UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA
RAIZ DE MANDIOCA INTEGRAL DESIDRATADA, EM
SUBSTITUIÇÃO AO MILHO, NA SUPLEMENTAÇÃO DE
VACAS HOLANDESAS EM LACTAÇÃO, PASTEJANDO
GRAMÍNEAS TROPICAIS IRRIGADAS
Autor: Ádler Carvalho da Silva
Orientador: Dr. Sc. Mauro Pereira de Figueiredo
ITAPETINGA
BAHIA – BRASIL
Julho 2013
ÁDLER CARVALHO DA SILVA
RAIZ DE MANDIOCA INTEGRAL DESIDRATADA, EM
SUBSTITUIÇÃO AO MILHO, NA SUPLEMENTAÇÃO DE VACAS
HOLANDESAS EM LACTAÇÃO, PASTEJANDO GRAMÍNEAS
TROPICAIS IRRIGADAS
Dissertação apresentada, como parte das
exigências para obtenção do título de
MESTRE EM ZOOTECNIA, no Programa
de Pós-Graduação em Zootecnia da
Universidade Estadual do Sudoeste da
Bahia.
Orientador:
D.Sc. Mauro Pereira de Figueiredo
Co-oritentador: D. Sc. Paulo Bonomo
Colaboradora: D.Sc. Mara Lúcia Albuquerque Pereira
ITAPETINGA
BAHIA – BRASIL
Julho de 2013.
636.085 Silva, Ádler Carvalho da
S578r
Raiz de mandioca integral desidratada, em substituição ao milho, na
suplementação de vacas holandesas em lactação, pastejando gramíneas tropicais
irrigadas. / Ádler Carvalho da Silva. - Itapetinga: UESB, 2013.
82f.
Dissertação apresentada, como parte das exigências para obtenção do título
de MESTRE EM ZOOTECNIA, no Programa de Pós-Graduação em Zootecnia
da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB – Campus de
Itapetinga. Sob a orientação do Prof. D.Sc. Mauro Pereira de Figueiredo e coorientação do Prof. D.Sc. Paulo Bonomo.
1. Vacas holandesas em lactação - Mandioca - Suplemento. 2. Produção de
leite – Pastagens tropicais irrigadas e adubadas. 3. Síntese microbiana –
Derivados de purinas. 4. Alimentação de ruminantes – Fonte energética. I.
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Programa de Pós-Graduação em
Zootecnia. II. Figueiredo, Mauro Pereira de. III. Bonomo, Paulo. IV.
Título.
CDD(21): 636.085
Catalogação na fonte:
Adalice Gustavo da Silva – CRB/5-535
Bibliotecária – UESB – Campus de Itapetinga-BA
Índice Sistemático para Desdobramento por Assunto:
1. Vacas holandesas em lactação - Mandioca - Suplemento
2. Produção de leite – Pastagens tropicais irrigadas e
adubadas
3. Síntese microbiana – Derivados de purinas
ii
“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com
ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus
além de ti, que trabalha para aquele que nele espera”.
Bíblia Sagrada, Isaías 64:4.
iii
DEDICO
A Deus, por seu amor incondicional;
Aos meus amados avôs, Manoel José da Silva (in memoriam) com o qual não
tive a oportunidade de conviver e José Aleixo Botelho (in memoriam), com o qual
desfrutei do seu carinho, amor e atenção em minha infância e adolescência; guerreiros
destemidos, que impactaram minha vida com o seu legado;
Às minhas amadas avós, Maria Vieira de Andrade (in memoriam) que, embora
não a tenha conhecido pessoalmente, a sua força e coragem me foram transmitidas pelo
seu legado, impressos em meu pai, e Alcina Carvalho Botelho, minha gatona, graciosa,
destemida, que encanta minha vida com a sua história, seu carinho e seu amor;
Aos meus pais, Manoel José da Silva Filho e Adelina Carvalho da Silva, meus
mentores, guardiões, que sonham comigo, lutam juntos em minhas batalhas, e também
vitoriam comigo em todos os momentos. Sou agraciado por Deus em tê-los em minha
vida, são meu referencial de vida;
Aos meus irmãos, Tâmise, Seidler e Tárbes que, juntamente com meus pais, são
minha cidade forte em tempo de batalha. Deus seja louvado por suas vidas, são muito
importantes para mim;
Aos meus tios, Antônio Castro de Matos e Adelvany Carvalho de Matos, meus
pais em Vitória da Conquista, seus filhos e o grande Tio Zequinha (José Carvalho), que
me amaram, incentivaram e jubilaram comigo as minhas vitórias;
A todos os meus familiares e amigos, minha eterna gratidão.
iv
AGRADECIMENTOS
Ao meu senhor Jesus Cristo, pelo dom da vida, por sua maravilhosa e incomparável
graça, por seu amor incondicional, por ter me agraciado com uma família abençoada,
por sua Palavra que ensina a cada dia sobre o seu amor imensurável;
Ao professor Mauro Pereira de Figueiredo, pela orientação, ensinamentos e apoio no
desenvolvimento desta etapa de minha vida acadêmica;
Aos professores Mara Lúcia de Albuquerque Pereira e Paulo Bonomo, pela colaboração
no desenvolvimento desta dissertação;
Aos professores membros da banca, Laudí Cunha Leite, Mara Lúcia de Albuquerque
Pereira e Mauro Pereira de Figueiredo;
Aos professores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), pela
formação profissional desde a graduação, em especial aos professores Iara Callegaro,
Sandra Cunha, Carlos Alberto Peixoto (Bebeto), Helder, Sibelli Passini, Otávio,
César, Mara Lúcia Albuquerque Pereira, Paulo Bonomo, Paulo Valter;
Ao senhor Jorge Ferreira Almeida e esposa, proprietários do Sítio Beija-Flor no
município de Vitória da Conquista Bahia, por terem cedido a sua infraestrutura e
animais para o experimento, além do cuidado com que nos tratou em sua casa;
Aos todos os funcionários da UESB, em especial, José Queiróz, José Bias, Eduardo,
Leonardo Viana Silva, Bella Martins, Vera, Adelson, “Barriga”, Val da Biblioteca,
funcionários da Biblioteca e UESB/VC, pela simpatia, paciência e profissionalismo;
À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela
concessão da bolsa de estudos;
Aos colegas do uesbianos: Cléia Gomes, Eduardo, Rafael Rivas, Tâmara, Alexandro,
Yann, Viviane Moreira, Dreice, Renan, Mateus, Jenifer, João Paulo, Neiri Jean;
Aos meus amigos, Daniel, Gonçalo, Murilo, Carlos Alberto (Bebeto), Kelly, Edileuza,
Jerúzia, Luciano, José Queiróz;
Aos todos os meus familiares, que sempre me incentivaram, oraram e torceram por
mim, minha eterna gratidão;
A todos que, de forma direta e indireta, contribuíram para o meu desenvolvimento
profissional, o meu sincero agradecimento;
Deus vos abençoe de modo maravilhoso.
v
BIOGRAFIA
ÁDLER CARVALHO DA SILVA, filho de Manoel José da Silva Filho e Adelina
Carvalho da Silva, nascido em 12 de novembro de 1980, em Itapetinga, Bahia.
Em 1998, iniciou o curso Médio e Técnico em Agropecuária na Escola Média de
Agropecuária Regional da Ceplac (EMARC-IT), concluído no ano 2000.
Em 2006, iniciou o curso de Zootecnia na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
- UESB, concluindo-o no ano 2010.
Em 2011, iniciou o curso de Pós Graduação em Zootecnia-Mestrado, na Universidade
Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB.
Concluiu o curso de mestrado, defendendo no dia 29 de julho de 2013.
vi
SUMÁRIO
Página
LISTA DE TABELAS .....................................................................................
viii
LISTA DE TABELA DO APÊNDICE ...........................................................
x
RESUMO...........................................................................................................
xi
ABSTRACT ......................................................................................................
xii
I REFERENCIAL TEÓRICO ..........................................................................
01
1.Introdução .....................................................................................................
01
2. Produção de leite em pastagens tropicais adubadas ......................................
02
3.Suplementação com uso de concentrado para vacas lactantes em pastagens
tropicais ..............................................................................................................
03
4. Concentrados energéticos utilizados na alimentação de ruminantes: milho e
raiz de mandioca desidratada .............................................................................
05
5.Características moleculares do amido.............................................................
06
6. Caracterização do amido da mandioca e do milho ........................................
07
7.Solubilidade de degradabilidade ruminal do amido........................................
08
8.Sincronização na disponibilidade ruminal de carboidratos e proteínas para o
incremento na produção síntese de proteína microbiana ...............................
10
9.Derivados de purina para estimativa de síntese de proteína microbiana no
rúmen ..................................................................................................................
12
10.REFERÊNCIAS ...........................................................................................
15
II – OBJETIVO GERAL ...................................................................................
19
III - CAPÍTULO I – EFEITO DA INCLUSÃO DA RAIZ DE MANDIOCA
DESIDRATADA
EM
SUBSTITUIÇÃO
AO
MILHO
NA
SUPLEMENTAÇÃO DE VACAS HOLANDESAS EM PASTEJO SOBRE
O CONSUMO VOLUNTÁRIO, DIGESTIBILIDADE APARENTE E
METABOLISMO ENERGÉTICO
..........................................................
20
RESUMO...........................................................................................................
20
ABSTRACT.......................................................................................................
21
vii
1.INTRODUÇÃO ..............................................................................................
22
2.MATERIAL E MÉTODOS ...........................................................................
24
3.RESULTADOS E DISCUSSÃO ..................................................................
32
4.CONCLUSÃO ..............................................................................................
41
5.REFERÊNCIAS .............................................................................................
42
IV - CAPÍTULO II – EFEITO DA INCLUSÃO DE RAIZ DE MANDIOCA
DESIDRATADA EM SUBSTITUIÇÃO AO MILHO EM SUPLEMENTOS
PARA VACAS HOLANDESAS EM PASTEJO IRRIGADO SOBRE A
SÍNTESE DE PROTEÍNA MICROBIANA E METABOLISMO DE
NITROGÊNIO .........................................................................................
45
RESUMO.......................................................................................................
45
ABSTRACT......................................................................................................
46
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................
47
2.MATERIAL E MÉTODOS ...........................................................................
49
3.RESULTADOS E DISCUSSÃO ..................................................................
54
4.CONCLUSÃO ...............................................................................................
61
5.REFERÊNCIAS .............................................................................................
62
V – CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................
64
VI – APÊNDICE ..............................................................................................
65
viii
LISTA DE TABELAS
TABELA 1: Composição em percentual dos concentrados avaliados .....................
25
TABELA 2: Composição químico-bromatológica em percentuais na matéria seca
dos concentrados, das aparas de casca de raiz de mandioca (ACRM) e
pastagem. ............................................................................................
26
TABELA 3: Consumos médios diários em quilograma de matéria seca (MS),
matéria orgânica (MO), demais nutrientes, ingestão de matéria seca
em razão ao peso metabólico, percentuais de ingestão de matéria seca
e matéria orgânica em razão do peso corporal (PC) ..........................
33
TABELA 4: Médias de peso corporal (P.C) e peso metabólico (P.M) em
quilogramas das vacas que consumiram as dietas experimentais.......
35
TABELA 5: Ingestão percentual média diária do consumido na dieta total de:
proteína bruta (%PB), fibra em detergente neutro corrigido para
cinza e proteína (%FDNcp), carboidratos não fibrosos (%CNF),
nutrientes digestíveis totais (%NDT) ..............................................
35
TABELA 6: Digestibilidade aparente da matéria seca (MS) da dieta total, proteína
bruta (PB), extrato etéreo (EE), fibra em detergente neutro corrigido
para cinzas e proteína (FDNcp), carboidratos totais (CHOT) e
carboidratos não fibrosos (CNF) ....................................................
37
TABELA 7: Exigência de energia líquida para mantença (EL (mantença)),
produção (EL (produção)), gestação (EL (gestação)), energia líquida
ingerida por dia (EL (ingerida)) e balanço de energia líquida (BEL)
em Mcal. ...............................................................................................
39
ix
TABELA 8: Composição em percentual dos concentrados experimentais ..............
50
TABELA 9: Estimativa da síntese de nitrogênio microbiano (g/dia) e proteína
microbiana (g/dia), Eficiência da síntese de proteína microbiana
grama por Kg de NDT (g/kg de NDT), Nitrogênio Ureico na Urina
(mmol/L), Nitrogênio Ureico no Plasma (mmol/L), Nitrogênio Ureico
no Leite (mmol/L) ..............................................................................
56
TABELA 10: Ingestão diária de nitrogênio, excreção diária de nitrogênio total nas
fezes (g / dia), urina (g / dia) e leite (g / dia), balanço de nitrogênio (g/
dia). ........................................................................................................ 60
x
TABELA DO APÊNDICE
Tabela 1 – Estimativa de produção de urina diárias (Volume de urina L/dia);
Estimativa de excreções diárias de Alantoína na Urina (mmol/dia),
Alantoína no leite (mmol/dia) e Ácido úrico na urina (mmol/dia);
Derivados de Purinas Totais (mmol/dia); Percentuais dos metabólitos
Alantoína na urina, Alantoína no leite e Ácido úrico na urina nos
Derivados de Purinas Totais; Estimativa de excreções diárias de
Purinas exógenas Absorvidas (mmol/dia). .........................................
69
xi
RESUMO
SILVA, A.C. Raiz de mandioca integral desidratada, em substituição ao milho, na
suplementação de vacas holandesas em lactação, pastejando gramíneas tropicais
irrigadas. Itapetinga-Ba: Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, 2013.
82 p. (Dissertação - Mestrado em Zootecnia – Produção de Ruminantes)*.
Objetivou-se avaliar o potencial de substituição do milho moído por raiz integral
de mandioca moída e seca no concentrado de vacas lactantes suplementadas, mantidas
em pastagens tropicais irrigadas e adubadas com nitrogênio, através do seu efeito sobre
o consumo voluntário e digestibilidade aparente, balanço de energia, de nitrogênio e
produção de proteína microbiana. O trabalho de campo foi implantado em propriedade
rural comercial, no município de Vitória da Conquista-Bahia. Foram utilizadas 10 vacas
da raça Holandesa, com média inicial de 150 dias de lactação, produção leiteira média
ao início do ensaio de 22 kg e peso corporal inicial médio de 603 kg, mantidos em
pastagem formada por capim elefante (Pennisetum purpureum, SCHUM) cultivar
pioneiro, consorciado com capim Tifton 85 (Cynodon nlemfuensis), adubados com 600
kg de N/ha/ano. O delineamento utilizado foi em quadrado latino duplo 5 x 5, utilizando
os concentrados experimentais com 0%, 25%, 50%, 75% e 100% de substituição do
milho moído por raiz integral de mandioca moída e seca no concentrado. Neste trabalho
não foram encontrados efeitos de substituição do milho moído por raiz integral de
mandioca moída e seca no concentrado com (P>0,05), no consumo voluntário de 20,61
kg (MS)/animal/dia, digestibilidade aparente (MS) de 59,60%, balanço de energia com
média de +6,36 Mcal/dia e nitrogênio com média de 218,79 g /dia, síntese de proteína
microbiana apresentando média de 1288,49 g/dia, eficiência de síntese de proteína
microbiana por kg de NDT com média de 91,30 g/kg NDT. Os resultados do presente
estudo demonstram que a raiz de mandioca integral triturada e desidratada no
concentrado pode ser incluída como fonte de carboidratos, alternativa ao milho, com
elevado valor nutricional aos microrganismos ruminais e hospedeiro.
Palavras-Chave: fonte energética; derivados de purinas; síntese microbiana.
*Orientador: D.Sc. Mauro Pereira de Figueiredo – UESB – Vitória da Conquista – Bahia; Co-Orientador:
Paulo Bonomo – UESB – Itapetinga – Bahia.
xii
ABSTRACT
SILVA , AC. Root integral dehydrated cassava replacing corn supplementation in
lactating dairy cows grazing tropical grasses irrigated. Itapetinga - BA : State
University of Southwest Bahia - UESB , 2013. 82 p. (Thesis - Master of Animal
Science - Ruminant Production) *.
This study aimed to evaluate the potential to replace corn meal full of ground
cassava root and dry concentrate in lactating cows supplemented grazing tropical
pastures irrigated and fertilized with nitrogen, through its effect on voluntary intake and
digestibility, balance energy, nitrogen and microbial protein production . Fieldwork was
deployed in commercial farm in Vitória da Conquista, Bahia. We used 10 Holstein
cows, with an initial average of 150 days of lactation , milk production average at the
beginning of the test and 22 kg initial body weight of 603 kg were maintained on
pasture consisting of elephant grass (Pennisetum purpureum , Schum ) cultivar pioneer,
intercropped with Tifton 85 ( Cynodon nlemfuensis ) fertilized with 600 kg N/ha /year.
The design was randomized Latin square 5 x 5 using experimental concentrates with
0 %, 25 % , 50 % , 75 % and 100 % replacement of corn meal full of ground cassava
root and dry the concentrate. It was found in this study were not found effects of
substitution of corn meal full of ground cassava root and dry the concentrate with
(P >0.05), the voluntary consumption of 20.61 kg (MS)/animal/day, apparent
digestibility (MS) of 59.60 % , with an average energy balance of +6.36 Mcal/day and
nitrogen with an average of 218.79 g/day, microbial protein synthesis with an average
of 1288.49 g/day, efficiency synthesis of microbial protein per kg TDN averaging
91.30 g/kg TDN . The results of this study demonstrate that the cassava root integral
ground and dried in the concentrate can be included as a carbohydrate source alternative
to corn with high nutritional value to ruminal microorganisms and the host.
Keywords: energy source; purine derivatives; microbial synthesis.
* Advisor: D.Sc. Mauro Pereira de Figueiredo - UESB - Vitória da Conquista - Bahia , Co-Advisor: Paul
Bonomo - UESB - Itapetinga – Bahia.
1
I - REFERENCIAL TEÓRICO
1. Introdução
O Brasil detém a maior área agriculturável e o maior reservatório de água doce
do mundo, além de uma topografia e condições edafoclimáticas variadas e excelente
luminosidade, o que lhe confere condições favoráveis para cultivar pastagens,
possibilitando o desenvolvimento do rebanho de bovinos para produção leiteira (Geron
& Brancher, 2007).
Pastagens intensivamente adubadas com fertilizantes nitrogenados apresentam
elevados teores de proteína bruta, que têm variado de 9,49 a 11,79% para as forrageiras
do gênero Cynodon, como o Tifton 85, e de 13,6 a 17,6% para as forrageiras do gênero
Pennisetum, como a cultivar Pioneiro (Quaresma et al., 2011; Rodrigues et al., 2011).
Nestas condições de cultivo, o fracionamento dos compostos nitrogenados destas
gramíneas tem mostrado teores elevados da fração A, com média de 23,48% e 27,49%,
respectivamente (Reis, 2005; Romero, 2008).
A eficácia do aumento no desempenho de bovinos de raças especializadas para
produção de leite, manejados em pastagens tropicais adubadas e irrigadas de modo
intensivo, é parcialmente atribuída ao balanceamento adequado das dietas para níveis
mais elevados de produção de leite, que fornece o aporte complementar de nutrientes
para que ocorra uma elevação do potencial de aproveitamento dos nutrientes
disponibilizados aos microrganismos ruminais, por meio da redução das perdas de
nitrogênio e de energia, melhoria da sincronia de utilização das proteínas e carboidratos
dietéticos e, consequentemente, elevação na produção de proteína microbiana.
Vacas lactantes de alta produção, consumindo pastagens tropicais adubadas com
elevada qualidade e com oferta de forragem adequada, necessitam de suplementação,
pois suas exigências nutricionais estão além do que as gramíneas conseguem suprir,
sendo,assim, as deficiências de nutrientes devem ser supridas no cocho com
concentrado balanceado.
A raiz integral de mandioca moída e seca no concentrado é uma alternativa de
fonte energética que proporciona ao pecuarista a utilização de um produto regional de
alto valor biológico, capaz de interagir mais eficazmente com a fração nitrogenada
solúvel das gramíneas, potencializando a produção de proteína microbiana. A
2
introdução deste alimento também torna oportuna a redução do custo com concentrado,
quando apresenta disponibilidade e preços mais competitivos em relação ao milho.
Objetivou-se com este trabalho avaliar o potencial de substituição do milho
moído por raiz integral de mandioca moída e seca no concentrado, a otimização da
utilização do nitrogênio dietético associado às diferentes fontes de amido por meio do
seu efeito sobre o consumo voluntário, digestibilidade aparente, balanço de energia e de
nitrogênio e produção de proteína microbiana em vacas lactantes mantidas em pastagens
irrigadas e adubadas intensivamente com nitrogênio.
2. Produção de leite em pastagens tropicais adubadas
Segundo o Censo Agropecuário de 2006, realizado pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE, 2006), o território brasileiro é ocupado com cerca de 330
milhões de hectares de área de estabelecimentos agropecuários. Dos 5.175.489
estabelecimentos agropecuários, 1.695.246 utilizaram algum tipo de adubação, destes, apenas
283.877 adubaram pastagens e lavouras.
Segundo a Embrapa (2012), estima-se que, no Brasil, existam aproximadamente 180
milhões de hectares de pastagens, dos quais mais da metade está em algum estágio de
degradação, e uma parte considerável já em estado avançado.
Segundo Paulino & Teixeira (2009), a maior parte da produção de ruminantes no
Brasil (cerca de 90%) é mantida em pastagens. Fatores como baixo custo, grande aptidão
produtiva e fácil cultivo tornam os pastos à base da exploração pecuária no País, sendo o uso
de pastagens tropicais enfatizado mundialmente como o diferencial da pecuária brasileira.
Estima-se que, anualmente, no Brasil sejam plantados 4 milhões de hectares de pastagens, e
renovadas outros 10 milhões.
São predominantes no Brasil sistemas de produção de leite em que as pastagens são o
principal alimento dos animais. Este sistema tecnológico demanda estratégias para contornar
as variações na produção de forragem, em virtude das variações climáticas consequentes das
variações nas estações do ano (Silva et al., 2010).
A pecuária leiteira do Brasil tem como particularidade o seu exercício em todo o
território nacional. Em virtude das diferentes condições edafoclimáticas nas regiões
brasileiras, dadas as dimensões continentais do País, nota-se diversos níveis tecnológicos para
a produção leiteira (Paciullo et al., 2005).
3
Mesmo com os obstáculos comumente presentes na produção de leite em pastos no
Brasil, é notório o potencial desses sistemas e, por isso, existe grande busca por conhecimento
na tentativa de sobrepor as adversidades, suprir as necessidades nutricionais dos animais e
manter a produção de leite durante todo o ano (Silva et al., 2010).
O uso de pastagens tropicais adubadas tem se disseminado, principalmente, devido à
possibilidade de redução dos custos de produção com a diminuição do uso de alimentos
concentrados. Adicionalmente, fatores como a adubação das pastagens e a melhoria do
manejo viabilizam a utilização do sistema de lotação rotacionada, ampliando as taxas de
lotação de animais em pastagens e a eficiência de uso da forragem (Silva, 2011).
Aumentar a produtividade em sistemas de produção de leite, de forma que esta seja
mantida sustentável e competitiva, é o grande desafio para a pesquisa, haja vista que há
grande procura por informações sobre a utilização de forrageiras tropicais, manejadas
intensivamente para a produção de leite, em geral, almejando principalmente a redução dos
custos de produção por meio do uso mais racional das forrageiras tropicais (Vilela et al.,
2006).
3. Suplementação com uso de concentrado para vacas lactantes em
pastagens tropicais
Os sistemas de produção de leite, baseados apenas na utilização de pastagens, não
atendem ao requerimento de nutrientes para que vacas com alto mérito genético alcancem
elevadas produções individuais. A suplementação com concentrados pode ser utilizada para
suprir as deficiências específicas de nutrientes dos animais em pastejo, os quais são utilizados
em quantidade e qualidade adequadas (Santos et al., 2003).A produção de leite de vacas,
mantidas exclusivamente em pastagens tropicais, é limitada, na grande maioria dos estudos,
entre 9 e 12 kg/vaca/dia, necessitando-se de suplementação, geralmente com alimentos
concentrados, para potencializar a produção por animal e por área. Considerando que a
ingestão de energia é o principal fator limitante para produção de leite em pastagens de
gramíneas tropicais adubadas com nitrogênio, maior ênfase deve ser dada à suplementação
energética. Entretanto, os produtores geralmente dão grande importância ao nível proteico do
alimento concentrado, independentemente da pastagem fornecida, sendo que a maioria dos
concentrados comerciais para vacas em lactação apresenta mais de 18% de proteína bruta,
elevando os custos advindos de uma suplementação desnecessária (Semmelmann et al., 2008).
4
Quando bovinos em pastejo são suplementados com concentrado, dois efeitos podem
ocorrer de forma pronunciada, sendo estes a substituição do consumo da pastagem pelo
concentrado e a diminuição da digestão da fração fibrosa (Santos et al., 2003).
Em pastagens de qualidade nutricional superior, o efeito do concentrado sobre a
digestão da fibra é mais pronunciado, devido à provável queda no pH ruminal, podendo
diminuir o consumo da pastagem. Variações no pH ruminal provocam mudanças
significativas na população de microrganismos, desencadeando efeitos negativos na digestão
da fibra, assim como na produção de proteína microbiana (Rearte & Pieroni, 2001).
Observa-se também que, em pastagens tropicais manejadas de modo intensivo, pode
apresentar a relação proteína e energia, de modo desproporcional para os microrganismos
ruminais, seja por teores elevados de proteína degradável no rúmen (PDR) ou baixa
concentração de energia nestas forrageiras. Essa ausência no sincronismo ruminal entre
carboidratos e compostos nitrogenados no ambiente ruminal pode desencadear menor
eficiência na síntese de proteína microbiana. Assim, torna-se necessário o uso de fontes
alimentares suplementares ricas em carboidratos não estruturais, conhecidos também como
carboidratos não fibrosos, para suprir as demandas energéticas dos microrganismos ruminais,
melhorando o aproveitamento dos compostos nitrogenados e, consequentemente, estimulando
da síntese de proteína microbiana (Santos et al., 2003).
Quanto ao efeito no desempenho, conforme revisto por Santos et al. (2003), reunindo
trinta e sete trabalhos que utilizaram suplementação com concentrado para vacas em lactação
mantidas em pastagens tropicais, observou-se produção de 13,8 kg de leite/animal/dia com
fornecimento médio de 3,5 kg de concentrado/animal/dia. Considerando apenas os trabalhos
que relataram produção de leite superior a 20 kg/animal/dia, com média de 22,78 kg de
leite/animal/dia, a quantidade média de concentrado oferecida foi de 6,45 kg/animal/dia.
4. Concentrados energéticos utilizados na alimentação de ruminantes:
milho e raiz de mandioca desidratada
A crescente demanda pela utilização racional e sustentável dos recursos alimentícios
em todo o mundo tem exercido pressão cada vez maior sobre a necessidade de se pesquisar a
utilização de fontes alternativas na alimentação animal, que potencializem a nutrição e
produção animal e, que ao mesmo tempo, possam reduzir a utilização de grãos de cereais, que
5
se constituem em fontes de carboidratos na alimentação humana e animal (Pedroso et al.,
2009).
Tradicionalmente, o milho é o principal componente energético utilizado nos
concentrados de vacas lactantes. Ele apresenta disponibilidade energética superior à dos
carboidratos estruturais presentes nas dietas de ruminantes. Rico em amido, o milho é
fundamental na exploração de animais de alta produção, que exigem níveis mais elevados de
energia na dieta (Gonçalves et al., 2009).
As raízes de mandioca destacam-se também como fonte de energia, com grande
potencial de substituir o milho em concentrados. Quando utilizada na forma in natura,
apresenta menos de 1,5 Mcal de energia metabolizável por quilograma de massa fresca; e
quando desidratada, pode variar de 3,2 a 3,6 Mcal de energia metabolizável. Os teores de
energia metabolizável da raiz de mandioca são compatíveis com o do milho, que possui 3,2
Mcal por quilograma de matéria seca (Ezequiel et al., 2006; Gomes & Leal, 2003).
A produção de raiz de mandioca no Brasil situou-se próxima a 24,5 milhões de
toneladas. A produtividade por região é liderada pela região Nordeste, com produção
aproximada de 8 milhões de toneladas, seguidos então pelas regiões Norte, Sul, Sudeste e
Centro Oeste. A Bahia é o maior produtor nordestino, com 3,2 milhões de toneladas no ano de
2010 (IBGE, 2010).
A raiz de mandioca é utilizada em processamento industrial ou artesanal, basicamente
na extração de amido, utilizado em diversas atividades, e na produção de farinha para a
alimentação humana.
Para a alimentação animal, a mandioca pode ser oferecida nas formas de raízes
frescas, fatiadas ou picadas, assim como na forma desidratadas. Os subprodutos sólidos da
industrialização da raiz de mandioca, como cascas, entrecascas, farelos e descartes, também
podem ser utilizados, podendo ser servidos misturados ao volumoso ou concentrado (Rangel
et al., 2008).
A raiz de mandioca é uma nobre fonte energética alternativa ao milho para a
suplementação de vacas, que pode ser mais bem aproveitada em períodos de maior oferta do
produto, no qual se estima preços mais acessíveis. Conforme Chicherchio (2012), a colheita
da mandioca é feita ao longo do ano, com maior incidência entre os meses de maio e agosto.
A oferta e procura do produto, que tem o poder regulador dos preços, também dependem das
condições climáticas das regiões produtoras.
6
5. Características moleculares do amido
O amido encontra-se amplamente distribuído em diversas espécies vegetais, como um
carboidrato de reserva, sendo abundante em grãos de cereais (40% a 90% do peso seco),
leguminosas (30% a 50% do peso seco), tubérculos (65% a 85% do peso seco) e frutas
imaturas ou verdes (40% a 70% do peso seco) (Lajolo & Menezes, 2006).
Estruturalmente, o amido é um homopolissacarídeo composto por cadeias de amilose e
amilopectina. A amilose é formada por unidades de glicose unidas por ligações glicosídicas α
– 1,4, originando uma cadeia linear. Já a amilopectina é formada por unidades de glicose
unidas em α – 1,4 e α – 1,6, formando uma estrutura ramificada. As proporções em que essas
estruturas aparecem diferem em relação às fontes de alimentos para ruminantes, variedades de
uma mesma espécie e, mesmo numa mesma variedade, de acordo com o grau de maturação da
planta (Eliasson, 2004; Testeret al., 2004).
A amilose, embora tipicamente ilustrada por uma estrutura linear em cadeia, é
frequentemente helicoidal. O interior desta hélice contém átomos de hidrogênio, sendo,
portanto, hidrofóbica e permite que a amilose forme complexos com ácidos graxos livres e
com componentes glicerídeos dos ácidos graxos, com alguns álcoois (Thomas & Atwel,
1999).
O teor de amilose nos grânulos de amido varia de acordo com a fonte vegetal de
origem, mas, geralmente, encontra-se nos intervalos de 20-30% em amidos de cereais. O
amido de milho contém entre 25-28% de amilose, enquanto o de mandioca possui apenas
17%. Algumas variedades de milho, imputado pelo termo ceroso (waxy), não possuem
amilose, sendo constituídas totalmente por amilopectina (Weber et al., 2009).
A estrutura da amilopectina, além das ligações do tipo α- 1,4 presentes entre as
unidades de D-glicose na cadeia principal, é caracterizada pelo alto grau de ramificação. Essas
ramificações ocorrem em um percentual de 5 a 6% de ligações α-1,6 nas unidades de Dglicose e essa região são constituídas por duplas hélices (Liu, 2005).
A amilopectina tem função estrutural e é a mais importante das duas frações, pois
sozinha é suficiente para formar o grânulo de amido (Dernardin & Silva, 2009). As áreas
cristalinas do amido mantêm a estrutura do grânulo, controlam o seu comportamento na água,
tornando-o relativamente resistente à ação enzimática e química. A proporção entre os
polímeros amilose e amilopectina, e o seu peso e distribuição molecular e também o grau e
7
tamanho das ramificações estruturais são os fatores que influenciam a interação entre as
regiões cristalinas e amorfa do amido (Rocha et al., 2008).
A distribuição de amilose e amilopectina ao longo da distribuição radial dentro do
grânulo de amido não é uniforme. A amilose é encontrada, de forma mais concentrada, na
periferia, e as amilopectinas de cadeias longas, no centro do grânulo de amido (Pan et al.,
2000).
6. Caracterização do amido da mandioca e do milho
Composto por até 85% de amilopectina, o amido de raízes e tubérculos apresenta
maior capacidade de expansão na água do que o amido de cereais. Ele apresenta
insolubilidade em água fria, devido a sua organização molecular, que mantém juntos
compostos amilose e amilopectina por diversas pontes de hidrogênio entre os grupamentos
hidroxila das unidades de glicose. Todavia, os grânulos de amido apresentam a capacidade de
se dilatar de forma reversível, entre 10 e 15% de aumento no diâmetro na água fria,
retornando ao estado original após a secagem. Esse efeito de expansão reversível do grânulo
de amido de raízes e tubérculos é mais acentuado do que no amido presente nos cereais
(Rangel et al., 2008).
Nos cereais, os grânulos de amido distribuem-se de diversas formas, variando
conforme as variedades e espécies. Os grãos dos cereais geralmente são compostos por três
distintas camadas, sendo elas o pericarpo, endosperma e embrião.
Os endospermas periférico e córneo contêm grânulos de amido envolvidos por uma
matriz, composta principalmente por proteína e carboidratos não amiláceos, relativamente
impermeáveis à água e à atividade enzimática. O endosperma farináceo, no entanto, é o que se
encontra mais próximo do embrião, sendo constituído praticamente, de grânulos de amido, em
densidade elevada e, sensíveis à atividade enzimática.
O milho apresenta proporção elevada de endosperma periférico e córneo,
consequentemente maior quantidade de amido envolto por uma matriz proteica. No milho, as
prolaminas, denominadas também de zeínas, correspondem a aproximadamente 70% das
proteínas do endosperma do milho. As zeínas são apolares e, portanto, insolúveis em água
(Sant’ana et al., 2012). Por causa das características hidrofóbicas das zeínas, existe a
possibilidade de retardo na ação de enzimas produzidas pelos microrganismos, tornando mais
lenta a disponibilidade dos carboidratos amiláceos.
8
Os cultivares, cujos grãos apresentam alta proporção de endosperma periférico e
córneo são denominados vítreos, córneos ou pétreos, devido a sua aparência vítrea. Os
cultivares ricos em endosperma farináceo são denominados opacos, farináceos ou moles
(Rangel et al., 2008).
7. Solubilidade e degradabilidade ruminal do amido
Os carboidratos são a fonte mais importante de energia para os microrganismos
ruminais e sua utilização está diretamente relacionada à sua origem (Prado et al., 2000).
A utilização de fontes de amido de elevada degradabilidade ruminal é positiva não só
por melhorar a capacidade fermentativa do rúmen, alimentando a síntese de proteína
microbiana e a produção de ácidos graxos voláteis, como também por permitir economia no
metabolismo energético do hospedeiro (Huntington, 1994).
Em relação aos efeitos no rúmen, o amido mostra-se superior aos açúcares solúveis,
tais como melaço ou glicose, no que se refere ao aumento da retenção de nitrogênio, fato
também confirmado pela redução da concentração de amônia, aumento da proteína ruminal e
melhoria da produção animal. A superioridade do amido em relação aos carboidratos solúveis
é devido a sua fermentação mais lenta, fornecendo energia de uma forma mais contínua e
duradoura (Teixeira, 1991).
O amido possui alta digestibilidade, no entanto, a extensão da digestão do amido no
rúmen pode ser influenciada pelo endosperma, devido à diferença de digestibilidade entre o
córneo e o farináceo; pelo processamento do grão, tamanho de partícula; nível de ingestão do
amido; complexo de proteína, amido e presença de fatores inibidores da ação dos
microrganismos ruminais.
O conhecimento dos valores da degradabilidade do amido é de grande importância,
devido à necessidade de se determinar as relações de sincronização no rúmen, entre as fontes
energéticas ricas em amido e as fontes proteicas, de forma a maximizar a eficiência
microbiana.
Passini et al. (2004) encontraram valores de degradabilidade do amido do milho moído
grosso, moído fino tipo fubá e floculado, de 9,91%; 13,42% e 35,06%, respectivamente, para
a fração solúvel, 81,99%; 90,97% e 66,10%, respectivamente, para a fração potencialmente
digestível; e, para degradabilidade efetiva a 5% de taxa de passagem, foram 44,33%; 54,38%
e 72,04%, respectivamente.
9
Cação et al. (2012) avaliaram o efeito das formas de processamento de híbridos de
milho sobre a degradação ruminal da matéria seca através do efeito das enzimas digestivas
sobre os grânulos de amido do cereal tratado, encontrando degradabilidade potencial de
91,5%; 85,8% e 78,3% para os milhos ensilados, extrudidos e secos, respectivamente.
Observaram também que o processamento com uso de calor, extrusão, e a ensilagem dos
grãos colhidos úmidos apresentaram melhor degradabilidade, não se diferenciando
significativamente a (P<0,05).
Rangel et al. (2008) reuniram resultados de degradabilidade efetiva do amido de várias
fontes, com taxa de passagem de 5% por hora, que apresentaram valores médios de 57,6%
para o milho moído; 34,5% para o milho amassado em cilindro; 80,2% para mandioca moída;
66,3% para mandioca amassada. Eles avaliaram que o amido de mandioca apresentou maior
degradabilidade efetiva em relação ao milho, justificada pela inexistência de pericarpo,
endosperma córneo e periférico, matriz proteica e, provavelmente, devido à menor proporção
de amilose e lipídios nos grânulos de amido, o que reduz a quantidade de ligações de
hidrogênio na molécula e, consequentemente, aumenta o potencial de expansão do amido de
mandioca em meio aquoso.
Pires et al. (2008), avaliando consumo, desempenho e a taxa de hidrólise in vitro do
amido do milho moído grosso, milho floculado em duas densidades (310 e 360 g/L) e também
raspa de mandioca, encontraram médias de 37,8% para milho moído; 85,6% para milho
floculado a 310 g/L; 83,7% para milho floculado a 360 g/L; e 93,5% para raspa de mandioca,
e concluíram que a superioridade da raspa de mandioca está associada à estrutura dos
grânulos de amido deste alimento, que apresenta elevado conteúdo de amilopectina e ausência
de associação dos grânulos de amido com a matriz proteica. Verificou também que não houve
diferença (P>0,05) no consumo de matéria seca entre fontes de amido para vacas Holandesas,
no entanto, houve tendência (P>0,10) de a raspa de mandioca reduzir a ingestão de matéria
seca, que se refletiu no desempenho, reduzindo a produção de leite, devido a menor ingestão
de matéria seca.
A degradabilidade efetiva do amido da mandioca em relação à do milho é superior,
devido à ausência de pericarpo, endosperma córneo e periférico, matriz proteica e,
provavelmente, devido a uma menor proporção de amilose e lipídeos complexados aos
grânulos de amido, diminuindo a proporção de pontes de hidrogênio na molécula do amido e
potencializando a capacidade de expansão do amido da mandioca em meio aquoso, facilitando
a ação das enzimas amilolíticas produzidas pelos microrganismos.
10
8. Sincronização na disponibilidade ruminal de carboidratos e proteínas
para o incremento na síntese de proteína microbiana
Os ruminantes utilizam os alimentos potencialmente digestíveis de forma dinâmica,
associando dois fatores importantes e concorrentes entre si, a taxa de fermentação e a taxa de
passagem. A taxa de fermentação é influenciada diretamente pelos componentes nutricionais
da dieta, e pode também ser alterada pela forma como os alimentos foram processados e pela
taxa de ruminação da dieta. A taxa de passagem também sofre influência do tipo de alimento,
processamento e forma de ingestão da dieta (Russel, 2002).
O conhecimento da dinâmica de utilização dos componentes nutricionais no rúmen,
especificamente a interação entre carboidrato e nitrogênio, proporcionam informações para
otimização da produção de proteína de origem microbiana.
Existem muitos fatores que influenciam na taxa de degradação dos alimentos no
rúmen, destes, destacam-se as características estruturais das fontes dietéticas de carboidratos e
proteínas, a forma como foram processadas e o tempo de retenção do alimento e o pH no
rúmen. Estes aspectos exercem influência no acesso dos microrganismos ruminais às
proteínas dietéticas, o que pode ser o fator que mais afeta a velocidade e extensão da
proteólise enzimática das proteínas no rúmen (Andrade – Montemayor et al., 2009; NRC,
2001).
As fontes de proteína ingerida pelos ruminantes podem passar por processos de
hidrólise no rúmen, fornecendo aminoácidos livres em um primeiro momento, podendo ser
desaminados, liberando amônia. Os aminoácidos fornecidos, bem como a amônia produzida,
podem ser utilizados para síntese de proteína microbiana, a qual pode apresentar um perfil de
aminoácidos completamente diferente da estrutura aminoacídica dos alimentos ingeridos pelo
animal.
Os alimentos proteicos de alta degradabilidade podem ser utilizados de forma mais
eficiente, quando associados às fontes energéticas possuidoras de elevada degradabilidade
ruminal, visto que, nestas circunstâncias, a sincronização da disponibilidade ruminal de
energia e nitrogênio pode permitir maior eficiência no processo microbiano de fixação da
amônia na forma de glutamato, reduzindo as perdas de nitrogênio e energia (Caldas Neto et
al., 2008).
Caldas Neto et al. (2008), na avaliação da digestibilidade in vitro da MS (DIVMS) de
dietas contendo milho e farinha de varredura de mandioca (FVM) como fontes de energia em
função dos níveis de proteína degradável no rúmen (PDR) do concentrado, verificaram que
11
não houve efeito (P>0,05) no nível de PDR sobre a DIVMS para as dietas contendo milho,
apresentando média de 61,3%; já para as dietas contendo FVM, houve efeito quadrático
(P<0,05) do nível de PDR sobre a DIVMS, com ponto de máxima de 60,6% de concentração
de PDR.
A sincronização entre as fontes de carboidratos (que fornecem energia e esqueletos
carbônicos para os microrganismos) e as de nitrogênio, além de maximizar a eficiência
microbiana e diminuir a perda de nitrogênio em forma de amônia e da energia dos
carboidratos, promove melhoria na digestão da MS, especialmente da fração fibrosa. O
aumento na eficiência microbiana permite aumento na disponibilidade de proteína microbiana
para ser absorvida no intestino, suprindo, assim, as exigências de animais em crescimento ou
de baixa e média produção de leite (Caldas Neto et al., 2007).
Pires et al. (2008) encontraram menor teor de proteína no leite e de síntese microbiana
com a utilização de fontes de amido de maior degradabilidade (raspa de mandioca e milho
floculado), quando comparados com amido de menor degradabilidade (milho moído), apesar
da maior digestibilidade ruminal do amido. Os autores sugerem que o excesso de fermentação
do amido pode ter causado assincronia na utilização dos produtos da fermentação da proteína
e do amido para síntese de proteína microbiana.
Caldas Neto et al. (2007), estudando o efeito de diferentes níveis de proteína
degradável no rúmen (55, 60, 65, 70% da Proteína Bruta), combinado a fontes de amido de
baixa e alta degradabilidade (milho e farelo de mandioca, respectivamente –
aproximadamente 37% de CNF (carboidratos não fibroso) na MS) sobre a digestibilidade da
matéria seca, não verificaram efeito dos níveis de PDR, quando o milho constituiu a fonte de
amido, indicando que a disponibilidade de energia foi mais limitante que o nitrogênio para a
atividade microbiana. Entretanto, com a utilização do farelo de mandioca, houve um efeito
quadrático na digestibilidade da MS, mostrando que, em níveis mais baixos de PDR (proteína
degradável no rúmen), o nitrogênio foi limitante para o crescimento microbiano. Esse
comportamento indica o efeito de sincronização da disponibilidade de N e de energia, visto
que houve um nível de PDR (60% da PB), no qual a digestibilidade foi máxima, decrescendo
em seguida. Além disso, conforme o NRC (2001), o fluxo de proteína microbiana para o
duodeno tende a ser maior com o aumento da taxa de degradação do CNF, devido à maior
disponibilidade energia para a atividade microbiana, o que melhora a eficiência de conversão
da matéria orgânica em proteína microbiana (PBmic).
Muitos estudos não evidenciam que altos níveis de CNF ou PDR suportem elevado
crescimento microbiano. Uma vez que a extensão da captação de amônia para produção de PB
12
microbiana é afetada por vários outros fatores, tais como: o tipo de dieta, características da
fermentação ruminal e ingestão de matéria seca. Dessa maneira, em estudos para avaliação da
sincronização da degradação de carboidratos e proteína no rúmen, nem sempre são
observados efeitos positivos sobre a síntese e eficiência de síntese de PB microbiana, ou fluxo
de PB microbiana (NRC, 2001).
9. Derivados de purina para a estimativa de síntese de proteína microbiana
no rúmen
Os nucleotídeos apresentam uma variedade de funções no metabolismo celular
integrando o ATP, as ligações químicas essenciais nas respostas da célula a hormônios e
outros estímulos extracelulares, e os componentes estruturais de uma estrutura ordenada de
cofatores enzimáticos e intermediários metabólicos. Os nucleotídeos são compostos por uma
base nitrogenada, uma pentose e um grupo fosfato. As bases nitrogenadas podem ser
classificadas em: pirimidinas e púricas. A base está ligada ao carbono 3 da pentose e o fosfato
está esterificado ao carbono 5 da mesma. Os nucleotídeos são necessários para vários
processos vitais, dentre os quais eles atuam como precursores dos ácidos nucleicos. Eles
contêm nos nucleotídeos resíduos de ácido fosfórico, em geral, uma pentose (ribose ou 2’desoxirribose) e uma base púrica e pirimidínica; dentre os metabólitos de excreção, estão a
hipoxantina e a xantina (Nelson & Cox, 2011).
Os derivados de purinas são originados a partir dos ácidos nucleicos, que são formados
por uma pentose que, no ácido desoxirribonucleico (DNA), consiste em uma desoxirribose.
Os produtos finais do metabolismo catabólico das purinas são a hipoxantina, xantina,
ácido úrico e alantoína, excretados na urina e leite em ruminantes, sendo conhecidos como
derivados de purinas. Estes excretados são originados de três possíveis fontes, sendo elas,
bases purínicas de microrganismos ruminais, purinas dietéticas e purinas de origem endógena,
sendo a última, oriunda de descamações de tecidos do trato digestório dos animais. Em
ruminantes, os ácidos nucleicos, provenientes dos microrganismos ruminais constituem-se na
fonte principal dos derivados de purinas porque deixam o rúmen associados aos digesta
ruminal, sendo digeridos e absorvidos no duodeno. A participação dos ácidos nucleicos dos
alimentos nos derivados de purina excretados na urina e leite não é considerada, pois estes
sofrem extensa degradação pelos microrganismos ruminais, resultado da fermentação
microbiana (Sandoval-Castro & Herrera-Gomez, 1999).
13
A xantina oxidase é uma enzima que, em bovinos, tem maior atividade na mucosa
intestinal, ela oxida sucessivamente a hipoxantina à xantina e, em sequência, para ácido úrico.
Em grande parte dos mamíferos, o ácido úrico é ainda degradado até alantoína pela atuação da
urato-oxidase. Na urina de bovinos, as purinas tem composição semelhante de,
aproximadamente, 85% de alantoína e 15% de ácido úrico; xantina e hipoxantina não estão
presentes em quantidades significativas, devido à ação da enzima urato-oxidase (Nelson &
Cox, 2011; Castañeda & Peñuela, 2011).
Os métodos utilizados para medir a quantidade de compostos nitrogenados
microbianos baseiam-se em marcadores microbianos, com bases purinas (RNA), ácido 2,6
diaminopimélico (DAPA),
35
Se
15
N (marcadores externos, isótopo de enxofre inorgânico e
isótopo pesado de nitrogênio), sendo que a utilização dessas metodologias requer animais
preparados cirurgicamente. Este método, no entanto, é invasivo, pois necessita de animais
fistulados para a sua realização, assim, estudos tem avançado para o desenvolvimento de
técnicas não invasivas de estimativa de produção de proteína microbiana (Rennó et al., 2008;
Argolo, 2007; Castañeda & Peñuela, 2011).
O uso dos derivados de purina para estimativa de síntese de proteína microbiana tem
sido uma alternativa às técnicas invasivas. O método de excreção de derivados de purinas
assume que o fluxo duodenal de ácidos nucleicos é, predominantemente, de origem
microbiana e, após digestão intestinal dos nucleotídeos de purinas, as bases nitrogenadas
adenina e guanina podem ser utilizadas para a síntese de ácidos nucleicos teciduais ou
substituir a perda endógena de purinas. As purinas não utilizadas são metabolizadas em seus
derivados e são proporcionalmente recuperadas na urina, principalmente na forma de
alantoína, mas também como ácido úrico, xantina e hipoxantina.
Em estudos anteriores, foi observado que, em bovinos, do total de derivados de
purinas excretados na urina, 98% eram representados por alantoína e ácido úrico e apenas 2%
por xantina e hipoxantina (Mendonça et al., 2006). Nos bovinos, a atividade da enzima
xantina oxidase, no sangue e nos tecidos, ocorre de modo acentuado, convertendo a xantina e
a hipoxantina em ácido úrico antes da excreção e, por causa da ação desta enzima, não se
utiliza a quantificação de xantina e hipoxantina no total dos derivados de purinas excretados
pelos bovinos. Outra enzima presente nestes ruminantes, a urato-oxidase, também conhecida
como uricase, atua ativando a metabolização de derivados de purina, transformando parte da
alantoína presente na urina em ácido úrico, provenientes do catabolismo ocorrido no rúmen.
Em vacas lactantes, recomenda-se fazer a quantificação de derivados de purina no leite, visto
que a quantidade diária de alantoína secretada no leite, segundo estudos, está próxima de
14
3,8% em relação à excreção total, assim considerada significativa para avaliação do total de
derivados de purina excretados (Mendonça et al., 2006).
15
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19
II - OBJETIVO GERAL
Avaliar os efeitos de níveis de substituição do milho moído como fonte exclusiva de
energia no concentrado por raiz de mandioca integral triturada e desidratada sobre a
ingestão voluntária de matéria seca e nutrientes; a digestibilidade dos nutrientes nas
dietas; a produção de proteína microbiana no rúmen e o balanço de energia e nitrogênio
em vacas lactantes pastejando gramíneas tropicais irrigadas e adubadas.
20
III - CAPÍTULO I
EFEITO DA INCLUSÃO DA RAIZ DE MANDIOCA DESIDRATADA, EM
SUBSTITUIÇÃO AO MILHO, NA SUPLEMENTAÇÃO DE VACAS
HOLANDESAS EM PASTEJO SOBRE O CONSUMO VOLUNTÁRIO,
DIGESTIBILIDADE APARENTE E METABOLISMO ENERGÉTICO
RESUMO
Objetivou-se avaliar o potencial de substituição do milho moído por raiz integral de
mandioca moída e seca em concentrados para vacas lactantes, mantidas em pastagens
tropicais irrigadas, por meio do seu efeito sobre o consumo voluntário e digestibilidade
aparente e balanço de energia. O trabalho de campo foi conduzido em propriedade rural
comercial no município de Vitória da Conquista-Bahia. Foram utilizadas 10 vacas da raça
Holandesa, com média inicial de 150 dias de lactação, produção leiteira média ao início do
ensaio de 22 kg e peso corporal inicial médio de 603 kg, mantidas em pastagem formada por
capim elefante (Pennisetum purpureum, SCHUM), cultivar pioneiro, consorciado com capim
Tifton 85 (Cynodon nlemfuensis). O delineamento utilizado foi em quadrado latino duplo 5 x
5, utilizando os concentrados experimentais com 0%, 25%, 50%, 75% e 100% de substituição
do milho moído por raiz integral de mandioca moída e seca no concentrado. Não foram
encontrados efeitos significativos de substituição do milho moído por raiz integral de
mandioca moída e seca no concentrado (P>0,05), no consumo voluntário da dieta total, com
média estimada de consumo de MS de 20,61 kg/animal/dia, digestibilidade aparente da MS
com média estimada de 59,60% para MS e balanço de energia, com média estimada de +6,36
Mcal/dia. Os resultados deste estudo demonstram que a raiz de mandioca pode ser utilizada
como fonte energética de alto valor nutricional, semelhante ao milho, na suplementação de
vacas lactantes mantidas em pastagens tropicais irrigadas e adubadas com 600 kg de
N/ha/ano.
Palavras-Chave: carboidratos; forrageiras; ingestão; nutrição.
21
ABSTRACT
This study aimed to evaluate the potential to replace corn meal full of ground cassava
root and dry concentrates for lactating cows grazing tropical pastures irrigated, through its
effect on voluntary intake and digestibility and energy balance. Fieldwork was conducted in a
farm business in Vitória da Conquista, Bahia. We used 10 Holstein cows, with an initial
average of 150 days of lactation, milk production average at the beginning of the test and 22
kg initial body weight of 603 kg, kept on pasture consisting of elephant grass (Pennisetum
purpureum, Schum) cultivar pioneer, intercropped with Tifton 85 (Cynodon nlemfuensis).
The design was randomized Latin square 5 x 5 using experimental concentrates with 0%,
25%, 50%, 75% and 100% replacement of corn meal full of ground cassava root and dry the
concentrate. There were no significant effects of substitution of corn meal full of ground
cassava root and dry the concentrate (P> 0.05), the voluntary intake of the total diet, with an
estimated average consumption of 20.61 kg DM / animal / day, apparent digestibility of DM
with estimated average of 59.60% for DM and energy balance, with an estimated average of
+6.36 Mcal. The results of this study demonstrate that the cassava root can be used as an
energy source of high nutritional value similar to corn supplementation in lactating cows
grazing tropical pastures irrigated and fertilized.
Keywords: carbohydrates; forage; intake; nutrition.
22
1. INTRODUÇÃO
A intensificação nos sistemas de manejo de pastagens tropicais por meio de
fertilização nitrogenada e irrigação proporciona redução dos efeitos de estacionalidade na
produção de forragem, tornando mais homogênea a oferta de volumoso durante o ano,
contribuindo no sistema de produção de leite em pastagem. As adoções destas tecnologias
proporcionam a redução na utilização de volumosos conservados e concentrados nas dietas,
permitindo intensificar a produção de leite por área. No entanto, essa contribuição é limitada
em alguns aspectos, como a capacidade da planta em suprir energia e proteína adequadas às
necessidades dos animais, a capacidade limitada de ingestão de forrageiras pelo ruminante e
também o mérito genético das vacas lactantes, pois quanto maior o potencial produtivo maior
a exigência nutricional. Devido à capacidade limitada de oferta de nutrientes através das
forrageiras, faz-se necessário a utilização de suplementação concentrada desses nutrientes,
balanceados de modo a elevar a produtividade leiteira e potencializar a utilização dos
nutrientes dietéticos pelos microrganismos ruminais.
Os
grãos
de cereais
caracterizam-se por
serem
componentes
energéticos
importantíssimos nos concentrados para a alimentação animal. Sabe-se que a principal função
dos carboidratos está no provimento de energia para os microrganismos ruminais, como
também para o animal hospedeiro (Ramalho et al., 2006).
O amido é a principal fonte de energia dos grãos e raízes, utilizadas na alimentação de
ruminantes e, devido a sua constituição molecular, apresenta disponibilidade energética
superior à dos carboidratos estruturais presentes nas dietas dos bovinos.
A avaliação de fontes energéticas regionais, que tenham condições de substituir total
ou parcialmente os alimentos convencionalmente utilizados, é justificada pela necessidade de
se potencializar a utilização destes ingredientes. Em períodos com superávit na produção
regional de alimentos energéticos, potencialmente utilizáveis na nutrição animal, que
apresentam, via de regra, apresentando menor preço, permitem a sua inclusão na composição
de dietas concentradas, economicamente mais favoráveis, e que sejam utilizadas pelos
ruminantes de forma semelhante às fontes energéticas tradicionalmente utilizadas.
Em valores médios, o amido da mandioca apresenta 17,0% de amilose e cerca de
83,0% de amilopectina, teores estes diferentes do milho, que apresenta 24,0% de amilose e
76,0% de amilopectina (Gonçalves et al., 2009).
23
O amido da mandioca apresenta maior degradabilidade efetiva em relação ao do
milho, devido à inexistência de pericarpo, endosperma córneo e periférico, matriz proteica
(Rangel et al., 2008).
O objetivo foi avaliar a substituição do milho moído pela raiz de mandioca integral
triturada e desidratada no concentrado de vacas lactantes, sobre o consumo voluntário,
digestibilidade aparente e balanço energético.
24
2. MATERIAL E MÉTODOS
O ensaio foi realizado em uma propriedade comercial de produção de leite
denominada Sítio Beija-Flor, localizada nas Terras do Remanso, no município de Vitoria da
Conquista, Estado da Bahia. Esta propriedade rural situa-se geograficamente às coordenadas
14°51’38” S e 40°52’51”O, com altitude de 923 metros.
O experimento foi realizado no período de março a maio de 2012, utilizando-se 10
vacas da raça Holandesa, média inicial de 150 dias de lactação, produção leiteira média ao
início do ensaio de 22 kg e peso corporal inicial médio de 603. Estas foram submetidas a
cinco tratamentos, em delineamento experimental, quadrado latino 5 x 5 (cinco animais, cinco
períodos e cinco tratamentos), sendo usados dois quadrados simultaneamente. As vacas foram
mantidas em pastagem predominante de capim elefante (Pennisetum purpureum, SCHUM)
C.V. Pioneiro consorciado com capim Tifton 85 (Cynodon nlemfuensis), adubadas com 600
kg de nitrogênio por hectare/ano.
A duração do ensaio foi de 75 dias, com 10 dias de adaptação para cada período,
seguidos de 5 dias de coleta de dados. Os animais foram suplementados com concentrados
experimentais, contendo diferentes proporções de milho moído e raiz de mandioca integral
moída e desidratada, calculados para serem isoenergéticos e isonitrogenados. As dietas foram
formuladas para atender às exigências de mantença e produção de 25 litros de leite com 3,8%
de gordura (NRC, 2001).
Na avaliação de consumo, digestibilidade e balanço de energia, foi utilizado apenas
um quadrado latino composto por cinco animais.
No fornecimento de todos os concentrados experimentais no cocho, foram
acrescentadas aparas de casca da raiz de mandioca fresca como forma de facilitar a ingestão
do concentrado farelado, na proporção média de 70% de concentrado e 30% de aparas (base
seca). Foi oferecida inicialmente a quantidade média de 7 kg/dia de concentrado (base seca) e,
a quantidade média de 3 kg/dia (matéria seca) de aparas de casca de raiz de mandioca, por
animal/dia, com controle diário de ingestão, fazendo o ajuste de acordo com o consumo do dia
anterior. Os suplementos concentrados foram fornecidos duas vezes ao dia, pela manhã e
tarde, após a ordenha. Os cochos eram de cimento, individualizados por canzis de madeira,
cobertos por telhado de fibrocimento e tinha piso de cimento.
As vacas foram mantidas em uma área de 2,05 hectares em sistema de pastejo
rotacionado, composta pelas gramíneas Penissetum purpureum Schum C.V. Pioneiro
25
(gramínea predominante), consorciado com Cynodon nlenfluensis. A área estava dividida em
41 piquetes, com aproximadamente 494 m², com oferta média de forragem de 70 kg de
matéria natural/animal/dia. Os animais iniciavam o consumo das forrageiras do piquete em
uso, após a ordenha da tarde, aproximadamente às 18:30 horas, e deixavam o piquete em uso
às 17:00 horas do dia seguinte.
Os concentrados experimentais utilizados no experimento foram compostos por milho,
que foi substituído por mandioca em diferentes níveis (base da matéria seca; 0%, 25%, 50%,
75%, 100%), sendo como se segue na Tabela 1.
Tabela 1 – Composição em percentual dos concentrados avaliados.
Ingredientes
Milho moído (%)
Raiz de Mandioca integral triturada e seca (%)
Farelo de Soja (%)
Farelo de Algodão (%)
Ureia (%)
0
72
0
3,53
21,97
2,5
Níveis de substituição (%)
25
50
75
54
36
18
18
36
54
8,93
14,33
19,73
16,57
11,17
5,77
2,5
2,5
2,5
100
0
72
25,13
0,37
2,5
Os animais receberam no cocho 300 g de mistura mineral e 250 g de bicarbonato de
sódio, que foram fornecidos nos períodos da manhã e da tarde, misturados ao concentrado, e
aparas de casca de raiz de mandioca fresca. Os níveis de garantia do suplemento mineral
utilizado foram: Cálcio (mín) 190,00 g/kg e (máx) 220,00 g/kg; Fósforo (mín) 60,00 g/kg;
Enxofre (mín) 20,00 g/kg; Magnésio (mín) 20,00 mg/kg; Potássio (mín) 35,00 g/kg; Sódio
(mím) 70,00 g/kg; Cobalto (mín) 15,00 mg/kg; Cobre (mín) 700,00 mg/kg; Cromo (mín)
10,00 mg/kg; Ferro (mín) 700,00 mg/kg; Iodo (mín) 40,00 mg/kg; Monesina sódica 1.000,00
mg/kg; Manganês (mín) 1.600,00 mg/kg; Selênio (mín) 19,00 mg/kg; Zinco (mín) 2.500,00
mg/kg; Vitamina A (mín) 200.000,00 UI/kg; Vitamina D3 (mín) 50.000,00 UI/kg; Vitamina E
(mín) 1.500,00 UI/kg; Flúor (máx) 600,00 mg/kg.
A Tabela 2 apresenta a composição químico-bromatológica em percentual da matéria
seca dos concentrados, aparas de casca de raiz de mandioca (ACRM) e do volumoso
composto pelos capins (Pennisetum purpureum Schum) C.V. Pioneiro consorciado com
capim Tifton 85 (Cynodon nlemfuensis), que foram avaliados considerando a individualidade
dos períodos experimentais.
26
Tabela 2 – Composição químico-bromatológica em percentuais na matéria seca dos
concentrados, das aparas de casca de raiz de mandioca (ACRM) e da pastagem.
Nutrientes
Níveis de Substituição do milho (%)
0
25
50
75
100
Pastagem (Períodos)
ACRM
1
2
3
4
5
MS
80,83 80,31 79,68 79,42 79,84
35,09
18,11 19,04 19,06 18,61 20,49
MO
97,67 97,60 97,76 97,57 97,45
93,10
88,89 89,44 88,36 88,61 88,44
PB
24,31 21,40 21,14 21,24 21,94
7,49
15,10 15,91 12,78 15,21 16,16
EE
6,45
4,80
3,13
1,92
1,24
1,85
3,44
4,03
3,79
4,28
4,47
FDNcp
19,84 18,14 13,34 11,74
9,96
12,72
54,69 55,47 53,06 53,06 52,42
FDA
12,23
9,38
9,07
8,97
8,94
17,20
34,64 36,91 38,69 32,97 35,75
FDNi
4,07
4,38
4,40
4,04
4,98
13,98
10,62 11,74
9,19
10,50
9,69
CINZAS
2,33
2,4
2,24
2,43
2,55
6,90
11,11 10,56 11,64 11,39 11,56
LIGNINA
2,80
3,15
4,89
4,73
5,62
8,66
4,34
4,35
6,54
6,55
8,74
CHOT
65,38 64,94 68,74 73,56 74,27
83,76
70,35 69,50 71,79 69,13 67,81
CNF
49,03 55,20 60,95 62,20 63,18
74,93
15,66 14,03 18,73 16,06 15,39
NDT
83,81 83,18 83,00 83,52 83,02
78,20
61,50 40,53 44,01 48,77 54,65
PDR
72,63 73,94 73,70 76,43 73,76
72,48
76,34 74,87 73,69 75,88 72,60
PNDR
27,37 26,06 26,30 23,57 26,24
27,52
23,66 25,13 26,31 24,12 27,40
Fracionamento de Proteínas
A
44,91 47,36 47,01 52,55 47,06
49,60
44,02 40,39 38,29 42,77 35,38
B1 + B2
54,82 52,41 52,73 47,16 52,58
37,39
55,26 58,98 61,14 56,60 63,79
0,01
0,09
0,04
0,04
0,12
4,34
0,48
0,51
0,15
0,51
0,47
B3
C
0,26
0,14
0,22
0,25
0,23
8,66
0,24
0,12
0,42
0,12
0,37
Fracionamento de Carboidratos
A
48,80 43,34 38,10 37,31 36,46
24,21
12,82 11,04 12,38 10,21
6,67
B1
46,94 53,40 59,97 61,38 62,55
72,37
2,38
1,80
2,85
1,95
1,21
0,16
0,09
0,16
0,10
0,09
0,27
76,71 78,83 73,16 75,77 75,91
B2
C
4,10
3,17
2,28
1,21
0,90
3,16
8,09
8,33
11,60 12,07 16,21
O calculo do NDT foi realizado segundo o NRC (2001) por meio da fórmula: NDT (%) = CNFd + PBd + (EEd
*2,25) + FDNd – 7. Nomenclaturas: MS – matéria seca; MO – matéria orgânica; N – nitrogênio total; PB –
proteína bruta; EE – extrato etéreo; FDNcp – fibra em detergente neutro corrigido para cinzas e proteína; FDA –
fibra em detergente ácido; FDNi – fibra em detergente neutro indigestível; CHOT – carboidratos totais; CNF –
carboidratos não fibrosos; NDT – nutrientes digestíveis totais. PDR – Proteína Degradável no Rúmen; PNDR –
Proteína Não Degradável no Rúmen.
As sobras do fornecido no cocho (concentrado experimental e aparas de casca de raiz
de mandioca) foram mensuradas diariamente, após o consumo voluntário do fornecido. As
sobras foram pesadas em balança digital, com capacidade máxima de 15 kg e precisão de
cinco gramas e anotados os pesos para posterior avaliação do consumido no cocho. No
período de coleta de dados, foi amostrada uma alíquota das sobras que foram armazenadas em
sacos plásticos identificados, para posterior análise bromatológica.
Por meio da simulação de pastejo, foi realizada a amostragem das gramíneas
disponíveis às vacas utilizadas no experimento, para posterior realização de análise
bromatológica. A amostragem foi realizada do 10º ao 15º dia de cada período experimental.
27
Foram amostrados 300 gramas de volumoso, colhidos manualmente, simulando o hábito de
pastejo, em altura acima de 40 cm do solo, que é a altura de resíduo utilizada no manejo de
saída dos animais nos piquetes. Para alocação do ponto de coleta da amostra, utilizou-se um
quadrado de 1 m² de área, que foi lançado aleatoriamente no piquete (Deresz, 2001). As
amostras colhidas diariamente foram embaladas em sacos plásticos identificados e resfriados,
e ao final do período de coleta, estas amostras foram homogeneizadas e, depois, retirada uma
alíquota que, novamente, foi embalada em saco plástico, identificado e conservado a -10ºC,
para posterior análise bromatológica.
A produção fecal individual foi estimada utilizando-se o indicador externo LIPE® 500
mg. Por um período de sete dias, o LIPE foi fornecido, sendo que os três dias iniciais foram
para estabilização da excreção do marcador pelas fezes e os quatro dias restantes para
amostragem de fezes para análise. O indicador foi administrado via oral, diariamente, após a
ordenha da manhã, à razão de uma cápsula de 500 mg/vaca.
O processo de coleta de fezes ocorreu entre o 10º e 13º dias experimentais de cada
período. A amostragem de fezes foi realizada no período da manhã, colhendo-se as fezes por
defecação espontânea ou diretamente na ampola retal. As amostras individuais coletadas
foram armazenadas em sacos plásticos, identificadas e conservadas a -10ºC para posterior
preparo das amostras, para determinação da concentração do marcador nas fezes e estimativa
da produção fecal individual.
As amostras de fezes foram descongeladas e desidratadas em estufa de ventilação
forçada, a 65ºC. Após desidratadas, foram moídas em moinho tipo Wiley e peneiradas com
malha de 1 mm. Depois de moídas, as alíquotas de 10 gramas das fezes foram enviadas ao
Laboratório de Pesquisas em Saúde e Nutrição Animal e Humana, Simões Saliba Ltda-ME.
Elas foram analisadas quanto à concentração do indicador LIPE® por Espectroscopia
Infravermelho (Saliba et al., 2013) e também estimada a produção fecal individual.
Para preparação das amostras dos concentrados experimentais e gramíneas (pastejo
simulado) fornecidos, sobras e fezes para análises bromatológicas, foi realizada a pré-secagem
em estufa de ventilação forçada a 65ºC, durante 72 horas. Em seguida, foram moídas em
moinho tipo Willey (moinho de facas), com peneira de 1 mm, e armazenadas em frascos
plásticos identificados para posterior análise.
As amostras dos concentrados experimentais, aparas da casca de raiz de mandioca,
gramínea coletada por pastejo simulado, sobras e fezes foram avaliadas bromatologicamente
quanto aos teores de matéria seca (MS), proteína bruta (PB – metodologia Kjeldahl), extrato
etéreo (EE), cinzas (CZ), lignina, carboidratos totais (CHOT) e carboidratos não fibrosos
28
(CNF). A fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), nitrogênio
insolúvel em detergente neutro (NIDN) e nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA)
(metodologia Van Soest et al. (1991)) foram avaliadas segundo descritos por Silva & Queiróz
(2006) e Detmann (2012).
Como indicador interno, foi utilizada a Fibra em Detergente Neutro Indigestível, que
foi determinada in situ pelo período de 288 horas.
Para determinação do indicador interno, FDN indigestível, foram utilizadas duas vacas
mestiças com cânula em fistula ruminal, que foram alimentados com feno de Tifton 85 (C.
nlemfuensis) ad libitum e recebendo 1 kg de concentrado experimental contendo 36% de
milho moído; 36% de raiz de mandioca integral moída e desidratada, 14,33% de farelo de
soja, 11,17% de farelo de algodão, e 2,5% de ureia. As vacas foram alimentadas com a dieta
acima descrita, por dez dias, com o objetivo de adaptar o ambiente ruminal.
Para este fim, amostras de gramíneas colhidas por pastejo simulado, aparas de casca
de raiz de mandioca, sobras e fezes foram acondicionadas em sacos de polipropileno,
conhecido como Tecido Não Tecido com gramatura de 100 g/m², contendo um grama de
amostra por saquinho (20 mg/cm²) com dimensões de 50 mm por 100 mm.
Os saquinhos com as amostras foram acondicionados em sacos de náilon, presas a uma
corrente e incubados por 288 horas no saco ventral do rúmen das vacas canuladas no rúmen.
Após 288 horas no saco ventral do rúmen das vacas, as amostras foram retiradas e
lavadas com água em temperatura ambiente até que a última água de lavagem se apresentasse
clara. Após a lavagem, os sacos de polipropileno foram levados à estufa de ventilação
forçada, com temperatura de 65ºC para pré-secagem, durante 72 horas. Após esse processo,
foi determinada a fibra em detergente neutro da fração indigestível das amostras, em
determinador de fibra Tecnal®, conforme metodologia descrita por Detmann et al. (2012) e
Torres et al. (2009).
O fracionamento dos compostos nitrogenados foi realizado determinando-se as frações
A, B1 + B2, B3 e C.
A fração A (NNP) foi determinada pela diferença entre o nitrogênio total e o
nitrogênio insolúvel em ácido tricloroacético, o qual foi obtido por intermédio do tratamento
de aproximadamente 500 mg da amostra com 50 mL de água destilada, permanecendo por 30
minutos; posteriormente, foram adicionados 10 mL de ácido tricloroacético (TCA) a 10%, por
30 minutos (LICITRA et al., 1996). O resíduo remanescente foi filtrado em papel-filtro e,
posteriormente, determinado o nitrogênio residual pelo método Kjeldahl, descrito por Silva e
Queiróz (2006).
29
O papel filtro utilizado tinha como características: 11 cm de diâmetro, 80 g/m² de
gramatura, 250µm de espessura e 0,5% de cinzas tipo qualitativo marca Qualy J. Prolab.
A fração B3 foi calculada pela diferença entre o nitrogênio insolúvel em detergente
neutro (NIDN) e o nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA); e a fração C foi
considerada como NIDA, determinada segundo descrito em Silva e Queiróz (2006), e as
frações B1 + B2 foram calculadas pela equação B1 + B2 = 100 – A – B3 – C, segundo
padronizações de Sniffen et al. (1992) e Licitra et al. (1996).
Os carboidratos das dietas avaliadas foram fracionados em A, B1, B2 e C, conforme
proposto por Sniffen et al. (1992), considerando a disponibilidade nutricional e a taxa de
degradação ruminal. A fração A, rapidamente degradável no rúmen, composta principalmente
pelos carboidratos solúveis; a fração B1, composta de amido e pectina, possui taxa de
degradação superior à taxa de passagem; a fração B2, composta pelos carboidratos fibrosos da
parede celular, é de disponibilidade ruminal lenta, portanto, susceptível aos efeitos da taxa de
passagem; e a fração C representa a parede celular indisponível, incluindo a lignina.
As equações para as determinações analíticas dessas frações são:
1 – A (%CT) = [100 – %CNF ]*[100 − B2 − C]/100
2 - B1(%CT) = %CNF * [100 − B2 − C]/100
3 –B2(%CT)= 100*[FDNcp (%MS) – PIDN (%PB)*0,01*PB (%MS) – FDNcp
(%MS)*0,01*Lignina)*2,4]/CT(%MS)
4 – C (%CT) = 100 * [FDNcp (%MS) * 0,01 * Lignina* 2,4] / CT(%MS)
A estimativa da PDR – proteína degradável no rúmen e PNDR – proteína não
degradável no rúmen foram calculadas usando o fracionamento dos compostos nitrogenados
dos concentrados experimentais, aparas de casca de raiz de mandioca e pastagem, em
conjunto com a taxa de degradabilidade estimada (kd) de 0,070 (Marcondes et al., 2009) e
taxa de passagem estimada (kp) de 0,051/ h, para volumoso, e 0,075, para concentrado,
através das fórmulas propostas pelo NRC (2001):
PDR = A + (B1+B2) * [kd (B1+B2)/ (kd+kp)] +B3*[kd B3/ (kd+kp)]
PNDR = (B1+B2) * [kp (B1+B2)/ (kd+kp)] + B3*[kp B3/ (kd+kp)]
A estimativa da taxa de passagem (kp) foi calculada utilizando as fórmulas para
concentrado e volumosos úmidos, proposta pelo NRC (2001):
Kp concentrado = 3,054 + 0,614* (% de ingestão de Matéria Seca/Peso Corporal
(3,37%)).
Kp volumosos úmidos = 2,904 + 1,375* (% de ingestão de Matéria Seca/Peso
Corporal (3,37%)) – 0,020* (% de ingestão do concentrado na Matéria Seca Total (35,91%))
30
A estimativa do consumo voluntário de matéria seca foi realizada a partir da FDNi
com base na quantificação da indigestibilidade in situ, por 288 horas, sendo o consumo de
matéria seca dado pela equação: CMS (kg/dia) = {[(EF x CIF) - IS]/CIFO} + CMSS; em que:
EF = excreção fecal (kg/dia); CIF = concentração do indicador nas fezes; IS = indicador
presente no suplemento (kg/dia); CIFO = concentração do indicador na forragem e CMSS =
consumo de matéria seca de suplemento (kg/dia) (Detmann et al., 2001).
A estimativa do consumo voluntário de pastagem (utilizando um quadrado latino,
cinco vacas) foi feita subtraindo-se o consumo voluntário de matéria seca total do consumo de
matéria seca do concentrado no cocho, conforme a equação: CMSF (kg/dia) = CMS (kg/dia) –
CMSC (kg/dia); em que: CMSF = consumo de matéria seca de forragem; CMSC (kg/dia) =
consumo de matéria seca de concentrado.
O cálculo da digestibilidade aparente (D.A) foi realizada utilizando o indicador interno
FDNi (fibra em detergente neutro indigestível), através da fórmula:
D.A=100- (100* (%FDNi na dieta/ %FDNi nas fezes)*(% do nutriente nas fezes/% do
nutriente na dieta)) (Andrigueto et al., 1999).
A estimativa de nutrientes digestíveis totais (NDT) dos concentrados experimentais,
das aparas de casca de mandioca e da forragem (Tabela 2), e estimativa do consumo de NDT
foram efetuadas segundo as equações propostas pelo NRC (2001) e Detmann et al. (2006):
5– NDT (%) = CNFd + PBd + (EEd *2,25) + FDNd– 7;
6 – CNFd = 0,98 * CNF;
-
7 – PBd (forragem) = PB * e 1,2 * (PIDA/PB) ou PBd (concentrado) =[1 – 0,4 * (PIDA/PB)]* PB;
8 - EEd = 0,8596 * EE – 0,18 (Detmann et al., 2006);
9 - FDNd = 0,75 * [(FDN-PDIN) – Lignina] * [ 1- (Lignina/FDN-PIDN)0,667]
Para o balanço de energia, foi utilizado um quadrado latino, cinco animais.
A
quantificação da energia líquida ingerida da dieta total foi obtida segundo a fórmula proposta
pelo NRC (2001):
10 - EL (Mcal/kg) = (0,0245*NDT)- 0,12
Foram estimadas as exigências de energia líquida para mantença e produção dos
animais, expressas em Mcal/dia, segundo o NRC (2001):
11 - ELMantença = 0,08 * PV0,75
12 – ELProdução = PL * {0,360 + [0,0969*(%Gordura)]}
13 – EL
Gestação
45)] /0,218
= [(0,00318*Dias de gestação – 0,0352) * (Peso do bezerro ao nascer (kg) /
31
As abreviações são definidas como: CNF: carboidrato não fibroso; CNFd: carboidrato
não fibroso digestível; PB: proteína bruta; PBd: proteína bruta digestível; EE: extrato etéreo;
EEd: extrato etéreo digestível; FDN: fibra em detergente neutro; FDNd: fibra em detergente
neutro digestível; PDIN: proteína indigestível em detergente neutro; PIDA: proteína
indigestível em detergente ácido; EL mantença: energia líquida de mantença; EL produção: energia
líquida de produção; PL: produção leiteira; EL Gestação: energia líquida de gestação.
Os dados foram submetidos à análise estatística por meio do procedimento PROC
GLM, as médias foram obtidas pelo procedimento LSMEANS e foi realizada a comparação
entre médias utilizando o desdobramento dos graus de liberdade por meio de contrastes
ortogonais, utilizando o programa estatístico SAS (Statistical Analysis System, 2003), versão
9.1.
32
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A ingestão média de matéria seca da dieta total no experimento foi 20,61 ± 1,9 kg,
semelhante à predição calculada, segundo o NRC (2001) de 19,48 kg.
Não foi constatado efeito da influência dos níveis de substituição do milho moído por
raiz de mandioca integral triturada e desidratada no concentrado (P>0,05) sobre a ingestão
tanto de matéria seca (MS) quanto de matéria orgânica (MO).
Não houve efeito da substituição do milho por mandioca integral triturada (P>0,05)
sobre a ingestão de matéria seca da dieta total, expressa em quilogramas; em percentual do
peso corporal (IMS/PC) ou em gramas por unidade do peso metabólico (g/peso metabólico).
As médias encontradas neste trabalho (167,18 g/peso metabólico) são superiores às
reportadas por Lima et al. (2008), avaliando a inclusão de diferentes níveis de inclusão de
bagaço de mandioca na silagem de capim elefante, que foram de 134,51 g/peso metabólico de
matéria seca, para vacas lactantes. Média inferior (114,13 g/peso metabólico) foi descrita por
Dias et al. (2008), avaliando bagaço de mandioca em substituição ao milho no concentrado
para novilhas leiteiras em crescimento, provavelmente, devido à menor exigência nutricional
desta última categoria. Já Vilela et al. (2006) encontram média de 182,61 g/kg de peso
metabólico, semelhante aos encontrados no presente estudo, utilizando vacas da raça
Holandesa com peso corporal médio de 550 kg, consumindo dietas constituídas por pastagem
irrigada e adubada formada pela gramínea Cynodon dactylon cv. Coastcross, e suplementada
com 6 kg de concentrado, que se diferencia das utilizadas nos ensaios anteriores, nas quais o
consumo (g/peso metabólico) foi inferior. Pastagens tropicais irrigadas e adubadas, manejadas
com lotações rotativas e suplementadas com concentrados, resultam em ingestões de matéria
seca superiores e, provavelmente por isso, os resultados descritos neste ensaio apresentaramse também maiores que os citados pelos dois primeiros autores.
Não foram observados diferenças significativas entre os níveis de substituição de
milho moído por raiz de mandioca integral moída e desidratada no concentrado (P>0,05) para
a ingestão de proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE), fibra em detergente neutro corrigida
para cinzas e proteína (FDNcp), carboidratos totais (CHOT), carboidratos não fibrosos (CNF)
e nutrientes digestíveis totais (NDT), conforme descritos na Tabela 3.
A Tabela 3 apresenta os valores de ingestão diária em quilogramas de matéria seca,
matéria orgânica e, para os demais nutrientes, percentuais de ingestão de matéria seca e
matéria orgânica em razão do peso corporal (PC).
33
Tabela 3 – Consumos médios diários em quilograma de matéria seca (MS), matéria orgânica (MO), demais nutrientes, ingestão de matéria seca
em razão ao peso metabólico, percentuais de ingestão de matéria seca e matéria orgânica em razão do peso corporal (PC).
Níveis de Substituição do milho por raiz de
mandioca integral moída e desidratada (%)
0
25
50
75
100
Itens
Efeito
C.V.
EQ.
L
Q
F.A.
Dieta total
Matéria seca
19,81
20,83
20,71
20,87
20,81
9,21
0,4602
0,5661
0,8404
% Ingestão de matéria seca /Peso corporal
Ingestão de matéria seca/Peso metabólico
Matéria Orgânica
Proteína Bruta
Extrato Etéreo
Fibra em detergente neutro corrigido para cinzas e proteína
Carboidratos totais
Carboidratos não fibrosos
Nutrientes digestíveis totais
Proporção Volumoso : Concentrado
Percentuais de Ingestão de Pastagem
Percentuais de Ingestão de Concentrado
Pastagem
Matéria seca
% Ingestão de Matéria seca /Peso corporal
Matéria orgânica
% Ingestão de matéria orgânica /Peso corporal
Concentrado
Matéria seca
% Ingestão de matéria seca /Peso corporal
3,22
159,96
17,76
3,18
0,79
7,89
13,74
5,80
11,32
3,31
165,69
18,69
3,30
0,76
7,98
14,51
5,75
11,87
3,40
168,69
18,53
3,24
0,76
8,14
14,84
6,46
11,78
3,49
172,35
18,74
3,37
0,79
7,92
14,58
6,71
12,22
3,41
169,22
18,62
3,26
0,79
7,87
14,74
6,19
11,95
9,08
8,74
9,10
9,88
21,05
12,19
11,06
12,36
10,96
0,2228
0,2464
0,4686
0,6436
0,8840
0,9462
0,3801
0,5495
0,3983
0,5004
0,4983
0,5465
0,6329
0,7755
0,7065
0,5135
0,1110
0,6200
0,8509
0,9255
0,8073
0,6126
0,9427
0,9277
0,8191
0,3231
0,7851
Ŷ=20,61
Ŷ=3,37
Ŷ=167,18
Ŷ=18,47
Ŷ=3,27
Ŷ=0,78
Ŷ=7,96
Ŷ=14,48
Ŷ=6,18
Ŷ=11,83
65,73
34,27
61,76
38,24
66,31
33,69
61,61
38,39
65,06
34,94
6,99
12,48
0,8192
0,8192
0,4703
0,4703
-
Ŷ=64,09
Ŷ=35,91
13,10
2,11
11,62
1,87
12,91
2,03
11,45
1,80
13,71
2,27
12,16
2,02
12,87
2,16
11,42
1,92
13,50
2,24
11,97
1,99
14,58
13,73
14,57
13,73
0,7836
0,3714
0,7851
0,3760
0,9989
0,9371
0,9979
0,9360
0,5294
0,3074
0,5305
0,3089
Ŷ=13,22
Ŷ=2,16
Ŷ=11,72
Ŷ=1,92
6,71
1,10
7,92
1,28
7,00
1,13
8,00
1,32
7,31
1,17
9,59
12,97
0,2294
0,4681
0,1389
0,2500
-
Ŷ=7,39
Ŷ=1,20
EQ.= equação de regressão L = linear,
Q = quadrático, F.A. = falta de ajuste
34
Não houve diferença significativa nos níveis de substituição do milho moído
pela raiz de mandioca integral moída e desidratada no concentrado (P>0,05), na
proporção de ingestão de volumoso e concentrado, expressos em percentual,
apresentando a relação média de 64,09% de volumoso para 35,91% de concentrado
(Tabela 3).
A ingestão de matéria seca (média de 13,22 kg) e matéria orgânica (média de
11,72 kg) de volumoso e a razão entre a ingestão de matéria seca e matéria orgânica
pelo peso corporal das vacas, expresso em percentual, não diferiram significativamente
(P>0,05) ao se substituir, nos níveis estudados, o milho moído por raiz de mandioca
integral triturada e desidratada de mandioca no concentrado (Tabela 3).
A ingestão de matéria seca de concentrado e a razão entre a ingestão de matéria
seca de concentrado e o peso corporal dos animais, expresso em percentual, médias de
7,39 kg/dia e 1,2 % respectivamente, não foram significativamente diferentes (P>0,05)
ao se substituir, nos níveis estudados, o milho moído por raiz integral triturada e
desidratada de mandioca no concentrado (Tabela 3).
Segundo Berchielli et al. (2011), o consumo mínimo de pasto é estimado em
aproximadamente 2 kg de matéria seca por 100 kg de peso corporal, devido à seleção
animal, podendo ser reduzido este consumo se a forragem apresentar restrições físicas
ao consumo e ou baixo valor nutricional. Com base na proporção sugerida pelos
autores, infere-se que, para 616,3±39 kg de peso corporal médio das vacas do
experimento (Tabela 4), o consumo estimado de matéria seca de pasto seria
aproximadamente de 12.32 kg, portanto, semelhante ao obtido de ingestão de matéria
seca de volumoso com média de 13,22 ±1,93 kg.
Observou-se que a substituição de milho moído por raiz de mandioca integral
moída e desidratada no concentrado, entre os níveis estudados, não alterou (P>0,05) a
ingestão matéria seca de pastagem.
Maixner et al. (2007), avaliando o consumo de pastagens formadas por Capim
elefante anão (Pennisetum purpureum SHUM. cv. Mott) e Tifton 85 (Cynodon
nlemfuensis) por vacas da raça Holandesa, com peso médio de 538 kg e 110 dias de
lactação ao início do experimento, obtiveram médias de ingestão de matéria seca de
11,8 e 11,9 kg/vaca/dia, e a razão entre a ingestão de matéria seca de pastagem e o peso
corporal dos animais apresentaram médias de 2,21 e 2,20%, respectivamente, para as
gramíneas. Considerando as diferenças dos pesos corporais dos animais utilizados neste
35
experimento (616,93±39 kg, Tabela 4), as médias de ingestão de matéria seca de
forragem foram semelhantes à encontrada neste trabalho (13,22 kg/vaca/dia), e também
para as médias percentuais de ingestão de matéria seca pelo peso corporal, que neste
experimento foi de 3,37±0,31%.
As reduzidas variações dos pesos corporais e metabólicos dos animais (P>0,05),
descritas na Tabela 4, podem ter ocorrido em função da ausência de variação (P>0,05)
na ingestão de matéria seca total entre os tratamentos, durante o período experimental
(Tabela 3), como que também em função da ausência de efeito significativo dos níveis
de substituição do milho moído por raiz de mandioca no balanço de ingestão de energia
(Tabela 7).
Tabela 4 – Médias de peso corporal (P.C) e peso metabólico (P.M) em quilogramas das
vacas que consumiram as dietas experimentais.
Ítens
Níveis de Substituição do milho por raiz de mandioca (%)
0
25
50
75
100
P.C.
618,0±39
632,8±40
610,8±39
606,1±38
616,9±39
P.M.
123,74±6
125,05±6
122,73±6
122,05±6
123,69±6
Efeito
C.V.
L
Q
FA
6,34
0,6128
0,8909
0,3820
4,71
0,6278
0,8967
0,3685
EQ.= equação de regressão L = linear, Q = quadrático, F.A. = falta de ajuste.
Na Tabela 5 estão apresentados os dados referentes à ingestão em percentual do
consumido na dieta total média diária dos parâmetros: proteína bruta, fibra em
detergente neutro corrigida para cinzas e proteína, carboidratos totais, carboidratos não
fibrosos e nutrientes digestíveis totais.
Tabela 5 – Ingestão percentual média diária na matéria seca consumida na dieta total de:
proteína bruta (%PB), fibra em detergente neutro corrigido para cinza e
proteína (%FDNcp), carboidratos não fibrosos (%CNF) e nutrientes
digestíveis totais (%NDT).
Itens
Níveis de Substituição do milho (%)
0
25
50
75
100
C.V.
Efeito
L
% PB
16,11 15,90 15,71 16,29 15,61
3,25
0,4244
% FDNcp
39,75 38,29 39,34 38,04 38,87
5,16
0,5251
% CNF
29,93 33,96 32,79 32,60 30,86
9,42
0,9141
% NDT
57,05 57,13 57,07 58,78 57,21
5,00
0,6373
EQ.= equação de regressão L = linear, Q = quadrático, F.A. = falta de ajuste.
Q
F.A.
0,4244
0,5469
0,0745
0,7570
0,2542
0,3113
0,3883
EQ.
Ŷ=15,92
Ŷ=38,86
Ŷ=32,03
Ŷ=57,45
36
Comparou-se os resultados encontrados para os valores dietéticos referentes aos
consumos de NDT e PB, com médias estimadas de 57,45% ou 26,54 Mcal/dia de
energia líquida (calculado segundo o NRC (2001)) e 15,92%, respectivamente, para as
dietas contendo os concentrados testados, com os valores referenciais médios calculados
pelo NRC (2001). Verificou-se que a exigência de energia líquida calculada das vacas
do experimento, 20,27 Mcal/dia utilizando vacas com peso corporal médio de 616,9±39
kg e produção de leite diária estimada de 20,84 kg e 4,0% de gordura, e para PB com
14,8%, verifica-se que os consumos médios encontrados para energia líquida e PB,
respectivamente, foram 30,93% e 6,9% mais elevados do que os recomendados pelo
NRC (2001), fazendo com que o balanço energético tenha sido positivo.
A exigência mínima de ingestão de FDN para vacas em lactação, segundo o
NRC (2001), é de 25% na matéria seca. O percentual estimado de ingestão de FDNcp
da dieta total foi 58,76% maior do que o mínimo citado pela literatura. A elevada
proporção de fibra em detergente neutro, comum em gramíneas tropicais, e a proporção
de ingestão da mesma (64,09%, Tabela 3) foram os fatores que influenciaram nos níveis
mais elevados de ingestão de FDN em relação ao descrito no NRC (2001).
O consumo médio de CNF (31,14%, Tabela 5) está abaixo do máximo estimado
pelo NRC (2001), que preconiza um consumo de até 40% destes nutrientes. Acredita-se
que não houve ocorrência de acidose subclínica ou outros problemas metabólicos, pois,
segundo a literatura citada, estas ocorrências têm mais chances de incidirem sobre os
animais, quando ingerem carboidratos não fibrosos acima dos percentuais já citados.
Outro fator que contribui para esta inferência foi a administração de bicarbonato
de sódio em todos os concentrados no cocho, para prevenção de acidose ruminal, devido
ao elevado consumo de concentrado.
Na Tabela 6 estão apresentadas as informações referentes à digestibilidade
aparente da matéria seca e demais compostos nutricionais contidos na dieta total
ingerida.
Os coeficientes de digestibilidade aparente dos nutrientes não diferiram com a
substituição do milho moído por raiz de mandioca integral triturada e seca no
concentrado (P>0,05), conforme descrito na Tabela 6.
37
Tabela 6 – Digestibilidade aparente da matéria seca (MS) da dieta total, proteína bruta
(PB), extrato etéreo (EE), fibra em detergente neutro corrigido para cinzas e
proteína (FDNcp), carboidratos totais (CHOT) e carboidratos não fibrosos
(CNF).
Ítens
Níveis de Substituição (%)
0
25
50
75
100
C.V.
Efeito
L
Q
59,72 60,21 60,38 57,97 59,74 5,23 0,6224 1,00
MS
60,62 59,75 61,10 59,26 60,46 6,93 0,8930 0,8956
PB
70,11 60,76 61,65 59,63 63,19 13,36 0,2330 0,1301
EE
53,50 54,48 60,91 54,41 57,55 12,96 0,5238 0,5344
FDNcp
60,61 61,83 62,48 61,41 62,18 7,38 0,6796 0,7399
CHOT
70,26 71,92 62,36 68,59 67,16 11,60 0,4860 0,5202
CNF
EQ.= equação de regressão L = linear, Q = quadrático, F.A. = falta de ajuste.
F.A.
0,2349
0,5773
0,5528
0,1337
0,8073
0,0953
EQ.
Ŷ=59,60
Ŷ=60,24
Ŷ=63,07
Ŷ=56,17
Ŷ=61,70
Ŷ=68,06
Ramalho et al. (2006), substituindo o milho moído no concentrado de vacas
lactantes por raspa de mandioca no concentrado, nos níveis de 0; 25; 50; 75 e 100% e,
utilizando como volumosos 29% de palma forrageira e 26,1% de silagem de sorgo,
também não encontraram diferença nos coeficientes (P>0,05) de digestibilidade, com
médias de 68,04; 72,64; 69,65; 79,37 e 58,04; para MS, PB, CHOT, CNF e FDN,
respectivamente, exceto para EE, que houve efeito com o aumento dos níveis de raspa
de mandioca em substituição ao milho para vacas leiteiras, mostrando maior
digestibilidade no nível de 55,86% de substituição.
Comparando-se as diferenças nos coeficientes de digestibilidade do presente
experimento com os relatados por Ramalho et al. (2006), infere-se que estes resultados
mais elevados, relatados por este autor, podem estar relacionados com a qualidade e
quantidade da fibra presente nos volumosos utilizados. A silagem de sorgo apresenta
valor de digestibilidade próxima à 68,66% e a palma forrageira apresenta
digestibilidade média de 75% (WANDERLEY et al., 2012; LINHARES et al., 2008).
Em valores médios, o amido da mandioca apresenta 17,0% de amilose e cerca de
83,0% de amilopectina, teores estes diferentes do milho, que apresenta 24,0% de
amilose e 76,0% de amilopectina (Gonçalves et al., 2009).
Dentro da fração B1 dos carboidratos, presente em cereais e tubérculos, está o
amido, que é composto por amilose e amilopectina. A proporção desse polímero linear
(amilose) e do ramificado (amilopectina), presentes nos grãos, influenciam a taxa de
degradação e a digestibilidade do amido, ou seja, a digestibilidade do amido é
inversamente proporcional ao teor de amilose, visto que quanto maior o teor de amilose,
38
menor é a digestibilidade. Outro fator que pode reduzir a digestibilidade do amido é a
interação com a matriz proteica, que tem pouca permeabilidade à água e à atividade
enzimática microbiana. Dessa forma, fontes de amido com maiores teores de
amilopectina, como o grão de milho imaturo, podem apresentar maior digestibilidade
(Jobim et al. 2003; Gonçalves et al. 2009).
A inexistência de diferença entre os coeficientes de digestibilidade das dietas
contendo milho moído ou raiz de mandioca integral moída e desidratada no concentrado
evidencia a existência um equilíbrio no fornecimento dos nutrientes presentes nas dietas
isonitrogenadas e isoenergéticas avaliadas. A hipótese da existência de diferenças nos
valores de digestibilidade entre os ingredientes energéticos utilizados (milho e
mandioca) nos concentrados experimentais testados não foi confirmada neste
experimento. Os concentrados com maior concentração de raiz de mandioca moída,
potencialmente de melhor utilização pela microbiota ruminal, devido à ausência de
proteínas estruturais, como as prolaminas, envolvendo os grânulos de amido, não
apresentaram digestibilidade superior a do milho. A granulometria do milho, finamente
moído nos concentrados, provavelmente, atuou como um facilitador da atividade
enzimática da microbiota ruminal, por meio das suas enzimas microbianas, contribuindo
para uma maior degradabilidade ruminal e intestinal, visto que aumentou a superfície de
contato do alimento para a colonização microbiana, sobrepondo-se, portanto, à
existência de proteínas que retardam a sua degradabilidade ruminal. Adicionalmente,
pode ter ocorrido contribuição da qualidade elevada das gramíneas pastejadas
(composição descrita na Tabela 2), que visualmente apresentavam maior proporção de
folhas novas.
Some-se a isso o fato de que, nas dietas que continham mais milho,
proporcionalmente, houve maior inclusão de farelo de algodão. A digestibilidade da
matéria seca e proteína bruta do farelo de algodão são de 68, 19 e 72,57%,
respectivamente, a digestibilidade da matéria seca e proteína bruta do farelo de soja são
de 59,85 e 68,39%, respectivamente (Pina et al., 2006). Portanto, pode-se supor que,
adicionalmente, as dietas contendo mais milho poderiam ter sua digestibilidade
diminuída pela maior participação do farelo de algodão, o que não foi verificado no
experimento.
O milho moído finamente (MFM), grosseiramente (MGM) e floculado em
330g/L (MF310) e 360g/L (MF360) e raspa de mandioca (RM), e tendo como volumoso
39
40% de cana de açúcar, estudados por Simas (2008), proporcionaram médias para
digestibilidade total de 66,26%; 65,20%; 70,24%; 70,80%; e 74,85% para MFM;
MGM; MF310, MF360 e RM, respectivamente, na qual o amido do milho
grosseiramente moído apresentou menor digestibilidade no trato digestivo total,
comparada à do milho finamente moído e às do milho floculado. Observou-se que a
raspa de mandioca (RM) e os milhos floculados (MF310 e MF360) foram semelhantes
entre si, no entanto, mais digestíveis do que os milhos moídos finamente e
grosseiramente.
Comparando-se as diferenças nos coeficientes de digestibilidade encontrados
neste trabalho, inferiores aos observados por Simas (2008), pode-se inferir que elas
podem estar relacionadas provavelmente à maior participação dos concentrados na dieta
(40% de volumosos e 60% de concentrados), aumentando a digestibilidade das dietas
em função da maior participação dos concentrados.
Na Tabela 7 são apresentados os resultados do balanço de energia líquida, e os
requerimentos de energia líquida para mantença, produção e gestação.
Tabela 7 – Exigência de energia líquida para mantença (EL (mantença)), produção (EL
(produção)), gestação (EL (gestação)), energia líquida ingerida por dia (EL
(ingerida)) e balanço de energia líquida (BEL) em Mcal.
Itens
Níveis de Substituição (%)
0
25
50
75
100
C.V.
Efeito
L
EL
25,56 26,59 26,84 27,43 27,01
11,44 0,4028
(ingerida)
EL
9,90
10,08
9,82
9,76
9,90
4,71
0,6278
(mantença)
EL
7,43
9,13
7,93
9,10
8,32
20,13 0,4773
(produção)
EL
1,68
2,46
2,30
1,56
2,25
43,97 0,8580
(gestação)
BEL
6,55
4,92
6,79
7,00
6,55
60,35 0,7069
EQ.= equação de regressão L = linear, Q = quadrático, F.A. = falta de ajuste.
EQ.
Q
F.A.
0,6253
0,9522
Ŷ=26,69
0,8967
0,3685
Ŷ=9,89
0,3766
0,1266
Ŷ=8,38
0,6521
0,0572
Ŷ=2,05
0,9163
0,4834
Ŷ=6,36
Não foram observadas diferenças significativas (P>0,05) na ingestão de energia
líquida nos diferentes níveis de substituição do milho moído por raiz de mandioca
integralmente moída e desidratada nos concentrados experimentais.
O balanço de energia líquida apresentou-se positivo e não se verificou diferença
significativa (P>0,05) entre os níveis de substituição do milho moído por raiz de
40
mandioca integralmente moída e desidratada nos concentrados estudados. As exigências
de energia líquida foram supridas, atendendo à demanda energética de 20,27 Mcal/dia.
Ramalho et al. (2006), avaliando o balanço de energia líquida encontraram as
médias 2,48; 2,13; 2,97; 3,72; e 3,66 Mcal/dia de vacas lactantes consumindo dietas
contendo concentrados com substituição do milho moído por raspa de mandioca, nos
níveis de 0; 25; 50; 75 e 100% e, utilizando como volumosos 29% de palma forrageira e
26,1% de silagem de sorgo, suprindo as necessidades de produção leiteira. Semelhante
ao trabalho de Ramalho et al. (2006), os concentrados avaliados supriram as exigências
de energia líquida apresentando balanço energético positivo.
Os resultados deste trabalho diferem dos encontrados por Silva et al. (2012), que
avaliaram o balanço de energia de vacas leiteiras mantidas em pastagem tropical e
suplementadas com torta de dendê em substituição ao milho no concentrado, usando
animais com peso médio de 436 kg e estádio de lactação intermediário, apresentando
balanço energético negativo (P<0,05) com a elevação dos níveis de substituição da torta
de dendê (TD) no concentrado, apresentando médias de 8,81; 4,84; 1,29; 0,07 Mcal/dia
de energia líquida no balanço para 0, 25, 50 e 75% de substituição, respectivamente.
Diferente do ocorrido no trabalho de Silva et al. (2012), o ensaio do concentrado
utilizado independente da fonte de carboidrato foi capaz de proporcionar o consumo
suficiente de energia para atender às demandas de mantença, produção e gestação.
O balanço de energia apresenta importância significativa na avaliação do
potencial que a raiz de mandioca integral triturada e desidratada no concentrado
apresenta para o suprimento das demandas de energia das vacas lactantes para a
manutenção corporal, desenvolvimento da gestação e produtividade leiteira.
Os resultados do balanço de energia mostram que a raiz integral de mandioca
triturada e desidratada, se comparado ao milho moído como fonte de carboidrato,
apresenta-se como um ingrediente adequado no balanceamento de concentrados.
41
4. CONCLUSÃO
A raiz integral de mandioca moída e seca no concentrado, substituindo o milho
em até cem por cento, incluída na proporção de 72% do concentrado, pode ser utilizada,
uma vez que inexistem diferenças significativas entre as fontes de carboidratos sobre a
ingestão de matéria seca, digestibilidade aparente e balanço de energia.
42
5. REFERÊNCIAS
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45
IV - CAPÍTULO II
EFEITO DA INCLUSÃO DE RAIZ DE MANDIOCA DESIDRATADA,
EM SUBSTITUIÇÃO AO MILHO, EM SUPLEMENTOS PARA VACAS
HOLANDESAS EM PASTEJO IRRIGADO SOBRE A SÍNTESE DE
PROTEÍNA MICROBIANA E METABOLISMO DE NITROGÊNIO
RESUMO
Objetivou-se avaliar o potencial de substituição do milho moído por raiz integral
de mandioca moída e seca em suplementos para vacas lactantes, mantidas em pastagens
tropicais irrigadas e adubadas, por meio do seu efeito sobre a síntese de proteína
microbiana e balanço de compostos nitrogenados. O trabalho de campo foi implantado
em propriedade rural comercial no município de Vitória da Conquista-Bahia. Foram
utilizadas 10 vacas da raça Holandesa, com média inicial de 150 dias de lactação,
produção leiteira média ao início do ensaio de 22 kg e peso corporal inicial médio de
603 kg, mantidos em pastagem formada por capim elefante (Pennisetum purpureum,
SCHUM) cultivar pioneiro, consorciado com capim Tifton 85 (Cynodon nlemfuensis),
adubadas com 600 kg de nitrogênio por hectare/ano. O delineamento utilizado foi em
quadrado latino duplo 5 x 5, utilizando os concentrados experimentais com 0%, 25%,
50%, 75% e 100% de substituição do milho moído por raiz integral de mandioca moída
e seca no concentrado. Neste trabalho não foram encontrados efeitos de substituição do
milho moído por raiz integral de mandioca triturada e desidratada no concentrado
(P>0,05) sobre a síntese de proteína microbiana, que apresentou média estimada de
1288,49 gramas/dia, eficiência de síntese de proteína microbiana por Kg de NDT com
média estimada de 91,30 g/ kg NDT e balanço de nitrogênio, apresentando média
estimada de 218,79 g/dia. Os resultados deste estudo demonstram que a raiz de
mandioca pode ser utilizada como fonte energética de alto valor nutricional,
proporcionando uma inter-relação entre carboidrato e nitrogênio adequada à síntese da
microbiota ruminal.
Palavras-Chave: nitrogênio microbiano; derivados de purinas; nitrogênio ureico no
plasma.
46
ABSTRACT
This study aimed to evaluate the potential to replace corn meal full of ground
cassava root and dry supplements for lactating cows grazing tropical pastures irrigated
and fertilized, through its effect on microbial protein synthesis and nitrogen balance.
Fieldwork was deployed in commercial farm in Vitória da Conquista, Bahia. We used
10 Holstein cows, with an initial average of 150 days of lactation, milk production
average at the beginning of the test and 22 kg initial body weight of 603 kg were
maintained on pasture consisting of elephant grass (Pennisetum purpureum, Schum)
cultivar pioneer, intercropped with Tifton 85 (Cynodon nlemfuensis) fertilized with 600
kg nitrogen per hectare / year. The design was randomized Latin square 5 x 5 using
experimental concentrates with 0%, 25%, 50%, 75% and 100% replacement of corn
meal full of ground cassava root and dry the concentrate. It was found in this study were
not found effects of substitution of corn meal full of manioc root chopped and dried in
the concentrate (P> 0.05) on the synthesis of microbial protein that showed an estimated
average of 1288.49 grams / day, efficiency synthesis of microbial protein per pound of
TDN with estimated average of 91.30 g / kg TDN, and nitrogen balance with an average
estimate of 218.79 g / day. The results of this study demonstrate that the cassava root
can be used as an energy source of high nutritional value, providing an interrelationship
between carbohydrate and nitrogen suitable for synthesis of ruminal microorganisms.
Keywords: microbial nitrogen, purine derivatives, urea nitrogen plasma.
47
1. INTRODUÇÃO
O custo de produção relacionado à alimentação das vacas leiteiras é sempre um
dos primeiros pontos avaliados, prioridade plenamente justificada, visto que esta
representa mais de cinquenta por cento do custo operacional na produção de leite. A
importância do arraçoamento adequado de bovinos leiteiros tem influência direta na
eficiência produtiva e reprodutiva, devido à necessidade de suplementação dos níveis de
nutrientes não encontrados em pastagens que, mesmo para aquelas bem manejadas e
adubadas, existem limitantes relacionados ao fornecimento de nutrientes pelos
volumosos tropicais. Os nutrientes suplementares, fornecidos por meio dos
concentrados, além do suprimento dos nutrientes adicionais, também possibilitam
sincronização na utilização pela população microbiana dos compostos nitrogenados com
fontes energéticas mais solúveis como o amido.
A sincronização entre as fontes de carboidratos (que fornecem energia e
esqueletos carbônicos para os microrganismos) e as de nitrogênio, além de maximizar a
eficiência microbiana e diminuir a perda de nitrogênio em forma de amônia e da energia
dos carboidratos, promove melhoria na digestão da MS, especialmente da fração
fibrosa. O aumento na eficiência microbiana permite aumento na disponibilidade de
proteína microbiana para ser absorvida no intestino, suprindo, assim, as exigências de
bovinos em crescimento, baixa e média produção de leite (Caldas Neto et al., 2007).
A disponibilidade de carboidratos no rúmen é muito importante e tem grande
efeito sobre a utilização dos compostos nitrogenados, pois, na carência destes, as
bactérias ruminais podem incorporar os aminoácidos e fermentá-los como fonte de
energia ao invés de utilizá-los para a produção de proteína própria. O crescimento
microbiano depende da transferência de energia da fermentação de carboidratos para o
processo biossintético microbiano. O processo catabólico (fermentação de carboidratos)
é completamente vinculado ao processo anabólico (síntese microbiana), fazendo uso da
adenosina tri fosfato (ATP). Se a taxa de produção de ATP excede a taxa de utilização,
ocorre desacoplamento energético, e a energia da ATP é dissipada como calor através
de ciclos de íons pela membrana celular. Isto ocorre quando a disponibilidade de N é
extremamente alta (ou a energia está em excesso, quando do uso de altos níveis de
concentrado), ou se minerais como enxofre (S) e fósforo (P) estão deficientes (Pereira et
al., 2005).
48
De acordo com Pimentel et al. (2012), existe interesse em encontrar formas de
potencializar a eficiência de utilização dos nutrientes pelos ruminantes. Assim, por meio
de avaliação de diferentes ingredientes em concentrados balanceados, tem-se ajustado o
processo de fermentação ruminal com reflexos positivos sobre os produtos do
metabolismo dos alimentos, que se constituem em indicativos da utilização dos
nutrientes nos ruminantes.
As exigências de proteína nos ruminantes são atendidas por meio de absorção de
aminoácidos, provenientes da dieta, principalmente proteína microbiana sintetizada no
rúmen, que representa aproximadamente 59% da proteína que chega ao intestino
delgado; o restante de proteína é de origem dietética, não degradada no rúmen. A
contribuição da proteína microbiana é uma importante área de estudo na nutrição
proteica de ruminantes, dessa forma, a estimativa da contribuição da proteína
microbiana no fluxo intestinal de proteína está incorporada aos sistemas de avaliação de
proteína (Mendonça et al., 2006).
A proteína é um dos nutrientes mais onerosos da dieta e o custo de alimentação
com ingredientes proteicos nos concentrados é altamente dependente da eficiência de
sua utilização. A adequação da ingestão de nitrogênio é de suma importância para
atender às necessidades nutricionais dos microrganismos e, consequentemente, às de
mantença e produção como também regulando o custo com alimentos proteicos.
Assim, este ensaio nutricional foi conduzido visando avaliar os efeitos da
substituição do milho moído por raiz de mandioca integral triturada e seca no
concentrado, avaliando a excreção de derivados de purina, estimativa de produção de
proteína microbiana, nitrogênio ureico na urina, plasma e leite, e o balanço de
nitrogênio.
49
2. MATERIAL E MÉTODOS
O ensaio foi realizado em uma propriedade comercial de produção de leite
denominada Sítio Beija-Flor, localizada nas Terras do Remanso, no município de
Vitória da Conquista, Estado da Bahia. Propriedade situada, geograficamente, às
coordenadas 14°51’38” S e 40°52’51”O, com altitude de 923 metros.
O experimento foi realizado no período de março a maio de 2012, utilizando-se
10 vacas da raça Holandesa, média inicial de 150 dias de lactação, produção leiteira
média ao início do ensaio de 22 kg e peso corporal inicial médio de 603 kg. Estas foram
submetidas a cinco tratamentos, em delineamento experimental quadrado latino 5 x 5
(cinco animais, cinco períodos e cinco tratamentos), sendo usados dois quadrados
simultaneamente. As vacas foram mantidas em pastagem predominante de capim
elefante (Pennisetum purpureum, SCHUM) C.V. Pioneiro consorciado com capim
Tifton 85 (Cynodon nlemfuensis), adubadas com 600 kg de nitrogênio por hectare/ano.
A duração do ensaio foi de 75 dias, com 10 dias de adaptação para cada período,
seguidos de 5 dias de coleta de dados. Os animais foram suplementados com
concentrados experimentais, contendo diferentes proporções de milho moído e raiz de
mandioca integral moída e desidratada, calculados para serem isoenergéticos e
isonitrogenados. As dietas foram formuladas para atender às exigências de mantença e
produção de 25 litros de leite com 3,8% de gordura (NRC, 2001).
No fornecimento de todos os concentrados experimentais no cocho, foram
acrescentadas aparas de casca da raiz de mandioca fresca como forma de facilitar a
ingestão do concentrado farelado, na proporção média de 70% de concentrado e 30% de
aparas (base seca). Foi oferecida inicialmente a quantidade média de 7 kg/dia de
concentrado (base seca) e a quantidade média de 3 kg/dia (matéria seca) de aparas de
casca de raiz de mandioca, por animal/dia, com controle diário de ingestão, fazendo o
ajuste de acordo com o consumo do dia anterior. Os suplementos concentrados foram
fornecidos duas vezes ao dia, pela manhã e tarde, após a ordenha. Os cochos eram de
cimento, individualizados por canzis de madeira, cobertos por telhado de fibrocimento e
tinha piso de cimento.
As vacas foram mantidas em uma área de 2,05 hectares em sistema de pastejo
rotacionado, composta pelas gramíneas Penissetum purpureum Schum C.V. Pioneiro
(gramínea predominante) consorciado com Cynodon nlenfluensis. A área estava
50
dividida em 41 piquetes, com aproximadamente 494 m², com oferta média de forragem
de 70 kg de matéria natural/animal/dia. Os animais iniciavam o consumo das forrageiras
do piquete em uso após a ordenha da tarde, aproximadamente às 18:30 horas, e
deixavam o consumo do mesmo às 17:00 horas do dia seguinte.
Os concentrados experimentais utilizados no experimento foram compostos por
milho, que foi substituído por mandioca em diferentes níveis (base na matéria seca; 0%,
25%, 50%, 75%, 100%), sendo constituídos como se segue na Tabela 8.
Tabela 8 – Composição em percentual dos concentrados experimentais.
Ingredientes
Milho moído (%)
Raiz de Mandioca integral triturada e seca (%)
Farelo de Soja (%)
Farelo de Algodão (%)
Ureia (%)
0
72
0
3,53
21,97
2,5
Níveis de substituição (%)
25
50
75
54
36
18
18
36
54
8,93
14,33
19,73
16,57
11,17
5,77
2,5
2,5
2,5
100
0
72
25,13
0,37
2,5
Os animais receberam no cocho 300 g de mistura mineral e 250 g de bicarbonato
de sódio, que foram fornecidos nos períodos da manhã e à tarde, misturados ao
concentrado e aparas de casca de raiz de mandioca fresca. Os níveis de garantia do
suplemento mineral utilizado foram: Cálcio (mín) 190,00 g/kg e (máx) 220,00 g/kg;
Fósforo (mín) 60,00 g/kg; Enxofre (mín) 20,00 g/kg; Magnésio (mín) 20,00 mg/kg;
Potássio (mín) 35,00 g/kg; Sódio (mím) 70,00 g/kg; Cobalto (mín) 15,00 mg/kg; Cobre
(mín) 700,00 mg/kg; Cromo (mín) 10,00 mg/kg; Ferro (mín) 700,00 mg/kg; Iodo (mín)
40,00 mg/kg; Monesina sódica 1.000,00 mg/kg; Manganês (mín) 1.600,00 mg/kg;
Selênio (mín) 19,00 mg/kg; Zinco (mín) 2.500,00 mg/kg; Vitamina A (mín) 200.000,00
UI/kg; Vitamina D3 (mín) 50.000,00 UI/kg; Vitamina E (mín) 1.500,00 UI/kg; Flúor
(máx) 600,00 mg/kg.
Após a ordenha da manhã, iniciada às 5 horas, na área coberta onde as vacas
recebiam a suplementação concentrada, foram coletadas as amostras de urina por
micção espontânea.
As amostras de urina foram coletadas no 15º dia de cada período, filtradas em
gaze e, posteriormente, retiradas uma alíquota de 10 mL por amostra, que foi diluída em
40 mL de ácido sulfúrico 0,036 N. As amostras spot de urina tiveram o seu potencial
hidrogeniônico ajustados para abaixo de 3 para evitar destruição bacteriana dos
51
derivados de purina (DP) e a precipitação do ácido úrico. Posteriormente, as amostras
spot de urina foram acondicionadas em recipientes plásticos, devidamente identificadas
e congeladas para as análises de creatinina, ureia, alantoína e ácido úrico.
A coleta de sangue foi realizada no 15º dia de cada período experimental,
aproximadamente 4 horas após o fornecimento do concentrado da manhã, na veia
mamária, utilizando agulhas e tubos Vacutainer®, de 5 mL, com EDTA K3 como
anticoagulante. Após a coleta, os tubos Vacutainer® com sangue foram acondicionados
em caixa térmica com gelo e mantidos resfriados para o transporte. No laboratório, o
sangue foi centrifugado com rotação de 3500 rpm por 15 minutos para sedimentação
das hemácias e plaquetas. O plasma foi coletado e armazenado em Eppendorfs
identificados e foram conservados a - 20ºC para análise de ureia.
A determinação do nitrogênio ureico no leite foi determinada a partir de
amostras de leite, conservadas em Bronopol®, que foram analisadas na Clínica do
Leite/ESALQ/USP.
A partir da razão entre a estimativa de excreção diária de urina, 24,04 mg de
creatinina por quilograma de peso corporal, e a concentração de creatinina na urina spot,
pode-se estimar o volume urinário diário de urina, pela expressão: Volume de urina
(litro) = peso corporal (PC)*excreção de creatinina (mg/kg de PC) / concentração de
creatinina (mg/litro). Também foi possível estimar a excreção de outros metabólitos,
multiplicando a concentração destes na amostra spot pelo volume urinário diário. Foram
quantificados na urina o ácido úrico, a alantoína, a ureia e o nitrogênio total (Chizzotti,
2004; Paixão, 2006).
A determinação de creatinina nas amostras de urina spot foi realizada pelo
método colorimétrico de ponto final para doseamento da creatinina, por meio de teste
comercial rápido Bioclin K016.
A determinação de ureia no leite foi realizada pelo laboratório da Clínica do
Leite na ESALQ/USP. O nitrogênio nas fezes foi determinado pela metodologia
Kjedahl, descrita por Detmann et al. (2012).
Nas amostras de urina spot e plasma sanguíneo foram determinadas as
concentrações
de
ureia,
utilizando
o
teste
enzimático
colorimétrico
pela
proporcionalidade de 2,2-dicarboxi-indofenol, determinada por meio de kit comercial
(Laborclin).
52
Também a análise da ureia foi realizada em espectrofotômetro de UV- visível
BioSpec mini UV1240 da Shimadzu, calibrado com comprimento de onda médio de
600 nm.
A transformação de ureia (mg/dL) em nitrogênio ureico (mg/dL) foi obtida
multiplicando-se os valores determinados de ureia pelo fator 0,4667. Para conversão de
mg/dL para unidade do sistema internacional de medidas (mmol/L), foram
multiplicados os valores em mg/dL pelo fator 0,167 (Biotécnica, 2007).
Alantoína e ácido úrico são referidos como derivados de purinas (DP). Em
bovinos, a excreção diária de DP está linearmente correlacionada com a quantidade de
purinas microbianas absorvidas. Partindo do princípio de que a proporção de proteína de
purina na população microbiana mista é constante, então a excreção de DP fornece um
índice para o cálculo do fluxo de proteína microbiana intestinal. Em bovinos, a
alantoína é o DP mais abundante. O ácido úrico, xantina e hipoxantina, no entanto,
devido à elevada atuação da enzima xantina oxidase, que converte a xantina e
hipoxantina em ácido úrico, as excreções de alantoína e ácido úrico constituem
aproximadamente 98% de derivados urinários de purinas. Portanto, as contribuições da
xantina e hipoxantina são irrisórias para determinação da excreção total dos DP
(RENNÓ et al, 2000; IAEA, 1997; SINGH, et al., 2007).
Para determinação dos derivados de purinas totais (DP Total), realizou-se a
soma dos valores de excreção de ácido úrico da urina, alantoína da urina e do leite
desproteinizado.
O leite foi desproteinizado, adicionando a 10 mL de leite, 5 mL de ácido
tricloroacético a 25%, mantendo em repouso por 10 minutos e, em seguida, filtrando
em papel filtro, sendo o filtrado utilizado para determinação da alantoína.
O ácido úrico na urina foi determinado por avaliação enzimática e colorimétrica
por meio do teste comercial (Laborclin).
O ácido úrico determinado na urina foi convertido em unidade internacional
(mmol/L), multiplicando-se a concentração determinada em mg/dL pelo fator 0,0594
(Biotécnica, 2007).
A alantoína foi determinada por colorimetria, conforme adaptada por Chen e
Gomes (1992). A análise foi realizada em espectrofotômetro de UV- visível, BioSpec
mini UV1240 da Shimadzu, calibrado com absorbância média de 522 nm de
comprimento de onda.
53
A fórmula utilizada para cálculo das bases purinas microbianas, absorvidas em
bovinos, está apresentada na sequência: Y = 0,85*X + (0,385 PV0,75), em que X=
absorção exógena de purinas (mmol/dia); PV0,75 = peso metabólico do animal, ou seja,
seu peso corporal elevado a 0,75 (kg). O Y é determinado pela soma dos derivados de
purina, e o X é calculado, revelando a estimativa de absorção de purinas de origem
exógena em mmol/dia.
Para o cálculo da estimativa de produção de nitrogênio microbiano em gramas
de nitrogênio por dia, é utilizado o valor de absorção exógena de purinas (X mmol/dia),
obtido na equação anterior. O rendimento de nitrogênio (N) microbiano é calculado com
a fórmula: N-microbiano (g N / dia) = X (mmol/dia) * 70 / 0,116 * 0,83 *1000, de
forma simplificada, a fórmula pode ser expressa em: 0,727* X (mmol/dia), sendo que a
digestibilidade das purinas microbianas é assumida como sendo 0,83; considerada como
valor médio de digestibilidade microbiana de ácidos nucleicos. O teor de N das purinas
é de 70 mg N / dia. A proporção de N-Purina: N Total de microrganismos ruminais
mistos é tomado como 11,6 : 100 (Chen & Gomes, 1992; IAEA, 1997; Singh, et al.,
2007).
O balanço dos compostos nitrogenados foi obtido pela diferença entre o
nitrogênio total ingerido e o total de nitrogênio excretado nas fezes, urina e contido no
leite, segundo a fórmula: Nitrogênio Total Ingerido – Nitrogênio Excretado nas Fezes –
Nitrogênio Excretado na Urina – Nitrogênio Excretado no Leite. O nitrogênio total
ingerido (ração concentrada e forrageira) e das fezes foi determinado do fornecido pela
metodologia de Kjedahl, descrito por Detmann (2012).
Na avaliação de balanço de nitrogênio, foi utilizado um quadrado latino, cinco
animais.
Os dados foram submetidos à análise estatística, por meio do procedimento
PROC GLM, e desdobramento dos graus de liberdade, por meio de contrastes
ortogonais, utilizando programa estatístico SAS 9.1.
54
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os diferentes níveis de inclusão de raiz integral de mandioca triturada e
desidratada no concentrado não promoveram efeito significativo (P>0,05) na estimativa
de produção de nitrogênio e proteínas microbianas, e na eficiência de síntese de
proteínas microbianas por kg de NDT (nutrientes digestíveis totais) consumido,
conforme descrito na Tabela 9.
Danes et al. (2013), avaliando a síntese de proteína microbiana de vacas em
lactação em pastagens tropicais adubadas com nitrogênio e suplementadas com três
níveis de proteína no concentrado, obtiveram produção médias de proteína microbiana
de 1.220; 1.123; 1.260; 1.107 g/dia, para 8,7% PB, usando milho; 13,4% PB, usando
farelo soja processada com uso de solvente; 18,1% PB, usando farelo soja processada
com uso de solvente; e 13,4% PB, utilizando ureia, respectivamente, não encontrando
diferença significativa (P>0,05). Todos os concentrados avaliados continham milho
como ingrediente, compondo em média 86,3% da matéria seca. Sendo que neste
experimento foram utilizadas vacas lactantes com média de 129 dias de lactação,
produção diária média de 20 kg de leite e peso corporal médio de 451 kg.
A quantidade de proteína microbiana de 1288,49 gramas/dia (Tabela 9) do
presente estudo foi também semelhante à apresentadas por Danes et al. (2013),
sugerindo que o uso predominante das fontes de amido do milho ou da mandioca não
modifica a síntese de proteína microbiana, semelhante ao observado para diferentes
fontes e teores proteicos por aqueles autores.
Segundo o NRC (2001), a síntese de proteína de origem microbiana por
quilograma de NDT pode variar entre 53 e 140 g. As dietas experimentais avaliadas,
segundo este parâmetro, proporcionaram síntese de proteína microbiana em gramas por
kg de NDT, dentro da média preconizada, apresentando média estimada de 91,30
gramas de proteína microbiana por kg de NDT, conforme descrito na Tabela 9.
A ausência de diferenças entre as quantidades de nitrogênio e proteínas
microbianas, proporcionadas pelos diferentes suplementos testados, indica que as fontes
de carboidrato utilizadas têm potenciais de utilização semelhantes pelos microrganismos
ruminais.
Diante desses resultados, observa-se que as diferenças químico-bromatológicas
entre as participações dietéticas da fração energética B1 dos carboidratos (46,94; 53,40;
55
59,97; 61,38 e 62,55 descritos na Tabela 2, Capítulo 1) nos concentrados experimentais
respectivamente para os níveis 0%, 25%, 50%, 75% e 100% de substituição do milho
moído por raiz de mandioca moída e desidratada não influenciaram distintamente a
síntese de proteína microbiana, independente da estrutura molecular diferenciada do
amido nas duas fontes testadas.
As excreções diárias de nitrogênio ureico na urina e no plasma sanguíneo não
foram significativos (P>0,05), assim como a excreção diária de nitrogênio ureico no
leite (P>0,05; Tabela 9).
A ausência de efeito nas excreções diárias de nitrogênio ureico na urina entre os
concentrados avaliados possibilita a suposição que o nitrogênio dietético e amônia
produzida na fermentação ruminal dos concentrados, assim como o absorvido na forma
de aminoácidos no duodeno, foram utilizados de forma semelhante pelas vacas,
consumindo as dietas distintas de concentrados. Quando há excesso de nitrogênio
dietético não utilizado pelos microrganismos, os mesmos convertem-no em amônia que,
absorvida pelo epitélio ruminal, é excretada pelos rins na forma de ureia ou reciclada
para o rúmen por intermédio da saliva ou parede ruminal (Pereira et al.; 2005). Este
parâmetro evidencia o potencial que tanto o amido presente no milho ou na raiz de
mandioca apresenta como fonte energética no concentrado, contribuindo para o
equilíbrio da utilização de nitrogênio e proteína.
Segundo Lima et al. (2004), os níveis médios de nitrogênio ureico no plasma
sanguíneo de vacas leiteiras, com diferentes condições corporais e estádios de lactação,
podem variar entre 7 mg/dL e 23 mg/dL ( 2,50 e 8,21 mmol/L) enquanto que, para o
leite, segundo Kohn (2007) e Eicher, (2004), são comumente encontrados níveis de
nitrogênio ureico entre 8 e 12 mg/dL (2,86 e 4,28 mmol/L).
Gonçalves et al. (2011), substituindo o milho moído no concentrado por silagem
de resíduo de fécula de mandioca para vacas holandesas, relataram a ausência de efeito
de substituição (P>0,05) para nitrogênio ureico no plasma, apresentando médias de
21,16; 19,33 18,49; 19,73 e 20,66 mg/dl (7,55; 6,90; 6,60; 7,04; 7,38 mmol/L),
respectivamente, para 0%, 25%, 50%, 75% e 100%, utilizando vacas da raça Holandesa
com média de 150 dias de lactação.
56
Tabela 9 – Estimativa da síntese de nitrogênio microbiano (g/dia) e proteína microbiana (g/dia), Eficiência da síntese de proteína microbiana
grama por Kg de NDT (g/kg de NDT), Nitrogênio Ureico na Urina (mmol/L), Nitrogênio Ureico no Plasma (mmol/L), Nitrogênio
Ureico no Leite (mmol/L)
Itens
Níveis de Substituição do milho por raízes de mandioca desidratada (%)
Nitrogênio Microbiano. g/dia
0
190,71
25
209,37
50
197,04
75
181,21
100
252,47
Proteína Microbiana g/dia
1191,92
1308,56
1231,51
1132,56
Eficiência Prot. Microb. g/kg de NDT ¹
93,38
87,09
98,07
N Ureico Urina mmol/L
14,58
22,01
N Ureico Plasma mmol/L
8,01
N Ureico Leite mmol/L
4,21
C.V.
Efeito
EQ.
40,50
L
0,2619
Q
0,3111
F.A.
0,3771
Ŷ=206,16
1577,92
40,50
0,2619
0,3111
0,3771
Ŷ=1288,49
68,93
109,47
40,88
0,7956
0,4084
0,1314
Ŷ=91,30
16,14
17,22
18,38
26,83
0,5839
0,3705
0,0958
Ŷ=17,67
7,85
7,68
7,24
8,53
25,13
0,8223
0,2729
0,6334
Ŷ=7,86
4,24
4,53
4,06
4,17
17,86
0,7436
0,5032
0,4645
Ŷ=4,24
EQ.= equação de regressão L = linear, Q = quadrático, F.A. = falta de ajuste; 1: Eficiência Prot. Microb. g/kg NDT = Proteína Microbiana g/kg / Consumo de NDT kg /dia
57
Mesmo havendo diferença entre as dietas, os valores de ureia no plasma foram
próximos aos encontrados neste trabalho, que variaram de 7,24 a 8,53 mmol/L (Tabela
9). Em ambos os casos, os níveis de ureia plasmáticos encontrados indicam que não
houve incremento acima dos limites fisiológicos para este parâmetro, conforme
referendado por Lima et al. (2004), o que poderia indicar excesso de proteína
degradável no rúmen ou falta de carboidratos dietéticos.
No entanto, Pereira et al. (2009), avaliando o nitrogênio ureico no plasma e no
leite, publicaram resultados inferiores para vacas leiteiras mestiças mantidas em
pastagem de capim-elefante e suplementadas com três níveis de nitrogênio no
concentrado, com média de 117 dias de lactação e produção média de 17,4 kg. Estes
autores encontraram os valores para nitrogênio ureico no plasma (NUP) de 11,5; 12,2 e
14,4 mg/dL (1,92; 2,04; 2,40 mmol/L), apresentando elevação na concentração de NUP
(P<0,05) com a elevação dos níveis de proteína bruta no concentrado. Neste caso,
provavelmente, a produção de nitrogênio amoniacal no rúmen foi inferior ao que se
refletiu em resultados menores no sangue.
Também para a concentração de nitrogênio ureico no leite (NUL), foram
encontrados os valores de 14,1; 14.6 e 15,8 mg/dL (2,35; 2,44; 2,64 mmol/L), não sendo
observado diferenças (P>0,05) entre os níveis de 15,2; 18,2 e 21,1% de proteína bruta
no concentrado (Pereira et al., 2009), que também se situaram abaixo dos descritos
neste trabalho (4,24 mmol/L, Tabela 9).
Danes et al. (2013), avaliando o nitrogênio ureico no plasma sanguíneo de vacas
em lactação em pastagens tropicais adubadas com nitrogênio e suplementadas com três
níveis de proteína no concentrado, encontraram os valores de 10,8; 12,8; 14,6; 11,6
mg/dL, (1,8; 2,14; 2,44; 1,94 mmol/L), para 8,7% PB, usando milho; 13,4% PB, usando
farelo de soja processada com uso de solvente; 18,1% PB, usando farelo de soja
processada com uso de solvente; e 13,4% PB, utilizando ureia, respectivamente, não
apresentando efeito significativo (P>0,05). Todos os concentrados incluíam milho como
ingrediente, compondo em média 86,3% da matéria seca. Neste ensaio, foram utilizadas
vacas lactantes com média de 129 dias de lactação, produção diária média de 20 kg de
leite e peso corporal médio de 451 kg.
Os níveis de nitrogênio ureico plasmático (NUP) e nitrogênio ureico no leite
(NUL), encontrados por Pereira et al. (2009), e os níveis de nitrogênio ureico
58
plasmático (NUP), encontrados por Danes et al. (2013), foram
inferiores aos
encontrados no presente trabalho.
Os elevados níveis de ingestão de matéria seca e de proteína bruta no presente
ensaio devem ter contribuído para a elevação das concentrações de nitrogênio no
plasma e no leite (Tabela 3; Capítulo 1). Estes valores de nitrogênio ureico no plasma e
no leite (7,86 e 4,24 mmol/L), apesar de estarem acima dos relatados pelos dois autores
citados anteriormente, situam-se dentro da amplitude de variação, tanto no leite como
no sangue, citadas por Lima et al. (2004), Kohn (2007) e Eicher (2004).
Observou-se que os concentrados experimentais isonitrogenados com a
substituição das fontes de carboidratos, milho moído por raiz de mandioca, não
diferiram de forma significativa (P>0,05) na ingestão de nitrogênio total (Tabela 10).
A excreção de nitrogênio total nas fezes não diferiu significativamente (P>0,05)
entre os níveis de substituição do milho moído por raiz de mandioca triturada e
desidratada nos concentrados experimentais (Tabela 10).
Na estimativa de excreção de nitrogênio total na urina, não houve efeito
significativo na substituição do milho moído por raiz de mandioca integral triturada e
seca (P>0,05), o que leva a crer que o metabolismo do nitrogênio retido das dietas
experimentais foi semelhante (Tabela 10).
Observou-se que a estimativa de secreção de nitrogênio total diária no leite
apresentou efeito quadrático (P<0,05), com ponto máximo de secreção de nitrogênio no
nível de 66,19% de substituição do milho moído por raiz de mandioca integral triturada
e desidratada no concentrado (Tabela 10).
O balanço entre ingestão e excreção de nitrogênio, expresso em gramas, não foi
significativo entre as dietas contendo os concentrados experimentais (P>0,05) (Tabela
10).
A semelhança na síntese de nitrogênio microbiano entre as dietas testadas
(Tabela 9) certamente contribuiu para a ausência de efeito significativo no balanço de
nitrogênio (Tabela 10).
De forma adicional, também o fracionamento do nitrogênio dietético das dietas
isonitrogenadas experimentais apresentou valores próximos, contribuindo, assim, para
os resultados não significativamente distintos no balanço de nitrogênio, permitindo
também supor a ocorrência de um suprimento equilibrado de aminoácidos microbianos
essenciais, sendo disponibilizados em nível duodenal para absorção.
59
Não foi observada diferença significativa (P>0,05) nas médias de nitrogênio
total digerido nas dietas contendo os diferentes níveis de substituição de milho por
mandioca no concentrado (Tabela 10). Semelhante ao ocorrido com o balanço de
nitrogênio, o reflexo da ausência de efeito na síntese de nitrogênio microbiano (Tabela
9) pode ter contribuído para o resultado obtido.
Não houve efeito significativo (P>0,05) nos níveis de substituição do milho
moído por raiz de mandioca integral triturada e desidratada nos percentuais de
nitrogênio total retido, como que para os percentuais de excreção de nitrogênio total nas
fezes em relação ao total de nitrogênio ingerido (Tabela 10).
Os animais retiveram aproximadamente 43,30% do nitrogênio ingerido. Os
aminoácidos de origem microbiana, sintetizados a partir do nitrogênio ingerido, poderão
ser utilizados pelos tecidos do animal, principalmente para a síntese de proteínas.
(Berchielli et al., 2011).
Houve ausência de diferença significativa (P>0,05) para o percentual da
excreção de nitrogênio na urina e leite em razão do nitrogênio digerido, nos diferentes
níveis de substituição do milho moído por raiz de mandioca integral triturada e
desidratada no concentrado. O nitrogênio total digerido apresentou média estimada de
408,03 gramas, deste, 19,87% foi excretado via urinária, e 26,59% do nitrogênio foram
direcionados para síntese da proteína do leite.
60
Tabela 10 – Ingestão diária de nitrogênio, excreção diária de nitrogênio total nas fezes (g / dia), urina (g / dia) e leite (g / dia), balanço de
nitrogênio (g/ dia), nitrogênio total digerido (g/dia)
Níveis de Substituição do milho por raízes de
mandioca desidratadas (%)
Ítens
Efeito
C.V.
0
25
50
75
100
Nitrogênio Total Ingerido g /dia
479,22
506,31
513,68
521,33
505,63
Nitrogênio Total Fecal Excretado g/dia
91,54
98,59
96,65
105.61
Nitrogênio Total na Urina Excretada g/dia
76,96
87,86
72,79
Nitrogênio Total no Leite Excretado g/dia
102,99
108,43
Balanço de Nitrogênio g /dia
207,73
Nitrogênio Total Digerido¹
EQ.
L
Q
F.A.
11,04
0,4066
0,3787
0,9999
Ŷ=505,23
93,62
9,01
0,3848
0,0886
0,2483
Ŷ=97,20
81,98
85,44
28,79
0,7429
0,8211
0,5421
Ŷ=81,04
107,63
113,85
108,09
3,77
0,0191
0,0438
0,1654
*
211,43
236,43
219,89
218,48
25,26
0,7079
0,5857
0,9086
Ŷ=218,79
387,68
407,72
417,03
415,72
412,01
13,10
0,4679
0,5279
1,0000
Ŷ=408,03
% Nitrogênio Retido
43,35
41,76
46,03
42,18
43,21
17,06
0,9485
0,5674
0,6853
Ŷ=43,30
% Excreção de Nitrogênio Fecal / Nitrogênio Total Ingerido
19,10
19,47
18,82
20,26
18,52
11,30
0,8213
0,9691
0,5649
Ŷ=19,23
% Excreção de Nitrogênio Urina / Nitrogênio Total Digerido
19,85
21,55
17,50
19,72
20,74
30,84
0,9910
0,5524
0,7265
Ŷ=19,87
% Excreção de Nitrogênio Leite / Nitrogênio Total Digerido
26,57
26,59
25,81
27,39
26,23
14,89
0,8687
0,5598
0,9725
Ŷ=26,52
EQ.= equação de regressão L = linear, Q = quadrático, F.A. = falta de ajuste.* % Nitrogênio no Leite: y = 102,8 + 0,2383x – 0,0018 x²; R2 = 0,69; 1: Nitrogênio Total
Digerido = Nitrogênio Total Ingerido – Nitrogênio Total Fecal Excretado
61
4. CONCLUSÃO
Conclui-se que a substituição total do milho moído por raiz de mandioca integral
triturada e desidratada, como fonte de amido de alta qualidade nutricional em
concentrados para vacas lactantes mantidas em pastagens tropicais irrigadas e adubadas
intensivamente, não influenciou nos parâmetros de excreção de derivados de purinas,
produção de proteína microbiana e balanço de nitrogênio, devido ao seu desempenho
nutricional semelhante ao do milho moído, reconhecido com fonte energética padrão
nos concentrados para esta categoria animal.
62
5. REFERÊNCIAS
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64
V - CONSIDERAÇÕES FINAIS
A utilização de raiz de mandioca integralmente triturada e desidratada em até
cem por cento de substituição ao milho, ou 72% de inclusão no concentrado, como
fonte de carboidratos de alta qualidade nutricional para suplementação de vacas
lactantes mantidas em pastagens tropicais irrigadas, não apresentou diferenças
significativas para a ingestão voluntária, digestibilidade aparente, balanço de energia
líquida, síntese de proteína microbiana e balanço de nitrogênio. A raiz de mandioca
integral triturada e desidratada apresentou-se como fonte de energia com inter-relação
carboidrato e nitrogênio, adequadas à síntese microbiana, e equilíbrio na utilização de
compostos nitrogenados.
65
APÊNDICE
Material e Métodos: Resumo dos Protocolos de Análise
A determinação de creatinina nas amostras de urina spot foi realizada pelo
método colorimétrico de ponto final para doseamento da creatinina, por meio de teste
comercial rápido Bioclin K016. A creatinina, presente na amostra, reage com ácido
pícrico, formando um composto corado creatinina-picarato e, com a adição do reagente
ácido, o pH é diminuído e a coloração devida à creatinina é desfeita, permanecendo a
formada a partir dos cromogênios. Por diferença entre as leituras obtidas no pH ácido,
obtém-se o valor real da creatinina. A análise foi realizada em espectrofotômetro de
UV- visível, BioSpec mini UV1240 da Shimadzu, calibrado com absorbância média de
510 nm de comprimento de onda. A absorbância nas amostras foi realizada duas vezes,
com intervalo de tempo de 5 minutos entre as aferições. Comparando-se a absorbância
de um padrão com a diferença entre as duas leituras, obteve-se a concentração de
creatinina, seguindo o procedimento técnico do teste comercial rápido Bioclin K016.
Nas amostras de urina spot e plasma sanguíneo, foram determinadas as
concentrações
de
ureia,
utilizando
o
teste
enzimático
colorimétrico
pela
proporcionalidade de 2,2-dicarboxi-indofenol, determinada por meio de kit comercial
(Laborclin). A técnica tem como princípio a reação da ureia + H2O ↔ amônia + gás
carbônico (reação catalisada pela urease) Amônia + silicato + hipoclorito ↔ 2,2dicarboxi-indofenol. A concentração de 2,2-dicarboxi-indofenol, determinada a 600 nm,
é proporcional à quantidade de ureia presente na amostra.
Também a análise da ureia foi realizada em espectrofotômetro de UV- visível,
BioSpec mini UV1240 da Shimadzu, calibrado com comprimento de onda médio de
600 nm. Os valores de absorbância obtidos das amostras de urina e de plasma sanguíneo
foram divididos pela absorbância do padrão e multiplicados por 60 para a determinação
da ureia (mg/dL). Seguindo a fórmula ureia (mg/dL) = (Absorbância da amostra /
absorbância do padrão) x 60.
66
Resultados e Discussão: Parâmetros de secreções metabólicas e resíduos
metabólicos
Observou-se ausência de efeito significativo da substituição do milho moído por
raiz de mandioca integral moída e desidratada no concentrado na produção de urina
(P>0,05). A ausência de variação nas quantidades de urina excretada pode estar
relacionada à ausência de variação na ingestão e composição de matéria seca (Tabela 3,
Capítulo 1), acredita-se também que as características nutricionais das dietas ingeridas
não induziram a variações na ingestão de água entre os tratamentos.
As excreções diárias de alantoína na urina e leite não sofreram efeito das fontes
de carboidrato, como que também a excreção de ácido úrico na urina, (P>0,05) e nos
derivados de purinas totais também não houve efeito significativo (P>0,05) entre as
dietas, conforme descrito na Tabela 1.
Os níveis de inclusão de raiz integral de mandioca triturada e desidratada no
concentrado não promoveram efeito significativo (P>0,05) na estimativa de absorção de
purinas exógenas, de origem microbiana (Tabela 1).
Na comparação dos resultados encontrados neste ensaio, somando-se às
excreções médias de alantoína na urina e no leite (246,2 mmol/dia), com outros
relatados na literatura, observa-se que os aqui determinados foram similares.
Chizzotti et al. (2007) relataram que a produção de alantoína variou de 160,18 a
323,70 mmol/dia em vacas com peso vivo variando de 578 a 670 kg, e produzindo de
5,88 a 32,6 kg de leite diariamente. A dieta foi constituída de silagem de milho
fornecida à vontade e 1 kg de concentrado para cada 3 kg de leite produzido.
As quantidades de urina produzidas neste experimento (média de 19,67
litros/dia) foram também semelhantes às determinadas pelos autores citados acima,
variando de 10,30 a 21,59 litros de urina/dia.
A silagem de milho utilizada, em conjunto como o concentrado, nas dietas
oferecidas por Chizzotti et al. (2007), proporcionou uma semelhante excreção de
alantoína que se refletiu também em uma quantidade similar de proteína microbiana
absorvida (665,13 a 1.555,4 g/dia), se comparada à estimada no presente experimento
(Tabela 8; 1288,49 g/dia). As quantidades médias excretadas de ácido úrico (33,71
mmol/dia) foram semelhantes às descritas por Chizzotti et al. (2007), que variaram de
14,28 a 39,28 mmol/dia.
67
Diferentemente da situação ocorrida no ensaio de Chizzotti et al. (2007), quando
foram utilizadas vacas em diferentes estádios de lactação (315, 231 e 119 dias em
lactação), neste ensaio, todas as vacas encontravam-se entre 147 (inicial) e 222 (final)
dias em lactação. Segundo Mendonça et al. (2006), as variações na proporção de
alantoína e ácido úrico excretados no total de derivados de purina podem mudar
drasticamente em vacas lactantes, do início ao fim do período de lactação, devido às
alterações fisiológicas que ocorrem durante este período. Estas oscilações proporcionais
podem ser resultantes das mudanças na rota de excreção, baseado na atuação da enzima
urato-oxidase, que cataboliza parte do ácido úrico em alantoína.
Soares et al. (2005) evidenciaram que a produção de alantoína na urina e no leite
variaram de 234,85 a 251,17 mmol/dia e de 11,73 a 13,11 mmol/dia, respectivamente,
em vacas com peso corporal médio de 540 kg, produzindo de 20,0 a 21, 30 kg de leite
por dia. Com dieta formada por silagem de milho e concentrado com níveis crescentes
de substituição do milho por farelo de trigo nas proporções de 0; 33; 67 e 100%.
A dieta composta por silagem de milho associado ao concentrado, ministradas
aos animais por Soares et al. (2005), proporcionaram excreção semelhante de alantoína
na urina e leite, repercutindo na produção de nitrogênio microbiano, variando entre
203,12 a 219,39 gramas de nitrogênio por dia, se comparado com o estimado neste
trabalho, como descrito na Tabela 8 (206,16 gN/dia). As quantidades médias excretadas
de ácido úrico (25,04 a 39,45 mmol/dia), derivados de purinas totais (280,41 a 299,31
mmol/dia) e purinas absorvidas (279,38 a 301,76 mmol/dia), descritas por Soares et al.
(2005), foram semelhantes ao observado neste trabalho (Tabela 1; 33,71; 279,30 e
283,56 mmol/dia, respectivamente).
Na avaliação em percentuais dos derivados de purinas, em relação ao total de
purinas excretadas, calculadas segundo Argolo et al. (2010), não se observou efeito
significativo (P>0,05), conforme descrito na Tabela 1. Observou-se que os metabólitos,
alantoína e ácido úrico, excretados via urinária, foram percentualmente mais
representativos em relação total de excreção de derivados de purinas, do que a
porcentagem do metabólito, alantoína, excretado no leite (80,70; 14,64 e 2,66%,
respectivamente).
Segundo Silva et al. (2001), no início da lactação, as vacas tendem a excretar
mais ácido úrico e menos alantoína, ocorrendo o oposto ao término da lactação,
provavelmente, em razão de diferenças na atividade da urato-oxidase no fígado e
68
tecidos extra hepáticos, e alterações na rota de excreção da alantoína e ácido úrico via
urina, leite, saliva e outros meios de excreções.
Também, Mendonça et al. (2006), em vários trabalhos, relataram pequena
participação percentual da alantoína no leite em relação ao total dos derivados de purina
(DP), com valor médio de 5,7%, ressaltando que o metabólito deve ser computado nos
totais dos derivados de purina, caso contrário, pode-se subestimar os totais de DP em
até 7% para vacas lactantes.
69
Tabela 1 – Estimativa de produção de urina diária (Volume de urina L/dia); Estimativa de excreções diárias de Alantoína na Urina (mmol/dia),
Alantoína no leite (mmol/dia) e Ácido úrico na urina (mmol/dia); Derivados de Purinas Totais (mmol/dia); Percentuais dos
metabólitos Alantoína na urina, Alantoína no leite e Ácido úrico na urina nos Derivados de Purinas Totais; Estimativa de excreções
diárias de Purinas exógenas Absorvidas ( mmol/dia).
Itens
Níveis de Substituição do milho por raízes de mandioca desidratada (%)
Volume de Urina L/dia
0
18,84
25
20,23
50
18,29
75
20,83
100
20,16
Alantoína Urina mmol/dia
212,05
239,85
228,77
203,06
Alantoína Leite mmol/dia
5,82
5,94
4,84
Ácido Úrico Urina mmol/dia
35,65
36,43
Derivados de Purinas Totais mmol/dia
253,51
% Alantoína na Urina nas Purinas Totais
C.V.
Efeito
EQ.
14,32
L
0,2710
Q
0,9126
F.A.
0,2026
Ŷ=19,67
317,66
53,60
0,1840
0,3066
0,3811
Ŷ=240,39
5,96
6,47
43,93
0,6063
0,3261
0,6514
Ŷ=5,81
29,73
37,81
28,90
38,94
0,3627
0,7687
0,2858
Ŷ=33,71
282,23
263,35
244,40
353,04
47,08
0,2290
0,3121
0,4160
Ŷ=279,30
81,46
81,98
84,91
70,63
84,54
16,08
0,6919
0,5381
0,1237
Ŷ=80,70
% Alantoína no Leite nas Purinas Totais
2,76
2,64
2,08
2,83
2,98
56,94
0,6773
0,3058
0,6790
Ŷ=2,66
% Ácido Úrico nas Purinas Totais
15,78
15,38
13,00
16,54
12,48
36,45
0,3151
0,8233
0,2518
Ŷ=14,64
Purinas exógenas Absorvidas mmol/dia
262,30
287,97
271,02
249,24
347,25
40,50
0,2619
0,3111
0,3771
Ŷ=283,56
EQ.= equação de regressão L = linear, Q = quadrático, F.A. = falta de ajuste.; 1 : Eficiência Prot. Microb. g/kg NDT = Proteína Microbiana g/kg / Consumo de NDT kg /dia
70
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Ádler Carvalho da Silva