UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS COORDENAÇÃO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO SERVIÇO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ADMINISTRAÇÃO JUNIELLINY CIPRIANO DA SILVA O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DO ALGODÃO COLORIDO PARAIBANO João Pessoa - PB Janeiro de 2010 JUNIELLINY CIPRIANO DA SILVA O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DO ALGODÃO COLORIDO PARAIBANO Trabalho de Conclusão do Curso Apresentado à coordenação do Serviço de Estágio Supervisionado em Administração, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal da Paraíba, em cumprimento às exigências para obtenção do Grau de Bacharel em Administração. Orientador: Prof. Dr. André Gustavo Carvalho Machado João Pessoa - PB Janeiro de 2010 Ao Prof. Dr. André Gustavo Carvalho Machado Solicitamos examinar e emitir parecer no Trabalho de Conclusão de Curso da Aluna Junielliny Cipriano da Silva. João Pessoa, 08 de Janeiro de 2009. __________________________ Prof. Dr. Fábio Walter Coordenador do SESA/CCSA/UFPB Parecer do Professor Orientador: ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ JUNIELLINY CIPRIANO DA SILVA O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DO ALGODÃO COLORIDO PARAIBANO Monografia submetida à apreciação da banca examinadora a seguir, no dia 18 de Janeiro de 2009, obtendo resultado final de __________. BANCA EXAMINADORA ______________________________________________________ Prof. Dr. André Gustavo Carvalho Machado – UFPB/CCSA/DA Orientador ______________________________________________________ Prof. Dr. Anielson Barbosa da Silva – UFPB/CCSA/DA Examinador ______________________________________________________ Prof. Phd. Joel Souto Maior Filho – UFPB/CCSA/DA Examinador DEDICATÓRIA Dedico este trabalho ao meu Senhor Deus que me deu forças para chegar até aqui. Peço-lhe sabedoria para guiar minha vida profissional de hoje em diante. Aos meus pais, pela minha educação, pelo exemplo de honestidade e pelo apoio e apresso pelas minhas escolhas. Ao meu amor, pelas muitas palavras e atitudes de incentivo. E ao meu professor, pelo despertar pelo foco acadêmico. Todos vocês fazem parte desta conquista. Obrigada! AGRADECIMENTOS À Deus, meu suporte em todas as situações, pelas lições de sabedoria e bênçãos concedidas ao longo desta jornada. Aos meus pais, que estiveram presentes comigo desde o início. Minha mãe, silêncio consolador e ensinador nas horas certas. Meu pai, exemplo exagerado de como ser um administrador íntegro. Prometo lhes orgulhar muito ainda! À Teoni, que muitas vezes atrasou os seus próprios trabalhos para me auxiliar e ouvir nas horas mais difíceis da minha vida acadêmica. Foi você que me deu o resultado do vestibular, é com você que quero compartilhar essa e muitas outras vitórias que conquistaremos juntos. À minha amada irmã pelo exemplo de universitária. Garra e determinação sempre foram suas palavras de ordem e eu te admiro muito por isso. Você ainda há de alçar vôos muito mais altos! Aos colegas e amigos que fiz durante a graduação. Vocês fazem parte desta tão importante fase da minha vida. Desejo sucesso à todos vocês. À Maysa Gadelha, Geanice Leite, e toda equipe da Coopnatural. Sem as portas abertas que encontrei nesta empresa, não conseguiria realizar este trabalho. Aos meus professores mais queridos, Fernanda Telmo, Alysson Régis, Rosivaldo Lucena, Maria Auxiliadora e André Gustavo pelo exemplo de amor e dedicação à docência. Outros como vocês mudariam a história deste curso. 2 “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.” Albert Einstein SILVA, Junielliny Cipriano. O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO DO ALGODÃO COLORIDO PARAIBANO. 55 fs. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso de Graduação em Administração). Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa – PB. RESUMO O objetivo do presente estudo foi analisar como ocorre o processo de internacionalização do algodão colorido paraibano. Este trabalho consiste em uma pesquisa de natureza exploratório-descritiva, de caráter qualitativo. Para respaldar a análise do ambiente estudado foi utilizado o método explicativo indutivo aliado ao arcabouço teórico proposto nos estudos de Lam e White (1999) e Porter (1989). A estratégia de pesquisa adotada foi o estudo de caso, buscando extrair os dados necessários para responder a pergunta de pesquisa. O ambiente estudado foi a empresa Coopnatural, localizada na cidade de Campina Grande – PB, detentora da marca de produtos de algodão colorido Natural Fashion. Os resultados alcançados possibilitaram a composição de uma visão ampla acerca do processo de internacionalização da empresa. Foi possível investigar os motivos que a levaram a cruzar as fronteiras nacionais, o modo de entrada por ela selecionado e o critério para escolha dos mercados-alvos. Ademais, em relação com a teoria da Escolha Adaptativa, a empresa mostra-se como um ótimo exemplo de como os dilemas gerencias podem ser propulsores do sucesso de uma empresa preocupada com a constante qualificação. O Modelo da Vantagem Competitiva Nacional de Porter, mostrou-se cabível para descrever os pilares de sustentação do diamante da Coopnatural. A identificação da pesquisadora com o assunto abordado por este estudo dá lugar a futuras oportunidades de estudos a respeito do mesmo, em caráter comparativo e de aprofundamento. Palavras-Chave: Estratégia. Processo de Internacionalização. Algodão colorido paraibano. SILVA, Junielliny Cipriano. THE INTERNATIONALISATION PROCESS OS THE COLORED COTTON FROM PARAÍBA. 55 fs. 2010. Essay of Completion (Management Degree). Paraiba’s Federal University, João Pessoa – PB. ABSTRACT The aim of this study was to analyze how occurs the internationalization process of the colored cotton from Paraíba. This work is a research characterized as exploratory-descriptive and qualitative. To support the analysis of the studied environment the used method was the inductive explanatory theoretical framework, linked to the studies proposed by Lam and White (1999) and Porter (1989). The research strategy adopted was the case study, trying to extract the data needed to answer the research’s question. The environment studied was the Coopnatural company, located in the city of Campina Grande - PB, owner of the colored cotton’s brand Natural Fashion. The results allowed the composition of a wide vision sur the internationalization process of this company. It was possible to investigate the reasons which led it to cross national borders, the input mode selected by it and the criteria for it’s target markets selection. Furthermore, in relation to the Adaptive Choice model, the company is shown as a great example of how the managerial dilemmas can be driving forces behind the success of a company concerned about the constant qualification. Porter’s National Competitive Advantage model, was appropriate to describe the main pillars of the Coopnatural’s Diamond. The identification of the researcher with the subject matter covered by this study gives rise to opportunities of future studies about the same issue, in a comparative and deepening intention. Key-words: Strategy. Internationalization Process. Colored Cotton from Paraíba. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS APEX – Agência Brasileira de Promoção à Exportação APL – Arranjo Produtivo Local EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo FENIT – Feira Internacional da Indústria Têxtil MERCOSUL – Mercado Comum do Sul MTUR – Ministério do Turismo Brasileiro SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas LISTA DE FIGURAS Figura 1: Os determinantes da vantagem competitiva no processo de internacionalização do algodão colorido paraibano..................................................................................................... 46 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Comparação entre as estratégias de internacionalização............................................. 25 Quadro 2: Relação entre o instrumento de pesquisa e os objetivos específicos.......................... 33 Quadro 3: Framework dos principais eventos ocorridos ao longo da história da Coopnatural.. 41 SUMÁRIO 1. DELIMITAÇÃO DO TEMA E APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA........................................... 14 1.1. OBJETIVOS ............................................................................................................................... 17 1.1.1. OBJETIVO GERAL .................................................................................................................... 17 1.1.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................................... 17 1.2. JUSTIFICATIVA ........................................................................................................................... 18 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................................................. 21 2.1. ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA DAS ORGANIZAÇÕES GLOBALIZADAS ............................. 21 2.2. PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO ............................................................................... 22 2.3. ESTRATÉGIAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO......................................................................... 23 2.4. MODOS DE ENTRADA NO MERCADO INTERNACIONAL ..................................................... 25 2.5. TEORIAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO .................................................................................. 26 2.5.1. MODELO DA ESCOLHA ADAPTATIVA ................................................................................. 26 2.5.2. DETERMINANTES DA VANTAGEM COMPETITIVA NACIONAL ....................................... 27 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .................................................................................... 30 3.1. TIPO DE PESQUISA ..................................................................................................................... 30 3.2. ESTRATÉGIA DA PESQUISA...................................................................................................... 30 3.3. CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DO CASO E DOS SUJEITOS DA PESQUISA ............................ 31 3.4. INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ............................................................................. 32 3.5. ANÁLISE DE DADOS............................................................................................................... 33 4. ANÁLISE DOS RESULTADOS ................................................................................................... 35 4.1. RAZÕES QUE CONDUZIRAM A EMPRESA A INTERNACIONALIZAR SUAS ATIVIDADES ................................................................................................................................... 35 4.2. COMPREENDENDO O MODO DE ENTRADA ....................................................................... 37 4.3. COMO FORAM SELECIONADOS OS MERCADOS E OS RESPECTIVOS PRODUTOS ....... 38 4.4. O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO SOB A ÓTICA DO MODELO DA ESCOLHA ADAPTATIVA ................................................................................................................................. 42 4.5. O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO SOB A ÓTICA DO MODELO DA VANTAGEM COMPETITIVA NACIONAL .................................................................................... 44 5. CONCLUSÕES ............................................................................................................................. 47 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 48 APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE PESQUISA............................................................................... 53 14 1. DELIMITAÇÃO DO TEMA E APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA A economia globalizada e a pulverização dos mercados trouxeram mudanças substanciais para o dia-a-dia das organizações, tais como a velocidade na comunicação e na resposta às demandas externas. Em virtude disto, elas cada vez mais precisam se adaptar com rapidez aos novos e exigentes modelos de gestão empresarial e demandas de seus stakeholders. A base dos seus negócios deve ser alicerçada em estratégia, racionalidade e adaptabilidade para que o mercado competitivo seja uma mola propulsora para o sucesso e diferenciação. A internacionalização é uma das estratégias adotadas pelas empresas que procuram um novo ambiente para exercer suas atividades, buscando criar novas alternativas de negócios que não seja a operação em seu país de origem, muitas vezes restrita pelo tamanho do mercado consumidor e seu potencial de crescimento. Para Hitt, Ireland e Hoskisson (2008, p.211) “uma estratégia internacional é aquela por meio da qual a empresa vende seus produtos ou serviços fora da esfera de seu mercado local”. Há de se considerar que quando se opta por abrir as portas do mercado mundial, são diversos os desafios encontrados, e é ainda maior o número de concorrentes e de ameaças com as quais a organização deve estar pronta para confrontar-se. Para Kovacs e Oliveira (2008, p.4), “ao ingressarem no mercado internacional, as empresas estão sujeitas a um novo ambiente, a princípio incógnito e dicotômico (...)”. O processo de internacionalização, portanto, é complexo e requer preparo das organizações que pretendem fazer parte dele. Na visão de Bateman e Snell (2006), o primeiro passo a ser dado é escolher os modos de entrada: exportação, licenciamento, franquias, joint venture, instalação de uma empresa no país anfitrião ou estabelecimento de uma subsidiária própria no mesmo. Produtos típicos de determinada região, geralmente enfrentam maior dificuldade em internacionalizarem-se devido à natural existência de barreiras, tais como diferenças culturais, climáticas e financeiras, por exemplo. É este o caso do algodão colorido. Possibilidades como o licenciamento e estabelecimento de subsidiárias ou filiais, são inviáveis. Segundo aponta Marin (2004), a produção de algodão é adequada apenas para regiões temperadas ou tropicais. No que tange às 15 questões financeiras, a abertura de filiais e o licenciamento demandam investimentos substanciais que podem ter retornos financeiros incertos e demorados (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2008). Tendo em vista este cenário, a exportação aponta como o modo de entrada mais adequado dos produtos derivados do algodão colorido no exterior. O algodão naturalmente colorido apresenta-se como diferenciado desde a sua concepção genética, até ao fato de o mesmo ser orgânico, ecológica e socialmente responsável. Trata-se de uma tecnologia criada, desenvolvida e disseminada no interior da Paraíba pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA. Dados de 2009, da própria estatal, afirmam que as pesquisas para o melhoramento genético do algodão iniciaram-se na década de 1980, com vistas à prevenção de pragas nas lavouras. A partir de então, deu-se continuidade a uma série outros estudos para o desenvolvimento de novas variedades do algodão. A demanda por este tipo de produto é crescente, principalmente por se tratar de uma fibra cujo beneficiamento não gera efluentes tóxicos, pois não utiliza corantes ou solventes químicos, ela já nasce colorida. Este é um dos fatores que torna este produto bem aceito no mercado nacional e, principalmente, no exterior. Ademais, o modo como a imagem deste produto é vendida nos países onde ele é comercializado é muito importante para o sucesso ou fracasso da estratégia, a qual se dá primeiramente pela escolha do modelo adotado como forma de entrada, e na forma com a qual a organização conduz este processo. Surge, então, a necessidade de compreender como está ocorrendo o processo de internacionalização do algodão colorido paraibano. Apesar da ampla variedade de teorias e modelos que tratam do tema internacionalização, os mais referenciados em estudos científicos são: o modelo de ciclo de vida do produto, o modelo do processo de internacionalização de Uppsala, o modelo relacionado à inovação, o modelo da Escolha Adaptativa, o modelo da Análise do Paradigma Eclético de internacionalização e, por fim, o Modelo Baseado em Recursos, o RBV. (KOVACS e MORAES, 2005). Outra teoria bastante discutida no âmbito acadêmico, elaborada por Porter (1989), é o modelo Diamante da Vantagem Competitiva Nacional. Para os propósitos desta pesquisa e considerando as características do processo de internacionalização da maior empresa do setor no estado da Paraíba, a Coopnatural, serão 16 adotadas as teorias da Escolha Adaptativa e o Modelo Diamante da Vantagem Competitiva Nacional como focos do estudo. A teoria da Escolha Adaptativa reforça que a internacionalização é um desafio que o ambiente impõe sobre as organizações. Lam e White (1999) afirmam que a Escolha Adaptativa representa a maneira com a qual a organização lida com a estratégia, com a estrutura e com o capital humano presentes no processo. A soma destes fatores são os chamados “dilemas gerenciais” Ainda segundo este modelo, a primeira escolha com a qual a empresa deve-se deparar num processo de internacionalização é com a escolha estratégica. Esta definirá os passos seguintes que conduzirão a organização ao sucesso ou fracasso de suas operações. Para este modelo, no momento em que a organização se encontra em meio a um dilema estratégico, ela deve agir racionalmente para atingir o objetivo proposto inicialmente, realizando uma escolha adaptativa, ou seja, de acordo com o cenário diante do qual ela se encontra. A medida que a empresa vai realizando estas escolhas e adquirindo experiência, mais perto de atingir o objetivo estratégico ela estará Já o Modelo Diamante, também conhecido como Determinante da Vantagem Competitiva Nacional, elaborado por Michael Porter é predominantemente focado no contexto externo, visando a expansão internacional através dos recursos competitivos, enfatizando o conteúdo da estratégia e o contexto interno no qual a empresa está inserida. (OLIVEIRA; MORAES; KOVACS, 2007, p. 12). Para Porter (1989, p. 87), existem quatro atributos “que modelam o ambiente no qual as empresas competem, e que promovem (ou impedem) a criação da vantagem competitiva”, são eles: as condições de fatores; as condições de demanda; as indústrias correlatas ou de apoio; e a estratégia, estrutura e rivalidade das empresas. O autor defende que o Diamante, formado por estes quatro fatores, é mutuamente fortalecedor. Ou seja, estes quatro pilares se sustentam uns aos outros e devem estar em congruência para manter forte a vantagem competitiva da empresa em relação às concorrentes. Diante do exposto acima, o problema de pesquisa foi assim elaborado: como ocorreu e como está ocorrendo o processo de internacionalização do algodão colorido paraibano sob as óticas das Teorias da Escolha Adaptativa e do Modelo Diamante da Vantagem Competitiva Nacional? 17 1.1. OBJETIVOS 1.1.1. OBJETIVO GERAL Analisar o processo de internacionalização do algodão colorido paraibano. 1.1.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Identificar as razões que conduziram a decisão de internacionalizar os produtos derivados do algodão colorido; b) Compreender como foi selecionado o modo de entrada; c) Diagnosticar como foram selecionados os mercados e os respectivos produtos; d) Descrever o processo de internacionalização sob a ótica da Teoria da Escolha Adaptativa; e) Descrever o processo de internacionalização sob a ótica do Modelo Diamante da Vantagem Competitiva Nacional. 18 1.2. JUSTIFICATIVA O contexto globalizado vem forçando as empresas a expandirem suas operações para além das fronteiras dos seus países de origem, tendo em vista o valor que a divulgação de sua marca e de seus negócios no exterior agrega às suas operações. Todavia, pesquisas recentes mostram que as empresas que resolvem estabelecer ou explorar seus negócios em outras fronteiras, apesar de bem estruturadas, nem sempre apresentam casos de sucesso. Exemplos de insucessos de produtos típicos como o da Cachaça Sagatiba não são raros e evidenciam a necessidade de fundamentar bem a estratégia de internacionalização. De acordo com Mano (2005), “a breve história da Sagatiba mostra que, no mundo dos negócios, muita coisa pode dar errado, ainda que tudo pareça ter lógica.” Esta empresa gastou milhões de reais em exportação e teve grandes prejuízos. É evidente, portanto, que não basta apenas investir em marketing ou adotar práticas de gestão exigidas pelos padrões internacionais de consumo. Para tornar uma marca reconhecida mundialmente, o esforço estratégico é muito maior, devendo a empresa escolher um modelo de operação no exterior adequado à sua realidade e que lhe seja viável. O Brasil apresenta uma vantagem estratégica neste caso: a imagem dos produtos típicos brasileiros é muito bem aceita no exterior, conforme afirma o Ministério das Relações Exteriores (2009). Esta boa reputação se estende aos produtos orgânicos – caso do produto foco deste estudo, o algodão colorido. De acordo com Liu (2008), é crescente a aceitação dos produtos orgânicos brasileiros no exterior estimulada pela seriedade com a qual o processo de inserção destes no mercado internacional é conduzido pelas empresas. A adoção de processos padronizados, a preocupação com o atendimento às normas internacionais aliados à preocupação com toda a cadeia produtiva envolvida, apenas fortalece o conceito de sustentabilidade e responsabilidade sócio-ambiental inerentes a estes produtos. Tal diferencial é extremamente valorizado por estrangeiros, tornando este tipo de produto altamente competitivo no exterior. O que nos resta, portanto, é tirar proveito da boa imagem construída pelos nossos produtos típicos no mercado externo, fazendo com que sua demanda – enquanto produto exótico, socialmente responsável e orgânico – torne-se um grande diferencial competitivo. Tais características levam a uma congruência de características entre o produto escolhido para a pesquisa e a Teoria da Vantagem Competitiva, uma vez que: 19 A aplicação do modelo Diamante permite identificar as razões pelas quais determinadas áreas geográficas se especializam e se sobressaem na competição internacional, explicando o que leva um país a estabelecer vantagem competitiva. (OLIVEIRA e KOVACS, 2007, p.4) Já os autores do modelo da Escolha Adaptativa (LAM e WHITE, 1999), em estudo realizado no ano de 1999 em uma empresa taiwanesa de produtos alimentícios, mostraram as diversas dificuldades que ela enfrentou para conseguir a aceitação de seus produtos no mercado Chinês e em outros países próximos. Neste contexto, a empresa foi obrigada a adaptar as suas estratégias de negócios para atender e satisfazer a demanda do cliente estrangeiro. Os autores supracitados enfatizaram como este tipo de modelo fortalece as organizações que pretendem se internacionalizar impulsionando-as deliberadamente. A Coopnatural encaixa-se entre estes dois modelos: a Teoria da Vantagem Competitiva e a Teoria da Escola Adaptativa. Ambas foram escolhidas por se tratarem de estudos que apresentam características semelhantes as da empresa pesquisada. Para a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o projeto em questão é relevante, pois o tema escolhido é raramente abordado ao longo da graduação, e a Paraíba dispõe de pouco acervo em termos de estudos sobre o assunto escolhido, ao contrário de faculdades como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), por exemplo, que apresenta um amplo leque de produção científica a respeito do mesmo. Para a sociedade, esta pesquisa é importante, pois se trata de um estudo em língua portuguesa sobre um tema em evidência, e que de acordo com Shimidtt Neto (2005, p.12) “[...] é uma área de pesquisa acadêmica que apresenta significativa expansão nas últimas décadas, o que pode ser comprovado pelas publicações e anais de congressos e periódicos da área de administração.” Ela é relevante sobretudo para o estado da Paraíba que ultimamente vem incentivando as atividades de exportação de produtos típicos por meio de programas como o Exporta CIN, por exemplo, esta pesquisa é a oportunidade de conhecer mais sobre a participação e reconhecimento de um deles – o algodão colorido – no mercado externo. Sob a perspectiva da empresa selecionada, a realização desta pesquisa poderá ser de primordial relevância para o discernimento sobre as suas atividades de exportação, representando um marco a partir do qual ela reconhecerá suas oportunidades de melhoria em relação a este processo. Isto pode colaborar para que a empresa potencialize a sua atuação enquanto exportadora, definindo o seu grau de representatividade no mercado internacional. A própria 20 Coopnatural, alvo deste estudo, interessou-se pelos objetivos previamente apresentados e prontamente disponibilizou-se a ser objeto da pesquisa, sendo a facilidade de acesso à ela um fator que tornou esta pesquisa viável. 21 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Nesta seção, serão apresentados os arcabouços teóricos utilizados como base para a pesquisa deste estudo, previamente introduzidos pela exposição de inferências sobre a orientação estratégica das organizações e sobre o processo de internacionalização, seguidos pela exposição dos modos de entrada de organizações. 2.1. ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA DAS ORGANIZAÇÕES GLOBALIZADAS Atualmente, a orientação estratégica das organizações tem representado para elas um importante fator de diferenciação diante do mercado globalizado. Na visão de Porter (2004), as empresas que competem em uma indústria, possuem suas respectivas estratégias competitivas, sejam elas explícitas ou implícitas. Infere-se, portanto, que independentemente da divulgação para os seus stakeholders, a estratégia sempre existirá, pois ela representa a base do negócio, da sua visão e do seu objetivo enquanto organização competitiva. No entanto, para este mesmo autor, as vantagens de tê-la como processo explícito são evidenciadas quando os seus resultados apresentam-se de maneira uniforme, oriundos de um processo de adoção de políticas e práticas internas coordenadas e padronizadas, a favor de um objetivo único. A implementação da estratégia exige, portanto, a sinergia entre as unidades de negócio (caso ele seja pulverizado ou setorizado) e a harmonia e participação destas partes orientadas para um fim comum. (KAPLAN e NORTON, 2000). Ainda de acordo com estes autores, a estratégia pode ser considerada “a única maneira sustentável pela qual as organizações criam valor” (p.12). Para eles, os seus ativos intangíveis – aqueles não mensuráveis do ponto de vista financeiro – se tornaram fonte de vantagem competitiva diante da economia globalizada e do nível de concorrência tão homogêneo do presente momento. A estratégia competitiva deriva destes ativos intangíveis e, quando bem formulada e implementada, pode ser considerada o maior deles. Numa pesquisa citada ainda por Kaplan e Norton (2000) e realizada entre 275 gestores da Ernst & Young, constatou-se que estes gerentes consideravam a implementação da estratégia o fator mais importante como parâmetro de resultado para o desempenho do corpo gerencial. O cumprimento das metas – outrora elaboradas por eles com base nesta estratégia – poderia ser considerada a maior prova de sua competência enquanto gestores. Para estes executivos, a 22 capacidade de formular uma estratégia de qualidade é muito mais importante do que própria estratégia em si. A partir do exposto acima, é possível afirmar que “através da adoção de um processo integrador de formação da estratégia, a empresa parece conseguir maior adaptação e se ajusta mais rapidamente às exigências e ao dinamismo do seu entorno.” (LAVARDA, et. al, p.1, 2007). A flexibilidade oferecida pelo uso de tecnologias e comunicação facilita o andamento deste processo. Para que haja uma melhor compreensão de como ocorre esta dinâmica nas empresas, serão expostos os detalhes de duas teorias utilizadas como base para análise do processo de internacionalização da empresa foco deste estudo, oriundas primordialmente dos estudos de Porter (1994) e Lam e White (1999). 2.2. PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO Tendo em vista a gradual saturação do mercado interno, a necessidade de cada vez mais expandir as possibilidades de presença e atuação das empresas é crescente. Neste sentido, as organizações buscam alternativas como a internacionalização, inserindo seus produtos ou serviços no mercado estrangeiro, na tentativa de fugir de um cenário econômico já saturado no seu país de origem. Para que haja a melhor compreensão sobre o processo de internacionalização, é preciso primeiramente compreender como o vertiginoso crescimento da globalização vem influenciando as decisões das empresas de atuarem além de suas fronteiras. Dois fatores são a chave para que haja compreensão sobre o crescimento dramático da globalização. O primeiro deles é a afirmativa de que a própria presença global é importante para a sobrevivência da empresa. Ou seja, a dependência do mercado internacional, e a necessidade do estabelecimento de relações exteriores são tão presentes no dia-a-dia das organizações modernas que elas são deliberadamente impulsionadas a fazer parte deste contexto. O segundo deles é que as empresas multinacionais são mais lucrativas e crescem com maior rapidez que as demais. (DORNIER, et. al, 2007). O processo de internacionalização é peça fundamental neste cenário. De acordo com pesquisa realizada por Forte e Moreira (2007) a respeito do setor calçadista brasileiro, o tempo compreendido desde a fundação da empresa até o início das suas 23 atividades em cenário estrangeiro é relativamente curto: 7,6 anos. A mesma pesquisa mostrou que, quanto mais jovem a empresa, mais rápido ela toma a decisão de internacionalizar-se. A intenção de expandir as operações para o mercado exterior pode ser vista como algo que já nasce com boa parte das empresas mais novas, caracterizando-as como organizações do tipo born global ou global start-ups, ou seja, “[...] empresas que possuem um processo de internacionalização acelerado, realizando atividades internacionais desde a sua criação, ou após poucos meses depois disto.” (ROPELATO et. al., 2009, p. 5) Esta forma de inserção no mercado exterior, portanto, requer considerável preparo dos empreendedores na sua construção. Outra forma de tornar claro o levantamento sobre as questões básicas do processo de internacionalização da empresa é a adotada por Dib e Carneiro (2006), ao levantarem as seguintes questões a respeito do tema: o quê, por quê, quando, onde e como internacionalizar? Portanto, primeiramente devem ser levantados os motivos, justificativas e condições que levam a empresa a tomar a decisão de internacionalizar seus negócios. Também deve ser identificado o momento que a empresa está vivenciando para ter feito essa escolha, ou seja, o seu contexto mercadológico e a sua posterior intenção de progressão no mercado, diante da decisão tomada de atuar no exterior. Fundamental também é a escolha dos produtos e serviços que ela pretende comercializar nos países hospedeiros. Este fator, unido às decisões associadas à escolha do local para onde a empresa levará seus produtos e a maneira como ela fará isto, ou seja, o seu modo de entrada, o grau de controle e o modo de operação que adotará, constituem os últimos pontos levantados pelos autores. Uma vez que estes três pontos são levados em consideração – os produtos escolhidos estão em consonância com o mercado-alvo; o local é favorável à inserção e aceitação do produto; e a estratégia de modo de entrada condiz com a realidade dos países investidor e hospedeiro – as chances de sucesso na implementação da estratégia tornam-se mais prováveis e racionalmente tangíveis. 2.3. ESTRATÉGIAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO Ao longo do século XX, o conceito de administração estratégica foi disseminando-se nas mais diversas áreas da administração. Diretamente ligado a ele, está o de planejamento estratégico, o qual passou a ser desenvolvido nos Estados Unidos por volta da década de 1950, 24 com grande influência da tecnologia de planejamento oriunda dos países com economia planejada a longo prazo. (ALDAY, 2003) Ao longo das últimas décadas, este conceito evoluiu e adquiriu variações e grande importância diante da economia globalizada e da necessidade de intercâmbio de informações e mercados entre os países, culminando no conceito de comércio exterior. De acordo com Costenaro e Abatti (2007, p.1), “O Brasil, como muitos países procuram, atualmente, formas de desenvolver-se economicamente a partir de novos produtos ou de produtos reformulados.” E são vários os motivos que levam as empresas a elaborarem estratégias internacionais. Dentre eles podemos citar: a demanda natural do mercado externo pelo produto/serviço fornecido, a necessidade de ampliar o ciclo de vida do produto diversificando o mercado no qual ele está inserido, a procura por menores custos de produção em outras localidades e a pressão do mercado pela globalização das operações. Independente do motivo que leva uma organização a internacionalizar-se, de acordo com Hitt, Ireland e Hoskinsson (2008), há dois tipos básicos de estratégias internacionais, a saber: - A estratégia internacional no nível de negócios: neste caso o país de onde os produtos ou serviços são oriundos, representam a própria estratégia em si. Ou seja, ele é a fonte mais importante da vantagem competitiva para a empresa. O Brasil encaixa-se perfeitamente neste perfil. A marca “Brasil” foi estrategicamente criada pelo Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), juntamente com o Ministério do Turismo Brasileiro (MTUR), para isto. Inicialmente utilizada como instrumento de divulgação do Brasil como destino turístico (MTUR, 2009), hoje também é utilizada como marketing para mais de 340 produtos oriundos deste país (SANOVICZ, 2006) incluindo os produtos da empresa em estudo. - A estratégia internacional no nível corporativo: aplicada a empresas que possuem unidades de negócios em vários países. Neste caso, devido às particularidades e dimensões dos negócios, faz-se necessário adaptar a estratégia de cada uma das unidades à realidade da localidade onde estas mesmas estão instaladas. Não é o caso dos derivados de algodão colorido, cuja produção é local e a internacionalização caracteriza-se unicamente pela exportação dos produtos prontos para comercialização. Em um artigo publicado no final da década de oitenta, Bartlett e Ghoshal (1987) identificaram os desafios estratégicos que nove grandes companhias enfrentavam devido à eminente complexidade das demandas do ambiente internacional. Perceberam-se como estas 25 empresas tiveram de se ajustar internamente para atender às demandas do mercado exterior, revisando as suas estratégias de negócios e marketing, apresentando semelhanças com o modelo proposto por Lam e White (1999) – o da Escolha Adaptativa que será discutido mais adiante. Trazendo este cenário para a realidade atual do produto em estudo, percebe-se que o mesmo não sofreu mudanças significativas. O caso da cachaça pernambucana Nordestina, pesquisado por Kovacs, Morais e Oliveira (2006), mostra o quanto foi importante para a estratégia de exportação da empresa, utilizar referências ao Brasil como marketing visual, corroborando mais uma vez com a idéia de que a internacionalização deste tipo de produto está baseada na estratégia no nível de negócios. 2.4. MODOS DE ENTRADA NO MERCADO INTERNACIONAL Bateman e Snell (2006) afirmam que para que a estratégia de entrada de uma empresa em um mercado estrangeiro tenha maiores possibilidades de sucesso, deve-se primeiramente decidir sobre os meios mais adequados para inserir-se nele. Ainda segundo estes autores, existem cinco maneiras básicas de expandir internacionalmente as operações de uma organização (Quadro 1): Modo de entrada Exportação Licenciamento Franquias Joint Venture Subsidiárias Próprias no Exterior Vantagens Desvantagens Economias de escala; Consistente com uma estratégia global pura. Menores custos de desenvolvimento; Menor risco político. Menores custos de desenvolvimento; Menor risco político. Conhecimento local; Custos e riscos compartilhados; Pode ser a única opção Mantém Controle sobre a tecnologia; Mantém controle sobre as operações. Ausência de locais de baixo custo; Altos custos de transporte; Barreiras tarifárias. Perda de controle sobre energia. Perda de controle sobre a qualidade. Perda de controle sobre a tecnologia; Conflitos entre parceiros. Alto custo; Alto risco. Quadro 1: Comparação entre as estratégias de internacionalização. Fonte: Adaptado de Bateman e Snell (2006, p. 209) Independente de qual seja o modo de entrada adotado como estratégia pela empresa, é importante lembrar da concepção de Hilal e Hemais (2002) que percebem a internacionalização como um processo incremental e que visa o benefício da aprendizagem gradual e sucessiva, fazendo com que a organização passe por etapas de comprometimento com os mercados estrangeiros, ao invés de um processo planejado, deliberado e baseado em uma análise puramente racional. 26 Esta idéia corrobora ainda com a de Johanson e Vahlne (1977) que afirmam que quanto menos estruturadas e bem definidas forem as atividades e o conhecimento requerido para internacionalizar-se, mais importante se torna o conhecimento experimental. É necessário, portanto, que a empresa viva a experiência no exterior gradualmente, identificando novas oportunidades, corrigindo deslizes e adaptando suas operações às necessidades do cliente estrangeiro. 2.5. TEORIAS DE INTERNACIONALIZAÇÃO Em um levantamento realizado por Melin (1992) sob forma de pesquisa bibliográfica a respeito dos estudos de internacionalização, identificou-se que a produção científica americana e européia sobre este tema, ao longo das três últimas décadas que antecedem a sua pesquisa, foi bastante vasta e enriquecedora para o seu desenvolvimento. Contudo, ainda segundo o autor, a diversidade de teorias e conclusões fez com que a natureza multidisciplinar deste campo de estudo se tornasse desfocada, havendo, portanto, a necessidade de expor as teorias de maneira mais clara quanto ao peso de seus conteúdos. Corroborando com a idéia de Melin de esclarecer a composição científica sobre internacionalização, e pela semelhança da base teórica escolhida com a realidade da empresa pesquisada, este estudo delimitará sua análise ao processo de internacionalização dos produtos derivados do algodão colorido paraibano sob a ótica de duas importantes teorias a saber: Teoria da Escolha Adaptativa e Teoria do Diamante da Vantagem Competitiva Nacional. 2.5.1. MODELO DA ESCOLHA ADAPTATIVA O modelo da Escolha Adaptativa elaborado por Lam e White (1999), prevê que a internacionalização deve ser encarada como um desafio que o ambiente impõe sobre as organizações. Estas, por sua vez, adaptam-se a ele para conseguirem inserir seus produtos ou serviços além das fronteiras nacionais. O ambiente, de acordo com a teoria, impõe dilemas administrativos e estratégicos. A empresa deve escolher dentre as opções disponíveis, a que lhe for mais adequada e vantajosa. Assim como o posicionamento estratégico do país diante de seus concorrentes é uma característica importante para o desenvolvimento e afirmação da teoria da Vantagem Competitiva, a imposição de um ambiente no qual devem ser tomadas decisões adequadas à 27 escolha da estratégia de internacionalização é um ponto relevante também estudado pelos adeptos da vertente da Escolha Adaptativa. Estes estudiosos acreditam que quando uma organização decide internacionalizar-se, ela está sujeita a decisões que poderão modificar a sua orientação estratégica. A primeira delas diz respeito à sua estrutura organizacional. As atenções e esforços da empresa concentram-se na tentativa de fazer com que a estratégia de internacionalização tenha sucesso. Mas esta não é a única mudança. A empresa também deve estar ciente de que deverá estudar o mercado no qual deseja instalar-se, inclusive os seus potenciais concorrentes, para que não enfrente dificuldades em inserir o seu produto fora do país de origem. Devem ser levados em consideração o produto, a promoção, o preço, dentre outros fatores que podem ser determinantes para a aceitação do produto em outro país. Os recursos humanos contratados nos países onde a empresa decidiu instalar seus negócios representam outro aspecto que demanda atenção dos empresários. Características culturais podem interferir no desempenho de profissionais estrangeiros em face de uma empresa oriunda de outro país. Ou seja, esta vertente concentra-se na questão: como a estratégia, a estrutura e os recursos humanos podem interferir no desempenho internacional de uma organização. Para os seus idealizadores, a maneira com a qual estas questões são resolvidas é que representa as escolhas adaptativas da organização. Na seção seguinte será exposta o arcabouço teórico referente ao segundo modelo adotado nesta pesquisa – O modelo Diamante de Porter (1989). 2.5.2. DETERMINANTES DA VANTAGEM COMPETITIVA NACIONAL A teoria da Vantagem Competitiva Nacional, também conhecida como Modelo Diamante da Vantagem Competitiva Nacional, nasceu na década de 1940, a partir dos estudos de Porter (1989) acerca dos determinantes das vantagens competitivas nacionais entre as empresas. Para este autor, a instabilidade econômica determina um constante estado de mudança para a empresa que deseja manter-se competitiva. O dinamismo e o desafio diante de um ambiente hostil impulsionam as organizações a aperfeiçoarem-se e tentarem ampliar suas vantagens competitivas. 28 Ademais, o modelo de Porter está disposto sobre quatro pilares. São as características inerentes ao ambiente no qual as empresas competem e onde promovem (ou impedem) a criação da vantagem competitiva. Quanto mais equilibrado estiver o diamante formado pelo conjunto destes quatro fatores, mais provável é o êxito da operação da organização. (PORTER, 1989). Tais pilares são: - Condições de fatores: os países comercializam produtos que fazem uso intensivo dos seus fatores de produção. Dentre estes fatores destacam-se a infra-estrutura, os recursos humanos, a localização geográfica, a terra cultivável, os recursos naturais e o capital disponível. Ou seja, cada indústria/país exporta produtos dos quais têm recursos e experiência suficientes para produzir com qualidade. - Condições de demanda: a qualidade da demanda interna por um determinado produto (mais importante do que a quantidade) é determinante para o sucesso no exterior. Ela é composta por três atributos, a saber: a composição das necessidades do comprador (nível de exigência e motivação de compra, por exemplo), o tamanho (demanda interna inicial e variação da taxa de crescimento) e o padrão de crescimento da demanda externa influenciada pela demanda interna. A internacionalização da demanda interna é o que impulsiona os produtos e serviços para além das fronteiras nacionais, ela “(...) está na raiz da vantagem nacional” (p.115). - Indústrias correlatas e de apoio: o estabelecimento de indústrias correlatas, ou seja, aquelas que possuem relação de interdependência fabricando produtos complementares, é extremamente importante para gerar competitividade localmente. Se um país possuir capacidade logística e de negócios para agregar valor a esta cadeia internamente, será provavelmente capaz de utilizar esta vantagem ao seu favor ao comercializar com o exterior. - Estratégia, estrutura e rivalidade das empresas: a rivalidade interna cria um cenário apropriado para a inovação e criatividade. As empresas passam a tentar otimizar seus processos para incrementar sua vantagem em relação às concorrentes. Aperfeiçoadas pela rivalidade interna, as empresas se apresentarão mais fortes e maduras no mercado exterior. Percebe-se que estes quatro conceitos são complementares e interdependentes. Daí justifica-se o fato de o autor enfatizar a necessidade de fortalecer o elo entre eles (fortalecer o diamante). Para ele, é sabido que existem países cujas empresas possuem mais tecnologia, infraestrutura, estabilidade econômica e experiência que outros. O que interessa, é entender o porquê 29 desta diferenciação, ou seja, como estes países chegaram a tal nível de maturidade para atuar no mercado exterior com sucesso. Portanto, e objetivo do estudo da vantagem competitiva internacional “compreender o que, no ambiente nacional, supera o desejo natural de estabilidade e impulsiona empresas ao avanço”. Na próxima seção, serão expostos os métodos e demais detalhes a respeito da aplicação do instrumento de pesquisa. 30 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Esta seção se atém a indicar os recursos utilizados pela pesquisadora para realizar a coleta de dados, relatar quais procedimentos foram adotados por ela para a investigação científica, bem como explicar o plano de análise dos dados coletados. (PÁDUA, 2000) 3.1. TIPO DE PESQUISA Esta pesquisa teve como objetivo identificar como ocorre o processo de internacionalização do algodão colorido paraibano. Neste sentido, ela caracterizou-se como de caráter aplicado, onde para a análise, foram utilizados os métodos explicativo e indutivo que, de acordo com Lakatos e Marconi (2005), compreendem respectivamente: a análise de um contexto situacional, do qual são extraídas conclusões a respeito das motivações para que ele ocorresse; e a análise de dados de uma observação particular para parâmetros generalizados, para isto, relacionando fenômenos e fatos. 3.2. ESTRATÉGIA DA PESQUISA A estratégia de pesquisa adotada foi o estudo de caso, o qual é caracterizado por Yin (1994) como um processo de investigação empírica através do qual é possível caracterizar um fenômeno ou processo contemporâneo dentro do contexto em que ele ocorre. De acordo com este autor é possível, não somente caracterizá-los o mais fielmente possível, mas também garantir maior confiabilidade aos resultados coletados empiricamente, uma vez que a investigação ocorre dentro do próprio contexto onde eles se desenvolvem, dificultando distorções de resultados. Amaratunga e Baldry (2001) complementam enfatizando que uma importante vantagem do uso de estudos de casos está na riqueza de detalhes e compreensão da realidade apresentados. Gonçalves e Meirelles (2004) complementam esta visão, afirmando que este método parte do princípio de que quando um caso é estudado em profundidade, este pode ser considerado como representativo para outros semelhantes. Já a análise qualitativa, ainda de acordo com Gonçalves e Meirelles (2004, p.62) é mais adequada “para a investigação de valores, atitudes, percepções e motivações do público pesquisado com a preocupação primordial de entendê-los em maior profundidade.” 31 Portanto, a investigação do processo de internacionalização dos produtos através destes métodos garantiu à pesquisadora a obtenção de uma visão ampla a respeito do mesmo, possibilitando inclusive posteriores investigações comparativas entre a empresa pesquisada e outras de ramos semelhantes. Yin (1994) afirma que a determinação de uma amostra num estudo de caso torna-se inviável, por se tratar de uma análise situacional de um determinado ambiente, o que justifica a ausência desta informação neste trabalho. Ele ainda acrescenta que muitas vezes pode ser difícil isolar o fenômeno caracterizado como objeto do estudo, do ambiente em que ele ocorre. Para amenizar tal dificuldade, é comum utilizar diversas fontes de evidência e cruzá-las com os diferentes dados recolhidos. É a triangulação de dados, descrita mais adiante, na Seção 3.5. 3.3. CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DO CASO E DOS SUJEITOS DA PESQUISA O caso selecionado foi o da Coopnatural, cooperativa de produtores, beneficiadores, artesãos e comerciantes de algodão colorido. A razão de sua escolha se deveu não só pelo fato de ela internacionalizar seus produtos, mas também pela sua importância sócio-econômica para o estado da Paraíba. A empresa em questão fomenta todo o arranjo produtivo local do algodão colorido da região de Campina Grande e redondezas, e seus produtos têm grande importância cultural para a região. A facilidade de acesso da pesquisadora a empresa, foi outro fator que colaborou para a escolha desta organização como objeto do estudo. Através de contato com a coordenadora de exportação da empresa, a autora obteve o aval para realizar a pesquisa. Ademais, o interesse demonstrado pela organização pelos resultados obtidos com a realização do estudo foi crucial para a concretização da sua viabilidade e definição da escolha da pesquisadora. Foram entrevistados os funcionários da cooperativa envolvidos no processo de internacionalização, bem como a presidente da mesma. Ao todo foram quatro as entrevistadas, na seguinte seqüência: a Coordenadora de Exportações, a Diretora Presidente, a Vendedora de Comércio Nacional e Exterior e a Diretora Administrativo-Financeira. As entrevistas duraram cerca de uma hora com cada uma das duas primeiras entrevistadas. Com ambas as últimas, a coleta de dados teve caráter complementar, durando cerca de 20 minutos com cada uma delas. 32 Desta forma, com a coleta de dados através de pessoas estratégicas para o processo de comércio exterior da organização, foi possível reproduzir mais fielmente o processo estudado. 3.4. INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS A coleta de dados – disponível no Apêndice A – ocorreu através de entrevistas semiestruturadas. As mesmas foram guiadas por um roteiro de entrevista elaborado pela autora, corroborando com a fundamentação teórica proposta. A utilização de entrevistas semi estruturadas permite ao pesquisador ter em mãos um guia que contemple os principais pontos chaves e que possa conduzi-lo à responder aos objetivos do seu estudo. (LAKATOS e MARCONI, 1992). Este tipo de roteiro de entrevistas permite ainda que, fatos outrora não citados pelo autor no momento de sua elaboração, possam porventura ser extraídos do entrevistado no momento da coleta. Por fim, eles podem tornar-se importantes para a análise e compreensão geral do cenário avaliado. As entrevistas foram realizadas no período que compreende a primeira semana de Outubro de 2009 e a forma de coleta, por sua vez, foi digital, via instrumento de gravação de áudio. As falas das entrevistadas foram transcritas e posteriormente submetidas às mesmas para a realização de eventuais correções e ajustes textuais. Para facilitar a interpretação destes dados, o instrumento de coleta foi subdividido de acordo com o conteúdo dos objetivos específicos propostos neste estudo, procurando, através das respostas dos sujeitos da pesquisa, respondê-los. Ao final da pesquisa foram emitidos relatos e conclusões a respeito dos dados que foram extraídos sobre o processo estudado. (GONÇALVES e MEIRELLES, 2004). O instrumento foi composto por 29 questões subjetivas, conforme descrito no Quadro 2 na página seguinte: 33 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Identificar conduziram as a QUESTÕES razões que empresa Questões 1, 2, 3, 4 e 5 Dib e Carneiro (2006); Dornier (2007); Johanson e Vahlne (1977); Kaplan e Norton (2000); Lam e White (1999) Questões 6, 7 e 8 Bateman e Snell (2006) Questões 9, 10, 11, 12, 13, 14 e 15 Bartlett e Ghoshal (1985); Lam e White (1999). Questões 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 22 Bartlett e Ghoshal (1985); Lam e White (1999); Sanovicz (2006). Questões 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28 e Porter (1989); Oliveira e Kovacs (2007). a internacionalizar suas atividades; b) Compreender como foi FONTE selecionado o modo de entrada; c) Diagnosticar como foram selecionados os mercados e os respectivos produtos; d) Descrever o processo de internacionalização sob a ótica do Modelo de Escolha Adaptativa. e) Descrever o processo de internacionalização sob a ótica da 29 Teoria da Vantagem Competitiva Internacional; Quadro 2: Relação entre o instrumento de pesquisa e os objetivos específicos. Fonte: elaborado pela própria autora (2009) Percebe-se claramente a relação das questões propostas com os objetivos construídos a partir da fundamentação teórica descrita na seção 4. A seção seguinte fará menção ao tratamento dos dados coletados por meio de relatos das entrevistadas, procurando identificar se as questões acima abrangem e respondem aos conceitos expostos na fundamentação teórica. 3.5. ANÁLISE DE DADOS Após a coleta e sistematização dos dados, prosseguiu-se à análise qualitativa dos discursos dos sujeitos da pesquisa, aliado ao método da observação direta. Tal sistematização foi realizada buscando explorar nas falas das entrevistadas características congruentes com os arcabouços teóricos propostos. Para que isto fosse possível, a análise foi subdividida de acordo com os objetivos específicos do estudo e, conseqüentemente, com as perguntas dispostas no roteiro de entrevistas. 34 Esta disposição estrutural consentiu a melhor organização dos dados tratados o que, por conseguinte, facilita a compreensão do leitor. A montagem da explicação se deu pela exposição das respostas aos fatos investigados, seguidas da análise de discurso das entrevistadas, os quais foram confrontados entre si, verificando se há uniformização das falas ou contradição entre elas. Esta técnica garante maior confiabilidade à análise e também permite que a pesquisadora utilize as afirmações de uma pessoa entrevistada para complementar os dados expressos por outra. Sobre o método qualitativo, este garantiu maior aprofundamento e produtividade na aferição de resultados. Detalhamentos acerca de toda a história de internacionalização da empresa – contemplando principais agentes envolvidos, fatores de incentivo, oportunidades de melhoria, visão estratégica mercadológica e vislumbramento de oportunidades – foram oportunamente coletados nas entrevistas e posteriormente aproveitados na análise, sendo eles cruciais para a sua construção. Este mesmo método também admite que informações mais latentes e subjetivas sejam coletadas possibilitando ao entrevistador, não somente uma análise de discurso, mas uma visão global acerca da sua postura diante das perguntas que por ele são feitas. Ele não possui preocupação estatística, cabendo observar a adequação do seu uso quando se opta por realizar um estudo de caso. (GONÇALVES e MEIRELES, 2004). Portanto, a ausência da preocupação estatística – apoiada por Yin (1994) – aliada ao estudo da relação e da congruência entre os discursos das entrevistadas – analisados sob um ponto de vista amplo – juntamente com a revisão teórica proposta, permitiram a construção da seção seguinte. 35 4. ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1. RAZÕES QUE CONDUZIRAM A EMPRESA A INTERNACIONALIZAR SUAS ATIVIDADES A Coopnatural iniciou suas atividades no ano de 2000, devido à saturação do mercado interno de confecções. De acordo com Hitt, Ireland e Hoskinson (2008), este é um dos fatores motivadores para que a organização busque outros mercados além de suas fronteiras. Oliveira e Kovacs (2007) caracterizam este processo como sendo do tipo inside-out, ou seja, cuja demanda ou intenção de internacionalizar partiu da empresa em questão. A Coopnatural se encaixa neste perfil e o motivo que a levou a buscar uma estratégia de mercado diferenciada foi que o ramo de confecções passava por uma crise na cidade de Campina Grande e redondezas. Em face desta situação, a atual presidente da cooperativa, Maysa Gadelha, e que já era na época presidente do sindicato das indústrias de vestuário da Paraíba, vislumbrou a necessidade de levar os produtos para outros mercados, conforme ela mesma descreve: A indústria de confecções daqui estava mal por causa dessa concorrência com os produtos de Santa Cruz, Turitama e Caruaru. E aí estávamos indo para São Paulo competir dentro da maior área de concorrência que poderia ter, porque a gente estava concorrendo com o pessoal de Bom Retiro, do Brás, até o pessoal de Santa Cruz, Goiânia, Belo Horizonte. E a gente viu que não teríamos chance se não levássemos um produto diferente. A partir de então, a empresária buscou um novo nicho através do relacionamento com uma indústria correlata da região e com o governo (PORTER, 1989): “Então nós fomos à EMBRAPA, para saber como andava a pesquisa do algodão colorido e a EMBRAPA nos cedeu 300 kg de pluma. Nós fiamos essa pluma, fizemos uma coleção e levamos à FENIT.”. Neste evento – a Feira Internacional da Indústria Têxtil – segundo ela, a empresa obteve grandes resultados de vendas e percebeu que o algodão colorido era uma possibilidade tangível de colocação de algo inédito no mercado, naquele momento saturado: “Com este primeiro contato, a gente viu que era viável”. Porém, não havia estrutura formada de empresa, tampouco de cadeia produtiva como descreve a presidente da Coopnatural: Só que naquela época, nós não tínhamos a cadeia produtiva ainda pronta, e também não tínhamos o produto na cabeça do consumidor. Então nós precisávamos [...] levar a possibilidade do homem do campo plantar, ver quem ia fiar, tecer, fazer todo o processo. Então de lá pra cá a gente construiu a cadeia produtiva e divulgamos bastante o algodão para que a gente pudesse tornar o produto desejável, e continuamos estudando. 36 Esta última frase corrobora com as visões de Hilal e Hemais (2002) e Johanson e Vahlne (1977), a respeito da aprendizagem gradual e constante como base para criação das estratégias da empresa e de Lam e White (1999) a respeito da sua capacidade adaptativa em relação ao mercado. Marina, diretora Administrativo-financeira da Coopnatural, compartilha de discurso semelhante: Eu acredito que a gente vai aprendendo também, não é uma coisa que a gente tem formada, porque a gente não tem um conhecimento ainda sobre qual é o perfil do consumidor [...]. Então a gente vai descobrindo e vai se adaptando a este perfil, aos poucos. Após o arranjo estrutural da cadeia produtiva, foi criado o consórcio com o apoio de uma consultoria que tinha um bom network na Europa (JOHANSON e VAHLNE, 1977) e que teve papel fundamental de influência na escolha pelo foco no mercado exterior, conforme atesta Geanice Leite, coordenadora de exportações da Coopnatural: “Inclusive o consultor que trabalhou junto conosco é um alemão. E todo o produto foi direcionado para o mercado Europeu [...]”. Isto caracteriza este agente externo como peça determinante para a inserção da empresa no mercado global. A sinergia (ver KAPLAN e NORTON, 2000) entre artesãos, indústrias de confecções, instituições de apoio, ou seja, as chamadas indústrias correlatas – um dos diamantes do modelo proposto por Porter (1989) – permitiu a agilidade na adaptação do processo produtivo aos padrões internacionais. Acreditava-se que o mercado exterior era mais promissor que o nacional, conforme explica Maysa Gadelha: “A nossa idéia principal era a exportação. Tanto é que eu relutei muito em entrar no comércio interno. Porque eu acreditava que a gente conseguiria um melhor valor no mercado externo, e um mercado mais volumoso, mais rápido.” Contudo, a concepção da empresária diante das demandas internas mudou: “Mudou completamente. Eu estava errada. Hoje o mercado interno, ele absorve mais, o valor é o mesmo, eu estava errada mesmo. O mercado internacional é mais demorado também, bem mais demorado.” Apesar de ter nascido como uma born global (ROPELATO et. al., 2009), a empresa mudou de estratégia e esta decisão está refletida em seus números. Geanice Leite, afirma que hoje, apenas 20% do que é produzido, é destinado à exportação. 37 A despeito do bom e crescente desempenho interno, a empresa não abre mão de seus contatos no exterior. Ela entende que a necessidade da presença global defendida por Dornier (2007) é crucial para continuar erguida diante da Economia globalizada. Para Maysa Gadelha, trabalhando-se bem a marca e a qualidade do produto e do processo, bons resultados podem ser obtidos. Basta que haja preparação da organização e diferenciação do produto final. A maneira de atingir estes novos mercados e nele inserir novos produtos será expressa na seção seguinte. 4.2. COMPREENDENDO O MODO DE ENTRADA Nesta seção compreende-se qual o modo de entrada escolhido ela empresa, o porquê e a satisfação da empresa em relação à sua escolha. O modo de entrada dos produtos da marca Natural Fashion no exterior é, desde o início, a compra por agentes externos. Grandes compradores americanos, europeus e asiáticos adquirem os produtos e vendem em lojas próprias ou revendem para outras relacionadas ao conceito de produto orgânico ou de produto do nordeste brasileiro. Geanice Leite explica, em conformidade com o conceito de agentes externos – fundamentado por Lam e White (1999) e que Porter (1989) evidencia em seu modelo diamante como sendo parte de um dos seus pilares – “A gente tem um distribuidor no mercado Europeu e nos demais locais funciona como um agente mesmo. A maioria está comprando e prospectando no mercado.” Ou seja, não há licenciamento, joint ventures, franquias ou subsidiárias próprias no exterior. A internacionalização e feita exclusivamente via exportação. (BATEMAN; SNELL, 2006). Questionada a respeito das primeiras tentativas de contato com o comercio exterior, a coordenadora de exportações afirma que a participação em feiras e o auxílio da consultoria, foram determinantes para expandir a rede de relacionamentos da empresa e para tornar o produto conhecido pelos potenciais compradores. Segundo ela, a consultoria “[...] dura ate hoje, é permanente. Hoje nós temos o pessoal da Brazilliant que faz toda a parte comercial, de prospecção externa.” 38 Ademais, há um processo rigoroso de escolha dos agentes. São pesquisadas as lojas onde os produtos serão revendidos, se as mesmas têm capacidade e ligação com este tipo de produto para comercializá-lo, se ela está localizada em um centro de compras voltado para as classes A e B – público-alvo da marca – dentre outros aspectos que tornam viável ou não o comércio em determinadas localidades, conforme afirma Geanice: Hoje para quem está comprando da gente há um critério bem mais rigoroso do que a anos atrás. [...] Porque senão é aquela coisa – estou indo passar as férias, ou fazer um curso, estou fazendo um intercâmbio, ou sou brasileira, conheço o produto de vocês e estou lá vendendo para qualquer pessoa. Hoje a gente têm que se posicionar. E quanto a esta questão de posicionamento no mercado, o nosso critério é mais rigoroso. É notável, portanto, a preocupação da empresa com a viabilidade das transações, mais do que a quantidade. Ao contrário da idéia de Hitt, Ireland e Hoskinson (2008) de que quanto maior o mercado coberto pela organização, proporcionalmente maiores também serão os seus lucros e menores serão os riscos de investimento, a organização pesquisada acredita que escolher bem os mercados, mesmo que isto diminua as possibilidades de firmação de contratos, é mais saudável e seguro. No tocante à satisfação em relação ao modo de entrada da empresa no mercado internacional, observou-se que a empresa mostra-se satisfeita, pois foi apoiada e orientada para que a implementação da estratégia internacional se desse de forma estruturada e sólida. Um dos determinantes para este sucesso é justamente a escolha correta em relação aos mercados alvo de consumo e aos produtos para eles exportados, assunto este que será abordado na seção seguinte. 4.3. COMO FORAM SELECIONADOS OS MERCADOS E OS RESPECTIVOS PRODUTOS A escolha dos mercados de atuação é um dos momentos mais críticos pelos quais a empresa passa ao longo do seu processo de internacionalização. Ela deve ser minuciosamente planejada e deve estar de acordo com as macro-estratégias estabelecidas pela organização. (DIB e CARNEIRO, 2002; HITT; IRELAND; HOSKINSON, 2008) A vendedora de comércio nacional e exterior, Carolina, conclui: “[...] a gente procura um lugar onde tenham pessoas que darão o devido valor ao nosso produto.” Por esta preocupação, o primeiro país para o qual a empresa exportou foi a Alemanha, país de origem do primeiro consultor da organização. Tal escolha se deu pelo fato deste país ter 39 uma ótima aceitação e valorização em relação a produtos de origem orgânica, bem como ao amplo networking deste agente lá. Estes fatores foram cruciais para a escolha deste país como o importador pioneiro na tentativa de internacionalização da Coopnatural, conforme afirma Geanice:. A gente foi direcionado pela consultoria, por Iojan que é alemão, foi ele que nos direcionou para estes países que já estavam com essa consciência para estar adquirindo o nosso produto. Nosso produto que estava valorizando a mão de obra, e que não estava usando produtos químicos na produção do algodão. Os outros países aos quais ela se refere foram inicialmente Portugal e Itália. Ao longo dos anos o nível de maturidade e a experiência foram crescendo e a empresa passou a exportar para outras regiões européias, para a América do Norte e, mais recentemente, para a Ásia. Alguns países importadores citados pela entrevistada são: “Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Dinamarca, Japão, Suíssa, Coréia Do Sul, Taiwan.” Portanto, a escolha dos primeiros países de destino se deu primordialmente pelo conhecimento do consultor em relação à realidade destes mercados. A empresária Maysa Gadelha, tal como os demais componentes do consórcio de exportação até então nunca haviam tido contato com qualquer experiência relacionada ao comércio exterior. Há, portanto, uma ampla diversidade cultual e de mercado nos países escolhidos por eles, de acordo com os critérios de valorização do produto. A intensa distância psíquica presente nos países de seu portfólio de clientes internacionais e discutida por Johanson e Vahlne (1977), não representou um obstáculo para que o produto paraibano ocupasse seu espaço em mercados outrora inexplorados. Prova disto é que a Coopnatural não exporta para países vizinhos da América Latina. Mesmo com os baixos custos logísticos e subsídios do MERCOSUL, a ausência destas transações é justificada pela falta de valorização do custo benefício do produto orgânico, o que não ocorre nos outros mercados já citados, onde a consciência ambiental é mais presente, corroborando com o que afirmam Sherer e Poledna (2002). Quanto aos produtos escolhidos, estes variam de acordo com a observância ao clima, público alvo e cultura do país importador. Ao passo que tais adaptações são feitas, o processo produtivo torna-se mais complexo – pela grande diversidade de peças – e ao mesmo tempo oneroso. Comumente são exigidas diferentes coleções para diversos países, conforme avalia Maysa: 40 Porque você, por exemplo, tem uma coleção, daí se você trabalha na Itália, as características são umas, se você vai trabalhar no Japão são outras, se você vai trabalhar nos Estados Unidos mais outras, então você tem que ter uma “pluri-coleção”, entedeu? Ou então uma coleção para cada país. Além destes fatores, o tipo físico de cada nacionalidade também influencia na modelagem das roupas, que deve ser adaptada de acordo com as exigências dos compradores. Marina exemplifica: “O Europeu é maior, a roupa dele é bem diferente, a modelagem, tudo. [...]. Então às vezes a gente recebe clientes que vêm aqui para fazer uma modelagem específica para o produto de lá. Então não só a cultura, mas o físico também influencia.” Esta exigência diferenciada para cada mercado de atuação e as muitas adaptações que tiveram de ser feitas nos produtos representam a maior dificuldade da empresa ao confeccionar seus produtos. O conhecimento a respeito das principais demandas de cada país auxiliou na inserção de produtos naqueles escolhidos posteriormente. Tudo isso vai ao encontro das afirmações de Bartlett e Gorshal (1987) e Lam e White (1999), em relação à adaptabilidade e mudança de estratégia e formatação dos produtos para atender a uma demanda externa. Nesta empresa isto ocorre para diversos mercados ao mesmo tempo, exigindo maior flexibilidade e rapidez de implementação. Com tudo isso, Marina ainda afirma que “[...] o tempo que a gente consegue atender a exigência diminuiu, está mais rápido, a gente consegue mudar mais rápido, se adequar mais rápido.” Compartilhando também com as conclusões de Hilal e Hemais (2002) e Johanson e Vahlne (1977), a respeito das características de aprendizagem sucessiva, além da rápida resposta às demandas internacionais. Segundo as entrevistadas, os produtos mais demandados são os artigos femininos e os infantis – estes últimos em face, principalmente, da ausência de corantes e agentes químicos na composição do tecido, prejudiciais à saúde de crianças alérgicas. Contudo, a demanda e o tipo de produto variam de acordo com o cliente conforme explica Geanice: “[...] um dos nossos clientes, por exemplo, ele compra mais a parte infantil, brinquedos. Já tem outro cliente que compra mais cama, mesa e banho.” A respeito dos produtos que já foram exportados e hoje não o são mais, Maysa afirma que apenas os itens de coleções anteriores, não constam no catálogo de comercialização. Porém, os “carros chefes”, ou seja, aqueles produtos que são característicos da marca Natural Fashion 41 desde os primeiros lotes de confecções e fazem sucesso até hoje, não deixaram de ser comercializados, seja no Brasil ou no Exterior. Por fim, foram muitos os fatos importantes ocorridos ao longo da história da Coopnatural. Para a melhor visualização destes, o Quadro 3, abaixo, ilustra os mais relevantes na sua trajetória evolutiva. Eventos Ano 2000 2002 2006 Confecção da primeira remessa de roupas em algodão colorido; 1º participação em feira nacional; Criação do Site. Criação oficial do consórcio de exportação; primeiras exportações para a Europa A freqüência de exportação passou a ser mensal; 2007 Elaboração primeiro planejamento estratégico 2008 do Transição do consórcio para a cooperativa; criação da marca Natural Fashion; Maysa Gadelha ganha o prêmio “SEBRAE Mulher de Negócios” Quadro 3: Framework dos principais eventos ocorridos ao longo da história da Coopnatural. Fonte: elaborado pela própria autora (2009) Percebe-se que nos últimos oito anos de existência, a empresa investiu na tentativa de conquistar certificações ambientais, prêmios, e na expansão de atuação no exterior em relação ao pouco tempo de mercado. A empresa atuou desde o início com a intenção de exportar seus produtos, contudo sem deixar de investir no mercado interno, conforme nos explica a coordenadora de comércio exterior, Geanice Leite: A gente nasceu assim, com a finalidade de exportar. Mas a gente não poderia esperar só para exportar, participávamos também de feiras nacionais. Era um produto novo, só nós comercializávamos na época. A gente cresceu num percentual ainda maior no mercado interno do que no mercado externo. Hoje atuamos mais no mercado nacional do que no externo. A presidente da cooperativa, afirma que apesar da ausência de know how das pessoas que estavam à frente de sua criação no que diz respeito aos trâmites do comércio exterior, houve sucesso imediato com o auxílio da atitude empreendedora dos idealizadores e apoio de agentes externos que detinham o conhecimento necessário (como o primeiro consultor da empresa que era estrangeiro). 42 A seguir compreenderemos como ocorre o processo de internacionalização sob a ótica da Teoria da Escolha Adaptativa. 4.4. O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO SOB A ÓTICA DO MODELO DA ESCOLHA ADAPTATIVA A evidência de vestígios do Modelo da Escolha Adaptativa de Lam e White (1999) pôde ser percebida em itens anteriores, como por exemplo, o fato de que a organização teve de modificar seus produtos e estratégias para atender às necessidades que lhe foram exigidas pelos ambientes nos quais ela tentava então inserir-se. Existe uma constante preocupação da empresa em estar preparada para assumir novos mercados e modificar sua estratégia para atender às mais diversificadas demandas. Isto está refletido no acompanhamento constante da empresa por consultorias e através de outros agentes correlatos de apoio (ver Porter, 1989), como o SEBRAE, a APEX, o FIEP e a EMBRAPA. Geanice explica como isto ocorreu: “[...] houve um grande apoio do Governo Federal para incentivar as exportações das micro e pequenas empresas. E cada região teve o seu produto valorizado. No caso de Campina Grande, a APEX trabalhou com confecções, calçados, a cachaça e o algodão também.[...] A gente começou com o consórcio. Eram oito empresas inicialmente, através do apoio da APEX que é a Agência Nacional de Exportação, junto ao SEBRAE. Foi contratada uma consultoria inicialmente.” Os dilemas gerenciais levantados por Lam e White (1999) estão presentes na história da organização, uma vez que esta estruturou-se deste o início para suportar as diversificadas demandas impostas a ela. Não se pode também deixar de evidenciar a evolução pela qual ela passou para atingir seus objetivos estratégicos (ver Quadro 3, seção 6.5). A necessidade de tomada de decisão rápida é um dos fatores propulsores para o constante fomento e solidificação da estrutura administrativa da organização pesquisada deste a sua concepção. Questionada a respeito da preparação para ingressar no mercado exterior com o consórcio, Maysa explica: “[...] esse consórcio tinha uma verba que era para preparar os grupos de empresas para a exportação. E isso foi realmente um passo fundamental no nosso crescimento.” E segundo ela e as demais entrevistadas, a qualificação interna não pára jamais. E junto com ela a necessidade de estar sempre utilizando parâmetros de controle interno, como 43 complementa a presidente da cooperativa: “[...] a administração daqui é de livro. Eu disse a ela (a Marina): você vai entrar na nossa cooperativa para implementar uma administração de livro, bem criteriosa e muito correta.” E ainda: Por exemplo, a gente teve uma consultoria de franquia, fizeram primeiro uma de gestão de pessoas, que foi quando saiu esse organograma e essas funções, e depois de amanhã começará a parte de PCP, 5S, que Marina pediu para dar uma repaginada, uma renovada. [...] Quanto à adaptabilidade da estrutura organizacional questionada por Lam e White (1999), a empresa passou por um importante dilema gerencial que culminou num momento transitório: a mudança de formação de consórcio para cooperativa. Geanice explica a motivação para a transição: O consórcio, ele é uma associação: ele não pode faturar. Ele é simplesmente uma associação sem fins lucrativos, aí isso dificultava um pouco, por exemplo: quem vai faturar dessa vez, a minha empresa ou a tua? E como eram produtos de várias empresas, nem sempre a empresa que estava faturando se sentia confortável nessa situação. Hoje, o formato de cooperativa é benéfico para todos e esta fase transitória não teve efeitos negativos para a organização. Pelo contrário, inicialmente eram 20 empresas de confecções que começaram juntas com o consórcio, hoje são 26 as que compõem a base produtiva da cooperativa. E segundo Maysa, não há possibilidade de entrada de novos sócios, “[...] porque os próprios cooperados não querem mais dividir o patrimônio que eles têm.”. Os recursos humanos do exterior investigados pela teoria e questão são representados pelos agentes externos e pelo único distribuidor próprio fora do país de origem. Estes são responsáveis pelo intercâmbio informacional, econômico e de mercadorias entre a empresa e os países importadores. Já os recursos humanos internos envolvidos diretamente nas atividades exportadoras da empresa são compostos pelas quatro entrevistadas, já citadas (ver seção 5.4) e por dois consultores da Brazilliant que realizam a atividade de agenciamento e prospecção internacional. Já no que diz respeito ao estudo de mercado, Marina expõe que a consultoria é a responsável pelo mesmo. Mas isto não exclui a responsabilidade das funcionárias da cooperativa de investigar a viabilidade de vendas no local proposto: “[...] independentemente deles, a gente também faz.” Portanto, os pontos abrangidos por esta teoria – desafio ambiental, necessidades de mudança da orientação estratégica, dilemas gerenciais, adaptação da estrutura organizacional, 44 observância da cultura e recursos humanos envolvidos no processo de internacionalização – foram identificados e expostos na pesquisa. A seguir, serão expostas as congruências ou divergências dos dados levantados na empresa em relação à outra teoria de internacionalização que foi foco desta pesquisa – o Modelo da Vantagem Competitiva Nacional de Porter (1989). 4.5. O PROCESSO DE INTERNACIONALIZAÇÃO SOB A ÓTICA DO MODELO DA VANTAGEM COMPETITIVA NACIONAL O Modelo Diamante da Vantagem Competitiva Nacional afirma que a empresa, quando se propõe a estabelecer relações comerciais com o exterior, está sob a influência de quatro elementos fundamentais para conduzir este processo, são eles: estratégias da empresa, estrutura e rivalidade; condições de demanda; condições dos fatores; e indústrias correlatas ou de apoio. São estes os chamados componentes do Modelo Diamante de Porter (1989). No tocante às estratégias da empresa, são vários os pontos merecedores de destaque. Desde a sua formação estrutural (e posterior adequação desta estrutura), a preocupação com a constante qualificação interna, a adoção de orientação de uma consultoria estrangeira já especializada em internacionalização, dentre outros fatores, foram fundamentais para a composição da estrutura deste pilar. A empresa apresenta contínua evolução neste sentido e adota a estratégia que for necessária para atender às demandas de mercado, dentro de seus parâmetros legais e critérios pré-estabelecidos. Segundo a presidente, isto se deve ao fato de existir uma aprendizagem organizacional “[...] muito rápida e muito boa.” (FLEURY, 1995). Outro determinante de acordo com ela é a clara definição de papéis entre os que compõem a cooperativa: “E a gente tem também essa questão de colaboração e tudo mais, o nosso organograma é bem definido.” Quanto à estrutura e rivalidade, houve a transição de consórcio para cooperativa como principal mudança estrutural na organização. Mas o maior problema enfrentado pela empresa no mercado interno é a pirataria conforme esclarece Maysa: Bem, nós perdemos praticamente o mercado da Paraíba. O que não correspondia para nós um grande mercado. Mas, quando você vê em João Pessoa, uma pessoa que abre uma porta de um carro e começa a vender, é complicado se comparado a uma cadeia produtiva inteira, totalmente formalizada. [...] Principalmente porque eles imitam muito do que a gente faz. As peças da Natural Fashion, com 15 dias elas estão imitadas nos camelôs de João Pessoa. 45 As dificuldades enfrentadas com pirataria aqui no Brasil, sobretudo, na própria Paraíba, apresentam-se em escala bem maior se comparada ao mercado exterior, conforme Geanice complementa: Inicialmente era exclusividade nossa, de uns anos pra cá estão aparecendo outras empresas.[...] Não concorrência, mas é mais uma oportunidade do cliente comparar, ver a nossa qualidade, já temos a nossa certificação, a gente já tem o nosso padrão de qualidade. No que tange às condições de demanda, a empresa vem empreendendo esforços para atender às internacionais. Partindo da redefinição da modelagem das peças de vestuário, até a busca pelas certificações internacionais que lhe garantem maior confiabilidade e diferenciação no mercado estrangeiro – como visto acima. Estes investimentos são impulsionados também pelo melhor preço pago pelos consumidores internacionais pelo produto orgânico. Estas demandas, por sua vez, tiveram papel importante para o reconhecimento da marca inclusive nacionalmente. Segundo Maysa Gadelha, quando o consumidor nacional passou a ver que o produto era vendido no exterior, ele percebeu que este era de qualidade. Isto conferiu maior credibilidade à organização e seus produtos. Já o ambiente propício ao cultivo do algodão, juntamente com o apoio de indústrias correlatas como a EMBRAPA, a APEX e o incentivo do Governo Federal no início de suas atividades, foi crucial para que a empresa atingisse o posicionamento atual. O esforço dos gestores em fomentar o Arranjo Produtivo Local (APL) e a constante parceria com consultorias e instituições como o SENAI, possibilitou a união de diferentes (porém complementares) setores que permitem o crescimento da cooperativa, e a constante qualificação de seus membros. A sinergia entre estes fatores é o que solidifica a base de sustentação do Diamante. A partir do que foi exposto acima, podemos expô-lo da maneira descrita na Figura 1, na página seguinte: 46 Estratégias da empresa, estrutura e rivalidade Condições dos fatores Mudança de estrutura social, combate às rivais locais (pirataria), divulgação no exterior Ambiente propício ao cultivo do algodão colorido, arranjo produtivo local engajado Indústrias correlatas e de apoio Condições de demanda Importadores dispostos a pagar mais por um produto diferençado (orgânico), começo de um reconhecimento pelos consumidores nacionais Sebrae, Apex, Embrapa, Governo Federal, Consultorias, artesãos, indústrias de confecções Figura 1 – Os determinantes da vantagem competitiva no processo de internacionalização do algodão colorido paraibano Fonte: Pesquisa de Campo (2009). Baseado em Porter (1989) Com o auxílio da figura acima, pode-se melhor visualizar a relação entre os diamantes da cooperativa, seguindo o modelo de Porter (1989). É possível inferir, a partir do que foi inferido, que a empresa atende ao proposto pela teoria de Porter e encaixa-se no seu modelo de internacionalização. Logo, pode-se dizer que ela possui tanto características inerentes ao modelo da Escolha adaptativa, quanto ao da Vantagem Competitiva Nacional. 47 5. CONCLUSÕES Pode-se inferir a respeito deste estudo que o processo de internacionalização da empresa pesquisada possui características inerentes tanto ao modelo da Escolha Adaptativa, proposto por Lam e White (1999), quanto ao Modelo da Vantagem Competitiva Nacional, defendido por Porter (1998). Há clara congruência entre ambas as teorias adotadas e a organização objeto de estudo, como se pôde perceber na triangulação dos dados. Foi possível identificar o modo de entrada dos produtos da marca Natural Fashion no Exterior. Este por sua vez, realiza-se através da atividade exportadora, conforme descrevem Bateman e Snell (2006), apoiada por dois agenciadores internos e um único agenciador externo que negociam e prospectam os produtos da Coopnatural com compradores internacionais. Ademais, pôde-se compreender os fatores que motivaram a atividade de internacionalização da empresa, como a saturação do mercado interno e a influência da network de um consultor que participou da construção do consórcio – primeira formação jurídica da empresa – e foi o principal influenciador na escolha dos primeiros países compradores. Estes mesmos que ainda hoje fazem parte do grupo dos principais importadores da Natural Fashion. Quanto à relação com a teoria da Escolha Adaptativa, a empresa mostra-se como um ótimo exemplo de como os dilemas gerencias podem ser propulsores do sucesso de uma empresa preocupada com a constante qualificação. O Modelo Diamante de Porter, por sua vez, foi fundamental para descrever os pilares de sustentação do objeto de pesquisa em seu cenário ambiental, a relação entre eles e sua importância para a composição do processo de internacionalização da Coopnatural. De um modo geral, o estudo apresenta-se como muito proveitoso e abrangente em relação ao assunto proposto e há intenção da pesquisadora em realizar estudos complementares e pesquisas futuras e o aprofundamento a respeito do mesmo. Poderão ser foco de outras pesquisas cujas oportunidades foram vislumbradas ao longo do presente estudo: a visão empreendedora da empresária Maysa Gadelha em constituir a Coopnatural; a investigação a respeito do processo de estruturação do arranjo produtivo local do algodão colorido na região de Campina Grande; e outros estudos comparativos sobre comércio exterior em empresas que levam a cultura brasileira para além das nossas fronteiras. 48 REFERÊNCIAS ALDAY, Hernan E. Contreras. 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Este instrumento deverá subsidiar parcialmente a etapa referente à pesquisa de campo, cujo objetivo central é analisar o processo de internacionalização do Algodão Colorido Paraibano sob as óticas das teorias da Escolha Adaptativa e da Vantagem Competitiva Nacional. O cenário da pesquisa será a empresa Coopnatural, localizada na cidade de Campina Grande - PB. Cabe destacar a importância da sua participação para o êxito desta pesquisa, bem como informar que as informações coletadas durante a entrevista serão transcritas e submetidas à revisão e aprovação por parte do(a) entrevistado(a) e posteriormente utilizadas apenas para fins de estudo. De antemão gratos pela sua colaboração, Junielliny Cipriano da Silva, Graduanda André Gustavo C. Machado, Dr., Prof. Orientador E-mail: [email protected] E-mail: [email protected] ROTEIRO DE ENTREVISTAS PARTE 1 – OBJETIVO “Identificar as razões que conduziram a empresa a internacionalizar suas atividades” 1) Quais os motivos que levaram a empresa a internacionalizar seus produtos? 2) De quem partiu a idéia de vender o produto para o exterior? 3) Como ocorreu o primeiro contato com o mercado exterior? Por meio de alguém conhecido? 4) A demanda pelos seus produtos foi externa, ou a decisão de internacionalizar o Algodão Colorido se deu por causa da saturação do mercado interno? 5) No momento da primeira experiência internacional, qual era a situação da empresa do ponto de vista de volume de vendas e reconhecimento interno? PARTE 2 – OBJETIVO “Compreender como foi selecionado o modo de entrada” 6) Como os senhores entraram no mercado externo? Através de exportação, franquias, joint ventures, ou com a instalação de subsidiárias próprias? Explique, por favor. 54 7) O(A) senhor(a) recebeu alguma orientação sobre como deveriam entrar no mercado exterior? Se sim, como ocorreu? De quem partiu? Quanto tempo durou? 8) O(A) senhor(a) acredita que escolheu a maneira correta de entrar no mercado exterior? Por quê? PARTE 3 – OBJETIVO “Diagnosticar como foram selecionados os mercados e os respectivos produtos” 9) Quais produtos e respectivos países escolhidos para as primeiras experiências de internacionalização? Por quê? 10) Como as escolhas estão relacionadas ao grau de conhecimento do mercado? 11) O grau de conhecimento de um determinado país onde a empresa já opera influencia a entrada em outro mercado? Caso positivo, como? 12) Hoje o(a) senhor(a) exporta para os mesmos países? Por quê? 13) Vocês tiveram dificuldades em escolher para quais países iriam exportar? Quais? 14) Atualmente, quais produtos a empresa exporta? Tiveram de realizar alguma adaptação para atender a padrões internacionais, como tamanho das peças, embalagem, ou característica geral do produto? Explique, por favor. 15) Há algum produto já foi exportado, mas atualmente não é mais? Por quê? PARTE 4 – OBJETIVO “Descrever o processo de internacionalização sob a ótica do Modelo de Escolha Adaptativa” 16) Quem é o responsável pela gestão das atividades de internacionalização? Como está localizado no organograma? 17) Qual é a estrutura organizacional da empresa?A visão e orientação estratégica da organização foram modificadas diante da decisão de internacionalizar-se (ou após o início do processo de internacionalização)? Explique, por favor. 18) A visão e orientação estratégica da organização foram modificadas diante da decisão de internacionalizar-se (ou após o início do processo de internacionalização)? Explique, por favor. 55 19) Houve mudanças na estrutura organizacional da empresa para a execução (ou após) da internacionalização? Qual o papel da consultoria neste contexto? Explique, por favor. 20) Qual o papel das escolhas gerenciais no processo de internacionalização ao longo do tempo? 21) As pessoas responsáveis pela internacionalização trabalham nesta atividade full-time ou part-time? Explique, por favor. 22) O mercado hospedeiro foi anteriormente estudado pela organização? Se sim, como se deu este estudo? PARTE 5 – OBJETIVO “Descrever o processo de internacionalização sob a ótica da Teoria da Vantagem Competitiva Nacional” 23) Qual a importância do network no processo de internacionalização? Explique, por favor. 24) Diante da entrada em novos mercados, como a empresa adapta ou flexibiliza as suas estratégias? Como está o cenário das demandas? 25) O quão dependente é hoje a empresa das operações internacionais? Qual, por exemplo, é a porcentagem de vendas internas versus vendas externas? 26) Qual o papel de agentes externos nas atividades da empresa? 27) A estrutura da empresa atende às necessidades internacionais? Foi necessário implementar alguma mudança para que isto ocorresse? 28) Como se dá a formação do Arranjo produtivo local e das indústrias correlatas envolvidas no processo de internacionalização da empresa? 29) Algum dos gestores da cooperativa possuía algum conhecimento ou experiência prévia sobre a comercialização para mercados internacionais? Se sim, como esta experiência contribuiu para a elaboração de estratégias de internacionalização? Se não, como a empresa lidou esta falta de experiência?