CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA
DE SEGURANÇA DO TRABALHO
M4 D3 – HIGIENE DO TRABALHO III
GUIA DE ESTUDO PARTE II – EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO RUÍDO
AULA 47
PROFESSOR AUTOR: ENG. JOSEVAN URSINE FUDOLI
PROFESSOR TELEPRESENCIAL: ENG. TUFFI MESSIAS SALIBA
COORDENADOR DE CONTEÚDO: ENG. JOSEVAN URSINE FUDOLI
DIRETORA PEDAGÓGICA: MARIA UMBELINA CAIAFA SALGADO
17 DE JULHO DE 2012
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APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA: HIGIENE DO TRABALHO III
O desenvolvimento da Disciplina Higiene do Trabalho III está organizado em
quatro partes, nas quais serão tratados os seguintes conteúdos:
Parte I: ELABORAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO PPRA - Premissas do
PPRA com base na NR 9 do Ministério do Trabalho. Objetivo e campo de aplicação.
Estrutura do PPRA. Documento-Base. Cronograma. Desenvolvimento do PPRA.
Fases do PPRA: Antecipação, Reconhecimento, Prioridades e metas de avaliação e
controle, Avaliação dos Riscos e da exposição dos trabalhadores, Medidas de
Controle, avaliação da eficácia das medidas de controle, monitoramento da
exposição dos riscos, registro dos dados, divulgação dos dados. Nível de Ação.
Registro de Dados. Responsabilidades.
Parte II: Ruído Ocupacional. Som e Ruído. Nível de pressão sonora. Nível
de Intensidade sonora. Potência sonora. Níveis de audibilidade. Curvas de
atenuação. Dose de ruído/efeito combinado. Fator de duplicação de dose. Nível
equivalente de ruído. Avaliação de Ruído contínuo, intermitente e de impacto.
Equipamentos de avaliação de ruído. Medidas de controle. Efeitos do ruído no
organismo. Nível de Exposição normalizado (NEN). Adição de níveis de ruído.
Subtração de níveis de ruído. Avaliação de ruído para fins de sossego público. EPIs
e fator de atenuação de protetores. Referências bibliográficas.
Parte III: 24/07/2012
Parte IV: 31/07/2012
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Neste texto, apresentamos a Parte II do Guia de Estudo, “Exposição ao Ruído
Ocupacional”
O calendário atualizado da disciplina encontra-se no quadro a seguir.
o
2012 Guia de
N Lista
Textos Complementares de Leitura Obrigatória
aulas Estudo
Exercícios
10 jul
17 jul
Parte I
Parte II
NR 9 (PPRA), acessar o site abaixo:
http://portal.mte.gov.br/data/files/FF80808
12BE914E6012BEF1CA0393B27/nr_09_
at.pdf
Prevalência da Perda Auditiva Induzida
pelo Ruído em Trabalhadores de Indústria
Têxtil. Acessar site
46
47
http://www.arquivosdeorl.org.br/conteudo/ac
ervo_port.asp?Id=380
24 jul Parte III
48
31 jul Parte IV
49
RECOMENDAMOS!
Leia com atenção o Guia de Estudo e os textos complementares, tome notas e
organize esquemas que o (a) ajudem a compreender os temas abordados e a
pesquisar o assunto com a devida profundidade.
Procure assistir a todas as aulas telepresenciais e resolver as Listas de Exercícios
nos prazos assinalados. Não deixe para a última hora!
OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM
Após a realização das atividades previstas para a Parte II desta disciplina,
esperamos que você seja capaz de:
1. Descrever os equipamentos de avaliação de ruído;
2. identificar os tipos de ruído existentes;
3. descrever as medidas de proteção ao ruído;
4. comparar o ruído ocupacional do ruído do meio ambiente;
5. descrever os efeitos do ruído no organismo.
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INDICE
01. Som e Ruído........................................................................................
02. Nível de pressão sonora......................................................................
03. Nível de Intensidade sonora...............................................................
04. Potência sonora. ................................................................................
05. Níveis de audibilidade........................................................................
06. Curvas de atenuação...........................................................................
07. Dose de ruído/efeito combinado.........................................................
08. Fator de duplicação de dose................................................................
09. Nível equivalente de ruído..................................................................
10. Avaliação de Ruído contínuo, intermitente e de impacto...................
11. Equipamentos de avaliação de ruído...................................................
12. Medidas de controle............................................................................
13. Efeitos do ruído no organismo............................................................
14. Nível de Exposição normalizado (NEN)............................................
15. Adição de níveis de ruído...................................................................
16. Subtração de níveis de ruído...............................................................
17. Avaliação de ruído para fins de conforto ...........................................
18. Avaliação de ruído para fins de sossego público................................
19. EPIs e fator de atenuação de protetores..............................................
20. Referências bibliográficas..................................................................
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PARTE II : EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL AO RUÍDO
1. SOM E RUÍDO
O som é um fenômeno ondulatório, transmitido por vibrações em um meio
elástico - sólido, líquido ou gasoso -, transmitidas ou propagadas no espaço. É um
fenômeno físico de vibrações, denominadas ondas, que são formadas pela
compressão e rarefação das moléculas no ar.
A velocidade de propagação da onda (C) pode ser calculada, levando-se em
consideração o comprimento de onda (λ) e sua frequência de oscilação (f), de
acordo com a seguinte fórmula:
C = f. λ
C = velocidade de propagação da onda (m/s)
f = frequência da oscilação (Hz) – é o número de pulsações de uma onda
acústica senoidal, cuja unidade é o hertz (Hz), que ocorre no intervalo de tempo de
um segundo.
λ = comprimento de onda (m)
A onda sonora é caracterizada por sua frequência (Hz), comprimento de onda
(λ) e pela amplitude.
A representação da onda sonora é mostrada na figura 1, a seguir:
λ
Amplitude
Tempo
Amplitude
λ
Figura 1 - Representação da onda sonora
A amplitude é a extensão da oscilação da onda, acima ou abaixo do valor
médio, representado pela linha central. A amplitude é o volume do som.
O som se apresenta sob variadas formas, tais como: música, canto dos
pássaros, cordas de um violão, a fala, as ondas do mar, entre outras que se
propagam no ar e chegam aos ouvidos.
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Entretanto, no cotidiano, muitos sons são desagradáveis e indesejados,
sendo, então, classificados como ruído. Som e ruído são formas de energia
transmitidas pela colisão das moléculas de um meio, umas contra as outras,
sucessivamente.
A frequência determina a altura do som: quanto mais oscilações houver, mais
agudo é o som.
Onda sonora de som grave (150Hz)
Onda sonora de som agudo (2000Hz)
Para a vibração ser ouvida, é necessário que a frequência do som se situe
entre 16 e 20.000 Hz e que a variação de pressão sonora provocada pela vibração
atinja o limiar da audibilidade (2 x 10-5 N/m²) (SALIBA, 2010). Segundo outros
autores (cf. GERGES, 2000), as ondas de pressão em um meio podem ser audíveis,
na faixa de frequências de 20 a 20.000 Hz.
2. NÍVEL DE PRESSÃO SONORA
O Nível de pressão sonora (NPS) determina a intensidade do som e
representa a relação do logaritmo entre a variação da pressão sonora (P),
provocada pela vibração, e a pressão que atinge o “limiar de audibilidade”.
Segundo Saliba (2009), com base em pesquisas realizadas entre pessoas
jovens, sem problemas auditivos, o limiar de audibilidade é de 2 x 10-5 N/m² ou
0,00002 N/m². Desse modo, convencionou-se esse valor como sendo 0 (zero) dB
(decibel), ou seja, o nível de pressão sonora de referência.
O nível superior de pressão sonora, pelas experiências realizadas, seria
equivalente à pressão de 200 N/m², ou seja, quando a pressão sonora atingir o valor
de 200 N/m2 (correspondente a 140 dB), chamado “limiar de dor”, a pessoa exposta
começa a sentir dor nos ouvidos.
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Com o objetivo de eliminar dificuldades de operar com números muito baixos (2
x 10-5 N/m²) ou muito elevados (200 N/m²) e também para utilizar uma grandeza que
mais se aproxima da resposta do ouvido humano, adotou-se o decibel (dB) como
grandeza referencial de som/ruído, na expressão do nível de pressão sonora (NPS).
O nível de pressão sonora pode ser calculado pela expressão matemática a
seguir:
(equação 1), em que:
NPS = Nível de pressão sonora do som (em dB)
P = Pressão sonora (em Pa) (Pascal)
Po = limiar de audibilidade, que corresponde a 2x10-5 N/m2, em 1.000 Hz
Substituindo o valor de Po, na equação 2, e aplicando os conceitos de
logaritmo, o NPS é expresso, conforme abaixo.
(equação 2), em que:
(equação 3)
Veja a seguir a aplicação da equação 3, acima, e
sua importância.
Exemplo 1
Qual o NPS, em dB, para a pressão sonora de
1Pa?
Solução: NPS = 20 log 1 + 94; como log 1 = 0,
logo: NPS = 94 dB
Exemplo 2
Qual o NPS, em dB, para a pressão sonora de
2Pa?
Solução: NPS = 20 log 2 + 94;como log 2 = 0,3,
logo, NPS = 100 dB.
Conclusão: a equação 3 demonstra que o
aumento de 6 dB corresponde a dobrar a pressão
sonora.
Figura 2 – Pressão sonora
x nível de pressão sonora
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3. NÍVEL DE INTENSIDADE SONORA
O nível de intensidade sonora corresponde à intensidade sonora em um ponto
específico e à quantidade média de energia sonora transmitida através de uma
unidade de área perpendicular à direção de propagação do som.
O nível de intensidade sonora (NIS) é expresso pela seguinte fórmula:
NIS = 10 log (I / Io)
I = intensidade sonora (energia) que passa por uma área
Io = intensidade de referência igual a 10-¹²Watt / m2
Exemplo 1
Qual o valor do nível de intensidade sonora (NIS) para 3 x 10¹¹ w/m² ?
Solução. Aplicando a fórmula abaixo:
NIS = 10 log (I / Io), teremos:
NIS = 10 log (3 x 10-¹¹ / 10-¹² )
NIS = 10 log (30) = 10 x 1,4772
NIS = 15 dB
Exemplo 2
Qual o valor do nível de intensidade sonora (NIS) para 6 x 10¹¹ w/m² ?
Solução. Aplicando a fórmula abaixo:
NIS = 10 log (I / Io), teremos:
NIS = 10 log (6 x 10-¹¹ / 10-¹² )
NIS = 10 log (60) = 10 x 1,7782
NIS = 18 dB
Conclusão: se dobrar a intensidade sonora, o nível de intensidade sonora
aumenta 3 dB.
4. NÍVEL DE POTÊNCIA SONORA
Gerges (2000) nos ensina que “uma importante propriedade de qualquer fonte
é a potência sonora ou energia acústica total, emitida pela fonte na unidade do
tempo”.
A potência sonora depende apenas da fonte emissora e independe do meio.
Por exemplo: se o nível de pressão sonora (NPS) de uma máquina for medida em
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determinado ambiente, quando essa máquina for levada a outro ambiente (do
campo livre para uma sala), a pressão acústica provavelmente mudará bastante,
mas a potência sonora permanecerá inalterada. O ambiente exerce influência na
pressão acústica pela introdução de absorção e reflexão do ruído. (cf. GERGES,
2000)
Assim, é importante a medição da potência sonora emitida por qualquer
máquina. A partir dos dados obtidos, é possível calcular a pressão acústica em
qualquer ambiente, uma vez que se conheçam o tamanho, a forma e a capacidade
de absorção das paredes.
O nível de potência sonora é expresso pela seguinte fórmula:
NWS = 10 LOG W / WO, sendo:
W = potência sonora na fonte em watts; representa a quantidade
de energia acústica produzida por uma fonte sonora, por
unidade de tempo.
Wo = potência sonora de referência igual a 10 (-) ¹² Watts.
5. NÍVEIS DE AUDIBILIDADE
A sensibilidade auditiva não é igual para todas as frequências nem para todas
as pessoas, variando também com a idade. As frequências altas são mais lesivas
que as graves, sendo que a maior sensibilidade é de em 4.000 Hz (SALIBA, 2010).
O nível de audibilidade é o nível de pressão sonora necessário para que um
ouvido jovem, são e médio, escute um tom qualquer com a mesma força de 1.000
Hz. Sua unidade é o fon, que equivale ao decibel, a 1.000 Hz.
Com o avanço da tecnologia, novos estudos foram feitos e, em 1956,
Robinson e Dadson (apud SALIBA, 2009), publicaram o resultado de seus trabalhos,
mostrando modificação nas curvas originais de Fletcher e Munson.
Essas curvas, mostradas na Fig. 3, foram adotadas por recomendação da
International Organization for Standardization (ISO).
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Figura 3 - Níveis de audibilidade em fons
Na figura 3, tomando-se a curva de 90 fons pode-se verificar que esse nível
na frequência de 4.000 Hz é produzido por um nível de pressão sonora de 80 dB,
que é ouvido com a mesma intensidade na frequência de 250 Hz, porém, produzido
por nível de pressão sonora de 85 dB.
6. CURVAS DE ATENUAÇÃO
O sinal sonoro, em sua forma pura, é conhecido por curva linear. O homem é
capaz de detectar o som nas frequências de 20 Hz a 20 KHz. Valores abaixo e
acima desse intervalo de frequência são chamados de infrassom e ultrassom e não
são perceptíveis ao ouvido humano. De uma maneira genérica, o ruído é o som
capaz de causar uma sensação indesejável e desagradável e é a mistura de muitos
sons de frequências diferentes. Exemplificando: o som de uma buzina dá uma
sensação sonora de estarmos ouvindo apenas um som, quando na verdade o som
emitido é composto em vários valores de sons e em diferentes frequências.
Para contornar a sensação de dar um valor só (a um conjunto de sons) é que
foram criados os “decibéis compensados”, cuja base resulta do fato de o sistema
auditivo humano ter sensibilidade diferente para diversas frequências. Por exemplo:
um som em 80 dB, emitido na frequência de 1.000 Hz é ouvido bem mais forte do
que os mesmos 80 dB emitidos na frequência de 63 Hz.
Os estudos mostram que o sistema auditivo humano é baixo para as
frequências baixas ou altas, mas altamente sensível para frequências médias (da
ordem de 1.000 a 4.000 Hz).
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Com base nesta constatação, foram criados os circuitos de compensação que
consistem em alterar os níveis de pressão sonora, por meio de compensações, para
cada faixa de frequência, obtendo-se um nível de pressão sonora compensado,
sendo que todo o trabalho de compensação é realizado internamente por filtros dos
aparelhos.
Desta forma, com base nos estudos de nível de audibilidade, foram
desenvolvidas as curvas de decibéis compensados ou ponderados, nas frequências
A, B, C e D, de forma a simular a resposta do ouvido humano. Essas curvas de
compensação foram padronizadas internacionalmente e introduzidas nos circuitos
eletrônicos dos medidores de nível de pressão sonora.
A figura 4 mostra as curvas de compensação.
Figura 4 – Curvas de compensação
Circuitos de compensação
Curva “A” – baseia-se na atenuação similar do ouvido, quando esse fica
submetido a pressão sonora de baixos níveis de frequência distintas. Nas baixas
frequências, a curva de ponderação “A” atenua de forma significativa, diminuída esta
atenuação à medida que se aproxima da frequência de 1.000 Hz, na qual a
atenuação da curva “A” é zero. De 1.000 Hz a 5.000 Hz a curva “A” amplifica e volta
a atenuar a partir de 5.000 Hz. Esse circuito se aproxima da resposta ao ouvido
humano.
Curva “B” – representa atenuações dos níveis médios e sofre menos
variações nas baixas frequências, verificando-se nenhum tipo de amplificação
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através do espectro de frequência. A escala “B” não apresenta atenuações na faixa
de 400 e 3.000 Hz.
Curva “C”– utilizado para altos níveis de pressão sonora, é o que menos
produz atenuação, sendo que, na faixa de 100 a 3.000 Hz, sua incidência sobre o
ruído emitido é nula. É o circuito menos usado. Contudo, é o mais indicado para
monitoramento de ruído de impacto.
Curva “D” – baseia-se em altos níveis de pressão sonora, acima de 120 dB,
como ruídos produzidos em reatores e turbinas de avião. É recomendado para
medição de ruído em aeroportos.
Das quatro curvas de compensação da figura 7, a curva “A” é a que mais se
aproxima da resposta humana é (Cf. SALIBA, ASTETE; KITAMURA, 1978), porque
se aproxima das curvas de igual audibilidade para baixos níveis de pressão sonora.
7. DOSE DE RUÍDO OU EFEITOS COMBINADOS
O trabalhador pode ficar exposto ao ruído em apenas uma situação, como por
exemplo, em seu posto de trabalho, no qual o nível de ruído seja constante durante
toda a jornada. Outros empregados, no entanto, podem ficar expostos, em várias
situações, em períodos diferentes e com níveis variados de exposição, devendo tais
fatores ser levados em consideração. Essa metodologia de cálculo que leva em
conta os efeitos combinados da exposição chama-se dosimetria de ruído.
A dose de ruído é calculada pela fórmula a seguir, constante no Anexo 1 da
NR-15:
D = dose de ruído
Cn = tempo total diário em que o trabalhador fica exposto a um nível de ruído
específico.
Tn = máxima exposição diária permissível ao nível de ruído específico, de
acordo com os limites de segurança do Quadro 1 do Anexo 1 da NR-15.
De acordo com a expressão acima, se o valor da dose (D) for igual ou menor
que 1,0 (um), a exposição ao ruído estará dentro do limite de tolerância. Caso
contrário, a exposição ao ruído estará acima do limite de tolerância.
A dose de ruído pode ser também obtida pela medição direta em instrumentos
eletrônicos, conhecidos como dosímetros.
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8. FATOR DE DUPLICAÇÃO DE DOSE
Segundo Saliba (2009, p.22), “fator de duplicação de dose é o incremento em
decibéis que, quando adicionado a um determinado nível, implica a duplicação da
dose de exposição ou redução pela metade do tempo máximo de exposição”.
Os fatores de duplicação de dose mais usados são q = 3 e q = 5 e são
levados em conta na elaboração de tabelas de limites de tolerância.
Embora a NR-15 não explicite, no Quadro I - Limites de Tolerância - do Anexo
1, qual é o fator de duplicação de dose aplicado, deduz-se, implícita e tecnicamente,
que ele foi construído com o fator de duplicação 5.
Entretanto, a Fundacentro elaborou a norma técnica NHO-01 e construiu um
quadro de limites de exposição ocupacional de ruído, adotando o fator de duplicação
de dose de q = 3, o que contradiz o texto legal do Ministério do Trabalho.
A tabela da Fundacentro difere da tabela do Ministério do Trabalho, com
relação ao fator de duplicação, mas o limite de tolerância para 8 horas de trabalho é
o mesmo, ou seja, de 85 dB (A). Legalmente, prevalece a NR-15, documento do
Ministério do Trabalho.
9. NÍVEL EQUIVALENTE DE RUÍDO
O nível equivalente de ruído é utilizado para calcular a média de ruído (em
decibéis) a que ficam expostos os trabalhadores, nas mais variadas situações e
níveis de ruído. Esse nível equivalente deverá representar a média de todas as
exposições ocorridas no espaço de tempo de medição.
O nível equivalente pode ser obtido de duas formas:
1ª) calculando a dose de ruído ou efeitos combinados e entrar com esse
resultado na fórmula de Nível Equivalente de Ruído, recomendada pelo fabricante
do equipamento.
2ª) realizando a medição do nível equivalente de ruído diretamente no
instrumento de medição, conhecido como dosímetro de ruído, o qual apresentará o
resultado diretamente no visor do equipamento.
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10. AVALIAÇÃO DO RUÍDO
Existem basicamente três tipos de ruído: contínuo, intermitente e ruído de
pico.
Ruído contínuo é aquele com flutuações tão pequenas no nível de pressão
sonora que pode ser desprezado dentro do período de observação (até ± 3 dB).
(MORAES, 2002)
Ruído intermitente é aquele cujo nível de pressão sonora cai bruscamente
várias vezes no ambiente, com variações maiores do que ± 3 dB, desde que o
tempo de ocorrência seja superior a um segundo (MORAES, 2002)
Ruído de impacto é aquele que apresenta um ou mais picos de energia
acústica de duração menor que um segundo, em intervalos de ocorrência superior a
1 segundo (NR-15, Anexo 1).
De acordo com a NR-15, Anexo 1, ruído contínuo ou intermitente é aquele
que não for classificado como de impacto.
A avaliação de ruído possui vários objetivos, sendo os mais importantes, para
fins da engenharia de segurança, os descritos a seguir.
10.1. PPRA
A avaliação ocupacional está prevista na NR-9 (PPRA), devendo as medições
de ruído continuo ou intermitente ser realizadas, com base no Anexo 1 da NR-15,
utilizando instrumentos de medição do nível de pressão sonora, mais precisamente
o dosímetro de ruído, também conhecido como audiodosímetro, calibrado, operando
no circuito de compensação “A”, conforme explicado no item 2.6 e com o fator de
duplicação dose de q = 5, conforme explicado no item 2.9. Com relação ao ruído de
impacto, as medições devem ser realizadas, conforme NR-15, Anexo 2, no circuito
de compensação “C”. A metodologia da avaliação deverá englobar todas as
atividades ocupacionais dos trabalhadores.
10.2. Insalubridade
A avaliação de ruído, para caracterização ou não de insalubridade, está
prevista na NR-15, devendo as medições de ruído continuo ou intermitente ser
realizadas, com base no Anexo 1 dessa norma (Operações e atividades insalubres),
utilizando também instrumentos de nível de pressão sonora, (dosímetro de ruído),
com metodologia aplicável naquilo que couber ao exame pericial. Os instrumentos
seguem as mesmas exigências e características de avaliação ocupacional.
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10.3. Aposentadoria Especial
A avaliação da exposição a níveis de ruído, para a Previdência Social, por via
judicial ou não, é realizada para fins de instrução de processo de aposentadoria
especial. Quanto ao processo de avaliação, a norma previdenciária estabelece que
deverá estar em conformidade com a NHO-01 da Fundacentro, que utiliza o fator de
duplicação de dose (q = 3), enquanto a NR-15, Anexo 1 – que estabelece os limites
de tolerância – utiliza o fator de duplicação de dose (q = 5). Analisando a situação,
ou seja, a norma técnica (Fundacentro) e a norma legal (NR-15, Anexo 1), o ideal
seria a aplicação das duas, mas como não é possível, devido ao fator de duplicação
da dose ser diferente, o texto legal deve prevalecer sobre o técnico.
Além da questão da duplicação da dose, a avaliação de ruído, para fins de
aposentadoria especial, deve ser realizada com cautela, devido às peculiaridades
das normas previdenciárias, na metodologia e, principalmente, em relação aos
limites de segurança – aqueles estabelecidos pelo Ministério do Trabalho eram
diferentes dos estabelecidos pelo Ministério da Providência Social, até 18 de
novembro de 2003, quando o Decreto nº 4.882 uniformizou o limite para 85,0 dB(A).
10.4. Conforto
A avaliação de ruído deve ser realizada também em locais onde se
desenvolvem atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constante, tais
como: escritórios, salas de desenvolvimento ou análise de projetos, entre outros,
conforme exigência do subitem 17.5.2 da NR-17. Nesse caso, os níveis de ruído a
serem seguidos são os da norma ABNT NBR-10.152 e o limite de tolerância será de
65 dB (A), para as atividades citadas de conforto e trabalho intelectual. É oportuno
destacar que as empresas devem manter esses laudos para comprovação dos
órgãos competentes de fiscalização.
10.5. Meio ambiente
A avaliação de ruído do meio ambiente refere-se à preservação do sossego
público e é exigida dos estabelecimentos que executam atividades, cujos níveis de
ruído não podem ultrapassar os valores pré-fixados, para o meio ambiente. Os
critérios de avaliação nesse caso são estabelecidos pelas legislações municipais,
estaduais e federais que, normalmente, aplicam as normas técnicas da ABNT-NBR
10.151 e 10.152, cujos limites de tolerância são diferentes para o horário diurno;
para o horário noturno, em ruas e avenidas. Exemplificando: os postos de gasolina
que implantaram o GNV (Gás natural veicular) tiveram que realizar medição
quantitativa de ruído, em suas instalações, para avaliar se o nível de ruído dos
compressores de GNV estava dentro ou fora dos padrões exigidos de ruído para a
comunidade vizinha. O laudo é exigido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente
do município.
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10.6. Controle de ruído em máquinas e equipamentos
Outros tipos de avaliação de ruído são realizados em estabelecimentos,
indústrias, obras e serviços que utilizam máquinas e equipamentos com elevado
nível de ruído, com o objetivo de identificar as fontes de ruído em cada tipo de
máquina ou elemento da máquina (ventilador, exaustor, motor) e propor soluções
para redução desse nível. É importante destacar que as soluções, nesse caso, são
geralmente de engenharia e aplicadas na fonte do ruído (enclausuramento de
máquinas), ou na trajetória dele (placas absorventes, instalação de silencioso na
descarga, redução de vibrações, entre tantas outras soluções). Nesse tipo de
controle do ruído, não se trata de sugerir uso de protetor auricular, que deve ser a
última medida ocupacional a ser aplicada na proteção ao trabalhador, como já foi
dito neste curso, por diversas vezes.
11. EQUIPAMENTOS DE AVALIAÇÃO DE RUÍDO
A avaliação de ruído é realizada com instrumentos conhecidos como
medidores de pressão sonora, que se dividem nas categorias seguintes.
Medidor de nível de pressão sonora, de avaliação instantânea,
impropriamente chamado de “decibelímetro”, que serve para fazer a avaliação geral
do ruído produzido, uma espécie de avaliação de sondagem, para se ter uma ideia
dos níveis de ruído do ambiente.
Dosímetro de ruído – o dosímetro de ruído é um monitor de exposição que
acumula os diversos níveis de ruído do ambiente, por meio de um circuito integrado,
ao longo do tempo de medição, calculando a raiz média quadrática da avaliação. Os
dosímetros são muito utilizados na avaliação de ruído ocupacional, com metodologia
e estratégia de medição, devendo o instrumento ser ajustado sempre antes da
medição e possuir certificado de calibração atualizado.
Calibrador – os calibradores destinam-se a verificar a resposta de um
instrumento, com a finalidade de corrigir os possíveis desvios, de diversas origens:
altitude, umidade, temperatura, entre outros. Os fabricantes recomendam a
calibração anual dos equipamentos. Existem vários tipos e modelos de medidores
de ruído. A figura abaixo mostra um dos dosímetros mais utilizados na prática:
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Figura 5 – Dosímetro de ruído (Simpson 897) e seu calibrador
Analisador de frequência – São instrumentos que indicam a distribuição do
ruído em função das frequências e conhecidos como analisadores em banda de
oitava que possuem esse nome porque as bandas de frequências são divididas em
bandas centrais, englobando toda a faixa audível, em que cada frequência central é
o dobro da anterior. Desta forma, as frequências da banda de oitava são: 125, 250,
500, 1.000, 2.000, 4.000, 8.000 e 16.000 Hz.
A sensibilidade auditiva não é igual para todas as frequências e nem para
todas as pessoas, variando também com a idade. A frequência de 1.000 Hz é onde
o ouvido humano apresenta maior correspondência entre o som emitido e a
percepção. Já a frequência de 4.000 Hz é onde o ouvido humano apresenta maior
sensibilidade.
O analisador de frequência é utilizado na identificação de fontes de ruído, no
estabelecimento de medidas de controle no ambiente de trabalho e na necessidade
de apurar a frequência predominante do ruído no ambiente.
12. MEDIDAS DE CONTROLE
As medidas de controle ocorrem em três situações: na fonte, na trajetória e
no homem, sendo que as medidas na fonte e na trajetória são prioritárias, quando
viáveis tecnicamente.
Controle da fonte
São exemplos de controle na fonte:
● substituir o equipamento por outro mais silencioso;
● alterar o processo (substituir sistema pneumático por hidráulico);
● instalar abafador (silencioso) nos escapamentos de motores;
● substituir engrenagens metálicas por outras de plástico ou celeron;
● enclausurar máquinas e equipamentos;
● aplicar material absorvente, de modo a atenuar as vibrações;
● balancear e equilibrar partes móveis;
● substituir o equipamento por outro mais silencioso;
● balancear e equilibrar partes móveis;
● lubrificar eficazmente rolamentos, mancais etc.;
● reduzir impactos na medida do possível;
● alterar o processo (substituir sistema pneumático por hidráulico);
● programar as operações de forma que permaneça o menor número de
máquinas funcionando simultaneamente;
● manter as estruturas bem fixadas de forma a evitar vibrações;
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● diminuir a velocidade de escapamento dos fluidos;
● eliminação ou substituição de máquinas excessivamente ruidosas;
● melhoria da manutenção preventiva;
● utilização de amortecedores em máquinas e equipamentos.
Controle do meio ou trajetória
Não sendo possível o controle na fonte, o segundo passo é a verificação de
possíveis medidas aplicadas ao meio ou trajetória. Quando o som incide sobre uma
superfície, ele é absorvido, transmitido e parte refletida.
Exemplos de ações de controle de ruído no meio e na trajetória:
● Absorção do som – a energia sonora é absorvida quando o som encontra uma
superfície de material absorvente, sendo que os materiais porosos, como lã de
vidro e cortiça, são bons absorventes.
● Isolamento acústico – consiste em evitar a transmissão do som de um ambiente
para outro, devendo-se, nesse caso, usar materiais isolantes que dificultam a
passagem do som através dele. Um material bom isolante do som deve ser rígido,
compacto e pesado. Ex.: concreto, alvenaria, vidro.
A tabela abaixo mostra o isolamento de alguns materiais:
O isolamento torna-se mais eficiente quando se utilizam paredes isolantes
(material denso e compacto) revestidas internamente com material absorvente
(cortiça, lã de vidro etc.), conforme mostram as figura a seguir:
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(E) Instalação original da fonte. (D) Curva de ruído medido no ponto de medição
E = figura á esquerda.
D = figura à direita = direita
E) Enclausuramento com material isolante
(D) Curva de ruído
(E) Enclausuramento com material isolante e absorvente
(D) Curva de ruído após o enclausuramento com material isolante + absorvente
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Controle no ser humano
Não sendo possível o controle do ruído na fonte e na trajetória, devem ser
adotadas medidas de controle no ser humano, de forma a protegê-lo da
agressividade do ruído.
As principais medidas no ser humano são:
● Limitação do tempo de exposição aos postos de trabalho de elevado nível
de ruído.
● Utilização de EPIs
● Vigilância médica e audiométrica de empregados expostos ao ruído.
● Rotatividade dos trabalhos em seus postos de trabalho
● Mudança de postos de trabalho
● Isolamento dos postos de trabalho
● Sinalização das áreas de ruído e exigência do uso de protetor
● Informações aos trabalhadores sobre locais de elevados níveis de ruído.
13. EFEITOS DO RUÍDO NO ORGANISMO
A prolongada exposição a níveis de ruído elevado pode lesar os órgãos
sensoriais do ouvido humano, reduzindo de maneira permanente e irreparável a
sensibilidade auditiva, uma vez que as células auditivas não se regeneram.
A lesão auditiva está diretamente relacionada ao nível de ruído e à sua
exposição, para indivíduos normais, esclarecendo que as características do ruído e
também a sensibilidade individual ao ruído podem conduzir a danos auditivos.
O sistema auditivo é bastante sensível para as médias frequências (1.000 a
4.000 Hz), sendo que os níveis de ruído por sons agudos são mais nocivos que os
de sons graves.
A exposição ao ruído promove os seguintes efeitos:
a) Trauma acústico – perda auditiva repentina, devido à exposição a elevado
nível de ruído por curto espaço de tempo.
b) Perda de audição temporária – a recuperação auditiva ocorre após algum
tempo, devido à exposição por pequeno espaço de tempo.
c) Perda de audição permanente – exposição continuada e repetida, dia após
dia, sem uso da proteção.
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d) Efeitos fisiológicos: o ruído induz perdas das faculdades auditivas, dor
auricular, náuseas e redução do controle muscular (quando a exposição é
intensa).
e) Efeitos sobre o sistema nervoso, tais como: fadiga nervosa, perda de
memória, irritabilidade, dificuldade de coordenar ideias e modificação nas
ondas eletroencefalográficas.
f) Efeitos sobre o aparelho cardiovascular, tais como: hipertensão,
modificação do ritmo cardíaco e alteração no calibre dos vasos
sanguíneos.
g) Efeitos psicológicos, tais como: interromper a concentração, o sono e o
descanso.
h) Alterações físicas: digestiva, nervosismo, irritação, vertigens, modificação
do ritmo respiratório e elevação da pressão arterial.
i) Rendimento no trabalho e interferência nas comunicações.
14. NÍVEL DE EXPOSIÇÃO NORMALIZADO (NEN)
Segundo a NHO – 01 da Fundacentro, o NEN é o nível de exposição
convertido para uma jornada padrão de 8 horas diárias, para fins de comparação
com o limite de exposição.
A NHO 01 define que o NEN é calculado a partir da equação abaixo (para o
fator de duplicação de dose q = 3):
NEN = NE + 10 log (TE/480) (dB)
Sendo:
NE = nível médio de exposição ocupacional diária
TE = tempo de duração, em minutos, da jornada diária de trabalho.
Para o fator de duplicação q = 5, a equação do cálculo do NEN é a seguinte:
NEN = NE + 16,61 log (TE/480) (dB)
Exemplo: o nível médio de exposição diária é igual a 90,0 dB(A). Qual será o NEN,
para jornada de trabalho de 6 horas, considerando q = 5 ?
NEN = 90 + 16,61 log (6 x 60/480) = 87,92 dB(A)
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15. ADIÇÃO DE NÍVEIS DE RUÍDO
Pode ocorrer a necessidade de se medir o ruído em um ponto (P),
conhecendo-se os valores dos níveis de ruído de mais de uma fonte de ruído,
isoladamente. Como as operações com decibéis não são lineares, ou seja, a soma
de 100 dB + 94 dB não é igual a 194,0 dB, pois a escala do nível de pressão sonora
é logarítmica, temos que realizar os cálculos por meio de outra forma.
Método Gráfico
Diferença dos NPS das fontes.
Correção no gráfico.
Somar ao maior NPS.
Exemplo 1:
Duas fontes produzem isoladamente os seguintes NPS:100 dB e 94 dB. As
duas fontes funcionando simultaneamente, o NPS é igual a:
1- Diferença- 100 – 94 = 6 dB
2- correção no gráfico = 1 dB
3- NPS total = 100 + 1 = 101 dB
Ábaco para soma de ruído
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Exemplo 2:
Pode ocorrer ainda que duas ou mais fontes de ruído, de mesmo valor,
encontram-se em um mesmo local. O cálculo matemático da adição dos níveis de
ruído, para este caso, será dado pela seguinte equação:
Em que:
NPS(T) = nível de pressão sonora resultante
NPS(F) = nível de pressão sonora da fonte
N = número de fontes de ruído
Exemplo 3:
Pode ocorrer ainda que as fontes produzem níveis de ruído diferentes. Neste
caso, o cálculo do NPS(T) será:
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16. SUBTRAÇÃO DE NÍVEIS DE RUÍDO – RUÍDO DE FUNDO
O artifício de subtração de ruído é muito utilizado na determinação do ruído
de fundo. Da mesma forma que a soma, a subtração também não é linear, pois a
escala é logarítmica. O roteiro para a subtração de NPS é o seguinte:
Método gráfico
- Subtrair o NPS total do NPS da fonte;
- Com o valor obtido entrar no gráfico e obter correção;
- Subtrair a correção do NPS total
Exemplo:
NPS total = 100 dB
NPS sem a fonte = 98
Diferença: 100 - 98 = 2dB
No gráfico: correção igual a 4dB
O NPS da fonte = 100 - 4 = 96 dB
Ábaco para subtração de ruído
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17. AVALIAÇÃO DE RÚIDO PARA FINS DE CONFORTO
Para as atividades que possuam as características definidas no subitem
17.5.2 da NR 17 (Ergonomia), mas não apresentam equivalência ou correlação com
aquelas relacionadas na NBR 10152 (ruído para conforto), o nível de ruído aceitável
para efeito de conforto será de até 65 dB (A) e a curva de avaliação de ruído (NC)
de valor não superior a 60 dB.
Os níveis de ruído para hospitais e Escolas são os indicados abaixo:
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18. AVALIAÇÃO DE RÚIDO PARA FINS DO SOSSEGO PÚBLICO
A Resolução 01 de 01/03/90 do CONAMA (Conselho Nacional de Meio
Ambiente) determina os seguintes níveis de ruído para fins de meio ambiente que
devem ser seguidos pelas legislações estaduais e municipais.
ABNT NBR 10151/OO.
19. ATENUAÇÃO DOS PROTETORES AURICULARES
Os protetores auriculares deverão ser capazes de reduzir a intensidade do
ruído com base nos valores de atenuação em suas respectivas frequências. A tabela
a seguir mostra o cálculo de atenuação do método, pela análise de frequência:
Existe também o método simplificado de valor único (NRR – Noise Reduction
Rating) que é obtido nas tabelas dos fabricantes de protetores auriculares ou no
Certificado de Aprovação (CA). Este método é utilizado em condições ideais de
laboratório e testado em pessoas treinadas para seu uso, o que significa que, na
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prática, os valores de atenuação são diferentes, ou seja, mais baixos dos testados
em laboratório.
O método mais direto é o método NRRsf em que os testes são realizados nas
pessoas sem qualquer treinamento para uso de protetor auricular, o que traduz mais
a realidade do uso dos protetores na prática. Nesse método, o cálculo d atenuação
funciona da seguinte forma:
NPS(R) = NPS em dB(A) – NRR (sf), sendo:
NRR(sf) = nível de ruído (subject fit)
NPS (R) = nível de ruído resultante
Exemplificando:
Em avaliação em operador de máquina, obteve-se o ruído NPS = 96 dB(A),
medido com dosímetro que mede a curva A. O protetor utilizado é do tipo concha
com NRR(sf) do fabricante igual a 15 dB. Desta forma sua atenuação será
NPS(R) = NPS em dB(A) – NRR (sf)
NPS(R) = 96 – 15 = 81 dB(A)
O NIOSH recomenda que o uso combinado de dois protetores (dupla
proteção) acrescenta 6,0 dB(A) naquele valor de maior NRR. Segundo o ilustre
professor Samir Gerges (GERGES, 2000), a dupla atenuação de ruído com o uso de
dois protetores simultaneamente não é calculada.
20. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GERGES, Samir. Ruído, Fundamentos e Controle. Florianópolis:NR Editora, 2000.
SALIBA, Tuffi Messias. Higiene do Trabalho e Programa de Prevenção e Riscos
Ambientais. Belo Horizonte: Ed. LTR, 2010.
SALIBA, Tuffi Messias. - Manual Prático de Higiene Ocupacional e PPRA. Belo
Horizonte: Ed ASTEC – 2009.
MORAES, Giovanni de Araújo.Perícia e Avaliação de Ruído e Calor. Rio de
Janeiro: Edição do Autor, 2002.
VENDRAME, Antônio Carlos. Curso de Introdução à Perícia Judicial. São Paulo:
Ed. LTR, 1997.
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BISTAFA, S.R. Acústica aplicada ao controle do ruído. São Paulo: Blucher, 2006.
GERGES, Samir N. Y. Ruído Fundamentos e Controle. 2ª ed. Florianópolis: NR
Editora. 2000.
GERGES, Samir N. Y. Protetores auditivos. 1ª ed. Florianópolis: NR Editora. 2003.
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Aula 21