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m a i o r
m í d i a
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c o m u n i d a d e
í t a l o - b r a s i l e i r a
www.comunitaitaliana.com
Ano XVI – Nº 132
ISSN 1676-3220
R$ 10,90
Rio de Janeiro, junho de 2009
Doce
Segredo
Saiba porque a marca Ferrero
conquistou o maior grau de confiança
no mundo junto aos consumidores
A queda de braço entre o CGIE e Alfredo Mantica
22
CAPA
Fundada em 1946, a Ferrero, um império econômico multinacional na produção de chocolates,
foi escolhida a marca de maior grau de confiabilidade junto aos consumidores, em todo o mundo
Editorial
Confiança......................................................................................06
Cose Nostre
Atualidade
Italianos que vieram ao Brasil em missão de solidariedade morrem
na queda do avião da Air France que partiu do Rio de Janeiro��������� 30
Uma italiana fugiu no dia de seu casamento com o amigo do noivo
que guiava o carro nupcial. Ela era aguardada pelo marido e pela
família para a festa quando comunicou sua decisão pelo celular......07
Religione
Política
Artes Plásticas
Economia
Esporte
Italianos residentes ou não no país votam este mês no Referendo que
pode mudar a legislação eleitoral da Itália������������������������������������� 14
Com a participação de 11 brasileiros, exposição em Milão chama a
atenção para a arte contemporânea feita na América Latina...........47
Liderada por Cesar Cielo, equipe brasileira vai forte para o Mundial
de Roma. Evento será o primeiro a regular o uso dos maiôs.............52
Claudio Cammarota
Fotos: Sheila Guimarães
Storiche concorrenti, Perdigão e Sadia creano Brasil Foods (BRF)
l’impresa più grande del Brasile nel ramo alimentare........................20
Irmã Dulce può diventare la prima santa
brasiliana nata sul territorio nazionale............................................36
42
Musica
Sabine Lovatelli
Tedesca, ma cittadina italiana,
contessa lavora in Brasile per
divulgare l’opera classica
ed aumentare il numero
dei suoi spettatori
4
44
Entrevista
Gabriel Felzenswalb
O novo chefão da moda
brasileira, que prefere bussiness
à badalação, fala sobre seus
planos para o setor
ComunitàItaliana
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Junho 2009
49
Automobilismo
Mil Milhas
O evento criado em 1927
mantém a charmosa tradição
de corrida de carros
antigos pela Itália
56
Patrimônio
Caminhos de Pedra
Trecho de nove quilômetros que
mantém construções e costumes
italianos da época da imigração
é declarado patrimônio histórico
e cultural do Rio Grande Sul
COSE NOSTRE
Julio Vanni
FUNDADA EM MARÇO DE 1994
Diretor: Julio Cezar Vanni
A
Publicação Mensal e Produção:
Editora Comunità Ltda.
Tiragem: 40.000 exemplares
Esta edição foi concluída em:
09/06/2009 às 17:30h
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Guilherme Aquino; Nayra Garofle;
Sarah Castro; Sílvia Souza;
Tatiana Buff; Valquíria Rey;
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REVISÃO / TRADUÇÃO: Cristiana Cocco
Projeto Gráfico e Diagramação:
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Garani; Beatriz Rassele; Giordano Iapalucci;
Cláudia Monteiro de Castro; Ezio Maranesi;
Fabio Porta; Fernanda Miranda
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Janaína Cesar (Treviso);
Lisomar Silva (Roma);
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ComunitàItaliana está aberta às contribuições
e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos
e estrangeiros. Os artigos assinados são de
inteira responsabilidade de seus autores, sendo
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La rivista ComunitàItaliana è aperta ai
contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti
brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori
e sprimono, nella massima libertà, personali
opinioni che non riflettono necessariamente il
pensiero della direzione.
lgumas marcas, de tão identificadas com os produtos a que estão associadas, viram sinônimo do próprio produto. Nutella, por exemplo, há muito significa pasta
de chocolate com avelãs. Para além das prateleiras dos mercados, porém, significa
muito mais. Foi com essa pasta que se moldou um império econômico multinacional na
produção de chocolates: o grupo Ferrero.
Sessenta anos depois de criada por um artesão piemontês, a Ferrero recebeu o
título de marca líder mundial em grau de confiabilidade junto aos consumidores.
Nossa reportagem de capa revela alguns dos segredos do grupo que tem sua direção
concentrada nas mãos férreas da família Ferrero, agora na passagem da segunda para a
terceira geração. Como a própria empresa, espalhada por vários países, Michelle e os
filhos, Pietro e Giovanni, fincaram suas bases fora da Itália. Os três evitam os holofotes e
preferem trabalhar em silêncio. Para o grupo, o segredo é a alma do negócio.
No mesmo ranking liderado pela Ferrero, uma marca ítalo-brasileira aparece em
5º lugar: a Sadia. O detalhe é que, logo depois do anúncio do resultado da pesquisa
feita pelo Reputation Institute, a empresa deixou de existir. Por conta de uma fusão com
a até então rival e também ítalo-brasileira Perdigão, foi criada a Brasil Foods. Nossa
reportagem explica detalhes da transação que fez com que
o novo grupo já chegasse ao mercado ostentando o título de
maior empresa do Brasil no ramo alimentício.
Da economia para a política, a edição destaca que
junho é mês de eleição para italianos residentes ou não na
Itália. Em jogo está o futuro da legislação eleitoral do país
que será passada a limpo em um Referendo. Se o “sim”
vencer, a Itália terá dado um primeiro passo em direção ao
bipartidarismo. A revista explica porque isso pode acontecer e
suas consequências políticas.
Entre os italianos residentes no exterior, a polêmica da
vez envolve o subsecretário Alfredo Mantica. O Conselho
Geral dos Italianos no Exterior, durante a assembleia geral
Pietro Petraglia
que ocorreu em Roma, mês passado, expôs sua insatisfação
Editor
em relação ao trabalho do subsecretário. Os conselheiros
aprovaram uma moção em que pedem ao ministério das Relações Exteriores da Itália
sua saída do cargo. Comunità ouviu os conselheiros que integram o CGIE no Brasil para
obter mais detalhes a respeito da questão.
Dois meses após o terremoto em Abruzzo, a revista não deixa o assunto passar
em branco. Depois do frio, agora é a vez dos desabrigados sofrerem com as altas
temperaturas dentro dos acampamentos. Na edição, mostramos como está L’Aquila um
mês antes da cidade se tornar a sede da reunião do G-8. Mais. Mostramos como ficou
La Maddalena, a ilha da Sardenha que iria receber os chefes dos países mais ricos do
mundo. Há suspeitas que a mudança do local da sede do encontro tenha outras razões
que não apenas humanitárias.
E quando a comoção pelo que aconteceu com a região central da Itália ainda
persiste, eis que o mundo se choca com outra tragédia. Dessa vez, no ar. A queda de
um avião da Air France que saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris vitimou dez
italianos que estavam entre seus passageiros. A maioria deles veio ao Brasil em missão
de solidariedade ou cooperação. Alguns vieram a negócios. Quem conhece a relação
entre esses dois países sabe que missões de solidariedade, cooperação e negócios são
absolutamente rotineiras entre italianos e brasileiros. Mesmo assim, praticamente não há
voos diretos entre os dois países. A rota envolvida no acidente é muito usada para quem
quer ir do Brasil para a Itália, ou vice e verso.
Nossa reportagem dá detalhes a respeito da passagem pelo Brasil dos italianos que
embarcaram no voo 447 que caiu no Oceano Atlântico.
Boa leitura.
ISSN 1676-3220
6
ComunitàItaliana
Confiança
editorial
Ministro italiano no Brasil
D
epois de se reunir, em Roma, com embaixadores do
Grupo de Países Latino-americanos e do Caribe (Grulac), o ministro de Desenvolvimento Econômico italiano,
Claudio Scajola, deve fazer sua primeira viagem oficial ao
continente americano entre 8 e 15 de novembro. No percurso estão Brasil, Chile e Argentina. “Não devemos nos
esconder, já que, apesar desta intensa relação, a realidade
sob o perfil econômico é ainda insatisfatória: a Itália é só
o 11º cliente dos países latino-americanos”, disse Scajola.
Noiva em fuga
U
ma italiana fugiu no dia de seu casamento com o amigo do noivo que
guiava o carro nupcial. Identificada apenas como Sara, a mulher de 30
anos, funcionária de uma financeira, foi trocar de vestido para a recepção após
a cerimônia civil, realizada no município de Trieste, noroeste da Itália. O noivo, Andrea, de 34 anos, funcionário de banco, e cerca de 30 convidados se dirigiram ao restaurante enquanto a aguardavam. Diante de uma demora de 1h30,
tentaram localizar Sara por celular. Foi quando souberam que o motorista,
parceiro de futebol de Andrea, estava com a mulher do amigo. Sara disse por
telefone a Andrea: “só agora entendi que cometi um erro”. “Sinto muito, meu
coração me leva para outro caminho”. A notícia circulou no jornal local Piccolo.
Aéreo
Presos na Itália
A
associação de consumidores
italiana (Codacons) anunciou a apresentação junto à Procuradoria de Roma de uma denúncia sobre o uso “impróprio”
de voos oficiais do Estado, utilizados supostamente para levar
amigos e convidados do premier
italiano Silvio Berlusconi até a
ilha da Sardenha, onde o chefe
de governo possui uma mansão.
O líder do partido de oposição
Itália dos Valores (IDV), Antonio
Di Pietro, ex-procurador responsável pela Operação Mãos Limpas
(de combate à corrupção), afirmou que “este vício de utilizar os
aviões do Estado para assistir a
jogos de futebol ou a corridas de
Fórmula-1 deve acabar porque se
chama peculato”. Há cerca de um
mês, escândalo semelhante estourou no Brasil envolvendo passagens da cota de parlamentares
usadas para transportar namoradas ou celebridades para eventos.
Último
Antonioni
O
último roteiro escrito
pelo diretor italiano de
cinema Michelangelo Antonioni, Due telegrammi, será levado às telas pelos produtores
Jeremy All e Zev Guber para a
sua companhia, a Jaz Filmes.
Antonioni escreveu esta obra
pouco antes de morrer em 30
de junho de 2007, quando tinha 95 anos. O roteiro foi escrito com a colaboração de
Rudy Wurlitzer e conta a história de três pessoas envolvidas em uma tórrida relação
amorosa e de luta de poder.
Divulgação
Diretor-Presidente / Editor:
Pietro Domenico Petraglia
(RJ23820JP)
O
castelo onde a primeira-dama francesa Carla Bruni passou
sua infância foi vendido. Villa Seriana, nas colinas do sul
de Castagneto Pó (a 25 quilômetros de Turim), foi comprado por
17,5 milhões de euros pelo príncipe da Arábia Saudita Al Waleed
Al Saud. Ele é considerado o 13º homem mais rico do mundo. Com
40 quartos e uma superfície de 1500 metros quadrados, o castelo de Castagneto foi adquirido por Alberto Bruni Tedeschi, pai de
Carla, em 1952. Era o lugar de festas e férias da família que desde
1972 se estabeleceu na França.
O
ministro da Justiça da
Itália, Angelino Alfano, declarou que a Itália estaria disponível para receber
prisioneiros de Guantánamo, após um encontro com
o secretário de Justiça dos
Estados Unidos, Eric Holder,
na capital italiana. Alfano e
Holder assinaram um documento relacionado aos acordos de extradição e de mutua
assistência judiciária entre
Estados Unidos e União Europeia. No início de maio,
os Estados Unidos pediram
a Itália que recebesse Riadh
Nasri e Moez Fezzani, dois
cidadãos tunisianos que já
haviam sido investigados pela procuradoria de Milão em
2007. Eles são suspeitos de
serem um ponto de referência no exterior de uma célula
britânica ligada à Al-Qaeda.
Comercial
Rapidinhas
● Morreram: A ex-senadora e ex-chanceler italiana Susanna
Agnelli, irmã do ex-presidente da Fiat Gianni Agnelli, em Roma,
aos 87 anos. O funeral ocorreu no convento dos frades passionistas localizada no município de Monte Argentario, na costa da
Toscana. Ela foi prefeita do município. Foi casada com Urbano
Rattazzi, com quem teve seis filhos, todos presentes ao funeral.
Também em Roma, o escritor e jornalista Nantas Salvalaggio, aos
85 anos. Trabalhou no Corriere della Sera e na Editora Mondadori.
● Casaram: A cantora baiana Daniela Mercury, 43 anos, e o publicitário italiano Marco Scabia, 34, trocaram alianças em Roma. A
cerimônia reuniu 30 pessoas, dia 15 de maio, na casa do noivo. A
cantora escolheu um Valentino para a ocasião.
● Futebol: O meia brasileiro Diego, que tem cidadania italiana, assinou contrato de cinco temporadas com o Juventus, de Turim. A negociação com o Werder Bremen, da Alemanha, foi estimada em 24,5
milhões de euros. O brasileiro Leonardo de Araújo assumiu o cargo
de técnico do Milan. Ele, que era diretor do clube, terá a sua primeira
experiência como treinador e assinou contrato de dois anos.
D
epois de 78 anos, a Rádio
Vaticano deve se transformar em rádio comercial para financiar suas próprias operações.
A emissora, uma das mais antigas
do mundo, transmite em 47 línguas e tem custos estimados em
21,4 milhões de euros por ano. O
anúncio ocorreu em meio às recentes iniciativas do Vaticano de
estar mais presente nos meios de
comunicação modernos. Para comemorar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, dia 24 de maio,
o Vaticano já havia lançado o
portal www.pope2you.net (“Papa
Para Você”), em mais uma iniciativa da Santa Sé para aproximar
Bento 16 do público jovem.
Entretenimento com cultura e informação
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Junho 2009
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ComunitàItaliana
7
opinião
serviço
agenda
frases
“Estou muito feliz e animado.
Sempre falei da minha
admiração pelo Campeonato
Italiano e vou poder fazer
parte desta competição. O
Juventus é um grande time,
uma equipe de tradição e de
muitos títulos. Espero poder
ajudar a erguer mais taças”,
A viagem das palavras (SP)
Até o dia 28 de junho, quem passar pelo Memorial do Imigrante (Rua Visconde de Parnaíba,
1316) terá uma oportunidade diferente para mergulhar no tempo dos antepassados. Através de
cartas e documentos que os emigrantes enviavam para seus familiares dos destinos de além-mar,
o professor Federico Croci (USP,
ALSP e CISEI) apresentará de
sexta a domingo, o testemunho
de sonhos, esperanças e motivações que levaram milhões de pessoas a atravessar o Atlântico em
busca de melhor sorte. Durante o
evento será apresentado o livro
de Paola Cecchini All´ombra di un
“Credo che questo messaggio
del Papa abbia recato giustizia
soprattutto alle indegne
polemiche che sono state fatte a
riguardo delle sue dichiarazioni.
Per fortuna tutti hanno visto come
il Santo Padre è stato portatore
solo di un messaggio di pace”,
Diego, jogador brasileiro que
acaba de deixar o Werder do
Porto, de Portugal.
Franco Frattini, ministro degli Affari
Esteri dell’Italia, parlando dei
messaggi di pace pronunciati dal
papa Benedetto XVI durante il suo
viaggio in Terra Santa.
“Crisi violenta, ora le riforme.
Il governo non deluda”,
Emma Marcegaglia, che dall’assemblea
annuale di Confindustria si rivolge
direttamente al premier Silvio Berlusconi.
sogno, em colaboração com a Associazione Marchigiani in Brasile.
Horário: 18h. Informações: (11)
2692 7804 e 2692 2497
Noite do Nhoque (SC)
Quem já fez garante que o ritual
dá certo. Todo 29 é o dia do nhoque da fortuna. Além de saborear
a iguaria tipicamente italiana, a
crença recomenda que se coloque
dinheiro embaixo do prato e se
coma os primeiros sete pedacinhos em pé, para depois comer
a vontade. No dia 29 de junho, o
Lira Circolo Italiano di Blumenau
vai celebrar a tradição e lançar o
Festilália 2009. O evento, mesmo, acontecerá de 17 a 26 de julho, na rua Benjamin Constant,
2469 - Bairro Vila Nova. Mais informações: (47) 3323-4043.
Festival do Vinho (ES)
Com shows musicais e comercialização de vinhos, o evento
será realizado nos dia 3 e 4 de
julho. Organizado pelo Rancho
Lua Grande, acontece em Domin-
gos Martins, município distante
42 quilômetros de Vitória. Local: Rancho Lua Grande (Rodovia
João Ricardo Schorling, s/nº).
Informações: (27) 3268-2550.
Fenapizza (SC)
Promovido pela Açoriana Congressos e Eventos, o Festival Nacional da Pizza reúne fornecedores do segmento, além de contar
com a presença de pizzaiolos que
farão demonstração de técnicas
de elaboração, diversificação de
sabores, conservação, pré-preparo e tudo o mais que diga respeito a uma boa pizza. De 10 a 12
de julho. Local: CentroSul - Centro de Convenções de Florianópolis. Informações: (48) 91020238. E-mail: [email protected]
Festa Italiana (RS)
O evento é promovido pela prefeitura de Marau, município colonizado por descendentes de imigrantes italianos oriundos das
regiões do Vêneto, Lombardia e
Trentino, distante 264 quilômetros de Porto Alegre. A festa está
na 21ª edição e, este ano, tem como tema “Pan e Vin” que, pela tradição, são alimentos primordiais
na mesa dos italianos, na qual se
destaca, entre outros, o tradicional “Brodo” onde são os dois ingredientes fundamentais. De 3 de
julho a 2 de agosto. Informações:
[email protected] ou [email protected].
“Non ho mai avuto rapporti piccanti con
Noemi. Lo giuro sui miei figli”,
Silvio Berlusconi, primo ministro,
smentisce le ricostruzioni della stampa.
na estante
A Praia de Trieste separa homens e mulheres para
retomar antigas tradições. Você concorda?
Leonardo será um bom
técnico para o Milan?
As fotos divulgadas pelo El Pais
comprometem a reputação de Berlusconi?
Não – 80%
Sim – 81,8%
Sim – 66,7%
Sim – 20%
Não – 18,2%
Não – 33,3%
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 12 a 15 de maio.
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 2 a 5 de junho.
Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com
entre os dias 6 a 9 de junho.
cartas
“F
iquei encantada ao ler a matéria sobre o tenor Andrea Bocelli.
O show dele aqui em São Paulo foi espetacular. É muito bacana quando se pode escutar uma boa música e prestigiar artistas como
ele de graça. O povo gosta de música clássica sim, basta ter acesso.
Foi uma pena saber que no Rio de Janeiro as pessoas tiveram que
pagar caro para assistir o Bocelli. Espero que outros shows tão bons
quanto o dele façam parte da programação cultural de São Paulo e
dos outros estados, só que por um preço mais acessível ou de graça.
Eu estarei sempre presente, mesmo tendo que ficar debaixo de chuva.
Ana Elisa de Oliveira – São Paulo – SP – por e-mail
Errata: Na edição 131, o crédito para as fotos da reportagem “De volta pra casa” foi trocado. As fotos são de Renato Gianturco.
Na mesma edição, faltou informar que o crédito das fotos da reportagem “Histórias de um hóspede” é de Renato Gianturco.
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ComunitàItaliana
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Passe de Letra. Unindo duas paixões, a literatura e o futebol,
o ex-jogador e professor universitário Flavio Carneiro relata,
através de 21 crônicas, suas lembranças futebolísticas da década de 70. Para ele, Garrincha dominava a arte da simplicidade e
era tão lírico em campo quanto Drummond ou Bandeira em seus
versos; Dadá Maravilha fazia graça com a bola, como um grande
comediante; enquanto Pelé foi épico. A coletânea - cujos textos
foram originalmente publicados no jornal literário Rascunho, de
Curitiba - ganha fotos e ilustrações, além de orelha assinada
por Luiz Fernando Veríssimo. O estilo rápido e atento do autor
faz com que o leitor que preza um olhar ampliado do futebol se
interesse pelas historias de personagens menores ou pela vista
de um momento único de uma partida por um ângulo diferente.
Editora Rocco, 171 páginas, 29,50 reais.
A pensão Eva. Em meados de 1930, a Pensão Eva é destino
certo dos homens de Vigàta, na Sicília. Casados e solteiros,
nobres e cavalheiros, todos acorrem ao tradicional bordel
da cidade para se deliciar nos braços de Emanuela Ritter, “a
alemã”, ou Maria Stefani, “a loba”. Todos buscam esquecer
os problemas em meio a sexo, jogos e bebidas. É também na
Pensão Eva que o pequeno Nenè, de 12 anos, vai sentir, pela primeira vez, o perfume de canela, noz-moscada e laranja
das meninas. Entretanto, esse romance de Andrea Camilleri
mostra que as casas de tolerância não se resumem ao espaço
proibido e palco de façanhas eróticas naquela Itália adormecida pelo fascismo. Editora Record, 160 páginas, 25 reais
Arquivo pessoal
enquete
click do leitor
“E
m fevereiro de 2008 fui à Itália a
passeio com minha namorada e
família. Visitei cidades como Roma, Florença e Veneza. Talvez, um dos lugares
mais interessantes que conheci tenha sido a Ilha de Murano. Além de ser um lugar lindo, lá estão as vidrarias de onde saem os artesanatos de vidro mais famosos
do mundo. Em muitas delas é possível ver
o artesão fabricando suas obras de arte,
além de apreciar esculturas de vidro incríveis em exposição em diversos locais da
ilha. Tudo é absolutamente maravilhoso!”
João Marcos Monnerat,
Niterói – RJ – por e-mail.
Mande sua foto comentada para esta coluna
pelo e-mail: [email protected]
Junho 2009
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ComunitàItaliana
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Opinione
Opinione
Franco Urani
Ezio Maranesi
[email protected]
Grandi manovre I padroni
della Fiat della festa
L’Amministratore Delegato Marchionne protagonista di trattative internazionali ad ampio raggio
N
ell’attuale contesto decisamente recessivo dell’economia mondiale, che prelude in vari settori a profonde riorganizzazioni, il settore
automobilistico è in piena crisi,
sia per la flessione del mercato
che mondialmente dovrebbe avere
una caduta nel 2009 da 90 a 60
milioni di unità , sia perché – in
relazione alla recente esplosione
del prezzo del petrolio, ora provvisoriamente rientrata – si sono
pesantemente ridotte le vendite
dei modelli di grande cilindrata
e SUV che dominavano il mercato
nord-americano, sia per la sensibilità ormai generalizzata e condivisa anche dal Governo Obama
di orientare le produzioni su veicoli ecologicamente compatibili,
cioè a ridotti consumi ed emissioni di CO2, propulsione anche a gas
e biocombustibili e, in tempi rapidi, elettrica.
Sull’assestamento del mercato intorno agli attuali 60 milioni
di auto, io ho dubbi in quanto alla contrazione inevitabile di Nord
America , Europa e Giappone, a
cui dovrebbe corrispondere una
notevole espansione della Cina
(che da quest’anno, con oltre 10
milioni di unità di prevista vendita, assume la leadership mondiale), dell’India (anche grazie al
lancio recente da parte della Tata Motors del micromodello Nano, che costa poco più di US$
2.000), del Brasile e della Russia. Mi pare invece certa la rapida evoluzione tecnologica dei
modelli a cui si è fatto cenno.
Negli USA, il Governo Obama
ha dovuto affrontare la situazione drammatica di GM e Chrysler,
che sono praticamente in banca-
10
rotta, mentre la Ford si sta ridimensionando, ma resiste e dovrebbe farcela con i finanziamenti
del Governo, conservando anche
le sue posizioni extra USA. La GM
deve presentare entro fine maggio un piano di risanamento che –
per essere sussidiato dal Governo
– comporterà la chiusura di vari
stabilimenti negli USA e l’alienazione o chiusura di tutti o parte di
quelli europei della sua linea Opel.
Per la Chrysler, che ha stabilimenti
solo negli USA e in Canada, l’unica
speranza è di prevedere una prevalente riconversione delle sue
produzioni su modelli economici
che essa non ha, dovendo quindi
associarsi con un’azienda specializzata nel settore che le ceda la
necessaria tecnologia.
Dopo il recente fallimento
della joint-venture con la Mercedes, la Chrysler era entrata in
contatto con la Fiat circa un anno fa e, dopo l’ascesa di Obama,
le trattative hanno avuto rapido corso con l’aperto favore del
nuovo Presidente.
Perché la Fiat? I fattori positivi sono:
● La sua specializzazione sui
segmenti di mercato A e B e cioè
sulle piccole cilindrate, nonché
sui modelli a gas e benzina, da
quest’anno richiestissimi in Europa;
● Messa a punto del nuovo motore a benzina Multiair, di prossimo
lancio, che si basa sul controllo
elettronico delle valvole per l’alimentazione a benzina (rispetto
ai motori attuali incremento del
10% di potenza e 15% coppia,
consumi diminuiti fino al 25%,
emissioni di CO2 ed altri gas nocivi drasticamente ridotte);
ComunitàItaliana
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Junho 2009
● La Fiat Auto è ansiosa d’introdursi nel mercato nordamericano, ma
ha bisogno di essere sostenuta da
un fabbricante locale che possieda
stabilimenti e rete di distribuzione,
com’è il caso della Chrysler, la cui
produzione annua di jeep, SUV e di
grandi vetture era di oltre 2 milioni
di unità, con previsto netto ridimensionamento dal 2009;
● Si ritiene che la linea Alfa Romeo, costituita dai nuovi modelli medi che presto sostituiranno
gli attuali 147 e 159 e dal nuovo piccolo MI-TO – se prodotta in
Nord America in uno degli stabilimenti CHRYSLER che si renderebbero disponibili – potrebbe
avere successo, considerando i
moltissimi discendenti italiani di
USA e Canada e le connotazioni
anche sportive di questi modelli
(il mercato USA è di gran lunga il
più importante per la Ferrari che
fa parte del Gruppo Fiat);
● Pure la Fiat Nuova 500 potrebbe avere ampio mercato per uso
cittadino e quindi sarebbe proponibile la sua eventuale produzione negli USA, così come quella di
altri modelli Fiat delle fasce B e C;
● La Fiat, dopo un lungo periodo
di difficoltà, ha progredito in modo decisivo con la gestione Marchionne, 56enne nato in Abruzzo
ed emigrato con la famiglia in Canada a 13 anni, dove si è laureato.
Specialista in risanamenti aziendali, con ampio curriculum di successi in Nord America e Svizzera, è
stato nominato nel 2004 Amministratore Delegato unico del Gruppo Fiat. Anche in questo difficile 2009, la Fiat Auto progredisce
in Europa, dove ha riacquistato il
10% del mercato. Continuano gli
ottimi risultati degli stabilimen-
ti Brasile e Polonia e la sua produzione mondiale dovrebbe largamente superare i 2 milioni di
unità. Marchionne, per la sua formazione e l’assoluta fiducia degli
azionisti Fiat, è quindi la persona
ideale per portare a buon fine questa complessa trattativa;
● La Fiat per ora non ha l’intenzione di intervenire nella jointventure finanziariamente, ma il
Governo americano concederebbe
alla Chrysler un finanziamento che
raggiungerebbe addirittura i 12
miliardi di dollari per pagare i suoi
debiti e rimettere in sesto il suo
apparato produttivo. Per l’apporto della sua tecnologia, la Fiat acquisirebbe nella società una partecipazione del 20%, avrebbe la
responsabilità del management e
probabilmente riceverebbe iniziali cospicui ordini di mezzi d’opera
e componenti per le sue fabbriche
italiane. Inoltre, se e quando restituiti i finanziamenti governativi
americani, la Fiat avrebbe diritto
ad aumentare la sua partecipazione nella società dal 20 al 51%;
● Infine, le jeep e SUV Chrysler
potrebbero venire distribuite
dalla rete mondiale Fiat, laddove
fosse possibile.
Si tratta quindi di una sfida difficilissima, ma accettabile
e sensata, tanto più considerato
l’atteggiamento estremamente incoraggiante del Governo USA che
costituisce un prestigioso riconoscimento alla tecnologia italiana.
Nel prossimo servizio, mi propongo di riferire sull’andamento
di questa iniziativa e sulle trattative Fiat/Opel attualmente in
corso che stanno causando preoccupazioni e polemiche in Italia
e in Germania.
La sinistra si è impadronita del 25 aprile. Ma di chi è questa festa?
I
politici, che poco lavorano
e molto parlano e tramano,
abusano spesso di retorica
nelle solennità patriottiche; quella retorica che non è
stile e efficacia, ma insistenza
formale e esaltazione eccessiva
dei valori. Man mano che gli anni passano i valori si gonfiano,
altri se ne aggiungono, la festa
diventa sempre più importante. Fortunatamente, nel tempo
le cose si sgonfiano, altrimenti
l’Italia, con i suoi 2700 anni di
storia fatta di eventi gloriosi o
tristi, avrebbe tutti i giorni una
data epica da festeggiare o da
dimenticare: l’esito della disfatta di Barletta, la presa di Porta
Pia, naturalmente il 4 novembre, ecc. Il 25 aprile si festeggia la fine della seconda guerra
mondiale. Alla fine della guerra,
che ritengo di gran lunga il fatto più importante, si aggregarono negli anni le commemorazioni del riscatto dal giogo nazifascista, della gloriosa pagina
scritta dalla resistenza partigiana, della nascita dei valori che
hanno ispirato la Costituzione
del 1948 e di qualche altra cosa. La festa del 25 aprile è quindi oggi più importante di quella
del 2 giugno, anniversario della
nascita della Repubblica Italiana. La ragione è che il 25 aprile
è la festa della chiassosa sinistra italiana.
Franceschini, leader della
sinistra e quindi padrone della
festa, ha invitato Berlusconi, leader del governo, a festeggiare la
ricorrenza. Berlusconi è andato,
e sarebbe andato comunque, e la
sua presenza a Onna tra i terremotati ha oscurato la fugace apparizione di Franceschini. Ma fu
un caso isolato; su altre piazze,
altri esponenti del centrodestra,
ad esempio Moratti, Alemanno,
Formigoni, sono stati spinti a ritirarsi. Volevano festeggiare pure
loro ma non avevano capito che
era una festa rossa.
Sulla resistenza si è scritto
di tutto. C’è chi la esalta perché
ha rappresentato l’orgoglioso riscatto della nazione dall’oppressione fascista e la rivolta contro
l’invasore nazista. C’è chi ne attenua il valore, sostenendo che
solo la parte della nazione a nord
dell’Arno ha partecipato e che
l’Italia è stata liberata dagli alleati. L’aiuto dei partigiani sarebbe
stato quindi trascurabile. Resistenza e 25 aprile sono argomenti che la retorica dei politici ha
ampliato e infiorato nel corso del
tempo. Ufficialmente se ne può
parlare solo esaltando ciò che
hanno rappresentato. Noi, che
non siamo politici, parliamone
con semplicità.
Onore a coloro che hanno
avuto il fegato, rischiando la
vita, di andare sulle montagne
del Piemonte, sull’Appennino,
sulle Prealpi per combattere nazisti e fascisti. Onore ai molti
ragazzi che hanno perso la vita
combattendo l’oppressione. Altri
ragazzi, che servivano la Patria
nel settembre ’43, non hanno
avuto il coraggio di disertare.
Non erano fascisti: semplicemente erano dei pavidi. Sono rimasti
dalla parte “sbagliata” perché è
quella che ha poi perso. Nessun
onore per i partigiani dell’ultima
ora, dell’aprile ’45, che poco o
nulla hanno rischiato perché or-
mai i tedeschi fuggivano come
lepri. Ne vidi molti, nella bassa
padana; nulla fecero per combattere l’invasore ma furono molto
duri, dopo la liberazione, nel punire gli ex-fascisti, abili nell’appropriarsi dei loro beni, inflessibili nel rapare a zero e trascinare
in piazza le ragazze che avevano “collaborato”. Nessun onore
a coloro che hanno appeso per
i piedi i cadaveri di Mussolini e
dell’amante Petacci in piazzale
Loreto anziché giudicarli e magari fucilarli; persino in Irak si è
vista più civiltà.
Se tra i partigiani non mancavano i cattolici, essi erano in
maggioranza comunisti o socialisti, forse per reazione al fascismo più che per convinzione.
Per questo il 25 aprile è divenuto una festa rossa. Ero ragazzo
allora; c’era euforia quel giorno
perché sapevamo che la fame,
i bombardamenti, l’oscuramento notturno erano cosa passata, perché i tedeschi armati sino ai denti se n’erano andati,
perché gente di colore arrivata
dall’America distribuiva cioccolata, perché la radio suonava le
musiche rivoluzionarie dell’orchestra di Glen Miller. Questa
festa non è né rossa né bianca,
quindi giù le mani: è la nostra
festa, la festa di coloro che hanno vissuto l’euforia di quel momento storico. Vorrei che la vivessimo come un buon ricordo,
intimamente, senza retorica: basterebbe una messa in suffragio
di tutti coloro che hanno perso
la vita. Tutti: i morti non hanno
colore politico.
Opinione
notizie
Fabio Porta
Piemonte
Il tesoro
nascosto
Emigrazione e immigrazione sono le due facce di una unica medaglia; tra
aperture e chiusure continua in Italia un dibattito sempre più vivo e acceso
L
a Repubblica Italiana festeggia un altro anno della sua
ormai lunga storia; a due anni dal centocinquantesimo
anniversario dell’unità d’Italia, i
sessantatré anni della democrazia
nata nel dopoguerra coincidono
con un momento particolarmente
difficile dal punto di vista politico
e sociale per tutto il Paese.
Non è soltanto la grave crisi
internazionale, in Italia particolarmente sentita, a caratterizzare l’anniversario di quest’anno.
Nemmeno il dibattito sulle necessarie riforme per rendere più
efficiente il sistema istituzionale, intervenendo sulla legge elettorale e sul funzionamento del
Parlamento appassiona tantissimo gli italiani. Anche
la coincidenza della ricorrenza di quest’anno con
le elezioni del nuovo Parlamento europeo passa in
secondo piano rispetto ad
un fenomeno che oggi è al
centro della discussione delle forze politiche ma anche
della società civile: mi riferisco
al dibattito su multiculturalismo
e immigrazione.
Una discussione complessa,
dove a volte è facile cadere nel
tranello del luogo comune e della
semplificazione. Un dibattito dove l’esperienza e il contributo degli italiani all’estero, eredi del
grande esodo italiano nel mondo,
può essere determinante, costituendo un vero e proprio differenziale nonché il vero antidoto contro stereotipi e luoghi comuni.
La storia dell’Italia, non solo
quella dei secoli più recenti, dimostra che ciò che ha da sempre
12
contraddistinto questo Paese sia
stato la sua vocazione universale, la sua apertura al mondo.
Ce lo insegnarono per primi
gli antichi romani, che riuscirono
a costruire e a tenere unito per secoli un impero dove razze, culture e religioni diverse convivevano
tra loro in una maniera in un certo
senso inedita per quei tempi.
C’è stata poi un’altra istituzione, la Chiesa Cattolica, italiana per localizzazione geografica
(il Vaticano) ma anche per motivi
di carattere storico, a tramandar-
ci per secoli la centralità della dimensione internazionale e multietnica, e soprattutto l’aspetto universale all’origine della stessa etimologia della parola “cattolica”.
E ci siamo infine, noi, gli italiani nel mondo, veri propri protagonisti e figli di un popolo di
emigranti, forse il maggior popolo migrante che la storia abbia
mai conosciuto.
Un universo ormai difficile da
quantificare, che considerando
gli italo-discendenti supera si-
ComunitàItaliana
/
Junho 2009
curamente il numero di sessanta
milioni corrispondente alla popolazione residente dentro i confini dell’Italia del 2009.
L’impero romano, la Chiesa
cattolica, gli italiani emigranti: tre mondi apparentemente cosí diversi tra loro ma uniti
dall’unico comune denominatore
costituito dalla forza straordinariamente dirompente e creativa
della dimensione transnazionale
e multietnica.
Una dimensione che qualcuno
oggi in Italia vorrebbe cancellare,
addirittura negare, ritornando ad
una società monoculturale chiusa
in sé stessa; il contrario della nostra
storia, ma anche di quei Paesi che
– come il Brasile o gli Stati Uniti
– hanno trovato nel multiculturalismo e nell’integrazione
tra popoli ed etnie diverse il
segreto della propria crescita
e del successo nel mondo globalizzato.
Ritorniamo allora alla
discussione in corso in Italia
sull’immigrazione e ai 63 anni
della Repubblica.
Un dibattito che sarebbe
sbagliato semplificare, ponendo da una parte i sostenitori
dell’Italia multietnica e dall’altra
quelli della chiusura delle frontiere agli stranieri.
L’unica posizione ragionevole in questo contesto è quella
di chi vuole regolare in maniera
intelligente i flussi provenienti
dall’estero, possibilmente attraverso programmi di cooperazione
internazionale e di formazione
professionale destinati a chi vuole onestamente recarsi nel nostro
Paese per contribuire con il pro-
prio lavoro alla costruzione del
futuro, personale e collettivo.
Programmi che potrebbero anche coinvolgere le nostre collettività presenti all’estero, naturalmente interessate e disponibili ad
un interscambio costruttivo con il
Paese di origine dei loro antenati.
Regolare i flussi quindi, ma
anche stabilire regole chiare per
chi vive già all’interno dei confini italiani; regole che permettano a chi vuole farlo di regolare
la propria posizione anagrafica
e lavorativa ma che siano adeguatamente severe e inflessibili
con chi si mette contro le norme
della convivenza civile.
Le Nazioni Unite, il Vaticano, il Consiglio d’Europa hanno recentemente criticato l’Italia
per l’adozione di misure repressive contro l’immigrazione che non
rispetterebbero elementari diritti
umani, a partire dal diritto di accoglienza verso profughi e rifugiati.
Noi italiani all’estero, tramite i
nostro organismi di rappresentanza (Consiglio Generale degli Italiani all’Estero, Comites, parlamentari eletti all’estero) abbiamo fatto
sentire la nostra voce contro programmi di governo che vorrebbero
chiudere il rapporto positivo costruito negli anni dall’Italia verso
le comunità che vivono all’estero.
I 4 milioni di cittadini stranieri in Italia e i 4 milioni di cittadini italiani all’estero rappresentano le due facce della stessa moneta; una moneta preziosa
sulla quale si dovrebbe “investire” affinché produca utili ed interessi, e non un “tesoro nascosto” da gettare in mare in maniera
affrettata e superficiale.
D
opo la missione nel novembre scorso di Minas Gerais in Piemonte ora è la regione italiana a retribuire la visita. Il mese
scorso una delegazione tecnica è venuta a Belo Horizonte per incontri istituzionali con il Governo dello Stato, oltre a partecipare ad
incontri di lavoro con la Camera Italo-Brasiliana di Commercio. Una
delle mete della visita è stata la preparazione di un programma di
interscambio fra studenti che porterà a Belo Horizonte allievi piemontesi per un mese di studi e visite tecniche con enfasi in energie
rinnovabili, uno dei punti forti di Minas Gerais. Sarà la continuazione di un accordo di cooperazione che ha già realizzato il “Programa Jovens Mineiros Cidadãos do Mundo”, grazie al quale allievi
di Design di Minas Gerais hanno studiato in Piemonte. La visita ha
anche avuto l’obiettivo di seguire lo sviluppo del “Programa de Colaboração em Ciência, Tecnologia e Ensino Superior” firmato tra i
governi di Minas e Piemonte durante la missione svolta in Italia. La
delegazione si è riunita con il segretario Alberto Duque Portugal per
consolidare le azioni di cooperazione nel settore energetico.
Piemonte 2
H
anno avuto luogo vari incontri tra la delegazione italiana e il
segretario di stato di Sviluppo Sociale di Minas Gerais, Agostinho Patrus Filho, e rappresentanti del Consorzio di ONG Piemontesi. La delegazione si è anche riunita con il presidente della Camera Italo-Brasiliana, Giacomo Regaldo, con il vice-presidente, Alberto
Medioli e con rappresentanti del Governo di Minas. Gli incontri sono stati fondamentali per decidere i primi passi per mettere in atto
una grande missione della regione Piemonte a Belo Horizonte nei
primi mesi del 2010. Questa missione, oltre a promuovere incontri
affaristici tra imprese piemontesi e brasiliane, promuoverà seminari e settori di spicco come moda e industria di confezioni, calzature, plastica e marmo. Secondo la responsabile del settore di Affari
Internazionali del Governo del Piemonte, Giulia Marcon, sarà il primo incontro a dare continuità alla settimana di Minas Gerais in Piemonte, ma non si fermerà a questo. “Dobbiamo non solo paragonare
quello che è stato già fatto e apporvi miglioramenti, ma anche mirare alla solidificazione di alleanze tra le due regioni”.
Al mare
D
opo aver lavorato per circa 20 anni su suolo brasiliano la Finarge Apoio Marítimo, una delle imprese del gruppo italiano
Rimorchiatori Riuniti Genova, ha aperto il suo ufficio a Rio de Janeiro. Dall’ottobre scorso l’impresa, che eroga servizi alla Petrobras, accompagna più da vicino i lavori realizzati in Brasile. Alla
fine di maggio il direttore Maurizio Caselli ha ricevuto il console
generale d’Italia a Rio de Janeiro, Umberto Malnati, per una visita di cortesia alla nave AH
Camogli. L’imbarcazione è
arrivata il 4 maggio ed era
attraccata presso il cantiere navale Mauá, a Niterói, per ricevere i dovuti
adattamenti in accordo alle norme della Marinha do
Brasil. Con 2.900 tonnellate e 68 metri di lunghezza, la AH Camogli è un rimorchiatore per
manovre di ancoraggio ed è la settima nave dell’azienda ad operare qui in Brasile. Il console Malnati ha visitato tutti i suoi livelli accompagnato dal vice-console Giuseppe Romiti e dal direttore
Caselli. “Sono rimasto colpito dalla tecnologia di questa imbarcazione” ha detto Malnati.
João Carnavos
[email protected]
Città della Musica
I
l pubblico ministero Gustavo Nogueira, della da 3ª Promotoria
de Tutela Coletiva do Ministério Público Estadual di Rio de Janeiro ha aperto un processo per improbità amministrativa contro
l’ex-sindaco Cesar Maia, l’ex-segretario comunale ai Lavori Pubblici, Eider Santos, l’ex-segretario comunale delle Culture, Ricardo Macieiras e tre ex-direttori della Riourbe. L’azione riguarda le
spese con il lavori per la costruzione della Cidade da Música, nella Barra da Tijuca. L’obiettivo del pm è ottenere il risarcimento
agli erari, con multa di 1 miliardo e 35 milioni di reais. E richiede anche la perdita dei diritti politici dei colpevoli per otto anni.
Biocosmetici
G
li stati del Pará, Maranhão, Amazonas, Acre e Tocantins si
sono uniti e hanno creato la Rede de Pesquisa e Desenvolvimento de Biocosméticos (Redebio). La meta è di stimolare la
ricerca sulle risorse naturali della regione amazzonica per lo sviluppo di materie prime e di prodotti biocosmetici e fitoterapici. Nella prima tappa
la Redebio userà investimenti di 7 milioni
e 200mila reais in ricerche rivolte all’applicazione nell’industria di andiroba, copaíba,
castanha do Pará e babaçu. Le Fundações
de Amparo à Pesquisa del Pará (Fapespa),
dell’Amazonas e del Maranhão si sono impegnate a pagare 6 milioni e 300 mila reais
con donativi di 2 milioni e 100 mila reais
ognuna. Invece la segreteria di Ciência e Tecnologia do Estado del
Tocantins finanzierà 600 mila reais e la Fundação de Tecnologia
do Estado do Acre, 300 mila reais.
Accordo
L
a Faperj, fondazione vincolata alla segreteria statale di Ciência e Tecnologia di Rio de Janeiro ha siglato con la Capes
(Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior,
vincolata al ministero dell’Educação) il maggior accordo della sua
storia. Sono 94 milioni di reais che saranno destinati alla realizzazione di istituzioni di ricerca e insegnamento superiore nella
regione fluminense. La meta, secondo il segretario Alexandre Cardoso, è di mantenere giovani talenti nello stato. Oggi secondo
lui c’è una migrazione di questi talenti verso São Paulo, Paraná
e Minas Gerais.
Latte
I
l Governo do Estado do Rio de Janeiro userà il latte contro la
crisi economica mondiale. Si pensa cosí di dinamizzare il settore e generare impieghi grazie ad una riduzione tributaria che
permetterà a industrie e cooperativa di trasformare il valore pagato anteriormente in tasse in investimenti. Secondo il segretario
dell’Agricoltura, Christino Áureo, la meta è favorire la produzione
interna dello stato. Rio de Janeiro annualmente consuma 2 miliardi e 300 milioni di litri di latte e circa il 70% del rifornimento
proviene da altri stati. Secondo il segretario le aliquote saranno
ridotte del 19% nel caso dei latticini in generale o del 7% nel caso del latte fluido. Inoltre anche una parte dell’ICMS dovuto dalle
cooperative potrà essere trasformata in investimenti. Il mercato
dei latticini smuove 3 miliardi e 500 milioni di reais l’anno e i impiega in tutto lo stato circa 100mila persone.
Junho 2009
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ComunitàItaliana
13
política
Itália vai
às urnas
Três eleições agitam a política italiana no mês de junho
I
Janaína César
Correspondente • Treviso
talianos residentes ou não
no país terão a oportunidade de mudar a lei eleitoral
da Itália. E pelo voto. Dia 21
de junho é a data marcada para
que as pessoas se manifestem no
Referendo. Se o “sim” vencer, a
Itália terá dado o primeiro passo em direção ao bipartidarismo.
Italianos residentes fora da Itália precisam enviar seu voto pelo correio para a sua chancelaria
consular até às 16h do dia 18.
São três itens a serem votados. Dois são idênticos, só que
um é valido para a Câmara dos
Deputados e outro para o Senado. Trata-se do item que prevê o fim das coalizões partidárias. A atual lei eleitoral garante a maioria das cadeiras à coalizão vencedora. Se for mudada,
garantirá a maioria somente ao
partido mais votado e não mais
à coalizão. Unir-se aos partidos
grandes não terá mais nenhum
significado. Por exemplo, no ano
passado, o partido Povo da Liberdade (do primeiro-ministro Silvio
Berlusconi) teria conseguido a
maioria sozinho, independentemente da coalizão com a Liga
Norte. E se o Partido Democrático e a Itália de Valor fossem unidos em um único partido, teriam
ganhado a maioria da cadeira. Os
partidos menores são contrários
a essa opção porque significaria
o fim de muitos deles.
O terceiro item a ser votado
no Referendo proíbe as múltiplas
candidaturas. A atual lei prevê que
um político possa se candidatar
em mais de uma seção e no final
escolher qual seção governará.
A escolha da data para o dia
da votação foi uma confusão.
Quase todos queriam que o Referendo fosse votado junto com
as eleições administrativas, isto
14
é, entre os dias 6 e 7 de junho,
quando os italianos residentes na
Itália foram às urnas para eleger,
em primeiro turno, prefeitos e governadores. Essa opção acabou
descartada pelo governo, que se
deixou influenciar pela Liga Norte
que dizia que votar na mesma data iria gerar muita confusão e que
as pessoas se atrapalhariam na
votação. O Partido Democrático
diz que o governo deverá gastar
cerca de 460 milhões de euros a
mais para fazer a votação dia 21.
A Liga Norte foi o partido
que mais se manifestou contrário ao Referendo. Partidos como a União da Democracia Cristã (Udc), Refundação Comunista
(RC) e União dos Democratas pela Europa (Udeur), também optaram pela campanha do “Não”.
Os que mais defendem o “Sim”
são os partidos Democrático (Pd)
e Povo da Liberdade (Pdl). Como
são os dois principais partidos do
país, se a lei for mudada, não correrão o risco de desaparecer de
um dia ao outro, ao contrário. A
tendência é se fortalecerem justamente por conta do enfraque-
ComunitàItaliana
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cimento dos pequenos partidos. É
por isso que se diz que o Referendo levará a Itália ao bipartidarismo, como acontece hoje nos
Estados Unidos.
Mais uma
Além da confusão na escolha das datas para
o Referendo, as
eleições administrativas também geram confusão. Isso porque, na
Itália, prefeitos e governadores não são todos escolhidos ao mesmo tempo. Neste
ano, somente a região da Sardenha votará um novo governador,
enquanto 216 cidades elegerão
novos prefeitos e 27 províncias,
novos presidentes.
Na mesma data das eleições
para chefes do executivo, isto é,
6 e 7 de junho, também foram escolhidos os representantes do Parlamento Europeu. Nesse caso, italianos que moram em um dos 27
países membros da União Europeia
também puderam votar. São 50
milhões de pessoas aptas ao voto.
Ao todo, puderam ir às urnas, 375 milhões de europeus
para eleger os 736 deputados
que farão parte do próximo Parlamento Europeu, que tem sede
em Estrasburgo, na França. Para
cada país é previsto, de acordo
com a população residente, um
número determinado de cadeiras.
Assim como o Reino Unido e a
França, a Itália elegerá 72 europarlamentares; a Alemanha, 99;
Espanha e Portugal, 50 e 22, respectivamente. O mandato é de
cinco anos.
A eleição para o Parlamento
Europeu é vista como uma oportunidade de pluralismo político.
Os candidatos serão eleitos por
grupos e não por país de proveniência. Os grupos, na verdade,
representam diversas linhas políticas e cada partido tem a liberdade de se inscrever no grupo
que correspondente a sua filosofia partidária. Segundo as estimativas oficiais, 66% dos italianos foram às urnas, enquanto
em todo o continente a participação nas eleições atingiu 43%,
o menor nível desde a criação da
União Europeia. O partido Povo
da Liberdade (PDL), do premier
Silvio Berlusconi, obteve 35,3%
dos votos dos italianos, contra
26,1% do opositor Partido Democrático (PD). A eleição marcou
um avanço do Partido Popular
Europeu, a maior força conservadora no Parlamento Europeu.
Praticamente todos os partidos apresentaram uma lista de
candidatos. Os principais temas
que os euro-parlamentares enfrentarão na nova legislatura serão: atividade industrial menos
poluidora, aumento do preço dos
alimentos, novas normas sobre
política de asilo, terrorismo, pedofilia, reforma do sistema de financiamento e imigração.
Passado e presente
A comunidade européia existe
desde 1950 e foi em 1979 que
os europeus puderam eleger pela
primeira vez o Parlamento Europeu. Hoje, o atual presidente é
o alemão Hans-Gert Pöttering.
As últimas eleições aconteceram
em junho de 2004. O atual Parlamento conta com 785 deputados, 53 a mais do que o número
oficial (732). Isso porque a Romênia e a Bulgaria aderiram à UE
durante essa última legislatura.
Quase um terço dos deputados
são mulheres.
O trabalho do parlamento
europeu não vem sendo muito
admirado desde o ano passado,
quando a maioria, inclusive os
deputados de esquerda, votou a
favor de penas mais severas para
combater a imigração ilegal, de-
Sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo, na França
terminando condições de expulsão para clandestinos e a detenção em até 18 meses nos centros
de internação. Além disso, uma
das várias comissões parlamentares existentes votou contra o
Brasil, a favor da Itália, no caso
Cesare Battisti, pedindo ao país
a extradição do ex-terrorista.
Escândalo
Foi justamente a lista de candidatos do Partido da Liberdade
(Pdl) para as eleições do Parlamento Europeu o estopim final
que causou a separação do primeiro-ministro Silvio Berlusconi e de Verônica Lario. Após ver
publicada a suposta lista com os
nomes das futuras candidatas a
euro deputadas que o primeiro
ministro teria escolhido a dedo,
pessoalmente, Verônica pediu
publicamente a separação. O motivo? Na lista constavam várias
ex-velinas (como são chamadas
as bailarinas e participantes de
programas de TV) como Angela
Sozio (ex-Big Brother), Camilla
Ferranti, Barbara Matera e Eleonora Gaggioli. Vale lembrar que a
ex-modelo Mara Carfagna, protagonista do calendário da revista
masculina Max, é a atual ministra das Oportunidades Iguais. Por
causa dela, Verônica também já
havia reclamado, em público, do
comportamento do marido.
Na lista das “favoritas” de
Berlusconi estão Marinella Bram-
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billa, filha de sua governanta,
que se tornou uma das mulheres
mais defensoras do premiê; Deborah Bergamini, ex-assistente,
hoje diretora da Rai; Francesca
Impiglia, também ex-assistente,
hoje apresentadora do telejornal
Tg4, em um dos canais pertencentes ao primeiro ministro.
Porém, quem mais causou estragos no relacionamento de Berlusconi foi Noemi Letizia. A loirinha aspirante à modelo ficou
conhecida em todo o mundo por
ter recebido o primeiro-ministro
italiano na sua festa de 18 anos.
Ela o chama carinhosamente “Papi” e ganhou de presente um precioso colar.
Letizia e o colar que ganhou do “Papi”
Sem muito o que dizer em sua
defesa, Berlusconi atacou a própria Verônica por ter dito à imprensa que ele nunca compareceu
ao aniversário de 18 anos de seus
filhos e que ter participado da festinha de Noemi, em Nápoles, era
“o cúmulo”. Berlusconi alegou que
a mulher foi “ingênua” por acreditar em “mais uma armação da esquerda e da mídia” contra ele.
ComunitàItaliana
15
política
Imbróglio
político
CGIE pede que subsecretário Alfredo
Mantica entregue responsabilidade
pelos italianos no exterior
F
Sílvia Souza
oi quase unanimidade. Se
dependesse da vontade
de 90 dos 94 conselheiros
que compõem o Conselho
Geral dos Italianos no exterior,
o subsecretário Alfredo Mantica, vinculado ao Ministério das
Relações Exteriores da Itália, já
não teria a função de cuidar dos
assuntos relacionados aos italianos que vivem fora da Itália. Em
uma moção aprovada no dia 14
de maio, durante a assembleia
geral que ocorreu em Roma, os
representantes do órgão máximo para a comunidade italiana
no exterior ratificaram uma insatisfação que só tem aumentado
desde que o governo decidiu cortar verbas em todos os setores
da sua administração e a pasta
também foi afetada.
Entre temas como a reestruturação consular, assistência
sanitária, eleições européias e
Referendum, a plenária previa
a discussão sobre a reforma na
instituição e também nos Comitês para os Italianos no Exterior (Comites), cujas eleições que se realizariam
em julho e agosto, ficaram comprometidas com
o anúncio da falta de
verba. A moção com o
pedido de renúncia de
Mantica foi definida depois que ele falou à plenária do Conselho.
Para os conselheiros
que representam os italianos no Brasil, o trabalho do subsecretário tem
deixado a desejar. De acordo
com o Cláudio Pieroni, a falta de
perspectiva quanto ao trabalho
16
ComunitàItaliana
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Junho 2009
do CGIE e do Comites são as principais barreiras entre Mantica e
os demais membros do órgão.
— No caso da representação
brasileira foi pior porque ele falou que nós não fizemos nada
quando o caso Battisti veio à tona. Ora, seguimos as instruções
do próprio ministério que pediu
que não fizéssemos manifestações públicas, pois poderia atrapalhar o diálogo entre os governos brasileiro e italiano. Fizemos
o que estava ao nosso alcance
enquanto emissão de abaixo-assinado, concessão de entrevistas
na imprensa e encaminhamento
de documentos aos órgãos competentes — retruca Pieroni.
Segundo o advogado Walter
Petruzziello, também conselheiro, “Mantica já deu provas de
que quer a extinção do CGIE” e
por isso, não seria a pessoa mais
indicada para ser o responsável
pelos italianos no mundo. Essa
intenção ganhou corpo depois
que a legislação eleitoral italiana
adotou a circunscrição do exterior, a qual se destinam 12 vagas
de deputados e seis para senadores eleitos entre os que residem
fora da bota.
— Não temos legitimidade para demitir ninguém, mas
nossa iniciativa mostra o quanto estamos insatisfeitos. E isso
não se restringe à circunscrição
América Latina ou das Américas
de um modo geral. É uma opinião de todos os conselheiros.
Cabe ao ministro Franco Frattini (das Relações Exteriores) tomar a decisão que lhe convier —
analisa Petruzziello.
O conselheiro admite, no entanto, que quanto às reformas
previstas nos órgãos de representação, a diversidade de propostas no grupo pode atrasar o
andamento das ações. Para Petruzziello, um dos problemas que
não podem passar em branco é
a falta de graduação para a representatividade. Por exemplo,
uma circunscrição que tenha 3
mil italianos pode criar um Comites com até 12 pessoas. Uma
outra em que sejam registrados
100 mil pessoas teria direito a
um Comites com 16 membros.
— Se uma circunscrição tiver 99 mil italianos terá os mesmos 12 membros em um Comites, tal qual outra que apresenta
3 mil pessoas. A meu ver, existe
a necessidade de se graduar es-
O conselheiro Walter Petruzziello
(Curitiba) é um dos que aponta
insatisfações do CGIE em relação
ao trabalho do subsecretário
Alfredo Mantica (ao lado)
sa formação dividindo melhor esses números. Como são os Comites que elegem os membros do
CGIE, isso é de suma importância
— explica.
Sobre a desconfiança em relação ao trabalho desempenhado
por Mantica no que se refere ao
estímulo da cultura italiana onde
seus cidadãos estão presentes, Petruzziello cita ações como o anúncio de fechamento de consulados,
agendado para a segunda semana
de junho. Ele observa que “a lista não traz localidades brasileiras,
mas a questão que fica é qual será o próximo passo de retrocesso”.
A próxima reunião geral de
conselheiros está marcada para outubro. Antes, porém, deve
haver os encontros continentais
para tratar de propostas em dimensão regional. Em meio a tantas opiniões e problemas, o conselheiro Antonio Laspro, também
do Brasil, aponta uma característica que não pode ser esquecida
no calor das discussões:
— A maioria dos conselheiros é da esquerda e não há como deixar de lado essa posição.
Eu sou de direita, não concordei com a assinatura da moção e
nem votei para isso. Estamos insatisfeitos sim, mas isso (o pedido de renúncia) não cabe a nós.
Em se tratando dos cortes, eles
afetaram outras áreas também.
Na Itália, o quarto conselheiro do CGIE no Brasil, Mario Araldi, não respondeu ao contato
feito pela reportagem.
Vice-presidente do Comitê
para os Italianos no Exterior da
Câmara italiana, o deputado Fabio Porta observa que a falta de
confiança dos conselheiros em relação ao desempenho de Mantica
“chegou a um ponto sem igual”.
— Ele já deu a entender, em
entrevistas e plenárias do Senado e da Câmara, que a comunidade italiana no exterior não
seria merecedora da atenção do
governo. No caso Battisti, falou
da decepção com o que chamou
de falta de ação, por parte dos
italianos que residem no Brasil.
Em outros momentos, quis diferenciar os direitos entre italianos
nascidos e não nascidos na Itália
— enumera.
Na opinião de Porta, o CGIE é
o melhor organismo de representação para os italianos no exterior e um projeto de extinção da
instituição “não teria fundamento”, visto que o sistema político
italiano tem servido de modelo
para outras nações:
— Claro que se precisa, eventualmente, passar por melhorias,
mas a Itália tem sido exemplo
no contato com suas comunidades que se formaram no exterior.
A luta é para que haja avanço
nesse sentido. E essas propostas
precisam ser estudadas e votadas para que o trabalho feito até
aqui não se perca ou estagne.
Mantica não se pronuncia
Procurado pela Comunità, o subsecretario Alfredo Mantica informou, por intermédio de sua as-
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/
sessoria, que não comentaria o
caso. Ele preferiu encaminhar à
redação a ata da intervenção que
fez na plenária dos conselheiros.
Segundo o documento, Mantica
apresentou a expectativa de que
as eleições para os Comites ocorram em dezembro de 2010. Ele
expôs sua expectativa em tentar recuperar entre quatro e cinco
milhões de euros para o seu setor, o que permitiria a reabertura,
em setembro, de cursos fechados.
— Recordo a iniciativa da
diretora geral para os italianos
no exterior, Carla Zuppetti, que
solicitou ao Presidente da República a concessão da medalha da
Ordem da Estrela e da Solidariedade Italiana a 31 conselheiros
do CGIE não contemplados em
2001, na gestão Mirko Tremaglia
— assinalou Mantica, sobre as
comendas usualmente entregues
na Festa da Republica Italiana.
O subsecretário também elogiou a participação dos jovens
italianos no mundo por conta da
Conferência realizada, em Roma,
em dezembro passado. Segundo
Mantica, para dar continuidade a
esse trabalho, será lançada, entre
setembro e outubro próximos uma
página na internet que permitirá
ampliar o diálogo para um grupo
maior do que as 400 pessoas que
participaram da Conferência.
No documento enviado por
Mantica também consta a informação de que ele está empenhado em promover, na região de
Friuli-Venezia Giulia, a primeira
Assembléia de Empreendedores
Italianos no Mundo.
— É uma conferência que
não tem o objetivo de ocupar o
espaço das Câmaras de Comércio,
mas sim de discutir o impacto da
crise e conferir valor ao trabalho
que realizam fora da Itália — defendeu o subsecretário.
Mantica também está à frente
do Museu da Imigração Italiana.
No dia 1º de junho, foi feita uma
apresentação para imprensa e autoridades de governo, do projeto
com sede no palácio Vittoriano,
em Roma. A abertura ao público
está prevista para setembro. O local abrigará o maior acervo sobre
o tema na Itália - um trabalho
histórico que parte da primeira
unidade da Itália até a última fase do Ressurgimento (unificação
italiana) com material de fotos,
vídeos e testemunhos documentados pelos emigrados.
ComunitàItaliana
17
A
gora, quem está na “berlinda” é Leonardo Badalamenti, de 49 anos. Ele
foi preso mês passado,
em São Paulo, numa operação internacional chamada “Cento Passi” contra o crime organizado. O
grupo chefiado por ele é acusado de tentar negociar títulos de
investimentos falsos, através de
agentes financeiros.
A trajetória de Leonardo Badalamenti é bem diferente de
seus conterrâneos. Battisti e
Bragaglia tiveram a extradição
pedida pela Itália por conta do
envolvimento deles em ações
de natureza política. Já Badalamenti é integrante da máfia
italiana, mais precisamente, a
siciliana. Ele é filho de Gaetano Badalamenti, um dos antigos
chefões do crime organizado do
país, morto em 2004, aos 81
anos, numa prisão nos Estados
Unidos. Conhecido como Dom
Tano Badalamenti, o pai foi “padrinho” da máfia siciliana nos
anos 80, quando iniciou uma
guerra pelo poder com o clã adversário dos “corleoneses”, que
venceram e assassinaram quase
toda a sua família.
Leonardo Badalamenti vivia no Brasil, há 15 anos, sob a
identidade falsa de Carlos Massetti. O pai também fugiu da
Itália para cá, nos 80, antes de
seguir para Estados Unidos, onde foi preso. O filho foi capturado pela Interpol no bairro de
18
negócios
Fabio Rodrigues Pozzebom / ABC
política
O terceiro
da fila
Depois de Cesare Battisti e Pierluigi Bragaglia,
mais um caso de extradição de cidadão italiano
chega ao Supremo Tribunal Federal do Brasil
Nayra Garofle
Bela Vista, na região central de
São Paulo. Leonardo se dizia
brasileiro e comerciante, mas
controlava o esquema montado
pela máfia italiana para tentar
aplicar um golpe milionário no
mercado internacional. A opera-
ComunitàItaliana
/
Junho 2009
ção “Cento Passi” foi realizada
em conjunto pela polícia de cinco países - Itália, Espanha, Estados Unidos, Venezuela e Brasil
– e prendeu 20 pessoas acusadas de associação com a máfia e
transações ilícitas.
Segundo o diretor do Centro
de Direito Internacional (Cedin),
em Minas Gerais, Délber Andrade
Lage, Leonardo Badalamenti pode até solicitar refúgio ao Comitê
Nacional para os Refugiados (Conare), como fez Cesare Battisti.
Porém, é pouco provável que o
benefício seja concedido.
— A concessão do refúgio
nesse caso é muito complicada
porque ele é acusado de crimes
na Itália de uma natureza completamente diferente daqueles
de Battisti — explica.
De acordo com o tratado de
extradição, assinado pelos governos da Itália e do Brasil em
1989 e promulgado em 1993,
após a prisão, Badalamenti deve
permanecer detido à espera da
decisão do STF. Por enquanto, ele
está preso na Polícia Federal de
São Paulo, mesmo local onde está Bragaglia, detido em julho do
ano passado, em Ilhabela (SP).
Enquanto isso
Preso no Brasil desde 2007, Battisti aguarda a decisão do STF sobre seu caso na penitenciária da
Papuda, em Brasília. Um de seus
advogados, o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, em
entrevista à Comunità, afirma
que seu cliente está “debilitado,
física e mentalmente e enfrenta
crises frequentes de depressão”.
Segundo Greenhalgh, Battisti
está sob regime alimentar receitado pelos médicos do presídio,
em decorrência de uma hepatite
B. Para passar o tempo, ele lê, estuda filosofia e escreve bastante
– estaria prestes a terminar seu
terceiro livro. Greenhalgh também afirma que o maior temor de
Battisti é voltar para a Itália.
— Ele tem consciência de
toda a sua situação, mas reitero
considerar improvável a extradição. Primeiro, porque é indiscutível o caráter político do pedido. Segundo, porque pelas leis
brasileiras os crimes estão prescritos. Terceiro, porque há omissões formais no pedido de extradição (a Itália deixou de juntar
a primeira sentença condenatória
de Battisti e isso era sua obrigação), portanto, o pedido está
mal instruído, faltam documentos essenciais. E, quarto, em casos análogos o STF respeitou a
decisão do Poder Executivo —
afirma Greenhalgh.
Leonardo Badalamenti. No alto, o
ministro da Justiça Tarso Genro
Na opinião do diretor do Cedin, Délber Andrade Lage, o destino de Battisti já foi decidido.
Segundo ele, a lei brasileira diz
que caso seja concedido o refúgio haverá, automaticamente, o
empecilho da extradição.
— Não tem como o governo
conceder o refúgio e ao mesmo
tempo devolver a pessoa para a
Itália. Por isso, o Supremo não pode discutir os méritos da decisão
do ministro da Justiça. Na minha
opinião, esta demora na solução
do caso é mais por razões políticas do que jurídicas. É um processo complicado — explica.
Máquinas
ligadas
Metal-mecânica italiana tem participação
recorde na FEIMAFE, feira brasileira e
maior do setor em toda a América do Sul
M
ais um setor industrial
da Itália aposta fortemente no Brasil como
forma de driblar a crise
econômica mundial. Dessa vez,
foram empresários da área de
automação que vieram em peso
para participar da 12ª FEIMAFE
– Feira Internacional de Máquinas-Ferramenta e Sistemas Integrados de Manufatura - realizada
no mês passado, em São Paulo. A
comitiva italiana foi formada por
40 empresas, um número 77,5%
maior do que no ano passado. A
FEIMAFE, maior feira do setor na
América do Sul, contou com 1,3
mil expositores de 30 países e
atraiu 65 mil visitantes e compradores de 45 nacionalidades.
Os industriais italianos têm
razões de sobra para se animar
com os horizontes brasileiros:
no período de 2003 a 2008, as
exportações de máquinas-ferramenta para o Brasil aumentaram
240%, subindo de 33 milhões de
euros para mais de 122 milhões.
Apenas de 2007 para o ano passado, houve incremento de vendas de 120%, o que situa o país
no nono posto na lista de compradores da Itália, segundo o ICE.
De acordo com o diretor do
Instituto no Brasil, Giovanni
Sacchi, as indústrias italianas do
universo metal-mecânico, também nos segmentos de máquinas
têxteis, de escavação, alimentar
Tatiana Buff
Correspondente • São Paulo
e equipamentos hospitalares têm
demonstrado bons índices no fluxo comercial com o Brasil.
— A melhoria da produtividade e a redução de custos, resultantes dos investimentos em
alta tecnologia de manufatura,
possibilitam o crescimento de
nossas exportações. No caso das
máquinas têxteis, o salto foi ao
redor de 70% em 2008 — informa Sacchi.
Para o diretor de bens de capital do ICE-Roma, Carlo Angelo Bocchi, o mercado brasileiro
apresenta “enorme demanda de
infra-estrutura” em áreas relacionadas com petróleo, energia,
gás, rede ferroviária e aeronáutica. Segundo ele, a Itália está
“em condições de disputar a con-
corrência oferecendo serviços,
produtos e parcerias de altíssima
qualidade, compatíveis com essas necessidades”.
Na Itália, embora os efeitos da crise se pronunciem com
perturbadores índices negativos – tal qual em todos os países desenvolvidos – a produção
de macchine utensili chegou a
registrar aumento de 0,5% em
2008, equivalente a 5,8 bilhões
de euros, e exportações no valor de 3,3 bilhões - 7,5% a mais
que em 2007. De acordo com a
gerente de relações exteriores e
mídia da União dos Fabricantes
Italianos de Máquinas-Ferramenta, Robôs, Sistemas de Automação e Produtos Auxiliares (UCIMU), Claudia Mastrogiuseppe, o
índice produtivo do setor, em
nível mundial, foi positivo em
6,9% no ano passado, superando
54 bilhões de euros. Deste total,
a produção européia respondeu
por 44,8%, e a Itália ocupou o
quarto lugar no ranking de produtores, atrás do Japão, Alema-
Pier Luigi Streparava, segundo da esquerda para a
direita, divulgou a EMO Milano no evento
Junho 2009
/
nha e China, e o terceiro entre
os exportadores globais, após
Alemanha e China.
EMO Milano
O presidente do comitê organizador da feira EMO Milano 2009
e vice-presidente da UCIMU,
Pier Luigi Streparava, participou da FEIMAFE. Veio para fomentar negócios entre fabricantes internacionais e convidá-los
ao evento, que reunirá as indústrias similares em Milão de 5 a
10 de outubro.
— Mantemos relações com o
Brasil desde os anos 70, inclusive com parceiros como o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), entidade
que recebeu na década de 90, no
Rio de Janeiro, a visita de nossa
saudosa ex-ministra Susanna Agnelli, morta recentemente – lembrou Streparava.
Segundo o comitê organizador da EMO Milano, até agora, 1,4 mil empresas de 31 países estão inscritas, incluindo o
Brasil. A feira, realizada alternadamente em Hannover (Alemanha) e Milão, é promovida pelo
CECIMO – Comitê Europeu para a
Cooperação entre Máquinas-Ferramenta para Indústrias. A propósito de parcerias e joint-ventures, lideranças empresariais e
entidades representativas de ambos os países, como Senai, Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas) e
Abimaq (Associação Brasileira da
Indústria de Máquinas e Equipamentos), aproveitaram a oportunidade para discutir a criação de
um centro formativo tecnológico
ítalo-brasileiro.
ComunitàItaliana
19
economia
Nasce un
gigante
Creando una fusione enorme, Perdigão e Sadia creano
Brasil Foods (BRF) con lo sguardo al mercato esterno
I
Sílvia Souza
numeri non mentono. Con un fatturato annuale di 22 miliardi di reais, con più di 40 fabbriche – di cui due all’estero – e quasi 120.000
impiegati, la Brasil Foods (BRF), creata recentemente, arriva sul
mercato come l’impresa più grande del Brasile nel ramo alimentare.
La marca, creata a maggio, risultato della fusione fra le storiche concorrenti Perdigão e Sadia, lascia da parte la disputa per il raggiungimento dell’apice nel ranking brasiliano, disposta ad avanzare nella
conquista di altri mercati all’estero.
L’unione delle due imprese, fondata nello stato di Santa Catarina a partire dal lavoro di famiglie italiane, ha dato origine
alla terza maggiore impresa esportatrice brasiliana. Prendendo in considerazione i dati del 2008, la BRF è terza come
importanza dopo la Petrobras e la Vale. Inoltre è la decima maggiore impresa alimentare delle Americhe, la seconda maggiore industria alimentare del Brasile (dietro
solo a quella del Frigorífico JBS Friboi) e la maggior
produttrice ed esportatrice mondiale di carni lavorate. In Brasile detiene la maggior parte del mercato di pasta e pizza.
Per arrivare alla fusione la
Perdigão ha cambiato il nome in BRF, e la Sadia in
HFF. Subito dopo le azioni della HFF sono state incorporate dalla BRF. Il Consiglio
d’Amministrazione
delle due imprese
sarà formato dalle stesse persone, e il
presidente di una sarà copresidente dell’altra, cioè il
controllo sarà diviso fra Nildemar Secches (Perdigão)
e l’ex-ministro brasiliano
dello Sviluppo, Industria e
Commercio con l’Estero, Luiz Fernando Furlan (Sadia).
— Stiamo creando un
campione che probabilmente
diventerà il più grande nella
lavorazione di carne del mondo
— ha detto Furlan, durante l’annuncio ufficiale della fusione.
Il primo passo della Brasil Foods sarà un’offerta pubblica di
azioni in un valore stimato 4 miliardi di reali per attrarre risorse.
L’operazione dovrebbe avvenire
20
ComunitàItaliana
/
Junho 2009
alla fine di luglio e gli investimenti saranno usati integralmente per ridurre i debiti della nuova
impresa, stimati in circa 10 miliardi di reais.
Secondo Secches i clienti delle due marche non si devono preoccupare di un’eventuale aumento di prezzi dei prodotti.
— L’obiettivo della fusione è
migliorare la competitività e, automaticamente, migliorare i prezzi. Si parla molto del mercato della pizza, ma abbiamo davanti a
noi la concorrenza di un monte
di panetterie e di pizzerie — ha
commentato in tono scherzoso.
La fusione era prevista dal
2001, quando Sadia e Perdigão avevano creato la BRF Trading, società
sciolta nel 2002. Poi, nel luglio del
2006, la Sadia, in migliori condizioni economiche, aveva presentato
una proposta di acquisto alla concorrente. L’intento era di comprare
il 100% delle azioni della Perdigão
al prezzo di 27,88 reais ognuna.
Ma l’offerta era stata rifiutata dagli azionisti, che rappresentavano
il 55,38% del capitale dell’impresa,
che avevano mantenuto la loro posizione contraria anche quando la
Sadia aveva fatto la nuova proposta
di pagare 29 reais per azione.
Alla fine del 2006, la Perdigão ha fatto un’offerta alla Sadia,
Prodotti della Brasil
Foods e principali
concorrenti nel mercato
(in percentuali)
Industrializzati di carne
BRF - 55,8 (26,3 Perdigão
e 29,5 Sadia)
Aurora - 8,2
Seara - 4,0
Congelati di carne
BRF – 71,6 (33,0 Perdigão
e 38,6 Sadia)
Seara – 5,0
Marfrig – 3,1
Pasta
BRF – 84,2 (31,9 Perdigão
e 52,3 Sadia)
Derivati del latte
Danone – 17,1
Nestlé – 16,2
Perdigão - 13,0
Paulista – 7,0
con l’emissione di 32.000.000
nuove azioni, al prezzo di 25 reais a titolo. L’operazione ha avuto come risultato l’introito di circa 800.000.000 di reais, ma non
ha avuto successo.
Adesso la marca, prossima a
festeggiare i 65 anni, ha chiuso il 2008 con una perdita di 2
miliardi e mezzo di reais. Questo
ha invertito il gioco dei negoziati, ed ha aperto la strada alla
fusione. In seguito agli accordi,
inizialmente il 68% del capitale della nuova impresa sarà degli azionisti della Perdigão ed il
32% di quelli della Sadia.
Perdigão
Fondata dalla famiglia Brandalise
(di origini venete) e dalla famiglia Ponzoni nel 1934, nello stato di Santa Catarina, la Perdigão
produce attualmente più di 2.500
prodotti, come polli (interi e a
pezzi), suini e bovini congelati,
prosciutti, mortadella, salsiccie,
hamburger, carni panate, lasagne, pizze, succhi, yogurt e latte.
In 75 anni di attività l’impresa somma 42 unità industriali in
11 Stati, oltre a tre aziende in
Europa ed una in Argentina. Attualmente sono 59.000 impiegati
in 25 unità industriali della carne, 15 unità di prodotti del latte,
una di elaborazione della soia,
una di fabbricazione di margarina, centri di distribuzione, oltre
a 19 distributori appaltati.
Fino al 1994 a capo della
marca c’era la famiglia Brandalise quando, dopo una crisi di liquidità, l’80,68% delle azioni ordinarie ed il 65,54% delle azioni preferenziali che possedevano
sono state vendute a otto fondi
di pensione – sei dei quali ancora
stanno nella compagnia.
All’estero, oggi la Perdigão e
le sue sussidiarie hanno uffici in
Inghilterra, Francia, Giappone,
Olanda, Russia, Singapore, Emirati
Arabi Uniti, Ungheria, Portogallo,
Spagna, Italia e Austria.
Nel mercato domestico la
compagnia opera principalmente
con le marche Perdigão, Chester,
Batavo e Turma da Mônica (con
concessione di licenza). Nel mercato estero, che rappresenta il
44% delle vendite, si distaccano
Perdix, Batavo, Fazenda, Borella
e Confidence.
Nel 2007, firmando con la
Unilever un contratto per la fabbricazione di margarine, è passata
Come la BRF
arriva al mercato
(sulla base dei
bilanci 2008)
Perdigão
Fondazione 1934
Fatturato 11,3 miliardi di reais
Perdite 54 milioni di reais
Debiti 3,4 miliardi di reais
Personale 59 mila
Sadia
Fondazione 1944
Fatturato 10,7 miliardi di reais
Perdite 2,5 miliardi di reais
Debiti 6,7 miliardi di reais
Personale 60,7 mila
a lavorare con le marche Doriana,
Delicata, Claybom e Becel, questa
ultima come joint-venture.
Nel 2008 la Perdigão ha accumulato una perdita dell’83%
sul guadagno liquido rispetto
al 2007 arrivando ai 54 miliardi e 400 milioni di reais. Secondo l’azienda il risultato ha avuto
un impatto cambiale sulla spesa
finanziaria e sulle rate di aggio
contabilizzate durante l’anno,
dovuto alle acquisizioni e all’effetto dei contratti e delle migliorie nella produzione.
Malgrado questo ha registrato
un fatturato lordo annuo di 13 miliardi e 200 milioni di reais, con
un aumento del 69% in confronto
all’anno precedente, ed ha investito 2 miliardi e 400 milioni di reais,
di cui 1 miliardo e 800 con l’acquisto di Eleva, Plusfood e Cotochés.
Sadia
Vicina al completamento dei 65
anni d’attività, la Sadia era sorta dall’acquisto di una piccola
azienda di lavorazione di carni
nella parte ovest di Santa Catarina, diventando un punto di riferimento per le carni e gli alimenti industrializzati in Brasile ed
in vari paesi del mondo. L’impresa era stata fondata il 7 giugno
1944 da Attilio Fontana, con l’acquisto dell’azienda di lavorazione
di carni Concórdia, nella città catarinense di Concórdia. La prima
unità fuori dello stato, il Moinho da Lapa, fu fondata nel 1953,
nella zona ovest di São Paulo.
Attualmente sono 17 unità di
produzione in nove Stati brasi-
Junho 2009
/
liani (Minas Gerais, Mato Grosso,
Paraná, Rio, Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, São Paulo, Goiás
e Pernambuco), più il Distrito Federal. In tutto conta su 60.000
professionisti – oltre ad essere in
società con circa 10.000 fattorie
per la creazione di polli e suini.
Distribuita in più di 300.000
punti vendita, l’impresa presenta un portfolio di quasi 700 prodotti sul mercato domestico. Sul
mercato estero, dove è apparsa
negli anni ‘60, distribuisce circa
mille prodotti in più di cento paesi, e in 11 mantiene degli uffici.
Col capitale aperto dal 1971,
le azioni della Sadia hanno cominciato ad essere vendute nella Nyse (Borsa di New York) nel 2001,
e nella Borsa di Madrid nel 2004.
È stata segnalata come la marca
più valida del settore alimentare
brasiliano per quattro volte (2001,
2003, 2004 e 2005), secondo il
consulente inglese Interbrand.
Secches e Furlan
Considerato come prima perdita dell’anno nella sua storia, il
disimpegno del 2008 ha registrato una perdita di 2 miliardi e 48
milioni di reali, cosa che, secondo l’impresa, non ha intaccato le
operazioni della marca. Secondo
la Sadia, l’entrata annuale è stata di 12 miliardi e 200 milioni
di reali, con un aumento del 23%
in confronto al 2007. L’intero volume commercializzato è aumentato l’8,3% nel 2008, il mercato
interno è cresciuto il 12,2% ed il
mercato estero il 5%.
Come riferito nel rapporto dei
risultati del 2008, l’impresa è stata
la 6ª maggiore esportatrice brasiliana in questo periodo, con vendite superiori ai 3 miliardi di dollari, secondo la Secex (Secretaria de
Comércio Exterior). Inoltre è leader
nei prodotti industrializzati di carne, pollo intero e a pezzi, in Arabia
Saudita, negli Emirati Arabi, nel
Kuwait, nel Qatar, nell’Oman e nel
Bahrein, con più del 25% di partecipazione sul mercato.
ComunitàItaliana
21
capa
Receita
de sucesso
Ricetta di successo
Império econômico multinacional na produção de chocolates, a italiana Ferrero foi escolhida
a marca de maior grau de confiabilidade junto aos consumidores, em todo o mundo
Impero economico multinazionale per la produzione di cioccolato, l’italiana Ferrero
è stata scelta dai consumatori di tutto il mondo come la marca di maggior fiducia
O
silêncio é mesmo a alma
do negócio. Quem confirma o alto valor dessa antiga lei do comércio é o
potente grupo Ferrero, hoje um
império econômico multinacional
na produção de chocolates, com
suas principais sedes distribuídas
pela Itália, reino da Bélgica, principado de Mônaco e Grão-Ducado
de Luxemburgo, além de filiais e
consorciadas espalhadas em todos os continentes, com exceção
da África. Desde a sua fundação
em 1946, o grupo tem sua direção concentrada nas mãos férreas
da família Ferrero, agora na passagem da segunda para a terceira geração com Michele Ferrero e
seus dois filhos Pietro e Giovanni,
22
respectivamente. A fama e a qualidade dos seus produtos foram
conquistadas em silêncio, traçando o futuro em grande segredo e
com os pés bem firmes no presente. Agora, que Michele Ferrero
acabou de completar 84 anos, o
Grupo Ferrero foi oficialmente reconhecido e premiado como líder
mundial em grau de confiabilidade junto aos consumidores.
Quem atesta isso é Reputation Institute que promove uma
pesquisa anual. A partir de suas
sedes em Nova Iorque e Kopenhagen, promove uma consulta
a mais de 60 mil entrevistados
em 32 países. Na última edição
- concluída no começo do ano
e publicada nas revistas inter-
ComunitàItaliana
/
Junho 2009
I
l silenzio è veramente l’anima degli affari. Il grande valore di questa antica
legge del commercio viene
confermato dal potente gruppo
Ferrero, oggigiorno un impero
economico multinazionale nella
produzione di cioccolato, che ha
le sedi principali sparse in Italia,
nel regno del Belgio, nel principato di Monaco e nel granducato
del Lussemburgo, oltre ad avere
filiali e consorzi sparsi in tutti i
continenti, eccetto in Africa. Dal
1946, anno della sua fondazione,
la direzione del gruppo è concentrata nelle tenaci mani della famiglia Ferrero, che ora sta
passando dalla seconda alla terza generazione, rispettivamen-
Lisomar Silva e Nayra Garofle
te con Michele Ferrero e i suoi
figli Pietro e Giovanni. La fama
e la qualità dei loro prodotti sono state conquistate in silenzio,
tracciando il futuro in gran segreto e con passo fermo nel presente. Ora che Michele Ferrero
ha appena compiuto 84 anni il
Gruppo Ferrero è stato ufficialmente riconosciuto e premiato
come leader mondiale dei consumatori per indici di fiducia.
Tutto questo viene attestato dal Reputation Institute, che
promuove un sondaggio annuale. A partire dalle sue sedi a New
York e Copenaghen intervista più
di 70 mila persone in 32 paesi e
coinvolge 1.300 aziende. Nell’ultima edizione – conclusa all’ini-
nacionais Forbes e Economist o grupo Ferrero superou fortes
concorrentes, como a cadeia sueca Ikea (especializada na venda
de móveis domésticos de baixo
custo) e Johnson & Johnson (dedicado aos produtos de higiene
em geral). Até mesmo o grupo
Kraft (setor alimentar), a poderosa rede Google e as mais célebres marcas da indústria automobilística ficaram para trás.
Além do prestígio mundial de
sua marca, Michele Ferrero, Segundo a mesma revista Forbes é
o 40° homem mais ricos do mundo, sendo o primeiro da Itália, ao
encabeçar uma lista que coloca o
premier Silvio Berlusconi em segundo lugar como presidente do
grupo Mediaset e Leonardo Del
Vecchio, presidente do grupo Luxottica, em terceiro.
Michele, Pietro e Giovanni
Ferrero costumam festejar esses
e outros eventos com sobriedade, em companhia dos outros
membros da família e dos funcionários. Num breve, mas afetuoso
discurso de agradecimentos, todos são informados que são preciosos para o sucesso do grupo,
nascido de uma produção confeiteira artesanal e familiar de cho-
Michelle Ferrero
colates em 1946 na localidade de
Alba, na região de Piemonte.
Os Ferrero raramente concedem entrevistas. Fazem declarações com o ritmo de um conta-gotas e publicam o balanço do grupo
sem comentários supérfluos. Poucas vezes outros dirigentes e funcionários se deixam levar por comentários ou avaliações sobre a
atuação do grupo. O nome Ferrero deve se exprimir, em termos de
imagem, somente pelas marcas dos
produtos presentes no mercado. O
silêncio é de ouro, por isso é também a palavra de ordem da família.
zio dell’anno e pubblicata sulle
riviste internazionali Forbes e
Economist – il gruppo Ferrero ha
superato forti concorrenti, come
la catena svedese Ikea (specializzata in vendite di mobili per la
casa a basso costo) e Johnson &
Johnson (dedicato ai prodotti di
igiene e pulizia in generale); oltre anche al gruppo Kraft (settore alimentare), alla potente rete
Google e alle più famose marche
dell’industria
automobilistica,
che sono state lasciate indietro
nel ranking.
Oltre al prestigio mondiale
della sua marca, Michele Ferrrero, secondo la propria rivista Forbes, è il 40° uomo fra i più ricchi
del mondo e il primo in Italia, al
primo posto di una lista che vede
il premier Silvio Berlusconi al secondo posto come presidente del
gruppo Mediaset e Leonardo Del
Vecchio, presidente del gruppo
Luxottica, al terzo.
Michele, Pietro e Giovanni Ferrero di solito festeggiano
questi ed altri eventi con sobrietà insieme agli altri membri della
famiglia e ai dipendenti. In un
breve ma affettuoso discorso di
ringraziamento sono stati tutti resi partecipi di quanto sono
preziosi per il successo del gruppo, nato da una produzione pasticciera artigianale e familiare
di cioccolato nel 1946 ad Alba,
in Piemonte.
È raro che i Ferrero concedano interviste. Rilasciano dichiarazioni a contagocce e pubblicano il bilancio del gruppo senza
commenti superflui. È anche raro
che dirigenti e impiegati si lascino influenzare da commenti o
valutazioni sulle realizzazioni del
gruppo. Il nome Ferrero si deve
esprimere, in termini di immagine, solo dalle marche dei prodotti presenti sul mercato. Il silenzio è d’oro, quindi è anche la parola d’ordine del gruppo.
Anche con una riduzione
parziale di sussidi che riguardano il preventivo destinato alle
campagne pubblicitarie previste
per i prossimi sei mesi, Michele
Ferrero constata che i consumatori rinunciano sí a beni di lusso in tempi di crisi, ma non al
piacere di assaporare un cioccolatino in inverno, o di deliziarsi con un dessert rinfrescante in
estate. Anzi, la famosa crema
di cacao e nocciole Nutella ha
2 milioni e 500 mila consuma-
Junho 2009
/
tori fedeli nel mondo e garantisce, in gran parte, il fatturato del gruppo. La Nutella è al
100° posto tra i 250 prodotti di
consumo più apprezzati nella recente classifica del Global Power
of Consumer Product, realizzata
dalla società di consulenza internazionale Deloitte.
È Michele Ferrero chi dà la
parola finale quanto al sapore,
al composto e agli involucri dei
prodotti destinati a influenzare
lo stile di consumo di mercato in
vari paesi, com’è accaduto con la
stessa Nutella, con i cioccolatini
Rocher e Mon Chéri, oltre alle uova Kinder, ora venduti tutto l’anno e non solo a Pasqua. Michele affronta il successo raggiunto
come stimolo per continuare ad
alimentare il mercato con altre
novità: ha appena lanciato in Europa il semifreddo cremoso Gran
Soleil nelle nuove versioni al
mandarino e ai frutti della passione (quest’ultimo ai frutti tropicali), in una linea inaugurata
due anni fa con il sapore limone
siciliano e che includerà anche
gli aromi vaniglia, cioccolato,
cappuccino e caffè espresso.
Mentre assapora in prima mano il durevole successo che il
nuovo dessert può raggiungere
anche all’estero – come accade
da più di 40 anni con la Nutella –
Michele e i figli si stanno già dedicando ad innovazioni per mezzo di una ricerca legata ai cambiamenti climatici e alle nuove
strategie di commercio nei paesi
del gruppo BRIC (Brasile, Russia,
India e Cina). La meta è ottenere prodotti rinfrescanti solidi, liquidi o cremosi che resistano ad
alte temperature, che ormai si
prolungano sempre più durante l’anno. Oltre ad aver consolidato la sua strategia di mercato
per il consumo di cioccolato e di
altri prodotti durante l’inverno,
il gruppo realizza dal 2006 una
politica commerciale incisiva per
affrontare il mercato europeo ed
internazionale nelle altre stagioni dell’anno.
Per Michele Ferrero l’importante è lanciare prodotti con cui
il gruppo possa affrontare con
successo la concorrenza sempre più forte delle altre multinazionali del settore alimentare, specialmente nei paesi dal
clima temperato e temperature
costanti. Nel frattempo il gruppo ha già vinto, in Cina, una
ComunitàItaliana
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capa
Mesmo com uma redução parcial de verbas praticada no orçamento destinado às campanhas publicitárias previstas para
os próximos seis meses, Michele
Ferrero constata que os consumidores renunciam a bens de luxo
em tempos de crise, mas não ao
prazer de saborear um bombom
de chocolate no inverno, ou de
se deliciar com uma sobremesa
refrescante no verão. Aliás, o célebre creme de cacau e avelãs Nutella tem 2,5 milhões de consumidores fiéis no mundo e garante, em boa parte, o faturamento
do grupo. A Nutella está em 100°
lugar entre os 250 produtos de
consumo mais apreciados na recente classificação do Global Powers of Consumer Products, realizada pela sociedade Deloitte de
consultoria internacional.
É Michele Ferrero quem dá a
palavra final quanto ao sabor, à
composição e à embalagem dos
produtos destinados a influenciar
o estilo de consumo de mercado
em vários países, como aconteceu com a própria Nutella, os
bombons Rocher e Mon Chéri,
além dos ovos Kinder, agora vendidos o ano inteiro e não apenas na Páscoa. Michele encara o
sucesso alcançado como estímulo para continuar alimentando o
mercado com outras novidades:
ele acaba de lançar na Europa a
sobremesa fria e cremosa Gran
Soleil nas novas versões mandarino e frutti della passione (tangerina e frutas tropicais), na linha inaugurada há dois anos com
o sabor limão siciliano e que vai
incluir também os aromas de
baunilha, chocolate, capuccino e
café expresso.
Enquanto saboreia de antemão o sucesso duradouro que
a nova sobremesa pode alcançar também no exterior – como
acontece há mais de 40 anos com
a Nutella - Michele e seus filhos
já se dedicam à inovação através
da pesquisa ligada às mudanças
climáticas e a novas estratégias
de comércio nos países do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e
China). Objetivo: obter produtos
refrescantes sólidos, líquidos ou
cremosos, que resistam às altas
temperaturas, que se prolongam
cada vez mais durante o ano.
Após ter consolidado sua estratégia de mercado para o consumo de chocolate e outros produtos durante o inverno, o grupo
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desenvolve desde 2006 uma política comercial incisiva para enfrentar o mercado europeu e internacional nas outras estações
do ano.
Para Michele Ferrero, o importante é lançar produtos com
os quais o grupo possa enfrentar com sucesso a concorrência
cada vez mais forte das outras
multinacionais do setor alimentar, principalmente nos países
de clima temperado e temperaturas constantes. Enquanto isso,
o grupo já ganhou na China uma
disputa no campo das falsificações, outro setor espinhoso do
mercado internacional: no mês
de abril, a Corte Suprema de Pequim condenou a sociedade local
Montresor a retirar do mercado
seus chocolates embalados com
papel dourado idêntico ao do
bombom Ferrero Rocher e a ressarcir o grupo Ferrero.
Boca fechada
Os funcionários e fiéis colaboradores do grupo Ferrero, assim como os componentes da família,
guardam o segredo de seu sucesso a sete chaves. Porém, a distribuição das empresas do grupo na
Itália e no exterior, assim como
o perfil de atividades de cada sociedade afiliada, permite entender a política de mercado e as decisões empresariais estratégicas
que o grupo toma. O principal lema dos Ferrero é “para frente com
prudência”, ou seja, buscar ideias
inovadoras, mantendo-se, porém,
firmes e ativos na própria área de
sucesso, evitando investimentos
em setores econômicos de alto
risco ou muito diversos das atividades do grupo. Até hoje, por
exemplo, a família Ferrero evitou
a presença do grupo nas Bolsas
de Valores e se limitou a participar de pacotes acionários de
algumas companhias de seguros
consideradas sólidas ou interessantes no mercado.
O grupo, desde a sua fundação, é autosuficiente; jamais se
serviu de financiamentos nem de
empréstimos externos no concorrido mercado de capitais. Em pouco mais de sessenta anos, formou
um patrimônio que, segundo a
classificação da Forbes, é avaliado
em 9,5 bilhões de dólares. Outras
fontes financeiras e empresariais,
contudo, indicam valores na ordem dos 11 bilhões de dólares até
quase 13 bilhões de dólares. Mui-
ComunitàItaliana
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Junho 2009
disputa nel campo delle falsificazioni, altro settore spinoso
del mercato internazionale: in
aprile la Corte Suprema di Pechino ha condannato la società
locale Montresor a togliere dal
mercato i suoi cioccolatini incartati con carta dorata identica
a quella dei Ferrero Rocher e a
risarcire il gruppo Ferrero.
A sinistra, i fratelli Ferrero: sucesso
e orgoglio per il premio ricevuto.
La Nutella è al 100º posto tra i 250
prodotti di consumo più apprezzati
secondo la Global Powers of
Consumer Products
Acqua in bocca
Gli impiegati e fedeli collaboratori del gruppo Ferrero, cosí come i membri della famiglia, tengono il segreto del loro successo gelosamente custodito. Ma la
distribuzione delle aziende del
gruppo in Italia e all’estero, cosí come il profilo di attività di
ogni società affiliata, permette
di capire la politica di mercato e
le decisioni imprenditoriali strategiche che il gruppo prende. Il
motto principale dei Ferrero è
andare “avanti con prudenza”,
ossia cercare idee innovatrici,
ma mantenendosi fermi e attivi nella propria area di successo, evitando cosí investimenti
in settori economici ad alto ri-
tas das opções de mercado da família Ferrero se explicam na leitura do complexo, mas funcional organograma do grupo, internacionalizado quanto à produção, aos
resultados alcançados em termos
de investimentos e lucros.
Há 40 anos, Michele Ferrero já se apresentava ao mercado
americano com um escritório de
representação em Nova Iorque e
duas fábricas (Equador e Porto
Rico). Na Europa, o grupo já estava presente na Áustria e na Irlanda. Hoje, a Ferrero conta com
14 estabelecimentos e 38 sociedades operacionais no mundo,
dos quais quatro na Itália e outros nas Américas do Norte (Estados Unidos e Canadá), Central
À esquerda, os irmãos Ferrero:
sucesso e orgulho pelo prêmio
recebido. A Nutella está em 100º
lugar entre os 250 produtos de
consumo mais apreciados segundo a
Global Powers of Consumer Products
schio o molto distanti dalle attività del gruppo. Fino ad oggi,
per esempio, la famiglia Ferrero
ha evitato la presenza del gruppo nelle Borse di Valore e si è limitato a partecipare a pacchetti
azionari di qualche compagnia di
assicurazione considerata solida
o interessante nel mercato.
Il gruppo è autosufficiente
fin dalla sua fondazione. Non si
è mai servito di finanziamenti
né di prestiti esterni nel difficile
mercato di capitali. In poco più
di sessant’anni ha messo su un
(Porto Rico) e Latina (Argentina,
Brasil, Equador e Chile, onde cultivam nozes em uma propriedade
rural), além da Austrália, empregando cerca de 21.600 funcionários. O balanço do período 20062007 se concluiu com um faturamento de 5,472 bilhões de euros,
equivalentes a um crescimento
na ordem de 6,5% em relação
ao balanço anterior. Em 2008,
o grupo se mostrou ainda mais
robusto com um faturamento de
6,214 bilhões de euros e crescimento de 4,3%, o que representa
patrimonio che, secondo la classifica della Forbes, viene valutato in 9 miliardi e 500 milioni di
dollari. Ma altre fonti finanziarie
e imprenditoriali indicano valori
di circa 11 miliardi di dollari e
perfino quasi 13 miliardi di dollari. Molte delle opzioni di mercato
della famiglia Ferrero si esplicano nella lettura del complesso,
ma funzionale, organigramma
del gruppo, internazionalizzato
quanto a produzione e a risultati raggiunti in termini di investimenti e guadagni netti.
Quarant’anni fa Michele Ferrero si presentava già sul mercato americano con un ufficio
di rappresentazione a New York
e due fabbriche (in Ecuador e
Porto Rico). In Europa il gruppo era già presente in Austria e
in Irlanda. Oggi la Ferrero conta su 14 fabbriche e 38 società
operative nel mondo, delle quali
quattro in Italia e altre nell’America del Nord (Stati Uniti e Canada), Centrale (Porto Rico) e Latina (Argentina, Brasile, Ecuador e
Cile, dove coltivano nocciole in
una proprietà rurale), oltre anche all’Australia, dando impiego
a 21.600 dipendenti. Il bilancio del periodo 2006-2007 si è
concluso con un fatturato di 5
miliardi e 472 milioni di euro,
equivalenti a una crescita del
6,5% in rapporto al bilancio anteriore. Nel 2008 il gruppo si è
dimostrato ancora più robusto
con un fatturato di 6 miliardi e
214 milioni di euro e una crescita del 4,3%, il che rappresenta un aumento dell’8,2% in rapporto al periodo anteriore. Solo
in Italia il volume di affari registrato è stato di 2 miliardi e 263
milioni di euro, con guadagni di
98,1 milioni e una crescita del
4,3% dei ricavi.
Il quartier generale del gruppo Ferrero si trova a Pino Torinese, in Piemonte, località dov’è
nata una delle prime imprese artigianali storiche della famiglia.
La holding Soremartec, creata da
Michele Ferrero, ha fondato la
sua prima sede in Olanda e controlla l’italiana P.Ferrero & C, responsabile delle industrie italiane di dolci e di macchine destinate alla produzione di materie
prime. Allo stesso tempo la Soremartec, che ha sedi anche ad Arlon (al confine tra Belgio e Lussemburgo) e ad Alba (in Piemonte), si incarica delle attività del-
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le imprese situate fuori dall’Europa. La holding italiana controlla
quasi metà del pacchetto azionario della Ferrero Internacional, con sede nel Lussemburgo e
che detiene le azioni di tutte le
imprese in attivo, per un volume
affaristico valutato in circa 6 miliardi di euro.
Michele Ferrero, che ha la
cittadinanza belga, risiedeva da
quasi trent’anni a Bruxelles, dove
ha creato la Ferrero Internacional, sede finanziaria del gruppo,
oggi diretta dal figlio Giovanni.
In seguito il patriarca si è trasferito nel suo nuovo domicilio nel
Principato di Monaco, dove ha
creato il centro di ricerche della
rete Soremartec, dedicato a test
di qualità di sapori, aromi, testure e caratteristiche fisico-chimiche, oltre alle certificazioni per
i prodotti alimentari destinati al
mercato italiano ed internazionale. I fratelli Pietro e Giovanni
risiedono ufficialmente nella città fiamminga Rhode-Saint- Genèse, a pochi chilometri da Arlon
(Belgio). Pietro, 45 anni, ha la
laurea in Biologia e si incarica
del segmento finanziario e della
linea di nuovi prodotti del gruppo. Occupa anche incarichi decisionali nel Consiglio di Amministrazione nei gruppi italiani Mediobanca e Italcementi.
Giovanni, 43 anni, si dedica al settore commerciale senza
però abbandonare la sua vena di
scrittore: ha pubblicato con la
casa editrice Mondadori (gruppo Fininvest di Silvio Berlusconi)
vari romanzi, tra cui Il Giardino
di Adamo, Il Camaleonte, Campo Paradiso. I fratelli di solito
passano le ferie a Montecarlo o
nell’affascinante località svizzera
Saint Moritz, uno dei principali
centri turistici di lusso in Europa, dotata di piste sciistiche.
Michele Ferrero, con la moglie
Maria Franca e i figli, preferisce
portare avanti una vita discreta,
distante da feste rumorose e da
eventi spettacolari, senza mescolarsi (almeno apertamente) con
celebrità e personaggi del panorama politico italiano. La famiglia
apprezza la sobrietà e la beneficienza: promuove campagne di
solidarietà sociale a favore di comunità di disagiati nella Repubblica del Camerun e nell’Africa del
Sud. In Italia, sponsorizza programmi per la corretta nutrizione
e la pratica di sport salutari.
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um aumento de 8,2% em relação
ao período anterior. O volume de
negócios registrado somente na
Itália foi de 2,263 bilhões de euros, com lucros de 98,1 milhões e
crescimento de 4,3% nos ganhos.
O “quartel general” do grupo Ferrero se encontra em Pino
Torinese, localidade onde nasceu
uma das primeiras empresas artesanais históricas da família,
na região Piemonte. A holding
Soremartec, criada por Michele
Ferrero, fundou sua primeira sede na Holanda e controla a italiana P.Ferrero & C., responsável
pelas indústrias italianas de doces e do maquinário destinado à
produção das matérias-primas.
Ao mesmo tempo, Soremartec,
que tem sedes também em Arlon (na fronteira entre Bélgica e
Luxemburgo) e na localidade italiana de Alba (região Piemonte),
se encarrega das atividades das
empresas localizadas fora da Europa. A holding italiana controla
quase metade do pacote acionário da Ferrero International, sediada em Luxemburgo e detentora das ações de todas as empresas ativas, para um volume de
negócios avaliado em torno de 6
bilhões de euros.
Michele Ferrero, que tem cidadania belga, residia há quase
trinta anos em Bruxelas, onde
criou a Ferrero International, sede financeira do grupo, hoje dirigida pelo filho Giovanni. Em
seguida, o patriarca se transferiu
para seu novo domicílio no Principado de Mônaco, onde criou
o centro de pesquisas da rede
Soremartec, dedicado a testes
de qualidade de sabores aromas,
texturas e características físicoquímicas, além de certificações
para os produtos alimentícios
destinados ao mercado italiano e
internacional. Os irmãos Pietro e
Giovanni residem oficialmente na
cidade flamenga de Rhode Saint
Genèse, a poucos quilômetros
de Arlon (Bélgica). Pietro, de 45
anos, é licenciado em Biologia.
Ele se encarrega do segmento financeiro e a linha de novos produtos do grupo. Ocupa também
cargos decisórios no Conselho de
Administração nos grupos italianos Mediobanca e Italcementi.
Giovanni, de 43 anos, se dedica ao setor comercial, sem deixar
de cultivar sua veia de escritor:
publicou junto à editora Mondadori (grupo Fininvest de Silvio
26
Berlusconi) vários romances, entre eles Il Giardino di Adamo, Il
Camaleonte, Campo Paradiso. Os
irmãos costumam passar suas férias em Montecarlo ou na charmosa localidade suíça de Saint
Moritz, um dos principais centros
turísticos luxuosos da Europa,
dotados de pistas para esqui.
Michele Ferrero, com a esposa Maria Franca e os filhos, prefere levar uma vida discreta, distante das festas rumorosas e dos
eventos espetaculares, sem se
misturar (ao menos abertamente) com celebridades e personagens do panorama político italiano. A família aprecia a sobriedade e a beneficência: promove
campanhas de solidariedade social em favor de comunidades de
habitantes desamparados na República dos Camarões e na África
do Sul. Na Itália, patrocina programas para a alimentação correta e a prática do esporte sadio.
A família Ferrero e os altos
dirigentes do grupo seguem outro lema de estratégia de ação:
pensar global, agir local. As operações financeiras que a família
e o grupo Ferrero realizaram fora
da Itália fortaleceram os cofres e
o patrimônio do grupo, mas chamaram também a atenção dos
funcionários fiscais italianos especialmente pela criação de empresas em nações onde o peso
das tributações para pessoas físicas ou jurídicas é baixo e muito
vantajoso. Os Ferrero se encontram há tempos na mira do Fisco
italiano, já que o sistema fiscal
do país julga passíveis de tributação todas as atividades comerciais que têm origem no território italiano, mesmo que gerando
ganhos e lucros no exterior.
Ah! Nutella
O que seria da Nutella sem as preciosas avelãs? Há mais de sessenta anos, quando o patriarca piemontês e artesão Pietro Ferrero
(1898-1949) fundou o primeiro
núcleo confeiteiro que deu origem ao potente e moderno grupo multinacional, as avelãs representavam a parte vital do famoso e venerado creme pronto para
ser usado como uma manteiga no
pão, biscoitos e até nas pizzas
das últimas gerações. O aumento acelerado da produção, das exportações e do consumo de Nutella no mundo levou Michele Ferrero a se garantir contra a falta
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La famiglia Ferrero e gli alti
dirigenti del gruppo seguono un
altro precetto strategico di azione: pensare globale, agire locale. Le operazioni finanziarie che
la famiglia e il gruppo Ferrero
hanno realizzato fuori dall’Italia hanno rafforzato gli introiti
e il patrimonio del gruppo, ma
hanno richiamato l’attenzione
di impiegati del controllo fiscale italiani specialmente dovuto alla creazione di imprese in
nazioni dove il peso delle tasse per persone fisiche o giuridiche è basso e molto vantaggioso. I Ferrero sono stati per
molto tempo presi di mira dal
Fisco italiano, visto che quel sistema fiscale considera passibili
di tributazione tutte le attività
commerciali che abbiano origine
sul territorio italiano, anche se
danno origine a guadagni e ricavi all’estero.
Ah! Nutella
Cosa ne sarebbe della Nutella
senza le preziose nocciole? Da
più di sessant’anni, quando il
patriarca piemontese e artigiano Pietro Ferrero (1898-1949)
fondò il primo nucleo pasticciere
che ha dato origine al potente e
moderno gruppo multinazionale,
le nocciole rappresentano la parte vitale della famosa e venerata
crema pronta da essere spalmata
come un burro su pane, biscotti
e perfino sulla pizza delle ultime generazioni. L’aumento ac-
cellerato della produzione, delle esportazioni e del consumo
di Nutella nel mondo ha fatto
decidere a Marco Ferrero di proteggersi contro la mancanza di
materia prima nel mercato e anche da eventuali speculazioni di
prezzi nel commercio.
Cosí il Gruppo Ferrero, uno
dei maggiori consumatori mondiali di nocciole (ne compra
gran parte dalla Turchia, equivalente al 70% della produzione
globale), ha deciso di acquisire
un’area coltivata di quasi 1800
ettari nella Repubblica ex-sovietica della Georgia, nel Caucaso,
oltre a territori con piantagioni
di nocciole in Cile. Il programma
di investimenti del gruppo, valutati in circa 10 milioni di euro, include anche la costruzione
di due nuove fabbriche e l’appoggio a progetti di modernizzazione nell’industria giorgiana
di trasformazione locale. Questi
valori sono considerati modesti
se paragonati agli investimenti annuali di circa 300 milioni
di euro che il gruppo applica
nell’modernizzazione della produzione e nello sviluppo di nuovi prodotti. Tutto per mantenere
vivo il successo di un prodotto
nato in un contesto di difficoltà economiche causate dalla
da matéria-prima no mercado e a
se proteger de eventuais especulações de preços no comércio.
Assim o Grupo Ferrero, um
dos maiores consumidores mundiais de avelãs (compra boa parte da Turquia, equivalente a 70%
da produção global), decidiu adquirir uma área cultivada de quase 1800 hectares na República
ex-soviética da Georgia, no Cáucaso, além dos territórios com
plantações de avelãs no Chile.
O programa de investimentos do
grupo, avaliados em torno de 10
milhões de euros, inclui também
a construção de dois novos estabelecimentos e o apoio a projetos de modernização junto à indústria georgiana de transformação local. Esses valores são considerados modestos se comparados com os investimentos anuais
de cerca de 300 milhões de euros
que o grupo faz na modernização da produção e no desenvolvimento de novos produtos. Tudo para manter vivo o sucesso de
um produto nascido em um contexto de dificuldades econômicas geradas pela Segunda Guerra
Mundial, a partir da genialidade
de um confeiteiro artesanal. Em
tempo: o nome Nutella é o resultado da fusão entre a expressão
“nut” (avelã em inglês) e o sufi-
xo italiano “ella”, para indicar os
objetos e nomes, com carinho,
na forma diminutiva.
No Brasil
Grande parte do sucesso da Ferrero deve-se ao Brasil. Isso mesmo. Desde que introduziu no
mercado o Kinder Ovo, em 1994,
a marca só cresce no país. Com a
imensa receptividade brasileira,
a empresa agregou outros produtos a sua linha. Em 1995, chegaram por aqui o bombom Ferrero
Rocher, as balas Tic Tac e o chocolate em barra Kinder Bueno.
Dois anos depois, a Ferrero
do Brasil iniciou a sua produção
em Poços de Caldas, em Minas
Gerais. O gerente-geral do braço brasileiro da empresa, Pietro
Cornero, explica que o local foi
escolhido por conta de uma combinação de vários fatores, entre
eles o micro-clima “ótimo para
ressaltar as características organolépticas dos produtos” e cercania, ou seja, lugares de produção
de várias matérias-primas.
Segundo Cornero, o perfil do
mercado nacional é estratégico
para o Grupo Ferrero:
— O Brasil é o mercado que
tem mais potencialidade de crescimento dentro da América Latina. Mesmo sendo hoje um mercado com menor valor agregado, confiamos no bom gosto dos
consumidores brasileiros que cada vez mais reconhecem o nosso
diferencial de qualidade.
No Brasil, além da Nutella outros
produtos fazem sucesso como o
chocolate em barra Kinder Bueno
In Brasile, oltre alla Nutella, altri
prodotti hanno successo come il
cioccolato Kinder Bueno
Seconda Guerra Mondiale, partendo dalla genialità di un pasticciere artigianale. E ancora: il
nome Nutella è il risultato della
fusione tra l’espressione “nut”
(nocciola in inglese) e il suffisso italiano “ella”, diminutivo
vezzeggiativo che può indicare
oggetti o nomi.
In Brasile
Gran parte del successo della
Ferrero si deve al Brasile. È proprio cosí: fin da quando ha introdotto nel mercato il Kinder
Ovo, nel 1994, la marca non fa
che crescere nel paese. Dovuto
all’immensa ricettività brasiliana
l’azienda ha aggiunto altri prodotti alla sua linea. Nel 1995 sono arrivati qui i cioccolatini Ferrero Rocher, le caramelle Tic-Tac
e il cioccolato Kinder Bueno.
Due anni dopo la Ferrero do
Brasil ha iniziato la sua produzione a Poços de Caldas, in Minas Gerais. Il gestore-generale
del ramo brasiliano dell’azienda, Pietro Cornero, spiega che
il luogo è stato scelto dovuto a
una combinazione di vari fattori, tra cui il micro-clima “ottimo
per mettere in risalto le caratteristiche organolettiche dei pro-
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/
dotti” e le vicinanze, ossia, luoghi di produzione di varie materie prime.
Secondo Cornero, il profilo
del mercato nazionale è strategico per il Gruppo Ferrero:
— Il Brasile è il mercato che
ha più potenzialità di crescita
all’interno dell’America Latina.
Anche se oggi è un mercato con
minore valore aggregato, abbiamo fiducia nel buongusto dei consumatori brasiliani affinché riconoscano sempre di più la nostra
qualità, che ci rende migliori.
La fabbrica brasiliana è responsabile della produzione
dei cioccolatini Ferrero Rocher,
Manderly e Ferrero De Luxe, oltre alla Nutella e alle uova di
Pasqua. Inoltre esporta prodotti
verso il mercato interno di paesi come Germania, Argentina,
Canada, Messico, Francia, Ecuador, Russia, Stati Uniti e anche
Italia. Nel 1994 erano 10 dipendenti. Oggi sono 700 tra i settori industriale e commerciale.
Senza citare numeri “per motivi
strategici”, Cornero dice che il
Brasile esporta il 35% della produzione globale.
— Visto che è un mercato
strategico, il Brasile è molto im-
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ROMA
capa
Lisomar Silva
A fábrica brasileira é responsável pela produção dos bombons Ferrero Rocher, Manderly e
Ferrero De Luxe, além da Nutella
e dos ovos de Páscoa. Atende
além do mercado interno, países
como Alemanha, Argentina, Canadá, México, França, Equador,
Rússia, Estados Unidos e até a
própria Itália. Em 1994, eram 10
funcionários. Hoje são 700 entre
os setores industrial e comercial.
Sem citar números, “por questões estratégicas”, Cornero afirma que o Brasil exporta 35% da
produção global.
— Por ser um mercado estratégico, o Brasil é muito importante para os futuros desenvolvimentos do Grupo, que possui
uma base expressiva nos mercados europeus e temos como prioridade o crescimento fora desta
região — explica o italiano, afirmando que, apesar da crise econômica mundial, “a marca continua crescendo e no Brasil cresce
mais que a média do Grupo”.
Sobre o prêmio que a marca
acaba de ganhar, Cornero afirma
que foi o reconhecimento, por
parte das pessoas, da filosofia da
empresa, “voltada ao respeito do
consumidor e de seus funcionários desde a sua fundação”.
— Estamos colhendo os frutos desta continuidade filosófica.
O exemplo vem do fundador do
Grupo, o senhor Michele Ferrero,
que sempre predicou esta filosofia e nos transformou em seus
“apóstolos”. Estamos orgulhosos
com este reconhecimento que
nos empolga a continuar trilhando este caminho — diz.
Com tanto reconhecimento, segundo Cornero, as expectativas da empresa, no que diz
respeito ao Brasil, “é continuar
crescendo a dois dígitos nos próximos anos mantendo um nível
de qualidade em sintonia com as
28
Pizza rigorosamente
Kascher
A
exigências do Grupo e no respeito absoluto ao consumidor”.
Ranking nacional
Dez empresas brasileiras também
aparecem na lista do Reputation Institute que indicou as 200
companhias de melhor reputação
entre os consumidores, em todo
o mundo. A Petrobras encabeça o
ranking nacional, tendo ficado na
4ª colocação global. Em seguida
vem a Sadia. A empresa ítalobrasileira que acabou de sofrer
uma fusão com a Perdigão ocupa
o 2º lugar na lista nacional e o
5º lugar na listagem global. As
outras brasileiras do ranking são:
Votorantim (20º), Vale (28º),
Gerdau (68º), Usiminas (84º),
Pão de Açúcar (113º), Banco do
Brasil (124º), CSN (180º) e Embraer (197º). No Brasil, os itens
de maior peso na reputação das
corporações são produtos e serviços e nível de governança, O
item cidadania, o terceiro mais
valorizado no mundo, ainda fica
atrás do ambiente de trabalho,
no Brasil.
ComunitàItaliana
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poucos passos da Piazza Venezia, caminhando em direção à Fontana di Trevi,
você encontra a melhor pizzaria take away com
sabores de dar água na boca. Michele e a esposa Cinzia preparam pizzas aos pedaços para serem comidas na hora, com sabores especiais e
massa bem cozida. Michele exibe na vitrine as
pizzas forradas com vegetais grelhados, peixe
fresco, verduras cozidas. Ele não mede esforços para mostrar a qualidade de seus produtos,
nem dá bola para a crise economica. Tem sempre um sorriso de simpatia para seus clientes.
Pizzaria da Michele - Via dell’Umiltà, 31.
A Ferrero iniciou a sua produção no
Brasil em 1997. A fábrica fica em Poços
de Caldas, Minas Gerais. Ao lado, o
gerente-geral do Brasil Pietro Cornero
Tradição judaica
La Ferrero ha iniziato la sua
produzione in Brasile nel 1997. La
fabbrica rimane a Poço de Caldas, in
Minas Gerais. Accanto, il gestoregenerale del Brasile, Pietro Corner
portante per i futuri sviluppi del
Gruppo che presenta un’espressiva base nei mercati europei e la
nostra priorità è la crescita al di
fuori di questa regione — spiega
l’italiano dicendo che, malgrado
la crisi economica mondiale, “la
marca continua a crescere e in
Brasile cresce di più che la media
del Gruppo”.
Riguardo al premio che la
marca ha appena vinto, Cornero
lo attribuisce al riconoscimento, da parte della gente, della filosofia dell’azienda, “rivolta al rispetto dei consumatori e
dei suoi dipendenti fin dalla sua
fondazione”.
— Stiamo cogliendo i frutti
di questa continuità filosofica.
L’esempio viene dal fondatore del
Gruppo, il signor Michele Ferrero,
che ha sempre predicato questa
filosofia e ci ha trasformati nei
suoi “apostoli”. Siamo orgogliosi
di questo riconoscimento che ci
dà animo a continuare seguendo
questo percorso — dice.
Con tanti riconoscimenti,
secondo Cornero, l’aspettativa
dell’azienda, per ciò che riguarda
il Brasile, “è di continuare a crescere due cifre nei prossimi anni
mantendendo un livello di qualità in sintonia con le esigenze del
Gruppo e nell’assoluto rispetto
dei consumatori”.
A
comunidade judaica em Roma é a
mais antiga da Europa Ocidental e
vive na capital praticamente há mais
de dois mil anos – Roma completou 2.762
anos. Os pratos mais tradicionais da gastronomia romana receberam uma forte influência da culinária judaica. Hoje, muitas das tradiçoes de origem kasher se mantêm vivas nas
preparações da culinária judaico-romana, espalhadas pelos cardápios de restaurantes re-
Ranking nazionale
Anche dieci aziende brasiliane appaiono nella lista del Reputation
Institute, che ha indicato le 200
compagnie di miglior reputazione
tra i consumatori in tutto il mondo. La Petrobras è al 1° posto nel
ranking nazionale e al 4° in quello mondiale. In seguito viene la
Sadia. L’azienda italo-brasliana,
che ha appena concluso una fusione con la Perdigão, occupa il
2° posto nel ranking nazionale e
il 5° in quello mondiale. Le altre
aziende brasiliane nella lista sono: Votorantim (20º), Vale (28º),
Gerdau (68º), Usiminas (84º),
Pão de Açúcar (113º), Banco do
Brasil (124º), CSN (180º) e Embraer (197º). In Brasile le voci di
maggior peso nella reputazione
delle corporazioni sono prodotti, servizi e livelli di governance.
La voce cittadinanza, la terza più
valorizzata nel mondo, in Brasile è arrivata dopo quella dell’ambiente di lavoro.
finados ou populares. Do café-da-manhã ao
jantar, pode-se apreciar a grande variedade
de sabores e aromas da cozinha judaica em
vários pontos da cidade. Aproveite sua viagem a Roma para experimentar comidinhas
muito saudáveis, preparadas segundo o rigor
das regras estabelecidas pelo Kasherut e ótimas para quem sofre de intolerância alimentar. Dizer Kascher ou Koscher, não importa:
as duas expressões têm o mesmo significado.
Almoço
O
s carciofi alla giudia são a marca registrada da cozinha judaico-romana. São
crocantes alcachofras fritas em azeite extravirgem em alta temperatura que vão bem
acompanhadas com um bom vinho e pão saidinho do forno. Todos os restaurantes propõem esta delícia que, mesmo frita, dá uma
sensação de leveza ao paladar. Prove-os no
restaurante Nonna Betta, incluído na denominação “chalavi” por servir pratos preparados com leite e queijos e pode propor também preparações com peixes. Importante: o
restaurante permanece
aberto durante o
mês de agosto,
período em
que muitos outros
locais
fecham
p a r a
as férias
de verão.
Nonna Betta - Via Portico
D’Ottavia, 16.
Café-da-manhã
C
omece seu passeio matinal pelo
mais antigo bairro judeu da Europa,
fazendo uma parada no Kosher Bistrot Caffè, que propõe também pratos de carne
para o almoço. Sente-se e prove, ao ar
livre, um capuccino preparado com leite
de soja (as regras Kasher vetam a aproximação e a mistura entre o leite e a carne nas preparações). Se quiser, você vai
encontrar um interessante cardápio para acompanhar um bom vinho de produção italiana ou estrangeira (cerca de 200
etiquetas), certificado pelas associações
rabínicas. Os mais gulosos vão adorar o
halva, um maravilhoso doce feito com
massa de sésamo, açúcar e baunilha. Kosher Bistrot Caffè - Via Santa Maria del
Pinato 68/69. Fechado aos sábados.
Lanches rápidos
C
hama-se MK Kosher. Oferece hamburgueres e sanduíches (em italiano se chamam
panini) à base de kebab. São preparados conforme os preceitos da cultura judaica e servidos no esquema fast food semelhante ao da
conhecida cadeia americana de alimentos. Lá
é possível comer também um delicioso filé de
bacalhau, sanduíches de vegetais e recheados
de felafel. Os doces são preparados sem leite. É
só dar uma caminhada nas redondezas da Fontana di Trevi para chegar lá e apreciar o cardápio que Izhac Nemni, proprietário da lanchonete, propõe a seus clientes. MK Kosher tem
outra lanchonete também na Via Santa Maria
del Pianto 64-65, nas proximidades de Portico
D’Ottavia. MK Kosher - Piazza dei Crociferi, 12.
Junho 2009
/
ComunitàItaliana
29
Tragédia
em alto mar
Queda de avião da Air France com 228 passageiros,
no Oceano Atlântico, leva comoção a diferentes nações
O
Sílvia Souza
dia 1º de junho interrompeu o clima festivo de
celebrações pelo Ano da
França no Brasil. O Airbus A330-200 da companhia Air
France, que fazia o voo AF 447,
decolou do Rio de Janeiro com
destino a Paris, mas desapareceu
no Oceano Atlântico. Dentre os
228 passageiros, dez italianos.
Vários deles vieram ao Brasil em
missão de solidariedade e iniciativas de cunho social que ligam
Brasil e Itália.
No voo estavam a responsável pelo Centro Internacional de
Orientação e Defesa da Mulher Estrangeira (Ciods), Angela Cristina
de Oliveira Silva e seu marido Enzo
Canelletti, da província de Veneza; a consultora da Agência de Desenvolvimento da Região da Emilia-Romagna (Ervet), de Bolonha,
Claudia Degli Esposti; o empreendedor do ramo de construção civil
de Villafranca (Verona), Agostino
Cordioli; o consultor empresarial
Alexander Paulitsch; o empreendedor do setor madeireiro Georg
Lercher e Georg Martiner, de origem brasileira – esses três eram
de Bolzano, província localizada
em Trentino-Alto Ádige.
Completam a lista o diretor da
associação Trentini nel Mondo, Rino Zandonai; o deputado de Trentino-Alto Ádige, Giovanni Battista
30
Lenzi e o prefeito da cidade de Canal San Bovo, Luigi Zortea.
Os amigos Paulitsch e Lercher
teriam viajado juntos. Já Martiner, adotado por uma família da
cidade italiana de Ortisei, teria
vindo ao Brasil visitar a terra natal. Cordioli teria vindo a negócios e Degli Esposti esteve no Paraná, onde participou, a convite
de uma delegação local, de uma
feira do setor têxtil.
Solidariedade
Segundo representantes do Ciods
na Itália, Angela Silva e Enzo Caneletti trabalhavam em uma causa que tinha como foco moradores de rua.
Enquanto isso, a região de
Trento, de onde vieram muitos
dos italianos que imigraram no
Sul do Brasil, perde três expoentes no trabalho para divulgar
ComunitàItaliana
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Junho 2009
a cultura local. Zadonai, Lenzi
e Zortea permaneceram dez dias
no país. De acordo com o Círculo Trentino de Curitiba, eles chegaram em São Paulo no dia 21
de maio e encontraram-se com o
cônsul Marco Marsilli. No estado,
visitaram ainda a cidade de Piracicaba.
Já no Paraná, o grupo participou de um almoço do Círculo,
no dia 24, e assinou com a Prefeitura de Piraquara um acordo
de gemellaggio entre o município
e o Valle Del Primiero (Trento).
O documento prevê um intercâmbio cultural e tecnológico entre
as áreas em questão. A imigração italiana em Piraquara data de
1878, com a chegada de 59 famílias do Valle Del Primiero, composto por oito cidades.
Em Piraquara, no distrito de
Colônia Imperial Santa Maria do
Novo Tirol da Boca Serra, os trentinos acompanharam a instalação
de uma agroindústria e participaram da criação de um roteiro turístico que passa pelo manancial
que abastece a região metropolitana de Curitiba – ambas iniciativas de cooperação Itália-Brasil. A
intensa programação fazia parte
das celebrações pelos 131 anos
da imigração trentina no Paraná.
De lá, o grupo formado por
Rino Zandonai, Giovanni Battista
Lenzi e Luigi Zortea foram a Santa Catarina. O objetivo da estada era a entrega de 22.375 euros
(cerca de 62 mil reais), arrecadados pela “Campanha de Solidariedade” promovida pelos trentinos para ajudar a população italiana do município de Gaspar, um
dos atingidos pelas enchentes de
novembro do ano passado. Parte do dinheiro será destinada à
construção de um centro de assistência a menores com problemas mentais e em condições psicológicas que podem determinar
alguma marginalização social.
O prefeito de Canal San Bovo, Luigi Zortea, ficou conhecido
na região trentina por ter promovido na cidade um programa
de incentivo à natalidade nos
anos 1990, em seu mandato anterior. O município registrava
taxas negativas de crescimento
demográfico havia 30 anos. Por
meio do programa, a prefeitura
doava cerca de 500 euros às famílias que tivessem mais de um
filho e a pessoas que se casavam
e decidiam viver na cidade. Em
2000, Zortea entregou prêmios
para algumas famílias que contribuíram com o sucesso do programa da prefeitura.
Antes de chegarem ao Rio
para pegar o avião com destino
a Paris, o grupo parou também
em Florianópolis, capital catarinense. Cicerone dos italianos, o
presidente do Círculo Trentino de
Curitiba, Ivanor Minatti, embarcou para a Itália assim que soube do desaparecimento do avião
em que estavam os compatriotas. O Círculo Trentino de Curitiba tem autorização para responder pela abertura dos processos
de pedido de cidadania das pessoas com ascendência em Trento
na circunscrição Paraná e Santa
Catarina. No Brasil, são atualmente 62 círculos da Associação
Trentinos no Mundo.
Caminho para italianos
Sem um único voo direto do Rio
de Janeiro para a Itália há anos,
a companhia aérea francesa é
muito utilizada por quem deseja
chegar à bota ou vir de lá para o
Rio. Em reportagem publicada na
edição 120 (junho de 2008), Comunità já apontava a dependência: para chegar a Roma ou Milão
é preciso se submeter a aterrissar, primeiramente, em alguns
países da Europa, a outra opção
é seguir para São Paulo, onde somente uma companhia nacional,
a TAM, oferece um voo diário de
ida e volta para Milão, cuja partida é do Aeroporto de Guarulhos,
em São Paulo.
A Air France, faz 14 vôos semanais para a Itália, a partir de
São Paulo e 10 do Rio de Janeiro,
Elizabeth Thomé/Prefeitura de Gaspar
atualidade
Luigi Zortea, Giovanni Lenzi e Rino Zandonai, que estiveram em Gaspar (SC), estavam no voo AF 447
subindo para 14 em alta temporada. Todos fazem escala em Paris.
A empresa estrangeira que lidera o ranking de voos diretos a
partir de diversas cidades do Brasil, inclusive o Rio de Janeiro, é
a portuguesa TAP. Pela companhia, é possível desembarcar no
Brasil, vindo da Itália, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo,
Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Natal, Recife e Salvador.
Brasileiros
Até o fechamento desta edição, a
Anac contabilizava 57 brasileiros
entre os passageiros do Airbus.
Entre eles estava o maestro Sílvio
Barbato, que foi diretor artístico
e regente da Orquestra Sinfônica
do Teatro Nacional. O maestro,
que mora no Rio de Janeiro, viajou para se apresentar na Ucrânia
e na Itália. Voltaria a Brasília para começar uma turnê: uma série
de concertos em homenagem ao
compositor Cláudio Santoro.
Compositor premiado, Barbato completou 50 anos em maio,
tem dois filhos e trabalhou no
Teatro Nacional por 12 anos, até
2006. A mais nova ópera dele,
Chagas estreou em Roma no ano
passado e estava prevista para
ser encenada no Brasil em outubro. Desde 2006, Barbato era diretor musical da Sala Palestrina,
na capital italiana, lugar sagrado
da música de concerto em Roma,
construída em 1650.
A cantora Juliana de Aquino
também viajou no 447. Ela voltava para a Alemanha, onde mora
há seis anos, depois de passar 20
dias de férias em Brasília. Atualmente, Juliana participava do
musical Wicked, em Stuttgart.
A Casa Imperial do Brasil também emitiu comunicado confirmando a presença do príncipe Pedro Luis de Orleans e Bragança, o
quarto na linha de sucessão caso
houvesse o sistema monarquista
no Brasil. Filho do príncipe Dom
Antonio, ele tinha 26 anos, era
formado em administração de empresas e morava em Luxemburgo.
Entre os brasileiros do voo
estavam ainda o recém-empossado presidente da Michelin para a América do Sul, Luís Roberto
Anastácio, e o advogado e chefe
de gabinete do prefeito do Rio,
Marcelo Parente.
Junho 2009
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Pane elétrica e raios
Segundo a Agência Nacional de
Aviação Civil (Anac), a Direção
de Aviação Civil Francesa informou que o Airbus francês iniciou
suas operações na empresa Air
France em abril de 2005 e possui
a mais de 18 mil horas de vôo.
A última visita em manutenção de hangar da aeronave desaparecida ocorreu em 16 de abril
de 2009. De acordo com a Air
France, o comandante do avião
já tinha efetuado 1.300 horas de
voo em Airbus A330 e A340. O
alto comando da empresa divulgou que entre as hipóteses para o
acidente estão a possibilidade de
a aeronave ter sido atingida por
um raio ou ter sofrido uma “falha elétrica”, após ter entrado em
uma zona de forte turbulência.
Com previsão de aterrissagem
no Aeroporto Internacional
Charles de Gaulle para às
6h10min, o Airbus teria
desaparecido por volta
das 3h, ainda dentro
do espaço aéreo brasileiro.
ComunitàItaliana
31
atualidade
atualidade
Ansa
Terra das
provações
U
Sílvia Souza
32
gados. O maior acampamento recebeu cinco mil pessoas — informa Marchetti, à Comunità,
por telefone.
Na época do terremoto, ele
estava na região por conta do feriado da Páscoa. Diante da tragédia, permaneceu na Itália, na
casa dos filhos em Avezzano, que
dista 40 quilômetros do epicentro do abalo. Até o primeiro dia
deste mês, ele já havia adiado
em três vezes a volta ao Brasil,
onde mora, em São Paulo.
— Tenho que voltar, mas fico
pensando nas pessoas aqui, em
como elas ficarão. Ontem mesmo (dia 26 de maio) estive em
L’Aquila para conversar com representantes da sociedade. Pergunto-me o que posso fazer para minimizar os danos que meus
conterrâneos sofreram. O que está ao meu alcance é passar algum tempo com eles, ouvir seus
desabafos e confortá-los, então
farei isso — assinala.
Para Marchetti, a iniciativa de realizar a reunião do G-8
(grupo dos sete países mais industrializados do mundo, mais a
Rússia) em L’Aquila já tem surtido efeito.
— Montaram um hospital com
capacidade para receber 150 pessoas e vieram comissões governamentais para avaliar o local. A
ComunitàItaliana
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Junho 2009
ideia do premier Berlusconi de que
cada nação se comprometa com
uma parte atingida parece estar
dando certo. Onna, por exemplo,
já foi apadrinhada pela Alemanha.
E chegaram notícias de que a Espanha escolheu alguns monumentos para reconstruir — aponta.
Essas informações não foram
confirmadas pelo governo, que
tem mantido o planejamento do
encontro das autoridades, entre
8 a 10 de julho, sob sigilo por
questões de segurança. No último fim de semana de maio, o
primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, foi a L’Aquila para
a reabertura de algumas alas no
hospital San Salvatore, desativado após o tremor. Na ocasião, ele
falou à imprensa:
— A esperança é que até o
final de novembro não existam
mais tendas. Porém, o trabalho
da Proteção Civil está funcionando muito bem. Agora, teremos 247 leitos, mais do que as
exigências reais. O importante
é que os habitantes de L’Aquila
poderão permanecer aqui para se
curar sem ter que ir para outros
lugares — disse o premier, completando — O governo está organizando uma série de férias no
mar Adriático e cruzeiros no Mediterrâneo, nos quais serão enviadas algumas das famílias que
Mudança da sede da reunião do G-8 levanta suspeitas a respeito das
verdadeiras intenções de se realizar o evento em Abruzzo
R
Depois do frio e da chuva, em meio a tendas para desabrigados, moradores da região
abalada pelo terremoto de abril resistem ao calor e às promessas de reconstrução
m teste de paciência. Assim tem sido a vida das
pessoas que residem em
Abruzzo e mais especificamente em L’Aquila e Onna. Enquanto tentam reorganizar seu
dia-a-dia nos acampamentos erguidos para os desabrigados pelo
terremoto de 5,8 graus na escala Richter que devastou a região,
em abril, aguardam as definições
do governo e da perícia para a reconstrução de seu patrimônio. No
mês que vem, L’Aquila será a sede
da reunião do G-8, que se encontra sob a presidência da Itália.
Segundo as autoridades locais, cerca de 60 mil pessoas ainda estão sem residência, hospedadas em acampamentos nas próprias áreas atingidas ou em hotéis no litoral da região. E depois
de enfrentar, entre abril e maio,
um clima frio e chuvoso, o incômodo da vez para os abruzzesi
tem sido o calor, conforme relata o empresário Franco Marchetti,
presidente da Federação das Associações dos Abruzzesi no Brasil
(Feabra), que tem acompanhado
de perto a evolução do caso.
— Nas barracas, as pessoas enfrentam uma sensação térmica de 50 graus Celsius. A administração pública transferiu
seus postos para contêineres. Em
L’Aquila ainda há muitos desabri-
Perguntar
não ofende
ficaram desabrigadas após o terremoto. É preciso lembrar que as
pessoas nas tendas estão lá por
vontade própria, porque querem
ficar perto das suas casas.
Enquanto isso, o ministro do
Interior da Itália, Roberto Maroni, propôs aos países que fazem
parte da União Europeia (UE)
voltar a controlar o tráfego de
cidadãos que passam por suas
fronteiras entre os dias 18 de junho e 15 de julho, período entre
a preparação e o término do G-8.
Doações continuam
Os esforços de reconstrução da
zona atingida pelo terremoto
têm mobilizado diferentes segmentos. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, anunciou que a Europa destinará 480 milhões de euros para
ajudar a região italiana de Abruzzo. O líder esteve em Coppito,
perto de L’Aquila, acompanhado
de Berlusconi, para uma visita.
Os bispos italianos também
apresentaram sua doação durante
a 59ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI).
De acordo com o núncio apostólico (espécie de embaixador) Giuseppe Bertello serão cerca de 10
mil euros. O montante é produto
da renúncia ao tradicional jantar
da Assembleia de Bispos.
ecentemente o governo
italiano decidiu mudar o
lugar destinado ao encontro do G-8, que acontecerá
no próximo mês. Previsto desde o
governo anterior de Romano Prodi para ser realizado na belíssima
ilha La Maddalena, na Sardenha,
agora acontecerá em L’Aquila, cidade atingida pelo terremoto, na
região de Abruzzo. O premier Silvio Berlusconi justificou a transferência sob a alegação que os
220 milhões de euros que seriam
usados para a segurança dos chefes de estado na ilha, serão destinados à reconstrução da cidade.
Até aí, tudo certo. Porém, o
que acontecerá com os cerca de
300 milhões de euros já investidos na ilha por conta do encontro? Grandes construções e reformas estão em fase de conclusão:
dois hotéis destinados a hospedar
os chefes de estados e suas delegações (132 milhões de euros), o
centro de convenções (58 milhões
de euros) e o calçadão da beiramar (42 milhões de euros). E o
que será da sala de imprensa que
custou aos cofres públicos 26 milhões de euros? Assim, muitos têm
se perguntado o que, na verdade,
poderia estar por trás dessa repentina mudança de sede do G-8.
O evento, por motivos de
segurança, é protegido pelo segredo de estado. As tais obras se
transformaram em um problema
ambiental e econômico. A Comissão Européia, já no ano passado,
fez duas reclamações contra a
Itália porque o país não respei-
Janaína César
Correspondente • Treviso
tou as normas do continente sobre impacto ambiental antes de
iniciar os canteiros e o ROS (Reagrupamento Operacional Especial
dos Carabinieri) está investigando o critério de seleção das cinco
empresas que estão trabalhando
nas obras, uma vez que não participaram a uma concorrência pública para serem selecionadas.
As suspeitas do ROS são fundadas em fatos. Primeiro porque
a maior fatia dos 300 milhões de
euros (117 milhões) foi destinada à empresa de construção civil
Anemone Costruzioni di Grottaferrata que declara ter somente
26 empregados. Recentemente,
a revista Expresso denunciou,
em uma detalhada reportagem,
a existência de uma relação entre a empresa e Angelo Balducci,
braço operacional da Proteção
Civil e hoje presidente do Conselho Superior de Obras Públicas.
De fato, a mulher de Balducci é
sócia de Vanessa Pascucci na Erretifilm. Vanessa, por sua vez, é
proprietária da empresa Redim
2002 e sócia da Arsenale scarl,
sociedade constituída especialmente para os trabalhos do G8.
Além disso, o segundo maior pedaço da torta, isto é, 59 milhões
de euros destinados à construção
de um dos dois hotéis, foi designado à empresa Gia.Fi., de Valério Carducci, um dos personagens
chave do processo que ficou
conhecido como “Why not”, que
investigou também o ex-ministro
da justiça Clemente Mastella.
Ao lado, o projeto do complexo do
G8, na Sardenha. Abaixo, o Prédio das
Convenções, obras quase finalizadas
Junho 2009
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Porém, não é tudo. Balducci é
especialista em contratos de urgência destinados à Proteção Civil e era um dos responsáveis pelas obras do G-8. Isso até o dia 13
de junho do ano passado, quando
Berlusconi, através de uma ordem, o substituiu pelo engenheiro Fabio De Santis. No mesmo
documento, o primeiro-ministro
pedia ao Chefe da Proteção Civil
Guido Bertolaso, comissário delegado para o G-8, que “formasse
uma comissão de garantia com
três especialistas que certificassem a adequada atividade das intervenções de infraestrutura em
relação a congruência dos atos
negociados”, em outras palavras,
que se verificasse o correto uso
do dinheiro público.
Tudo isso sem contar que, segundo dados da Proteção Civil, o
valor inicial destinado ao G-8 era
de 308 milhões e 619 mil euros.
Porém, o montante chegou a 377
milhões e 500 mil, praticamente
54 milhões e 500 mil euros a mais
do que o inicialmente previsto.
Foi Bertosalo quem sugeriu ao primeiro-ministro a mudança do encontro para a região do Abruzzo.
Fato que ele mesmo confirmou em
entrevista ao Expresso: “Serei um
hipócrita se dissesse que não tive
uma certa influência”.
Berlusconi garantiu que todas
as obras serão concluídas. Porém
a Proteção Civil já informou que
não completará o asfalto das ruas
e a jardinagem. Com isso, economizará cerca de 50 milhões de
euros, dinheiro previsto para ser
destinado a L’Aquila. Além disso,
até agora, não apareceu grupo
interessado em assumir a gestão
de um dos dois hotéis construídos
na ilha. Pelo menos, ninguém se
apresentou na concorrência pública aberta pela Proteção Civil. Para
recuperar o dinheiro já investido,
o Estado ou a região da Sardenha
deverão alugar o hotel a um empresário que deverá cobrar 1000
euros pela diária. Por enquanto,
essas obras correm o risco de se
transformar em “elefantes brancos” no meio da natureza.
ComunitàItaliana
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uteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSalut
Vacina
brasileira
Instituto Butantã produzirá antídoto contra
a gripe suína que se alastra pelo mundo
Nayra garofle
É
bem verdade que, no mundo moderno, uma gripe é só
uma gripe. Entretanto, algo mais devastador do que
uma simples “virose” vem despertando, nos últimos dois meses,
temores de uma nova pandemia.
Uma variação do vírus influenza,
o (H1N1), surgiu e já contaminou
mais de 11 mil pessoas, além de
ter matado cerca de 85, em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) autorizou a
pesquisa de uma vacina contra a
chamada “gripe suína”, mas há
um porém: os grandes laboratórios se dizem sem condições de
produzir, simultaneamente, a nova vacina e as já existentes.
Isso porque, como o vírus da
gripe tem uma natureza mutante,
dois tipos não podem ser manipulados ao mesmo tempo, já que
poderiam se recombinar e formar
um vírus ainda pior. O Brasil, contudo, vai tentar produzir a nova
vacina, no Instituto Butantã.
A proposta inicial seria produzir 100 mil doses, mas o total
34
ComunitàItaliana
pode chegar a 1 milhão se o vírus se espalhar no país. Em maio,
o secretário-geral da Organização
das Nações Unidas, Ban Ki-moon,
promoveu uma reunião em Genebra para montar uma estratégia
de produção da vacina contra o
vírus A (H1N1). O Instituto Butantã - centro de pesquisa biomédica vinculado à secretaria da
Saúde do governo do Estado de
São Paulo - foi um dos poucos
convidados a participar. A reunião mostrou que não há acordo sobre como entregar as vacinas aos países pobres nem quais
seriam os preços. Porém, as empresas dos países em desenvolvimento se comprometeram em
ajudar a formar estoques de vacinas na ONU. Já as multinacionais
mantiveram seus planos em sigilo. Agora, o ministério da Saúde
do Brasil vai orientar os trabalhos do Instituto Butantã.
— São pouquíssimos países
ricos que detêm os direitos sobre a produção e tecnologia dos
avanços na medicina. O Brasil está entre eles — defendeu o ministro brasileiro da Saúde, José
Gomes Temporão, na abertura da
62ª assembleia da Organização
Mundial de Saúde (OMS), também em Genebra.
O México foi o primeiro país
a dar sinal do ataque do vírus.
Uma mulher de 39 anos foi internada com insuficiência respiratória aguda e diarréia severa. Cinco
dias depois, ela morreu. Em seguida, dezenas de casos similares surgiram ao mesmo tempo, a
maioria na Cidade do México, a
capital do país. Autoridades mexicanas alertaram a OMS e enviaram amostras de secreções dos
pacientes ao Centro de Controle
Até o fim de maio, 103 pessoas
morreram em todo o mundo
em decorrência da gripe
/
Junho 2009
de Doenças (CDC), em Atlanta,
responsável pela vigilância epidemiológica nos Estados Unidos.
Lá se identificou o agressor: um
vírus tipo A, subtipo H1N1, da
mesma família da Gripe Espanhola, como ficou conhecida a pandemia de 1918.
Até o final de maio, os dados
oficiais da OMS informavam que
103 pessoas, em todo o mundo,
já haviam morrido vítimas da influenza A (H1N1). Um total de
50 países registraram 15.345 casos da doença. No México foram
4.910 doentes e 89 mortos. Nos
Estados Unidos, 7.927 pessoas foram infectadas e onze morreram
por conta do vírus. No Brasil, 14
casos foram confirmados sem, porém, registro de óbito. Na Itália,
23 pessoas pegaram a doença.
O médico infectologista do
Hospital Universitário Clementino
Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Alberto Chebabo, faz um alerta para as pessoas tentarem se prevenir contra
uma possível contaminação.
— Lavar as mãos é sempre
muito importante, já que o vírus se instala em qualquer superfície, em mesas e maçanetas,
por exemplo. O vírus só penetra
através da mucosa, então, mesmo
que você tenha contato com ele e
lave as mãos, não vai se infectar.
Os sintomas são os mesmos de
uma gripe comum: febre alta, dor
de cabeça, tosse, coriza e muita
dor no corpo. Porém, se você não
teve contato direto com pessoas
que vieram de países onde o vírus
se disseminou não é preciso tanta preocupação — explica.
Depois da suspeita, o diagnóstico é realizado através de exames
nos quais os médicos colhem a secreção nasal. No Brasil, os casos
suspeitos são tratados com internação para evitar a disseminação
da doença e avaliar a evolução do
quadro. Segundo o infectologista,
o antiviral utilizado no hospital é
o oseltamivir, que é o princípio
ativo do remédio cujo nome comercial é Tamiflur.
De acordo com Chebabo, parte do material genético do vírus
circula em porcos. Todavia, os
animais infectados foram contaminados através de seus criadores. Não é necessário evitar comer carne suína uma vez que o
vírus não sobrevive à alta temperatura que o alimento é submetido ao ser preparado.
Asma
P
Nicotina
Q
uanto mais escura a pele, maior a absorção de nicotina. Pesquisadores do estudo publicado na revista Pharmacology, Biochemistry and Behavior dizem que é possível
que a nicotina no tabaco se ligue à melanina,
composto que dá cor à pele. A pesquisa pode
esclarecer o porquê de algumas pessoas serem aparentemente mais afetadas pela nicotina do que outras. Cientistas da Universidade
Penn State, nos Estados Unidos, examinaram
150 fumantes afro-americanos. Eles mediram
os níveis de melanina e cotinina, um subproduto da nicotina. Eles também fizeram algumas perguntas aos voluntários, para avaliar o
quão forte era o hábito de fumar em cada um.
Descobriu-se que as pessoas com mais melanina fumavam mais e tinham mais cotinina
em seu sistema, além de um maior nível de
dependência ao tabaco.
ode existir uma ligação entre a deficiência de vitamina D e a severidade da asma e dos sintomas respiratórios em crianças.
A pesquisa foi realizada na Costa Rica e acompanhou mais de 600 crianças que vivem em
uma região com altos índices de problemas
respiratórios. Elas tiveram amostras de sangue retiradas para dosagem de marcadores de
resposta inflamatória e níveis de vitamina D,
além de testes de função respiratória. Aquelas
que tinham menores valores de vitamina D no
sangue apresentavam maior reatividade dos
brônquios e os marcadores de alergia estavam
elevados, inclusive a sensibilidade à poeira.
A vitamina D não é ingerida, mas produzida
no corpo. A ingestão de vitaminas através de
alimentos reforçados e de fontes naturais traz
uma pequena parte da quantidade necessária.
A exposição à luz solar entra como fator importante nesse processo.
Nozes, amêndoas
e avelã
S
ão ricas em vitamina E, selênio e zinco, que retardam o envelhecimento
celular. Um trabalho da Universidade Loma Linda, nos Estados Unidos, relacionou seu consumo ao baixo risco de obesidade e doenças coronárias.
Para eliminar gordura
U
ma pesquisa do Instituto de Medicina
Social da Universidade Federal do Rio Janeiro, publicada no Journal of Nutrition, mostrou que as mulheres que comeram três pêras
por dia durante 12 semanas consumiram menos calorias e perderam mais peso do que as
que não ingeriram nenhuma fruta. O estudo
foi feito com 411 voluntárias entre 30 e 50
anos. A pera tem a grande vantagem de ser
bem fibrosa. Concentra, em média, 3 gramas
de fibras totais por 100 gramas - quase o dobro da maçã, que fornece 1,6 grama, afirma
a nutricionista Tânia Rodrigues, diretora da
RGNutri Consultoria Nutricional, de São Paulo.
Além disso, o consumo de uma unidade representa 12% da necessidade diária de fibras,
que é de aproximadamente 25 gramas por dia.
Ela também é grande fonte de fibras insolúveis, que estão relacionadas à prevenção de
prisão de ventre e de doenças como diverticulite e câncer de cólon, completa Tânia.
Peixes
Obesidade
na gravidez
S
egundo uma pesquisa feita na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, as mulheres obesas ou acima
do peso, quando engravidam, correm risco maior de ter um trabalho de parto demorado. Isso pode trazer problemas para
o feto e aumentar a necessidade de um
parto por cesariana. O estudo demonstrou
que o trabalho de parto das mulheres obesas dura em média 30% mais do que o das
mulheres com peso normal. A gravidez de
uma mulher com excesso de peso traz não
só um aumento dos problemas típicos da
gravidez como também aumenta a chance
da ocorrência de doenças como diabetes
gestacional e pré-eclâmpsia.
Junho 2009
O
ômega-3 presente nos peixes é essencial para o sistema nervoso e o coração.
Um estudo de 2009 feito pela Clínica Cleveland (EUA) mostrou que ele diminui os
triglicérides e melhora a coagulação e a pressão sanguínea.
/
ComunitàItaliana
35
religione
“L’angelo
buono” è
venerabile
Con la vita segnata dalla dedicazione verso i poveri ed i malati,
Madre Teresa del Brasile, Irmã Dulce, sta a un passo dal divenire santa
P
Sílvia Souza
iccolina e con un aspetto fragile, rivelava col suo
sguardo una forte personalità. Autrice di frasi come “la miseria è mancanza
d’amore fra gli uomini” e “il mio
partito è la povertà”, lavorò quasi 70 anni per gli esclusi, e conquistò uno spazio fra i fedeli cattolici brasiliani. Adesso Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes,
più conosciuta come Irmã Dulce,
può diventare la prima santa brasiliana nata in territorio nazionale. Santa Paulina, canonizzata
nel 2002, era di Vigolo Vattaro
(Trento), in Italia.
36
Conosciuta come Madre Teresa del Brasile, Irmã Dulce ha
avuto riconosciute le sue eroiche
virtù da Papa Benedetto XVI in
aprile. In questa fase, la serva
di Dio Dulce Lopes Pontes, suora della Congregazione delle Irmãs Missionárias da Imaculada
Conceição da Mãe de Deus, viene
considerata “venerabile” perché
“ha dedicato la sua vita ad azioni di fede, speranza e carità”.
Secondo padre Paulo Lombardi, postulatore nella causa di
beatificazione di Irmã Dulce, il
processo – iniziato nel gennaio
del 2000 – è in fase di conferma
ComunitàItaliana
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Junho 2009
di un miracolo che la religiosa
avrebbe fatto ad Aracaju.
— È un evento straordinario,
una grande conquista. Dobbiamo
aspettare il lavoro della commissione vaticana, ma la beatificazione è prossima — esulta.
Coordinatore del Memorial Irmã Dulce, vincolato alle Obras
Sociais Irmã Dulce (OSID), con
sede a Salvador (BA), il museologo Oswaldo Gouveia lavora dal
marzo 1993 direttamente sui resoconti e le scoperte sulla vita
della religiosa. Secondo lui la
commemorazione per questa fase di riconoscimento delle azio-
ni della sorella aiuta a diffondere
l’immagine e il concetto di patrimonio evocati dalla storia della
candidata a santa.
— Sfortunatamente non ho
avuto l’opportunità di conoscere
personalmente la Irmã, ma come
tutti i baiani riconoscevo la sua
importanza all’interno del contesto sociale nel quale ha sempre
lavorato. Le caratteristiche più
importanti della sua storia sono
la determinazione, lo spirito ostinato e battagliero — afferma il
ricercatore — La nostra lotta nella OSID è perché quello che lei ha
fatto continui a dare frutti e, nel
caso del Memorial, per poter riscattare e costruire l’identità del
simbolo di solidarietà che Irmã
Dulce ha propagato nei suoi atti.
re il Serviço de Alimentação do
Comerciário (SAC), servendo il
pranzo a prezzi popolari (2 “tostões”, all’epoca), nel palazzo
del Círculo Operário della Bahia.
Il primo incontro con Papa Giovanni Paolo II avvenne
nel 1980 ed il nuovo ospedale
Sant’Antonio, con 400 letti, fu
inaugurato nel 1983. Indicata,
nel 1988, dall’allora presidente
del Brasile, José Sarney, al premio Nobel per la Pace, Irmã Dulce terminò il 1990 ricoverata per
problemi respiratori e ricevette al suo letto, nell’ottobre del
1991, Papa Giovanni Paolo II per
l’ultima volta. Morì a 77 anni il
13 marzo 1992. Nel 2000 i suoi
resti mortali sono stati trasportati nella cappella del Convento
Santo Antônio, con le Obras Sociais Irmã Dulce.
Holding sociale
Ente filantropico non profit, la
OSID festeggia i suoi 50 anni nel
2009 ed è riconosciuta come una
istituzione di pubblica utilità
nell’ambito municipale, statale e
federale. È una specie di ‘holding
sociale’ formata da 15 nuclei che
prestano assistenza alla popolazione a basso reddito nell’area
della Salute, dell’Assistenza Sociale e dell’ Educazione, e si dedica anche alla ricerca scientifica, all’Insegnamento Medico e
alla conservazione e diffusione
della storia di Irmã Dulce.
I nuclei di Salute contano su
1.009 letti per l’assistenza a patologie cliniche e chirurgiche,
Processo di beatificazione
È
diviso in cinque fasi, e non è fissato nessun termine per la
relazione finale.
1) Fase Diocesana – Avviene nella diocesi dove è morto il candidato. In questa fase sono nominati il postulante e la commissione
storica che comincia col riunire i testimoni.
2) Fase Romana - I documenti sono inviati in Vaticano, dove saranno esaminati dalla Congregazione delle Cause dei Santi. Raggiunta questa tappa viene nominato un relatore.
3) La Positio – È il documento che riassume la vita e le testimonianze sulle virtù del candidato. Su questa base, la congregazione
emette il suo giudizio sotto il punto di vista storico e teologico.
Nel caso sia approvato, il candidato diventa venerabile.
4) Beatificazione – Per essere riconosciuto come beato, il venerabile deve aver fatto un miracolo che risponda alle condizioni di
istantaneità (avvenuto subito dopo la richiesta), perfezione (avvenuto completamente), durabilità (che sia permanente) e che
sia preternaturale (la scienza non lo sa spiegare).
5) Canonizzazione – Avviene con la conferma di un secondo miracolo. A questo punto il beato diventa santo.
Divulgação OSID
Vita donata ai poveri
Con la vita segnata dalle preghiere e dal donarsi ai bisognosi, l’Angelo Buono di Bahia, come era anche chiamata, lavorò
a Salvador, capitale dello stato.
Era figlia del dentista Augusto
Lopes Pontes e della casalinga
Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, e aveva due fratelli. La sua vocazione sarebbe cominciata quando aveva 13 anni,
quando già accoglieva i malati
sulla porta di casa, nel quartiere Nazaré. Ma è stato nel 1933,
quando aveva 19 anni, che Maria Rita ricevette l’abito delle Irmãs Missionárias da Imaculada
Conceição da Mãe de Deus, e in
omaggio alla madre cambiò il nome in Irmã Dulce.
Prodigandosi su diversi fronti, la religiosa insegnava Geografia e Storia nel Colégio Santa Bernardete, che apparteneva
alla sua Congregazione. Dovuto
al contatto con le famiglie degli
operai, fondò una biblioteca e
la União Operária São Francisco,
prima organizzazione operaia
cattolica della Bahia, che diventò il Círculo Operário da Bahia.
Installatasi nel Convento
Santo Antonio nel 1947, Irmã
Dulce occupò il pollaio accanto
al convento con i primi 70 malati. Fu così che nacque la storia che la Serva de Deus aveva
costruito il più grande ospedale della Bahia, partendo da un
semplice pollaio.
Fu sempre lei a inaugurare
il Cine Teatro Roma e ha crea-
e 33 specializzazioni ambulatoriali. Il nucleo dell’Educação
Fundamental e Profissionalizante, Centro Educacional Santo
Antônio (CESA), ha offerto nel
2005 a 718 alunni la formazione nell’insegnamento di base e
professionale. Nelle Obras lavorano 2.661 professionisti, divisi
in 2.291 medici fissi e 370 medici, tra cui fisioterapisti, dentisti e fonoaudiologi, con contratto a termine.
Inoltre, secondo i dati del
2005, le Obras hanno realizzato quell’anno 2.700.000 visite
ad iscritti del SUS, ad anziani, a
portatori di handicap e di deformità craniofacciali, pazienti sociali, bambini e ad adolescenti a
rischio sociale.
Memoriale
Inaugurato nel 1993, un anno
dopo la morte della suora, il Memorial de Irmã Dulce (MID) riceve circa 20.000 visite all’anno.
Custodisce l’abito che lei portava, fotografie, documenti e oggetti personali. In uno spazio
che occupa due piani, situato in
un palazzo annesso al Convento
Junho 2009
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di Sant’Antonio, nella sede della
OSID, si trovano in totale quasi novemila pezzi; la collezione
fa così conoscere al visitatore le
sfumature della fede, dell’avanguardia e del coraggio di vita del
chiamato “Anjo Bom”.
Il memoriale custodisce integralmente la stanza di Irmã Dulce, dove si trova la sedia sulla quale ha dormito per più di
trent’anni, a causa di un fioretto. Altri fatti importanti della
vita della religiosa sono ricordati attraverso bozzetti, libri, diplomi e medaglie. Fra gli oggetti
della collezione c’è l’immagine
di Sant’Antonio del XVIII secolo che apparteneva alla famiglia
di Irmã Dulce, davanti alla quale
lei pregava sempre. Si racconta
che davanti a questa immagine
la piccola Maria Rita, a nove anni, ricevette la chiamata per la
vita religiosa.
Sulla tomba della suora, che
si trova nella Capela Santo Antônio, annessa al Memoriale, dozzine di ex-voto sono lasciati tutti i
giorni , con il racconto delle grazie ottenute per intercessione di
Irmã Dulce.
ComunitàItaliana
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restauração
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Com selo
italiano
Prefeitura de Manaus fecha parceria com
Cooperativa Archeologia, da Toscana, para formação
de restauradores. Aulas começam em agosto
Sílvia Souza
Ele conta que a prefeitura de
Manaus “chegou” à Itália para resolver essa questão por intermédio
de Luca Senesi, do Instituto Itália
Brasil, no ano passado. O Instituto
tem como objetivo divulgar a cultura italiana em Manaus.
— Os italianos são os melhores do mundo nesse serviço
e acreditamos que outras construções nossas serão beneficiadas com essa parceria — explica Seyssel — Vamos investir na
formação da base, das pessoas
que trabalham diretamente com
a restauração. São mestres de
obras, pedreiros e gesseiros que
colocam a mão na massa e precisam ser treinados para manusear cuidadosamente esse tipo de
material. Afinal, uma restauração
não é igual a uma obra nova.
Ainda segundo Seyssel, os interessados em participar do curso devem encaminhar seus currículos à prefeitura. Em março,
ComunitàItaliana
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Junho 2009
um projeto-piloto reuniu 35 profissionais da construção civil. Na
ocasião, o diretor comercial da
cooperativa, Fábio Faggella, e o
prefeito da cidade de Pelago, na
região metropolitana de Florença,
Marcello Ulivileri, conheceram detalhes do projeto da oficina-esco-
la cujos cursos terão duração de
220 horas, sendo 180 destinadas
às práticas de restauração.
A busca pela Cooperativa se
deve a um currículo que inclui a
recuperação de mais de 900 patrimônios históricos em 11 países, como China, Rússia e Grécia.
Há 30 anos no mercado, o grupo
emprega mais de 200 profissionais e tem em sua lista de restauro a recente recuperação da
Torre de Pisa, o monumento mais
famoso da cidade, localizado na
região da Toscana. O diretor comercial da Cooperativa Archeologia, Fábio Faggella, sabe que
a Itália ostenta um patrimônio
considerável a ser preservado.
— Os templos subterrâneos,
localizados na região da Sicília, no
sul da Itália, construídos cinco séculos antes de Cristo, representam
uma das obras mais incríveis que
restauramos — aponta Faggella.
Restauração em alta
Levantamentos preliminares dos
envolvidos no acordo indicam que
em Manaus há pelo menos 1,6 mil
imóveis de interesse de preservação. O curso oferecido pela Cooperativa Archeologia e o Sebrae será
dividido em três níveis – básico,
intermediário e avançado. O módulo avançado será delineado ao
longo de três anos. Ainda poderá
ser criado um curso de nível superior, com duração de cinco anos,
para a formação de restauradores.
— Formaremos profissionais
que conheçam as técnicas de
restauro porque esse é um mercado promissor. Vamos incentivar inclusive a abertura de empresas especializadas nesse tipo
de trabalho — destaca o gerente
de Planejamento do Sebrae/Am,
Vicente Schettini.
Fotos: Israel Carvalho
A
experiência italiana no
campo da restauração de
obras consideradas verdadeiros patrimônios históricos está fazendo escola no
Brasil. Mais precisamente no
Amazonas. Uma parceria entre a
prefeitura de Manaus, a Cooperativa Archeologia, da Toscana, e
o Serviço Brasileiro de Apoio às
Pequenas Empresas (Sebrae) oferecerá, a partir de agosto, cursos
para profissionais interessados
em trabalhar na recuperação de
imóveis centenários.
A primeira oficina-escola do
projeto se destina à formação de
mão-de-obra especializada. O foco são as obras do Mercado Municipal Adolpho Lisboa e do Paço Municipal, construídos entre
1874 e 1883. O trabalho está paralisado desde março, quando a
administração pública rompeu o
contrato com a empresa que havia ganhado a licitação para fazer a restauração.
Além de ministrar o curso, a
Cooperativa pode vir a ser contratada pela prefeitura para dar continuidade à própria obra cujo orçamento é de 6 milhões de reais.
De acordo com o subsecretario municipal de Cultura, Renato Seyssel,
para o contrato ser firmado com o
grupo italiano falta o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (Ipham):
— A empresa contratada pela
administração passada fez medições equivocadas do prédio e não
comprovou capacidade técnica.
Por isso, as obras foram embargadas pelo Iphan — explica Seyssel.
depoimentos / 15 anos
“A Associação Brasileira de Imprensa tem fortes razões para
dirigir a você (Pietro Petraglia) e aos demais integrantes da
revista ComunitàItaliana uma saudação muito especial pela
passagem do 15º aniversário da publicação, que tem
dado mostras da alta qualificação de seu corpo editorial, tanto no que se refere à definição da pauta,
como à elaboração das reportagens e textos em geral e sua incorporação ao corpo da publicação, que
apresenta bela produção visual. É também motivo
de registro pela Associação Brasileira de Imprensa a
contribuição que ComunitàItaliana vem oferecendo
há uma década e meia ao conhecimento da vida da
Itália pelo público brasileiro que tem acesso à publicação, difundindo entre nós informações preciosas
sobre os diferentes e ricos aspectos de um país tão
querido por nosso povo. Com isso, a revista promove crescente aproximação entre os povos da Itália e do Brasil e, assim,
contribui para um intercâmbio cada vez mais fecundo entre
os dois países, em inúmeros campos, e também para a causa
da amizade e da paz entre os povos. Receba, pois, caro Pietro
Petraglia, que nos honra com sua vinculação ao quadro social
da ABI, as nossas homenagens e os nossos cumprimentos por
tão auspicioso momento da existência da Comunità Italiana.”
“La Associação Brasileira de Imprensa ha forti motivi per rivolgere a Lei (Pietro Petraglia) e agli altri collaboratori della
rivista ComunitàItaliana dei saluti molto speciali per il 15°
anniversario della pubblicazione che grazie alla sua
équipe editoriale, ha dato segni di essere altamente
qualificata, tanto per ciò che riguarda la definizione
dei temi, quanto per l’elaborazione dei servizi e testi
in generale e per la sua inserzione nel corpo della
rivista, che presenta una bella produzione visuale.
L’Associação Brasileira de Imprensa vuole anche asserire il contributo che ComunitàItaliana offre da
quindici anni alla conoscenza della vita italiana per
il pubblico brasiliano che legge la rivista, diffondendo fra noi preziose informazioni sugli svariati e
ricchi aspetti di un paese tanto caro al nostro popolo. Con ciò ComunitàItaliana promuove un crescente avvicinamento tra il popoli dell’Italia e del Brasile e, cosí facendo,
contribuisce ad un interscambio sempre più fecondo tra i due
paesi in innumerevoli campi, cosí come alla causa dell’amicizia
e pace tra i popoli. Quindi sappia, caro Pietro Petraglia, che ci
fa onore il suo fare parte del quadro sociale della ABI, e riceva i
nostri auguri e saluti per un cosí felice momento dell’esistenza
di ComunitàItaliana.”
Maurício Azêdo – presidente da Associação Brasileira de Imprensa
Maurício Azêdo – presidente dell’Associação Brasileira de Imprensa
“Há muito o que dizer e é difícil resumir tudo. O que acho interessante frisar é que a Comunità é uma revista de extrema importância para a comunidade italiana, como o próprio nome diz, e que
ao longo de todos esses anos melhorou de forma fantástica. Além disso, a revista é lida também na Itália.
Ano passado, quando fizemos o encontro do estado de
Minas com a Região do Piemonte, levamos a revista e
todas foram extremamente bem recebidas e apreciadas por todos da Região, inclusive pela presidente do
Piemonte, Mercedes Bresso. Como italiano no exterior
me sinto orgulhoso de poder contribuir com o sucesso
da revista. Os artigos são sempre atuais, a revista é
uma forma de integrar as pessoas e fazê-las conhecer
o que está acontecendo na Itália. Portanto, Comunità é de extrema valia para todos.”
“Ci sarebbe molto da dire ed è difficile riassumere tutto. Quello
che penso sia interessante mettere in risalto è che Comunità è
una rivista di estrema importanza per la comunità italiana, come
dice il suo stesso nome, e che durante tutti questi
anni è migliorata in modo fantastico. Inoltre la rivista viene anche letta in Italia. L’anno scorso, durante
un incontro dello stato di Minas con la regione Piemonte, abbiamo portato dei numeri della rivista che
sono stati apprezzati da tutti i presenti della regione, incluso il presidente del Piemonte, Mercedes Bresso. Come italiano all’estero sono orgoglioso di poter
contribuire al successo della rivista. Gli articoli sono
sempre aggiornati, la rivista è un mezzo di integrare
le persone e fargli conoscere ciò che succede in Italia.
Quindi Comunità è estremamente valida per tutti.”
Giacomo Regaldo – presidente da Câmara Ítalo-Brasileira
de Comércio e Indústria de Minas Gerais
Giacomo Regaldo – presidente della Câmara Ítalo-Brasileira
de Comércio e Indústria di Minas Gerais
“Eu acho que essa revista é importante para que você
mantenha a chama da identidade italiana no Brasil.
Não só São Paulo, mas todo o Sul do país tem uma
presença muito importante dos italianos e eles fazem
parte da história da construção do Brasil. Eu diria que
São Paulo é fruto do trabalho e das esperanças dos italianos que vieram para cá. O Palmeiras teve um peso
muito grande na formação dessa identidade italiana.
Nós não podemos esquecer disso. Eu acho que a revista cumpre esse papel de manter essa identidade e de
valorizá-la, além de sempre nos lembrar dessa origem”.
Luiz Gonzaga Belluzzo – presidente do Palmeiras
Igreja de Nossa Senhora dos Remédios (alto) e antigo prédio do Palace
Hotel podem sem contemplados com iniciativa
“Credo che questa rivista sia importante per mantenere accesa la fiamma dell’identità in Brasile. Non
solo São Paulo, ma tutto il sud del Paese hanno una
presenza molto importante di italiani e questi fanno
parte della costruzione del Brasile. Io direi che São
Paulo è frutto del lavoro e delle speranze degli italiani venuti qui. Il Palestra Itália ha avuto un grande peso nella formazione di questa identità italiana.
Non ce ne possiamo dimenticare. Credo che la rivista
rivesta il ruolo di mantenere questa identità e di valorizzarla, oltre a ricordarci sempre queste origini”.
Luiz Gonzaga Belluzzo – presidente del Palmeiras
Mais depoimentos em homenagem aos 15 anos da Comunità chegaram à Redação. Publicaremos todos ao longo do ano. Grazie a tutti!
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ComunitàItaliana
39
música
I
l progetto “Cristo no Mar” si trova sempre più vicino a Cabo
Frio, in provincia di Rio de Janeiro. L’accordo finale per l’inabissamento della statua del Cristo, di quasi tre metri d’altezza,
sul fondo del mare della Praia do Forte, sarà firmato in Italia tra i
sindaci Marquinho Mendes e Italo Manucci, di Camogli (provincia
di Genova), il 25 luglio. La meta è di realizzare la cerimonia di
inabissamento del Cristo sul fondo del mare nella città della regione dei laghi fluminense nel 2010. Questa sarà la terza statua
del Cristo sul fondo del mare nel mondo. La prima, l’originale, battezzata Cristo degli Abissi di San Fruttuoso si trova dal 1954 a Camogli. La seconda, una copia, fatta in bronzo e minore di quella
che sarà inabissata in Brasile, si trova in Flórida, negli Stati Uniti.
Aula
N
é l’inglese, né lo spagnolo. Al sud del Brasile fa successo la
lingua italiana. Dal 2006 la lingua viene insegnata agli allievi delle scuole pubbliche. Il sistema impiantato dalla segreteria
comunale di Educação di Porto Alegre è già arrivato in 12 scuole della città e si pensa di estenderlo ad altri comuni brasiliani.
Per incentivare e festeggiare il fatto il rappresentante degli italiani residenti in Sudamerica presso la Camera dei Deputati italiana, Fabio Porta, ha donato alle 12 scuole una collana di opere di
letteratura italiana. Secondo lui qualche città dell’interno di São
Paulo, cosí come il municipio della stessa capitale, hanno già dimostrato il loro interesse di far parte di questo programma. “Lavorerò personalmente nei prossimi mesi affinché questo processo
continui. Il successo di questo sforzo dipenderà da tutti”, dice.
“Non si tratta solo di insegnare una lingua ma di riprendere una
linea storica che lega l’arrivo dei primi emigranti italiani in Brasile. Quindi un lavoro che include nozioni di lingua ma anche di
geografia, storia e perfino di gastronomia.”
Moda
Q
uest’anno Rio de Janeiro ospiterà un terzo evento legato alla moda. Dal 23 al 24 ottobre avrà luogo l’Oi Fashion Rocks
in simultanea nell’hotel Copacabana Palace e nel Jockey Club. Con
più di cinque edizioni realizzate nel mondo il progetto ha come
motto quello di mettere insieme moda e musica, con sfilate e concerti allo stesso tempo. Tra le attrattive confermate per l’edizione
brasiliana ci sarà una sfilata della griffe italiana Versace, oltre ad
un concerto di Mariah Carey. I biglietti sono in vendita da questo
mese. In novembre invece è il turno della griffe italiana Pucci a
mostrare la sua nuova collezione nella seconda edizione del Rio
Summer, presso il Forte Copacabana, tra il 4 e l’8.
Classico
I
l XII Prêmio Carlos Gomes de Ópera e Música Erudita ha realizzato la sua cerimonia il mese scorso a São Paulo. I vincitori sono stati: Sonia Rubinsky (Solista Strumentale), Fábio Mechetti (Direttore d’Orchestra), Quinteto Villa-Lobos (Quintetto
da Camera), Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Orchestra Sinfonica), Leonardo Neiva e Rodrigo Esteves (a pari merito nella categoria Cantante Solista), Denise de Freitas (Cantante Solista), Luiz Fernando Malheiro (Direttore d’Opera), André
Heller-Lopes (Direzione di Scena), Fábio Namatame (Costumi),
Daniela Thomas (Scenografia), Caetano Vilela (Illuminazione), O
Castelo do Barba-Azul (Spettacolo operistico), John Neschling
(Troféu Guarany).
C
élebre pela sua atuação
em papéis como Adalgisa (Norma de Bellini)
e Amneris (Aida), Bruna Baglioni abriu a temporada
2009 do Projeto Grandes Vozes,
produzido pela Cia Ópera São
Paulo. Apesar de ter ficado pouco tempo no país, ela arrumou
espaço na agenda para oferecer
duas masterclasses a jovens cantores. Também se apresentou em
um recital no Theatro São Pedro,
na capital paulista, acompanhada do pianista brasileiro Ricardo
Ballestero.
Ela cantou árias italianas
de Francesco Cilea (Adriana Lecouvreur) e Giuseppe Verdi (Il
Trovatore e Don Carlo) e francesas de Saint-Saëns (Sansão
e Dalila), além de canções de
Carlos Gomes. Em entrevista à
Comunità, explica que escolheu “a dedo” esse repertório
com o claro objetivo de “agradar ao público”.
— Quando faço uma apresentação em um lugar tão distante,
não gosto de cantar árias antigas
— justifica Bruna.
Simpática, ela deixa para
ser diva apenas no palco. Nascida em Frascati, na região do Lácio, em 1947, a mezzo-soprano
conta que descobriu sua vocação
por acaso. Apesar de cantar desde criança, diz que não tinha “a
mínima ideia” de que se tornaria
cantora de ópera.
Foi por incentivo dos pais
que ela começou a ter aulas com
um maestro que, quatro meses
após conhecê-la, a levou para
uma audição no teatro da Ópera de Roma. Lá, seu talento foi
identificado pelos especialistas
que a ouviram.
— Os próprios teatros faziam
as audições com os jovens. Isso
não existe mais e é o mal de hoje — lamenta a cantora que já
atuou e gravou com grandes nomes da cena lírica internacional
como Luciano Pavarotti, Plácido
Domingo e José Carreras.
Seu “debut” foi na ópera
Maddalena de Rigoletto, de Verdi, em 1970. De lá para cá, se
apresentou em todos os grandes
“templos” dedicados à música lírica. Ela diz não ter um teatro
preferido. Já entre as óperas, admite ter uma favorita:
— Don Carlo é a ópera que
mais amo, pois é completa para
todos os personagens, todos têm
Claudio Cammarota
Cristo nel mare
mas o público é diverso. É justo levar a ópera por meio do cinema ou das apresentações em
grandes espaços a milhares de
pessoas que não poderiam nunca
comprar os ingressos. E, talvez,
chegará ao ouvido e ao coração
de alguém essa música e, assim,
teremos conquistado mais um —
opina a cantora que, porém, é
enfática quando se trata da popularização da ópera como estilo musical: — Não gosto que se
misture o rock e o pop à ópera.
Segundo Bruna, seria bom
que o público viesse não só para
ver, mas principalmente para ouvir a ópera, “como ocorria antes
das grandes produções que privilegiam a beleza cenográfica”.
— Na Itália, se procura fazer
sempre grandíssimas produções.
Se gasta tanto dinheiro para
apenas uma apresentação quando, talvez, pudessem ser feitas
seis ou sete. Os jovens devem ser
incentivados a voltar a viver o
teatro — avalia.
Dos parceiros famosos, a cantora destaca Plácido Domingo,
“pelo companheirismo”, e Pavarotti, “pelo talento ímpar”.
— Podem dizer o que quiserem, mas ele foi a voz mais bonita que já tivemos — afirma Bru-
Popularizar
sem misturar
Grande intérprete do repertório italiano do
século 19, a mezzo-soprano Bruna Baglioni se
apresentou no Brasil, no mês passado
Ana Bizzotto
algo realmente importante para
cantar — justifica.
Essa foi a segunda vez que
Bruna esteve no Brasil. A primeira foi em 1993, quando apresentou Aída, no Teatro Municipal paulista. Nessa ópera, ela
interpreta Amneris, personagem
que a tornou famosa em todo o
mundo. Daquela época, recorda-se com carinho de ter recebido de presente uma pulseira, em
uma feira de artesanato. Quem
lhe deu afirmou que a pulseira
seria a sua garantia de que voltaria ao país.
Bruna é fiel à ópera tradicional, mas se diz favorável a iniciativas como a do Metropolitan de
Nova York, que exibe espetáculos
ao ar livre e em salas de cinema de todo o mundo, inclusive
no Brasil.
— A ópera será sempre para
poucos eleitos, nasceu para pequenos teatros. Eu mesma já fiz
diversas apresentações de Aída
em grandes estádios e praças,
Junho 2009
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na que acredita que um “verdadeiro cantor” não aparece a toda
hora, mas “a cada 20 anos”.
Para quem está em início de
carreira, ela recomenda um bom
professor, que acompanhe a evolução da voz do aluno.
— Deve haver um feeling entre o aluno e o professor, que deve ser também um bom psicólogo. É fácil se deixar abater no
início, e se há uma pessoa para
te incentivar a seguir adiante, é
importante, ajuda muito — diz
ela que seguiu, na prática, o conselho e teve a mesma mestra por
25 anos. — A música pode fazer
muito, pode ajudar o coração, o
pensamento. A música une os povos e alimenta a alma.
ComunitàItaliana
41
musica
M
La contessa
della musica
Sabine Lovatelli, tedesca, ma cittadina italiana,
lavora in Brasile per divulgare l’opera classica ed
aumentare il numero dei suoi spettatori
Tatiana Buff
Fotos: Claudio Cammarota
Correspondente • São Paulo
42
ComunitàItaliana
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olti amanti dell’opera
e della musica classica
storcono il naso verso
le iniziative che cercano di avvicinare al grande pubblico questo tipo di arte. Per Sabine
Lovatelli, una delle maggiori specialiste nel campo, le azioni svolte in questa direzione sono “assolutamente positive”. La contessa di Ravenna fondò 29 anni fa a
São Paulo, insieme a Claude Sanguszko, il Mozarteum Brasileiro.
Si tratta di un’associazione culturale che promuove proprio la divulgazione della musica. La Lovatelli applaude in piedi le iniziative recenti di esibire gli spettacoli
– opere e concerti – seguiti o no da
conferenze, nei cinema, nei cineclub e negli istituti, come l’Istituto
Italiano di Cultura di São Paulo.
— Tutto quello che aiuta a
democratizzare l’arte e la musica
è valido, basta che non ne comprometta la qualità — afferma.
Lo sforzo di questa divulgazione è stato ben recepito ed
appoggiato dal pubblico. Sabine afferma che adesso un numero maggiore di persone partecipa
a questi eventi. Quando cominciò questo lavoro, la platea era
sempre “di una certa età”. Invece adesso i giovani vanno al Mozarteum, che offre anche ingressi
gratuiti a vari enti. Secondo lei è
sempre più frequente che questo
tipo di eventi accolga un pubblico “variegato e più numeroso”.
Per Sabine, il segreto del successo sta nella continuità di questo tipo di lavoro. E cita come
esempio la rappresentazione di
opere filmate, che sta ottenendo
un “successo enorme di pubblico e di critica” grazie all’intervento della Metropolitan Opera House (USA), proiettate su
schermi giganti a Times Square,
a New York, dove recentemente
è passata la Madame Butterfly di
Puccini. Dalla creazione del progetto del Metropolitan, nel 2007,
1.250.000 persone, in tutto il
mondo, hanno assistito alle rappresentazioni proiettate da quel
tradizionale palco nordamericano. In Brasile 13.000 spettatori
hanno già assistito ai filmati in
33 sale di cinema sparse per il
paese. Qui in Brasile la contessa
mette in evidenza il lavoro che
sta facendo l’Orchestra Sinfonica
dello stato di São Paulo.
— Gli abbonamenti aiutano
a dare una continuità che prima
non c’era. Le persone si abituano. Le orchestre brasiliane formano un pubblico nuovo, critico, attento, e noi incrementiamo
questo quadro con le orchestre
internazionali — spiega.
Prima d’ogni concerto, il Mozarteum organizza un’aula, dentro il programma “Club dello
Spettatore”, che parla della musica che sarà suonata e dell’epoca
in cui fu composta. Secondo Sabina, questo procedimento è valido “perché le persone hanno un
vero interesse nel comprendere”
i brani che ascolteranno.
L’associazione ha ampliato la gamma degli spettacoli,
con formazioni e strumenti diversi, unendo elementi brasiliani e stranieri. Ci sono orchestre
internazionali che interagiscono con orchestre nazionali. Per
esempio in ottobre le sorelle
Labèque (Katia e Marielle), famose pianiste, si presenteranno
con il gruppo brasiliano di percussione Piap, dell’Instituto de
Artes dell’Universidade Estadual
Paulista Júlio de Mesquita Filho.
Insieme suoneranno il Bolero di
Ravel. Per Sabina, convinta della sua missione, la cultura è alla
base dello sviluppo:
— Non è come pensano alle
volte molti politici, che si tratta di
un passatempo o di divertimento.
Si tratta di sviluppo. E bisogna cominciare presto, nelle scuole. L’arte e la musica devono essere ma-
teria d’insegnamento. Sono indispensabili per ampliare l’orizzonte
delle persone – sostiene.
Nel 2009 il Mozarteum Brasileiro ha come sostenitori le imprese Credit Suisse, Credit Suisse
Hedging-Griffo, Mantecorp, Novartis, Siemens e TenarisConfab.
Gli sponsorizzatori sono: Bradesco Prime, Clariant, Comgás, ING
Wholesale Banking Brazil, Pirelli,
Brasilprev, Carbocloro, Degussa
Evonik e Fosfértil. E inoltre l’Instituto Votorantim e Monsanto
sponsorizzano le attività educative dell’istituzione. Importazione
Si può dire che l’embrione del
Mozarteum Brasileiro è nato a
seguito di una “certa importazione”, come dice scherzando
la fondatrice.
In questo caso
è stata lei ad
essere “importata” in Brasile dal marito,
il conte Carlo
Lovatelli. Sabine
voleva
integrarsi attraverso il lavoro alla città
in cui andava ad abitare. Si accorse
che l’offerta di
musica classica era scarsa, e decise di
agire. Secondo
lei gli imprenditori, il pubblico,
gli artisti si sono entusiasmati
alla proposta, dato che si apriva
un nuovo centro di arti nell’America del Sud.
— Chi realmente mi ha dato
la spinta finale, che [sic] il Mozarteum doveva essere creato,
è stato Wolfgang Wagner, nipote del compositore [Richard Wagner 1813-1883], che si occupa del Festival di Bayreuth, in
Germania. È stato qui nel 1980,
ha spiegato come funziona Bayreuth, come attrae i giovani, e
ha detto che io dovevo fare la
stessa cosa in Brasile — rivela.
Per il début del Mozarteum
Brasileiro sono venute due orchestre molto prestigiose: quella di
Parigi retta dall’argentino Daniel
Barenboim, e la National Symphony Orchestra [di Washington
DC, USA], retta dal mitico Msti-
slav Rostropovitch [1927-2007].
All’inizio del “decennio yuppie”,
il Mozarteum organizzava i Concerti di Mezzogiorno. Le rappresentazioni avvenivano al Masp
tutti i mercoledì dalle 12.30 alle 13.30 “per dare l’opportunità
al pubblico di assistere gratuitamente ai concerti”. Già a quella
epoca facevano parte dello spettacolo delle chiacchierate degli
artisti con il pubblico. I Concerti di Mezzogiorno sono durati
più di 20 anni e sono terminati
quando il Masp è entrato in restauro nel 2001.
— Spero che ricomincino —
dice piena di speranza la presidente del Mozarteum, che fa parte della direzione del museo.
Partner del Mozarteum dal
2006, l’Instituto Baccarelli, creato dal
maestro Silvio
Baccarelli nel
1998 nella comunità di Heliópolis, nella
capitale paulista, si è rivelato uno dei
nuovi centri di
“esportazione” di talenti
musicali nel
mondo. Segno
di
successo
è l’aver ricevuto la visita del grande
maestro Ennio
Morricone nel
marzo del 2008. Allora il Maestro
si è emozionato quando ha ascoltato uno dei temi del film Cinema
Paradiso suonato dalla Orchestra
Sinfonica di Heliópolis.
Fino all’inizio di questo anno 22 borsisti brasiliani sono andati a studiare in Europa grazie
al collegamento dell’entità con
scuole di musica nazionali ed internazionali. L’associazione ha
anche realizzato, fino a questo
momento, più di 150 masterclass
gratuiti, che hanno coinvolto circa 4.000 studenti e innumerevoli concerti all’aria aperta gratuiti
per più di 900.000 spettatori, oltre ad aver trasmesso eventi alla
Radio e alla TV Cultura.
Aristocrazia
Sabine Vogel Lovatelli, tedesca
di Iena (Turingia), ha la cittadinanza italiana e risiede in Brasile
Junho 2009
/
dal 1971. È arrivata dopo il matrimonio con il conte Carlo Lovatelli – brasiliano di padre italiano e madre inglese – attuale presidente della ABAG, Associação
Brasileira de Agronegócios. Si
erano conosciuti in Germania alla fine degli anni ‘60 ad Hannover, dove la bella dama, dotata di
espressivi occhi azzurri, era cresciuta. All’epoca era una studentessa di circa 20 anni. Il titolo
nobile per Sabine si riduce semplicemente a questo, “un titolo”.
— L’ho ereditato da mio marito. È come un nome di famiglia
e non significa che sia differente. Facciamo della nostra vita ciò
che vogliamo — dice, e per lei le
tradizioni di nobiltà sono “buone, importanti, belle, e facilitano
la convivenza sociale”.
Per selezionare le attrazioni esibite dal Mozarteum, Sabine
Lovatelli segue i più importanti festival di musica erudita del
mondo. E perciò viaggia dalle tre
alle quattro volte all’anno. La sua
famiglia vive in Germania e il marito passa alcuni periodi in Italia.
L’elegante contessa ha visitato la
città d’origine della famiglia del
marito, Ravenna (Emilia-Romagna), ma “nessuno abita più là
da anni”. Secondo lei stanno tutti
a Roma, Milano e Firenze.
Italia
I rapporti di Sabine con l’Italia
vanno oltre quelli familiari, quando si ha a che fare con l’arte. Nella storia del Mozarteum i legami
d’amicizia con direttori d’orchestra come Claudio Abbado e Riccardo Muti sono stati importanti
per farli venire in Brasile. E fa sapere che per questa stagione l’Orchestra della RAI era nel programma del Mozarteum, ma il concerto
ha dovuto essere cancellato “a seguito della crisi economica”.
— Dall’Italia sono già venuti
importanti musicisti della scuola
del Maestro Maurizio Pollini. Ed
inoltre, spesso i solisti di vari paesi sono italiani – segnala.
Nel ruolo di appassionata di
musica, Sabine cita fra i suoi autori preferiti Puccini, Rossini e
Verdi. E a parte gli italiani, Beethoven e Mozart, “è chiaro”, fanno parte della sua lista:
— La mia sinfonia preferita è
la Sesta di Beethoven, la Pastorale, poco suonata nei concerti.
Fra le opere, Falstaff, di Verdi, è
fantastica.
ComunitàItaliana
43
O dono
da bola
Em junho, quando acontece mais uma rodada do
Fashion Rio (entre os dias 5 e 10) e da São Paulo
Fashion Week, (de 17 a 23) muitos estarão disputando
a tapa um lugar nas primeiras filas dos desfiles. Que
ninguém espere encontrar por ali o anfitrião dos dois
eventos. Ao contrário dos que vivem no mundinho da
moda, o carioca Gabriel Felzenswalb, de 30 anos, quer
distância de flashs e holofotes.
Durante os desfiles, deve ser mais fácil encontrálo pelas últimas cadeiras. Se estiver lá, deverá estar
de olhos muito atentos. Não nas modelos, mas em
oportunidade de negócios. Foi por iniciativa dele que
a Firjan, até então, única “dona” do Fashion Rio,
se associou à holding InBrands. Também foi por
iniciativa dele que a Ellus se tornou a primeira marca
do grupo, criado em 2007, no Rio. Na sua carteira
de negócios também estão as grifes Alexandre
Herchcovitch, Isabela Capeto e 2nd Floor, além da
própria São Paulo Fashion Week, onde é parceira da
Luminosidade, empresa de Paulo Borges, o executivo
dos dois eventos.
Avesso a entrevistas, Felzenswalb aceitou falar
com Comunità por e-mail. E deu pistas do que
pode vir por aí:
— Acreditamos que os dois eventos
(Fashion Rio e SPFW) têm vocações diferentes,
complementares. De fato, não há espaço para
duas semanas de moda concorrentes.
44
ComunitàItaliana
/
Junho 2009
C
Sônia Apolinário
omunitàItaliana - Como
surgiu o interesse da
Pactual Partners (fundo
de investimentos que deu
origem à InBrands) pela moda?
Gabriel Felzenswalb - Acreditamos que os fundamentos macroeconômicos do Brasil favorecem
a expansão do consumo. Isso já
vem acontecendo e vai continuar.
Além disso, o varejo de alta renda
no Brasil é muito pulverizado em
operações de alta qualidade criativa e baixa sofisticação gerencial. Acreditamos ser possível gerar economias de escala e melhorias na gestão das empresas, mantendo intacto o que elas já fazem
bem: o estilo e o marketing.
CI - Como uma pessoa formada
em engenharia metalúrgica especializada em aço se torna o
cabeça de uma então nova empresa voltada para moda?
GF - Sou engenheiro com pós-graduação em Administração de Empresas. Um perfil bastante tradicional no mundo corporativo. Da
engenharia, carrego o rigor analítico e a capacidade de estruturar problemas. Confesso que entrei no setor de moda de páraquedas. Eu era analista de investimentos da Pactual, a oportunidade surgiu e eu topei.
CI - Como avalia a moda, em termos de indústria, no Brasil?
GF - A indústria da moda no Brasil ainda vive sua adolescência.
Grandes marcas que despertam
enorme desejo de consumo ainda
se apóiam em modelos de gestão
ineficientes, onde as contas só
fecham a custa de informalidade. Acreditamos que a moda vai
amadurecer e seguir o que aconteceu com outros setores: o governo vai intensificar a fiscalização e a sonegação vai diminuir.
CI - Quanto essa indústria movimenta, por ano, por aqui?
GF - Devido à informalidade, não
há números confiáveis. O banco
de investimentos Merril Lynch estima que o setor movimente 100
bilhões de reais ao ano no Brasil.
CI - Qual a meta da InBrands para 2009?
GF - Estimamos um crescimento de 10% a 15%, que pode variar diante do cenário econômico
ainda muito incerto. CI - Como avalia a “tendência” internacional de grandes grupos
adquirirem grifes de estilos diferentes sem necessariamente ter
à frente o estilista que a criou?
GF - Preferimos ter o estilista, o fundador como sócio.
No entanto, em mercados
mais maduros as marcas sobrevivem aos seus fundadores. Espero
que o Brasil caminhe nessa direção, afinal, nossos sócios vão
querer se aposentar um dia.
CI - O que diferencia a InBrands
da catarinense AMC Têxtil (Fórum, Fórum Tufi Duek, Tufi Duek,
Triton, Colcci, Sommer, Carmelitas e Coca-Cola Clothing)?
GF - O grupo AMC Têxtil é hoje
maior do que a InBrands. Trata-se de um grupo muito sério
e competente. Uma prática que
nos difere é que o AMC adquire a
integralidade das ações das suas
marcas. Nós optamos por atuar
em sociedade com os fundadores. A vida em sociedade envolve
mais diplomacia, mais construção de consenso, logo mais trabalho, mas acreditamos que preserva a identidade das marcas.
CI - Há espaço para vários grandes grupos de moda no país?
GF - Claro. O mercado é extremamente pulverizado. Há espaço para aqueles que sabem aliar
imagem e desejo a uma logística
e gestão eficientes.
CI - Em pleno ano de crise econômica mundial, a InBrands “comprou” o Fashion Rio. Não há crise
nesse setor no Brasil?
GF - É importante ficar claro que
a Firjan é a detentora da marca
Fashion Rio, que foi apenas licenciada à InBrands. O setor de
eventos foi impactado como os
outros, não está tão pujante como esteve há um ou dois anos.
Estamos muito cautelosos com
relação a esta crise que afeta
todo o mundo. Focamos na gestão do caixa de nossas empresas.
Não conseguimos ainda mensurar como o Brasil será impactado
no longo prazo. Esperamos poder
ver uma retomada do crescimento mundial já em 2010.
CI - Sempre houve uma grande
rivalidade entre as semanas de
moda do Rio e São Paulo. A InBrands, agora, é dona das duas.
Como encara essa situação?
GF - Não distinguimos São Paulo
de Rio de Janeiro, ou vice-versa.
A moda é brasileira.
CI - Sempre se disse que não havia espaço para duas grandes
semanas de moda no Brasil. O
que acha disso?
GF - Acreditamos que os dois
eventos têm vocações diferentes, complementares. De fato,
não há espaço para duas semanas concorrentes.
Fotos: Sheila Guimarães
entrevista
CI - Há uma especulação de que o
Rio faria os desfiles de verão, em
junho e São Paulo os de inverno,
em janeiro, para unificar essa semana de moda que se chamaria
Brasil Fashion Week. Isso procede?
GF - Não comentamos especulações. Assumimos o evento faltando seis semanas para a sua realização. Nossa primeira tarefa é
organizar a primeira edição. Vamos trabalhar alternativas estratégicas em momento oportuno.
CI - A InBrands tem interesse pelo
segmento infanto-juvenil na moda?
GF - As marcas Isabela Capeto e
Herchcovitch;Alexandre possuem
linha infantil. Logo, temos interesse sim.
CI - Há planos para se criar uma
Fashion Kids e estimular uma
maior profissionalização desse
segmento no país?
GF - A moda infantil vai seguir a
profissionalização do segmento
de vestuário em geral.
CI - De todas as grandes semanas
de moda internacionais, alguma
delas poderia inspirar os próximos passos da InBrands para estruturar os desfiles do Brasil?
GF - As semanas de moda internacionais têm formatos bem distintos e, em geral, são eventos
menores do que o SPFW. A equipe
da Luminosidade cobre todas as
semanas de moda, mas vale notar
que Paulo Borges, o produtor da
SPFW, é consultor da semana de
Londres. Isto é, há muito o que
aprender com o Brasil também.
CI - Como avalia o fato de organizarem desfiles dos quais participam grifes do próprio grupo?
GF - Nossas marcas já desfilam ou
desfilaram no SPFW ou Fashion
Rio. O mercado nos conhece e
Felzenswalb: sob
seu comando
Fashion Rio
tem quase 50%
de redução de
marcas nos
desfiles
presenciou nosso profissionalismo no último evento da SPFW.
Não há privilégios.
CI - Há uma grande especulação
que a InBrands estaria comprando as grifes da Maria Bonita. Isso
procede?
GF - Não comentamos especulações.
CI - Que estilista internacional
mais admira?
GF - Não que minha opinião tenha alguma relevância, mas diria
Tom Ford, por ter entendido que
moda é negócio.
CI - Moda é uma indústria e desfile é uma ponta dessa indústria.
A ponta inicial está na formação
de mão-de-obra. Como o Brasil
está nessa ponta?
GF - Somos carentes de talento
em todas as áreas. Precisamos de
gestores de produto, de modelistas, de boas costureiras. Também
precisamos muito de bons administradores, bons vendedores,
bons engenheiros, bons contadores. Enfim, sobra capital, mas
não sobra gente. Gente é o maior
gargalo para o crescimento.
CI - No formato do Fashion Rio, o
que o grupo não gostava que já
vai mudar?
GF - Nas três últimas edições do
Fashion Rio, desfilaram mais de
Junho 2009
/
setenta marcas diferentes. Acreditamos que um evento se solidifica com a constância e consistência das marcas que nele
desfilam. Pretendemos ter um
grupo mais coeso. (Ficaram 30
marcas)
CI - Em novembro acontece o Rio
Summer Fashion. O que pensa do
evento?
GF - A primeira edição foi muito interessante. Isabela Capeto
participou e teve uma boa repercussão. Não há conflito entre
o Fashion Rio e ele porque são
eventos diferentes.
CI - Qual a principal diferença
entre a moda feita no Rio e feita
em São Paulo?
GF - Hoje a moda carioca vive
um momento muito interessante,
com marcas novas fazendo bastante barulho. No entanto, essas
empresas ainda não amadureceram como negócio. Estão ainda
vivendo o primeiro ciclo de crescimento. Em São Paulo, há empresas mais maduras, com modelos de negócio mais redondos.
CI - O seu guarda-roupas acompanha tendências de moda?
Qual é o seu estilo?
GF - Prefiro me ater a perguntas
sobre o negócio.
ComunitàItaliana
45
Milão
artes plásticas
Guilherme Aquino
Ajuda oficial
D
ezoito mil pedidos, em poucos meses,
a maioria da cidade de Milão, dão uma
ideia do tamanho da crise econômica e as suas consequências. O plano de ajuda da província de Milão, Alzare la Testa (levantar a
cabeça), colocou à disposição das famílias e
empresas 25 milhões de euros. O auxílio a
empresas foi dado àquelas que empregaram
trabalhadores, entre idades de 25 e 45 anos,
por tempo indeterminado, sem contratos
temporários. Já para as famílias, a ajuda foi
para pagar a prestação da casa própria, a creche e/ou a escola dos filhos, além de assistência aos idosos. A crise econômica coloca
em movimento uma rede de apoio concreto,
traduzido em depósito de recursos em conta
corrente, por parte da instituição pública, no
caso, a província de Milão. Exemplos como
estes se multiplicam em toda a Itália para
ajudar quem esta em dificuldade financeira.
Multi-étnicos
C
erca de 25 mil empresários estrangeiros atuam na província de Milão. Uma em
cada doze pessoas jurídicas imigrantes no país e uma em cada seis empresas em
toda a Itália monta base na cidade. Em quatro de cada cinco casos se tratam de
pessoas extracomunitárias. A construção civil e o comércio são os setores que respondem
por mais da metade dos serviços oferecido pelos “não italianos”. Os egípcios e os chineses
lideram a lista das dez comunidades mais ativas, seguidos de romenos, marroquinos, albaneses, peruanos e equatorianos, na frente ainda de imigrantes de Bangladesh, Senegal
e Tunísia, nesta ordem. O aumento de empresas de estrangeiros em Milão cresceu 194%
desde o começo do século 21.
Múltiplas
falas
Com a participação
de 11 brasileiros,
exposição em
Milão chama a
atenção para a arte
contemporânea feita
na América Latina
L
Veneza artística
David e Golias
D
M
urante o mês de junho entra em cartaz, em toda a Sereníssima, a Bienal de Artes. Artistas de todo o mundo,
escolhidos por um colegiado de experts
montado em vários países, vão exibir as
tendências da arte contemporânea. Instalações, quadros, esculturas vão ocupar
as margens e os canais da cidade. A curadoria é de Daniel Birnbaum e o Brasil vai
estar presente, entre outras obras, com
uma homenagem a Lygia Pape, falecida
artista brasileira e farol do movimento
concretista nacional.
46
ComunitàItaliana
ilão declara guerra aos chamados ecomonstros. Num tranquilo e universitário
bairro, com casas ainda do começo do século
passado, Citta Studi, uma aberração de cimento urbano está para nascer às margens da lei.
Os moradores formaram um comitê para impedir a construção de um prédio de 16 andares
- 8 além do máximo permitido - na via Boticelli. A desculpa de abrigar 800 estudantes e
professores não convence os vizinhos, preocupados com o impacto ambiental. Eles estão
desconfiados das “boas intenções” do empreendimento, diante do preço previsto para os
alugueis: cerca de 800 euros, por mês.
/
Junho 2009
La Scala
S
aiu a programação 2009/2010 do teatro.
Quem pretende passar o fim de ano em
grande estilo, no inverno milanês, já pode reservar as entradas para os espetáculos que
prometem ser os mais concorridos: a ópera
Carmem, de Georges Bizet, com direção de
Daniel Baenboim e Serata Bejart, com direção de Daniel Harding, músicas de Mahler e
Stravinskij, com os bailarinos Roberto Bolle e
Massimo Murro.
tica. A arte na América Latina é
franca e mais do que documentar
queremos revela-la.
Na exposição, ocupa lugar
de destaque a obra de Artur Bispo do Rosário. Nascido em torno
de 1910, dele sabe-se apenas,
com certeza, o ano de sua morte: 1989, no Rio de Janeiro. Filho de escravos, ele foi paciente
do instituto psiquiátrico Colônia
Juliano Moreira. Com ele, tiras de
pano velho e de baixa qualidade,
feitas de lençóis do hospital, ganharam vida com escritas e cores.
Cada tira representa o título de
uma Miss (Brasil, Cuba, Argentina). Usando restos de alumínio,
tecidos e linhas, ele construiu
uma obra que, segundo um dos
organizadores, Jean Blanchaert,
contém a “elegância que apenas
as crianças e os loucos possuem”.
Guilherme Aquino
Correspondente • Milão
ogo na entrada, um painel costura com pedaços
de tecido o título Estamos
Unidos, feito por Alejandra
Mettler. A exposição Las Americas
Latinas, Las fatigas del querer, é
um mosaico de tudo aquilo que se
pode traduzir em arte contemporânea recolhida em galerias, museus e ateliês de artistas das três
Américas. Tudo está reunido, até
outubro, no espaço cultural Oberdan, no centro de Milão.
Os artistas, vivos ou já falecidos, exibem obras que vão desde
instalações de vídeo, a esculturas, quadros, objetos e tapeçarias.
Ao todo são 47 cidadãos do Brasil,
Argentina, Uruguai, México, Cuba,
Trindad, Venezuela, Guatemala e
também Itália, Portugal, Holanda e
Alemanha. Os europeus não estão
ali por engano, mas por reproduzirem o olhar estrangeiro sobre a realidade de países latino-americanos.
O fio condutor da exposição
é a ideia de arte como expressão
máxima do ser humano e como
instrumento de denúncia social,
política e econômica. Assim, foram parar em Milão as queimadas
feitas nas florestas brasileiras ou
as guerrilhas em ação em diversos
países da América Central. Difícil
o espectador não sentir na pele
e na emoção o chamado do país de origem da obra. Segundo o
curador Philippe Daverio a mostra
é um mosaico da produção artística latino-americana, sem rótulos:
— Os ritmos musicais, as evocações poéticas, a literatura que
reflete uma realidade complexa e
envolvente, os sonhos atingidos
pela política e pelo futebol estão presentes nas obras. As Américas Latinas, são uns “lugares”
convencidos de desempenhar um
relevante papel de ator político,
numa arte primitivamente polí-
A exposição Las Americas Latinas,
Las fatigas del querer estará
até outubro no espaço cultural
Oberdan, em Milão
Junho 2009
/
Bem ao lado da obra de Biso do Rosário está uma pequena
máscara de carnaval da artista
plástica carioca Beatriz Milhazes
que, recentemente, teve um quadro leiloado por mais de um milhão de dólares no mercado internacional. A máscara, de pequenas
dimensões, pertence ao Museu de
Arte Moderna de São Paulo. Foi
feita com técnica mista e causa
um grande impacto visual ao remeter o visitante aos bailes de
carnaval dos anos dourados. A artista tem como “companhia” a reprodução de um quadro de Tarsila
do Amaral (1889-1973), o clássico Abaporu, de 1928, pioneira
das artes brasileiras e que tanto
influenciou a obra de Beatriz.
A lista de brasileiros presentes em Milão inclui Farnese
de Andrade, Nelson Leirner, Vik
Muniz, Daniel Senise, Alexandre
Murucci, Ernesto Neto, José Rufino e Divino Sobral, autor de um
painel em madeira e lã no qual
reproduz o “Jardim da Jabuticabeira”, uma das obras de maior
dimensão da mostra.
Imagens sensíveis como a de
um homem puxando com uma linha a América do Sul, com a palavra Fragile se alternam com a
denúncia da força bruta, armada,
como a de um móvel de madeira
construído na forma de uma granada onde cada estilhaço se abre como uma gaveta. A denúncia contra a condição social de opressão
da mulher também está presente:
um corpo feminino nu aparece coberto pelas entranhas abertas de
um animal morto representado a
própria violência sofrida.
Difícil sair indiferente depois
de tantas mensagens de beleza, de raça, de lutas e batalhas
por uma melhor qualidade de vida. Mais do que uma exposição de
artes plásticas, o evento joga luz
para uma parte do nosso planeta, muitas vezes ignorada e pouco
valorizada.
ComunitàItaliana
47
bellezza
automobilismo
Una bella
gaúcha
paese concentra una delle più
numerose colonie italiane del
mondo – circa 30.000.000 di discendenti – il Brasile ha il privilegio di poter presentare tre rappresentanti al concorso italiano.
E così disputeranno il titolo
della più bella discendente italiana del mondo anche Nayara
Bombonatti, di Sertãozinho (SP),
eletta Miss Italia Amazônia, e
Alessandra Reginato di Medianeira (PR), la Miss Italia Sul América.
Il Brasile partecipa al Miss
Italia nel Mondo da 19 anni e
l’unica esigenza è di attestare
la discendenza italiana fino alla
quinta generazione.
Quest’anno il concorso ha avuto la partecipazione di 25 candidate selezionate in nove stati brasiliani: Rio Grande do Sul, Santa
Catarina, Paraná, São Paulo, Mato
Grosso, Minas Gerais, Goiás, Rio de
Janeiro e Espírito Santo.
Osyane afferma di non aver
mai lavorato come modella. Racconta che l’hanno invitata a partecipare al concorso dopo che,
l’anno passato, un organizzatore,
nella fase della selezione statale,
la vide durante la disputa per il
titolo di Miss Conesul.
Ha ereditato l’origine italiana
dal lato paterno: i trisavoli erano di Trento, al nord dell’Italia. La
giovane ragazza si sta preparando
dall’inizio dell’evento, principalmente per quanto riguarda l’idioma.
— Saper parlare l’italiano
non è obbligatorio, ma credo che
sia una cosa utile perché dovremo rilasciare delle interviste. Per
ora mi sto dedicando abbastanza
allo studio della lingua. Sto anche seguendo una dieta alimentare, faccio ginnastica, prendo
lezioni di danza e di espressione
corporea — ci rivela.
Per dedicarsi al concorso, la
ragazza di Alegrete ha sospeso la
facoltà di Estetica e Cosmetica e
pensa soltanto al viaggio in Italia.
— Questo semestre non avrei
avuto tempo di studiare dovuto
alla tappa brasiliana. Sto approfittando molto di questo momento, e di tutto quello che può apparire di buono. Per ora non voglio pensare al domani — racconta Osyane, che parte il 10.
Ci dice che il suo obiettivo è
“raggiungere il miglior risultato
possibile” e si lamenta del fatto
che, l’anno scorso, la principale
rappresentante brasiliana, Renata Marzolla, non si sia classificata tra le prime 25.
Se nel 2008 il Brasile non ha
raggiunto un buon risultato, non
si può dire la stessa cosa della
“raccolta” del 2007. Allora la giovane Taisy Dalla Libera, della città
di Medianeira, che è l’attuale Miss
Italia Sul América, ha conquistato il terzo posto. E nel 2006, la
fascia di Miss Italia nel Mondo è
stata della brasiliana Karina Michelin, di Botucatu, nello stato
di São Paulo. La giovane concorreva come Miss Italia Amazônia,
e ha vinto sulla Miss Liechtenstein, Dahlia Ferrazo. Michelin è
poi diventata una delle presentatrici del programma Markette, nella principale rete privata della televisione italiana, la rete LA 7, e
continua a vivere in Italia.
Le vincitrici della tappa brasiliana ricevono gioielli e vestiti oltre a viaggi e soggiorni, che sono
offerti per partecipare alla tappa
mondiale. La vincitrice del concorso
Miss Italia nel Mondo ha come premio, a parte la corona, un valore in
denaro, un’automobile ed un contratto esclusivo con una marca di
moda italiana. E se ha fortuna può
seguire lo stesso percorso di Karina
Michelin. La grande finale mondiale
sarà trasmessa dal vivo su RAI UNO,
il 27 giugno alle ore 20.00.
La rappresentante italo-brasiliana che concorre
questo mese al titolo di Miss Italia nel Mondo è
di Alegrete, all’interno del Rio Grande do Sul
L
Nayra Garofle
a nuova Miss Italia Brasile,
Osyane Pilecco, ha 17 anni, è alta 1,72 m e pesa 55
kg. Il concorso che sceglie
le più belle italo-brasiliane si è
svolto il mese scorso, al Circolo
Italiano di São Paulo. Adesso lei
si prepara a difendere il paese al
48
Miss Italia nel Mondo, e la finale
sarà realizzata il 27 a Venezia.
Nata ad Alegrete, a circa 500
chilometri da Porto Alegre, nel
Rio Grande do Sul, Osyane non
andrà da sola in Italia. Secondo
l’organizzatore dell’evento brasiliano, Kadu Lopes, dato che il
ComunitàItaliana
/
Junho 2009
Nayara Bombonatti, Alessandra Reginato e Osyane Pilecco
Baratinhas
voadoras
Mil Milhas mantém a charmosa tradição de corrida de carros antigos pela Itália
O
s motores roncam com a
mesma intensidade de décadas atrás. Mais precisamente, entre anos 20 e 50.
E se colocam à prova na mais bela
corrida do mundo, segundo as palavras do mítico Enzo Ferrari: a Mil
Milhas, Brescia-Roma-Brescia. O
evento, criado em 1927, continua
a encantar o mundo do automobilismo. Esse ano, foram 377 participantes provenientes de 30 países.
O carro mais antigo saiu da fábrica
em 1923 e o mais novo em 1957.
Os cerca de 1600 km são percorridos em três dias. A largada,
no centro de Brescia, na noite de
14 de maio, transformou a rotina da cidade. As ruas estreitas do
centro histórico foram ocupadas
pelas baratinhas de corrida dos
anos dourados da indústria automobilística. As calçadas se transformaram em passarelas para os
pilotos e co-pilotos, vestidos como na época da produção de seus
“bólidos”. Alguns exibem, orgulhosos, velhas bússolas.
Ao longo do trajeto, são 39
paradas estratégicas para almoçar, jantar, dormir e, claro, marcar o tempo de cada trecho. No
somatório final, é aplicado um
Guilherme Aquino
Correspondente • Milão
coeficiente variável: ano do carro, cilindradas e se o veiculo é ou
não um veterano da Mil Milhas.
Verdade seja escrita: apesar
de muitos carros serem de garagem, de colecionadores, alguns até alugam os veículos para
quem quiser participar da prova.
Um dos pré-requisitos básicos para correr a Mil Milhas é a boa condição de dirigibilidade e originalidade das peças. Os candidatos
devem ainda apresentar os documentos históricos dos carros. Da
saída da fábrica ao último proprietário, tudo deve estar em ordem. O “pedigree” do automóvel
tem que ser impecável. A inscrição custa 18 mil reais. Os veículos estão avaliados, no mínimo,
em cem vezes mais do que isso.
Mais do que uma verdadeira
corrida, a Mil Milhas se tornou
um agradável passeio turístico,
com toda a infra-estrutura necessária para ninguém ficar a pé. A
não ser que o motor pegue fogo,
como aconteceu minutos antes
da largada com uma Ferrari, ou
que um carro não faça bonito e
deixe a pé ilustres participantes
como o prefeito de Moscou, Yuri
Luzkhov, que nem deu a largada.
Bólidos de marcas famosas e
ainda atuais como Fiat, Lancia,
Ferrari, Porsche e Mercedes alinhavam-se com aquelas que já tiveram o seu passado glorioso como Triumph, Osca, OM, Ermini e
Cisitalia. Isso sem falar em Bentley, Jaguar e Aston Martin, marcas de carros construídos com elevado padrão de qualidade, no qual
o artesanato ainda tinha um papel
relevante no processo industrial.
Um Jaguar XK120 foi feito totalmente em alumínio e chega a
uma velocidade de 160km/h. O
problema é o limite de 90 km/h nas
rodovias estaduais. Na auto-estra-
Junho 2009
/
da italiana, o piloto pode afundar
o pé até os 130 km/h, mas os carros históricos não vão por ali. Por
isso, o recorde da competição não
será tão cedo batido. Ele pertence
a Stirling Moss no volante e Denis Jenkison como co-piloto. Em
1955, a Mercedes “voou” baixo a
157,650 km/h. O segredo de tanta
velocidade foi a perfeita harmonia
entre o piloto e o navegador.
Se os carros daquela época foram ultrapassados, com o tempo,
o mesmo não se pode dizer dos
cenários por onde “correm”. De
Brescia eles seguem para Ferrara.
De lá para Roma. Em seguida, cruzam a Toscana, passam pela terra dos motores, em Emília-Romanha e entram na Lombardia para a
bandeirada final.
A primeira edição da corrida contou com a participação de
67 escuderias. A dupla vencedora completou a prova com a media horária de 77 km/h e transformou a corrida num grande sucesso de público. Ainda hoje, os italianos se debruçam nas varandas e
vão para os acostamentos para ver
os carros passarem. Muitos soltam
uma fumaça danada. Afinal, são de
um período no qual a preocupação
com o meio ambiente era ficção
científica. Em nome dos ambientalistas de plantão, a organização
adotou nove mil hectares do Parque Nacional do Ticino, “zerando”
assim a emissão de CO2 durante toda a competição. Este ano, depois
de 12 anos de jejum, os vencedores
foram uma dupla de Brescia: Bruno
e Carlo Ferrari, a bordo de um Bugatti 1927. Quer dizer, eles chegaram em primeiro lugar. Afinal, vencedores são todos os que completaram a corrida sãos e salvos e com
os carros em perfeito estado.
ComunitàItaliana
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Consulado Geral da Italia
Rio de Janeiro
Consolato Generale d’Italia
Rio de Janeiro
REFERENDOS PARA A REVOGAÇÃO DE ALGUNS ARTIGOS E INCISOS DO DECRETO DO
PRESIDENTE DA REPÚBLICA N. 361 DE 30 DE MARÇO DE 1957 E DO DECRETO LEGISLATIVO
N.533 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1993
I Quesito - Premio di maggioranza alla lista più votata - Camera
II Quesito : Premio di maggioranza alla lista più votata - Senato
III Quesito: Abrogazione candidature multiple
I quesito: Prêmio de maioria para a lista mais votada – Câmara
II quesito: Prêmio de maioria para a lista mais votada – Senado
III quesito: Revogação das candidaturas múltiplas
Os cidadãos italianos residentes no exterior e algumas categorias de concidadãos temporariamente residentes no
exterior, abaixo especificadas, poderão votar nos referendos revogadores nos dias 21 e 22 de junho.
O voto nos citados referendos é expresso pelos cidadãos residentes e inscritos no AIRE (Registro dos Italianos
Residentes no Exterior) exclusivamente por meio de correspondência nos Países, como o Brasil, com os quais o
Governo italiano estabeleceu acordos específicos e cujo elenco está disponível no site www.esteri.it. Nos Países onde
não ocorreram tais acordos os eleitores residentes e inscritos no AIRE não poderão votar por correspondência e,
portanto, para votar, deverão dirigir-se à Itália com direito à reembolso de 75% do custo da passagem mediante
apresentação da relativa documentação ao Consulado de competência.
Também poderão votar por correspondência os cidadãos italianos temporariamente residentes no exterior, tais como
militares ou pertencentes às forças de polícia em missão internacional, funcionários da administração pública por
motivos de serviço, professores universitários bem como seus familiares conviventes. A possibilidade de votar na Itália
com o benefício do reembolso não abrange esta categoria de pessoas, pois estas poderão votar também nos Países com
os quais o Governo italiano não estabeleceu acordos específicos.
Os eleitores permanentemente e temporariamente residentes no exterior receberão do Consulado de competência, no
próprio domicílio, um envelope contendo as cédulas e as instruções sobre as modalidades de votação.
O eleitor que não receber o envelope eleitoral até o dia 7 de junho poderá se apresentar ao Consulado de competência
para verificar a sua situação eleitoral.
O eleitor que se encontra residindo temporariamente no exterior e não pertence a nenhuma das três categorias acima
indicadas poderá votar nos referendos somente na Itália junto às sessões instituídas pelo próprio Município.
Concluídas as operações, as cédulas votadas pelos italianos residentes no exterior e recebidas pelos Consulados até às 16:00
hs de 18 de junho de 2009 serão remetidas para a Itália, onde terá lugar o escrutínio sob os cuidados do “Departamento
Central para a Circunscrição Exterior” instituído pelo Tribunal Superior de Roma.
REFERENDUM ABROGATIVI DI ALCUNI ARTICOLI E COMMI DEL D.P.R. 30 MARZO 1957, N. 361
E DEL DECRETO LEGISLATIVO 20 DICEMBRE 1993, N. 533
O Cônsul Geral da Itália
Umberto Malnati
Consulado Geral da Itália - Av.Presidente Antonio Carlos, 40 - CEP 20020-010 - Rio de Janeiro - RJ
(005521) Tel. 3534.1315 / Fax: 22626348 - www.consriodejaneiro.esteri.it
I cittadini italiani residenti all’estero e alcune categorie di connazionali temporaneamente all’estero, come meglio
specificato oltre, possono votare per i referendum abrogativi del 21 e 22 giugno prossimo.
Il voto per i referendum dei cittadini residenti ed iscritti all’AIRE (Anagrafe degli Italiani Residenti all’Estero) si
esprime esclusivamente per corrispondenza negli Stati, tra cui il Brasile, con i quali il Governo italiano ha concluso
apposite intese il cui elenco è pubblicato sul sito www.esteri.it. Negli Stati dove tali intese non sono state concluse
gli elettori residenti ed iscritti all’AIRE non potranno esercitare il voto per corrispondenza e pertanto, per votare,
dovranno recarsi in Italia avendo diritto al rimborso del 75% del biglietto di viaggio presentando la relativa
documentazione al Consolato di competenza.
Anche i cittadini italiani temporaneamente all’estero come militari o appartenenti a forze di polizia in missione
internazionale, come dipendenti di amministrazioni pubbliche per motivi di servizio ovvero come professori
universitari ed i loro familiari conviventi potranno esprimere il voto per corrispondenza. La possibilità di recarsi a
votare in Italia usufruendo del rimborso non riguarda questa tipologia di elettori in quanto, tali categorie, potranno
votare anche negli Stati con i quali il Governo italiano non ha concluso apposite intese.
Gli elettori residenti e temporanei all’estero riceveranno a domicilio, da parte del Consolato di riferimento, il plico
elettorale contenente le schede e le istruzioni sulle modalità di voto.
Chi non ricevesse il plico elettorale entro il 7 giugno, potrà recarsi di persona all’Ufficio consolare di riferimento per
verificare la sua posizione elettorale.
Chi si trovi temporaneamente all’estero e non appartenga alle tre categorie sopraindicate, puo’ votare per i referendum
solamente recandosi in Italia per esprimere il voto presso le sezioni istituite nel proprio Comune.
Concluse le operazioni, le schede votate dagli italiani residenti all’estero pervenute ai Consolati entro le ore 16,00
del 18 giugno 2009 saranno trasmesse in Italia, dove avrà luogo lo scrutinio a cura dell’Ufficio Centrale per la
Circoscrizione Estero istituito presso la Corte di Appello di Roma.
Il Console Generale
Umberto Malnati
Consulado Geral da Itália - Av.Presidente Antonio Carlos, 40 - CEP 20020-010 - Rio de Janeiro - RJ
(005521) Tel. 3534.1315 / Fax: 22626348 - www.consriodejaneiro.esteri.it
esporte
S
e no Brasil, o tênis não
soube aproveitar a sua
época áurea com Gustavo Kuerten, o Guga, para manter grandes resultados,
o mesmo não se pode dizer da
natação. Depois do ouro em Pequim, nos 50 m livres do ítalobrasileiro César Cielo, houve um
verdadeiro turbilhão nas piscinas
nacionais. Recordes e excelentes resultados de fazer inveja a
muitos “tubarões” tornam o país
respeitado e com chances de voltar do 13º Mundial de Esportes
Aquáticos com razoável número
de medalhas. O evento será realizado em Roma, de 19 de julho a
2 de agosto.
A constelação das piscinas começa pela estrela maior, o único
campeão olímpico da história da
natação brasileira. Com a convicção de quem sabe do que é capaz,
Cielo diz à Comunità, sem qualquer sombra de arrogância, qual
será o seu objetivo no evento:
— Vencer. Tocar a parede primeiro do que todos. Não importa
se será com recorde ou não.
César é detentor do recorde
olímpico de 21s30, marca com a
qual venceu em Pequim. O recorde mundial foi batido pelo francês Frédérick Bousquet, no último 26 de abril, em Montpellier,
na França, que nadou em 20s94.
Cielo acredita que, em Roma, poderá fazer um tempo melhor do
que o do francês e prevê que o
Brasil deve trazer para casa “quatro ou cinco medalhas”.
Não é apenas na prova na
qual é campeão olímpico que
Cielo vai competir no Mundial.
Nos 100 metros livres, ele venceu
o Troféu Maria Lenk, o campeonato brasileiro disputado no Rio
em maio, com 47s60, resultado
melhor ainda do que na medalha
de bronze (47s67) conquistada
na última Olimpíada. Além dos
Frederick Bousquet
52
Foi França quem também brilhou no Troféu Maria Lenk ao bater o recorde mundial, nadando
as eliminatórias dos 50m peito
em 26s89.
— O Brasil está entre os três
países do mundo que mais evoluíram na natação, juntamente com
Austrália e Rússia. Os Estados Unidos não contam porque sempre estiveram no topo — informa Felipe
França. — Há mais ajuda financeira.
Só vou para fora do Brasil se o meu
técnico, Arílson Soares, for junto.
França nada pelo Pinheiros,
mesmo clube pelo qual Cielo compete quando está no Brasil. Além
dos dois, Henrique Barbosa é outra esperança de medalha brasileira no Mundial. No Troféu Maria
Lenk, também pelo Pinheiros, ele
obteve o segundo melhor resultado do mundo na história tanto
nos 100 m (59s03) quanto nos
200 m (2m08s44), ambos no nado peito. Com essas marcas, ele
se aproximou dos recordes mundiais do japonês Kosuke Kitajima
- 58s91, nos 100 m e 2min07s51,
nos 200 m.
Ao lado, César Cielo.
Abaixo, Felipe França. Todos
competem pelo Pinheiros
Medalhas
na água
Natação brasileira vai forte para o Mundial a ser disputado em Roma
Maurício Cannone
50m e 100m livres, ele também
pretende nadar os revezamentos
4x100m livres e 4x100m medley no Mundial. Ele também está
classificado para os 50m borboleta.
Paulista de Santa Bárbara do
Oeste, 22 anos, bisneto de italianos tanto por parte de pai como de mãe, Cielo está em busca
do passaporte italiano, mas não
pretende morar na Itália. A família paterna, de onde vem seu
ComunitàItaliana
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Junho 2009
sobrenome Cielo, é originária de
Treviso; a materna (Valerio), de
Veneza. Além do português, o
atleta fala inglês - é radicado em
Auburn, no estado norte-americano do Alabama - e o espanhol.
Já a língua dos seus bisavós, ele
não domina. Mesmo tendo uma
experiência na Itália, em 2007,
ao treinar e competir pelo Ispra,
clube do município de mesmo
nome, da Província de Varese, na
região da Lombardia:
— Tento conseguir o passaporte para ter mais facilidade para viajar, sem precisar requisitar
vistos. Gostei muito de Milão,
onde participei de competição
da Armani. A cidade me lembra
São Paulo. Na Itália, me agradaram principalmente os restaurantes. A cozinha de lá é leve, fácil
de digerir. Também nadei em Treviso, Gênova e Viareggio.
Na Universidade de Auburn,
Cielo disse que tem todas as con-
dições de treinamento, embora o
lugar ideal para morar seja outro:
— Lá é difícil sair da rotina de
atleta. Há toda a estrutura necessária para competir, para descansar. Porém, o lugar ideal para viver
é no Brasil. Não é preciso necessariamente sair do país para obter
bons resultados. Praticamente só
eu e o Henrique Barbosa, radicado
na França, treinamos no exterior.
O Felipe França, que é recordista
mundial, treina no Brasil.
Thiago Pereira vai ser mais
um nome importante do Brasil
no Mundial. Ele ganhou a medalha de ouro nos 400 m medley
na etapa de Charlotte do Grand
Prix dos Estados Unidos, com
4m16s19, recorde da competição, em 15 de maio. Na mesma
data, Pereira foi bronze nos 100
m peito, com tempo de 1m02s46,
atrás dos norte-americanos Mark
Gangloff (1m00s18) e Erik Shantou (1m00s63).
Henrique Barbosa, assim como Cielo, treina no exterior
Foro Itálico
O coração do 13º Mundial de Esportes Aquáticos será o Foro Itálico, com quatro piscinas permanentes e duas provisórias. Lá serão disputadas não apenas provas de natação como também de
pólo aquático, saltos ornamentais e nado sincronizado. A natação em águas abertas está marcada para Ostia, localidade de mar
que faz parte do município de Roma, embora afastada da cidade. A organização do evento espera receber um público de 400
mil pessoas. Duzentas nações
e 2.800 atletas participarão do
evento. O nome mais aguardado
do campeonato é Michael Phelps.
O norte-americano, que ganhou
oito medalhas de ouro na Olimpíada de 2008, voltou em maio
às competições de natação. Ele
ficou três meses suspenso por
uso de maconha. Com isso, ficou
ao todo nove meses afastado das
piscinas, incluindo a parada após
os Jogos de Pequim.
À exceção da natação em
piscina, as melhores chances de
medalha do Brasil estão nas maratonas aquáticas. Ana Marcela
Cunha, nos dez quilômetros, e
Poliana Okimoto, que nadará tanto os cinco como os dez mil metros, têm boas chances na natação em águas abertas no mar de
Ostia. Nos saltos ornamentais, alguma esperança para César Castro
no trampolim de três metros. Nadadores italianos têm boas chances de trazer medalhas
do Mundial nas piscinas, entre
os quais Filippo Magnini (100m
livres), Federica Pellegrini (100,
200, 400m livres), Alessia Filippi (800, 1500m livres). Em águas
abertas, Valerio Cleri, nos 10km,
está entre os melhores. Tania
Cagnotto pode subir ao pódio
Junho 2009
/
nos saltos ornamentais em trampolim de três metros. A equipe
masculina de pólo aquático da
Itália, conhecida como Settebello é uma das favoritas para
ganhar medalha. O Mundial na Itália será o
primeiro a ser realizado após a
Federação Internacional de Natação (Fina) ter divulgado a lista
de maiôs aprovados para serem
usados pelos atletas. Muitos dos
recordes atuais são atribuídos a
essas peças de alta tecnologia
que reduzem o atrito do atleta
com a água. A marca do brasileiro Felipe França, no Troféu Maria Lenk, por exemplo, foi obtida com a ajuda de um maiô que
agora está proibido. Já o usado
por César Cielo, no mesmo evento, está permitido.
A Fina aprovou 202 trajes,
reprovou dez e exigiu modificações em outros 136. Esses maiôs custam em média 600 euros.
Os modelos aprovados receberão
suas etiquetas da Fina em Roma.
Assim, todos os trajes usados pelos nadadores no evento passarão por uma inspeção.
O LZR-Racer, da Speedo, desenvolvido pela Nasa, a agência espacial norte-americana, é
um dos aprovados. Esse maiô foi
usado em 27 quebras de recorde
mundial e foi uma das sensações
das Olimpíadas de Pequim em
2008. Nos últimos 15 meses, 126
recordes foram batidos como auxílio de maiôs. O brasileiro Cesar
Cielo costumava usar dois maiôs:
um X-Glide (reprovado) e um Arena Evolution (aprovado). Foi com
esse último que ele bateu seu recorde no Troféu Maria Lenk. Por
isso, ele se diz tranquilo em relação às novas regras da Fina. Segundo Cielo, nada vai mudar para
ele. Nem o maiô.
ComunitàItaliana
53
Firenze
italian style
Giordano Iapalucci
Museo dell’Emigrazione
ono più di 70 milioni gli italiani sparsi in
tutto il mondo, frutto del processo emigratorio a partire dalla seconda metà del XIX
secolo. La Fondazione Cresci di Lucca ha voluto rendere omaggio a tutti coloro che con
sudore e lacrime hanno abbandonato il paese
natale verso nuovi lidi. Per chi non lo sapesse
la provincia di Lucca ha registrato il più alto
numero di migranti che si sono spostati verso Stati Uniti, Brasile e Argentina. L’Archivio
della Fondazione propone migliaia di documenti, fotografie, lettere e passaporti come
anche una parte interattiva e multimediale
con filmati Rai e interviste. Per il visitatore
sarà inoltre possibile effettuare delle ricerche
sul proprio albero genealogico mediante strumenti informatici. Aperto tutti i giorni tranne
il lunedì. Info: www.fondazionepaolocresci.it
I marmi Vivi
F
54
ComunitàItaliana
/
Ravel e Orff a San Galgano
N
ello splendido scenario dell’Abbazia
di San Galgano, vicino Siena, il giorno 17 luglio alle 21.00 sarà possibile
assistere al Bolero di Ravel e Carmina Burana
di Orff. Il monastero di San Galgano fu consacrato nel 1268 e dopo periodi di alterno
splendore si ridusse alla fine del settecento
ad un rudere ascetico con un’alta spiritualità e misticità. Si tratta di una cattedrale a
cielo aperto, soltanto riparata dai muri late-
La storia sui muri
P
er questa volta, ma solo per questa non
li troverete attaccati sui muri: sto parlando dei manifesti pubblicitari, grandi protagonisti della mostra “Grand Tour in Toscana, la storia sui muri”. È un viaggio molto
originale di oltre un secolo, tra fine ottocento e inizi anni duemila, tra cartelloni propagandistici di prodotti o località della Toscana firmati dai grandi artisti come Puppo,
Cappiello e Borgoni. Promossa dalla Regione
Toscana, l’esposizione esordirà a Marina di
Massa (dal 23 luglio al 30 agosto) per trasferirsi poi a Chianciano Terme (fino al 9 ottobre). Ingresso libero.
Junho 2009
rali che scaraventano lo spettatore in un immaginario spazio-tempo medievale in cui la
magia prende possesso della notte creando
un fantastico incantesimo di altri tempi. Se
a tutto questo si aggiunge la vibrante energia del Bolero di Ravel e di Carmina Burana
di Orff, la serata è servita! Saranno circa 800
posti. Nell’abside sarà posto il palcoscenico
mentre nella navata centrale la platea del
pubblico. Ingresso da 28 a 37 euro.
Para os
amantes
do verde
A marca italiana Giò Style
acaba de criar uma linha de
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e branco que é uma graça.
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cheia de funcionalidades e
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eletrodomésticos combinados.
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Il fasto e la ragione
F
ino al 30 settembre il Polo Museale Fiorentino presenta la mostra dedicata all’arte del
settecento a Firenze. Il XVIII secolo per Firenze,
dopo i fasti dell’epoca rinascimentale e medicea
(quest’ultima durò fino al 1743), fu un periodo
che risultò essere molto proficuo sotto il punto di vista della politica internazionale. La città rinascimentale per eccellenza divenne così
meta obbligatoria del “Grand Tour” dei rampolli
dell’alta nobiltà europea. Con più di 120 opere
tra sculture, dipinti e arredi, l’esposizione offre
uno spaccato degli stili e dei gusti che vanno
dal tardo barocco al neoclassicismo. Presso la
Galleria degli Uffizi, Ingresso 6,50 euro.
Fotos: Divulgação
irenze, dopo il Paul Getty Museum di
Los Angeles, rende omaggio a Gian
Lorenzo Bernini con la mostra “I marmi
vivi e la nascita del ritratto barocco”. Rispetto a quella americana, l’esposizione
fiorentina pone l’accento sui ritratti giovanili riconducibili a prima del 1640 ed
è divisa in due
spazi: I ritratti parlanti, e Il
Bernini ritrattista: l’esordio e l’ascesa.
I ritratti scolpiti vennero
concepiti nel
cinquecento
come “state portrait”,
ossia la raffigurazione di
personalità
istituzionali e illustri
da ricordare
come esempi pubblici per le loro
azioni virtuose. La grandezza di Bernini
sta nel fatto di uscire dalla rappresentazione di queste immagini severe, fredde
e distaccate e di passare a scolpire figure
che sembrano animarsi e addirittura colloquiare con il visitatore; nascono così i
“ritratti parlanti”. Ingresso 7 euro. Museo del Bargello, Firenze.
Os produtos mencionados estão disponíveis no mercado italiano.
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Beleza na cozinha
Utilidade e elegância combinam perfeitamente neste
belíssimo forno microondas, feito todo em aço inox
e eleito há muitos anos o melhor amigo daqueles
que gostam de comodidade. A marca é Giò Style.
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Junho 2009
/
ComunitàItaliana
55
Patrimônio
a ser
preservado
Trecho de nove quilômetros
que mantém construções
e costumes italianos da
época da imigração, no Rio
Grande Sul, é declarado
patrimônio histórico e
cultural. Mesmo assim, pode
vir a ser descaracterizado
A
Sílvia Souza
impressão que se tem ao
visitar o distrito de São
Pedro, em Bento Gonçalves, é a de estar viajando no tempo. Paisagens, arquitetura, cultura: os elementos que
compõem as diversas cenas da
viagem lembram uma Itália remota, dos idos de 1800, mas ao
mesmo tempo, muito presente e
atual para brasileiros que buscam
resgatar a influência da imigração por aqui. Agora, quem desejar viver experiências como essa
conta com um incentivo a mais. O
trecho batizado de Caminhos de
Pedra foi declarado patrimônio
histórico e cultural do Rio Grande
do Sul, após aprovação unânime
pela Assembleia Legislativa.
A rota, que integra sete comunidades entre Bento Gonçalves e Farroupilha, foi fundada em
1992 e inclui construções histó-
56
ricas da região da serra gaúcha,
assim como restaurantes, pousadas e locações que remetem ao
tempo em que os imigrantes chegaram ao Estado. A iniciativa de
tombar aquele trecho foi do deputado Jerônimo Goergen.
— É uma medida que amplia
o potencial turístico da região, já
que reconhece um patrimônio inquestionável da história de nosso Rio Grande. Ainda em 2008,
o Departamento Autônomo de
Estradas de Rodagem (Daer) nos
informou sobre obras de pavimentação na RS-855. A expectativa é que isso ocorra ainda esse
ano — afirma o deputado.
Idealizado pelo engenheiro
Tarcísio Vasco Michelon e o arquiteto Júlio Posenato, o roteiro
Caminhos de Pedra surgiu a partir de um levantamento do acervo
arquitetônico de todo o interior
ComunitàItaliana
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Junho 2009
do município de Bento Gonçalves, realizado no ano de 1987.
Na ocasião, constatou-se que São
Pedro - composto pelas comunidades São Pedro, São Miguel,
Barracão, São José da Busa, Cruzeiro, Santo Antonio e Santo Antoninho - mantinha o maior número de casas antigas da região e
conservava sua cultura e história
datadas a partir de 1875.
— Com recursos do Hotel
Dall’Onder algumas casas foram
restauradas e passaram a receber
visitação. O primeiro grupo organizado de turistas veio de São
Paulo e foi recebido na Cantina
Strapazzon em 30 de maio de
São 53 pontos de observação e a cada estação do ano a
paisagem se mostra de um modo diferente
1992 — recorda Nestor Foresti,
secretário executivo da Associação Caminho de Pedras.
Fundada em 10 de julho de
1997, com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio ao Empreendedor e
ao Pequeno Empresário (Sebrae),
a Associação tem como objetivo
a preservação da rota, bem como
a projeção de iniciativas que revelem o patrimônio existente no
local, da arquitetura ao folclore,
passando pela língua e a arte.
O projeto é considerado pioneiro no que diz respeito ao turismo rural e cultural do país e
recebe por ano cerca de 50 mil
visitantes. São mais de 70 edificações em pedra, madeira e alvenaria dispersas num raio de nove
quilômetros. Atualmente, a Associação Caminhos de Pedra conta
com cerca de 60 associados. O
trajeto inclui ainda a Linha Palmeiro, na parte que pertence ao
município de Bento Gonçalves,
mas a ideia é expandir o projeto até à cidade de Caxias do Sul,
passando por Caravaggio.
— O avanço da cidade de
Bento Gonçalves sobre a zona
rural e o adensamento populacional de toda a área de abrangência dos Caminhos de Pedra,
com a consequente especulação imobiliária, tem ameaçado
a preservação desse sítio histórico. Esta nova lei confere uma
proteção especial à área. Afinal,
não basta proteger os bens imóveis. Faz-se necessário proteger
também o seu uso racional, bem
como o entorno peculiar que os
caracterizam, fruto da relação do
imigrante italiano com o ambiente local que foi a mola propulsora de todo o desenvolvimento da
Serra Gaúcha — salienta Foresti.
No meio do Caminho,
um presídio
Segundo a Associação Caminhos
de Pedra, 150 famílias sobrevivem direta e indiretamente do
turismo na localidade. Com doze casas abertas à visitação, a
região alia à microeconomia a
produção de itens como queijo
de leite de ovelha, que recorda
o processo toscano; o vinho com
uvas trazidas da Itália na época
da imigração e a manutenção de
grupos artísticos que se apresentam dentro e fora do município.
Por conta de tudo isso, a Associação discorda de um projeto do
governo do estado para a construção de um presídio numa área dos
Caminhos, desapropriada pela prefeitura de Bento Gonçalves.
— Denunciamos ao Ministério Público e esperamos que com
a nova Lei o governo desista dessa idéia de trazer o presídio para
cá. Seria um corpo estranho nessa paisagem e acreditamos que
existem outros lugares mais propícios para tal iniciativa — argumenta Foresti.
Diretor do Departamento de
Planejamento, Projetos e Convênios da Secretaria da Segurança
Pública do Rio Grande do Sul, o
delegado Antônio Carlos Padilha
afirma que o aumento da criminalidade na região justificaria a
implantação da unidade prisional
no município.
— O terreno já foi desapropriado pelo município, em 2008,
e sua posse transferida ao Estado. Portanto, a obra da penitenciária será realizada naquele local. O projeto segue seu curso
normal. O Estudo de Impacto de
Vizinhança foi entregue à administração municipal para análise
e aprovação. Paralelamente a isso, está sendo contratada uma
empresa para a realização da
sondagem de solo da área destinada à construção do empreendimento penitenciário.
Após a sondagem, segundo o
delegado, o projeto será adequado pela secretaria de Obras Públicas e enviado à Caixa Econômica
Federal para análise e liberação
para a realização de procedimento licitatório:
— O valor disponibilizado
para a obra é de 11 milhões de
reais (80% da União e 20% do
Estado). A capacidade será de
336 presos. Pelo cronograma, ficará pronto em um ano.
Fotos: Nestor Foresti / www.caminhodepedra.org.br
patrimônio
Por dentro e por fora: na vinícola Salvati e Sirena
do parreiral à música, se respira Itália
História
Foi às margens do arroio Barracão
que, a partir de 1870, a Comissão
de Colonização e Terras do Governo Imperial do Brasil instalou-se
para demarcar os lotes de terras
da Linha Palmeiro. Formava-se ali,
a maior de todas as linhas da colonização italiana, com 200 lotes
de 48,4 hectares cada. No final de
1875, o Barracão descrito no livro
Assim vivem os italianos (de Arlindo Battistel e Rovilio Costa) como “uma alta construção de um só
plano e mal vedada, com longas
taquaras pregadas na parede, horizontalmente, e cobertas de barro
e folhas” –, começou a receber e
hospedar provisoriamente as primeiras levas de imigrantes.
Ali eles recebiam seus lotes,
algumas ferramentas, sementes e
outros utensílios. Isso, porém, só
acontecia após uma longa espera
que podia chegar a diversos meses. Os colonos eram cadastrados
e tudo o que recebiam, inclusive
a terra, era-lhes lançado como dívida com o Governo Imperial que
deveria ser quitada no prazo de
10 anos. Tudo foi planejado para
que o local fosse a sede da colônia Dona Isabel. Porém, em 1876,
não se sabe bem os motivos, a
Comissão de Terras transferiu-se
das margens do arroio Barracão
Junho 2009
/
para o alto do morro, na Cruzinha, sob um pinhal onde hoje é o
centro de Bento Gonçalves.
Em um relatório assinado em
1905, o agente consular italiano
Luigi Petrocchi constatou que a
sede da nova Colônia Dona Isabel, (hoje Bento Gonçalves), “foi
traçada em 1875, em um vale entre dois cursos d’água, num local
baixo, próximo ao barracão dos
imigrantes, e chamada então de
cidade branca, devido às tendas
feitas de lençóis”.
O local foi a porta de entrada
dos colonos assentados na Linha,
que inicialmente não passava de
uma picada tortuosa no meio da
mata tentando acompanhar uma
linha reta imaginária. O nome
Palmeiro foi dado em homenagem
ao Major Engenheiro José Maria
da Fontoura Palmeiro, responsável pelos assentamentos nas terras do Governo Imperial. Como os
lotes eram grandes, normalmente
eram assentadas duas famílias por
lote, uma em cada extremidade.
O visitante que ingressar nos
Caminhos de Pedra pelo Barracão
estará, pois, utilizando a mesma
porta de entrada dos primeiros
imigrantes italianos, revivendo as
mesmas sensações dos recém-chegados, através das histórias contadas pelos seus descendentes.
ComunitàItaliana
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il lettore racconta
atualidade
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ComunitàItaliana
/
A impressão é de que os Sarro
foram seguindo a expansão do café
em direção ao oeste do estado de São
Paulo, passando por cidades nascentes
como Jaú, onde nasceu meu pai, Anésio Sarro. No ABC e bairros próximos
de São Paulo, estabelecem-se várias
famílias de Sarro e Saro. Alguns
Sarro não quiseram se mudar para a
cidade grande. Outros preferiram
tentar a vida no norte do Paraná,
onde a colonização era recente e
os cafezais ainda vicejavam. Dois tios
viveram e morreram ali, deixando
descendentes. Também identifiquei
uma família De Sarro, em Bandeirantes (SP) aparentada conosco.
Em 2001, consegui um contato
na Itália, na mesma San Dona di
Piave, de onde meu bisavô saíra havia já 110 anos. Descobri uma senhora
muito idosa chamada Caterina Saro Bertoncini e lhe escrevi. Quem
me respondeu foi sua neta, Amarylli Fridegoto Bertoncini, de 32
anos, venezuelana educada na Itália, filha de italianos de San Donà.
A mãe, cantora lírica, neta de Secondo Saro, irmão de meu bisavô,
aquele que voltara para a Itália.
Trocamos e-mails e ela me explicou que, de acordo com a sua avó,
Secondo voltou para a Itália em
1900 para prestar serviço militar.
Aqui ele se casou duas vezes. A primeira vez com Caterina Pellegrini (o grande amor de sua vida) que
morreu quando deu à luz pela primeira vez. Sendo assim, como gratidão à cunhada Angelina, que cuidou
da recém-nascida, ele se casou com
ela. Com Angelina ele teve 13 filhos,
sendo que sete morreram pequenos.
E foi através desse e-mail que consegui resgatar uma parte da história
do clã que permaneceu na Itália.
A arte está mesmo presente em nossa família. Se Amarylli
é concertista, aqui temos o Adélio
Sarro, pintor e escultor reconhe-
Maio 2009
Bruno de Lima
M
eu
bisavô
Domenico Luigi Saro nasceu
em 1865, numa cidade pequena chamada
San Donà di Piave, ainda sob tacão
austríaco, e cresceu durante a anexação do Vêneto ao reino da Itália.
Em 1891, com 26 anos, já casado e
com filhos, decidiu imigrar para a
América como faziam tantos outros
italianos naquele período, visando
fugir da fome e da miséria.
Chegou ao Brasil em dezembro,
com a esposa Elisa Bocalon e três
filhos pequenos: Antonio, Giovanni e
Giuseppina. Trouxe também os pais,
Antonio Saro e Domenica Capon, e
três irmãos mais novos: Secondo Nazzareno e Giuseppe. Há informações
de que tenham ficado na Itália outros dois irmãos mais velhos de meu
bisavô: Angelo e Giangiotto. Secondo
Saro voltou para Itália.
Meu bisavô e seu clã chegaram
ao Rio de Janeiro no vapor Montevideo e foram transferidos para
São Paulo, passando pela Hospedaria
do Imigrante, no Brás. De lá até
o interior paulista pouco se sabe. O
certo é que no fim do século 19 já
estavam estabelecidos em Piracicaba
(SP), onde nasceu meu avô, Augustinho Sarro, em 1898. Meu avô teve
outros irmãos no Brasil, mas não se
sabe qual deles foi o primeiro a ter
dois erres no nome. Pelo menos o
meu avô foi registrado assim.
Novidade
na xícara
Por ser mais saudável, o café de cevada é “descoberto” na Itália
cido com obras até no exterior. Ele
mora em São Bernardo do Campo e
é descendente de Giuseppe Saro,
um dos irmãos mais novos de meu
bisavô. Existe ainda a artista gráfica
suíça Eva Saro que esteve no Brasil
na década de 90 conduzindo alguns workshops.
Em julho de 2008 estive na
Itália, a convite da secretaria de
Cultura de San Donà di Piave, para
fazer uma exposição com meus cartuns num centro cultural local. Sou
cartunista e ilustrador e leciono
em faculdades de design. Minha
irmã foi comigo e aproveitamos para reencontrar parentes e conhecer outros. Passamos pelas cidades de
Portogruaro, Ceggia e Jesolo, além
de visitar Veneza, Torcello, Burano,
Murano, Milão, Florença e Roma.
Rodamos a Itália. Estive no mausoléu dos Saro. Segundo meu primo
Leo Saro, que vive em Stra (também
na província de Veneza), os Saro são
originalmente de Acquilea, cidade importante durante o Império
Romano, que hoje é um vilarejo de
valor histórico. Fica na província de
Friuli Venezia-Giulia. Esse resgate genealógico nos faz sentir mais
perto de nossos ancestrais. É muito
bom saber como e onde tudo começou.
Ed Marcos Sarro.
São Caetano do Sul - SP
Mande sua história com material fotográfico para:
[email protected]
Q
ue o espresso é uma paixão, na Itália, todos sabem. Porém, um outro tipo de café tem conquistado cada vez mais espaço no coração dos italianos: o café d’orzo,
feito de cevada. Nos últimos
tempos, moderníssimas mokas
(cafeteira italiana) foram lançadas no mercado para quem deseja preparar a bebida em casa.
Em bares e cafeterias, atraentes
máquinas coloridas logo chamam
a atenção do consumidor para a
bebida. Agora, última novidade é
a cevada expressa, que pode ser
aromatizada nos sabores chocolate, creme e rum.
Além da Itália, somente Portugal tem o hábito de consumir
esse tipo de café. A origem do
d’orzo não é italiana, mas a bebida é extremamente ligada à história do país. Nos anos 30, o regime fascista havia proibido as
importações alimentares. Devido
à falta de produtos, os baristas
tiveram que se arranjar. Outros
grãos começaram a ser tostados
e testados para substituir o tradicional café, então em falta.
A crise passou, mas o café de
cevada ficou pelos bares. No momento, virou atração entre os jovens, que o consideram cool porque é natural e “da moda”. Segundo a nutricionista Cinzia Salani, a cevada tem um alto poder
nutricional e é muito digestiva.
Janaína César
Correspondente • Treviso
É rica em cálcio e fósforo e contém uma pequena quantidade de
silício, “por isso desenvolve uma
branda ação sedativa”. Mas não
é tudo. Este velho cereal ajuda
a prevenir doenças pulmonares e
cardiovasculares, cura distúrbios
e inflamações do aparelho digestivo e tem ação desintoxicante.
Dentre os milhões de recentes admiradores do d’orzo está a
advogada Elena Pavan. Todos os
dias, ela toma três xícaras da bebida - uma de manhã, outra após
o almoço e a última após a janta.
Elena conta que descobriu o café
de cevada quando estava grávida.
— Foi minha médica quem
aconselhou trocar o café tradicional pelo de cevada. Eu, sinceramente, não o conhecia. Quando
vi que era como o café normal, da
mesma cor e mesma consistência,
decidi experimentar. Desde então, só tomo café de cevada. É
verdade que, às vezes, abro uma
exceção para um expresso tradicional, mas o d’orzo faz parte da
minha rotina — diz a advogada.
Muitos provam o café de cevada involuntariamente. Como
eles passaram a fazer parte das
máquinas instantâneas, espalhadas em todo o país, há quem
aperte o botão errado. Foi isso
o que aconteceu com o brasileiro Cléber de Lima. Estudante de
mestrado em conservação musical na Universidade de Gorizia,
na região do Friuli-Venezia Giulia, ele estava louco para tomar
um café longo, mas o que recebeu foi um d’orzo. Provou e não
gostou. Ele admite que nem tinha reparado que tinha, na máquina, a opção de café de cevada
porque ele desconhecia a existência desse tipo de café.
A cevada é um cereal de inverno que ocupa a quinta posição, em ordem de importância
econômica, no mundo, com cerca de 170 milhões de toneladas
produzidas anualmente. Originária do Oriente Médio, é um dos
Junho 2009
/
grãos mais antigos usados para
a alimentação que se tem notícia - egípcios, gregos e romanos
já o conheciam. Hoje, é utilizado na industrialização de bebidas (cerveja e destilados), na
composição de farinhas ou flocos
para panificação, na produção de
medicamentos e na formulação
de produtos dietéticos e de sucedâneos de café. Também é empregado na alimentação animal
como forragem verde e na fabricação de ração.
A Itália encontra-se entre os
principais países produtores de
cevada, ao lado da Rússia, Canadá, Alemanha, França e Espanha.
Marcas como Crastan, Milupa, Orzoro (da Nestlè), Pagnini e Star
enchem as prateleiras dos supermercados do país oferecendo além
do café, a cevada instantânea destinada à alimentação das crianças.
O Brasil produz cerca de 380
mil toneladas por ano de cevada,
porém, o principal uso econômico é a malteação para a cerveja.
No país, é mais difícil encontrar
o café de cevada do que na Itália. Mesmo assim, a bebida pode
ser consumida em restaurantes
macrobióticos. A marca Superbom oferece opção para quem
quiser fazer café de cevada em
casa. Nesse caso, é preciso usar
coador de pano, pois os filtros de
papel não deixam este tipo de
café passar.
ComunitàItaliana
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Sapori d’Italia
gastronomia
Sônia Apolinário
Como
nonno
fazia
Nova geração de ítalo-brasileiros
garante, no Rio e em São Paulo, o
sabor e a tradição do autêntico gelato
C
Nayra Garofle
— Tínhamos muitas receitas
guardadas e lembranças dos gelatos do meu avô. Stuzzi era o
nome da gelateria que meu avô
tinha no Vêneto, antes de vir
para o Brasil — conta Scabin.
O jovem administrador, de
34 anos, revela que a sorveteria, ou melhor, gelateria como
prefere chamar, é uma forma de
manter viva a tradição italiana
na família. Mais do que isso. Ele
quer que as pessoas se sintam
como se estivessem em um pedacinho da Itália, só que no coração da Vila Madalena.
É com este mesmo conceito
que os primos Bosco e Masello,
de 32 e 28 anos, criaram a Ama-
Por acaso, a história de restaurantes italianos
populares que moram no coração do carioca se
cruzou. Como resultado, surgiu o Domenico, mais
elegante e com menos concessões no cardápio
rena, em Copacabana. Eles são a
primeira geração ítalo-brasileira
da família. Na década de 60, o
local era o endereço da mercearia
de seus pais.
— Com os supermercados
a mercearia foi perdendo valor. Pensamos numa maneira de
mudar de negócio. Fomos para
a Itália aprender com a nossa
família que já trabalhava com
sorvetes em Fuscaldo, na Calábria — explica Bosco, que é administrador de empresas e morou seis meses em Roma quando
estudou na Universidade Italiana La Sapienza.
A empolgação estampada no
seu rosto ao falar sobre a sorveteria revela o orgulho de ter
correndo nas veias o sangue italiano. Tanto que os conterrâneos
chegam na Amarena e são atendidos no idioma de Dante para
que se sintam em casa.
Ambas as casas oferecem sabores exóticos e adaptados ao
gosto brasileiro. A Stuzzi, por
exemplo, oferece o sorvete de
maçã assada com canela, fina-
Bruno de Lima
omo os ítalo-brasileiros
podem dar prosseguimento à cultura italiana da família de forma
empreendedora? Foi pensando
nisso que o paulista Alexandre Scabin e os primos cariocas
Gianpietro Bosco e Francesco
Masello tiveram a mesma ideia:
abrir um negócio autenticamente italiano.
As cidades são diferentes e
do ponto de vista comercial isso
favorece, já que os jovens empresários decidiram trazer para o
Brasil o sabor do autêntico gelato. Em São Paulo, Scabin abriu a
Stuzzi Gelato e Caffè utilizando
as receitas de seu avô Vitorio.
Simplicidade
clássica
Os primos Francesco Masello e Gianpietro Bosco na carioca Amarena. Ao lado, a paulista Stuzzi da família Scabin
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ComunitàItaliana
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Junho 2009
lizado com um toque de mel e
morango. São 16 sabores ao todo, dos quais fazem parte pêra
com água de coco, amora e mirtilo, são opções sem lactose e
com 0% de gordura. Na Amarena, além dos apetitosos sabores
como tiramisu, prosecco e caipirinha, não poderia deixar de ter
o gelato de amarena, um tipo de
cereja existente na Itália, que
aliás é o preferido do carioca.
Um dos mais curiosos é o viagro,
inspirado na famosa pílula azul
com adição de ginseng. A “carta” é composta por 32 sabores.
Diferente da cultura italiana, os brasileiros não costumam
encarar os sorvetes no inverno.
Porém, os empresários garantem
que esse conceito já está mudando, mas desenvolvem soluções
para atrair os clientes mesmo no
frio. Na Stuzzi, Scabin desenvolveu um setor de cafeteria, além
de investir em sobremesas “menos geladas”. Na Amarena, os
primos asseguram que apesar do
movimento cair até 40%, após o
verão, as pessoas que frequentam a casa durante o calor costumam voltar no inverno por terem a certeza que o sorvete não
é tão gelado.
— O gelato italiano é cremoso, consistente e, por conta dos
ingredientes, não é supergelado.
As pessoas percebem que podem
tomar e não sentirão frio — conta Bosco que pretende futuramente, “espalhar” pelas cidades
outras filiais.
R
io de Janeiro – Aberto há pouco mais de um ano, o novo restaurante é uma homenagem da família dos proprietários ao parente Domenico Magliano. Ele abriu em 1958 o La Mole – uma
homenagem à torre Mole Antonelliana, localizada em Turim,
sua cidade natal.
O chef do Domenico é Túlio Colonese, de 30 anos. Ele é neto e
filho de italianos. Seu avô Mario Colonese, originário da Calábria, há
50 anos abriu o restaurante Pronto. A família ainda tem outros dois
restaurantes na cidade. O Domenico fica exatamente entre o Pronto
e o La Mole, na mesma calçada da rua Dias Ferreira, o grande pólo
gastronômico do Leblon, na zona sul do Rio. Mera coincidência, diz
Colonese, o neto.
Desde criança ele frequenta a cozinha dos restaurantes da família,
ao contrário do irmão mais novo que nem chegava por lá. Com 18
anos, Colonese avisou que queria trabalhar nos restaurantes, mas foi
colocado na área administrativa. Ele, porém, queria a cozinha. Para se
certificar que era esse mesmo seu caminho, arrumou um estágio em
um famoso restaurante da cidade. Provou e gostou. Partiu, então, para
a escola. Mais precisamente o curso de Gastronomia e Sommelier do
Senac de Águas de São Pedro (SP), onde se formou.
A “pós-graduação” o levou para o aeroporto. Colonese passou três
anos na Itália, mais precisamente na Toscana, para desvendar os segredos da gastronomia italiana que tanto ama. Lá, trabalhou em vários
lugares sendo o mais famoso deles o refinado Castello di Spaltenna,
em Gaiole, na região de Chianti.
Quando voltou, Domenico estava
a sua espera.
— Minha intenção era reinventar no Rio um pedaçinho
da Itália, com um menu classicamente italiano. A cozinha
italiana no Brasil é adaptada,
perdeu um pouco as origens.
Na verdade, é uma cozinha da
Itália é muito simples, baseada
no sabor natural dos seus produtos. O francês, por exemplo,
coloca muito molho que disfarça o paladar dos ingredientes. O
que eu busco são os verdadeiros
produtos que fazem a diferença
na cozinha italiana — explica
Colonese.
Túlio Colonese
Tagliatelle agli scampi e
gamberi con bottarga di muggine
Ingredientes:
150 gr de tagliatelle; 1 dente de alho picado; 1 colher se sopa de
salsinha picada; 70 gr de lagostins descascados; 70 gr de camarões descascados; 100 ml de molho de tomate; 40 gr de tomate
cereja; 40 ml de vinho branco.
Modo de fazer:
Refogue o alho, os tomates e os frutos do mar no azeite rapidamente sem queimar. Banhe com o vinho e deixe evaporar. Junte
o molho de tomate e cozinhe por 3 minutos. Acrescente a massa
já cozida e salteie. Salpique bottarga ralada e salsinha e sirva.
Alguns desses produtos são a Guanciale, salame típico do centro
da Itália, usado após curar três meses no sal e pimenta; a Bottarga,
ovas de tainha defumadas, típicas da Sicília; e o Lardo de Colonnata,
uma gordura de porco que envolve o lombo de cordeiro, dando untuosidade à carne.
No cardápio, é possível encontrar como sugestão de antipasti Riccioli di calamari, selezione di fagioli e guanciale croccanti (lulas grelhadas, bochechas de porco crocantes e feijões, R$19,00); carpaccio
d`anatra in crema di sedano e formaggio (fatias de peito de pato marinado com creme de aipo e queijo de coalho grelhado, R$23,00), além
de porções de presunto San Daniele.
Dentre as massas estão o Ravioli di pernice con pesto di basilico e
pignoli tostati (ravióli de perdiz com pesto de manjericão e pinoles
tostados, R$38,00); Pappardelle al ragu (massa larga com molho de
carne bovina e ervas, R$33,00) ou Tagliatelle agli scampi e gamberi
con bottarga di muggine (tagliatelle com lagostins e camarões com
ovas defumadas da Sicília, R$47,00), a preferida do chef.
No Domenico também se saboreia uma autêntica bisteca fiorentina, ossobuco, paleta de javali, costela ou lombo de cordeiro. Em todo
o cardápio, a única concessão de Colonese é o arancini. No Domenico,
o tradicional bolinho de arroz siciliano é recheado com a brasileiríssima carne seca, além de catupiry.
Serviço: Domenico - Rua Dias Ferreira, 147, lojas AB
Leblon – Rio de Janeiro - RJ. Tel: (21) 2239-6614
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La gente,
il posto
Claudia Monteiro de Castro
Oasi di Ninfa
É
um verdadeiro oásis, a meia hora de
Roma. Não por acasao, chama-se Oásis de Ninfa - ou Jardins de Ninfa. Um
jardim exuberante, com plantas exóticas e
ruínas medievais. Para visitá-lo só com reservas e com visitas guiadas. O romântico local
foi idealizado na década de 20, pelo príncipe
Gelasio Caetani. Seu ponto de partida foi a
vontade de realizar um jardim, sob orientação
de botânicos, no meio das ruínas de uma cidade medieval. Outros membros de sua família deram continuidade ao seu projeto.
Boh…
A
s primeiras leituras de minha vida foram os gibis do brasileiro
Maurício de Souza. Cebolinha,
Mônica, Cascão e Magali eram
meus heróis… Como aprendi com eles!
Muitas vezes, as palavras que apareciam nos balões eram um mistério para
mim. Por exemplo, lembro de uma vez
em que li no gibi: “na hora H” e perguntei para minha mãe: o que é hora hhhhhh??’. Ao invés de pronunciar a letra H,
fiz um longo respiro para fora, como fazem
os americanos que dizem house, hamburguer,
etc. Afinal, estudando em escola americana, para mim “H” não era mudo.
Outra vez, lendo Cebolinha, me diverti com um personagem que apareceu uma
vez. Se não me falha a memória, talvez era o
primo do Cebolinha, que vinha da França. Tudo
o que o Cebolinha lhe perguntava, ele respondia:
“jenecepá.” Cebolinha ficou cabreiro. Queria saber o
que era esse tal de jenecepá. Que na realidade era
“je ne sais pas”, “não sei”, em francês.
Pois é. Toda língua tem o seu jenecepá. Nós temos o “sei lá”. Na Itália, existe o “non lo so”,
(não sei), mas também existe uma palavrinha
única que é muito mais potente:
o famoso “Boh!”, que se pronuncia “bô”.
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Passeando hoje pelo jardim, podem ser
vistos restos de torres, igrejas e casas. Tudo isso, rodeado por uma grande variedade
de espécies de plantas. O clima no local é
privilegiado, pois é protegido ao norte pelo
rochedo onde fica a cidadezinha de Norma.
Além disso, o rio que passa pelo jardim funciona como regulador térmico.
Oasi di Ninfa é um festival da natureza:
há macieiras, cerejeiras, magnólias, salgueiros, álamos, limoeiros, oliveiras, laranjeiras,
carvalhos, romãzeiras, bambus, e ainda espécies da Califórnia (EUA), Japão e China.
Um perfume sublime paira no ar, quando se
passa em meio às diversas flores presentes
no oásis: rosas, cravos, tulipas, papoulas,
lavanda, begônias. Uma maravilha.
Oasi di Ninfa: aberto ao público de
abril a outubro. Para quem visita Ninfa com
transporte público, é preciso pegar um trem
de Roma até Latina e desta cidade, pegar
um táxi.
Pergunte para um italiano:
“O que você está a fim de fazer hoje à noite?”
Invariavelmente, a resposta
vem: “Boh!”
Ou então:
“O que você pensa da
situação atual da Itália?”
“Boh!”
Ou a um adolescente:
“Quais são os seus projetos para o futuro?”
“Boh!”
Boh é onomatopéico. Exprime
dúvida, desconhecimento ou até a
falta de vontade de pensar numa resposta. Parece mais um suspiro ou um
grunhido de homem das cavernas do
que uma palavra propriamente dita. Porém,
não subestime o seu valor. Na realidade, é
cheio de significado, de conteúdo filosófico.
Serve para responder desde uma pergunta banal,
tipo “Vai chover hoje à noite?” até questões existenciais
como “Você acredita em Deus?” Boh cabe em tudo.
Eta palavrinha útil, de somente uma sílaba, mas
que traduz todas as dúvidas do
mundo. O que seria dos indecisos se não fosse por ela?
Boh!
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Saiba porque a marca Ferrero conquistou o