0 UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS ESCOLA DE AGRONOMIA E ENGENHARIA DE ALIMENTOS INTERAÇÃO ENTRE HERBICIDAS E CULTIVARES DE SOJA SOBRE O DESENVOLVIMENTO POPULACIONAL DE Heterodera glycines EM CAMPO KÁSSIA APARECIDA GARCIA BARBOSA Orientadora: Profa. Dra. Mara Rúbia da Rocha Novembro – 2010 1 KÁSSIA APARECIDA GARCIA BARBOSA INTERAÇÃO ENTRE HERBICIDAS E CULTIVARES DE SOJA SOBRE O DESENVOLVIMENTO POPULACIONAL DE Heterodera glycines EM CAMPO Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia, da Universidade Federal de Goiás, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Agronomia, área de concentração: Produção Vegetal. Orientadora: Profa. Dra. Mara Rúbia da Rocha Co-orientador: Prof. Dr. Gilmarcos Carvalho Corrêa Goiânia, GO – Brasil 2010 0 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação na (CIP) GPT/BC/UFG B238i Barbosa, Kássia Aparecida Garcia. Interação entre herbicidas e cultivares de soja sobre o desenvolvimento populacional de Heterodera glycines em campo [manuscrito] / Kássia Aparecida Garcia Barbosa. - 2010. xv, 64 f. : il., figs, tabs. Orientadora: Profª. Drª. Mara Rúbia da Rocha; Co-orientador: Prof. Dr. Gilmarcos Carvalho Corrêa: Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Goiás, Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos, 2010. Bibliografia. Inclui lista de tabelas. Apêndices. 1. Glycine max. 2. Nematoide de cisto da soja. 3. Herbicida. 4. Densidade populacional. 5. Heterodera glycines. I. Título. CDU:633.34:631.52 Permitida a reprodução total ou parcial deste documento, desde que citada a fonte – O autor 2 AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus por ter me concedido o dom da vida, sabedoria e por iluminar todos os meus passos durante a caminhada da vida. Aos meus pais Joaquim Carlos Alves Barbosa e Sueli Aparecida Garcia Barbosa e meu irmão Kleder Alves Barbosa por toda a força, motivação, compreensão e apoio tem todos os momentos que me ausentei de suas companhias. Por terem fundamental importância em meu crescimento pessoal e profissional. Ao meu namorado Riccely Ávila Garcia, por todo o apoio nos momentos de realização dos experimentos, pelo carinho, compreensão, amor e companheirismo. À Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás (EA/UFG), pela oportunidade de realização do curso de Mestrado em Agronomia, com Área de concentração Produção Vegetal. À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão da bolsa de estudos no Mestrado. À Professora Dra. Mara Rúbia da Rocha pela importante e fundamental orientação. Por contribuir para meu crescimento pessoal e profissional. Pela confiança depositada, dedicação, amizade, apoio e por acreditar em minha capacidade. A todos os meus amigos, em especial ao Renato Andrade Teixeira, Leonardo de Castro Santos, Fernando Godinho de Araújo, Tiago Garcia Alves e Cristiane Silva Ferreira pelo auxílio na condução dos experimentos, agradável convívio, amizade e pelas importantes discussões científicas. Aos estagiários do Laboratório de Nematologia, Lucas Lobo e Diego Moraes pelo auxílio na condução e avaliação dos ensaios. Às Professoras Dra. Larissa Leandro Pires e Dra. Adriana Teramoto pela companhia e ensinamentos durante o curso de mestrado. Ao Engenheiro Agrônomo Dalmo pela disposição e cooperação para a localização da área para condução do experimento e ao produtor rural Janio Siqueira, pela concessão da área para condução do experimento no município de Gameleira de Goiás. Ao Wagner Gonçalves (Syngenta) pela cooperação e fornecimento dos herbicidas utilizados na presente pesquisa. 3 SUMÁRIO RESUMO…………….....…………………………………......……...……………… 4 ABSTRACT...…......................................………………………...……...………..…. 5 1 INTRODUÇÃO………..…………………………...……...…………………. 6 2 2.1 2.2 2.2.1 2.2.2 2.3 REVISÃO DE LITERATURA……..…………...………………….......…... CULTURA DA SOJA………………..………………………………..……..... FITONEMATOIDES ASSOCIADOS À CULTURA DA SOJA....................... Considerações gerais......................................................................................... Nematoide de cisto da soja............................................................................... INFLUÊNCIA DE HERBICIDAS SOBRE FITOPATÓGENOS...................... 9 9 10 10 11 14 3 3.1 3.2 3.3 MATERIAL E MÉTODOS……………………………..…...…….………… EXPERIMENTOS SAFRA 2006/2007……...…………..……………………. EXPERIMENTO SAFRA 2009/2010…………………..……………………... ANÁLISE ESTATÍSTICA……………………….………..……..…………… 21 21 23 26 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO…………………..…………...……………. INTERAÇÃO ENTRE HERBICIDAS E CULTIVARES DE SOJA SOBRE O DESENVOLVIMENTO POPULACIONAL DE Heterodera glycines NAS SAFRAS 2006/2007 E 2009/2010...................................................................... EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DE HOSPEDABILIDADE DE Heterodera glycines NO CICLO DA CULTURA.............................................. INTERAÇÃO ENTRE HERBICIDAS E Heterodera glycines SOBRE CARACTERES MORFOLÓGICOS DE PLANTAS DE SOJA, NAS SAFRAS 2006/2007 E 2009/2010...................................................................... 27 5 CONCLUSÕES…………….…………...……………..………………...…… 49 6 REFERÊNCIAS…………………………………….....……………………... 51 APÊNDICES……………..…………………………………...…………………....... 58 4.1 4.2 4.3 27 39 43 4 RESUMO BARBOSA, K. A. G. Interação entre herbicidas e cultivares de soja sobre o desenvolvimento populacional de Heterodera glycines em campo. 2010. 64 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia: Produção Vegetal) – Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2010.1 O trabalho objetivou avaliar o efeito de herbicidas sobre a densidade populacional de H. glycines em cultivares de soja (uma resistente e três suscetíveis), em condições naturais de infestação. Experimentos foram conduzidos em Campo Alegre de Goiás e Gameleira de Goiás, safra 2006/07, utilizando delineamento de blocos casualizados, com três repetições. Os tratamentos foram arranjados em esquema fatorial 4x4+1, sendo: quatro cultivares (BRSGO Ipameri, BRSGO Luziânia, BRSGO Jataí, BRS Silvânia RR); quatro formas de controle de plantas daninhas (arranquio manual, chlorimuron-etil+lactofen, chlorimuron-etil e haloxyfop-metil); e o tratamento adicional representado pela combinação da cultivar transgênica BRS Silvânia RR e o herbicida glifosato. Na safra 2009/10, outro ensaio foi conduzido em Gameleira de Goiás, com quatro repetições, em esquema fatorial 2x4+2, envolvendo duas cultivares (BRSGO Chapadões e BRSGO 8360) quatro formas de controle de plantas daninhas (arranquio manual, lactofen, chlorimuron-etil e haloxifop-r), e os dois tratamentos adicionais que consistiram das combinações entre a cultivar BRS Valiosa RR com o controle manual das plantas daninhas e com o controle químico via herbicida glifosato. Na safra 2006/07, em Campo Alegre de Goiás, aos oitenta dias após o plantio, observou-se menor formação de cistos viáveis na cultivar BRS Silvânia RR, associado à aplicação de clorimuron + lactofen, em comparação ao controle manual. Em Gameleira de Goiás, verificou-se, aos quarenta dias após o plantio, aumento do número de cistos viáveis com o uso de herbicidas, em comparação com o controle manual, na cultivar suscetível BRSGO Luziânia, já na cultivar BRSGO Ipameri, resistente a H. glycines, o número de cistos viáveis foi menor quando se aplicou os herbicidas clorimuron+lactofen ou haloxifop, em comparação à aplicação de clorimuron. Na safra 2009/10, os herbicidas não influenciaram o comportamento das cultivares (resistente ou suscetíveis) quanto ao número de fêmeas. Na cultivar suscetível BRSGO Luziânia, o herbicida haloxifop possibilitou a formação de menor número de fêmeas, em comparação com clorimuron, aos 45 dias após o plantio. O herbicida lactofen, em BRSGO Chapadões, resistente, esteve associado com o aumento na formação de cistos viáveis, aos 45 dias após o plantio. Este herbicida afetou negativamente a produção de biomassa de planta seca, vagem fresca e vagem seca nas cultivares BRSGO Chapadões e BRSGO 8360. Palavras-chave: Glycine max, nematoide de cisto da soja, densidade populacional, herbicidas, controle. 1 Orientadora: Profa. Dra. Mara Rúbia da Rocha. EA-UFG. 5 ABSTRACT BARBOSA, K. A. G. Interaction between herbicides and soybean cultivars on the population development of Heterodera glycines in the field. 2010. 64 f. Dissertation (Master in Agronomy: Crop Production) – Escola de Agronomia e Engenharia de Alimentos, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2010.1 This study evaluated the effect of herbicides on the population density of H. glycines in soybean cultivars, (one resistant and three susceptible) in natural infestation conditions. Experiments were done in Campo Alegre de Goiás and Gameleira de Goiás, agricultural year 2006/07, using randomized blocks, with three repetitions. The treatments were arranged in a factorial design 4 x 4 + 1, with four cultivars (BRSGO Ipameri, BRSGO Luziânia, BRSGO Jataí BRS Silvânia RR), four forms of weed control (hand weeding, chlorimuron-ethyl + lactofen, chlorimuron-ethyl and haloxyfop-methyl), and additional treatment represented by the combination of transgenic cultivar BRS Silvânia RR and herbicide glyphosate. In agricultural year 2009/2010, another test was conducted in Gameleira de Goiás, with four repetitions, in a factorial design 2 x 4 + 2, involving two cultivars (BRSGO Chapadões and BRSGO 8360), four forms of weed control (hand weeding, lactofen, chlorimuron-ethyl; haloxifop-r), and two additional treatments represented by the combination of transgenic cultivar BRS Valiosa RR with control manual weed and chemical control via herbicide glyphosate. In the agricultural year 2006/07, in Campo Alegre de Goiás, eighty days after planting, there was less formation of viable cysts in cultivar BRS Silvânia RR associated with the application of clorimuron + lactofen, compared to manual control. In Gameleira de Goias, it was found, forty days after planting, increase in the number of viable cysts using herbicides, compared with manual control, in cultivar susceptible BRSGO Luziânia, BRSGO Ipameri, resistant to H. glycines, the number of viable cysts was lower when applied herbicides clorimuron+lactofen or haloxyfop, compared the application of clorimuron. The herbicides had no effect on the number of females in susceptible and resistant cultivars in the year 2009/10. In cultivar susceptible BRSGO 8360, the herbicide haloxifop led to a smaller number of females, in comparison with clorimuron, 45 days after sowing. The herbicide lactofen, in the cultivar BRSGO Chapadões (resistant) was associated with increase in the number of viable cysts 45 days after sowing. This herbicide affects negatively the biomass of leaves, fresh green beans and dry bean in the cultivars BRSGO Chapadões and BRSGO 8360. Key words: Glycine max, soybean cyst nematode, population density, herbicide, control. 1 Adviser: Profa. Dra. Mara Rúbia da Rocha. EA-UFG. 6 1 INTRODUÇÃO A soja (Glycine max (L.) Merrill) é uma das espécies mais importantes na agricultura brasileira, tendo produzido, na safra 2009/2010, 62,7 milhões de toneladas, numa área cultivada de 22,4 milhões de hectares. Estes números consolidam o país como um dos maiores produtores de soja e mantém a cultura como uma das mais importantes na pauta das exportações brasileiras (Agrianual, 2010). No entanto, apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de soja do mundo, vários fatores podem limitar a obtenção de altos rendimentos, e dentre estes destacam-se as doenças. Aproximadamente quarenta doenças causadas por fungos, bactérias, nematoides ou vírus já foram identificadas no país, sendo que este número continua aumentando com a expansão da cultura para novas áreas, como consequência da monocultura (Embrapa, 2008). Particularmente, a cultura vem sofrendo graves prejuízos com fitonematoides. Mais de cem espécies de nematoides, envolvendo cerca de cinquenta gêneros, foram associadas a cultivos de soja em todo o mundo. Entretanto, no Brasil, conforme Dias et al. (2010), os nematoides mais prejudiciais à cultura têm sido os formadores de galhas (Meloidogyne spp.Goeldi), o de cisto (Heterodera glycines Ichinohe), o das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus (Godfrey) Filipjev & Schuurmans-Stekhoven) e o reniforme (Rotylenculus reniformis Linford & Oliveira). O nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines) é considerado uma das principais pragas da cultura, pelos prejuízos que pode causar e pela facilidade de disseminação. No Brasil, foi detectado pela primeira vez na safra de 1991/1992 (Lima et al., 1992; Lordello et al., 1992; Monteiro & Morais, 1992). Atualmente, está presente em cerca de 150 municípios de dez Estados (MG, MT, MS, GO, SP, PR, RS, BA, TO e MA). Estima-se que a área com o nematoide seja superior a 3,0 milhões de ha. Entretanto, existem muitas propriedades isentas do patógeno, localizadas em municípios considerados infestados (Embrapa, 2008; Dias et al., 2010). O nematoide H. glycines penetra nas raízes da planta de soja, dificultando a absorção de água e nutrientes, condicionando porte e número reduzido de vagens, clorose e 7 baixa produtividade (Embrapa, 2008). Assim, a prevenção sempre será uma medida de controle importante (Dias et al., 2010). Segundo Embrapa (2008), as plantas daninhas também constituem fator limitante à obtenção de altos rendimentos na cultura da soja, podendo ocasionar perdas significativas conforme a espécie incidente da planta daninha, a densidade e a distribuição dessas invasoras na lavoura. Podem também ser hospedeiras alternativas de fitopatógenos, como os nematoides, o que representa um prejuízo adicional à cultura. A forma mais utilizada para o controle de plantas daninhas na cultura da soja ainda é o controle químico, com o uso de herbicidas. Os herbicidas são aplicados em lavouras com o objetivo de eliminar as plantas daninhas presentes, sendo que os efeitos sobre a cultura, muitas vezes, não são perceptíveis ou amplamente considerados. Ao se aplicar o herbicida, uma porção deste produto atinge a cultura presente na área ou em áreas próximas, interagindo com essas plantas e causando efeitos secundários. Existem relatos de diferentes efeitos fisiológicos secundários induzidos por herbicidas (Lydon & Duke, 1989; Devine et al.,1993). Esses efeitos incluem alterações, tanto no metabolismo do nitrogênio e nos níveis hormonais, quanto no metabolismo secundário da planta, podendo interferir nas suas reações ao ataque de patógenos, com influências tanto positivas, quanto negativas, na severidade de doenças e na indução à síntese de fitoalexinas (Rizzardi et al., 2003). Com o uso crescente de herbicidas nas áreas produtoras de soja, no Brasil, em especial nas áreas com presença confirmada de H. glycines, alguns autores têm verificado a existência de efeitos dos herbicidas, utilizados no controle de plantas daninhas, sobre as populações de H. glycines. Segundo Bostian et al. (1984a), alguns herbicidas têm afetado, de diferentes formas, a população de H. glycines. Podem afetar a eclosão dos ovos, a penetração das formas juvenis de segundo estádio, a maturação e a reprodução de H. glycines. Podem ainda, afetar a interação dos herbicidas com o nematoide, aumentando o estresse da planta de soja. Entretanto, pouco se sabe sobre o efeito de herbicidas sobre o fitonematoide H. glycines, em cultivares comerciais de soja, em condições ambientais brasileiras. De acordo com Bradley et al. (2003), faltam informações sobre o efeito de herbicidas em cultivares de soja resistentes e suscetíveis à H. glycines. Dessa forma, o presente estudo objetivou a obtenção de maiores conhecimentos a respeito da interação entre herbicidas e cultivares de soja, incluindo 8 material resistente, suscetível, convencional e transgênico sobre populações de H. glycines, em áreas naturalmente infestadas. As informações obtidas subsidiarão novas práticas de manejo de plantas daninhas na cultura da soja de forma a reduzir ou impedir o aumento das populações deste importante fitonematoide. 9 2 REVISÃO DE LITERATURA 2.1 CULTURA DA SOJA A soja, que hoje é cultivada em todo o mundo, é muito diferente das ancestrais que lhe deram origem: espécies de plantas rasteiras que se desenvolviam na costa leste da Ásia, principalmente ao longo do Rio Amarelo, na China. Sua evolução começou com o aparecimento de plantas oriundas de cruzamentos naturais, entre duas espécies de soja selvagem, que foram domesticadas e melhoradas por cientistas da antiga China (Embrapa, 2004). Apesar de conhecida e explorada no Oriente há mais de cinco mil anos (é reconhecida como uma das mais antigas plantas cultivadas do Planeta), o Ocidente ignorou o seu cultivo até a segunda década do século XX, quando os Estados Unidos (EUA) iniciaram sua exploração comercial, primeiro como forrageira e, posteriormente, como grão. Em 1940, no auge do seu cultivo como forrageira, foram cultivados, nesse país, cerca de dois milhões de hectares com tal propósito (Embrapa, 2008). No Brasil, a soja chegou via Estados Unidos, em 1882. Gustavo Dutra, então professor da Escola de Agronomia da Bahia, realizou os primeiros estudos de avaliação de cultivares introduzidas daquele país. Em 1891, testes de adaptação de cultivares, semelhantes aos conduzidos por Dutra na Bahia, foram realizados no Instituto Agronômico de Campinas, Estado de São Paulo (SP). Assim como nos EUA, a soja no Brasil, era estudada mais como cultura forrageira, eventualmente também produzindo grãos para consumo de animais, e não como planta produtora de grãos para a indústria de farelos e óleos vegetais (Embrapa, 2004). O Centro-Oeste brasileiro, na década de 1980, consolidou-se como potência agrícola. A produção de soja da região Sul do país se estabilizou e a cultura expandiu pelos Cerrados, atingindo 6,4 milhões de hectares cultivados. Na região Centro-Oeste são cultivados cerca de dez milhões de hectares, o que representa aproximadamente 50% da produção nacional (Prado, 2007). 10 A revolução sócio-econômica e tecnológica protagonizada pela soja no Brasil Moderno pode ser comparada ao fenômeno ocorrido com a cana-de-açúcar, no Brasil Colônia e com o café, no Brasil Império e República, em que, em épocas distintas, comandaram o comércio exterior do país. A receita proveniente do complexo agroindustrial da soja brasileira representa cerca de 8% do total exportado pelo país. No entanto, mais importante que os benefícios diretos gerados pela exportação, são os benefícios indiretos gerados pela cadeia produtiva da soja (Embrapa, 2007). Com a expansão da cultura da soja e o cultivo contínuo dessa leguminosa, ao longo de anos, novos problemas surgiram ocasionando a queda no rendimento da cultura. Entre os fatores que contribuíram para essa queda, em especial nas regiões tropicais e subtropicais, estão as doenças, com destaque para aquelas provocadas por nematoides. Atualmente mais de cem espécies de nematoides, envolvendo cerca de cinquenta gêneros, estão associadas à cultura da soja em todo o mundo (Dias et al., 2007). Dentre esses gêneros, destaca-se o gênero do nematoide de cisto da soja devido, principalmente, ao seu alto nível de dano à cultura e à sua ampla disseminação nas áreas cultivadas. 2.2 FITONEMATOIDES ASSOCIADOS À CULTURA DA SOJA 2.2.1 Considerações gerais Segundo Ferraz (2001), os fitonematoides estão entre os animais pluricelulares mais numerosos do mundo e atacam a maioria das espécies de plantas cultivadas existentes. Estes fitoparasitas têm causado severas perdas nas culturas, em todo mundo, sendo isso bastante evidenciado nas últimas décadas. No Brasil, as espécies que causam os maiores danos à cultura da soja são Meloidogyne incognita (Kofoid & White) Chitwood; M. javanica (Treub) Chitwood; Heterodera glycines (Ichinohe, 1952); Pratylenchus brachyurus (Godfrey, 1929) Filipjev & Schuurmans-Stekhoven e Rotylenchulus reniformis (Linford & Oliveira, 1940). O gênero Meloidogyne compreende um grande número de espécies. Entretanto, M. incognita e M. javanica são aquelas que mais limitam a produção de soja no Brasil. M. javanica tem ocorrência generalizada, enquanto M. incognita predomina em áreas anteriormente cultivadas com café ou algodão. No nematoide reniforme (Rotylenchulus 11 reniformis) vem aumentando em importância na cultura da soja, em especial no centro-sul de Mato Grosso do Sul. Estima-se que, atualmente, o nematoide ocorra em altas densidades populacionais em municípios que respondem por 29% da área cultivada com soja nesse estado. O nematoide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus), é amplamente disseminado no Brasil. Contudo, quase não existem estudos sobre os efeitos do seu parasitismo nas diversas culturas. No caso da soja, especialmente no Brasil Central, as perdas têm aumentado muito nas últimas safras. O nematoide foi beneficiado por mudanças no sistema de produção e a incorporação de área com solos de textura arenosa aumentou a vulnerabilidade da cultura. O nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines) é uma das principais pragas da cultura, pelos prejuízos que pode causar e pela facilidade de sua disseminação (Embrapa, 2010). As perdas na produção das culturas dependem da densidade populacional dos nematoides presentes, da suscetibilidade da cultura a estes patógenos e das condições ambientais (Tihohod, 1993). A importância dessas espécies no Brasil deve-se a aspectos como a elevada variabilidade genética do fitonematoide, e o risco potencial de dano devido ao incremento da área cultivada com espécies suscetíveis, especialmente sob condições de monocultivo. 2.2.2 Nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines) O nematoide de cisto da soja (NCS) foi detectado pela primeira vez, no Brasil, na safra 1991/1992 (Lima et al., 1992; Lordello et al., 1992; Monteiro & Morais, 1992). Estima-se que aproximadamente 3,0 milhões de hectares estejam infestados com este nematoide, no país, alcançando dez Estados brasileiros. Existem, porém, muitas propriedades isentas do patógeno, localizadas em municípios considerados infestados (Dias et al., 2010; Embrapa, 2010). Atualmente, H. glycines é uma das principais pragas da cultura da soja, nos principais países produtores desta oleaginosa, como os Estados Unidos, Brasil e Argentina, seja pelos prejuízos que pode causar e pela facilidade de disseminação (Embrapa, 2008). Este fitonematoide foi responsável por reduções de 2,9, 3,47 e 1,93 milhões de toneladas dos grãos, produzidos nos anos de 2003, 2004 e 2005, nos Estados Unidos (Wrather & Koenning, 2006). Segundo estimativas apresentadas por Concibido et al. (2004), H. 12 glycines é responsável por quase 9,0 milhões de toneladas em perdas anuais sobre a produção mundial de soja. No Brasil, foram estimadas reduções de 0,5 milhão de toneladas na produção da soja, em 2006, devido ao ataque deste nematoide (Wrather, 2007). Os danos causados pelo nematoide de cisto da soja dependem, além da sua densidade populacional, da interação destes com outros fatores de estresse como déficit hídrico, danos por herbicidas, presença de outros patógenos radiculares (Paz et al., 2004), textura e fertilidade do solo (Avendaño et al., 2004; Rocha et al., 2006; Rocha et al., 2007). O gênero Heterodera caracteriza-se pela formação de cistos. Os ovos, no interior do cisto, sofrem embriogênese, dando origem ao chamado juvenil de primeiro estádio (J1). Este tem sua ecdise, ou troca de cutícula, dentro do ovo e torna-se o juvenil de segundo estádio (J2), que eclode, migra no solo e invade as raízes da planta hospedeira. Após a penetração, o juvenil de segundo estádio induz modificações em um conjunto de células das raízes das plantas, no local da penetração, estabelecendo o sítio de alimentação, denominado sincício ou sincítio, que passa a fornecer alimento para o nematoide. O juvenil de segundo estádio continua a se desenvolver, sofre mais três ecdises e, finalmente, atinge a fase adulta, de macho ou fêmea (Taylor, 1971; Schmitt & Barker, 1985). As fêmeas aumentam de volume, assumem o formato de limão ligeiramente alongado, de coloração branca amarelada, e permanecem fixadas à raiz, com a parte posterior do corpo localizada externamente e a parte anterior internamente aos tecidos radiculares. Os machos têm corpo alongado, passam para o solo e, após fertilizarem as fêmeas, morrem (Taylor, 1971). Após ser fertilizada pelo macho, cada fêmea produz de 100 a 250 ovos. Durante a postura, a fêmea deposita cerca de um terço dos ovos numa pequena matriz gelatinosa, e o restante permanece retido no interior do seu corpo. Quando a fêmea morre, seu corpo se transforma em uma estrutura dura denominada cisto, de coloração marrom escura, cheia de ovos, altamente resistente à deterioração e à dessecação, e muito leve, que se desprende da raiz e fica no solo (Embrapa, 2010). O cisto pode sobreviver no solo, na ausência de planta hospedeira, por mais de oito anos. Assim, é praticamente impossível eliminar o nematoide nas áreas onde este ocorre. Em solo úmido, com temperaturas de 20oC a 30oC, os juvenis de segundo estádio eclodem e, se encontrarem a raiz de uma planta hospedeira, penetram e o ciclo se completa em três a quatro semanas (Embrapa, 2008). Por ser uma estrutura leve e altamente resistente, o cisto constitui a mais eficiente unidade de dispersão deste nematoide. Isso 13 permite que seja facilmente levado de uma área para outra, a curtas ou longas distâncias, por qualquer meio que promova movimentação de solo. Assim, o patógeno pode ser disseminado pelo vento, água de chuva ou de irrigação, máquinas agrícolas, homem, e animais domésticos e selvagens (Moore et al., 1984). As sementes podem constituir outro importante meio de disseminação, caso não sejam adequadamente beneficiadas e contenham torrões de terra (Moore et al., 1984; Riggs & Schmitt, 1993). A limpeza de máquinas, implementos agrícolas, veículos e até mesmo calçados, para eliminar porções de solo aderidas (Palm et al., 1978), e o uso de semente livre de torrões são medidas que podem prevenir a disseminação. A duração do ciclo de vida do nematoide H. glycines é muito influenciada pela temperatura e umidade do solo. Considerando-se apenas a temperatura do solo, durante a estação de cultivo da soja, com médias semanais variando de 22oC a 29oC, H. glycines atinge a maturidade em três semanas (Schmitt & Noel, 1984). Desse modo, em uma cultivar de soja de ciclo longo, é possível ter entre seis e sete gerações do patógeno. A manifestação inicial de ocorrência do nematoide de cisto em lavouras de soja caracteriza-se pela presença de reboleiras, onde as plantas mostram-se pouco desenvolvidas e cloróticas, com poucas vagens e, às vezes, com as margens foliares necrosadas, podendo ocorrer a perda prematura de folhas e floração reduzida, com baixa produção de grãos. O aumento de raízes secundárias e a redução no número de nódulos radiculares, induzidos por bactérias fixadoras de nitrogênio, também podem ser visualizados em plantas infectadas por H. glycines (Cares & Baldwin, 1995). Contudo, sintomas semelhantes na parte aérea das plantas por deficiência de alguns elementos nutricionais, especialmente nitrogênio, potássio e certos micronutrientes, fitotoxicidade por defensivos agrícolas, compactação do solo e outras desordens fisiológicas. Em lavouras onde a população do patógeno é muito alta, também pode ocorrer morte prematura de plantas (Dias et al., 2009); mas, perdas consideráveis de produtividade podem ocorrer sem a visualização de sintomas típicos (Lilley et al., 2005). O sistema radicular infectado apresenta-se reduzido e minúsculas fêmeas do nematoide podem ser visualizadas. Após o nematoide ser introduzido na área de plantio, algumas medidas de controle devem ser utilizadas na tentativa de minimizar as perdas de produção. O uso de cultivares resistentes é um dos métodos mais econômicos e eficientes de controle do nematoide de 14 cisto da soja. A resistência da soja a H. glycines manifesta-se através de reação de hipersensibilidade, em que os juvenis infectivos penetram, mas têm seu desenvolvimento interrompido pelo abortamento do sítio de alimentação e pela necrose dos tecidos adjacentes. Nas cultivares resistentes, poucos dias após a infecção, o sincício necrosa, entra em colapso, e o nematoide morre antes de atingir a fase adulta (Cares & Baldwin, 1995). A utilização de espécies não hospedeiras também se configura como alternativa no manejo desse fitonematoide, uma vez que a gama de espécies hospedeiras do NCS é limitada, destacando-se a soja (Glycine max), o feijão (Phaseolus vulgaris) e o tremoço (Lupinus albus). A maioria das espécies cultivadas, tais como milho, sorgo, arroz, algodão, girassol, mamona, cana-de-açúcar, trigo, assim como as demais gramíneas, não são hospedeiras (Embrapa, 2008). Assim, a rotação-sucessão de culturas com gramíneas e com espécies não hospedeiras acaba sendo uma das formas mais eficientes de controle de H. glycines (Cares & Baldwin, 1995). O conhecimento de plantas não hospedeiras para utilização em programas de rotação, aliado ao controle de plantas daninhas, hospedeiras alternativas do nematoide de cisto em lavouras de soja, aumenta a eficiência da rotação de culturas (Diogo et al., 2000). Além destas medidas, o manejo adequado do solo, mantendo níveis mais altos de matéria orgânica, saturação de bases dentro do recomendado para cada região, parcelamento de potássio em solos arenosos, adubação equilibrada e suplementação de micronutrientes aumentam a tolerância da soja ao nematoide (Dias et al., 2000). De acordo com Embrapa (2008), a capacidade das plantas de soja em tolerar a infecção pelo nematoide de cisto pode ser aumentada através do manejo adequado do solo, mantendo-se os teores de matéria orgânica e a saturação de bases dentro dos padrões recomendados, através de realização de adubações equilibradas, além de suplementação nutricional e plantio em solos com boa permeabilidade. 2.3 INFLUÊNCIA DE HERBICIDAS SOBRE FITOPATÓGENOS Alguns cuidados devem ser tomados no momento da realização do controle de plantas daninhas na cultura da soja, pois, de acordo com Putnan & Penner (1974), os efeitos dos herbicidas podem influenciar o desenvolvimento de doenças. Segundo Rizzardi et al. (2003), depois de o herbicida ser absorvido pela planta e atuar em seu local primário 15 de ação, vários eventos bioquímicos e fisiológicos relacionados ocorrem sequencialmente. Alguns desses efeitos podem interferir nas reações das plantas ao ataque de patógenos, com influências, tanto positivas quanto negativas, na severidade de doenças e na indução à síntese de fitoalexinas. Resultados de pesquisas mostram que o uso de herbicidas do grupo químico dos difeniléteres, ao qual pertencem produtos como lactofen e acifluorfen, reduzem a severidade de doenças em diferentes culturas (Lydon & Duke, 1989), pois inibem a protoporfirinogênio oxidase (PROTOX), uma enzima envolvida na biossíntese de citocromos de clorofila, na rota fotossintética (Dan Hess, 2000). A inibição da PROTOX produzem formas reativas de oxigênio (FROs) e peroxida lipídios. As FROs formadas mediam a ativação de genes de defesa responsáveis pela síntese de fitoalexinas e também pela reação de hipersensibilidade. A função da FRO, como H2O2 (peróxido de hidrogênio), na indução de respostas de defesa é embasada na descoberta de que a expressão constitutiva de uma oxidase geradora de H2O2 em plantas transgênicas confere resistência de amplo espectro aos patógenos, provavelmente como resultado da indução de genes relacionados à defesa, lignificação das paredes celulares ou produção de ácido salicílico (Bowler & Fluhr, 2000). Dessa forma, essas formas reativas de oxigênio (FROs) formadas explicam o acúmulo de gliceolina, em folhas, com a aplicação do herbicida lactofen, conforme relatado por Hammerschmidt (1999). Dann et al. (1999) verificaram, em três anos de trabalho, que a ocorrência de Sclerotinia sclerotiorum em soja foi menor naqueles tratamentos que receberam subdoses (0,04 kg ha-1 a 0,11 kg ha-1) do herbicida lactofen. Em outro trabalho, Sanogo et al. (2000) constataram diminuição na severidade de ataque radicular de Fusarium solani f.sp. glycines, em soja, após a aplicação de dose comercial de lactofen (0,22 kg ha-1). Nesse mesmo enfoque, Hammerschmidt (1999) investigou o mecanismo pelo qual este herbicida induz resistência em soja a S. sclerotiorum, e constatou que, associado à indução da resistência, houve acúmulo da fitoalexina gliceolina. Para Sanogo et al. (2000), lactofen induz respostas mediadas pela planta, como a produção de gliceolina, que estão envolvidas na supressão da doença. Os herbicidas também podem reduzir a densidade dos nematoides, por controlar os hospedeiros alternativos. Podem apresentar, também, efeitos diretos sobre a população de nematoides, que incluem a inibição da eclosão dos ovos, a restrição da 16 migração dos juvenis para as plantas hospedeiras e a inibição do desenvolvimento dos nematoides dentro das raízes das plantas hospedeiras (Levene et al., 1998a). De acordo com estes autores, os ovos de H. glycines, quando incubados em soluções com acifluorfen, têm apresentado inibição de eclosão. Ocorre também redução na densidade populacional de nematoides nas parcelas em que são aplicadas trifluralina ou nematicidas fenamiphós e aldicarb, individualmente ou em misturas. A trifluralina e o pendimethalin, quando aplicados em dobro da concentração recomendada, reduzem a densidade populacional do nematoide, no segundo estádio juvenil (J2), sem afetar a produção da soja (Levene et al., 1998b). Nas áreas infestadas com H. glycines, os autores observaram, quando as parcelas foram tratadas com os herbicidas pós-emergentes acifluorfen e bentazon, houve redução na densidade populacional do nematoide em comparação com aquelas que não receberam os herbicidas. Alguns estudos mostram que certos herbicidas apresentam efeitos adversos que levam ao aumento na ocorrência de doenças em várias culturas (Lydon & Duke, 1989). O glifosato é o principal herbicida que afeta diretamente a síntese de compostos secundários. Este herbicida, não-seletivo, bloqueia a rota do ácido shiquímico pela inibição da enzima 5-enolpiruvilshiquimato 3-fosfato sintase (EPSPsintase). A inibição da EPSPsintase reduz a disponibilidade de aminoácidos aromáticos (triptofano, fenilalanina e tirosina), e ocasiona a formação de ácido cinâmico e seus derivados, inibindo, desse modo, a produção de ácidos hidroxifenólicos, de flavonóides e de compostos fenólicos mais complexos, como a lignina (Weaver & Herrmann, 1997). Assim, o glifosato é um inibidor específico da conversão de shiquimato a corismato, o que leva à redução na biossíntese de fenilalanina e, por conseqüência, de fitoalexinas. Resultados obtidos por Sharon et al. (1992) mostram que o glifosato inibe a produção e o acúmulo de fitoalexina em Senna obtusifolia (fedegoso), sendo que a concentração subletal (50 uM) aplicada juntamente com conídios de Alternaria cassiae suprimiu em 80% o acúmulo de fitoalexina, 24 horas após a inoculação. Estes autores constataram que a severidade foi maior e a infecção ocorreu com menor densidade de inóculo. Assim, o glifosato suprimiu a elicitação de outros compostos fenólicos não-fitoalexinas, mostrando que pode inibir a produção de outros precursores em diferentes rotas de defesa, como a biossíntese de lignina. Keen et al. (1982) constataram que o uso de subdoses de glifosato (4 mg.mL-1) bloqueou completamente a expressão da resistência de soja a Phytophthora megasperma f. 17 sp. glycinea. As plantas apresentaram sintomas da doença 48 horas após aplicação. Os autores observaram ainda, que o glifosato inibiu o acúmulo de gliceolina. Após a introdução das cultivares de soja resistentes ao glifosato nos Estados Unidos, a maior ocorrência de S. sclerotiorum (Lee et al., 2000) e de F. solani f. sp. glycines (Sanogo et al., 2000) foi relatada em cultivares de soja resistentes ao herbicida do que em cultivares convencionais. Contudo, não parece razoável assumir uma relação direta de causa-efeito entre o uso de cultivares com o gene da EPSPSintase insensível ao glifosato e a ocorrência dos patógenos citados. Até o momento, pesquisas que avaliam o impacto do uso contínuo de herbicidas à base de glifosato na severidade de doenças são reduzidas e com resultados divergentes. Num desses trabalhos, Sanogo et al. (2000) pulverizaram glifosato (840 g i.a. ha-1) em cultivares resistentes e observaram que a severidade foliar de F. solani f. sp. glycines foi similar à da testemunha; porém, a severidade da doença nas raízes aumentou em plantas tratadas com o herbicida. Os autores sugerem que cultivares tolerantes e não tolerantes ao patógeno respondem de forma semelhante ao herbicida. As diferenças nos resultados das pesquisas podem estar associadas ao possível efeito do herbicida na produção de fitoalexinas ou de lignina. Entretanto, esses dados ainda não foram avaliados e a fitotoxicidade somente foi observada por Sanogo et al. (2000). Para esses autores, a resistência ao glifosato não se traduziu em redução no estresse causado pelo herbicida, em nível que minimizasse a ocorrência da doença. Assim, a existência de estresse herbicida explicaria o aumento significativo na severidade da doença. Investigações adicionais são necessárias para explicar o efeito do uso de glifosato na ocorrência de doenças. Como revisado por Bostian et al. (1984b), os herbicidas podem afetar os nematoides por quatro maneiras. Alguns têm efeito não significativo; outros, indiretamente reduzem a população dos nematoides através do controle de várias plantas daninhas hospedeiras; alguns têm ação nematicida; e certos herbicidas intensificam a reprodução do nematoide. A aplicação de herbicidas em combinação com outros produtos químicos pode ter impacto importante sobre a atividade de um ou ambos os compostos, e efeitos sobre os microrganismos alvo. Bostian et al. (1984a) avaliaram o efeito ″in vitro″ dos herbicidas alachlor e fenamifos sobre H. glycines, em que fenamifos em doses baixas (0,5 µg.mL-1 do ia), em combinação com alachlor (0,06 µg.mL-1 – 1,0 µg.mL-1 do i.a.), resultou num 18 aumento da eclosão. Constataram também que a sobrevivência do nematoide é ligeiramente aumentada pelo herbicida. A forte atividade biológica que os herbicidas possuem com as plantas possibilita que estes sejam eficientes no controle de plantas daninhas. Contudo, podem causar alterações no seu metabolismo, principalmente no metabolismo secundário, como em compostos responsáveis pela defesa da planta a fitopatógenos. Estas alterações podem influenciar na severidade das doenças, uma vez que esses compostos, responsáveis pela defesa da plantas, são ativados quando ocorre a invasão das plantas por fitonematoides (Trudgill, 1991). Na relação parasítica nematoide-planta são observadas mudanças na expressão gênica, correlacionadas com ferimentos ou respostas de defesa. Em interações compatíveis e incompatíveis ocorre a indução da maioria dos genes de defesa, e o que diferencia essas interações é o nível e o tempo de expressão destes genes (Faria et al., 2003). As respostas de defesa das plantas a nematoides podem ser divididas em préformadas, locais e sistêmicas. Compostos pré-formados podem ser particularmente efetivos nos eventos iniciais como penetração e alimentação. Nas plantas resistentes, a reação no local de infecção impede e/ou limita o desenvolvimento do nematoide no tecido vegetal (Fonseca & Jaehn, 2000). A interação específica entre uma planta hospedeira carregando um gene de resistência “R” e um patógeno invasor carregando um gene de avirulência “Avr”, frequentemente, leva a uma reação de hipersensibilidade HR, reconhecida fenotipicamente como uma reação de resistência. Em nível celular, essa reação é caracterizada pela ocorrência de apoptose (morte celular programada), nas células infectadas das plantas, observando-se, inicialmente, um intenso estresse oxidativo (Daugrois et al., 1990; Hwang et al., 1997). Estas alterações bioquímicas intracelulares visam delimitar a região infectada, evitando a disseminação da doença na planta. Em sequência à expressão “HR”, ocorre o disparo de uma reação em cadeia nas células ativadas, resultando em várias respostas contra o patógeno, como o reforço da parede celular, a produção de fitoalexinas e a ativação de ″Proteínas Relacionadas à Patogênese″ “PRP” (Daugrois et al., 1990; Hwang et al., 1997). Este efeito cascata é reconhecido como a resistência sistêmica adquirida “SAR”, que prepara a planta contra o processo de invasão e colonização (Resende et al., 2007). 19 Além da reação de hipersensibilidade, estudos têm mostrado que a resistência em plantas parasitadas por nematoides de galhas pode ocorrer por diversos mecanismos como: produção de fitoalexinas, acúmulo de compostos fenólicos, atividade da enzima fenilalanina amonialiase, acúmulo de peroxidases, polifenoloxidases, inibidores de proteinases e quitinases (Bowles et al., 1991). As “PRPs” são um conjunto diversificado de moléculas, que podem agir direta ou indiretamente contra o patógeno. Em condições de homeostase celular, sua presença é verificada em níveis basais. Entretanto, a ativação de algumas vias metabólicas relacionadas à defesa da planta pode ocorrer por meio de isolados avirulentos, bem como por indutores químicos, resultando no aumento da expressão destas proteínas. As enzimas peroxidase (EC 1.11.1.7) e ß-1,3-glucanase (EC 3.2.1.39) são reconhecidas como PRP (Agrios, 2004). As proteínas relacionadas à defesa das plantas podem ser divididas em três grupos: aquelas que alteram diretamente as propriedades da matriz extracelular; proteínas que têm mostrado propriedades tóxicas diretas sobre o patógeno; e proteínas que aparentemente podem estar correlacionadas com a resposta de defesa, mas com função desconhecida (Bowles, 1990). As peroxidases possuem diversas funções na defesa celular das plantas, como lignificação e metabolismo de parede celular. Macromoléculas polimerizadas pelas peroxidases também são depositadas na superfície extracelular, fortalecendo a parede celular, dificultando a invasão por patógenos e a expansão celular (Bowles, 1990). A ß-1,3glucanase exibe uma ação direta sobre o patógeno agressor. Sua ação reside no fato de catalisar a reação de degradação do polímero de glicose, formado por ligações do tipo ß1,3 presentes na estrutura da parede celular do microrganismo (Cornelissen & Melchers, 1993). Enfim, as plantas necessitam defender-se continuamente do ataque de agentes biológicos e de estresses do ambiente. Para isso, ativam seus os mecanismos de defesa, em que cada célula possui, tanto capacidade de defesa induzida, quanto pré-formada. Esta ativação pode ser induzida por herbicidas, como é o caso do daqueles do grupo químico dos difeniléteres, que atuam inibindo a protoporfirinogênio oxidase (PROTOX) e produzindo, por conseqüência, formas reativas de oxigênio, as quais mediam a ativação de genes de defesa responsáveis pela síntese de fitoalexinas e, também, por reação de hipersensibilidade. Entretanto, o uso de herbicidas a base de glifosato pode ocasionar efeito 20 contrário, diminuindo a produção de fitoalexinas e aumentando a severidade de doenças. A constatação desses efeitos implica na a adoção de estratégias de manejo que minimizem seus impactos negativos ou que se beneficiem desses efeitos (Dan Hess, 2000; Rizzardi et al., 2003). 21 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 EXPERIMENTOS NA SAFRA 2006/2007 Na safra 2006/2007, foram conduzidos dois experimentos em áreas naturalmente infestadas. Um deles no município de Campo Alegre de Goiás (área 1), situado a 17o38´14.93´´ de latitude Sul e 47o46´33.26´´ de longitude Oeste, com 877 m de altitude e com presença da raça 14 de H. glycines. O outro foi conduzido no município de Gameleira de Goiás (área 2), que está localizado a 16o 27´52.31´´ de latitude Sul e a 48o40´12.47´´ de longitude Oeste, à 955 m de altitude, com presença de H. glycines, raça 3. O delineamento foi em de blocos casualizados, com três repetições. Os tratamentos foram arranjados em esquema fatorial 4 x 4 + 1, sendo quatro cultivares (BRSGO Ipameri – resistente a H. glycines; BRSGO Luziânia – suscetível a H. glycines; BRSGO Jataí – suscetível a H. glycines; BRS Silvânia RR – suscetível a H. glycines e resistente ao glifosato); quatro formas de controle de plantas daninhas (arranquio manual, chlorimuron-etil + lactofen, chlorimuron-etil e haloxyfop-metil); e o tratamento adicional representado pela combinação da cultivar transgênica BRS Silvânia RR e o herbicida glifosato. Foram utilizados três blocos de vinte parcelas cada um. Assim, cada uma das combinações fatoriais 4 x 4 foi aplicada, ao acaso, a uma parcela de cada bloco, perfazendo 16 parcelas. As outras quatro parcelas do bloco receberam, também por sorteio, quatro repetições da combinação cultivar transgênica e herbicida glifosato, buscando-se maior balanceamento entre os níveis de tratamento. As cultivares de soja foram semeadas em parcelas de seis linhas (identificadas de 1 a 6), espaçadas de 0,5 m entre si, com 6,0 m de comprimento. As duas linhas externas (linhas 1 e 6) serviram de bordadura; nas linhas intermediárias 2 e 5 foram avaliados o índice de área foliar (IAF), a produção de biomassa e a massa seca; e as linhas centrais 3 e 4 foram reservadas para a avaliação da produtividade de grãos. No momento da semeadura, em cada parcela foram coletadas amostras de solo, para quantificação da população inicial de cistos de H. glycines. Para isto, quatro amostras 22 simples de solo foram coletadas em pontos aleatórios de cada parcela, de modo que a união destas originou a amostra composta. Da amostra composta retirou-se a amostra de trabalho com 100 cm3 de solo. Esta amostra foi submetida à extração dos cistos, depositando-a em um Becker com água. Posteriormente a suspensão foi homogeneizada para a retirada dos torrões e liberação dos cistos que poderiam estar presentes no interior de torrões. Esta suspensão foi vertida em um conjunto de peneiras sobrepostas de 20 mesh e 60 mesh, e este procedimento foi repetido duas vezes. Os cistos retidos na peneira de 60 mesh foram recolhidos em copos de Becker, e a suspensão obtida foi filtrada em papel de filtro sobre calha telada (Andrade et al., 1995). Após a drenagem do excesso de água da suspensão, o papel filtro foi colocado sobre placa de acrílico (10 cm x 32 cm) e levado para o microscópio estereoscópico (aumento de 10 x) para quantificação direta do número de cistos viáveis. Foram considerados cistos viáveis aqueles que, ao serem rompidos, apresentavam ovos no seu interior (Tihohod, 1993). A população de cistos foi avaliada, novamente, aos quarenta e oitenta dias após a semeadura e, na colheita determinou-se a população final. As cultivares de soja foram semeadas em densidade populacional de 500 mil plantas por hectare. Quando as plantas estavam em estádio V4-V5 (Fehr & Caviness, 1977), os herbicidas foram aplicados, segundo recomendação dos fabricantes, em pósemergência, utilizando-se pulverizador pressurizado a CO2, com pressão de 4 kgf.cm-2, vazão de 200 L.ha-1 e bicos tipo leque. O controle manual das plantas daninhas foi realizado, por meio de capina, no mesmo dia da aplicação dos herbicidas. O índice de área foliar (IAF) foi avaliado às duas e seis semanas após a aplicação de herbicidas. Foram coletadas quatro plantas, aleatoriamente (nas linhas intermediárias 2 e 5), as quais foram armazenadas em sacos plásticos devidamente identificados e encaminhadas para laboratório de nematologia. Em laboratório, as folhas das plantas foram separadas do caule e das hastes, e direcionadas ao aparelho Portable Area Metter LI-COR Modelo LI 3000, para a medição da área foliar. Após a determinação do IAF, as plantas foram armazenadas em sacos de papel devidamente identificados, e levadas para estufa com ventilação forçada à temperatura de 65 C ̊ , por um período de sete dias, até peso constante, obtendo-se assim a massa seca. A determinação da produção de biomassa foi realizada quando as plantas estavam nos estádios R3 e R8 (Fehr & Caviness, 1977). Esta determinação foi realizada por meio da 23 coleta de plantas em 1,0 m de linha (linhas 2 e 5). As plantas foram cortadas rente ao solo e armazenadas em sacos de papel, devidamente identificados, e levadas para secar em estufa com aeração forçada à temperatura de 65oC, até obtenção de peso constante. O material foi pesado em balança digital e convertido para g.m-2. No decorrer da condução do experimento constatou-se a presença da doença ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi). Para o controle desta doença foram realizadas três aplicações de fungicidas, entretanto devido à alta severidade apresentada pela doença os dados de produtividade não foram obtidos nos ensaios conduzidos em Campo Alegre de Goiás e Gameleira de Goiás. 3.2 EXPERIMENTO NA SAFRA 2009/2010 O experimento da safra 2009/2010 foi conduzido no município de Gameleira de Goiás, em área localizada a 16o 26´16.8´´ de latitude Sul e a 48o46´39.4´´ de longitude Oeste, a 985 m de altitude, em área também naturalmente infestada por H. glycines, raça 3. Adotou-se o delineamento de blocos casualizados em esquema fatorial 2 x 4 + 2, com quatro repetições. Os fatores de tratamentos consistiram em: a) cultivares, com dois níveis: BRSGO Chapadões (resistente a H. glycines) e BRSGO 8360 (suscetível a H. glycines), ambas convencionais; e b) métodos de controle das plantas daninhas, com quatro níveis: controle manual das plantas daninhas, lactofen (180g do i.a. ha-1), chlorimuron-etil (20 g do i.a. ha-1), haloxifop-r (63,35g do i.a ha-1 + 0,5% (v/v) de óleo mineral). Os dois tratamentos adicionais consistiram das combinações entre a cultivar BRS Valiosa RR (suscetível a H. glycines e resistente ao glifosato) com o controle manual da plantas daninhas e com o controle químico via herbicida glifosato. O experimento foi constituído de quatro blocos, com treze parcelas cada. A cultivar BRS Valiosa RR, que possui gene que confere resistência ao herbicida glifosato recebeu apenas este herbicida, não recebendo os demais herbicidas pós-emergentes lactofen, clorimuron e haloxifop. Dessa forma, para a obtenção de maior balanceamento no entre os níveis de tratamentos, as parcelas semeadas com a cultivar BRS Valiosa RR que deveriam ser combinada com os demais herbicidas, receberam, aleatoriamente, a aplicação do herbicida glifosato. Assim, a combinação BRS Valiosa RR e herbicida glifosato esteve presente em quatro parcelas de cada bloco. 24 Os tratamentos foram dispostos em parcelas de por oito linhas, espaçadas de 0,5 m entre si, com 6,0 m de comprimento. As duas linhas externas (linhas 1 e 8) foram utilizadas como bordaduras; as linhas intermediárias 2 e 7, utilizadas para as avaliações de biomassa e índice de área foliar (IAF); as próximas duas (linhas 3 e 6), para a avaliação populacional de H. glycines; e as linhas centrais 4 e 5 foram reservadas para a avaliação da produtividade de grãos. As cultivares de soja foram semeadas em densidade populacional de 500 mil plantas por hectare. Os herbicidas foram aplicados, em pós-emergência, utilizando-se um pulverizador pressurizado a CO2, com pressão de 4 kgf.cm-2, vazão de 200 L.ha-1 e bicos tipo leque. O controle manual de plantas daninhas e a aplicação dos herbicidas foram realizados quando as plantas estavam em estádio V4-V5 (Fehr & Caviness, 1977), logo após a primeira avaliação de fêmeas de H. glycines (trinta dias após semeadura). A população inicial de H. glycines foi determinada no momento da semeadura, por meio de quatro amostras simples de solo, em cada parcela, que resultou numa amostra composta. Desta amostra retirou-se a amostra de trabalho, de 100 cm3 de solo. As amostras foram submetidas à extração e quantificação de cistos como descrito anteriormente (Tihohod, 1993). Após determinar o número de cistos por 100 cm3 de solo, foi realizada a quantificação de ovos por cisto. Para esta avaliação foram recolhidos, de cada amostra, dez cistos, aleatoriamente, depositando-os sobre um conjunto de peneiras sobrepostas de 100 mesh e 400 mesh. Estes cistos foram rompidos com o auxílio de bastão de vidro, sob água corrente, para a obtenção dos ovos, que ficaram retidos na peneira de 400 mesh. Em seguida, os ovos foram quantificados sob microscópio óptico (aumento de 40 x) com auxílio de Câmara de Peters. Aos 45 e 60 dias após a semeadura e na finalização do experimento (população final), foram realizadas novas amostragens para determinação do número de cistos e ovos por cisto. As avaliações do número de fêmeas de H. glycines foram realizadas aos 30, 45 e 60 dias após o plantio. Na avaliação realizada aos 30 dias, os métodos de controle das plantas daninhas ainda não haviam sido aplicados, de modo que esta não reflete qualquer influência destes métodos. Para a quantificação do número de fêmeas de H. glycines por grama de raiz, foram coletas quatro plantas, por parcela, aleatoriamente. Para a extração das fêmeas, o sistema radicular foi lavado sob jatos fortes de água sobre um conjunto de peneiras 25 sobrepostas de 20 mesh e 60 mesh, para retirada das fêmeas. As fêmeas que ficaram retidas na peneira de 60 mesh foram recolhidas e acondicionadas em copos de Becker. A suspensão contendo as fêmeas foi filtrada em papel de filtro sobre calha telada (Andrade et al., 1995). Após drenar o excesso de água, o papel filtro foi colocado sobre placa de acrílico (10 cm x 32 cm) e levado para microscópio estereoscópico (aumento de 10 x) para quantificação direta do número de fêmeas de H. glycines. Após essa quantificação, foram recolhidas, de cada amostra, dez fêmeas, aleatoriamente. Estas foram depositadas sobre um conjunto de peneiras sobrepostas de 100 mesh e 400 mesh. Posteriormente, foram rompidas com o auxílio de um bastão de vidro, sob água corrente, para a obtenção dos ovos que, os quais ficaram retidos na peneira de 400 mesh. Os ovos foram, então recolhidos e quantificados sob microscópio óptico (aumento de 40 x), com auxílio de Câmara de Peters. Após a extração das fêmeas, obtevese o peso fresco de raízes, sendo os dados expressos em número de fêmeas por grama de raiz. O índice de área foliar (IAF) foi avaliado duas e seis semanas após a aplicação dos métodos de controle de plantas daninhas. Para esta determinação, foram coletadas quatro plantas por parcela. A mensuração da área foliar foi realizada em todas as folhas das plantas coletadas, utilizando-se o aparelho ″Portable Area Metter″ LI-COR Modelo LI 3000, como descrito anteriormente. Foram realizadas, ainda, duas avaliações de produção de biomassa, a primeira quando a cultura estava em estádio R1-R2, e a segunda em estádio R5.1-R5.2. Para isto, plantas de soja presentes em 1,0 m das linhas intermediárias (linhas 2 e 7) foram cortadas rente ao solo, contadas e levadas para secar em estufa sob aeração forçada e temperatura de 65oC, até obtenção de peso constante. O material foi pesado em balança digital e o peso foi convertido em g.m-2. No estádio R5.1-R5.2, além das avaliações de produção de biomassa foram realizadas avaliações de peso fresco e seco das vagens formadas. No decorrer da condução do experimento foram realizadas três pulverizações para controle da doença ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi). As pulverizações foram realizadas com pulverizador pressurizado a CO2, utilizando-se vazão de 200 L.ha-1. Os fungicidas utilizados, na forma de misturas, foram respectivamente: Picoxistrobina + Ciproconazol, Tebuconazol + trifloxistrobina e Picoxistrobina + Ciproconazol, na 26 primeira, segunda e terceira aplicações. Devido à alta severidade apresentada por esta doença, os dados de produtividade não foram obtidos para esse ensaio. 3.3 ANÁLISE ESTATÍSTICA Os dados dos três experimentos foram submetidos a testes de normalidade e homogeneidade de variância. Uma vez atendidas às pressuposições estatísticas, foi realizada análise de variância com teste F (Snedecor), em nível de 5% de probabilidade. Para as comparações de médias de tratamentos foram construídos e testados contrastes ortogonais, com significância estatística avaliada pelo “t” de Student, (5% de significância). Estas análises foram implementadas no aplicativo computacional SAS (Statistical Analysis System), uso de procedimento PROC GLM (SAS Institute, 1999). Os testes estatísticos foram realizados com dados transformados em potência Box & Cox (1964). As análises de regressões foram realizadas quando as épocas de avaliação influenciaram significativamente as variáveis estudadas. Estas análises foram realizadas utilizando o aplicativo computacional SISVAR (Ferreira, 2000). 27 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 INTERAÇÃO ENTRE HERBICIDAS E CULTIVARES DE SOJA SOBRE O DESENVOLVIMENTO POPULACIONAL DE Heterodera glycines, NAS SAFRAS 2006/2007 E 2009/2010. A população inicial de H. glycines, determinada pelo número de cistos viáveis nas áreas experimentais de Campo Alegre de Goiás e Gameleira de Goiás, safra 2006/2007, apresentou-se com população uniforme (Tabela 1). Para Noel & Max (2009), o nível populacional do fitonematoide H. glycines é fator que deve ser observado, devido à sua relevância. Este fitonematoide, em baixos níveis populacionais, torna a tomada de decisão, quanto à influencia dos herbicidas sobre a população do fitonematoide, imprecisa pois, as diferenças observadas podem ou não serem válidas. Aos quarenta dias após a semeadura, no experimento conduzido em Campo Alegre de Goiás (área 1), não houve interação significativa entre os fatores. Não se verificou influência dos métodos de controle de plantas daninhas sobre o número de cistos viáveis recuperados das amostras coletadas. Também não foram verificadas diferenças entre as cultivares avaliadas (Tabela 1). Já na avaliação realizada aos oitenta dias após a semeadura constatou-se a existência de interação significativa entre as cultivares e os herbicidas, sendo que nas parcelas em que os herbicidas clorimuron+lactofen foram aplicados, houve diferença entre as cultivares convencionais e transgênica (Apêndice A). Os desdobramentos dos efeitos de tratamentos em contrastes ortogonais mostraram que a cultivar transgênica BRS Silvânia RR reduziu significativamente (P≤0,05) a formação de cistos em relação a cultivar suscetível BRSGO Luziânia (Tabela 1). Nesta mesma época observou-se menor formação de cistos viáveis (P≤0,05), na cultivar BRS Silvânia RR, com a aplicação de clorimuron+lactofen em comparação com o controle manual e com o uso de haloxifop (Tabela 1). 28 Tabela 1. Número médio1 de cistos viáveis recuperados em 100 cm3 de solo nas áreas experimentais de Campo Alegre de Goiás (raça 14) e Gameleira de Goiás (raça 3), safra 2006/2007, em função dos diferentes métodos de controle de plantas daninhas,cultivares de soja e épocas de avaliação2. Cultivares 1 Manual BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 270 180 228 220 225 A BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 174 179 239 217 202 A BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 162 243 229 237 B 218 BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 123 207 115 A 167 153 BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 119 132 113 132 124 A BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 191 bc AB 85 a A 118 ab 212 c 151 BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 177 162 161 180 170 A BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 199 184 163 214 190 A Métodos de controle Clorimuron + Clorimuron Lactofen Campo Alegre de Goiás (área 1) População inicial 263 231 197 240 188 193 237 183 221 A 212 A 40 d.a.s 205 236 235 173 140 129 205 209 196 A 187 A 80 d.a.s 175 ab 216 219 b 154 137 ab 188 73 a A 175 AB 151 183 População final 111 ab 193 155 bc 138 95 a A 154 AB 211 c 135 143 155 Gameleira de Goiás (área 2) População inicial 123 129 150 129 105 122 134 116 128 A 124 A 40 d.a.s 130 A 244 B 170 B 149 AB 196 163 162 122 164 169 80 d.a.s 174 232 216 161 233 170 236 157 214 A 180 A População final 173 275 b 223 156 a 280 190 ab 223 179 ab 225 A 200 A Médias Haloxifop Glifosato 200 238 156 104 175 A 212 212 A 241 a 214 a 191 a 199 a 169 149 166 207 173 A 219 219 A 196 a 184 a 169 a 214 a 298 191 222 205 B 229 227 B 227 213 202 194 200 111 a 176 ab 231 b B 168 ab 171 174 174 134 169 149 172 122 122 A 120 a 134 a 116 a 124 a 152 152 174 145 163 155 240 229 199 166 208 A 184 184 A 206 a 192 a 191 a 184 a 183 242 233 170 207 A 219,92 219 A 207 a 201 a 216 a 208 a 109 123 126 126 121 A 131 A 175 B 177 138 155 Médias apresentadas em escala original, porém com testes estatísticos resultantes da transformação potência Box & Cox (1964). Médias seguidas de letras distintas minúsculas, nas colunas, e maiúsculas nas linhas diferem entre si pelo teste de ″t″ em nível de 5% de probabilidade. 2 Épocas expressas em dias após a semeadura (d.a.s.). 29 A redução no número de cistos com a aplicação de clorimuron+lactofen pode ter ocorrido por ação do herbicida lactofen, uma vez que este pertence ao grupo químico dos difeniléteres, que são responsáveis por aumento nos níveis de diversos compostos secundários (Devine et al., 1993). Lydon & Duke (1989) relataram que o tratamento com 5 ppm de acifluorfen (grupo químico difeniléteres) aumentou 75 vezes o conteúdo de gliceolina em folhas de soja; o de pisatina, 47 vezes em ervilha; e o de medicarpina, 19 vezes em feijão. Segundo Dan Hess (2000), o mecanismo de ação do herbicida lactofen é por inibição da protoporfirinogênio oxidase (PROTOX), uma enzima envolvida na biossíntese de citocromos de clorofila na rota fotossintética. A inibição da PROTOX produz FROs (formas reativas de oxigênio) e peroxida lipídios (Devine et al., 1993). As FROs mediam a ativação de genes de defesa responsáveis pela síntese de fitoalexinas e, também, por reação de hipersensibilidade (Dangl et al., 2000). A função de FRO, como H2O2, na indução de respostas de defesa é embasada na descoberta de que a expressão constitutiva de uma oxidase geradora de H2O2, em plantas transgênicas, confere resistência de amplo espectro aos patógenos, provavelmente como resultado da indução de genes relacionados à defesa, lignificação das paredes celulares ou produção de ácido salicílico (Bowler & Fluhr, 2000). Dessa forma, as FROs formadas explicam o acúmulo de gliceolina em folhas tratadas pelo herbicida lactofen, conforme relataram Dann et al. (1999), Hammerschmidt (2000) e Sanogo et al. (2000). Embora esse tipo de avaliação não foi realizada no presente estudo isto possivelmente pode ocorrido, proporcionando assim, reduções na formação dos cistos. Entretanto, estudos mais detalhados são necessários para se identificar o efeito específico de haloxifop sobre populações de H. glycines. Em estudo realizado com o herbicida lactofen, Dann et al. (1999) verificaram que, sob condições de campo, durante três anos, o herbicida lactofen demonstrou-se supressivo à podridão da haste ocasionada por Sclerotinia. Nesse mesmo estudo verificaram que a aplicação de clorimuron etil associado à thifensulfuron metil não apresentou efeito na redução do índice de severidade da doença, relativamente ao tratamento controle utilizando água. Nas avaliações da população final de cistos viáveis houve interação significativa entre as cultivares e os herbicidas, em que a cultivar BRS Silvânia RR possibilitou maior (P≤0,05) formação de cistos, quando aplicado o herbicida clorimuron + lactofen, em comparação com as demais cultivares, exceto para a cultivar suscetível 30 BRSGO Luziânia. Isto possivelmente ocorreu devido ao término do efeito residual destes herbicidas, revertendo a condição de suscetibilidade da cultivar. A aplicação de haloxifop na cultivar BRSGO Jataí resultou em maior formação de cistos viáveis, diferindo (P≤0,05) do controle manual e do uso de clorimuron+lactofen (Tabela 1). Desta forma, verificaramse influências da aplicação do herbicida haloxifop nas cultivares BRS Silvânia RR e BRSGO Jataí, aos oitenta dias após a semeadura e na população final, respectivamente, com maior formação de cisto com a aplicação deste herbicida em comparação com o herbicida clorimuron+lactofen (Tabela 1). Isto, possivelmente, ocorreu devido ao mecanismo de ação do herbicida que, segundo Roman et al. (2007), atua na inibição da acetyl co-enxyme A carboxylase (ACCase), enzima que está envolvida na síntese de ácidos graxos. A suberina, presente nos órgãos subterrâneos, caules lenhosos e nos ferimentos cicatrizados, é um polímero cuja estrutura ainda é pouco compreendida, embora saiba-se que é formada principalmente por ácidos graxos (Taiz & Zeiger, 2006). Entretanto, estudos mais detalhados são necessários para se identificar o efeito específico de haloxifop sobre populações de H. glycines. De maneira geral, espera-se que, após um ciclo de cultivo de soja em que se incluam cultivares suscetíveis, haja aumento na densidade populacional de cistos no solo, já que as plantas, enquanto apresentam raízes desenvolvidas, permitem a formação de novas fêmeas que se tornarão cistos ao final do ciclo da cultura. No entanto, no experimento conduzido em Campo Alegre de Goiás isto não foi observado, pois nota-se que as médias da população final foram as menores ao longo do período de condução do experimento. No experimento conduzido em Gameleira de Goiás (área 2) observou-se a existência de interação significativa entre os herbicidas e as cultivares, e com o desdobramento de tratamentos em contrastes ortogonais que, aos 40 dias após a semeadura houve influência da aplicação dos herbicidas sobre o número de cistos viáveis nas amostras de solo. Isso porque, nas parcelas plantadas com a cultivar suscetível BRSGO Luziânia, observou-se aumento do número de cistos viáveis com o uso de herbicidas, em comparação ao controle manual (Tabela 1 e Apêndice A). Já na cultivar BRSGO Ipameri, que é resistente, o número de cistos viáveis foi menor quando se aplicou os herbicidas clorimuron+lactofen ou haloxifop, em comparação à aplicação de clorimuron (Tabela 1). O herbicida clorimuron pode ter favorecido o aumento na população de cistos viáveis devido 31 ao seu mecanismo de ação, que age na inibição da acetolactato sintase, enzima importante na síntese de aminoácidos (Roman et al., 2007). Aos oitenta dias após a semeadura, não foram observadas influências significativas (P>0,05), nem dos métodos de controle de plantas daninhas, nem das cultivares. Para a população final, quando o herbicida clorimuron foi aplicado, verificou-se influência das cultivares, sendo que a cultivar BRSGO Ipameri, resistente a H. glycines, possibilitou a formação de maior número de cistos do que a cultivar BRSGO Luziânia, suscetível ao nematoide. Isto pode ter ocorrido, também, devido ao mecanismo de ação do herbicida. De maneira geral, chama-se atenção o fato de não ter havido, sistematicamente, diferenças entre a cultivar BRSGO Ipameri, resistente a H. glycines, e as demais, todas, pois esperava-se redução significativa da população do nematoide com o plantio daquela cultivar. Um fator que pode ter contribuído para isto pode ser o fato de se ter avaliado apenas cistos no solo. Embora esta variável e seja um bom parâmetro para o monitoramento e a quantificação da população de H. glycines, esta tende a manifestar-se mais uniforme ou com valores reduzidos quando a população de fêmeas nas raízes aumenta (período vegetativo e de florescimento da cultura), aumentando-se quando a população de fêmeas diminui (final do ciclo da cultura) (Rocha et al., 2007). Em razão desse tipo de inconsistência nos resultados, verificou-se a necessidade de um terceiro ensaio, em que se quantificasse também número de fêmeas e de ovos do nematoide (experimento em Gameleira de Goiás, na safra 2009/2010). Por último, com base nos resultados da safra 2006/2007, pode-se afirmar ainda que, nem o uso da cultivar transgênica BRSGO Silvânia RR, nem o uso do herbicida glifosato impactaram sobre a população de H. glycines no solo. As diferenças observadas foram pontuais, em função do uso de diferentes formas de controle das plantas daninhas ou do plantio de distintas, mas os resultados não seguem um padrão ao longo das épocas de avaliação. No experimento conduzido em Gameleira de Goiás, na safra 2009/2010, verificou-se que as cultivares BRSGO Chapadões e BRSGO 8360, resistente e suscetível a H. glycines, respectivamente, independentes dos herbicidas aplicados (Apêndice B), mantiveram este comportamento diferenciado (P≤0,01), considerando-se as variáveis número de fêmeas por grama de raiz e número ovos por fêmea (Tabela 2). 32 Tabela 2. Número médio1 de fêmeas por grama de raiz e número de ovos por fêmea em diferentes cultivares de soja em função de cinco métodos de controle de plantas daninhas, em área experimental do município de Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. Cultivares Métodos de controle Manual Lactofen Clorimuron Haloxifop Glifosato Médias Fêmeas por grama de raiz 30 d.a.s BRSGO Chapadões (Resist) 0,00 0,00 0,00 0,00 - 0,00 a BRSGO 8360 (Suscet) 33,15 58,58 46,96 38,61 - 44,33 b 60,69 c BRS Valiosa RR (Suscet) Médias 69,34 - - - 58,52 34,16 A 29,29 A 23,48 A 19,31 A 58,52 A 0,09 a 0,22 a 0,04 a 0,06 a - 0,1 9,53 bAB 11,03 b AB 13,62 b A 5,02 b B - 9,8 12,9 45 d.a.s BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 14,40 b - - - 12,52 8,01 5,63 6,83 2,54 12,52 60 d.a.s BRSGO Chapadões (Resist) 0,03 a 0,31 a 0,04 a 0,09 a - BRSGO 8360 (Suscet) 7,31 b 5,90 b 5,22 b 4,85 b - 5,82 BRS Valiosa RR (Suscet) 24,58 c - - - 18,01 19,28 10,64 3,11 2,63 2,47 18,01 Média 0,12 Ovos por fêmea 30 d.a.s BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 0,00 0,00 0,00 0,00 - 0,00 a 167,80 212,33 175,53 155,68 - 177,83 b 178,55 b 149,75 - - - 185,76 108,85 A 106,16 A 87,76 A 77,84 A 185,76 A 45 d.a.s BRSGO Chapadões (Resist) 44,75 24,00 52,50 26,25 - 36,87 a BRSGO 8360 (Suscet) 180,30 196,13 173,03 135,00 - 171,11 b BRS Valiosa RR (Suscet) 160,20 - - - 179,76 175,85 b 128,42 A 110,06 A 112,76 A 80,62 A 179,76 A Média 60 d.a.s BRSGO Chapadões (Resist) 25,00 20,58 17,00 7,75 - 17,58 a BRSGO 8360 (Suscet) 109,75 115,68 91,55 115,53 - 108,12 b BRS Valiosa RR (Suscet) 132,45 - - - 114,3 117,93 b Média 89,07 A 68,13 A 54,28 A 61,64 A 114,3 A 1 Médias apresentadas em escala original, porém com testes estatísticos resultantes da transformação potência Box & Cox (1964). Médias seguidas de letras distintas minúsculas, nas colunas, e maiúsculas nas linhas diferem entre si pelo teste de ″t″ em nível de 5% de probabilidade. 2 Épocas expressas em dias após a semeadura (d.a.s.). Bradley et al. (2003) também observaram que, em uns experimentos realizados os herbicidas pendimethalin, acifluorfen, dimethenamid, metribuzin, imazethapyr 33 aumentaram o fator de reprodução de H. glycines na cultivar resistente e o número de ovos por cisto, com exceção do experimento conduzido em Champaign, em que o fator de reprodução não diferiu entre as cultivares resistentes e suscetíveis, quando o herbicida pendimethalin foi aplicado. Sipes & Schmitt (1989), por outro lado, ao avaliarem o efeito de alachlor e fenamiphos sobre o desenvolvimento de H. glycines, constataram que o solo tratado com alachlor e plantado com a cultivar resistente Centennial desenvolveu duas vezes mais fêmeas maduras do que quando o solo não foi tratado. O herbicida alachlor possui como mecanismo de ação a inibição da síntese de ácidos nucléicos e de proteínas (Roman et al., 2007), o que difere dos mecanismos de ação dos herbicidas estudados no presente trabalho. Houve interação significativa entre os métodos de controle e as cultivares, sendo que efeitos dos métodos de controle foram observados na cultivar BRSGO 8360, (suscetível) aos 45 dias após a semeadura, em que o uso de haloxifop reduziu o número de fêmeas nas raízes em comparação ao uso de clorimuron (Tabela 2). Isto condiz com os resultados obtidos no experimento conduzido também em Gameleira de Goiás, na safra 2006/2007, em que a população de cistos viáveis no solo, aos quarenta dias após a semeadura, foi menor com a aplicação do herbicida haloxifop em comparação ao herbicida clorimuron (Tabela 1). Embora, na safra 2006/2007, isto ocorreu com a cultivar BRSGO Ipameri, resistente a H. glycines. Isso também justifica estudos mais detalhados para se identificar o efeito específico de haloxifop sobre a população de H. glycines, uma vez que este herbicida atua nas plantas inibindo uma enzima que esta envolvida com a síntese de ácidos graxos. Sabe-se que o principal constituinte da suberina, em órgãos subterrâneos da planta, são os ácidos graxos (Taiz & Zeiger, 2006; Roman et al., 2007). O aumento do número de fêmeas com o uso do herbicida clorimuron era mesmo esperado, pois este herbicida possui mecanismo de ação relacionado à inibição da acetolactato sintase (ALS), enzima que possui grande importância na síntese de aminoácidos, catalisando reações como a de condensação de duas moléculas de piruvato para formar uma molécula de acetolactato (Roman et al., 2007). Apesar de nem todos os detalhes terem sido esclarecidos, dois átomos de carbono derivados do piruvato parecem se combinar para a formação de compostos intermediários até a biossíntese de terpenos. Estes compostos constituem o maior grupo de produtos secundários, que podem agir como repelentes (Lichtenthaler, 1999; Taiz & Zeiger, 2006). 34 Não foram verificadas influências (P>0,05) dos métodos de controle de plantas daninhas sobre a variável número de ovos por fêmea, mas tão somente a influência das cultivares avaliadas (Tabela 2) (Apêndice B). Estes resultados contradizem aqueles obtidos por Wong et al. (1993), que observaram efeito direto do herbicida acifluorfen na eclosão dos ovos de H. glycines, bem como reduções de até 67% na eclosão dos ovos, em comparação ao tratamento controle com água deionizada, e de até 78% em relação a soluções de sulfato de zinco. Nessa mesma pesquisa, os herbicidas atrazine, bentazon, cyanazine, clomazone, alachlor, ethalfluralin e trifluralin não apresentaram efeito sobre a eclosão de juvenis de H. glycines. Por outro lado, Levene et al. (1998a), ao avaliarem o efeito de exsudados de plantas tratadas com herbicidas sobre a eclosão de juvenis de H. glycines, constataram que em todos os tratamentos com soluções de exsudados radiculares, a eclosão de juvenis foi similar durante 21 dias de incubação, e em nenhum tratamento houve redução na eclosão de juvenis de H. glycines em relação ao controle com água deionizada. Esses resultados sugerem que a redução na reprodução de H. glycines, observada em plantas de soja tratadas com herbicidas, como verificado por Levene et al. (1998b), não se deu pelas mudanças nos exsudados radiculares após a aplicação dos herbicidas. As moléculas originais dos herbicidas formulados, incluídos em experimentos, não são altamente móveis nas plantas, tornando improvável qualquer efeito direto sobre os nematoides (Humburg, 1989). No entanto, as soluções dos exsudados radiculares estudadas por Levene et al. (1998a) foram coletadas dois dias após a aplicação dos herbicidas. O movimento dos metabólitos dos herbicidas ou produção de outros compostos requerem mais do esse tempo em dias para se acumular. A redução na reprodução de H. glycines, poderia ocorrer se as soluções de exsudados radiculares, fossem coletadas por um longo período de tempo. Para o número de cistos viáveis recuperados no solo, constatou-se uma distribuição uniforme da população inicial (Tabela 3). Apesar disso, a densidade populacional observada nesse experimento foi menor que aquelas observadas nos experimentos conduzidos na safra 2006/2007, tanto em Campo Alegre de Goiás, como em Gameleira de Goiás (Tabela 1). Em geral não se espera grandes variações na população medida pelo número de cistos no solo. No entanto, era esperado que, nas parcelas onde houve plantio de cultivar suscetível, o número de cistos fosse maior que o observado nas parcelas semeadas com cultivar resistente. No entanto, isto somente foi observado aos 45 35 dias após a semeadura quando se aplicou clorimuron ou haloxifop, e aos 60 dias após a semeadura quando se aplicou lactofen ou clorimuron, sendo observada existência de interações significativas entre as cultivares e os herbicidas. Tabela 3. Número médio de cistos viáveis e de ovos por cisto, recuperados em 100 cm3 de solo, em função de diferentes métodos de controle de plantas daninhas e cultivares de soja em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. Cultivares 1 Manual Lactofen BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Médias 45,2 72,7 84,0 67,33 A 65,0 104,0 84,50 A BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 18,00 19,75 37,00 24,92 A 24,25 29,75 27,00 A BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 21,50 25,75 32,25 26,50 A 7,25 a 24,75 b 16,00 A BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 12,75 23,50 29,50 A´ 21,92 14,00 17,25 15,62 BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 99,40 136,80 74,83 103,68 A 121,95 66,25 94,1 A BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 110,8 87,20 136,45 111,48 A 102,16 113,97 108,06 A BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 78,00 a 155,43 b 159,86 b 131,1 A 76,53 a 142,24 b 109,38 A BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 79,95 89,50 89,65 86,37 A 42,66 68,84 55,75 A Métodos de controle Clorimuron Haloxifop Cisto por 100 cm3 de solo1 População inicial 51,7 68,0 56,5 52,5 54,13 A 60,25 A 45 d.a.s 6,00 a 8,00 a 49,75 b 27,50 b 27,88 A 17,75 A 60 d.a.s 5,7 a 19,75 39,5 b 15,00 22,62 A 17,37 A População final 14,75 16,75 27,50 26,75 21,12 21,75 Ovos por cisto1 População inicial 110,40 142,10 83,80 80,70 97,10 A 111,40 A 45 d.a.s 80,88 a 122,15 161,80 b 116,44 121,34 A 119,29 A 60 d.a.s 165,67 64,88 a 129,33 154,34 b 147,5 A 109,61 A População final 58,17 68,85 117,88 92,63 88,02 A 80,74 A Glifosato Médias 59,5 59,50 A 57,5 a 71,4 a 64,4 a 41,75 41,75 A 14,06 a 31,69 a 40,80 a 54,44 54,44 A 13,56 26,25 50,00 55,75 B´ 55,75 14,56 23,75 50,5 108,16 108,16 A 118,46 a 91,89 a 101,49 a 150,29 150,29 A 104,00 119,85 147,52 170,76 170,76 A 96,27 145,33 168,58 113,02 113,02 A 62,4 a 92,21 a 108,34 a Médias apresentadas em escala original, porém com testes estatísticos resultantes da transformação potência Box & Cox (1964). Médias seguidas de letras distintas minúsculas, nas colunas, e maiúsculas nas linhas diferem entre si pelo teste de ″t″ em nível de 5% de probabilidade. As letras A´ e B´correspondem à comparação entre controle manual e o herbicida glifosato (nível de 6% de probabilidade). 2 Épocas expressas em dias após a semeadura (d.a.s.). 36 Uma vez que, aos 45 dias da semeadura verificou-se que, com a aplicação dos herbicidas clorimuron e haloxifop, houve menor formação de cistos na cultivar resistente BRSGO Chapadões (Tabela 3). Nesta mesma avaliação, nas parcelas em que o controle das plantas daninhas foi realizado manualmente ou com uso do herbicida lactofen não houve diferença entre a cultivares resistente (BRSGO Chapadões) e a suscetível (BRSGO 8360) (Apêndice C). Logo pode-se inferir que o herbicida lactofen possibilitou formação de cistos na cultivar resistente igual àquela na cultivar suscetível (Tabela 3). Isto possivelmente ocorreu devido ao estresse ocasionado nas plantas, que apresentaram sintomas visíveis de fitotoxidez (Figura 1) proporcionados por este herbicida, tornado-as mais suscetíveis ao ataque do nematoide. Segundo Sanogo et al. (2000), a existência de estresse ocasionado pela aplicação de herbicidas, em geral explica o aumento na severidade da doença. Figura 1. Sintomas de fitotoxicidade apresentados por plantas de soja após a aplicação do herbicida lactofen (Gameleira de Goiás, safra 2009/2010). Na ausência desse estresse, esperava-se que o número de cistos reduzisse com a aplicação do herbicida lactofen, uma vez que, segundo Rizzardi et al. (2003), os herbicidas pertencentes ao grupo químico dos difeniléteres aumentam os níveis de diversos compostos secundários (Devine et al., 1993). Isso porque os herbicidas difeniléteres induzem a produção de FROs, que mediam a ativação de genes de defesa responsáveis pela 37 síntese de fitoalexinas e, também, por reação de hipersensibilidade (Dangl et al., 2000). Portanto era esperado que houvesse diminuição no número de cistos. Na avaliação subsequente, aos sessenta dias após a semeadura, o efeito do lactofen igualando o número de cistos viáveis nas cultivares resistente e suscetível não mais se manteve, o que, possivelmente, ocorreu pela perda do efeito residual do herbicida (Tabela 3). Neste caso observou-se que o número de cistos viáveis formados na cultivar resistente BRSGO Chapadões (7 cistos / 100 cm3 de solo) diferiu significativamente (P≤0,05) do número formado na cultivar suscetível BRSGO 8360 (25 cistos / 100 cm3 de solo). Nesta mesma avaliação, verificou-se que o número de cistos formados na cultivar resistente (BRSGO Chapadões) não diferiu do número formado na cultivar suscetível (BRSGO 8360) quando o herbicida haloxifop foi aplicado. Observa-se, portanto, que o número de cistos viáveis formados na cultivar suscetível, quando haloxifop foi aplicado, não seguiu o mesmo padrão daqueles observados nos demais métodos de controle nestas cultivares (Tabela 3). Isto possivelmente ocorreu devido à redução (P≤0,05) no número de fêmeas formadas na cultivar suscetível com a aplicação de haloxifop, aos 45 dias após a semeadura (Tabela 2). Nas avaliações da população final de cistos, observou-se maior (P≤0,06) formação de cistos, na cultivar transgênica (suscetível), quando se aplicou o herbicida glifosato, em relação ao controle manual de plantas daninhas (Tabela 3 e Apêndice C). No entanto em todas as demais avaliações não houve efeito do glifosato sobre a população de H. glycines. Em trabalhos conduzidos por Leon et al. (2005), o tratamento da cultivar AG2401 (suscetível a H. glycines e resistente ao glifosato) com este herbicida não afetou a população de H. glycines. Nos experimentos conduzidos por Noel & Wax (2009), também não foram observadas interações significativas entre as cultivares e a aplicação de glifosato sobre a população de H. glycines, em dois anos de condução. Já no terceiro ano de condução do experimento, verificaram uma indicação de que o glifosato exerceu efeito sobre H. glycines, quando observaram aumento no número de ovos associado à cultivar suscetível DSR 320 tratada com glifosato quando comparado com a mesma cultivar não tratada. Os autores, entretanto, ressalvam, que, em apenas um dos três anos, obtiveram número suficiente de nematoides para se determinar se as diferenças observadas são validas ou artificiais, recomendando, assim, estudos adicionais para se confirmar as observações. 38 O herbicida glifosato pode mesmo influenciar a população de H. glycines devido ao seu mecanismo de ação. Este herbicida bloqueia a rota do ácido shiquímico, por meio da inibição da enzima 5-enolpiruvilshiquimato 3-fosfato sintase (EPSPsintase). A inibição desta enzima reduz a disponibilidade de aminoácidos aromáticos (triptofano, fenilalanina e tirosina) e ocasiona a formação de ácido cinâmico e seus derivados, inibindo, desse modo, a produção de ácidos hidroxifenólicos, flavonóides e de compostos fenólicos mais complexos, como a lignina (Weaver & Herrmann, 1997). Assim, o glifosato é um inibidor específico da conversão de shiquimato em corismato, o que leva à redução na biossíntese de fenilalanina e, por consequência, de fitoalexinas (Devine et al., 1993; Weaver & Herrmann, 1997; Rizzardi et al., 2003). Dessa forma, o efeito do glifosato na severidade do patógeno pode ocorrer por seu efeito na redução do acúmulo, tanto de fitoalexinas (Johal & Rahe, 1990; Lévesque & Rahe, 1992), quanto de lignina (Lévesque & Rahe, 1992; Weaver & Herrmann, 1997), possibilitando elevação no estabelecimento de sítios de alimentação de H. glycines (Lambert et al., 2005; Pline-Srnic, 2005). As diferenças nos resultados das pesquisas podem estar associadas ao possível efeito do herbicida na produção de fitoalexinas ou de lignina e, também à sua fitotoxicidade (Rizzardi et al., 2003). Logo são necessários estudos mais detalhados para melhor entender a interação do glifosato com cultivares de soja transgênicas e seus efeitos sobre populações de H. glycines. O número de ovos por cisto não foi influenciado pelos métodos de controle das plantas daninhas e, em nenhuma das cultivares avaliadas (Tabela 3 e Apêndice C). Aos 45 dias após a semeadura, não houve diferença entre as cultivares resistente e suscetível, quando se aplicaram os herbicidas haloxifop e lactofen, assim como no controle manual das plantas daninhas (Tabela 3). Já o herbicida clorimuron reforçou a diferença (P≤0,05) esperada entre estas cultivares, com praticamente metade do número de ovos por cisto na cultivar resistente (BRSGO Chapadões). Contrariamente, na avaliação realizada aos sessenta dias após a semeadura, apenas este herbicida possibilitou que a cultivar resistente se igualasse (P>0,05), na quantidade de ovos por cisto, com a cultivar suscetível. Observase que a formação de ovos por cisto na cultivar resistente não segue o padrão apresentado por esta mesma cultivar nos demais tratamentos, o que, possivelmente, ocorreu devido ao mecanismo de ação deste herbicida, que inibe enzimas responsáveis pela síntese de 39 aminoácidos e a biossíntese de terpenos (Lichtenthaler, 1999; Taiz & Zeiger, 2006; Roman et al., 2007). 4.2 EVOLUÇÃO DOS INDICADORES DE HOSPEDABILIDADE DE Heterodera glycines NO CICLO DA CULTURA A evolução dos números de fêmeas por grama de raiz, de ovos por fêmea, de cistos por 100 cm3 de solo e de ovos por cisto, ao longo das diferentes épocas de avaliação, revelou repostas significativas (P≤0,01) (Figuras 2 a 5), demonstrando a existência de interação significativa entre os fatores cultivares e épocas de avaliação. Verifica-se que houve decréscimo linear do número de fêmeas por grama de raiz nas cultivares BRSGO 8360 e BRS Valiosa RR, que são consideradas suscetíveis a H. glycines (Figura 2). Nestas mesmas cultivares, o número de ovos por fêmea também reduziu linearmente com o passar y = -1,2836x + 77,745 2 R = 0,8266** 50 - 40 30 20 10 0 30 45 60 Épocas de avaliação 70 cultivar BRS Valiosa RR a 60 Número de fêmeas.g ¹ de raiz na 70 - Número de fêmeas.g ¹ de raiz na cultivar BRSGO 8360 das avaliações (Figura 3). b 60 y = -1,3802x + 93,063 2 R = 0,6367** 50 40 30 20 10 0 30 45 60 Épocas da avaliação Figura 2. Efeito das épocas de avaliação sobre o número de fêmeas por grama de raiz nas cultivares BRSGO 8360 (a) e BRS Valiosa RR (b), em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. (** valores significativos a 1% de probabilidade). De maneira geral, em cultivares suscetíveis, espera-se aumento do número de fêmeas durante o período de desenvolvimento das plantas, e decréscimo à medida que estas se aproximam do final do ciclo. Isto ocorre porque com o desenvolvimento das raízes há disponibilidade de sítios de alimentação e, consequentemente, o aumento da densidade populacional do nematoide pela elevação dos sítios de alimentação disponíveis. No final do ciclo, essa tendência se inverte, já que as fêmeas, após o amadurecimento, se 40 transformam em cistos, desprendendo-se das raízes para o solo, onde podem sobreviver por longos períodos. Já com relação ao número de ovos por fêmeas, não se espera grande variação em função das épocas de avaliação. É possível que o estresse causado pela competição entre as plantas daninhas e plantas de soja tenha levado à redução do número 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 a y = -2,3235x + 256,92 2 R = 0,8216** 30 45 60 Épocas de avaliação N ú m ero d e ovos.fêm ea - ¹ n a cultivar B R S V aliosa R R N ú m ero d e o vos.fêm ea - ¹ n a cu ltivar B R S G O 836 0 de fêmeas nas raízes e de ovos por fêmea. 200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 b y = -2,0208x + 248,38 2 R = 0,7834** 30 45 60 Épocas de avaliação Figura 3. Efeito das épocas de avaliação sobre o número de ovos por fêmeas para as cultivares BRSGO 8360 (a) e BRS Valiosa RR (b), em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. (** valores significativos a 1% de probabilidade). Os herbicidas estudados foram aplicados separadamente, e alguns deles são indicados para o controle de folhas largas e outros para folha estreita. Assim, na condução do experimento foi observado desenvolvimento de plantas daninhas e a maioria das espécies presentes na área experimental se comportaram como não hospedeiras de H. glycines. Desta forma, a presença das plantas daninhas por si pode ter exercido algum tipo de estresse nas plantas de soja, e possibilitado redução no número de fêmeas e de ovos por fêmea no decorrer das avaliações (Figura 2). Segundo Alston et al. (1993), plantas de soja estressadas pela presença de plantas daninhas hospedam menos H. glycines do que plantas livres dessas invasoras. Assim, a habilidade de H. glycines em reproduzir em plantas de soja estressadas por plantas daninhas pode ser reduzida, possivelmente, pela competição existente entre a cultura e as plantas daninhas. Esta competição ocorre principalmente por nutrientes e umidade e, também, por fatores indiretos das plantas daninhas sobre o mecanismo fisiológico das plantas. 41 A evolução do número de cistos por 100 cm3 de solo, nas cultivares BRSGO Chapadões e BRSGO 8360 apresentou comportamento semelhante nas duas cultivares (Figura 4). Houve decréscimo da população inicial ao longo do período de condução do ensaio e, posteriormente, aumento no final do ciclo da cultura. Este é um comportamento esperado, pois ao longo do período de desenvolvimento da cultura, os cistos se rompem e os ovos, em seu interior, antes em diapausa, tornam-se ativos e atuam como fonte de inóculo. Desta forma, como consequência, há aumento do número de fêmeas nas raízes no mesmo período. Ao final do ciclo, a tendência se inverte, como já mencionado anteriormente. É importante observar também a posição da curva no gráfico, mostrando que com a cultivar resistente (BRSGO Chapadões) a população apresenta valores mais Núm ero de cisto.100 cm -³ de solo nas cultivares BRSGO Chapadões e BRSGO 8360 baixos que os observados na cultivar suscetível BRSGO 8360 (Figura 4). 70 ■ y = 0,006x - 1,124x + 71,268 60 R = 0,9986** 2 2 ♦ y = 0,0068x - 1,1862x + 56,921 2 2 R = 0,9827** 50 40 30 20 10 0 0 15 30 45 Chapadões 60 75 BRSGO 8360 90 105 120 135 Época das avaliações Figura 4. Efeito das épocas de avaliação sobre o número de cistos por 100 cm3 de solo, nas cultivares BRSGO Chapadões, resistente e BRSGO 8360, suscetível, em Gameleira de Goiás, confirmar safra 2009/2010. (** valores significativos a 1% de probabilidade). O número de ovos por cisto na cultivar BRSGO Chapadões apresentou decréscimo linear ao longo das sucessivas épocas de avaliação, o que pode ter ocorrido devido à resistência desta cultivar a H. glycines (Figura 5). Para as cultivares BRSGO 8360 e BRS Valiosa RR, suscetíveis, verificou-se acréscimo no número de ovos por cisto até as avaliações aos 60 dias após a semeadura e, posteriormente decréscimo nestes valores. Este comportamento também era esperado, uma vez que, durante os períodos vegetativo e reprodutivo as plantas de soja oferecem condições plenas para o desenvolvimento e a 42 reprodução do nematoide, por oferecerem sítios de alimentação suficientes, possibilitando maior formação de ovos por cisto nesse período (Rocha et al., 2007). Já ao final do ciclo da cultura, à medida que a planta entra em senescência, a população do nematoide tende a diminuir por falta de condições para multiplicação, indicando que a fecundidade de H. N ú m e r o d e o v o s .c is t o - ¹ n a c u lt iv a r B R S G O C h a p a d õ e s 180 a 160 140 120 100 80 60 40 20 0 0 y = -0,4559x + 121,5 2 R = 0,9839** N ú m e r o d e o v o s .c is t o -1 n a c u lt iv a r B R S G O 8 3 6 0 glycines é menor no final do ciclo da cultura. 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 b 2 y = -0,0111x + 1,4133x + 90,074 2 R = 0,8772** 0 15 30 45 60 75 90 105 120 135 15 30 45 60 75 90 105 120 135 N ú m e r o d e o v o s .c is t o - ¹ n a c u lt iv a r B R S V a lio s a R R Época das avaliações 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 Época das avaliações c 2 y = -0,0145x + 1,886x + 100,19 2 R = 0,9594** 0 15 30 45 60 75 90 105 120 135 Época das avaliações Figura 5. Efeito das épocas de avaliação sobre o número de ovos por cistos nas cultivares BRSGO Chapadões (a), BRSGO 8360 (b) e BRS Valiosa RR (c), em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. (** valores significativos a 1% de probabilidade). 43 4.3 INTERAÇÃO ENTRE HERBICIDAS E Heterodera glycines SOBRE CARACTERES MORFOLÓGICOS DAS PLANTAS DE SOJA, NAS SAFRAS 2006/2007 E 2009/2010. Nas avaliações de massa seca e biomassa em todas as épocas de avaliação, foi observada a existência de interação significativa entre os métodos de controle de plantas daninhas e as cultivares em todas as áreas experimentais, exceto na avaliação de biomassa realizada no estádio fenológico R8 na área experimental de Gameleira de Goiás. Em que nas avaliações de massa seca realizada as duas e seis semanas após a aplicação dos herbicidas, em Campo Alegre de Goiás, safra 2006/2007, verificou-se que a cultivar resistente BRSGO Ipameri resultou nos maiores valores observados (Tabela 4). O mesmo foi verificado na área experimental de Gameleira de Goiás, quando clorimuron+lactofen e haloxifop foram aplicados. Isto condiz com Bradley et al. (2003), em que os melhores resultados de desenvolvimento vegetativo foi obtido nas cultivares resistentes. Efeitos significativos (P≤0,05) da aplicação de herbicidas foi observado apenas na área experimental de Campo Alegre de Goiás, às duas semanas após a aplicação. Constatou-se que o uso de clorimuron+lactofen, reduziu a produção de massa seca na cultivar BRSGO Luziânia, em comparação à aplicação do herbicida haloxifop nesta mesma cultivar e, na cultivar BRS Silvânia RR, em comparação à aplicação de clorimuron e haloxifop (Tabela 4) (Apêndice D). Na área experimental de Campo Alegre de Goiás, quando as plantas se apresentavam em estádio R3, verificou-se que a aplicação de clorimuron+lactofen proporcionou reduções significativas (P≤0,05) na produção de biomassa, nas cultivares BRSGO Luziânia e BRS Silvânia RR, relativamente aos demais métodos de controle de plantas daninhas (Tabela 4). A cultivar BRSGO Ipameri destacou-se por apresentar a maior produção de biomassa, seja nos estádios R3 ou em R8, exceto quando foi feito controle manual de plantas daninhas no estádio R8. Em R8, foram verificadas reduções significativas na produção de biomassa da cultivar BRSGO Jataí, com a aplicação de clorimuron e da cultivar BRS Silvânia RR, com a aplicação de clorimuron+lactofen. Em Gameleira de Goiás, a aplicação de clorimuron+lactofen e clorimuron na cultivar BRSGO Jataí também resultou em menor produção de biomassa, diferindo do controle manual, no estádio R3 (Tabela 4). Em R8, não foram observadas influências da aplicação dos herbicidas sobre a produção de biomassa (Apêndice E). 44 Tabela 4. Massa seca, biomassa e índice de área foliar (IAF) em diferentes cultivares e métodos de controle de ervas daninhas, em Campo Alegre de Goiás (Área 1) e Gameleira de Goiás (Área 2), safra 2006/2007. Cultivares Manual Clorimuron + Lactofen Clorimuron Haloxifop Glifosato Média 154,5 B´ 154,5 78,28 230,66 80,49 121,44 101,74 101,74 60,04 162,13 66,9 92,87 132,56 132,56 72,45 124,97 90,71 114,02 143,89 143,89 68,24 112,15 93,88 122,61 646,44 646,44 325,82 1108,54 272,95 502,77 209,65 209,65 126,58 369,84 128,86 188,11 247,06 247,06 270,56 626,8 220,57 233,07 449,02 449,02 119,99 162,72 163,32 312,1 1 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 95,84 b AB 223,46 a 92,12 b 92,4 b AB A´ 125,95 34,87 bc B 255,85 a 88,11 b 37,92 c B 104,19 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 79,79 b 157,55 a 85,60 ab 110,14 ab 108,27 37,77 b 158,18 a 58,21 b 63,92 b 79,52 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 73,85 92,65 115,12 100,73 95,59 49,24 b 147,10 a 74,00 b 87,83 ab 89,54 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 45,6 86,27 93,78 117,16 85,7 85,01 b 154,60 a 73,44 b 85,76 ab 99,7 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 396,43 b AB 1051,61 a 288,57 b 518,37 b A 563,75 116,62 c B 1201,17 a 341,21 b 130,43 c B 447,36 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 183,02 183,02 B 220,41 A 204,27 AB 197,68 76,33 b 394,17 a A 101,83 b AB 101,66 b B 168,5 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 212,77 b 549,63 a 316,59 ab A 239,10 b 329,53 213,32 b 675,01 a 178,10 b B 175,49 b 310,48 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 103,39 103,39 176,89 167,67 137,83 131,44 223,77 146,94 164,05 166,55 Area 1 - Massa Seca 2 semanas 82,25 bc AB 100,14 b A 199,27 a 244,05 a 59,89 c 81,84 b 119,26 abc A 104,01 b A 115,17 132,51 6 semanas 65,40 ab 57,21 b 134,61 a 198,19 a 47,52 b 76,28 b 96,19 ab 65,72 b 85,93 99,35 Area 2 - Massa Seca1 2 semanas 91,07 75,63 b 115,39 144,73 a 88,25 85,48 ab 87,76 105,58 ab 95,62 102,86 6 semanas 79,62 62,71 88,75 118,98 90,75 117,53 109,54 92,83 92,17 98,01 Area 1 - Biomassa1 R3 345,41 bc A 444,83 b A 1088,17 a 1093,21 a 179,13 c 282,91 c 479,91 b A 307,67 b AB 523,16 532,16 R8 129,37 bc 117,57 b 367,21 a A 534,95 a A 75,73 c B 117,48 b AB 220,35 ab A 139,99 b AB 198,17 227,5 Area 2 -Biomassa 1 R3 347,19 ab 308,96 b 545,33 a 737,24 a 163,79 b B 223,77 b AB 235,98 b 225,79 b 323,07 373,94 R8 138,81 106,34 136,67 187,06 150,51 178,93 212,07 156,92 159,51 157,31 Continua… 45 Tabela 4. Continuação. Cultivares 1 Manual Clorimuron + Lactofen BRSGO Luziania (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 206 bc 350 a 157 c 262 ab 244 187 b 335 a 205 b 192 b 230 BRSGO Luziania (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 555 ab A 1045 a 323 b 514 b 609 254 b B 609 a 373 ab 307 b 386 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 372,79 402,43 641,61 457,71 B´ 468,64 384,99 ab 638,05 a 374,83 b 492,00 ab 472,47 BRSGO Luziânia (Suscet) BRSGO Ipameri (Resist) BRSGO Jataí (Suscet) BRS Silvânia RR (Suscet) Médias 447,74 724,71 782,69 620,47 B´ 643,9 587,46 b 999,56 a 696,95 ab 619,15 b 725,78 Clorimuron Area 1 - IAF1 2 semanas 200 bc 326 a 157 c 263 ab 236 6 semanas 333 b B 1001 a 279 b 379 b 498 Area 2 IAF1 2 semanas 475,24 424,8 421,44 438,31 439,95 6 semanas 673,53 613,88 611,47 803,85 675,68 Haloxifop Glifosat o 211 b 302 a 189 b 222 b 231 306 306 201 328 177 270 343 b B 955 a 329 b 481 b 527 581 581 371 903 326 500 406,23 417,05 524,92 371,97 430,04 622,7 A´ 622,71 409,81 470,59 490,70 531,35 604,11 673,05 799,3 715,96 698,11 835,5A´ 835,53 578,2 752,8 722,6 762,7 Média Médias apresentadas em escala original, porém com testes estatísticos resultantes da transformação potência Box & Cox (1964). Médias seguidas de letras distintas minúsculas, nas colunas, e maiúsculas nas linhas diferem entre si pelo teste de ″t″ em nível de 5% de probabilidade. Área 1=Campo Alegre de Goiás; Área 2=Gameleira de Goiás. Nas avaliações de índice de área foliar (IAF) no município de Campo Alegre de Goiás (safra 2006/2007) a cultivar resistente BRSGO Ipameri apresentou os maiores índices (Tabela 4). Já no município de Gameleira de Goiás isto só foi observado nas parcelas onde se aplicou clorimuron + lactofen. A aplicação dos herbicidas clorimuron+lactofen, clorimuron e haloxifop implicou em redução do índice de área foliar (IAF) na cultivar BRSGO Luziânia, às seis semanas após a aplicação, Campo Alegre de Goiás em comparação com o controle manual das plantas daninhas. Em Gameleira de Goiás, verificou-se, às duas e seis semanas após a aplicação, que o uso do glifosato, na cultivar BRS Silvânia RR, possibilitou aumento no IAF em comparação ao controle manual de plantas daninhas. Isto, possivelmente, ocorreu devido ao maior controle de plantas daninhas alcançado pela aplicação do herbicida em relação à capina manual. Interações significativas entre os métodos de controle de plantas daninhas e as cultivares também foram observadas nas avaliações do índice de área foliar (IAF) e 46 biomassa, em todas as avaliação realizadas em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. Para as avaliações de IAF na safra 2009/2010, verificou-se que a aplicação de lactofen na cultivar BRSGO Chapadões reduziu (P≤0,05) este índice, às duas semanas relativamente ao controle manual das plantas daninhas (Tabela 5 e Apêndice F). O mesmo ocorreu às seis semanas após a aplicação dos herbicidas com o uso de lactofen ou clorimuron em comparaçao ao haloxifop. Por outro lado, a aplicação de haloxifop na mesma cultivar implicou em reduções no índice de área foliar, em comparação ao controle manual, às duas ou seis semanas após aplicação dos herbicidas. Para produção de biomassa constatou-se que, de maneira geral, a aplicação de lactofen foi responsável por reduções em biomassa, tanto na cultivar BRSGO Chapadões, como em BRSGO 8360 (Tabela 5 e Apêndice F). Bradley et al. (2003) também observaram, em casa-de-vegetação, que o estresse ocasionado por H. glycines e pelos herbicidas pendimethalin, dimethenamid + metribuzin, acifluorfen e imazethapyr proporcionou decréscimo no peso seco de raízes em ambas as cultivares resistente e suscetível a H. glycines. Nas avaliações de planta fresca, estádio fenológico R1, verifou-se maior produção de biomassa quando controle das plantas daninhas foi realizado manualmente na cultivar suscetível BRSGO 8360. Já no estádio R5 nas avaliações de planta fresca, observou-se maior produção de biomassa com o plantio da cultivar BRSGO Chapadões e aplicação do herbicida haloxifop para controle das plantas daninhas, ou quando este controle foi realizado manualmente. Nas avaliações de vagem fresca, maior produção de biomassa foi observada nesta mesma cultivar quando o controle de plantas daninhas foi realizado com a aplicação do herbicida haloxifop ou com o clorimuron. Nas avaliações em planta seca e vagem seca verificou-se que quando o controle das plantas daninhas foi realizado com a aplicação de haloxifop na cultivar BRSGO Chapadões obteve-se os maiores valores de biomassa. Browde et al. (1994a; 1994b) reportaram que H. glycines e os herbicidas acifluorfen e bentazon foram responsáveis por reduções no crescimento e na produtividade de plantas de soja. Esta constatação é importante para que produtores e pesquisadores fiquem atentos aos efeitos decorrentes desses tipos de estresse, bem como sobre a necessidade de abordagens integradas na gestão desses problemas (Bradley et al., 2003). 47 Tabela 5. Índice de área foliar (IAF) e biomassa (g.m-2) para as cultivares BRSGO Chapadões, BRSGO 8360 e BRS Valiosa RR, sob diferentes métodos de controle de plantas daninhas, em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. Cultivares Métodos de controle Manual Lactofen Clorimuron Haloxifop Glifosato Médias IAF1 2 semanas BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Médias 2035,67 a A 1140,75 b 1301,15 b 1294,71 a B 937,60 b - 1635,87 a AB 1137,15 b - 1557,84 a AB 1119,58 b - 1319,5 1492,52 1116,15 1386,51 1338,71 1319,5 3466,17 a B 3678,91 a - 8610,02 a A 3658,89 b - 3236,79 3572,5 6134,46 3236,79 1631,03 1083,77 1315,8 6 semanas BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 6578,3 a AB 3779,65 b 3095,24 b 2823,08 a B 2445,96 a - 4484,39 2634,52 5369,39 3390,85 3208,48 Biomassa1 – Planta fresca R1 BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 816,45 880,02 A 1101,55 543,82 349,93 C - 695,56 534,32 BC - 840,46 706,84 AB - 1200,7 932,67 446,87 614,93 773,64 1200,7 724,07 617,77 B 1180,87 R5 BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 364,9 ab AB 244,9 b AB 489,60 a 181,12 B 82,49 B - 366,51 131,8 346,86 a B 275,40 a A - 681,26 a A 326,31 b A - 542,59 311,12 503,78 542,59 393,54 232,29 531,99 Biomassa1 - Planta seca R5 BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 79,02 b B 51,46 b A 130,64 a 38,49 a C 15,56 b B - 87,03 27,02 76,21 B 56,69 A - 157,52 a A 70,50 b A - 142,57 66,45 114,01 142,57 87,81 48,55 140,19 Biomassa1 – Vagem fresca R5 BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 66,66 B 71,36 A 84,62 26,84 C 14,28 B - 74,21 20,56 60,81 AB 67,39 A - 228,08 a A 113,29 b A - 106,95 64,09 170,68 106,95 95,6 66,58 102,49 Biomassa1 – Vagem seca R5 BRSGO Chapadões (Resist) BRSGO 8360 (Suscet) BRS Valiosa RR (Suscet) Média 11,47 B 15,96 AB 17,85 4,35 a C 1,83 b C - 10,52 BC 12,31 B - 46,39 a A 24,45 b A - 22,36 15,09 3,08 11,41 35,42 22,36 18,18 13,63 21,46 1 Médias apresentadas em escala original, porém com testes estatísticos resultantes da transformação potência Box & Cox (1964). Médias seguidas de letras distintas minúsculas, nas colunas, e maiúsculas nas linhas diferem entre si pelo teste de ″t″ em nível de 5% de probabilidade. Os herbicidas são amplamente utilizados na cultura da soja, principalmente o glifosato, que é utilizado em todo o mundo e em áreas infestadas por H. glycines (Noel & 48 Wax, 2009). Desta forma, estudos mais aprofundados devem ser conduzidos acerca dos herbicidas avaliados na presente pesquisa, avaliando as interações entre estes herbicidas e os fatores ambientais e edáficos sobre a dinâmica populacional de H. glycines. Assim como o estudo de possíveis alterações no metabolismo secundário das plantas, proporcionando alterações nas respostas de defesa das mesmas ao fitonematoide. 49 5 CONCLUSÕES A população de Heterodera glycines não sofre impacto do uso do herbicida glifosato associado à cultivar transgênica, nem com uso do herbicida glifosato. As cultivares transgênicas podem influenciar a densidade populacional de H. glycines mas na maioria dos casos se comportam como as cultivares suscetíveis. Os herbicidas não influenciam o comportamento das cultivares resistentes ou suscetíveis, quanto a hospedabilidade de fêmeas de H. glycines. Os herbicidas não influenciam, consistentemente, a população de H. glycines. Há interação significativa entre as cultivares e as diferentes épocas de avaliação para as variáveis números de fêmeas por grama de raiz, de ovos por fêmea, de cistos por 100 cm3 de solo e de ovos por cisto. O número de fêmeas e de ovos por fêmea reduz ao longo das épocas de avaliação, nas cultivares suscetível e transgênica devido à competição com plantas daninhas. O número de cisto reduz com o desenvolvimento pleno das plantas e aumenta no final do ciclo da cultura. O inverso ocorre com o número de ovos por cisto nas cultivares suscetíveis, enquanto em cultivar resistente este número reduz ao longo do desenvolvimento da cultura. Há interações significativas entre os métodos de controle de plantas daninhas e as cultivares para o índice de área foliar (IAF) e biomassa, em todas as avaliação realizadas em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. Há interação significativa entre os métodos de controle de plantas daninhas e as cultivares nas avaliações de massa seca e biomassa em todas as épocas de avaliação, em Campo Alegre de Goiás e Gameleira de Goiás, safra 2006/2007, exceto na avaliação de biomassa realizada no estádio fenológico R8 na área experimental de Gameleira de Goiás. O herbicida haloxifop não afeta o desenvolvimento das plantas de soja, ao passo que o herbicida lactofen afeta negativamente a produção de biomassa. 50 O uso do herbicida clorimuron e sua mistura com lactofen provocam, em alguns casos, redução de massa seca e biomassa das plantas de soja. Em geral, as cultivares de soja resistentes a H. glycines produzem maior massa seca, biomassa e IAF. 51 6 REFERÊNCIAS AGRIANUAL. Anuário estatístico da agricultura brasileira. São Paulo: SNT, 2010, p. 453-483. AGRIOS, G. N. Plant Pathology. Burlington. 5. ed. Elsevier: British Library, 2004. 922 p. ALSTON, D. G.; SCHMITT, D. P.; BRADLEY, J. R.; COBLE, H. D. Multiple pest interactions in soybean: effects on Heterodera glycines egg populations and crop yield. Journal of Nematology, Hanover, v. 25, n. 1, p. 42-49, 1993. ANDRADE, P. J. M; ASMUS, G. L.; SILVA, J. F. V. Um novo sistema para detecção e contagem de cistos de Heterodera glycines recuperados de amostras de solo. 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Contrastes Manual (convencional vs transgênica) Manual (versão não transgênica vs transgênica) Manual (resistente vs suscetível) Clorimuron + Lactofen (convencional vs transgênica) Clorimuron + Lactofen (versão não transgênica vs transgênica) Clorimuron + Lactofen (resistente vs suscetível) Clorimuron (convencional vs transgênica) Clorimuron (versão não transgênica vs transgênica) Clorimuron (resistente vs suscetível) Haloxifop (convencional vs transgênica) Haloxifop (versão não transgênica vs transgênica) Haloxifop (resistente vs suscetível) BRSGO Luziânia (Manual vs Herbicidas) BRSGO Luziânia (só entre herbicidas) BRSGO Ipameri (manual vs herbicidas) BRSGO Ipameri (só entre herbicidas) BRSGO Jataí (manual vs herbicidas) Campo Alegre de Goiás1 Pi 40 d.a.s 80 d.a.s Pf Pi Gameleira da Goiás2 40 d.a.s 80 d.a.s Pf 17,7 ns -60,0 ns -76,7 ns -56,3 ns -31 ns -243,0* -40,3 ns -95,7 ns 8,0 ns 21,7 ns -8,0 ns -52,3 ns -18ns -94,3* -19,0 ns -50,7 ns 131,3 ns -69,0 ns -147,3 ns -74,7 ns -7,0 ns -179,0* 31,3 ns 49,7 ns -64,0 ns -35,3 ns 311,3* -270,7* -24 ns 11,0 ns -86,0 ns 7,0 ns -49,0 ns -65,0 ns 64,0 ns -115,7* -29 ns 34,0 ns -3,3 ns 57,0 ns 141,0 ns 34,3 ns -5,3 ns -28,3 ns -9,0 ns -105,0 ns -101,0 ns -157,0 ns 113,0 ns -89,7 ns 33,7 ns 81,0 ns 33,3 ns 189,7 ns 90,3 ns 84,3 ns 9,3 ns -80,3 ns 13,3 ns 19,3 ns 6,3 ns 40,7 ns 12,3 ns 11,0 ns 29,0 ns 170,7 ns 89,3 ns 93,0 ns 7,7 ns 177,3 ns 132,7 ns 204,7* 282,3 ns -137,3 ns 95,7 ns 15,0 ns -19 ns 70,7 ns 171,3 ns 149,0 ns -52,3 ns 41,0 ns -17,0 ns -63,3 ns 0,0ns -39,7 ns -33,7 ns -63,3 ns 4,7 ns 22,3 ns 182,3 ns -186,0* -30 ns -90,7 ns 51,7 ns -110,0 ns -133,7 ns -21,0 ns 164,7 ns 150,0 ns -5,3 ns -239,0* -119,7 ns -68,0 ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns 116,7 ns -86,7 ns -202,3 ns -44,3 ns -3,7 ns 67,3 ns -113,3 ns -34,7 ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE0 NE ns NE ns 147,7 ns 282,0 ns 139,0 ns -136,0 ns -12 ns -181,7 ns -117,7 ns -212,7ns Continua… 59 Apêndice A. Continuação. Contrastes BRSGO Jataí (só entre herbicidas) BRS Silvânia RR (manual vs herbicidas) BRS Silvânia RR (só entre herbicidas) BRS Silvânia RR (manual vs glifosato) CV (%) 1,2 Campo Alegre de Goiás1 Pi NE ns 40 d.a.s NE ns 80 d.a.s NE ns Gameleira da Goiás2 Pf NE* Pi NE ns 40 d.a.s NE ns 80 d.a.s NE ns Pi NE ns 136,7 ns 30,7 ns 257,3* -12,0 ns 20,7 ns 215,7ns -18,0 ns 70,7 ns NE ns NE ns NE* NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns 8,0 ns -1,2 ns 10,0 ns -6,8 ns 9,8 ns 60,6ns -4,1 ns -5,6 ns 39,97 37,82 32,29 33,8 4,25 6,92 6,44 6,18 0,9 Dados transformados em x e Log(X), respectivamente. Estimativas apresentadas são referentes aos dados originais. 3 Épocas expressas em dias após a semeadura (d.a.s.); Pi = população inicial; Pf = população final; NE = não estimado. ** diferença a 1%; * diferença a 5%; 0diferença a 6%. 60 Apêndice B. Contrastes ortogonais efetuados entre os grupos de interesse e suas respectivas estimativas, para as variáveis fêmeas por grama de raiz e ovos por fêmea, em diferentes avaliações3, no experimento conduzido em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. Contraste Fêmea por grama1 Ovos por fêmea2 30 d.a.s 45 d.a.s 60 d.a.s 30 d.a.s 45 d.a.s 60 d.a.s Manual (convencional vs -105,5** -19,2** -41,8** -131,7** -95,4** transgênica) 130,2** Manual (resistente vs -33,2** -9,4** -7,3** -167,8** -135,6** -84,8** suscetível) Lactofen (resistente vs -58,6** -10,2** -5,6** -212,3** -172,1** -95,1** suscetível) Clorimuron (resistente vs -47,0** -13,6** -5,2** -175,5** -120,5** -74,6** suscetível) Haloxifop (resistente vs -38,6** -5,0** -4,8** -155,7** -108,8** suscetível) 107,8** BRSGO Chapadões (manual 0,0 ns -0,4 ns 0,0 ns 31,5 ns 29,7 ns 0,0ns vs herbicidas) BRSGO Chapadões (só entre NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns herbicidas) BRSGO 8360 (manual vs -44,7 ns -1,1 ns 5,9 ns -40,1 ns 36,8 ns 6,5 ns herbicidas) BRSGO 8360 (só entre NE ns NE 0 NE ns NE ns NE ns NE ns herbicidas) BRS Valiosa RR (manual vs 1,9 ns 6,6 ns -36,0 ns -19,6 ns 18,2 ns 10,8 ns glifosato) CV(%) 5,53 7,22 6,09 21,14 30,49 32,35 1,2 Dados transformados em (x+0,1)0,1e (x+1)0,7, respectivamente. Estimativas apresentadas são referentes aos dados originais. 3 Épocas expressas em dias após a semeadura (d.a.s); Pi = população inicial; Pf = população final; NE = não estimado. ** diferença a 1%; * diferença a 5%; 0 diferença a 6%. 61 Apêndice C. Contrastes ortogonais efetuados entre os grupos de interesse e suas respectivas estimativas, para as variáveis número de cistos e ovos por cisto, em diferentes avaliações3, no experimento conduzido em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. Contraste Cisto1 Ovos por cisto2 Pi 45 d.a.s 60 d.a.s Pf Pi 45 d.a.s 60 d.a.s Pf Manual (convencional -50 ns - 36,3ns -17,3 ns -22 ns 86,6 ns -74,9 ns -86,3 ns -9,9 ns vs transgênica) Manual (resistente vs -27 ns -1,8 ns -4,3 ns -10 ns -37,4 ns 23,6 ns -77,4* -9,6 ns suscetível) Lactofen (resistente vs -39 ns -5,5 ns -17,5* -3,3 ns 55,7 ns -11,8 ns -65,7* -26,2 ns suscetível) Clorimuron (resistente -4,8 ns -43,8** -33** -12ns 26,6 ns -80,9* -57,4ns -59,7 ns vs suscetível) Haloxifop (resistente vs 15,5 ns -19,5* 4,8 ns -10 ns 61,4 ns 5,7 ns -89,5** -23,8 ns suscetível) BRSGO Chapadões -49 ns 15,8 ns 31,8 ns -7,3 ns -76,3 ns 27,2 ns 20,7 ns 70,2 ns (manual vs herbicidas) BRSGO Chapadões (só NE ns NEns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns entre herbicidas) BRSGO 8360 (manual 5,3 ns -47,8 ns -2,0 ns -1,0 ns 179,7 ns -130 ns 40,4 ns -10,9 ns vs herbicidas) BRSGO 8360 (só entre NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns herbicidas) BRS Valiosa RR 24,5 ns -4,8 ns -22,2 ns -26,30 -33,3 ns -13,8 ns -10,9 ns -23,4 ns (manual vs glifosato) 12,45 21,99 21,04 20,95 31,03 28,51 27,61 46,3 CV(%) 1,2 Dados transformados em x0,3e x0,7, respectivamente. Estimativas apresentadas são referentes aos dados originais. 3 Épocas expressas em dias após a semeadura (d.a.s); Pi = população inicial; Pf = população final; NE = não estimado. ** diferença a 1%; * diferença a 5%; 0 diferença a 6%. 62 Apêndice D. Contrastes ortogonais efetuados entre os grupos de interesse e suas respectivas estimativas para a variável massa seca, em diferentes avaliações3, nos experimentos conduzidos em Campo Alegre de Goiás e Gameleira de Goiás, safra 2006/2007. Campo Alegre de Goiás1 Contrastes Manual (convencional vs transgênica) Manual (versão não transgênica vs transgênica) Manual (resistente vs suscetível) Clorimuron + Lactofen (convencional vs transgênica) Clorimuron + Lactofen (versão não transgênica vs transgênica) Clorimuron + Lactofen (resistente vs suscetível) Gameleira da Goiás2 2 semanas 6 semanas 2 semanas 4 semanas 134,3 ns -7,5 ns -20,6 ns -125,8 ns -0,2 ns -24,5 ns 14,4 ns -23,4 ns 259,0** 149,7* -3,7 ns 33,2 ns 265,1** 62,4 ns 6,8 ns 55,8 ns 50,2* -5,7 ns -13,8 ns -12,3 ns 388,7** 220,4** 171,0** 150,7* ns -69,5 ns -16,4 Clorimuron (versão não transgênica vs transgênica) - 59,4 ns - 48,7 ns 0,5 ns -18,8 ns Clorimuron (resistente vs suscetível) 256,4** 156,3** 51,5 ns 7,1 ns Haloxifop (convencional vs transgênica) Haloxifop (versão não transgênica vs transgênica) 114,0 ns 134,5 ns -10,9 ns 20,7 ns 22,2 ns -10,6 ns 20,1 ns -24,7 ns Haloxifop (resistente vs suscetível) 306,1** 262,9** 128,3* 57,7 ns 70,3 ns NE* 79,0 ns NE ns 5,6 ns NE ns -90,5 ns NE ns BRS Silvânia RR (só entre herbicidas) -28,8 ns NE ns 46,5 ns NE ns 15,9 ns NE** -18,3 ns NE ns 74,8 ns NE ns 104,6 ns NE ns -129,3 ns NE ns 97,6 ns NE ns 21,0 ns NE ns -103,5 ns NE ns -0,4 ns NE ns 63,4 ns NE ns BRS Silvânia RR (manual vs glifosato) -62,1* 8,4 ns -31,8 ns -26,7 ns BRSGO Luziânia (só entre herbicidas) BRSGO Ipameri (manual vs herbicidas) BRSGO Ipameri (só entre herbicidas) BRSGO Jataí (manual vs herbicidas) BRSGO Jataí (só entre herbicidas) BRS Silvânia RR (manual vs herbicidas) 31,4 ns Clorimuron (convencional vs transgênica) BRSGO Luziânia (manual vs herbicidas) -41,1 ns CV (%) 12,33 14,13 0,81 0,98 Dados transformados em x0,3 e x0,02, respectivamente. Estimativas apresentadas são referentes aos dados originais. 3 Épocas expressas em semanas após a aplicação dos herbicidas; NE = não estimado. ** diferença a 1%; * diferença a 5%. 1,2 63 Apêndice E. Contrastes ortogonais efetuados entre os grupos de interesse e suas respectivas estimativas para as variáveis índice de área foliar e biomassa, em diferentes avaliações3, nos experimentos conduzidos em Campo Alegre de Goiás e Gameleira de Goiás, safra 2006/2007. IAF1 Contrastes Manual (convencional vs transgênica) Manual (versão não transgênica vs transgênica) Manual (resistente vs suscetível) Clorimuron + Lactofen (convencional vs transgênica) Clorimuron + Lactofen (versão não transgênica vs transgênica) Clorimuron + Lactofen (resistente vs suscetível) Clorimuron (convencional vs transgênica) Clorimuron (versão não transgênica vs transgênica) Clorimuron (resistente vs suscetível) Haloxifop (convencional vs transgênica) Haloxifop (versão não transgênica vs transgênica) Haloxifop (resistente vs suscetível) BRSGO Luziânia (manual vs herbicidas) BRSGO Luziânia (só entre herbicidas) BRSGO Ipameri (manual vs herbicidas) BRSGO Ipameri (só entre herbicidas) BRSGO Jataí (manual vs herbicidas) BRSGO Jataí (só entre herbicidas) BRS Silvânia RR (manual vs herbicidas) BRS Silvânia RR (só entre herbicidas) BRS Silvânia RR (manual vs glifosato) CV (%) 1,2 Campo Alegre de Goiás a Biomassa2 Gameleira da Goiás b Campo Alegre de Goiás c Gameleira de Goiás d 2 semanas 6 semanas 2 semanas 6 semanas R3 R8 R3 R8 -71,7 ns 382,0 ns 43,7 ns 93,7 ns 181,5 ns -26,4 ns 361,7ns -119,3 ns -104,5** - 191,2 ns 183,9 ns 162,2 ns -229,8 ns 16,1 ns 77,5 ns 9,2 ns 336,3** 1212,9** -209,5 ns 219,0 ns 1418,2** -37,4 ns 569,9* -73,5 ns 151,4 ns 315,1 ns -78,1 ns 426,5 ns 1267,7** 267,4 ns 540,0* 10,0 ns 12,9 ns 66,2 ns -117,2 ns 77,8 ns 210,8* 0,2 ns 2,6 ns -17,1 ns 278,7** 591,1** 516,3* 714,7* 1944,5** 610,2** 958,6** 169,2 ns -105,9 ns 476,2 ns 6,6 ns -512,7 ns 173,0 ns -88,8 ns 348,4 ns -210,2 ns -105,9** -100,1 ns -16,9 ns -192,4 ns -300,8* -144,6** -72,2 ns -61,6 ns 295,2** 1390,3** -47,1 ns -57,2 ns 1651,8** 529,3** 579,7** -16,0 ns 35,0 ns 185,7 ns 232,3 ns -71,4 ns 897,9 ns 350,0 ns 592,6 ns 1,6 ns 33,8 ns 151,3 ns -153,0 ns -83,3 ns 24,8* 22,5 ns 2,0ns -22,0 ns 204,8** 1236,8** -97,0 ns -57,3 ns 1458,7** 834,9** 941,8** 88,9 ns 20,6 ns 736,0** -148,1 ns -521,9 ns 282,4 ns 225,8 ns -231,2 ns -66,4 ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE* NE ns NE ns NE ns 85,7 ns 571,4 ns -272,6 ns -112,4 ns -227,7 ns -747,3** -308,7 ns - 237,3ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns -79,2 ns -13,5 ns 603,6 ns 240,3 ns 62,5 ns 366,2* 384,1* 54,3 ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE ns 107,5 ns 374,9 ns 70,9 ns -277,6 ns 637,1 * 150,8 ns 80,0 ns -30,0 ns NE ns NE ns NE ns NE ns NE** NE ns NE ns NE ns -44,2 ns -66,9 ns -165,0* -215,1* -128,1 ns -5,4 ns -8,0 ns - 281,4ns 9,67 16,66 16,32 14,18 13,51 13,82 7,67 9,92 -0,5 0,5 0,3 -0,2 Dados transformados (a = x , b = x , c = x e d = x ), respectivamente. Estimativas apresentadas são referentes aos dados originais. 3 Épocas expressas em semanas após a aplicação dos herbicidas; NE = não estimado. ** diferença a 1%; * diferença a 5%. 64 Apêndice F. Contrastes ortogonais efetuados entre os grupos de interesse e suas respectivas estimativas para as variáveis índice de área foliar (IAF) e biomassa, em diferentes avaliações3, para o experimento conduzido em Gameleira de Goiás, safra 2009/2010. IAF 1 Contraste Manual (convencional vs transgênico) Manual (resistente vs suscetível) Lactofen (resistente vs suscetível) Clorimuron (resistente vs suscetível) Haloxifop (resistente vs suscetível) BRSGO Chapadões (manual vs herbicidas) BRSGO Chapadões (só entre herbicidas) BRSGO 8360 (manual vs herbicidas) BRSGO 8360 (só entre herbicidas) BRS Valiosa RR (manual vs glifosato) CV (%) 1 Biomassa 2 2 semanas 6 semanas 574,1 ns Planta frescaa Planta seca b Vagem fresco c Vagem seca d R1 R5 R5 R5 R5 4167,5* -506,6ns -369,3* -131 ** -31,2 ns -8,3 ns 894,9** 2798,6* -63,6 ns 120,0 ns 27,6 ns -4,7 ns -4,5 ns 357,1* 377,1 ns 193,9ns 98,6ns 23,0* 12,6 ns 2,5* 498,7* -212,7 ns 161,2 ns 71,5 ns 19,5 ns -6,6 ns -1,8 ns 4951,1* * 4835,6 133,6 ns 355,0** 87,0** 114,8* 21,9* ns 369,5 ns -114,4 ns -35,2 ns -115,7 ns -26,8 ns NE ns NE** NEns NE** NE** NE** NE** 227,9 ns 1555,2 ns 1049** 50,8 ns 11,6 ns 19,1 ns 9,3 ns NE ns NE ns NE** NE** NE** NE** NE** -18,4 ns -141,6 ns -99,2 ns -53,0 ns -11,9 ns -22,3 ns -4,5 ns 4,18 7,05 12,37 20,18 19,09 17,4 25,82 438,3* 1618,6* Dados transformados em x-0,2 e 2(a= x0,5, b=x0,4, c= x0,2 e d= x0,2), respectivamente. Estimativas apresentadas são referentes aos dados originais. 3 Épocas expressas em semanas após a aplicação dos herbicidas; NE = não estimado. ** diferença a 1%; * diferença a 5%.