INTITUTO DE ESTUDO SUPERIOR DA AMAZÔNIA
CURSO DE BACHARELADO EM DESIGN
PROJETO DE PRODUTO
MARCOS MARTINS SOUZA
Desenvolvimento de Produtos a Partir de Resíduos de Madeiras: A
Importância do Design na Sustentabilidade do Setor Moveleiro.
Belém
2008
1
INTITUTO DE ESTUDO SUPERIOR DA AMAZÔNIA
CURSO DE BACHARELADO EM DESIGN
PROJETO DE PRODUTO
MARCOS MARTINS SOUZA
Desenvolvimento de Produtos a Partir de Resíduos de Madeiras: A
Importância do Design na Sustentabilidade do Setor Moveleiro.
Trabalho de Conclusão em design de
Produto do Instituto de Estudos Superior da
Amazônia como Requisito para Obtenção do
Grau de Bacharel em Design de Produto.
Orientador:
Belém
2008
2
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO...................................................................................................6
2. HISTORIA DO MÓVEL NO BRASIL.................................................................7
2.1. O MOBILIÁRIO NO PARÁ..............................................................................8
3. JUSTIFICATIVA.................................................................................................8
3.1. A IMPORTANCIA DA PESQUISA.................................................................10
4. OBJETIVO GERAL..........................................................................................10
4.1. OBJETIVOS ESPECIFICOS.........................................................................11
5. HIPOTESES.....................................................................................................11
6. ESPECIFICAÇÃO DA OPORTUNIDADE.......................................................12
7. TIPOS DE RESÍDUOS.....................................................................................14
8. A CULTURA REGIONAL NA CONQUISTA DE MERCADOS........................17
9. METODOS E PROCEDIMENTOS...................................................................22
9.1. PROJETO CONCEITUAL.............................................................................22
9.2. PROJETO INFORMACIONAL......................................................................23
9.3. PROJETO PRELIMINAR..............................................................................24
9.4. PROJETO DETALHADO..............................................................................24
10. CONCLUSÃO................................................................................................28
11. AGRADECIMENTOS
12.REFERÊNCIAS...............................................................................................30
13. ANEXOS........................................................................................................31
3
RESUMO
O presente trabalho consiste na pesquisa e analise de como aproveitar os
resíduo de madeiras provenientes das empresas que trabalham diretamente na
cadeia produtiva de madeira – móveis existentes na região metropolitana de
Belém. Com base em um levantamento no que diz respeito à utilização desse
resíduo para o desenvolvimento de produtos acabados (móveis), pois este
segmento é intensivo gera emprego e renda e ajuda a reduzir os impactos
ambientais causados pelas serrarias, pois estas empresas apresentam no seu
processo de produção um considerável desperdício que é descartado diariamente
no seu beneficiamento uma vez que se podem utilizar as sobras e aparas de
madeiras dessas empresas como matéria prima. O resíduo citado neste projeto
será dividido em três tipos, assim como o descarte e a obtenção dos mesmos,
pois se observa que as empresas locais não detêm de um projeto de
reaproveitamento desses resíduos devido a sua limitada capacidade de
investimento em pesquisa e inovações tecnológicas. Diante desta oportunidade de
negocio geram-se proposta vaiáveis para minimizar o desperdiço da matéria prima
local. Neste contexto, destaca-se o design como elemento de fundamental
importância na valorização desses resíduos para criação de uma nova identidade
cultural para o mobiliário paraense, para que tenha maior relevância e
competitividade no mercado.
4
ABSTRACT
The present work consists of the research and analyzes of as to use to
advantage the wood residue proceeding from the companies who directly work in
the wooden chain productive - mobile existing in the region metropolitan of Belém.
On the basis of a survey in what it says respect to the use of this residue for the
development of finished products (mobile), a time that if they can use the leftovers
and shavings of wood of these companies as substance cousin. The residue cited
in this project will be divided in three types, as well as the discarding and the
attainment of the same ones, therefore if it observes that the local companies do
not withhold of a project of reaproveitamento of these residues due its limited
technological capacity of investment in research and innovations. Ahead of this
chance of I negotiate generate proposal vaiáveis to minimize I waste it of the local
substance cousin. In this context, design is distinguished as element of basic
importance in the valuation of these residues for creation of a new cultural identity
for the paraense furniture, so that it has greater relevance and competitiveness in
the market. Works Keys: Design, Culture, Residue.
5
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa propõe viabilizar a utilização dos resíduos de madeiras
produzidos pelas empresas existentes na região metropolitana de Belém, que
geram diariamente uma quantidade considerável, que será mostrado através de
dados quantitativos obtidos por fonte confiável. Atualmente essa matéria prima é
utilizada para aquecer as caldeiras das estufas ou transformadas em carvão. As
novas tendências nos levam as novas considerações de consumo, onde os
produtos devem ser duráveis, personalizados, simplificados, de uso compartilhado
e principalmente, despertar nas pessoas e empresas o compromisso e a
consciência ecológica através da inserção do design para que haja um uso
racional dos recursos da Amazônia e desenvolvendo assim as cadeias produtivas
da região serão analisados três tipos de resíduos (rolete, taco, pisos, sobras e
aparas), das quais será desenvolvido três tipos de móveis que irão ser
apresentados e discriminados neste projeto através de fotos, desenho 3d com
suas respectivas dimensões, e um breve apanhado histórico sobre o mobiliário
brasileiro e paraense e como se encontra atualmente este segmento no estado.
6
2. PROCEDÊNCIA HISTÓRICA DO MÓVEL NO BRASIL
Tendo o Brasil permanecido colônia portuguesa até 1822, é natural que o
nosso mobiliário seja antes de tudo um desdobramento do mobiliário luso
(português). Desde a época do descobrimento, onde a matéria prima (madeiras) era
bastante utilizada, levadas para serem trabalhadas na Europa, e de lá voltavam com
bagagem dos colonizadores, na forma dos móveis da época. Já os portugueses ou
descendentes que produziam os móveis na região de forma artesanal, limitados
somente a reproduzir (copiar), os móveis do reino. Também nesse período houve
uma ligeira influência das invasões holandesas e francesas no nordeste do país.
Os móveis produzidos na época do Brasil colônia eram: oratórios, cadeiras
(MANOELINAS), mesas (D.JOÃO VI), LUIZ XVI ,pois era de costume dar nome ao
mobiliário produzido especificamente para realeza, este contexto se predomina até
o inicio do século XX. Com a Revolução Industrial na França, inicia-se uma nova
fase de mudança na vida e nos costumes da população, há o surgimento das
escolas modernistas, ao qual aproximou os artistas e os artesões contribuindo para
evolução das técnicas de desenho e de produção dos móveis.
Na década de 40, marca o desenvolvimento industrial da mobília brasileira.
O primeiro exemplo de móvel moderno industrializado foi do arquiteto Joaquim
Tenreiro e Lina Bo Bardi em 1947, ao desenhar a cadeira desmontável. Nos anos
50, o móvel que primeiramente era de criação de marceneiros, depois de arquitetos,
passa a ser tarefa de designer. O móvel entra em um de seus períodos mais férteis
da historia, destacando-se os designer Artur pontual e Sérgio Rodrigues entre
outros. Tornando o móvel bem elaborado e em serie. Na década de 70, aos dias
atuais o móvel sofria a influencia da alta tecnologia, a busca de materiais
alternativos para madeira, o uso de tecidos, revestimentos e acessórios. Surgindo
uma enorme gama de necessidades a serem atendidas, faz com que haja uma
enorme variedade de opções, para quem produz e para quem consome.
7
2.1. O MOBILIÁRIO NO PARÁ
A história do móvel no Pará não é muito diferente do resto do Brasil, a
principal diferença esta na distância dos grandes centros de referência em termos de
moda no país, e que por muito tempo sofreu influencia européia, e com o passar do
tempo outros paises passaram a influenciar devido à evolução nos meios de
comunicação.
Os marceneiros da região são os maiores produtores de móveis, que
basicamente produz móveis de encomenda que na sua maioria é de copia de
modelos de outras empresas (estrangeiras) e a sua matéria prima usual é a madeira
maciça e sua base estrutural e financeira é na sua maioria familiar. Vale ressaltar que
o espaço no mercado preenchido pelos móveis de marcenaria é muito grande, é pena
que estes moveleiros artesões em sua maioria não procurem se reciclar no sentido de
adquirir novas técnicas e novos conhecimentos, limita-se, portanto a copiar modelos
apresentados pelos clientes, sem preocupação com a fabricação em serie, ou com o
aproveitamento de resíduos (refugo), procuram nesta forma sobreviver apenas da
marcenaria. Alguns desses marceneiros com apoio de órgãos competentes da região
se tornarão moveleiros, abrindo sua empresa formalizando-se, adquirindo linhas de
créditos e conhecimentos básicos sobre administração se tornando empreendedores
gerando emprego e renda na região a de se convir que alguns empreendedores
vieram de outras regiões, visando oportunidades de negócios.
Os que estão em processo de crescimento sendo consideradas de médio e
grande porte formalizadas e sindicalizadas ou em regime de associações ou
cooperativas, com apoio dos órgãos da região como (SEBRAE, SENAI, FIEPA), entre
outros. Objetivam as melhores oportunidades de negócios do estado, estão sempre
presentes no mercado participando de eventos, exposições, feiras, ligadas ao setor
de móveis e muitas delas sobrevivem através de encomenda de clientes fiéis que já
conhecem o produto da empresa, abrem lojas em conjunto ou não em centros e
esquinas de grande movimento, com estruturas poucos apropriadas, sem
planejamento de layout, marketing, atendimento, facilidade de compra e prazo de
8
entrega, com isso não conseguem suprir as demandas, deixando margem para as
empresas concorrentes (modulados).
Segundo um levantamento de dados feito pela (SECTAM) Secretaria de
Ciência e Tecnologia em 2002. Hoje de prenome SEMMA, identificaram cerca de 490
marcenarias na grande Belém, estima-se que hoje há em torno de mais de 1.000,00
marcenarias na região de Belém, devido ao crescimento do estado e a falta de
trabalho fizeram com que acontecesse o surgimento de pequenas empresas, assim
como alguns marceneiros que trabalhavam em movelarias passaram também a
ingressassem no setor de madeira – móveis objetivando uma oportunidade de
negócio devido a abundância da matéria prima na região. A realidade em que se
encontra o setor moveleiro é que se constitui de 1.515 empresas de pequeno e médio
porte, com pouca absorção de tecnologia e muitas dessas em situação de
informalidade, não conseguem verticalizar todo o potencial existente no estado.
3. JUSTIFICATIVA
O Pará com uma área de 1.253.164,5 km2 que representa 14,66% do
território brasileiro e 24% da Amazônia legal possui um ecossistema rico e
diferenciado. Seu conjunto floristico, em grande parte, é formado por uma
extraordinária floresta tropical que apresenta um verdadeiro potencial para
empresas produtoras e beneficiadoras de bens de serviço duráveis. Atualmente, o
Pará é o estado que mais explora madeira no Brasil. Além disso, é importante
destacar que toda essa atividade, investimento, transformação, ocorre quase que
de forma aleatória.
A madeira é um dos produtos de maior destaque na pauta de exportação
paraense, ocupando o terceiro lugar no ranking de produtos exportados. Segundo
Uhl et al.,1996, o aumento da eficiência do processo industrial da madeira,
também teria efeito direto na quantidade da área florestada necessária para
manter os atuais níveis de produção. Por exemplo, apenas 35% de cada tora são
9
transformados em produto serrado, mas essa eficiência poderia ser aumentada
para 55% através de melhoramento simples na manutenção de máquinas e no
treinamento de mão-de-obra (SECTAM, 2002).
De acordo com estes dados, 65% da tora é desperdiçada, transformandose em resíduo não aproveitado pela indústria. A Legislação Brasileira aponta a
auto-responsabilidade das empresas na remoção, estocagem e tratamento de
resíduos gerados pelos processos de produção, a partir de procedimentos
adequados para a conservação do meio ambiente (LEEUWSTEIN, 2001).
O termo resíduo de madeira por muitas vezes é associado à palavra
problema, pois geralmente sua disposição ou utilização adequada gera custos
altos que muitas vezes se quer evitar. Porém, o conhecimento da quantidade, da
qualidade e das possibilidades de uso deste material pode gerar uma alternativa
de uso que viabilize o seu manuseio. O aproveitamento de resíduos da
industrialização da madeira pode contribuir para a racionalização dos recursos
florestais, bem como para gerar uma nova alternativa econômica para as
empresas do Pará, aumentando a geração de renda e de novos empregos. No
segmento moveleiro, os aproveitamentos de resíduos gerados pela extração e
industrialização da madeira podem beneficiar desde indústrias de processamento
primário até fábricas de móveis. Os fatores predominantes no aproveitamento
desses resíduos para o desenvolvimento de produtos são as limitações tecnoprodutivas, gerenciais e comerciais, que resultam em uma série de problemas
relacionados entre si como: a falta de inserção do design no processo, a
inexistência ou utilização parcial de metodologias específicas para elaboração de
novos produtos e a falta de conhecimento das necessidades e do modo de vida do
usuário contemporâneo, que nos dias de hoje passa a ser cada vez mais exigente
em relação aos produtos.
10
3.1. A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA
Criar mecanismo de contenção ou minimização dos resíduos desperdiçados
pelas fabricas e indústrias de madeiras e móveis através da inserção do design no
processo de criação e desenvolvimento de produtos viáveis ao mercado
consumidor quebrando o paradigma de que “as coisas boas é que vem de fora”.
Desenvolver uma nova identidade aos móveis da região gerando assim emprego e
renda a população. Com a pressão do governo e dos grupos ecológicos nacionais
e internacionais, contra o desmatamento na Amazônia, e o alerta dos especialistas
sobre afinitude das madeiras de lei (nobres), fez crescer o interesse pelas
movelarias locais no reaproveitamento de resíduos provenientes das empresas
madeireiras da região que irão até então pouco utilizadas, para produção de
móveis, esta realidade atual representa um avanço na questão ambiental e no
suprimento do setor moveleiro que passam a utilizar esse resíduo, haja vista que
essa necessidade é uma utilização do uso racional com sustentabilidade dos
recursos naturais. Segundo SOUZA (1997). O design muito tem a contribuir, pois
está presente em todo o processo de desenvolvimento de um produto, desde a
avaliação racional da matéria-prima, até o desenvolvimento de um produto final,
passando pela inovação do processo produtivo.
4. OBJETIVO GERAL
Desenvolver produtos através da inserção do design no processo de
criação e produção em especial no aproveitamento de resíduos das fabricas,
agregando valor e contribuindo para que o estado tenha uma nova identidade
cultural no seu mobiliário, de acordo com ás exigências do mercado.
11
4.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
 Conscientizar e sensibilizar as empresas locais para o não desperdício de
resíduos;
 O design como ferramenta fundamental para o desenvolvimento de produto;
 Quantificar, identificar e especificar os volumes de resíduos que sobram nas
empresas;
 Valorizar da cultura regional e criar uma identidade própria para os produtos.
5. HIPÓTESES:
 Falta de conhecimento sobre design;
 Falta de definição adequada de oportunidade de mercado;
 Falta de profissional de design para gestão e desenvolvimento;
 Dificuldade na disponibilização de recursos financeiros adequados ao
segmento;
 Dificuldades nas ações propostas por instituições de políticas de incentivo;
 Florestas certificadas pelo FSC.
As empresas existentes na (RMB) região metropolitana de Belém, em sua
maioria micro e pequenas empresas sentem dificuldades em expandir seus
negócios devido à falta de políticas publicas voltada adequadamente para cada
segmento dentre elas se encontra o setor madeira móvel que devido a inúmeros
entraves tanto na aquisição da matéria prima como nas leis burocráticas impostas
pela legislação, assim como a falta de linhas de créditos especificas tornam essas
empresas sem condições de investimento para concorrer no mercado,
impossibilitando a sua sobrevivência.
12
6. ESPECIFICAÇÃO DA OPORTUNIDADE
Segundo
Baxter
(1995)pg122,
A
descoberta
da
oportunidade
e
a
especificação do projeto são meios importantes para que o produto seja bem
elaborado e bem exposto ao mercado.
 Organograma de Oportunidade:
Com o mercado hoje bastante concorrido, as empresas investem cada vez
mais em pesquisa de mercado e inovação tecnológica para que o objetivo
estratégico seja alcançado tanto para concepção ou para o desenvolvimento de
novos produtos ou ate mesmo o redesign de produtos já existentes. As empresas
oportunistas que identificam as oportunidades são as que mais se lançam ao
mercado e as que mais oferecem produtos inovadores atingindo diretamente a
necessidade real dos consumidores.
Estratégia do Designer
Pesquisar e Analisar as Oportunidades
Especificar a Oportunidade
Especificar o Projeto
Compromisso Comercial
Compromisso Técnico
Produto Final ao mercado
Figura 01: Organograma de Oportunidade.
13
O destino dos resíduos de processamento é de aproximadamente 45% dos
resíduos produzidos nas indústrias madeireiras acabam sendo queimados. Além
disso, cerca de 6% são abandonados. Outros 24% são utilizados para produzir
carvão. O restante é utilizado em fornos de olarias (5%), usado para gerar energia
elétrica (5%), ou outros usos diversos (15%).
Figura 02: Uso dos Resíduos de Madeiras.
Fonte: IMAZON -2005
Com base em visitas técnicas em empresas que geram esse resíduo
considerado pelas movelarias como de fundamental importância, diagnosticou-se
que o resíduo em suas fabricas geram inúmeros problemas como:

Ocupação de espaço;

Degradação do meio ambiente;

Riscos aos operários;
14
Com base em visitas técnicas em movelarias, as quais utilizam os resíduos
para produção de painéis ou moveis, diagnosticaram-se suas maiores dificuldade
na aquisição do resíduo, assim como para sua transformação em produto de valor
agregado como:

Política publica voltada para aquisição do resíduo;

Profissionais de design de móveis;

Máquinas e equipamentos adequados para resíduo.
7. TIPOS DE RESÍDUOS: Classificados em Roletes, Tacos e Aparas

sua
ROLETES: Sobras de laminadoras, que produzem chapas de compensados
procedência
é
de
fabricas
responsáveis
pelo
processamento
de
desenrolamento e faqueamento de laminas para produção de painéis de
compensado. Este resíduo destaca-se pela variabilidade de espécies de madeiras,
na sua maioria as consideradas alternativas como: andiroba, virola, goiabão, freijó,
sumaúma, paricá, entre outras no seu processo passa por um cozimento antes de
se retirar as laminas sua sobra varia de 20 á 30 de diâmetro e 3,00 de
comprimento. Vale ressaltar que esta matéria prima pode-se desenvolver painéis,
divisórias e móveis rústicos e etc. Foto 01
Foto 01: resíduo das laminadoras.
15
Segundo (ABIMCI), o Estado do Pará representa um enorme potencial para
utilização
dos resíduos (roletes),
que sobram
depois do
processo
de
descascamento da tora. A produção processada no Estado. Em 2004, 24,5 milhões
de metros cúbicos de toras consumidos resultaram em 10,4 milhões de metros
cúbicos de madeira processada (madeira serrada, laminados, compensados e
produtos beneficiados). A maior parte da produção processada foi madeira
serrada (63%). Os laminados e compensados somaram 21%, enquanto a madeira
beneficiada totalizou 16% da produção.

RESÍDUOS DAS INDÚSTRIAS.
Os resíduos provenientes das industrias beneficiadoras de Tacos e Pisos e
Deks, onde que em sua maioria e destinada ao mercado de exportação. O que
não é classificada para exportação devida a sua baixa qualidade pois não atinge o
nível de padrão de qualidade internacional o qual provem uma serie de exigência,
tornando-o cada vez mais difícil a sua comercialização, os quais ficam empilhados
nas industrias, acumulando, ocupando espaços muitos desses resíduos são
desclassificados por sofrerem na sua usinagem uma pequena variedade de
espessura, largura, comprimento e ate manchas, mas que não compromete o seu
uso na produção de moveis, haja vista que essas madeiras são consideradas de
lei, secas de estufas possibilitando o uso para o consumo interno. Vale ressaltar
que esse tipo de resíduo serve para o desenvolvimento de painéis. Figura 02
Foto 02: Resíduo de Taco e Piso
16

SOBRAS E APAROS
Este projeto partiu do pressuposto de que a micro - pequenas e medias
empresas de móveis que sofrem com a aquisição de matéria prima (madeira), se
utilizam da sua criatividade para desenvolver móveis e pequenos objetos utilitários
com as sobras e aparas provenientes dos “lixões” das serrarias da região. Vale
ressaltar que no contexto atual das leis impostas devido ao desmatamento
predatório.As movelarias passam a exercer uma ação mitigadora dos efeitos
ambientais causados pelas serrarias,que antes destinavam esses resíduos para
queima, transformando-o em carvão.
Foto 03: Resíduo para Carvão Vegetal.
O mercado hoje está bastante exigente quanto à aquisição de bens
duráveis ou não duráveis, é certo que o consumidor esta cada vez mais informada
sobre o assunto devido aos meios de comunicação ou informação em virtude
disso os produtos estão sendo lançados a todo dia no mercado com obtenção de
conquistar ou ganhar mercado, mas muitos desses produtos acabam fracassando
devido seu design mal constituído e elaborado.
Alguns entraves podem comprometer no que diz respeito ao processo de
produção em grande escala, haja vista que as máquinas existentes no setor de
17
móveis do estado do Pará estão em defasagem em relação às maquinas
existentes no sul, pois estas facilitariam muito o processo verticalização da
produção suprindo assim as demandas locais, nacionais e internacionais.
Também se leva em consideração a falta de mão de obra qualificada. Vale
ressaltar que a mão de obra local não esta apta a lidar com processos de
inovação tecnológicos de produção.
Com a pesquisa de marketing elaborada através de uma análise sobre a
aceitação do público em adquirir produtos provenientes de reciclagem de matéria
prima sólida e a valorização cultural, chega-se a uma oportunidade de negocio,ou
seja um mercado ainda pouco explorado e que tem um potencial de viabilização
comercial do produto como:
 Ecologicamente correto;
 É 20% a menos do que os concorrentes;
 Baixo custo da matéria prima;
 Atinge todos os níveis de classe
 Valorização da identidade cultural
8. A CULTURA REGIONAL COMO FATOR DECISIVO NA CONQUISTA DE
NOVOS MERCADOS
A cultura regional paraense é bastante diversificada manifestada nas suas
regiões e povos que habitaram o estado, muitas dessas manifestações ainda
podem ser observados no contexto atual dentre elas o artesanato e as técnicas de
desenvolvimento de produtos extraídos da matéria prima local, as quais se
passaram de gerações, ou seja, de pai para filho e assim sucessivamente. Todos
esses aspectos culturais, com o passar do tempo, misturaram-se aos aspectos
culturais dos brasileiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas
diversas regiões do país, tomando características particulares em cada região,
18
devido a essa colonização criam-se outras identidades, onde nos dias atuais muito
pouco se explora dessa cultura no âmbito mobiliário local principalmente para
contribuição no desenvolvimento de novos produtos, assim como para promovêlos. Com esse objetivo é que o design condiciona como uma ferramenta de
tecnologia que irá agregar uma identidade regional ao mobiliário fazendo com que
os mesmo possuamos uma linguagem própria e diferenciada, obtendo com isto, a
conquista de novos mercados.
“Alguns aspectos incorporados pelo design são: a inovação, confiabilidade,
racionalização, evolução, tecnológica, padrão estético, rápida percepção da
função – uso de produtos, adequação ás características socioeconômicas e
culturais do usuário”.
(Peruzzi,1998)
Com o mercado cada vez mais exigente faz com que as empresas
diversifiquem cada vez mais a qualidade dos produtos, assim com o seu apelo
para o qual foi construído, sendo assim os três produtos citados e mostrados nas
figuras (1, 2,3) ,se constituem de elementos representativos da região.
Figura 04: festividade de são João
Figura 03: ícone Marajoara
19

MESA MARAJÓARA
Este produto teve como base de inspiração para o seu desenvolvimento;
As iconografias marajoaras. Onde valoriza a cultura indígena da região, os traços,
as formas, os produtos e utensílios por eles utilizados. As características de cada
povo podem ser observadas nas mais variadas formas e padrões decorativos.
Estes, além de refletirem as concepções estéticas, trazem consigo informações
sobre as relações de gênero, sobre a hierarquia, sobre a organização social, sobre
a cosmologia de cada grupo existente na região. Livro arte da terra – resgate da
cultura e iconografia do Pará.
Figura 04: Mesa Marajoara
20

MESA SÃO JOÃO
Este produto teve como base de inspiração para o seu desenvolvimento; As
festividades de São João. Onde seu ícone maior são as fogueiras criadas pelas
comunidades. As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é
marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de
quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raro
em função das leis que proíbem está prática, em função dos riscos de incêndio
que representam.
De acordo com historiadores, está festividade foi trazida para o Brasil pelos
portugueses, ainda durante o período colonial. Nesta época havia grande
influência de elementos culturais, portugueses, chineses, espanhóis e franceses.
.
Figura 05: Mesa São João.
21
 CÔMODA MULTFUNCIONAL
Este produto teve como base de inspiração para o seu desenvolvimento, o
mundo contemporâneo em que à pessoa vive. Onde seu maior ícone é a multifuncionalidade do produto neles influenciarão os espaços a praticidade e a
variabilidade de função.
O mercado hoje percebe a complexidade de informações que são
repassadas e canalizadas diariamente pelas pessoas ou meios de comunicações,
essas informações tendem a manter traços da linguagem universal, há uma
preocupação com os aspectos de usabilidade do produto, durante todas as fases
do seu desenvolvimento, justificam-se os custos associados à minimização de
alterações de projeto, reduz os gastos com matéria prima e processos de
produção, buscam uma nova identidade, a multi-funcionalidade universal, à
informalidade e o despojo do ambiente que caracteriza o estilo de vida dos tempos
modernos, mas com um toque de regionalismo.
Figura 06: Cômoda Multifuncional.
22
9. MÉTODOS E PROCEDIMENTOS:
O projeto teve como metodologia a pesquisa exploratória, que consiste na
analise da matéria prima desperdiçada nas indústrias e fabricas de pequeno e
médio porte, será feito um levantamento de tipos de madeiras ,assim como sua
variação no tamanho e cores e processos de fabricação desde o ciclo de vida até
o sue descarte garantindo assim a qualidade do produto ,com isso implementa-se
uma metodologia de projeto voltada para o desenvolvimento de produto que
consiste em todas as etapas de um projeto de produto como: conceitual,
informacional, preliminar e detalhado. Com base em visitas feitas nas empresas
que trabalham com produção e beneficiamento de madeiras diagnosticou-se um
problema de acumulo e desperdícios de resíduos, com isso observou-se uma
oportunidade de se reaproveitar essa matéria prima para o desenvolvimento de
produtos, gera-se então idéias para o qual atribuímos a alguns produtos
desenvolvidos dividido em três os quais provenientes dos resíduos sobras e
aparos e roletes como: cômodo rolete, mesa são João, mesa Marajó.
.
9.1. PROJETO CONCEITUAL
Neste projeto os produtos acima citados foram desenvolvidos a partir dos
resíduos acima descritos. Alguns critérios foram avaliados como a aceitabilidade e
as exigências do produto ao mercado, a implementação da cultura regional ,
prático, ergonômico e economicamente viável.
 Predominância do fator estético/simbólico/impressivo;
 Custo baixo da matéria prima;
 Funções ergonômicas aplicadas;
 Produto ecologicamente correto;
 Fácil fabricação.
23
9.2. PROJETO INFORMACIONAL
.Atributos do produto:
As especificações do produto estão descritas como de ótima função
adequando-se conforme necessidade do cliente, servindo como peça atrativa,
utilitária dentro da decoração de um ambiente, sendo para sala, quarto, cozinha e
varanda. Este projeto obedece critérios e padrões ergonômicos estabelecidos
pelas normas entre eles,
seu
peso
e
medidas em
especial estudos
antropometricos da região foram levados em considerações como a estatura
mediana do paraense. Todos os atributos do projeto serão descriminados em cada
etapa do ciclo.
DESIGN: Ecologicamente correto e viável, possui elementos estéticos simbólicos e
expressivos com linhas retas e curvas.
IMPACTOS AMBIENTAIS: O produto é ecologicamente correto, pois está contribuindo
para não poluição causadas pelas serrarias e pelos acidentes nas empresas devidos o
acumulo do resíduo.
ECONOMIA:
São
20%
mais
barato
que
os
concorrentes
devido
o
aproveitamento do resíduo, sendo economicamente viável, pois sua produção
permite ser seriada.
MODULARIDADE: O projeto permite que o produto seja confeccionado
modularmente com encaixes e suportes práticos tanto para concepção de sua
fabricação como sua montagem.
24
ERGONOMICO: Foram feitos estudos de dimensões e peso ,assim como
estudos antropometricos da estatura mediana do paraense.
9.3. PROJETO PRELIMINAR
As especificações do produto estão descritas abaixo em cada etapa do
ciclo, desde sua fabricação até a sua concepção final o descarte.
As especificações do produto:
PROJETOS: mesa marajoara, mesa são João, cômoda multi funcional,
desenvolvidos para sala, quarto, cozinha e varandas com características
modernas, sendo modular e com baixos custos na produção e no preço final.
FABRICAÇÃO: Processo seriado em módulos, possibilidade de produção de
painéis em grande escala com máquinas e equipamentos adequados de fácil
usinagem, trababilidade e acabamento.
MONTAGEM: É fácil de fabricar e montar, pois no projeto estarão às respectivas
vistas lateral, superior e frontal (em anexo), contendo módulos de encaixe, para
fusos de fixação e suportes.
TRANSPORTE: Por possuir módulos de encaixe e fixação o produto se torna
fácil de desmontar, seu peso e dimensões foram levados em considerações,
assim como uma possível embalagem para o mesmo.
ARMAZENAMENTO: Com uma embalagem devidamente projetada para o
produto o seu armazenamento será possível devidamente o produto ser projetado
modularmente e sua resistência ao empilhamento.
25
USO: Para sala, cozinha, quarto e varanda.
FUNÇÃO: Mesa Marajoara (cozinha e varanda), serve para mesa de jogo,
jantar e decoração, Mesa São João (cozinha, sala e varanda), serve para mesa de
jantar, jogo e decoração, Cômoda funcional (quarto), serve como guarda roupa,
rack e estante.
MANUTENÇÂO: Devido o produto ser de característica modular, com uma
produção
seriada,
devidamente
confeccionada
de
painéis
de
resíduos,
possibilitará peças de reposição como: prateleiras, tampos, laterais e acessórios.
DESATIVADO: Como o produto e confeccionado de painéis de madeira maciça,
o mesmo não sendo exposto a fatores climáticos ou decorrentes de mau uso, por
isso dificilmente esse produto será desativado, pois há peças para sua reposição.
RECICLADO: Há possibilidades de reciclamento do produto, vista que o móvel
confeccionado a partir de painéis de resíduos e sendo modular, possibilita ao
profissional de designer criar novos produtos com esse material disposto.
DESCARTADO: Somente em caso do produto ser exposto a fatores climáticos
ou decorrentes de mau uso.
9.4. PROJETO DETALHADO
Nesta etapa do desenvolvimento do produto foram levantados os tipos
de materiais utilizados os meios e processos de fabricação, desenhos técnicos
com suas respectivas vistas e dimensões ao qual se produziram os protótipos
abaixo em fotos e desenhos em anexo.
26
CLASSIFICAÇÃO E SISTEMA CONTRUTIVO DO PRODUTO
 MESA MARAJÓARA

Dimensões 0,80 x 0,80 x 0,75

Peso: 9 Kg

Madeira: marupá e andiroba (mad.Classf.Alternativa)

Acessórios: parafusos e cantoneiras

Utilização: quarto sala e varanda
Foto 05: Mesa Marajoara
27
 MESA SÃO JOÃO.

Dimensões: 120 x 120 x 0,75

Peso: 15 Kg

Madeira: jatobá (aproveitamento de taco)

Acessórios: parafusos, parafuso de vara, suporte pés e vidro

Material: tampo em vidro de 0,008mm

Utilização: sala, cozinha e varanda.
Foto 06: Mesa São João
28
 GAVETEIRO MULTFUNCIONAL

Dimensões: 0,50 x 0,90 x 180

Peso: 12 Kg

Madeira: diverso (rolete sobra da laminação)

Acessórios: cabide, rodízios, sapateira, gaveteiro, prateleira

Utilização: quarto
Foto 07: Cômoda Multifuncional.
29
CONCLUSÃO
Em dias atuais há uma grande preocupação com o desenvolvimento
sustentável e a preservação do meio ambiente, os resultados deste projeto
mostram que existe a possibilidade real, por meio de observação do contexto em
que se em contra o setor de madeira – móveis. O objetivo principal e a de
promover a
conscientização
das pessoas e
empresas para
o
melhor
aproveitamento dos resíduos citados neste trabalho. Desta forma, no que se refere
ao desenvolvimento de produto e baseado em ferramentas de design que
agregará valor aos produtos. Neste contexto, destaca-se o design como elemento
de fundamental importância na valorização desses resíduos para criação de uma
nova identidade cultural para o mobiliário paraense, para que tenha maior
relevância e competitividade no mercado desenvolvendo e verticalizando a cadeia
produtiva de madeira – móveis da região metropolitana de Belém.
30
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por ter me dado forças e coragem para seguir em frente,
superando as adversidades para a realização deste trabalho.
À minha mãe Maria das Graças D. Martins Souza por educar-me e incentivar-me
por todos esses anos.
A meu pai Sebastião M. Souza, que muito agradeço! Por pasar-me todo o seu
conhecimento e sabedoria adquirida ao longo de sua vida como criador e produtor
de móveis.
A meus irmãos Marcio M. Souza e Marcelo M. Souza (in memoriam) por me
apoiarem e incentivarem, pois de uma forma ou outra contribuíram para está
realização.
Aos meus familiares por todo carinho, apoio e atenção durante todo processo de
minha vida.
A todos os meus amigos e amores que de uma forma ou outra estão ou estiveram
presentes. Os meus sinceros agradecimentos! Fizeram-se e fazem parte desta
conquista.
A todos os colegas do curso de design pelo quatro anos de vivencia.
Aos professores Antonio Jorge Hernandes Fonseca e Guilherme Nascimento pela
orientação, incentivo e apoio amigo durante esses quatro anos. Muito Obrigado!
Aos meus filhos Marlyson da S. Souza e Carlos Alberto da L. Souza por me fazer
entender que tudo na vida tem um ínicio, meio e fim.
Marcos M. Souza.
31
REFERÊNCIAS
ABIMCI:
associação
brasileira
de
indústria
da
madeira
processada
mecanicamente, citação retirada do artigo técnico n*9-maio de 2004.
BARILLI. R. Curso de Estética, 1994
BAXTER .M . Projeto de produto, guia prático design de novos produtos 2 edição,
1998.
IMAZON: Fatos Florestais da Amazônia, 2005, p,41.
JUNG. C. F . Pesquisa e desenvolvimento aplicados a novas tecnologias,
produtos e processos.
LIDA. I. Ergonomia: Projeto e produção. SP: ed. Edgard Blucher. 2003.
PERUZZI, J. Manual sobre a Importância do Design no Desenvolvimento de
Produtos. SENAI – CETEMO, RS 1998.
REVISTA FORMÓBILE. Guia Referência da Industria moveleira, 2006
REVISTA REFERÊNCIA. Ano X, nº. 81, jul. 2008
SEBRAE: Arte da Terra, resgate da cultura material e iconográfica do Pará, 1999.
SENAI: Caderno Tendências em Mobiliários, ed. 2007.
SOUZA, M.H. Novas Madeiras, Novos Design de Móveis. 1998.
KOTLER, P. Administração de Marketing: análise, planejamento, implementação e
controle, ed. 5ª, SP 1998.
32
ANEXOS
33
34
35
36
37
Download

View/Open - DSpace at Universia