Todos Atraso Brincadeira … Nenhuma Aluno Atraso Não entender… Nenhuma qui; Bio; Fis; Frustrado Aflito e… Aflito e… Não faz difer. Nenhuma Sem idi. Não sabe Não sabe Não sabe Não sabe Não sabe Não sabe Fra; Fil; His; Aflito Aluno Exces faltas Nenhuma Tirar Fil Fil; His Fis Fis Escola Escola Aluno Todos Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Sintese Não sabe Não sabe Tirar infor. Não sabe Não sabe Não sabe Técnicas de estudo Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Atitudes Tratamento Métod o interesse Diálogo Expos. interesse Diálogo Expos. interesse Diálogo Expos. interesse Sem indi. Diálogo Expos. Nenhum Expos. interesse Nenhum Expos. interesse Diálogo Expos. interesse Desinter es Diálogo Expos. Diálogo Expos. Nenhum a interesse Diálogo Semidi. Leitura interesse Nenhum Expos. Leitura Diálogo Expos. Diálogo Expos. A critério… Expos. Diálogo Expos. Diálogo Expos. Leitura Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a interesse Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Diálogo Nenhum Expos. Semidi. Diálogo Expos. Diálogo Expos. A critério… Expos. Diálogo Expos. Leitura Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Diálogo Expos. Diálogo Expos. Diálogo Expos. A critério… Expos Nenhum Expos. Nenhum Expos. Nenhum Expos. Nenhum Expos. Leitura Desinter Diálogo Semi- Leitura Nenhum a Nenhum a Nenhum a Análise Nenhum a Nenhum a Nenhum a 96 Port e… infor. Aflito e… Aluno Doença Nenhuma Frustrado Escola Exces faltas Nenhuma Alegre Aluno Nenhuma Fra; Ing; Geo Frustrado Escola Doença Não entender… Qui; Fis Frustrado Todos sem indi. Nenhuma Fil; Qui Frustrado Aluno Nenhuma Fis Aluno Fis Frustrado Aflito e infeliz Fis Frustrado Aluno Atraso Não entender… Não entender… Não entender… Tirar infor. Não sabe Tirar infor. Não sabe Não sabe Não sabe Tirar infor. Sem indi. Tirar infor. Fis Frustrado Todos sem indi. Qui Aluno Bio Alegre Aflito e… Aluno Não entender… Não entender… Nenhuma Não investigar e não fazer o TPC. Fis; Ing Frustrado Familia sem indi. Nenhuma Ps Frustrado Familia Nenhuma Fis Frustrado Todos Qui Frustrado Aluno Qui Fil; Port; Mat; Qui; Fis Aluno Mat; Port Frustrado Aflito e… Aflito e… Exces faltas Não entender… Não entender… Longa distância sem indi. Não entender… Nenhuma Compreend er P.FR.IG.H.FL. Frustrado Aluno Nenhuma M.H.G.FR.FL. M.H.G.FR.FL.I G. Frustrado Familia Atraso Familia não deixa. Frustrado Aluno Nenhuma P.H.IG. Frustrado P.H. Frustrado Familia Sem indi. Brincadeira Não entender. Nenhuma FL. Frustrado Aluno FL.H. Frustrado Aluno FL. Frustrado Aluno Doença Não entender… Não entender… Não entender… FL. Frustrado Aluno Nenhuma Q. Aluno Q. Alegre Aflito e… Aflito e … Aflito e… Atraso Não entender… Não entender… Não entender… Nenhuma M. Frustrado Aluno Q. Frustrado Aflito e… Aluno Brincadeira Não entender… Não entender… Todos Doença Nenhuma Fil; Fra; Ing Fil; Ing; Mat; Fra; Hist Fil; Mat; Hist; Ing; Fra FS. Q. FL. Todos Aluno Todos Aluno Aluno Aluno Nenhuma Nenhuma Nenhuma Compreend er Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Ter vegonha Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Sem idi. Sem indi. Não sabe Não sabe Não sabe Não sabe Tirar infor. Não sabe Não sabe Tirar infor. Não sabe Tirar infor. Não sabe Tirar infor. Não sabe Tirar infor. Tirar infor. Não sabe Tirar infor. Tirar infor. Tirar infor. Não sabe Não sabe Não sabe Não sabe Não sabe es Nenhum a Leitura Leitura Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Leitura Leitura Nenhum a Leitura Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Leitura Leitura Nenhum a Nenhum a Nenhum a Leitura Nenhum a Nenhum a Nenhum a Leitura Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es di. Diálogo Expos. Diálogo Expos. A critério… Expos. A critério… Expos. Nenhum Expos. Diálogo Compreens ão Expos. Diálogo Compreens ão Expos. Expos. Diálogo Expos. Semidi. Diálogo Expos. Diálogo Expos. Diálogo Expos. Diálogo Expos. Diálogo Expos. A critério… Expos. Diálogo Expos. Diálogo Expos. Semidi. A critério… Compreens ão Expos. Nenhum Expos. Diálogo Expos. A critério… Expos. Diálogo Compreens ão Expos. Diálogo Expos. Semidi. Diálogo Compreens ão Diálogo Expos. Expos. Diálogo Expos. Semidi. Diálogo Expos. sem indi. Expos. Diálogo Expos. Nenhum Expos. Diálogo Expos. 97 IG. G. G. P.G. H. Sem indi. Alegre Aflito e… Aflito e… Aflito e… Aluno Sem indi. Frustrado Aflito e… Aluno Sem indi. Sem indi. Familia Escola Não entender… Nenhuma sem indi. Não entender… Não entender… professor só apontamento Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Sem indi. Frustrado Aflito e… Aflito e… Q.B. Alegre Aluno Transporte Longa distância Não entender… Não entender… Não entender… FS.FL Alegre Aluno Doença Nenhuma M. Aluno sem indi. Todos Q. Frustrado Aluno FS Frustrado Aluno Exces faltas Não entender… Longa distância Não entender… não participar… Não entender… Nenhuma Defic visaud FS. Frustrado Aflito e… Aflito e… Aflito e… Aflito e… Q.M. Alegre Aluno Atraso Nenhuma FS. Alegre Aflito e… Aflito e… Aluno Nenhuma B. FS. B.Q. IG.FL. P.PS.B.Q. Aluno Aluno Todos Aluno Aluno Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Preguiça mental Nenhuma Nenhuma Nenhuma Frustrado Aflito e… Aluno Frustrado Aflito e… Familia Aluno Atraso Não entender.. Não entender… não participar,T PC Não entender. Não entender… Não entender… Não entender… Aluno sem indi. Nenhuma FL.G Alegre Aflito e… Aluno Nenhuma FS.M. Frustrado Aluno Q. Frustrado Aluno FL.FS. Frustrado Aflito e… Aflito e… Aluno Atraso Não entender… Não entender… Não entender… Não entender… Não entender… FS. FS. P.B.FL.Q.FS. B.P.Q.FS.IG.P S. Q. P. FS.Q. FL. FL FS.M. Aflito e… Aluno Aluno Aluno Familia Aluno Aluno Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Nenhuma Esquecimen to Compreend er Nenhuma Nenhuma Sem idi. Não sabe Não sabe Sem indi. Não sabe Não sabe Tirar infor Consulta r dicionári o Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Sem idi. Não sabe Tirar infor. Tirar infor. Não sabe Não sabe Tirar infor Tirar infor Tirar infor. Não sabe Leitura Nenhum a Nenhum a Autoexplica Autoexplica Autoexplica Nenhum a Autoexplica Autoexplica Nenhum a Não sabe Sem indi. Não sabe Tirar infor. Tirar infor. Tirar infor. Não sabe Não sabe Tirar infor. Tirar infor. Não sabe Não sabe Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Não sabe Tirar infor. Não sabe Não sabe Não sabe Leitura Nenhum a Nenhum a Nenhum a Nenhum a Leitura Nenhum a Nenhum a Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Sem indi. Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Interes Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Desinter es Nenhum Diálogo Diálogo Semidi. Semidi. Diálogo Expos. Semidi. Semidi. A critério… Expos. Nenhum Expos. Nenhum Compreens ão Expos. Diálogo Compreens ão Expos. sem indi. Expos. A critério… Expos. A critério… Expos. Diálogo Expos. A critério Expos. Semidi. Semidi. sem indi. sem indi. A critério A critério Expos. Expos. Diálogo Expos. Semidi. Semidi. Diálogo Expos. Diálogo Diálogo Expos. Semidi. A critério Expos. Diálogo Expos. Nenhum Expos. Diálogo Expos. Nenhum Expos. Semidi. A critério Diálogo Nenhum Diálogo Expos. Semidi. Diálogo Expos. Diálogo Expos. Fonte: O autor. 98 APÊNDICE G – Respostas dos professores a questões da identidade e semi-fechadas do tema de estudo Id ad e 2 7 3 9 3 2 4 1 4 1 3 0 4 9 2 9 S e x o F M M M M M F M Ní ve l C ur so Li c. E ns . Bi o. B ac h. E ns . Fr a. Li c. E ns . G eo . Li c. Li c. E ns . In g. E ns . Fí s. Li c. E ns . Fi l. Li c. E ns . Po rt. Li c. Ps ic. For maç ão psic o. Sim Sim Sim Cl as se 12 ª 12 ª 11 ªe 12 ª Sim 11 ªe 12 ª Sim 11 ªe 12 ª Sim 11 ªe 12 ª Dis cipli na lecc . Bio. Fra. Geo . Ing. Fís. Fil. Sim 11 ªe 12 ª Port . Sim 11 ªe 12 ª Psic ope d. A n os 4 3 4 Cul pad o Esc ola Esc ola To dos 1 1 Alu no 6 To dos 4 8 5 Esc ola Desinter essemoti vo Falta de motivaç ão Não Falta de motivaç ão DA . mot ivo Falt a de mat eria l, mét odo s Nã o Nã o Fi nali dad e Teste de recup eraçã o Ver ific ar nív el … 0 (nun ca) Intrín seca, defici ência Repis ar no conte údo não domi nado Ver ific ar nív el … 0 (nun ca) 0 (nun ca) Amba s Teste de recup eraçã o Ver ific ar nív el … 0 (nun ca) 0 (nun ca) 0 (nun ca) 0 (nun ca) 0 (nun ca) 0 (nun ca) 0 (nun ca) 0 (nun ca) 2 veze s 2, aula s de simu laçã o dada s por col. 0 (nun ca) 0 (nun ca) 1 vez 0 (nun ca) 0 (nun ca) 1 vez Orige m de DA. Extrín seca, quand o não apren de correc tamen te Sim Nã o Extrín seca Sim Si m Extrín seca Recu peraç ão Ver ific ar nív el … Ver . nív el … Extrín seca Repis ar no conte údo não domi n. Ver ific ar nív el … Diálo go Teste de recup eraçã o Ver ific ar nív el … Ver ific ar nív el Alu no Sim Esc ola Influênc ia da adolescê ncia Si m 0 (nun ca) Sem inari os sobr e Mét odos Trata ment o ao aluno Repis ar no conte údo não domi nado Sim Sem inari os sobr e Rela ção Sem inári os sobr e DA. Nã o Extrín seca Si m Intrín seca, defici ência 1 vez 1, aula de simu laçã o dada por cole ga 1, aula de simu laçã o dada por cole ga 1, aula de simu laçã o dada por cole ga Necess idade de seminá rios Sim, para recorda r Sim, aprendi zagem é contínu a Sim, para recorda r Sim, para recorda r Sim. Sim, para recorda r Sim, para saber identifi car dificul dade Sim, para desenv olvime nto 99 … 3 0 3 1 3 2 F M M Li c. Li c. Li c. E ns . Hi st. Q ui. M at. Sim 12 ª Sim 11 ªe 12 ª Sim 11 ª Hit. Qui. Mat . 4 6 3 Esc ola Alu no Esc ola sim e nr. De alunos Anistia Sim Falt a de inte ress e Extrín seca Repis ar no conte údo não domi n. Nã o Intrín seca, defici ência Teste de recup eraçã o Ver ific ar nív el … Ver ific ar nív el … Recu peraç ão Ver . nív el … Nã o Extrín seca 0 (nun ca) 0 (nun ca) 2 veze s 0 (nun ca) 0 (nun ca) 2 veze s 0 (nun ca) 0 (nun ca) 0 (nun ca) profissi onal Não, pois é repetiç ão do que já se estudo u Sim, saber identifi car dificul dade Sim, para perceb er novos método s Fonte: O autor. 100 APÊNDICE H – Respostas do EDAP sobre sua identidade e tema Id ad e S ex o 50 M Níve l Lice nciad o Cur so Bio logi a For maç ão psic o. Sim A no s fu n. Respo. Reprov ação 2 "…doc entes e com alunos; docente s são neglige ntes e alunos não se entrega m…ale m de que há enchent es nas turmas" Desin teress e motiv o "…co m certez a…" Dific uldad es motiv o "…pr incipa l não conco rdo… " Orige m Dific uldad es "exter nas, os aluno s não estão doent es." Trata mento "…o profes sor passa a zomba r este «você é burro» e passa a agrava r…já nem tem tempo de atende r…falt a de paciên cia." Finali.a valiaçã o "…ver o grau do cumpri mento da assimil ação do aluno …" Semi.Di ficuldad es "…nunc a…" Semi. Relaç ão "…nu nca… " Semi. Métodos Semi.ne cessário s? "…nunc a…apen as algumas reuniões ..." "...é muito, está a faltar tem que ser constant e…" Fonte: O autor. 101 APÊNDICE I – Fotografias dos locais de realização das entrevistas Fotografia 1: Interior da sala – 10 com carteiras organizadas segundo o modelo de classe tradicional Fonte: O autor. Fotografia 2: Sombra da acácia em frente da sala dos professores Fonte: O autor. Fotografia 3: Bancada em frente do edifício administrativo situado à esquerda Fonte: O autor. 102