Universidade de São Paulo Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Laboratório de Estudos Sobre Urbanização, Arquitetura e Preservação Relatório Final FAPESP 2007 “Regionalização do Cotidiano e Novas Configurações do Tecido Urbano. Estudo de Caso: Macrometrópole Paulista” Orientador: Prof. Dr. Nestor Goulart Reis Filho Bolsista: Pedro Paulo Cadena Giberti Graduação em Geografia pela USP São Paulo, Janeiro de 2007 Índice A. Resumo do plano inicial e das etapas já descritas em relatórios anteriores B. Resumo do que foi realizado no período a que se refere ao relatório C. Detalhamento dos progressos realizados, dos resultados parciais obtidos no período, justificando eventuais alterações do projeto ou em sua execução e discutindo eventuais dificuldades surgidas ou esperadas na realização do projeto D. Resultados D.1 Sudeste / Estado de São Paulo / Eixo Industrial / Industria Moderna D.2 Macrometrópole / Funcionalidades D.3 Mobilidade D.4 Redes D.5 Rede Rodoviária Macrometropolitana D.6 Fluxos Pendulares D.7 Transporte Público / Fretado D.8 Pólos Urbanos / Raio de Atração D.9 Acessibilidade / Flexibilização do Sistema de Transporte D.10 Tempos e Espaços Modernos F. Conclusões / Considerações finais G. Bibliografia A. Resumo do plano inicial e das etapas já descritas em relatórios anteriores. Este trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Estudos sobre Urbanização, Arquitetura e Preservação (LAP) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP), inserido no Sub Tema 1 “Mobilidade e Dispersão” do Projeto Temático “Urbanização Dispersa e Mudanças no Tecido Urbano”, sob Coordenação do Prof. Dr. Nestor Goulart Reis Filho. O projeto temático estuda as novas formas de urbanização no período de 1970 a 2000 nos principais centros urbanos do Estado de São Paulo, considerando, principalmente, os tipos de pólos urbanísticos, sua dispersão no território, sua influência na dinâmica regional e a mobilidade cotidiana regional / inter-regional da população. O convênio firmado com a Divisão de Sensoriamento Remoto (DSR) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) forneceu os mapeamentos das manchas urbanas, rodovias e limites municipais das décadas de 1970, 1980, 1990 e 2000, além de imagens de satélites das regiões de estudo. Tal material serviu de base para todos os trabalhos de análise da evolução da mancha urbana, além de fornecer uma base cartográfica digital contínua em ambiente SIG1, permitindo que novos dados adquiridos pela equipe do temático também sejam integrados em um banco de dados unificado. Embasado nas hipóteses do Projeto Temático o primeiro projeto de pesquisa enfocou-se nas relações entre a dispersão urbana e a mobilidade pendular da população na Região de Governo de São José dos Campos2, buscando elementos que explorassem a hipótese adotada: “mobilidade cotidiana como indutor da dispersão urbana”. Foi desenvolvida uma metodologia de registro dos veículos fretados nas rodovias, com resultados satisfatórios, sendo aplicado tal método, posteriormente, em outras regiões. Identificaram-se muitos pólos urbanos dispersos com transporte fretado viabilizando o acesso da população, que muitas vezes encontra-se em outras áreas dispersas, ou no centro tradicional, e que, frequentemente não dispõem de automóvel particular ou de um sistema de transporte público compatível com seu itinerário. As 1 Sistema de Informação Geográfico. Programa utilizado: Sistema de Processamento de Informações Georreferenciadas (SPRING) desenvolvido pelo próprio INPE. 2 “Mobilidade Cotidiana como Indutor da Dispersão Urbana: Estudo de Caso Região de Governo de São José dos Campos”, processo 03/13356-6. linhas regulares de ônibus intermunicipais da Região de Governo de São José dos Campos foram mapeadas e revelaram que seus itinerários são rígidos, dificultando a pendularidade entre vários pólos urbanos espalhados pela região. O trecho de maior integração foi entre Jacareí e São José dos Campos, tanto pela conurbação, quanto pelos fluxos de pendulares de pessoas que residem em Jacareí e Trabalham em São José. O transporte fretado se apresenta como uma solução, organizado por vários setores, enquanto o número de passageiros transportados pelas linhas regulares esta diminuindo gradualmente. Algumas indústrias e universidades dispersas oferecem dezenas de linhas fretadas com distintos itinerários, resultando em deslocamentos intra-regionais e interregionais diários de sua mão de obra / usuários, exercendo uma atração sobre a população de toda a região. Novos empreendimentos de todos os tipos seguem essa lógica e se instalam em áreas dispersas, contando com usuários de toda região, sustentados pela alta mobilidade da população. Também foi constatado que a funcionalidade de cada cidade da rede urbana é essencial para se compreender os tipos e as origens dos fluxos pendulares. Os tipos de veículos fretados também variam de acordo com o pólo urbanístico e o conteúdo social. Os resultados teóricos e empíricos obtidos no primeiro ano de pesquisa mostraram fluxos intensos dos veículos fretados em pontos específicos do tecido urbano. Sabendo que tal movimento ocorre em outras regiões do estado, ampliamos a área de estudo para o segundo projeto de pesquisa, considerando também a Região Metropolitana de Campinas e a Região de Governo de Taubaté. Dados preliminares já revelavam muitos pontos de concentração de veículos fretados na Cidade de São Paulo, oriundos de várias regiões do estado, permitindo a visualização de um sistema urbano fortemente articulado pelo deslocamento residência / trabalho; residência / estudo. Contando com uma área de estudo maior e considerando novos elementos de análise, o segundo ano de pesquisa concentrou-se na Região Metropolitana de Campinas, especialmente nos municípios de Americana, Campinas e Valinhos. Os dados da pesquisa Origem / Destino da RMC demonstraram que os maiores fluxos pendulares são oriundos de Hortolândia e Sumaré, tendo como destino Campinas. Trabalhos do NEPO-NESUR/UNICAMP3 sobre os fluxos migratórios intrametropolitanos ocorridos na RMC revelaram que uma parcela significativa da população deixou Campinas em direção aos municípios vizinhos. Entretanto, muitos desses habitantes que saíram de Campinas continuam trabalhando / estudando em Campinas. Uma nova organização intrametropolitana estava em curso, Sumaré e Hortolândia receberam um grande contingente populacional com renda mais baixa, dependendo mais do transporte público, enquanto Valinhos e Vinhedo receberam uma parcela da população com renda e taxa de motorização mais elevada. O Projeto Integrado de Transporte Urbano (PITU), um grande projeto de planejamento encontrase em atividade, assegurando a atenção necessária para o desenvolvimento urbano regional. Novos pólos urbanos dispersos e suas linhas fretadas foram levantados, assim como a implantação de novos pólos urbanos. Na Região de Governo de Taubaté foi identificada uma forte relação entre pólos urbanos dispersos, planejamento público, e reestruturação produtiva. No distrito de Quiririm, em Taubaté, uma área com grande presença de conjuntos habitacionais, constatou-se uma forte expansão dos mesmos conjuntos, motivados pelas políticas governamentais. A fábrica da Volkswagen, também localizada no distrito de Quiririm, revelou que as mudanças nas fábricas podem afetar os bairros operários. Entre Taubaté e Tremembé, os condomínios fechados e dispersos de alto padrão estão se multiplicando, caracterizando uma área de grande expansão urbana, sugerindo uma futura conurbação. A Região Metropolitana de São Paulo também foi pesquisada. Dados de várias fontes possibilitaram o mapeamento de vários pólos urbanos e pontos específicos da cidade com grande concentração de fretados, como a Av. Paulista, Universidade de São Paulo e Alphaville. Diversos trabalhos foram consultados sobre esta região, complementando os dados obtidos das outras duas regiões. Com o aprimoramento da pesquisa as hipóteses foram reformuladas assim como os elementos de análise, a saber: 3 Núcleo de Estudos de População - Núcleo de Economia Social, Urbana e Regional / Universidade Estadual de Campinas. Atlas da Região Metropolitana de Campinas. 1- Analisar a rede rodoviária como elemento que permite a troca de fluxos pendulares. 2- Relacionar o raio de atração dos pólos urbanísticos com os motivos de deslocamento 3- Considerar a rede urbana como elemento norteador dos fluxos regionais / interregionais. Hipóteses 1- A regionalização do mercado de trabalho reorganizou os fluxos pendulares e a organização urbana 2- Os novos empreendimentos urbanos de grande porte projetam seu raio de atração contemplando a escala intra-regional e inter-regional. 3- Existe uma tendência de flexibilização e especialização nos modos de transporte dos grandes pólos urbanos. 4- A rede urbana orienta os fluxos pendulares intermunicipais 5- A Macrometrópole apresenta uma hierarquia de polarização e trocas de fluxos pendulares. Os 3 anos de pesquisa produziram uma coletânea de dados sobre o raio de atração de vários tipos de pólos urbanos da Macrometrópole Paulista, assim como uma série de exemplos das novas configurações do tecido urbano, revelando que a urbanização dispersa pode ser estimulada pela esfera privada e pública. Os intensos levantamentos de campo somado às pesquisas nos órgãos municipais, estaduais e federais e das empresas privadas sobre as redes de circulação, fluxos pendulares, funcionalidades, estatísticas, etc, foram sistematizados e confrontados com os dados de campo. Os resultados oferecem elementos para a análise dos movimentos pendulares e as novas configurações urbanas. A seguir consta o fluxograma da pesquisa realizada em todo o período. Foram estudadas mais especificamente as Regiões Metropolitanas de São Paulo e Campinas, e as aglomerações urbanas de São José dos Campos e Taubaté. Figura1: Fluxograma de pesquisa. Elaboração: GIBERTI 2006. B. Resumo do que foi realizado no período a que se refere o relatório. Pesquisas cartográficas foram realizadas em diversas prefeituras e outros órgãos juntamente com outros pesquisadores da equipe, obtendo mais dados para integrar em nosso banco de dados geográfico desenvolvido pelo INPE em convênio com o Projeto Temático. Tal banco de dados oferece material para a elaboração de vários produtos cartográficos sistemáticos e temáticos para os trabalhos do Projeto Temático. Este material serviu de base para elaboração de mapas para orientar os sobrevôos de helicóptero nas regiões de estudo, destacando os pontos de interesse. Levantamento de dados complementares no CDHU, internet e, por telefone concluíram todo o processo da pesquisa empírica desenvolvida nesses 3 anos. Dados sobre as funcionalidades da rede urbana, a pendularidade e, pólos urbanos específicos na região Macrometropolitana foram analisados e alguns selecionados para elaboração do relatório final. O universo de dados levantados é bem maior do que o apresentado. Os exemplos utilizados buscam representar a heterogeneidade e os contrastes identificados durante toda a pesquisa. Os dados levantados em campo (anotações, entrevistas nas prefeituras e moradores, registro dos fluxos dos fretados e fotos de vários pólos urbanos) foram organizados por município e região, formando uma coletânea de exemplos para posterior análise. Os dados estatísticos foram tabulados e com os dados qualitativos foram elaborados quadros. Para estudar as trocas de fluxos pendulares nas e, entre as regiões de estudo foi elaborada uma tabela no site do IBGE/SIDRA sobre as condições do deslocamento para trabalho e estudo da população de todos os municípios da área de estudo. Os dados obtidos foram integrados no banco de dados geográfico em formato SPRING, possibilitando a elaboração de mapas temáticos. Os pólos urbanos pesquisados foram espacializados juntamente com seu raio de atração sobre a população. A caracterização das regiões de estudo, sua evolução, funcionalidade, dinâmica e rede de circulação baseou-se em referências do IBGE, SEADE, NEPO/NESUR, EMTU, DTP-SP, DER-SP, ARTEST, TRANSFRETUR, FAU/USP, FFLCH/USP, nos levantamentos de campo, entre outros. Contando com uma caracterização da rede urbana e com diversos exemplos pontuais, foram analisados os pólos urbanos selecionados, enfocando: sua função, localização, seu raio de atração, sua acessibilidade e influência /inserção regional. Posteriormente foram realizas das comparações entre tais pólos, buscando identificar alguns padrões. Também foram analisados os principais fluxos pendulares regionais e inter-regionais mediante todos os dados levantados, elaborando um mapeamento qualitativo de tais fluxos. As redes de circulação foram analisadas e confrontadas. Em relação à expansão das áreas dispersas já existentes, foram realizados dois estudos de caso sobre a evolução de pólos residenciais (loteamentos residenciais de alto padrão e conjuntos habitacionais). Foram reconhecidos os padrões de ocupação em campo e nas imagens de alta resolução por elementos de fotointerpretação. As manchas urbanas de 1985, 1991 e 2000 fornecidas pelo INPE foram sobrepostas às imagens cedidas pelas prefeituras, em ambiente SPRING, possibilitando análises e produtos cartográficos, respeitando a generalização cartográfica necessária para cruzar dois produtos com escalas diferentes. C. Detalhamento dos progressos realizados, dos resultados parciais obtidos no período, justificando eventuais alterações do projeto ou em sua execução e discutindo eventuais dificuldades surgidas ou esperadas na realização do projeto. - Pesquisa de bases cartográficas em prefeituras e mapas temáticos da região de estudo: As referências cartográficas, em seus diversos temas e escalas, sempre foram pesquisadas, subsidiando as análises e permitindo que novos dados levantados em campo sejam representados. Bases dos quarteirões e sistema viário em escala detalhada foram fornecidas pelo INPE e diversas prefeituras. Muitas necessitam uma conversão de dados (Sorocaba, Jacareí) para que possam ser integradas em nosso banco de dados geográfico, formando uma base cartográfica digital contínua. Entretanto, muitas bases já foram integradas: RMC, RMSP, São José dos Campos, Taubaté e Pindamonhangaba. Para completar nossas bases contatamos as prefeituras de Piracicaba, Limeira Rio Claro, Baixada Santista, Jundiaí, Itú, além de pesquisas nos sites das prefeituras. Novas bases serão fornecidas e outras negociadas. Figura 2: Base cartográfica contínua integrada Figura 3: Detalhe da base cartográfica Mapas temáticos relacionados à caracterização das redes urbanas, transportes, dinâmicas regionais, dentre outros, encontrados no Atlas Nacional do Brasil do IBGE 2002; no Atlas do Brasil de THÉRY e MELLO de 2005; no Boletim Estatístico da Secretaria dos Transportes do Estado de São Paulo de 2005. Outros trabalhos foram escaneados e formatados para o relatório final, oferecendo uma diversidade de informação pertinente. - Elaboração de mapas para orientar sobrevôos de helicóptero nas regiões de estudo do Projeto Temático: Perante as bases detalhadas foram impressos vários mapas articulando os municípios de interesse, destacando manualmente diversos pontos industriais, residenciais, institucionais e comerciais. Eixo 1: Sorocaba / Itú / Jundiaí / Vinhedo / Valinhos / Campinas / Sumaré / Hortolândia / Americana / Piracicaba / Limeira / Rio Claro / Jaguariúna Eixo 2: Jacareí / São José dos Campos / Caçapava / Taubaté / Tremembé / Pindamonhangaba Figura 4: Eixos de sobrevôo - Levantamento de dados complementares: Para finalizar os levantamentos foi realizada uma visita na Companhia do Desenvolvimento Habitacional Urbano, obtendo alguns dados sobre a localização dos Conjuntos Habitacionais e referências sobre a construção dos mesmos. Também concluiu - se a pesquisa sobre o raio de atração dos pólos urbanos via internet e telefonemas, assim como a seleção de dados referentes às redes de circulação da Secretaria dos Transportes do Estado de São Paulo. - Sistematização dos pólos urbanísticos selecionados e elaboração de mapas com seu raio de atração: Os pólos urbanos selecionados para um estudo mais específico foram mapeados com seus pontos de ligação, pontos estes, identificados por dados fornecidos ou registrados em campo. Os resultados devem ser considerados em um espectro mais qualitativo. As referências quantitativas são difíceis de coletar empiricamente, porém estimáveis. Os exemplos contemplam pólos industriais, residenciais, institucionais, comerciais e alguns pólos multifuncionais, cada um, com seu raio de atração produzido em ambiente SPRING. - Sistematização e análise dos dados sobre mobilidade do SIDRA e elaboração de mapas temáticos: A plataforma de trabalho SPRING permite associar dados obtidos no site do IBGE/SIDRA aos respectivos polígonos representando os municípios em questão. Para tanto, foram selecionadas as variáveis desejadas e o sistema gera uma tabela em formato EXCEL, com a unidade territorial definida e seus atributos. Posteriormente, o arquivo foi exportado em formato dBASE com o nome do município como chave de identificação. Para espacializar os dados foram utilizados os limites municipais do IBGE na escala 50.000 disponibilizados em formato digital. Finalmente, a tabela foi importada para o SPRING e, cada município na tabela foi associado ao polígono correspondente. Os produtos temáticos gerados agrupam em classes as variáveis da demografia e pendularidade na escala regional, adequada para os estudos da Macrometrópole. Figura 5: Tela de trabalho do SPRING durante associação dos polígonos e a tabela - Análise dos pólos urbanísticos selecionados, sua localização, logística, seu raio de atração e influência na dinâmica regional, tendo como referência a rede de circulação e sua acessibilidade. - Comparação entre a funcionalidade e mobilidade entre os pólos urbanísticos selecionados, buscando identificar alguns padrões. - Analise dos principais fluxos pendulares regionais e inter-regionais mapeados, agrupando-os em classes. - Estudo de casos da expansão urbana em escala detalhada: Urbanova e Quiririm. D. Resultados D.1 Sudeste / Estado de São Paulo / Eixo Industrial / Indústria Moderna Para analisar os fenômenos da pendularidade e urbanização na região de estudo selecionada, devemos considerar sua situação em um contexto mais amplo, neste caso no contexto nacional e regional. A Região Sudeste do Brasil, se, comparada às demais regiões do país, atualmente, apresenta a maior concentração da população, de capitais, atividades industriais e tecnológicas, universidades, o sistema viário mais articulado e moderno, configurando uma rede urbana intensa. Tal situação teve como base diversos fatores históricos relacionados à ocupação do território nacional e as atividades desenvolvidas nele. Esta região representa a maior fatia do PIB nacional e principal porta de entrada dos investimentos estrangeiros. Sua articulação com o resto do mundo é a mais avançada do Brasil em termos das redes de circulação, informação, bancárias, institucionais etc.. cumprindo um papel fundamental em uma economia globalizada que exige uma troca de fluxos materiais e imateriais de várias ordens com uma fluidez competitiva. Tal situação resulta na maior parcela nacional de importação e exportação comercial por navio e avião. Toda essa concentração é facilmente identificada nos diversos Atlas consultados. As primeiras atividades industriais tiveram como base o capital acumulado proveniente da cafeicultura no Estado de São Paulo e da implantação das primeiras ferrovias, que, estimularam o início da indústria, estabelecendo um novo ciclo econômico, urbano e social. Uma nova lógica se apresentava a necessidade de matérias primas, de mão de obra, de escoamento da produção, de acesso aos mercados consumidores, de aumentar o mercado consumidor, passou a refletir na organização espacial e social das cidades. As áreas de concentração industrial viraram pólos de atração da população, oferecendo novas oportunidades de trabalho. Toda uma nova infra-estrutura foi necessária para a viabilidade industrial, energia, transporte, matérias primas e logística territorial passaram a comandar os novos projetos de desenvolvimento. As áreas próximas às ferrovias eram os lugares mais pertinentes para a instalação das indústrias. Tal modelo de capitalismo industrial concentrado sem dúvida dinamizou a atividade econômica nacional, entretanto, a disparidade regional acabou gerando grandes fluxos migratórios para o Sudeste. A concentração gradativa da população atingiu taxas elevadas de densidade demográfica em algumas cidades, gerando novos problemas urbanos, como a informalidade e a falta de habitações adequadas. Obviamente, as oportunidades oferecidas pela indústria não eram suficientes para atender toda a população, gerando novas desigualdades e dinâmicas da cidade moderna. Os fluxos migratórios com destino as áreas indústrias estimularam o modelo de crescimento urbano-industrial concentrado. Para Andrade (1983) “A oligarquia do Sudeste organizou o seu sistema de poder no período colonial, se enriqueceu com o surto do café no período Imperial e na Primeira República e soube adaptar-se a compartilhar o poder com outro grupo gerado e formado com o crescimento industrial propiciado pela acumulação oriunda da cafeicultura. Este grupo detém um grande poder sobre o país, face ao acordo existente entre ele e a tecnocracia que nos últimos anos implantou um modelo de desenvolvimento concentrados, possibilitou o enriquecimento em determinados grupos nacionais em níveis nunca antes conhecidos no país, provocou o desenvolvimento industrial a níveis não alcançados antes, com uma grande participação do capital estrangeiro, e determinou ao lado da concentração financeira uma ponderável concentração geográfica. Assim o modelo concentrou a renda tanto do ponto de vista financeiro, em termos de empresas e grupos econômicos, como também em termos geográficos, permitindo que o Sudeste se se torna cada vez mais rico e que o crescimento das demais regiões se fizesse em função dos interesses e do crescimento dessa região”. Por fim o autor conclui “O Sudeste como tem ocorrido em numerosos países capitalistas, cresce em detrimento das regiões marginais que se tornam cada vez mais dependentes”. Nesse contexto, destaca-se o Estado de São Paulo dentro da Região Sudeste, exatamente nas mesmas variáveis que destacam o Sudeste em relação ao resto do Brasil. A concentração da população, atividades modernas etc.. que se iniciaram na cidade de São Paulo e cidades vizinhas foram se interiorizando com o tempo, novas centralidades foram criadas, sub-centros regionais se consolidaram. Um corredor industrial se configurou, tendo sempre como referência a Cidade de São Paulo. As próprias atividades industriais foram se modificando, surgindo setores altamente especializados e complementares. A rede urbana caracterizava cada região com uma vocação mais específica. Como resultado, as empresas se concentraram no território, especificamente em alguns eixos. Este cenário de extrema concentração industrial, atividade que foi se modernizando e especializando, produzindo para o mercado nacional e internacional, se caracteriza como um fator de dinamismo na Região. Figura 6: Fatores de dinamismo no Brasil. Fonte: HERVÉ e MELLO 2005 As figuras revelam a extrema concentração e articulação da indústria moderna no Sudeste e, sobretudo no Estado de São Paulo. Essa concentração deve-se em parte pelas infra-estruturas disponíveis na região. Sem dúvida alguma, esta região representa o estágio do capitalismo nacional mais avançado. Figura 7: Unidades empresariais locais em 2000. Fonte: HERVÉ e MELLO 2005 Toda essa concentração encontrada no Estado Paulista não ocorreu de forma aleatória, mas sim concentrada em um raio de aproximadamente 200 Km da cidade de São Paulo, articulado pelas rodovias mais modernas do país, caracterizada como o centro da Macrometrópole. O processo de interiorização e desconcentração ocorrido na região, liderado pelas indústrias que invocaram as demais atividades (residenciais, institucionais, comerciais etc..) pode ser visualizado na figura a seguir, orientado pelos eixos rodoviários. Esta reorganização espacial acabou por intensificar as trocas de fluxos entre as cidades, definindo novas hierarquias e polaridades, com destaque para o desenvolvimento das cidades médias no contexto urbano-regional. Figura 8: Expansão da indústria no Estado de São Paulo. Fonte: HERVÉ e MELLO 2005 “A partir dos anos 80 as dinâmicas econômica, social e demográfica nacional passaram por transformações complexas, afetando os processos de redistribuição espacial da população e urbanização, configurando uma tendência de interrupção do ímpeto concentrador que, durante décadas caracterizou a dinâmica demográfica brasileira. As formas de assentamentos humanos se diversificaram e ganharam importância na dinâmica demográfica nacional. Novos espaços regionais e outros tipos de mobilidade populacional com claras conseqüências nos padrões locacionais da população dentro e fora dos grandes centros urbanos são constatados, indicando uma relativa desconcentração demográfica.” (CUNHA, 2003). As mudanças na organização industrial passam a afetar os núcleos urbanos existentes e estimulam a consolidação de novos núcleos. A urbanização também acompanha essas mudanças, identificada nos novos padrões dos projetos urbanísticos. “A reestruturação e desconcentração produtiva convergiram com um período de forte redução das oportunidades na fronteira agrícola, restando à população brasileira urbanizar-se ainda mais, com clara tendência de uma dispersão relativa ao longo do território, beneficiando as emergentes aglomerações metropolitanas do país, e também os municípios de porte intermediário no interior dos estados, em detrimento do centro hegemônico” (CUNHA 2003). D.2 Macrometrópole / Funcionalidades As regiões de estudo apresentam uma integração muito forte, não só pelas manchas urbanas interligadas pelos eixos viários, mas também pelos fluxos constantes de capitais, mercadorias, informações e pela própria população. Nota-se a formação de uma “Macrometrópole” caracterizada pelos grandes centros urbanos que se apresentam como pólos articulados desse sistema macrometropolitano. Constituída pelas Regiões Metropolitanas de São Paulo, Campinas e da Baixada Santista, os aglomerados urbanos de Sorocaba, Vale do Paraíba, Jundiaí e algumas micro-regiões, esta macro-região caracteriza-se como “O mais avançado pólo produtivo, de pesquisa e tecnologia do país”, concentrando funcionalidades tipicamente metropolitanas, como a de “centro financeiro, centro administrativo, centro direcional de empresas e organizações econômicas em geral, centros de pesquisa e investigação científicotecnológica” (GROSTEIN 2004). Identificamos, portanto, um sistema articulado de pólos urbanos com funcionalidades complementares, que interagem entre si, trocando fluxos de capitais, produtos, tecnologias e pessoas, resultando muitas vezes em uma integração física da mancha urbana, tendo como vetor de expansão os grandes eixos rodoviários. Entretanto, muitos municípios que não foram inseridos nessa região apresentam sim uma forte ligação, especialmente nas trocas de fluxos pendulares. Também foram considerados alguns outros municípios para as análises, como os do Litoral Norte Paulista, que exerce uma atividade de turismo, complementando as funcionalidades da Macrometrópole, assim como as cidades de Piracicaba, Limeira, Rio Claro, dentre outras que, de alguma maneira revelaram algum tipo de vínculo. Para entender as dinâmicas Macrometropolitanas foram selecionados alguns temas básicos para sua caracterização. Um dos principais elementos é a demografia, que permite identificar os principais aglomerados urbanos. Os núcleos mais populosos e com altas taxas de densidade demográfica são, em ordem de grandeza, a Região Metropolitana de São Paulo, seguida pela Região Metropolitana de Campinas, Região Metropolitana da Baixada Santista, os aglomerados urbanos de Jacareí, São José dos Campos, Taubaté e Guaratinguetá, e, finalmente, a as cidades de Sorocaba, e o eixo Piracicaba, Limeira, Rio Claro e Mogi Mirim. Em termos de mancha urbana, a expansão foi orientada pelos eixos rodoviários, resultando em vários municípios conurbados, revelando os núcleos urbanos mais integrados e de maior magnitude populacional. Figura 9: Tamanho populacional. Fonte: IBGE 2002 A concentração das agências bancárias coincide com as cidades de maior peso demográfico. São Paulo novamente aparece como o pólo principal, articulando eixos com Campinas, Santos, São José dos Campos e Sorocaba. Figura 10: Número de Agências bancárias. Fonte: IBGE 2002 As redes rodoviária e ferroviária, sem dúvida, são elementos norteadores da rede urbana, pois nelas os fluxos materiais são trocados, fluxos de mão de obra e mercadorias. Os municípios contemplados por estas redes apresentam uma atividade mais intensa, chegando a casos extremos como a cidade de São Paulo, que articula as rodovias mais modernas do Brasil, configurando um sistema radial com ligações para todas as direções do Estado de São Paulo, totalizando cerca de 10 importantes rodovias, interligando toda a Macrometrópole. Quanto mais articulações rodoviárias a cidade possuir mais importante será o seu papel na integração regional, pois, os fluxos de várias ordens convergem em determinados pontos do território criando polaridades. Diversas variáveis como, demografia, atividades econômicas e redes de circulação quando cominadas permitem definir a hierarquia dos diversos núcleos urbanos articulados. De fato, a cidade de São Paulo e arredores é considerada uma Metrópole Global, cercada por diversos centros regionais e sub-centros regionais. Os fluxos, a competitividade, os novos empreendimentos estão sempre inseridos nesse contexto regional, de hierarquia, buscando as melhores infra-estruturas disponíveis no território. Figura 11: Nível hierárquico. Fonte: IBGE 2002 A hierarquia também reflete as atividades econômicas que predominam nas cidades, ou seja, as funcionalidades. As metrópoles e centros regionais se caracterizam por exercer atividades diversificadas, relacionadas à indústria, comércio, serviços, agropecuária, educação etc... As cidades envoltórias aos centros principais geralmente contam com uma atividade mais específica, geralmente mais industrial, agrícola ou residencial. Existem muitas cidades consideradas como cidade dormitório, pois, a maioria da população residente exerce suas atividades básicas em outros municípios. Em contrapartida, as cidades com maior concentração industrial recebem trabalhadores de outras cidades e até regiões. O crescimento de uma cidade muitas vezes está atrelado ao detrimento de outras, as empresas sempre buscam as melhores oportunidades de instalação. Formam-se setores mais ou menos produtivos, de menos ou maior renda, constituindo uma configuração espacial que materializa tais diferenças. Portanto, tais referências devem ser consideradas para uma especialmente no tema pendularidade. Figura 12: Funcionalidades da Macrometrópole. Fonte: MEYER e GROSTEIN 2004 análise Macrometropolitana, D.3 Mobilidade A mobilidade em suas diversas formas de entendimento sempre remete a um movimento, tanto de pessoas num espaço, quanto de ações, revelando-se não estática no tempo, ou seja, cada período revela um ou mais tipos de mobilidades. “A mobilidade, no seu termo mais simples é a prática de deslocamento, comportamento orientado no sentido de atingir uma finalidade” (apud BALBIM 2002). Segundo Jean Paul de Gaudemar, a primeira mobilidade seria aquela na qual o trabalho humano passa a ser considerado força de trabalho e que pode ser vendido no mercado. Esta ação marcaria o inicio de todas as mobilidades modernas, nas quais homens se deslocariam em busca de sua sobrevivência em espaços onde esta força pudesse ser vendida. Claro que não é tão simples. Juntamente a esta mobilidade um conjunto de fatores também se transformara norteando o modo de produção capitalista. Este autor trabalhou com a categoria mobilidade, teorizando a chamada mobilidade do trabalho. Seus escritos sobre mobilidade, mencionam algo referente a deslocamentos espaciais, entendidos como condições especiais num processo amplo do modo de produção capitalista. “Uma mobilidade profissional e geográfica da mão-de-obra adaptada à evolução da estrutura do emprego é uma das condições de expansão de uma economia em estabilidade. (...) A mobilidade como adaptação da mão-de-obra, as deslocações espaciais não são aqui os únicos em causa, mas, justamente com eles, todos os modos de passagem da mão-de-obra disponível para as esferas de valorização do capital e todos os modos de intensificação e produtivização desta mão-de-obra” (GAUDEMAR 1977) A relação entre mobilidade e a configuração das relações sociais surgidas com o homem moderno, serão as responsáveis por uma complexa cadeia de contradições que na prática submeterão a força de trabalho e por conseqüência o homem ao capital, sendo este muitas vezes obrigado a se deslocar para que possa vendê-la (e assim sobreviver) em outros locais. A mobilidade do trabalho esta relacionada com as migrações. Nas migrações, os seres humanos, em grupos ou solitários, se locomovem segundo as suas necessidades mais básicas, mas também as não tão básicas, ou seja, fruto de uma ideologia de mercado, tanto de trabalho, como de materiais de promoção de um status, modismos, entre outros. Para Gaudemar as formas de mobilidade que dão base às migrações são: - Encorajamento ao movimento migratório e polarização: a mobilidade da indústria carrega quadros de funcionários qualificados formados em outros estados, desregulando os locais aonde chegam (não oferecendo a população local os empregos qualificados) - polarização do espaço. - Controle da imigração estrangeira: disciplinar a mobilidade dos estrangeiros; - Desenvolvimento da formação profissional: Qualificação e educação; - Produtivização do trabalho industrial ou terciário; Max Sorre, geógrafo do inicio do século XX, considera que a mobilidade se revela em escalas e tempos históricos mais diversos, e por isso, é considerada também nas sociedades ditas pré-capitalistas. O autor trabalha com uma metodologia que considera a existência de uma ecologia humana e, além disso, defende a unidade das ciências sociais nas quais estaria inserida a geografia. No que se refere à mobilidade, o autor coloca dois aspectos importantes que devem ser levados em consideração: tempo e escala. Ele trabalha com idéia de que a mobilidade é uma característica inerente ao homem, que desde sempre percorreu espaços em busca de sua sobrevivência, se adaptando e transformando estes espaços. Considera, portanto, que a mobilidade é movimento, e no caso da geografia existiriam diversos tipos de mobilidade do homem pelo espaço, ou seja, o espaço é tido como extensão e apresenta limites. Estes limites para ele seriam dados pelo tempo e pela escala de analise. “O movimento surge como única realidade, a permanência como ilusão causada pela mobilidade atenuada, imperceptível, e às vezes também pelo emprego simultâneo de duas escalas diferentes de mobilidade.” (SORRE 1984). Destaca-se ainda para Sorre também a formulação sobre limites e difusão da espécie humana através de mobilidades no ecúmeno. Essas se apresentariam em graus diversos, todos tomados em relação a um habitat. “A mobilidade no espaço geográfico conta com 2 dimensões: Temporal, intenção de retorno num curto espaço de tempo (movimento circular de ida e volta), ou o contrário, ausência de intenção de retorno em breve (movimento linear); e temporal, ou seja, a intenção de retornar num curto espaço de tempo. A mobilidade é uma prática de inserção e sua realização apenas acontece em relação a um meio social, que lhe confere sentido e estrutura” (apud BALBIM 2003 ). “Mobilidade Geográfica equivale-se aos deslocamentos cotidianos recorrentes, fruto da separação entre lugar de trabalho e habitação (migração pendular), de movimentos destinados às compras e ao lazer, ou, ainda, resultar de ritmos sazonais, imposições de ordem natural”.... “A noção de mobilidade supera a idéia de deslocamento, pois traz para a análise suas causas e conseqüências. Ao invés de separar o ato de deslocar-se dos vários comportamentos individuais e de grupos, o conceito de mobilidade tenta integrar a ação ao conjunto de atividades cotidianas do indivíduo. A mobilidade cotidiana pode ser interpretada então como base de trocas e relações sociais. Nesse contexto, o indivíduo que se desloca é ator social, com suas reivindicações e práticas próprias, sujeito de estudos, diretrizes e planificações, um agente da produção do espaço da circulação. A mobilidade cotidiana se estrutura a partir da ordem econômica, da diversidade técnica do sistema de transporte, da vida de relações (incluindo os lugares de permanência, os motivos das viagens, etc) e da configuração do território. Caracterizada por temporalidades curtas, ritmos sociais da vida cotidiana. É um tempo recorrente, repetitivo que implica no retorno cotidiano à origem. Sua repetição forja hábitos e práticas espaciais” (BALBIM 2003). "As necessidades e condições de deslocamento, como também as tecnologias de transportes, variam conforme as classes sociais. Quem é obrigado a morar longe do emprego e das compras é forçado a condições mais penosas de deslocamento. Se o estado privilegia o transporte individual construindo vias expressas, está privilegiando as condições de deslocamento dos proprietários de automóveis. De maneira geral, as camadas populares são mais prisioneiras do espaço do que as camadas de mais alta renda, pois a mobilidade dessas camadas é bem maior". (VILLAÇA 2001) A mobilidade segundo Raffestin (1993) seria composta por circulação e comunicação. A circulação de pessoas, num primeiro momento da história era estreitamente vinculada à comunicação. Posteriormente, devido à ampliação da capacidade técnica, há uma separação entre circulação e comunicação, modificando o caráter e entendimento da mobilidade. O artigo de Cadaval (2001) destaca que ocorre uma tendência do aumento da mobilidade da população, associada à urbanização acelerada, onde o setor privado de transporte (automóveis, fretados, alternativos e clandestinos) está ganhando a concorrência com o setor público. D.4 Redes Até a época contemporânea a rede de informação e comunicação era considerada uma coisa só. Entretanto, a tecnologia moderna acabou por dissociá-las, ou seja, as distâncias em matéria de comunicação foram praticamente abolidas, sendo quase imediata às transferências de um ponto a outro do globo. As técnicas de deslocamentos também reduziram drasticamente as distâncias em matéria de circulação. A especialização das redes de comunicação e circulação acabou por separá-las claramente, eliminando tal confusão entre ambas . A partir desta separação, a mobilidade será novamente integrada através de técnicas. No entanto, aqui será retomado um conceito que relaciona mobilidade à estruturação do território, trata-se das redes, ou seja, que apresentam não só materialidade como também a imaterialidade. Circulação e comunicação são as duas faces da mobilidade e são complementares, estando presentes em todas as estratégias que os atores desencadeiam para dominar as superfícies e os pontos por meio da gestão e do controle das distâncias. A circulação refere-se à transferência de seres e de bens; e a comunicação à transferência de informação. Esta inter-relação pode ser bem sintetizada em “Os homens ou bens que circulam são portadores de uma informação, e assim, comunicam alguma coisa. Da mesma forma, a informação comunicada é, ao mesmo tempo, um bem que circula” (RAFFESTIN 1993) A circulação é a imagem do poder, ela é visível pelos homens e bens que mobiliza, pelas infra-estruturas que supõe. Neste, caso o poder não pode impedir que seja visto, ele fornece informação sobre si mesmo, mesmo não querendo, pois, o ideal do poder é ver sem ser visto. A verdadeira fonte de poder deve ser procurada bem mais na comunicação que na circulação, pois é bem mais fácil dissimular, esconder a comunicação da informação. As estratégias conduzem à transparência dos fluxos materiais e a opacidade dos fluxos imateriais. A circulação, todavia, testemunha a eficácia do poder da comunicação, ou seja, o movimento da informação comanda a mobilidade dos seres e das coisas. A comunicação se alimenta da circulação: o território concreto é transformado em informação e se torna um território abstrato e representado. O ideal do poder seria agir em tempo real, entretanto, mesmo com as modernas técnicas da rede informacional, a necessidade de deslocar os homens para determinado lugar para executar tal ação, todavia sofre algumas restrições de deslocamento. Quando a distância de comunicação e circulação estiver igualada, o poder estará perto de ser absoluto e global. Toda estratégia integra mobilidade e consequentemente elabora uma função circulação-comunicação. Para Raffestin (1993) as redes são “... fios seguros de uma rede flexível que pode se moldar conforme as situações concretas e, por isso mesmo, se deformar para melhor reter”... são “proteiforme, móveis, inacabadas, e é dessa falta de acabamento que elas tiram sua força no espaço e no tempo: se adaptam as variações do espaço e as mudanças que advêm no tempo.”...“tanto libera como aprisiona. É o porquê de ela ser o instrumento por excelência do poder”... “são sistemas sêmicos materiais, surgem de uma leitura ideológica em vários níveis: enquanto são traçadas, enquanto são construídas, e enquanto são utilizadas, ou se preferirmos, consumidas. Desenho, construção e utilização de uma rede dependem dos meios a disposição (energia e informação), dos códigos técnicos, sociopolíticos e socioeconômicos, assim como dos objetivos dos atores”... “Elas dependem dos atores que geram e controlamos pontos da rede, ou melhor, da posição relativa que cada um deles ocupa em relação aos fluxos que circulam ou que são comunicados na rede ou nas redes”... “Um sistema de circulação é um instrumento criado, produzido por atores, e é reproduzido de uma forma variável, em função dos projetos políticos e econômicos que evoluem”. Nos últimos 10 anos os estudos sobre as Redes vêm reunindo diversas propostas, significados e abordagens. O consenso geral identificou 4 grandes fluxos que atravessam o espaço geográfico: - Fluxos Migratórios: - Fluxos de Mercadorias - Fluxos Informacionais - Fluxos Monetários e Financeiros Tais fluxos, na sua maioria, eram restritos aos seus territórios nacionais. Contemporaneamente eles começaram a atuar numa escala mais ampla e até global, gerando uma nova ordem de problemas advindos de sistemas reticulares cada vez mais de controle territorial. Estes fluxos estão tornando-se mais espessos a cada dia ampliando as necessidades de circulação e exigindo técnicas cada vez mais eficazes. Grandes autores das ciências humanas pensaram nas Redes como forma de organização: Social: CASTELLS; MARQUES; OLIVEIRA; SCHERER-WARREN Urbana: SANTOS; CORRÊA; Transnacional: MACHADO; CUNHA Técnicas: BAKIS; BENAKOUCHE; CAPEL; DIAS; DUPUY; GRAHAM HUGHES; OFFNER Com o avanço das Redes, principalmente as de transporte e telecomunicações teóricos superestimaram o poder das mudanças técnicas sobre a sociedade. A Rede foi considerada capaz de criar condições sociais inéditas e de estruturar os territórios. No entanto, idéias como democracia, fim das hierarquias, descentralização e autonomia são criticadas com argumentos de que a morfogênese das Redes é determinada pelos aspectos institucionais da organização dos serviços públicos. “Em termos de organização espacial, é possível observar que o Estado de São Paulo possui uma rede urbana relativamente bem estruturada ao longo de seu território, com um número expressivo de cidades média, além de abrigar uma grande região metropolitana, liderada por uma cidade-mundial que comanda a área mais dinâmica do país assim considerada por concentrar muitas das organizações industriais, comerciais e de serviços” (RAMOS1998). A rede urbana considera que existe uma organização entre as cidades, elas não dispostas aleatoriamente no espaço. Tais organizações se materializam nas trocas de fluxos e sua relações econômicas e sociais. “A realidade contemporânea nos impõe uma simultaneidade de acontecimentos e fenômenos que dificultam avaliar com exatidão os processos através dos quais se estruturam as diversas redes que recobrem o espaço” (RAMOS1998). Entretanto, constata-se uma forte correlação entre rede urbana e rede de circulação, sendo objeto de reflexão. D.5 Rede Rodoviária Macrometropolitana A rede rodoviária foi estruturada seguindo as ferrovias já implantadas no território, reforçando as principais ligações já existentes e, incluindo novas cidades na integração regional, consolidando cidades com alta articulação de diversas rodovias, constituindo grandes nós rodoviários. Devido ao processo histórico do modelo de desenvolvimento concentrado nas rodovias, atualmente, a maioria dos fluxos populacionais e de mercadorias dependem dos automóveis. A indústria moderna concentrada nesta região exige uma rede de circulação boa, que permite a troca de fluxos com facilidade e fluidez. Não é a toa que exatamente nesta região encontram-se as rodovias mais modernas do Brasil, com a maior velocidade autorizada, permitindo uma boa fluidez e, consequentemente diminuindo a distância temporal entre as cidades, assim como, detém a maior capacidade de fluxos de veículo, ou seja, comporta uma quantidade maior de tráfego. O sistema oferece, portanto, alta fluidez e capacidade de trocas entre as cidades, itens fundamentais para a viabilidade do setor industrial moderno e de uma rede urbana bem articulada. Figura 13 :Velocidade autorizada. Fonte: HERVÉ e MELLO 2005 Figura 14: capacidade de veículos Fonte: HERVÉ e MELLO 2005 A cidade de São Paulo é a mais articulada mantendo ligações diretas com as demais regiões da Macrometrópole, especialmente com Baixada Santista, que é o porto com maior movimento de cargas; com o Vale do Paraíba, formando o Macro-Eixo Rio São Paulo e coma Região Metropolitana de Campinas, que funciona como uma interface para o interior do Estado de São Paulo e por fim a região de Sorocaba. As ligações permitem que as mercadorias importadas pelo Porto de Santos sejam distribuídas em todo o Estado rapidamente, assim como, permite que a produção agropecuária e industrial seja exportada. A Região Metropolitana de Campinas revela-se a segunda mais bem articulada, com ligações diretas para o Vale do Paraíba Paulista, Sorocaba e, obviamente o interior do estado e a Região Metropolitana de São Paulo. As demais regiões, apesar de contar com um menor número de ligações diretas, sem dúvida, estão bem localizadas entre os principais nós rodoviários. Trafegam nas rodovias automóveis particulares, diversas linhas de ônibus suburbanas e rodoviárias, ônibus e vans sob o regime de fretamento contínuo, além de caminhões. Todos esses veículos transportam pessoas (ora mão de obra, ora consumidores), matérias primas, produtos agropecuários e industriais, revelando uma diversidade de fluxos que circulam na mesma rede. Nota-se também a forte ramificação da rede, possibilitando uma liberdade espacial considerável. “..o transporte rodoviário tem um efeito altamente integrador, permitindo a custos relativamente baixos a pavimentação das vicinais, que têm um efeito de capilaridade sobre as áreas adjacentes, levando a uma relativa homogeneização do território, em termos de aproveitamento das terras agrícolas , como da exploração imobiliária” (REIS 2006). D.6 Fluxos Pendulares Para compreender a intensidade dos fluxos pendulares que ocorrem na Macrometrópole, necessariamente, temos de considerar em perspectiva histórica a organização espacial das formas urbanas em suas diversas escalas no Estado de São Paulo. O modelo de desenvolvimento urbano-industrial foi incorporando novas técnicas e modificando sua materialidade, tanto nos novos arranjos espaciais quanto nos aspectos sociais. “A primeira tendência, a da fase de formação das regiões metropolitanas, foi a da concentração: formação de grandes unidades industriais, de grandes bairros com instituições financeiras, adensamento residencial, servindo uma única região. Depois veio a dispersão: formação de um número maior de centros de escala média, ligados entre si por sistemas ágeis de transporte e comunicação” (REIS 2006). A liberdade espacial oferecida pelas rodovias amplia as perspectivas territoriais. As fábricas que se concentravam junto às ferrovias, asseguradas pelo fornecimento de carvão e o escoamento da produção, passam a optar pela energia elétrica e pelas áreas mais afastadas dos núcleos urbanos mais densos. Este processo é descrito por Reis (2006) em duas etapas “A primeira, entre 1945 e 1970, quando os pavilhões industriais se estabeleceram nos subúrbios ao redor da cidade, e municípios que no final do período viriam a integrar a Região Metropolitana de São Paulo, em conurbação ou como satélites bem próximos. Na segunda etapa, entre 1970 e 2005, ocorreu um processo de dispersão mais amplo. As unidades fabris passaram a ser instaladas em municípios mais distantes, em cidade do Vale do Paraíba, nas áreas de campinas e da Baixada Santista, dando origens às novas regiões metropolitanas”. O autor esclarece que uma nova dinâmica territorial se formava, diversos núcleos dispersos se consolidavam as margens das rodovias, formando um cenário de alta circulação populacional entre diversos pontos das cidades. “Na medida em que o mercado de trabalho passava a ser organizado em escala que superava de muito os limites municipais, atingindo uma escala que podemos chamar de regional, com alta mobilidade no território, a conseqüência lógica foi à dispersão crescente dos bairros residenciais, como resultado da busca de melhores condições de vida; os mais pobres, sobretudo os não-especializados, para residir perto dos novos locais de trabalho. Técnicos de nível médio e alto e trabalhadores não qualificados passaram a procurar locais de habitação com custos imobiliários mais reduzidos, em locais afastados dos centros das cidades e mais próximos das indústrias. Numerosas famílias passaram a se estabelecer em cidades médias, desde que no âmbito do universo regional da descentralização industrial, com menor custo de vida e na medida do possível, melhor condições ambientais” (REIS 2006). Outras atividades acompanharam esse movimento, como as de comércio e serviços. Nota-se, portanto, que uma nova lógica se apresentava, com alta mobilidade e liberdade espacial. Para acompanhar essa busca por maior fluidez, as indústrias passaram a organizar linhas próprias de ônibus fretados, modelo que foi adotado, posteriormente, por outros setores privados, grupos específicos e até órgãos públicos. Tal fluxo pendular está ligado aos circuitos modernos como revelam os dados a seguir. Segundo o IBGE 59% da população residente que trabalhava ou estudava em outro município estava na Região Sudeste e, 31% só no estado de São Paulo, justamente onde a fator de dinamismo é a indústria moderna. Todavia, nota-se que a pendularidade é uma prática de predominância urbana. Tabela 1: Mobilidade Brasileira - Absoluta - IBGE 2000. Trabalhavam ou estudavam em outro População município da federação Total Urbana Rural Total Urbano Rural Brasil 169.872.856 137.925.238 31.947.618 6.655.162 6.085.729 569.433 Sudeste 72.430.193 65.528.444 6.901.749 3.926.029 3.771.874 154.155 2.096.592 2.041.270 55.322 Estado de 37.035.456 34.586.021 2.449.435 São Paulo Fonte: IBGE 2000. Adaptação: GIBERTI 2006. Tabela 2: Mobilidade Brasileira - Porcentagem - IBGE 2000. Trabalhavam ou estudavam em outro município da federação População Total Urbana Rural Total Urbano Rural Brasil 100,00 81,19 18,81 3,92 3,58 0,34 Sudeste 100,00 90,47 9,53 5,42 5,21 0,21 93,39 6,61 5,66 5,51 0,15 Estado de 100,00 São Paulo Fonte: IBGE 2000. Adaptação: GIBERTI 2006. Trabalhando em uma escala mais detalhada, a municipal, verificam-se correlações entre os índices de pendularidade e funcionalidades/rede urbana. Os dados do IBGE revelam que a Macrometrópole tem cerca de 1.630.00 pessoas que trabalham ou estudam fora do município de residência. A Região Metropolitana de São Paulo lidera a Macrometrópole, com destaque para as cidades de Osasco, São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo; Carapicuíba, Taboão da Serra, São Caetano do Sul e Mauá. Os demais municípios desta região também apresentam altos números de pendularidade, semelhantes aos principais núcleos urbanos das outras regiões que compõem a Macrometrópole. Em segundo lugar apresenta-se a Região Metropolitana de Campinas, com destaque para Campinas, Hortolândia, Sumaré e Santa Bárbara D´Oeste, seguidas de Americana, Nova Odessa e Valinhos. Em terceiro lugar encontra-se a Região Metropolitana da Baixada Santista, sendo o município de São Vicente seguido por Praia Grande, Santos e Cubatão os mais representativos. Em quarto lugar o eixo Jacareí, São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Tremembé e Pindamonhangaba destacam-se na aglomeração do Vale do Paraíba Paulista. Em quinto, as aglomerações lideradas por Jundiaí e Atibaia, em sexto o aglomerado de Sorocaba, liderada pela cidade de Votorantin e por último às cidades de Piracicaba, Limeira, Mogi Mirim e Mogi Guaçu. As regiões restantes apresentaram uma baixa participação no total da Macrometrópole. Tabela 3: População residente que trabalha ou estuda em outro município Região / Aglomeração Absoluto Porcentagem Macrometrópole 1632079 100,00 RMSP 1089681 66,77 RMC 182313 11,17 RMBS 116347 7,13 Aglomeração Urbana do Vale do Paraíba 79693 4,88 Aglomeração Urbana de Cabreúva, Itupeva, Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Atibaia e Bragança Paulista 66201 4,06 Aglomeração Urbana de Sorocaba 50986 3,12 Aglomeração Urbana de Piracicaba, Rio Claro, Limeira, Iracemápolis, Santa 37003 Gertrudes, Cordeirópolis, araras, leme, Conchal, Mogi Mirim e Mogi Guaçu 2,27 Litoral Norte Paulista 6463 0,40 Ibiúna e Nazaré Paulista 1775 0,11 Fonte: IBGE 2000. Organização: GIBERTI 2006. Os dados absolutos da pendularidade apresentam uma forte relação com a população total, ou seja, de maneira geral, as cidades mais populosas são as que apresentam uma maior população com atividades em outros municípios. Entretanto, quando analisamos a porcentagem da população que realiza tal prática, notamos uma inversão forte, os municípios que absolutamente lideravam os deslocamentos, geralmente os mais populosos e os mais importantes da rede urbana, os pólos regionais e sub-regionais, notamos que eles apresentam as menores taxas percentuais, em contrapartida, os municípios em volta são os que detêm as maiores taxas. Pode-se considerar que, a maior oferta de trabalho e educação nos principais pólos da rede urbana, como São Paulo, Campinas, São José dos Campos e Sorocaba conseguem absorver mais a sua população, com exceção das principais cidades da Baixada Santista, que apresentam taxa relativamente elevadas absolutamente e percentualmente. Os municípios periféricos aos centros mais importantes tendem a apresentar taxas percentuais maiores de pendularidade, algumas caracterizadas como cidades dormitórios (Itapecerica da Serra, Embu-Guaçu, Carapicuíba, Jandira, Itapevi, Francisco Morato, Franco da Rocha, Mairiporã, Itaquaquecetuba, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e Biritiba Mirim). Algumas cidades chegam a altas taxas percentuais de pendularidade, revelando sua forte dependência de outros núcleos. Na Região Metropolitana de São Paulo destacam-se Taboão da Serra e Jandira, posteriormente, Santana do Parnaíba, Carapicuíba, Francisco Morato, Poá, Ferraz de Vasconcellos, Diadema e São Bernardo do Campo. As demais cidades também apresentam um índice considerável. Na Região Metropolitana de Campinas, Hortolândia apresenta o maior índice, seguido por Sumaré e Santa Bárbara D´Oeste. Os demais municípios como Valinhos, Vinhedo, Nova Odessa, Artur Nogueira e Cosmópolis também apresentam taxas superiores a 8%. No Vale do Paraíba Paulista Potim apresenta a maior taxa, seguida de Tremembé, Pindamonhangaba e Jacareí. Votorantin Salto de Pirapora e Alumínio contam com os percentuais mais elevados da região de Sorocaba. Na Baixada Santista São Vicente e Praia Grande lideram a pendularidade, seguidos por Cubatão e Santos. Os dados permitem concluir que as cidades com menos importância na rede urbana apresentam uma maior pendularidade percentual, revelando a intensidade dos fluxos pendulares em direção aos principais núcleos da Macrometrópole. Entretanto, para um maior aprofundamento foram consultados alguns trabalhos específicos que identifiquem quais são os principais destinos dos fluxos. De fato, os municípios mais periféricos das Regiões Metropolitanas de São Paulo, Campinas e Baixada Santista e, os aglomerados urbanos do Vale do Paraíba, Sorocaba seguido das demais regiões, têm como principal destino o centro de sua região, ou seja, são deslocamentos pendulares intra-regionais. Porém, os dados levantados empiricamente também identificaram muitos fluxos pendulares inter-regionais, ligando os principais centros dessas regiões, como São Paulo, Campinas, Santos, São José dos Campos, Sorocaba, Jundiaí entre outros. Na região Metropolitana de São Paulo metade da pendularidade tem como destino a cidade de São Paulo, seguida pela própria população de São Paulo que ruma diariamente aos outros municípios da região metropolitana. O deslocamento Inter- Regional com origem na RMSP e destino nas outras regiões da Macrometrópole atinge uma cifra considerável, quase 60.000, entretanto percentualmente é o mais reduzido. Tabela 4: Pendularidade 2000 por regiões Total De outros municípios para o município de São Paulo Do município de São Paulo para outros municípios De outros municípios para outros municípios (Intra-Regional) De outros municípios para outros municípios (Inter-Regional) Fonte: IBGE 2000 Elaboração: GIBERTI 2006. Absoluto 1279282 Porcentagem 100 633088 49,49 260650 20,37 326031 25,49 59513 4,65 Na Região Metropolitana de Campinas, novamente o centro da região é o destino da maioria dos fluxos pendulares, Neste caso, a maioria dos fluxos saem de Hortolândia, Sumaré, Valinhos e Americana com destino a Campinas. Um fluxo muito intenso também sai de Santa Barba D´Oeste em direção a Americana. Figura 15: Percentual das viagens na Região Metropolitana de Campinas Fonte: EMTU 2003. Nas demais regiões não existem dados mais detalhados que permitam uma identificação das principais origens e destinos, entretanto, pelo estudo podemos afirmar que, os principais fluxos são oriundos de Jacareí, Caçapava, Tremembé e Pindamonhangaba com destino para São José dos Campos e Taubaté. Na aglomeração de Sorocaba, Votorantin, Salto de Pirapora originam os fluxos destinados à cidade de Sorocaba. Na Baixada Santista, os fluxos tem como destino a Região metropolitana de São Paulo. Como já salientado anteriormente a rede rodoviária é a principal responsável pelas trocas dos fluxos Macrometropolitanos, inclusive dos pendulares. Outra questão que se apresenta é a forma de transporte utilizada para tais deslocamentos, algumas são mais difíceis de registrar e obter dados, outras mais acessíveis, dificultando o levantamento de dados empíricos para tal estudo. Cada uma apresenta características peculiares pertinentes ao estudo, pois, revelam seu conteúdo social e sua dinâmica no território. D.7 Transporte Público X Fretado Devido à dificuldade de obter dados referentes à circulação dos automóveis particulares, que representam uma fatia importante nos deslocamentos pendulares e, um papel fundamental na alta mobilidade populacional na região, o estudo concentrou-se no transporte convencional organizado pelas linhas regulares e o fretamento contínuo de veículos. As análises são mais qualitativas, embora em alguns casos indiquem a quantidade também. Basicamente, podemos definir o transporte convencional em rodoviário, metropolitano e suburbano. As linhas que sustentam a pendularidade são as metropolitanas e suburbanas, entretanto somente as Regiões Metropolitana de São Paulo, Campinas e Baixada contam com um sistema de transporte metropolitano, as demais regiões se apóiam nas linhas suburbanas. Segundo a ARTESP 2006, as 5 maiores ligações suburbanas são: • • • • • São José dos Campos / Jacareí Campinas / Hortolândia Taubaté / Pindamonhangaba Campinas / Monte Mor Sorocaba / Salto de Pirapora Figura 16: Transporte Intermunicipal. Fonte: Secretaria dos Transportes do Estado de São Paulo 2005 Entretanto, o transporte fretado foi ganhando espaço em relação ao sistema regular, principalmente pela sua maior flexibilidade. O serviço de transporte coletivo de passageiros mediante o regime de fretamento surgiu no final da década de 50 na região do ABC impulsionado principalmente pela forte industrialização da região que era carente de um sistema de transporte. Hoje o transporte fretado encontra-se presente em todo o país nos mais diversos segmentos. Este serviço destina-se à condução de grupos definidos de pessoas, com contrato específico, sem cobrança individual de passagens, não tendo caráter de serviço aberto ao público. O fretamento se divide em 2 modalidades, o fretamento contínuo e o eventual. Neste caso nos interessa o contínuo, caracterizado como o serviço de transporte de passageiros prestado a pessoa jurídica, mediante contrato escrito, para um determinado número de viagens, destinados ao transporte de usuários definidos. Envolve o transporte para indústrias, shopping centers, executivos, escolas, universitários, rurais entre outros. Qualquer modalidade de fretamento pode ser realizada no âmbito municipal, intermunicipal, metropolitano, interestadual e internacional. Para cada escala de atuação existe um órgão concedente que regulamenta e fiscaliza o serviço. Quadro 1: Órgãos controladores das diferentes escalas de atuação do transporte fretado Órgão Atuação ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) Internacional e Interestadual EMBRATUR (Instituto Brasileiro do Turismo) Nacional ARTESP (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo) Intermunicipal fora da Região Metropolitana STM (Secretaria dos Transportes Metropolitanos) Regiões Metropolitanas SMT (Secretaria Municipal de Transportes da Cidade de São Paulo) Município de São Paulo Elaboração: GIBERTI 2006. Cada empresa de fretamento deve ter seu registro no órgão fiscalizador de acordo com sua área de atuação. Para obter o alvará é preciso cumprir uma série de exigências com relação à capacidade econômica, técnica e operacional da empresa e também de seus dirigentes. Todos os veículos são submetidos a vistorias de segurança com periodicidade anual ou menor, conforme a idade do veículo. Podem ser utilizado ônibus rodoviários, microônibus e vans. Podemos notar que a mobilidade cotidiana em escala regional e inter-regional ocorre com forte intensidade no Estado de São Paulo, motivada principalmente por deslocamentos para trabalho e estudo. O sistema de transporte fretado oferece mais comodidade e itinerários mais convenientes à população, ganhando cada vez mais espaço em relação às linhas inter-regionais e intermunicipais convencionais. Uma pesquisa realizada com as empresas e funcionários das empresas sobre o serviço dos fretados revela o porquê este modo vêm aumentando sua presença a cada dia. Tabela 5: Benefícios do fretamento EMPRESA VANTAGEM Pontualidade Custo + Benefício Comodidade Não quis opinar Outros Segurança Integração Conforto Fonte: EMTU 2005 EMPREGADOS PERCENTUAL RESPOSTAS VANTAGEM PERCENTUAL RESPOSTAS 35,9% 21,0% 12,2% 9,9% 8,8% 7,2% 2,8% 2,2% Comodidade Conforto Pontualidade Outros Custo + Benefícios Não quis opinar Segurança Integração 35,1% 14,1% 13,2% 10,7% 9,3% 8,3% 7,3% 2,0% Verificamos a tendência de expansão dos fretados em detrimento do transporte convencional em dados referentes aos passageiros transportados pelas linhas intermunicipais e na evolução da frota cadastrada. Tabela 6: características do transporte Intermunicipal estadual Características Gerais 1998 1999 2000 2001 2002 (2) Linhas Rodoviárias Suburbanas Autolotação 1.221 860 361 1 1.219 854 366 1 1.221 844 376 1 1.221 816 404 1 1.157 740 416 1 Frota Linhas Rodoviárias Linhas Suburbanas Linhas Autolotação 6.405 4.590 1.804 11 6.196 4.418 1.767 11 6.272 4.367 1.893 12 ... ... ... ... 5.920 4.144 1.766 10 Passageiros Transportados (em mil) Linhas Rodoviárias Linhas Suburbanas Linhas Autolotação 222.141 212.695 189.453 195.063 161.429 76.015 70.144 66.907 68.505 65.792 146.104 142.532 122.536 126.543 95.624 22 19 10 15 13 ... 152 Viagens Realizadas (em mil) 8.152 8.224 8.048 8.109 Fonte: Departamento de Estradas de Rodagem - DER; Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo - Artesp/Diretoria de Procedimentos e Logística - DPL. (1) Exclusive as informações sobre o transporte intermunicipal nas Regiões 6.232 Empresas 161 161 169 Metropolitanas de São Paulo, da Baixada Santista e, a partir de 2002, da Região Metropolitana de Campinas, cujos serviços são gerenciados pela EMTU, empresa vinculada à Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos. (2) Dados preliminares. De 1998 a 2002 houve uma forte queda no número de passageiros e viagens realizadas, o sistema convencional perdeu 60.712 passageiros e diminuiu 2.280 viagens neste período. Como podemos entender essa diminuição se, ao mesmo tempo, notamos um aumento na pendularidade da população? A resposta provavelmente encontra-se no aumento de veículos particulares e, na presença dos fretados. Gráfico 1: Evolução da frota cadastrada na Região Metropolitana de São Paulo Fonte: EMTU 2005 Estima-se (www.clewis.com.br/fretamento.asp) que em todo o Estado de São Paulo são transportados cerca de 20 milhões de passageiros por mês, em uma frota de mais de 10 mil veículos, totalizando mais de 400 mil quilômetros rodados por ano. Estudos (www.transfretur.com.br) fundamentados na última pesquisa Origem / Destino da Região Metropolitana de São Paulo indicam que o ônibus fretado é responsável por 567 mil viagens diárias de passageiros, internas ou que penetram na Região Metropolitana de São Paulo. Este número representa aproximadamente 1/3 do volume de passageiros transportados pelo metrô e aproximadamente 1/3 do volume de passageiros das linhas de ônibus intermunicipais metropolitanas na época pesquisada. Em 2002, 550 mil pessoas eram transportadas diariamente na Região Metropolitana de São Paulo por fretamento, em aproximadamente 18 mil viagens, o que equivale a uma frota de 4.500 veículos, com média de 4 viagens por veículo. O transporte coletivo de passageiros sob o regime de fretamento apresenta números recentes que são significativos: · Sistema de Fretamento Metropolitano – STM / EMTU – Grande São Paulo (abril / 2001) . empresas registradas com frota 560 . frota cadastrada 5887 . idade média 7,56 anos · Sistema de Fretamento Metropolitano – STM / EMTU – Baixada Santista (abril de 2001) . empresas registradas com frota 28 . frota cadastrada 240 . idade média 6,24 anos - Serviço de Fretamento – DER / SP – Estado de São Paulo (dezembro de 2000) . empresas registradas no serviço 818 . número de veículos registrados 10145 · Tráfego de ônibus fretados nos corredores – SPTRANS – São Paulo (maio de 2000) . corredores da Região Sul 1021 carros / hora pico . corredores da Região Norte 485 carros / hora pico . corredores da Região Leste 174 carros / hora pico - Sindicatos das Empresas na Região Metropolitana de São Paulo (junho de 2000) . Transfretur 52 empresas (~ 4000 carros) . Sinfret 25 empresas (~ 1200 carros) · Pesquisa Origem / Destino – Região Metropolitana de São Paulo (1997) . Viagens com fretado por dia 471414 . Viagens com origem e/ou destino em São Paulo 230160 Os fretados, portanto, pelo seu custo competitivo, flexibilidade, facilidade de organização, tanto por parte de empresas quanto por organizações públicas e civis, oferece as melhores condições de transporte em massa para interligar todos os pontos do território, a dificuldade de locomoção da população pelas linhas regulares com itinerários rígidos passa a ser substituída por essa nova forma de transporte. Todos os dias novas linhas são criadas, atendendo itinerários cada vez mais diversificados. D.8 Pólos Urbanos / Raio de Atração Encontramos, portanto, uma alta mobilidade da população sustentada pelos transportes particulares, regulares e fretados, possibilitando a pendularidade entre diversas formas urbanas. Foram selecionados vários exemplos de pólos urbanos que exercem um poder de atração de vários quilômetros sobre a população espalhada em toda a Macrometrópole. Mediante os produtos apresentados a seguir, podemos comparar a funcionalidade de cada pólo, sua localização e as formas de transportes utilizadas para o acesso da população. Os exemplos buscam representar a diversidade encontrada durante toda a pesquisa. Avenida Paulista Esta região da cidade de São Paulo é o principal centro financeiro da Brasil, reunindo em alta densidade grandes grupos econômicos, sedes das indústrias e empresas espalhadas pelo Estado de São Paulo, formando um aglomerado de oportunidades. Por este motivo, diversos fluxos convergem neste ponto do território, especialmente as linhas fretadas que trazem pessoas de toda a Macrometrópole que trabalham nesta região. Seu raio de atração atinge 120 Km. A maioria das linhas são da Região do ABCD. Suas ligações contemplam os principais centros regionais e sub-regionais da Macrometrópole, como Campinas, Americana, São José dos Campos, Santos e outras cidades. Alphaville Localizada na cidade de Barueri, nas redondezas da Região Metropolitana de São Paulo, este pólo reúne atividades residenciais, empresariais e comerciais, se caracterizado como um pólo multifuncional. As linhas fretadas mapeadas indicaram um raio de atração de 80Km, ligando diversos bairros da zona sul da cidade de São Paulo, assim como bairros mais centrais, assim como cidades da Baixada Santista e Região Metropolitana de Campinas. Podemos deduzir que se trata de deslocamentos residência/trabalho com destino a Alphaville. Também existem algumas linhas fretadas que levam os moradores deste pólo a locais estratégicos da cidade de São Paulo como a Universidade de São Paulo e Avenida Paulista. Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo Os órgãos públicos também oferecem linhas fretadas em um raio de 40 Km para seus funcionários, especialmente nos bairros mais periféricos de São Paulo, além de cidades do ABC Paulista. Notamos que o próprio poder público também adota o transporte fretado pelas suas vantagens em relação às linhas regulares. USP Considerada umas das Universidades mais importantes do Brasil, seu raio atinge 130 Km buscando os alunos em vários pontos espalhados na Macrometrópole mediante as linhas fretadas. Os principais centros regionais estão ligados a USP, caracterizando uma diversidade de origens considerável. UNIP Outra Universidade que se destaca pelo seu poder de atração é esta filial sediada em uma área dispersa, no limite de São José dos Campos com Jacareí. Sua polarização atrai diariamente estudantes do Litoral Norte Paulista e de cidades do Vale do Paraíba. São mais de 100 linhas fretadas, predominantemente de vans, que consagram esta Universidade com um dos principais destinos dos universitários desta região. UNICAMP Situada em um bairro disperso de Campinas, Barão Geraldo, sua importância como centro de referência universitária na Região Metropolitana de campinas é evidente, atingindo um raio de atração de 100Km, principalmente com ligações de vários bairros de campinas e cidades da região. O próprio site do Campus já disponibiliza uma relação de várias linhas fretadas para o acesso ao campus. WOLKSWAGEM Esta indústria, situada próximo a um bairro operário, ambos disperso, recruta sua mão de obra através dezenas de linhas fretadas com um raio de 70 Km, atingindo cidades mais isoladas da rede urbana como Lorena, Aparecida e Roseira. Suas linhas também atendem todas as regiões da cidade da Taubaté. EMBRAER Localizada em São José dos Campos, centro regional, suas atividades exigem profissionais altamente capacitados para as atividades de alta tecnologia desenvolvida nesta indústria, resultando no recrutamento de mão de obra em um raio de 130 Km, atingindo Campinas e cidades mais próximas do Vale do Paraíba, especialmente Jacareí, Taubaté e Tremembé. Suas linhas fretadas passam por bairros operários e por bairros de alto padrão, revelando a diversidade técnica da mão de obra. Bairro Quiririm Neste bairro operário de Taubaté, encontram-se vários Conjuntos habitacionais que fornecem mão de obra para fábricas espalhadas pelo Vale do Paraíba, como EMBRAER, WOLKSWAGE, ALSTOM e FORD. Diariamente dezenas de linhas fretadas conduzem os moradores aos seus postos de trabalho. Este pólo residencial, portanto, fornece boa parte da força de trabalho industrial da região, atingindo um raio de 40km. Tampas Click Esta indústria localizada em uma área dispersa na cidade de Valinhos, oferece linhas fretadas para seus funcionários até Campinas e São Paulo, os dois principais centros urbanos da Macrometrópole, atingindo um raio de atração de 80Km. EATON Também localizada em Valinhos, em uma área dispersa, próximo ao limite com Campinas, à indústria oferece dezenas de linhas fretadas que passam por bairros de todas as regiões de Campinas, chegando até ao município de Mogi-Mirim, formando uma raio de 70 Km de atração. Center Vale Shopping Não foram constatadas linhas fretadas que liguem este Shopping a outras cidades, entretanto, os funcionários informaram, mediante as placas dos automóveis no estacionamento, que os consumidores são oriundos de todo o vale do Paraíba e até mesmo do Litoral Norte. Localizado as margens da Rodovia Dutra, dentro da mancha urbana central, este pólo reúne marcas famosas fazendo com que a população se desloque em veículo particular vários quilômetros para realizar suas compras. Seu raio de aração atinge 120 Km. Parque Dom Pedro Shopping Este outro Shopping de Campinas forneceu dados percentuais das origens de seus consumidores. Seu raio de atração ultrapassa os 40 Km, sendo que 65% de seus consumidores moram em Campinas, 19% em Valinhos, Vinhedo, Sumaré, Paulínia, Hortolândia e Indaiatuba; e 16% de outras cidades, ou seja, 35% dos consumidores residem em outras cidades. Hopi Hari Este parque localizado em uma área dispersa de Vinhedo, exercendo atividade de lazer, apresentou o maior raio de atração encontrado em toda a pesquisa, atingindo os incríveis 450 Km. Cidades como Londrina e Curitiba no Estado do Paraná contam com linhas fretadas semanais que ligam os usuários ao parque de diversões. Entramos em outra escala, a Inter-Estadual. Suas linhas fretadas também contemplam quase todas as cidades da Baixada Santistas e vários bairros da cidade de São Paulo, além de cidades mais próximas a sua localização. Todos os pontos mapeados foram reorganizados enquanto pontos de origem e destino, possibilitando uma visualização da circulação dos fretados na Macrometrópole, revelando que praticamente toda esta região é atendida por esta forma de transporte flexível, sustentando uma alta mobilidade da população tanto de renda alta e baixa, dando mais liberdade aos pólos urbanos da região, que não dependem mais do sistema de transporte convencional. Pontos de Concentração de fretados na Cidade de São Paulo Sua diversidade de atividades e pólos espalhados pela cidade acaba por atrair, em vários pontos da cidade, linhas fretadas de toda a Macrometrópole. Este município revelou-se o maior destino de todos os deslocamentos pendulares da Macrometrópole. A seguir consta uma relação preliminar dos pontos de concentração de fretados e as origens das linhas. O número na verdade é bem maior, mas os dados apresentados permitem uma caracterização do poder que São Paulo exerce sobre os fluxos pendulares. Notamos, portanto, que o município, em seus diversos pontos de concentração, se conecta com praticamente toda a Macrometrópole, revelando-se um pólo atrativo de alto poder, apresentando vários motivos para tal atração. Esta extrema articulação com toda a região, pode gerar em alguns pontos de alta convergência das linhas fretadas alguns problemas de caráter intra-urbano. Dentre eles destacam-se: -Circulação do fluxo: Muitas vezes o itinerário passa por vias inadequadas, já saturadas, aumentando o congestionamento, afetando o transporte regular. Como não existem pontos de parada, todo lugar é um ponto em potencial. Quando o ônibus para ele induz os veículos de trás a ir para a pista da esquerda, afetando as outras faixas e diminuindo a velocidade de circulação dos veículos. -Estacionamentos nas vias públicas: Muitos estacionam nas ruas, o que é proibido por lei, diminuindo o espaço para circulação. -Rodoviárias clandestinas / Clandestinidade: A falta de segurança, competitividade desleal etc.. -Impacto visual: Os comerciantes reclamam que a visão do consumidor é afetada, dificultando a exposição de seus produtos - Impacto ambiental e sonoro: excesso de veículos gera muita fumaça e muito barulho, especialmente em ruas estreitas. Estes pontos de concentração devem ser pensados juntamente com as regiões com que estão conectados em uma eventual intervenção urbana. Também se deve planejar o itinerário mais adequado, buscando uma integração com os demais sistemas de transporte da cidade. Quadro 2: Pontos de concentração de fretados na Cidade de São Paulo Fontes: Departamento dos Transportes Públicos (DTP1); Levantamentos em Campo próximo à Av.Paulista; www.fretado.com. Elaboração: GIBERTI 2006. D.9 Acessibilidade / Flexibilização do Sistema de Transporte Para refletir sobre os pólos urbanos apresentados e suas relações com a mobilidade, alguns elementos se apresentam. A liberdade espacial oferecida pelo avanço das técnicas de circulação e comunicação, especialmente o sistema rodoviário Paulista, oferecem as condições físicas de acesso a tais áreas, entretanto os modos de transporte variam. “A acessibilidade é o valor de uso mais importante para a terra urbana, embora toda e qualquer terra o tenha em maior ou menor grau. Os diferentes pontos do espaço urbano têm diferentes acessibilidades a todo o conjunto da cidade”... “A acessibilidade de determinada localização é função do tempo dos diversos percursos a partir dessa localização, da freqüência com que esses diversos percursos precisam ser feitos, da freqüência do meio de transporte disponível (horário por exemplo) e do custo do transporte em si” (VILLAÇA 1998). Os exemplos apresentados são dificilmente acessíveis pelas linhas regulares para o deslocamento intermunicipal, pois, elas não atendem o raio de circulação necessário, por questões administrativas, para deslocar a população do seu ponto de origem ao seu ponto de destino. O automóvel particular e os veículos fretados surgem com os responsáveis pela acessibilidade de tais áreas, percorrendo itinerários diretos, otimizando o tempo de deslocamento. Também não podemos esperar que o poder público disponibilize essas ligações, pois, muitas não teriam viabilidade econômica, tendo em vista que, essas demandas são de grupos específicos que se multiplicam, cada qual com seu itinerário, entretanto sem um peso que justifique a implantação de novas linhas convencionais mais flexíveis. Os novos arranjos urbanos, caracterizados por inúmeros pólos dispersos, tiveram de assegurar a acessibilidade da população, organizando as linhas fretadas e disponibilizando grandes estacionamentos para comportar o alto número de veículos particulares. Às vezes os itinerários são tão diversificados que, só são atendidos pelas vans e micro-ônibus. Os ônibus que circulam com capacidade ociosa também contribuem para a saturação das vias de circulação, sem contar com o desperdício de combustível. A flexibilização dos transportes, portanto, é uma tendência necessária para acompanhar as novas formas urbanas, cabendo aos próprios interessados a organização das mesmas. D.10 Tempos e Espaços Modernos As novas formas de organização espacial das funções urbanas, apoiadas na liberdade espacial, integração regional e alta mobilidade da população, refletem em uma busca constante por lugares estratégicos e maior fluidez no território. "A evolução das técnicas de deslocamento fez com que não houvesse mais necessidade de concentrar atividades e serviços num único lugar. O urbanismo, as cidades, seus habitantes e as empresas passaram da lógica da proximidade física para a lógica da proximidade temporal. O automóvel passa então a gerir seu próprio modelo de cidade. As transformações na mobilidade impõem novas visões acerca da cidade, que não tomem a densidade e a continuidade como essenciais para as interações. Questões como a segregação, por exemplo, não dizem mais respeito somente a certos imóveis, áreas ou bairros. Com a aceleração da velocidade de deslocamento, a segregação materializa-se em cidades privadas, condomínios fechados, guetos pobres e ricos claramente separados no extenso espaço das cidades” (BALBIM 2003). Não importa se a origem ou destino do deslocamento encontra-se numa área distante, cercada por vazios, dispersa. Se existir um sistema de transporte eficaz, com uma duração de deslocamento aceitável a viabilidade das áreas dispersa será concreta. As atividades cotidianas aceitam um maior tempo de deslocamento para uma melhor qualidade de vida, sem congestionamentos, saturação do espaço, altos custos imobiliários, em mais contato com a natureza. “A subvenção direta ou indireta do sistema viário pelo poder púbico, em seus diferentes níveis, criando constantemente novas fronteiras, tem propiciado uma permanente e incontrolada dispersão do território urbano. Essa dilatação do território onde transcorre a vida urbana, isto é, do território onde se desenvolve o conjunto de atividades e funções cotidianas da população, abrange hoje a escala metropolitana e até mesmo a macrometropolitana” (GROSTEIN 2004). Baseados na lógica temporal, os novos empreendimentos dispersos necessariamente contam com um sistema de transporte que possibilite o acesso de seus trabalhadores, usuários e consumidores, seja pelo automóvel particular, ônibus ou vans fretadas. A proximidade dos novos pólos urbanísticos com as rodovias demonstra-se fundamental. “O processo de dispersão urbana foi impulsionado pelo progresso nos transportes, que alimentava as novas formas de migrações pendulares, pela evolução das telecomunicações e, muitas vezes, pela intervenção direta das autoridades, para facilitar o acesso à moradia individual” (IBGE. UNICAMP. IPEA. 2002). O aumento da mobilidade cotidiana da população permite a descontinuidade do tecido urbano. A lógica temporal passa a concretizar-se nas áreas urbanizadas dispersas. Esta configuração é possibilitada pela mobilidade, sobretudo através da implantação de rodovias e da difusão de transportes individuais e novas formas de transportes coletivos. Quanto maior a mobilidade da população, mais fácil será seu acesso a áreas dispersas, por mais longínquas que estas sejam. As distâncias já não são mais referências, mas sim o tempo. As áreas urbanas saturadas com congestionamentos absurdos exigem um tempo de deslocamento alto para percorre poucos quilômetros. Esse mesmo tempo, quando percorrido nos grandes eixos rodoviários, permite residir em uma região e exercer suas atividades em outra região. Muita área dispersa, seguindo a lógica temporal, vão sendo mais valorizadas e sofrem um processo de expansão na dispersão. Foram analisados dois casos de áreas residenciais com a prática da pendularidade, em uma perspectiva cronológica. Figura 17: Localização dos estudos de evolução intra-urbana Elaboração: GIBERTI 2006. O bairro conhecido como Urbanova em São José dos Campos apresentava em 1985 alguns loteamentos horizontais de alto padrão. Em 1991 novos loteamentos em fase de ocupação já podiam ser identificados. Finalmente em 2000, até um campus da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) estava instalado. O outro caso, o bairro operário de Quiririm em Taubaté apresentou uma dinâmica semelhante, ou seja, em 1985 existia um conjunto já consolidado (CECAP1). Em 1991 já se encontravam novos conjuntos (CECAP 2 e 3). Finalmente em 2006, constatamos em campo que mais dois conjuntos habitacionais estavam em fase de inauguração. A partir desses exemplos de expansão de áreas residenciais, com iniciativa privada e pública, concluímos que a área dispersa estão em expansão, com a incorporação de atividades complementares, fortalecendo a busca por liberdade espacial e integração regional. As populações dos dois casos exercem suas atividades na escala regional, revelando que a lógica temporal está nas premissas dos agentes públicos e privados no desenvolvimento urbano-regional. F. Conclusões/Considerações Finais Os fluxos pendulares seguem a hierarquia da rede urbana, os municípios periféricos são responsáveis pelas origens dos fluxos, enquanto os centros regionais e sub-regionais se caracterizam como destino dos mesmos. Predomina a pendularidade intra-regional, sempre com destino ao centro da região. Os fluxos inter-regionais também ocorrem, mas em menor escala, assim como outras ligações de pendularidade. Essas trocas de fluxos são possibilitadas pelos eixos rodoviários fortemente articulados, assim como pela flexibilização dos transportes tendo como máxima a adoção do transporte fretado como a melhor solução custo/benefício. Os pólos passam a organizar cada vez mais linhas fretadas, assim como a população em geral. A regionalização do mercado de trabalho passou a influenciar outras atividades urbanas, reorganizando os fluxos pendulares e a configuração espacial das cidades. Diversos pólos começaram a se instalar as margens da rodovia contando com usuários de toda a região, e até de outras. Os raios de atração revelam que as indústrias que necessitam de mão de obra especializada, escassa, vão até onde for necessário para completar seu quadro de funcionários. As universidades também se organizam para atender os estudantes de toda a região, se localizando em locais estratégicos e oferecendo linhas fretadas para todos os itinerários. Os shoppings não oferecem linhas fretadas, mas contam com consumidores espalhados por sua região, tendo para isso, lojas de prestígio que cativam a população. O grande destaque foi o poder de atração do HOPI HARI, uma área de lazer, que, por ser uma das únicas em todo o Sudeste, chega a apresentar linhas fretadas interestaduais, além, é claro, de linhas nos grandes centros urbanos em sua volta, que é o seu maior público. Os novos empreendimentos tendem a seguir essa lógica de raio de atração regional. Por fim, a Macrometrópole apresenta uma hierarquia de polarização e trocas de fluxos pendulares, representada no mapa apresentado a seguir. A pesquisa buscou se apoiar em dados dos órgãos oficiais e dados que foram coletados em campo, com dificuldade, para construir um panorama da pendularidade associada à urbanização, mostrando os diversos pólos urbanos inseridos no circuito. Os produtos gerados e as análises realizadas contribuem para a caracterização das trocas e relações Macrometropolitanas, fornecendo novos elementos para as políticas de planejamento urbano-regional. G. Bibliografia ANDRADE. Manuel Correia de. As alternativas no Nordeste. 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