PERFIL DA AUTONOMIA FUNCIONAL DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS DO MUNICÍPIO DE TRÊS RIOS/RJ – BRASIL Andréia Botelho dos Santos João Claudio dos Santos Silva Maria de Fátima Carvalho Baptista Fabio Dutra Pereira Helio Lemos Furtado Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento – NEPE/UCB/TR Universidade Castelo Branco - Brasil RESUMO Objetivo: descrever o perfil da autonomia funcional dos idosos institucionalizados do Município de Três Rios-RJ/Brasil. Metodologia: a amostra foi constituída de 43 gerontes do sexo masculino, divididos em seis grupos: G1 (n=10, com 61,8 ± 1,8 anos e IMC = 23,2 ± 2,1), G2 (n=10, com 67,2 ± 1,5 anos e IMC = 22,1 ± 2,5), G3 (n=08, com 72,3 ± 2,6 anos e IMC = 24,0 ± 1,3), G4 (n=05, com 76,2 ± 1,1 anos e IMC = 22,5 ± 2,6), G5 (n=05, com 80,0 ± 1,5 anos e IMC = 20,7 ± 2,0) e G6 (n=05, com 87,3 ± 1,6 e IMC = 21,5 ±1,3). O instrumento utilizado para mensuração da variável foi a bateria de avaliação funcional Sênior Fitness Test e foram realizadas as técnicas de estatística descritiva através do programa Office Excel 2007. Resultados: test Chair Stand (G1= 15,0 – G2=14,5 – G3= 13,5 – G4=12,0 – G5=11,0 – G6=8,0); Test Arm Curl (G1= 17,5 – G2=17,0 – G3=16,0 – G4=13,0 – G5=12,0 – G6=11,0); Test 6-Minutes Walk (G1= 281,1 – G2=278,8 – G3= 251,9 – G4=219,4 – G5=187,4 – G6= 150,8); Test Chair Sit-&-Reach (G1=-10,0 – G2= -11,5 – G3=-14,5 – G4= 23,0 – G5=-23,0 – G6=-26,0); Test Back Scratch (G1=-15,5 – G2=-25,5 – G3=-28,5 – G4= 30,0 – G5=-32,0 – G6=-34,0); Test 8-Ft Up-&-Go (G1=8,9 ± 0,7 – G2=10,5 ± 2,2 – G3= 11,2 ± 1,3 – G4=15,1 ± 1,7 – G5=14,0 ± 3,1 – G6=18,1 ± 1,6). Conclusão: pode-se concluir que os idosos institucionalizados do Município de Três Rios/RJ – Brasil apresentam níveis de autonomia funcional abaixo dos valores recomendados pelo Sênior Fitness Test (RIKLI & JONES, 2002). Palavras-chaves: idosos, asilo, atividade física e autonomia. 1. INTRODUÇÃO O crescimento da população de idosos é um acontecimento mundial e ocorre em um nível sem precedentes (Pereira, Curioni & Veras, 2003). Esse fenômeno desperta atenção de pesquisadores, observando-se, também no Brasil, um crescente interesse pelas questões ligadas à qualidade de vida na terceira idade (FREIRE, 2000). No Brasil a população idosa, considerada pela Lei nº 8.842/94 (Política Nacional do Idoso) como aqueles indivíduos com 60 anos e mais, compõe hoje o segmento populacional que mais cresce em termos proporcionais. De acordo com as projeções estatísticas, até o ano de 2025, seremos a sexta maior população idosa do mundo em números absolutos, com mais de 32 milhões de idosos, os quais corresponderão a 15% da população. Para o Brasil, a passagem de uma situação de alta fecundidade e alta mortalidade para uma de baixa fecundidade e mortalidade proporcionalmente menor vem-se traduzindo pelo aumento progressivo de idosos (SILVESTRE et al. 1996). A problemática da velhice seria mais uma consequência de certas condições físicas próprias das áreas metropolitanas e da modernidade, como falta de moradias, transporte, nuclearização da família, conflitos entre as gerações, individualismo, asilamento, além das complicações que podem apresentar-se acompanhando o envelhecimento, como problemas de saúde com maior dependência física e/ou psíquica, que aumentam a carga de trabalho e os gastos. No Brasil, o último levantamento demográfico evidenciou que mais de 50% dos domicílios são multigeracionais (CAROMANO, 2003). Na velhice, o conceito de interdependência fica relegado a segundo plano, dando lugar à volta dos conceitos de dependência, independência, autonomia e perda de autonomia. Nessa fase, a resposta social ao declínio biológico, o afastamento do trabalho, a mudança da identidade social, a desvalorização social do idoso e a indefinição de um contexto social pertinente implicam em alto grau de estresse na vida do idoso, dificultando a realização das tarefas evolutivas (SILVA & GUNTHER, 2000). Sabe-se, ainda, que os gerontes apresentam risco potencial no que se refere à perda de suas capacidades funcionais, o que pode determinar dependência parcial ou total para a realização de atividades da vida diária. O idoso ao ter a percepção de todos estes fatos naturais, de que sua presença com filhos e netos não lhe permite desfrutar dos mínimos padrões conquistados, mantém o desejo de ser livre e de possuir seu espaço, na sua individualidade. Aqueles, os quais possuem condições financeiras dignas de uma vida de trabalho, conseguem ter sua casa própria e/ou ainda, viver em flats e hotéis. Porém, aqueles Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 2 que não tiveram estas oportunidades acabam sempre sendo encaminhados às casas de repouso ou asilos subsidiados pelo governo ou entidades filantrópicas (QUADROS JUNIOR, 2008). No Brasil, dados demográficos demonstram que a população encontra-se em um rápido processo de envelhecimento e, em consequência, a cada ano há um acréscimo significativo no número de gerontes em nossa sociedade. Esta situação, aliada a modificações na estrutura familiar e à dinâmica da sociedade, em que há, cada vez mais, a inserção do maior número possível de integrantes da família no mercado de trabalho, em especial a mulher, expõe a pessoa idosa ao risco de vir a ser institucionalizada. Em determinadas situações ou períodos, a capacidade da família para o cuidado pode estar comprometida ou fragilizada e, nestas condições, o idoso pode constituir-se num entrave à autonomia dos familiares, seja pelas demandas do cotidiano, que não lhes possibilita conciliar cuidado e atividades de trabalho e do lar, ou pela impossibilidade de dentre os familiares encontrar um ou mais membros que se disponibilizem e se responsabilizem pelo cuidado do idoso. A institucionalização, então, é uma das soluções encontradas para o problema. Segundo Benedetti (et. al., 2003), estas instituições não realizam atividades ocupacionais durante o dia e os idosos, devido ao declínio do organismo, dão preferência a atividades menos exigentes e que requeiram menor esforço, acontecendo, com isso, um fenômeno interessante que termina convertendo-se em um ciclo vicioso: à medida em que há o incremento da idade, o indivíduo tende-se a tornar menos ativo, por conseguinte suas capacidades físicas diminuem, começa a aparecer o sentimento de velhice, que pode por sua vez causar estresse, depressão e levar a uma redução da atividade física e, conseqüentemente, à aparição de doenças crônico-degenerativas, que por si só, contribui para o envelhecimento. Mais que a doença crônica, é o desuso das funções fisiológicas que pode gerar mais problemas. A maioria dos efeitos do envelhecimento ocorre por imobilidade e má adaptação e não por doença crônica (MATSUDO, 2000). Infelizmente, em virtude do envelhecimento a uma diminuição da autonomia funcional, evoluindo muitas vezes para a dependência (CAMARGOS et al., 2005). Como conseqüência, é provável um aumento do número de idosos residentes em instituições de longa permanência para idosos, popularmente conhecidas como asilos. Um fator influenciador na decisão familiar de institucionalizar o idoso é, além dos distúrbios comportamentais, o declínio das funções cognitivas, muito freqüente com o avançar da idade (PARK et al., 2003). A cognição pode sofrer influência direta e indireta dos sintomas depressivos (POTTER & STEFFENS, 2007), muito prevalente em idosos institucionalizados, Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 3 e da prática de atividade física (COLCOMBE & KRAMER, 2003). O idoso, agora institucionalizado, tende a diminuir seu nível de atividade física, seja pela idade avançada (WASHBURN et al., 1999) ou pela incapacidade funcional (BUCHMAN et al., 2007). Todo este quadro (de influência físico/motora na cognição e vice-versa) pode levar às demências. Grande parte das evidências epidemiológicas sustenta um efeito positivo de um estilo de vida ativo e/ou do envolvimento dos indivíduos em programas de atividade física e exercício na prevenção e minimização dos efeitos deletérios do envelhecimento. Os cientistas enfatizam cada vez mais a necessidade de que a atividade física seja parte fundamental dos programas mundiais de promoção da saúde. Não se pode pensar hoje em dia em "prevenir" ou minimizar os efeitos do envelhecimento sem que, além das medidas gerais de saúde, se inclua a atividade física (MATSUDO, 2000). 2. METODOLOGIA O presente estudo teve seu projeto de pesquisa aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa envolvendo seres humanos da Universidade Castelo Branco, os participantes desta pesquisa assinaram o termo de consentimento e os procedimentos experimentais foram executados dentro das normas éticas previstas na Resolução N.o 196, de 10 de Outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde. Como critério de inclusão, todos os idosos deveriam ser institucionalizados e classificados como sedentários conforme indicação da ACSM (1998). Foi considerado como critério de exclusão qualquer tipo de condição patológica aguda ou crônica que pudesse comprometer ou que tornasse um fator de impedimento para realização da avaliação funcional. Os dados foram coletados no mês de junho de 2008 seguindo um cronograma de uma visita por semana. O grupo de pesquisadores visitou as quatro instituições asilares pertencentes ao Município de Três Rios sendo as avaliações realizadas nos turnos da manhã e da tarde. A amostra foi constituída de 43 gerontes institucionalizados do sexo masculino do Município de Três Rios, sendo homogeneizada por faixa etária e índice de massa corporal propostos por Cervi (et al. 2005) e Rikli e Jones (1998), neste sentido, a amostra fora dividida em seis grupos: G1 (n=10, com 61,8 ± 1,8 anos e IMC = 23,2 ± 2,1), G2 (n=10, com 67,2 ± 1,5 anos e IMC = 22,1 ± 2,5), G3 (n=08, com 72,3 ± 2,6 anos e IMC = 24,0 ± 1,3), G4 (n=05, com 76,2 ± 1,1 anos e IMC = 22,5 ± 2,6), G5 (n=05, com 80,0 ± 1,5 anos e IMC = 20,7 ± 2,0) e G6 (n=05, com 87,3 ± 1,6 anos e IMC = 21,5 ± 1,3). Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 4 Os instrumentos utilizados na presente pesquisa foram: balança digital da marca Plena, estadiômetro Sanny e a bateria de avaliação funcional Sênior Fitness Test (RIKLI & JONES, 1998). Foram realizadas as técnicas de estatística descritiva (média, desvio padrão, coeficiente de variação, mediana, curtose e assimetria) no sentido de enquadramento dos grupos estudados nos índices de referência. Em ambos cálculos estatísticos utilizou-se o programa Office Excel 2007. 3. RESULTADOS Tabela 1: Força funcional de membros inferiores (Test Chair Stand). GRUPOS G1 G2 G3 G4 G5 G6 Média - DP 14,7 ± 7,2 14,9 ± 5,7 13,1 ± 6,3 11,4 ± 5,0 10,1 ± 4,3 8,2 ± 3,2 CV% 48,9 38,2 48,0 43,8 42,5 39,0 Mediana 15,0 14,5 13,5 12,0 11,0 8,0 Curtose 0,8 -0,5 1,3 1,9 -0,7 -1,2 Assimetria -1,2 -0,7 -1,1 -0,3 0,9 0,8 Índice predito (R&J) 14 a 19 12 a 18 12 a 17 11 a 17 10 a 15 08 a 14 Analisando a tabela 1, deve-se considerar que as curtoses e as assimetrias apresentadas sugerem uma distribuição próxima da normalidade para todos os grupos avaliados e com base nos coeficientes de variação superiores a 25% em todos os grupos, as medianas serviram de valor de referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos. Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 5 Gráfico 1: Força funcional de membros inferiores (Test Chair Stand). A partir do gráfico 1, fica evidente que todos os grupos estudados apresentam níveis de força funcional de membros inferiores dentro dos índices preditos. No entanto, há de ser salientado o resultado do G6 para esta variável, uma vez que este se iguala ao limite inferior crítico. Tabela 2: Força funcional de membros superiores (Test Arm Curl). GRUPOS G1 G2 G3 G4 G5 G6 Média - DP 17,9 ± 8,5 17,5 ± 6,5 16,4 ± 6,1 13,6 ± 7,3 12,4 ± 5,1 11,2 ± 4,5 CV% 47,4 37,1 37,1 53,6 41,1 40,1 Mediana 17,5 17,0 16,0 13,0 12,0 11,0 Curtose -0,8 -0,1 0,2 1,1 -0,1 -0,1 Assimetria -0,4 0,6 -0,6 -1,0 0,4 0,4 Valor Predito (R&J) 16 a 22 15 a 21 14 a 21 13 a 19 13 a 19 11 a 17 Ao analisar a tabela 2, pode-se aceitar a distribuição próxima da normalidade para todos os grupos avaliados em virtude das curtoses e as assimetrias apresentadas. Pelo fato dos coeficientes de variação serem superiores a 25%, as medianas foram empregadas como valor de referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos. Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 6 Gráfico 2: Força funcional de membros superiores (Test Arm Curl). O gráfico 2 deixa explícito que o G5 apresenta níveis de força funcional de membros superiores abaixo dos índices preditos e que os resultados dos G4 e G6 para esta variável se igualam ao limite inferior crítico. Tabela 3: Resistência aeróbica funcional (Test 6-Minutes Walk). GRUPOS G1 G2 G3 G4 G5 G6 Média - DP 297± 137,8 292 ± 124,5 255 ± 98,4 231 ± 58,7 206 ± 95,8 182 ± 61,9 CV% 46,3 42,6 38,5 25,4 46,4 33,9 Mediana 281,1 278,8 251,9 219,4 187,4 150,8 Curtose 0,1 0,1 -0,6 0,7 -1,9 -0,9 Assimetria -0,1 0,7 0,1 0,7 0,4 0,9 Valor Predito (R&J) 610 a 735 560 a 700 545 a 680 470 a 640 445 a 605 380 a 570 A tabela 3 mostra a distribuição próxima da normalidade para todos os grupos avaliados em função das curtoses e as assimetrias obtidas. Como os coeficientes de variação foram superiores a 25%, foi conveniente usar as medianas como valor de referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos. Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 7 Gráfico 3: Resistência aeróbica funcional (Test 6-Minutes Walk). Com base no gráfico 3, podemos notar que todos os grupos pesquisados apresentam níveis de resistência aeróbica funcional abaixo dos índices preditos. Tabela 4: Flexibilidade funcional de membros inferiores (Test Chair Sit-&-Reach). GRUPOS G1 G2 G3 G4 G5 G6 Média - DP -9,3 ± 7,0 -9,6 ± 7,5 -14,4 ± 8,5 -22,4 ± 9,1 -24,6 ± 11,3 - 28,0 ± 7,1 CV% 75,2 78,1 58,9 40,6 45,9 25,3 Mediana -10,0 -11,5 -14,5 -23,0 -23,0 -26 Curtose -0,2 -0,8 0,7 -0,1 -0,9 -0,6 Assimetria -0,2 -0,3 -0,7 -0,2 0,2 -0,3 Valor Predito (R&J) -2,5 a 4,0 -3,0 a 3,0 -3,5 a 2,5 -4,0 a 2,0 -5,5 a 1,5 -5,5 a 0,5 Ao analisar a tabela 4, é correto aceitar que há distribuição próxima da normalidade para todos os grupos avaliados em virtude das curtoses e as assimetrias apresentadas. Como os coeficientes de variação foram superiores a 25%, as medianas tornaram-se o melhor valor de referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos. Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 8 Gráfico 4: Flexibilidade funcional de membros inferiores (Test Chair Sit-&-Reach). O gráfico 4 demonstra que todos os grupos estudados apresentam níveis de flexibilidade funcional de membros inferiores abaixo dos índices preditos e, que neste sentido, um declínio mais acentuado ocorre a partir dos 75 anos. Tabela 5: Flexibilidade funcional de membros superiores (Test Back Scratch). GRUPOS G1 G2 G3 G4 G5 G6 Média - DP -18,7 ± 11,9 - 20,8 ± 12,8 -27,5 ± 12,0 -28,0 ± 8,0 -28,2 ± 10,0 -30,0 ± 8,7 CV% 63 61,6 43,7 28,5 35,4 29,0 Mediana -15,5 -25,5 -28,5 -30,0 -32,0 -34,0 Curtose -1,6 -0,2 -0,9 -0,8 -1,8 -1,5 Assimetria 0,1 0,8 0,6 -0,6 -0,1 0,6 Valor Predito (R&J) -6,5 a 0,0 -7,5 a -1,0 -8,0 a -1,0 -9,0 a -2,0 -9,5 a -2,0 -10,0 a -3,0 A tabela 5 mostra a distribuição próxima da normalidade para todos os grupos avaliados em função das curtoses e as assimetrias obtidas. Uma vez que os coeficientes de variação se apresentaram superiores a 25%, foi conveniente usar as medianas como valor de referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos. Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 9 Gráfico 5: Flexibilidade funcional de membros superiores (Test Back scratch). De acordo com o gráfico 5, fica evidente que todos os grupos estudados apresentam níveis de flexibilidade funcional de membros superiores abaixo dos índices preditos. Tabela 6: Agilidade e equilíbrio dinâmico funcional (Test 8-Ft Up-&-Go). GRUPOS G1 G2 G3 G4 G5 G6 Média - DP 8,9 ± 0,7 10,5 ± 2,2 11,2 ± 1,3 15,1 ± 1,7 14,0 ± 3,1 18,1 ± 1,6 CV% 8,1 21,6 12,2 11,8 22,4 9,2 Mediana 9,0 10,0 11,0 15,8 12,0 17,7 Curtose -0,9 0,4 -0,7 -0,4 0,9 0,1 Assimetria -0,2 0,6 0,1 -0,8 1,3 0,9 Valor Predito (R&J) 5,6 a 3,8 5,7 a 4,3 6,0 a 4,4 7,2 a 4,6 7,6 a 5,2 8,9 a 5,3 Ao analisar a tabela 6, é correto aceitar que há distribuição próxima da normalidade para todos os grupos avaliados em virtude das curtoses e as assimetrias apresentadas. Como os coeficientes de variação foram inferiores a 25%, utilizou-se as médias como o valor de referência dos respectivos grupos para o enquadramento nos índices preditos. Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 10 Gráfico 6: Agilidade e equilíbrio dinâmico funcional (Test 8-Ft Up-&-Go). Diante do gráfico 6, fica explícito que todos os grupos estudados apresentam níveis de agilidade e equilíbrio dinâmico funcional acima dos índices preditos. 4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Ao analisar os resultados de força funcional de membros inferiores e superiores, podemos verificar que existe uma redução significativa com o aumento da idade e que no grupo G6 (para as duas análises) e G4 (superiores) os resultados estão no limite inferior dos valores preditos no Senior Fitness Test. Os resultados apresentados corroboram com as afirmações de KATULA (2006), em que existe um aumento da sarcopenia com a idade, acentuando, dessa forma, uma diminuição dos níveis de força, a perda das habilidades funcionais e o aumento do risco de quedas e da dependência de idosos inativos. Os valores encontrados para a resistência aeróbica demonstram que os idosos institucionalizados apresentam valores significativamente abaixo dos valores de referência preditos, isto significa que em todos os grupos pesquisados existe um alto grau de dependência para as atividades cardiovasculares. Efeitos do envelhecimento como diminuição do débito cardíaco, diminuição da freqüência cardíaca, diminuição do volume sistólico, diminuição da utilização de O2 pelos tecidos, diminuição do VO2 máximo, aumento da pressão arterial, menor capacidade de adaptação e recuperação do exercício (MATSUDO, 2001) parecem ser responsáveis pelos valores apresentados por este tipo de população. Estes fatores parecem ser influenciados positivamente com a prática de exercício físico, revelando, Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 11 dessa forma, a importância da implementação de práticas de atividade física em idosos institucionalizados. Avaliando os resultados da flexibilidade podemos observar um severo comprometimento, já que os valores estão significativamente abaixo dos estabelecidos como mínimos para autonomia. Pesquisas vêm confirmando que com o passar dos anos o nível de flexibilidade afeta o equilíbrio, a postura e o desempenho funcional; aumenta o risco de quedas, diminui a velocidade da marcha e dificulta as atividades da rotina diária (CANDELORO & CAROMANO, 2007). Estas limitações já comprometem atividades como banhar-se e vestir-se no grupo pesquisado concordando com as pesquisas científicas recentes. Os resultados encontrados para a análise da agilidade e equilíbrio demonstram que o grupo pesquisado está com grandes limitações para uma rotina diária saudável, já que os tempos obtidos são bem maiores dos que os estabelecidos como mínimos para a manutenção da autonomia. Estas habilidades são interdependentes e exercem influência direta na autonomia funcional do idoso, pois são constantemente recrutadas na realização de atividades do cotidiano (CHRISTENSEN, STOVRING, SCHULTZ-LARSEN, SCHROLL & AVLUND, 2006; SILVA, GURJÃO, FERREIRA, GOBBI & GOBBI, 2006), como subir ao ônibus, levantar-se da cadeira, desviar de obstáculos e pessoas, andar rapidamente pela casa para atender ao telefone, atravessar a rua em uma velocidade segura, entre outras. 5. CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS As instituições asiladas pesquisadas não oferecem nenhuma atividade física sistemática, isto pode fazer com que a degeneração fisiológica avance com muita velocidade, restringindo suas atividades da vida diária. Diante do exposto, consideramos necessário um programa de atividade física regular para os idosos, principalmente quando asilados, e que não se restrinja só às dependências da instituição, já que com o envelhecimento há inúmeras limitações como na coordenação motora, força muscular, equilíbrio, flexibilidade e na auto-estima. Desta forma, os exercícios físicos apresentam-se como fatores de restauração da saúde e que proporcionam maior equilíbrio nesta etapa da vida. Por isso, a proposta é incluir na rotina dos idosos da instituição asilar a prática sistemática de exercícios físicos, como forma de contribuir para um envelhecimento saudável. Este artigo foi também enviado para revista Disability and Rehabilitation – Julho de 2008 12 6. REFERÊNCIAS BENEDETTI, T. R. B. & PETROSKI, Édio Luiz. “Exercícios físicos, auto-imagem e autoestima em idosos asilados”. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano. V. 5 – N.º 2 – p. 69 - 74. 2003 BRASIL. 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