UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES
URI - CAMPUS DE ERECHIM
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE FARMÁCIA BIOQUÍMICA CLÍNICA
FERNANDA OLDRA
AVALIAÇÃO DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O CONTROLE DE
PESO POR ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DA URI - CAMPUS
ERECHIM
ERECHIM
2008
FERNANDA OLDRA
AVALIAÇÃO DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O CONTROLE DE
PESO POR ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DE ERECHIM
Monografia apresentada ao Curso de Farmácia
Bioquímica Clínica da Universidade Regional
Integrada do Alto Uruguai e das Missões –
Campus de Erechim, como requisito parcial para a
obtenção de graduação em Farmácia Bioquímica
Clínica, sob orientação da Professora Helissara S.
Diefenthaeler.
ERECHIM
2008
RESUMO
Esse estudo teve como objetivo avaliar o uso de medicamentos para o controle de
peso por estudantes universitários da Universidade Regional Integrada – URI
campus Erechim; quais os medicamentos utilizados; se a forma de aquisição dos
mesmos é através de receita, se o tratamento é realizado com acompanhamento
médico; verificar se existe relato de reações adversas pelos participantes e qual a
prevalência de estudantes de cada curso pesquisado que utiliza ou já utilizou essa
classe de medicamentos. Nesse estudo foram entrevistados 286 estudantes
universitários, sendo a maioria do sexo feminino (236). Dos entrevistados, 22,7%
(65) relatou utilizar ou já ter utilizado medicamentos para o controle de peso. O
medicamento mais utilizado pelos estudantes foi a fluoxetina com 26,1% (17). O
índice de massa corporal da maioria dos estudantes que relataram utilizar ou já ter
utilizado medicamentos, foi classificado como peso saudável, o que não justifica a
utilização do medicamento para emagrecer, mostrando haver uma utilização
irracional destes. Dos estudantes que utilizam ou já utilizaram medicamentos para o
controle de peso 47,7% (31) afirmou ter recebido indicação médica e 10,5% (30)
relatou que consegue adquirir o medicamento sem receituário médico. Na maioria
dos casos, houve relato de reações adversas durante a utilização do medicamento
para emagrecer. As medidas não medicamentosas também foram citadas para o
controle de peso, sendo estas utilizadas simultaneamente com o uso do
medicamento. É de fundamental importância à conscientização da população no
momento da compra, dos farmacêuticos no controle e qualidade na dispensação e
também da classe médica no momento da prescrição para evitar o uso irracional
destes medicamentos que podem causar efeitos colaterais desagradáveis e
perigosos quando utilizados por indivíduos que não correm os riscos da obesidade.
Palavras-chave: Medicamentos. Controle de peso. Estudantes universitários.
LISTA DE TABELAS
Tabela 2.1 – Relação entre índice de massa corporal e obesidade............................9
Tabela 2.2 – Indicadores de risco de complicações da obesidade .............................9
Tabela 5.1 – Número de estudantes respondentes por curso...................................18
Tabela 5.2 – IMC encontrado nos participantes ........................................................19
Tabela 5.3 – Uso de medicamentos x curso .............................................................19
Tabela 5.4 – Medicamentos utilizados para emagrecer ............................................20
Tabela 5.5 – Medicamentos utilizados em associação..............................................20
Tabela 5.6 – IMC dos participantes que afirmaram utilizar ou já ter utilizado
medicamentos para emagrecer. ..........................................................22
Tabela 5.7 – Freqüência de quem indicou o uso de medicamento ...........................23
Tabela 5.8 – Tempo de utilização dos medicamentos ..............................................23
Tabela 5.9 – Reações adversas relatadas pelos participantes que utilizam ou já
utilizaram medicamentos para emagrecer ...........................................24
Tabela 5.10 – Medidas não-medicamentosas usadas para o controle de peso........26
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO .....................................................................................................6
2
REFERENCIAL TEÓRICO ..................................................................................8
2.1 OBESIDADE: DEFINIÇÕES, INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA .............................8
2.2 DIAGNÓSTICO ....................................................................................................8
2.3 COMPLICAÇÕES ..............................................................................................10
2.4 TRATAMENTO...................................................................................................11
2.5 MEDICAMENTOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DA OBESIDADE .............11
2.6 MEDIDAS NÃO-MEDICAMENTOSAS .............................................................113
3
OBJETIVOS.......................................................................................................15
3.1 OBJETIVO GERAL.............................................................................................15
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ..............................................................................15
4
METODOLOGIA ................................................................................................16
4.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA ......................................................................16
4.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ...............................................................................16
4.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO .......................................................16
4.4 COLETA DE DADOS..........................................................................................16
4.5 ASPECTOS ÉTICOS..........................................................................................17
4.6 ASPECTOS ESTATÍSTICOS .............................................................................17
5
RESULTADOS E DISCUSSÃO .........................................................................18
5.1 DESCRIÇÃO DA AMOSTRA..............................................................................18
5.1.1 Índice de massa corporal dos entrevistados ...............................................19
5.2 DESCRIÇÃO DO USO DE MEDICAMENTOS....................................................19
5.2.1 Reações adversas relatadas .........................................................................23
5.2.2 Aquisição dos medicamentos.......................................................................25
6
CONCLUSÕES ..................................................................................................27
REFERÊNCIAS.........................................................................................................29
APÊNDICES .............................................................................................................31
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO PARA COLETA DE DADOS ................................32
APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO PARA QUESTIONÁRIO
ANÔNIMO ..........................................................................................................33
ANEXO......................................................................................................................34
ANEXO A – APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA DA URI
CAMPUS DE ERECHIM.....................................................................................35
6
1 INTRODUÇÃO
As mudanças no estilo de vida e no hábito alimentar da população mundial
durante as últimas décadas aumentaram as chances dos indivíduos de se tornarem
obesos. Os fatores que contribuem diretamente para o desenvolvimento da
obesidade precoce estão associados às condutas erradas na alimentação infantil,
consumo elevado de alimentos com alto teor de gordura e principalmente o
sedentarismo (BARBOSA, 2004).
A obesidade é considerada como uma séria doença crônica que apresenta
graves dimensões sociais e psicológicas e que afeta praticamente todas as faixas
etárias, grupos socioeconômicos e culturais. O comportamento alimentar está
associado com a obesidade, tornando-se uma doença mais complexa por
apresentar algumas características psicológicas envolvidas como sentimento de
culpa, ansiedade, humor depressivo e também, por apresentar mecanismos
fisiológicos como a resistência ao jejum a partir de dietas restritas (BERNARDI;
CICHELERO; VITOLO, 2005).
Medidas medicamentosas como forma de emagrecimento estão entre as opções
de uma grande maioria, muitas estão apenas alguns quilos acima do peso ideal. Na
verdade são pessoas que ficam seduzidas pelos possíveis efeitos do medicamento e
procuram cada vez mais emagrecer por meio da ingestão de anorexígenos,
medicamentos a base de drogas anfetamínicas que agem sobre o sistema nervoso
central liberando substâncias que transmitem a sensação de ausência de fome
(ARTERBURN; NOËL, 2001).
Usar medicamentos é uma das últimas alternativas que o médico deve utilizar
para o tratamento da obesidade, ou seja, quando as possibilidades através de
dietas, exercício físico e psicoterapia esgotam-se, ou quando existe um problema
orgânico que não se renda a nada mais do que a medicação. A grande preocupação
dos mesmos está relacionada com o comportamento irresponsável de “aventureiros”
que provocam o uso indiscriminado desse tipo de medicamento no país (EPPS,
1997).
7
Com base nessas informações, este estudo foi realizado com o objetivo de
avaliar o uso de medicamentos para o controle de peso por estudantes universitários
da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai – URI Erechim. Considerando
que atualmente muitas pessoas, principalmente, jovens e mulheres procuram cada
vez mais emagrecer por meio da ingestão de medicamentos e, normalmente essas
pessoas não correm os riscos da obesidade, mas acabam se sujeitando aos efeitos
colaterais desagradáveis e perigosos provocados pelos inibidores de apetite, tornase importante a realização de um estudo de utilização de medicamentos para
emagrecer.
8
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 OBESIDADE: DEFINIÇÕES, INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA
A obesidade é uma doença crônica que afeta cada vez mais crianças,
adolescentes e adultos. Sua prevalência aumentou significativamente na última
década em países industrializados e em desenvolvimento onde os alimentos ricos
em energia são abundantes e de baixo custo e os estilos de vida são cada vez mais
sedentários (HALPERN; MANCINI, 2002).
No Brasil estima-se que aproximadamente 32% da população adulta, apresente
algum nível de sobrepeso, sendo os dados mais alarmantes em relação às
mulheres, que apresentam 55% de prevalência de sobrepeso e obesidade, contra
37% dos homens, quando analisamos a população entre 45 e 55 anos de idade
(GUEDES; GUEDES, 1998).
A obesidade no mundo alcança níveis epidêmicos, como revela o levantamento
divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2000, com 300 milhões de
obesos adultos, afetando principalmente as populações femininas. No Brasil, a
obesidade também vem aumentando desde 1975 e estima-se que atualmente 32%
da população adulta de homens e mulheres apresentam sobrepeso, enquanto a
obesidade chega a atingir aproximadamente 13 milhões de pacientes, o que é
alarmante tanto no aspecto da saúde quanto no socioeconômico (HALPERN;
MANCINI, 2002).
2.2 DIAGNÓSTICO
A forma mais amplamente recomendada pela Organização Mundial da Saúde
para avaliar o peso corporal em adultos é o índice de massa corporal (IMC). Esse
índice é calculado dividindo-se o peso do paciente em quilogramas pela sua altura
em metros elevada ao quadrado. O valor assim obtido estabelece o diagnóstico da
9
obesidade e caracteriza os riscos associados conforme apresentados na tabela
abaixo (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2004).
Tabela 2.1 – Relação entre índice de massa corporal e obesidade
IMC (kg/m2)
Grau de Risco
Tipo de obesidade
18 a 24,9
25 a 29,9
30 a 34,9
35 a 39,9
40 ou mais
Peso saudável
Moderado
Alto
Muito Alto
Extremo
Ausente
Sobrepeso (Pré-Obesidade)
Obesidade Grau I
Obesidade Grau II
Obesidade Grau III ("Mórbida")
Fonte: FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2004.
A obesidade andróide, encontrada normalmente em homens, é caracterizada por
uma forma corporal tendendo a maçã. A gordura se acumula na região do abdômen
devido a ação da testosterona (DOMINGUES FILHO, 2000).
Normalmente encontrada em mulheres, a obesidade ginóide, apresenta uma
forma corporal semelhante a uma pêra. A gordura é acumulada no quadril e se
distribui nessa região sob efeitos de estrogênios e progesterona (FUCHS;
WANNMACHER; FERREIRA, 2004).
Outro índice importante para classificar os riscos da obesidade é denominado de
relação cintura-quadril que é obtido pela divisão da cintura abdominal pela
circunferência do quadril do paciente, representando assim, riscos metabólicos
quando essa relação for maior do que 0.9 no homem e 0.8 na mulher. A simples
medida da circunferência abdominal já é considerada um indicador no risco de
complicações da obesidade, sendo definida na tabela 2, de acordo com o sexo do
paciente (NOËL; PUGH, 2002).
Tabela 2.2 – Indicadores de risco de complicações da obesidade
Homem
Mulher
Risco Aumentado
94 cm
80 cm
Fonte: NOËL; PUGH, 2002.
Risco Muito Aumentado
102 cm
88 cm
10
2.3 COMPLICAÇÕES
Os problemas de saúde associados à obesidade e considerados como
debilitantes, mas não fatais, incluem problemas respiratórios, musculares e
esqueléticos crônicos, doenças na pele e infertilidade. Os casos mais graves e que
ameaçam
a
vida
estão
distribuídos
nas
seguintes
categorias:
doenças
cardiovasculares, agravos associados à resistência a insulina, certos tipos de câncer
(OPAS, 2003).
A hipertensão é uma ameaça para a ocorrência de derrames e enfartes. A vítima
de diabetes além de apresentar lesões na retina podendo agravar-se a ponto de
causar cegueira, tem dificuldade de andar por causa da circulação das pernas
insuficiente (MEDEIROS, 2002).
A
síndrome
plurimetabólica
ou
síndrome
da
resistência
à
insulina
comprovadamente associada a uma distribuição particular de gordura com
predomínio da gordura abdominal, pode ser definida como uma condição em que
ocorre menor utilização da glicose em resposta à ação da insulina nos tecidos
periféricos. O menor consumo de glicose faz com que seus níveis séricos tendam a
se
elevar,
acarretando
maior
estímulo
para
a
produção
de
insulina
e
consequentemente hiperinsulinemia (SANTOS et al., 2002).
A insuficiência cardíaca congestiva é uma complicação freqüente e uma das
principais causas de mortalidade em pacientes com obesidade mórbida. Um amplo
estudo investigou a relação entre IMC e a incidência de insuficiência cardíaca entre
5881 participantes, encontrando um aumento de risco para desenvolvimento dessa
doença de 5% para homens e 7% para mulheres, a cada incremento de uma
unidade no IMC normal. Os obesos dobraram o risco de insuficiência cardíaca
comparados a indivíduos com IMC normal (KENCHAIAH et al., 2002).
A síndrome da apnéia obstrutiva do sono caracterizada por uma obstrução das
vias aéreas superiores tem uma prevalência alta em indivíduos obesos e
hipertensos. A obesidade, o aumento da circunferência cervical, aumento da relação
cintura quadril, insuficiência renal crônica, roncos entre outros, são fatores
associados a essa síndrome que ocorre como conseqüência do relaxamento natural
da musculatura e por paradas respiratórias recorrentes durante o sono (DRAGER et
al., 2002).
11
Estudo realizado com mais de 900.000 adultos, inicialmente saudáveis, mostrou,
em 16 anos de seguimento, uma incidência de 57.145 mortes por câncer. Os
indivíduos com IMC maior que 40 tiveram maiores taxas de mortalidade causadas
por vários tipos de câncer combinados, em comparação daqueles com peso normal.
Em todos os adultos, houve significativa associação entre o IMC elevado e aumento
do número de mortes causadas por câncer de esôfago, cólon, reto, fígado, vesícula
biliar, rins, linfoma não-Hodgkin e mieloma múltiplo (CALLE et al., 2003).
2.4 TRATAMENTO
A obesidade é uma condição que tem merecido atenção e estudos nas áreas de
psiquiatria e psicologia. A terapia cognitiva que apresenta procedimentos interrelacionados como reestruturação, imagem orientada, determinação de objetivos,
treinamento da auto-instrução, estímulo ao auto reforço e resolução de problemas,
vem mostrado eficácia no tratamento psicoterápico provocando mudanças de peso e
comportamentos relacionados ao autocontrole alimentar (VASQUES; MARTINS;
AZEVEDO, 2004).
Para o tratamento da obesidade deve-se priorizar a dietoterapia associada à
psicoterapia por ser uma modalidade não invasiva e de abordagem multidisciplinar.
O tratamento farmacológico não deve ser a primeira opção terapêutica e só deve ser
considerado quando transtornos psiquiátricos, depressão atípica, síndrome de
comer noturno e transtorno de compulsão alimentar periódica estão presentes
contribuindo para o ganho de peso (ARONNE, 1998).
2.5 MEDICAMENTOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DA OBESIDADE
Um medicamento útil para o tratamento da obesidade deve demonstrar efeito na
redução do peso corporal levando a melhora das doenças dependentes do excesso
de peso; apresentar efeitos colaterais toleráveis e/ou transitórios; não ter
propriedades de adição; apresentar eficácia e segurança mantidas a longo prazo;
12
possuir mecanismo de ação conhecido e ter custo razoável (HALPERN; MANCINI,
2002).
Os medicamentos mais comumente utilizados para o tratamento da obesidade
serão descritos abaixo.
Sibutramina
A sibutramina é uma amina terciária que atua através da inibição da recaptação
de serotonina e noradrenalina e em menor grau de dopamina (ARONNE, 1998).
As especialidades farmacêuticas apresentadas no mercado brasileiro são
conhecidas como Plenty® do laboratório Medley e Reductil® do laboratório Abboutt
(MELO, 2004).
Orlistat
O Orlistat é um agente farmacológico que promove a perda de peso através da
inibição da lipase pancreática, reduzindo a absorção de gordura e a ingestão
calórica. A especialidade farmacêutica comercializada mo mercado brasileiro é o
Xenical®, do laboratório Roche® (MELO, 2004).
Fluoxetina
A fluoxetina é um inibidor seletivo da recaptação de serotonina no sistema
nervoso central, com efeito mínimo sobre a recaptação de norepinefrina e dopamina.
Não se liga significativamente aos receptores alfa-adrenérgico, histamínico e
colinérgico (NÚCLEO DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA; ESCOLA NACIONAL
DE SAÚDE PÚBLICA; CENTRO COLABORADOR DA OPAS/OMS EM POLÍTICAS
FARMACÊUTICAS, 2003).
As especialidades farmacêuticas encontradas no mercado brasileiro são as
seguintes: Cloridrato de fluoxetina, dos laboratórios Biossintética, Novartis, Ranbaxy
e Hexal, Daforin® do laboratório Sigma Pharma, Deprax®, do laboratório Ache,
Depress® do laboratório União Química, Eufor 20® do laboratório Farmasa,
Fluoxetin® do laboratório Cristália, Fluxene® do labboratório Eurofarma, Prozac® do
laboratório EliLilly, Psiquial® do laboratório Merck e Verotina® do laboratório Libbs
(MELO, 2004).
13
Anfepramona
A anfepramona causa a supressão do apetite pela inibição da recaptação e
aumento da liberação de noradrenalina no hipotálamo (SANTOS et al., 2002).
As especialidades farmacêuticas encontradas no mercado brasileiro são: Dualid
S® do laboratório Aché, Hipofagin S® do laboratório Sigma Pharma e Inibex S® do
laboratório Medley (MELO, 2004).
Femproporex
O femproporex e seus metabólitos atuam diretamente sobre os centros
hipotalâmicos reguladores do apetite. É um dos anorexígenos mais utilizados,
provavelmente porque acredita-se ser um dos mais bem tolerados (SANTOS et al.,
2002).
O femproporex é encontrado atualmente no mercado brasileiro como DesobesiM® do laboratório Aché (MELO, 2004).
Mazindol
O mazindol atua através do bloqueio da recaptação neuronal da dopamina e
epinefrina liberadas sinapticamente (SANTOS et al., 2002).
No mercado brasileiro, o manzidol é atualmente comercializado como Absten S®
do laboratório Medley, Fagolipo® do laboratório Libbs e Moderine® da indústria
União Química (MELO, 2004).
2.6 MEDIDAS NÃO-MEDICAMENTOSAS
As medidas não-medicamentosas provocam pequenas e lentas perdas de peso,
no entanto, devem ser indicadas a todos os pacientes com o objetivo de manter a
saúde. Aumento da atividade física, dieta hipocalórica e terapia comportamental são
estratégias importantes para controle e perda do peso (NOËL; PUGH, 2002).
Evidências científicas apontam que o controle da ingestão alimentar junto com
atividade física regular é mais efetivo no controle do peso corporal do que apenas a
dieta. Para os adultos com sobrepeso recomenda-se uma meta de longo prazo,
incluindo pelo menos 30 minutos, ou mais, de atividade física de intensidade
14
moderada, em vários ou em todos os dias da semana (NATIONAL HEART, LUNG
AND
BLOOD
INSTITUTE/
NATIONAL
INSTITUTES
OF
DIABETES
AND
DIGESTIVE AND KIDNEY DISEASES, 1998).
Para o tratamento da obesidade existem atualmente inúmeros tipos de dieta e
muitas delas sem fundamento científico, somente motivadas pelo interesse
comercial. As finalidades de uma dieta segundo os nutricionistas são: redução do
peso, normalizar as alterações metabólicas de carboidratos e lipídios, diminuir a
lipogênese evitando o depósito de gordura, reduzir o apetite e diminuir a
hiperinsulinemia, evitando a resistência insulínica (DOMINGUES FILHO, 2000).
Várias modalidades terapêuticas utilizadas para o tratamento da obesidade
foram analisadas com o objetivo de verificar a eficácia. Terapias como acupuntura,
cremes para celulite e gordura localizada, fitoterapia, mesoterapia, diuréticos e
laxativos, yoga, hipnoterapia, formulações magistrais “naturais” e suplementos
dietéticos indicaram que o número de estudos conduzidos são insuficientes ou não
existem; a qualidade dos estudos é pobre; o grau de validação independente não é
realizado, o potencial de uso no tratamento da obesidade é baixo ou muito baixo;
concluindo portanto que todas essas modalidades não possuem evidência científica
e segurança para o tratamento da obesidade (CONSENSO LATINO-AMERICANO
DE OBESIDADE, 1998).
15
3 OBJETIVOS
3.1 OBJETIVO GERAL
Esse trabalho tem como objetivo verificar o uso de medicamentos para o controle
de peso por estudantes universitários da Universidade Regional Integrada - URI
campus Erechim.
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Quantificar os universitários que utilizam ou já utilizaram medicamentos
para o controle de peso e quais os medicamentos;

Verificar se os universitários que utilizam ou já utilizaram estes
medicamentos adquirem os mesmos com receita e mantêm o tratamento
com acompanhamento médico;

Identificar
se
há relato de reações adversas pelo
uso destes
medicamentos;

Estimar a prevalência de estudantes de cada curso pesquisado que
relatou utilizar ou já ter utilizado medicamentos para o controle de peso;

Avaliar se os estudantes utilizam medidas não-medicamentosas para o
controle de peso.
16
4 METODOLOGIA
4.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA
A pesquisa seguiu um modelo de estudo transversal.
4.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA
Participaram do estudo, universitários dos cursos de Direito, Educação Física,
Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia e Pedagogia da
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Erechim de
diferentes semestres, totalizando 286 estudantes, sendo a maioria do sexo feminino
(236), com idade variando entre 18 a 54 anos. A coleta de dados foi realizada em
sala de aula nos meses de março a abril de 2008.
4.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO
Foram incluídos na pesquisa estudantes universitários de diferentes semestres,
acima de 18 anos, de ambos os sexos. Os cursos escolhidos para a aplicação do
questionário foram selecionados aleatoriamente.
4.4 COLETA DE DADOS
Foi aplicado um questionário estruturado (APÊNDICE A) aos estudantes
universitários de diferentes semestres de oito cursos da Universidade Regional
Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Erechim, após ser solicitada a
autorização para os coordenadores dos cursos, bem como, para os professores que
17
ministravam suas aulas. Os alunos foram convidados a responder as perguntas e os
que concordaram mediante a leitura e aceite do termo de consentimento para
questionário anônimo responderam o questionário.
4.5 ASPECTOS ÉTICOS
Esse estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade
Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI Erechim, sob número
130/TCH/07.
4.6 ASPECTOS ESTATÍSTICOS
Os dados foram digitados no programa Microsoft Excel e analisados no
programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Foram utilizadas
medidas de distribuição (média e freqüência), teste de Chi - quadrado para comparar
variáveis categóricas e valor de P. As diferenças com valor de P≤0,05 foram
consideradas significativas.
18
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1 DESCRIÇÃO DA AMOSTRA
A amostra foi composta por 286 estudantes universitários de diferentes áreas e
de diferentes níveis de graduação, acima de 18 anos e que aceitaram participar
deste estudo. Destes, 82,5% (236) eram do sexo feminino. A idade variou entre 18 e
54 anos sendo que a média foi de 22,5 anos (DP±5,01).
Com relação aos oito cursos selecionados para a aplicação do questionário
anônimo, o curso de farmácia apresentou o maior número de participantes
totalizando 46 (16,1%), seguido pelo curso de fisioterapia com 42 (14,7%) e direito
com 40 (14%), os demais estão descritos na tabela 5.1.
Tabela 5.1 – Número de estudantes respondentes por curso
Curso
Farmácia
Fisioterapia
Direito
Pedagogia
Educação Física
Enfermagem
Nutrição
Psicologia
Total
Freqüência (%)
46 (16,1)
42 (14,7)
40 (14,0)
37 (12,9)
35 (12,2)
32 (11,2)
30 (10,5)
24 (8,4)
286 (100)
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
Entre os entrevistados a grande maioria relatou não fumar e apenas 19 (6,6%)
apresentam o hábito de fumar. Quanto ao consumo de bebida alcoólica observou-se
que apenas 82 (28,7%) afirmaram utilizar, sendo que destes, 86,6% disseram ingerir
bebida alcoólica duas vezes por semana, 7,3% três vezes por semana e 6,1% mais
de três vezes por semana.
19
5.1.1 Índice de massa corporal dos entrevistados
O índice de massa corporal (IMC) que é calculado pela divisão do peso (kg) pela
altura em (m²), pode ser observado na tabela 5.2, onde observou-se que a maioria
apresentou IMC entre 18 a 24,9 kg/m² considerado como peso saudável.
Tabela 5.2 – IMC encontrado nos participantes
Freqüência (%)
16 (5,6)
251 (87,7)
14 (4,9)
4 (1,4)
1 (0,34)
286 (100)
IMC encontrado
Menor que 18 Kg/m²
Entre 18 a 24,9 Kg/m²
Entre 25 a 29,9 Kg/m²
Entre 30 a 34,9 Kg/m²
Entre 35 a 39,9 Kg/m²
Total
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
5.2 DESCRIÇÃO DO USO DE MEDICAMENTOS
Dos 286 estudantes que participaram do estudo 77,3% (221) relatou nunca ter
utilizado medicamentos para emagrecer e 22,7% (65) relatou utilizar ou já ter
utilizado esta classe de medicamentos, sendo que, 35,4% (23) ainda utilizam. Entre
os que utilizam ou já utilizaram 30,8% (20) relatou já ter utilizado mais de um tipo de
medicamento para emagrecer e 69,2 % (45) apenas um tipo de medicamento.
A tabela 5.3 mostra a freqüência de participantes que relataram utilizar ou já ter
utilizado medicamentos para emagrecer por curso.
Tabela 5.3 – Uso de medicamentos x curso
Curso
Farmácia
Fisioterapia
Psicologia
Pedagogia
Direito
Nutrição
Educação Física
Enfermagem
Total
Sim (%)
14 (21,5)
11 (16,9)
8 (12,3)
6 (9,3)
8 (12,3)
6 (9,3)
2 (3,0)
10 (15,4)
65 (100)
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
Não (%)
32 (14,5)
31 (14,0)
16 (7,3)
31 (14,0)
32 (14,5)
24 (10,8)
33 (14,9)
22 (10,0)
221 (100)
Total (%)
46 (16,0)
42 (14,7)
24 (8,4)
37 (13,0)
40 (14,0)
30 (10,5)
35 (12,2)
32 (11,2)
286 (100)
20
Por meio de análise estatística observou-se não haver diferença significativa
entre o uso de medicamento e o curso do entrevistado (‫אּ‬²=1,94; P>0,05).
Entre os estudantes que confirmaram a utilização de medicamentos para
emagrecer, apenas 4 (6,2%) são do sexo masculino, contra 61 (93,8%) do sexo
feminino.
Esta
diferença
ocorre
normalmente
porque
as
mulheres
estão
preocupadas com a estética e o atual padrão de beleza imposto pela sociedade, o
qual relaciona baixo peso corporal.
O excesso de peso nos homens é bem tolerado, enquanto que nas mulheres,
pode até causar danos psicológicos (DOMINGUES FILHO, 2000).
Os medicamentos para emagrecer utilizados pelos entrevistados estão descritos
na tabela 5.4. Observa-se que o mais utilizado é a fluoxetina com 26,1% (17),
seguida de produtos fitoterápicos e sibutramina.
Tabela 5.4 – Medicamentos utilizados para emagrecer
Medicamentos utilizados
Fluoxetina
Produtos Fitoterápicos
Sibutramina
Anfepramona
Femproporex
Total
Freqüência (%)
17 (26,1)
16 (24,6)
12 (18,5)
11 (17,0)
9 (13,8)
65 (100)
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
Tabela 5.5 – Medicamentos utilizados em associação
Medicamentos utilizados em associação
Fluoxetina/Produtos fitoterápicos
Sibutramina/Produtos fitoterápicos
Femproporex/Produtos fitoterápicos
Anfepramona/Femproporex/Fluoxetina
Fluoxetina/Sibutramina
Femproporex/Sibutramina
Sibutramina/Orlistat
Anfepramona/Femproporex
Anfepramona/Femproporex/Fluoxetina/Sibutramina/Produtos Fitoterápicos
Anfepramona/Femproporex/Produtos Fitoterápicos
Anfepramona/Femproporex/Fluoxetina/Sibutramina
Femproporex/Fluoxetina/Mazindol/Produtos Fitoterápicos
Femproporex/Fluoxetina/Mazindol/Sibutramina
Total
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
Freqüência
3
3
2
2
2
1
1
1
1
1
1
1
1
20
21
Os fármacos indicados para o tratamento da obesidade são a sibutramina
(inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina), mazindol (derivados
anfetamínicos) e orlistat (inibidores específicos da absorção de gorduras). Segundo
o Consenso Latino-Americano de obesidade realizado em 1998, apenas a
sibutramina e o orlistat devem ser prescritos para tratamentos longos, por serem
considerados os mais seguros (GREENWAY; SMITH, 2000).
A fluoxetina, medicamento mais utilizado entre os estudantes universitários, não
possui indicação bem estabelecida no tratamento da obesidade, e sim para o
tratamento de depressão e bulimia nervosa. No entanto, em experimentos clínicos
para a aprovação deste medicamento como antidepressivo, foi observada perda de
peso e também, são relatados como efeitos colaterais, a diminuição do apetite e até
anorexia (HALPERN; MANCINI, 2002).
Com relação aos produtos fitoterápicos disponibilizados à população em
farmácias, houve um grande crescimento que não tem sido acompanhado de
estudos controlados que comprovem a eficácia clínica e segurança destes agentes.
Este problema é agravado pela falta de legislação que permita proteger o
consumidor de produtos destituídos de efeito terapêutico (PEDROSA; YUNES;
CECHINEL FILHO, 2001).
A anfepramona é um anorexígeno bastante utilizado em fórmulas para
emagrecimento no Brasil e sua atuação se dá inibindo o apetite do paciente ao agir
sobre o SNC, tendo efeito psicoestimulante e potencial para causar dependência.
Essa substância trata a obesidade apenas a curto prazo, sendo fundamental que a
pessoa desenvolva hábitos de alimentação e estilo de vida que favoreçam o
emagrecimento para não recuperar o peso perdido quando parar de tomá-lo
(LEONHARDT; HRUPKA; LANGHANS, 1999).
O femproporex é um anorexígeno de ação semelhante e com efeitos colaterais
menos intensos que a anfepramona tendo a noradrenalina como neurotransmissor.
Além da utilização muitas vezes exagerada e irracional no combate a obesidade,
grande parte do abuso na utilização do femproporex é devido à sua propriedade
estimulante capaz de manter a pessoa acordada (SANTOS et al., 2002).
Estudos tem demonstrado que as drogas mais indicadas para o tratamento da
obesidade são a sibutramina e o orlistat por apresentarem efeitos favoráveis para a
22
redução de peso e melhora de parâmetros metabólicos, com boa tolerabilidade e
segurança (FUCHS; WANNMACHER; FERREIRA, 2004).
Emagrecimento e manutenção de peso, seguida de moderador de apetite são as
finalidades terapêuticas que aparecem com maior freqüência entre os participantes
(40% e 36,9%) respectivamente, os demais relataram outras finalidades como
ansiedade, depressão, laxante entre outras não relacionadas à perda de peso.
Na tabela 5.6 observa-se o IMC dos entrevistados que afirmaram utilizar ou já ter
utilizado medicamentos para emagrecer percebe-se que, a maioria 78,6%
apresentam índice de massa corporal entre 18-24,9 kg/m² (peso saudável) e 16,9%
entre 25-29,9 kg/m² (pré-obesidade), os demais estão listados na tabela.
Tabela 5.6 – IMC dos participantes que afirmaram utilizar ou já ter utilizado
medicamentos para emagrecer.
IMC dos estudantes
Menor que 18 (baixo peso)
Entre 18-24,9 (peso saudável)
Entre 25-29,9 (pré-obesidade)
Entre 30-34,9 (obesidade grau I)
Entre 35-39,9 (obesidade grau II)
Total
Freqüência (%)
1 (1,5)
51 (78,6)
11 (16,9)
1 (1,5)
1 (1,5)
65 (100)
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
Por meio de análise estatística observou-se haver uma associação significativa
entre o uso de medicamentos para obesidade e indivíduos com IMC entre 18-24,9
kg/m² considerado pela OMS como peso saudável (‫אּ‬²= 23,55; P< 0,05).
Segundo a literatura pesquisada os indivíduos com IMC entre 25-29,9 kg/m² ou
maior que 30 kg/m² que possuem co-morbidades passíveis de serem tratadas, como
regra prática, devem receber medicamentos para emagrecer (SANTOS et al., 2002).
E neste estudo, pode-se observar que estes indivíduos apresentaram menor
freqüência de uso quando comparados com indivíduos de peso saudável, por este
fato mostra haver uma utilização irracional destes medicamentos.
Conforme a tabela 5.7 observa-se que, 47,7% dos entrevistados relataram
utilizar medicamentos para emagrecer com prescrição médica, seguido de 27,7%
que tiveram indicação de amigos, os demais estão descritos na tabela abaixo.
Tabela 5.7 – Freqüência de quem indicou o uso de medicamento
23
Indicação
Médico
Amigos
Parentes
Balconista de farmácia
Farmacêutico
Total
Freqüência (%)
31 (47,7)
18 (27,7)
7 (10,8)
7 (10,8)
2 (3,0)
65 (100)
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
Dos estudantes que receberam indicação médica, 58% (18) relataram fazer
acompanhamento médico durante o tratamento.
A tabela 5.8 mostra o tempo de utilização dos medicamentos pelos participantes.
Tabela 5.8 – Tempo de utilização dos medicamentos
Tempo de utilização
1mês
2 meses
3 meses
6 meses
+ de 6 meses
Total
Freqüência (%)
10 (15,4)
13 (20,0)
22 (33,8)
6 (9,3)
14 (21,5)
65 (100)
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
5.2.1 Reações adversas relatadas
Os efeitos indesejáveis a curto e a longo prazo causados pelo uso de
anfetaminas e derivados apresentam uma ampla documentação na literatura. Estes
medicamentos podem tornar-se perigosos pelos seus efeitos adversos e
possibilidade de criar dependência física e psíquica, aspectos que são piorados pela
automedicação e indicação de amigos e parentes (SILVA, 1998).
A tabela 5.9 apresenta as reações adversas relatadas pelos participantes que
utilizam ou já utilizaram medicamentos para emagrecer.
24
Tabela 5.9 – Reações adversas relatadas pelos participantes que utilizam ou já
utilizaram medicamentos para emagrecer
Reações adversas
Diarréia
Cefaléia
Nervosismo
Secura na boca
Tremor
Fadiga ou fraqueza
Insônia
Ansiedade
Irritação
Tontura
Não tem
Total
Freqüência (%)
11 (16,9)
11 (16,9)
9 (13,9)
7 (10,8)
7 (10,8)
5 (7,7)
5 (7,7)
4 (6,1)
1 (1,55)
1 (1,55)
4 (6,1)
65 (100)
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
As reações adversas mais comuns causadas pela fluoxetina e que aparecem na
literatura são: dor de cabeça, diarréia, nervosismo, tremor, amnésia e sede,
ansiedade, anorexia, náusea e perda de peso (ARTERBURN; NOËL, 2001).
Estudos demonstram que pacientes tratados com sibutramina têm apresentado
como reações adversas mais comuns: secura na boca, aumento da pressão arterial,
dor nas costas, palpitações, diminuição do apetite, vertigem, sudoração, taquicardia,
anorexia, insônia, dor de cabeça e reações de hipersensibilidade (BRAY, 1999).
A estimulação central causada pela anfepramona expressa-se por nervosismo,
insônia, agitação e, em casos de intoxicação aguda, alucinações, delírio e quadro
psicótico enquanto que, os efeitos periféricos potencias são taquicardia, náusea,
vômito, dor abdominal, constipação intestinal, diminuição da libido e da potência
sexual. Outras reações adversas também foram relatadas: aumento da pressão
arterial, diarréia, boca seca, ansiedade, tremor, dor de cabeça e depressão (BEHAR,
2002).
Os efeitos indesejáveis mais comuns relatados ao uso de femproporex são:
hipertensão arterial pulmonar, glaucoma, náuseas, vômitos, ansiedade, cefaléia,
vertigem, taquicardia, insônia, excitação, boca seca, constipação, alteração da libido,
diarréia, calafrios e palidez (BEHAR, 2002).
Com relação ao mazindol, estão entre os principais efeitos adversos,
constipação, boca seca, taquicardia, nervosismo ou inquietação, calafrios, náuseas,
25
vertigem e fraqueza, observando-se com menor freqüência diarréia, sonolência,
cefaléia, aumento da sudorese e sabor desagradável (BEHAR, 2002).
A maioria dos efeitos indesejáveis causados pelo orlistat são gastrintestinais e
são relacionados com seu mecanismo de ação. Aumento do número de evacuações,
fezes oleosas, flatulência com ou sem eliminação de gordura, urgência fecal são as
reações mais comumente relatadas (HALPERN; MANCINI, 2002).
5.2.2 Aquisição dos medicamentos
Entre os estudantes que fazem uso de medicamentos para emagrecer, percebese que 30 (10,5%) relataram conseguir comprar o medicamento sem receita médica,
33 (11,5%) não conseguem adquirir o medicamento sem receita e 2 (0,7%) não
responderam.
Embora exista uma legislação abrangente e até mesmo burocrática de controle
da prescrição e venda destes tipos de medicamentos, estudos recentes indicam
carência de fiscalização e descuido por parte de alguns profissionais de saúde,
como farmacêuticos e médicos, o que facilita o uso excessivo e inadequado (NOTO;
FORMIGONI, 2002).
Através de um levantamento realizado em dois municípios do estado de São
Paulo em 1999, verificou-se falsificações em receitas de psicotrópicos, como
numeração oficial repetida e até algumas emitidas por médicos que haviam falecido
há anos, ou que tinham sido caçados. Também foram observados exageros de
prescrição, como o caso de um médico que havia emitido cerca de 8 mil receitas de
medicamentos psicotrópicos em 1999. Estas situações podem ser decorrentes da
falta de formação profissional adequada, o que leva não só ao uso inapropriado de
medicamentos, mas também a dificuldade para detectar e tratar usuários abusivos
ou dependentes de psicotrópicos (NOTO et al., 2002).
Dentre os participantes que afirmaram adquirir o medicamento sem receita
médica, 5,9% (17) conseguem comprar com o balconista de farmácia, 1,8% (5)
conseguem comprar com amigos, 0,7% (2) com o farmacêutico e 2,1% (6) de outras
pessoas.
26
Na tabela 5.10 verifica-se que, simultaneamente com o uso do medicamento,
outras atitudes são utilizadas para diminuir o peso. A atitude mais relatada foi bons
hábitos alimentares com 55,4%.
Tabela 5.10 – Medidas não-medicamentosas usadas para o controle de peso
Medidas não medicamentosas
Bons hábitos alimentares
Exercícios físicos
Outros medicamentos (chás, laxantes...)
Terapias alternativas (homeopatia, yoga...)
Nenhuma outra atitude
Não responderam
Total
Fonte: Dados da pesquisa (2008).
Freqüência (%)
36 (55,4)
10 (15,4)
4 (6,1)
3 (4,6)
10 (15,4)
2 (3,1)
65 (100)
27
6 CONCLUSÕES
A partir da análise dos dados coletados neste estudo, verificou-se que é
considerável o percentual de uso de medidas medicamentosas para o controle de
peso por estudantes universitários 22,7%. As mulheres foram as que mais relataram
utilizar ou já ter utilizado medidas medicamentosas para emagrecer 93,8%, sendo
que o medicamento mais utilizado é a fluoxetina em 26,1%, seguida pelos produtos
fitoterápicos com 24,6%.
Por meio do IMC, foi identificado que, a maioria dos usuários de medicamentos
para emagrecer, utiliza estes de maneira irracional pelo fato de apresentarem o peso
considerado normal ou baixo peso.
Dos estudantes universitários que relataram utilizar ou já ter utilizado medidas
medicamentosas para o controle de peso, a maioria afirmou ter recebido indicação
médica, o que permitiu verificar que com essa conduta, o profissional médico pode
estar favorecendo o uso inapropriado deste tipo de medicamento.
A forma mais relatada de aquisição de medicamentos para emagrecer, pelos
estudantes universitários foi com receituário médico, porém em algumas farmácias e
drogarias interessadas apenas no lucro, ainda observa-se a compra deste tipo de
medicamento sem o receituário exigido pela legislação.
A maioria dos estudantes 93,8% (61) que utilizam ou já utilizaram medidas
medicamentosas para emagrecer, relatou apresentar alguma reação adversa a
esses medicamentos e 6,2% (4) relatou não apresentar nenhuma reação.
Medidas não medicamentosas para o controle de peso também são,
concomitantes com os medicamentos, utilizadas pelos universitários, fator esse
favorável, considerando que a dieta limita a ingestão calórica, e o exercício é uma
maneira natural de aumentar o metabolismo e assim, favorecer a perda de peso.
Nesse estudo, pôde-se perceber que a prescrição e o uso de medidas
medicamentosas é uma prática comum em estudantes universitários. Outro aspecto
relevante diz respeito ao fato desses medicamentos serem utilizados por pessoas
com IMC considerado normal e não por indivíduos que realmente apresentam essa
28
necessidade. As razões que levam os profissionais da saúde a prescrever este tipo
de medicamento provavelmente envolvem desconhecimento das causas e da
terapêutica da obesidade e das reações adversas que estes medicamentos podem
causar e além de interesses meramente financeiros em divulgar esses produtos.
Reforça-se assim, a necessidade do uso racional dessa classe de fármacos, por
meio da conscientização da classe médica no momento da prescrição, e dos
farmacêuticos no controle e qualidade na dispensação.
29
REFERÊNCIAS
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2001.
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BARBOSA, V. L. D. Prevenção da obesidade na infância e na adolescência. 3.
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BEHAR, R. Anorexígenos; indicaciones e interacciones. Rev. Chil. Neuro-psiquiat.
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GUEDES, D. P.; GUEDES, J. E. R. P. Controle de peso corporal, atividade física
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OPAS. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Doenças crônicodegenerativas e obesidade: estratégia mundial sobre alimentação saudável,
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tratamento da obesidade. Rev. Psiq. Clin., v.31, n.4, p.195-198, 2004.
31
APÊNDICES
32
APÊNDICE A – Questionário para Coleta de Dados
QUESTIONÁRIO
Ficha número_________________
1) Curso: (1) Farmácia
(8) Direito
(2) Fisioterapia
(9) Engenharia de Alimentos
(3) Psicologia
(10) Química Industrial
(4) Pedagogia
(11) Nutrição
(5) Ciências Biológicas
(12) Educação física
(6) Ciências Contábeis
(13) Matemática
(7) Administração
(14) Outro_____________________________
2) Sexo: (1) Masculino
(2) Feminino
3) Idade:_____ anos 4) Peso____ 5) Altura_______ 6) IMC________
7) Fuma? (1) Sim
(2) Não 8) Bebe? (1) Sim
(2) Não
Se bebe, qual freqüência? (1) 2x por semana (2) 3x por semana (3) mais de 3x
9) Você já utilizou medicamentos para emagrecer? (1) Sim (2) Não
10) Se faz uso, qual (is) medicamento(s) utiliza?
(1) Anfepramona (Dualid S; Inibex S; Inibex; Moderine; Hipofagin S 75)
(2) Femproporex (Desobesi-M; Inobesin; Lipomax AP; Nobese AP)
(3) Fluoxetina (Deprax; Eufor 20; Fluxene; Nortec; Prozac; Psiquial; Verotina; Prozen; Daforin)
(4) Mazindol (Fagolipo; Absten S; Dobesix; Mazinil)
(5) Sibutramina (Reductil; Plenty)
(6) Orlistat (Xenical)
(7) Produtos Fitoterápicos (Cáscara Sagrada; Sene)
(8) Outro:_____________________
11) Para que finalidade terapêutica você utiliza este medicamento?
(1) Moderador de apetite
(2) Depressão
(3) Emagrecimento e manutenção de peso
(4) Laxante
(5) Constipção intestinal
(6) Ansiedade
(7) Nervosismo
(8) Agitação
(9) Outro:_____________________
12) Quem indicou?
(1) Amigo (2) Médico (3) Parente (4) Farmacêutico (5) Balconista de farmácia (6) Outro______
13) Se a indicação foi dada por um médico, mantêm um acompanhamento com o mesmo
durante o tratamento? (1) Sim (2) Não
14) Há quanto tempo utiliza este(s) medicamento(s)?
(1) 1 mês (2) 2 meses (3) 3 meses (4) 6 meses (5) mais de 6 meses
15) Ainda faz uso deste(s) medicamento(s)? (1) Sim (2) Não
16) Quais reações adversas (efeitos desagradáveis) você relaciona ao uso deste(s)
medicamento(s)?
(1) nervosismo
(5) insônia
(9) irritação
(12) fadiga ou fraqueza
(2) tremor
(6) ansiedade
(10) agitação
(13) depressão
(3) dor de cabeça
(7) tontura
(11) secura na boca
(14) náusea
(4) vômito
(8) diarréia
17) Você consegue comprar este(s) medicamento(s) sem receita médica? (1) Sim (2) Não
18) Se utiliza sem receita médica, com quem adquire o(s) medicamento(s)?
(1) Balconista (2) Farmacêutico (3) Médico (4) Amigos (5) Outro:___________________
19) Simultaneamente com o uso do(s) medicamento(s), qual(is) atitude(s) que você utiliza para
diminuir o peso?
(1) bons hábitos alimentares
(2) terapias alternativas (homeopatia, yoga, massagens, drenagens linfática, etc...).
(3) exercícios físicos (musculação, corridas, caminhadas, aeróbica, etc...).
(4) outros medicamentos (chás, laxantes, etc...)
(5) nada
33
APÊNDICE B – Termo de Consentimento para Questionário Anônimo
TERMO DE CONSENTIMENTO PARA QUESTIONÁRIO ANÔNIMO
Informações para o(a) participante voluntário(a):
Você está convidado(a) a participar do projeto de pesquisa intitulado
AVALIAÇÃO DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O CONTROLE DE PESO POR
ESTUDANTES
UNIVERSITÁRIOS
DA
CIDADE
DE
ERECHIM,
sob
a
responsabilidade do(a) pesquisador(a) Prof . Helissara Diefenthaeler- Universidade
Regional Integrada do Alto Uruguai- URI Erechim, localizada na avenida sete de
setembro 1621 (3520 9000) ramal do comitê de bioética.
O objetivo principal deste trabalho é: O motivo que leva a estudar os
medicamentos para o controle de peso por estudantes universitários da
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai- URI Erechim é o fato de que
esses medicamentos são usados indevidamente e de maneira contínua, tendo-se a
inconsciência quanto a necessidade e importância de praticar exercícios físicos
regulares para prevenção, manutenção e perda de peso. O tratamento para o
controle de peso atualmente está sendo reavaliado, principalmente no que diz
respeito ao uso a longo prazo de medicamentos como adjunto a outras terapias para
perda de peso, ou, ainda mais importante, no sentido de ajudar a manter o peso
corporal ao longo do tempo. Não existe uma estratégia particular ou medicamento
que deva ser recomendado para uso rotineiro e o indivíduo deve ser reavaliado
profundamente, sobre erros relacionados com hábitos alimentares e atividade física,
presença de complicações e possibilidade de desenvolvimento de efeitos colaterais.
Os procedimentos de coleta de dados serão através de entrevista utilizando
questionário individual auto-aplicável e anônimo. Os dados coletados serão
analisados em programa informatizado, com descrição de medidas estatísticas como
média, desvio padrão e outros que forem necessários.
Caso você concorde em participar da pesquisa, leia com atenção os seguintes
pontos: a) você pode deixar de participar da pesquisa e não precisa apresentar
justificativas para isso; b) sua identidade será mantida em sigilo; c) caso você queira,
poderá ser informado(a) de todos os resultados obtidos com a pesquisa,
independentemente do fato de mudar seu consentimento em participar da pesquisa.
Ficha de coleta de dados
Na ficha de coleta de dados encontram-se os seguintes aspectos que serão
investigados:
Idade;
Sexo;
Se usa ou já usou medicamentos para o controle de peso;
Se usa quem prescreveu;
Hábitos de vida (relacionados a bebidas e fumo);
Entra outras questões.
34
ANEXO
35
ANEXO A – APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA DA URICAMPUS DE ERECHIM
Download

AVALIAÇÃO DO USO DE MEDICAMENTOS PARA O