iii Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa Lato Sensu em Gestão Educacional Trabalho de Conclusão de Curso Caminhos para a capacitação dos policiais militares no Curso de Aperfeiçoamento de Praças (CAP) na PMDF. Soluções através do Ensino à Distância (EaD). Autor: Alexandre Ribeiro da Silva Orientadora: Ana Paula Costa e Silva Brasília - DF 2014 ALEXANDRE RIBEIRO DA SILVA CAMINHOS PARA A CAPACITAÇÃO DOS POLICIAIS MILITARES NO CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS (CAP) NA PMDF. SOLUÇÕES ATRAVÉS DO ENSINO À DISTÂNCIA (EAD). Trabalho apresentado ao Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Gestão Educacional – SSP/DF da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para titulação de Especialista em Gestão Educacional. Orientadora: Prof. Ana Paula Costa e Silva Brasília 2014 FOLHA DE APROVAÇÃO Artigo de autoria de Alexandre Ribeiro da Silva, intitulado “Caminhos para a capacitação dos policiais militares no Curso de Aperfeiçoamento de Praças (CAP) na PMDF. Soluções através do Ensino à Distância (EaD).”, requisito parcial para obtenção do grau de Especialista em Gestão Educacional, depositado em 29/08/2014. BRASÍLIA 2014 AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus e minha esposa Jaqueline por me transmitirem força nesta jornada. Aos colegas de Curso pelo apoio, incentivo e troca de experiências, em especial ao Sgt. BM Malone, que infelizmente não se encontra mais conosco, aos professores do Curso, coordenadora (Prof. Bernadete) e orientadora (Prof. Ana Paula) pela paciência e esforço para transmitirem os seus conhecimentos e a minha instituição PMDF que me proporcionou mais uma janela de conhecimento. RESUMO Referência: Alexandre Ribeiro da Silva. Caminhos para a capacitação dos policiais militares no Curso de Aperfeiçoamento de Praças (CAP) na PMDF. Soluções através do Ensino à Distância (EaD). Curso de Pós- Graduação Lato Sensu em Gestão Educacional- SSP/DF, UCB. Brasília – DF, 2014. O objetivo desta pesquisa é apontar caminhos para o Ensino a Distância no Curso de Aperfeiçoamento de Praças (CAP). É muito importante que o policial esteja qualificado para atender as demandas sociais na Segurança Pública. A ideia é realizar uma exploração de trabalhos de pesquisas realizadas por outros autores pertencentes a Organizações Policiais Militares Coirmãs, onde foram realizadas pesquisas que apontam o perfil do público-alvo da modalidade EaD e a utilização das tecnologias interativas aplicadas à educação e instrução policial militar. O uso desta modalidade permitirá uma qualificação diferenciada ao policial, que terá uma nova experiência na sua capacitação e para os gestores permitirá a redução de custos e recursos, uma maior efetividade. Além de viável é inovadora e desafiadora, quando pretende integrar de forma estratégica as áreas de tecnologia, educação policial e gestão organizacional, visando interesses institucionais. Palavras-chave: Segurança Pública, Ensino a Distância, Polícia Militar, Formação Profissional ABSTRACT The objective of this research is to point out ways in Distance Learning Improvement Course of Squares (CAP). It is very important that the police are qualified to meet the social demands on Public Safety. The idea is to perform an exploration of research work carried out by other authors belonging to Military Police Organizations Sisters, where surveys suggest that the profile of the target audience of DE mode and the use of interactive technologies applied to education and military police instruction were conducted. Using this mode will allow a different qualification to the police, who will have a new experience in their training and to allow managers to reduce costs and resources, greater effectiveness. Besides feasible is innovative and challenging when you want to strategically integrate the areas of technology, education and police organizational management aimed at institutional interests. Keywords: Public Safety, Distance Learning, Military Police, Professional Training SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 METODOLOGIA 13 1 –Policia Militar do Distrito Federal 13 2 –Educação a Distância (EaD) 17 3 –Iniciativas de EaD no âmbito da Segurança Pública 20 CONCLUSÃO 25 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS 27 NOTA 30 ABREVIATURA 31 ANEXO 32 8 INTRODUÇÃO A tecnologia da informação e da comunicação torna-se, a cada dia, mais perceptível na vida das pessoas em todo tempo e lugar. Sua atuação pode ser constatado em nossas rotinas, enfim, no mundo que nos cerca. Atualmente tornou se rotina a potencialização das atividades humanas com o uso das TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação)1, onde sua aplicação vai desde uma simples marcação de consulta médica a uma movimentação bancária. Quem detém a informação, obtém a capacidade de transformar o mundo de forma rápida e precisa; absorvendo e acumulando a informação para compreender a realidade vivenciada, a fim de desvendar e inovar, de forma competente utilizando-a para adquirir conhecimento e consequentemente transformar não só a sua própria vida, como também a sociedade. Hoje já podemos nos arriscar em dizer que a Revolução da Informação dita as regras em todas as áreas, assim, como ocorreu na Revolução Industrial, onde prevaleceram as regras das máquinas na capacidade de produzir bens materiais. Atualmente o maior bem é a informação (conhecimento), e não basta somente tê-la em mãos, faz-se necessário planejar e executar de forma organizada e metódica (Gestão) todo esse conhecimento, para que ela possa ser utilizada para proporcionar resultados produtivos. O avanço da informática, através da TIC’s em todas as áreas proporcionou maior aproximação e a acessibilidade às tecnologias acesso à rede mundial em qualquer lugar (tablet, smartphones, notebooks etc.). Não existem mais fronteiras para a informação. Seria ingenuidade imaginar tentar diminuir seu poder de proporcionar transformações, também, na educação, tema deste trabalho. A questão central segundo (Demo, 2003): (...) alerta que parece estar atualmente em como aproximar a informática (meios) de uma educação reflexiva e reconstrutiva (fins). Para o autor, a informática possui seus atrativos como, por exemplo, seu dinamismo, mas não é por si só "educativa ou formativa". Portanto, a organização precisa conscientizar-se que, ao investir na ambiência computacional, não poderá abrir mão da ambiência humana, aliás, só com a presença da segunda a primeira se tornará eficaz. (...) (AZEVEDO; et al, 2009, p. 01). Todo avanço tecnológico citado anteriormente, se deu tanto pelos meios tradicionais (livros, televisão, jornais, revista, periódicos), quanto pela Internet. E este último meio proporcionou uma maciça contribuição para a difusão e acesso de 9 informações nos mais diversos formatos (Sites, blogs, fóruns, o Google, Wikipédia, Youtube e uma infinidade de outras organizações). Uma melhor forma de usar as tecnologias citadas é uma das formas não tão antigas, mas que tomou emprestadas sua metodologia através do uso da tecnologia computacional e a internet para tal finalidade. A Educação a Distância (EaD) tem sido um tema constante em diversas discussões, tanto no âmbito acadêmico quanto no âmbito empresarial. Já não é recente a discussão a respeito de por que utilizar esta metodologia associada, ou em substituição, ao ensino presencial: (...) Para implementar a EAD, muitas implicações devem ser pensadas e o estabelecimento de uma política institucional para treinamento de pessoal deve ser elaborada visando à superação de todas as dificuldades que o processo impõe para o seu sucesso (...) (ALVES, 2011, p. 43). Segundo Belloni (2002), a educação aberta e a distância aparece cada vez mais no contexto das sociedades contemporâneas, como uma modalidade de educação desejável para dar assistência às novas demandas educacionais (inclusão digital 2, capacitação técnico profissional e acadêmicas). No país, já existem inúmeras organizações aceitando a EAD como parte de seu planejamento, ofertando cursos e capacitação profissional, seja no formato semipresencial ou totalmente a distância. Na Policia Militar do Distrito Federal não poderia ser diferente: (...) Assim, as TIC, que são instrumentos de relevante apoio na área da educação, representam uma ferramenta importante para o sucesso do treinamento profissional na PMMG. O uso de TIC tem sido fator preponderante para a melhoria da fluidez na transmissão das informações nos diversos tipos de atividades educacionais, principalmente quando a necessária capilaridade institucional no Estado impõe características de grande distribuição do público-alvo do treinamento. (...).(ALVES, 2011, p. 36). Neste trecho o autor cita a importância desta ferramenta no apoio educacional e treinamento profissional permitindo uma melhor distribuição da informação, bem como o seu alcance a um grande público-alvo, que encontram-se distribuídos nos diversos municípios. A literatura científica sobre os benefícios das TIC’s na educação são inúmeras e os resultados que apresentam, principalmente, em relação às habilidades cognitivas dos alunos que a utilizam. Percebe-se que as metas são as mesmas da aprendizagem feitas sem apoios tecnológicos. Contudo proporciona um maior alcance a fontes (pessoas e materiais) das quais metas podemos citar: 10 Habilidades de processamento da informação (localizar e coletar informações relevantes); Habilidades de raciocínio (poder explicar as razões de suas opiniões e ações); Habilidades de inquirição (saber fazer perguntas relevantes, colocar e definir problemas); Habilidades de pensamento criativo (gerar e estender ideias, sugerir hipóteses); e Habilidades avaliativas (saber avaliar informação e julgar o valor do que lê, escuta e faz). Para NASCIMENTO (2013, p. 21), verifica-se uma escassez de estudos referente ao policial militar como aluno na PMDF, pois é de vital importância pensar que o policial militar deve ter a qualificação adequada para atender as demandas sociais por melhorias de segurança. Desta forma, pensemos o termo capacitação 3 – ato ou efeito de capacitar-se (do italiano capacitare – fazer compreender; tornar capaz; convencer, persuadir). Refletindo este conceito para o nosso alvo: Permitir que o policial possa compreender e tornar-se capaz de atender as demandas sociais que lhe competem, somente é possível quando ele se confronta com o aperfeiçoamento profissional, pois a cada passo que ele progride na carreira ele se torna responsável pelas decisões e liderança. Ele será responsável por persuadir a sociedade da qual ele presta serviço das suas responsabilidades que tange aos seus direitos e deveres. (...) Numa sociedade onde o saber torna-se cada vez mais dinâmico, o ensino formal continua preso a livros e apostilas didáticas e permanece trabalhando a informação como algo estático e distante da realidade. Esta situação é decorrente do fato das instituições de ensino, civis e militares, ainda não conseguirem incorporar plenamente, de forma concreta, as novas tecnologias interativas destinadas à educação, aos seus métodos de ensino(...) (MARTINS, 2013, p.11) O presente estudo pretende apontar caminhos na área de ensino e treinamento policial militar na capacitação e aperfeiçoamento profissional dos policiais militares no Estado do Distrito Federal especificamente no Curso de Aperfeiçoamento de Praças (CAP). Este curso é ministrado para formação do Sargento, pois ele será responsável por comandar pequenas equipes de serviços, 11 pelotão ou fração de tropa, e isto significa novas atribuições e responsabilidades. Nos últimos anos, houve um nivelamento dos quadros permitindo que distorções fossem corrigidas quanto à valorização do policial – lei Nº 12.086/2009, porém não houve avanço na área de capacitação e aperfeiçoamento. Não que a instituição tenha negligenciado, mas houve um grande número de policiais promovidos, e a instituição deparou com uma problemática. Como atender a demanda de policiais prontos para essa etapa? São aproximadamente 3.000 policiais em condições, porém os recursos (espaço-tempo) para realizar esta etapa não foram contingenciados e preparados. Ainda dentro deste contexto novamente reforça-se a importância de respaldar duas vertentes: uma geral, que discute a manutenção da capacitação profissional de todos os policiais militares, atingida através do treinamento profissional; e outra específica, referente a necessidade de otimização no uso dos recursos, das tecnologias e das metodologias de treinamento para manter a qualidade desta capacitação em larga escala na PMDF, atingindo todo o efetivo alvo da pesquisa. A cidade do Distrito Federal quer urgentemente as suas demandas atendidas na esfera da segurança pública e a Polícia Militar é a “ponta da lança”, neste processo. Desta forma a autora do trecho que segue destaca a eminente discussão que segue atualmente na reformulação de currículos e propostas que possam organizar o ensino: (...) Particularmente, no Distrito Federal, constata-se que a urgência de respostas imediatas às pressões e às demandas por uma maior segurança tem sido a linha condutora para a implementação de variadas propostas para a área de segurança pública, em específico para a formação profissional na organização policial militar. A formação e o conhecimento passam a ocupar lugar de destaque dentro da própria PMDF que discute a reformulação de currículos, já em andamento, bem como a criação do Instituto Superior de Ciências Policiais, primeira escola superior policial credenciada pelo Ministério da Educação. (...) (NASCIMENTO, 2013,p.25) Existem diversos cursos voltados ao aperfeiçoamento do público interno da instituição. A escolha pelo Curso de Aperfeiçoamento de Praças (CAP) permitirá que façamos um estudo delimitado de como funcionará a capacitação por meio da EaD. Pesquisar e apontar no referencial bibliográfico vantagens e desvantagens desse modelo de ensino e avaliar a viabilidade à utilização das tecnologias interativas na capacitação técnico-profissional de policiais militares. Porém, cabe destacar que os apontamentos abordadas neste artigo poderão ser incorporadas em outros cursos, pois a dinâmica do exposto poderá ser aplicada 12 também em outros cursos oferecidos pela Política Militar do Distrito Federal e avaliadas pelo do Instituto Superior de Ciências Policiais (ISCP). Logicamente, a instituição está buscando o aperfeiçoamento e capacitação destes policiais usando o processo que sempre vigorou durante anos, e que funcionam, através das aulas presenciais, porém, a realização do curso na modalidade presencial envolve uma série de aspectos de logística (espaço físico, recursos materiais e humano e entre outros), além do fator tempo. As atuais instalações e o tempo para retirar o policial da atividade-fim ou meio são fatores que devem ser analisados. Um afastamento temporário, para participar de cursos presenciais, pode causar problemas pontuais nas atividades diárias (atividade-fim). A modalidade de EaD não vem usurpar o ensino presencial, mas apontará soluções para os problemas pontuados na preparação do policial, possibilitando à instituição ganhar tempo e customização dos recursos apontados. Este projeto de pesquisa tem o intuito de analisar estudos já realizados em Organizações (OPM) coirmãs de tecnologias de EaD já empregadas para a capacitação e ensino. Com o intuito de apontar possíveis soluções na capacitação e aperfeiçoamento deste público. O objetivo desta pesquisa é analisar a possibilidade de qualificação profissional dos servidores públicos, mais especificamente da PMDF, com o uso das tecnologias da informação. Até que ponto a educação a distância poderá contribuir com o ensino policial, e se a sua implementação poderá trazer vantagens ou desvantagens na preparação profissional do militar. Além disso, procurar-se-á analisar a legislação pertinente para verificar a aplicabilidade do ponto de vista técnico, se há compatibilidade curricular com a metodologia do ensino a distância, buscando também compreender se possibilitaria redução de gastos e consequente melhor direcionamento das verbas para investimentos. 13 METODOLOGIA A metodologia a ser utilizada é a pesquisa bibliográfica, com a análise da legislação vigente que norteia o ensino nas instituições policiais para verificar as possibilidades de aplicação do ensino a distância, além de analisar a viabilidade logística e financeira da implantação desta ferramenta com base nos estudos científicos a respeito do tema. A ideia é fazer com que esta pesquisa possa apontar caminhos para planejar e executar ações conforme foram realizadas nas OPM’s citadas. O trabalho de pesquisa tem caráter informativo dos procedimentos que poderão ser tomados futuramente. 1. Policia Militar do Distrito Federal e sua organização de Ensino As atribuições da Polícia Militar do Distrito Federal são definidas pelo §5° da Constituição Federal de 1988 e pela Lei n° 6450 de 1977 descreve: Art. 1 A Polícia Militar do Distrito Federal, instituição permanente, fundamentada nos princípios da hierarquia e disciplina, essencial à segurança pública do Distrito Federal e ainda força auxiliar e reserva do Exército nos casos de convocação ou mobilização, organizada e mantida pela União nos termos do inciso XIV do art. 21 e dos §§ 5º e 6º do art. 144 da Constituição Federal, subordinada ao Governador do Distrito Federal, destina-se à polícia ostensiva e à preservação da ordem pública no Distrito Federal. (Artigo com redação dada pela Lei nº 12.086, de 6/11/2009) Art. 2º Compete à Polícia Militar do Distrito Federal: I - executar com exclusividade, ressalvadas as missões peculiares das Forças Armadas, o policiamento ostensivo, fardado, planejado pela autoridade competente, a fim de assegurar o cumprimento da Lei, a manutenção da ordem pública e o exercício dos poderes constituídos; (Inciso com redação dada pela Lei nº 7.457, de 9/4/1986) II - atuar de maneira preventiva, como força de dissuasão, em locais ou áreas específicas, onde se presuma ser possível a perturbação da ordem; III - atuar de maneira repressiva, em caso de perturbação da ordem, precedendo o eventual emprego das Forças Armadas; e IV - atender à convocação, inclusive mobilização, do Governo Federal em caso de guerra externa, ou para prevenir ou reprimir grave perturbação da ordem ou ameaça de sua irrupção nos casos previstos na legislação em vigor, subordinando-se à Força Terrestre para emprego em suas atribuições específicas de polícia militar e como participante da defesa Interna e da Defesa Territorial. (Inciso com redação dada pela Lei nº 7.457, de 9/4/1986) 14 Houve uma modificação na estrutura da PMDF desde a sua chegada à Brasília. A nova estrutura organizacional baseado no modelo funcional e departamental (figura 1 – Anexo) pelas leis 12.086 de 2009 dispõe sobre os militares da Policia Militar do Distrito Federal e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, e o Decreto Federal n° 7.165/10 dispõe sobre a organização básica da Polícia Militar do Distrito Federal. Um outro documento traça o planejamento estratégico (2011) para a Corporação até 2022, permitindo uma gestão mais ágil e orientada a resultados: (...) O Planejamento Estratégico da PMDF, com horizonte temporal 2010-2022 reflete todas essas questões, com o propósito de fomentar o respeito aos direitos humanos e garantias constitucionais; melhorar a qualidade dos serviços prestados à população; aumentar a confiança da população em relação à Polícia Militar e elevar a sensação de segurança da população, contribuindo, dessa forma, para que tenhamos um Distrito Federal mais seguro e mais humano. (...) Damos destaque a algumas destas iniciativas: Os projetos de implantação do Sistema de Gestão Estratégica e Programa de Melhoria da Gestão; A reestruturação administrativa e de cargos e salários; A implementação das doutrinas, diretrizes e políticas de segurança de proximidade, através da filosofia de polícia comunitária e policiamento orientado para o problema; Ênfase na capacitação profissional direcionada à garantia dos direitos humanos. Na área de Educação o Departamento de Educação e Cultura (DEC), a qual está subordinada à Diretoria de Formação (DirForm), onde se situa a Academia de Policia Militar de Brasília (APMB), há outras, todas ligadas à educação e formação do policial militar, conforme organograma do Departamento de Educação e Cultura (figura 2 – Anexo). A APMB foi criada pela Lei n° 7.491, de 13 de junho de 1986 e implantada pelo Decreto n° 11.010, de 12 de fevereiro de 1988, como estabelecimento de ensino e formação superior na PMDF. Na nova organização a APMB é composta pela Escola de Formação de Praça (EsFP) e Escola de 15 Formação de Oficiais (EsFO), que para efeitos legais junto ao Ministério da Educação passou a ser chamada de Instituto Superior de Ciências Policiais (ISCP). A EsFP é responsável pela formação do quadro de praças (soldados, cabos, sargentos e subtenentes). A EsFO é responsável pela formação do quadro de oficiais (cadetes, aspirantes, tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel). A Polícia Militar tem um sistema de ensino próprio que é regulamentado por legislação específica e por meio de Diretrizes Gerais de Ensino e Instrução (DGEI) e pelas Normas Gerais para Medidas de Aprendizagem através da Portaria 426, de 28 de abril de 2004. Esta permite o planejamento, a coordenação, a fiscalização e o controle das atividades de formação, habilitação, atualização, extensão, especialização e aperfeiçoamento do ensino e da instrução nos níveis de oficiais e praças da Polícia Militar do Distrito Federal (art.1º). Art.1° Estas Diretrizes têm por finalidade regular o planejamento, a coordenação, a fiscalização e o controle das atividades de formação, habilitação, atualização, extensão, especialização e aperfeiçoamento do ensino e da instrução nos níveis de oficiais e praças da Polícia Militar do Distrito Federal. (DGEI) Atualmente a PMDF conta com um efetivo de quadro pessoal com 1.389 oficiais e 13.607 praças, num total de 14.996 policiais militares segundo dados extraídos por (NASCIMENTO, 2013, p.46). Segue o quadro do efetivo geral datado da época da pesquisa: Tabela 1 – Efetivo Geral da PMDF PRAÇAS OFICIAIS SD 2ª Classe 114 Cadete 149 SD 1.828 Aspirante 08 CB 3.479 2° TEM 129 3° SGT 2.968 CAP 399 2° SGT 2.259 MAJ 309 1° SGT 2.312 TC 154 ST 647 CEL 46 SUBTOTAL 13.607 SUBTOTAL 1.389 TOTAL GERAL 14.996 Fonte: Seção de Planejamento de Pessoal do Estado-Maior da PMDF 16 As Diretrizes Gerais de Ensino e Instrução (DGEI) será abordado para explicar as ações dirigidas para o ensino e adaptáveis para o EaD. Pois existem situações que não tem como aplicar o EaD cita-se: (...) podemos compreender que há certos conteúdos que devem ser trabalhados e são estritamente conceituais. Outros são encontrados na teoria, mas além do saber devem despertar valores e atitudes. Porém existem os conteúdos procedimentais que exigem o exercício de certas habilidades que não são desenvolvidas individualmente, como por exemplo, uma abordagem policial, que normalmente é executada por dois policiais. Assim, quando os conteúdos a serem trabalhados forem deste grupo, acreditamos não ser possível a aplicação do ensino a distância, pois é fundamental a execução da tarefa ensina, com o acompanhamento direto do professor (...) (AMARAL, 2011,p.16) O Ensino à Distância proporciona uma série de vantagens ao Gestor Público podemos considerar: a) A participação no curso não implica a ausência do funcionário do seu trabalho. Uma parte da formação pode ser realizada durante o tempo livre. No segundo caso, o custo da formação recai sobre o próprio empregado; b) O empregador se libera dos custos de enviar o empregado para os cursos de formação. Levando-se em conta que as taxas de transporte e de alojamento podem ser muito altas, isto pode representar uma economia real; c) O ensino a distância pode resolver problemas, como a hesitação do funcionário em se ausentar de sua casa para freqüentar cursos de formação; d) Um número reduzido de professores pode alcançar numerosos estudantes; e) Os empregadores podem formar mais rapidamente um número muito maior de funcionários do que seria possível nos cursos tradicionais; e f) Os empregadores podem formar mão de obra geograficamente dispersa. (AMARAL, 2011,p.19) 17 2. Educação a Distância (EaD) Resumidamente será feito um breve histórico e conceituação do que se trata esta modalidade de ensino. São muitas as fontes que contam as histórias da sua criação. A Educação à Distância em nosso país passou a ser regulamentada em 1996, com a promulgação da atual Lei de Diretrizes Bases da Educação Brasileira (LDB), Lei 9.394/96. Esta Lei trouxe em sua redação, art. 80, que: O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. § 1º. A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. § 2º. A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diplomas relativos a cursos de educação a distância. § 3º. As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. § 4º. A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais. De acordo com a legislação educacional brasileira consta no Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que regulamenta o art. 80 da LDB lei n. 9.394/96.) definição que: Art. 1° Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. A Educação a Distância não é um fenômeno recente e não existe registro exato da data do seu surgimento. Os primeiros pergaminhos escritos para registro de conhecimentos, os ensinos dos antigos sacerdotes gauleses que eram memorizados como canções, as epístolas de Paulo às igrejas do Novo Testamento, as cartas trocadas entre filósofos da Academia e da Escola de Alexandria, são 18 exemplos de que a Educação a Distância tem suas origens nos primórdios da civilização, segundo (NASCIMENTO&SILVA, 2009, p. 12). No século XIX, com a melhoria dos serviços de correio e eficiência dos meios de transportes, nota-se uma expansão na oferta de cursos de EAD. Foi na Suécia no ano de 1883, que foi publicado a primeira oferta de curso de ensino por correspondência, que foi chamada de 1ª geração de Educação a Distância. A 2 ª geração de EaD teve seu marco inicial em 1970 a 1990, onde se aprimorou e expandiu o serviço por correspondência na qual as Universidades abertas, sistematizadas para EaD, com material impresso apoiado pela televisão, fitas de áudio e vídeo, telefone. De 1990 a 2000 a 3ª geração de EaD utilizou de computadores, recursos multimídias e rede conferências. As bibliotecas eletrônicas fizeram parte da 4ª geração e finalmente avançando a 5ª geração utilizou-se dos recursos de equipamentos sem-fio e sistemas de respostas automáticas. Observe que não há uma substituição de uma geração por outra, mas uma assimilação pelo desenvolvimento de novas tecnologias. No Brasil o primeiro registro da EaD é datado de 1891 início do século XX, com a crescente proliferação dos meios de comunicação, como o rádio na década de vinte daquele século. Para uma melhor visualização de como esse processo educacional evoluiu no país, o quadro apresentado no Anexo (quadro 1) traz um resumo dos principais acontecimentos. Segundo (Gariston&Silva, 2009, p.17): (...) O EAD tem como objetivos: democratizar o acesso à educação, pois permite que alunos dispersos geograficamente sejam atendidos em condições de igualdade, ainda que fatores limitadores como o espaço, assistência e tempo sejam superados; Propiciar uma aprendizagem autônoma e ligada à experiência, visto que a formação ocorre fora do contexto da sala de aula tradicional, numa relação na qual os alunos são sujeitos ativos com incentivo à independência e a capacidade de pensar; promover um ensino inovador e de qualidade pela sua diversificação e ampliação da ofertas de cursos com utilização de recursos didáticos instrucionais e de multimídia modernos preparados por especialistas de comprovada competência; incentivar a educação permanente e por fim, reduzir custos.(...) Cabe destacar que os fatores limitadores são superados quando se aplicam o EaD permitindo que haja condições de igualdade na aprendizagem, mesmo que está ocorra fora da dimensão do sistema tradicional. Promovendo ao aluno a capacidade 19 de pensar e ser independente, além de ser uma forma inovadora de ensino e reduzindo custos. Quanto ao modelo o autor (Gariston&Silva, 2009) destaca que o planejamento do curso deve ser facilmente entendido pelo aluno: sua linguagem, o ritmo e as imagens. Colaborando para a motivação e entendimento. O perfil do aluno é a base para a construção do curso (escolha da estratégia pedagógica e da mídia. 20 3. Iniciativas de EaD no âmbito da Segurança Pública Cabe primeiramente explorar o referencial bibliográfico para alcançar os objetivos propostos da pesquisa, e para isto, alguns documentos são importantes como ferramentas para desenvolver as ações formativas. E um deles são a Matriz Curricular elaborada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça: (...) A principal característica da Matriz Curricular Nacional – doravante denominada Matriz – é ser um referencial teóricometodológico para orientar as Ações Formativas dos Profissionais da Área de Segurança Pública – Polícia Militar, Polícia Civil e Bombeiros Militares – independentemente da instituição, nível ou modalidade de ensino que se espera atender. Seus eixos articuladores e áreas temáticas norteiam, hoje, os mais diversos programas e projetos executados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública – Senasp.(...) (Brasil, Matriz Curricular, 2009) A apresentação desta Matriz remete um importante contexto, que é orientar as ações formativas para os profissionais das áreas citadas, em qualquer nível ou modalidade de ensino. Soares (2007) observa que Importantes esforços foram feitos pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) na direção certa: o estabelecimento de condições de cooperação entre as instituições da segurança pública; o apoio a iniciativas visando a qualificação policial; o investimento (ainda que tímido) na expansão das penas alternativas à privação da liberdade; o desenvolvimento de perspectivas mais racionais de gestão, nas polícias estaduais e nas secretarias de segurança, através da elaboração de planos de segurança pública, nos quais se definissem metas a alcançar. (Grifo nosso) A modalidade EaD foi um dos importantes marco para o desenvolvimento de ações em todos os Estados através da Rede Nacional de Educação a Distância, criada em 2005 para viabilizar o acesso gratuito dos profissionais de segurança pública aos processos de aprendizagem, independentemente das limitações geográficas e socais existentes. Os cursos possuem 40 ou 60 horas aulas e estão fundamentados nos princípios da Matriz Curricular Nacional, são divididos em Ciclos. Cada ciclo de cursos possibilita o acesso de até duzentos mil profissionais em todo o país, constituindo-se em uma das maiores redes de ensino a distância do Brasil onde são 21 ministrados três ciclos ao ano. Os conteúdos que fazem parte da Malha Curricular estão compatíveis com as demandas e as necessidades da formação do profissional da área de Segurança Pública. Os cursos da Rede Nacional de Educação a Distância são úteis para muitas Academias e Centro de Formação como parte dos currículos das Ações Formativas que executam na modalidade presencial. Permitindo desta forma, “... uma dinamicidade ao currículo, possibilitam a integração dos profissionais, minimizam custos e promovem a unidade de pensamento e ação...” (Brasil, Matriz Curricular, 2009) Porém, a oferta destes cursos à distância devem respeitar as recomendações descrita no §2°, do artigo 1° da Portaria MEC n° 4509/04, descreve: Art. 1o. § 2o. Poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput, integral ou parcialmente, desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso. Partindo para a análise mais especifica do autor (AMORIM),ele desenvolveu um trabalho cientifico para avaliar o perfil do aluno na EaD: um estudo sobre a inclusão digital na Policia Militar de Santa Catarina, ele descreve: (...) ambientes virtuais de aprendizagem, requerem cada vez mais que o corpo discente esteja preparado para utilizá-las visando a eficácia no processo ensinoaprendizagem. Esta pesquisa, como Dissertação de Mestrado, discorre sobre o perfil dos alunos do Curso de Formação de Cabos da Polícia Militar de Santa Catarina, no ano de 2012, e sua relação com o universo digital. Foi aplicado um questionário fechado para uma população de 525 alunos, restando 424 questionários válidos. Os dados, caracterizados como números absolutos e percentuais, foram analisados estatisticamente de forma univariada e bivariada. Como resultado, a pesquisa demonstra a relação dos alunos com a inclusão digital, tão necessária para as atividades na modalidade da educação a distância. Ao final, a pesquisa apresenta sugestões para que a Polícia Militar de Santa Catarina melhore seus processos produtivos referentes a futuros cursos que empreguem essa modalidade de ensino. (...) O autor cita que para a modalidade EaD deve-se considerar o perfil dos seus alunos, tutores e demais atores envolvido no processo, pois é visto que cada um tem suas peculiaridades subjetivas, cada um tem um entendimento próprio do sentido e significação das coisas. 22 O registro da modalidade EaD na Policia Militar de Santa Catarina PMSC é verificada nos diversos cursos oferecidos pela SENASP desde o ano de 2005, no Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos (CAS) em 2005 e o Curso de Formação de Cabo, objeto do seu estudo: (...) Observa-se, então, que a Polícia Militar apresenta pouca experiência quando o assunto é EaD, não se conhecendo os motivos da pouca utilização dessa ferramenta. Com isso, quando da realização do curso ora estudado (Formação de Cabo na modalidade EaD), construiuse um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) sem que se soubesse qual o perfil digital dos alunos que o utilizariam. (...) Observa-se um ponto negativo quanto a aplicação da modalidade. Foi construído um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) sem saber o perfil digital dos alunos que usariam a plataforma. Um conhecimento prévio da ferramenta permite que o aluno tenha uma melhor produção nos resultados. E o erro da instituição foi não avaliar o nível de conhecimento dos alunos no AVA, por isto vale destacar: (...) a gestão encontra-se focada nos resultados e não simplesmente nas tarefas; que o gerenciamento deve ter como foco a agregação de valor aos produtos e serviços; que deve haver comprometimento de todos os atores envolvidos nos mais diversos processos, levando-se em conta suas competências individuais e suas capacidades de relacionamentos; que a tomada de decisão deve levar em conta àqueles que trabalham na ponta produtiva da organização; e que a flexibilidade deve ser fator preponderante para que a organização possa rever seus rumos sempre que necessário. (...) (AMORIM, 2012, p. 36) O gestor da educação deve analisar o cenário e exigir de si uma estratégia de gestão que “contemple aspectos antes não avaliados na busca pela qualidade educacional.” (AMORIM, 2009, p. 52). Buscar um processo ensino-aprendizagem que oferte condições da prática de aprendizado colaborativo e construtivista ao mesmo tempo. O autor discorre em sua pesquisa uma dura realidade na inclusão digital, pois há certas dificuldades que resistem no uso da tecnologia, seja na falta de capacitação técnica, restrições financeiras e até mesmo por má gestão dos recursos públicos. Por isso, o desafio está em integrar o ensino da tecnologia não de forma 23 isolada, mas permitir que o indivíduo se familiarize com a tecnologia de forma transdisciplinar (sua interpretação das mensagens, sua estética e seu design). O autor identificou dentro de sua pesquisa dois tipos de perfis digitais: os nativos digitais4 e os imigrantes digitais5. E os resultados da pesquisa permitiu que ele apresentassem o seu público-alvo como imigrantes digitais. E ainda, que a faixa etária e a escolaridade contribuíram de forma significativa para a inclusão digital. E que (AMORIM,2012, p.171): (...) Não se encontram e nem se prevêem um caos que justifique qualquer urgência a exigir mudanças radicais no processo ensinoaprendizagem quando da relação intergeracional entre os que se encontram tecnicamente habilitados com as TICs e os que não. O fenômeno deve ser compreendido de forma a ajustar – daí sim – as práticas pedagógicas quando se sabe que algumas pessoas têm uma forma diferente de aprender, de agir e até de pensar porque nasceram antes da era digital, mas convivem nela. (...) O autor propõe que haja um ajuste nas práticas pedagógicas para estes alunos. Não necessitando uma mudança radical no processo pedagógico. Pois, a individualidade de cada um deve ser respeitada. A pesquisa segue fazendo a análise do trabalho (ALVES, 2011) sobre o Treinamento Policial básico a distância na Polícia Militar de Minas Gerais: Diagnóstico, visão prospectiva e desafios. Sua abordagem foi verificar a eficiência do Treinamento Policial Básico (TPB) a distância e sua evolução: (...) analisar o resultado do TPB a distância executado pelos militares nas Frações destacadas no período delimitado; reunir base conceitual e teórica que permitiu apresentar tecnologias e metodologias educacionais aplicáveis ao TPB a distância na busca de sua otimização. Foram aplicados 112 questionários, tendo retornado 96. Complementando a pesquisa quantitativa, foram também realizadas três entrevistas, visando alcançar o seu aspecto qualitativo. A pesquisa quantitativa foi direcionada aos Adjuntos e Auxiliares de Ensino e Treinamento (Adj. e Aux. ET) das Unidades da 4ª à 18ª Regiões de Polícia Militar (RPM). Quanto à qualitativa, foram aplicadas, por meio das entrevistas, junto aos gestores da PMMG envolvidos no processo de realização da educação a distância (...) A sua pesquisa apontou que isoladamente o treinamento não oferece condições de manutenção da capacidade técnica dos policiais nas atividades 24 operacionais, desta forma, ele apontou através dos resultados de sua pesquisa sugestões para melhoria: Identificou que houve uma evolução do TPB realizado entre os anos de 2002 e 2009, e este foi constatado na qualidade do material didático disponibilizado, a metodologia aplicada ao treinamento e os conteúdos programáticos das disciplinas; investimentos em ferramentas educacionais e tecnológicas que podem propiciar maior interatividade entre o discente e o tutor, melhorando o aprendizado; decisão de implementação de uma nova metodologia para o TPB a distância, investimentos pontuais na capacitação dos tutores, que exercerão papel fundamental no acompanhamento do desempenho das atividades educacionais no ambiente WEB; melhoria do planejamento, acompanhamento e controle dos demais tipos de treinamento, como o extensivo, que pode ser um fundamental apoio ao TPB a distância pela possibilidade de oferecer o momento de execução prática dos ensinamentos ofertados a distância; 25 CONCLUSÃO É desafiante pesquisar e analisar resultados de trabalhos acadêmicos pertencentes a mesma Corporação onde se exerce uma atividade de igual missão. Abdicar do lado profissional e buscar ver o fenômeno de um ângulo puramente científico exige disciplina, constância, perseverança e acima de tudo atitude firme para se livrar de preconceitos corporativistas. Ao pesquisador nestas condições não lhe é apropriado dizer se conseguiu ser totalmente isento; a crítica dos demais estudiosos é que dará a sua versão. Com o intuito de deixar sugestões para o aperfeiçoamento do processo ensino-aprendizagem na Polícia Militar do Distrito Federal, é que se fazem algumas considerações. Como foi verificado na pesquisa, a Polícia Militar se utiliza das tecnologias da informação e comunicação nos processos gerenciais, táticos e operacionais incluindo-se neles todos os aspectos relacionados com a educação a distância. A gestão no campo da educação a distância é uma área a ser desenvolvida de forma que haja possibilidade de se traçar na Corporação as diretrizes que identifiquem processos e delineiem procedimentos, temos uma legislação que ampara. Analisar aspectos do gerenciamento pedagógico do curso e o perfil digital dos alunos não é uma tarefa fácil de realizar. Mas para que se dê a devida atenção a esse perfil, há necessidade de se ver a modalidade EaD de forma sistêmica. Para que isso ocorra, todo o planejamento de um curso EaD deve levar em conta o perfil do universo digital dos seus alunos que, juntamente com outras providências, poderá melhorar o processo ensino-aprendizagem. Finalmente, é importante ressaltar que se acredita que com este estudo não se esgotaram todas as questões que envolvem o tema da educação a distância, sendo sugerido, por exemplo, a realização de pesquisas no âmbito da PMDF focando a avaliação do público-alvo do Curso de Aperfeiçoamento de Praça (CAP), ponderar os itens elencados nas pesquisas apontadas neste trabalho, permitindo que se aprenda com o sucesso e fracassos dos projetos das instituições coirmãs. Retomando o tema, podemos verificar que com a bibliografia ora apontada observase que é viável a aplicação da modalidade de EaD no Curso (CAP). Observar que o caminho inicia no planejamento e gestão desta modalidade subsidiado pelas estratégias que possam avaliar e conhecer a realidade do nosso público-alvo. 26 Com recursos orçamentários corretamente aplicados, espera poder aprimorar a gestão e fortalecer o desenvolvimento de seus Recursos Humanos e com isso promover a motivação, incrementar as atividades disciplinares e correcionais, além de estimular o desenvolvimento técnico científico em Segurança Pública. Com essa base, espera poder aprimorar seus processos internos e logísticos, implantando uma gestão estratégica, que lhe possibilite garantir as informações estratégicas necessárias à tomada de decisões. 27 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MARTINS, Heyder C. Gestão de Ensino e Instrução na Polícia Militar do Estado do Pará: O Ensino a Distância na Qualificação Policial Militar. 2013. Dissertação. (Pós Graduação Stricto Sensu em Administração) - UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA, 2013. Disponível em: < http://www.unama.br/ppad/download/dissertacoes/dissert_2013/Dissert_Mestrado_H eyder_Martins.pdf> Acesso em 25 maio 2014 AMARAL Victor R. Viabilidade do ensino à distância na atualização profissional do servidor na Polícia Militar do Paraná. Dissertação. Maringá, 2011. (Graduação em Gestão Pública). Disponível em: < http://www.dad.uem.br/especs/monosemad/trabalhos/_1320702706.doc> Acesso em 25 maio 2014 SOARES, Cristiane da Silva; ALVES, Thays de Souza. Sociedade da Informação no Brasil: Inclusão Digital e a importância do profissional de TI. Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: < http://monografias.brasilescola.com/computacao/sociedade- informacao-no-brasil-inclusao-digital-a.htm> Acesso em 25 maio 2014 ARRIVABENI, Marcela. A tendência atualizante na educação a distância. 2004. 126 f. Dissertação. 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Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Brasília, DF: 28 Presidência da República. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/tvescola/leis/lein9394.pdf>. Acesso em: 12 out. 2013. BRASIL, República Federativa. Constituição Federal de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm >. Acesso em: 20 set. 2013. AZEVEDO, Ana L. V. de; BORGES, Ana P.; NARDUCCI, Viviane. A Educação a Distância numa Instituição de Ensino Militar: um estudo de caso sobre a ECEME – VI SEGeT – Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. 2009. SP. Disponível em: < http://www.aedb.br/seget/artigos09/352_352_SEGET_2009_2.pdf> Acesso em: 22 abr. 2014. NASCIMENTO, Daniele Alcântara. Concepções da educação policial: o que pensam os professores?. 1ªed. Curitiba. PR.2013. 158p. NASCIMENTO, Glariston F.; SILVA, Januir C. P. Educação a Distância na Polícia Militar: viabilidade de implantação. 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O perfil do aluno na educação a distância [dissertação]: Um estudo sobre Inclusão Digital na Policia Militar de Santa Catarina/ João Schorne de Amorim; orientador, Sílvio Serafim da Luz Filho; co-orientador, João Bosco da Mota Alves. – Florianópolis, SC, 2012. Disponível em: < http://btd.egc.ufsc.br/wp- content/uploads/2012/11/Disserta%C3%A7%C3%A3o-Jo%C3%A3o-Schorne-deAmorim.pdf> Acesso em 23 abril 2014. 29 NOTA 1 são conjunto de recursos tecnológicos e computacionais utilizados para geração e uso da informação. São também, o conjunto de recursos não humanos dedicados ao armazenamento, processamento e comunicação da informação, bem como o modo como esses recursos estão organizados em um sistema capaz de executar um conjunto de tarefas. Essa sigla abrange todas as atividades desenvolvidas na sociedade pelos recursos da informática. É a difusão social da informação em larga escala de transmissão, a partir destes sistemas tecnológicos inteligentes. Fonte: Takahashi (2000) 2 nome dado ao processo de democratização do acesso às tecnologias da Informação, de forma a permitir a inserção de todos na sociedade da informação. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Inclus%C3%A3o_digital 3 4 conceito retirado do Dicionário Eletrônico Editora Porto. pessoas que nasceram na era digital, possuem conhecimento e prática na sua relação com as tecnologias da informação e comunicação. Eles aprendem de forma diferente e que em razão disso professores e gestores da educação devem estar preparados para ver nos nativos digitais pessoas com a capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo. 5 ao contrário dos nativos, estes nasceram antes da era digital e preferem trabalhar com informações mais lentas, controladas e limitadas. São da geração que preferem ler textos impressos ao invés de lê-los diretamente na tela do computador, que prefere recorrer a publicações conservadoras e confirmadas pela doutrina, do que se aventurar a inovações. 30 ABREVIATURA APMB – Academia de Policia Militar de Brasília AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem CAP – Curso de Aperfeiçoamento de Praças CAS – Curso de Aperfeiçoamento de Sargentos DEC – Departamento de Educação e Cultura DirForm – Diretoria de Formação DGEI – Diretrizes Gerais de Ensino e Instrução EaD – Ensino à Distância EsFO – Escola de Formação de Oficiais EsFP – Escola de Formação de Praça ISCP – Instituto Superior de Ciências Policiais OPM – Organizações Policiais Militares PMDF – Polícia Militar do Distrito Federal PMMG – Polícia Militar de Minas Gerais PMSC – Polícia Militar de Santa Catarina TIC – Tecnologia da Informação e Comunicação TPB – Treinamento Policial Básico 31 ANEXO Figura 1 – Organograma geral da PMDF Fonte: Seção de Planejamento de Pessoal do Estado-Maior da PMDF 32 Figura 2 – Organograma do Departamento de Educação e Cultura Fonte: Seção de Planejamento de Pessoal do Estado-Maior da PMDF 33 Quadro n° 1 – Síntese histórica da EaD no Brasil Fonte: Lenzi (2010)