Frederico Augusto Ribeiro da Mata Abundância e distribuição temporal de Limnoperna fortunei Dunker, 1857 (Mollusca, Bivalvia) e os impactos da incrustação em usinas geradoras de energia elétrica Orientadora: Profª Drª Eneida Maria Eskinazi Sant'Anna UFOP 2011 Frederico Augusto Ribeiro da Mata Dissertação apresentada ao programa de Pós-graduação em Ecologia de Biomas Tropicais da Universidade Federal de Ouro Preto, como um dos requisitos para obtenção do título de mestre em Ecologia. Orientadora: Profª. Drª. Eneida Maria Eskinazi Sant'Anna UFOP 2011 2 AGRADECIMENTOS Combati o bom combate recebendo as graças da vitória, tudo graças às bênçãos de Deus e a proteção constante de Maria. Mas a luta não foi sozinha, a lista dos que participaram e colaboraram é enorme e agradecimento a todos é muito pouco. A felicidade de ter toda minha família presente neste momento é inexplicável, Pai, Mãe, Aline, Daniel e Camila, estando sempre unidos e dispostos a enfrentar as situações adversas que no foram apresentadas, mas passando por tudo com muita luta e graça, isso sim é sinal de família. A Camila em especial, pelo amor, por nunca me deixar desanimar, por sempre estar comigo e pela ajuda nas correções e idéias que foram de grande valia. Aos amigos pelos momentos de descontração e alegria nos momentos de estresse. A Companhia Energética de São Paulo (CESP), em nome do Biólogo João Henrique Pinheiro Dias por toda ajuda que me foi fornecida, desde a aprovação do projeto, disponibilização dos dados e finalização. A Estação Hidrobiológica de Jupiá (CESP) em nome do Engenheiro René Belmont e os técnicos Sérgio Bovolenta e Rogério Alves da Silva pela ajuda nas coletas. A Usina Binacional de Itaipu, em nome do Veterinário Domingo Rodriguez Fernandez pela disponibilização dos dados do monitoramento de mexilhão dourado de Itaipu e ao estagiário Eduardo Gomes pelo auxilio. A MAXCLEAN, sem a qual não poderia estar realizando este estudo, principalmente na pessoa de nosso diretor Carlos Alberto Dias pela confiança e amizade. 3 A minha orientadora Dra. Eneida pela oportunidade e acreditar neste trabalho, pelos ensinamentos, pela paciência e amizade e aos companheiros do Laboratório de Ecologia Aquática. A galera da UFOP, pelos momentos de descontração, principalmente pelas férias maravilhosas que tive fazendo a Disciplina de Campo, foi uma ótima forma de aprender Ecologia e aos professores do programa pelos ensinamentos. A todos que passaram pela minha vida e contribuíram para a minha formação profissional e pessoal. 4 “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, não sou nada.” Coríntios 13, 1-2. 5 Sumário 1 INTRODUÇÃO GERAL ...........................................................................................................16 1.1 Bioinvasores ........................................................................................................................16 1.2 Caracterização de Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) .....................................................19 1.2.1 Classificação ................................................................................................................19 1.2.2 Ciclo reprodutivo ..........................................................................................................20 CAPÍTULO 1 ................................................................................................................................23 ABUNDÂNCIA E DISTRIBUIÇÃO TEMPORAL DE Limnoperna fortunei, (DUNKER, 1857) EM DUAS UNIDADES GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA (USINA BINACIONAL ITAIPU E USINA ENGENHEIRO SOUZA DIAS – JUPIÁ). 1 INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................23 2 OBJETIVOS ...............................................................................................................................26 2.1 Objetivo geral ......................................................................................................................26 2. 2 Objetivos específicos ..........................................................................................................26 3 MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................................27 3.1 Área de estudo .....................................................................................................................27 3.1.1 Rio Paraná ....................................................................................................................27 3.1.2 Usina binacional Itaipu ................................................................................................28 3.1.3 Usina hidrelétrica Eng. Souza Dias (Jupiá) - CESP ....................................................29 3.2 Metodologia de coleta .........................................................................................................30 3.2.1 Amostragem de larvas e adultos de L. fortunei ............................................................30 3.2.2 Amostragem de larvas de mexilhão dourado – Reservatório Jupiá .............................33 3.2.3 Coleta de adultos – Reservatório Itaipu .......................................................................35 3.3 Análises estatísticas .............................................................................................................35 4 RESULTADOS ..........................................................................................................................36 4.1 Reservatório Itaipu – Densidades larvais anuais L. fortunei ...............................................36 4.1.1 Distribuição larval – Reservatório de Itaipu ...............................................................39 4.1.2 - Recrutamento das populações do L. fortunei – Reservatório Itaipu..........................44 4.2 Reservatório Jupiá - Densidade de larvas L. fortunei (2010) ..............................................47 4.2.1 Recrutamento das Populações do L. fortunei – Reservatório Jupiá ............................48 4.3 Reservatório Itaipu – Densidades anuais de adulto de L. fortunei ......................................49 4.4 Influência dos parâmetros limnológicos no desenvolvimento da população de L. fortunei 53 4.4.1 Reservatório de Itaipu ..................................................................................................53 4.1.2 Reservatório de Jupiá ...................................................................................................54 5 DISCUSSÃO ..............................................................................................................................57 5.1 Reservatório Itaipu - Densidade anual de larvas L. fortunei ...............................................57 5.1.1 Distribuição espacial larval – Reservatório de Itaipu .................................................58 6 5.1.2 Recrutamento das populações do L. fortunei – Reservatório de Itaipu .......................59 5.2 Reservatório de Jupiá- Densidade de larvas de L. fortunei (2010) ......................................61 5.3 Reservatório Itaipu - Densidade anual de adultos de L. fortunei.........................................62 5.4 Influência dos parâmetros físico-químico da água no desenvolvimento da população de L. fortunei.......................................................................................................................................63 6 CONCLUSÃO ............................................................................................................................67 CAPITULO 2 ................................................................................................................................68 AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS DA INCRUSTAÇÃO DE Limnoperna fortunei (DUKER, 1857) EM EQUIPAMENTOS DE USINAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA (USINA HIDRELÉTRICA PORTO PRIMAVERA). 1 INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................68 2 OBJETIVOS ...............................................................................................................................71 2.1 Objetivo geral ......................................................................................................................71 2. 2 Objetivos específicos ..........................................................................................................71 3 MATERIAS E MÉTODOS ........................................................................................................71 3.1 Área de estudo .....................................................................................................................71 3.2 Levantamento de impactos ..................................................................................................72 4 RESULTADOS ..........................................................................................................................73 4.1 Impactos na manutenção - Usina de Porto Primavera .........................................................73 5 DISCUSSÃO ..............................................................................................................................79 6 CONCLUSÃO ............................................................................................................................81 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................................................82 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Navio realizando o deslastro................................................................ 17 Figura 2 - Exemplares adultos de Limnoperna fortunei....................................... 19 Figura 3 - Estágios larvais de Limnoperna fortunei. 1: larva D, 2: Veliger umbonada, 3: Plantígrada)................................................................... 20 Figura 4 - Demonstração do mexilhão dourado nas instalações industriais......... 22 Figura 4A - A. Tubulação de água bruta................................................................. 22 Figura 4B - B. filtro de água bruta de usina hidrelétrica obstruídos por adultos de L. fortunei........................................................................................ 22 Figura 5 - Localização das Usinas de Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera e Itaipu ao longo do rio Paraná............................................................... 28 Figura 6 - Visão geral da Usina Binacional de Itaipu.......................................... 29 Figura 7 - Visão geral da Usina Hidrelétrica Eng. Souza Dias............................ 30 Figura 8 - Disposição na barragem das Unidades geradoras dos pontos de coleta onde foram realizadas as amostragens de larvas de L. fortunei................................................................................................. 31 Figura 9 - Porta de acesso a caixa espiral de uma Unidade Geradora da UHE Itaipu.................................................................................................... 32 Figura 10 - Visão geral da Estação de Hidrobiologia e Aquicultura de Jupiá..................................................................................................... 34 Figura 11 - Canaleta principal da Estação de Hidrobiologia e Aquicultura de Jupiá, utilizada como ponto de amostragem........................................ 35 Figura 12 – Variação média anual de larvas do mexilhão dourado durante os anos de 2002 a 2009 no reservatório de Itaipu.................................... 37 Figura 13 - Variação anual das densidades de larvas de L. fortunei (ind./m3) no reservatório de Itaipu do ano de 2002 a 2009...................................... 39 Figura 14 - Análise comparativa dos três pontos de coleta no reservatório de Itaipu (2005)........................................................................................ 39 Figura 15 - Densidade populacional do mexilhão dourado no ano de 2005 na margem direita/UN01 do reservatório de Itaipu.................................. 40 Figura 16 - Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu, margem direita.......................... 41 Figura 17 - Avaliação da densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado na calha central do Rio Paraná nos meses de jan/abr e agost/dez de 2005, no reservatório de Itaipu........................ 42 8 Figura 18 - Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu, calha central.............................. 42 Figura 19 - Densidade de larvas do mexilhão dourado em (2005) na margem esquerda da UN15 do reservatório de Itaipu....................................... 43 Figura 20 - Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu, margem esquerda...................... 44 Figura 21 - Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu..................................................... 45 Figura 22 - Variação mensal das densidades de larvas de L. fortunei no estágio larval “D” durante o ano de 2005, reservatório de Itaipu.................................................................................................... 45 Variação mensal das densidades de larvas de L. fortunei no estágio larval plantígrada durante o ano de 2005, nos três pontos: margem direita, calha central e margem esquerda do reservatório de Itaipu.... 46 Comparação da densidade larval do estágio de plantígrada da margem direita, calha central e margem esquerda do reservatório de Itaipu (2005)........................................................................................ 46 Figura 25 - Variação mensal da densidade total de larvas em 2010, no reservatório de Jupiá............................................................................ 47 Figura 26 - Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu..................................................... 48 Figura 27 - Densidade populacional de larvas do mexilhão dourado (ind./m3) no reservatório de Jupiá em 2010............................................................. 49 Figura 28 - Variação média anual de adultos de L. fotunei ao longo de 20012010, reservatório de Itaipu................................................................. 51 Figura 29 - Variação anual das densidades de adultos de L. fortunei (ind./m3) no reservatório de Itaipu do ano de 2002 a 2009...................................... 52 Figura 30 - Influência da temperatura da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Itaipu (2005). A. Temperatura da água (°C) X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3).................... 53 Figura 30A- A. Temperatura da água (°C) X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3)............................................................................................... 53 Figura 30B - B. Correlação entre a temperatura da água e a densidade de larvas de L. fortunei (r = 0,809)..................................................................... 53 Figura 31 - Avaliação da influência da temperatura da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010)... 54 Figura 31A - A. Temperatura da água (°C) X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3)............................................................................................... 54 Figura 23 - Figura 24 - 9 Figura 31B - B. Correlação entre a temperatura da água e a densidade de larvas de L. fortunei (r = -0,0118).................................................................. 54 Figura 32 - Avaliação da influência da concentração de oxigênio dissolvido na água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010)................................................................ 55 Figura 32A - A. Oxigênio dissolvido (mg/l) X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3)............................................................................................... 55 Figura 32B - B. Correlação entre Oxigênio dissolvido e a densidade de larvas de L. fortunei (r = 0,21831)...................................................................... 55 Figura 33 - Avaliação da influência do pH da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010)........................ 56 Figura 33A - A. pH X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3).............................. 56 Figura 33B - B. Correlação entre pH e a densidade de larvas de L. fortunei (r= 0,0582)................................................................................................ 56 Figura 34 - Avaliação da influência da condutividade da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010)... 56 Figura 34A - A. Condutividade (mS/cm)X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3)............................................................................................... 56 Figura 34B - B. Correlação entre condutividade e a densidade de larvas de L. fortunei (r = 0,16556).......................................................................... 56 Figura 35 - Avaliação da influência da turbidez da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010)... 57 Figura 35A - A. Turbidez (NTU) X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3)......... 57 Figura 35B - B. Correlação entre Turbidez e a densidade de larvas de L. fortunei (r = - 0,1672)........................................................................................ 57 Figura 36 - Visão geral da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta........................ 72 Figura 37 - Equipamentos e estruturas que estão passíveis a incrustação pelo L. fortunei................................................................................................. 75 Figura 38 - Procedimento de limpeza manual dos elementos filtrantes do filtro principal de uma Unidade Geradora da Usina de Porto Primavera..... 77 10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Tabela 2 - Tabela 3 Tabela 4 - Tabela 5 Tabela 6 - Cronologia da invasão do mexilhão dourado nas usinas instaladas no rio Paraná, Brasil..................................................................................... 28 Tabela 2 - Comparações múltiplas a posteriori Teste de Tukey (p<0,05) para densidade de larvas de L. fortunei durante os anos de 2002 a 2009.............................................................................................. 37 Comparações múltiplas a posteriori Teste de Tukey (p<0,05) para densidade de adultos de L. fortunei durante os anos de 2001 a 2010...... 50 Comparativo entre os parâmetros físico-químicos da água coletada no reservatório de Jupiá e os limites físico-químicos estabelecidos como potencial de sobrevivência do L. fortunei................................................ 66 Usinas hidrelétricas contaminadas ou possivelmente contaminadas pelo L. fortunei......................................................................................... 70 Influência da introdução do L. fortunei na manutenção dos equipamentos da Usina Engenheiro Sérgio Mota (Porto Primavera)...... 77 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS INTRODUÇÃO GERAL GISP - Programa Global para Espécies Invasoras; SCOPE - Comitê Científico em Problemas Ambientais; CABI - Centre for Agricultural Bioscience International; IUCN - União Mundial de Conservação; UNEP - Programa Ambiental das Nações Unidas; CAPITULO 1 µ- micra h – horas L – Litros µm – micrômero °C – Grau celsius pH – potencial hidrogênio Eng. - Engenheiro ind./m2 –indivíduo por metro quadrado Km - Kilometros L. fortunei – Limnoperma fortunei mS/cm – mili Siemens/centimetro µm/cm – micro Siemens/centimetro NTU - Nephelometric Turbity Unit mg/l – miligrama por litro m3/s – metro cúbico por segundo 12 m - metro % - porcentagem L- Litro CESP – Companhia energética de São Paulo m3/h – metro cúbico por hora cm - centímetro m2 - metro quadrado µg/L – micograma por litro CAPÍTULO 2 D. polymorpha – Dreissena polymorpha kW -kilowatt % - porcentagem km2 – Kilomêtro quadrado m - metro MW - megawatt UG – unidade geradora Km – kilometro CEMIG – Companhia Energética de Minas Gerais h - horas 13 RESUMO O molusco bivalve Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) comumente conhecido por mexilhão dourado, pertence à família dos mexilhões marinhos (Mytilidae), ordem Mytiloida e subclasse Pteriomorpha. Antigamente, seu hábitat ou distribuição geográfica restringia-se ao sudeste asiático, especialmente à China, entretanto em 1998 foi identificada com espécie invasora no Brasil. Os novos ambientes invadidos por esta espécie vêm apresentando diversos impactos ambientais e econômicos, pois a não existência de competição, predadores e doenças favoreceu seu crescimento populacional descontrolado alcançando densidades superiores a 100.000 ind./m2. O presente trabalho teve como objetivo avaliar a abundância e distribuição temporal de L. fortunei nas Usinas Hidrelétricas de Itaipu e Jupiá (CESP) e os impactos da incrustação em usinas geradoras de energia elétrica em Porto Primavera (CESP). O resultados demonstraram que processo de invasão do reservatório de Itaipu pelo L. fortunei foi muito rápido, sendo que após sua identificação no ano de 2001 em dois anos ele já apresentava maiores densidades do que detectadas no reservatório de Itaipu. Para o reservatório de Jupiá o que pode ser observado é que apesar de sua invasão ter ocorrido em 2004, às densidades encontradas foram muito baixas, similares há locais de recente introdução. Em relação à influência dos parâmetros limnólogicos sobre a densidade de L. fortunei para o reservatório de Itaipu, a temperatura da água apresentou papel importante na regulação da densidade. No reservatório de Jupiá, observou-se que a temperatura da água, temperatura da água (°C), oxigênio dissolvido (mg/l), condutividade (mS/cm), pH e turbidez (NTU) não foram os principais fatores reguladores na densidade L. fortunei e que neste ambiente outros parâmetros ambientais, possivelmente a disponibilidade de alimento, podem estar envolvidos neste controle. Quanto ao recrutamento populacional, ambos os ambientes apresentaram atividade reprodutiva durante todo o ano estudado, caracterizado pela presença de larvas no estágio “D”. Indivíduos no estágio de plantígrada foram encontrados em quase todos os meses. Com relação dos impactos ocasionados pela entrada do L. fortunei na usina de Porto Primavera foi identificado que os problemas acarretados são similares aos ocasionados pelo Dreissena polymorpha. Ocasionando alteração significativa na frequência de manutenção dos equipamentos que estão em contato com a água bruta do reservatório. O sistema de resfriamento foi o que apresentou os equipamentos com maior alteração na manutenção, equipamentos que exigiam limpeza mecânica a cada 30.000 horas passaram a necessitar de intervenção a cada 360 horas. Acarretando assim, um aumento nos gastos anuais em mão-de-obra, materiais de consumo, peças de reposição e durabilidade dos equipamentos. Com relação à meta de disponibilidade anual, período em que a Unidade Geradora fica disponível para geração, não houve alteração. O comportamento reprodutivo de L. fortunei em águas brasileiras precisa ser mais bem estudado, pois é a base principal para proposição de tratamentos mais eficazes e direcionados. Ademais, outro fator considerável é a realização de monitoramento preventivo por parte das empresas do setor elétrico para a identificação inicial da infestação, o que facilitará a adoção de medidas que minimizam os impactos industriais e dos altos custos financeiros. 14 ABSTRACT The bivalve mollusc Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) commonly known as the golden mussel, belongs to the family of marine mussels (Mytilidae), order and subclass Mytiloida Pteriomorpha. Formerly, their habitat or geographical distribution was limited to Southeast Asia, especially China, but in 1998 was it identified as an invasive species in Brazil. The invaded environments presents various environmental and economic impacts, because the lack of competition, predators and diseases, which favored Limnoperna fortunei rapid population growth, reaching densities over 100,000 ind./m2. This study aimed at evaluating the abundance and temporal distribution of L. fortunei in Itaipu and Jupiá (CESP) hydroelectric plants and the impacts of biofouling in power plants in Porto Primavera (CESP). The results showed that the invasion process of the Itaipu reservoir by L. fortunei was very rapid, and after its identification in 2001, in two years it already had higher densities than found in the Itaipu Reservoir. For the Jupiá reservoir, it was observed that, although the invasion occurred in 2004, the found densities were very low, comparable to places of recent introduction. Regarding the influence of limnological parameters on the density of L. fortunei to the Itaipu Reservoir, the water temperature had an important role in regulating the density. In the Jupiá reservoir, it was observed that the water temperature (° C), dissolved oxygen (mg / l), conductivity (mS / cm), pH and turbidity (NTU) were not the main factors regulating the density L. fortunei and other environmental parameters in this environment, possibly food availability, may be involved in this control. Regarding the population growth, both environments showed reproductive activity throughout the year studied, characterized by the presence of larvae at stage 'D'. Individuals in the plantigrade stage were found in almost every month. Regarding the impacts caused by the entry of L. fortunei at Porto Primavera plant, it has been identified that they are similar to problems caused by Dreissena polymorpha, causing significant modification in the frequency of maintenance of equipment that is in contact with the raw water reservoir. The cooling system showed the greatest change in equipment maintenance. Equipment that formerly required mechanical cleaning every 30,000 hours, started to require it every 360 hours, increasing annual spending on manpower, consumables, spare parts and equipment life. Regarding the goal of annual availability, time which the generating unit is available for generation, there was no alteration. The reproductive behavior of L. fortunei in Brazilian waters requires further studied, because it is the basis for proposing more effective, targeted treatments. Moreover, another significant factor is the realization of preventive monitoring by the electric companies for the initial detection of infestation, which will facilitate the adoption of measures to minimize the impacts on industry and high financial costs. 15 1 INTRODUÇÃO GERAL 1.1 Bioinvasores As introduções de espécies exóticas têm homogeneizado a biota terrestre e suas conseqüências são geralmente amplas, incluindo perda de biodiversidade, alterações no fluxo de energia e hibridização e perda do banco genético nativo (LODGE, 1993; PESTANA, 2006). A introdução pode ocorrer de forma intencional ou acidental, mas, na sua maioria ocorre de forma intencional, visando o interesse econômico (MCNEELY, 2001). As exportações e importações de produtos, através de navios, sempre foram a principal fonte de dispersão de espécies, através das incrustações nos cascos, transporte de animais e plantas de outras regiões para comercialização e a água de lastro. Antigamente, os navios carregaram lastro sólido, na forma de pedras, areia ou metais, por séculos. Nos tempos modernos, as embarcações passaram a usar a água como lastro, o que facilita bastante a tarefa de carregar e descarregar um navio, além de ser mais econômico e eficiente do que o lastro sólido. Quando um navio está descarregado, seus tanques recebem água de lastro para manter sua estabilidade, balanço e integridade estrutural. Durante seu carregamento, a água do porto de origem é lançada ao mar. Os portos podem receber grandes volumes de água de lastro (Figura 1). Os Estados Unidos recebem anualmente 79 milhões de toneladas de água de lastro (RUIZ, 2000). Estima-se que 12 bilhões de toneladas de água de lastro contenham aproximadamente 4.500 espécies aquáticas diferentes e estas são transferidas anualmente em torno do mundo (BASHTANNYY et al., 2001). 16 Figura 1: Navio realizando o deslastro. (https://www.ieapm.mar.mil.br/atividades/agua_lastro.htm) A espécie exótica interage de distintas formas com o ambiente em que ingressa, dependendo de suas características biológicas. Se essas características estão representadas por uma alta taxa de crescimento, investimento de grande quantidade de energia na reprodução, somado a um alto potencial de dispersão e a ausência de inimigos naturais, esta nova espécie se tornará uma invasora (MARGALEF, 1983). A invasão de espécies exóticas representa um grande risco à integridade dos ecossistemas constituindo uma das grandes ameaças à biodiversidade do planeta (LODGE, 1993). Estudos demonstram que a invasão de espécies exóticas é a segunda causa mundial de perda de diversidade biológica (ZILLER, 2001). Segundo Ziller (2001) certos ambientes parecem mais suscetíveis à invasão que outros. Algumas hipóteses procuram explicar essas tendências: A) Quanto menor à diversidade e a riqueza natural de um ecossistema, mais suscetível à invasão ele seria, por apresentar funções ecológicas ainda não supridas (o que será feito pelas espécies exóticas). 17 B) As espécies invasoras, livres dos competidores, predadores e parasitas de suas áreas de origem, teriam vantagens competitivas em relação às nativas. C) Quanto maior o grau de perturbação do ecossistema, mais fácil seria a dispersão e o estabelecimento de espécies exóticas, em especial quando há redução da diversidade natural pela extinção de espécies ou exploração excessiva. Na busca de solucionar os problemas causados pelas espécies invasoras, a comunidade científica de vários países instituiu, em 1997, o Programa Global para Espécies Invasoras (GISP). O GISP foi estabelecido tendo como missão: conservar a biodiversidade e manter meios de subsistência para minimizar a disseminação do impacto das espécies invasoras. Este programa é operado por um consórcio entre o Comitê Científico em Problemas Ambientais (SCOPE), Centre for Agricultural Bioscience International (CAB Internacional), União Mundial de Conservação (IUCN), em parceria com o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP). Uma lista das piores 100 espécies invasoras do mundo foi elaborada pela IUCN, como forma de alertar os países para a possível introdução de alguma dessas espécies. Atualmente, existem poucos estudos norteadores que possibilitam traçar mapas de dispersão, das regiões favoráveis a invasão de espécies exóticas. Assim, as campanhas de combate e prevenção não são priorizadas. Com estudos mais aprofundados, será possível demonstrar os impactos que esta introdução acarretará ao ambiente invadido, possibilitando o desenvolvimento de métodos de controle mais eficientes, de baixo custo e ambientalmente sustentável. 18 1.2 Caracterização de Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) 1.2.1 Classificação Segundo classificação de Newell (1969), o molusco bivalve Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) (Figura 2), conhecido vulgarmente por mexilhão dourado, pertence à família dos mexilhões marinhos (Mytilidae), ordem Mytliloida e subclasse Pteriomorpha. Ao contrário da maioria dos mitilídeos o L. fortunei é de água doce podendo atingir em média 35mm de comprimento (BOLTOVSKOY & CATALDO, 1999), tendo a sua longevidade variando conforme a localização geográfica (MAGARA et al., 2001). A maior estimativa de sobrevivência foi encontrada na região do Rio da Prata, sendo que Boltovskoy & Cataldo (1999) encontrou animais com 3 anos e Maroñas (2003) detectou animais que atingiram 3,2 anos. O mexilhão dourado é uma espécie epifaunal, logo apresenta a capacidade de secreção de proteínas capazes de fixação, denominada bisso, que se adere a qualquer tipo de substrato (natural ou artificial) (DARRIGRAN, 2009). Figura 2: Exemplares adultos de Limnoperna fortunei 19 1.2.2 Ciclo reprodutivo O ciclo reprodutivo do L. fortunei apresenta duas fases, sendo, uma juvenil/adulta e uma fase larvária planctônica. Apresenta sexos separados ou gonocórica. Os gametas masculinos e femininos são liberados na água onde é realizada a fecundação (DARRIGRAN, 2009). Na reprodução, logo após a fecundação do ovo, o embrião passa por vários estágios de segmentação dos blastômeros até o estágio de: Trocófora ciliada – aparecimento de uma coroa ciliar e de um grupo de flagelos centrais; Véliger tipo D – o contorno valvar é característico por sua forma de “D”, com desenvolvimento completo do véu, de disposição anterior, provido de uma densa franja de cílios e um flagelo central; Véliger Umbonada – a formação do umbo alcança seu maior desenvolvimento neste estágio de véliger, incrementam-se as linhas de crescimento como a diferenciação dos órgãos internos; Pediveliger – formação do pé, que começa a ser funcional, tendo a larva uma dupla forma de deslocamento, quer nadando por meio do véu, que se deslocando pelo pé; Plantígrada – não apresenta mais o véu, portanto só o pé passa a ser o único meio de locomoção da larva e completa sua organização interna, começa a alongar-se na forma de um futuro mexilhão e pode se fixar a substratos (EZCURRA DE DRAGO et., al., 2009) (Figura 3). 1 2 3 Figura 3: Estágios larvais de Limnoperna fortunei. 1: larva D, 2: Veliger umbonada, 3: Plantígrada. (Foto: Daniel Cataldo) 20 1.2.3 Impactos O L. fortunei apresenta características típicas de espécies invasoras, como, tempo de geração curto, plasticidade fenotípica, dominância em seu habitat natural, ampla tolerância ambiental e associação a atividades de origem antrópica (MORTON, 1973). Nas águas brasileiras, o crescimento descontrolado tem provocado diversos impactos ambientais e econômicos que se assemelham muito com os ocorridos na Europa e América do Norte com D. polymorpha (mexilhão zebra) (MATSUI et al., 2002; BRUGNOLI & CLEMENTE, 2002; CATALDO et al., 2002). 1.2.3.1 Impactos Ambientais Os impactos ambientais estão relacionados com o efeito sobre a comunidade fitoplantônica e zooplanctônica, estes impactos levam à diminuição da biomassa destes microrganismos e da turbidez do corpo d’água, sendo fatores determinantes para a proliferação de macrófitas aquáticas (BRUGNOLI & CLEMENTE, 2002). As espécies invasoras, também influenciam no ciclo de ciclagem de nutrientes e são competidores dos animais nativos nos ambientes invadidos, por partículas alimentares em suspensão (DARRIGRAN & PASTORINO, 1995; RICCIARDI 1998; DARRIGRAN & DRAGO, 2000). Ademais, acarretam uma diminuição drástica no número de espécies nativas (TAKEDA et al., 2000 e MANSUR et al., 1987, 2003). 1.2.3.2 Impactos econômicos O ingresso do mexilhão dourado em instalações industriais ocorre durante os primeiros estágios de desenvolvimento (BOLTOVYSKOY e CATALDO, 1999). As larvas de vida livre que se encontram suspensas na coluna de água são introduzidas nos sistemas através da captação de água bruta para uso nos equipamentos e processos de produção. Assim, esta espécie quando dentro do ambiente industrial se fixa a qualquer tipo de substrato duro como metal, plástico, 21 cimento, madeira, entre outros, e crescem descontroladamente em camadas, podendo obstruir todo o diâmetro de tubulações, filtros, bombas, canalizações e turbinas, configurando um efeito denominado de macrofouling (Figura 4A e 4B) (OLIVEIRA, 2003). As tubulações, filtros, bombas, condensadores dentre outros equipamentos necessitam então de limpeza constante para a remoção dos organismos, gerando prejuízo para as empresas, (DARRIGRAN & PASTORINO, 1995, RICCIARDI 1998; DARRIGRAN & DRAGO, 2000). A B Figura 4: Demonstração do mexilhão dourado nas instalações industriais. (A) Tubulação de água bruta e (B) filtro de água bruta de usina hidrelétrica obstruídos por adultos de L. fortunei. Fonte: (A) Maria Edith Rolla e (B) http://www.conttmaf.org.br/fotos/1059mexilhão%20dourado5.jpg. 22 CAPÍTULO 1 ABUNDÂNCIA E DISTRIBUIÇÃO TEMPORAL DE Limnoperna fortunei, (DUNKER, 1857) EM DUAS UNIDADES GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA (USINA BINACIONAL ITAIPU E USINA ENGENHEIRO SOUZA DIAS – JUPIÁ). 1 INTRODUÇÃO Os ecossistemas aquáticos apresentam uma maior vulnerabilidade à invasão de espécies exóticas que os ecossistemas terrestres (SALA, 2000). Esta vulnerabilidade está correlacionada com diferentes fatores como a facilidade de dispersão da espécie no ambiente invadido, a movimentação da água e sistemas integrados de lagos e corpos hídricos. Ademais, as atividades humanas relacionadas à recreação e transporte podem movimentar comunidades inteiras de espécies pelágicas e bentônicas através de todo tipo de dispersores em potencial, tais como equipamentos de pesca, espécies para aquariofilia e aqüicultura favorecendo a introdução e o estabelecimento e de populações exóticas (LODGER, 1998). O processo de invasão de um novo ambiente consta de cinco etapas ou obstáculos que o organismo deve a superar: transporte, liberação, estabelecimento, dispersão e impacto. Superadas as três primeiras, a espécie transpassa as barreiras naturais que limitavam a sua distribuição e se transforma em não-nativa. Uma espécie que ultrapassa transpassa com êxito as cinco etapas é considerada invasora (KOLAR & LODGE, 2001). Quanto maior a similaridade entre o ambiente aquático nativo e a nova área a ser colonizada, maior a probabilidade de sucesso da invasão. Portanto, as condições ambientais são fatores importantes para favorecer ou eliminar a possibilidade de estabelecimento de uma espécie exótica no novo sistema (OLIVEIRA, 2003). Em 1998, a espécie Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) foi identificada com invasora nas bacias da região sul do Brasil (MANSUR et al,. 2004). O hábitat nativo desta espécie ou 23 distribuição geográfica restringia-se ao sudeste asiático, especialmente à China. Entretanto, em 1966 foi reportado como uma espécie invasora em Hong Kong e no ano 1991 no Japão e na América do Sul (DARRIGRAN & DRAGO, 2000 e PASTORINO et al. 1993). No continente sulamericano, a introdução de L. fortunei, provavelmente, ocorreu através da água de lastro de navios oriundos da Coréia e de Hong Kong (DARRIGRAN & PASTORINO 1995). Os primeiros registros são provenientes do Balneário Bagliardi no Rio de la Plata (Argentina) na América do Sul (DARRIGRAN & DRAGO 2000). No Brasil, os primeiros registros datam de 1998 no estado do Mato Grosso do Sul, na Baía do Tuiuiú nas proximidades de Cuiabá e no Rio Grande Sul no Delta do Jacuí. Pela rápida dispersão do mexilhão dourado, cerca de 240 km por ano (DARRIGRAN & EZCURRA DE DRAGO, 2000b), hoje sua distribuição abrange os estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais (DARRIGRAN, 2009). O crescimento populacional de uma espécie invasora em recente introdução está baseado, segundo Hicks, 2004, em três fases: a primeira fase tem duração indeterminada ou variável, é a denominada de “repouso ou espera”. Nesta fase, a população se encontra dentro do limite de capacidade de carga do ambiente; Em seguida, a espécie se estabelece com lento crescimento populacional lento. Na segunda fase, denominada de “pânico”, a população se expande com rapidez e excede temporalmente a capacidade de carga do ambiente invadido. A terceira fase caracteriza-se pela redução do crescimento exponencial, portanto se produz um “freio” no crescimento populacional explosivo e a densidade da população declina até uma capacidade de carga menor à inicial, para logo, passar a uma etapa de equilíbrio. As características de invasão na América do Sul pelo mexilhão dourado têm apresentado padrão semelhante ao descrito por Hicks, 2004. Nos ambientes onde foi detectada a presença deste molusco foi descrito um aumento da taxa populacional em um curto intervalo de tempo. Esta forma de invasão foi observada no sul do Brasil, onde a densidade populacional ultrapassou 24 de 879 ind./m2 em 1999 para 100.000 ind./m2 em 2001 e na Argentina, onde a densidade inicial era de 4 a 5 ind./m2 em 1991 e atingiu a ordem de 150.00 ind./ m2 no ano de 1998 (OLIVEIRA, 2003). O êxito de uma introdução resulta, fundamentalmente, da interação de dois pontos: a susceptibilidade do ambiente a ser invadido e as características invasoras próprias que apresentam as espécies não-nativas (DARRIGRAN, 2009). Segundo Ricciardi (1998), o ambiente físico pode ser considerado um filtro no controle da intensidade de um evento de invasão em uma nova área. O hábitat alvo pode assim, apresentar características abióticas que irão constituir um ambiente mais ou menos favorável à determinada espécie invasora: quanto maior a similaridade entre o ambiente nativo e a nova área a ser colonizada, maior a probabilidade de sucesso da invasão. As condições ambientais podem ser fatores importantes para diminuir a taxa de dispersão e controlar a densidade populacional da espécie. Algumas variáveis ambientais como temperatura, pH, concentração de cálcio na água, características granulométricas de substratos naturais ou a presença de substratos artificiais para a fixação são condições importantes que influenciarão no desenvolvimento do bivalve (OLIVEIRA, 2003). De um modo geral, os estudos realizados com o mexilhão dourado no Brasil, demonstram que este bivalve toleram diferentes níveis de pH e faixas de temperatura, evidenciando assim, a grande facilidade de adaptação da forma adulta a uma grande amplitude de condições ambientais (MATA, 2004). As faixas de tolerância de adultos à variação do pH oscilam entre 9,20 até 2,60, sendo que a ótima sobrevida com atividade biológica normal dos indivíduos adultos é observada na faixa de pH que varia de 7,30 até 5,5 (CAMPOS E MATA, 2004). Em relação à temperatura, dados de Silva, (2004) demonstram que a elevação da temperatura da água diminui a viabilidade 25 dos organismos adultos, com morte em 24 horas entre 37ºC e 40ºC e viabilidade em uma faixa superior a 15ºC. Atualmente, estudos mais aprofundados que visam avaliar a dinâmica de invasão do mexilhão dourado e a influência dos parâmetros físico-químicos no estabelecimento desta espécie invasora em unidades geradoras de energia são ainda escassos. O presente estudo objetivou avaliar a abundância, distribuição temporal e a influência dos parâmetros físicoquímicos da água na reprodução do mexilhão dourado em duas das mais importantes unidades geradoras de energia (Itaipu e Jupiá). 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Avaliar a abundância e distribuição temporal de L. fortunei em usinas geradoras de energia elétrica. 2. 2 Objetivos específicos • Avaliar a variação anual da densidade de adultos e larvas de L. fortunei a partir de uma série temporal longa (2001 a 2010) no reservatório de Itaipu; • Avaliar a variação mensal da densidade larvas de L. fortunei reservatório de Jupiá durante o ano de 2010; • Verificar a influência de parâmetros limnológicos como a temperatura da água (°C), oxigênio dissolvido (mg/l), condutividade (mS/cm), pH e turbidez (NTU) na abundância de larvas de L. fortunei; • Determinar o período de recrutamento e os picos reprodutivos da espécie no ambiente estudado; 26 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 Área de estudo 3.1.1 Rio Paraná O Rio Paraná nasce da confluência de dois importantes rios brasileiros: o Rio Grande e o Rio Paranaíba, aproximadamente, a 20° de latitude sul e 51° de longitude oeste. Desde sua formação, na confluência dos mencionados rios, tem largura superior a 1 km e vazões mínimas de mais de 1 mil m3/s. O comprimento total do rio Paraná é de 2.739 Km dos quais 1.240 km em território Argentino, 619 Km inteiramente em território brasileiro e 880 Km como limítrofe entre a República do Paraguai e Argentina ou Brasil (MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, 2008). Estão instaladas neste rio quatro grandes usinas geradoras de energia. A binacional Itaipu, pertencente ao governo brasileiro e paraguaio, usina hidrelétrica Eng. Sérgio Motta (Porto Primavera), usina hidrelétrica Eng. Souza Dias (Jupiá) e usina hidrelétrica Ilha Solteira, todas pertencentes à Companhia Energética de São Paulo (Figura 5) Estas usinas já apresentam registros da invasão do mexilhão dourado (MUSTAFÁ, 2004), sendo a cronologia de invasão descrita na tabela 1. 27 Figura 5: Localização das Usinas de Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera e Itaipu ao longo do rio Paraná. Fonte: Google Earth Tabela 1: Cronologia da invasão do mexilhão dourado nas usinas instaladas no rio Paraná, Brasil (Mustafá 2004). Data Local 2001 Usina Binacional de Itaipu 2002 Usina Eng. Sérgio Motta (Porto Primavera) 2004 Usina Eng. Souza Dias (Jupiá) 2004 Usina Ilha Solteira 3.1.2 Usina binacional Itaipu O reservatório de Itaipu foi formado em outubro de 1982, localiza-se no Oeste do estado do Paraná, na bacia do Rio Paraná, na divisa Brasil-Paraguai, entre os paralelos de 24°05’ e 25°33’de latitude Sul e entre os meridianos 54°00’e 54°37’de longitude Oeste (Grw). Apresenta uma superfície de 1.350 km2 em sua cota média de operação (220 m) e 1460 km2 na cota máxima 28 (223 m), profundidade média de 22 m (corpo principal), podendo alcançar 170 m as proximidades da barragem (MUMBACH, 2008). A usina de Itaipu é, atualmente, a maior usina hidrelétrica do mundo em geração de energia. Com 20 unidades geradoras e 14.000 MW de potência instalada, fornece 18,9% da energia consumida no Brasil e abastece 77,0% do consumo paraguaio (ITAIPU, 2011) (Figura 6). Figura 6: Visão geral da Usina Binacional de Itaipu Fonte: Google Earth 3.1.3 Usina hidrelétrica Eng. Souza Dias (Jupiá) - CESP A Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias (Jupiá) (Figura 7) foi construída com tecnologia inteiramente brasileira e concluída em 1974. Está localizada no Rio Paraná, entre as cidades de Andradina e Castilho (SP) e Três Lagoas (MS). Essa usina possui 14 unidades geradoras com turbinas Kaplan com potência instalada de 1.551,2 MW e dois grupos turbinagerador, para serviço auxiliar, com potência instalada de 4.750 kW em cada grupo. Sua barragem tem 5.495 m de comprimento e seu reservatório tem 330 km2. A usina dispõe de eclusa, que possibilita a navegação no Rio Paraná e a integração hidroviária com o Rio Tietê (CESP, 2011). 29 Figura 7: Visão geral da Usina Hidrelétrica Eng. Souza Dias Fonte: Google Earth 3.2 Metodologia de coleta 3.2.1 Amostragem de larvas e adultos de L. fortunei 3. 2.1.1 Coleta de larvas – Reservatório Itaipu O período de coleta foi de março de 2002 a setembro de 2009, sendo realizadas coletas mensais. As amostras foram coletadas a partir das escotilhas de caixas espirais das Unidades Geradoras 01, 10 e 15 na elevação 87, da Usina Hidrelétrica de Itaipu (Figura 8). Utilizou-se a caixa espiral por está manter um fluxo praticamente constante de vazão, à facilidade de acesso a estes locais e necessidade de monitoramento das densidades desse bivalve no sistema de resfriamento das unidades geradoras de energia. 30 UN 01 UN 10 UN 15 Figura 8: Disposição na barragem das Unidades Geradoras dos pontos de coleta onde foram realizadas as amostragens de larvas de L. fortunei (seta em vermelho).Fonte: Google Earth Foi realizada a instalação de um sistema de desvio de água na escotilha da caixa espiral através de uma mangueira acoplada com registro (Figura 9). A água era filtrada um uma rede de plâncton com malha de 70 micra (µ). O tempo de filtragem decorria de um período de 1 a 2 h sendo filtrados em média de 6.000 a 8.000 L. Logo, realizava-se a medição da temperatura da água e a medição da vazão utilizando um balde de 20 L, marcando-se o tempo de vazão por 3 vezes, depois era calculada a média. Posterior a filtragem, foi realizada a lavagem da rede utilizando água deionizada com uma pisset e o material foi acondicionado em frascos de plásticos de 1 L contendo 10% do volume de uma solução de formaldeído a 4% para fixação. 31 Figura 9: Porta de acesso a caixa espiral de uma Unidade Geradora da UHE Itaipu. Para a análise quantitativa, as amostras foram inicialmente fracionadas utilizando um amostrador de Folson. Em seguida, as amostras foram separadas em alíquotas de 50%, repetindo-se a operação sucessivamente até obter a fração desejada (diluição adotada de até 6 vezes – 1,56%). As amostras fracionadas foram dispostas em placa de Petri e analisadas em lupa estereoscópica binocular (80X) (Olympus SZ2 ILST). Os estágios larvais foram identificados e classificados conforme Boltovoskoy e Cataldo em 2002: 1. - Veliger de charneira reta; 1.5 – Intermediário; 2. - Veliger Umbonada; 2.5 – Intermediário; 3. - Veliger umbonada com pé; 4. - Pedivéliger; 5. - Plantígrada. 32 Para avaliação da influência da temperatura da água na densidade larval, taxas de recrutamento e da distribuição de larvas no reservatório de Itaipu foram utilizados os dados amostrados durante de 2005, pois neste período não houve interrupção das coletas durante os meses e houve a descrição completa dos estágios larvais. 3. 2.1.1.1 Estimativa da densidade de larvas (org/m3) n° total de larvas / (alíquota/100) * volume filtrado (L) = total de larvas por litro n° total de larvas por litro * 1000 = total de larvas por m3 MÉDIA DA QUANTIDADE DE LARVAS POR m3 NOS TRÊS PONTOS COLETADOS T L/m3= Total de larvas UN 01 + Total de larvas UN 10 + Total de larvas UN 15 n° Unidades Geradoras amostradas 3.2.2 Amostragem de larvas de mexilhão dourado – Reservatório Jupiá No reservatório de Jupiá foi realizada a amostragem de larvas de mexilhão dourado no período de fevereiro a dezembro de 2010. As coletas foram realizadas na canaleta principal de água da estação (Figura 10), que é abastecida com a água do reservatório com a vazão de 1.300 a 1.600 m3/h. 21 Figura 10: Canaleta principal da Estação de Hidrobiologia e Aquicultura de Jupiá, utilizada como ponto de amostragem. Para a coleta das larvas de mexilhão dourado foi utilizada uma rede de plâncton de 60 µm, sendo filtrado um volume de 600 L de água que eram bombeados através de bomba mecânica (STHIU P-835) (Figura 11 A). O material retido na rede foi removido com água destilada e acondicionado em recipientes plásticos contendo formol a 4%. Logo, este material foi encaminhado para análise laboratorial e procedeu-se a identificação dos estágios e o cálculo da densidade total utilizando a mesma metodologia descrita no item 3.1.1.5.1 (reservatório de Itaipu). Nas amostras coletadas em Jupiá a obtenção dos parâmetros físicos e químicos da água foi realizada através de sonda multiparâmetros Horiba U10, sendo obtidas: temperatura da água (°C), oxigênio dissolvido (mg/L), condutividade (mS/cm), pH e turbidez (NTU) (Figura 11 B). 34 A B Figura11: Métodos de coleta utilizados no reservatório de Jupiá. A. Filtragem da água para coleta de larvas de mexilhão dourado; B – Coleta dos dados físico-químicos, utilizando sonda multiparâmetros. 3.2.3 Coleta de adultos – Reservatório Itaipu A coleta de mexilhões adultos incrustados foi realizada durante o período de abril de 2001 a setembro de 2010 através de raspagem junto ao vão da comporta de tomada de água (entre cota 179 e 197) utilizando uma espátula e bandeja, por ocasião de paradas programadas de manutenção (20 por ano). As amostras de indivíduos adultos foram obtidas extraindo-se três amostras de 10 X 10 cm de parede em pontos distintos, de forma aleatória, utilizando um quadrante de madeira. A seguir, as amostras foram acondicionadas em recipientes plásticos e encaminhadas para o laboratório para contagem visual e/ou análise em microscopia, as amostras não foram fixadas. Após a contagem foram calculadas as médias dos valores e apresentado os resultados em m2. Nos meses onde foram realizadas mais de uma coleta dentro do mesmo ano foi calculada a média dos valores de densidade obtidos. 3.3 Análises estatísticas As análises estatísticas foram realizadas utilizando o programa STATISTICA 7.0, para os dados de variação anual das densidades de larvas de mexilhão dourado em Itaipu utilizou-se a teste ANOVA One-Way e teste a posteriori de Tukey (p<0,05). Para comparação entre as 35 densidades de larvas entre as margens e calha central do rio Paraná e para avaliação da diferença dos estágios de plantígrada entre as unidades geradoras foi realizado o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis. Para verificação da influência dos parâmetros físico-químicos da água sobre a densidade do mexilhão dourado foi realizado teste de correlação de Sperman. 4 RESULTADOS 4.1 Reservatório Itaipu – Densidades larvais anuais L. fortunei Os resultados obtidos para a abundância de larvas de L. fortunei indicaram valores médios anuais de 106 ind/m3, entretanto no mês de dezembro/2002 o número de larvas alcançou 366 ind./m3. No ano de 2003, a densidade média foi de 513 ind./m3, sendo que no mês de outubro obteve-se a maior densidade de organismos (1.769 ind./m3) (Figura 13). Dentre os anos analisados neste estudo (2001 a 2010), os que apresentaram maior densidade larval foram o de 2004 (2.017 ind./m3) e 2005 (2.395 ind./m3), com maior valor mensal sendo registrado em novembro e fevereiro (7.506 ind./m3 e 7.571 ind./m3, respectivamente) (Figura 13). O ano de 2005 foi o que apresentou a maior densidade média anual de larvas disponíveis na coluna d’água. Somente houve diferença significativa entre as densidades entre o ano de 2005 e 2002 (p=0.019) (Tabela 2) (Figura 12). Em 2006, 2007 e 2008 foi registrada uma pequena oscilação nas densidades anuais (1.376 ind./m3, 1.615 ind./m3 e 1.411 ind./m3, respectivamente), sendo o mês de Abril/2006 (2.700 ind./m3) o mês que apresentou maior densidade larval. Em 2007, no mês de fevereiro foram observados 6.125 ind./m3 e 3.415 ind./m3 em maio de 2008. Já no ano de 2009 os valores apresentados são referentes às coletas realizadas até o mês de setembro, tendo uma densidade 36 média anual de 958 ind./m3 e o mês que apresentou maior densidade foi março com 1.383 ind./m3 (Figura 13). Tabela 2 - Comparações múltiplas a posteriori Teste de Tukey (p<0,05) para densidade de larvas de L. fortunei durante os anos de 2002 a 2009. ANO 2002 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 0.998673 0.065429 0.019861 0.548617 0.323342 0.51345 0.999754 0.204713 0.072947 0.872127 0.662947 0.84746 1000000 0.999825 0.942523 0.993956 0.955498 0.353915 0.745307 0.9209 0.777371 0.169719 0.999949 1000000 0.922037 0.999983 0.778401 2003 0.998673 2004 0.065429 0.204713 2005 0.019861 0.072947 0.999825 2006 0.548617 0.872127 0.942523 0.745307 2007 0.323342 0.662947 0.993956 0.9209 0.999949 2008 0.51345 0.84746 0.955498 0.777371 1000000 0.999983 2009 0.999754 1000000 0.353915 0.169719 0.922037 0.778401 0.906266 0.906266 4500 4000 3500 ind/m3 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Ano Figura 12: Variação média anual de larvas do mexilhão dourado durante os anos de 2002 a 2009 no reservatório de Itaipu. 37 2003 2002 400 2000 1800 350 1600 300 1400 1200 Ind./m3 Ind./m3 250 200 1000 800 150 600 100 400 50 200 0 Fev 0 Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jul Ago Set Out Nov Dez Dez 2005 8000 8000 7000 7000 6000 6000 5000 5000 Ind./m3 Ind./m3 2004 Jun 4000 4000 3000 3000 2000 2000 1000 1000 0 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai 2006 Jun Jul Ago Set Out Nov Jul Ago Set Out Nov 2007 3000 7000 6000 2500 5000 4000 Ind./m3 Ind./m3 2000 1500 3000 1000 2000 500 1000 0 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Dez 38 2009 1600 3500 1400 3000 1200 2500 1000 Ind./m3 Ind./m3 2008 4000 2000 800 1500 600 1000 400 500 200 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 0 Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Figura 13: Variação anual das densidades de larvas de L. fortunei (ind./m3) no reservatório de Itaipu do ano de 2002 a 2009. 4.1.1 Distribuição larval – Reservatório de Itaipu Na comparação realizada entre as densidades totais amostradas durante o ano de 2005, nos pontos de coleta UN01- margem direita, UN10 – calha central e UN15 – margem esquerda no rio Paraná, não foi encontrada diferença significativa entre a densidade de larvas (Figura 14). 3500 3000 2500 Ind./m3 2000 1500 1000 500 0 -500 UN 01 UN 10 UN 15 Mean Mean±SE Mean±SD Unidade Geradora Figura 14: Análise comparativa dos três pontos de coleta no reservatório de Itaipu (2005). 39 4.1.1.1 Margem direita (Unidade geradora 01) Foram registrados durante o ano de 2005 na margem direita (Figura 15) dois picos bastante acentuados de crescimento do mexilhão dourado. Estes picos foram percebidos durante os meses de janeiro a maio e de outubro a dezembro, sendo que no mês de março (2.608 ind./m3) foi observado o maior número de véliger e pedivéliger e em dezembro (1.873 ind./m3) os maiores números de véliger, pedivéliger e plantígrada. Nos meses de junho a agosto houve a presença de larvas, mas em densidades bem abaixo destes valores, sendo o mês de agosto com menor número de indivíduos (3 ind./m3). 2800 2600 2400 2200 2000 1800 Ind./m3 1600 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 15: Densidade populacional do mexilhão dourado no ano de 2005 na margem direita/UN01 do reservatório de Itaipu. Na figura 16, pode-se notar que durante o mês de junho não foi encontrado larvas em estágio de “larva D”. Igualmente, o estágio pedivéliger e plantígrada não foram encontrados no mês de setembro, sendo que o estádio de plantígrada também não foi detectado nos meses de junho e julho. O estágio véliger esteve presente durante todos os meses do ano tendo sua maior densidade no mês de maio 727 ind./m3. No mês de março ocorreu a maior densidade de larvas no estágio “D” (229 ind./m3) e no período de outubro a dezembro houve elevação dos valores. O estágio de pedivéliger apresentou o maior pico no mês de março, onde foram observados 1.098 40 ind./m3. Já o estágio de plantígrada, o seu maior pico, com 937 ind./m3, foi observado no mês de dezembro. 1200 1000 Ind./m3 800 600 400 Larva D Intermediária Véliger Intermediária Pediveliger Plantígrada 200 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 16: Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu, margem direita. 4.1.1.2 Calha central (unidade geradora 10) Na unidade geradora 10, durante os meses de maio e julho não foi possível ser realizada a coleta, devido este ponto estar em manutenção, o fluxo de água foi interrompido. Na calha central do rio Paraná ocorreu duas ocasiões de elevação das densidades de larvas no plâncton, sendo uma no mês de fevereiro (3.877 ind./m3), devido à grande presença de larvas no estágio de véliger e pedivéliger e outra no mês de dezembro, onde foi observado o maior valor de larvas 4.690 ind./m3, principalmente pelo elevado número de pedivéliger e plantígradas. O menor valor foi encontrado no mês de setembro (4 ind./m3) (Figura 17). O estágio larval “D” somente não apareceu no mês de setembro, sua maior densidade foi encontrada no mês de dezembro (203 ind./m3). Observou- se os estágios véliger e pedivéliger durante todo o ano amostrado, tendo o maior pico em fevereiro 1.289 ind./m3 e 1.840 ind./m3 41 respectivamente. Na fase de plantígrada a densidade foi baixa até novembro, sendo o sistema isento desta durante os meses de fevereiro, abril e setembro. No mês de dezembro houve uma elevação acentuada ultrapassando os valores de todos os outros estágios nos outros meses (1.858 ind./m3) (Figura 18). 5000 4000 Ind./m3 3000 2000 1000 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 17: Avaliação da densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado na calha central do Rio Paraná nos meses de jan/abr e agost/dez de 2005, no reservatório de Itaipu. 2000 1800 1600 1400 Ind./m3 1200 1000 800 600 Larva D Intermediária Véliger Intermediária Pediveliger Plantígrada 400 200 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 18: Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu, calha central. 42 4.1.1.3 Margem esquerda (unidade geradora 15) Para a margem esquerda foram observados quatro picos no ano de 2005, sendo observadas larvas nos meses de janeiro (3.281 ind./m3), março (2.588 ind./m3), maio (2.352 ind./m3) e dezembro (1.984 ind./m3). Nos três primeiros meses ocorreram maiores valores de véliger e pedivéliger e último o estágio de plantígrada. No restante dos meses analisados as densidades apresentaram valores menores que os observados durante os picos, mas permanecendo constante em relação aos organismos planctônicos durante todo o ano. Ocorrendo a menor densidade no mês de setembro (Figura 19). 3500 3000 2500 Ind./m3 2000 1500 1000 500 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 19: Densidade de larvas do mexilhão dourado em (2005) na margem esquerda da UN15 do reservatório de Itaipu. Quanto à densidade larval foram analisadas por estágios, as larvas “D” apresentou nos meses de março (248 ind./m3) e dezembro (209 ind./m3) os maiores valores, sendo que no mês de fevereiro não foram identificadas larvas neste estágio. As véligers e pedivéligers foram encontradas durante todo o ano de 2005, onde foram observados picos no mês de maio (1.323 ind./m3) e janeiro (1.842 ind./m3). Durante os meses de junho, julho e setembro não foram 43 encontrados indivíduos no estágio de plantígrada. O mês que houve o maior número de larvas neste estágio foi o de dezembro (621 ind./m3) (Figura 20). 2000 1800 1600 1400 Ind./m3 1200 1000 800 600 Larva D Intermediária Véliger Intermediária Pediveliger Plantígrada 400 200 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 20: Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu, margem esquerda. 4.1.2 - Recrutamento das populações do L. fortunei – Reservatório Itaipu Realizando uma análise conjunta dos três pontos de coleta das amostras do Rio Paraná, observa-se que durante o ano de 2005 os estágios larvais valvados do mexilhão dourado foram encontrados em todos os meses. As maiores densidades foram encontradas durante dois períodos: de janeiro a junho e de outubro a dezembro. Os estágios de véliger e pedivéliger são os que apresentaram a maior densidade, sendo encontradas durante todo o ano (Figura 21). A presença do estágio de larva “D” foi observada durante todo o ano (2005) ocorrendo dois picos durante períodos distintos de março a abril e outubro a novembro (Figura 22). 44 4000 3500 3000 Ind./m3 2500 2000 1500 1000 Larva D Intermediária Véliger Intermediária Pediveliger Plantígrada 500 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 21: Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu. UN01 30 UN10 UN15 260 240 220 28 200 180 26 Ind./m3 160 140 24 120 100 22 80 60 20 40 20 0 18 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 22: Variação mensal das densidades de larvas de L. fortunei no estágio larval “D” durante o ano de 2005, reservatório de Itaipu. Para o estágio de plantígrada, não foi observada constância durante todo o ano, ocorrendo os menores valores e ausência durante o período de julho a setembro de 2005. A maior densidade foi detectada no mês de dezembro (Figura 23). Quanto os três pontos amostrados foram 45 comparados não foi observada diferença significativa (Figura 24). No somatório total anual a calha central apresenta 1,7 vezes mais larvas neste estágio do que na margem direita e esquerda. 2000 1800 1600 1400 Ind./m3 1200 1000 800 600 400 200 UN01 UN10 UN15 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 23: Variação mensal das densidades de larvas de L. fortunei no estágio larval plantígrada durante o ano de 2005, nos três pontos: margem direita, calha central e margem esquerda do reservatório de Itaipu. 1000 800 600 Ind./m3 400 200 0 -200 -400 -600 UN 01 UN 10 UN 15 Mean Mean±SE Mean±SD Unidade Geradora Figura 24: Comparação da densidade larval do estágio de plantígrada da margem direita, calha central e margem esquerda do reservatório de Itaipu (2005). 46 4.2 Reservatório Jupiá - Densidade de larvas L. fortunei (2010) Os resultados de abundância de larvas obtidos demonstraram que ocorrem quatro picos durante o período de fevereiro a dezembro de 2010, sendo estes observados nos meses de fevereiro (93 ind./m3), maio (120 ind./m3), agosto (100 ind./m3) e outubro (113 ind./m3). Não foram encontradas densidades de larvas menores que 37 ind./m3 (junho) e o maior valor encontrado foi de 120 ind./m3 (maio). A densidade média anual encontrada foi de 80 ind./m3 (Figura 25). 120 100 Ind./m3 80 60 40 20 0 Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 25: Variação mensal da densidade total de larvas em 2010, no reservatório de Jupiá. Em relação as densidade por estágios larvais, as larvas “D” somente não foram identificadas no mês de março, sendo que durante os meses de agosto (20 ind./m3) e dezembro (26 ind./m3) ocorreram os maiores valores. As véligers não foram encontradas nos meses de agosto e dezembro e as pediverliger no mês de abril, para estes estágios os maiores picos foram observados em outubro (47 ind./m3) e dezembro (27 ind./m3), respectivamente. Durante os meses de abril, maio e dezembro não foram encontrados indivíduos no estágio de plantígrada. O mês que houve o maior número de larvas neste estágio foi o de agosto (40 ind./m3) (Figura 26). 47 70 60 50 Ind./m3 40 30 20 Larva D Intermediária Véliger Intermediária Pediveliger Plantígrada 10 0 Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 26: Densidade populacional dos estágios larvais do mexilhão dourado em (2005) no reservatório de Itaipu. 4.2.1 Recrutamento das Populações do L. fortunei – Reservatório Jupiá Durante todo o período amostrado (2010) foi registrada a presença de larvas do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá, havendo variação nas densidades populacionais durante todos os meses (Figura 25). Os meses que apresentaram os maiores valores foram fevereiro, maio, agosto e setembro (Figura 27). O estágio de “larva D” não foi observado no mês de março, sendo que nos outros meses amostrados foi detectado este estágio, onde a menor densidade ocorreu nos meses de maio, outubro e novembro (7 ind./m3) e o maior valor em dezembro, 26 ind./m3. Nos meses de agosto e dezembro não foram encontrados organismos véliger, logo, a maior densidade deste estágio ocorreu no mês de outubro (47 ind./m3). No reservatório de Jupiá, não foram registradas larvas no estágio pediveliger no mês de abril, sendo a maior densidade detectada no mês de dezembro (27 ind./m3) (Figura 27). O mês de agosto foi o que apresentou maior densidade de larvas no estágio de plantígrada (40 ind./m3), nos outros meses analisados os valores não ultrapassaram 13 48 ind./m3. Entretanto, nos meses de abril, maio e dezembro não foram detectados nenhum indivíduo (Figura 27). 50 Larva D Véliger Pediveliger Plantígrada 40 Ind./m3 30 20 10 0 Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Figura 27: Densidade populacional de larvas do mexilhão dourado (ind./m3) no reservatório de Jupiá em 2010. 4.3 Reservatório Itaipu – Densidades anuais de adulto de L. fortunei O primeiro registro do mexilhão dourado nas estruturas da usina de Itaipu ocorreu em abril de 2001, onde foram encontrados 2 indivíduos adultos aderidos na câmara de serviço da comporta da tomada d’água, sendo a densidade média neste primeiro ano de 26 ind./m2/ano. Assim, em 2001 a maior densidade média observada foi no mês de agosto com 58 ind./m2. Em 2002, os valores médios observados foram 23.740 ind./m2/ano, sendo que a maior densidade média ocorreu em setembro 46.247 ind./m2. Em 2003, foi o ano que apresentou a maior densidade média anual durante o período analisado (53.174 ind./m2/ano) e o maior valor médio mensal, onde a densidade populacional atingiu 99.437 ind./m2 no mês de setembro (Figura 29). O ano de 2003 quando comparados com os anos de 2001 (p=0.0001), 2002 (p=0.01), 2009 (p=0.002) e 2010 (p=0.001) apresentaram valores estatisticamente significativos (Tabela 3) (Figura 28). 49 De 2004 a 2008 houve uma queda nos valores anuais da densidade, mas não significativamente diferentes de 2003. Neste período, os valores não apresentaram grande variação, permanecendo abaixo do pico médio anual ocorrido em 2003 (81.000 ind./m2). A densidade média nestes anos foi de 29.266 ind./m2, 35.009 ind./m2, 34.795 ind./m2, 33.679 ind./m2, 31.222 ind./m2 respectivamente. Os meses que apresentaram maiores densidades médias foram janeiro (2004) 72.300 ind./m2, dezembro (2005) 69. 134 ind./m2, março (2006) 55.250 ind./m2, janeiro (2007) 119.333 ind./m2 e abril (2008) 61.543 ind./m2. Assim sendo, os anos de 2005 (p=0.01), 2006 (p=0.03) e 2007 (p=0.03) apresentaram diferença estatística significativa quando comparados com o ano de 2001 (Tabela 3) (Figura 28). O ano de 2009 apresentou o menor valor médio de densidade anual, sendo 18.121 ind./m2/ano. Para este ano, o mês de janeiro apresentou o maior valor 39.450 ind./m2. Em 2010, de janeiro a setembro, o mexilhão dourado apresentou densidade de 11.814 ind./m2/ano, com maior densidade mensal no mês de fevereiro 24.514 ind./m2 (Figura 29). Nestes dois anos houve queda nos valores médios anuais, sendo foi observada diferença significativa (2009 p=0.0025 e 2010 p=0.0014) somente quando comparados com 2003 (Tabela 3) (Figura 28). Tabela 3 - Comparações múltiplas a posteriori Teste de Tukey (p<0,05) para densidade de adultos de L. fortunei durante os anos de 2001 a 2010. ANO 2001 2002 2003 2004 0.317231 0.000174 0.118399 2001 2005 0.01816 2006 2007 2008 2009 0.033393 0.031756 0.072955 0.733047 0.984667 2002 0.317231 0.013045 0.999672 0.918345 0.953875 2003 0.000174 0.013045 2004 0.118399 0.999672 0.131039 2005 0.01816 0.918345 0.409947 0.999551 2006 0.033393 0.953875 2007 0.031756 0.96668 2008 0.072955 0.996225 0.218871 1.000.000 0.999986 0.999995 1.000.000 2009 0.733047 0.999624 0.002519 0.955533 0.583078 0.692357 0.714905 0.886664 2010 0.984667 0.953806 0.001048 0.721234 0.279902 0.372786 0.384773 0.585215 0.999694 0.131039 0.409947 0.5057 2010 0.5057 0.96668 0.996225 0.999624 0.953806 0.340245 0.218871 0.002519 0.001048 0.999551 0.999815 0.999957 1.000.000 0.955533 0.721234 1.000.000 1.000.000 0.999986 0.583078 0.279902 0.999815 1.000.000 1.000.000 0.999995 0.692357 0.372786 0.340245 0.999957 1.000.000 1.000.000 1.000.000 0.714905 0.384773 0.886664 0.585215 0.999694 50 80000 70000 60000 ind/m2 50000 40000 30000 20000 10000 0 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 ANO Figura 28: Variação média anual de adultos de L. fotunei ao longo de 2001-2010, reservatório de Itaipu. 2002 2001 70000 70 60000 60 50000 50 40000 Ind./m3 Ind./m3 40 30 30000 20 20000 10 10000 0 0 Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Jan Out Fev Mar Abr 2003 Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 2004 80000 100000 70000 60000 80000 Ind./m3 Ind./m3 50000 60000 40000 30000 40000 20000 20000 10000 0 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 51 2006 60000 2005 80000 50000 70000 60000 40000 Ind./m 3 Ind./m3 50000 40000 30000 30000 20000 20000 10000 10000 0 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Jan Dez Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 2008 2007 70000 120000 60000 100000 50000 40000 Ind./m3 Ind./m3 80000 60000 30000 40000 20000 20000 10000 0 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Jan Dez Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 2010 2009 26000 45000 24000 40000 22000 20000 35000 18000 30000 Ind./m3 Ind./m3 16000 25000 20000 14000 12000 10000 15000 8000 6000 10000 4000 5000 2000 0 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Figura 29: Variação anual das densidades de adultos de L. fortunei (ind./m3) no reservatório de Itaipu do ano de 2002 a 2009. 52 4.4 Influência dos parâmetros limnológicos no desenvolvimento da população de L. fortunei 4.4.1 Reservatório de Itaipu 4.4.1.1 Temperatura da água X Densidade populacional de larvas de L. fortunei No período de junho a setembro de 2005, foi observada menor temperatura da água com média de 19°C. As menores densidades larvais ocorreram durante o mesmo período, sendo que no mês de agosto foi encontrado o menor o valor populacional, 5 ind./m3. A partir de outubro, quando ocorreu aumento da temperatura da água (21°C) foi registrado o aumento da densidade larval. As temperaturas mais elevadas ocorreram durante o período de janeiro a março (29°C), sendo que nestes meses foram encontradas as maiores densidades (7.571 ind./m3) (Figura 30A). Na figura 30B observa-se que a temperatura da água apresentou correlação positiva com a densidade de larvas (r =0,809). 8000 8000 30 Densidade Larvas Temperatura da água 7000 7000 28 6000 6000 5000 26 4000 22 3000 Ind./m3 C 24 o Ind./m3 5000 4000 3000 2000 1000 2000 20 0 1000 18 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez -1000 18 20 22 24 o 26 28 30 C Figura 30: Influência da temperatura da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Itaipu (2005). A. Temperatura da água (°C) X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3). B. Correlação entre a temperatura da água e a densidade de larvas de L. fortunei (r = 0,809). 53 4.1.2 Reservatório de Jupiá 4.1.2.1 Temperatura da água X Densidade Populacional de larvas de L. fortunei Durante o período analisado (2010) o maior valor da temperatura da água ocorreu nos meses de outubro a maio (média 28.3°C), sendo que no mês de fevereiro obteve-se a maior temperatura, 31,4°C. Nos meses entre junho a setembro foi observado às temperaturas da água mais baixas, sendo que no mês de agosto apresentou o menor valor 22,8°C (Figura 31A). Os dados de correlação da temperatura da água e densidade populacional apresentaram valor negativo r = -0,0118 (Figura 31B). Larvas Temp. Água 130 32 120 120 31 110 30 100 100 29 90 C 27 60 Ind/m3 28 o Ind./m3 80 80 70 26 60 40 25 50 24 20 40 23 0 22 fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez 30 22 23 24 25 26 27 o 28 29 30 31 32 C Figura 31: Avaliação da influência da temperatura da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010). A. Temperatura da água (°C) X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3). B. Correlação entre a temperatura da água e a densidade de larvas de L. fortunei (r = -0,0118). 4.4.2.2 Oxigênio Dissolvido As concentrações de oxigênio dissolvido na água medidas durante o período (2010) variaram de 7,32 mg/l a 8,87 mg/l, sendo que a média observada foi de 8,14 mg/l (Figura 32A). Quando se compara a densidade de larvas e a concentração do oxigênio dissolvido na água, não foi observada redução nos períodos de agosto a dezembro onde os valores de oxigênio dissolvido foram os mais baixos durante o ano amostrado. A correlação realizada entre o oxigênio 54 dissolvido e a densidade de larvas foi fraca, r = 0,21831 (Figura 32B), pois mesmo os menores valores de oxigênio dissolvido da água observados estão dentro da faixa considerada de água bem oxigenada Larvas 130 9.0 OD 120 120 8.8 110 8.6 100 100 8.4 90 60 40 Ind./m3 8.2 mg/l Ind./m3 80 80 8.0 70 7.8 60 7.6 20 50 40 7.4 0 7.2 fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez 30 7.2 7.4 7.6 7.8 8.0 8.2 8.4 8.6 8.8 9.0 mg/L Figura 32: Avaliação da influência da concentração de oxigênio dissolvido na água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010). A. Oxigênio dissolvido (mg/l) X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3). B. Correlação entre Oxigênio dissolvido e a densidade de larvas de L. fortunei (r = 0,21831). 4.4.2.3 pH Os valores de pH apresentaram oscilação durante todos os meses do período estudado (fevereiro a dezembro de 2010), no mês de abril foi observado o menor valor de pH 6,72, e o maior valor detectado foi 8, 12 em novembro (Figura 33A). A avaliação da influência do pH na densidade de larvas apresentou correlação negativa (r= -0,0582), (Figura 33B). 55 Larvas pH 130 8.2 120 120 8.0 110 100 7.8 90 7.4 Ind./m3 7.6 80 Ind./m3 100 80 60 70 7.2 60 40 7.0 20 50 40 6.8 0 30 6.6 6.6 fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez 6.8 7.0 7.2 7.4 7.6 7.8 8.0 8.2 pH Figura 33: Avaliação da influência do pH da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010). A. pH X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3). B. Correlação entre pH e a densidade de larvas de L. fortunei (r= -0,0582). 4.4.2.4 Condutividade Os dados de condutividade avaliados apresentaram ampla variação durante o período estudado (fevereiro a dezembro de 2010), sendo observado valor máximo nos meses de abril, junho e setembro (0.048 mS/cm). O menor valor foi detectado no mês de maio (0.037 mS/cm) (Figura 34A). A condutividade apresentou correlação negativa sobre a densidade de larvas, sendo o valor de r = 0,16556 (Figura 34B). Larvas Condutividade 120 0.050 130 0.048 120 0.046 110 0.044 100 0.042 90 0.040 60 0.038 0.036 Ind./m3 Ind./m3 80 mS/cm 100 80 70 60 40 0.034 50 0.032 20 40 0.030 0 0.028 fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez 30 0.028 0.030 0.032 0.034 0.036 0.038 0.040 0.042 0.044 0.046 0.048 0.050 mS/cm Figura 34: Avaliação da influência da condutividade da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010). A. Condutividade (mS/cm)X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3). B. Correlação entre condutividade e a densidade de larvas de L. fortunei (r = 0,16556). 56 4.4.2.5 Turbidez Os valores amostrados de turbidez no período de 2010 apresentaram os maiores valores de fevereiro a maio, sendo o maior valor em abril (4,1 NTU). Durante o período de junho a dezembro os valores foram inferiores 2,6 NTU, o menor valor de turbidez encontrado foi em novembro (1,2 NTU) (Figura 35A). O valor da correlação entre turbidez e a densidade de larvas foi baixo e negativo (r = - 0,1672), apresentando pouca influência deste parâmetro na abundância de larvas na região (Figura 35B). Larvas T urbidez 4.5 130 120 120 4.0 110 100 3.5 100 90 NTU Ind./m3 3.0 60 2.5 Ind./m3 80 80 70 60 40 2.0 50 20 1.5 0 1.0 fev mar abr mai jun jul ago set out nov 40 30 1.0 1.5 2.0 dez 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 NT U Figura 35: Avaliação da influência da turbidez da água na densidade populacional do mexilhão dourado no reservatório de Jupiá (2010). A. Turbidez (NTU) X densidade larvas de L. fortunei (ind./m3). B. Correlação entre Turbidez e a densidade de larvas de L. fortunei (r = - 0,1672). 5 DISCUSSÃO 5.1 Reservatório Itaipu - Densidade anual de larvas L. fortunei Nos anos de 2002 (106 ind./m3) e 2003 (513 ind./m3) as baixas densidades podem ser justificadas pelo processo recente de colonização, pois os primeiros indivíduos adultos foram encontrados no ano de 2001. Já nos anos de 2004 (2.107 ind./m3) e 2005 (2.395 ind./m3) foram observado as maiores densidades médias, sendo que estes valores ocorrem após o maior pico de adultos em 2003 (184.633 ind./m2) podendo estar ligados a uma explosão reprodutiva. Durante 2006 a 2009 ocorreu queda nas densidades médias anuais em cerca de 60%. O declínio do 57 crescimento populacional, podem estar relacionado a redução na capacidade suporte do ambiente. Segundo Strayer e colaboradores (1996) os principais fatores reguladores para o mexilhão zebra no rio Hudson foi a competição entre larvas e adultos por alimentos e espaço. A oscilação ocorrida durante o período de 2002 a 2009 apresenta o comportamento descrito por Hicks (2004), onde descreve o crescimento populacional de uma espécie invasora em recente introdução. As densidades de larvas médias anuais encontradas no reservatório de Itaipu foram baixas quando comparadas as encontradas em outros ambientes e a maior densidade mensal ocorreu em fevereiro de 2005 (7.571 ind./m3). Cataldo & Boltovskoy (2000) em estudos realizados no baixo Paraná e no Rio da Prata onde a média anual ficou entre 4.600- 4.900 ind./m3 encontraram densidades mensais de 33.706 ind./m3. Darrigran e colaboradores (2003) em coletas realizadas nas estruturas internas da Usina de Yacyretá encontram densidades máximas de 259.300 ind./m3. No rio Paraguai foi encontrado densidades máximas de 20.000 ind./m3 (EILERS, 2006). O que pode justificar esta baixa densidade é o fato das coletas terem sido realizadas dentro das estruturas da Usina de Itaipu, já Pestana (2006) no ano de 2005 encontrou no lago de Itaipu densidades superiores a 17.000 ind./m3. 5.1.1 Distribuição espacial larval – Reservatório de Itaipu A distribuição espacial larval no reservatório de Itaipu não apresentou diferença significativa quando comparado as densidades de larvas de L. fortunei entre a margem direita, margem esquerda e calha central do lago. Este fato pode ser decorrente de que mesmo em grandes profundidades são encontradas altas densidades de adultos de L. fortunei e pelo carreamento das formas larvais pelo fluxo de água. Codina e colaboradores (1999) em estudos realizados no interior da Usina de Yacyreta (Argentina) encontraram densidades de 54.400 ind./m3 na profundidade de vinte e nove metros. 58 Landa e colaboradores (2002) estudando a distribuição espacial do rotífera Kellicottia bostoniensis, espécie planctônica comum na América do Norte que foi introduzida no Brasil, identificou que muitas espécies pertencentes ao grupo dos rotíferos apresenta ampla distribuição espacial, sendo encontrados tanto nas margens como na calha centro do reservatório de Furnas. Esteves (1998) justifica esta distribuição pela característica oportunista em explorar ambientes e grande capacidade de dispersão através de ovos, presos a aves aquáticas, peixes, entre outros. O L. fortunei também apresenta estas características como estrutura que permite a fixação em qualquer substrato, crescimento rápido, ciclo de vida curto e presença de estágio larval (veliger) planctônico (MORTON 1973, RICCIARDI 1998) 5.1.2 Recrutamento das populações do L. fortunei – Reservatório de Itaipu A densidade média anual do L. fortunei no reservatório de Itaipu em 2005 foi de 2.395 ind./m3, sendo que a maior densidade mensal ocorreu no mês de fevereiro, 7.571 ind./m3. A média anual de larvas foi próxima a encontrada por Pestana (2006), que realizou estudos no reservatório de Itaipu, no mesmo período, obtendo densidade média anual de 2.755 ind./m3, mas o maior pico mensal encontrado ocorreu no mês de outubro 17.369 ind./m3. Esta diferença observada nos valores da densidade mensal poder ter sido influenciada principalmente pelos ambientes amostrados, pois como as coletas deste estudo foram realizadas nas Unidades Geradoras no interior da usina de Itaipu e as de Pestana (2006) foram no lago de Itaipu. A proteção propiciada pelas estruturas da usina contra ação de predadores, grande disponibilidade de substrato para fixação e fluxo laminar de água poder estar propiciando condições mais estáveis, não sendo necessário o alto gasto energético em picos reprodutivos. Observando que se obteve pequena diferença na densidade anual média entre os dois locais. Darrigran et. al (2002) verificou que em a densidade de larvas de L. fortunei em ambientes industriais pode ser 2,57 vezes maior do que em ambientes naturais, diferente dos 59 resultados discutidos. Esta diferença talvez não possa ter sido evidenciada pelo fato do ano de 2005, ser o que apresentou o maior pico médio anual dentro dos onze anos de invasão e por se tratar dos primeiros anos de um ambiente recentemente invadido. Em relação à variação temporal das densidades por estágios para o reservatório de Itaipu foi observado a presença de todos os estágios larvais durante todo o ano amostrado, não ocorrendo uma pausa reprodutiva, mas uma grande redução desta atividade durante os meses de julho a setembro chegando a densidades de 3 ind./m3. Esta variação sofreu influência significativa da temperatura da água. Este comportamento também foi observado por Darrigran e colaboradores (1999) no Rio de la Plata, onde ocorreu atividade reprodutiva contínua com períodos marcados de esgotamento gonodal em certos meses. A presença do estágio “D” identifica reprodução recente dos adultos. Estudos de Cataldo e colaboradores (2005) estimam um tempo gasto in vitro, conforme a temperatura da água, de 24 a 45H para que o ovo se transforme em larva “D”. As maiores densidades deste estágio ocorreram em dois meses, março, onde se obteve a maior temperatura da água no ano (621 ind./m3 - 29°C) e em dezembro, período em que se observou a maior temperatura após queda durante o inverno (623 ind./m3 - 23°C), mas, a larva “D” estava presente durante todo o ano. Pestana (2006) em seus estudos encontrou comportamento reprodutivo diferenciado ao encontrado neste estudo, identificando a maior densidade de larvas no estágio “D” no mês de outubro, onde a densidade foi superior a 8.000 ind./m3, permanecendo com baixos valores durante o restante do ano. Quanto aos indivíduos em estágio de plantígrada, estágio onde já se obtêm a capacidade de assentamento e recolonização do ambiente, foi amostrado durante o período de janeiro a junho e de outubro a dezembro, sendo a maior densidade encontrada em dezembro. Este comportamento segundo Garton e Haag (1993) apresenta grande variabilidade espaço-temporal, porque está diretamente associada à variabilidade do estoque de larvas. 60 5.2 Reservatório de Jupiá- Densidade de larvas de L. fortunei (2010) A densidade média anual encontrada no reservatório de Jupiá no ano de 2010 foi de 80 ind./m3, este valor sugere proximidade aos encontrado no ambiente nativo do mexilhão dourando (Rio Yangtze) onde as densidades oscilam entre 1 – 40 ind./m3 (MORTON, 1975). Entretanto, este valor é muito baixo quando comparados aos dados amostrados em Itaipu e aos estudos realizados por Cataldo & Boltovskoy (2000), Darrigran et. al (2003), Pestana (2006) e Eilers (2006). Os dados encontrados se assemelham aos valores de Itaipu no início do processo de invasão, todavia este ambiente já está invadido desde 2004 (MUSTAFÁ, 2004). As coletas foram realizadas na canaleta da Estação Hidrobiológica de Jupiá, que é abastecida com água do reservatório, captada por bombas. O ponto utilizado pode não estar refletindo a real situação encontrada no ambiente natural, pois a Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias, localizada no lago, tem sofrido com os impactos negativos ocasionados pelo L. fortunei em suas instalações. A presença do estágio “D” só não foi encontrada no reservatório de Jupiá no mês de março. A ausência de larvas neste estágio pode não estar diretamente associada a uma pausa reprodutiva, p, a amostragem foi pontual e o desenvolvimento até chegar neste estágio dura no mínino dois dias (20 °C), assim, pode ser que durante o intervalo das coletas não existissem indivíduos neste estágio (Cataldo et. al., 2005). A maior densidade desse estágio ocorreu no mês de dezembro (27 ind./m3). Este período coincide com o observado no reservatório de Itaipu, mas as densidades encontradas foram bem inferiores. As larvas em estágio de plantígrada foram encontradas em quase todos os meses do ano, estando ausente nos meses de abril, maio e dezembro, esta variação pode estar associada ao tempo de desenvolvimento gasto até chegar a este estágio vinte dias (20 °C) (Cataldo et. al 2005) 61 e também pela variabilidade do estoque de larvas e tempo-espaço, como descrito por Garton e Haag (1993). A atividade reprodutiva observada no reservatório de Jupiá se assemelha as descritas neste estudo para o reservatório de Itaipu quanto a reprodução contínua durante todo o ano, mas divergindo quanto a drásticas reduções nas densidades nas épocas de baixa temperatura da água e de períodos marcos de esgotamento gonodal. Darrigran e colaboradores (1999) também descreveram este tipo de comportamento reprodutivo no rio de la Plata, que também apresentou atividade reprodutiva contínua. Os dados obtidos divergem dos estudos realizados por Cai (1991) no centro norte da China verificou que a desova do L. fortunei ocorria entre setembro e novembro. E de Morton (1977) em Hong Kong que entre janeiro e fevereiro, junho e julho e setembro era o período de desova, na Coréia a desova ocorria somente dois meses no ano (CHOI e SHIN, 1983). Estes autores descrevem que a atividade reprodutiva para estes ambientes é principalmente regida pela temperatura da água. Em relação ao reservatório de Jupiá, a temperatura da água não foi um fator determinante para a desova, sendo que os dados de correlação não foram significativos com o aumento da densidade populacional. 5.3 Reservatório Itaipu - Densidade anual de adultos de L. fortunei O comportamento apresentado pela colonização do mexilhão dourado no reservatório de Itaipu assemelha-se ao descrito por Hicks (2004), onde descreve que o crescimento populacional de uma espécie invasora em recente introdução. Estando todo o desenvolvimento ligado as três fases: repouso ou espera, pânico, e detenção. O ano de 2001 se encaixa na fase denominada de repouso ou espera, período em que o crescimento é lento e a população está dentro da capacidade suporte do ambiente. Em 2003 acontece a fase denominada de “pânico”, quando ocorre uma explosão populacional e é 62 extrapolada a capacidade suporte do ambiente temporariamente. No ano de 2004 ocorreu a fase de detenção do crescimento exponencial, onde se caracteriza por decréscimo das densidades após a explosão populacional se declinando até uma capacidade de carga menor. Os anos de 2005 a 2010 se encaixam na etapa de equilíbrio oscilatório, onde as populações são reguladas pela flutuação da capacidade suporte. Os anos de 2009 e 2010 apresentaram uma queda nas densidades, mas não sendo significativa quando comparadas com os outros anos dentro deste período. Entretanto, esta queda precisa ainda de monitoramento, para verificar se as densidades vão continuar caindo ou se esta é apenas uma oscilação na curva populacional. A densidade populacional sofreu variações desde sua introdução até o assentamento. Apresentando baixas densidades no ano inicial, uma explosão populacional e uma redução até a estabilização. As densidades médias anuais apresentaram valores iniciais de 26 ind./m3, chegando a valores máximos de 53.781 ind./m3. A maior densidade mensal foi observada no ano de 2003 (184.633 ind./m3). As densidades encontradas se assemelham as descritas para o Rio de la Plata (Argentina) (DARRIGRAN et. al 2003), no Guaíba (MANSUR et. al 2003), no Rio Paraná das Palmas (Argentina) (BOLTOVSKOY e CATALDO, 1999). O comportamento de invasão observado para o reservatório de Itaipu se assemelha ao ocorrido na Argentina (DARRIGRAN et .al ., 2003) e ao da bacia do Guaiba-Patos, Rio Grande do Sul e em Corumbá, Mato Grosso (MANSUR et. al., 2006). Onde a população se estabilizou em densidades menores que as alcançadas historicamente. 5.4 Influência dos parâmetros físico-químico da água no desenvolvimento da população de L. fortunei Os resultados de temperatura da água e densidade de larvas obtidos no reservatório de Itaipu apresentaram forte correlação, demonstrando assim, que a temperatura da água tem papel 63 importante na regulação da atividade reprodutiva da espécie nessa região. Foi observado nos meses onde os valores ficaram entre 21,5 °C e 19 °C, ou seja, a temperatura da água foi baixa em comparação aos outros meses, foi o período onde se obteve as menores densidades (5 ind/m3). O comportamento reprodutivo observado neste estudo assemelha-se ao encontrado no reservatório da Hidrelétrica Yacyeretá (Argentina), localizada no rio Paraná, onde a presença de larvas é incrementada a partir do mês de agosto, quando a temperatura da água ultrapassa o valor médio de 19 °C (DARRIGRAN et al, 2003). Segundo Morton (1982) o ciclo gametogênico do L. fortunei está regido por fatores ambientais, particularmente pela temperatura. Diferentes estudos realizados na região asiática por, Cai (1991) na China, Morton (1977) em Hong Kong, Choi & Shin (1983) na Coréia e Magara (2001) no Japão, descrevem a ocorrência de períodos específicos com variação do tempo e nos meses de desova, estando todos diretamente correlacionados com a variação da temperatura da água. Na América do Sul, em estudos realizados no Rio de la Plata, Darrigran (1999) demonstrou um período contínuo de reprodução ocorrendo em certos meses picos. Por sua vez, Cataldo & Boltovskoy (2000) relataram que a reprodução era contínua entre os meses de agosto a abril e que no período de maio a julho a produção de larvas reduziu, coincidindo com os valores mais baixos da temperatura da água. No reservatório de Jupiá não foi observada correlação entre a temperatura e densidade de larvas, um indicativo que a temperatura parece não ser o fator decisivo de influência sobre a atividade reprodutiva. Durante o período amostrado, a temperatura mínima da água ocorreu no mês de agosto (22,8 °C), sendo este um dos meses onde se encontrou as maiores densidades de larvas. Quando comparado os dados de temperatura da água encontrados no reservatório de Itaipu com Jupiá, observa-se que nos meses onde a temperatura da água esteve próximo ao valor mínimo em Jupiá foram encontradas altas densidades de larvas em Itaipu. 64 No rio Paraguai e Miranda (região do pantanal matogrossense) a temperatura da água não apresentou influência sobre a densidade de larvas (EILERS, 2006), mas ocorreu queda nas densidades durante os meses de maio a julho, onde as temperaturas estiveram abaixo de 20°C. Catalto e colaboradores (2005) em estudos realizados in vitro observaram que a temperatura da água abaixo de 20°C, não possibilitou o desenvolvimento larval completo. Como no reservatório de Jupiá as temperaturas se mantiveram superior a 22,8°C, este parâmetro não influenciou significativamente a atividade reprodutiva. Sylvester e colaboradores (2005) e Pestana (2006) identificaram em seus estudos que indivíduos adultos de L. fortunei apresentam altas taxa de filtração 350 mL/h/indivíduo e 725 mL/h/indivíduo, demonstrando a disponibilidade de alimento pode ter papel limitante importante. As altas densidades observadas no reservatório de Itaipu podem estar associadas a disponibilidade de alimento, pois segundo Filho (2006) este reservatório é classificado como mesotrófico, com concentrações médias de clorofila-a 10,1 mg/m3. O reservatório de Jupiá está inserido em uma região tropical, onde a temperatura da água se mantém superior a 20°C. Com bases nos resultados observados em Jupiá, a temperatura da água possivelmente não é um fator limitante na reprodução. Iwasaki (1998) demonstra em seus estudos ocorrer variações no ciclo reprodutivo do L. fortunei conforme a região geográfica Oliveira (2009) descreve que nas regiões subtropicais e tropicais o L. fortunei sofre alteração no seu ciclo reprodutivo, não sendo a temperatura da água o fator principal na regulação reprodutiva, estando associadas outras variáveis ambientais nesta regulação. Entretanto,. Segundo Irurueta (2002), ao estudar o ciclo reprodutivo do mexilhão dourado no rio Uruguai, demonstrou que a temperatura é um dos principais fatores implicados na reprodução de L. fortunei e que determinadas características físicas da água, como a presença de sólidos dissolvidos, também afetam o ciclo desta espécie. Hincks e Mackie, (1997) descrevem que o pH 65 e a concentração de cálcio na água são fatores limitantes para a dispersão do D. polymorpha na região do Canadá. Desta forma, a correlação de outros parâmetros físicos e químicos, como oxigênio dissolvido (mg/l), condutividade (mS/cm), pH e turbidez (NTU). Estes fatores abióticos não apresentaram importante influência na densidade de larvas, não sendo os responsáveis pela regulação reprodutiva, pois todos permaneceram, durante o ano, dentro do limites ideais para a sobrevivência do L. fortunei (TABELA 4). Tabela 4: Comparativo entre os parâmetros físico-químicos da água coletada no reservatório de Jupiá e os limites físico-químicos estabelecidos como potencial de sobrevivência do L. fortunei. Parâmetro Jupiá Potencial de sobrevivência Referência pH 6,72 - 8,12 2,6 - 9,96 MATA (2005), PARESCHI (2008) Condutividade (µS/cm) 37 - 48 44 – 259 PARESCHI (2008), DEVERCELLI (2008) Turbidez (NTU) 1,2 - 3,2 3 - 62,4 PARESCHI (2008) Oxigênio dissolvido (mg/l) 7,32 - 8,87 >1 - 12,6 PARESCHI (2008), DEVERCELLI (2008), DE OLIVEIRA (2004) A quantidade e qualidade de alimentos restritos podem explicar a baixa densidade de larvas em um ambiente (OLIVEIRA, 2009). O reservatório de Jupiá é classificado como oligotrófico, com densidades de clorofila-a médios inferiores a 2,21 µg/L (CESP, 2002), este parâmetro pode ser um dos responsáveis pelo controle da atividade reprodutiva, devido à baixa disponibilidade alimentar. 66 6 CONCLUSÃO No reservatório de Jupiá, durante o período estudado, observou-se que a temperatura da água não foi o principal fator regulador da atividade reprodutiva e que outros parâmetros ambientais, possivelmente a disponibilidade de alimento, podem estar envolvidos neste controle. Para o reservatório de Itaipu, a temperatura da água apresentou papel importante na regulação. Quanto ao recrutamento populacional, ambos os ambientes apresentaram atividade reprodutiva durante todo o ano estudado, caracterizado pela presença de larvas no estágio “D”. Indivíduos no estágio de plantígrada foram encontrados em quase todos os meses. No reservatório de Itaipu no mês de dezembro ocorreram as maiores densidades deste estágio e no de Jupiá foi observado no mês de agosto. O processo de invasão do reservatório de Itaipu pelo L. fortunei foi muito rápido, sendo que após sua identificação no ano de 2001 em dois anos ele já apresentava maiores densidades do que detectadas no reservatório de Itaipu. Para o reservatório de Jupiá o que pode ser observado é que apesar de sua invasão ter ocorrido em 2004, às densidades encontradas foram muito baixas, similares há locais de recente introdução. Com base nas informações presentes neste estudo e na literatura foi ressaltado que a espécie L. fortunei quando invade um novo ambiente apresenta características importantes para colonizar, como: alta capacidade reprodutiva, reprodução durante todo o ano, ocupação espacial de todo corpo d’água e alta taxa de recrutamento. Entretanto, a espécie apresenta variação conforme a localização geográfica do ambiente invadido. Desta forma, a realização de medidas de controle e monitoramento preventivo e o estudo do comportamento reprodutivo do ambiente invadido, são de suma importância para avaliação e escolha do melhor método de combate a esta espécie. 67 CAPITULO 2 AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS DA INCRUSTAÇÃO DE Limnoperna fortunei (DUKER, 1857) EM EQUIPAMENTOS DE USINAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA (USINA HIDRELÉTRICA PORTO PRIMAVERA). 1 INTRODUÇÃO Estudos relacionados aos impactos ocasionados pelo Limnoperna fortunei dentro dos ambientes industriais brasileiros são escassos, principalmente, pelo fato de ser um problema recente. A presença do L. fortunei no Brasil foi registrada pela primeira vez em 1998, no Delta do rio Jacuí, próximo a Porto Alegre (MANSUR et. al., 2003) e no rio Paraguai em Corumbá, Mato Grosso do Sul (OLIVEIRA & BARROS, 2003). Em abril de 2001, foi encontrado em uma das tomadas de água da Barragem de Itaipu (ZANELLA & MARENDA, 2002). Outra espécie de molusco bivalve invasor Dreissena polymorpha vêm sendo utilizada como comparativo por ocasionar problemas semelhantes à indústria (MATSUI e.t al., 2002; BRUGNOLI & CLEMENTE, 2002; CATALDO et. al., 2002) e apresentar maiores estudos. Phillips e colaboradores (2005) descrevem os principais problemas que a incrustação por moluscos pode ocasionar em um sistema que utiliza água bruta: - Entupimento ou redução da seção de tubulações; - Decomposição de material orgânico; - Aumento na corrosão de tubulações, - Diminuição da vida útil de equipamentos pelo aumento da manipulação durante a manutenção; - Aumento da mão-de-obra; - Redução da velocidade do fluxo de água em tubulações; - Oclusão de filtros; 68 Segundo O’neill (1997), instalações de tratamento de água e usinas hidrelétricas são os principais sistemas impactados pelos problemas de macrofouling. Nos Estados Unidos dentro de todos os setores que foram impactados pelo D. polymorpha, o setor elétrico e o de abastecimento de água foram os que tiveram maior porcentagem de gastos 51,2% e 31%, respectivamente. Nos Estados Unidos, no período de 1993-1999, as geradoras de energia gastaram US$ 3,1 bilhões com o combate ao mexilhão zebra. No Canadá, o gasto anual foi estimado em torno de US$ 376.000 por estação geradora, segundo empresa Ontário Hydro (CEMIG, 2004). O Brasil possui um total de 2.344 empreendimentos em operação, tendo uma capacidade produtiva de 113.368.791 kW de potência. A principal fonte geradora é a matriz hidroelétrica compreendendo 889 usinas que geram de 66,35% de toda a capacidade instalada e em segundo lugar a termoelétrica com cerca de 1400 empreendimentos e sendo responsável por 26,17%. O restante é completado por produção eólica 0,76% e importação de outros países 6,72% (ANEEL, 2011). Após a introdução do L. fortunei nos rios brasileiros, a principal matriz energética ficou vulnerável aos impactos acarretados por esta espécie. Estes empreendimentos podem estar sofrendo diversos problemas ocasionados pela bioincrustação, principalmente em seus sistemas de resfriamento, que ocasionam perda de carga, aumento na corrosão, desgastes nos equipamentos e vedações, aumento no número de homens/hora trabalhando, superaquecimentos de equipamentos e paradas de emergência nas unidades geradoras, que podem interferir no processo de geração, na taxa de disponibilidade da UG e no fornecimento da energia assegurada (DIAS, 2011). Segundo Mustafá (2004), as usinas hidrelétricas existentes no rio Paraná, na parte brasileira, já estão contaminas pelo mexilhão dourado. As usinas localizadas no rio Tietê e uma no rio Grande também já estão contaminadas e possivelmente as existentes no rio Paranapanema 69 (Fernandes, 2008), sendo que segundo Belz (2006) uma usina localizada no rio Iguaçu já tinha sido invadida (Tabela 5). Tabela 5: Usinas hidrelétricas contaminadas ou possivelmente contaminadas pelo L. fortunei. Potencia total Usinas Rio Mexilhão Dourado instalada (MW) Água Vermelha (J. E. Grande Contaminada 1396,2 Morais) Salto Caxias Iguaçu Contaminada 1240 Ilha Solteira Engenheiro Souza Dias (Jupiá) Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera) Itaipu (50% Brasil) Paraná Contaminada 3444 Paraná Contaminada 1551,2 Paraná Contaminada 1540 Paraná Contaminada 7000 Canoas I Paranapanema Possivelmente contaminada 41,0 Canoas II Paranapanema Possivelmente contaminada 35,78 Capivara Salto Grande (L. N. Garcez) Rosana Paranapanema Possivelmente contaminada 640 Paranapanema Possivelmente contaminada 70 Paranapanema Possivelmente contaminada 376,2 Taquaruçu Paranapanema Possivelmente contaminada 554 Chavantes Paranapanema Possivelmente contaminada 414 Bariri (A. S. Lima) Tietê Contaminada 143,1 Promissão (M. L. Leão) Tietê Contaminada 264 Barra Bonita Tietê Contaminada 140,76 Ibitinga Tietê Contaminada 131,49 Nova Avanhandava Tietê Contaminada 347,4 Três Irmãos Tietê Contaminada 807,5 TOTAL 15166 70 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Identificar os principais impactos negativos causados nas Usinas Hidrelétricas pela incrustação de mexilhão dourado. 2. 2 Objetivos específicos • Identificar os equipamentos impactados pela incrustação de L. fortunei; • Avaliar os impactos na manutenção das usinas hidrelétricas pela incrustação de L. fortunei, considerando o número de interrupções para manutenção, número de hora/operário para esta manutenção. 3 MATERIAS E MÉTODOS 3.1 Área de estudo A Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, também chamada de Usina Hidrelétrica Porto Primavera, pertencente à Companhia Energética de São Paulo (CESP), está localizada no Rio Paraná, 28 km a montante da confluência com o Rio Paranapanema. Sua barragem, a mais extensa do Brasil, tem 10.186,20 m de comprimento e seu reservatório, 2.250 km2. A primeira etapa do enchimento do reservatório, na cota 253,00 m, foi concluída em dezembro de 1998 e a segunda etapa, na cota 257,00 m, em março de 2001. Em Outubro de 2003, entrou em operação a unidade geradora 14, totalizando assim, 1.540 MW de potência instalada. As três primeiras unidades completaram a entrada em operação em março de 1999 (CESP, 2011) (Figura 36). 71 Dados históricos relatam que a introdução do L. fortunei ocorreu no ano de 2004 (MUSTAFÁ, 2004). A densidade máxima encontrada no período de agosto de 2005 a março de 2006 foi de 7.802 ind./m3 para larvas e 52.000 ind./m2 de adultos (CESP, 2007). Figura 36: Visão geral da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta. Fonte: Google Earth 3.2 Levantamento de impactos O levantamento dos impactos na usina foi realizado pela visita de campo, onde se realizou entrevista junto à equipe de manutenção mecânica visando: • Identificação dos Sistemas da Usina; • Quais os sistemas seriam os mais suscetíveis a incrustação; • Quais os impactos ocorreriam se esses sistemas fossem obstruídos; • Fotodocumentação dos equipamentos suscetíveis a incrustação; • Análise do banco de dados de manutenção para: – Identificação dos equipamentos paralisados para limpeza, devido à incrustação; – Frequência de ocorrência de manutenção, devido à incrustação; – Alteração no número de homens/hora trabalhado. 72 4 RESULTADOS 4.1 Impactos na manutenção - Usina de Porto Primavera Os levantamentos realizados neste estudo identificaram que a entrada L. fortunei acarretou grandes alterações na dinâmica do maquinário. Isso foi devido à incrustação pelos moluscos, dificuldade de limpeza dos sistemas e estruturas que estão em contato com a água bruta do reservatório. O levantamento realizado demonstrou que vários equipamentos existentes sofreram alterações em seu funcionamento devido ao mexilhão dourado, sendo que os equipamentos que constituem o sistema de resfriamento foram os mais susceptíveis à incrustação. Os principais equipamentos que apresentaram problemas de funcionamento ocasionados devido à incrustação por mexilhão dourado (Figura 37) estão descritos abaixo: • Grades de proteção da tomada d’água: redução da vazão de água utilizada para geração; • Câmara da comporta: aumento no tempo de manutenção devido à formação de odor desagradável, formado pela morte e decomposição dos mexilhões aderidos a esta estrutura; • Filtros de água bruta: obstrução dos elementos filtrantes, queda no fornecimento de água para o sistema de resfriamento da Unidade Geradora; • Tubulações: redução do calibre e queda no fornecimento de água aos equipamentos acarretando superaquecimento; • Trocadores de calor do tipo placa: redução do fluxo de água e queda na troca térmica da água com o óleo ocasionando superaquecimento de equipamentos; 73 • Trocadores de calor do tipo casco-tubo: redução do fluxo de água e queda na troca térmica da água com o óleo ocasionando superaquecimento de equipamentos; • Radiadores: redução do fluxo de água e queda na troca térmica da água com o ar ocasionando superaquecimento de equipamentos. Tampa do trocador de calor (radiadores) Elementos filtrantes do filtro principal do sistema de resfriamento Elemento filtrante do sistema de resfriamento da gaxeta Trocadores de calor do gerador Trocadores de calor do mancal de escora Trocadores de calor do mancal de escora 74 Tubulação de água bruta do sistema de resfriamento Interior de tubulação de água bruta do sistema de resfriamento Comportas do vertedouro Comportas de manutenção (stop log) Estruturas de concreto (tomada d’água, caixa espiral, tubo de sucção). Estruturas de concreto (tomada d’água, caixa espiral, tubo de sucção). Figura 37: Equipamentos e estruturas que estão passíveis a incrustação pelo L. fortunei. 75 Um dos principais métodos empregados na usina para limpeza dos equipamentos é remoção mecânica, sendo necessária mão de obra especializada para desmonte dos equipamentos. Este processo é muito trabalhoso, e em muitas vezes, é necessário a parada da Unidade Geradora. Está descrito abaixo, de forma resumida, os procedimentos necessários para a limpeza de cada equipamento: • Grades de proteção da tomada d’água: parada na UG, retirada das grades e limpeza manual utilizando jato d’água; • Câmara da comporta: parada na UG, retirada das grades e limpeza manual utilizando jato d’água; • Filtros de água bruta: é necessário seu desmonte e limpeza de cada elemento filtrante utilizando jato d‘ água e escovas de aço (Figura 38); • Trocadores de calor do tipo placa: a limpeza ocorre após o desmonte do equipamento utilizando escova de aço e jato d’água; • Trocadores de calor do tipo casco-tubo: a limpeza ocorre após o desmonte do equipamento varetamento manual; • Radiadores: a limpeza mecânica dos tubos exige a parada da Unidade Geradora para abertura do radiador e varetamento manual; • Tubulações: desmonte ou abertura de acesso e jateamento de água pressurizada. Em alguns casos as tubulações estão embutidas no concreto, inviabilizando sua limpeza. 76 Figura 38: Procedimento de limpeza manual dos elementos filtrantes do filtro principal de uma Unidade Geradora da Usina de Porto Primavera. O procedimento de limpeza mecânica já ocorria para retirada de sujeiras, como macrófitas, pedaços de madeira, sedimento, garrafas, mas em baixa frequência. Entretanto, com o aparecimento do L. fortunei ocorreu um aumento significativo na frequência de manutenção de alguns equipamentos da usina de Porto Primavera. Como nos filtros de água bruta e trocadores de calor, que chegavam a ficar em operação por até 30.000h, após a invasão, houve a necessidade de redução drástica destes períodos, sendo necessária a intervenção para manutenção a cada 360h, um aumento na freqüência em 83 vezes. Não houve alteração no tempo gasto e nem no número de horas necessárias para a limpeza dos equipamentos, mas ocorreu uma elevação acentuada na freqüência de manutenção. Acarretando assim, um aumento nos gastos anuais em mão-de-obra, materiais de consumo, peças de reposição e durabilidade dos equipamentos. Com relação à meta de disponibilidade anual, período em que a Unidade Geradora fica disponível para geração, não houve alteração (Tabela 6). 77 Tabela 6: Influência da introdução do L. fortunei na manutenção dos equipamentos da Usina Engenheiro Sérgio Mota (Porto Primavera). Equipamento Nº UG Número de Intervalos Antes do Mexilhão Número de Intervalos Após o Mexilhão Tempo gasto antes Tempo gasto depois n° H/h antes n° H/h depois Média de Média de horas paradas horas paradas antes depois Grades Tomada d’água 90 1 bimestral 2 vezes mês 2h 2h 8 8 0 0 Filtro de Água Bruta 1 30.000 horas operação 360 horas operação 3h 3h 9 9 0 0 Trocador de Calor (Casco Tubo) 2 30.000 horas operação 360 horas operação 3h 3h 9 9 0 0 Trocador de Calor (placas) 5 30.000 horas operação 360 horas operação 24 h 24 h 120 120 0 0 Trocador de Calor (Radiadores) 12 60.000 horas operação 30.000 horas operação 40 h 40 h 280 280 120 120 Trocador de Calor (Transformadores) 4 30.000 horas operação 30.000 horas operação 1h 1h 1 1 1 1 Trocador de Calor (Compressores) 1 30.000 horas operação 30.000 horas operação 1h 1h 1 1 0 0 Tubulação de alimentação - - - - - - - - 78 5 DISCUSSÃO A similaridade entre os impactos industriais ocasionados pelo D. polymorpha e o L. fortunei, como descrito por (NALEPA E SCHOELESSER 1993; RICCIARDI 1998; DARRIGRAN, 2000) pode ser verificada neste estudo, onde a invasão do L. fortunei no interior da Usina de Porto Primavera acarretou alteração de forma significativa à dinâmica de manutenção e funcionamento dos equipamentos. Segundo O’neill (1997) as empresas do setor elétrico foram as mais impactadas financeiramente pelo D. polymorpha nos Estados Unidos, investindo principalmente em prevenção e controle. Oliveira (2009) descreve que o risco de invasão do L. fortunei se estabelecer na maioria dos sistemas aquáticos, caso haja oportunidade de invasão, é de médio a alto. Como já mencionado, a principal matriz energética do Brasil está baseada na geração hidrelétrica e o impacto da introdução do mexilhão dourado nestas instalações pode ocasionar grandes prejuízos. Como exemplo deste aumento dos custos, a Companhia Energética de São Paulo (CESP) gastou em 2004 R$738.723,36/ano, com mão de obra para execução dos serviços de limpeza (GAMA, 2011). Resende e colaboradores (2008) descrevem que a colonização do L. fortunei resultará em um elevado custo de manutenção, pois a incrustação desses organismos nas tubulações ocasiona aumento na perda de carga, devido ao aumento da rugosidade. Ocasionando expressivas perdas econômicas na geração, necessitando realizar uma relação entre custos de manutenção e perdas de geração, para avaliar a partir de que ponto a perda de geração justifica o investimento na parada da turbina e remoção dos indivíduos. Em Usinas como a de Porto Primavera, o grande número de Unidades Geradoras (14), pode facilitar o gerenciamento da manutenção pelas equipes técnicas de forma a não influenciar nos contratos fornecimento de energia e nos percentuais de disponibilidade das Unidades 79 Geradoras. Usinas hidrelétricas que apresentam menor número de Unidades Geradoras podem ser drasticamente impactadas, devido principalmente a elevação nos índices de manutenção que serão requeridos nestes sistemas. Segundo Diniz e colaboradores (2009) a infestação de L. fortunei em uma Pequena Central Hidrelétrica de alta queda e com pequenos diâmetros de tubulação, ocasionará a paralisação da geração motivada pelo aumento exponencial da perda de carga no sistema de adução. A freqüência de manutenção que seria necessária para manutenção desses sistemas podendo inviabilizar economicamente a operação desses sistemas. Medidas preventivas visando evitar ou desacelerar a entrada do L. fortunei em ambientes industriais apresentam custos mais baixos que os utilizados posteriormente para controle. A Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) vem realizando pesquisas e educação socioambiental com a população residente próxima a Usina Hidrelétrica São Simão, medidas preventivas já que oL. fortunei se encontra a 30km de distância desta unidade. Entre o ano de 2002 a 2010 a empresa gastou com essas medidas preventivas R$1.323.855,25 caso a Usina de São Simão tivesse sido invadida neste mesmo período (2002 a 2010) a CEMIG teria apresentado um gasto de R$55.704.434,40 (GAMA, 2011). Nos ambientes industriais já infestados os problemas decorridos da incrustação moluscos não é um problema sem solução, pois métodos de controle através de meios físicos ou químicos têm se mostrado eficientes. Porém, a maioria dos métodos desenvolvidos é de difícil aplicação em sistemas industriais e sempre trazem custos associados, quer de ordem econômica e ou ambiental (CLAUDI, 1995). Grande parte dos métodos utilizados para controle do L. fortunei, no Brasil, ainda são baseadas nas técnicas desenvolvidas para controle do D. polymorpha, filtração mecânica, ultravioleta, proteção catódica de superfície, ultrasom, dióxido de cloro, ozônio, entre outras, as quais não vêm apresentando bons resultados, sendo necessário o desenvolvimento ou adaptação para melhoria da eficácia (SANTOS et. al. 2009). 80 Os estudos para desenvolvimento de métodos de controle físicos e químicos direcionados ao L. fortunei ainda são escassos no Brasil. Fernandes e colaboradores (2008), apresentam como a melhor solução para o controle das incrustações de L. fortunei em ambientes industriais o produto MXD-100. Segundo Mackie e colaboradores (2010) este produto químico causou a mortalidade de adultos em concentrações menores que as utilizadas para hipoclorito de sódio, apresentando menor impacto à espécie controle Daphnia similis que o hipoclorito de sódio. Em estudos de campo realizados na Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira (CESP) o MXD-100 apresentou redução de 97% das incrustações ocorridas no sistema de resfriamento (DIAS et. al. 2010). Como levantado no capitulo anterior, informações populacionais são de extrema importância para estabelecimento de estratégias adequadas de prevenção e controle em ambientes industriais A análise dos eventos reprodutivos do L. fortunei, em cada usina hidrelétrica impactada, é etapa importante para definição dos períodos de recrutamento, estabelecimento e aumento da densidade para definição das medidas que serão tomadas visando minimizar os impactos decorrentes da incrustação. 6 CONCLUSÃO Medidas preventivas que vise desacelerar a dispersão L. fortunei nas bacias hidrográficas brasileiras deve ser tomada como prioridade pelas entidades governamentais responsáveis e executadas com a maior rapidez. Isso, pois, após a invasão do L. fortunei em uma Usina Hidrelétrica, ocasiona alterações significativas no funcionamento das Unidades Geradoras acarretando aumento dos custos de manutenção por elevação do número de intervenções realizadas para limpeza. O comportamento reprodutivo desta espécie em águas brasileiras precisa ser mais bem estudado, pois é a base principal para proposição de tratamentos mais eficazes e direcionados ao L. fortunei. Ademais, outro fator considerável é a realização de monitoramento preventivo por 81 parte das empresas do setor elétrico para a identificação inicial da infestação, o que facilitará a adoção de medidas que minimizam os impactos industriais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEEL, Agência Nacional de energia elétrica. Disponível na internet via: www.aneel.gov.br. Acesso em: 10 de março, 2011, 2011. BASHTANNYY, R.; WEBSTER, L. AND RAAYMAKERS, S. 1st Conference on Ballast Water Control and Management. Globallast Managraph, Series 3, p. 10-12, 2001. BEASLEY, C. R., TAGLIANO, C. H. AND FIGUEIREDO, W. B. The occurrence of the Asian clam Corbicula fluminea in the lower Amazon basin. Acta Amazonica, v. 33, p. 317-324, 2003. BELZ, C. E. Análise de risco de bioinvasão por Limnoperma fortunei (Dunker, 1857): um modelo para a bacia do rio Iguaçu, Paraná. Tese de doutorado apresentada ao Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná, 2006. BOLTOVSKOY, D.; AND CATALDO, D. Population dynamics of Limnoperma fortunei an invase fouling mollusk in the lower Paraná river *Argentina). Biofouling, v. 14, p. 255-263, 1999. BRUGNOLI, E.; AND CLEMENTE, J. M. Los moluscos exóticos en la Cuenca Del Plata: su potencial impacto ambiental y económico. Sección Limnología. Facultad de Ciencias. Universidad de la República Oriental del Uruguay, 2002. CAI, R. X. Limnoperma lacustris (Martens). Zhenjinag scientific technology Publisher, p. 171172, 1991. CALLIL, C. T. AND MANSUR, M. C. D. Corbiculidae in the Pantanal: history of invasion in southeast and central South America and biometrical data. Amazoniana, v. XVII (1/2)p. 153167, 2002. CAMPOS, M. C. S.; AND MATA, F. A. R. Range Limits of Limnoperna fortunei (Dunker 1857) due to pH variation. In: 13° INTERNATIONAL CONFERENCE ON AQUATIC INVAS IVE SPEC IES, 2004, Ennis, Count y Clare. 13° International Conference on Aquatic Invasive Species. 2004. 82 CATALDO, D. H.; AND BOLTOVSKOY, D. Yearly reproductive activity of Limnoperma fortunei (Bivalvia) as inferred from the occurrence of its larvae in the plankton of the lower Paraná river and the Rio de la Plata estuary (Argentina). Aquatic Ecology, v. 34, p. 307-317, 2000. CATALDO, D.; BOLTOVSKOY, D.; HERMOSA, L. J. CANZI. C. Temperature-dependent rates of larval development Limnoperna fortunei (bivalvia: mytilidae). Journal of molluscan studies, v. 71, p. 41-46, 2005. CATALDO, D.; BOLTOVSKOY, D.; MARINI, V. AND, CORREA. N. Limitantes de Limnoperma fortunei em lacuenca del plata: predación por peces. Terceira Jornada sobre conservação da fauna ictica do Rio Uruguai, caru, Paysandú, 2002. CEMIG, Companhia Energética de Minas Gerais. O mexilhão Dourado, uma ameaça às águas e hidrelétricas brasileiras. Belo Horizonte, Ed. CEMIG, p. 24, 2004. CEMIG, Companhia Energética de Minas Gerais. Usinas. Disponível na Internet via WWW. URL: cemig.com.br . Arquivo capturado em 12 de junho de 2008. CESP, Companhia Energética de São Paulo. Avaliação técnica do uso do produto MXD-100 da Empresa Maxclean e Inoação do controle do mexilhão dourado. Avaliação técnica AO/076/2007 e RT/OME/035/2007,p. 1-104, 2007. CESP, Companhia Energética de São Paulo. Estudo ambiental da Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias – Jupiá, p. 1-128, 2002. CESP, Companhia Energética de São Paulo. Usinas. Disponível na Internet via WWW. URL: cesp.com.br . Arquivo capturado em 05 de fevereiro de 2011. CESP, Companhia Energética de São Paulo. Usinas. Disponível na Internet via WWW. URL: cesp.com.br . Arquivo capturado em 12 de junho de 2008. CHOI, S. S.; AND SHIN, C. N. Study on the early development and larvae of Limnoperma fortunei. Research report of environmental science and technology, v. 1, p. 12-21, 1983. CLAUDI, R. AND MACKIE, G. L. Pratical manual for zebra mussel monitoring and control. Lewis Publishers. Ed. Boca Raton, p.227, 1994. 83 CLAUDI, R. Zebra mussel mitigation; Overview. In. Proceedings of the Fifth International Zebra Mussel and Other Aquatic Nuisance Organisms Conference, Toronto, Canada. p 47-55, 1995. COHEN, A. N.; CARLTON, J. T. Highly Invaded Estuary. Science, v. 279, p. 23, Jan., 1998. DARRIGRAN, G. AND EZCURRA DE DRAGO, I. Invasion of Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) (Bilvavia: Mytilidae) in America. Nautilus, v. 2, p. 69-74, 2000. DARRIGRAN, G. AND PASTORINO, G. The recent introduction of Asiatic bivalve, Limnoperma fortunei (Mytilidae) into South America. The veliger, v. 38, p. 183-185, 1995. DARRIGRAN, G. A. Longitudinal distribution of molluscan communities in the Río de la Plata estaruary as indicators of environmental conditions. Malacological Review supl. Freshwater Mollusca, v. 8, p. 1-12, 1999. DARRIGRAN, G. A., DAMBORENEA, M. C.; PENCHASZADEH, P.; TARABORELLI, C. Adjustment of Limnoperma fortunei (Bilvavia: Mytilidae) after tem years of invasion in the years of invasion in the Americas. Journal of Shellfish Research, v. 22, p. 141-146, 2003. DARRIGRAN, G.; PENCHASZADEH, P.; DAMBORENEA, C.; GRECO, N. Abundance and Distribution of the Golden Mussel (Limnoperna fortunei) Larvae in a Hydroelectric Power Plant in South America. Biofouling, p. 312-316, 2002. DARRIGRAN, G. A.; PENCHASZADEH, A. P.; DAMBORENEA, M. C. The reproductieve cycle of Limnoperma fortunei (Bilvavia: Mytilidae) after ten years of invasion in the Americas. Journal of Shellfish Research, v. 18, p. 361-365, 1999. DARRIGRAN, G. Potential impact of filter-feeding invaders on temperate inland freshwater environments. Biological invasions, v. 4, p. 145-156, 2002. DARRIGRAN, G.; AND DAMBORENEA, C. Introdução a biologia das invasões. O mexilhão dourado na América do Sul: Biologia, dispersão, impacto, prevenção e controle. Cubo Editora. São Carlos, p. 1-246, 2009. 84 DARRIGRAN, G. AND de DRAGO, I. E. Invasion of the exotic freshwater mussel Limnoperna fortunei (Dunker, 1876) (Bivalvia : Mytilidae) in South America. Nautilus, v. 114 (2), p. 69-73, 2000. DARRIGRAN, G. AND PASTORINO, G. The recent introduction of a freshwater Asiatic bivalve, Limnoperna fortunei (Mytilidae) into South America. Veliger, v. 38(2), p. 171-175, 1995. DE OLIVEIRA, M. D.; DE BARROS, L. F.; DA SILVA, L. C. R. Density Limnoperma fortunei in Paraguay river, Brazil. Abrtarct from the 13th International conference on Aquatic nonindigenous aquatic nuisance species. Ennis, County Clare, Ireland, September 20-24, 2004. DEVERCELLI, M.; PERUCHET, E. Trends in chlorophyll-a concentration in urban water bodies within different man-uses basins. Annales de Limnogie – International Journal of Limnology, v. 44, p. 75-84, 2008. DIAS, C. A.; AND MATA, F. A. R. Assessing the efficiency and safety of the antifouling MXD100 for control of invasive species Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) in power plants. 17th International conference on aquatic invasive species – ICAIS, 2010. DINIZ, D. M. A.; SIMEÃO, C.M.G.; MAGALHÃES, V.P.F.; GANDOLFI, S.M.; RESENDE, M. F.; MARTINEZ, C. B. Estimativa da redução do potencial energético decorrente da infestação de mexilhão dourado em plantas hidrelétricas. The 8th latin-american congress on electricity generation and transmission – CLAGTEE, 2009. EZCURRA DE DRAGO, I.; MONTALTO, L.; AND OLIVEROS, O. B. Desenvolvimento e ecologia larval do Limnoperma fortunei, p. 77-87. In: DARRIGRAN, G.; AND DAMBORENEA, C. Introdução a biologia das invasões. O mexilhão dourado na América do Sul: Biologia, dispersão, impacto, prevenção e controle. Cubo Editora. São Carlos, p. 1-246, 2009. EILERS, V. Abundância e tamanho das fases larvais de Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) no rio Paraguai e rio Miranda, MS. Dissertação (Mestrado em Ecologia e Conservação) – Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, 2006. ESTEVES, F. A. Fundamentos de Limnologia. Rio de Janeiro: Interciência Editora/Fined, 1998. FERNANDES, F. C. AND COUTINHO, R. Programa para controle do mexilhão dourado, Limnoperna fortunei (Dunker, 1857), nas águas juridiscionais brasileiras (CT-HIDRO/CNPq). Rio de Janeiro: Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), p. 381, 2008. 85 GAMA, F. O. Programa de prevenção e controle sobre os impactos causados pelo mexilhão dourado (Limnoperma fortunei). II Fórum de Inovação e Tecnologia, 2011. GARTON, D. W. HAAG, W. R. Seasonal reproductive cycles and settlement patterns of Dreissena polymorpha in western Lake Erie. In: Zebra Mussels: Biology, Impacts, and Control, T.F. Nalepa and D. W. Schloesser, eds, p. 111-128. Boca Raton: CRC Press,1993. GOOGLE, Google Earth. Disponível na Internet via www. URL: googleearth. com.br Arquivo capturado em 12 de junho de 2008. HAKENKAMP, C. C AND MARGARET, A. P. Introduced bivalves in freshwater ecosystems: the impact of Corbicula on organic matter dynamics in a sandy stream. Oecologia, v. 119, p. 445-451, 1999. HICKS,G. Turning the tide: Is aquatic bioinvaders research heading in the right direction? Aquatic Invaders, vol. 16, p. 1-7, 2004. HINCKS, S. S, AND MACKIE, G. L. Effects of pH, calcium, alkalinity, hardness, and chlorophyll on the survival, growth and reproductive success of zebra mussels (Dreissena polymorpha) in Ontario lakes. Canadian journal of fisheries and aquatic sciences, v. 54, p. 20492057, 1997. IRURUETA, M. DAMBORENEA, M. C.; AND DARRIFRAN, G. Estudios preliminares Del ciclo larval del bivalvo invasor Limnoperma fortunei (Mytilidae). Actas III Jornadas sobre Conservación de La Fauna Ictica em el Rio Uruguay. Paysandú, Uruguay, 2002. ITAIPU. Disponível na Internet via :www.itaipu.gov.br. Acesso em: 07 de março de 2011, 2011. ITUARTE, C. F. Primera noticia acerca de la presencia de pelecípodos asiáticos en el área rioplatense. Neotropica, v. 27, p. 79–82, 1981. IWASAKI, K. AND Y. URYU. Life cycle of a freshwater mytilid mussel, Limnoperna fortune, in Uji River, Kyoto. Venus 57 v. 2, 105 – 113. KOLAR, C. S.; AND LODGE, D. M. Progress in invasion biology: prediction invaders. Ecology e Evolution, v. 16, p. 199-204, 2001. 86 LANDA, G. G.; AGUILA, L. M. R. D.; PINTO-COELHO, R. M. Distribuição espacial e temporal de Kellicottia bostoniensis (Rousselet, 1908) (Rotifera) em um grande reservatório tropical (reservatório de Furnas), Estado de Minas Gerais, Brasil. Acta Scientiarium, v. 24, p. 313-319, 2002. LODGE, D. M. Biological invasions: Lessons for ecology. Trends in Ecology & Evolution, v. 8 (4), p. 133, 1993. LODGE, D. M.; STEIN, R. A.; BROWN, K. M.; COVICH A. P.; BRONMARK, C.; GARVEY, J. E.; KLOSIEWSKI, S. P. Predicting impact of freshwater exotic species on native biodiversity: Challenges in spatial scaling Australian Journal Of Ecology, v. 23 (1), p. 53-67, 1998. MAGARA, Y.; MATSUI, Y.; GOTO; YUASA, A. Invasion of the non/indigenous nuisance mussel, Limnoperma fortunei, into water supply facilities in Japan. Journal Water Supply Research and Technology AQUA, v. 50, p. 113-124, 2001. MANSUR, M. C. D.; DOS SANTOS, C. P. DARRIGAN, G. HEYDRICH, I; CALLIL, C. T. CARDOSO, F. R. Primeiros dados quali-quantitativos do mexilhão dourado, Limnoperma fortunei (Dunker), no Delta do Jacuí, no Lago Guaíba e na Laguna dos Patos, Rio Grande do Sul, Brasil e alguns aspectos de sua invasão no novo ambiente. Revista Brasileira de Zoologia, v. 20, p. 75-84, 2003. MANSUR, M. C. D., DARRIGRAN, G.; TAKEDA, A. M. OLIVEIRA, M. D.; CALLIL, C. T.; FERNANDES, F. C. The invasion of golden mussel Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) in South America. Population densites in natural environment. Resumo 14th International Conference on Aquatic Invasive Species. May 14 to 16, 2006. MANSUR, M. C. D., CALLIL, C. T., CARDOSO, F. R., IBARRA, J. A.A. Uma retrospectiva e Mapeamento da Invasão de Espécies de Corbicula (Mollusca, Bivalvia, Veneroida, Corbiculidae) oriundas do Sudeste Asiático, na América do Sul. In: SILVA, J. S. V. de & SOUZA, R. C. C. L. de. (orgs). Água de Lastro e Bioinvasão. Cap.5. p.39-58. Rio de Janeiro: Interciência. 2004. MANSUR, M. C. D.; SHULTZ, Carla; GARCES; PARES, L. M. M. Moluscos Bivalves de água doce: Identificação dos gêneros do Sul e Leste do Brasil. Act. Biol. Leopol., n. 2. 1987. p.181202. MARGALEF, R. Lirnnología. Ediciones Omega. Barcelona, p. 1010, 1983. MAROÑAS, M. DARRIGRAN, G. A.; SENDRA, E.; BRECKON, G. Shell growth of the golden mussel, Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) (Mytilidae), from a Neotropical temperature locality. Hydrobiologia, v. 495, p. 41-45, 2003. 87 MATA, F. R. AND M C. S. CAMPOS. Limites de tolerância de adultos da Limnoperna fortunei (dunker, 1857) a variáveis físico-químicas da. Relatório final bolsa iniciação científica CNPQ/CETEC, 2005. MATA, F. R. AND M C. S. CAMPOS. Preferência e tolerância de Limnoperna fortunei (dunker, 1857) a variáveis abióticas. Relatório final bolsa iniciação científica CNPQ/CETEC, 2004. MATSUI, Y.; NAGAYA, K.; FUNAHASHI, G.; GOTO, Y.; YUASA, A.; YAMAMOTO, H.; OHKAWA, K.; MAGARA, Y. Effectiveness of antifouling coatings and water flow in controlling attachment of the nuisance mussel Limnoperna fortunei. Biofouling, v.18, p. 137-148, 2002. MCNEELY, J. A. An introduction to human dimensions of invasive alien species in The Great Reshuffling Human Dimensions of Invasive Alien Species. Ed. Jeffrey A. McNeely IUCN – The World Conservation Union. Gland, Switzerland and Cambridge, UK., p. 242, 2001. MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, Transporte aquaviário. Disponível na Internet via WWW. URL: transportes.gov.br. Arquivo capturado em 12 de junho de 2008. MOONEY, H. A. AND CLELAND, E. E. The evolutionary impact of invasive species. Proc. Natl. Acad. Sci., v. 98 (10), p. , May, 2001. MORTON, B. The population dynamics of Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) (Bilvava: Mytelacea) in Plove Cove Reservoir, Hong Kong. Malacologia, v. 16, p. 165-182, 1977. MORTON, B. The reproductive cycle in Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) (Bilvava: Mytilidae) fouling Hong Kong’s raw water supply system. Oceanol Limnol Sin, v. 13, p. 312325, 1982. MORTON, B. The colonization of Hong Kong’s water supply system by Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) (Bilvalvia: Mytilacea) from China. Malacological Review, v. 8, p. 91-105, 1975. MORTON, B.Some aspects of the biology and functional morphology of the organs of feeding and digestion of Limnoperna fortunei (Dunker,1857) (Bivalvia: Mytilacea). Malacologia, Philadelphia, v. 12, p. 265-281, 1973. MUMBACH, M. C.; AND FERNANDEZ, D. R. Monitoramento larval do mexilhão dourado (Limnoperma fortunei) nas escotilhas das caixas aspirais das unidades geradoras da usina hidrelétrica de Itaipu. III Seminário Brasileiro de Meio Ambiente e Responsabilidade Social no Setor Elétrico, 2008. 88 MUSTAFÁ, A. L. UEDA, R. R.; BITEMCOURT, M. P. Manejo e controle do mexilhão dourado Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) nas usinas e reservatórios da CESP. I Seminário Brasileiro de Meio Ambiente e Responsabilidade Social no Setor Elétrico, 2004. NALEPA, T. F. AND SCHOELESSER, D. W. eds. Zebra Mussels: Zebra Mussels Biology, Impact and Control. Boca Raton: Lewis Publishers, 1993. NEWELL, N. D. Classification of Bivalvia. In: R. Moore. (Ed.). Treatise on Invertebrate Paleontology. Lawrence, University of Kansas, Part N, vol. 1, p. 205-223, 1969. O’NEILL, JR. C. R. Economic impact of zebra mussels – results of the 1995 National Zebra mussel Information Clearinghouse study. Great lakes research review, v. 3, p. 35-44, 1997. OLIVEIRA, M. D. Fatores reguladores e distribuição potencial do mexilhão dourado (Limnoperma fortunei Dunker 1857) na bacia do alto Rio Paraguai e outros Rios brasileiros. Tese (Doutorado em Ecologia) – Programa de Pós-Graduação em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre, Universidade Federal de Minas Gerais, 2009. OLIVEIRA, M.D.; Ocorrência e Impactos do Mexilhão Dourado (Limnoperna fortunei, Dunker 1857) no Pantanal Mato-Grossense. Circular técnica 38. Embrapa, Corumbá, MS. 2003. OLIVEIRA, M. D. AND BARROS, L. F. Mexilhão dourado no Pantanal-Um problema ambiental e econômico. EMBRAPA, p. 1-3, 2003 http:// www. cpap.embrapa.br. PARESCHI, D. C., MATSUMURA-TUNDISI, T. ; MEDEIROS, G. R. LUZIA, A. P. TUNDISI, J. G. First occurrence of Limnoperma fortunei (Dunker, 1857) in the Rio Tietê watershed (São Paulo State, Brazil). Brazilian journal of biology, v. 68, p. 1107-1114, 2008. PASTORINO, G., DARRIGRAN, G., MARTIN, G. S., & LUNASCHI, L. Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) (Mytilidae), nuevo bivalvo invasor en aguas del Río de la Plata. Neotropica, v. 39 (101-102), p. 34, 1993. PESTANA, D. S. Aspectos bioecológicos do mexilhão dourado Limnoperma fortunei (Bivalvia, Mytilidae) (Dunker, 1857). Tese (Doutorado em Engenharia Florestal) – Pós-graduação em Engenharia Florestal – Universidade Federal de Paraná, 2006. PHILLIPS, S.; DARLAND, T. & SYTSMA, M. Potencial Economic Impacts of Zebra Mussels on the Hydropower Facilities in the Columbia River Basin. Prepared for the Bonneville Power Administration by Pacific States Marine Fisheries Commission. http://www.psmfc.org/, 2005. 89 RESENDE, M. F. AND MARTINEZ, C. B. Impacto da infestação de condutos forçados de PCH’s pelo Limnoperma fortunei. VI Simpósio Brasileiro sobre pequenas e médias centrais hidrelétricas, 2008. RICCIARDI, A. Global range expansion of the Asian mussel Limnoperma fortunei (Mytilidae): Another fouling threat to freshwater systems. Biofouling, v. 13, p. 97-106, 1998. RUIZ, G. M.; FOFONOFF, P. W.; CARLTON, J. T.; WONHAM, M. J. HINES, A. H. Invasion coastal marine communities in North America: Apparent patterns, processes, and biases. Annual review od ecological systems, v. 31, p. 481-531, 2000. SALA, O. E.; CHAPIN, F. S.; ARMESTO, J. J.; BERLOW, ERIC; BLOOMFIELD; JANINE; DIRZO; RODOLFO; HUBER-SANWALD; ELISABETH; HUENNEKE; LAURA, F.; JACKSON, R. B.; KINZIG; ANN; LEEMANS; RIK; LODGE; DAVID, M; MOONEY; HAROLD, A; OESTERHELD; MARTÍN; POFF, N; LEROY; SYKES; MARTIN, T.; WALKER; BRIAN, H.; WALKER; MARILYN; WALL; DIANA, H. Global Biodiversity Scenarios for the Year 2100. Science, v. 287, p. 1770-1774, 2000. SANTOS, C. P.; NEHRKE, M. V.; RODRIGUEZ, M. T. R.; MANSUR, M. C. D.; ZURITA, M. L. L. AND TISSOT, R. C. M. Radiação ultravioleta (UV) como controle da incrustação do mexilhão dourado, em tubulações de captação de água para usinas termelétricas. In: Anais do V Congresso de Inovação Tecnológica em Energia Elétrica .V CITENEL, Belém/PA, 2009. SANTOS, C. P.; WÜRDIG; MANSUR. M. C. D. Fases larvais do mexilhão dourado Limnoperna fortunei (Dunker) (Mollusca, Bivalvia, Mytilidae) na Bacia do Guaíba, Rio Grande do Sul, Brasil. Rev. Bras. Zool, v. 22(3), p.702-708, 2005. SILVA, J. S.V; FERNANDES, F. C; SOUZA, R. C. C. L; LARSEN, K. T. S. AND DANELON, O. M. Água de lastro e bioinvasão in Água de lastro e bioinvasão. Ed. Interciência, cap. 4, p. 3338, 2004. STRAYER, D. L.; POWELL, J; AMBROSE, P.; SMITH, L. C.; PACE, M. L.; FISCHER, D.T. Arrival, spread, and early dynamics of a zebra mussel (Dreissena polymorpha) population in the Hudson River estuary. Canadian Journal of Fisheries and Aquatic Science, v. 53, p.1143-1149, 1996. TAKEDA, A. M.; HIGUTI, J.; FUJITA, D. S. & BUBENA, M. R. Proliferação de uma espécie de bivalve invasora, Corbicula fluminea, na área alagável do Alto rio Paraná (Brasil). In: Seminário Brasileiro sobre Água de Lastro, 1, Arraial do Cabo, p.11, 2000. 90 VEITENHEIMER-MENDES, I. Corbicula manilensis (Phillipi, 1844) molusco asiático, na bacia do Jacuí e do Guaíba, Rio Grande do Sul, Brasil (Bivalvia, Corbiculidae). Iheringia, v. 60, p.6374, 1981. ZANELLA, O. AND L. D. MARENDA. Ocorrência de Limnoperna fortunei na Central Hidroeléctrica de Itaipu. V Congreso Latinoamericano de Malacología. 30/06/02 al 04/07/02. San Pablo, Brasil. Resúmenes: 41, 2002. ZILLER, S. R.; ZENNI, R. D.; NETO, J. G. Invasões Biológicas; Introdução, Impactos e espécies exóticas invasoras no Brasil. Princípios e Rudimentos do Controle Biológico de Plantas. Curitiba: Imprensa Universitária, cap. I, p. 205, 2004. ZILLER, S.R. Plantas exóticas invasoras: a ameaça da contaminação biológica. Ciência Hoje, v.30, p.77-79, 2001. 91