Memórias Escolares de Jovens Negros da Educação Profissional Técnica de
Nível Médio do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
– CEFET/MG
Aniele Fernandes de Sousa
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET/MG
Silvani dos Santos Valentim
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET/MG
GT 09: Cultura, trabalho, relações étnico-raciais, gênero e diversidade na educação
RESUMO
A forma como a história do Brasil tem sido construída e difundida, inferiorizando sujeitos e
naturalizando preconceitos, tem impedido a formação de uma sociedade igualitária e
originado uma variedade de discriminações que se revelam cotidianamente e atingem
principalmente a parcela negra e pobre da nossa sociedade. Partilhando essa concepção a
pesquisa em questão tem como proposta compreender as trajetórias escolares de jovens negros
da Educação Profissional Técnica de nível Médio a partir de suas memórias sobre os
caminhos percorridos até ingressarem no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas
Gerais – CEFET/MG. Serão escolhidos para esse diálogo os alunos que efetivaram suas
matriculas no 1º semestre de 2014, tendo em vista que as turmas em questão responderam o
questionário de matricula composto por novas categorias, como a cor. Além disso, a memória
escolar desses jovens está mais próxima do tempo presente. É importante ressaltar que essa
pesquisa segue a nomenclatura utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) onde o termo negro corresponde a soma de pretos e pardos. Estudos como os de
Munanga (2005) e Gomes (2005) revelam que a escola é uma reprodutora do racismo visto
que ela não se difere da sociedade em que está inserida. No Brasil, existe um abismo entre
negros e brancos que pode ser constatado observando as oportunidades do mercado de
trabalho, o acesso a direitos como moradia, saúde e educação, entre outros. Essa desigualdade
tem suas raízes no passado, mas são as ações do presente que impedem a ascensão da
população negra e a promoção de oportunidades iguais para todos. Nas salas de aulas de todo
o Brasil crianças e jovens sofrem com o racismo e, não raramente, essa violência é ignorada e
minimizada como “brincadeira de mau gosto”. A desigualdade e as discriminações raciais
presentes em nossa sociedade impede que jovens negros e brancos possam gozar das mesmas
oportunidades. A presença cotidiana do racismo na vida desses jovens é uma variável
importante, que até mesmo determina que apenas uma pequena parte dos negros consiga
romper as fronteiras da desigualdade e conquistar melhores posições no mercado de trabalho
ou ingressar em uma instituição de ensino cuja seleção requer intenso preparo educacional. É
nesta perspectiva que torna-se relevante compreender os caminhos percorridos pelos jovens
negros até o ingresso na Educação Profissional Técnica de nível Médio. Identificando as
estratégias e as dificuldades enfrentadas no preparado para ingresso no Centro Federal de
Educação Tecnológica de Minas Gerais. Além disso, o CEFET/MG, embora tenha estudos
que tratam da trajetória de seus antigos alunos, é carente de pesquisas que visem compreender
seus jovens atuais e os caminhos percorridos por esses até o ingresso nessa instituição.
Através das memórias dos jovens negros poderemos compreender melhor o perfil da
juventude negra que encontra-se matriculada no CEFET/MG. As bases teóricas que norteiam
esse estudo visam compreender o que levou esses jovens a optarem por essa modalidade de
ensino, as estratégias utilizadas por esses para ingressarem na educação profissional, suas
percepções sobre relações étnico-raciais, juventude, escolarização e trabalho. O estudo em
questão apoia-se em Munanga e Gomes para compreender a presença do racismo na escola;
em Saviani e Fonseca no estudo da educação profissional e para recorrer às memórias desses
jovens busca subsídios nas obras de Thompson e Le Goff, utilizando a História oral
fundamentada por Alberti e Ferreira como suporte metodológico. Os apontamentos de Alberti
(1989) revelam a potencialidade da história oral enquanto metodologia de pesquisa. Nesse
processo os jovens poderão compartilhar suas memórias e trazer a público questões que
poderiam ser invisibilizadas por outros procedimentos metodológicos. Essa pesquisa
fundamenta-se na perspectiva que as impressões dos próprios jovens sobre suas trajetórias
pode trazer reflexões que dificilmente poderiam ser alcançadas por outras metodologias de
pesquisas. Para a definição dos jovens entrevistados o primeiro passo será analisar os registros
de matricula do CEFET/MG investigando os critérios estabelecidos por esta pesquisa. Serão
selecionados prioritariamente os jovens autodeclarados negros, oriundos de escolas públicas e
privadas, levando em consideração o gênero, a renda e a região em que vivem. Os mesmos
serão convidados a participarem desta entrevista fornecendo seu depoimento que será colhido
a partir de uma entrevista semiestruturada. Na entrevista confrontaremos os dados obtidos na
consulta ao registro e às respostas dadas pelos jovens, buscando compreender as trajetórias
desses jovens.
PALAVRAS-CHAVES:
Memória; Racismo; Juventude e Educação Profissional.
1. INTRODUÇÃO
A forma como a história do Brasil é construída e difundida, inferiorizando sujeitos e
naturalizando preconceitos, tem impedido a formação de uma sociedade igualitária e
fomentado uma variedade de discriminações que se revelam cotidianamente e atingem
principalmente a parcela negra e pobre da nossa sociedade. Partilhando essa concepção o
presente projeto tem como proposta compreender as trajetórias escolares de jovens negros da
Educação Profissional Técnica de nível Médio a partir de suas memórias sobre os caminhos
percorridos até ingressarem no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais –
CEFET/MG. Serão escolhidos para esse diálogo os alunos que efetivaram suas matriculas no
1º semestre de 2014, tendo em vista que as turmas em questão responderam o questionário de
matricula composto por novas categorias, como a cor. Além disso, a memória escolar desses
jovens está mais próxima do tempo presente.
A educação profissional surgiu como uma alternativa aos jovens negros e pobres,
oriundos de famílias com poucas oportunidades educacionais. Entretanto, com o advento da
industrialização, o Brasil passou a carecer cada vez mais de mão de obra especializada,
levando não só negros e pobres à educação profissional, mas também brancos que tiveram
outras oportunidades educacionais.
Esse processo gerou uma reconfiguração no acesso à educação profissional. A seleção
e as exigências para ingresso nessa modalidade de ensino impossibilitou uma equidade racial
e fomentou uma educação profissional em que os negros são minoria. Essa situação torna
importante a compreensão desse quadro a partir dos relatos dos jovens que conseguiram
romper essa barreira e ingressarem na educação profissional.
Estudos como os de Munanga (2005) e Gomes (2005) revelam que a escola é uma
reprodutora do racismo visto que ela não se difere da sociedade em que está inserida. No
Brasil, existe um abismo entre negros e brancos que pode ser constatado observando as
oportunidades no mercado de trabalho, o acesso a direitos como moradia, saúde e educação,
entre outros. Essa desigualdade tem suas raízes no passado, mas são as ações do presente que
impedem a ascensão da população negra e a promoção de oportunidades iguais para todos.
Para compreender as percepções raciais dos jovens negros pesquisados esse estudo
partilha da concepção de Nilma Lino Gomes que compreende o termo raça a partir da seguinte
perspectiva:
Apelar para a existência da ‘raça’ do ponto de vista da genética é, atualmente, cair na
cilada do racismo biológico. Todos concordamos que ‘raça’ é um conceito
cientificamente inoperante. Porém, social e politicamente, ele é um conceito
relevante para pensar os lugares ocupados e a situação dos negros e brancos em
nossa sociedade. (GOMES, 2003, p. 23)
O termo raça a partir da concepção social e política nos ajuda a compreender os
lugares ocupados pelos negros e brancos em nossa sociedade. Munanga (2008) argumenta que
definir quem é negro no Brasil não é uma tarefa fácil. Ser negro é uma questão de identidade
e, vivenciado uma educação que não valoriza sua cultura e seu povo, alguns jovens negros não
desejam afirmar essa identidade. Para Hall (2002) a cor do ser humano é uma categoria
classificatória criada culturalmente e considera que essa não é uma tarefa simples.
É nesta perspectiva que essa pesquisa visa compreender as trajetórias escolares dos
jovens negros a partir de suas memórias, discutindo a percepção racial, as estratégias para
ingresso na educação profissional, o motivo da escolha da área de formação, enfim, diferentes
questões que nos permitirão conhecer melhor a juventude negra matriculada no CEFET/MG.
É importante ressaltar que essa pesquisa segue a nomenclatura utilizada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) onde o termo negro corresponde a soma de pretos
e pardos.
2. JUSTIFICATIVA
As relações étnico-raciais fazem parte da minha vida desde a juventude. Descobri-me
uma mulher negra quando estava na 8ª série do Ensino Fundamental, período em que sofria
muito preconceito na escola. Depois, já na graduação de história, empoderei-me do discurso
das relações étnico-raciais e fiz desse campo tema das minhas pesquisas. Em 2010, passei a
ministrar cursos de formação para professores da educação básica, preparando-os para aplicar
a lei 10.639/03 nas salas de aulas. Essa experiência me permitiu observar como o racismo age
na escola e como os professores lidam ou ignoram essa questão.
Os depoimentos dos professores que eu tenho a oportunidade de lecionar sempre
aparecem carregados de ideias preconceituosas, revelando a presença do racismo e das
discriminações nas escolas e, embora muitos reconheçam a presença do racismo, poucos se
declaram racistas.
Nas salas de aulas de todo o Brasil crianças e jovens sofrem com o racismo e, não
raramente, essa violência é ignorada ou minimizada como “brincadeira de mau gosto”. A
desigualdade e as discriminações raciais presentes em nossa sociedade impede que jovens
negros e brancos possam gozar das mesmas oportunidades. Lopes (2005) destaca que:
Um olhar atento sobre a realidade do povo brasileiro mostra uma sociedade
multirracial e pluriétnica que faz de conta que o racismo, o preconceito e a
discriminação não existem. No entanto, afloram a todo momento, ora de modo
velado, ora escancarado, e estão presentes na vida diária. (LOPES, 2005, p. 186).
A presença cotidiana do racismo na educação é uma variável importante para a
compreensão do perfil dos jovens matriculados na educação profissional, na medida em que
pode até mesmo determinar que apenas uma pequena parte dos jovens negros consiga romper
as fronteiras da desigualdade e conquistas melhores posições no mercado de trabalho ou
ingressar em uma instituição de ensino cuja seleção exige um intenso preparo educacional.
É nesta perspectiva que torna-se relevante compreender os caminhos percorridos pelos
jovens negros até o ingresso na Educação Profissional Técnica de nível Médio. Identificando
as estratégias e as dificuldades enfrentadas no preparado para ingresso no Centro Federal de
Educação Tecnológica de Minas Gerais. Além disso, o CEFET/MG, embora tenha estudos
que tratam da trajetória de seus antigos alunos, é carente de pesquisas que visem compreender
seus jovens atuais e os caminhos percorridos por esses até o ingresso nessa instituição.
Através das memórias dos jovens negros poderemos compreender melhor o perfil da
juventude negra que encontra-se matriculada no CEFET/MG. Centrando-se na memória
desses jovens e na analise dos registros de matricula desses, essa pesquisa investigará a
percepção racial dos jovens dentro e fora da escola, discutir sobre os desafios enfrentados por
esses, conhecer a escolarização e profissão de seus pais, o motivo das profissões escolhidas
por eles, saber a região em que vivem esses jovens, as escolas por onde passaram, entre
outros. Estas questões poderão fomentar novas políticas de atenção e atendimento aos
mesmos.
Ser negro no Brasil é vivenciar cotidianamente situações de desigualdade e
discriminação. Nesse sentido a promoção de estudos como esse que visa compreender os
jovens negros a partir de suas próprias memórias nos possibilitam a pensar como o racismo
atua em nossa sociedade e como ele é percebido pelos sujeitos.
Uma pesquisa realizada na USP, em 1988, sob a coordenação de Lilia Schwarcz,
indagou os entrevistados sobre situações diversas de preconceito. Nesta ocasião 97% dos
entrevistados disseram não ter preconceito, contudo, quando perguntados se conheciam
alguém que tinha preconceito 98% dos entrevistados responderam que sim. Estes mesmos
sujeitos revelaram ainda o grau de relação que tinham com essas pessoas racistas, dizendo
tratar-se de “parentes próximos, namorados e amigos queridos”. (1996, p. 155)
Schwarcz (1996, p. 155) concluiu a partir desta pesquisa que “todo brasileiro se sente
como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados”. É como se
houvesse um reconhecimento do racismo, mas há um tabu em discuti-lo, prefere-se não
tematizar a questão.
O racismo no Brasil ocorre de maneira muito peculiar. Enquanto nos Estados Unidos e
na África do Sul, países que onde existiu o apartheid, a discriminação ocorre pela relação
familiar, sendo por isso denominado como racismo de origem; no Brasil a discriminação
aparece sempre associada às características físicas do sujeito, configurando-se no racismo de
marca. O cabelo crespo, a cor da pele, o nariz chato, entre outros, são os grandes alvos do
racismo na sociedade brasileira.
O racismo à La brasileira, que percebe antes colorações do que raças, que admite a
discriminação apenas na esfera privada e difunde a universalidade das leis, impõe a
desigualdade nas condições de vida, mas é assimilacionista no plano da cultura. É
por isso mesmo que no país seguem-se muito mais marcas de aparência física, que,
por sua vez, integram status e condição social, do que regras físicas ou delimitações
geracionais. (SCHWARCZ, 1998, p. 184)
Esse racismo de marca difundido no campo da cultura acompanha todo o nosso
processo de formação enquanto sujeitos. Em nossas casas, no nosso bairro, nas escolas que
frequentamos, entre outros, vivenciamos um desenvolvimento cultural e social repleto de
preconceitos e discriminações. Esses fatores impedem que negros e brancos tenham as
mesmas oportunidades. Não há equidade racial na educação brasileira.
3. REFERENCIAL TEÓRICO
As bases teóricas que orientam essa pesquisa articulam os conceitos de memória,
juventude, racismo e educação para dar subsídios para a compreensão da trajetória dos jovens
negros estudantes da educação profissional técnica de nível médio do Centro Federal de
Educação Tecnológica de Minas Gerais – CEFET/MG articulando seus relatos orais a
documentos oficiais que apresentam dados que colaboram com o aprofundamento da temática
em questão.
3.1. Contexto histórico
As teorias raciais surgiram na Europa e nos Estados Unidos, durante o século XIX e
foram utilizadas para explicar as origens e as características dos diferentes grupos humanos.
No Brasil, essas teorias tiveram enorme aceitação entre os anos de 1870 e 1930.
Fundamentadas em argumentos biológicos as teorias raciais defendiam que as características
físicas estariam diretamente relacionadas à capacidade intelectual dos indivíduos. A partir
dessa perspectiva os negros e outros povos não europeus foram considerados inferiores.
Foi a própria ciência, justificada pela biologia, que propagou a ideia de que entre os
seres humanos existiam raças diferentes. Essa ideia repercutiu pelo Brasil nos anos finais da
escravidão e durante os primeiros anos da República. O projeto republicano de sociedade
reforçou e construiu novas formas de dominação que eram fundamentados na noção de raça.
Com isso, as elites buscavam garantir as diferenças entre brancos e negros, reforçando as
hierarquias raciais construídas ao longo do sistema escravista.
Um dos assuntos mais polêmicos relacionados as teorias racistas dizia respeito à
miscigenação. Muitos estudiosos defendiam que a miscigenação criaria um tipo biológico
mentalmente incapaz, o mulato; outros, porém, consideravam que seria exatamente a
miscigenação que garantiria o progresso da civilização brasileira. A “raça branca” seria
responsável por civilizar e embranquecer a sociedade, corrigindo as marcas deixadas pelos
séculos de escravidão.
Na década de 1930 a obra Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre, elogiou o
processo de mestiçagem, considerando o encontro das três raças (negros, índios e brancos)
uma genialidade. Freyre defendeu que embora a colonização tenha se iniciado de forma
violenta a continuidade das relações caminhou para uma convivência harmoniosa, sem receio
entre vencidos e dominados, tratou se de um encontro “fraterno, solidário, generoso,
democrático, viabilizado pela miscigenação.” (REIS, 2000, p. 66). Essa análise romantizada,
que camufla o racismo, fortaleceu o mito da democracia racial.
Partilhando dessa concepção a Organização das Nações Unidas para a Educação,
Ciência e a Cultura (UNESCO) encomendou, na década de 1950, um estudo do caso brasileiro
com o objetivo de buscar estratégias de combate ao racismo. O Programa de Pesquisas sobre
Relações Raciais no Brasil sustentava a hipótese de que “o país representava um exemplo
neutro na manifestação de preconceito racial e que seu modelo poderia servir de inspiração
para outras nações cujas relações eram menos democráticas” (SCHWARCZ, 1998, p. 201).
No decorrer dos estudos, enquanto uma ala correspondia às expectativas da UNESCO,
outro grupo revelava que as relações raciais aqui não se davam de forma tão harmoniosa como
difundido até então. Florestan Fernandes realizou estudos que expunham que o racismo
mostrava-se cada vez mais presente em nosso cotidiano, alavancando uma necessária
discussão sobre o racismo no Brasil.
A partir da década de 1950 Fernandes publicou vários trabalhos frutos de pesquisas
sobre a questão racial no Brasil, compreendendo que no Brasil instaurou-se duas formas de
racismo, uma liga à cor da pele e outra à classe dos sujeitos. Seus estudos inspiraram a
juventude que fundou o Movimento Negro Unificado no final da década de 1970 e contestou
pesquisas que defendiam uma igualdade racial no Brasil. Entretanto, Schwarcz (1996) destaca
que:
As novas pesquisas iluminavam aspectos jamais formalizados e revelavam a
característica discriminadora da sociedade brasileira; no entanto, acabaram por
desvalorizar alguns argumentos de Freyre que merecem atenção. A questão racial
não se resumia a um problema de classe, e tratá-la como tal era deixar de lado um
tema fundamental da sociedade nacional. (SCHWARCZ, 1996, p. 167)
Fernandes (1965) não reduziu seus estudos à questão econômica, mas via nessa uma
alternativa para combater o racismo no Brasil. Guimarães (2002) concorda com os
apontamentos de Fernandes (1965) e argumenta que as pesquisas são unanimes ao apontar que
a pobreza atinge majoritariamente a parcela negra da população brasileira e destaca uma
concepção interessante sobre a permanência desse quadro:
Quais são as causas da pobreza negra? A explicação normalmente aceita, tanto pelos
governos, quanto pelo povo, é de que a discrepância entre brancos e negros deve-se
ao passado escravista. Seria, portanto, uma herança do passado, que desapareceria
com o tempo. Tal explicação, embora tenha um cerne de verdade, esconde alguns
problemas graves. Primeiro, isenta as gerações presentes de responsabilidade pela
desigualdade atual; segundo, oferece uma desculpa fácil para a permanência das
desigualdades (...) terceiro, deixa sugerido que os diversos governos têm buscado
corrigir, gradualmente, tais disparidades. Contra tal explicação conservadora têm se
insurgido, ao longo dos anos (pelo menos desde 1930 de forma organizada) as
lideranças negras, para as quais as causas da pobreza negra são a fata de
oportunidade, o preconceito e a discriminação racial. (GUIMARÃES, 2002, p.
64-65).
Guimarães (2002) partilha da concepção de que o racismo potencializa a desigualdade
na medida em que negros e brancos não gozam das mesmas oportunidades no acesso aos seus
direitos como saúde, moradia e educação.
A partir da constituição de 1988 podemos registrar muitos avanços em relação às
discussões acerca do preconceito racial e a promulgação de leis que visam combater essa
mazela e promover uma equidade racial em nossa sociedade. No Brasil o racismo é crime
inafiançável e imprescritível desde a lei 7.716 de 1989. Ao longo dos anos essa lei sofreu
algumas ementas para garantir que “serão punidos na forma desta Lei, os crimes resultantes
de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.
(BRASIL, 1997). Além de outras ementas que buscam punir pessoas que comentem algum
crime nessa ordem.
Também é importante destacar a criação do Estatuto da Igualdade Racial, em 2010, a
Lei de Cotas, em 2012, e a promulgação da Lei 10639, de 2003, que obriga o ensino da
história da África e da cultura africana nas escolas públicas e privadas de todo território
nacional. As leis e a promoção de políticas públicas de combate ao racismo e promoção de
equidade racial têm fomentado novas perspectivas para o povo negro brasileiro.
Em 2013 a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) revelou que 104,2
milhões dos brasileiros são pretos e pardos, o que corresponde a mais da metade da população
do país (52,9%). Mas, embora a população negra seja maioria em nossa sociedade, o que se
observa é que ela tem menos acesso a direitos fundamentais.
Observando indicadores sociais fica evidente a desigualdade racial que marca a
sociedade brasileira. Em 2012 o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) constatou
que a possibilidade de um jovem negro ser vitima de homicídio é 3,7% maior do que a de um
branco. No mercado de trabalho os negros ocupam majoritariamente os cargos de menor
prestigio social e, observando o serviço público um estudo do IPEA, de 2014, revelou que
94% dos deputados e 87,7% dos auditores fiscais são brancos. Visando reduzir esse abismo
entre negros e brancos foi aprovado recentemente na câmara uma lei que prevê que 20% das
vagas nos concursos públicos sejam reservados a parcela negra da nossa sociedade. Ainda
sobre o mercado de trabalho uma pesquisa do DIESSE, realizada em 2013, apontou que os
negros representam 48,2% dos trabalhadores nas regiões metropolitanas, mas a média de
salário chega a ser 36,1% menor que a de não negros.
A desigualdade entre negros e brancos também pode ser constatada a partir de outros
indicadores como no acesso a tecnologia. O Mapa das Desigualdades Digitais no Brasil,
publicado em 2007, divulgou que entre os brasileiros que têm computador 79,77% são
brancos, 15,32% são pardos e 2,42% pretos e, quando considerado o acesso à internet a
pesquisa revelou que a possibilidade de um branco ter acesso à internet é 167% maior que um
negro.
3.2. Racismo e educação
É neste emaranhado de relações que educamos e somos educados na sociedade
brasileira, nega-se preconceitos, discriminações e racismo ao mesmo tempo em que imagens
de subalternização são perpetuadas e difundidas na figura do negro. No mercado de trabalho,
no acesso à saúde e educação, à cultura, enfim, os negros não usufruem das mesmas
oportunidades que a parcela branca da nossa população.
A escola, que deveria ser um espaço neutro deste tipo de manifestação, colabora com a
difusão e perpetuação destas mazelas. Gomes (2002) destaca que a escola é “um espaço em
que aprendemos e compartilhamos não só conteúdos e saberes escolares, mas, também,
valores, crenças e hábitos, assim como preconceitos raciais, de gênero, de classe e de idade.”
(GOMES, 2002, p. 38). Alunos, professores e toda a comunidade escolar não estão livres do
racismo e o reproduzem cotidianamente nesse espaço. Ainda segundo Gomes (1996):
A escola não é um campo neutro onde, após entrarmos, os conflitos sociais e raciais
permanecem do lado de fora. A escola é um espaço sociocultural onde convivem os
conflitos e as contradições. O racismo, a discriminação racial e de gênero, que fazem
parte da cultura e da estrutura da sociedade brasileira, estão presentes nas relações
entre educadores/as e educandos/as. (GOMES, 1996, p. 69)
Nessa perspectiva Lopes (2005) defende que:
(...) O combate ao racismo, ao preconceito e à discriminação, em nível escolar, deve
tomar as mais diferentes formas de valorização da pessoa humana, povos e nações,
valorização que se alcança quando descobrimos que as pessoas, mesmo com suas
dessemelhanças, ainda são iguais entre si e iguais a nós, com direito de acesso aos
bens e serviços de que a sociedade dispõe, de usufrui-los, criar outros, bem como de
exercer seus deveres em benefício próprio e dos demais. (...) Construir uma nação
livre, soberana e solidária, onde o exercício da cidadania não se constitua como
privilégio de uns poucos, mas direito de todos, deve ser a grande meta a ser
perseguida por todos segmentos sociais. (LOPES, 2005, p. 186).
É nesse sentido que Gomes (2005) e Munanga (2005) têm defendido em pesquisas a
presença do racismo na escola e a importância da promoção de ações de combate a essa
mazela. Ao buscarmos na memória dos jovens negros suas percepções sobre a questão racial
em suas vidas poderemos compreender como essa é percebida ou não por esses.
3.3. Educação Profissional
A formação profissional no Brasil iniciou-se no período colonial com o ensino de
ofícios para indígenas e escravos; intensificou-se com a descoberta do ouro, em virtude da
criação das casas de fundição que necessitavam de mão de obra especializada para atuarem,
mas nesses locais eram os filhos dos senhores que aprendiam o oficio.
Desde a primeira vez que foi implantada no Brasil a educação profissional passou por
profundas mudanças. De modo geral, a educação profissional era destinada às camadas menos
privilegiadas e, segundo Fonseca (1961) essa situação fez com que o povo assimilasse
formação profissional a pessoas pobres e negras.
Mas, com o passar dos anos, a educação profissional, ao tornar-se um campo
estratégico para o desenvolvimento do país, que necessitava que mão de obra qualificada,
passa a ser disputada pelos jovens que anseiam adquirir técnica para ingressar no mercado de
trabalho, tornando a seleção para ingresso nessas instituições que oferecem a educação
profissional muito mais concorrida e criteriosa.
Esse processo tem fomentado uma realidade em que as camadas menos favorecidas,
que tiveram poucas oportunidades educacionais, tem menor oportunidade de ingressar em
instituições de maior prestigio social que oferecem a educação profissional. Os jovens pobres
e das periferias estão do CEFET em número reduzido, somando aproximadamente 5% dos
estudantes, conforme uma pesquisa realizada pela instituição em 2010. Esses dados revelaram
que a maioria dos alunos matriculados no CEFET eram homens e mulheres brancos de classe
média. Nesta perspectiva a educação profissional tem recebido um público diferente daquele
que se propôs a atender quando iniciada. Para compreender esse processo a pesquisa em
questão apoia-se em estudos de Fonseca (1961) e Saviani (2007).
3.4. Juventude
A juventude brasileira na atualidade partilha de outras concepções e oportunidades que
as juventudes anteriores não tiveram legitimadas. Isso é resultado de uma nova concepção
sobre o ser jovem e da garantia de direitos promovidos com novas leis, como o Estatuto da
Criança e do Adolescente. Para discutir a juventude na atualidade essa pesquisa se apoia na
concepção de Dayrell (2007) que argumenta que:
Definir o que é ser jovem é uma exigência temerária, mas necessária. O temor é de
que nos percamos ao buscarmos uma definição para expressar algo que tende a
ganhar sentido nas interações sociais nas quais as diferentes idades se reconhecem e
se distinguem. Sendo assim, partimos do princípio de que há recortes etários que se
configuram através de agrupamentos de idades próximas cujas dinâmicas identitárias
provocam um auto reconhecimento entre os indivíduos. Esses marcadores
identitários próprios circunscrevem o que é ser a criança, o jovem e o adulto em um
determinado tempo e espaço, ao conferir a seus integrantes um sentimento de
unidade entre os que pertencem a um mesmo grupo em detrimento a outro grupo
considerado não-jovem ou não-adulto. (DAYRELL, 2007, p. 1111)
Essa concepção de Dayrell (2007) sobre a juventude é muito interessante na medida
em que não impõe um modelo de ser ou de compreender o jovem, mas nos faz refletir sobre as
várias juventudes que existem hoje em nosso país. Embora partilhem de uma mesma faixa
etária, os jovens trazem percepções, valores e culturas diferentes que nos impede de
condiciona-los a uma única categoria do que é ser jovem hoje.
Nas escolas não raramente encontramos professores e coordenadores reclamando que
não conseguem dialogar com essa juventude. Sobre essa situação, Dayrell (2007) ressalva que
a escola oferecida aos jovens, salvo algumas exceções, não consegue dialogar com as novas
concepções trazidas por estes. Para muitas jovens a escola se reduzir a uma obrigação,
gerando uma crise entre professores e alunos.
Além disso, como já apontado anteriormente, a escola não está livre do racismo e das
discriminações. Assim, esse espaço torna-se excludente na medida em que não consegue
atender todos os jovens da mesma maneira. Os jovens negros sofrem com a mazela do
racismo desde a educação infantil, impedindo que os mesmos usufruam das mesmas
oportunidades que os alunos brancos. Dayrell (2007) destaca que:
“Salvo algumas exceções, principalmente no âmbito das redes de ensino municipais
de algumas cidades brasileiras, a estrutura da escola pública, incluindo a própria
estrutura oferecida, e os projetos políticos-pedagógicos ainda dominantes em grande
parte das escolas não respondem aos desafios que estão postos para a educação dessa
parcela da juventude. Se a escola se abriu para receber um novo público, ela ainda
não se redefiniu internamente, não se reestruturou para criar pontos de dialogo com
o sujeitos e sua realidade. (DAYRELL, 2007, p. 1116-1117)
Com a obrigatoriedade da escolarização básica a escola passou a receber um público
cada vez mais heterogêneo. Entretanto, ainda não consegue conceber essas diferenças de
forma igualitária. O diferente, o aluno negro, homossexual, deficiente, entre outros, ainda não
tem garantida sua igualdade perante aos demais colegas. Esse processo faz com que esses
jovens tenham um rendimento menor e as consequências disso podem ser percebidas para
além dos muros da escola, quando observamos as diferenças sociais que marcam a juventude
na atualidade.
4. INDICAÇÕES METODOLOGICAS
Para compreender a trajetória dos jovens negros da educação profissional técnica de
nível médio, essa pesquisa será fundamentada na história oral. Através de entrevistas os
jovens relatarão os caminhos e as estratégias utilizadas para ingressarem no Centro Federal de
Educação Tecnológica de Minas Gerais.
A história oral será utilizada como fonte e instrumento metodológico com o intuito de
identificar na memória desses jovens questões que eles consideram pertinentes em relação às
suas trajetórias. Alberti (1989) destaca que:
Como procedimento metodológico, a história oral busca registrar – e, portanto,
perpetuar – impressões, vivências, lembranças daqueles indivíduos que se dispõem a
compartilhar sua memória com a coletividade e dessa forma permitir um
conhecimento do vivido muito mais rico, dinâmico e colorido de situações que, de
outra forma, não conheceríamos. A história oral pode ser entendida como um
método de pesquisa (histórica, antropológica, sociológica,...) que privilegia a
realização de entrevistas com pessoas que participaram de, ou testemunharam
acontecimentos, conjunturas, visões de mundo, como forma de se aproximar do
objeto de estudo. Trata-se de estudar acontecimentos históricos, instituições, grupos
sociais, categorias profissionais, movimentos, etc. (ALBERTI, 1989: 52).
Os apontamentos de Alberti (1989) revelam a potencialidade da história oral enquanto
metodologia de pesquisa. Nesse processo os jovens poderão compartilhar suas memórias e
trazer à público questões que poderiam ser invisibilizadas por outros procedimentos
metodológicos.
A história oral foi aplicada inicialmente nos anos de 1950, mas foi somente nas
ultimas três décadas que ela tem conquistado mais adeptos e garantido espaço nas pesquisas
acadêmicas. Ferreira (1998) destaca que na virada da década de 1970 para 80 foram
registradas importantes transformações no campo da história, entre elas a valorização da
história cultural, que fomentou novas discussões sobre o papel das fontes históricas e,
consequentemente, da história oral.
Entretanto, existe entre os historiadores, uma discordância quanto ao uso da história
oral. Para alguns, trata-se de uma fonte pouco confiável, tendo em vista a fragilidade da
memória dos sujeitos.
Sobre essa situação Hobsbawm (1998) destaca que a memória do ser humano não é
confiável. Ao colher o depoimento de uma mesma pessoa duas vezes é possível perceber que
seu relato modifica-se. Nessa percepção ao trabalharmos com história oral estamos cientes
que as informações coletadas nas entrevistas dos jovens negros correspondem a uma
percepção em um dado momento histórico e que ao serem consultados novamente sobre o
mesmo assunto os jovens certamente terão outras colocações e percepções sobre o mesmo
processo vivido, pois concordamos com a concepção de Hobsbawm (1998) que entende que a
memória como um mecanismo onde o individuo armazena as informações a partir de uma
interpretação do fato e que com o passar do tempo passa a ser concebido de maneira diferente.
É importante ressaltar que não só a história oral, mas todo e qualquer outro documento
e / ou fonte utilizada pela pesquisa histórica também é resultado da interpretação de uma
pessoa. Deste modo, não só o uso da oralidade, mas toda fonte, deve ser examinada sob um
rigoroso método de análise.
Ferreira (1998) argumenta que o desinteresse e desconfiança dos especialistas
resistentes ao uso da história oral em suas pesquisas é resultado de formas arraigadas de
compreender e conceber a história e a validade de suas fontes, ela destaca que:
a consolidação da disciplina história e a profissionalização do historiador no século
XIX impuseram o domínio absoluto dos documentos escritos como fonte, em
detrimento da tradição oral, expulsando a memória em favor do fato. (...) vincula-se
a tradição oral ao anedótico ou ao passado recente, às sociedades sem escrita, às
classes populares, estabelecendo-se uma hierarquia dos campos de conhecimentos de
fontes e de objetos. (FERREIRA, 1998, p. 01).
Thompson (1992) compreende que a história oral fornece aos historiadores dados que
a história “tradicional” não conseguiu suprir, e, se a sociedade contemporânea é palco da
proliferação de diversas e novas fontes escritas isso não significa que a história oral possa ser
descartada, mas sim, trabalhada em conjunto, fazendo com que uma fonte valide a outra, na
medida em que apresentam as mesmas informações na forma de fontes diferentes. Thompson
destaca que:
[...] a história oral pode dar grande contribuição para o resgate da memória nacional,
mostrando-se um método bastante promissor para a realização de pesquisa em
diferentes áreas. É preciso preservar a memória física e espacial, como também
descobrir e valorizar a memória do homem. A memória de um pode ser a memória
de muitos, possibilitando a evidência dos fatos coletivos (THOMPSON, 1992: 17).
A história oral centra-se na memória dos sujeitos e na sua capacidade de revisitar fatos
passados interpretando-os a partir da sua percepção do tempo presente. As memórias dos
sujeitos estão inseridas em um contexto familiar, social e político. São fruto da sua percepção
no presente e por isso podem sofrem mudanças sempre que revisitadas. Não há como o sujeito
impedir o afloramento de suas lembranças, mas ele tem a capacidade de controlar a forma
como irá trazer essas lembranças do espaço intimo para a vida pública em forma de entrevista.
Para Le Goff (1990):
A memória, como propriedade de conservar certas informações, remete-nos em
primeiro lugar a um conjunto de funções psíquicas, graças às quais o homem pode
atualizar impressões ou informações passadas, ou que ele representa como passadas.
(LE GOFF, 1990, p. 366)
Essa pesquisa fundamenta-se na perspectiva que as impressões dos próprios jovens
sobre suas trajetórias pode trazer reflexões que dificilmente poderiam ser alcançadas por
outras metodologias de pesquisas. Compreendemos que a história oral deve ser empregada em
pesquisas contemporâneas, como é o caso dessa, onde os jovens não precisam recorrer a um
passado muito distante para refletir sobre suas trajetórias. Entretanto, isso não impede que os
depoimentos que serão tomados agora não possam servir de fonte para estudos futuros,
quando os jovens já terão trilhado novos caminhos e terão outras considerações sobre o
presente que será então passado.
Ferreira (1998) aponta que existem duas linhas de trabalho empreendidas pela história
oral. Uma que trabalha com a história oral como forma de preencher as lacunas deixadas pelos
documentos escritos e outra que atribui um papel central à memória dos sujeitos. Em nossa
pesquisa faremos uso desta segunda perspectiva, mas a primeira não será totalmente
descartada tendo em vista que também consultaremos documentos escritos para compreender
de forma mais abrangente a trajetória dos jovens negros pesquisados.
4.1. A escolha dos entrevistados
Para compreender as memórias escolares dos jovens negros até ingressarem na
educação profissional técnica de nível médio esta pesquisa irá entrevistar um grupo de jovens
que serão escolhidos segundo os critérios de cor/raça, de renda, de gênero, pela sua origem da
rede de ensino pública ou privada e pela região em que moram esses estudantes. Essas
informações serão coletadas no banco de dados que constam os registros de matricula do
CEFET/MG.
Para a definição dos jovens entrevistados o primeiro passo será analisar os registros de
matricula do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais investigando os
critérios estabelecidos por esta pesquisa. Serão selecionados prioritariamente os jovens
autodeclarados negros, oriundos de escolas publicas, levando em consideração o gênero, a
renda e a região em que vivem. Os mesmos serão convidados a participarem desta entrevista
fornecendo seu depoimento que será colhido a partir de uma entrevista semiestruturada. Na
entrevista confrontaremos os dados obtidos na consulta ao registro e às respostas dadas pelos
jovens, buscando compreender as trajetórias desses jovens.
O número de jovens entrevistados será definido posteriormente, buscando uma parcela
que represente o percentual de jovens autodeclarados negros, considerando a soma entre os
alunos autodeclarados pretos e pardos matriculados neste nível de ensino. As entrevistas serão
realizadas nas dependências do CEFET-MG, priorizando o campus em que os jovens estudam
visando facilitar o contato com os mesmos. Os relatos serão gravados em áudio e
posteriormente transcritos. De posse desses registros partiremos para a análise dos dados do
registro escolar e dos depoimentos dos alunos em concomitância com a problematização da
bibliografia em questão.
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