1 ORGANI ZAÇÕES SETE DE SETEMBRO DE CULTURA E ENSI NO LTDA FACULDADE SETE DE SETEMBRO – FASETE CURSO DE BACHARELADO EM TURI SMO ANT ÔNI O ALVES SANTANA MALHADA GRANDE COMO LEGADO HI STÓRI CO E TURÍ STI CO PARA O MUNI CI PI O DE PAUL O AFONSO - BA Paul o Af onso - BA Deze mbr o - 2007 2 ANT ÔNI O ALVES SANTANA MALHADA GRANDE COMO LEGADO HI STÓRI CO E TURÍ STI CO PARA O MUNI CI PI O DE PAUL O AFONSO - BA Monogr afi a apr esent ada ao Cur so de Bachar el ado e m Turi s mo da Facul dade set e de Set e mbr o – FASETE, co mo r equi sit o par a avali ação concl usi va. Sob a ori ent ação do Pr of º. Esp Leobson Kl eber Sena Tel es Paul o Af onso - BA Deze mbr o - 2007 3 ANT ÔNI O ALVES SANTANA MALHADA GRANDE COMO LEGADO HI STÓRI CO E TURÍ STI CO PARA O MUNI CI PI O DE PAUL O AFONSO - BA Monogr afi a sub meti da ao cor po docent e da Facul dade Set e de Set e mbr o – FASETE, co mo part e dos r equi sit os necessári os à obt enção do gr au de Bachar el em Turi s mo. Apr ovada por: _______________________________________ Ori ent ador Pr of º. Esp Leobson Kl eber Sena Tel es Facul dade Set e de Set e mbr o - FASETE _______________________________________ Pr of º Dr. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne Facul dade Set e de Set e mbr o - FASETE _______________________________________ Pr of º. Esp. Sal omão Davi d Ver gne Car doso Facul dade Set e de Set e mbr o - FASETE Paul o Af onso - BA Deze mbr o - 2007 4 Dedi co est e tr abal ho pri mei r ament e a Deus, o t odo Poder oso, por t er me dado f é, f or ça, corage m, il umi nação e i nspi r ação, poi s se m el e, nada seri a possí vel e aos meus pai s, ir mãos, esposa e fil hos pel o cari nho, apoi o e co mpr eensão e m t odos os mo ment os dest a e de outr as ca mi nhadas. 5 AGRADECI MENTO Agr adeço e m pri mei r o l ugar a Deus, por t er me conduzi do por est e ca mi nho que me dá t ant a al egri a. Agr adeço aos meus pai s e i r mãos pel a compr eensão e apoi o nas hor as de angústi as, e que t ambé m, de uma f or ma ou de outr a, f aze m part e de meu exi stir. Agr adeço à mi nha esposa e fil hos, por t ere m co mpartil hado nest a ca mi nhada, co mo f or ça i nspi r ador a. Agr adeço à Di reção da FASETE - Facul dade Set e de Set e mbr o; à Coor denador a do cur so de Turi s mo Pr of essor a Dr a. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne; ao meu ori ent ador Pr of essor Esp. Leobson Kl eber Sena Tel es pel a at enção, r espei t o, i ncenti vo, paci ênci a e por t udo mai s que par a se mpr e ser ei gr at o; ao Pr of essor Msc. Sér gi o Lui z de Azevedo Mal t a pel a dedi cação e at enção di spensadas ao meu trabal ho; à mi nha col ega Sandr a Luci a Cunha Pi nhei r o Mucci ni, pel a par ceri a nest e gr ande desafi o. E a t odos aquel es, que de manei r a di r et a ou i ndi r et a contri buír am par a r eali zação dest e trabal ho. 6 “ O TURI S MO é uma uni versi dade e m que o al uno nunca se gradua, é u m t e mpl o onde o supli cant e cult ua, mas nunca vi slu mbra a i mage m de s ua veneração, e u ma vi age m co m desti no à f rent e, mas j a mai s ati ngi do. Haverá se mpre di scí pul os, se mpre cont e mpl adores, se mpre errant es avent urei ros”. ( Lord Curzon) 7 RESUMO O pr esent e tr abal ho enf oca o Di strit o de Mal hada Gr ande que é um Pat ri môni o Cul t ur al do Muni cí pi o est udado. Sendo de gr ande r el evânci a r essal tar que exi st e u ma possi bili dade de u ma convi vênci a har moni osa ent r e o t uri s mo e l egado cul t ur al, e t ent ar-se- á ori ent ar os pl anej ador es par a que ci dades hi st óri cas, pr édi os hi st óri cos e monu ment os, assi m, co mo mani f est ações cul t ur ai s tr adi ci onai s, sej am t r abal hados de f or ma r esponsável como pr odut o t urí sti co e que o t uri s mo, por sua vez, sej a estí mul o à manut enção da i dentidade das popul ações r ecept or as. Assi m, ent ende- se por “t uri s mo cul t ur al ” t odo t uri s mo e m que o pri nci pal at r ati vo não sej a a nat ur eza, mas al gu m aspect o da cul t ur a humana. Rel at amos sobr e a ri queza de u m povo que exi st e dent r o de Muni cí pi o atr avés de suas Art es de Pi nt ur as Rupestr es, o r econheci ment o dos l astr os do que passou é u m dos pri nci pai s suport es da consci ênci a do ser hu mano e co mo t al não pode se per der. Reconhecer o passado é t a mbém, na di nâ mi ca da hi st óri a, constr ui r conheci ment o, def ender o pr esent e e r esguar da-l o co mo mat éri apri ma par a o f ut ur o, j á que as r el ações t empor ai s, que arti cul am memóri a e hi st óri a, são f ecundadas e necessári as par a afi r mação da condi ção hu mana. Dest acando a gr ande pr eocupação co m a pr eser vação do pat ri môni o cul t ur al, ver sando sobr e conser vação, r est aur ação, pr ot eção, i nt er venção, r econstrução e r evit ali zação de i móvei s co m val or extr aor di nári o. Pal avr as- chaves: LEGADO, HI STÓRI A, CULTURA, TURI SMO E PATRI MÔNI O 8 ABSTRACT The pr esent wor k f ocuses t hat Mal hada Gr ande’ s Di stri ct i s a Cul tur al Pat ri mony of t he st udi ed Ci t y. Bei ng of gr eat r el evance t o st and out t hat exi sts a possi bilit y of a har moni ous li vi ng bet ween t he t ouri s m and t he cul t ur al l egacy, and wi ll be t ri ed t o gui de t he pl anner s so t hat hi st ori cal citi es, hi stori cal buil di ng and monu ment s, j ust li ke traditi onal cul t ur al mani f est ati ons, be wor ked i n a r esponsi bl e f orm, as t ouri st pr oduct and t hat t he t ouri s m, i n t ur n, beco me sti mul at ed t o t he mai nt enance of t he r ecei vi ng popul ati ons’ i dentit y. Thus, all t ouri s mi s under st ood f or " cult ur al t ouri s m" when t he mai n attr acti ve i sn’t t he nat ur e, but any aspect of t he hu man bei ng’ s cul t ur e. We t ell on t he weal t h of a peopl e who exi st s i nsi de of Ci t y t hr ough i t s Cave Pai nti ng Art s, t he r ecogni ti on of t he ballast s t hat it passed i s one of t he mai n consci ence support s of t he hu man bei ng and as such cannot be l ost. To r ecogni ze t he past i s al so, i n t he dyna mi cs of hi st or y, t o constr uct knowl edge, t o def end t he pr esent and pr ot ect it as r aw mat eri al f or t he f ut ur e, si nce t he secul ar r el ati ons, t hat arti cul at es me mory and Hi st or y, ar e f ecundat ed and necessar y f or affir mati on of t he hu man’ s condi ti on. Det achi ng t he gr eat concer n wi t h t he pr eser vati on of t he cul tur al patri mony, t ur ni ng on conser vati on, r est or ati on, pr ot ecti on, i nt er venti on, r econstructi on and r evit ali zati on of pr operti es wi t h extr aor di nar y val ue. Key- wor ds: LEGACY, HI STORY, CULTURE, TOURI SM and PATRI MONY 9 LI STA DE ABREVI ATURAS E SI GLAS AGENDHA - Desenvol vi ment o Hu mano e Agroecol ogi a CAAPA/ UNEB - Cent ro de Ar queol ogi a e Ant r opol ogi a de Paul o Af onso, vi ncul ado à Uni ver si dade do Est ado da Bahi a. CHESF – Co mpanhi a Hi dr oel étri ca do São Fr anci sco CRA - Cent r o de Recursos Ambi ent ai s I PAC - I nstit ut o do Patri môni o Artí sti co e Cul tur al I PHAN - I nstit ut o de Pat ri môni o Hi st óri co e Artí sti co Naci onal I PEA – I nstit ut o de Pesqui sas Econô mi cas Apli cadas OMT - Or gani zação Mundi al do Turi s mo PNUD - Pr ogr a ma das Nações Uni das par a o Desenvol vi ment o SEMARH - A Secr et aria de Mei o Ambi ent e e Recur sos Hí dri cos SRH - Superi nt endênci a de Recur sos Hí dri cos UFB - Uni ver si dade Feder al da Bahi a UFPE - Uni ver si dade Feder al de Per na mbuco UFS - Uni ver si dade Feder al de Ser gi pe UNEB - Uni ver si dade do Est ado da Bahi a USP - Uni ver si dade de São Paul o 10 SUMÁRI O I NTRODUÇÃO. ............................................................................................................. 11 1. REFERENCI AL TEÓRI CO. ...................................................................................... 14 1. 1 TURI SMO E CULTURA. .............................................................................. 14 1. 2. I NTERPRETAÇÃO DO PATRI MÓNI O. ............................................................. 18 1. 3. O PAPEL DOS MUSEUS NA ATUALI DADE. .................................................... 22 1. 4 MARKETI NG NO TURI SMO. .............................................................................. 24 2. OBJETO DE ESTUDO. ............................................................................................ 28 2. 1. HI STÓRI CO DO POVOADO MAL HADA GRANDE. .......................................... 31 2. 2 A ARTE DA TECELAGEM EM MAL HADA GRANDE. ......................................... 33 2. 3 PRÁTI CA DOS QUEBRADORES DE PEDRAS. ................................................. 34 2. 4 REPORTAGENS SOBRE MAL HADA GRANDE: ................................................ 36 3 METODOL OGI A........................................................................................................ 41 3. 1 I NFORMAÇÕES A RESPEI TO DO PROCEDI MENT O DE PESQUI SA............. 41 4 RESULTADO OBTI DO. ............................................................................................. 43 4. 1. ANÁLI SE DOS DADOS. .................................................................................... 44 4. 1. 1. Senhor Feli ciano Bezerr a de Souza. ................................................... 44 4. 1. 2. Senhor a São Pedr o Bezerr a de Souza................................................ 46 4. 1. 3. Pr of ª. Drª. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne....................................... 49 CONSI DERAÇÕES FI NAI S......................................................................................... 52 REFERENCI AI S........................................................................................................... 55 APÊNDI CE.................................................................................................................... 57 ANEXOS. ...................................................................................................................... 68 11 I NTRODUÇÃO Est e tr abal ho monogr áfi co f oi f eit o atr avés de est udos e pesqui sas bi bli ogr áfi ca e m acer vos l ocai s, al ém de u ml evant ament o de dados “i n l oco” na f orma de ent r evi st as e obser vações, t omando vári os aut or es co m r ef er enci al bi bli ogr áfico da l ocali dade e m est udo a fi m de cont ar a hi st óri a do Di strit o de Mal hada Gr ande no Muni cí pi o de Paul o Af onso- Bahi a- Br asil, enf ati zando sobr e o Turi s mo Cul t ur al da Regi ão, de manei r a que f ocali za a cul t ur a co mo pont o i mport ant e par a o Di strit o e m est udo. Rel at a- se t a mbé m a gr ande i mport ânci a dos Síti os Ar queol ógi cos e Pi nt ur as Rupestr es, her anças dei xadas pel a cul t ur a de u m povo que desde a anti gui dade r egi str ava m as suas f or mas de vi da, cost umes e hábi t os através dos desenhos. Port ant o, a val ori zação desses atri but os da cul t ur a popul ar contri bui par a que a soci edade f ort al eça a i ndi vi duali zação e aut o- esti ma di ant e do out r o, nu ma busca pel o desenvol vi ment o sust ent ável . Tendo e m vi st a que o t uri s mo cul t ur al t em despert ado o i nt er esse de mui t os, e m f unção das bel ezas nat ur ai s e i mat eri ai s. Assi m, pr opor ci onando u m cr esci ment o das ati vi dades cul t ur ai s, de monstr ando u m f ut ur o pr o mi ssor. Desse modo, co mo a cul t ur a nada mai s é do que o conj unt o de experi ênci as hu manas acu mul adas dur ant e mui t o t empo. Est ando o Turi s mo e a Cul t ur a i nti ma ment e li gados a partir do mo ment o e m que o conheci ment o do passado despert a gr ande i nt er esse par a os t uri st as e j ust ament e pel o f at o do passado cul t ur al de u m povo r efl etir nos seus cost umes e t r adi ções. A expl or ação t urí sti ca de l ocai s onde exi st am r egi str os de f or mas de vi da pr ati cadas no passado possui gr ande i mport ânci a par a o set or t urí sti co. El e t ambé m ser ve par a r evel ar os r ecur sos nat ur ai s, val ori zando os at rati vos baseados e m patri môni o nat ur al. Par a deli mit ar o pr obl ema, t oma mos o espaço geogr áfi co de Paul o Af onso- Bahi a defi ni ndo o Di strit o de Mal hada Gr ande, di r eci onando par a o set or do Turi s mo Hi st óri co 12 e Cul t ur al. Embor a dot ada de condi ções que possi bilit em o apr ovei t ament o de suas car act erí sti cas co mo pr odut o t urí sti co, consi der ado co mo Pat ri môni o Hi st óri co e Cul t ur al do Muni cí pi o, por possui r Pi nt ur as Rupestr es e Síti os Ar queol ógi cos. Necessi t a de u ma consci enti zação da comuni dade l ocal par a conser vação, poi s, é cl assi fi cada co mo u ma ár ea pr ot egi da mai s ai nda se m os devi do ampar o i nstit uci onal . Dessa f or ma sur ge m as quest ões; exi st e possi bili dade do apr ovei ta ment o t urí sti co? De que modo f azê-l o? Ser á vi ável e benéfi co par a os habi t ant es da ci dade? Quai s seri am as conseqüênci as da i mpl ant ação de u m pr oj et o t urí sti co par a a l ocali dade i ncl ui ndo co mo pont o t urí sti co de mai or i mport ânci a os Síti os Ar queol ógi cos. Qual a i mport ânci a do mar keti ng t urí sti co par a o desenvol vi ment o da l ocali dade? De manei r a ger al, a f al t a de conheci ment o a r espei t o da necessi dade de conser vação do patri môni o hi st órico e cul t ur al r evel a-se nos i nt erf er ênci as noci vas mo ment os e m que ocorr e m às car act erí sti cas ori gi nai s da l ocalidade, si gnifi cati va per da de seu val or. Det al ha mos que ocasi onando mui t os l ocai s quando são r eestr ut ur ados não exi st e a pr eocupação de conser var o que j á exi st e, sabe mos que a pol íti ca quando se envol ve co m o Turi s mo, não t e m pessoas e m car gos i mport ant es co mo de pl anej ament o e t uri s mo qualifi cadas par a exer cer est as f unções di spensando par a a co muni dade l ocal u m descaso, poi s, aquel es acr edi t am que a i ndi cação pol íti ca deva pr eval ecer. Port ant o, a hi st óri a or al co mo u m pr ocedi ment o, u m mei o, e u m cami nho par a pr odução do conheci ment o hi st óri co. Tr az e m si u m dupl o ensi na ment o: sobre a época enf ocada pel o depoi ment o – o t e mpo passado, e sobr e a época na qual o depoi ment o f oi pr oduzi do – o t e mpo pr esent e. Tr at a- se, port ant o, de u ma pr odução especi ali zada de docu ment os e f ont es, r eali zada co m i nt erf er ênci a do hi st ori ador e na qual se cr uza m i nt er subj eti vi dades. 13 Par a al cançar as et apas de cada ati vi dade f oi necessári o pesqui sar f at os hi st óri cos sobr e o muni cí pi o, como t a mbé m vári os aut or es, que ser vi r am de f ont e i nspi r ador a par a o t ema e m est udo. A met odol ogi a apli cada f oi atr avés da pesqui sa de ca mpo, r eali zada por mei o de entr evi st a e m f or ma de depoi ment os co m pessoas que dest acamos no decorr er do pr oj et o. Par a que os depoi ment os pudesse m ser col et ados f or am el abor ados questi onári os. De f or ma co mpl e ment ar f oi f ei t os l evant ament os de dados bi bli ogr áfi cos: e mli vr os, cat ál ogos e monogr afi as sobr e a ár ea est udada. Par a o enri queci ment o desse t r abal ho monogr áfi co f or am sel eci onadas as i nf or mações que mai s di r eci onavam ao assunt o e m est udo at r avés de ar gu ment ações e expli cações det al hadas sobr e o cont eúdo da abor dage m. 14 1. REFERENCI AL TEÓRI CO O Pat ri môni o Hi st óri co e Cul t ur al é u ma constr ução soci al do seu t e mpo hi st óri co. Quant o ao envol vi ment o do t uri s mo nas quest ões pat ri moni ai s, est e pode dese mpenhar doi s papéi s ant agôni cos: o de agent e que auxili a na manut enção e pr eser vação de u ma cul t ur a; ou per petr ador de u m monu ment o el eit o co mo “ excepci onal ” par a u ma dada soci edade, o que pode repr esent ar uma t ot al descar act eri zação dessa cult ur a. Segundo BRANCO, 2007: O c oncei t o de Pat ri môni o a pri ncí pi o er a r el aci onado à “ be m de her ança que é tr ans miti do, dos pai s e das mães aos fil hos”. Já Pat ri môni o Hi st óri co possui u m concei t o mai s co mpl exo que envol ve di ver sos meandr os de cul t ur a de u ma soci edade, por se r ef eri r aos bens i nco mensur ávei s, que é a me móri a col eti va constr uí da soci al ment e e a i denti dade de u m povo. Pr eser var o passado se mpr e f oi u ma necessi dade i nconsci ent e e/ ou consci ent e do ser hu mano, mas so ment e nos sécul os XI X e XX é que ocorr eu u ma consagr ação i nstit uci onal do monu ment o hi st óri co. As si gnifi cações dadas às edi fi cações e obj et os anti gos acabar a m por ger ar não so ment e a si mpl es pr eocupação de gr upos i sol ados ou f a mili ares de gar anti r seu l egado par a ger ações f ut ur as. Nos sécul os XI X e XX, est a “ pr eocupação” est endeu- se par a o Est ado, que passou a esti mul ar a pr odução de l ei s de conser vação e r est aur ação, tr ansf or mando- se em u ma pr obl e máti ca mundi al. ( BRANCO, 2007) O Turi s mo deve desenvol ver novas al t er nativas par a concili ar econo mi a e pr eser vação patri moni al, que f unci ona no i nt uit o de val ori zar l ocai s de patri môni o par a atr ai r vi sit ant es. Cont udo essa i ni ci ati va vai mai s l onge, poi s auxili am esses vi sit ant es a co mpr eender e m aspect os cult ur ai s dos l ugares vi sit ados. 1. 1 TURI SMO E CULTURA A pal avr a t uri s mo sur ge pel a pri mei r a vez no Li vr o dos Nú mer os ( Cap. 13, ver s. 17), na passage m e m que Moi sés envi a u m gr upo de r epr esent ant es a Canaã par a obt er i nf or mações sobr e aquel e l ugar. ( Bí bli a Sagr ada) 15 A ati vi dade t urí sti ca f oi cri ada pel os i ngl eses, aut or es da r evol ução i ndustri al, co mo al t er nati va à vi da ur bana, u ma vez que j á por volt a de 1850, apr oxi mada ment e 85 % da popul ação j á vi vi a e m ci dades. Par a est a popul ação ur bana, f azer t uri s mo si gni fi cava j á u ma saí da par a o ca mpo ou pr ai a, como f orma de escapar ao ambi ent e cit adi no. Mai s que u ma desl ocação geogr áfi ca e a quebr a nas r oti nas do quoti di ano, o t uri s mo é descobert a, i nt er câ mbi o de saber es, cul tur as, que t e m acompanhado a pr ópri a evol ução econô mi ca e soci al. Vári as defi ni ções são def endi das por di ver sos aut or es sobr e o Turi s mo ent re el as dest aca mos uma das mai s r ecent es defi ni ções segundo Barr ett o apud Oscar de La Torr e: O t uri s mo é u m f enô meno soci al que consi st e no desl oca ment o vol unt ári o e t empor ári o de i ndi ví duos ou gr upos de pessoas que, f unda ment al ment e por moti vos de r ecr eação, descanso, cul t ur a ou saúde, sae m do seu l ocal de r esi dênci a habi t ual par a outr o, no qual não exerce m nenhu ma ati vi dade l ucr ati va ne m r e muner ada, ger ando múl ti pl as i nt er-rel ações de i mport ânci a soci al, econô mi ca e cul t ur al. ( BARRETTO, 1995, p. 13) Pode mos co ment ar que t uri s mo é u m pr odut o t ot al ment e baseado na pr odução e no consu mo si mul t âneos. Ent r et ant o, é u m ser vi ço pessoal , e como t al, só pode ser consu mi do co m o t uri st a vi sit ando a desti nação. A i mpli cação di sso par a os habi t ant es da desti nação é de que el es entr ar ão e m cont at o co m u ma popul ação. Est e cont at o poder á ser benéfi co ou pr ej udi ci al par a a popul ação anfitri ã, dependendo da di f er ença de cult ur as ou da nat ureza do cont at o. O t uri s mo ser ve par a r evel ar os r ecur sos nat ur ai s, v al ori zando os at r ati vos baseados e m pat ri môni o nat ur al; co m o au ment o do nú mer o de vi si t ant es a pont o de car act eri zar o t uri s mo de massa, verifi ca- se u ma f ort e i nt erf er ênci a no núcl eo r ecept or, co m degr adação do mei o a mbi ent e nat ur al e artifi ci al; é quando se j ustifi ca a f r ase “ o t uri s mo destr ói o t uri s mo”, e m vi st a de exager os e que se r eco menda evi t ar, exi st e a f ase da r epar ação, medi ant e r egul ament o, obr as de r eposi ção e se mel hant es, se be m que há cert as per das irr epar ávei s. Fi nal ment e a f ase da r econcili ação, mar cada pel a pr evenção atr asada: est udos, pesqui sas, pr oj et os di mensi onados adequada ment e par a cada caso, i nvent ári os de r ecur sos par a se poder di spor de dados bási cos desti nados a ori ent ar pr oj etos t urí sti cos. ( PELLEGRI NI FI LHO, 1993, p. 138) 16 Pode passar a ser u mf at or de pr eser vação de r ecur sos nat ur ai s e cul t ur ai s e m vez de f at or pr ej udi ci al a el es. I mport ant e é que haj a u ma pol íti ca de t uri s mo, onde que e mpr esas parti cul ar es do set or, e o el ement o hu mano engaj ado pr ofi ssi onal ment e e m t uri s mo e l azer t enham est abel eci do o pr é-requi sit o da necessi dade de se di spensar a devi da at enção à pr eser vação ati va de bens da nat ur eza e de bens cul t ur ai s, quando da execução de pr oj et os e de sua r eali zação. Agi ndo dessa f or ma est ar á evi t ando acent uar a i mage m negati va do t uri s mo co mo f at or pol uent e e dest r ui dor. Não r est a duvi das sobr e a evi dênci a do i nter esse que pat ri môni o nat ur al e pat ri môni o cul t ur al of er ece m não so ment e ao t uri s mo, mas e m pri mei r o l ugar par a as pr ópri a soci edade. Al ém do que j á f oi apont ado, t e mos de r essal t ar a f alt a de educação a mbi ent al e a f alt a de consci enti zação a r espei t o da me móri a naci onal , t ant o na popul ação quant o ent r e aut ori dades públi cas, sendo necessári o escl ar ecer a r espei t o de vant agens pol íti cas advi ndas da apr ovação e do cu mpri ment o de l egi sl ação que pr eser ve o mei o a mbi ent e nat ur al e o artifi cial . I ncenti vo à pr odução cul t ur al e m ní vel muni ci pal ( concur sos est udanti s, f esti vai s, excur sões ecos- cult ur ai s na pr ópri a ci dade ou em seus arr edor es, val ori zação da hi st óri a l ocal/r egi onal et c.). A acel er ação di nâ mi ca sóci o- cult ur al da vi da pr ovoca mudanças mai s a mi úde e m bens cul t ur ai s, mes mo quando se t r at a de mani fest ações do f ol cl or e ou cul t ur as popul ar es. Dest a manei r a pode mos expli car que e mbor a nenhu mi ndi ví duo conheça t ot al ment e o seu si st ema cul t ur al, por é m é necessári o t er u m mí ni mo de conheci ment o sobr e sua cul t ur a, tr adi ções, hábi t os e cost umes par a oper ar dent r o do mes mo. Al ém di sso, esse conheci ment o deve ser partil hado por t odos os co mponent es da soci edade, de f or ma a per mitir a convi vênci a dos mes mos. Turi s mo Cul t ur al t em co mo pont o f unda ment al o el o entr e o passado e o pr esent e, o cont at o e a convi vênci a co m o l egado cul t ural , que f or ami nfl uenci ados pel a di nâ mi ca do t e mpo, e ai nda per manece m co m as f ormas de ser e f azer de cada co muni dade. São moti vados pel a busca de i nf or mações, conheci ment os, i ntegr ação soci al co m 17 outr as pessoas, co muni dades, l ugar es, cost u me e t r adi ção cul t ural . Exer cendo u m papel i mport ant e na Hi st óri a da l ocali dade e m est udo. Poi s, o que s e pr et ende é apr ovei t ar est a hi st ória par a r egi str ar a i mport ânci a de cada pont o descrit o, co mo u m pont o hi st ori cament e t urí sti co conser vado par a que possí vei s vi sit ant es sai ba m exat ament e co mo f oi f or mado est e l ocal , como os val or es, hábi t os e cost u mes dest e povo contri buír am para a hi st óri a cult ur al do Di strit o de Mal hada Gr ande. O cont eúdo de Hi st ória não é passado, mas o t e mpo ou exat a ment e, os pr ocedi ment os de análi se e os concei t os capazes de l evar e m cont a o movi ment o das soci edades, de co mpr eender seus mecani s mos, r econstit uírem seus pr ocessos e co mpar ar suas evol uções. Das ati vi dades sust ent ávei s ger ador as de r enda e absor vedor as de mão- de- obr a, o t uri s mo cul t ur al é u mf ort e r epr esent ant e desse novo model o de econo mi a, se m causar gr andes i mpact os aos patri môni os nat ur ai s e cul t ur ai s. A cul t ura é u m t e ma l i gado à antr opol ogi a desde seus pri mór di os e t em si do obj et o de r efl exão ao l ongo da hi st óri a dessa ci ênci a. “ O ho me m age de acor do co m os seus padr ões cul t ur ai s, os seus i nsti nt os f or am par ci al ment e anul ados pel o l ongo pr ocesso evol uti vo que passou; a cul t ur a é o mei o de adapt ação aos di f er ent es a mbi ent es ecol ógi cos, e m vez de modi fi car par a i st o o seu apar at o bi ol ógi co, o ho me m modi fi ca o seu equi pa ment o super or gâni co; O ho me m f oi capaz de r o mper as barr ei r as das di f er enças a mbi ent ai s e t ransf or mar t oda a t err a em s eu hábi t at; adqui ri ndo cul t ur a, passou a depender mui t o mai s do apr endi zado do que agi r at r avés de atit udes geneti ca ment e det er mi nadas; co mo j á er a do conheci ment o da hu mani dade, desde o i l u mi ni s mo, é est e pr ocesso de apr endi zage m (soci ali zação ou endocul t ur ação, não i mport a o t er mo) que det er mi na o seu co mport ament o e a sua capaci dade artí sti ca ou pr ofi ssi onal ; a cul t ur a é u m pr ocesso acu mul ati vo, r esul t ant e de t oda a experi ênci a hi st óri ca das ger ações ant eri or es”. ( LARAI A, 2002. P. 48) Keesi ng r ef er e- se, i ni ci al ment e, às t eori as que consi der a m a cul t ura co mo u m si st e ma adapt ati vo. Di f undi da por neo- evol uci oni stas co mo Lesti e Whi te, est a posi ção f oi r ef or mul ada cri ati vament e por Sahli ns, Har ri s, Car nei r o, Rappaport, Vayda e out r os que, apesar das f ort es di ver gênci as que apr esent am entr e si, concor da m que: 18 Cul t ur as são si st emas ( de padr ões de comport ament o soci al ment e tr ans miti dos) que ser ve m par a adapt ar as co muni dades hu manas aos seus e mbasa ment os bi ol ógi cos. Esse modo de vi da das co muni dades i ncl ui t ecnol ogi as e modos de or gani zação econô mi ca, padr ões de est abel eci ment o, de agr upa ment o soci al e or gani zação pol íti ca, cr enças e pr áti cas r eli gi osas, e assi m por di ant e. ( LARAI A, 2002, p. 59) Dest a f or ma pode mos afi r mar que os i ndi ví duos parti ci pa m di fer ent e ment e de sua cul t ur a. Ent ão Lar ai a expli ca que: A parti ci pação do i ndi vi duo e m sua cul t ur a é se mpr e limi t ada; nenhu ma pessoa é capaz de parti ci par de t odos os el e ment os de sua cul t ur a. Est e f at o é ver dadei r o nas soci edades co mpl exas co m u m al t o gr au de especi ali zação, quant o nas si mpl es, onde a especi ali zação r ef er e- se apenas às det er mi nadas pel as dif er enças de sexo e i dade. ( LARAI A, 2002, p. 80) Mas, qual quer que sej a a soci edade, não exi st e a possi bili dade de u m i ndi ví duo do mi nar t odos os aspect os de sua cul t ur a. Segundo Lar ai a ( 2002, p. 82) apud Mari on Levy Jr, que di z: Nenhu m si st ema de soci edade é i deal ment e perf eit o, e m nenhu ma soci edade são t odos os i ndi ví duos i gual ment e be m soci ali zados, e ni ngué m é perf eit ament e soci ali zado. Umi ndi ví duo não pode ser i gual ment e f a mili ari zado co mt odos os aspect os de sua soci edade: pel o contr ári o, el e pode per manecer co mpl et ament e i gnor ant e a r espei t o de al guns aspect os. Exe mpl ifi cando: Ei nst ei n er a u m gêni o na físi ca, u m medí ocr e vi oli ni sta e, pr ovavel ment e, seri a u m co mpl et o desastr e co mo pi nt or. 1. 2. I NTERPRETAÇÃO DO PATRI MÓNI O O concei t o de pat rimôni o r ef er e- se ao l egado que her da mos do passado e que trans miti mos as ger ações f ut ur as. Ai nda que est a defi ni ção não t enha per di do vali dade, não pode mos ent ender o pat ri môni o apenas co mo u m pr ocesso hi st óri co. Todas as mani f est ações mat eri ai s de cul t ur a cri adas pel o Ho me m t ê m u ma exi st ênci a fí si ca nu m espaço e nu m det er mi nado perí odo de t e mpo. Al gu mas dest as mani f est ações desapar ece m, esgot adas na sua f unci onalidade e si gnifi cado. Out r as sobr evi ve m aos seus cri ador es, acu mul ando- se a out r as expr essões mat eri ai s. E at r avés da pr ópri a 19 di nâ mi ca da exi st ênci a, est es obj et os do passado, pel a sua per manênci a no t e mpo, a cri ati vi dade de novas ger ações de pr odut ores de obj et os, que acrescent a m el e ment os às ger ações ant eri or es. Segundo Barr ett o ( 2000, p. 9): A pal avr a pat ri môni o t e m vári os si gni fi cados. O mai s co mu m é u m c onj unt o de bens que u ma pessoa ou uma enti dade possue m[ ...] Que, t r ansport ados e u m det er mi nado t errit óri o, o patri môni o passa a ser o conj unt o de bens que est ão dentr o de seus li mit es de co mpet ênci a ad mi ni str ati va. O pat ri môni o não é só o l egado que é her dado, mas o l egado que, at r avés de u ma sel eção consci ent e, um gr upo si gnifi cati vo da popul ação desej a l evar ao f ut ur o. Nest e senti do, o el ement o det er mi nant e que def i ne o concei t o de pat ri môni o é a sua capaci dade de r epr esent ar si mboli cament e u ma i denti dade. E sendo os sí mbol os u m veí cul o pri vil egi ado de t r ans mi ssão cul t ur al, os ser es hu manos mant êm at r avés dest es, estr eit os ví ncul os com o passado. É at r avés dest a i denti dade passado- pr esent e que nos r econhece mos col eti vament e co mo i guai s, que nos i dentifi camos co m o r est ant e dos el ement os do nosso gr upo e que nos difer enci amos dos de mai s. O passado dá- nos um senti do de i denti dade, de pert ença e f az- nos consci ent es da nossa conti nui dade co mo pessoas atr avés do t e mpo. A nossa me móri a col eti va model ada pel o passar do t e mpo não é mai s de que u ma vi age m at r avés da hi st óri a, r evi sit ada e mat eri ali zada no pr esent e pel o l egado mat eri al, sí mbol os parti cul ar es que r ef or ça m o senti ment o col eti vo de i denti dade e que ali ment a no ser hu mano a r econf ort ant e sensação de per manênci a no t e mpo. Os obj et os do passado pr opor ci ona m est abili dade, poi s se o f ut ur o é aquel e desti no essenci al ment e i ncert o e o pr esent e aquel e i nst ant e f ugaz, a úni ca certeza que o ser hu mano possui é a ver dade irref ut ável do passado. Hoj e, por é m, a f or ma co mo a soci edade at ual se r el aci ona co m o passado é pr of unda ment e i nfl uenci ada pel o extr emo di na mi s mo que a car act eri za e pel a t r emenda 20 acel er ação da vel oci dade da mudança soci al no perí odo moder no. Mas, por outr o l ado, a hi st óri a e os seus obj et os ganha m u m val or e u m i nt er esse se m pr ecedent es. O patri môni o sur ge co mo u ma f or ma de r ecuper ação especi al ment e efi caz. At r avés do patri môni o o i ndi ví duo seqüestr a u m pedaço do passado. Co mo um artifí ci o i deali zado co mfi nali dades de i dentifi cação no espaço e no t e mpo, co mo el ement o de r ef er ênci a, o pat ri môni o r epr esent a, par a a soci edade at ual , u ma ver dadei r a necessi dade. De t al f or ma que o “ patri môni o” se convert eu, nos últi mos anos, nu m ver dadei r o cul t o popul ar e t a mbé m, nu ma eti quet a extr aor di nari ament e ext ensi va a u ma enor me quanti dade de el ement os e obj et os, do i ndi vi dual ao col eti vo, do mat eri al ao i nt angí vel, de u m passado mai s r emot o a um passado mai s r ecent e. Co m a gl obali zação a u m au ment o da i mport ânci a atri buí da à pr eser vação do patri môni o, co mo el ement o de afi r mação das si ngul ari dades l ocai s. Fazendo apar ecer u m mer cado patri moni al e à l ógi ca da si ngul ari dade do obj et o acr escent a- se a l ógi ca da sua val ori zação co mer ci al. O pat ri môni o t or nou- se u m co mponent e essenci al da i ndústri a t urí sti ca co mi mpl i cações econô mi cas e soci ai s evi dent es. Barr ett o ( 2000) def ende a possi bili dade de uma convi vênci a har moni osa ent r e o t uri s mo e o l egado cul t ur al, e t ent ar-se- á ori ent ar os pl anej ador es par a que ci dades hi st óri cas, pr édi os hi st óri cos e monu ment os, assi m co mo mani f est ações cul t ur ai s tr adi ci onai s, sej am t r abal hados de f or ma r esponsável co mo pr odut o t urí sti co e que o t uri s mo, por sua vez, sej a um estí mul o à manut enção da identi dade das popul ações r ecept or as. Port ant o, co mpr eendemos por pat ri môni o cul t ur al t odo e qual quer art ef at o hu mano que, t endo u m f ort e co mponent e si mbóli co, sej a de al gu m modo r epr esent ati vo da col eti vi dade, da r egi ão, da época específi ca, per miti ndo mel hor co mpr eender o pr ocesso hi st óri co. Pode- se r essal t ar que no Di strit o de Mal hada Gr ande, é de gr ande r el evânci a par a o Muni cí pi o de Paul o Af onso - BA, poi s, possue m r egi str os, escrit ur as, esquel et os, 21 art ef at os, pi nt ur as r upestr es e síti os ar queol ógi cos descr evendo a cul t ur a de u m povo que vi veu no passado; part e da her ança cult ur al encontr ada. Assi m, pr ocur a- se est abel ecer as conexões entr e o t uri s mo e patri môni o cul t ur al, t ambé m por mei o de hi st óri a. O val or econô mi co do pat ri môni o e o del i nea ment o hi st óri co da i nfr a- estr ut ur a par a o t uri s mo. Al ém di sso, a necessi dade de conser vação dos obj et os anti gos ou mes mo a sua aqui si ção poderi am esti mul ar a i ndústri a. Segundo Ca mar go ( 2002, p. 95), o concei t o cl ássi co de patri môni o são bens cul t ur ai s ou monu ment os de excepci onal val or hi st óri co e artí sti co naci onal (i denti dade ho mogênea e uni t ári a): ori gens e tradi ções l uso- br asil ei r as. Def ende Ca mar go ( 2002, p. 96), o concei t o cont empor âneo de Patrimôni o: Pat ri môni o cul t ur al e m qual quer soci edade é se mpr e pr odut o de u ma escol ha e, co mo t oda escol ha, t e m u m car át er ar bitr ári o. Resul t a da sel eção de al guns el e ment os, enquant o outr os seri am possí vei s de esqueci ment o e destr ui ção. Consi der ando que art ef at os cul t ur ai s são, e m pri ncípi os, obj et os dot ados de f unci onali dade que se t eri a m obsol et os par a nós, o patri môni o cul t ur al só pó ser ent endi do co mo u m conj unt o de sí mbol os. Os sí mbol os pr eci sa m ser desconstr uí dos e i nt er pr etados par a apr ender mos o seu si gni fi cado. Nest e senti do são i gual ment e si gni fi cati vos os bens naci onai s j á consagr ados, t ant o quant o os r egi onai s ou l ocai s. O gr au de i mport ânci a quant o à at r ati bili dade, i st o é, pequena, médi a ou bai xa, pode ser oti mizada e não i nvali da a pr e mi ssa. Def ende t a mbé m Ca mar go ( 2002) co m essa mes ma l i nha de pensament o o concei t o de art e: ul tr apassa a noção de bel o; não t em co mo suport e apenas mat eri ai s nobr es; li ber dade de expr essão; el abor ação de pr opost as co mi ncor por ação da t ecnol ogi a. As ati vi dades de t uri s mo são exer ci das e mt e mpo do não t r abal ho ou de l azer. Pol ê mi cas e m t or no da defi ni ção ( seg ment o de mer cado) do t uri s mo de negóci os, por exe mpl o, não pode m ser consi der adas. Ai nda nest a ul ti ma modal i dade, o t e mpo soci al das soci edades i ndustri ai s pr eval ece, co mparti ment ando t r abal ho e não t r abal ho. Assi m sendo, atr ati vos cul t ur ai s deve m est ar vol t ados pri nci pal ment e par a o l azer das popul ações ou ci dadãos da pr ópri a l ocali dade, condi ção par a u ma f ut ur a e event ual apr opri ação pel o t uri s mo. ( CAMARGO, 2002, p. 97) 22 Di ant e a est a r eali dade, os crit éri os das r el ações entr e t uri s mo e pat ri môni o deve m ser consi der ados, l evando-se e m cont a se t r abal ha mos co m ár eas r ur ai s ou ár eas ur banas. Passando e m escal a, há outr as vari ávei s a ser consi der adas: met r ópol es, ci dades de médi o e de pequeno port e. São os habi t ant es da l ocali dade e do ent or no i medi at o os pri mei r os a ser sensi bili zados, co m apoi o na af eti vi dade, par a val ori zar o pat ri môni o. As co muni dades e gr upos l ocai s que i r ão gar antir sua pr eser vação, f or mal ment e por i nt er médi o das escol as ou i nf or mal ment e por int er médi o do l azer. A exi st ênci a de ár eas par a o l azer é u mi mper ati vo cat egóri co par a os ci dadãos e par a o sucesso soci al ment e har moni oso dos e mpr eendi ment os t urísti cos. Le mbr a mos apenas que as r ef er ênci as não se desti na m a t r ansf or mar os i móvei s de i nt er esse e m “centr os cult ur ai s”. 1. 3. O PAPEL DOS MUSEUS NA ATUALI DADE Pode mos co ment ar que no conti nent e eur opeu, a vi sit a aos museus t e m si do desde o i ní ci o do t uri s mo moder no, u ma t ar ef a co mo vi sit ar ce mit éri os de vul t os hi st óri cos ou cul t ur ai s e i gr ej as. Barr ett o ( 2000, p. 53) afir mar que: At ual ment e, na Eur opa, os museus e o pat rimôni o e m ger al são o atr ati vo/r ecur so t urí sti co por excel ênci a. Os museus t ransf or mar a m- se dur ant e o sécul o XX, dei xar a m de ser apenas depósi t os de coi sas vel has par a most r ar seus obj et os e f azer chegar sua mensage m ao públi co de u ma f or ma di nâ mi ca e at é l údi ca, e m que mui t as das t écni cas dos par ques t e máti cos são utili zadas, assi m co mo r ecur so de mul ti mí di a e out r os r ecur sos t ecnol ógi cos. Co m esse novo perfil o museu passou a ser co mpl e ment o necessári o do t uri s mo, super ando pr econcei t os de ambas as part e. Def ende Barr ett o, ( 2000, p. 55) enf ocando que, par a que uma i nstit ui ção sej a consi der ada par adi gmáti ca, deve haver consenso de que el a serve co mo model o por seus r esul t ados na pr áti ca. 23 Assi m, de acor do co m o I COM (I nt er nati onal Council of Museu ms): O museu é u ma i nstit ui ção per manent e, se mfi nali dade l ucr ati va, a ser vi ço da soci edade e do seu desenvol vi ment o, abert o ao públi co, que r eali za pesqui sas sobr e a evi dênci a mat eri al do home m e do seu a mbi ent e, adqui r e- a, conser va- a, i nvesti ga- a, co muni ca e exi be- a, co mfi nali dade de estudo, educação e fr ui ção. Barr ett o, ( 2000, p. 56), col oca nest e mo ment o, par adi gmas quant o à ar qui t et ur a de museus, quant o a seu r el aci ona ment o co m o públi co, quant o à museogr afi a, ou sej a, as t écni cas de apr esent ação das exposi ções, e, o mai s i mport ant e, quant o ao papel soci al que os museus deve m empenhar. Na at uali dade, de acor do co m a sua ar qui t et ur a, os museus pode m s er di vi di dos e m: Museus i nt eri or es ( e m pr édi os constr uí dos especi al ment e, e m pr édi os de val or hi st óri co ou artí sti co adapt ados, e m barr acões ou casas si mpl es); Museus ao ar li vr e ( constr uí dos, museus de síti os “ sit e museu ms”, eco museus); Museus-j ar di m. Par a expli car essa afir mação, pode mos di zer que at é o sécul o XVI , os museus f unci onar a m e m vel hos cast el os ou pr édi os f echados. A pri mei r a constr ução especi al par a museu ser á a Gal eri a Ufi zzi, e m Fl or ença, que pr evi a um andar t érr eo par a escrit óri os ( ufi zzi ) ad mi ni str ati vos da ci dade e u m pri mei r o andar par a as obr as de art e da f amíli a Médi ci. Barr ett o apud Gir auy e Bouill et, coment a que: [...] não exi st e u ma ar quit et ur a i deal de museus. El a vari a conf or me as necessi dades e as especifi ci dades das col eções que abri ga. A ori ent ação bási ca é que exi st am sal as de exposi ção, pel o menos u ma par a exposi ções per manent es e out r a par a t empor ári as, ou u m ci r cui to pri nci pal de exposi ções e outr o secundári o; r eservas t écni cas adequadas aos obj et os guar dados; l abor at óri os de r est aur ação e/ ou pr epar ação; sal as par a a ad mi ni str ação; audi t óri o; sal as de pesqui sa e de ati vi dades de ext ensão co m o públ i co; al é m de espaços par a descanso do públi co e par a l anches r ápi dos. ( BARRETT O, 2000, p. 56- 57) Afi r ma Barr ett o que, coexi st em museus de constr ução al t a ment e sofi sti cada e car a e museus que f unci onam e m barr acões e outros que f unci ona m e m pr édi os hi st óri cos. 24 Os museus ao ar li vr e ocupa m gr andes ext ensões de t err eno, nas quai s f or a m r econstr uí dos cenári os de gr ande r eali s mo. O pi onei ro f oi Skansen, na Suéci a, cuj o i ní ci o r e mont a a 1891, quando o pr of essor Arthur Hazeli us, especi ali st a e ml í ngua escandi nava que vi aj ava mui t o pel o i nt eri or de seu paí s, co meçou a per ceber que os cost u mes t r adi ci onai s est ava m sendo esqueci dos e m vi rt ude do avent o da moder ni dade i ndustri al. El e mes mo co meçou a co mpr ar obj et o de art e e art esanat o t r adi ci onai s e or gani zar pequenas exposi ções e m Est ocol mo. ( BARRETTO, 2000, p. 57) Parti ndo desse pri ncípi o, pode mos di zer que, o Di strit o de Mal hada Gr ande, que f oi f ont e i nspi r ador a dest e est udo t e m t endenci osa ment e condi ções de exi stir u m museu de céu abert o, co m t odas as l ei s devi da ment e defi ni das e co m u m l evant a ment o da capaci dade de car ga par a vi sit ação per mi ti ndo que o t uri smo cr esça de f or ma consci ent e, pl anej ada e or gani zada, despertando u m gr ande i nt eresse par a os t uri st as de vári os segui ment os, entr e el es os de est udos ci entífi cos. Enf ati za mos que u m pr oj et o ve mtr amit ando com apoi os gover na ment ai s e de i nstit ui ções de ensi no. Tendo conheci ment o que u m síti o ar queol ógi co é u m l ocal no quai s os ho mens que vi ver am ant es do i ní ci o de nossa ci vili zação dei xar am al gum vestí gi o de suas ati vi dades: u ma f err ament a de pedr a l ascada, u ma f oguei r a que assar a m sua co mi da, u ma pi nt ur a, uma sepult ur a, a si mpl es mar ca de seus passos. Em ger al os síti os apr esent a m- se e m concent r ações espaci ai s, poi s, corr esponde m a u m povo, a uma cult ura, a qual expl or ava um t errit óri o, nel e dei xando suas mar cas. 1. 4 MARKETI NG NO TURI SMO A i mport ânci a do Turi s mo par a u ma l ocali dade t e m au ment ado ao l ongo das úl ti mas décadas. Sendo consi der ado u ma f ont e de di vi sas par a se m pr ocedi ment os de out r a ati vi dade econô mi ca. Tendo u m papel i mport ant e no i mpact o soci ocul t ur al, quer sobr e os vi sit ant es quer no ní vel das popul ações dos desti nos t urí sti cos. Essa ati vi dade t e m u ma i nt egr ação entr e os povos de naci onali dades e cult ur as dif er ent es. 25 Segundo Tri guei r o ( 2001, p. 6): O t uri s mo t a mbé m é u m f at or vi t al par a o desenvol vi ment o de u ma l ocali dade no que di z r espei t o ao mei o a mbi ent e. Exi st e u ma r el ação mui t o estr eit a ent r e o t uri s mo e o mei o a mbi ent e, à medi da que u ma l ocali dade deci de pr eser var suas ár eas nat ur ai s, conservar seus monu ment os hi stóri cos e ar queol ógi cos e suas pai sagens, co mo pr odut os t urí sti cos par a conqui st ar pessoas. [...] Adot ar os concei t os de mar keti ng co mo fil osofi a de t r abal ho nas or gani zações que vi sa m ou não l ucr o ai nda é u m pr ocesso r ecent e no Br asil. Poucas i nstit ui ções vê m utili zando essa pr áti ca ad mi ni str ati va co mo f or mas de f acilit ar o pr ocesso de t r oca ent r e el as e o mer cado. [...] Dessa f orma pode mos di zer que Mar keti ng t e m si do defi ni do de vári as manei r as por di f er ent es aut or es, pode mos cit ar al gu mas dessas defi ni ções. Ent ão f azer mar keti ng si gnifi ca usar a ci ênci a e a art e par a f acilit ar o pr ocesso de t r oca, i st o é, o mar keti ng é o mecani s mo de arti cul ação ent r e a pr ocura e a of ert a. Sur ge quando as pessoas deci de m sati sf azer necessi dades e desej os pel a troca. O mar keti ng e o t uris mo dese mpenha m papel f unda ment al co mo mecani s mo de arti cul ação entr e a of ert a e a pr ocur a. O pr odut o t urí sti co é constituí do por u ma ga ma de di f er ent es bens e ser vi ços of er eci dos ao t uri st a. El e t em car act erí sti cas que di f er e m da mai ori a dos outr os pr odut os. Ao cont r ari o de pr odut os t angí vei s, o pr odut o t urí sti co é pr oduzi do pel os f or necedor es no mo ment o e m que é consu mi do pel os cli ent es: não é f ácil padr oni zá-l o e a sua quali dade, mui t as vezes, é di fí cil de pr ever; nenhu m pr odut o t urí sti co é exat ament e i gual a outr o, não pode ser ar mazenado, e t e m u ma sazonali dade que i nfl uenci a a deci são de sua pr ocur a. O mer cado t urí sti co defi ni do por r ef er ênci as ao pr odut o t urí sti co, aos f or necedor es de ser vi ços t urí sti cos e aos t uri st as que co mpr a m o pr odut o. Assi m, a cada pr odut o t urí sti co corr esponde u m mer cado t urí sti co. ( TRI GUEI RO, 2001, p. 15) A f unção do mar keti ng t urí sti co consi st e preci sa ment e e mi dentificar esses seg ment os de mer cado, pr o mover o desenvol vi ment o de pr odut os t urí sti cos e f or necer aos t uri st as pot enci ai s i nf or mações sobr e os pr odut os of er eci dos. Todo Mar keti ng é vol t ado ás necessi dades i ner ent es à nat ur eza hu mana e exi st em desde pri mór di os de ci vili zação, 26 port ant o o t uri s mo não é u mf enô meno r ecent e e mui t o menos pri vati vo de sécul o xx, a novi dade r esi de na sua ext ensão, na mul ti plici dade das vi agens e no l ugar que ocupa na vi da das pessoas, t r at a- se de u m movi ment o se m cl asses, que gr aças à pol íti ca dos pacot es t urí sti cos, pr opor ci ona m à possi bilidade de vi aj ar à quase t odas às pessoas dos paí ses i ndustri alizados, t or nando- se cada vez a r ei vi ndi cação e u m di r eit o do ho me m ci vili zado. Pode mos ci t ar que j á exi ste u m Mar keti ng no Turi s mo e m Mal hada Gr ande: A el abor ação de u m cat ál ogo é r esul t ado da ação i nt egr ada do Sebr ae Bahi a co m a Associ ação Fi os e Cor es de Mal hada, atr avés do pr oj et o Xi ngó. For a m as ações de ca mpo execut adas pel o I EL/ Pr ogr ama Bahi a Desi gn que per mitir am a si st emati zação de dados e docu ment ação vi sual , nas quai s se pr eocupou o mel hor ca mi nho par a conhecer e apr esent ar ao gr ande públ i co de t ecel ãs de Mal hada Gr ande. ( SEBRAE, 2004, p. 3) Nest e cat ál ogo cont ém t odos os pr odut os f ei t os pel as Art esãs de Mal hada Gr ande, são expost os atr avés das f ot os dos pr odut os j unt o ao cenári o do Sert ão, e m que a co mbi nação do a mbi ent e nat ur al das pai sagens e os pr odut os t ê m u m si gni fi cado har moni oso. Const ando t oda descri ção do pr odut o co m u m nº. de códi go e t a manho do pr odut o descri mi nado. Al ém de f or necer na ul ti ma pági na f ot ogr afi a de t odas as mul her es que tr abal ham no Art esanat o. Segundo Dori s Ruschmann ( 1991, p. 24) di z que: Os cr escent es fl uxos t urí sti cos mundi ai s el evar a m o gr au de co mpetiti vi dade entr e vári as desti nações, por i sso, a estr at égi a de co muni cação das or gani zações t urí sti cas deve consi der ar a concorr ênci a de mer cado e posi ci onar- se. Conseqüent e ment e. Dever á haver a consci enti zação, dent r o de u ma pol íti ca mer cadol ógi ca, de que a de manda det er mi na a of ert a e não o i nver so. Dessa f or ma Ruschmann expli ca que ao abor dar os aspect os t écni cos da co mer ci ali zação do pr odut o t urí sti co, não deve mos dei xar de consi der ar que, ao vendêl o, o pr ofi ssi onal est ará t r at ando co m pessoas que acal ant ar am o ano i nt ei r o, o sonho das suas f éri as. 27 O aspect o hu mano da ati vi dade não poder á ser supl ant ado por sofi sti cados pl anos mer cadol ógi cos, moder nas t écni cas de venda ou por u ma publi ci dade agr essi va, poi s, se m dúvi da, o mel hor di vul gador de u m pr odut o t urí sti co é u m cli ent e sati sf eit o co m as experi ênci as vi vi das dur ant e sua vi age m. Segundo Rusch mann apud Jost Kri ppendorf ( 1991, p. 25) o mar keti ng t urí sti co é: A adapt ação si st emáti ca e coor denadas da políti ca das e mpr esas de t uri s mo, t ant o pri vadas como do Est ado; no pl ano l ocal , r egi onal , naci onal e i nt er naci onal , vi sando à pl ena sati sf ação das necessi dades de det er mi nados gr upos de consu mi dor es, obt endo, co mi sso, uml ucr o apr opri ado. Rusch mann apud Fr ankli n Adej uvon ( 1991, p. 28) r essal t a: Out r o co mponent e do pr odut o t urí sti co – a her ança cul t ur al de u m povo. É constit uí da de f at or es i ner ent es, de hábi t os ou l endas i nstit uí das pel o home m e que se di f undi r am, consci ent e ou i nconsci ent e ment e, nu ma soci edade, atr avés dos anos, de t al f or ma que deli near a m seu estil o de vi ver, as f or mas de mor ar, as l endas e os monu ment os. Dest e j eit o pode mos co ment ar que se t r at a i mport ant e suport e par a o t uri s mo, u ma vez que o desej o de conhecer os usos e cost umes de u m povo constit ui u ma i mport ant e moti vação das vi agens t urí sti cas. Os conheci ment os do estil o de vi da dos aut óct ones, seus event os soci ai s e cul t ur ai s, são, às vezes, i nesquecí vei s e f at or de i nt ensa sati sf ação par a os t uri st as. Assi m, a aut enti ci dade e a pri vaci dade das popul ações vi sit adas sej am pr eser vadas e não se t r ansf or me m nu m “ show vul gari zado”, destr uí das pel o t uri s mo. Port ant o, e m cada u ma das desti nações ( paí s, r egi ão, l ocal ), o t uri st a escol he o que pr et ende ver, as ati vi dades, e os ser vi ços de que se utili zar á dur ant e sua est ada. Sali ent amos que, os co mponent es do pr odut o t urí sti co devem ser desenvol vi dos adequada ment e, a fi m de at r ai r t uri st as de mer cados pot enci ai s específi cos e cri ar u ma i mage m posi ti va da desti nação. É r el evant e r essal t ar que est e desenvol vi ment o so ment e acont ece após o est udo do mer cado r eal e pot enci al e a defi ni ção acur ada do pot enci al t urí sti co de um l ocal , regi ão ou paí s. 28 2 OBJETO DE ESTUDO O muni cí pi o de Paul o Af onso fi ca l ocalizado na r egi ão se mi-ári da do Nor dest e Br asil ei r o, na por ção Sub- Médi a do ri o São Fr anci sco, f azendo di vi sa co m os est ados de Ser gi pe, Per na mbuco e Al agoas. Co m di vi sa ao nort e o muni cípi o de Gl óri a, ao sul co m os muni cí pi os de Jer e moabo e Sant a Br í gi da, ao l est e co m o Ri o São Fr anci sco, a oest e co m o muni cí pi o de Rodel as, a nor dest e co m o Ri o São Fr anci sco e o est ado de Al agoas, a sudest e co m os muni cí pi os de Sant a Brí gi da e o Est ado de Ser gi pe, a sudoest e co m os muni cí pi os de Jer e moabo e Rodel as e a nor oest e co m os muni cí pi os de Rodel as e Gl óri a ( LOPES, 2006). De acor do co m Souza, a hi st óri a de Paul o Af onso co meça e m meados de 1725 quando o sert ani st a Paul o de Vi vei r os Af onso r ecebeu u ma ses mari a nas t err as da pr oví nci a de Per na mbuco, cuj os limi t es est ava m nas Quedas D’ água conheci das co mo “ Cachoei r a Gr ande”, “ For quil ha” ou “ Su mi dour o”, O ses mei r o t eri a f undado no l ado bai ano das t err as u ma pequena t aper a conheci da co mo “ Taper a de Paul o Af onso”, onde hoj e fi ca o bai rr o Cent enári o, que seri a o pri mei r o núcl eo habi t aci onal da ci dade. Ai nda na vi são do aut or, e m t oda a hi stóri a da r egi ão, nenhuma das fi gur as f oi mai s i mport ant e que Del mir o Gol vei a, poi s el e enxer gou no ri o a possi bili dade de expl or ação do pot enci al ener géti co da Cachoei r a, ali ado a u m pr ogr ama de desenvol vi ment o da r egi ão, co m a constr ução da Usi na Angi qui nho em 1913. A partir dest a vi são e mpr eendedor a, nos anos 40, segui ndo o model o de Del mir o co meçar a m os i nvestiment os est at ai s na constr ução de usi nas hi dr el étri cas, onde a Co mpanhi a Hi dr el étri ca do São Fr anci sco – CHESF f oi cri ada par a ser u m pól o export ador de ener gi a, e a ci dade de Paul o Af onso- BA acabou se desenvol vendo co m a i nser ção do desenvol vi ment o t ecnol ógi co aliado a chegada de Nor desti nos de t odas as part es e m busca de e mpr ego e esper ança de mel hor es condi ções de vi da. Paul o Af onso- BA f oi f or mada por u ma mescl a de pessoas que vi er am de vári os est ados do paí s, pri nci pal ment e de Ser gi pe, Al agoas e Per na mbuco, par a a constr ução de u m dos 29 mai or es par ques ener géti cos da Améri ca Lati na, a CHESF, dest acando- se co m u m dos mai or es pól os ger adores dest a ati vi dade. O pr ocesso i ni ci al de evol ução do espaço t urí sti co do muni cí pi o de Paul o Af onsoBA r el aci ona- se no aspect o pi t or esco, o pi onei ri s mo e a monu ment ali dade das hi dr oel étri cas, constr uí das na ár ea, moti vando os pri mei r os fl uxos t urí sti cos. ( REI S, 2004.) É i mport ant e r essalt ar a f unção t urí sti ca do muni cí pi o, f ace aos at r ati vos pr opor ci onados pel as bel ezas nat ur ai s do ri o São Fr anci sco, pel o pot enci al pai sagí sti co da caati nga e pel os aspect os pit or escos das obr as da CHESF. A i ndução de desenvol vi ment o da ati vi dade t urí sti ca no muni cí pi o de Paul o Af onso- BA vai desde a r eestr ut uração do espaço ur bano, a ação de mai or vi abili dade, at é as ações que i ncenti vem o t uri smo que é vendi do na mí di a, embor a que ai nda ti mida ment e. O Di strit o de Mal hada Gr ande f az part e do Muni cí pi o de Paul o Af onso- BA que é i nti ma ment e li gada ao Ri o São Fr anci sco, a hi st óri a do muni cí pi o pode ser ent endi da a partir do di a tr ês de out ubr o de 1725, dat a e m que o sert ani sta Paul o de Vi vei r os Af onso r ecebe u ma ses mari a nas t err as da Pr oví nci a de Per na mbuco cuj os li mit es er a m as quedas d’ água. Est endendo seus li mites par a al ém da cachoei r a, o sert ani st a t eria cri ado j á e m t err as bai anas, o arr ai al que fi cou conheci do co mo Taper a de Paul o Af onso. Essa é a ver são acei t a par a a ori ge m do no me do muni cí pi o, u ma vez que a Cachoei r a fi cou t a mbé m conheci da co mo Cachoei r a de Paul o Af onso. Exi st em r egi str os ofi ci ai s da época e m poder do Ar qui vo Naci onal . Embor a banhada pel as águas do Ri o São Fr anci sco, a r egi ão que deu ori ge m ao Muni cí pi o de Paul o Af onso- BA encontr ava- se encr avada no sert ão nor desti no, o que vi ri a a t or nar as condi ções de vi da extr emament e di fí cei s par a seus habi t ant es. Pont os de passage m de boi adas, pequenos núcl eos r esi denci ai s f or mar a m- se e m al guns 30 pont os pr óxi mos à mar ge m do Ri o São Fr anci sco. Al guns dest es núcl eos der a m ori ge m a bai rr os do muni cí pi o at ual . O muni cí pi o pr opri ament e di t o co meça a sur gi r ef eti vament e co m as obr as da constr ução das usi nas da CHESF, a partir do ano de 1948, época e m que a of ert a de trabal ho atr aí a gr andes conti ngent es das mai s di ver sas r egi ões, pri nci pal ment e do Nor dest e. Di st ando 18 k m ao nort e da Sede do muni cí pi o, o di strit o de Mal hada Gr ande abri ga u ma popul ação apr oxi mada de 2. 000 pessoas. Apr esent a veget ação de caati nga e sol o ar enoso onde são cul ti vadas as cul t ur as de mi l ho e f eij ão. A l ocalidade é ser vi da pel a Barr age m do Ca mbão. Embor a apr esent e u ma bai xa ur bani zação e possui u ma r azoável estr ut ur a ur bana. Ener gi a el étri ca, água encanada, t el ef one, post o médi co, post o poli ci al, quadr a de esport es e escol a de ensi no f unda ment al f aze m part e do conj unt o de benefí cios. Exi st em li nhas r egul ar es de t r ansport e par a a Sede do muni cí pi o. Al ocali dade não di spõe de estr utur a t urí sti ca co mo pousadas e r est aur ant es. D. Gil det e Ferr ei r a, net a do f undador do povoado, at ende às event uai s necessi dades of er ecendo r ef ei ções par a f or ast ei r os. Encont r a- se no Povoado “ pi as” r esul t ant es da escavação nas f or mações r ochosas pel os anti gos habi t ant es do l ocal. A ar ei a r etir ada de espaços exi st ent es ent r e as r ochas deu l ugar a r eser vat óri os de água. Por ocasi ão das escavações f or a m encont r ados gr andes ossos, possi vel ment e de ani mai s pr é- hi st óri cos, dado o t a manho das estr ut ur as. A água acu mul ada nas pi as at endi a as necessi dades do mésti cas dos habi t ant es da co muni dade. No Di strit o exi st em r egi str os pr é- hi st óri cos, evi denci ados co m a pr esença de pi nt ur as r upestr es nas r ochas. Tr at a- se de i mport ant e patri môni o hi st óri co, i nf eli z ment e, vem sendo depr edado. mas que 31 2. 1. HI STÓRI CO DO POVOADO MALHADA GRANDE Mal hada Gr ande t eve sua ori ge m a partir 1908 t endo co mo f undador o Sr. Feli ci ano Bezerr a, que à época co m 53 anos, casou-se co m sua j ove m esposa de apenas 14 anos de i dade. Co m el a t eve doze fil hos, al guns ai nda vi vos per manece m mor ando no l ugar. O l ocal er a car act eri zado pel a pr esença de u ma gr ande ár ea j á devast ada deno mi nada de Mal hada. Post eri or ment e, r essal t ando as di mensões da r ef eri da ár ea, deu- se o no me pel o qual a l ocali dade é conheci da at é os di as at uai s: “ Mal hada Gr ande” ( LI RA, 1997). At é 1950, Mal hada Gr ande pert enci a ao muni cí pi o de Gl óri a, passando a pert encer ao muni cí pi o de Paul o Af onso- BA após sua e manci pação pol íti ca e m 1958. O co mér ci o de gado e bode er a a pri nci pal ati vi dade econômi ca pr ati cada no passado, dando l ugar à agri cult ur a e ao art esanat o, que sur gi u a partir da cul t ur a do al godão, que er a benefi ci ado no l ocal. Co m o sur gi ment o da Fábri ca da Pedr a e m Del mir o Gouvei a- AL, os fi os de al godão passar a m a ser tr ocados por r edes j á acabadas. A ori ge m do no me Mal hada Gr ande é pr oveni ent e de u m gr ande espaço se m veget ação no mei o de gr andes pedr as, adequado par a a cri ação de gado, e pel o f at o de exi stirem gr andes pi as nat ur ai s, onde o povo e ani mai s podi a m mat ar sua sede co m água de boa quali dade. Al ém di sso, exi sti am as caci mbas que ser vi am co mo ár ea de l azer e bri ncadei r as, al gu mas dessas, at ual ment e são as barr agens que fi ca m no i ní ci o e no fi nal do di strit o. O Di strit o de Mal hada Gr ande pode ser dest acado co m vi st as ao possí vel apr ovei t ament o t urí sti co, vi sando contri bui r par a conheci ment o do pr ofi ssi onal da ár ea de t uri s mo e do Muni cí pi o, poi s nel e se encont r a ri quezas r ar as dos nossos ant epassados, cont adas at r avés das Pi nt ur as Rupestr es e Síti os Ar queol ógi cos. O Museu de Ar queol ogi a de Xi ngó- MAX ve m mant endo u ma si gnifi cati va pr odução de publi cações sobr e as pesqui sas e o acer vo arqueol ógi co r ef er ent es à Pr é- Hi st óri a l ocal. 32 Em 1999, sob a coor denação da ar queól oga Dr a. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne, f or am r et omados os l evant a ment os de r egi str os gr áfi cos na r egi ão, a parti r de u ma pr ospecção mai s det al hada no pl at ô e em ri achos, afl uent es do ri o São Fr anci sco. Co mo r esul t ado desse t r abal ho, o MAX publi cou, e m 2000, o cat ál ogo “ SÍ TI OS DE REGI STROS GRÁFI COS DE LAGOAS DAS PEDRAS, MAL HADA GRANDE E MUNDO NOVO”, i dentifi cando 31 novos síti os. Nos povoados Lagoa das Pedr as e Mal hada Gr ande ( BA), bem co mo na f azenda Mundo Novo ( SE), há u m expr essi vo af l or ament o gr aníti co, for mando mat acões r ochosos que ti pifi cam, no sol o ári do da r egi ão, a pai sage m sert anej a. Ent r e al guns desses mat acões há r egi str os r upestr es, pr edo mi nant es e m pi nt ur a monocr o máti ca ver mel ha e co m t e máti ca geo mét ri ca. Que r azões l evar a m o pal eoí ndi o a escol her det er mi nados mat acões par a ser e m pi nt ados? Por que nos pai néi s exi st em espaços e m br anco, hi at os vi si vel ment e pr oposi t ai s? Est as quest ões e mui t as out r as se confi gur a m co mo desafi os a ser em ul tr apassados, u ma vez que, par a se co mpr eender o passado, não é sufi ci ent e desent err ar art ef at os de er as passadas e escr ever u ma hi st óri ai nt uiti va baseada nas i mpr essões subj eti vas del es. ( MAX, 2007) A i dentifi cação e o r esgat e dos vestí gi os ar queol ógi cos r ei nt egr a m à corr ent e da vi da os sí mbol os que arti cul am, hi st ori cament e, a her ança de u m passado di st ant e, conj ugando o gl obal e o l ocal na gest ação de novas confi gur ações sóci o- cultur ai s. Sob ol har das t ecel ãs, que pr eser vam o síti o ar queol ógi co de r egi str o gr áfi co de Mal hada Gr ande, r esgat e de u m passado ali ador meci do com dat ação de apr oxi mada ment e 9000 anos ant es do pr esent e. Um gr ande subsí di o par a a r econstr ução da pr é-hi st óri a do Nor dest e do Br asil. ( MAX, 2007) O Muni cí pi o de Paul o Af onso - Bahi a possui u m pat ri môni o nat ur al úni co no mundo, co mo as f or mações r ochosas l ocali zadas nos povoados do Ri o do Sal , Lagoa da Pedr a e Mal hada Gr ande, ár eas pr eservadas pel a exi st ênci a de síti os ar queol ógi cos, co m i mport ant es pi nt ur as r upestr es. 33 2. 2 A ARTE DA TECELAGEM EM MALHADA GRANDE O Art esanat o at r avés da art e da conf ecção de r edes, mant as, col chas, be m co mo de di ver sos arti gos e m cr ochê, ve m sendo passada de ger ação e m ger ação há mai s de 120 anos, consi sti ndo e m u ma f ont e de r enda de gr ande i mport ânci a par a o l ocal . São utili zados equi pa ment os r ústi cos, mas que pr opor ci ona m excel ent es r esul t ados. O art esanat o de Mal hada Gr ande t e m si do al vo de pr ogr a mas de i ncenti vo no â mbi t o Muni ci pal e Est adual . Tai s i ni ci ati vas t êm por obj eti vo o apri mor a ment o do pr ocesso de pr odução e co mer ci alização pr ati cado pel os art esãos do l ocal. Segundo LOPES ( 2006) di z que: A Associ ação da Mal hada Gr ande f undada e m 1988, hoj e cont a co m 28 Associ adas, entr e t ecedeiras, cr ochet ei r as e cost ur ei r as. Cri ada co m o i ncenti vo do Gover no Muni ci pal da época e t a mbé m co m o apoi o da I gr ej a Cat óli ca, atr avés da Fr ei r a, I r mã Cel i na, parti u da necessi dade de or gani zação do gr upo e de supri r as necessi dades dos art esãos de bai xa r enda da co muni dade. A pr odução do art esanat o é expost a e m f eiras especi ali zadas de Sal vador, Curiti ba, Bel o Hori zont e, Juazeiro da Bahi a, Bo m Jesus da Lapa e Barr ei r as. At r avés de u m si st ema à base de enco mendas, al guns pr odut os vi nha m sendo export ados par a a Ar genti na, Fr ança e Itáli a. A associ ação de art esãos f or mada co m o apoi o da Pr ef eit ur a Muni ci pal e do SEBRAE, f ábri ca, expõe e vende seus pr odut os na sede da enti dade, estr at egi ca ment e l ocali zada às mar gens da pi st a. A pi sci cultur a despont a co mo si gnifi cati va alt er nati va de r enda par a al guns mor ador es do l ocal. At r avés de pesqui sa bi bli ogr áfi ca encont r amos r egi str ados sobr e o Di strit o de Mal hada Gr ande, especi fi cament e sobr e o art esanat o u m t r abal ho monogr áfi co da al una Geane Lopes r el at ando que: Mal hada Gr ande é at ual ment e consi der ada u m gr ande pól o art esanal devi do à quali dade dos pr odut os que são of er eci dos e pel a val ori zação do mét odo e m que est es são concebi dos “ manual ment e” o que pode t ambé m ser consi der ado co mo u m at r ati vo par a os t uri st as que possa m assi stir a conf ecção dos 34 pr odut os que t er ão e m mã os após t odo o t r abal ho dest es nati vos. Tr at a- se de u ma ati vi dade de t r ansf ormação na vi da dessas pessoas, poi s a parti r del a pode- se gar anti r u m mí ni mo de condi ções de sobr evi vênci a par a essa popul ação que apesar de est ar pr óxi mo do Ri o São Fr anci sco é casti gada pel as conseqüênci as de uma seca estri dent e. ( SEBRAE, 2004) A art e da t ecel age m em Mal hada Gr ande t em décadas de exi st ênci a. D. São Pedr o, fil ha de Fel i ci ano Bezerr a de Souza, pr opri et ári o da Fazenda Mal hada Gr ande, que deu ori ge m ao Povoado, apr endeu a t ecer co m sua ti a, Dona Ana, ai nda cri ança. Por causa do cangaço, a f amíli a de D. São Pedr o t eve que dei xar a f azenda e se abri gar no i nt eri or de Al agoas. No r et or no al guns anos depoi s, co m a f azenda devast ada, tiver a m que cri ar out r as al t er nati vas de sobr evi vênci a, at é por que f oi u m perí odo t a mbé m e m que a seca casti gou mui t o o sert ão. ( Década de 30). D. São Pedr o, j á pr éadol escent e e t ecel ã, r esol veu aj udar na r enda da f a míli a. El a pl ant ava o al godão, col hi a, fi ava e mf usos, tr ançava as fi br as no t ear e t eci a, pr oduzi ndo r edes, mant as e at é t eci dos mai s fi nos par a conf ecção de r oupas masculi nas. ( SEBRAE, 2004) 2. 3 PRÁTI CA DOS QUEBRADORES DE PEDRAS Não são dadas as devi das at enções às quest ões Ambi ent ai s e Responsabili dade Soci al. Empr ei t ei r as est ão extr ai ndo cl andesti na ment e pedr as par a par al el os que seri am utili zadas em cal ça ment os. Const at ou- se a destrui ção das pedr ei r as l ocali zadas nos povoados do Ri o do Sal , Lagoa da Pedr a e Mal hada Gr ande. O Núcl eo Escol ar Ri t a Go mes de Sá pr eocupandose co m as quest ões soci ai s, co mo a si t uação das f a míli as que t em sua r enda at r el ada ao tr abal ho nas pedr ei r as, ao t odo, são 60 f amí li as vi vendo da extr ação il egal. Di ant e do expost o, a escol a tr abal har á co m a co muni dade at r avés de pal estr as, consci enti zando da i mport ânci a de pr eser var o mei o a mbi ent e de f or ma r esponsável , el abor ando a Agenda 21 par a os Povoados Mal hada Gr ande, Ri o do Sal e Lagoa da Pedr a, cuj o obj eti vo é o desenvol vi ment o sust ent ável da r egi ão, pensando nas ger ações f ut ur as, caber á dessa f or ma ao Núcl eo Escol ar dei xar o al unado consci ent e de seu papel de ci dadão críti co e r esponsável pel a r eali dade l ocal. ( MAX, 2007) 35 Nessas condi ções e m que as pessoas que quebr a m pedr a, vi ve m os seus di as mai s sacrifi cados, e m condi ções pr ecári as, assu mi ndo u m t r abal ho massi fi cado, se m pr ot eção al gu ma e mui t as vezes acont ecem aci dent es e m que ve m dei xando mar cas r egi str adas no decorr er da hi st óri a de suas vi das. Mui t os desses t r abal hador es t ê m est e ti po de t r abal ho co mo f ont e de r enda, par a sua pr ópri a sobr evi vênci a e de sua f a míli a, a quebr a de pedr as, que são vendi das par a constr uções e par a cal çament o das ci dades. A mai or pr eocupação par a se pr eser var as pi nt ur as que t e m suas hi st óri as r egi str adas nessas pedr as as quai s mui t as f or am quebr as se m mes mo saber o que si gni fi cava m par a aquel a l ocali dade. El es que t e m est a práti ca co mo f ont e de r enda, cont a m casos engr açados par a se def ender e m, assi m: “f ora m os dr ogados que esti ver am por aqui e escr ever a mi sso..”, pr ocur ando a j ustifi cati va par a o at o, at é co m medo de se i dentifi car. Sabendo que hoj e a pr áti ca da quebr a de pedr a est á sendo f i scali zada, el es t ê m gr andes r ecei o de se i dentifi car. A ar queól oga Dr a. Cl eoni ce expli ca, sobr e o t r at a ment o di spensado aos t r abal hador es que vi ve m dest a ati vi dade na r egi ão do di strit o de Mal hada Gr ande: Consci enti za mos da i mportânci a do pat ri môni o ar queol ógi co r epr esent ado pel os Síti os Ar queol ógi cos, u ma vez que t e mos apenas o poder de conser vá-l os não o de pol í ci a. Assi m, t ent a mos de monstr ar que a pr eservação é u m ca mi nho mai s segur o par a a sust ent abilidade, poi s é par a se mpr e... Conser vando os síti os se mpr e haver á u ma possi bili dade de mel hor ar a sit uação de t odos. Co ment a a Ar queól oga co mo est á sendo desenvol vi do o t r abal ho de consci enti zação par a esse povo que r esi de nest a l ocali dade: Exi st e a conver sa i nf or mal e expli cati va, t e mos nos empenhado par a que t oda a co muni dade r econheça os síti os de r egi str os r upestres co mo pat ri môni o l ocal e que por mei o da conser vação, poder- se- á gar anti r a sust ent abili dade econô mi ca, soci al e cul t ur al da ár ea. Uma manei r a de mel hor f a mili ari zar essa co muni dade co m a nova r eali dade. Mas j á há pr oj et os de educação patri moni al sendo pl anej ados par a execução e mf ut ur o pr óxi mo. 36 2. 4 REPORTAGENS SOBRE MAL HADA GRANDE: Nest e sub- capít ul o r egi str amos al gu mas das r eport agens sobr e o Muni cí pi o de Paul o Af onso ( BA) enf ocando o Di strit o de Mal hada Gr ande pel a sua i mport ânci a dos r egi str os hi st óri cos na r egi ão. Segundo Ant oni o Si quei r a Net o, Mal hada Gr ande e Ri o do Sal t er ão museu a céu abert o: Est á sendo cri ado par a pr ot eger u ma ár ea na qual se encontr a u m dos mai s i mport ant es pat ri môni os pr é- hi st óri cos do Br asil. Tr at a- se de u m Museu ar queol ógi co a Céu Abert o co m u ma ri queza de vestígi os que se conser var a m dur ant e mil êni os, devi do à exi st ênci a de u m equilí bri o ecol ógi co, hoj e extr ema ment e al t er ado. O patri môni o cul t ur al e os ecossi st emas l ocai s est ão, port ant o, i nti ma ment e l i gados, poi s a conser vação do pri mei r o depende do equilí bri o desses ecossi ste mas. O equilí bri o entr e os r ecur sos nat ur ai s é o condi ci onant e na conser vação dos r ecur sos cul t ur ai s e ser á o que ori ent ar á o zonea ment o, a gest ão e o uso do Museu a Céu Aber t o da Mal hada Gr ande e Ri o do Sal , pel o poder públ i co. ( FOL HA SERTANEJ A, 2007) Dessa f or ma r el at a Ant oni o Si quei r a Net o que: Est a ár ea da Mal hada Gr ande e Ri o do Sal é u m l ocal co m vári os at r ati vos, t e m veget ação úni ca co mo o mandacar u e a cor oa de f r ade, e belí ssi mas f or mações r ochosas, onde encontram síti os ar queol ógi cos e pal eont ol ógi cos espet acul ar es, que t est emunha m à pr esença de ho mens e ani mai s pr é- hi st óri cos. Ser á u m gi gant esco museu a céu abert o, com cent enas de síti os ar queol ógi cos out r or a habi t ados por ho mens e ani mai s pr é- hi st óri cos, que dei xar am sua pr esença r egi str ada na f or ma de f óssei s, art ef at os e i nscri ções r upestr es ( pi nt ur a nas r ochas). A CAAPA ( Cent r o de Ar queol ogi a e Ant r opol ogi a de Paul o Af onso), Coor denado pel a Dr ª. Cl eoni ce Ver gne, j unt ament e co m a SEMARH ( Secr et ari a de Mei o Ambi ent e e Recur sos Hí dri cos) do est ado da Bahi a, e m par ceri a co m o Mi ni st éri o Públi co, CHESF, Pr ef eit ur a Muni ci pal de Paul o Af onso e AGENDHA est abel ecer ão u ma pol íti ca de pr ot eção que i ncl ui a i nt egr ação da popul ação, f amíli as cadastr adas que t r abal hava m 37 na expl or ação do mi ner al pedr a par a f azer e m par al epí pedos na ár ea e ações de pr eser vação. ( FOLHA SERTANEJ A, 2007). Co mo t a mbé m u m pr oj et o de desenvol vi ment o econô mi co e soci al que vi sa educar e pr epar ar est a co muni dade par a que possam parti ci par do mer cado de t r abal ho que o Museu a Céu Abert o cri ar á na r egi ão: Obr as de i nfr a- estr utur a, manej o do t uri smo ecol ógi co e cul tur al. As condi ções essenci ai s par a a pr ot eção do Museu a Céu Abert o, são a err adi cações da mi séri a e da f ome e a cri ação de novas f or mas de t r abal ho al t er nati vo. O Pl ano de Manej o dever á consi der ar a popul ação at ual co mo u m dos el ement os dos ecossi st emas a ser e m pr eser vados e pr opor que o Museu a Céu Abert o sej a o mot or de cri ação de r ecur sos econô mi cos, e m u ma ár ea onde a seca i mpi edosa li mit a ao extr emo a agri cul t ur a e a cri ação. A ár ea da Mal hada Gr ande si t uada e m Paul o Af onso – BA, u ma r egi ão de cli ma se mi ári do, co m gr andes f ormações geol ógi cas - Cani on do Ri o São Fr anci sco -, seu r el evo é f or mado por serr as, val es e pl aní ci es. É f r ont ei r a co m os est ados de Al agoas e Ser gi pe. Desde a col oni zação, a ár ea da Mal hada Gr ande e Ri o do Sal são utili zadas pel as popul ações vi zi nhas que nel a caça m, pl ant am e r etir a as pedr as das f or mações r ochosas par a f azer em par al epí pedos, ati vidade est a que f oi e mbar gada pel o CRA. Te m u m pequeno artesanat o e pouca f ont e de t r abal ho, al ém da expl or ação dos r ecur sos nat ur ai s. ( FOLHA SERTANEJ A, 2007) SEMARH e UNEB se une m par a pr eser var pi nt ur as r upestr es: A Secr et ari a de Mei o Ambi ent e e Recur sos Hí dri cos ( SEMARH) e o Cent r o de Ar queol ogi a e Ant r opol ogi a de Paul o Af onso, vi ncul ado à Uni versi dade do Est ado da Bahi a ( CAAPA/ UNEB), esti ver am r euni dos ont em ( 29) par a di scutir pol íti cas de pr eser vação do pat rimôni o hi st óri co- cult ur al, ar queol ógi co e pai sagí sti co do co mpl exo de síti os r upestr es de Mal hada Gr ande, l ocali zado no muni cí pi o de Paul o Af onso. As 38 r ochas do co mpl exo, que i ncl ui os povoados de Mal hada Gr ande, Ri o do Sal e Lagoa das Pedr as, est ão sendo depr edadas e t ransf or madas e m par al el epí pedos, usados par a pavi ment ação. De acor do co m o est udo f eit o pel o CAAPA, dos 93 síti os i dentifi cados e m 2004, cer ca de 40 % j á f or a m destr uí dos. O secr et ári o de Mei o Ambi ent e e Recur sos Hí dri cos, Juli ano Mat os, sugeri u a defi ni ção de ações conj unt as par a pr eser var os síti os r upestr es e pr o mover a sust ent abili dade das f a míli as que hoj e vi ve m da quebr a de pedr as. ( Bahi a Em Foco, 2007) Dest acou ai nda que a ár ea sej a dot ada de at ri but os excepci onai s da nat ur eza e pr eci sa ser pr eser vada co m obj eti vos ci entífi cos, educaci onai s e ecol ógi cos. “ Va mos est udar, j unt o co m os di ver sos seg ment os da soci edade que at ua m na r egi ão, as mel hor es al t ernati vas par a r esol ver o pr obl ema”, ponder ou o secr et ári o de Mei o- a mbi ent e e Recur sos Hu manos, Juli ano Mat os. Dur ant e o encontr o, r epr esent ant es de di ver sas i nstit ui ções que at ua m na r egi ão most r ar a mi nt er esse de fi rmar par cei r a co m a SEMARH e a UNEB a fi m de i mpl e ment ar o pr oj et o de cri ação de u m museu a céu abert o de art e r upestr e. ( Bahi a Em Foco, 2007) “ O pat ri môni o ar queol ógi co é a expr essão da vi da no passado”, expli cou a coor denador a do CAAPA e pr of essor a da UNEB, Cl eoni ce Ver gne. A per da dessa expr essão mat eri al, segundo el a, si gnifi ca a destr ui ção per manent e de par cel as si gnifi cati vas do conheci ment o. “ Os síti os r upestr es são essenci ai s par a a co mpr eensão do modo de vi da e cultur a na pr é- hi st óri a r egi onal ”. De acor do co m a t écni ca da Coor denação de Fi scali zação do Cent r o de Recur sos Ambi ent ai s, Débor a Mi ri am, ser á i nst al ada, ai nda est e ano, a sede r egi onal de fi scali zação do CRA no muni cí pi o de Paul o Af onso. “ O ór gão pr et ende cont r at ar u m ar queól ogo par a tr abal har na r egi ão”. Ta mbé m esti ver am pr esent es à r euni ão r epr esent ant es da Secr et ari a Est adual de Turi s mo, da Superi nt endênci a de Recur sos Hí dri cos ( SRH), do I nstit ut o de Pat ri môni o Hi st óri co e Artí sti co (IPHAN), do I nstit ut o do Pat ri môni o Artí sti co e Cul t ur al (I PAC), da CHESF, da Câ mar a de Ver eador es e da Pr ef eit ur a Muni ci pal de Paul o Af onso, e da 39 ONG Associ ação e Gest ão e m Est udos da Nat ur eza, Desenvol vi ment o Hu mano e Agr oecol ogi a ( AGENDHA). Paul o Af onso t er á síti os ar queol ógi cos pr eservados: O ri co pat ri môni o hi st óri co-cul t ur al e ar queol ógi co da r egi ão de Paul o Af onso, co mpost o por r ochas, pi ntur as r upestr es e gr ande di ver si dade a mbi ent al , ve m sendo devast ado par a a f abri cação de par al el epí pedos. A denúnci a f oi f ei t a pel o Cent r o de Ar queol ogi a e Ant r opol ogi a de Paul o Af onso ( CAAPA), da Uni ver si dade do Est ado da Bahi a ( UNEB) naquel e muni cí pi o. De acor do co m o est udo f ei t o pel o CAAPA, cer ca de 40 % dos 93 síti os i dentifi cados e m 2004 j á f or am destr uí dos. ( Bahi a em f oco, 2007) Par a r evert er esse pr ocesso de devast ação, a UNEB e a Secr et ari a de Mei o Ambi ent e e Recur sos Hí dri cos ( SEMARH) se r euni r am par a di scutir pol íti cas e pr opor ações conj unt as par a a pr eser vação do co mpl exo de síti os r upestr es de Mal hada Gr ande, no muni cí pi o de Paul o Af onso. Gover no e Uni ver si dade di scut em pr eser vação ar queol ógi ca: A Secr et ari a Est adual de Mei o- a mbi ent e Recur sos Hu manos ( SEMARH) e a Uni ver si dade do Est ado da Bahi a ( UNEB) , atr avés do Cent r o de Ar queol ogi a e Ant r opol ogi a de Paul o Af onso ( CAAPA), uni rão f or ças par a pr o mover a pr eser vação de u m par que ar queol ógi co l ocali zado no muni cí pi o. O Co mpl exo de Síti os Rupest r es de Mal hada Gr ande est á a meaçado de destr ui ção por depr edação, al é m de uso de r ochas co m pi nt ur as r upestr es co mo mat éri a- pri ma par a cal ça ment o públi co. At r avés de u m est udo r eali zado pel a ( CAAPA) j á se sabe que pel o menos 40 % dos 93 síti os ar queol ógi cos da r egi ão est ão destr uí dos. A i nt egr ação entr e gover no e Uni ver si dade dever á est udar f ormas de pr o mover a pr eser vação do a mbi ent e e a possi bilidade de dar novas oport uni dades às co muni dades que vi ve m da quebr a das pedr as da r egi ão. [...] Uma das deci sões r el ati vas ao pl ano de pr eser vação i ncl ui a i nst al ação da sede r egi onal de Fi scali zação do Cent r o de Recursos Ambi ent ai s ( CRA) e m Paul o Af onso. Out r as di ver sas i nstit ui ções e e mpr esas de monstr ar am i nt er esse de aj udar o pr oj et o e mont ar u m 40 museu a céu abert o das art es r upestr es dur ant e a r euni ão ent r e os ór gãos, que acont eceu na t ar de dest a sext a-f ei r a na sede da SEMARH. ( A Tar de On Li ne, 2007) Segundo o secr et ári o de Mei o Ambi ent e e Recur sos Hí dri cos, Juli ano Mat os, as ações conj unt as a ser e m desenvol vi das par a a conser vação da r egi ão deve m l evar e m consi der ação t a mbé m a sust ent abili dade das f a míli as, que hoj e vi ve m da quebr a de pedr as. Pr ocedi ment os e mel hori as na quali dade de vi da dessas pessoas que sobr evi ve m dest a ati vidade, est ão sendo est udados, j unt o co m os di ver sos seg ment os da soci edade que at ua m na r egi ão, as mel hor es al t er nati vas par a r esol ver esse pr obl ema. Sendo pr opost o a cri ação de u m museu a céu abert o de art e r upest r e e a pri mei r a ação defi ni da ser á a i mpl ant ação, de u ma sede r egi onal de fi scali zação do Cent r o de Recur sos Ambi ent ai s ( CRA) par a coi bi r a destr ui ção a mbi ent al na r egi ão de Paul o Af onso. 41 3. METODOL OGI A Na constr ução de u m pr oj et o de pesqui sa a met odol ogi a é de extr ema i mport ânci a, poi s de monstr a t odas as et apas e os ca mi nhos a ser e m segui dos par a post eri or ment e al cançar obj eti vos que f or am pr eest abel eci dos; e par a concr eti zar essas et apas é necessári o segui r mét odos e t écni cas que ser ão utili zados. Segundo Lakat os & Mar coni ( 2001, p. 221), A especi fi cação da met odol ogi a da pesqui sa é a que abr ange mai or nú mer o de i t ens, poi s r esponde, a u m só t e mpo, às quest ões co mo? Co m quê? Onde? E quant o. Di ant e di sso ent ende-se que a met odol ogi a é a manei r a utili zada par a se al cançar os obj eti vos pr opost os. I nf or mando co mo f unci ona o conheci ment o ci entífi co, r equer endo i nt eli gênci a, i magi nação e cri ati vi dade. 3. 1 I NFORMAÇÕES A RESPEI TO DO PROCEDI MENT O DE PESQUI SA Segundo Cost a ( 2001, p. 6) “ A busca de novos conheci ment os pode cha mar - se i nvesti gação ci entífi ca. [...] Seus mét odos e suas t écni cas vari a m ( e às vezes se co mpl e ment a m), mas os obj eti vos são se mpr e par eci dos: a busca da ver dade”. Esse t r abal ho utili zou- se, por mei o da constr ução de u ma abor dage m t eóri co- met odol ógi ca, de col et a, análi se, i nt er pr et ação e di scussão dos dados r ef er ent es à Mal hada Gr ande co mo l egado hi st óri co e t urí sti co par a o Muni cí pi o de Paul o Af onso – BA. A pesqui sa bi bli ogr áfi ca é aquel a desenvol vi da a partir de mat eri al j á el abor ado: li vr os e arti gos ci entífi cos e per mit e u m gr au de a mpl it ude mai or, econo mi a de t e mpo e possi bilit a o l evant ament o de dados hi st óri cos. 42 Os questi onári os f or am utili zados co mo u m i nstr ument o de col et a de dados, constit uí do por u ma séri e or denada de per gunt as, que f or a m r espondi das ver bal ment e ( gr avado) co m a pr esença do ent r evi st ador. A fi nali dade do questionári o é obt er, de manei r a si st emáti ca e or denada, i nf or mações sobr e as vari ávei s que i nt er vê m e m u ma i nvesti gação, e m r el ação à popul ação ou a most r a det er mi nada. A pesqui sa de Ca mpo f oi utili zada co m o obj eti vo de conseguir i nf or mações e/ ou conheci ment os acer ca de u m pr obl ema, par a o qual se pr ocur a uma r espost a, ou de u ma hi pót ese, que se quei r a co mpr ovar, ou, ai nda, descobri r novos f enô menos ou as r el ações entr e el es. O i nt er esse da pesqui sa de ca mpo est á vol t ado par a o est udo de i ndi ví duos, gr upos, comuni dades, i nstit ui ções e outr os ca mpos, vi sando à co mpr eensão de vári os aspect os da soci edade. Na pesqui sa de ca mpo f or a m f eit os r egi str os f ot ogr áfi cos e apli cados os questi onári os. Foi necessári o dur ant e esse est udo est ar e m cont at o co m os at or es cul t ur ai s pesqui sados e desse modo i ncl ui r aspect os que se t or ne m r el evant es dur ant e o decorr er da pesqui sa. 43 4. RESULTADO OBTI DO De acor do co m a pesqui sa de ca mpo r eal i zada ent r e os meses de set e mbr o e out ubr o do corr ent e ano de 2007, atr avés de r egi str os f ot ogr áfi cos, entr evi st as co m os art esões do Povoado de Mal hada Gr ande- BA e a Pr of º Dr. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne, utili zando- se de u m questi onári o pr é- defi ni do, acont eceu o l evant ament o dos segui nt es dados medi ant e as r espost as do públi co al vo. Co m r el ação aos questi onári os apli cados co m os art esões, o obj eti vo er a saber mos qual a pr ofi ssão at ual , o gr au de f or mação, u ma br eve expli cação de co mo vei o a Mal hada Gr ande e em que ano, r el at ando as pri nci pai s ati vi dades que desenvol veu dur ant e o perí odo de constr ução do Art esanat o e as pri nci pai s di fi cul dades. Pr ocur a mos saber atr avés de r el atos al guns f at os que l evar a m a f undação do povoado de Mal hada Gr ande e f azendo u ma análi se do cont ext o pol íti co do Muni cí pi o de Paul o Af onso e co mo est e contri bui u par a a vi da no di strit o de Mal hada Gr ande, conj unt a ment e co m as condi ções de t r abal ho que er a m dadas par a as pessoas que queri am t r abal har no Art esanat o. Todos os ent r evi st ados poderi am f azer seus co ment ári os se m a i nt erf er ênci a do entr evi st ador, co m u ma vi são sobr e o pr oj et o de constr ução da CHESF se a Co mpanhi a deu al gu m i ncenti vo par a o di strit o de Mal hada Gr ande, enf ati zando se o pr oj et o do Art esanat o f oi r eal ment e execut ado pel o Poder públi co do Muni cí pi o de Paul o Af onsoBA. Na ent r evi st a r eali zada co m a Pr of ª. Drª. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne, est a r el at a u m pouco da sua vi da dur ant e o perí odo e m que er a est udant e e at ual ment e co mo ar queól oga. Di sse t ambé m, que a ar queol ogi a, se mpr e f oi ent endi da co mo a ci ênci a que est uda os r est os mat eri ai s dos povos do passado, ve m, nos úl ti mos anos, conhecendo gr andes modi fi cações, ganhando novos mét odos e obj et os de est udo, f al ando u m pouco do t r abal ho de u m ar queól ogo e co mo é r eal i zado no Di strit o de Mal hada Gr ande, co mo são os est udos f eit os par a deci fr ar as Pi nt uras Rupestr es, qual o t r at ament o di spensado 44 aos t r abal hador es que vi ve m da quebr a das pedr as nest a Regi ão do Di strit o de Mal hada Gr ande e se exi st e al gu m t r abal ho de consci enti zação par a est e povo que r esi de nest a l ocali dade e co mo é f ei t o est e tr abal ho de consci enti zação. E ao anali sar mos os Síti os Ar queol ógi cos que são est udados at r avés de cat al ogações, qual a época que est á dat ada o perí odo de cat al ogações dest es Sí ti os e quant os são exat a ment e e co mo u m Ar queól ogo pode f azer u m t r abal ho de escavação e m u ma pr opri edade parti cul ar, Quant o t empo de est udo l eva par a se dar co mo t er mi nado e cat al ogado u m Sí ti o Ar queol ógi co e qual a i mport ânci as dest es Sí ti os par a o Muni cí pi o e pri nci pal ment e par a os pri nci pai s ocupant es dest e Di strit o de Mal hada Gr ande? 4. 1. ANÁLI SE DOS DADOS 4. 1. 1. Senhor Feli ci ano Bezerr a de Souza O Senhor Feli ci ano Bezerr a de Souza, mor ava na f azenda Lagoa da Pedr a co m a sua esposa Mari a de apelido ( Negri nha) e seus doze ( 12) fil hos sendo el es: Mari a, Rosa, José ( Coder), João ( Bão), Manoel ( Neco), Her mógenes, Eduar do, Ant ôni o, Fr ancili na, Ver duli na, Mili u e Ângel o. Co m o passar do t e mpo sua fil ha Mari a se casou e t eve doi s fil hos José ( Guer) e Mari a ( Li ca) e l ogo após o 2º part o Mari a fi cou doent e, co m mui t a f ebr e. Médi co naquel a época er a mui t o di fí cil e a f ebr e f oi f at al. Ent ão, Feli ci ano e sua esposa fi car a m mui t o tri st es co m a mort e de sua fil ha. E r esol veu ent ão co mpr ar as t err as por no me de l ogr adour os, onde fi cava seu gado, pri nci pal ment e na época do i nver no, apr ovei t ando par a f azer queij os nest e l ugar. Al ém di sso, desse acont eci ment o, Feli ci ano havi a di scuti do co m seu i r mão e r esol veu vi r embor a co m sua f amíli a par a a Mal hada Gr ande. “E ol hando par a O Ver de do Ca mpo est ava àquel a enor me “mai ada”, f oi ent ão aí que el e pensou: - Vou col ocar o no me da mi nha f azenda “ Mal hada Gr ande”, i sso 45 acont eceu por vol t a de 15- 02- 1904”. Nest a ár ea o Sr. Feli ci ano Bezerr a aco modava o seu r ebanho, que ant es se cha mava Logr adour o. Co m sua vi nda par a a nova pr opri edade, sua esposa só vi veu no l ocal uns quat r o ( 4) anos. E co meça assi m e m 1908, Feli ci ano, vi úvo e co m dez fil hos, r esol ve per manecer nest e l ugar co m sua f a míli a, poi s sua sogr a não o acei t ava mor ar no mes mo l ugar por cul pá-l o pel a mort e de sua net a. Ent ão est e se di ri gi u à Pr ef eit ur a da Gl óri a, o qual er a subor di nada est a l ocali dade e co mpr ou um l ot e de t err a de 20. 000 t ar ef as onde constr ui u sua casa dando o no me do l ocal de Mal hada Gr ande. Às t err as co mpr adas, passando a mor ar al i co m seus dez fil hos, casados a mai ori a del es. Passar a m al guns anos e só f azi am f ei r a e m Barr a hoj e ( Nova Gl óri a), nessas i das e vi ndas da f ei r a, mont ado no seu burro, passando assi m pel o Ri o do Sal , vi u a bel a meni na Ri t a Go mes de Sá, e l ogo se encant ou. Na época, o senhor Feli ci ano ti nha 70 anos e a j ove m Ri ta apenas 15 anos de i dade. Feli ci ano j á cansado da soli dão, não de mor ou mui t o t empo de sua vi uvez, pedi u a j ove m Ri t a e m casament o. Assi m sendo constr ui u sua 2ª f amília. Ri t a ( co m 16 anos) casando- se vei o mor ar consi go sua mãe Mari a Gr ande e Ana sua i r mã. Ri t a t odo ano ti nha um fil ho. Dessa uni ão nascer a m mai s 10 ( dez) sendo el es: Mari a, Enedi na, Sal veli na, João, Manoel , Adeli na, Severi no, Juvi ni ano, Ant oni a e São Pedr o. Feli ci ano ao co mpl et ar 82 anos fi cou doent e e f al eceu, dei xando a j ove m Ri t a de apenas 28 anos vi úva e co m 9 fil hos. Cri ou- os co m mui t as di fi cul dades. O fil ho mai s novo: Severi no morr eu com 1( u m) mês. As cri anças cr escer am, co meçar a m a t r abal har e nest e perí odo a i r mã de Ri t a, cha mada Ana por sua vez vi u a di fi cul dade de sua i r mã, co meçou a fi ar o al godão e t ecer t eci dos no t ear par a f azer r ede, cal ça e saco, que er a ml evados par a Jer e moabo, Fei r a de Sant ana, Ser ri nha e Ri bei r a do Pombal - Bahi a. Suas sobri nhas co meçar a m a t ecel age m, apr ender am a f azer r ede, l ençói s, dentr e outr os, por vol t a de 1929. Co m o passar do t e mpo o t r abal ho f oi sendo aperf ei çoado cada vez mai s e co mo t odos pode m 46 obser var, nós t emos o art esanat o que f oi fr ut o das nossas queri das ti as passado de ger ação a ger ação. 4. 1. 2. Senhor a São Pedr o Bezerr a de Souza A ent r evi st a f eit a co m a D. São Pedr o Bezerr a de Souza, est a rel at a u m pouco da hi st óri a do Di strit o de Mal hada Gr ande, onde dest aca mos co m ênf ase, e pr ocur a mos r esgat ar o máxi mo da hi st óri a do Di strit o, através de depoi ment o or al, cont ando de f at o co mo ocorr er am os acont eci ment os naquel a época, descr evendo assi m: Feli ci ano Bezerr a de Souza, o meu pai morr eu quando ti nha 6 anos de i dade, a pri mei r a pessoa f oi o pai , por que el e mor ava nu ma f azenda na Lagoa da Pedr a el e casou vi veu, nasceu e t eve 12 fil hos de out r a mul her, casou e a pri mei r a fil ha de Feli ci ano morr eu, aí a mul her se desgost ou e queri a sai r col ocou na cabeça aqui er a u m l ogr ador e a pri mei r a mul her bot ou na cabeça pr a co mpr ar u m pedaço de t err a cha mado Logr adour o, er a o l ugar que col ocava o gado par a ti r ar l eit e par a f azer queij o, aqui er a de outr a pessoa não sei que m er a aí meu pai co mpr ou est e t err eno e f ez est a casa, f oi a pri mei r a casa, ti nha escrit ur a e t udo docu ment o mai s na corri da de La mpi ão que agent e corr eu mai s, meu pai j á er a mort o dentr o de u m baú que er a de mi nha mãe, ti nha t udo guar dava a certi dão dos meus i r mão u ma moeda de pr at a ti nha mui t o val or, carr egar a m t udo e ti nha que ti r ar e m Br asília, e ai t udo best ando naquel e t e mpo t udo er a mui t o di fí cil, pl ant a er a car a di fí cil hoj e agent e f ez agor a docu ment o quando f oi mudados pr a Al agoas. Quando f oi e m 42 quando La mpi ão e m 29, La mpi ão passou aqui agent e corr eu pr a Al agoas Muni cí pi o de Del miro aí aqui só ti nha set e casa co m pai e os fil hos agent e corr eu pr a l á e quando mat ar a m La mpi ão vol t a nova ment e aí j á t udo dest or ado poi s as casa est ava cai ndo er a t udo de barr o só ti nha est a aqui chega mos aqui e m 42 f oi que ti nha set e casa depoi s f or am casando ai f oi chegando gent e, hoj e t a co m mai s de t r ezent as casa né a hi st óri a que posso cont ar é est a. Mal hada Gr ande sur gi u à i déi a do meu pai os docu ment os er am tir ados em Gl óri a. 47 A Sr a. São Pedr o Bezerr a de Souza, r el at ar quando co meçou a est udar, co mo er a o ensi no naquel a época: Agent e co meçou a est udar e m Al agoas quando ti nha 10 anos, l ê o ABC quando co meçou a est udar quando passava o pri meiro mai s ne m cheguei a t er mi nar o pri mei r o, mas assi nava o no me r ui , mas depoi s quando fi quei cr escendo mai s escol as ambi ent adas escol as anal f abeti ca só l e mbr o do abc l i a o l i vr o que mti nha i nt eli gênci a ant es de u m ano, eu conheci u mas sobri nhas de mi nha f a míli a que l i a doi s, três li vr os e m u m ano, só f azi a i sso hoj e co mo hoj e t em di f er ença pr eci sa i nt eli gênci a mui t a coi sa eu só saí escr evendo o meu no me. Ai nda co mpl et a expli cando que vei o est udar aqui quando: Quando vol t amos de l á em 42 chegou u ma mul her zi nha de Per na mbuco que ti nha u ma casa desabi t ada a mul her zi nha sabi a l ê o abc e o pri mei r o ano vei o ne m sabi a ensi nar di r eit o ai col ocou u ma escoli nha ti nha i nt eli gênci a f oi e mbor a pr a São Paul o ai co meçou cr escendo o Paul o Af onso aí f oi mel hor ando, a constr ução da CHESF naquel a época aqui ti nha mui t a madei r a os ho mens vi nha m ti r avam a madei r a el es vi vi a m da madei r a aí vi nha ti r ar mui t a madei r a pr a Paul o Af onso aí ti r ava a madei ra e f oi mel hor ando, f oi chegando mai s gent e mai s casas chegando escol a e escol as boas a f oi mel hor ando est as escol as mel hor ou de 55 pr a cá. Anti ga ment e ti nha f a míli a Del mir o na Barr a, e m Poço Redondo, espal hou, agent e i a passear e m t udo e assi m conti nou. D. São Pedr o cont a quando co meçou o Art esanat o, da segui nt e f orma: Agent e co meçou, o art esanat o e m 70, nós t r abal hava m no t ear zi nho co m sacrifí ci o o t ear zi nho de mi nha ti a que ensi nou a t odo mundo da r egi ão aí depoi s del as f oi a gent e, que el a mor ava a gent e, quando co meçou Paul o Af onso, aí chegou as f r eiras D. Mári o os Padr es que vi nha m cel ebr ar a mi ssa, vi a agent e sofr endo, t ecendo pano, t udo dessa l ar guri nha, pr a f azer cal ça de ho me m, pr a f azer saco, ai el es gost ava m mui t o de vi m aqui , né, r euni ão da i gr ej a, não ti nha i gr ej a não, er a t udo nos pé de pau. Al i er a u m col égi o, agor a ti ver a m a i déi a de f azer essa i gr ej a aí. Aí co meçou a vi da da gent e a mel hor ar. Expli ca co mo a pol ítica de Paul o Af onso-BA cont ri bui u par a a vi da no di strit o de Mal hada Gr ande: Ol he, o pri mei r o pol íti co eu me l e mbr o co mo hoj e, eu vot ei par ece que e m 44, que a gent e f oi vot ar e m Gl ori a, aqui pert enci a a Gl ori a er a Barr a e Gl ori a. A mi l hori a t oda que t eve aqui f oi na ca mpanha de Lui z de Deus, que f oi Lui z, depoi s Paul o, Anilt on, at e o art esanat o que m col abor ar a m f oi el es. Foi el es 48 co m a i gr ej a. Hoj e t a u ma bênção pr a t odo mundo, quem quer t r abal har. A be m f eit ori a daqui f oi depoi s del es, de Lui z de Deus, t udo que f oi f eit o aqui f oi por el es, quer di zer que a gent e t a mbé m não pode ser contr a u m povo desse. Não dava m casa, mas dava m o mat eri al pr a que m qui sesse f azer. Descr eve co mo er am as condi ções de trabal ho dadas às pessoas que queri am trabal har no Art esanat o: Aqui pó, por exe mpl o, na part e de t ecel age m, de cr ochezer a, hoj e t e m que t er as pessoas pr a t r abal har co m co mput ador, co mo é com aquel e negóci o, j á t e m t udo na vil a j á. No i ní ci o que m t r abal hava, nos t rabal hava assi m, nos er a r euni da sabe, er a 10, er a 15 pessoa que t r abal hava l á, cada qual f azi a u m tr abal ho, ni ngué m ti nha ganho sufi ci ent e não, t r abal hava par a mant er a part e do art esanat o. Hoj e conti nua o pessoal co m o SEBRAE, t ant o pr oj et o que ve m 1 aqui de Sal vador de t odo l ugar. Eu sei que depoi s di sso mel hor ou t udo . Assi mr el at a D. São Pedr o em que ano f oi que sur gi u a constr ução do art esanat o. ” Eu não sei qual f oi o ano que Lui z de Deus vot ou, que t eve a vot ação de Lui z de Deus, t e m mai s de 20 anos, f oi na gest ão de Dr. Lui z, f oi que i naugur ou. Que m aj udou a f azer o pr édi o de l á f oi el e que m f ez”. Co ment a que, co m a constr ução da CHESF a co mpanhi a, o que f oi que mai s i ncenti vou pr a aqui pr o di strit o de Mal hada Gr ande. “ Bo m, der a m e mpr ego pr a que m queri a i r tr abal har l á, outr os ti r ava m madei r a pr a CHESF, vendi a e a gent e vi vi a daquel a r enda da madei r a. Mui t a gent e se e mpr egou l á, mui t a gent e mor a l á, mor a be m aqui ”. Co mo f or am as pri mei ras casas aqui : “ Casa de barr o. Set e casas t udo f eit a de barr o. Essa mi nha f oi à pri mei r a de tij ol o. As pri mei r as f or amt udo f ei t a de t ai pa”. Sua pri mei r a ati vi dade f oi na “canel a”, e m que, aos 6 anos de i dade j á exer ci a est e tr abal ho aj udando as ti as, poi s, no art esanat o t udo que se apr endi a er a passado de uma par a outr a, de ger ação em ger ação. 49 4. 1. 3. Pr ofª. Drª. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne A ent r evi st a co m a Pr of ª Drª. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne, f oi r eali zada em nove mbr o do corr ent e ano de 2007, atr avés de depoi ment o, sendo ent r evi st ada por Sandr a Luci a Cunha Pi nhei r o Mucci ni, no Muni cí pi o de Paul o Af onso- BA, no f or mat o de MP4 REC ( 22 mi n), est ér eo. Est a ent r evi st a f oi concedi da par a a pesqui sa da pr esent e monogr afi a de Gr aduação do Cur so de Bachar el ado e m Turi s mo da FASETE, do al uno Ant ôni o Al ves Sant ana. I ntit ul ada: MALHADA GRANDE COMO LEGADO HI STÓRI CO E TURÍ STI CO PARA O MUNI CI PI O DE PAULO AFONSO - BA. A ent r evi st a r el at a u m pouco da sua vi da durant e o perí odo em que er a est udant e e sua vi da pr ofi ssi onal . Nasceu e m Sal vador –Ba. At ual ment e exer ço a pr ofi ssão de Pr of essor a e Ar queól oga. Dur ant e o perí odo em que er a est udant e: Gr aduação na Uni ver si dade Feder al de Ser gi pe - UFS, Mest r ado na Uni ver si dade Feder al de Per nambuco – UFPE, Dout or ado na Uni ver si dade de São Paul o – USP. Reali zei meus est udos do ensi no f undament al e médi o no Col égi o Santí ssi mo Sacr a ment o da Or dem das Sacr a menti nas, a gr aduação i ni ciou na Uni ver si dade Feder al da Bahi a no cur so de Ad mi ni str ação de Empr esas o qual cur sei at é o séti mo perí odo t r anquei e fiz novo vesti bul ar par a Li cenci at ur a e m Hi st óri a na mes ma I nstit ui ção da qual me t r ansf eri par a a Uni versi dade Feder al de Ser gi pe onde concl ui o cur so de gr aduação. O mest r ado f oi r eali zado na Uni ver si dade Feder al de Per na mbuco e m vi rt ude da necessi dade de u ma tit ul ação a ní vel stri ct o- sensu par a poder assu mi r a coor denação do Pr oj et o de Sal va ment o Ar queol ógi co de Xi ngó que or a se i ni ci ava sobr e o co mando da UFS. O dout or ado f oi r eali zado no i nt uit o de exer cer o desí gni o da Acade mi a de pr oduzi r conheci ment o embasado no r esul t ado obti do da pesqui sa. 50 Dr a. Cl eoni ce Ver gne expli ca co mo vei o a Mal hada Gr ande: Em 1997 a equi pe t écni ca- ci entífi ca do Pr oj et o Ar queol ógi co de Xi ngó ( PAX), i ni ci ou u ma nova et apa de pesqui sa nos mol des da Ar queol ogi a Convenci onal , tr at ava- se do l evant ament o si st emát i co da ár ea que co mpr eendi a o ei xo da UHE- Xi ngó at é a f oz do ri o São Fr anci sco pat r oci nado pel a Pet r obrás. Dur ant e a execução da pesqui sa no muni cí pi o de Pão de Açúcar l ocali zamos síti os de Art e Rupestr es i nseri dos no mes mo cont ext o geol ógi co exi st ent e na ár ea de Mal hada Gr ande ( gr andes mat acões de gr ani t o). Após o t er mino da pesqui sa que t eve u ma dur ação de sei s meses, a equi pe r esol veu r eali zar u ma br eve pr ospecção na ár ea de Mal hada Gr ande onde de i ní ci o f or am l ocali zadas duas dezenas de síti os. Assi m, l ogo após essa pri mei r a et apa per cebeu- se a i mportânci a hi st óri co- ci entífica e pat ri moni al dessa ár ea, não apenas par a a Ar queol ogi a, mas envol vendo out ras di sci pli nas li gadas às ci ênci as da t err a, bi ol ógi cas, hu manas e soci ai s. A defi ni ção de Ar queol ogi a é u m pouco mai s co mpl i cada e, cert a ment e, não é consensual . Pri mei r ament e, pode mos compr eender hoj e a Ar queol ogi a co mo a di sci pli na r esponsável e m est udar e expl anar acer ca do co mport ament o e di nâ mi ca no passado por mei o de est udos r efi nados de r e manescent es cul t ur ai s evi denci ados pel a pesqui sa. Há di ver sos r a mos de est udos ar queol ógi cos envol vendo outr as di sci pli nas, buscando mét odos e t écni cas advi ndos das ci ênci as da t err a e exat as par a co mpr eensão i nequí voca do passado: exi st em ar queol ogi as ( no pl ur al ). Uma r a mifi cação mui t o i mport ant e, e que ar queól ogos de nossa equi pe t êm apli cado e m suas pesqui sas di z r espei t o à Ar queol ogi a da Pai sage m, que envol ve novas t ecnol ogi as t ai s co mo o si st ema cad, uso de GPS, cart ogr afi a di gi t al, geopr ocessa ment o; enfi m apar at o t ecnol ógi co advi ndo da uni ão entr e as ci ênci as da t err a e da i nf or mação; O est udo do art ef at o (da obr a de art e), não f az part e da ar queol ogi a do sécul o XXI . O ar queól ogo hoj e t em que ser mul ti di sci plinar: conhecer geol ogi a e geo morf ol ogi a; 51 do mi nar l eit ur a e i nt erpr et ação de dados pal eoa mbi ent ai s e pali nol ógi cos; conhecer e co mpr eender dados advi ndos das ci ênci as bi ol ógi cas e ecol ogi a; est ar consci ent e dos avanços t ecnol ógi cos das ci ênci as da engenhari a e i nf or mação... Obvi a ment e t oda a equi pe é mul ti di sci pli nar e cada u mt ent a se especi ali zar e m u ma ár ea do conheci ment o ar queol ógi co, desde aquel es que gost am de do mi nar as t écni cas e mét odos de ca mpo, at é os cha mados ar queól ogos de gabi net e, que se debr uça m sobr e i nt er pr et ação de dados de ca mpo e l abor at óri o. Descr eve a Ar queól oga co mo são os est udos f eit os par a deci fr ar as magnífi cas pi nt ur as r upestr es: Não f aze mos i nt er pr etações das pi nt ur as, por i sso deci fr ar é u ma pal avr a não mui t o adequada par a o cont ext o. Os r egi str os r upestr es di ze m r espei to a u m uni ver so de si gnifi cação de u m dado gr upo cul t ur al e, nesse caso, são si gnos pr ópri os daquel a cul t ur a. Reali zamos e m ca mpo l evant ament os si st emáti cos da ár ea, decal que e f ot ogr afi as dos pai néi s dos síti os, f ot ogr afia, no l abor at óri o r edução par a 1/ 5 dos pai néi s, di git ali zação dos pai néi s r eduzi dos no i nt uit o de guar dados no acer vo t écni co e di git al, segui dos de publi cações de arti gos ci entífi cos e m r evi st as especi ali zados. Al é m di sso, r eali za- se u m esque ma de dados est atísti co- co mpar ati vos de f or ma que se possa mapear si mil ari dades e mudanças ao l ongo do t e mpo e do espaço, tr açando f r ont ei r as estilí sti cas. Sabe mos que os Síti os Ar queol ógi cos são est udados at r avés de cat al ogação, a Dr a. Cl eoni ce expli ca u m pouco, qual a época que est á dat ada o período de cat al ogações dest e e quant os são exat ament e: Essa i nf or mação é de t oda coer ent e, poi s cat al ogar ou i nvent ari ar di z r espei t o a qual quer est udo si st emáti co, não apenas de síti os de r egi str os r upest r es, mes mo por que esse não é o obj eti vo da ar queol ogi a. Os est udos co m r egi str os r upest r es ocorr em ai nda no sécul o XI X, mas os exe mpl os mai s si st emáti cos dat a m da segunda 52 met ade do sécul o XX, sobr et udo as pesqui sas e m gr ut as co mo Lascaux ( na Fr ança) e Al t amir a ( na Espanha). Descr eve a Ar queól oga, co mo pr ocede a u m t r abal ho de escavação e m u ma pr opri edade parti cul ar: Co m a devi da aut ori zação at r avés de portari a e miti da pel o I PHAN, u m pesqui sador habilit ado ci entifi cament e poder á r eali zar a pesqui sa. Esse f at o dever á ser acei t o pel o pr opri et ári o uma vez que o be m patri moni al pert ence à Uni ão. Revel a quant o t empo de est udo l eva par a se dar co mo t er mi nado e cat al ogado u m det er mi nado Síti o Ar queol ógi co: Não há u ma r espost a corr et a. Depende da nat ur eza e i mport ânci a do síti o ar queol ógi co. Pi ncevent, na Fr ança, t em si do escavado si ste mati ca ment e desde meados dos anos de 1950. Síti os co mo Sant a Eli na, no Mat o Gr osso, j á vão co mpl et ar três décadas. Por out r o l ado, há aquel es que pode m ser esgot ados r api da ment e. Depende do pot enci al ar queol ógi co, do enf oque da pesqui sa, das per specti vas do pesqui sador et c. Fal a u m pouco da i mport ânci a dest es síti os par a o Muni cí pi o e pri nci pal ment e par a os pri nci pai s ocupant e dest e di strit o de Mal hada Gr ande, e qual o ór gão que apói a e pr o move esses est udos em Síti os Ar queol ógi cos: Det er e m seu mei o um i ncont est ável acer vo ar queol ógi co, co m gr ande pot enci al par a o desenvol vi ment o da pesqui sa ci entífi ca e educaci onal , par a post eri or desenvol vi ment o t urí sti co r egi onal . Que m dá o aport e l egal é I PHAN o apoi o fi nancei r o part e nor mal ment e de Empr esas e I nstit ui ções. 53 CONSI DERAÇÕES FI NAI S O set or do t uri s mo t em si do al vo, nos úl ti mos t empos, de u ma f ort e expl osão. Por out r o l ado, mani f est a- se, cada vez mai s, a t endênci a da gl obali zação dos mer cados o que f az al ert ar os gover nos par a a i mport ânci a dest e set or que pode, si mul t anea ment e e enquant o ati vi dade econó mi ca, r eequili br ar ant eri or es r eestr ut ur ações de outr os set or es i ndustri ai s, co mpl e ment ar r endi ment os e m ár eas mai s depauper adas ou r ecessi vas e m t er mos de mogr áfi cos, assi m co mo of er ecer outr a possí vel ori ent ação a det er mi nadas r egi ões ou paí ses na pr ocur a de u ma especi ali zação e at é na obt enção de mel hor es r ent abili dades do que aquel as que l he er a m of er eci das at é à al t ura por outr os set or es da econo mi a. Dest e conj unt o de f at or es r esul t a que e no final do mil éni o, o t uri smo adapt a u m papel quase uni ver sal, t or nando- se o cent r o do i nt er esse t ant o dos gover nos co mo das pessoas e ao possi bilit ar di ver sas oport uni dades de negóci o. A empr esa t urí sti ca, sej a u ma mul ti naci onal ou u ma pequena ou médi a e mpr esa, deve ser concebi da a partir dest a nova r eali dade que det er mi na que os consu mi dor es sej a m, cada vez mai s, pl uri di mensi onai s – as f éri as são, t endenci al ment e, mai s curt as e frag ment adas e os moti vos de i nt er esse mai s per sonali zados. A r el evânci a da observação par a o est udant e e o pesqui sador do l azer e do t uri s mo deve col ocar- se se mpr e, ao sali ent ar as duas ati vi dades co mo i ner ent es aos di r eit os dos ci dadãos, t ant o quant o é part e l egíti ma e i nt egr ant e dest es, o di r eit o de acesso à cul t ur a. Assi m co mo, da mes ma f or ma, deva- se l evar e m consi der ação que t odos os gr upos soci ai s são por t ador es de cul t ur a e que pode m e deve m mani f est ar-se por mei o dos bens patri moni ai s. As r el ações ent r e t uri smo e pat ri môni o poder i amr evel ar-se, se não constit uí sse m ent r e nós e m ati vi dades par al el as e i sol adas, t ant o dos ór gãos ofi ciai s vol t ados par a o patri môni o, quant o daquel es r ef er ent es ao t uri s mo. Fal t am aci ma de t udo, ati vi dades de coor denação das duas ár eas. O car át er co mpl e ment ar mút uo poder á se r eali zar 54 quando houver f or mul ação e coor denação adequadas. Mét odos e t écni cas oper aci onai s t er ão sucesso quando se ti ver o do mí ni o dos f unda ment os onde el es se assent a m. Par a ser possí vel qualifi car os bens do pat ri môni o co mo at r ativos cul t ur ai s de al t a, médi a e bai xa i nt ensi dade, arti cul ados par a of ert a or gani zada, é pr eci so conhecê-l os, assi m co mo o públi co a que el es se desti nam. A pr eser vação, a cl assifi cação ou t o mba ment o de obj et os móvei s e i móvei s decorr e do si gnifi cado si mbóli co que at ri buí mos a el es. Todo e qual quer pr odut o mat eri al das cul t ur as hu manas é dot ado de uma f unci onalidade, umfi m par a o qual é execut ado. O val or si mbóli co que at ri buí mos aos obj et os ou art ef at os é decorrent e da i mport ânci a que l hes atri bui à me móri a col eti va. E, é est a me móri a que nos i mpel e a desvendar seu si gnifi cado hi st óri co- soci al, r ef azendo o passado e mr el ação ao pr esent e, e a i nvent ar o patri môni o dentr o de limi t es possí vei s, est abel eci dos pel o conheci ment o. O co mpl exo de pi nt ur as r upestr es i ncl ui os povoados de Mal hada Gr ande, Ri o do Sal e Lagoa das Pedr as. Nessas r egi ões, a quebr a das r ochas par a f abri cação de par al el epí pedos é u ma das ati vi dades econô mi cas pr ati cadas pel a popul ação l ocal , devendo est a pr áti ca ser ri gor osa ment e fi scal i zada pel os set or es de compet ênci as. Port ant o, o ol har do ho me m no t e mpo e at r avés del a, tr az e m si a mar ca da hi st ori ci dade. São os ho mens que constr oem sua vi são e r epr esent ação das di f er ent es t empor ali dade e acont eci ment o que mar car am sua pr ópri a hi st óri a. 55 REFERÊNCI AS BARRETTO, Mar garita. MANUAL DE I NI CI AÇÃO AO ESTUDO DO TURI SMO. Ca mpi nas, SP, Papi r us, 1995. BARRETTO, Mar garita. TURI SMO E LEGADO CULTURAL: A possi bili dades do pl anej a ment o. Ca mpi nas, Papi r us, 2000. BÍ BLI A SAGRADA. Li vr o dos Nú mer os. Port uguês. Edi ção Pauli nas, São Paul o, 1977. BRANCO, Pat rí ci a M. Cast el o PATRI MÔNI O HI STÓRI CO E TURI SMO: Constr ução Soci al. Uni fil. Di sponí vel e m htt p:// www.i bcdt ur. or g. br. Uma Acesso e m 20/ 12/ 2007. BRAI CK, Pat rí ci a Ra mos, Myri am Becho Mot a – HI STÓRI A: das caver nas ao Ter cei r o Mi l êni o. São Paul o, ed. Moder na, 2002. CAMARGO, Har ol do Lei t ão. PATRI MONI O HI STÓRI CO E CULTURAL. São Paul o. Al eph. 2002. Col eção do ABC do Turi s mo. COSTA, Sér gi o Fr anci sco, Mét odo Ci entifi co – os ca mi nhos da i nvesti gação. 1º ed. São Paul o: Har br a, 2001. DEL GADO, Lucili a de Al mei da Neves. HI STÓRI A ORAL – me móri a, t e mpo, i denti dade. Bel o Hori zont e: Aut ênti ca, 2006. Gover no e Uni ver si dade di scut e m pr eservação ar queol ógi ca. CI DADES. 20 j un. 2007. COMENTÁRI O. Di sponí vel e m: htt p:// www. at ar de. com. br/ ci dades/ noti ci a.j sf Acesso em 06 nov. 2007 LARAI A, Roque de Barr os. Cul t ur a: u m conceit o antr opol ógi co. – ed. - Ri o de Janei r o: Zahar Ed., 2005. 56 PELLEGRI NI FI LHO, Améri co. ECOL OGI A, CULTURA E TURI SMO. Ca mpi nas. SP: Papi r us. 1993. LI RA, Gl óri a. Ar qui vo no Acer vo de Me móri a do Espaço Cul t ur al Raso da Cat ari na. 1997. (sem pagi nação) L OPES, Geane Al ves. ARTESÃOS DE PAUL O AF ONSO- BA: Uma Pot enci ali dade par a o Turi s mo de Base Local. Paul o Af onso- BA: FASETE, 2006. MAX – Museu Ar queol ógi co de Xi ngó. Desenvol vi do pel a TCI – Art. Apr esent a t ext os i nf or mati vos e de di vul gação das ati vi dades desenvol vi das pel o MAX. Di sponí vel e m: htt p:// www. max. or g. br/index- 800. asp. Acesso e m 05 de Nove mbr o de 2007. REI S, Robert o Ri car do do Amar al . Paul o Af onso e o Sert ão Bai ano: sua geogr afi a e seu povo. 1º ed. Font e Vi va, 2004. RUSCHMANN, Dori s Van de Meene. MARKETI NG TURÍ STI CO: Um enf oque pr o moci onal. Ca mpi nas, S. P. Papi r us. 1990. Col eção Turi s mo. SEBRAE. FI OS E CORES DE MALHADA GRANDE. Paul o Af onsoBA. 2004 Se mar h e Uneb se une m par a pr eser var pi nt ur as r upestres. Bahi a Em Foco. 30 de Junho de 2007. Di sponí vel e m: htt p:// noti cias. bahi ae mf oco. co m. Acesso e m: 06 nov. 2007. SI QUEI RA Net o, Ant ão. Ant ão: - Mal hada Gr ande e Ri o do Sal t er ão museu a céu abert o, Fol ha Sert anej a – BA, 26/ 09/ 2007. Di sponí vel em: htt p:// www.f ol hasert anej a. co m. br. Acesso em: 06 nov. 2007 TRI GUEI RO. Carl os Mei r a, MARKETI NG & TURI SMO: co mo pl anej ar e ad mi ni strar o mar keti ng t urí sti co par a uma l ocali dade. Ri o de Janei r o. Qualit ymar k. 2001. 57 ANEXO 58 ANEXO A: Locali zação de Paul o Af onso em r el ação as Capi t ai s do Nor dest e Fi gur a 1. Locali zação de Paul o Af onso em r el ação as Capi t ai s do Nor dest e (mapa esque máti co). Font e: Pr ef eit ur a Muni ci pal de Paul o Af onso – BA- 2006. 59 ANEXO B: Pl ant a Ar bór ea tí pi ca da regi ão. Fi gur a 2. Veget ação Ar bór ea Font e: MAX, 2007. Fi gur a 3. Pl ant a Ar bór ea tí pi ca da r egi ão. Font e: MAX, 2007. Fi gur a 4. Ti po de veget ação da ár ea do povoado Mal hada Gr ande. Font e: Escol a Muni ci pal Ri t a Go mes de Sá, 2006. 60 ANEXO C: Pl aca da Associ ação do Art esanat o Fi gur a 5. Pl aca da Associ ação do Art esanat o Font e: Geane Lopes, 2007 61 ANEXO D: Local par a descanso dos quebrador es de pedr a Fi gur a 6. Local par a descanso dos quebr ador es de pedr a Font e: Sandr a Mucci ni, 2006 Fi gur a 7. Local par a quebr a de pedr a Font e: Sandr a Mucci ni, 2006 62 ANEXO E: Questi onári o com a PROFª. DRª. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne A ent r evi st a co m a PROFª. DRª. Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne, f oi r eali zada e m nove mbr o do corr ent e ano de 2007, e m f orma de questi onari o, sendo ent r evi st ada por Sandr a Luci a Cunha Pi nhei r o Mucci ni, no Muni cí pi o de Paul o Af onso- BA, no f or mat o de MP4 REC ( 22 mi n), est ér eo. Est a ent r evi st a f oi concedi da par a a pesqui sa da pr esent e monogr afi a de Gr aduação do Cur so de Bachar el ado e m Turi s mo da FASETE, do al uno Ant ôni o Al ves Sant ana. I ntit ul ada: MALHADA GRANDE COMO LEGADO HI STÓRI CO E TURÍ STI CO PARA O MUNI CI PI O DE PAULO AFONSO - BA. Na entr evi st a, el a r el at a u m pouco da sua vi da dur ant e o perí odo em que er a est udant e e sua vi da pr ofi ssi onal. 1. Per gunt a: Qual o seu no me? Respost a: Mari a Cl eoni ce de Souza Ver gne 2. Per gunt a: Onde nasceu? Respost a: Sal vador – Ba. 3. Per gunt a: Qual a sua pr ofi ssão at ual ment e? Respost a: Pr of essor a e Ar queól oga 4. Per gunt a: Onde a Sr a. se f or mou? Poderi a r el at ar u m pouco da sua vi da dur ant e o perí odo em que a Sr a. Er a est udant e? Respost a: A gr aduação na Uni ver si dade Feder al de Ser gi pe - UFS, o mest r ado na Uni ver si dade Feder al de Per na mbuco - UFPE e o dout or ado na Uni ver si dade do São Paul o – USP. Reali zei meus est udos do ensi no f unda ment al e médi o no Col égi o Santí ssi mo Sacr a ment o da or de m das sacr a menti nas, a gr aduação i ni ci ou na Uni ver si dade Feder al da Bahi a no cur so de Ad mi ni str ação de Empr esas o qual cur sei 63 at é o séti mo perí odo tranquei e fi z novo vesti bul ar par a Li cenci at ur a e m Hi st óri a na mes ma I nstit ui ção da qual me t r ansf eri par a a Uni ver si dade Feder al de Ser gi pe onde concl ui o cur so de gr aduação. O mest r ado f oi r eali zado na Uni ver si dade Feder al de Per na mbuco e m vi rt ude da necessi dade de u ma tit ul ação a ní vel stri ct o- sensu par a poder assu mir a coor denação do Pr oj et o de Sal va ment o Ar queol ógi co de Xi ngó que or a se i ni ci ava sobr e o comando da UFS. O dout or ado f oi r eali zado no i nt uit o de exer cer o desí gni o da Acade mi a de pr oduzi r conheci ment o e mbasado no r esul t ado obti do da pesqui sa. 5. Per gunt a: Poderi a expli car co mo vei o a Mal hada Gr ande? E e m que ano? Respost a: Em 1997 a equi pe t écni ca- ci entífi ca do Pr oj et o Ar queol ógi co de Xi ngó ( PAX), i ni ci ou u ma nova et apa de pesqui sa nos mol des da Ar queol ogi a Convenci onal , trat ava- se do l evant ament o si st emáti co da ár ea que co mpr eendi a o ei xo da UHE- Xi ngó at é a f oz do ri o São Fr anci sco pat r oci nada pel a Pet r obr ás. Dur ant e a execução da pesqui sa no muni cí pi o de Pão de Açúcar l ocali zamos síti os de Art e Rupestr es i nseri dos no mes mo cont ext o geol ógi co exi st ent e na ár ea de Mal hada Gr ande ( gr andes mat acões de gr ani t o sobr e o pedi pl ano sert anej o). Após o t er mi no da pesqui sa que t eve u ma dur ação de sei s meses, a equi pe r esol veu r eali zar u ma br eve pr ospecção na ár ea de Mal hada Gr ande onde de i ní ci o f or am l ocali zadas duas dezenas de síti os. Assi m, l ogo após essa pri mei r a et apa per cebeu- se a i mport ânci a hi st óri co- ci entífi ca e patri moni al dessa ár ea, não apenas par a a Ar queol ogi a, mas envol vendo out r as di sci pli nas li gadas às ci ênci as da t err a, bi ol ógi cas, hu manas e soci ai s. 6. Per gunt a: Co mo a ar queol ogi a, que se mpr e f oi ent endi da co mo a ci ênci a que est uda os r est os mat eri ai s dos povos do passado, ve m, nos úl ti mos anos, conhecendo gr andes modi fi cações, ganhando novos mét odos e obj et os de est udo. A Sr a. poderi a f al ar do trabal ho de um ar queól ogo e co mo é r eali zado no di strit o de Mal hada Gr ande? Respost a: A defi ni ção de Ar queol ogi a é u m pouco mai s co mpli cada e, cert ament e, não é consensual . 64 Pri mei r ament e, podemos co mpr eender hoj e a Ar queol ogi a co mo a di sci pli na r esponsável e m est udar e expl anar acer ca do co mport ament o e di nâ mi ca no passado por mei o de est udos r efi nados de r emanescent es cult ur ai s evi denci ados pel a pesqui sa. Há di ver sos r a mos de est udos ar queol ógi cos envol vendo outr as di sci pli nas, buscando mét odos e t écni cas advi ndos das ci ênci as da t err a e exat as par a co mpr eensão i nequí voca do passado: exi st em ar queol ogi as ( no pl ur al ). Uma r a mifi cação mui to i mport ant e, e que ar queól ogos de nossa equi pe t ê m apli cado e m suas pesqui sas di z r espei t o à Ar queol ogi a da Pai sage m, que envol ve novas t ecnol ogi as t ai s como o si st ema cad, uso de GPS, cart ogr afi a di git al, geopr ocessa ment o; enfi m apar at o t ecnol ógi co advi ndo da uni ão entr e as ci ênci as da t err a e da i nf or mação; o est udo do art efat o ( da obr a de art e), não f az part e da ar queol ogi a do sécul o XXI . O ar queól ogo hoj e t em que ser mul ti di sci pli nar: conhecer geol ogi a e geo morf ol ogi a; do mi nar l eit ur a e i nt erpr et ação de dados pal eoa mbi ent ai s e pali nol ógi cos; conhecer e co mpr eender dados advi ndos das ci ênci as bi ol ógi cas e ecol ogi a; est ar consci ent e dos avanços t ecnol ógi cos das ci ênci as da engenhari a e i nf or mação... Obvi ament e t oda a equi pe é mul ti di sci pli nar e cada u mt enda a se especi ali zar e m u ma ár ea do conheci ment o ar queol ógi co, desde aquel es que gost am de do mi nar as t écni cas e mét odos de ca mpo, at é os cha mados ar queól ogos de gabi net e, que se debr uça m sobr e i nt er pr et ação de dados de ca mpo e l abor at óri o. 7. Per gunt a: Co mo são os est udos f eit os par a decifr ar as magnífi cas pi nt ur as r upestr es? Respost a: Não f aze mos i nt er pr et ações das pi nt ur as, por i sso decifr ar é u ma pal avr a não mui t o adequada par a o cont ext o. Os r egi str os r upestr es di ze m r espei t o a u m uni ver so de si gnifi cação de u m dado gr upo cul t ur al e, nesse caso, são si gnos pr ópri os daquel a cul t ur a. Realiza mos e m ca mpo l evant ament os si st emáti cos da ár ea, decal que 65 e f ot ogr afi as dos pai néi s dos síti os, f ot ografi a, no l abor at óri o r edução par a 1/ 5 dos pai néi s, di git ali zação dos pai néi s r eduzi dos no i nt uit o de guar dados no acer vo t écni co e di git al, segui dos de publi cações de arti gos ci entífi cos e m r evi st as especi ali zados. Al é m di sso, r eali za- se u m esque ma de dados est atísti co- co mpar ati vos de f or ma que se possa mapear si mil ari dades e mudanças ao l ongo do t e mpo e do espaço, tr açando f r ont ei r as estilí sti cas. 8. Per gunt a: Qual o t r ata ment o di spensado aos tr abal hador es que vi ve m da quebr as das pedr as nest a r egi ão do di strit o de Mal hada Gr ande? Respost a: De consci enti zação da i mport ânci a do pat ri môni o ar queol ógi co r epr esent ado pel os Síti os Ar queol ógi cos, u ma vez que t emos apenas o poder de conser vá-l os não o de pol í ci a. Assi m, t ent a mos de monstr ar que a pr eser vação é u m ca mi nho mai s segur o par a a sust ent abili dade, poi s é par a se mpr e... Conser vando os síti os se mpr e haver á u ma possi bili dade de mel hor ar a sit uação de t odos. 9. Per gunt a: Exi st e al gu mt r abal ho de consci enti zação par a esse povo que r esi de nest a l ocali dade? Respost a: Exi st e a conver sa i nf or mal e expli cati va, t emos nos empenhado par a que t oda a co muni dade r econheça os síti os de r egi str os r upestr es como pat ri môni o l ocal e que por mei o da conser vação, poder- se- á gar antir a sust ent abili dade econô mi ca, soci al e cult ur al da ár ea. 10. Per gunt a: Co mo é fei t o esse tr abal ho de consci enti zação? Respost a: Co mo di scuti mos nas duas quest ões ant eri or es, por enquant o t r at a- se de u m t r abal ho de â mbi t o i nf or mal . Uma manei ra de mel hor f amili ari zar essa co muni dade co m a nova r eali dade. Mas j á há pr oj et os de educação pat ri moni al sendo pl anej ados par a execução e mf ut ur o pr óxi mo. 66 11. Per gunt a: Sabe mos que os Síti os Ar queol ógi cos são est udados at r avés de cat al ogação, qual a época que est á dat ado o perí odo de cat al ogações dest e e quant o são exat ament e? Respost a: Essa i nf ormação é de t oda coer ent e, poi s cat al ogar ou i nvent ari ar di z r espei t o a qual quer est udo si st emáti co, não apenas de síti os de r egi str os r upestr es, mes mo por que esse não é o obj eti vo da ar queol ogi a. Os est udos co m r egi str os r upestr es ocorr em ai nda no XI X, mas os exempl os mai s si st emáti cos dat a m da segunda met ade do sécul o XX, sobr et udo as pesqui sas e m gr ut as co mo Lascaux ( na Fr ança) e Al t amir a ( na Espanha). 12. Per gunt a: Co mo um ar queól ogo pode f azer u m t r abal ho de escavação e m u m pr opri edade parti cul ar? Respost a: Co m a devi da aut ori zação at ravés de port ari a e miti da pel o I PHAN, u m pesqui sador habilit ado ci entifi cament e poder á r eali zar a pesqui sa. Esse f at o dever á ser acei t o pel o pr opri et ári o uma vez que o be m pat ri moni al pert ence a Uni ão. 13. Per gunt a: Quant o t e mpo de est udo l eva par a se dar co mo t ermi nado e cat al ogado u m det er mi nado Síti o Ar queol ógi co? Respost a: Não há uma r espost a corr et a. Depende da nat ur eza e i mport ânci a do síti o ar queol ógi co. Pi ncevent, na Fr ança, t em si do escavado si ste mati ca ment e desde meados dos anos de 1950. Síti os co mo Sant a Eli na, no Mat o Gr osso, j á vão co mpl et ar três décadas. Por out r o l ado, há aquel es que pode m ser esgot ados r api da ment e. Depende do pot enci al ar queol ógi co, do enf oque da pesqui sa, das per specti vas do pesqui sador et c. 67 14. Per gunt a: Qual a import ânci a dest es sítios par a o Muni cí pi o e pri nci pal ment e par a os pri nci pai s ocupant e dest e di strit o de mal hada Gr ande? Respost a: Det er e m seu mei o u m i ncont est ável acer vo ar queol ógi co, co m gr ande pot enci al par a o desenvol vi ment o da pesqui sa ci entífi ca e educaci onal , par a post eri or desenvol vi ment o t urí stico r egi onal . 15. Per gunt a: Qual o ór gão que apói a e pr o move esses est udos e m Sí ti os Ar queol ógi cos? Respost a: Que m dá o aport e l egal é I PHAN o apoi o fi nancei r o part e nor mal ment e de Empr esas e I nstit ui ções. 68 APENDI CE 69 APÊNDI CE A: QUESTI ONÁRI O COM PERGUNTAS ABERTAS COM A POPULAÇÃO LOCAL E ARTESÕES ( 01 ) 1. Qual o seu no me co mpl et o? 2. Onde nasceu? 3. Qual a sua pr ofi ssão at ual ment e? 4. Qual o seu gr au de f ormação? 5. Poderi a expli car co mo vei o a Mal hada Gr ande? E em que ano? 6. O Sr.( a) poderi a r el at ar as pri nci pai s ati vi dades que o Sr.( a) desenvol veu dur ant e o perí odo de constr ução do Art esanat o? E as pri nci pai s difi cul dades? 7. O Sr.( a) poderi a r el atar al guns f at os que l evar a m a f undação do povoado de Mal hada Gr ande? 8. O Sr.( a) poderi a f azer u ma análi se do cont ext o pol íti co do Muni cí pi o de Paul o Af onso e co mo est e cont ri bui u par a a vi da no di strit o de Mal hada Gr ande? 9. Quai s er a m as condi ções de t r abal ho que er a m dadas par a as pessoas que queri amtr abal har no Art esanat o? 10. O Sr.( a) poderi a f azer u m co ment ári o da sua vi são sobr e o pr oj et o de const r ução da Chesf se a Co mpanhi a deu al gu m i ncenti vo par a o di strito de Mal hada Gr ande? Enf ati zando se o pr oj et o do Art esanat o f oi r eal ment e execut ado Poder públi co do Muni cí pi o de Paul o Af onso? 11. Co m r el ação à construção das casas quai s as condi ções de mor adi a e os seus pri nci pai s pr obl emas? 70 APÊNDI CE B: For mação r ochosa Fi gur a 6. For mação r ochosa. Font e: Sant ana, 2007. Fi gur a 7. Sol os tí pi cos da r egi ão Font e: Sant ana, 2007. 71 APÊNDI CE C: D. São Pedr o Bezerra de Souza (fil ha do Senhor Feli ci ano Bezerr a de Souza, f undador de Mal hada Gr ande). Fi gur a 8. D. São Pedr o Bezerr a de Souza. Font e: Sant ana, 2007 72 APÊNDI CE D: Funci onári as do Art esanat o Fi gur a 9. Iraci Per ei r a da Sil va Font e: Sant ana, 2007 Fi gur a 10. Funci onári as do Art esanat o Font e: Sant ana, 2007 73 APÊNDI CE E: Fr ent e do Art esanat o Fi gur a 11. Fr ent e do Art esanat o Font e: Sant ana, 2007 74 APÊNDI CE F: Sede do art esanat o Mal hada Gr ande Fi gur a 12. Pr odut os art esanai s Font e: Sant ana, 2007 Fi gur a 14. Tear Font e: Sant ana, 2007 Fi gur a 13. Est oque do art esanat o Font e: Sant ana, 2007 Fi gur a 15. Canel a Font e: Sant ana, 2007 75 APÊNDI CE G: Pi ntur a r upestre Fi gur a 16. Pi nt ur a r upestr e 1 Font e: Sant ana, 2007 Fi gur a 18. Pi nt ur a r upestr e 3 Font e: Sant ana, 2007 Fi gur a 17. Pi nt ura r upestr e 2 Font e: Sant ana, 2007 Fi gur a 19. Pi nt ura r upestr e 4 Font e: Sant ana, 2007