GLOSSÁRIO
AMBIENTE | Espaço interior ou exterior inteiramente construído pelo artista, o qual integra o espectador
no acontecimento estético. A noção de ambiente entra no vocabulário da crítica nos anos 1970 com sentido
amplo. A abrangência do termo gera certa imprecisão sobre quais são os limites que distinguem com
clareza a arte ambiental, as assemblages, certos trabalhos minimalistas e as instalações? Tal contexto
artístico, no qual surgem essas novas experiências com o ambiente, refere-se ao desenvolvimento do
Minimalismo e da Arte Conceitual que tomam a cena norte-americana das décadas de 1960 e 1970,
desdobrando-se em instalações, performances, happenings, land art, videoarte etc. Cada uma dessas
manifestações têm em comum o anseio de dirigir a criação artística às coisas do mundo, à natureza, à
realidade cotidiana e ao mundo da tecnologia.
APROPRIAÇÃO | Objetos, imagens ou textos extraídos de seu contexto original, (cultural, social, funcional
etc), para serem (re)alocados sem alteração ou manipulação, tais como se encontram, em um novo contexto,
onde revestem-se de novos significados e interpretações.
ARTE CONCEITUAL | Movimento iniciado na década de 1960, na Europa e nos Estados Unidos. Defendia
a primazia da idéia (conceito) em detrimento da técnica ou do suporte.
ARTE CONCRETA | Movimento artístico surgido na década de 1930, na França. Em oposição à arte
abstrata e à figuração, os artistas concretos abusavam das formas geométricas e propunham uma arte
racional e pura, de planos e cores definidos, que pudesse ser lida universalmente.
ASSEMBLAGE | Objeto tridimensional, composto por materiais diversos e comuns, extraídos da vida
cotidiana. O termo assemblage é incorporado às artes em 1953, cunhado por Jean Dubuffet para fazer
referência a trabalhos que, segundo ele, "vão além das colagens". O princípio que orienta a feitura de
assemblages é a estética da acumulação: todo e qualquer tipo de material pode ser incorporado à obra
de arte. O trabalho artístico visa romper definitivamente as fronteiras entre arte e vida cotidiana,
aproximação anunciada sobretudo pelos ready-mades de Marcel Duchamp e pelas obras Merz, de Kurt
Schwitters.
CILDO MEIRELES | “Desde o fim dos anos 60, Cildo
Meireles tem desempenhado papel-chave na transição da
arte brasileira entre a produção neoconcretista do início
dos anos 60 - Hélio Oiticica, Lygia Clark e Lygia Pape - e a
de sua geração, informada também pela arte conceitual e
instalação. Embora sua obra tenha se desenvolvido dentro
da tradição brasileira, ela não se refugia no regionalismo
nem renuncia a afiliações à cultura ocidental. Sua arte situase na relação de fricção entre questões sociais e poéticas
específicas do Brasil e a herança do Ocidente. Para Cildo,
os trabalhos de Marcel Duchamp são tão importantes como
os de Oiticica, como modelos de problematização da arte.
(...)” [Paulo Herkenhoff - Um gueto labiríntico: a obra de
Cildo Meireles].
Cildo Meireles
Inserções em Circuitos Ideológicos
Projeto Coca-Cola
[1970]
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FRUIÇÃO | Experiência estética diante de a obra e/ou espaço artístico. Em arte diz se do espectador:
fruidor.
HAPPENING | Ação artística conduzida em presença e participação do público. O termo happening foi
criado no fim dos anos 1950 pelo americano Allan Kaprow para designar uma forma de arte que
combina artes visuais e teatro, sem texto ou sequer representação. O happening se distingue da
performance, na qual não há participação do público. Os eventos não têm começo, meio ou fim: o improviso
conduz a ação. O happening ocorre em tempo real, como o teatro e a ópera, mas não apresenta enredo,
assim como não separa o público e o espetáculo: são todos parte da ação.
INSTALAÇÃO | Linguagem ou expressão artística que remonta a ambientes construídos e expostos em
espaços expositivos. Uma instalação abrange não somente um determinado objeto (ou um conjunto de
objetos), mas o espaço que o circunscreve e, não obstante, o público. As instalações prescindem da
necessidade de um suporte ou matéria específicos, como ocorre em outras modalidades como a pintura.
Apresenta relações com outros meios plásticos, como a escultura (por sua natureza tridimensional). Dessa
equação, derivam uma série de propostas, recursos plásticos e experiências estéticas contrastantes. Esse
conceito mais amplo de instalação, como empregado atualmente, foi gerado no contexto experimental dos
anos 1960. Embora oficializada e difundida somente a partir dos anos 1980, obras de artistas como
Marcel Duchamp e Kurt Schwitters, e mais adiante o grupo Fluxus já possuíam tal configuração. É hoje
uma das linguagens artísticas mais populares no circuito da arte contemporânea. Para trabalhar este tema
com seu grupo em sala de aula, você pode partir dos trabalhos vistos na exposição Moradas do Íntimo e
pesquisar com seus alunos as obras de Cildo Meireles, Ernesto Neto, Nuno Ramos, Olafur Eliasson e Robert
Irwin.
KURT SCHWITTERS | Artista alemão, conhecido por
seus trabalhos em colagem, Schwitters alterou
radicalmente o interior de inúmeros espaços - sua obra
mais conhecida é a Merzbau, construída ao longo de
aproximadamente 20 anos. A obra foi realizada em
sua casa, mais precisamente, em 6 recintos, cujas
arquitetura e configuração espacial foram totalmente
modificadas.
“A Merzbau era uma obra mais forte e sinistra do que
aparentam as fotografias de que dispomos. Nasceu em um
ateliê – quer dizer, um recinto, materiais, um artista e um
processo. Espaço ampliado (escada acima e abaixo) e
efeito do tempo (por cerca de treze anos). Não se pode
pensar na obra como estática, como parece nas fotografias.
Composta por metros e anos, era uma estrutura mutante,
polifônica, com múltiplos motivos, funções, conceitos de
espaço e de arte.” [Brian O’Doherty - No interior do cubo
branco].
Kurt Schwitters
Merzbau
[iniciada em 1923 – destruída em 1943]
Hanover, Alemanha
LAND ART | A land art (‘arte da terra’), ou earthwork, inaugura uma nova relação com o ambiente natural.
A natureza é o lugar da land art. Desertos, lagos, canyons, planícies e planaltos oferecem-se aos artistas
que realizam intervenções sobre o espaço físico. O trabalho artístico dirige-se à natureza, transformando o
entorno, com o qual se relaciona intimamente. Para ver as intervenções na natureza, é preciso que o sujeito
se coloque dentro delas, percorrendo os caminhos e passagens que projetam. Ver Robert Smithson, Robert
Morris, Richard Long e Nelson Félix.
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Marcel Duchamp
1.200 Sacos de Carvão
[1938]
MARCEL DUCHAMP | A obra de Duchamp é
considerada um divisor de águas na História
da Arte. Marcel Duchamp é responsável por
propor reflexões acerca da idéia de
deslocamento e resignificação em arte, por
exemplo, quando expõe um urinol (sem
nenhuma alteração em sua estrutura, apenas
assinado e datado) em 1917 – (ready made).
Ao estabelecer novos paradigmas para o
objeto de arte, Duchamp também põe em
questão o lugar, o contexto, as margens do
objeto como instância reguladora e premente
na legitimação e conceitualização da obra de
arte. Antes mesmo de surgirem as primeiras
instalações (1960), Duchamp apresenta
trabalhos espaciais que requerem e ocupam o
espaço expositivo para instaurarem-se, tais
como: Milha de Fio (1942) e 1.200 sacos de
carvão (1938).
MINIMALISMO | Corrente artística dos anos 60 que reduz as esculturas e telas às formas geométricas
claramente definidas e que lhes coloca em relação concreta com o espaço e o espectador.
NEOCONCRETISMO | Movimento artístico surgido no Rio de Janeiro, na década de 1950. Os
neoconcretistas investigavam novos caminhos para a arte. Para os artistas neoconcretos, a arte deveria
transcender racionalismos e não configurar-se em mero geometrismo. Defendiam a incorporação efetiva
do observador, que, ao tocar e manipular as obras, torna-se parte delas.
“(...) Havia uma total liberdade, nada era dogmático. Todo mundo estava disposto a inventar. Não trabalhar só
categorias convencionais. Na escultura, a idéia era destruir a base – fazer um objeto que assim se chamasse mas que
pudesse ser posto em qualquer posição. A pintura também não seria mais envolvida por uma moldura, avançaria no
espaço. Eu mesma inventei um livro, chamado "Livro da Criação", onde narrava a criação do mundo sem palavras,
meio artes plásticas, meio poesia. Esse sentido de invenção, de criação era o que realmente caracterizava o
movimento. Naquela época ainda existia o pensamento de um quadro ser uma pintura na parede, para mera
contemplação. Não tinha o sentido de participação, de uso de materiais diferentes; então tudo isso deu um sentido
muito grande de liberdade." [Lygia Pape]
NUNO RAMOS | Escultor, pintor, desenhista,
cenógrafo, ensaísta e videomaker. Na década de
1990, desenvolve as suas primeiras instalações. Nelas,
reúne materiais de naturezas distintas. Dispõe
esculturas, imagens fotográficas, textos e outros
objetos incorporados no espaço. Em 1992, realiza a
instalação 111, onde aborda a brutalidade do
massacre de 111 detentos na Casa de Detenção de
São Paulo (Carandiru), ocorrido no mesmo ano. A obra
de Nuno Ramos escapa a definições categóricas. Uma
de suas principais questões consiste em desafiar os
materiais que emprega.
Nuno Ramos
111
[1992 - 1993]
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PERFORMANCE | Trabalho artístico apresentado a um público sob a forma de uma ação (teatral). As
primeiras performances foram apresentadas durante os anos 60, no contexto do movimento Fluxus, que
visava ao alargamento do conceito da arte. A performance combina elementos do teatro, das artes visuais
e da música. Nesse sentido, a performance liga-se ao happening, sendo que na performance,
diferentemente de como acontece no happening, de modo geral, não há participação do público.
READY MADE | Consiste no uso (apropriação) de objetos industrializados sem a mínima manipulação ou
intervenção em sua matéria, forma ou configuração; a atribuição de valor artístico reside no
deslocamento/ transposição do objeto para o âmbito da arte (espaços expositivos, galerias, museus etc),
seu emprego se opõe às técnicas de manufatura do objeto de arte, com o intuito de enfatizar a ideia.
TAUTOLÓGICO | Repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo
sentido.
VIDEOARTE | A videoarte é uma forma de expressão artística que utiliza a tecnologia do vídeo em artes
visuais. Desde os anos 1960, a videoarte está associada a correntes de vanguarda. Alguns dos principais
representantes deste tipo de arte são Nam June Paik, Bill Viola e, no Brasil, Eder Santos e Paulo Bruscky.
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