Superfície
2
243 610 Km
Densidad e
Populacional
2
265 Hab/ Km
Reserv as
Ex ternas
76,4 10^9 $
MONTEPIO
Departamento de Estudos / / maio 2015
REINO UNIDO
Previsões económicas e indicadores sociais e demográficos
Unidade: taxa de crescim ento %
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
PIB
-0,3
-4,3
1,9
1,6
0,7
1,7
2,6
2,7
2,3
2,2
2,2
2,1
2,1
PIB Nominal
2,5
-2,4
5,1
3,8
2,3
3,5
4,4
3,6
3,7
4,0
4,2
4,1
4,2
PIB Nominal (10^9)
1 518,7
1 482,1
1 558,4
1 617,7
1 655,4
1 713,1
1 787,9
1 852,7
1 920,9
1 997,7
2 080,7
2 166,6
2 256,9
PIB Nominal (10^9 $)
2 814,5
2 318,8
2 409,4
2 594,1
2 624,3
2 680,1
2 945,1
2 853,4
2 981,5
3 142,7
3 325,2
3 516,1
3 730,6
Deflator do PIB
2,9
2,0
3,2
2,1
1,7
1,8
1,8
0,9
1,3
1,8
1,9
1,9
2,0
Inflação (IPC)
3,6
2,2
3,3
4,5
2,8
2,6
1,5
0,1
1,7
2,0
2,0
2,0
2,0
Investimento (% PIB)
18,0
15,0
16,3
16,3
16,3
17,0
17,7
17,8
18,4
19,0
19,5
19,8
20,0
Poupança Nacional Bruta (% PIB)
14,3
12,3
13,7
14,6
12,6
12,5
12,2
13,1
13,8
14,8
15,8
16,3
16,7
Dívida Pública (% PIB)
51,8
65,8
76,4
81,8
85,8
87,3
89,5
91,1
91,7
90,7
88,9
86,1
83,2
Dívida Pública Líquida (% PIB)
45,7
58,8
69,1
73,4
77,1
78,7
81,0
82,6
83,1
82,2
80,4
77,5
74,7
Receitas Públicas (%)
4,0
-7,4
6,4
5,5
2,9
4,7
1,6
3,1
4,7
4,3
4,1
4,3
4,2
Despesas Públicas (%)
9,4
6,4
3,5
0,4
3,1
-0,3
1,9
0,9
0,2
0,1
1,5
3,6
4,1
Receitas Públicas (% PIB)
37,0
35,1
35,6
36,1
36,3
36,8
35,8
35,6
35,9
36,1
36,0
36,1
36,1
Despesas Públicas (% PIB)
42,1
45,9
45,2
43,8
44,1
42,5
41,5
40,4
39,0
37,6
36,6
36,4
36,4
Saldo Orçamental (% PIB)
-5,1
-10,8
-9,7
-7,6
-7,8
-5,7
-5,7
-4,8
-3,1
-1,5
-0,6
-0,3
-0,3
Saldo Orçamental Estrutural (% PIB)
-6,8
-9,9
-8,1
-5,8
-5,6
-3,6
-4,2
-4,0
-2,6
-1,3
-0,5
-0,3
-0,5
Saldo Primário (% PIB)
-3,6
-9,4
-7,2
-4,9
-5,4
-4,4
-3,8
-3,2
-1,4
0,4
1,3
1,6
1,6
-104,6
-64,8
-62,7
-43,4
-98,2
-119,9
-162,2
-135,6
-136,9
-129,5
-120,7
-120,3
-122,8
Balança Corrente (10^9 $)
Balança Corrente (% PIB)
-3,7
-2,8
-2,6
-1,7
-3,7
-4,5
-5,5
-4,8
-4,6
-4,1
-3,6
-3,4
-3,3
População (10^6)
61,4
61,8
62,3
63,3
63,7
64,1
64,5
64,9
65,4
65,8
66,3
66,7
67,1
0,6
População (%)
População 15-64 anos (% total)
Taxa de Desemprego
Emprego
0,7
0,6
0,8
1,6
0,7
0,6
0,7
0,7
0,7
0,7
0,7
0,7
66,1
66,0
65,9
65,6
65,3
64,9
-
-
-
-
-
-
-
5,7
7,6
7,9
8,1
8,0
7,6
6,2
5,4
5,4
5,4
5,4
5,4
5,4
0,9
-1,6
0,3
0,5
1,1
1,2
2,3
1,3
0,7
-
-
-
-
PIB PPP (10^9 $)
2 245,6
2 165,1
2 233,5
2 317,1
2 374,2
2 449,7
2 548,9
2 641,4
2 743,4
2 861,4
2 987,3
3 112,2
3 240,2
PIB per capita PPP $
36 575
35 039
35 872
36 614
37 269
38 225
39 511
40 676
41 957
43 470
45 080
46 662
48 271
PIB per capita $
45 840
37 526
38 698
40 991
41 194
41 820
45 653
43 940
45 599
47 743
50 179
52 717
55 576
Exportações (%)
1,6
-8,2
6,2
5,6
0,7
1,5
0,4
3,8
3,8
4,1
4,0
3,7
3,6
Bens (%)
1,8
-10,1
10,8
6,8
-0,8
-0,5
-0,4
4,6
3,8
4,1
4,0
3,7
3,6
Importações (%)
-1,8
-9,8
8,7
1,0
3,1
1,4
1,8
3,9
3,9
4,2
4,1
3,8
3,8
Bens (%)
-1,7
-10,8
12,2
1,7
2,6
0,7
2,5
4,5
3,9
4,2
4,1
3,8
3,8
Agricultura (% PIB)
0,7
0,6
0,7
0,6
0,7
0,7
-
-
-
-
-
-
-
Indústria (% PIB)
22,1
20,9
20,6
21,0
20,5
20,2
-
-
-
-
-
-
-
Serviços (% PIB)
77,2
78,5
78,7
78,4
78,9
79,2
-
-
-
-
-
-
-
Esperança Vida à nascença (anos)
79,6
80,1
80,4
81,0
80,9
81,0
-
-
-
-
-
-
-
F o n t e : F M I (Wo rld Ec o no m ic Outlo o k - a bril de 2015); B a nc o M undia l (re s ta nte s da do s his tó ric o s s e m pre vis õ e s ).
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
Principais Exportações de Bens (2014)
Código
84
27
87
71
30
Descrição
Máquinas, reatores nucleares e caldeiras
Combustíveis minerais, óleos, produtos de destilação
Veículos elétricos e ferroviários
Máquinas e equipamentos geradores de energia
Produtos farmacêuticos
Valor (mM$)
71,1
56,8
53,8
52,1
33,4
239,0
Outros produtos
Peso (%)
14,0
11,2
10,6
10,3
6,6
47,2
F o n t e : Inte rna tio na l Tra de C e ntre (ITC ) - Na ç õ e s Unida s .
Principais Importações de Bens (2014)
Código
84
27
87
85
71
Descrição
Máquinas, reatores nucleares e caldeiras
Combustíveis minerais, óleos, produtos de destilação
Veículos elétricos e ferroviários
Equipamento elétrico e eletrónico
Máquinas e equipamentos geradores de energia
Valor (mM$)
90,1
76,9
75,2
60,9
35,4
Peso (%)
13,2
11,3
11,0
8,9
5,2
344,1
50,4
Outros produtos
F o n t e : Inte rna tio na l Tra de C e ntre (ITC ) - Na ç õ e s Unida s .
Principais Parceiros Comerciais de Importações (2014)
Principais Parceiros Comerciais de Exportações (2014)
País
Alemanha
China
EUA
Holanda
França
Outros países
País
EUA
Alemanha
Holanda
Suíça
França
Outros países
Valor (mM$)
97,1
60,5
53,4
51,0
39,6
380,8
Peso (%)
14,2
8,9
7,8
7,5
5,8
55,8
F o n t e : Inte rna tio na l Tra de C e ntre (ITC ) - Na ç õ e s Unida s .
Veículos automóveis, reboques e semireboques
Produtos farmacêuticos e preparações
farmacêuticas de base
Produtos químicos
Produtos informáticos, electrónicos e
ópticos
Serviços de recolha, tratamento e deposição
de resíduos; serviços de valorização de
materiais
Coque e produtos petrolíferos refinados
Máquinas e equipamentos, n.e.
Produtos alimentares
Metais de base
Equipamento eléctrico
Peso (%)
11,8
9,8
7,4
6,6
5,9
58,5
F o n t e : Inte rna tio na l Tra de C e ntre (ITC ) - Na ç õ e s Unida s .
TOP 10 DAS IMPORTAÇÕES DE PORTUGAL do REINO UNIDO (2014)
Tipo de Produto
Valor (mM$)
59,7
49,4
37,4
33,6
30,0
296,0
TOP 10 DAS EXPORTAÇÕES DE PORTUGAL PARA o REINO UNIDO (2014)
Valor (€)
Share
(%)
TCMA09-14
(%)
Valor (€)
Share
(%)
TCMA09-14
(%)
260 658 050
14,5
4,1
Veículos automóveis, reboques e semireboques
470 434 127
16,1
10,8
191 410 995
10,7
0,5
Artigos de vestuário
174 214 948
292 675 155
10,0
7,3
9,7
2,0
6,1
16,3
159 906 554
8,9
1,8
Artigos de borracha e de matérias plásticas 179 255 354
Produtos informáticos, electrónicos e
164 870 561
ópticos
5,6
13,3
127 682 293
7,1
13,5
Produtos metálicos transformados, excepto
160 971 198
máquinas e equipamento
5,5
9,8
105 843 785
5,9
-4,5
101 111 367
84 395 175
5,6
4,7
-0,1
3,1
71 830 911
4,0
2,3
60 660 887
3,4
1,9
Fonte: INE.
Tipo de Produto
Produtos alimentares
Equipamento eléctrico
Máquinas e equipamentos, n.e.
Couro e produtos afins
Produtos têxteis
152 790 194
5,2
7,5
149 301 086
145 806 630
5,1
5,0
20,0
17,4
138 986 918
4,8
4,0
133 005 301
4,6
6,7
Fonte: INE.
PESO do REINO UNIDO NAS IMPORTAÇÕES DE PORTUGAL (2012/14)
2012
PESO do REINO UNIDO NAS EXPORTAÇÕES DE PORTUGAL (2012/14)
2013
2014
2013
2014
Importações de Portugal deste país (milhares €) 1 674 239,5
1 663 888,8
1 791 687,7
Exportações de Portugal deste país (milhares €) 2 386 033,9
2 601 761,8
2 922 247,3
Importações totais de Portugal (milhares €)
56 374 083
56 906 067
58 745 986
Exportações totais de Portugal (milhares €)
45 213 016
47 266 500
48 180 643
2,97
2,9
3,0
5,28
5,5
6,1
Peso das importações do país (%)
Fonte: INE.
2012
Peso das exportações do país (%)
Fonte: INE.
2
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
CONJUNTURA
PIB deverá crescer 2,5% em 2015
REINO UNIDO/ PREVISÕES ECONÓMICAS DO DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DO MONTEPIO
PIB
Inflação
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
-0,3
-4,3
1,9
1,6
0,7
1,7
2,8
2,5
2,6
2,3
2,2
2,1
2,1
3,6
2,2
3,3
4,5
2,8
2,6
1,5
0,4
1,7
2,0
2,0
2,0
2,0
Taxa de Desemprego
Balança Corrente (% PIB)
5,6
7,5
7,9
8,1
8,0
7,6
6,3
5,3
5,2
5,1
5,1
5,1
5,1
-3,7
-2,8
-2,6
-1,7
-3,7
-4,5
-5,5
-4,7
-4,4
-4,2
-3,6
-3,4
-3,3
Saldo Orçamental (% PIB)
-4,9
-10,3
-9,1
-7,1
-7,6
-5,9
-5,4
-4,6
-3,2
-1,7
-0,6
-0,3
-0,3
N o t a s : Os da do s his tó ric o s do S a ldo Orç a m e nta l s e gue m a m e to do lo gia do F M I.
POLÍTICA INTERNA
No curto prazo a probabilidade de relativa estabilidade
política aumentou, após a recente eleição de um
Governo de maioria do Partido Conservador. Embora
esta maioria dos Conservadores seja altamente
vulnerável a discordâncias e rebeliões dentro da sua
bancada parlamentar – muitos dos deputados
Conservadores têm contestado o Primeiro-ministro David
Cameron – a verdade é que a maioria alcançada por
Cameron proporcionou-lhe um muito maior controlo
sobre o seu Governo e o Partido do que teria caso a
vitória não tivesse sido por maioria parlamentar. Ao
anunciar o novo Governo, David Cameron tem sido
capaz de fazer um uso mais elevado do clientelismo
político, devido ao facto de que não existirem posições
do Governo que tenham de ser partilhadas com um
partido de coligação. Cameron também está agora na
posição de avançar com políticas conservadoras mais
controversas – por exemplo, a reforma do Estado Social –
que talvez não fossem possíveis se o Governo não fosse
de maioria.
Antes das últimas eleições existia risco de novas eleições
dentro de um ou dois anos, devido à dificuldade de
manter unida uma administração minoritária num
Parlamento altamente fragmentado. A vitória dos
Conservadores, a 7 de maio, sugere que o Governo irá
completar um mandato de cinco anos. Se um Governo
estável se revelar impossível devido às discordâncias
internas no Partido Conservador – com a questão mais
provável a ser a relativa à permanência ou não na União
Europeia (UE) –, David Cameron poderá novamente
candidatar-se a eleições na esperança de obter de novo
uma maioria absoluta
Vitória dos Conservadores, a 7
de maio, sugere que o Governo
irá completar um mandato de
cinco anos
DAVID CAMERON
Primeiro-ministro do Reino
Unido
POLÍTICA EXTERNA
As tensões entre o Reino Unido e a UE têm sido
exacerbadas pela prolongada crise da Zona Euro, e
correm o risco de se intensificarem, dado que David
Cameron, o Primeiro-ministro, tenta renegociar os
termos de adesão da Grã-Bretanha à UE, antes do
prometido referendo para 2017 de “sim” ou “não” à
permanência na UE. As tensões correm o risco, ainda, de
uma escalada adicional à medida que David Cameron
tentar renegociar os termos de permanência do país
enquanto membro da UE, através do prometido
referendo. O fracasso do Reino Unido em construir
alianças sólidas com a UE reduziu bastante a sua
capacidade em garantir concessões significativas com os
seus parceiros europeus. Além disso, o Governo afetou
recentemente as relações com determinados parceiros
perante a sua abordagem face à última fase da crise
grega, nomeadamente a sua decisão de anunciar
publicamente que estava acolher reuniões de emergência
para planear uma possível saída da Grécia da Zona do
Euro.
3
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
ATIVIDADE
No 1.º trimestre de 2015 o PIB apresentou uma
expansão em cadeia de 0,3% (que o Banco de Inglaterra
estima que seja revisto para 0,5%, mas que admitimos
ser apenas revisto para 0,4%) e de 2,4% em termos
homólogos, registando o menor ritmo de crescimento
desde o 4.º trimestre de 2013. Em cadeia, tratou-se de
uma desaceleração do ritmo de crescimento face ao 4.º
trimestre de 2014 (+0,6%), com o PIB a ficar 4,0%
acima do nível máximo observado no 1.º trimestre de
2008 (entre esse pico e o 2.º trimestre de 2009 a
economia contraiu 6,0%), mas encontrando-se agora
5,3% acima do nível pré-recessão (npr), o nível médio de
2007. No entanto, refira-se que se trata do 9.º trimestre
consecutivo de crescimento do PIB e, na maioria deles, a
ritmos fortes (a uma média de +0,62% entre o 1.º
trimestre de 2013 e o 1.º trimestre de 2015), mas com
este crescimento a ser o mais baixo desde o período de
expansão (4.º trimestre de 2012: -0,3%).
A economia foi impulsionada unicamente pelo
importante setor dos serviços, visto que a indústria, a
construção e a agricultura apresentaram quedas
(embora os últimos dados da produção industrial sugiram
uma revisão para um ligeiro crescimento). Os serviços
desaceleraram o ritmo de crescimento face ao trimestre
anterior (+0,5% vs +0,5% no 4.º trimestre de 2014),
estando assim por detrás da desaceleração (menos
intensa) da economia como um todo. Do lado das
descidas, saliente-se o setor da indústria (-0,1% vs
+0,2% no trimestre anterior), a agricultura (-0,2% vs
+0,4% no 4.º trimestre de 2014) e o setor da
construção, ainda que desagravando o ritmo de queda (1,6% vs -2,2% no trimestre anterior), contrariando as
indicações dadas pelos indicadores qualitativos, que
tinham revelado que o setor continuava a crescer,
embora a um ritmo menor que a média de 2014, mas
aliviando da pior performance desde o 2.º trimestre de
2012, depois de o setor ter sido impulsionado pela
procura interna, fruto da recuperação do emprego e do
programa Help to Buy de apoio à compra de casa.
Na 1.ª estimativa não são divulgados dados na ótica da
despesa, mas estima-se que o consumo privado tenha
acabado por desacelerar, contrariando o que era a nossa
anterior expectativa de, pelo menos, uma manutenção
do crescimento do trimestre anterior (+0,6%),
admitindo-se que o investimento possa também ter tido
um contributo sensivelmente nulo, estimando-se um
contributo negativo das exportações líquidas (+0,9 p.p.
no 4.º trimestre de 2014). Para o 2.º trimestre de 2015
prevemos um crescimento de 0,7%, recuperando do
fraco crescimento observado no arranque do ano, com a
economia a manter um forte ímpeto de crescimento e a
ser impulsionada sobretudo pelos serviços.
Em 2014, a expansão foi de 2,8% (+1,7% em 2013),
devendo em 2015 observar-se um crescimento de 2,5%.
Apesar da recente tendência de vigor de atividade
económica, bem como dos sinais encorajadores de
crescimento mais equilibrados a partir do final de 2013,
as perspetivas de uma recuperação sustentada
permanecem incertas no médio prazo. O cenário de
crescimento está ainda dependente de vários fatores: i) a
significativa dependência do consumo privado por parte
da economia, sobretudo num contexto em que as
famílias permanecem endividadas e estão vulneráveis aos
aumentos das taxas de juro; ii) a recuperação dos salários
reais, podendo as famílias terem que enfrentar um longo
período de baixo crescimento dos salários reais se a fraca
tendência de crescimento da produtividade desde a crise
não for revertida; iii) resolução da crise do euro e
evolução das políticas de austeridade na região; iv)
normalização efetiva das condições do crédito; v)
evolução da execução orçamental; vi) comportamento
dos preços das commodities; vii) resposta da oferta
potencial ao aumento da procura; viii) comportamento
da inflação; ix) sustentação das melhorias no mercado
laboral; x) evolução da confiança dos empresários, que
poderá levar as empresas a libertar algumas das reservas
que foram constituindo nos últimos anos.
PIB expandiu 0,3% no 1.º
trimestre deste ano, revelando o
9.º trimestre consecutivo de
crescimento
OPORTUNIDADES
As preocupações sobre a sustentabilidade das
recuperações da procura interna e da procura
internacional após a crise financeira e a recessão
profunda de 2007/09 vão persistir por algum tempo,
embora a economia do Reino Unido, grande e rica,
continue a oferecer oportunidades para investidores
estrangeiros e exportadores globais. Com um PIB
nominal de 2,95 biliões (trillion) de dólares (a taxas de
câmbio de mercado) em 2014, o Reino Unido é a 6.ª
maior economia do mundo (depois de os EUA, China,
4
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
Japão, Alemanha e França). O PIB per capita em taxas de
câmbio de mercado foi cerca de 45 653 dólares em
2014, ocupando o Reino Unido a 10.ª posição na União
Europeia a 28 países (UE28), entre a Alemanha e a
França. De acordo com o FMI, o PIB per capita em taxas
de câmbio de mercado vai aumentar para 55 576 dólares
em 2020, melhorando a posição do Reino Unido na
UE28 para 5.º (a seguir à Irlanda e antes dos Países
Baixos).
Dimensão e dinamismo
económico do país: uma
oportunidade para os
exportadores
Ao avaliar o produto em termos comparativos, no
entanto, pode ser mais informativo utilizar a paridade de
poder de compra (PPP) para as taxas de conversão, em
vez de taxas de câmbio de mercado. A PPP ajusta as
diferenças nos níveis de preços entre países que nem
sempre são captadas pelas taxas de câmbio do mercado.
Na medida PPP, o PIB nominal foi de 2,945 biliões de
dólares em 2014, ocupando o Reino Unido a 10.ª
posição no ranking mundial (depois de os EUA, China,
Índia, Japão, Alemanha, Rússia, Brasil, França e
Indonésia). Em termos de PIB per capita em PPP (39 511
dólares em 2014), o Reino Unido está classificado em
28.º no mundo e em 11.º na UE28. O PIB per capita em
uma base PPP está previsto atingir 48 271 dólares em
2020, subindo para 9.º lugar na UE28. O mercado de
consumo do Reino Unido atingiu 1,82 biliões de dólares
em 2014 e deverá superar os 2 biliões em 2017, dado
esperar-se uma recuperação da procura interna ao longo
do período de previsão.
O crescimento da procura privada está a emergir
rapidamente, apoiada por um mercado de trabalho em
recuperação, um investimento empresarial mais forte e
um mercado imobiliário a melhorar. Os balanços do setor
privado também melhoraram moderadamente desde a
crise financeira, os consumidores foram forçados a
reduzir passivos, mas o setor privado continua a ser
excessivamente alavancado, os orçamentos familiares
estão a ser pressionados e o ainda grande setor público
está ainda num período de contenção de gastos. Isto,
combinado com a continuidade da volatilidade dos
mercados financeiros e a reparação dos balanços no
setor bancário, vai continuar a pesar sobre as perspetivas
de crescimento ao longo do período de previsão
2015/20.
O Reino Unido continuará a oferecer oportunidades de
mercado de um país rico e desenvolvido ao longo do
período de previsão, mas as implicações de longo alcance
da crise financeira e da recessão grave alteraram as
oportunidades de mercado. O anterior aumento rápido
de famílias unipessoais deverá abrandar, ou pode até
mesmo reverter, e o número de pessoas solteiras capazes
de suportar as suas próprias habitações deverá diminuir
face a critérios de concessão de crédito mais apertados.
Isto terá efeitos negativos sobre a procura de bens em
vários mercados de bens de consumo, tais como
produtos de linha branca, eletroeletrónica e móveis.
INFLAÇÃO
Os dados conhecidos para a evolução dos preços nos
últimos trimestres revelaram-se animadores, observandose fracas pressões inflacionistas, no quadro de uma
capacidade instalada por utilizar – beneficiando,
designadamente, da diminuição dos preços das
commodities energéticas e agrícolas nos mercados
internacionais quando expressas em libras ao longo de
2014 e, para já, nestes primeiros meses de 2015. A
principal medida de inflação, calculada pela variação
homóloga do IHPC, apresentou uma queda de 0,1%
(0,0% em março) registando um novo mínimo histórico,
ficando abaixo do target de 2% do BoE, pela 16.ª vez
(consecutiva) desde novembro de 2009, tendo em
dezembro de 2013 estado em linha com o target e nos
restantes meses sempre acima (em junho de 2013, com
+2,9%, registou um máximo desde abril de 2012).
Abstraindo-nos de efeitos de base, em termos mensais
(dados ajustados de sazonalidade pelo Montepio), os
preços apresentaram uma ligeira subida (em termos
anualizados), desagravando da queda de 1,7%
observada em fevereiro, pelo 2.º mês consecutivo
(+1,5% em abril vs +0,3% no mês anterior), com a
média móvel de três meses a estabilizar (-1,0% no mês
anterior) após cinco quedas consecutivas, ficando pela
16.ª vez em 19 meses abaixo da inflação homóloga e do
target do BoE. Por seu lado, o índice de preços no
produtor (IPP), um indicador preliminar da pressão dos
preços na economia, evidenciou uma manutenção da
queda homóloga em 1,7%, apresentando em termos
mensais apenas a 9.ª subida nos últimos 21 meses. O
crescimento homólogo do IPP permaneceu, assim,
aquém do crescimento do IHPC, sinalizando que
continuam a não existir pressões de preços do lado da
oferta de bens, apesar do forte crescimento da economia
nos últimos trimestres.
No seu Relatório de Inflação de maio o BoE afirmou que
cerca de ¾ do menor ímpeto da inflação em relação ao
target, ou seja 1,5 p.p., deveu-se às anormalmente
baixas contribuições dos preços dos alimentos, da
energia e de outros bens importados, que se julga
refletirem, em grande parte, fatores externos. A queda
do preço da energia tem sido a grande responsável pelos
valores apresentados pela inflação. As quedas nos preços
dos bens agrícolas e a valorização da libra também
levaram a que os preços dos retalhistas fossem mais
baixos nos alimentos e noutros bens relacionados. Na
ausência de novos desenvolvimentos, estes fatores vão
continuar a arrastar-se antes que a taxa homóloga de
5
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
inflação comece a aumentar no final de 2015. Os
restantes ¼ da fraqueza da inflação em relação ao target,
ou seja 0,5 p.p., refletem fatores internos. A meta de
inflação do MPC é simétrica: os desvios da inflação
abaixo da meta devem ser tratados com a mesma
importância que os desvios acima dela. Dada a natureza
dos choques que afetam a inflação, esta está abaixo da
sua meta, ao mesmo tempo que o desemprego está
acima da sua taxa sustentável de longo prazo. Assim
sendo, não existe trade-off entre o retorno imediato da
inflação para a meta e o apoio à atividade económica. Na
verdade, para que a inflação se situe perto da meta, é
necessário eliminar o excesso de capacidade produtiva
existente na economia. Resta, portanto, definir uma
política de modo a permitir o retorno da inflação para a
meta de forma relativamente rápida, uma vez que os
efeitos dos movimentos dos preços da energia e dos
produtos alimentares devem diminuir num futuro
próximo.
Inflação abaixo do objetivo do
BoE pela 16.ª vez consecutiva
POLÍTICA MONETÁRIA
A descida pronunciada e imprevista da taxa de
desemprego em 2013 (e que prosseguiu entretanto nos
meses seguintes) obrigou o BoE a rever a forward
guidance que tinha instaurado, em julho de 2013, com a
chegada de Mark Carney. A autoridade entende que o
nível de desemprego consistente com a estabilidade de
preços passou a ser menor do que se estimava, devido
ao desapontante crescimento da produtividade. Por
conseguinte, adotou uma guidance mais abrangente e
robusta, mas sem deixar de ser concreta, baseada não
em um, mas em cinco elementos, fornecendo ao
mercado indicações de que: i) tem o objetivo explícito de
“absorver a totalidade da capacidade por utilizar na
economia ao longo dos próximos dois a três anos”; ii)
“entende que permanece uma margem para absorver a
capacidade por utilizar na economia antes de optar por
subir a bank rate”; iii) se e quando chegar a altura em
que a economia possa suportar taxas de juro mais
elevadas, a bank rate será subida apenas gradualmente;
iv) quaisquer aumentos na bank rate serão limitados; v)
pretende manter a dimensão do APF até à 1.ª subida da
bank rate. As previsões do BoE para o crescimento
económico no Relatório de Inflação de maio diminuíram
desde o relatório de fevereiro de 2015. Assim, o BoE
projetou (com a política monetária inalterada) que o
crescimento do PIB fosse de 2,5% em 2015 (+3,0% no
anterior relatório), 3,0% em 2016 e 2,8% em 2017
(+3,1% e +2,9% no relatório de fevereiro de 2015). Em
termos de previsões para a inflação (igualmente com a
política monetária inalterada), estas aumentaram
ligeiramente, com o BoE a prever que fique em 0,9% no
4.º trimestre de 2015 (+0,7% no relatório anterior),
1,9% no 4.º trimestre de 2016 (+2,0% no relatório
anterior) e estimando que feche o ano de 2015 num
valor médio de 0,6%, acelerando posteriormente para
1,8% em 2016. Caso se tenha em consideração as
expectativas do mercado, ou seja, subidas de taxas a
partir do próximo ano e ao longo do período de previsão,
o BoE prevê que o crescimento do PIB seja de 2,5% em
2015, 2,7% em 2016 e 2,5% em 2017. Para a inflação o
BoE prevê 0,3% em 2015, 1,5% em 2016 e 2,0% em
2017. O BoE espera que o crescimento do PIB no 1.º
trimestre de 2015 seja revisto em alta para 0,5% (1.ª
estimativa: +0,3%), prevendo uma expansão de 0,7% no
2.º trimestre de 2015 (Montepio: +0,7%).
O programa de compra de dívida do Banco Central
Europeu (BCE), no âmbito de uma política de
quantitative easing (QE), que teve início em março, tem
ajudado a impulsionar os preços dos ativos em euros e a
reduzir as yields da maioria dos títulos soberanos dos
países da Zona Euro. Este programa parece ter tido
também algum peso sobre as yields das outras
economias avançadas. As perspetivas económicas e
posturas de política monetária divergentes tiveram
impactos significativos nas taxas de câmbio. Assim,
refira-se que, em termos efetivos, a libra apresenta uma
valorização de 2% face ao relatório de inflação de
fevereiro e um valor 16% superior ao valor mínimo
atingido em março de 2013. Os preços do petróleo em
libras subiram, mas continuam 40% abaixo do seu pico
atingido em meados de 2014. Apoiada por medidas de
política monetária e preços mais baixos do petróleo, a
expansão da atividade parece estar para continuar,
embora os dados de atividade conhecidos desde o
relatório de inflação de fevereiro tenham sido mistos.
Parte dessa fraqueza reflete os efeitos da capacidade
instalada por utilizar no mercado de trabalho, embora o
recente crescimento do emprego em postos de trabalho
menos qualificados (e que tendem a ser menos bem
pagos) fizesse parte dessa folga. Outra influência nas
decisões de fixação de salários e preços são as
expectativas de inflação. Quase todas as medidas das
expectativas de inflação caíram em relação ao ano
passado, estando agora abaixo dos níveis médios précrise. Essas medidas sugerem que os trabalhadores e as
empresas esperam uma fraca recuperação do
crescimento salarial este ano. Outras medidas de
expectativas de inflação estão, no entanto, próximas das
médias históricas. As expectativas do BoE são de que a
inflação permanece globalmente consistente com a meta
de inflação de 2%. O BoE prevê, na melhor das
hipóteses, que a capacidade instalada por utilizar
diminua ao longo dos próximos seis meses para cerca de
6
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
0,5% do PIB, embora exista uma considerável incerteza
em torno desta estimativa.
No relatório de inflação de fevereiro de 2014, o BoE
afirmou que, dada a persistência de ventos contrários
que deverão pesar sobre a economia, quando a bank
rate começar a subir, será de forma mais gradual do que
em ciclos anteriores. Além disso, a persistência desses
ventos contrários, juntamente com o legado da crise
financeira, fez com que se perspetivasse que a bank rate
se mantivesse abaixo dos níveis históricos médios por
algum tempo. Na sua última reunião (11 de maio), o
Comité manteve a sua política monetária (a bank rate
em 0,50% e o stock de dívida do programa de compra
de dívida do BoE em 375 mM£), esperando que o
excesso de capacidade existente na economia seja
absorvido e a inflação volte à meta de 2% nos próximos
dois anos. O BoE também observou, no entanto, que, tal
como previsto no relatório de fevereiro de 2014, a taxa
de juro necessária para manter a economia a funcionar
em níveis normais de capacidade e manter a inflação em
linha com o objetivo provavelmente continuará a
aumentar, à medida que os efeitos da crise financeira
desapareçam.
Face às perspetivas anunciadas no relatório de inflação
de maio de 2015, designadamente em torno da inflação,
mantemos as nossas perspetivas quanto à 1.ª subida de
taxas, esperando-se que ocorra apenas no 1.º trimestre
de 2016, devendo terminar esse ano em 1,50%.
1.ª subida de taxas deverá
ocorrer apenas no 1.º trimestre
de 2016, devendo terminar esse
ano em 1,50%.
POLÍTICA CAMBIAL
Libra deverá desvalorizar em
relação ao dólar em 2015
Os movimentos da libra esterlina continuarão a ser
moldados pelas tendências políticas dos bancos centrais
globais, com o BoE a esperar pelo momento certo para
iniciar o ciclo de subida de taxas (prevemos o início deste
ciclo durante o 1.º trimestre de 2016), o BCE a continuar
a tornar a sua política mais expansionista e a Federal
Reserve (Fed) a preparar-se para aumentar as taxas na 2.ª
metade deste ano. Refletindo estes cenários, a libra
deverá desvalorizar em relação ao dólar em 2015, em
especial no período de preparação para o 1.º aumento
de taxas de juro em setembro por parte da Fed. A libra
deverá observar também uma depreciação gradual face
ao dólar no horizonte 2015/19. Refira-se que que a taxa
de câmbio em abril ficou em 0,73 EUR/GBP. Sendo que
as previsões de consenso são que a libra se situe em 0,72
EUR/GBP em 2015 e 0,70 EUR/GBP em 2016, em ligeira
apreciação face à moeda única, onde o início da retirada
dos estímulos monetários será mais tardio (prevemos
apenas para 2017) A independência monetária do Reino
Unido significa que a libra é vista como um porto seguro,
mas as deficiências estruturais deixam a moeda
vulnerável às mudanças de sentimento dos investidores.
POLÍTICA ORÇAMENTAL
No ano fiscal de 2014/15 a execução revelou-se mais
benigna do que o esperado inicialmente, beneficiando
da recuperação da economia, com o défice subjacente
(i.e. ajustado de dois efeitos extraordinários: a
transferência dos fundos de pensões do Royal Mail
Group Ltd e a transferência do retorno obtido pelos
investimentos do Asset Purchase Facility do BoE) tendo
a meta de redução do défice ficado em 4,8% do PIB,
abaixo da previsão (-5,0% do PIB). Efetivamente,
segundo as previsões de 18 de março do Office for
Budget Responsibility (OBR) – um organismo que
fornece previsões independentes como auxiliar à
preparação do orçamento por parte do Governo – o
saldo orçamental subjacente (ajustando os
suprarreferidos efeitos pontuais) do setor público
terminou o ano fiscal 2014/15 em 87,7 mil milhões de
libras (mM£). Segundo as previsões do OBR, o saldo
orçamental subjacente do setor público deverá terminar
o ano fiscal de 2014/15 em 90,2 mM£, quando em
dezembro de 2014 previa 91,3 mM£. O OBR manteve as
previsões para 2015/16, perante alguma incerteza nas
perspetivas para a economia, e reviu em baixa as
previsões até 2017/2018. Em termos de percentagem do
PIB, o défice subjacente ficou em 5,6% no ano fiscal de
2013/14, tendo estimado para 2014/15 um défice de
5,0% (anteriormente -5,0%), tendo este, como referido,
ficado em 4,8%, prevendo para 2015/16 um défice de
4,0% (anteriormente -4,0%), para 2016/17 de 2,0%
(anteriormente -2,1%) e para 2017/18 de 0,6%
(anteriormente -0,7%), prevendo que o défice seja
eliminado em 2018/19, apresentando um excedente de
0,2% do PIB (anteriormente +0,2%) e um excedente de
7
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
0,3% em 2019/20 (anteriormente +1,0%). O défice de
acordo com o Tratado de Maastricht ficou em 4,8% do
PIB no ano civil de 2014. Para 2015 e 2016, o FMI (WEO
de 14/04/2015) previa défices de 4,8% e 3,1%,
respetivamente, devendo diminuir para 0,3% em 2020.
A Comissão Europeia (05/05/2015) revelou-se
ligeiramente mais otimista que o FMI para este ano,
apontando para um défice de 4.5% em 2015, e 3.1%
em 2016. Segundo o atual consenso de mercado
(Bloomberg), publicado em maio, é esperado um défice
de 4,4% em 2015, 3,4% em 2016 e 1,8% em 2017.
Refira-se que o início do ano fiscal apresentou-se
animador, o défice a ficar em abril abaixo do esperado
pelo mercado, e comparando favoravelmente com o
período homólogo. No entanto, saliente-se que os
resultados dos primeiros meses do ano fiscal contêm
normalmente mais estimativas que os restantes meses,
tanto do lado das receitas, como das despesas, o que
significa que os dados nestes meses são geralmente
propensos a revisões significativas.
No ano fiscal de 2014/15, a
execução revelou-se mais
benigna do que o esperado
inicialmente
Embora a economia esteja numa fase de robusta
recuperação, que foi reforçada desde meados de 2014
por preços mais baixos do petróleo, existem cautelas
sobre as perspetivas a médio prazo para a economia do
Reino Unido, que sofre de alguns problemas estruturais
graves, tais como a sua excessiva dependência dos
efeitos de riqueza decorrentes de um mercado
imobiliário residencial altamente alavancado.
CONTAS EXTERNAS
O défice da balança corrente alargou-se acentuadamente
em 2012 para 3,7% do PIB, o maior défice desde 1989,
devido à queda dos rendimentos provenientes de
investimentos no exterior e à subida do défice comercial.
O défice da balança corrente aumentou novamente em
2013, para 4,5%, e de novo em 2014 para 5,5% do PIB.
Apesar de alguma redução ao longo dos próximos cinco
anos, a balança comercial de bens deverá manter a
balança corrente deficitária, não obstante se perspetivar
uma redução de forma constante, apontando-se para
uma diminuição do défice deste ano para 4,7% e uma
nova redução para 4,4% em 2016, impulsionada pela
melhoria da balança de serviços e da balança de
rendimentos. Espera-se que em 2015 e 2016 a fraqueza
das exportações líquidas diminua, todavia devendo
continuar a não conseguir contribuir positivamente para
o crescimento. Espera-se igualmente que as importações
aumentem à medida que a procura interna continua a
expandir-se, com a valorização da libra a atenuar o preço
relativo das importações. Espera-se também um modesto
reforço das exportações, com o aumento da procura dos
principais parceiros comerciais a compensar, em parte, o
impacto da apreciação da libra.
Espera-se que em 2015 e 2016 a
fraqueza das exportações
líquidas diminua
A balança comercial de bens irá manter a balança
corrente deficitária durante o período de previsão,
compensando os sólidos excedentes na balança de
serviços, e uma forte continuação da recuperação da
balança de rendimentos primários.
POPULAÇÃO
Segundo o FMI, a população do Reino Unido atingiu
64,5 milhões em 2014, acima dos 57,2 milhões em 1990
e dos 58,9 milhões em 2000. Durante a década de 1990
o crescimento da população foi, em média, de 0,3% ao
ano. Acelerou ao longo da última década, com um
crescimento mediano de 0,8% ao ano no período
2009/14. Até meados da década de 1990, o aumento da
população foi impulsionado principalmente pelo saldo
natural (isto é, mais nascimentos do que mortes). Este
continua a ser um motor de crescimento da população,
mas um fator mais importante ao longo das últimas duas
décadas tem sido a migração internacional líquida para o
Reino Unido. Ao longo do período 1998/07, enquanto o
número de pessoas que abandonou o Reino Unido
aumentou de forma constante, o número de entradas no
país subiu a uma taxa muito mais rápida. A imigração
líquida total totalizou cerca de 1,5 milhões, com um
aumento médio anual de 220 000 no horizonte
2004/07, quatro vezes maior que em meados dos anos
1990. A crise financeira global levou a uma
desaceleração modesta na taxa de migração internacional
para o Reino Unido (especialmente entre os europeus do
leste).
8
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
Migração líquida como principal
motor de crescimento
populacional
A população de Inglaterra aumentou mais rapidamente
do que a de outras nações constituintes do Reino Unido
nos últimos anos, aumentando a sua importância no
total. A Inglaterra é responsável por cerca de 84,0%, a
Escócia por 8,3%, o País de Gales por 4,8% e a Irlanda
do Norte por 2,9%. A população do sul e do leste de
Inglaterra deverá continuar a subir de forma constante,
colocando mais pressão sobre as infraestruturas de
transportes já sobrecarregadas da região e agravando o
défice habitacional. A capital, Londres, vai continuar a
atrair a maioria dos migrantes, tanto de dentro do Reino
Unido, como do exterior.
Segundo o FMI, a população do Reino Unido deverá
crescer a uma taxa média anual de 0,7% ao longo do
período de previsão (2015/20), inferior ao ritmo dos
últimos 5 anos (+0,9%), apoiada pela migração líquida e
pelo saldo natural entre nascimentos e mortes. A taxa de
fertilidade tem aumentado continuamente desde 2001 e
encontra-se no nível mais elevado desde o início dos
anos 1970. A população deverá aumentar para 67,1
milhões em 2020. Como em outras partes do mundo
desenvolvido, a população do Reino Unido está a
envelhecer (embora não tão rapidamente como em
alguns países da UE), devido à descida da taxa de
mortalidade. Tal continuará a constituir um fardo pesado
sobre as despesas públicas em áreas como a saúde e a
segurança social (sobretudo num contexto em que o
Governo trilha uma política de marcada contenção
orçamental). A esperança média de vida deverá
aumentar de 77,6 anos em 1998/2002 para 81,1 anos
em 2015/20. Entre 2013 e 2020 a proporção da
população com 65 anos ou mais deverá aumentar de
17,5% para 18,7%. Em 2014, a população com 65 anos
ou mais deverá ter excedido a população com menos de
16 anos. Segundo dados do Banco Mundial, o rácio
entre a população em idade ativa e a população total
atingiu um pico de 66,2% em 2007, e vai continuar a
diminuir gradualmente ao longo dos próximos anos.
O envelhecimento vai aumentar
as pressões orçamentais durante
o atual período de austeridade
Com uma média bruta de 550 000 pessoas a emigrar
anualmente para o Reino Unido ao longo do período
2000/10 (acima de 300 mil no início e meados da década
de 1990), o tema da imigração tem aumentado de forma
constante na agenda política. Isso reflete, em parte, a
elevada insegurança económica dos eleitores no
contexto da recente crise económica de 2008/09, que
provocou um declínio acentuado nos padrões de vida.
Uma nova onda de imigração resultou da total liberdade
de movimentos ter sido alargada aos cidadãos da
Roménia e da Bulgária a partir de janeiro de 2014 (que
aderiram à UE em janeiro de 2007). De acordo com
dados do Instituto Nacional de Estatística (ONS), 560 mil
pessoas migraram para o Reino Unido nos 12 meses
terminados em março de 2014, o que compara com os
492 mil no ano até março de 2013. Destes, 28 000
vieram da Roménia e da Bulgária nos 12 meses até
março de 2014, mais que o dobro do que os 12 000 nos
12 meses anteriores, embora a um ritmo inferior ao que
tinha sido previsto por várias entidades.
O partido eurocético e anti-imigração, o UK
Independence Party (UKIP), foi alimentando receios nos
eleitores relativamente à questão da imigração,
prometendo acabar com "a imigração em massa e
descontrolada". Este facto colocou uma grande pressão
sobre o Partido Conservador, que estava preocupado
com o facto de o UKIP lhe poder tira votos nas
legislativas de maio de 2015, mas o Partido Conservador
até acabou por reforçar a sua votação.
O Governo pode não conseguir
impor a sua meta de redução da
imigração
A peça central da política de imigração do Governo de
coligação conservador/liberal-democrata (2011/15)
constituiu na redução (difícil) da imigração líquida de fora
da Europa para um valor inferior a 100 000 até às
legislativas de 2015 (a liberdade de movimentos de
pessoas, que sustenta o mercado único da UE, significa
que reduzir a imigração de outros Estados membros da
UE está fora do controlo do Governo). Para colocar essa
meta no contexto atual, refira-se que a imigração líquida
atingiu um pico de 263 000 em junho de 2011, mas
recuou para 154 mil em setembro de 2012, em grande
parte por causa de uma queda no nº de estudantes
estrangeiros, e uma maior restrição dos regulamentos e
na emissão de vistos. Subiu novamente para 243 mil em
março de 2014, devido a um aumento das migrações
por motivos relacionados com o trabalho. Claramente, o
Governo tinha opositores para atingir o seu objetivo. Na
realidade, foi aumentando a preocupação entre os
empresários relativamente às consequências que essa
política poderá causar na economia. As empresas
argumentam que há uma crescente necessidade de atrair
trabalhadores em setores onde o Reino Unido sofre de
escassez de competências, bem como para os empregos
de baixa remuneração, onde há pouca aceitação por
parte dos britânicos.
9
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
MERCADO LABORAL
Os últimos dados têm continuado a revelar-se bastante
positivos, com o mercado de trabalho, que já vinha a
recuperar desde o início de 2012, numa altura em que a
economia ainda se encontrava em recessão, a ganhar
ímpeto e a recuperar inclusivamente a um ritmo superior
à retoma da economia. Os dados de março (trimestre
móvel) revelaram que o número de desempregados ficou
em mínimos desde agosto de 2008, enquanto o número
de indivíduos empregados renovou máximos históricos.
A taxa de desemprego desceu de 5,6% para 5,5%, um
mínimo desde julho de 2008. Já em abril, o desemprego
registado (uma medida mais restrita) observou uma nova
diminuição, para mínimos desde maio de 1975, sendo
que, nos últimos 12 meses, observou-se uma diminuição
de 349,6 mil desempregados, depois de entre junho e
agosto de 2014 terem-se registado as maiores quedas
desde dezembro de 1997. Os dados do mercado laboral
têm evidenciado fortes progressos – com exceção dos
salários, embora nestes últimos sete meses se tenha
notado uma significativa melhoria – logo desde o final de
2011, mesmo quando a economia permanecia muito
fraca. Com a forte aceleração da economia desde o 2.º
trimestre de 2013, a recuperação no mercado laboral
também ganhou ímpeto, tendo na 2.ª metade de 2013
evoluído mesmo de um modo desproporcionado,
refletindo o crescimento do autoemprego e a diminuição
dos salários reais. Os números mais recentes do mercado
de trabalho do Reino Unido sugerem, assim, que o
aperto nos salários reais parece finalmente ter
terminado. A parte mais animadora dos dados mais
recentes são os sinais de um rápido aumento salarial. A
taxa de crescimento homólogo dos salários semanais por
trabalhador, excluindo bónus, no trimestre móvel
terminado em março, acelerou de 1,9% para 2,2%,
ficando pelo 7.º mês consecutivo acima da inflação
medida pelo IPC (0,0% no mesmo mês), embora
encontrando-se substancialmente longe dos
crescimentos em torno dos 4% que se registavam antes
da crise, registando o crescimento mais elevado desde
junho de 2011 (+2,3%). É expectável que o crescimento
dos salários nos próximos meses aumente e que a
inflação se mantenha abaixo dos 1% nos próximos
meses (em março situou-se nos 0,0%) e inclusivamente
em valores negativos, permitindo maiores ganhos nos
salários reais e fornecendo um suporte adicional à
recuperação económica, especialmente importante num
contexto de fraco crescimento da Zona Euro. Os salários
por trabalhador, incluindo bónus (mais voláteis),
cresceram 1,9% e em aceleração (+1,7% no mês
anterior), registando novos máximos desde janeiro
quando ficou em níveis máximos desde junho de 2013.
Taxa de desemprego desceu em
março para um mínimo desde
julho de 2008
PERSPETIVAS DE MÉDIO LONGO PRAZO
A partir do início dos anos 1990 até 2008, o
desempenho económico do Reino Unido melhorou em
relação a muitos dos seus pares regionais
(nomeadamente França e Alemanha). Esse crescimento
foi impulsionado, em parte, por um aumento acentuado
da utilização do fator trabalho: no final de 2008, havia
mais 4,2 milhões de pessoas no mercado de trabalho do
que em 1993. No entanto, os níveis de produtividade no
Reino Unido, em termos de produção por hora de
trabalho, mantêm-se significativamente menores do que
nos EUA, Alemanha e França, o que implica que existe
uma margem considerável para a subida da
produtividade por via da convergência com as melhores
práticas internacionais. Isso vai tornar-se cada vez mais
importante no longo prazo, com o aumento da
produtividade a tomar necessariamente o lugar da
utilização do trabalho como a principal fonte de
crescimento. Em termos de perspetivas de crescimento a
longo prazo, o Reino Unido tem uma série de vantagens,
mas também desvantagens.
De 1990 a 2008 cresceu mais do
que a Alemanha e França
No lado positivo, o peso da regulamentação é
relativamente baixo, o mercado de trabalho é
razoavelmente flexível e o ambiente de negócios, em
geral, continua a ser acolhedor para o investimento
estrangeiro. Mais negativamente, a evasão fiscal, a
excessiva dependência de um setor financeiro empolado,
o fracasso da regulação financeira, a confiança
equivocada no crescimento alimentado pela dívida e a
sobre dimensão do setor público (em que os níveis de
produtividade são mais baixos do que há uma década)
necessitaram de uma resposta política sem precedentes
nos últimos anos por parte do Governo
10
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
Conservador/Liberal-Democrata, cujas implicações de
longo prazo são, em grande parte, desconhecidas. O
Reino Unido não é o único país a enfrentar uma verdade
desconfortável: enquanto a sua população habituou-se a
elevados níveis de prestação social, nomeadamente ao
nível dos serviços de saúde e de educação, os cidadãos
parecem não estar dispostos a pagar os impostos
necessários para suportar tal procura.
Em termos demográficos a população em idade ativa
deverá aumentar gradualmente no longo prazo. A
parcela da população com 65 anos ou mais vai continuar
a aumentar, devendo no ano de 2014 ter ultrapassado
os menores de 16 anos. Em 2030, a população com mais
de 65 anos representará 22% da população (contra
17,5% em 2013). A parcela da população em idade ativa
atingiu um pico de 66,2% em 2007 e deverá diminuir
progressivamente para 61% em 2030.
Elevada taxa de participação na
força de trabalho
Na ausência de um novo aumento na imigração, o Reino
Unido terá que aumentar a sua taxa de participação para
evitar uma contração na sua força de trabalho. A taxa de
participação na força de trabalho está um pouco abaixo
dos 80%, ligeiramente inferior à da Dinamarca e
Noruega, mas bem acima da média da OCDE. Ou seja,
existe margem para aumentar os níveis de participação
na força de trabalho, mas menos do que na maioria dos
outros países da OCDE.
País beneficia da liberalização do
comércio
No que diz respeito ao enquadramento externo, o
Reino Unido é uma economia altamente dependente do
comércio e beneficia com a continuada liberalização
gradual do comércio da UE com as outras partes do
mundo. No entanto, com as negociações de liberalização
do comércio multilateral num impasse, qualquer
progresso nesta frente é mais provável que seja através
de acordos bilaterais ao nível da UE. Uma maior
liberalização do comércio ajudaria gradualmente a
aumentar a procura por serviços do Reino Unido. O
crescimento contínuo da Ásia (e em particular a China e
a Índia) apresentará oportunidades e desafios para os
políticos e empresas do Reino Unido. O rápido
crescimento no mundo emergente está a mudar a forma
da economia global, e podem surgir tensões com
economias emergentes, particularmente a China, que
exige um papel mais determinante no cenário mundial.
Espera-se que o processo de alargamento da UE, embora
em desaceleração, não termine, mas as dúvidas tendem a
persistir sobre a capacidade do bloco (ou vontade) para
absorver grandes países pobres, como a Turquia e a
Ucrânia, sobretudo tendo em conta as implicações
orçamentais de longo prazo das crises recentes. O
crescimento a longo prazo da UE permanecerá fraco
devido às tendências demográficas adversas e à fraqueza
estrutural. As sanções económicas sobre a Rússia e as
restrições comerciais retaliatórias que esta impôs sobre a
UE em meados de 2014, deverão permanecer, pelo
menos, durante grande parte do ano de 2015, podendo
permanecer por muito mais tempo, prejudicando as
perspetivas de crescimento da região, enquanto as
economias com fortes laços com a Rússia (em especial as
da Europa Oriental) procurarão mercados de exportação
alternativos. Assim, o maior mercado de exportação do
Reino Unido continuará a ser grande e rico, mas com um
crescimento lento. A maior incerteza que paira sobre o
enquadramento internacional do Reino Unido é a sua
relação com o resto da Europa. Todos os principais
líderes dos partidos políticos querem que o Reino Unido
permaneça na União Europeia, mas as atitudes
eurocéticas no país estão profundamente enraizadas e
serão difíceis de reverter. Uma saída da UE não poder ser
completamente descartada, constituindo um risco para a
economia. Algo que também seria bastante
desestabilizador para a economia do Reino Unido e para
o seu sistema financeiro enfraquecido seria se o
prolongamento da crise da Zona Euro conduzisse a uma
rutura parcial ou total do bloco monetário.
Em termos institucionais o Reino Unido é uma
democracia estável e saudável, bem enraizada em leis
(que garantem a segurança dos contratos), com
mercados liberalizados e uma política de concorrência
rigorosa. As empresas beneficiam deste quadro político e
jurídico sólido. Há uma necessidade urgente de uma
reforma profunda dos mercados financeiros, onde
poderosos interesses instalados se opõem ferozmente a
reformas. Se o Reino Unido pretender elevar o seu nível
global de produtividade, de modo a alinhá-lo com
melhores desempenhos ao nível da OCDE, terá que
vencer três desafios principais. O 1.º desafio será o de
melhorar o seu capital humano. O seu sistema de ensino
superior está entre os melhores da Europa, mas o Reino
Unido está aquém dos seus pares em termos de aptidões
básicas. O défice de competências deve diminuir à
medida que as gerações mais jovens de trabalhadores
ingressam no mercado de trabalho, mas são necessários
mais progressos para melhorar as aptidões intermédias e
profissionais, onde o Reino Unido ainda compara mal
com muitos dos seus pares. O 2.º desafio será melhorar a
qualidade das infraestruturas de transportes terrestres,
que estão congestionadas e não são confiáveis. Um 3.º
desafio será o de enfraquecer algumas regulamentações
de planeamento que são constrangedoras e que
contribuíram para um ciclo de expansão e recessão no
mercado imobiliário residencial, que aumentaram as
rendas comerciais, reduziram a concorrência e evitaram
que as empresas operassem numa escala mais eficiente.
11
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
Aumentar a produtividade
Uma vez que o Reino Unido tem menos possibilidade de
aumentar a participação da população ativa do que a
maioria das outras economias desenvolvidas, as
perspetivas económicas de longo prazo dependerão do
aumento da produtividade. Uma melhoria no
desempenho educacional nos últimos anos, bem como a
rápida absorção de tecnologia de informação e
comunicação (TIC), oferecem algumas bases para esse
objetivo. Existem fortes evidências de que existe um
desfasamento entre o investimento em TIC e o retorno, e
de que as TIC têm um impacto positivo sobre o
crescimento, após ter sido atingido um certo limiar, pelo
que o Reino Unido poderá desfrutar futuramente de uma
aceleração do crescimento da produtividade. A longo
prazo, no entanto, três fatores podem impedir que o
Reino Unido não atinja os níveis de produtividade dos
seus pares. Uma delas é a relativa escassez de terras, o
que exigirá um crescimento do PIB em equilíbrio com
outros objetivos sociais. Outro fator é o
congestionamento das estradas e a falta de fiabilidade
dos modos alternativos de transporte terrestre. O último
fator advém de os gastos em investigação e
desenvolvimento (I&D) serem relativamente baixos. A
economia deverá crescer a um ritmo respeitável entre
2015 e 2030, mas é importante notar que muitas das
economias de mercados emergentes irão expandir muito
mais rapidamente. Não são apenas os seus perfis
demográficos mais favoráveis para o crescimento de
longo prazo, mas também o potencial significativo de
convergência com as melhores práticas dos países
desenvolvidos em diversas áreas, que vão desde a
qualidade institucional à eficiência regulatória e à
educação.
12
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
ÍNDICE DE LIBERDADE ECONÓMICA
- The Heritage Foundation
Reino Unido é a 13.ª economia
mais livre dos países que
compõem o índice em 2015
A pontuação do Reino Unido ao nível da liberdade
económica é de 75,8 pontos, correspondendo à 13.ª
economia mais livre dos países que compõem o índice
em 2015. Trata-se de um resultado que fica 0,9 pontos
acima do observado no ano anterior, refletindo
melhorias em metade das 10 liberdades económicas,
incluindo a liberdade fiscal e a liberdade laboral, que
superaram os declínios na liberdade empresarial e na
liberdade de corrupção. O Reino Unido está em 5.º lugar
entre os 43 países da região da Europa e a sua
pontuação geral está acima das médias mundial e
regional. Ao longo dos últimos cinco anos a liberdade
económica no Reino Unido avançou 1,3 pontos, liderada
por uma melhoria considerável decorrente da redução da
carga fiscal sobre as empresas nos últimos anos, e das
melhorias ocorridas em quatro das 10 liberdades
económicas, incluindo a liberdade fiscal e os direitos de
propriedade. Sendo historicamente um “campeão” ao
nível da liberdade económica na Europa, o Reino Unido
tem desenvolvido a sua economia com base num Estado
de Direito forte, numa elevada abertura económica e
num dos setores financeiros mais avançados do mundo.
Um mercado de trabalho relativamente liberal, para os
padrões europeus, complementa um dos ambientes de
negócios mais eficientes do mundo. Os elevados gastos
públicos, que ainda ascendem a quase metade da
economia, consomem parte dos recursos que poderiam
permitir um crescimento adicional do setor privado.
Enquadramento
Na sequência das reformas económicas introduzidas pela
Primeira-ministra, Margaret Thatcher, na década de
1980, o Reino Unido registou um crescimento
económico estável ao longo da década de 1990, mas os
gastos do Governo cresceram significativamente sob a
responsabilidade de sucessivos governos trabalhistas. Em
2010, o Primeiro-ministro David Cameron, Conservador,
formou um Governo de coligação com os Liberais
Democratas e tem implementado uma política de
austeridade como eixo central da sua política económica
(em maio de 2015 os Conservadores ganharam as
eleições com maioria absoluta). No ano passado o Reino
Unido registou o seu maior crescimento desde 2007, ao
crescer 2,8% (+1,7% em 2013). Em 2014, o PIB superou
os níveis pré-crise, devido aos bons desempenhos dos
seus três principais setores: serviços, indústria e
construção. O desemprego está no nível mais baixo
desde 2008 e as vendas a retalho estão robustas. O euroceticismo está em ascensão no país e o Partido
Independente do Reino Unido ganhou a maioria dos
assentos nas eleições para o Parlamento Europeu em
2014.
Estado de Direito
Eficácia da Regulação
A corrupção não é generalizada, mas alguns escândalos
numa esfera social elevada têm denegrido a reputação dos
políticos nos dois maiores partidos. A “Bribery Act” é
considerada uma das leis de anti suborno mais
abrangentes em todo o mundo, tendo entrado em vigor
em 2011. O Estado de Direito está bem estabelecido
dentro de um enquadramento jurídico completamente
independente. Os direitos de propriedade privada e os
contratos são muito seguros e o sistema judicial é eficiente.
A proteção dos direitos de propriedade intelectual é
também bastante eficaz.
O ambiente regulatório é transparente. Não existe capital
mínimo exigido e começar uma nova empresa implica
seis procedimentos e demora menos de uma semana. Os
processos de falência são simples. O mercado de trabalho
é relativamente eficiente e os custos não-salariais são
moderados. A inflação tem caído rapidamente, refletindo
o fim do aumento dos preços administrados e o Governo
prometeu acabar com subsídios para parques eólicos.
Intervenção do Governo
Abertura Económica
A taxa máxima de IRS é de 45% e a de IRC de 21%.
Outros impostos incluem o IVA e um imposto sobre o
meio ambiente. A carga fiscal global corresponde a 35,2%
do PIB, os gastos públicos a 48,2% do PIB e a dívida
pública a 90% do PIB.
Os membros da UE têm uma pauta aduaneira média de
1,0%. Embora existam algumas barreiras não pautais, a
UE é relativamente aberta ao comércio externo. O Reino
Unido geralmente trata os investidores estrangeiros e
nacionais de forma igual. O Governo ainda detém
participações substanciais no setor bancário, mas está a
tentar vender as suas participações. Encontra-se em vigor
uma taxa bancária que é aplicada aos bancos
estrangeiros e nacionais.
13
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
INDICADORES DE RISCO
Rating Heritage Foundation
SCORE %
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
Overall Score
79,2
80,4
79,9
79,4
79,0
76,5
74,5
74,1
74,8
74,9
75,8
Property Rights
90,0
90,0
90,0
90,0
90,0
85,0
85,0
90,0
90,0
90,0
90,0
Freedom from Corruption
87,0
86,0
86,0
86,0
84,0
77,0
77,0
76,0
78,0
76,4
76,0
Government spending
43,5
43,5
42,7
40,1
40,3
41,9
32,9
21,5
27,7
29,5
30,3
Fiscal Freedom
62,3
62,3
62,0
61,2
61,0
61,8
52,0
56,4
57,0
56,6
62,9
Business Freedom
85,0
91,5
91,2
90,8
89,8
94,9
94,6
94,7
94,1
92,0
91,1
Labor Freedom
79,0
81,1
79,0
79,5
78,5
72,8
71,2
71,5
71,6
73,1
75,6
Monetary Freedom
85,0
86,7
81,3
80,7
80,4
73,7
74,9
73,9
72,4
73,5
74,4
Trade Freedom
80,2
82,4
86,6
86,0
85,8
87,5
87,6
87,1
86,8
87,8
88,0
Investment Freedom
90,0
90,0
90,0
90,0
90,0
90,0
90,0
90,0
90,0
90,0
90,0
Financial Freedom
90,0
90,0
90,0
90,0
90,0
80,0
80,0
80,0
80,0
80,0
80,0
F o n t e : The He rita ge F o unda tio n.
COUNTRY’S SCORE OVER TIME
COUNTRY COMPARISONS
Rating EIU (The Economist Inteligence Unit)
SCORE %
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2013
2014
Country Risk
-
-
19,0
20,0
24,0
36,0
35,0
34,0
37,0
36,0
28,0
BBB
A
Sovereign*
-
-
16,0
15,0
18,0
34,0
33,0
34,0
37,0
36,0
28,0
BBB
A
Currency*
-
-
21,0
22,0
23,0
33,0
32,0
31,0
35,0
37,0
31,0
BBB
BBB
Economic
-
-
10,0
10,0
23,0
23,0
30,0
35,0
38,0
38,0
33,0
BBB
BBB
Political
-
-
7,0
7,0
10,0
23,0
21,0
20,0
23,0
23,0
18,0
A
AA
Banking*
-
-
20,0
22,0
31,0
42,0
40,0
37,0
40,0
36,0
26,0
BBB
A
F o n t e : EIU. No ta (*): Utiliza do na c o ntruç ã o do "C o untry R is k".
Rating das Agências
Rating
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
S&P
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
Moody's
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AA+
AA+
AA+
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AA+
AA+
AA+
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AAA
AA+
AA+
AA+
Fitch
Compósito
AAA
-
N o t a : O rating c o m pó s ito re s ulta da m é dia da s 3 a gê nc ia s .
14
Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015
CHART BOOK
United Kingdom - GDP Grow th
%
United Kingdom – Per Capita GDP
$
4
56,000
3
54,000
2
52,000
1
0
United Kingdom – Investment (% GDP)
%
21
20
50,000
19
48,000
18
46,000
17
44,000
42,000
United Kingdom – Gross National Saving (% GDP)
%
15
Per Capita GDP
Source: IMF (April 2015)
United Kingdom – Current Account (% GDP)
%
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2009
2008
2010
% GDP
Source: IMF (April 2015)
United Kingdom – Inflation Rate
%
5
-1.2
18
2007
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
14
2005
GDP Growth (%)
Source: IMF (April 2015)
16
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
36,000
2007
38,000
-5
2006
40,000
-4
2005
-3
2006
-2
2005
-1
-1.6
17
-2.0
4
-2.4
16
-2.8
3
-3.2
15
-3.6
2
-4.0
14
-4.4
1
-4.8
13
-5.2
-5.6
% GDP
Source: IMF (April 2015)
United Kingdom – Unemployment Rate
%
8.0
United Kingdom – Public Debt (% GDP)
90
-2
80
-4
70
-6
2020
2019
United Kingdom – Budget Balance (% GDP)
%
0
2018
Inflation Rate
Source: IMF (April 2015)
100
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
% GDP
Source: IMF (April 2015)
%
8.5
2009
2008
2007
2006
0
2005
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
12
7.5
7.0
6.5
6.0
60
-8
50
-10
40
-12
67
1.8
12
8
66
1.6
65
1.4
64
1.2
63
1.0
62
0.8
61
0.6
-8
-8
60
0.4
-12
-12
Growth Rate (%)
8
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
4
4
0
0
Exports Growth (%)
Source: IMF (April 2015)
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
Source: IMF (April 2015)
2007
-4
-4
2005
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
2020
12
Population
United Kingdom - Imports Grow th
%
16
Source: IMF (April 2015)
2006
2005
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
United Kingdom - Exports Grow th
%
2.0
68
% GDP
Source: IMF (April 2015)
2006
%
% GDP
Source: IMF (April 2015)
2005
United Kingdom - Population
2007
2020
Unemployment Rate
Source: IMF (April 2015)
10^6
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006
2005
4.5
2006
5.0
2005
5.5
Imports Growth (%)
15
Departamento
de Estudos
Reino Unido
//maio//maio
2015
Departamento
de//Estudos
// Canadá
2015
DEPARTAMENTO DE ESTUDOS
Rui Bernardes Serra Chief Economist
[email protected]
José Miguel Moreira Senior Economist
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Margarida Filipe Junior Economist
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Artur Patrício Junior Economist
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APOIO À INTERNACIONALIZAÇÃO
DAS EMPRESAS
Florbela Cunha Head of Unit
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Rita Marques Trade Finance
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Luis Carv alho Africa Business
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Carla Marques Mendes International Business Advisor
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Alex andra Nev es International Business Advisor
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AD VERTÊNCIA
Este documento foi elaborado pelo Departamento de Estudos da Caixa Económica Montepio Geral e é disponibilizado com intuito e
para fins exclusivamente informativos.
Todos os dados, análises e considerações nele contidas estão simplesmente baseadas no que estimamos ser as melhores
informações disponíveis, recolhidas a partir de fontes oficiais e outras consideradas credíveis, não assumindo, todavia, qualquer
responsabilidade por erros, omissões ou inexatidões das mesmas.
As opiniões e previsões expressas refletem somente a perspetiva e os pontos de vista dos autores na data da sua elaboração,
podendo ser livremente modificadas a todo o tempo e sem aviso prévio.
Neste contexto, o presente documento não pode, em circunstância alguma, ser entendido como convite ao investimento, seja de
que natureza for, nem como proposta ou oferta de negócio de qualquer tipo.
Qualquer decisão de investimento deve ser devidamente ponderada, fundamentada na análise crítica, pelo investidor, de toda a
informação publicamente disponível sobre os ativos a que respeita, suas características e adequação ao perfil de risco assumido, e
devem ter em conta todos os documentos emitidos ao abrigo da regulamentação das entidades de supervisão, nomeadamente da
Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.
Nem o Montepio, na qualidade de emitente do documento, nem nenhuma entidade sua dominante ou dominada ou qualquer
outra integrante do Grupo Montepio em que se insere, pode, consequentemente, ser responsabilizada por eventuais perdas ou
prejuízos decorrentes de decisões de investimento que, quem quer que seja, tenha tomado, mesmo que por levar em conta
elementos constantes deste documento.
Por outro lado, uma vez que este documento não contempla qualquer tipo de informação privilegiada ou reservada, nem constitui
nenhum conselho ou convite ao investimento, as empresas do Grupo Montepio mantêm o direito de, nos limites da lei, transacionar
ou não, ocasional ou regularmente, qualquer ativo direta ou indiretamente relacionado com o âmbito deste relatório.
O relatório pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte.
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