UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ ALESSANDRO CONRADO DE OLIVEIRA SILVEIRA ANÁLISE DA ATIVIDADE ANTIBACTERIANA E TOXICIDADE DE Drimys brasiliensis Itajaí, 2011 2 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ PROGRAMA DE MESTRADO ACADÊMICO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM PRODUTOS NATURAIS E SUBSTÂNCIAS SINTÉTICAS BIOATIVAS ALESSANDRO CONRADO DE OLIVEIRA SILVEIRA ANÁLISE DA ATIVIDADE ANTIBACTERIANA E TOXICIDADE DE Drimys brasiliensis Dissertação submetida ao Programa de Mestrado Acadêmico em Ciências Farmacêuticas da Universidade do Vale do Itajaí, como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Mestre em Ciências Farmacêuticas. Orientador: Prof. Dr. Alexandre Bella Cruz Itajaí, fevereiro de 2011. 3 DEDICATÓRIA À minha família, Juliane e Victor Hugo, pelo apoio, amor e compreensão nos momentos de ausência. 4 AGRADECIMENTOS Ao Prof. Dr. Alexandre Bella Cruz, pelos conhecimentos transmitidos, pela compreensão, amizade e paciência. À Profa. Dra. Tânia Mari Bellé Bresolin, pela cordialidade e dedicação. À colega de mestrado Vanessa Duarte Claudino e à Profa. Dra. Ângela Malheiros pelo trabalho no fracionamento e isolamento dos compostos da Drimys brasiliensis. Aos colegas Luiz Carlos Klein Júnior, José Roberto Santin e Philipe Costa pelo companheirismo e amizade. Aos professores do Programa de Mestrado em Ciências Farmacêuticas, pela excelência das aulas e auxílio nas atividades práticas. Aos professores do curso de Farmácia da FURB pela compreensão nos (muitos) momentos de ausência. Aos professores Dr. Eduardo Monguilhott Dalmarco, Dra. Michele Debiasi Aberton Magina e Dr. Caio Maurício Mendes Córdova pela valiosa contribuição na redação desta dissertação. Aos meus pais, Niralci e Leila, pelo apoio incondicional nos momentos difíceis. 5 ANÁLISE DA ATIVIDADE ANTIBACTERIANA E TOXICIDADE DE Drimys brasiliensis Alessandro Conrado de Oliveira Silveira Fevereiro /2011 Orientador: Dr. Alexandre Bella Cruz Área de Concentração: Produtos naturais e substâncias sintéticas bioativas. Número de Páginas: 66 Este estudo avaliou a atividade antibacteriana de cinco extratos brutos, doze frações e cinco compostos isolados de Drimys brasiliensis. A metodologia utilizada foi diluição em ágar. O potencial de toxicidade dos extratos brutos foi avaliado utilizando o microcrustáceo Artemia salina. Os ensaios de atividade antibacteriana demonstraram alguns resultados promissores, como o extrato diclorometano de cascas com concentração inibitória mínima (CIM) de 62,5 µg/mL para o Bacillus cereus, a fração G2 (7-13) com CIM para Staphylococcus aureus de 62,5 µg/mL e o composto 1-β-(p-metoxicinamoil)-poligodial com CIM para Bacillus cereus de 31,25 µg/mL. Não houve atividade contra as bactérias Gram-negativas. Para Helicobacter pylori, o extrato diclorometano de cascas apresentou CIM de 1.000 µg/mL. As frações com melhores resultados foram E (32-49) e G2 (7-9), com CIM de 500 µg/mL. O poligodial, entre os compostos isolados, foi que demonstrou melhor atividade, com CIM de 250 µg/mL. O extrato de cascas diclorometano apresentou atividade, com CIM para Ureaplasma urealyticum, Mycoplasma hominis e Mycoplasma arginini de 125, 500 e 500 µg/mL, respectivamente. Dentre as frações, a fração G2 apresentou CIM de 15,62 µg/mL para U. urealyticum e 125 µg/mL para as espécies de micoplasmas. Os ensaios com Artemia salina demonstraram que apenas o extrato diclorometano das cascas demonstrou toxicidade, com CL50 de 27,51 µg/mL. Os resultados evidenciam a atividade antibacteriana da Drimys brasiliensis, com risco de toxicidade. Nesse sentido, fazem-se necessários outros estudos para avaliar a genotoxicidade, bem como o isolamento de outros compostos que possam estar contribuindo para a ação antimicrobiana do material vegetal testado. Palavras-chave: Atividade Antibacteriana. Drimys brasiliensis. Concentração Inibitória Mínima. Helicobacter pylori. Mollicutes. Toxicidade 6 ANTIBACTERIAL ACTIVITY AND TOXICITY OF DRIMYS BRASILIENSIS Alessandro Conrado de Oliveira Silveira February / 2011 Advisor: Alexandre Bella Cruz, PhD. Area of Concentration: Natural products and synthetic bioactive substances. Number of Pages: 66 This study evaluates the antibacterial activity and toxicity of crude extracts, fractions and pure compounds of Drimys brasiliensis. The antibacterial activity of five extracts, twelve fractions and five isolated compounds were tested against six Gram-positive and six Gram-negative bacteria, and Helicobacter pylori. The methodology applied was agar dilution. The potential toxicity of the extracts was evaluated using the brine shrimp Artemia salina. Antibacterial activity tests showed some promising results: dichloromethane bark extract with minimum inhibitory concentration (MIC) for Bacillus cereus of 62.5 µg/mL; fraction G2 (7-13) with MIC for Staphylococcus aureus of 62.5 µg/mL; and p-methoxycinnamoyl-polygodial compound for Bacillus cereus with MIC of 31.25 µg/mL. There was no activity against the Gram-negative bacteria. For Helicobacter pylori, the dichloromethane bark extract showed MIC of 1000 µg/mL. The fractions with best results were E (32-49) and G2 (7-13), with a MIC of 500 µg/mL. Of the isolated compounds, polygodial was the one that showed the best activity, with MIC of 250 µg/mL. The dihloromethane bark extracts were active, with MICs for Ureaplasma urealyticum, Mycoplasma hominis and Mycoplasma arginini of 125, 500 and 500 µg/mL, respectively. Of the fractions, G2 showed a MIC 15.62 µg/mL for U. urealyticum and 125 µg/mL for the mycoplasma species. The assays with Artemia salina showed toxicity only for the dichloromethane bark extract, with a 50% lethal dose (LD50) of 27.51 µg/mL. The results showed the antibacterial activity of Drimys brasiliensis, with a risk of toxicity. Further studies are needed to assess the genotoxicity, and isolate other compounds that can contribute to the antimicrobial action of the plant material analyzed. Keywords: Antibacterial activity. Drimys brasiliensis. Minimum Inhibitory Concentration. Helicobacter pylori. Mollicutes. Toxicity. 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Novos agentes antibacterianos aprovados nos Estados Unidos de 1983 a 2002 .................................................................................................................................................. 24 Figura 2 – Foto das flores de D. brasiliensis ....................................................................... 29 Figura 3 - Fluxograma de fracionamento do extrato clorofórmico de cascas das D. brasiliensis .............................................................................................................................. 31 Figura 4 – Compostos isolados de D. brasiliensis ............................................................... 33 Figura 5 - Bioautograma do extrato clorofórmico de cascas utilizando como sistema eluente hexano e acetato de etila (9:1) …............................................................................. 41 Figura 6 – Bioautograma de frações D, E e G2, com o composto poligodial como padrão (eluente hexano: acetato de etila 9:1) .................................................................................. 42 Figura 7 - Microdiluição em caldo de extratos e frações de Drimys brasiliensis utilizando Ureaplasma urealyticum ........................................................................................................ 48 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Prevalência de doenças de notificação compulsória no Brasil durante os anos de 2002 a 2006 .........................................................................................................................16 Tabela 2 - Concentração Inibitória Mínima (µg/mL) dos extratos de Drimys brasiliensis frente as bactérias Gram positivas .......................................................................................41 Tabela 3 - Concentração Inibitória Mínima (µg/mL) das frações e compostos isolados de Drimys brasiliensis frente à bactérias Gram positivas.........................................................43 Tabela 4 - Concentração bactericida mínima (µg/mL) dos extratos de Drimys brasiliensis ...................................................................................................................................................45 Tabela 5 - Concentração bactericida mínima (µg/mL) das frações e compostos isolados de D. brasiliensis......................................................................................................................46 Tabela 6 – Concentração inibitória mínima (μg/mL) dos componentes de Drimys brasiliensis frente ao Helicobacter pylori...............................................................................47 Tabela 7 – Concentração inibitória mínima (μg/mL) dos extratos e frações de D. brasiliensis frente a 3 espécies de Mollicutes ........................................................................50 Tabela 8 – Concentração letal 50% (μg/mL) frente a Artemia salina dos extratos e frações de Drimys brasiliensis ................................................................................................53 9 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AIDS: Síndrome da Imunodeficiência Adquirida ATCC: American Type Culture Collection BHI: Brain Heart Infusion CBM: Concentração Bactericida Mínima CCD: Cromatografia de Camada Delgada CDB: Convenção da Diversidade Biológica CIM: Concentação Inibitória Mínima CL50: Concentração Letal 50% CLSI: Clinical Laboratory Standards Institute DMSO: Dimetilsulfóxido DNA: Ácido Desoxirribonucléico FURB: Fundação Universidade Regional de Blumenau MeOH: Metanólico MRSA: Staphylococcus aureus resistente à meticilina NAD: Nicotinamida Adenina Dinucleotídeo NCCLS: National Comittee Clinical Laboratory Standards NDM-1: Nova Déli Metallobetalacmase NO: Óxido Nítrico OMS: Organização Mundial de Saúde PABA: Ácido P-Amino Benzóico RNA: Ácido Ribonucléico SINAN: Sistema de Informação de Agravos de Notificação SUS: Sistema Único de Saúde UNIVALI: Universidade do Vale do Itajaí 10 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 12 2. OBJETIVOS ...................................................................................................................... 14 2.1 Objetivo geral ...................................................................................................................14 2.2 Objetivos específicos ........................................................................................................14 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .......................................................................................... 15 3.1 Doenças infecciosas ..........................................................................................................15 3.2 Bactérias ............................................................................................................................16 3.2.1 Helicobacter pylori .........................................................................................................18 3.2.2 Mollicutes .......................................................................................................................19 3.3 Agentes antibacterianos ...................................................................................................20 3.4 Resistência bacteriana .....................................................................................................22 3.5 Atividade antibacteriana .................................................................................................24 3.6 Plantas medicinais ............................................................................................................25 3.7 Toxicidade .........................................................................................................................27 3.7.1 Teste de toxicidade (Artemia salina) ............................................................................27 3.8 Família Winteraceae .........................................................................................................28 3.8.1 Drimys .............................................................................................................................29 4. MATERIAS E MÉTODOS ............................................................................................... 30 4.1 Material vegetal ................................................................................................................30 4.1.1 Preparação dos extratos ...............................................................................................30 4.1.2 Fracionamento e identificação dos compostos a partir do extrato clorofórmico de cascas .......................................................................................................................................30 4.2 Material microbiológico ..................................................................................................33 4.2.1 Manutenção dos micro-organismos .............................................................................34 4.3 Atividade antibacteriana .................................................................................................34 4.3.1 Diluição em ágar ............................................................................................................35 11 4.4 Atividade anti- Helicobacter pilory .................................................................................35 4.5 Atividade contra Mollicutes .............................................................................................36 4.6 Preparo dos inóculos ........................................................................................................38 4.7 Determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) ..........................................38 4.8 Determinação da Concentração Bactericida Mínima (CBM) ......................................39 4.9 Bioautografia ....................................................................................................................39 4.10 Ensaio de toxicidade com Artemia salina .....................................................................40 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................................41 5.1 Atividade antibacteriana .................................................................................................41 5.1.1 Concentração inibitória mínima (CIM) ......................................................................41 5.1.2 Concentração Bactericida Mínima (CBM) .................................................................45 5.1.3 Atividade anti-Helicobacter pylori ...............................................................................47 5.1.4 Atvidade contra Mollicutes ...........................................................................................48 5.2 Bioautografia ....................................................................................................................51 5.3 Ensaio de toxicidade (Artemia salina) .............................................................................52 6. CONCLUSÕES ..................................................................................................................55 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................56 4 12 1. INTRODUÇÃO As plantas, desde os primórdios dos tempos, são fundamentais tanto na alimentação como na cura de enfermidades. A sua utilização é uma prática generalizada, baseada na crença popular e nas várias formações culturais que as usam como recursos terapêuticos. Apesar do emprego empírico, as plantas medicinais continuam a ser usadas pela população e jamais foram completamente substituídas pelos fármacos sintéticos. Considerando que o Brasil tem a flora mais rica do mundo e que apenas 8 % foram estudadas visando a produção de medicamentos, é de suma importância que se busque nestas plantas uma fonte alternativa de medicamentos, visando no futuro a obtenção de novos fármacos e medicamentos mais eficazes e específicos (BRESOLIN; CECHINEL-FILHO, 2003). Utilizadas de maneira empírica na época, sabe-se que várias plantas e produtos indicados na Antiguidade e Idade Média apresentam propriedades anti-infecciosas graças a substâncias presentes em sua composição. É assim que a romã (Punica granatum), utilizada como anti-helmíntico desde a mais remota Antiguidade, e referida por Dioscórides, deve suas propriedades a alcalóides denominados peletierinas, presentes, sobretudo na casca da raiz. A cebola e o alho contêm a aleína, e o rabanete contêm a rafanina, substâncias com ações antimicrobiana e antiparasitária. O vinho, utilizado por Hipócrates para a lavagem de ferimentos e pelas legiões romanas sob a forma de compressas, exerce efeito antibacteriano e antiviral devido à ação do álcool e polifenóis existentes em sua composição. Já o mel, utilizado em bandagens, exerce efeito antisséptico devido à sua alta osmolaridade, desidratando as bactérias. Da mesma maneira, a geléia real, segregada por abelhas obreiras e alimento das abelhas-rainha, exerce ação antimicrobiana, podendo ter ação tópica em feridas infectadas (TAVARES, 2009). Um grave e emergente problema frente às infecções é o surgimento de patógenos resistentes, nos quais a terapêutica torna-se bastante dificultada. Esse fato ocorre principalmente devido ao uso abusivo e irracional dos antimicrobianos disponíveis, promovendo a seleção de cepas resistentes e que tendem a se sobressair perante a população bacteriana. Esse fator, aliado ao aumento da incidência de infecções, impulsiona a pesquisa de novos agentes com propriedades antimicrobianas. Uma das alternativas na busca de novos fármacos eficazes na erradicação de processos infecciosos são os produtos naturais, principalmente os de origem vegetal (HEMAISWARYA; KRUTHIVENTI; DOBLE, 2008). 13 O grande interesse por plantas medicinais pode ser quantificado quando demonstramos que, entre 1966 e 1994 foram publicados 115 artigos avaliando a atividade antimicrobiana de extratos vegetais. Considerando os anos de 1995 a 2004 esse número subiu para 307, tornando clara e inequívoca a busca por novos fármacos com propriedades antibacterianas (RIOS; RECIO, 2005). Devido à necessidade de pesquisar novos produtos extraídos de plantas com atividade antimicrobiana, o presente trabalho propõe avaliar a atividade antibacteriana e toxicidade dos extratos de D. brasiliensis. 14 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Avaliar a atividade antibacteriana e potencial de toxicidade dos extratos obtidos das cascas de Drimys brasiliensis. 2.2 Objetivos específicos Auxiliar no direcionamento e isolamento de substâncias com potencial antimicrobiano através de ensaios de bioautografia. Determinar a concentração inibitória mínima e bactericida mínima dos extratos, frações e compostos isolados da Drimys brasiliensis, frente a bactérias usuais, Helicobacter pylori e Mollicutes. Analisar a toxicicidade aguda dos extratos da Drimys brasiliensis sobre o microcrustáceo Artemia salina. 15 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 Doenças Infecciosas O homem e os micróbios partilham uma vida em comum que se perde na sombra do tempo, e, certamente, desde a pré-história os micróbios causam doenças no homem. Entretanto, as causas destas doenças só começaram a ser descobertas no século XIX, a partir de 1878, graças, sobretudo, aos trabalhos de Pasteur e Koch e de seus contemporâneos, que demonstraram a origem infecciosa de várias enfermidades no homem e nos animais (TAVARES, 2009). A incidência de doenças infecciosas apresentou uma tendência decrescente no século XX, quando comparada à períodos anteriores. Esse fato pode ser atribuído à melhoria do saneamento básico, das condições de moradia e ao aumento do nível de escolaridade. Além disso, o arsenal terapêutico e vacinal e a cobertura dos serviços de saúde foram fundamentais para a diminuição da morbi-mortalidade por doenças infecciosas (BUCHALLA; WALDMAN; LAURENTI, 2003). Ainda que esta tendência continue descendente, quando comparada às doenças não transmissíveis e à mortalidade por causas externas, como homicídios e acidentes de trânsito, ainda persistem várias doenças infecciosas crônicas, como a tuberculose e a AIDS. Ademais, a possibilidade de pandemias em virtude de novos bioagentes e concomitante facilidade de transmissão global, atualmente é uma preocupação mundial (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005). Desde 1998, temos no Brasil um sistema de informações para as doenças de notificação compulsória, chamado Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), criado e gerido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), cujos dados informativos são enviados pelas secretarias estaduais de saúde. A partir da sistematização de tais informações podemos conhecer a incidência destas doenças e sua evolução com o passar dos anos. Os dados de doenças de notificação compulsória no Brasil entre os anos de 2002 e 2006 estão listados na Tabela 1. 16 Tabela 1 – Prevalência de doenças de notificação compulsória no Brasil durante os anos de 2002 a 2006 Doença 2002 2003 2004 2005 2006 AIDS 38816 37406 37135 35965 32628 Coqueluche 750 1036 1343 1273 790 Difteria 54 50 19 23 11 Hanseníase 48600 51597 50470 49506 46535 Hepatites virais (A, B, C) 17709 23109 27514 29088 22542 Meningites bacterianas 32568 25226 25099 25801 28109 5 16 28 39 10 Rubéola 1539 718 465 363 1621 Sarampo 1 - - 2 40 3648 5149 5206 5832 5755 Sífilis em gestante 84 26 185 1226 2243 Síndrome da rubéola congênita 46 29 21 10 14 98280 99576 99592 101808 92459 Raiva humana Sífilis congênita Tuberculose Fonte: Brasil - 2008 3.2 Bactérias Apesar de toda a sua complexidade e variedade, todas as células vivas podem ser divididas em dois grandes grupos: procariontes e eucariontes. São quimicamente semelhantes, pois ambas contêm ácidos nucléicos, proteínas, lipídios e carboidratos, mas a presença de parede celular e ausência de organelas citoplasmáticas diferenciam as células procariontes das eucariontes. As bactérias são organismos simples, unicelulares, com diâmetro variando de 1 a 100 μm, sendo que os micoplasmas, as menores bactérias de vida livre, tem apenas 0,1 a 0,3 μm de diâmetro. Não apresentam organelas citoplasmáticas especializadas, sendo que algumas estruturas protéicas atuam na adesão às células hospedeiras (fímbrias) ou são responsáveis pela locomoção (flagelos). Estão envoltas pela parede celular, extremamente rígida, conferindo morfologia característica à célula bacteriana e protegendo-a contra agentes externos. Seu material genético não está protegido por uma membrana, encontra-se em cromossomos circulares, chamados nucleóides. Geralmente dividem-se por fissão binária, 17 podendo realizar transferência de material genético através de transdução, conjugação ou transformação (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2010). Uma maneira bastante simples de classificar as bactérias, um grupo extremamente numeroso e heterogêneo de micro-organimos, utiliza as propriedades morfo-tintoriais da parede celular. Em 1884, Hans Christian Gram propôs um método de coloração no qual poderíamos diferenciar as bactérias em Gram-positivas e negativas. As bactérias Grampositivas são aquelas que apresentam uma espessa camada de peptidoglicano, um mucopeptídeo constituinte da parede celular. As bactérias Gram-negativas, por sua vez, tem uma camada delgada de peptidoglicano, apresentando também espaço periplásmico e membrana externa (TRABULSI; ALTERTHUM, 2008). A coloração de Gram é um método rápido, simples e barato que, além de diferenciar as bactérias quanto à sua morfologia e propriedades de parede celular, pode auxiliar também na avalição crítica de materiais clínicos, como urina, escarro, secreção vaginal, dentre outros, pois permite a visualização de células epitelias, polimorfonucleares e outros tipos celulares, identificando se o processo de coleta do material foi bem realizado e indicando qual o provável agente patogênico (GOERING et al., 2008). As bactérias Gram-negativas são os mais comuns agentes causadores de doenças infecciosas, podendo causar desde infecções urinárias não complicadas, como até meningite e septicemia. São as que apresentam maior índice de resistência aos antimicrobianos, devido à diversos mecanismos pelos quais podem impedir a ação dos agentes disponíveis (BARLOW; NATHWANI, 2005). Escherichia coli é, sem dúvida, a bactéria Gram-negativa mais isolada em laboratórios de microbiologia clínica. É uma importante colonizante do intestino humano, aparecendo em grande quantidade nas fezes. Apesar disso, é uma das maiores causadoras de gastroenterites, já que alguns sorotipos são potencialmente invasivos e/ou tóxicos na mucosa intestinal (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2010). Outra bactéria Gram-negativa muito importante é Pseudomonas aeruginosa, um micro-organismo ubiquitário, pois pode viver na água, solo, vegetais, alimentos e nos mais inóspitos ambientes hospitalares, como em soluções de limpeza e desinfetantes. Raramente causa infecção em pacientes imunocompetentes. É uma bactéria extremamente hábil e capacitada para resistir aos antimicrobianos. Apresenta resistência intrínseca à um grande 18 número de fármacos, como amoxicilina, ampicilina, ceftriaxona, tetraciclina, cefoxitina, dentre outros (PICÃO; XAVIER; GALES, 2009). Staphylococcus aureus é uma bactéria Gram-positiva que apresenta grande capacidade e adaptabilidade para causar infecções. Seus inúmeros fatores de virulência permitem que possa causar infecção em praticamente todos os órgãos do nosso organismo. Apresentam enzimas como catalase, coagulase, nucleases, fibrinolisinas que permitem, além da invasão tecidual, que a bactéria forme coágulos ao redor do local de infecção, protegendo-a da ação não só das células inflamatórias, como neutrófilos, bem como dificultando a entrada de antibióticos (FORBES; SAHM; WEISSFELD, 2007). O termo “bactéria fastidiosa” tem sido tradicionalmente aplicado a micro-organismos que não se desenvolvem ou se desenvolvem fracamente em todos os meios de cultura tradicionais como ágar sangue, ágar chocolate ou ágar Mac Conkey, requerem atmosfera capnofílica ou microaerofílica e incubação prolongada. As necessidades especiais de crescimento podem também dificultar a identificação bioquímica dos isolados (MURRAY, 2006). Haemophilus influenzae é um exemplo típico de bactéria fastidiosa. Não cresce em meios de cultura tradicionais, pois necessita de fator X e V para seu crescimento. Estes fatores são hemina e nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD), respectivamente, dois constituintes presentes nas hemácias humanas. Causa infecções do trato respiratório, como otite, sinusite e pneumonia, podendo também causar infecções graves, como septicemia e meningite (COLLARES; CASTRO; PAIVA, 2005). 3.2.1 Helicobacter pylori Helicobacter pylori é uma bactéria flagelada, curva, microaerofílica, descrita em 1982 por Marshall e Warren. Coloniza a mucosa do estômago e duodeno e está associada a patologias gástricas, como gastrite, úlcera péptica e adenocarcinoma (USTUN et al., 2006). Vários regimes terapêuticos tem sido prescritos para a erradicação do H. pylori, utilizando múliplos agentes, como anti-histamínicos H2, inibidores da bomba de prótons, antibióticos e anti-ácidos (COGO et al., 2010). Por se tratar de uma bactéria Gram-negativa, a composição do envelope celular dificulta a ação de agentes antimicrobianos. O pH ácido, a dificuldade de adesão da bactéria à 19 mucosa gástrica, o aumento da resistência aos antibióticos e o processo inflamatório crônico são outros fatores limitantes da terapêutica antimicrobiana (LY et al., 2005). Devido à característica multifatorial das afecções gástricas, onde as condições de higiene, alimentação e qualidade de vida são fundamentais para facilitar a disseminação e/ou a infecção por H. pylori, os fármacos com propriedades gastroprotetoras, anti-inflamatórias e antibacterianas são fundamentais na terapêutica destas patologias. As plantas medicinais constituem uma importante fonte de pesquisa para tratamento das desordens gastrointestinais, incluindo as doenças nas quais o H. pylori atua como cofator (TORRES et al., 2000). A úlcera péptica é uma doença de evolução crônica, que resulta numa lesão gástrica, com progressivo aumento da destruição da mucosa devido à ação do ácido clorídrico presente no suco gástrico. O H. pylori usualmente atua como um cofator nesse processo, pois pode promover invasão tecidual e posterior reação inflamatória (WITTSCHIER; FALLER; HENSEL, 2009). O alto índice de resistência observado no tratamento e erradicação das infecções por H. pylori torna necessária a pesquisa de novos medicamentos que, além de serem efetivos contra a bactéria, não apresentem os efeitos colaterais dos fármacos utilizadas no tratamento convencional, diminuindo a adesão ao tratamento (COGO, 2008). Plantas medicinais vem sendo usadas para o tratamento das doenças gástricas há milhares de anos, muitas vezes apresentando, além de ação protetora da mucosa gástrica, atividade anti-Helicobacter (ZAIDI et al., 2009). Numerosos estudos já foram publicados demostrando a atividade anti-úlcera de diversos produtos naturais, entretanto poucos avaliando a atividade destes componentes frente ao H. pylori (SOUZA et al., 2009). 3.2.2 Mollicutes Os micoplasmas são bactérias pertencentes à classe dos Mollicutes, que causam doenças urogenitais e respiratórias no homem (MURAINA; PICARD; ELOFF, 2009). São os menores micro-organismos capazes de auto-replicação, desprovidos de parede celular e apresentam susceptibilidade variável aos antibióticos. Apresentam crescimento lento, pois requerem meio de cultura específico para seu crescimento, isolamento e identificação (MURRAY, 2006). 20 Ureaplasma urealyticum é uma bactéria que pode causar diversas doenças genitourinárias, como uretrite, vaginose, febre pós-parto, corioamniotite e infecções do trato urinário (KATAOKA et al., 2006; DAXBOECK et al., 2005). Mycoplasma arginini é uma espécie que infecta animais, principalmente ovelhas, causando uma doença respiratória crônica (NIANG et al., 1998). Mycoplasma hominis pode infectar mulheres grávidas, podendo causar doença no feto e neonato, além de vaginose bacteriana. Dentre as infecções associadas, as mais importantes são endometrite no pós-parto, aborto espontâneo, baixo peso, corioamniotite e, em circunstâncias especiais, bacteremia, pneumonia e meningite. Em homens é causa comum de uretrites (WAITES et al., 2009). Nos últimos anos, observou-se um aumento na resistência das espécies de Mollicutes aos agentes antimicrobianos tradicionais, limitando seu tratamento (HUANG et al., 2003). Portanto é necessária a pesquisa de novos agentes antimicrobianos pois, além da resistência, há um aumento nas infecções oportunistas fatais associadas principalmente a AIDS, quimioterapia antineoplásica e transplantes (CORDOVA; CUNHA, 2002). 3.3 Agentes antibacterianos Os agentes antimicrobianos são substâncias químicas capazes de inibir o crescimento microbiano ou destruir seletivamente os micro-organismos patogênicos (TAVARES, 2009). Certamente quando Fleming descobriu a penicilina em 1928 nem mesmo ele poderia imaginar o quão importante seria de fato sua descoberta. Passados mais de 80 anos, ainda pesquisamos compostos ativos contra as espécies bacterianas e que possuam menores efeitos colaterais. Os compostos, além de atividade antimicrobiana, devem ter um mecanismo de ação que não cause dano às células humanas. A chave para solucionar esse problema surge a partir de um dos grandes diferenciais das células procarióticas: a presença de parede celular, uma estrutura externa à membrana citoplasmática que confere rigidez à célula bacteriana. Alguns grupos de substâncias foram descritos com ação seletiva sobre a parede celular, como por exemplo, as penicilinas, cefalosporinas e carbapenêmicos, todas com um radical químico em comum: o anel β-lactâmico, responsável pela ligação aos receptores na parede celular, que age impedindo as reações de transpeptidação, indispensáveis para o alongamento da parede no 21 processo de divisão celular. Devido à presença deste radical químico, os antibióticos desta classe são chamados de β-lactâmicos (LANGTON; HENDERSON; HERBERT, 2005). Os glicopeptídeos, vancomicina e teicoplanina, também agem na parede celular, mas com um mecanismo de ação diferente, já que não possuem o anel β-lactâmico. Inibem a síntese da parede celular, pois atuam como antagonistas competitivos da polimerização da cadeia do peptidoglicano. Por atuarem à nível de peptidoglicano, não apresentam ação contra bactérias Gram-negativas (TAVARES, 2000). Outros antibióticos podem agir inibindo a síntese protéica de várias maneiras. As rifamicinas interferem na síntese de RNA. As tetraciclinas e macrolídeos ligam-se à fração 30S ribossomal, impossibilitando o aporte de aminoácidos. Por atuarem dificultando a produção de substâncias vitais à célula bacteriana, os antibióticos com este mecanismo de ação são bacteriostáticos, ou seja, não matam a bactéria, apenas impedem sua duplicação (NETO; NICODEMO; LOPES, 2007). As sulfas são fármacos capazes de inibir o metabolismo de ácidos nucleicos, pois inibem as sintetases que transformam ácido p-amino benzóico (PABA) em ácido fólico, precursor do metabolismo das bases nitrogenadas do DNA (TENOVER, 2006). A replicação do DNA também pode ser inibida pelo uso de substâncias capazes de inibir enzimas responsáveis pelo espiralamento do DNA. A conformação estrutural da molécula é modificada, promovendo um alongamento da estrutura em dupla hélice, facilitando assim a ação de exonucleases presentes no citoplasma, degradando o material genético bacteriano (TAVARES, 2009). As polimixinas são antibióticos polipeptídicos extraídos de culturas de bactérias do gênero Bacillus. Atuam interferindo na permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática, se ligando aos constituintes lipoproteicos, destruindo a barreira osmótica seletiva, com ação semelhante à detergente. Com a permeabilidade alterada, a bactéria perde a capacidade seletiva e acaba morrendo. Como nossas células também apresentam membrana citoplasmática, acabam tornando-se alvos à ação das polimixinas, o que explica sua elevada toxicidade (TAVARES, 2009). O uso inapropriado dos antimicrobianos pode estar relacionado a fatores como: doses subterapêuticas, falta de atividade da droga escolhida, esquemas terapêuticos curtos, baixa penetração no local de infecção, idade, imunidade do paciente e não adesão ao tratamento, 22 além dos conceitos de farmacocinética e farmacodinâmica de cada fármaco na escolha terapêutica (ROSSI; ANDREAZZI, 2005). 3.4 Resistência Bacteriana As bactérias, procariotos que existem há milhões de anos na superfície terrestre, são seres extremamente adaptáveis e que, portanto, respondem facilmente às mudanças do ambiente. A esta capacidade de adaptação podemos atribuir também o desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos. Embora existam diversas classes de antimicrobianos, as estratégias utilizadas pelas bactérias para driblar a ação destas drogas são ilimitadas (PICÃO; XAVIER; GALES, 2009). O conhecimento do fenômeno da resistência a agentes físicos e químicos entre os micro-organismos data do início da era microbiana. Com a introdução das primeiras substâncias químicas com finalidade quimioterápica específica, Ehrlich e seus colaboradores Franke e Roehl, em 1905, descobriram o fenômeno da resistência às drogas, ao observarem que em culturas de tripanossomas africanos tratados com arsênico ou com determinados corantes havia a sobrevivência de alguns exemplares da mesma população microbiana. Estes autores descreveram que infecções por tripanossomas tratadas com doses baixas de arsenicais recaíam e relataram que um novo tratamento falhava porque os tripanossomas haviam desenvolvido resistência às drogas e que esta resistência passava a ser hereditária. O advento do uso clínico de sulfonamidas, em 1933, e, em seguida, da penicilina, em 1941, levou à constatação de que a resistência bacteriana aos agentes antimicrobianos podia ser uma característica natural das espécies de bactérias ou ser adquirida por cepas individuais dentro de uma população sensível (TAVARES, 2000). Desde a descoberta dos antibióticos até seu uso como agentes quimioterápicos, havia uma crença popular na medicina que tal fato levaria à erradicação das doenças infecciosas. Entretanto, os agentes patogênicos que outrora eram suscetíveis aos antimicrobianos estão sempre sofrendo alterações que os tornam resistentes (SIBANDA; OKOH, 2007). A resistência de bactérias aos antibióticos disponíveis clinicamente se tornou um problema de saúde pública em todo mundo. Além disso, o custo financeiro de uma terapia fracassada por conta de micro-organismos resistentes é muito grande, onerando ainda mais os sistemas públicos de saúde. Bactérias resistentes geram nova consulta, novos exames diagnósticos, nova prescrição, sem contar a provável internação e ocupação de leitos 23 hospitalares. Estima-se que, apenas nos Estados Unidos, o custo com a resistência bacteriana gire em torno de 4 a 5 bilhões de dólares anualmente (FIOL et al., 2010). O uso indiscriminado e abusivo de antibióticos, terapêutica ou profilaticamente, humano ou veterinário, atendendo à interesses pessoais e/ou corporativos, passando ainda pelo uso no crescimento animal e propósitos agrícolas, tem favorecido a pressão seletiva, mostrando como resultado a seleção e predominância de espécies bacterianas cada vez mais resistentes (BARKER, 1999) . O exemplo clássico de manifestação da resistência é a penicilina. Descoberta em 1928 por Fleming e disponível para uso no início da década de 40, em 1944 Kirby já descreveu os primeiros isolados resistentes. Em 1946, estimava-se que 5 % dos estafilococos já eram resistentes à penicilina. Em 1949 a taxa chegava a 29 %, em 1959 80 % dos isolados já eram resistentes. Atualmente, a probabilidade de isolamento de Staphylococcus aureus sensível à penicilina é praticamente nula (TAVARES, 2000). As bactérias podem tornar-se resistentes através de mutações cromossômicas ou por troca de material genético, nesse caso através de transdução, transformação ou conjugação (KAPIL, 2005). Os mecanismos de resistência podem ser (LANGTON; HENDERSON; HERBERT, 2005; PICÃO; XAVIER; GALES, 2009; TAVARES, 2000; TENOVER, 2006): - impermeabilidade à droga: um dos mais comuns mecanismos, onde a bactéria é intrinsecamente resistente ao fármaco, pois apresenta características próprias de parede celular que impedem a penetração do antimicrobiano; - alteração de moléculas alvo: a bactéria consegue modificar o sítio primário de ligação do antibiótico, diminuindo a afinidade de ligação. É o exemplo do Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), no qual a proteína ligadora de penicilina (PBP) é modificada através da expressão do gene mecA; - inativação enzimática: há produção de enzimas que inativam o antibiótico. As chamadas “superbactérias”, descritas na mídia como NDM-1, apresentam metalobetalactamases que conseguem clivar todos os antibióticos beta-lactâmicos, inclusive os carbapenêmicos; - efluxo: após a entrada do antibiótico no interior da célula bacteriana, quando este atinge um gradiente de concentração ativa um mecanismo chamado bomba de efluxo, que promove a expulsão da droga. É um mecanismo altamente eficiente, pois é capaz de atuar em antibióticos de diversas classes farmacológicas. 24 Infelizmente, em contramão ao aumento da resistência bacteriana, o número de novos fármacos está caindo com o passar dos anos. A Figura 1 demonstra essa queda: Figura 1 – Novos agentes antibacterianos aprovados nos Estados Unidos de 1983 a 2002 (SPELLBERG et al., 2004). Tal fato pode ser explicado pelo elevado custo de pesquisa e desenvolvimento (estimados em 500 milhões de dólares), além da restrição do uso de novos agentes antimicrobianos, a fim de evitar a disseminação da resistência. Ademais, torna-se muito mais interessante financeiramente para as grandes companhias farmacêuticas investir em fármacos para tratamento de pacientes crônicos, como nos casos dos anti-hipoglicemiantes, antiretrovirais e anti-hipertensivos, por exemplo (SPELLBERG et al., 2004). 3.5 Atividade Antibacteriana Devido à infinita diversidade vegetal, devemos adotar critérios na seleção do material para pesquisa de atividade antimicrobiana. Usualmente utilizam-se critérios etnofarmacológicos, ou seja, uso na medicina popular para tratamento de processos infecciosos. Inicialmente, a espécie deve ser corretamente descrita e identificada, incluindo os dados de coleta do material, como localização, estação do ano, data e hora da coleta. A 25 escolha dos solventes e sistemas de extração também é muito importante, geralmente utilizando as mesmas susbtâncias empregadas no uso popular. A escolha da metodologia de ensaio também é fundamental e deve ser realizada de acordo com as características de polaridade dos compostos isolados, visto que, compostos apolares tendem a ter dificuldade de difusão nos meios de cultura utilizados, recomendando-se, nesse caso, técnicas de diluição (RIOS; RECIO, 2005). Os métodos mais comumente utilizados para avaliar a atividade antibacteriana são os de disco difusão, diluição em ágar e microdiluição em caldo. Os resultados obtidos por cada um desses ensaios podem diferir por várias razões, principalmente aqueles que afetam o crescimento microbiano, como a exposição do micro-organismo ao extrato, a solubilidade dos seus componentes em água e o uso de agentes emulsificadores. Cabe ressaltar que os critérios utilizados pelo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) são descritos para avaliar agentes antimicrobianos convencionais como os antibióticos. Quando utilizamos extratos vegetais, de características químicas bastante heterogêneas, muitas vezes devemos realizar adaptações nas metodologias visando a sua otimização. As substâncias testadas pelo CLSI normalmente tem características hidrofílicas, entretanto, os extratos vegetais são pouco solúveis em água, viscosos e complexos (BELLA CRUZ et al., 2010). Para minimizar tal interferência, utilizamos agentes emulsificadores, como o dimetilsulfóxido (DMSO), Tween ou metanol, que irão promover a dispersão do princípio ativo no meio de cultura. Porém, devemos levar em consideração que a utilização destes agentes pode promover uma interação com os compostos ativos, bem como pode promover um efeito antibacteriano direto sobre o micro-organismo testado. Devido a este fato, recomenda-se que a concentração final do emulsificador não ultrapasse 2,5 % (NASCIMENTO et al., 2007). 3.6 Plantas Medicinais A diversidade biológica ou biodiversidade tem sido cada vez mais reconhecida como um dos elementos centrais para o desenvolvimento e bem-estar da humanidade e grande responsável pelo equilíbrio ambiental global. Embora apenas uma pequena parte de seus componentes tenha sido adequadamente estudada e seus benefícios futuros ainda não sejam totalmente conhecidos, tem-se valorizado cada vez mais sua capacidade de gerar benefícios 26 sócio-econômicos, devido ao seu potencial como matéria-prima para diferentes campos do conhecimento, como a medicina e diversos setores da indústria (FERRO; BONACELLI, ASSAD, 2006). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 65 a 80 % da população mundial, principalmente em países em desenvolvimento, confiam nos produtos a base de plantas medicinais no tratamento de suas doenças. Esses produtos são utilizados para várias finalidades, baseados em evidências históricas ou pessoais, onde não são atribuídos efeitos adversos (SILVEIRA; BANDEIRA; ARRAIS, 2008). A implementação de programas nacionais de saúde, como o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos adotado pelo Ministério da Saúde, seguindo uma tendência da OMS, que incentiva o uso de biodiversidade de países em desenvolvimento para assegurar maior acesso e cuidados à saúde básica das populações, objetiva estimular a pesquisa e desenvolvimento de fitoterápicos, especialmente para o tratamento de doenças endêmicas e negligenciadas pela indústria farmacêutica mundial, tais como malária, doença de Chagas, esquistossomose e outras (FUNARI; FERRO, 2006). O Brasil, segundo a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), ostenta cerca de 20 % da biodiversidade mundial, aproximadamente 55 mil espécies de plantas, sendo assim considerado um local propício para a busca de novos medicamentos (BARREIRO; BOLZANI, 2009). Há vários caminhos para o estudo das plantas medicinais, destacando-se quatro tipos básicos de abordagens: randômica, etológica, quimiotaxonômica e etnodirigida. As investigações randômicas compreendem a coleta ao acaso de plantas para a triagem fitoquímica e farmacológica. A abordagem etológica tem como orientação avaliar a utilização de metabólitos secundários por animais, ou outras substâncias não nutricionais dos vegetais, com a finalidade de combater doenças ou controlá-las. A quimiotaxonomia consiste na seleção de espécies de uma família ou gênero, para as quais se tenha algum conhecimento fitoquímico de ao menos uma espécie do grupo. Já a investigação etnodirigida consiste na seleção de espécies de acordo com a indicação de grupos populacioniais específicos em determinados contextos de uso, enfatizando a busca pelo conhecimento construído localmente a respeito de seus recursos naturais e a aplicação que fazem deles em sues sistemas de saúde e doença (ALBUQUERQUE et al., 2006); 27 A pesquisa de novos agentes antimicrobianos se faz necessária devido ao surgimento de micro-organismos resistentes, de infecções oportunistas fatais associadas principalmente a AIDS, quimioterapia antineoplásica e transplantes. Esse estudo de triagem utilizado para encontrar produtos com atividade farmacológica é de extrema importância, na descoberta de substâncias mais eficazes e menos tóxicas na corrida contra a resistência e o surgimento de novos micro-organismos patogênicos (OSTROSKY et al., 2008). Dentre as diversas plantas com potencial terapêutico se incluem aquelas da família Winteraceae. 3.7 Toxicidade Desde a antiguidade as plantas são usadas com fins medicinais pelo homem. Entretanto, muitas destas plantas tem um grande potencial de toxicidade. A crença de que medicamentos à base de plantas são isentos de risco à saúde faz parte da bagagem cultural da população afeita ao seu uso. Entretanto, o caráter natural de tais produtos não é garantia de isenção de reações adversas e outros problemas decorrentes de tal medicina (LANINI et al., 2009). Por esta razão, ensaios que avaliam a toxicidade dos produtos naturais são fundamentais para que estes produtos possam ser utilizados com segurança (PARRA et al., 2001). A crença na natureza inócua das plantas medicinais não é facilmente contradita, pois as evidências científicas de ocorrência de intoxicações e efeitos colaterais relacionados com o uso de plantas medicinais consistem em informações que dificilmente chegam ao alcance dos usuários atendidos nos serviços de saúde pública, caracterizados como indivíduos de baixa escolaridade e acervo cultural (SILVEIRA; BANDEIRA; ARRAIS, 2008). 3.7.1 Teste de toxicidade (Artemia salina) Atualmente há uma tendência natural a substituir o uso de animais de laboratório em testes toxicológicos, devido ao alto custo e ao sofrimento causado a estes animais. Os métodos recomendados incluem testes que diminuem o número de animais utilizados em cada teste e/ou reduzir a dor e estresse causados. Os métodos alternativos incluem testes de citotoxicidade, como o que utiliza a Artemia salina (PARRA et al., 2001). 28 Artemia salina é um microcrustáceo da classe Anostracea, que vive em águas salinas e salobras de todo o mundo. Possui 4 estágios de desenvolvimento: ovo, náuplio, metanáuplio e adulto. Apresentam alguns mecanismos de adaptação que as tornam cosmopolitas, como a osmorregulação, a presença de pigmentos respiratórios como a hemoglobina e a disponibilidade de alternativas reprodutivas que facilitam a dispersão e a perpetuação dessa espécie (NUNES et al., 2006). O ensaio de toxicidade utilizando os microcrustáceos é um método seguro, prático e de baixo custo para determinar a bioatividade de compostos sintéticos e/ou produtos naturais. Há uma correlação com o ensaio e a inibição in vitro do crescimento de células de tumores sólidos, estabelecida pelo Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos, valorizando o teste com a Artemia salina como screening na pesquisa de células antitumorais (SILVA et al., 2007). Em 1982, Meyer e colaboradores estabeleceram uma relação entre o grau de toxicidade e a concentração letal média (CL50), apresentada por extratos de plantas sobre larvas de Artemia salina, considerando que valores acima de 250 μg/mL são considerados com baixa toxicidade, entre 80 e 250 μg/mL moderamente tóxicos e CL50 menor que 80 μg/mL considerados tóxicos (DOLABELA, 1997). 3.8 Família Winteraceae A família Winteraceae consiste de árvores e arbustos que habitam principalmente as florestas do lado sul do Oceano Pacífico. Ela contém aproximadamente cem espécies com seis ou sete gêneros. Talvez devido à falta de importância econômica e a distribuição restrita, a família Winteraceae não tenha sido tão extensivamente examinada quanto aos seus constituintes químicos (MALHEIROS, 2001). É mais diversificada nas regiões subtropicais mas ecologicamente mais bem sucedida em termos de abundância em ambientes temperados. É encontrada em áreas com abundante precipitação e/ou pouca demanda de evaporação, como ao longo de rios, em sub-habitats e em florestas montanhosas (FEILD et al., 2000). 29 3.8.1 Drimys Dentre as espécies da família Winteraceae, temos as do gênero Drimys, sendo que a Drimys brasiliensis, conhecida como casca d’anta ou cataia, é característica das savanas e subosques dos pinhais, ocorrendo também nos topos dos morros da região da floresta da encosta atlântica, e mais raramente em áreas das florestas estacionais deciduais das bacias Paraná-Uruguai, apresentando dispersão significativa, porém, distribuição descontínua e irregular. Floresce de julho a abril e frutifica a partir de outubro (TRINTA; SANTOS, 1997). Dentre as principais substâncias extraídas da Drimys brasiliensis que possuem atividade farmacológica podemos citar os sesquiterpenos drimanos poligodial, drimanial, 1-β(p-metoxicinamoil)-poligodial e epifuegina, extraídos principalmente das cascas. Já foram descritas atividades antifúngicas, antinflamatórias, antinociceptivas e antialérgicas (CUNHA et al., 2001; MALHEIROS et al., 2005; ANDRE et al., 2006). O poligodial, composto majoritário das cascas, mostrou-se ativo em contrações induzidas por vários mediadores químicos que participam da etiologia das doenças respiratórias e apresentou potente ação antinociceptiva em camundongos. Induz ação vasorelaxante pela liberação de óxido nítrico (NO). É uma molécula promissora para o desenvolvimento de novos fármacos, devido ser alvo de uma variedade de mecanismos envolvidos na dor e inflamação (STERNER; SZALLASI, 1997; MENDES et al., 1998). Figura 2 – Foto das flores de Drimys brasiliensis Fonte: http://www6.ufrgs.br/fitoecologia/florars/open_sp.php?img=1045 30 4. MATERIAS E MÉTODOS 4.1 Material vegetal Os extratos, frações e compostos isolados foram obtidos pela aluna do programa de mestrado em Ciências Farmacêuticas Vanessa Duarte Claudino, no laboratório de fitoquímica da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, sob orientação da professora Dra. Ângela Malheiros. Cascas, caule e folhas de Drimys brasiliensis foram coletados no município de Rancho Queimado, estado de Santa Catarina. A planta foi identificada como Drimys brasiliensis Miers subespécie sylvatica (Saint Hilaire) Ehrendorfer L Gott sb pelo Dr. Ademir Reis (Departamento de Botânica, Universidade Federal de Santa Catarina) e um exemplar foi depositado no Herbário Barbosa Rodrigues (Itajaí-SC), com número VC Filho 010. 4.1.1 Preparação dos extratos As cascas de D. brasiliensis (750 g) foram secas a 40 ºC por 2 dias e após esse período maceradas e extraídas sucessivamente com diclorometano e metanol à temperatura ambiente por 10 dias cada e então o material foi filtrado. Os filtrados obtidos foram concentrados sob pressão reduzida, gerando o extrato bruto clorofórmico e metanólico, com rendimento de 30,2 g e 60,6 g, respectivamente. Os caules coletados (700 g) foram processados da mesma maneira que as cascas, gerando extratos com rendimento de 17,6 g e 14,8 g, respectivamente. Uma amostra de 250 g de folhas foi processada de maneira similar à descrita para cascas e caules, de onde foram obtidos rendimentos de 24,5 g e 10,6 g para o extrato clorofórmico e metanólico, respectivamente. 4.1.2 Isolamento e identificação dos compostos a partir do extrato clorofórmico de cascas O esquema para o fracionamento do extrato clorofórmico e isolamento dos compostos está descrito na Figura 3. Figura 3 – Fluxograma de fracionamento do extrato clorofórmio de cascas de Drimys brasiliensis. 31 32 Parte do extrato bruto obtido das cascas (9,21 g) foi submetido à cromatografia em coluna (coluna DBC1), utilizando como fase fixa sílica-gel e eluída com misturas de hexano, acetato de etila e metanol, em grau crescente de polaridade. Cento e vinte e uma frações de 50 mL cada foram coletadas, sendo reunidas em oito frações majoritárias (A-H), de acordo com o perfil cromatográfico após análise por cromatografia de camada delgada (CCD). Da fração C (18-25) coluna DBC1, foi obtido 358 mg de espatulenol (1), após eluição com hexanoacetato de etila (9:1). Uma fração enriquecida em poligodial (2) foi obtida da fração E (3249), após eluição com hexano-acetato de etila (8:2), sendo este composto purificado por sucessivas cromatografias, gerando 257,7 mg de composto isolado. A fração F (50-58) da coluna DBC1 (819,8 mg) foi submetida à cromatografia em coluna (coluna DBC2) utilizando como fase fixa sílica-gel e eluída com uma mistura de hexano-acetato de etila (7:3), gradualmente enriquecida com acetato de etila e metanol em grau crescente de polaridade. Setenta e cinco sub-frações de 20 mL cada foram coletadas, e após análise por CCD foram agrupadas em seis frações majoritárias (F1-F6), combinadas de acordo com seu perfil cromatográfico. O poligodial (2) foi isolado novamente a partir da fração F2 (2-5), após eluição com hexano-acetato de etila (9:1). A fração G (59-85) coluna DBC1 (1,97 g), foi submetida à coluna cromatográfica em sílica gel (coluna DBC3), eluída com uma mistura de hexano: acetato de etila (6:4) enriquecida gradualmente com acetato de etila e etanol, para obtenção de grau crescente de polaridade. Foram obtidas seis frações majoritárias (G1-G6), combinadas de acordo com a detecção por CCD. O composto 1-β-(p-metoxicinamoil)-poligodial (3) foi obtido a partir da purificação da fração G2 (7-13), por cromatografia em coluna (eluente: hexano/acetato de etila (8:2)), gerando 82 mg de composto isolado. Da purificação cromatográfica da fração G3 (14-24) foram obtidos o 1-β-(poxicumaroil)-poligodial (4) (212,9 mg), após eluição com hexano: acetato de etila (6:4) e uma fração enriquecida em drimanial (5), após eluição com hexano: acetato de etila (6:4), que foi encontrado também na fração G4 (25-42). Esta fração foi purificada com sucessivas cromatografias, gerando 188 mg de drimanial isolado. 33 Figura 4 – Compostos isolados de Drimys brasiliensis Os compostos obtidos a partir do isolamento cromatográfico foram identificados com base nos dados espectrais em comparação com dados de compostos anteriormente isolados e através da comparação cromatográfica direta com padrões (amostras autênticas) (MALHEIROS et al., 2001). A atividade antimicrobiana das frações foi triada por bioautografia, sendo que aquelas que não demonstraram atividade biológica não foram testadas. Foram utilizadas no estudo as seguintes frações: B C D E F F4 F5 F6 G G2 G3 G5 H 4.2 Material microbiológico Os micro-organismos utilizados como cepas padrões para a realização dos ensaios de atividade antimicrobiana foram as bactérias: Bacillus cereus (ATCC 33019), Escherichia coli (ATCC 11775), Klebsiella pneumoniae (ATCC 13883), Pseudomonas aeruginosa (ATCC 34 27857), Proteus mirabilis (ATCC 25933), Staphylococcus aureus (ATCC 25923), Staphylococcus saprophyticus (ATCC 35552), Enterococcus faecalis (ATCC 29212), Listeria monocytogenes (ATCC 7644), Moraxella catarrhalis (ATCC 25238), Neisseria neningitidis (ATCC 13090) e Streptococcus pneumoniae (ATCC 11733). O Helicobacter pylori utlizado foi o (ATCC 43772), cedido pelo laboratório de microorganismos de referência da Fiocruz. 4.2.1 Manutenção dos micro-organismos As bactérias foram mantidas em alíquotas congeladas em caldo infusão de cérebro e coração (BHI) e 30% de glicerol, no Laboratório de Microbiologia Clínica do Curso de Farmácia da FURB, sendo ativadas em caldo BHI, incubadas 12 horas a 37 ºC e posteriormente semeadas em ágar sangue de carneiro a 5%. As bactérias exigentes foram mantidas em alíquotas e congeladas com caldo BHI, 30 % de glicerol e 10% de sangue de carneiro. Foram ativadas utilizando caldo BHI com 10% de sangue de carneiro, incubadas por 12 horas a 37 ºC e microaerofilia, sendo semeadas em ágar chocolate, com incubação de 24 a 48 horas em tensão de CO2. O Helicobacter pylori foi congelado em caldo Brucella com 30% de glicerol e 10% de sangue de carneiro e mantido a -70 ºC. Para ativação, foi utilizado caldo Brucella, com incubação por 24 horas, posteriormente a bactéria foi semeada em ágar sangue de carneiro a 10 % e incubada por 48-72 horas a 37 ºC em microaerofilia. 4.3 Atividade antibacteriana A atividade antimicrobiana de extratos vegetais foi avaliada através da determinação de uma pequena quantidade da substância necessária para inibir o crescimento do microorganismo teste. Esse valor é conhecido como concentração inibitória mínima (OSTROSKY et al., 2008). A determinação das concentrações inibitória mínima (CIM) e bactericida mínima (CBM) dos extratos, frações e compostos isolados de Drimys brasiliensis foram realizadas através do método de diluição em ágar. 35 Os compostos isolados não tiveram a atividade anti-Mollicutes e a toxicidade aguda avaliadas devido à pequena quantidade disponível, insuficiente para a realização destes testes. 4.3.1 Diluição em ágar O método consiste em preparar diluições sucessivas dos extratos em ágar Mueller Hinton, inoculados com a bactéria em estudo, incubado por 24 horas em estufa a 37 ºC e, posteriormente, verificar a menor concentração de extrato que inibiu o crescimento do microorganismo. Os extratos foram dissolvidos em solução de dimetisulfóxido (DMSO) e água destilada (4:6), atingindo uma concentração de 40 mg/mL. Em seguida, foram adicionados 50 μL em séries de 10 frascos com capacidade para 5 mL, com posterior diluição dos mesmos. Em seguida, a cada frasco foi adicionado 950 μL de ágar Mueller-Hinton, seguido de imediata homogeneização da mistura. O primeiro frasco apresentou concentração final de 1000 μg/mL e o último 1,95 μg/mL. Com a solidificação dos respectivos meios de cultura, os microorganismos, previamente ativados, foram inoculados nas séries correspondentes, sendo então incubados a 37 ºC por 18 a 24 horas (NCCLS, 2003; CAMPOS et al., 2006). 4.4 Atividade anti- Helicobacter pilory Para determinar a atividade dos extratos, frações e substâncias isoladas de Drimys brasiliensis frente ao H. pilory utilizamos o método de diluição em ágar sólido (VEGA et al., 2009), de acordo com as recomendações do Clinical Laboratory Standards Institute (CLSI, 2005). A partir de soluções estoque dos extratos de 40 mg/mL, foram realizadas diluições seriadas. Em vidros individuais, 50 µL de cada diluição foi adicionado à 950 µL de ágar Brucella acrescido de 10 % de sangue carneiro, líquido a 45-50 ºC, atingindo concentrações de 1000; 500; 250; 125; 62,5; 31,25 e 15,625 µg/mL. O inóculo bacteriano foi preparado baseado na escala turbidimétrica 0,5 de MacFarland. Após solidificação do meio de cultura, foi semeado 1 µL da suspensão bacteriana em cada vidro com os extratos diluídos em ágar. Foram incubados em condições ideais de microaerofilia e umidade, a 35 ºC por 48-72 horas. 36 4.5 Atividade contra Mollicutes Os micro-organismos utilizados foram Mycoplasma arginini, Mycoplasma hominis e Ureaplasma urealyticum, fornecidos pelo laboratório de Bioquímica Clínica da FURB, sendo que algumas cepas estavam conservadas à temperatura de -20 ºC e outras comercializadas liofilizadas e foram ativadas através da cultura. Para reativar os micro-organismos foi realizado o crescimento até fase log contendo 10³ micro-organismo/mL (BEBEAR; ROBERTSON, 1996), inoculando-os em tubos contendo os meios de cultura líquidos, meio de uréia (U10) (SHEPARD, 1974) no caso do U. urealyticum e meio líquido de arginina (MLA) (VELLECA; BIRD; FORRESTER, 1979) nos casos do M. arginini e M. hominis. Posteriormente os tubos foram incubados a 36 ºC ± 1 ºC por 48 a 72 horas em microaerofilia. A confirmação do crescimento foi realizada através da mudança de cor devido a presença do indicador vermelho de fenol, sendo que o micro-organismo degrada a uréia no caso do meio U10, e a arginina no caso do MLA, liberando amônia e alcalinizando o pH do meio, fazendo com que haja uma mudança de cor do amarelo para o vermelho. Para preparação dos extratos e frações foram pesados 20 mg de cada extrato ou fração, solubilizadas em 1 mL de solvente DMSO e completadas com água até 10 mL, gerando concentrações de 2 mg/mL. A necessidade de completar o volume com água em vez de utilizar os 10 mL de DMSO é devido ao fato de que este exerce um efeito tóxico sobre as espécies de Mollicutes como pôde ser observados em estudos anteriores (BENFATTI et al., 2010). O DMSO exerce certo efeito tóxico sobre o crescimento de molicutes. Este fato provavelmente se deve à característica destas bactérias de serem desprovidos de parede celular, tornando-as mais sensíveis a alterações osmóticas e outras agressões celulares. Esta é uma característica peculiar desta classe, assemelhando-se, neste sentido, às células dos microorganismos eucariotos (BENFATTI et al., 2010). Tal característica também limita o uso de antimicrobianos, já que boa parte dos fármacos utilizadas na clínica atualmente tem como alvo a parede celular, como é o caso das penicilinas e cefalosporinas. Depois de solubilizados, os extratos e frações foram filtrados com filtros Millex (Millipore®) de 0,22 µm para garantir a esterilidade dos mesmos, haja visto a grande facilidade de contaminação do meio por outros micro-organismos. Permaneceram 37 conservadas em geladeira para evitar contaminações externas ou degradação dos compostos químicos pela luz ou temperatura. Os testes de Concentração Inibitória Mínima (CIM) foram realizados por microdiluição em caldo. Primeiramente adicionou-se 100 µL de meio de cultura nas colunas 1 a 6 e 200 µL de meio de cultura nas colunas 7 e 8. Nas colunas 1 a 6 foram feitas as microdiluições dos extratos e frações obtidos de D. brasiliensis, de modo que no poço da primeira linha adicionou-se 100 µL da fração aos 100 µL do meio de cultura e homogeneizou-se, gerando uma concentração de 500 μg/mL. Retirou-se 100 µL e misturou-se ao próximo, gerando uma concentração de 250 μg/mL. Este procedimento foi realizado até o oitavo poço. Depois de realizar este procedimento com as 6 colunas adicionou-se 100 µL de inóculo bacteriano em todos os poços de 1 a 6. Este inóculo foi previamente diluído 1:100 em meio de cultura. Na coluna 7 (controle positivo) adicionou-se 200 µL de inóculo bacteriano aos 200 µL do meio de cultura no primeiro poço e homogeneizou-se, dos quais foram retirados 200 µL homogeneizando, e assim sucessivamente. Foram realizados controles negativo e positivo. No controle negativo, não foi adicionada a suspensão bacteriana, a fim de verificar a que não houve contaminação do meio de cultivo. Já no controle positivo, não foi adicionado o extrato ou fração, com o objetivo de demonstrar a viabilidade bacteriana. Por fim, adicionou-se em todas as cavidades 2 a 3 gotas de vaselina líquida para evitar o ressecamento do meio líquido, e também para isolar cada cavidade do meio externo criando um ambiente de microaerofilia. Depois destes procedimentos as placas foram incubadas a 36º C ± 1 ºC por 48 a 72 horas, e o crescimento foi observado a partir da mudança de cor do meio de cultura. Aquelas cavidades que não apresentaram mudança de coloração do amarelo para o vermelho são as que se caracterizaram como ausência de crescimento, e pode ser comprovada a atividade antimicrobiana, comparada com o crescimento bacteriano no controle positivo. Foram realizadas diluições sucessivas dos extratos, frações e substâncias isoladas, de modo a obter concentrações de 1000; 500; 250; 125; 62,5; 31,25; 15,62 e 7,8 µg/mL. 38 4.6 Preparo dos inóculos Para o preparo dos inóculos bacterianos foram utilizadas as bactérias Gram-positivas Bacillus cereus, Staphylococcus aureus, Staphylococcus saprophyticus, Enterococcus faecalis, Streptococcus pneumoniae e Listeria monocytogenes e as Gram-negativas: Proteus mirabilis, Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Moraxella catarrhalis e Neisseria meningitidis. Foram realizados testes bioquímicos para comprovar a identificação das bactérias. Cada bactéria foi transferida do meio de manutenção para o meio ágar Mueller-Hinton e incubada a 37 ºC por 18-24 horas, para a ativação da respectiva cultura. Para o preparo do inóculo foram selecionadas de 4 a 5 colônias da bactéria ativada em ágar Mueller – Hinton, sendo transferidas para tubo de ensaio com 5 ml de solução de NaCl 0,86% estéril, seguido de homogeneização em agitador de tubos por 15 segundos. A densidade do inóculo foi ajustada por espectrofotometria a 620 nm, com uma absorbância entre 0,08 e 0,1, comparativa com a escala 0,5 de Mc Farland (NCCLS, 1993). O inóculo final foi obtido pela diluição da suspensão das respectivas culturas bacterianas, obtendo-se concentração de aproximadamente 1,5 x 108 células/ml para o método de diluição em ágar. Foi inoculado em cada frasco (meio) com uma alça calibrada de 1 μL (1,5 x 105 células) (NCCLS, 1993). 4.7 Determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) O método consiste em preparar diluições sucessivas do extrato a ser testado, em meios de cultura sólidos e líquidos, semear a bactéria em estudo, e após incubação, verificar a menor concentração da amostra que inibiu o crescimento do microorganismo utilizado no ensaio. Os valores da CIM foram determinados através da diluição dos componentes obtidos dos diferentes extratos e frações de Drimys brasiliensis em ágar sólido, empregando a metodologia descrita por NCCLS (1993) com modificações. Após o período de incubação, foram realizadas leituras da CIM através da verificação visual do crescimento microbiano. Para a interpretação dos resultados foi considerada CIM a inibição total do crescimento microbiano. 39 Durante os testes foram utilizados controles, como os meios de cultura e solvente utilizado na solubilização dos extratos, a fim de verificar seu efeito sobre o micro-organismo. A concentração final de DMSO nos ensaios não excedeu a 2%. A leitura dos resultados foi considerada válida somente quando houve crescimento microbiano nos controles. Todos os ensaios foram realizados em triplicata. 4.8 Determinação da Concentração Bactericida Mínima (CBM) Para determinar a concentração bactericida mínima foram selecionadas as culturas que apresentaram inibição do desenvolvimento bacteriano no ensaio de CIM, sendo realizadas suas respectivas subculturas em meio ágar Mueller – Hinton, incubadas a 37 ºC por 18 a 24 horas. Após a incubação as culturas foram inspecionadas para a verificação visual do crescimento microbiano. Para a interpretação dos resultados foi considerado que a inibição no ensaio de CIM e crescimento de micro-organismos na subcultura (CBM) significa ação bacteriostática e a ausência do crescimento na subcultura significa ação bactericida (BARON; FINEGOLD, 1990). 4.9 Bioautografia Para o direcionamento das pesquisas na localização dos componentes com potencial antimicrobiano da planta em estudo foi realizado o ensaio de bioautografia (RAHALISON et al., 1994; HAMBURGUER; CORDEL, 1987). Os extratos e frações foram dissolvidos em solvente apropriado e aplicados em placas de cromatografia de camada delgada (CCD) e em seguida, as placas foram submetidas à eluição em diferentes solventes para a escolha daquele que favorecesse a melhor resolução. Após a eluição e eliminação dos resíduos de solventes foi distribuída uma fina camada de meio de cultura contendo inóculos de micro-organismo susceptível (106 células/mL) sobre as placas de CCD e em seguida, estas foram incubadas a 37 ºC por 18 a 24 horas. Para facilitar a leitura dos resultados, após o período de incubação, foi borrifado nas placas uma solução aquosa de cloreto 2,3,5 trifenil tetrazólio (TTC) (20 mg/mL) e estas novamente incubadas a 37 ºC por mais 4 horas. 40 O critério empregado para a interpretação dos resultados de bioautografia foi o aparecimento de zonas claras em torno dos compostos isolados na CCD, indicando a respectiva atividade antimicrobiana (RAHALISON et al., 1994; HAMBURGUER; CORDEL, 1987). 4.10 Ensaio de toxicidade com Artemia salina O ensaio de toxicidade dos extratos de Drimys brasiliensis foi realizado conforme o método descrito por Meyer et al. (1982) utilizando o microcrustáceo Artemia salina. Os componentes dos diferentes extratos e frações de Drimys brasiliensis foram dissolvidos em solução de DMSO e posteriormente em água marinha sintética. Ovos de Artemia salina, adquiridos comercialmente, foram colocados em um béquer contendo água marinha sintética com pH entre 8 e 9, e incubados em banho-maria entre 20 a 25 ºC, por 48 horas para eclodirem. Após este período, em microplacas (2000 μL) foram preparadas diferentes concentrações dos extratos e frações, que variaram de 2 a 1000 μg/mL e a cada uma delas foram adicionadas em placa entre 6 e 12 larvas de microcrustáceo, seguido de nova incubação em banho-maria (20 a 25 ºC) por 24 horas. Apos este período, o número de microcrustáceos vivos e mortos em cada diluição (concentração) foi contado, com auxilio de um microscópio binocular E Lentz Wetzlar (10x). Como controle positivo, foi utilizada uma solução de dicromato de potássio nas concentrações de 400, 600 e 800 μg/mL e como controle negativo 200 μL de água marinha. Foram adicionados controles com o solvente utilizado para a dissolução das amostras. A leitura dos resultados foi validada somente quando nos controles positivos foi observada a morte de todos os indivíduos (A. salina) e no controle negativo a sobrevivência de todos os indivíduos. Para o calculo final de CL50 e seu respectivo intervalo de confiança de 95% utilizamos o método de próbitos de análise. Os extratos e frações foram considerados tóxicos quando a CL50 for menor que 250 μg/mL (DOLABELA, 1997). 41 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 Atividade antibacteriana 5.1.1 Concentração Inibitória Mínima (CIM) As plantas contém milhares de componentes e são uma excelente fonte para pesquisa de compostos com atividade antimicrobiana. A escolha correta dos solventes, processos de extração e, principalmente, dos métodos de avaliação da atividade antimicrobiana são fundamentais para o isolamento e identificação dos compostos com atividade biológica (DAS; TIWARI; SHRIVASTAVA, 2010; OSTROSKY et al., 2008). Para a classificação da atividade antimicrobiana, de extratos e frações podem ser empregados alguns critérios: para CIM entre 10 e 100 µg/mL podem ser considerados ativos; entre 100 e 500 µg/mL a atividade é moderada e quando a CIM for maior que 1000 µg/mL são classificados como inativos (HOLETZ et al., 2002). Os extratos e frações que apresentaram CIM menor que 1000 µg/mL foram considerados ativos. A Tabela 2 mostra os resultados obtidos. Tabela 2 – Concentração Inibitória Mínima (µg/mL) dos extratos de Drimys brasiliensis frente às bactérias Gram-positivas. S. aureus S. saprophyticus E. faecalis B. cereus L. monocytogenes S. pneumoniae Extrato Folhas CH2Cl2 1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Extrato Folhas MeOH >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Extrato Cascas MeOH 1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Extrato Cascas CH2Cl2 250 500 500 62,5 250 500 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Extrato Caule MeOH Os extratos, frações e compostos isolados de Drimys brasiliensis apresentaram atividade contra bactérias Gram-negativas com CIM superiores a 1000 µg/mL, sendo, por este motivo, considerados inativos contra estas bactérias. As bactérias Gram-negativas apresentam uma delgada camada de peptidoglicano, com a presença de um espaço periplásmico e de uma membrana externa. Tal fato explica a dificuldade da terapêutica antimicrobiana nestes micro-organismos, já que a membrana externa funciona como uma barreira extra à entrada de diversas substâncias (TENOVER, 42 2006). Além disso, temos no espaço periplásmico a produção de numerosas enzimas que hidrolisam moléculas ativas como, por exemplo, as beta-lactamases. Avaliando a atividade contra Staphylococcus aureus, verificou-se que, dentre os extratos, somente o diclorometano das cascas demonstrou atividade (250 µg/mL). Dentre as frações estudadas, foram obtidos resultados promissores, com CIM de 62,5 e 125 µg/mL para as frações G2 e E, respectivamente. Contra Staphylococcus saprophyticus, o extrato diclorometano das cascas de Drimys brasiliensis apresentou CIM de 500 µg/mL e as frações G2 e E foram as que demonstraram a melhor atividade, com CIM de 125 e 250 µg/mL, respectivamente. Com relação ao Enterococcus faecalis, os resultados mostram novamente o extrato diclorometano de cascas como o único com atividade (500 µg/mL). As CIM das frações demonstraram que G2 (125 µg/mL) e E (250 µg/mL) tem uma excelente atividade contra esta bactéria. Dentre as bactérias testadas, indiscutivelmente foi contra o Bacillus cereus que os componentes testados da planta demonstraram melhor atividade, com CIM de 62,5 µg/mL (extrato diclorometano de cascas), 31,25 µg/mL (fração G2) e 125 µg/mL (fração E). 43 Tabela 3 – Concentração Inibitória Mínima (µg/mL) das frações e compostos isolados de Drimys brasiliensis frente às bactérias Gram-positivas. S. aureus S. saprophyticus E. faecalis B. cereus L. monocytogenes S. pneumoniae Fração B 1000 >1000 1000 >1000 >1000 >1000 Fração C 500 1000 >1000 500 1000 500 Fração D 500 1000 1000 250 1000 500 Fração E 125 250 250 125 250 250 Fração F 500 1000 1000 250 1000 1000 Fração F4 500 500 1000 500 500 1000 Fração F5 1000 1000 >1000 500 >1000 >1000 Fração F6 500 >1000 1000 125 1000 500 Fração G 250 500 500 125 500 1000 Fração G2 62,5 125 125 31,25 125 250 Fração G3 250 1000 1000 125 500 500 Fração G5 500 >1000 1000 125 500 500 Fração H 1000 >1000 1000 1000 >1000 1000 Drimanial 500 500 >1000 125 NR NR Espatulenol 125 250 125 62,5 NR NR Poligodial 125 250 125 62,5 NR NR 1-β-(p-metoxicinamoil)- 125 125 125 31,25 NR NR 250 500 500 125 NR NR poligodial 1-β-(p-oxicumaroil)poligodial Legenda: S. aureus: Staphylococcus aureus; S. saprophyticus: Staphylococcus saprophyticus; E. faecalis: Enterococcus faecalis; B. cereus: Bacillus cereus; L. monocytogenes: Listeria monocytogenes; S. pneumoniae: Streptococcus pneumoniae; NR: não realizado. As frações que demonstraram melhor atividade foram a G2 e E, das quais foram isolados o 1-β-(p-metoxicinamoil)-poligodial e o poligodial, respectivamente. Comparando-se o resultado de CIM obtido das frações e compostos isolados, podemos verificar que a fração G2 e o 1-β-(p-metoxicinamoil)-poligodial apresentaram resultados semelhantes, sendo que podem haver outros compostos com atividade sinérgica ou aditiva. No caso da fração E, os resultados demonstram a maior atividade do poligodial em relação à fração que o originou e baseado nos dados bioautográficos, pode-se sugerir que seja o único composto com atividade antibacteriana em tal fração. Os extratos e frações de D. brasiliensis mostraram boa atividade frente à Listeria monocytogenes e Streptococcus pneumoniae, principalmente o extrato de diclorometano das cascas (250 e 500 μg/mL), a fração G2 (250 e 125 μg/mL) e a fração E (250 μg/mL), respectivamente. Analisando os compostos isolados, o poligodial, extraído da fração E, apresentou atividade principalmente contra B. cereus, com CIM de 62,5 µg/mL. Comparando à fração da 44 qual foi isolado, apresentou atividade bastante similar, com diferença de, no máximo, uma diluição, sugerindo sua presença majoritária nesta fração. Além de atividade antimicrobiana, este composto apresenta atividade antinociceptiva, anti-inflamatória e anti-alérgica (CUNHA et al., 2001). Por outro lado, o drimanial não demonstrou boa atividade, podendo, inclusive, ser considerado inativo contra E. faecalis. Já o espatulenol, quando comparado à fração da qual foi isolado, C, demonstrou um significativo aumento na atividade, entretanto não podendo ser considerado um resultado promissor. O 1-β-(p-oxicumaroil)-poligodial, da mesma maneira, não apresentou resultados satisfatórios para um composto isolado. Já o 1-β(p-metoxicinamoil)-poligodial foi, juntamente com o poligodial, aquele que demonstrou resultados mais importantes, apresentando um valor de CIM para B. cereus de 31,25 µg/mL, o melhor resultado dentre todos os compostos testados. O efeito de associação entre os diversos compostos presentes em uma determinada planta pode ser aditivo ou sinérgico, sendo observado em muitos casos e também devendo ser levado em consideração. Isto poderia explicar a razão de que alguns compostos apresentaram menor atividade antimicrobiana do que a fração da qual foi extraído, como foi verificado com o composto 1-β-(p-metoxicinamoil)-poligodial e a fração G2. Da mesma forma, torna-se necessário isolar os compostos ativos e repetir os testes, para que possa ser demonstrada quais substâncias são efetivamente ativas (HEMAISWAYRA; KRUTHIVENTI; DOBLE, 2008). Os resultados apresentam um perfil de atividade extremamente promissor, em vista que os extratos e frações apresentam CIM menor que 100 µg/mL e os compostos isolados com CIM inferior a 10 µg/mL (RIOS; RECIO, 2005). Mesmo o 1-β-(p-metoxicinamoil)poligodial, composto que apresentou menor CIM no estudo (31,25 µg/mL), dificilmente poderá ser utilizado isoladamente no tratamento de processos infecciosos, visto que os agentes antimicrobianos utilizados na prática médica são ativos em concentrações menores que 10 µg/mL. O aumento na posologia e/ou concentração do fármaco também promoverá a potencialização dos seus efeitos adversos (TAVARES, 2000). Porém, a partir do conhecimento do seu mecanismo de ação, pode-se promover alterações estruturais a fim de otimizar sua atividade antimicrobiana e minimizar os efeitos indesejáveis. A atividade antifúngica de alguns compostos isolados de Drimys brasiliensis, já foi demonstrada. Em particular o 1-β-(p-metoxicinamoil)-poligodial e o 1-β-(p-oxicumaroil)poligodial, evidenciam a ação antimicrobiana do material vegetal (MALHEIROS et al., 2005). 45 As cascas de D. brasiliensis são utilizadas popularmente para o tratamento de diversas doenças, como câncer, úlcera, dor e patologias do trato respiratório, pois apresenta ação antiinflamatória, antifúngica, anti-alérgica, anti-edematogênica e antinociceptiva (CUNHA et al., 2001; TRATSK et al., 1997; MATSUDA et al., 2001; CECHINEL-FILHO et al., 1998; MALHEIROS et al., 2005; KUBO, FUJITA, 2001; MALHEIROS et al., 2001). 5.1.2 Concentração Bactericidade Mínima (CBM) A concentração bactericida mínima é a menor quantidade de agente antimicrobiano necessária para inviabilizar a célula bacteriana, ou seja, provocar danos irreversíveis. Quando os valores de CBM são comparados com a CIM, pode-se avaliar se o composto tema ação bactericida ou bacteriostática (BARON; FINEGOLD, 1990). A Tabela 3 lista a CBM dos componentes de D. brasiliensis. Como pode ser observado, os extratos, frações e compostos isolados de Drimys brasiliensis demonstraram ação bacteriostática frente aos micro-organismos testados, visto que a CBM é maior que a CIM, comprovando que causam efeitos que não são letais à célula bacteriana, apenas impedindo a sua reprodução. Tabela 4 – Concentração Bactericida Mínima (µg/mL) dos extratos de Drimys brasiliensis. S. aureus S. saprophyticus E. faecalis B. cereus L. monocytogenes S. pneumoniae Extrato Folhas CH2Cl2 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Extrato Folhas MeOH >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Extrato Cascas MeOH >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Extrato Cascas CH2Cl2 >1000 >1000 >1000 250 >1000 >1000 Extrato Caule MeOH >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Dentre os extratos testados, apenas o extrato de cascas diclorometano apresentou atividade bacteriostática, somente contra o micro-organismo Bacillus cereus com CBM de 250 µg/mL. 46 Tabela 5 – Concentração Bactericida Mínima (µg/mL) das frações e compostos isolados de Drimys brasiliensis. S. aureus S. saprophyticus E. faecalis B. cereus L. monocytogenes S. pneumoniae Fração B >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Fração C >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Fração D >1000 >1000 >1000 500 >1000 >1000 Fração E 500 >1000 500 250 1000 1000 Fração F >1000 >1000 >1000 500 >1000 >1000 Fração F4 >1000 >1000 >1000 1000 >1000 >1000 Fração F5 >1000 >1000 >1000 1000 >1000 >1000 Fração F6 >1000 >1000 >1000 250 >1000 >1000 Fração G 500 >1000 >1000 500 >1000 >1000 Fração G2 125 >1000 500 125 500 500 Fração G3 1000 >1000 >1000 250 >1000 >1000 Fração G5 >1000 >1000 >1000 250 >1000 >1000 Fração H >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 >1000 Drimanial >1000 >1000 >1000 250 NR NR Espatulenol 1000 >1000 1000 125 NR NR Poligodial 500 >1000 500 250 NR NR 1-β-(p-metoxicinamoil)- 500 >1000 500 125 NR NR 1000 >1000 >1000 250 NR NR poligodial 1-β-(p-oxicumaroil)poligodial S. aureus: Staphylococcus aureus; S. saprophyticus: Staphylococcus saprophyticus; E. faecalis: Enterococcus faecalis; B. cereus: Bacillus cereus; L. monocytogenes: Listeria monocytogenes; S. pneumoniae: Streptococcus pneumoniae; NR: não realizado. Considerando todos os componentes testados, apenas a fração G2 apresentou atividade bactericida, com CBM de 125 µg/mL para Staphylococcus aureus e Bacillus cereus. Avaliando os compostos isolados, tanto o espatulenol como o poligodial apresentaram CBM de 125 µg/mL frente ao Bacillus cereus. Atualmente, em face do aumento da prevalência de pacientes imunossuprimidos, principalmente associado à AIDS, é de fundamental importância a utilização de agentes bactericidas, visto que, com a imunodeficiência instalada, o uso de agentes bacteriostáticos pode levar à falha terapêutica (PICÃO; XAVIER; GALES, 2009). Cabe ressaltar que o conceito de agente bactericida é dose-dependente, isto é, qualquer agente essencialmente bacteriostático tornar-se-à bactericida quando em concentrações (TAVARES, 2000). elevadas 47 5.1.3 Atividade anti-Helicobacter pylori A erradicação do H. pylori é importante para acelerar a cicatrização e diminuir a possibilidade de recidivas de úlceras pépticas. Os regimes habituais de tratamento apresentam várias limitações, como custo elevado, contra-indicações, vários efeitos colaterais, diminuindo a adesão do paciente ao tratamento. Aliado à este fato, a emergência de cepas resistentes aos antibióticos utilizados na rotina, diminui as opções disponíveis para tratamento (ALI et al., 2005). Em estudos anteriores, o atividade anti-úlcera do poligodial e compostos relacionados foi investigada e confirmada, utilizando o modelo experimental de úlcera induzida pelo etanol (MATSUDA et al., 2002). Vários estudos tem demonstrado a atividade antibacteriana de plantas medicinais, porém poucos avaliaram a atividade frente ao H. pylori (SOUZA et al., 2009). Um dos objetivos deste estudo foi avaliar a atividade in vitro de extratos, frações e compostos puros extraídos de D. brasiliensis. Os resultados de CIM frente ao H. pylori estão listados na tabela 4: Tabela 6 – Concentração inibitória mínima (µg/mL) dos componentes de Drimys brasiliensis frente ao Helicobacter pylori Componente CIM (µg/mL) Extrato cascas CH2Cl2 1000 Fração E 500 Fração G2 500 Espatulenol 500 Poligodial 250 1-β-(p-metoxicinamoil)-poligodial 500 Considerando os extratos brutos de D. brasiliensis, apenas o extrato diclorometano das cascas apresentou atividade contra o H. pylori, conforme mostra a Tabela 4. Os componentes com CIM superior a 1000 µg/mL não foram apresentados na tabela, por serem considerados inativos. Dentre as frações obtidas do extrato diclorometano das cascas, apenas a G2 e E apresentaram CIM de 500 µg/mL. Da mesma forma, os compostos isolados apresentaram atividade, sendo o poligodial com melhor resultado (CIM 250 µg/mL). Entretanto, os compostos espatulenol e 1-β-(p-metoxicinamoil)-poligodial também demonstraram ação 48 sobre o H. pylori. É importante salientar que, como no extrato bruto vários compostos estão presentes, há a possibilidade de ocorrer ações sinérgicas entre os compostos, podendo acarretar no aumento da atividade contra o H. pilory. Por se tratar de uma bactéria Gram-negativa, a composição do envelope celular dificulta a ação de agentes antimicrobianos. O pH ácido, a adesão da bactéria à mucosa gástrica, o aumento da resistência aos antibióticos e o processo inflamatório crônico são outros fatores limitantes da terapêutica antimicrobiana (LY et al., 2005). Outras pesquisas tem demonstrado a ação gastroprotetora dos componentes dos extratos de Drimys brasiliensis, em particular do poligodial (CUNHA et al., 2001; MATSUDA et al., 2002). A presença da atividade gastroprotetora, anti-ínflamatória e antiHelicobacter deste composto e de outros compostos isolados podem justificar o uso popular desta planta medicinal. Avaliação farmacológica in vivo torna-se fundamental para a avaliação do potencial terapêutico deste produto natural. 5.1.4 Atividade anti-Mollicutes Os micoplasmas são micro-organismos de crescimento lento e nutricionalmente exigentes, dificultando seu cultivo in vitro. Tais características explicam a escassez de trabalhos avaliando a atividade de produtos naturais contra estas bactérias (MURAINA; PICARD; ELOFF, 2009). As cepas de U. urealyticum, M. hominis e M. arginini foram utilizadas para verificar a atividade anti-Mollicutes. Como os micoplasmas são desprovidos de parede celular, não turvam os meios de cultura. O crescimento bacteriano pode ser evidenciado através da mudança de cor do meio líquido, de amarelo para vermelho, conforme demonstra a Figura 7. 49 Figura 7 - Microdiluição em caldo de extratos e frações de Drimys brasiliensis utilizando Ureaplasma urealyticum. Legenda: 1 – Fração F4; 2 – Fração G; 3 – Fração G2; 4 – Fração F6; 5 – Fração G3; 6 – Fração B; 7 – Fração D; 8 – Fração G5; 9 - Fração E; 10 – Fração C; 11 – Fração H; 12 – Fração F5; 13 – Extrato Caule MeOH; 14 – Extrato Cascas CH2Cl2 ; 15 – Extrato Folhas MeOH; 16 – Extrato Folhas CHCl3; 17 – Extrato Cascas MeOH; C- - Controle Negativo, Sem crescimento microbiano; C+ - Controle Positivo, com crescimento microbiano. Dentre os extratos avaliados, somente o de cascas de diclorometano apresentou atividade contra as 3 espécies de Mollicutes. Da mesma forma, entre as frações, a G2 apresenta a melhor atividade dentre todos os compostos testados, com CIM para U. urealyticum de 15,62 µg/mL. Os resultados obtidos frente às espécies de M. hominis e M. arginini não demonstraram atividade promissora, com CIM de 125 µg/ml na fração G2 para ambas as bactérias. Todos os resultados estão demonstrados na tabela 5. 50 Tabela 7 – Concentração inibitória mínima (µg/mL) dos extratos e frações de D. brasiliensis frente a 3 espécies de Mollicutes. Componente U. urealyticum M. hominis M. arginini 125 500 500 Extrato caule MeOH >1000 >1000 >1000 Extrato cascas MeOH 1000 >1000 >1000 Extrato folhas MeOH >1000 >1000 >1000 Extrato folhas CHCl3 >1000 >1000 >1000 Fração B >1000 >1000 1000 Fração C >1000 >1000 1000 Fração D >1000 1000 1000 Fração E 125 250 250 Fração F4 250 500 250 Fração F5 500 1000 500 Fração F6 125 500 500 Fração G 31,25 250 250 Fração G2 15,62 125 125 Fração G3 125 500 500 Fração G5 125 500 500 Fração H 500 1000 500 Extrato cascas CH2Cl2 Legenda: U. urealyticum: Ureaplasma urealyticum; M. hominis: Mycoplasma hominis; M. arginini: Mycoplasma arginini Comparando os resultados obtidos de CIM das frações G2 e G para U. urealyticum com antibióticos largamente utilizados na prática clínica, como o ciprofloxacino, verifica-se que o CIM descrito para o ciprofloxacino de 8 µg/mL (WAITES; CRABB; DUFFY, 2008) é muito próximo ao obtido com as frações supra citadas. Cabe salientar que, com o isolamento e identificação dos compostos biologicamente ativos, existe a possibilidade de utilização de substâncias com atividade biológica ainda mais importante. O estudo etnodirigido pode facilitar a descoberta de novos agentes com propriedades anti-mollicutes. Devido ao uso popular de D. brasiliensis em infecções que possam ser causadas por bactérias desta classe, a atividade demonstrada nesse estudo justifica o uso popular deste produto natural (CRUZ; SILVA, 1973; CECHINEL-FILHO et al., 1998; MALHEIROS et al., 2003), sendo entretanto necessária a realização de testes para avaliação da toxicidade destes compostos. 51 5.2 Bioautografia A bioautografia é um método útil para a localização de substâncias com ação antimicrobiana em um cromatograma de um extrato ou fração complexa de produtos naturais. Isto permite o isolamento biodirecionado de substâncias ativas (DE SOUZA et al., 2003; HAMBURGER; CORDELL, 1987). Ensaios preliminares de atividade antimicrobiana de D. brasiliensis demonstraram a atividade biológica somente do extrato diclorometano de cascas, sendo os extratos diclorometano e mtanólico de folhas, o extrato metanólico de cascas e caule considerados inativos. Foram utilizadas as bactérias Escherichia coli, como representante das Gramnegativas, e Staphylococcus aureus, representando as Gram-positivas. O extrato demonstrouse ativo somente contra Staphylococcus aureus, sendo este micro-organismo utilizado nos outros ensaios bioautográficos. Com o intuito de facilitar a identificação dos compostos isolados com atividade antimicrobiana, realizamos a bioautografia do extrato clorofórmico de cascas de D. brasiliensis. Foi utilizado o sistema eluente representado na Figura 5, preparado com hexano e acetato de etila (9:1), apresentando um bom resultado, pois conseguiu separar as substâncias ativas. Figura 5 - Bioautograma do extrato clorofórmico de cascas utilizando como sistema eluente hexano e acetato de etila (9:1) 52 A bioautografia também foi utilizada para triagem das frações com atividade antimicrobiana. A Figura 6 demonstra a atividade das frações D, E e G2, utilizando um padrão de poligodial para avaliar a presença deste composto, comparando-se os perfis de índices de retenção (rf). Como pode ser observado, na fração E o poligodial apresentou ação preponderante, sendo que na fração G2 outros compostos também estão contribuindo para a atividade biológica. Os ensaios bioautográficos, apesar de qualitativos, são uma ferramenta importante no auxilio para o isolamento e identificação dos compostos com atividade antimicrobiana. Figura 6 – Bioautograma de frações D, E e G2, com o composto poligodial como padrão (eluente hexano: acetato de etila 9:1). 5.3 Ensaio de toxicidade (Artemia salina) Para avaliação dos extratos e frações da Drimys brasiliensis, utilizou-se o parâmetro da CL50, que foi determinado pela análise de Próbitos, e definido como a concentração necessária para causar a morte das larvas da Artemia salina em 24 horas. 53 Os critérios estabelecidos para a avaliação foram CL50 acima de 250 μg/mL são considerados com baixa toxicidade, entre 80 e 250 μg/mL moderamente tóxicos e CL50 menor que 80 μg/mL considerados tóxicos (PARRA et al., 2001). Estudos de toxicidade auxiliam na triagem de uma grande variedade de compostos com atividade biológica para definir seu potencial de aplicação terapêutica mensurando a toxicidade apresentada dos possíveis futuros fármacos (CARBALLO et al., 2002). Na Tabela 6 estão demonstradas todas as CL50 dos extratos e frações de D. brasiliensis: Tabela 8 – Concentração letal 50% (µg/mL) frente a Artemia salina dos extratos e frações de Drimys brasiliensis. Componente CL50 Extrato folhas CH2Cl2 > 1000 Extrato folhas MeOH > 1000 Extrato cascas MeOH 486,07 ± 122,41 Extrato cascas CH2Cl2 27,51 ± 4,82 Extrato caule MeOH > 1000 Fração B 209,03 ± 21,4 Fração C 577,15 ± 68,3 Fração D 44,57 ± 8,9 Fração E 25,29 ± 6,4 Fração F NR Fração F4 > 1000 Fração F5 609,05 ± 71,5 Fração F6 51,3 ± 14,6 Fração G 218 ± 27 Fração G2 139,7 ± 19,5 Fração G3 431,06 ± 45,87 Fração G5 472,3 ± 51,3 Fração H 141,24 ± 17.6 Legenda: NR: não realizado Como pode ser observado, o extrato diclorometano de cascas apresentou uma elevada toxicidade, com CL50 de 27,51 μg/mL. Dentre as frações com maior atividade antibacteriana, constatou-se que a fração G2, com CL50 de 139,7 μg/mL, apresenta moderada toxicidade. A fração E, por sua vez, foi considerada tóxica pois sua CL50 foi de 25,29 μg/mL. 54 Os resultados do ensaio de toxicidade mostram que há componentes em D. brasiliensis que matam as larvas de A. salina em baixas concentrações. Entretanto, a toxicidade em A. salina não pode ser diretamente extrapolada para a toxicidade no homem, visto que o homem e outros mamíferos tem meios fisiológicos para eliminar substâncias tóxicas (OKOLI; IROEGBU, 2004). Além disso, os resultados obtidos neste bioensaio podem conduzir a novos estudos, visto que esta avaliação de citotoxicidade está relacionada com possível atividade contra as células tumorais, quando os valores de CL50 forem inferiores a 250 μg/mL (SIQUEIRA et al., 1998). A citotoxicidade de drimanos sesquiterpenóides constituintes do gênero Drimys já foi demonstrada, como o poligodial (JANSEN; GROOT, 1991), porém tal composto nãoapresentou mutagenicidade segundo o teste de Ames. Estudos toxicológicos in vivo e testes de genotoxicidade são fundamentais para uma avaliação mais criteriosa do potencial de toxicidade desta planta. 55 6. CONCLUSÕES Através dos ensaios de bioautografia das frações, foi possível identificar quais compostos exerciam a atividade biológica, orientando a fitoquímica no isolamento destes compostos. O extrato diclorometano de cascas de Drimys brasiliensis e os compostos espatulenol, poligodial e 1-β-(p-metoxicinamoil)-poligodial apresentaram promissora atividade inibitória contra as bactérias Gram-positivas (CIM entre 31,25 e 250 µg/mL), mas foram inativos contra as Gram-negativas. Alguns componentes de D. brasiliensis foram capazes de inviabilizar a célula bacteriana de Staphylococcus aureus, Enterococcus faecalis e Bacillus cereus, com CBM entre 125 e 1000 µg/mL Dentre todos os componentes de D. brasiliensis testados, o poligodial que demonstrou melhor atividade contra Helicobacter pylori, com CIM de 250 µg/mL. Verificou-se atividade da fração G2 frente a Ureaplasma urealyticum, com CIM de 15,62 µg/mL, valor muito próximo aos antimicrobianos utilizados na terapêutica. Tanto o extrato diclorometano de cascas como as frações com maior atividade antibacteriana, G2 e E, apresentaram elevada toxicidade sobre o microcrustáceo Artemia salina, devendo ser avaliadas posteriormente quanto a sua possível atividade antitumoral. 56 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBUQUERQUE, U. P.; HANAZAKI, N. As pesquisas etnodirigidas na descoberta de novos fármacos de interesse médico e farmacêutico: fragilidades e perspectivas. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 16, p. 678-689, 2006. ALI, S. M.; KHAN, A. A.; AHMED, I.; MUSADDIQ, M.; AHMED, K. S.; POLASA, H.; RAO, L. V.; HABIBULLAH, C. M.; SECHI, L. A.; AHMED, N. Antimicrobial activities of eugenol and cinnamaldehyde against the human gastric pathogen Helicobacter pylori. Annals of Clinical Microbiology and Antimicrobials, v. 4, p. 1-7,2005. 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