A m a i o r m í d i a d a c o m u n i d a d e í t a l o - b r a s i l e i r a www.comunitaitaliana.com Ano XVI – Nº 132 ISSN 1676-3220 R$ 10,90 Rio de Janeiro, junho de 2009 Doce Segredo Saiba porque a marca Ferrero conquistou o maior grau de confiança no mundo junto aos consumidores A queda de braço entre o CGIE e Alfredo Mantica 22 CAPA Fundada em 1946, a Ferrero, um império econômico multinacional na produção de chocolates, foi escolhida a marca de maior grau de confiabilidade junto aos consumidores, em todo o mundo Editorial Confiança......................................................................................06 Cose Nostre Atualidade Italianos que vieram ao Brasil em missão de solidariedade morrem na queda do avião da Air France que partiu do Rio de Janeiro��������� 30 Uma italiana fugiu no dia de seu casamento com o amigo do noivo que guiava o carro nupcial. Ela era aguardada pelo marido e pela família para a festa quando comunicou sua decisão pelo celular......07 Religione Política Artes Plásticas Economia Esporte Italianos residentes ou não no país votam este mês no Referendo que pode mudar a legislação eleitoral da Itália������������������������������������� 14 Com a participação de 11 brasileiros, exposição em Milão chama a atenção para a arte contemporânea feita na América Latina...........47 Liderada por Cesar Cielo, equipe brasileira vai forte para o Mundial de Roma. Evento será o primeiro a regular o uso dos maiôs.............52 Claudio Cammarota Fotos: Sheila Guimarães Storiche concorrenti, Perdigão e Sadia creano Brasil Foods (BRF) l’impresa più grande del Brasile nel ramo alimentare........................20 Irmã Dulce può diventare la prima santa brasiliana nata sul territorio nazionale............................................36 42 Musica Sabine Lovatelli Tedesca, ma cittadina italiana, contessa lavora in Brasile per divulgare l’opera classica ed aumentare il numero dei suoi spettatori 4 44 Entrevista Gabriel Felzenswalb O novo chefão da moda brasileira, que prefere bussiness à badalação, fala sobre seus planos para o setor ComunitàItaliana / Junho 2009 49 Automobilismo Mil Milhas O evento criado em 1927 mantém a charmosa tradição de corrida de carros antigos pela Itália 56 Patrimônio Caminhos de Pedra Trecho de nove quilômetros que mantém construções e costumes italianos da época da imigração é declarado patrimônio histórico e cultural do Rio Grande Sul COSE NOSTRE Julio Vanni FUNDADA EM MARÇO DE 1994 Diretor: Julio Cezar Vanni A Publicação Mensal e Produção: Editora Comunità Ltda. Tiragem: 40.000 exemplares Esta edição foi concluída em: 09/06/2009 às 17:30h Distribuição: Brasil e Itália Redação e Administração: Rua Marquês de Caxias, 31, Niterói, Centro, RJ CEP: 24030-050 Tel/Fax: (21) 2722-0181 / (21) 2722-2555 e-mail: [email protected] SUBEDItora: Sônia Apolinário [email protected] Redação: Daniele Mengacci; Guilherme Aquino; Nayra Garofle; Sarah Castro; Sílvia Souza; Tatiana Buff; Valquíria Rey; Janaína Cesar; Lisomar Silva REVISÃO / TRADUÇÃO: Cristiana Cocco Projeto Gráfico e Diagramação: Alberto Carvalho [email protected] Capa: Editoria de arte Colaboradores: Luana Dangelo; Giorgio della Seta; Pietro Polizzo; Venceslao Soligo; Marco Lucchesi; Domenico De Masi; Franco Urani; Fernanda Maranesi; Adroaldo Garani; Beatriz Rassele; Giordano Iapalucci; Cláudia Monteiro de Castro; Ezio Maranesi; Fabio Porta; Fernanda Miranda CorrespondenteS: Guilherme Aquino (Milão); Janaína Cesar (Treviso); Lisomar Silva (Roma); Publicidade: Philippe Rosenthal Rio de Janeiro - Tel/Fax: (21) 2722-0181 [email protected] RepresentanteS: Brasília - Cláudia Thereza C3 Comunicação & Marketing Tel: (61) 3347-5981 / (61) 8414-9346 [email protected] Minas Gerais - GC Comunicação & Marketing Geraldo Cocolo Jr. Tel: (31) - 3317-7704 / (31) 9978-7636 [email protected] ComunitàItaliana está aberta às contribuições e pesquisas de estudiosos brasileiros, italianos e estrangeiros. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores, sendo assim, não refletem, necessariamente, as opiniões e conceitos da revista. La rivista ComunitàItaliana è aperta ai contributi e alle ricerche di studiosi ed esperti brasiliani, italiani e estranieri. I collaboratori e sprimono, nella massima libertà, personali opinioni che non riflettono necessariamente il pensiero della direzione. lgumas marcas, de tão identificadas com os produtos a que estão associadas, viram sinônimo do próprio produto. Nutella, por exemplo, há muito significa pasta de chocolate com avelãs. Para além das prateleiras dos mercados, porém, significa muito mais. Foi com essa pasta que se moldou um império econômico multinacional na produção de chocolates: o grupo Ferrero. Sessenta anos depois de criada por um artesão piemontês, a Ferrero recebeu o título de marca líder mundial em grau de confiabilidade junto aos consumidores. Nossa reportagem de capa revela alguns dos segredos do grupo que tem sua direção concentrada nas mãos férreas da família Ferrero, agora na passagem da segunda para a terceira geração. Como a própria empresa, espalhada por vários países, Michelle e os filhos, Pietro e Giovanni, fincaram suas bases fora da Itália. Os três evitam os holofotes e preferem trabalhar em silêncio. Para o grupo, o segredo é a alma do negócio. No mesmo ranking liderado pela Ferrero, uma marca ítalo-brasileira aparece em 5º lugar: a Sadia. O detalhe é que, logo depois do anúncio do resultado da pesquisa feita pelo Reputation Institute, a empresa deixou de existir. Por conta de uma fusão com a até então rival e também ítalo-brasileira Perdigão, foi criada a Brasil Foods. Nossa reportagem explica detalhes da transação que fez com que o novo grupo já chegasse ao mercado ostentando o título de maior empresa do Brasil no ramo alimentício. Da economia para a política, a edição destaca que junho é mês de eleição para italianos residentes ou não na Itália. Em jogo está o futuro da legislação eleitoral do país que será passada a limpo em um Referendo. Se o “sim” vencer, a Itália terá dado um primeiro passo em direção ao bipartidarismo. A revista explica porque isso pode acontecer e suas consequências políticas. Entre os italianos residentes no exterior, a polêmica da vez envolve o subsecretário Alfredo Mantica. O Conselho Geral dos Italianos no Exterior, durante a assembleia geral Pietro Petraglia que ocorreu em Roma, mês passado, expôs sua insatisfação Editor em relação ao trabalho do subsecretário. Os conselheiros aprovaram uma moção em que pedem ao ministério das Relações Exteriores da Itália sua saída do cargo. Comunità ouviu os conselheiros que integram o CGIE no Brasil para obter mais detalhes a respeito da questão. Dois meses após o terremoto em Abruzzo, a revista não deixa o assunto passar em branco. Depois do frio, agora é a vez dos desabrigados sofrerem com as altas temperaturas dentro dos acampamentos. Na edição, mostramos como está L’Aquila um mês antes da cidade se tornar a sede da reunião do G-8. Mais. Mostramos como ficou La Maddalena, a ilha da Sardenha que iria receber os chefes dos países mais ricos do mundo. Há suspeitas que a mudança do local da sede do encontro tenha outras razões que não apenas humanitárias. E quando a comoção pelo que aconteceu com a região central da Itália ainda persiste, eis que o mundo se choca com outra tragédia. Dessa vez, no ar. A queda de um avião da Air France que saiu do Rio de Janeiro com destino a Paris vitimou dez italianos que estavam entre seus passageiros. A maioria deles veio ao Brasil em missão de solidariedade ou cooperação. Alguns vieram a negócios. Quem conhece a relação entre esses dois países sabe que missões de solidariedade, cooperação e negócios são absolutamente rotineiras entre italianos e brasileiros. Mesmo assim, praticamente não há voos diretos entre os dois países. A rota envolvida no acidente é muito usada para quem quer ir do Brasil para a Itália, ou vice e verso. Nossa reportagem dá detalhes a respeito da passagem pelo Brasil dos italianos que embarcaram no voo 447 que caiu no Oceano Atlântico. Boa leitura. ISSN 1676-3220 6 ComunitàItaliana Confiança editorial Ministro italiano no Brasil D epois de se reunir, em Roma, com embaixadores do Grupo de Países Latino-americanos e do Caribe (Grulac), o ministro de Desenvolvimento Econômico italiano, Claudio Scajola, deve fazer sua primeira viagem oficial ao continente americano entre 8 e 15 de novembro. No percurso estão Brasil, Chile e Argentina. “Não devemos nos esconder, já que, apesar desta intensa relação, a realidade sob o perfil econômico é ainda insatisfatória: a Itália é só o 11º cliente dos países latino-americanos”, disse Scajola. Noiva em fuga U ma italiana fugiu no dia de seu casamento com o amigo do noivo que guiava o carro nupcial. Identificada apenas como Sara, a mulher de 30 anos, funcionária de uma financeira, foi trocar de vestido para a recepção após a cerimônia civil, realizada no município de Trieste, noroeste da Itália. O noivo, Andrea, de 34 anos, funcionário de banco, e cerca de 30 convidados se dirigiram ao restaurante enquanto a aguardavam. Diante de uma demora de 1h30, tentaram localizar Sara por celular. Foi quando souberam que o motorista, parceiro de futebol de Andrea, estava com a mulher do amigo. Sara disse por telefone a Andrea: “só agora entendi que cometi um erro”. “Sinto muito, meu coração me leva para outro caminho”. A notícia circulou no jornal local Piccolo. Aéreo Presos na Itália A associação de consumidores italiana (Codacons) anunciou a apresentação junto à Procuradoria de Roma de uma denúncia sobre o uso “impróprio” de voos oficiais do Estado, utilizados supostamente para levar amigos e convidados do premier italiano Silvio Berlusconi até a ilha da Sardenha, onde o chefe de governo possui uma mansão. O líder do partido de oposição Itália dos Valores (IDV), Antonio Di Pietro, ex-procurador responsável pela Operação Mãos Limpas (de combate à corrupção), afirmou que “este vício de utilizar os aviões do Estado para assistir a jogos de futebol ou a corridas de Fórmula-1 deve acabar porque se chama peculato”. Há cerca de um mês, escândalo semelhante estourou no Brasil envolvendo passagens da cota de parlamentares usadas para transportar namoradas ou celebridades para eventos. Último Antonioni O último roteiro escrito pelo diretor italiano de cinema Michelangelo Antonioni, Due telegrammi, será levado às telas pelos produtores Jeremy All e Zev Guber para a sua companhia, a Jaz Filmes. Antonioni escreveu esta obra pouco antes de morrer em 30 de junho de 2007, quando tinha 95 anos. O roteiro foi escrito com a colaboração de Rudy Wurlitzer e conta a história de três pessoas envolvidas em uma tórrida relação amorosa e de luta de poder. Divulgação Diretor-Presidente / Editor: Pietro Domenico Petraglia (RJ23820JP) O castelo onde a primeira-dama francesa Carla Bruni passou sua infância foi vendido. Villa Seriana, nas colinas do sul de Castagneto Pó (a 25 quilômetros de Turim), foi comprado por 17,5 milhões de euros pelo príncipe da Arábia Saudita Al Waleed Al Saud. Ele é considerado o 13º homem mais rico do mundo. Com 40 quartos e uma superfície de 1500 metros quadrados, o castelo de Castagneto foi adquirido por Alberto Bruni Tedeschi, pai de Carla, em 1952. Era o lugar de festas e férias da família que desde 1972 se estabeleceu na França. O ministro da Justiça da Itália, Angelino Alfano, declarou que a Itália estaria disponível para receber prisioneiros de Guantánamo, após um encontro com o secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, na capital italiana. Alfano e Holder assinaram um documento relacionado aos acordos de extradição e de mutua assistência judiciária entre Estados Unidos e União Europeia. No início de maio, os Estados Unidos pediram a Itália que recebesse Riadh Nasri e Moez Fezzani, dois cidadãos tunisianos que já haviam sido investigados pela procuradoria de Milão em 2007. Eles são suspeitos de serem um ponto de referência no exterior de uma célula britânica ligada à Al-Qaeda. Comercial Rapidinhas ● Morreram: A ex-senadora e ex-chanceler italiana Susanna Agnelli, irmã do ex-presidente da Fiat Gianni Agnelli, em Roma, aos 87 anos. O funeral ocorreu no convento dos frades passionistas localizada no município de Monte Argentario, na costa da Toscana. Ela foi prefeita do município. Foi casada com Urbano Rattazzi, com quem teve seis filhos, todos presentes ao funeral. Também em Roma, o escritor e jornalista Nantas Salvalaggio, aos 85 anos. Trabalhou no Corriere della Sera e na Editora Mondadori. ● Casaram: A cantora baiana Daniela Mercury, 43 anos, e o publicitário italiano Marco Scabia, 34, trocaram alianças em Roma. A cerimônia reuniu 30 pessoas, dia 15 de maio, na casa do noivo. A cantora escolheu um Valentino para a ocasião. ● Futebol: O meia brasileiro Diego, que tem cidadania italiana, assinou contrato de cinco temporadas com o Juventus, de Turim. A negociação com o Werder Bremen, da Alemanha, foi estimada em 24,5 milhões de euros. O brasileiro Leonardo de Araújo assumiu o cargo de técnico do Milan. Ele, que era diretor do clube, terá a sua primeira experiência como treinador e assinou contrato de dois anos. D epois de 78 anos, a Rádio Vaticano deve se transformar em rádio comercial para financiar suas próprias operações. A emissora, uma das mais antigas do mundo, transmite em 47 línguas e tem custos estimados em 21,4 milhões de euros por ano. O anúncio ocorreu em meio às recentes iniciativas do Vaticano de estar mais presente nos meios de comunicação modernos. Para comemorar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, dia 24 de maio, o Vaticano já havia lançado o portal www.pope2you.net (“Papa Para Você”), em mais uma iniciativa da Santa Sé para aproximar Bento 16 do público jovem. Entretenimento com cultura e informação / Junho 2009 Junho 2009 / ComunitàItaliana 7 opinião serviço agenda frases “Estou muito feliz e animado. Sempre falei da minha admiração pelo Campeonato Italiano e vou poder fazer parte desta competição. O Juventus é um grande time, uma equipe de tradição e de muitos títulos. Espero poder ajudar a erguer mais taças”, A viagem das palavras (SP) Até o dia 28 de junho, quem passar pelo Memorial do Imigrante (Rua Visconde de Parnaíba, 1316) terá uma oportunidade diferente para mergulhar no tempo dos antepassados. Através de cartas e documentos que os emigrantes enviavam para seus familiares dos destinos de além-mar, o professor Federico Croci (USP, ALSP e CISEI) apresentará de sexta a domingo, o testemunho de sonhos, esperanças e motivações que levaram milhões de pessoas a atravessar o Atlântico em busca de melhor sorte. Durante o evento será apresentado o livro de Paola Cecchini All´ombra di un “Credo che questo messaggio del Papa abbia recato giustizia soprattutto alle indegne polemiche che sono state fatte a riguardo delle sue dichiarazioni. Per fortuna tutti hanno visto come il Santo Padre è stato portatore solo di un messaggio di pace”, Diego, jogador brasileiro que acaba de deixar o Werder do Porto, de Portugal. Franco Frattini, ministro degli Affari Esteri dell’Italia, parlando dei messaggi di pace pronunciati dal papa Benedetto XVI durante il suo viaggio in Terra Santa. “Crisi violenta, ora le riforme. Il governo non deluda”, Emma Marcegaglia, che dall’assemblea annuale di Confindustria si rivolge direttamente al premier Silvio Berlusconi. sogno, em colaboração com a Associazione Marchigiani in Brasile. Horário: 18h. Informações: (11) 2692 7804 e 2692 2497 Noite do Nhoque (SC) Quem já fez garante que o ritual dá certo. Todo 29 é o dia do nhoque da fortuna. Além de saborear a iguaria tipicamente italiana, a crença recomenda que se coloque dinheiro embaixo do prato e se coma os primeiros sete pedacinhos em pé, para depois comer a vontade. No dia 29 de junho, o Lira Circolo Italiano di Blumenau vai celebrar a tradição e lançar o Festilália 2009. O evento, mesmo, acontecerá de 17 a 26 de julho, na rua Benjamin Constant, 2469 - Bairro Vila Nova. Mais informações: (47) 3323-4043. Festival do Vinho (ES) Com shows musicais e comercialização de vinhos, o evento será realizado nos dia 3 e 4 de julho. Organizado pelo Rancho Lua Grande, acontece em Domin- gos Martins, município distante 42 quilômetros de Vitória. Local: Rancho Lua Grande (Rodovia João Ricardo Schorling, s/nº). Informações: (27) 3268-2550. Fenapizza (SC) Promovido pela Açoriana Congressos e Eventos, o Festival Nacional da Pizza reúne fornecedores do segmento, além de contar com a presença de pizzaiolos que farão demonstração de técnicas de elaboração, diversificação de sabores, conservação, pré-preparo e tudo o mais que diga respeito a uma boa pizza. De 10 a 12 de julho. Local: CentroSul - Centro de Convenções de Florianópolis. Informações: (48) 91020238. E-mail: [email protected] Festa Italiana (RS) O evento é promovido pela prefeitura de Marau, município colonizado por descendentes de imigrantes italianos oriundos das regiões do Vêneto, Lombardia e Trentino, distante 264 quilômetros de Porto Alegre. A festa está na 21ª edição e, este ano, tem como tema “Pan e Vin” que, pela tradição, são alimentos primordiais na mesa dos italianos, na qual se destaca, entre outros, o tradicional “Brodo” onde são os dois ingredientes fundamentais. De 3 de julho a 2 de agosto. Informações: [email protected] ou [email protected]. “Non ho mai avuto rapporti piccanti con Noemi. Lo giuro sui miei figli”, Silvio Berlusconi, primo ministro, smentisce le ricostruzioni della stampa. na estante A Praia de Trieste separa homens e mulheres para retomar antigas tradições. Você concorda? Leonardo será um bom técnico para o Milan? As fotos divulgadas pelo El Pais comprometem a reputação de Berlusconi? Não – 80% Sim – 81,8% Sim – 66,7% Sim – 20% Não – 18,2% Não – 33,3% Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 12 a 15 de maio. Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 2 a 5 de junho. Enquete apresentada no site www.comunitaitaliana.com entre os dias 6 a 9 de junho. cartas “F iquei encantada ao ler a matéria sobre o tenor Andrea Bocelli. O show dele aqui em São Paulo foi espetacular. É muito bacana quando se pode escutar uma boa música e prestigiar artistas como ele de graça. O povo gosta de música clássica sim, basta ter acesso. Foi uma pena saber que no Rio de Janeiro as pessoas tiveram que pagar caro para assistir o Bocelli. Espero que outros shows tão bons quanto o dele façam parte da programação cultural de São Paulo e dos outros estados, só que por um preço mais acessível ou de graça. Eu estarei sempre presente, mesmo tendo que ficar debaixo de chuva. Ana Elisa de Oliveira – São Paulo – SP – por e-mail Errata: Na edição 131, o crédito para as fotos da reportagem “De volta pra casa” foi trocado. As fotos são de Renato Gianturco. Na mesma edição, faltou informar que o crédito das fotos da reportagem “Histórias de um hóspede” é de Renato Gianturco. 8 ComunitàItaliana / Junho 2009 Passe de Letra. Unindo duas paixões, a literatura e o futebol, o ex-jogador e professor universitário Flavio Carneiro relata, através de 21 crônicas, suas lembranças futebolísticas da década de 70. Para ele, Garrincha dominava a arte da simplicidade e era tão lírico em campo quanto Drummond ou Bandeira em seus versos; Dadá Maravilha fazia graça com a bola, como um grande comediante; enquanto Pelé foi épico. A coletânea - cujos textos foram originalmente publicados no jornal literário Rascunho, de Curitiba - ganha fotos e ilustrações, além de orelha assinada por Luiz Fernando Veríssimo. O estilo rápido e atento do autor faz com que o leitor que preza um olhar ampliado do futebol se interesse pelas historias de personagens menores ou pela vista de um momento único de uma partida por um ângulo diferente. Editora Rocco, 171 páginas, 29,50 reais. A pensão Eva. Em meados de 1930, a Pensão Eva é destino certo dos homens de Vigàta, na Sicília. Casados e solteiros, nobres e cavalheiros, todos acorrem ao tradicional bordel da cidade para se deliciar nos braços de Emanuela Ritter, “a alemã”, ou Maria Stefani, “a loba”. Todos buscam esquecer os problemas em meio a sexo, jogos e bebidas. É também na Pensão Eva que o pequeno Nenè, de 12 anos, vai sentir, pela primeira vez, o perfume de canela, noz-moscada e laranja das meninas. Entretanto, esse romance de Andrea Camilleri mostra que as casas de tolerância não se resumem ao espaço proibido e palco de façanhas eróticas naquela Itália adormecida pelo fascismo. Editora Record, 160 páginas, 25 reais Arquivo pessoal enquete click do leitor “E m fevereiro de 2008 fui à Itália a passeio com minha namorada e família. Visitei cidades como Roma, Florença e Veneza. Talvez, um dos lugares mais interessantes que conheci tenha sido a Ilha de Murano. Além de ser um lugar lindo, lá estão as vidrarias de onde saem os artesanatos de vidro mais famosos do mundo. Em muitas delas é possível ver o artesão fabricando suas obras de arte, além de apreciar esculturas de vidro incríveis em exposição em diversos locais da ilha. Tudo é absolutamente maravilhoso!” João Marcos Monnerat, Niterói – RJ – por e-mail. Mande sua foto comentada para esta coluna pelo e-mail: [email protected] Junho 2009 / ComunitàItaliana 9 Opinione Opinione Franco Urani Ezio Maranesi [email protected] Grandi manovre I padroni della Fiat della festa L’Amministratore Delegato Marchionne protagonista di trattative internazionali ad ampio raggio N ell’attuale contesto decisamente recessivo dell’economia mondiale, che prelude in vari settori a profonde riorganizzazioni, il settore automobilistico è in piena crisi, sia per la flessione del mercato che mondialmente dovrebbe avere una caduta nel 2009 da 90 a 60 milioni di unità , sia perché – in relazione alla recente esplosione del prezzo del petrolio, ora provvisoriamente rientrata – si sono pesantemente ridotte le vendite dei modelli di grande cilindrata e SUV che dominavano il mercato nord-americano, sia per la sensibilità ormai generalizzata e condivisa anche dal Governo Obama di orientare le produzioni su veicoli ecologicamente compatibili, cioè a ridotti consumi ed emissioni di CO2, propulsione anche a gas e biocombustibili e, in tempi rapidi, elettrica. Sull’assestamento del mercato intorno agli attuali 60 milioni di auto, io ho dubbi in quanto alla contrazione inevitabile di Nord America , Europa e Giappone, a cui dovrebbe corrispondere una notevole espansione della Cina (che da quest’anno, con oltre 10 milioni di unità di prevista vendita, assume la leadership mondiale), dell’India (anche grazie al lancio recente da parte della Tata Motors del micromodello Nano, che costa poco più di US$ 2.000), del Brasile e della Russia. Mi pare invece certa la rapida evoluzione tecnologica dei modelli a cui si è fatto cenno. Negli USA, il Governo Obama ha dovuto affrontare la situazione drammatica di GM e Chrysler, che sono praticamente in banca- 10 rotta, mentre la Ford si sta ridimensionando, ma resiste e dovrebbe farcela con i finanziamenti del Governo, conservando anche le sue posizioni extra USA. La GM deve presentare entro fine maggio un piano di risanamento che – per essere sussidiato dal Governo – comporterà la chiusura di vari stabilimenti negli USA e l’alienazione o chiusura di tutti o parte di quelli europei della sua linea Opel. Per la Chrysler, che ha stabilimenti solo negli USA e in Canada, l’unica speranza è di prevedere una prevalente riconversione delle sue produzioni su modelli economici che essa non ha, dovendo quindi associarsi con un’azienda specializzata nel settore che le ceda la necessaria tecnologia. Dopo il recente fallimento della joint-venture con la Mercedes, la Chrysler era entrata in contatto con la Fiat circa un anno fa e, dopo l’ascesa di Obama, le trattative hanno avuto rapido corso con l’aperto favore del nuovo Presidente. Perché la Fiat? I fattori positivi sono: ● La sua specializzazione sui segmenti di mercato A e B e cioè sulle piccole cilindrate, nonché sui modelli a gas e benzina, da quest’anno richiestissimi in Europa; ● Messa a punto del nuovo motore a benzina Multiair, di prossimo lancio, che si basa sul controllo elettronico delle valvole per l’alimentazione a benzina (rispetto ai motori attuali incremento del 10% di potenza e 15% coppia, consumi diminuiti fino al 25%, emissioni di CO2 ed altri gas nocivi drasticamente ridotte); ComunitàItaliana / Junho 2009 ● La Fiat Auto è ansiosa d’introdursi nel mercato nordamericano, ma ha bisogno di essere sostenuta da un fabbricante locale che possieda stabilimenti e rete di distribuzione, com’è il caso della Chrysler, la cui produzione annua di jeep, SUV e di grandi vetture era di oltre 2 milioni di unità, con previsto netto ridimensionamento dal 2009; ● Si ritiene che la linea Alfa Romeo, costituita dai nuovi modelli medi che presto sostituiranno gli attuali 147 e 159 e dal nuovo piccolo MI-TO – se prodotta in Nord America in uno degli stabilimenti CHRYSLER che si renderebbero disponibili – potrebbe avere successo, considerando i moltissimi discendenti italiani di USA e Canada e le connotazioni anche sportive di questi modelli (il mercato USA è di gran lunga il più importante per la Ferrari che fa parte del Gruppo Fiat); ● Pure la Fiat Nuova 500 potrebbe avere ampio mercato per uso cittadino e quindi sarebbe proponibile la sua eventuale produzione negli USA, così come quella di altri modelli Fiat delle fasce B e C; ● La Fiat, dopo un lungo periodo di difficoltà, ha progredito in modo decisivo con la gestione Marchionne, 56enne nato in Abruzzo ed emigrato con la famiglia in Canada a 13 anni, dove si è laureato. Specialista in risanamenti aziendali, con ampio curriculum di successi in Nord America e Svizzera, è stato nominato nel 2004 Amministratore Delegato unico del Gruppo Fiat. Anche in questo difficile 2009, la Fiat Auto progredisce in Europa, dove ha riacquistato il 10% del mercato. Continuano gli ottimi risultati degli stabilimen- ti Brasile e Polonia e la sua produzione mondiale dovrebbe largamente superare i 2 milioni di unità. Marchionne, per la sua formazione e l’assoluta fiducia degli azionisti Fiat, è quindi la persona ideale per portare a buon fine questa complessa trattativa; ● La Fiat per ora non ha l’intenzione di intervenire nella jointventure finanziariamente, ma il Governo americano concederebbe alla Chrysler un finanziamento che raggiungerebbe addirittura i 12 miliardi di dollari per pagare i suoi debiti e rimettere in sesto il suo apparato produttivo. Per l’apporto della sua tecnologia, la Fiat acquisirebbe nella società una partecipazione del 20%, avrebbe la responsabilità del management e probabilmente riceverebbe iniziali cospicui ordini di mezzi d’opera e componenti per le sue fabbriche italiane. Inoltre, se e quando restituiti i finanziamenti governativi americani, la Fiat avrebbe diritto ad aumentare la sua partecipazione nella società dal 20 al 51%; ● Infine, le jeep e SUV Chrysler potrebbero venire distribuite dalla rete mondiale Fiat, laddove fosse possibile. Si tratta quindi di una sfida difficilissima, ma accettabile e sensata, tanto più considerato l’atteggiamento estremamente incoraggiante del Governo USA che costituisce un prestigioso riconoscimento alla tecnologia italiana. Nel prossimo servizio, mi propongo di riferire sull’andamento di questa iniziativa e sulle trattative Fiat/Opel attualmente in corso che stanno causando preoccupazioni e polemiche in Italia e in Germania. La sinistra si è impadronita del 25 aprile. Ma di chi è questa festa? I politici, che poco lavorano e molto parlano e tramano, abusano spesso di retorica nelle solennità patriottiche; quella retorica che non è stile e efficacia, ma insistenza formale e esaltazione eccessiva dei valori. Man mano che gli anni passano i valori si gonfiano, altri se ne aggiungono, la festa diventa sempre più importante. Fortunatamente, nel tempo le cose si sgonfiano, altrimenti l’Italia, con i suoi 2700 anni di storia fatta di eventi gloriosi o tristi, avrebbe tutti i giorni una data epica da festeggiare o da dimenticare: l’esito della disfatta di Barletta, la presa di Porta Pia, naturalmente il 4 novembre, ecc. Il 25 aprile si festeggia la fine della seconda guerra mondiale. Alla fine della guerra, che ritengo di gran lunga il fatto più importante, si aggregarono negli anni le commemorazioni del riscatto dal giogo nazifascista, della gloriosa pagina scritta dalla resistenza partigiana, della nascita dei valori che hanno ispirato la Costituzione del 1948 e di qualche altra cosa. La festa del 25 aprile è quindi oggi più importante di quella del 2 giugno, anniversario della nascita della Repubblica Italiana. La ragione è che il 25 aprile è la festa della chiassosa sinistra italiana. Franceschini, leader della sinistra e quindi padrone della festa, ha invitato Berlusconi, leader del governo, a festeggiare la ricorrenza. Berlusconi è andato, e sarebbe andato comunque, e la sua presenza a Onna tra i terremotati ha oscurato la fugace apparizione di Franceschini. Ma fu un caso isolato; su altre piazze, altri esponenti del centrodestra, ad esempio Moratti, Alemanno, Formigoni, sono stati spinti a ritirarsi. Volevano festeggiare pure loro ma non avevano capito che era una festa rossa. Sulla resistenza si è scritto di tutto. C’è chi la esalta perché ha rappresentato l’orgoglioso riscatto della nazione dall’oppressione fascista e la rivolta contro l’invasore nazista. C’è chi ne attenua il valore, sostenendo che solo la parte della nazione a nord dell’Arno ha partecipato e che l’Italia è stata liberata dagli alleati. L’aiuto dei partigiani sarebbe stato quindi trascurabile. Resistenza e 25 aprile sono argomenti che la retorica dei politici ha ampliato e infiorato nel corso del tempo. Ufficialmente se ne può parlare solo esaltando ciò che hanno rappresentato. Noi, che non siamo politici, parliamone con semplicità. Onore a coloro che hanno avuto il fegato, rischiando la vita, di andare sulle montagne del Piemonte, sull’Appennino, sulle Prealpi per combattere nazisti e fascisti. Onore ai molti ragazzi che hanno perso la vita combattendo l’oppressione. Altri ragazzi, che servivano la Patria nel settembre ’43, non hanno avuto il coraggio di disertare. Non erano fascisti: semplicemente erano dei pavidi. Sono rimasti dalla parte “sbagliata” perché è quella che ha poi perso. Nessun onore per i partigiani dell’ultima ora, dell’aprile ’45, che poco o nulla hanno rischiato perché or- mai i tedeschi fuggivano come lepri. Ne vidi molti, nella bassa padana; nulla fecero per combattere l’invasore ma furono molto duri, dopo la liberazione, nel punire gli ex-fascisti, abili nell’appropriarsi dei loro beni, inflessibili nel rapare a zero e trascinare in piazza le ragazze che avevano “collaborato”. Nessun onore a coloro che hanno appeso per i piedi i cadaveri di Mussolini e dell’amante Petacci in piazzale Loreto anziché giudicarli e magari fucilarli; persino in Irak si è vista più civiltà. Se tra i partigiani non mancavano i cattolici, essi erano in maggioranza comunisti o socialisti, forse per reazione al fascismo più che per convinzione. Per questo il 25 aprile è divenuto una festa rossa. Ero ragazzo allora; c’era euforia quel giorno perché sapevamo che la fame, i bombardamenti, l’oscuramento notturno erano cosa passata, perché i tedeschi armati sino ai denti se n’erano andati, perché gente di colore arrivata dall’America distribuiva cioccolata, perché la radio suonava le musiche rivoluzionarie dell’orchestra di Glen Miller. Questa festa non è né rossa né bianca, quindi giù le mani: è la nostra festa, la festa di coloro che hanno vissuto l’euforia di quel momento storico. Vorrei che la vivessimo come un buon ricordo, intimamente, senza retorica: basterebbe una messa in suffragio di tutti coloro che hanno perso la vita. Tutti: i morti non hanno colore politico. Opinione notizie Fabio Porta Piemonte Il tesoro nascosto Emigrazione e immigrazione sono le due facce di una unica medaglia; tra aperture e chiusure continua in Italia un dibattito sempre più vivo e acceso L a Repubblica Italiana festeggia un altro anno della sua ormai lunga storia; a due anni dal centocinquantesimo anniversario dell’unità d’Italia, i sessantatré anni della democrazia nata nel dopoguerra coincidono con un momento particolarmente difficile dal punto di vista politico e sociale per tutto il Paese. Non è soltanto la grave crisi internazionale, in Italia particolarmente sentita, a caratterizzare l’anniversario di quest’anno. Nemmeno il dibattito sulle necessarie riforme per rendere più efficiente il sistema istituzionale, intervenendo sulla legge elettorale e sul funzionamento del Parlamento appassiona tantissimo gli italiani. Anche la coincidenza della ricorrenza di quest’anno con le elezioni del nuovo Parlamento europeo passa in secondo piano rispetto ad un fenomeno che oggi è al centro della discussione delle forze politiche ma anche della società civile: mi riferisco al dibattito su multiculturalismo e immigrazione. Una discussione complessa, dove a volte è facile cadere nel tranello del luogo comune e della semplificazione. Un dibattito dove l’esperienza e il contributo degli italiani all’estero, eredi del grande esodo italiano nel mondo, può essere determinante, costituendo un vero e proprio differenziale nonché il vero antidoto contro stereotipi e luoghi comuni. La storia dell’Italia, non solo quella dei secoli più recenti, dimostra che ciò che ha da sempre 12 contraddistinto questo Paese sia stato la sua vocazione universale, la sua apertura al mondo. Ce lo insegnarono per primi gli antichi romani, che riuscirono a costruire e a tenere unito per secoli un impero dove razze, culture e religioni diverse convivevano tra loro in una maniera in un certo senso inedita per quei tempi. C’è stata poi un’altra istituzione, la Chiesa Cattolica, italiana per localizzazione geografica (il Vaticano) ma anche per motivi di carattere storico, a tramandar- ci per secoli la centralità della dimensione internazionale e multietnica, e soprattutto l’aspetto universale all’origine della stessa etimologia della parola “cattolica”. E ci siamo infine, noi, gli italiani nel mondo, veri propri protagonisti e figli di un popolo di emigranti, forse il maggior popolo migrante che la storia abbia mai conosciuto. Un universo ormai difficile da quantificare, che considerando gli italo-discendenti supera si- ComunitàItaliana / Junho 2009 curamente il numero di sessanta milioni corrispondente alla popolazione residente dentro i confini dell’Italia del 2009. L’impero romano, la Chiesa cattolica, gli italiani emigranti: tre mondi apparentemente cosí diversi tra loro ma uniti dall’unico comune denominatore costituito dalla forza straordinariamente dirompente e creativa della dimensione transnazionale e multietnica. Una dimensione che qualcuno oggi in Italia vorrebbe cancellare, addirittura negare, ritornando ad una società monoculturale chiusa in sé stessa; il contrario della nostra storia, ma anche di quei Paesi che – come il Brasile o gli Stati Uniti – hanno trovato nel multiculturalismo e nell’integrazione tra popoli ed etnie diverse il segreto della propria crescita e del successo nel mondo globalizzato. Ritorniamo allora alla discussione in corso in Italia sull’immigrazione e ai 63 anni della Repubblica. Un dibattito che sarebbe sbagliato semplificare, ponendo da una parte i sostenitori dell’Italia multietnica e dall’altra quelli della chiusura delle frontiere agli stranieri. L’unica posizione ragionevole in questo contesto è quella di chi vuole regolare in maniera intelligente i flussi provenienti dall’estero, possibilmente attraverso programmi di cooperazione internazionale e di formazione professionale destinati a chi vuole onestamente recarsi nel nostro Paese per contribuire con il pro- prio lavoro alla costruzione del futuro, personale e collettivo. Programmi che potrebbero anche coinvolgere le nostre collettività presenti all’estero, naturalmente interessate e disponibili ad un interscambio costruttivo con il Paese di origine dei loro antenati. Regolare i flussi quindi, ma anche stabilire regole chiare per chi vive già all’interno dei confini italiani; regole che permettano a chi vuole farlo di regolare la propria posizione anagrafica e lavorativa ma che siano adeguatamente severe e inflessibili con chi si mette contro le norme della convivenza civile. Le Nazioni Unite, il Vaticano, il Consiglio d’Europa hanno recentemente criticato l’Italia per l’adozione di misure repressive contro l’immigrazione che non rispetterebbero elementari diritti umani, a partire dal diritto di accoglienza verso profughi e rifugiati. Noi italiani all’estero, tramite i nostro organismi di rappresentanza (Consiglio Generale degli Italiani all’Estero, Comites, parlamentari eletti all’estero) abbiamo fatto sentire la nostra voce contro programmi di governo che vorrebbero chiudere il rapporto positivo costruito negli anni dall’Italia verso le comunità che vivono all’estero. I 4 milioni di cittadini stranieri in Italia e i 4 milioni di cittadini italiani all’estero rappresentano le due facce della stessa moneta; una moneta preziosa sulla quale si dovrebbe “investire” affinché produca utili ed interessi, e non un “tesoro nascosto” da gettare in mare in maniera affrettata e superficiale. D opo la missione nel novembre scorso di Minas Gerais in Piemonte ora è la regione italiana a retribuire la visita. Il mese scorso una delegazione tecnica è venuta a Belo Horizonte per incontri istituzionali con il Governo dello Stato, oltre a partecipare ad incontri di lavoro con la Camera Italo-Brasiliana di Commercio. Una delle mete della visita è stata la preparazione di un programma di interscambio fra studenti che porterà a Belo Horizonte allievi piemontesi per un mese di studi e visite tecniche con enfasi in energie rinnovabili, uno dei punti forti di Minas Gerais. Sarà la continuazione di un accordo di cooperazione che ha già realizzato il “Programa Jovens Mineiros Cidadãos do Mundo”, grazie al quale allievi di Design di Minas Gerais hanno studiato in Piemonte. La visita ha anche avuto l’obiettivo di seguire lo sviluppo del “Programa de Colaboração em Ciência, Tecnologia e Ensino Superior” firmato tra i governi di Minas e Piemonte durante la missione svolta in Italia. La delegazione si è riunita con il segretario Alberto Duque Portugal per consolidare le azioni di cooperazione nel settore energetico. Piemonte 2 H anno avuto luogo vari incontri tra la delegazione italiana e il segretario di stato di Sviluppo Sociale di Minas Gerais, Agostinho Patrus Filho, e rappresentanti del Consorzio di ONG Piemontesi. La delegazione si è anche riunita con il presidente della Camera Italo-Brasiliana, Giacomo Regaldo, con il vice-presidente, Alberto Medioli e con rappresentanti del Governo di Minas. Gli incontri sono stati fondamentali per decidere i primi passi per mettere in atto una grande missione della regione Piemonte a Belo Horizonte nei primi mesi del 2010. Questa missione, oltre a promuovere incontri affaristici tra imprese piemontesi e brasiliane, promuoverà seminari e settori di spicco come moda e industria di confezioni, calzature, plastica e marmo. Secondo la responsabile del settore di Affari Internazionali del Governo del Piemonte, Giulia Marcon, sarà il primo incontro a dare continuità alla settimana di Minas Gerais in Piemonte, ma non si fermerà a questo. “Dobbiamo non solo paragonare quello che è stato già fatto e apporvi miglioramenti, ma anche mirare alla solidificazione di alleanze tra le due regioni”. Al mare D opo aver lavorato per circa 20 anni su suolo brasiliano la Finarge Apoio Marítimo, una delle imprese del gruppo italiano Rimorchiatori Riuniti Genova, ha aperto il suo ufficio a Rio de Janeiro. Dall’ottobre scorso l’impresa, che eroga servizi alla Petrobras, accompagna più da vicino i lavori realizzati in Brasile. Alla fine di maggio il direttore Maurizio Caselli ha ricevuto il console generale d’Italia a Rio de Janeiro, Umberto Malnati, per una visita di cortesia alla nave AH Camogli. L’imbarcazione è arrivata il 4 maggio ed era attraccata presso il cantiere navale Mauá, a Niterói, per ricevere i dovuti adattamenti in accordo alle norme della Marinha do Brasil. Con 2.900 tonnellate e 68 metri di lunghezza, la AH Camogli è un rimorchiatore per manovre di ancoraggio ed è la settima nave dell’azienda ad operare qui in Brasile. Il console Malnati ha visitato tutti i suoi livelli accompagnato dal vice-console Giuseppe Romiti e dal direttore Caselli. “Sono rimasto colpito dalla tecnologia di questa imbarcazione” ha detto Malnati. João Carnavos [email protected] Città della Musica I l pubblico ministero Gustavo Nogueira, della da 3ª Promotoria de Tutela Coletiva do Ministério Público Estadual di Rio de Janeiro ha aperto un processo per improbità amministrativa contro l’ex-sindaco Cesar Maia, l’ex-segretario comunale ai Lavori Pubblici, Eider Santos, l’ex-segretario comunale delle Culture, Ricardo Macieiras e tre ex-direttori della Riourbe. L’azione riguarda le spese con il lavori per la costruzione della Cidade da Música, nella Barra da Tijuca. L’obiettivo del pm è ottenere il risarcimento agli erari, con multa di 1 miliardo e 35 milioni di reais. E richiede anche la perdita dei diritti politici dei colpevoli per otto anni. Biocosmetici G li stati del Pará, Maranhão, Amazonas, Acre e Tocantins si sono uniti e hanno creato la Rede de Pesquisa e Desenvolvimento de Biocosméticos (Redebio). La meta è di stimolare la ricerca sulle risorse naturali della regione amazzonica per lo sviluppo di materie prime e di prodotti biocosmetici e fitoterapici. Nella prima tappa la Redebio userà investimenti di 7 milioni e 200mila reais in ricerche rivolte all’applicazione nell’industria di andiroba, copaíba, castanha do Pará e babaçu. Le Fundações de Amparo à Pesquisa del Pará (Fapespa), dell’Amazonas e del Maranhão si sono impegnate a pagare 6 milioni e 300 mila reais con donativi di 2 milioni e 100 mila reais ognuna. Invece la segreteria di Ciência e Tecnologia do Estado del Tocantins finanzierà 600 mila reais e la Fundação de Tecnologia do Estado do Acre, 300 mila reais. Accordo L a Faperj, fondazione vincolata alla segreteria statale di Ciência e Tecnologia di Rio de Janeiro ha siglato con la Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vincolata al ministero dell’Educação) il maggior accordo della sua storia. Sono 94 milioni di reais che saranno destinati alla realizzazione di istituzioni di ricerca e insegnamento superiore nella regione fluminense. La meta, secondo il segretario Alexandre Cardoso, è di mantenere giovani talenti nello stato. Oggi secondo lui c’è una migrazione di questi talenti verso São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Latte I l Governo do Estado do Rio de Janeiro userà il latte contro la crisi economica mondiale. Si pensa cosí di dinamizzare il settore e generare impieghi grazie ad una riduzione tributaria che permetterà a industrie e cooperativa di trasformare il valore pagato anteriormente in tasse in investimenti. Secondo il segretario dell’Agricoltura, Christino Áureo, la meta è favorire la produzione interna dello stato. Rio de Janeiro annualmente consuma 2 miliardi e 300 milioni di litri di latte e circa il 70% del rifornimento proviene da altri stati. Secondo il segretario le aliquote saranno ridotte del 19% nel caso dei latticini in generale o del 7% nel caso del latte fluido. Inoltre anche una parte dell’ICMS dovuto dalle cooperative potrà essere trasformata in investimenti. Il mercato dei latticini smuove 3 miliardi e 500 milioni di reais l’anno e i impiega in tutto lo stato circa 100mila persone. Junho 2009 / ComunitàItaliana 13 política Itália vai às urnas Três eleições agitam a política italiana no mês de junho I Janaína César Correspondente • Treviso talianos residentes ou não no país terão a oportunidade de mudar a lei eleitoral da Itália. E pelo voto. Dia 21 de junho é a data marcada para que as pessoas se manifestem no Referendo. Se o “sim” vencer, a Itália terá dado o primeiro passo em direção ao bipartidarismo. Italianos residentes fora da Itália precisam enviar seu voto pelo correio para a sua chancelaria consular até às 16h do dia 18. São três itens a serem votados. Dois são idênticos, só que um é valido para a Câmara dos Deputados e outro para o Senado. Trata-se do item que prevê o fim das coalizões partidárias. A atual lei eleitoral garante a maioria das cadeiras à coalizão vencedora. Se for mudada, garantirá a maioria somente ao partido mais votado e não mais à coalizão. Unir-se aos partidos grandes não terá mais nenhum significado. Por exemplo, no ano passado, o partido Povo da Liberdade (do primeiro-ministro Silvio Berlusconi) teria conseguido a maioria sozinho, independentemente da coalizão com a Liga Norte. E se o Partido Democrático e a Itália de Valor fossem unidos em um único partido, teriam ganhado a maioria da cadeira. Os partidos menores são contrários a essa opção porque significaria o fim de muitos deles. O terceiro item a ser votado no Referendo proíbe as múltiplas candidaturas. A atual lei prevê que um político possa se candidatar em mais de uma seção e no final escolher qual seção governará. A escolha da data para o dia da votação foi uma confusão. Quase todos queriam que o Referendo fosse votado junto com as eleições administrativas, isto 14 é, entre os dias 6 e 7 de junho, quando os italianos residentes na Itália foram às urnas para eleger, em primeiro turno, prefeitos e governadores. Essa opção acabou descartada pelo governo, que se deixou influenciar pela Liga Norte que dizia que votar na mesma data iria gerar muita confusão e que as pessoas se atrapalhariam na votação. O Partido Democrático diz que o governo deverá gastar cerca de 460 milhões de euros a mais para fazer a votação dia 21. A Liga Norte foi o partido que mais se manifestou contrário ao Referendo. Partidos como a União da Democracia Cristã (Udc), Refundação Comunista (RC) e União dos Democratas pela Europa (Udeur), também optaram pela campanha do “Não”. Os que mais defendem o “Sim” são os partidos Democrático (Pd) e Povo da Liberdade (Pdl). Como são os dois principais partidos do país, se a lei for mudada, não correrão o risco de desaparecer de um dia ao outro, ao contrário. A tendência é se fortalecerem justamente por conta do enfraque- ComunitàItaliana / Junho 2009 cimento dos pequenos partidos. É por isso que se diz que o Referendo levará a Itália ao bipartidarismo, como acontece hoje nos Estados Unidos. Mais uma Além da confusão na escolha das datas para o Referendo, as eleições administrativas também geram confusão. Isso porque, na Itália, prefeitos e governadores não são todos escolhidos ao mesmo tempo. Neste ano, somente a região da Sardenha votará um novo governador, enquanto 216 cidades elegerão novos prefeitos e 27 províncias, novos presidentes. Na mesma data das eleições para chefes do executivo, isto é, 6 e 7 de junho, também foram escolhidos os representantes do Parlamento Europeu. Nesse caso, italianos que moram em um dos 27 países membros da União Europeia também puderam votar. São 50 milhões de pessoas aptas ao voto. Ao todo, puderam ir às urnas, 375 milhões de europeus para eleger os 736 deputados que farão parte do próximo Parlamento Europeu, que tem sede em Estrasburgo, na França. Para cada país é previsto, de acordo com a população residente, um número determinado de cadeiras. Assim como o Reino Unido e a França, a Itália elegerá 72 europarlamentares; a Alemanha, 99; Espanha e Portugal, 50 e 22, respectivamente. O mandato é de cinco anos. A eleição para o Parlamento Europeu é vista como uma oportunidade de pluralismo político. Os candidatos serão eleitos por grupos e não por país de proveniência. Os grupos, na verdade, representam diversas linhas políticas e cada partido tem a liberdade de se inscrever no grupo que correspondente a sua filosofia partidária. Segundo as estimativas oficiais, 66% dos italianos foram às urnas, enquanto em todo o continente a participação nas eleições atingiu 43%, o menor nível desde a criação da União Europeia. O partido Povo da Liberdade (PDL), do premier Silvio Berlusconi, obteve 35,3% dos votos dos italianos, contra 26,1% do opositor Partido Democrático (PD). A eleição marcou um avanço do Partido Popular Europeu, a maior força conservadora no Parlamento Europeu. Praticamente todos os partidos apresentaram uma lista de candidatos. Os principais temas que os euro-parlamentares enfrentarão na nova legislatura serão: atividade industrial menos poluidora, aumento do preço dos alimentos, novas normas sobre política de asilo, terrorismo, pedofilia, reforma do sistema de financiamento e imigração. Passado e presente A comunidade européia existe desde 1950 e foi em 1979 que os europeus puderam eleger pela primeira vez o Parlamento Europeu. Hoje, o atual presidente é o alemão Hans-Gert Pöttering. As últimas eleições aconteceram em junho de 2004. O atual Parlamento conta com 785 deputados, 53 a mais do que o número oficial (732). Isso porque a Romênia e a Bulgaria aderiram à UE durante essa última legislatura. Quase um terço dos deputados são mulheres. O trabalho do parlamento europeu não vem sendo muito admirado desde o ano passado, quando a maioria, inclusive os deputados de esquerda, votou a favor de penas mais severas para combater a imigração ilegal, de- Sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo, na França terminando condições de expulsão para clandestinos e a detenção em até 18 meses nos centros de internação. Além disso, uma das várias comissões parlamentares existentes votou contra o Brasil, a favor da Itália, no caso Cesare Battisti, pedindo ao país a extradição do ex-terrorista. Escândalo Foi justamente a lista de candidatos do Partido da Liberdade (Pdl) para as eleições do Parlamento Europeu o estopim final que causou a separação do primeiro-ministro Silvio Berlusconi e de Verônica Lario. Após ver publicada a suposta lista com os nomes das futuras candidatas a euro deputadas que o primeiro ministro teria escolhido a dedo, pessoalmente, Verônica pediu publicamente a separação. O motivo? Na lista constavam várias ex-velinas (como são chamadas as bailarinas e participantes de programas de TV) como Angela Sozio (ex-Big Brother), Camilla Ferranti, Barbara Matera e Eleonora Gaggioli. Vale lembrar que a ex-modelo Mara Carfagna, protagonista do calendário da revista masculina Max, é a atual ministra das Oportunidades Iguais. Por causa dela, Verônica também já havia reclamado, em público, do comportamento do marido. Na lista das “favoritas” de Berlusconi estão Marinella Bram- Junho 2009 / billa, filha de sua governanta, que se tornou uma das mulheres mais defensoras do premiê; Deborah Bergamini, ex-assistente, hoje diretora da Rai; Francesca Impiglia, também ex-assistente, hoje apresentadora do telejornal Tg4, em um dos canais pertencentes ao primeiro ministro. Porém, quem mais causou estragos no relacionamento de Berlusconi foi Noemi Letizia. A loirinha aspirante à modelo ficou conhecida em todo o mundo por ter recebido o primeiro-ministro italiano na sua festa de 18 anos. Ela o chama carinhosamente “Papi” e ganhou de presente um precioso colar. Letizia e o colar que ganhou do “Papi” Sem muito o que dizer em sua defesa, Berlusconi atacou a própria Verônica por ter dito à imprensa que ele nunca compareceu ao aniversário de 18 anos de seus filhos e que ter participado da festinha de Noemi, em Nápoles, era “o cúmulo”. Berlusconi alegou que a mulher foi “ingênua” por acreditar em “mais uma armação da esquerda e da mídia” contra ele. ComunitàItaliana 15 política Imbróglio político CGIE pede que subsecretário Alfredo Mantica entregue responsabilidade pelos italianos no exterior F Sílvia Souza oi quase unanimidade. Se dependesse da vontade de 90 dos 94 conselheiros que compõem o Conselho Geral dos Italianos no exterior, o subsecretário Alfredo Mantica, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores da Itália, já não teria a função de cuidar dos assuntos relacionados aos italianos que vivem fora da Itália. Em uma moção aprovada no dia 14 de maio, durante a assembleia geral que ocorreu em Roma, os representantes do órgão máximo para a comunidade italiana no exterior ratificaram uma insatisfação que só tem aumentado desde que o governo decidiu cortar verbas em todos os setores da sua administração e a pasta também foi afetada. Entre temas como a reestruturação consular, assistência sanitária, eleições européias e Referendum, a plenária previa a discussão sobre a reforma na instituição e também nos Comitês para os Italianos no Exterior (Comites), cujas eleições que se realizariam em julho e agosto, ficaram comprometidas com o anúncio da falta de verba. A moção com o pedido de renúncia de Mantica foi definida depois que ele falou à plenária do Conselho. Para os conselheiros que representam os italianos no Brasil, o trabalho do subsecretário tem deixado a desejar. De acordo com o Cláudio Pieroni, a falta de perspectiva quanto ao trabalho 16 ComunitàItaliana / Junho 2009 do CGIE e do Comites são as principais barreiras entre Mantica e os demais membros do órgão. — No caso da representação brasileira foi pior porque ele falou que nós não fizemos nada quando o caso Battisti veio à tona. Ora, seguimos as instruções do próprio ministério que pediu que não fizéssemos manifestações públicas, pois poderia atrapalhar o diálogo entre os governos brasileiro e italiano. Fizemos o que estava ao nosso alcance enquanto emissão de abaixo-assinado, concessão de entrevistas na imprensa e encaminhamento de documentos aos órgãos competentes — retruca Pieroni. Segundo o advogado Walter Petruzziello, também conselheiro, “Mantica já deu provas de que quer a extinção do CGIE” e por isso, não seria a pessoa mais indicada para ser o responsável pelos italianos no mundo. Essa intenção ganhou corpo depois que a legislação eleitoral italiana adotou a circunscrição do exterior, a qual se destinam 12 vagas de deputados e seis para senadores eleitos entre os que residem fora da bota. — Não temos legitimidade para demitir ninguém, mas nossa iniciativa mostra o quanto estamos insatisfeitos. E isso não se restringe à circunscrição América Latina ou das Américas de um modo geral. É uma opinião de todos os conselheiros. Cabe ao ministro Franco Frattini (das Relações Exteriores) tomar a decisão que lhe convier — analisa Petruzziello. O conselheiro admite, no entanto, que quanto às reformas previstas nos órgãos de representação, a diversidade de propostas no grupo pode atrasar o andamento das ações. Para Petruzziello, um dos problemas que não podem passar em branco é a falta de graduação para a representatividade. Por exemplo, uma circunscrição que tenha 3 mil italianos pode criar um Comites com até 12 pessoas. Uma outra em que sejam registrados 100 mil pessoas teria direito a um Comites com 16 membros. — Se uma circunscrição tiver 99 mil italianos terá os mesmos 12 membros em um Comites, tal qual outra que apresenta 3 mil pessoas. A meu ver, existe a necessidade de se graduar es- O conselheiro Walter Petruzziello (Curitiba) é um dos que aponta insatisfações do CGIE em relação ao trabalho do subsecretário Alfredo Mantica (ao lado) sa formação dividindo melhor esses números. Como são os Comites que elegem os membros do CGIE, isso é de suma importância — explica. Sobre a desconfiança em relação ao trabalho desempenhado por Mantica no que se refere ao estímulo da cultura italiana onde seus cidadãos estão presentes, Petruzziello cita ações como o anúncio de fechamento de consulados, agendado para a segunda semana de junho. Ele observa que “a lista não traz localidades brasileiras, mas a questão que fica é qual será o próximo passo de retrocesso”. A próxima reunião geral de conselheiros está marcada para outubro. Antes, porém, deve haver os encontros continentais para tratar de propostas em dimensão regional. Em meio a tantas opiniões e problemas, o conselheiro Antonio Laspro, também do Brasil, aponta uma característica que não pode ser esquecida no calor das discussões: — A maioria dos conselheiros é da esquerda e não há como deixar de lado essa posição. Eu sou de direita, não concordei com a assinatura da moção e nem votei para isso. Estamos insatisfeitos sim, mas isso (o pedido de renúncia) não cabe a nós. Em se tratando dos cortes, eles afetaram outras áreas também. Na Itália, o quarto conselheiro do CGIE no Brasil, Mario Araldi, não respondeu ao contato feito pela reportagem. Vice-presidente do Comitê para os Italianos no Exterior da Câmara italiana, o deputado Fabio Porta observa que a falta de confiança dos conselheiros em relação ao desempenho de Mantica “chegou a um ponto sem igual”. — Ele já deu a entender, em entrevistas e plenárias do Senado e da Câmara, que a comunidade italiana no exterior não seria merecedora da atenção do governo. No caso Battisti, falou da decepção com o que chamou de falta de ação, por parte dos italianos que residem no Brasil. Em outros momentos, quis diferenciar os direitos entre italianos nascidos e não nascidos na Itália — enumera. Na opinião de Porta, o CGIE é o melhor organismo de representação para os italianos no exterior e um projeto de extinção da instituição “não teria fundamento”, visto que o sistema político italiano tem servido de modelo para outras nações: — Claro que se precisa, eventualmente, passar por melhorias, mas a Itália tem sido exemplo no contato com suas comunidades que se formaram no exterior. A luta é para que haja avanço nesse sentido. E essas propostas precisam ser estudadas e votadas para que o trabalho feito até aqui não se perca ou estagne. Mantica não se pronuncia Procurado pela Comunità, o subsecretario Alfredo Mantica informou, por intermédio de sua as- Junho 2009 / sessoria, que não comentaria o caso. Ele preferiu encaminhar à redação a ata da intervenção que fez na plenária dos conselheiros. Segundo o documento, Mantica apresentou a expectativa de que as eleições para os Comites ocorram em dezembro de 2010. Ele expôs sua expectativa em tentar recuperar entre quatro e cinco milhões de euros para o seu setor, o que permitiria a reabertura, em setembro, de cursos fechados. — Recordo a iniciativa da diretora geral para os italianos no exterior, Carla Zuppetti, que solicitou ao Presidente da República a concessão da medalha da Ordem da Estrela e da Solidariedade Italiana a 31 conselheiros do CGIE não contemplados em 2001, na gestão Mirko Tremaglia — assinalou Mantica, sobre as comendas usualmente entregues na Festa da Republica Italiana. O subsecretário também elogiou a participação dos jovens italianos no mundo por conta da Conferência realizada, em Roma, em dezembro passado. Segundo Mantica, para dar continuidade a esse trabalho, será lançada, entre setembro e outubro próximos uma página na internet que permitirá ampliar o diálogo para um grupo maior do que as 400 pessoas que participaram da Conferência. No documento enviado por Mantica também consta a informação de que ele está empenhado em promover, na região de Friuli-Venezia Giulia, a primeira Assembléia de Empreendedores Italianos no Mundo. — É uma conferência que não tem o objetivo de ocupar o espaço das Câmaras de Comércio, mas sim de discutir o impacto da crise e conferir valor ao trabalho que realizam fora da Itália — defendeu o subsecretário. Mantica também está à frente do Museu da Imigração Italiana. No dia 1º de junho, foi feita uma apresentação para imprensa e autoridades de governo, do projeto com sede no palácio Vittoriano, em Roma. A abertura ao público está prevista para setembro. O local abrigará o maior acervo sobre o tema na Itália - um trabalho histórico que parte da primeira unidade da Itália até a última fase do Ressurgimento (unificação italiana) com material de fotos, vídeos e testemunhos documentados pelos emigrados. ComunitàItaliana 17 A gora, quem está na “berlinda” é Leonardo Badalamenti, de 49 anos. Ele foi preso mês passado, em São Paulo, numa operação internacional chamada “Cento Passi” contra o crime organizado. O grupo chefiado por ele é acusado de tentar negociar títulos de investimentos falsos, através de agentes financeiros. A trajetória de Leonardo Badalamenti é bem diferente de seus conterrâneos. Battisti e Bragaglia tiveram a extradição pedida pela Itália por conta do envolvimento deles em ações de natureza política. Já Badalamenti é integrante da máfia italiana, mais precisamente, a siciliana. Ele é filho de Gaetano Badalamenti, um dos antigos chefões do crime organizado do país, morto em 2004, aos 81 anos, numa prisão nos Estados Unidos. Conhecido como Dom Tano Badalamenti, o pai foi “padrinho” da máfia siciliana nos anos 80, quando iniciou uma guerra pelo poder com o clã adversário dos “corleoneses”, que venceram e assassinaram quase toda a sua família. Leonardo Badalamenti vivia no Brasil, há 15 anos, sob a identidade falsa de Carlos Massetti. O pai também fugiu da Itália para cá, nos 80, antes de seguir para Estados Unidos, onde foi preso. O filho foi capturado pela Interpol no bairro de 18 negócios Fabio Rodrigues Pozzebom / ABC política O terceiro da fila Depois de Cesare Battisti e Pierluigi Bragaglia, mais um caso de extradição de cidadão italiano chega ao Supremo Tribunal Federal do Brasil Nayra Garofle Bela Vista, na região central de São Paulo. Leonardo se dizia brasileiro e comerciante, mas controlava o esquema montado pela máfia italiana para tentar aplicar um golpe milionário no mercado internacional. A opera- ComunitàItaliana / Junho 2009 ção “Cento Passi” foi realizada em conjunto pela polícia de cinco países - Itália, Espanha, Estados Unidos, Venezuela e Brasil – e prendeu 20 pessoas acusadas de associação com a máfia e transações ilícitas. Segundo o diretor do Centro de Direito Internacional (Cedin), em Minas Gerais, Délber Andrade Lage, Leonardo Badalamenti pode até solicitar refúgio ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), como fez Cesare Battisti. Porém, é pouco provável que o benefício seja concedido. — A concessão do refúgio nesse caso é muito complicada porque ele é acusado de crimes na Itália de uma natureza completamente diferente daqueles de Battisti — explica. De acordo com o tratado de extradição, assinado pelos governos da Itália e do Brasil em 1989 e promulgado em 1993, após a prisão, Badalamenti deve permanecer detido à espera da decisão do STF. Por enquanto, ele está preso na Polícia Federal de São Paulo, mesmo local onde está Bragaglia, detido em julho do ano passado, em Ilhabela (SP). Enquanto isso Preso no Brasil desde 2007, Battisti aguarda a decisão do STF sobre seu caso na penitenciária da Papuda, em Brasília. Um de seus advogados, o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, em entrevista à Comunità, afirma que seu cliente está “debilitado, física e mentalmente e enfrenta crises frequentes de depressão”. Segundo Greenhalgh, Battisti está sob regime alimentar receitado pelos médicos do presídio, em decorrência de uma hepatite B. Para passar o tempo, ele lê, estuda filosofia e escreve bastante – estaria prestes a terminar seu terceiro livro. Greenhalgh também afirma que o maior temor de Battisti é voltar para a Itália. — Ele tem consciência de toda a sua situação, mas reitero considerar improvável a extradição. Primeiro, porque é indiscutível o caráter político do pedido. Segundo, porque pelas leis brasileiras os crimes estão prescritos. Terceiro, porque há omissões formais no pedido de extradição (a Itália deixou de juntar a primeira sentença condenatória de Battisti e isso era sua obrigação), portanto, o pedido está mal instruído, faltam documentos essenciais. E, quarto, em casos análogos o STF respeitou a decisão do Poder Executivo — afirma Greenhalgh. Leonardo Badalamenti. No alto, o ministro da Justiça Tarso Genro Na opinião do diretor do Cedin, Délber Andrade Lage, o destino de Battisti já foi decidido. Segundo ele, a lei brasileira diz que caso seja concedido o refúgio haverá, automaticamente, o empecilho da extradição. — Não tem como o governo conceder o refúgio e ao mesmo tempo devolver a pessoa para a Itália. Por isso, o Supremo não pode discutir os méritos da decisão do ministro da Justiça. Na minha opinião, esta demora na solução do caso é mais por razões políticas do que jurídicas. É um processo complicado — explica. Máquinas ligadas Metal-mecânica italiana tem participação recorde na FEIMAFE, feira brasileira e maior do setor em toda a América do Sul M ais um setor industrial da Itália aposta fortemente no Brasil como forma de driblar a crise econômica mundial. Dessa vez, foram empresários da área de automação que vieram em peso para participar da 12ª FEIMAFE – Feira Internacional de Máquinas-Ferramenta e Sistemas Integrados de Manufatura - realizada no mês passado, em São Paulo. A comitiva italiana foi formada por 40 empresas, um número 77,5% maior do que no ano passado. A FEIMAFE, maior feira do setor na América do Sul, contou com 1,3 mil expositores de 30 países e atraiu 65 mil visitantes e compradores de 45 nacionalidades. Os industriais italianos têm razões de sobra para se animar com os horizontes brasileiros: no período de 2003 a 2008, as exportações de máquinas-ferramenta para o Brasil aumentaram 240%, subindo de 33 milhões de euros para mais de 122 milhões. Apenas de 2007 para o ano passado, houve incremento de vendas de 120%, o que situa o país no nono posto na lista de compradores da Itália, segundo o ICE. De acordo com o diretor do Instituto no Brasil, Giovanni Sacchi, as indústrias italianas do universo metal-mecânico, também nos segmentos de máquinas têxteis, de escavação, alimentar Tatiana Buff Correspondente • São Paulo e equipamentos hospitalares têm demonstrado bons índices no fluxo comercial com o Brasil. — A melhoria da produtividade e a redução de custos, resultantes dos investimentos em alta tecnologia de manufatura, possibilitam o crescimento de nossas exportações. No caso das máquinas têxteis, o salto foi ao redor de 70% em 2008 — informa Sacchi. Para o diretor de bens de capital do ICE-Roma, Carlo Angelo Bocchi, o mercado brasileiro apresenta “enorme demanda de infra-estrutura” em áreas relacionadas com petróleo, energia, gás, rede ferroviária e aeronáutica. Segundo ele, a Itália está “em condições de disputar a con- corrência oferecendo serviços, produtos e parcerias de altíssima qualidade, compatíveis com essas necessidades”. Na Itália, embora os efeitos da crise se pronunciem com perturbadores índices negativos – tal qual em todos os países desenvolvidos – a produção de macchine utensili chegou a registrar aumento de 0,5% em 2008, equivalente a 5,8 bilhões de euros, e exportações no valor de 3,3 bilhões - 7,5% a mais que em 2007. De acordo com a gerente de relações exteriores e mídia da União dos Fabricantes Italianos de Máquinas-Ferramenta, Robôs, Sistemas de Automação e Produtos Auxiliares (UCIMU), Claudia Mastrogiuseppe, o índice produtivo do setor, em nível mundial, foi positivo em 6,9% no ano passado, superando 54 bilhões de euros. Deste total, a produção européia respondeu por 44,8%, e a Itália ocupou o quarto lugar no ranking de produtores, atrás do Japão, Alema- Pier Luigi Streparava, segundo da esquerda para a direita, divulgou a EMO Milano no evento Junho 2009 / nha e China, e o terceiro entre os exportadores globais, após Alemanha e China. EMO Milano O presidente do comitê organizador da feira EMO Milano 2009 e vice-presidente da UCIMU, Pier Luigi Streparava, participou da FEIMAFE. Veio para fomentar negócios entre fabricantes internacionais e convidá-los ao evento, que reunirá as indústrias similares em Milão de 5 a 10 de outubro. — Mantemos relações com o Brasil desde os anos 70, inclusive com parceiros como o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), entidade que recebeu na década de 90, no Rio de Janeiro, a visita de nossa saudosa ex-ministra Susanna Agnelli, morta recentemente – lembrou Streparava. Segundo o comitê organizador da EMO Milano, até agora, 1,4 mil empresas de 31 países estão inscritas, incluindo o Brasil. A feira, realizada alternadamente em Hannover (Alemanha) e Milão, é promovida pelo CECIMO – Comitê Europeu para a Cooperação entre Máquinas-Ferramenta para Indústrias. A propósito de parcerias e joint-ventures, lideranças empresariais e entidades representativas de ambos os países, como Senai, Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), aproveitaram a oportunidade para discutir a criação de um centro formativo tecnológico ítalo-brasileiro. ComunitàItaliana 19 economia Nasce un gigante Creando una fusione enorme, Perdigão e Sadia creano Brasil Foods (BRF) con lo sguardo al mercato esterno I Sílvia Souza numeri non mentono. Con un fatturato annuale di 22 miliardi di reais, con più di 40 fabbriche – di cui due all’estero – e quasi 120.000 impiegati, la Brasil Foods (BRF), creata recentemente, arriva sul mercato come l’impresa più grande del Brasile nel ramo alimentare. La marca, creata a maggio, risultato della fusione fra le storiche concorrenti Perdigão e Sadia, lascia da parte la disputa per il raggiungimento dell’apice nel ranking brasiliano, disposta ad avanzare nella conquista di altri mercati all’estero. L’unione delle due imprese, fondata nello stato di Santa Catarina a partire dal lavoro di famiglie italiane, ha dato origine alla terza maggiore impresa esportatrice brasiliana. Prendendo in considerazione i dati del 2008, la BRF è terza come importanza dopo la Petrobras e la Vale. Inoltre è la decima maggiore impresa alimentare delle Americhe, la seconda maggiore industria alimentare del Brasile (dietro solo a quella del Frigorífico JBS Friboi) e la maggior produttrice ed esportatrice mondiale di carni lavorate. In Brasile detiene la maggior parte del mercato di pasta e pizza. Per arrivare alla fusione la Perdigão ha cambiato il nome in BRF, e la Sadia in HFF. Subito dopo le azioni della HFF sono state incorporate dalla BRF. Il Consiglio d’Amministrazione delle due imprese sarà formato dalle stesse persone, e il presidente di una sarà copresidente dell’altra, cioè il controllo sarà diviso fra Nildemar Secches (Perdigão) e l’ex-ministro brasiliano dello Sviluppo, Industria e Commercio con l’Estero, Luiz Fernando Furlan (Sadia). — Stiamo creando un campione che probabilmente diventerà il più grande nella lavorazione di carne del mondo — ha detto Furlan, durante l’annuncio ufficiale della fusione. Il primo passo della Brasil Foods sarà un’offerta pubblica di azioni in un valore stimato 4 miliardi di reali per attrarre risorse. L’operazione dovrebbe avvenire 20 ComunitàItaliana / Junho 2009 alla fine di luglio e gli investimenti saranno usati integralmente per ridurre i debiti della nuova impresa, stimati in circa 10 miliardi di reais. Secondo Secches i clienti delle due marche non si devono preoccupare di un’eventuale aumento di prezzi dei prodotti. — L’obiettivo della fusione è migliorare la competitività e, automaticamente, migliorare i prezzi. Si parla molto del mercato della pizza, ma abbiamo davanti a noi la concorrenza di un monte di panetterie e di pizzerie — ha commentato in tono scherzoso. La fusione era prevista dal 2001, quando Sadia e Perdigão avevano creato la BRF Trading, società sciolta nel 2002. Poi, nel luglio del 2006, la Sadia, in migliori condizioni economiche, aveva presentato una proposta di acquisto alla concorrente. L’intento era di comprare il 100% delle azioni della Perdigão al prezzo di 27,88 reais ognuna. Ma l’offerta era stata rifiutata dagli azionisti, che rappresentavano il 55,38% del capitale dell’impresa, che avevano mantenuto la loro posizione contraria anche quando la Sadia aveva fatto la nuova proposta di pagare 29 reais per azione. Alla fine del 2006, la Perdigão ha fatto un’offerta alla Sadia, Prodotti della Brasil Foods e principali concorrenti nel mercato (in percentuali) Industrializzati di carne BRF - 55,8 (26,3 Perdigão e 29,5 Sadia) Aurora - 8,2 Seara - 4,0 Congelati di carne BRF – 71,6 (33,0 Perdigão e 38,6 Sadia) Seara – 5,0 Marfrig – 3,1 Pasta BRF – 84,2 (31,9 Perdigão e 52,3 Sadia) Derivati del latte Danone – 17,1 Nestlé – 16,2 Perdigão - 13,0 Paulista – 7,0 con l’emissione di 32.000.000 nuove azioni, al prezzo di 25 reais a titolo. L’operazione ha avuto come risultato l’introito di circa 800.000.000 di reais, ma non ha avuto successo. Adesso la marca, prossima a festeggiare i 65 anni, ha chiuso il 2008 con una perdita di 2 miliardi e mezzo di reais. Questo ha invertito il gioco dei negoziati, ed ha aperto la strada alla fusione. In seguito agli accordi, inizialmente il 68% del capitale della nuova impresa sarà degli azionisti della Perdigão ed il 32% di quelli della Sadia. Perdigão Fondata dalla famiglia Brandalise (di origini venete) e dalla famiglia Ponzoni nel 1934, nello stato di Santa Catarina, la Perdigão produce attualmente più di 2.500 prodotti, come polli (interi e a pezzi), suini e bovini congelati, prosciutti, mortadella, salsiccie, hamburger, carni panate, lasagne, pizze, succhi, yogurt e latte. In 75 anni di attività l’impresa somma 42 unità industriali in 11 Stati, oltre a tre aziende in Europa ed una in Argentina. Attualmente sono 59.000 impiegati in 25 unità industriali della carne, 15 unità di prodotti del latte, una di elaborazione della soia, una di fabbricazione di margarina, centri di distribuzione, oltre a 19 distributori appaltati. Fino al 1994 a capo della marca c’era la famiglia Brandalise quando, dopo una crisi di liquidità, l’80,68% delle azioni ordinarie ed il 65,54% delle azioni preferenziali che possedevano sono state vendute a otto fondi di pensione – sei dei quali ancora stanno nella compagnia. All’estero, oggi la Perdigão e le sue sussidiarie hanno uffici in Inghilterra, Francia, Giappone, Olanda, Russia, Singapore, Emirati Arabi Uniti, Ungheria, Portogallo, Spagna, Italia e Austria. Nel mercato domestico la compagnia opera principalmente con le marche Perdigão, Chester, Batavo e Turma da Mônica (con concessione di licenza). Nel mercato estero, che rappresenta il 44% delle vendite, si distaccano Perdix, Batavo, Fazenda, Borella e Confidence. Nel 2007, firmando con la Unilever un contratto per la fabbricazione di margarine, è passata Come la BRF arriva al mercato (sulla base dei bilanci 2008) Perdigão Fondazione 1934 Fatturato 11,3 miliardi di reais Perdite 54 milioni di reais Debiti 3,4 miliardi di reais Personale 59 mila Sadia Fondazione 1944 Fatturato 10,7 miliardi di reais Perdite 2,5 miliardi di reais Debiti 6,7 miliardi di reais Personale 60,7 mila a lavorare con le marche Doriana, Delicata, Claybom e Becel, questa ultima come joint-venture. Nel 2008 la Perdigão ha accumulato una perdita dell’83% sul guadagno liquido rispetto al 2007 arrivando ai 54 miliardi e 400 milioni di reais. Secondo l’azienda il risultato ha avuto un impatto cambiale sulla spesa finanziaria e sulle rate di aggio contabilizzate durante l’anno, dovuto alle acquisizioni e all’effetto dei contratti e delle migliorie nella produzione. Malgrado questo ha registrato un fatturato lordo annuo di 13 miliardi e 200 milioni di reais, con un aumento del 69% in confronto all’anno precedente, ed ha investito 2 miliardi e 400 milioni di reais, di cui 1 miliardo e 800 con l’acquisto di Eleva, Plusfood e Cotochés. Sadia Vicina al completamento dei 65 anni d’attività, la Sadia era sorta dall’acquisto di una piccola azienda di lavorazione di carni nella parte ovest di Santa Catarina, diventando un punto di riferimento per le carni e gli alimenti industrializzati in Brasile ed in vari paesi del mondo. L’impresa era stata fondata il 7 giugno 1944 da Attilio Fontana, con l’acquisto dell’azienda di lavorazione di carni Concórdia, nella città catarinense di Concórdia. La prima unità fuori dello stato, il Moinho da Lapa, fu fondata nel 1953, nella zona ovest di São Paulo. Attualmente sono 17 unità di produzione in nove Stati brasi- Junho 2009 / liani (Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná, Rio, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Goiás e Pernambuco), più il Distrito Federal. In tutto conta su 60.000 professionisti – oltre ad essere in società con circa 10.000 fattorie per la creazione di polli e suini. Distribuita in più di 300.000 punti vendita, l’impresa presenta un portfolio di quasi 700 prodotti sul mercato domestico. Sul mercato estero, dove è apparsa negli anni ‘60, distribuisce circa mille prodotti in più di cento paesi, e in 11 mantiene degli uffici. Col capitale aperto dal 1971, le azioni della Sadia hanno cominciato ad essere vendute nella Nyse (Borsa di New York) nel 2001, e nella Borsa di Madrid nel 2004. È stata segnalata come la marca più valida del settore alimentare brasiliano per quattro volte (2001, 2003, 2004 e 2005), secondo il consulente inglese Interbrand. Secches e Furlan Considerato come prima perdita dell’anno nella sua storia, il disimpegno del 2008 ha registrato una perdita di 2 miliardi e 48 milioni di reali, cosa che, secondo l’impresa, non ha intaccato le operazioni della marca. Secondo la Sadia, l’entrata annuale è stata di 12 miliardi e 200 milioni di reali, con un aumento del 23% in confronto al 2007. L’intero volume commercializzato è aumentato l’8,3% nel 2008, il mercato interno è cresciuto il 12,2% ed il mercato estero il 5%. Come riferito nel rapporto dei risultati del 2008, l’impresa è stata la 6ª maggiore esportatrice brasiliana in questo periodo, con vendite superiori ai 3 miliardi di dollari, secondo la Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Inoltre è leader nei prodotti industrializzati di carne, pollo intero e a pezzi, in Arabia Saudita, negli Emirati Arabi, nel Kuwait, nel Qatar, nell’Oman e nel Bahrein, con più del 25% di partecipazione sul mercato. ComunitàItaliana 21 capa Receita de sucesso Ricetta di successo Império econômico multinacional na produção de chocolates, a italiana Ferrero foi escolhida a marca de maior grau de confiabilidade junto aos consumidores, em todo o mundo Impero economico multinazionale per la produzione di cioccolato, l’italiana Ferrero è stata scelta dai consumatori di tutto il mondo come la marca di maggior fiducia O silêncio é mesmo a alma do negócio. Quem confirma o alto valor dessa antiga lei do comércio é o potente grupo Ferrero, hoje um império econômico multinacional na produção de chocolates, com suas principais sedes distribuídas pela Itália, reino da Bélgica, principado de Mônaco e Grão-Ducado de Luxemburgo, além de filiais e consorciadas espalhadas em todos os continentes, com exceção da África. Desde a sua fundação em 1946, o grupo tem sua direção concentrada nas mãos férreas da família Ferrero, agora na passagem da segunda para a terceira geração com Michele Ferrero e seus dois filhos Pietro e Giovanni, 22 respectivamente. A fama e a qualidade dos seus produtos foram conquistadas em silêncio, traçando o futuro em grande segredo e com os pés bem firmes no presente. Agora, que Michele Ferrero acabou de completar 84 anos, o Grupo Ferrero foi oficialmente reconhecido e premiado como líder mundial em grau de confiabilidade junto aos consumidores. Quem atesta isso é Reputation Institute que promove uma pesquisa anual. A partir de suas sedes em Nova Iorque e Kopenhagen, promove uma consulta a mais de 60 mil entrevistados em 32 países. Na última edição - concluída no começo do ano e publicada nas revistas inter- ComunitàItaliana / Junho 2009 I l silenzio è veramente l’anima degli affari. Il grande valore di questa antica legge del commercio viene confermato dal potente gruppo Ferrero, oggigiorno un impero economico multinazionale nella produzione di cioccolato, che ha le sedi principali sparse in Italia, nel regno del Belgio, nel principato di Monaco e nel granducato del Lussemburgo, oltre ad avere filiali e consorzi sparsi in tutti i continenti, eccetto in Africa. Dal 1946, anno della sua fondazione, la direzione del gruppo è concentrata nelle tenaci mani della famiglia Ferrero, che ora sta passando dalla seconda alla terza generazione, rispettivamen- Lisomar Silva e Nayra Garofle te con Michele Ferrero e i suoi figli Pietro e Giovanni. La fama e la qualità dei loro prodotti sono state conquistate in silenzio, tracciando il futuro in gran segreto e con passo fermo nel presente. Ora che Michele Ferrero ha appena compiuto 84 anni il Gruppo Ferrero è stato ufficialmente riconosciuto e premiato come leader mondiale dei consumatori per indici di fiducia. Tutto questo viene attestato dal Reputation Institute, che promuove un sondaggio annuale. A partire dalle sue sedi a New York e Copenaghen intervista più di 70 mila persone in 32 paesi e coinvolge 1.300 aziende. Nell’ultima edizione – conclusa all’ini- nacionais Forbes e Economist o grupo Ferrero superou fortes concorrentes, como a cadeia sueca Ikea (especializada na venda de móveis domésticos de baixo custo) e Johnson & Johnson (dedicado aos produtos de higiene em geral). Até mesmo o grupo Kraft (setor alimentar), a poderosa rede Google e as mais célebres marcas da indústria automobilística ficaram para trás. Além do prestígio mundial de sua marca, Michele Ferrero, Segundo a mesma revista Forbes é o 40° homem mais ricos do mundo, sendo o primeiro da Itália, ao encabeçar uma lista que coloca o premier Silvio Berlusconi em segundo lugar como presidente do grupo Mediaset e Leonardo Del Vecchio, presidente do grupo Luxottica, em terceiro. Michele, Pietro e Giovanni Ferrero costumam festejar esses e outros eventos com sobriedade, em companhia dos outros membros da família e dos funcionários. Num breve, mas afetuoso discurso de agradecimentos, todos são informados que são preciosos para o sucesso do grupo, nascido de uma produção confeiteira artesanal e familiar de cho- Michelle Ferrero colates em 1946 na localidade de Alba, na região de Piemonte. Os Ferrero raramente concedem entrevistas. Fazem declarações com o ritmo de um conta-gotas e publicam o balanço do grupo sem comentários supérfluos. Poucas vezes outros dirigentes e funcionários se deixam levar por comentários ou avaliações sobre a atuação do grupo. O nome Ferrero deve se exprimir, em termos de imagem, somente pelas marcas dos produtos presentes no mercado. O silêncio é de ouro, por isso é também a palavra de ordem da família. zio dell’anno e pubblicata sulle riviste internazionali Forbes e Economist – il gruppo Ferrero ha superato forti concorrenti, come la catena svedese Ikea (specializzata in vendite di mobili per la casa a basso costo) e Johnson & Johnson (dedicato ai prodotti di igiene e pulizia in generale); oltre anche al gruppo Kraft (settore alimentare), alla potente rete Google e alle più famose marche dell’industria automobilistica, che sono state lasciate indietro nel ranking. Oltre al prestigio mondiale della sua marca, Michele Ferrrero, secondo la propria rivista Forbes, è il 40° uomo fra i più ricchi del mondo e il primo in Italia, al primo posto di una lista che vede il premier Silvio Berlusconi al secondo posto come presidente del gruppo Mediaset e Leonardo Del Vecchio, presidente del gruppo Luxottica, al terzo. Michele, Pietro e Giovanni Ferrero di solito festeggiano questi ed altri eventi con sobrietà insieme agli altri membri della famiglia e ai dipendenti. In un breve ma affettuoso discorso di ringraziamento sono stati tutti resi partecipi di quanto sono preziosi per il successo del gruppo, nato da una produzione pasticciera artigianale e familiare di cioccolato nel 1946 ad Alba, in Piemonte. È raro che i Ferrero concedano interviste. Rilasciano dichiarazioni a contagocce e pubblicano il bilancio del gruppo senza commenti superflui. È anche raro che dirigenti e impiegati si lascino influenzare da commenti o valutazioni sulle realizzazioni del gruppo. Il nome Ferrero si deve esprimere, in termini di immagine, solo dalle marche dei prodotti presenti sul mercato. Il silenzio è d’oro, quindi è anche la parola d’ordine del gruppo. Anche con una riduzione parziale di sussidi che riguardano il preventivo destinato alle campagne pubblicitarie previste per i prossimi sei mesi, Michele Ferrero constata che i consumatori rinunciano sí a beni di lusso in tempi di crisi, ma non al piacere di assaporare un cioccolatino in inverno, o di deliziarsi con un dessert rinfrescante in estate. Anzi, la famosa crema di cacao e nocciole Nutella ha 2 milioni e 500 mila consuma- Junho 2009 / tori fedeli nel mondo e garantisce, in gran parte, il fatturato del gruppo. La Nutella è al 100° posto tra i 250 prodotti di consumo più apprezzati nella recente classifica del Global Power of Consumer Product, realizzata dalla società di consulenza internazionale Deloitte. È Michele Ferrero chi dà la parola finale quanto al sapore, al composto e agli involucri dei prodotti destinati a influenzare lo stile di consumo di mercato in vari paesi, com’è accaduto con la stessa Nutella, con i cioccolatini Rocher e Mon Chéri, oltre alle uova Kinder, ora venduti tutto l’anno e non solo a Pasqua. Michele affronta il successo raggiunto come stimolo per continuare ad alimentare il mercato con altre novità: ha appena lanciato in Europa il semifreddo cremoso Gran Soleil nelle nuove versioni al mandarino e ai frutti della passione (quest’ultimo ai frutti tropicali), in una linea inaugurata due anni fa con il sapore limone siciliano e che includerà anche gli aromi vaniglia, cioccolato, cappuccino e caffè espresso. Mentre assapora in prima mano il durevole successo che il nuovo dessert può raggiungere anche all’estero – come accade da più di 40 anni con la Nutella – Michele e i figli si stanno già dedicando ad innovazioni per mezzo di una ricerca legata ai cambiamenti climatici e alle nuove strategie di commercio nei paesi del gruppo BRIC (Brasile, Russia, India e Cina). La meta è ottenere prodotti rinfrescanti solidi, liquidi o cremosi che resistano ad alte temperature, che ormai si prolungano sempre più durante l’anno. Oltre ad aver consolidato la sua strategia di mercato per il consumo di cioccolato e di altri prodotti durante l’inverno, il gruppo realizza dal 2006 una politica commerciale incisiva per affrontare il mercato europeo ed internazionale nelle altre stagioni dell’anno. Per Michele Ferrero l’importante è lanciare prodotti con cui il gruppo possa affrontare con successo la concorrenza sempre più forte delle altre multinazionali del settore alimentare, specialmente nei paesi dal clima temperato e temperature costanti. Nel frattempo il gruppo ha già vinto, in Cina, una ComunitàItaliana 23 capa Mesmo com uma redução parcial de verbas praticada no orçamento destinado às campanhas publicitárias previstas para os próximos seis meses, Michele Ferrero constata que os consumidores renunciam a bens de luxo em tempos de crise, mas não ao prazer de saborear um bombom de chocolate no inverno, ou de se deliciar com uma sobremesa refrescante no verão. Aliás, o célebre creme de cacau e avelãs Nutella tem 2,5 milhões de consumidores fiéis no mundo e garante, em boa parte, o faturamento do grupo. A Nutella está em 100° lugar entre os 250 produtos de consumo mais apreciados na recente classificação do Global Powers of Consumer Products, realizada pela sociedade Deloitte de consultoria internacional. É Michele Ferrero quem dá a palavra final quanto ao sabor, à composição e à embalagem dos produtos destinados a influenciar o estilo de consumo de mercado em vários países, como aconteceu com a própria Nutella, os bombons Rocher e Mon Chéri, além dos ovos Kinder, agora vendidos o ano inteiro e não apenas na Páscoa. Michele encara o sucesso alcançado como estímulo para continuar alimentando o mercado com outras novidades: ele acaba de lançar na Europa a sobremesa fria e cremosa Gran Soleil nas novas versões mandarino e frutti della passione (tangerina e frutas tropicais), na linha inaugurada há dois anos com o sabor limão siciliano e que vai incluir também os aromas de baunilha, chocolate, capuccino e café expresso. Enquanto saboreia de antemão o sucesso duradouro que a nova sobremesa pode alcançar também no exterior – como acontece há mais de 40 anos com a Nutella - Michele e seus filhos já se dedicam à inovação através da pesquisa ligada às mudanças climáticas e a novas estratégias de comércio nos países do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Objetivo: obter produtos refrescantes sólidos, líquidos ou cremosos, que resistam às altas temperaturas, que se prolongam cada vez mais durante o ano. Após ter consolidado sua estratégia de mercado para o consumo de chocolate e outros produtos durante o inverno, o grupo 24 desenvolve desde 2006 uma política comercial incisiva para enfrentar o mercado europeu e internacional nas outras estações do ano. Para Michele Ferrero, o importante é lançar produtos com os quais o grupo possa enfrentar com sucesso a concorrência cada vez mais forte das outras multinacionais do setor alimentar, principalmente nos países de clima temperado e temperaturas constantes. Enquanto isso, o grupo já ganhou na China uma disputa no campo das falsificações, outro setor espinhoso do mercado internacional: no mês de abril, a Corte Suprema de Pequim condenou a sociedade local Montresor a retirar do mercado seus chocolates embalados com papel dourado idêntico ao do bombom Ferrero Rocher e a ressarcir o grupo Ferrero. Boca fechada Os funcionários e fiéis colaboradores do grupo Ferrero, assim como os componentes da família, guardam o segredo de seu sucesso a sete chaves. Porém, a distribuição das empresas do grupo na Itália e no exterior, assim como o perfil de atividades de cada sociedade afiliada, permite entender a política de mercado e as decisões empresariais estratégicas que o grupo toma. O principal lema dos Ferrero é “para frente com prudência”, ou seja, buscar ideias inovadoras, mantendo-se, porém, firmes e ativos na própria área de sucesso, evitando investimentos em setores econômicos de alto risco ou muito diversos das atividades do grupo. Até hoje, por exemplo, a família Ferrero evitou a presença do grupo nas Bolsas de Valores e se limitou a participar de pacotes acionários de algumas companhias de seguros consideradas sólidas ou interessantes no mercado. O grupo, desde a sua fundação, é autosuficiente; jamais se serviu de financiamentos nem de empréstimos externos no concorrido mercado de capitais. Em pouco mais de sessenta anos, formou um patrimônio que, segundo a classificação da Forbes, é avaliado em 9,5 bilhões de dólares. Outras fontes financeiras e empresariais, contudo, indicam valores na ordem dos 11 bilhões de dólares até quase 13 bilhões de dólares. Mui- ComunitàItaliana / Junho 2009 disputa nel campo delle falsificazioni, altro settore spinoso del mercato internazionale: in aprile la Corte Suprema di Pechino ha condannato la società locale Montresor a togliere dal mercato i suoi cioccolatini incartati con carta dorata identica a quella dei Ferrero Rocher e a risarcire il gruppo Ferrero. A sinistra, i fratelli Ferrero: sucesso e orgoglio per il premio ricevuto. La Nutella è al 100º posto tra i 250 prodotti di consumo più apprezzati secondo la Global Powers of Consumer Products Acqua in bocca Gli impiegati e fedeli collaboratori del gruppo Ferrero, cosí come i membri della famiglia, tengono il segreto del loro successo gelosamente custodito. Ma la distribuzione delle aziende del gruppo in Italia e all’estero, cosí come il profilo di attività di ogni società affiliata, permette di capire la politica di mercato e le decisioni imprenditoriali strategiche che il gruppo prende. Il motto principale dei Ferrero è andare “avanti con prudenza”, ossia cercare idee innovatrici, ma mantenendosi fermi e attivi nella propria area di successo, evitando cosí investimenti in settori economici ad alto ri- tas das opções de mercado da família Ferrero se explicam na leitura do complexo, mas funcional organograma do grupo, internacionalizado quanto à produção, aos resultados alcançados em termos de investimentos e lucros. Há 40 anos, Michele Ferrero já se apresentava ao mercado americano com um escritório de representação em Nova Iorque e duas fábricas (Equador e Porto Rico). Na Europa, o grupo já estava presente na Áustria e na Irlanda. Hoje, a Ferrero conta com 14 estabelecimentos e 38 sociedades operacionais no mundo, dos quais quatro na Itália e outros nas Américas do Norte (Estados Unidos e Canadá), Central À esquerda, os irmãos Ferrero: sucesso e orgulho pelo prêmio recebido. A Nutella está em 100º lugar entre os 250 produtos de consumo mais apreciados segundo a Global Powers of Consumer Products schio o molto distanti dalle attività del gruppo. Fino ad oggi, per esempio, la famiglia Ferrero ha evitato la presenza del gruppo nelle Borse di Valore e si è limitato a partecipare a pacchetti azionari di qualche compagnia di assicurazione considerata solida o interessante nel mercato. Il gruppo è autosufficiente fin dalla sua fondazione. Non si è mai servito di finanziamenti né di prestiti esterni nel difficile mercato di capitali. In poco più di sessant’anni ha messo su un (Porto Rico) e Latina (Argentina, Brasil, Equador e Chile, onde cultivam nozes em uma propriedade rural), além da Austrália, empregando cerca de 21.600 funcionários. O balanço do período 20062007 se concluiu com um faturamento de 5,472 bilhões de euros, equivalentes a um crescimento na ordem de 6,5% em relação ao balanço anterior. Em 2008, o grupo se mostrou ainda mais robusto com um faturamento de 6,214 bilhões de euros e crescimento de 4,3%, o que representa patrimonio che, secondo la classifica della Forbes, viene valutato in 9 miliardi e 500 milioni di dollari. Ma altre fonti finanziarie e imprenditoriali indicano valori di circa 11 miliardi di dollari e perfino quasi 13 miliardi di dollari. Molte delle opzioni di mercato della famiglia Ferrero si esplicano nella lettura del complesso, ma funzionale, organigramma del gruppo, internazionalizzato quanto a produzione e a risultati raggiunti in termini di investimenti e guadagni netti. Quarant’anni fa Michele Ferrero si presentava già sul mercato americano con un ufficio di rappresentazione a New York e due fabbriche (in Ecuador e Porto Rico). In Europa il gruppo era già presente in Austria e in Irlanda. Oggi la Ferrero conta su 14 fabbriche e 38 società operative nel mondo, delle quali quattro in Italia e altre nell’America del Nord (Stati Uniti e Canada), Centrale (Porto Rico) e Latina (Argentina, Brasile, Ecuador e Cile, dove coltivano nocciole in una proprietà rurale), oltre anche all’Australia, dando impiego a 21.600 dipendenti. Il bilancio del periodo 2006-2007 si è concluso con un fatturato di 5 miliardi e 472 milioni di euro, equivalenti a una crescita del 6,5% in rapporto al bilancio anteriore. Nel 2008 il gruppo si è dimostrato ancora più robusto con un fatturato di 6 miliardi e 214 milioni di euro e una crescita del 4,3%, il che rappresenta un aumento dell’8,2% in rapporto al periodo anteriore. Solo in Italia il volume di affari registrato è stato di 2 miliardi e 263 milioni di euro, con guadagni di 98,1 milioni e una crescita del 4,3% dei ricavi. Il quartier generale del gruppo Ferrero si trova a Pino Torinese, in Piemonte, località dov’è nata una delle prime imprese artigianali storiche della famiglia. La holding Soremartec, creata da Michele Ferrero, ha fondato la sua prima sede in Olanda e controlla l’italiana P.Ferrero & C, responsabile delle industrie italiane di dolci e di macchine destinate alla produzione di materie prime. Allo stesso tempo la Soremartec, che ha sedi anche ad Arlon (al confine tra Belgio e Lussemburgo) e ad Alba (in Piemonte), si incarica delle attività del- Junho 2009 / le imprese situate fuori dall’Europa. La holding italiana controlla quasi metà del pacchetto azionario della Ferrero Internacional, con sede nel Lussemburgo e che detiene le azioni di tutte le imprese in attivo, per un volume affaristico valutato in circa 6 miliardi di euro. Michele Ferrero, che ha la cittadinanza belga, risiedeva da quasi trent’anni a Bruxelles, dove ha creato la Ferrero Internacional, sede finanziaria del gruppo, oggi diretta dal figlio Giovanni. In seguito il patriarca si è trasferito nel suo nuovo domicilio nel Principato di Monaco, dove ha creato il centro di ricerche della rete Soremartec, dedicato a test di qualità di sapori, aromi, testure e caratteristiche fisico-chimiche, oltre alle certificazioni per i prodotti alimentari destinati al mercato italiano ed internazionale. I fratelli Pietro e Giovanni risiedono ufficialmente nella città fiamminga Rhode-Saint- Genèse, a pochi chilometri da Arlon (Belgio). Pietro, 45 anni, ha la laurea in Biologia e si incarica del segmento finanziario e della linea di nuovi prodotti del gruppo. Occupa anche incarichi decisionali nel Consiglio di Amministrazione nei gruppi italiani Mediobanca e Italcementi. Giovanni, 43 anni, si dedica al settore commerciale senza però abbandonare la sua vena di scrittore: ha pubblicato con la casa editrice Mondadori (gruppo Fininvest di Silvio Berlusconi) vari romanzi, tra cui Il Giardino di Adamo, Il Camaleonte, Campo Paradiso. I fratelli di solito passano le ferie a Montecarlo o nell’affascinante località svizzera Saint Moritz, uno dei principali centri turistici di lusso in Europa, dotata di piste sciistiche. Michele Ferrero, con la moglie Maria Franca e i figli, preferisce portare avanti una vita discreta, distante da feste rumorose e da eventi spettacolari, senza mescolarsi (almeno apertamente) con celebrità e personaggi del panorama politico italiano. La famiglia apprezza la sobrietà e la beneficienza: promuove campagne di solidarietà sociale a favore di comunità di disagiati nella Repubblica del Camerun e nell’Africa del Sud. In Italia, sponsorizza programmi per la corretta nutrizione e la pratica di sport salutari. ComunitàItaliana 25 capa um aumento de 8,2% em relação ao período anterior. O volume de negócios registrado somente na Itália foi de 2,263 bilhões de euros, com lucros de 98,1 milhões e crescimento de 4,3% nos ganhos. O “quartel general” do grupo Ferrero se encontra em Pino Torinese, localidade onde nasceu uma das primeiras empresas artesanais históricas da família, na região Piemonte. A holding Soremartec, criada por Michele Ferrero, fundou sua primeira sede na Holanda e controla a italiana P.Ferrero & C., responsável pelas indústrias italianas de doces e do maquinário destinado à produção das matérias-primas. Ao mesmo tempo, Soremartec, que tem sedes também em Arlon (na fronteira entre Bélgica e Luxemburgo) e na localidade italiana de Alba (região Piemonte), se encarrega das atividades das empresas localizadas fora da Europa. A holding italiana controla quase metade do pacote acionário da Ferrero International, sediada em Luxemburgo e detentora das ações de todas as empresas ativas, para um volume de negócios avaliado em torno de 6 bilhões de euros. Michele Ferrero, que tem cidadania belga, residia há quase trinta anos em Bruxelas, onde criou a Ferrero International, sede financeira do grupo, hoje dirigida pelo filho Giovanni. Em seguida, o patriarca se transferiu para seu novo domicílio no Principado de Mônaco, onde criou o centro de pesquisas da rede Soremartec, dedicado a testes de qualidade de sabores aromas, texturas e características físicoquímicas, além de certificações para os produtos alimentícios destinados ao mercado italiano e internacional. Os irmãos Pietro e Giovanni residem oficialmente na cidade flamenga de Rhode Saint Genèse, a poucos quilômetros de Arlon (Bélgica). Pietro, de 45 anos, é licenciado em Biologia. Ele se encarrega do segmento financeiro e a linha de novos produtos do grupo. Ocupa também cargos decisórios no Conselho de Administração nos grupos italianos Mediobanca e Italcementi. Giovanni, de 43 anos, se dedica ao setor comercial, sem deixar de cultivar sua veia de escritor: publicou junto à editora Mondadori (grupo Fininvest de Silvio 26 Berlusconi) vários romances, entre eles Il Giardino di Adamo, Il Camaleonte, Campo Paradiso. Os irmãos costumam passar suas férias em Montecarlo ou na charmosa localidade suíça de Saint Moritz, um dos principais centros turísticos luxuosos da Europa, dotados de pistas para esqui. Michele Ferrero, com a esposa Maria Franca e os filhos, prefere levar uma vida discreta, distante das festas rumorosas e dos eventos espetaculares, sem se misturar (ao menos abertamente) com celebridades e personagens do panorama político italiano. A família aprecia a sobriedade e a beneficência: promove campanhas de solidariedade social em favor de comunidades de habitantes desamparados na República dos Camarões e na África do Sul. Na Itália, patrocina programas para a alimentação correta e a prática do esporte sadio. A família Ferrero e os altos dirigentes do grupo seguem outro lema de estratégia de ação: pensar global, agir local. As operações financeiras que a família e o grupo Ferrero realizaram fora da Itália fortaleceram os cofres e o patrimônio do grupo, mas chamaram também a atenção dos funcionários fiscais italianos especialmente pela criação de empresas em nações onde o peso das tributações para pessoas físicas ou jurídicas é baixo e muito vantajoso. Os Ferrero se encontram há tempos na mira do Fisco italiano, já que o sistema fiscal do país julga passíveis de tributação todas as atividades comerciais que têm origem no território italiano, mesmo que gerando ganhos e lucros no exterior. Ah! Nutella O que seria da Nutella sem as preciosas avelãs? Há mais de sessenta anos, quando o patriarca piemontês e artesão Pietro Ferrero (1898-1949) fundou o primeiro núcleo confeiteiro que deu origem ao potente e moderno grupo multinacional, as avelãs representavam a parte vital do famoso e venerado creme pronto para ser usado como uma manteiga no pão, biscoitos e até nas pizzas das últimas gerações. O aumento acelerado da produção, das exportações e do consumo de Nutella no mundo levou Michele Ferrero a se garantir contra a falta ComunitàItaliana / Junho 2009 La famiglia Ferrero e gli alti dirigenti del gruppo seguono un altro precetto strategico di azione: pensare globale, agire locale. Le operazioni finanziarie che la famiglia e il gruppo Ferrero hanno realizzato fuori dall’Italia hanno rafforzato gli introiti e il patrimonio del gruppo, ma hanno richiamato l’attenzione di impiegati del controllo fiscale italiani specialmente dovuto alla creazione di imprese in nazioni dove il peso delle tasse per persone fisiche o giuridiche è basso e molto vantaggioso. I Ferrero sono stati per molto tempo presi di mira dal Fisco italiano, visto che quel sistema fiscale considera passibili di tributazione tutte le attività commerciali che abbiano origine sul territorio italiano, anche se danno origine a guadagni e ricavi all’estero. Ah! Nutella Cosa ne sarebbe della Nutella senza le preziose nocciole? Da più di sessant’anni, quando il patriarca piemontese e artigiano Pietro Ferrero (1898-1949) fondò il primo nucleo pasticciere che ha dato origine al potente e moderno gruppo multinazionale, le nocciole rappresentano la parte vitale della famosa e venerata crema pronta da essere spalmata come un burro su pane, biscotti e perfino sulla pizza delle ultime generazioni. L’aumento ac- cellerato della produzione, delle esportazioni e del consumo di Nutella nel mondo ha fatto decidere a Marco Ferrero di proteggersi contro la mancanza di materia prima nel mercato e anche da eventuali speculazioni di prezzi nel commercio. Cosí il Gruppo Ferrero, uno dei maggiori consumatori mondiali di nocciole (ne compra gran parte dalla Turchia, equivalente al 70% della produzione globale), ha deciso di acquisire un’area coltivata di quasi 1800 ettari nella Repubblica ex-sovietica della Georgia, nel Caucaso, oltre a territori con piantagioni di nocciole in Cile. Il programma di investimenti del gruppo, valutati in circa 10 milioni di euro, include anche la costruzione di due nuove fabbriche e l’appoggio a progetti di modernizzazione nell’industria giorgiana di trasformazione locale. Questi valori sono considerati modesti se paragonati agli investimenti annuali di circa 300 milioni di euro che il gruppo applica nell’modernizzazione della produzione e nello sviluppo di nuovi prodotti. Tutto per mantenere vivo il successo di un prodotto nato in un contesto di difficoltà economiche causate dalla da matéria-prima no mercado e a se proteger de eventuais especulações de preços no comércio. Assim o Grupo Ferrero, um dos maiores consumidores mundiais de avelãs (compra boa parte da Turquia, equivalente a 70% da produção global), decidiu adquirir uma área cultivada de quase 1800 hectares na República ex-soviética da Georgia, no Cáucaso, além dos territórios com plantações de avelãs no Chile. O programa de investimentos do grupo, avaliados em torno de 10 milhões de euros, inclui também a construção de dois novos estabelecimentos e o apoio a projetos de modernização junto à indústria georgiana de transformação local. Esses valores são considerados modestos se comparados com os investimentos anuais de cerca de 300 milhões de euros que o grupo faz na modernização da produção e no desenvolvimento de novos produtos. Tudo para manter vivo o sucesso de um produto nascido em um contexto de dificuldades econômicas geradas pela Segunda Guerra Mundial, a partir da genialidade de um confeiteiro artesanal. Em tempo: o nome Nutella é o resultado da fusão entre a expressão “nut” (avelã em inglês) e o sufi- xo italiano “ella”, para indicar os objetos e nomes, com carinho, na forma diminutiva. No Brasil Grande parte do sucesso da Ferrero deve-se ao Brasil. Isso mesmo. Desde que introduziu no mercado o Kinder Ovo, em 1994, a marca só cresce no país. Com a imensa receptividade brasileira, a empresa agregou outros produtos a sua linha. Em 1995, chegaram por aqui o bombom Ferrero Rocher, as balas Tic Tac e o chocolate em barra Kinder Bueno. Dois anos depois, a Ferrero do Brasil iniciou a sua produção em Poços de Caldas, em Minas Gerais. O gerente-geral do braço brasileiro da empresa, Pietro Cornero, explica que o local foi escolhido por conta de uma combinação de vários fatores, entre eles o micro-clima “ótimo para ressaltar as características organolépticas dos produtos” e cercania, ou seja, lugares de produção de várias matérias-primas. Segundo Cornero, o perfil do mercado nacional é estratégico para o Grupo Ferrero: — O Brasil é o mercado que tem mais potencialidade de crescimento dentro da América Latina. Mesmo sendo hoje um mercado com menor valor agregado, confiamos no bom gosto dos consumidores brasileiros que cada vez mais reconhecem o nosso diferencial de qualidade. No Brasil, além da Nutella outros produtos fazem sucesso como o chocolate em barra Kinder Bueno In Brasile, oltre alla Nutella, altri prodotti hanno successo come il cioccolato Kinder Bueno Seconda Guerra Mondiale, partendo dalla genialità di un pasticciere artigianale. E ancora: il nome Nutella è il risultato della fusione tra l’espressione “nut” (nocciola in inglese) e il suffisso italiano “ella”, diminutivo vezzeggiativo che può indicare oggetti o nomi. In Brasile Gran parte del successo della Ferrero si deve al Brasile. È proprio cosí: fin da quando ha introdotto nel mercato il Kinder Ovo, nel 1994, la marca non fa che crescere nel paese. Dovuto all’immensa ricettività brasiliana l’azienda ha aggiunto altri prodotti alla sua linea. Nel 1995 sono arrivati qui i cioccolatini Ferrero Rocher, le caramelle Tic-Tac e il cioccolato Kinder Bueno. Due anni dopo la Ferrero do Brasil ha iniziato la sua produzione a Poços de Caldas, in Minas Gerais. Il gestore-generale del ramo brasiliano dell’azienda, Pietro Cornero, spiega che il luogo è stato scelto dovuto a una combinazione di vari fattori, tra cui il micro-clima “ottimo per mettere in risalto le caratteristiche organolettiche dei pro- Junho 2009 / dotti” e le vicinanze, ossia, luoghi di produzione di varie materie prime. Secondo Cornero, il profilo del mercato nazionale è strategico per il Gruppo Ferrero: — Il Brasile è il mercato che ha più potenzialità di crescita all’interno dell’America Latina. Anche se oggi è un mercato con minore valore aggregato, abbiamo fiducia nel buongusto dei consumatori brasiliani affinché riconoscano sempre di più la nostra qualità, che ci rende migliori. La fabbrica brasiliana è responsabile della produzione dei cioccolatini Ferrero Rocher, Manderly e Ferrero De Luxe, oltre alla Nutella e alle uova di Pasqua. Inoltre esporta prodotti verso il mercato interno di paesi come Germania, Argentina, Canada, Messico, Francia, Ecuador, Russia, Stati Uniti e anche Italia. Nel 1994 erano 10 dipendenti. Oggi sono 700 tra i settori industriale e commerciale. Senza citare numeri “per motivi strategici”, Cornero dice che il Brasile esporta il 35% della produzione globale. — Visto che è un mercato strategico, il Brasile è molto im- ComunitàItaliana 27 ROMA capa Lisomar Silva A fábrica brasileira é responsável pela produção dos bombons Ferrero Rocher, Manderly e Ferrero De Luxe, além da Nutella e dos ovos de Páscoa. Atende além do mercado interno, países como Alemanha, Argentina, Canadá, México, França, Equador, Rússia, Estados Unidos e até a própria Itália. Em 1994, eram 10 funcionários. Hoje são 700 entre os setores industrial e comercial. Sem citar números, “por questões estratégicas”, Cornero afirma que o Brasil exporta 35% da produção global. — Por ser um mercado estratégico, o Brasil é muito importante para os futuros desenvolvimentos do Grupo, que possui uma base expressiva nos mercados europeus e temos como prioridade o crescimento fora desta região — explica o italiano, afirmando que, apesar da crise econômica mundial, “a marca continua crescendo e no Brasil cresce mais que a média do Grupo”. Sobre o prêmio que a marca acaba de ganhar, Cornero afirma que foi o reconhecimento, por parte das pessoas, da filosofia da empresa, “voltada ao respeito do consumidor e de seus funcionários desde a sua fundação”. — Estamos colhendo os frutos desta continuidade filosófica. O exemplo vem do fundador do Grupo, o senhor Michele Ferrero, que sempre predicou esta filosofia e nos transformou em seus “apóstolos”. Estamos orgulhosos com este reconhecimento que nos empolga a continuar trilhando este caminho — diz. Com tanto reconhecimento, segundo Cornero, as expectativas da empresa, no que diz respeito ao Brasil, “é continuar crescendo a dois dígitos nos próximos anos mantendo um nível de qualidade em sintonia com as 28 Pizza rigorosamente Kascher A exigências do Grupo e no respeito absoluto ao consumidor”. Ranking nacional Dez empresas brasileiras também aparecem na lista do Reputation Institute que indicou as 200 companhias de melhor reputação entre os consumidores, em todo o mundo. A Petrobras encabeça o ranking nacional, tendo ficado na 4ª colocação global. Em seguida vem a Sadia. A empresa ítalobrasileira que acabou de sofrer uma fusão com a Perdigão ocupa o 2º lugar na lista nacional e o 5º lugar na listagem global. As outras brasileiras do ranking são: Votorantim (20º), Vale (28º), Gerdau (68º), Usiminas (84º), Pão de Açúcar (113º), Banco do Brasil (124º), CSN (180º) e Embraer (197º). No Brasil, os itens de maior peso na reputação das corporações são produtos e serviços e nível de governança, O item cidadania, o terceiro mais valorizado no mundo, ainda fica atrás do ambiente de trabalho, no Brasil. ComunitàItaliana / Junho 2009 poucos passos da Piazza Venezia, caminhando em direção à Fontana di Trevi, você encontra a melhor pizzaria take away com sabores de dar água na boca. Michele e a esposa Cinzia preparam pizzas aos pedaços para serem comidas na hora, com sabores especiais e massa bem cozida. Michele exibe na vitrine as pizzas forradas com vegetais grelhados, peixe fresco, verduras cozidas. Ele não mede esforços para mostrar a qualidade de seus produtos, nem dá bola para a crise economica. Tem sempre um sorriso de simpatia para seus clientes. Pizzaria da Michele - Via dell’Umiltà, 31. A Ferrero iniciou a sua produção no Brasil em 1997. A fábrica fica em Poços de Caldas, Minas Gerais. Ao lado, o gerente-geral do Brasil Pietro Cornero Tradição judaica La Ferrero ha iniziato la sua produzione in Brasile nel 1997. La fabbrica rimane a Poço de Caldas, in Minas Gerais. Accanto, il gestoregenerale del Brasile, Pietro Corner portante per i futuri sviluppi del Gruppo che presenta un’espressiva base nei mercati europei e la nostra priorità è la crescita al di fuori di questa regione — spiega l’italiano dicendo che, malgrado la crisi economica mondiale, “la marca continua a crescere e in Brasile cresce di più che la media del Gruppo”. Riguardo al premio che la marca ha appena vinto, Cornero lo attribuisce al riconoscimento, da parte della gente, della filosofia dell’azienda, “rivolta al rispetto dei consumatori e dei suoi dipendenti fin dalla sua fondazione”. — Stiamo cogliendo i frutti di questa continuità filosofica. L’esempio viene dal fondatore del Gruppo, il signor Michele Ferrero, che ha sempre predicato questa filosofia e ci ha trasformati nei suoi “apostoli”. Siamo orgogliosi di questo riconoscimento che ci dà animo a continuare seguendo questo percorso — dice. Con tanti riconoscimenti, secondo Cornero, l’aspettativa dell’azienda, per ciò che riguarda il Brasile, “è di continuare a crescere due cifre nei prossimi anni mantendendo un livello di qualità in sintonia con le esigenze del Gruppo e nell’assoluto rispetto dei consumatori”. A comunidade judaica em Roma é a mais antiga da Europa Ocidental e vive na capital praticamente há mais de dois mil anos – Roma completou 2.762 anos. Os pratos mais tradicionais da gastronomia romana receberam uma forte influência da culinária judaica. Hoje, muitas das tradiçoes de origem kasher se mantêm vivas nas preparações da culinária judaico-romana, espalhadas pelos cardápios de restaurantes re- Ranking nazionale Anche dieci aziende brasiliane appaiono nella lista del Reputation Institute, che ha indicato le 200 compagnie di miglior reputazione tra i consumatori in tutto il mondo. La Petrobras è al 1° posto nel ranking nazionale e al 4° in quello mondiale. In seguito viene la Sadia. L’azienda italo-brasliana, che ha appena concluso una fusione con la Perdigão, occupa il 2° posto nel ranking nazionale e il 5° in quello mondiale. Le altre aziende brasiliane nella lista sono: Votorantim (20º), Vale (28º), Gerdau (68º), Usiminas (84º), Pão de Açúcar (113º), Banco do Brasil (124º), CSN (180º) e Embraer (197º). In Brasile le voci di maggior peso nella reputazione delle corporazioni sono prodotti, servizi e livelli di governance. La voce cittadinanza, la terza più valorizzata nel mondo, in Brasile è arrivata dopo quella dell’ambiente di lavoro. finados ou populares. Do café-da-manhã ao jantar, pode-se apreciar a grande variedade de sabores e aromas da cozinha judaica em vários pontos da cidade. Aproveite sua viagem a Roma para experimentar comidinhas muito saudáveis, preparadas segundo o rigor das regras estabelecidas pelo Kasherut e ótimas para quem sofre de intolerância alimentar. Dizer Kascher ou Koscher, não importa: as duas expressões têm o mesmo significado. Almoço O s carciofi alla giudia são a marca registrada da cozinha judaico-romana. São crocantes alcachofras fritas em azeite extravirgem em alta temperatura que vão bem acompanhadas com um bom vinho e pão saidinho do forno. Todos os restaurantes propõem esta delícia que, mesmo frita, dá uma sensação de leveza ao paladar. Prove-os no restaurante Nonna Betta, incluído na denominação “chalavi” por servir pratos preparados com leite e queijos e pode propor também preparações com peixes. Importante: o restaurante permanece aberto durante o mês de agosto, período em que muitos outros locais fecham p a r a as férias de verão. Nonna Betta - Via Portico D’Ottavia, 16. Café-da-manhã C omece seu passeio matinal pelo mais antigo bairro judeu da Europa, fazendo uma parada no Kosher Bistrot Caffè, que propõe também pratos de carne para o almoço. Sente-se e prove, ao ar livre, um capuccino preparado com leite de soja (as regras Kasher vetam a aproximação e a mistura entre o leite e a carne nas preparações). Se quiser, você vai encontrar um interessante cardápio para acompanhar um bom vinho de produção italiana ou estrangeira (cerca de 200 etiquetas), certificado pelas associações rabínicas. Os mais gulosos vão adorar o halva, um maravilhoso doce feito com massa de sésamo, açúcar e baunilha. Kosher Bistrot Caffè - Via Santa Maria del Pinato 68/69. Fechado aos sábados. Lanches rápidos C hama-se MK Kosher. Oferece hamburgueres e sanduíches (em italiano se chamam panini) à base de kebab. São preparados conforme os preceitos da cultura judaica e servidos no esquema fast food semelhante ao da conhecida cadeia americana de alimentos. Lá é possível comer também um delicioso filé de bacalhau, sanduíches de vegetais e recheados de felafel. Os doces são preparados sem leite. É só dar uma caminhada nas redondezas da Fontana di Trevi para chegar lá e apreciar o cardápio que Izhac Nemni, proprietário da lanchonete, propõe a seus clientes. MK Kosher tem outra lanchonete também na Via Santa Maria del Pianto 64-65, nas proximidades de Portico D’Ottavia. MK Kosher - Piazza dei Crociferi, 12. Junho 2009 / ComunitàItaliana 29 Tragédia em alto mar Queda de avião da Air France com 228 passageiros, no Oceano Atlântico, leva comoção a diferentes nações O Sílvia Souza dia 1º de junho interrompeu o clima festivo de celebrações pelo Ano da França no Brasil. O Airbus A330-200 da companhia Air France, que fazia o voo AF 447, decolou do Rio de Janeiro com destino a Paris, mas desapareceu no Oceano Atlântico. Dentre os 228 passageiros, dez italianos. Vários deles vieram ao Brasil em missão de solidariedade e iniciativas de cunho social que ligam Brasil e Itália. No voo estavam a responsável pelo Centro Internacional de Orientação e Defesa da Mulher Estrangeira (Ciods), Angela Cristina de Oliveira Silva e seu marido Enzo Canelletti, da província de Veneza; a consultora da Agência de Desenvolvimento da Região da Emilia-Romagna (Ervet), de Bolonha, Claudia Degli Esposti; o empreendedor do ramo de construção civil de Villafranca (Verona), Agostino Cordioli; o consultor empresarial Alexander Paulitsch; o empreendedor do setor madeireiro Georg Lercher e Georg Martiner, de origem brasileira – esses três eram de Bolzano, província localizada em Trentino-Alto Ádige. Completam a lista o diretor da associação Trentini nel Mondo, Rino Zandonai; o deputado de Trentino-Alto Ádige, Giovanni Battista 30 Lenzi e o prefeito da cidade de Canal San Bovo, Luigi Zortea. Os amigos Paulitsch e Lercher teriam viajado juntos. Já Martiner, adotado por uma família da cidade italiana de Ortisei, teria vindo ao Brasil visitar a terra natal. Cordioli teria vindo a negócios e Degli Esposti esteve no Paraná, onde participou, a convite de uma delegação local, de uma feira do setor têxtil. Solidariedade Segundo representantes do Ciods na Itália, Angela Silva e Enzo Caneletti trabalhavam em uma causa que tinha como foco moradores de rua. Enquanto isso, a região de Trento, de onde vieram muitos dos italianos que imigraram no Sul do Brasil, perde três expoentes no trabalho para divulgar ComunitàItaliana / Junho 2009 a cultura local. Zadonai, Lenzi e Zortea permaneceram dez dias no país. De acordo com o Círculo Trentino de Curitiba, eles chegaram em São Paulo no dia 21 de maio e encontraram-se com o cônsul Marco Marsilli. No estado, visitaram ainda a cidade de Piracicaba. Já no Paraná, o grupo participou de um almoço do Círculo, no dia 24, e assinou com a Prefeitura de Piraquara um acordo de gemellaggio entre o município e o Valle Del Primiero (Trento). O documento prevê um intercâmbio cultural e tecnológico entre as áreas em questão. A imigração italiana em Piraquara data de 1878, com a chegada de 59 famílias do Valle Del Primiero, composto por oito cidades. Em Piraquara, no distrito de Colônia Imperial Santa Maria do Novo Tirol da Boca Serra, os trentinos acompanharam a instalação de uma agroindústria e participaram da criação de um roteiro turístico que passa pelo manancial que abastece a região metropolitana de Curitiba – ambas iniciativas de cooperação Itália-Brasil. A intensa programação fazia parte das celebrações pelos 131 anos da imigração trentina no Paraná. De lá, o grupo formado por Rino Zandonai, Giovanni Battista Lenzi e Luigi Zortea foram a Santa Catarina. O objetivo da estada era a entrega de 22.375 euros (cerca de 62 mil reais), arrecadados pela “Campanha de Solidariedade” promovida pelos trentinos para ajudar a população italiana do município de Gaspar, um dos atingidos pelas enchentes de novembro do ano passado. Parte do dinheiro será destinada à construção de um centro de assistência a menores com problemas mentais e em condições psicológicas que podem determinar alguma marginalização social. O prefeito de Canal San Bovo, Luigi Zortea, ficou conhecido na região trentina por ter promovido na cidade um programa de incentivo à natalidade nos anos 1990, em seu mandato anterior. O município registrava taxas negativas de crescimento demográfico havia 30 anos. Por meio do programa, a prefeitura doava cerca de 500 euros às famílias que tivessem mais de um filho e a pessoas que se casavam e decidiam viver na cidade. Em 2000, Zortea entregou prêmios para algumas famílias que contribuíram com o sucesso do programa da prefeitura. Antes de chegarem ao Rio para pegar o avião com destino a Paris, o grupo parou também em Florianópolis, capital catarinense. Cicerone dos italianos, o presidente do Círculo Trentino de Curitiba, Ivanor Minatti, embarcou para a Itália assim que soube do desaparecimento do avião em que estavam os compatriotas. O Círculo Trentino de Curitiba tem autorização para responder pela abertura dos processos de pedido de cidadania das pessoas com ascendência em Trento na circunscrição Paraná e Santa Catarina. No Brasil, são atualmente 62 círculos da Associação Trentinos no Mundo. Caminho para italianos Sem um único voo direto do Rio de Janeiro para a Itália há anos, a companhia aérea francesa é muito utilizada por quem deseja chegar à bota ou vir de lá para o Rio. Em reportagem publicada na edição 120 (junho de 2008), Comunità já apontava a dependência: para chegar a Roma ou Milão é preciso se submeter a aterrissar, primeiramente, em alguns países da Europa, a outra opção é seguir para São Paulo, onde somente uma companhia nacional, a TAM, oferece um voo diário de ida e volta para Milão, cuja partida é do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A Air France, faz 14 vôos semanais para a Itália, a partir de São Paulo e 10 do Rio de Janeiro, Elizabeth Thomé/Prefeitura de Gaspar atualidade Luigi Zortea, Giovanni Lenzi e Rino Zandonai, que estiveram em Gaspar (SC), estavam no voo AF 447 subindo para 14 em alta temporada. Todos fazem escala em Paris. A empresa estrangeira que lidera o ranking de voos diretos a partir de diversas cidades do Brasil, inclusive o Rio de Janeiro, é a portuguesa TAP. Pela companhia, é possível desembarcar no Brasil, vindo da Itália, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Natal, Recife e Salvador. Brasileiros Até o fechamento desta edição, a Anac contabilizava 57 brasileiros entre os passageiros do Airbus. Entre eles estava o maestro Sílvio Barbato, que foi diretor artístico e regente da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. O maestro, que mora no Rio de Janeiro, viajou para se apresentar na Ucrânia e na Itália. Voltaria a Brasília para começar uma turnê: uma série de concertos em homenagem ao compositor Cláudio Santoro. Compositor premiado, Barbato completou 50 anos em maio, tem dois filhos e trabalhou no Teatro Nacional por 12 anos, até 2006. A mais nova ópera dele, Chagas estreou em Roma no ano passado e estava prevista para ser encenada no Brasil em outubro. Desde 2006, Barbato era diretor musical da Sala Palestrina, na capital italiana, lugar sagrado da música de concerto em Roma, construída em 1650. A cantora Juliana de Aquino também viajou no 447. Ela voltava para a Alemanha, onde mora há seis anos, depois de passar 20 dias de férias em Brasília. Atualmente, Juliana participava do musical Wicked, em Stuttgart. A Casa Imperial do Brasil também emitiu comunicado confirmando a presença do príncipe Pedro Luis de Orleans e Bragança, o quarto na linha de sucessão caso houvesse o sistema monarquista no Brasil. Filho do príncipe Dom Antonio, ele tinha 26 anos, era formado em administração de empresas e morava em Luxemburgo. Entre os brasileiros do voo estavam ainda o recém-empossado presidente da Michelin para a América do Sul, Luís Roberto Anastácio, e o advogado e chefe de gabinete do prefeito do Rio, Marcelo Parente. Junho 2009 / Pane elétrica e raios Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Direção de Aviação Civil Francesa informou que o Airbus francês iniciou suas operações na empresa Air France em abril de 2005 e possui a mais de 18 mil horas de vôo. A última visita em manutenção de hangar da aeronave desaparecida ocorreu em 16 de abril de 2009. De acordo com a Air France, o comandante do avião já tinha efetuado 1.300 horas de voo em Airbus A330 e A340. O alto comando da empresa divulgou que entre as hipóteses para o acidente estão a possibilidade de a aeronave ter sido atingida por um raio ou ter sofrido uma “falha elétrica”, após ter entrado em uma zona de forte turbulência. Com previsão de aterrissagem no Aeroporto Internacional Charles de Gaulle para às 6h10min, o Airbus teria desaparecido por volta das 3h, ainda dentro do espaço aéreo brasileiro. ComunitàItaliana 31 atualidade atualidade Ansa Terra das provações U Sílvia Souza 32 gados. O maior acampamento recebeu cinco mil pessoas — informa Marchetti, à Comunità, por telefone. Na época do terremoto, ele estava na região por conta do feriado da Páscoa. Diante da tragédia, permaneceu na Itália, na casa dos filhos em Avezzano, que dista 40 quilômetros do epicentro do abalo. Até o primeiro dia deste mês, ele já havia adiado em três vezes a volta ao Brasil, onde mora, em São Paulo. — Tenho que voltar, mas fico pensando nas pessoas aqui, em como elas ficarão. Ontem mesmo (dia 26 de maio) estive em L’Aquila para conversar com representantes da sociedade. Pergunto-me o que posso fazer para minimizar os danos que meus conterrâneos sofreram. O que está ao meu alcance é passar algum tempo com eles, ouvir seus desabafos e confortá-los, então farei isso — assinala. Para Marchetti, a iniciativa de realizar a reunião do G-8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia) em L’Aquila já tem surtido efeito. — Montaram um hospital com capacidade para receber 150 pessoas e vieram comissões governamentais para avaliar o local. A ComunitàItaliana / Junho 2009 ideia do premier Berlusconi de que cada nação se comprometa com uma parte atingida parece estar dando certo. Onna, por exemplo, já foi apadrinhada pela Alemanha. E chegaram notícias de que a Espanha escolheu alguns monumentos para reconstruir — aponta. Essas informações não foram confirmadas pelo governo, que tem mantido o planejamento do encontro das autoridades, entre 8 a 10 de julho, sob sigilo por questões de segurança. No último fim de semana de maio, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, foi a L’Aquila para a reabertura de algumas alas no hospital San Salvatore, desativado após o tremor. Na ocasião, ele falou à imprensa: — A esperança é que até o final de novembro não existam mais tendas. Porém, o trabalho da Proteção Civil está funcionando muito bem. Agora, teremos 247 leitos, mais do que as exigências reais. O importante é que os habitantes de L’Aquila poderão permanecer aqui para se curar sem ter que ir para outros lugares — disse o premier, completando — O governo está organizando uma série de férias no mar Adriático e cruzeiros no Mediterrâneo, nos quais serão enviadas algumas das famílias que Mudança da sede da reunião do G-8 levanta suspeitas a respeito das verdadeiras intenções de se realizar o evento em Abruzzo R Depois do frio e da chuva, em meio a tendas para desabrigados, moradores da região abalada pelo terremoto de abril resistem ao calor e às promessas de reconstrução m teste de paciência. Assim tem sido a vida das pessoas que residem em Abruzzo e mais especificamente em L’Aquila e Onna. Enquanto tentam reorganizar seu dia-a-dia nos acampamentos erguidos para os desabrigados pelo terremoto de 5,8 graus na escala Richter que devastou a região, em abril, aguardam as definições do governo e da perícia para a reconstrução de seu patrimônio. No mês que vem, L’Aquila será a sede da reunião do G-8, que se encontra sob a presidência da Itália. Segundo as autoridades locais, cerca de 60 mil pessoas ainda estão sem residência, hospedadas em acampamentos nas próprias áreas atingidas ou em hotéis no litoral da região. E depois de enfrentar, entre abril e maio, um clima frio e chuvoso, o incômodo da vez para os abruzzesi tem sido o calor, conforme relata o empresário Franco Marchetti, presidente da Federação das Associações dos Abruzzesi no Brasil (Feabra), que tem acompanhado de perto a evolução do caso. — Nas barracas, as pessoas enfrentam uma sensação térmica de 50 graus Celsius. A administração pública transferiu seus postos para contêineres. Em L’Aquila ainda há muitos desabri- Perguntar não ofende ficaram desabrigadas após o terremoto. É preciso lembrar que as pessoas nas tendas estão lá por vontade própria, porque querem ficar perto das suas casas. Enquanto isso, o ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, propôs aos países que fazem parte da União Europeia (UE) voltar a controlar o tráfego de cidadãos que passam por suas fronteiras entre os dias 18 de junho e 15 de julho, período entre a preparação e o término do G-8. Doações continuam Os esforços de reconstrução da zona atingida pelo terremoto têm mobilizado diferentes segmentos. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, anunciou que a Europa destinará 480 milhões de euros para ajudar a região italiana de Abruzzo. O líder esteve em Coppito, perto de L’Aquila, acompanhado de Berlusconi, para uma visita. Os bispos italianos também apresentaram sua doação durante a 59ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI). De acordo com o núncio apostólico (espécie de embaixador) Giuseppe Bertello serão cerca de 10 mil euros. O montante é produto da renúncia ao tradicional jantar da Assembleia de Bispos. ecentemente o governo italiano decidiu mudar o lugar destinado ao encontro do G-8, que acontecerá no próximo mês. Previsto desde o governo anterior de Romano Prodi para ser realizado na belíssima ilha La Maddalena, na Sardenha, agora acontecerá em L’Aquila, cidade atingida pelo terremoto, na região de Abruzzo. O premier Silvio Berlusconi justificou a transferência sob a alegação que os 220 milhões de euros que seriam usados para a segurança dos chefes de estado na ilha, serão destinados à reconstrução da cidade. Até aí, tudo certo. Porém, o que acontecerá com os cerca de 300 milhões de euros já investidos na ilha por conta do encontro? Grandes construções e reformas estão em fase de conclusão: dois hotéis destinados a hospedar os chefes de estados e suas delegações (132 milhões de euros), o centro de convenções (58 milhões de euros) e o calçadão da beiramar (42 milhões de euros). E o que será da sala de imprensa que custou aos cofres públicos 26 milhões de euros? Assim, muitos têm se perguntado o que, na verdade, poderia estar por trás dessa repentina mudança de sede do G-8. O evento, por motivos de segurança, é protegido pelo segredo de estado. As tais obras se transformaram em um problema ambiental e econômico. A Comissão Européia, já no ano passado, fez duas reclamações contra a Itália porque o país não respei- Janaína César Correspondente • Treviso tou as normas do continente sobre impacto ambiental antes de iniciar os canteiros e o ROS (Reagrupamento Operacional Especial dos Carabinieri) está investigando o critério de seleção das cinco empresas que estão trabalhando nas obras, uma vez que não participaram a uma concorrência pública para serem selecionadas. As suspeitas do ROS são fundadas em fatos. Primeiro porque a maior fatia dos 300 milhões de euros (117 milhões) foi destinada à empresa de construção civil Anemone Costruzioni di Grottaferrata que declara ter somente 26 empregados. Recentemente, a revista Expresso denunciou, em uma detalhada reportagem, a existência de uma relação entre a empresa e Angelo Balducci, braço operacional da Proteção Civil e hoje presidente do Conselho Superior de Obras Públicas. De fato, a mulher de Balducci é sócia de Vanessa Pascucci na Erretifilm. Vanessa, por sua vez, é proprietária da empresa Redim 2002 e sócia da Arsenale scarl, sociedade constituída especialmente para os trabalhos do G8. Além disso, o segundo maior pedaço da torta, isto é, 59 milhões de euros destinados à construção de um dos dois hotéis, foi designado à empresa Gia.Fi., de Valério Carducci, um dos personagens chave do processo que ficou conhecido como “Why not”, que investigou também o ex-ministro da justiça Clemente Mastella. Ao lado, o projeto do complexo do G8, na Sardenha. Abaixo, o Prédio das Convenções, obras quase finalizadas Junho 2009 / Porém, não é tudo. Balducci é especialista em contratos de urgência destinados à Proteção Civil e era um dos responsáveis pelas obras do G-8. Isso até o dia 13 de junho do ano passado, quando Berlusconi, através de uma ordem, o substituiu pelo engenheiro Fabio De Santis. No mesmo documento, o primeiro-ministro pedia ao Chefe da Proteção Civil Guido Bertolaso, comissário delegado para o G-8, que “formasse uma comissão de garantia com três especialistas que certificassem a adequada atividade das intervenções de infraestrutura em relação a congruência dos atos negociados”, em outras palavras, que se verificasse o correto uso do dinheiro público. Tudo isso sem contar que, segundo dados da Proteção Civil, o valor inicial destinado ao G-8 era de 308 milhões e 619 mil euros. Porém, o montante chegou a 377 milhões e 500 mil, praticamente 54 milhões e 500 mil euros a mais do que o inicialmente previsto. Foi Bertosalo quem sugeriu ao primeiro-ministro a mudança do encontro para a região do Abruzzo. Fato que ele mesmo confirmou em entrevista ao Expresso: “Serei um hipócrita se dissesse que não tive uma certa influência”. Berlusconi garantiu que todas as obras serão concluídas. Porém a Proteção Civil já informou que não completará o asfalto das ruas e a jardinagem. Com isso, economizará cerca de 50 milhões de euros, dinheiro previsto para ser destinado a L’Aquila. Além disso, até agora, não apareceu grupo interessado em assumir a gestão de um dos dois hotéis construídos na ilha. Pelo menos, ninguém se apresentou na concorrência pública aberta pela Proteção Civil. Para recuperar o dinheiro já investido, o Estado ou a região da Sardenha deverão alugar o hotel a um empresário que deverá cobrar 1000 euros pela diária. Por enquanto, essas obras correm o risco de se transformar em “elefantes brancos” no meio da natureza. ComunitàItaliana 33 uteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSaluteSaúdeSalut Vacina brasileira Instituto Butantã produzirá antídoto contra a gripe suína que se alastra pelo mundo Nayra garofle É bem verdade que, no mundo moderno, uma gripe é só uma gripe. Entretanto, algo mais devastador do que uma simples “virose” vem despertando, nos últimos dois meses, temores de uma nova pandemia. Uma variação do vírus influenza, o (H1N1), surgiu e já contaminou mais de 11 mil pessoas, além de ter matado cerca de 85, em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) autorizou a pesquisa de uma vacina contra a chamada “gripe suína”, mas há um porém: os grandes laboratórios se dizem sem condições de produzir, simultaneamente, a nova vacina e as já existentes. Isso porque, como o vírus da gripe tem uma natureza mutante, dois tipos não podem ser manipulados ao mesmo tempo, já que poderiam se recombinar e formar um vírus ainda pior. O Brasil, contudo, vai tentar produzir a nova vacina, no Instituto Butantã. A proposta inicial seria produzir 100 mil doses, mas o total 34 ComunitàItaliana pode chegar a 1 milhão se o vírus se espalhar no país. Em maio, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, promoveu uma reunião em Genebra para montar uma estratégia de produção da vacina contra o vírus A (H1N1). O Instituto Butantã - centro de pesquisa biomédica vinculado à secretaria da Saúde do governo do Estado de São Paulo - foi um dos poucos convidados a participar. A reunião mostrou que não há acordo sobre como entregar as vacinas aos países pobres nem quais seriam os preços. Porém, as empresas dos países em desenvolvimento se comprometeram em ajudar a formar estoques de vacinas na ONU. Já as multinacionais mantiveram seus planos em sigilo. Agora, o ministério da Saúde do Brasil vai orientar os trabalhos do Instituto Butantã. — São pouquíssimos países ricos que detêm os direitos sobre a produção e tecnologia dos avanços na medicina. O Brasil está entre eles — defendeu o ministro brasileiro da Saúde, José Gomes Temporão, na abertura da 62ª assembleia da Organização Mundial de Saúde (OMS), também em Genebra. O México foi o primeiro país a dar sinal do ataque do vírus. Uma mulher de 39 anos foi internada com insuficiência respiratória aguda e diarréia severa. Cinco dias depois, ela morreu. Em seguida, dezenas de casos similares surgiram ao mesmo tempo, a maioria na Cidade do México, a capital do país. Autoridades mexicanas alertaram a OMS e enviaram amostras de secreções dos pacientes ao Centro de Controle Até o fim de maio, 103 pessoas morreram em todo o mundo em decorrência da gripe / Junho 2009 de Doenças (CDC), em Atlanta, responsável pela vigilância epidemiológica nos Estados Unidos. Lá se identificou o agressor: um vírus tipo A, subtipo H1N1, da mesma família da Gripe Espanhola, como ficou conhecida a pandemia de 1918. Até o final de maio, os dados oficiais da OMS informavam que 103 pessoas, em todo o mundo, já haviam morrido vítimas da influenza A (H1N1). Um total de 50 países registraram 15.345 casos da doença. No México foram 4.910 doentes e 89 mortos. Nos Estados Unidos, 7.927 pessoas foram infectadas e onze morreram por conta do vírus. No Brasil, 14 casos foram confirmados sem, porém, registro de óbito. Na Itália, 23 pessoas pegaram a doença. O médico infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Alberto Chebabo, faz um alerta para as pessoas tentarem se prevenir contra uma possível contaminação. — Lavar as mãos é sempre muito importante, já que o vírus se instala em qualquer superfície, em mesas e maçanetas, por exemplo. O vírus só penetra através da mucosa, então, mesmo que você tenha contato com ele e lave as mãos, não vai se infectar. Os sintomas são os mesmos de uma gripe comum: febre alta, dor de cabeça, tosse, coriza e muita dor no corpo. Porém, se você não teve contato direto com pessoas que vieram de países onde o vírus se disseminou não é preciso tanta preocupação — explica. Depois da suspeita, o diagnóstico é realizado através de exames nos quais os médicos colhem a secreção nasal. No Brasil, os casos suspeitos são tratados com internação para evitar a disseminação da doença e avaliar a evolução do quadro. Segundo o infectologista, o antiviral utilizado no hospital é o oseltamivir, que é o princípio ativo do remédio cujo nome comercial é Tamiflur. De acordo com Chebabo, parte do material genético do vírus circula em porcos. Todavia, os animais infectados foram contaminados através de seus criadores. Não é necessário evitar comer carne suína uma vez que o vírus não sobrevive à alta temperatura que o alimento é submetido ao ser preparado. Asma P Nicotina Q uanto mais escura a pele, maior a absorção de nicotina. Pesquisadores do estudo publicado na revista Pharmacology, Biochemistry and Behavior dizem que é possível que a nicotina no tabaco se ligue à melanina, composto que dá cor à pele. A pesquisa pode esclarecer o porquê de algumas pessoas serem aparentemente mais afetadas pela nicotina do que outras. Cientistas da Universidade Penn State, nos Estados Unidos, examinaram 150 fumantes afro-americanos. Eles mediram os níveis de melanina e cotinina, um subproduto da nicotina. Eles também fizeram algumas perguntas aos voluntários, para avaliar o quão forte era o hábito de fumar em cada um. Descobriu-se que as pessoas com mais melanina fumavam mais e tinham mais cotinina em seu sistema, além de um maior nível de dependência ao tabaco. ode existir uma ligação entre a deficiência de vitamina D e a severidade da asma e dos sintomas respiratórios em crianças. A pesquisa foi realizada na Costa Rica e acompanhou mais de 600 crianças que vivem em uma região com altos índices de problemas respiratórios. Elas tiveram amostras de sangue retiradas para dosagem de marcadores de resposta inflamatória e níveis de vitamina D, além de testes de função respiratória. Aquelas que tinham menores valores de vitamina D no sangue apresentavam maior reatividade dos brônquios e os marcadores de alergia estavam elevados, inclusive a sensibilidade à poeira. A vitamina D não é ingerida, mas produzida no corpo. A ingestão de vitaminas através de alimentos reforçados e de fontes naturais traz uma pequena parte da quantidade necessária. A exposição à luz solar entra como fator importante nesse processo. Nozes, amêndoas e avelã S ão ricas em vitamina E, selênio e zinco, que retardam o envelhecimento celular. Um trabalho da Universidade Loma Linda, nos Estados Unidos, relacionou seu consumo ao baixo risco de obesidade e doenças coronárias. Para eliminar gordura U ma pesquisa do Instituto de Medicina Social da Universidade Federal do Rio Janeiro, publicada no Journal of Nutrition, mostrou que as mulheres que comeram três pêras por dia durante 12 semanas consumiram menos calorias e perderam mais peso do que as que não ingeriram nenhuma fruta. O estudo foi feito com 411 voluntárias entre 30 e 50 anos. A pera tem a grande vantagem de ser bem fibrosa. Concentra, em média, 3 gramas de fibras totais por 100 gramas - quase o dobro da maçã, que fornece 1,6 grama, afirma a nutricionista Tânia Rodrigues, diretora da RGNutri Consultoria Nutricional, de São Paulo. Além disso, o consumo de uma unidade representa 12% da necessidade diária de fibras, que é de aproximadamente 25 gramas por dia. Ela também é grande fonte de fibras insolúveis, que estão relacionadas à prevenção de prisão de ventre e de doenças como diverticulite e câncer de cólon, completa Tânia. Peixes Obesidade na gravidez S egundo uma pesquisa feita na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, as mulheres obesas ou acima do peso, quando engravidam, correm risco maior de ter um trabalho de parto demorado. Isso pode trazer problemas para o feto e aumentar a necessidade de um parto por cesariana. O estudo demonstrou que o trabalho de parto das mulheres obesas dura em média 30% mais do que o das mulheres com peso normal. A gravidez de uma mulher com excesso de peso traz não só um aumento dos problemas típicos da gravidez como também aumenta a chance da ocorrência de doenças como diabetes gestacional e pré-eclâmpsia. Junho 2009 O ômega-3 presente nos peixes é essencial para o sistema nervoso e o coração. Um estudo de 2009 feito pela Clínica Cleveland (EUA) mostrou que ele diminui os triglicérides e melhora a coagulação e a pressão sanguínea. / ComunitàItaliana 35 religione “L’angelo buono” è venerabile Con la vita segnata dalla dedicazione verso i poveri ed i malati, Madre Teresa del Brasile, Irmã Dulce, sta a un passo dal divenire santa P Sílvia Souza iccolina e con un aspetto fragile, rivelava col suo sguardo una forte personalità. Autrice di frasi come “la miseria è mancanza d’amore fra gli uomini” e “il mio partito è la povertà”, lavorò quasi 70 anni per gli esclusi, e conquistò uno spazio fra i fedeli cattolici brasiliani. Adesso Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, più conosciuta come Irmã Dulce, può diventare la prima santa brasiliana nata in territorio nazionale. Santa Paulina, canonizzata nel 2002, era di Vigolo Vattaro (Trento), in Italia. 36 Conosciuta come Madre Teresa del Brasile, Irmã Dulce ha avuto riconosciute le sue eroiche virtù da Papa Benedetto XVI in aprile. In questa fase, la serva di Dio Dulce Lopes Pontes, suora della Congregazione delle Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, viene considerata “venerabile” perché “ha dedicato la sua vita ad azioni di fede, speranza e carità”. Secondo padre Paulo Lombardi, postulatore nella causa di beatificazione di Irmã Dulce, il processo – iniziato nel gennaio del 2000 – è in fase di conferma ComunitàItaliana / Junho 2009 di un miracolo che la religiosa avrebbe fatto ad Aracaju. — È un evento straordinario, una grande conquista. Dobbiamo aspettare il lavoro della commissione vaticana, ma la beatificazione è prossima — esulta. Coordinatore del Memorial Irmã Dulce, vincolato alle Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), con sede a Salvador (BA), il museologo Oswaldo Gouveia lavora dal marzo 1993 direttamente sui resoconti e le scoperte sulla vita della religiosa. Secondo lui la commemorazione per questa fase di riconoscimento delle azio- ni della sorella aiuta a diffondere l’immagine e il concetto di patrimonio evocati dalla storia della candidata a santa. — Sfortunatamente non ho avuto l’opportunità di conoscere personalmente la Irmã, ma come tutti i baiani riconoscevo la sua importanza all’interno del contesto sociale nel quale ha sempre lavorato. Le caratteristiche più importanti della sua storia sono la determinazione, lo spirito ostinato e battagliero — afferma il ricercatore — La nostra lotta nella OSID è perché quello che lei ha fatto continui a dare frutti e, nel caso del Memorial, per poter riscattare e costruire l’identità del simbolo di solidarietà che Irmã Dulce ha propagato nei suoi atti. re il Serviço de Alimentação do Comerciário (SAC), servendo il pranzo a prezzi popolari (2 “tostões”, all’epoca), nel palazzo del Círculo Operário della Bahia. Il primo incontro con Papa Giovanni Paolo II avvenne nel 1980 ed il nuovo ospedale Sant’Antonio, con 400 letti, fu inaugurato nel 1983. Indicata, nel 1988, dall’allora presidente del Brasile, José Sarney, al premio Nobel per la Pace, Irmã Dulce terminò il 1990 ricoverata per problemi respiratori e ricevette al suo letto, nell’ottobre del 1991, Papa Giovanni Paolo II per l’ultima volta. Morì a 77 anni il 13 marzo 1992. Nel 2000 i suoi resti mortali sono stati trasportati nella cappella del Convento Santo Antônio, con le Obras Sociais Irmã Dulce. Holding sociale Ente filantropico non profit, la OSID festeggia i suoi 50 anni nel 2009 ed è riconosciuta come una istituzione di pubblica utilità nell’ambito municipale, statale e federale. È una specie di ‘holding sociale’ formata da 15 nuclei che prestano assistenza alla popolazione a basso reddito nell’area della Salute, dell’Assistenza Sociale e dell’ Educazione, e si dedica anche alla ricerca scientifica, all’Insegnamento Medico e alla conservazione e diffusione della storia di Irmã Dulce. I nuclei di Salute contano su 1.009 letti per l’assistenza a patologie cliniche e chirurgiche, Processo di beatificazione È diviso in cinque fasi, e non è fissato nessun termine per la relazione finale. 1) Fase Diocesana – Avviene nella diocesi dove è morto il candidato. In questa fase sono nominati il postulante e la commissione storica che comincia col riunire i testimoni. 2) Fase Romana - I documenti sono inviati in Vaticano, dove saranno esaminati dalla Congregazione delle Cause dei Santi. Raggiunta questa tappa viene nominato un relatore. 3) La Positio – È il documento che riassume la vita e le testimonianze sulle virtù del candidato. Su questa base, la congregazione emette il suo giudizio sotto il punto di vista storico e teologico. Nel caso sia approvato, il candidato diventa venerabile. 4) Beatificazione – Per essere riconosciuto come beato, il venerabile deve aver fatto un miracolo che risponda alle condizioni di istantaneità (avvenuto subito dopo la richiesta), perfezione (avvenuto completamente), durabilità (che sia permanente) e che sia preternaturale (la scienza non lo sa spiegare). 5) Canonizzazione – Avviene con la conferma di un secondo miracolo. A questo punto il beato diventa santo. Divulgação OSID Vita donata ai poveri Con la vita segnata dalle preghiere e dal donarsi ai bisognosi, l’Angelo Buono di Bahia, come era anche chiamata, lavorò a Salvador, capitale dello stato. Era figlia del dentista Augusto Lopes Pontes e della casalinga Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes, e aveva due fratelli. La sua vocazione sarebbe cominciata quando aveva 13 anni, quando già accoglieva i malati sulla porta di casa, nel quartiere Nazaré. Ma è stato nel 1933, quando aveva 19 anni, che Maria Rita ricevette l’abito delle Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, e in omaggio alla madre cambiò il nome in Irmã Dulce. Prodigandosi su diversi fronti, la religiosa insegnava Geografia e Storia nel Colégio Santa Bernardete, che apparteneva alla sua Congregazione. Dovuto al contatto con le famiglie degli operai, fondò una biblioteca e la União Operária São Francisco, prima organizzazione operaia cattolica della Bahia, che diventò il Círculo Operário da Bahia. Installatasi nel Convento Santo Antonio nel 1947, Irmã Dulce occupò il pollaio accanto al convento con i primi 70 malati. Fu così che nacque la storia che la Serva de Deus aveva costruito il più grande ospedale della Bahia, partendo da un semplice pollaio. Fu sempre lei a inaugurare il Cine Teatro Roma e ha crea- e 33 specializzazioni ambulatoriali. Il nucleo dell’Educação Fundamental e Profissionalizante, Centro Educacional Santo Antônio (CESA), ha offerto nel 2005 a 718 alunni la formazione nell’insegnamento di base e professionale. Nelle Obras lavorano 2.661 professionisti, divisi in 2.291 medici fissi e 370 medici, tra cui fisioterapisti, dentisti e fonoaudiologi, con contratto a termine. Inoltre, secondo i dati del 2005, le Obras hanno realizzato quell’anno 2.700.000 visite ad iscritti del SUS, ad anziani, a portatori di handicap e di deformità craniofacciali, pazienti sociali, bambini e ad adolescenti a rischio sociale. Memoriale Inaugurato nel 1993, un anno dopo la morte della suora, il Memorial de Irmã Dulce (MID) riceve circa 20.000 visite all’anno. Custodisce l’abito che lei portava, fotografie, documenti e oggetti personali. In uno spazio che occupa due piani, situato in un palazzo annesso al Convento Junho 2009 / di Sant’Antonio, nella sede della OSID, si trovano in totale quasi novemila pezzi; la collezione fa così conoscere al visitatore le sfumature della fede, dell’avanguardia e del coraggio di vita del chiamato “Anjo Bom”. Il memoriale custodisce integralmente la stanza di Irmã Dulce, dove si trova la sedia sulla quale ha dormito per più di trent’anni, a causa di un fioretto. Altri fatti importanti della vita della religiosa sono ricordati attraverso bozzetti, libri, diplomi e medaglie. Fra gli oggetti della collezione c’è l’immagine di Sant’Antonio del XVIII secolo che apparteneva alla famiglia di Irmã Dulce, davanti alla quale lei pregava sempre. Si racconta che davanti a questa immagine la piccola Maria Rita, a nove anni, ricevette la chiamata per la vita religiosa. Sulla tomba della suora, che si trova nella Capela Santo Antônio, annessa al Memoriale, dozzine di ex-voto sono lasciati tutti i giorni , con il racconto delle grazie ottenute per intercessione di Irmã Dulce. ComunitàItaliana 37 restauração 38 Com selo italiano Prefeitura de Manaus fecha parceria com Cooperativa Archeologia, da Toscana, para formação de restauradores. Aulas começam em agosto Sílvia Souza Ele conta que a prefeitura de Manaus “chegou” à Itália para resolver essa questão por intermédio de Luca Senesi, do Instituto Itália Brasil, no ano passado. O Instituto tem como objetivo divulgar a cultura italiana em Manaus. — Os italianos são os melhores do mundo nesse serviço e acreditamos que outras construções nossas serão beneficiadas com essa parceria — explica Seyssel — Vamos investir na formação da base, das pessoas que trabalham diretamente com a restauração. São mestres de obras, pedreiros e gesseiros que colocam a mão na massa e precisam ser treinados para manusear cuidadosamente esse tipo de material. Afinal, uma restauração não é igual a uma obra nova. Ainda segundo Seyssel, os interessados em participar do curso devem encaminhar seus currículos à prefeitura. Em março, ComunitàItaliana / Junho 2009 um projeto-piloto reuniu 35 profissionais da construção civil. Na ocasião, o diretor comercial da cooperativa, Fábio Faggella, e o prefeito da cidade de Pelago, na região metropolitana de Florença, Marcello Ulivileri, conheceram detalhes do projeto da oficina-esco- la cujos cursos terão duração de 220 horas, sendo 180 destinadas às práticas de restauração. A busca pela Cooperativa se deve a um currículo que inclui a recuperação de mais de 900 patrimônios históricos em 11 países, como China, Rússia e Grécia. Há 30 anos no mercado, o grupo emprega mais de 200 profissionais e tem em sua lista de restauro a recente recuperação da Torre de Pisa, o monumento mais famoso da cidade, localizado na região da Toscana. O diretor comercial da Cooperativa Archeologia, Fábio Faggella, sabe que a Itália ostenta um patrimônio considerável a ser preservado. — Os templos subterrâneos, localizados na região da Sicília, no sul da Itália, construídos cinco séculos antes de Cristo, representam uma das obras mais incríveis que restauramos — aponta Faggella. Restauração em alta Levantamentos preliminares dos envolvidos no acordo indicam que em Manaus há pelo menos 1,6 mil imóveis de interesse de preservação. O curso oferecido pela Cooperativa Archeologia e o Sebrae será dividido em três níveis – básico, intermediário e avançado. O módulo avançado será delineado ao longo de três anos. Ainda poderá ser criado um curso de nível superior, com duração de cinco anos, para a formação de restauradores. — Formaremos profissionais que conheçam as técnicas de restauro porque esse é um mercado promissor. Vamos incentivar inclusive a abertura de empresas especializadas nesse tipo de trabalho — destaca o gerente de Planejamento do Sebrae/Am, Vicente Schettini. Fotos: Israel Carvalho A experiência italiana no campo da restauração de obras consideradas verdadeiros patrimônios históricos está fazendo escola no Brasil. Mais precisamente no Amazonas. Uma parceria entre a prefeitura de Manaus, a Cooperativa Archeologia, da Toscana, e o Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas Empresas (Sebrae) oferecerá, a partir de agosto, cursos para profissionais interessados em trabalhar na recuperação de imóveis centenários. A primeira oficina-escola do projeto se destina à formação de mão-de-obra especializada. O foco são as obras do Mercado Municipal Adolpho Lisboa e do Paço Municipal, construídos entre 1874 e 1883. O trabalho está paralisado desde março, quando a administração pública rompeu o contrato com a empresa que havia ganhado a licitação para fazer a restauração. Além de ministrar o curso, a Cooperativa pode vir a ser contratada pela prefeitura para dar continuidade à própria obra cujo orçamento é de 6 milhões de reais. De acordo com o subsecretario municipal de Cultura, Renato Seyssel, para o contrato ser firmado com o grupo italiano falta o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Ipham): — A empresa contratada pela administração passada fez medições equivocadas do prédio e não comprovou capacidade técnica. Por isso, as obras foram embargadas pelo Iphan — explica Seyssel. depoimentos / 15 anos “A Associação Brasileira de Imprensa tem fortes razões para dirigir a você (Pietro Petraglia) e aos demais integrantes da revista ComunitàItaliana uma saudação muito especial pela passagem do 15º aniversário da publicação, que tem dado mostras da alta qualificação de seu corpo editorial, tanto no que se refere à definição da pauta, como à elaboração das reportagens e textos em geral e sua incorporação ao corpo da publicação, que apresenta bela produção visual. É também motivo de registro pela Associação Brasileira de Imprensa a contribuição que ComunitàItaliana vem oferecendo há uma década e meia ao conhecimento da vida da Itália pelo público brasileiro que tem acesso à publicação, difundindo entre nós informações preciosas sobre os diferentes e ricos aspectos de um país tão querido por nosso povo. Com isso, a revista promove crescente aproximação entre os povos da Itália e do Brasil e, assim, contribui para um intercâmbio cada vez mais fecundo entre os dois países, em inúmeros campos, e também para a causa da amizade e da paz entre os povos. Receba, pois, caro Pietro Petraglia, que nos honra com sua vinculação ao quadro social da ABI, as nossas homenagens e os nossos cumprimentos por tão auspicioso momento da existência da Comunità Italiana.” “La Associação Brasileira de Imprensa ha forti motivi per rivolgere a Lei (Pietro Petraglia) e agli altri collaboratori della rivista ComunitàItaliana dei saluti molto speciali per il 15° anniversario della pubblicazione che grazie alla sua équipe editoriale, ha dato segni di essere altamente qualificata, tanto per ciò che riguarda la definizione dei temi, quanto per l’elaborazione dei servizi e testi in generale e per la sua inserzione nel corpo della rivista, che presenta una bella produzione visuale. L’Associação Brasileira de Imprensa vuole anche asserire il contributo che ComunitàItaliana offre da quindici anni alla conoscenza della vita italiana per il pubblico brasiliano che legge la rivista, diffondendo fra noi preziose informazioni sugli svariati e ricchi aspetti di un paese tanto caro al nostro popolo. Con ciò ComunitàItaliana promuove un crescente avvicinamento tra il popoli dell’Italia e del Brasile e, cosí facendo, contribuisce ad un interscambio sempre più fecondo tra i due paesi in innumerevoli campi, cosí come alla causa dell’amicizia e pace tra i popoli. Quindi sappia, caro Pietro Petraglia, che ci fa onore il suo fare parte del quadro sociale della ABI, e riceva i nostri auguri e saluti per un cosí felice momento dell’esistenza di ComunitàItaliana.” Maurício Azêdo – presidente da Associação Brasileira de Imprensa Maurício Azêdo – presidente dell’Associação Brasileira de Imprensa “Há muito o que dizer e é difícil resumir tudo. O que acho interessante frisar é que a Comunità é uma revista de extrema importância para a comunidade italiana, como o próprio nome diz, e que ao longo de todos esses anos melhorou de forma fantástica. Além disso, a revista é lida também na Itália. Ano passado, quando fizemos o encontro do estado de Minas com a Região do Piemonte, levamos a revista e todas foram extremamente bem recebidas e apreciadas por todos da Região, inclusive pela presidente do Piemonte, Mercedes Bresso. Como italiano no exterior me sinto orgulhoso de poder contribuir com o sucesso da revista. Os artigos são sempre atuais, a revista é uma forma de integrar as pessoas e fazê-las conhecer o que está acontecendo na Itália. Portanto, Comunità é de extrema valia para todos.” “Ci sarebbe molto da dire ed è difficile riassumere tutto. Quello che penso sia interessante mettere in risalto è che Comunità è una rivista di estrema importanza per la comunità italiana, come dice il suo stesso nome, e che durante tutti questi anni è migliorata in modo fantastico. Inoltre la rivista viene anche letta in Italia. L’anno scorso, durante un incontro dello stato di Minas con la regione Piemonte, abbiamo portato dei numeri della rivista che sono stati apprezzati da tutti i presenti della regione, incluso il presidente del Piemonte, Mercedes Bresso. Come italiano all’estero sono orgoglioso di poter contribuire al successo della rivista. Gli articoli sono sempre aggiornati, la rivista è un mezzo di integrare le persone e fargli conoscere ciò che succede in Italia. Quindi Comunità è estremamente valida per tutti.” Giacomo Regaldo – presidente da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria de Minas Gerais Giacomo Regaldo – presidente della Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria di Minas Gerais “Eu acho que essa revista é importante para que você mantenha a chama da identidade italiana no Brasil. Não só São Paulo, mas todo o Sul do país tem uma presença muito importante dos italianos e eles fazem parte da história da construção do Brasil. Eu diria que São Paulo é fruto do trabalho e das esperanças dos italianos que vieram para cá. O Palmeiras teve um peso muito grande na formação dessa identidade italiana. Nós não podemos esquecer disso. Eu acho que a revista cumpre esse papel de manter essa identidade e de valorizá-la, além de sempre nos lembrar dessa origem”. Luiz Gonzaga Belluzzo – presidente do Palmeiras Igreja de Nossa Senhora dos Remédios (alto) e antigo prédio do Palace Hotel podem sem contemplados com iniciativa “Credo che questa rivista sia importante per mantenere accesa la fiamma dell’identità in Brasile. Non solo São Paulo, ma tutto il sud del Paese hanno una presenza molto importante di italiani e questi fanno parte della costruzione del Brasile. Io direi che São Paulo è frutto del lavoro e delle speranze degli italiani venuti qui. Il Palestra Itália ha avuto un grande peso nella formazione di questa identità italiana. Non ce ne possiamo dimenticare. Credo che la rivista rivesta il ruolo di mantenere questa identità e di valorizzarla, oltre a ricordarci sempre queste origini”. Luiz Gonzaga Belluzzo – presidente del Palmeiras Mais depoimentos em homenagem aos 15 anos da Comunità chegaram à Redação. Publicaremos todos ao longo do ano. Grazie a tutti! Junho 2009 / ComunitàItaliana 39 música I l progetto “Cristo no Mar” si trova sempre più vicino a Cabo Frio, in provincia di Rio de Janeiro. L’accordo finale per l’inabissamento della statua del Cristo, di quasi tre metri d’altezza, sul fondo del mare della Praia do Forte, sarà firmato in Italia tra i sindaci Marquinho Mendes e Italo Manucci, di Camogli (provincia di Genova), il 25 luglio. La meta è di realizzare la cerimonia di inabissamento del Cristo sul fondo del mare nella città della regione dei laghi fluminense nel 2010. Questa sarà la terza statua del Cristo sul fondo del mare nel mondo. La prima, l’originale, battezzata Cristo degli Abissi di San Fruttuoso si trova dal 1954 a Camogli. La seconda, una copia, fatta in bronzo e minore di quella che sarà inabissata in Brasile, si trova in Flórida, negli Stati Uniti. Aula N é l’inglese, né lo spagnolo. Al sud del Brasile fa successo la lingua italiana. Dal 2006 la lingua viene insegnata agli allievi delle scuole pubbliche. Il sistema impiantato dalla segreteria comunale di Educação di Porto Alegre è già arrivato in 12 scuole della città e si pensa di estenderlo ad altri comuni brasiliani. Per incentivare e festeggiare il fatto il rappresentante degli italiani residenti in Sudamerica presso la Camera dei Deputati italiana, Fabio Porta, ha donato alle 12 scuole una collana di opere di letteratura italiana. Secondo lui qualche città dell’interno di São Paulo, cosí come il municipio della stessa capitale, hanno già dimostrato il loro interesse di far parte di questo programma. “Lavorerò personalmente nei prossimi mesi affinché questo processo continui. Il successo di questo sforzo dipenderà da tutti”, dice. “Non si tratta solo di insegnare una lingua ma di riprendere una linea storica che lega l’arrivo dei primi emigranti italiani in Brasile. Quindi un lavoro che include nozioni di lingua ma anche di geografia, storia e perfino di gastronomia.” Moda Q uest’anno Rio de Janeiro ospiterà un terzo evento legato alla moda. Dal 23 al 24 ottobre avrà luogo l’Oi Fashion Rocks in simultanea nell’hotel Copacabana Palace e nel Jockey Club. Con più di cinque edizioni realizzate nel mondo il progetto ha come motto quello di mettere insieme moda e musica, con sfilate e concerti allo stesso tempo. Tra le attrattive confermate per l’edizione brasiliana ci sarà una sfilata della griffe italiana Versace, oltre ad un concerto di Mariah Carey. I biglietti sono in vendita da questo mese. In novembre invece è il turno della griffe italiana Pucci a mostrare la sua nuova collezione nella seconda edizione del Rio Summer, presso il Forte Copacabana, tra il 4 e l’8. Classico I l XII Prêmio Carlos Gomes de Ópera e Música Erudita ha realizzato la sua cerimonia il mese scorso a São Paulo. I vincitori sono stati: Sonia Rubinsky (Solista Strumentale), Fábio Mechetti (Direttore d’Orchestra), Quinteto Villa-Lobos (Quintetto da Camera), Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Orchestra Sinfonica), Leonardo Neiva e Rodrigo Esteves (a pari merito nella categoria Cantante Solista), Denise de Freitas (Cantante Solista), Luiz Fernando Malheiro (Direttore d’Opera), André Heller-Lopes (Direzione di Scena), Fábio Namatame (Costumi), Daniela Thomas (Scenografia), Caetano Vilela (Illuminazione), O Castelo do Barba-Azul (Spettacolo operistico), John Neschling (Troféu Guarany). C élebre pela sua atuação em papéis como Adalgisa (Norma de Bellini) e Amneris (Aida), Bruna Baglioni abriu a temporada 2009 do Projeto Grandes Vozes, produzido pela Cia Ópera São Paulo. Apesar de ter ficado pouco tempo no país, ela arrumou espaço na agenda para oferecer duas masterclasses a jovens cantores. Também se apresentou em um recital no Theatro São Pedro, na capital paulista, acompanhada do pianista brasileiro Ricardo Ballestero. Ela cantou árias italianas de Francesco Cilea (Adriana Lecouvreur) e Giuseppe Verdi (Il Trovatore e Don Carlo) e francesas de Saint-Saëns (Sansão e Dalila), além de canções de Carlos Gomes. Em entrevista à Comunità, explica que escolheu “a dedo” esse repertório com o claro objetivo de “agradar ao público”. — Quando faço uma apresentação em um lugar tão distante, não gosto de cantar árias antigas — justifica Bruna. Simpática, ela deixa para ser diva apenas no palco. Nascida em Frascati, na região do Lácio, em 1947, a mezzo-soprano conta que descobriu sua vocação por acaso. Apesar de cantar desde criança, diz que não tinha “a mínima ideia” de que se tornaria cantora de ópera. Foi por incentivo dos pais que ela começou a ter aulas com um maestro que, quatro meses após conhecê-la, a levou para uma audição no teatro da Ópera de Roma. Lá, seu talento foi identificado pelos especialistas que a ouviram. — Os próprios teatros faziam as audições com os jovens. Isso não existe mais e é o mal de hoje — lamenta a cantora que já atuou e gravou com grandes nomes da cena lírica internacional como Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras. Seu “debut” foi na ópera Maddalena de Rigoletto, de Verdi, em 1970. De lá para cá, se apresentou em todos os grandes “templos” dedicados à música lírica. Ela diz não ter um teatro preferido. Já entre as óperas, admite ter uma favorita: — Don Carlo é a ópera que mais amo, pois é completa para todos os personagens, todos têm Claudio Cammarota Cristo nel mare mas o público é diverso. É justo levar a ópera por meio do cinema ou das apresentações em grandes espaços a milhares de pessoas que não poderiam nunca comprar os ingressos. E, talvez, chegará ao ouvido e ao coração de alguém essa música e, assim, teremos conquistado mais um — opina a cantora que, porém, é enfática quando se trata da popularização da ópera como estilo musical: — Não gosto que se misture o rock e o pop à ópera. Segundo Bruna, seria bom que o público viesse não só para ver, mas principalmente para ouvir a ópera, “como ocorria antes das grandes produções que privilegiam a beleza cenográfica”. — Na Itália, se procura fazer sempre grandíssimas produções. Se gasta tanto dinheiro para apenas uma apresentação quando, talvez, pudessem ser feitas seis ou sete. Os jovens devem ser incentivados a voltar a viver o teatro — avalia. Dos parceiros famosos, a cantora destaca Plácido Domingo, “pelo companheirismo”, e Pavarotti, “pelo talento ímpar”. — Podem dizer o que quiserem, mas ele foi a voz mais bonita que já tivemos — afirma Bru- Popularizar sem misturar Grande intérprete do repertório italiano do século 19, a mezzo-soprano Bruna Baglioni se apresentou no Brasil, no mês passado Ana Bizzotto algo realmente importante para cantar — justifica. Essa foi a segunda vez que Bruna esteve no Brasil. A primeira foi em 1993, quando apresentou Aída, no Teatro Municipal paulista. Nessa ópera, ela interpreta Amneris, personagem que a tornou famosa em todo o mundo. Daquela época, recorda-se com carinho de ter recebido de presente uma pulseira, em uma feira de artesanato. Quem lhe deu afirmou que a pulseira seria a sua garantia de que voltaria ao país. Bruna é fiel à ópera tradicional, mas se diz favorável a iniciativas como a do Metropolitan de Nova York, que exibe espetáculos ao ar livre e em salas de cinema de todo o mundo, inclusive no Brasil. — A ópera será sempre para poucos eleitos, nasceu para pequenos teatros. Eu mesma já fiz diversas apresentações de Aída em grandes estádios e praças, Junho 2009 / na que acredita que um “verdadeiro cantor” não aparece a toda hora, mas “a cada 20 anos”. Para quem está em início de carreira, ela recomenda um bom professor, que acompanhe a evolução da voz do aluno. — Deve haver um feeling entre o aluno e o professor, que deve ser também um bom psicólogo. É fácil se deixar abater no início, e se há uma pessoa para te incentivar a seguir adiante, é importante, ajuda muito — diz ela que seguiu, na prática, o conselho e teve a mesma mestra por 25 anos. — A música pode fazer muito, pode ajudar o coração, o pensamento. A música une os povos e alimenta a alma. ComunitàItaliana 41 musica M La contessa della musica Sabine Lovatelli, tedesca, ma cittadina italiana, lavora in Brasile per divulgare l’opera classica ed aumentare il numero dei suoi spettatori Tatiana Buff Fotos: Claudio Cammarota Correspondente • São Paulo 42 ComunitàItaliana / Junho 2009 olti amanti dell’opera e della musica classica storcono il naso verso le iniziative che cercano di avvicinare al grande pubblico questo tipo di arte. Per Sabine Lovatelli, una delle maggiori specialiste nel campo, le azioni svolte in questa direzione sono “assolutamente positive”. La contessa di Ravenna fondò 29 anni fa a São Paulo, insieme a Claude Sanguszko, il Mozarteum Brasileiro. Si tratta di un’associazione culturale che promuove proprio la divulgazione della musica. La Lovatelli applaude in piedi le iniziative recenti di esibire gli spettacoli – opere e concerti – seguiti o no da conferenze, nei cinema, nei cineclub e negli istituti, come l’Istituto Italiano di Cultura di São Paulo. — Tutto quello che aiuta a democratizzare l’arte e la musica è valido, basta che non ne comprometta la qualità — afferma. Lo sforzo di questa divulgazione è stato ben recepito ed appoggiato dal pubblico. Sabine afferma che adesso un numero maggiore di persone partecipa a questi eventi. Quando cominciò questo lavoro, la platea era sempre “di una certa età”. Invece adesso i giovani vanno al Mozarteum, che offre anche ingressi gratuiti a vari enti. Secondo lei è sempre più frequente che questo tipo di eventi accolga un pubblico “variegato e più numeroso”. Per Sabine, il segreto del successo sta nella continuità di questo tipo di lavoro. E cita come esempio la rappresentazione di opere filmate, che sta ottenendo un “successo enorme di pubblico e di critica” grazie all’intervento della Metropolitan Opera House (USA), proiettate su schermi giganti a Times Square, a New York, dove recentemente è passata la Madame Butterfly di Puccini. Dalla creazione del progetto del Metropolitan, nel 2007, 1.250.000 persone, in tutto il mondo, hanno assistito alle rappresentazioni proiettate da quel tradizionale palco nordamericano. In Brasile 13.000 spettatori hanno già assistito ai filmati in 33 sale di cinema sparse per il paese. Qui in Brasile la contessa mette in evidenza il lavoro che sta facendo l’Orchestra Sinfonica dello stato di São Paulo. — Gli abbonamenti aiutano a dare una continuità che prima non c’era. Le persone si abituano. Le orchestre brasiliane formano un pubblico nuovo, critico, attento, e noi incrementiamo questo quadro con le orchestre internazionali — spiega. Prima d’ogni concerto, il Mozarteum organizza un’aula, dentro il programma “Club dello Spettatore”, che parla della musica che sarà suonata e dell’epoca in cui fu composta. Secondo Sabina, questo procedimento è valido “perché le persone hanno un vero interesse nel comprendere” i brani che ascolteranno. L’associazione ha ampliato la gamma degli spettacoli, con formazioni e strumenti diversi, unendo elementi brasiliani e stranieri. Ci sono orchestre internazionali che interagiscono con orchestre nazionali. Per esempio in ottobre le sorelle Labèque (Katia e Marielle), famose pianiste, si presenteranno con il gruppo brasiliano di percussione Piap, dell’Instituto de Artes dell’Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Insieme suoneranno il Bolero di Ravel. Per Sabina, convinta della sua missione, la cultura è alla base dello sviluppo: — Non è come pensano alle volte molti politici, che si tratta di un passatempo o di divertimento. Si tratta di sviluppo. E bisogna cominciare presto, nelle scuole. L’arte e la musica devono essere ma- teria d’insegnamento. Sono indispensabili per ampliare l’orizzonte delle persone – sostiene. Nel 2009 il Mozarteum Brasileiro ha come sostenitori le imprese Credit Suisse, Credit Suisse Hedging-Griffo, Mantecorp, Novartis, Siemens e TenarisConfab. Gli sponsorizzatori sono: Bradesco Prime, Clariant, Comgás, ING Wholesale Banking Brazil, Pirelli, Brasilprev, Carbocloro, Degussa Evonik e Fosfértil. E inoltre l’Instituto Votorantim e Monsanto sponsorizzano le attività educative dell’istituzione. Importazione Si può dire che l’embrione del Mozarteum Brasileiro è nato a seguito di una “certa importazione”, come dice scherzando la fondatrice. In questo caso è stata lei ad essere “importata” in Brasile dal marito, il conte Carlo Lovatelli. Sabine voleva integrarsi attraverso il lavoro alla città in cui andava ad abitare. Si accorse che l’offerta di musica classica era scarsa, e decise di agire. Secondo lei gli imprenditori, il pubblico, gli artisti si sono entusiasmati alla proposta, dato che si apriva un nuovo centro di arti nell’America del Sud. — Chi realmente mi ha dato la spinta finale, che [sic] il Mozarteum doveva essere creato, è stato Wolfgang Wagner, nipote del compositore [Richard Wagner 1813-1883], che si occupa del Festival di Bayreuth, in Germania. È stato qui nel 1980, ha spiegato come funziona Bayreuth, come attrae i giovani, e ha detto che io dovevo fare la stessa cosa in Brasile — rivela. Per il début del Mozarteum Brasileiro sono venute due orchestre molto prestigiose: quella di Parigi retta dall’argentino Daniel Barenboim, e la National Symphony Orchestra [di Washington DC, USA], retta dal mitico Msti- slav Rostropovitch [1927-2007]. All’inizio del “decennio yuppie”, il Mozarteum organizzava i Concerti di Mezzogiorno. Le rappresentazioni avvenivano al Masp tutti i mercoledì dalle 12.30 alle 13.30 “per dare l’opportunità al pubblico di assistere gratuitamente ai concerti”. Già a quella epoca facevano parte dello spettacolo delle chiacchierate degli artisti con il pubblico. I Concerti di Mezzogiorno sono durati più di 20 anni e sono terminati quando il Masp è entrato in restauro nel 2001. — Spero che ricomincino — dice piena di speranza la presidente del Mozarteum, che fa parte della direzione del museo. Partner del Mozarteum dal 2006, l’Instituto Baccarelli, creato dal maestro Silvio Baccarelli nel 1998 nella comunità di Heliópolis, nella capitale paulista, si è rivelato uno dei nuovi centri di “esportazione” di talenti musicali nel mondo. Segno di successo è l’aver ricevuto la visita del grande maestro Ennio Morricone nel marzo del 2008. Allora il Maestro si è emozionato quando ha ascoltato uno dei temi del film Cinema Paradiso suonato dalla Orchestra Sinfonica di Heliópolis. Fino all’inizio di questo anno 22 borsisti brasiliani sono andati a studiare in Europa grazie al collegamento dell’entità con scuole di musica nazionali ed internazionali. L’associazione ha anche realizzato, fino a questo momento, più di 150 masterclass gratuiti, che hanno coinvolto circa 4.000 studenti e innumerevoli concerti all’aria aperta gratuiti per più di 900.000 spettatori, oltre ad aver trasmesso eventi alla Radio e alla TV Cultura. Aristocrazia Sabine Vogel Lovatelli, tedesca di Iena (Turingia), ha la cittadinanza italiana e risiede in Brasile Junho 2009 / dal 1971. È arrivata dopo il matrimonio con il conte Carlo Lovatelli – brasiliano di padre italiano e madre inglese – attuale presidente della ABAG, Associação Brasileira de Agronegócios. Si erano conosciuti in Germania alla fine degli anni ‘60 ad Hannover, dove la bella dama, dotata di espressivi occhi azzurri, era cresciuta. All’epoca era una studentessa di circa 20 anni. Il titolo nobile per Sabine si riduce semplicemente a questo, “un titolo”. — L’ho ereditato da mio marito. È come un nome di famiglia e non significa che sia differente. Facciamo della nostra vita ciò che vogliamo — dice, e per lei le tradizioni di nobiltà sono “buone, importanti, belle, e facilitano la convivenza sociale”. Per selezionare le attrazioni esibite dal Mozarteum, Sabine Lovatelli segue i più importanti festival di musica erudita del mondo. E perciò viaggia dalle tre alle quattro volte all’anno. La sua famiglia vive in Germania e il marito passa alcuni periodi in Italia. L’elegante contessa ha visitato la città d’origine della famiglia del marito, Ravenna (Emilia-Romagna), ma “nessuno abita più là da anni”. Secondo lei stanno tutti a Roma, Milano e Firenze. Italia I rapporti di Sabine con l’Italia vanno oltre quelli familiari, quando si ha a che fare con l’arte. Nella storia del Mozarteum i legami d’amicizia con direttori d’orchestra come Claudio Abbado e Riccardo Muti sono stati importanti per farli venire in Brasile. E fa sapere che per questa stagione l’Orchestra della RAI era nel programma del Mozarteum, ma il concerto ha dovuto essere cancellato “a seguito della crisi economica”. — Dall’Italia sono già venuti importanti musicisti della scuola del Maestro Maurizio Pollini. Ed inoltre, spesso i solisti di vari paesi sono italiani – segnala. Nel ruolo di appassionata di musica, Sabine cita fra i suoi autori preferiti Puccini, Rossini e Verdi. E a parte gli italiani, Beethoven e Mozart, “è chiaro”, fanno parte della sua lista: — La mia sinfonia preferita è la Sesta di Beethoven, la Pastorale, poco suonata nei concerti. Fra le opere, Falstaff, di Verdi, è fantastica. ComunitàItaliana 43 O dono da bola Em junho, quando acontece mais uma rodada do Fashion Rio (entre os dias 5 e 10) e da São Paulo Fashion Week, (de 17 a 23) muitos estarão disputando a tapa um lugar nas primeiras filas dos desfiles. Que ninguém espere encontrar por ali o anfitrião dos dois eventos. Ao contrário dos que vivem no mundinho da moda, o carioca Gabriel Felzenswalb, de 30 anos, quer distância de flashs e holofotes. Durante os desfiles, deve ser mais fácil encontrálo pelas últimas cadeiras. Se estiver lá, deverá estar de olhos muito atentos. Não nas modelos, mas em oportunidade de negócios. Foi por iniciativa dele que a Firjan, até então, única “dona” do Fashion Rio, se associou à holding InBrands. Também foi por iniciativa dele que a Ellus se tornou a primeira marca do grupo, criado em 2007, no Rio. Na sua carteira de negócios também estão as grifes Alexandre Herchcovitch, Isabela Capeto e 2nd Floor, além da própria São Paulo Fashion Week, onde é parceira da Luminosidade, empresa de Paulo Borges, o executivo dos dois eventos. Avesso a entrevistas, Felzenswalb aceitou falar com Comunità por e-mail. E deu pistas do que pode vir por aí: — Acreditamos que os dois eventos (Fashion Rio e SPFW) têm vocações diferentes, complementares. De fato, não há espaço para duas semanas de moda concorrentes. 44 ComunitàItaliana / Junho 2009 C Sônia Apolinário omunitàItaliana - Como surgiu o interesse da Pactual Partners (fundo de investimentos que deu origem à InBrands) pela moda? Gabriel Felzenswalb - Acreditamos que os fundamentos macroeconômicos do Brasil favorecem a expansão do consumo. Isso já vem acontecendo e vai continuar. Além disso, o varejo de alta renda no Brasil é muito pulverizado em operações de alta qualidade criativa e baixa sofisticação gerencial. Acreditamos ser possível gerar economias de escala e melhorias na gestão das empresas, mantendo intacto o que elas já fazem bem: o estilo e o marketing. CI - Como uma pessoa formada em engenharia metalúrgica especializada em aço se torna o cabeça de uma então nova empresa voltada para moda? GF - Sou engenheiro com pós-graduação em Administração de Empresas. Um perfil bastante tradicional no mundo corporativo. Da engenharia, carrego o rigor analítico e a capacidade de estruturar problemas. Confesso que entrei no setor de moda de páraquedas. Eu era analista de investimentos da Pactual, a oportunidade surgiu e eu topei. CI - Como avalia a moda, em termos de indústria, no Brasil? GF - A indústria da moda no Brasil ainda vive sua adolescência. Grandes marcas que despertam enorme desejo de consumo ainda se apóiam em modelos de gestão ineficientes, onde as contas só fecham a custa de informalidade. Acreditamos que a moda vai amadurecer e seguir o que aconteceu com outros setores: o governo vai intensificar a fiscalização e a sonegação vai diminuir. CI - Quanto essa indústria movimenta, por ano, por aqui? GF - Devido à informalidade, não há números confiáveis. O banco de investimentos Merril Lynch estima que o setor movimente 100 bilhões de reais ao ano no Brasil. CI - Qual a meta da InBrands para 2009? GF - Estimamos um crescimento de 10% a 15%, que pode variar diante do cenário econômico ainda muito incerto. CI - Como avalia a “tendência” internacional de grandes grupos adquirirem grifes de estilos diferentes sem necessariamente ter à frente o estilista que a criou? GF - Preferimos ter o estilista, o fundador como sócio. No entanto, em mercados mais maduros as marcas sobrevivem aos seus fundadores. Espero que o Brasil caminhe nessa direção, afinal, nossos sócios vão querer se aposentar um dia. CI - O que diferencia a InBrands da catarinense AMC Têxtil (Fórum, Fórum Tufi Duek, Tufi Duek, Triton, Colcci, Sommer, Carmelitas e Coca-Cola Clothing)? GF - O grupo AMC Têxtil é hoje maior do que a InBrands. Trata-se de um grupo muito sério e competente. Uma prática que nos difere é que o AMC adquire a integralidade das ações das suas marcas. Nós optamos por atuar em sociedade com os fundadores. A vida em sociedade envolve mais diplomacia, mais construção de consenso, logo mais trabalho, mas acreditamos que preserva a identidade das marcas. CI - Há espaço para vários grandes grupos de moda no país? GF - Claro. O mercado é extremamente pulverizado. Há espaço para aqueles que sabem aliar imagem e desejo a uma logística e gestão eficientes. CI - Em pleno ano de crise econômica mundial, a InBrands “comprou” o Fashion Rio. Não há crise nesse setor no Brasil? GF - É importante ficar claro que a Firjan é a detentora da marca Fashion Rio, que foi apenas licenciada à InBrands. O setor de eventos foi impactado como os outros, não está tão pujante como esteve há um ou dois anos. Estamos muito cautelosos com relação a esta crise que afeta todo o mundo. Focamos na gestão do caixa de nossas empresas. Não conseguimos ainda mensurar como o Brasil será impactado no longo prazo. Esperamos poder ver uma retomada do crescimento mundial já em 2010. CI - Sempre houve uma grande rivalidade entre as semanas de moda do Rio e São Paulo. A InBrands, agora, é dona das duas. Como encara essa situação? GF - Não distinguimos São Paulo de Rio de Janeiro, ou vice-versa. A moda é brasileira. CI - Sempre se disse que não havia espaço para duas grandes semanas de moda no Brasil. O que acha disso? GF - Acreditamos que os dois eventos têm vocações diferentes, complementares. De fato, não há espaço para duas semanas concorrentes. Fotos: Sheila Guimarães entrevista CI - Há uma especulação de que o Rio faria os desfiles de verão, em junho e São Paulo os de inverno, em janeiro, para unificar essa semana de moda que se chamaria Brasil Fashion Week. Isso procede? GF - Não comentamos especulações. Assumimos o evento faltando seis semanas para a sua realização. Nossa primeira tarefa é organizar a primeira edição. Vamos trabalhar alternativas estratégicas em momento oportuno. CI - A InBrands tem interesse pelo segmento infanto-juvenil na moda? GF - As marcas Isabela Capeto e Herchcovitch;Alexandre possuem linha infantil. Logo, temos interesse sim. CI - Há planos para se criar uma Fashion Kids e estimular uma maior profissionalização desse segmento no país? GF - A moda infantil vai seguir a profissionalização do segmento de vestuário em geral. CI - De todas as grandes semanas de moda internacionais, alguma delas poderia inspirar os próximos passos da InBrands para estruturar os desfiles do Brasil? GF - As semanas de moda internacionais têm formatos bem distintos e, em geral, são eventos menores do que o SPFW. A equipe da Luminosidade cobre todas as semanas de moda, mas vale notar que Paulo Borges, o produtor da SPFW, é consultor da semana de Londres. Isto é, há muito o que aprender com o Brasil também. CI - Como avalia o fato de organizarem desfiles dos quais participam grifes do próprio grupo? GF - Nossas marcas já desfilam ou desfilaram no SPFW ou Fashion Rio. O mercado nos conhece e Felzenswalb: sob seu comando Fashion Rio tem quase 50% de redução de marcas nos desfiles presenciou nosso profissionalismo no último evento da SPFW. Não há privilégios. CI - Há uma grande especulação que a InBrands estaria comprando as grifes da Maria Bonita. Isso procede? GF - Não comentamos especulações. CI - Que estilista internacional mais admira? GF - Não que minha opinião tenha alguma relevância, mas diria Tom Ford, por ter entendido que moda é negócio. CI - Moda é uma indústria e desfile é uma ponta dessa indústria. A ponta inicial está na formação de mão-de-obra. Como o Brasil está nessa ponta? GF - Somos carentes de talento em todas as áreas. Precisamos de gestores de produto, de modelistas, de boas costureiras. Também precisamos muito de bons administradores, bons vendedores, bons engenheiros, bons contadores. Enfim, sobra capital, mas não sobra gente. Gente é o maior gargalo para o crescimento. CI - No formato do Fashion Rio, o que o grupo não gostava que já vai mudar? GF - Nas três últimas edições do Fashion Rio, desfilaram mais de Junho 2009 / setenta marcas diferentes. Acreditamos que um evento se solidifica com a constância e consistência das marcas que nele desfilam. Pretendemos ter um grupo mais coeso. (Ficaram 30 marcas) CI - Em novembro acontece o Rio Summer Fashion. O que pensa do evento? GF - A primeira edição foi muito interessante. Isabela Capeto participou e teve uma boa repercussão. Não há conflito entre o Fashion Rio e ele porque são eventos diferentes. CI - Qual a principal diferença entre a moda feita no Rio e feita em São Paulo? GF - Hoje a moda carioca vive um momento muito interessante, com marcas novas fazendo bastante barulho. No entanto, essas empresas ainda não amadureceram como negócio. Estão ainda vivendo o primeiro ciclo de crescimento. Em São Paulo, há empresas mais maduras, com modelos de negócio mais redondos. CI - O seu guarda-roupas acompanha tendências de moda? Qual é o seu estilo? GF - Prefiro me ater a perguntas sobre o negócio. ComunitàItaliana 45 Milão artes plásticas Guilherme Aquino Ajuda oficial D ezoito mil pedidos, em poucos meses, a maioria da cidade de Milão, dão uma ideia do tamanho da crise econômica e as suas consequências. O plano de ajuda da província de Milão, Alzare la Testa (levantar a cabeça), colocou à disposição das famílias e empresas 25 milhões de euros. O auxílio a empresas foi dado àquelas que empregaram trabalhadores, entre idades de 25 e 45 anos, por tempo indeterminado, sem contratos temporários. Já para as famílias, a ajuda foi para pagar a prestação da casa própria, a creche e/ou a escola dos filhos, além de assistência aos idosos. A crise econômica coloca em movimento uma rede de apoio concreto, traduzido em depósito de recursos em conta corrente, por parte da instituição pública, no caso, a província de Milão. Exemplos como estes se multiplicam em toda a Itália para ajudar quem esta em dificuldade financeira. Multi-étnicos C erca de 25 mil empresários estrangeiros atuam na província de Milão. Uma em cada doze pessoas jurídicas imigrantes no país e uma em cada seis empresas em toda a Itália monta base na cidade. Em quatro de cada cinco casos se tratam de pessoas extracomunitárias. A construção civil e o comércio são os setores que respondem por mais da metade dos serviços oferecido pelos “não italianos”. Os egípcios e os chineses lideram a lista das dez comunidades mais ativas, seguidos de romenos, marroquinos, albaneses, peruanos e equatorianos, na frente ainda de imigrantes de Bangladesh, Senegal e Tunísia, nesta ordem. O aumento de empresas de estrangeiros em Milão cresceu 194% desde o começo do século 21. Múltiplas falas Com a participação de 11 brasileiros, exposição em Milão chama a atenção para a arte contemporânea feita na América Latina L Veneza artística David e Golias D M urante o mês de junho entra em cartaz, em toda a Sereníssima, a Bienal de Artes. Artistas de todo o mundo, escolhidos por um colegiado de experts montado em vários países, vão exibir as tendências da arte contemporânea. Instalações, quadros, esculturas vão ocupar as margens e os canais da cidade. A curadoria é de Daniel Birnbaum e o Brasil vai estar presente, entre outras obras, com uma homenagem a Lygia Pape, falecida artista brasileira e farol do movimento concretista nacional. 46 ComunitàItaliana ilão declara guerra aos chamados ecomonstros. Num tranquilo e universitário bairro, com casas ainda do começo do século passado, Citta Studi, uma aberração de cimento urbano está para nascer às margens da lei. Os moradores formaram um comitê para impedir a construção de um prédio de 16 andares - 8 além do máximo permitido - na via Boticelli. A desculpa de abrigar 800 estudantes e professores não convence os vizinhos, preocupados com o impacto ambiental. Eles estão desconfiados das “boas intenções” do empreendimento, diante do preço previsto para os alugueis: cerca de 800 euros, por mês. / Junho 2009 La Scala S aiu a programação 2009/2010 do teatro. Quem pretende passar o fim de ano em grande estilo, no inverno milanês, já pode reservar as entradas para os espetáculos que prometem ser os mais concorridos: a ópera Carmem, de Georges Bizet, com direção de Daniel Baenboim e Serata Bejart, com direção de Daniel Harding, músicas de Mahler e Stravinskij, com os bailarinos Roberto Bolle e Massimo Murro. tica. A arte na América Latina é franca e mais do que documentar queremos revela-la. Na exposição, ocupa lugar de destaque a obra de Artur Bispo do Rosário. Nascido em torno de 1910, dele sabe-se apenas, com certeza, o ano de sua morte: 1989, no Rio de Janeiro. Filho de escravos, ele foi paciente do instituto psiquiátrico Colônia Juliano Moreira. Com ele, tiras de pano velho e de baixa qualidade, feitas de lençóis do hospital, ganharam vida com escritas e cores. Cada tira representa o título de uma Miss (Brasil, Cuba, Argentina). Usando restos de alumínio, tecidos e linhas, ele construiu uma obra que, segundo um dos organizadores, Jean Blanchaert, contém a “elegância que apenas as crianças e os loucos possuem”. Guilherme Aquino Correspondente • Milão ogo na entrada, um painel costura com pedaços de tecido o título Estamos Unidos, feito por Alejandra Mettler. A exposição Las Americas Latinas, Las fatigas del querer, é um mosaico de tudo aquilo que se pode traduzir em arte contemporânea recolhida em galerias, museus e ateliês de artistas das três Américas. Tudo está reunido, até outubro, no espaço cultural Oberdan, no centro de Milão. Os artistas, vivos ou já falecidos, exibem obras que vão desde instalações de vídeo, a esculturas, quadros, objetos e tapeçarias. Ao todo são 47 cidadãos do Brasil, Argentina, Uruguai, México, Cuba, Trindad, Venezuela, Guatemala e também Itália, Portugal, Holanda e Alemanha. Os europeus não estão ali por engano, mas por reproduzirem o olhar estrangeiro sobre a realidade de países latino-americanos. O fio condutor da exposição é a ideia de arte como expressão máxima do ser humano e como instrumento de denúncia social, política e econômica. Assim, foram parar em Milão as queimadas feitas nas florestas brasileiras ou as guerrilhas em ação em diversos países da América Central. Difícil o espectador não sentir na pele e na emoção o chamado do país de origem da obra. Segundo o curador Philippe Daverio a mostra é um mosaico da produção artística latino-americana, sem rótulos: — Os ritmos musicais, as evocações poéticas, a literatura que reflete uma realidade complexa e envolvente, os sonhos atingidos pela política e pelo futebol estão presentes nas obras. As Américas Latinas, são uns “lugares” convencidos de desempenhar um relevante papel de ator político, numa arte primitivamente polí- A exposição Las Americas Latinas, Las fatigas del querer estará até outubro no espaço cultural Oberdan, em Milão Junho 2009 / Bem ao lado da obra de Biso do Rosário está uma pequena máscara de carnaval da artista plástica carioca Beatriz Milhazes que, recentemente, teve um quadro leiloado por mais de um milhão de dólares no mercado internacional. A máscara, de pequenas dimensões, pertence ao Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foi feita com técnica mista e causa um grande impacto visual ao remeter o visitante aos bailes de carnaval dos anos dourados. A artista tem como “companhia” a reprodução de um quadro de Tarsila do Amaral (1889-1973), o clássico Abaporu, de 1928, pioneira das artes brasileiras e que tanto influenciou a obra de Beatriz. A lista de brasileiros presentes em Milão inclui Farnese de Andrade, Nelson Leirner, Vik Muniz, Daniel Senise, Alexandre Murucci, Ernesto Neto, José Rufino e Divino Sobral, autor de um painel em madeira e lã no qual reproduz o “Jardim da Jabuticabeira”, uma das obras de maior dimensão da mostra. Imagens sensíveis como a de um homem puxando com uma linha a América do Sul, com a palavra Fragile se alternam com a denúncia da força bruta, armada, como a de um móvel de madeira construído na forma de uma granada onde cada estilhaço se abre como uma gaveta. A denúncia contra a condição social de opressão da mulher também está presente: um corpo feminino nu aparece coberto pelas entranhas abertas de um animal morto representado a própria violência sofrida. Difícil sair indiferente depois de tantas mensagens de beleza, de raça, de lutas e batalhas por uma melhor qualidade de vida. Mais do que uma exposição de artes plásticas, o evento joga luz para uma parte do nosso planeta, muitas vezes ignorada e pouco valorizada. ComunitàItaliana 47 bellezza automobilismo Una bella gaúcha paese concentra una delle più numerose colonie italiane del mondo – circa 30.000.000 di discendenti – il Brasile ha il privilegio di poter presentare tre rappresentanti al concorso italiano. E così disputeranno il titolo della più bella discendente italiana del mondo anche Nayara Bombonatti, di Sertãozinho (SP), eletta Miss Italia Amazônia, e Alessandra Reginato di Medianeira (PR), la Miss Italia Sul América. Il Brasile partecipa al Miss Italia nel Mondo da 19 anni e l’unica esigenza è di attestare la discendenza italiana fino alla quinta generazione. Quest’anno il concorso ha avuto la partecipazione di 25 candidate selezionate in nove stati brasiliani: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Osyane afferma di non aver mai lavorato come modella. Racconta che l’hanno invitata a partecipare al concorso dopo che, l’anno passato, un organizzatore, nella fase della selezione statale, la vide durante la disputa per il titolo di Miss Conesul. Ha ereditato l’origine italiana dal lato paterno: i trisavoli erano di Trento, al nord dell’Italia. La giovane ragazza si sta preparando dall’inizio dell’evento, principalmente per quanto riguarda l’idioma. — Saper parlare l’italiano non è obbligatorio, ma credo che sia una cosa utile perché dovremo rilasciare delle interviste. Per ora mi sto dedicando abbastanza allo studio della lingua. Sto anche seguendo una dieta alimentare, faccio ginnastica, prendo lezioni di danza e di espressione corporea — ci rivela. Per dedicarsi al concorso, la ragazza di Alegrete ha sospeso la facoltà di Estetica e Cosmetica e pensa soltanto al viaggio in Italia. — Questo semestre non avrei avuto tempo di studiare dovuto alla tappa brasiliana. Sto approfittando molto di questo momento, e di tutto quello che può apparire di buono. Per ora non voglio pensare al domani — racconta Osyane, che parte il 10. Ci dice che il suo obiettivo è “raggiungere il miglior risultato possibile” e si lamenta del fatto che, l’anno scorso, la principale rappresentante brasiliana, Renata Marzolla, non si sia classificata tra le prime 25. Se nel 2008 il Brasile non ha raggiunto un buon risultato, non si può dire la stessa cosa della “raccolta” del 2007. Allora la giovane Taisy Dalla Libera, della città di Medianeira, che è l’attuale Miss Italia Sul América, ha conquistato il terzo posto. E nel 2006, la fascia di Miss Italia nel Mondo è stata della brasiliana Karina Michelin, di Botucatu, nello stato di São Paulo. La giovane concorreva come Miss Italia Amazônia, e ha vinto sulla Miss Liechtenstein, Dahlia Ferrazo. Michelin è poi diventata una delle presentatrici del programma Markette, nella principale rete privata della televisione italiana, la rete LA 7, e continua a vivere in Italia. Le vincitrici della tappa brasiliana ricevono gioielli e vestiti oltre a viaggi e soggiorni, che sono offerti per partecipare alla tappa mondiale. La vincitrice del concorso Miss Italia nel Mondo ha come premio, a parte la corona, un valore in denaro, un’automobile ed un contratto esclusivo con una marca di moda italiana. E se ha fortuna può seguire lo stesso percorso di Karina Michelin. La grande finale mondiale sarà trasmessa dal vivo su RAI UNO, il 27 giugno alle ore 20.00. La rappresentante italo-brasiliana che concorre questo mese al titolo di Miss Italia nel Mondo è di Alegrete, all’interno del Rio Grande do Sul L Nayra Garofle a nuova Miss Italia Brasile, Osyane Pilecco, ha 17 anni, è alta 1,72 m e pesa 55 kg. Il concorso che sceglie le più belle italo-brasiliane si è svolto il mese scorso, al Circolo Italiano di São Paulo. Adesso lei si prepara a difendere il paese al 48 Miss Italia nel Mondo, e la finale sarà realizzata il 27 a Venezia. Nata ad Alegrete, a circa 500 chilometri da Porto Alegre, nel Rio Grande do Sul, Osyane non andrà da sola in Italia. Secondo l’organizzatore dell’evento brasiliano, Kadu Lopes, dato che il ComunitàItaliana / Junho 2009 Nayara Bombonatti, Alessandra Reginato e Osyane Pilecco Baratinhas voadoras Mil Milhas mantém a charmosa tradição de corrida de carros antigos pela Itália O s motores roncam com a mesma intensidade de décadas atrás. Mais precisamente, entre anos 20 e 50. E se colocam à prova na mais bela corrida do mundo, segundo as palavras do mítico Enzo Ferrari: a Mil Milhas, Brescia-Roma-Brescia. O evento, criado em 1927, continua a encantar o mundo do automobilismo. Esse ano, foram 377 participantes provenientes de 30 países. O carro mais antigo saiu da fábrica em 1923 e o mais novo em 1957. Os cerca de 1600 km são percorridos em três dias. A largada, no centro de Brescia, na noite de 14 de maio, transformou a rotina da cidade. As ruas estreitas do centro histórico foram ocupadas pelas baratinhas de corrida dos anos dourados da indústria automobilística. As calçadas se transformaram em passarelas para os pilotos e co-pilotos, vestidos como na época da produção de seus “bólidos”. Alguns exibem, orgulhosos, velhas bússolas. Ao longo do trajeto, são 39 paradas estratégicas para almoçar, jantar, dormir e, claro, marcar o tempo de cada trecho. No somatório final, é aplicado um Guilherme Aquino Correspondente • Milão coeficiente variável: ano do carro, cilindradas e se o veiculo é ou não um veterano da Mil Milhas. Verdade seja escrita: apesar de muitos carros serem de garagem, de colecionadores, alguns até alugam os veículos para quem quiser participar da prova. Um dos pré-requisitos básicos para correr a Mil Milhas é a boa condição de dirigibilidade e originalidade das peças. Os candidatos devem ainda apresentar os documentos históricos dos carros. Da saída da fábrica ao último proprietário, tudo deve estar em ordem. O “pedigree” do automóvel tem que ser impecável. A inscrição custa 18 mil reais. Os veículos estão avaliados, no mínimo, em cem vezes mais do que isso. Mais do que uma verdadeira corrida, a Mil Milhas se tornou um agradável passeio turístico, com toda a infra-estrutura necessária para ninguém ficar a pé. A não ser que o motor pegue fogo, como aconteceu minutos antes da largada com uma Ferrari, ou que um carro não faça bonito e deixe a pé ilustres participantes como o prefeito de Moscou, Yuri Luzkhov, que nem deu a largada. Bólidos de marcas famosas e ainda atuais como Fiat, Lancia, Ferrari, Porsche e Mercedes alinhavam-se com aquelas que já tiveram o seu passado glorioso como Triumph, Osca, OM, Ermini e Cisitalia. Isso sem falar em Bentley, Jaguar e Aston Martin, marcas de carros construídos com elevado padrão de qualidade, no qual o artesanato ainda tinha um papel relevante no processo industrial. Um Jaguar XK120 foi feito totalmente em alumínio e chega a uma velocidade de 160km/h. O problema é o limite de 90 km/h nas rodovias estaduais. Na auto-estra- Junho 2009 / da italiana, o piloto pode afundar o pé até os 130 km/h, mas os carros históricos não vão por ali. Por isso, o recorde da competição não será tão cedo batido. Ele pertence a Stirling Moss no volante e Denis Jenkison como co-piloto. Em 1955, a Mercedes “voou” baixo a 157,650 km/h. O segredo de tanta velocidade foi a perfeita harmonia entre o piloto e o navegador. Se os carros daquela época foram ultrapassados, com o tempo, o mesmo não se pode dizer dos cenários por onde “correm”. De Brescia eles seguem para Ferrara. De lá para Roma. Em seguida, cruzam a Toscana, passam pela terra dos motores, em Emília-Romanha e entram na Lombardia para a bandeirada final. A primeira edição da corrida contou com a participação de 67 escuderias. A dupla vencedora completou a prova com a media horária de 77 km/h e transformou a corrida num grande sucesso de público. Ainda hoje, os italianos se debruçam nas varandas e vão para os acostamentos para ver os carros passarem. Muitos soltam uma fumaça danada. Afinal, são de um período no qual a preocupação com o meio ambiente era ficção científica. Em nome dos ambientalistas de plantão, a organização adotou nove mil hectares do Parque Nacional do Ticino, “zerando” assim a emissão de CO2 durante toda a competição. Este ano, depois de 12 anos de jejum, os vencedores foram uma dupla de Brescia: Bruno e Carlo Ferrari, a bordo de um Bugatti 1927. Quer dizer, eles chegaram em primeiro lugar. Afinal, vencedores são todos os que completaram a corrida sãos e salvos e com os carros em perfeito estado. ComunitàItaliana 49 Consulado Geral da Italia Rio de Janeiro Consolato Generale d’Italia Rio de Janeiro REFERENDOS PARA A REVOGAÇÃO DE ALGUNS ARTIGOS E INCISOS DO DECRETO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA N. 361 DE 30 DE MARÇO DE 1957 E DO DECRETO LEGISLATIVO N.533 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1993 I Quesito - Premio di maggioranza alla lista più votata - Camera II Quesito : Premio di maggioranza alla lista più votata - Senato III Quesito: Abrogazione candidature multiple I quesito: Prêmio de maioria para a lista mais votada – Câmara II quesito: Prêmio de maioria para a lista mais votada – Senado III quesito: Revogação das candidaturas múltiplas Os cidadãos italianos residentes no exterior e algumas categorias de concidadãos temporariamente residentes no exterior, abaixo especificadas, poderão votar nos referendos revogadores nos dias 21 e 22 de junho. O voto nos citados referendos é expresso pelos cidadãos residentes e inscritos no AIRE (Registro dos Italianos Residentes no Exterior) exclusivamente por meio de correspondência nos Países, como o Brasil, com os quais o Governo italiano estabeleceu acordos específicos e cujo elenco está disponível no site www.esteri.it. Nos Países onde não ocorreram tais acordos os eleitores residentes e inscritos no AIRE não poderão votar por correspondência e, portanto, para votar, deverão dirigir-se à Itália com direito à reembolso de 75% do custo da passagem mediante apresentação da relativa documentação ao Consulado de competência. Também poderão votar por correspondência os cidadãos italianos temporariamente residentes no exterior, tais como militares ou pertencentes às forças de polícia em missão internacional, funcionários da administração pública por motivos de serviço, professores universitários bem como seus familiares conviventes. A possibilidade de votar na Itália com o benefício do reembolso não abrange esta categoria de pessoas, pois estas poderão votar também nos Países com os quais o Governo italiano não estabeleceu acordos específicos. Os eleitores permanentemente e temporariamente residentes no exterior receberão do Consulado de competência, no próprio domicílio, um envelope contendo as cédulas e as instruções sobre as modalidades de votação. O eleitor que não receber o envelope eleitoral até o dia 7 de junho poderá se apresentar ao Consulado de competência para verificar a sua situação eleitoral. O eleitor que se encontra residindo temporariamente no exterior e não pertence a nenhuma das três categorias acima indicadas poderá votar nos referendos somente na Itália junto às sessões instituídas pelo próprio Município. Concluídas as operações, as cédulas votadas pelos italianos residentes no exterior e recebidas pelos Consulados até às 16:00 hs de 18 de junho de 2009 serão remetidas para a Itália, onde terá lugar o escrutínio sob os cuidados do “Departamento Central para a Circunscrição Exterior” instituído pelo Tribunal Superior de Roma. REFERENDUM ABROGATIVI DI ALCUNI ARTICOLI E COMMI DEL D.P.R. 30 MARZO 1957, N. 361 E DEL DECRETO LEGISLATIVO 20 DICEMBRE 1993, N. 533 O Cônsul Geral da Itália Umberto Malnati Consulado Geral da Itália - Av.Presidente Antonio Carlos, 40 - CEP 20020-010 - Rio de Janeiro - RJ (005521) Tel. 3534.1315 / Fax: 22626348 - www.consriodejaneiro.esteri.it I cittadini italiani residenti all’estero e alcune categorie di connazionali temporaneamente all’estero, come meglio specificato oltre, possono votare per i referendum abrogativi del 21 e 22 giugno prossimo. Il voto per i referendum dei cittadini residenti ed iscritti all’AIRE (Anagrafe degli Italiani Residenti all’Estero) si esprime esclusivamente per corrispondenza negli Stati, tra cui il Brasile, con i quali il Governo italiano ha concluso apposite intese il cui elenco è pubblicato sul sito www.esteri.it. Negli Stati dove tali intese non sono state concluse gli elettori residenti ed iscritti all’AIRE non potranno esercitare il voto per corrispondenza e pertanto, per votare, dovranno recarsi in Italia avendo diritto al rimborso del 75% del biglietto di viaggio presentando la relativa documentazione al Consolato di competenza. Anche i cittadini italiani temporaneamente all’estero come militari o appartenenti a forze di polizia in missione internazionale, come dipendenti di amministrazioni pubbliche per motivi di servizio ovvero come professori universitari ed i loro familiari conviventi potranno esprimere il voto per corrispondenza. La possibilità di recarsi a votare in Italia usufruendo del rimborso non riguarda questa tipologia di elettori in quanto, tali categorie, potranno votare anche negli Stati con i quali il Governo italiano non ha concluso apposite intese. Gli elettori residenti e temporanei all’estero riceveranno a domicilio, da parte del Consolato di riferimento, il plico elettorale contenente le schede e le istruzioni sulle modalità di voto. Chi non ricevesse il plico elettorale entro il 7 giugno, potrà recarsi di persona all’Ufficio consolare di riferimento per verificare la sua posizione elettorale. Chi si trovi temporaneamente all’estero e non appartenga alle tre categorie sopraindicate, puo’ votare per i referendum solamente recandosi in Italia per esprimere il voto presso le sezioni istituite nel proprio Comune. Concluse le operazioni, le schede votate dagli italiani residenti all’estero pervenute ai Consolati entro le ore 16,00 del 18 giugno 2009 saranno trasmesse in Italia, dove avrà luogo lo scrutinio a cura dell’Ufficio Centrale per la Circoscrizione Estero istituito presso la Corte di Appello di Roma. Il Console Generale Umberto Malnati Consulado Geral da Itália - Av.Presidente Antonio Carlos, 40 - CEP 20020-010 - Rio de Janeiro - RJ (005521) Tel. 3534.1315 / Fax: 22626348 - www.consriodejaneiro.esteri.it esporte S e no Brasil, o tênis não soube aproveitar a sua época áurea com Gustavo Kuerten, o Guga, para manter grandes resultados, o mesmo não se pode dizer da natação. Depois do ouro em Pequim, nos 50 m livres do ítalobrasileiro César Cielo, houve um verdadeiro turbilhão nas piscinas nacionais. Recordes e excelentes resultados de fazer inveja a muitos “tubarões” tornam o país respeitado e com chances de voltar do 13º Mundial de Esportes Aquáticos com razoável número de medalhas. O evento será realizado em Roma, de 19 de julho a 2 de agosto. A constelação das piscinas começa pela estrela maior, o único campeão olímpico da história da natação brasileira. Com a convicção de quem sabe do que é capaz, Cielo diz à Comunità, sem qualquer sombra de arrogância, qual será o seu objetivo no evento: — Vencer. Tocar a parede primeiro do que todos. Não importa se será com recorde ou não. César é detentor do recorde olímpico de 21s30, marca com a qual venceu em Pequim. O recorde mundial foi batido pelo francês Frédérick Bousquet, no último 26 de abril, em Montpellier, na França, que nadou em 20s94. Cielo acredita que, em Roma, poderá fazer um tempo melhor do que o do francês e prevê que o Brasil deve trazer para casa “quatro ou cinco medalhas”. Não é apenas na prova na qual é campeão olímpico que Cielo vai competir no Mundial. Nos 100 metros livres, ele venceu o Troféu Maria Lenk, o campeonato brasileiro disputado no Rio em maio, com 47s60, resultado melhor ainda do que na medalha de bronze (47s67) conquistada na última Olimpíada. Além dos Frederick Bousquet 52 Foi França quem também brilhou no Troféu Maria Lenk ao bater o recorde mundial, nadando as eliminatórias dos 50m peito em 26s89. — O Brasil está entre os três países do mundo que mais evoluíram na natação, juntamente com Austrália e Rússia. Os Estados Unidos não contam porque sempre estiveram no topo — informa Felipe França. — Há mais ajuda financeira. Só vou para fora do Brasil se o meu técnico, Arílson Soares, for junto. França nada pelo Pinheiros, mesmo clube pelo qual Cielo compete quando está no Brasil. Além dos dois, Henrique Barbosa é outra esperança de medalha brasileira no Mundial. No Troféu Maria Lenk, também pelo Pinheiros, ele obteve o segundo melhor resultado do mundo na história tanto nos 100 m (59s03) quanto nos 200 m (2m08s44), ambos no nado peito. Com essas marcas, ele se aproximou dos recordes mundiais do japonês Kosuke Kitajima - 58s91, nos 100 m e 2min07s51, nos 200 m. Ao lado, César Cielo. Abaixo, Felipe França. Todos competem pelo Pinheiros Medalhas na água Natação brasileira vai forte para o Mundial a ser disputado em Roma Maurício Cannone 50m e 100m livres, ele também pretende nadar os revezamentos 4x100m livres e 4x100m medley no Mundial. Ele também está classificado para os 50m borboleta. Paulista de Santa Bárbara do Oeste, 22 anos, bisneto de italianos tanto por parte de pai como de mãe, Cielo está em busca do passaporte italiano, mas não pretende morar na Itália. A família paterna, de onde vem seu ComunitàItaliana / Junho 2009 sobrenome Cielo, é originária de Treviso; a materna (Valerio), de Veneza. Além do português, o atleta fala inglês - é radicado em Auburn, no estado norte-americano do Alabama - e o espanhol. Já a língua dos seus bisavós, ele não domina. Mesmo tendo uma experiência na Itália, em 2007, ao treinar e competir pelo Ispra, clube do município de mesmo nome, da Província de Varese, na região da Lombardia: — Tento conseguir o passaporte para ter mais facilidade para viajar, sem precisar requisitar vistos. Gostei muito de Milão, onde participei de competição da Armani. A cidade me lembra São Paulo. Na Itália, me agradaram principalmente os restaurantes. A cozinha de lá é leve, fácil de digerir. Também nadei em Treviso, Gênova e Viareggio. Na Universidade de Auburn, Cielo disse que tem todas as con- dições de treinamento, embora o lugar ideal para morar seja outro: — Lá é difícil sair da rotina de atleta. Há toda a estrutura necessária para competir, para descansar. Porém, o lugar ideal para viver é no Brasil. Não é preciso necessariamente sair do país para obter bons resultados. Praticamente só eu e o Henrique Barbosa, radicado na França, treinamos no exterior. O Felipe França, que é recordista mundial, treina no Brasil. Thiago Pereira vai ser mais um nome importante do Brasil no Mundial. Ele ganhou a medalha de ouro nos 400 m medley na etapa de Charlotte do Grand Prix dos Estados Unidos, com 4m16s19, recorde da competição, em 15 de maio. Na mesma data, Pereira foi bronze nos 100 m peito, com tempo de 1m02s46, atrás dos norte-americanos Mark Gangloff (1m00s18) e Erik Shantou (1m00s63). Henrique Barbosa, assim como Cielo, treina no exterior Foro Itálico O coração do 13º Mundial de Esportes Aquáticos será o Foro Itálico, com quatro piscinas permanentes e duas provisórias. Lá serão disputadas não apenas provas de natação como também de pólo aquático, saltos ornamentais e nado sincronizado. A natação em águas abertas está marcada para Ostia, localidade de mar que faz parte do município de Roma, embora afastada da cidade. A organização do evento espera receber um público de 400 mil pessoas. Duzentas nações e 2.800 atletas participarão do evento. O nome mais aguardado do campeonato é Michael Phelps. O norte-americano, que ganhou oito medalhas de ouro na Olimpíada de 2008, voltou em maio às competições de natação. Ele ficou três meses suspenso por uso de maconha. Com isso, ficou ao todo nove meses afastado das piscinas, incluindo a parada após os Jogos de Pequim. À exceção da natação em piscina, as melhores chances de medalha do Brasil estão nas maratonas aquáticas. Ana Marcela Cunha, nos dez quilômetros, e Poliana Okimoto, que nadará tanto os cinco como os dez mil metros, têm boas chances na natação em águas abertas no mar de Ostia. Nos saltos ornamentais, alguma esperança para César Castro no trampolim de três metros. Nadadores italianos têm boas chances de trazer medalhas do Mundial nas piscinas, entre os quais Filippo Magnini (100m livres), Federica Pellegrini (100, 200, 400m livres), Alessia Filippi (800, 1500m livres). Em águas abertas, Valerio Cleri, nos 10km, está entre os melhores. Tania Cagnotto pode subir ao pódio Junho 2009 / nos saltos ornamentais em trampolim de três metros. A equipe masculina de pólo aquático da Itália, conhecida como Settebello é uma das favoritas para ganhar medalha. O Mundial na Itália será o primeiro a ser realizado após a Federação Internacional de Natação (Fina) ter divulgado a lista de maiôs aprovados para serem usados pelos atletas. Muitos dos recordes atuais são atribuídos a essas peças de alta tecnologia que reduzem o atrito do atleta com a água. A marca do brasileiro Felipe França, no Troféu Maria Lenk, por exemplo, foi obtida com a ajuda de um maiô que agora está proibido. Já o usado por César Cielo, no mesmo evento, está permitido. A Fina aprovou 202 trajes, reprovou dez e exigiu modificações em outros 136. Esses maiôs custam em média 600 euros. Os modelos aprovados receberão suas etiquetas da Fina em Roma. Assim, todos os trajes usados pelos nadadores no evento passarão por uma inspeção. O LZR-Racer, da Speedo, desenvolvido pela Nasa, a agência espacial norte-americana, é um dos aprovados. Esse maiô foi usado em 27 quebras de recorde mundial e foi uma das sensações das Olimpíadas de Pequim em 2008. Nos últimos 15 meses, 126 recordes foram batidos como auxílio de maiôs. O brasileiro Cesar Cielo costumava usar dois maiôs: um X-Glide (reprovado) e um Arena Evolution (aprovado). Foi com esse último que ele bateu seu recorde no Troféu Maria Lenk. Por isso, ele se diz tranquilo em relação às novas regras da Fina. Segundo Cielo, nada vai mudar para ele. Nem o maiô. ComunitàItaliana 53 Firenze italian style Giordano Iapalucci Museo dell’Emigrazione ono più di 70 milioni gli italiani sparsi in tutto il mondo, frutto del processo emigratorio a partire dalla seconda metà del XIX secolo. La Fondazione Cresci di Lucca ha voluto rendere omaggio a tutti coloro che con sudore e lacrime hanno abbandonato il paese natale verso nuovi lidi. Per chi non lo sapesse la provincia di Lucca ha registrato il più alto numero di migranti che si sono spostati verso Stati Uniti, Brasile e Argentina. L’Archivio della Fondazione propone migliaia di documenti, fotografie, lettere e passaporti come anche una parte interattiva e multimediale con filmati Rai e interviste. Per il visitatore sarà inoltre possibile effettuare delle ricerche sul proprio albero genealogico mediante strumenti informatici. Aperto tutti i giorni tranne il lunedì. Info: www.fondazionepaolocresci.it I marmi Vivi F 54 ComunitàItaliana / Ravel e Orff a San Galgano N ello splendido scenario dell’Abbazia di San Galgano, vicino Siena, il giorno 17 luglio alle 21.00 sarà possibile assistere al Bolero di Ravel e Carmina Burana di Orff. Il monastero di San Galgano fu consacrato nel 1268 e dopo periodi di alterno splendore si ridusse alla fine del settecento ad un rudere ascetico con un’alta spiritualità e misticità. Si tratta di una cattedrale a cielo aperto, soltanto riparata dai muri late- La storia sui muri P er questa volta, ma solo per questa non li troverete attaccati sui muri: sto parlando dei manifesti pubblicitari, grandi protagonisti della mostra “Grand Tour in Toscana, la storia sui muri”. È un viaggio molto originale di oltre un secolo, tra fine ottocento e inizi anni duemila, tra cartelloni propagandistici di prodotti o località della Toscana firmati dai grandi artisti come Puppo, Cappiello e Borgoni. Promossa dalla Regione Toscana, l’esposizione esordirà a Marina di Massa (dal 23 luglio al 30 agosto) per trasferirsi poi a Chianciano Terme (fino al 9 ottobre). Ingresso libero. Junho 2009 rali che scaraventano lo spettatore in un immaginario spazio-tempo medievale in cui la magia prende possesso della notte creando un fantastico incantesimo di altri tempi. Se a tutto questo si aggiunge la vibrante energia del Bolero di Ravel e di Carmina Burana di Orff, la serata è servita! Saranno circa 800 posti. Nell’abside sarà posto il palcoscenico mentre nella navata centrale la platea del pubblico. Ingresso da 28 a 37 euro. Para os amantes do verde A marca italiana Giò Style acaba de criar uma linha de eletrodomésticos em verde e branco que é uma graça. Liquidificador por € 19,90, Batedeira por € 34,90, Cafeteira e processador por € 29,90 cada e até uma balança digital por € 17,90. Uma cozinha cheia de funcionalidades e um charme à parte com os eletrodomésticos combinados. www.giostyle.com Il fasto e la ragione F ino al 30 settembre il Polo Museale Fiorentino presenta la mostra dedicata all’arte del settecento a Firenze. Il XVIII secolo per Firenze, dopo i fasti dell’epoca rinascimentale e medicea (quest’ultima durò fino al 1743), fu un periodo che risultò essere molto proficuo sotto il punto di vista della politica internazionale. La città rinascimentale per eccellenza divenne così meta obbligatoria del “Grand Tour” dei rampolli dell’alta nobiltà europea. Con più di 120 opere tra sculture, dipinti e arredi, l’esposizione offre uno spaccato degli stili e dei gusti che vanno dal tardo barocco al neoclassicismo. Presso la Galleria degli Uffizi, Ingresso 6,50 euro. Fotos: Divulgação irenze, dopo il Paul Getty Museum di Los Angeles, rende omaggio a Gian Lorenzo Bernini con la mostra “I marmi vivi e la nascita del ritratto barocco”. Rispetto a quella americana, l’esposizione fiorentina pone l’accento sui ritratti giovanili riconducibili a prima del 1640 ed è divisa in due spazi: I ritratti parlanti, e Il Bernini ritrattista: l’esordio e l’ascesa. I ritratti scolpiti vennero concepiti nel cinquecento come “state portrait”, ossia la raffigurazione di personalità istituzionali e illustri da ricordare come esempi pubblici per le loro azioni virtuose. La grandezza di Bernini sta nel fatto di uscire dalla rappresentazione di queste immagini severe, fredde e distaccate e di passare a scolpire figure che sembrano animarsi e addirittura colloquiare con il visitatore; nascono così i “ritratti parlanti”. Ingresso 7 euro. Museo del Bargello, Firenze. Os produtos mencionados estão disponíveis no mercado italiano. S Beleza na cozinha Utilidade e elegância combinam perfeitamente neste belíssimo forno microondas, feito todo em aço inox e eleito há muitos anos o melhor amigo daqueles que gostam de comodidade. A marca é Giò Style. Capacidade: 23 litros. € 159,90 www.dmail.it Junho 2009 / ComunitàItaliana 55 Patrimônio a ser preservado Trecho de nove quilômetros que mantém construções e costumes italianos da época da imigração, no Rio Grande Sul, é declarado patrimônio histórico e cultural. Mesmo assim, pode vir a ser descaracterizado A Sílvia Souza impressão que se tem ao visitar o distrito de São Pedro, em Bento Gonçalves, é a de estar viajando no tempo. Paisagens, arquitetura, cultura: os elementos que compõem as diversas cenas da viagem lembram uma Itália remota, dos idos de 1800, mas ao mesmo tempo, muito presente e atual para brasileiros que buscam resgatar a influência da imigração por aqui. Agora, quem desejar viver experiências como essa conta com um incentivo a mais. O trecho batizado de Caminhos de Pedra foi declarado patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Sul, após aprovação unânime pela Assembleia Legislativa. A rota, que integra sete comunidades entre Bento Gonçalves e Farroupilha, foi fundada em 1992 e inclui construções histó- 56 ricas da região da serra gaúcha, assim como restaurantes, pousadas e locações que remetem ao tempo em que os imigrantes chegaram ao Estado. A iniciativa de tombar aquele trecho foi do deputado Jerônimo Goergen. — É uma medida que amplia o potencial turístico da região, já que reconhece um patrimônio inquestionável da história de nosso Rio Grande. Ainda em 2008, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) nos informou sobre obras de pavimentação na RS-855. A expectativa é que isso ocorra ainda esse ano — afirma o deputado. Idealizado pelo engenheiro Tarcísio Vasco Michelon e o arquiteto Júlio Posenato, o roteiro Caminhos de Pedra surgiu a partir de um levantamento do acervo arquitetônico de todo o interior ComunitàItaliana / Junho 2009 do município de Bento Gonçalves, realizado no ano de 1987. Na ocasião, constatou-se que São Pedro - composto pelas comunidades São Pedro, São Miguel, Barracão, São José da Busa, Cruzeiro, Santo Antonio e Santo Antoninho - mantinha o maior número de casas antigas da região e conservava sua cultura e história datadas a partir de 1875. — Com recursos do Hotel Dall’Onder algumas casas foram restauradas e passaram a receber visitação. O primeiro grupo organizado de turistas veio de São Paulo e foi recebido na Cantina Strapazzon em 30 de maio de São 53 pontos de observação e a cada estação do ano a paisagem se mostra de um modo diferente 1992 — recorda Nestor Foresti, secretário executivo da Associação Caminho de Pedras. Fundada em 10 de julho de 1997, com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio ao Empreendedor e ao Pequeno Empresário (Sebrae), a Associação tem como objetivo a preservação da rota, bem como a projeção de iniciativas que revelem o patrimônio existente no local, da arquitetura ao folclore, passando pela língua e a arte. O projeto é considerado pioneiro no que diz respeito ao turismo rural e cultural do país e recebe por ano cerca de 50 mil visitantes. São mais de 70 edificações em pedra, madeira e alvenaria dispersas num raio de nove quilômetros. Atualmente, a Associação Caminhos de Pedra conta com cerca de 60 associados. O trajeto inclui ainda a Linha Palmeiro, na parte que pertence ao município de Bento Gonçalves, mas a ideia é expandir o projeto até à cidade de Caxias do Sul, passando por Caravaggio. — O avanço da cidade de Bento Gonçalves sobre a zona rural e o adensamento populacional de toda a área de abrangência dos Caminhos de Pedra, com a consequente especulação imobiliária, tem ameaçado a preservação desse sítio histórico. Esta nova lei confere uma proteção especial à área. Afinal, não basta proteger os bens imóveis. Faz-se necessário proteger também o seu uso racional, bem como o entorno peculiar que os caracterizam, fruto da relação do imigrante italiano com o ambiente local que foi a mola propulsora de todo o desenvolvimento da Serra Gaúcha — salienta Foresti. No meio do Caminho, um presídio Segundo a Associação Caminhos de Pedra, 150 famílias sobrevivem direta e indiretamente do turismo na localidade. Com doze casas abertas à visitação, a região alia à microeconomia a produção de itens como queijo de leite de ovelha, que recorda o processo toscano; o vinho com uvas trazidas da Itália na época da imigração e a manutenção de grupos artísticos que se apresentam dentro e fora do município. Por conta de tudo isso, a Associação discorda de um projeto do governo do estado para a construção de um presídio numa área dos Caminhos, desapropriada pela prefeitura de Bento Gonçalves. — Denunciamos ao Ministério Público e esperamos que com a nova Lei o governo desista dessa idéia de trazer o presídio para cá. Seria um corpo estranho nessa paisagem e acreditamos que existem outros lugares mais propícios para tal iniciativa — argumenta Foresti. Diretor do Departamento de Planejamento, Projetos e Convênios da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, o delegado Antônio Carlos Padilha afirma que o aumento da criminalidade na região justificaria a implantação da unidade prisional no município. — O terreno já foi desapropriado pelo município, em 2008, e sua posse transferida ao Estado. Portanto, a obra da penitenciária será realizada naquele local. O projeto segue seu curso normal. O Estudo de Impacto de Vizinhança foi entregue à administração municipal para análise e aprovação. Paralelamente a isso, está sendo contratada uma empresa para a realização da sondagem de solo da área destinada à construção do empreendimento penitenciário. Após a sondagem, segundo o delegado, o projeto será adequado pela secretaria de Obras Públicas e enviado à Caixa Econômica Federal para análise e liberação para a realização de procedimento licitatório: — O valor disponibilizado para a obra é de 11 milhões de reais (80% da União e 20% do Estado). A capacidade será de 336 presos. Pelo cronograma, ficará pronto em um ano. Fotos: Nestor Foresti / www.caminhodepedra.org.br patrimônio Por dentro e por fora: na vinícola Salvati e Sirena do parreiral à música, se respira Itália História Foi às margens do arroio Barracão que, a partir de 1870, a Comissão de Colonização e Terras do Governo Imperial do Brasil instalou-se para demarcar os lotes de terras da Linha Palmeiro. Formava-se ali, a maior de todas as linhas da colonização italiana, com 200 lotes de 48,4 hectares cada. No final de 1875, o Barracão descrito no livro Assim vivem os italianos (de Arlindo Battistel e Rovilio Costa) como “uma alta construção de um só plano e mal vedada, com longas taquaras pregadas na parede, horizontalmente, e cobertas de barro e folhas” –, começou a receber e hospedar provisoriamente as primeiras levas de imigrantes. Ali eles recebiam seus lotes, algumas ferramentas, sementes e outros utensílios. Isso, porém, só acontecia após uma longa espera que podia chegar a diversos meses. Os colonos eram cadastrados e tudo o que recebiam, inclusive a terra, era-lhes lançado como dívida com o Governo Imperial que deveria ser quitada no prazo de 10 anos. Tudo foi planejado para que o local fosse a sede da colônia Dona Isabel. Porém, em 1876, não se sabe bem os motivos, a Comissão de Terras transferiu-se das margens do arroio Barracão Junho 2009 / para o alto do morro, na Cruzinha, sob um pinhal onde hoje é o centro de Bento Gonçalves. Em um relatório assinado em 1905, o agente consular italiano Luigi Petrocchi constatou que a sede da nova Colônia Dona Isabel, (hoje Bento Gonçalves), “foi traçada em 1875, em um vale entre dois cursos d’água, num local baixo, próximo ao barracão dos imigrantes, e chamada então de cidade branca, devido às tendas feitas de lençóis”. O local foi a porta de entrada dos colonos assentados na Linha, que inicialmente não passava de uma picada tortuosa no meio da mata tentando acompanhar uma linha reta imaginária. O nome Palmeiro foi dado em homenagem ao Major Engenheiro José Maria da Fontoura Palmeiro, responsável pelos assentamentos nas terras do Governo Imperial. Como os lotes eram grandes, normalmente eram assentadas duas famílias por lote, uma em cada extremidade. O visitante que ingressar nos Caminhos de Pedra pelo Barracão estará, pois, utilizando a mesma porta de entrada dos primeiros imigrantes italianos, revivendo as mesmas sensações dos recém-chegados, através das histórias contadas pelos seus descendentes. ComunitàItaliana 57 il lettore racconta atualidade café s, Ed italiano e d o t e Bisn erou ro recup r a S s o Marc mília dessa fa a i r ó t e j a tra ta, no de artis a m l a com ália foi à It e , l i s a Br dessa r o fio a x u p a par o à epoiment D . a i r ó hist ofle ayra Gar N r e t r ó rep 58 ComunitàItaliana / A impressão é de que os Sarro foram seguindo a expansão do café em direção ao oeste do estado de São Paulo, passando por cidades nascentes como Jaú, onde nasceu meu pai, Anésio Sarro. No ABC e bairros próximos de São Paulo, estabelecem-se várias famílias de Sarro e Saro. Alguns Sarro não quiseram se mudar para a cidade grande. Outros preferiram tentar a vida no norte do Paraná, onde a colonização era recente e os cafezais ainda vicejavam. Dois tios viveram e morreram ali, deixando descendentes. Também identifiquei uma família De Sarro, em Bandeirantes (SP) aparentada conosco. Em 2001, consegui um contato na Itália, na mesma San Dona di Piave, de onde meu bisavô saíra havia já 110 anos. Descobri uma senhora muito idosa chamada Caterina Saro Bertoncini e lhe escrevi. Quem me respondeu foi sua neta, Amarylli Fridegoto Bertoncini, de 32 anos, venezuelana educada na Itália, filha de italianos de San Donà. A mãe, cantora lírica, neta de Secondo Saro, irmão de meu bisavô, aquele que voltara para a Itália. Trocamos e-mails e ela me explicou que, de acordo com a sua avó, Secondo voltou para a Itália em 1900 para prestar serviço militar. Aqui ele se casou duas vezes. A primeira vez com Caterina Pellegrini (o grande amor de sua vida) que morreu quando deu à luz pela primeira vez. Sendo assim, como gratidão à cunhada Angelina, que cuidou da recém-nascida, ele se casou com ela. Com Angelina ele teve 13 filhos, sendo que sete morreram pequenos. E foi através desse e-mail que consegui resgatar uma parte da história do clã que permaneceu na Itália. A arte está mesmo presente em nossa família. Se Amarylli é concertista, aqui temos o Adélio Sarro, pintor e escultor reconhe- Maio 2009 Bruno de Lima M eu bisavô Domenico Luigi Saro nasceu em 1865, numa cidade pequena chamada San Donà di Piave, ainda sob tacão austríaco, e cresceu durante a anexação do Vêneto ao reino da Itália. Em 1891, com 26 anos, já casado e com filhos, decidiu imigrar para a América como faziam tantos outros italianos naquele período, visando fugir da fome e da miséria. Chegou ao Brasil em dezembro, com a esposa Elisa Bocalon e três filhos pequenos: Antonio, Giovanni e Giuseppina. Trouxe também os pais, Antonio Saro e Domenica Capon, e três irmãos mais novos: Secondo Nazzareno e Giuseppe. Há informações de que tenham ficado na Itália outros dois irmãos mais velhos de meu bisavô: Angelo e Giangiotto. Secondo Saro voltou para Itália. Meu bisavô e seu clã chegaram ao Rio de Janeiro no vapor Montevideo e foram transferidos para São Paulo, passando pela Hospedaria do Imigrante, no Brás. De lá até o interior paulista pouco se sabe. O certo é que no fim do século 19 já estavam estabelecidos em Piracicaba (SP), onde nasceu meu avô, Augustinho Sarro, em 1898. Meu avô teve outros irmãos no Brasil, mas não se sabe qual deles foi o primeiro a ter dois erres no nome. Pelo menos o meu avô foi registrado assim. Novidade na xícara Por ser mais saudável, o café de cevada é “descoberto” na Itália cido com obras até no exterior. Ele mora em São Bernardo do Campo e é descendente de Giuseppe Saro, um dos irmãos mais novos de meu bisavô. Existe ainda a artista gráfica suíça Eva Saro que esteve no Brasil na década de 90 conduzindo alguns workshops. Em julho de 2008 estive na Itália, a convite da secretaria de Cultura de San Donà di Piave, para fazer uma exposição com meus cartuns num centro cultural local. Sou cartunista e ilustrador e leciono em faculdades de design. Minha irmã foi comigo e aproveitamos para reencontrar parentes e conhecer outros. Passamos pelas cidades de Portogruaro, Ceggia e Jesolo, além de visitar Veneza, Torcello, Burano, Murano, Milão, Florença e Roma. Rodamos a Itália. Estive no mausoléu dos Saro. Segundo meu primo Leo Saro, que vive em Stra (também na província de Veneza), os Saro são originalmente de Acquilea, cidade importante durante o Império Romano, que hoje é um vilarejo de valor histórico. Fica na província de Friuli Venezia-Giulia. Esse resgate genealógico nos faz sentir mais perto de nossos ancestrais. É muito bom saber como e onde tudo começou. Ed Marcos Sarro. São Caetano do Sul - SP Mande sua história com material fotográfico para: [email protected] Q ue o espresso é uma paixão, na Itália, todos sabem. Porém, um outro tipo de café tem conquistado cada vez mais espaço no coração dos italianos: o café d’orzo, feito de cevada. Nos últimos tempos, moderníssimas mokas (cafeteira italiana) foram lançadas no mercado para quem deseja preparar a bebida em casa. Em bares e cafeterias, atraentes máquinas coloridas logo chamam a atenção do consumidor para a bebida. Agora, última novidade é a cevada expressa, que pode ser aromatizada nos sabores chocolate, creme e rum. Além da Itália, somente Portugal tem o hábito de consumir esse tipo de café. A origem do d’orzo não é italiana, mas a bebida é extremamente ligada à história do país. Nos anos 30, o regime fascista havia proibido as importações alimentares. Devido à falta de produtos, os baristas tiveram que se arranjar. Outros grãos começaram a ser tostados e testados para substituir o tradicional café, então em falta. A crise passou, mas o café de cevada ficou pelos bares. No momento, virou atração entre os jovens, que o consideram cool porque é natural e “da moda”. Segundo a nutricionista Cinzia Salani, a cevada tem um alto poder nutricional e é muito digestiva. Janaína César Correspondente • Treviso É rica em cálcio e fósforo e contém uma pequena quantidade de silício, “por isso desenvolve uma branda ação sedativa”. Mas não é tudo. Este velho cereal ajuda a prevenir doenças pulmonares e cardiovasculares, cura distúrbios e inflamações do aparelho digestivo e tem ação desintoxicante. Dentre os milhões de recentes admiradores do d’orzo está a advogada Elena Pavan. Todos os dias, ela toma três xícaras da bebida - uma de manhã, outra após o almoço e a última após a janta. Elena conta que descobriu o café de cevada quando estava grávida. — Foi minha médica quem aconselhou trocar o café tradicional pelo de cevada. Eu, sinceramente, não o conhecia. Quando vi que era como o café normal, da mesma cor e mesma consistência, decidi experimentar. Desde então, só tomo café de cevada. É verdade que, às vezes, abro uma exceção para um expresso tradicional, mas o d’orzo faz parte da minha rotina — diz a advogada. Muitos provam o café de cevada involuntariamente. Como eles passaram a fazer parte das máquinas instantâneas, espalhadas em todo o país, há quem aperte o botão errado. Foi isso o que aconteceu com o brasileiro Cléber de Lima. Estudante de mestrado em conservação musical na Universidade de Gorizia, na região do Friuli-Venezia Giulia, ele estava louco para tomar um café longo, mas o que recebeu foi um d’orzo. Provou e não gostou. Ele admite que nem tinha reparado que tinha, na máquina, a opção de café de cevada porque ele desconhecia a existência desse tipo de café. A cevada é um cereal de inverno que ocupa a quinta posição, em ordem de importância econômica, no mundo, com cerca de 170 milhões de toneladas produzidas anualmente. Originária do Oriente Médio, é um dos Junho 2009 / grãos mais antigos usados para a alimentação que se tem notícia - egípcios, gregos e romanos já o conheciam. Hoje, é utilizado na industrialização de bebidas (cerveja e destilados), na composição de farinhas ou flocos para panificação, na produção de medicamentos e na formulação de produtos dietéticos e de sucedâneos de café. Também é empregado na alimentação animal como forragem verde e na fabricação de ração. A Itália encontra-se entre os principais países produtores de cevada, ao lado da Rússia, Canadá, Alemanha, França e Espanha. Marcas como Crastan, Milupa, Orzoro (da Nestlè), Pagnini e Star enchem as prateleiras dos supermercados do país oferecendo além do café, a cevada instantânea destinada à alimentação das crianças. O Brasil produz cerca de 380 mil toneladas por ano de cevada, porém, o principal uso econômico é a malteação para a cerveja. No país, é mais difícil encontrar o café de cevada do que na Itália. Mesmo assim, a bebida pode ser consumida em restaurantes macrobióticos. A marca Superbom oferece opção para quem quiser fazer café de cevada em casa. Nesse caso, é preciso usar coador de pano, pois os filtros de papel não deixam este tipo de café passar. ComunitàItaliana 59 Sapori d’Italia gastronomia Sônia Apolinário Como nonno fazia Nova geração de ítalo-brasileiros garante, no Rio e em São Paulo, o sabor e a tradição do autêntico gelato C Nayra Garofle — Tínhamos muitas receitas guardadas e lembranças dos gelatos do meu avô. Stuzzi era o nome da gelateria que meu avô tinha no Vêneto, antes de vir para o Brasil — conta Scabin. O jovem administrador, de 34 anos, revela que a sorveteria, ou melhor, gelateria como prefere chamar, é uma forma de manter viva a tradição italiana na família. Mais do que isso. Ele quer que as pessoas se sintam como se estivessem em um pedacinho da Itália, só que no coração da Vila Madalena. É com este mesmo conceito que os primos Bosco e Masello, de 32 e 28 anos, criaram a Ama- Por acaso, a história de restaurantes italianos populares que moram no coração do carioca se cruzou. Como resultado, surgiu o Domenico, mais elegante e com menos concessões no cardápio rena, em Copacabana. Eles são a primeira geração ítalo-brasileira da família. Na década de 60, o local era o endereço da mercearia de seus pais. — Com os supermercados a mercearia foi perdendo valor. Pensamos numa maneira de mudar de negócio. Fomos para a Itália aprender com a nossa família que já trabalhava com sorvetes em Fuscaldo, na Calábria — explica Bosco, que é administrador de empresas e morou seis meses em Roma quando estudou na Universidade Italiana La Sapienza. A empolgação estampada no seu rosto ao falar sobre a sorveteria revela o orgulho de ter correndo nas veias o sangue italiano. Tanto que os conterrâneos chegam na Amarena e são atendidos no idioma de Dante para que se sintam em casa. Ambas as casas oferecem sabores exóticos e adaptados ao gosto brasileiro. A Stuzzi, por exemplo, oferece o sorvete de maçã assada com canela, fina- Bruno de Lima omo os ítalo-brasileiros podem dar prosseguimento à cultura italiana da família de forma empreendedora? Foi pensando nisso que o paulista Alexandre Scabin e os primos cariocas Gianpietro Bosco e Francesco Masello tiveram a mesma ideia: abrir um negócio autenticamente italiano. As cidades são diferentes e do ponto de vista comercial isso favorece, já que os jovens empresários decidiram trazer para o Brasil o sabor do autêntico gelato. Em São Paulo, Scabin abriu a Stuzzi Gelato e Caffè utilizando as receitas de seu avô Vitorio. Simplicidade clássica Os primos Francesco Masello e Gianpietro Bosco na carioca Amarena. Ao lado, a paulista Stuzzi da família Scabin 60 ComunitàItaliana / Junho 2009 lizado com um toque de mel e morango. São 16 sabores ao todo, dos quais fazem parte pêra com água de coco, amora e mirtilo, são opções sem lactose e com 0% de gordura. Na Amarena, além dos apetitosos sabores como tiramisu, prosecco e caipirinha, não poderia deixar de ter o gelato de amarena, um tipo de cereja existente na Itália, que aliás é o preferido do carioca. Um dos mais curiosos é o viagro, inspirado na famosa pílula azul com adição de ginseng. A “carta” é composta por 32 sabores. Diferente da cultura italiana, os brasileiros não costumam encarar os sorvetes no inverno. Porém, os empresários garantem que esse conceito já está mudando, mas desenvolvem soluções para atrair os clientes mesmo no frio. Na Stuzzi, Scabin desenvolveu um setor de cafeteria, além de investir em sobremesas “menos geladas”. Na Amarena, os primos asseguram que apesar do movimento cair até 40%, após o verão, as pessoas que frequentam a casa durante o calor costumam voltar no inverno por terem a certeza que o sorvete não é tão gelado. — O gelato italiano é cremoso, consistente e, por conta dos ingredientes, não é supergelado. As pessoas percebem que podem tomar e não sentirão frio — conta Bosco que pretende futuramente, “espalhar” pelas cidades outras filiais. R io de Janeiro – Aberto há pouco mais de um ano, o novo restaurante é uma homenagem da família dos proprietários ao parente Domenico Magliano. Ele abriu em 1958 o La Mole – uma homenagem à torre Mole Antonelliana, localizada em Turim, sua cidade natal. O chef do Domenico é Túlio Colonese, de 30 anos. Ele é neto e filho de italianos. Seu avô Mario Colonese, originário da Calábria, há 50 anos abriu o restaurante Pronto. A família ainda tem outros dois restaurantes na cidade. O Domenico fica exatamente entre o Pronto e o La Mole, na mesma calçada da rua Dias Ferreira, o grande pólo gastronômico do Leblon, na zona sul do Rio. Mera coincidência, diz Colonese, o neto. Desde criança ele frequenta a cozinha dos restaurantes da família, ao contrário do irmão mais novo que nem chegava por lá. Com 18 anos, Colonese avisou que queria trabalhar nos restaurantes, mas foi colocado na área administrativa. Ele, porém, queria a cozinha. Para se certificar que era esse mesmo seu caminho, arrumou um estágio em um famoso restaurante da cidade. Provou e gostou. Partiu, então, para a escola. Mais precisamente o curso de Gastronomia e Sommelier do Senac de Águas de São Pedro (SP), onde se formou. A “pós-graduação” o levou para o aeroporto. Colonese passou três anos na Itália, mais precisamente na Toscana, para desvendar os segredos da gastronomia italiana que tanto ama. Lá, trabalhou em vários lugares sendo o mais famoso deles o refinado Castello di Spaltenna, em Gaiole, na região de Chianti. Quando voltou, Domenico estava a sua espera. — Minha intenção era reinventar no Rio um pedaçinho da Itália, com um menu classicamente italiano. A cozinha italiana no Brasil é adaptada, perdeu um pouco as origens. Na verdade, é uma cozinha da Itália é muito simples, baseada no sabor natural dos seus produtos. O francês, por exemplo, coloca muito molho que disfarça o paladar dos ingredientes. O que eu busco são os verdadeiros produtos que fazem a diferença na cozinha italiana — explica Colonese. Túlio Colonese Tagliatelle agli scampi e gamberi con bottarga di muggine Ingredientes: 150 gr de tagliatelle; 1 dente de alho picado; 1 colher se sopa de salsinha picada; 70 gr de lagostins descascados; 70 gr de camarões descascados; 100 ml de molho de tomate; 40 gr de tomate cereja; 40 ml de vinho branco. Modo de fazer: Refogue o alho, os tomates e os frutos do mar no azeite rapidamente sem queimar. Banhe com o vinho e deixe evaporar. Junte o molho de tomate e cozinhe por 3 minutos. Acrescente a massa já cozida e salteie. Salpique bottarga ralada e salsinha e sirva. Alguns desses produtos são a Guanciale, salame típico do centro da Itália, usado após curar três meses no sal e pimenta; a Bottarga, ovas de tainha defumadas, típicas da Sicília; e o Lardo de Colonnata, uma gordura de porco que envolve o lombo de cordeiro, dando untuosidade à carne. No cardápio, é possível encontrar como sugestão de antipasti Riccioli di calamari, selezione di fagioli e guanciale croccanti (lulas grelhadas, bochechas de porco crocantes e feijões, R$19,00); carpaccio d`anatra in crema di sedano e formaggio (fatias de peito de pato marinado com creme de aipo e queijo de coalho grelhado, R$23,00), além de porções de presunto San Daniele. Dentre as massas estão o Ravioli di pernice con pesto di basilico e pignoli tostati (ravióli de perdiz com pesto de manjericão e pinoles tostados, R$38,00); Pappardelle al ragu (massa larga com molho de carne bovina e ervas, R$33,00) ou Tagliatelle agli scampi e gamberi con bottarga di muggine (tagliatelle com lagostins e camarões com ovas defumadas da Sicília, R$47,00), a preferida do chef. No Domenico também se saboreia uma autêntica bisteca fiorentina, ossobuco, paleta de javali, costela ou lombo de cordeiro. Em todo o cardápio, a única concessão de Colonese é o arancini. No Domenico, o tradicional bolinho de arroz siciliano é recheado com a brasileiríssima carne seca, além de catupiry. Serviço: Domenico - Rua Dias Ferreira, 147, lojas AB Leblon – Rio de Janeiro - RJ. Tel: (21) 2239-6614 Junho 2009 / ComunitàItaliana 61 La gente, il posto Claudia Monteiro de Castro Oasi di Ninfa É um verdadeiro oásis, a meia hora de Roma. Não por acasao, chama-se Oásis de Ninfa - ou Jardins de Ninfa. Um jardim exuberante, com plantas exóticas e ruínas medievais. Para visitá-lo só com reservas e com visitas guiadas. O romântico local foi idealizado na década de 20, pelo príncipe Gelasio Caetani. Seu ponto de partida foi a vontade de realizar um jardim, sob orientação de botânicos, no meio das ruínas de uma cidade medieval. Outros membros de sua família deram continuidade ao seu projeto. Boh… A s primeiras leituras de minha vida foram os gibis do brasileiro Maurício de Souza. Cebolinha, Mônica, Cascão e Magali eram meus heróis… Como aprendi com eles! Muitas vezes, as palavras que apareciam nos balões eram um mistério para mim. Por exemplo, lembro de uma vez em que li no gibi: “na hora H” e perguntei para minha mãe: o que é hora hhhhhh??’. Ao invés de pronunciar a letra H, fiz um longo respiro para fora, como fazem os americanos que dizem house, hamburguer, etc. Afinal, estudando em escola americana, para mim “H” não era mudo. Outra vez, lendo Cebolinha, me diverti com um personagem que apareceu uma vez. Se não me falha a memória, talvez era o primo do Cebolinha, que vinha da França. Tudo o que o Cebolinha lhe perguntava, ele respondia: “jenecepá.” Cebolinha ficou cabreiro. Queria saber o que era esse tal de jenecepá. Que na realidade era “je ne sais pas”, “não sei”, em francês. Pois é. Toda língua tem o seu jenecepá. Nós temos o “sei lá”. Na Itália, existe o “non lo so”, (não sei), mas também existe uma palavrinha única que é muito mais potente: o famoso “Boh!”, que se pronuncia “bô”. 62 ComunitàItaliana / Junho 2009 Passeando hoje pelo jardim, podem ser vistos restos de torres, igrejas e casas. Tudo isso, rodeado por uma grande variedade de espécies de plantas. O clima no local é privilegiado, pois é protegido ao norte pelo rochedo onde fica a cidadezinha de Norma. Além disso, o rio que passa pelo jardim funciona como regulador térmico. Oasi di Ninfa é um festival da natureza: há macieiras, cerejeiras, magnólias, salgueiros, álamos, limoeiros, oliveiras, laranjeiras, carvalhos, romãzeiras, bambus, e ainda espécies da Califórnia (EUA), Japão e China. Um perfume sublime paira no ar, quando se passa em meio às diversas flores presentes no oásis: rosas, cravos, tulipas, papoulas, lavanda, begônias. Uma maravilha. Oasi di Ninfa: aberto ao público de abril a outubro. Para quem visita Ninfa com transporte público, é preciso pegar um trem de Roma até Latina e desta cidade, pegar um táxi. Pergunte para um italiano: “O que você está a fim de fazer hoje à noite?” Invariavelmente, a resposta vem: “Boh!” Ou então: “O que você pensa da situação atual da Itália?” “Boh!” Ou a um adolescente: “Quais são os seus projetos para o futuro?” “Boh!” Boh é onomatopéico. Exprime dúvida, desconhecimento ou até a falta de vontade de pensar numa resposta. Parece mais um suspiro ou um grunhido de homem das cavernas do que uma palavra propriamente dita. Porém, não subestime o seu valor. Na realidade, é cheio de significado, de conteúdo filosófico. Serve para responder desde uma pergunta banal, tipo “Vai chover hoje à noite?” até questões existenciais como “Você acredita em Deus?” Boh cabe em tudo. Eta palavrinha útil, de somente uma sílaba, mas que traduz todas as dúvidas do mundo. O que seria dos indecisos se não fosse por ela? Boh!