RELATÓRIO FINAL DE TRABALHO PROGRAMA APÓSTOLOS DA INOVAÇÃO GRUPO DELMIRO GOUVEIA SETOR CONSTRUÇÃO CIVIL FORTALEZA/CE – JULHO/2014 2 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS ...................................................................................................................... 3 LISTA DE TABELAS ...................................................................................................................... 4 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 5 OBJETIVOS .................................................................................................................................... 5 ANÁLISE SETORIAL - CONSTRUÇÃO CIVIL CEARENSE ..................................................... 5 METODOLOGIA............................................................................................................................. 6 DESAFIOS IDENTIFICADOS ....................................................................................................... 7 ANALISE DE VIABILIDADE E IMPACTO - ESTUDO DE PRIORIZAÇÃO DAS IDEIAS ....... 9 OPORTUNIDADES IDENTIFICADAS ....................................................................................... 11 1. PROCESSO CONSTRUTIVO INDUSTRIALIZADO DE PAPELÃO ........................ 11 2. USINA DE FIBROCONCRETO E FIBROCIMENTO PARA APROVEITAMENTO DE COCO VERDE ................................................................................................................... 14 3. EMPRESA PARA CONFECÇÃO DE MAQUETES E OBJETOS PERSONALIZADOS COM IMPRESSORA 3D..................................................................... 17 4. APLICAÇÃO DE DRONES NA CONSTRUÇÃO CIVIL ............................................ 20 5. USINA DE RECICLAGEM DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL .................. 23 OUTRAS IDEIAS.......................................................................................................................... 27 1. FACHADAS DINÂMICAS ............................................................................................. 27 2. PLANEJAMENTO BIM ................................................................................................. 28 3. STEEL FRAME ................................................................................................................. 29 4. ALVENARIA ESTRUTURAL PROTENDIDA ............................................................. 31 IDÉIAS DE INCENTIVO PARA O SETOR ................................................................................ 32 1. INCENTIVO AO USO DE ENERGIA SOLAR EM EDIFICAÇÕES .......................... 32 2. INCENTIVO FISCAL VOLTADO PARA O AUMENTO DE PRODUTIVIDADE DOS COLABORADORES ............................................................................................................... 33 ANEXO (CANVAS) ...................................................................................................................... 34 2. FIBROCONCRETO ....................................................................................................... 35 3. IMPRESSORA 3D PARA MAQUETES E PROTÓTIPOS ......................................... 36 4. DRONES NA CONSTRUÇÃO CIVIL........................................................................... 37 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................ 38 AGRADECIMENTOS ................................................................................................................... 38 CONTATO .................................................................................................................................... 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................... 39 3 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Fluxograma das Etapas de Estudo do Setor ..................................................................... 6 Figura 2 - Gráfico de Análise de ideias ........................................................................................... 10 Figura 3 - Ideias validadas após o Brainstorming ........................................................................... 11 Figura 4 - Pavilhão de Odawara em Papelão ................................................................................. 12 Figura 5 - Abrigos Construídos em Papelão ................................................................................... 13 Figura 6 - Protótipo da Universidade de São Carlos ....................................................................... 13 Figura 7 - Principais usos de resíduos de coco verde ..................................................................... 15 Figura 8 - Fibra do coco .................................................................................................................. 16 Figura 9 - Foto do site equipedeobra.pini.com.br ............................................................................ 17 Figura 10- Maquete da empresa FI Maquetes Arquitetônicas ......................................................... 18 Figura 11 - Exemplos de Objetos Impressos em 3D ....................................................................... 19 Figura 12 - Método Contour Crafting para construções reais .......................................................... 19 Figura 13 - Projeto da Cidade de São Francisco criada em parceria entre Autodesk e a SteelBlue 20 Figura 14 - Aplicação de drone na construção civil ......................................................................... 21 Figura 15 - Drone com camera adaptada....................................................................................... 22 Figura 16 - Camera integrada ao drone .......................................................................................... 23 Figura 17 - Usina de reciclagem de resíduos de obras .................................................................. 24 Figura 18 - Usina de reciclagem da Pampulha................................................................................ 26 Figura 19 - Exemplo de Fachada Dinâmica .................................................................................... 28 Figura 20 - Exemplo de Fachada Dinâmica .................................................................................... 28 Figura 21 - Exemplo de Planejamento BIM ..................................................................................... 29 Figura 22 - Construção nos EUA de uma casa com steel frame ..................................................... 30 Figura 23 - Steel Deck já aplicado no estádio Castelão .................................................................. 31 4 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Estudo da Priorização das Ideias ..................................................................................... 9 Tabela 3 - Papelão reciclado em Fortaleza ..................................................................................... 14 Tabela 4 - Validação da Fibra de Coco no Concreto ....................................................................... 16 Tabela 5 - Validação da Utilização de Drones na Construção Civil ................................................. 18 Tabela 6 - Validação da utulização de impressora 3D em maquetes .............................................. 22 Tabela 7 - Quadro de Funcionários................................................................................................. 25 Tabela 8 - Custo do Maquinário e Infra-estrutura ............................................................................ 25 Tabela 9 - Retorno de acordo com o valor final do entulho vendido ................................................ 26 5 INTRODUÇÃO O grupo Delmiro Gouveia composto por quatro integrantes foi responsável por estudar e identificar desafios e apresentar oportunidades de negócios para o Setor da Construção Civil no Estado do Ceará. A atual economia cearense detém cerca de 2% do PIB nacional, representando R$ 87 bilhões, distribuídos em três setores econômicos: agropecuária, serviços e indústrias. Detendo-nos ao setor industrial cearense, constatamos que sua representatividade na economia do Estado é de 22,2%, tendo como principais subsetores o de Transformação (46,8%), seguido pelo da Construção Civil (27,5%) e dos Serviços Industriais de Utilidade Pública (23,4%). Prova da relevância do Setor Construção Civil é que a Coopercon-CE responde por 50% dos investimentos imobiliários do BB para o estado do Ceará. Em número de projetos contratados, o BB soma R$ 1.079 bilhão em investimento e a Coopercon detém R$ 485 milhões, valor que tende a aumentar ainda mais. OBJETIVOS Identificar e visitar as empresas do setor de Construção Civil no Estado do Ceará para criar uma visão diferenciada sobre as oportunidades e desafios presentes. Entrevistar empresários, membros do governo, acadêmicos e especialistas do setor. Diagnosticar os principais riscos do setor e propor soluções inovadoras, colaborando com o desenvolvimento econômico do Estado do Ceará ANÁLISE SETORIAL - CONSTRUÇÃO CIVIL CEARENSE A construção civil no Brasil nunca tinha vivenciado investimentos tão amplos, simultâneos e significativos, provenientes de programas governamentais e dos grandes eventos como a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016. O setor está em crescimento e a tendência é que isto se estenda nos próximos anos. Atualmente, são inúmeros os fatores que vieram alavancar os novos investimentos na área da construção civil. Segundo especialista, dentre os fatores que justificam este crescimento, destaca-se o crescimento do salário em termos reais, o maior poder de compra da classe média, inflação em nível controlado, menor taxa de desemprego e aumento das operações de crédito imobiliário. O segmento residencial é o ramo da construção civil que mais tem se destacado, sendo responsável pelo maior volume de obras no país. De acordo com dados do Informativo Tributário Contábil (ITC - Informação da Construção), em 2009, os investimentos do setor somaram mais de R$ 400 bilhões de reais, crescendo no ano seguinte cerca de 30%, com investimentos distribuídos por todo o Brasil. Estes dados se justificam e demonstram uma tendência otimista de crescimento devido a programas voltados, especificamente, para a habitação, como o “Minha Casa, Minha Vida” – que teve seus subsídios ampliados, pelo Governo Federal, em 75% e tem como objetivo, reduzir o déficit habitacional do país. Dentre os projetos de infraestrutura implantados ou em construção no Estado do Ceará citamos também o metrô de Fortaleza, ampliação de rodovias, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), os programas Luz para Todos e Sanear II, o Eixão das Águas, a construção de habitações e barragens e o Promourb (Mobilidade Urbana). O país precisa de obras para garantir o seu desenvolvimento econômico e estes projetos, além de gerarem oportunidades de emprego e 6 renda, favorecem a criação de novas empresas para integrarem a cadeia produtiva de novos segmentos de infraestrutura. Apesar da tendência de novas construções vivenciada nos últimos anos, segundo pesquisa da KPMG International Cooperative no Brasil, 28% dos executivos acreditam que o setor imobiliário e de construção civil deverão ser os com maiores dificuldades para sobreviver nos próximos anos. Isso é, em grande parte, devido as incertezas econômicas e aos pedidos de recuperação judicial. A solução passa por um esforço das empresas do setor em reestruturar seus negócios, diminuindo custos e inovando em processos e serviços. A SINDUSCON-SP, por exemplo, reduziu sua estimativa de crescimento do PIB para o setor da construção civil em SP em 2014 de 2,8% para a faixa entre 1% e 2%. Cabe ao Ceará não entrar nessa perspectiva e promover desenvolvimentos e inovações que possibilitem um mercado de crescimento estável para o setor. A importância do setor de construção civil para o Estado do Ceará é ratificada pela prioridade dos investimentos do Governo. Nesse contexto, o valor de investimentos públicos direcionados à indústria cearense foi de 3,93 bilhões, sendo que R$ 3,25 bilhões destinaram-se à construção civil. METODOLOGIA A equipe Delmiro Gouveia realizou este trabalho baseada no cronograma de atividades da V Edição do Programa Apóstolos da Inovação, dividida nas seguintes etapas mostradas na Figura 1. VISITA TÉCNICA BENCHMARKING BRAINSTORMING MODELAGEM DE NEGÓCIOS VALIDAÇÃO APRIMORAMENTO DAS IDÉIAS RELATÓRIO E APRESENTAÇÃO Figura 1 - Fluxograma das Etapas de Estudo do Setor Abaixo temos as especificações de cada etapa: Visita Técnica: Esta etapa foi a mais longa e uma das mais importantes, permitindo a equipe Delmiro Gouveia um grande conhecimento e engajamento na economia do Estado do Ceará, através do batepapo com líderes inspiradores, levantando questionamentos e debatendo sobre oportunidades e desafios encontrados no setor e na economia como um todo. 7 Benchmarking: Parte do trabalho que proporcionou a maior geração de ideias pelo grupo. Primeiramente, foram feitas pesquisas sobre setor de construção civil em outros estados e outros países para ser analisado, coletando boas práticas nessas localidades. Brainstorming: Após a coleta de várias ideias através da etapa de benchmarking, foram feitas discussões entre os integrantes do grupo para fazer uma validação inicial da aplicabilidade das ideias geradas. Foram analisados os critérios de mercado, custo, viabilidade e inovação. É importante ressaltar que no processo de validação, surgiram modificações nas ideias prévias e novas visões de negócios. Modelagem de Negócios: Esta etapa foi constituída de treinamento intenso sobre modelo de negócios utilizando o Business Model Canvas (ferramenta de gerenciamento estratégico, que permite desenvolver e esboçar modelos de negócio novos ou existentes) além da aplicação da ferramenta para organização e demonstração de novos negócios. Validação: A partir da modelagem de negócios, as hipóteses levantadas pela equipe são apresentadas aos potenciais clientes que utilizarão o serviço. O processo é constituído de uma entrevista que se divide em duas etapas, a primeira parte com o intuito de fazer questionamentos a respeito do negócio sem mesmo apresentar a ideia, enquanto a segunda parte é a apresentação da ideia com o objetivo de validar e receber feedbacks. Aprimoramento das Ideias: Com base no feedback da reunião de validação, os modelos de negócios são revisados pela equipe e adaptados para uma nova realidade, almejando atender as expectativas do segmento de clientes. Relatórios e apresentação: Esta é a última etapa e corresponde a elaboração do relatório final e apresentação, onde são demonstrados os resultados dos estudos realizados durante todo o programa. DESAFIOS IDENTIFICADOS Durante as visitas técnicas, a equipe Delmiro Gouveia identificou vários gargalos no setor da construção civil do estado, que serão elencados abaixo. As ideias geradas durante o programa foram voltadas para o intuito de resolver esses problemas através de novos negócios. Então, utilizamos a legenda dos desafios (para A a L) para fazermos a ligação entre um respectivo desafio e as ideias geradas que proporcionam impacto nele. A. Mão de obra O custo nacional da construção por metro quadrado foi de R$ 864,01 no primeiro mês de 2014, sendo R$ 477 relativos aos materiais e R$ 387,01, à mão de obra. Portanto, o custo com mão de obra chega a 45% do valor da construção. Esse valor é 30% maior quando comparado com o EUA. Dessa forma, há uma preocupação constante por parte dos empresários da construção civil nessa questão. B. Carga tributária A excessiva carga fiscal na construção civil é um empecilho para o crescimento do setor, dificultando o avanço de novas tecnologias e a especialização da mão de obra. A construção industrializada, por exemplo, sofre bitributação, enquanto informalidade, subcontratações e materiais fora das especificações encontram ambiente favorável dentro da cadeia produtiva. Nesse contexto, a questão tributária se torna, se não o principal, um dos maiores problemas da construção civil. 8 C. Baixa Produtividade Entre 2007 e 2011 as construtoras e incorporadoras obtiveram um crescimento na receita líquida de 50% enquanto no mesmo período registraram uma alta de 60% nos custos. o Ebitda passou de 21% em 2007 para 16% em 2011. A baixa produtividade é apontada como um dos principais fatores para esse cenário. D. Capacitação dos colaboradores Tendo em vista a baixa produtividade, as empresas têm buscado capacitar seus próprios colaboradores para otimizar seus processos. Dessa forma, torna-se um desafio no setor da construção civil a capacitação contínua do trabalhador. E. Greves As recorrentes greves no setor da construção civil influenciam diretamente nos custos das obras. Dessa forma, torna-se um desafio contínuo manter, através de ações e diálogos, os colaboradores motivados e focados no trabalho. F. Desperdício As perdas na construção civil podem ser classificadas como inevitáveis e evitáveis. Um estudo realizado pelo Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP constatou que as perdas podem chegar a 133% devido a muitas falhas cometidas nas obras. Tendo em vista esse dado, torna-se uma preocupação comum às empresas do setor da construção civil em diminuir os desperdícios evitáveis e reaproveitar os desperdícios inevitáveis. G. Métodos Padronizados Um grande desafio na construção civil é a padronização dos métodos construtivos. Dentro de uma mesma empresa níveis de produtividade e desperdícios muitas vezes diferem de obra para obra. H. Gerenciamento de pessoas Outra grande dificuldade das construtoras é fazer o gerenciamento de seus operários de maneira efetiva. Em grandes construções, é difícil para o gestor da obra saber se um determinado trabalhador está executando o seu trabalho corretamente em um determinado momento. A falta de gestão pode acarretar em falhas que atrasem ou encareçam a obra. I. Mudança Cultural Segundo os empresários consultados, ainda existe uma grande resistência cultural a novos métodos construtivos. Um projeto com excelente aprovação em São Paulo, por exemplo, pode ser fadado ao fracasso no Ceará. Essa questão cultural gera uma barreira que causa uma inovação cautelosa no Estado do Ceará. J. Zona de Conforto A questão cultural gera incertezas nos empresários quando a palavra é inovação. Com o receio de investir em novas tecnologias e não obter aceitação do mercado, os empresários da construção civil no Estado do Ceará se acomodam em uma zona de conforto, continuando a investir nos métodos convencionais aceitos no mercado. K. Eliminar Água Algumas empresas afirmaram que gastam muita água em seu processo construtivo. Um dos desafios é otimizar isso a fim de economizar água ou aproveitar parte do que é gasto. 9 L. Medidas de produtividade A produtividade é um assunto que é constantemente estudado na indústria a fim de otimizar os processos, e é claro que isso não seria diferente na construção civil. Um dos maiores gargalos das construtoras do Ceará é mensurar a produtividade. Muitas vezes, sabe-se que o processo não está produzindo conforme o esperado, dado que as metas não estão sendo batidas, mas não se sabe onde melhorar e o que pode ser feito para otimizar. M. Sustentabilidade Além de ser uma ação de cunho social, a utilização de práticas sustentável é umas das prioridades da empresas, tanto por exigências do Governo, quanto por aceitação da população. Políticas sustentáveis são discutidas antes de qualquer tomada de decisões, mas ainda possuem melhorias que podem ser feitas para diminuir os impactos naturais que as construções causam. ANALISE DE VIABILIDADE E IMPACTO - ESTUDO DE PRIORIZAÇÃO DAS IDEIAS Durante as visitas técnicas às empresas e os benchmarkings e pesquisas realizados, geramos um total de 23 ideias para o setor. Depois, fizemos um brainstorming para priorizar as ideias principais e retirar as ideias inviáveis. Nesse passo, dividimos nossos critérios em custo, viabilidade, mercado e inovação. A partir dai, enumeramos de 1 a 4 (sendo 1 o pior caso e 4 o melhor) e elencamos nossas prioridades como mostra a Tabela 1. Tabela 1 - Estudo da Priorização das Ideias A partir da classificação das idéias pelos critérios acima, classificamos como idéias de prioridade A aquelas com soma total > 10 (verde), prioridade B com soma = 10 (amarela), prioridade C com soma < 10 (vermelho). 10 Com tal ordem, foi feito um gráfico, representado através da Figura 2, entre as idéias de prioridade A para comparar quais seriam as mais viáveis a serem aplicadas. Em análise visual, quanto mais bem distribuída for a idéia, mais aplicável ela é. Figura 2 - Gráfico de Análise de ideias No processo de validação das ideias junto às empresas, algumas ideias foram melhoradas e algumas foram desvalidadas. Além disso, conseguimos indentificar novas oportunidades, que, juntamente às ideias adquiridas no benchmarking inicial, formamos as ideias trabalhadas nesse relatório. A utilização de fibroconcreto e o uso de papelão em canteiros de obras foram duas ideias bem aceitas e validadas. O uso de fachadas de dinâmicas em construção foi uma ideia que foi considerada boa, mas um tanto quanto inaplicável no estado, devido ao fato de os edifícios terem suas fachadas em direção oposta ao sol, ao uso de vidro fumê que já otimiza a energia solar, e à forte umidade do ar que pode corroer a estrutua metálica das fachadas. Juntamente com as fachadas dinâmicas, foi discutida a questão do uso de energia solar em prédios. Foi nos falado que o preço de implementação ainda é bem alto e o retorno financeiro é demorado, o que dificulta a venda do empreendimento. Quanto ao uso do Steel Frame, que é um método muito bem consolidado nos Estados Unidos, as construtoras conhecem esse método e reconhecem que ele reduz os prazos, retira os resíduos da alvenaria convencional e diminui a dependência da mão-de-obra, devido ao processo ser industrializado. Porém, o mercado nacional não está condicionado para pagar preços acima da média e o processo construtivo depende de todo um processo de fabricação de perfis e encaixes que viabilizem que as construtoras adotem isso, o que faz com que a ideia seja muito difícil de ser aplicada. Durante a validação, surgiram boas ideias por parte dos empresários: uso de impressora 3D para fabricação de maquetes, uso de drones na construção civil e usina de reciclagem integrada de resíduos da construção civil e demolições. Essas ideias também foram destrinchadas durante o relatório. Após esse processo, fizemos outro brainstorming para elencar nossas novas prioridades. Dai, surgiu a estrutura do nosso relatório, dividindo em tecnologias que é dada na Figura 3. 11 Figura 3 - Ideias validadas após o Brainstorming Oportunidades de negócios representam as ideias que geram um business bem definido, com descrição e modelo de negócios de cada um modelado, valores envolvidos e impacto no mercado mapeado. Outras ideias representam as ideias que tivemos e foram validadas de alguma maneira, mas não geram necessariamente um negócio bem definido para o estado, ou pelo fato de ter pouca abertura de mercado aqui, ou pelo fato de ser apenas uma tecnologia adicional que ajudará em algum produto ou processo. Nas conversas, percebemos que alguns dos gargalos dos empresários do setor estava ligado ao Governo do Estado. Por isso, decidimos colocar uma parte de nossas ideias voltadas para propostas governamentais envolvendo tributação fiscal a fim de resolver alguns problemas do setor, como altos custos em energia, melhorias nas condições de trabalho e bom relacionamento com o sindicato. OPORTUNIDADES IDENTIFICADAS O grupo trabalhou na atribuição direta de oportunidades para a geração de novos negócios no estado do Ceará. Tais negócios passaram por validação e estruturação inicial de trabalho. Ao total, foram cinco oportunidades identificadas que estão comentadas abaixo. 1. PROCESSO CONSTRUTIVO INDUSTRIALIZADO DE PAPELÃO Contexto Os altos custos com alugueis de containers, aluguéis de banheiros químicos, construções temporárias em obras, geram um cenário favorável para uma solução barata e sustentável. O papelão surge como uma alternativa rápida e limpa na construção civil por ser um material que pode ser reciclado várias vezes e que não precisa de um processo complexo de transformação para a reciclagem. O baixo custo da matéria-prima torna atraente a utilização do papelão na construção civil. O material pode oferecer uma solução rápida e segura para construções de apoio nos canteiros de obras, como: escritório do canteiro de obra, refeitórios, banheiros químicos, depósitos e outras construções. Mercado O foco são as construtoras que ainda utilizam construções caras e lentas em seus canteiros de obras. O uso em casas, que já é feito no Japão, não é viável no estado devido a um problema cultural de aceitação popular. Esse negócio pode gerar impacto nos desafios A, F, G, I, K e M. 12 Oportunidades de Negócio Tendo em vista a necessidade de construções rápidas e seguras em canteiros de obras, aliado ao baixo custo do papelão, vê-se um cenário ideal para utilização de construções modulares em papelão no setor. A rigidez do material, a capacidade de personalização das estruturas, o baixo custo e a alta velocidade na construção são características que atraem o mercado da construção civil. Dessa forma, uma fábrica que recicle e produza tubetes de papelão, aliado a uma tecnologia de modulação capaz de produzir construções rápidas e seguras que supram as necessidades do setor de construção civil torna um potencial negócio. O investimento total (Pesquisa e Desenvolvimento, maquinário, infra-estrutura) para reciclagem do papelão, produção das bobinas e fabricação dos tubetes é estimado em R$ 270.000,00. Com esse investimento, uma fábrica que produza 150m²/mês de estruturas para canteiros de obras consegue suprir a necessidade de duas obras de médio porte. O custo médio dessas estruturas convencionais no mercado está em torno de R$ 700,00/m². A empresa com essa produção e vendendo a R$ 480/m² possui um pay back de dois anos. Dessa forma, o faturamento anual da empresa seria de R$ 1.000.000,00/ano. Ressaltamos que essa produção mensal representa apenas 4% do Market Share fortalezense, podendo aumentar exponencialmente quando expandido para outras regiões do país. Benchmarking Estruturas em papelão vem sendo construídas a décadas no Japão. O grande destaque mundial nesse tipo de construção é o arquiteto Shigeru Ban que vem construindo em papelão desde 1989. Shigeru ganhou diversos prêmios de arquitetura durante esses anos, incluindo o Prêmio Pritzker 2014, o maior prêmio da arquitetura mundial. Além da arquitetura arrojada desenvolvida durante décadas, Shigeru comprovou também que tubos de papelão podem resistir a 10 MPa quando submetidos a esforços de compressão e a 15 MPa quando submetidos à flexão, garantindo a construção de estruturas sem muita complexidade. Algumas obras de Shigeru podem ser visualizadas nas Figuras 4 e 5. Figura 4 - Pavilhão de Odawara em Papelão 13 Figura 5 - Abrigos Construídos em Papelão No Brasil esse tipo de pesquisa ainda é inédito. O Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos é pioneiro e já vem desenvolvendo pesquisas da utilidade e segurança do papelão para a construção civil. Em seus ensaios, as estruturas de papelão suportaram até 6 toneladas. Na Figura 6 podemos ver uma estrutura teste da Universidade São Carlos. Figura 6 - Protótipo da Universidade de São Carlos Potenciais Parceiros Laboratório de Materiais de Construção (Departamento de Engenharia Civil - UFC), Laboratório de Engenharia Estrutural (Departamento de Engenharia Civil - UFC), COBAP, SindiEmbalagens. Validação A utilização de construções em papelão em canteiros de obra foi aprovada pelos mentores desde que as devidas análises fossem realizadas no material. A Tabela 2 mostra essa validação. 14 Tabela 2 - Papelão reciclado em Fortaleza 5,6 mil ton/mês Canteiro de obras: venda por m² Mercado Convencional R$ 700,00 Investimento R$ 270.000,00 Pay back 2 anos Com papelão R$ 480,00 Tabela 2 - Validação do Papelão em Construções Modulares 2. USINA DE FIBROCONCRETO E FIBROCIMENTO PARA APROVEITAMENTO DE COCO VERDE Contexto As cascas do coco verde correspondem a 80% do peso bruto do fruto. No entanto, ao contrário das cascas de coco seco, que são utilizadas tradicionalmente para a produção de pó e fibra, o resíduo do coco verde é descartado, contribuindo para o esgotamento de aterros sanitários. Isso contribui para a aceleração do esgotamento da capacidade de acumulação por causa do grande volume. No Ceará, a procura pela água de coco é muito grande nas praias e ruas da cidade, dado que o coco é uma das marcas registradas da cidade e que o clima é favorável, gerando uma intensa produção. As empresas especializadas na área do estado juntas chegam a cortar 250 mil cocos por dia, gerando para empresários e para especialistas do Estado o desafio de reaproveitar esse coco em outras áreas, como em mantas impermeabilizantes, em fibras naturais para enriquecer materiais poliméricos, em solados de calçados e na construção civil, que é o nosso objeto de estudo. Em um contexto mundial, a crise energética das últimas 2 décadas tem motivado o desenvolvimento de pesquisas sobre o fibro-cimento ou fibro-concreto, que são materiais utilizando fibras (usualmente de vidro ou de PVC), devido ao fato de a fabricação de cimento exigir menor demanda de energia comparada com a necessária à fabricação do aço ou dos plásticos. Dessa forma, existe a possibilidade de usar fibra de coco pode ser uma alternativa rentável para um estado como o Ceará, que já possui matéria-prima barata e abundante. Mercado O segmento de mercado para esse tipo de prática é grande no estado, dado o alto número de empreendimentos e construções em vigor atualmente. Além disso, essa prática tem o apoio de ambientalistas e de simpatizantes com a causa, que é uma parcela dos consumidores que tem crescido. Esse negócio pode gerar impacto nos desafios F, I e M. Oportunidades de Negócio O coco apresenta inúmeras vantagens na sua utilização, que além de ser um material ecológico e facilmente reciclável, pertencente à família das fibras duras, tem como principais componentes a celulose e o lenho que lhe conferem elevados índices de rigidez e dureza, encontrando-se perfeitamente vocacionada para os mercados de isolamento térmico e acústico, face às suas características, que a tornam num material versátil, dada a sua resistência, durabilidade e resiliência. 15 Figura 7 - Principais usos de resíduos de coco verde No caso da construção civil, percebemos que a exploração do mercado ainda é bem pequena. Como mostra a figura a cima, uma parcela insignificante do coco verde reaproveitado é destinado para a construção civil, o que é uma oportunidade, dado que o mercado de construções no Ceará e no Nordeste de um modo geral têm crescido bastante no últimos anos. Em conversa com pesquisadores e com professores da Universidade Federal do Estado do Ceará (UFC), vimos as possíveis aplicações para o fibroconcreto a partir do coco verde. Fibras vegetais diminuem a resistência de uma estrutura e, por isso, existem aplicações específicas para o concreto feito com elas. Fibroconcreto pode ser utilizado em sobrepisos, por exemplo, dado que, atualmente, é utilizado os mesmo concreto usado em vigas. Esse concreto estrutural convencional é mais resistente e mais caro, mas proporciona uma resistência desnecessária em sobrepisos, e é ai que entra a possibilidade de uso de concretos menos resistentes. Já para a fabricação de fibrocimento, já existem aplicações pra isso. A fibra de coco verde deve ser usada com cimento especial, de baixo teor de alcalinidade. A alcalinidade do cimento normal destrói as fibras, fazendo com que a parede apresente rachaduras e fraca resistência. Assim, um possível negócio para o estado seria a montagem de uma cimenteira/concreteira que tivesse como uma de suas matérias-primas o coco. Essa empresa poderia vender o seu cimento/concreto de acordo com as especificações da construção e mostrando as economias que a construtora vai ter adotando esse tipo de concreto, além de vender uma ideia de política sustentável. A demanda de fibras de aço no concreto no Brasil é de aproximadamente 100 milhões de kg por ano. Sabendo que o mercado cearense produz 194 milhões de coco por ano e que, dessa forma, tem a capacidade de gerar 32 milhões de kg de fibra de coco por ano, gera uma perspectiva muito boa. Beneficiando essa fibra do coco, podemos vendê-la lucrando R$0,60/kg. Supondo a venda de apenas 1% dessa capacidade cearense, chegamos a R$ 150.000,00/Ano. Esse valor é relativamente alto, uma vez que o único investimento necessário é em pesquisa e desenvolvimento e é avaliado em R$150.000,00 16 Figura 8 - Fibra do coco Benchmarking Nos Estados Unidos, já existem papers publicados que descrevem o comportamento do concreto dadas as proporções e o modo de fabricação dele. Já existe um estudo sobre a melhoria das propriedades do concreto de um modo geral feito por P. Yalley, engenheiro da Takoradi Polytechnic e A.S.K Kwan, engenheiro da Cardiff University. Nesse estudo, eles afirmam que o uso de fibras de coco melhoram propriedades como torsão notável, rigidez e força de tensão. É falado também sobre a força de compreensão e o peso, que diminuem, e sobra possibilidade de uso desse tipo de concreto em diversos tipos de alvenaria estrutural, variando somente a ductilidade da fibra. Potenciais Parceiros Sinduscon, Fenacoco (Feira Nacional do Coco), ADECE - Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará, concreteiras do Ceará. Validação Essa ideia foi validada, tanto por profissionais do mercado quanto por pesquisadores da universidade. Ambos falaram que já existem estudos nessa área, mas ainda nenhuma aplicação bem estruturada. Para um dos professores que conversamos, é preciso obter mais estudos sobre as propriedades desse tipo de concreto, mas que a aplicação em sobrepisos é uma grande oportunidade. Para um dos empresários, mostrando o lado comercial do negócio, o importante é mostrar a segurança e a rentabilidade do negócio, avaliando a norma regulamentar e avaliando preços. Produção de cocos no Ceará Produção de fibra de coco 194 milhões por ano 32.000.000 kg por ano Demanda de fibra no Brasil para concreto Investimento Pay back 100 milhões kg por ano no Brasil R$ 150.000,00 1 ano Com apenas 1% do coco no Ceará, temos: 150 mil/ano LUCRO Tabela 3 - Validação da Fibra de Coco no Concreto 17 3. EMPRESA PARA CONFECÇÃO DE MAQUETES E OBJETOS PERSONALIZADOS COM IMPRESSORA 3D Contexto Conquistar parceiros e clientes para um projeto passa por uma “venda” visual e gráfica do trabalho das maiores construtoras na construção civil. E, na verdade, quanto mais complexo for a estrutura e o projeto arquitetônico da estrutura, mais difícil será representá-la de forma física. Por isso, o trabalho manual de maquetistas é até hoje muito valorizado apesar do preço e prazo alto associados, além de possíveis falhas humanas associadas. Hoje há a necessidade de automatizar processos, diminuindo a necessidade de mão-de-obra intensiva e, consequentemente, prazos e preços. Através do auxílio de impressoras 3D com método de prototipagem rápida a partir de projetos computacionais em CAD (programa já disseminado), pode-se otimizar esta etapa tão essencial em projetos de construção civil e arquitetura. Além das próprias maquetes, objetos industriais e médicos também podem ser modelados a partir desta nova tecnologia que começou a ser disseminada a partir de 2012. E, os estudos com essa aplicação tendem a ser intensificados ainda mais. Por exemplo, estudos na Califórnia(USA) já apresentam o próprio modelo construtivo com a impressora 3D em tempo muito rápido e de qualquer forma necessária. Além disso, na China já existe uma construtora que conclui uma casa inteira (200 m²) por U$ 4.800,00. Há uma tendência de futuro e o Ceará precisa acompanhar. A Figura 9 mostra uma maquete convencional que dura meses para ficar pronta. Figura 9 - Foto do site equipedeobra.pini.com.br Oportunidades de Negócio Sem dúvida a construção de casas a partir de impressoras 3D é uma possibilidade para o mercado da construção civil. Mas isso é um passo para o futuro. Para esse futuro, parcerias com instituições americanas e chinesas que já realizam esse método, junto a Universidade Federal do Ceará, é uma grande oportunidade de desenvolvimento. Mas o benefício das impressoras 3D já pode ser, e vem sendo, usado hoje. Aliando valores em agilidade, preço e qualidade, uma empresa de confecção de maquetes de construções gerais e objetos personalizados é uma oportunidade real para o CE. Essa empresa teria um campo de funcionários especializados em programas de desenho gráfico em 3D como CAD e scanner 3D. Profissionais de designer também ajudariam no desenvolvimento de projetos. Além disso, necessitaria da matéria prima para os protótipos e maquetes como gesso, plástico (inclusive, com uso de garrafas PET) e até papel através de colas especiais. 18 Hoje o modelo mais utilizado de “impressão” é o despejo de finíssimas camadas de pó com resina que são levemente aquecidas e se fundem. Este processo é repetido várias vezes de forma automática e como acabamento, pode-se utilizar lixamentos, vernizes, cera e pintura através de pistolas de tinta. A Figura 10 mostra uma maquete feita com impressora 3D pela empresa FI Maquetes Arquitetônicas. Figura 10- Maquete da empresa FI Maquetes Arquitetônicas Analisando valores do negócio, temos que o preço médio de uma maquete no Ceará custa em torno de R$15.000,00 e demoram meses para serem entregues, gerando desconforto para os clientes. Sabendo que cerca de 200 construções por ano em Fortaleza utilizam maquetes, estimamos alcançar inicialmente 15% desse mercado, o que nos retorna 30 obras. Esse mercado nos daria um faturamento de R$ 450.000,00/ano. Para um investimento inicial de R$ 120.000,00 teríamos um retorno com esse faturamento em 2 anos. Ressaltamos que esse tipo de serviço poderia ser facilmente expandido para outros Estados brasileiros. Entrando em 20 obras em Fortaleza Faturamento em construção civil Investimento em drones R$ 170.000,00 R$ 50.000,00 % tempo disponível para uso em outras aplicações 74% do tempo total de funcionamento do drone Pay back 1 ano Tabela 4 - Validação da Utilização de Drones na Construção Civil Benchmarking Já existem em outras regiões do país empresas que realizam este trabalho de fazer maquetes arquitetônicas e objetos médicos e industriais com impressora 3D. Temos, como exemplo: 1. Imprimate (Atuação em Curitiba, Joinville e São Luiz) 2. FI Protótipos e Maquetes (Campinas-SP) 3. ART3D (São Paulo capital) A Figura 11 mostra um exemplo de outro protótipo e objeto, além das maquetes, a serem realizados com impressora 3D. 19 Figura 11 - Exemplos de Objetos Impressos em 3D Além dessas empresas que já atuam no ramo de maquetes e objetos personalizados, a fim de pesquisa e desenvolvimento seria interessante o contato com os responsáveis pelo método Contour Crafting na University of Southern California e a empresa chinesa Winsun New Materials que gastou 12 anos em pesquisa e cerca de U$ 3,2 milhões para um método de construção de casas em tamanho real super rápido (até 10 casas em 24 horas) e super barato com concreto reciclado, como mostrado na Figura 12. Figura 12 - Método Contour Crafting para construções reais Mercado Devido a possibilidade de rápida entrega de maquetes e protótipos feitos com a impressora 3D, há uma grande aplicação desse negócio para a construção civil com a realização de protótipos e maquetes para médias e grandes empresas, que realizam as construções de maior porte em termos residenciais e comerciais. Mas, nesse negócio, ainda há aplicação para consultórios médicos demandando próteses ou demonstrativos de acordo com seus interesses e para a indústria que necessita de protótipos em suas áreas de atuação, como uma fábrica de armas que pode testar um projeto técnico seu com um equipamento feito na impressora 3D. 20 Figura 13 - Projeto da Cidade de São Francisco criada em parceria entre Autodesk e a SteelBlue No segmento de construções reais com impressora 3D, esse mercado cresce ainda mais quando entramos principalmente em novos projetos de habitação popular. Dessa forma, investimento em pesquisa e desenvolvimento de construções automatizadas com prototipagem rápida pode valer a pena no futuro. Esse negócio pode gerar impacto nos desafios G e L. Potenciais parceiros: Disseminação da nova ideia de construções de maquetes: SINDUSCON; ASBEA (Associação brasileira de escritórios de arquitetura). Empresas fabricantes de impressora 3D: Ex.: Stratasys em Minneapolis-EUA; Empresas fabricantes de maquetes americanas: A maioria localizadas em São Francisco-EUA como a Bespoke. Validação A etapa de validação partiu de conversas diretas com empresas que seriam clientes diretas da “gráfica 3D” de construções de maquetes. O problema destacado foi o prazo e preços nos valores da maquetes artesanais feitas nos dias de hoje. Lembrando que isso não é um problema inerente diretamente ao processo construtivo da obra, mas sua agilidade seria interessante para validação e venda dos projetos das contrutoras. 4. APLICAÇÃO DE DRONES NA CONSTRUÇÃO CIVIL Contexto Para proporcionar diferentes sensações aos clientes e demais stakeholders, incorporadoras do estado tem tido a necessidade de gerar imagens aéreas, tanto de seus lotes e de suas obras em andamento para gerenciamento, quanto de seus empreendimentos já prontos para fins de melhorar o processo de vendas. Essas imagens ajudam no acompanhamento das obras com o tempo, oferecendo aos investidores e gestores do projeto uma visão real do que está acontecendo, e são 21 uma ferramento adicional no processo de venda, mostrando à possíveis clientes em rede imagens do empreendimento e de suas redondezas. Outra vantagem é a redução de custos, porque o acompanhamento da obra de vários ângulos pode ajudar a otimizar recursos utilizados na construção. No Ceará, de um modo geral, ainda são utilizados helicópteros e fotógrafos profissionais para gerar essas imagens, o que depende de pessoas, é caro e relativamente inseguro. Algumas empresas já utilizam a tecnologia de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), sendo esses provenientes de outros estados, como São Paulo e Mato Grosso. Figura 14 - Aplicação de drone na construção civil Mercado O serviço de imagens aéreas acoplados ao gerenciamento da obra em pacotes pode ser comercializado com construtoras e incorporadoras do estado. Além disso, serviços de aluguel para imagens de um modo geral pode ser usado em diversas áreas, como Agricultura, Campanhas Publicitárias, Campeonatos Esportivos, Casamentos, Eventos, Exposições, Shows e etc. Esse negócio pode gerar impacto nos desafios C, E, F, H e L. Oportunidades de Negócio Funções que antes dependiam de helicópteros ou aviões podem ser desempenhadas mais facilmente com o uso de drones (do inglês, zangão). Esses robôs voadores utilizados inicialmente pelo exército estão cada vez mais comuns em atividades comerciais e industriais, chegando à construção civil. O equipamento, que vem do aeromodelismo, permite imagens em diversos ângulos de empreendimentos em andamento. Os drones ainda podem ser utilizados na construção civil para acompanhamento da obra, inclusive munir as construtoras de imagens e ajudá-las a argumentar na hora da venda. Ou seja, o cliente interessado em um imóvel pode ver detalhes que não seriam possíveis sem ou auxílio de imagens aéreas. Além disso, as imagens aéreas geradas auxiliam na manutenção de construções pesadas, como hidrelétricas e pontes, e na supervisão da situação de equipamentos como antenas, tubulações e rede elétrica. Dentre as vantagens do uso de drones, temos a eficiência, o alcance e uma maior segurança. Além disso, imagens geradas por esses veículos podem gerar uma economia de até 80% em relação ao helicóptero, devido ao aluguel da aeronave e ao pagamento de piloto e fotógrafo. 22 No estado do Ceará, algumas empresas já usam drones para a obtenção de imagens, mas trazem essa tecnologia de outros estados. Dado a grande utilidade e o tamanho do mercado da construção civil no estado, montar uma empresa de drones aqui é uma oportunidade não só para o empresário, mas também para o setor de um modo geral. Além disso, a empresa pode gerar valor às fotos, oferecendo serviços de gerenciamento de lotes e gestão da obra através das imagens geradas e de imagens cartográficas em rede. Entre as limitações dos drones está sua autonomia de voo, com uma capacidade de se manter no ar entre 5 e 15 minutos de acordo com o equipamento acoplado a ele. Eles podem chegar a até 150 metros de altura e alguns pesam menos de 2 kg. Quanto ao preço, a diária de um drone sem serviços agregados pode custar entre R$ 1.500 (modelo mais simples) e R$ 6.000 (modelo mais moderno e mais equipado), o que é muito mais barato e viável que um helicóptero, que tem um aluguel de cerca de R$ 3.000 a hora. Figura 15 - Drone com camera adaptada Já para o empresário que investir nesse negócio, teremos os seguintes valores: o preço de um drone com câmera, controle e gerador de imagens em rede de melhor qualidade é de aproximadamente R$ 12.500 e estimaremos o aluguel de R$ 700 por dia, adiconando a edição e formatação das imagens. Esse preço é menor que a metade do menor preço tabelado no mercado atual, que aluga os aeromodelos por valores entre R$ 1.500,00 e R$ 6.000,00 . Sabemos que, em obras de um modo geral, para facilitar o acompanhamento, as imagens são geradas mensalmente. Suponhamos que a empresa acompanhe 20 obras (10% do market share do estado) durante doze meses de um ano. Dai, teremos 240 dias de aluguel em um ano, o que nos dá uma lucratividade de aproximadamente R$ 170.000 por ano e um pay back de quatro meses. Vale ressaltar que a lucratividade apresentada foi calculada envolvendo somente a cobertura de obras e empreendimentos na construção civil, mas os drones possuem aplicações em muitas outras áreas, podendo conseguir um mercado bem maior partindo da geração de imagens aéreas em eventos em geral. Foco em maquetes de construção Quantidade de projetos por ano Preço médio por projeto 30 R$ 15.000,00 Faturamento por ano Investimento R$ 450.000,00 R$ 120.000,00 Pay back 2 anoS Tabela 5 - Validação da utulização de impressora 3D em maquetes 23 Benchmarking Drone Images - São Paulo A drones images, além de trabalhar com imagens na construção civil, atuam em diversos setores: Agricultura e Pecuária, Campanhas Publicitárias, Eventos, Gravações, Jornalismo e Segurança Pública Projenet - Mato Grosso A projenet é uma empresa que fornece uma solução para apoiar o acompanhamento de obras através da combinação de sistemas de informação geográfica em nuvem, obtenção de fotos com drone e equipe especializada. Além da geração de imagens com drones, eles realizam a gestão de empreendimentos imobiliários e apresentam um sistema de controle de lotes através de plantas geográficas geradas em software. Isso serve de suporte para a equipe de vendas e dispensa o uso de mapas de papel de alfinetes coloridos. Figura 16 - Camera integrada ao drone Potenciais Parceiros Agência Nacional de Aviação Civil – ANAAC. Empresas de fabricação de drones. Validação Essa ideia foi validada com construtoras e incorporadoras do estado. Uma das empresas afirmou que usava em suas obras e que é de grande utilidade no acompanhamento da obra, além de monitorar a produtividade em projetos maiores. Essa empresa afirmou ter trazido essa tecnologia de outro estado, mas que seria bom ter isso aqui, dado que existe um mercado bem estabelecido e que a logística para trazer de outra cidade encarece o processo. 5. USINA DE RECICLAGEM DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL Contexto Os resíduos gerados nas construções e demolições são considerados um dos grandes problemas das cidades no mundo todo. Provavelmente pelo fato de não ter o mau cheiro 24 característico do lixo comum, geralmente não são encarados como prioridade, o que é um erro tão grande quanto a quantidade gerada. No Brasil, se estima que sejam gerados mais resíduos do que lixo comum. Segundo a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, cada brasileiro gera quase um quilo de lixo comum por dia (984 g para ser exato). Assim, especialistas estimam que a geração de resíduos de construções e demolições varia entre 1,5 a 2,5 kg diários por brasileiro. É nesse contexto que surgem as usinas de reciclagem, que possuem o objetivo de reciclar resíduos da construção civil, aproveitando a matéria-prima na produção de novos materiais. Por exemplo, temos a brita reciclada, que é usada na fabricação de concretos não estruturais, e a areia reciclada, usada em argamassas de assentamento de alvenaria de vedação. Essas usinas possuem um papel forte na sustentabilidade dos processos construtivos e possuem bastante lucratividade. As construtoras pagam as usinas para retirarem os resíduos das obras, que é a principal matéria-prima, o que diminui bastante os insumos do processo. A Figura 17 mostra um exemplo de uma usina de reciclagem de resíduos de obras. Figura 17 - Usina de reciclagem de resíduos de obras No Ceará, existem duas usinas de reciclagem: uma no bairro Cajazeiras, em Fortaleza, e outra no município de Itaitinga. Uma delas tem como produtos do seu processo a brita tratada com cimento (sub-base e base para pavimentação), o lastro (assentamento de dormentes) e o rachão (obras de pavimentação). Além disso, há uma exigência do Estado para que as construtoras gerenciam de forma sustentável todo o entulho gerado em obras. Mercado Atualmente, as construtoras estão percebendo o retorno financeiro positivo da implementação de um plano de gerenciamento de resíduos sólidos, até porque os bancos exigem um plano para financiar os empreendimentos. Além disso, as usinas que atuam no estado não possuem estrutura para atender tudo que é produzido. No ano de 2013, foram um total de 6473 estabelecimentos construídos no Ceará, tornando-o o segundo maior do Nordeste na Construção Civil. Dado que somente 50% do entulho é reaproveitado, podemos concluir que o mercado de reciclagem é muito promissor. Esse negócio pode gerar impacto nos desafios C, F, K e M. Oportunidades de Negócio Apesar de todas a exigência em torno do desenvolvimento sustentável na construção civil, os empresários reclamam da falta de estrutura em Fortaleza para absorver e reciclar os resíduos sólidos. Segundo dados da Coopercon-CE, as duas usinas do estado só absorvem metade do entulho gerado pelas obras em andamento e reciclam apenas 5% do montante. Esse é um grande problema, dado que o entulho é 60% de todo o lixo gerado em Fortaleza. 25 A partir dai, surge uma boa oportunidade para o estado do Ceará: a implementação de uma usina de reciclagem de resíduos de maneira planejada e organizada que implemente a cultura de reciclagem nas construtoras e que faça a reciclagem na a própria obra. Além disso, a oportunidade fica ainda mais clara, tendo em vista que a Coopercon tem capital de mais de R$ 5 milhões que seriam suficientes para dar entrada numa parceria com a Prefeitura de Fortaleza para a instalação de uma usina próxima à Capital. Essa é uma forte possível parceria para esse novo negócio, além de ser uma prioridade para o Governo, a partir de toda a discussão e o investimento federal em desenvolvimento sustentável. Sabendo da demanda do mercado e da abertura que o Governo tem para possíveis investimentos, o diferencial desse business seria a maneira de relacionamento com os clientes e a integração com as obras. A usina pode agregar valor ao seu trabalho implementando a coleta seletiva na obra e selecionando seus próprios agregados (classe A), mandando os agregados classes B, C e D para os seus respectivos meios de reciclagem, aproveitando basicamente todos os resíduos de uma construção e otimizando as perdas do processos. Para um possível investimento nessa área, estimamos alguns valores para avaliarmos o tempo de retorno. A construção civil de Fortaleza produz 49 mil toneladas de entulho por mês, sendo 53% do total de resíduos urbanos. Desses 49 mil, só 50% é aproveitado, e uma parte dos outros 50% é aterrado e colocado em espera. Assim, existe matéria prima em abundância. Os custos relativos ao quadro de funcionários de uma usina de resíduos sólidos de obras estão descritos na Tabela 2. Tabela 6 - Quadro de Funcionários Os custos com maquinário e infra-estrutura para a instalação de uma usina de reciclagem de resíduos sólidos de obras estão descritos na Tabela3. Tabela 7 - Custo do Maquinário e Infra-estrutura Assim, temos um total aproximado de gasto anual de R$ 180.000,00. Estima-se que a densidade de entulho seja de aproximadamente 1,34 ton/m³. Desses 49 mil produzidos por ano no Estado, suponhamos que tenhamos 2% desses resíduos. Então teremos aproximadamente 1260 m³ de entulho por ano. Dessa forma, podemos calcular o pay back desse investimento em dois cenários, sendo A o de R$ 20,00/m³ e B o de R$ 30,00/m³, estimando um valor fixo médio para o entulho reciclado vendido. 26 Tabela 8 - Retorno de acordo com o valor final do entulho vendido Perceba que estamos estimando por baixo a fatia de mercado desse negócio, dado que o Ceará possui demanda para muito mais. Além disso, vale a pena ressaltar que as construtoras pagam para a usina fazer a coleta e retirar os resíduos das obras, que é mais uma fonte de lucro não contabilizada. Benchmarking A usina de reciclagem da Pampulha – ver Figura 15 – é um exemplo em que funciona bem a parceria público-privada para viabilizar o atendimento da demanda das construções. Nessa usina, os materiais recicláveis são separados manualmente dos rejeitos que, se forem reaproveitáveis, são devidamente destinados. 90% de todo o material recolhido é utilizado em obras públicas e 10% é vendido para empresas privadas. A obrigatoriedade do uso de material reciclado em obras públicas é o que viabiliza a usina economicamente. Figura 18 - Usina de reciclagem da Pampulha Potenciais Parceiros Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (ABRECON), Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE), Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Controle Urbano (Semam), Sindicato da Indústria da Construção Civil no Ceará (Sinduscon-CE). Validação Validamos essa ideia com algumas construtoras, que afirmaram essa necessidade de ter o reaproveitamento de seus resíduos otimizados. Algumas empresas não aproveitam todos os agregados de suas obras, pois não fazem a coleta de maneira correta e armazenam resíduos com impurezas, o que faz com que as usinas da região não recebam o material, inviabilizando a reciclagem e gerando perdas. Durante a validação, também surgiu a ideia de termos uma britadeira dentro da própria obra e que o processo de reciclagem fosse feito em paralelo ao processo construtivo. Assim, os resíduos gerados seriam mais rapidamente retirados, gerando novos produtos e diminuindo custos da construção. 27 OUTRAS IDEIAS A parte de outras idéias do relatório contempla outras oportunidades na área de negócios, processos e tecnologias para desenvolvimento do setor. A real viabilidade e aplicação das idéias abaixo passam por um aprofundamento no estudo delas, seja na parte de análise de investimento ou na parte de mercado de atuação. 1. FACHADAS DINÂMICAS Contexto Em março deste ano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falou do problema de energia no Brasil: “Governo tem que reconhecer e dizer ‘nós vamos enfretar’”. Além do uso de energias renováveis, o acesso a tecnologias que entrem nesse propósito é responsável diretamente por esse “enfrentamento”. E, fachadas dinâmicas entram diretamente nesse propósito. A concepção e o controle de fenestração e sombreamento adequado, simultâneo a um controle de iluminação elétrica e componentes de climatização, podem reduzir de forma significativa a alta carga de energia consumida por edificações de médio e grande porte. Isso já faz parte de avanços tecnológicos inerentes ao conceito de edifícios verdes e inteligentes utilizando controle otimizado da luz do dia e ganhos solares. Para cada projeto de construção, é necessário uma abordagem de design dependendo do clima, orientação e transparência. Como exemplos de diferente aplicação há cortinas de rolo com movimentação automática, placas de travamento horizontal (venezianas) e janelas de operação automatizadas. Novos procedimentos nesse estilo permitem melhora no desempenho da estrutura do edifício relacionados a aspectos operacionais (aquecimento, arrefecimento, iluminação) e conforto humano (térmico e visual). O ideal é que tais projetos sejam idealizados e trabalhados desde o início da construção para a adequação correta de design. Antes de tudo, a automatização das fachadas resolvem o problema cultural. Tem se observado que pelo menos 30% das pessoas deixam as cortinas fechadas durante dias negros e deixam abertas durante os dias claros. Estudo a partir do uso de fachadas dinâmicas mostrou que para um edifício de tamanho médio (10 a 15 andares), com paredes de vidro, refrigeração de poupança de energia devido ao controle automático de sombreamento e iluminação poderia chegar a 40%, enquanto que a energia da luz pode ser reduzida em mais de 60%, em comparação com uma capa de projeto passivo. A carga máxima para o arrefecimento pode ser reduzido de 20 para 40%. Isso faz com que as tecnologias dinâmicas cobertos são muito atraentes, uma vez que contribuem para reduzir a demanda de energia, redução das emissões de gases de efeito estufa, e proporcionar ambientes mais saudáveis em edifícios. Hoje uma das empresas que trabalha com “a pele dos edifícios modernos” é a Somfy, companhia francesa com faturamento aproximado de US$ 1 bilhão e presença em diversos países. Seu procedimento gera economia percentual em torno de 6% e investimentos em torno de R$ 40.000,00. Gerando retorno em cerca de cinco anos. Daí a oportunidade de trabalhar com uma empresa de instalação de fachadas dinâmicas no Ceará, desenvolvimento e instalação. Inerente ao desenvolvimento tecnológico e a preocupação ambiental da sociedade. O risco é saber quem pagaria pelo investimento. O começo da aplicação por obras públicas então é uma alternativa para incentivo cultural as empresas privadas. As Figuras 19 e 20 mostram exemplos de aplicação de fachadas dinâmicas. 28 Figura 19 - Exemplo de Fachada Dinâmica Figura 20 - Exemplo de Fachada Dinâmica Observação Novas tecnologias com caráter sustentável vêm ganhando força no mercado nacional com foco principalmente na região Sudeste. Entre estas tecnologias estão o Ecotelhado branco (desenvolvido pela empresa Dow) que tem uma grande aplicação em casas populares para menor consumo de energia e a energia regenerativa em elevadores com mercado maior em edifícios de luxo. 2. PLANEJAMENTO BIM Contexto BIM é a sigla para Building Information Model (Modelo de informação da construção), que corresponde ao conjunto de informaçoes geradas e mantidas durante todo o ciclo de vida da 29 construção, incluindo processos construtivos e fases de instalação. O BIM abrange geometria, relações espaciais, informações geográficas, as quantidades e as propriedades construtivas dos componentes ( por exemplo, detalhes do fabricante). A partir do momento em que se desenha uma peça arquitetônica, como por exemplo um pequeno edifício, constituído por quatro paredes, um telhado e uma laje de piso, toda a informação necessária para a sua validação e execução, se encontra automaticamente associada a cada um dos elementos. O planejamento BIM é um software da Autodesk para descrever 4D a fim de viabilizar a tomada de decisões, o desenvolvimento, a documentação, a avaliação de alternativas e as melhorias em um projeto. Em visitas às construtoras do estado, observamos que algumas empresas já utilizavam o software, mas muitas ainda tinham problemas em implementá-lo. Sabendo que ele melhora o gerenciamento da obra de um modo geral, acreditamos que seria de grande melhoria ao setor um auxílio dado às empresas que as ajude a integrar suas obras ao software e que ensine os engenheiros a operá-lo. A Figura 21 mostra um exemplo de projeto em BIM. Figura 21 - Exemplo de Planejamento BIM Observação A necessidade de softwares e interfaces de tecnologia da informação na Construção Civil já é uma realidade. Avanços nessas áreas para controle de realização de obras e análise da produtividade dos funcionários são demandas cada vez maiores nas construtoras. Sendo assim, esta é uma área de potencial para estudo e desenvolvimento. Como amostra de softwares já utilizados no produto final de prédios residenciais está o uso de telemetrias para distribuição do consumo de água e gás entre moradores. Isso evita a cobrança generalizada no prédio, para uma cobrança personalizada de acordo com gastos reais. 3. STEEL FRAME Contexto Baixa produtividade da mão de obra, consumo de energia, alta geração de resíduos, problemas com orçamento, escopo e, principalmente, prazos de obras. Situação de inúmeras construções brasileiras que convivem com um sistema artesanal de trabalho. "A questão não é qualificar o trabalhador para o que é feito hoje, e sim passar para um processo industrializado, com menor dependência desse artesanato, onde cada serviço tem uma caractéristica diferente. Quando você tem o trabalhador em um ambiente industrial, aí sim você pode qualificar pra valer", diz Hugo Rosa presidente da Método Engenharia para reportagem na Exame falando também do fato que: "você vai para os Estados Unidos e vê muitos trabalhadores que vem da América Latina, inclusive do Brasil, e os mesmos que tem aqui uma baixa produtividade tem uma alta produtividade lá." 30 Nesse sentido, ao analisar trabalhos positivos de outros países, estuda-se a aplicação de steel frame, método construtivo industrializado que integra o conjunto CES – Construção Energitérmica Sustentável. Tal processo é utilizado amplamente nos Estados Unidos e no Canadá onde mais de 90% das construções o utilizam (porcentagem inclui o wood frame, sistema de madeira). A Figura 22 mostra uma construção em Steel Frame nos EUA. Figura 22 - Construção nos EUA de uma casa com steel frame Há diversas vantagens quanto ao seu uso: segurança estrutural, isolamento térmico e acústico, equílibrio de umidade, baixa emissão de gases, fácil manutenção de instalações elétricas e hidráulicas, economia em gastos com fundação, economia de até 40% de água, economia com mão de obra (até 2x menor) e prazo(até 60% menor). Valendo-se ressaltar que não é uma construção totalmente pré-moldada, mas tem um processo de produção fixo para peças estruturais (o que agiliza o processo construtivo). É válido ressaltar que não apenas o aço compõe a estrutura, mas blocos de gesso acartonado (drywall) ou placas cimentícias são utilizadas para paredes internas, revestimentos cerâmicos, entre outros materiais são utilizados na construção desde o Radier da fundação até o telhado. A acessibilidade a esses materiais já é um empecilho para uma única construção com aplicação exclusiva em steel frame. Além desse problema, o preço do aço, o clima oxidante da região cearense, financiamentos de obras com curto prazo e a própria cultura são “obstáculos” para o seguimento. Entretanto, a partir das contribuições e benefícios do sistema, espera-se que os problemas sejam superados assim como aconteceu nos EUA e outros países. O próprio advento da siderúrgica e laminadora para o estado do CE pode facilitar essa transição. O certo é que é preciso “quebrar paradigma”. Criar uma indústria e construtora que produza os perfis de aço encaixáveis para estrutura e que tenha parcerias com fornecedoras dos demais materiais que compõem a construção. Desde banheiros pré-fabricados a grandes edificações o steel frame pode facilitar o desenvolvimento da construção civil no estado. A Figura 23 mostra a construção no estádio Castelão que utilizou Steel Deck. 31 Figura 23 - Steel Deck já aplicado no estádio Castelão 4. ALVENARIA ESTRUTURAL PROTENDIDA Alvenaria estrutural hoje é um dos métodos de construção mais utilizados em todo o Brasil e seu estudo de forma de aplicação começou na década de 80 no país. Devido ao advanço de novas tecnologias e com o problema de resistência as tensões de tração existentes nas alvenarias baixas, surgiu a necessidade de implatação de armaduras para possibilitar a essas estruturas um maior suporte de carga. Mas, a partir de estudos no Reino Unido, foi desenvolvido o uso de alvenaria estrutural protendida. Sua utilização serve principalmente quando a estrutura é submetida a esforços laterais e devem ter uma alta resistência à flexão. A protensão utilizada serve para aplicar uma compressão no sistema, esperando diminuir as tensões de tração existentes com a alvenaria em uso. Normalmente o método é utilizado em paredes aletadas ou duplo-aletadas com utilização de macaco hidráulico ou torquímetro. Já existe norma no Brasil (NBR 15961-1:2011) que indica a alvenaria protendida quando a tração é o esforço predominante, ou seja, as paredes estão sujeitas a ações laterais elevadas em relação ao carregamento vertical. Sua indicação usual é para depósitos e silos, muros de arrimo, paredes para fachada em galpão, coberturas e edificações com pequena altura (mas com pé direito alto). No Ceará já é amplamente utilizado o uso de protensão nas vigas para sustentação de lajes. Mas, o estudo desta nova técnica pode ser estudado de acordo com as novas contruções no estado. Exemplos de aplicação: (a) silos protendidos em Dublin, Irlanda (b) salão no Reino Unido; (c) parede corta-fogo de fábrica de papel em Regensdorf, Suíça; (d) centro comercial em Montevidéu, Uruguai; (e) muro de arrimo em Itaquaquecetuba, SP; (f) ponte para pedestres no Reino Unido; (g) cobertura na Univ. Federal do Piauí; (h) pilares de garagem no Reino Unido. 32 IDÉIAS DE INCENTIVO PARA O SETOR Além de oportunidades para novos negócios no estado do Ceará, o grupo Delmiro Gouveia trabalhou em idéias de incentivo e parceria público-privado para promover o desenvolvimento no setor de Construção Civil como um todo. Foram citadas duas propostas governamentais. 1. INCENTIVO AO USO DE ENERGIA SOLAR EM EDIFICAÇÕES Uma grande problemática presente em todo território nacional são os gastos com energia elétrica, e é de se esperar que os valores cobrados continuem em crescimento, o que além de prejudicar o consumidor final, prejudica potenciais empresas em sua produção. Das empresas que visitamos durante o programa, muitas falaram sobre o gargalo dos altos custos de energia elétrica, principalmente para aquelas que dependem diretamente disso para a sua produção. Na construção civil, uma maneira de minimizar esses gastos é utilizando placas solares na fachada dos prédios para aproveitar no consumo de instalações para alimentação de ar condicionados, chuveiros elétricos e outros aparelhos que consomem muita energia. Porém, a instalação dessas placas ainda é muito cara e o pay back do investimento ainda é demorado, o que faz com que a implementação dessa tecnologia não seja rentável. Além disso, o mercado está culturalmente condicionado a comprar o que é mais barato, sem enxergar um possível retorno a longo prazo. Por isso, seria interessante que houvesse um maior investimento em energia fotovoltáica por parte do Governo Federal, o que diminuiria os custos, gerando retorno a longo prazo, e difundiria uma prática sustentável na sociedade, dado que trata-se de geração de energia limpa cuja matériaprima é inesgotável, abundante e gratuita. Em construção civil mais especificamente, poderia haver uma redução dos tributos fiscais para incorporadoras que adotem essa prática. Essa redução de tributos garantiria um retorno mais próximo e diminuiria os altos impostos das empresas sobre obra, que é algo que já vem sendo alvo de reclamações. O Brasil é privilegiado quando o assunto é energia solar. A irradiação é extremamente alta. Para se ter uma idéia a pior irradiação em nosso país é em Santa Catarina, mesmo assim é 30% maior que a média da Alemanha, produtora de 35.000 MW nesse tipo de energia. O Brasil, produtor de somente 1 MW, tem grande potencial para o uso da energia solar, possibilitando um grande crescimento do setor de aquecimento. Atualmente, já existe um projeto de lei que permite que uma pessoa que tenha o seu próprio parque que gere energia solar injete o que foi gerado na rede e aproveite isso para usso pessoal, como uma espécie de crédito. Seria interessante que houvesse um incentivo para que as construtoras comprem lotes de terra para implementação de energia solar e aproveitem isso em seus empreendimentos. Um grande abatimento na conta de energia pode ser um forte argumento no ato da venda, dado que a energia elétrica proveniente da rede só tende a encarecer. O mercado é bastante promissor, mas precisa ser mais explorado. No Nordeste a utilização dessa fonte de energia é de apenas 5% e a fabricação não chega nem a 1%, sendo uma região bastante favorável para utilização dessa tecnologia. Em contra partida, temos a região Sudeste com 69% de utilização, fabricando 79% dessa tecnologia. O Brasil tem um potencial de apenas 15 trilhões de MWh por ano. Observação Como ideia adicional, poderia ser estruturado um trabalho de consultoria em gestão na construção civil que ajudasse as construtoras a implementarem benefícios e políticas assistenciais aos seus funcionários. Isso poderia ser convertido para a FIEC ou o SINDUSCON trabalhar junto com as empresas com consultores específicos nas instituições. 33 2. INCENTIVO FISCAL COLABORADORES VOLTADO PARA O AUMENTO DE PRODUTIVIDADE DOS O setor da construção civil vive hoje afogada nas altas tributações estabelecidas pelo Governo. A falta de políticas federais, estaduais e municipais de longo prazo geram um certo clima de incertezas no setor. A ausência de condições favoráveis para que as empresas possam inovar e absorver tecnologia influenciam na baixa produtividade que o Brasil apresenta. Além disso, o setor sofre com recorrentes greves e os acordos trabalhistas não acompanham o ganho de produtividade necessário, fazendo com que a equação não feche, pois aumenta o custo e não aumenta a produtividade. Nesse cenário, é necessário que medidas sejam tomadas para que ganhos trabalhistas estejam atrelados ao ganho de produtividade. Para tal, foi pensado na elaboração de um manifesto pelo Sinduscon e parceiros que proponha incentivos fiscais ao governo em troca de benefícios diretos aos colaboradores. As medidas atrelariam a produtividade do colaborador com benefícios de real interesse pessoal do colaborador, como plano de saúde para a família, ajuda educacional para os filhos, cursos de capacitação, entre outros. O objetivo é fazer com que o colaborador que possua o benefício tenha receio de perde-lo e que o colaborador que não o possua se esforce para conseguilo, gerando uma motivação a mais que resulta diretamente no ganho de produtividade. Observação O incentivo do governo pode entrar em diversas áreas da construção civil. Entrando na área de infraestrutura de pavimentos e rodovias, problema apresentado por diversos empresários do estado (segundo a CNT, de 96.714 quilômetros avaliados pela organização, 63,8% apresentam alguma deficiência no pavimento em 2013, índice maior que em 2012), pode ser incentivado o uso de tecnologia como whitetopping (WT) em que se agrega pavimento rígido (uso de concreto) ao asfalto para maior resistência e qualidade das pistas. Ainda na área de pavimentos, mas entrando no mérito da poluição dos grandes centro urbanos, uma das tecnologias difundidas para minimizar esse problema é o concreto fotocatalítico. Esse material utilizando-se de processos oxidativos avançados e fotocatálise heterogênea com semicondutores de dióxido de titânio possibilita capturação e degradação de poluentes atmosféricos. 34 ANEXO (CANVAS) 1. PAPELÃO 35 2. FIBROCONCRETO 36 3. IMPRESSORA 3D PARA MAQUETES E PROTÓTIPOS 37 4. DRONES NA CONSTRUÇÃO CIVIL 38 CONSIDERAÇÕES FINAIS O setor da construção civil é um setor em constante ascensão no estado do Ceará. Os números já mostram isso: possui um crescimento médio de 7% nos útimos 5 anos, representando 6% do PIB do estado. Além disso, tem um forte impacto social na economia, dado que são mais de 41 mil empregos na área distribuidos em mais de 500 canteiros de obras. O mercado está bastante diversificado, indo de mercado imobiliário e obras públicas até a terceirização de novos negócios para melhorar os processos construtivos. Isso gera diversas oportunidades e aberturas para inovações. No entanto, as inovações demoram a chegar aqui. O Brasil, sendo um importador de tecnologias, já tem um obstáculo para a inovação e, quando algo novo chega no país, geralmente é direcionada para o setor Rio-São Paulo. O Ceará, de onde grandes empresários e pesquisadores, ainda fica atrás, mas está em constante luta para se atualizar em relação às tendência, o que ficou claro ao saber que o planejamento BIM já está sendo aplicado em algumas empresas e já há planos de implementação em outras. Além disso, muitos empresários estão numa espécie de zona de conforto. Eles sabem de uma nova tecnologia e sabem que elas podem melhorar muito o seu negócio, mas têm medo de investir e não obter a aceitação do mercado interno, mesmo sabendo de cases de sucesso no exterior. Isso ficou claro em relação à aplicação de Steel Frame, dado que é um processo construtivo que resolve alguns gargalos do setor e é extremamente difundido nos Estados Unidos e na Europa. Os empresários sabem disso, mas preferem não investir por terem receio de encarecer os empreendimentos e gerar prejuizo. Finalmente, vimos que o crescimento, apesar de ainda ser grande, tem diminuindo percentualmente desde 2009, o que nos leva a concluir que o setor da construção civil é promissor, mas não é suficientemente estável e precisa de constante trabalho. E é ai que entra a inovação. Com o setor se renovando e gerando novos negócios, o mercado vai continuar aderindo aos serviços e a lucratividade só tem a crescer. AGRADECIMENTOS Agradecemos primeiramente a Deus, por nos iluminar e guiar o nosso trabalho de todos os dias, acompanhando e iluminando nossas mentes para gerarmos novas ideias e termos disposição e vigor para trabalhar. Agradecemos a todas as empresas que visitamos e seus colaboradores, que nos receberam em valiosas visitas. Em especial: À Cearáportos, na pessoa de sua coordenadora comercial, Sra. Rebeca Oliveira. À BSPAR Incorporações, nas pessoas de seu fundador, Sr. Beto Studart, e de seu diretor de engenharia, Sr. Engº Ricardo Ary, que nos ajudou a validar as ideias e a gerar novas oportunidades. Às Farmácias Pague Menos, na pessoa de seu coordenador de Sistemas e Logística, Sr. Pedro Praxedes, que nos acompanhou na visita ao centro de distribuição, abrindo nossa mente para integrar a construção civil à outras áreas. À Impacto Protensão, na pessoa de seu presidente, Sr. Engº Joaquim Caracas, especialmente receptivo e solicito em nossas demandas. À Fujita Engenharia, na pessoa de seus fundadores, presidente e vice respectivamente, Sr. Carlos Fujita e Sra. Liana Fujita, que nos receberam em sua obra e nos mostraram in loco o funcionamento do sistema. 39 À Novaes Engenharia, na pessoa de seu diretor técnico, Sr. Engº Lupércio Gurjão, que esteve conosco, validando possíveis negócios e nos motivando em nosso trabalho. Ao Sr. Profº Eduardo Cabral, cuja mentoria nos ajudou em pesquisas e orçamentos de fibroconcreto, na validação das ideias e no surgimento de novos modelos de negócios. Gostaríamos de dedicar agradecimento especial aos nossos coordenadores do Programa Apóstolos da Inovação, Srs. Marcos Tavares, Davis Mesquita e Luciana Perdigão, por ter apostado em cada um de nós, dando todos os subsídios necessários para executarmos o nosso trabalho com excelência. Não poderíamos deixar de agradecer à FIEC, na pessoa do Sr. Roberto Macêdo, por todo o suporte institucional fornecido e ao Sr. Carlos Matos, que aposta no programa como fomentador do desenvolvimento do estado do Ceará. CONTATO Tabela 1 – Nomes e contatos dos Membros e Mentores do Grupo Delmiro Gouveia ligado ao Projeto Apóstolos da Inovação. Membros Davi Vasconcelos Raul Lobo Iuri Torquato Thiago Rocha Grupo Delmiro Gouveia Email [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] Mentores Lupércio Gurjão Carlos Fujita Liana Fujita Prof. Antonio Eduardo Ricardo Ary (Diretor de Construção BSPAR) Telefone 085 - 87919623 012 - 981228881 085 - 99361620 012 - 988649364 Email [email protected] [email protected] [email protected] [email protected] REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS http://www.construanegocios.com.br/artigos/exibir.php?noticia=2257 http://www.excelenciaemgestao.org/Portals/2/documents/cneg9/anais/T13_0600_3558.pdf http://www.itc.etc.br/ Jornal Diário do Nordeste (17/02/2011) http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=935408 Jornal Diário do Nordeste (30/06/2012) http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1154686 Jornal Diário do Nordeste (20/11/2011) http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1072332 http://www.tribunahoje.com/noticia/27656/economia/2012/05/21/construco-civil-reformula-produtospara-elevar-ecoeficiencia.html 40 http://www.crea-mg.org.br/03_Gab_GCM_publicaes/lean%20construction.pdf http://www.taktica.com.br/site/quem-somos/ http://www.tecnobra.com.br/consultoria.html http://www.takttime.net/artigos-lean-manufacturing/logistica-supply-chain/lean-construction-prediode-15-andares-em-6-dias/ http://www.transparenciacapixaba.org.br/noticiadetalhe.aspx?idNot=PROJETO+EXECUTIVO+COMECA+A+SER+EXIGIDO+PARA+INICIO+DE+O BRA http://www.brasil-economia-governo.org.br/2012/04/26/como-o-setor-privado-pode-ajudar-amelhorar-os-servicos-publicos-de-infraestrutura/ http://revistasustentabilidade.com.br/cbcs-impulsiona-mudanca-na-construcao-civil/ http://www.redemaquinas.com/s_paginas.asp?id=5&idS=1 http://www.taktica.com.br/ http://www.noronha.com/ http://impactoprotensao.com.br/ http://www.usifort.com.br/index.php?pagina=1 http://www.teccontrol.com.br/teccontrol/index.php http://www.otec.com.br/page5.aspx http://www1.pernambucoconstrutora.com.br/cms/opencms/peconstrutora/ http://www.cortezengenharia.com.br/ http://www.gafisa.com.br/?gclid=CO2oqNCbrrECFQ5j7AodqycA_g http://www.institutosuperar.org.br/index.php http://www.terrabrasilis.com.br/index.php http://www.faemg.org.br/News.aspx?Code=4774&ContentVersion=C http://www.ibge.gov.br/ ESTRATÉGIAS DE INOVAÇÃO DAS EMPRESAS METALÚRGICAS NO SETOR SUCROALCOOLEIRO DE PIRACICABA. 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