0 SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO DO VALE DO IPOJUCA - SESVALI FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA - FAVIP COORDENAÇÃO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS CURSO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS BRUNA RODRIGUES FIORI ESTIMAÇÃO DA FUNÇÃO DE REAÇÃO DO BANCO CENTRAL DO BRASIL: UMA ANÁLISE EMPÍRICA ENTRE 2003 A 2010. CARUARU 2010 1 Diretor Superintendente Luiz de França Leite Diretor Superintendente Vicente Jorge Espíndola Rodrigues Diretora Executiva Mauricélia Bezerra Vidal Diretora Acadêmica Aline Brandão Siqueira Coordenador (a) do Curso de Economia Prof. Msc. Maria Vanessa de Souza 2 BRUNA RODRIGUES FIORI ESTIMAÇÃO DA FUNÇÃO DE REAÇÃO DO BANCO CENTRAL DO BRASIL: UMA ANÁLISE EMPÍRICA ENTRE 2003 A 2010. Monografia apresentada a Coordenação de Economia da Faculdade do Vale do Ipojuca como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Economia. Orientador: Prof. Msc. Cássio da Nóbrega Besarria. CARUARU 2010 3 Catalogação na fonte - Biblioteca da Faculdade do Vale do Ipojuca, Caruaru/PE F519e Fiori, Bruna Rodrigues. Estimação da função de reação do Banco Central do Brasil: uma análise empírica entre 2003 a 2010 / Bruna Rodrigues Fiori. – Caruaru: FAVIP, 2010. 55 f. : il. Orientador(a) : Cássio da Nóbrega Besarria. Trabalho de Conclusão de Curso (Ciências Econômicas) -Faculdade do Vale do Ipojuca. 1. Regra de Taylor. 2. Função de reação. 3. Taxa de juros. 4. Metas de inflação. I. Título. CDU 330[11.1] Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 4 5 BRUNA RODRIGUES FIORI ESTIMAÇÃO DA FUNÇÃO DE REAÇÃO DO BANCO CENTRAL DO BRASIL: UMA ANÁLISE EMPÍRICA ENTRE 2003 A 2010. Monografia apresentada a Coordenação de Economia da Faculdade do Vale do Ipojuca como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Economia. Orientador: Prof. Msc. Cássio da Nóbrega Besarria. Aprovada em: / / _____________________________ Prof. Msc. Cássio da Nóbrega Besarria Orientador _____________________________ Prof. Msc. Pablo Aurélio Lacerda de Almeida Pinto Avaliador _____________________________ Prof. Msc. Augusto Santana Veras de Medeiros Avaliador CARUARU 2010 6 Dedico esta monografia a minha família e a Gustavo Loreto que sempre acreditaram no meu sucesso e me deram o suporte necessário para que pudesse chegar até aqui. 7 AGRADECIMENTOS Ao meu orientador Prof. Msc. Cássio da Nóbrega Besarria pela confiança e pela dedicação ao meu sucesso neste trabalho, trazendo sugestões e orientações a fim de obter os melhores resultados. Em especial, a Profa. Msc. Marilene Bizerra da Costa que plantou em mim o desejo e o apreço inicial pelo curso. Aos Prof. Msc. Pablo Pinto e Augusto Santana pelas sugestões e observações feitas ao projeto inicial. Aos amigos do dia-a-dia Thiago Cavalcanti, Marcelo Marinho e Nathália Leite pela atenção e carinho. Aos colegas de curso pelo companheirismo no decorrer do curso, pela união e incentivo, permitindo que juntos evoluíssemos em prol da busca pelo conhecimento necessário a nossa formação profissional e pessoal. A todos aos docentes que passaram pelo curso, fornecendo o melhor de suas atividades, pelo tempo destinado a orientar, cobrar e enfim, nos habilitar para uma grande tarefa, a qual é o desafio do bacharel em economia. Aos empreendedores, aos diretores, aos coordenadores dos cursos e aos demais professores e funcionários da Faculdade do Vale do Ipojuca. Aos colegas de trabalho por suportarem pacientemente minhas ansiedades e pela compreensão nas ausências. Na base de tudo construído até aqui, agradeço a Deus e a minha família, sem os quais jamais teria condições de seguir sozinha. 8 “Viver, é não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será. Mas isso não impede que eu repita: É bonita, é bonita e é bonita.” (LUIZ GONZAGA, 1982) 9 RESUMO O propósito deste trabalho é abordar teoricamente e empiricamente a determinação da taxa de juros básica de curto prazo para a economia brasileira sob o sistema de metas para inflação no período entre 2003 a 2010 e estimar uma regra de Taylor do tipo backward-looking utilizando o método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). A escolha do período tomou por base a evolução do mercado de capitais a partir de 2003. Foi incorporada a especificação básica proposta por Taylor novas variáveis com o intuito de verificar se possuem correlação positiva com a Selic. A incorporação de novas variáveis não se mostrou relevante para a tomada de decisão da autoridade monetária de acordo com a especificação proposta. Conforme largamente evidenciado em outros estudos, o hiato do PIB não foi significativo. Os resultados revelam um comportamento conservador da autoridade monetária e um alto grau de correlação para taxa básica de juros. Verifica-se que a autoridade monetária é pouco sensível a variações na inflação e no produto considerando-se que há uma relutância em modificar a taxa de juros mesmo sob melhores condições da inflação e crescimento do PIB. Palavras-Chave: Regra de Taylor. Função de reação. Taxa de juros. Metas de inflação. 10 ABSTRACT The purpose of this assignment is to approach the theory of the determination of the basic interest rate in short period for the Brazilian economy the system of inflation targeting between 2003 to 2010 and estimate a Taylor’s rule as in backward- looking using the method of Ordinary Last Squares. The choice of the period took as base the evolution of the Capital Market starting in 2003. The basic specification proposal of Taylor was incorporated new variables with the purpose of verifying the positive co-relation with Selic. The incorporation of new variables did seem relevant to be taken the decision of the monetary authority according to the specification proposal. As other studies largely evident the gap from PIB was not significant. The results reveal a conservative behavior from the monetary authority in a high degree of co-relation to the basic interest rate. It’s been verified that the Monetary Authority is a little sensitive to the variation in the inflation and towards the products that they happen to find that there is reluctance in modifying the interest rate even over better conditions of the inflation and development of the GDP. Keywords: Taylor rule. Interest rates. Reaction Function. Inflation targeting. 11 LISTA DE TABELAS TABELA 01 - VANTAGENS E DESVANTAGENS DA ADOÇÃO P. 34 DE UMA REGRA PARA A CONDUÇÃO DE POLÍTICA MONETÁRIA. TABELA 02 - VANTAGENS E DESVANTAGENS DA ADOÇÃO P. 35 DE REGIMES MONETÁRIOS. TABELA 03 – METAS DE INFLAÇÃO P. 37 TABELA 04 – TESTE DE RAIZ UNITÁRIA EM NÍVEL P. 43 TABELA 05 – TESTE DE RAIZ UNITÁRIA EM 1° DIFERENÇA P. 43 TABELA 06 – FUNÇÃO DE REAÇÃO P. 44 12 LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS FIGURA 01 – DIFERENÇA ENTRE O COMPORTAMENTO DAS TAXAS DE JUROS REAL E AS ESTIMATIVAS OBTIDAS A PARTIR DA REGRA DE TAYLOR PARA O PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE 1970 E 1998. P. 23 FIGURA 02 – CURVA DE PHILLIPS DE LONGO PRAZO. P. 39 GRÁFICO 01 – TRAJETÓRIA (IPCA LIVRE, IPCA ADMINISTRADO). P. 46 GRÁFICO 02 – TRAJETÓRIA (SELIC, PIB, PIB POTENCIAL, IPCA). GRÁFICO 03 – TRAJETÓRIA (CÂMBIO REAL, DÍVIDA/PIB, IBOVESPA). P. 47 P. 48,50 13 Sumário 1. Introdução ................................................................................................................................. 14 2. Fundamentação Teórica ........................................................................................................... 17 2.1 A determinação da taxa de juros na economia segundo Fisher.......................................... 17 2.2 Determinação da taxa nominal de juros a partir da Regra de Taylor .............................. 19 3. Trabalhos relacionados à utilização da regra de Taylor ....................................................... 22 4. Do regime de câmbio fixo ao regime de câmbio flutuante. ................................................... 28 4.1 Vantagens e Desvantagens do Regime de Câmbio Flutuante ......................................... 28 4.2 Vantagens e Desvantagens do Regime de Câmbio Fixo ................................................. 30 5. Sistema de Metas para inflação versus âncoras nominais ..................................................... 32 5.1 Regime de Metas para o Brasil ............................................................................................. 36 6. Modelo Empírico ...................................................................................................................... 40 6.1 Relação entre a IS, Curva de Phillips com expectativas e a Regra de Taylor .................. 40 6.2 Metodologia ............................................................................................................................ 43 6.3 Base de Dados......................................................................................................................... 43 7. Resultados................................................................................................................................. 45 8. Conclusão .................................................................................................................................. 53 9. Referência Bibliográfica ........................................................................................................... 54 14 1. Introdução O estudo da relação entre as regras de política monetária e o mercado financeiro passa, necessariamente, pelo estudo das relações entre taxas de juros, metas de inflação, produção econômica e mercado de capitais. Tais variáveis econômicas apresentam forte influência na determinação da taxa de juros, portanto, a teoria econômica sugerida para o estudo desenvolvido nesta pesquisa, procura abranger todas estas variáveis. Fisher (1906) foi um dos pioneiros no estudo da determinação da taxa de juros da economia. A relação positiva entre a taxa de juros nominal e a variação no nível de preços representa o ponto de partida para os estudos das relações entre o mercado monetário e o financeiro. Segundo o referido autor, a taxa nominal de juros é uma soma entre taxa de juros real e taxa de inflação esperada. Atualmente, a discussão inclinou-se para a determinação da taxa de juros a partir da adoção da regra de Taylor, sob regime de metas de inflação. Taylor (1993) mostra que a taxa de juros é determinada a partir de quatro fatores, sendo eles, inflação, taxa de juros de equilíbrio, diferença entre inflação e meta e hiato entre produto efetivo e potencial. No entanto, existe uma série de trabalhos1 que defendem a tese de que a inclusão de novas variáveis na regra de Taylor original pode melhorar o processo de estabilização de preços, assim como, o crescimento sustentado de longo prazo do Produto Interno Bruto (PIB). De fato, os países passam por momentos de fragilidade econômica, esses momentos diferem em intensidade e causas em todo o mundo. Essas diferenças exigem que sejam testadas as teorias econômicas a fim de se construir alternativas para a tomada de decisão pelos gestores de política monetária. Os estudos das diferenças entre os países e como esses reagem a crises tem sido muito proveitoso na análise econômica mundial, fornecendo subsídios aos estudiosos e formuladores de política econômica. A grande maioria dos trabalhos que incorporam variáveis novas a especificação original proposta por Taylor se justificam por dois motivos: o primeiro refere-se à correta adequação do modelo em relação à economia que está sendo analisada e o segundo refere-se à tentativa de explicar se outras variáveis podem estar interferindo na decisão de política monetária e se está em qual magnitude estão sendo realizados tais ajustes. Quanto às especificações do modelo têm-se duas abordagens principais: a abordagem do tipo forwardlooking (olhando para frente), que considera as expectativas de mercado para as variáveis e a 1 A discussão acerca dos trabalhos empíricos desenvolvidos para a economia brasileira e internacional será descrita na seção 3. 15 abordagem backward-looking (olhando para trás) que considera valores passados para inflação e produto. Ambos buscam explicar o caminho pelo qual é determinada a taxa nominal de juros. Em geral, a maioria dos trabalhos que utilizam uma abordagem com expectativas estudam economias após a adoção do regime de câmbio com livre flutuação, enquanto que os que fazem uso de valores defasados na função de reação estudam países que estavam sob regime de câmbio fixo. Observa-se também que para as economias sob o sistema de metas para inflação e também para economias sem regime de metas a taxa de juros básica é considerada como principal instrumento utilizado pelos Bancos Centrais na condução de política monetária. O Banco Central do Brasil (BCB) utiliza um modelo de função de reação que incorpora valores projetados para inflação e produto2, sendo uma abordagem forward-looking. No entanto, o presente trabalho busca verificar se a autoridade monetária está subestimando ou superestimando a taxa básica de juros através da estimação da função de reação com base na regra de Taylor original do tipo backward-looking no período entre Janeiro de 2003 a junho de 2010. Especificamente pretende-se incorporar o preço dos ativos financeiros a especificação original a fim de verificar se esta variável tem influenciado o comportamento da taxa de juros de curto prazo. Testou-se também se a taxa nominal de câmbio e a relação dívida/PIB utilizada neste trabalho como proxy para o risco-país se relacionam com a Selic. Neste trabalho, além desta introdução, os capítulos estão organizados da seguinte forma: o segundo capítulo trata da fundamentação teórica a partir do trabalho desenvolvido por Fisher (1906) sobre a determinação da taxa de juros onde identificou uma relação direta entre taxa de juros nominal e o nível de preços. Descreve o modelo teórico a partir do trabalho desenvolvido por Taylor em 1993, onde estudou a resposta da taxa nominal de juros a inflação, ao hiato da inflação e do produto e da taxa real de juros de equilíbrio. O terceiro capítulo realiza uma revisão teórica sobre os trabalhos pioneiros e recentes relacionados à aplicação da regra de Taylor. O quarto capítulo faz uma análise dos aspectos que levaram o abandono do regime de câmbio fixo para o regime de livre flutuação e relaciona as vantagens e desvantagens de ambos os regimes. O quinto capítulo discute o sistema de metas para inflação e relaciona os demais tipos de âncoras nominais. O sexto capítulo trata do modelo empírico analisando a identidade existente entre a curva IS, a curva de Phillips e a Regra de Taylor. É descrita a base dos dados 2 Ver relatórios de inflação disponibilizados pelo Banco Central do Brasil em www.bcb.gov.br. 16 utilizados na pesquisa, seguida da metodologia para análise das variáveis e a estimação da função de reação para o BCB. O capítulo sétimo faz a análise dos resultados obtidos e uma comparação com os resultados obtidos nos trabalhos citados no terceiro capítulo. Por fim, o oitavo capítulo encerra com as conclusões. 17 2. Fundamentação Teórica 2.1 A determinação da taxa de juros na economia segundo Fisher No contexto da teoria econômica, o final do século XIX e início do século XX foram marcados por um longo período de controvérsias sobre a determinação do sentido de causalidade entre moeda e preços. Essa discussão deu início a controvérsias entre duas correntes conhecidas na literatura econômica como banking school e currency school. A banking school defendia a tese de que a quantidade de moeda era determinada pelo número de transações na economia e a currency school defendia a idéia de que a perda do poder de compra da moeda era devido a sua emissão em excesso, que ocasionava o aumento nos preços3. A publicação em 1906, do trabalho seminal de Irving Fisher, The rate of interest, sintetizou a relação de causalidade existente entre o lado monetário e o nível de preços que fica conhecida como a Abordagem de Fisher. A abordagem principal da obra de Fisher consiste em analisar a determinação da taxa de juros da economia e os fatores que determinavam ou exerciam influência nessa determinação. Em sua obra, duas hipóteses principais foram levantadas: neutralidade da moeda e dicotomia de mercado4. Nesse contexto, Fisher observou o comportamento dos indivíduos na economia e o papel das expectativas nas decisões de preferência pela renda presente em oposição à renda futura, destacando essa análise na abordagem da teoria do juro. Basicamente, definiu a taxa de juros como prêmio percentual pago sobre o dinheiro, em data específica, em termos de dinheiro a ser recebido em período posterior. Para o referido autor, a determinação da taxa de juros exige considerações de aspectos objetivos (oportunidade de investimento) e aspectos subjetivos (preferência temporal). Os aspectos objetivos se referem à oportunidade de investimento caracterizada como oportunidade de modificar uma escolha, ou fluxo de renda, por outra mais vantajosa, que a 3 Irving Fisher publicou, em consequência dessa discussão, em 1911 o trabalho The purchasing Power of Money que apresenta a teoria quantitativa da moeda na equação de trocas MV=PT. Fisher concluiu que a mudança na quantidade de moeda M é a principal fonte das alterações no nível geral de preços. 4 O postulado da neutralidade da moeda mostra que as variações monetárias não afetam variáveis econômicas reais, uma vez que tais variáveis são determinadas por aspectos não-monetários (dotação de recursos, tecnologia e a taxa de substituição técnica entre fatores de produção). Como a quantidade de moeda não interfere nos fatores fundamentais da economia, as variações monetárias serão neutras em relação às variáveis reais. Portanto, moeda não afeta a operação das forças econômicas reais, ao menos no longo prazo. No curto prazo a alteração dos preços relativos pode alterar as quantidades e a alocação de recursos reais. No entanto, tais efeitos são temporários e se anularão no equilíbrio de longo prazo. É o principio da dicotomia de mercado, onde alterações em variáveis nominais não afetam variáveis reais. 18 uma dada taxa de juros, superem as desvantagens. Considerando-se os aspectos subjetivos, tem-se que o grau de impaciência dos indivíduos dependerá de particularidades de sua renda, como a dimensão do fluxo de renda esperado, a influência do perfil temporal, a composição e a probabilidade ou grau de risco (incerteza), mas também de características individuais, como previsão, autocontrole, hábito, expectativa de vida, interesse pela vida de outras pessoas e moda. Por sua vez, os graus de impaciência do conjunto de indivíduos determinam ou simplesmente ajudam a determinar a taxa de juros. Demonstrou as diferenças relacionadas aos juros nominal, medido em termos monetários e juros real, medido em termos de bens. A partir do instante que o padrão monetário altera os juros nominais em relação aos juros reais há alterações entre taxa de juros nominal e taxa de juros real. Através de comprovações empíricas, Fisher (1906) defende que a taxa nominal de juros se move na mesma direção do nível de preços e esta relação pode ser expressa a partir da seguinte equação: (1) em que, representa a taxa de juros nominal; taxa de juros real; a taxa de inflação, observados no final do período t. Analisando a estrutura da equação para a taxa de juros nominal, percebe-se que poderão ocorrer alterações em duas circunstâncias: se houver alteração na taxa real de juros ou por alterações no nível geral de preços. Quando o nível de preço cai, nominalmente a taxa de juros cai levemente, mas realmente eleva-se bastante e, quando o nível de preço se eleva, nominalmente a taxa de juros eleva-se levemente, mas realmente cai bastante. É consequentemente da maior importância, na interpretação estatística da taxa de juros, determinar, em cada caso, em que direção o padrão monetário está se movendo e lembrar que a direção, na qual a taxa de juros aparentemente se move é, em geral, precisamente oposta àquela em que ela realmente se move. (FISHER, 1984, p. 301). Ademais, Fisher demonstrou empiricamente que a taxa de juros real varia mais que a taxa nominal de juros devido ao fato de que ao menos em parte os agentes sofrem de “ilusão monetária”, devido ao fato de não considerarem valorizações ou desvalorizações na formação de expectativas e ajuste de preços. Dessa forma os indivíduos não percebem as modificações no seu poder de compra. No entanto, os agentes poderão, mesmo que inconscientemente, perceber variações no poder de compra em relação ao nível de inflação. Sendo assim, incluiu a variável taxa de inflação, referente à formação de expectativas. 19 2.2 Determinação da taxa nominal de juros a partir da Regra de Taylor A taxa básica de juros da economia brasileira, a taxa Selic é um dos principais instrumentos de política monetária e a importância desse indicador está no fato de que esta variável é capaz de influenciar o comportamento do nível de preços e a atividade econômica. De acordo com o Comitê de Política Monetária do BCB (Copom), essa variável é determinada mediante a taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia, lastreadas em títulos públicos federais e cursadas no referido sistema ou em câmaras de compensação e liquidação de ativos, na forma de operações compromissadas. De acordo com Mendonça et al (2009), o modelo utilizado pelo BCB no regime de metas de inflação leva em consideração três possibilidades para definir a regra a ser utilizada na condução de política monetária: caminho exógeno para a taxa de juros5, resposta da taxa de juros ao desvio da inflação em relação à meta ou hiato do produto (regra de Taylor) e regra de reação ótima (optimal rule) 6. A regra de Taylor (1993) tem o propósito de determinar a taxa de juros da economia com base na inflação, taxa de juros real de equilíbrio, diferença entre a inflação observada e a meta e, por fim, o hiato entre o produto efetivo e o potencial. No Brasil, ainda não há consenso quanto à melhor representação dessa regra. Grande parte da literatura acerca do tema descrita no terceiro capítulo estimou uma função de reação para os Bancos Centrais considerando em suas equações a meta de inflação e a taxa de juros real de longo prazo como constante. No entanto, Soares e Barbosa (2006) consideraram tanto a meta de inflação quanto a taxa de juros real de equilíbrio de longo prazo como variável no tempo. Taylor (1993) mostrou que o uso de regras de política monetária pode ter aplicabilidade prática mesmo em ambiente onde possa ser praticamente impossível o uso de formulações algébricas na condução de política monetária. Partindo dessa afirmação, Taylor (1993) afirma que uma especificação básica consegue explicar mais facilmente o comportamento da autoridade monetária. Não utilizou formulações complexas, antes buscou descrever de forma simples e estabeleceu parâmetros mais fáceis de serem compreendidos. Para tanto, declarou: 5 Esse modelo de taxa de juros determinada exogenamente é uma visão Sraffiana (ver Serrano, 2002). Esse modelo não pressupõe que haja restrição sobre a oferta ou demanda por moeda nem depende do tipo de política monetária perseguida por Bancos Centrais. 6 Uma regra de reação ótima é também uma função de reação da taxa de juros. Nesse modelo a taxa de juros ótima decorre da solução da minimização de função de perda (que representa o comportamento da autoridade monetária – Banco Central no regime de metas) sujeita a restrições (representam a dinâmica da economia). 20 While the analysis of the issues can be aided by quantitative methods it is difficult to formulate them in to a precise algebraic formula. Moreover, there will be episodes where monetary policy will need to be adjusted to deal with special factors. For example, the Federal Reserve provided additional reserves to the banking system after the stock-market break of October19, 1987 and helped to prevent a contraction of liquidity and to restore confidence. The Fed would need more than a simple policy rule as guide in such cases. (TAYLOR, 2003, p. 197). Mesmo em um cenário onde existe maior aceitação para a discrição 7, as regras de política têm grandes vantagens, pois podem melhorar o desempenho econômico. Sendo assim, esse buscou desenvolver regras de política monetária para um ambiente de políticas concretas. Ou seja, descrever com certa precisão as regras de política monetária. O modelo original proposto por Taylor (1993) para determinar a taxa básica nominal de juros para o FED8 foi construída da seguinte forma: (2) em que, representa a taxa de juros nominal; anual de inflação; é a taxa real de juros de equilíbrio; é a meta da taxa de inflação; é a taxa representa o hiato entre produto efetivo e produto potencial. Taylor (1993) assume que os pesos dados pelas autoridades monetárias aos desvios da inflação e do produto para a determinação da taxa de juros correspondem a 0,5%, assim como admite que a taxa de juros real e a meta de inflação são, ambas, iguais a 2%. Dessa forma, a taxa de juros real será igual a 2% quando a inflação for de 2% e não houver divergência entre PIB real e o PIB potencial9. A inflação e a taxa real de juros de equilíbrio servem como parâmetro quando a economia se encontra no nível potencial e traduz a hipótese implícita da utilização da taxa de juros real constante. Logo, as taxas de juros são ajustadas conforme as variações acima (abaixo) da taxa de inflação da meta e do desvio do produto do nível potencial. Ou seja, a taxa de juros nominal deverá ter ajuste superior à variação da inflação em relação à meta afim de que a taxa real de juros também aumente em conseqüência do aumento da inflação. Inversamente, se o produto 7 Segundo Kydland e Prescott (1977), Barro e Gordon (1983), ou Blanchard e Fisher (1989), as regras de política são como o “ideal”, as “regras”, uma “solução” para um problema de otimização dinâmica. Já a política discricionária é referida como “inconsistente”, uma “batota” ou “miopia”. 8 Banco Central dos Estados Unidos. 9 O produto real ocorre com a economia podendo estar, em geral, com recursos ociosos (utilização de mão-deobra e do capital), havendo um hiato entre o produto efetivo e o produto potencial. O produto potencial da economia é denominado como produto de pleno emprego, situação em que todos os fatores de produção estão plenamente ocupados. 21 estiver abaixo do nível potencial, a taxa de juros nominal deverá se reduzir e se elevar caso o nível de produto estiver acima do potencial. Taylor (1993) não considera a taxa de câmbio na definição da taxa nominal de juros e justifica-se pelo fato de que a reação da taxa de juros tanto ao hiato do produto como da meta de inflação, revela uma reposta indireta para a taxa de câmbio. 22 3. Trabalhos relacionados à utilização da regra de Taylor Dentre as contribuições e estudos relacionados à regra de Taylor, pode-se citar os seguintes trabalhos: A regra de Taylor foi estimada por Clarida et al (1997). Em particular, foi estimada uma função de reação para bancos centrais de países industrializados. Entre os grupos estão: G3 (Estados Unidos, Alemanha e Japão) e E3 (Reino Unido, França e Itália). Foi utilizada uma abordagem forward-looking em que, são utilizadas as expectativas de inflação e produto. A metodologia utilizada para as estimativas dos dois grupos foi o modelo dos momentos generalizados (GMM). Para o primeiro grupo (G3), a inflação foi obtida a partir do índice de preços ao consumidor e o índice de produção industrial serviu como proxy para o produto real, pratica repetida em vários trabalhos dada à dificuldade de mensuração para esta variável. As amostras para o grupo G3 partiram do ano de 1979, momento no qual o principal alvo de política monetária era o controle da inflação. A partir dos resultados encontrados, há indicação de que para o Bundesbank10, é mais eficaz uma postura forward-looking ao invés de backward-looking, o que também se verificou para o Japão. O Japão foi considerado, em relação a EUA e Alemanha, o país que mais se aproxima do tipo “sistema de metas de inflação puro” 11. Os resultados do estudo também indicam que não é interessante rejeitar que o FED tenha adotado uma postura forward-looking. Para os países do grupo E3, os resultados demonstraram que o banco central da Inglaterra não adotou uma postura pró-ativa em relação à inflação, dado o coeficiente estimado ligeiramente abaixo da unidade. O banco central francês possivelmente adotou uma postura um pouco mais intensa ao combate da inflação, dado o coeficiente para hiato de inflação superior a unidade. Por fim, o banco central da Itália não adotou uma postura próativa em relação à inflação no período. No entanto, segundo os autores, estes resultados devem ser analisados com cautela devido à possibilidade de erros de especificação no modelo. Judd e Rudebusch (1998) estimaram uma função de reação para o Federal Reserve (FED) com a finalidade de investigar como o FED vinha atuando sobre a taxa nominal de juros de curto prazo e, principalmente, a condução de política monetária entre as gestões de Arthur Burns, Paul Volcker e Alan Greenspan. Para tanto, o método utilizado foi o dos mínimos quadrados ordinários (MQO), que considerou as séries correspondentes as variáveis 10 É o Banco Central Alemão. Neste caso, o produto tem peso zero ( ). Dessa forma, quanto maior for o peso do produto na função de perda, menor será a reação do banco central aos desvios da inflação e hiato do produto. 11 23 explicativas e dependentes com periodicidade trimestral. O produto foi estimado a partir de metodologia própria desenvolvida pelo escritório de orçamento do governo americano. Os resultados apontam que durante a gestão de Alan Greenspan (1987-1997) o FED fez ajustes bem próximos aos valores determinados pela regra, havendo redução da inflação no período. No entanto, na gestão de Paul Volcker (1979-1987) foi verificada uma postura pró-ativa do FED que realizou ajustes da taxa de juros acima do que indicava a regra, resultando em inflação. E, finalmente, a gestão de Arthur Burns (1970-1978) o ajuste foi inferior ao indicado pela regra, resultando em inflação para o período. O estudo apontou também que os bancos centrais não ajustam automaticamente os juros conforme a regra de Taylor, ou seja, há um mecanismo de suavização da taxa de juros que leva o FED a não ter reações abruptas. A dinâmica de ajustamento foi incorporada nas estimativas. Judd e Rudebusch (1998) verificaram que as estimativas baseadas na regra de Taylor indicaram bem o comportamento da política monetária durante a gestão de Allan Greenspan, o que ressalva a importância de regra de Taylor como um instrumento norteador de política monetária, já que durante esse período a economia americana obteve crescimento e estabilidade diferentemente do que fora constatado nas gestões de Burns e Volcker que não seguiram os pressupostos definidos em Taylor (1993). Conforme exposto na Figura 01, a utilização da regra de Taylor se aproximou bem da realidade observada no período Greenspan. Conforme exposto no trabalho de Judd e Rudebusch (1998), ficou comprovado empiricamente que na gestão de Burns houve acomodação em relação à inflação, e semelhantemente durante a gestão de Volcker houve falta de resposta da taxa real de juros em relação aos desvios da inflação (meta) e do produto. Quanto mais próximos os ajustes da taxa nominal em relação aos desvios definidos por Taylor (1993), não somente a inflação reduziu como a estabilidade da economia americana foi favorecida. Figura 01: Diferença entre o comportamento das taxas de juros real e as estimativas obtidas a partir da regra de Taylor para o período compreendido entre 1970 e 1998. 24 Fonte: Adaptado de Judd e Rudebusch (1998) Minella et al (2002) estimaram funções de reação para o BCB. A metodologia utilizada foi o modelo autoregressivo vetorial (VAR). A conclusão foi que a autoridade monetária teve uma postura forward-looking, respondendo de forma pró-ativa aos desvios entre as expectativas de inflação e a sua meta. Ainda, os resultados demonstram que o Banco Central ajusta a taxa Selic de forma bem gradual, o que pode ser verificado através dos valores dos coeficientes auto-regressivos. Para o caso de economias emergentes, podemos citar os trabalhos de Mohanty e Klau (2004) que estudaram a política monetária considerando treze países (África do Sul, Brasil, Coréia, Chile, Filipinas, Hungria, Índia, México, Peru, Polônia, República Tcheca, Taiwan, Tailândia). Onde, Índia e Taiwan, ainda não haviam adotado sistema de metas de inflação. Esse trabalho consistiu em analisar se estes países reagiam à inflação, ao hiato do produto e a variação da taxa real de câmbio. Este estudo estimou funções de reações considerando como instrumento de política monetária a taxa nominal de juros. Em grande parte houve correlação positiva significativa entre taxa de inflação e taxa nominal de juros. A correlação entre taxa nominal de juros e hiato do produto é, em grande parte, positiva. Nas estimações o Chile foi o único país que não teve uma relação positiva entre a taxa de câmbio e a taxa nominal de juros. Foram estimados três modelos de função de reação. A metodologia utilizada para as especificações do tipo backward-looking foi dos mínimos quadrados ordinários (MQO). O primeiro considerou uma função de reação do tipo backward-looking que responde a taxa de inflação, ao hiato do produto e a variações na taxa de câmbio. O segundo modelo também backward-looking reage aos desvios da taxa de inflação e da taxa de câmbio em relação às 25 metas. O terceiro modelo considera uma abordagem forward-looking similar a primeira equação. Para este modelo foi utilizado o método dos momentos generalizados (GMM). O período das estimativas foi entre 1995 e 2002. Os resultados do trabalho indicam que a especificação básica explica o comportamento da política monetária nos países emergentes. Ainda, apontam que o instrumento de política monetária desses países é ajustado de forma gradual, a partir dos coeficientes de suavização da taxa nominal de juros e que a variação da taxa de câmbio sobre a volatilidade da taxa nominal de juros apresenta maior participação em relação à inflação e ao hiato do produto. A partir das evidências empíricas, tem-se que, alguns bancos centrais reagem pró - ativamente à inflação12 e a maioria considera a estabilização da taxa de câmbio como um objetivo de política monetária, considerando o fato de que a resposta a taxa de câmbio pela taxa de juros foi maior que a resposta dada para a inflação ou produto. Holland (2005) estimou a função de reação para o BCB após a adoção do sistema de metas inflação em 1999. O objetivo deste trabalho foi verificar se Bancos Centrais de economias emergentes que adotaram regime de câmbio flutuante, como no caso brasileiro, reagem a choques no câmbio por intermédio do instrumento de política monetária. Segundo o autor, esse argumento deve ser considerado, pois alguns pesquisadores 13 acreditam que algumas economias emergentes que operam sob regime de câmbio flutuante possam sofrer de “fear of floating”, ou seja, utilizam mecanismos de intervenção como a taxa de juros para controlar variações cambiais, mesmo sob regime cambial de livre flutuação. Entre as conclusões do trabalho, constatou que o Banco Central vinha tendo uma postura pró-ativa em relação à inflação. Esse testou as variáveis “taxa básica de juros do FED” e “taxa de inflação americana” com o intuito de verificar se a política monetária dos EUA representava uma restrição à política interna, embora não tenha encontrado resultados que favorecem essa hipótese. Soares e Barbosa (2006) estimaram a regra de Taylor para o caso brasileiro a partir do sistema de metas de inflação. Conforme destacado pelos autores esse estudo considera a taxa real de juros de equilíbrio de longo prazo e a meta de inflação como variável no tempo o que difere dos trabalhos de Judd e Rudebusch (1998) e Clarida et al (1997). 12 Com coeficientes de inflação de longo prazo superiores a unidade, aproximadamente 50% da amostra dos países emergentes não demonstrou acomodação no controle da inflação. Com exceção do Brasil, onde o coeficiente foi de 0,29, a maior parte dos países da Ásia e América Latina tiveram valores superiores em relação aos países da Europa Central. 13 Ver Calvo e Reinhart, 2000. Holland (2006) trata no artigo “Exchange Rate Volatility and the Fear of Floating in Brazil” que entre as economias emergentes o Brasil é uma exceção ao “medo de flutuar” e que o Banco Central tem maior preocupação com a inflação do que com a taxa de câmbio. O trabalho de Mckinnon e Schnabl (2004) estuda o efeito “fear of floating” para economias asiáticas. 26 A taxa de juros real de longo prazo é obtida a partir da soma do risco-país (medido pelo C – Bond) 14 e dos juros real do FED. Esses utilizam a abordagem forward-looking e a meta de inflação é considerada como variável explicativa, haja vista que no Brasil há metas de inflação explícitas, divulgadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e variáveis no tempo. No que se refere à taxa de juros real de equilíbrio de longo prazo são utilizadas duas especificações, a primeira considera a taxa de juros real constante e na segunda variável no tempo. Quanto às conclusões do trabalho, verificou-se que o BCB ajusta de forma gradual a taxa básica de juros, conforme verificado também por outros estudos empíricos. Há também a constatação de que o Banco Central vem reagindo aos desvios de inflação em relação à meta de forma agressiva após a implementação do sistema de metas de inflação. Em relação ao comportamento inercial da taxa de juros, Soares (2004), descreve em suas conclusões que o comportamento do Banco Central não pode ser lento no que se refere ao ajuste da taxa de juros face uma modificação na taxa de juros desejada. Os bancos centrais em geral ajustam de forma gradual a taxa de juros, esse processo é conhecido na literatura como interest rate smoothing, onde o histórico da taxa de juros tem um comportamento inercial15. Chega-se a conclusão de que o Banco Central sofre uma restrição para a suavização da taxa de juros pela existência de parâmetros tanto de fundamento macroeconômicos como também da regra de política monetária. Há, portanto, limite superior para o coeficiente de inércia e contrariar a regra de política monetária, pode tornar instável a regra de política monetária de Taylor. Policano e Bueno (2006) estimaram função de reação para o Brasil antes e após a implementação do sistema de metas para inflação (1995-2005). O método utilizado no trabalho foi o Time Varying Parameter (TVP) com coeficientes que variam de período a período. Também foi utilizado o Filtro de Kalman onde se buscou identificar choques econômicos, mudanças no Banco Central, entre outros. Os dados tiveram periodicidade mensal. As variáveis foram a taxa Selic efetiva, para inflação foi considerado o IPCA (IBGE) e o produto industrial (IBGE) como proxy do produto real. As variações da taxa de câmbio e das reservas foram consideradas as variações percentuais das mesmas em relação ao mês anterior no conceito de liquidez internacional. Para o primeiro período analisado com regime de câmbio fixo ficou evidente uma reação da taxa de juros em relação ao produto e as variações no câmbio. Por sua vez, o segundo período de metas de inflação a taxa de juros reagiu às expectativas de inflação, sendo mais evidente a partir de 2003. 14 Título da dívida externa brasileiro mais negociado no mercado internacional. Carneiro e Duarte (2001) estudaram com base na economia brasileira o papel da inércia da taxa de juros e chegaram à conclusão de que a reação do BACEN se deve mais ao parâmetro auto-regressivo do choque monetário que do próprio estado inercial da taxa nominal de juros. 15 27 Modenesi (2008) estudou a condução da política monetária no Brasil após o regime de metas com base na estimação da função de reação do tipo backward-looking para o período entre 2000 a 2007. A metodologia utilizada foi MQO ao considerar o aspecto das séries serem estocásticas e estacionárias. Para as variáveis do modelo foram considerados o índice do PIB com ajuste sazonal (IBGE) e o hiato do PIB foi obtido pelo filtro Hodrick Prescott, a inflação foi medida por dois componentes IPCA livre e administrado, sendo a amostra com periodicidade mensal e um total de 96 observações que deram maior confiabilidade ao trabalho, visto que a maioria dos trabalhos tem uma amostra considerada baixa para este tipo de análise. A função estimada obteve ajustado de , o que mostra que as variáveis explicam bem o comportamento da autoridade monetária. Entre os resultados, observou-se um comportamento em nível elevado da inércia da taxa de juros dado o coeficiente dos dois termos auto-regressivos próximos de 1 = . Os resultados demonstram que ao determinar a taxa básica de juros, o COPOM dá pouca relevância tanto ao nível de inflação como também da situação econômica e do grau de aquecimento da economia, representada por valores para a inflação livre e administrada. Ainda, ressaltou que o BCB ajusta de forma lenta e gradual a taxa de juros em face de movimentos acima (abaixo) da inflação e do produto. O coeficiente de baixa magnitude para o hiato do produto mostra que o BCB é pouco sensível ao lado real da economia. E por fim, o valor da constante foi positiva e relevante em . Ao comparar o comportamento do FED e do Banco Central, ressalta que o FED é bem mais sensível a situação econômica que a autoridade brasileira. O que surpreende é o grau de suavização praticado pelo BCB. Os resultados apresentados mostram um BC extremamente avesso a realizar movimentos – ainda que pequenos – nos juros. Assim, mesmo diante de uma melhora do cenário inflacionário e/ou uma desaceleração econômica, a probabilidade de a taxa Selic ficar inalterada é bastante alta. (MODENESI, 2008, p. 24). Modenesi (2008) propõe que ao processo de estabilização resta à etapa de flexibilização da política monetária rompendo com as altas taxas de juros praticadas, sendo as maiores do mundo e que levam a economia a um sacrifício desnecessário já que o controle da inflação já é algo real. 28 4. Do regime de câmbio fixo ao regime de câmbio flutuante. As constantes crises cambiais16 que ocorreram em anos recentes a partir da década de 90 fizeram com que se retomasse o debate iniciado nas décadas de 50 e 70 acerca dos pontos favoráveis e desfavoráveis dos dois tipos de regimes cambiais, o fixo e o flutuante. No início de 1999, o regime de câmbio fixo, onde o Banco Central controla a inflação via ajuste da taxa de câmbio foi abandonado sendo substituído pelo atual regime de câmbio flutuante, sendo que neste a autoridade monetária é desobrigada a controlar a taxa de câmbio a fim de manter sob controle a inflação. Em conseqüência, foi adotado o sistema de metas para inflação que se justifica pela necessidade de cumprimento do que passa a ser a função central de política monetária, o controle da inflação. Sob o novo regime, o controle da inflação se faz via determinação da taxa básica de juros da economia sendo os valores estabelecidos em níveis críveis com a meta de inflação definida pelo COPOM. Ressalta-se que neste tipo de regime o Banco Central não busca o controle da evolução dos agregados monetários (M1, M2 ou M3). Antes, a política monetária é conduzida ao focar a relação existente entre taxa real efetiva de juros e a taxa real de juros de equilíbrio. Nesse sentido, sempre que a taxa de juros efetiva for superior a taxa real de juros de equilíbrio, ocorrerá uma retração na atividade econômica puxando para baixo a inflação em decorrência do trade - off de curto prazo inflação x desemprego expresso na curva de Phillips. Inversamente, se a taxa real efetiva de juros for inferior a taxa real de juros de equilíbrio, haverá um crescimento no lado real da economia que também elevará a inflação. Para que haja uma taxa constante e controle da inflação, a taxa de juros real efetiva deve estar alinhada com a taxa real de juros de equilíbrio. Sistematicamente, quando há sinais de aumento na expectativa de inflação torna-se necessária a ação da autoridade monetária de elevar a Selic. No entanto, quando a inflação esperada demonstra o comportamento inverso, a ação direcionada é o aumento da taxa básica de juros. 4.1 Vantagens e Desvantagens do Regime de Câmbio Flutuante A característica central do câmbio de livre flutuação é que não é obrigação do Banco Central intervir no mercado de reservas, sendo a taxa de câmbio determinada pelas forças de 16 As crises cambiais dos países com câmbio fixo foram: México em 1994, Indonésia, Coréia do Sul e Tailândia 1997, Rússia em 1998, Brasil em 1999, seguidas as crises ocorridas na Turquia em 2000 e na Argentina em 2001. 29 mercado (oferta e demanda). Nesse regime, a autoridade monetária tem autonomia da política monetária. Segundo Souza e Hoff (2006), após o regime de câmbio flutuante resistir e superar a fase de sua implantação houve grande aceitação entre os economistas e o próprio governo. O consenso, entretanto, restringe-se à idéia mais genérica de flutuação por oposição às experiências anteriores de câmbio rigidamente administrado. De fato, a opção pela flutuação é compatível com diferentes combinações de política monetária e fiscal, cujos efeitos sobre a trajetória da taxa de câmbio podem ser bastante distintos. Além disso, como a flutuação no mundo real nunca é inteiramente pura, o modus operandi do regime cambial e o nível e volatilidade da taxa de câmbio também dependerão dos distintos níveis de intervenção das autoridades monetárias no mercado, bem como dos variados graus de conversibilidade da moeda ou acessibilidade ao mercado de câmbio. (SOUZA E HOFF, 2006, p.1). De acordo com Bresser-Pereira (2008), a vantagem do câmbio com livre flutuação se dá pelos seguintes aspectos: i. Reforça a credibilidade do Banco Central visto que em um regime de câmbio fixo, possíveis choques exógenos podem causar impactos negativos e causar em conseqüência um desequilíbrio externo. Dessa maneira, ao flexibilizar o câmbio a moeda interna fica exposta a pressões e oscilações externas e essa situação funciona como um teste a credibilidade do Banco Central que depende da estabilidade monetária. ii. No caso de economias latinas e está dentro da análise o Brasil que normalmente são sensíveis a choques inesperados, torna-se um instrumento que facilita a reordenação dos preços relativos que reorientam a alocação dos recursos e ajudam a dissipar os efeitos negativos sobre o lado real da economia. iii. Permite uma postura de independência na condução de política monetária a ser seguida por bancos centrais. iv. A meta de inflação torna-se, portanto, a única âncora nominal da economia, fornecendo um cenário mais apropriado ao controle da inflação. 30 Outrora, as desvantagens são apontadas a seguir: i. Aumento da volatilidade do câmbio. Revela o risco existente para os setores econômicos ligados a moeda estrangeira devido a valorizações e desvalorizações não desejadas no câmbio. ii. Fragilidade financeira decorrente de desníveis contábeis e situação financeira dos agentes econômicos. É importante que haja uma cobertura para enfrentar a volatilidade desse tipo de regime. Haja vista, o Banco Central fornece o conjunto de informações necessárias aos agentes e por isso surgiu o mercado para derivados financeiros com meios de cobertura. iii. O comportamento volátil pode gerar pressão inflacionária via indexação, conhecido como pass-through ou repasse. 4.2 Vantagens e Desvantagens do Regime de Câmbio Fixo A característica central do regime de câmbio fixo é a obrigação do governo em manter o nível de reservas a fim de controlar a taxa pré-fixada. Caso o Banco Central não intervenha no mercado para conter um excesso de demanda (vendendo divisas) ou oferta (comprando divisas) a referida taxa irá variar e estabelecer um novo equilíbrio. Dessa forma, o Banco Central só mantêm fixo o câmbio se sua política estiver comprometida com o equilíbrio no mercado de ativos. A credibilidade está relacionada com o volume de reservas exigido para o controle e intervenção caso se faça necessária. A vantagem desse tipo de regime é que contribui para a estabilização de preços e para coordenação das expectativas no momento em que os agentes avaliam e tomam suas decisões, o que beneficia o comércio e investimentos internacionais. Reduz as incertezas quanto à volatilidade do câmbio. Outro fator importante é a credibilidade gerada dado o comprometimento da autoridade monetária em cumprir a meta estipulada, principalmente em economias com tendência inflacionária. A desvantagem do regime ocorre primeiramente pela não independência e perda de flexibilidade do Banco Central. Esse tipo de regime também restringe o Banco Central de ser emprestador de última instância, o que pode ocasionar crises bancárias. PQÉ relevante considerar que se há um volume de reservas considerado insuficiente o país fica exposto a ataques especulativos e uma desvalorização cambial acrescida dos efeitos negativos para a economia. 31 32 5. Sistema de Metas para inflação versus âncoras nominais Desde sua idealização, em meados da década de 90, o sistema de metas de inflação foi adotado como regra de política monetária por vários países17. De acordo com Giambiagi e Carvalho (2001), esse sistema tem duas grandes funções: Em primeiro lugar, serve como elemento de coordenação de expectativas para os agentes econômicos em geral e, particularmente, para o mercado financeiro. E, em segundo lugar, opera como um guia de plena transparência para a condução da política monetária: os resultados desta política passam a ser “bons” ou “ruins” em função da aderência ou não da inflação às metas previamente fixadas e não em função do cumprimento de metas monetárias. A sua aceitação e difusão a partir da década de 90 se deve ao fato de ter sido considerado como oportuna saída em face do insucesso de outros tipos de âncoras nominais18. Entre as modalidades de âncoras nominais, temos as seguintes: Âncora cambial (exchange rate peg), onde a taxa de câmbio passa a ser definida com base na referência em algum país estrangeiro que tenha respaldo no controle da inflação. Para tanto, busca uma correlação positiva entre a taxa de câmbio doméstica e a do país escolhido como referência. Em alguns casos, observa-se a depreciação da taxa de câmbio com o objetivo de minimizar quaisquer impactos na taxa real de câmbio transmitido pelas variabilidades de inflação e produto, ferramenta conhecida como crawling peg. A desvantagem e a fragilidade desse tipo de âncora se dão devido à necessidade de que o Banco Central possuir um nível de reservas compatível ao fixar os preços internamente e que sacrifique de certa maneira a política monetária do país já que sobre este tipo de regime há dependência de credibilidade. Ainda, há o fato de que o país sofrerá influência de choques que normalmente venham ocorrer, obrigando o país a tomar medidas que em grande parte não são de necessidade doméstica, como por exemplo, aumentos e reduções nas taxas de juros. Isto 17 De acordo com Mishkin e Schmidt-Hebbel (2001) e Padilha (2007), os países que adotaram o regime de metas de inflação até o final de 2005 foram: Nova Zelândia (1990) - Canadá (1991) - Inglaterra (1992) - Austrália (1993) - Finlândia (1993) - Suécia (1993) - Espanha (1994) - Israel (1997) - Polônia (1998) - República Checa (1998) - Brasil (1999) - Chile (1999) - Colômbia (1999) - África do Sul (2000) - Tailândia (2000) - Coréia do Sul (2001) - Hungria (2001) - Islândia (2001) - Reino Unido - México (2001) - Noruega (2001) - Peru (2002) Filipinas (2002) - Eslováquia (2002) - Indonésia (2005) - Romênia (2005). É importante salientar que Finlândia e Espanha foram adeptos, respectivamente, em 1993 e 1994, mas abandonaram o sistema após a adesão ao Euro em 1999. República Tcheca e Polônia devem fazer o mesmo num futuro próximo. 18 De acordo com Salomão (2003), diante das condições de inflação e recessão verificadas em meados de 70, emergiram várias teorias acerca do controle efetivo da inflação, em destaque para a âncora nominal. Esta, por sua vez, representa as restrições (quantidade e emissão de papel moeda e preços de bens) a conduta irresponsável da autoridade monetária e sua atuação na geração de inflação. Os tipos mais conhecidos e praticados de âncoras nominais são os agregados monetários, a taxa de câmbio, PIB nominal, Just do it (EUA) e inflação. 33 poderá levar a uma possível fuga de capitais em caso de uma redução da taxa de juros e no caso de uma elevação na taxa de juros uma redução no nível de investimento e produto. As vantagens apontadas na literatura para este tipo de regime se fundamentam na possibilidade de redução de inconsistência temporal e conseguintemente as oscilações nas taxas de juros, devido à apreciação ou depreciação do câmbio irão permitir que os juros se equilibrem no longo prazo e que seja atingido o produto potencial (MISHKIN, 1997). O Brasil é um exemplo na adoção com sucesso deste tipo de âncora com a implementação do Real em 1994, onde os números para a inflação demonstraram a redução da inflação em relação a momentos anteriores.19 A âncora via agregados monetários parte da teoria monetarista de Friedman e propõe que deve ser estabelecida com base nas seguintes condições: a credibilidade das informações repassadas pelos agregados monetários, a existência de metas explícitas e do mecanismo para o acompanhamento do cumprimento das mesmas (accountability mechanism).20 Conforme apontado por Mishkin e Savastano (2000), é imprescindível a inexistência de dominância fiscal acompanhada de câmbio flexível para operacionalização deste tipo de regime. Entre as vantagens desse modelo é que o banco central poderá acompanhar o crescimento monetário, respaldando suas análises e ajustes de política monetária. Inversamente ao modelo “exchange rate peg” proporciona autonomia do banco central em atuar de forma livre em relação aos desvios do produto e impactos exógenos. Pelo caráter explícito desse modelo, normalmente, os agentes econômicos terão como verificar se as metas estabelecidas foram cumpridas ou não. Entre os países que adotaram esse tipo de regime estão Alemanha21 e Suíça. O produto interno bruto (PIB) como âncora nominal se assemelha ao regime de metas (inflation target), pois necessita de uma meta de taxa do crescimento para o PIB e, por sua vez, exige compromisso no cumprimento da meta. Em relação a este tipo de regime, cabe ressaltar que ao anunciar uma taxa de crescimento potencial para o PIB real, tal estimativa pode facilmente variar e estimativas mais conservadoras podem ser encaradas como atitude pessimista da autoridade monetária levando os agentes econômicos a terem uma percepção similar. Caso ocorra uma superestimação do produto potencial, tal colocação poderá levar a um processo inflacionário. 19 Como destacado por Modenesi (2005), cabe ressaltar que este tipo de regime contribuiu especificamente para o Brasil quando da implantação do plano Real, não sendo, portanto, defendido como a solução ao problema da inflação. 20 Para melhor compreensão dos pressupostos e características desse modelo ver Mishkin e Savastano (2000). 21 Mishkin (1997) trata de pormenores do caso Alemão na adoção do regime de agregados monetários. 34 Ainda, outro tipo de regime bem conhecido na literatura é o regime do tipo just do it, adotado com sucesso pelos EUA na década de 90, este representa um tipo de abordagem do tipo forward-looking, onde o Banco Central atua no sentido de previsão de cenários que possam trazer prejuízos a atividade econômica e difere do sistema de metas por não articular de forma explícita uma âncora nominal. Dado o exposto acima, a defesa por uma âncora nominal de preços mostrou-se como uma necessidade e uma alternativa para regimes de condução da política monetária. O sistema de metas atua de forma a institucionalizar a busca pela estabilidade de preços e permitir a maior transparência da autoridade monetária na condução da política monetária 22 . Inversamente ao modelo de meta para o PIB, o sistema de metas de inflação é melhor compreendido e por isso torna mais eficiente a política monetária. No regime de metas a autoridade monetária precisa conquistar a confiança dos agentes econômicos com o intuito de que a política monetária anunciada tenha sucesso, resolvendo ou minimizando as questões negativas em torno de uma inconsistência dinâmica (Kydland e Prescott, 1977). De acordo com Bernanke e Mishkin (1997), o regime de metas para a inflação melhora a comunicação, transparência e, portanto, condução de política monetária, embora não deve ser entendido como uma regra tradicionalmente rígida. No sistema de metas de inflação, como integrantes do arranjo institucional, os gestores de política monetária buscam adotar uma postura política transparente por anunciar ao público as metas e o intervalo de tempo, com o propósito de manter estáveis às expectativas dos agentes econômicos. Quanto ao horizonte temporal curto, dois aspectos poderão contribuir negativamente para o insucesso de política monetária. Segundo Mishkin (2001), em primeira instância, um horizonte temporal muito curto poderá trazer problemas à condução do regime. Um segundo aspecto, refere-se ao uso em demasia de instrumentos, com fins de atingir a meta de inflação, que podem acarretar excessiva volatilidade da taxa de juros e de demais variáveis econômicas. Um horizonte de tempo mais extenso e alterações mais lentas da taxa de juros, normalmente resultam em menor volatilidade real, embora, possa gerar maior persistência nos desvios da inflação em relação a sua meta estabelecida. Em relação da definição da meta, o banco central pode optar em seguir por um intervalo ou meta pontual. Em face de escolha de um intervalo, a autoridade monetária se defronta a um trade-off entre uma banda mais estreita ao invés de larga, o que exige maior responsabilidade no cumprimento da meta diante dos agentes econômicos, e reduz o poder de 22 Para um melhor detalhamento sobre Credibilidade para o regime de metas no Brasil ver Mendonça (2002). Outro trabalho importante foi desenvolvido por Haldane (1997). 35 reação no curto prazo a choques exógenos e afetará consequentemente, à imagem da instituição. Segundo Modenesi (2005, p. 195), o sistema de metas para inflação permite certo grau de discricionariedade devido à existência de cláusulas de escape que possibilitam a existência de desvios da inflação em relação à meta quando a economia se depara com choques de oferta. Assim, esse regime não deve ser interpretado como uma regra que define uma meta para inflação que, ao se constituir no único objetivo da política monetária, deve ser atingida a qualquer custo, a despeito de outros fatores, como os níveis de produto, emprego e taxa de câmbio. O fato de a inflação constituir-se no objetivo prioritário de médio/longo prazo da política monetária não implica a inexistência de metas intermediárias, mas sim que, no caso de conflito entre elas, a estabilidade de preços prevalece. (MODENESI, 2005, p. 195). Conforme exposto, a autoridade monetária não deve enxergar a regra de política monetária de forma parcial, antes precisa refletir e considerar o lado real da economia e a evolução das variáveis macroeconômicas como a elevação/redução da inflação em função do nível de emprego, produto e taxa de juros. A relevância da estabilidade econômica deve estar alinhada com o crescimento econômico e melhoria das condições sociais do país. Relacionam-se abaixo de forma sucinta as vantagens e desvantagens da adoção de uma regra de política monetária. Tabela 01 - Vantagens e Desvantagens da Adoção de uma Regra para a Condução de Política Monetária Vantagens Funciona como tecnologia de comprometimento: elimina o viés inflacionário. Estabelece uma âncora nominal: coordena as expectativas inflacionárias e baliza a formação de preços. É facilmente compreendida pelo público. Desvantagens Limita as alternativas de atuação do BC: torna-o incapaz de responder a choques de oferta ou demanda. A autoridade monetária não pode escolher os instrumentos mais adequados para enfrentar circunstâncias específicas: sua atuação é menos eficaz. Fonte: Modenesi (2005). Conforme exposto por Taylor (1993) as regras de política não são num todo rígida e são de grande auxílio na condução de política monetária. O fato de utilizar uma regra não exclui que a autoridade monetária possa levar em consideração outras informações relevantes. 36 Em seguida, destacam-se de forma sucinta as vantagens e desvantagens dos regimes monetários: Tabela 02 - Vantagens e Desvantagens da Adoção de Regimes Monetários Regime Monetário Metas Cambiais Metas Monetárias Metas de inflação Vantagens Subordina a inflação interna a externa. Base monetária é uma variável controlada diretamente pelo BC. Confere transparência à política monetária: possibilita seu monitoramento e avaliação (accountability). Maior flexibilidade: considera a informação disponível sobre o estado corrente da economia. Reduzido papel de metas intermediárias. Confere maior transparência à política monetária: possibilita seu monitoramento e avaliação (accountability). Desvantagens Perda de autonomia na condução de política monetária. BC deixa de exercer a função de emprestador de última instância. Possibilita a transmissão de choques da economia-âncora para a economia ancorada. Aumenta a suscetibilidade de ocorrência de ataques especulativos. Supõe estabilidade da velocidade de circulação da moeda: relação estável entre o estoque monetário e o nível geral de preços. BC possui limitado grau de controle sobre os agregados monetários mais amplos do que a base monetária. Baixo grau de previsibilidade da inflação. A taxa de inflação é uma variável que o BC não controla diretamente. Dificuldade na definição da meta. A flexibilidade cambial requerida pelo regime pode causar crise financeira. Fonte: Modenesi (2005). 5.1 Regime de Metas para o Brasil No Brasil, o sistema de metas foi adotado pela autoridade monetária em 30 de junho de 1999, por meio do decreto nº 3.088, com o propósito de dar sustentabilidade à estabilidade monetária e foi a alternativa utilizada para substituir o regime de câmbio fixo pelo regime de câmbio flutuante. Neste sentido, o instrumento utilizado para alcançar as metas estabelecidas 37 é a taxa de juros de curto prazo, Selic. A taxa Selic é taxa básica de juros da economia e a sua utilização como principal instrumento de eficiência se dá porque representa formalmente o comportamento das demais taxas de juros de toda a economia que são determinadas arbitrariamente após sua divulgação pelo COPOM. As metas de inflação, por sua vez, são definidas pelo CMN, órgão do BCB, a partir das variações do IPCA23 com margens de desvio de 2 pontos percentuais acima e abaixo da meta e anunciadas para um horizonte de 2 anos e meio para frente. Algumas características do sistema de metas adotado no Brasil demonstram a transparência desse regime. Em síntese, o regime de metas se constitui além da escolha de um índice, a definição de uma meta crível24, e o horizonte de cumprimento da meta para inflação25. No que se refere ao caso brasileiro em que se busca uma evolução maior para a inflação, o Banco Central adota um horizonte temporal curto afirmando ser mais adequado. Sistematicamente, tem-se a publicação do relatório de inflação em intervalos de três meses, com o mesmo padrão adotado na Inglaterra e divulgadas através das atas de reunião do COPOM no site do Banco Central do Brasil. Em seguida, conforme institucionalizado no decreto n° 3.088, caso não haja o cumprimento da meta estabelecida, deverá ser encaminhada uma carta aberta ao Ministro da Fazenda pelo Presidente do BCB, onde deverá constar a descrição detalhada das causas do descumprimento, as providências para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo no qual se espera que as providências produzam efeito. Klein (2007) cita uma série de estudos de política monetária no Brasil, apresentando diferentes técnicas de modelagem e estimação e proporcionando melhor compreensão e aprofundamento do assunto. Dentre os autores citados, estão: Salgado et al (2005), Minella (2001), Minella et al. (2002), Policano e Bueno (2006), Arquete e Jayme Júnior (2003) e Bueno (2005) podem ser citados como exemplos de abordagens que buscam explicar o comportamento da política monetária brasileira. De acordo com Besarria e Maia (2010), a preservação da política monetária voltada para estabilização garantiu a queda das taxas de inflação ao longo do período de 2001 a 2006. As metas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional para esse período serão descritas na Tabela 03. 23 O índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) é calculado oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o índice que mais adequado para avaliar a evolução do poder aquisitivo da população devido à maior abrangência por que inclui domicílios com faixas de renda de 1 a 40 salários mínimos. 24 No sistema de metas para o Brasil, a meta é intervalar com bandas o que permite melhor acomodação a choques econômicos. 25 No Brasil o horizonte da meta considera o ano-calendário com periodicidade mensal. 38 Tabela 03 Metas de Inflação Ano da Publicação da Resolução do CMN 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Ano de Referência Centro da Meta – IPCA (Em %) Intervalo de Tolerância (Em %) 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 8.50 5.50 4.50 4.50 4.50 4.50 4.50 +/- 2,0 p.p. +/- 2,5 p.p. +/- 2,5 p.p. +/- 2,0 p.p. +/- 2,0 p.p. +/- 2,0 p.p. +/- 2,0 p.p. Inflação Efetivamente Observada (Em %) 9.30% 7.60% 5.69% 3.14% 4.46% 5.90% 4.31% Fonte: Adaptado de Besarria e Maia (2010), adaptado do Banco Central do Brasil. De acordo com Mendonça et al (2005), com fins a melhorar o sistema de metas brasileiro e aumento da credibilidade, seria necessária a observação de quatro itens, sendo: i. A adoção de metas estáveis. Ou seja, direcionar a política de metas com o intuito de cumprir as metas e não somente focar no rigor do seu cumprimento. Sendo assim, o COPOM teria melhores condições de definir a taxa de juros de forma mais flexível, trazendo benefícios práticos para a economia como um todo. ii. Utilização do núcleo para o IPCA. A utilização do IPCA cheio não é eficiente em decorrência da pressão trazida pelos preços administrados. Dessa forma, a Selic é elevada para controlar uma tendência inflacionária que não provém do comportamento do mercado, o que ocorre naturalmente com os preços livres. O IPCA cheio também torna a economia vulnerável a choques que incidem sobre os preços que captam essas variações. iii. Modificação nas apurações das expectativas inflacionárias. Deve levar em consideração as expectativas dos agentes que realmente influenciam a evolução futura da inflação. Devendo, também consultar os demais seguimentos industriais e de serviços, além das instituições de ensino e pesquisa com experiência. 39 iv. Definição anual da meta em comum acordo entre o BCB e o Tesouro Nacional. Isso aumentaria a transparência e também melhoraria a qualidade na definição da meta. 40 6. Modelo Empírico 6.1 Relação entre a IS, Curva de Phillips com expectativas e a Regra de Taylor A curva IS representa, basicamente, o equilíbrio existente no mercado de bens e serviços. Desta forma, quaisquer alterações em suas variáveis componentes resultarão em novo ponto de equilíbrio. Sabe-se também que há uma identidade entre a curva IS, a curva de Phillips e a regra de Taylor. A curva IS estipula uma interação entre renda e taxa real de juros. A curva de Phillips expressa o trade-off existente entre inflação e desemprego na economia no curto prazo, o que foi descrito em vários trabalhos empíricos, sendo pioneiramente publicado por Alban Willian Phillips em 1958 26 . Partindo do pressuposto, buscar níveis muito baixos de inflação acarreta em aumento do desemprego e em contrapartida uma redução no nível de desemprego provoca aumento da inflação. O emprego neste modelo é representa uma proxy do nível de atividade econômica. Inicialmente, Phillips relacionou a taxa de variação do salário nominal entre 1861 a 1957 para o Reino Unido. A equação original do modelo é dada por: (3) (4) Onde as variáveis das equações 3 e 4 correspondem a salários, taxa de desemprego no período t, nominal do período e taxa nominal de variação dos taxa natural de desemprego 27 , salário salário nominal do período passado. Com o passar do tempo, a curva de Phillips sofreu intervenções de economistas que perceberam a não aplicação do modelo básico frente a condições econômicas distintas entre países. Inicialmente em 1960, Samuelson e Solow realizaram a aplicação da curva de Phillips para os Estados Unidos, embora tenham substituído a variável salário por 26 referente à taxa nominal de referente à taxa de inflação supondo que fossem equivalentes. Após esse O artigo referido é “The relationship between unemployment and rate of change of money wages in the Unitened Kingdom, 1861- 1957”. 27 A taxa natural de desemprego citada é do tipo neoclássica que resulta da soma entre desemprego friccional e voluntário e exclui o desemprego involuntário. Segundo Modenesi (2005), o desemprego friccional é aquele no qual o trabalhador está desempregado em transição de um emprego para outro, estando disponível devido à existência de informação imperfeita quanto à oferta e procura por trabalho e pelo baixo grau de mobilidade geográfica da mão-de-obra. 41 trabalho, o trade-off entre inflação e desemprego ficou conhecido internacionalmente como Curva de Phillips. Assim, poderá ser utilizada por gestores de política monetária, cabendo a cada um decidir qual nível de inflação versus desemprego mais conveniente. A curva passou a ser descrita algebricamente por: (5) Em meados de 60 em diante os economistas Edmund Phelps e Milton Friedman criticaram a aplicação da regra diante do cenário econômico mundial e defendiam que no longo prazo a economia tenderia a taxa natural de desemprego conhecida como NAIRU – Nonnacelerating Inflation Rate of Employment 28, isto significa que mesmo que o governo estimule a economia via expansão da base monetária concomitantemente com o crescimento do produto haverá um aumento no nível de preços provocando inflação. Com isso, o aumento da demanda por trabalho eleva a taxa de emprego acima da taxa natural > que resulta não instantaneamente no aumento dos salários, mas certamente serão ajustados quando renegociados os contratos de trabalho. O aumento dos salários pressiona para baixo a demanda por trabalho. Assim, o nível de emprego e o produto retomam sua taxa natural. Portanto, no longo prazo o efeito de política econômica é nulo. Figura 02: Curva de Phillips de Longo Prazo Taxa de Inflação (NAIRU) Curva de Phillips de Longo Prazo B C A Nova Curva de Phillips de Curto Prazo Curva de Phillips Inicial de Curto Prazo Taxa de Desemprego * Elaboração própria. 28 Neste sentido, a taxa natural de desemprego e a taxa que mantêm a inflação constante (Blanchard, 2005). 42 Com a incorporação das expectativas a curva de Phillips, esta passa a ser demonstrada da seguinte forma: (6) Outras questões acerca da curva de Phillips são levantadas por outros autores. Entre eles, Lucas (1972) e Sargent (1971) com a teoria das expectativas racionais, onde os agentes econômicos levam em consideração as informações disponíveis e as previsões para a economia, antecipando de forma racional os resultados das políticas econômicas e reagem de acordo com as expectativas que se estabeleceram. Sugere que o governo tem pouca influência sobre os mercados. Friedman (1968) trouxe a análise das expectativas adaptativas onde os agentes econômicos partem do aprendizado obtido em decorrência de erros cometidos considerando-os para a tomada de decisões no futuro. Segundo essa teoria, os agentes imaginam qual será a inflação do período seguinte a partir de pesos dados aos índices passados de inflação (backward-looking). No entanto, a abordagem de Friedman (1968) a qual defendia a estabilização do produto e preços via determinação de uma taxa constante para o crescimento da moeda foi substituída pela abordagem de Taylor (1993) que defende a estabilização via taxa de juros que responde a desvios entre produto efetivo e potencial e também entre inflação efetiva e a meta definida pela autoridade monetária. Dessa forma, a regra de Taylor possui uma curva de Phillips do tipo forward-looking implícita no modelo, seguindo a teoria das expectativas racionais. O BCB utiliza sob o regime de metas, valores projetados para a inflação visando assegurar o seu cumprimento e o ajuste da taxa nominal de juros. No entanto, propõe-se uma função de reação baseada na regra de Taylor original que considera a inflação e produto defasados como proxy para as expectativas. A escolha por valores para a inflação defasados se dá em decorrência de falhas graves na série de expectativas para inflação identificadas por Gonçalves e Fenolio (2007), sendo elas: i. Endogeneidade e causalidade reversa. Quando variáveis são assumidas como endógenas, sendo na realidade exógenas. Ou seja, ocorre quando a variável explicativa influencia a variável dependente ou vice-versa. ii. Comportamento oportunista onde os agentes sinalizam expectativas incorretas com o intuito de influenciar as decisões tomadas pela autoridade monetária. 43 6.2 Metodologia A abordagem empírica inicia-se pelas seguintes etapas: na primeira, aplica-se para cada série de tempo o teste de raiz unitária de Dickey e Fuller (1979), com o objetivo de identificar a estacionariedade, ou seja, (presença ou não de raiz unitária). O propósito é confirmar os testes de raiz unitária de Dickey Fuller Ampliado (ADF). Na segunda etapa será realizada a avaliação da importância das variáveis selecionadas na determinação da taxa Selic por meio do método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Estimou-se a função de reação considerando a Selic que é a variável dependente e a Selic defasada em um período como variável explicativa semelhante ao modelo proposto por Modenesi (2008). A equação base deste trabalho parte da equação inicial definida por Taylor (1993) do tipo backward-looking, onde: (7) Onde temos: = Taxa Over/Selic efetiva anualizada no período t. = Taxa de juros real de equilíbrio de longo prazo. = Meta de inflação no ano t. = Hiato do produto defasado. = Diferença entre inflação efetiva e a meta. = Taxa Over/Selic defasada em um período. 6.3 Base de Dados A base de dados utilizada na pesquisa é composta por observações mensais da taxa de juros Selic, Índice Bovespa, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado e as séries IPCA livre e administrado, meta para taxa de inflação anual e hiato entre produto efetivo e produto potencial – compreendendo o período de janeiro de 2003 a junho de 201029. A periodicidade mensal foi escolhida devido à existência de dados mensais do produto interno bruto (PIB). Utiliza-se também para fins de teste de variáveis o câmbio real e a relação Dívida/PIB como proxy para o risco-país. Neste trabalho a base de dados é 29 O período foi selecionado com base na evolução significativa do mercado de capitais brasileiro a partir de 2003. 44 composta de 90 observações, o que fornece maior confiabilidade estatística. É importante salientar que o período foi escolhido com base no crescimento e na maior participação do mercado de capitais na economia brasileira a partir de 2003. Neste ano o índice Ibovespa30 atingiu a marca de 20.183 pontos ao fim de novembro, sendo, portanto o mais elevado desde 1968, quando iniciou sua série histórica. Foi uma sinalização da recuperação da economia e da redução das tensões internacionais, registrando um volume de investimento estrangeiro de aproximadamente 6 bilhões de dólares. Houve também a redução do risco - Brasil (EmbiBrasil) que recuou devido a avanços nas reformas constitucionais e o acordo com o FMI. Os modelos serão estimados a partir das seguintes variáveis: i. Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) 31 , expresso em (%). A taxa de juros, a taxa Over/Selic é a média de remuneração dos títulos federais negociados com os bancos, é usada em operações entre bancos e influencia os juros de toda a economia. Esta série foi obtida no site do BCB – série n°4390 – Taxa de juros Selic linear com periodicidade mensal. ii. Hiato do produto ( ) será utilizado os dados divulgados pelo IBGE sobre o índice de produção industrial com ajuste sazonal como proxy para o produto real em razão da periodicidade mensal. A série do hiato do produto é obtida pela diferença entre o valor observado para o produto e o produto potencial32. iii. A inflação, expressa em (%). Foram utilizadas duas amostras para essa variável explicativa. Sendo a primeira, o IPCA acumulado, e a segunda considera as séries do IPCA administrado e livre33, disponibilizado no sítio do IPEA. Conforme expresso nos objetivos específicos, as variáveis incorporadas são descritas abaixo: iv. O preço dos ativos é medido através do índice Ibovespa medido em pontos. Obtida no BCB – série n° 7845. 30 O Ibovespa atingiu a rentabilidade de 34,3% acima dos valores correspondentes aos índices National Association of Securities Dealers Automated Quotations (Nasdaq) com 8,2% e Dow Jones Industrial Average (DJIA) com 3,8%. 31 Compõem também a Selic os módulos: Ofpub (oferta pública), Ofdealers (oferta a Dealers) e Lastro de operações. 32 O produto potencial (tendência) é calculado por meio da aplicação do filtro de Hodrick-Prescott. 33 Os preços administrados são aqueles que são “administrados por contrato ou monitorados” e, portanto, não são sensíveis as variações de mercado entre oferta e demanda. São divididos em dois grupos: os que são regulados a nível federal e por agências reguladores, e os que são definidos nas esferas estaduais e municipais. O seu peso no IPCA atualmente é de 29,5%. Os preços livres representam os demais preços de mercado. 45 v. Câmbio real fornecido pelo IPEA. A sua variação é obtida pelo logaritmo da taxa real de câmbio e a taxa real de câmbio defasada. vi. Relação Dívida/PIB como proxy para o risco-país. Obtida no BCB. 7. Resultados A partir dos testes realizados com o objetivo de verificar a estacionariedade das séries as tabelas 04 e 05 mostram os resultados obtidos em nível e em 1° diferença. Em relação aos testes tem-se que a hipótese nula onde a série é estacionária (possui raiz unitária) H0, é rejeitada para as séries dos preços livres e administrados em nível a 5%. Para as séries do índice de produção industrial com ajuste sazonal, taxa Selic, câmbio real, IPCA acumulado, relação dívida/PIB e Ibovespa, H0 é rejeitada em 1° diferença a 5%. Tabela 04 - Teste de raiz unitária (Dickey-Fuller Aumentado – ADF) para as variáveis do modelo em nível. Modelo sem Modelo com Modelo com Variáveis intercepto e sem intercepto e com intercepto e sem tendência tendência tendência tα tcrítico tα tcrítico tα tcrítico Selic -1.58 -1.94 -4.07 -3.46 -1.91 -2.89 PIB 1.10 -1.94 -2.25 -3.46 -1.50 -2.89 IPCA -2.87 -1.94 -3.34 -3.46 -3.67 -2.89 Pliv -3.30 -1.94 -5.07 -3.46 -5.14 -2.89 Padm -3.14 -1.94 -7.75 -3.46 -5.10 -2.89 Câmbio -2,64 -1,94 -3,27 -3,46 -1,82 -2,89 Div/PIB -1.42 -1.94 -3.15 -3.46 -3.06 -2.89 Ibovespa 0.57 -1.94 -2.42 -3.46 -1.47 -2.89 Tabela 05 - Teste de raiz unitária (Dickey-Fuller Aumentado – ADF) para as variáveis do modelo em 1° diferença. Modelo sem Modelo com Modelo com Variáveis intercepto e sem intercepto e com intercepto e sem tendência tendência tendência tα tcrítico tα tcrítico tα tcrítico Selic -4.22 -1.94 -4.39 -3.46 -4.36 -2.89 PIB -7.72 -1.94 -7.75 -3.46 -7.79 -2.89 IPCA -4.40 -1.94 -6.05 -3.46 -4.57 -2.89 Pliv -9.89 -1.94 -9.78 -3.46 -9.86 -2.89 Padm -10.55 -1.94 -10.46 -3.46 -10.51 -2.89 Câmbio -7,08 -1,94 -7,55 -3,46 -7,45 -2,89 Div/PIB -7.03 -1.94 -7.25 -3.46 -7.14 -2.89 Ibovespa -6.98 -1.94 -7.10 -3.46 -7.12 -2.89 Fonte: Elaboração própria a partir dos dados do IBGE, BCB e IPEA. 46 Partindo dessa especificação, as demais variáveis foram incorporadas e os resultados obtidos são verificados nos testes realizados representados na tabela 06. O objetivo consistiu em testar as variáveis em conjunto e/ou isoladamente, obtendo o maior número de testes possível. Tabela 06: Função de Reação do Banco Central do Brasil: Jan/2003 a Jun/2010 Div/PIB R2 0.131 0.801 0.011 0.002 - - - - 0.86 1 1 1 0.002 0.003 0.003 0.002 0.003 0.002 0.003 0.004 0.004 0.001 0.001 0.004 0.001 0.001 0.004 - - -0,05 -0.04 -0.05 -0.04 -0.04 -0.04 -0.04 -0.04 - -0.02 -0.003 -0.02 -0.003 -0.005 -0.01 -0.005 -0.01 - 0.221 0.221 0.231 0.231 0.251 0.241 0.241 0.241 0.06 0.04 0.08 0.06 0.09 0.07 0.02 0.009 - 0.86 0.87 0.87 0.86 0.86 0.86 0.86 0.86 0.87 0.87 0.86 0.86 0.86 0.86 0.87 0.12 -0.781 -0.791 0.091 -0.861 0.091 -0.861 -0.861 -0.801 0.02 -0.05 0.861 -0.05 -0.002 -0.791 0.81 0.711 0.721 0.901 0.801 0.901 0.801 0.811 0.721 0.781 0.871 0.811 0.881 0.791 0.711 0.01 0.011 0.011 0.011 0.011 0.011 0.011 -0.002 -0.002 0.004 0.006 -0.001 0.005 0.005 0.003 Elaborado pelo autor a partir dos dados da pesquisa. 1 Séries que são estacionárias a 10%. Os resultados para as estimações realizadas mostram que o coeficiente para o hiato do PIB não é significativo conforme a maioria dos trabalhos relacionados. A variável que representa o câmbio se mostrou significativa e teve sinal positivo. Inversamente, o preço dos ativos financeiros representado pelo Ibovespa não influencia o comportamento da Selic. Assim como a relação dívida/PIB também não é significante em nenhuma das estimações. Para todos os testes relacionados ao hiato da inflação a partir do IPCA acumulado foi obtido sinal positivo, embora de baixa magnitude. As séries relacionadas ao IPCA livre e administrado não foram significantes nas estimações e revelaram sinal negativo. O coeficiente R2 foi de 0.86, o que revela uma alta correlação para a taxa básica de juros. O hiato do produto teve sinal positivo, mas de baixa representatividade no comportamento da Selic. Muitos autores ressaltam a dificuldade na estimação do hiato do produto, entre os citados neste trabalho estão Soares e Barbosa (2006) e Minella et al (2002). Pode-se dizer, partindo dos resultados gerados que a autoridade monetária é pouco sensível aos desvios entre a inflação em relação à meta e ao hiato do produto, diferentemente 47 do FED que dá maior atenção ao lado real da economia e persegue metas para inflação e produto. A reação do Banco Central é lenta e gradual no que tange ao ajuste da Selic. Há, portanto, uma rigidez na condução de política monetária, o que é criticado por alguns autores que defendem a flexibilização da política monetária, entre eles estão Modenesi (2008) e Curado (2009). No lado oposto, entre os autores que defendem a manutenção da Selic em patamares elevados são Nakano (2006) e Erber (2008) que ressaltam que a uma taxa elevada de juros haveria estabilidade de preços e da demanda. No entanto, o nível elevado da taxa de juros e os fatores que a fazem uma das maiores taxas de juros do mundo não cabe a análise proposta por esse trabalho. Embora a tentativa de incorporar o preço de ativos não tenha tido relevância empírica, alguns autores defendem a sua inclusão na Regra de Taylor. Os maiores defensores, conforme citado no trabalho de Borges Filho (2006), são: Cecchetti (2000 e 2003) e Dupor (2002 e 2004). Estes defendem a inclusão justificando-se pelo efeito ocasionado por bolhas no mercado de ativos que por representarem uma proporção significativa da riqueza, podem exercer influencia afetando a evolução do consumo. Ressalta que sem uma informação sobre expectativa de consumo não há como obter previsão para o PIB. Na visão citada de Bernanke (1999, 2001, 2003), só é plausível a adoção de preço dos ativos financeiros quando efetivamente exercerem influência sobre a expectativa de inflação futura. Bernanke e Gertler (1999) complementam que ao realizar uma política monetária agressiva sob o sistema de metas, esta pode estabilizar o produto e a inflação num cenário de volatilidade dos preços dos ativos. Bernanke e Gertler (2001) preferem uma regra de política que reaja ao hiato do produto, mesmo diante da dificuldade na sua estimação. Ainda em Checchetti (2003), o autor destaca que o efeito das bolhas no mercado acionário é um aumento da volatilidade do PIB e da inflação, tornando vulnerável o equilíbrio do sistema financeiro. Borio e Lowe (2002) destacam que em relação à previsibilidade há uma dificuldade da autoridade monetária em identificar ameaças em tempo hábil, além das incertezas geradas pelos resultados provenientes das decisões a serem tomadas e como irão repercutir diante dos agentes econômicos. Mesmo assim, o debate teórico acerca da relevância do preço de ativos financeiros possui vários desdobramentos e uma vasta produção acadêmica. No que se refere à inclusão do câmbio na função de reação foram obtidos resultados que comprovaram a sua influência no comportamento da autoridade monetária. Os valores encontrados para os coeficientes foram significativos e tiveram sinal negativo. 48 Conforme abordado em Taylor (1993), o mesmo considera que para o FED ao ajustar os juros, tanto o desvio da inflação em relação à meta e o hiato do produto revelam resposta indireta ao câmbio. Dessa forma, defende que há uma relação indireta da taxa de juros em relação ao câmbio. Conforme Holland (2006), ao analisar a relação entre taxa de juros e os choques do câmbio, concluiu que o Brasil não está dentro do fenômeno “fear of floating” e por isso, não reage a choques no câmbio via instrumentos de política monetária. No entanto, este trabalho encontrou resultados positivos para o câmbio similar aos que também foram encontrados por Mohanty e Klau (2004) que encontrou correlação positiva entre câmbio e taxa de juros, o que se justifica para o Brasil, pois a amostra considerou as variações entre 1995 a 2002 quando ainda era vigente o regime de metas cambiais (até 1999) até dois anos após a troca de regime de câmbio fixo para flutuante. Soares e Barbosa (2006) encontraram resultados semelhantes indicando que a taxa de câmbio real é uma variável explicativa na função de reação do Banco Central com uma amostra de dados após a mudança de regime e da adoção do sistema de metas entre 2002 a 2005. Gráfico 01 – Trajetória (IPCA Livre, IPCA Administrado) Fonte: Elaborado no eviews a partir de dados do IPEA. No que se refere ao IPCA cheio, a partir da sua adoção que considera preços livres e administrados como índice de preços no sistema de metas, ocorre que quando há pressões inflacionárias o ajuste da Selic é prejudicado visto que não são diferenciadas as variações que realmente influenciam a alta dos preços. Dessa forma, a Selic é sempre ajustada e mantêm um 49 nível elevado o que acaba prejudicando os setores produtivos e reduzindo o desempenho da atividade econômica diante do seu potencial. Historicamente, no período que vai de 1996 a 2007 o IPCA dos preços administrados teve variação superior a do IPCA livre. Após 2007 essa variação foi invertida e os preços livres desenvolveram maior variação até 2010. Em 1999, diante da adoção do regime de câmbio de livre flutuação houve uma alta dos preços dos bens atrelados ao câmbio em conseqüência da depreciação cambial que ao final de 2009 foi se dissipando até atingir novo ponto de equilíbrio e conseqüente redução da diferença do real frente ao dólar. Os preços administrados cresceram entre jan/2007 a mar/2010 11,2% contra 20,85% dos preços livres. A disparidade dos preços administrados em relação aos preços livres até 2007 se deu devido a alguns fatores, sendo: i) privatização de serviços públicos e eliminação de subsídios da década de 90 em diante, ii) elevações no preço internacional do petróleo no mesmo período e iii) depreciação do real em 1999 e 2002. Portanto, dois fatores em especial contribuem negativamente para a política monetária quando ocorre elevação nos preços administrados, sendo: i) elevado peso dos preços indexados a inflação passada, ii) maior persistência em relação a inflação dos preços livres e, iii) baixa elasticidade dos preços administrados. Gráfico 02 – Trajetória (Selic, PIB, PIB Potencial, IPCA) Fonte: Elaborado no eviews a partir de dados do IPEA, BCB, IBGE. 50 Embora a Selic tenha declinado comparativamente aos anos de inflação persistente, vem sendo mantida em níveis considerados muito elevados, mesmo diante do controle da inflação. No período de crise externa, a referida taxa se elevou e em dezembro de 2008 chegou a 13,66% no acumulado mensal, mas depois recuperou o seu patamar em pouco mais de 10% ao mês. O produto interno segue sua trajetória de crescimento mesmo após uma retração diante das projeções na fase de crise externa. No entanto, o crescimento do produto pode estar sendo prejudicado em relação à alta taxa de juros que influencia o nível de investimento da economia. Gráfico 03 – Trajetória (Câmbio real, Dívida/PIB, Ibovespa) 51 Com as constantes crises externas nos países industrializados e emergentes, o Brasil vem se consolidando como uma economia que mantêm níveis de inflação estáveis. O comportamento da taxa de câmbio demonstra que o Real vem se apreciando frente ao dólar. Os efeitos da crise interromperam a queda da relação dívida/PIB em 2003. No período entre setembro de 2008 e o mesmo mês de 2009 essa relação cresceu em 4,8% do PIB. Segundo estudo realizado por Meirelles (2010), o superávit primário não é o único responsável pela elevação nesse indicador. Aponta um conjunto de fatores como responsáveis por esse comportamento, sendo: i. Redução do superávit primário, a diferença entre os fluxos correntes (despesas x receitas), que é composto do resultado primário oriundo das receitas e gastos correntes não financeiros somado ao pagamento de juros em grande proporção atrelados a taxa Selic praticada pelo Banco Central e demais taxas pagas em títulos pré-fixados atreladas aos demais indexadores da dívida. ii. O reconhecimento de dívidas passadas. iii. O efeito do câmbio. Tem maior impacto quanto maior for a diferença entre ativos do governo e dívida pública em moeda estrangeira. iv. O crescimento do PIB. O Banco Central traz o PIB mensal ao preço do mês referente ao estoque da dívida pelo IGP-DI. v. Variação do IGP-DI. Quando o deflator do PIB é superior ao indicador de preços, menor será o crescimento do PIB. O índice Ibovespa veio evoluindo até 2008 quando incide a crise internacional deflagrada na economia americana e que afetou vários países que mantêm relações comerciais com os EUA e, portanto, a economia do Brasil foi afetada. Após o choque inicial, o índice vem se restabelecendo e corrigiu sua trajetória de crescimento devido à recuperação gradual da confiança dos agentes econômicos. A grande importância dessa variável sobre a economia indica que deve ser considerada em grau de importância, pois variações nesse mercado impactam em diversos segmentos econômicos e, portanto, na formação das expectativas que são fundamentais na gestão de política monetária. 52 Fonte: Elaborado no eviews a partir de dados do IPEA, BCB, IBGE. 53 8. Conclusão A economia brasileira superou vários problemas que impactavam seu crescimento e evolução econômica. Experimentou planos monetários fracassados e sucessivos, sendo “Cruzado” (1986), “Bresser” (1987), “Verão” (1989), “Collor’ (1990) e “Collor II” (1991) até a adoção com sucesso do Plano Real em 1994. Em 1999, passou do regime de câmbio fixo ao flutuante e após a adoção do sistema de metas para a inflação pós-configurada a fase de estresse inicial com descumprimento das metas nos anos de 2001-2003, a inflação vem evoluindo significativamente e em junho de 2010 a variação do IPCA mensal ficou em 0%. O grande diferencial do Plano Real em relação ao Plano Cruzado foi à consideração de que a inflação não é num todo inercial e que se torna fundamental considerar outros mecanismos tradicionais de política monetária e fiscal a fim de obter sucesso no controle inflacionário. O Brasil passa por um momento de estabilidade e controle da inflação. No entanto, a relutância da autoridade monetária em defender níveis elevados da taxa básica de juros emprega certas restrições ao potencial de crescimento da economia. Observou-se neste trabalho um comportamento acentuadamente conservador do Banco Central que é pouco sensível a variações no hiato do produto e na inflação. Objetivou-se neste trabalho a inclusão de novas variáveis a especificação básica proposta por Taylor, sendo que os resultados demonstraram que o Banco Central não considera o Ibovespa diretamente nas decisões de política monetária, embora deixe claro nas atas do COPOM que leva em consideração nas prospecções para as expectativas para inflação. Foram encontradas evidências de que o Banco Central reage a variações no câmbio real. As evidências empíricas neste trabalho demonstram que o Banco Central não dá muita atenção as variáveis reais da economia, quando define a taxa de juros de curto prazo. Sendo assim, conforme proposto por Modenesi (2008), é perfeitamente justificável a defesa da flexibilização da taxa básica de juros com o objetivo de promover maior crescimento da economia paralelo ao controle da inflação. Devendo, portanto, o Banco Central reagir via regra de política monetária aos desvios entre inflação e a meta e ao hiato do produto. 54 9. Referência Bibliográfica BARBOSA, F. H. A inércia da taxa de juros na economia monetária. Revista de Economia, Curitiba, v. 30, n. 2 (28), p. 105-119, jul./dez. 2004. Editora da UFPR. BARRO, R. J.; GORDON, D, B. Rules, discretion and reputation in a model of monetary policy. Journal of Monetary Economics, v. 12, p. 101-122. 1983. BESARRIA, C. N. Volatilidade no mercado de ações brasileiro e seu impacto sobre as regras de política monetária: 2003 – 2009. Dissertação de Mestrado – UFPB, João Pessoa, 2010. 83 f. BLANCHARD, O.; FISHER, S. Lectures in macroeconomics. 1 ed. Cambridge: MIT Press, 1989. 664 p. BRASÍLIA (DF). 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