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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
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A INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAL PARA ALAVANCAR A
COMPETITIVIDADE NAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
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Por: Bruno Silva Costa
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Orientador
Profª Aleksandra Sliwowska
Rio de Janeiro
2010
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
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COMPETITIVIDADE NAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS
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Apresentação
Candido
de
Mendes
monografia
como
à
requisito
Universidade
parcial
para
obtenção do grau de especialista em Gestão de
Negócios Inovadores.
Por: Bruno Silva Costa.
AGRADECIMENTOS
A DEUS, a minha esposa, meu filho,
família, aos meus amigos, parentes e a
todos os meus professores que sempre
me ajudaram diante do desafio que é
adquirir conhecimento.
DEDICATÓRIA
A minha família e aos meus amigos,
que diretamente ou indiretamente
participaram deste trabalho.
4
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo mostrar a questão da inovação no
contexto das Pequenas e Médias empresas, destacando alguns fatores que
são determinantes para que possa obter melhores resultados nesse mercado
competitivo e globalizado. A investigação foi conduzida na forma de revisão de
literatura na qual foram consultados: livros, dissertações, monografias, artigos
científicos e Internet. Para fundamentar a proposição que a inovação pode
alavancar a competitividade nas pequenas e médias empresas foram
abordados: critérios de classificação das empresas brasileiras; conceitos de
ciências, tecnologia e inovação. Inovação nas empresas; casos de inovação
radical e incremental; exemplos de estratégias tecnológicas; aspectos
importantes para a competitividade; inovações da legislação e inovação
tecnológica das indústrias brasileiras. Também são apresentados diversos
exemplos de inovações tecnológicas radicais que servem para alertar as
empresas em relação à vigilância de mercado para que o produto ou serviço
oferecido não se torne obsoleto. Constatou-se nesta pesquisa que a legislação
desempenha um papel importante, pois os incentivos fiscais para as pequenas
e médias empresas proporcionam o oferecimento de produtos ou serviços mais
competitivos no mercado. Concluiu-se, portanto, que as pequenas e médias
empresas precisam estimular o processo de inovação em seu ambiente e que
devem escolher uma estratégia de inovação adequada a sua realidade. A
pesquisa apontou que as empresas, independente de seu porte, necessitam
desencadear o processo de inovação para continuarem sendo competitivas no
mercado.
METODOLOGIA
A monografia foi elaborada a partir de pesquisa bibliográfica, como
leitura de livros, informativos, revistas especializadas e artigos técnicos. Além
disso, foram realizadas pesquisas em web sites que tratam do assunto
proposto.
6
SUMÁRIO
7
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO I - Ciência, tecnologia e inovação:conceitos
CAPÍTULO II - A inovação no contexto das PMEs
08
10
14
CAPÍTULO III – As inovações nas empresas e suas estratégias tecnológicas 19
CAPÍTULO IV – A inovação tecnológica e alguns casos
24
CAPÍTULO V – Inovação tecnológica das industrias brasileiras
32
CONCLUSÃO
40
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
42
INTRODUÇÃO
A algum tempo atrás a estrutura organizacional das empresas estão
em um grande processo de mudança exigindo cada vez mais a inovação.
No inicio do século XXI, as instituições divergem com questões de
competitividade. Isso quer dizer a capacidade delas em desempenhar suas
atividades em condições melhores que os concorrentes em preço e qualidade.
Hoje as empresas tem que batalhar muito para garantir seus sustentos
e conseguir vantagens competitivas. Tem que haver uma estratégia para
buscar a lucratividade e definir seu nicho de mercado. Definindo bem a
estratégia é bem possível ter uma vantagem competitiva.
Esse trabalho apresenta a área de inovação no contexto das pequenas
e médias empresas, de acordo com a classe econômica. Na área jurídica
essas empresas são de pequeno porte, sendo que tem alguns pontos que são
fundamentais para serem competitivas no mercado.
A abordagem desse estudo foi feita numa consulta qualitativa de
natureza interpretativa onde foram consultados: livros, artigos científicos,
internet, dissertações. A inovação hoje em dia é fundamental nas empresas,
podendo alavancar a competitividade tanto nas pequenas quanto nas médias
empresas sendo abordados os conceitos de ciência, inovação e tecnologia,
inovação nas empresas, exemplos de inovação incremental e radical, aspectos
importantes para a competitividade e inovação tecnológica das industrias
brasileiras.
No capítulo I falaremos sobre Ciência, tecnologia e inovação,
dando exemplo de conceitos, como estão ligados um ao outro, como são
utilizados.
No capítulo II falaremos de inovação no contexto das pequenas e
médias empresas. A realidade das pequenas e médias empresas, como atuam
para ser manter bem no mercado.
No capítulo III falaremos das inovações nas empresas e suas
estratégias tecnológicas. Como encontram seu espaço no mercado, quais suas
estratégias para alcançar os objetivos.
No capítulo
IIII explicaremos o que é a inovação tecnológica8 e
mostraremos alguns casos que foram sucesso.
No capítulo IIIII falaremos sobre como a Inovação tecnológica
funciona nas industrias brasileiras.
9
9
CAPÍTULO I
Ciência, tecnologia e inovação:conceitos
Neste capítulo falaremos sobre Ciência, tecnologia e inovação, dando
exemplo de conceitos, como estão ligados um ao outro, como são utilizados.
Iremos compreender melhor a relação entre as descobertas científicas e as
inovações tecnológicas.
Para compreender melhor a relação entre as descobertas científicas e
as inovações tecnológicas é necessário distinguir suas definições e a seguir
daremos alguns exemplos:
-Ciência é o conjunto de conhecimentos organizado sobre os
mecanismos de causalidade dos fatos observáveis, obtidos através do estudo
objetivo dos fenômenos empíricos.(CARAÇA,1986)
-Tecnologia é o conjunto de conhecimentos científicos ou empíricos
diretamente
aplicáveis
a
produção
ou
a
melhoria
de
bens
ou
serviços.(REIS,2003)
-Inovação é um lançamento no mercado, com sucesso, de um produto
ou um serviço novo.(PROUVOST,1992)
As inovações tecnológicas incluem novos produtos, processos e
serviços e, também, mudanças tecnológicas em produtos, processos e serviços
existentes.
Uma
inovação
é
implementada
se
for
introduzida
no
mercado(inovações de produto) ou for usada dentro de um processo de
produção(inovação de processo). Inovações envolvem então uma série de
atividades
científicas
comerciais.(REIS,2003)
tecnológicas,
organizacionais,
financeiras
e
Os elevados ritmos de inovação tecnológica obrigam a alterações nos
procedimentos internos de gestão e a criação de rotinas organizacionais que
facilitem
a
aquisição
e
endogenização
empresarial
de
conhecimento
tecnológico, bem como sua constante atualização.(REIS,2003)
As inovações geram fenômenos dinâmicos na economia, tanto nos
seus aspectos macro quanto microeconômicos. No plano macroeconômico, as
inovações para serem efetivadas demandam a aplicação de recursos para
investimentos produtivos. A implementação de novos processos de produção
exige a realização de investimentos na esfera da produção. Portanto, uma nova
onda de inovações gera uma onda de investimentos em tecnologia que
ocorrem ao longo do tempo. Também é verdade que esse comportamento dos
investimentos tecnológicos não é linear, mas sim oscilante, embora haja uma
tendência de crescimento no longo prazo.(BARATELLI,1994)
A inovação no fundo justifica as decisões de investir e iniciam uma fase
de prosperidade dos ciclos econômicos. É dessa forma que as grandes
inovações, que constituem novos paradigmas, transformam toda a realidade
econômica e social. Quando arrefecer o dinamismo dessa onda de inovações,
a realidade não será a mesma. Novos produtos surgiram, modificaram-se os
padrões de produção e de consumo, são diferentes as necessidades de
qualificação da mão-de-obra, as instituições também se modificaram etc.
Nunca, após todo esse movimento, quando o paradigma se tornar maduro, a
economia volta para o seu ponto de origem, anterior às inovações. Esse é um
processo
de
constante
transformação
que
não
permite
a
volta
ao
passado.(CARNEIRO,1995)
O bloco de inovações define um novo paradigma tecnológico que
termina por se constituir em um padrão tecnológico que gera imposições para
as empresas. Embora as empresas sempre tenham autonomia para definir
suas estratégias tecnológicas, existem alguns elementos externos às empresas
que reduzem o número de alternativas competitivas viáveis.(CARNEIRO,1995)
A inovação de produto ou de processo permite que a empresa
inovadora se diferencie das demais. Sendo mais produtiva, produzindo com
menores custos, ou detendo produtos inovadores, a empresa consegue se
apropriar de lucros gerados a partir dessa diferenciação. Funciona como uma
espécie de renda de monopólio. Assim, a geração de assimetrias é um
fenômeno natural quando se observa o processo de concorrência entre as
empresas. Na concorrência as empresas buscam a sua diferenciação em
relação
a
seus
concorrentes,
procurando
a
obtenção
de
lucros
extraordinários.(PORTER,1993)
A empresa inovadora, com maiores recursos advindos dos ganhos das
inovações, passa a deter maior fôlego financeiro para a viabilização de outros
projetos de P&D (pesquisa e desenvolvimento), podendo se lançar até em
estratégias mais ousadas, mais ofensivas, na realização de atividades
tecnológicas.(REIS,2003)
Outras empresas que não foram as primeiras inovadoras tentam seguir
o caminho destas, procurando não ficar muito defasadas em relação às líderes.
Nesse sentido, podem buscar aprender com as estratégias de liderança, e a
partir daí, com grande esforço inovador, procuram responder ao movimento
das líderes, tentando acompanhar sua trajetória, porém promovendo
diferenciações nos produtos e processos inovadores. Na medida em que nessa
disputa pela liderança as empresas estiverem difundindo tecnologias e na
medida em que conseguirem reduzir as assimetrias que existem entre elas, os
lucros extraordinários tendem a cair. Ou seja, assim como a inovação gera
lucros extraordinários, a difusão tende a anula-los. Por essa mesma razão, as
empresas mais inovadoras não podem nunca parar de inovar, pensando que
sua posição de liderança é duradoura.(REIS,2003)
Dessa forma, a busca por inovação é permanente. Ela é inerente ao
processo de concorrência entre as empresas e de acumulação de capital. Uma
economia capitalista dinâmica e mais desenvolvida tem na inovação um de
seus principais mecanismos de funcionamento. A forma de concorrência mais
importante entre as empresas dessas economias é pela inovação, pela
diferenciação possibilitada pela incorporação de progresso técnico, seja no
campo das tecnologias de produto ou de processo de produção.(REIS,2003)
Neste capítulo abordamos os conceitos de ciência,tecnologia e
inovação e com os conceitos aprendidos já teremos um maior conhecimento
para o estudo do próximo capítulo que é a inovação no contexto das pequenas
e médias empresas onde destacaremos as vantagens e desvantagens da
inovação no contexto das pequenas e médias empresas, saberemos como a
inovação é de suma importância para as empresas se manterem bem no
mercado.
CAPÍTULO II
A inovação no contexto das pequenas e médias
empresas
A inovação é de suma importância no contexto das organizações e
neste capítulo mostraremos qual a sua importância no contexto das pequenas
10
e médias empresas. Iremos estudar as estratégias tecnológicas e os aspectos
da competitividade, levantar e analisar os dados existentes em relação a
inovação tecnológica nas pequenas e médias empresas, mostraremos as
condições básicas para que a inovação seja o diferencial para alavancar a
competitividade nas pequenas e médias empresas brasileiras.
A realidade que as empresas no geral enfrentam com o mercado
globalizado determina que suas estratégias sejam traçadas para a manutenção
da capacidade competitiva e isso exige que se assumam riscos e atendam as
necessidades de seus clientes, sejam consumidores finais ou empresas que
necessitam do produto para dar continuidade em um processo.
As pequenas e médias empresas estão inseridas nessa realidade e
precisam definir o seu nicho de atuação, o caminho que desejam seguir e
aonde querem chegar, para a sua própria sobrevivência. Às vezes,
dependendo da região em que está inserida é melhor ser uma fornecedora
para uma grande empresa do que competir com a mesma. Com isso as
pequenas e médias empresas precisam desenvolver novas tecnologias para
atender as diferentes realidades de seus clientes.
Essas novas tecnologias necessitam passar pela avaliação constante
de seus clientes, para saber se estão dispostos a pagar o preço do novo
produto ou serviço. É preciso que o novo produto ou serviço gere lucros para
se concretizar uma inovação tecnológica.(REIS,2003)
Um ponto positivo das pequenas e médias empresas é a maior
flexibilidade para atender clientes que necessitam de produtos em menor
quantidade, ou seja, poder realizar a produção em baixa escala. Essa
flexibilidade permite que possa responder prontamente às demandas de seu
mercado, mediante a adaptação de seus produtos às mudanças empreendidas
por seus clientes e ainda, seus equipamentos sendo menos especializados
permitem
que
seja
introduzida
alterações
e
adaptações
com
mais
facilidade.(KRUGLIANSKA,1996)
Outra vantagem é que os serviços prestados pelas pequenas e médias
empresas são mais ativos e rápidos, tem maior proximidade com os clientes e
a eficiência é maior em função dos baixos custos indiretos. Elas podem
eliminar mais facilmente os desperdícios, reduzir as atividades que não
agregam valor, desenvolver um bom clima na organização e capacitar os
recursos humanos. O resultado da implementação dessas estratégias traz
resultados
financeiros,
consequentemente
estão
realizando
inovações
tecnológicas no processo produtivo.(KRUGLIANSKA,1996)
Em função da menor disponibilidade de recursos para investimentos,
principalmente em P&D e da produção em baixa escala, as pequenas e médias
empresas evitam entrar em áreas que tenham essa necessidade.
As pequenas e médias empresas procuram utilizar a sua estrutura mais
enxuta para que seus colaboradores fiquem em contato direto com a estrutura
administrativa e gerencial da empresa , facilitando a troca de idéias para o
surgimento de novos produtos ou serviços ou melhoria no processo de
produção.
Vários fatores levam as empresas a buscarem novos processos e
produtos, apesar das vantagens e desvantagens existentes, como já apontadas
anteriormente. Todas as inovações geradas no ambiente da empresa é
influenciada pelo mercado e pelos concorrentes e estas inovações ao serem
introduzidas no mercado, acabam não só influenciando na posição da empresa
como também no próprio mercado.(REIS,2003)
No Brasil, as pequenas e médias empresas desempenham um papel
muito importante na economia, porém não despertam um interesse concreto
dos governantes do país para a elaboração de uma política voltada para o
crescimento e desenvolvimento das mesmas. Este clima adverso associado a
fragilidade do seu porte mais a concorrência com grandes empresas, exigem
esforços de seus empreendedores para que consigam se manter competitivas
e sobreviverem de forma sustentável na economia.
Os processos inovativos, tanto no produto quanto no processo de
produção, possibilitam às empresas um maior dinamismo, competitividade e
lucratividade e é apontado por muitos pesquisadores como um caminho a ser
trilhado pelas pequenas e médias empresas.
Financeiramente,
as
pequenas
e
médias
empresas
como
são
ineficientes na emissão de títulos em bolsa de valores, se tornam obrigadas a
depender de um crédito de curto prazo e com custos maiores se comparado às
grandes empresas. Assim, suas posições financeiras são quase sempre
inseguras devido à necessidade de elevados empréstimos que geralmente são
a custos altos, pois somente pelo fato de serem menos líquidas ou mais
vulneráveis frente às flutuações econômicas, correspondem a um maior risco
aos credores, mesmo sendo idôneas. A vulnerabilidade destas empresas pode
estar associada às taxas de juros praticadas no mercado, pois se houver uma
elevação das taxas de juros, as primeiras empresas a serem eliminadas do
mercado serão as pequenas e médias empresas devido à estreita diferença
existente entre as taxas de juros e suas taxas de lucro.
Por outro lado, uma redução das taxas de juros permitirá que as
pequenas e médias empresas restaurem a diferença entre as taxas de juros e
as suas taxas de lucros esperadas, o que as permitirá continuarem operando.
(Steindl,1990)
A intensa competição ocasionada pela globalização faz com que a
eficiência e a produtividade passam a ser uma condição necessária para as
empresas. Nesse sentido, as pequenas e médias empresas são aquelas que
mais precisam e necessitam da inovação para alcançarem essa eficiência e
produtividade exigida pela globalização a fim de se manterem no mercado, pois
o resultado de uma inovação bem sucedida pode representar a liderança e até
mesmo a sobrevivência de uma empresa. Dessa forma, uma empresa que não
inova será sucumbida por aquela que, com os processos de inovação no
produto, se diferencia no mercado, por meio de produtos mais atrativos para os
consumidores.(Utterback,1994)
As empresas que inovam seus produtos ou processos para se
diferenciarem de seus concorrentes, se tornam mais lucrativas que outras
empresas. Assim, mais uma vez, as pequenas e médias empresas, devido
suas fragilidades, encontram na inovação uma solução para suas dificuldades
pois isso as permitem obter um diferencial, não somente nas características do
produto, mas também na produtividade e portanto, em sua lucratividade, o que
lhes pode garantir um maior tempo de vida.(Dacorso,2000)
Nas pequenas e médias empresas destacam-se apenas as inovações
incrementais, descartando-se as inovações radicais e complexas. Para as
pequenas e médias empresas esta ação é muitas vezes informal e flexível e
por isso pode-se dizer que freqüentemente estas empresas inovam sem se dar
conta que estão fazendo isso, sendo que são essas inovações, imperceptíveis,
que as possibilitam sobreviver por mais tempo.(Dacorso,2000)
A maioria das inovações nas pequenas e médias empresas decorre das
necessidades, desafios ou oportunidades vivenciadas no cotidiano destas
empresas. A oportunidade de atender a novos clientes, a ampliação do negócio
existente ou mesmo a falta de capital para aquisição de um equipamento
sofisticado “ilumina” o espírito inovador dos pequenos empresários no sentido
de realizarem inovações incrementais no processo produtivo ou em um produto
já existente, como forma de aumentar a lucratividade e assim, prolongar a
sobrevivências das pequenas e médias empresas no mercado.
A adoção de processos inovativos nas pequenas e médias empresas
vem a ser a solução para suas fragilidades, pois permitem aumentar a
lucratividade,
consolidar
a
competitividade
e
com
isso,
promover
a
sobrevivência sustentável.
A contribuição das pequenas e médias empresas para o surgimento de
novas tecnologias e concretização de inovações tecnológicas já é realidade em
toda a comunidade européia e no japão, 92% e 98% do total das empresas
respectivamente, e vem assumindo um papel importante na economia
brasileira.
As pequenas e médias empresas crescem cada vez mais no Brasil
sinalizando uma característica própria da postura empreendedora dos líderes
de pequenos e médios negócios, que nascem e crescem impulsionados pela
busca de criar, reinventar e descobrir. Inovar é entendido pelas pequenas e
médias empresas como parte da estratégia de negócio e por conta disso, exige
investimentos constantes.
Aprendemos o quanto a inovação é importante no contexto das pequenas
e médias empresas e com base no que vimos nesse capítulo veremos no
próximo como são as estratégias tecnológicas nas empresas. Iremos analisar
as barreiras de competitividade, os fatores que facilitam a competitividade,
como são feitas as escolhas de sua estratégia competitiva.
CAPÍTULO III
As inovações nas empresas e suas estratégias
tecnológicas
Já vimos como a inovação é importante nas organizações e neste
capítulo mostraremos também como são suas estratégias tecnológicas para o
alcance de seus objetivos. Veremos como é abordado essa questão nas
empresas e suas estratégias. Como são montadas as estratégias tecnológicas,
qual o caminho a ser seguido.
As
empresas
para
encontrarem
o
seu
espaço
no
mercado
desenvolvem os mais diversos tipos de estratégias, que muitas vezes podem
representar um resultado financeiro, seja com um produto que assume um
comportamento agressivo no mercado em relação aos similares, seja como
uma prestadora de serviços ou até mesmo uma fornecedora de um produto
que fará parte do processo produtivo de uma grande empresa.
Essa realidade exige que as empresas ofereçam qualidade e preço
compatível. Além de uma vigilância constante para atender as necessidades de
seus clientes e saber o que está sendo feito por seus concorrentes.
No Brasil, a política tecnológica entrou formalmente na agenda
governamental nos anos 1970. Durante a década de 1990 houve uma profusão
propostas relativas a política tecnológica no Brasil orientada para a inserção
competitiva da economia no mercado mundial.
A capacidade tecnológica se acumula não apenas em equipamentos e
software(capital fisico) e nas mentes de profissionais(capital humano), mas
principalmente no sistema organizacional de empresas e indústrias onde é
gerada e usada(capital organizacional).
19
Logo,
a
capacidade
tecnológica
não
pode
ser
'transferida'
automaticamente de uma economia industrializada para uma emergente.
Estratégias industriais que enfocam os elementos mais visíveis da capacidade
tecnológica - oferta de capital humano e sistemas físicos - sem o
desenvolvimento do capital organizacional, conduzem a resultados pífios em
termos de inovação e produtividade.
Este é o novo contexto de competição das empresas, que tentam, em
primeiro lugar, buscar a sobrevivência. E sobrevivência das empresas significa
cada vez mais aprender a aprender, através de atividades de captação,
assimilação e utilização do aprendizado, de forma permanente. Virou uma
obsessão!
Precisamos ter uma empresa inteligente, ágil e flexível, atuando como
um organismo vivo e pró-ativo. É neste panorama que surge a oportunidade
para a pequena empresa, pois, apesar de ser mais frágil, a empresa de
pequeno porte conta com a vantagem de ter a capacidade de reagir mais
rapidamente neste novo contexto de mudanças constantes, onde o fazer é
sinônimo de aprender.
No Brasil, a classificação do porte das empresas segue a
caracterização pelo número de colaboradores permanentes, com alguns ainda
incorporando o fator nível de faturamento. (KRUBLIANSKAS, 2008)
As empresas de pequeno porte no Brasil são responsáveis por:
• cerca de 4 milhões de empresas constituídas;
• 60% da oferta total de empregos formais;
• 42% dos salários pagos;
• 21% da participação no PIB;
• 96,3% do número de estabelecimentos.
Diferentemente do papel desenvolvido pelas empresas de pequeno
porte no modelo anterior de substituição de importações, no modelo em que se
busca competitividade, as pequenas empresas passam a ser elos importantes
das cadeias produtivas que buscam a competitividade empresarial brasileira.
Competitividade é o desafio, na década de 90, para as empresas de
pequeno porte. Podemos mesmo afirmar que a competitividade das pequenas
empresas brasileiras é essencial ao desenvolvimento do país. E as empresas
de pequeno porte passam a ter presença marcante em diferentes cadeias
produtivas, na forma de fornecedores terceirizados e quarteirizados de grandes
empreendimentos produtores de bens intermediários e finais, além de atuar
como fornecedores de pequenos lotes em nichos de mercado ou em mercados
especializados.
A pequena empresa passa a ser vista como um parceiro eficiente e
eficaz no processo produtivo, a partir de suas características básicas. De forma
a termos uma visão da especificidade da pequena empresa quanto à
capacitação tecnológica. Daí se destacar a relevância da inovação e
capacitação tecnológica para a sobrevivência das empresas de pequeno porte.
Pode-se afirmar que a geração de novas oportunidades de trabalho
será extremamente sensível à tecnologia, que reformula os padrões de
alocação de recursos de capital e trabalho para a produção de bens e serviços.
A vocação natural da pequena empresa é aplicar tecnologias
existentes de forma original em novos produtos e serviços. Isto decorre de a
atitude da empresa de pequeno porte ter baixa atuação em PD&E, que, neste
caso, é fruto direto de problemas de escala e de sua capacidade de
investimento.
Uma Recente pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria, a
pedido do Ministério da Ciência e Tecnologia, concluiu que a maioria das micro
e pequenas empresas brasileiras está na contramão da economia mundial no
que diz respeito à inovação tecnológica. Só 6% das micro e 14% das pequenas
empresas investem mais de 5% do seu faturamento em inovação, atividade
vital para a manutenção da competitividade.
Vê-se que a problemática das empresas de pequeno porte está sendo
colocada timidamente no campo dos estudos de gestão da inovação e de
estratégia
tecnológica.
A
ênfase
dada,
tradicionalmente,
a
algumas
características das empresas de pequeno porte rotulou-as como receptoras
passivas e episódicas de tecnologia. Emerge, a partir da década de 80, um
interesse no sentido de incorporar as empresas de pequeno porte como atores
dinâmicos no processo de inovação tecnológica.
Tal fato se deve ao esgotamento do modelo de produção fordista,
segundo o qual o crescimento econômico estava baseado em grandes
empresas, intensivas em capital, com significativas economias de escala, forte
capacidade interna de P&D e situação predominante de oligopólios de
mercado. Hoje, as empresas de pequeno porte são vistas como agentes de
difusão das novas tecnologias e das inovações, sendo que elas têm
necessidade de ser apoiadas por medidas adequadas, para fortalecer e ampliar
a sua capacitação tecnológica e seu potencial inovador.
Timidamente, nas últimas duas décadas, surgiram instrumentos de
apoio à capacitação tecnológica das empresas de pequeno porte no Brasil. O
que se percebe é a existência de demanda concreta e crescente para
instrumentos de apoio à capacitação tecnológica da pequena empresa.
Facilitar o acesso da pequena empresa às informações de oportunidades
de negócio, fornecedores (matérias-primas, equipamentos, tecnologia, serviços
tecnológicos etc), fontes de tecnologia, mercado, comércio internacional,
especificações de mercado comprador, legislação etc. Neste aspecto, é
fundamental o processo de democratização do acesso à informação, incluindo
os pontos referentes à adequação de linguagem ao público-alvo e aos modos
de comunicação.
Neste capítulo vimos como são as estratégias tecnológicas que as
empresas buscam para se colocar bem no mercado. Como já sabemos que a
inovação é de suma importância para as empresas e como são feitos as
estratégias tecnológicas para alcance dos objetivos,no capítulo seguinte
veremos a inovação tecnológicas onde são citados alguns casos tanto de
inovação tecnológica radical como de inovação tecnológica incremental e
também citaremos alguns exemplos de estratégias de inovação.
CAPÍTULO IV
A inovação tecnológica e alguns casos
Neste capítulo veremos casos de inovação tecnológica onde pode ser
incremental ou radical. Falaremos da diferença entre incremental e radical. A
inovação incremental está relacionada a pequenas melhorias no produto,
processo ou serviço, enquanto a inovação radical cria um novo produto,
processo ou serviço podendo até mesmo eliminar o existente anteriormente de
função similar. As inovações incrementais não surgem unicamente através de
atividades de P&D; mas também através de melhorias propostas pelos próprios
funcionários pela observação que realizam durante a execução de um
processo ou produto ou pelos seus utilizadores, enquanto a inovação radical
geralmente é resultado de atividade de P&D.
A inovação tecnológica, ou seja, a introdução no mercado de um novo
produto ou novo processo, é uma atividade que não envolve somente o setor
de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de uma empresa e, tampouco, é uma
atividade realizada unicamente por grandes corporações"
Hoje, as empresas devem criar redes, desenvolver parcerias e aceitar
idéias externas, vindas de outras empresas ou da universidade.
A troca de idéias e o trabalho realizado em parceria nesse ecossistema,
favorece as pequenas e médias empresas, que podem fornecer produtos,
desenvolver P&D para empresas maiores e, desse modo, conquistar um
pequeno nicho de mercado. "Não precisa ser grande para ser bom”
A inovação tecnológica é toda a novidade implantada pela empresa,
por meio de pesquisas ou investimentos, que aumenta a eficiência do processo
produtivo ou que implica em um novo ou aprimorado produto. Assim, muita
coisa pode ser definida como inovação tecnológica. Essas inovações estão
divididas basicamente entre produtos e processos.
É possível perceber que a inovação tecnológica deve estar ligada à
implementação de produto e/ou processo novo (ou substancialmente
aprimorado) para a empresa, não sendo, necessariamente, novo para o
mercado ou para o setor de atuação da empresa..
As inovações tecnológicas envolvem a criação de novos produtos,
processos ou serviços e provoca mudanças que pode ter caráter incremental
ou radical.
Diversos produtos perderam parcialmente ou totalmente seu espaço
no mercado, a seguir se apresentam alguns casos de inovação tecnológica
radical e de inovação tecnológica incremental.
a)Inovação tecnológica radical:
ü o ferro de passar roupa utilizando brasa foi substituído pelo ferro elétrico;
ü o fogão utilizando lenha foi substituído pelo fogão a gás;
ü a máquina de escrever foi substituída pelo computador acoplado a uma
impressora;
ü o telegrafo foi substituído pelo fax, e este está sendo substituído pelo
correio eletrônico com a utilização do computador associado a internet;
ü os sistemas de cadastro dos clientes feitos em ficha e hoje é em banco
de dados computadorizados;
ü os sistemas de freios dos veículos de passeio que era composto por
lona e hoje são pastilhas ou discos;
ü o aparelho de televisão preto e branco pelo aparelho de televisão em
cores;
ü a ficha telefônica foi substituída pelo cartão telefônico;
ü as fraldas de pano estão sendo substituídas pelas fraldas descartáveis;
ü o relógio a corda foi substituído pelo relógio automático ou a bateria;
b)Inovação tecnológica incremental:
ü o serviço de autenticação que era realizado através de códigos
numéricos e hoje é utilizado o código de barras com leitor óptico;
ü as maquinas fotográficas que utilizam filme estão sendo substituídas
pelas máquinas fotográficas digitais;
ü dinheiro feito de papel está sendo substituído pelo dinheiro feito de
plástico;
ü retroprojetor está sendo substituído pelo canhão de projeção multimídia;
ü aquecedores elétricos estão sendo substituídos pelos aquecedores
solares;
ü a geladeira foi incrementada em relação a produção de gelo para gelo
seco;
ü a pipoca que utiliza a panela foi incrementada para estourar em forno de
microondas;
ü os eletrodomésticos de uma forma em geral passaram por mudanças
incrementais em seus produtos ou processos;
ü os disquetes de alta intensidade estão sendo substituídos pelo cd
utilizando o gravador de CD;
Tantos outros produtos,processos ou serviços não citados também
mudaram radicalmente ou somente incrementaram.
Os exemplos citados apresentam situações em que a mudança
incrementou um processo existente ou que inovou radicalmente eliminando do
mercado o produto ou processo.
Algumas inovações que hoje estão classificadas como incrementais
provavelmente no futuro serão consideradas como radicais, pois devido ao
custo elevado e produção em baixa escala não é tão acessível aos clientes,
mas que poderá reduzir o custo e aumentar a produção eliminando o produto
anterior a essa tecnologia.
O aparelho de televisão em cores que inicialmente apresentava um
custo elevado, por isso poucos adquiriam esse produto, mas que com o tempo
os custos se reduziram e é possível encontrar nas residências mais humildes.
Outro fato importante a destacar é que num mesmo produto ou
processo
pode
ocorrer uma
mudança radical e
algumas
mudanças
incrementais, pode também citar o caso do aparelho de televisão com os mais
diversos recursos(sleep, timer, som stereo, video acoplado).
A inovação em produto é classificada como incremental ou radical.
A primeira delas ocorre quando uma mercadoria já existente recebe melhorias
e ganha novo valor de mercado. Um fabricante de celulares implementa uma
inovação incremental a partir do lançamento de novos aparelhos com design
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mais moderno e novas funções. Já a inovação radical refere-se à criação de
um produto completamente novo. Em algumas situações, a nova mercadoria
leva ao desuso de outra que exercia função semelhante. Foi o que aconteceu
com o DVD, que substituiu o videocassete. Em outros casos, a nova invenção
coexiste com a antiga. O lançamento da televisão, por exemplo, diminuiu as
vendas de rádios, mas o aparelho não se tornou obsoleto.
Os processos de produção também podem passar por inovações
incrementais e radicais. No programa de rádio do dia cinco de agosto da Rede
de Conhecimento Faça Diferente, você ouviu a história do empresário Mâncio
Mártires, morador do Pará. O empreendedor foi um dos pioneiros a cultivar e a
industrializar, no Brasil, a planta carauá, usada por índios para fazer cordas. O
material passou a servir de matéria-prima para a fabricação de pára-choques,
painéis e forros de carros. Com o objetivo de tornar a empreitada possível,
Mâncio abriu o negócio dentro da incubadora de empresas do Centro de
Ensino Superior do Pará, onde se dedicou à pesquisa na área de biotecnologia.
As incubadoras facilitam a criação de produtos inovadores porque,
primeiramente, reduzem as dificuldades dos empresários novatos, que podem
se concentrar mais no desenvolvimento de tecnologias. Mediante o pagamento
de mensalidade, as empresas incubadas são montadas dentro da estrutura
física da incubadora. Despesas com energia e aluguel, por exemplo, são
reduzidas. Além disso, essas instituições fornecem cursos sobre gestão,
estratégia de vendas, atendimento ao cliente, administração, legislação, etc.
Com menos preocupações, os empreendedores sentem-se mais criativos e
motivados para inovar.
Além
disso,
as
incubadoras
fortalecem
a
proximidade
entre
empresários e pesquisadores, que podem trabalhar juntos no desenvolvimento
de tecnologia. As empresas ficam incubadas, em média, por dois anos. Depois
desse período, o empreendedor que adquire confiança no produto criado e já
coleciona clientes deixa o confortável ambiente da incubação para encarar o
mercado sozinho.
É importante distinguir as inovações incrementais e as radicais. As
inovações incrementais são introduzidas continuamente na produção como
resultado da formação tecnológica, pouco exigentes em termos de novos
conhecimentos técnico-científicos. O conhecimento existente é, em geral,
suficiente para o desenvolvimento da inovação. Por outro lado, as inovações
radicais e revolucionárias estão incluidas nas tecnologias avançadas,
necessitando de novos conhecimentos técnicos-científicos. Por exemplo, o
desenvolvimento dos primeiros aviões no início do século XX, por Santos
Dumont e os irmão Wright.
Com relação à introdução de inovações tecnológicas incrementais nas
pequenas e médias empresas, a experiência tem mostrado que o trabalho, em
sua grande maioria (exceto as PME de base tecnológica), é realizado a partir
de tecnologias existentes. Este fato não envolve grandes limitações em termos
da disponibilidade de conhecimentos originários da pesquisa básica e depende
muito mais da adoção de práticas adequadas de gestão e de estratégias de
formação tecnológica. A inovação depende da estratégia da gestão; capaz de
antecipar necessidades, monitorar a tecnologia, controlar custos da promoção
de flexibilidade - da cooperação com centros exteriores de conhecimento - da
formação contínua, entre outros.(ANDREASSI, 2006)
Produtos, serviços e processos extremamente inovadores muitas vezes
nascem de ideias que, a princípio, podem parecer um pouco mirabolantes. Se
a proposta não causa tanto entusiasmo, talvez ela não seja tão inovadora
assim. Pegue o exemplo dos jet skis. Antes da década de 70, a imagem de
uma moto que funciona sobre a água poderia parecer absurda. Mas, o fato de
a ideia causar a reação de surpresa, e até um pouco de ceticismo, pode
significar, simplesmente, que ninguém havia pensado nisso antes. Esse insight
dá a empreendedores que apostam na inovação a chance de lançarem um
produto completamente original e de se tornarem líderes de mercado.
É fundamental que um empreendedor, faça uma pesquisa para garantir
que os consumidores comprarão seu produto. Uma invenção só é inovadora
quando conquista clientes e traz lucros à empresa. Não adianta investir na
produção de um objeto muito original, mas que não atrai a clientela. Em vez de
lucro, o empresário terá que arcar com prejuízo.
A Inovação Incremental é a base da grande maioria das inovações
desenvolvidas
pelas empresas.
Recorrendo
muitas
vezes
ao
próprio
conhecimento da organização, permite pequenos melhoramentos mas impede
que o output final do processo de inovação seja algo considerado como novo.
Este tipo de inovação está associado a empresas cuja orientação para o
mercado é muito forte, e que procuram entregar aos seus consumidores aquilo
que eles procuram no imediato.
Já a Inovação Radical é a inovação disruptiva, a base da inovação das
empresas que estão orientadas mais para a tecnologia/produto e menos para o
cliente. Este tipo de inovação, que recorrer fundamentalmente a novo
conhecimento, está associado a maiores riscos mas a maiores retornos. A
Inovação Radical permite a destruição de mercados antigos e a criação de
novos mercados, sendo por isso uma "arma" que todas as organizações devem
considerar aquando da sua definição de política de inovação, mas que devem
estar conscientes que é difícil atingir ou superar o ROI (Return on Investment)
desejado.
A escolha de qualquer uma das estratégias de inovação congrega
grandes dilemas para uma organização, pelo que as mesmas devem recorrer
muitas vezes a ajuda externa, nomeadamente de especialistas para
desenharem o melhor processo para atingir os seus objetivos.
Em setores de alta tecnologia, a atividade de P&D possui um papel
central entre as atividades de inovação, enquanto outros setores fiam-se em
maior grau na adoção de conhecimento e de tecnologia. Diferenças na
atividade de inovação entre setores (por exemplo, se as inovações são
principalmente incrementais ou radicais) também posicionam diferentes
demandas na estrutura organizacional das empresas, e fatores institucionais
como regulações e direitos de propriedade intelectual podem variar bastante no
tocante a seu papel e importância. É essencial considerar essas diferenças
para o delineamento de políticas. Elas são também importantes para a
mensuração, quando são coletados dados que permitem a análise entre
setores e regiões e quando se assegura que uma estrutura de mensuração é
aplicável a um amplo conjunto de indústrias.
Aprendemos neste capítulo a diferença entre inovação tecnológica
radical e incremental, vimos casos concretos de ambas e no próximo capítulo
veremos como é a inovação tecnológica nas industrias brasileiras. Iremos
aprender como é a inovação de produtos e processos, referenciais da inovação
em relação a empresa e o mercado nacional ressaltando os principais
problemas e obstáculos apresentados pelas empresas para inovar.
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CAPÍTULO V
Inovação tecnológica das industrias brasileiras
Neste capítulo iremos mostrar como é importante a inovação
tecnológica nas industrias brasileiras, como funcionam, qual o crescimento que
obteve, qual o grau de importância da inovação para as indústrias brasileiras, a
dificuldade que as empresas encontram para inovar, qual o caminho a ser
seguido, como é a competitividade nas empresas.
Um
consenso
predomina
entre
os
atores
envolvidos
com
o
desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil: a indústria brasileira precisa
de mais inovação. A agenda para isso também não apresenta muitas
divergências. Mas, para desencadear um surto de inovação na indústria
brasileira o país precisará de mecanismos apropriados de seleção de setores e
projetos prioritários.
É importantíssimo a consolidação de um consenso em relação à
agenda
prospectiva
empresarial
relativa
à
tecnologia
industrial.
"É
extraordinário que a indústria tenha a iniciativa de discutir inovação, mostrando
a relevância do tema e se mobilizando para trocar experiências com os
envolvidos.
Há um claro consenso em relação ao diagnóstico geral do que deve
ser feito em relação à inovação na indústria. "O difícil é operar isso
concretamente, porque, para tanto, é preciso fazer seleções. Ao contrário das
políticas universais -, como saúde pública ou educação fundamental - a política
industrial e tecnológica precisa escolher quais são os setores e projetos
prioritários.
A dificuldade é passar do consensual para o operacional. "Quando se
escolhe um local para implantar um centro de pesquisa, todos os que não
foram contemplados podem não gostar da seleção. Há absoluto consenso
sobre a agenda, mas os problemas estão nos detalhes.
O Brasil não tem mecanismos legítimos para tomada de decisão
consensual e precisa de uma espécie de engenharia institucional. "Vivemos em
um impasse em que o aparato institucional não está desenhado para se tomar
decisões, apesar desse extraordinário consenso.
A agenda emergencial inclui o reforço das leis existentes, revisão do
marco regulatório, aplicação de novos modelos e maior determinação na
aplicação da Lei de Inovação. Em médio prazo, a agenda teria ainda a reforma
do Estado, novas formas de parcerias público-privadas (PPP), consolidação
dos marcos regulatórios e ordenamento constitucional.
Os segmentos interessados em desencadear um surto de inovação
poderiam se inspirar na mobilização das empresas para uma reengenharia da
qualidade, ocorrida a partir do fim da década de 1980 como reação à abertura
dos mercados. "É um exemplo de que um setor sempre avança quando sua
relevância se torna consenso na sociedade.
Embora haja consenso sobre a necessidade de inovação na indústria
brasileira, ainda não sentimos diretamente o impacto da falta de um sistema
bem estabelecido. "No caso do sistema de qualidade, a abertura do mercado
praticamente forçou a adaptação. No caso da inovação,a "água ainda não
chegou no nariz".
O sistema nacional de inovação ainda precisa de divulgação. Segundo
ele, as possibilidades dos instrumentos e leis de inovação ainda são pouco
conhecidas mesmo entre empresários.
Há uma grande necessidade de incorporar mais especialistas das
ciências sociais aos processos de inovação. Eles têm muito a contribuir nas
análises de riscos e nas leituras da percepção pública em relação aos produtos
do desenvolvimento tecnológico.
Os investimentos na indústria nacional cresceram 133% nos primeiros
três meses deste ano, em relação a igual período do ano passado. Época em
que as empresas paralisaram quase totalmente os investimentos, por causa da
falta de crédito determinada pela crise econômica mundial.
A grande maioria dos investimentos se deu em inovação tecnológica,
citando números da primeira edição da Sondagem de Inovação, elaborada pela
Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para monitorar o que
vem sendo feito em pesquisa e desenvolvimento (P&D) pelas grandes
empresas industriais do país, com mais de 500 trabalhadores. Segmento que
engloba 1.650 indústrias, responsáveis por cerca de 75% das aplicações em
P&D no parque fabril.
Essas empresas formam o “núcleo mais dinâmico da indústria nacional”,
e as expectativas de investimento em inovação sinalizam um cenário positivo
para o Brasil, de acordo com o que revela a pesquisa, feita com 300 grandes
empresas, nos meses de abril e maio. O levantamento constatou que 71,4%
das empresas pesquisadas investiram em inovação, de janeiro a março deste
ano.
O mais promissor é que a sondagem obteve mais respostas positivas,
ainda, quanto à perspectiva de aumento de investimentos no trimestre
seguinte, de abril a junho. Nada menos que 74,3% dos entrevistados se
mostraram propensos a investir em máquinas, equipamentos e em inovação
tecnológica no segundo trimestre, e isso reafirma a existência de um “cenário
bastante favorável” para o país.
Em destaque está que quase metade das empresas pesquisadas (48,5%)
lançaram produtos novos para a própria empresa e 18,1% fizeram lançamentos
para o mercado nacional. Esses indicadores mostram, segundo ele, o bom
momento do setor produtivo, associado à expectativa de crescimento da
economia e do aumento da renda.
Apesar do crescimento das exportações brasileiras nesta década, é
pertinente questionar: por que o desempenho do setor industrial não foi tão
bom quanto o do setor primário? A resposta não está na taxa de câmbio,
porque, os preços subiram mais do que a apreciação do real. Uma razão
plausível é que a indústria brasileira ainda não superou inteiramente uma
distorção que vigorou no País durante a época da substituição de importações:
as taxas de crescimento econômico eram elevadas, mas as empresas privadas
não inovavam. De fato, até o final dos anos 80, os investimentos em tecnologia
eram realizados essencialmente por órgãos públicos.
A origem desse fenômeno é conhecida e bem documentada na
literatura econômica: empresários só inovam quando essa é a única estratégia
viável para manter a sobrevivência da empresa, e ela só será adotada após
terem sido esgotadas outras alternativas menos onerosas, como o acesso
privilegiado a recursos públicos e a eliminação da concorrência por meio de
barreiras comerciais ou institucionais.
Não obstante a reforma comercial do governo Fernando Collor,
vários segmentos do mercado brasileiro permaneceram imunes à competição
externa. Nesses segmentos, portanto, os incentivos à inovação tecnológica
continuaram incipientes. Na verdade, o coeficiente de penetração das
importações de bens manufaturados, que atualmente é inferior a 18%, é um
dos mais baixos do mundo. Não há nenhuma justificativa racional para esse
fato. Apenas a influência política das empresas protegidas.
Uma taxa de câmbio apreciada penaliza, sem dúvida, as indústrias
que operam com tecnologias difundidas e cujos níveis de eficiência estão
aquém dos padrões internacionais. Uma eventual desvalorização pode
favorecer tais setores, mas será inútil para enfrentar o principal obstáculo ao
crescimento das exportações de manufaturados, que reside no precário
desempenho inovador da indústria brasileira.
Além disso, cabe lembrar que a combinação entre apreciação cambial e
preços crescentes de exportação produz um benefício importante para o País,
que é a elevação do índice dos termos de troca da economia. Esse índice
mede a relação entre os preços dos produtos exportados e importados e
expressa, por conseguinte, o poder de compra da moeda nacional. Entre 1990
e 2009, essa relação subiu 40%. Os ganhos de bem-estar advindos dessa
melhoria incluíram salários reais crescentes ao longo de 20 anos,
barateamento relativo dos bens importados e a superação gradual de uma
restrição que havia marcado a economia brasileira desde a década de 1930: a
vulnerabilidade externa.
Outra consequência relevante foi o fortalecimento da competitividade
internacional das empresas brasileiras que possuem filiais em outros países.
Segundo dados do Banco Central, em 2006 os investimentos diretos no
exterior superaram, pela primeira vez na história, o fluxo de entrada de capitais
estrangeiros no País. E, em 2008, o estoque daqueles ativos alcançou a cifra
de US$ 80 bilhões.
Na verdade, além do investimento direto, vários outros fatores sustentaram
o desempenho exportador do Brasil nos últimos anos, como a exploração de
economias de escala, a diferenciação de produtos e a capacidade de influir nos
preços internacionais. O único instrumento que ainda precisa ser mais
explorado é a inovação tecnológica.
Em suma, a escolha entre desvalorização cambial e incentivos à inovação
implica dois conjuntos distintos de beneficiários. De um lado estão aquelas
empresas que não conseguem acompanhar o ritmo de progresso técnico
internacional. De outro, o resto da Nação.
A inovação está se dando por pressão dos consumidores, obrigando a
indústria a aprimorar seus produtos"Há um forte crescimento da indústria. "O
nível de uso da capacidade instalada está batendo em um nível de 83%, 84%,
o que dispara os investimentos.
É importante que a inovação entre de vez na agenda dos empresários. Há
uma mobilização nacional pela inovação, que estimula a criação de núcleos de
uma forma capilarizada em federações e associações".
O desafio agora é que os núcleos espalhados pelo país se tornem um
sistema empresarial de inovação capaz de ser um contraponto ao sistema
estatal ligado ao setor acadêmico. "Os empresários não precisam apenas
valorizar a inovação. Precisam passar a ser parte na gestão dos recursos do
País direcionados para isso.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) publicou um edital
para incentivar a inovação tecnológica no setor industrial. A entidade apoiará
empresas que pretendem investir em projetos de pesquisa aplicada ou
experimental. O objetivo é promover esses estudos nos Departamentos
Regionais (DR) do Senai em parceria com empresas, para o desenvolvimento
de processos e produtos inovadores.
É de suma importância a cultura de inovação na indústria brasileira. A
inovação é o item mais importante de uma empresa, devido à competição cada
vez mais acirrada no mercado de trabalho. Você deve ser diferente. A FIRJAN
promove a inovação tecnológica, como por exemplo, a Caravana Tecnológica,
que leva até o Interior do Brasil informações sobre financiamentos para
projetos inovadores. “As iniciativas da FIRJAN são de extrema relevância, já
que possibilita que o pequeno empresário se modernize e se torne mais
competitivo no mercado.
A FIESP Incentiva e promove o desenvolvimento da indústria, através
de ações estratégicas em informação, inovação tecnológica, transferência de
tecnologia.
Para atingir estes objetivos é necessário:
*Atuar como elo de ligação entre fontes de informação tecnológica e o setor
produtivo;
*Identificar parceiros potenciais (internos e externos) e oportunidades de
desenvolvimento de trabalhos cooperativos, atuando de forma incisiva no
processo de estruturação de políticas tecnológicas industriais;
*Influenciar nas políticas tecnológicas industriais, junto a órgãos de governo,
fóruns de ciência e tecnologia, entidades de representação e fomento.
*Viabilizar projetos de inovação tecnológica integrando universidades, centros
de P&D e empresas;
*Implementar canais de contato com as Diretorias de Ação Regional e com
sindicatos patronais associados;
Vários estudos demonstram que a indústria é o principal acelerador do
crescimento
do
PIB.
Países
com
experiências
bem-sucedidas
de
desenvolvimento possuem uma forte base industrial, capaz de contribuir com o
crescimento da produtividade e da renda na economia.
A competitividade de um país é a capacidade de criar as condições
para que as empresas façam crescer o bem-estar de seus cidadãos
relativamente ao bem-estar dos cidadãos de outros países. Crescimento de
produtividade é essencial ao sucesso econômico de longo prazo, porque cria
um círculo virtuoso em direção à atividades de maior valor agregado. Esse
crescimento
depende
em
larga
escala
de
diversos
fatores,
como
investimentos,inovação, tecnologia, capital humano e inserção internacional,
entre outros.
No processo altamente competitivo da economia atual, é fundamental
identificar e comparar os nossos pontos fortes e fracos. Só conhecendo
profundamente o contexto de cada empresa e setor é possível direcionar as
ações estratégicas da indústria.
É importantíssimo as atividades de inovação tecnológica das empresas
brasileiras principalmente na indústria, comparáveis com as informações de
outros países. A PINTEC tem como foco uma pesquisa sobre os fatores que
influenciam o comportamento inovador das empresas, sobre as estratégias
adotadas, os esforços empreendidos, os incentivos, os obstáculos e os
resultados da inovação.
Os resultados agregados da pesquisa permitirão: às empresas avaliar o
seu desempenho em relação às médias setoriais; às entidades de classe
analisar a conduta tecnológica dos setores; e aos governos desenvolver e
avaliar políticas nacionais e regionais.
As informações de sua empresa são essenciais para o conhecimento das
atividades tecnológicas da indústria e dos serviços de telecomunicações,
informática e pesquisa e desenvolvimento brasileiros. Como o termo inovação
tem múltiplas significações, uma pesquisa desta natureza requer que as
entrevistas sejam assistidas, ou seja, realizadas por um técnico do IBGE, de
modo a assegurar a uniformidade dos resultados.
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Conclusão
As empresas brasileiras estão inseridas no contexto do mercado
globalizado e necessitam encontrar os mecanismos para continuarem sendo
competitivas.
A legislação tem participação importante para que as empresas
possam encontrar seu espaço nesse mercado. As pequenas e médias
empresas, em especial, tem sua própria legislação e é amparada pela
constituição, por seu estatuto e pelas resoluções do Grupo Mercado Comum do
Sul(Mercosul). As alterações ocorridas nas legislações no final do século XX e
nas novas regulamentações mostram que essas mudanças são inovações que
contribuíram para que essas empresas, também pudessem sobreviver e
manter-se competitiva, já que representam a maioria no universo empresarial e
a sua sobrevivência é de suma importância para o cenário econômico
brasileiro. As pequenas e médias empresas precisam utilizar essa legislação
que oferece certo incentivo e o seu ambiente empresarial mais enxuto e flexível
para definir o seu campo de atuação, o caminho que querem seguir e aonde
querem chegar, assim podem obter vantagem competitiva em relação ao
processo de inovação e a efetivação de um produto com um custo mais baixo e
podendo torná-lo uma inovação no futuro.
A participação dos clientes, também é importante para essas
empresas, pois é preciso conhecer suas necessidades e verificar se estão
dispostos a pagar o preço de um novo produto ou serviço.
As inovações tecnológicas ocorridas no século XX, tanto radical
como incremental mostram que as empresas devem estar atentas as
inovações tecnológicas para acompanhar as possíveis inovações radicais em
um futuro próximo.
Outro aspecto abordado no trabalho se refere as estratégias de
inovação utilizadas pelas empresas para obterem vantagem competitiva e
resultado financeiro, que pode ser através de um produto que assume um
comportamento agressivo no mercado em relação aos similares, seja como
uma prestadora de serviços ou até mesmo uma fornecedora de um produto
que fará parte do processo produtivo de outra empresa. A estratégia escolhida
pela empresa depende da realidade a qual está inserida e pode ser
determinante para a sua sobrevivência.
Pode-se constatar que a dimensão de uma empresa não é fator
determinante para a capacidade de invenção e inovação de um produto, pois
depende da diversidade de componentes, o número de especialistas que
estarão envolvidos e de equipamentos necessários para essa produção. A
ressalva que pode ser feita é em relação a inovação de um processo, pois as
pequenas e médias empresas podem obter maior sucesso, em função da
quantidade de recursos humanos envolvidos, maior flexibilidade, concentração
de esforços e a comunicação interna.
A quantidade de inovações existentes nas pequenas e médias
empresas e nas grandes empresas depende, primeiramente do setor produtivo
em questão, pois as pequenas e médias não dispõem de recursos suficientes
para se aventurar, geralmente estão em setores que exigem menores recursos
financeiros, e contribuem para melhoria de produto ou processo e, muitas
vezes são parceiras de grandes empresas.
É importante destacar que a inovação é o caminho que as
empresas, independente de seu porte, necessitam seguir para continuarem
sendo competitivas no mercado, pois a tendência para o futuro é que as
empresas que não inovarem certamente perderão espaço no mercado tão
competitivo que vivemos.
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PROUVOST, B. Inovar na empresa: proposta de ação. Tradução: ALMEIDA.
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