PERFIL DA AUTONOMIA FUNCIONAL DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS DO
MUNICÍPIO DE TRÊS RIOS/RJ – BRASIL
Andréia Botelho dos Santos
João Claudio dos Santos Silva
Maria de Fátima Carvalho Baptista
Fabio Dutra Pereira
Helio Lemos Furtado
Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento – NEPE/UCB/TR
Universidade Castelo Branco - Brasil
RESUMO
Objetivo: descrever o perfil da autonomia funcional dos idosos institucionalizados do
Município de Três Rios-RJ/Brasil. Metodologia: a amostra foi constituída de 43 gerontes do
sexo masculino, divididos em seis grupos: G1 (n=10, com 61,8 ± 1,8 anos e IMC = 23,2 ±
2,1), G2 (n=10, com 67,2 ± 1,5 anos e IMC = 22,1 ± 2,5), G3 (n=08, com 72,3 ± 2,6 anos e
IMC = 24,0 ± 1,3), G4 (n=05, com 76,2 ± 1,1 anos e IMC = 22,5 ± 2,6), G5 (n=05, com 80,0
± 1,5 anos e IMC = 20,7 ± 2,0) e G6 (n=05, com 87,3 ± 1,6 e IMC = 21,5 ±1,3). O
instrumento utilizado para mensuração da variável foi a bateria de avaliação funcional Sênior
Fitness Test e foram realizadas as técnicas de estatística descritiva através do programa Office
Excel 2007. Resultados: test Chair Stand (G1= 15,0 – G2=14,5 – G3= 13,5 – G4=12,0 –
G5=11,0 – G6=8,0); Test Arm Curl (G1= 17,5 – G2=17,0 – G3=16,0 – G4=13,0 – G5=12,0 –
G6=11,0); Test 6-Minutes Walk (G1= 281,1 – G2=278,8 – G3= 251,9 – G4=219,4 –
G5=187,4 – G6= 150,8); Test Chair Sit-&-Reach (G1=-10,0 – G2= -11,5 – G3=-14,5 – G4= 23,0 – G5=-23,0 – G6=-26,0); Test Back Scratch (G1=-15,5 – G2=-25,5 – G3=-28,5 – G4= 30,0 – G5=-32,0 – G6=-34,0); Test 8-Ft Up-&-Go (G1=8,9 ± 0,7 – G2=10,5 ± 2,2 – G3=
11,2 ± 1,3 – G4=15,1 ± 1,7 – G5=14,0 ± 3,1 – G6=18,1 ± 1,6). Conclusão: pode-se concluir
que os idosos institucionalizados do Município de Três Rios/RJ – Brasil apresentam níveis de
autonomia funcional abaixo dos valores recomendados pelo Sênior Fitness Test (RIKLI &
JONES, 2002).
Palavras-chaves: idosos, asilo, atividade física e autonomia.
1. INTRODUÇÃO
O crescimento da população de idosos é um acontecimento mundial e ocorre em um nível
sem precedentes (Pereira, Curioni & Veras, 2003). Esse fenômeno desperta atenção de
pesquisadores, observando-se, também no Brasil, um crescente interesse pelas questões ligadas
à qualidade de vida na terceira idade (FREIRE, 2000).
No Brasil a população idosa, considerada pela Lei nº 8.842/94 (Política Nacional do Idoso)
como aqueles indivíduos com 60 anos e mais, compõe hoje o segmento populacional que mais
cresce em termos proporcionais. De acordo com as projeções estatísticas, até o ano de 2025,
seremos a sexta maior população idosa do mundo em números absolutos, com mais de 32
milhões de idosos, os quais corresponderão a 15% da população. Para o Brasil, a passagem de
uma situação de alta fecundidade e alta mortalidade para uma de baixa fecundidade e
mortalidade proporcionalmente menor vem-se traduzindo pelo aumento progressivo de idosos
(SILVESTRE et al. 1996).
A problemática da velhice seria mais uma consequência de certas condições físicas
próprias das áreas metropolitanas e da modernidade, como falta de moradias, transporte,
nuclearização da família, conflitos entre as gerações, individualismo, asilamento, além das
complicações que podem apresentar-se acompanhando o envelhecimento, como problemas de
saúde com maior dependência física e/ou psíquica, que aumentam a carga de trabalho e os
gastos. No Brasil, o último levantamento demográfico evidenciou que mais de 50% dos
domicílios são multigeracionais (CAROMANO, 2003).
Na velhice, o conceito de interdependência fica relegado a segundo plano, dando lugar à
volta dos conceitos de dependência, independência, autonomia e perda de autonomia. Nessa
fase, a resposta social ao declínio biológico, o afastamento do trabalho, a mudança da
identidade social, a desvalorização social do idoso e a indefinição de um contexto social
pertinente implicam em alto grau de estresse na vida do idoso, dificultando a realização das
tarefas evolutivas (SILVA & GUNTHER, 2000).
Sabe-se, ainda, que os gerontes apresentam risco potencial no que se refere à perda de
suas capacidades funcionais, o que pode determinar dependência parcial ou total para a
realização de atividades da vida diária. O idoso ao ter a percepção de todos estes fatos
naturais, de que sua presença com filhos e netos não lhe permite desfrutar dos mínimos
padrões conquistados, mantém o desejo de ser livre e de possuir seu espaço, na sua
individualidade. Aqueles, os quais possuem condições financeiras dignas de uma vida de
trabalho, conseguem ter sua casa própria e/ou ainda, viver em flats e hotéis. Porém, aqueles
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que não tiveram estas oportunidades acabam sempre sendo encaminhados às casas de repouso
ou asilos subsidiados pelo governo ou entidades filantrópicas (QUADROS JUNIOR, 2008).
No Brasil, dados demográficos demonstram que a população encontra-se em um
rápido processo de envelhecimento e, em consequência, a cada ano há um acréscimo
significativo no número de gerontes em nossa sociedade. Esta situação, aliada a
modificações na estrutura familiar e à dinâmica da sociedade, em que há, cada vez mais, a
inserção do maior número possível de integrantes da família no mercado de trabalho, em
especial a mulher, expõe a pessoa idosa ao risco de vir a ser institucionalizada.
Em determinadas situações ou períodos, a capacidade da família para o cuidado pode
estar comprometida ou fragilizada e, nestas condições, o idoso pode constituir-se num
entrave à autonomia dos familiares, seja pelas demandas do cotidiano, que não lhes
possibilita conciliar cuidado e atividades de trabalho e do lar, ou pela impossibilidade de
dentre os familiares encontrar um ou mais membros que se disponibilizem e se
responsabilizem pelo cuidado do idoso. A institucionalização, então, é uma das soluções
encontradas para o problema.
Segundo Benedetti (et. al., 2003), estas instituições não realizam atividades ocupacionais
durante o dia e os idosos, devido ao declínio do organismo, dão preferência a atividades
menos exigentes e que requeiram menor esforço, acontecendo, com isso, um fenômeno
interessante que termina convertendo-se em um ciclo vicioso: à medida em que há o
incremento da idade, o indivíduo tende-se a tornar menos ativo, por conseguinte suas
capacidades físicas diminuem, começa a aparecer o sentimento de velhice, que pode por sua
vez causar estresse, depressão e levar a uma redução da atividade física e, conseqüentemente,
à aparição de doenças crônico-degenerativas, que por si só, contribui para o envelhecimento.
Mais que a doença crônica, é o desuso das funções fisiológicas que pode gerar mais
problemas. A maioria dos efeitos do envelhecimento ocorre por imobilidade e má adaptação e
não por doença crônica (MATSUDO, 2000).
Infelizmente, em virtude do envelhecimento a uma diminuição da autonomia funcional,
evoluindo muitas vezes para a dependência (CAMARGOS et al., 2005). Como conseqüência,
é provável um aumento do número de idosos residentes em instituições de longa permanência
para idosos, popularmente conhecidas como asilos.
Um fator influenciador na decisão familiar de institucionalizar o idoso é, além dos
distúrbios comportamentais, o declínio das funções cognitivas, muito freqüente com o avançar
da idade (PARK et al., 2003). A cognição pode sofrer influência direta e indireta dos sintomas
depressivos (POTTER & STEFFENS, 2007), muito prevalente em idosos institucionalizados,
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e da prática de atividade física (COLCOMBE & KRAMER, 2003). O idoso, agora
institucionalizado, tende a diminuir seu nível de atividade física, seja pela idade avançada
(WASHBURN et al., 1999) ou pela incapacidade funcional (BUCHMAN et al., 2007). Todo
este quadro (de influência físico/motora na cognição e vice-versa) pode levar às demências.
Grande parte das evidências epidemiológicas sustenta um efeito positivo de um estilo
de vida ativo e/ou do envolvimento dos indivíduos em programas de atividade física e
exercício na prevenção e minimização dos efeitos deletérios do envelhecimento. Os cientistas
enfatizam cada vez mais a necessidade de que a atividade física seja parte fundamental dos
programas mundiais de promoção da saúde. Não se pode pensar hoje em dia em "prevenir" ou
minimizar os efeitos do envelhecimento sem que, além das medidas gerais de saúde, se inclua
a atividade física (MATSUDO, 2000).
2. METODOLOGIA
O presente estudo teve seu projeto de pesquisa aprovado pelo Comitê de Ética em
pesquisa envolvendo seres humanos da Universidade Castelo Branco, os participantes desta
pesquisa assinaram o termo de consentimento e os procedimentos experimentais foram
executados dentro das normas éticas previstas na Resolução N.o 196, de 10 de Outubro de
1996, do Conselho Nacional de Saúde.
Como critério de inclusão, todos os idosos deveriam ser institucionalizados e
classificados como sedentários conforme indicação da ACSM (1998). Foi considerado como
critério de exclusão qualquer tipo de condição patológica aguda ou crônica que pudesse
comprometer ou que tornasse um fator de impedimento para realização da avaliação
funcional.
Os dados foram coletados no mês de junho de 2008 seguindo um cronograma de uma
visita por semana. O grupo de pesquisadores visitou as quatro instituições asilares
pertencentes ao Município de Três Rios sendo as avaliações realizadas nos turnos da manhã e
da tarde.
A amostra foi constituída de 43 gerontes institucionalizados do sexo masculino do
Município de Três Rios, sendo homogeneizada por faixa etária e índice de massa corporal
propostos por Cervi (et al. 2005) e Rikli e Jones (1998), neste sentido, a amostra fora dividida
em seis grupos: G1 (n=10, com 61,8 ± 1,8 anos e IMC = 23,2 ± 2,1), G2 (n=10, com 67,2 ±
1,5 anos e IMC = 22,1 ± 2,5), G3 (n=08, com 72,3 ± 2,6 anos e IMC = 24,0 ± 1,3), G4 (n=05,
com 76,2 ± 1,1 anos e IMC = 22,5 ± 2,6), G5 (n=05, com 80,0 ± 1,5 anos e IMC = 20,7 ±
2,0) e G6 (n=05, com 87,3 ± 1,6 anos e IMC = 21,5 ± 1,3).
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Os instrumentos utilizados na presente pesquisa foram: balança digital da marca Plena,
estadiômetro Sanny e a bateria de avaliação funcional Sênior Fitness Test (RIKLI & JONES,
1998).
Foram realizadas as técnicas de estatística descritiva (média, desvio padrão, coeficiente
de variação, mediana, curtose e assimetria) no sentido de enquadramento dos grupos
estudados nos índices de referência. Em ambos cálculos estatísticos utilizou-se o programa
Office Excel 2007.
3. RESULTADOS
Tabela 1: Força funcional de membros inferiores (Test Chair Stand).
GRUPOS
G1
G2
G3
G4
G5
G6
Média - DP
14,7 ± 7,2
14,9 ± 5,7
13,1 ± 6,3
11,4 ± 5,0
10,1 ± 4,3
8,2 ± 3,2
CV%
48,9
38,2
48,0
43,8
42,5
39,0
Mediana
15,0
14,5
13,5
12,0
11,0
8,0
Curtose
0,8
-0,5
1,3
1,9
-0,7
-1,2
Assimetria
-1,2
-0,7
-1,1
-0,3
0,9
0,8
Índice predito (R&J)
14 a 19
12 a 18
12 a 17
11 a 17
10 a 15
08 a 14
Analisando a tabela 1, deve-se considerar que as curtoses e as assimetrias apresentadas
sugerem uma distribuição próxima da normalidade para todos os grupos avaliados e com base
nos coeficientes de variação superiores a 25% em todos os grupos, as medianas serviram de
valor de referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos.
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Gráfico 1: Força funcional de membros inferiores (Test Chair Stand).
A partir do gráfico 1, fica evidente que todos os grupos estudados apresentam níveis de
força funcional de membros inferiores dentro dos índices preditos. No entanto, há de ser
salientado o resultado do G6 para esta variável, uma vez que este se iguala ao limite inferior
crítico.
Tabela 2: Força funcional de membros superiores (Test Arm Curl).
GRUPOS
G1
G2
G3
G4
G5
G6
Média - DP
17,9 ± 8,5
17,5 ± 6,5
16,4 ± 6,1
13,6 ± 7,3
12,4 ± 5,1
11,2 ± 4,5
CV%
47,4
37,1
37,1
53,6
41,1
40,1
Mediana
17,5
17,0
16,0
13,0
12,0
11,0
Curtose
-0,8
-0,1
0,2
1,1
-0,1
-0,1
Assimetria
-0,4
0,6
-0,6
-1,0
0,4
0,4
Valor Predito (R&J)
16 a 22
15 a 21
14 a 21
13 a 19
13 a 19
11 a 17
Ao analisar a tabela 2, pode-se aceitar a distribuição próxima da normalidade para todos
os grupos avaliados em virtude das curtoses e as assimetrias apresentadas. Pelo fato dos
coeficientes de variação serem superiores a 25%, as medianas foram empregadas como valor
de referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos.
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Gráfico 2: Força funcional de membros superiores (Test Arm Curl).
O gráfico 2 deixa explícito que o G5 apresenta níveis de força funcional de membros
superiores abaixo dos índices preditos e que os resultados dos G4 e G6 para esta variável se
igualam ao limite inferior crítico.
Tabela 3: Resistência aeróbica funcional (Test 6-Minutes Walk).
GRUPOS
G1
G2
G3
G4
G5
G6
Média - DP
297± 137,8
292 ± 124,5
255 ± 98,4
231 ± 58,7
206 ± 95,8
182 ± 61,9
CV%
46,3
42,6
38,5
25,4
46,4
33,9
Mediana
281,1
278,8
251,9
219,4
187,4
150,8
Curtose
0,1
0,1
-0,6
0,7
-1,9
-0,9
Assimetria
-0,1
0,7
0,1
0,7
0,4
0,9
Valor Predito (R&J)
610 a 735
560 a 700
545 a 680
470 a 640
445 a 605
380 a 570
A tabela 3 mostra a distribuição próxima da normalidade para todos os grupos avaliados em função das curtoses e as assimetrias obtidas. Como os coeficientes de variação
foram superiores a 25%, foi conveniente usar as medianas como valor de referência dos
respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos.
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Gráfico 3: Resistência aeróbica funcional (Test 6-Minutes Walk).
Com base no gráfico 3, podemos notar que todos os grupos pesquisados apresentam
níveis de resistência aeróbica funcional abaixo dos índices preditos.
Tabela 4: Flexibilidade funcional de membros inferiores (Test Chair Sit-&-Reach).
GRUPOS
G1
G2
G3
G4
G5
G6
Média - DP
-9,3 ± 7,0
-9,6 ± 7,5
-14,4 ± 8,5
-22,4 ± 9,1
-24,6 ± 11,3
- 28,0 ± 7,1
CV%
75,2
78,1
58,9
40,6
45,9
25,3
Mediana
-10,0
-11,5
-14,5
-23,0
-23,0
-26
Curtose
-0,2
-0,8
0,7
-0,1
-0,9
-0,6
Assimetria
-0,2
-0,3
-0,7
-0,2
0,2
-0,3
Valor Predito (R&J)
-2,5 a 4,0
-3,0 a 3,0
-3,5 a 2,5
-4,0 a 2,0
-5,5 a 1,5
-5,5 a 0,5
Ao analisar a tabela 4, é correto aceitar que há distribuição próxima da normalidade
para todos os grupos avaliados em virtude das curtoses e as assimetrias apresentadas. Como
os coeficientes de variação foram superiores a 25%, as medianas tornaram-se o melhor valor
de referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos.
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Gráfico 4: Flexibilidade funcional de membros inferiores (Test Chair Sit-&-Reach).
O gráfico 4 demonstra que todos os grupos estudados apresentam níveis de flexibilidade
funcional de membros inferiores abaixo dos índices preditos e, que neste sentido, um declínio
mais acentuado ocorre a partir dos 75 anos.
Tabela 5: Flexibilidade funcional de membros superiores (Test Back Scratch).
GRUPOS
G1
G2
G3
G4
G5
G6
Média - DP
-18,7 ± 11,9
- 20,8 ± 12,8
-27,5 ± 12,0
-28,0 ± 8,0
-28,2 ± 10,0
-30,0 ± 8,7
CV%
63
61,6
43,7
28,5
35,4
29,0
Mediana
-15,5
-25,5
-28,5
-30,0
-32,0
-34,0
Curtose
-1,6
-0,2
-0,9
-0,8
-1,8
-1,5
Assimetria
0,1
0,8
0,6
-0,6
-0,1
0,6
Valor Predito (R&J)
-6,5 a 0,0
-7,5 a -1,0
-8,0 a -1,0
-9,0 a -2,0
-9,5 a -2,0
-10,0 a -3,0
A tabela 5 mostra a distribuição próxima da normalidade para todos os grupos avaliados
em função das curtoses e as assimetrias obtidas. Uma vez que os coeficientes de variação se
apresentaram superiores a 25%, foi conveniente usar as medianas como valor de referência
dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos.
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Gráfico 5: Flexibilidade funcional de membros superiores (Test Back scratch).
De acordo com o gráfico 5, fica evidente que todos os grupos estudados apresentam
níveis de flexibilidade funcional de membros superiores abaixo dos índices preditos.
Tabela 6: Agilidade e equilíbrio dinâmico funcional (Test 8-Ft Up-&-Go).
GRUPOS
G1
G2
G3
G4
G5
G6
Média - DP
8,9 ± 0,7
10,5 ± 2,2
11,2 ± 1,3
15,1 ± 1,7
14,0 ± 3,1
18,1 ± 1,6
CV%
8,1
21,6
12,2
11,8
22,4
9,2
Mediana
9,0
10,0
11,0
15,8
12,0
17,7
Curtose
-0,9
0,4
-0,7
-0,4
0,9
0,1
Assimetria
-0,2
0,6
0,1
-0,8
1,3
0,9
Valor Predito (R&J)
5,6 a 3,8
5,7 a 4,3
6,0 a 4,4
7,2 a 4,6
7,6 a 5,2
8,9 a 5,3
Ao analisar a tabela 6, é correto aceitar que há distribuição próxima da normalidade
para todos os grupos avaliados em virtude das curtoses e as assimetrias apresentadas. Como
os coeficientes de variação foram inferiores a 25%, utilizou-se as médias como o valor de
referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos.
Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 10
Gráfico 6: Agilidade e equilíbrio dinâmico funcional (Test 8-Ft Up-&-Go).
Diante do gráfico 6, fica explícito que todos os grupos estudados apresentam níveis de
agilidade e equilíbrio dinâmico funcional acima dos índices preditos.
4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Ao analisar os resultados de força funcional de membros inferiores e superiores,
podemos verificar que existe uma redução significativa com o aumento da idade e que no
grupo G6 (para as duas análises) e G4 (superiores) os resultados estão no limite inferior dos
valores preditos no Senior Fitness Test. Os resultados apresentados corroboram com as
afirmações de KATULA (2006), em que existe um aumento da sarcopenia com a idade,
acentuando, dessa forma, uma diminuição dos níveis de força, a perda das habilidades
funcionais e o aumento do risco de quedas e da dependência de idosos inativos.
Os valores encontrados para a resistência aeróbica demonstram que os idosos
institucionalizados apresentam valores significativamente abaixo dos valores de referência
preditos, isto significa que em todos os grupos pesquisados existe um alto grau de
dependência para as atividades cardiovasculares. Efeitos do envelhecimento como diminuição
do débito cardíaco, diminuição da freqüência cardíaca, diminuição do volume sistólico,
diminuição da utilização de O2 pelos tecidos, diminuição do VO2 máximo, aumento da
pressão arterial, menor capacidade de adaptação e recuperação do exercício (MATSUDO,
2001) parecem ser responsáveis pelos valores apresentados por este tipo de população. Estes
fatores parecem ser influenciados positivamente com a prática de exercício físico, revelando,
Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 11
dessa forma, a importância da implementação de práticas de atividade física em idosos
institucionalizados.
Avaliando
os
resultados
da
flexibilidade
podemos
observar
um
severo
comprometimento, já que os valores estão significativamente abaixo dos estabelecidos como
mínimos para autonomia. Pesquisas vêm confirmando que com o passar dos anos o nível de
flexibilidade afeta o equilíbrio, a postura e o desempenho funcional; aumenta o risco de
quedas, diminui a velocidade da marcha e dificulta as atividades da rotina diária
(CANDELORO & CAROMANO, 2007). Estas limitações já comprometem atividades como
banhar-se e vestir-se no grupo pesquisado concordando com as pesquisas científicas recentes.
Os resultados encontrados para a análise da agilidade e equilíbrio demonstram que o
grupo pesquisado está com grandes limitações para uma rotina diária saudável, já que os
tempos obtidos são bem maiores dos que os estabelecidos como mínimos para a manutenção
da autonomia. Estas habilidades são interdependentes e exercem influência direta na
autonomia funcional do idoso, pois são constantemente recrutadas na realização de atividades
do
cotidiano
(CHRISTENSEN,
STOVRING,
SCHULTZ-LARSEN,
SCHROLL
&
AVLUND, 2006; SILVA, GURJÃO, FERREIRA, GOBBI & GOBBI, 2006), como subir ao
ônibus, levantar-se da cadeira, desviar de obstáculos e pessoas, andar rapidamente pela casa
para atender ao telefone, atravessar a rua em uma velocidade segura, entre outras.
5. CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS
As instituições asiladas pesquisadas não oferecem nenhuma atividade física
sistemática, isto pode fazer com que a degeneração fisiológica avance com muita velocidade,
restringindo suas atividades da vida diária.
Diante do exposto, consideramos necessário um programa de atividade física regular
para os idosos, principalmente quando asilados, e que não se restrinja só às dependências da
instituição, já que com o envelhecimento há inúmeras limitações como na coordenação
motora, força muscular, equilíbrio, flexibilidade e na auto-estima. Desta forma, os exercícios
físicos apresentam-se como fatores de restauração da saúde e que proporcionam maior
equilíbrio nesta etapa da vida.
Por isso, a proposta é incluir na rotina dos idosos da instituição asilar a prática
sistemática de exercícios físicos, como forma de contribuir para um envelhecimento saudável.
Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 12
6. REFERÊNCIAS
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Humano. V. 5 – N.º 2 – p. 69 - 74. 2003
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Idoso e cria o Conselho Nacional do Idoso. Brasília, DF: Ministério da Justiça, Secretaria
Nacional dos Direitos Humanos, 1998.
BUCHMAN, A. S.; BOYLE, P. A.; WILSON, R. S.; BIENIAS, J. L.; BENNETT, D. A.
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CAMARGOS, M.; PERPÉTUO, I.; MACHADO, C. “Expectativa de vida com incapacidade
funcional em idosos em São Paulo, Brasil”. Revista Panamericana de Salud Publica, v. 17, n.
5-6, p. 379-386, 2005.
CANDEROLO, J.M. & CAROMANO, F. A. “Efeito de um programa de hidroterapia na
flexibilidade e na força muscular de idosas”. Rev. Bras. Fiosioter. v. 11. n.4. São Carlos,
jul/ago.2007. p. 303-309.
CAROMANO, F. A.; THEMUDO, M.R.; CANDELORO, J.M. Efeitos Fisiológicos da
imersão e do exercício na água. Fisioterapia Brasil, 2003; 4(1).
CERVI, A, Franceschini SCC, Priore S. E. “Análise crítica do uso do índice de massa
corporal para idosos”. Rev. Nutr. 18: 765-775. 2005.
CHRISTENSEN, U.; STOVRING, N.; SCHULTZ-LARSEN, K.; SCHROLL, M.; AVLUND,
K. Functional abilityat age 75: is there an impact of physical inactivity from middle age to
early old age?. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, Copenhagen, v.16,
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