Superfície 2 243 610 Km Densidad e Populacional 2 265 Hab/ Km Reserv as Ex ternas 76,4 10^9 $ MONTEPIO Departamento de Estudos / / maio 2015 REINO UNIDO Previsões económicas e indicadores sociais e demográficos Unidade: taxa de crescim ento % 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 PIB -0,3 -4,3 1,9 1,6 0,7 1,7 2,6 2,7 2,3 2,2 2,2 2,1 2,1 PIB Nominal 2,5 -2,4 5,1 3,8 2,3 3,5 4,4 3,6 3,7 4,0 4,2 4,1 4,2 PIB Nominal (10^9) 1 518,7 1 482,1 1 558,4 1 617,7 1 655,4 1 713,1 1 787,9 1 852,7 1 920,9 1 997,7 2 080,7 2 166,6 2 256,9 PIB Nominal (10^9 $) 2 814,5 2 318,8 2 409,4 2 594,1 2 624,3 2 680,1 2 945,1 2 853,4 2 981,5 3 142,7 3 325,2 3 516,1 3 730,6 Deflator do PIB 2,9 2,0 3,2 2,1 1,7 1,8 1,8 0,9 1,3 1,8 1,9 1,9 2,0 Inflação (IPC) 3,6 2,2 3,3 4,5 2,8 2,6 1,5 0,1 1,7 2,0 2,0 2,0 2,0 Investimento (% PIB) 18,0 15,0 16,3 16,3 16,3 17,0 17,7 17,8 18,4 19,0 19,5 19,8 20,0 Poupança Nacional Bruta (% PIB) 14,3 12,3 13,7 14,6 12,6 12,5 12,2 13,1 13,8 14,8 15,8 16,3 16,7 Dívida Pública (% PIB) 51,8 65,8 76,4 81,8 85,8 87,3 89,5 91,1 91,7 90,7 88,9 86,1 83,2 Dívida Pública Líquida (% PIB) 45,7 58,8 69,1 73,4 77,1 78,7 81,0 82,6 83,1 82,2 80,4 77,5 74,7 Receitas Públicas (%) 4,0 -7,4 6,4 5,5 2,9 4,7 1,6 3,1 4,7 4,3 4,1 4,3 4,2 Despesas Públicas (%) 9,4 6,4 3,5 0,4 3,1 -0,3 1,9 0,9 0,2 0,1 1,5 3,6 4,1 Receitas Públicas (% PIB) 37,0 35,1 35,6 36,1 36,3 36,8 35,8 35,6 35,9 36,1 36,0 36,1 36,1 Despesas Públicas (% PIB) 42,1 45,9 45,2 43,8 44,1 42,5 41,5 40,4 39,0 37,6 36,6 36,4 36,4 Saldo Orçamental (% PIB) -5,1 -10,8 -9,7 -7,6 -7,8 -5,7 -5,7 -4,8 -3,1 -1,5 -0,6 -0,3 -0,3 Saldo Orçamental Estrutural (% PIB) -6,8 -9,9 -8,1 -5,8 -5,6 -3,6 -4,2 -4,0 -2,6 -1,3 -0,5 -0,3 -0,5 Saldo Primário (% PIB) -3,6 -9,4 -7,2 -4,9 -5,4 -4,4 -3,8 -3,2 -1,4 0,4 1,3 1,6 1,6 -104,6 -64,8 -62,7 -43,4 -98,2 -119,9 -162,2 -135,6 -136,9 -129,5 -120,7 -120,3 -122,8 Balança Corrente (10^9 $) Balança Corrente (% PIB) -3,7 -2,8 -2,6 -1,7 -3,7 -4,5 -5,5 -4,8 -4,6 -4,1 -3,6 -3,4 -3,3 População (10^6) 61,4 61,8 62,3 63,3 63,7 64,1 64,5 64,9 65,4 65,8 66,3 66,7 67,1 0,6 População (%) População 15-64 anos (% total) Taxa de Desemprego Emprego 0,7 0,6 0,8 1,6 0,7 0,6 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7 66,1 66,0 65,9 65,6 65,3 64,9 - - - - - - - 5,7 7,6 7,9 8,1 8,0 7,6 6,2 5,4 5,4 5,4 5,4 5,4 5,4 0,9 -1,6 0,3 0,5 1,1 1,2 2,3 1,3 0,7 - - - - PIB PPP (10^9 $) 2 245,6 2 165,1 2 233,5 2 317,1 2 374,2 2 449,7 2 548,9 2 641,4 2 743,4 2 861,4 2 987,3 3 112,2 3 240,2 PIB per capita PPP $ 36 575 35 039 35 872 36 614 37 269 38 225 39 511 40 676 41 957 43 470 45 080 46 662 48 271 PIB per capita $ 45 840 37 526 38 698 40 991 41 194 41 820 45 653 43 940 45 599 47 743 50 179 52 717 55 576 Exportações (%) 1,6 -8,2 6,2 5,6 0,7 1,5 0,4 3,8 3,8 4,1 4,0 3,7 3,6 Bens (%) 1,8 -10,1 10,8 6,8 -0,8 -0,5 -0,4 4,6 3,8 4,1 4,0 3,7 3,6 Importações (%) -1,8 -9,8 8,7 1,0 3,1 1,4 1,8 3,9 3,9 4,2 4,1 3,8 3,8 Bens (%) -1,7 -10,8 12,2 1,7 2,6 0,7 2,5 4,5 3,9 4,2 4,1 3,8 3,8 Agricultura (% PIB) 0,7 0,6 0,7 0,6 0,7 0,7 - - - - - - - Indústria (% PIB) 22,1 20,9 20,6 21,0 20,5 20,2 - - - - - - - Serviços (% PIB) 77,2 78,5 78,7 78,4 78,9 79,2 - - - - - - - Esperança Vida à nascença (anos) 79,6 80,1 80,4 81,0 80,9 81,0 - - - - - - - F o n t e : F M I (Wo rld Ec o no m ic Outlo o k - a bril de 2015); B a nc o M undia l (re s ta nte s da do s his tó ric o s s e m pre vis õ e s ). Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 Principais Exportações de Bens (2014) Código 84 27 87 71 30 Descrição Máquinas, reatores nucleares e caldeiras Combustíveis minerais, óleos, produtos de destilação Veículos elétricos e ferroviários Máquinas e equipamentos geradores de energia Produtos farmacêuticos Valor (mM$) 71,1 56,8 53,8 52,1 33,4 239,0 Outros produtos Peso (%) 14,0 11,2 10,6 10,3 6,6 47,2 F o n t e : Inte rna tio na l Tra de C e ntre (ITC ) - Na ç õ e s Unida s . Principais Importações de Bens (2014) Código 84 27 87 85 71 Descrição Máquinas, reatores nucleares e caldeiras Combustíveis minerais, óleos, produtos de destilação Veículos elétricos e ferroviários Equipamento elétrico e eletrónico Máquinas e equipamentos geradores de energia Valor (mM$) 90,1 76,9 75,2 60,9 35,4 Peso (%) 13,2 11,3 11,0 8,9 5,2 344,1 50,4 Outros produtos F o n t e : Inte rna tio na l Tra de C e ntre (ITC ) - Na ç õ e s Unida s . Principais Parceiros Comerciais de Importações (2014) Principais Parceiros Comerciais de Exportações (2014) País Alemanha China EUA Holanda França Outros países País EUA Alemanha Holanda Suíça França Outros países Valor (mM$) 97,1 60,5 53,4 51,0 39,6 380,8 Peso (%) 14,2 8,9 7,8 7,5 5,8 55,8 F o n t e : Inte rna tio na l Tra de C e ntre (ITC ) - Na ç õ e s Unida s . Veículos automóveis, reboques e semireboques Produtos farmacêuticos e preparações farmacêuticas de base Produtos químicos Produtos informáticos, electrónicos e ópticos Serviços de recolha, tratamento e deposição de resíduos; serviços de valorização de materiais Coque e produtos petrolíferos refinados Máquinas e equipamentos, n.e. Produtos alimentares Metais de base Equipamento eléctrico Peso (%) 11,8 9,8 7,4 6,6 5,9 58,5 F o n t e : Inte rna tio na l Tra de C e ntre (ITC ) - Na ç õ e s Unida s . TOP 10 DAS IMPORTAÇÕES DE PORTUGAL do REINO UNIDO (2014) Tipo de Produto Valor (mM$) 59,7 49,4 37,4 33,6 30,0 296,0 TOP 10 DAS EXPORTAÇÕES DE PORTUGAL PARA o REINO UNIDO (2014) Valor (€) Share (%) TCMA09-14 (%) Valor (€) Share (%) TCMA09-14 (%) 260 658 050 14,5 4,1 Veículos automóveis, reboques e semireboques 470 434 127 16,1 10,8 191 410 995 10,7 0,5 Artigos de vestuário 174 214 948 292 675 155 10,0 7,3 9,7 2,0 6,1 16,3 159 906 554 8,9 1,8 Artigos de borracha e de matérias plásticas 179 255 354 Produtos informáticos, electrónicos e 164 870 561 ópticos 5,6 13,3 127 682 293 7,1 13,5 Produtos metálicos transformados, excepto 160 971 198 máquinas e equipamento 5,5 9,8 105 843 785 5,9 -4,5 101 111 367 84 395 175 5,6 4,7 -0,1 3,1 71 830 911 4,0 2,3 60 660 887 3,4 1,9 Fonte: INE. Tipo de Produto Produtos alimentares Equipamento eléctrico Máquinas e equipamentos, n.e. Couro e produtos afins Produtos têxteis 152 790 194 5,2 7,5 149 301 086 145 806 630 5,1 5,0 20,0 17,4 138 986 918 4,8 4,0 133 005 301 4,6 6,7 Fonte: INE. PESO do REINO UNIDO NAS IMPORTAÇÕES DE PORTUGAL (2012/14) 2012 PESO do REINO UNIDO NAS EXPORTAÇÕES DE PORTUGAL (2012/14) 2013 2014 2013 2014 Importações de Portugal deste país (milhares €) 1 674 239,5 1 663 888,8 1 791 687,7 Exportações de Portugal deste país (milhares €) 2 386 033,9 2 601 761,8 2 922 247,3 Importações totais de Portugal (milhares €) 56 374 083 56 906 067 58 745 986 Exportações totais de Portugal (milhares €) 45 213 016 47 266 500 48 180 643 2,97 2,9 3,0 5,28 5,5 6,1 Peso das importações do país (%) Fonte: INE. 2012 Peso das exportações do país (%) Fonte: INE. 2 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 CONJUNTURA PIB deverá crescer 2,5% em 2015 REINO UNIDO/ PREVISÕES ECONÓMICAS DO DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DO MONTEPIO PIB Inflação 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 -0,3 -4,3 1,9 1,6 0,7 1,7 2,8 2,5 2,6 2,3 2,2 2,1 2,1 3,6 2,2 3,3 4,5 2,8 2,6 1,5 0,4 1,7 2,0 2,0 2,0 2,0 Taxa de Desemprego Balança Corrente (% PIB) 5,6 7,5 7,9 8,1 8,0 7,6 6,3 5,3 5,2 5,1 5,1 5,1 5,1 -3,7 -2,8 -2,6 -1,7 -3,7 -4,5 -5,5 -4,7 -4,4 -4,2 -3,6 -3,4 -3,3 Saldo Orçamental (% PIB) -4,9 -10,3 -9,1 -7,1 -7,6 -5,9 -5,4 -4,6 -3,2 -1,7 -0,6 -0,3 -0,3 N o t a s : Os da do s his tó ric o s do S a ldo Orç a m e nta l s e gue m a m e to do lo gia do F M I. POLÍTICA INTERNA No curto prazo a probabilidade de relativa estabilidade política aumentou, após a recente eleição de um Governo de maioria do Partido Conservador. Embora esta maioria dos Conservadores seja altamente vulnerável a discordâncias e rebeliões dentro da sua bancada parlamentar – muitos dos deputados Conservadores têm contestado o Primeiro-ministro David Cameron – a verdade é que a maioria alcançada por Cameron proporcionou-lhe um muito maior controlo sobre o seu Governo e o Partido do que teria caso a vitória não tivesse sido por maioria parlamentar. Ao anunciar o novo Governo, David Cameron tem sido capaz de fazer um uso mais elevado do clientelismo político, devido ao facto de que não existirem posições do Governo que tenham de ser partilhadas com um partido de coligação. Cameron também está agora na posição de avançar com políticas conservadoras mais controversas – por exemplo, a reforma do Estado Social – que talvez não fossem possíveis se o Governo não fosse de maioria. Antes das últimas eleições existia risco de novas eleições dentro de um ou dois anos, devido à dificuldade de manter unida uma administração minoritária num Parlamento altamente fragmentado. A vitória dos Conservadores, a 7 de maio, sugere que o Governo irá completar um mandato de cinco anos. Se um Governo estável se revelar impossível devido às discordâncias internas no Partido Conservador – com a questão mais provável a ser a relativa à permanência ou não na União Europeia (UE) –, David Cameron poderá novamente candidatar-se a eleições na esperança de obter de novo uma maioria absoluta Vitória dos Conservadores, a 7 de maio, sugere que o Governo irá completar um mandato de cinco anos DAVID CAMERON Primeiro-ministro do Reino Unido POLÍTICA EXTERNA As tensões entre o Reino Unido e a UE têm sido exacerbadas pela prolongada crise da Zona Euro, e correm o risco de se intensificarem, dado que David Cameron, o Primeiro-ministro, tenta renegociar os termos de adesão da Grã-Bretanha à UE, antes do prometido referendo para 2017 de “sim” ou “não” à permanência na UE. As tensões correm o risco, ainda, de uma escalada adicional à medida que David Cameron tentar renegociar os termos de permanência do país enquanto membro da UE, através do prometido referendo. O fracasso do Reino Unido em construir alianças sólidas com a UE reduziu bastante a sua capacidade em garantir concessões significativas com os seus parceiros europeus. Além disso, o Governo afetou recentemente as relações com determinados parceiros perante a sua abordagem face à última fase da crise grega, nomeadamente a sua decisão de anunciar publicamente que estava acolher reuniões de emergência para planear uma possível saída da Grécia da Zona do Euro. 3 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 ATIVIDADE No 1.º trimestre de 2015 o PIB apresentou uma expansão em cadeia de 0,3% (que o Banco de Inglaterra estima que seja revisto para 0,5%, mas que admitimos ser apenas revisto para 0,4%) e de 2,4% em termos homólogos, registando o menor ritmo de crescimento desde o 4.º trimestre de 2013. Em cadeia, tratou-se de uma desaceleração do ritmo de crescimento face ao 4.º trimestre de 2014 (+0,6%), com o PIB a ficar 4,0% acima do nível máximo observado no 1.º trimestre de 2008 (entre esse pico e o 2.º trimestre de 2009 a economia contraiu 6,0%), mas encontrando-se agora 5,3% acima do nível pré-recessão (npr), o nível médio de 2007. No entanto, refira-se que se trata do 9.º trimestre consecutivo de crescimento do PIB e, na maioria deles, a ritmos fortes (a uma média de +0,62% entre o 1.º trimestre de 2013 e o 1.º trimestre de 2015), mas com este crescimento a ser o mais baixo desde o período de expansão (4.º trimestre de 2012: -0,3%). A economia foi impulsionada unicamente pelo importante setor dos serviços, visto que a indústria, a construção e a agricultura apresentaram quedas (embora os últimos dados da produção industrial sugiram uma revisão para um ligeiro crescimento). Os serviços desaceleraram o ritmo de crescimento face ao trimestre anterior (+0,5% vs +0,5% no 4.º trimestre de 2014), estando assim por detrás da desaceleração (menos intensa) da economia como um todo. Do lado das descidas, saliente-se o setor da indústria (-0,1% vs +0,2% no trimestre anterior), a agricultura (-0,2% vs +0,4% no 4.º trimestre de 2014) e o setor da construção, ainda que desagravando o ritmo de queda (1,6% vs -2,2% no trimestre anterior), contrariando as indicações dadas pelos indicadores qualitativos, que tinham revelado que o setor continuava a crescer, embora a um ritmo menor que a média de 2014, mas aliviando da pior performance desde o 2.º trimestre de 2012, depois de o setor ter sido impulsionado pela procura interna, fruto da recuperação do emprego e do programa Help to Buy de apoio à compra de casa. Na 1.ª estimativa não são divulgados dados na ótica da despesa, mas estima-se que o consumo privado tenha acabado por desacelerar, contrariando o que era a nossa anterior expectativa de, pelo menos, uma manutenção do crescimento do trimestre anterior (+0,6%), admitindo-se que o investimento possa também ter tido um contributo sensivelmente nulo, estimando-se um contributo negativo das exportações líquidas (+0,9 p.p. no 4.º trimestre de 2014). Para o 2.º trimestre de 2015 prevemos um crescimento de 0,7%, recuperando do fraco crescimento observado no arranque do ano, com a economia a manter um forte ímpeto de crescimento e a ser impulsionada sobretudo pelos serviços. Em 2014, a expansão foi de 2,8% (+1,7% em 2013), devendo em 2015 observar-se um crescimento de 2,5%. Apesar da recente tendência de vigor de atividade económica, bem como dos sinais encorajadores de crescimento mais equilibrados a partir do final de 2013, as perspetivas de uma recuperação sustentada permanecem incertas no médio prazo. O cenário de crescimento está ainda dependente de vários fatores: i) a significativa dependência do consumo privado por parte da economia, sobretudo num contexto em que as famílias permanecem endividadas e estão vulneráveis aos aumentos das taxas de juro; ii) a recuperação dos salários reais, podendo as famílias terem que enfrentar um longo período de baixo crescimento dos salários reais se a fraca tendência de crescimento da produtividade desde a crise não for revertida; iii) resolução da crise do euro e evolução das políticas de austeridade na região; iv) normalização efetiva das condições do crédito; v) evolução da execução orçamental; vi) comportamento dos preços das commodities; vii) resposta da oferta potencial ao aumento da procura; viii) comportamento da inflação; ix) sustentação das melhorias no mercado laboral; x) evolução da confiança dos empresários, que poderá levar as empresas a libertar algumas das reservas que foram constituindo nos últimos anos. PIB expandiu 0,3% no 1.º trimestre deste ano, revelando o 9.º trimestre consecutivo de crescimento OPORTUNIDADES As preocupações sobre a sustentabilidade das recuperações da procura interna e da procura internacional após a crise financeira e a recessão profunda de 2007/09 vão persistir por algum tempo, embora a economia do Reino Unido, grande e rica, continue a oferecer oportunidades para investidores estrangeiros e exportadores globais. Com um PIB nominal de 2,95 biliões (trillion) de dólares (a taxas de câmbio de mercado) em 2014, o Reino Unido é a 6.ª maior economia do mundo (depois de os EUA, China, 4 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 Japão, Alemanha e França). O PIB per capita em taxas de câmbio de mercado foi cerca de 45 653 dólares em 2014, ocupando o Reino Unido a 10.ª posição na União Europeia a 28 países (UE28), entre a Alemanha e a França. De acordo com o FMI, o PIB per capita em taxas de câmbio de mercado vai aumentar para 55 576 dólares em 2020, melhorando a posição do Reino Unido na UE28 para 5.º (a seguir à Irlanda e antes dos Países Baixos). Dimensão e dinamismo económico do país: uma oportunidade para os exportadores Ao avaliar o produto em termos comparativos, no entanto, pode ser mais informativo utilizar a paridade de poder de compra (PPP) para as taxas de conversão, em vez de taxas de câmbio de mercado. A PPP ajusta as diferenças nos níveis de preços entre países que nem sempre são captadas pelas taxas de câmbio do mercado. Na medida PPP, o PIB nominal foi de 2,945 biliões de dólares em 2014, ocupando o Reino Unido a 10.ª posição no ranking mundial (depois de os EUA, China, Índia, Japão, Alemanha, Rússia, Brasil, França e Indonésia). Em termos de PIB per capita em PPP (39 511 dólares em 2014), o Reino Unido está classificado em 28.º no mundo e em 11.º na UE28. O PIB per capita em uma base PPP está previsto atingir 48 271 dólares em 2020, subindo para 9.º lugar na UE28. O mercado de consumo do Reino Unido atingiu 1,82 biliões de dólares em 2014 e deverá superar os 2 biliões em 2017, dado esperar-se uma recuperação da procura interna ao longo do período de previsão. O crescimento da procura privada está a emergir rapidamente, apoiada por um mercado de trabalho em recuperação, um investimento empresarial mais forte e um mercado imobiliário a melhorar. Os balanços do setor privado também melhoraram moderadamente desde a crise financeira, os consumidores foram forçados a reduzir passivos, mas o setor privado continua a ser excessivamente alavancado, os orçamentos familiares estão a ser pressionados e o ainda grande setor público está ainda num período de contenção de gastos. Isto, combinado com a continuidade da volatilidade dos mercados financeiros e a reparação dos balanços no setor bancário, vai continuar a pesar sobre as perspetivas de crescimento ao longo do período de previsão 2015/20. O Reino Unido continuará a oferecer oportunidades de mercado de um país rico e desenvolvido ao longo do período de previsão, mas as implicações de longo alcance da crise financeira e da recessão grave alteraram as oportunidades de mercado. O anterior aumento rápido de famílias unipessoais deverá abrandar, ou pode até mesmo reverter, e o número de pessoas solteiras capazes de suportar as suas próprias habitações deverá diminuir face a critérios de concessão de crédito mais apertados. Isto terá efeitos negativos sobre a procura de bens em vários mercados de bens de consumo, tais como produtos de linha branca, eletroeletrónica e móveis. INFLAÇÃO Os dados conhecidos para a evolução dos preços nos últimos trimestres revelaram-se animadores, observandose fracas pressões inflacionistas, no quadro de uma capacidade instalada por utilizar – beneficiando, designadamente, da diminuição dos preços das commodities energéticas e agrícolas nos mercados internacionais quando expressas em libras ao longo de 2014 e, para já, nestes primeiros meses de 2015. A principal medida de inflação, calculada pela variação homóloga do IHPC, apresentou uma queda de 0,1% (0,0% em março) registando um novo mínimo histórico, ficando abaixo do target de 2% do BoE, pela 16.ª vez (consecutiva) desde novembro de 2009, tendo em dezembro de 2013 estado em linha com o target e nos restantes meses sempre acima (em junho de 2013, com +2,9%, registou um máximo desde abril de 2012). Abstraindo-nos de efeitos de base, em termos mensais (dados ajustados de sazonalidade pelo Montepio), os preços apresentaram uma ligeira subida (em termos anualizados), desagravando da queda de 1,7% observada em fevereiro, pelo 2.º mês consecutivo (+1,5% em abril vs +0,3% no mês anterior), com a média móvel de três meses a estabilizar (-1,0% no mês anterior) após cinco quedas consecutivas, ficando pela 16.ª vez em 19 meses abaixo da inflação homóloga e do target do BoE. Por seu lado, o índice de preços no produtor (IPP), um indicador preliminar da pressão dos preços na economia, evidenciou uma manutenção da queda homóloga em 1,7%, apresentando em termos mensais apenas a 9.ª subida nos últimos 21 meses. O crescimento homólogo do IPP permaneceu, assim, aquém do crescimento do IHPC, sinalizando que continuam a não existir pressões de preços do lado da oferta de bens, apesar do forte crescimento da economia nos últimos trimestres. No seu Relatório de Inflação de maio o BoE afirmou que cerca de ¾ do menor ímpeto da inflação em relação ao target, ou seja 1,5 p.p., deveu-se às anormalmente baixas contribuições dos preços dos alimentos, da energia e de outros bens importados, que se julga refletirem, em grande parte, fatores externos. A queda do preço da energia tem sido a grande responsável pelos valores apresentados pela inflação. As quedas nos preços dos bens agrícolas e a valorização da libra também levaram a que os preços dos retalhistas fossem mais baixos nos alimentos e noutros bens relacionados. Na ausência de novos desenvolvimentos, estes fatores vão continuar a arrastar-se antes que a taxa homóloga de 5 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 inflação comece a aumentar no final de 2015. Os restantes ¼ da fraqueza da inflação em relação ao target, ou seja 0,5 p.p., refletem fatores internos. A meta de inflação do MPC é simétrica: os desvios da inflação abaixo da meta devem ser tratados com a mesma importância que os desvios acima dela. Dada a natureza dos choques que afetam a inflação, esta está abaixo da sua meta, ao mesmo tempo que o desemprego está acima da sua taxa sustentável de longo prazo. Assim sendo, não existe trade-off entre o retorno imediato da inflação para a meta e o apoio à atividade económica. Na verdade, para que a inflação se situe perto da meta, é necessário eliminar o excesso de capacidade produtiva existente na economia. Resta, portanto, definir uma política de modo a permitir o retorno da inflação para a meta de forma relativamente rápida, uma vez que os efeitos dos movimentos dos preços da energia e dos produtos alimentares devem diminuir num futuro próximo. Inflação abaixo do objetivo do BoE pela 16.ª vez consecutiva POLÍTICA MONETÁRIA A descida pronunciada e imprevista da taxa de desemprego em 2013 (e que prosseguiu entretanto nos meses seguintes) obrigou o BoE a rever a forward guidance que tinha instaurado, em julho de 2013, com a chegada de Mark Carney. A autoridade entende que o nível de desemprego consistente com a estabilidade de preços passou a ser menor do que se estimava, devido ao desapontante crescimento da produtividade. Por conseguinte, adotou uma guidance mais abrangente e robusta, mas sem deixar de ser concreta, baseada não em um, mas em cinco elementos, fornecendo ao mercado indicações de que: i) tem o objetivo explícito de “absorver a totalidade da capacidade por utilizar na economia ao longo dos próximos dois a três anos”; ii) “entende que permanece uma margem para absorver a capacidade por utilizar na economia antes de optar por subir a bank rate”; iii) se e quando chegar a altura em que a economia possa suportar taxas de juro mais elevadas, a bank rate será subida apenas gradualmente; iv) quaisquer aumentos na bank rate serão limitados; v) pretende manter a dimensão do APF até à 1.ª subida da bank rate. As previsões do BoE para o crescimento económico no Relatório de Inflação de maio diminuíram desde o relatório de fevereiro de 2015. Assim, o BoE projetou (com a política monetária inalterada) que o crescimento do PIB fosse de 2,5% em 2015 (+3,0% no anterior relatório), 3,0% em 2016 e 2,8% em 2017 (+3,1% e +2,9% no relatório de fevereiro de 2015). Em termos de previsões para a inflação (igualmente com a política monetária inalterada), estas aumentaram ligeiramente, com o BoE a prever que fique em 0,9% no 4.º trimestre de 2015 (+0,7% no relatório anterior), 1,9% no 4.º trimestre de 2016 (+2,0% no relatório anterior) e estimando que feche o ano de 2015 num valor médio de 0,6%, acelerando posteriormente para 1,8% em 2016. Caso se tenha em consideração as expectativas do mercado, ou seja, subidas de taxas a partir do próximo ano e ao longo do período de previsão, o BoE prevê que o crescimento do PIB seja de 2,5% em 2015, 2,7% em 2016 e 2,5% em 2017. Para a inflação o BoE prevê 0,3% em 2015, 1,5% em 2016 e 2,0% em 2017. O BoE espera que o crescimento do PIB no 1.º trimestre de 2015 seja revisto em alta para 0,5% (1.ª estimativa: +0,3%), prevendo uma expansão de 0,7% no 2.º trimestre de 2015 (Montepio: +0,7%). O programa de compra de dívida do Banco Central Europeu (BCE), no âmbito de uma política de quantitative easing (QE), que teve início em março, tem ajudado a impulsionar os preços dos ativos em euros e a reduzir as yields da maioria dos títulos soberanos dos países da Zona Euro. Este programa parece ter tido também algum peso sobre as yields das outras economias avançadas. As perspetivas económicas e posturas de política monetária divergentes tiveram impactos significativos nas taxas de câmbio. Assim, refira-se que, em termos efetivos, a libra apresenta uma valorização de 2% face ao relatório de inflação de fevereiro e um valor 16% superior ao valor mínimo atingido em março de 2013. Os preços do petróleo em libras subiram, mas continuam 40% abaixo do seu pico atingido em meados de 2014. Apoiada por medidas de política monetária e preços mais baixos do petróleo, a expansão da atividade parece estar para continuar, embora os dados de atividade conhecidos desde o relatório de inflação de fevereiro tenham sido mistos. Parte dessa fraqueza reflete os efeitos da capacidade instalada por utilizar no mercado de trabalho, embora o recente crescimento do emprego em postos de trabalho menos qualificados (e que tendem a ser menos bem pagos) fizesse parte dessa folga. Outra influência nas decisões de fixação de salários e preços são as expectativas de inflação. Quase todas as medidas das expectativas de inflação caíram em relação ao ano passado, estando agora abaixo dos níveis médios précrise. Essas medidas sugerem que os trabalhadores e as empresas esperam uma fraca recuperação do crescimento salarial este ano. Outras medidas de expectativas de inflação estão, no entanto, próximas das médias históricas. As expectativas do BoE são de que a inflação permanece globalmente consistente com a meta de inflação de 2%. O BoE prevê, na melhor das hipóteses, que a capacidade instalada por utilizar diminua ao longo dos próximos seis meses para cerca de 6 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 0,5% do PIB, embora exista uma considerável incerteza em torno desta estimativa. No relatório de inflação de fevereiro de 2014, o BoE afirmou que, dada a persistência de ventos contrários que deverão pesar sobre a economia, quando a bank rate começar a subir, será de forma mais gradual do que em ciclos anteriores. Além disso, a persistência desses ventos contrários, juntamente com o legado da crise financeira, fez com que se perspetivasse que a bank rate se mantivesse abaixo dos níveis históricos médios por algum tempo. Na sua última reunião (11 de maio), o Comité manteve a sua política monetária (a bank rate em 0,50% e o stock de dívida do programa de compra de dívida do BoE em 375 mM£), esperando que o excesso de capacidade existente na economia seja absorvido e a inflação volte à meta de 2% nos próximos dois anos. O BoE também observou, no entanto, que, tal como previsto no relatório de fevereiro de 2014, a taxa de juro necessária para manter a economia a funcionar em níveis normais de capacidade e manter a inflação em linha com o objetivo provavelmente continuará a aumentar, à medida que os efeitos da crise financeira desapareçam. Face às perspetivas anunciadas no relatório de inflação de maio de 2015, designadamente em torno da inflação, mantemos as nossas perspetivas quanto à 1.ª subida de taxas, esperando-se que ocorra apenas no 1.º trimestre de 2016, devendo terminar esse ano em 1,50%. 1.ª subida de taxas deverá ocorrer apenas no 1.º trimestre de 2016, devendo terminar esse ano em 1,50%. POLÍTICA CAMBIAL Libra deverá desvalorizar em relação ao dólar em 2015 Os movimentos da libra esterlina continuarão a ser moldados pelas tendências políticas dos bancos centrais globais, com o BoE a esperar pelo momento certo para iniciar o ciclo de subida de taxas (prevemos o início deste ciclo durante o 1.º trimestre de 2016), o BCE a continuar a tornar a sua política mais expansionista e a Federal Reserve (Fed) a preparar-se para aumentar as taxas na 2.ª metade deste ano. Refletindo estes cenários, a libra deverá desvalorizar em relação ao dólar em 2015, em especial no período de preparação para o 1.º aumento de taxas de juro em setembro por parte da Fed. A libra deverá observar também uma depreciação gradual face ao dólar no horizonte 2015/19. Refira-se que que a taxa de câmbio em abril ficou em 0,73 EUR/GBP. Sendo que as previsões de consenso são que a libra se situe em 0,72 EUR/GBP em 2015 e 0,70 EUR/GBP em 2016, em ligeira apreciação face à moeda única, onde o início da retirada dos estímulos monetários será mais tardio (prevemos apenas para 2017) A independência monetária do Reino Unido significa que a libra é vista como um porto seguro, mas as deficiências estruturais deixam a moeda vulnerável às mudanças de sentimento dos investidores. POLÍTICA ORÇAMENTAL No ano fiscal de 2014/15 a execução revelou-se mais benigna do que o esperado inicialmente, beneficiando da recuperação da economia, com o défice subjacente (i.e. ajustado de dois efeitos extraordinários: a transferência dos fundos de pensões do Royal Mail Group Ltd e a transferência do retorno obtido pelos investimentos do Asset Purchase Facility do BoE) tendo a meta de redução do défice ficado em 4,8% do PIB, abaixo da previsão (-5,0% do PIB). Efetivamente, segundo as previsões de 18 de março do Office for Budget Responsibility (OBR) – um organismo que fornece previsões independentes como auxiliar à preparação do orçamento por parte do Governo – o saldo orçamental subjacente (ajustando os suprarreferidos efeitos pontuais) do setor público terminou o ano fiscal 2014/15 em 87,7 mil milhões de libras (mM£). Segundo as previsões do OBR, o saldo orçamental subjacente do setor público deverá terminar o ano fiscal de 2014/15 em 90,2 mM£, quando em dezembro de 2014 previa 91,3 mM£. O OBR manteve as previsões para 2015/16, perante alguma incerteza nas perspetivas para a economia, e reviu em baixa as previsões até 2017/2018. Em termos de percentagem do PIB, o défice subjacente ficou em 5,6% no ano fiscal de 2013/14, tendo estimado para 2014/15 um défice de 5,0% (anteriormente -5,0%), tendo este, como referido, ficado em 4,8%, prevendo para 2015/16 um défice de 4,0% (anteriormente -4,0%), para 2016/17 de 2,0% (anteriormente -2,1%) e para 2017/18 de 0,6% (anteriormente -0,7%), prevendo que o défice seja eliminado em 2018/19, apresentando um excedente de 0,2% do PIB (anteriormente +0,2%) e um excedente de 7 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 0,3% em 2019/20 (anteriormente +1,0%). O défice de acordo com o Tratado de Maastricht ficou em 4,8% do PIB no ano civil de 2014. Para 2015 e 2016, o FMI (WEO de 14/04/2015) previa défices de 4,8% e 3,1%, respetivamente, devendo diminuir para 0,3% em 2020. A Comissão Europeia (05/05/2015) revelou-se ligeiramente mais otimista que o FMI para este ano, apontando para um défice de 4.5% em 2015, e 3.1% em 2016. Segundo o atual consenso de mercado (Bloomberg), publicado em maio, é esperado um défice de 4,4% em 2015, 3,4% em 2016 e 1,8% em 2017. Refira-se que o início do ano fiscal apresentou-se animador, o défice a ficar em abril abaixo do esperado pelo mercado, e comparando favoravelmente com o período homólogo. No entanto, saliente-se que os resultados dos primeiros meses do ano fiscal contêm normalmente mais estimativas que os restantes meses, tanto do lado das receitas, como das despesas, o que significa que os dados nestes meses são geralmente propensos a revisões significativas. No ano fiscal de 2014/15, a execução revelou-se mais benigna do que o esperado inicialmente Embora a economia esteja numa fase de robusta recuperação, que foi reforçada desde meados de 2014 por preços mais baixos do petróleo, existem cautelas sobre as perspetivas a médio prazo para a economia do Reino Unido, que sofre de alguns problemas estruturais graves, tais como a sua excessiva dependência dos efeitos de riqueza decorrentes de um mercado imobiliário residencial altamente alavancado. CONTAS EXTERNAS O défice da balança corrente alargou-se acentuadamente em 2012 para 3,7% do PIB, o maior défice desde 1989, devido à queda dos rendimentos provenientes de investimentos no exterior e à subida do défice comercial. O défice da balança corrente aumentou novamente em 2013, para 4,5%, e de novo em 2014 para 5,5% do PIB. Apesar de alguma redução ao longo dos próximos cinco anos, a balança comercial de bens deverá manter a balança corrente deficitária, não obstante se perspetivar uma redução de forma constante, apontando-se para uma diminuição do défice deste ano para 4,7% e uma nova redução para 4,4% em 2016, impulsionada pela melhoria da balança de serviços e da balança de rendimentos. Espera-se que em 2015 e 2016 a fraqueza das exportações líquidas diminua, todavia devendo continuar a não conseguir contribuir positivamente para o crescimento. Espera-se igualmente que as importações aumentem à medida que a procura interna continua a expandir-se, com a valorização da libra a atenuar o preço relativo das importações. Espera-se também um modesto reforço das exportações, com o aumento da procura dos principais parceiros comerciais a compensar, em parte, o impacto da apreciação da libra. Espera-se que em 2015 e 2016 a fraqueza das exportações líquidas diminua A balança comercial de bens irá manter a balança corrente deficitária durante o período de previsão, compensando os sólidos excedentes na balança de serviços, e uma forte continuação da recuperação da balança de rendimentos primários. POPULAÇÃO Segundo o FMI, a população do Reino Unido atingiu 64,5 milhões em 2014, acima dos 57,2 milhões em 1990 e dos 58,9 milhões em 2000. Durante a década de 1990 o crescimento da população foi, em média, de 0,3% ao ano. Acelerou ao longo da última década, com um crescimento mediano de 0,8% ao ano no período 2009/14. Até meados da década de 1990, o aumento da população foi impulsionado principalmente pelo saldo natural (isto é, mais nascimentos do que mortes). Este continua a ser um motor de crescimento da população, mas um fator mais importante ao longo das últimas duas décadas tem sido a migração internacional líquida para o Reino Unido. Ao longo do período 1998/07, enquanto o número de pessoas que abandonou o Reino Unido aumentou de forma constante, o número de entradas no país subiu a uma taxa muito mais rápida. A imigração líquida total totalizou cerca de 1,5 milhões, com um aumento médio anual de 220 000 no horizonte 2004/07, quatro vezes maior que em meados dos anos 1990. A crise financeira global levou a uma desaceleração modesta na taxa de migração internacional para o Reino Unido (especialmente entre os europeus do leste). 8 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 Migração líquida como principal motor de crescimento populacional A população de Inglaterra aumentou mais rapidamente do que a de outras nações constituintes do Reino Unido nos últimos anos, aumentando a sua importância no total. A Inglaterra é responsável por cerca de 84,0%, a Escócia por 8,3%, o País de Gales por 4,8% e a Irlanda do Norte por 2,9%. A população do sul e do leste de Inglaterra deverá continuar a subir de forma constante, colocando mais pressão sobre as infraestruturas de transportes já sobrecarregadas da região e agravando o défice habitacional. A capital, Londres, vai continuar a atrair a maioria dos migrantes, tanto de dentro do Reino Unido, como do exterior. Segundo o FMI, a população do Reino Unido deverá crescer a uma taxa média anual de 0,7% ao longo do período de previsão (2015/20), inferior ao ritmo dos últimos 5 anos (+0,9%), apoiada pela migração líquida e pelo saldo natural entre nascimentos e mortes. A taxa de fertilidade tem aumentado continuamente desde 2001 e encontra-se no nível mais elevado desde o início dos anos 1970. A população deverá aumentar para 67,1 milhões em 2020. Como em outras partes do mundo desenvolvido, a população do Reino Unido está a envelhecer (embora não tão rapidamente como em alguns países da UE), devido à descida da taxa de mortalidade. Tal continuará a constituir um fardo pesado sobre as despesas públicas em áreas como a saúde e a segurança social (sobretudo num contexto em que o Governo trilha uma política de marcada contenção orçamental). A esperança média de vida deverá aumentar de 77,6 anos em 1998/2002 para 81,1 anos em 2015/20. Entre 2013 e 2020 a proporção da população com 65 anos ou mais deverá aumentar de 17,5% para 18,7%. Em 2014, a população com 65 anos ou mais deverá ter excedido a população com menos de 16 anos. Segundo dados do Banco Mundial, o rácio entre a população em idade ativa e a população total atingiu um pico de 66,2% em 2007, e vai continuar a diminuir gradualmente ao longo dos próximos anos. O envelhecimento vai aumentar as pressões orçamentais durante o atual período de austeridade Com uma média bruta de 550 000 pessoas a emigrar anualmente para o Reino Unido ao longo do período 2000/10 (acima de 300 mil no início e meados da década de 1990), o tema da imigração tem aumentado de forma constante na agenda política. Isso reflete, em parte, a elevada insegurança económica dos eleitores no contexto da recente crise económica de 2008/09, que provocou um declínio acentuado nos padrões de vida. Uma nova onda de imigração resultou da total liberdade de movimentos ter sido alargada aos cidadãos da Roménia e da Bulgária a partir de janeiro de 2014 (que aderiram à UE em janeiro de 2007). De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (ONS), 560 mil pessoas migraram para o Reino Unido nos 12 meses terminados em março de 2014, o que compara com os 492 mil no ano até março de 2013. Destes, 28 000 vieram da Roménia e da Bulgária nos 12 meses até março de 2014, mais que o dobro do que os 12 000 nos 12 meses anteriores, embora a um ritmo inferior ao que tinha sido previsto por várias entidades. O partido eurocético e anti-imigração, o UK Independence Party (UKIP), foi alimentando receios nos eleitores relativamente à questão da imigração, prometendo acabar com "a imigração em massa e descontrolada". Este facto colocou uma grande pressão sobre o Partido Conservador, que estava preocupado com o facto de o UKIP lhe poder tira votos nas legislativas de maio de 2015, mas o Partido Conservador até acabou por reforçar a sua votação. O Governo pode não conseguir impor a sua meta de redução da imigração A peça central da política de imigração do Governo de coligação conservador/liberal-democrata (2011/15) constituiu na redução (difícil) da imigração líquida de fora da Europa para um valor inferior a 100 000 até às legislativas de 2015 (a liberdade de movimentos de pessoas, que sustenta o mercado único da UE, significa que reduzir a imigração de outros Estados membros da UE está fora do controlo do Governo). Para colocar essa meta no contexto atual, refira-se que a imigração líquida atingiu um pico de 263 000 em junho de 2011, mas recuou para 154 mil em setembro de 2012, em grande parte por causa de uma queda no nº de estudantes estrangeiros, e uma maior restrição dos regulamentos e na emissão de vistos. Subiu novamente para 243 mil em março de 2014, devido a um aumento das migrações por motivos relacionados com o trabalho. Claramente, o Governo tinha opositores para atingir o seu objetivo. Na realidade, foi aumentando a preocupação entre os empresários relativamente às consequências que essa política poderá causar na economia. As empresas argumentam que há uma crescente necessidade de atrair trabalhadores em setores onde o Reino Unido sofre de escassez de competências, bem como para os empregos de baixa remuneração, onde há pouca aceitação por parte dos britânicos. 9 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 MERCADO LABORAL Os últimos dados têm continuado a revelar-se bastante positivos, com o mercado de trabalho, que já vinha a recuperar desde o início de 2012, numa altura em que a economia ainda se encontrava em recessão, a ganhar ímpeto e a recuperar inclusivamente a um ritmo superior à retoma da economia. Os dados de março (trimestre móvel) revelaram que o número de desempregados ficou em mínimos desde agosto de 2008, enquanto o número de indivíduos empregados renovou máximos históricos. A taxa de desemprego desceu de 5,6% para 5,5%, um mínimo desde julho de 2008. Já em abril, o desemprego registado (uma medida mais restrita) observou uma nova diminuição, para mínimos desde maio de 1975, sendo que, nos últimos 12 meses, observou-se uma diminuição de 349,6 mil desempregados, depois de entre junho e agosto de 2014 terem-se registado as maiores quedas desde dezembro de 1997. Os dados do mercado laboral têm evidenciado fortes progressos – com exceção dos salários, embora nestes últimos sete meses se tenha notado uma significativa melhoria – logo desde o final de 2011, mesmo quando a economia permanecia muito fraca. Com a forte aceleração da economia desde o 2.º trimestre de 2013, a recuperação no mercado laboral também ganhou ímpeto, tendo na 2.ª metade de 2013 evoluído mesmo de um modo desproporcionado, refletindo o crescimento do autoemprego e a diminuição dos salários reais. Os números mais recentes do mercado de trabalho do Reino Unido sugerem, assim, que o aperto nos salários reais parece finalmente ter terminado. A parte mais animadora dos dados mais recentes são os sinais de um rápido aumento salarial. A taxa de crescimento homólogo dos salários semanais por trabalhador, excluindo bónus, no trimestre móvel terminado em março, acelerou de 1,9% para 2,2%, ficando pelo 7.º mês consecutivo acima da inflação medida pelo IPC (0,0% no mesmo mês), embora encontrando-se substancialmente longe dos crescimentos em torno dos 4% que se registavam antes da crise, registando o crescimento mais elevado desde junho de 2011 (+2,3%). É expectável que o crescimento dos salários nos próximos meses aumente e que a inflação se mantenha abaixo dos 1% nos próximos meses (em março situou-se nos 0,0%) e inclusivamente em valores negativos, permitindo maiores ganhos nos salários reais e fornecendo um suporte adicional à recuperação económica, especialmente importante num contexto de fraco crescimento da Zona Euro. Os salários por trabalhador, incluindo bónus (mais voláteis), cresceram 1,9% e em aceleração (+1,7% no mês anterior), registando novos máximos desde janeiro quando ficou em níveis máximos desde junho de 2013. Taxa de desemprego desceu em março para um mínimo desde julho de 2008 PERSPETIVAS DE MÉDIO LONGO PRAZO A partir do início dos anos 1990 até 2008, o desempenho económico do Reino Unido melhorou em relação a muitos dos seus pares regionais (nomeadamente França e Alemanha). Esse crescimento foi impulsionado, em parte, por um aumento acentuado da utilização do fator trabalho: no final de 2008, havia mais 4,2 milhões de pessoas no mercado de trabalho do que em 1993. No entanto, os níveis de produtividade no Reino Unido, em termos de produção por hora de trabalho, mantêm-se significativamente menores do que nos EUA, Alemanha e França, o que implica que existe uma margem considerável para a subida da produtividade por via da convergência com as melhores práticas internacionais. Isso vai tornar-se cada vez mais importante no longo prazo, com o aumento da produtividade a tomar necessariamente o lugar da utilização do trabalho como a principal fonte de crescimento. Em termos de perspetivas de crescimento a longo prazo, o Reino Unido tem uma série de vantagens, mas também desvantagens. De 1990 a 2008 cresceu mais do que a Alemanha e França No lado positivo, o peso da regulamentação é relativamente baixo, o mercado de trabalho é razoavelmente flexível e o ambiente de negócios, em geral, continua a ser acolhedor para o investimento estrangeiro. Mais negativamente, a evasão fiscal, a excessiva dependência de um setor financeiro empolado, o fracasso da regulação financeira, a confiança equivocada no crescimento alimentado pela dívida e a sobre dimensão do setor público (em que os níveis de produtividade são mais baixos do que há uma década) necessitaram de uma resposta política sem precedentes nos últimos anos por parte do Governo 10 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 Conservador/Liberal-Democrata, cujas implicações de longo prazo são, em grande parte, desconhecidas. O Reino Unido não é o único país a enfrentar uma verdade desconfortável: enquanto a sua população habituou-se a elevados níveis de prestação social, nomeadamente ao nível dos serviços de saúde e de educação, os cidadãos parecem não estar dispostos a pagar os impostos necessários para suportar tal procura. Em termos demográficos a população em idade ativa deverá aumentar gradualmente no longo prazo. A parcela da população com 65 anos ou mais vai continuar a aumentar, devendo no ano de 2014 ter ultrapassado os menores de 16 anos. Em 2030, a população com mais de 65 anos representará 22% da população (contra 17,5% em 2013). A parcela da população em idade ativa atingiu um pico de 66,2% em 2007 e deverá diminuir progressivamente para 61% em 2030. Elevada taxa de participação na força de trabalho Na ausência de um novo aumento na imigração, o Reino Unido terá que aumentar a sua taxa de participação para evitar uma contração na sua força de trabalho. A taxa de participação na força de trabalho está um pouco abaixo dos 80%, ligeiramente inferior à da Dinamarca e Noruega, mas bem acima da média da OCDE. Ou seja, existe margem para aumentar os níveis de participação na força de trabalho, mas menos do que na maioria dos outros países da OCDE. País beneficia da liberalização do comércio No que diz respeito ao enquadramento externo, o Reino Unido é uma economia altamente dependente do comércio e beneficia com a continuada liberalização gradual do comércio da UE com as outras partes do mundo. No entanto, com as negociações de liberalização do comércio multilateral num impasse, qualquer progresso nesta frente é mais provável que seja através de acordos bilaterais ao nível da UE. Uma maior liberalização do comércio ajudaria gradualmente a aumentar a procura por serviços do Reino Unido. O crescimento contínuo da Ásia (e em particular a China e a Índia) apresentará oportunidades e desafios para os políticos e empresas do Reino Unido. O rápido crescimento no mundo emergente está a mudar a forma da economia global, e podem surgir tensões com economias emergentes, particularmente a China, que exige um papel mais determinante no cenário mundial. Espera-se que o processo de alargamento da UE, embora em desaceleração, não termine, mas as dúvidas tendem a persistir sobre a capacidade do bloco (ou vontade) para absorver grandes países pobres, como a Turquia e a Ucrânia, sobretudo tendo em conta as implicações orçamentais de longo prazo das crises recentes. O crescimento a longo prazo da UE permanecerá fraco devido às tendências demográficas adversas e à fraqueza estrutural. As sanções económicas sobre a Rússia e as restrições comerciais retaliatórias que esta impôs sobre a UE em meados de 2014, deverão permanecer, pelo menos, durante grande parte do ano de 2015, podendo permanecer por muito mais tempo, prejudicando as perspetivas de crescimento da região, enquanto as economias com fortes laços com a Rússia (em especial as da Europa Oriental) procurarão mercados de exportação alternativos. Assim, o maior mercado de exportação do Reino Unido continuará a ser grande e rico, mas com um crescimento lento. A maior incerteza que paira sobre o enquadramento internacional do Reino Unido é a sua relação com o resto da Europa. Todos os principais líderes dos partidos políticos querem que o Reino Unido permaneça na União Europeia, mas as atitudes eurocéticas no país estão profundamente enraizadas e serão difíceis de reverter. Uma saída da UE não poder ser completamente descartada, constituindo um risco para a economia. Algo que também seria bastante desestabilizador para a economia do Reino Unido e para o seu sistema financeiro enfraquecido seria se o prolongamento da crise da Zona Euro conduzisse a uma rutura parcial ou total do bloco monetário. Em termos institucionais o Reino Unido é uma democracia estável e saudável, bem enraizada em leis (que garantem a segurança dos contratos), com mercados liberalizados e uma política de concorrência rigorosa. As empresas beneficiam deste quadro político e jurídico sólido. Há uma necessidade urgente de uma reforma profunda dos mercados financeiros, onde poderosos interesses instalados se opõem ferozmente a reformas. Se o Reino Unido pretender elevar o seu nível global de produtividade, de modo a alinhá-lo com melhores desempenhos ao nível da OCDE, terá que vencer três desafios principais. O 1.º desafio será o de melhorar o seu capital humano. O seu sistema de ensino superior está entre os melhores da Europa, mas o Reino Unido está aquém dos seus pares em termos de aptidões básicas. O défice de competências deve diminuir à medida que as gerações mais jovens de trabalhadores ingressam no mercado de trabalho, mas são necessários mais progressos para melhorar as aptidões intermédias e profissionais, onde o Reino Unido ainda compara mal com muitos dos seus pares. O 2.º desafio será melhorar a qualidade das infraestruturas de transportes terrestres, que estão congestionadas e não são confiáveis. Um 3.º desafio será o de enfraquecer algumas regulamentações de planeamento que são constrangedoras e que contribuíram para um ciclo de expansão e recessão no mercado imobiliário residencial, que aumentaram as rendas comerciais, reduziram a concorrência e evitaram que as empresas operassem numa escala mais eficiente. 11 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 Aumentar a produtividade Uma vez que o Reino Unido tem menos possibilidade de aumentar a participação da população ativa do que a maioria das outras economias desenvolvidas, as perspetivas económicas de longo prazo dependerão do aumento da produtividade. Uma melhoria no desempenho educacional nos últimos anos, bem como a rápida absorção de tecnologia de informação e comunicação (TIC), oferecem algumas bases para esse objetivo. Existem fortes evidências de que existe um desfasamento entre o investimento em TIC e o retorno, e de que as TIC têm um impacto positivo sobre o crescimento, após ter sido atingido um certo limiar, pelo que o Reino Unido poderá desfrutar futuramente de uma aceleração do crescimento da produtividade. A longo prazo, no entanto, três fatores podem impedir que o Reino Unido não atinja os níveis de produtividade dos seus pares. Uma delas é a relativa escassez de terras, o que exigirá um crescimento do PIB em equilíbrio com outros objetivos sociais. Outro fator é o congestionamento das estradas e a falta de fiabilidade dos modos alternativos de transporte terrestre. O último fator advém de os gastos em investigação e desenvolvimento (I&D) serem relativamente baixos. A economia deverá crescer a um ritmo respeitável entre 2015 e 2030, mas é importante notar que muitas das economias de mercados emergentes irão expandir muito mais rapidamente. Não são apenas os seus perfis demográficos mais favoráveis para o crescimento de longo prazo, mas também o potencial significativo de convergência com as melhores práticas dos países desenvolvidos em diversas áreas, que vão desde a qualidade institucional à eficiência regulatória e à educação. 12 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 ÍNDICE DE LIBERDADE ECONÓMICA - The Heritage Foundation Reino Unido é a 13.ª economia mais livre dos países que compõem o índice em 2015 A pontuação do Reino Unido ao nível da liberdade económica é de 75,8 pontos, correspondendo à 13.ª economia mais livre dos países que compõem o índice em 2015. Trata-se de um resultado que fica 0,9 pontos acima do observado no ano anterior, refletindo melhorias em metade das 10 liberdades económicas, incluindo a liberdade fiscal e a liberdade laboral, que superaram os declínios na liberdade empresarial e na liberdade de corrupção. O Reino Unido está em 5.º lugar entre os 43 países da região da Europa e a sua pontuação geral está acima das médias mundial e regional. Ao longo dos últimos cinco anos a liberdade económica no Reino Unido avançou 1,3 pontos, liderada por uma melhoria considerável decorrente da redução da carga fiscal sobre as empresas nos últimos anos, e das melhorias ocorridas em quatro das 10 liberdades económicas, incluindo a liberdade fiscal e os direitos de propriedade. Sendo historicamente um “campeão” ao nível da liberdade económica na Europa, o Reino Unido tem desenvolvido a sua economia com base num Estado de Direito forte, numa elevada abertura económica e num dos setores financeiros mais avançados do mundo. Um mercado de trabalho relativamente liberal, para os padrões europeus, complementa um dos ambientes de negócios mais eficientes do mundo. Os elevados gastos públicos, que ainda ascendem a quase metade da economia, consomem parte dos recursos que poderiam permitir um crescimento adicional do setor privado. Enquadramento Na sequência das reformas económicas introduzidas pela Primeira-ministra, Margaret Thatcher, na década de 1980, o Reino Unido registou um crescimento económico estável ao longo da década de 1990, mas os gastos do Governo cresceram significativamente sob a responsabilidade de sucessivos governos trabalhistas. Em 2010, o Primeiro-ministro David Cameron, Conservador, formou um Governo de coligação com os Liberais Democratas e tem implementado uma política de austeridade como eixo central da sua política económica (em maio de 2015 os Conservadores ganharam as eleições com maioria absoluta). No ano passado o Reino Unido registou o seu maior crescimento desde 2007, ao crescer 2,8% (+1,7% em 2013). Em 2014, o PIB superou os níveis pré-crise, devido aos bons desempenhos dos seus três principais setores: serviços, indústria e construção. O desemprego está no nível mais baixo desde 2008 e as vendas a retalho estão robustas. O euroceticismo está em ascensão no país e o Partido Independente do Reino Unido ganhou a maioria dos assentos nas eleições para o Parlamento Europeu em 2014. Estado de Direito Eficácia da Regulação A corrupção não é generalizada, mas alguns escândalos numa esfera social elevada têm denegrido a reputação dos políticos nos dois maiores partidos. A “Bribery Act” é considerada uma das leis de anti suborno mais abrangentes em todo o mundo, tendo entrado em vigor em 2011. O Estado de Direito está bem estabelecido dentro de um enquadramento jurídico completamente independente. Os direitos de propriedade privada e os contratos são muito seguros e o sistema judicial é eficiente. A proteção dos direitos de propriedade intelectual é também bastante eficaz. O ambiente regulatório é transparente. Não existe capital mínimo exigido e começar uma nova empresa implica seis procedimentos e demora menos de uma semana. Os processos de falência são simples. O mercado de trabalho é relativamente eficiente e os custos não-salariais são moderados. A inflação tem caído rapidamente, refletindo o fim do aumento dos preços administrados e o Governo prometeu acabar com subsídios para parques eólicos. Intervenção do Governo Abertura Económica A taxa máxima de IRS é de 45% e a de IRC de 21%. Outros impostos incluem o IVA e um imposto sobre o meio ambiente. A carga fiscal global corresponde a 35,2% do PIB, os gastos públicos a 48,2% do PIB e a dívida pública a 90% do PIB. Os membros da UE têm uma pauta aduaneira média de 1,0%. Embora existam algumas barreiras não pautais, a UE é relativamente aberta ao comércio externo. O Reino Unido geralmente trata os investidores estrangeiros e nacionais de forma igual. O Governo ainda detém participações substanciais no setor bancário, mas está a tentar vender as suas participações. Encontra-se em vigor uma taxa bancária que é aplicada aos bancos estrangeiros e nacionais. 13 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 INDICADORES DE RISCO Rating Heritage Foundation SCORE % 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Overall Score 79,2 80,4 79,9 79,4 79,0 76,5 74,5 74,1 74,8 74,9 75,8 Property Rights 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0 85,0 85,0 90,0 90,0 90,0 90,0 Freedom from Corruption 87,0 86,0 86,0 86,0 84,0 77,0 77,0 76,0 78,0 76,4 76,0 Government spending 43,5 43,5 42,7 40,1 40,3 41,9 32,9 21,5 27,7 29,5 30,3 Fiscal Freedom 62,3 62,3 62,0 61,2 61,0 61,8 52,0 56,4 57,0 56,6 62,9 Business Freedom 85,0 91,5 91,2 90,8 89,8 94,9 94,6 94,7 94,1 92,0 91,1 Labor Freedom 79,0 81,1 79,0 79,5 78,5 72,8 71,2 71,5 71,6 73,1 75,6 Monetary Freedom 85,0 86,7 81,3 80,7 80,4 73,7 74,9 73,9 72,4 73,5 74,4 Trade Freedom 80,2 82,4 86,6 86,0 85,8 87,5 87,6 87,1 86,8 87,8 88,0 Investment Freedom 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0 Financial Freedom 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0 80,0 80,0 80,0 80,0 80,0 80,0 F o n t e : The He rita ge F o unda tio n. COUNTRY’S SCORE OVER TIME COUNTRY COMPARISONS Rating EIU (The Economist Inteligence Unit) SCORE % 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2013 2014 Country Risk - - 19,0 20,0 24,0 36,0 35,0 34,0 37,0 36,0 28,0 BBB A Sovereign* - - 16,0 15,0 18,0 34,0 33,0 34,0 37,0 36,0 28,0 BBB A Currency* - - 21,0 22,0 23,0 33,0 32,0 31,0 35,0 37,0 31,0 BBB BBB Economic - - 10,0 10,0 23,0 23,0 30,0 35,0 38,0 38,0 33,0 BBB BBB Political - - 7,0 7,0 10,0 23,0 21,0 20,0 23,0 23,0 18,0 A AA Banking* - - 20,0 22,0 31,0 42,0 40,0 37,0 40,0 36,0 26,0 BBB A F o n t e : EIU. No ta (*): Utiliza do na c o ntruç ã o do "C o untry R is k". Rating das Agências Rating 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 S&P AAA AAA AAA AAA AAA AAA AAA AAA AAA AAA AAA Moody's AAA AAA AAA AAA AAA AAA AAA AAA AA+ AA+ AA+ AAA AAA AAA AAA AAA AAA AAA AA+ AA+ AA+ AAA AAA AAA AAA AAA AAA AAA AA+ AA+ AA+ Fitch Compósito AAA - N o t a : O rating c o m pó s ito re s ulta da m é dia da s 3 a gê nc ia s . 14 Departamento de Estudos // Reino Unido //maio 2015 CHART BOOK United Kingdom - GDP Grow th % United Kingdom – Per Capita GDP $ 4 56,000 3 54,000 2 52,000 1 0 United Kingdom – Investment (% GDP) % 21 20 50,000 19 48,000 18 46,000 17 44,000 42,000 United Kingdom – Gross National Saving (% GDP) % 15 Per Capita GDP Source: IMF (April 2015) United Kingdom – Current Account (% GDP) % 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2009 2008 2010 % GDP Source: IMF (April 2015) United Kingdom – Inflation Rate % 5 -1.2 18 2007 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 14 2005 GDP Growth (%) Source: IMF (April 2015) 16 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 36,000 2007 38,000 -5 2006 40,000 -4 2005 -3 2006 -2 2005 -1 -1.6 17 -2.0 4 -2.4 16 -2.8 3 -3.2 15 -3.6 2 -4.0 14 -4.4 1 -4.8 13 -5.2 -5.6 % GDP Source: IMF (April 2015) United Kingdom – Unemployment Rate % 8.0 United Kingdom – Public Debt (% GDP) 90 -2 80 -4 70 -6 2020 2019 United Kingdom – Budget Balance (% GDP) % 0 2018 Inflation Rate Source: IMF (April 2015) 100 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 % GDP Source: IMF (April 2015) % 8.5 2009 2008 2007 2006 0 2005 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 12 7.5 7.0 6.5 6.0 60 -8 50 -10 40 -12 67 1.8 12 8 66 1.6 65 1.4 64 1.2 63 1.0 62 0.8 61 0.6 -8 -8 60 0.4 -12 -12 Growth Rate (%) 8 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 4 4 0 0 Exports Growth (%) Source: IMF (April 2015) 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 Source: IMF (April 2015) 2007 -4 -4 2005 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 2020 12 Population United Kingdom - Imports Grow th % 16 Source: IMF (April 2015) 2006 2005 2020 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 United Kingdom - Exports Grow th % 2.0 68 % GDP Source: IMF (April 2015) 2006 % % GDP Source: IMF (April 2015) 2005 United Kingdom - Population 2007 2020 Unemployment Rate Source: IMF (April 2015) 10^6 2019 2018 2017 2016 2015 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 2006 2005 4.5 2006 5.0 2005 5.5 Imports Growth (%) 15 Departamento de Estudos Reino Unido //maio//maio 2015 Departamento de//Estudos // Canadá 2015 DEPARTAMENTO DE ESTUDOS Rui Bernardes Serra Chief Economist [email protected] José Miguel Moreira Senior Economist [email protected] Margarida Filipe Junior Economist [email protected] Artur Patrício Junior Economist [email protected] APOIO À INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS Florbela Cunha Head of Unit [email protected] Rita Marques Trade Finance [email protected] Luis Carv alho Africa Business [email protected] Carla Marques Mendes International Business Advisor [email protected] Alex andra Nev es International Business Advisor [email protected] AD VERTÊNCIA Este documento foi elaborado pelo Departamento de Estudos da Caixa Económica Montepio Geral e é disponibilizado com intuito e para fins exclusivamente informativos. Todos os dados, análises e considerações nele contidas estão simplesmente baseadas no que estimamos ser as melhores informações disponíveis, recolhidas a partir de fontes oficiais e outras consideradas credíveis, não assumindo, todavia, qualquer responsabilidade por erros, omissões ou inexatidões das mesmas. As opiniões e previsões expressas refletem somente a perspetiva e os pontos de vista dos autores na data da sua elaboração, podendo ser livremente modificadas a todo o tempo e sem aviso prévio. Neste contexto, o presente documento não pode, em circunstância alguma, ser entendido como convite ao investimento, seja de que natureza for, nem como proposta ou oferta de negócio de qualquer tipo. 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