XXII CONFAEB Arte/Educação: Corpos em Trânsito
29 de outubro à 02 de novembro de 2012
Instituto de Artes / Universidade Estadual Paulista
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ARTICULAÇÃO ENTRE TEORIA E PRÁTICA NA FORMAÇÃO DE
ARTE/EDUCADORES
Maria Lívia de Castro Andrade
Instituto Ayrton Senna
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http://lattes.cnpq.br/2889191594505200
Mônica Pellegrini
Instituto Ayrton Senna
[email protected]
Paulo Emílio de Castro Andrade
Instituto Ayrton Senna
[email protected]
http://lattes.cnpq.br/0251826651383758
Simone André
Instituto Ayrton Senna
[email protected]
RESUMO:
O presente trabalho descreve e analisa resultados de três experiências de formação de
arte/educadores em Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte, realizadas pelo
Programa Educação pela Arte, do Instituto Ayrton Senna. A primeira é a Formação
Continuada de arte/educadores de ONGs parceiras do Programa. As duas outras referemse a cursos EaD de formação de arte/educadores de escolas, ONGs, centros culturais e
museus. Entre os resultados dessas formações destacam-se a ampliação do volume e
tempo de estudo pelos profissionais, a articulação entre referências conceituais e as práticas
junto aos educandos, a efetivação de planejamento e avaliação das ações; o aumento do
diálogo entre os arte/educadores; ganho na qualidade do trabalho dos educandos em
termos artísticos; e intensificação do foco no desenvolvimento humano dos educandos.
PALAVRAS CHAVE: Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte; articulação
teoria x prática; análise de resultados.
ABSTRACT:
This article describes and analyses results of three different experiences focused on
art/educators training on Education for the Human Development through Arts, developed by
Instituto Ayrton Senna’s Education through Arts Program. The first experience described is
the continuous training given to art/educators of 21 partners NGOs. The other two
experiences are about online courses developed to art/educators that work in schools,
NGOs, cultural centers and museums. The main results of these trainings are: increase of
the volume and time of study by the professionals; the integration between theory and
practical work developed in classroom; the effectiveness of planning and evaluation of the
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activities; the increase of dialogue between the professionals; the increase of the quality of
the activities, artistically; and the intense focus on the human development within the
students.
KEY WORDS: Education for the Human Development through Art; theory versus practical
work; analysis of results.
1 O Programa Educação pela Arte e a formação de arte/educadores
O Instituto Ayrton Senna (IAS) iniciou sua atuação no campo do Ensino de
Arte em 1999, por meio do Programa Educação pela Arte. Desde então, o Programa
atua com foco na produção de conhecimentos e no fortalecimento de práticas de
ensino de arte de organizações não-governamentais parceiras e na formação de
arte/educadores dessas organizações e de outras instituições educacionais, como
escolas, museus e centros culturais.
O presente trabalho descreve e analisa as principais iniciativas de formação
de arte/educadores realizadas pelo Programa Educação pela Arte, a saber: a
Formação Continuada de 21 ONGs que atuam com ensino de arte e os cursos de
EaD Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafios para a cultura e a educação e
Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte. Em todas estas experiências
de formação, o IAS provocou os arte/educadores a refletir, dialogar e experimentar
novas formas de pensar e realizar seu trabalho junto aos educandos. A proposta era
que a participação em tais iniciativas repercutisse mais concretamente nas vivências
profissionais e nas práticas dos arte/educadores em sala de aula, a partir do estudo
das concepções norteadoras e referências da Educação para o Desenvolvimento
Humano pela Arte.
A seguir, serão apresentadas cada uma dessas iniciativas de formação, para
que seja possível, na sequência, apontar as principais repercussões de tais
formações no trabalho desenvolvido por arte/educadores brasileiros.
1.1 A Formação Continuada das ONGs parceiras
O Programa Educação pela Arte realizou, entre os anos 2002 e 2007, a
Formação Continuada de 478 arte/educadores que atuavam em 21 organizações
não-governamentais parceiras, repercutindo diretamente no trabalho de ensino de
arte por eles realizado junto a cerca de 10.300 educandos.
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Entre os conteúdos trabalhados ao longo da Formação Continuada estão as
concepções que marcaram o ensino de arte no Brasil no século XX e a concepção
contemporânea do ensino de arte; o ensino de arte numa proposta de educação
para o desenvolvimento humano; o ensino de arte na perspectiva multicultural; as
novas gerações e as culturas juvenis; o fazer artístico e a apreciação e interpretação
da obra de arte: os contextos histórico, social, político e cultural; o fazer artístico e a
apreciação e interpretação da obra de arte: um processo de conhecimento e
transformação de si e do mundo; o ensino de arte e o Projeto Pedagógico da
organização.
O Programa adotou três estratégias, complementares, no processo de
formação dos arte/educadores: Unidades Formativas à distância, encontros
presenciais,
chamados
de
Grupos
de
Trabalho,
e
visitas
técnicas
de
acompanhamento das organizações.
As Unidades Formativas focavam os conteúdos da formação e eram
orientadas por um roteiro de trabalho, com textos e/ou livros para estudo; questões
para reflexão individual e coletiva e propostas para a elaboração e realização de
atividades artísticas junto aos educandos. A equipe de arte/educadores de cada
organização fazia registros do processo vivenciado e os enviava à coordenação e
aos consultores técnicos do Programa Educação pela Arte, do Instituto Ayrton
Senna, que, por sua vez, elaborava um documento que consolidava as principais
aprendizagens das organizações, apontando e analisando aspectos que permearam
aquela unidade de formação. Esse documento contribuía, também, para que cada
organização pudesse conhecer e compreender os processos vivenciados pelas
demais instituições, possibilitando um novo ciclo de formação. As atividades de cada
Unidade Formativa eram realizadas em cerca de três meses.
Já os Grupos de Trabalho, possibilitavam o encontro presencial entre
representantes
de
todas
as
organizações
parceiras
e
os
consultores
e
coordenadores do Programa Educação pela Arte. Neles, havia momentos para o
aprofundamento conceitual e metodológico e para trocas de experiências entre os
arte/educadores participantes. Na maioria das vezes os Grupos de Trabalho eram
realizados anualmente e tinham a duração de 16 horas.
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As visitas técnicas, por sua vez, eram espaços de diálogo conceitual e de
compartilhamento de experiências entre a equipe de cada organização e a
coordenação e os consultores do Programa Educação pela Arte, sendo que algumas
das visitas incluíam a participação dos educandos. Esses momentos aconteciam no
espaço de cada organização parceira, tendo, em geral, duração de oito horas.
1.2 O curso EaD Ensino de Arte na Contemporaneidade: desafio para a cultura
e a educação
Em 2008, o Programa iniciou investimentos em formação de arte/educadores
de outros espaços educacionais, por meio de cursos de Educação a Distância.
Neste ano, quatro instituições estabeleceram parceria para a realização de um curso
a distância: o IAS, a DUO Informação e Cultura, a ONG Humbiumbi – Arte, Cultura e
Educação e a UNESCO. O curso, intitulado “Ensino de arte na contemporaneidade:
desafio para a cultura e a educação”1 atuou na formação de 160 arte/educadores de
todos os estados brasileiros. O interesse por realizar esse curso vinha de uma
perceptível demanda por formação, de profissionais que atuam com ensino de arte
em escolas, museus e centros culturais. E a decisão de realizar um curso virtual
refere-se, essencialmente, à possibilidade de colocar em diálogo arte/educadores
que residem em todos os estados brasileiros, essencialmente em cidades do interior
do País. Criava-se, naquele momento, um rico ambiente de formação, marcado por
oportunidades de acesso a novos conhecimentos, compartilhamento de pontos de
vista e experiência, elaboração de novas ideias e práticas em ensino de arte.
O processo de seleção dos participantes do curso foi bastante desafiador,
devido ao grande número de inscritos. Mais de 1.400 arte/educadores enviaram
fichas de inscrição2, o que possibilitou que o grupo selecionado fosse marcado por
uma interessante diversidade em termos de tempo de atuação em ensino de arte; de
formação em linguagens artísticas diferentes; de tipos de instituição de ensino em
1
O curso “Ensino de arte na contemporaneidade: desafio para a cultura e a educação” foi patrocinado pela
Petrobras, via Lei Rouanet.
2
Para participar do curso, era pré-requisito que os arte/educadores preenchessem uma ficha de inscrição e a
encaminhassem por e-mail, acompanhada de uma declaração da instituição educacional em que atuavam. Nesta
declaração, a instituição se comprometia em garantir tempo de estudo e participação dos arte/educadores nas
ações propostas no curso. Tais instituições receberam, como doação do curso, um acervo com 15 títulos
relacionados ao ensino de arte.
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que trabalhavam3; e de localidades diferentes no país4. Privilegiou-se a participação
de arte/educadores com formação superior, sendo que os que possuíam apenas
graduação tinham prioridade em relação aos mestres e doutores, no caso de
desempate.
As atividades do curso foram realizadas na plataforma EAD|DUO5, que
apresentava formato fechado. Ela possibilitava que os arte/educadores, professores
e coordenadores participassem das “aulas”, compostas por textos de referência
elaborados pelos professores e atividades de reflexão por eles propostas, e o
“fórum”, que abrigava o diálogo entre os arte/educadores e professores, acerca dos
conteúdos de cada módulo. Havia outros ambientes importantes, tais como a
“midiateca”, em que eram postados textos e vídeos complementares para estudo, o
“cafezinho”, espaço em que os participantes do curso dialogavam sobre questões
diversas não vinculadas ao conteúdo, e o “message center”, em que os alunos
encaminhavam questões diretamente aos professores ou coordenadores.
O conteúdo do curso foi organizado em seis disciplinas, a saber: Educação
para o Desenvolvimento Humano; o ensino de arte no Brasil e a concepção
contemporânea de arte; o valor da arte na contemporaneidade e seus reflexos no
ensino de arte; juventude e culturas juvenis; o fazer artístico no ensino de arte; e a
apreciação e interpretação da obra de arte no ensino de arte. Tal conteúdo foi
trabalhado ao longo dos quatro meses de duração do curso.
1.3 O curso EaD Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte
Em 2010, o Programa realizou nova iniciativa de formação
de
arte/educadores: o curso Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte 6,
junto a 80 profissionais que atuavam em uma diversidade de espaços educacionais
3
Do total dos selecionados, 57% atuavam em escolas públicas, 17% em ONGs, 9% em universidades, 8% em
escolas particulares, 5% em secretarias de cultura e de educação e 4% em museus e centros culturais.
4
Houve a participação de arte/educadores de todos os estados brasileiros. Buscou-se equilibrar a quantidade de
participantes de cada estado, proporcionalmente a dados populacionais das regiões do país. Garantiu-se a
aprovação de, pelo menos, cinco arte/educadores de cada estado, exceto de Roraima, Tocantins, Amazonas e
Acre, devido ao fato de não haver este número de candidatos que atendiam aos critérios da seleção. Parte
significativa dos selecionados residem no interior do País, onde, em geral, não têm oportunidades de formação.
5
A plataforma era de simples utilização, e, rapidamente, grande parte dos arte/educadores aprenderam a
navegar por ela. Foi realizada uma semana de atividades de ambientação na plataforma e os alunos que
apresentavam dificuldades contavam com o auxílio da equipe de monitoria.
6 O curso “Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte” foi realizado pelo IAS em parceria com a Santa
Bárbara Engenharia.
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de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Assim como na primeira experiência
em EaD, buscava-se responder à ampla demanda por formação apresentada pelos
profissionais que ensinam arte, e, junto a isso, relativizar a noção de território de um
país continental como o Brasil, que, se por um lado, possibilita a existência e
convivência de uma rica diversidade cultural, por outro, dificulta o acesso de uma
parte expressiva da população a uma série de possibilidades de formação existentes
em grandes cidades. A EaD, possibilita que profissionais que residem em diversos
locais se encontrem e acessem, compartilhem e construam conhecimentos e
experiências importantes para o trabalho que realizam cotidianamente.
O curso teve a intenção de compartilhar com arte/educadores de escolas
públicas, ONGs e espaços culturais brasileiros, as causas, os conceitos e as
estratégias propostas pela Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte; de
promover
oportunidades
de
acesso,
compartilhamento
e
produção
de
conhecimentos sobre o ensino de arte; e criar oportunidades para que os
arte/educadores qualificassem suas propostas de ensino junto aos educandos das
instituições em que atuam.
Com duração de quatro meses, os arte/educadores se encontravam no
ambiente virtual do IAS, que possibilitava uma diversidade de atividades, dentre as
quais, o acesso a textos e vídeos para estudo, a vivência de propostas de reflexão
individual, e o diálogo nos fóruns temáticos. Os professores apresentavam questões
iniciais para orientar o diálogo nos fóruns temáticos. À medida que os
arte/educadores apresentavam suas reflexões, em geral articulando referências
conceituais trabalhadas nos textos com suas experiências de ensino de arte, os
professores faziam uma “costura” entre elas. De tempos em tempos, elaboravam um
documento que consolidava todo esse conhecimento estruturado coletivamente.
O curso adotou, como conteúdo, as referências da proposta de Educação
para o Desenvolvimento pela Arte. Em termos conceituais, esta proposta estrutura o
ensino de arte a partir do conhecimento sensível do ser humano e do mundo
(sensibilidade, percepção e criatividade); da vivência, identificação e incorporação
de valores; e da visão multiculturalista. Esses três eixos conceituais fundamentam os
processos de fazer artístico e de apreciação e interpretação de obras de arte
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vivenciados pelos educandos, possibilitando que eles desenvolvam competências
pessoais (entre elas, identidade e autonomia), relacionais (entre elas o
protagonismo, a colaboração e a comunicação), cognitivas (entre elas o pensamento
crítico e a resolução de problemas) e produtivas (entre elas a gestão de processos e
gestão de informações).
2 Resultados comuns das iniciativas de formação de arte/educadores
Pretende-se, nesta seção, analisar os principais resultados comuns
observados a partir da realização, pelo Programa Educação pela Arte, dessas três
experiências de formação de arte/educadores. Para tanto, serão adotados cinco
eixos de análise, que, no seu conjunto, possibilitam o entendimento das
repercussões que tais iniciativas geraram na atuação dos profissionais junto aos
seus educandos.
2.1 Ampliação de volume e tempo de estudo
Nas três experiências de formação de arte/educadores relatadas, o Programa
optou por incentivar que os arte/educadores ampliassem, continuamente, o tempo
de dedicação e o volume de leituras sobre referências de arte, de ensino de arte e
de outros campos que permeiam o trabalho junto aos educandos.
Cada unidade formativa da Formação Continuada, por exemplo, apontava
uma lista de referências bibliográficas que deveriam ser acessadas pelos
arte/educadores participantes, como forma de preparação para a realização das
atividades sugeridas às organizações parceiras. Em diversos momentos da
formação, verificou-se que os participantes relacionavam suas práticas de ensino de
arte com aspectos conceituais e metodológicos abordados pelos autores a que
tiveram acesso.
O curso EaD Ensino de Arte na Contemporaneidade realizou uma ação
concreta de possibilitar o acesso dos profissionais a um acervo de títulos relevantes
relacionados ao ensino de arte. Todas as 160 instituições de ensino a que os alunos
do curso estavam vinculados receberam uma “caixa-biblioteca”, com 15 títulos de
referência (entre livros e vídeos), que, durante o curso, ficaram com os
arte/educadores para que pudessem estudar. Tratou-se de um investimento de
recursos significativo que mostrou-se essencial para a formação dos profissionais.
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Uma aluna do curso7, ao responder a ficha de avaliação, exclamou: “a caixabiblioteca é um verdadeiro tesouro para nós e para as instituições!”.
O curso EaD Educação para o Desenvolvimento Humano pela Arte, por sua
vez, optou pela disponibilização de textos de estudo, de autoria da equipe do
Programa Educação pela Arte, do Instituto Ayrton Senna, que apresentavam as
referências conceituais e metodológicas que seriam trabalhadas pelos professores
nos fóruns de discussão. Optou-se, também, pela indicação de referências
bibliográficas de autores com produção relevante no campo do ensino de arte.
Considera-se necessário ressaltar que nas três experiências de formação
foram feitas negociações com as instituições de ensino às quais os arte/educadores
estavam vinculados, a fim de garantir tempo e condições de estudo. As diversas
atividades desenvolvidas pressupunham um intenso volume de estudo, que refletiu
diretamente na ampliação dos conhecimentos dos profissionais, e, principalmente,
na superação, por muitos deles, de um grande desafio do ensino de arte: transpor as
práticas intuitivas, dando lugar a um trabalho melhor fundamentado.
2.2 Articulação entre teoria e prática
Uma das principais preocupações do Programa Educação pela Arte é a de
aproximar as referências conceituais que adota das práticas cotidianas, ou seja,
possibilitar que o trabalho junto aos educandos seja orientado pelos conceitos
propostos pelo Programa.
Tal preocupação se transforma em método de formação dos arte/educadores.
Nas três experiências aqui relatadas, adotaram-se dois métodos principais de
articulação entre teoria e prática. No primeiro, os arte/educadores eram convidados,
continuamente, a refletir sobre suas práticas, registrando-as em forma de relato de
experiência. Esse exercício de elaborar um relato era proposto como um duplo
esforço: o de registrar as atividades realizadas junto aos educandos e o de analisar
as escolhas metodológicas, os resultados alcançados e as questões/desafios
observados, entre tantos outros aspectos. Tudo isso, a partir de leituras diversas,
que contribuíam para ampliar e qualificar o olhar sobre os eixos de análise. Os
7
Optamos por não identificar os nomes dos arte/educadores cujas falas avaliativas foram inseridas no presente
artigo.
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professores das formações atuavam como mediadores desse processo, contribuindo
para a identificação de experiências interessantes, para a articulação de tais
experiências
com
referências
conceituais
e
metodológicas,
e
para
o
compartilhamento entre os membros do grupo de arte/educadores. A fala a seguir,
de arte/educador participante de um dos cursos EaD, evidencia esta questão:
O curso é um instrumento importante para repensarmos nossa prática como
professores, justamente em uma época de tantas mudanças como a atual.
Permite também que possamos observar a prática de nossos colegas, a
realidade de outros lugares do Brasil e pensarmos juntos novas soluções
para velhos problemas. O contato e aprendizado com professores
experientes também possibilita uma troca muito rica.
A segunda opção metodológica das formações que contribuíam fortemente
para que os arte/educadores articulassem as referências conceituais com suas
práticas cotidianas de ensino de arte era a elaboração e compartilhamento de planos
de aula. A partir das questões estudadas em textos de referência e dos diálogos
entre os membros das equipes das organizações ou dos arte/educadores dos cursos
de EaD, eles eram convidados a estruturar planos de aula, nas diversas linguagens
artísticas, traduzindo seus conhecimentos em ações práticas. O compartilhamento
de tais documentos gerava uma ampliação, pelo coletivo de profissionais, de visões
sobre o ensino de arte e, principalmente, da diversidade de possibilidades de
realizar trabalhos qualificados junto a crianças, adolescentes e jovens.
2.3 Planejamento e avaliação das ações
Um dos focos de investimento do Programa Educação pela Arte refere-se ao
fortalecimento dos processos de planejamento e avaliação do trabalho desenvolvido
junto aos educandos. A dificuldade de implementar tais práticas é bastante presente
no cotidiano de diversas instituições de ensino, o que, em muitos casos, acaba por
fragilizar os resultados dos educandos no campo da arte e os processos de gestão
dessas instituições.
As iniciativas de formação de arte/educadores desenvolvidas pelo Programa
incentivam que os profissionais permanentemente realizem e qualifiquem suas
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práticas de planejamento e de avaliação. E é evidente o encantamento da maior
parte deles ao verificarem as positivas repercussões que tais procedimentos podem
gerar no trabalho junto aos educandos: aulas mais bem preparadas, ampliação dos
conhecimentos que os educandos acessam, compartilham e produzem, foco mais
bem definido no desenvolvimento de competências pelos educandos e não, apenas,
de habilidades técnicas, entre tantos outros.
2.4 Diálogo entre os arte/educadores que atuam em diferentes instituições
Um dos aspectos mais marcantes das formações relatadas no presente
trabalho é a dimensão de aprendizagem que se dá a partir da troca entre os
profissionais que atuam em diferentes instituições de ensino, localidades e nas
diversas linguagens artísticas. As três iniciativas relatadas apontaram essa questão.
A Formação Continuada era composta por arte/educadores de 21
organizações, localizadas em nove estados brasileiros. Em cada unidade formativa,
a equipe do Programa produzia um documento que sistematizava as principais
aprendizagens de cada uma delas, em relação ao eixo temático que estava sendo
trabalhado. Tal documento era recebido com muita expectativa pelos participantes,
que tinham a oportunidade de se ver e de ver toda a riqueza presente no trabalho de
ensino de arte das demais organizações parceiras.
Os
cursos
de
EaD
também
possibilitaram
uma
intensa
troca
de
conhecimentos e experiências entre os participantes. Um deles contou com a
participação de 160 arte/educadores de todos os estados brasileiros. O outro atuou
junto a 80 profissionais de três estados da região sudeste. Os fóruns de discussão
se transformavam num amplo e profundo locus sistematizador de referências que
repercutiam na aprendizagem coletiva. Para um dos arte/educadores, “o curso além
de atualizar os profissionais no ensino da arte na contemporaneidade, possibilita um
intercâmbio com arte/educadores do país inteiro e, pela sua formatação, faz com
que reflitamos sobre a nossa prática. Isso é fundamental”. Interessante mencionar o
espaço do “cafezinho virtual”, em que os participantes dialogavam sobre assuntos
diversos, acabou promovendo aproximação entre eles, que compartilhavam visões
de mundo, interesses, ideias, referências.
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2.5 Foco no desenvolvimento humano das crianças, adolescentes e jovens
O último eixo de análise de resultados das iniciativas de formação
desenvolvidas pelo Programa Educação pela Arte é um dos mais importantes. Tratase de um esforço de reflexão e diálogo, junto aos arte/educadores, acerca da
importância de definir um foco claro do ensino de arte: possibilitar que crianças,
adolescentes e jovens desenvolvam competências pessoais, relacionais, cognitivas
e produtivas por meio do fazer artístico e da apreciação e interpretação de obras de
arte.
As três iniciativas de formação apontam uma opção clara do Programa: não
se trata de reduzir o ensino de arte ao ensino de técnicas diversas, tampouco de
formar artistas. Mas, sim, de possibilitar que, por meio da experiência no campo da
arte, as novas gerações possam desenvolver a sensibilidade, a percepção e a
criatividade; vivenciem, identifiquem e incorporem valores; e adotem uma visão
multicultural sobre o mundo. E, nesse processo, se desenvolvam como pessoas,
cidadãos e futuros profissionais.
Tal foco se traduz na definição do conteúdo, no método de trabalho e nos
materiais de referência das formações. Todo o tempo, os participantes são
convidados a olhar para os educandos tendo em vista o seu processo de
desenvolvimento, nas suas várias dimensões. Conhecer o educando, reconhecê-lo
como parte ativa do próprio desenvolvimento são aspectos essenciais para quem
atua com educação. Promover oportunidades qualificadas em arte torna-se, nesse
contexto, um compromisso com o desenvolvimento humano das novas gerações.
4 Referências
ANDRÉ, Simone e GOMES DA COSTA, Antonio Carlos. Educação para o Desenvolvimento
Humano. São Paulo: Saraiva: Instituto Ayrton Senna, 2004.
BARBOSA, Ana Mae (org.). Arte/educação contemporânea: consonâncias internacionais.
São Paulo: Cortez, 2005.
BRASIL, SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares
Nacionais : arte. Brasília: MEC, 1997.
FUSARI, Maria Felisminda de Resente; FERRAZ, Maria Heloísa. Arte na educação escolar.
São Paulo: Cortez, 1993.
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MASON, Rachel. Por uma arte-educação multicultural. Campinas, SP: Mercado de Letras,
2001.
MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, M. Terezinha. Teoria e prática do
ensino de arte: a língua do mundo. São Paulo: FTD, 2009.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e Processos de Criação. Rio de Janeiro: Editora Vozes,
2001.
PARSONS, Michael. Mudando direções na arte-educação contemporânea. A compreensão
e o prazer da arte. 5º Encontro, São Paulo, SESC/Vila Mariana, 1998.
SALLES, Cecília Almeida. Gesto Inacabado: processo de criação artística. São Paulo:
Fapesp: Annablume, 1998.
VALENTE, J., PRADO, M e ALMEIDA, M. (Orgs.). Educação a Distância via internet. São
Paulo: Avercamp, 2003.
Maria Lívia de Castro Andrade
Especialista em Pesquisa e Ensino no Campo das Artes Plásticas (Escola Guignard/UEMG);
Graduada em Belas Artes e Artes Gráficas (Escola Guignard/UEMG). É consultora do
Instituto Ayrton Senna, diretora do Centro Cultural Maria Lívia de Castro e coordenadora da
ONG Humbiumbi - Arte, Cultura e Educação. Respondeu pela integração cultural e social
das comunidades brasileira e angolana, em Angola, pela Construtora Norberto Odebrecht.
Mônica Pellegrini
Especialista em arte/educação (USP). Atuou desde 1992 como arte/educadora e
coordenadora em diversas ONGs. Atualmente coordena o Programa Educação pela Arte,
desenvolvido pelo Instituto Ayrton Senna, que atua com base na proposta de Educação para
o Desenvolvimento Humano pela Arte, em parceria com quatorze ONGs, em oito estados
brasileiros, que atendem diretamente cerca de 3.000 crianças e jovens.
Paulo Emílio de Castro Andrade
Mestre em Educação (UFMG); Graduado em Jornalismo (UNIBH). É consultor do Instituto
Ayrton Senna, diretor do Centro Cultural Maria Lívia de Castro, diretor de metodologia e
pesquisa da Associação Imagem Comunitária e coordenador de projetos da ONG
Humbiumbi. Foi pesquisador do Observatório da Juventude da UFMG e coordenador da Oi
Kabum! Escola de Arte e Tecnologia em BH.
Simone André
Psicóloga, educadora, atuou na área da infância e juventude como consultora de
organizações governamentais (prefeituras, órgãos estaduais), não-governamentais e
internacionais (Unicef, OIT). Atualmente, é Coordenadora da Área de Juventude do Instituto
Ayrton Senna, membro da Cátedra Unesco de Educação e Desenvolvimento Humano e
autora de publicações neste campo.
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articulação entre teoria e prática na formação de arte