UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO
FACULDADE DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO
PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM GESTÃO DO
DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL
DANIELLE CRISTINE NERI COSTA
DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL NA PERSPECTIVA DA ATUAÇÃO
DE UMA ORGANIZAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS NO ESTADO DE
PERNAMBUCO: um estudo de caso relacionado com educação e inclusão social
Recife
2011
DANIELLE CRISTINE NERI COSTA
DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL NA PERSPECTIVA DA
ATUAÇÃO DE UMA ORGANIZAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS NO ESTADO DE
PERNAMBUCO: um estudo de caso relacionado com educação e inclusão social
Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado
Profissional em Gestão do Desenvolvimento Local
Sustentável da Faculdade de Ciências da Administração
de Pernambuco-FCAP/UPE, sob a orientação da
Professora Dra. Maria de Fátima Gomes, como requisito
parcial para a obtenção do título de Mestre em Gestão do
Desenvolvimento Local Sustentável.
Orientadora: Profª Drª Maria de Fátima Gomes da Silva
Recife
2011
Danielle Cristine Neri Costa
DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL NA PERSPECTIVA DA
ATUAÇÃO DE UMA ORGANIZAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS NO ESTADO DE
PERNAMBUCO: um estudo de caso relacionado com educação e inclusão social
Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado
Profissional em Gestão do Desenvolvimento Local
Sustentável da Faculdade de Ciências da Administração
de Pernambuco-FCAP/UPE, sob a orientação da
Professora Dra. Maria de Fátima Gomes, como requisito
parcial para a obtenção do título de Mestre em Gestão do
Desenvolvimento Local Sustentável.
"Minha Vida não tem nenhum valor, a menos que
eu a use para realizar a obra que me foi confiada,
pelo Senhor Jesus, obra de contar as boas novas
sobre a maravilhosa bondade e sobre o amor de
Deus" (Atos 20: 24).
Dedicatória
Ao meu amado Deus razão do meu viver.
Aos meus pais pelo amor ofertado.
AGRADECIMENTO
Realizar esta pesquisa significou trilhar por caminhos que só puderam ser
percorridos com o direcionamento do meu amado Deus. Ao Amado de Minha Alma,
meu eterno agradecimento. Tudo o que sou e o que eu vier a ser é dEle, por Ele e
para Ele.
Aos meus pais José Geraldo Ferreira da Costa e Marinalva Neri da Costa,
pelo amor, carinho, incentivo constante, compreensão nos momentos de ausência
em família, sem vocês não teria conseguido.
A meu irmão Hugo Leonardo e minha cunhada Alyne Ribeiro, pelo incentivo e
carinho.
Aos meus queridos e amados sobrinhos, Amanda Krystine e Lucas Henrike
por serem minha alegria constante, motivos de muitas risadas e diversão.
A minha família, tias, tios, primos e amigos pelo carinho e incentivo.
As minhas amigas do coração Vanessa Cavalcante e Priscila Pacheco por
estarem sempre presentes em minha vida.
A minha orientadora Drª Maria de Fátima Gomes, por acreditar em mim e não
ter desistido, e por ser um exemplo de profissional.
Ao coordenador do curso Drº Ivo Pedrosa, por estar sempre disponível em
ajudar.
A Célia Casado, pela sua alegria na secretaria do mestrado.
A todos os colegas do mestrado, pois o período de aulas foi marcante na
minha vida.
Aos colaboradores do Instituto Walmart e do Instituto Aliança, pela
oportunidade em realizar a pesquisa.
Ao Profº Paulo de Jesus, pela sua colaboração, quando solicitado.
Em especial a minha Tia Alene (in memoriam), pelo privilégio de ter passado
anos da minha vida ao seu lado e ter aprendido com a simplicidade do seu sorriso,
do seu olhar. O marco do meu mestrado foi ter perdido a sua presença diária
durante essa trajetória. Não foi fácil.
RESUMO
O presente trabalho tem como propósito analisar as contribuições de uma
organização sem fins lucrativos para o Desenvolvimento Local Sustentável. Este
trabalho busca refletir como esta organização vem atuando no contexto do
Desenvolvimento Local Sustentável e como desenvolve um processo de mudança
social na comunidade local, relacionado com a educação e a inclusão social. As
organizações sem fins lucrativos estão crescendo significativamente, visto a sua
atuação nos espaços políticos e na sociedade, inovando e desenvolvendo trabalhos
com o foco no DLS, o qual é uma temática que vem ganhando relevância no mundo
atual, suscitando discussões, reflexões e novas práticas no processo de
desenvolvimento em todo o mundo. A pesquisa teve como objetivo, identificar no
âmbito da organização sem fins lucrativos que serviu de campo empírico a esta
pesquisa, as concepções dos colaboradores da referida organização sobre o
programa de Desenvolvimento Local Sustentável implantado pela Instituição;
investigar o nível de exploração e fomento de valores associados ao
Desenvolvimento Local Sustentável, no projeto educacional oferecido pela
organização sem fins lucrativos, voltado para a inserção social. Na realização da
pesquisa foram utilizados métodos qualitativos, com o emprego da observação e da
entrevista semi-estruturada e a análise de conteúdo como recurso para apreciação
dos depoimentos. A pesquisa permitiu constatar que a organização estudada atribui
importante papel na comunidade local, trazendo uma abordagem diferenciada para o
bairro onde atua, despertando e envolvendo a população para o desenvolvimento
ecônomico, ambiental e social da localidade. Trazendo, assim, diversos aportes de
atividades que proporcionam com seus projetos atingir a inclusão social, sendo
abordada a educação de forma extensiva a todos os projetos. Desta forma,
percebeu-se que a educação é a base do programa e tem uma estrutura focada no
desenvolvimento do ser humano que constrói e transforma a sua história.
Palavras
Chave:
Desenvolvimento
Local;
Educação;
Sustentabilidade; Organizações Sem Fins Lucrativos.
Inclusão
social;
ABSTRACT
The present essay has as a purpose to analyze the contributions of a non-profit
organization for Sustainable Local Development. This essay seeks to reflect how this
organization has been acting in the context of Sustainable Local Development, and
how it develops a process of social change in the local community, related to
education and social inclusion. The non-profit organizations are growing significantly,
given their performance in the political scenery and society, innovating and
developing work with the focus on SLD, which is a theme that is gaining relevance in
today's world, encouraging discussion, reflection and new practices in the process of
development worldwide. The research aimed to identify, within the non-profit
organization that served as the empirical field to this research, the conceptions of
employees of the organization about the program of Local Sustainable Development
implemented by the institution; to investigate the level of exploration and promotion of
values associated with the Local Sustainable Development, in the educational project
offered by the non-profit organization, dedicated to social inclusion. During the
research were used qualitative methods, with the use of observation and semistructured interviews and content analysis as a resource for consideration of
testimonies. The research verified that the studied organization assigns an important
role in the local community, bringing a different approach to the neighborhood in
which it operates, arousing and involving the population for the economic,
environmental and social development of the region. Thus, bringing different
contributions of activities that provide projects that achieve social inclusion, because
education is addressed broadly through all the projects. That way, it was realized that
education is the foundation of the program and has a structure focused on human
development that builds and transforms its story.
Keywords: Local Development; Education; Social Inclusion; Sustainability, Non-profit
Organizations.
ANEXOS
ANEXO I : Questões da entrevista semi-estruturada - Coordenadores
ANEXO II : Questões da entrevista semi-estruturada - Educadores
ABREVIATURAS E SIGLAS
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
ADCE – Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas
BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
CELPE – Companhia Energética de Pernambuco
DL – Desenvolvimento Local
DLIS – Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável
DLS – Desenvolvimento Local Sustentável
ETHOS – Instituto Ethos de Responsabilidade Social
GIFE – Grupo de Institutos Fundações e Empresas
IA – Instituto Aliança com Adolescentes
IADH – Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano
IBASE – Instituto Brasileiro de Análise Sociais e Econômicas
IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
IDH – Índice de Desenvolvimento Humano
IQE – Instituto de Qualidade do Ensino
IW – Instituto Walmart
MEC – Ministério da Educação
NGOs – Non – Governmental Organizations
ONU – Organização das Nações Unidas
ONGs – Organizações Não Governamentais
OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público
PACS – Programa de Agentes Comunitários de Saúde
PNBE – Pensamento Nacional das Bases Empresariais
SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
RSC – Responsabilidade Social Corporativa
UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância
UNESCO – Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas
ZEIS – Zona Especial de Interesse Social
Sumário
CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ....................................................................... 13
A Pertinência e os objetivos deste estudo ................................................................. 13
INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 15
PARTE I .................................................................................................................... 18
CAPÍTULO I .............................................................................................................. 18
1 TERCEIRO SETOR E UM BREVE HISTÓRICO DA RESPONSABILIDADE
SOCIAL EMPRESARIAL ..........................................................................................18
1.1. Terceiro Setor e a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público
(OSCIP)......................................................................................................................18
1.1.1. Aspectos Legais ............................................................................................. 20
1.2. Responsabilidade Social Empresarial, Breve Histórico e Conceitos
Relacionados............................................................................................................. 22
1.2.1. Responsabilidade Social Empresarial como ação de fomento ao
Desenvolvimento Local Sustentável.......................................................................... 29
CAPÍTULO II ............................................................................................................. 33
2 EDUCAÇÃO, INCLUSÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO LOCAL
SUSTENTÁVEL ........................................................................................................ 33
2.1. Sobre Desenvolvimento Local Sustentável ........................................................ 33
2.1.1. Desenvolvimento Local Sustentável e os atores locais ................................... 40
2.2. Educação e inclusão social que possibilidades? ................................................ 42
CAPÍTULO III ............................................................................................................ 47
3 A PROPOSTA DA ONG OBJETO DE ESTUDO DESTA PESQUISA UM BREVE
RELATO.................................................................................................................... 47
3.1. Localização ........................................................................................................ 47
3.2. Instituto Walmart ................................................................................................ 48
3.3. O Programa Bombando Cidadania .................................................................... 50
3.4. O Projeto Liderança no Varejo – Escola Social do Varejo.................................. 54
3.5. Instituto Aliança com Adolescente ...................................................................... 56
PARTE II ................................................................................................................... 60
CAPÍTULO IV............................................................................................................ 60
4 METODOLOGIA .................................................................................................. 60
4.1. A abordagem de pesquisa utilizada ................................................................... 60
4.1.1. A opção pela abordagem qualitativa ............................................................... 61
4.2. O estudo de caso ............................................................................................... 62
4.3. Métodos de coleta dos dados............................................................................. 64
4.3.1. A entrevista ..................................................................................................... 64
4.3.2. Observação Espontânea ................................................................................. 65
4.4. O locus da pesquisa ........................................................................................... 66
4.5. Caracterização dos sujeitos ............................................................................... 66
4.6. A análise dos dados ........................................................................................... 67
4.7. A análise de conteúdo ........................................................................................ 68
4.8. As categorias analíticas...................................................................................... 68
4.8.1. Educação ........................................................................................................ 69
4.8.2. Inclusão Social ................................................................................................ 70
4.8.3 Desenvolvimento Local .................................................................................... 70
4.8.4. Sustentabilidade .............................................................................................. 71
PARTE III .................................................................................................................. 73
CAPÍTULO V............................................................................................................. 73
5
UMA LEITURA ANALÍTICA SOBRE AS PERCEPÇÕES DOS
COORDENADORES E EDUCADORES OBJETO DESTA PESQUISA, SOBRE
DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL RELACIONADO COM EDUCAÇÃO
E INCLUSÃO SOCIAL .............................................................................................. 73
5.1. Contribuições de uma organização sem fins lucrativos para o Desenvolvimento
Local .......................................................................................................................... 74
5.2. Possibilidades de inclusão social no âmbito de uma Organização Sem Fins
Lucrativos .................................................................................................................. 80
5.3. Avaliação das ações enquanto Sustentabilidade .............................................. 84
5.4. A educação permeando as atividades de uma Organização Sem Fins Lucrativos
.................................................................................................................................. 88
5.5. A observação simples no âmbito desta pesquisa ............................................... 92
6 CONCLUSÕES ..................................................................................................... 97
7 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 103
ANEXOS ................................................................................................................. 109
APÊNDICE .............................................................................................................. 113
13
CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA
O presente trabalho teve por finalidade analisar as contribuições de uma
Organização Sem Fins Lucrativos, situada na cidade do Recife – PE, no âmbito do
Desenvolvimento Local Sustentável. O trabalho foi desenvolvido no Instituto Walmart
que realiza um Programa de Desenvolvimento Local Sustentável, no bairro da
Bomba do Hemetério.
Constituiu nosso interesse neste trabalho analisar as contribuições de uma
organização sem fins lucrativos situada em Recife – Pernambuco para o
Desenvolvimento Local Sustentável.
Também foram analisadas as questões relacionadas com as ações
educacionais desenvolvidas pelo Instituto acima referido, com o objetivo de verificar
em que medida as ações desenvolvidas por esse Instituto são, de fato, sustentáveis.
Neste sentido, foi objeto de análise desta pesquisa o Programa Bombando
Cidadania. Procurou-se ainda observar, através da visão dos coordenadores do
Instituto, como questões de Desenvolvimento Local Sustentável são abordadas no
referido Programa.
A pertinência e os objetivos deste estudo
A problemática central deste projeto diz respeito às contribuições de uma
Organização Sem Fins Lucrativos no campo particular ligado às questões humanas
e sociais do Desenvolvimento Local Sustentável. Para tal, este estudo ateve-se a
temas relacionados à educação, à inclusão e à cidadania.
O crescimento das organizações sem fins lucrativos conquistaram espaço
significativo na socialização mundialmente. O papel dessas organizações, como
fonte de transformação para a sociedade em diversas áreas, ambiental, social,
educacional, cultural, entre outras, nos levou a refletir neste estudo sobre a
responsabilidade dessas organizações junto à sociedade. Importa destacar que os
aspectos de inclusão social, cidadania, educação e todas as dimensões humanas e
14
sociais, são questões relevantes que precisam ser debatidas e estudadas, com a
necessidade de se buscar ações que possam modificar o quadro de injustiça social.
Essas ações devem ser construídas à luz do Desenvolvimento Sustentável e
estimular e viabilizar a construção de um DLS, alternativo e solidário. Dos diversos
atores sociais que atuam com a Responsabilidade Social e o Desenvolvimento Local
Sustentável, uma Organização Sem Fins Lucrativos foi escolhida como campo
empírico para esta pesquisa.
Desta forma, e para melhor delimitar a problemática, foram elaboradas as
seguintes questões orientadoras deste estudo, a saber:
1. Quais as concepções sobre Desenvolvimento Local Sustentável dos
integrantes/participantes da Organização Sem Fins Lucrativos?
2. Existem, na Organização Sem Fins Lucrativos, projetos educacionais voltados
para a inserção social e o Desenvolvimento Sustentável?
3. De que forma e em que extensão a Organização Sem Fins Lucrativos tem
contribuído para a inserção social da comunidade local?
Neste âmbito, é de referir que esta pesquisa teve como objetivo principal
analisar as contribuições de uma organização sem fins lucrativos situada em Recife
– Pernambuco para o Desenvolvimento Local Sustentável. Foram objetivos
específicos deste estudo, identificar, no âmbito da organização sem fins lucrativos
que serviu de campo empírico a esta pesquisa, as concepções dos colaboradores
da referida organização sobre o Programa de Desenvolvimento Local Sustentável
implantado pela Instituição e investigar o nível de exploração e fomento de valores
associados ao Desenvolvimento Local Sustentável, no projeto educacional oferecido
pela organização sem fins lucrativos, voltado para a inserção social.
15
INTRODUÇÃO
“As ONGs possuem uma legitimidade que lhes trascendem,
de modo que atráves delas ecoa uma dinâmica social ampla.”
(Lisboa, 2008).
No final da década de 1980 e no início da década de 1990, a expressão
Terceiro Setor tornou-se comum no Brasil; o termo expressa um conjunto de
entidades da sociedade civil de fins públicos e sem objetivo de lucro.
Para Santos (1998) Terceiro Setor é um conceito vago utilizado para designar
um amplo espectro de organizações sociais de natureza nem estatal nem privada:
cooperativas, associações mutualistas e organizações não governamentais, de
voluntariado, comunitárias e de base.
Dos principais componentes do Terceiro Setor, o presente trabalho tem como
objeto de estudo desta pesquisa uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de
Interesse Público), que despontou da Responsabilidade Social da empresa varejista
Walmart, sendo nomeado Instituto Walmart.
Na definição do SEBRAE (Serviço Brasileiro de apoio às micro e pequenas
empresas) as OSCIPs são ONGs, que obtêm um certificado emitido pelo poder
público federal ao comprovar o cumprimento de certos requisitos.
As Organizações Sem Fins Lucrativos podem desempenhar um papel
decisivo ajudando às comunidades a assumir em suas responsabilidades sociais.
Podem ser muito úteis contribuindo para a sensibilização e eficiência e promovendo
a participação de todos os membros da comunidade (AL - MUFTI, 1998).
As Organizações Sem Fins Lucrativos podem se constituir como uma
colaboradora social nas questões de educação e sustentabilidade, entre outras
nuances sociais. Assim, uma vez que, no escopo das atribuições do Instituto
Walmart, contempla-se um programa de Desenvolvimento Local Sustentável em
Recife – PE. Nesta pesquisa, será apresentada as contribuições dessa organização
sem fins lucrativos no âmbito do DLS, bem como, as concepções dos colaboradores
da referida Instituição sobre DLS e a análise do nível de exploração e fomento de
valores do projeto educacional, voltado para a inserção social.
A educação desempenha um importante papel no desenvolvimento da
sociedade, na melhoria da qualidade de vida, promove a inclusão social, supera as
16
desigualdades sociais, valoriza a diversidade cultural, preserva o meio ambiente e
promove o Desenvolvimento Local de forma sustentável.
A sociedade tem demanda por educação, principalmente, quando esta
educação, resgata o indivíduo da circunstância de exclusão social.
Para Geremek (1998) a educação tem um papel determinante na luta contra a
exclusão dos que, por razões sócio-econômicas ou culturais, se encontram
marginalizados nas sociedades contemporâneas; parece ter um papel ainda maior
na inserção das minorias na sociedade.
Neste contexto, observa-se atualmente, um aumento de Organizações Sem
Fins Lucrativos, que trabalham com a inclusão social. No campo ambiental,
preocupamo-nos na presente pesquisa com a extensão em que essa organização
trabalha com o Desenvolvimento Local Sustentável e com a comunidade local. Qual
a preocupação dessa organização em gerir projetos educacionais sustentáveis que
possam proporcionar a inclusão social? E quais as concepções dos membros dessa
organização sobre o Programa de Desenvolvimento Local Sustentável, já que os
mesmos atuam com essas dinâmicas?
Coelho (1996) apud Jesus (2006) descreve que o Desenvolvimento Local
pode ser entendido “como um plano de ação coordenado, descentralizado e
focalizado, destinado a ativar e melhorar, de maneira sustentável, as condições de
vida dos habitantes de uma localidade, e no qual o desenvolvimento estimula a
ampla participação de todos os atores relevantes”.
O Desenvolvimento Local Sustentável é endógeno e mobiliza uma
comunidade em descobrir o manancial de conhecimentos e potencialidades que
existem na sua localidade. E dentre os diversos atores sociais que executam o
Desenvolvimento Local, as Organizações Sem Fins Lucrativos são um dos
participantes estratégicos para este desenvolvimento; mas o DL precisa ser
construído com diversos atores sociais para que seja desempenhado com eficiência
e de forma sustentável.
Para Camargo (2007) a concepção de desenvolvimento sustentável é um
caminho, uma opção, uma oportunidade, e deve ser compreendida à luz de uma
nova sensibilidade e de uma nova razão.
Acredita-se que as organizações sem fins lucrativos têm um papel
considerável como colaboradora nas demandas da população, contribuindo como
orgão de fomento para a sociedade, trabalhando, muitas vezes, para conscientizar,
17
convergir, fomentar, somando esforços e potencializando recursos para uma
atuação conjunta e eficaz na construção de uma sociedade justa.
O presente trabalho de pesquisa está estruturado em seis capítulos. O
primeiro faz a abordagem das organizações do Terceiro Setor e a Organização da
Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), qual o papel na sociedade e seu
aspecto legal, baseados em autores como Hudson (2002) e Tachizawa (2002). Em
seguida, se apresenta neste mesmo capítulo uma descrição sobre o termo
Responsabilidade Social Empresarial, seus conceitos na visão de diversos autores e
sua ação junto ao Desenvolvimento Local.
No segundo capítulo, procura-se relatar sobre o Desenvolvimento Local
Sustentável e sua relação com os atores sociais. Foram estudados os conceitos de
vários autores sobre o tema, entre eles Camargo (2007) e Jesus (2006). Discorre-se,
também, neste capítulo sobre a educação e a inclusão social e as possibilidades,
para inserção social dos indivíduos excluídos no âmbito do Desenvolvimento Local
Sustentável.
O terceiro capítulo apresenta a história do Instituto Walmart, objeto de
pesquisa deste trabalho, a descrição do Programa Bombando Cidadania e do
projeto Líderança no Varejo - Escola Social do Varejo; descreve, também, a história
do Instituto Aliança com Adolescente, pois a mesma é a executora do projeto Escola
Social do Varejo, sendo também o IA um dos objetos de estudo desta pesquisa.
A segunda parte deste trabalho, nomeadamente no capítulo cinco, dedica-se
à discussão das questões de método para efetivação da pesquisa, partindo para a
análise
embasados
nas
categorias
analíticas:
educação,
inclusão
social,
Desenvolvimento Local e sustentabilidade.
A terceira parte compõe o capítulo cinco apresenta uma leitura analítica dos
dados sobre a educação no âmbito do Desenvolvimento Local e sua influência na
inclusão social dos indivíduos excluídos, através das dinâmicas do DLS.
E, por último, as conclusões, em que apresentam-se as contribuições para a
sociedade, as instituições e atores sociais que estão envolvidos na temática
enfocada.
18
PARTE I
CAPITULO I
1
TERCEIRO SETOR E UM BREVE HISTÓRICO DA RESPONSABILIDADE
SOCIAL EMPRESARIAL
O propósito deste capítulo é fazer uma breve revisão teórica sobre o
pensamento de estudiosos que se interessam, pelo tema das organizações sem fins
lucrativos e apresentar o conceito relacionado desses autores. Abordam-se também
as perspectivas através da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público e
seus aspectos legais, considerando o que dizem as pesquisas recentes sobre estas
organizações.
1.1 Terceiro Setor e a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público
(OSCIP)
Descrevendo sobre o Terceiro Setor toma-se como ponto de partida o que ele
não é: nem setor público nem setor privado, mas, sim, um setor específico, o qual
congrega numerosas organizações, de diversos portes, que empregam muitas
pessoas e que têm crescido significativamente dos anos 1990 até o presente. O
Terceiro Setor abrange o conjunto dos diversos tipos de arranjos entre o Estado e a
sociedade civil no sentido da implementação e co-gestão de políticas públicas, em
especial as de caráter social, instituindo atores não governamentais na execução
dessas políticas (CORREA; et al, 2006).
As raízes do Terceiro Setor se encontram no associativismo operário do
século XIX. O debate sobre o papel e a forma do Terceiro Setor nasce com um forte
viés ideológico e político. Entidades pertencentes ao Terceiro Setor se posicionam,
então, como um ator que busca a simetria de poder em relação aos dois outros
19
setores e, mais ainda, buscam preencher lacunas sociais deixadas pela atuação (ou
não atuação) do Estado e de organizações privadas com fins lucrativos (SOARESBAPTISTA, 2006).
Para Tachizawa (2002) as organizações do Terceiro Setor realizam parcerias
e alianças entre diversos segmentos sociais, com a captação de recursos no
mercado, viabilizando a realização de atividades que não estariam sendo
desenvolvidas pelo Estado. Nesse panorama, as ONGs, subvencionadas por capital
estrangeiro ou nacional, vêm demostrando, em diversos setores da área social,
competência para elaborar e implementar projetos que possibilitem ações sociais
transformadoras. Da mesma forma, ocorrem parcerias sociais: ONGs e iniciativa
privada operando a inclusão social.
O Terceiro Setor é muito influente. Grande parte das mudanças e inovações
sociais importantes foram obtidas com a criação de organizações do terceiro setor.
Serviços hospitalares, educação, serviços para grupos menos favorecidos e
deficientes, pesquisa científica de doenças, desenvolvimento espiritual, fundos de
beneficência para empregados na indústria, serviços de bem-estar social, ajuda
internacional e, mais recentemente, proteção do meio ambiente e campanhas pelos
direitos da mulher, todas essas atividades emergiram de organizações do terceiro
setor (HUDSON, 2002).
Este setor está atualmente ganhando confiança. Numa época em que muitas
organizações
do
setor
público
são
vistas
como
inadequadas
para
lidar
eficientemente com os problemas sociais hoje em dia, o terceiro setor acha-se apto
para exercer um papel mais amplo, pois consegue juntar administração com
consciência social, justamente as características necessárias para enfrentar alguns
dos problemas sociais mais profundamente enraizados com que se defrontam
países industrializados e em desenvolvimento (HUDSON, 2002).
Dentro do terceiro setor, existem diversas qualificações para as organizações,
dentre as quais podem ser citadas: associações, cooperativas, entidades
filantrópicas,
organizações
sociais
(OSs),
fundações,
organizações
não
governamentais (ONGs), organização da sociedade civil (OSCs). Além destas, com
a promulgação da Lei nº 9.790, em 23 de março de 1999, foi criada pelo presidente
Fernando Henrique Cardoso uma nova qualificação para as organizações da
sociedade civil. Trata-se da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público
(OSCIP) (LEONARDO, 2006).
20
Para Oliveira (2009) uma ONG (Organização Não Governamental),
essencialmente é uma OSCIP, no sentido representativo da sociedade. A
denominação de OSCIP é um título que pode ser obtido pela entidade, mas não é
um pré-requisito para que ela funcione. Em contrapartida, podem celebrar com o
poder público os chamados termos de parceria, que são uma alternativa
interessante aos convênios para ter maior agilidade e razoabilidade em prestar
contas.
Segundo Tachizawa (2002) as pessoas jurídicas de direito público podem ser
associações, sociedades civis e fundações, de acordo com o Código Civil, e não ter
nenhuma qualificação. Outros títulos existentes são o de utilidades públicas, que dá
acesso a deduções do Imposto de Renda, ou de entidade beneficente de assistência
social, que permite a isenção da cota patronal da seguridade social.
O que acontece com as OSCIPs não é a instituição de uma nova entidade,
mas sim a atribuição do status de Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público à pessoas jurídicas criadas nos moldes do Direito Privado, existentes na
sociedade. Desta forma, o Estado repassa algumas atividades para entes privados,
que se comprometem em visar o bem estar social, ocorrendo a publicização de
serviços públicos (DIAS, 2010).
1.1.1 Aspectos Legais
Até recentemente, a legislação brasileira não fazia distinção entre as
diferentes organizações genericamente incluídas no terceiro setor, todas abrigadas
sob o mesmo estatuto jurídico, mas podendo assumir diferentes formatos legais.
Este fato gerava uma série de distorções e barreiras ao crescimento das instituições
que efetivamente tinham finalidade e ação pública, sem fins lucrativos. Por conta
disso, a partir de 1996, intensificaram-se os debates e a movimentação da
sociedade civil organizada, liderados pelo Conselho do Comunidade Solidária, que
culminou com a aprovação de uma nova regulação para o setor (BNDES, 2001).
Montaño (2003) aponta, algumas leis e decretos que dizem respeito às
atividades do terceiro setor:
21
 A Lei nº 91, de 28 de agosto de 1935, que reconhece como de utilidade
pública as sociedades civis, associações e fundações, constituídas no país,
com o fim exclusivo de servir desinteressadamente à coletividade;
 A Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998, sobre o serviço voluntário;
 A Lei nº 9.637, de 15 de maio de 1998, dispõe sobre a qualificação de
organizações como pessoas jurídicas de direito privado;
 E a Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999, a chamada lei das OSCIPS –
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público.
Destaca-se a Lei 9.790, de 23 de março de 1999, também conhecida como
novo marco legal do terceiro setor, introduziu importantes alterações, dentre as
quais destacam-se: os novos critérios de classificação das entidades sem fins
lucrativos de caráter público, inclusive reconhecendo outras áreas de atuação social
antes não contempladas legalmente; as novas possibilidades no sistema de
articulação entre as instituições de direito privado e público; e, a possibilidade de
remuneração dos dirigentes das instituições sem fins lucrativos (BNDES, 2001).
Lei 9.790 de 1999:
“Dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direitos privado, sem
fins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público,
institui e disciplina o Termo de Parceria, e dá outras providências (BRASIL,
1999)”.
A fim de qualificar juridicamente as organizações do terceiro setor, a nova lei
criou a figura “Organização da Sociedade Civil de Interesse Público” (OSCIP), título
que objetiva diferenciar aquelas instituições privadas de interesse público. Para
tornar-se uma OSCIP, as pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos,
qualificadas com base em outros diplomas legais, título de utilidade pública
certificado de fins filantrópicos, terão que atender a requisitos estabelecidos em lei, a
entidade deve fazer uma solicitação formal ao Ministério da Justiça (BNDES, 2001).
Podem ser qualificadas como OSCIP as organizações que realizam
assistência social, atividades culturais, defesa e conservação do patrimônio histórico
e artístico, educação e saúde gratuita, preservação e conservação do meio ambiente
22
e promoção do voluntariado, dentre outras. Dessa maneira, admitindo a existência
de entidades de direito privado com objetivo público, foram excluídas da composição
do terceiro setor, para efeitos legais, as instituições estatais, as organizações de
mercado, as cooperativas, as organizações sindicais, as entidades representativas
de profissão ou partido político, os fundos de previdência e de pensão e as
instituições vinculadas à igrejas ou práticas devocionais, com exceção daquelas que
visam apenas bem comum (BNDES, 2001).
As organizações sem fins lucrativos tem um papel importante na sociedade
contemporânea, atuam e se articulam em diversos espaços, entre eles político e
empresarial. Um aspecto interessante é a responsabilidades social das empresas
que apontam como agentes sociais. Dessa forma, aborda-se a seguir, o tema
Responsabilidade Social nas empresas.
1.2 Responsabilidade Social Empresarial, Breve Histórico e Conceitos
Relacionados.
Responsabilidade Social é um conceito relativamente antigo, sua origem
remonta ao final do século XIX e início do século XX, sendo Andrew Carnegie um
dos pioneiros nesta área (MELO NETO; BRENNAND, 2004). Mas a popularização
do conceito ocorreu muito tempo depois. Segundo Alves (2003) apud Melo Neto e
Brennand (2004), em seu artigo Dimensões da Responsabilidade Social da
empresa: uma abordagem desenvolvida a partir da visão de Bowen, a popularização
da Responsabilidade Social ocorreu a partir dos anos 1960, nos Estados Unidos e
na Europa, e no final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, no Brasil.
Para Parente e Zapata (2006) o debate sobre a responsabilidade social
corporativa no mundo surge no contexto internacional da globalização dos
mercados. Primeiro, houve a demanda dos investidores em criar uma boa
governança corporativa, no âmbito das empresas, com vistas a assegurar seu
sucesso e a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.
Para os mesmos autores, no início da década de 1990, nos EUA, o foco era a
necessidade de criar regras claras e equilibradas sobre a atuação e renovação dos
23
Conselhos de Administração das empresas de capital aberto. Posteriormente, as
práticas de boa governança corporativa se ampliam para a administração das
relações contratuais e institucionais da empresa, como um todo, interagindo com um
universo de atores mais amplo do que seus sócios, acionistas e incorporando as
relações e interesses de diversos atores tais como: empregados, fornecedores,
clientes, competidores, investidores, governos e comunidade em geral.
Historicamente no Brasil, Sucupira (1998) destaca que na década de 1960
ocorreu a criação da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), que
divulga a importância da ação social das empresas. O marco inicial histórico foi a
publicação, em 1965, da Carta de Princípios do Dirigente Cristão de Empresas. Essa
carta considerava que o afastamento das instituições sociais dos princípios cristãos
e das exigências de justiça social provocava as tensões e as crises do mundo
contemporâneo e remetia aos desníveis econômicos, ao atraso de certas áreas do
país e aos antagonismos de classe, em parte como decorrência da falta de
conscientização da classe empresarial quanto às suas responsabilidades sociais.
Dentre as organizações, podemos salientar como merecendo papel de
destaque além da ADCE; o Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE);
o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE); a Fundação Abrinq pelos
Direitos da Criança, que surge em 1990, ano de promulgação do estatuto da Criança
e do Adolescente; o Instituto Brasileiro de Análise Sociais e Econômicas (IBASE) e o
Instituto Ethos de Responsabilidade Social, criado em 1998 (AFONSO; BARTHOLO,
2008).
Segundo esses autores, essas organizações tiveram seu surgimento e
atuação em um mundo que vivia mudanças e transformações significativas. A
história dos anos de 1960 para os anos após 1970 é a de um mundo que perdeu
referências e resvalou para a instabilidade e a crise econômica e social. Para fazer
frente às situações da crise do Bem Estar Social, bem como ao fracasso das
políticas econômicas convencionais. Para lidar com elas, ocorreu um ataque dos
liberais aos defensores da economia administrativa e de pleno emprego e um
reforço e implantação das políticas de livre mercado.
Nessa fase inicial de disseminação e de instauração da responsabilidade
social empresarial no Brasil, ganha vigor e atualidade a discussão sobre o papel das
empresas como agentes sociais no processo de desenvolvimento. As empresas
devem assumir não só o papel de produtoras de bens e serviços, mas também o de
24
responsáveis pelo bem estar de seus colaboradores. O rebatimento significativo é a
adoção e a publicação do balanço social, que, então, se identifica, na prática, como
um modelo para gestão social das empresas (AFONSO; BARTHOLO, 2008).
Para Parente e Zapata (2006) as práticas modernas de administração das
empresas passaram a incorporar a noção de “responsabilidade social corporativa”
inicialmente motivados pelos paradigmas da produtividade e da competitividade.
Verifica-se um avanço nos mecanismos de participação dos funcionários, fóruns de
clientes, parcerias com fornecedores, pesquisa de satisfação de consumidores,
desenvolvimento da imagem institucional, boa relação com governos, transparência
nas informações, entre outros. Soma-se a isso a busca de aceitação e credibilidade
junto aos novos mercados, proveniente do processo de globalização e dos
processos de fusão, aquisição, alianças e constituição de redes deles decorrentes.
Melo Neto e Brennand (2004) refletem que, apesar de não ser um conceito
recente, definir Responsabilidade Social é tarefa difícil, ou quase impossível nos dias
de hoje. Neste capítulo destaca-se a visão de alguns autores sobre o tema. O
Instituto Focus Social, uma Instituição que tem como missão mobilizar as empresas
para administrar seus negócios de uma maneira socialmente responsável define
Responsabilidade Social como:
(...) a demonstração de preocupação da empresa em participar de forma
ativa, nos programas sociais voltados para o bem estar da comunidade
onde está inserida e na sociedade em geral. A empresa socialmente
responsável é aquela que consegue criar métodos, planos e incentivos para
que, interna e externamente seja identificada como uma empresa cidadã.
Segundo Afonso e Bartholo (2008) o conceito de Responsabilidade Social
Empresarial associa-se ao fato de que uma organização é responsável pelos
impactos que suas práticas e ações gerenciais produzem, que não se referem
somente ao âmbito da empresa em si, têm cunho interno e externo. Seu exercício é
a gestão dos negócios não restrita apenas ao resultado econômico da atividade
produtiva, mas à contínua aprendizagem, inovação e recombinações institucionais,
subsidiadas nas práticas de gestão, na vontade política interna, portanto, com
grande importância para o papel de suas lideranças, na qualificação e conhecimento
das ferramentas e técnicas associadas.
A Responsabilidade Social é, segundo Melo Neto e Fróes (2001) uma forma
que a empresa utiliza para prestar contas do seu desempenho pela apropriação e
uso de recursos que não lhes pertenciam originalmente. Há a seguinte relação: a
25
sociedade provê a empresa com os recursos financeiros e materiais de que
necessita. A empresa, por sua vez, deve retribuir à sociedade por intermédio de
seus serviços e produtos comercializados, principalmente por meio de ações
direcionadas à solução dos problemas sociais por que passa a sociedade. Portanto,
é um compromisso da empresa em relação à sociedade em geral.
Para Drucker (1984) a idéia de Responsabilidade Social exige que as
empresas assumam responsabilidade em relação aos problemas e questões sociais
existentes, estabelecendo metas, bem como assumindo o papel de guardiãs e de
solucionadoras desses problemas. Para ele, Responsabilidade Social é uma área
onde a empresa decide qual será seu papel na sociedade, estabelece seus objetivos
sociais, suas metas de desempenho e de influências na sociedade onde atua.
Melo Neto e Brennand (2004) destacam que diante de tais dificuldades de
conceituação sobre RS, enfoques diversos, abrangência excessiva, falta de
delimitação do conceito, amplitude de dimensões, os autores apresentam uma
definição que julgam ser a melhor síntese:
Responsabilidade Social é uma atividade favorável ao desenvolvimento
sustentável, à qualidade de vida no trabalho e na sociedade, ao respeito às
minorias e aos mais necessitados, à igualdade de oportunidades, à justiça
comum e ao fomento da cidadania e respeito aos princípios e valores éticos
e morais.
Num sentido amplo, a responsabilidade social abrange toda a sociedade e
suas organizações, por meio de todos os sujeitos que nela atuam. Devido a isso,
muitas organizações têm se preocupado com essa questão; entre elas, as
organizações empresariais. Nesse contexto, no sentido restrito da responsabilidade
social, podem-se verificar vários movimentos das empresas nessa direção, o que
pode ser denominado responsabilidade social empresarial DREHER; SOUZA;
NORILER (2006 apud DREHER et al., 2007).
Os conceitos mais aceitos no universo empresarial, no entanto, são os
adotados pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) na norma
brasileira de responsabilidade social – a ABNT NBR 16001:2004 – e pelo Instituto
Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, trazido nos Indicadores Ethos de
Responsabilidade Social Empresarial e em inúmeras outras ferramentas e
publicações de aplicação prática. São mais aceitos por serem conceitos
relacionados à prática da implantação da responsabilidade empresarial, uma vez
26
que estão ligados a ferramentas de planejamento, gestão e avaliação responsável
das empresas.
Para a ABNT, a responsabilidade social empresarial é a “relação ética e
transparente da organização com todas as suas partes interessadas, visando ao
desenvolvimento sustentável” (ABNT, 2004). Para o Instituto Ethos de Empresas e
Responsabilidade Social, a responsabilidade social “implica práticas de diálogo e
engajamento da empresa com todos os públicos ligados a ela a partir de um
relacionamento ético e transparente” (ETHOS, 2007).
Sendo amplo o conceito de Responsabilidade Social, a análise e discussão
das dimensões do exercício da Responsabilidade Social são inevitáveis (MELO
NETO; BRENNAND, 2004). Dessa forma, dentre as diversas correntes de
pensamentos sobre a Responsabilidade Social Empresarial, destaca-se a visão e as
concepções de alguns autores sobre o assunto.
Para Melo Neto e Brennand (2004) quando é situada a Responsabilidade
Social no âmbito das empresas, pode -se discorrer sobre Responsabilidade Social
Corporativa, onde os autores conceituam como:
Uma empresa socialmente responsável é aquela que respeita seus
compromissos com seus empregados, acionistas e parceiros que exercem
uma gestão ética, transparente e responsável de seus negócios. Uma
empresa socialmente responsável também é aquela que cumpre suas
obrigações para com o governo e que atua como agente de
desenvolvimento sustentável, de fomento da cidadania e promotora da
qualidade de vida e do desenvolvimento individual e coletivo das diversas
comunidades com as quais manterá vínculo e com a sociedade como um
todo.
Zenone (2006) afirma que para existir a Responsabilidade Social deve haver
a integração de todos os níveis da organização e afirma:
A Responsabilidade Social passa a ser algo que precisa ser abraçado pela
empresa como um todo, e não estar na cabeça de uma só pessoa no
comando. É a soma de vontades individuais que faz a Responsabilidade
Social se tornar corporativa. Ela reflete um consenso e deve ser adotada
como cultura de gestão, abordando igualmente todas as atividades da
empresa e todas as suas relações (Ibidem, p.13).
Numa proposta de compatibilizar as dimensões internalista e externalista da
responsabilidade social empresarial, Melo Neto e Fróes (2001) afirmam que “uma
empresa socialmente responsável é aquela que investe no bem estar de seus
funcionários e dependentes e no ambiente de trabalho saudável, além de preservar
o meio ambiente e incentivar ações sociais”.
27
Segundo o Instituto Ethos, a Responsabilidade Ambiental e Social das
Empresas pode ser compreendida como a forma de gestão que se define pela
relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se
relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o
desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e
culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a
redução das desigualdades sociais (ETHOS, 2007).
Carrol
(1979)
apud
Afonso
e
Bartholo
(2008)
considera
que
a
Responsabilidade Social Empresarial pode ser abordada a partir de quatro
perspectiva distintas:
1. A responsabilidade econômica, cujo principal objetivo é maximizar o lucro
para os proprietários e os acionistas; a produção de bens e serviços a preço justo; e
o provimento de remuneração justa aos investidores e parceiros;
2. A responsabilidade legal, que se refere à consciência de sua obrigação em
obedecer às leis, consistindo no cumprimento das obrigações legais e fiscais e na
observância do disposto nas legislações federal, estadual e municipal;
3. A responsabilidade ética, que se refere a assumir o compromisso de fazer
o que é certo e evitar danos em qualquer esfera;
4. A responsabilidade discricionária ou filantrópica, que se refere à
contribuição para a comunidade e à qualidade de vida, consistindo em patrocínios,
doações e financiamentos de programas, projetos e causas sociais de interesse da
comunidade e da sociedade como um todo.
De acordo com Melo Neto e Fróes (2001) a Responsabilidade Social é uma
ação estratégica da empresa que visa o retorno tributário, econômico social e o
institucional. A filantropia, ao contrário, não busca retorno algum, se limita a um ato
de conforto pessoal e moral para aquele que pratica a filantrópia.
Porém, na visão de Cavalcanti (2006) a filantropia, do ponto de vista de quem
é beneficiado pode trazer uma momentânea solução para um estado de carência
emergente. A comunidade local ou um pequeno grupo da qual faz parte não vê a
solução dos seus problemas socioeconômicos. Em outras palavras, a filantropia é
28
um passo inicial, contudo não agrega valor por intermédio de geração de emprego e
renda e não gera o desenvolvimento sustentável.
Atualmente, há um novo paradigma empresarial contemporâneo, é a empresa
com cidadania empresarial, com características de alto comprometimento com a
comunidade (MELO NETO & FRÓES, 2001). A empresa socialmente responsável
insere-se na comunidade que existe em sua vizinhança. Desta forma, introduz um
novo elemento na sociedade: a cidadania empresarial, ou seja, a responsabilidade
social corporativa (RSC) (CAVALCANTI, 2006).
Para Melo Neto e Fróes (2001), a gestão da responsabilidade social ocorre
em duas dimensões, basicamente: a responsabilidade social interna e a
responsabilidade social externa à empresa. Enquanto a responsabilidade interna
tem como foco os funcionários da empresa e suas famílias, a dimensão externa está
relacionada com a responsabilidade da empresa para com a comunidade onde está
inserida e a sociedade como um todo. Atuando em ambas as dimensões a empresa
exerce a sua cidadania empresarial e torna-se uma empresa-cidadã. Todas as
partes interessadas no negócio, que são a interface da empresa com a sociedade,
estão presentes em uma das dimensões.
Os autores destacam alguns
conceitos de Responsabilidade Social
Empresarial alinhados com a estratégia social integrada:
- no desenvolvimento da comunidade: a empresa socialmente responsável
assume o papel de agentes do desenvolvimento local, junto com o governo e outras
entidades;
- como inserção na comunidade: a empresa busca aprimorar suas relações
com a sociedade e comunidade, bem como busca definir novas formas de continuar
nelas inserida;
- como estratégia de marketing institucional: o exercício da responsabilidade
social é orientado para a melhoria da imagem institucional da empresa cidadã. Neste
caso, os ganhos institucionais justificam as ações sociais;
- como estratégia de integração social: a empresa parte do pressuposto que
seu papel na sociedade contemporânea é criar condições para que a inclusão social
no Brasil seja plena.
29
Interagindo com distintos atores sociais, cada empresa é um universo
diferenciado, que tem sua própria cultura e missão e possui seus próprios sistemas
de gerenciamento. Assim, tendo em vista a grande diversidade de objetivos, culturas
e programas de gestão empresarial, não há um código ou padrão único que,
sozinho, conduzirá as empresas à responsabilidade social e ao desenvolvimento
sustentável (AFONSO; BARTHOLO, 2008).
Para os autores, trata-se de um processo evolutivo, em que cada estágio da
vida empresarial há sempre objetivos a serem conquistados e um próximo degrau a
ser galgado. É dentro desse processo evolutivo que as ferramentas de gestão da
responsabilidade social se inserem como instrumentos de orientação e de atuação
em direção à sustentabilidade.
1.2.1
Responsabilidade
Social
Empresarial
como
ação
de
fomento
ao
Desenvolvimento Local Sustentável.
A grande conexão entre a Responsabilidade Social Corporativa e a estratégia
de Desenvolvimento Local é o reconhecimento de que o “Território” onde a empresa
atua é um espaço sócio–institucional organizado, o qual é determinante para a
eficiência produtiva e a competitividade das empresas (PARENTE; ZAPATA, 2006).
O conceito de “espaço” como suporte geográfico no qual se desenvolvem as
atividades sócio-econômicas comumente traz a ideia de homogeneidade e as
preocupações fundamentais a ele relacionadas se referem à distância, custos de
transporte, à aglomeração de atividades ou à polarização do crescimento. Não
obstante, na perspectiva do desenvolvimento econômico loca/regional, o interesse
se centra em um conceito diferente, o de “território”, que compreende a
heterogeneidade e complexidade do mundo real, suas características ambientais
específicas, os atores sociais e sua mobilização em torno de diversas estratégias e
projetos assim como a existência de recursos estratégicos para o desenvolvimento
produtivo e empresarial. Em síntese, face ao conceito de “espaço”, como contexto
geográfico dado, interessa ressaltar o de “território” como uma teia de relações e
assim, como ator do desenvolvimento (PARENTE; ZAPATA, 2006).
30
Para os autores, ao fazer referência a um “território” incluem-se,
naturalmente, tanto os gestores públicos locais e regionais como os atores privados
empresariais e a sociedade civil organizada. O desenvolvimento produtivo não é um
processo que dependa somente das diretrizes e intervenções do Estado, nem
tampouco é o resultado exclusivo das atividades empresariais privadas: o
desenvolvimento depende da forma como o conjunto da comunidade organiza a
produção social. De fato, a conquista da eficiência produtiva e a competitividade das
empresas privadas são função “sistêmica” de todo um conjunto de atividades que
envolvem a sociedade, como: a educação e a capacitação de recursos humanos, a
saúde, a higiene e a habitação, a adequada resolução de conflitos no sistema
judicial e, sobretudo, as medidas dirigidas para garantir a disponibilidade de recursos
estratégicos ou serviços avançados de apoio à produção na tríplice frente da
informação, capacitação, tecnologia, mercados e acesso a financiamento.
Cavalcanti (2006) também afirma que, embora o bem estar social seja um
dever do Estado, por ser um direito do cidadão, a participação de outros atores é
sempre bem-vinda. Toda a sociedade tem responsabilidade social para o efeito
cumprimento da norma constitucional. Por isso, a promoção da justiça social passa a
ser um dever moral, de pessoas físicas ou jurídicas. As empresas socialmente
responsáveis, balizadas em valores éticos de cidadania, têm procurado contribuir
para alcançar esses direitos na Constituição Federal.
Para Afonso e Bartholo (2008) as empresas podem ser compreendidas como
formações institucionalizadas que recebem um legado das comunidades nas quais
se enraízam. A preocupação e a responsabilidade para com a dimensão social
impõem às empresas a necessária compreensão de que elas se nutrem das forças
vitais das pessoas e das comunidades. Várias são as implicações da agenda social
sobre o comportamento das empresas e destas sobre o ambiente em que se
localizam. Pensar em termos de responsabilidade social e sustentabilidade
pressupõe incorporar o papel do capital social e humano a que uma empresa se
associa, impõe reflexões sobre o nível de confiança mútuo e recíproco estabelecido
entre esta e seus diversos stakeholders1 para a construção de relações de longo
prazo. A nova visão de Sustentabilidade – Responsabilidade Social privilegia o
1
Stakeholders. As empresas por si só não crescem nem se desenvolvem. Para tanto, elas dependem
de outros grupos com os quais desenvolvem uma forte rede de relações para se instalar e atuar no
mercado. Esses grupos são chamados de “grupos de interesse” ou stakeholders, que são todos
aqueles que afetam as corporações ou são por elas afetados.
31
investimento em capital humano e social. Assegurar um bom nível de educação e de
formação para as pessoas, sobretudo as mais carentes, os excluídos e de
mobilização e consciência para os segmentos populacionais que vivem abaixo da
linha da pobreza, cerca de 52 milhões de brasileiros (MELO NETO; BRENNAND,
2004).
Do ponto de vista dos autores, a perspectiva do social ganha novos
contornos. De soluções parciais para alternativas em escala. De ações pontuais
para soluções de maior amplitude. Do foco em problemas sociais específicos para o
foco na busca na equidade social. De ações paliativas, emergenciais, para ações de
inclusão social.
Desta forma, na visão de Melo Neto; Fróes (2001) a Responsabilidade Social
Empresarial é coletiva e mobilizadora porque valoriza a cidadania, promove inclusão
social e restaura a civilidade.
Para Cavalcanti (2006) os três pilares do desenvolvimento sustentável
englobam além da dimensão social, na qual a Responsabilidade Social Empresarial
está inserida, a dimensão econonômica e a dimensão ambiental. Segundo Melo
Neto e Fróes (2001) a empresa que participa de ações sociais junto à comunidade
exerce sua responsabilidade social e atua no desenvolvimento sustentável.
Partindo desse pressuposto, as empresas, por meio da execução da
Responsabilidade Social Empresarial, podem contribuir para a melhoria da
qualidade de vida da sociedade, em particular, as comunidades localizadas no
entorno das empresas (CAVALCANTI, 2006).
Para Parente e Zapata (2006) a Responsabilidade Social Corporativa pode
encontrar na estratégia de Desenvolvimento Local mecanismos e instrumentos que
contemplem na prática:
a) Responsabilidade política, ao fortalecer a estrutura democrática e a
estabilidade das instituições locais e nacionais;
b) Responsabilidade econômica, ao promover a modernização tecno-econômico
dos territórios, ampliando o tecido empresarial local e nacional;
c) Responsabilidade
social,
ao
promover
o
acesso
à
informação,
ao
conhecimento, à qualificação profissional, à infra-estrutura básica para o
desenvolvimento humano e à geração de alternativas de ocupação e melhoria
de renda;
32
d) Responsabilidade ambiental, ao comprometer-se com os problemas e
soluções dos impactos ambientais por ventura gerados;
e) Responsabilidade cultural, ao respeitar e fortalecer os valores, as tradições e
costumes locais.
Para os autores, como se enfatizou até agora, os interesses e princípios que
fundamentam a Responsabilidade Social Corporativa comungam-se com os
princípios que norteiam a estratégia de Desenvolvimento Local, uma vez, que, as
razões de natureza econômica não estão dissociadas das questões de natureza
social. Pelo contrário, numa perspectiva de sustentabilidade, o sucesso das
empresas depende dos avanços na área social, assim como o enfrentamento das
grandes questões sociais estão a depender da sustentabilidade econômica das
empresas e da sua contribuição direta e indireta na área social.
33
CAPÍTULO II
2
EDUCAÇÃO, INCLUSÃO
SUSTENTÁVEL.
SOCIAL
E
DESENVOLVIMENTO
LOCAL
Este capítulo se propõe a refletir sobre o Desenvolvimento Local Sustentável,
seus conceitos e concepções e suas temáticas junto aos atores sociais. O capítulo
relata também, uma reflexão sobre a educação e as possibilidades da inserção
social dos indivíduos através da mesma.
2.1. Sobre Desenvolvimento Local Sustentável
Nesta parte deste trabalho, são trazidas diferentes concepções de
Desenvolvimento Local Sustentável. Para tal, recorreu-se a alguns autores que
tratam da questão do Desenvolvimento Local. Assim sendo, é de referir que o termo
Desenvolvimento Sustentável tem evoluído, desde o seu surgimento, de forma a
abarcar em si todas as questões que inter-relacionam meio ambiente e
desenvolvimento
humano.
Possui a dimensão
crítica
da necessidade de
coexistência e co-evolução dos seres humanos entre si e com as demais formas de
vida do planeta, além de ser também concebido como um novo paradigma que
relaciona aspirações coletivas de paz, liberdade, melhores condições de vida e de
um meio ambiente saudável (CAMARGO, 2007).
Para este autor, torna-se fundamental o desvelamento e a exploração do que
vem a ser o desenvolvimento sustentável. Para Jesus (2006), a tarefa de conceituar
desenvolvimento sustentável não parece tão simples.
Para conceituar Desenvolvimento Local Sustentável é necessário abordar o
termo desenvolvimento separadamente. Ignacy Sachs (2005) apud Jesus (2006),
reconhece que na segunda metade do século XX, movido “pelos processos de
descolonização e de emancipação do Terceiro Mundo e pela emergência do sistema
34
das Nações Unidas, o desenvolvimento, um avatar do processo iluminista, firmou-se
como uma das idées-forces das ciências sociais, configurando uma problemática
ampla de caráter pluri e transdisciplinar, atravessada por polêmicas vivas de caráter
ideológico e teórico”.
Para Sen (2000) o desenvolvimento pode ser visto como um processo de
expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam. Agostini (2008) interpreta
essa liberdade como reais, entendidas como o acesso à saúde, à educação, ao livre
mercado, às condições mínimas de nutrição e alimentação e aos direitos civis de
cada cidadão. Ou seja, o desenvolvimento só é válido se possibilitar a liberdade dos
indivíduos como um processo que abarca todas as liberdades e que as expande ao
longo do tempo. Assim, a concepção de desenvolvimento de Sen (2000) vai além do
conceito tradicional de indicadores qualitativos das sociedades ou da crítica na
relação entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, afirmando que só é
possível desenvolvimento com liberdade. Ainda segundo o autor, a liberdade é
central para o processo de desenvolvimento por duas razões:
1) a razão avaliatória: a avaliação do progresso tem de ser feita verificando-se
primordialmente se houve aumento das liberdades das pessoas.
2) a razão da eficácia: a realização do desenvolvimento depende inteiramente da
livre condição de agente das pessoas.
Para Sanches de Puerta (1996) apud Jesus (2006) a conceituação de
desenvolvimento é uma tarefa difícil em função da complexidade dos elementos a
ele frequentemente associados: mudança social, evolução, progresso, modernidade,
embora se possa afirmar mais facilmente que qualquer conceito de desenvolvimento
reflete uma corrente de pensamento social e o contexto no qual o conceito é
aplicado. O autor indica que duas ideias essenciais estão subjacentes ao conceito
de desenvolvimento: a ideia de motor do desenvolvimento (o que favorece ou
dificulta o desenvolvimento?) e a ideia de pauta do desenvolvimento (para onde se
crê que se vão ou se quer ir?) e que em termos de desenvolvimento em geral, dois
enfoques são destacados: aquele que supõe que o motor do processo é a mudança
de atitude do indivíduo e aquele que acredita serem as mudanças profundas de
estruturas o motor do desenvolvimento.
35
Sen (2000) argumenta que o desenvolvimento tem de estar relacionado,
sobretudo, com a melhoria da vida que levamos e das liberdades que desfrutamos,
onde o crescimento econômico é só uma parte, em geral imprescindível, do
processo. Torreão (2006) cita Augusto Franco (2000) que corrobora essa ideia ao
afirmar que o desenvolvimento deve significar melhorar a vida das pessoas
(desenvolvimento humano), de todas as pessoas (desenvolvimento social), das que
estão vivas hoje e das que viverão no futuro (desenvolvimento sustentável).
Para
Agostini
(2008)
por
não
ter
clareza
e
conceitos
únicos,
o
desenvolvimento possibilita uma infinidade de adjetivos. Um deles, que toma forma a
partir dos anos de 1980 mais fortemente, é o desenvolvimento sustentável, ou seja,
a sustentabilidade como adjetivo do substantivo desenvolvimento. Para o autor essa
concepção e adjetivação do desenvolvimento nascem de uma percepção desta
sociedade industrial de uso intensivo dos recursos naturais e da alta produtividade
das tecnologias como a forma de alcance do desenvolvimento para todas as
economias no mundo. Ou melhor, a percepção até então era de que utilizar
intensivamente os recursos naturais, aumentando sua produtividade por meio de
inovações tecnológicas, faria com que todos os países progredissem.
O desenvolvimento que se almejou durante grande parte do século XX não foi
alcançado pelo Brasil, como tampouco o foi pela maior parte das outras nações
pobres. Tomou-se consciência, ademais, da insustentabilidade do estilo de
desenvolvimento das nações ricas e da impossibilidade de sua universalização.
Nesse contexto, surge, nos fins do século XX, uma nova ideia força que está
progressivamente, mobilizando as nações: o desenvolvimento sustentável. Um novo
estilo de desenvolvimento que tem como meta a busca da sustentabilidade social e
humana capaz de ser solidária com a biosfera. A sociedade brasileira, em
consonância com esse movimento universal, também busca construir esse novo
estilo de desenvolvimento (VIOTTI, 2001).
A palavra “sustentabilidade” tem forte conotação valorativa: reflete mais uma
expressão dos desejos e valores de quem a exprime do que algo concreto, de
aceitação geral. Em razão disso, as definições correntes são vagas e amplas o
suficiente para englobar o máximo de condições que se possam requerer do
processo de desenvolvimento, CUNHA (1994 apud CAVALCANTE et al., 2002).
Para Cavalcante et al. (2002) o conceito de sustentabilidade implica uma
perspectiva, um critério geral no que se refere às relações básicas da organização
36
social, mais do que um conjunto concreto e específico de ações a serem
empreendidas por indivíduos ou organizações públicas e privadas de uma sociedade
em particular.
Segundo Guimarães (1998) apud Jacobi (2007) o debate internacional que
teve início em Estocolmo e consolidou-se no Rio, supera inexoravelmente a
perspectiva tecnocrática no tratamento da crise ambiental, a ilusão ingênua de que
os avanços do conhecimento científico seriam suficientes para permitir a emergência
de um estilo sustentável de desenvolvimento. Os problemas ambientais são os
problemas do desenvolvimento, de um desenvolvimento desigual para sociedades
humanas, e nocivo para os sistemas naturais.
Para este autor, isto requer declarar reiteradamente que os seres humanos
constituem o centro, e a razão de ser do desenvolvimento requer um novo estilo que
deve ser: ambientalmente sustentável no acesso e uso dos recursos naturais e na
preservação da biodiversidade; socialmente sustentável na redução de pobreza e
das desigualdades e na promoção da justiça social; culturalmente sustentável na
conservação dos sistemas de valores, práticas e símbolos de identidade que
determinam integração nacional ao longo do tempo e, também, politicamente
sustentável, aprofundando a democracia e garantindo o acesso e participação de
todos os setores de sociedade nas decisões públicas. Este estilo tem como diretriz,
uma nova ética de desenvolvimento, uma ética na qual os objetivos econômicos de
progresso material subordinam-se às leis que governam o funcionamento dos
sistemas naturais, bem como a critérios superiores de respeito à dignidade humana
e de melhoria na qualidade da vida das pessoas.
Conceituando o desenvolvimento sustentável na visão de diversos autores
como Silva (2006) que define Desenvolvimento Sustentável como um processo de
transformação que ocorre de forma harmoniosa nas dimensões espacial, social,
ambiental, cultural e econômica a partir do individual para o global. Essas dimensões
são inter-relacionadas por meio de instituições que estabelecem as regras de
interações e, também, influenciam no comportamento da sociedade local.
Já Barbieri (1997) apud Camargo (2007) define como a nova maneira de
perceber as soluções para os problemas globais, que não se reduzem apenas à
degradação ambiental, mas que incorporam dimensões sociais, políticas e culturais,
como a pobreza e a exclusão social.
37
O Center of excellence for sustainable development (2001) apud Camargo
(2007), conceitua desenvolvimento sustentável de modo bastante objetivo:
O desenvolvimento sustentável é uma estratégia através da qual
comunidades buscam um desenvolvimento econômico que também
beneficie o meio ambiente local e a qualidade de vida. Tem-se tornado um
importante guia para muitas comunidades que descobriram que os métodos
tradicionais de planejamento e desenvolvimento estão criando, em vez de
resolver, problemas sociais e ambientais. Enquanto os métodos tradicionais
podem levar a sério problemas sociais e ambientais, o desenvolvimento
sustentável fornece uma estrutura através da qual as comunidades podem
usar recursos mais eficientemente, criar infra-estruturas eficientes, proteger
e melhorar a qualidade de vida, e criar novos negócios para fortalecer suas
economias. Isso pode nos auxiliar a criar comunidades saudáveis que
possam sustentar nossa geração tão bem quanto as que vierem.
A construção do conceito de Desenvolvimento Sustentável, ao introduzir,
mesmo que parcialmente, elementos econômicos, sociais e espaciais no debate
ambiental, permitiu que a problemática socioambiental fosse, para um público cada
vez mais amplo, percebida agora como uma questão não limitada meramente à
proteção dos ecossistemas naturais, o que possibilitou posicionar a questão do
desenvolvimento no eixo central dos debates. A sustentabilidade, em seu sentido e
ampliada, fica então vinculada a um conjunto de valores que extrapolam a mera
preocupação com conservação dos recursos naturais. Ao lado das dimensões
ambiental e econômica, emergem componentes sociais, políticos e éticos. No campo
político destaca-se a preocupação com a democratização das instituições, com a
participação popular, com a consolidação de uma cidadania ativa e com a
descentralização administrativa e política. Tais questões embutem uma concepção
de Estado revigorado e fortalecido, agente e protagonista deste processo de
construção da sustentabilidade (NOVAES, 2001).
O desenvolvimento sustentável deve ser entendido como desenvolvimento
econômico progressivo e balanceado, aumentando a equidade social e a
sustentabilidade ambiental, e os tomadores de decisão, que aumentam nos
diferentes níveis de gestão (local, regional, nacional e internacional), precisam de
informações nesse processo.
Retornando a Novaes (2001) a valorização do espaço cotidiano e da
democratização e descentralização da gestão pública, apontam, assim, para a
esfera “Local” como o lócus privilegiado para a Sustentabilidade Ampliada. É neste
contexto contemporâneo, que emergem tais propostas e estratégias de “novas
sustentabilidades”, as quais inovam ao abordar temas como democracia
38
participativa, descentralização, eficiência, equidade, cidadania, autonomia e
pertencimento.
Este autor relata, que na esfera local as tensões sociais, dadas pelas formas
diferenciadas de apropriação dos recursos naturais, são mais dificilmente
camufladas. Outro elemento que pode, então, potencializar a importância da
intervenção “local” é o fato de se manifestar no cotidiano, no “mundo vivido” das
pessoas. Cabe salientar que, reconhecer as potencialidades da dimensão local, não
significa cair no engano de sobre-valorizarmos esta esfera, desconsiderando a
complexidade dada pela articulação entre o local e o global. Ainda no âmbito destas
ideias, é de referir que Silva (2006) reflete que o desenvolvimento sustentável é
histórico e deve ser escrito todos os dias.
O conceito de desenvolvimento local remete à geração das oportunidades
reais das populações presentes nos processos democráticos, “consubstanciando no
estímulo ao desenvolvimento de todas as potencialidades humanas e sociais de um
território” (FAVARETO, 2004). Contribuindo com a discussão, Buarque (1999) afirma
que o desenvolvimento local, apesar de constituir um movimento de forte conteúdo
interno, está inserido em uma realidade mais ampla e complexa, com a qual interage
e da qual recebe influências e pressões positivas e negativas. O desenvolvimento
está associado, normalmente, a iniciativas inovadoras e mobilizadoras da
coletividade, articulando as potencialidades locais nas condições dadas pelo
contexto em torno de um projeto construído em conjunto pelos atores.
É de fundamental importância nestas abordagens, trazer a tona o conceito de
“local”, podendo ser caracterizado como um espaço possuidor de uma identidade
(JOYAL apud FURTADO E FURTADO, 2000) de uma dinâmica própria e de
especificidades que mantêm estreitas relações de interdependência com áreas mais
vastas (regional, nacional e mundial) em que se insere. O conceito de local não está
atrelado somente à definição de um determinado espaço geográfico, mas
compreende a constituição do tecido social em que permeiam as relações entre os
atores. Na concepção de Campanhola & Graziano da Silva (2000):
O local representa o agrupamento das relações sociais. Ele é também o
lugar onde a cultura e outros caracteres não-transferíveis têm sido
sedimentados. É onde os homens estabelecem relações, onde as
instituições públicas e locais atuam para regular a sociedade. Representa,
assim, o lugar de encontro das relações de mercado e formas diferentes de
organizações da produção e diferentes capacidades inovadoras, tanto para
produtores como para processos, levando a uma diversificação de produtos
39
apresentados ao mercado não simplesmente com base no custo relativo
dos fatores.
O desenvolvimento local, na visão de Zapata e Albuquerque (2007)
pressupõe um novo paradigma de desenvolvimento sustentável de base territorial
que se orienta por resultados em quatro dimensões interligadas. São elas:
- ambiental: compreensão do meio como ativo de desenvolvimento, considerando o
princípio da sustentabilidade em qualquer opção transformadora;
- econômica: resultados econômicos com adequados níveis de eficiência pela
capacidade de usar e certificar fatores produtivos endógenos para gerar
oportunidades de trabalho e renda fortalecendo a economia local e integrando as
unidades familiares;
- político-institucional: novas institucionalidades que, por meio da expressão política
e com participação dos atores sociais, permitem a construção de políticas territoriais
que gerem um entorno inovador favorável às transformações da economia local, o
resgate da cidadania e do desenvolvimento de práticas de governança;
- social: participação dos atores nas estruturas de poder que possibilitem a inclusão,
inserção social e participação e repercutam na saúde, na educação, no saneamento
básico, nos transportes, na assistência social; ou seja, ações que repercutam na
qualidade de vida.
O envolvimento destas dimensões e a integração participativa dos atores é
um fator importante para a sustentação das propostas de desenvolvimento,
assegurando
a
efetividade
e
a
continuidade
das decisões.
A
ideia
do
desenvolvimento próprio das comunidades e sociedades humanas, e de cada uma e
um dos seus membros, pode ser levada à prática, através do gradual
empoderamento e educação deles para se tornarem sujeitos conscientes e ativos
deste autodesenvolvimento pessoal e coletivo, num caminho que vai do micro para o
macro, envolvendo a democratização efetiva do acesso aos mercados, aos bens
produtivos, ao crédito e ao saber (ARRUDA, 1996).
40
2.1.1 Desenvolvimento Local Sustentável e os atores locais
Frequentemente, no Brasil, situam-se as origens dos processos de
desenvolvimento local nas últimas décadas do século XX, quando os efeitos da
última onda de globalização se intensificaram entre nós. Em decorrência, efetuaramse discussões e novas práticas relacionadas com a centralização e a
descentralização na administração pública, com as relações entre o público e o
privado e, sobretudo, com estratégias de desenvolvimento em nível nacional,
regional e local (JESUS, 2003).
Para Fischer (2002) desenvolvimento é um conceito, ou melhor, uma rede de
conceitos que podem estar diretamente associados como, atualmente, aos adjetivos
“local, integrado e sustentável”, que constroem a sigla DLIS, como é conhecido o
processo no Brasil. Não é possível falar do desenvolvimento local sem referência a
conceitos como pobreza e exclusão, participação e solidariedade, produção e
competitividade, entre outros que se articulam e reforçam mutuamente ou que se
opõem frontalmente.
A autora descreve que o desenvolvimento integrado é espacialmente
localizado em cidades e regiões, e programas de desenvolvimento devem ser
sustentáveis. Fischer (2002) cita Acselrad (2001) lembra que a sustentabilidade
deriva dos propósitos de dar durabilidade ao desenvolvimento. É, portanto, pela via
da “ambientalização” (grifo do autor) que se veicula o debate sobre políticas
urbanas,
e
pela
metáfora
de
“cidade
sustentável”
que
se
defende
o
desenvolvimento, como ação impulsora da produtividade no uso de recursos
ambientais. Registra-se que a dimensão tempo, associada à durabilidade, junta-se à
dimensão espaço ou localização. O processo de desenvolvimento é mobilizado por
organizações que trabalham juntas ou por interorganizações cuja principal
característica é a hibridizição ou a complexidade. As interorganizações são
constituídas por organizações diferenciadas, conectadas por propósitos comuns, isto
é, integradas. A associação se faz pela complementaridade, portanto, pela busca do
diferente que possa cooperar para se atingir um resultado (FISCHER, 2002).
Segundo Silveira (2001) as novas abordagens sobre o desenvolvimento local
que, no Brasil, passaram a ser formuladas e experimentadas somente na segunda
metade dos anos 1990, trazem um diferencial significativo: a busca de uma
41
intervenção territorializada onde não se trata apenas de realizar “um projeto”, no
sentido usual, mas de gerar uma matriz de projetos e ações continuadas, a partir da
mobilização dos diferentes atores atuantes e presentes nos territórios.
Para o autor, mais do que ações em parceria (envolvendo um conjunto
heterogêneo de organizações), mais do que ações multisetoriais (habitação e
saneamento, trabalho, renda, nutrição, saúde, educação, entre outros), constitui-se
uma perspectiva sistêmica de articulação socioinstitucional e socioprodutiva para
transformação dos territórios, tendo os atores locais como protagonistas e capazes,
assim, de criar bases consistentes para uma sustentabilidade ampliada, social,
ambiental, econômica e política.
De acordo com Zapata e Albuquerque (2007) as autoridades locais são
agentes importantes nos processos de desenvolvimento local. Muitas vezes, são os
líderes principais dessas iniciativas ao impulsionar em seus territórios a mobilização
e a concentração de atores para o desenvolvimento econômico e a criação de
emprego. Em outras ocasiões, são atores diferentes (organismos de cooperação
internacional,
organizações
não
governamentais,
entidades
financeiras
de
desenvolvimento, jovens empresários, entre outros), que iniciam os processos de
desenvolvimento local, embora logo a seguir seja necessária a incorporação ativa
dos governos locais, os quais permitem dotar essas iniciativas de maior grau de
institucionalidade. De todo modo, a eleição democrática das autoridades locais
(municipais e estaduais) ajuda a introduzir uma tensão básica para apresentação de
programas e propostas consistentes de desenvolvimento em favor da cidadania. Por
isso, a descentralização efetiva e com recursos, ao permitir a autonomia dos níveis
locais, constitui uma ferramenta fundamental para o fomento do desenvolvimento
local.
Os componentes principais das iniciativas de desenvolvimento local são,
segundo Llorens (2001) apud Fischer (2002):
-
desenvolvimento
mais
equilibrado
territorialmente,
impulsionando-se
iniciativas de desenvolvimento local e geração de emprego e renda para enfrentar
pobreza e marginalização;
42
- criação de entornos institucionais econômicos, sociais, políticos e culturais
para impulsionar o desenvolvimento do potencial local, compreendendo difusão de
inovações;
- reorganização das bases empresariais e implantação de infra-estrutura
básicas;
- capacitação de recursos humanos e criação de sistemas de informações
locais.
Os protagonistas das ações de desenvolvimento, nessa perspectiva, são
governos, empresas, comunidades organizadas e redes produtivas, constituindo
interorganizações configuradas, como o chamado “entorno territorial inovador”, com
seus bens tangíveis e intangíveis, suas comunidades de interesse, a tecnologia e a
informação (FISCHER, 2002).
Através da rede de atores sociais para o Desenvolvimento Local, várias
temáticas sociais são abordadas, proporcionando a melhoria da qualidade de vida
da população, entre essas temáticas a educação tem extrema relevância para a
inclusão social, sendo um dos temas apreciados a seguir.
2.2 Educação e inclusão social: que possibilidades?
No dicionário Aurélio o termo incluir significa: inserir, introduzir, envolver,
implicar, e é por esses significados que este tópico busca traçar o caminho da
educação e suas possibilidades para a inclusão social das pessoas relativas aos
socialmente excluídos. Grande parte da literatura sobre inclusão, aborda o tema
exclusivamente para os portadores de necessidades especiais. Mas, no caso deste
trabalho, este não vai ser o único termo abordado nesta discussão.
Para Lycurgo (2006) definir inclusão social não é tarefa de estreita
envergadura. Há, contudo, relativo consenso na afirmação de que não se poderia
considerar incluso na sociedade um indivíduo a quem fossem negados direitos
mínimos, constituídos de sua própria cidadania. É dizer, em outras palavras, que a
43
inclusão social não poderia dar-se, senão, pelo efetivo gozo das vantagens e
necessário cumprimento dos deveres que o status individual de inserção social é
capaz de oferecer. Tais direitos não hão de ser restringidos, pelo contrário,
abrangem não apenas os civis e políticos, mas também, e principalmente, os
sociais. Para entender o que é inclusão social é preciso compreender o seu lado
oposto que é a exclusão social. A questão da inclusão social está profundamente
vinculada à exclusão.
Segundo Jesus e Mance (2003) o binômio exclusão/inclusão tem sido
aplicado recentemente nas análises sobre as transformações do mundo do trabalho,
provocadas pelos impactos da última revolução tecnológica, que ampliou o volume
do disposable time, gerando um progressivo desemprego de significativas parcelas
de trabalho vivo no processo produtivo. Assim, exclusão é compreendida como a
ação de pôr fora o que estava dentro, que se manifesta visivelmente na condição do
desemprego. A inclusão, por sua vez, pode ser entendida como o processo ou
situação de participação como ator e beneficiário, em contextos de oportunidades de
trabalho ou de distribuição da riqueza produzida ou ainda de políticas públicas. Sua
negação, total ou parcial, configuraria um quadro de exclusão, podendo-se, pois,
afirmar que a inclusão tem sido muito estudada nos últimos tempos pela sua
negação, ou seja, pelo estudo do fenômeno de exclusão, podendo-se falar em
dialética inclusão/exclusão, SAWAIA (2001 apud JESUS e MANCE, 2003).
Nem mesmo entre os especialistas existe unanimidade quanto ao sentido da
expressão “exclusão social”. Segundo Martins (2002) citado por Mota (2007) ela
também pode ser entendida como resultado de uma metamorfose nos conceitos que
procuravam explicar a disposição da sociedade a partir do desenvolvimento
capitalista. Portanto, mais que definir problemas, ela é a expressão da incerteza e
insegurança teórica na compreensão dos problemas sociais da sociedade
contemporânea (MOTA, 2007).
Para Mota (2007) na sociedade contemporânea, os sujeitos excluídos são
todos os que se encontram do lado de fora de um contexto, não pertencem a um
determinado grupo, não têm mais serventia ou importância e, por isso, são postos
para fora, são eliminados. Assim, a exclusão revela uma sociedade descartável,
como coisa sem utilidade. Encontramos o indivíduo refém do medo. Medo do futuro,
medo do abandono, ou como se expressou Martins (2002) apud Mota (2007) “[...]
medo de se tornar ninguém e coisa alguma [...]”. Isso nos revela a perda de
44
autoestima e de identidade de se pertencer a um grupo social. A partir desta visão,
como a educação pode contribuir com a inserção desses indivíduos no contexto
social?
Um dos principais papéis reservados à educação consiste, antes de mais, em
dotar a humanidade da capacidade de dominar o seu próprio desenvolvimento. Ela
deve, de fato, fazer com que cada um tome o seu destino nas mãos e contribua para
o progresso da sociedade em que vive, baseando o desenvolvimento na
participação responsável dos indivíduos e das comunidades (DELORS, J. et al.,
1998).
Segundo Romans (2003) a educação é algo que vai muito além da influência
do sistema escolar. A escola é, possivelmente, a mais importante instituição criada
pelo homem moderno, mas deve ser repensada e adaptada às novas necessidades
do mundo de hoje. Para o autor, ao se referir ao novo e amplo “sistema” da
educação informal, não hesita em afirmar que esta não é um sistema, mas uma
constelação. A educação é, além de instrução, aquisição de competências sociais, é
participação social. Realmente, a educação é uma didática das relações sociais, e é
fora da aula que se configura a personalidade do cidadão. A educação é uma função
de toda a sociedade. Ainda segundo o autor, a partir dessa perspectiva, o nível
formativo e o futuro de uma sociedade dependerão, em grande medida, dos
esquemas de relação e das propostas culturais de que dispõe essa sociedade.
Portanto, a formação dos cidadãos passa, forçosamente, por sua participação nas
atividades sociais e na consequente mudança do repertório de conduta das
pessoas.
Almeida (2008) também afirma que a “educação”, não está restrita à escola.
Esta é uma premissa: a educação não pode, por essência, ser monopolizada, quer
por pessoa, quer por instituição. Educar é atitude intrínseca à vida e seu paraleloparceiro, o ser educado, também. Não há como resistir. Ainda que se caminhe ao
contrário de um dito ideal, uma vez que pela diversidade de ideias, o que para uns é
avançar, para outros pode ser des-educar, ainda assim, todos os seres humanos
estão sempre, a todo momento, educando a si e educando outros.
A educação de massa para as crianças e os jovens, hoje, significa construir
as condições de um futuro sem exclusão social amanhã. Porém, transmitir
conhecimentos é pouco: a grande questão é operacionalizar informações numa
direção ética e solidária (NASCIMENTO, 2001). Se a educação tem um papel
45
determinante na luta contra a exclusão dos que, por razões sócio-econômicas ou
culturais, se encontram marginalizados nas sociedades contemporâneas, parece ter
um papel ainda maior na inserção das minorias na sociedade (DELORS et al, 1998).
Ainda segundo Delors et al (1998) o ensino ao longo de toda a vida opõe-se,
naturalmente, à mais dolorosa das exclusões, a exclusão devido à ignorância. As
mudanças operadas a nível das tecnologias da informação e da comunicação, a que
também se dá o nome de revolução informática, agravam, ainda mais, o perigo e
atribuem ao ensino um papel crucial na perspectiva do século XXI. Todas as
reformas educativas deviam, por consequência, vir acompanhada por uma tomada
de consciência dos perigos da exclusão e por uma reflexão sobre a necessidade de
preservar a coesão social. A educação pode ser um fator de coesão, se procurar ter
em conta a diversidade dos indivíduos e dos grupos humanos, evitando tornar-se um
fator de exclusão social.
Na concepção de (JR, CUNICO; GUARAGNI; TORTATO, 2006) a educação é
um processo de desenvolvimento de capacidades individuais permanentes, com a
finalidade de permitir ao “indivíduo social” aproveitar as oportunidades oferecidas
para transformar-se, realizando seu projeto de vida pessoal, com base nos limites da
sustentabilidade.
Como dizia magnificamente Durkheim apud Morin (2007) o objetivo da
educação não é o de transmitir conhecimentos sempre mais numerosos ao aluno,
mas o “de criar nele um estado interior e profundo, uma espécie de polaridade de
espírito que o oriente em um sentindo definido, não apenas durante a infância, mas
por toda vida”.
Para Manoel Moran (2008) as escolas e universidades são os espaços
institucionais legitimados para a formação dos novos cidadãos. É o que se denomina
educação escolar formal. O legislativo define políticas junto com o executivo
(Ministério e Secretarias de Educação). Há processos especiais para situações
especiais, por exemplo, educação de jovens e adultos. Além da educação formal, há
hoje processos intensos de educação não formal, de educação informal. Grupos,
ONGs e empresas desenvolvem atividades complexas de capacitação, treinamento,
atualização, independentes ou integradas à educação formal. Hoje, reconhecendo
os avanços na universalização da educação, esta adquire uma importância
dramática na modernização do país. E há uma percepção crescente do
46
descompasso entre os modelos tradicionais de ensino e as novas possibilidades que
a sociedade já desenvolve informalmente e, que, as tecnologias atuais permitem.
E é através dessas novas possibilidades de tecnologias para a educação, por
novos caminhos oferecidos, por diversos atores sociais, os quais, viabilizam
atividades educacionais, buscando a integração do indivíduo considerado excluído
da sociedade para ser inserido novamente no seu contexto social. Mas, esta
realidade exige da educação o compromisso de formar e tornar o homem capaz de
garantir a ele mesmo uma inserção social crítica e transformadora.
47
CAPITULO III
3 A PROPOSTA DA ONG OBJETO DE ESTUDO DESTA PESQUISA UM BREVE
RELATO.
Este capítulo tem por objetivo relatar a história do bairro da Bomba do
Hemetério, descrever a história do Instituto Walmart, objeto de pesquisa desse
trabalho, relatar a dinâmica do Programa Bombando Cidadania e do Projeto
Líderança no Varejo - Escola Social do Varejo, discorrendo também sobre a história
do Instituto Aliança com Adolescentes, fontes de pesquisa deste trabalho.
3.1 Localização
O nome do bairro também nasceu de uma história baseada na sua
população. Na década de 1930, o Seu Hemetério era dono de um poço e tinha uma
bomba que fazia a captação de água utilizada pela vizinhança. Antigamente, quando
precisavam de água, tanto seus moradores como as comunidades vizinhas diziam
que iriam até à “bomba do Hemetério”, e assim o bairro ficou conhecido.
O bairro Bomba do Hemetério em Recife, PE, é um local de urbanização
tardia, com baixa qualidade ambiental e carência de infraestrutura. Para
desencadear o programa de DLIS, o Walmart contratou uma empresa especializada
para realizar o mapeamento da região escolhida e saber de fato quem vive nela e
como, o bairro reúne 12.589 habitantes, distribuídos num espaço totalmente urbano,
sendo 6.798 habitantes (54%) do sexo feminino e 5.791 (46%) do sexo masculino e
50% do total têm menos de 30 anos, com o IDH de 0,7632 em 2008 e 46% da
população estão na classe C e 36% na classe D, taxa de mortalidade infantil de
28,78/1000 NV (taxa média de Recife é de 13,7/1000 NV). A maior atividade
econômica está na informalidade e há uma taxa de 24% de desempregados.
48
Segundo a pesquisa censitária realizada pela Datamétrica2 em 2008, no
perímetro de 4,02 km, existe no bairro o total de 3.517 domicílios particulares.
Visitando-os um a um, a Datamétrica apurou que saúde, segurança e
educação são temas considerados prioritários pela comunidade, que a renda
domiciliar per capita é de aproximadamente R$ 245,00 e que 66% dos alunos
matriculados nos ensinos fundamental e médio apresentam alguma defasagem
escolar. No bairro todo, há 4% de analfabetos.
Em termos de equipamentos sociais, o bairro da Bomba do Hemetério dispõe
de 03 Escolas Estaduais, 02 Escolas Municipais, 03 Creches Municipais, 01 posto
de saúde de Atenção Básica. Ele conta também com o Programa de Agentes
Comunitários de Saúde/PACS, formado por uma enfermeira e 28 agentes de saúde
para atendimento a uma população de 14.410 habitantes (abrange o bairro da
Bomba do Hemetério, parte de Água fria e parte do Alto Santa Terezinha).
O território tem boa vocação cultural, existem mais de 60 grupos culturais,
entre eles agremiações de forró, música evangélica e teatro.
3.2 Instituto Walmart
No dia 17 de novembro de 2007 foi criado o Instituto Walmart que recebe o
título de OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), pelo
Ministério da Justiça, com a missão de promover o desenvolvimento de
comunidades em situação de vulnerabilidade social, investindo, articulando e
apoiando diversas iniciativas.
Mantido com recursos do Walmart Brasil, grupo varejista, o Instituto3 passa a
ser o responsável pela orientação estratégica e gestão do investimento Social
Privado, e também, pelo apoio a práticas de Responsabilidade Social Corporativa da
empresa.
Em 2010 o Instituto garante apoio a 43 projetos em 18 Estados mais Distrito
Federal, consolidando suas ações de investimento social privado nas causas
2
3
Empresa especialista em consultoria, pesquisa e telemarketing.
Dados retirado do site: www.iwm.org.br
49
Juventude e Trabalho, Desenvolvimento Local e Geração de renda. As atividades
dentro desses eixos de atuação têm como objetivo promover, em médio e longo
prazos, o desenvolvimento humano e socioeconômico de populações e de territórios
vulneráveis a riscos sociais no Brasil. As ações buscam impulsionar o
desenvolvimento econômico e social e o resgate cultural das comunidades.
O
Instituto
Walmart
trabalha
com
a
missão
de
“promover
o
autodesenvolvimento para as pessoas viverem melhor”, sustentada sobre a crença
de que o indivíduo é o agente de mudanças de sua própria vida e da vida em
sociedade, razão pela qual os investimentos realizados buscam incentivar pessoas e
projetos a encontrarem caminhos para sua autonomia e sustentabilidade. Isso
implica trabalhar com a visão de empreendedorismo social, que se reflete na
seleção, no financiamento e no acompanhamento de projetos de fomento social,
econômico e cultural em áreas de risco social. Mais do que conhecimento técnico, o
Instituto Walmart pretende oferecer uma formação cidadã, que apoie o
fortalecimento de uma identidade cultural, autonomia e justiça social.
Ampliando o foco em juventude, com o objetivo de estimular com capacidade
de crescimento e efetivas melhorias sociais, o Instituto inicia o apoio ao projeto,
Com.Domínio Digital, que capacita jovens para o mercado de trabalho. A experiência
positiva com o projeto seria, no futuro, a inspiração para a criação do projeto
Líderança no Varejo - Escola Social do Varejo.
O destaque do ano de 2010 foi a criação e realização, em parceria com o
Instituto Aliança, do Projeto Escola Social do Varejo, uma iniciativa de formação de
jovens para o varejo. No ano de lançamento, o projeto promoveu a capacitação de
1.052 jovens em seis cidades brasileiras: Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE),
Barueri (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS).
Desde a sua criação, o Instituto Walmart promove a inclusão social de jovens
e adultos por meio da qualificação profissional e da inserção no mercado de
trabalho, contribuindo também com o desenvolvimento socioeconômico do País,
além de apoiar o desenvolvimento pessoal e melhoria de vida de populações, em
iniciativas desenhadas com sua participação direta ou por meio de suporte a
projetos de organizações que trabalham com formação de jovens, o que permitiu a
consolidação de um de seus três eixos de ação na causa Juventude e Trabalho.
Além, disso, participa de fóruns e grupos de discussão sobre o tema,
buscando também contribuir para o aprimoramento da educação no País,
50
colaborando para o desenvolvimento de políticas públicas de educação para o
trabalho. A opção por este eixo de atuação vem reconhecer a importância da
juventude como um segmento da sociedade que tem uma grande capacidade de
influenciar mudanças sociais e alavancar o desenvolvimento.
O Instituto realiza vários programas e apoia financeiramente projetos de
parceiros com experiência em trabalhos sociais, em seus programas4 e projetos5, o
Instituto atua em conjunto com várias organizações sociais e governamentais,
institutos e fundações empresariais, associações comunitárias, apoio técnico,
trabalhando temas ligados ao desenvolvimento pessoal e social, cooperativas,
grupos de trabalho, cursos de capacitação profissional e iniciativas de fortalecimento
familiar, por acreditar que somente com a união de esforços dos diversos gestores é
possível de fato realizar ações de impacto na área social. As parcerias são
construídas a partir da identificação de objetivos em comum, em sintonia com os
valores e a missão do IW.
A importância da atuação integrada: Instituto, Governo e comunidade
atendida, valorizando as identidades locais e elevando a autoestima dos cidadãos.
Transformar a realidade de uma comunidade requer inspirar para a mudança.
3.3 O Programa Bombando Cidadania
Em julho de 2008, o Instituto Walmart lançou seu primeiro Programa de
Desenvolvimento Local Integrado em parceria com a Prefeitura do Recife e o
Governo de Pernambuco.
O nome do Programa Bombando Cidadania foi escolhido em conjunto com a
comunidade e que faz referência à sua história bastante ligada à mobilização social.
O programa é de longo prazo e tem como balizador uma série de indicadores,
como diminuição do nível de desemprego, defasagem idade/série escolar, condições
de saneamento, além do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do bairro, que
atualmente é de 0,704, nível abaixo da cidade do Recife, que é de 0,797.
4
5
Programa são atividades oferecidas em bases contínuas.
Projeto são atividades oferecidas por um período determinado de tempo.
51
Durante cinco anos, o Instituto Walmart investirá no programa. A região
escolhida foi o bairro Bomba do Hemetério, localizado na zona norte do Recife (PE).
Dentre as diversas áreas com problemas de infraestrutura e baixa renda
pesquisadas pelo Instituto, a comunidade se destacou por apresentar um forte senso
de coletividade entre seus integrantes, a capacidade de articulação e reivindicação
de sua população, o senso de pertencimento ao lugar e o potencial empreendedor e
cultural do bairro, indicando uma força potencial para o auto-desenvolvimento.
Para essa escolha, o Instituto Walmart realizou um importante processo de
identificação de comunidades com potencialidades de receber o programa. Foram
escolhidas 63 comunidades, das quais 16 foram pré-selecionadas. Esse processo foi
composto por:
a) levantamento de informações sobre a situação socioeconômico e organizativa da
comunidade e sua articulação com atores sociais estratégicos (governamentais e
não governamentais);
b) análise das informações coletadas;
c) visita ao local das comunidades. Além disso, para fazer parte do programa a
comunidade teria que estar dentro dos seguintes critérios:
1. localizar-se em Zona Especial de Interesse Social/ ZEIS;
2. ser reconhecida por diferentes atores sociais (governamentais e não
governamentais) pelo grau de participação e mobilização social e;
3. ter indicadores de desenvolvimento humano que configurassem situação
de vulnerabilidade socioeconômica.
Após a escolha do bairro foi realizado um censo, executado pela Datamétrica
em 2008, como citado anteriormente, logo depois, foi formado um Comitê de Apoio,
que reúne lideranças locais. O Comitê foi capacitado e discutiu os próximos passos
do programa, desenhando ações visando o aumento da renda, melhoria da
qualidade do ensino, redução da mortalidade infantil e fortalecimento das
manifestações culturais locais.
Existem 10 projetos em andamento no Programa Bombando Cidadania, além
do projeto Líderança no Varejo – Escola Social do Varejo, foco de estudo desta
pesquisa. Os demais projetos são:
- Projeto Cine Bomba
Parceiro: ONG Auçuba Comunicação e Educação.
52
Objetivos: formação em produção de audiovisual para jovens da comunidade e
inserção de jovens no mercado de trabalho audiovisual.
- Projeto QualiEscola – Mobilização pela Educação
Parceiro: IQE – Instituto de Qualidade do Ensino.
Apoio: Laboratório EMS e MEC (Ministério da Educação).
Objetivos: alcançar seis escolas com programas de qualificação e conseguir
aumentar o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) nas escolas;
envolvimento comunitário pela educação.
- Projeto Qualificação dos Estabelecimentos de Alimentação
Parceiros: SENAC, SEBRAE, Prefeitura da Cidade do Recife e Fundação Gilberto
Freyre.
Objetivos: requalificar 10 estabelecimentos com tematização e consultoria de
segurança alimentar.
- Projeto Go to 2014 – Ensino de inglês na Bomba do Hemetério
Parceiros: IBM e Escola Estadual Professor Mardônio de Andrade Lima Coelho.
Objetivos: capacitar seis professores da Escola Estadual Professor Mardônio de
Andrade Lima Coelho na utilização das ferramentas Reading Companion; Ensinar a
língua inglesa a alunos, empreendedores locais, professores e lideranças.
- Projeto Comunicação Comunitária
Parceiro: IADh – Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano.
Objetivos: formação de Agentes de Comunicação; Elaboração de peças de
comunicação/mobilização do Programa Bombando Cidadania; envolvimento das
rádios comunitárias, lan houses, empresariado local na produção/divulgação das
peças de comunicação.
- Projetos Gestão do Desenvolvimento e incubadoras de projetos sociais
Parceiro: IADh – Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano.
Objetivos: ampliar o trabalho na Bomba para organizações locais, com ações
práticas, que possibilitem a aplicação dos conhecimentos e beneficiem diretamente
a comunidade por meio da oferta interna de produtos e serviços, criando
53
oportunidade para que as pessoas, grupos e organizações tornem-se mais
responsáveis e comprometidas com o desenvolvimento do território.
Meta: 20 projetos de empreendedorismo social sendo liderados pelos membros do
Comitê.
- Arquitetando cidadania
Parceria: Núcleo de Decoração de Pernambuco – PE.
Objetivos: desenvolvimento de soluções arquitetônicas de baixo custo e publicação
da Cartilha Faça Você Mesmo; Oficina para Geração de Renda.
O Projeto Social Arquitetando a Cidadania visa mobilizar os profissionais e
estudantes de arquitetura e design e artesãos, a participarem de um concurso para
criação de mobiliários práticos, utilizando materiais recicláveis e/ou de baixíssimo
custo, de fácil acesso na comunidade criando alternativas para substitir os produtos
de linha.
- Projeto Bombarte e Empreendedorismo Individual na Bomba do Hemetério
Parceiro: Aliança Empreendedora e Universidat.
Objetivos:
- Realizações de seis edições da Feira Bombarte para venda de artesanato e
alimentação;
- Acompanhar 55 microempreendedores;
- Adesão ao programa Microempreendedor Individual.
O projeto Bombarte tem como objetivo estimular o desenvolvimento do artesanato
da Bomba do Hemetério, aumentar a renda dos moradores e empreendedores
individuais do bairro e arredores.
- Projeto de Desenvolvimento da Economia da Cultura
Projeto de Roteirização.
Parceria:
IADH
–
Instituto
de
Assessoria
para
Desenvolvimento
Humano/Universidart.
Apoio: SEBRAE e Ministério do Turismo.
Objetivos: Empreendedores culturais locais executando projetos aglutinadores de
Desenvolvimento Comunitário e Geração de renda através da cultura: Bombaguá,
Cortejo Carnavalesco, Arraial Junino, Bombarte, Auto Natalino, Auto da Paixão.
54
Projeto de Roteirização para qualificar a Bomba do Hemetério como um destino
turístico.
- Projeto Agenda 21
Parceiro: IADh – Instituto de Assessoria para o Desenvolvimento Humano
Objetivos: construir uma Agenda 21 comunitária, formar 04 agentes ambientais a
atuar como mobilizadores, formar 40 agentes comunitários de Saúde, lideranças e
profissionais da educação capacitadas como multiplicadores e, ainda, formar uma
brigada infanto-juvenil.
O programa já realizou 12 projetos, beneficiando direta e indiretamente cerca de 700
pessoas. Ao longo dos 5 anos de duração inicialmente previstos para o programa,
suas atividades em Cultura, Educação, Meio Ambiente, Saúde e Geração de Renda
têm mobilizado a população na busca por melhorias em suas vidas e na comunidade
da Bomba do Hemetério.
3.4 O Projeto Liderança no Varejo - Escola Social do Varejo
A Escola Social do Varejo (ESV) é o maior projeto do Instituto Walmart com
foco na causa Juventude e Trabalho. O seu objetivo é promover a formação
profissional de jovens (entre 17 e 29 anos) para o mercado de trabalho varejista para
atuarem em pequenas, médias ou grandes empresas. Criado em 2010, é resultado
do amadurecimento de mais quatro anos de investimento do Instituto em projetos de
formação para jovens.
O projeto proporciona capacitação para a conquista do primeiro emprego
formal no varejo, área que, além de ser porta de entrada no mundo do trabalho,
oferece oportunidades de carreira em várias frentes. Deste modo, a iniciativa do
Instituto Walmart combina as competências da empresa à necessidade que a
economia brasileira, em ritmo de crescimento, vem demonstrando por mão de obra
qualificada nos últimos anos.
Realizado em sete Estados (Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, São Paulo,
Sergipe e Rio Grande do Sul), a Escola Social do Varejo tem pretensão de ser um
modelo de formação profissional para o varejo nacionalmente. Para isso, conta com
55
importantes parceiros locais como organizações não governamentais e Secretarias
de Educação Estaduais.
Para o desenvolvimento do projeto, o Instituto Walmart conta com a parceria e
expertise do Instituto Aliança para o Adolescente, que acumula larga experiência nos
desafios da juventude brasileira. Juntamente com o Instituto Walmart, a organização
aplica sua metodologia e acompanha todo processo da formação e da inserção dos
jovens no mercado de trabalho.
Para atender às distintas demandas da área do varejo de cada Estado e aos
desejos e perfis da juventude participante, o projeto possui duas modalidades de
formação: Liderança no Varejo e Perecíveis. Em ambas, os jovens passam por uma
formação teórica e prática que acontecem no contra turno das aulas escolares, para
quem ainda cursa o ensino básico do funcionamento do varejo até os mais preciosos
como exposição de produtos, organização de estoque, operação de caixas, etc.
Nesta modalidade, o projeto forma também jovens aprendizes. Em perecíveis,
os jovens passam por capacitação em áreas específicas do setor varejista como
rotisseria, panificação, confeitaria, açougue, entre outras. O diferencial do projeto
ESV está na orientação do jovem para a construção de projetos de vida e carreira,
informando sobre aspectos comportamentais e de cidadania. Para tanto, incentiva a
cooperação e a liderança, desenvolvendo de maneira integrada os temas:
“Desenvolvimento Pessoal e Social” (DPS), “Tecnologias de Informação e
Comunicação” (TIC) e “Contexto das Relações do Varejo” (CRV). O foco no
desenvolvimento humano os prepara para uma entrada no mundo do trabalho de
forma mais segura e alinhada com as demandas por profissionais. Para desenvolver
esses conteúdos com os alunos, os educadores que atuam na Escola passam por
capacitação periodicamente.
Ao final da formação, os jovens passam por uma fase de treinamento
específico para a inserção no mercado de trabalho e sua evolução nos primeiros
meses após a conquista do primeiro emprego é acompanhada de perto pelos
profissionais da Escola Social do Varejo. A inserção no mercado de trabalho
realizada por meio do projeto acontece via regras da CLT (Consolidação das Leis do
Trabalho). Os jovens menores de 18 anos são inseridos por meio da Lei de
Aprendizagem.
Para a formação em Liderança no Varejo, as vagas são destinadas para
jovens com renda familiar de até 2 salários mínimos, prioritariamente, que tenham
56
de 17 a 24 anos, e que estejam cursando ou tenham concluído o ensino médio. Para
a formação em Perecíveis, as vagas são destinadas para jovens com renda familiar
de até 2 salários mínimos, prioritariamente, que tenham de 18 a 29 anos, e que
estejam cursando o ensino básico ou que já tenham concluído. Funcionários do
Walmart Brasil não podem participar deste projeto, as vagas são voltadas apenas
para familiares de associados (parentes de primeiro e segundo grau) e, também,
para pessoas das comunidades onde os projetos acontecem, com renda familiar de
até dois salários mínimos.
Em Recife, o projeto acontece em 3 escolas, participando 900 jovens no total,
em Pernambuco. A Escola Estadual Prof. Mardônio de Andrade Lima Coelho,
localizada no bairro Bomba do Hemetério, onde é realizado um dos núcleos do
projeto, e o foco desta pesquisa.
A formação é desenvolvida ao longo de 12 meses, cumprindo carga horária
de 500 horas, com capacitação nas áreas de Desenvolvimento Pessoal e Social
(DPS), Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e Contexto das Relações do
Varejo (CRV) com foco nas seguintes áreas: auxiliar de escritório, promotor de
vendas, operador de caixa, e repositor de estoque.
A meta da Escola Social do Varejo no bairro é qualificar 100 jovens, inserir
80% deles no mercado de trabalho e ter 100% desses jovens desenvolvendo ações
comunitárias.
3.5 Instituto Aliança com Adolescente
O Instituto Aliança com Adolescente é uma associação sem fins lucrativos
qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP)6. Foi
fundada em Janeiro de 2002, com o objetivo de assumir a coordenação do “Projeto
Aliança com o Adolescente pelo Desenvolvimento Sustentável do Nordeste”,
resultado da articulação com o Instituto Ayrton Senna, a Fundação Kelogg, a
Fundação Odebrecht e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES.
6
Dados retirado do site: www.institutoalianca.org.br
57
Iniciada em 1998, esta aliança tinha por princípio promover a participação
juvenil na implementação de uma ação de mudança estrutural em regiões do
Nordeste brasileiro, onde os índices de
Desenvolvimento
Humano
(IDH)
encontravam-se em níveis abaixo da média nacional e ocupando ainda o 74º lugar
no ranking internacional.
Os conhecimentos gerados a partir desse primeiro desafio e da experiência
acumulada por sua equipe de profissionais permitiram que o Instituto Aliança
ampliasse e diversificasse as suas ações. O objetivo passou a ser, também, a
partilha dos aprendizados e das tecnologias sociais já consolidadas, além de
contribuir com a concepção e o aprimoramento de programas e políticas sociais no
âmbito nacional e regional.
A missão do Instituto Aliança é educar jovens, organizações e comunidades
para
o
desenvolvimento
humano
sustentável,
em
âmbito
nacional,
mas
prioritariamente, no Nordeste brasileiro. Tem como princípios:
1. a vida é o mais básico e universal dos valores;
2. nenhuma vida humana vale mais do que a outra;
3. toda pessoa nasce com um potencial, as pessoas precisam de
oportunidades;
4. além de ter oportunidades, as pessoas precisam ser preparadas para fazer
escolhas;
5. as pessoas, as organizações, as comunidades e as sociedades devem ser
dotadas de poder para participar nas decisões que as afetam.
O Instituto tem o foco no jovem como parceiro e co-autor das ações a ele
dirigidas. E tem como estratégias:
- trabalho com tecnologias educacionais e sociais, planejadas para atingir
escala e se transformarem em políticas públicas, promovendo o desenvolvimento
integral dos jovens, através da educação na realidade local;
- capacitação e empoderamento dos atores locais para assumirem, a médio e
longo prazos, a continuidade do processo.
O Instituto Aliança tem como pressupostos Metodológicos:
a) Pedagogia por Projetos: ferramenta importante de protagonismo juvenil que
possibilita ao jovem a construção e sistematização de conhecimentos, em função de
um desejo de intervenção social e produtiva, que ressignifica e instrumentaliza seus
aprendizados, através da execução de um projeto;
58
b) Educação pelo Trabalho: pilar fundamental desta ação pedagógica,
sustenta-se na crença de que, pelo fazer, potencializa-se o aprendizado e forma-se
uma geração de cidadãos competentes e produtivos;
c) Ritos de Passagem: criação de rituais que ajudam os jovens no
encaminhamento para a vida adulta. A proposta é resgatar os marcos fundamentais,
que, simbolicamente, visam ao cumprimento de etapas, através do incentivo à
produção e valorização das conquistas pessoais e coletivas. Para tanto, é
necessário a participação e o envolvimento das famílias e demais instituições;
d) Interdimensionalidade: a integração das diversas dimensões da vida: a
razão, a emoção, a corporeidade e a transcendência faz parte da metodologia, que
procura recuperar ou instaurar formas diversas de expressão, de reflexão e de
produção de riquezas morais e materias;
e) Participação e problematização: base de toda a metodologia e mola
propulsora para a construção coletiva de saberes e conhecimentos, partindo das
realidades vividas, num processo ascendente e ampliado de trocas que levará
sempre a novas descobertas e à construção de outros saberes e conhecimentos;
f) Metodologia participativa: educadores e jovens participam da construção
coletiva dos processos educativos;
g) Educação pela Pesquisa: a pesquisa é um meio privilegiado de formação e
construção do conhecimento, por possibilitar um envolvimento crítico do jovem com
a realidade vivida e a ser transformada, a partir do levantamento de dados e
informações, do questionamento reconstrutivo da realidade.
Segundo o Instituto Aliança, o potencial dos jovens transformado em
competência, referenciadas nos pilares definidos por Jacques Delors no Relatório
UNESCO, “Educação um Tesouro a Descobrir”, em 1998, voltados para: Aprender a
ser (competências pessoais) e Aprender a conviver (competências relacionais),
Aprender a fazer (competências produtivas) e Aprender a aprender (competências
cognitivas). Estas competências, entendidas como um conjunto de atitudes,
conhecimentos e habilidades, são desenvolvidas de forma integrada.
Ainda segundo o Instituto IA, o processo educativo do jovem voltado para o
“aprender a ser, a conviver, a fazer e a aprender”, complementa-se com o
desenvolvimento de capacidades que, segundo Bernardo Toro, são estratégicas e
necessárias para que os jovens possam ter uma participação relevante neste novo
século. Assim, são trabalhados também os Códigos da Modernidade: domínio da
59
leitura e da escrita; capacidades de fazer cálculos e resolver problemas; capacidade
de analisar, sintetizar e interpretar dados, fatos e situações; capacidade de
compreender e atuar em seu entorno social; capacidade de receber criticamente os
meios de comunicação; capacidade para localizar, acessar e usar a informação
acumulada; e a capacidade de planejar, trabalhar e decidir em grupo.
60
PARTE II
CAPITULO IV
4. METODOLOGIA
Neste estudo, foi utilizado a abordagem qualitativa de pesquisa, uma vez que
esta abordagem foi a que mais se coadunou com o objetivo de estudo desta
pesquisa, face a natureza do mesmo. Neste capítulo, abordam-se os procedimentos
metodológicos utilizados, ou seja, os métodos de coleta de dados, o locus e os
sujeitos desta pesquisa, os procedimentos utilizados para a análise dos dados e
apresentam-se as categorias analíticas.
4.1 A abordagem de pesquisa utilizada
Na busca de investigar os aspectos humanos e sociais ligados ao
Desenvolvimento Local Sustentável relacionados com a educação e a inclusão
social em uma organização sem fins lucrativos, considera-se que a abordagem de
caráter qualitativo foi a mais adequada para esta investigação.
A pesquisa qualitativa desperta cada vez mais o interesse dos pesquisadores,
por aprofundar-se “no mundo dos significados das ações e relações humanas, um
lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas” (MINAYO,
2008).
É de referir que os estudos denominados qualitativos têm como preocupação
fundamental o estudo e a análise do mundo empírico em seu ambiente natural.
Nessa abordagem valoriza-se o contato direto e prolongado do pesquisador com o
ambiente e a situação que está sendo estudada. A pesquisa qualitativa é descritiva,
a palavra escrita ocupa lugar de destaque nessa abordagem, desempenhando um
61
papel fundamental tanto no processo de obtenção dos dados quanto na
disseminação dos resultados (GODOY, 1995).
Os pesquisadores qualitativos estão preocupados com o processo e não
simplesmente com os resultados ou produto. O interesse desses investigadores está
em
verificar
como
determinado
fenômeno
se
manifesta
nas
atividades,
procedimentos e interações diárias. Não é possível compreender o comportamento
humano sem a compreensão do quadro referencial (estrutura) dentro do qual os
indivíduos interpretam seus pensamentos, sentimentos e ações (GODOY, 1995).
Para o autor os pesquisadores qualitativos tentam compreender os
fenômenos que estão sendo estudados a partir da perspectiva dos participantes.
No âmbito da abordagem qualitativa de pesquisa, optou-se neste estudo, pela
técnica de estudo de caso, posto que esta investigação ateve-se a uma organização
sem fins lucrativos, como já foi mencionado. Para Gil (1999) a análise de um único
ou de poucos casos pode fornecer uma base frágil para a generalização. No
entanto, os propósitos do estudo de caso segundo o autor, não são os de
proporcionar o conhecimento preciso das características de uma população, mas
sim, o de proporcionar uma visão global do problema ou de identificar possíveis
fatores que o influenciam ou são por ele influenciados. Em nosso caso, os fatores a
serem pesquisados dizem respeito a valores humanos e sociais, cidadania, inserção
social, educação, ligados ao Desenvolvimento Local Sustentável.
4.1.1 A opção pela abordagem qualitativa.
A pesquisa procura seguir a estratégia de análise e de interpretação
qualitativa. Segundo Minayo (2008) a pesquisa qualitativa responde a questões
muito particulares. Ela se ocupa, nas Ciências Sociais, com um nível de realidade
que não pode ou não deveria ser quantificado. Para esta autora a análise qualitativa
não é uma mera classificação de opinião dos informantes, é muito mais. É a
descoberta de seus códigos sociais a partir das falas, símbolos e observações.
Segundo Bodgan e Biklen (1994) a investigação qualitativa tem na sua
essência, cinco características: (1) a fonte direta dos dados é o ambiente natural e o
investigador é o principal agente na recolha desses mesmos dados; (2) os dados
62
que o investigador recolhe são essencialmente de caráter descritivo; (3) os
investigadores que utilizam metodologias qualitativas interessam-se mais pelo
processo em si do que propriamente pelos resultados; (4) a análise dos dados é feita
de forma indutiva; e (5) o investigador interessa-se, acima de tudo, por tentar
compreender o significado que os participantes atribuem às suas experiências.
Para estes autores, a pesquisa qualitativa, envolve a obtenção de dados
descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada,
enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva
dos participantes.
Ludke e Andre (1986) interpetram que a pesquisa qualitativa tem o ambiente
natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal
instrumento. Segundo os dois autores, a pesquisa qualitativa supõe o contato direto
e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo
investigada, via de regra através do trabalho intensivo de campo.
Para André (2005) a pesquisa qualitativa pode ser caracterizada como sendo
uma tentativa de se explicar em profundidade o significado e características do
resultado das informações obtidas através de entrevistas ou questões abertas, sem
a mensuração quantitativa de características ou comportamentos.
4.2 O estudo de caso
O estudo de caso foi o método escolhido para a realização desta pesquisa,
pois se trata de um estudo sobre um objeto. Para Yin (2001) o estudo de caso é uma
“investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu
contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o
contexto não estão claramente definidos”.
Tendo como referência para a metodologia os autores Lüdke; André (1986)
que abordam as características fundamentais do estudo de caso:
- os estudos de caso visam à descoberta;
- os estudos de caso enfatizam a interpretação em contexto;
63
- os estudos de caso buscam retratar a realidade de forma completa e profunda;
- os estudos de caso usam uma variedade de fontes de informação;
- os estudos de caso revelam experiência vicária e permitem generalizações
naturalísticas;
- estudos de caso procuram representar os diferentes e, às vezes, conflitantes
pontos de vista presentes numa situação social;
- os relatos do estudo de caso utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível
do que os outros relatórios de pesquisa.
Nisbet e Watt (1978) citados por Lüdke; André (1986) caracterizam o
desenvolvimento de estudo de caso em três fases, sendo uma primeira aberta ou
exploratória, a segunda mais sistemática em termos de coleta de dados e a terceira
consistindo na análise e interpretação sistemática dos dados e na elaboração do
relatório. Como eles mesmos enfatizam, essas três fases se superpõem em diversos
momentos, sendo difícil precisar as linhas que as separam.
Uma das vantagens do estudo de caso é a possibilidade de fornecer uma
visão profunda e ao mesmo tempo ampla e integrada de uma unidade social
complexa, composta de múltiplas variáveis. No entanto para conseguir esse intento,
o pesquisador necessita investir muito tempo e muitos recursos, seja no
planejamento do trabalho, seja na entrada e permanência em campo, seja na
interpretação e no relato dos dados (ANDRÉ, 2005). Para esta autora outra
vantagem também associada ao estudo de caso é sua capacidade de retratar
situações da vida real, sem prejuízo de sua complexidade e de sua dinâmica natural.
Os estudos de caso também são valorizados pela sua capacidade heurística,
isto é, por jogarem luz sobre o fenômeno estudado, de modo que o leitor possa
descobrir novos sentidos, expandir suas experiências ou confirmar o que já sabia.
Espera-se que o estudo de caso ajude a compreender a situação investigada e
possibilite a emersão de novas relações e variáveis, ou seja, que leve o leitor a
ampliar
suas
experiências.
Espera-se
também
que
aprofundamento ou para futuros estudos (ANDRÉ, 2005).
revele
pistas
para
64
Na visão de Ludke e André (1986) o estudo de caso é o estudo de um caso,
seja simples e específico, é sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos
claramente definidos no desenrolar do estudo. O caso pode ser similar a outros, mas
é ao mesmo tempo distinto, pois tem um interesse próprio, singular.
4.3 Métodos de coleta dos dados
Para Gil (1999) obter dados mediante procedimentos diversos é fundamental
para garantir a qualidade dos resultados obtidos. Os dados desse estudo foram
obtidos mediante entrevistas semi-estuturadas e observação espontânea.
A observação é uma técnica de coleta de dados para conseguir informações e
utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não
consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que
se desejam estudar (MARCONI; LAKATOS, 2006).
Para Ludke e André (1986) os dados coletados são predominantemente
descritivos. O material obtido nessas pesquisas é rico em descrição de pessoas,
situações, acontecimentos; inclui transcrições de entrevistas e de depoimentos,
fotografias, desenhos e extratos de vários tipos de documentos. Segundo André
(2005) a coleta de dados exige habilidade, paciência e perseverança do (a)
pesquisador (a).
4.3.1 A entrevista
Neste estudo, optou-se pelas entrevistas semi-estruturadas. Segundo Minayo
(2008) esse tipo de entrevista combina perguntas fechadas e abertas, em que o
entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se
prender exclusivamente à indagação formulada. Nas perguntas abertas, o
entrevistado é convidado a falar livremente sobre o tema e as perguntas feitas,
buscam dar mais profundidade às reflexões. Ainda segundo a autora, as entrevistas
65
podem ser consideradas conversas com finalidade e se caracterizam pela sua forma
de organização.
Laville & Dionne (1999) descrevem a entrevista semi-estruturada, como uma
série de perguntas abertas, feitas verbalmente em uma ordem prevista, mas na qual
o entrevistador pode acrescentar perguntas de esclarecimentos.
A entrevista representa um dos instrumentos básicos para a coleta de dados.
Esta é, aliás, uma das principais técnicas de trabalho em quase todos os tipos de
pesquisa utilizados nas ciências sociais. Ela desempenha importante papel não
apenas nas atividades científicas como em muitas outras atividades humanas
(LUDKE E ANDRE, 1986).
Para estes autores, a grande vantagem da entrevista sobre outras técnicas é
que ela permite a captação imediata e corrente da informação desejada,
praticamente com qualquer tipo de informação e sobre os mais variados tópicos. Os
autores ainda relatam que uma entrevista bem-feita pode permitir o tratamento de
assuntos de natureza estritamente pessoal e íntima, assim como temas de natureza
complexa e de escolhas nitidamente individuais.
4.3.2 Observação Espontânea
A observação pode ser considerada parte essencial do trabalho de campo na
pesquisa qualitativa. Sua importância é de tal ordem que alguns estudiosos a
consideram não apenas uma estratégia no conjunto da investigação das técnicas de
pesquisa, mas como um método que, em si mesmo, permite a compreensão da
realidade (MINAYO, 2008).
Minayo (2008) define observação como um processo pelo qual um
pesquisador se coloca como observador de uma situação social, com a finalidade de
realizar uma investigação científica. O observador, no caso, fica em relação direta
com seus interlocutores no espaço social da pesquisa, na medida do possível,
participando da vida social deles, no seu cenário cultural, mas com a finalidade de
colher dados e compreender o contexto sob sua observação e, sem dúvida, modifica
esse contexto, pois interfere nele, assim como é modificado pessoalmente.
66
Para a autora, a observação é a necessidade que todo pesquisador social
tem de relativizar o espaço social de onde provém, aprendendo a se colocar no lugar
do outro. No trabalho qualitativo, a proximidade com os interlocutores, longe de ser
um inconveniente, é uma virtude e uma necessidade.
4.4 O locus da pesquisa
A pesquisa foi desenvolvida no Instituto Walmart, localizado o seu escritório
na cidade do Recife - PE. A pesquisa abordou o Programa Bombando Cidadania
que é um programa com o foco no Desenvolvimento Local, desenvolvido pelo IW,
localizado no bairro Bomba do Hemetério zona norte do Recife - PE. Dentro do
Programa Bombando Cidadania é executado o Projeto Liderança no Varejo – Escola
Social do Varejo, o projeto tem a coordenação técnica do Instituto Aliança com
Adolescente, o Instituto IA também é fonte de pesquisa deste trabalho.
O Instituto Walmart é objeto de pesquisa desde trabalho por ser uma
Instituição reconhecida pela sociedade, pelo seu trabalho com a comunidade e pelo
fato do Programa Bombando Cidadania ter uma relevância social.
4.5 Caracterização dos Sujeitos
Os sujeitos desta pesquisa foram os coordenadores do Instituto Walmart, os
educadores do Instituto Aliança com adolescentes que estão envolvidos com o
Projeto Líderança no Varejo – Escola Social do Varejo no bairro da Bomba do
Heméterio.
Desta forma, foram sujeitos desta pesquisa:

3 coordenadores do Instituto Walmart;

3 educadores do Projeto Liderança no Varejo – Escola Social do Varejo.
67
4.6 A análise dos dados
Os dados foram organizados a partir do material coletado, separados de
acordo com eixos principais das falas dos entrevistados, das observações e
realizada a análise de conteúdo na interpretação dos dados.
Para Minayo (2008) através da análise de conteúdo, pode-se caminhar na
descoberta do que está por trás dos conteúdos manifestos, indo além das
aparências do que está sendo comunicado. Ainda para esta autora, os
pesquisadores que buscam a compreensão dos significados no contexto da fala, em
geral, negam e criticam a análise de frequências das falas e palavras como critério
de objetividade e cientificidade e tentam ultrapassar o alcance meramente descritivo
da mensagem, para atingir, mediante inferência, uma interpretação mais profunda.
Dentre os procedimentos metodológicos da análise de conteúdo utilizados a
partir da perspectiva qualitativa, destacam-se os seguintes abordados nesta
pesquisa: categorização, inferência, descrição e interpretação.
Baseado em Minayo (2008) os procedimentos metodológicos para a análise de
conteúdo adotada foi:
 decompor o material a ser analisado em partes (o que é parte vai depender
da unidade de registro e da unidade de contexto escolhido);
 distribuir as partes em categorias;
 fazer uma descrição do resultado da categorização (expondo os achados
encontrados na análise);
 fazer inferências dos resultados;
 interpretar os resultados obtidos com auxílio da fundamentação teórica
adotada.
Ludke e André (1986) lembram também que a análise não deve se restringir ao
que está explícito no material, mas deve ir mais fundo, desvelando mensagens
implícitas, dimensões contraditórias e temas sistematicamente “silenciados”.
Os dados coletados nessa pesquisa foram categorizados, descritos, analisados e
interpretados, retratando o maior número possível de elementos existentes na
realidade estudada.
68
Analisar os dados qualitativos significa “trabalhar” todo o material obtido
durante a pesquisa, ou seja, os relatos de observação, as transcrições de
entrevistas e as demais informações disponíveis (LUDKE e ANDRE, 1986).
4.7 A análise de conteúdo
O funcionamento e o objetivo da análise de conteúdo podem resumir-se da
seguinte maneira: atualmente, e de um modo geral, designa-se sob o termo de
análise de conteúdo: ”um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando
obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das
mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de
conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas)
destas mensagens” (LUDKE e ANDRE, 1986).
Para os autores, pertecem, pois, ao domínio da análise de conteúdo, todas as
iniciativas que, a partir de um conjunto de técnicas parciais mas complementares,
consistam na explicitação e sistematização do conteúdo das mensagens e da
expressão deste conteúdo, com o contributo de índices passíveis ou não de
quantificação, a partir de um conjunto de técnicas, que, embora parciais, são
complementares.
4.8 As categorias analíticas
A categorização é uma operação de classificação de elementos constituídos
de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o
género (analogia), com os critérios previamente definidos. As categorias, são
rubricas ou classes, as quais reunem um grupo de elementos (unidades de registro,
no caso da análise de conteúdo) sob um título genérico, agrupamento esse
efectuado em razão dos caracteres comuns destes elementos (BARDIN, 2000).
A definição das categorias analíticas, rubricas sob as quais virão se organizar
os elementos de conteúdo agrupados por parentesco de sentido, é uma outra tarefa
69
que se reconhece primordial. A ordem desses dois momentos da análise de
conteúdo pode variar: às vezes, o pesquisador define primeiro suas categorias, mas
em outros casos sua determinação é precedida do recorte dos conteúdos,
especialmente quando essas categorias são construídas de maneira indutiva, isto é,
ao longo dos processos da análise (LAVILLE & DIONNE, 1999).
Neste item, apresenta-se algumas considerações sobre as categorias
analíticas desta pesquisa, desta forma, todas as categorias serão conceitudas, sua
respectiva justificativa será apresentada e a relação de cada uma delas com este
estudo. São, portanto, categorias desta investigação: educação e inclusão social
como categorias mestra, desenvolvimento local e sustentabilidade.
4.8.1. Educação
No art. 205, da Constituição Federal, é atribuido que:
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho
(BRASIL, 1988, art. 205).
A educação é compreendida como um direito de todo o cidadão, e ela deve
ser oferecida pelo Estado, mas também pode ser oferecida por outras organizações
sociais. Desta forma a sociedade deve buscar tomar a educação como direito, com o
propósito de garantir o acesso a informação, mas com a finalidade de promover
aprendizagens significativas que contribuam para a formação humana. Na visão de
Edgar Morin:
A educação deve contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar a
assumir a condição humana, ensinar a viver) e ensinar como se tornar cidadão
(Morin, 2007).
Na concepção de Silva (2006) a educação é oferecida ao indivíduo de forma a
buscar suas capacidades individuais:
70
A educação é um processo de desenvolvimento de capacidades individuais
permanente, com a finalidade de permitir ao indivíduo social aproveitar as
oportunidades oferecidas para transformar e transformar-se, realizando seu
projeto de vida pessoal com base e respeitando os limites da
sustentabilidade (SILVA, 2006).
A escolha dessa categoria é justificada devido a um dos objetivos centrais
desta pesquisa que é a educação para a inclusão social no contexto do
Desenvolvimento Local. Tendo como base as entrevistas aplicadas nesta pesquisa,
foi analisado como esse processo é realizado.
4.8.2. Inclusão Social
A inclusão social visa a redução das desigualdades em seus diversos
contextos sociais, buscando, dessa forma, junto à sociedade a igualdade de
oportunidades para todos os seres humanos.
Para
Almeida
e
Silva
(2007)
inclusão,
hoje,
deve
estar
referida,
necessariamente, às condições de meios de vida com dignidade. Isto supõe
possibilidade de acesso a recursos materiais como habitação, alimentação e
vestuário; acesso à educação formal, aos recursos para a manutenção da saúde e
ao lazer; saúde emocional para permitir uma convivência social confiável.
Justifica-se a escolha da categoria de análise, tendo em vista, um dos
objetivos desta pesquisa que relaciona a educação e a inclusão social dos jovens no
projeto Escola Social do Varejo, fonte de pesquisa desta dissertação. A relação foi
analisada a partir das entrevistas, tornando possível verificar como essa relação
acontece.
4.8.3 Desenvolvimento Local
O Desenvolvimento Local começou a ser discutido a partir dos anos 1980 no
Brasil. Mas, foi a partir dos anos 1990 que a temática ganhou proporção, sob a
perspectiva da valorização de um novo paradigma de desenvolvimento, que valoriza
as potencialidades do território e da sociedade local.
71
Como define claramente Jesus (2006):
O Desenvolvimento Local é entendido como um processo que mobiliza
pessoas e instituições buscando a transformação da economia e da
sociedade locais, criando oportunidades de trabalho e de renda, superando
dificuldades para favorecer a melhoria das condições de vida da população
local. Assim, se trata de um esforço localizado e concertado, isto é, são
lideranças, instituições, empresas e habitantes de um determinado lugar
que se articulam com vistas a encontrar atividades que favoreçam
mudanças nas condições de produção e comercialização de bens e
serviços de forma a proporcionar melhores condições de vida aos cidadãos
e cidadãs, partindo da valorização e ativação das potencialidades e efetivos
recursos locais (JESUS, 2006, p.72).
Para Buarque (1999) Desenvolvimento Local é um processo endógeno
registrado em pequenas unidades territoriais e agrupamentos humanos capaz de
promover o dinamismo econômico e a melhoria da qualidade de vida da população.
Este processo representa uma singular transformação nas bases econômicas e na
organização social em nível local, resultante da mobilização das energias da
sociedade, explorando as suas capacidades e potencialidades específicas.
A justificativa da escolha dessa categoria de análise se dá, tendo em vista o
objetivo desta pesquisa em analisar as contribuições de uma organização sem fins
lucrativos no contexto do Desenvolvimento Local. Através das entrevistas e das
observações, foi analisado como a Instituição contribuiu com o Desenvolvimento
Local.
4.8.4 Sustentabilidade
A sustentabilidade é uma temática extremamente diversificada em todos os
seus contextos. A noção de sustentabilidade surgiu do conceito de desenvolvimento
sustentável pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da
Organização das Nações Unidas (ONU). Para Capra (2004) a sustentabilidade não é
uma propriedade individual, mas propriedade de uma complexa rede de relações,
envolvendo comunidades completas. Uma comunidade humana sustentável interage
com outras comunidades, humanas e não humanas, de tal modo que as capacita a
viver e a desenvolver-se de acordo com sua natureza (CAPRA, 2004).
72
Para Augusto de Franco (2000) sustentabilidade não diz respeito apenas à
preservação ou à conservação de recursos naturais limitados e não renovavéis e
sim “a um padrão de organização de um sistema que se mantém ao longo do tempo
em virtude de ter adquirido certas características que lhe conferem capacidades
auto-criativas”.
Já para Silveira (2001) um dos fatores que definem a sustentabilidade em
processos de desenvolvimento local seria a constituição de novos espaços públicos
de formulação e gestão que dizem respeito a uma determinada comunidade.
Justifica-se a escolha da categoria de análise, tendo em vista, um dos
objetivos desta pesquisa que relaciona a sustentabilidade dos projetos educacionais,
que são oferecidos pela organização sem fins lucrativos no contexto do
Desenvolvimento Local. A partir das entrevistas e da observação, foi possível
verificar como esse processo acontece.
73
PARTE III
CAPITULO V
5
UMA LEITURA ANALÍTICA SOBRE AS PERCEPÇÕES DOS
COORDENADORES E EDUCADORES OBJETO DESTA PESQUISA, SOBRE
DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL RELACIONADO COM EDUCAÇÃO
E INCLUSÃO SOCIAL
Neste capítulo é apresentada uma análise dos dados, isto é, a análise das
entrevistas semi-estruturadas realizadas com os coordenadores do IW e os
educadores do IA.
O Instituto Walmart foi escolhido como objeto principal deste estudo, devido à
relevância do seu programa em Desenvolvimento Local Sustentável no Estado de
Pernambuco, o Programa nomeado Bombando Cidadania. Possui vários parceiros
na realização das suas atividades. Dentre os parceiros convidados pelo Instituto
Walmart para executar as ações no bairro Bomba do Hemetério, o Instituto Aliança
com adolescente foi convidado, como parceiro técnico no projeto Liderança no
Varejo - Escola Social do Varejo, o projeto tem uma ótima referência na área de
educação e inclusão social. Desta forma, o IA também serviu como fonte de
pesquisa neste estudo. O projeto possui um núcleo localizado na Escola Estadual
Professor Mardônio de Andrade Lima Coelho no bairro Bomba do Hemetério.
O trabalho apresenta uma análise dos discursos dos coordenadores do
Instituto Walmart e dos educadores do Instituto Aliança com Adolescente onde
possui o projeto Líderança no Varejo – Escola Social do Varejo localizado na Bomba
do Hemetério.
As perguntas realizadas para os sujeitos da pesquisa foram direcionadas para
a área que cada um atua; dessa forma aos coordenadores do IW as perguntas
foram direcionadas ao Programa Bombando Cidadania e aos educadores do IA
foram direcionadas ao projeto Líderança no Varejo - Escola Social do Varejo.
Os dados foram analisados por meio da análise de contéudo, através de uma
leitura analítico-interpretativa sobre o conteúdo dos discursos dos sujeitos desta
pesquisa. Nessa leitura analítico-interpretativa, a análise foi mediada pelas
74
categorias
analíticas:
educação,
inclusão
social,
desenvolvimento
local
e
sustentabilidade.
5.1 Contribuições de uma Organização Sem Fins Lucrativos para o
Desenvolvimento Local
Neste sub-item, procede-se a uma análise das entrevistas realizadas com os
coordenadores do Programa Bombando Cidadania, desenvolvido pelo Instituto
Walmart, conforme referido anteriormente e, também, com os educadores dos
jovens do Instituto Aliança. Nesta primeira etapa desta leitura analítico-interpretativa
que faz-se a seguir, a análise assenta-se na categoria, desenvolvimento local.
Portanto, quando indagados sobre as relações do Programa Bombando Cidadania
com o desenvolvimento local, os coordenadores do IW, apresentaram as seguintes
percepções sobre o desenvolvimento local no âmbito deste projeto.
Uma análise do IW do conteúdo do discurso dos coordenadores :
Coordenador 1
“O Desenvolvimento Local, ele não é uma questão geográfica, mas, muito
mais as relações que se estabelecem naquele local. O que a gente busca com o
Bombando Cidadania é melhorar a relação que a população daquele local, tem com
as suas necessidades cidadãs, com suas necessidades de trabalho, de política
pública, de solidariedade, entre os moradores daquele território. A gente também
quer com esse programa, trabalhar as relações produtivas naquele território, como a
riqueza é gerada, se é gerada, como ela é compartilhada, como ela fica nesse
território, fazendo que o desenvolvimento seja realmente daquela localidade. E por
fim, quer também com o programa melhorar a relação que essa comunidade, que
essa população tem com o seu meio ambiente, então, como cuidar do que é seu,
seja ele patrimônio natural, seja um patrimônio público. Então, isso é chamado tripé
do Desenvolvimento Local, você pensa no âmbito do capital social, a forma como as
pessoas se relacionam, você pensa no capital produtivo, a forma como a economia
circula, e se circula de uma forma mais inclusiva e o capital ambiental, a capacidade
de deixar o que está alí, para as próximas gerações de uma forma sustentável.”
75
O Coordenador 1 sinaliza questões referentes ao Desenvolvimento Local,
quando cita as questões relacionadas com o desenvolvimento daquela comunidade
e a preocupação em desenvolver atividades que possam levar a melhoria da
população local e das suas diversas dinâmicas sociais. Ao analisar seu discurso,
pode-se inferir que ele reconhece a importância de efetuar ações que possam
valorizar o desenvolvimento daquela população local, alcançando as dimensões do
desenvolvimento social, econômico e ambiental. Através do exposto pode-se
perceber a relação com o Desenvolvimento Local ao considerar a definição de Jesus
(2006), que afirma “(...) se trata de um esforço localizado e concertado, isto é, são
lideranças, instituições, empresas e habitantes de um determinado lugar que se
articulam com vistas a encontrar atividades que favoreçam mudanças nas condições
de produção e comercialização de bens e serviços de forma a proporcionar
melhores condições de vida aos cidadãos e cidadãs, partindo da valorização e
ativação das potencialidades e efetivos recursos locais”.
Dessa forma faz-se referência ao trecho do discurso do entrevistado quando
relata que “O que a gente busca com o Bombando Cidadania é melhorar a relação
que a população daquele local, tem com as suas necessidades cidadãs, com suas
necessidades de trabalho, de política pública, de solidariedade, entre os moradores
daquele território. A gente também quer com esse programa, trabalhar as relações
produtivas naquele território, como a riqueza é gerada, se é gerada, como ela é
compartilhada, como que ela fica nesse território, fazendo que o desenvolvimento
seja realmente daquela localidade”. Percebe-se que o entrevistado assimila as
diretrizes que o Desenvolvimento Local deve promover para a população e as
formas estratégicas de ação para mudar a situação de adversidade daquela
localidade.
Coordenador 2
“A gente tem na Bomba do Hemetério, apesar de ser um Desenvolvimento
Local é uma coisa mais urbana, procuramos desenvolver a linha dos três pilares do
Desenvolvimento Local Sustentável, com as questões ambientais. Atuamos a partir
da Agenda 21 e também com os agentes de saúde, divulgando conscientizando,
sobre o meio ambiente. O meio ambiente não vai só, no sentido ecológico, mas o
meio ambiente no sentido geral, o econômico com o apoio do SEBRAE (Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a linha pequena
76
empreendedora, a parte de fortalecer o pequeno empreendedor e o comércio local,
o social, onde, observamos o desenvolvimento das pessoas. Temos o comitê, e
também, na questão com o foco muito na linha da cultura, com o resgate cultural do
encontro do ser, das pessoas dos moradores e o resgate dessa cultura, que a
Bomba do Hemetério é um celeiro cultural (...)”.
O Coordenador 2, pode-se inferir que no discurso do entrevistado é bem
clara a questão da valorização do potencial da comunidade local. Observa-se esse
relato quando o entrevistado descreve, “(...) questão com o foco muito na linha da
cultura, com o resgate cultural do encontro do ser, das pessoas dos moradores e o
resgate dessa cultura, que a Bomba do Hemetério é um celeiro cultural (...)”, remetese neste discurso o que afirma Buarque (1999) “Este processo representa uma
singular transformação nas bases econômicas e na organização social em nível
local, resultante da mobilização das energias da sociedade, explorando as suas
capacidades e potencialidades específicas”.
O entrevistado ressalta a importância de valorizar o potencial daquela
comunidade, que, no caso, da comunidade Bomba do Hemetério, a cultura é muito
forte na localidade, sendo assim, no seu discurso, ele frisa uma das questões
abordadas no programa que está totalmente relacionada com o Desenvolvimento
Local.
Coordenador 3
“(...) a gente leva várias frentes no programa, na verdade a Bomba do
Hemetério tem uma vocação muito forte em cultura, (...) dentro do programa várias
ações foram acontecendo, com vários parceiros diferentes, tanto do Ministério do
Turismo, com o pessoal da cultura, como o pessoal da saúde e de geração de
renda. O Instituto, quando começou a organizar esse programa convidou outros
Institutos também, outros órgãos municipais. Também existe, um protocolo assinado
pela prefeitura do Recife e pelo Governo do Estado celebrando esse trabalho. Foi
assinado esse protocolo, pra que pudessemos ao longo de 5 anos, dar andamento
a essas ações; hoje são vários projetos acontecendo, tem educação, tem geração
de renda, tem cultura, tem meio ambiente com a Agenda 21, várias frentes são
formadas. E também, foi muito forte o trabalho de formação do núcleo, que desde o
77
início tem nos apoiado do comitê; o comitê passou um ano se preparando, passou
por várias oficinas de formação, conduzidas pelo IADH (Instituto de Assessoria para
o Desenvolvimento Humano); eles convidavam técnicos, especialistas no assunto
pra a formação desse grupo; essa equipe foi o motor dentro dessa comunidade pra
impulsionar essas ações. O comitê passou
todo esse tempo se formando (...)
sempre nas nossas idas de reuniões de pleito, tem uma comissão do comitê junto
conosco ou em algum momento, eles estão tão empoderados que estão seguindo
sozinhos.”
No discurso do Coordenador 3, pode-se inferir que o programa executa
parcerias com diferentes órgãos. Percebe-se assim a importância da participação de
outros órgãos atuantes no contexto do Desenvolvimento Local, onde está
fragmentado neste discurso “(...) dentro do programa várias ações foram
acontecendo, com vários parceiros diferentes (...)”. Esse fragmento se enquadra nos
conceitos de Paulo de Jesus (2006), onde relata que “(...) são lideranças,
instituições, empresas e habitantes de um determinado lugar que se articulam com
vistas a encontrar atividades que favoreçam mudanças nas condições de produção
e comercialização de bens e serviços (...)”. Dessa forma são necessárias as
articulações com vários atores, para concretizar as nuances do Desenvolvimento
Local; a mobilização desses atores contribui para o fortalecimento das bases de
sustentabilidade da localidade, visando isto; o Instituto buscou articular com os
parceiros, como foi relatado pelo entrevistado.
Observa-se também no discurso, a busca do fortalecimento do comitê para
dar continuidade às atividades desenvolvidas, para que se tornem independentes da
Instituição proponente, destaca-se neste fragmento “(...) tem uma comissão do
comitê junto conosco ou em algum momento, eles estão tão empoderados que estão
seguindo sozinhos.” Dessa forma neste fragmento do discurso, percebe-se também
uma das categorias analíticas que é a Sustentabilidade. Baseado neste relato deixa
evidente que a Instituição está atuando para contribuir com o fortalecimento desse
comitê para que o mesmo possa dar continuidade as ações desenvolvidas no
programa.
No discurso do entrevistado, também é observada a valorização da vocação
cultural, sendo uma das potencialidades mais fortes do bairro. Mas, observa-se que
outras ações são abordadas no programa, como demonstra esse fragmento, “(...)
78
hoje são vários projetos acontecendo, tem educação, tem geração de renda, tem
cultura, tem meio ambiente com a Agenda 21, várias frentes são formadas.”
Embasado neste fragmento, percebe-se que são diversificadas as ações
desempenhadas pela Instituição, procurando atingir dessa forma todas as
dimensões do complexo Desenvolvimento Local.
Por outro lado, mas ainda no âmbito desta leitura analítico-interpretativa, que
tem como categoria analítica o desenvolvimento local, apresenta-se a seguir o
conteúdo do discurso dos educadores do IA, que trabalham com adolescentes.
Nessa perspectiva, quando indagados sobre como questões de desenvolvimento
local são abordadas no projeto Líderança no Varejo – Escola Social do Varejo, os
educadores do IA, revelaram as percepções a seguir referidas.
Educadores do Instituto Aliança com Adolescente:
Educador 1
“(...) o projeto Liderança no Varejo, ele passou a ter o foco não só no varejo,
mas também, envolvendo o Desenvolvimento Local, no qual o bairro desenvolve
hoje. Foi concretizado no bairro o Programa Bombando Cidadania, e aí, uma das
propostas que vem sendo aplicadas ao projeto, é a semana bombando, no qual os
jovens vão trabalhar questões específicas de Desenvolvimento Local, enquanto
projeto (...)”.
No discurso do Educador 1, percebe-se a necessidade de criar atividades
que possam envolver a temática Desenvolvimento Local no projeto, inserindo dessa
forma, os jovens nos debates e no conhecimento sobre o seu bairro, trazendo assim,
uma sensibilização para esses jovens refletirem suas ações no bairro.
Educador 2
“(...) o projeto do Instituto Aliança, Escola Social do Varejo, ele chega como
mais um componente desse investimento mais amplo, que é esse investimento do
Desenvolvimento Local, e aí, a gente atua no eixo da empregabilidade dos jovens;
então, em especial aqui na Bomba do Hemetério, eu percebo esse investimento no
Desenvolvimento Local de maneira bem mais conectada com a realidade, (...) no
79
campo da empregabilidade, o Instituto tem dado a sua contribuição, fortalecendo e
preparando o jovem pra que tenha uma condição mais digna, de inclusão no
mercado de trabalho e transformação permanente de ascensão”.
Na percepção do Educador 2, o projeto vem a somar com as diversas
atividades exercidas pelo IW na comunidade; o projeto Escola Social do Varejo se
diferencia pelas ações que estão acontecendo pelo programa Bombando Cidadania
no bairro, o projeto envolve, dessa forma os jovens a estarem mais integrados com a
realidade do seu território. Destaca-se assim, a preocupação do projeto em envolver
os jovens na visão oferecida pelo programa relacionado com o DL. Percebe-se outra
categoria analítica que é a Inclusão Social, neste fragmento de discurso “(...) no
campo da empregabilidade o Instituto tem dado a sua contribuição, fortalecendo e
preparando o jovem pra que tenham uma condição mais digna mesmo, de inclusão
no mercado de trabalho e transformação permanente de ascensão”, o projeto atua
promovendo a inserção no mercado de trabalho, de forma a somar como um dos
instrumentos de ação do Desenvolvimento Local Sustentável.
Educador 3
“(...) a gente tem o Programa Bombando Cidadania, que é financiado pelo
Instituto Walmart e a Escola Social do Varejo, que é um programa de 5 anos, que
trabalha o Desenvolvimento Local e que trabalha também a sustentabilidade,
educando a comunidade e, também, os jovens que fazem parte da Escola Social do
Varejo (...)”
No discurso do Educador 3, percebe-se que o entrevistado informa sobre o
programa e o projeto, relata que o programa contribui educando a comunidade e os
jovens do projeto, trabalhando assim a sustentabilidade. Mas não esclarece
especificamente como questões de Desenvolvimento Local são dirigidas aos jovens
na sua vivência no projeto.
Em resumo, conclui-se que as questões de Desenvolvimento Local são
abordadas no Programa Bombando Cidadania, entre as ações desenvolvidas se
destacam a geração de emprego e renda, curso profissionalizante para a inserção
80
no mercado de trabalho, atividades com o projeto da Agenda 21, entre outros; existe
a preocupação em se articular com os atores sociais, destrinchando, dessa forma,
as estratégias e ações necessárias para a articulação e concretização do
Desenvolvimento Local. No projeto Líderança no Varejo - Escola Social do Varejo,
percebe-se que a dinâmica do projeto, não se resume só a formação para o
mercado de trabalho, mas, busca envolver os jovens a inserir-se com as diversas
esferas de atividades, tornando os jovens de certa maneira, mediadores na
contribuição do Desenvolvimento Local.
5.2 Possibilidades de Inclusão Social no âmbito de uma Organização Sem Fins
Lucrativo
Neste sub-item, recorre-se à categoria, inclusão social, atrás referida, uma
vez que esta investigação pretendeu, também, verificar até que ponto o IW e o IA
estão preocupados com esta questão no que toca ao desenvolvimento de suas
políticas, por meio dos projetos realizados. E a exemplo da análise feita
relativamente à categoria desenvolvimento local, esta análise que estará centrada
na categoria inclusão social, apresenta, num primeiro momento o conteúdo do
discurso dos coordenadores e procura fazer uma leitura analítico-interpretativa, e na
sequência, analisa o conteúdo do discurso dos educadores do IA.
Assim sendo, quando indagados sobre como o Programa Bombando
Cidadania favorece a inclusão social, os coordenadores entrevistados apresentaram
as seguintes percepções.
Coordenadores do Instituto Walmart:
Coordenadora 1
“(...) desde a implantação do Bombando Cidadania, tivemos 15 projetos, que
aconteceram, alguns terminaram, alguns foram renovados, mas todos eles tinham
por base tornar as relações entre as pessoas e entre a economia e entre o ambiente
mais favorável; isto pra gente está a base de uma inclusão social”.
81
Para o Coordenador 1 a base da inclusão social é criar oportunidades que
possam proporcionar aos indivíduos uma relação mais eficaz com o seu meio, com o
mercado, trazendo dessa forma essa inserção social.
Coordenadora 2
“A partir justamente (...) o foco na cultura, o foco no empreendedorismo, o
foco no desenvolver das pessoas, através da Escola Social do Varejo. Ela não é
simplesmente uma escola, que prepara o jovem para o mercado de trabalho, ela vai
muito mais além, ela prepara o jovem como ser humano, onde você tem diversas
linhas de atuação; uma delas é fazer trabalhos na comunidade, fazer trabalho
voluntário, preparar o jovem, ter o apoio psicossocial. Você recebe aquele jovem,
que está terminando o terceiro ano, que vêm de uma escola pública, às vezes, não
tem o dinheiro pra entrar em uma escola particular; também, o ensino não foi tão
bom assim; quer entrar no mercado de trabalho e, às vezes, não consegue, porque
pedem a experiência; então, ele começa a se perder, a gente pega e resgata esse
jovem e gera inclusão social (...)”
Através do discurso da Coordenadora 2, observa-se que a inclusão social na
sua concepção é direcionada para diversas dimensões sociais. Mas, é dada uma
ênfase maior a Escola Social do Varejo no seu discurso, e nesta referência ao
projeto destaca-se uma outra categoria analítica a Educação, que se descreve neste
fragmento “(...) Escola Social do Varejo, ela não é simplesmente uma escola, que
prepara o jovem para o mercado de trabalho, ela vai muito mais além, ela prepara o
jovem como ser humano (...)”. Este discurso é correlacionado com o que é
enfatizada por Edgar Morin (2007) “A educação deve contribuir para a autoformação
da pessoa (...)”. Percebe-se que o projeto favorece uma educação que prioriza a
formação do ser, não ficando centrada só na formação para o mercado.
Coordenadora 3
“Eu vejo de muitas maneiras; na questão da geração de renda, temos grupos
produtivos que têm trabalhado com artesanato, trabalhos manuais; tem um grupo
que trabalha com sabão ecológico recolhendo óleo e a partir dessa matéria prima,
produzem sabão; tem grupos que estão com um viés muito forte da cultura e
trabalham nas fantasias e adereços e, também, um pouco da Escola Social do
82
Varejo onde a gente prepara o jovem pra ingressar no mercado de trabalho, dando a
este jovem a oportunidade de um primeiro emprego, sempre sendo orientados pra
um primeiro emprego formal (...)”.
No discurso da Coordenadora 3, infere-se que a inclusão social está sendo
relacionada em diversas temáticas do programa; a inclusão está, tanto na geração
de renda, enquanto os indivíduos estão conquistando o seu próprio negócio; na
cultura eles trabalham produzindo todo o material das festividades; no artesanato e
na Escola Social do Varejo, onde os jovens são preparados para o mercado de
trabalho. Dessa forma a inclusão não está apenas restrita a uma das ações do
programa, mas abrange as diversas temáticas geridas dentro do mesmo,
trabalhando dessa forma para uma inserção social dos moradores do bairro e
estimulando o desenvolvimento da economia local.
Com relação ao conteúdo do discurso dos educadores do IA, sobre o projeto
Líderança no Varejo – Escola Social do Varejo, no que toca à categoria, inclusão
social, foi possível apreender as seguintes percepções:
Educador 1
“(...) ele não só prepara o jovem para o mercado de trabalho, mas prepara o
jovem pra vida e, quando a gente fala de inclusão social, além da gente estar
resgatando um jovem de atividades que eles fiquem ociosos, sem estar fazendo
nada em casa. O projeto ele resgata o jovem pra esta fazendo uma atividade, no
qual ele está sendo capacitado para o mercado de trabalho, (...) ele (projeto) prepara
o jovem pra vida de uma forma, que o jovem passa a ter uma consciência voltada
pro seu bairro; ele conhece o seu bairro de uma forma mais completa e passa a
admirar o seu bairro e muitos jovens que participam do projeto, eu acho isso muito
interessante, pelo fato deles fazerem parte da comunidade, serem da comunidade
muitos ainda não conhecem o que o próprio bairro tem para oferecer (...)”.
O Educador 1, refere-se ao contexto em que os jovens se encontravam antes
de entrar no projeto, ficavam ociosos em casa. Isto reflete as limitações de acesso
que os indíviduos vivenciam no seu cotidiano, ficam restritos a oportunidades
83
diversas de conhecimento que poderiam favorecer uma melhor condição de vida. O
entrevistado relata que atráves do projeto, modificou este quadro para alguns
jovens. Baseado em Almeida e Silva (2007) que afirma que “inclusão, hoje, deve
estar referida, necessariamente, às condições de meios de vida com dignidade”.
Esta compreensão do entrevistado está sintonizado com a categoria analítica
Inclusão Social, que entende a necessidade de possibilitar o acesso às condições
necessárias para o desenvolvimento pessoal do indivíduo, redirecionando, assim, o
sujeito de sua condição de vulnerabilidade social para a inserção social.
A categoria analítica Desenvolvimento Local, citada anteriormente foi
destacada neste discurso do entrevistado, percebe-se em seu relato a importância
do projeto na formação do jovem voltada para o conhecimento e valorização das
potencialidades do seu bairro.
Educador 2
“(...) é um investimento no sujeito, onde o sujeito desperte, entenda quem é, e
que tem condições de contribuir; então eu acho que o processo formativo como um
todo, ele é potencializador e colabora muitíssimo nesse diferencial pra essa
formação e pra essa condição de estar no lugar incidente e ser pessoa importante
no lugar escolhido”.
No discurso do Educador 2 percebe-se a valorização na formação do ser,
para que o mesmo possa ter a consciência do seu papel como cidadão. E
abarcando esses saberes, tenha a autonomia de buscar seus direitos civis.
No fragmento do discurso de Almeida e Silva (2007) eles indagam que a
inclusão social “(...) supõe possibilidade de acesso a recursos materiais como
habitação, alimentação e vestuário; acesso à educação formal, aos recursos para a
manutenção da saúde e ao lazer; saúde emocional para permitir uma convivência
social confiável”. Essa vertente de pensamento, e baseado no relato do entrevistado,
fica correlacionado, que a partir do momento que a inclusão social é um direito a
diversas “condições de meios de vida com dignidade” (ALMEIDA E SILVA, 2007), a
formação do indivíduo, como ser pensante na sociedade é essencial para que o
mesmo possa buscar os seus direitos como cidadão.
84
Educador 3
“(...) enxergar onde estão inseridos, enxergar a sociedade, entender como se
relacionar com o próximo, porque é a questão de não só ser inserido no mercado de
trabalho, mas a forma que vai ser inserido (...) como se relacionar melhor com as
pessoas e com a sociedade, ou seja, a gente não só prepara o jovem pro mercado
de trabalho, mas também, a gente prepara pra vida como um todo”.
O discurso do Educador 3, infere-se que o projeto favorece a inclusão social,
através da formação para a inserção no mercado de trabalho, mas que essa
formação, tem uma abrangência maior de conhecimentos para esse indivíduo na
sua formação intelectual, como cidadão na sociedade.
Em resumo, conclui-se que o programa favorece a inclusão social, através de
projetos diversificados voltados para a comunidade local, resgatando assim o sujeito
da exclusão social. Analisando-se o projeto, também é notório que o mesmo conduz
o jovem para a inserção no mercado de trabalho, até pela sua metodologia ser
direcionada pra isso, mas é também perceptível que o projeto vai além de uma
simples formação profissionalizante, ele forma o sujeito para ser, um ser pensante
na sociedade.
5.3 Avaliação das ações enquanto Sustentabilidade
Neste sub-item, procede-se a uma leitura análitica das ações desenvolvidas
pelos institutos que serviram de objeto desta pesquisa, tendo em conta a categoria
sustentabilidade. Ou seja, pretendeu-se verificar até que ponto as políticas
desenvolvidas pelos institudos referidos, são, de fato, sustentáveis.
Portanto, quando indagados sobre se consideravam que as ações do
Programa em questão eram sustentáveis e qual avaliação faziam do mesmo no que
toca à sustentabilidade, os coordenadores apresentaram as seguintes percepções:
85
Coordenadores do Instituto Walmart
Coordenador 1
“Sim, sim. Isso na verdade é uma premissa sempre, quando a gente está
pensando em que ação a gente vai abordar o investimento, a questão da
sustentabilidade tem que ser considerada (...)”.
O discurso do Coordenador 1 demonstra uma preocupação com a
sustentabilidade dos projetos que ainda serão elaborados pela Instituição.
Coordenador 2
“Sim, com certeza, porque todos (projetos) a gente tem um planejamento
sério, antes de fazer a aplicação; contamos também com parceiros, que são
reconhecidos e renomados no cenário, que nos ajuda muito nessa parceria, pra dar
sustentabilidade, sentido, sustentação do projeto como um todo, no caso do
programa Bombando Cidadania”.
Através do discurso do Coordenador 2, percebe-se também a preocupação
em elaborar projetos que possam ser estratégicos na sua efetivação na comunidade
e que possam ser contínuos no território. Percebe-se assim, uma visão sobre a
sustentabilidade dos programas. Baseados em Augusto de Franco (2000) percebese que a sustentabilidade não é característica só da preservação, mas é também
analisada como “(...) um padrão de organização de um sistema que se mantém ao
longo do tempo em virtude de ter adquirido certas características que lhe conferem
capacidades auto-criativas”. Acredita-se, assim, que se os projetos forem
estrategicamente bem elaborados visando à sustentabilidade, podem ser contínuos,
efetivos e mobilizadores de uma população.
Coordenador 3
“(...) a partir desse movimento que a gente vem realizando e que continua
dois anos ainda pela frente, a gente acredita que a Bomba não vai ser mais a
mesma. Muitas sementes já foram plantadas e esperamos que isso floresça. Então,
acreditamos que essa sustentabilidade se dê muito por essa transformação social,
por essa transformação das pessoas, por elas saberem agora, o quanto elas são
86
capazes; o que elas podem fazer, aonde elas podem buscar apoio. E, com o comitê
atuante, isso possa se tornar sustentável, para que outras ações que até nem
chegamos a pensar e que eles acreditam que sejam necessárias e importantes, eles
irem em busca disso”.
No discurso do Coordenador 3, é inferido que o percusso para a
sustentabilidade dos projetos se dá pela estabilidade das ações executadas pelo
Instituto, visando que através dos projetos que foram trabalhados, ocorra a
transformação nas pessoas, capacitando-as a pensar, a agir com foco em suas
possibilidades individuais, desenvolvendo uma maior consciência do seu papel
individual e social. O entrevistado acredita que, com a mudança de atitude e postura
dos indivíduos, os mesmos são direcionados a dar continuidade às atividades que já
foram estabelecidas no bairro e a buscar outras que possam gerar o benefício para
si e para sua comunidade. Observa-se, dessa forma, que, sua percepção é na
mudança do ser humano, nas suas ações, no individual e no social, gerando assim,
atitudes decisórias desses indivíduos no seu bairro; este pensamento está
sintonizado com a sustentabilidade.
Educadores do Instituto Aliança com Adolescente:
Educador 1
“(...) a partir do momento que qualificar proporciona ao jovem uma maneira
mais eficaz, ou podemos assim dizer, mais interessante dele ser inserido no mundo
do trabalho, (...) ele se aprimora, ele se desenvolve e a partir do momento que ele se
desenvolveu (...) ele vai passar tudo o que ele aprendeu, que ele desenvolveu
durante esse processo formativo, pode ter certeza que ele passa para os amigos
(...)”.
Na visão do Educador 1 o conhecimento que foi transmitido para o jovem é
assimilado de tal forma, afirma o entrevistado, que o jovem vai repassar para os
amigos. Dessa forma o conhecimento é expandido como condição básica à
sustentabilidade.
87
Educador 2
“A proposta do Instituto é fortalecimento dos jovens, a preparação dos jovens
para o mercado de trabalho; esse é um ponto que naturalmente já tem uma
sustentabilidade dessa condição humana, o jovem quando resignifica sua vida e
reorienta a sua ação, ele está adquirindo uma condição de sustentabilidade e dentro
de todo o processo formativo, o Instituto, ele propõe essa visão do jovem, enquanto
pessoa que faz parte e assume sua parcela no tocante à responsabilidade social, ao
cuidado com o meio ambiente, pensar junto alternativas, pra que a gente consiga
garantir essa condição de sustentabilidade como um todo. (...) é necessário que
propostas como essa prossigam pra que a gente consiga encontrar outras formas de
ser e estar no mundo”.
O Educador 2 acredita que o projeto dá essa condição de sustentabilidade, a
partir do momento que a metodologia do projeto proporciona essa transformação do
jovem ao adquirir conhecimento e resignifica e reorienta a sua ação como indivíduo.
Percebe-se
neste
discurso
a
importância
da
educação
para
esta
ação
transformadora, caracterizando assim, outra categoria analítica que é a Educação.
Em um dos fragmentos do depoimento do entrevistado ele descreve que “(...) é
necessário que propostas como essa prossigam pra que a gente consiga encontrar
outras formas de ser e estar no mundo”. Observa-se a necessidade do
desenvolvimento de ações, sejam elas politícas públicas, que possam proporcionar
essas mudanças sociais.
Educador 3
“(...) é bastante interessante como ele (jovem) consegue enxergar ele na
comunidade, como ele consegue fazer algo em prol da comunidade; infelizmente o
projeto tem um número pequeno de vagas, infelizmente não tem como atender toda
a comunidade (...)”.
O Educador 3 expressa uma verdade; o projeto é limitado para a demanda
da população local, ele descreve como o jovem se envolve com o projeto e dessa
forma desenvolve ações dentro da sua própria comunidade. Mas, o projeto tem um
limite de público assistido. Dessa forma, cabe aos dirigentes do programa visar
parcerias de outros atores sociais, além de renegociar com a parceria pública, pois
88
já ocorre esta parceria neste projeto, visando assim, a ampliação dessa ação junto à
comunidade.
Em resumo, os caminhos traçados pelos Institutos responsáveis pelo
programa e pelo projeto, trilham a sustentabilidade, visando à continuidade das
ações desenvolvidas pelos Institutos no bairro Bomba do Hemetério e, tendo como
uma das principais mudanças para esta sustentabilidade, a formação do sujeito
como ser atuante nessas mudanças. Porém, ainda existe muito para ser feito,
principalmente quando é necessária a expansão das ações para beneficiar a
população. Como descreve Silveira (2001), um dos fatores que definem a
sustentabilidade em processos de desenvolvimento local seria a constituição de
novos espaços públicos de formulação e gestão que dizem respeito a uma
determinada comunidade.
5.4 A Educação permeando as atividades de uma Organização Sem Fins
Lucrativo
Neste sub-item, realiza-se uma leitura analítico-interpretativa das percepções
dos coordenadores do IW e dos educadores do IA, sobre a vivência da educação
nas ações destes institutos. E ao serem indagados sobre como a educação se faz
presente nas ações do Programa Bombando Cidadania e, se eles poderiam dar
exemplos relativamente à vivência da educação neste Projeto, os coordenadores
apresentaram as seguintes percepções.
Coordenadores do Instituto Walmart
Coordenadora 1
(...) na verdade, o Programa é Bombando Cidadania, educação, saúde e
cultura. Então, a educação, desde o início, sempre esteve como um ambiente onde
haveria uma ação muito forte; essa ação, ela se dá, de educação profissionalizante,
ela acontece dentro da escola, ela acontece em conjunto com o ensino médio; os
jovens que participam do projeto de formação, eles estão inseridos no ensino médio,
89
é na verdade uma experiência de educação integrada; o aluno tem em um turno aula
do terceiro ano do ensino médio e, no contra-turno, ele tem o curso de
profissionalização, que é o Líderança no Varejo, é o que está acontecendo lá na
Bomba do Hemetério (...).
Infere-se no discurso do Coordenador 1, que a composição do programa,
apreende diversas temáticas sociais, entre elas, a educação que é abrangente nas
diversas atividades do programa. Sendo executado o projeto educacional Líderança
no Varejo – Escola Social do Varejo, dentro do Programa Bombando Cidadania,
voltados para a formação do indivíduo e a sua inserção social.
Coordenador 2
“Pra mim a educação ela é a base, ela é o pilar de todas (...) ela vem como
formação no caso, como desenvolvimento do ser (...) você vai pra Escola Social que
fica bem mais forte e notório, vai para o desenvolvimento do comitê onde a gente
tem a educação como um grande pilar, ou seja, ela se envolve de todas as formas,
na agenda 21 (...) então, entra aí, o bom eixo da educação, então, ela é o grande
pilar fortalecedor (...)”.
Para o Coordenador 2, a educação ela é a essência do programa, ela não
fica restrita à educação formal, mas ela é direcionada ao desenvolvimento do ser
humano. Percebe-se que o entrevistado refere-se à importância da educação na
diversidade das ações do programa.
Coordenador 3
“(...) dentro desses projetos a gente vem tocando na temática de educação
(...) a Escola Social do Varejo, onde a gente oferece uma formação de oito meses
para o jovem, junto com nosso parceiro técnico que é o Instituto Aliança, onde a
gente tá focando numa profissionalização qualificada para os jovens, pra ele chegar
mais pronto, mais preparado para o mercado de trabalho (...) é um tipo de educação
cidadã, de resgatar a cidadania daquelas pessoas, que elas estão num nível, tão
subjulgadas, que elas nem acreditam mais que podem e que é pra ter direito a
creche, que tem direito a escola, que tem direito a uma rua limpa, então, são esses
assuntos que são trabalhados pra que a comunidade perceba o seu papel, pra que a
90
comunidade também atue e esteja atenta as suas demandas e que, também, não
seja só uma comunidade de mandante, que só cobra e não oferece também uma
solução pra esse desafio; essa dificuldade que às vezes se encontra”.
Pode-se inferir que o Coordenador 3 observa que a educação é trabalhada
nos projetos e destaca como exemplo a Escola Social do Varejo, que trás uma
educação mais centrada na qualificação profissional direcionada para o mercado de
trabalho. Percebe-se também, que o entrevistado relata que a educação não é só
trabalhada de forma profissionalizante, mas, que também, é promovida para a
comunidade dentro de outros projetos, levando os moradores do bairro a uma
educação
cidadã,
mobilizando
uma
comunidade
a
ser
conscientizada
e
comprometida com suas responsabilidades e com seus direitos. Sendo dessa forma
correlacionada com o que afirma Edgar Morin (2007), que “a educação deve
contribuir para a autoformação da pessoa (ensinar a assumir a condição humana,
ensinar a viver) e ensinar como se tornar cidadão”.
No que toca aos educadores, sobre o projeto Líderança no Varejo – Escola
Social do Varejo foi recolhida as percepções a seguir apresentadas.
Educadores do Instituto Aliança com Adolescentes
Educador 1
“(...) existe um diferencial, quando o jovem passa a participar do projeto
Escola Social do Varejo, ele passa por um diferencial maior que é a questão do
comportamento. O comportamento em sala de aula, a questão de ter maior
desempenho nas notas, eles passam a estudar mais, passam a ter uma melhor
observação na sala de aula, então os próprios professores observam esse retorno, e
isso reflete totalmente a questão do projeto na vida dos jovens e na educação”.
Na perspectiva do Educador 1 o jovem que está envolvido na Escola Social
do Varejo demostra uma transformação nas suas atitudes de ser, pensar e agir,
sendo perceptível isso no desempenho diário em sala de aula; o entrevistado
assimila assim, que o projeto contribui na transformação desse jovem e na sua
educação.
91
Educador 2
“Essa educação, ela trás pra gente uma série de apontamentos, uma vez que
a gente considera que a educação é a espinha dorsal de toda e qualquer definição
do ponto de vista social, político, o projeto enquanto base; curioso isso; a gente tem
como base os quatro pilares da educação, a proposta de Jacques Delors, aprender
a ser, a conviver, a fazer, então isso, que trás pra gente essa segurança de que a
educação é que move, é que transforma é que garante essas alternativas (...)”.
Na percepção do Educador 2 a educação é a base do projeto, tendo como
estrutura metodológica do projeto os pilares da educação, defendidos por Jacques
Delors. Percebe-se, assim, que a metodologia do projeto é direcionada para uma
educação inclusiva no mercado do trabalho, mas, também, prepara esses jovens
para uma transformação do ser. Na perspectiva de Jacques Delors (1998), os quatro
pilares da educação são “aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver
juntos; aprender a ser”. Baseado na fala do entrevistado o projeto tem a visão de
Jacques Delors, em que a educação, é concebida como um todo.
Educador 3
“(...) os jovens, eles conseguem se visualizar entre 5 e 10 anos a frente, boa
parte deles, nunca tinham pensado nisso, nunca tinham parado, infelizmente eles
passam uma realidade que é muito dura (...)”.
O exposto do discurso do Entrevistado 3, destaca que através do projeto os
jovens já começam a se visualizar no futuro com uma melhor qualidade de vida,
conseguem sonhar com novos rumos para sua vida. Isso só é permitido através da
educação, que é um direito de todos, como está constituído no art. 205 da
constituição: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua
qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988, art. 205)”. Porém, o acesso à educação
não chega a todos os cidadãos.
Em resumo, a educação é abordada nas diferentes ações do programa,
sendo a educação a essência do programa e do projeto, dessa forma, mobiliza a
sociedade local, atrávés da inserção do conhecimento, promovendo a cidadania e a
inclusão social.
92
5.5
A observação simples no âmbito desta pesquisa
Como decorrência desta investigação, para além das entrevistas realizadas
que foram consideradas importantes a este estudo, foram feitas também
observações simples. Portanto, estas observações aconteceram em situações de
visitas ao Bairro Bomba do Hemetério.
Dessa forma, as observações realizadas, ocorreram em dois momentos. No
entanto, ambas executadas no mesmo dia e as mesmas aconteceram a propósito de
um convite para assistir ações que estavam a ser realizadas no âmbito do Programa
Bombando Cidadania.
No primeiro momento dessa observação simples, assistimos à gravação de
um programa de televisão, que aconteceu na sede do Comitê de apoio do
Bombando Cidadania. O Programa, objeto desta observação, realizou entrevistas
com alguns moradores que fazem parte dos Projetos Bombando Cidadania. No
decorrer da gravação, foi possível registrar alguns depoimentos dos moradores a
seguir transcritos.
Por outro lado, mas ainda, no âmbito desta análise e tendo em conta as
categorias analíticas desta investigação, pode-se identificar no depoimento a seguir
transcrito,
de
forma
latente,
as
categorias,
educação,
sustentabilidade,
desenvolvimento local e inclusão social. Observa-se, portanto, o depoimento do
Morador 1 e, a seguir, as inferências que foram possíveis fazer relativamente a estas
categorias referidas.
“Temos uma fábrica de sabão ecológico (…) é bom o
empoderamento das pessoas; saber que podem conseguir
muito, sem ajuda do governo.”
Morador 1 (Participa do projeto da Agenda 21)
Percebe-se, nas observações espontâneas realizadas, que a comunidade,
está envolvida com o Programa Bombando Cidadania. Observa-se na fala de alguns
moradores que o Programa tem ajudado no desenvolvimento do bairro. O morador
1, descreve que, através do projeto da Agenda 21, começou a trabalhar com a
fabricação de sabão ecológico, desenvolvendo assim, produtos ecologicamente
93
corretos, contribuindo para o desenvolvimento de um modelo econômico e social
sustentável para a localidade, neste relato percebe-se a geração de emprego e
renda e dessa forma a inclusão social. Destaca-se assim, a categoria analítica
Desenvolvimento Local.
O morador também relata de forma positiva que o empoderamento das
pessoas tem sido bom. Dessa forma, entende-se que a educação tem sido um
instrumento de formação e transformação do ser humano para uma cultura de
sustentabilidade, considerando que a educação pode modificar o comportamento
das pessoas e conduzi-las a inserção social. Corroborando com essa ideia, Arruda
(1996) descreve a ideia do desenvolvimento próprio das comunidades e sociedades
humanas, e de cada uma e um dos seus membros, pode ser levada à prática,
através do gradual empoderamento e educação deles para se tornarem sujeitos
conscientes e ativos deste autodesenvolvimento pessoal e coletivo, num caminho
que vai do micro para o macro, envolvendo a democratização efetiva do acesso aos
mercados, aos bens produtivos, ao crédito e ao saber. Destaca-se assim, a
categoria analítica Educação e Sustentabilidade.
“Rádio Atalaia é um programa diário, defende a comunicação
como direito humano. (...) queremos ter jornal, internet e
capacitar os que estão envolvidos.”
Morador 2 (Participa do projeto de Comunicação)
No discurso do morador 2, que está envolvido no projeto de Comunicação
Comunitária, atuando na rádio comunitária, percebe-se que o morador almeja o
crescimento do projeto, através do investimento de novos meios de comunicação e a
capacitação dos funcionários. Na visão de Paixão e Cerqueira (2006) a comunicação
social deve ser entendida como uma aliada dos processos de desenvolvimento.
Cidadãos e cidadãs bem informados (as), numa sociedade na qual todos devem ter
o direito de compartilhar o conhecimento. A comunicação pode ser a base para o
empoderamento das comunidades, urbanas e rurais, em busca de organização,
fortalecimento, resistência cultural, preservação de identidade, construção de redes
e cadeias produtivas, enfim, como uma forma de contraponto aos efeitos
devastadores da globalização. Na fala de Paixão e Cerqueira e no discurso do
morador 2, percebe-se como a comunicação é um instrumento relevante na
94
comunidade local, trazendo assim, meios estratégicos de informação como fonte de
organização e mobilização, que possam alavancar o desenvolvimento das dinâmicas
sociais da localidade. Destaca-se assim, a categoria analítica Desenvolvimento
Local.
“O Bombando (Programa) está sendo uma grande revolução,
somos um grande celeiro de artistas, a Bomba (bairro) está
vivendo o grande momento dela. O Bombando veio para
restaurar a dignidade do bairro.”
Morador 3 (Participa do Comitê de apoio)
Para o morador 3, o projeto contribui com a melhoria da qualidade de vida do
bairro, ele destaca a cultura como a potencialidade do bairro. Constata-se que a
cultura é fator que predomina no bairro. Para Santos (2005), cultura é uma
construção histórica, seja como concepção, seja como dimensão do processo social.
Ou seja, a cultura não é algo natural, não é a decorrência de leis físicas ou
biológicas. Ao contrário, a cultura é um produto coletivo da vida humana.
A cultura, permite a convivência de um grupo social, resgata e valoriza as
potencialidades do bairro, contribuindo para o desenvolvimento local daquela
comunidade. O morador descreve que o Programa Bombando Cidadania tem
contribuído para restaurar a dignidade do bairro. Percebe-se, nessa fala, o
direcionamento do programa em trabalhar a cidadania dos moradores, através de
ações que possam transformar a vida dos mesmos, melhorando o acesso à
educação, ao trabalho, à saúde, e um meio ambiente saudável.
“Já fazia parte da Agenda 21. Tenho um espetinho e o projeto
Bombando foi fundamental para o meu estabelecimento.”
Morador 4 (Comerciante do Bairro)
O morador 4 relata que participa do projeto Agenda 21, trabalho que envolve
atividades com o meio ambiente; descreve, também que, o Programa Bombando
Cidadania ajudou a melhorar o seu estabelecimento, através de capacitação.
Percebe-se que o programa investe em ações para a melhoria dos pequenos
empreendimentos, trabalhando com o desenvolvimento da economia local. Buarque
95
(1999) descreve que o desenvolvimento local, promove o dinamismo econômico e a
melhoria da qualidade de vida. Dessa forma, o programa tem desenvolvido
atividades de capacitação voltadas ao desenvolvimento empresarial participativo
com o enfoque no desenvolvimento econômico local.
Antes de descrever sobre a reunião do Comitê, da qual participou-se como
convidada, tem-se em destaque algumas atividades exercidas pelo mesmo.
O Comitê de Apoio foi formado a partir de uma estratégia denominada
“Implantação e Capacitação da Instância Local de Desenvolvimento Comunitário”;
posteriormente, foi fixado o nome Comitê de Apoio ao Programa Bombando
Cidadania. O Comitê passou por diversas ações para sua formação, entre elas
destacam-se: jornadas, cursos e oficinas de capacitação, sobre diversos temas
articulados às teorias de desenvolvimento local; oficinas de construção do marco
lógico; realização do direcionamento estratégico; construção do plano de ação;
elaboração do regimento interno do comitê de apoio; eleição do grupo gestor do
comitê de apoio; adensamento e fortalecimento do comitê de apoio. O Comitê é
composto por moradores do bairro e adjacências e representa a comunidade local
fomentando, deliberando e monitorando os projetos.
Na reunião do Comitê de Apoio, uma das questões em pauta foi definir sobre
o cortejo de carnaval e o planejamento das ações do Comitê para cinco meses. Em
um dos seus planejamentos ficou agendado um dia para que os parceiros dos
projetos do IW possam demonstrar como suas ações estão sendo executadas e os
resultados dos projetos no bairro.
Durante a reunião do Comitê de Apoio, foi observado que os moradores estão
envolvidos com o programa; eles debatem, buscam conhecer cada ação que está
acontecendo no bairro e exigem resultados dos parceiros.
Depreende-se um empoderamento desses indivíduos, através da formação
do Comitê de Apoio e da participação nas reuniões; eles começaram a ter a
compreensão que podem transformar o seu entorno, por meio de uma dinâmica
social que facilite o processo, gerando sinergia entre diversos esforços.
A educação é peça chave nesse envolvimento dos sujeitos, a necessidade de
se formar pessoas que possam participar de forma ativa das iniciativas capazes de
transformar o seu entorno, de gerar dinâmicas construtivas segundo os interesses
da comunidade é essencial para a sustentabilidade. Como descreve Delors (1998),
96
um dos principais papéis reservados à educação, é fazer com que cada um tome o
seu destino nas mãos e contribua para o progresso da sociedade em que vive,
baseando o desenvolvimento na participação responsável dos indivíduos e das
comunidades. Dessa forma a educação conduz o indivíduo a projetar suas ações e
decisões, almejando a sustentabilidade, pensando no coletivo. Na visão de Capra
(2004) a sustentabilidade não é uma propriedade individual, mas propriedade de
uma complexa rede de relações, envolvendo comunidades completas. Uma
comunidade humana sustentável interage com outras comunidades, humanas e não
humanas, de tal modo que as capacita a viver e a desenvolver-se de acordo com
sua natureza. Destaca-se assim, a categoria analítica Educação e Sustentabilidade.
97
6 CONCLUSÕES
O caminho construído para realizar esta pesquisa surgiu da necessidade
pessoal em aprofundar o conhecimento sobre o Desenvolvimento Local Sustentável
e a busca constante em compreender mais sobre a atuação das organizações sem
fins lucrativos. Encontra-se no percurso dessa pesquisa um enriquecimento na
ampla gama de ações que a temática proporciona a ser desvendada. Acredito que
foi dado um pequeno passo para compreender as dinâmicas relacionadas com o
assunto proposto, despertando assim, um campo de aprendizado permanente.
A pesquisa teve como objeto de estudo analisar as contribuições de uma
organização sem fins lucrativos; buscou identificar no âmbito da organização que
serviu de campo empírico a esta pesquisa, as concepções dos colaboradores da
referida organização sobre o Programa de Desenvolvimento Local Sustentável
implantado pela Instituição; foi investigado o nível de exploração e fomento de
valores associados ao DLS, no projeto educacional oferecido, voltado para a
inserção social.
Diante do exposto, buscou-se analisar como o Instituto Walmart tem
contribuído para o Desenvolvimento Local Sustentável, atráves do Programa
Bombando Cidadania, centralizando a pesquisa, também, no projeto Líderança no
Varejo – Escola Social do Varejo coordenado pelo Instituto Aliança com
Adolescentes.
Quanto ao primeiro objetivo proposto, analisar as concepções dos
colaboradores da referida organização sobre o programa de DLS, percebe-se um
amplo leque de informações e argumentações, dos entrevistados, em relação ao
Programa Bombando Cidadania.
Dessa forma, baseado no discurso dos entrevistados nesta pesquisa e na
observação de campo realizada, a organização referida contribui com o
Desenvolvimento Local Sustentável. Constata-se nos resultados da pesquisa que as
ações desenvolvidas no bairro têm contribuido para a construção e fortalecimento do
Desenvolvimento Local, buscando o protagonismo dos cidadãos, a equidade e a
sustentabilidade ambiental, econômica e social.
98
Pedrosa7, descreve que a sustentabilidade social refere-se à capacidade dos
segmentos da sociedade de estabelecerem, para todos, a oportunidade de obterem
a garantia de qualidade de vida. Normalmente, ela é pensada a partir da inserção do
indivíduo e dos grupos (família, sobretudo) nos processos de geração de emprego e
renda.
Para Zapata e Albuquerque (2007), quando se fala de desenvolvimento local
está se referindo não só ao desenvolvimento econômico, mas também ao
desenvolvimento social e sustentável ambientalmente. Por isso, é preciso realizar
investimentos em capital humano, capital social e capital natural, além dos
correspondentes ao capital econômico e financeiro. O enfoque do desenvolvimento
local possui uma visão integrada dessas dimensões, a partir de um desenho que é
realizado nos próprios territórios e com a efetiva participação dos atores sociais.
Baseado na argumentação de Zapata e Albuquerque (2007) foi observado na
referida Instituição a mobilização dos atores sociais, o programa desenvolveu
parcerias com o Ministério do Turismo, Prefeitura do Recife, Governo do Estado,
Sebrae, IADH, Auçuba, Unicef, Senac, Celpe, entre outros. E através dessas
parcerias está sendo realizado projetos para atender as demandas sociais, esperase que as ações sejam transformadas em ação política e os benefícios sejam
duradouros.
O Desenvolvimento Local necessita de um bom número de atores locais, que,
realmente se articulem e realizem pactos locais de caratér suprapartidário. É
necessário ser uma agenda da sociedade e não de um partido político, para que
dessa forma a proposta não seja inviabilizada ao médio e longo prazos, diante de
possíveis mudanças políticas. É o que se espera do programa, fonte de pesquisa
desse estudo, que o mesmo possa ser contínuo.
Na visão de Buarque (1999) o Desenvolvimento Local é um processo
endógeno registrado em pequenas unidades territóriais e agrupamentos humanos
capaz de promover o dinamismo econômico e a melhoria da qualidade de vida da
população. Este processo representa uma singular transformação nas bases
econômicas e na organização social em nível local, resultado da mobilização das
7
Trecho da entrevista concedida pelo Profº Ivo Pedrosa coordenador do mestrado GDLS (Gestão em
Desenvolvimento Local Sustentável), segundo roteiro enviado por e-mail, e recebido no dia
30.01.2009, no período exploratório da pesquisa.
99
energias da sociedade, explorando as suas capacidades e potencialidades
específicas.
Na
pesquisa
realizada
constatou-se
a
criação
e
fortalecimento
de
cooperativas e grupos produtivos para geração de renda e trabalhando assim com o
desenvolvimento econômico da localidade, gerando renda para a comunidade que
se encontra em situação de vulnerabilidade social, empoderando-as para que
possam gerir seus projetos, visando uma economia inclusiva. Também foi observado
o apoio a grupos culturais e a capacitação de artistas para o desenvolvimento
cultural, fortalecendo, assim, uma das potencialidades do bairro Bomba do
Heméterio que é a cultura, que se apresenta de forma gritante. Essa valorização
sócio-cultural tem um papel importante na busca da identidade dos moradores com
sua cultura e a construção da coesão social.
Foi observado a capacitação de agentes comunitários de saúde, entende-se
que essa é uma das ações que deveria ser melhor trabalhada dentro do programa, a
população demanda por mais projetos na área da saúde. Entre os projetos para o
meio ambiente, destaca-se a Agenda 21, que está sendo trabalhada com os
moradores em atividades como mutirões e grupos infanto juvenis constituídos, a
implementação da Agenda 21, pressupõe tomada de consciência por todas as
pessoas e, portanto, a integração da comunidade para ações pensando no presente
e no futuro.
Outra ação desempenhada no programa é a educação, fonte também de um
dos objetivos da pesquisa que foi a investigação do nível de exploração e fomento
de valores associados ao DLS, no projeto educacional oferecido, voltado para a
inclusão social. A propósito deste objetivo, concluiu-se que o projeto Líderança no
Varejo – Escola Social do Varejo, que tem o foco na formação profissional de jovens
para o mercado de varejo onde seu núcleo está inserido em uma escola Estadual,
parceria formada com o Ministério da Educação. Percebeu-se que este projeto é
diferenciado, quanto a sua metodologia, além da capacitação para o mercado de
trabalho, é oferecido, a construção de projetos de vida e carreira, trabalhando sobre
aspectos comportamentais e de cidadania.
No discurso, dos educadores do projeto e na observação de campo, foi
analisado que a educação é direcionada, não só para a formação profissional, mas
também uma formação voltada para o ser humano, como um ser atuante na
sociedade. O Instituto Aliança coordenador técnico do projeto, baseia-se nos quatro
100
pilares da educação defendido por Jacques Delors et al, (1998), “aprender a
conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos, aprender a ser” na visão do
autor o “aprender a ser e a conviver” é estimular o conhecimento e o
desenvolvimento das potencialidades individuais, através do autoconhecimento e do
desenvolvimento de habilidades para relações inter-pessoais positivas, e esta visão
de educação é uma das bases adequadas para o DLS, e tem sido aplicada no
projeto Escola Social de Varejo.
Conclui-se ao final deste objetivo que o projeto é direcionado para a formação
profissionalizante focada no varejo, devido o IW ter surgido da responsabilidade
social do Walmart que é uma empresa varejista, entende-se que o projeto foi criado
com a intenção de formar o jovem e encaminha-lo para ingressar no mercado
varejista, apesar da visão principal ser a inserção no varejo, o projeto oferece e
incentiva outras vertentes para a inserção no mercado de trabalho e estimula o
empreendedorismo.
Acredita-se que o projeto contribui para a inserção no mercado de trabalho,
de forma ainda singela, pra demanda que a comunidade necessita, dessa forma, é
necessário ampliar esta ação e construir outras estratégias de atuação voltadas para
a inserção no mercado de trabalho sendo viabilizadas de forma sustentável.
Ainda sobre o projeto, acredita-se que a maior contribuição, além da inserção
no mercado de trabalho, foi a transformação na vida dos jovens, através do
desenvolvimento do ser humano e de suas capacidades intelectuais. Delors et al
(1998) descreve que a educação ao longo de toda a vida é uma construção contínua
da pessoa humana, do seu saber e das suas aptidões, mas também da sua
capacidade de discernir e agir. Deve levá-la a tomar consciência de si próprio e do
meio que a envolve e a desempenhar o papel social que lhe cabe no mundo do
trabalho e na comunidade.
Dessa forma a proposta do projeto, proporciona ao jovem o desenvolvimento
pessoal e social, trabalhando temáticas onde eles atuam junto à comunidade
levando a reflexão sobre o seu território e como podem intervir em benefício da sua
comunidade.
O Programa Bombando Cidadania também atua com outras dinâmicas da
educação, oferecendo capacitação de lideranças em organização social e gestão do
desenvolvimento; capacitação de educadores públicos e sociais em educação.
101
Dessa forma a educação, ela, também é abrangente aos outros projetos,
trazendo essa educação para a comunidade local. Para Zapata; Albuquerque (2007)
toda atividade realizada em processos de desenvolvimento territorial devem ser
ações que promovam aprendizagens, ações educativas, ações de capacitação.
Portanto que empoderem as pessoas como sujeitos sociais e sujeitos da história.
Em suma, acredita-se que a educação é a base do Desenvolvimento Local
Sustentável, devendo ser todo o processo permeado pela educação, pois por meio
dela consegue-se a mudança do indivíduo, do seu território, e a sua inserção social.
O IADH (2006) descreve sobre a metodologia do Gespar (Gestão Participativa
para o Desenvolvimento Local), onde relata, nas suas experiências, que nem todos
os projetos contemplam uma concepção pedagógica ou buscam intencionalmente
ampliação da aprendizagem das pessoas, organizações e entidades do território.
Quando isso ocorre é muito mais de forma natural, pela experiência empírica dos
atores, do que por uma estratégia metodológica.
Compreende-se a importância de criar projetos com uma base metodológica
adequada para cada eixo de ação e desenvolver projetos que busquem criar
subsídios, orientar e fortalecer suas ações para sua viabilidade, sustentabilidade e
autonomia.
Ainda segundo o IADH (2006), a sustentabilidade dos processos tem estado
muito mais nas organizações da comunidade e de apoio, que se capacitam para
desempenhar seu papel interno e na gestão de políticas públicas, do que no apoio
de instituições estaduais ou federais que, ao término dos governos ou mudanças de
gestores, costumam abandonar os projetos ou reinventá-los com outros nomes.
Depois do que foi explicitado sobre a metodologia do Gespar, reforça-se a
importância da educação para a comunidade local, para que a mesma possa se
empoderar dos seus direitos e articular com os diversos atores sociais com
propriedade, para ter uma continuidade do Desenvolvimento Local Sustentável,
onde a população local tenha uma melhoria durável de qualidade de vida na
comunidade.
Reafirmando este argumento, destaca-se a citação de Zapata (2007), que
descreve que toda estratégia de desenvolvimento territorial deve considerar o ser
humano como o centro de toda e qualquer ação, o centro de atenção do
crescimento, do desenvolvimento e da sustentabilidade.
102
No que concerne à empresa varejista Walmart fundadora do Instituto
Walmart, levando-se em conta que as empresas são os principais agentes de
desenvolvimento econômico de um país, e tem atualmente apresentado cada vez
mais programas de responsabilidade social junto à sociedade. As empresas buscam
estratégias mercadológicas, na garantia de espaço no mercado globalizado,
desenvolvendo assim ações de responsabilidade social empresarial.
O consumidor mais consciente procura práticas que gerem melhoria a
sociedade em diversas áreas, principalmente aspectos ligados à cidadania.
A empresa Walmart se enquadra nessa dinâmica de gestão estratégica, mas
que vai muito além do marketing social e da obrigatoriedade legal, a empresa tem
uma postura ética onde o respeito a comunidade passa a ser um grande diferencial.
As empresas podem e devem se envolver com a Responsabilidade Social,
não só devido ao marketing social, mas pela importância de suas ações sociais,
causarem um grande impacto, quando bem elaboradas, junto a sociedade.
Por fim, a organização sem fins lucrativos tem um importante papel na
sociedade, sendo, um dos atores sociais do Desenvolvimento Local Sustentável,
contribuindo para a transformação do desenvolvimento econômico, ambiental e
social da comunidade local, proporcionando a inclusão dos excluídos e a
transformação das pessoas em cidadãos e atores relevantes no processo de
crescimento de sua localidade, isso, requer também, a adoção de políticas
orientadas para a comunidade e ações de grande impacto.
São vários os desafios que perpassam o DLS, a mudança social acontece,
por processos muitas vezes lento, cabe aos gestores sociais, não se acomodarem
com os resultados já alcançados, mas, estimularem à sociedade a participar
ativamente de todas as nuances que envolvem o DLS, para assim, diminuir o quadro
de desigualdades sociais.
103
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109
ANEXOS
ANEXO I: Entrevistas Semi-estruturadas para os Coordenadores do IW:
1- Como questões de Desenvolvimento Local Sustentável são abordados no
Programa Bombando Cidadania?
2- Como o Programa Bombando Cidadania favorece a inclusão social?
3- Considera que as ações desenvolvidas no Programa Bombando Cidadania
são sustentáveis? Qual a avaliação do programa enquanto sustentabilidade?
4- Na sua opinião de que forma, a educação se fez presente nas diversas
atividades do Programa Bombando Cidadania? Poderia dar exemplos?
110
ANEXO II: Entrevistas Semi-estruturadas para os Educadores do IA:
1- Como questões de Desenvolvimento Local Sustentável são abordados no
Projeto Líderança no Varejo – Escola Social do Varejo ?
2- Como o Projeto Líderança no Varejo – Escola Social do Varejo favorece a
inclusão social?
3- Considera que as ações desenvolvidas no Projeto Líderança no Varejo –
Escola Social do Varejo são sustentáveis? Qual a avaliação do programa
enquanto sustentabilidade?
4- Na sua opinião de que forma, a educação se fez presente nas diversas
atividades do Projeto Líderança no Varejo – Escola Social do Varejo? Poderia
dar exemplos?
111
APÊNDICE I: Roteiro de pré-análise das entrevistas
Título da pesquisa: DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL NA PERSPECTIVA DA ATUAÇÃO DE UMA ORGANIZAÇÃO SEM
FINS LUCRATIVOS NO ESTADO DE PERNAMBUCO: UM ESTUDO DE CASO RELACIONADO COM EDUCAÇÃO E INCLUSÃO SOCIAL.
Objetivo Geral: Analisar as contribuições de uma organização sem fins lucrativos situada em Recife – Pernambuco para o DLS.
Dimensões de Analise
Objetivos específicos
Questões
(entrevistas)
1Questões
de
Desenvolvimento
Local
abordados no Programa
Bombando Cidadania.
Identificar, no âmbito da
organização
sem
fins
lucrativos que serviu de
campo empírico à esta
pesquisa, as concepções
dos
colaboradores
da
referida organização sobre o
Programa
de
Desenvolvimento
Local
Sustentável implantado pela
Instituição;
1-Como
questões
de
Desenvolvimento
Local
Sustentável são abordados
no Programa Bombando
Cidadania?
2A inclusão social
no âmbito do Programa
Bombando Cidadania.
3Sustentabilidade
nas ações do Programa
Bombando Cidadania.
4Educação no âmbito
do Programa Bombando
Cidadania.
Investigar
o
nível
de
exploração e fomento de
valores
associados
ao
Desenvolvimento
Local
Sustentável,
no
projeto
educacional oferecido pela
organização
sem
fins
lucrativos, voltado para a
inserção social.
2-Como
o
Programa
Bombando
Cidadania
favorece a inclusão social?
3-Considera que as ações
desenvolvidas no Programa
Bombando Cidadania são
sustentáveis?
Qual
a
avaliação
do
programa
enquanto sustentabilidade?
4-Na sua opinião de que
forma, a educação se fez
presente
nas
diversas
atividades do Programa
Bombando Cidadania?
Poderia dar exemplos?
Unidades de discurso
ou situações
observadas
Categorias
Analíticas
Desenvolvimento
Local
Inclusão social
Sustentabilidade
Educação
Inferências
112
APÊNDICE II: Roteiro de pré-análise das entrevistas
Título da pesquisa: DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL NA PERSPECTIVA DA ATUAÇÃO DE UMA ORGANIZAÇÃO SEM
FINS LUCRATIVOS NO ESTADO DE PERNAMBUCO: UM ESTUDO DE CASO RELACIONADO COM EDUCAÇÃO E INCLUSÃO SOCIAL.
Objetivo Geral: Analisar as contribuições de uma organização sem fins lucrativos situada em Recife – Pernambuco para o DLS.
Dimensões de Analise
Objetivos específicos
Questões
(entrevistas)
1Questões
de
Desenvolvimento
Local
abordados no Programa
Bombando Cidadania.
Identificar, no âmbito da
organização
sem
fins
lucrativos que serviu de
campo empírico à esta
pesquisa, as concepções
dos
colaboradores
da
referida organização sobre o
Programa
de
Desenvolvimento
Local
Sustentável implantado pela
Instituição;
1-Como
questões
de
Desenvolvimento
Local
Sustentável são abordados
no Projeto Líderança no
Varejo – Escola Social do
Varejo ?
Investigar
o
nível
de
exploração e fomento de
valores
associados
ao
Desenvolvimento
Local
Sustentável,
no
projeto
educacional oferecido pela
organização
sem
fins
lucrativos, voltado para a
inserção social.
3-Considera que as ações
desenvolvidas no Projeto
Líderança no Varejo –
Escola Social do Varejo são
sustentáveis?
Qual
a
avaliação
do
programa
enquanto sustentabilidade?
2A inclusão social
no âmbito do Programa
Bombando Cidadania.
3Sustentabilidade
nas ações do Programa
Bombando Cidadania.
4Educação no âmbito
do Programa Bombando
Cidadania.
2-Como o Projeto Líderança
no Varejo – Escola Social do
Varejo favorece a inclusão
social?
4-Na sua opinião de que
forma, a educação se fez
presente
nas
diversas
atividades
do
Projeto
Líderança no Varejo –
Escola Social do Varejo?
Poderia dar exemplos?
Unidades de discurso
ou situações
observadas
Categorias
Analíticas
Desenvolvimento
Local
Inclusão social
Sustentabilidade
Educação
Inferências
113
APÊNDICE III
UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO SOCIAL PARA A JUVENTUDE:
CRIAÇÃO DO ESPAÇO BOMBANDO JUVENTUDE
Neste capítulo da pesquisa, apresenta-se uma proposta de intervenção
baseada nos resultados adquiridos na investigação. No decorrer da pesquisa
percebeu-se que a educação foi abordada nos desdobramentos do Programa
Bombando Cidadania, sendo um dos objetivos desta investigação analisar o projeto
voltado para a inserção social dos jovens no mercado de trabalho. Percebeu-se a
importância em construir ações voltadas para a juventude, devido à sua
vulnerabilidade no contexto social.
Nessa visão, a proposta de intervenção é voltada para proporcionar um
espaço de debates e reflexões direcionados para a juventude, podendo gerar novos
projetos, através do compartilhamento de experiências e dificuldades encontradas
por esses jovens na sua vivência. O espaço deve ser voltado à convivência social,
mobilização, participação e apoio para os diversos segmentos jovens, onde eles são
sujeitos de uma estratégia que privilegia sua participação ativa na criação de
alternativas para a melhoria da qualidade de vida.
Tem como base principal nesta proposta a educação para formar o jovem
como pessoa humana, onde possa fazer escolhas baseada nos valores universais
da humanidade. O espaço iria contar com diferentes atividades focadas para
estimular as habilidades e competências dos jovens, o reconhecimento e a
valorização dos direitos humanos e da formação cidadã com liderança. Mediante os
debates e as ações decididas pelos jovens no Espaço Bombando Juventude, eles
mobilizariam outros jovens e a sua comunidade em diversas temáticas contribuindo
com o Desenvolvimento Local.
Dessa forma, essa ação poderia consolidar oportunidades para esses jovens
em seu planejamento e orientação para a construção do seu projeto de vida e para a
construção e fortalecimento do Desenvolvimento Local de forma sustentável,
colaborando para que esses jovens possam estar mais empoderados das suas
atitudes e direitos, beneficiando também a sua comunidade.
114
Objetivo Geral
Mobilizar jovens do bairro e adjacências para a discussão e criação de ações
específicas para essa parcela da população, servir como área de referência para
assuntos relacionados ao protagonismo juvenil, suas práticas e vivências, além de
subsidiar a construção de projetos para a juventude.
Objetivos Específicos
Promover um espaço de articulações entre os jovens do bairro e adjacências
em prol das ações para a juventude e das políticas públicas direcionadas para o
mesmo;
Proporcionar a reflexão dos jovens sobre seus potenciais, o potencial do seu
bairro;
Empoderar os jovens como sujeitos de suas decisões, de modo a permitir o
desenvolvimento pessoal, social e profissional, através da educação não-formal.
Metas
- Reunir mensalmente os jovens para constituir uma rede de intercâmbio de
informações, debates e reflexões acerca de temas relacionados à juventude;
- Promover reuniões e deliberar uma agenda temática a ser discutida em
seminários e eventos promovidos conjuntamente;
- Desenvolver fóruns virtuais para a difusão de informações, comunicações,
debates e organizações de eventos e temas afins;
- Capacitar para tomada de decisão, de trocas de experiência, e de
informação, através de palestras com educadores;
- Debater assuntos relevantes para a vida em sociedade;
- Desenvolver projetos ligados à juventude;
- Realizar ações comuns de interlocução com o poder público local;
- Envolver os jovens nas ações para a comunidade;
- Discutir e intervir na formulação em âmbito local, estadual e nacional, de
políticas de juventude e mobilizar os jovens para que participem do debate político
que se dá no município e em todo o Brasil;
115
- Criar um espaço virtual (Blog, Site) que possa proporcionar a divulgação de:
 eventos;
 editais para concursos;
 vagas de empregos;
 vagas em cursos;
Equipe
Coordenador-geral;
Vice- coordenador;
Secretária;
Vice-secretária;
Educadores (Quando forem oferecidos os cursos).
Público Alvo
Jovens da comunidade local e adjacências.
Parceiros
Instituto Walmart;
Ministério da Educação;
Comitê de Apoio do Bombando Cidadania;
Outros atores sociais da comunidade que podem colaborar com o Espaço
Bombando Juventude.
Acompanhamento e Monitoramento
Membros do Comitê de Apoio do Bombando Cidadania.
Local
O locus desta proposta de intervenção deverá ocorrer na sede do Programa
Bombando Cidadania que serviu de campo empírico a esta pesquisa.
116
Divulgação
Escolas, igrejas do bairro, no Comitê de Apoio do Bombando Cidadania,
cartazes, rádio comunitária, comércio.
Abertura
Show com os artistas do bairro, peças de teatro.
Download

universidade de pernambuco faculdade de ciências da