Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, S.A. Estudo de Impacte Ambiental do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal RESUMO NÃO TÉCNICO – TOMO 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental Lda Consultadoria Ambiental, Lda. ÍNDICE DE TEXTO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1 2. OBJECTIVOS, JUSTIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO DO PROJECTO .................................... 2 2.1. Objectivos e Justificação do Projecto.......................................................................... 2 2.2. Descrição do Projecto.................................................................................................... 3 3. CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE NA ÁREA DO PROJECTO E IMPACTES ........... 10 3.1. Clima .............................................................................................................................. 10 3.2. Meio Geológico e Geomorfológico ............................................................................. 10 3.3. Uso Actual do Solo....................................................................................................... 11 3.4. Recursos Hídricos ........................................................................................................ 12 3.5. Figuras de Planeamento e Ordenamento................................................................... 14 3.6. Ecologia......................................................................................................................... 15 3.7. Qualidade do Ar ............................................................................................................ 19 3.8. Ruído.............................................................................................................................. 20 3.9. Paisagem ....................................................................................................................... 21 3.10. Património ................................................................................................................... 23 3.11. Sócio-economia .......................................................................................................... 24 3.12. Síntese de Impactes ................................................................................................... 26 4. MEDIDAS POTENCIADORAS, MITIGADORAS E DE COMPENSAÇÃO ....................... 32 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 36 Índice do Tomo 2 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. 1. INTRODUÇÃO O presente documento constitui o Resumo Não Técnico do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do “Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal”. Sinteticamente, pode descrever-se o projecto em questão como uma Instalação por cabo para o transporte de passageiros do tipo teleférico, que liga a zona próxima à Quinta dos Tis no Paúl da Serra, na Estrada Regional n.º 110 (ER110), à zona da levada e vereda das Vinte e Cinco Fontes, constituído por duas secções separadas por uma estação intermédia e com uma distância total de 1380 m. Este projecto é promovido pela Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, S.A., que para o efeito lançou um concurso público tendo por objecto a respectiva concepção e construção e que se constitui, assim, como proponente do Projecto. O Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal foi desenvolvido, pela ETERMAR – Empresa de Obras Terrestres e Marítimas, S.A., em conjunto com o fabricante dos equipamentos DOPPELMAYR Seilbanhen GmbH e o Gabinete de Arquitectura RISCO A4. O objectivo principal do EIA consistiu na identificação e avaliação dos efeitos, positivos e negativos, associados à implementação do Teleférico do Rabaçal, tendo como pressuposto base as características do projecto, relativamente, às fases de construção e exploração, e as características actuais da área de intervenção em diversos domínios. Pretendeu-se desta forma promover, atempadamente, a adopção e aplicação de medidas e acções que evitem e/ou anulem, sempre que possível, os impactes negativos no ambiente e nas populações abrangidas, assim como, elaborar um conjunto de recomendações que permitam valorizar os impactes positivos resultantes. O proponente do projecto, adjudicou a elaboração do presente EIA à empresa ECOMIND – Consultadoria Ambiental, Lda.. A elaboração do EIA decorreu entre Maio de 2007 e Fevereiro de 2008. Página 1 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. 2. OBJECTIVOS, JUSTIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO DO PROJECTO 2.1. OBJECTIVOS E JUSTIFICAÇÃO DO PROJECTO O Projecto do Teleférico do Rabaçal visa a criação de uma infra-estrutura de transporte de passageiros e carga entre a zona próxima à Quinta dos Tis, junto à ER110, no Paul da Serra (Estação A – Estação Alta), à zona da levada e vereda das Vinte e Cinco Fontes (Estação C – Estação Baixa), num local situado a cerca de 400 m do sítio com o mesmo nome. Existirá, ainda, uma outra estação intermédia (Estação B) na zona das Casas do Rabaçal. Os objectivos subjacentes à concretização do projecto em análise, relacionam-se com a necessidade turística, procurando dar a conhecer a Floresta Laurissilva e as veredas das Levadas das 25 Fontes e do Risco, assim como toda a riqueza natural envolvente, a visitantes de todas as idades e condições físicas, controlando simultaneamente os fluxos de visitantes ao local através do próprio teleférico, que funciona como mecanismo de regulação de entradas. Complementarmente, permitirá o transporte de pessoal e materiais necessários aos serviços de vigilância e conservação competentes, assim como constituirá um meio de evacuação e assistência em emergências médicas, inexistente até à data no local. A presente intervenção, enquadrando-se nas políticas de apoio e incentivo à promoção de projectos estruturantes que visem tirar um maior aproveitamento das condições que a Ilha da Madeira proporciona para o sector turístico, contribui simultaneamente para: • Melhorar a qualidade ambiental (uma vez que os locais adjacentes às levadas das 25 Fontes e do Risco encontram-se actualmente sujeitos a considerável pressão por parte dos visitantes, resultando numa deposição de resíduos indiscriminada, entre outros impactes ambientais, ao longo dos percursos) das áreas protegidas com interesse para a conservação da natureza, onde se insere o Teleférico do Rabaçal, proporcionando a todos melhores condições de salubridade, através de, por exemplo, recolha de resíduos adequada e da disponibilização e manutenção de instalações sanitárias; • Moderar os fluxos de visitantes às levadas das 25 Fontes e do Risco (através de um posto de controlo na Estação B), uma vez que a elevada afluência de turistas que se verifica actualmente ao local passará, na sua maioria, a optar pelo teleférico como meio de regresso do local das 25 Fontes, minimizando, em cerca de 50%, a presença de visitantes nas levadas; Página 2 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. • Promover e valorizar as áreas protegidas da Laurissilva e do Maciço Montanhoso Central, divulgando-as nos locais apropriados, nomeadamente através dum Centro de Informação e Apoio a instalar nas Casas do Rabaçal (Estação B). 2.2. DESCRIÇÃO DO PROJECTO O projecto em estudo está inserido no Concelho de Calheta, que se situa na Costa Oeste da ilha, e na freguesia de Calheta (Figura 2.1). O projecto alvo do presente EIA abrange: • A construção do Teleférico do Rabaçal, entre a cota alta do Paul da Serra (Estação A ou Estação Alta) e a zona da levada e vereda das Vinte e Cinco Fontes (Estação C ou Estação Baixa), situado a cerca de 400 m do sítio com o mesmo nome. Haverá uma ligação a uma cota intermédia onde se situam as Casas do Rabaçal (Estação B ou Estação Intermédia); • A construção de duas torres intermédias (denominadas de Torre 1 e 2), a primeira a cerca de 70 m da Estação A, no Paul da Serra, e a outra a cerca de 160 m da Estação B, a caminho da Estação C; • A implantação de uma área de estacionamento junto à ER110, do lado oposto à Estação A. A ligação por teleférico reparte-se, assim, em duas secções: • Secção A – B (Paul da Serra – Rabaçal) com cerca de 705 m de comprimento inclinado, vencendo uma diferença de alturas de 136 m; • Secção B – C (Rabaçal – Vinte e Cinco Fontes), com cerca de 674 m de comprimento inclinado, vencendo uma diferença de alturas de 107 m. Na Figura 2.2 apresenta-se a Planta Geral de Implantação da solução adoptada para o transporte de passageiros por teleférico. As três estações de teleférico conferem programas, técnicas construtivas e integrações na paisagem diferenciadas, adaptando-se cada uma delas às situações envolventes. O projecto prevê a implantação da Estação A embebida na encosta, a 1215 m de altitude, virada a Norte, ficando esculpida no interior da Serra e camuflada por entre o planalto do Paul da Serra, ocultando-se daqueles que passam pela ER110 (Figura 2.3). Página 3 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Figura 2.3 – Simulação visual da implantação da Estação A A Estação A contempla diversas instalações, nomeadamente, as necessárias à gestão e funcionamento do teleférico, uma loja, um snack-bar com esplanada, um miradouro e instalações sanitárias públicas e para funcionários. O parque de estacionamento de apoio ao teleférico a implantar do lado oposto à Estação A, junto à ER110, é dissimulado por uma elevação do terreno junto à estrada. Esta localização surge como alternativa ao estacionamento desordenado que actualmente se verifica junto ao local de partida dos percursos das Levadas do Risco e das 25 Fontes. O acesso do estacionamento à Estação A é feito por um percurso pedonal semienterrado, cujos extremos são miradouros orientados para as paisagens. A Estação B, localizada junto às Casas do Rabaçal, será implantada num terrapleno situado a 1079 m de altitude. Este terrapleno consiste numa área anteriormente intervencionada, estando desprovida de qualquer vegetação e, por isso, surge como uma “cicatriz” que rompe toda a envolvente densamente arborizada. Foi preconizado o revestimento exterior desta estação em madeira, como forma de continuidade perante a envolvente paisagística (Figura 2.4). A Estação B contempla instalações necessárias à gestão e funcionamento do teleférico e intalações sanitárias para funcionários. Página 6 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Figura 2.4 – Simulação visual da implantação da Estação B A Estação C será implantada a 973 m de altitude, junto à levada para o sítio das 25 Fontes e junto ao cruzamento com a vereda da Rocha Vermelha (Figura 2.5). A estação ficará assim a 400 m do sítio das 25 Fontes, não existindo outro acesso à mesma, se não a referida vereda. Esta estação assumir-se-á como um afloramento rochoso, sendo “forrada” a basalto da região, onde se poderá instalar o mesmo musgo que se desenvolve nas pedras e paredes das levadas existentes no lugar. A Estação C contempla diversas instalações, nomeadamente, as necessárias à gestão e funcionamento do teleférico, um snack-bar com esplanada e instalações sanitárias públicas. Como referido anteriormente, o teleférico é constituído por duas secções independentes (AB e BC), cada uma com duas cabines, que partilham uma estação intermédia (Estação B). As duas secções da instalação estão concebidas para o transporte de passageiros à velocidade máxima de 5,0 m/s, o que proporciona uma capacidade máxima de transporte de cerca de 180 pessoas por hora em cada direcção, sentadas. A capacidade de transporte poderá ainda ser expandida até ao máximo de 260 pessoas por hora, alterando o arranjo interior dos assentos e considerando, nesse caso, a lotação das cabines em 10 lugares sentados mais 4 em pé. No entanto, o teleférico funcionará a uma velocidade adequada aos fluxos de visitantes, não se prevendo, regra geral, a necessidade de utilização do mesmo à velocidade máxima. Página 7 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Figura 2.5 – Simulação visual da implantação da Estação C Cada secção da linha do teleférico, terá na sua estação alta, um guincho de resgate autónomo e um sistema para resgate de passageiros, que permitirá, em caso de avaria irrecuperável, rebocar os veículos de volta à estação para evacuação dos passageiros. Os processos de execução a implementar nas várias frentes da obra e nas montagens do teleférico foram pensados, segundo os elementos patentes no projecto, numa perspectiva de salvaguardar o meio ambiente e interferir o mínimo possível com a flora e fauna locais, de um modo consciente da especial condição e sensibilidade da Floresta Laurissilva, bem como dos vários regimes de protecção de que este ecossistema beneficia. As infra-estruturas necessárias à implantação das torres intermédias, assim como das estações, serão instaladas com forma e dimensões que lhes permitem ser uma primeira parte das infra-estruturas definitivas. Desta maneira, a maior parte dos recursos aplicados na fase provisória serão integralmente aproveitados na fase seguinte, não sobejando na zona outros vestígios materiais resultantes da obra. De um modo geral, é proposta unicamente a utilização dos caminhos e veredas existentes. Inclusive, as pessoas envolvidas nos trabalhos da Estação C, deslocar-se-ão diariamente a pé, apoiadas por uma logística adequada a estas circunstâncias, enquanto os materiais serão transportados através de um teleférico provisório. Página 8 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Elegeu-se a zona junto à Estação A e estacionamento para estaleiro central da obra, uma vez que possui boas condições para apoio às restantes frentes de obra e é acessível a todo o tipo de viaturas de transporte. No terrapleno de implantação da Estação B haverá um pequeno estaleiro de apoio. Estão contemplados, igualmente, os trabalhos de reconstituição das cotas e de recuperação da vegetação, quando intervencionada. De acordo com o Plano de Trabalhos estabelecido, está previsto um período de cerca de 12 meses para a execução da empreitada em questão. Página 9 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. 3. CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE NA ÁREA DO PROJECTO E IMPACTES No presente EIA foram analisados os seguintes aspectos ambientais: • Clima; • Componente Ecológica; • Meio Geológico e Geomorfológico; • Qualidade do ar; • Solo e Uso do Solo; • Ruído; • Recursos Hídricos; • Paisagem; • Figuras de Planeamento e • Património; • Sócio-economia. Ordenamento; 3.1. CLIMA O clima geral do local de implantação do projecto pode ser caracterizado como tratando-se de um clima frio, de alguma amplitude térmica, de forte humidade, de elevada pluviosidade e nebulosidade e domínio do vento Noroeste cuja velocidade é elevada. Tendo em conta as características do empreendimento e dos projectos associados, não é expectável a ocorrência de impactes no clima decorrentes da sua implementação, quer durante a fase de construção, quer na fase de exploração. 3.2. MEIO GEOLÓGICO E GEOMORFOLÓGICO Na área em estudo afloram as unidades litoestratigráficas do Complexo Vulcânico PósMiocénico de Paul da Serra, Achada da Pinta e Lombada das Vacas e o Complexo Vulcânico Pós-Miocénico, com intercalações piroclásticas, da Ribeira da Janela, Porto Moniz, Ponta do Pargo, Ribeira Brava e Câmara de Lobos. A área de estudo localiza-se, igualmente, no Parque Natural da Madeira (PNM), nas proximidades da Reserva Geológica e de Vegetação de Altitude. A bacia hidrográfica da ribeira da Janela, onde se localiza a área de estudo, apresenta um risco de erosão hídrica dos solos baixo. No que diz respeito à tectónica, na área em estudo não ocorrem falhas geológicas com expressão a nível regional, assim como não foram identificadas quaisquer explorações de minerais metálicos ou não metálicos na área de intervenção ou na sua envolvente directa. Página 10 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Impactes na Fase de Construção e Exploração A escavação de terrenos e os aterros necessários para os locais de implantação das infraestruturas das estações e dos estaleiros são as actividades em que se poderão registar maiores interferências sobre o meio geológico, nomeadamente, no que diz respeito ao aumento da erosão hídrica e à modificação da superfície do terreno. Estas alterações no meio geológico resultarão na compactação dos solos e na consequente modificação das condições de drenagem natural, nas áreas de implantação das infra-estruturas. Consideramse estes impactes como negativos, mas face ao facto de serem muito pontuais e pouco expressivos no espaço (limitando-se aos pontos de implantação das torres do teleférico, das plataformas das 3 estações e do local do estaleiro principal) são considerados pouco significativos. A alteração da morfologia resultante da realização de movimentos de terras, necessários para a implantação das estações e restantes elementos do projecto, constitui ainda um impacte negativo e pouco significativo. De referir que, na estação A, será reposta a morfologia existente antes da intervenção. Na fase de exploração não são esperados impactes negativos sobre as componentes geológica e geomorfológica. 3.3. USO ACTUAL DO SOLO No que diz respeito aos usos do solo afectos à área em estudo, constata-se que a área em estudo encontra-se dominada pela categoria “Floresta Natural”. Destaca-se, igualmente, uma “Área de Uso Social”, local onde será implantada a Estação B, correspondendo actualmente às Casas do Rabaçal, que apresentam uma visibilidade privilegiada sobre o vale do Rabaçal. Impactes na Fase de Construção e Exploração As actividades de construção das infra-estruturas propostas contribuem para a ocorrência de impactes negativos nos solos em virtude da compactação a que os mesmos serão sujeitos, pela implantação de estaleiros e plataformas das estações. Os impactes susceptíveis de ocorrer nestes locais contribuirão para a degradação pedológica, como resultado de fenómenos de compactação e impermeabilização. Considera-se, no entanto, que este impacte será minimizado, uma vez que os locais Página 11 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. seleccionados para os estaleiros apresentam vegetação escassa, ou mesmo inexistente com solos anteriormente intervencionados. O potencial aumento da poluição e contaminação dos referidos solos existentes, através do derrame acidental de óleos usados e lubrificantes, constitui, também, um potencial impacte negativo, mas pouco significativo. É durante o decorrer da fase de construção que se perspectiva a ocorrência dos principais impactes negativos, ao nível dos usos do solo, uma vez que se iniciará o processo de alteração dos usos preexistentes. Os impactes expectáveis neste descritor, estarão potencialmente associados à ocupação territorial pela implementação das infra-estruturas do teleférico e estaleiros, que poderão originar uma compactação, perdas irreversíveis de solos e, consequentemente, dos usos que lhe estão afectos. Durante a fase de exploração, os impactes mais significativos que se iniciam na fase de construção, assumem um carácter permanente, uma vez que é no decorrer desta fase que se dá a conversão definitiva dos usos preexistentes. Preconizam-se, entre estes, a ocupação e a afectação física do solo pelas infra-estruturas das estações do teleférico e parque de estacionamento, constituindo um impacte pouco significativo, dada a reduzida e pontual área de afectação. 3.4. RECURSOS HÍDRICOS A área de estudo localiza-se na Unidade Hidrológica de Planeamento (UHP) Vertente Norte (Ilha da Madeira), que abrange integralmente os concelhos de Porto Moniz, Santana e S. Vicente e parcialmente os concelhos de Calheta, Ponta do Sol e Machico. Insere-se, também, na bacia hidrográfica da ribeira da Janela, que constitui o curso de água mais extenso do arquipélago. Por pertencer a esta bacia hidrográfica, é de referir que a área de intervenção não é uma zona propensa à ocorrência de cheias. No levantamento de campo efectuado, apenas foi identificada uma captação de água subterrânea, localizada na envolvente directa da área de intervenção, a montante das Casas do Rabaçal, a qual se trata de uma nascente com reservatório, que abastece a fonte existente nas Casas do Rabaçal. Entre os recursos hídricos superficiais existentes na área do projecto e envolvente, encontra-se um reservatório de água localizado próximo da área de intervenção, junto à ER110, as ribeiras do Alecrim, das 25 Fontes (afluentes da ribeira da Janela) e do Risco, interceptadas pelo teleférico, e os sítios das nascentes das 25 Fontes e do Risco. Página 12 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Na área de intervenção, as fontes poluentes existentes são principalmente as descargas das águas residuais domésticas das instalações sanitárias (IS) das Casas do Rabaçal e a deposição indiscriminada de resíduos ao longo do percurso até à Levada das 25 Fontes. Impactes na Fase de Construção e Exploração A mobilização de maquinaria e veículos envolvidos nos trabalhos de construção, assim como as operações a realizar em área de estaleiro, poderão reflectir-se num aumento do risco de contaminação das águas subterrâneas e superficiais, na medida em que, localmente se poderão verificar infiltrações de substâncias poluentes nos solos, devido ao vazamento e/ou derrame acidental de produtos, nomeadamente óleos e combustíveis dos equipamentos e viaturas. Neste sentido, a ocorrência de um derrame pontual ou acidental de efluentes ou substâncias poluentes, constitui um potencial impacte negativo, cujo significado depende da expressão do eventual derrame, bem como do tipo de produto derramado. A compactação e impermeabilização dos terrenos inerente à implantação do estaleiro e das fundações das infra-estruturas do projecto implicará alterações nas condições naturais de infiltração e de drenagem superficial, potenciando, embora de forma localizada, a diminuição da capacidade de infiltração em detrimento do escoamento superficial. Neste sentido poderse-á verificar uma diminuição da capacidade de recarga dos níveis aquíferos locais. Os impactes associados à compactação dos terrenos, apesar de negativos, são pouco significativos, uma vez que são localizados, não se esperando qualquer descida dos níveis piezométricos locais devido à redução de área de recarga. Em fase de exploração, o aumento do número de pessoas na zona levará a uma maior geração de efluentes domésticos. No entanto, está previsto um aumento do número de sanitários, nas estações do teleférico, providos de tratamento de efluentes adequado antes da sua descarga no meio. Pode-se, assim, afirmar que o projecto terá impactes positivos e significativos na qualidade dos recursos hídricos, relativamente à situação actual em que se verifica a contínua poluição do solo e recursos hídricos, resultante da descarga de efluentes das instalações sanitárias nas Casas do Rabaçal, que não são sujeitos a tratamento adequado. Do mesmo modo é, também, conjecturável que, em fase de exploração, se produza uma maior quantidade de resíduos sólidos urbanos, que poderão afectar a qualidade dos recursos hídricos. No entanto, prevê-se a implementação de um sistema de gestão Página 13 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. ambiental, contemplando uma recolha mais eficiente dos mesmos resíduos (quer através de diversos recipientes espalhados ao longo da área de intervenção, quer através de uma melhor gestão desses mesmos resíduos), resultando num impacte positivo e significativo face à situação actual. 3.5. FIGURAS DE PLANEAMENTO E ORDENAMENTO Na área em estudo foram identificadas áreas de uso condicionado, atendendo à Carta de Condicionantes do Plano Director Municipal (PDM) de Calheta, nomeadamente áreas de “Reserva Natural Parcial” e “Zona de Repouso e Silêncio” do Parque Natural da Madeira, e Sítios de Interesse Comunitário (SIC) da Floresta Laurissilva da Madeira e do Maciço Montanhoso Central. Já no que diz respeito à afectação de classes de espaços de uso, com base na Planta de Ordenamento do PDM de Calheta, a área de implantação do teleférico inclui-se totalmente na categoria Espaços Naturais de Uso Condicionado (Floresta Natural sem Laurissilva). Toda a área de intervenção em estudo se encontra classificada, na Planta de Ordenamento do Plano de Ordenamento do Território da Região Autónoma da Madeira (POTRAM) como “Espaço natural de uso interdito – Reserva Biogenética”. Com base no Conceito Básico do Modelo Territorial do Plano de Ordenamento Turístico (POT), o local de implantação do teleférico do Rabaçal, insere-se parcialmente na área geográfica “A porta da Laurissilva”, cujo objectivo é “…divulgar o Parque Natural da Madeira e a Laurissilva, através de formas que conjuguem os aspectos culturais e pedagógicos com os lúdicos (através, por exemplo, da utilização de novas tecnologias)”. Impactes na Fase de Construção e Exploração Os principais impactes susceptíveis de ocorrerem ao nível das Figuras de Planeamento e Ordenamento, durante a fase de construção do projecto em estudo, prendem-se com a alteração da ocupação do solo pela implantação das estruturas permanentes, pelo que este tipo de impactes embora se inicie durante a fase de construção, prolongam-se, posteriormente, durante a fase de exploração. As afectações referidas previamente traduzem-se num impacte negativo mas pouco significativo, uma vez que a ocupação pela implantação do projecto é de pequena dimensão Página 14 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. e que as funções atribuídas as estes espaços se coadunam perfeitamente com os objectivos do projecto. 3.6. ECOLOGIA Das espécies da Flora, constantes da Directiva Habitats, foram observadas na zona em estudo, a presença de cinco espécies do Anexo II, uma das quais prioritária e significativa em termos de importância natural do local, o que reforça a importância de conservação da Laurissilva. Não foram encontradas espécies do anexo IV ou V da mesma Directiva. Porém, é de notar que as cinco espécies do Anexo II da Directiva foram efectivamente observadas fora dos locais previstos para a edificação de estruturas relacionadas com o teleférico. Considera-se, portanto, que as mesmas espécies só poderão ser eventualmente afectadas se houver obras acessórias, fora da área de inervenção definida no projecto alvo do presente EIA. Em termos dos habitats naturais mencionados na Directiva Habitats, apenas foi possível fazer correspondência concreta a um deles: Laurissilva da Madeira, que se apresenta nesta zona em bom estado de conservação. A Laurissilva engloba diversos tipos de sub-habitats aos quais correspondem nichos ecológicos específicos de diferentes plantas. Terá sido eventualmente a presença destes sub-habitats e, também, a presença de diferentes etapas de sucessão da floresta climácica que determinou a classificação desta área na carta de ordenamento do PDM de Calheta na classe “Espaços Naturais de Uso Condicionado – Floresta Natural sem Laurissilva”, facto que, à luz dos conhecimentos actuais, não parece ser adequado, pois além do elenco florístico presente no local ser dominado por espécies típicas da Laurissilva, há também a considerar que ao conceito de “floresta natural” está obviamente associada a palavra “Laurissilva”. Das 11 espécies de avifauna identificadas na área em estudo, a grande maioria (9) têm um estatuto de conservação considerado como “seguro”, e apenas duas apresentam estatuto de conservação preocupante, nomeadamente de “vulnerável”. A área de implantação directa do projecto não aparenta ter potencial para a ocorrência de uma destas duas espécies, a galinhola, devido à orografia do terreno. Quanto à outra espécie com estatuto vulnerável, o pombo-trocaz, trata-se de uma espécie endémica da Ilha da Madeira e que, de alguma forma simboliza a própria Laurissilva, pois está inteiramente dependente deste habitat, já que a sua dieta é constituída, essencialmente, pelas bagas produzidas pelas várias espécies arbóreas típicas desta floresta. O conjunto destes factos determina que esta Página 15 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. espécie seja alvo de especial atenção por parte do Parque Natural da Madeira, através de medidas de gestão de habitat e campanhas de sensibilização para a sua protecção. Quanto aos vertebrados terrestres analisados para a área em estudo, verifica-se que três das 11 espécies consideradas apresentam classificação de “Criticamente em Perigo”, todas elas correspondentes a espécies de morcegos (Morcego da Madeira, Morcego-arborícola da Madeira e Morcego-orelhudo-cinzento). De acordo com a informação disponível, embora estas espécies de morcegos possam ocorrer na área da Laurissilva, aparentam ser mais abundantes nas zonas menos elevadas. No âmbito do cálculo da capacidade de carga do ecossistema onde está previsto implantar o projecto, tendo em atenção a necessidade de definir linhas orientadoras para a sua utilização num contexto de operação do teleférico, consideraram-se os dois percursos mais utilizados pelos visitantes, levada das 25 Fontes e levada do Risco, e respectivas interligações (Figura 3.1). O percurso mais utilizado pelos visitantes desenvolve-se por uma extensão aproximada de 2 400 m e suportaria uma média de 480 pessoas por dia (ao longo de 8 horas). Nas condições actuais de utilização, em que uma parte importante dos visitantes percorrem o percurso mais utilizado nos dois sentidos, a capacidade de carga poderá estar a ser momentaneamente ultrapassada nos dias de maior movimento, se tivermos em consideração os valores estimados para o número médio de visitantes que foram fornecidos pela Câmara Municipal de Calheta (cerca de 320 visitantes/dia). Página 16 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Figura 3.1 – Percursos preferenciais dos visitantes do Rabaçal Fonte: isnova.madeiratecnopolo.pt. Impactes na Fase de Construção A ocupação e alteração de áreas com interesse ecológico, para a instalação de estaleiros e das infra-estruturas das estações e torres do teleférico, poderão traduzir-se num impacte muito relevante. No entanto, as áreas de estaleiro não serão instaladas dentro da área de Laurissilva. O estaleiro principal, a localizar junto à estação A, abrange apenas uma zona de relvado, enquanto o estaleiro de apoio às estações B e C e Torre 2, localiza-se numa plataforma desprovida de vegetação anteriormente intervencionada. No que se refere aos locais de implantação das estações, a estação A localiza-se numa zona de relvado e a estação B localiza-se na referida plataforma anteriormente intervencionada e desprovida de vegetação, não afectando, por isso, qualquer área de Laurissilva. Apenas as Página 17 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. movimentações previstas para a implantação da Estação C, serão levadas a cabo numa área cartografada como Laurissilva, muito embora a mesma não apresente ainda todo o potencial biológico e monumentalidade típica destas formações. A instalação das torres intermédias terá um significado menor, em que embora a vegetação seja eliminada, a área afectada é muito reduzida e espera-se a recuperação parcial da mesma, através da implementação de medidas de recuperação. Havendo o acompanhamento ambiental adequado, garantir-se-á a não afectação da vegetação envolvente aos locais de implantação das infra-estruturas propostas (estações e torres). Caso contrário, a edificação de estruturas traduz este impacte numa acção irreversível com supressão de área de Laurissilva na Estação C. A maior preocupação no que diz respeito aos impactes causados na fauna em fase de construção, surge relativamente ao ruído emitido pela circulação de alguma maquinaria na estrada de ligação da ER110 ao Rabaçal, de que resultará alguma perturbação sobre a comunidade avifaunística, particularmente os pombos-torcazes, traduzindo-se num impacte significativo, mas temporário (ocorrência apenas na fase de construção). Em suma, os impactes mais negativos durante a fase de construção advêm da construção da estação C por determinar a eliminação de vegetação. Em menor grau seguem-se os impactes produzidos pela instalação das torres e da instalação do estaleiro. Impactes moderados resultam da circulação de maquinaria pesada. Impactes na Fase de Exploração Pelo cálculo da capacidade de carga do ecossitema onde está previsto o projecto, é possível afirmar que a actual visitação consiste já num impacto significativo no ecossistema, pelo pisoteio dos trilhos, deposição de resíduos e perturbação directa, podendo considerarse que a capacidade de carga deste ecossistema possa estar a ser pontualmente ultrapassada em determinadas situações, nomeadamente em momentos de grande concentração de visitantes. A instalação de um teleférico para transporte de pessoas, poderá reduzir o tempo médio de permanência de cada visitante na área do Rabaçal, ao permitir que parte dos visitantes possam regressar às Casas do Rabaçal e/ou ao Paul da Serra de forma rápida e sem utilizar as levadas. Assim, o número médio de visitantes no percurso actualmente mais utilizado poderá aumentar para 650 visitantes diários, sem que isso represente um acréscimo efectivo na pressão exercida sobre o ecossistema, contribuindo para melhores Página 18 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. condições de preservação da flora e fauna locais, no sentido em que fornece todo outro tipo de infra-estruturas de apoio aos visitantes (instalações sanitárias apropriadas, locais de deposição de resíduos, etc.) e constitui um meio eficaz de controlo de acessos às levadas. Por outro lado, a implementação do projecto e todas as infra-estruturas que lhe estão afectas, irá promover o conhecimento e protecção da biodiversidade da ilha da Madeira, em particular a Floresta Laurissilva, quer pela disponibilização de informação e sensibilização ambiental, quer pelo contacto directo que o teleférico proporcionará a um maior número de utilizadores. Estes aspectos traduzir-se-ão em impactes positivos e significativos. 3.7. QUALIDADE DO AR Na área de intervenção do projecto, o tráfego afluente à ER110 representará a única fonte de poluição atmosférica, correspondendo, essencialmente, à afluência turística ao local do Rabaçal e ao tráfego com destino a Porto Moniz. No entanto, a própria situação climática de altitude que caracteriza o local, nomeadamente, em termos de ventos fortes e direccionados do quadrante Noroeste, sentidos com grande intensidade no Paul da Serra, favorece boas condições para que ocorra uma elevada dispersão de poluentes atmosféricos emitidos em toda essa área, reduzindo as probabilidades de fenómenos críticos de poluição do ar. Deste modo, poder-se-á dizer que a qualidade do ar no local de implantação do projecto corresponde a um Índice de Muito Bom. Impactes na Fase de Construção e Exploração Face às características dos trabalhos a efectuar durante a fase de construção, é previsível que os principais impactes negativos são os resultantes da emissão de partículas em suspensão e a sua deposição nas proximidades do local da sua emissão. Estes impactes são derivados essencialmente de acções de terraplenagens e de movimentação de terras. As emissões de poeiras e a sua consequente deposição nas zonas circundantes, provocam, efeitos nocivos na flora e fauna local, embora não assumam grande perigosidade face ao seu carácter temporário. Deste modo, considera-se que os impactes decorrentes das emissões de poeiras embora tenham um carácter negativo, relativamente restrito à zona de obra (onde se localizam as fontes emissoras) e temporário, não deverão constituir impactes significativos. Página 19 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Consideram-se, ainda, as emissões resultantes do funcionamento de máquinas e veículos com motor de combustão, que se prevê que causarão impactes pouco significativos, tendo em conta a dimensão da obra e a normal capacidade de dispersão atmosférica. Em fase de exploração, há a considerar o aumento de afluência de veículos particulares à ER110, nomeadamente na zona da Estação A, que poderá constituir um impacte negativo na qualidade do ar. No entanto, as concentrações dos diversos poluentes, além de dependerem directamente das quantidades emitidas, sofrem grande dispersão devido ao regime de ventos que se verifica no local. Deste modo, o impacte associado a esta ocorrência será pouco significativo, sendo de referir, ainda, que actualmente já se verifica bastante afluência de veículos à zona, correspondentes às centenas de visitantes diários, cujo aumento anual se verificará inevitavelmente, com ou sem implementação do projecto. 3.8. RUÍDO Analisando os dados obtidos aquando das medições de ruído efectuadas no local, verificase que a área em estudo apresenta níveis sonoros muito reduzidos, encontrando-se conformes com a legislação em vigor sobre a matéria, não existindo receptores com sensibilidade ao ruído nas proximidades. As principais fontes de ruído verificadas consistem no tráfego rodoviário diminuto da ER110, em ruídos naturais (aerodinâmica vegetal e fonação animal) e em vozes dos visitantes. Impactes na Fase de Construção e Exploração Dada a inexistência de receptores sensíveis nas proximidades do projecto, prevê-se que os principais impactes no ruído em fase de construção, são derivados da necessidade de utilização da ER110 e da estrada de ligação às Casas do Rabaçal, para o transporte de pessoas e materiais afectos à obra. Estes impactes serão negativos, temporários e pouco significativos ao nível do ruído. De forma idêntica ao referido para a fase de construção, prevê-se que os principais impactes na componente ruído na fase de exploração, apenas poderão ocorrer nos receptores sensíveis próximos das vias de acesso ao teleférico (ER110 e vias associadas), sendo a significância e a magnitude do impacte dependentes do volume de tráfego afecto ao empreendimento. Uma vez que se prevê a continuação de uma elevada afluência de veículos durante o período diurno a esta zona do Paul da Serra e salientando a ausência de Página 20 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. receptores sensíveis, prevêem-se, para a fase de exploração, impactes negativos e pouco significativos ao nível do ruído. Dado os reduzidos níveis sonoros usualmente associados à fase de exploração de teleféricos, sobretudo quando são utilizadas as tecnologias mais recentes, como é o presente caso, afigura-se que os mesmos não deverão ser susceptíveis de gerar impactes negativos significativos. 3.9. PAISAGEM Em termos genéricos, o Vale do Rabaçal apresenta um relevo bem marcado, de formas, predominantemente, abruptas, revestidas por vegetação densa, revelando, pontualmente, as formações rochosas que sustentam o verde dominante. Foram identificadas duas Unidades de Paisagem (UP), as quais se denominaram Floresta de Laurissilva (UP1) (Figura 3.2) e Planalto Serrano (UP2) (Figura 3.3). Figura 3.2 – Floresta Laurissilva – UP1 Página 21 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Figura 3.3 – Planalto Serrano – UP2 A unidade de paisagem Floresta Laurissilva apresenta um grau de sensibilidade elevado, o que traduz, uma baixa capacidade de absorver visualmente, alterações na sua estrutura. Já a unidade de paisagem Planalto Serrano apresenta um grau de sensibilidade médio, possuindo alguma capacidade de absorção visual de alterações. Impactes na Fase de Construção e Exploração Durante a fase de construção verificar-se-á uma interferência nas percepções humanosensoriais resultante de uma desorganização espacial e funcional do espaço de intervenção e, ainda, dos espaços de alguma forma relacionados com a obra, como sejam, os estaleiros e áreas de depósito e empréstimo, cujos impactes se farão sentir, não só no local directamente afectado, bem como, na área envolvente. Atendendo à morfologia da zona atravessada e às características do projecto em causa, verifica-se que as estruturas a introduzir geram um impacte negativo e significativo, mas de carácter temporário. Durante a fase de exploração, os impactes visuais gerados pelas novas estruturas, assumem um carácter definitivo. No entanto, as soluções arquitectónicas apresentadas para as estações, possuem a preocupação de se harmonizarem com a paisagem envolvente. Deste modo, os impactes derivados da implantação das estações do teleférico e parque de Página 22 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. estacionamento, poderão constituir um impacte negativo, embora pouco significativo e de algum modo, subjectivo. São, igualmente, expectáveis impactes resultantes de uma maior agitação no local directamente afectado pelo teleférico, assim como, na sua envolvente. A implantação desta nova estrutura potenciará uma maior afluência de pessoas, designadamente de turistas, traduzindo-se num impacte negativo, mas pouco significativo. Julga-se, no entanto, que a presente proposta permitirá tendencialmente a um ordenamento mais eficiente da região com a criação de medidas (disponibilização de pessoal para limpeza, manutenção e vigilância da zona) e infra-estruturas de apoio à actividade turística (criação de zonas de estacionamento, instalações sanitárias, restauração, tratamento de efluentes e locais para depósito de resíduos) minimizando-se, desta forma, o eventual impacte negativo produzido. Por outro lado, salienta-se o impacte positivo e significativo, que o teleférico promoverá, devido ao facto do mesmo permitir que um maior número de utentes usufrua de uma paisagem ímpar de elevado valor cénico (todo o vale do Rabaçal e a cascata das 25 Fontes). 3.10. PATRIMÓNIO No local de implantação do projecto não foram identificados elementos de valor patrimonial. De salientar que foram identificados elementos etnográficos na área em estudo, como as Levadas do Risco e das 25 Fontes, designadas anteriormente por Levada Velha e Nova do Rabaçal, as Casas do Rabaçal e a fonte junto das mesmas. A construção destas Levadas foi iniciada em 1835 para aproveitamento de água. Impactes na Fase de Construção e Exploração As levadas das 25 Fontes e do Risco poderão sofrer impactes negativos decorrentes da implementação do projecto, na fase de construção pela passagem de pessoal afecto à obra, uma vez que serão um meio de acesso às frentes de obra pelos trabalhadores. As Casas do Rabaçal e a fonte poderão sofrer impactes negativos durante a escavação e construção das infra-estruturas da estação B, assim como a construção da estação C poderá provocar impactes negativos na levada das 25 Fontes. No entanto, se forem adoptadas as medidas de boas práticas preconizadas na execução da obra, não é expectável que venham a ocorrer quaisquer impactes significativos sobre estes elementos. Página 23 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Na fase de exploração é expectável a ocorrência de impactes positivos significativos no património, no sentido em que a implantação do teleférico possibilitará o acesso a um maior número de pessoas, de várias idades e condições físicas, promovendo deste modo o património etnográfico da Ilha da Madeira e, particularmente, a Levada das 25 Fontes. 3.11. SÓCIO-ECONOMIA Como anteriormente referido, o projecto insere-se na freguesia e concelho da Calheta. A freguesia de Calheta localiza-se na parte Sul do concelho e partilha limites, a Norte, com o concelho de Porto Moniz, a Oeste, com a freguesia de Estreito da Calheta, a Este, com a freguesia de Arco da Calheta e com o concelho de Ponta do Sol, e a Sul, com a freguesia de Arco da Calheta e o Oceano Atlântico. O local de implantação do projecto é servido pela Rede Regional Principal, nomeadamente pela ER110. A freguesia de Calheta é uma das mais populosas do concelho de Calheta, possuindo 3105 habitantes, em 2001. A freguesia deste município com maior densidade populacional é a de Paul do Mar, com 567,3 Hab/km2, sendo este valor bastante elevado relativamente à média do concelho e mesmo da Região Autónoma da Madeira. A freguesia de Calheta, onde se localiza o projecto, apresenta uma densidade populacional de 146,9 Hab/km2. O envelhecimento do concelho de Calheta é actualmente uma realidade, já que na maior parte das freguesias a proporção de idosos é mais alta que a de jovens. A taxa de natalidade do concelho de Calheta está abaixo das taxas de natalidade, tanto da Região Autónoma da Madeira, como da do país. A repartição da população activa por sector de actividade na ilha da Madeira revela, no geral, um maior peso do sector terciário em detrimento do sector secundário, que se vem acentuando ao longo dos anos. De facto, cerca de 66,2% da população inclui-se no sector terciário e somente 25,3% no sector secundário. Este grande peso do sector terciário está relacionado com a actividade turística, em que a economia da Madeira está assente. Aliás, entre os aspectos sócio-economicos, o presente projecto relaciona-se preponderantemente com o desenvolvimento da actividade turística. O local de implantação do teleférico do Rabaçal insere-se parcialmente na área geográfica “A porta da Laurissilva”, estando esta regulamentada pelo Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma da Madeira (POT). A área do Rabaçal é considerada como uma Página 24 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. grande valência turística do concelho de Calheta, pois nela estão localizadas as levadas do Risco e das 25 Fontes, que irão ser servidas pelo projecto em estudo. Impactes na Fase de Construção Poderá dizer-se que os impactes negativos, no que respeita ao descritor de sócio-economia, ocorrem maioritariamente na fase de construção. Entre estes, considera-se a afectação da rede viária local, derivada da circulação de maquinaria e veículos pesados afectos aos trabalhos, que produz perturbações ao nível da normal circulação nas vias e degradação dos respectivos pavimentos. O incómodo causado na população visitante da zona de implementação do projecto, devido à degradação e/ou desorganização da circulação rodoviária/pedonal, bem como, às emissões de poeiras e aumento do ruído devido às decapagens e terraplanagens necessárias à construção e ao funcionamento da maquinaria e circulação de veículos pesados, resulta num impacte negativo mas pouco significativo. No entanto, ocorrerão também nesta fase impactes positivos, decorrentes da criação de emprego e do estímulo económico, associado à execução da obra. É expectável um aumento temporário de população presente na freguesia, durante a fase de construção, devido à permanência de trabalhadores afectos à obra. Em obras de idênticas dimensões, os empreiteiros podem recorrer a mão-de-obra local, pelo que é provável a criação de alguns postos de trabalho directos, assim como o recurso a matérias-primas e a subempreiteiros locais. Estes aspectos traduzem-se em impactes positivos e maioritariamente significativos. Impactes na Fase de Exploração Em contrapartida, durante a fase de exploração, os impactes previstos, mais significativos, estão directamente relacionados com a qualidade, segurança e estímulos económicos no sector turístico, através da criação de um espaço de utilização pública, com equipamento adequado de apoio aos turistas e à protecção de zonas ecologicamente muito importantes, melhorando assim o aproveitamento desta zona. Página 25 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Especificamente, ao nível sócio-económico, poderão prever-se impactes positivos para a exploração do teleférico do Rabaçal relacionados com: • maior promoção do conhecimento e protecção da biodiversidade da ilha da Madeira, em particular a Floresta Laurissilva, pela disponibilização de informação e sensibilização ambiental e pelo contacto directo que o teleférico proporcionará a um maior número de utilizadores; • melhoria das acessibilidades às veredas do Risco e 25 Fontes, uma vez que o teleférico fará com que as veredas se tornem acessíveis a visitantes de todas as idades e condições físicas; • controlo da circulação pedonal e rodoviária, uma vez que o teleférico constitui um meio prático de controlar os acessos à zona protegida, de modo a possibilitar a manutenção e preservação de todo o espaço, ao mesmo tempo que permite um aumento da capacidade de carga das veredas sem que esse aumento prejudique a preservação da área em estudo; • melhoria significativa em relação às condições de salubridade existentes no percurso já que passarão a haver casas de banho em todas as estações para usufruto dos visitantes, a aplicação de um Sistema de Gestão Ambiental que contribuirá em muito para a valorização e reabilitação ambiental da zona em questão; • melhoria da segurança dos visitantes em caso de emergência, uma vez que o teleférico constituirá um meio eficaz para a evacuação dos visitantes desta zona do Parque Natural da Madeira (Levadas das 25 Fontes e do Risco), em caso de emergência; • criação de postos de trabalho. 3.12. SÍNTESE DE IMPACTES De modo a ser possível fazer uma avaliação global, integrada e qualitativa dos principais impactes gerados pela implantação do projecto, elaborou-se um quadro síntese dos principais impactes (Quadro 3.1), para as fases de construção e de exploração. Para a maioria dos impactes identificados, são propostas medidas de minimização ou de potenciação específicas, cuja numeração é a atríbuida no Caítulo 6 do Relatório Base – Tomo 1 do Estudo de Impacte Ambiental. No Capítulo 4 do presente RNT são então apresentadas as principais medidas propostas no âmbito deste projecto. Página 26 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. De referir ainda que, a maioria dos impactes que não são minimizáveis, apresentam-se como pouco significativos, de carácter pontual, uma vez que advêm da implantação das estações e apoios intermédios do teleférico, cujas áreas de implantação são de reduzida dimensão. Quadro 3.1 – Síntese dos principais impactes ambientais do Teleférico do Rabaçal Descritor Fase Impacte Alteração das condições naturais de infiltração e drenagem Indução de instabilização ou alteração das condições geotécnicas dos terrenos Geologia, Geomorfologia Construção Solos e Uso do Solo Construção Alteração da morfologia resultante da realização de movimentação de terras necessárias para a implantação das estações, principalmente na Estação A Alteração das características geotécnicas, induzidas por acções de decapagem, movimentação de terras, e ocupação do terreno Alteração da estrutura dos solos (modificações físicoquímicas, devido à falta de arejamento; diminuição do grau de humidade; compactação; ocorrência de eventuais contaminações) Características do Impacte Negativo, directo, reversível/irreversível, temporário/permanente, de reduzida magnitude e pouco significativo Negativo, directo, reversível/irreversível, temporário/permanente, de reduzida magnitude e pouco significativo Negativo, directo, irreversível, permanente, de magnitude moderada e pouco significativo Negativo, directo, reversível/irreversível, temporário/permanente, de reduzida magnitude e pouco significativo Negativo, directo, de reduzida a moderada magnitude, temporário/permanente, reversível/irreversível e pouco significativo Risco de contaminação dos solos, por derrames acidentais Negativo, directo, de moderada magnitude, temporário, reversível e pouco significativo. Desenvolvimento de processos erosivos e consequente perda de solo, derivados de acções de desmatação e terraplenagem Negativo, indirecto, temporário, reduzida magnitude e pouco significativo Página 27 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Descritor Fase Impacte Alteração dos usos actuais do solo, com a diminuição da respectiva capacidade de uso, pela implantação de estruturas permanentes Exploração Construção Recursos Hídricos Exploração Alteração das capacidades e características do solo, com a conversão definitiva dos respectivos usos preexistentes Alteração das condições naturais de infiltração e drenagem, e aumento da compactação dos terrenos, que pode gerar uma diminuição da capacidade de recarga de aquíferos Degradação da qualidade da água, tanto no caso das águas subterrâneas como superficiais, com aumento do caudal sólido e o acréscimo do risco de contaminação acidental dos corpos de água receptores, devido à possibilidade de derrames acidentais de óleos e lubrificantes. Melhoria da qualidade de tratamento dos efluentes provenientes das instalações sanitárias e consequente melhoria da qualidade dos recursos hídricos Melhoria do sistema de recolha de resíduos sólidos urbanos ao longo das levadas e consequente melhoria da qualidade dos recursos hídricos Alteração das condições naturais de infiltração e drenagem e diminuição das áreas de recarga directa, com consequente alteração da piezometria Características do Impacte Negativo, directo, com duração variável (zonas de estaleiro ou implantação de estações), magnitude moderada, dependendo do tipo de uso afectado, permanente e pouco significativo Negativo, directo, permanente, de magnitude reduzida e pouco significativo Negativo, indirecto, temporário, baixa magnitude e pouco significativo Negativo, directo, temporário, magnitude e significado variáveis, dependendo da expressão do derrame e do tipo de produto derramado Positivo, directo/indirecto, permanente, de magnitude moderada e significativo Positivo, directo/indirecto, permanente, de magnitude moderada e significativo Negativo, directo, permanente, de magnitude reduzida, pouco significativo Página 28 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Descritor Planeamento e Ordenamento do Território Fase Construção e Exploração Componente Ecológica Construção Afectação de áreas classificadas de Reserva Natural Parcial e Zona de Repouso e Silêncio do Parque Natural da Madeira; Afectação de áreas da Rede Natura, classificadas como Área de Laurissilva e como Maciço Montanhoso Central; Afectação de classes de espaço de uso, classificadas como Espaços Naturais de Uso Condicionado – Floresta Natural (sem Laurissilva) e como Espaço Natural de Uso Interdito – Reserva Biogenética Ocupação/alteração de áreas com interesse ecológico, associadas à desmatação, à movimentação de terras e à instalação dos estaleiros e das infra-estruturas das estações e parque de estacionamento Deposição de poeiras, poluentes atmosféricos e níveis de ruído emitidos pelos veículos e equipamentos em obra Danos na vegetação pela passagem de cabos para instalação e posterior desmontagem do teleférico provisório Danos na vegetação pela passagem de cabos para instalação do teleférico definitivo Risco de mortalidade de aves e quirópteros por colisão com os cabos do teleférico provisório Exploração Características do Impacte Impacte Afectação da vegetação ao longo da linha por condensação e precipitação proveniente dos cabos Perturbação e pisoteio excessivo para áreas fora do trilho da levada ao longo do percurso Negativo, permanente, de reduzida magnitude e pouco significativo Negativo, directo, irreversível e permanente nas zonas a ocupar pelas infra-estruturas e reversível e temporário nas restantes, de reduzida a moderada magnitude e significativo Negativo, Indirecto, temporário, reversível, de reduzida a moderada magnitude e pouco significativo Negativo, directo, temporário, reversível, reduzida a moderada magnitude e pouco significativo Negativo, directo, temporário, reversível, reduzida magnitude e pouco significativo Negativo, directo, permanente, irreversível, reduzida a moderada magnitude e pouco significativo Negativo, indirecto, permanente, reversível, de reduzida magnitude e pouco significativo Negativo, directo, permanente, reversível, de reduzida a moderada magnitude e significativo Página 29 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Descritor Fase Construção Qualidade do Ar Impacte Risco de mortalidade de aves e quirópteros por colisão com os cabos do teleférico definitivo Divulgação da importância ecológica da Laurissilva e consequente protecção e valorização da mesma Melhoria das condições de preservação da fauna e flora locais, uma vez que fornece infra-estruturas de apoio aos visitantes e reduz o tempo de permanência destes nas levadas Alteração da qualidade do ar devido às emissões difusas de partículas decorrentes dos trabalhos de construção (principalmente, da execução de terraplenagens e da deposição de terras) Melhoria da qualidade do ar, na estrada de ligação da ER 110 às Casas do Rabaçal Exploração Degradação da qualidade do ar no Paul da Serra, devido ao aumento de afluência de veículos particulares Construção Aumento do ruído e vibrações na envolvente dos locais de obra Exploração Permanência dos níveis de ruído no Paul da Serra devido à afluência de veículos particulares Ruído e Vibrações Alteração da estrutura organização da paisagem Paisagem e Construção Interferência nas percepções humano-sensoriais Exploração Efeito invasor provocado pelas infra-estruturas do teleférico Aumento da agitação local na envolvente do teleférico Características do Impacte Negativo, directo, permanente, irreversível, reduzida magnitude e pouco significativo Positivo, indirecto, permanente, reversível, moderada magnitude e significativo Positivo, indirecto, permanente, reversível, moderada magnitude e significativo Negativo, directo, temporário, reversível, de reduzida magnitude e pouco significativo Positivo, directo, permanente, reversível, reduzida magnitude e pouco significativo Negativo, directo, permanente, reversível, magnitude reduzida e pouco significativo Negativo, indirecto, temporário, reversível, de magnitude moderada e pouco significativo Negativo, indirecto, permanente, reversível, magnitude reduzida e pouco significativo Negativo, directo, temporário, reversível, magnitude reduzida e significativo Negativo, indirecto, temporário, reversível, magnitude reduzida e significativo Negativo, indirecto, permanente, reversível, magnitude reduzida e pouco significativo Negativo, indirecto, permanente, reversível, magnitude reduzida e pouco significativo Página 30 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. Descritor Fase Impacte Melhoria do acesso e visão da paisagem proporcionada pelo uso do teleférico Características do Impacte Positivo, directo, permanente, reversível, magnitude moderada e significativo Construção Interferência nas estruturas das Levadas das 25 Fontes e do Risco, nas Casas do Rabaçal e Fonte, pela passagem de pessoal afecto à obra Negativo, directo, temporário, irreversível, magnitude reduzida e pouco significativo Exploração Promoção do património etnográfico (Levadas das 25 Fontes e do Risco) Positivo, directo, permanente, reversível, magnitude moderada e significativo Património Sócioeconomia Construção Aumento da circulação de veículos de obra e consequente degradação do pavimento da ER 110 e da estrada de ligação às Casas do Rabaçal Incómodo causado nos indivíduos visitantes devido às emissões de poeiras e aumento do ruído. Dinamização da economia local Exploração Aumento da oferta de locais para lazer para todas as idades e condições físicas e reforço da competitividade do sector turístico Melhoria das condições de salubridade ao longo dos percursos e de serviços prestados pelas infraestruturas do teleférico Melhoria das acessibilidades às Levadas das 25 Fontes e do Risco e consequente melhoria das condições de segurança e resposta a emergências Possibilidade de aumento do número de visitantes nas veredas, sem comprometer a capacidade de carga do ecossistema e as condições de segurança dos visitantes Negativo, directo, temporário, irreversível, magnitude moderada e significativo Negativo, directo, temporário, de magnitude reduzida e pouco significativo Positivo, directo/indirecto, temporário, de magnitude reduzida a moderada e pouco significativo Positivo, indirecto, permanente, reversível, de magnitude moderada e significativo Positivo, directo, permanente, reversível, magnitude elevada e muito significativo Positivo, directo/indirecto, permanente, reversível, magnitude elevada e muito significativo Positivo, indirecto, permanente, reversível, magnitude elevada e significativo Impacte negativo e significativo Impacte negativo e pouco significativo Impacte positivo e pouco significativo Página 31 Impacte positivo e significativo EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. 4. MEDIDAS POTENCIADORAS, MITIGADORAS E DE COMPENSAÇÃO Apresentam-se, de seguida, as principais medidas de minimização e recomendações propostas no EIA com o objectivo de reduzir ou evitar os impactes identificados. Fase de Construção A fase de construção, dadas as características do projecto em estudo, surge como a fase em que ocorrerão mais impactes de carácter negativo, sendo, como tal, aquela em que terão de ser respeitadas mais medidas com vista à minimização de tais impactes. Deste modo, dado o enorme interesse de que se reveste a conservação da Laurissilva, durante a fase de construção deverão ser observados alguns cuidados. Assim, a execução das obras deverá observar os seguintes aspectos: 1. Apesar de estar previsto no projecto, instalações sanitárias (IS) apenas para funcionários na Estação B, propõe-se a instalação, neste local, de IS com capacidade para servir os visitantes das levadas e dotado de um sistema de tratamento de efluentes igualmente adequado para este aumento de capacidade. De referir que o local da estação B apresenta boas condições para albergar um sistema de maior capacidade uma vez que corresponde a uma área intervencionada, desprovida de vegetação; 2. Prevenir a potencial contaminação do solo e linhas de água, não permitindo a descarga directa no solo, ou sobre linhas de água, de poluentes (entulhos, lamas, betumes, óleos, lubrificantes, combustíveis, produtos químicos, resíduos sólidos e outros materiais residuais da obra) e evitando o seu derrame acidental; 3. Definir operações de armazenagem em locais e contentores específicos e operações de transporte, para todo o tipo de resíduos produzidos na área afecta à obra; 4. Colocação de coberturas nos veículos de transporte de materiais de modo a minimizar a perturbação nas zonas adjacentes à obra, face ao transporte de terras escavadas e outros materiais residuais da obra; 5. As operações de manutenção, como sejam, as reparações mecânicas, mudanças de óleo e restantes operações de lubrificação; ou aplicação de massas, devem ser realizadas na zona dos estaleiros, ou em zonas destinadas para esse efeito, as quais deverão estar convenientemente sinalizadas e equipadas com os sistemas de recolha das águas de lavagem para posterior tratamento ou envio para local onde possam ser tratadas; Página 32 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. 6. Recomenda-se a manutenção dos acessos aos estaleiros em condições de limpeza, de higiene e em bom estado de conservação; 7. Dever-se-á limitar a extensão das intervenções, nomeadamente a remoção de coberto vegetal, a realizar durante esta fase ao mínimo indispensável para a execução da obra; 8. Todas as operações relativas aos trabalhos de limpeza, desmatação e movimentação de terras, deverão ser realizadas no mais curto espaço de tempo e, de preferência no período de época seca; 9. No final das obras, e após a remoção dos estaleiros de apoio à obra, as zonas mais compactadas com as obras, que se localizarem fora das áreas a intervencionar, deverão ser alvo de escarificação dos terrenos, de forma a assegurar, tanto quanto possível, o restabelecimento das condições naturais de infiltração; 10. Os solos férteis, provenientes das operações de decapagem, deverão ser utilizados nas operações de revegetação dos taludes e restantes operações de recuperação e integração paisagística; 11. Manter uma vigilância apertada à possibilidade de desencadear fogo ou incêndios; 12. Na recuperação paisagística, utilizar apenas espécies que pertençam à Laurissilva; 13. Como medida compensatória face aos danos causados consideramos importante proceder à erradicação de acácias existentes no Rabaçal, próximo do local de instalação da estação intermédia. 14. Deverá limitar-se a velocidade de circulação dos veículos nos caminhos em terra, uma vez que a emissão de poeiras aumenta com a velocidade; 15. Interdição da queima de qualquer tipo de resíduos de acordo com a legislação em vigor sobre a matéria; 16. Devem ser evitadas ao máximo actividades ruidosas, sendo recomendável que estas tenham a menor duração possível, de forma a minorar o seu impacte sonoro; 17. Relativamente aos veículos de acesso à obra, a sua movimentação deverá ser racionalizada, e devem ser evitadas, a todo o custo, situações de aceleração/desaceleração excessivas assim como buzinadelas desnecessárias; 18. Os níveis sonoros nas zonas de obra deverão cumprir o regime jurídico de protecção dos trabalhadores contra o ruído; Página 33 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. 19. Preconiza-se como medida minimizadora, o acompanhamento arqueológico durante as fases que impliquem movimentos de terra, tais como desmatações, escavações, terraplanagens, depósitos e empréstimos de terras e construção de estaleiros; 20. Recomenda-se a vedação da zona da Levada das 25 Fontes que possa vir a ser afectada, quando exequível, de forma a limitar o acesso de pessoal afecto à obra; 21. Preconiza-se, ainda, a monitorização dos canais de água da Levada das 25 Fontes, no início e no fim de obra, de forma a verificar se as mesmas não sofreram danos na sua estrutura, assim como a monitorização das Casas do Rabaçal e respectiva fonte; 22. Colocar, sempre que necessário, resguardos laterais para protecção contra quedas nos acessos pedonais localizados na área afecta a obra; 23. Implementação de um plano de acessibilidades, já que será difícil a movimentação de visitantes e trabalhadores afectos à obra em simultâneo. Fase de Exploração Para esta fase preconizam-se as seguintes medidas: 1. Todos os utilizadores do teleférico, visitantes das Casas do Rabaçal e do sítio das 25 Fontes deverão ser sensibilizados (através de cartazes, posters ou folhetos) para os cuidados e as boas práticas que devem adoptar durante a visita de forma a não provocar danos na zona; 2. Deverão ser colocados vários recipientes para recolha de resíduos ao longo do percurso do teleférico, de forma a neles ser colocado todo o lixo produzido, os quais devem ser esvaziados com regularidade pelo pessoal afecto à manutenção do local, evitando dessa forma a poluição do meio envolvente; 3. Uma vez que a instalação do teleférico permitirá controlar os acessos a esta área, sugere-se a instalação de meios de controlo que possibilitem a gestão de entradas e saídas de visitantes, assegurando assim que, a cada momento, o número de visitantes nos caminhos não exceda os valores médios de referência definidos; 4. Face ao aumento do número de visitantes esperado, a empresa exploradora do teleférico deverá manter as áreas de Laurissilva envolventes às estações e, eventualmente, ao longo dos trilhos, limpas de resíduos, devendo ser implementado um Sistema de Gestão Integrado da Qualidade e Ambiente com vista à obtenção de uma Certificação formal, Página 34 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. nomeadamente através dos sistemas ISO 9001 e ISO 14001. Deste modo, garantir-se-á a preservação da área em estudo, já que esta é uma área protegida do parque natural. Actualmente, a visitação que se verifica é já um factor algo perturbador do ponto de vista da qualidade ambiental, sendo previsível que, na ausência de adopção de medidas, se venha a tornar ainda mais acentuado; 5. Sugere-se que seja considerada a implementação de uma política de tarifas que favoreça a recolha de visitantes do final da levada das 25 Fontes por teleférico, em detrimento de uma que favoreça o regresso a pé pela levada, uma vez que deste modo se contribuirá para uma diminuição global dos tempos de permanência dos visitantes nos percursos; 6. De modo a verificar os efeitos da utilização, do espaço, pelos visitantes, sobre as comunidades animais e vegetais deverá ser implementado um Programa de Monitorização de Flora e Fauna detalhado, que forneça dados concretos sobre os efeitos e as suas implicações e que permita regular de forma correcta o fluxo de visitantes; 7. Implementação de um Plano de Monitorização que verifique os níveis sonoros efectivamente resultantes da implementação do empreendimento e despolete, em conformidade, os procedimentos regularizadores necessários; 8. Relativamente às áreas onde se possa prever a implantação de uma cobertura vegetal, deverá ser garantida a preservação da mesma, mediante regas, fertilizações, retanchas e sementeiras nas zonas mal revestidas, cortes da vegetação, substituição de exemplares em más condições fitossanitárias e, ainda, a recuperação de taludes que possam evidenciar sinais de erosão. O recurso a herbicidas ou fogos controlados são acções que deverão ser proibidas. 9. Aquando da implantação de um Centro de Informação Ambiental sugerido para as Casas do Rabaçal, deverá ser disponibilizada informação relevante, focalizada na sensibilização ambiental e, também, informação acerca do concelho da Calheta para divulgação da área envolvente. Página 35 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após a aturada análise de impactes factor a factor e entre os mesmos de que foi alvo o Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal, verifica-se que é na fase de construção que ocorre o maior número de impactes negativos, muito embora estes sejam, na sua maioria, temporários e reversíveis. Os impactes negativos mais significativos, nesta fase, estão relacionados com alterações na morfologia associadas às obras de terraplenagem necessárias para a implantação das estações e com a ocupação/alteração de áreas com coberto vegetal pelos elementos de projecto, mais precisamente pela estação C e pelos postes. A dimensão diminuta e circunscrita destes impactes negativos, em conjunto com a capacidade efectiva que o projecto demonstra em termos de maioritariamente os anular ou reduzir a uma dimensão aceitável ou mesmo desprezível, permite considerar que se encontram reunidas condições que garantem a sua viabilidade e sustentabilidade ambiental. Entre as qualidades que lhe conferem este carácter, salientam-se o elevado grau de integração paisagística de que o mesmo foi dotado, pela dissimulação das infra-estruturas que o integram, pelo recurso a materiais adaptados à zona de inserção, pelo recurso a soluções técnicas pouco usuais neste tipo de equipamento (como é o caso da substituíção dos cabos de comunicações entre estações habitualmente utilizados por um sistema de comunicações especial através do cabo carril do teleférico como medida excepcional para diminuir o impacte visual) e a adopção de sistemas eficientes para o tratamento dos esgotos domésticos e recolha e valorização dos resíduos sólidos. Há igualmente que salientar o extremo cuidado na planificação da execução da obra, fase em que, conforme já foi referido, se verifica a ocorrência da maior parte dos impactes negativos significativos neste tipo de empreendimentos. De referir ainda que, a maioria dos impactes que não são minimizáveis, apresentam-se como pouco significativos, de carácter pontual, localizado e dimensão reduzida, uma vez que advêm essencialmente da implantação das pequenas estruturas das estações do teleférico. De sublinhar também, para concluir, que à implementação do empreendimento em questão estão associados diversos impactes positivos significativos ou muito significativos, entre os quais se destacam os seguintes: • maior divulgação e promoção da biodiversidade da ilha da Madeira, em particular da importância ecológica da Floresta Laurissilva, pela disponibilização de informação e Página 36 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008 Consultadoria Ambiental, Lda. sensibilização ambiental e pelo contacto directo que o teleférico proporcionará a um maior número de utilizadores, e consequentemente da necessidade da sua protecção e valorização; • maior promoção do património etnográfico (Levadas das 25 Fontes e do Risco); • melhoria das acessibilidades às veredas do Risco e 25 Fontes, tornando-as acessíveis a visitantes de todas as idades e condições físicas; • controlo da circulação pedonal e rodoviária, uma vez que o teleférico constitui um meio prático de controlar os acessos à zona protegida, ao mesmo tempo que permite um aumento da capacidade de carga das veredas sem que esse aumento prejudique a preservação da área em estudo; • melhoria significativa das condições de salubridade existentes no percurso e da segurança dos visitantes em caso de emergência, uma vez que o teleférico constituirá um meio eficaz para a sua evacuação. Desta forma considera-se que o presente projecto poderá constituir uma excelente oportunidade da demonstração da compatibilidade entre conservação da natureza e o seu uso sustentável. Lisboa, Fevereiro de 2008 Página 37 EIA do Projecto de Execução do Teleférico do Rabaçal Resumo Não Técnico – Tomo 2 Fevereiro de 2008