INSPECÇÃO-GERAL DA EDUCAÇÃO
Avaliação Externa das Escolas
Relatório de escola
Agrupamento de Escolas
de Valdevez
ARCOS DE VALDEVEZ
Delegação Regional do Norte da IGE
Datas da visita: 25, 26 e 29 de Novembro de 2010
I – INTRODUÇÃO
A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de
avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos
ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a
auto-avaliação e para a avaliação externa.
Após a realização de uma fase-piloto, da responsabilidade de um
Grupo de Trabalho (Despacho Conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio),
a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da
Educação (IGE) de acolher e dar continuidade ao programa nacional
de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no
modelo construído e na experiência adquirida durante a fase-piloto, a
IGE está a desenvolver esta actividade, entretanto consignada como
sua competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31 de
Julho.
O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez, na
sequência da visita efectuada nos dias 25, 26 e 29 de Novembro de
2010.
Os capítulos do relatório – Caracterização do Agrupamento,
Conclusões da Avaliação por Domínio, Avaliação por Factor e
Considerações Finais – decorrem da análise dos documentos
fundamentais do Agrupamento, da sua apresentação e da realização
de entrevistas em painel.
Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a autoavaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o
Agrupamento, constituindo este relatório um instrumento de reflexão
e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos,
bem como oportunidades e constrangimentos, a avaliação externa
oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos
de melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação
com a administração educativa e com a comunidade em que se
insere.
A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude de
colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na
preparação e no decurso da avaliação.
O texto integral deste relatório está disponível
no sítio da IGE na área
Avaliação Externa das Escolas 2010-2011
E S C A L A D E A V ALI A Ç Ã O
Níveis de classificação dos
cinco domínios
MUITO BOM – Predominam os
pontos fortes, evidenciando uma
regulação sistemática, com base
em
procedimentos explícitos,
generalizados e eficazes. Apesar
de alguns aspectos menos
conseguidos,
a
organização
mobiliza-se
para
o
aperfeiçoamento contínuo e a sua
acção tem proporcionado um
impacto muito forte na melhoria
dos resultados dos alunos.
BOM – A escola revela bastantes
pontos fortes decorrentes de uma
acção intencional e frequente,
com base em procedimentos
explícitos e eficazes. As actuações
positivas são a norma, mas
decorrem muitas vezes do
empenho
e
da
iniciativa
individuais.
As
acções
desenvolvidas têm proporcionado
um impacto forte na melhoria dos
resultados dos alunos.
SUFICIENTE – Os pontos fortes e os
pontos
fracos
equilibram-se,
revelando uma acção com alguns
aspectos positivos, mas pouco
explícita e sistemática. As acções
de aperfeiçoamento são pouco
consistentes ao longo do tempo e
envolvem áreas limitadas da
escola. No entanto, essas acções
têm um impacto positivo na
melhoria dos resultados dos
alunos.
INSUFICIENTE – Os pontos fracos
sobrepõem-se aos pontos fortes. A
escola não demonstra uma
prática coerente e não desenvolve
suficientes acções positivas e
coesas. A capacidade interna de
melhoria é reduzida, podendo
existir alguns aspectos positivos,
mas pouco relevantes para o
desempenho global. As acções
desenvolvidas têm proporcionado
um impacto limitado na melhoria
dos resultados dos alunos.
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
2
II – CARACTERIZAÇÃO DO AGRUPAMENTO
O Agrupamento de Escolas de Valdevez resulta da fusão do agrupamento com a mesma designação com a
Escola Secundária Tomás de Figueiredo, ocorrida em 2007. Tem como área de influência 39 freguesias do
concelho de Arcos de Valdevez, abrangendo um percurso educativo que vai desde a educação pré-escolar até ao
ensino secundário. Para além da Escola-Sede, é constituído por quatro jardins-de-infância (JI), uma escola
básica com o 1.º ciclo (EB1) e dois centros escolares. O JI e a EB1 de Soajo distam mais de 25 km da sede do
concelho, razão pela qual se mantêm em funcionamento, evitando assim a grande deslocação diária das
crianças/alunos que os frequentam. Os JI de Vila Fonche, Giela e Paçô apresentam boas condições de
funcionamento e situam-se nas proximidades da sede do Agrupamento. O centro escolar de Sabadim, localizado
a cerca de 7 km da sede do concelho, abrange a educação pré-escolar e o ensino básico e o centro escolar de
Arcos Salvador situa-se junto à Escola-Sede, abrangendo apenas o 1.º ciclo. Ambos são de construção recente e
apresentam boas condições de adequabilidade e conforto.
De acordo com os dados do Gabinete Coordenador do Sistema de Informação do Ministério da Educação (MISI),
o Agrupamento é frequentado por 2170 crianças, alunos e formandos, sendo 159 da educação-pré-escolar; 582
do 1.º ciclo; 344 do 2.º ciclo; 427 do 3.º ciclo; 584 do ensino secundário (311 dos cursos científico-humanísticos
e 275 dos profissionais); 52 dos cursos de educação e formação (42 do tipo 2 e 10 do tipo 3) e 22 do programa
integrado de educação e formação. Existem 228 alunos de naturalidade estrangeira os quais, segundo
informação prestada pela direcção, são filhos de emigrantes e possuem o Português como língua materna.
Possuem computador em casa 59,5% dos alunos e, destes, 69,8% têm ligação à Internet. A percentagem de
alunos que usufrui de auxílios económicos no âmbito da Acção Social Escolar é 57,6%, sendo 35% do escalão A
e 22,6% do escalão B. Apenas se conhecem as habilitações académicas de 73,9% dos encarregados de
educação e, destes, 31% possuem o 1.º ciclo; 30,4% o 2.º ciclo; 14,2% o 3.º ciclo; 13,6% o ensino secundário;
10,4% o ensino superior e 0,4% sem habilitações. São conhecidas as profissões de 56,7% dos pais e
encarregados de educação, cuja distribuição pelas categorias profissionais é a seguinte: operários, artífices e
trabalhadores da indústria, 36,7%; serviços e comércio, 23,3%; quadros superiores, dirigentes e profissões
intelectuais, 17,5%; trabalhadores não qualificados, 12,1%; técnicos e profissões de nível intermédio, 7,3%; e
agricultura e trabalho qualificado da agricultura e pescas, 3,1%.
O Agrupamento dispõe de 244 docentes, sendo 184 (75,4%) dos quadros. Do total de docentes, 76,2%
possuem experiência profissional superior a 10 anos e o grupo etário mais representativo situa-se entre os 40 e
os 50 anos (39,6%). Relativamente ao pessoal não docente, prestam serviço no Agrupamento 82 elementos (16
assistentes técnicos, 64 assistentes operacionais e uma psicóloga). Destes, o grupo etário mais representativo
situa-se entre os 50 e os 60 anos e 69,5% possuem mais de 10 anos de serviço. Quanto ao vínculo laboral,
predomina o contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado (69%).
III – CONCLUSÕES DA AVALIAÇÃO POR DOMÍNIO
1. Resultados
BOM
O Agrupamento procede à análise e reflexão sistemática dos resultados escolares, permitindo a identificação
das áreas de maior insucesso e a consequente definição de estratégias para a sua superação.
No último ano lectivo, as taxas de transição/conclusão dos 1.º e 2.º ciclos são superiores às nacionais, mas a do
3.º ciclo é inferior. A taxa global de sucesso do ensino básico mantém-se superior à nacional, mas a do ensino
secundário apresenta-se ligeiramente inferior. No último triénio, a percentagem de resultados positivos obtidos
nas provas de aferição de Língua Portuguesa do 4.º ano apresenta uma evolução ascendente, situando-se
acima da nacional em 2008 e em 2010. Em Matemática é superior nos dois primeiros anos e inferior no último.
As provas do 6.º ano de Língua Portuguesa apresentam uma tendência decrescente, com percentagens de
classificações iguais ou superiores a Satisfaz inferiores às nacionais nos três anos em análise. Em Matemática
são, também, inferiores aos nacionais. Os resultados dos exames nacionais do 9.º ano apresentam, no mesmo
espaço temporal, médias inferiores às nacionais nas duas disciplinas. No que toca ao ensino secundário, as
médias das classificações dos exames de Português e de Matemática têm vindo a melhorar, apresentando
valores superiores aos nacionais, nos dois últimos anos, com diferenças mais acentuadas na Matemática. O
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
3
abandono escolar tem vindo a diminuir, sendo inexistente no ensino básico, a que não é alheio um claro
investimento do Agrupamento na diversificação da oferta educativa/formativa, tornando-a abrangente e
qualificante.
Os documentos estruturantes do Agrupamento apontam para a promoção de uma cultura de desenvolvimento
cívico, que é trabalhada na área de Formação Cívica. Os delegados de turma reúnem com a direcção e
assumem algumas responsabilidades, mas não funciona a Assembleia de Delegados. A Associação de
Estudantes, embora ainda não elabore formalmente um plano de actividades, dinamiza uma série de eventos. O
envolvimento dos alunos na construção dos documentos de planeamento e na programação das actividades
educativas é ainda débil e o Plano Anual de Actividades não inclui actividades/tarefas a cargo dos alunos.
Os vários elementos da comunidade escolar expressam satisfação quanto ao comportamento dos alunos e ao
ambiente tranquilo e seguro vivenciado nas escolas. Os casos de indisciplina são residuais e de baixa gravidade.
Os critérios gerais de avaliação ponderam explicitamente o sentido de responsabilidade e a valorização da
dimensão humana do trabalho.
O Agrupamento conhece bem o contexto socioeconómico e as expectativas dos alunos e das famílias e, como
forma de as elevar, diversificou a sua oferta formativa em áreas que vão ao encontro dos interesses da
população, oferecendo formação qualificante em áreas ajustadas ao contexto e à procura. Os trabalhos e os
sucessos dos alunos são valorizados, através da sua divulgação e exposição de trabalhos e do incentivo à
participação em diversos concursos. A implementação do Quadro de Excelência está prevista para breve.
2. Prestação do serviço educativo
BOM
Os departamentos asseguram a gestão articulada dos programas e os docentes de cada área
curricular/disciplina desenvolvem práticas de trabalho cooperativo. Não se encontram definidas metas
quantificáveis quanto aos resultados a atingir por área/disciplina, o que dificulta a orientação dos profissionais para a
prossecução dos seus objectivos. É visível o esforço de aprofundar a articulação entre a educação pré-escolar e o 1.º
ciclo e entre este e o 2.º ciclo, sendo realizadas reuniões formais para o debate de matérias comuns. Não obstante a
articulação curricular e a sequencialidade educativa se desenvolverem em determinados projectos e actividades,
ainda não se encontram consolidadas ao nível dos conteúdos programáticos.
Não estão generalizados procedimentos de acompanhamento da prática lectiva em sala de aula. Este efectivase, de forma indirecta, através da supervisão das planificações e da monitorização do seu cumprimento. A
confiança nos resultados é garantida através da definição e utilização partilhada de instrumentos de avaliação.
Encontram-se assegurados os processos de referenciação das necessidades educativas especiais das
crianças/alunos. A existência de uma psicóloga e de docentes de educação especial têm facilitado o apoio aos
discentes, em articulação com diversos serviços especializados da comunidade. O apoio às dificuldades de
aprendizagem é prestado em situação de aula e em pequenos grupos, preferencialmente por professores da
turma, e nas salas de estudo. O Agrupamento tem conhecimento dos resultados das medidas de apoio
implementadas, através de relatórios elaborados pelos respectivos responsáveis, mas ainda não se percepciona
claramente o seu impacto no sucesso educativo.
Salienta-se a mais-valia do Agrupamento na oferta de cursos profissionais inovadores e nos cursos de educação
formação. Fora dos cursos profissionalizantes, as actividades experimentais são minimamente cumpridas, não
se registando uma exploração efectiva de recursos existentes que possibilitariam a valorização de saberes
práticos. É essencialmente pela rede de projectos existente que os alunos são estimulados para a valorização
do conhecimento e das aprendizagens contínuas.
3. Organização e gestão escolar
BOM
Os documentos estruturantes do Agrupamento são coerentes, articulados e orientados para a prossecução das
prioridades e objectivos definidos e a sua implementação é acompanhada pelas lideranças de topo, intermédias
e Comissão de Avaliação Interna. Contudo, apresentam debilidades ao nível da previsão da avaliação da eficácia
das medidas e dos planos de acção implementados. O Projecto Educativo, organizado com base em valores
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
4
como a autonomia, a participação e a responsabilização, tem-se revelado importante para a construção de uma
identidade de escola.
A gestão dos recursos humanos é feita, de forma partilhada, pela direcção, advém do conhecimento das
competências pessoais e profissionais do corpo docente e não docente e pauta-se por critérios de equidade. A
formação contínua é promovida e valorizada, como forma de actualização de conhecimentos e de
desenvolvimento de competências.
Não obstante o bom estado de conservação das escolas do Agrupamento, alguns espaços da Escola-Sede não
respondem às necessidades educativas dos alunos, situação que poderá ser solucionada com as previstas
obras de beneficiação por parte da Câmara Municipal e com a sua inclusão no Programa de Modernização do
Parque Escolar do Ensino Secundário. A impossibilidade de acesso à Internet, num dos jardins-de-infância,
condiciona a rentabilização deste recurso no desenvolvimento das aprendizagens. As bibliotecas escolares
evidenciam-se por estarem bem equipadas e organizadas e por se assumirem como pólos importantes de divulgação
cultural e de estímulo à aprendizagem. A preocupação com a segurança manifesta-se no desenvolvimento de um
conjunto de acções com efeitos preventivos. O Agrupamento revela alguma capacidade de captação de verbas, que
tem investido na melhoria dos recursos pedagógicos e das instalações da Escola-Sede.
São promovidas várias iniciativas no sentido de envolver os pais na vida escolar e de fomentar uma maior
participação no acompanhamento do percurso dos seus educandos, facto que ainda carece de melhoria.
Destaca-se o papel dinâmico e colaborativo da Associação de Pais, que realiza algumas actividades e reúne com
a direcção, no sentido da resolução dos problemas diagnosticados. Os responsáveis do Agrupamento pautam a
sua acção por princípios de equidade, com vista a garantir a justiça social.
4. Liderança
BOM
O Projecto Educativo define explicitamente as áreas de intervenção, os objectivos e as estratégias para a acção
educativa. Contudo, os objectivos não se encontram hierarquizados nem calendarizados, nem estão enunciadas
metas quantificáveis e avaliáveis, o que condiciona a sua operacionalização, monitorização e avaliação.
A direcção revela disponibilidade e apoia os responsáveis pelas diferentes estruturas e serviços no desempenho
das suas funções e incentiva a cooperação dos profissionais na resolução dos problemas. O clima de bem-estar
e as boas relações interpessoais assentam no empenho, na dedicação e na capacidade de trabalho de
docentes e não docentes e são facilitadoras do apoio e da integração dos diferentes profissionais. A
monitorização do absentismo dos profissionais e a gestão racional de recursos contribuem para o regular
funcionamento das escolas.
A adesão a projectos de âmbito nacional, a criação de algumas iniciativas inovadoras e o progressivo
investimento nas tecnologias da informação e comunicação têm gerado novas competências profissionais dos
docentes com reflexos positivos na motivação dos alunos. As parcerias e os projectos desenvolvidos constituem
mais-valias na prossecução dos princípios emergentes do Projecto Educativo, com reflexos positivos na melhoria
do serviço educativo.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento
BOM
O Agrupamento tem práticas de avaliação instituídas, designadamente a análise periódica de resultados dos
alunos. Para implementar um processo de auto-avaliação estruturado e abrangente, constituiu uma Comissão
de Avaliação Interna, com representantes da comunidade escolar (com excepção dos alunos) e um amigo
crítico. Esta comissão, que iniciou funções em Abril de 2010, realizou alguma formação, assumiu a análise dos
resultados escolares ao longo dos últimos três anos lectivos e, embora ainda não tenha desenhado um plano
estratégico a longo prazo, traçou a sua metodologia processual e calendarizou tarefas. Procedeu à avaliação
das metas do anterior Projecto Educativo e promoveu a auscultação do nível de satisfação da comunidade
escolar. Em simultâneo, foi dando a conhecer os resultados apurados e elaborou um relatório preliminar. Este
trabalho apoiou a elaboração do actual Projecto Educativo, a definição das áreas prioritárias de intervenção e
algumas tomadas de decisão. Pese embora o processo de auto-avaliação ainda não ser abrangente nem se
encontrar consolidado, o Agrupamento conhece os seus principais pontos fortes e fracos, os constrangimentos
mais relevantes e identifica, também, algumas oportunidades de desenvolvimento. Este conhecimento, aliado à
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
5
perspectiva de continuidade do trabalho da Comissão de Avaliação Interna, no sentido de uma progressiva
consolidação do processo de auto-avaliação, poderão sustentar o progresso do Agrupamento.
IV – AVALIAÇÃO POR FACTOR
1. Resultados
1.1 Sucesso académico
A evolução das aprendizagens das crianças que frequentam os jardins-de-infância é registada em documentos
construídos para o efeito e divulgada junto dos pais, no final de cada trimestre. Estes documentos constam dos
processos individuais das crianças e apoiam a sua transição para o 1.º ciclo.
O Agrupamento monitoriza os resultados escolares e compara-os com os nacionais e os de agrupamentos de
concelhos vizinhos, envolvendo os docentes titulares de grupo/turma, conselhos de turma, grupos de
recrutamento, departamentos, Conselho Pedagógico e a Comissão de Avaliação Interna, Identifica como
disciplinas de maior insucesso o Inglês a Língua Portuguesa e a Matemática. Para debelar esta situação, tomou
diversas iniciativas entre as quais se destacam a valorização da Língua Portuguesa e da Matemática numa
dimensão transversal, a disponibilização de apoio aos alunos, a todas as disciplinas, em salas de estudo, e a
preparação para os exames nacionais, no final das aulas.
No ano lectivo 2009-2010, as taxas de transição/conclusão dos 1.º e 2.º ciclos são superiores às nacionais e a
do 3.º ciclo é inferior, mantendo-se superior a taxa global do ensino básico regular em 1,3%. Já a do ensino
secundário ainda se apresenta 2,6% abaixo da média nacional.
As percentagens de níveis iguais ou superiores a Satisfaz obtidas nas provas de aferição de Língua Portuguesa
do 4.º ano apresentam uma evolução ascendente, (89,5%; 90,2%; e 91,6%) situando-se acima das nacionais,
nos três últimos anos. Em Matemática são superiores nos dois primeiros anos, respectivamente em 5,9% e
4,7%, no entanto a percentagem é (4,3%) inferior no último. As provas do 6.º ano de Língua Portuguesa
apresentam percentagens inferiores às nacionais nos três anos em análise, (respectivamente, em 5,5%; 7,5% e
9,7%). Em Matemática são, também, inferiores (7,7%; 2,2% e 6,7%). Ainda nos mesmos três últimos anos, os
resultados dos exames nacionais do 9.º ano apresentam médias inferiores às nacionais nas duas disciplinas,
respectivamente 0,1; 0,1 e 0,2 pontos, em Língua Portuguesa, numa escala que varia entre 1 e 5 pontos, e 0,2;
0,3 e 0,4 pontos em Matemática. No que toca ao ensino secundário, as classificações do exame de Português
têm vindo a melhorar e são ligeiramente superiores aos valores nacionais nos dois últimos anos
(respectivamente 0,1 e 0,5 valores). Em Matemática verifica-se idêntica situação ascendente com os resultados
a superarem a média nacional (respectivamente 2,4 e 2,0 valores). O abandono escolar tem vindo a diminuir,
sendo inexistente no ensino básico, nos últimos três anos e estacionário no ensino secundário, com taxas de
desistência, respectivamente, de 5,6%; 4,1% e 5,7%. Esta situação decorre de um claro investimento do
Agrupamento, onde se destaca uma oferta educativa/formativa diversificada, abrangente e qualificante.
1.2 Participação e desenvolvimento cívico
Os documentos estruturantes do Agrupamento apontam para a necessidade de promoção de uma cultura de
participação e desenvolvimento cívico. Nesse sentido, na área de Formação Cívica, são trabalhadas as atitudes
e os valores inscritos no Regulamento Interno. Os docentes titulares de grupo/turma auscultam directamente as
crianças/alunos, sobre as actividades a desenvolver, implicando-os na gestão do tempo semanal e envolvendoos na vida escolar, através da elaboração das regras de conduta e da auto-avaliação do seu comportamento.
Na Escola-Sede, os alunos podem apresentar sugestões, dirigindo-se ao director de turma ou à direcção,
existindo, também, uma caixa de sugestões na Biblioteca/Centro de Recursos. Os delegados de turma reúnem
pontualmente com a direcção e assumem algumas responsabilidades no que toca à manutenção do bom
relacionamento entre colegas e da organização da sala de aula, mas ainda não se reúnem autonomamente em
Assembleia de Delegados. Após vários anos de interrupção, foi, no último ano lectivo, dinamizada a eleição da
direcção da Associação de Estudantes. Esta, embora não elabore formalmente um plano de actividades,
dinamiza uma série de eventos de carácter essencialmente desportivo e festivo. Ainda no que toca ao
desenvolvimento cívico, verifica-se a existência de diversas actividades desenvolvidas nas áreas de Projecto e
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
6
de Formação Cívica e em clubes, no âmbito da educação para a cidadania, a saúde e o ambiente de que são
exemplos o Clube Vida Verde, a Escola Electrão e a participação no Parlamento dos Jovens. O envolvimento dos
alunos na construção dos documentos de planeamento e na programação das actividades educativas é ainda
débil e, embora o Projecto Educativo expresse como objectivo “consolidar a formação cívica de toda a
comunidade”, o Plano Anual de Actividades, não inclui actividades/tarefas a cargo dos alunos.
1.3 Comportamento e disciplina
Os diversos elementos da comunidade educativa expressaram que o comportamento dos alunos é, em regra,
disciplinado, respeitador da autoridade dos docentes e dos assistentes operacionais, manifestando-se o seu
interesse pela escola e o sentido de pertença pela elevada assiduidade. O Agrupamento não considera o
comportamento dos alunos uma situação problemática, uma vez que os casos de indisciplina, segundo dados
fornecidos pelo Director, são residuais e de baixa gravidade. As crianças/alunos demonstram conhecer as normas
de funcionamento dos diversos espaços e denotam um comportamento disciplinado, em consequência do trabalho
realizado na área de Formação Pessoal e Social/Formação Cívica, onde são trabalhadas as regras de conduta
constantes do Regulamento Interno. Este documento é divulgado aos alunos no início do ano lectivo e consta na
página do Agrupamento na Internet. A existência de um bom relacionamento entre todos os elementos da
comunidade escolar, com respeito e atenção pelos direitos e deveres mútuos, foi realçada nos diversos painéis, bem
como a satisfação quanto ao ambiente tranquilo e seguro vivido nas diversas escolas. Os critérios gerais de avaliação
ponderam, de modo explícito, o sentido de responsabilidade, em vertentes como a pontualidade, a assiduidade, o
comportamento, o exercício de direitos e a valorização da dimensão humana do trabalho.
1.4 Valorização e impacto das aprendizagens
Demonstrando conhecer bem o contexto socioeconómico e as expectativas dos alunos e das famílias face à
escola, que não considera elevadas, o Agrupamento diversificou a sua oferta formativa através do programa
integrado de educação e formação, do ensino recorrente (1.º ciclo), dos cursos profissionais e de cursos de
educação e formação em áreas que vão ao encontro dos interesses da população. Atendendo a critérios de
empregabilidade, à disponibilidade do tecido empresarial para a realização de estágios e confrontado com a
existência de diversas escolas profissionais na região, o Agrupamento consegue, ainda assim, oferecer
formação qualificante em áreas ajustadas à procura, como são o caso da mecatrónica automóvel e das energias
renováveis. Os trabalhos e os sucessos dos alunos são valorizados, através de publicação periódica, da sua
exposição em vários espaços comuns e do incentivo à participação em diversos concursos. Verifica-se a
existência de diversos prémios como forma de motivação para níveis mais elevados de exigência, de que é
exemplo o Prémio do Aluno Leitor, atribuído ao aluno com mais livros requisitados. A implementação do Quadro
de Excelência, destinado a reforçar o esforço e o empenho dos alunos na obtenção de bons resultados
educativos, foi alvo de debate e, apesar de não ser consensual, está prevista a breve prazo.
2. Prestação do serviço educativo
2.1 Articulação e sequencialidade
Existe no Agrupamento um trabalho conjunto de articulação das actividades curriculares, nomeadamente da
sequencialidade entre a educação pré-escolar e o 1.º ciclo e entre os 4.º e 5.º anos. O departamento do 1.º ciclo,
organiza-se por anos de escolaridade e os restantes, com excepção da edução pré-escolar, funcionam por
subcoordenações disciplinares. Apesar de as reuniões lideradas pelos subcoordenadores terem continuidade
nas reuniões plenárias dos docentes por departamento, não é significativa a articulação interdepartamental.
Observa-se que a articulação é mais forte na proposta de actividades do que na integração de conteúdos,
embora se reconheça que tem existido um esforço para contrariar esta prática. Em 2010, foi criada a Comissão
para a Articulação e Diversificação Curriculares, com a participação de elementos da educação pré-escolar, do
1.º ciclo e da educação especial, para monitorização da articulação vertical. Contudo, não se regista ainda
impacto do trabalho desenvolvido. As actividades de natureza interdisciplinar assumem particular relevância na
implementação das actividades no âmbito da Área de Projecto, das iniciativas inscritas no Plano Anual, no
desenvolvimento transversal de projectos (e.g. Educação para a Saúde/Sexualidade, Semana da Europa) e no
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
7
desenvolvimento de alguns projectos curriculares de grupo/turma. As práticas de trabalho cooperativo dos docentes
estão reforçadas com a implementação de tempos semanais comuns para a coordenação e articulação das
actividades pedagógicas desenvolvidas nos departamentos/grupos de recrutamento. O Agrupamento tem
mecanismos de acompanhamento do percurso escolar dos alunos, nomeadamente nas mudanças de ciclo,
verificando-se que o Serviço de Psicologia e Orientação, em articulação com os directores de turma, encaminha os
alunos para as ofertas educativas de acordo com os seus interesses e capacidades.
2.2 Acompanhamento da prática lectiva em sala de aula
O planeamento individual tem em conta as decisões emanadas do Conselho Pedagógico as orientações dos
departamentos/grupos de recrutamento e a avaliação realizada nos conselhos de turma. A verificação do
cumprimento das planificações, a análise dos resultados escolares e a elaboração conjunta de materiais de
trabalho e de instrumentos de avaliação são utilizadas para a monitorização da actividade lectiva. Não existem
práticas regulares de supervisão em contexto de sala de aula. Os coordenadores de departamento e os
subcoordenadores de área/grupo de recrutamento acompanham as situações em que os docentes manifestam
dificuldades no seu desempenho profissional, garantindo o apoio necessário. A confiança nos resultados obtidos
é procurada através da definição de critérios gerais de avaliação, iguais para os ensinos básico e secundário, de
critérios específicos para as diferentes áreas curriculares/disciplinas e respectivos pesos de ponderação, da
realização de provas de avaliação diagnóstica, da aplicação de testes intermédios do Gabinete de Avaliação
Educacional e da análise e justificação dos resultados escolares, feita periodicamente nas estruturas de topo e
intermédias. No entanto, esta reflexão ainda não conduziu à definição de metas quantificáveis e avaliáveis
quanto aos resultados a atingir por área/disciplina, o que dificulta a orientação dos profissionais para a
prossecução dos seus objectivos.
2.3 Diferenciação e apoios
A referenciação das necessidades educativas de cada criança/aluno é assegurada de modo adequado pelos
docentes titulares de grupo/turma e conselhos de turma, em articulação com os docentes de educação
especial, coordenadora dos apoios educativos e Serviço de Psicologia e Orientação. A sua avaliação e a
definição das estratégias adequadas a cada caso são realizadas em articulação com as famílias, com o
contributo de outros técnicos e entidades da comunidade. No presente ano lectivo, é garantido o apoio
especializado a todas as crianças/alunos com necessidades educativas especiais de carácter permanente,
sendo aplicadas diferentes medidas. Existem também duas unidades de apoio à multideficiência, uma no 1.º
ciclo e outra na Escola-Sede. Ao longo do ano lectivo, as medidas educativas são avaliadas e reformuladas,
sendo, no final do ano, produzido um relatório sobre o trabalho desenvolvido.
Para os alunos com dificuldades de aprendizagem, o Agrupamento apostou na disponibilização de apoios
educativos na sala de aula, no 1.º ciclo, e em aulas de apoio, nos restantes ciclos, sempre que possível, dadas
pelo professor da turma. Foram criadas duas salas de estudo, uma para alunos do 2.º ciclo e outra para os do 3.º
ciclo e secundário. O seu funcionamento, ainda recente, está a ser seguido com atenção para garantir as adequações
necessárias a uma melhoria progressiva. Os alunos com problemas emocionais, de comportamento, ou insuficiente
envolvimento parental, são encaminhados para o Gabinete de Apoio ao Aluno, onde lhes é garantido o
acompanhamento através de actividades específicas, entre outras as ligadas à educação para a saúde e sexualidade.
Está previsto, para os alunos do ensino secundário, o apoio na preparação para os exames nacionais, prática iniciada,
informalmente, no ano lectivo transacto. O Agrupamento toma conhecimento dos resultados das medidas
implementadas, através da análise dos relatórios elaborados pelos respectivos responsáveis. Contudo,
nomeadamente no que toca aos apoios disponibilizados aos alunos com planos de recuperação e de
acompanhamento, ainda não se percepciona claramente o seu impacto nos resultados alcançados.
O Serviço de Psicologia e Orientação, para além de desenvolver um trabalho articulado com os docentes da
educação especial e os directores de turma, participa nas reuniões dos cursos de educação formação, assegura
a consulta psicológica, a orientação escolar e profissional e coopera na relação escola/comunidade.
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
8
2.4 Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem
Dada a concentração das escolas do Agrupamento e a sua co-existência com duas escolas profissionais, uma
contígua à Escola-Sede, e um centro de nova oportunidades, a oferta educativa respeita aspectos definidos ao
nível da carta educativa. O Agrupamento é reconhecido na comunidade educativa por assegurar uma oferta
educativa abrangente e ajustada ao contexto que compreende os cursos de educação e formação (Bombeiro,
Empregado Comercial e Mecânica Serviços Rápidos) e profissionais (Análise Laboratorial, Energias Renováveis,
Mecatrónica Automóvel, Apoio Psicossocial e Informática de Gestão), duas turmas do programa integrado de
formação e uma do ensino recorrente (1.º ciclo).
Para além das verificadas nos cursos profissionalizantes, as práticas experimentais, particularmente no ensino
básico, são insuficientemente exploradas face aos recursos existentes. É essencialmente pela rede de
projectos, muito ampla e com uma grande diversificação a nível local, regional e nacional, que os alunos são
estimulados para a valorização do conhecimento e da aprendizagem contínua, por exemplo, na área da
informática, das curtas-metragens e dramatizações, da ciência e do desporto.
3. Organização e gestão escolar
3.1 Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade
Nos seus três anos de existência, o Agrupamento tem vindo a desenvolver iniciativas para a construção de uma
cultura de coesão e de uma identidade. A construção do Projecto Educativo - “Consciência Ecológica. Educação
para a Saúde e para o Civismo” - teve como ponto de partida o anterior e o relatório de avaliação elaborado pela
Comissão de Avaliação Interna, assentando nos seguintes pilares: criação de um ambiente propício ao processo
de ensino e aprendizagem; consolidar a formação cívica de toda a comunidade e promover o respeito e a
integração de toda a comunidade na vida da escola. Os documentos orientadores do Agrupamento apresentamse coerentes, articulados e a sua implementação é acompanhada pelas estruturas de topo e intermédias e pela
Comissão de Avaliação Interna. No entanto, não definem indicadores concretos que permitam avaliar a eficácia
das diferentes medidas e dos planos de acção. A elaboração dos projectos curriculares de grupo/turma obedece
a uma matriz comum, em função de orientações expressas no Projecto Curricular do Agrupamento, onde se
definem competências específicas a desenvolver, tendo em conta as características de cada grupo/turma. A
direcção distribui o serviço docente a partir de critérios previamente definidos, decorrentes de reflexão ocorrida,
nos departamentos/grupos de recrutamento. O planeamento das áreas transversais é consentâneo com as
prioridades definidas, sendo o Estudo Acompanhado atribuído, no 2.º ciclo, aos docentes de Língua Portuguesa
e Matemática e, no 3.º ciclo, aos de Matemática. A Área de Projecto é destinada às expressões e ao
desenvolvimento da formação integral dos alunos. No 1.º ciclo, as actividades de enriquecimento curricular –
Ensino do Inglês, Informática, Actividade Física e Desportiva - estão organizadas de forma a responderem às
necessidades dos alunos, sendo que a natação se estende à educação pré-escolar.
3.2 Gestão dos recursos humanos
A gestão dos recursos humanos privilegia a adequação das funções às competências pessoais e profissionais
de docentes e não docentes. A atribuição do serviço aos professores obedece a critérios, salvaguardando os
princípios da continuidade e sequencialidade, o número de turmas e de níveis atribuídos e a relação pedagógica
com os alunos. A distribuição de serviço dos assistentes técnicos e operacionais é efectuada pela direcção, em
articulação com os respectivos responsáveis, de forma a salvaguardar as necessidades em todas as escolas e
pautando-se por critérios de equidade. Os Serviços Administrativos estão organizados em gestão de processos
(vencimentos, pessoal) e em regime de exclusividade nas restantes áreas. A integração dos novos profissionais
é garantida pelos membros da direcção, com o apoio dos responsáveis pelos diferentes departamentos e
serviços. A assiduidade é monitorizada, sendo o absentismo docente pouco significativo. O Agrupamento
proporciona formação com recurso aos seus profissionais, nomeadamente no âmbito das tecnologias de
informação e comunicação (quadros interactivos, Moodle), das ciências experimentais (docentes da educação
pré-escolar e do 1.º ciclo), da educação especial (workshops). Os assistentes operacionais têm frequentado
acções no âmbito da Segurança e Higiene no Trabalho, dos Primeiros Socorros, das Bibliotecas Escolares, e os
assistentes técnicos sobre os programas específicos para as suas funções.
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
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3.3 Gestão dos recursos materiais e financeiros
As escolas do Agrupamento encontram-se, na sua maioria, dotadas de equipamentos e espaços adequados,
fruto do empenhamento da Câmara Municipal e do Agrupamento. Contudo a inexistência de Internet num dos
jardins-de-infância condiciona a rentabilização deste recurso no desenvolvimento das aprendizagens. De referir,
também, que nos dois centros escolares predominam espaços exteriores sem cobertura, com o consequente
desconforto para os alunos em condições atmosféricas desfavoráveis. Alguns espaços da Escola-Sede,
nomeadamente os da ex-Escola Secundária, bem como o pavilhão gimnodesportivo, estão a aguardar obras de
beneficiação, no âmbito do Programa de Modernização do Parque Escolar do Ensino Secundário e da
responsabilidade da Câmara Municipal, respectivamente. Alguns espaços da Escola-Sede foram adaptados para
responder à oferta educativa, por exemplo, criação de uma oficina para os cursos de Mecatrónica Automóvel e
Mecânica. A qualidade do serviço de refeições, em regime de concessão, prestado na Escola-Sede tem merecido a
apreciação negativa dos alunos. O Agrupamento aderiu ao Plano Tecnológico da Educação, o que tem permitido a
actualização de equipamentos informáticos e a aquisição de novos recursos pedagógicos, como o apetrechamento
das salas de aula com quadros interactivos e projectores multimédia. As bibliotecas escolares, duas das quais
integradas na Rede de Bibliotecas Escolares, têm impacto nas aprendizagens dos discentes, dispondo de um projecto
próprio, que se articula com o da Biblioteca Municipal e com as actividades promovidas pela Casa das Artes. Estes
espaços encontram-se bem organizados, evidenciando a participação das crianças e dos alunos nas actividades
previstas e o interesse dos docentes na utilização deste recurso. A segurança é assegurada através do controlo de
entradas e saídas dos discentes, de inspecções aos equipamentos e às instalações e da realização de exercícios de
evacuação periódicos. O Agrupamento revela algum dinamismo para a captação de recursos financeiros próprios,
principalmente através das receitas do bufete e da candidatura a projectos. Estas verbas são aplicadas em pequenas
obras de manutenção e conservação dos espaços da Escola-Sede.
3.4 Participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa
O envolvimento dos pais na vida escolar é um dos objectivos consignados no Projecto Educativo, sendo
prosseguido de diferentes formas, por exemplo, no início do ano lectivo a direcção, apoiada pelos docentes
titulares de grupo/turma e pelos directores de turmas, reúne com os pais, para transmitir aspectos relativos à
organização e funcionamento do Agrupamento, como o calendário escolar, os horários, os critérios de avaliação,
o horário de atendimento, entre outros. Para além da participação nos órgãos e estruturas, os pais são
convidados a participar em actividades em contexto de sala de aula (na Hora do Conto, na Mostra de Profissões,
na Semana da Leitura) e em representações desportivas e culturais (na Feira Franca, nas sessões de entrega
de prémios). São também apoiados na realização de iniciativas próprias. Os directores de turma flexibilizam o
horário de atendimento aos pais, existindo o cuidado de o marcarem no dia da feira semanal local. A Associação
de Pais, constituída em 2008-2009, com representação no Conselho Geral e no Conselho Pedagógico, é crítica
e colaborante. A dinamização do projecto Conversas para Pais, em articulação com o Serviço de Psicologia e
Orientação, é um exemplo das iniciativas para envolver os pais na melhoria do processo de acompanhamento
do percurso educativo dos seus educandos que têm contribuído para os aproximar à vida escolar, embora um
número significativo continue pouco envolvido. Como forma de promover a participação de outros elementos da
comunidade educativa, o Agrupamento tem fomentado a colaboração com empresas e instituições públicas e
privadas, promovendo a realização de actividades de valorização dos saberes e das aprendizagens dos alunos,
por exemplo, oferta de estágios, diversificação da oferta educativa, concursos e exposições.
3.5 Equidade e justiça
O Agrupamento está atento aos problemas de aprendizagem e de inclusão, o que se traduz em acções
diferenciadas, como a disponibilização de apoios pedagógicos, o encaminhamento dos alunos para outras
ofertas formativas e a prestação de auxílios económicos. Para alguns alunos em situação problemática, são
accionados mecanismos de apoio que passam pelas tutorias e pelo reforço alimentar. A Autarquia dá um
contributo importante para a promoção da justiça social, nomeadamente através dos apoios económicos
prestados, da disponibilização de transportes escolares e de um montante em dinheiro para a consecução das
iniciativas inscritas no Plano Anual de Actividades. Os alunos entrevistados consideram que há transparência,
equidade e justiça no modo como são tratados e avaliados, com regras e critérios que afirmam conhecer e
debater com os professores e respectivos directores de turma.
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
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4. Liderança
4.1 Visão e estratégia
O Projecto Educativo, partindo de um trabalho prévio de avaliação do anterior, revela uma visão de escola
promotora do sucesso e da formação integral dos alunos e aberta à participação crescente da comunidade
educativa. Define objectivos para cada uma das prioridades elencadas, bem como as estratégias para os atingir.
Porém, não hierarquiza nem calendariza os objectivos, nem enuncia metas quantificáveis e avaliáveis o que
condiciona a eficácia da sua operacionalização, monitorização e avaliação. O Agrupamento é reconhecido e
procurado pela oferta educativa diversificada e única no concelho (e.g., cursos profissionais de Mecatrónica
Automóvel, de Energias Alternativas e a área de artes do ensino secundário regular), pelo acolhimento e pelo
empenho e competência dos profissionais. As suas perspectivas de desenvolvimento futuro passam por
promover o desenvolvimento dos projectos e contactos com o exterior e por reforçar a importância da autoavaliação como estratégia essencial à melhoria da qualidade. A cultura de Agrupamento tem vindo a ser
cimentada e, apesar de a sua constituição ser ainda recente, já existe algum sentimento de unidade.
4.2 Motivação e empenho
Os responsáveis pelos órgãos e pelas diferentes estruturas conhecem as suas áreas de actuação e demonstram
empenho no exercício das suas funções, revelando disponibilidade para colaborar com os diferentes actores na
resolução dos problemas. As lideranças intermédias dispõem de margens de autonomia de acção que se revelam
importantes no plano da motivação e empenho, aquando do desenvolvimento do trabalho de coordenação e
supervisão. A assiduidade do pessoal docente e não docente é monitorizada e as consequências do absentismo são
minimizadas através de procedimentos sistematizados, não pondo em causa a realização das actividades lectivas. O
clima de bem-estar e as relações interpessoais assentam no empenho, na dedicação e na capacidade de trabalho de
docentes e não docentes e são facilitadoras do apoio e da integração dos diferentes profissionais.
4.3 Abertura à inovação
O investimento nas tecnologias de informação e comunicação, através da aquisição de equipamentos e da
rentabilização progressiva dos recursos existentes, está a dar impulso à generalização da utilização destes
meios (quadros interactivos, computadores, e-mail, painel digital para docentes), melhorando as condições de
aprendizagem e os níveis motivacionais de docentes e alunos. A aposta na oferta de cursos de educação e
formação, de cursos profissionais, do ensino recorrente (1.º ciclo), bem como de turmas do programa integrado
de educação e formação, demonstra a abertura do estabelecimento de ensino a soluções direccionadas para
diferentes percursos formativos e para a prevenção do abandono escolar. O Agrupamento tem desenvolvido
iniciativas de enriquecimento curricular inovadoras, nomeadamente nos domínios da Língua Portuguesa (no
âmbito do projecto Acordo Ortográfico, foi criado por alunos do Curso Técnico de Informática de Gestão, em
articulação com a Escola Superior de Educação de Viana do Castelo e do Programa Nacional do Ensino do
Português, um software educativo para ser aplicado aos alunos do 1.º ciclo), dos audiovisuais (curta metragem
levada a cabo por alunos do 12.º ano, com a colaboração de alguns pais e em parceria com a Casa das Artes), da
saúde e sexualidade (Gabinete Integrado de Apoio ao Aluno), da ciência (Ciência Divertida, Robótica na Escola),
que contribuem para a formação integral dos discentes. Promovem-se diversas iniciativas de abertura ao meio,
com destaque para a realização anual da Feira Franca que atrai as atenções da comunidade educativa.
4.4 Parcerias, protocolos e projectos
O Agrupamento estabeleceu uma rede alargada de parcerias e protocolos locais e regionais, no sentido de
melhor responder à diversidade de situações problemáticas identificadas. A Câmara Municipal dos Arcos de
Valdevez constitui o principal parceiro, colaborando financeiramente nas visitas de estudo, apoiando os diversos
projectos e dinamizando eventos nos quais o Agrupamento participa. Evidenciam-se ainda as parcerias com a Casa
das Artes, o Centro de Saúde, a Câmara Municipal de Ponte da Barca e com várias instituições de solidariedade social
e empresas locais e regionais, no acolhimento de alunos em estágios profissionais. São vários os projectos de
iniciativa regional e nacional em que os alunos são envolvidos, com reflexos positivos na sua formação: por exemplo,
Plano de Acção para a Matemática e Testes Intermédios, ambos com a integração do 1.º ciclo, Plano Nacional da
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
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Leitura, Educação para a Saúde, Desporto Escolar, Parlamento dos Jovens, entre outros. As actividades desenvolvidas
pelo Agrupamento são divulgadas nos meios de comunicação escolar e na imprensa local.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria do Agrupamento
5.1 Auto-avaliação
O Agrupamento tem práticas de avaliação instituídas, designadamente a análise periódica de resultados dos
alunos, (internos, provas de aferição e exames nacionais) e a elaboração de relatórios sobre as actividades
desenvolvidas. Em Abril de 2010, a direcção, consciente da importância de implementar um processo de autoavaliação estruturado e abrangente, designou uma Comissão de Avaliação Interna, constituída por
representantes de docentes, não docentes e encarregados de educação e de um amigo crítico. Desde então,
este grupo realizou alguma formação, assumiu a análise estatística dos resultados escolares, traçou a sua
metodologia processual e, muito embora ainda não tenha desenhado um plano estratégico, calendarizou
tarefas, a médio prazo, procedeu à avaliação das metas do anterior Projecto Educativo, através de análise
documental, e promoveu a auscultação do nível de satisfação da comunidade escolar sobre os serviços
prestados, através de questionários. Gradualmente, foi divulgando os resultados do seu trabalho à comunidade
escolar e elaborou um relatório preliminar onde são elencados os pontos fortes e fracos do desempenho da
organização. Pese embora o processo de auto-avaliação ainda não denote a consolidação desejável, o trabalho
desenvolvido permitiu o levantamento de dados para a elaboração do novo Projecto Educativo, a definição das
áreas prioritárias de intervenção e apoiou a procura de soluções para os problemas detectados.
5.2 Sustentabilidade do progresso
O Agrupamento identificou, como principais pontos fortes, a oferta educativa diversificada e estratégica, o clima
e ambiente educativo, a rede de parcerias que mantém com entidades da comunidade, o funcionamento dos
clubes temáticos e a motivação e empenho docentes. Como pontos fracos, entre outros, emergem o serviço
prestado pelo refeitório, o insuficiente uso da plataforma Moodle e a evolução dos resultados académicos.
Como constrangimentos mais relevantes, enuncia a falta de espaços exteriores cobertos, de aquecimento na
Escola-Sede e a dispersão geográfica da residência dos alunos que os obriga a percorrer longas distâncias
diariamente. Como oportunidades, percepciona a prevista requalificação das instalações da Escola-Sede e a
construção de um novo pavilhão gimnodesportivo. Este conhecimento dos atributos da organização e das
condições externas, bem como o aprofundamento e consolidação do processo de auto-avaliação permitem
perspectivar a sustentabilidade do progresso do Agrupamento.
V – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, apresenta-se uma selecção dos atributos do Agrupamento de Escolas de Valdevez (pontos fortes
e fracos) e das condições de desenvolvimento da sua actividade (oportunidades e constrangimentos). A equipa
de avaliação externa entende que esta selecção identifica os aspectos estratégicos que caracterizam o
agrupamento e define as áreas onde devem incidir os seus esforços de melhoria.
Entende-se aqui por:
•
Pontos fortes – atributos da organização que ajudam a alcançar os seus objectivos;
•
Pontos fracos – atributos da organização que prejudicam o cumprimento dos seus objectivos;
•
Oportunidades – condições ou possibilidades externas à organização que poderão favorecer o
cumprimento dos seus objectivos;
•
Constrangimentos – condições ou possibilidades externas à organização que poderão ameaçar o
cumprimento dos seus objectivos.
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
12
Os tópicos aqui identificados foram objecto de uma abordagem mais detalhada ao longo deste relatório.
Pontos fortes

Os resultados obtidos nas provas de aferição do 4.º ano de Língua Portuguesa e nos exames do ensino
secundário nas disciplinas de Português e Matemática;

O comportamento disciplinado dos alunos e a qualidade das relações interpessoais na comunidade
escolar que garantem um ambiente propício à aprendizagem;

O alargamento da oferta educativa, com impacto na redução do absentismo e do abandono escolar;

A coerência entre os documentos de orientação educativa;

O dinamismo da Associação de Pais e encarregados de educação;

A rede de parcerias com resultados na integração dos alunos e na melhoria dos processos de ensino e
aprendizagem;

A direcção democrática, promotora da participação e mobilizadora da comunidade educativa.
Pontos fracos

O insuficiente desempenho dos alunos, no último triénio, quer nas provas de aferição do 6.º ano, quer
no 3.º ciclo, na avaliação interna e externa;

O débil envolvimento dos alunos na construção dos documentos de planeamento e no assumir de
responsabilidades na vida da escola;

A frágil consolidação da articulação curricular e sequencialidade das aprendizagens;

A falta de mecanismos generalizados de acompanhamento da prática lectiva em de sala de aula;

A inexistência, no Projecto Educativo, de calendarização dos objectivos e de metas quantificáveis e
avaliáveis, o que condiciona a sua operacionalização, monitorização e avaliação;

A falta de consolidação do processo de auto-avaliação.
Oportunidade

As previstas obras de beneficiação da Escola-Sede poderão proporcionar melhores condições para a
prestação do serviço educativo.
Constrangimento

A dispersão geográfica e as grandes distâncias no percurso casa-escola, a que muitos alunos estão
sujeitos, especialmente os que frequentam a Escola-Sede, poderá limitar o tempo disponível para o
estudo, com reflexos na prossecução dos objectivos do Agrupamento.
Agrupamento de Escolas de Valdevez – Arcos de Valdevez
13
Em função do contraditório apresentado pelo Agrupamento, este relatório foi alterado:
− na pág.5, 3 – Organização e gestão (4.ª linha, 3.º parágrafo), onde se lia “A impossibilidade de acesso à
Internet, nos jardins-de-infância (…)”, passou a ler-se “A impossibilidade de acesso à Internet, num dos jardinsde-infância (…);
− na pág 10, 3.3 – Gestão dos recursos materiais e financeiros (2.ª linha), onde constava “Contudo, a
inexistência de Internet nos jardins-de-infância (…) passou a constar “Contudo a inexistência de Internet
num dos jardins-de-infância (…);
− na pág. 10, 3.4 - Participação dos pais e da comunidade educativa (8.ª linha), onde se lia “São também
apoiados na realização de iniciativas próprias, de que são exemplo as sessões Conversas para Pais”,
passou a ler-se “São também apoiados na realização de iniciativas próprias” e onde constava (12.ª
linha). (…) é um exemplo do envolvimento destes na melhoria do processo de acompanhamento do
percurso educativo dos seus educandos. Estas actividades têm contribuído para aproximar os pais à vida
escolar (…), passou a constar “é um exemplo das iniciativas para envolver os pais na melhoria do
processo de acompanhamento do percurso educativo dos seus educandos que têm contribuído para os
aproximar à vida escolar (…)”;
− na página 13, Capítulo V- Considerações Finais foi retirado o constrangimento “A impossibilidade de
acesso à Internet, nos jardins-de-infância, poderá condicionar a rentabilização deste recurso no
desenvolvimento das aprendizagens das crianças”.
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