Ana Paula Gastão Orlandin PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DA COMPREENSÃO ORAL E DA LEITURA NA DIFICULDADE DE ORALIDADE Dissertação apresentada ao Curso de Pós Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do Título de Mestre em Saúde da Comunicação Humana. São Paulo 2015 Ana Paula Gastão Orlandin PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DA COMPREENSÃO ORAL E DA LEITURA NA DIFICULDADE DE ORALIDADE Dissertação apresentada ao Curso de Pós Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do Título de Mestre em Saúde da Comunicação Humana. Área de Concentração: Saúde da Comunicação Humana Orientadora: Professora. Dra. Sandra Cristina Fonseca Pires São Paulo 2015 FICHA CATALOGRÁFICA Preparada pela Biblioteca Central da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Orlandin, Ana Paula Gastão Protocolo de avaliação da compreensão oral e da leitura na dificuldade de oralidade./ Ana Paula Gastão Orlandin. São Paulo, 2015. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – Curso de Pós-Graduação em Saúde da Comunicação Humana. Área de Concentração: Saúde da Comunicação Humana Orientadora: Sandra Cristina Fonseca Pires 1. Auxiliares de comunicação para pessoas com deficiência 2. Paralisia cerebral 3. Leitura 4. Transtornos da linguagem 5. Protocolos 6. Avaliação BC-FCMSCSP/30-15 DEDICATÓRIA A Deus pelo seu amor, bondade e auxilio em cada momento da minha vida. Obrigada Senhor por me ajudar com força e sabedoria nesse trabalho e sempre. Sem Ti não há vida! Aos meus amados pais, Jorge e Marlene, que com muita dedicação me apóiam sem medir esforços. Sou grata simplesmente por serem meus exemplos de vida. Ao meu querido esposo Carlos Vinicius, que com muito amor e paciência, está sempre ao meu lado, me ajudando no que for possível, compreendendo os momentos de ausência e se alegrando comigo nas conquistas. Te amo! Ao meu bebezinho que ainda está em formação em meu ventre, mas já tem o meu amor. Você me incentivou a concluir com dedicação esse trabalho. Já te amo meu filho! “A linguagem humana é profunda como o mar, e as palavras dos sábios são como os rios que nunca secam.” Provérbios 18:4 “Para as pessoas a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis.” Mary Pat Radabaugh AGRADECIMENTOS À minha orientadora Prof.ª Dra. Sandra Cristina Fonseca Pires, por compartilhar seu aprendizado, oferecer seu apoio e amizade, e por ser um exemplo de amor e dedicação à profissão. Às professoras Dra. Adriana Limongeli Gurgueira, Dra. Daniela Evaristo dos Santos Galea, Dra. Noemi Takiuchi e Dra. Ana Luiza Gomes Pinto Navas, pelas contribuições fornecidas na qualificação, auxiliando-nos a estruturar melhor o nosso trabalho. Aos participantes dessa pesquisa e suas respectivas famílias, pela colaboração na realização desse trabalho, o tornando possível, e por se colocarem sempre à disposição. Obrigada de coração queridos pacientes. Às minhas amigas e companheiras de trabalho Josiane, Patrícia e Camila, por compartilharem comigo seus conhecimentos, colaborando para um trabalho mais completo, e pela amizade e companhia que deixam meus dias mais felizes. Às minhas amigas Audrey, Ana Carolina e Fernanda, pela amizade duradoura tão importante para a caminhada da vida. Aos professores do Mestrado Profissional por todo carinho e aprendizado ao longo desses anos, e por me ensinarem a compreender ainda mais o quanto é imprescindível a Comunicação Humana. Às minhas colegas do curso do Mestrado Profissional por participarem desse aprendizado e conquista de forma prazerosa e colaborativa. À minha irmã Kelly e sua família, pelo amor e incentivo na realização desse trabalho e por fazerem parte da minha vida em todos os momentos. À minha querida família, Gastão e Orlandin, por compreenderem os momentos de ausência, pelo apoio e carinho, e por serem sempre meus incentivadores na jornada profissional e acadêmica. Aos meus queridos amigos da igreja Comunidade Hebrom, em especial ao meu pequeno grupo e meus amigos do Firmando Passos, que estiveram comigo em oração para que tudo desse certo, além de todo apoio e carinho. À Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, pela credibilidade, acolhimento e preparação para uma bela carreira profissional. Abreviaturas ECNE – Encefalopatia Crônica Não Evolutiva CSA – Comunicação Suplementar e Alternativa TCE – Traumatismo Crânio Encefálico ASHA – American Speech-Language Hearing Association AVE – Acidente Vascular Encefálico CNE – Conselho Nacional de Educação INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Sumário 1. Introdução ............................................................................................................ 1 1.1. Revisão de Literatura ........................................................................................ 4 1.1.1. Encefalopatia Crônica Não Evolutiva (ECNE) ............................................... 5 1.1.2. Características e alterações clínicas na ECNE .............................................. 7 1.1.3. Linguagem ..................................................................................................... 7 1.1.3.1 Linguagem Oral ........................................................................................ 8 1.1.3.2 Linguagem Escrita/Leitura ........................................................................ 9 1.1.4. Comunicação Suplementar e/ou Alternativa ................................................ 12 2. Objetivo .............................................................................................................. 15 3. Material e Método .................................................................................................. 17 3.1. Tipo de estudo ................................................................................................ 18 3.2. Preceitos éticos .............................................................................................. 18 3.3. Casuística ....................................................................................................... 18 3.4. Material ........................................................................................................... 19 3.5. Procedimentos ................................................................................................ 20 3.6. Critério para análise dos resultados ............................................................... 21 4. Resultados ............................................................................................................ 22 4.1. Elaboração do PACOLDO .............................................................................. 23 4.2. Aplicação do PACOLDO ................................................................................. 31 4.2.1. Perfil dos participantes................................................................................. 31 4.2.2. Resultados das Provas de Compreensão Oral (C) ...................................... 33 4.2.3. Resultados das Provas de Habilidade de Leitura (L) ................................... 35 4.2.4. Comparações entre os grupos ..................................................................... 39 5. Comentários conclusivos....................................................................................... 46 6. Anexos .................................................................................................................. 53 7. Referências Bibliográficas ..................................................................................... 62 Fontes Consultadas .................................................................................................. 69 Resumo ..................................................................................................................... 71 Abstract ..................................................................................................................... 73 Listas e Apêndices .................................................................................................... 75 1. Introdução 2 A Encefalopatia Crônica Não Evolutiva (ECNE) é decorrente de uma lesão no cérebro ainda em desenvolvimento, ocasionando implicações motoras e sensoriais. (Shevell et al., 2001; Miller, 2002). Dentre as alterações sensoriomotoras encontradas na ECNE, observam-se os problemas de comunicação, que podem ser alterações de expressão oral e/ou comprometimentos específicos de linguagem (Limongi, 1998). Os distúrbios de linguagem não são característicos da patologia, porém podem ser decorrentes da incapacidade funcional motora e a privação e/ou alteração sensorial (Lamônica, 2004). Essas dificuldades podem ou não estar relacionadas com déficits cognitivos, estando esses interligados mais com questões psicossociais, como aceitação e estimulação dessa criança no meio social (Limongi, 1998). A gravidade da expressão oral pode ser desde uma mínima alteração de articulação até a ausência de fala (Tabaquin, 1996). Sendo que no ultimo caso, a compreensão pode estar preservada. Uma limitação de resposta aos estímulos do meio não necessariamente representa um déficit intelectual (Bobath e Bobath, 1989). Prejuízos cognitivos e/ou de fala acarretam em comprometimento de outras habilidades, como de leitura e escrita (Rocha, 2010; Zorzi, 2010). As dificuldades no aprendizado de leitura e escrita também podem estar relacionadas ao processamento fonológico e a fatores individuais (Santos e Navas, 2004). Indivíduos com dificuldades na comunicação se beneficiam com o uso da Comunicação Suplementar Alternativa (CSA) para o desenvolvimento cognitivo e de linguagem, além da sua inclusão e sociabilização (Pires e Limongi, 2002; Rocha, 2010). Segundo a American Speech-Language Hearing Association (ASHA), a CSA é indicada para indivíduos com comprometimento na expressão oral, seja de forma suplementar à fala ou alternativa. É suplementar quando o ocorrem poucas emissões orais e/ou ininteligíveis; e é alternativa no caso de ausência total de fala. A CSA pode ser permanente ou provisória. A escrita pode ser uma das opções de CSA, e o domínio desta auxilia na escolha do melhor sistema de CSA a ser utilizado para cada indivíduo (ASHA, 1991). 3 A expressão escrita necessita do ato motor, e o indivíduo com ECNE poderá ter essa dificuldade em demonstrar seu aprendizado. Ainda que o processo de aprendizagem de leitura e escrita de um indivíduo com ECNE ocorra adequadamente, se houver algum impedimento no ato motor (seja na fala ou na escrita), a demonstração do aprendizado poderá ficar comprometida (Ferraz, 2007). São poucos os estudos que descrevem as alterações de compreensão oral e de leitura relacionadas à criança com ECNE. No entanto, não há protocolos e testes que avaliam habilidades de compreensão oral e de leitura em indivíduos com dificuldades neuromotoras, sobretudo naqueles com dificuldades de comunicação. Sendo assim, este trabalho visou estruturar e aplicar um protocolo que identifique as alterações de Compreensão Oral e de Leitura encontradas em indivíduos com ECNE e que sejam usuários ou tem indicação de CSA. 1.1. Revisão de Literatura 5 O presente capítulo apresenta a fundamentação teórica da pesquisa. Foram selecionados quatro tópicos: Encefalopatia Crônica Não Evolutiva (ECNE), Características e Alterações clínicas da ECNE, Linguagem (Linguagem Oral e Linguagem Escrita), e Comunicação Alternativa. 1.1.1. Encefalopatia Crônica Não Evolutiva (ECNE) A Encefalopatia Crônica Não Evolutiva (ECNE) pode ser descrita como um conjunto de desordens do desenvolvimento motor e de postura, decorrente de uma lesão estática e não progressiva no cérebro ainda em desenvolvimento, ou seja, desde o período fetal até o início da infância, ocasionando limitações nas atividades (Shevell et al., 2001; Miller, 2002). As implicações motoras podem estar acompanhadas por distúrbios sensoriais, cognitivos, comunicativos, comportamentais e convulsões, sendo esses secundários as alterações musculoesqueléticas (Bax et al., 2005; Moster et al., 2010). A ECNE possui uma prevalência de 2 a 2,5% a cada 1.000 nascimentos e pode ocorrer devido a fatores gestacionais, perinatais, neonatais ou pós natais. Em 90% dos casos, ocorrem entre a gestação e o período neonatal, podendo ser: Maternos pré natais (doenças crônicas, drogas, desnutrição grave, etc); Gestacionais (más formações congênitas, hemorragias com ameaça de aborto, doenças circulatórias, tóxicas, etc.); Perinatais (complicações obstétricas e mecânicas, prematuridade ou pós maturidade, baixo peso, etc.); e Neonatais (eventos neurológicos, hiper bilirrubinemia, meningites, etc.). E os 10% restantes são ocasionados por fatores Pós natais, como síndromes epiléticas, desnutrição, Traumatismo Crânio Encefálico (TCE), anoxia/hipóxia e outros (Baladi et al., 2007). As classificações da ECNE variam de acordo com tipo clínico, distribuição topográfica e tono muscular. Quanto ao tipo clínico, Baladi et al. (2007) descrevem os subtipos em: Espástica ou Piramidal, Extrapiramidal ou Discinética, Atáxico, Misto ou flácido. O tipo clínico mais frequente, espástica ou piramidal, ocorre em até 70% dos casos, devido uma lesão do motoneurônio superior no córtex ou nas vias que 6 terminam na medula espinhal, ocasionando um comprometimento do sistema Piramidal com a Hipertonia dos músculos. Os músculos ficam rígidos e tensos e os reflexos tendinosos exacerbados. Apresenta características de hiperreflexia, fraqueza muscular, clônus, padrões motores anormais e diminuição da destreza (Baladi et al., 2007). Extrapiramidal ou discinética ocorre devido a uma lesão nos núcleos da base. Caracteriza-se pela presença de movimentos involuntários, sendo precedidos por hipotonia axial importante. A fala caracteriza-se como disártrica. Os movimentos anormais aumentam durante a movimentação voluntária, e com estímulos sensoriais e emocionais. As hipercinesias podem ser divididas em: atetóide (movimentos involuntários e com variação de tônus), coreico (movimentos rápidos presentes nas raízes dos membros, às vezes interferindo na realização de um movimento voluntário), e distônico (movimentos que levam a distúrbios na postura) (Baladi et al., 2007). O tipo clínico atáxico acomete o cerebelo e suas vias. Inicialmente está presente uma hipotonia, e posteriormente apresentam sinais cerebelares que dificultam a movimentação voluntária e a marcha. A fala pode ser disártrica (Baladi et al., 2007). No tipo misto tem-se a combinação de duas formas. Para classificação colocase o tipo que predomina em primeiro lugar e o componente será o tipo que ocorre em menor grau, como por exemplo: espástico atetóide. Por fim, o tipo flácido é a forma mais grave e menos frequente, com comprometimento motor intenso, uma hipotonia severa e normalmente apresenta cognitivo rebaixado (Baladi et al., 2007). Schwartzman (1993) descreve a classificação por distribuição topográfica da lesão em: – Hemiplegia: acometimento de um lado do corpo (geralmente o lado superior é mais comprometido que o inferior). – Diplegia: acometimento principalmente dos membros inferiores. – Tetraplegia: quando afetar todos os membros. – Total: além dos quatro membros, o tronco também é acometido 7 E Rotta (2002) e Gauzzi e Fonseca (2004) também classificam em níveis de funcionalidade, podendo ser leve (quando o indivíduo consegue realizar atividades independentemente), moderado (quando necessita de auxílio para realizar atividade) ou grave (quando é totalmente dependente para a realização de atividades). 1.1.2. Características e alterações clínicas na ECNE As manifestações clínicas da ECNE são muito variáveis de um indivíduo para o outro, pois dependem da gravidade e extensão da lesão e da área neurológica comprometida. A característica comum entre eles é o distúrbio motor. Outros sintomas neurológicos podem ou não estar presentes, entre eles: alteração cognitiva (62%), crises convulsivas (49%), transtorno de fala e distúrbios de linguagem (56% a 80%), dificuldades visuais (40%), deficiência auditiva (10 a 16%), problemas para alimentação e função respiratória, distúrbios do comportamento, entre outros (Miller, 2002; Moraleda-Barreno et al., 2011; El-Tallawy et al., 2014). Pueyo-Benito e Vendrell-Gómez (2002) realizaram uma revisão de estudos neuropsicológicos com ênfase no desempenho geral cognitivo e desempenho específico (linguagem, memória, atenção e funções visuo-espaciais) em crianças com ECNE, e concluíram que a linguagem é uma das funções mais preservadas, que a alteração de articulação pode afetar a inteligibilidade de fala, e que a memória imediata esta relativamente bem preservada. 1.1.3. Linguagem A respeito da linguagem, estudos têm apontado que indivíduos com ECNE apresentam alguma alteração na linguagem, podendo estar relacionada à fonologia, à sintaxe, à semântica e/ou à pragmática (Tabith, 1980; Sappington, 1989; PuyueloSanclemente, 2001; Lamônica, 2003; Lamônica, 2004; Ferreira et al., 2006). 8 Posteriormente, os indivíduos com ECNE podem apresentar alterações no desempenho da linguagem de leitura e escrita (Capellini SA, Ciasca SM, 2000; Ferreira et al., 2006). 1.1.3.1 Linguagem Oral Indivíduos com ECNE podem apresentar dificuldade para verbalizar nas mais variadas possibilidades, podendo ser desde uma dificuldade na inteligibilidade de fala até a ausência da mesma. Entretanto, a linguagem e a comunicação precisam ser bem refletidas, pois a ausência e/ou a dificuldade na expressão verbal não devem impedir o indivíduo de ser compreendido (Vasconcellos, 2013). As etapas do desenvolvimento de linguagem em crianças com ECNE muitas vezes ocorrem mais tardiamente se comparado ao desenvolvimento normal. Esse atraso nem sempre pode ser explicado pelas alterações motoras, de audição, intelectuais ou por problemas ambientais (Tabith, 1980). Portanto, as dificuldades no desenvolvimento de linguagem podem ser manifestadas em grau variado entre os indivíduos com ECNE, visto ser um grupo que se caracteriza como heterogêneo. Tem-se assim, descrições variadas em estudos a respeito das condições de desenvolvimento e comunicação de indivíduos com ECNE. A diversidade do comprometimento motor geral da criança com ECNE pode afetar o desenvolvimento da linguagem, sendo este um problema motor de expressão oral que altera a fala isoladamente ou associado com problemas na aquisição de linguagem (Puyuelo-Sanclemente, 2001). Lamônica (2003) observou um desempenho inferior com relação aos aspectos semânticos em crianças com ECNE, se comparado às crianças com desenvolvimento normal, podendo caracterizar um atraso do desenvolvimento de linguagem. Prejuízos no processo de aquisição e desenvolvimento de linguagem podem dificultar a compreensão e o armazenamento dos conhecimentos, causando implicações na compreensão das informações (Rauschecker, 1999). Porém, a capacidade de produzir expressões verbais ou gestuais não está diretamente relacionada com a compreensão dos indivíduos com ECNE, pois a gravidade da 9 dificuldade motora e a idade não são fatores que predizem as habilidades de compreensão (Pueyo et al., 2013). Snowling et al. (2001) referem uma forte relação entre a linguagem e a consciência fonológica e o posterior desenvolvimento de leitura e escrita ortográfica. 1.1.3.2 Linguagem Escrita/Leitura A leitura é uma atividade complexa e que envolve muitos processos. Inicialmente os problemas de leitura e escrita eram associados a dificuldades no processamento visual. Porém, estudos a partir de 1970, mostraram que distúrbios de processamentos fonológicos estavam mais relacionados com as alterações de leitura e escrita (Capovilla et al., 2004a). A aprendizagem da leitura pode ser explicada pelo modelo da Dupla Rota (Coltheart, 1985), a qual é possível acontecer por meio da rota fonológica, onde a palavra é construída pela correspondência fonema-grafema, ou por meio da rota lexical, que envolve uma ligação direta entre a palavra escrita e a representação da mesma, a partir do conhecimento lexical ortográfico do sujeito, ou seja, seu repertório de palavras familiares e seus significados. Para o desenvolvimento da linguagem escrita, Frith (1990) e Morton (1989) expõem um modelo composto por três estágios durante a alfabetização: logográfico, alfabético e ortográfico. No estágio logográfico, há o reconhecimento visual direto da palavra escrita como um todo com base no contexto (forma e cor), sem atenção precisa das letras que formam a palavra. As rotas, lexical e ortográfica, se encontram no segundo e terceiro estágio, respectivamente. Para Wanzek e Vaughn (2008) para a aprendizagem da leitura são considerados cinco componentes importantes: a consciência fonológica, o conhecimento dos fonemas/letras, vocabulário, fluência e compreensão, sendo este o caminho para uma leitura fluente e para a compreensão de textos. Em estudo de Capovilla et al. (2004a) foram observadas que as habilidades que tiveram maior correlação com a leitura e a escrita foram: aritmética, memória fonológica, vocabulário, consciência fonológica e seqüenciamento. A leitura teve 10 maior relação com as habilidades de seqüenciamento. E a escrita, com a memória fonológica. Com relação às habilidades de processamento visual ou motor, houve correlação apenas com a escrita e a memória visual. Para avaliar a competência da leitura é preciso considerar se o leitor apresenta boa decodificação, com precisão no reconhecimento das palavras, e boa capacidade de compreensão linguística (Capovilla et al., 2004a). A fala exerce grande influência no processo de aquisição da escrita de uma língua. É muito provável que ocorram alterações nesse processo, se há uma dificuldade ou ausência de fala, como é possível observar nos indivíduos com ECNE (Ferreira et al., 2006). Na linguagem escrita, o indivíduo com ECNE pode não apresentar dificuldades com relação à recepção dos símbolos gráficos. Mas como toda expressão necessita do ato motor, a demonstração do aprendizado pode ficar comprometida (Hoffmann et al., 2003). Dorman (1987) examinou preditores de compreensão de leitura em análise multivariada, em 31 indivíduos com ECNE, utilizando medidas de produção oral, percepção da fala, percepção auditiva não-verbal, percepção visual-espacial e inteligência verbal, correlacionando com o reconhecimento e compreensão de leitura. Foi observada correlação significativa entre QI verbal e percepção auditiva com as medidas de leitura. Asbell et al. (2010) avaliaram os preditores de leitura em 41 crianças com ECNE, com condição verbal, e 74 com desenvolvimento típico. Observaram que a consciência fonológica, o vocabulário receptivo e o raciocínio geral são influência para a compreensão de leitura em ambos os grupos. Os autores concluíram que crianças com ECNE, que são capazes de se comunicar verbalmente, podem atingir um nível de compreensão de leitura dentro da faixa normal para a sua idade, podendo apenas apresentar um atraso no processamento fonológico. Segundo Snow e Tabors (1996), o conhecimento do nome das letras, da estrutura sonora da língua, e o vocabulário são pontos importantes para o sucesso na leitura e escrita, e que muitas vezes são desenvolvidos antes da entrada na escola. 11 A influência da estimulação e das expectativas familiares no desenvolvimento de alfabetização, foram estudadas por Peeters et al. (2009), os quais observaram que pais de crianças com ECNE, em especial as com alterações de fala, apresentam pouco conhecimento sobre o desenvolvimento de linguagem da criança e as metas atingíveis por elas, oferecendo menor estímulo e deixando esses indivíduos em desvantagens para o desempenho de alfabetização. Com relação à alfabetização, a partir da década de 70 existe o debate sobre a inclusão das crianças com deficiência em escolas comuns (Mendes, 2006). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, afirma que o atendimento educacional especializado gratuito às crianças com necessidades especiais deve ocorrer, preferencialmente, na rede regular de ensino, ou seja, incluindo essas crianças. O Conselho Nacional de Educação (CNE) na Resolução nº2/2001 no seu art. 2º diz: “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.” (Resolução CNE/CEB nº2 de 08 de outubro de 2001 Art. 2º, p. 16). A Educação Especial, modalidade da educação escolar, define um processo educacional como uma proposta pedagógica que garanta recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos substituir os serviços educacionais comuns, de modo a oferecer a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos estudantes com necessidades educacionais especiais (Resolução CNE/CEB nº2 de 11 de setembro de 2001 Art. 3º, p. 69). A partir de 2011, houve um aumento de matriculados da Educação Especial em escolas públicas, cerca de 70%, segundo o resumo técnico do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), e o restante, quase 20% estão em instituições especiais de ensino. Porém, segundo especialistas em Educação Especial, apesar do acréscimo do número de alunos com deficiência nas redes regulares de ensino, os desafios para se atingir a inclusão são muitos – como, por exemplo, o comprometimento do gestor da escola que recebe essa criança, a 12 adaptação do local, dos materiais e das avaliações, além do preparo dos profissionais (Bendinelli et al., 2012). 1.1.4. Comunicação Suplementar e/ou Alternativa Os indivíduos com ECNE que apresentam uma limitação na expressão oral e/ou escrita podem apresentar compreensão da linguagem adequada ou um atraso moderado (Geytenbeek et al., 2014). Dessa forma, é indicada a introdução precoce de dispositivos de Comunicação Suplementar e/ou Alternativa (CSA). A CSA se refere a toda forma de comunicação que apoia e/ou suplementa a fala. A CSA é reconhecida pela ASHA desde 1991 como uma área da pesquisa e prática clínica e educacional, que tem como propósito compensar (temporária ou permanentemente) dificuldades de comunicação oral, sem restrição de idade ou patologia. Um sistema de CSA é o uso integrado de componentes que englobam símbolos, recursos, estratégias e técnicas usadas por indivíduos com necessidade de complementar a comunicação. Símbolo é utilizado no sentido linguístico, logo, podem corresponder ao uso de objetos, fotografias, gestos, desenhos gráficos, escrita (ASHA, 1991). A escolha do sistema de CSA a ser utilizado por cada indivíduo depende de diversos fatores, dentre eles cognitivo, memória, percepção visual, formas de aprendizagem e outros, que devem ser levados em consideração para uma comunicação mais eficiente (Gill, 1997). A utilização de símbolos também tem sido usada para representar mensagens e conceitos para indivíduos com dificuldades de leitura e/ou escrita (Gill, 1997). O símbolo deve corresponder ao signo linguístico composto por seu significado e significante. Nesta compreensão do símbolo, o mesmo é avaliado pela iconicidade, ou seja, o quanto o símbolo é facilmente reconhecido. Essa iconicidade pode ser transparente (relação visual direta com seu significado), opaco (seu significado não é 13 visualmente claro) e translúcido (que está no meio termo, necessitando de mais informações para seu reconhecimento) (Reichle et al., 1991). A iconicidade não é estática, depende do grau cognitivo do indivíduo que fará a leitura do símbolo. Isso faz com que um mesmo símbolo seja transparente para uma pessoa e translúcida ou opaca para outra. Deve-se verificar a relevância do símbolo de quem transmite e recebe a informação (Pires, 2005). Um adequado sistema de CSA pode oferecer uma aquisição da competência lingüística e um acesso à linguagem, tornando viável a comunicação com o outro de forma mais funcional (Deliberato, 2013). Estudos apresentam a eficácia do uso da comunicação alternativa para aprimorar a comunicação de pessoas com necessidades especiais, em diversas alterações como na ECNE, afasias por traumatismo crânio-encefálico (TCE) e acidente vascular encefálico (AVE); e déficits sensoriais severos (Pires e Limongi, 2002; Santos, Marquezine, 2003; Miranda, Gomes, 2004; Chun, 2010). Um dos sistemas utilizados para CSA é o PCS - Sistema Picture Communication Symbols (Johnson, 1981), criado para indivíduos com comprometimento na comunicação oral. É um sistema basicamente pictográfico e translúcido, com figuras de reconhecimento fácil de seu significado, apresentando uma classificação sintática organizada por cores, sendo: social, pessoas, verbos, substantivos, descritivos e miscelânea. Essas categorias apresentam a finalidade de ordenar as frases adequadamente. É composto por mais de 3000 figuras que expressam uma grande variedade de palavras em condições de atividades de vida diária. Para sua utilização, deve-se considerar a acuidade e a percepção visual, além de ser fundamental um trabalho multidisciplinar em conjunto da família (Pires, 2013). O uso de CSA não inibe o desenvolvimento da fala ou o uso da expressão oral, pois um sistema alternativo de comunicação diminui possíveis ansiedades no ato de comunicar ao indicar um símbolo desejado, podendo vir ou não acompanhado da emissão oral (Johnson, 1981). O gerenciamento adequado dos recursos de CSA para uma pessoa com ECNE colabora para uma maior participação desta no meio social em que está inserida, tanto 14 no âmbito familiar, quanto educacional, profissional e de lazer, gerando um menor impacto nas limitações que lhe são propostas pelas características e alterações motoras da própria patologia (Brassialli, 2013). Miranda e Gomes (2004) introduziram o uso da CSA em um indivíduo com ECNE, sem comunicação oral, e observou que após dois anos de trabalho terapêutico melhorou sua capacidade comunicativa, e seu desempenho escolar e social. Com relação à alfabetização de crianças e adultos que utilizam a CSA, pesquisas consideram que as habilidades cognitivas e as habilidades de leitura são individuais (Sandberg et al., 2010). 2. Objetivo 16 Esse trabalhou teve os seguintes objetivos: 1. Estruturar um protocolo para avaliar a compreensão oral e de leitura de indivíduos com ECNE; 2. Verificar o desempenho de compreensão oral e de leitura dos indivíduos com ECNE; 3. Comparar o desempenho dos participantes com ECNE que têm condição verbal com os com ECNE sem condição verbal, usuários de CSA, nas habilidades de compreensão oral e de leitura. 4. Comparar o desempenho dos participantes que fazem terapia fonoaudiológica com os que não fazem. 5. Verificar o desempenho intra-grupo e inter-grupo 3. Material e Método 18 3.1. Tipo de estudo Este trabalho foi de caráter descritivo, exploratório, prospectivo e transversal. 3.2. Preceitos éticos A fim de obedecer aos preceitos éticos a pesquisa foi submetida aos seguintes procedimentos: - aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (CEP – FCMSCSP) sob o nº 131.185 (Apêndice 1). - entrega dos Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) aos responsáveis pelos participantes para posterior realização das avaliações (Anexo 1). - entrega dos Termos de Assentimento aos participantes para posterior realização das avaliações (Anexo 2). 3.3. Casuística O protocolo elaborado neste estudo também foi aplicado para verificação inicial de ajustes na estrutura ou conduta de aplicação do mesmo. Para tal, a amostra foi composta por 12 participantes com ECNE, de ambos os gêneros, com idade entre 7;0 e 14;11 anos. Todos os participantes frequentam escola pública. Na etapa de seleção e coleta de autorização, os participantes pertenciam à uma Instituição de Reabilitação que proporcionava terapias e proposta de educação especial. No momento da coleta, todos já haviam sido transferidos para escolas públicas, devido à proposta de inclusão escolar (Decreto nº 3.956, de 8 de outubro de 2001). Foram compostos dois grupos: Grupo Pesquisa (GP) formado por seis participantes com ECNE, os quais têm indicação ou são usuários de CSA por não apresentarem uma condição verbal eficiente; e o Grupo Controle (GC) caracterizado por seis participantes com ECNE com condição verbal. 19 Foram considerados como critérios de inclusão: Ter diagnóstico de ECNE; Compreender a faixa etária (7;0 e 14;11 anos); Frequentar escola pública; Para o GP ter indicação para uso de CSA ou ser usuário; Foram critérios de exclusão: Presença de restrições importantes do ponto de vista sensorial (seja do ponto de vista visual e/ou auditiva), que demandariam adaptações específicas para a execução das tarefas propostas neste estudo. 3.4. Material Para a elaboração do protocolo foram formadas pranchas com figuras do sistema Pictures Communication Symbols - PCS (Johnson, 1981), sistema criado para indivíduos com comprometimento na comunicação oral. A elaboração do protocolo foi composta por habilidades cognitivo-linguísticas para avaliar a compreensão oral e de leitura, divididas em subtestes. Para análise da Compreensão oral avaliou-se compreensão de palavras, de frases simples e de frases complexas. Para análise das Habilidades de Leitura considerou-se reconhecimento de letras, reconhecimento da palavra, leitura e correspondência palavra/figura, compreensão de frases e compreensão de texto. Para a criação do Protocolo de Avaliação da Compreensão Oral e de Leitura na Dificuldade de Oralidade (PACOLDO) foram utilizados como embasamento alguns testes e protocolos existentes que avaliam algumas das habilidades propostas. Tais testes e protocolos têm restrições nas suas aplicações com indivíduos com alterações neuromotoras e com condição verbal limitante, devido a características quanto estrutura, apresentação visual, quantidade de estímulos. Além de viabilizar o agrupamento de avaliação de algumas habilidades num mesmo protocolo, o PACOLDO visou contemplar as adaptações necessárias para aplicação com a população mencionada acima. 20 Os testes ou protocolos utilizados como embasamento foram: Teste ABFW – Vocabulário Expressivo (Befi-Lopes, 2004), Protocolo Montreal-Toulouse - Exame de Afasia, Módulo Standard Inicial, Versão Alpha (Cabral et al., 1981), PROLEC - Provas de avaliação dos processos de leitura (Capellini, 2010), TeCoLeSi - Teste de Competência de Leitura Silenciosa (Capovilla et al., 1997). A seguir é apresentada a estrutura das provas em tópicos: C - Compreensão oral C.1 - Palavras C.2 - Frases simples C.3 - Frases complexas L - Habilidades de Leitura L.1 - Reconhecimento de letras L.2 - Reconhecimento da palavra igual/diferente L.3 - Leitura e correspondência palavra / figura L.4 - Compreensão de frases L.5 - Compreensão de textos Para a análise dos resultados as avaliações foram registradas por meio de uma máquina fotográfica Canon. 3.5. Procedimentos O procedimento apresentou duas etapas. A primeira corresponde à elaboração do PACOLDO propriamente dita, e a segunda a aplicação do mesmo em crianças com ECNE O material do Protocolo de Avaliação da Compreensão Oral e de Leitura na Dificuldade de Oralidade (PACOLDO) foi impresso em papel A4, plastificado, feito acabamento necessário (p.ex., acréscimo de velcro e organização das fichas com 21 palavras), e encadernado em duas partes, sendo a primeira relacionada à Compreensão Oral (C), e a segunda as Habilidades de Leitura (L). Após a autorização do projeto pela Comissão de Ética e Científica, os participantes foram selecionados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão. Os participantes foram convocados para a avaliação do protocolo em um espaço clínico, entretanto, aqueles com dificuldade de se deslocarem até o local, foi realizada a avaliação em atendimento domiciliar. Em todos os casos foi mantido o cuidado na organização do ambiente em termos de estímulos visuais e auditivos, considerando a luminosidade do local, ausência de ruído, e outras possíveis interferências ambientais que poderiam se diferenciar nos ambientes. O protocolo foi aplicado de forma individual e pela própria pesquisadora. A duração da aplicação das duas partes do Protocolo foi de aproximadamente 1hora e 30 minutos, respeitando a fadiga do participante, oferecendo lhe uma pausa de 10 minutos entre uma parte e outra, caso o sujeito desejasse. 3.6. Critério para análise dos resultados As provas foram registradas em vídeos e, a partir desses, os dados foram transcritos e analisados em uma Folha de Resposta do PACOLDO (Anexo 3). Os dados levantados foram analisados quantitativamente e qualitativamente. E posteriormente discutidos de acordo com a literatura. 4. Resultados 23 A seguir será explicada a elaboração detalhada do Protocolo PACOLDO seguida da sua aplicação. 4.1. Elaboração do PACOLDO Os testes foram agrupados em duas partes, como descritas anteriormente: Compreensão Oral (C) e Habilidades de Leitura (L). I. Compreensão Oral (C) Nessa parte, foram realizados testes designados para análise de compreensão verbal, sendo capaz de observar a compreensão de palavras, frases simples e complexas. Os testes da Parte C foram inspirados no Teste ABFW –Vocabulário Expressivo (Befi-Lopes, 2004) e Protocolo Montreal-Toulouse - Exame de Afasia, Módulo Standard Inicial, Versão Alpha (Cabral et al., 1981). Serão descritos a seguir: C.1 – Palavras Como a proposta deste material foi para aplicação em indivíduos com comprometimento oral, optou-se para a realização de uma avaliação de vocabulário receptivo reduzido. Para avaliar a compreensão de palavras, foram selecionadas seis categorias semânticas: Móveis e Utensílios, Animais, Alimentos, Vestuário, Meios de transporte e Cor. Foram escolhidos seis substantivos para cada categoria pertinentes ao vocabulário comum, buscando palavras utilizadas em outros testes existentes de vocabulário (ABFW, 2004). Porém, houve uma redução na quantidade de palavras a serem verificadas devido à extensão do teste. Desta forma, o teste foi composto por 6 pranchas, sendo uma para cada categoria. Cada prancha contêm 6 figuras em fundo branco (Fig. 1). Na contra página está descrita a ordem a seguir das palavras, sendo de maneira aleatória e diferente em cada prancha, e o avaliado apontou a figura correspondente (por acesso direto ou 24 varredura). Para cada acerto foi considerado um ponto, desta forma, a pontuação máxima era de 36 pontos. C.1 (Comando oral) C.1 (Comando oral) C.1 (Comando oral) C.1 (Comando oral) C.1 (Comando oral) C.1 (Comando oral) FIGURA 1 – Pranchas C.1 (Palavras) C.2 - Frases Simples Para avaliar a compreensão de Frases Simples foram formadas 3 pranchas, sendo constituída cada uma por uma frase simples, ou seja, uma única oração na frase, e por 4 figuras, sendo uma única correta e três distratoras (Fig. 2). O escolar precisou mostrar a figura correspondente à frase lida pelo examinador em cada prancha. A pontuação máxima era de 3 (três) pontos; um ponto por acerto. FIGURA 2 - Pranchas C.2 (Frases simples) C.3 - Frases Complexas 25 Composto por 4 pranchas com 4 figuras cada, e em cada prancha foi falado ao escolar uma frase complexa, ou seja, constituída por duas ou mais orações, e solicitado que mostrasse a figura correspondente a frase. Semelhante ao item anterior há uma única figura correta e três distratores, sendo contado um ponto por acerto. Pontuação máxima era de 4 (quatro) pontos. As pranchas podem ser visualizadas a seguir (Fig. 3). FIGURA 3 - Pranchas C.3 (Frases Complexas) II. Habilidade de Leitura (L) Nessa parte, foram realizados testes destinados a analisar o conhecimento de letras, palavras, frases e texto. Os testes que compuseram a parte L foram: L.1 – Reconhecimento de Letras 26 Composta por uma prancha de alfabeto, contendo todas as letras, com exceção das letras K, X, Y e W, devido ao menor uso dessas letras em nossa língua e para uma melhor exposição visual. As letras foram expostas aleatoriamente, sendo do tipo de fôrma maiúscula (Fig. 4). Na contra página as letras ficam expostas na ordem que o examinador deve ditar. A criança teve que apontar as letras ditadas por acesso direto ou por varredura. Como foi considerado um ponto para cada acerto a pontuação máxima era de 20 pontos. FIGURA 4 - Prancha L.1 (Reconhecimento de Letras) L.2 - Reconhecimento da Palavra Esse teste foi subdividido em duas partes: Diferenciação Igual/Diferente e Identificação da Palavra Alvo. - L.2.1 (Diferenciação Igual/Diferente): esse item teve o intuito de observar se o escolar apresenta a percepção visual dos estímulos iguais e diferentes. Foi composto por duas pranchas. A primeira prancha apresenta 8 pares de figuras, a ordem dada ao escolar foi que mostrasse apenas os pares de figuras iguais. A segunda prancha é constituída de 10 pares de palavras, sendo solicitada a mesma ordem. Nas duas pranchas, os pares são iguais na metade dos casos, e a outra metade, apresenta apenas um detalhe (no caso das figuras na primeira prancha) ou uma letra diferente (na segunda prancha), sendo exigida grande atenção visual. Em ambas as pranchas têm dois pares de exemplo. Pontuação máxima era de 18 pontos, sendo considerado um ponto por acerto. As pranchas podem ser visualizadas na figura seguinte (Fig. 5). 27 FIGURA 5 - Pranchas L.2.1 (Diferenciação Igual/Diferente) - L.2.2 (Identificação da Palavra Alvo): nesse item foi apresentada uma prancha com 6 palavras e 6 pseudopalavras ou não-palavras, escritas aleatoriamente em letra de fôrma maiúscula (Fig. 6). O participante precisou apontar a palavra dita pelo avaliador. Pontuação máxima era de 12 pontos, sendo um ponto por acerto. As palavras e pseudopalavras selecionadas são formadas por sílabas de diferentes complexidades, sendo utilizadas quatro para cada uma das seguintes estruturas: CCV, VC e CVC, semelhantes às usadas no PROLEC – Provas de Avaliação dos Processos de Leitura (Capellini et al., 2010), porém em menor quantidade devido a possibilidade de fadiga em indivíduos com alteração neuropsicomotor. FIGURA 6 - Prancha L.2.2 (Identificação da Palavra Alvo) L.3 – Leitura e Correspondência Palavra/Figura 28 Esse teste foi composto por 4 pranchas, sendo que em cada uma há 4 figuras com um espaço abaixo das figuras para serem colocadas as palavras escritas correspondentes. Na lateral da prancha foram dispostas 8 palavras móveis, escritas com letra de fôrma maiúscula, sendo que 4 palavras se encaixam adequadamente, e 4 palavras apresentam erros dos tipos: trocas fonológicas, trocas visuais, trocas ortográficas, e outros (erros que não se encaixaram nessas três categorias) (Fig. 7). Esse item do Protocolo foi inspirado no Teste de Competência de Leitura Silenciosa TeCoLeSi (Capovilla et al., 1997). Pontuação máxima era de 16 pontos, sendo contado um ponto por acerto. FIGURA 7 - Pranchas L.3 (Leitura e Correspondência Palavra/Figura) L.4 – Compreensão de Frases Essa parte teve como objetivo avaliar a leitura e a compreensão de frases. Composto por 4 pranchas com 1 figura e 3 frases em cada prancha (Fig. 8). O escolar foi orientado a apontar a frase correspondente à figura. As frases foram escritas em letra de fôrma maiúscula, e apenas uma era correta. As frases foram dispostas em voz ativa, voz passiva ou sem nenhuma conexão à figura, como na avalição de leitura de frase do PROLEC – Provas de Avaliação dos Processos de Leitura (Capellini et al., 2010),. Nas duas primeiras pranchas, a frase correta esteve na voz ativa, e nas outras 29 duas, na voz passiva. Para cada acerto foi considerado um ponto, obtendo pontuação máxima de 4 (quatro) pontos. FIGURA 8 - Pranchas L.4 (Compreensão de Frases) L.5 – Compreensão de Textos Este item do protocolo foi formado por quatro pequenos textos extraídos aleatoriamente, seguindo os seguintes critérios para a escolha: estórias não familiarizadas e/ou comuns, extensão do texto, e interesse do tema no universo infanto-juvenil. Os textos selecionados foram dois do tipo expositivo e dois narrativos (Fig. 9 - 12). Os textos foram dispostos em letras de fôrma maiúscula. Depois da leitura de cada texto, foram realizadas duas pranchas com cinco questões, sendo duas de verdadeiro x falso, no qual o escolar precisou apontar os símbolos: “verdadeiro”, “falso” ou “não sei”, e três de perguntas literais, no qual foram expostos símbolos relacionados ao texto. Os dois primeiros textos e as perguntas relacionadas aos mesmos foram lidos pelo avaliador. E os outros dois textos foram lidos pelo escolar, sendo que nos casos de ausência de oralidades a leitura poderia ser silenciosa. A pontuação máxima para cada texto era de 5 (cinco) pontos. 30 FIGURA 9 - Pranchas L.5 (Compreensão de Textos - Texto1) FIGURA 10 - Pranchas L.5 (Compreensão de Textos - Texto2) FIGURA 11 - Pranchas L.5 (Compreensão de Textos - Texto3) FIGURA 12 – Pranchas L.5 (Compreensão de Textos - Texto4) Foi realizado um Manual de Aplicação com Indicações e Objetivos do PACOLDO, Introdução e Instruções básicas para aplicação do material (Anexo 4). 31 A seguir, serão apresentados os resultados obtidos pelos participantes com ECNE que foram avaliados com o uso do PACOLDO. 4.2. Aplicação do PACOLDO A seguir apresentam-se os resultados obtidos com a aplicação do PACOLDO em crianças com ECNE, entre 7;0 e 14;11 anos de idade, conforme casuística descrita no capítulo Método deste trabalho. Para apresentação dos resultados, dividiu-se em: perfil dos participantes, provas de compreensão oral, provas de habilidade de leitura e comparação entre os grupos pesquisa e controle. 4.2.1. Perfil dos participantes . O PACOLDO foi aplicado em 12 participantes com ECNE, sendo seis usuários de CSA compondo o Grupo Pesquisa (GP), e seis com condição verbal compondo o Grupo Controle (GC). A seleção e divisão nos grupos foi de acordo com os critérios de inclusão e exclusão descritos anteriormente no Método. Neste tópico foi realizada análise do perfil da casuística obtida a partir da idade, gênero e escolaridade, aspectos que não se caracterizavam como de seleção. No Quadro 1, tem-se o perfil dos participantes com ECNE de ambos os grupos, caracterizando-se quanto a gênero, idade e escolaridade. No GP a média da idade dos participantes foi de 10,2 anos, todos do gênero masculino e com a escolaridade de 1º ao 6º ano. No GC a média da idade dos participantes foi de 10,9 anos, dois do gênero masculino e quatro do gênero feminino e com a escolaridade de 3º ao 6º ano. GP Sujeitos Gêner o Idade GC Escolaridad Sujeito Gêner e s o Idade Escolaridad e 32 P1 M 7a 1º ano C1 M 8,4a 3º ano P2 M 7,2a 1º ano C2 F 10,1a 4º ano P3 M 10,6a 3º ano C3 M 10,6a 4º ano P4 M 11,5a 4º ano C4 F 10,8a 4º ano P5 M 11,11 4º ano C5 F 11,11 4º ano P6 M C6 F a 14a 6º ano a 11,7a 6º ano QUADRO 1 - Perfil dos participantes com relação a gênero, idade e escolaridade No Quadro 2, pode-se observar os participantes do estudo que fazem ou fizeram terapia fonoaudiológica na área de linguagem, e o tempo de terapia ou ausência da mesma. Nota-se que quatro participantes do GP realizam terapia fonoaudiológica atualmente. E do GC apenas dois realizam terapia. Os demais participantes já realizaram terapia há pelo menos um ano, porém 100% deles estão sem fonoterapia por aproximadamente sete meses. Participantes Realiza fonoterapia P1 X P2 X P3 X P4 X Quanto tempo faz? 2 anos e 5 meses 6 anos e 8 meses 2 anos e 8 meses 3 anos e 3 meses Realizava fonoterapia P5 X P6 X C1 X X C3 X C4 X C6 X 2 anos e 2 meses 3 anos e 3 meses Quanto tempo não faz? 7 meses 7 meses 4 anos e 11 meses C2 C5 Quanto tempo fez? 3 anos e 5 meses 3 anos e 4 meses 1 ano e 3 meses 7 meses 7 meses 7 meses 3 anos e 9 meses X 3 anos e 2 meses 7 meses QUADRO 2 – Perfil dos participantes com relação à terapia fonoaudiológica 33 4.2.2. Resultados das Provas de Compreensão Oral (C) A seguir serão descritos os resultados obtidos pelos participantes nas provas da Parte de Compreensão Oral (C) de ambos os grupos. As máximas pontuações nos testes são: C.1 - Palavras = 36 pontos, C.2 – Frases Simples = 3 pontos e C.3 – Frases Complexas = 4 pontos. O desempenho dos participantes com ECNE usuários de CSA, do GP, nessas provas, pode ser observado na Tabela 1. Nota-se que apenas P4 teve 100% de acertos nas provas de Compreensão Oral. E a prova de pior desempenho do GP foi a prova C.3 – Frases Complexas, com a média do grupo com 35% de erro. TABELA 1 - Desempenho do GP nas provas de Compreensão Oral Pacientes GP C.1 (/36) C.2 (/3) C.3 (/4) P1 32 3 3 P2 35 3 3 P3 30 2 2 P4 36 3 4 P5 29 1 0 P6 36 3 4 Média 33 2,5 2,6 C.1- Vocabulário receptivo, C.2- Frases simples, C.3- Frases complexas Na Tabela 2 pode ser observado o desempenho dos participantes do GC nos testes de Compreensão Oral. Observa-se que dois participantes obtiveram 100% de acerto, C3 e C6. A prova com pior desempenho também foi a prova de Frases Complexas, no qual a média do grupo foi de 25% de erro. 34 TABELA 2 – Desempenho do GC nas provas de Compreensão Oral Pacientes GC C.1 (/36) C.2 (/3) C.3 (/4) C1 35 2 1 C2 36 3 3 C3 36 3 4 C4 36 3 3 C5 36 2 3 C6 36 3 4 Média 35,8 2,7 3 C.1- Vocabulário receptivo, C.2- Frases simples, C.3=-Frases complexas Foram apresentados dois textos aos participantes de ambos os grupos, sendo realizada a leitura pelo aplicador para avaliação da compreensão. Abaixo segue o desempenho de compreensão do GP a partir da leitura desses textos 1 e 2 (Tab. 3). Pode se observar que todos os participantes foram capazes de compreender os textos lido pelo examinador, com exceção do P5 que teve apenas um acerto no Texto 1. TABELA 3 - Desempenho do GP na Compreensão dos Textos 1 e 2 Provas P1 P2 L.5 TEX1 2 2 L.5 TEX2 2 3 L.5 - Compreensão de Textos P3 4 3 P4 3 4 P5 1 0 P6 5 4 Máximo 5 5 Sobre o desempenho do GC na compreensão dos textos lidos pelo aplicador, nota-se que todos os participantes conseguiram compreender os textos. Dois participantes (C3 e C4) apresentaram 100% de acerto, e C6 apresentou dificuldade apenas na compreensão do Texto 1 (Tab.4). TABELA 4 - Desempenho do GC na Compreensão dos Textos 1 e 2 Provas L.5 TEX1 C1 C2 2 2 L.5 TEX2 3 2 L.5 - Compreensão de Textos C3 C4 C5 C6 5 5 5 5 4 5 0 4 Máximo 5 5 35 4.2.3. Resultados das Provas de Habilidade de Leitura (L) Na Parte Habilidades de Leitura (L), o GP obteve os resultados apresentados na Tabela 5, sendo acrescentado na última coluna o máximo de ponto possível em cada teste. Nota-se que P4 e P6 obtiveram as melhores pontuações, e P5 a menor pontuação. Foram excluídos os dados dos resultados obtidos na prova L.5 – Compreensão de Textos (Textos 1 e 2) por não avaliarem a habilidade de compreensão de leitura, pois esses textos foram lidos pela examinadora. Esses dados foram expostos anteriormente nos resultados das provas de Compreensão Oral. TABELA 5 - Pontuação do GP nas provas de Habilidade de Leitura Provas L.1 L.2.1 L.2.2 L.3 L.4 L.5 TEX3 L.5 TEX4 TOTAL P1 8 13 1 3 0 0 0 25 P2 7 10 1 2 0 0 0 20 P3 20 10 1 1 1 0 0 33 P4 20 14 12 14 4 3 4 71 P5 6 10 0 0 0 0 0 16 P6 19 18 12 14 2 3 5 73 Máximo 20 18 12 16 4 5 5 80 L.1 - Reconhecimento de Letras; L.2 - Reconhecimento da Palavra Igual/Diferente; L.3 - Leitura e Correspondência Palavra / Figura; L.4 - Compreensão de Frases; L.5 - Compreensão de Textos Na Tabela 6 observa-se o desempenho em porcentagem dos participantes do GP nas provas de Habilidades de Leitura. As provas que o GP obteve maior dificuldade foram L.4 – Compreensão de Frases e L.5 – Compreensão de Textos (Texto 3 e 4 – os quais os participantes precisavam ler sozinhos o texto e as perguntas). TABELA 6 - Porcentagem de acerto do GP na Parte Habilidade de Leitura Provas L.1 P1 40% P2 35% P3 100% P4 100% P5 30% P6 95% 36 L.2.1 L.2.2 L.3 L.4 L.5 TEX3 L.5 TEX4 72% 8% 19% 0% 0% 0% 56% 8% 13% 0% 0% 0% 56% 8% 6% 25% 0% 0% 78% 100% 88% 100% 60% 80% 56% 0% 0% 0% 0% 0% 100% 100% 88% 50% 60% 100% L.1 - Reconhecimento de Letras; L.2 - Reconhecimento da Palavra Igual/Diferente; L.3 - Leitura e Correspondência Palavra / Figura; L.4 Compreensão de Frases; L.5 - Compreensão de Textos Na Tabela 7 observam-se os resultados dos participantes do GC nos testes da Parte L. Nota-se que nesse grupo os participantes obtiveram pontuações finais similares, com exceção do C1, que teve um desempenho inferior. As melhores pontuações foram de C2 e C6. TABELA 7 - Pontuação do GC na Habilidade de Leitura Provas L.1 L.2.1 L.2.2 L.3 L.4 L.5 TEX3 L.5 TEX4 TOTAL C1 10 12 0 1 0 0 0 23 C2 20 17 11 10 4 2 3 67 C3 20 16 10 10 0 0 0 56 C4 20 15 4 10 1 0 0 50 C5 19 14 9 11 1 0 0 54 C6 19 16 12 12 4 4 3 70 Máximo 20 18 12 16 4 5 5 80 L.1 - Reconhecimento de Letras; L.2 - Reconhecimento da Palavra Igual/Diferente; L.3 - Leitura e Correspondência Palavra / Figura; L.4 - Compreensão de Frases; L.5 - Compreensão de Textos A Tabela 8 apresenta o desempenho dos participantes do GC em porcentagem nas provas de Habilidades de Leitura. As provas que esse grupo obteve maior dificuldade também foram L.4 – Compreensão de Frases e L.5 – Compreensão de Textos (Texto 3 e 4), semelhante ao GP, com exceção dos participantes C2 e C6. TABELA 8 - Porcentagem de acerto do GC na Parte Habilidade de Leitura Provas L.1 C1 50% C2 100% C3 100% C4 100% C5 95% C6 95% 37 L.2.1 L.2.2 L.3 L.4 L.5 TEX3 L.5 TEX4 67% 0% 6% 0% 0% 0% 94% 92% 63% 100% 40% 60% 89% 83% 63% 0% 0% 0% 83% 33% 63% 25% 0% 0% 78% 75% 69% 25% 0% 0% 89% 100% 75% 100% 80% 60% L.1 - Reconhecimento de Letras; L.2 - Reconhecimento da Palavra Igual/Diferente; L.3 - Leitura e Correspondência Palavra/Figura; L.4 Compreensão de Frases; L.5 - Compreensão de Textos Abaixo segue a comparação do desempenho dos participantes na compreensão dos Textos 1, 2, 3 e 4, sendo que nos dois primeiros (Tex1, Tex2) os textos eram lidos e avaliou-se apenas a condição de compreensão, e nos textos seguintes (Tex3, Tex4) avaliou-se a compreensão a partir da leitura realizada pelos próprios participantes. Verifica-se que tanto no GP como no GC, o desempenho de compreensão nos Textos 1 e 2 foi superior, o que nos mostra que nos Textos 3 e 4 o desempenho baixo é atribuído à habilidade de leitura (Tab. 9 e Tab.10). TABELA 9 – Resultado em porcentagem do GP na prova de Compreensão de Textos Provas P1 P2 L.5 TEX1 40% 40% L.5 TEX2 40% 60% L.5 TEX3 0% 0% L.5 TEX4 0% 0% L.5 – Compreensão de Textos P3 80% 60% 0% 0% P4 60% 80% 60% 80% P5 20% 0% 0% 0% P6 100% 80% 60% 100% TABELA 10 - Resultado em porcentagem do GC na prova de Compreensão de Textos GC C1 C2 L.5 TEX1 40% 40% L.5 TEX2 60% 40% L.5 TEX3 0% 40% L.5 TEX4 0% 60% L.5 – Compreensão de Textos C3 100% 100% 0% 0% C4 100% 100% 0% 0% C5 80% 100% 0% 0% C6 0% 80% 80% 60% 38 Todos dos participantes, tanto do GP quanto do GC, apresentaram algum erro na prova L.3 – Leitura e Correspondência Palavra/Figura, sendo variado a quantidade e o tipo de erro (trocas fonológicas, visuais, ortográficas e/ou outros). Observa-se na Figura 13 que 100% dos participantes do GP apresentaram erros do tipo Troca Fonológica; 83,3% do tipo Troca Visual, e 66,6% dos tipos Troca Ortográfica e/ou Outros erros (erros que não se encaixaram nessas três categorias), sendo este o que mais ocorreu nesse grupo. 18 16 14 12 Outros 10 Troca Ortográfica 8 Troca visual 6 Troca fonológica 4 2 0 P1 P2 P3 P4 P5 P6 FIGURA 13 - Tipos de erros do GP na prova L.3 – Leitura e Correspondência Palavra/Figura Na Figura 14 tem os tipos de erros dos participantes do GC. Nota-se que 100% apresentaram pelo menos um erro do tipo Troca Ortográfica, os demais tipos de erros: Troca Fonológica, Troca Visual, e Outros ocorreram em 50% dos participantes. 39 16 14 12 10 Outros 8 Troca Ortográfica 6 Troca visual 4 Troca fonológica 2 0 C1 C2 C3 C4 C5 C6 FIGURA 14 - Tipos de erros do GC na prova L.3 – Leitura e Correspondência Palavra/Figura 4.2.4. Comparações entre os grupos Na Figura 15 observam-se as médias em porcentagem dos resultados obtidos pelos participantes do GP e do GC nas provas da Parte C. Observa-se que nas três provas (C.1- Vocabulário receptivo, C.2- Frases simples e C.3=-Frases complexas) as médias de ambos os grupos foram similares. FIGURA 15 – Média em porcentagem do GP e do GC na Compreensão Oral 40 Na Figura 16 observa-se a média das porcentagens obtidas pelos grupos GP e GC nas provas da Parte L - Habilidade de Leitura. O GC obteve melhores médias na maioria dos testes, com exceção do Teste L.5 – Compreensão de Textos (Texto 3) que os dois grupos tiveram a mesma média, e o L.5 (Texto 4) que o GP teve a média superior. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Média % GP Média % GC L.1 L.2.1 L.2.2 L.3 L.4 L.5 L.5 L.5 L.5 TEXTO1 TEXTO2 TEXTO3 TEXTO4 FIGURA 16 – Médias das porcentagens dos GP e GC nas provas de Leitura Comparando as Partes de Compreensão Oral (C) e de Habilidade de Leitura (L), observa-se que os participantes do GP tiverem melhor desempenho na Parte C. Na Figura 17, nota-se que os participantes P4 e P6, que obtiveram os melhores desempenhos na Parte L, também tiveram maiores pontuações na Parte C. O mesmo ocorre inversamente, no qual P5 teve menor pontuação em ambas as Partes. 41 FIGURA 17 – Porcentagem de acerto dos participantes do GP na Compreensão Oral e Leitura Nota que no GC, C6 teve desempenho maior nas Partes C e L, e C1 teve as pontuações menores em ambas as Partes, se comparado com o grupo (Fig.18). FIGURA 18 – Porcentagem de acerto dos participantes do GC na Compreensão Oral e Leitura Todos os participantes da pesquisa de ambos os grupos realizaram fonoterapia em algum momento da vida, porém apenas seis participantes realizam terapia 42 atualmente, sendo quatro do GP e dois do GC, como pode ser observado nas Fig. 19 e 20 em porcentagem. FAZ FONOTERAPIA NÃO FAZ FONOTERAPIA 33% 67% FIGURA 19 – Quantidade de participantes que realizam ou não fonoterapia no GP FAZ FONOTERAPIA NÃO FAZ FONOTERAPIA 33% 67% FIGURA 20 - Quantidade de participantes que realizam ou não fonoterapia no GC Na Tabela 11, podemos observar as pontuações dos participantes do GP que realizam ou não fonoterapia atualmente nas provas das Partes C e L. Pode-se notar que os participantes que obtiveram maior pontuação em ambas as provas foram P4 que realiza terapia fonoaudiológica atualmente, e P6 que não realiza há sete meses. Porém, vale ressaltar, que ambos participantes realizaram fonoterapia há mais de 3 43 anos. O participante P5, que teve menor pontuação, não realiza terapia há aproximadamente sete meses. Esse dado também pode ser visualizado na Fig. 21. TABELA 11– Relação entre fonoterapia e pontuações nas provas do GP Fonoterapia atual Provas Paciente GP Sim Não 140 P1 P2 P3 P4 P5 C 38 41 34 43 30 L 29 25 40 81 17 P6 43 82 TOTAL 67 66 74 124 47 125 125 124 120 100 80 67 66 74 60 COM TERAPIA 47 SEM TERAPIA 40 20 0 P1 P2 P3 P4 P5 P6 FIGURA 21 – Relação entre fonoterapia e pontuações nas provas do GP Na Tabela 12, observamos as pontuações nas provas de Compreensão Oral e de Leitura dos participantes do GC que realizam ou não fonoterapia atualmente. Notase que C1 teve a menor pontuação referente ao grupo e o mesmo realiza terapia fonoaudiológica há quatro anos e onze meses. E os demais participantes do grupo obtiveram pontuações semelhantes, sendo que C6, que teve maior pontuação, não realiza fonoterapia há sete meses, porém fez aproximadamente três anos de terapia. Esse dado também pode ser visualizado na Figura 22. 44 TABELA 12 - Relação entre fonoterapia e pontuações nas provas do GC Fonoterapia atual Provas Paciente GC C 38 41 42 43 42 43 C1 C5 C2 C3 C4 C6 Sim Não L 28 63 71 66 60 74 TOTAL 66 104 113 109 102 117 140 120 104 113 109 117 102 100 80 66 COM TERAPIA 60 SEM TERAPIA 40 20 0 C1 C5 C2 C3 C4 C6 FIGURA 22 – Relação entre fonoterapia e pontuações nas provas do GC Na Figura 23, observamos a pontuação total em porcentagem obtida pelos participantes dos grupos dessa pesquisa no Protocolo PACOLDO. É possível notar que o GC obteve resultados mais homogêneos, apresentando uma variação de porcentagem de acerto de 74% a 85%, com exceção do C1, que obteve 48% de acerto nas partes de Compreensão Oral e de Leitura. Com relação ao GP, quatro participantes (P1, P2, P3 e P5) apresentaram porcentagens de acerto inferior a 54%, porém os participantes do GP com os melhores desempenhos foram (P4 e P6) com 91% de acerto em todo o Protocolo. 45 140 91% 91% 85% 82% 120 80% 74% 76% 100 54% 80 49% 48% 48% GP 60 34% 40 20 0 P1 P2 P3 P4 P5 P6 C1 C2 C3 C4 C5 C6 FIGURA 23 – Pontuação total dos GP e GC no Protocolo PACOLDO 5. Comentários conclusivos 47 A criação do Protocolo PACOLDO ocorreu sob a perspectiva de facilitar e possibilitar uma avaliação da compreensão oral de palavras e frases, simples e complexas, e uma avaliação das habilidades de leitura, desde o conhecimento de letras, de leitura de palavras, de frases e de textos, até a compreensão dos mesmos. O material foi estruturado e elaborado para indivíduos na faixa etária a partir de sete anos de idade, com pouca ou sem condição verbal, que impossibilite uma adequada compreensão de suas respostas orais. Desta maneira o material do PACOLDO foi elaborado com símbolos gráficos, utilizados na CSA, adequada apresentação visual, sendo impresso em folhas A4, com símbolos de tamanhos médios. Houve a escolha de símbolos mais transparentes, sendo uma quantidade reduzida dos estímulos visuais, tendo atenção ao volume do material como um todo. O material foi plastificado para manter sua preservação. Frente à falta de protocolos de avaliação de compreensão oral e de leitura adaptados para indivíduos com dificuldades neuromotoras, sobretudo naqueles com dificuldades de expressão oral, confirmamos a importância do PACOLDO para se avaliar as habilidades propostas e observar as possíveis alterações de compreensão oral e de leitura, para assim possibilitar uma intervenção adequada nesses indivíduos. Foram selecionados os indivíduos com ECNE para a aplicação do PACOLDO nesse estudo devido suas possíveis limitações físicas, alterações neuropsicomotoras e dificuldades na expressão oral, já que não há testes e protocolos existentes que avaliam as habilidades sugeridas pelo PACOLDO em indivíduos com essas limitações. Na prova de Compreensão Oral foi possível avaliar a compreensão de palavras, de frases simples e de frases complexas. Apesar de serem selecionados vocábulos simples para a faixa etária compreendida, deve ser considerar as possíveis alterações cognitivas presentes na população em questão. A intenção foi observar a compreensão de comandos orais e o reconhecimento visual dos símbolos expostos. Foi necessário adaptar, para alguns dos participantes da amostra, um plano inclinado para melhor visualização do material, não apenas nessa prova, mas nas demais do Protocolo. O PACOLDO avalia a compreensão oral devido à importância de se ter uma adequada compreensão da língua oral para a obtenção de aprendizado e 48 conhecimento, sendo este fundamental para o desempenho de leitura e da compreensão da mesma. A fim de compreender o que se lê, um indivíduo deve ser capaz de identificar as palavras contidas no texto, permitindo o reconhecimento dos significados incorporados no texto. Os participantes do GP e do GC nas provas de Compreensão Oral apresentaram desempenhos semelhantes, se considerar a média dos grupos, porém um dos participantes do GP (P5) teve desempenho inferior a 33% nas habilidades de Compreensão de Frases Simples e 0% na de Frases Complexas. Em ambos os grupos, os participantes obtiveram pontuação de acerto superior a 80% na prova de Compreensão de Palavras. Porém, se comparar os dois grupos nota-se desempenho maior na média do GC. Esse dado também foi observado em estudo de Geytenbeek et al. (2014), no qual encontraram que, crianças com ECNE e sem condição verbal, apresentaram nenhum ou um atraso moderado na compreensão oral, se comparado com crianças com desenvolvimento típico. A Prova de Habilidade de Leitura teve como intuito verificar o conhecimento de letras, a capacidade de reconhecer visualmente símbolos e palavras semelhantes das que apresentam diferenças (como trocas ou inversões de letras no caso de palavras), a leitura de palavras e pseudopalavras, a leitura e a compreensão de palavras, frases e textos. Como são diversas habilidades sendo avaliadas, houve o cuidado com a fadiga dos participantes da pesquisa, oferecendo pausas quando necessário ou solicitado pelos mesmos. As respostas foram consideradas por expressão oral (participantes com condição verbal), apontamentos por acesso direto ou por varredura em casos de limitações motoras. Na prova de Reconhecimento de Letras, foi observado que no GP três participantes apresentaram pontuação inferior à 40% de acerto, e no GC, apenas um participante apresentou 50% de acerto. E os demais participantes, de ambos os grupos, tiveram pontuação acima de 95%. Sendo possível notar quais participantes dominavam esse conhecimento. Apesar de serem muitos estímulos visuais, sendo 20 letras em uma prancha, foi possível obter as respostas de todos os participantes, mesmo dos sem condição verbal, sendo por acesso direto e/ou por varredura. A prova de Diferenciação Igual/Diferente foi dividida em duas pranchas, uma para identificar símbolos iguais e a outra, palavras iguais. Foi observado no GP um 49 desempenho mínimo dos participantes superior a 50% e máximo de 100%, e no GC de 67% a 89%. Nessa prova, foi notada leve dificuldade dos participantes de ambos os grupos na identificação dos símbolos diferentes, necessitando possivelmente de uma modificação do material, colocando símbolos com diferenças mais notáveis ou aumentar o tamanho dos símbolos apresentados, diminuindo os estímulos por prancha. Essa questão pode ser explicada pelas dificuldades frequentes de acuidade visual, seja periférica ou central, encontradas nessa população avaliada, lembrando que apenas os indivíduos com restrições importantes do ponto de vista visual foram excluídos da amostra. Para avaliar o Reconhecimento da Palavra, na prova de Identificação da Palavra Alvo, foram selecionadas palavras e pseudopalavras com diferentes complexidades, seguindo as estruturas de sílabas como proposto no PROLEC – Provas de Avaliação dos Processos de Leitura (Capellini et al., 2010), porém de forma reduzida devido a maior fadiga de indivíduos com alteração neuropsicomotor. Foi observado nessa prova, Identificação da Palavra Alvo, que, quatro participantes do GP obtiveram porcentagem de acerto inferior a 7%, e os outros dois participantes, 100% de acerto. No GC, quatro participantes apresentaram pontuações superiores a 75% de acerto e apenas dois participantes, abaixo de 33%. Nota-se que a dificuldade em identificar palavras foi mais presente no GP e a maior quantidade de erros de ambos os grupos foi de pseudopalavras, na estrutura silábica CCV, corroborando com os achados de Capellini et al. (2010), em pesquisa realizada com crianças com desenvolvimento típico. Esse dado nos mostra a importância de estimular e trabalhar com os indivíduos com ECNE, pois a compreensão e o desenvolvimento cognitivo podem estar preservados (Bobath e Bobath, 1989), e o processo de aprendizado da leitura e da escrita podem ser semelhantes ao do desenvolvimento típico ou apresentarem apenas um atraso, como visualizado em estudo de Asbell et al. (2010) o qual concluíram que crianças com ECNE podem atingir um nível de compreensão de leitura dentro da faixa esperada para a sua idade, apresentando possivelmente um atraso no processamento fonológico. Ainda para avaliar a compreensão da leitura de palavras, foi criada e aplicada uma prova de Leitura e Correspondência Palavra/Figura, no qual o participante precisou fazer essa correspondência. Pode-se notar se o participante apresenta a habilidade da leitura da palavra e se apresentava erros dos tipos: trocas fonológicas, 50 trocas visuais, trocas ortográficas, e/ou outros (erros que não se encaixam nessas três categorias). Esse item do Protocolo foi inspirado no Teste de Competência de Leitura Silenciosa - TeCoLeSi (Capovilla et al., 1997). Todos os participantes apresentaram algum tipo de erro, sendo variado a quantidade e o tipo de erro, na prova de Leitura e Correspondência Palavra/Figura. No GP, houve pelo menos um erro do tipo Troca Fonológica em 100% dos casos. Também ocorreram erros do tipo Troca Visual (83,3%), Troca Ortográfica e/ou Outros (66,6% cada), porém em questão de quantidade o que mais ocorreu nesse grupo, foram erros classificados como Outros. Podendo ser justificado por falta de domínio da leitura, sendo selecionadas as palavras de forma aleatória. Todos os participantes do GC apresentaram pelo menos um erro do tipo Troca Ortográfica, os demais tipos de erros foram: Troca Fonológica, Troca Visual, e outros, que ocorreram em 50% dos participantes (cada). Porém, o participante com o pior desempenho (C1), foi o que obteve mais erros do tipo Outros, possivelmente pela mesma justificativa citada para o GP. Em estudo de Capovilla et al. (2006) foi encontrado que estudantes da 1ª a 3ª série em ensino regular, com desenvolvimento típico, apresentaram maiores erros ortográficos, sendo semelhante com os participantes do GC, porém a escolaridade não interferiu no tipo de erro. O PACOLDO avalia a leitura e a compreensão de frases, e teve como parâmetro para sua estrutura neste aspecto o PROLEC – Provas de Avaliação dos Processos de Leitura (Capellini et al., 2010). Na sua aplicação na casuística descrita, verificou-se desempenho baixo nesta habilidade, sendo observado que apenas um indivíduo teve boa pontuação. Segundo Capellini et al. (2010), na prova de Estruturas Gramaticais – PROLEC, também encontrou porcentagens de erros elevados em crianças com desenvolvimento típico, de 2º a 5º ano, especialmente com orações passivas, semelhante ao encontrado nessa pesquisa, no qual ambos os grupos obtiveram mais erros em frases na voz passiva. Para avaliar a Compreensão de Textos, o Protocolo PACOLDO tem como objetivo conferir a compreensão do participante quando o texto era lido por outra pessoa, e a compreensão da sua leitura do texto, propriamente dita, sendo dois textos para cada análise. Foram elaboradas perguntas sobre os Textos, e as respostas poderiam ser por meio de símbolos na falta da condição verbal. Com relação aos resultados, foi observado que no GP, apenas dois conseguiram ler e compreender os 51 Textos (P4 e P6), igualmente no GC (C2 e C6), sendo que esses participantes freqüentam o 4º e o 6º ano, respectivamente. Os Textos com maiores acertos foram os do tipo narrativo. A média do grupo com maior acerto foi do GC. A criança, mesmo antes de ser alfabetizada, compreende textos bastante complexos, e também é capaz de produzi-los oralmente. Porém, a mesma criança recém-alfabetizada pode apresentar dificuldade em compreender textos lidos por ela mesma por falta de competências, seja por uma dificuldade de leitura ou de fluência. Mas isso não implica em uma dificuldade de compreensão. Por isso, Oliveira (2005), refere a necessidade em avaliar as habilidades de compreensão e de leitura com o cuidado em observar se o indivíduo não compreendeu o texto por não saber ler ou por não conseguir compreender. Isso mostra a importância de aplicar das duas formas, como realizado no PACOLDO, na prova de compreensão de textos, para garantir a compreensão do que interferiu no desempenho da prova, observando qual habilidade se encontra prejudicada. Não houve relação evidente com relação ao desempenho dos participantes nas provas avaliadas do PACOLDO e a questão da terapia fonoaudiológica, seja a quantidade de tempo ou se a realizava no momento da avaliação. Os participantes que não estavam em terapia fonoaudiológica haviam interrompido o processo terapêutico no máximo há 7 meses, o que sugere que não seja um tempo suficiente para identificar prejuízos evidentes a ponto de interferir nas respostas. Acredita-se que ainda haja influência da intervenção direta e indireta com família e equipe realizadas anteriormente durante o processo terapêutico. Houve uma maior diversidade de idade e de escolaridade dos participantes do GP, porém não foram observadas diferenças importantes conforme o aumento da idade ou da escolaridade com relação aos resultados do Protocolo PACOLDO nesse grupo. No GC, a diversidade foi menor, e foi observado que C1, o participante de menor idade e escolaridade apresentou os piores desempenhos em todas as provas, exceto na prova de Compreensão de Texto – Texto 1. Vale salientar que o Ensino Fundamental apresenta um sistema educacional que não reprova o aluno, sendo reformulada essa prática, a partir de 2014, para possível reprovação nos 3º, 6º e 9º anos (Revista profissão mestre, 2013). Porém, os participantes dessa pesquisa não 52 sofreram essa reformulação e em muitos casos, vemos a aprovação mesmo em meio a dificuldade na alfabetização e outros aprendizados. Desta forma, temos participantes da pesquisa com maior idade e maior escolaridade, mas com grandes dificuldades nas habilidades de leitura. Na pontuação total do Protocolo PACOLDO, nos testes de Compreensão Oral e de Habilidades de Leitura, os participantes com ECNE com condição oral (GC), obtiveram uma média superior se comparado com os participantes com ECNE não falantes usuários de CSA (GP). Porém, os dois participantes que obtiveram os melhores desempenhos foram do GP (P4 e P6). Os indivíduos que fazem uso de CSA para se comunicar, especialmente aqueles com bom desempenho de compreensão oral e cognitivo, fazem uso da escrita e da leitura como uma estratégia para ampliação de sua comunicação e vocabulário, se aperfeiçoando nas habilidades de leitura e escrita, muitas vezes até mais do que os indivíduos que apresentam condição verbal eficiente. Consideramos que o Protocolo elaborado para avaliar a compreensão oral e de leitura de indivíduos com dificuldades de oralidade (PACOLDO) permite observar as respostas dos participantes da pesquisa, por acesso direto ou por varredura, no caso da ausência da condição verbal, de forma satisfatória. Há necessidade da continuidade da pesquisa para a normatização do Protocolo, aplicando-o em uma maior quantidade de sujeitos, preferencialmente em indivíduos com desenvolvimento típico, e posteriormente em outras patologias que apresentam dificuldades na oralidade. 6. Anexos 54 Anexo 1 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Protocolo de avaliação da compreensão oral e da leitura na dificuldade da oralidade A Encefalopatia Crônica não Evolutiva (ECNE) pode acarretar alterações sensoriomotoras, afetando diretamente a fala e outras dificuldade de comunicação, tendo como benefício o uso da Comunicação Suplementar Alternativa (CSA). As dificuldades no aprendizado de leitura e escrita também podem estar comprometidas, porém há uma necessidade da elaboração de protocolo de leitura e escrita para pessoas sem oralidade. Esse trabalho tem como objetivo elaborar um protocolo de avaliação da compreensão oral e de leitura de indivíduos com Encefalopatia Crônica não Progressiva. Em hipótese alguma, o (a) participante será identificado e as imagens obtidas serão utilizadas apenas para análise deste estudo. O responsável fica livre para, em qualquer momento, retirar o seu consentimento e deixar de participar do estudo. Em caso de desistência, a criança não será prejudicada. A não participação de seu filho (a) nesse estudo, não o (a) comprometerá no atendimento ou tratamento realizado nessa Instituição. Para os participantes, não haverá também nenhum tipo de benefício direto, pois trata- se de um estudo experimental. Esta pesquisa será desenvolvida pela aluna Ana Paula Gastão Orlandin sob orientação da Profª. Dra. Sandra Cristina Fonseca Pires. As mesmas poderão ser encontradas no curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, situada à Rua Dr. Cesário Motta Júnior, 61, 8º andar, Vila Buarque/ SP, telefone (11) 33677785 (Profª. Dra. Sandra Pires). Desde já agradecemos a colaboração, colocando-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos no que se refere aos procedimentos, resultados ou assuntos relacionados. Eu, ____________________________________ RG _________________, declaro ter sido informado(a) verbalmente e por escrito da pesquisa intitulada “Protocolo de Avaliação da Compreensão Oral e da Leitura na Dificuldade da Oralidade”, e autorizo meu filho(a) ________________________________ a participar do estudo. Serão garantidos o anonimato e a integridade física de meu filho(a). Tenho conhecimento dos testes que serão realizados, assim como os procedimentos de realização e as filmagens que ocorrerão durante os testes. São Paulo, ___ de ___________________ de ______. ________________________________ Assinatura do responsável __________________________ Assinatura da Pesquisadora __________________________ Assinatura da orientadora 55 Anexo 2 –Termo de Assentimento Protocolo de avaliação da compreensão oral e da leitura na dificuldade da oralidade Termo de Assentimento Eu ________________________________________aceito participar da pesquisa “Protocolo de Avali ação da Compreensão Oral e da Leitura na Dificuldade da Oralidade”. Declaro que a pesquisadora An a Paula Gastão Orlandin me explicou que ela mostrará uma série de folhas com desenhos e palavras e me fará perguntas para res Assinatura da criança/adolescente:_________________________________________ ponder mostrando a figura certa na própria folha. Ana Paula me explicou também que serei filmado(a ) enquanto ela estiver me mostrando essas folhas e me fazendo as perguntas. Compreendi que não s ou obrigado(a) a participar da pesquisa, eu decido se quero participar ou não. A pesquisadora me exp licou ainda que o meu nome não aparecerá na pesquisa. Dessa forma, concordo livremente em partici par do estudo, sabendo que posso desistir a qualquer momento, se assim desejar. Assinatura dos pais/responsáveis:__________________________________________ Ass. Pesquisador:_______________________________________________________ Dia/mês/ano:__________________________________________________________ 56 Anexo 3 – Folha de resposta do PACOLDO Protocolo de Avaliação da Compreensão Oral e da Leitura na Dificuldade de Oralidade (FOLHA DE RESPOSTA) Nome: _________________________________________ Data de aplicação: ___/___/______ D.N.: ___/___/___ Idade: ___________ H.D.: ______________________________________ Escolaridade (ano e nome da escola):______________________________________________ I - Compreensão Oral (C) C.1 – Palavras (Vocabulário) – Coloque 1 (um ponto) para cada acerto Móveis e Utensílios Animais Alimentos Vestuário Meios de Transportes Cores COLHER VACA OVO CAMISA BICICLETA VERMELHO CADEIRA PATO QUEIJO CHAPÉU NAVIO AZUL SOFÁ CACHORRO CENOURA TÊNIS AVIÃO MARROM FACA SAPO BANANA BONÉ TREM VERDE CAMA CAVALO SALADA VESTIDO CAMINHÃO AMARELO PRATO GATO UVA CALÇA CARRO PRETO /36 TOTAL C.2 - Frases simples – coloque 1 (um ponto) para cada acerto A menina come O cachorro dorme O carro amarelo /3 TOTAL C.3 - Frases complexas - Coloque 1 (um ponto) para cada acerto O homem gordo senta na cadeira e o O homem e o gato seguem o ônibus homem magro fica de pé A menina lê o livro e o menino brinca O menino de vermelho segue o menino de amarelo /4 TOTAL II - Habilidade de Leitura (L) L.1 – Reconhecimento de Letras - Coloque 1 (um ponto) para cada acerto A E B T L U V D M O R C I F J P G N Z S TOTAL /20 1/4 57 L.2 - Reconhecimento da palavra L.2.1 (Diferenciação igual/diferente) - Coloque 1 (um ponto) para cada acerto FIGURAS PALAVRAS Laço (igual) Cadeira de roda (diferente) Pato (diferente) Amigo (igual) Pomba (igual) Fila (igual) Coma (diferente) Cachorro (diferente) Planeta (diferente) Índio (igual) Gato (igual) Família (diferente) Bandeira (igual) Sentar (diferente) Palhaço (diferente) Pastel (igual) Vaca (diferente) Coisa (igual) /18 TOTAL L.2.2 (Identificação da palavra alvo) - Coloque 1 (um ponto) para cada acerto PALAVRAS PSEDOPALVRAS Chuva Prato Erta Crita Arte Paz Toste Vorle Irmão Porta Chola Ostiga /12 TOTAL L.3 – Leitura e correspondência palavra/figura Coloque 1 (um ponto) para cada acerto. No caso de erro, especificar por qual palavra foi trocada. PRANCHA 1 PRANCHA 2 PRANCHA 3 PRANCHA 4 Bule __________ Carro _________ Cabide __________ Futebol __________ Táxi __________ Bolo __________ Cadeira _________ Homem _________ Computador Vaca _________ Xícara ___________ Folha ___________ Família _______ Cinquenta ________ Cola ____________ ________________ Casa __________ /16 TOTAL Quantidades e tipos de erros: trocas fonológicas trocas visuais trocas ortográficas outros 2/4 58 L.4 – Compreensão de Frases Coloque 1 (um ponto) para cada acerto. A polícia está perseguindo o carro (1ª frase) – voz ativa A mulher está observando o homem nadando (3ª frase) – voz ativa O menino está sendo achado pela menina (2ª frase) – voz passiva A bola esta sendo jogada pelo menino (1ª frase) – voz passiva TOTAL /5 L.5 – Compreensão de Textos Texto 1: A BATATA - Coloque 1 (um ponto) para cada acerto 1 – A batata foi inventada por um alemão. (Falso) 2 - A batata contêm amido. (Verdadeiro) 3 - O rei joão xvi ajudou na campanha da batata? (Sim) 4 - Onde a batata foi usada a primeira vez? (Jantar) 5- Qual a profissão de quem inventou a batata? (Médico) TOTAL /5 Texto 2: O VELHO BURRINHO - Coloque 1 (um ponto) para cada acerto 1 – A viagem que os homens tinham que fazer era longa. (Verdadeiro) 2 - O burro mais jovem levou a carga mais pesada. (Falso) 3 - O que tinha no balaio maior? (Comida) 4 - Quem levou a melhor no final da viagem? (Burro velho) 5 - Como ficou o balaio do velho burro ao longo da viagem? (vazio) TOTAL /5 3/4 59 Texto 3: A BICICLETA - Coloque 1 (um ponto) para cada acerto 1 – A bicicleta foi inventada por um chinês. (Falso) 2 – A bicicleta tinha um nome estranho: Celerífero. (Verdadeiro) 3 – Quantas rodas tinha a bicicleta? (Duas) 4 – Era possível andar com a bicicleta? (Não) 5 – A bicicleta era feita de __________? (Madeira) TOTAL /5 Texto 4: O CÃO E A CARNE- Coloque 1 (um ponto) para cada acerto 1 – Havia um cão atravessando o rio. (Verdadeiro) 2 – O cão viu a sombra da carne, que era muito menor. (Falso) 3 – Que animal tem na história? (Cachorro) 4 – O que o cão estava levando? (Carne) 5 – O cão conseguiu comer a carne? (Não) TOTAL TOTAL FINAL (Soma de todas as pontuações) /5 /133 Observações:__________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ Conclusões e Conduta Fonoaudiológica: ____________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ __________________________ Assinatura e carimbo 4/4 60 Anexo 4 – Manual de Aplicação Protocolo de Avaliação da Compreensão Oral e da Leitura na Dificuldade de Oralidade MANUAL DE APLICAÇÃO INDICAÇÕES E OBJETIVOS O PACOLDO – Protocolo de Avaliação da Compreensão Oral e da Leitura na Dificuldade de dade de expressão verbal. Visa avaliar o usuário de Comunicação Suplementar Alternativa ( CSA) e auxiliar no processo de indicação de CSA. A aplicação do protocolo tem o intuito de analisar a compreensão oral, simples e complexas, e avaliar as seguintes habilidades de leitura: conhecimento de letras, leitura de palavras, de f rases e de textos, e a sua compreensão. MATERIAL O protocolo PACOLDO contém: • Dissertação de Mestrado: descrição dos procedimentos utilizados na construção do I nstrumento: Fundamentação Teórica, Etapas de Construção do Instrumento, Aplicação e Resultados encontrados. • Pranchas de Aplicação: dividida em duas partes: Parte C (Compreensão Oral) e Part e L (Habilidades de Leitura), contendo o material da avaliação com as descrições dos p rocedimentos gerais de aplicação. • Folhas de respostas: folhas específicas para anotação dos acertos e erros, tipos de e rros, pontuações da avaliação, as anotações necessárias. INTRODUÇÃO A aplicação do PACOLDO ocorreu inicialmente com indivíduos com Encefalopatia Crônica N ão Evolutiva (ECNE), devido a suas possíveis limitações física, alterações neuropsicomotora s e principalmente pelas suas dificuldades na expressão verbal. A ECNE é decorrente de uma lesão no cérebro ainda em desenvolvimento, ocasionando imp licações sensoriomotoras (Shevell et al., 2001; Miller, 2002). Essas alterações podem afetar a fala e outras dificuldades de comunicação, tendo como benefício o uso da CSA (Limongi, 1 998, Pires e Limongi, 2002). As dificuldades no aprendizado de leitura e escrita podem estar comprometidas, podendo se r decorrentes de prejuízos de fala e/ou cognitivos (Zorzi, 2010; Rocha, 2010), a questões do processamento fonológico e a fatores individuais (Santos e Navas, 2004). Orlandin APG. Protocolo de avaliação da compreensão oral e da leitura na dificuldade de oralidade [Dissertação de Mestrado Profissional em Saúde da Comunicação Humana]. São Paulo: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; 2015. Oralidade é indicado para escolares a partir de 7;0 anos de idade, com dificuldade na capaci 1/2 61 A expressão escrita necessita do ato motor, e o indivíduo com ECNE poderá ter essa dificuld ade em demonstrar seu aprendizado. Assim como para expressar oralmente o que compree ndeu de uma palavra, frase e/ou texto lido. No campo fonoaudiológico, poucas são as publicações que descrevem as alterações de com preensão oral e de leitura, quando relacionadas ao diagnóstico da ECNE, sobretudo em indiv íduos com dificuldade na comunicação e expressão oral. Sendo assim, observou-se a necessidade em estruturar e aplicar um protocolo que identifiqu e as alterações de Compreensão oral e de Leitura encontradas em indivíduos com ECNE e q ue sejam usuários ou tem indicação de CSA. i impresso em folhas A4, plastificadas, e utilizou-se símbolos gráficos de CSA, sendo selecio nados símbolos mais transparentes e de tamanho médio, para possibilitar as respostas de in divíduos sem condição verbal. Procurou-se apresentar uma quantidade de estímulos visuais reduzida, com atenção ao volume do material como um todo. INSTRUÇÕES DE APLICAÇÃO O Protocolo foi dividido em duas Partes para facilitar a aplicação, como exposto a seguir: Parte C - Compreensão oral Parte L - Habilidades de Leitura C.1 - Palavras L.1 - Reconhecimento de letras C.2 - Frases simples L.2 - Reconhecimento da palavra Igual /Diferente C.3 - Frases complexas L.3 - Leitura e correspondência Palavra / Figura L.4 - Compreensão de frases L.5 - Compreensão de textos O material de ambas as partes vem com as explicações sobre as ordens a serem dadas ao a valiado na contra página anterior. Dessa maneira, é indicado deixar o material levemente incl inado para que o avaliado veja melhor o material da avaliação e o avaliador veja as ordens a seguir. Permitir as respostas por acesso direto, caso o avaliado consiga de uma forma eficiente e cla ra apontar sua resposta, ou por varredura. Respeitar o tempo de resposta de cada indivíduo. O tempo de aplicação pode ser de 60 a 90 minutos, dependendo de cada indivíduo e seu nív el de fadiga (se necessário, aplicar as partes em dias alternados). Anotar na Folha de Resposta as pontuações efetuadas pelo avaliado, sendo um ponto para c ada acerto. Orlandin APG. Protocolo de avaliação da compreensão oral e da leitura na dificuldade de oralidade [Dissertação de Mestrado Profissional em Saúde da Comunicação Humana]. São Paulo: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; 2015. O material do PACOLDO foi estruturado com o cuidado na apresentação visual. O mesmo fo 2/2 7. Referências Bibliográficas 63 Almeida MA, Piza MHM, Lamônica DAC. Adaptações do sistema de comunicação por troca de figuras no contexto escolar / Adaptation of the picture exchange communication system in a school context. Pró-Fono. 2005 Maio-Ago;(2):233-240. American Speech-Language-Hearing Association - Asha, Oxfordshire; 1991. Disponível em: http://www.asha.org> (03 nov. 2014). 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Protocolo de avaliação da compreensão oral e da leitura na dificuldade de oralidade [Dissertação de Mestrado Profissional em Saúde da Comunicação Humana]. São Paulo: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; 2015. Introdução: A Encefalopatia Crônica não Evolutiva (ECNE) pode acarretar alterações sensoriomotoras, afetando diretamente a fala e outras dificuldades de comunicação, tendo como benefício o uso da Comunicação Suplementar Alternativa (CSA). As dificuldades no aprendizado de leitura e escrita também podem estar comprometidas, porém há dificuldade em analisar a compreensão oral e de leitura em pessoas sem oralidade. Objetivo: elaborar um protocolo de avaliação da compreensão oral e da leitura de indivíduos com ECNE; Verificar e comparar o desempenho de compreensão oral e de leitura dos indivíduos com ECNE falantes e não falantes usuários de CSA. Comparar o desempenho dos participantes que fazem fonoterapia com os que não fazem. Método: Participaram 12 crianças com ECNE, de ambos os gêneros, com idade entre 7;0 e 14;11 anos. A elaboração do Protocolo de Avaliação da Compreensão Oral e da Leitura na Dificuldade de Oralidade (PACOLDO) abrangeu os seguintes aspectos: Compreensão oral – C (palavras, frases simples e complexas) e Habilidades de Leitura - L (conhecimento do alfabeto e do fonema, reconhecimento da palavra igual/diferente, leitura silenciosa da palavra, compreensão de frases e compreensão de textos). Foram confeccionadas pranchas com símbolos pictográficos do sistema Pictures Communication Symbols (Johnson, 1981). Resultados: os participantes foram divididos em: Grupo Pesquisa (GP) com seis usuários de CSA e Grupo Controle (GC) com seis falantes. No GP a média da idade foi de 10,2 anos e no GC de 10,9 anos. Observou-se que nos testes de Compreensão oral a média do GC foi maior do que do GP. E na Compreensão de Leitura pode-se observar que o GC obteve melhores médias na maioria dos testes, com exceção do item de compreensão de leitura de Texto. Os maiores erros observados no GP foram as trocas fonológicas e no GC foram as trocas ortográficas. Conclusão: O Protocolo foi elaborado e foi possível avaliar habilidades de compreensão oral e de leitura em indivíduos com ECNE falantes e não falantes. Observaram-se melhores desempenhos nos falantes. Não houve relação evidente no desempenho de participantes que faziam fonoterapia atualmente, pois todos já haviam feito terapia em algum período, estando sem intervenção em média 7 meses. Descritores: Paralisia Cerebral, Comunicação Alternativa, Fonoaudiologia, Avaliação Abstract 74 Orlandin APG, Pires SCF. Assessment protocol listening comprehension and reading the difficulty of oral [Professional Master's Dissertation on Health Human Communication]. São Paulo: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; 2015. Introduction: Chronic Encephalopathy no Evolutionary (ECNE) can cause sensorimotor changes, directly affecting speech and other communication difficulties and the benefit the use of Supplemental Alternative Communication (AAC). The difficulties in reading and writing learning may also be compromised, but it is difficult to analyze the listening and reading in people without orality. Objective: To develop an evaluation protocol of listening and reading subjects with ECNE; Check and compare the performance of oral and reading comprehension of individuals with ECNE speakers and non-speakers CSA users. Compare the performance of participants who are speech therapy with those who do not. Method: 12 children with ECNE, of both genders, aged 7, 0 and 14, 11 years. The format of the Listening Assessment Protocol and reading in Difficulty Orality (PACOLDO) covered the following: Listening - C (words, simple and complex sentences) and Reading Skills - L (alphabet knowledge and phoneme, word recognition equal / different, silent reading of the word, understanding phrases and text comprehension). Boards were made with pictographic symbols Pictures Communication Symbols system (Johnson, 1981). Results: The participants were divided into Group Research (GP) with six members of CSA and Control Group (CG) with six speakers. GP in the mean age was 10.2 years and 10.9 years in the GC. It was observed that the Listening tests the average of the control group was higher than the GP. And in reading comprehension can be seen that the GC had a better average in most tests, except for the item of understanding text read. The biggest mistakes observed in the GP were the phonological changes and CG were spelling changes. Conclusion: With the elaborate protocol was possible to assess listening and reading skills in individuals with ECNE speakers and non-speakers. There were better performances in the speakers. There was no apparent relationship in the performance of participants who were currently speech therapy, because everyone had been in therapy at some time, with no intervention on average 7 months. Keywords: Cerebral Palsy, Alternative Communication, Speech, Evaluation Listas e Apêndices 76 FIGURA 1 – Pranchas C.1 (Palavras) 24 FIGURA 2 - Pranchas C.2 (Frases simples).............................................................. 24 FIGURA 3 - Pranchas C.3 (Frases Complexas) ........................................................ 25 FIGURA 4 - Prancha L.1 (Reconhecimento de Letras) ............................................. 26 FIGURA 5 - Pranchas L.2.1 (Diferenciação Igual/Diferente) ..................................... 27 FIGURA 6 - Prancha L.2.2 (Identificação da Palavra Alvo) ....................................... 27 FIGURA 7 - Pranchas L.3 (Leitura e Correspondência Palavra/Figura) .................... 28 FIGURA 8 - Pranchas L.4 (Compreensão de Frases) ............................................... 29 FIGURA 9 - Pranchas L.5 (Compreensão de Textos - Texto1) ................................. 30 FIGURA 10 - Pranchas L.5 (Compreensão de Textos - Texto2) ............................... 30 FIGURA 11 - Pranchas L.5 (Compreensão de Textos - Texto3) ............................... 30 FIGURA 12 – Pranchas L.5 (Compreensão de Textos - Texto4) .............................. 30 FIGURA 13 - Tipos de erros do GP na prova L.3 – Leitura e Correspondência Palavra/Figura ........................................................................................................... 38 FIGURA 14 - Tipos de erros do GC na prova L.3 – Leitura e Correspondência Palavra/Figura ........................................................................................................... 39 FIGURA 15 – Média em porcentagem do GP e do GC na Compreensão Oral ......... 39 FIGURA 16 – Médias das porcentagens dos GP e GC nas provas de Leitura ......... 40 FIGURA 17 – Porcentagem de acerto dos participantes do GP na Compreensão Oral e Leitura .................................................................................................................... 41 FIGURA 18 – Porcentagem de acerto dos participantes do GC na Compreensão Oral e Leitura .................................................................................................................... 41 FIGURA 19 – Quantidade de participantes que realizam ou não fonoterapia no GP 42 FIGURA 20 - Quantidade de participantes que realizam ou não fonoterapia no GC 42 FIGURA 21 – Relação entre fonoterapia e pontuações nas provas do GP ............... 43 FIGURA 22 – Relação entre fonoterapia e pontuações nas provas do GC .............. 44 FIGURA 23 – Pontuação total dos GP e GC no Protocolo PACOLDO ..................... 45 77 Apêndice 1 – Aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 78