UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO
DO RIO GRANDE DO SUL
DHE – DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO
CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
AFFONSO MANOEL RIGHI LANG
AS POSSIBILIDADES E OS ENTRAVES NO DESENVOLVIMENTO DE UMA
UNIDADE DIDÁTICA SOBRE LAZER NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM
UMA ESCOLA MILITAR DO NOROESTE GAÚCHO
Ijui/RS
2014
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AFFONSO MANOEL RIGHI LANG
AS POSSIBILIDADES E OS ENTRAVES NO DESENVOLVIMENTO DE UMA
UNIDADE DIDÁTICA SOBRE LAZER NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM
UMA ESCOLA MILITAR DO NOROESTE GAÚCHO
Trabalho de Conclusão de Curso de Educação
Fìsica do Departamento de Humanidades e
Educação da Universidade Regional do
Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul,
como requisito parcial para a obtenção do
título de licenciado em Educação Física.
Orientador: Dr. Fernando Jaime González
Ijuí/RS
2014
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A Banca Examinadora abaixo assinada aprova o trabalho de conclusão de curso:
AS POSSIBILIDADES E OS ENTRAVES NO DESENVOLVIMENTO DE UMA
UNIDADE DIDÁTICA SOBRE LAZER NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM
UMA ESCOLA MILITAR DO NOROESTE GAÚCHO
elaborado por
AFFONSO MANOEL RIGHI LANG
como requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Educação Física.
Ijuí (RS), 16 de janeiro de 2014.
BANCA EXAMINADORA
_______________________________________
Professor Dr. Fernando Jaime González
Orientador
_______________________________________
Professor Dr. Paulo Evaldo Fensterseifer
Examinador Titular
4
DEDICATÓRIA
Não conseguirei expressar em poucas
palavras tudo o que fizeram por mim.
Desde sempre me apoiando e sonhando
comigo os meus sonhos. Apoio
incondicional do início ao fim. Estrutura
familiar, cobrando e incentivando para
que sempre desse o meu melhor.
Gilmar e Maristela, obrigado por tudo,
amo vocês.
Tenham a certeza que esta é apenas
mais uma das grandes conquistas das
quais vocês foram partes fundamentais.
Amo vocês!
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AGRADECIMENTOS
Posso dividir a minha vida até esse momento em ciclos: o tempo de escola, do futebol,
o tempo das dúvidas profissionais e pessoais e o tempo da graduação. Todos esses ciclos não
foram percorridos sozinhos, sempre tive grandes pessoas ao meu lado. Chegou a hora de
agradecer.
Sem sombra de dúvida alguma devo agradecer primeiramente à minha família. Pai e
mãe foram os principais incentivadores desta conquista, porém, junto com eles toda a família
Lang e Righi. Ter recebido o apoio de todos foi e tenho certeza que será fundamental!
Quantas caronas e pernoites no tempo de futebol em Porto Alegre! Quanto incentivo para que
eu continuasse jogando e estudando. Os jogos cessaram e o estudo prosseguiu! Quantos
“puxões de orelhas” para que eu estudasse mais. Quantas correções de ortografia “gratuitas”
da Mãe Maristela! Quantas conversas com os pais, tios, tias, primos e primas, amigos e
namorada em função da graduação. Muito obrigado por tudo, família! Amo vocês!
Amigos! Escolhidos a dedo! Tenho a certeza de que os que estão por perto eu posso
contar em todas as situações. Sei que nos últimos tempos estive um pouco distante, mas
também sei que vocês entendem o porquê. Tenham a certeza de que se eu cheguei até aqui, foi
porque vocês também foram fundamentais.
Também devo agradecer a primeira escola que me empregou como professor: CEPP.
Devo grandes agradecimentos a esta instituição que desde o início me acolheu com muita
confiança no meu trabalho. Desde a indicação pela Giliane Dessbesel (sou especialmente
grato por todo o apoio durante toda a graduação) até a aceitação da Monica e da Cheila, e
claro, de todos os colegas da escola. Aos alunos por aceitarem o meu trabalho e colaborarem
para que eu continuasse acreditando na profissão que escolhi seguir.
Também devo aqui agradecer aos professores do Curso de Educação Física da Unijuí
que fizeram parte da formação obtida até aqui. Carlan, Fensterseifer, Leopoldo, Sidinei, Maria
Simone, Lisi, Dari e Mauro, serei eternamente grato pelos ensinamentos, todas as conversas e
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incentivo que prestaram para mim durante todo o período de graduação foram fundamentais.
Ter vocês como professores é um verdadeiro privilégio.
Por último quero agradecer ao orientador deste trabalho de conclusão de curso:
Fernando Jaime González, o argentino mais temido do curso de Educação Física da Unijuí!
Lembro-me como se fosse hoje quando um colega comentou comigo que eu era “louco” por
fazer dois componentes curriculares ao mesmo tempo com ele. Eu iria perder o couro, iria
desistir no meio do caminho, essas foram as palavras do meu colega, não as minhas. Tanto
não desisti como me aproximei ainda mais do argentino. Quantos aprendizados! Poder fazer
parte do grupo de pesquisa comandado por você me fez crescer muito profissional e
pessoalmente! Agradeço por todo apoio e suporte acadêmico, todas as oportunidades de
convívio e evolução acadêmica que ainda estão no início. Até aqui muito obrigado!
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RESUMO
Dentre os vários temas que ganharam repercussão na área da Educação Física nos últimos
anos, pode-se destacar o Lazer. Dentro das suas possibilidades de “uso”, sobressai-se dentro
de uma gama de significados, a integração social. Porém, ao tratar sobre Educação Física
escolar e lazer algumas dúvidas surgem: deve o lazer ser um conteúdo a ser trabalhado na
escola? Mais especificamente na Educação Física? Seria possível romper com a tradição
escolar ou até mesmo superar o abandono pedagógico e ministrar aulas na perspectiva da
inovação pedagógica tematizando o lazer? Este estudo em formato de pesquisa-ação propôs o
desenvolvimento de uma Unidade Didática com dez (10) encontros em turma de Ensino
Médio de uma escola militar do noroeste gaúcho a fim de analisar e examinar as
possibilidades e os entraves para o desenvolvimento das aulas. Vale ressaltar que a turma na
qual foi desenvolvida a unidade didática estava acostumada a aulas em formato tradicional da
EF, e por vezes também com situações de abandono pedagógico conforme diagnóstico
realizado antes do desenvolvimento da unidade didática. Observou-se que os alunos
envolvidos na pesquisa, apesar de terem demonstrado uma resistência inicial, aceitaram o tipo
de metodologia utilizada, que propôs aulas teóricas aliadas às práticas desenvolvidas, a
utilização de material didático e caderno, além da apresentação de trabalhos e avaliação
sistematizadora. O que chamou a atenção foi a forma com a qual os alunos encararam o novo
formato da disciplina, tratando-a como um componente curricular assim como as demais
disciplinas que compõem a grade da instituição. Fato este verificado pelos debates gerados em
aula, na qualidade dos trabalhos apresentados, no resultado da avaliação sistematizadora e no
desenvolvimento das demais atividades propostas durante a unidade. Destacam-se alguns
pontos que surgiram como entrave: (a) romper com a situação de aulas em abandono
pedagógico e (b) tentar ministrar aulas na perspectiva da inovação pedagógica. Enquanto os
fatos que possibilitaram (facilitaram) o desenvolvimento da UD destaco: (a) a história da
EF(b) planejamento da UD bem delimitado, (c) os conteúdos para a temática bem definidos,
(d) a aceitação dos alunos, (e) os tipos de trabalhos realizados e (f) as aulas práticas articulada
ao conteúdo teórico abordado na sala de aula.
Palavras-chave: Educação Física Escola; Investimento Pedagógico; Lazer.
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SUMÁRIO
RESUMO ................................................................................................................................... 7
SUMÁRIO .................................................................................................................................. 8
INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 9
Problema ............................................................................................................................... 10
Objetivo Geral ...................................................................................................................... 10
Objetivos específicos ............................................................................................................ 10
JUSTIFICATIVA ..................................................................................................................... 11
1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .............................................................................................. 12
1.1 Quais os propósitos da Educação Física na escola? ....................................................... 12
1.2 O que é lazer como fenômeno social e cultural? ............................................................ 14
1.3 Qual é o papel da EF em relação ao lazer? ..................................................................... 17
1.4 O lazer nas aulas de EF: algumas experiências .............................................................. 19
1.5 A renovação das aulas de Educação Física: possibilidades e entraves........................... 21
2 ESCOLHAS METODOLÓGICAS ....................................................................................... 24
2.1 Critérios de escolha da escola ......................................................................................... 24
2.2 Sujeitos da pesquisa ........................................................................................................ 24
2.3 PROCEDIMENTOS ....................................................................................................... 25
2.3.1 Coleta de dados ........................................................................................................ 25
2.3.2 Instrumentos da pesquisa ......................................................................................... 25
3 RESULTADOS ..................................................................................................................... 27
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ............................................................... 37
4.1 Os aspectos que dificultaram o desenvolvimento da UD ............................................... 37
4.2 Os aspectos que potencializaram/facilitaram o desenvolvimento da UD....................... 39
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 42
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 44
APÊNDICES ............................................................................................................................ 47
Apêndice 1 ............................................................................................................................ 48
Apêndice 2 ............................................................................................................................ 49
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INTRODUÇÃO
Um dos temas que vem ganhando destaque no cenário da Educação Física (EF) é, sem
sombra de dúvidas, o Lazer1. Este tem, dentre suas características, a possibilidade de integrar
pessoas, fazê-las descontrair do dia a dia cada vez mais corrido, conhecer novas práticas
corporais, ressignificar sentidos éticos, estéticos e políticos (REQUIXA, 1976; MARTINS,
2010; MARCASSA, MASCARENHAS, 2005).
Mas como trabalhar com esta temática nas aulas de EF? Ou ainda, será o Lazer
conteúdo pertinente a ser trabalhado na escola? Bracht (1997) comenta que “o lazer e a
educação para o lazer parecem, cada vez mais, serem considerados um tema e uma tarefa
também da Escola” (p. 30).
Dentro da proposta do autor, entende-se que (dentro da perspectiva atual de alguns
professores de EF) quando o Lazer aparece nas aulas de EF, existe a necessidade de romper
com uma barreira bem conhecida da área: a tão criticada EF Tradicional (GONZÁLEZ;
FENSTERSEIFER, 2009; SILVA; BRACHT, 2012), pois esta última abstém-se de trabalhar
conteúdos teóricos, desenvolvendo apenas os práticos.
Bracht (2003) e Darido (2001) em seus estudos apontam para pontos favoráveis na
introdução da temática Lazer nas aulas de EF. Pois segundo os autores, é dentro da escola que
os alunos apreendem a entender e interpretar o mundo que os cerca. Portanto, nesta
perspectiva, o Lazer pode ser compreendido como uma temática a ser desenvolvida não
somente pela EF, mas por toda a escola, já que se trata de um direito de todos os cidadãos.
Visto as afirmações acima o que propus para este estudo é o desenvolvimento de uma
Unidade Didática (UD) que tematiza o Lazer, particularmente, em um educandário em que as
1
A palavra lazer será apresentada em dois formatos durante o trabalho: (a) quando aparecer Lazer estarei falando
do seu significado mais amplo e (b) Lazer será para expressar quando se trata da tematização da Unidade
Didática proposta.
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aulas de EF transitam entre dois tipos de atuação docente: (a) aulas tradicionais de EF e (b)
abandono pedagógico (LANG; GONZÁLEZ, 2012). Mais especificamente o que buscamos
pesquisar foi as possibilidades e os entraves no desenvolvimento de uma unidade didática
sobre Lazer nas aulas de educação física em uma escola militar do noroeste gaúcho.
PROBLEMA
Quais as possibilidades e os entraves de desenvolver uma UD que tematiza o Lazer
nas aulas de EF Escolar diante de um quadro de ensino “tradicional” da disciplina2?
OBJETIVO GERAL
Conhecer as possibilidades e os entraves de desenvolver uma UD que tematiza o Lazer
nas aulas de EF Escolar num contexto de ensino “tradicional” da disciplina.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Examinar os aspectos que dificultaram o desenvolvimento da UD frente ao
quadro de ensino tradicional da disciplina;

Analisar os aspectos que potencializaram/facilitaram o desenvolvimento da UD
frente ao quadro de ensino tradicional da disciplina;
2
É uma concepção de aulas em que o aluno participa apenas como executante de ações motoras estipuladas pelo
professor. Isto é, as aulas apresentam linearidade frente aos conteúdos e geralmente o aluno aprende por
imitação, tornando-se dependente.
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JUSTIFICATIVA
Desde o início da graduação em EF, sempre me perguntei por que eu deveria seguir no
curso. Segui pela satisfação pessoal, profissional, pela aproximação e envolvimento com o
esporte de rendimento, pelos círculos de relacionamento, amigos, conhecidos e demais
situação que o mundo da EF me proporcionou. Porém, ao chegar ao final do ciclo acadêmico
eu ainda tenho algumas perguntas sem respostas, a principal delas era justificar a presença da
EF na escola.
Nos últimos dois anos, sempre que penso na EF escolar e sua justificativa, penso como
um dos principais elementos o Lazer. Isso foi uma concepção desenvolvida durante a
graduação, pois na minha época de aluno de EF de escola, eu apenas queria jogar futebol,
nada mais (fato que encontrei por diversas vezes durante os estágios curriculares em que atuei
como professor estagiário). Porém, durante a graduação, acabei descobrindo um mundo muito
maior, que conheci pelo nome de Cultura Corporal de Movimento (CCM). Mas onde e como
utilizar todo esse arsenal da CCM?
Meu entendimento sobre isso está ligado diretamente com o Lazer, ou seja, a parte da
execução da CCM fora do ambiente escolar seria desenvolvida nos momentos de Lazer
(exclui-se aqui o alto rendimento). Dentro disso sempre me perguntei por que pouco se ouvia
falar sobre a presença do Lazer como um conteúdo de sala de aula. Foi a partir deste momento
que decidi dedicar o Trabalho de Conclusão de Curso à temática apresentada anteriormente.
12
1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Nesta parte, desenvolverei tópicos que se entrelaçam na fundamentação teórica da
proposta de trabalho. Primeiramente irei tratar sobre os propósitos da EF na escola, logo após
discutirei sobre o que é Lazer como fenômeno social e cultural, também desenvolvo uma
parte em que tratarei sobre a função da EF em relação ao Lazer. A terceira parte desta etapa
contempla algumas experiências de se trabalhar o Lazer nas aulas de EF e a última trata sobre
as possibilidades e os entraves de inovar nas aulas de EF.
1.1 QUAIS OS PROPÓSITOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA?
A EF tem nos Parâmetros Curriculares Nacionais -PCN- (BRASIL, 1997) uma base
conceitual que respalda a sua permanência na grade curricular da Educação Básica. Nesse
documento oficial, lançado pelo Ministério da Educação, a EF escolar tem “seus fundamentos
nas concepções de corpo e movimento”. Mas muito além de movimentar o corpo, a EF deve
“considerar também as dimensões cultural, social, política e afetiva, presentes no corpo vivo,
isto é, no corpo das pessoas, que interagem e se movimentam como sujeitos sociais e como
cidadãos” (BRASIL, 1997, p. 22).
Considerar todas essas outras dimensões que o PCN nos faz entender, conforme o
próprio texto, que a EF deve ser pautada nos conhecimentos culturais produzidos pela Cultura
Corporal do Movimento (CCM). Nessa linha, o documento afirma que
[...] a área de Educação Física hoje contempla múltiplos conhecimentos
produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento.
Entre eles, se consideram fundamentais as atividades culturais de movimento
com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções, e com
possibilidades de promoção, recuperação e manutenção da saúde (BRASIL,
1997, p. 23).
Ao pensar sobre a forma de ensinar e compartilhar esses conhecimentos adquiridos
sobre a CCM, o documento abrange a ideia de que
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a Educação Física escolar pode sistematizar situações de ensino e
aprendizagem que garantam aos alunos o acesso a conhecimentos práticos e
conceituais. Para isso é necessário mudar a ênfase na aptidão física e no
rendimento padronizado que caracterizava a Educação Física, para uma
concepção mais abrangente, que contemple todas as dimensões envolvidas
em cada prática corporal. É fundamental também que se faça uma clara
distinção entre os objetivos da Educação Física escolar e os objetivos do
esporte, da dança, da ginástica e da luta profissionais, pois, embora seja uma
referência, o profissionalismo não pode ser a meta almejada pela escola. A
Educação Física escolar deve dar oportunidades a todos os alunos para que
desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva,
visando seu aprimoramento como seres humanos (BRASIL, 1997, p. 24).
Portanto, independente do conteúdo a ser trabalhado nas aulas de EF, não se deve dar
ênfase apenas ao ensinamento prático de determinado conteúdo. Mas sim, segundo o próprio
PCN, quanto aos conteúdos trabalhados, o aluno deve ter a oportunidade de “apreciá-los
criticamente, analisá-los esteticamente, avaliá-los eticamente, ressignificá-los e recriá-los”
(BRASIL, 1997, p.24).
Alguns autores, que desde o início da década de 80 promoviam um movimento
renovador dentro da EF, já defendiam a ideia da EF pautada pela CCM muito antes do PCN
ser publicado. Porém, anos depois Bracht (1997, p. 49), ao comentar sobre a busca da
legitimação pedagógica da EF, afirma que é necessário
considerar/postular que a cultura corporal/movimento resume um acervo
produzido pelo homem que precisa ou merece ser veiculado pela instituição
educacional, acrescentando-se, no entanto, que é preciso fazer a crítica
cultural e superá-la.
Outros autores ligados a este movimento renovador defendem ideias parecidas.
González e Fraga (2012) afirmam que a EF deve ser um componente curricular da escola que
propicie diferentes experimentações, conhecimentos e apreciação de outras formas de
manifestação corporal do movimento, “compreendendo-as como produções humanas
dinâmicas, diversificadas e contraditórias” (p. 42). Os estudiosos comentam ainda que a
finalidade da EF deve ser voltada ao tratamento das “possibilidades dos movimentos dos
sujeitos, representação e práticas sociais que constituem cultura corporal de movimento,
estruturada em diversos momentos históricos e, de algum modo, vinculados ao campo do
lazer e da saúde” (p. 43).
Portanto, podemos entender que a EF pode ser pautada no eixo do desenvolvimento da
CCM. Assim sendo, a EF assumiria seu papel principal que, segundo Bracht e González
(2005, p. 155) passa por “formar indivíduos dotados de capacidade crítica em condições de
14
agir autonomamente na esfera da cultura corporal de movimento e de forma transformadora
como cidadãos políticos”.
Ao tratar dos assuntos citados durante o texto, podemos perceber a importância da EF
na escola. Sua função vai muito além de apenas movimentar os alunos, ela deve propiciar a
eles experiências que lhes permitam a possibilidade de se tornarem sujeitos críticos e
autônomos quanto às suas práticas corporais, muni-los de conhecimento para que possam
intervir e transformar o meio em que vivem, além de propiciar a eles opções de algumas
modalidades em que possam ser proficientes e utilizá-las como fonte de Lazer. Dentro disso,
destaco a importância de trabalhar o Lazer nas aulas de EF na perspectiva de ser um direito do
cidadão brasileiro, bem como os deveres perante a temática. A discussão em torno dos
propósitos da EF é ampla, mas para que possamos delimitar o objetivo do estudo,
discutiremos o fenômeno social e cultural que é o Lazer.
1.2 O QUE É LAZER COMO FENÔMENO SOCIAL E CULTURAL?
Para que seja possível entender o fenômeno social e cultural do Lazer, primeiro
precisamos entender o significado da palavra. Segundo o dicionário Aurélio, “lazer” tem três
significados que se entrelaçam: 1. Ócio, descanso, folga, vagar; 2. Tempo que se pode
livremente dispor, uma vez cumpridos os afazeres habituais; 3. Atividade praticada nesse
tempo; divertimento, entretenimento, distração, recreio.
A interpretação dos significados nos faz entender que Lazer é realizar atividades
durante o tempo livre, depois de ter cumprido com o papel de trabalhador. Essa interpretação
acaba abarcando uma área que envolve a inserção social e cultural do indivíduo. E é
justamente este ponto que será debatido neste tópico, isto é, a abordagem do Lazer na sua
realidade (não apenas conceitual), vista como fenômeno social e cultural.
A aproximação com o ambiente social e cultural do Lazer propicia leituras em que é
possível identificar significados diferentes, porém aproximados dentro da temática.
Dumazadier (1979), ao fazer uma abordagem sociológica do tema, atribui quatro diferentes
eixos estruturadores na significação do Lazer. O primeiro defende a ideia de que o Lazer não
é uma categoria, mas sim “um comportamento, sendo possível de encontrá-lo em qualquer
atividade (trabalhar com música, estudar brincando, lavar louça ouvindo rádio)”
(DUMAZADIER, 1979, p. 88); o segundo relaciona o Lazer ao trabalho, em que, no ponto de
vista dos economistas, “resume-se inteiramente ao não trabalho” (DUMAZADIER, 1979, p.
89); o terceiro está atrelado a uma definição mais complexa, na qual se entende que deve estar
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incluso no “mesmo tempo das obrigações sócio-políticas necessárias ao funcionamento de
uma democracia e as atividades que alguns qualificam como evasão, na medida em que
podem desviar o cidadão de suas obrigações sócio-políticas”( DUMAZADIER, 1979, p. 90).
O quarto eixo relata que “o indivíduo se libera a seu gosto da fadiga descansando, do
tédio, divertindo-se, da especialização funcional, desenvolvendo de maneira interessada as
capacidades de seu corpo ou de seu espírito” (DUMAZADIER, 1979, p. 92).
Várias são as leituras que compreendem o Lazer como fenômeno social e cultural. Em
um texto que aborda a relação entre Lazer e EF expõe-se que este apresenta
grandes contribuições ao apresentar as possibilidades de ação e inserção do
mesmo, na organização social. Entende que a participação social mais ampla
dos indivíduos será facilitada pelas atividades de lazer, visto a disposição de
integração na vida de grupos culturais e convívio social, além da motivação
para a ampliação da imaginação criadora, e estímulo ao aprimoramento, à
participação e a colaboração ao progresso social que elas oferecem
(REQUIXA, 1976, apud SILVA, 2011, p.3).
Na mesma linha de pensamento, Martins (2010, p. 46) afirma que a diversidade das
manifestações culturais são “grandes e presentes” na vida das pessoas e nos seus lazeres.
Sendo elas culturais, acabam transmitindo “certos significados, valores, normas, jeitos de ser,
servindo como expressão e forma de intervir no mundo” (MARTINS, 2010, p. 46). O mesmo
autor destaca uma citação de Pinto (2001, p. 47), em que é identificado duas tendências do
Lazer em nosso país:
uma conservadora, atribuindo ao Lazer a responsabilidade de preservação do
equilíbrio social, e outra entendendo o Lazer como fenômeno social que
dialoga com a sociedade e que possibilita o surgimento de valores
questionadores que vislumbram mudanças neste quadro.
Entendendo o Lazer como uma possibilidade de equilíbrio social, concluímos que
existe a possibilidade de através do Lazer manter as pessoas em contato mesmo fora do
ambiente de trabalho. Jogar um futebol com os colegas de empresa, correr em um parque com
os amigos, pescar com familiares, várias são as possibilidades de praticá-lo. Mas, além disso,
o Lazer, segundo o autor, também tem a possibilidade de fazer a sociedade pensar/agir sobre
as formas e valores que surgem por meio dele.
Ao concordar com o pensamento do autor citado anteriormente, Marcassa e
Mascarenhas (2005, p. 257), afirmam que o Lazer propicia
16
[...] momentos que os jovens criam e reforçam seus laços de identidade
social, que as crianças, por meio da atividade lúdica, interpretam e
ressignificam o mundo que as cerca, que os adultos tecem suas relações
sociais e renovam valores e comportamentos que fundamentam os princípios
éticos, estéticos e políticos que regem a sociedade.
Outras leituras nos possibilitam perceber a forma como o Lazer é tratado pelo sistema
capitalista, em que, ao invés de ser tido com um direito já garantido pela Constituição Federal,
é tratado como um produto. Em seu discurso, Martins (2010, p. 50) ao citar outro autor afirma
que o
lazer, desta forma, transforma-se de produção cultural, de direito social a direito de
propriedade, em um bem ou serviço que precisa ser comprado. O Lazer passa de um
direto do cidadão a um objeto de conquista no mercado, criando diversos produtos e
subprodutos que são consumidos pelos que têm dinheiro, ou que são ofertados às
pessoas que não têm dinheiro por programas de assistência com objetivos atrelados
ao sistema capitalista (MASCARENHAS, 2004, p. 80-81).
Este discurso nos faz pensar que ao invés de torná-lo um meio de integração social,
acaba agindo de forma contrária, produzindo assim, uma forma de exclusão automática
daqueles que não podem pagar por determinado tipo de Lazer. Martins (2010) adota uma
posição parecida, afirmando que “a contradição está presente também no Lazer, sendo este
possibilidade de luta contra o capital e as desigualdades que fundam a alienação, sendo o lazer
momento para exercer a cidadania” (p. 50).
A discussão em torno do Lazer é muito ampla, mas um ponto básico sobre o assunto
está atrelado a uma fase pós-revolução industrial, momento em que as classes defensoras dos
trabalhadores começaram a cobrar momentos e espaços de lazer. Melo (2003, apud VILELA,
2006, p. 2) afirma que
é ponto comum o fato de que o lazer é um fenômeno moderno, surgido com
a artificialização do tempo de trabalho típico do modelo de produção fabril
desenvolvido a partir da Revolução Industrial. Neste sentido ele tem-se
mostrado um campo de tensões, para esta compreensão basta entendermos
que o tempo livre maior aparece não como concessão dos donos dos meios
de produção, mas sim como conquista das organizações das classes
trabalhadoras.
Mas por que o Lazer nunca foi oferecido de livre e espontânea vontade pelos donos de
indústrias e comércio? Talvez essa pergunta possa ser respondida pelo viés da alienação, pois
assim, os donos dos meios de produção estariam evitando que pessoas de diferentes categorias
conversassem e trocassem ideias sobre as realidades vividas em outros setores, evitando
assim, possíveis conflitos com seus patrões. Segundo Vilela (2006, p. 3), evitando o acesso ao
17
Lazer, pode-se ter uma ofuscação de conhecimento, o qual se envolvidos com a prática,
poderiam ter contato com “qualidade de vida, bem estar físico, mental e social”.
Antes de entrarmos no debate sobre o papel da EF em relação ao Lazer, trazemos uma
reflexão feita por Carvalho (2006, p. 41), em que a autora sintetiza o Lazer como fenômeno
cultural e social com a seguinte afirmação:
Como prática social ele se traduz como atividade humana construída
historicamente com a intenção de dar respostas às necessidades sociais,
identificadas pelos que fazem a história do seu tempo a partir das condições
objetivas nele presente. E a capacidade de inventar maneiras de ser e de
viver permite identificar diferentes manifestações do lazer e do lúdico em
nosso meio - que se reflete tanto nas condições de vida (de moradia, de
trabalho, de saúde, de educação) como nos valores pessoais e coletivos.
Dentre as inúmeras formas, é o fazer junto com o outro e o conjunto de
significados que se atribui ao fazer que se constitui o humano do coletivo, e
é nesse sentido que o lazer é compreendido como um fenômeno
sociocultural, uma manifestação humana, um direito de todo cidadão.
Mas como repassar estes conceitos de Lazer como fenômeno social e cultural aos
nossos alunos, visto que a discussão é ampla e complexa? Para isso, tentaremos entender
como o tema pode ser ensinado/abordado/discutido nas aulas de EF através de uma busca
bibliográfica sobre o assunto.
1.3 QUAL É O PAPEL DA EF EM RELAÇÃO AO LAZER?
A compreensão do fenômeno social e cultural do Lazer nos leva a pensar como esse
conhecimento deve chegar aos alunos. Qual a relação entre a EF escolar e o lazer? Bracht
(2003, p. 147) aprofunda a reflexão ao questionar: “lazer é ou deve ser uma referência
fundamental para a teoria e a prática da EF quanto componente curricular?”.
Explicar o lazer como tema a ser tratado na escola sem o apoio dado pela cultura
parece uma tarefa inviável, visto que o Lazer se constitui através da evolução sócio, histórica
e cultural da sociedade. Forquin (1993, apud BRACHT, 2003, p. 148) afirma que
a responsabilidade de ter que transmitir e perpetuar a experiência humana
considerada cultura, é o que justifica fundamentalmente o empreendimento
educativo. A cultura é o conteúdo substancial da educação, sua fonte e sua
justificação última.
Outro tipo de abordagem feita por Bracht (2003) revela que o Lazer não deveria ser
um tema específico da EF. Mas sim abordado por toda escola, de forma a reconhecê-la como
um direito do cidadão. E mais do que isso, atrelar ao Lazer o significado de “nobre e
18
importante, o que implica colocar em questão as próprias finalidades sociais da instituição
escolar” (BRACHT, 2003, p. 164).
Em uma abordagem crítica sobre o modelo atual de ensino, Bracht (2003, p. 165)
afirma que a “atual cultura escolar privilegia os saberes conceituais”. Na visão do autor,
chegou o tempo de mudar esta concepção e propiciar “um maior espaço para outras
linguagens, como a arte e o movimento” (p.165).
A crítica do autor vem seguida de outros significados sobre a educação em geral.
Abordando a perspectiva tecnicista da educação, “que objetiva tão somente o rendimento no
trabalho ou a preparação para o vestibular, tende a negar a necessidade da preparação para a
vida no seu sentido amplo” (BRACHT, 2003, p. 167). A relação feita pelo autor sobre o atual
momento da educação e o Lazer tenta explicar alguns pontos cruciais. Dentre eles destacamos
um: como fazer um cidadão ter o seu momento, ou a capacidade de reconhecer o seu
espaço/tempo de Lazer se durante sua passagem na escola ele não teve aproximação com o
tema ou com práticas corporais envolvidas pela CCM que possam mesmo que de forma
mínima, propiciar momentos de Lazer?
Muito mais do que esse questionamento, podemos discutir também como o Lazer pode
ser aproveitado/praticado. Porque tempo livre disponível para o Lazer grande parte da
população tem, o maior problema estaria em como fazer o indivíduo reconhecer este espaço
como um momento em que é dono do seu tempo, em que pode escolher a forma com que vai
utilizar este tempo livre. E principalmente, munir este indivíduo de conhecimento para que
tenha a oportunidade de fazer escolhas mais saudáveis, de forma mais autônoma, bem como
lutar por espaços onde possa ter possibilidades de praticar o Lazer.
Outra abordagem feita pelo autor nos faz perceber que existem sim formas de fazer o
indivíduo reconhecer a temática do Lazer dentro da escola e de aplicá-las em outros
momentos. Bracht (2003, p. 167) destaca que
a escola também tem a tarefa de ajudar a continuar a dar vida à cultura
(lúdica), mas a partir de um outro entendimento da relação cultura-trabalho;
entendendo cultura como um conceito produtivo: criar, produzir cultura,
tarefas de sujeitos e não meros consumidores de produtos.
Em outras palavras, o autor defende a ideia de que devemos ajudar na formação de
sujeitos autônomos e críticos, de forma que o indivíduo não seja um alienado do sistema
atual. Também fica o legado de que não cabe somente à área de EF trabalhar o Lazer, mas sim
a todo ambiente escolar.
19
Outros autores apresentam argumentos na mesma linha de Bracht. Darido (2001,
p.15), citando o PCN, defende que cabe ao ensino abrir as portas para que os alunos possam
“reivindicar, organizar e interferir no espaço de forma autônoma, bem como reivindicar locais
adequados para promover atividades corporais de lazer”.
Fazendo relação com a última citação, em proposta organizada por González e Fraga
(2012, p. 88), os autores buscam articular Lazer e EF. Os estudiosos propõem na construção
de uma UD, que seja feita uma pesquisa para “identificar locais disponíveis no bairro e
materiais (oficinas e alternativos) necessários para a prática”, além da ideia de confeccionar
um “cadastro dos espaços públicos próximos ao local de residência dos alunos em que podem
ser realizadas as práticas corporais em estudo”.
Seguindo sua linha de pensamento, em uma abordagem sobre os conteúdos a serem
trabalhados, Darido (2001, p. 21) argumenta que a EF também tem o papel de mostrar o
esporte (por ser a forma de lazer mais difundida no Brasil). Porém “com intenções de lazer” e
com a intenção da profissionalização, para que se possa ter a diferenciação necessária entre o
“esporte da rua” e o esporte profissional.
Não somente nos esportes, mas em todos os campos da CCM deveríamos propiciar
momentos em que os sujeitos fossem críticos quando a sua prática. Podendo assim, decidir se
aquela prática lhe faz bem e se traz algum benefício para a sua vida. Nesse sentido, para
González e Fraga (2012, p. 85) a EF deve proporcionar que “ao longo dos anos finais do
ensino fundamental, os alunos adquiram um nível de proficiência que potencialize seu
envolvimento em atividades recreativas no contexto do lazer e amplie suas redes de
sociabilidade”.
Após fazer a relação entre o que a EF deve propor nas aulas, o que o Lazer carrega
como fenômeno social e cultural e o que se defende em relação ao Lazer nas aulas de EF,
passaremos a estudar as vivências das aulas de EF em que foi tematizado o Lazer.
1.4 O LAZER NAS AULAS DE EF: ALGUMAS EXPERIÊNCIAS
Neste tópico iremos abordar a forma como o Lazer vem sendo trabalhado nas aulas de
EF. Nosso objetivo é verificar como ocorre a aproximação com o tema, como ele é tratado e
como é visto por pesquisadores da área. Em muitos casos relatados, é difícil entender o que
realmente acontece nas aulas, mas as proposições feitas sobre o tema levam-nos a crer que,
quando é trabalhado o tema, é abordado através de conceitos teóricos, com pouca ligação com
a prática, como o que se verifica no PCN (1997) e em Marcellino (1995).
20
Dentre as justificativas para se trabalhar o Lazer nas aulas de EF, encontramos em
Oliveira (s.d.), um discurso muito interessante. A autora afirma que
a discussão sobre o lazer no tempo livre também pode ser abordada durante
as aulas. A partir da realidade vivida pelos alunos, podemos problematizar
mudanças nos modos de produção do cotidiano, enfatizando o aumento do
tempo livre e a possibilidade de sua utilização para o desenvolvimento da
criatividade humana por intermédio da cultura corporal, além das questões
sociais acerca do lazer e suas barreiras em razão das diferenças sociais
(MARCELLINO, 1995, apud, OLIVEIRA, s.d.,).
Notamos o interesse da docente em descentralizar o tema lazer apenas no tempo livre,
já que aborda diversos aspectos relacionados, como a criatividade e as questões sociais
atreladas ao que o lazer desencadeia. Apesar do bom exemplo citado acima, parece existir um
desconforto – talvez por falta de conhecimento – por parte dos docentes em geral quanto à
tematização do Lazer nas aulas de EF.
Em um estudo sobre aulas de EF em que é tematizado o Lazer, Martins (2010, p. 94)
comenta que
é certo que ao ter a cultura corporal de movimento como objeto de estudo da
Educação Física, e principalmente quando temos os esportes, os jogos, as
danças, as lutas e as ginásticas como as manifestações que representariam a
parcela desta cultura que seria de sua responsabilidade no trato pedagógico
na escola, a Educação Física têm a possibilidade de assumir uma forte
relação com o Lazer.
Assim, apesar do esforço para ser tematizado o Lazer nas aulas de EF, muitos docentes
têm encontrado dificuldades principalmente em como tematizar o assunto, pois para os
discentes o “lazer está associado ao não fazer nada, ao brincar, ao prazer, a satisfação, ao não
produzir, o descanso, a diversão, ao estar com os outros, e a aprendizagem – uma
multiplicidade de significados” (MARTINS, 2010, p.94).
Para agravar a situação, em um grupo estudado pelo mesmo autor, uma
característica gera preocupação, ou seja, nota-se que “em parte ou no todo, as aulas de EF
deste grupo são classificadas pelos alunos como Lazer, pois trazem algumas destas
características (citadas acima)” (MARTINS, 2010, p. 94). Talvez a explicação para este
fenômeno esteja na ausência da temática Lazer nas aulas de EF, ou até mesmo na não
existência de um significado para as aulas de EF.
21
1.5 A RENOVAÇÃO DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: POSSIBILIDADES E
ENTRAVES
Para que seja possível a introdução da temática do Lazer nas aulas de EF são
necessárias algumas quebras de paradigmas em relação ao que tradicionalmente se faz na EF.
Paradigmas estes que devem ser superados tanto por professores como por alunos, visto que
só existe aula com ensino/aprendizado se existir interação entre docentes e discentes. Porém,
ao tratar mais especificamente sobre o assunto, algumas ponderações são necessárias sobre as
possibilidades e os entraves ao inovar.
Vários são os fatores que influenciam na renovação das aulas de EF. Dentre as
possibilidades (facilitadores) a literatura aponta o planejamento, a metodologia de trabalho e a
formação inicial, continuada e as disposições pessoais de quem assume o desafio. Enquanto
como entraves, aparecem a tradição da área e a concepção que muitos alunos têm sobre a EF,
oriunda da própria história da disciplina.
Dentre os facilitadores que potencializam o investimento pedagógico apresentamos o
caso de uma professora. A docente continua motivada a planejar e trabalhar (estando a poucos
anos de se aposentar) e tem a EF vista pelos alunos como uma matéria tão importante quanto
os outros componentes curriculares (aqui destacado o planejamento e as disposições pessoais
frente à EF). Uma das características observadas pelos pesquisadores é que nas aulas dela
os alunos têm cadernos específicos para serem utilizados durante as aulas
teóricas e práticas de Educação Física, assim como em qualquer outra
disciplina, e a professora solicita que eles os tragam sempre quando houver
aulas, pois ela pode não avisar antecipadamente sobre sua utilização
(GALVÃO, 2002, p. 69).
Cabe destacar que para o autor do artigo citado anteriormente, vários fatores em
comum são destaques no sucesso para a inovação pedagógica. Dentre eles, destacam o
planejamento da EF escolar bem estruturado (OLIVEIRA, 2004) e a metodologia utilizada
pelos professores são fatores comuns entre estes perfis de docentes. Destacam ainda que
quando os mesmos se utilizam da perspectiva de “abordar os conteúdos em suas diferentes
dimensões: conceitual, procedimental e atitudinal” (GALVÃO, 2002, p. 71) existe uma
potencial facilitação em relação à sequência e desenvolvimento do trabalho pedagógico.
É obvio que não existem apenas facilitadores no dia a dia da EF que tenta inovar em
sala de aula. Pois muitos são os casos em que professores são desafiados pela própria tradição
da EF ao tentar inovar. Uma das principais dificuldades encontradas pelos professores vem da
concepção do próprio aluno em relação ao componente curricular, em que
22
os significados pessoais atribuídos à aula de Educação Física, as
experiências anteriores com outros professores e em outras escolas, além da
influência de outros aparatos, espaços e instituições que tratam das
manifestações da cultura corporal, constituem elementos que perpassam o
trabalho docente dos professores de Educação Física diariamente
(WITTIZORECKI; MOLINA NETO, 2005, p. 62).
Porém, o aluno não pode ser responsabilizado sozinho neste momento, pois
normalmente, nestes casos, ele está acostumado com a cultura escolar da EF (Tradicional).
Sendo assim
é lógico que quando os alunos já experienciaram por muitos anos uma
prática pedagógica de Educação Física em que o jogar bola correspondia
quase a totalidade do tempo da aula, possivelmente vão ter alguma
dificuldade até se adaptar a um novo método, ou melhor, a uma nova
perspectiva (SILVA, 2008 p. 64).
Cabe aqui ressaltar que o desafio de inovar na EF não é tarefa fácil, porém não é
impossível. Os estudos sobre o caso coincidem em apontar que se o professor apropriou-se de
conhecimento específicos na formação inicial, tem a consciência de que o planejamento é
fundamental, que a sua metodologia de trabalho é o que dará ritmo a seu trabalho e que o
conteúdo a ser trabalhado deve ser seu forte em sala de aula, ele terá (deveria ter) plenas
condições de inovar nas aulas de EF. Sobre a preocupação com a abordagem da formação
inicial como um dos fatores fundamentais na inovação, vale destacar que
é impossível não admitir que, se o curso de formação inicial não obtiver
êxito no que se refere à compreensão e ao reconhecimento por parte dos
acadêmicos acerca da importância da perspectiva da Educação Física como
componente curricular, e se, ainda, não muni-los com saberes/conhecimentos
para que possam desenvolver esta ideia em suas futuras práticas
pedagógicas, cresce consideravelmente a probabilidade de que esses sujeitos
venham a repetir apenas o que sabem, o que experienciaram ao longo de
suas trajetórias como alunos (SILVA, 2008, p. 73).
Porém não é apenas a formação inicial que pode potencializar a inovação pedagógica
nas aulas de EF. Destaco outro fator importante, a formação continuada, que segundo Silva
(2008, p. 125) “favorece a qualificação da prática pedagógica do professor”. O mesmo autor
ainda destaca que a formação continuada apresenta para o docente “outras maneiras possíveis
de se realizar a prática pedagógica em Educação Física” (p.126). Sendo assim, professores
que buscam conhecimento, mesmo após terem concluído a graduação, têm grandes chances
de qualificarem suas práticas, tendo assim, um provável diferencial em sua atuação docente.
Retomando a perspectiva de pouca apropriação de conhecimento na formação inicial,
surgem os primeiros vícios encontrados no discurso de professores com perfil diferente dos
23
inovadores. Normalmente afirmam que não existem matérias suficientes para que seja
possível realizar algumas práticas (não posso deixar de concordar, pois em várias escolas a
que tive acesso durante a graduação, realmente, apresentam poucos materiais disponíveis),
porém não me sinto confortável ao aceitar isso como um real motivo. Sabe-se hoje que a EF
na perspectiva da inovação aceita e até indica a adaptação de materiais. Mas não posso deixar
de concordar e citar uma indagação feita por Silva (2008, p. 65): “se falta material até para
ensinar os esportes tradicionais, como ensinar outros, que inclusive para os professores são
desconhecidos?”.
Sobre a falta de materiais, Silva (2008, p. 66) traz algumas ponderações próximas ao
que penso sobre o assunto. O autor destaca que
realizar a prática pedagógica em Educação Física na perspectiva da
construção do conhecimento dispensa que a escola tenha todos os materiais
oficiais do esporte ou da atividade a ser desenvolvida, pois nessa perspectiva
não é a melhoria das condições técnicas do aluno que se está priorizando, e
sim a vivência por parte do aluno daquela manifestação da Cultura Corporal
de Movimento de nossa sociedade.
Vale salientar que são necessárias ainda algumas reflexões: como trabalhar o Lazer na
perspectiva da inovação em aulas de EF que normalmente tem seus encontros no formato
tradicional? Ele deveria ser um conteúdo específico ou um tema transversal? Como favorecer
a tomada de consciência sobre a importância do Lazer na vida da sociedade? Essas e outras
perguntas geraram dúvidas durante o estudo que será apresentado.
24
2 ESCOLHAS METODOLÓGICAS
Tendo como guia central os objetivos anteriormente citados, a pesquisa configura-se
como descritiva, porém, em relação ao seu desenvolvimento, com base nos procedimentos
técnicos utilizados para realizar a coleta de dados, essa investigação ocorreu na forma de
pesquisa-ação. Esta é considerada por Thiollent (1985, p. 14 apud GIL, 2007, p. 55), como:
[...] um tipo de pesquisa empírica que é concebida e realizada em estreita
associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no
qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do
problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
No caso desta investigação, a pesquisa-ação relatou o desenvolvimento de uma UD
tematizando o Lazer dentro de aulas regulares de EF de uma turma de Ensino Médio de uma
escola de regime Militar, abrangendo uma metodologia de ensino aberta.
Paralelamente ao desenvolvimento da UD de Lazer, também foi trabalhado o
treinamento de aptidão física, pois por tratar-se de uma instituição militar tem em seus
parâmetros de avaliação o Teste de Aptidão Física (TAF), sendo então necessário destinar um
tempo dentro das aulas para tal treinamento.
2.1 CRITÉRIOS DE ESCOLHA DA ESCOLA
Para selecionar a escola em que foi aplicado a UD que tematiza o Lazer, usamos um
critério simples. A instituição foi escolhida por já estar engajada em um estudo realizado pelo
mesmo pesquisador deste caso, porém nesse outro caso, tenta entender os fenômenos que
potencializam ou não a reformulação do currículo de EF na escola.
2.2 SUJEITOS DA PESQUISA
Para esta pesquisa-ação, foram observados os alunos de uma turma do 2º Ano de
Ensino Médio de uma Escola Militar do noroeste do estado do Rio Grande do Sul. São vinte e
três (23) alunos (12 meninas e 11 meninos) com idade média de dezesseis anos, oriundos de
diversas classes sociais, provenientes da cidade sede da escola e de várias cidades vizinhas da
região. A turma tem uma professora regente de EF, essa, após oito horas de observações para
diagnóstico do ambiente de pesquisa, pode ser caracterizada como uma professora com o
perfil de trabalho caracterizado pelo abandono docente (FARIA, et a., 2010), pois não
apresenta planejamento de aulas e nem uma sequência lógica de aulas e conteúdos, além de
25
ter suas aulas “comandadas” pelos alunos, onde os mesmos tem poder de decisão sobre o que
farão em cada um dos encontros.
2.3 PROCEDIMENTOS
A pesquisa teve dez (10) encontros, com três meses de duração, momento em que fez
trabalho duplo com o componente curricular Estágio Supervisionado em EF III. As aulas
foram ministradas pelo próprio pesquisador duas vezes por semana, sempre ocorriam nas
segundas e sextas-feiras, das 07h45min até as 09h25min.
2.3.1 Coleta de dados
A coleta de dados foi realizada através do conhecimento dos alunos adquiridos ao
transcorrer da UD. Após expormos quais os objetivos da UD, trabalhei com alguns sub-eixos
em forma de seminário: 1) Quais as políticas públicas Federal, Estadual, Municipal
relacionadas ao lazer; 2) Entrevistas com vereadores sobre o lazer em Ijuí; 3) Entrevistas com
a população para saber o que acham dos espaços de lazer em Ijuí; 4) Qual a verba destinada
para o lazer em Ijuí; 5) Quais os espaços públicos de lazer em Ijuí; 6) Quais os espaços
privados de lazer em Ijuí; 7) O lazer na praça da república de Ijuí.
Este seminário serviu de ferramenta avaliativa para a pesquisa como forma de analisar
se é possível fazer intervenções desta maneira, além de também servir como ferramenta
avaliativa dentro da UD.
Após a realização das aulas pré-estabelecidas para a UD, foi realizada uma avaliação
sistematizadora. Esta teve como eixo principal entender o que os alunos aprenderam sobre os
conteúdos trabalhados na UD e o que essas aulas trouxeram de valores para a sua vida.
Entretanto, também observei os entraves e as possibilidades encontradas pelos alunos e pelo
pesquisador durante o período de pesquisa relativo ao desenvolvimento da UD sobre Lazer.
2.3.2 Instrumentos da pesquisa
Para que fosse possível captar dados para serem analisados nesta pesquisa, utilizei
algumas ferramentas que auxiliaram na reflexão a partir dos objetivos traçados para este
estudo. Dentre as ferramentas destacaremos dois pontos, o primeiro está relacionado ao que o
aluno aprendeu durante o período da pesquisa e o segundo a tentativa de identificar qual o
nível de aceitação dos alunos em relação ao conteúdo.
26
Cabe aqui destacar que para o primeiro ponto comentado foi dado ênfase para dois
tipos de avaliação. A primeira condiz com apresentação de seminário temático relacionado ao
Lazer, em que a preocupação maior da avaliação dos dados esteve centrada no domínio
conceitual desenvolvido pelos estudantes sobre a temática do Lazer. A segunda parte foi uma
avaliação final sistematizadora, dissertativa/objetiva, em que tive a possibilidade de avaliar e
analisar o que o aluno captou/aprendeu durante o desenvolvimento da UD.
O segundo ponto a ser considerado neste estudo esteve centrado em entender qual a
aceitação dos alunos em relação às aulas que tematizam o Lazer. Para tal, foi elaborado um
conjunto de banco de dados que serviram de bases para avaliação: questionário de opinião,
registro de atitudes e comentários durante as aulas em um diário de campo.
27
3 RESULTADOS
Nesta etapa do trabalho, realizarei a apresentação dos resultados dos dados coletados.
A discussão será pautada em três pontos fundamentais do que foi observado nas aulas: (a) as
minhas percepções; (b) os comentários dos alunos; (c) o resultado dos trabalhos e avaliações
realizadas durante o período de intervenção para o desenvolvimento da UD proposta.
Ao introduzir a primeira aula ministrada da UD, deparei-me com alguns
atravessamentos poucos positivos da cultura escolar no que se refere ao não uso do caderno
nas aulas de EF pela professora regente. Muitos alunos não se preocuparam em pegar o
caderno para anotar as informações passadas logo no início da aula, as quais davam conta da
organização que teríamos para as próximas oito aulas. Aos poucos alguns alunos começaram
a reclamar: “nunca vi usar caderno”, “pra que isso?”, “e o futebol?”.
Expliquei que durante o período em que eu estivesse ali, eles teriam que utilizar
sempre o caderno, pois trabalharia com muitas informações essenciais para eles. Antes de
introduzir o conteúdo tematizando o Lazer, perguntei qual o entendimento que os alunos
tinham do tema. Como resposta, escutei: “não fazer nada”, “dormir, comer”, “jogar play”,
“viajar”, “caminhar”, “jogar futebol”, “jogar basquete”, “correr” e “ler” (Fragmentos do
Diário de Campo, 06/09/2013). Porém a resposta mais marcante foi a que apareceu por
último: “aula de EF!”. Após questionar o aluno sobre os porquês daquela resposta, escutei que
aquele era o “momento de relaxar, de liberar as energias, de jogar um futebolzinho malandro”
(Fragmentos do Diário de Campo, 06/09/2013).
Após conceituar o Lazer através de constante debate e construção com os discentes,
passei uma atividade (Tema de casa) em que os alunos deveriam pesquisar em uma praça
próxima às suas casas as condições estruturais do espaço. Eles deveriam basear-se na tabela
de Angelis et. al. (2004, apud GONZÁLEZ; FRAGA, p. 201, 2012) em que pontos como
equipamentos e espaços para práticas corporais são analisados. O retorno após uma semana
(primeira semana de Setembro de 2013) me proporcionou uma grata surpresa, todos
demonstraram ter feito o tema, o que quando apresentado em sala acabou gerando uma bela
discussão em torno dos espaços de Lazer perto das suas casas. Os espaços mais observados
foram praças e clubes das diversas cidades da região das quais os alunos fazem parte.
A discussão foi permeada pela diferença existente entre os espaços públicos e os
espaços privados de Lazer. Ficou nítida a percepção que os alunos encontraram na
comparação entre um tipo de espaço e outro. Porém, ao retratar o que poderiam fazer neste
espaço, aconteceram algumas “confusões” quanto aos conceitos. Para poder balizar a
28
discussão entre jogo, esportes, atividades físicas e exercícios, acabei optando por conceituar
cada um, para que em outras situações o diálogo entre eu e os alunos fosse um pouco mais
claro.
Durante cerca de quarenta minutos, conversamos e apresentei os conceitos e as
características que diferenciam jogos, esportes, atividades e exercícios físicos. No início, eles
tiveram algumas dificuldades para trabalhar com os conceitos, mas aos poucos, após notarem
a diferença, começaram a falar: “Na praça que fulano observou só tem espaço pra jogos, não
para esportes”, “então a diferença entre a academia que a gente paga e essas públicas é que
um exercício planejado e a outra não!”. Poder participar desta construção de conceitos e
transmitir significados para que, minimamente, os alunos se localizem, quando estiverem “de
frente” com alguma prática corporal, produziu-me uma satisfação profissional muito positiva.
Na segunda parte da aula, após o recreio, estava programado um circuito training. Sete
estações de trinta segundos cada, visando trabalhar força e resistência. Após um rápido
aquecimento com a brincadeira do rouba-rabo e alongamentos passamos para a atividade
principal que foi realizada na rua frontal da escola. Todos os alunos participaram ativamente
dos exercícios propostos, após o final de cada rodada eram liberados para tomar água.
Como se trata de uma escola em que o Teste de Aptidão Física é um dos elementos
avaliativos, achei necessário incluir na UD um momento de treinamento. Durante a realização
dos exercícios propostos para este dia, alguns comentários foram surgindo. O principal e mais
surpreendente foi de uma menina: “Nossa, eu estou ficando cansada, mas isso é bom, pelo
menos estamos treinando para o TAF, a gente nunca fez isso”. O comentário surtiu certo
constrangimento por parte da professora de EF da turma que estava perto da aluna.
Ao final da segunda volta do circuito, criou-se uma certa tensão com a professora.
Faltavam 25 minutos para o final da aula quando ela me chamou para um canto e avisou que
falaria para os alunos irem para o banheiro tomar banho para ficarem prontos para a outra
aula. Argumentei que não, que eu ainda estava dando aula, e que os alunos tinham mais uma
volta do circuito para fazer. Avalio que a professora gostaria de mandar os alunos para o
banheiro por dois motivos: o primeiro relacionado a não correr o risco de ter a sua atenção
chamada por conta do horário, e o segundo, para não deixar os alunos concluírem o
treinamento.
Após terminar as três voltas propostas para o circuito, fizeram um breve alongamento
e então liberei os alunos para que pudessem tomar banho, pois faltavam apenas 10 minutos
para a troca do período. Ao final, ouvi alguns alunos reclamando de cansaço, de sede, de
fome. Questionei-me então se o condicionamento físico deles estaria abaixo do necessário ou
29
o treinamento teria sido muito forte. Acredito que uma soma de fatores influenciou para esse
acontecimento.
A terceira aula tinha como programação uma visita à Praça da República de Ijuí. Logo
no início da aula, entreguei novamente o questionário Levantamento dos equipamentos e
estruturas existentes indicadas por Angelis et. Al. (2004, apud GONZÁLEZ; FRAGA, 2012,
p. 201). Fizemos novamente a leitura de todo o questionário para que durante a visita não
surgisse nenhuma dúvida que atrapalhasse o andamento da pesquisa.
Um dos protocolos a ser seguido para sair com os alunos para ambientes externos a
escola é a organização. Neste dia, do lado de fora da escola, a turma foi colocada em forma
para que o deslocamento fosse feito de forma rápida (caminhando) e organizada. Ao longo do
percurso que liga a escola à praça, a chefe de turma (uma aluna) me confidenciou algumas
informações. A que mais me chamou a atenção foi a de que a turma inicialmente havia
estranhado a minha metodologia de trabalho. Mas que na segunda aula em que as “coisas”
começaram a fazer sentido, a grande maioria começou a gostar. Segundo ela, deixar de ter
“atividades” na EF e passar a ter aula fez com que ela percebesse que a disciplina tem muita
coisa para ensinar.
Quinze minutos depois de termos saído da escola, chegamos à praça. Lá todos estavam
com canetas, cadernos e questionários em punho, rapidamente combinamos o horário de
retorno e então eles foram observar a praça. O questionário é dividido basicamente em duas
partes: a primeira trata da observação da estrutura em geral da praça e a segunda sobre as
áreas destinadas às práticas corporais sistematizadas.
Rapidamente os alunos se espalharam pela praça e começaram a contar bancos,
árvores, luminárias, pontos de ônibus, de táxi, etc. Aos poucos, alguns pequenos grupos foram
se formando e as discussões sobre o espaço começaram a surgir. Ouço um comentário: “Não
tem lancheria na praça, somente ao redor, então não faz parte da praça”. Outros comentários:
“Que banheiro sujo!”, “Não tem ponto de ônibus na praça”, “Mede 100 metros x 100 metros”,
“Não dá pra praticar esportes aqui”, “Tem 73 bancos, nossa!”.
Perto da área denominada de academia ao ar livre, alguns alunos sentaram e
começaram a refletir sobre aquele espaço. Será esta prática um momento de atividade ou de
exercício? Escuto uma aluna dizendo: “É um momento de atividade, porque não tem ninguém
orientando, nada é programado”, um aluno responde, “Depende, vai que alguém prescreveu
um exercício com um objetivo, lembra do que o professor falou?”.
Ao final da observação, reuni todos os alunos e falei que eles deveriam analisar e
refletir sobre o que haviam encontrado na primeira praça que haviam observado (Tema de
30
casa da 1ª aula) e o que mudava em relação a esta. A discussão em torno disso ficaria para a
próxima aula, pois já era hora de voltar à escola. Novamente a turma entrou em forma e
retornamos para o educandário.
A proposta para o quarto encontro estava dividida em três partes: a) discussão sobre a
visita à Praça da República feita na última aula, b) montagem de grupos para realização de um
seminário e c) um circuito training após o intervalo.
Na primeira parte da aula, fui surpreendido pela adesão da turma em discutir sobre o
espaço visitado na última aula. Foram cerca de quarenta minutos em que discutimos ponto a
ponto do questionário. O ponto que ganhou maior destaque foi a estrutura referente às práticas
corporais sistematizadas. Após discutirem e perceberem que a Praça da República não
colocava à disposição quadras de esportes, locais próprios para caminhadas ou corridas, pista
de skate ou ciclo faixas, fui indagado sobre os motivos dessa inexistência. Devolvi a pergunta
para os alunos, desafiando-os a pensarem sobre.
Alguns apontamentos começaram a surgir: “É uma praça que visa o encontro de
pessoas, não de práticas corporais”; “Foi pensado com a finalidade de serem realizados
eventos cívicos e festivos”; “Esporte no centro poderia atrair muitas pessoas, e com certeza
faltaria espaço para todos”. Gostei muito desta discussão em que grande parte da turma se
propôs a participar, discutindo e refletindo sobre o espaço, poder “provocá-los” neste eixo foi
uma experiência fantástica. Partindo para a segunda parte da aula, pedi que fossem montados
seis grandes grupos.
Após a divisão, apresentei os temas propostos e foi realizado o sorteio de cada tema
por grupo. Após terem os seus temas definidos, os grupos deveriam conversar um pouco
sobre o assunto e montar um pré-roteiro do que fariam durante o trabalho. Esta atividade
deveria ser entregue para posterior avaliação. Após todos terem entregado o trabalho inicial,
combinei as datas de apresentações e o sinal para o intervalo soou. Ficou combinado de nos
encontrarmos no saguão da escola para realizar o circuito training após o recreio.
Logo após o término do intervalo, fizemos um aquecimento com uma brincadeira:
let’s-cola. Após dez minutos da atividade, foram liberados para a água e no retorno, foi
realizado o alongamento. Este dia o circuito training foi realizado dentro do saguão da escola,
pois as condições climáticas não permitiam atividades em ambientes abertos.
O Circuito Training foi novamente de tempo fixo: sete estações, trinta segundos, três
voltas. Neste dia o objetivo era estimular a resistência localizada de membros inferiores. Pela
característica do trabalho, alguns alunos demonstraram fadiga muscular logo no final de
primeira volta no circuito, porém, expliquei que seria interessante eles continuarem fazendo
31
os exercícios para que realmente fosse trabalhada a resistência muscular localizada.
Novamente ao final de cada volta os alunos eram liberados para tomar água. Neste dia, a
professora não se manifestou, e até me ajudou com alguns alunos que demonstravam
dificuldades motoras em alguns exercícios. Ao final da aula, reuni os alunos e me coloquei à
disposição para dúvidas referentes ao trabalho (seminário). Algumas dúvidas referentes ao
tipo de apresentação e tempo de duração da mesma foram respondidas. Questionei os alunos
sobre o cansaço durante a aula, se notaram alguma evolução ou algo assim, a resposta mais
ouvida foi de que cansaram do “Meio pro fim”, mas que estava sendo “Legal” treinar para o
TAF, que provavelmente não iriam sofrer tanto na hora da prova.
O quinto encontro ocorreu somente uma semana após o último, por conta do feriado
alusivo à Revolução Farroupilha. Ao introduzir as atividades, realizei a mesma pergunta que
eu havia feio no início da primeira aula: O que é Lazer? Escutei respostas totalmente
diferentes. “Fazer algo que te faça bem, uma prática de esportes ou jogos, exercícios ou
atividades, mas sem muita responsabilidade, que traga um bem estar”, “e saber reconhecer os
espaços de lazer, se está bom ou não”, entre outras.
Fui desenvolvendo o planejamento, perguntando e obtendo respostas: Como praticar o
Lazer? Um esportista profissional tem na sua profissão ou momento de Lazer ou não? Como
resposta, obtive: “Não professor! Ele recebe por isso, o lazer só deve trazer satisfação
pessoal”. Posso ter um momento de Lazer no trabalho? “Depende, mesmo que tu goste do teu
trabalho, tu recebe pra fazer aquilo, se no intervalo você joga um ping-pong você está tendo
um momento de lazer”. Poder analisar a evolução dos alunos dentro de quatro aulas é muito
bom, sair do “meu principal lazer é dormir” para essas ponderações que apareceram nesse,
deixaram-me satisfeito.
Na metade do primeiro período de aula perguntei se o Lazer pode promover saúde.
Alguns falaram que sim, outros que não. Começamos a discutir sobre o tema e surgiram
algumas ideias: “Não passar fome”; “Não ter doença”; “Viver em paz”. Comentei que tudo
isso faz parte sim, mas que nada é saúde isoladamente. Entreguei cópias do texto Saúde na
definição da OMS, o qual aborda a ideia de saúde através de três eixos: física, mental e social.
Após a leitura e interpretação do texto fiz algumas perguntas relacionadas ao tema.
Não ter doença? Ser feliz? Ter amigos? Ter comida no prato todos os dias? Ter uma casa? Ter
uma cama? Ter uma televisão? Ter um celular? Tudo isso me assegura ter saúde? As
respostas levaram cerca de vinte segundos para começarem a aparecer. Alguns conseguiram
fazer um gancho entre o texto e as perguntas. “Nada é saúde isoladamente”, repetiu-me um
aluno.
32
A argumentação geral dos alunos veio ao encontro da ideia central do texto. “A saúde
depende de vários fatores, professor. Eu posso estar bem de saúde física e mental, mas se eu
tenho um amigo doente, isso vai afetar a minha mente e consequentemente o meu meio social,
então eu não posso afirmar que realmente tenho saúde se seguir esta ideia”. Fantástico!
Grande parte da turma ficou surpresa com a resposta apresentada por um dos alunos mais
participativos. Para terminar esta primeira parta da aula, antes do intervalo, informei que após
o recreio faríamos um circuito training nos mesmos moldes no primeiro realizado pela turma.
Após o recreio, realizamos o Circuito Training idêntico ao realizado na primeira aula.
A adesão a esta aula foi melhor do que no primeiro encontro. Algumas meninas que se
mostraram contrária à ideia inicial participaram com maior entusiasmo. Notei que grande
parte da turma teve uma leve melhora no condicionamento físico, pois demoraram mais do
que nas aulas anteriores para apresentar sintomas de fadiga. Um dos elementos foi de que
aceitaram fazer os circuitos sem tomar água no intervalo entre as voltas. Ao final da aula em
que realizávamos o Circuito Training, cada um dos grupos se tornava responsável por
recolher e guardar em ordem os materiais utilizados durante a aula.
Para o sexto encontro, estava programado uma palestra com o responsável pela
Secretaria de Desporto e Lazer do município de Ijuí. Porém o funcionário entrou em contato
para informar que não poderia se fazer presente. Para esta aula então, foi readequado o plano
de aula. Decidi que os alunos fariam um trabalho em grupo, que consistiu em dividir a turma
em três grupos, cada um deles ficaria responsável por criar um jogo que poderia ser utilizado
como uma prática de Lazer.
Vinte minutos da aula foi separado para a criação dos jogos em que foi
perceptível a participação dos alunos durante a montagem do grupo. Após este momento
inicial ocorreu o deslocamento da turma até um clube aquático (convênio entre o Clube e o
liceu) perto da escola onde normalmente são realizadas as atividades esportivas. O primeiro
grupo criou um jogo adaptado do basquete, denominado “Conebol”, uma espécie de basquete
com alvo móvel, em que o objetivo do jogo era fazer cesta no cone segurado por um dos
alunos.
O segundo jogo foi o chamado “brusqueta”, uma mistura de let’s cola, kabaddi
e pac-man. Os participantes deveriam se deslocar apenas por cima das linhas da quadra em
que a aula foi desenvolvida. Enquanto isso, um participante era o pegador, que deveria colar
os participantes. Para serem descolados, os jogadores não colados deveriam passar por
debaixo da perna dos colados e falar “brusqueta”. Caso essa palavra não fosse dita, os dois
alunos estariam então colados.
33
O terceiro e último jogo consistiu em uma mistura da amarelinha com basquete, esta
disputa era em grupo. Cada grupo tinha direito a dez arremessos em que existia pontuação
para cesta sem “queimada”, “cesta picada sem queimada”, “cesta com queimada” e “cesta
picada com queimada”.
Ao final, como prática reflexiva, vários alunos comentaram que nunca haviam criado
um jogo assim, e que não imaginavam que um jogo poderia ser divertido e criado por eles
mesmos. Ao serem indagados se a prática deste dia havia sido um exercício, atividade, jogo
ou esporte surgiram algumas respostas diferentes entre atividades e jogos. Aproveitei para
relembrar o conceito de jogo. Também indaguei se aquela poderia ser uma prática de Lazer
entre eles ou entre grupos de fora da escola. Eles comentaram que poderia sim, “apesar de não
parecer tão normal criar um jogo”.
Cabe aqui ressaltar que a entrega de trabalho estava prevista para a próxima aula,
porém foi necessário transferir a data por conta da não realização da palestra, necessária para
que um dos grupos fizesse uma entrevista com o palestrante. Ao final da aula, os alunos
entraram em forma e retornaram para a escola.
Para o sétimo encontro o planejamento foi alterado, e a palestra acabou ocorrendo no
centro poliesportivo da cidade, para facilitar o acesso do palestrante, já que ele estaria em
horário de trabalho. Ao chegar à sala de aula, fui indagado pelos discentes se neste dia iríamos
mesmo ir até o Poliesportivo para assistirmos à palestra. Na sala de aula, fiz os
encaminhamentos necessários para que a visita fosse proveitosa, pedi que os alunos já fossem
formulando questões durante a primeira atividade de observação proposta para aquele espaço
para que posteriormente realizássemos as indagações para o nosso palestrante.
Ao chegarmos ao Poliesportivo, rapidamente os alunos pegaram o questionário já
utilizado na observação feita na praça da república e partiram para as observações. Trinta
minutos após o início das observações, chamei a turma até as arquibancadas para uma rápida
reflexão sobre o espaço em relação à Praça da República. Algumas boas ponderações sobre a
finalidade de cada um dos espaços e a preservação da estrutura apareceram, novamente a
discussão sobre a finalidade dos espaços se fez presente, foi unânime a discussão de que a
Praça da República tinha um fim mais social enquanto o Poliesportivo fazia jus ao próprio
nome.
Logo após essa discussão, o palestrante chegou e falou sobre as políticas públicas de
lazer em Ijuí e como funciona a Secretaria de Cultura, Desporto e Lazer. Ao abordar as
práticas esportivas, despertou o interesse dos alunos ao falar sobre a diferença entre Esportes
de Competição, Educacional e de Inclusão. Também falou sobre a possibilidade de melhorias
34
do esporte do Poliesportivo e sanou algumas dúvidas referentes à verba e formas de
investimentos na área do Esporte e Lazer em Ijuí.
Ao final, como forma de reflexão, falou da importância do jovem buscar
conhecimento sobre o Lazer, já que se trata de um tema extremamente amplo e importante
para a sociedade em geral. O palestrante destacou ainda que muito mais do que buscar
conhecer, cada um deve tentar praticar alguma atividade, exercício ou esporte como prática de
lazer, pois segundo ele: “Essas práticas são o remédio do futuro”.
Para finalizar, o líder da turma agradeceu pela oportunidade da palestra para eles
apresentada e juntamente com ele, agradeci pela disponibilidade do palestrante em nos
atender. Dentro do ônibus, ao retornar para a escola, informei que na próxima aula teríamos as
apresentações dos trabalhos.
Ao introduzir a oitava aula, solicitei que os grupos se organizassem para as
apresentações, limitado o tempo em quinze minutos por grupo, conforme orientações dadas
anteriormente. Rapidamente a turma se organizou e foi dado início à apresentação de
trabalhos, que fez parte da avaliação da UD. Abaixo seguem breves descrições por mim feitas
sobre as apresentações dos grupos.
1. Quais as políticas públicas Federais, Estaduais e Municipais relacionadas ao
lazer?
O grupo apresentou algumas políticas públicas de esporte e lazer do governo
federal e municipal. Escola Aberta, Segundo Tempo, e outros planos de
governos foram apresentados. Demonstraram também terem prestado bastante
atenção à palestra do Secretário de Esporte e Lazer, através de vários ganchos
feitos sobre os programas do município relacionados às práticas de esporte e
lazer.
2. Qual a verba destinada para o lazer em Ijuí? Como ela é distribuída?
Apesar de não terem apresentado as cifras envolvidas, o grupo demonstrou
uma boa organização na apresentação, tematizou a importância do
investimento no lazer, o alto preço dos esportes como práticas de lazer e a
administração do dinheiro destinado ao esporte e ao lazer em Ijuí.
3. Qual a visão da população Ijuiense sobre os espaços de lazer no Município?
Os alunos, por uma questão de tempo, optaram por realizar a pesquisa dentro
da escola. Os dados obtidos foram relevantes, o mais espantoso relata que
apenas duas meninas em toda a escola costumam ter práticas sistematizadas de
lazer. O tema foi bem introduzido, desenvolvido e concluído.
35
4. Quais os espaços públicos de lazer em Ijuí?
O grupo apresentou os locais da cidade em uma lista (praças, centros
comunitários, centros esportivos, etc). Excelentes reflexões e ponderações
sobre os espaços públicos de lazer em Ijuí foram realizadas pelo grupo.
Argumentaram que existem sim espaços de lazer em Ijuí, para as diversas
finalidades do lazer, mas que grande parte destes espaços tem estrutura
precária se for comparada aos resultados encontros nos espaços privados.
5. Quais os espaços privados de lazer em Ijuí?
Este grupo realizou uma bela pesquisa de campo, registraram toda a estrutura
com fotos e fizeram reflexões focadas sobre os clubes aquáticos privados
localizados dentro do espaço urbano de Ijuí.
6. O Lazer na Praça da República de Ijuí
Foram sintéticos e claros nos dados apresentados. O interessante foi a reflexão
feita sobre o “Domingo na praça”, em que relataram que carros com som alto e
muita ingestão de cerveja era o que mais era encontrado, os alunos
perguntaram para a turma se aquilo seria lazer e se estaria promovendo saúde
em algum dos três eixos estudados. Também apresentaram um vídeo
mostrando as várias atividades realizadas durante o segundo semestre na praça.
Acredito que este foi um dos melhores encontros com os alunos. Foi possível
perceber a notável evolução da turma, através das ricas apresentações e discussões, fazendome acreditar no trabalho proposto. Porém, mais do que isso, poder despertar o olhar crítico
dos alunos frente aos espaços de Lazer é muito satisfatório, pois um dos objetivos da UD era
justamente esse. Cabe aqui apresentar algumas falas que apareceram nos trabalhos escritos
pelos alunos: “são poucas as pessoas que disponibilizam tempo para prática de lazer”; “são
muitos aqueles que falam dos problemas que rodeiam a praça, porém são poucos os que
tomam a atitude de fazer algo para mudar”; “foi possível constatar vários problemas, como
falta de higiene em bebedouros e banheiros, falta de cuidados, como lixeiras quebradas, falta
de locais cobertos, etc.” (FRAGMENTOS DOS TRABALHOS DOS ALUNOS).
Para o próximo encontro estava programada a avaliação sistematizadora final
(Anexo 1). Os conteúdos estavam relacionados a tudo que foi trabalhado até esse momento:
Lazer e seus conceitos, espaços para Lazer, formas de Lazer e saúde e Lazer. Os alunos
durante a avaliação se mostraram tranquilos e conhecedores dos conceitos trabalhados, poucas
dúvidas surgiram durante a prova e não ocorreu nenhum imprevisto. Após correção das
provas ficou notável o conhecimento adquirido pelos alunos ao longo da UD.
36
Além da avaliação normal existia uma questão em separado que deveria ser
respondida anonimamente. O enunciado da questão trazia a seguinte frase: “Em uma folha em
separado, faça uma avaliação do período em que ministrei aulas de EF para você. Tente
avaliar o conteúdo, metodologia, relação aluno/professor, organização da aula, entre outros”.
Esta questão foi trabalhada desta maneira para que não houvesse constrangimento por parte
dos alunos. Abaixo seguem algumas respostas que chamaram a atenção:
1. Estávamos acostumados apenas com atividades práticas na Educação
Física, por isso, foi chato ter aulas teóricas. Mas aprendemos a encarar a
Educação Física como mais um componente curricular, o que antes não
acontecia. As práticas foram ligadas com a teoria, o que facilitou a
compreensão [...].
2. [...] Antes não tínhamos todo este olhar diferenciado. As aulas foram
organizadas, todos os alunos participaram o que foi um “milagre”!.
3. [...] É extremamente difícil dar aula de Educação Física, principalmente
para adolescentes, ainda mais os que fazem corpo mole, mas tenho certeza
que apesar das reclamações [das aulas teóricas], haverá um dia que sintam
saudades das aulas um pouco fora do normal, que sempre foi correr, flexões
e abdominais, porque sempre no final de algum ciclo algo bom há de vir[...].
4. [...] As suas aulas sim são boas, pois não ficamos parados sem fazer
nada ou sempre jogando a mesma coisa: “futebol”, sem ofensas ao esporte,
mas estava cansada de não fazer nada. Algumas pessoas podem não ter
gostado das aulas, pois tínhamos que colocar a “mão na massa”, mas se
tem Educação Física é para ser aprendido conteúdos e depois se praticar
para ter certeza se está fazendo certo ou não[...].
5. “Os quatro períodos semanais pareceram mais bem aproveitados, e
passaram a ser encarados (por mim) como aulas realmente, pois,
proporcionaram a cada nova semana, mais conhecimento e mais vontade de
aprender. O conteúdo, a metodologia e a organização das aulas romperam
aquele pensamento/visão banalizado da disciplina de Educação Física.
Compreendi o quão importante a mesma é, e os benefícios futuros que o
conhecimento proporcionado pela mesma podem me trazer”.
37
4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Para analisar e discutir os resultados anteriormente apresentados, delimitarei bem dois
pontos. O primeiro será discutir sobre os aspectos que dificultaram o desenvolvimento da UD
frente ao quadro de ensino tradicional da disciplina. Já no segundo irei analisar os aspectos
que potencializaram/facilitaram o desenvolvimento da UD frente ao quadro de ensino
tradicional da disciplina.
4.1 OS ASPECTOS QUE DIFICULTARAM O DESENVOLVIMENTO DA UD
Antes mesmo de iniciar a UD já notava que teria um grande desafio pela frente:
manter os alunos em sala durante as aulas teóricas para serem interligadas às práticas. Como
citado no início da apresentação dos resultados, esta dificuldade foi percebida durante as
observações iniciais das aulas da professora regente, antes mesmo de ocorrer a intervenção da
pesquisa, durante o período de diagnóstico da turma na qual foi realizado o estudo.
O principal ponto estava em romper com a situação de aulas tradicionais e tentar
ministrar aulas na perspectiva da inovação pedagógica. Sobre as características do trabalho da
professora regente destacamos o que Lang e González (2012), Farias et. al (2010)
encontraram em seus estudos e aqui novamente foi diagnosticado, e que pode ser
caracterizado como perfis de docentes em situação de desinvestimento pedagógico. O termo
destacado é usado para se referir àqueles professores que “abrem mão de seu compromisso
ético, político, pedagógico profissional de ensinar, porém continuam no emprego,
imobilizados ou por falta de opção ou por certo conformismo vinculado a sua estratégia de
sobrevivência no sistema” (SANTINI; MOLINA NETO, 2005, apud FENSTERSEIFER,
SILVA, 2011, p. 120).
O desinvestimento pedagógico pode ser caracterizado por vários fatores observados
durante o diagnóstico da turma. Dentre eles destaco: (a) a inexistência de planejamento e
sequência de conteúdos, (b) as várias atividades feitas ao mesmo tempo por escolha dos
alunos (em uma mesma aula e no mesmo momento chegou a ser verificados jogos de vôlei,
futsal, xadrez e também haviam algumas alunas pulando corda) e (c) pelo não uso de caderno
em sala de aula.
Portanto, ao assumir uma proposta de trabalho diferente da tradicional surge a
necessidade de superar e ressignificar as aulas de EF. Sendo assim, assumindo “um novo
38
posicionamento, uma nova atitude do professor e dos alunos em relação ao conteúdo e à
sociedade: o conhecimento escolar passa a ser teórico-prático” (GASPARIN, 2003, p. 2).
Tentar introduzir a UD na perspectiva da EF como disciplina escolar, com um
conteúdo muito pouco conhecido pelos alunos também foi um dos entraves encontrados.
Inicialmente discutir sobre lazer, jogos, esportes, exercícios, atividades e saúde foi
extremamente difícil, pois a história3 da EF na escola deixava os conceitos se limitando a
prática pela prática (quase sempre esportiva). Porém, nesta nova perspectiva de EF, faz-se
necessária a introdução de conceitos, já que, como afirma Darido (2001, p. 21) é “direito do
aluno saber porque ele está realizando este ou aquele movimento, isto é, quais conceitos estão
ligados àqueles procedimentos (dimensão conceitual)”.
A introdução de conceitos nas aulas pôde ser realizada através dos conhecimentos
adquiridos durante a minha formação inicial. Ter a oportunidade de aprender a trabalhar com
as abordagens conceituais, procedimentais e atitudinais durante a graduação foi um dos
aspectos que ajudaram a superar esta dificuldade inicial encontrada na pesquisa. Darido
(2001) novamente contribuindo na minha reflexão, afirma que um dos grandes diferenciais
dos professores que tentam inovar na área e trabalhar seus conteúdos dentro da perspectiva
citada anteriormente.
Ainda sobre a formação inicial destacamos a importância que a mesma teve para
superar estes aspectos vivenciados em sala de aula durante a pesquisa. Destaco aqui a
persistência dos professores do curso para que durante a graduação tivéssemos a oportunidade
de sermos críticos em relação às ações em geral da EF e sermos capazes de modificá-las e
ressignificá-las. As palavras de Nóvoa (1995, apud FENSTERSEIFER, SILVA, 2011, p. 124)
explicitam melhor meu pensamento, segundo o qual é importante que:
a formação passe pela experimentação, pela inovação, pelo ensaio de novos
modos de trabalho pedagógico, e por uma reflexão crítica sobre sua
utilização. A formação passa por processos de investigação, diretamente
articulados com as práticas educativas. Neste sentido, a dinamização de
dispositivos de investigação-ação e de investigação-formação pode dar corpo
à apropriação pelos professores dos saberes que são chamados a mobilizar
no exercício da sua profissão. O esforço de formação passa sempre pela
mobilização de vários tipos de saberes: saberes de uma prática reflexiva;
saberes de uma teoria especializada; saberes de uma militância pedagógica.
3
A escola militar em que foi realizada a pesquisa tem em seu PPP apenas a prática esportiva como conteúdos a
serem trabalhados. Futsal, handebol, basquete, voleibol e atletismo são as modalidades presentes no PPP.
39
4.2 OS ASPECTOS QUE POTENCIALIZARAM/FACILITARAM O
DESENVOLVIMENTO DA UD
Dentre os aspectos que potencializaram/facilitaram o desenvolvimento da UD temos
vários fatores para citar. Aqui podemos citar alguns destes fatores: (a) a história da EF na
escola foi um entrave, mas também foi um grande facilitador, (b) planejamento da UD bem
delimitado, (c) os conteúdos para a temática bem definidos, (d) a aceitação dos alunos, (e) os
tipos de trabalhos realizados e (f) as aulas práticas unidas a teoria da sala de aula.
Ao mesmo tempo em que a história da EF na escola foi um entrave, pude perceber que
ela foi um facilitador. Digo isto porque antes dessa UD desenvolvida nada de parecido havia
sido trabalhado com os alunos, segundo relato dos mesmos. Isto gera certa desconfiança sobre
o próprio trabalho realizado, pois o balizamento para comparar a UD realizada para a pesquisa
e o tipo de aula normalmente ministrada pela professora regente é muito diferente. Porém,
para que fosse possível existir esta comparação pelos próprios alunos, houve a necessidade da
participação deles. Acredito que isso esteja ligado diretamente à sequência e desenvolvimento
estabelecido pelo planejamento.
O planejamento no meu entendimento foi um dos carros-chefes para que a turma
aceitasse bem o tema proposto. As oito aulas inicias planejadas antecipadamente (que por
readequação de planejamento e necessidade de mais tempo acabaram virando dez), sendo
readequadas em conjunto com os alunos conforme andamento dos encontros, foram um dos
fatores que possibilitaram chegar ao final da UD com um resultado positivo. Oliveira (2004,
apud KRAVCHYCHYN, et al, 2008, p.52) em uma pesquisa sobre a implementação de uma
UD sob característica de inovação (parecido com a proposta desta pesquisa) colheu o
depoimento de um professor envolvido na reelaboração do plano de estudo de EF, o qual
apontou como maior dificuldade a necessidade de estudo: “[...] não basta o conhecimento
genérico, do dia-a-dia, para entrarmos em sala de aula e conquistarmos os alunos”, é “o
domínio dos conteúdos e a metodologia aplicada que fazem a diferença”.
Dentro do planejamento, os conteúdos trabalhados frente à temática também
influenciaram diretamente no resultado final. Ter trabalhado com jogos, esportes, exercícios,
atividades e saúde como temas transversais ao eixo principal foram de extrema importância,
pois conforme relato dos alunos, o modo como foi conduzido a UD fez com que eles se
interessassem e pusessem “a mão na massa” (palavras de um aluno), através de criação de
jogos, pesquisa, apresentação de trabalhos e outros fatores citados anteriormente.
40
Aqui podemos destacar o modo como foi elaborado o planejamento inicial da UD.
Utilizando de materiais didáticos da área (GONZÁLEZ, FRAGA, 2012. GONZÁLEZ,
FRAGA, 2009) foi possível fazer uma combinação de temas e conteúdos propostos pelos
documentos. Desta maneira, sempre que necessário, recorria aos materiais citados para
readequar as aulas ou buscar opções de dúvidas surgidas durante o desenvolvimento da UD.
Rufino et. al (2012) comenta sobre a autonomia que o professor tem ao utilizar materiais
didáticos, pois além de ter uma orientação, tem a possibilidade de remanejar atividades
propostas e mesclar ideias de diversos livros para contribuir no desenvolvimento das aulas.
Os alunos também demonstraram terem aceitado muito bem o conteúdo trabalhado.
De início, apesar de algumas contestações, consegui convencê-los através da demonstração de
conteúdo no andamento das aulas, dialogando e afirmando que o planejamento estava bem
delimitado que seria aquilo que iríamos estudar durante a UD. Em relação a isso, cabe
destacar a colocação de Pérez Gómez (1998, apud WITTIZORECKI; MOLINA NETO, 2005,
p. 64) que “as habilidades de argumentar, de negociar e mediar momentos de tensões e
divergências podem se mostrar tão necessárias quanto o domínio de um repertório de
atividades na construção do trabalho docente”. Portanto o diálogo estabelecido foi fator
fundamental para a aceitação e participação constante dos alunos durante a UD.
Esse debate constante estabelecido com os alunos sobre os conteúdos, junto com a
linguagem próxima da realidade deles pode ser entendido como um dos fatores que
facilitaram a quebra da resistência demonstrada nas primeiras aulas. Fato parecido ocorreu
com a pesquisa de Kravchychyn, et al (2008, p. 52), em que
[...] os pequenos grupos que exigiam um determinado tipo de aula foram se
integrando e cedendo às exigências da disciplina. Foi vencida a primeira
barreira. Acho que a aula deve ser um momento agradável, o que não
significa fazer só o que os alunos querem (PROFESSOR PESQUISADO)”
A pesquisa de campo realizada em vários ambientes diferentes de pesquisa foi outro
fator positivo durante a UD. Segundo Betti (2005, p. 1) “a pesquisa não deve separar-se da
prática; a prática mesma é a forma de investigação, pois nessa situação desconhecida são
levantadas hipóteses para além da atual compreensão do professor”. A discussão gerada entre
os alunos com a minha mediação, levou-os a perceberem a diferença existente entre os
espaços destinados aos diferentes tipos de Lazer e atividades em geral. Fazê-los refletir sobre
os espaços, a diferença entre o público e o privado, os espaços de lazer social e de atividades
(jogos, esportes, atividades físicas e exercícios físicos) fez com que eles se envolvessem nas
41
discussões, estimulando assim o desenvolvimento sobre o tema e o envolvimento nas aulas
práticas.
42
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a apresentação e análise de dados, ainda são necessárias algumas reflexões, pois
sou ciente das limitações do estudo (o que poderiam gerar mais discussões), mas cabe aqui
relembrar os objetivos traçados para esta pesquisa, isto é, examinar e analisar as
possibilidades e os entraves no desenvolvimento de uma UD que tematiza o Lazer nas aulas
de EF Escolar diante de um quadro de ensino “tradicional” da disciplina, porém outros
aspectos também merecem destaque.
A primeira parte em que quero centrar meus comentários está relacionada à resistência
inicial dos alunos que aos poucos foi superada. Acredito que muito mais do que destacar os
prováveis indícios da superação e aceitação dos alunos (já apresentados anteriormente), cabe
aqui destacar a fidelidade com a qual eles trataram o componente curricular da EF a partir do
momento em que visualizaram os porquês daquele tipo de intervenção. Cabe ressaltar que
mesmo com algumas dificuldades, grande parte da turma dedicou-se ao CC para dar conta das
pesquisas de campo, do seminário e da avaliação sistematizadora final. Destaco que a
participação e envolvimento constante dos alunos podem ser potencialmente explicada pelas
intervenções realizadas durante a UD, sempre tentando buscar a problematização dos
assuntos. Este fato pode melhor ser entendido ao comparar o comportamento dos alunos entre
as aulas da professora regente (em que os alunos eram reprodutores de uma tradição esportiva
da EF e que havia pouca participação) e os encontros por mim ministrados, intencionando
fazê-los sujeitos da situação, sempre indagando e estimulando a reflexão crítica em torno da
temática, o que abriu portas para a participação quase total da turma (dois alunos não
participaram das aulas práticas por motivo de fraturas).
Outro fator que se mostrou relevante para que os alunos dedicassem seus estudos ao
CC é a tradição da escola. Por se tratar de uma instituição militar, as horas médias de estudo
semanais são de no mínimo 40 (aqui somam-se as horas de sala de aula mais os estudos
realizados em casa). Portanto os alunos têm uma tendência maior em estudar sobre aquilo que
aprendem em sala de aula. O que visualizei foi certa “atualização” da forma com que os
43
alunos acabaram tratando as aulas de EF (equiparando esforços destinados as outras
disciplinas), que nesse tempo e espaço de intervenção da pesquisa deixou de ser preenchido
por uma mera atividade descompromissada e assumiu características parecidas com os outros
CC, o que desencadeou esforços ao estudo e tratamento dos conteúdos visualizados em EF.
Ter dado voz aos alunos durante as aulas para debatermos (e não somente escolher que
prática gostariam de realizar) sobre assuntos relevantes do seu dia a dia em relação à temática
foi outro fator fundamental. Durante a leitura dos trabalhos impressos, entregues pelos alunos
após a apresentação do seminário, foi possível verificar a presença do senso crítico. Não
posso deixar de comentar sobre a quebra de paradigma na introdução da UD. Muito mais do
que superar a resistência dos alunos, havia a necessidade de superar a EF tradicional com a
qual a turma estava acostumada e tentar trabalhar na perspectiva do novo, da inovação
pedagógica em EF. Isso somente foi possível através do estudo sobre a temática, do
planejamento, da avaliação do trabalho e da readequação dos planos de aula.
Superar a tradição da EF neste ambiente de pesquisa foi tarefa relativamente fácil se
comparado com outros estudos. Cabe destacar que minhas vivências acadêmica e profissional
foram fatores decisivos para que eu tivesse condições profissionais e psicológicas para
alcançar os objetivos propostos.
Por fim, saliento o significado e a pequena transformação feita na turma em que
ocorreu a intervenção. Perceber que uma parte significativa da turma (que não participava das
aulas da professora regente), acabou participando ativamente das discussões e momentos
práticos da UD proposta, faz acreditar que quando existe disposição para inovar por parte do
professor, a resposta por parte dos alunos possivelmente será positiva.
Ter tido a oportunidade de verificar que uma EF diferente da diagnosticada nas aulas
da professora regente é possível mesmo dentro de um ambiente fortemente ligado com tal
tradição é mais um fator que motiva a seguir a linha que defendo e na qual pretendo trabalhar
após a graduação. Mas vale ressaltar novamente que os estudos realizados durante a formação
inicial e as disposições pessoais foram fatores fundamentais para a fundamentação teórica e
prática apresentada neste trabalho.
44
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<http://www.uel.br/pos/mestredu/images/stories/downloads/dissertacoes/2010/2010%20%20MARTINS%2c%20Fabio%20Luis.pdf >. Acessado em 13/12/2012.
OLIVEIRA, Gabriela Aragão Souza de. Trabalhando os conteúdos da educação física
escolar através de temáticas: Uma Proposta de Planejamento e Avaliação das Nossas Aulas.
Sem data. Disponível em: <http://cev.org.br/biblioteca/trabalhando-os-conteudos-educacaofisica-escolar-atraves-tematicas-uma-proposta-planejamento-avaliacao-das-nossas-aulas/>.
Acessado em 05/01/2013.
RUFINO, L. G. B. ; DINIZ, I. K. S. ; FERREIRA, A. F. ; PALHARES, M. F. S.; DARIDO,
S. C. . Temas transversais e livro didático: possibilidades para a Educação Física escolar
brasileira. Revista Mineira de Educacao Fisica (UFV), v. 1, p. 658-669, 2012.
SILVA, Marlon André da. Ensaiando o "novo" em educação física escolar: a perspectiva
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46
VILELA, Silvio Henrique. Lazer na Educação Física Escolar: Compromisso ou Abandono
Pedagógico? In: X EnFEFE - Encontro Fluminense de Educação Física Escolar. 2006.
Disponível em <http://cev.org.br/biblioteca/lazer-educacao-fisica-escolar-compromissoabandono-pedagogico/>. Acessado em 04/01/2013.
WITTIZORECKI, Elisandro Schultz; MOLINA NETO, Vicente. O trabalho docente dos
professores de Educação Física na Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre.
Movimento, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p.47-70, janeiro/abril de 2005.
47
APÊNDICES
48
APÊNDICE 1
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
SSP – BRIGADA MILITAR – DE - COLÉGIO TIRADENTES IJUÍ
Teste de Educação Física 2° ANO
Profª Affonso Lang
Peso: 10 pontos
Aluno:_________________________________
Turma:________ Data: ________
Leia atentamente texto e questões antes de respondê-las. BOA PROVA!
Balizados pelos conteúdos trabalhados durante o período em que trabalhamos o Lazer e
Esporte/Saúde durante as aulas de Educação Física responda:
1) O que podemos compreender como Lazer?
2) Como as práticas corporais sistematizadas se relacionam com as práticas de Lazer?
3) Sobre os espaços de Lazer visitados pela turma faça uma leitura de um espaço (praça ou
poliesportivo): Eles são adequados para todas as idades? Que tipos de Lazer podem ser
praticados nestes ambientes? Como a estrutura influi nas práticas destes locais?
4) Quais as políticas públicas que o município adota para estimular as práticas de Lazer?
5) O que são Atividades Físicas? Exercícios Físicos? Jogos? Esportes? Todos podem ser
encarados como práticas de Lazer?
6) Segundo a OMS, como pode ser classificado o conceito de Saúde?
7) Esporte é Saúde? Como acontece essa relação?
8) Como o Lazer pode influenciar na Saúde da população em geral?
9) Anonimamente, em uma folha em separado, faça uma avaliação do período em que ministrei
aulas de Educação Física para vocês. Tentar avaliar o conteúdo, metodologia, relação
aluno/professor, organização da aula, entre outros.
49
APÊNDICE 2
Planos de Aula
Unidade Didática sobre Lazer
TEMA: Lazer sob a óptica dos nossos deveres, direitos, formas e espaços quanto
cidadãos brasileiros.
Sub-temas:
1) Lazer: o entendimento por parte dos alunos, e os conceitos teóricos
2) Práticas corporais e Saúde (atividades/exercícios físicos)
3) Legislação Federal, Estadual, Municipal relacionadas ao lazer
4) Espaços existentes (pesquisa de campo, levantamento de dados, esses espaços são
utilizados? Idosos? Crianças? Jogos? Esportes?).
1ª Aula: 02/09/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
Parte Inicial:
 Apresentação aos alunos
Parte Principal:
 Apresentação do tema a ser trabalhado na Unidade Didática de Lazer e seus
sub-temas: a - Práticas corporais e Saúde (atividades/exercícios físicos,
jogos/esportes), b - Legislação Federal, Estadual, Municipal relacionadas ao
lazer, c - Espaços existentes (pesquisa de campo, levantamento de dados, esses
espaços são utilizados? Idosos? Crianças? Jogos? Esportes?)

Discussão sobre o que é lazer na concepção dos alunos (indagações sobre os
espaços disponíveis, o que eles mais fazem nos momentos de lazer, etc)

Entrega de material conceituando o lazer

Momento prático: levantamento de práticas motoras realizadas pelos os alunos
em momentos de lazer e realização de algumas delas

Reflexão sobre os conceitos trabalhados e as expectativas para a Unidade
Didática
Parte final
Tema de casa

Pesquisa: Quais as práticas são possíveis de serem feitas nos espaços de lazer
perto de onde você mora? Quais são estes espaços? Como está a estrutura
deste ambiente? Quem frequenta? Quais os dias mais frequentados? Você
frequenta este espaço? Sim? Não? Por quê? O que você mudaria no espaço em
que você visitou?
2ª Aula: 05/09/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
Parte Inicial
50


Correção e discussão do tema (Questionar se em algum momento as condições
estruturais eram melhores)
Acredito que irão aparecer os conceitos de atividade/exercício físico e
jogo/esporte
Parte Principal



Se necessário conceituar/relembrar o que são atividades físicas, exercícios
físicos, jogos motores e esportes.
Relembrar o conceito lazer
Realizar Circuito Trainer com 10 estações de 30 segundos cada a fim de
preparar os alunos para o TAF da escola.
Parte Final

Combinações para a próxima aula que terá saída de campo
3ª Aula: 09/09/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
Parte Inicial
 Relembrar o que foi trabalhado na última aula e organização para a visita
agendada para este dia
Parte Principal
 Visita crítica a espaço (praça) próximo a escola que servirá de modelo para o
exercício de observações que deverão ser feitas no seminário da disciplina.
Para esta atividade será a utilizado a planilha Levantamento dos equipamentos
e estruturas existentes indicadas por González e Fraga (2012, p. 150 apud
ANGELIS, CASTRO E NETO, 2004)
 Realização de alguma atividade do conhecimento dos alunos que realizam
quando vão a algum espaço público de lazer
Parte Final

Retorno para a escola e conversa durante o percurso para discussões sobre o
que foi observado
4ª Aula: 13/09/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
Parte Inicial
 Relembrar o que foi trabalhado na última aula
Parte Principal
 Organizações dos grupos para realização dos seminários com os seguintes
temas:
1. Quais as políticas públicas Federal, Estadual e Municipal relacionadas
ao lazer?
2. Qual a verba destinada para o Lazer em Ijuí?
3. Qual a visão da população Ijuiense sobre os espaços de Lazer em Ijuí?
4. Quais os espaços públicos de Lazer em Ijuí?
5. Quais os espaços privados de Lazer em Ijuí?
51
6. O Lazer na Praça da República de Ijuí
Parte Final

Tira dúvidas sobre os temas propostos
5ª Aula: 16/09/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
Aula reservada para conversa sobre O Papel da Secretaria Municipal de Desporto e Lazer de
Ijuí com o coordenador Rogério Durks
6ª Aula: 23/09/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
Parte Inicial:
 Conversa sobre a palestra realizada no último encontro
 Saca dúvidas sobre o trabalho que está em desenvolvimento pelos alunos
Parte Principal
 Discussão sobre o tema: Lazer, um promotor da Saúde? O que é Saúde?
 Realização de circuito training
Parte Final

Encaminhamentos para a próxima aula para visita a praça da república ou
poliesportivo
7ª Aula: 27/09/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
Parte Inicial
 Conversa relembrando o Lazer como promotor da Saúde.
Parte Principal

Apresentação dos trabalhos relativos ao seminário

Conversa avaliativa sobre as apresentações
Parte Final
8ª Aula: 30/09/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
Parte Inicial
 Abordar a construção de uma carta aberta aos órgãos competentes pelo Lazer
em Ijuí
Parte Principal
 Em grupos, definir o que cada grupo vai escrever
Parte Final

Fazer a montagem da carta aberta e encaminhar para avaliação da instituição e
posterior envio para o órgão competente
9ª Aula: 04/10/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
52
Parte Inicial
 Realizar um saca dúvidas sobre os conteúdos até aqui trabalhados
Parte Principal
 Avaliação sistematizadora envolvendo a temática sobre Lazer e sobre Esporte e
saúde.
10ª Aula: 07/10/2013 Horário da aula: 09:25/ 11:25
Parte Inicial
 Devolução das provas
Parte Principal
 Correção e discussão das mesmas
Parte Final
 Avaliação sobre a UD
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