A COERENCIA E 0 TEXTO VISUAL
Ana Ma~la Pcmlngu~4 Zllocehl/PUC-SP
um contexto
mais amplo que 0 do texto verbal e inseri-lo no CO!!
texto da Comunica9ao.
nossa possibilidade
Visto desta forma, este conceito
de relacionar
textos verbais,
noros etc., numa
rede de S1qnlfloay&o
o
rente disto, .vamos aplicar
to visual
para mostrar
Os pesquisadores
nos estudos
unico
da chamada
1ingdlsticos,
conceito.
Ingedore
mo qrau de conhecimento
de um usuario
e desllqado
Esse principio
de alguns
fatores,
assunto,
grau
como um prln-
dem ser elementos
b. conh.c~nto
(co-
de conhecimento
Koch
de qramaticalidade.
e
0
ao texto e este sentido
que possibi11ta
8e da
em vista
-- nem sempre ostextos
visuais,
por Koch:
l1nqdlstlcos
quanto
num
de fatores varios
do conce1to
e1encados
tanto ampliar
restringir
ativos ou redutores
partllbado
--
to e 0 lei tor haja uma boa parcela
princlpio
sobretudo
deco10ca-la
(1990) coloca-a
de iDterpretabilidade
urn sentido
a. elementos
podem
TEXTUAL,
para outro etc.). Esta questao levantadapor
texto de leitura
estabelecer
COER£NCIA
dependendo
0
Decor-
da proposta.
V. Koch
sobre
so-
na leltura de um tex-
fa1am da dificuldade
cipiO de Interpretabilidade,
visuals,
plurid1menslonal.
•
este conce1to
a validade
amplia
de comunicabilidade.
e
a leitura
do texto.
da construyao
necessario
da coeren-
que entre ote!
de conheoimento
Esses e1.~ntO.
PO-
comum -- um
oomunsfuncionam
1347
como "ancoras" atraves das quais
0
leitor pode processar a lei
tura.
c. conhecl-ento
de .undo -- este fator e fundamental para
a coerencia uma vez que ele aciona os dados armazenados na memoria e nos permite reconhecer, estranhar, relaclonar
os ele-
mentos textuais.
d. infereneia
de estabelecer
-- com seu conhecimento de rnundo 0 lei tor p~
rela~Oes implicitas entre dois oumais elementos
(verbais, visuais).
e. contextualiza~ao
tuam
0
-- esse fator enfoea elementos que s!
texto, como exemplo temos: disposiQao na pagina,
ilus-
tra~Oes, tltulos, autor, forma, datas etc ••
f. situaciona~idade
-- este elernento pode serentendido
sentido restrito: sltua~ao comunicativaJ
contexte socio-politico-cultural
g. infox.atividade
em que
e
0
no
no sentido amplo:
texto esta 1nserido.
-- grau de previsibilidade
da inforrna-
yao contlda no texto.
b. focali.~io
-- dependendo do foco urnmesmo texto
pode
ser lido de modo totalrnente diferente. Este aspecto esta relaclonado ao conhecimento
do mundo e ao conhecimento
i. intertextualidade
outros textos.
I::
--
e
0
relacionamento
um reconhecimento
partilhado.
de urntexto com
previo. Esteaspectoserapr!
vllegiado nesta leitura.
j. intenclonalidade
e aceit8Qio -- a relaQao entre
a in-
tenQao do autor e a aceitaQao do leitor movimentam a coerencia
textual.
1. consisteneia
e relevaDcia -- a consistencia esta rela-
clonada a nao contradi~ao
Interpretabl11dade
Interna e a relevancia dizrespeito
a
dos elementos.
Estes fatores mostram/revelam
que a coerencia esta intrin
1348
teeamente l1qada
a· ccawl,i~io
e.tApresentea
qua1quer situ~
e extrapola
0
teltto verbal. Ela
oonn1cativa
e,
como exem-
pIa, vuoa orientar eue. fator•• ftad1r~io do texto visual.
L~
DB OOBRIIIcIA
o texto visual em questio i a cap. da revista
15'1'0 g /51-
NHOR do dia 13/03/91, edi~io n9 1120. l.te texto, do cartunista Paulo Caruso,
e
WIll
parOdia do fbOSO quadro
de Rembrandt:
"A Ll~iio de Anatomla do Dr. Tulp" , pintado •• 1632.
Bste recurso parodico est! relaclonado com
0
fator de in-
tertextualldade, ele e uma nova visao do quadro de Rembrandt.
Podemos dizer, ate, que
ha
plnceladas do pintor barroco na pa-
rodia de Caruso: as roupas (as qolas, principa1mentel, ochapiu
do decano Dr. Tulp, os manuscritos,
ate
UIIiI
0
cadaver, a pin~a etc.
e
"pitadinha" do tea barroco de Rembrandt.
Elt •• pincelad.l, param, fleam caaufladas, tendo em vista
• pr.Hn~a
marcante das facel dOl econOll1iatase do tItulo. Ol!
1349
tertexto,
UM
0 c4n~o p~4l~lo como diz BaroldD de C~
ea~inho que 4~ dt4envo!ve
texto,o
primeiro
economico
Brasil"
urna vez que os elementos
diz que a parOdia
0
0
e
linger.tieos
dependente
nio se confunde com independencia
do primeiro mas
e
em
coerente
amplia
(1980) a parodia denuncia,
gem normal oculta,
maturidade,
diz ainda que
t4ta unieamen~e
0
senti do do texto,
do real.
ela
Segundo Bella
faz falar aquilo que a'lin9u~
ela so existe dentro de um sistema que ten-
Aeeep~oA
sistema.
Josef
~em em m4o~ um pAodu~o eujaoALgem
no emi4~oA, Ma4, aD contAaAio,
Aie decLAeun4tancid4,
0
acionado a partir de
pois e uma cr!tica ao proprio
0
-- onovo
autonomo em rela~io aele.
nos da uma viaao mais amp1a, inventiva
4ignl6leaA
0
verba is e visuais.
Mas, a intertextualidade
a
"Disseeando
novo modele passa a viver a sua pr6pria vida e re~
alguns elementos
de
a leitura do momento
sentido do texto. Karia Lucia Aragao(l980)
Assim temos um caminho economico
Josef
e4~inho e, neste
tem um valor autonomo e uma vez coloeado
salta que autonomia
texto
OU~~O
caminho a ser sequido-i
restringem
movimento
lado de
40
i
(1980)
6atoAe4 e in4titui~oe4:
implied
UMa
nao
um4 ~i-
maneiAa
de
mundo.
a fator de contextualiza~io
de privi1egiam
a leitura,da
ancorado ao de situacionalid~
A Li~ao de EConomia
da Ora. Zelia,
uma vez que tambem a situa~io do texto, capa da revista, a caricatura
dos economistas
nos permite reconhecer
tor oomparti1ham
0
e
0
tItulO, movimentam
uma das inten~oe6
momenta
momento
com a situaciona1idade,
hoje
0
0
e
doBrasil
de
fooo da parodi a era coerente
fooo e outro, a parOdi a perdeua
for~a mas nio Perdeu a coerencia
mente comandou
repertorio
do autor. Autor e Ie!
socio-po1Itico-cultural
mar~o de 1991. Haquele
0
uma vez que a Ora. Zelia real
a Li~io de Economia
por um ano, neste pars.
uso
Mu, • A L1~io <le Matoal1a
rela9io
do Dr. Tulp?
exige do 1el t:or U1lI outro tipp de ancora,
torl0 mat8 diver8ilioado
q~
mento
1mecUata.
da nQ.sa real1dade
conhe9a
Arte e contexto
de coereneia
pacldad.
d. laz.r analogi.s.
Easa outra
uLtrapa88e
cultural
rel.90es
sempre
2.tabelecer
repe!:
UJlI
08 l!mit •• do conheci-
21a pressupS •. que 0 recept:or
do aiculo XVII
entre contextos
inteneionalidade
i coerente
exige
aata
d1versoa
• .stabelec.r
exige tambim e!
do autor, expliei ta tambh,
nem
para a lei tor (e para alguns i ate inco.ren-
tel. Em sala de aula, por exemplo,
alguns alunos estranharamas
"galas
engra9adas·
e
eharam
for~ada
quando
faz ana10g1a
Amesterda
dos economista.
a leitura
do siculo
0
explIcitalada)
chapeu da Zelia, mas ado editor
da
revista
entre a corporat1v1smo
dos cirurgioes
XVII e
dos nossos
0
corporativismo
de
econo-
aistaa.
A presenQa
do cadaver
to que os alunos
reso1veram
ja, nao autorizada
lItieo
influente,
a presenya
tambem
de uma forma inconsistenta,
pelo texto -- ale.
tes do texto
0
identificaram
ainda vivo, a que tornainviivel
de alguns economistas
layio inadequada
caueou um cert:o e.tranhamen-
ocasiona
ou secom um~
(incoarente)
na cena. Assim acionar
urna quebra
no aenUdo
uma r£
de outras
par-
(conslstincla).
o usuarl0 do texto percebe quando sua proj89ao e forQada,
mas estabelecer
910e8
-- e
0
significa~io,
a relayioentre
pave -- cabals
e
eX1~e capacidade
conexio
adequada,
pereepyao
repertorio
estabeleeer
0
cadiver
~
dos economistas
rela~Oea
e a leitura
individual.
tipo,
toma-se
0
e
1mplIc1taa
de operar JRetaforicamente.
dest.
cabala dos cirur-
receptor
realmente
dar um saIto
comp1.xas
que
Ao estabeleeer
d•• automatize
relevaRte
para
na
uma
a
0
aua
lieu
P1stas como: 0 sig110 das reun10es das corporayoeB,. a dis
secayao dO cadaver
o interesse
elementos
dos envolvidos
de coerencia
outros contextos
£
com poucos
na trama, acumplicidade
agora) ,
dacena,
muito sut1s para quem desconhece
sao
Arte e
historicos.
conhecimento
urn
parOdia.
(literal naquele Beculo emetaforica
de mundo que so pode
leitores da revista, mas
e
Ber compartilhado
uma coerenciapulsantena
Por eBte motivo 0 editor ao montar seu editorial
produziu 0 quadro de Rembrandt
re-
e fez estas relayoes para ole!
tor mas, par 1ncrlvel que pareya, 0 tItulo do editorial
"Econ~
mistas, para que?" e 0 proprio texto enfat1zam aCorporayao
Economistas
e muitos leitores nao percebem
dos
a presenya do
qua-
dro.
Nao estabelecer
dlculas·
e
0
esta relayao significa que as "golinhas
chapeu da Zelia, tornam-se
incoerentes umavez
esses elementos
nao se atualizam
sam a funcionar
como ruldo na comunicayao,
tivo (Be
e
coerencia
do
0
por8m
urn
ruldo pas!
aclo-
do lei tor e faze-lo procurar um sentido, uma
para eles. Wolfgang
leitor nunea retirara
sua eompreensao
que
no nosso contexto demoda epa~
que podemos dlzer lato) uma vez que ele pode
nar a curiosidade
r!
IS&r
(1979) d1z que, se par uml~
do texto a certeza expllcita
est! correta, por outro lado
0
de que
texto ImpOe cor
reyOes e permite que a leitor corrija suas projeyoes.
Vesta forma, a coerencia
tre 0 expl{c1to
se move, se lava, seentrelaya
e 0 implIcito,
conde, entre Rembrandt
en
entre 0 que se ve e a que se e~
e Caruso, Amesterda
s11 do seculo XX, entre Liyoes de Anat~a
do seeulo XVII eBra
e Li~oes
de Econo-
mia, enfim li~oes de coerencia.
Ao trabalhar
0 eodi90 imagetico
tamos nao so tratando
0
como um texto coerente
e!
TEXTO no· sentido que 'rodorov e Ducrot
(1977) conceituam:
.eu rechamento
aer:1do 0 conceito
partir
de muitaB
Recep~aof
um .1atema que .e define
(campletude).
de COEdNCIA.
teoria.:
pe1a
autonomia
e
Neste sentido amplo tambem e.ta!~
Um conceito que .e con.trOt
a Ling6iatica
a teoria da Informa~ao,
de Texto; a teor!a
a da ComunioaQio
a
da
etc ••••
ARAGXo, Maria Lucia P. A parodi. em A forea do Destino in Edi90e8 Tempo BraBileiro n9 62, julho/.etembro de 1980.
CAMPOS, Haro1do de. A •• critura mef:1Btofel:1ca: parOdia e carn~
valiza9ao no Fausto de GOethe in Ed190eB Tempo BraBileiro n9
62, julho/Bet.mbro de 1980.
ISER, wolfgang. "A Intera9ao do Texto com 0 Leitor" in A L:l.teratura e 0 Leitor, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1979.
JOSEF, Bella. 0 espaxo da parodia, 0 problema da intertextua1i
dad. e a carnavalizaoao ln Edlqoea Tempo Brasi1eiro nQ 62,j~
lho/setembro de 1980.
KOCH, Ingedore
1990.
G.V. A Co.rencla
Textual.
Sao Paulo,
Contexto,
TODOROV, T. e DUCROT, O. Dicionarl0 Encic1opedico das Ciencias
da Linguagem. Sao Paulo, Perspectiva, 1977, p. 282.
VAN DIJK, T.A."Coherencia"in
dra. 1984.
Texto e Contexte.
Madrid,