<> <> <> <> UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE <> <> <> <> <> A INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAL PARA ALAVANCAR A COMPETITIVIDADE NAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS <> <> <> Por: Bruno Silva Costa <> <> <> Orientador Profª Aleksandra Sliwowska Rio de Janeiro 2010 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE <> <> <> <> <> COMPETITIVIDADE NAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS <> <> <> <> <> Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão de Negócios Inovadores. Por: Bruno Silva Costa. AGRADECIMENTOS A DEUS, a minha esposa, meu filho, família, aos meus amigos, parentes e a todos os meus professores que sempre me ajudaram diante do desafio que é adquirir conhecimento. DEDICATÓRIA A minha família e aos meus amigos, que diretamente ou indiretamente participaram deste trabalho. 4 RESUMO Este trabalho tem como objetivo mostrar a questão da inovação no contexto das Pequenas e Médias empresas, destacando alguns fatores que são determinantes para que possa obter melhores resultados nesse mercado competitivo e globalizado. A investigação foi conduzida na forma de revisão de literatura na qual foram consultados: livros, dissertações, monografias, artigos científicos e Internet. Para fundamentar a proposição que a inovação pode alavancar a competitividade nas pequenas e médias empresas foram abordados: critérios de classificação das empresas brasileiras; conceitos de ciências, tecnologia e inovação. Inovação nas empresas; casos de inovação radical e incremental; exemplos de estratégias tecnológicas; aspectos importantes para a competitividade; inovações da legislação e inovação tecnológica das indústrias brasileiras. Também são apresentados diversos exemplos de inovações tecnológicas radicais que servem para alertar as empresas em relação à vigilância de mercado para que o produto ou serviço oferecido não se torne obsoleto. Constatou-se nesta pesquisa que a legislação desempenha um papel importante, pois os incentivos fiscais para as pequenas e médias empresas proporcionam o oferecimento de produtos ou serviços mais competitivos no mercado. Concluiu-se, portanto, que as pequenas e médias empresas precisam estimular o processo de inovação em seu ambiente e que devem escolher uma estratégia de inovação adequada a sua realidade. A pesquisa apontou que as empresas, independente de seu porte, necessitam desencadear o processo de inovação para continuarem sendo competitivas no mercado. METODOLOGIA A monografia foi elaborada a partir de pesquisa bibliográfica, como leitura de livros, informativos, revistas especializadas e artigos técnicos. Além disso, foram realizadas pesquisas em web sites que tratam do assunto proposto. 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO CAPÍTULO I - Ciência, tecnologia e inovação:conceitos CAPÍTULO II - A inovação no contexto das PMEs 08 10 14 CAPÍTULO III – As inovações nas empresas e suas estratégias tecnológicas 19 CAPÍTULO IV – A inovação tecnológica e alguns casos 24 CAPÍTULO V – Inovação tecnológica das industrias brasileiras 32 CONCLUSÃO 40 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 42 INTRODUÇÃO A algum tempo atrás a estrutura organizacional das empresas estão em um grande processo de mudança exigindo cada vez mais a inovação. No inicio do século XXI, as instituições divergem com questões de competitividade. Isso quer dizer a capacidade delas em desempenhar suas atividades em condições melhores que os concorrentes em preço e qualidade. Hoje as empresas tem que batalhar muito para garantir seus sustentos e conseguir vantagens competitivas. Tem que haver uma estratégia para buscar a lucratividade e definir seu nicho de mercado. Definindo bem a estratégia é bem possível ter uma vantagem competitiva. Esse trabalho apresenta a área de inovação no contexto das pequenas e médias empresas, de acordo com a classe econômica. Na área jurídica essas empresas são de pequeno porte, sendo que tem alguns pontos que são fundamentais para serem competitivas no mercado. A abordagem desse estudo foi feita numa consulta qualitativa de natureza interpretativa onde foram consultados: livros, artigos científicos, internet, dissertações. A inovação hoje em dia é fundamental nas empresas, podendo alavancar a competitividade tanto nas pequenas quanto nas médias empresas sendo abordados os conceitos de ciência, inovação e tecnologia, inovação nas empresas, exemplos de inovação incremental e radical, aspectos importantes para a competitividade e inovação tecnológica das industrias brasileiras. No capítulo I falaremos sobre Ciência, tecnologia e inovação, dando exemplo de conceitos, como estão ligados um ao outro, como são utilizados. No capítulo II falaremos de inovação no contexto das pequenas e médias empresas. A realidade das pequenas e médias empresas, como atuam para ser manter bem no mercado. No capítulo III falaremos das inovações nas empresas e suas estratégias tecnológicas. Como encontram seu espaço no mercado, quais suas estratégias para alcançar os objetivos. No capítulo IIII explicaremos o que é a inovação tecnológica8 e mostraremos alguns casos que foram sucesso. No capítulo IIIII falaremos sobre como a Inovação tecnológica funciona nas industrias brasileiras. 9 9 CAPÍTULO I Ciência, tecnologia e inovação:conceitos Neste capítulo falaremos sobre Ciência, tecnologia e inovação, dando exemplo de conceitos, como estão ligados um ao outro, como são utilizados. Iremos compreender melhor a relação entre as descobertas científicas e as inovações tecnológicas. Para compreender melhor a relação entre as descobertas científicas e as inovações tecnológicas é necessário distinguir suas definições e a seguir daremos alguns exemplos: -Ciência é o conjunto de conhecimentos organizado sobre os mecanismos de causalidade dos fatos observáveis, obtidos através do estudo objetivo dos fenômenos empíricos.(CARAÇA,1986) -Tecnologia é o conjunto de conhecimentos científicos ou empíricos diretamente aplicáveis a produção ou a melhoria de bens ou serviços.(REIS,2003) -Inovação é um lançamento no mercado, com sucesso, de um produto ou um serviço novo.(PROUVOST,1992) As inovações tecnológicas incluem novos produtos, processos e serviços e, também, mudanças tecnológicas em produtos, processos e serviços existentes. Uma inovação é implementada se for introduzida no mercado(inovações de produto) ou for usada dentro de um processo de produção(inovação de processo). Inovações envolvem então uma série de atividades científicas comerciais.(REIS,2003) tecnológicas, organizacionais, financeiras e Os elevados ritmos de inovação tecnológica obrigam a alterações nos procedimentos internos de gestão e a criação de rotinas organizacionais que facilitem a aquisição e endogenização empresarial de conhecimento tecnológico, bem como sua constante atualização.(REIS,2003) As inovações geram fenômenos dinâmicos na economia, tanto nos seus aspectos macro quanto microeconômicos. No plano macroeconômico, as inovações para serem efetivadas demandam a aplicação de recursos para investimentos produtivos. A implementação de novos processos de produção exige a realização de investimentos na esfera da produção. Portanto, uma nova onda de inovações gera uma onda de investimentos em tecnologia que ocorrem ao longo do tempo. Também é verdade que esse comportamento dos investimentos tecnológicos não é linear, mas sim oscilante, embora haja uma tendência de crescimento no longo prazo.(BARATELLI,1994) A inovação no fundo justifica as decisões de investir e iniciam uma fase de prosperidade dos ciclos econômicos. É dessa forma que as grandes inovações, que constituem novos paradigmas, transformam toda a realidade econômica e social. Quando arrefecer o dinamismo dessa onda de inovações, a realidade não será a mesma. Novos produtos surgiram, modificaram-se os padrões de produção e de consumo, são diferentes as necessidades de qualificação da mão-de-obra, as instituições também se modificaram etc. Nunca, após todo esse movimento, quando o paradigma se tornar maduro, a economia volta para o seu ponto de origem, anterior às inovações. Esse é um processo de constante transformação que não permite a volta ao passado.(CARNEIRO,1995) O bloco de inovações define um novo paradigma tecnológico que termina por se constituir em um padrão tecnológico que gera imposições para as empresas. Embora as empresas sempre tenham autonomia para definir suas estratégias tecnológicas, existem alguns elementos externos às empresas que reduzem o número de alternativas competitivas viáveis.(CARNEIRO,1995) A inovação de produto ou de processo permite que a empresa inovadora se diferencie das demais. Sendo mais produtiva, produzindo com menores custos, ou detendo produtos inovadores, a empresa consegue se apropriar de lucros gerados a partir dessa diferenciação. Funciona como uma espécie de renda de monopólio. Assim, a geração de assimetrias é um fenômeno natural quando se observa o processo de concorrência entre as empresas. Na concorrência as empresas buscam a sua diferenciação em relação a seus concorrentes, procurando a obtenção de lucros extraordinários.(PORTER,1993) A empresa inovadora, com maiores recursos advindos dos ganhos das inovações, passa a deter maior fôlego financeiro para a viabilização de outros projetos de P&D (pesquisa e desenvolvimento), podendo se lançar até em estratégias mais ousadas, mais ofensivas, na realização de atividades tecnológicas.(REIS,2003) Outras empresas que não foram as primeiras inovadoras tentam seguir o caminho destas, procurando não ficar muito defasadas em relação às líderes. Nesse sentido, podem buscar aprender com as estratégias de liderança, e a partir daí, com grande esforço inovador, procuram responder ao movimento das líderes, tentando acompanhar sua trajetória, porém promovendo diferenciações nos produtos e processos inovadores. Na medida em que nessa disputa pela liderança as empresas estiverem difundindo tecnologias e na medida em que conseguirem reduzir as assimetrias que existem entre elas, os lucros extraordinários tendem a cair. Ou seja, assim como a inovação gera lucros extraordinários, a difusão tende a anula-los. Por essa mesma razão, as empresas mais inovadoras não podem nunca parar de inovar, pensando que sua posição de liderança é duradoura.(REIS,2003) Dessa forma, a busca por inovação é permanente. Ela é inerente ao processo de concorrência entre as empresas e de acumulação de capital. Uma economia capitalista dinâmica e mais desenvolvida tem na inovação um de seus principais mecanismos de funcionamento. A forma de concorrência mais importante entre as empresas dessas economias é pela inovação, pela diferenciação possibilitada pela incorporação de progresso técnico, seja no campo das tecnologias de produto ou de processo de produção.(REIS,2003) Neste capítulo abordamos os conceitos de ciência,tecnologia e inovação e com os conceitos aprendidos já teremos um maior conhecimento para o estudo do próximo capítulo que é a inovação no contexto das pequenas e médias empresas onde destacaremos as vantagens e desvantagens da inovação no contexto das pequenas e médias empresas, saberemos como a inovação é de suma importância para as empresas se manterem bem no mercado. CAPÍTULO II A inovação no contexto das pequenas e médias empresas A inovação é de suma importância no contexto das organizações e neste capítulo mostraremos qual a sua importância no contexto das pequenas 10 e médias empresas. Iremos estudar as estratégias tecnológicas e os aspectos da competitividade, levantar e analisar os dados existentes em relação a inovação tecnológica nas pequenas e médias empresas, mostraremos as condições básicas para que a inovação seja o diferencial para alavancar a competitividade nas pequenas e médias empresas brasileiras. A realidade que as empresas no geral enfrentam com o mercado globalizado determina que suas estratégias sejam traçadas para a manutenção da capacidade competitiva e isso exige que se assumam riscos e atendam as necessidades de seus clientes, sejam consumidores finais ou empresas que necessitam do produto para dar continuidade em um processo. As pequenas e médias empresas estão inseridas nessa realidade e precisam definir o seu nicho de atuação, o caminho que desejam seguir e aonde querem chegar, para a sua própria sobrevivência. Às vezes, dependendo da região em que está inserida é melhor ser uma fornecedora para uma grande empresa do que competir com a mesma. Com isso as pequenas e médias empresas precisam desenvolver novas tecnologias para atender as diferentes realidades de seus clientes. Essas novas tecnologias necessitam passar pela avaliação constante de seus clientes, para saber se estão dispostos a pagar o preço do novo produto ou serviço. É preciso que o novo produto ou serviço gere lucros para se concretizar uma inovação tecnológica.(REIS,2003) Um ponto positivo das pequenas e médias empresas é a maior flexibilidade para atender clientes que necessitam de produtos em menor quantidade, ou seja, poder realizar a produção em baixa escala. Essa flexibilidade permite que possa responder prontamente às demandas de seu mercado, mediante a adaptação de seus produtos às mudanças empreendidas por seus clientes e ainda, seus equipamentos sendo menos especializados permitem que seja introduzida alterações e adaptações com mais facilidade.(KRUGLIANSKA,1996) Outra vantagem é que os serviços prestados pelas pequenas e médias empresas são mais ativos e rápidos, tem maior proximidade com os clientes e a eficiência é maior em função dos baixos custos indiretos. Elas podem eliminar mais facilmente os desperdícios, reduzir as atividades que não agregam valor, desenvolver um bom clima na organização e capacitar os recursos humanos. O resultado da implementação dessas estratégias traz resultados financeiros, consequentemente estão realizando inovações tecnológicas no processo produtivo.(KRUGLIANSKA,1996) Em função da menor disponibilidade de recursos para investimentos, principalmente em P&D e da produção em baixa escala, as pequenas e médias empresas evitam entrar em áreas que tenham essa necessidade. As pequenas e médias empresas procuram utilizar a sua estrutura mais enxuta para que seus colaboradores fiquem em contato direto com a estrutura administrativa e gerencial da empresa , facilitando a troca de idéias para o surgimento de novos produtos ou serviços ou melhoria no processo de produção. Vários fatores levam as empresas a buscarem novos processos e produtos, apesar das vantagens e desvantagens existentes, como já apontadas anteriormente. Todas as inovações geradas no ambiente da empresa é influenciada pelo mercado e pelos concorrentes e estas inovações ao serem introduzidas no mercado, acabam não só influenciando na posição da empresa como também no próprio mercado.(REIS,2003) No Brasil, as pequenas e médias empresas desempenham um papel muito importante na economia, porém não despertam um interesse concreto dos governantes do país para a elaboração de uma política voltada para o crescimento e desenvolvimento das mesmas. Este clima adverso associado a fragilidade do seu porte mais a concorrência com grandes empresas, exigem esforços de seus empreendedores para que consigam se manter competitivas e sobreviverem de forma sustentável na economia. Os processos inovativos, tanto no produto quanto no processo de produção, possibilitam às empresas um maior dinamismo, competitividade e lucratividade e é apontado por muitos pesquisadores como um caminho a ser trilhado pelas pequenas e médias empresas. Financeiramente, as pequenas e médias empresas como são ineficientes na emissão de títulos em bolsa de valores, se tornam obrigadas a depender de um crédito de curto prazo e com custos maiores se comparado às grandes empresas. Assim, suas posições financeiras são quase sempre inseguras devido à necessidade de elevados empréstimos que geralmente são a custos altos, pois somente pelo fato de serem menos líquidas ou mais vulneráveis frente às flutuações econômicas, correspondem a um maior risco aos credores, mesmo sendo idôneas. A vulnerabilidade destas empresas pode estar associada às taxas de juros praticadas no mercado, pois se houver uma elevação das taxas de juros, as primeiras empresas a serem eliminadas do mercado serão as pequenas e médias empresas devido à estreita diferença existente entre as taxas de juros e suas taxas de lucro. Por outro lado, uma redução das taxas de juros permitirá que as pequenas e médias empresas restaurem a diferença entre as taxas de juros e as suas taxas de lucros esperadas, o que as permitirá continuarem operando. (Steindl,1990) A intensa competição ocasionada pela globalização faz com que a eficiência e a produtividade passam a ser uma condição necessária para as empresas. Nesse sentido, as pequenas e médias empresas são aquelas que mais precisam e necessitam da inovação para alcançarem essa eficiência e produtividade exigida pela globalização a fim de se manterem no mercado, pois o resultado de uma inovação bem sucedida pode representar a liderança e até mesmo a sobrevivência de uma empresa. Dessa forma, uma empresa que não inova será sucumbida por aquela que, com os processos de inovação no produto, se diferencia no mercado, por meio de produtos mais atrativos para os consumidores.(Utterback,1994) As empresas que inovam seus produtos ou processos para se diferenciarem de seus concorrentes, se tornam mais lucrativas que outras empresas. Assim, mais uma vez, as pequenas e médias empresas, devido suas fragilidades, encontram na inovação uma solução para suas dificuldades pois isso as permitem obter um diferencial, não somente nas características do produto, mas também na produtividade e portanto, em sua lucratividade, o que lhes pode garantir um maior tempo de vida.(Dacorso,2000) Nas pequenas e médias empresas destacam-se apenas as inovações incrementais, descartando-se as inovações radicais e complexas. Para as pequenas e médias empresas esta ação é muitas vezes informal e flexível e por isso pode-se dizer que freqüentemente estas empresas inovam sem se dar conta que estão fazendo isso, sendo que são essas inovações, imperceptíveis, que as possibilitam sobreviver por mais tempo.(Dacorso,2000) A maioria das inovações nas pequenas e médias empresas decorre das necessidades, desafios ou oportunidades vivenciadas no cotidiano destas empresas. A oportunidade de atender a novos clientes, a ampliação do negócio existente ou mesmo a falta de capital para aquisição de um equipamento sofisticado “ilumina” o espírito inovador dos pequenos empresários no sentido de realizarem inovações incrementais no processo produtivo ou em um produto já existente, como forma de aumentar a lucratividade e assim, prolongar a sobrevivências das pequenas e médias empresas no mercado. A adoção de processos inovativos nas pequenas e médias empresas vem a ser a solução para suas fragilidades, pois permitem aumentar a lucratividade, consolidar a competitividade e com isso, promover a sobrevivência sustentável. A contribuição das pequenas e médias empresas para o surgimento de novas tecnologias e concretização de inovações tecnológicas já é realidade em toda a comunidade européia e no japão, 92% e 98% do total das empresas respectivamente, e vem assumindo um papel importante na economia brasileira. As pequenas e médias empresas crescem cada vez mais no Brasil sinalizando uma característica própria da postura empreendedora dos líderes de pequenos e médios negócios, que nascem e crescem impulsionados pela busca de criar, reinventar e descobrir. Inovar é entendido pelas pequenas e médias empresas como parte da estratégia de negócio e por conta disso, exige investimentos constantes. Aprendemos o quanto a inovação é importante no contexto das pequenas e médias empresas e com base no que vimos nesse capítulo veremos no próximo como são as estratégias tecnológicas nas empresas. Iremos analisar as barreiras de competitividade, os fatores que facilitam a competitividade, como são feitas as escolhas de sua estratégia competitiva. CAPÍTULO III As inovações nas empresas e suas estratégias tecnológicas Já vimos como a inovação é importante nas organizações e neste capítulo mostraremos também como são suas estratégias tecnológicas para o alcance de seus objetivos. Veremos como é abordado essa questão nas empresas e suas estratégias. Como são montadas as estratégias tecnológicas, qual o caminho a ser seguido. As empresas para encontrarem o seu espaço no mercado desenvolvem os mais diversos tipos de estratégias, que muitas vezes podem representar um resultado financeiro, seja com um produto que assume um comportamento agressivo no mercado em relação aos similares, seja como uma prestadora de serviços ou até mesmo uma fornecedora de um produto que fará parte do processo produtivo de uma grande empresa. Essa realidade exige que as empresas ofereçam qualidade e preço compatível. Além de uma vigilância constante para atender as necessidades de seus clientes e saber o que está sendo feito por seus concorrentes. No Brasil, a política tecnológica entrou formalmente na agenda governamental nos anos 1970. Durante a década de 1990 houve uma profusão propostas relativas a política tecnológica no Brasil orientada para a inserção competitiva da economia no mercado mundial. A capacidade tecnológica se acumula não apenas em equipamentos e software(capital fisico) e nas mentes de profissionais(capital humano), mas principalmente no sistema organizacional de empresas e indústrias onde é gerada e usada(capital organizacional). 19 Logo, a capacidade tecnológica não pode ser 'transferida' automaticamente de uma economia industrializada para uma emergente. Estratégias industriais que enfocam os elementos mais visíveis da capacidade tecnológica - oferta de capital humano e sistemas físicos - sem o desenvolvimento do capital organizacional, conduzem a resultados pífios em termos de inovação e produtividade. Este é o novo contexto de competição das empresas, que tentam, em primeiro lugar, buscar a sobrevivência. E sobrevivência das empresas significa cada vez mais aprender a aprender, através de atividades de captação, assimilação e utilização do aprendizado, de forma permanente. Virou uma obsessão! Precisamos ter uma empresa inteligente, ágil e flexível, atuando como um organismo vivo e pró-ativo. É neste panorama que surge a oportunidade para a pequena empresa, pois, apesar de ser mais frágil, a empresa de pequeno porte conta com a vantagem de ter a capacidade de reagir mais rapidamente neste novo contexto de mudanças constantes, onde o fazer é sinônimo de aprender. No Brasil, a classificação do porte das empresas segue a caracterização pelo número de colaboradores permanentes, com alguns ainda incorporando o fator nível de faturamento. (KRUBLIANSKAS, 2008) As empresas de pequeno porte no Brasil são responsáveis por: • cerca de 4 milhões de empresas constituídas; • 60% da oferta total de empregos formais; • 42% dos salários pagos; • 21% da participação no PIB; • 96,3% do número de estabelecimentos. Diferentemente do papel desenvolvido pelas empresas de pequeno porte no modelo anterior de substituição de importações, no modelo em que se busca competitividade, as pequenas empresas passam a ser elos importantes das cadeias produtivas que buscam a competitividade empresarial brasileira. Competitividade é o desafio, na década de 90, para as empresas de pequeno porte. Podemos mesmo afirmar que a competitividade das pequenas empresas brasileiras é essencial ao desenvolvimento do país. E as empresas de pequeno porte passam a ter presença marcante em diferentes cadeias produtivas, na forma de fornecedores terceirizados e quarteirizados de grandes empreendimentos produtores de bens intermediários e finais, além de atuar como fornecedores de pequenos lotes em nichos de mercado ou em mercados especializados. A pequena empresa passa a ser vista como um parceiro eficiente e eficaz no processo produtivo, a partir de suas características básicas. De forma a termos uma visão da especificidade da pequena empresa quanto à capacitação tecnológica. Daí se destacar a relevância da inovação e capacitação tecnológica para a sobrevivência das empresas de pequeno porte. Pode-se afirmar que a geração de novas oportunidades de trabalho será extremamente sensível à tecnologia, que reformula os padrões de alocação de recursos de capital e trabalho para a produção de bens e serviços. A vocação natural da pequena empresa é aplicar tecnologias existentes de forma original em novos produtos e serviços. Isto decorre de a atitude da empresa de pequeno porte ter baixa atuação em PD&E, que, neste caso, é fruto direto de problemas de escala e de sua capacidade de investimento. Uma Recente pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria, a pedido do Ministério da Ciência e Tecnologia, concluiu que a maioria das micro e pequenas empresas brasileiras está na contramão da economia mundial no que diz respeito à inovação tecnológica. Só 6% das micro e 14% das pequenas empresas investem mais de 5% do seu faturamento em inovação, atividade vital para a manutenção da competitividade. Vê-se que a problemática das empresas de pequeno porte está sendo colocada timidamente no campo dos estudos de gestão da inovação e de estratégia tecnológica. A ênfase dada, tradicionalmente, a algumas características das empresas de pequeno porte rotulou-as como receptoras passivas e episódicas de tecnologia. Emerge, a partir da década de 80, um interesse no sentido de incorporar as empresas de pequeno porte como atores dinâmicos no processo de inovação tecnológica. Tal fato se deve ao esgotamento do modelo de produção fordista, segundo o qual o crescimento econômico estava baseado em grandes empresas, intensivas em capital, com significativas economias de escala, forte capacidade interna de P&D e situação predominante de oligopólios de mercado. Hoje, as empresas de pequeno porte são vistas como agentes de difusão das novas tecnologias e das inovações, sendo que elas têm necessidade de ser apoiadas por medidas adequadas, para fortalecer e ampliar a sua capacitação tecnológica e seu potencial inovador. Timidamente, nas últimas duas décadas, surgiram instrumentos de apoio à capacitação tecnológica das empresas de pequeno porte no Brasil. O que se percebe é a existência de demanda concreta e crescente para instrumentos de apoio à capacitação tecnológica da pequena empresa. Facilitar o acesso da pequena empresa às informações de oportunidades de negócio, fornecedores (matérias-primas, equipamentos, tecnologia, serviços tecnológicos etc), fontes de tecnologia, mercado, comércio internacional, especificações de mercado comprador, legislação etc. Neste aspecto, é fundamental o processo de democratização do acesso à informação, incluindo os pontos referentes à adequação de linguagem ao público-alvo e aos modos de comunicação. Neste capítulo vimos como são as estratégias tecnológicas que as empresas buscam para se colocar bem no mercado. Como já sabemos que a inovação é de suma importância para as empresas e como são feitos as estratégias tecnológicas para alcance dos objetivos,no capítulo seguinte veremos a inovação tecnológicas onde são citados alguns casos tanto de inovação tecnológica radical como de inovação tecnológica incremental e também citaremos alguns exemplos de estratégias de inovação. CAPÍTULO IV A inovação tecnológica e alguns casos Neste capítulo veremos casos de inovação tecnológica onde pode ser incremental ou radical. Falaremos da diferença entre incremental e radical. A inovação incremental está relacionada a pequenas melhorias no produto, processo ou serviço, enquanto a inovação radical cria um novo produto, processo ou serviço podendo até mesmo eliminar o existente anteriormente de função similar. As inovações incrementais não surgem unicamente através de atividades de P&D; mas também através de melhorias propostas pelos próprios funcionários pela observação que realizam durante a execução de um processo ou produto ou pelos seus utilizadores, enquanto a inovação radical geralmente é resultado de atividade de P&D. A inovação tecnológica, ou seja, a introdução no mercado de um novo produto ou novo processo, é uma atividade que não envolve somente o setor de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de uma empresa e, tampouco, é uma atividade realizada unicamente por grandes corporações" Hoje, as empresas devem criar redes, desenvolver parcerias e aceitar idéias externas, vindas de outras empresas ou da universidade. A troca de idéias e o trabalho realizado em parceria nesse ecossistema, favorece as pequenas e médias empresas, que podem fornecer produtos, desenvolver P&D para empresas maiores e, desse modo, conquistar um pequeno nicho de mercado. "Não precisa ser grande para ser bom” A inovação tecnológica é toda a novidade implantada pela empresa, por meio de pesquisas ou investimentos, que aumenta a eficiência do processo produtivo ou que implica em um novo ou aprimorado produto. Assim, muita coisa pode ser definida como inovação tecnológica. Essas inovações estão divididas basicamente entre produtos e processos. É possível perceber que a inovação tecnológica deve estar ligada à implementação de produto e/ou processo novo (ou substancialmente aprimorado) para a empresa, não sendo, necessariamente, novo para o mercado ou para o setor de atuação da empresa.. As inovações tecnológicas envolvem a criação de novos produtos, processos ou serviços e provoca mudanças que pode ter caráter incremental ou radical. Diversos produtos perderam parcialmente ou totalmente seu espaço no mercado, a seguir se apresentam alguns casos de inovação tecnológica radical e de inovação tecnológica incremental. a)Inovação tecnológica radical: ü o ferro de passar roupa utilizando brasa foi substituído pelo ferro elétrico; ü o fogão utilizando lenha foi substituído pelo fogão a gás; ü a máquina de escrever foi substituída pelo computador acoplado a uma impressora; ü o telegrafo foi substituído pelo fax, e este está sendo substituído pelo correio eletrônico com a utilização do computador associado a internet; ü os sistemas de cadastro dos clientes feitos em ficha e hoje é em banco de dados computadorizados; ü os sistemas de freios dos veículos de passeio que era composto por lona e hoje são pastilhas ou discos; ü o aparelho de televisão preto e branco pelo aparelho de televisão em cores; ü a ficha telefônica foi substituída pelo cartão telefônico; ü as fraldas de pano estão sendo substituídas pelas fraldas descartáveis; ü o relógio a corda foi substituído pelo relógio automático ou a bateria; b)Inovação tecnológica incremental: ü o serviço de autenticação que era realizado através de códigos numéricos e hoje é utilizado o código de barras com leitor óptico; ü as maquinas fotográficas que utilizam filme estão sendo substituídas pelas máquinas fotográficas digitais; ü dinheiro feito de papel está sendo substituído pelo dinheiro feito de plástico; ü retroprojetor está sendo substituído pelo canhão de projeção multimídia; ü aquecedores elétricos estão sendo substituídos pelos aquecedores solares; ü a geladeira foi incrementada em relação a produção de gelo para gelo seco; ü a pipoca que utiliza a panela foi incrementada para estourar em forno de microondas; ü os eletrodomésticos de uma forma em geral passaram por mudanças incrementais em seus produtos ou processos; ü os disquetes de alta intensidade estão sendo substituídos pelo cd utilizando o gravador de CD; Tantos outros produtos,processos ou serviços não citados também mudaram radicalmente ou somente incrementaram. Os exemplos citados apresentam situações em que a mudança incrementou um processo existente ou que inovou radicalmente eliminando do mercado o produto ou processo. Algumas inovações que hoje estão classificadas como incrementais provavelmente no futuro serão consideradas como radicais, pois devido ao custo elevado e produção em baixa escala não é tão acessível aos clientes, mas que poderá reduzir o custo e aumentar a produção eliminando o produto anterior a essa tecnologia. O aparelho de televisão em cores que inicialmente apresentava um custo elevado, por isso poucos adquiriam esse produto, mas que com o tempo os custos se reduziram e é possível encontrar nas residências mais humildes. Outro fato importante a destacar é que num mesmo produto ou processo pode ocorrer uma mudança radical e algumas mudanças incrementais, pode também citar o caso do aparelho de televisão com os mais diversos recursos(sleep, timer, som stereo, video acoplado). A inovação em produto é classificada como incremental ou radical. A primeira delas ocorre quando uma mercadoria já existente recebe melhorias e ganha novo valor de mercado. Um fabricante de celulares implementa uma inovação incremental a partir do lançamento de novos aparelhos com design 24 mais moderno e novas funções. Já a inovação radical refere-se à criação de um produto completamente novo. Em algumas situações, a nova mercadoria leva ao desuso de outra que exercia função semelhante. Foi o que aconteceu com o DVD, que substituiu o videocassete. Em outros casos, a nova invenção coexiste com a antiga. O lançamento da televisão, por exemplo, diminuiu as vendas de rádios, mas o aparelho não se tornou obsoleto. Os processos de produção também podem passar por inovações incrementais e radicais. No programa de rádio do dia cinco de agosto da Rede de Conhecimento Faça Diferente, você ouviu a história do empresário Mâncio Mártires, morador do Pará. O empreendedor foi um dos pioneiros a cultivar e a industrializar, no Brasil, a planta carauá, usada por índios para fazer cordas. O material passou a servir de matéria-prima para a fabricação de pára-choques, painéis e forros de carros. Com o objetivo de tornar a empreitada possível, Mâncio abriu o negócio dentro da incubadora de empresas do Centro de Ensino Superior do Pará, onde se dedicou à pesquisa na área de biotecnologia. As incubadoras facilitam a criação de produtos inovadores porque, primeiramente, reduzem as dificuldades dos empresários novatos, que podem se concentrar mais no desenvolvimento de tecnologias. Mediante o pagamento de mensalidade, as empresas incubadas são montadas dentro da estrutura física da incubadora. Despesas com energia e aluguel, por exemplo, são reduzidas. Além disso, essas instituições fornecem cursos sobre gestão, estratégia de vendas, atendimento ao cliente, administração, legislação, etc. Com menos preocupações, os empreendedores sentem-se mais criativos e motivados para inovar. Além disso, as incubadoras fortalecem a proximidade entre empresários e pesquisadores, que podem trabalhar juntos no desenvolvimento de tecnologia. As empresas ficam incubadas, em média, por dois anos. Depois desse período, o empreendedor que adquire confiança no produto criado e já coleciona clientes deixa o confortável ambiente da incubação para encarar o mercado sozinho. É importante distinguir as inovações incrementais e as radicais. As inovações incrementais são introduzidas continuamente na produção como resultado da formação tecnológica, pouco exigentes em termos de novos conhecimentos técnico-científicos. O conhecimento existente é, em geral, suficiente para o desenvolvimento da inovação. Por outro lado, as inovações radicais e revolucionárias estão incluidas nas tecnologias avançadas, necessitando de novos conhecimentos técnicos-científicos. Por exemplo, o desenvolvimento dos primeiros aviões no início do século XX, por Santos Dumont e os irmão Wright. Com relação à introdução de inovações tecnológicas incrementais nas pequenas e médias empresas, a experiência tem mostrado que o trabalho, em sua grande maioria (exceto as PME de base tecnológica), é realizado a partir de tecnologias existentes. Este fato não envolve grandes limitações em termos da disponibilidade de conhecimentos originários da pesquisa básica e depende muito mais da adoção de práticas adequadas de gestão e de estratégias de formação tecnológica. A inovação depende da estratégia da gestão; capaz de antecipar necessidades, monitorar a tecnologia, controlar custos da promoção de flexibilidade - da cooperação com centros exteriores de conhecimento - da formação contínua, entre outros.(ANDREASSI, 2006) Produtos, serviços e processos extremamente inovadores muitas vezes nascem de ideias que, a princípio, podem parecer um pouco mirabolantes. Se a proposta não causa tanto entusiasmo, talvez ela não seja tão inovadora assim. Pegue o exemplo dos jet skis. Antes da década de 70, a imagem de uma moto que funciona sobre a água poderia parecer absurda. Mas, o fato de a ideia causar a reação de surpresa, e até um pouco de ceticismo, pode significar, simplesmente, que ninguém havia pensado nisso antes. Esse insight dá a empreendedores que apostam na inovação a chance de lançarem um produto completamente original e de se tornarem líderes de mercado. É fundamental que um empreendedor, faça uma pesquisa para garantir que os consumidores comprarão seu produto. Uma invenção só é inovadora quando conquista clientes e traz lucros à empresa. Não adianta investir na produção de um objeto muito original, mas que não atrai a clientela. Em vez de lucro, o empresário terá que arcar com prejuízo. A Inovação Incremental é a base da grande maioria das inovações desenvolvidas pelas empresas. Recorrendo muitas vezes ao próprio conhecimento da organização, permite pequenos melhoramentos mas impede que o output final do processo de inovação seja algo considerado como novo. Este tipo de inovação está associado a empresas cuja orientação para o mercado é muito forte, e que procuram entregar aos seus consumidores aquilo que eles procuram no imediato. Já a Inovação Radical é a inovação disruptiva, a base da inovação das empresas que estão orientadas mais para a tecnologia/produto e menos para o cliente. Este tipo de inovação, que recorrer fundamentalmente a novo conhecimento, está associado a maiores riscos mas a maiores retornos. A Inovação Radical permite a destruição de mercados antigos e a criação de novos mercados, sendo por isso uma "arma" que todas as organizações devem considerar aquando da sua definição de política de inovação, mas que devem estar conscientes que é difícil atingir ou superar o ROI (Return on Investment) desejado. A escolha de qualquer uma das estratégias de inovação congrega grandes dilemas para uma organização, pelo que as mesmas devem recorrer muitas vezes a ajuda externa, nomeadamente de especialistas para desenharem o melhor processo para atingir os seus objetivos. Em setores de alta tecnologia, a atividade de P&D possui um papel central entre as atividades de inovação, enquanto outros setores fiam-se em maior grau na adoção de conhecimento e de tecnologia. Diferenças na atividade de inovação entre setores (por exemplo, se as inovações são principalmente incrementais ou radicais) também posicionam diferentes demandas na estrutura organizacional das empresas, e fatores institucionais como regulações e direitos de propriedade intelectual podem variar bastante no tocante a seu papel e importância. É essencial considerar essas diferenças para o delineamento de políticas. Elas são também importantes para a mensuração, quando são coletados dados que permitem a análise entre setores e regiões e quando se assegura que uma estrutura de mensuração é aplicável a um amplo conjunto de indústrias. Aprendemos neste capítulo a diferença entre inovação tecnológica radical e incremental, vimos casos concretos de ambas e no próximo capítulo veremos como é a inovação tecnológica nas industrias brasileiras. Iremos aprender como é a inovação de produtos e processos, referenciais da inovação em relação a empresa e o mercado nacional ressaltando os principais problemas e obstáculos apresentados pelas empresas para inovar. 31 31 CAPÍTULO V Inovação tecnológica das industrias brasileiras Neste capítulo iremos mostrar como é importante a inovação tecnológica nas industrias brasileiras, como funcionam, qual o crescimento que obteve, qual o grau de importância da inovação para as indústrias brasileiras, a dificuldade que as empresas encontram para inovar, qual o caminho a ser seguido, como é a competitividade nas empresas. Um consenso predomina entre os atores envolvidos com o desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil: a indústria brasileira precisa de mais inovação. A agenda para isso também não apresenta muitas divergências. Mas, para desencadear um surto de inovação na indústria brasileira o país precisará de mecanismos apropriados de seleção de setores e projetos prioritários. É importantíssimo a consolidação de um consenso em relação à agenda prospectiva empresarial relativa à tecnologia industrial. "É extraordinário que a indústria tenha a iniciativa de discutir inovação, mostrando a relevância do tema e se mobilizando para trocar experiências com os envolvidos. Há um claro consenso em relação ao diagnóstico geral do que deve ser feito em relação à inovação na indústria. "O difícil é operar isso concretamente, porque, para tanto, é preciso fazer seleções. Ao contrário das políticas universais -, como saúde pública ou educação fundamental - a política industrial e tecnológica precisa escolher quais são os setores e projetos prioritários. A dificuldade é passar do consensual para o operacional. "Quando se escolhe um local para implantar um centro de pesquisa, todos os que não foram contemplados podem não gostar da seleção. Há absoluto consenso sobre a agenda, mas os problemas estão nos detalhes. O Brasil não tem mecanismos legítimos para tomada de decisão consensual e precisa de uma espécie de engenharia institucional. "Vivemos em um impasse em que o aparato institucional não está desenhado para se tomar decisões, apesar desse extraordinário consenso. A agenda emergencial inclui o reforço das leis existentes, revisão do marco regulatório, aplicação de novos modelos e maior determinação na aplicação da Lei de Inovação. Em médio prazo, a agenda teria ainda a reforma do Estado, novas formas de parcerias público-privadas (PPP), consolidação dos marcos regulatórios e ordenamento constitucional. Os segmentos interessados em desencadear um surto de inovação poderiam se inspirar na mobilização das empresas para uma reengenharia da qualidade, ocorrida a partir do fim da década de 1980 como reação à abertura dos mercados. "É um exemplo de que um setor sempre avança quando sua relevância se torna consenso na sociedade. Embora haja consenso sobre a necessidade de inovação na indústria brasileira, ainda não sentimos diretamente o impacto da falta de um sistema bem estabelecido. "No caso do sistema de qualidade, a abertura do mercado praticamente forçou a adaptação. No caso da inovação,a "água ainda não chegou no nariz". O sistema nacional de inovação ainda precisa de divulgação. Segundo ele, as possibilidades dos instrumentos e leis de inovação ainda são pouco conhecidas mesmo entre empresários. Há uma grande necessidade de incorporar mais especialistas das ciências sociais aos processos de inovação. Eles têm muito a contribuir nas análises de riscos e nas leituras da percepção pública em relação aos produtos do desenvolvimento tecnológico. Os investimentos na indústria nacional cresceram 133% nos primeiros três meses deste ano, em relação a igual período do ano passado. Época em que as empresas paralisaram quase totalmente os investimentos, por causa da falta de crédito determinada pela crise econômica mundial. A grande maioria dos investimentos se deu em inovação tecnológica, citando números da primeira edição da Sondagem de Inovação, elaborada pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para monitorar o que vem sendo feito em pesquisa e desenvolvimento (P&D) pelas grandes empresas industriais do país, com mais de 500 trabalhadores. Segmento que engloba 1.650 indústrias, responsáveis por cerca de 75% das aplicações em P&D no parque fabril. Essas empresas formam o “núcleo mais dinâmico da indústria nacional”, e as expectativas de investimento em inovação sinalizam um cenário positivo para o Brasil, de acordo com o que revela a pesquisa, feita com 300 grandes empresas, nos meses de abril e maio. O levantamento constatou que 71,4% das empresas pesquisadas investiram em inovação, de janeiro a março deste ano. O mais promissor é que a sondagem obteve mais respostas positivas, ainda, quanto à perspectiva de aumento de investimentos no trimestre seguinte, de abril a junho. Nada menos que 74,3% dos entrevistados se mostraram propensos a investir em máquinas, equipamentos e em inovação tecnológica no segundo trimestre, e isso reafirma a existência de um “cenário bastante favorável” para o país. Em destaque está que quase metade das empresas pesquisadas (48,5%) lançaram produtos novos para a própria empresa e 18,1% fizeram lançamentos para o mercado nacional. Esses indicadores mostram, segundo ele, o bom momento do setor produtivo, associado à expectativa de crescimento da economia e do aumento da renda. Apesar do crescimento das exportações brasileiras nesta década, é pertinente questionar: por que o desempenho do setor industrial não foi tão bom quanto o do setor primário? A resposta não está na taxa de câmbio, porque, os preços subiram mais do que a apreciação do real. Uma razão plausível é que a indústria brasileira ainda não superou inteiramente uma distorção que vigorou no País durante a época da substituição de importações: as taxas de crescimento econômico eram elevadas, mas as empresas privadas não inovavam. De fato, até o final dos anos 80, os investimentos em tecnologia eram realizados essencialmente por órgãos públicos. A origem desse fenômeno é conhecida e bem documentada na literatura econômica: empresários só inovam quando essa é a única estratégia viável para manter a sobrevivência da empresa, e ela só será adotada após terem sido esgotadas outras alternativas menos onerosas, como o acesso privilegiado a recursos públicos e a eliminação da concorrência por meio de barreiras comerciais ou institucionais. Não obstante a reforma comercial do governo Fernando Collor, vários segmentos do mercado brasileiro permaneceram imunes à competição externa. Nesses segmentos, portanto, os incentivos à inovação tecnológica continuaram incipientes. Na verdade, o coeficiente de penetração das importações de bens manufaturados, que atualmente é inferior a 18%, é um dos mais baixos do mundo. Não há nenhuma justificativa racional para esse fato. Apenas a influência política das empresas protegidas. Uma taxa de câmbio apreciada penaliza, sem dúvida, as indústrias que operam com tecnologias difundidas e cujos níveis de eficiência estão aquém dos padrões internacionais. Uma eventual desvalorização pode favorecer tais setores, mas será inútil para enfrentar o principal obstáculo ao crescimento das exportações de manufaturados, que reside no precário desempenho inovador da indústria brasileira. Além disso, cabe lembrar que a combinação entre apreciação cambial e preços crescentes de exportação produz um benefício importante para o País, que é a elevação do índice dos termos de troca da economia. Esse índice mede a relação entre os preços dos produtos exportados e importados e expressa, por conseguinte, o poder de compra da moeda nacional. Entre 1990 e 2009, essa relação subiu 40%. Os ganhos de bem-estar advindos dessa melhoria incluíram salários reais crescentes ao longo de 20 anos, barateamento relativo dos bens importados e a superação gradual de uma restrição que havia marcado a economia brasileira desde a década de 1930: a vulnerabilidade externa. Outra consequência relevante foi o fortalecimento da competitividade internacional das empresas brasileiras que possuem filiais em outros países. Segundo dados do Banco Central, em 2006 os investimentos diretos no exterior superaram, pela primeira vez na história, o fluxo de entrada de capitais estrangeiros no País. E, em 2008, o estoque daqueles ativos alcançou a cifra de US$ 80 bilhões. Na verdade, além do investimento direto, vários outros fatores sustentaram o desempenho exportador do Brasil nos últimos anos, como a exploração de economias de escala, a diferenciação de produtos e a capacidade de influir nos preços internacionais. O único instrumento que ainda precisa ser mais explorado é a inovação tecnológica. Em suma, a escolha entre desvalorização cambial e incentivos à inovação implica dois conjuntos distintos de beneficiários. De um lado estão aquelas empresas que não conseguem acompanhar o ritmo de progresso técnico internacional. De outro, o resto da Nação. A inovação está se dando por pressão dos consumidores, obrigando a indústria a aprimorar seus produtos"Há um forte crescimento da indústria. "O nível de uso da capacidade instalada está batendo em um nível de 83%, 84%, o que dispara os investimentos. É importante que a inovação entre de vez na agenda dos empresários. Há uma mobilização nacional pela inovação, que estimula a criação de núcleos de uma forma capilarizada em federações e associações". O desafio agora é que os núcleos espalhados pelo país se tornem um sistema empresarial de inovação capaz de ser um contraponto ao sistema estatal ligado ao setor acadêmico. "Os empresários não precisam apenas valorizar a inovação. Precisam passar a ser parte na gestão dos recursos do País direcionados para isso. O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) publicou um edital para incentivar a inovação tecnológica no setor industrial. A entidade apoiará empresas que pretendem investir em projetos de pesquisa aplicada ou experimental. O objetivo é promover esses estudos nos Departamentos Regionais (DR) do Senai em parceria com empresas, para o desenvolvimento de processos e produtos inovadores. É de suma importância a cultura de inovação na indústria brasileira. A inovação é o item mais importante de uma empresa, devido à competição cada vez mais acirrada no mercado de trabalho. Você deve ser diferente. A FIRJAN promove a inovação tecnológica, como por exemplo, a Caravana Tecnológica, que leva até o Interior do Brasil informações sobre financiamentos para projetos inovadores. “As iniciativas da FIRJAN são de extrema relevância, já que possibilita que o pequeno empresário se modernize e se torne mais competitivo no mercado. A FIESP Incentiva e promove o desenvolvimento da indústria, através de ações estratégicas em informação, inovação tecnológica, transferência de tecnologia. Para atingir estes objetivos é necessário: *Atuar como elo de ligação entre fontes de informação tecnológica e o setor produtivo; *Identificar parceiros potenciais (internos e externos) e oportunidades de desenvolvimento de trabalhos cooperativos, atuando de forma incisiva no processo de estruturação de políticas tecnológicas industriais; *Influenciar nas políticas tecnológicas industriais, junto a órgãos de governo, fóruns de ciência e tecnologia, entidades de representação e fomento. *Viabilizar projetos de inovação tecnológica integrando universidades, centros de P&D e empresas; *Implementar canais de contato com as Diretorias de Ação Regional e com sindicatos patronais associados; Vários estudos demonstram que a indústria é o principal acelerador do crescimento do PIB. Países com experiências bem-sucedidas de desenvolvimento possuem uma forte base industrial, capaz de contribuir com o crescimento da produtividade e da renda na economia. A competitividade de um país é a capacidade de criar as condições para que as empresas façam crescer o bem-estar de seus cidadãos relativamente ao bem-estar dos cidadãos de outros países. Crescimento de produtividade é essencial ao sucesso econômico de longo prazo, porque cria um círculo virtuoso em direção à atividades de maior valor agregado. Esse crescimento depende em larga escala de diversos fatores, como investimentos,inovação, tecnologia, capital humano e inserção internacional, entre outros. No processo altamente competitivo da economia atual, é fundamental identificar e comparar os nossos pontos fortes e fracos. Só conhecendo profundamente o contexto de cada empresa e setor é possível direcionar as ações estratégicas da indústria. É importantíssimo as atividades de inovação tecnológica das empresas brasileiras principalmente na indústria, comparáveis com as informações de outros países. A PINTEC tem como foco uma pesquisa sobre os fatores que influenciam o comportamento inovador das empresas, sobre as estratégias adotadas, os esforços empreendidos, os incentivos, os obstáculos e os resultados da inovação. Os resultados agregados da pesquisa permitirão: às empresas avaliar o seu desempenho em relação às médias setoriais; às entidades de classe analisar a conduta tecnológica dos setores; e aos governos desenvolver e avaliar políticas nacionais e regionais. As informações de sua empresa são essenciais para o conhecimento das atividades tecnológicas da indústria e dos serviços de telecomunicações, informática e pesquisa e desenvolvimento brasileiros. Como o termo inovação tem múltiplas significações, uma pesquisa desta natureza requer que as entrevistas sejam assistidas, ou seja, realizadas por um técnico do IBGE, de modo a assegurar a uniformidade dos resultados. 39 Conclusão As empresas brasileiras estão inseridas no contexto do mercado globalizado e necessitam encontrar os mecanismos para continuarem sendo competitivas. A legislação tem participação importante para que as empresas possam encontrar seu espaço nesse mercado. As pequenas e médias empresas, em especial, tem sua própria legislação e é amparada pela constituição, por seu estatuto e pelas resoluções do Grupo Mercado Comum do Sul(Mercosul). As alterações ocorridas nas legislações no final do século XX e nas novas regulamentações mostram que essas mudanças são inovações que contribuíram para que essas empresas, também pudessem sobreviver e manter-se competitiva, já que representam a maioria no universo empresarial e a sua sobrevivência é de suma importância para o cenário econômico brasileiro. As pequenas e médias empresas precisam utilizar essa legislação que oferece certo incentivo e o seu ambiente empresarial mais enxuto e flexível para definir o seu campo de atuação, o caminho que querem seguir e aonde querem chegar, assim podem obter vantagem competitiva em relação ao processo de inovação e a efetivação de um produto com um custo mais baixo e podendo torná-lo uma inovação no futuro. A participação dos clientes, também é importante para essas empresas, pois é preciso conhecer suas necessidades e verificar se estão dispostos a pagar o preço de um novo produto ou serviço. As inovações tecnológicas ocorridas no século XX, tanto radical como incremental mostram que as empresas devem estar atentas as inovações tecnológicas para acompanhar as possíveis inovações radicais em um futuro próximo. Outro aspecto abordado no trabalho se refere as estratégias de inovação utilizadas pelas empresas para obterem vantagem competitiva e resultado financeiro, que pode ser através de um produto que assume um comportamento agressivo no mercado em relação aos similares, seja como uma prestadora de serviços ou até mesmo uma fornecedora de um produto que fará parte do processo produtivo de outra empresa. A estratégia escolhida pela empresa depende da realidade a qual está inserida e pode ser determinante para a sua sobrevivência. Pode-se constatar que a dimensão de uma empresa não é fator determinante para a capacidade de invenção e inovação de um produto, pois depende da diversidade de componentes, o número de especialistas que estarão envolvidos e de equipamentos necessários para essa produção. A ressalva que pode ser feita é em relação a inovação de um processo, pois as pequenas e médias empresas podem obter maior sucesso, em função da quantidade de recursos humanos envolvidos, maior flexibilidade, concentração de esforços e a comunicação interna. A quantidade de inovações existentes nas pequenas e médias empresas e nas grandes empresas depende, primeiramente do setor produtivo em questão, pois as pequenas e médias não dispõem de recursos suficientes para se aventurar, geralmente estão em setores que exigem menores recursos financeiros, e contribuem para melhoria de produto ou processo e, muitas vezes são parceiras de grandes empresas. É importante destacar que a inovação é o caminho que as empresas, independente de seu porte, necessitam seguir para continuarem sendo competitivas no mercado, pois a tendência para o futuro é que as empresas que não inovarem certamente perderão espaço no mercado tão competitivo que vivemos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARNEIRO, A . Inovação: estratégia e competitividade. Lisboa: Texto, 1995. CARAÇA, J.M.G Ciência e tecnologia. In: portugal contemporâneo – problemas e perspectivas, INA: Oeiras: 1986, p. 333-350. DAHAH, S.S. et. Al. Competitividade e capacitação tecnológica para pequena e média empresa. Salvador: Casa da qualidade, 1995. DOMINGOS, G.A. A importância das micro e pequenas empresas. Estudos SEBRAE/SP. São Paulo nov. Dez. 1995. p 43-48 KRUGLIANSKAS. I. Tornando a pequena e média empresa competitiva: como inovar e sobreviver em mercados globalizados. São Paulo: IEGE, 1996. PORTER. M. Estratégia competitiva: técnicas para análise de indústria e da concorrência. 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