Aula II – Estatística Aplicada à Instrumentação Industrial - Avaliação da Incerteza de Medição Universidade Federal da Bahia Escola Politécnica Disciplina: Instrumentação e Automação Industrial I (ENGF99) Professor: Eduardo Simas ([email protected]) Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 1 Introdução • Neste módulo serão estudados aspectos importantes para a instrumentação industrial relacionados com a adequada expressão de um valor medido. • Para isso é necessário a utilização de conhecimentos da estatística que permitem a correta avaliação da “incerteza de medição”. • Adicionalmente, deve-se seguir as regulamentações no que diz respeito ao arredondamento de um valor medido e ao correto uso dos algarismos significativos Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 2 Expressão do Valor Medido • Qual o comprimento do segmento AB? – 13,4 – 13,5 – 13,6 • Como não é possível ter certeza do valor medido, convenciona-se utilizar a metade da menor divisão: LAB=13,5 • O valor medido é composto de 3 algarismos significativos (sendo que o último algarismo é duvidoso, ou seja está dentro da incerteza da medição). Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 3 Algarismos Significativos • Os algarismos significativos de um número contam-se da esquerda para a direita, a partir do primeiro não nulo. • Exemplos: – – – – – – – – 0,002500 83 78,0 0,18 134,5 26,10 28,1 0,0105 4 a.s. 2 a.s. 3 a.s. 2 a.s. 4 a.s. 4 a.s. 3 a.s. 3 a.s. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 4 Regras básicas de arredondamento (NBR-5891) • REGRA 1 - Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo por conservar é menor que 5, ele permanecerá conservado sem modificações. – Exemplo: 1,333 ⇒ 1,33 • REGRA 2 - Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo por conservar é superior a 5, ele deverá ser aumentado uma unidade. – Exemplo: 1,666 ⇒ 1,67 ⇒ 1,7 • REGRA 3 - Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo por conservar é igual a 5 , e for seguido de um algarismo diferente de zero, o último algarismo por conservar deverá ser aumentado de uma unidade. – Exemplo: 4,8512 ⇒ 4,9 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 5 Regras básicas de arredondamento (NBR-5891) • REGRA 4 - Quando o algarismo imediatamente seguinte ao último algarismo por conservar é um 5 seguidos de zeros: – 4,5750; 2,750; 3,650; 1,25 • REGRA 4.1 - Quando o último algarismo por conservar é ímpar, aumenta-se de uma unidade o último algarismo por conservar: – 4,5750 => 4,58 – 3,350 => 3,4 • REGRA 4.2 - Quando o último algarismo por conservar for par, ele permanecerá conservado sem modificação: – 2,8650 => 2,86 – 1,650 => 1,6 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 6 Estatística aplicada à metrologia • Estatística é ciência que realiza a análise e interpretação de dados com características aleatórias (variáveis aleatórias ou estocásticas). • A confiabilidade metrológica utiliza ferramentas estatísticas para – avaliar a eficiência de ensaios; – produzir resultados confiáveis. • A inferência estatística tira conclusões probabilísticas sobre aspectos das populações, a partir de amostras extraídas dessas populações. • No âmbito da metrologia, conceitos de estatística são utilizados para a obtenção de estimativas da incerteza de medição. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 7 Estatística aplicada à metrologia Média: • Considerando um conjunto de medições com “n” valores individuais independentes x1, x2, ..., xn, a média aritmética é definida como: 1 x= N N ∑x i i =1 • Onde: – x = média aritmética; – xi = valores da amostra; – n = números de elementos da amostra. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 8 Estatística aplicada à metrologia Média - Exemplo: • Após o ajuste de um transmissor de pressão, foram feitas três leituras seguidas: – 4,02 mA; – 3,99 mA; – 4,10 mA. • Calcule a média das 3 leituras. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 9 Estatística aplicada à metrologia Média - Exemplo: • Após o ajuste de um transmissor de pressão, foram feitas três leituras seguidas: – 4,02 mA; – 3,99 mA; – 4,10 mA. • Calcule a média das 3 leituras. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 10 Estatística aplicada à metrologia Média - Exemplo: • Após o ajuste de um transmissor de pressão, foram feitas três leituras seguidas: – 4,02 mA; – 3,99 mA; – 4,10 mA. • Calcule a média das 3 leituras. • O valor calculado deve ser expresso com o mesmo número de algarismos significativos que os valores medidos: x = 4,04 mA Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 11 Estatística aplicada à metrologia Variância / desvio padrão: • Avalia o quanto os valores observados estão dispersos ao redor da média: N 2 ( x − x ) ∑ i S= i =1 N −1 • Exemplo: Após o ajuste de um transmissor de pressão, foram feitas as leituras: – 4,02 mA; – 3,99 mA; – 4,10 mA. Calcule a variância das 3 leituras: Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 12 Resumo Amostra x População • A análise da população a partir da amostra só faz sentido se a amostra é um conjunto representativo da população. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 13 Estatística aplicada à metrologia Função densidade de probabilidade Distribuições de Probabilidade (Fx(x)): • São utilizadas para descrever o comportamento das variáveis aleatórias. • Exemplo de distribuições de probabilidade: < fx(x) < = Fx (xo) = P(x ≤ xo) Área total sob a curva: x Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA =1 ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 14 Estatística aplicada à metrologia Distribuição Normal (ou Gaussiana): • Na natureza, muitos fenômenos são descritos (mesmo que aproximadamente) por distribuições normais. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 15 Estatística aplicada à metrologia Características da distribuição Normal : – Forma de sino; – Simétrica em relação á média; – A probabilidade tende a zero nas extremidades. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 16 Estatística aplicada à metrologia Distribuição normal padronizada: • Para trabalhar com distribuições normais, em geral são usadas tabelas. • A distribuição normal padronizada foi criada para evitar o uso de uma tabela para cada combinação de valores da média e do desvio padrão. • É definida então a variável normalizada: • A distribuição padronizada tem média zero e desvio um: Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 17 Estatística aplicada à metrologia Exemplo: Distribuição normal padronizada: • Na medição da temperatura ambiente de um laboratório, foram medidos valores onde a temperatura média = 20,2 oC e o desvio padrão = 0,2 oC . Admitindo-se que o conjunto de temperaturas tenha uma distribuição normal, determinar a probabilidade de que a temperatura do laboratório seja menor que 20,0 oC . Da tabela para z = 1 → 0,3413 Então: prob = 0,5 – 0,3413 = 0,1587 ou seja: prob=15,87% Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 18 Tabela da distribuição Normal Padronizada Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 19 Estatística aplicada à metrologia Intervalo de Confiança / Confiabilidade: • Intervalo de confiança é a faixa de valores onde espera-se que uma variável aleatória (no nosso caso o valor medido) ocorra. • A confiabilidade é a probabilidade associada a um certo intervalo de confiança: Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 20 Estatística aplicada à metrologia Distribuição de Student • Quando o número de pontos tomados é pequeno, fazer as análises utilizando a distribuição normal pode ser muito arriscado. Uma opção é a distribuição de Student. • Na distribuição de Student é definido o parâmetro tv que é semelhante ao “z” da distribuição normal padronizada: Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 21 Estatística aplicada à metrologia Distribuição de Student • Para consulta na tabela da distribuição de Student é preciso conhecer o número de “graus de liberdade” associados à medição. • O número de graus de liberdade (g.l.) é definido como sendo o número de medições (n) menos um: g.l.=n-1 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 22 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 23 Estatística aplicada à metrologia Distribuição de Student- Exemplo: • A média do conjunto de dez medições de pressão é 374,9992 mmHg e um desvio padrão 0,00065 mmHg . Qual a probabilidade que uma medição seja menor que 374,9993 mmHg ? Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 24 Estatística aplicada à metrologia Distribuição de Student- Exemplo: • A média do conjunto de dez medições de pressão é 374,9992 mmHg e um desvio padrão 0,00065 mmHg . Qual a probabilidade que uma medição seja menor que 374,9993 mmHg ? 1- Resultado utilizando a distribuição normal: • Z = (374,9993 – 374,9992) / 0,00065 = 0.1538 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 25 Estatística aplicada à metrologia Distribuição de Student- Exemplo: • A média do conjunto de dez medições de pressão é 374,9992 mmHg e um desvio padrão 0,00065 mmHg . Qual a probabilidade que uma medição seja menor que 374,9993 mmHg ? 1- Resultado utilizando a distribuição normal: • Z = (374,9993 – 374,9992) / 0,00065 = 0.1538 • Da tabela temos P=55,96 % Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 26 Estatística aplicada à metrologia Distribuição de Student- Exemplo: • A média do conjunto de dez medições de pressão é 374,9992 mmHg e um desvio padrão 0,00065 mmHg . Qual a probabilidade que uma medição seja menor que 374,9993 mmHg ? 2- Resultado utilizando a distribuição de Student: • tv= (374,9993 – 374,9992) / (0,00065/√10) = 0.487 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 27 Estatística aplicada à metrologia Distribuição de Student- Exemplo: • A média do conjunto de dez medições de pressão é 374,9992 mmHg e um desvio padrão 0,00065 mmHg . Qual a probabilidade que uma medição seja menor que 374,9993 mmHg ? 2- Resultado utilizando a distribuição de Student: • tv= (374,9993 – 374,9992) / (0,00065/√10) = 0.487 • Da tabela (para nove graus de liberdade), o valor 0,487 não existe, mas temos 0,261 e 0,543, faremos então uma interpolação linear para obtermos o valor da probabilidade: Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 28 Estatística aplicada à metrologia Distribuição de Student- Exemplo: • A média do conjunto de dez medições de pressão é 374,9992 mmHg e um desvio padrão 0,00065 mmHg . Qual a probabilidade que uma medição seja menor que 374,9993 mmHg ? 2- Resultado utilizando a distribuição de Student: • tv= (374,9993 – 374,9992) / (0,00065/√10) = 0.487 • Da tabela (para nove graus de liberdade), o valor 0,487 não existe, mas temos 0,261 e 0,543, faremos então uma interpolação linear para obtermos o valor da probabilidade: • (x – 0,60) / (0,70 – 0,60) = (0,487 – 0,261) / (0,543 – 0,261) então: x=0,68% Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 29 Estatística aplicada à metrologia Distribuição Normal x de Student: • Percebe-se que num mesmo problema o uso da distribuição de Student leva a resultados mais “conservadores” (maior probabilidade para um mesmo intervalo). • A distribuição de Student considera que quanto menor o número de graus de liberdade, mais incerta será a variável medida. • A diferença entre as distribuições só é significativa para um número pequeno de graus de liberdade (menor que 30). Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 30 Avaliação da Incerteza de Medição Pode ser feita de duas formas (segundo o Guia para Expressão da Incerteza de Medição do Inmetro): • Por análise estatística a partir de uma série de medições repetidas da mesma grandeza (avaliação tipo A). • A partir de julgamento científico utilizando todas as informações disponíveis sobre o sistema de medição (avaliação do tipo B). Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 31 Avaliação da Incerteza Padrão do Tipo A • Quando dispomos de uma série de N observações de uma variável x, a incerteza de medição U pode ser estimada por: s u= N • Onde s é o desvio padrão das medições xi: N ∑ (x s= i − x )2 i= 1 N −1 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA a média é dada por: ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 1 x= N N ∑x i i=1 32 Avaliação da Incerteza do Tipo A • A incerteza padrão é utilizada para intervalos de confiança da ordem de um desvio padrão: x = x±u • Da distribuição normal esse intervalo está associado a -1 > z > 1 → P=68 %. • Para uma maior confiabilidade podemos utilizar a incerteza estendida: x = x ± z×u • Se z=2 → x = x ± 2u Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA → confiabilidade associada → 95 % ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 33 Avaliação da Incerteza do Tipo A • Se o número de medições for pequeno, pode-se utilizar a distribuição de Student para estimativa da confiabilidade: 1. Determinar o nível de confiabilidade desejado; 2. Determinar o número de graus de liberdade; 3. Encontrar na tabela o valor de tv associado; 4. Escrever a incerteza na forma: x = x ± tv × u Exemplo: Considerando n=5 e confiabilidade = 95%, encontre tv : Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 34 Avaliação da Incerteza do Tipo A • Se o número de medições for pequeno, pode-se utilizar a distribuição de Student para estimativa da confiabilidade: 1. Determinar o nível de confiabilidade desejado; 2. Determinar o número de graus de liberdade; 3. Encontrar na tabela o valor de tv associado; 4. Escrever a incerteza na forma: x = x ± tv × u Exemplo: Considerando n=5 e confiabilidade = 95%, encontre tv : P=0,5+0,95/2=0,975 v=n-1=4 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 35 Avaliação da Incerteza do Tipo A • Se o número de medições for pequeno, pode-se utilizar a distribuição de Student para estimativa da confiabilidade: 1. Determinar o nível de confiabilidade desejado; 2. Determinar o número de graus de liberdade; 3. Encontrar na tabela o valor de tv associado; 4. Escrever a incerteza na forma: x = x ± tv × u Exemplo: Considerando n=5 e confiabilidade = 95%, encontre tv : P=0,5+0,95/2=0,975 v=n-1=4 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA tv=2,776 x = x ± 2,776 u ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 36 Avaliação da Incerteza do Tipo A • Para uma certa confiabilidade, percebe-se da tabela da distribuição de Student que quanto maior o número de graus de liberdade, mais próximo da distribuição normal fica o resultado: • Para confiabilidade de 95 % (P 0,975): • v = 1 → tv = 12,706; • v = 2 → tv = 4,303; • v = 3 → tv = 3,182; • ... • v = 10 → tv = 2,228; • ... • v = 20 → tv = 2,086; Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 37 Exemplo prático com a incerteza de medição Tipo A Considerando que a uma peça foi medida diretamente com um micrômetro e foram obtidas as 12 leituras a seguir, estime a incerteza padrão de medição. Comprimentos medidos em mm. 10,0020 10,0023 10,0040 10,0023 10,0018 10,0020 10,0021 10,0023 10,0018 10,0024 10,0023 10,0023 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 38 Exemplo prático com a incerteza de medição Tipo A Considerando que a uma peça foi medida diretamente com um micrômetro e foram obtidas as 12 leituras a seguir, estime a incerteza padrão de medição. Comprimentos medidos em mm. 10,0020 10,0023 10,0040 10,0023 10,0018 10,0020 10,0021 10,0023 10,0018 10,0024 10,0023 10,0023 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA A partir dos valores medidos chega-se a; x = 10,0023 s = 0,0006 s u= = 0,0001732 N ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 39 Exemplo prático com a incerteza de medição Tipo A Considerando que a uma peça foi medida diretamente com um micrômetro e foram obtidas as 12 leituras a seguir, estime a incerteza padrão de medição. Comprimentos medidos em mm. 10,0020 10,0023 10,0040 10,0023 10,0018 10,0020 10,0021 10,0023 10,0018 10,0024 10,0023 10,0023 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA A partir dos valores medidos chega-se a; x = 10,0023 s = 0,0006 s u= = 0,0002 N A variável medida é então expressa por: x = ( 10,0023±0,0002) mm Obs: a incerteza deve ser expressa com o mesmo número de casas decimais que o valor medido ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 40 Exemplo prático com a incerteza de medição Tipo A Considerando o modelo da distribuição normal ( que nesse caso apresenta resultados semelhantes ao de Student), qual o intervalo que apresenta uma confiabilidade de 90% ? Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 41 Exemplo prático com a incerteza de medição Tipo A Considerando o modelo da distribuição normal ( que nesse caso apresenta resultados semelhantes ao de Student), qual o intervalo que apresenta uma confiabilidade de 90% ? Da tabela da distribuição normal para essa probabilidade temos: z=1,65. x = x ± z×u Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 42 Exemplo prático com a incerteza de medição Tipo A Considerando o modelo da distribuição normal ( que nesse caso apresenta resultados semelhantes ao de Student), qual o intervalo que apresenta uma confiabilidade de 90% ? Da tabela da distribuição normal para essa probabilidade temos: z=1,65. x = x ± z×u x = ( 10,0023±1,65× 0,0002 ) mm x = ( 10,0023±0,0004 ) mm Obs: a incerteza de medição é sempre expressa na mesma quantidade de casas decimais que o valor medido e é sempre aproximada para o maior valor Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 43 Avaliação da Incerteza Tipo B Para a variável x que não foi obtida a partir de uma série de observações a incerteza deve ser avaliada utilizando-se todas as informações disponíveis como: – – – – – Medições anteriores; Especificações do fabricante; Dados de calibração; Conhecimento dos instrumentos e materiais utilizados; Etc. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 44 Avaliação do Tipo B da incerteza de medição • A incerteza padrão do tipo B é determinada por: S = SY1 + SY2 + ... +SYN Incertezas devido às fontes Y1, Y2, ..., YN Onde Y1 pode ser a incerteza associada a medidas anteriores, Y2 a incerteza associada às especificações do fabricante, etc Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 45 Avaliação da incerteza de medição Tipo B • Exemplo: Uma balança digital indica massas com intervalos de 0,1 kg. Sabendo que ela foi calibrada por uma massa padrão de incerteza padrão 0,01kg, calcule a incerteza padrão da balança. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 46 Avaliação da incerteza de medição Tipo B • Exemplo: Uma balança digital indica massas com intervalos de 0,1 kg. Sabendo que ela foi calibrada por uma massa padrão de incerteza padrão 0,01kg, calcule a incerteza padrão da balança. • S = (0,1)/2 + Metade da menor divisão (resolução) do instrumento Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 47 Avaliação da incerteza de medição Tipo B • Exemplo: Uma balança digital indica massas com intervalos de 0,1 kg. Sabendo que ela foi calibrada por uma massa padrão de incerteza padrão 0,01kg, calcule a incerteza padrão da balança. • S = (0,1)/2 + 0,01 = 0,06 kg. Metade da menor divisão (resolução) do instrumento Incerteza do processo de calibração Obs: a incerteza de medição do tipo B também pode ser expressa na forma estendida. Neste caso em geral utiliza-se a aproximação pela curva normal. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 48 Propagação de incertezas • Quando uma grandeza x é calculada a partir de uma ou mais variáveis medidas, sua incerteza Sx pode ser estimada a partir das incertezas das variáveis medidas. x = f(y1 , y2 ,..., yk ) Sendo: Então, se as variáveis yi são não-correlacionadas: 2 ∂F ∂F 2 (Sy1 ) + ... + Sx = ∂y1 ∂yK Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA 2 (SyK )2 ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 49 Propagação de incertezas • Exemplo: Considerando que uma grandeza X é estimada a partir da medição das variáveis Y1 e Y2, estime a incerteza na estimação de X. X=Y1+Y2 Sx = (Sy1 )2 + (Sy2 )2 X=Y1 × Y2 Sx = (y2 Sy1 )2 + (y1Sy2 )2 X=aY1 Sx = (aSy1 )2 = aSy1 Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 50 U (Volts) Exercícios: Questão 01: Considerando que foram realizadas as medições ao lado utilizando um voltímetro, calcule: 12,102 12,103 12,105 a. A incerteza padrão 12,103 b. A incerteza associada à confiabilidade de : 12,101 • 80 % • 95 % • 99 % 12,103 12,104 12,103 Questão 02: Refaça a Questão 01 considerando a distribuição de Student. 12,103 12,104 Questão 03: Um amperímetro digital foi calibrado utilizando um instrumento de incerteza padrão igual a 0,0007 A, considerando que a menor divisão do mostrador do amperímetro é igual a 0,001 A, estime a incerteza associada a medições realizadas com este amperímetro para uma confiabilidade de 99%. 12,102 Questão 04: O comprimento de uma barra foi calculado a partir das distâncias L1 e L2 medidas das extremidades da barra para um ponto referencial. A incerteza associada a cada uma das medições é de 0,001 cm, estime a incerteza associada ao comprimento da barra. Questão 05: Estima a incerteza de medição associada a uma variável Y que é medida de modo indireto a partir das variáveis X1 e X2, considerando que Y = 17 X12 + 1/X2 e que as incertezas de medição associadas às medições de cada variável foram respectivamente 0,01 e 0,05 para X1 e X2. Prof. Eduardo Simas – DEE/UFBA ENGF99 – Instrumentação e Automação Industrial I (Aula II – Incerteza de Medição) 51