Ministério da Educação - MEC Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará CURSO FIC – COZINHEIRO DISCIPLINA: MÉTODOS DE CONSERVAÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL PROFESSOR: CINTYA SAMPAIO Ministério da Educação - MEC Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará MÉTODOS DE CONSERVAÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL CINTYA SAMPAIO CURSO FIC – COZINHEIRO 3 CRÉDITOS Presidente Dilma Vana Rousseff Coordenador Adjunto - Reitoria Armênia Chaves Fernandes Vieira Ministro da Educação Cid Ferreira Gomes Supervisão - Reitoria André Monteiro de Castro Daniel Ferreira de Castro Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica Aléssio Trindade de Barros Coordenador Adjunto - Campus Fortaleza Fabio Alencar Mendonça Reitor do IFCE Virgilio Augusto Sales Araripe Supervisores Andréa Pinto Pró-Reitor de Extensão Zandra Maria Ribeiro Mendes Dumaresq Orientadores Francisco Tearle Pinheiro Pró-Reitor de Ensino Reuber Saraiva de Santiago Elaboração do conteúdo Cintya Sampaio Pró-Reitor de Administração Tássio Francisco Lofti Matos Diagramação Francisco Emanuel Ferreira Mariano Pró-Reitor de Pesquisa, Pós Graduação e Inovação Auzuir Ripardo de Alenxandria Diretor Geral Campus Fortaleza Antonio Moises Filho de Oliveira Mota Diretor de Ensino Campus Fortaleza José Eduardo Souza Bastos Coordenador Geral – Reitoria Jose Wally Mendonça Menezes 4 O QUE É O PRONATEC? Criado no dia 26 de Outubro de 2011 com a sanção da Lei nº 12.513/2011 pela Presidenta Dilma Rousseff, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) tem como objetivo principal expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) para a população brasileira. Para tanto, prevê uma série de subprogramas, projetos e ações de assistência técnica e financeira que juntos oferecerão oito milhões de vagas a brasileiros de diferentes perfis nos próximos quatro anos. Os destaques do Pronatec são: • Criação da Bolsa-Formação; • Criação do FIES Técnico; • Consolidação da Rede e-Tec Brasil; • Fomento às redes estaduais de EPT por intermédio do Brasil Profissionalizado; • Expansão da Rede Federal de Educação Profissional Tecnológica (EPT). A principal novidade do Pronatec é a criação da Bolsa-Formação, que permitirá a oferta de vagas em cursos técnicos e de Formação Inicial e Continuada (FIC), também conhecidos como cursos de qualificação. Oferecidos gratuitamente a trabalhadores, estudantes e pessoas em vulnerabilidade social, esses cursos presenciais serão realizados pela Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, por escolas estaduais de EPT e por unidades de serviços nacionais de aprendizagem como o SENAC e o SENAI. Objetivos • • • • • • • • • • • Expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de Educação Profissional Técnica de nível médio e de cursos e programas de formação inicial e continuada de trabalhadores; Fomentar e apoiar a expansão da rede física de atendimento da Educação Profissional e Tecnológica; Contribuir para a melhoria da qualidade do Ensino Médio Público, por meio da Educação Profissional; Ampliar as oportunidades educacionais dos trabalhadores por meio do incremento da formação profissional. Ações Ampliação de vagas e expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica; Fomento à ampliação de vagas e à expansão das redes estaduais de Educação Profissional; Incentivo à ampliação de vagas e à expansão da rede física de atendimento dos Serviços Nacionais de Aprendizagem; Oferta de Bolsa-Formação, nas modalidades: Bolsa-Formação Estudante; Bolsa-Formação Trabalhador; Atendimento a beneficiários do Seguro-Desemprego. 4 5 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DAS DISCIPLINAS ..................................................................................... 6 AULA 1: MÉTODOS DE CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS ................................................ 7 AULA 2: CONSERVAÇÃO PELO CALOR E PELO FRIO ..................................................... 10 AULA3: CONSERVAÇÃO PELO CONTROLE DE UMIDADE E CONSERVAÇÃO DE ADIÇÃO DE SOLUTOS ............................................................................................................ 13 AULA 4: CONSERVAÇÃO POR DEFUMAÇÃO, CONSERVAÇÃO POR FERMENTAÇÃO, CONSERVAÇÃO POR ADITIVOS QUÍMICOS E POR IRRADIAÇÃO ............................... 15 AULA 5: DICAS DE ARMAZENAMENTO DE ALIMENTOS .............................................. 18 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................... 21 5 6 APRESENTAÇÃO DAS DISCIPLINAS Nessa disciplina de métodos de conservação de alimentos de origem animal e vegetal, você vai estudar os diversos métodos para conservar, armazenar os alimentos, pois cada alimentos possui uma característica sensorial, físico-química e microbiológica que necessitam de cuidados especiais para a sua durabilidade e frescor. A utilização destes alimentos na cozinha, com o objetivo de fornecer qualidade na refeição e na sua distribuição irá depender diretamente destas metodologias. 6 7 AULA 1: MÉTODOS DE CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS Os processos de conservação dos alimentos são baseados na eliminação total ou parcial dos agentes que alteram os produtos ou na modificação ou suspensão de um ou mais fatores essenciais, de modo que o meio se torne não propicio a qualquer modificação vital. Isto ainda pode ser conseguido pela adição de substancias que impeçam o desenvolvimento dos microrganismos. Métodos de conservação de alimentos Os processos de conservação baseiam-se na destruição total ou parcial dos microorganismos capazes de alterar o alimento, ou na modificação, ou eliminação de um ou mais fatores (intrínsecos ou extrínsecos) que são essenciais, de modo que o alimento não se torne favorável ao desenvolvimento microbiano. Também podem ser incorporadas aos alimentos substancias inibidoras, que impedem a multiplicação. No tratamento térmico utilizam-se temperaturas que eliminam os microorganismos, destruindo parte ou toda a microbiota. Outros métodos procuram dificultar a multiplicação, como no caso do frio, do sal, do açúcar e a retirada do ar. Na fermentação (picles, iogurte) ocorre desenvolvimento de acidez, que inibe o crescimento da maioria dos microorganismos. I. Uso do calor II. Uso do frio III. Conservação pelo uso do sal IV. Uso do açúcar V. Por fermentação VI. Uso de aditivos VII. VIII. Irradiação Defumação I .Uso de CalorO calor elimina as células microbianas quando submetidas a uma temperatura letal. Essa temperatura varia de acordo com a espécie do microorganismo e com a forma em que se encontra. As células vegetativas dos microorganismos são destruídas à 60ºC. Os esporos são inativados em temperaturas superiores a 100ºC. A inativação das células vegetativas e dos esporos pelo calor úmido decorre da desnaturação de proteína incapacitando a célula de se multiplicar. O calor seco age nas células por oxidação dos componentes celulares. Os esporos são mais resistentes em função de seu maior grau de desidratação. 7 8 O calor é utilizado em vários métodos de conservação e preparo dos alimentos, tais como: cocção, pasteurização, esterilização, secagem e concentração. Nestes métodos ocorre a eliminação total ou parcial dos microorganismos de acordo com o grau do tratamento térmico dado ao alimento.Cocção é um processo de uso de temperaturas altas largamente utilizado, para o preparo final do produto, antes do consumo. São várias as formas de cocção usadas: fervura; fritura; assamento.Pasteurização tratamento térmico que elimina parte da flora microbiana presente no alimento, empregando T< 100ºC, sendo utilizado nos seguintes casos: a) Visando eliminar os germes patogênicos – que é o caso do leite pasteurizado. O tratamento é feito a 72 -75 ºC por 15 – 20 min. (HTST – alta temperatura baixo tempo) ou a 60 – 65 ºC por 30 min. (LTLT – baixa temperatura alto tempo). Visando a eliminação da coxiella burnetii; destruição de bactérias do grupo coliforme; reduz bastante a contagem de outros microorganismos não patogênicos. Alguns microorganismos pscrotrofícos podem resistir a pasteurização. b) Visando eliminar deteriorantes e patogênicos capazes de se desenvolver no produto – é o caso dos alimentos ácidos (pH entre 4,0 e 4,5, ex: tomate; cogumelos; palmitos) e dos muitos ácidos (pH < 4,0 ex: picles e sucos de frutas). Nesses alimentos os patógenos não sobrevivem ou não se desenvolvem. Os deteriorantes como leveduras, bolores, bactérias láticas e acéticas são destruídas pelo calor (faixa 60 – 90 ºC). Deteriorantes como Bacillus Coagulans e certas espécies de Clostridium, os esporos desses microorganismos não são muito resistentes mas podem se desenvolver no produto. Nestes casos são usadas temperaturas de 100ºC (banho Maria). Esterilização tem por finalidade a destruição total dos microorganismos presentes. Com isso implica a eliminação dos esporos bacterianos, são necessários temperaturas elevadas, acima de 100ºC o que se consegue com o uso das autoclaves, que trabalham com o calor sob pressão. Secagem ocorre a eliminação da água pelo calor, que pode ser conduzido através do ar quente usado para produção de massas alimentícias, desidratação de vegetais e de carnes (temperatura entre 45 – 85ºC) ex: produção de leite em pó e de café em pó (180 – 230ºC). Concentração é um processo que remove parte da água (30 – 60%) dos alimentos, diminuindo a Aa dos mesmos. É usada para produção de sucos concentrados, doces, em massa, molhos de tomate, catchup, geléias e outros Uso do Frio o frio é bastante utilizado na conservação dos alimentos perecíveis, tanto os de origem animal como vegetal. Refrigeração Na refrigeração utilizam-se temperaturas superiores às do ponto de congelamento. Pode ser usada como meio de conservação básica (carnes e pescados frescos), como conservação temporária até que aplique outro método 8 9 (leite cru) ou ainda como método de conservação complementar (leite pasteurizado). A refrigeração não pode ser considerada como forma de eliminação de microorganismo. Congelamento Utilizam-se temperaturas mais baixas do que na refrigeração (10 à -40ºC). No processo de congelamento ocorre uma redução da população microbiana. A morte dos microorganismos decorre, principalmente devido aos cristais de gelo formados na célula; a desnaturação das enzimas; a perda de gases da célula; ao abaixamento da Aa.. Salga O sal provoca a diminuição da Aa dos alimentos, aumentando a conservação. Os alimentos salgados podem ser mantidos a temperatura ambiente (bacalhau; charque). Uso do Açúcar Funciona aumentando a pressão osmótica, diminuindo a Aa, criando um ambiente desfavorável para multiplicação das bactérias e para alguns bolores e leveduras, exemplo geléias; doces; frutas cristalizadas; leite condensado; mel e etc. Fermentação baseia-se na modificação das características da matéria-prima, por ação de microorganismos dando origem a um produto mais estável em decorrência de compostos produzidos durante a fermentação (ácido lático; ácido acético; etanol). Os ácidos além de atuarem provocando a morte dos microorganismos não podem se desenvolver, inclusive os patogênicos. Uso de Aditivos são substâncias aprovadas para serem utilizadas nos alimentos com diversas modalidades: melhorar sua coloração, textura, aroma, bem como conservá-los por um tempo maior. Irradiação as radiações na faixa do ultravioleta (200 – 280 nm), são empregadas para inativar microorganismos da parte superficial dos alimentos, de embalagens ou mesmo de superfícies que entram em contato com os alimentos. Defumação é empregada como processo de conservação para conferir sabor e aroma característicos a certos produtos. 9 10 AULA 2: CONSERVAÇÃO PELO CALOR E PELO FRIO Conservação pelo calor O uso de calor para conservar alimentos tem por objetivo a redução da carga microbiana e a desnaturação de enzimas. Vários tipos de tratamento térmico podem ser aplicados, a depender da termossensibilidade do alimento e da sua suscetibilidade à deterioração, bem como da estabilidade requerida do produto final. Um tratamento térmico seguro deve ser selecionado com base no binômio tempo-temperatura requerido para inativar os microorganismos patogênicos e deterioradores mais termorresistentes em um dado alimento e da embalagem (Azeredo, 2004). Existem diferentes tipos de tratamento pelo calor, desde os mais conhecidos, como a pasteurização e esterilização, até os menos conhecidos da grande população, como o branqueamento. Pasteurização O método da pasteurização leva este nome em homenagem a Louis Pasteur, o primeiro a perceber que havia a possibilidade e inativação de microorganismos deterioradores em vinho por meio da aplicação de calor. A pasteurização tem como objetivo principal a destruição de microorganismos patogênicos associados ao alimento em questão. Um objetivo secundário é aumentar a vida de prateleira do alimento, reduzindo as taxas de alterações microbiológicas e enzimáticas. Os produtos pasteurizados podem conter, ainda, muitos organismos vivos capazes de crescer, o que limita sua vida de prateleira. Assim, a pasteurização é, muitas vezes, combinada com outros métodos de conservação e muitos produtos pasteurizados são estocados sob refrigeração (Potter & Hotchkiss, 1995). Microorganismos patogênicos são os que causam doenças a quem ingere o alimento, por meio da ingestão de alimento contendo carga microbiana ou toxinas produzidas pelos microorganismos. Existem três tipos de pasteurização pasteurização lenta, na qual utilizamos temperaturas menores durante maior intervalo de tempo. Este tipo é melhor para pequenas quantidades de leite, por exemplo o leite de cabra. A temperatura utilizada é de 65˚C durante trinta minutos. pasteurização rápida, na qual utilizamos altas temperaturas durante curtos intervalos de tempo. É mais utilizada para leite de saquinho, do tipo A, B e C. A temperatura utilizada é de 75˚C durantes 15 a 20 segundos, na literatura, freqüentemente encontramos este tipo de pasteurização com a 10 11 denominação HTST (High Temperature and Short Time), alta temperatura e curto tempo. pasteurização muito rápida, na qual as temperaturas utilizadas vão de 130˚C a 150˚C, durante três a cinco segundos, este tipo é mais conhecido como UHT (Ultra High Temperature) ou longa vida. Esterilização Comercial Para alimentos, quando dizemos esterilização estamos nos referindo, na verdade, à esterilização comercial, ou seja, não atingimos a temperatura que tornaria o alimento completamente estéril. Se isso ocorresse, o alimento tratado não se tornaria interessante para o consumo do ponto de vista nutricional e sensorial. Segundo Potter & Hotckiss (1995), a esterilização comercial refere-se a um tratamento térmico que inativa todos os microorganismos patogênicos e deterioradores que possam crescer sob condições normais de estocagem. Os alimentos comercialmente estéreis podem conter um pequeno número de esporos bacterianos termorresistentes, que não se multiplicam no alimento. A maior parte dos alimentos enlatados é comercialmente estéril, tendo uma vida de prateleira de pelo menos dois anos. Mesmo após períodos mais longos de estocagem, sua deterioração, geralmente, ocorre devido a alterações não microbiológicas. Para reduzirmos os danos sensoriais e nutricionais aos alimentos tratados pelo calor, o melhor é submetermos os alimentos ao menor tempo de exposição ao calor que for possível e utilizarmos temperaturas mais altas. Isso minimiza as possíveis perdas nutricionais e sensoriais e atinge bons resultados no que se refere à segurança microbiológica. Branqueamento Na parte de frutas e hortaliças o branqueamento é freqüentemente utilizado. Este tratamento térmico tem a finalidade de inativar enzimas que poderiam causar reações de deterioração, como o escurecimento. As reações enzimáticas são responsáveis por alterações sensoriais e nutricionais, principalmente no período de estocagem. Algumas das razões que justificam a necessidade de inativação enzimática previamente a diferentes tipos de processamento são as seguintes (Fellows, 1998): No caso de produtos a serem congelados, a temperatura de congelamento geralmente utilizada durante a estocagem (-18ºC) não inibe totalmente a atividade enzimática. Os processos de desidratação, geralmente, não utilizam temperaturas suficientes para inativar enzimas, requerendo um branqueamento prévio para inativá-las. Nos processos de esterilização, o tempo necessário para que a temperatura de processo seja atingida, especialmente quando se utilizam 11 12 recipientes de grandes dimensões, pode ser suficiente para permitir que ocorra atividade enzimática. O branqueamento tem, também, outros efeitos, como o de reduzir a carga microbiana inicial do produto. Além disso, o branqueamento promove amaciamento de tecidos vegetais, facilitando envase, e remove ar dos espaços intercelulares, auxiliando, assim, a etapa de exaustão (retirada do ar do produto e do espaço livre das embalagens, antes do fechamento). A remoção de ar pode, ainda, alterar o comprimento da onda da luz refletida no produto, como ocorre em ervilhas, que adquirem uma cor verde mais brilhante (Azeredo, 2004). Conservação pelo frio A conservação pelo frio é uma das mais utilizadas no dia-a-dia da população. Os congelados vêm se tornando cada vez mais freqüentes na mesa do brasileiro e a refrigeração doméstica é a principal arma da população contra a deterioração dos alimentos e conseqüente desperdício. Enquanto na conservação pelo calor trabalhamos com a morte de microorganismos e inativação de enzimas, na conservação pelo frio o fator que controlamos é a proliferação microbiana e reações químicas, como as reações enzimáticas. Sabemos que existem microorganismos que podem estar presentes nos alimentos em contagens toleráveis. Isso significa que, dependendo do tipo de alimento e do tipo de microorganismo, podemos consumí-lo com certa carga microbiológica sem prejuízos para a qualidade do alimento e, em conseqüência, para a nossa saúde. Todos os microorganismos têm temperaturas ótimas para o seu crescimento e reprodução, sendo assim, o princípio básico da conservação pelo frio é manter a temperatura abaixo da ideal para o crescimento e proliferação microbiana. Da mesma, forma as reações químicas ocorrem em temperaturas ideais, sendo assim, o princípio para minimizá-las é o mesmo, manter a temperatura abaixo da ideal. Existem dois tipos de conservação pelo frio: a refrigeração e o congelamento. Cada um se adequando ao tipo de alimento e ao tempo de conservação que se deseja atingir. Refrigeração Para que os alimentos estejam refrigerados é necessário mantê-los sob temperaturas entre 0˚C e 7˚C. Neste caso os impactos sobre as propriedades nutricionais e sensoriais são mais brandos, com estas temperaturas, porém, conseguimos atingir menores tempos de conservação. 12 13 Congelamento Para o congelamento ser eficiente, necessitamos de temperaturas de -18˚C ou inferiores. Existem microorganismos que ainda crescem a temperaturas de -10˚C o que acarreta um perigo para o congelamento mal monitorado. Sabemos porém que sob temperatura de 18˚C ou menores ocorre a inibição total de microorganismos. AULA3: CONSERVAÇÃO PELO CONTROLE DE UMIDADE E CONSERVAÇÃO DE ADIÇÃO DE SOLUTOS Conservação pelo controle de umidade A disponibilidade de água é um dos fatores mais importantes para a manutenção da vida no nosso planeta, assim como a presença de macronutrientes como carboidratos, proteínas, lipídeos; micronutrientes como vitaminas e minerais e a qualidade do ar. O conjunto desses fatores, em quantidade e qualidade adequadas, é responsável pela manutenção do equilíbrio fisiológico da vida. Assim como nós, os microorganismos necessitam de água para a sua manutenção. Ela, como solvente universal, serve, por exemplo, para transportar os nutrientes para todo o espaço intracelular e para solubilizar nutrientes que na sua forma original não poderiam ser aproveitados pelos microorganismos. A conservação por controle de umidade consiste na retirada de água do alimento, ou seja, a sua desidratação. Azeredo (2004), afirma que o objetivo principal da redução da atividade de água de alimentos é a redução das taxas de alterações microbiológicas. Existem, ainda, outros objetivos adicionais, como a redução de alterações químicas, a redução de custos com embalagem, transporte e distribuição, além da conveniência. A remoção de água dos alimentos pode ser feita das seguintes formas: Secagem por ar aquecido A secagem convencional por ar aquecido é realizada em secadores cujo sistema baseiase na circulação de ar aquecido, combinando, dessa forma, transferência de calor (aquecimento do produto) e de massa (remoção da umidade) (Azeredo, 2004). Este método porém causa alterações indesejáveis para os alimentos principalmente o endurecimento da parte externa do mesmo, o que é percebido pelo consumidor e que causa o desprezo do mesmo pelo produto. Para atingir o mesmo objetivo com menores graus de alteração nutricional e sensorial podemos utilizar a liofilização, a atomização e a desidratação osmótica. 13 14 Liofilização O processo de liofilização é composto por duas etapas, congelamento rápido e sublimação da água presente no congelado a vácuo. A sublimação da água é o processo de passagem da mesma do estado sólido (gelo) para o gasoso, sem passar pelo estado líquido. Isso é feito devido a combinação de pressão e temperatura adequadas. O processo é rápido e causa poucas alterações de ordem sensorial e nutricional aos produtos devido, também, às baixas temperaturas requeridas. A principal limitação deste processo é a econômica, uma vez que este é o processo mais caro dentre os processos de desidratação. Atomização (Spray-drying) A secagem por atomização envolve a pulverização de um alimento líquido, formando gotículas que são lançadas em uma câmara fechada. As gotículas entram em contato com uma corrente de ar aquecido (em fluxo concorrente ou contracorrente), que supre o calor necessário à evaporação, havendo, assim, formação de partículas secas (Azeredo, 2004). O diferencial deste processo é o tempo de permanência do produto no secador, de 5 a 100 segundos, o que é bom para produtos termossensíveis. Desidratação Osmótica A desidratação osmótica é bastante utilizada como um pré-processo de desidratação, uma vez que a água removida é da ordem de 40% a 70%. A água restante pode ser retirada por exemplo por atomização, diminuindo bastante os custos com energia. O processo consiste na imersão do alimento (geralmente frutas e hortaliças) em solução supersaturada de soluto. O que ocorre é a “captura” da água do alimento pelo soluto. Os solutos geralmente são pouco absorvidos pelos produtos, uma vez que a permeabilidade das membranas celulares a este tipo de composto é pequena. Conservação pela adição de solutos A adição de solutos é outra forma de controle de umidade, entretanto, neste método não há retirada de água. O que ocorre quando adicionamos um soluto no alimento é a “captura” da água livre no alimento pelo soluto, tornando a água indisponível para a sua utilização por microorganismos e reações químicas. Os solutos mais utilizados com esta finalidade são o açúcar e o sal. No dia-a-dia utilizamos este tipo de conservação, mas nem sempre sabemos os princípios físicoquímicos presentes nos métodos. Na produção de geléias caseiras utilizamos a adição de açúcar, além do caráter 14 15 conservativo, este método é, também, forma de produção de outro alimento, que, muitas vezes, se torna o meio de ganhar dinheiro para muitas pessoas. Já o sal, é utilizado, por exemplo, para a produção da carne de sol e carne seca. Um método utilizado em grande parte das vezes pela carência de refrigeração e congelamento, hora por parte de equipamentos, hora por parte de disponibilidade energética. A carne é um dos principais alimentos que supre as necessidades nutricionais de proteínas, portanto, quando não se pode lançar mão da refrigeração e do congelamento, se faz necessário encontrarmos alternativas para a conservação da mesma para que haja disponibilidade para o consumo freqüente. AULA 4: CONSERVAÇÃO POR DEFUMAÇÃO, CONSERVAÇÃO POR FERMENTAÇÃO, CONSERVAÇÃO POR ADITIVOS QUÍMICOS E POR IRRADIAÇÃO Conservação por defumação O processo de defumação baseia-se na exposição do alimento à fumaça proveniente da queima incompleta de madeira, serragem, carvão, etc. Este processo é utilizado, principalmente, para carnes bovinas, pescado e embutidos. A fumaça resultante da queima da madeira contém compostos químicos formados durante o processo, como os aldeídos, fenóis e ácidos alifáticos, que têm poder bactericida. Além do efeito dos compostos químicos formados durante o processo, a exposição do alimento a altas temperaturas tem papel coadjuvante, uma vez que age como tratamento pelo calor e como desidratante, diminuindo, portanto, o teor de água dos alimentos. Ocorre também a formação de uma “casca” externa que atua como um “isolante” que dificulta a entrada de novos contaminantes. A seguir algumas das vantagens da defumação citadas por Evangelista (2000): durante o processo, a camada superficial do produto fica impregnada dos componentes da fumaça, que lhe dão certa proteção contra os microorganismos; confere marcado poder conservador, devido ao calor alcançado e a penetração, no produto, dos componentes da fumaça; a combinação da fumaça e do elevado grau de calor (60 graus), pode diminuir cerca de dez mil vezes, a população bacteriana da superfície; 15 16 o sal presente e a desidratação resultante da defumação, ajudam a conservação do alimento. Conservação por fermentação A conservação por fermentação baseia-se no antagonismo entre espécies microbianas, em que uma ou mais espécies inibem as demais, por meio da competição por nutrientes e da produção de metabólitos antimicrobianos a partir de substratos presentes no alimento. Tais metabólitos, geralmente ácidos orgânicos, álcoois e CO2, limitam o crescimento da flora patogênica e/ou deterioradora (Ross et al., 2002). A fermentação necessita, em alguns casos, de métodos complementares de conservação como a pasteurização, no caso da cerveja, e no caso de laticínios há necessidade de armazenamento em refrigeração. Além do objetivo de conservação a produção dos ácidos, álcoois e CO2 são responsáveis por conferir características sensoriais agradáveis aos alimentos. A partir da percepção disso o mercado passou a utilizar a fermentação em maior escala para este fim, em detrimento da finalidade conservativa. Conservação por aditivos químicos A ação antimicrobiana dos conservantes baseia-se em efeitos sobre um ou mais dos seguintes componentes/atividades: DNA, membrana plasmática, parede celular, síntese protéica, atividade enzimática, transporte de nutrientes (Luck & Jager, 1997). Os conservantes mais utilizados são os ácidos orgânicos, porém os nitritos e nitratos e os sulfitos também são utilizados em menor escala. Segundo (Brul & Coote, 1999), os ácidos orgânicos são compostos que inibem o crescimento tanto de bactérias quanto de fungos e Blocher & Busta (1985) citam que existem relatos sobre a inibição de germinação e do crescimento de esporos de bactérias. Os sulfitos são mais efetivos contra bactérias que contra bolores e leveduras (Luck & Jager, 1997). A maior limitação ao uso dos sulfitos diz respeito a efeitos adversos sobre a saúde, como episódios de asma em indivíduos sensíveis a essa classe de compostos (Taylor et al., 1986). Segundo o FDA (Food and Drug Administration), 1% das pessoas é sensível aos sulfitos; entre os asmáticos, essa proporção aumenta para 5% (Papazian, 2003). 16 17 Os nitritos (NO2-) e nitratos (NO3-) têm sua ação antimicrobiana dirigida exclusivamente contra bactérias. O principal objetivo de sua utilização é a inibição do crescimento e a formação de toxinas por Clostridium botulinum (Luck & Jager, 1997; Epley et al., 2002). Conservação por irradiação Quando irradiamos os alimentos, na verdade, estamos submetendo-os a doses minuciosamente controladas de uma radiação particular, a radiação ionizante. O objetivo é aumentar a vida útil (shelf life) de produtos alimentícios para auxiliar em processos de distribuição e comercialização. Além disso, o incremento em tempo de conservação também é sentido pelo principal ator no cenário comercial, o consumidor. A irradiação de alimentos não causa prejuízos ao alimento no que tange a formação de novos compostos químicos que poderiam transmitir doenças ao ser humano quando da sua ingestão. Porém, como em todo processo de conservação, existem perdas no alimento de ordem nutricional e organoléptica. A propriedades organolépticas são as propriedades que podem ser percebidas pelos sentidos do consumidor, como a cor, o sabor, a texturas, e o odor. As pesquisas são necessárias, então, para determinarmos a dose de irradiação, que deve ser aplicada a cada tipo de alimento que maximize o seu tempo de conservação e, ao mesmo tempo, minimize as perdas de ordem nutricional e organoléptica. Para medir as perdas nutricionais podemos lançar mão da bromatologia, que estuda as quantidades de nutrientes como os carboidratos, proteínas, lipídeos, cinzas (minerais) e vitaminas e para as propriedades organolépticas trabalhamos com as análises sensoriais. Para Silva Junior (2002), análise sensorial é a disciplina científica usada para evocar, medir, analisar e interpretar reações das características dos alimentos e materiais como 17 18 são percebidas pelos sentidos da visão, olfato, gosto, tato e audição. Quando irradiamos os alimento, a primeira coisa que analisamos é qual é o alimento que vai ser tratado por irradiação e qual o objetivo que queremos alcançar no final do processo. O tratamento por irradiação pode ser aplicado para inibir brotamento, (para bulbos e tubérculos), retardar a maturação e senescência, ou seja, envelhecimento (frutas e legumes), redução de carga microbiológica (carnes, frutas e legumes), eliminação de parasitas e pragas (grãos, cereais, frutas e especiarias) e esterilização (alimentos prontos para o consumo, conservados em temperatura ambiente). Na figura temos o exemplo de cebolas não irradiadas e cebolas irradiadas, esta foto foi tirada depois de seis meses da irradiação. AULA 5: DICAS DE ARMAZENAMENTO DE ALIMENTOS Abaixo seguem algumas dicas de como comprar, armazenar e congelar os alimentos. 1. Peixe: quando for comprar um peixe verifique se os olhos estão brilhantes, com pupila escura e a íris branca ou amarelada. O peixe deve estar firme e resistente. O cheiro não pode estar ácido e nem azedo, isso demostra estado de deteriorização. Dica: aperte com um dedo a carne do peixe. Ela precisa voltar ao normal assim que retirar o dedo. Outra dica interessante é mergulhar o peixe em uma tijela de água. Se o peixe flutuar significa que está estragado. 2. Para escolher as carnes de vaca e porco, fique atento se o gelo próximo à carne está com cor de sangue. Isso significa que essa carne foi recongelada. Verifique se ela apresenta consistência firme, não pode estar esfarelando, deve ser possível ver as fibras musculares, a gordura deve estar firme, cor vermelho brilhante e sem nenhuma mancha de escurecimento. Em relação as carnes de aves seguem as mesmas características, mas a cor deve ser amarelo-rosado. Observar se tem mancha, principalmente, nas partes ao redor do ânus, pescoço, ventre, parte interna das coxas e das asas. 3. Quando for comprar leite e iogurtes preste atenção na data de validade e verifique se a embalagem está estufada. 4. Na hora que for comprar ovos observe o local em que ele está armazenado. Deve ser arejado, longe de fontes de calor. As cascas devem estar limpas e sem rachaduras. 5. As latas não devem estar enferrujadas, estufadas ou amassadas. Sempre verifique a data de validade do produto. Devem ser armazenada a temperatura ambiente. 18 19 6. Em relação as embalagens de vidro, deve-se observar se o líquido está límpido e sem bolhas de ar. A embalagem deve estar bem fechada e sem sinais de trincamento. A tampa não deve estar enferrujada. Dica: tombe a embalagem para verificar se há presença de vazamento. 7. Na geladeira existe uma variação de temperatura grande. Coloque os alimentos que estragam facilmente perto do congelador. Não coloque um alimento grudado um ao outro. Permita com que o ar frio circule entre eles. As carnes cruas, leites e laticínios devem ficar na parte superior da geladeira. Os alimentos cozidos e sobremesas na parte central. As frutas e verduras na parte inferior. Os ovos não devem ficar nas portas devido trepidações e alteração de temperatura. Coloque-os na parte superior. As conservas podem ser armazenadas na porta da geladeira. Os enlatados não podem ser armazenados na lata. Coloque-os em embalagem de vidro e armazene na parte central. 8. Para conservar os vegetais podemos utilizar a técnica do branqueamento. Nesta técnica conserva-se as características como sabor, cor, textura, além de obter uma diminuição na atividade enzimática e na proliferação de bactérias nas hortaliças. Com este processo, as hortaliças acentuam a cor. Para fazer esta técnica é só submergir o alimento em água fervente e rápidamente colocá-o em água fria, para que aconteça o choque térmico. Após, congele este vegetal por até 3 meses. 9. O freezer é diferente de congelador. Um congelador comum mantém os alimentos a uma temperatura aproximada de 0ºC a 4ºC. O freezer congela a – 10ºC ou menos, para garantir a boa conservação dos alimentos. Quanto mais baixa a temperatura maior a garantia de que o alimento não desenvolverá fungos e bactérias e de que irá manter suas características nutricionais. Ou seja, deve armazenar no freezer alimentos crú e preparados que irão ser armazenados por mais tempo. Deixe no congelador o que for utilizado em um curto período de tempo. 10. Sempre antes de congelar um alimento, este deve ser limpo, higienizado, colocado em embalagem plástica própria para congelamento retirando o máximo possível do ar. Deve-se etiquetar com o nome da preparação e data do congelamento. Armazenar a preparação em pequenas porções. Não coloque o alimento quente direto no freezer. 11. Para descongelar o alimento, tire-o do freezer no dia anterior e deixe-o na geladeira. Jamais o descongele à temperatura ambiente. A superfície do alimento descongela antes do centro permitindo proliferação de microorganismos. Caso for necessário descongelar o alimento na hora de ser consumido, coloque-o em água corrente ou dentro de uma cuba higienizada cheia de água, trocando essa água a cada 5 a 10 min no máximo. 19 20 12. Os Alimentos que não devem ser congelados são: ovo com casca, maionese, batata, creme de leite, queijos cremosos, macarrão sem molho, cremes engrossados, chantilly, iogurte, pudins em geral e alimentos que já foram congelados. 13. Quando for se alimentar fora de casa tenha cuidado redobrado antes de consumir alguns alimentos como os sanduíches a base de molhos e maionese, os queijos e carnes na brasa, as frituras, os frutos do mar, alimentos crú, bolos recheados, sobremesas e os alimentos conservados em temperaturas inadequadas. Observe a higiene do local. 14. A boa aparência do alimento não garante a sua qualidade. A pessoa quando for comprar um alimento tem que prestar atenção onde este alimento está armazenado e como está sendo manipulado. 15. O alimento após ser preparado não deve ficar mais que duas horas em temperatura ambiente. Este alimento precisa ser resfriado e mantido na geladeira por até dois dias. Se for congelado no freezer consumir em até três meses. 20 21 REFERÊNCIAS AZEREDO, Henriette Monteiro Cordeiro de. Fundamentos de estabilidade de alimentos. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2004. 195 p. FELLOWS, P.J. Food processing technology: principles and pratice. New York: Ellis Horwood, 1988. 505 p. POTTER, N.N.; HOTCHIKISS, J.H. Food Science. 5.ed. New York: Chapman & Hall, 1995. 608 p. Evangelista, José. Tecnologia de alimentos. São Paulo. Editora Atheneu, 2000. 652 p. ROSS, R.P.; MORGAN, S.; HILL, C. Preservation and fermentation: past, present and future. International Journal of Food Microbiology, Amsterdam, v.79, n.1/2, p. 3-16, 2002. BLOCHER, J.C.; BUSTA, F.F. Multiple modes of inhibition of spore germination and outgrowth by reduced pH and sorbate. 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