UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO INSTITUTO DE PÓS GRADUAÇÃO QUALITTAS CURSO DE CLÍNICA MÉDICA E CIRÚRGICA DE PEQUENOS ANIMAIS HIPERTENSÃO ARTERIAL EM CÃES E GATOS Ellen Jaffé Rio de Janeiro, out. 2006 ELLEN JAFFÉ Aluna do curso de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais HIPERTENSÃO EM CÃES E GATOS Trabalho monográfico de conclusão do curso de Clínica médica e cirúrgica de pequenos animais, apresentado à UCB como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciado do curso, sob orientação da Profa Maria Cristina Nobre e Castro Rio de Janeiro, out. 2006 HIPERTENSÃO EM CÃES E GATOS Elaborado por Ellen Jaffé Aluna do Curso de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais Foi analisado e aprovado com grau: .......................... Rio de Janeiro, _________ de ___________________ de _________. ________________________________ Andréia R. Bastos ________________________________ Jorge de Castro ________________________________ Maria Cristina Nobre e Castro Rio de Janeiro, out.2006 ii Agradecimentos Ao meu pai, que sempre me apoiou e me incentivou em todos os momentos da minha vida. À minha orientadora, Profa. Maria Cristina Nobre e Castro, a quem eu tenho grande admiração e que sempre me ajudou, desde o momento que nos conhecemos na faculdade. Obrigada por tudo. iii Abstract: Hypertension is a common disease of man although it is rarely diagnosed in veterinary medicine. This partly reflects the failure of recognition of the incidence and importance of hypertension in animals. Recognition of hypertension is usually late in the course following acute ocular, cardiac, renal or neurological presentation. Early screening and identification of hypertension is important as it is an organ destructive. This article presents a rational approach to identifying patients at risk, pathogenesis, methods for accurately measuring blood pressure in the clinical setting, and recommendations for treatment in dogs and cats. Resumo: A hipertensão é uma doença comum no homem, embora raramente seja diagnosticada na medicina veterinária. Isso reflete a falha no reconhecimento da incidência e importância da hipertensão em animais. O diagnóstico da hipertensão é usualmente, tardio, sendo observadas alterações ocular, cardíaca, renal ou neurológica. A triagem e a identificação precoce de hipertensão é importante, uma vez que, é um processo destrutivo aos órgãos. Esse artigo apresenta um enfoque racional para identificação dos pacientes em risco, patogênese e métodos para mensuração da pressão sanguínea na prática clínica, e recomendações para o tratamento em cães e gatos. iv SUMÁRIO Resumo...............................................................................................................iv Lista de tabelas e figuras....................................................................................vii 1.Introdução ....................................................................................................... 1 2.Fisiopatologia .................................................................................................. 2 3-Etiologia .......................................................................................................... 5 3.1. Mecanismos das doenças associadas com a hipertensão que mais comumente afetam cães e gatos.................................................................... 7 3.1.1. Hiperadrenocorticismo ...................................................................... 7 3.1.2. Hipertireiodismo ................................................................................ 8 3.1.3.Doença renal ...................................................................................... 8 3.1.4. Diabetes Melito.................................................................................. 9 3.1.5. Doença hepática: ............................................................................ 10 3.1.6. Feocormocitoma.............................................................................. 10 3.1.7. Hipotireoidismo................................................................................ 10 3.1.8. Aldosteronismo primário.................................................................. 11 3.1.9. Hiperparatireioidismo e hipercalcemia: ........................................... 11 3.1.10. Acromegalia .................................................................................. 11 3.1.11. Hiperestrogenismo ........................................................................ 12 3.1.12. Desordens neurológicas................................................................ 12 3.1.13. Tumores produtores de renina ...................................................... 12 3.1.14. Anemia .......................................................................................... 12 3.1.15. Policitemia..................................................................................... 12 3.1.16. Obesidade..................................................................................... 12 3.1.17. Idade ............................................................................................. 13 3.1.18. Eritropoietina ................................................................................. 13 3.1.19. Fatores dietéticos .......................................................................... 14 4. Sinais clínicos e conseqüências da hipertensão .......................................... 15 4.1. Alterações oculares ............................................................................... 17 4.2. Alterações cardíacas ............................................................................. 20 4.3. Alterações neurológicas......................................................................... 22 4.4. Alterações renais ................................................................................... 23 5. Diagnóstico .................................................................................................. 25 5.1.1. Método direto ou invasivo ............................................................... 27 5.1.2. Métodos indiretos ou não invasivos ................................................ 28 vi 5.1.2.1Técnica auscultatória.................................................................. 28 5.1.2.2. Detecção pelo método de Doppler ........................................... 29 5.1.2.3. Método Ocilométrico................................................................. 32 5.1.2.4. Método fotopletismográfico....................................................... 33 6. Tratamento ................................................................................................... 34 6.1.1. Inibidores de enzima conversora de angiotensina (ECA)................ 35 6.1.2. Bloqueadores de canais de cálcio................................................... 36 6.1.3. ß-bloqueadores ............................................................................... 39 6.1.4. Bloqueadores α-adrenérgicos ......................................................... 40 6.1.5. Hidralazina ...................................................................................... 40 6.1.6. Furosemida e hidrocolorotiazida ..................................................... 41 6.1.7. Nitroprussida ................................................................................... 41 6.1.8. Acepromazina ................................................................................. 42 6.1.9. Espironolactona .............................................................................. 42 6.1.10. Colírios esteroidais........................................................................ 42 6.1.11. Medicações deletérias................................................................... 43 6.2.1. Urgência hipertensiva...................................................................... 43 6.2.2. Emergência hipertensiva................................................................. 45 7. Conclusão .................................................................................................... 47 Referências bibliográficas ................................................................................ 48 vi LISTA DE TABELAS E FIGURAS Tabela 1. Doenças e achados clínicos comumente associados com hipertensão sistêmica em cães e gatos...................................................................................6 Figura 1. Fundoscopia de um felino com retinopatia hipertensiva. Notar a hemorragia dos vasos e edema de retina..........................................................18 Figura 2 : Felino com hifema grave e degeneração de retina secundário a hipertensão........................................................................................................19 Figura 3 : Felino com início súbito de cegueira secundário a hipertensão........20 Figura 4 : Eletrocardiograma de um felino com hipertrofia ventricular esquerda............................................................................................................21 Figura 5: Coração de um canino com hipertensão sistêmica apresentando hipertrofia ventricular esquerda e endocardiose................................................22 Figura 6: Material necessário para a mensuração da pressão arterial pelo método de Doopler. Notar o aparelho Doppler com probe tipo pastilha, o esfigmomanômetro e o gel ultrassônico............................................................29 Figura 7: Braçadeiras utilizadas para a mensuração da pressão arterial pelo método de Doopler em cães e gatos................................................................30 Figura 8: Aferição da pressão arterial pelo método de Doopler em membro posterior de um gato..........................................................................................31 Figura 9 : Aferição da pressão arterial pelo método de Doopler em membro anterior de um cão.............................................................................................32 vii Figura 10: Aferição da pressão arterial pelo método ocilométrico em um cão de médio porte........................................................................................................33 Tabela 2: Fármacos utilizados na terapia de hipertensão em cães e gatos ..........................................................................................................................43 vii 1.Introdução A hipertensão sistêmica é o aumento da pressão arterial sanguínea sistêmica. O seu aumento pode ser definido como uma pressão que é mais alta que o normal ou uma pressão que resulta em seqüelas clínicas ou patológicas (KIENLE & KITTLESON, 1998). Embora a hipertensão arterial seja uma das causas mais comuns de morbidade e mortalidade na medicina humana, na veterinária, ainda se transita pelas primeiras etapas de diagnóstico e pela sua compreensão, já que a aferição da pressão arterial não faz parte da prática clínica diária. Além disso, não há registros de parâmetros normais em pequenos animais, com relação à raça, sexo ou idade, os quais favoreceriam a melhor identificação dos problemas (MUCHA & CAMACHO, 2003). Na medicina veterinária, a hipertensão sistêmica, normalmente, é secundária a doenças sistêmicas. A hipertensão primária é rara (MUCHA & CAMACHO, 2003). Não se sabe exatamente, como a doença se desenvolve e não há um consenso com relação a um protocolo de tratamento efetivo (ACIERNO & LABATO, 2004). 1 2.Fisiopatologia A pressão sanguínea é mantida por um conjunto de fatores complexos que são divididos em dois grupos: fatores neurogênicos e fatores humorais (DUKES, 1992). 2.1. Fatores neurogênicos: O sistema nervoso autônomo simpático é responsável pelo controle vasomotor. A estimulação de receptores cardíacos ß1 , resulta no aumento da contratilidade e da freqüência cardíaca, melhorando assim, o débito cardíaco. A resistência vascular periférica pode ser afetada pela estimulação de receptores ß2 da musculatura lisa vascular, resultando em vasodilatação ou estimulação de receptores α1, levando a vasoconstrição. A estimulação de receptores ß2 no aparato justaglomerular renal resulta no aumento da liberação de renina (DUKES, 1992). 2.2.Fatores humorais A liberação de renina pelo aparato justaglomerular, também é afetada por alterações na pressão de perfusão, concentrações de sódio e cloro, circulação de angiotensinogênio (substrato da renina), angiotensina II e protaglandinas. A liberação de renina resulta na ativação do sistema reninaangiotensina-aldosterona. A ativação da renina pelo angiotensinogênio (produzido pelo fígado), forma a angiotensina I. A angiotensina I circulante é transformada pela enzima conversora de angiotensina, em angiotensina II no pulmão. Está última, pode ocasionar vasoconstrição, estimulação da liberação de vasopressina e ação na zona glomerulosa do córtex adrenal levando a 2 liberação de aldosterona que resulta no aumento da retenção de sódio e água. A ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona também resulta na redução do número de cininas. A bradicinina é um vasodilatador muito potente e sua quebra é parcialmente, dependente da quininase II, uma enzima idêntica a enzima conversora de angiotensina. Com isso, como a angiotensina II leva a vasoconstrição, a resistência vascular também é afetada pelos níveis diminuídos de cinina (DUKES, 1992). As prostaglandinas e outros autocóides parecem ser importantes, em mediar efeitos locais do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema de cinina no rim. A medula renal produz substâncias vasodilatadoras, inclusive prostaglandinas, e acredita-se que o córtex produza fatores vasoconstritores (DUKES, 1992). Peptídeos natriuréticos atriais, também estão envolvidos na coordenação do balanço eletrolítico e da pressão arterial em oposição ao sistema renina-angiotensina-aldosterona (DUKES, 1992). A vasopressina, hormônio antidiurético, é liberada da neurohipófise em resposta ao aumento dos níveis de angiotensina II e da osmolaridade sanguínea, ou mudanças na pressão de perfusão. A vasopressina é um vasoconstritor e resulta na retenção de água. A retenção de sódio e água, resultante dos mecanismos citados acima, aumenta o retorno venoso (pré-carga), e melhora o débito cardíaco de acordo com os mecanismos de Frank-Starling (DUKES, 1992). O padrão final para o controle da resistência periférica é a concentração intracelular e extracelular relativa de sódio e cálcio. O tônus celular da musculatura lisa está relacionado com a concentração intracelular de 3 cálcio, e esse é provavelmente, a razão para o estado final de vasoconstrição (DUKES, 1992). 4 3-Etiologia A hipertensão sistêmica pode ser classificada como primária ou secundária (DUKES, 1992; MISHINA et al, 1998; ACIERNO & LABATO, 2004; BROWN, 2005). Vários mecanismos podem iniciar ou sustentar o processo de hipertensão, incluindo, retenção de sódio e água, ativação do sistema reninaangiotensina-aldosterona, aumento da rigidez vascular, causada pelo depósito de sódio ou doença vascular como arteriosclerose ou aterosclerose, alteração da atividade adrenérgica e substâncias vasopressoras ou vasodepressoras de origem renal (DUKES, 1992). A hipertensão primária é diagnosticada por exclusão (DUKES, 1992). É o resultado do desequilíbrio entre o débito cardíaco e a resistência vascular sistêmica, embora não se saiba exatamente a causa (ACIERNO & LABATO, 2004). Em humanos, está associada com o aumento da concentração intracelular de sódio e da atividade da bomba de sódio-potássioATPase. A hipertensão causada somente pela ingestão de grande quantidade de sódio é controversa. Entretanto, a associação entre a hipertensão préexistente e dietas com alta concentração de sódio, pode acelerar a evolução da doença (DUKES, 1992). A hipertensão secundária é a elevação da pressão sanguínea, devido a doenças sistêmicas ou à administração de certos medicamentos (ACIERNO & LABATO, 2004). 5 Em humanos, mais de 95% dos casos de hipertensão são primárias, entretanto, em cães e gatos, a hipertensão secundária é mais identificada (BROWN, 2005). A hipertensão secundária pode ser causada por hiperadrenocorticismo, doença renal, doença tireoidiana, diabete mellitos, doença hepática, uso de drogas como a eritropoietina e esteróides, policitemia, feocromocitoma, hiperaldosteronismo primário e anemia crônica (HENRIK, 1997; BROWN & HENRIK, 1998; MISHINA et al, 1998; ACIERNO & LABATO, 2004). A hipertensão felina, normalmente ocorre em gatos idosos particularmente em associação a falência renal e ao hipertireiodismo (HENRIK, 1997; BODEY & SANSOM, 1998; SNYDER, 1998; ELLIOT et al, 2001; THOMPSON, 2004). Segundo BODEY & SANSOM (1998), gatos com onze anos ou mais apresentam valores de pressão mais alto do que gatos mais jovens. Em cães, também há essa correlação entre pressão e idade, mas não está tão esclarecido quanto em gatos (BODEY & MICHELL, 1996) (tabela 1). CÃES Achados oculares consistentes com coriopatia, retinopatia hipertensiva ou hemorragia intraocular Insuficiência renal aguda ou crônica Hiperadrenocorticismo Diabetes Mellito Sinais neurológicos sem causa definida Feocromocitoma Hipertrofia ventricular esquerda sem explicação GATOS Achados oculares consistentes com coroidopatia, retinopatia hipertensiva ou hemorragia intraocular Insuficiência renal aguda ou cônica Hipertireioidismo Diabetes mellito Qualquer sinal neurológico Idade superior a 10 anos Sopro com ritmo de galope Observação: A cardiomiopatia hipertrófica idiopática só pode ser diagnosticada após excluir a hipertensão como causa Tabela 1: Doenças e achados clínicos comumente associados com hipertensão sistêmica em cães e gatos (STEPIEN, 2005). 6 3.1. Principais doenças associadas com a hipertensão em cães e gatos 3.1.1. Hiperadrenocorticismo A hipertensão ocasionada pelo hiperadrenocorticismo pode ser causada pela superprodução da medula adrenal de glicocorticóides ou pela sua administração exógena (BROWN, 2005). Os glicocorticóides podem aumentar a pressão sanguínea através do aumento da concentração de sódio-potássio adenosina trifosfato na membrana celular, podendo aumentar a concentração de sódio extracelular e conseqüentemente expandir o volume plasmático. O excesso de cortisol, também age como um mineralocorticóide no rim, levando a retenção de sódio e água e, conseqüentemente, aumento do volume de sangue e do débito cardíaco (ORTEGA et al, 1996; BROWN, 2005). Também aumenta a sensibilidade do miocárdio às catecolaminas endógenas, e eleva a resposta vascular aos vasopressores endógenos como a angiotensina II e a norepinefrina (ORTEGA et al, 1996). Além disso, os glicocorticódes induzem a produção hepática de angiotensinogênio, resultando em uma resposta exagerada do sistema renina-angiotensina-aldosterona (DUKES, 1992; ACIERNO & LABATO, 2004). Esses animais também sofrem com o excesso de produção de renina, que aumenta a resistência vascular periférica, contribuindo para o desenvolvimento da hipertensão (BROWN, 2005). Os corticóides podem induzir a hipertensão glomerular pelo aumento do fluxo sanguíneo glomerular, dilatação das arteríolas renais e aumento da taxa de filtração glomerular dos néfrons (ORTEGA et al, 1996). 7 3.1.2. Hipertireiodismo O aumento do débito cardíaco é secundário aos efeitos do hormônio da tireóide na musculatura cardíaca (ACIERNO & LABATO, 2004). O hipertireioidismo induz ao aumento do número e da sensibilidade de receptores ß-adrenérgicos, resultando no aumento da resposta às catecolaminas e subseqüente taquicardia, além de aumentar a contratilidade cardíaca, contribuindo para hipertrofia e aumento da demanda de oxigênio do miocárdio (DUKES, 1992; BROWN, 2005). Em gatos idosos, a aorta é menos complacente, não suportando acomodar uma pressão adicional, que acarrete hipertensão (THOMPSON, 2004). Além disso, a estimulação de receptores ß no aparato justaglomerular, resulta no aumento da liberação de renina e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (DUKES, 1992) 3.1.3.Doença renal É a causa mais comum de hipertensão em pequenos animais (DUKES, 1992). Não se sabe completamente a fisiopatologia, que pode ser multifatorial (ACIERNO & LABATO, 2004; THOMPSON, 2004). Pode haver diminuição na habilidade em excretar o sódio e redução da atividade dos vasodilatadores, como as prostaglandinas, e aumento da secreção de renina, norepinefrina, e do débito cardíaco ou da resistência periférica total. O aumento da secreção de renina, que induz ao aumento da formação de angiotensina II, pode ser causado por uma lesão isquêmica nos rins ou redução da pressão, ou diminuição dos níveis de sódio na mácula densa. A hiperatividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona causa hipertensão, pela combinação do excesso de volume e mecanismos vasoconstrictores. Adicionalmente, a própria hipertensão pode acelerar as lesões renais (JENSEN et al, 1997; THOMPSON, 8 2004). A ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona pode estimular a produção de endotelina, um potente vasoconstrictor encontrado nas células endoteliais vasculares e na musculatura lisa vascular. No estudo realizado por MISHINA et al (1998), gatos com doença renal crônica apresentam valores altos da atividade da renina, angiotensina I e II e alta concentração de aldosterona em comparação com gatos normais. Com isso, indica-se que o sistema renina-angiotensina-aldosterona participa da disfunção renal (MISHINA et al, 1998). Além disso, gatos com insuficiência renal crônica desenvolvem hipertensão e hipertrofia glomerular (BROWN et al, 2001). Nesse caso, a hipertensão glomerular está atribuída, preferencialmente, a vasodilatação arteriolar aferente (BROWN et al, 2001). 3.1.4. Diabetes Mellito Tipo 1 ou dependente de insulina: Em humanos, a hipertensão é usualmente secundária aos efeitos da diabetes na função renal (ACIERNO & LABATO, 2004). Possíveis mecanismos associados em cães diabéticos incluem: distúrbio do metabolismo lipídico levando a redução da complacência vascular e hiperfiltração glomerular generalizada ou uma microangiopatia imunomediada afetando a membrana basal (STRUBLE et al, 1998). Tipo 2 ou não dependente de insulina: Em cães, a hiperinsulinemia secundária a resistência insulínica causa retenção de sódio e aumento da atividade simpática, levando ao aumento da resistência periférica através da vasoconstrição e aumento do volume sanguíneo. Além disso, pode ocorrer a hipertrofia da musculatura lisa vascular que é secundária aos efeitos mitogênicos da insulina. A hiperinsulinemia também leva ao aumento do nível 9 de cálcio intracelular, causando contração da musculatura lisa vascular e aumento da resistência periférica (ACIERNO & LABATO, 2004). Em gatos, a diabetes mellito não está associada com etiologia imunomediada, mas com a obesidade, alta concentração de carboidratos na dieta e com o aumento da idade, um padrão mais típico de diabetes do tipo 2 (SENNELLO et al, 2003). 3.1.5. Doença hepática: O mecanismo ainda não foi determinado (ACIERNO & LABATO, 2004). 3.1.6. Feocromocitoma É um tumor raro, que afeta as células cromafins da medula da adrenal resultando no aumento da secreção de catecolaminas, estimulação de receptores ß e α adrenérgicos. Conseqüentemente, ocorre vasoconstrição periférica, taquicardia, aumento do débito cardíaco, hipercinese e liberação de renina. Os episódios hipertensivos podem ser cíclicos (DUKES, 1992; ACIERNO & LABATO, 2004; BROWN, 2005). 3.1.7. Hipotireoidismo A baixa circulação dos hormônios da tireóide, resulta na diminuição da atividade de receptores ß, havendo o predomínio da atividade dos receptores α. Com isso, há diminuição do volume de sangue circulante e do débito cardíaco, e aumenta a resistência vascular periférica. Além disso, o acúmulo de proteína e de mucoproteína nos tecidos (mixedema), reduz a complacência vascular e aumenta da resistência. A síntese de colesterol não é 10 reduzida, mas há uma redução significante na excreção biliar, resultando em hipercolesterolemia. Também há uma redução no catabolismo de lipídeos, devido a uma disfunção da lipoproteína lipase, resultando em obesidade e hiperlipidemia. Isso pode resultar em ateriosclerose, por afetar a complacência vascular (DUKES, 1992). 3.1.8. Hiperaldosteronismo primário A hiperplasia do córtex da adrenal, ou neoplasias que afetam a zona glomerulosa podem resultar na elevação dos níveis de mineralocorticóides, inclusive a aldosterona, resultando no aumento da retenção de sódio e água e depleção de potássio (DUKES, 1992). Animais com hiperaldosteronismo tipicamente apresentam hipertensão sistêmica causada pela expansão do volume sanguíneo e/ou polimiopatia devido a hipocalemia. A doença é considerada rara em cães, mas não em gatos (ASH et al, 2005). 3.1.9. Hiperparatireioidismo e hipercalcemia: O hiperparatireioidismo pode ser primário ou secundário à falência renal ou síndrome paraneoplásica. A hipercalcemia por si só, pode resultar em hipertensão, por afetar o tônus das células da musculatura lisa. Além do mais, o hormônio da paratireóide parece ter efeito similar (DUKES, 1992). 3.1.10. Acromegalia A acromegalia primária devido à disfunção da secreção do hormônio do crescimento por adenomas da pituitária ou acromegalia secundária a progestágenos endógenos ou exógenos, é uma das causas de hipertensão. Acredita-se que, o hormônio do crescimento, induz a retenção de sódio e água, e pode resultar indiretamente, no aumento dos níveis de aldosterona (DUKES, 1992). 11 3.1.11. Hiperestrogenismo Altos níveis de estrogênio podem aumentar a produção hepática de angiotensinogênio e consequentemente, ativação do sistema reninaangiotensina-aldosterona (DUKES, 1992). 3.1.12. Desordens neurológicas Lesões ao redor do terceiro ventrículo no diencéfalo, podem resultar em hipertensão, por alterar o tônus simpático. Além disso, a dor pode resultar em hipertensão, mediada por catecolaminas. A hipertensão neurológica devido ao estresse ou ansiedade, por uma elevação crônica de catecolaminas ou glicocorticóides é descrita em humanos, embora seja difícil a confirmação em animais (DUKES, 1992). 3.1.13. Tumores produtores de renina O aumento da renina resulta em ativação do sistema reninaangiotensina-aldosterona (DUKES, 1992). 3.1.14. Anemia A anemia leva a diminuição do débito cardíaco. Ocorre um aumento da freqüência cardíaca e da contratilidade, devido à demanda de oxigênio tecidual, podendo resultar em hipertensão sistólica (DUKES, 1992). 3.1.15. Policitemia A hipertensão pode estar associada com a hiperviscosidade sanguínea (DUKES, 1992). 3.1.16. Obesidade É reportado que há uma correlação entre obesidade e hipertensão (DUKES, 1992). De acordo com SYME et al (2002), a obesidade em cães e humanos causa aumento da pressão sanguínea, entretanto, não há 12 uma diferença significativa do peso corporal de gatos hipertensivos ou normotensivos. Cães obesos podem ter uma pressão arterial mais elevada do que cães normais, mas eesse aumento não é clinicamente significativo (KIENLE & KITTLESON, 1998). 3.1.17. Idade A pressão sanguínea tende a aumentar com a idade em cães e gatos, bem como em humanos (DUKES, 1992; BODEY & SANSOM, 1998). Entretanto, no estudo realizado por SYME et al (2002), o aumento da idade não foi um risco significativo para o desenvolvimento de hipertensão em gatos com insuficiência renal crônica. 3.1.18. Eritropoietina A anemia é uma manifestação clínica da insuficiência renal crônica em cães e gatos (COWGILL, et al, 1998; ACIERNO & LABATO, 2004). A patogênese da anemia é multifatorial, entretanto, a causa principal é a falência eritropoiética da medula óssea, secundária a produção renal inadequada de eritropoietina. A eritropoietina recombinante humana, utilizada em pacientes com insuficiência renal crônica leva ao aumento da contagem de hemácias, reticulócitos e concentração de hemoglobina. Também melhora a clínica do paciente, levando ao aumento do apetite, ganho de peso e estado de alerta. Entretanto, sua administração pode implicar na formação de anticorpos anti-eritropoietina, convulsões, hipertensão sistêmica e deficiência de ferro (COWGILL et al, 1998). Convulsões, normalmente, são causadas pela uremia, entretanto, a hipertensão ou uma anemia grave, também pode contribuir para atividade convulsiva (COWGILL, et al, 1998). 13 A anemia causada pela insuficiência renal crônica, leva a dilatação crônica dos leitos vasculares. Uma vez a anemia resolvida, ocorre uma constrição capilar compensatória e um aumento da resistência periférica, provocando o aumento da pressão sanguínea (ACIERNO & LABATO, 2004). Além disso, o aumento da viscosidade do sangue pode potencializar a hipertensão, mas não é considerado um fator importante (COWGILL, et al, 1998). 3.1.19. Fatores dietéticos A hipertensão secundária aos fatores dietéticos, não está clara na medicina veterinária. Muitos estudos indicam que a pressão sanguínea de cães e gatos é insensível ao sal, a menos que, a ingestão de sal seja maciça, ou haja uma causa de hipertensão secundária pré-existente. Entretanto, agentes terapêuticos ricos em cloreto de sódio, podem aumentar a pressão sanguínea, particularmente, fluidos endovenosos e soluções eletrolíticas. A fluidoterapia de manutenção, com soluções eletrolíticas isotônicas, geralmente, oferecem 250 a 500 mg de cloreto de sódio/kg /dia, comparado com uma dieta oral de 25 a 50 mg/kg/dia. Com isso, a fluidoterapia pode contribuir ou ser a causa de hipertensão em pacientes susceptíveis. Qualquer animal com hipertensão sistêmica ou com uma condição conhecida como causa de hipertensão secundária, deve ser considerado, potencialmente sensível ao sal (SYNDER & COOKE, 2005). 14 4. Sinais clínicos e conseqüências da hipertensão Os sinais clínicos mais comumente encontrados em gatos com hipertensão são polidipsia e perda de peso, além de cegueira aguda, poliúria, vômitos, convulsões, alterações cardíacas, nistagmo, paresia dos membros posteriores, fraqueza ou ataxia e anormalidades de comportamento (ELLIOT et al, 2001). Em casos de hipertireioidismo, pode haver agitação, nervosismo, perda de peso, aumento do apetite, poliúria, polidipsia, vômitos, taquicardia e aumento da temperatura retal (THOMPSON, 2004). Os sinais clínicos mais comumente detectados em gatos com doença renal crônica são letargia, anorexia, e perda de peso. Desidratação e emaciação podem ser encontradas no exame físico, além dos indícios de hipertensão como a degeneração de retina (DIBARTOLA et al, 1987). Embora a cegueira, devido a retinopatia hipertensiva tenha sido reportada como uma complicação freqüente de falência renal em gatos (BODEY & SANSOM,1998), ELLIOT & BARBER (1998), sugerem que a cegueira não é uma complicação comum. Segundo ELLIOT et al (2001), a maioria dos casos de hipertensão felina estão relacionados com anormalidades oculares e/ou cardíacas no exame físico e evidências de disfunção renal nos exames laboratoriais. As 15 causas mais comuns de hipertensão felina são: a doença renal crônica e o hipertireioidismo (HENRIK, 1997; THOMPSON, 2004). Em cães, o hiperadrenocorticismo pode estar associado com uma variedade de complicações, como a hipertensão sistêmica, glomerulopatia, hiperlipidemia, imunossupressão, resistência à insulina, diabetes mellito, pancreatite, miopatia, insuficiência cardíaca congestiva, e tromboembolismo pulmonar. O desenvolvimento de arteriosclerose pode ser explicado pela hipertensão persistente em alguns cães com hiperadrenocorticismo. A hipertensão crônica e sustentada causa mudanças morfológicas que enrijecem e estreitam pequenas artérias e arteríolas, aumentando a resistência vascular periférica, ativando o sistema renina-angiotensina-aldosterona, e perpetuando a hipertensão, mesmo após a causa inicial da hipertensão seja resolvida (ORTEGA et al, 1996). A diabetes mellito pode estar associada com a formação de catarata em cães, pancreatite recorrente, imunossupressão, retinopatia e neuropatia e grande risco de pressão alta em cães. A hipertensão em cães está relacionada com o tempo da doença. Quanto mais longa for a diabetes, mais alta é a pressão do animal (STRUBLE et al, 1998; SENNELLO et al, 2003). A hipertensão em gatos com diabetes mellito, raramente ocorre (SENNELLO et al, 2003). Em felinos, a diabetes pode estar relacionada com pancreatite crônica, retinopatia, obesidade e neuropatia (SENNELLO et al, 2003). A hipertensão acarreta danos em orgãos ricos em suprimento arteriolar (HENRIK, 1997). As regiões afetadas incluem os olhos, coração, cérebro e rins (HENRIK, 1007; ELLIOT et al, 2001; ACIERNO & LABATO, 16 2004; THOMSPON, 2004). A hipertensão sistêmica sustentada resulta em hipertrofia muscular e hiperplasia, necrose fibrinótica, perda ou fragmentação da lâmina elástica interna, hialinização, mioarterite e oclusão capilar de artérias pequenas e arteríolas. Isquemia, diminuição da perfusão tecidual e hemorragia são conseqüências de lesões vasculares induzidas pela hipertensão (BARTGES et al, 1996). 4.1. Alterações oculares As alterações oculares são mais comumente associadas, com o aumento grave da pressão sanguínea arterial sistêmica. Em gatos com moderada hipertensão sistêmica, a retinopatia hipertensiva pode não se desenvolver ou pode ser necessário mais de seis meses, para ser detectável (BROWN et al, 2001). As lesões oculares associadas à hipertensão são provenientes da falha na autorregulação vascular das artérias da retina. Em resposta ao aumento da pressão sanguínea, há vasoconstrição arteriolar, levando a hipertrofia e hiperplasia da musculatura lisa. Com a vasoconstrição crônica, as células da musculatura lisa vascular apresentam uma diminuição da função contrátil, desenvolvendo mudanças fibrosas e permitindo uma perda insidiosa do plasma para dentro da parede arteriolar, causando hialinização e necrose da musculatura lisa. As mudanças degenerativas progressivas, na parede dos vasos levam a ruptura das células endoteliais e musculares, com perda de sangue e soro para o tecido ao redor da retina, ocasionando lesões efusivas (edema, hemorragia, descolamento de retina), caracterizando a retinopatia hipertensiva. Embora a coróide não seja um leito vascular autoregulatório, a hipertensão induz a injúrias no sistema arterial podendo causar oclusão dos capilares coroidais, levando a necrose e atrofia dos pigmentos epiteliais da 17 retina. A coriodopatia hipertensiva é caracterizada clinicamente, descolamento de retina localizado ou completo (MAGGIO et al, 2000). por A retinopatia hipertensiva é caracterizada clinicamente, por edema na retina, vasos tortuosos e hemorragia (LITTMAN, 1994; SANSOM & BODEY, 1997; MAGGIO et al, 2000; ACIERNO & LABATO, 2004) (Figura 1). Retinopatia hipertensiva e coriodopatia são seqüelas comuns da hipertensão desregulada. Figura1 : Fundoscopia de um felino com retinopatia hipertensiva. Notar a hemorragia dos vasos e edema de retina. (www.vin.com) A hipertensão crônica leva a uma redução irreversível do calibre das arteríolas, resultando em arteriosclerose (aumento dos componentes musculares e elásticos da parede arterial), ou aterosclerose (depósito de lipídio na camada íntima). Essas manifestações são incomuns em cães (SANSOM & BODEY, 1997; BODEY & SANSOM, 1998). Outra complicação associada à hipertensão é a formação do glaucoma, devido à inflamação, resultando em obstrução mecânica do ângulo 18 irido-corneano com sangue, células inflamatórias, e fibrina e eventualmente, o desenvolvimento de uma membrana fibrovascular. Isso pode resultar em sinéquia anterior periférica e obstrução pupilar. As manifestações clínicas mais comuns de retinopatia hipertensiva em cães e gatos são: hemorragia e degeneração de retina (BARTGES et al, 1996) (Figura 2). Figura 2: Felino com hifema grave e degeneração de retina secundário a hipertensão. (www.vin.com) Devido à dificuldade do diagnóstico precoce de hipertensão em gatos, as lesões oculares são as complicações mais comumente detectadas. A hipertensão deve ser considerada em gatos idosos, com início súbito de cegueira (Figura 3). Gatos com hipertensão, associada a alterações oculares devem ser avaliados para disfunção renal, hipertireioidismo, diabetes mellito e anormalidades cardíacas. A mensuração da pressão sanguínea e a fundoscopia devem ser rotineiramente realizadas, em gatos com risco de 19 desenvolver hipertensão (doença renal preexistente, hipertireioidismo e idade acima de dez anos) (MAGGIO, et al, 2000). Figura 3 : Felino com início súbito de cegueira secundário a hipertensão. (www.vin.com) 4.2. Alterações cardíacas O sopro cardíaco, a arritmia e o ritmo de galope podem ser desenvolvidos com o aumento da pós-carga. Mudanças cardíacas detectadas por ecocardiografia em gatos incluem: espessamento do septo interventricular e da parede livre do ventrículo esquerdo, redução do diâmetro interno diastólico ventricular e dilatação da aorta proximal (DUKES, 1992; LESSER et al, 1992; LITTMAN, 1994; MAGGIO et al, 2000; SNYDER et al, 2001; NELSON et al, 2002; ACIERNO & LABATO, 2004). A hipertrofia da parede miocárdica, causa uma diminuição da perfusão coronariana, havendo o risco de ocorrer isquemia do miocárdio subendocardial (DUKES, 1992; SNYDER et al, 2001). Em gatos com hipertireioidismo e hipertensão, o aumento da estimulação adrenérgica e da contratilidade cardíaca também podem contribuir para a hipertrofia do ventrículo esquerdo (DUKES, 1992; MAGGIO et al, 2000). Além disso, ocorre aumento da ativação de receptores ß-adrenérgicos, resultando em taquicardia, aumento da contratilidade do miocárdio, vasodilatação sistêmica e ativação do 20 sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando a hipertensão (HENRIK, 1997; MAGGIO et al, 2000). A taquicardia não é um achado comum de hipertensão, embora algumas doenças primárias que ocasionam a hipertensão, como o hipertireioidismo, também possam levar ao aumento da freqüência cardíaca (BROWN & HENRIK, 1998). A insuficiência cardíaca congestiva é incomum, mas já foi reportada (LITTMAN, 1994; BARTGES et al, 1996; MAGGIO et al, 2000). Alterações eletrocardiográficas em gatos podem indicar aumento ventricular esquerdo e bloqueio fascicular cranial esquerdo (HENRIK, 1997) (Figura 4). A radiografia torácica, normalmente, é insensível para detectar cardiomegalia resultante de hipertrofia concêntrica (NELSON et al, 2002). Figura 4: Eletrocardiograma de um felino com hipertrofia ventricular esquerda. Os cães normalmente apresentam hipertrofia ventricular esquerda e insuficiência da válvula mitral secundária (NELSON et al, 2002; ACIERNO & LABATO, 2004) (Figura 5). A pressão sanguínea elevada pode ser um precursor ou complicador de doenças cardiovasculares (LESSER et al, 1992). 21 Figura 5: Coração de um canino com hipertensão sistêmica apresentando hipertrofia ventricular esquerda e endocardiose.(www.vin.com) A hipertrofia ventricular esquerda em gatos pode estar associada a cardiomiopatia hipertrófica ou ao hipertireioidismo. Com isso, deve-se aferir a pressão sanguínea e mensurar a concentração de tiroxina sérica. A acromegalia também pode causar o espessamento ventricular, entretanto, essa doença é rara, e os gatos com acromegalia apresentam características físicas da doença (SNYDER et al, 2001). 4.3. Alterações neurológicas Encefalopatia hipertensiva é evidenciada por ataxia, cabeça inclinida, depressão, desorientação, convulsões e coma (DUKES, 1992; ACIERNO & LABATO, 2004; BROWN, 2005). O fluxo sanguíneo cerebral encontra-se usualmente mantido. Entretanto, em situações de pressão sanguínea gravemente elevada, os vasos cerebrais não conseguem sustentar a pressão, havendo uma dilatação repentina, e hiperperfusão de alta pressão 22 cerebral, resultando em edema e encefalopatia hipertensiva (DUKES, 1992). Isso ocorre quando a pressão arterial sistólica está mais elevada do que os mecanismos de auto-regulação da vasculatura cerebral podem acomodar (ACIERNO & LABATO, 2004). O subseqüente aumento da pressão intracraniana pode levar a herniação cerebelar (MATHUR et al, 2002; MATHUR, et al, 2004; BROWN, 2005). A herniação cerebral é geralmente uma complicação fatal da encefalopatia hipertensiva (BROWN, 2005). Embora essa condição ocorra em ambas às espécies, por razões pouco entendidas, os gatos são particularmente, mais susceptíveis ao desenvolvimento da encefalopatia hipertensiva (BROWN, 2005). A hipertensão também pode levar a ruptura de pequenas artérias resultando em isquemia localizada (acidente vascular cerebral), mas é um achado incomum na medicina veterinária. O animal pode exibir sinais clínicos de ataxia, desorientação, convulsão, estupor ou coma (BROWN, 2005). 4.4. Alterações renais A resposta inicial dos rins, ao aumento da pressão arterial sistólica, é aumentar a excreção renal de sódio e água. Inicialmente, age reduzindo o volume sanguíneo e, conseqüentemente, ajuda no controle da hipertensão. Eventualmente, a elevação da pressão arterial renal provoca uma degeneração tubular e fibrose intersticial, enquanto a hipertensão glomerular resulta em glomeruloesclerose, atrofia glomerular e glomerulite proliferativa. Juntas, essas mudanças estão associadas com hiperfiltração glomerular e progressão dos danos tubulares e glomerulares. O resultado final é a piora da hipertensão e, eventualmente, falência renal (ACIERNO & LABATO, 2004). Em estudos experimentais, a hipertensão pode ser a causa ou a exacerbação da 23 disfunção renal, devido às lesões arteriais similares as que ocorrem na retina (MAGGIO et al, 2000). Segundo MATHUR et al (2004), a hipertensão sistêmica, associada com a ativação do sistema renina-angiotensinaaldosterona e com a proteinúria são prejudiciais aos rins de gatos com insuficiência renal pré-existente. Segundo BARTGES et al (1996), a hipertensão sistêmica associada com uma diminuição da função e do número de néfrons, podem contribuir para a hiperfiltração glomerular e lesão glomerular e tubular, promovendo a progressão da falência renal. 24 5. Diagnóstico A exata definição do valor de normalidade da pressão sanguínea em cães e gatos tem gerado muitas pesquisas e debates, porque estudos prévios utilizaram pressão arterial sistólica variando de 141 a 185 mmHg (HENRIK, 1997; JENSEN et al, 1997; NELSON et al, 2002; ACIERNO & LABATO, 2004). Não há um consenso com relação aos valores de normalidade da pressão diastólica. Segundo ACIERNO & LABATO (2004), atualmente acredita-se que valores da pressão arterial acima de 150/95 mmHg em três visitas separadas, do paciente que não demonstram sinais clínicos, atribuídos diretamente a pressão elevada, é compatível com hipertensão, bem como uma única avaliação acima de 150/95 mmHg em um paciente sintomático. Entretanto, THOMPSON (2004) e ELLIOT et al (2001) acreditam que a hipertensão em gatos está relacionada com a pressão arterial sistólica acima de 170 mm Hg. SENNELLO et al (2003), considerou valores de pressão sistólica aumentados, acima de 180 mm Hg para a realização do seu estudo com gatos diabéticos. Enquanto BARTGES et al (1996) considerou hipertensão, valores da pressão sistólica acima de 160 mm Hg em gatos e 180 mm Hg em cães e diastólica acima de 95 mm Hg em gatos e 120 mm Hg em cães. Em cães, as conseqüências específicas da pressão alta, ainda não estão esclarecidas, parcialmente, devido à baixa incidência de valores 25 aumentados, exceto em certos grupos de raça. Com isso, a definição de hipertensão, como uma doença em cães é difícil, já que cães hipertensos, não estão, necessariamente, associados com mudanças patológicas específicas (BODEY & SANSOM, 1998). A pressão sanguínea em caninos depende da raça, idade, sexo, condição corporal, colocação da braçadeira e freqüência da mensuração da pressão sanguínea (ORTEGA et al, 1996, STRUBLE et al, 1998). Cães perdigueiros, idosos, machos e obesos apresentam pressão sanguínea mais elevada do que outras raças de cães jovens, fêmeas e cães magros (BODEY & MICHELL, 1996). Em gatos, ainda não há uma correlação entre raças e pressão sanguínea (BODEY & SANSOM, 1998). A mensuração da pressão na base da cauda e no membro posterior é mais precisa em comparação ao membro anterior (ORTEGA et al, 1996). A pressão sanguínea deve ser sempre avaliada em um ambiente tranqüilo, longe de outros animais e distrações, após o animal ter se acostumado com o ambiente (HENRIK, 1997; ACIERNO & LABATO, 2004). Quando possível, o proprietário deve estar presente, porque o animal, normalmente, fica mais calmo. Deve ser realizada a aferição da pressão arterial seqüencial e a mensuração seguinte deve ser comparada com a anterior, para verificar a precisão. Caso haja uma grande variação na leitura individual, a série deve ser repetida. O ideal seria aferir a pressão arterial de todos os pacientes, mas isso não ocorre na prática da maioria dos clínicos veterinários. Entretanto, é recomendado em todos os pacientes com condições clínicas associadas às doenças, que predispõem a hipertensão, ou animais que 26 recebem fármacos, que aumentam a pressão sanguínea (ACIERNO & LABATO, 2004). Gatos irracíveis tornam a mensuração da pressão arterial pelos métodos não invasivos mais difíceis (BODEY & SANSOM, 1998). A pressão arterial pode aumentar pela ansiedade causada por um fenômeno denominado de “síndrome do jaleco branco” (SNYDER, 1998; MATHUR, 2002). A visita ao veterinário, presença de estranhos no ambiente, tricotomia, colocação e inflação da braçadeira, além de outros estímulos de estresse, podem causar a liberação de catecolaminas, levando a uma falsa elevação da pressão sanguínea (BROWN & HENRIK, 1998). É importante lembrar que os métodos, a seguir, não são absolutamente precisos e nem todos os métodos são apropriados para todos os pacientes. Operadores variados podem influenciar, significativamente, nas mensurações da pressão sanguínea, então, um veterinário qualificado é essencial para se obter resultados acurados (ACIERNO & LABATO, 2004). Um único valor de pressão aumentada, nunca deve ser um diagnóstico de hipertensão sistêmica, na ausência de sinais clínicos (ACIERNO & LABATO, 2004; STEPIEN, 2005). 5.1. Mensuração da pressão sanguínea 5.1.1. Método direto ou invasivo O método mais acurado na mensuração da pressão sanguínea é através do cateterismo arterial (ex: femural), utilizando um transdutor para mensurar a pressão diretamente. Esse método é tecnicamente difícil em 27 animais não sedados, desconfortável e doloroso para o paciente, e não é prático na rotina clínica (HENRIK, 1997; ACIERNO & LABATO, 2004). É reservado, normalmente, a monitorização transcirúrgica, e a determinação da pressão arterial em estudos experimentais (MUCHA & CAMACHO, 2003). As artérias mais comumente utilizadas são a metatarsiana dorsal, a sublingual e a femoral (MUCHA & CAMACHO, 2003). Os efeitos adversos dessa técnica incluem: a formação de hematoma ou infecção, e pode haver uma falsa elevação da pressão sanguínea secundária a liberação de catecolaminas associada à dor (HENRIK, 1997; MUCHA & CAMACHO, 2003). 5.1.2. Métodos indiretos ou não invasivos A detecção pelo método de Doppler, oscilométrico e fotopletismografia são métodos de mensuração indireta que tem sido mais estudado na medicina veterinária (COULTER & KEITH, 1984; ACIERNO & LABATO, 2004). Os locais mais utilizados para aferição da pressão arterial pelos métodos não invasivos são: a base da cauda (artéria coccígea); membro anterior, próximo ao carpo (artéria mediana ou distal ao carpo (artéria digital palmar); membro posterior, no ramo cranial da safena ou distal a articulação tíbio-tarsiana (artéria plantar medial) (MUCHA & CAMACHO, 2003). 5.1.2.1Técnica auscultatória Em humanos, a técnica auscultatória é a mais comumente utilizada na mensuração da pressão sanguínea não invasiva. Entretanto, em cães e gatos, os sons arteriais são de baixa amplitude e freqüência, não sendo utilizada essa técnica (HENRIK, 1997; BROWN & HENRIK, 1998). 28 5.1.2.2. Detecção pelo método de Doppler O método de Doppler é um método comum para mensuração da pressão sanguínea na prática clínica (HENRIK, 1997; ACIERNO & LABATO, 2004). É baseado no efeito Doppler. Utiliza-se um transdutor muito pequeno (2x1x0,5 cm), formado por cristais piezoelétricos que emitem energia de alta freqüência para o tecido adjacente. Essa energia atinge a parede arterial e volta para o cristal, sendo transformada em sinal sonoro por um microprocessador (MUCHA & CAMACHO, 2003). Os outros materiais necessários, além do detector Doppler são o esfigmomanômetro, manguitos ou braçadeiras de diferentes tamanhos e o gel ultrassônico (Figura 6). Os manguitos utilizados em cães e gatos são os mesmos usados em neonatologia e pediatria humanas, cuja largura varia de 1 a 8 centímetros (MUCHA & CAMACHO, 2003) (Figura 7). Figura 6: Material necessário para a mensuração da pressão arterial pelo método de Doopler. Notar o aparelho Doppler com probe tipo pastilha, o esfigmomanômetro e o gel ultrassônico. 29 Figura 7: Braçadeiras utilizadas para a mensuração da pressão arterial pelo método de Doopler em cães e gatos. Embora a mensuração da pressão arterial sistólica seja fácil, a mensuração diastólica e, conseqüentemente, a média é tecnicamente mais difícil (CROWE & SPRENG, 1995). Qualquer membro ou artéria distal pode ser utilizado, embora seja melhor mensurar a pressão sempre no mesmo membro, para desenvolver uma técnica mais fidedigna. O gel ultrassônico deve ser colocado no probe para assegurar a condução adequada (ACIERNO & LABATO, 2004). Um cuff com diâmetro de 30% a 40% da circunferência do membro de gatos e 40% da circunferência do membro de cães deve ser colocado ao redor da artéria (BROWN & HENRIK, 1998). Selecionar um tamanho apropriado da braçadeira é extremamente importante, porque as braçadeiras que são muito pequenas geram, artificialmente, uma mensuração de pressão elevada, enquanto que as largas, resultam em uma mensuração mais baixa do que devem ser (CROWE & SPRENG, 1995). A utilização de uma fita para mensurar a circunferência do membro pode ajudar a selecionar a braçadeira correta (ACIERNO & LABATO, 30 2004). A braçadeira deve ser colocada no mesmo nível da válvula aórtica. Caso contrário, uma compensação deve ser feita por efeito gravitacional aumentando 1,0 mm Hg da pressão sanguínea esperada, para cada 1,3 centímetros da distância vertical entre o nível do cuff e o nível da válvula aórtica (BROWN & HENRIK, 1998). Quando o som da pulsação, que será ouvido pelo detector Doppler, estiver claro e consistente, a pressão pode ser mensurada. O manguito deve ser inflado usando um esfigmomanômetro, até que o fluxo sanguíneo não possa ser ouvido (CROWE & SPRENG, 1995). É melhor inflar o manguito, 30 a 40 mmHg após o ponto em que o fluxo sanguíneo foi detectado por último (HENRIK, 1997). O ponto em que o som do fluxo retorna, enquanto a pressão do manguito é vagarosamente diminuída é a pressão arterial sistólica. Um segundo som pode ser freqüentemente escutado, enquanto a pressão do manguito continua a ser reduzida vagarosamente. Esse som representa a pressão sanguínea diastólica (CROWE & SPRENG, 1995). Esse processo deve ser repetido três a cinco vezes para garantir uma leitura fidedigna (ACIERNO & LABATO, 2004) (Figura 8 e 9). Figura 8: Aferição da pressão arterial pelo método de Doopler em membro posterior de um gato 31 Figura 9: Aferição da pressão arterial pelo método de Doppler em membro anterior de um cão 5.1.2.3. Método Ocilométrico O método ocilométrico tem como princípio a análise das oscilações da parede arterial, segundo suas condições internas e externas de pressão. A oscilação captada pelo manguito será máxima quando existir equilíbrio entre a pressão interna e externa da artéria, coincidindo com a pressão arterial média, a partir da qual, por um cálculo aritmético, determina as pressões máxima e mínima. Uma vez colocado o manguito sobre a artéria escolhida, o equipamento é ligado e, de forma automática, infla a braçadeira até atingir a pressão supra-sistêmica. Logo em seguida, ocorre o seu esvaziamento a cada 5 a 10 mm Hg, até que a oscilação máxima seja captada (MUCHA & CAMACHO, 2003). Esse aparelho é automático, e mensura a pressão arterial sistólica e diastólica, bem como a pressão arterial média e a frequência cardíaca e, é mais fidedigno para cães de médio e grande porte (HENRIK, 1997; MUCHA & CAMACHO, 2003; ACIERNO & LABATO, 2004) (Figura 10). 32 Entretanto, esse método não deve ser utilizado para cães pequenos com menos de dez quilos ou gatos porque ele subestima a pressão arterial desses animais (HENRIK, 1997; BROWN & HENRIK, 1998; ACIERNO & LABATO, 2004). O ideal é realizar cinco determinações, eliminar o valor mais alto e o mais baixo e fazer a média com os restantes (MUCHA & CAMACHO, 2003). Figura 10: Aferição da pressão arterial pelo método ocilométrico em um cão de médio porte (ACIERNO & LABATO, 2004). 5.1.2.4. Método fotopletismográfico É uma técnica utilizada em medicina humana, que consiste na transmissão de uma luz infravermelha, para medir o volume arterial no dedo. Apesar dessa técnica ser limitada para cães pequenos e gatos, que pesam aproximadamente dez kilos ou menos, essa técnica pode prover mensuração da pressão sanguínea contínua. A fotoplestismografia não é utilizada freqüentemente por veterinários, exceto em alguns hospitais e centros de pesquisas (ACIERNO & LABATO, 2004). 33 6. Tratamento Animais com sinais clínicos de hipertensão e elevada pressão arterial devem receber, imediatamente, terapia anti-hipertensiva para diminuir a pressão arterial e consequentemente os sinais clínicos relacionados (STEPIEN, 2005). A decisão do tratamento e da droga anti-hipertensiva depende de vários fatores, incluindo a causa prevista da hipertensão, a presença de lesão em algum órgão e a gravidade da pressão sanguínea elevada (SYNDER & COOKE, 2005). Caso haja lesão em algum órgão, o tratamento da hipertensão é iniciado, usualmente, quando a pressão sanguínea ultrapassa 160 mm Hg. Caso não haja lesão em órgãos, o tratamento é indicado quando a pressão arterial sistólica é maior que 180 mmHg em três ocasiões separadas (SYNDER & COOKE, 2005). Os métodos de tratamento são direcionados na redução do volume de fluido extracelular ou vasodilatação. O sucesso, em longo prazo, dessas terapias vão depender da tendência dos mecanismos homeostáticos de interagir com a droga e retornar a pressão sanguínea ao normal (ELLIOT, et al, 2001). O tratamento, usualmente, é direcionado à diminuição do volume de sangue circulante, causado pela retenção de sódio e água, na redução do tônus simpático ou à diminuição da ativação do sistema renina-angiotensinaaldosterona (DUKES, 1992). 34 6.1. Terapia com drogas (Tabela 2) 6.1.1. Inibidores de enzima conversora de angiotensina (ECA) Inibidores de ECA são, freqüentemente, utilizados no tratamento inicial de escolha no controle de hipertensão canina. Exercem seu efeito por competitividade, inibindo a conversão de angiotensina I em angiotensina II. Devido a angiotensina II ser um potente vasoconstrictor, a vasodilatação ocorre quando a sua síntese é inibida. Em adição, a angiotensina II estimula a liberação de aldosterona, levando a retenção de sódio e água, aumentando o volume sanguíneo. Também age diretamente estimulando os rins a reter sódio, resultando no aumento do volume sanguíneo. Com isso, a administração de inibidores de ECA diminuem a secreção de aldosterona, reduzem a concentração plasmática e urinária de angiotensina II, aumentam a concentração urinária de protaglandina E e bradicinina, reduzem a pressão capilar intraglomerular e reduzem a proteinúria. Entretanto, a administração desse fármaco pode diminuir a perfusão renal, e causar necrose tubular (BARTGES et al, 1996). Os valores da função renal (níveis de uréia e creatinina) devem ser avaliados, periodicamente, após o início da terapia, porque as condições do paciente com insuficiência renal podem piorar (ACIERNO & LABATO, 2004). Um estudo realizado em cães diabéticos demonstrou um efeito renoprotetor pelos inibidores de ECA. Além de reduzir a pressão arterial sistêmica, diminuem a pressão capilar glomerular e o volume glomerular (GABER et al, 1994; BROWN et al, 2001). Em gatos com hipertensão induzida experimentalmente, a terapia com inibidor de ECA resulta na diminuição significativa da hipertrofia ventricular 35 esquerda secundária e arritmias ventriculares associadas com a hipertrofia ventricular esquerda (BROWN &HENIK,1998). Mais de 50% dos gatos hipertensivos não respondem ao enalapril, o inibidor de ECA mais comumente utilizado (JENSEN et al, 1997; BROWN et al, 2001; ACIERNO & LABATO, 2004). A hipertensão em gatos pode não estar associada somente com os mecanismos dependentes da renina (JENSEN et al, 1997; MATHUR et al, 2004). Com isso, o uso de inibidores de ECA , como anti-hipertensivo primário, em gatos, não é recomendado (ACIERNO & LABATO, 2004). Entretanto, de acordo com BROWN et al (2001), a administração de benazepril em gatos com insuficiência renal está associada a uma pequena, mas significante redução do grau de hipertensão sistêmica, ao aumento da perfusão renal e da taxa de filtração glomerular. O tratamento crônico com benazepril leva, preferencialmente, a vasodilatação arteriolar eferente. O benazepril pode ser um tratamento efetivo na diminuição ou prevenção do desenvolvimento de hipertensão capilar glomerular, em gatos com insuficiência renal, e na diminuição da progressão de falência renal, em gatos com doença renal. A pressão sanguínea capilar do glomérulo parece ser um fator mais importante de injúria renal hipertensiva do que a pressão arterial sistêmica em gatos (MATHUR, et al, 2004). 6.1.2. Bloqueadores de canais de cálcio Os bloqueadores de canais de cálcio são, usualmente, considerados a droga de escolha para o tratamento de hipertensão felina (MATHUR et al, 2002; ACIERNO & LABATO, 2004). Deve-se administrar uma dose mínima para os pacientes, e se necessário, a dosagem é aumentada através de um monitoramento da pressão sanguínea. Os bloqueadores de 36 canais de cálcio agem inibindo o influxo de cálcio, necessário para causar a contração da musculatura lisa. Com isso, diminuem a resistência vascular sistêmica (ACIERNO & LABATO, 2004). Dilatam, preferencialmente, as arterólas aferentes, preservando a taxa de filtração glomerular (MATHUR, 2002). Bensilato de amlodipina é a droga mais utilizada e mais efetiva no controle de hipertensão em gatos (SNYDER, 1998; MAGGIO et al, 2000; ACIERNO & LABATO, 2004; THOMPSON, 2004) e não causa depressão do miocárdio como outros antagonistas dos canais de cálcio (SNYDER, 1998; THOMPSON, 2004). Essa droga, também pode ocasionar uma redução da hipertrofia ventricular em gatos hipertensivos (SNYDER et al, 2001; SYNDER & COOKE, 2005). Em gatos com insuficiência renal e hipertensão, a utilização da amlodipina leva a diminuição dos riscos de lesões oculares ou complicações neurológicas, induzidas pelo aumento da pressão (MATHUR et al, 2002). É uma droga de longa ação, sendo administrada uma vez ao dia, com efeito gradativo, que previne a redução rápida da pressão sanguínea (ACIERNO & LABATO, 2004; THOMPSON, 2004). Devido a sua longa meia-vida, a amlodipina requer um a dois dias para alcançar o seu efeito máximo (KIENLE & KITTLESON, 1998). Inibidores de ECA e ß-bloqueadores podem ser associados a amlodipina, caso a terapia com a amlodipina não alcance o efeito desejável (HENRIK, 1997). Estudos em humanos e cães diabéticos demonstraram que a amlodipina não deve ser utilizada sozinha, já que pode causar danos renais e proteinúria, apesar de diminuir a pressão sanguínea sistêmica (ACIERNO & LABATO, 2004; THOMPSON, 2004). Uma possível explicação para esse efeito 37 paradoxal, é que os bloqueadores de canais de cálcio podem, preferivelmente, dilatar as arteríolas aferentes dos glomérulos, e isso causa uma hipertensão glomerular (MATHUR et al, 2002; ACIERNO & LABATO, 2004). Apesar disso, essa droga parece ser segura e efetiva quando utilizada como droga antihipertensiva primária em gatos ou como terapia adjuvante em cães (SNYDER, 1998; ACIERNO & LABATO, 2004). A administração de antagonistas de canais de cálcio, juntamente com inibidores de ECA, aparentemente, bloqueia os efeitos adversos do antagonista de canais de cálcio quando utilizado sozinho, pelo menos em cães diabéticos (BROWN & HENIK, 1998). No estudo de ELLIOT et al (2001), o uso da amlodipina em gatos, não foi associado com a deteriorização da função renal, mas uma pequena diminuição da concentração plasmática de potássio. Portanto, pode haver um maior requerimento da suplementação de potássio após o tratamento com amlodipina em gatos, sendo condizentes com achados na medicina humana (ELLIOT et al, 2001). A administração de antagonistas de canais de cálcio associado a inibidores de ECA tem sido utilizados na hipertensão de humanos, com doença renal crônica. Essa terapia pode reduzir a pressão sanguínea, havendo uma dilatação equivalente nas arteríolas aferentes e eferentes, produzindo um efeito balanceado na taxa de filtração glomerular e na pressão capilar glomerular (BROWN, 2005). O diltiazem é um bloqueador de canais de cálcio com propriedades inotrópica negativa, cronotrópica negativa e dilatação arteriolar. Entretanto, a dilatação arteriolar provocada pelo diltiazem é menor de que a causada pela amlodipina (KIENLE & KITTLESON, 1998). 38 6.1.3. ß-bloqueadores Os ß-bloqueadores são utilizados em cães e gatos, quando o antihipertensivo primário falha em produzir um efeito desejável, na redução da pressão sanguínea (ACIERNO & LABATO, 2004). Os antagonistas ßadrenérgicos agem por redução no débito cardíaco. Os receptores ßadrenérgicos são encontrados no coração (ß1) e pulmões (ß2) (SNYDER, 1998). O bloqueio dos receptores ß1 adrenérgicos alentecem o coração, e o bloqueio dos receptores ß2 adrenérgicos levam a contrição bronquial. Em pacientes com asma, a melhor escolha são antagonistas seletivos para ß1 como o atenolol, para evitar constrição bronquial (ACIERNO & LABATO, 2004). Não há diferença aparente, no efeito antihipertensivo dos ß- bloqueadores cardio-seletivos e dos não seletivos como o propranolol (SNYDER & COOKE, 2005). O carvedilol é um ß-bloqueador não seletivo com propriedades vasodilatadoras devido ao bloqueio de receptores α1. Em cães, a atividade αbloqueadora é 3,8 vezes menos potente do que a atividade ß-bloqueadora. É uma droga utilizada para aumentar a sobrevida de pacientes com insuficiência cardíaca congestiva em humanos. Em cães, o carvedilol no dosagem de 0,2 mg/kg, diminui a freqüência cardíaca, mas não afeta a função renal, pressão arterial ou a contratilidade ventricular esquerda. Entretanto, na dosagem de 0,4 mg/kg, diminui a freqüência cardíaca, assim como a pressão sanguínea e o fluxo plasmático renal. Com isso, é necessário iniciar doses menores que 0,2 mg/kg e ir aumentando até 0,4 mg/kg em cães com falência cardíaca (UECHI et al, 2002). 39 Os ß-bloqueadores são considerados o tratamento de escolha na hipertensão de gatos com hipertireioidismo, já que o excesso de tiroxina, causa uma resposta exagerada as catecolaminas (SYNDER & COOKE, 2005). Em gatos com hipertireioidismo, a hipertensão se resolve após dois a três meses de tratamento específico para o hipertireioidismo. Com isso, não é necessária, terapia contínua para a hipertensão, a menos que haja outra doença associada como a insuficiência renal crônica (HENRIK, 1997). Os ß- bloqueadores não devem ser utilizados como antihipertensivos em cães com suspeita de feocromocitoma (SYNDER & COOKE, 2005). 6.1.4. Bloqueadores α-adrenérgicos A estimulação de receptores α-adrenérgicos nos vasos sanguíneos leva a vasoconstrição e aumento da resistência vascular sistêmica. Bloqueadores α-adrenérgicos exercem seu efeito antihipertensivo, pelo antagonismo seletivo dos receptores α-adrenérgicos, nos vasos sistêmicos causando vasodilatação e diminuição da resistência vascular sistêmica. A prazosina, um potente antagonista de receptores α-adrenérgicos, pode ser utilizada como terapia primária ou adjuvante para cães hipertensivos. Quando iniciada antes de bloqueadores ß-adrenérgicos, tem um efeito satisfatório no manejo de hipertensão causado por feocromocitomas (ACIERNO & LABATO, 2004). 6.1.5. Hidralazina A hidralazina pode ser utilizada com sucesso como terapia crônica, caso haja falha em outros tratamentos. Entretanto, age diretamente com vasodilatador arteriolar e, como efeito adverso, pode provocar a ativação 40 do sistema renina-angiotensina-aldosterona (HENRIK, 1997). Com isso, pode ocorrer retenção de sódio e taquicardia reflexa. A adição de diuréticos ou drogas simpatolíticas pode ser necessário ao protocolo terapêutico (BARTGES et al, 1996; KIENLE & KITTLESON, 1998). 6.1.6. Furosemida e hidrocolorotiazida Os diuréticos raramente são efetivos como único fármaco no tratamento de hipertensão, mas podem ser utilizados em combinação com outras drogas anti-hipertensivas (LITTMAN, 1994; BARTGES 1996). Eles agem reduzindo o volume de fluido extracelular e apresentam leve ação vasodilatadora. Embora as tiazidas, que agem no néfron distal, sejam diuréticos efetivos, geralmente, eles são ineficientes em pacientes com falência renal. A furosemida é um diurético de alça, e parece ser mais efetiva na redução da pressão sanguínea em pacientes hipertensos associados com falência renal. Efeitos adversos incluem desidratação, progressão da falência renal devido à diminuição da perfusão renal, hiponatremia e hipocalemia (BARTGES, 1996). 6.1.7. Nitroprussida A nitroprussida é um potente vasodilatador arterial e venoso que age como um doador de óxido nítrico para as células musculares lisas dos vasos sanguíneos (HENRIK, 1997; BROWN & HENIK, 1998; ACIERNO & LABATO, 2004). Esse fármaco começa a agir em segundos e tem uma meia vida de 2 a 3 minutos, conseqüentemente deve ser utilizado em infusão contínua. A toxicidade secundária ao seu uso em humanos, está relacionada à parada cardíaca, coma, convulsão e anormalidades neurológicas irreversíveis apesar da sofisticada monitorização. 41 6.1.8. Acepromazina Os derivados fenotiazínicos, como a acepromazina, é um agente vasodilatador comumente utilizado na medicina veterinária. Acredita-se que, a diminuição da pressão sanguínea esteja associada com bloqueio de receptores α- adrenérgicos. A acepromazina pode ser administrada em casos que, não estejam disponíveis outros agentes antihipertensivos e a pressão sanguínea deve ser controlada imediatamente (SYNDER & COOKE, 2005). 6.1.9. Espironolactona Certos estudos, envolvendo animais de companhia, sugerem que inibidores da aldosterona, podem proteger contra efeitos deletérios do aumento da pressão sanguínea no cérebro, coração e nos rins. Essa classe de droga age não só diminuindo a pressão sanguínea, mas também reduzindo a fibrose resultante da hipertensão. Apesar dessa informação ser preliminar e mais estudos sejam necessários para avaliar os benefícios dessas drogas, os pacientes hipertensivos podem ser beneficiados com essa terapia adjuvante (ACIERNO & LABATO, 2004). 6.1.10. Colírios esteroidais O completo descolamento associado com a degeneração de retina é uma lesão irreversível resultando em cegueira permanente. A terapia tópica com esteróides pode proporcionar um efeito antiinflamatório em casos de hifema e reduzir o risco do desenvolvimento de glaucoma secundário a inflamação (BARTGES et al, 1996). Os sinais oculares, normalmente, melhoram após duas a seis semanas de tratamento. Entretanto, a degeneração de retina associada com a 42 hipertensão apresenta um prognóstico desfavorável para retornar a visão (HENRIK, 1997). 6.1.11. Medicações deletérias A administração de corticosteróides, fenilpropanolamina, fluidos subcutâneos e preparações tópicas como fenilefrina ocular, podem fazer com que o controle dos pacientes com hipertensão seja mais difícil. Essas drogas devem ser interrompidas ou utilizadas na menor dose possível (SYNDER & COOKE, 2005). A administração de eritropoietina recombinante, com a intenção de elevar o hematócrito em pacientes com insuficiência renal, podem exacerbar a hipertensão e não deve ser utilizada, até que a pressão sistêmica esteja controlada (BROWN & HENIK, 1998). FÁRMACO Furosemida Atenolol Propranolol Enalapril Benazepril Nitroprussida Prazosina Amlodipina Acepromazina Hidralazina Espironolactona Diltiazem FELINO 1-4 mg/kg PO, IV q12-48h 2 mg/kg PO q12-24h 2,5-5 mg/gato PO q8-12h 0,25-0,5 mg/kg PO q12-24h 0,25-0,5 mg/kg q24h não está disponível não está disponível 0,18-0,3 mg/kg PO q24h 0,05-0,2 mg/kg SC,IV 2,5-5 mg/gato PO q12-24h 1 mg/kg PO q12h 0,5 mg/kg PO q6h CANINO 2-4 mg/kg PO,IV q8-24h 0,25-1 mg/kg PO q12-24h 0,2-1 mg/kg PO q12-24h 0,5 mg/kg PO q12-24h 0,25-1 mg/kg PO q24h 2-10 µg/lg/min IV IC 0,5-2,0 /cão PO q8-12h 0,05-0,4 mg/kg PO q24h 0,05-0,1 mg/kg SC,IV 0,5-3 mg/kg PO q12h 1-2 mg/kg PO q12h 0,5 mg/kg PO q6h Tabela 2: Fármacos utilizados na terapia de hipertensão em cães e gatos (modificado ACIERNO & LABATO, 2004). 6.2. Urgência hipertensiva e emergência hipertensiva. 6.2.1. Urgência hipertensiva A urgência existe quando um animal possui pressão sanguínea elevada, mas não demonstra sinais clínicos diretamente atribuídos a hipertensão. Nesses animais é imperativo, que a pressão arterial seja 43 diminuída, mas deve ser feita de uma forma gradual e controlada. O fluxo sanguíneo cerebral permanece constante por uma ampla variação na pressão arterial média, devido aos mecanismos auto-reguladores. Acima de 120 mmHg, o fluxo sanguíneo cerebral e a pressão aumentam. Entretanto, em pacientes com a pressão arterial alta adquirida de forma gradativa e em longo prazo, a vasculatura cerebral sofre mudanças, permitindo que o cérebro suporte pressões anormalmente altas, sem efeitos deletérios. Devido às mudanças na vascularização, esses pacientes podem sofrer diminuição da perfusão cerebral e necrose, quando a pressão sanguínea estiver no valor ótimo para um paciente normotensivo. Com isso, a pressão sanguínea deve ser alterada vagarosamente e gradativamente (ACIERNO & LABATO, 2004). Devido à maioria dos casos de hipertensão diagnosticados em medicina veterinária serem secundários a outras doenças, primeiramente devese identificar a causa do processo, e instituir a terapia apropriada. Embora, o tratamento da doença de base, possa resolver a hipertensão associada em alguns pacientes, outros animais requerem o manejo da doença primária associada a drogas anti-hipertensivas. Um princípio importante no tratamento de hipertensão é permitir uma a duas semanas após a avaliação da eficácia da droga que está sendo usada ou do ajuste de dose. O objetivo do tratamento não é necessariamente manter o paciente normotensivo, mas diminuir a pressão arterial sistólica em 170 mmHg ou menos. Uma vez a pressão sanguínea tenha sido regulada, o paciente deve ser reavaliado a cada três meses com análise de hemograma, perfil bioquímico e urinálise, três vezes por ano (ACIERNO & LABATO, 2004). 44 6.2.2. Emergência hipertensiva A emergência hipertensiva ocorre quando o animal está presente com uma pressão sanguínea elevada e demonstra sinais clínicos diretamente atribuídos a hipertensão. Esses pacientes devem ser tratados rapidamente e requerem monitorizarão (ACIERNO & LABATO, 2004). As emergências hipertensivas devem ser tratadas somente em hospitais 24 horas com experiência em pacientes críticos e equipamentos para monitorar a pressão sanguínea continuamente. Medicações potencialmente perigosas como a nitroprussida e a hidralazina devem ser utilizadas (ACIERNO & LABATO, 2004). Caso não haja monitorização intensiva e bomba de infusão contínua no hospital veterinário, a hidralazina e furosemida podem ser utilizadas. Também pode-se utilizar o diltiazem com agente único. Quando a pressão não for reduzida em 12 horas, pode-se adicionar ß-bloqueadores (propranolol ou atenolol) (HENRIK, 1997; BROWN & HENIK, 1998). Se um diurético de alça, for administrado em gatos com doença renal, a concentração de potássio deve ser monitorada cuidadosamente (HENRIK, 1997). 6.3. Tratamento do suporte A pressão sanguínea canina e felina pode responder ao tratamento, diferentemente, de acordo com as condições corporais de cada paciente. Embora não haja uma correlação aparente entre obesidade e hipertensão em gatos, estudos em cães demonstram que uma pequena, mas notável elevação na pressão sanguínea, com o aumento do peso. Também não há uma evidência definitiva que dietas com restrição de sódio beneficiam cães e gatos hipertensos como em humanos (GRECO et al; 1994). Com isso, não há 45 evidências que animais de companhia devem se alimentar de dietas com pouco sódio ou de baixa caloria. Entretanto, dietas ricas em sódio e a obesidade são indesejáveis, associados com qualquer terapia medicamentosa. Assim, uma boa condição corporal e dietas restritas em sódio são objetivos sensatos para todos os pacientes. Os animais também devem ser submetidos a exercícios físicos, já que os cães que realizam exercícios regularmente, possuem uma pressão sanguínea mais baixa do que os cães sedentários (ACIERNO & LABATO, 2004). 46 7. Conclusão A determinação da pressão arterial em cães e gatos é muito importante, já que a hipertensão pode ocasionar alterações significativas no paciente. Não há um consenso com relação ao valor de normalidade da pressão arterial em cães e gatos. Há divergência entre os autores. Entretanto, a pressão alta está associada com lesões em olhos, coração, cérebro e rins. Pacientes com determinadas doenças possuem um grande risco de desenvolver a hipertensão. Deve-se ter consciência das vantagens e desvantagens dos métodos de aferição da pressão arterial. Três diferentes métodos não invasivos, tem demonstrado precisão na mensuração da pressão sistólica. Protocolos de tratamento têm sido desenvolvidos e documentados para ajudar no controle da doença. 47 Referências bibliográficas ACIERNO, M.J., LABATO, M.A. Hypertension in dogs and cats. Compendium on continuing education for practicing veterinarians, v.26, n.5, may, 2004. p.336-345. ASH, R.A.; HARVEY, A.M.; TASKER, S. Prymary hyperaldosteronism in the cat: a series of 13 cases. Journal of Feline Medicine and Surgery, v.7, n.3, march, 2005.p.173-182. BARTGES, J.W.; WILLIS, A.M.; POLZIN, D.J. Hypertension and renal disease. Veterinary Clinics of North America: Small animal practice, v.26, n.6, november, 1996. p.1331-1345. BELERENIAN, G.C.; MUCHA, C.J.; CAMACHO, A.A. (Ed), Afecções cardiovasculares em pequenos animais. São Paulo: Interbook, 2003. Cap.7, p.68-71. BODEY,A.R.; MICHELL, A.R. Epidemiological study of blood pressure in domestic dogs. 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