A DEDICAÇÃO PELO TRABALHO DELINEADA EM CADA TÚNEL O engenheiro civil George Teles de Souza, que ajudou a executar importantes obras de Metrô e também da Usina Hidrelétrica de Itaipu, encontra nos projetos de túneis seu encanto pela profissão Por Dafne Mazaia a participação em rebaixamento de lençol freático e jet grouting. Entre 1988 e 1991 trabalhou pela empresa Camargo Corrêa na construção do túnel sobre o rio Pinheiros e do metrô, nos trechos da Avenida Paulista (SP), além da estação Clinicas. Posteriormente, de 1991 a 1997, atuou na empresa Enotec Engenharia, sendo responsável pelo trecho do túnel da LTS Miguel Reale. Entre 1997 e 2002 retornou à empresa Camargo O engenheiro civil George Joaquim Teles de Corrêa como gerente de obras no metrô Souza de Belo Horizonte e no metrô de Salvador. Desde 2002 é sócio e diretor-geral na emGeorge Joaquim Teles de Souza nasceu em presa Solotrat Engenharia Geotécnica. Salvador, na Bahia, em 20 de setembro de 1952. Filho caçula com um irmão engeQUAIS FORAM AS SUAS nheiro e sete irmãs, uma farmacêutica, uma INFLUÊNCIAS PARA ESSA ESCOLHA? dentista, uma enfermeira e quatro professoras. Seu pai foi um mestre de montagens Desde criança sempre quis ser engenheiro. de pontes metálicas no interior da Bahia e Logo na infância, acho que antes mesmo de Sergipe, Teles descobriu seu interesse pela saber o que um engenheiro fazia, influenengenharia logo na infância. Graduou-se ciado pelo fato do meu pai ter sido um em engenharia civil pela Escola Politécnimestre de montagens de pontes na RFFSA ca da Universidade Federal da Bahia, em - Leste Brasileiro. Meu pai, embora já tives1976 e começou a atuarem gerenciamento se seus setenta anos, ainda trabalhava em de obras desde então. Trabalhou durante montagem de pontes metálicas no interior dez anos e sete meses na empresa Este Enda Bahia e Sergipe, minha mãe o acompagenharia, onde executava atividades técninhava e levava a mim e a meu irmão juntos. cas e administrativas relacionadas a túneis, Acho que daí surgiu a vontade de ser engesolo grampeado, cortinas atirantadas, entre nheiro. outros. Atuou na empresa Geosonda com CONTE-NOS UM POUCO SOBRE A SUA FORMAÇÃO ACADÊMICA E SOBRE SUA TRAJETÓRIA. Sou formado como engenheiro civil pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, turma de 1976. Desde então, sempre atuei no gerenciamento de obras destacando-se: de fevereiro de 1977 a agosto de 1987, dez anos e sete meses, na Este Engenharia com participação na execução de todas atividades técnicas e administrativas para execução de Túneis, Solo Grampeado, Cortinas Atirantadas, Injeção de Consolidação de Solos, Rebaixamento do Lençol Freático e Estacas Raiz. Trabalhei durante um breve período na Geosonda executando rebaixamento de lençol freático e jet grouting em uma grande obra em Campinas (SP). De 1988 a 1991 participei na Camargo Corrêa da construção do túnel sob o rio Pinheiros e do metrô, trecho da Avenida Paulista (SP), sob a avenida Doutor Arnaldo (SP) incluindo a estação Clínicas. De 1991 a 1997 trabalhei para Enotec Engenharia e entre 1997 e 2002 voltei à Camargo Corrêa indo trabalhar como gerente de obras no metrô de Belo Horizonte e depois do metrô de Salvador. De 2002 até o momento estou na Solotrat Engenharia Geotécnica da qual sou sócio e participo da direção geral da empresa e execução de todas as atividades técnicas e administrativas para execução de Túneis, Solo Grampeado, Cortinas Atirantadas, Dreno Vertical Fibroquimico, Injeção de Consolidação de Solos, Rebaixamento do Lençol Freático, Estacas Raiz, Estacas Hélice, dentre outros. Desde o início de minha carreira percebi meu interesse para o trabalho em obras de túneis. Executávamos serviços preventivos que asseguravam uma escavação menos perigosa e a recuperação de túneis acidentados. VOCÊ JÁ PUBLICOU DIVERSOS TRABALHOS E ARTIGOS CIENTÍFICOS DO SETOR. QUAIS PESQUISAS ESTÁ DESENVOLVENDO ATUALMENTE NA ÁREA DE GEOTECNIA? Os diversos artigos foram escritos sempre em conjunto com o Alberto Casati Zirlis e o Cairbar Azzi Pitta. Na Solotrat sempre escrevemos os artigos em conjunto. Além da permanente procura por melhorias na execução de contenções em Solo Grampeado, estamos pesquisando as estacas Aluvial Anker, desde a execução até o dimensionamento dos tubos que as estruturam. COMO É ATUAR EM CONJUNTO COM AS ASSOCIAÇÕES DO SETOR E QUAL A IMPORTÂNCIA DELAS PARA A ÁREA? George Teles, durante sua infância, no colo de seus pais Especialmente para mim que sou executor, as associações são muito importantes para a consolidação e troca do conhecimento. No meu caso, também ressalto a importância da ABEF (Associação Brasileira de Empresas de Engenharia de Fundações e Geotecnia). Esta é o fórum para onde os empreiteiros da área caminham e trocam informações técnicas da prática executiva. O evento SEFE (Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia), o mais importante do Brasil, é organizado pela ABEF e tem este foco. O engenheiro civil George Teles, à direita, com seus colegas profissão e sócios, Cairbar Azzi Pitta e Alberto Zirlis DENTRE OS TRABALHOS REALIZADOS, QUAIS CONSIDERA DE MAIOR DESTAQUE OU QUE LHE TROUXERAM MAIS SATISFAÇÃO? Considero todas as obras realizadas como obras que me deram muita satisfação. Trabalhar em Itaipu em 1977 e 1978, na Ferrovia do Aço e nas obras do Metrô, são sem dúvida um motivo de grande satisfação e orgulho, pois são projetos que têm vulto e são muito comentadas. Porém, acho que tudo que ajudamos a criar e a construir seja grande ou pequeno deve ser motivo de orgulho e satisfação. Em aspectos técnicos e executivos. É sempre um desafio participar de alguma obra. O cuidado tem que ser grande em todos os casos, pois a formação em engenheiro predispõe responsabilidade técnica e o cuidado com as vidas humanas envolvidas. Sempre o título de engenheiro civil junto com o bom senso tem que prevalecer. Sem dúvida nenhuma a fundação e desenvolvimento da Solotrat e sua transformação numa das mais importantes empresas de geotecnia do País, desenvolvida com base no trabalho, honestidade e competência técnica, é o que mais satisfação me trouxe. Uma das obras de túneis realizadas por ele, em 1992 George Teles formou-se em engenharia civil pela UFBA em 1976 No seu escritório na Solotrat, com seu colega de profissão e sócio Cairbar Azzi Pitta George Teles está na Solotrat desde 2005 Com a ajuda de seus sócios, George Teles dirige a Solotrat e publica o “Manual de Serviços Geotécnicos’; que já está em sua quinta edição COM UMA CARREIRA JÁ CONSOLIDADA ATUALMENTE, QUAL AVALIAÇÃO FAZ DA SUA TRAJETÓRIA ATÉ AQUI? No evento WTC (World Tunnel Congress), em maio de 2015 QUAIS SÃO OS SEUS PROJETOS FUTUROS? Me sinto feliz. No campo profissional sou plenamente realizado. Acordo cedo todos os dias e vou ao trabalho com orgulho de poder participar de uma equipe séria e dedicada, que visa a excelência da execução de serviços geotécnicos no Brasil. Já no campo pessoal me sinto infeliz, pois tive um grande revés com a perda de minha filha mais velha em 2010 e isto é uma coisa que não se supera nunca. COM A EXPERIÊNCIA JÁ ALCANÇADA, QUAIS SÃO AS SUAS PERSPECTIVAS PARA O MERCADO Quero trabalhar por mais 35 anos, contri- BRASILEIRO DA ENGENHARIA E buindo para que a Solotrat continue sendo GEOTECNIA? um exemplo de empresa que faz questão de executar serviços com alta técnica e segu- O mercado brasileiro está em crise desde rança. Oferecendo sua experiência sempre o ano passado. As grandes obras estão paque chamados para opinar sobre condições ralisadas ou em passo de tartaruga. Novas da prática executiva de projetos geotécni- obras prediais estão com início postergado. cos. A geotecnia sofre também com a redução dos investimentos e com o desgoverno do país. Todas as empresas do setor pararam de crescer e estão diminuindo de tamanho desde então. A impressão que tenho é que vamos continuar deste jeito até que o governo seja trocado e o próximo tenha tempo de lidar com o que está por baixo do tapete. QUAIS SÃO AS SUAS PRINCIPAIS REFERÊNCIAS NO SEGMENTO? Tenho como principal referência neste segmento o geólogo Cairbar Azzi Pitta, como amigo há mais de quarenta anos, como profissional que sempre se preocupou em inovar e acrescentar melhorias aos trabalhos que executamos e como sócio também lhe tenho uma grande gratidão por ser uma pessoa arrojada que nos incentivou a criar as nossas empresas com pouquíssimo investimento inicial. Também tenho como referência o engenheiro Alberto Casati Zirlis, também amigo há quarenta anos, uma pessoa inovadora e extremamente técnica, que soube nos orientar nas horas devidas, e como sócio sempre ponderado e “pé no chão: Importantes também foram os engenheiros João Duarte Guimarães Filho e António Carlos de Figueiredo Moura especialmente no início de minha carreira. George Teles com as suas filhas, quando crianças O engenheiro civil ao lado de seus irmãos POR QUE A SOLOTRAT UTILIZA UM ELEFANTE EM SEU LOGOTIPO? A empresa se iniciou em 1991, e neste momento trabalhava em outra empresa, embora sócio da Solotrat, juntamente com o Cairbar Azzi Pitta e Alberto Casati Zirlis. Tínhamos que definir um logo. O Rodnei, primo do Azzi, ofereceu criar um logo para nós. Dos muitos avaliados o logo do “elefante” foi o escolhido tendo como critério apenas a graça do logo. Posteriormente descobrimos que o elefante é considerado o símbolo da boa sorte, da sabedoria, da persistência, da determinação, da solidariedade, da sociabilidade, da amizade, do companheirismo, da memória, da longevidade e da força. Neste panorama, foi que desde sua fundação a Solotrat se desenvolveu. Além dos símbolos acima citados, para nós o elefante significa a estabilidade, tradição e bom senso. A SOLOTRAT ELABORA 0”MANUAL DE SERVIÇOS GEOTÉCNICOS”, UM DOCUMENTO QUE É REFERÊNCIA NO SEGMENTO. COMO SURGIU A IDEIA DE PRODUZIR ESTA OBRA? O manual foi uma criação a três: eu, Azzi e Alberto. Adveio de uma percepção nossa por algo que entendemos ser muito importante: oferecer ao mercado uma especificação técnica-executiva dos serviços por nós executados. Temos que o conhecimento e seu uso está disponível a todos. Fizemos um documento que possa ser compreensível mesmo para não engenheiros, e que possa ser utilizado com sabedoria, nunca alterando seu conteúdo quando copiado. Em sua quinta edição, tem sido revisado a cada observação nova que percebemos como importante. Ao lado de suas filhas Natalia e Ana Carolina O engenheiro ao lado de colegas de profissão e de seus sócios CONTE-NOS UM POUCO SOBRE A SUA TRAJETÓRIA PESSOAL? Me desenvolvi num ambiente de família muito saudável, de muita paz, união, alegria e constante luta pela vida. Tenho duas filhas: Ana Carolina, engenheira, que infelizmente em setembro de 2010, aos 31 anos mudou-se para o Céu, deixando um grande vazio na família, e Natalia, que é nutricionista, e que para a minha felicidade trabalha ao meu lado no gerenciamento da Solotrat.