Sódio em Debate Desafios na Redução do Consumo ESTRATÉGIAS TECNOLÓGICAS PARA REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS CÁRNEOS Dra. Marise A. R. Pollonio REDUÇÃO DE SÓDIO EM ALIMENTOS PROCESSADOS Questão de Saúde Pública Desafios Tecnológicos Sensibilização do consumidor ~ 75% do Na na dieta provém de alimentos industrializados (FAO, 2010) PANORAMA INTERNACIONAL - REDUÇÃO DE SÓDIO ESTABILIDADE DE PRODUTOS CÁRNEOS UNICAMP Composição do produto Condições de varejo Métodos de Conservação Consumidor Nestlé Waters/ Pure Life Splash - Sistema de distribuição Proteção pela embalagem Por que é tão difícil substituir NACl em produtos cárneos? Redução da atividade de água – segurança Flavor e propriedades sensoriais gerais Capacidade de retenção de água Propriedades de ligação das proteínas miofibrilares Aumento da viscosidade de batters Textura Redução de perdas de líquido em produtos a vácuo Shelf life Por isso, ainda… • Não existe um substituto satisfatório para NaCl. • A redução de sal precisa ser gradual. • Exige comunicação entre diferentes segmentos: indústria, governo, população. Outros aditivos contribuem com Na em alimentos processados Glutamato monosódico (MSG) Bicarbonato de sódio Carbonato de sódio Fosfato de sódio Benzoato de sódio Propionato de sódio Ascorbato de sódio Eritorbato de sódio Nitrito de sódio Nitrato de sódio Sulfito de sódio Lactato de sódio Diacetato de sódio Caseinato de sódio Teores de Na em produtos cárneos CGPAN * Produtos Méd./100g Mín./100g Máx/100g Salsicha 1091 962 1360 Presunto 1275 660 2330 Light) 709 363 1031 Empanados 584 430 800 Lingüiça 1283 1096 1483 Salame 1950 1498 2783 Mortadela 1309 880 1480 Hambúrguer (Normal e Embutidos * CGPAN – Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição – Brasília, 27/01/11 UNICAMP Proposta atual GOVERNO - INDÚSTRIA Estabelecer metas de redução de sódio em produtos cárneos escalonadas para um período de tempo Quanto de Na reduzir por produto? Quais os produtos alvo? Qual o tempo para implementar a redução? Quais os entraves tecnológicos? Segurança? Como rotular com segurança e adequada densidade nutricional? FATOS SOBRE REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS CÁRNEOS PROCESSADOS Propriedades sensoriais do Cloreto de Sódio Sabor salgado Doce em baixas concentrações Suprime sabor amargo Melhora/modifica flavor Promove saciedade Aspectos visuais desejáveis Estimula salivação em altas concentrações SABOR Na+ / Cl- interfere e influencia a percepção de sabor salgado Na+ penetra nos receptores celulares via canais de Na. Ocorre despolarização, entrada de Ca2+ através de canais de Ca2+ com liberação de impulso nervoso e aumento da ação do nervo aferente. Percepção de sabor salgado • Depende dos componentes do produto • B Threshold de detecção Percepção de sabor salgado • C Threshold de reconhecimento água • D Threshold terminal pão Exemplo de threshold de detecção para sal A B C D D % NaCl http://www.cf.ac.uk/biosi/starff/jacop/teaching/sensory/taste.html • água 0.007% • pão 0.05% Percepção de sabor salgado Salsichas – 2,4% de NaCl – muito salgada 1,6% baixo teor de sal (Wirth, 1991) Mortadelas – teores de 1,2 – 1,35% - aceitação Presuntos – 1,7% no produto final – aceitação do produto (Ruunsunen, 2001) Redução de sal provoca redução da percepção de flavor global no produto O teor de gordura influencia a percepção de sabor salgado. O aumento de proteína cárnea reduz a percepção de sabor salgado. http://www.cf.ac.uk/biosi/starff/jacop/teaching/sensory/taste.html Comparação entre KCl e NaCl atributo salgado sweetness saltiness Saltiness sweetness NaCl concentration Intensity Intensity Bitterness KCl concentration Dzendolet & Meiselman, 1967 REDUÇÃO DE SAL PODE INFLUENCIAR A ESTABILIDADE E SEGURANÇA DE PRODUTOS CÁRNEOS SAL Pontos críticos para redução de sal + Aditivos + Tratamento Térmico + Redução da atividade de água + Redução de pH + Cadeia de Frio - Controle de NO2 Matérias primas altamente contaminadas - - Falhas no binômio Tx t - Condimentos e especiarias contaminados - Falhas na cadeia de frio PROPRIEDADES FUNCIONAIS Textura NaCl influencia a extração e solubilização da proteínas miofibrilares Aumento da hidratação, CRA, maior capacidade de ligação de água e gordura pelas proteínas > textura. COMPORTAMENTO FUNCIONAL DAS PROTEÍNAS MIOFIBRILARES EMULSIFICAÇÃO SOLUBILIDADE GELATINIZAÇÃO VISCOSIDADE CAPACIDADE DE RETENÇÃO DE ÁGUA CAPACIDADE DE RETENÇÃO DE GORDURA RETENÇÃO DE FLAVOR DISSOCIAÇÃO E EXTRAÇÃO DAS PROTEÍNAS MIOFIBRILARES Soluções salinas Alta força iônica EXTRAÇÃO INSUFICIENTE EXTRAÇÃO DAS PROTEÍNAS MIOFIBRILARES EM PROCESSO DE COMINUIÇÃO Matéria prima cárnea com baixo teor de protéinas Insuficiente adição de sal Abuso de temperatura durante cominuição Extração insuficiente de proteínas miofibrilares ETAPAS CRÍTICAS NA REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS EMULSIONADOS ETAPAS CRÍTICAS NA REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS EMULSIONADOS ETAPAS CRÍTICAS NA REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS EMULSIONADOS ETAPAS CRÍTICAS NA REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS EMULSIONADOS ETAPAS CRÍTICAS NA REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS EMULSIONADOS ETAPAS CRÍTICAS NA REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS EMULSIONADOS ETAPAS CRÍTICAS NA REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS EMULSIONADOS ETAPAS CRÍTICAS NA REDUÇÃO DE SAL EM PRODUTOS EMULSIONADOS Textura Efeitos da redução de NaCl Reduz CRA (<2%) Reduz força de gel Liberação de gordura das emulsões (Sofos, 1983) Mínimo de 1,5% para formação de matriz (Matullis et al,1995) Concentrações menores que 2,0% - menor estabilidade de emulsão e aumento de perdas por cocção – textura mole. Estratégias para substituição de NaCl KCl, CaCl2 e MgCl2 Ervas e especiarias Coberturas com cristais de NaCl Realçadores e mascaradores de sabor Modificação da forma física dos cristais de NaCl Elevação de acidez USO DE SAIS SUBSTITUTOS Uso de sais de cloreto divalentes: menor estabilidade em batters (Horita & Pollonio, 2009) CaCl2 reduz pH e % umidade das formulações (Horita & Pollonio, 2008) KCl e lactato de potássio podem substituir até 40% de NaCl em salames Riscos em produtos fermentados: segurança (Campagnol & Pollonio, 2008) Uso de fosfatos – grande desafio fosfatos: pH e solubilidade protéica sal: força iônica e CRA REALÇADORES DE SABOR • Compostos que não possuem sabor salgado, mas intensificam sabor salgado na presença de NaCl. • Aminoácidos (glicina, lisina, taurina e arginina), éster de glicina e lactatos • Ésteres de glicina chegam a substituir até 30% com aceitação em produtos cárneos • Lactato de potássio: o mais efetivo realçador de sabor salgado em solução ou em sistemas sólidos (Phelps et al. 2006) Valores médios de notas de aceitação sensorial para o atributo SABOR de salames formulados com redução de 50% de NaCl 9 8 7 a a ab 6 b 5 4 3 2 1 0 Controle KCl KCl + 1% E.L KCl + 2% E.L Controle: (2,5% de NaCl); KCl: (1,25% de NaCl + 1,25% de KCl); KCl + 1% E. L.: (1,25% de NaCl + 1,25% de KCl + 1% Extrato de Levedura); KCl + 2% E. L.: (1,25% de NaCl + 1,25% de KCl + 2% Extrato de Levedura) Fonte: Campagnol e Pollonio. (Meat Science, 2011) MODIFICAÇÃO DA FORMA FÍSICA DO SAL Utilização de pequenos cristais misturados com concentrações variadas de KCl Quanto menor o tamanho do cristal, mais rápida a percepção de sal (Phelps et al. 2006) Necessidades de pesquisas para redução de sódio em produtos cárneos Pesquisa de blendings de ervas e especiarias Seleção de extensores favoráveis ao flavor final dos produtos cárneos Seleção das combinações fosfato-extensores-redução de sal Avaliação da força iônica dos sais substitutos Estudo tecnológico das formas de sal disponíveis Estabilidade e shelf life Educação do consumidor Novos apelos gastronômicos para produtos cárneos PARA VENCER OS DESAFIOS DA REDUÇÃO DE NA Conhecimento e competência tecnológica OBRIGADA! [email protected]