1 CENTRO UNIVERSITÁRIO UNISEB AS INFLUÊNCIAS HISTÓRICAS NO DESIGN BRASILEIRO O EXEMPLO: REVISTA SENHOR Rafael Bompani Alves de Souza Orientador: Prof. Carlos Alberto Cordeiro de Sá Filho 2 RIBEIRÃO PRETO 2011 RAFAEL BOMPANI ALVES DE SOUZA AS INFLUÊNCIAS DA HISTÓRIA PARA O DESIGN BRASILEIRO COM ÊNFASE NA REVISTA SENHOR Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário UNISEB de Ribeirão Preto, como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Publicidade. Orientador: Prof. Carlos Alberto Cordeiro de Sá Filho 3 RIBEIRÃO PRETO 2011 TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO Aluno: Rafael Bompani Alves de Souza Código: 5948 Curso: Publicidade Semestre/Ano: 8º/2011 Tema: As influências da história para o design brasileiro com ênfase na revista Senhor Objetivos Pretendidos: Analisar as influências históricas até design brasileiro anos 60 Revista Senhor _____/_____/_______ _________________________________ Carlos Alberto Cordeiro de Sá Filho Professor Orientador _____/_____/_______ _________________________________ Rafael Bompani Alves de Souza Aluno _____/_____/_______ _________________________________ Sara Gonzalez Coordenador do Curso _____/_____/_______ _________________________________ Reginaldo Arthus Vice-Reitor 4 TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO FORMULÁRIO DE AVALIAÇÃO – FATCC Tema do trabalho: As influências da história para o design brasileiro com ênfase na revista Senhor. Data da apresentação: _____/_____/________ Horário: ____________ Local: _________________________________ Comissão Julgadora: 1) Professor Orientador: ________________________________________________ 2) Professor da Área: ___________________________________________________ 3) Professor Convidado: ________________________________________________ 5 Folha de pontuação Fatores de Avaliação Pontuação (0.0 a 10.0) 1. Atualidade e relevância do tema proposto. 1. Linguagem técnica utilizada em relação ao tema e aos objetivos, e competência lingüística. 1. Aspectos metodológicos e formais da editoração do trabalho escrito - seqüência lógica e coerência interna. 1. Revisão Bibliográfica realizada em relação ao tema pesquisado. 1. Apresentação oral – segurança e coerência em relação ao trabalho escrito. Média: ____________ (_________________________________________________) Assinaturas dos membros da Comissão Julgadora: 1) _____/_____/________ _____________________________________________ 2) _____/_____/________ ______________________________________________ 3) _____/_____/________ ______________________________________________ SOUZA, Rafael Bompani Alves de. As influências da história para o design brasileiro com ênfase na revista Senhor. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Publicidade. Centro Universitário UNISEB. Ribeirão Preto, 2011. 6 S719i Souza, Rafael Bompani Alves de. As Influências Históricas no design brasileiro. Rafael Bompani Alves de Souza. - Ribeirão Preto, 2011. 40 f.. il. Orientador: Prof. Me. Carlos Alberto de Sá Filho. Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário UNISEB de Ribeirão Preto, como parte dos requisitos para obtenção do Grau de Bacharel em Comunicação Social com ênfase em Publicidade e Propaganda sob a orientação do Prof. Me. Carlos Alberto de Sá Filho. 1. Design. I. Título. II. Filho, Carlos Alberto de Sá. CDD 745.4 7 AGRADECIMENTOS Gostaria de agradecer especialmente a Sul Ellen Mariano, meus pais Marcos Rogério de Souza e Claudia de Souza. Agradeço ao meu orientador Mestre Carlos Alberto Cordeiro de Sá Filho pela paciência e apoio. Obrigado a Professora Fabiana Mori por me apresentar esses trabalhos fantásticos que a história Brasileira nos proporciona, e obrigado a professora Rita Fancini por ter fornecido material para o desenvolvimento do trabalho. 8 RESUMO Esse Projeto traça sobre o desenvolvimento do design a fim de embasar a apresentação e análise da Revista Senhor em seus elementos básicos ilustrando o design brasileiro com teorias do modernismo e influências sofridas a partir dele. A revolução industrial e arte e indústria , a relação entre arte e a indústria, e o mundo moderno são alguns dos fatos históricos que são citados nesse trabalho para apresentar o design antes do design e as influências sofridas.No trabalho á também um estudo detalhado sobre uma revista carioca que é comandada por uma linguagem gráfica ilustrada, sendo suas raízes das artes plásticas, que se apoiava totalmente em uma postura comportamental que podemos realmente chamar de uma revista moderna e importante para década de 60 no Brasil. A revista Senhor. Palavras-chave: Design anos 60 - História do design - Revista senhor Modernismo no Brasil 9 Lista de ilustrações Figura 1: Exemplo de design de decoração ....................................................13 Figura 2: Exemplo de design de moda ...........................................................13 Figura 3: Exemplo de design editorial............................................................13 Figura 4: Exemplo de design automobilístico ................................................14 Figura 5: Exemplo de design de embalagem..................................................14 Figura 6: Exemplo de web design .................................................................14 Figura 7: Exemplo de design tipográfico .......................................................15 Figura 8: Exemplo de design de jogos ...........................................................15 Figura 9: Exemplo de design de interiores .....................................................15 Figura 10: Exemplo de design de joias ..........................................................16 Figura 11: Exemplo de design de estampa .....................................................16 Figura 12: Exemplo de design de iluminação ................................................16 Figura 13: Exemplo de design de sinalização ................................................17 Figura 14: Art Deco........................................................................................21 Figura15: Art Nouveou...................................................................................21 Figura 16: Revista Klaxon, edição1.......................................................................27 Figura 17: Capa da Revista Senhor Ano 1 - 1959 nº1...................................31 Figura 18: Produção Gráfica...........................................................................33 Figura 19:Produção Gráfica............................................................................33 Figura 20: Capa da Revista Senhor - Setembro 1959.....................................34 Figura 21: Senhor nº 10 - capa Jaguar............................................................34 Figura 22: Anúncio da Shell na revista senhor n: 5 - 1959...........................36 Figura 23: Anúncio Empresa artística na revista senhor n: 5 - 1959............36 Figura 24: Anúncio Empresa bijouteria na revista senhor n: 5 - 1959.........37 10 Sumário Introdução .......................................................................................................11 1- O que é design? ..........................................................................................12 2– O desenvolvimento do design – 1840 a 1960............................................18 2.1– Arte e indústria .......................................................................................19 2.2– O país e sua indústria..............................................................................21 3- Transição pré-moderna ...............................................................................22 3.1- Moderno ou modernista ..........................................................................22 3.2- Modernismo no Brasil .............................................................................24 3.3- A semana de 1922 ...................................................................................24 3.4- Anos 1960 A semana de 1922 .................................................................25 3.5- A revista Klaxon – mensário de arte moderna (1922-1923) ...................26 4- A revista Senhor .........................................................................................28 4.1- Scliar, o criador .......................................................................................31 4.2- Capas, imagens e produção gráfica .........................................................32 4.3- Cores .......................................................................................................35 4.2- Publicidade na revista Senhor .................................................................35 Conclusão .......................................................................................................38 Bibliografia .....................................................................................................39 11 Introdução A história de cada cultura influencia de forma determinante a história do Design. Este projeto é um recorte de influencias e ensaios da história européia/brasileira para as influencias do design. Para seguir uma ordem cronológica, verifica-se um conjunto de fatores históricos importantes que determinam essas influencias. Este projeto se propõe a realizar uma análise descritiva da proposta de design gráfico da Revista Senhor que foi uma revista carioca de vida curta, durando somente de 1959 a 1964, mas mesmo assim é ainda lembrada como um marco na história do design brasileiro, e influências de contextos históricos que poderiam ter influenciado no design. Para tanto, observou-se a necessidade de levantamento de conceitos básicos que permitissem a compreensão dos contextos político, social e cultural da época partindo da revolução industrial, arte e indústria 1840 a 1960, passando pelo pré-modernismo e modernismo , até chegar na revista Senhor juntamente com a visão geral do posicionamento do design gráfico nesse universo. Dessa forma, procurou-se compreender as influências de contextos históricos para o design a partir dessa visão geral para que fosse possível mostrar as todo contexto histórico resumido para designers interessados. Assim, a partir da motivação pessoal de estar nesse ramo chamado design e com a motivação da professora Fabiana Mori ( 3ºsemestre) de incentivar as pesquisa de revistas antigas traçou-se a seguinte estrutura, baseada na pesquisa realizada por levantamento bibliográfico e na observação de exemplares da revista Senhor. Dessa forma WOLLNER (2003), Melo(2011), Cardoso (2005), fazendo uma detalhada explicação de fatos históricos e o design nos anos 50 e 60, com influencias modernistas e fatos históricos ocorridos paralelamente na mesma época . Assim, ficou clara a necessidade de compreender com Mônica Pimenta Velloso(1996.) e Inaldo Antônio Prati um debate com o modernismo para conhecimento da mesma época, finalizando com Melo(2011), Zorzal (2006), Lucy Niemeyer (2009), Cardoso (2005), importantes para compreender a revista carioca Senhor. 12 1. O que é design? O termo deriva, originalmente, de designare, palavra em latim que quer dizer desenho. Foi adaptado para o inglês design, como um termo de significa mais abrangente. Cardoso (2005) diz que design representa o projeto em que estão inseridos os conceitos de configuração, concepção, elaboração e especificação de um artefato, basicamente com o objetivo de solução de um problema, seja funcional ou estético. Exemplos daquilo que se podem projetar incluem muitos tipos de objetos, como utensílios domésticos, vestimentas, máquinas, ambientes, e também imagens, como em peças gráficas, famílias de letras (tipografia), livros e interfaces digitais de softwares ou de páginas da Internet, entre outros. A palavra design pode ser considerada um estrangeirismo, por ter sido apropriada do inglês. Por essa razão, utilizam-se muitas vezes expressões como desenho industrial. O ICSID (International Concil of Societies of Industrial Design) define o design como uma atividade criativa cuja meta é estabelecer as qualidades dos objetos, processos, serviços e seus sistemas que, o fator crucial, é entre o econômico e o cultural. Seguindo esta linha é possível afirmar que o design busca descobrir, avaliar e dar aos produtos, serviços e sistemas, as formas que são expressivas e coerentes com sua própria complexidade. A partir dessas definições, Argan (2000) faz uma explicação semelhante escrevendo que a arte assim chamada aplicada transmite a imagem da sociedade e de seus graus e valores internos, e sobretudo das suas funções. Figura 1: Exemplos de design de decoração 13 Fonte: www.regisdesigner.blogspot.com Figura 2: Exemplos de design de moda Fonte: www.weyandjhreinaldo.blogspot.com Figura 3: Exemplo de design editorial Fonte: www.pulsardesign.blogspot.com Figura 4: Exemplo de design automobilístico 14 Fonte: www.alltribos.blogspot.com Figura 5: Exemplo de design de embalagem Fonte: www.superdicas.de Figura 6: Exemplo de web design Fonte: www.1stwebdesigner.com Figura 7: Exemplo de design tipográfico 15 Fonte: www.raqueldamasceno.wordpress.com \Figura 8: Exemplo de design de jogos Fonte: www.guiadacarreira.com.br Figura 9: Exemplo de design de interiores Fonte: www.planejando-interiores.blogspot.com 16 Figura 10: Exemplo de design de joias Fonte: www.parana-online.com.br Figura 11: Exemplo de design de estampa Fonte: www.noupe.com Figura 12: Exemplo de design de iluminação Fonte: www.espacopinheiros.com.br 17 Figura 13: Exemplo de design de sinalização Fonte: www.ddq.com.br 18 2. O desenvolvimento do Design Com a Revolução Industrial, surgiu um conjunto de novas transformações técnicas e econômicas que produziram novidades e facilidades no processo de produção de um produto. Tendo início na Inglaterra, no século XVII, Decca (1995) define a revolução industrial como uma revolução no sistema de produção que objetiva menores custos, maiores lucros e produção acelerada. Decca (1995) ainda afirma que a Revolução acelerou a migração do campo para a cidade, contribuindo para formação de uma classe social que seria determinante para o seu objetivo, a classe operária. Daí podem-se destacar vários fatores, que já em 1860, novas transformações técnicas e econômicas começaram a aparecer. Dessas transformações, três merecem destaque especial: 1- O processo de transformação do ferro em aço; 2- O dínamo, que representa a substituição do vapor pela eletrecidade; e 3- O carvão, que foi utilizado como força em navios e locomotivas. Para Gruszynski (2008), o design moderno emergiu em resposta à Revolução Industrial, quando artistas e artesãos com mentalidade reformista tentaram conferir uma sensibilidade crítica à feitura de objetos e a mídia. O autor afirma também que o design tomou forma como uma crítica à indústria, ganhando entretanto seu status maduro e legítimo ao tornar-se um agente da produção em máquina e do consumo em massa. Decca (1995) declara que durante a revolução Industrial, os ramos eletrônicos da Idade da Máquina ameaçavam dissolver a autoridade do design como sequência definida de objetos e sujeitos e que o design está disperso através de uma rede de tecnologias, instituições e serviços que definem a disciplina e seus limites. Decca ( 1995) cria um vínculo de destaque entre Revolução Industrial e design quando diz que a compreensão de ação do design no mundo exige-nos que clarifiquemos a noção de objeto, um conceito muito próprio da cultura ocidental, cujo sentido atual terá nascido em consequência da Revolução Industrial. 19 Gruszynski (2008 p16) confirma os dizeres acima quando diz: O design moderno emergiu em resposta à Revolução Industrial, quando artistas e artesãos com mentalidade reformista tentaram conferir uma sensibilidade crítica à feitura de objetos e à mídia. O design tomou forma como uma crítica à indústria, ganhou entretanto seu status maduro e legítimo ao tornar-se um agente da produção em máquina e do consumo em massa. Hoje, os ramos eletrônicos da Idade da Máquina ameaçam dissolver a autoridade do design como seqüência definida de objetos e sujeitos. O design está disperso através de uma rede de tecnologias, instituições e serviços que definem a disciplina e seus limites. Sendo assim, pode-se afirmar que a Revolução tornou os métodos de produção mais eficientes. Os produtos passaram a ser produzidos mais rapidamente, barateando o preço e estimulando o consumo, trazendo transformações econômico-sociais que consistia em ampliar os limites de suas relações comerciais e desenvolver mercados em outros continentes. E nesse esforço para expandir a região desenvolvia com maior rapidez seus recursos minerais, fontes de energia e outros. 2.1 Arte e indústria SOUZA (Adorno, 1970 apud Souza 2007) cita Adorno que tem como idéia de arte o que não pode ser separada de seu compromisso social, e segundo Adorno é por meio da análise do fenômeno artístico contemporâneo que o filósofo procura denunciar o caráter de manipulação do capital na arte. Para defender a arte como conhecimento, Adorno desenvolveu sua teoria sobre um alicerce teórico em que a crítica exerce um papel fundamental no processo de percepção. Segundo SOUZA (Adorno, 1970 apud Souza 2007) , na década de 1950 a situação da arte (design) é aporética ou seja se encontra num verdadeiro estado de paralisia, pois mesmo tendo se livrado das funções que exercia, funções como culturais, religiosas ou morais, o mundo capitalista soube atribuir um lugar específico da realidade social. A arte acaba se integrando na rotina das mercadorias e dos produtos e se torna objetivo dessa indústria de mercadorias vender bens com o imagem de “arte”. Dessa forma, a indústria cultural apresenta a extinção da história social da arte, sendo que lhe interessa apenas o sucesso comercial e sua procura em alta demanda. 20 Explica que a arquitetura e as criações da arte eram ao mesmo tempo funcionais e artísticas, e a filosofia do profissional e artista, necessariamente similares. Ele ainda cita que a “Era da máquina”, com todos os processos de produção em massa exigindo especializações 1 que causaram uma desastrosa divisão entra a obra e a filosofia do produtor industrial e o artista. Forma (2009, p.10) afirma que: É fato, ao longo dos anos, aproximações e afastamentos entre belas-artes e artes aplicadas e que na arte moderna, quando a industrialização e as novas tecnologias lançam o artesanato numa crise inédita, fazendo do artista um intelectual apartado da produção industrial. Na segunda metade do século XIX, na Inglaterra, teóricos e artistas reunidos no 2Arts and Crafts reafirmam a importância do trabalho artesanal diante da mecanização industrial e da produção em massa. Forma (2009) ainda destaca que o Movimento de Artes e Ofícios está nas origens do artnouveu europeu, apresentando novos materiais do mundo moderno (o ferro, o vidro e o cimento) e da racionalidade das ciências e da engenharia: O Arts and Crafts se lança ao recriar as artes manuais em plena era industrial, produzindo tecidos tingidos e estampados à mão, móveis, livros etc. Os padrões (...) para papéis de parede são bastante conhecidos e ainda hoje comercializados. (FORMA 2009, p20) Já na década de 1920, as artes aplicadas encontram abrigo no estilo art Deco (figura 14) , entre arte e indústria tendo a decoração como muro na linha das propostas art Nouveau (figura15). O estilo art déco apresenta-se de início como luxuoso, empregando materiais caros como jade, laca e marfim. De 1934 pra frente, o estilo se torna mais diretamente com a produção industrial, com os materiais e formas de reprodução em massa. A art Déco firmou-se como estilo dominante da França entre as 2 guerras mundiais. Como acontecera com Art nouveau, esse estilo coexistiu com outros que apresentavam ilustrações mais diretas e populares e tipos de letras mais informais. A art Déco originou-se diretamente da pintura cubista francesa desenvolvida antes da 2 guerra. (HOLLIS XX). 1Era da máquina:História da Revolução Industrial, pioneirismo inglês, invenções de máquinas, passagem da manufatura para a maquinofatura, a vida nas fábricas, origem dos sindicatos. 2 Arts and Crafts é um movimento estético e social inglês, da segunda metade do século XIX, que defende o artesanato criativo como alternativa. 21 Figura 14 Art Deco Figura 15 art Nouveau Font: katieforrester.art-deco-vs-art-nouveau.com.br 2.2 O Estados Unidos da América e sua indústria Nesse capítulo o objetivo é diferenciar conceitos históricos com o design em si, Wollner (2003) dá o exemplo de um país totalmente voltado à industrialização, os EUA, que sofria com uma pressão econômica e social provocada pela situação de desemprego. Os americanos vinham sofrendo desde a quebra da bolsa em 1929, e que se estendeu aos anos anteriores à segunda guerra mundial em 1937. Assim, a publicidade rapidamente difundia com a indústria do design, que nada mais era que uma estratégia de venda da aparência do produto industrial (eletrodomésticos, automóveis, embalagens), produtos de curta duração que tiveram de ser substituídos por outros com novo estilo. 22 3 Transição pré-moderna O Simbolismo e pré-modernismo, em termos, reflete um momento histórico extremamente difícil, que marcaria a transição para o século XX e a definição de um novo mundo, consolidado a partir da segunda década do século XIX. As últimas manifestações simbolistas que tinham como característica a ênfase no imaginário e na fantasia. As primeiras produções modernistas caracterizando-se por ser uma tentativa de definir e marcar posições, como sendo um período que foi rico em manifestos, e seria a fase mais radical justamente em consequência da necessidade de definições e do rompimento de todas as estruturas do passado, são contemporâneas da primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa. E também não se deve deixar de mencionar o futurismo, na Itália; o expressionismo, na Alemanha; o cubismo de Picasso ou o dadaísmo na Suíça. 3.1 Moderno ou modernista Segundo Cardoso (2005), entende-se por Modernidade o período histórico que vai do final do século XVIII até o final do século XX. Tendo transformações fundamentais, primeiramente na Europa e em todo mundo, tranformações como das rupturas tecnológicas, políticas e socioeconômicas provocadas pela industrialização e pelo pensamento Iluminista, que foi o movimento cultural que procurou mobilizar o poder da razão, conhecimento crítico, e o melhoramento da sociedade. O movimento Iluminista teve sua importância para o mundo moderno, como na Revolução francesa e movimentos como o da independência na Grécia e sua influência no surgimento de correntes como Liberalismo e Socialismo. O movimento de Design Radical e de Anti-Design se consolidaram como revolta ao modernismo, essas vanguardas podem ser vistas como as primeiras vanguardas pós-modernas, mesmo não sendo voltados ou acessíveis para a população, esses movimentos marcam a transição do modernismo para a pós-modernidade. O Anti-Design e o Design Radical devido 23 à forte carga ideológica, mesmo que carregassem aspectos distintos, quando se aproximaram e se fundiram, deram origem a uma das principais correntes ideológicas da pós-modernidade. Brancos e cinzas, o Anti-Design explorou o rico potencial da cor. O Pop, além de influenciar a sociedade de uma época, influencia diretamente as vanguardas de Anti-Design e Design Radical. Na década de 60, a relação do designer com a grande indústria é desvinculada, o meio artesanal de se fazer design é revistado, mais do que uma característica prática e funcional, novamente é conferida ao design uma carga simbólica, valores simbólicos expressos nas vanguardas pós-modernistas. Assim surgiu o chamado Design Radical e Anti-Design ou design que recebeu influências inegáveis do pop-art dos anos sessenta e alguns elementos de culturas primitivas. Figueiredo (Salinas 2001 apud figueiredo 2010) declara que os objetos se expressam como símbolos visuais e os designers desenvolvem o seu trabalho sem a mediação da grande indústria. Voltando os olhos novamente para o estilo e a concepção artesanal. O Anti-Design não visava à funcionalidade nem ao apelo comercial, pelo contrário, era contra esses dois componentes fundamentais num projeto de design usual, promovia a estética pelo uso de formas e texturas diferenciadas, as quais em combinação com a ausência de aspectos funcionais, praticidade, racionalidade, universalidade e estandardização, eram consideradas na época como projetos incoerentes e absurdos, em que incorporavam o estilo como um meio de aumentar as vendas. Buscou-se, portanto, aproveitar o potencial social e cultural do design, usando-o como ferramenta-chave para uma nova revolução ideológica e cultural. Se o modernismo foi caracterizado por noções de permanência, o Antidesign abraçou a efemeridade do Pop, o consumismo e a linguagem dos meios de comunicação de massa; onde a paleta modernista era geralmente silenciada com uma predominância de negros, onde o modernismo admirava a integridade das propriedades dos materiais na sua forma pura, o Antidesign abraçou o ornamento e a decoração (WOODHAM, 2004, p.163) 24 Figueiredo (Salinas,2001 apud figueiredo,2010) diz que a principal diferença do AntiDesign tem sido a mais forte vontade política para o ataque as estruturas ideológicas das tendências predominantes. Dos grupos italianos de Design Radical, o Gruppo Strum tinha nos seus princípios bases filosóficas do Antidesign, abrindo caminho para o surgimento do pósmodernismo no início dos anos 1980. 3.2 Modernismo no Brasil Segundo Guidin (2008), em 1917 um fato iria mudar toda idéia de arte no nosso país Brasil. A jovem pintora Anita Malfatti, que acabava de voltar de seus estudos na europa, fazia uma exposição de quadros expressionistas no centro da cidade de São Paulo. O escritor Monteiro Lobato não gostou e, num violento artigo de jornal, perguntava se essa moça era louca ou estava querendo enganar a todos. O texto, ainda hoje famoso, chama-se “Paranoia ou Mistificação?” e provocou revoltas: muitas pessoas devolveram quadros comprados, outras agrediram a pintora e suas telas. Mas o efeito final foi excelente para o nosso modernismo: em torno dessa jovem se reuniram Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Villa-Lobos, Di Cavalcanti e outros artistas, que, juntos e muito corajosos, acabaram fazendo a Semana de Arte Moderna.(GUIDIN 2008 p20) 3.3 A semana de 1922 A semana de 1922 é, por assim dizer, o sinal verde para o modernismo brasileiro. Foi no teatro municipal de São Paulo que ocorreu o encontro, precisamente entre 13 e 18 de fevereiro de 1922. A semana contava com diversas apresentações como de conferências, leituras de poemas, dança e música. A semana também contou com personagens como os escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade, artistas e pensadores, Manuel Bandeira, Di Cavalcanti, Graça Aranha e pintoras como Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. De acordo com Camargos (2002), pode-se dividir o movimento modernista no Brasil em duas partes, sendo a primeira de 1922 a 1930, caracterizada por se tornar claro um movimento renovador e por sua divulgação de obras e realizações modernistas. Depois vem a 25 segunda parte, explicando que após sua realização, os artistas que participaram partiram para a Europa, enquanto outros nomes foram nascendo no continente. É o caso de Lasar Segall, que vinha fixar-se no Brasil, trazendo grandes contribuições e de Tarsila do Amaral, uma das pioneiras em concretizar os ideais da Semana de Arte Moderna, aliando a brasilidade a elementos das vanguardas européias. A partir de 1924, começam a surgir as divisões do Movimento Modernista, principalmente a partir do pau- brasil (Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, entre alguns membros) e do verde- amarelo (Menotti del Picchia e Plínio Salgado, como alguns dos representantes). (CAMARGOS p37) 3.4 Anos 1960 A década de 1960 mudou os palcos da revolução das arte e design brasileiro. Melo (2006) afirma: O sonho de construir uma sociedade pacifica e igualitária levou jovens do miundo todo lutar por mudanças que, mesmo parecendo ingênuas ou irrealizáveis, cumpriram o papel de motores de transformações duradouras em múltiplas esferas. Melo (2006) declara ainda que o Brasil enfrentou mudanças extremas em vários fatores: na política, o golpe de 1964, dando origem a ditadura, mobilizações populares, a censura, que interferiu na cultura e nas artes e a música, a bossa nova, dando origem a MPB. Verifica-se também o cinema e o teatro deixando explícito a transição das tradições para o cinema novo, teatro de arena e do Teatro Oficina. O autor lembra uma onda importante que determinou muito a fase do design nos anos 1960, que foi o psicodelismo, explicando que foi uma verdadeira febre entre os jovens da época, influenciando tanto no design gráfico, como na publicidade. Ele assevera que o psicodelismo transmite o máximo de uma estrutura complexa que se traduz em uma enorme demanda, por exemplo, do cartaz do filme Deus e diabo na terra do sol, que alem de forte e impactante, é um cartaz objetivo e direto. 26 Wolnner (2003) lembra que a partir dos anos 1960, a atividade do design visual conheceu um desenvolvimento real, por ter prazos e custos mais semelhantes com a realidade da indústria naquela época. O número de escolas na área do design visual cresceu consideravelmente e o mercado pôde absorver um grande contingente de profissionais. [...] Nos anos 60, divulgamos o design como atitude profissional, tanto pela implantação do ensino em nível superior, embora a profissão ainda não estivesse regulamentada. (MELO, 2005 p.107) 3.5 Revista Klaxon— Mensário de Arte Moderna (1922-1923) Não poderia falar sobre o modernismo no Brasil, tendo destaques em revista, e não citar a revista Klaxon. A revista Klaxon recebe este nome do termo usado para designar a buzina externa dos automóveis. Inovadora em todos os sentidos: gráfico, existência de publicidade, oposição entre o velho e o novo. Foi o primeiro sinal Modernista, fruto de agitações do ano de 1921 e da grande festa que foi a Semana de Arte Moderna. O primeiro número circulou com a data de 15 de maio de 1922; o último saiu em janeiro de 1923, com o número duplo 8/9. A Klaxon foi inovadora em todos os sentidos. No projeto gráfico, tanto da capa como das páginas internas; na publicidade da quarta página da capa, das sátiras, como a da ‘Panuosopho, Pateromnium e Cia’. (Revista Klaxon, edição, p.11) No editorial da própia revista Klaxon, fornecida pela professora Rita Fancini, define perfeitamente com suas palavras dizendo que a luta começou de verdade no inicio de 1921, pelas colunas do “Jornal do Comercio” e do Correio Paulistano”. Seu primeiro resultado foi a Semana de Arte Moderna. Como este a Semana teve sua razão de ser nem um desastre, nem um triunfo, assim como ele, colheu frutos verdes. Klaxon não se queixará jamais de ser incompreendido pelo Brasil. O Brasil é que deverá se esforçar para compreender a Klaxon.(Revista Klaxon, edição1, p.1) 27 A revista também deixa claro sua proposta de estética e objetivo dizendo que a Klaxon sabe que o “laboratório” existe, por isso que dar leis científicas a arte, leis que são baseadas nos progressos da psicologia experimental. Abaixo aos preconceitos artísticos! Liberdade! Mas liberdade embridade pela observação.... Klaxon não é exclusivista. Apezar disso jamais publicará inéditos maus de bons escritores já mortos. (Revista Klaxon, edição1, p.2) A Klaxon se preocupa também em deixar claro sua forma de arte, segundo eles “cartaz”, dizendo que cogitam principalmente a arte. Mas querem representar a época de 1920 em diante. Por isso é uniforme, omnipresente, inquieto, cômico, irritante, contraditório, invejado, insultado, feliz. Klaxon tem uma alma collectiva que se caracteriza pelo impeto contrutivo.Mas cada engenheiro se utilizará dos materiais que lhe convierem. Isto significa que os escriptores de Klaxon responderão apenas pelas ideias que assignarem. (Revista Klaxon, edição1, p.3) Figura 16-Revista Klaxon, edição1 Font: http://ideiasleituraeescrita.blogspot.com/2011/04/historia-da-literatura-brasileira-fotos.html 28 4 A Revista Senhor A Revista Senhor, segundo Melo (2006), é revista carioca comandada por uma linguagem gráfica ilustrada, tendo suas raízes nas artes plásticas, se apoiava totalmente em uma postura comportamental e surge em tempos de atmosfera de Bossa Nova, construção de Brasília e Cinema Novo, inserindo-se em um cenário de alta cultura que permeava a vida do brasileiro ao final da década de 1950. Revista para o homem culto e para a mulher, pois eram elas que comandavam as compras de casa. E para completar o cenário da revista, o exemplar tinha um preço acima do preço das revistas da época, motivo para definir melhor seu público. A revista era desde o princípio uma revista para o formador de opinião, não se preocupando com o padrão de notícias da época, e apresentava um foco mais intenso no jornalismo formativo que definia como um dos cenários vivos nas décadas de 1950 e 1960, colocando o leitor em contato com as principais novidades e preocupações da época, numa formulação implícita de informar o leitor. Queríamos dar um pouco de cultura e refinamento para as classes dirigentes. A intenção era ter um número variado de colaboradores mostrando os talentos brasileiros, conhecidos ou não, e como se escrevia no exterior de várias origens e época. [...] A orientação era de abrir para todas as opiniões e ideologias para textos compatíveis com a qualidade que exigíamos. A revista não existia para promover ideologia alguma, visava divulgar boa literatura nacional e estrangeira, artes em geral, o que se pensava no Brasil e mundo. Perseguimos tais objetivos sempre procurando aprimorar qualidade de texto e gráfica. (SIROTSKY, 2005, p30). Por isso, no primeiro exemplar, Luiz Lobo escreve carta ao leitor: “MINHAS senhoras: Como por muito tempo desejei fazer uma revista e sempre ouvi dizer que as mulheres é que compram ou condenam uma revista à morte, dirijo-me a vocês (se me permitem o tratamento). Em primeiro lugar para pedir desculpas. Em segundo lugar para pedir compreensão. Em terceiro lugar para explicar-me. E em último lugar para dar- lhes uma garantia. 29 Em primeiro lugar devo dizer que não fiz uma revista feminina por três motivos: 1. Porque já há muitas. 2. Porque as mulheres não gostam de revistas femininas. 3. Porque as mulheres estão querendo cada vez mais saber exatamente o que é que os homens andam querendo saber. Em segundo lugar eu digo que a compreensão de vocês é necessária porque de outro modo esta revista não dará certo e outras revistas no gênero aparecerão, nem todas com a preocupação que temos (muito disfarçada) de servir à mulher, fingindo que estamos servindo ao homem. Em terceiro lugar, uma explicação: Esta revista lhes permitirá o mais completo conhecimento sobre o homem, suas manias, seus cacoetes, sua tática, seus pensamentos, seu ponto de vista, suas idiossincrasias, seu humor, maneira de vestir, de calçar, de comprar, falar, gostar, mentir, viver e morrer. Em último lugar, a garantia: Esse conhecimento, que a maioria das mulheres só adquire pelo casamento, com muito sacrifício pessoal, fará com que cada uma de vocês tenha sobre o homem (seu marido, noivo ou namorado, em particular, e os admiradores em geral), uma ascendência e um domínio cada vez maiores, o que é – a final de contas – o supremo interesse da mulher. As mulheres casadas, por outro lado, encontrarão aqui uma espécie de curso que no Exército é chamado “Curso de Estado- Maior”. Assim, fazendo uma revista exclusivamente para homens, estamos – mais do que nunca – trabalhando para que você tenha uma vida melhor. E nós também. O EDITOR” 30 Melo (2006) afirma que seu tempo de vida foi curto, durando somente de 1959 a 1964, e mesmo assim é ainda lembrada como um marco na história do design brasileiro. O que a torna especial é seu projeto editorial, que dialogava uma comunicação poética com a editorial com uma tendência experimental, relacionando texto e imagem com um caráter autoral nas construções das ilustrações assim nesse período de vida, grande nomes brasileiros foram destaque na história da revista como Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, e Jorge amado. Niemeyer em seu livro explica que a revista foi um espaço para ensaiar, inovar, ousar, testar soluções visuais, e conhecer novas possibilidades. Para definir em palavras mais específicas, um dos responsáveis, Carlos Scliar em Melo (2006), afirma: Desejamos que fosse uma revista de cultura, mas sem forçar; teria que ser de alto nível, mas que fosse dirigida por um público novo que teríamos que encontrar ou formar. Na minha parte, com minha equipe, buscaríamos fazer uma revista que fosse palatável, exigente, moleque, séria, agradável, e bonita. Scliar assinou a revista desde seu nascimento em março de 1959 até julho de 1960 e deixou o posto para o segundo grande nome da revista, Glauco Rodrigues, que ficou na revista apenas seis meses, exatamente até a edição 23. Segundo Melo (2006), com novos proprietários a revista sobreviveu até o número 59, exatamente na data de janeiro de 1964. “Terminava assim a revista que abriu novas possibilidades de linguagem para o design gráfico brasileiro.” (MELO, pg. 108) 31 4.1 Scliar, o criador No projeto “A revista” com Mayrink(2001) cita que , Scliar, gaúcho de Santa Maria, então com 39 anos , vivia no Rio de Janeiro trabalhando fazendo cartazes e cenários de peças teatrais. Assim com seus trabalhos, Carlos Scliar acabou conhecendo Nahum Sirotsky , também gaúcho e jornalista, de 33 anos e Paulo Francis, jornalista carioca de 29 anos. Os três seriam , em pouco tempo, cabeça, tronco e membros da futura senhor, afirma Mayrink(2001). Senhor chegou a ter 40 mil leitores( 30 eram assinantes) número significativo na época. A revista surpreendia desde a capa até nas notícias afirma Melo(2006), por exemplo, em 2 anos de revista, a Senhor publicou o que havia de melhor, como o primeiro texto de Franz Kafta no Brasil, Leon Tolstoi traduzido por Carlos Lacerda, James Thurber traduzido e ilustrado por Millôr Fernandes e muito mais, explica Mayrink (2001). Mayrink(2001) afirma que grandes nomes foram os colaboradores, como Clarice Lispector, Fernando Sabino e outros. E escritores como Jorge Amado, Guimarães Rosa, e assim se fazia uma a revista Senhor Assim como a revista, o seu criador também era especial afirma Melo (2006) e cita “O maestro Scliar” e avalia o trabalho que se resume em todo seu trabalho, a capa da Revista Senhor número 7( Figura 16). Figura 17: Capa da Revista Senhor Ano 1 - 1959 nº1 32 Melo (2006) faz toda uma descrição da arte com olhos bem críticos, e assim descreve como a moça que passeia pela calçada, acompanhada pelo olhar do homem sentado no banco ao lado de um casal de namorados( Figura 16). Como toda capa de revista precisa de informações, no rodapé da página, em faixas alternadas, quatro textos de autores dignos, e é com essa obra de arte que a revista se apresenta para todos. Assim com suas próprias observações, ele conclui que com o enquadramento dos rostos das páginas e a inserção de texto são elementos estruturais do conjunto. Estamos , sem dúvida, no território do design. Se fizéssemos um recorte da história do design brasileiro enfocando a relação desse com a ilustração, essa capa ocuparia lugar de honra. (MELO, 2006, pp.110-111) 4.2 Capas, imagens e produção gráfica O diferencial da revista começa pelas capas ( figuras 19 e 20), utilizando-se não as tendências da época como a fotografia para criar uma identidade para revista, mas utilizando pinturas, ilustrações e colagens que levariam ao reconhecimento imediato do leitor. Os títulos das matérias, e o nome dos colaboradores, formados por grandes nomes, eram como um atrativo para o consumidor. Melo (2006) argumenta que o fato de as capas estarem apoiadas na ilustração não recai na mesmice e que os nomes dos autores são explorados por diferentes técnicas, que sempre mescladas umas às outras, se formam os desenhos, pinturas, colagens e tipografia. A junção entre as artes plásticas e o design se destaca muito também no miolo da revista ( figuras 17 e 18). As imagens interferiam no texto, com incisões gráficas ou como plano de fundo das inserções, propondo um novo nível de leitura do projeto gráfico. As imagens então recebiam mais destaque que o próprio texto, apresentando traços tremidos, pinceladas, desenhos e rabiscos textuais( figura 18) que debatiam com os blocos de texto que eram exemplos de tipografia de imagem, explorando a variação da organização do título, a ilusão de um objeto, diálogo entre o tipo da fonte e a ilustração do desenho. As ilustrações eram traços característicos dos autores( figura 18) que se relacionavam sempre o texto com os 33 desenhos e estavam sempre relacionadas aos desenhos das páginas. Eram os desenhos que estruturavam as páginas. O design e a ilustração andavam juntas, daí surgindo um terceiro pilar para o diferencial da revista: a produção gráfica. Segundo Zorzal (2006), a revista Senhor se diferenciava também por sua textura, com um tipo de papel fosco, áspero e encorpado que era utilizado tanto na capa como no miolo. Figura 18: Produção Gráfica Figura 19: Produção Gráfica Font: “A revista” com Mayrink(2001) 34 Figura 20: Capa da Revista Senhor - Setembro 1959 Font :Revista Senhor uma mistura de humor com modernidade por Daniela Montico e Rafaela Ribeiro Figura 21: Senhor nº 10 - capa Jaguar Fonte: A Arte de Editar Revistas 35 4.3 Cores Além de sua abordagem gráfica, autores, textos, etc., a revista apresenta uma outra característica singular: a questão da cor. Em certos momentos, depara-se com uma revista monocromática e em outros, uma revista totalmente levada às cores de suas artes. Melo (2006, p.137) afirma: Ela era quase inteiramente impressa em uma cor. Normalmente havia um encarte impresso em quadricromia (CMYK), por vezes um ou duas páginas de papel colorido, ou ainda o acréscimo de uma segunda cor em algumas páginas..... continua, “ Se por um lado, a impressão em uma cor significa uma séria restrição, por outro mostra a maestria dos artistas-designers em conseguir dar variedade e vivacidade a uma publicação impressa dentro de limites tão estreitos. 4.4 Publicidade na revista Senhor Nesse momento podemos destacar a teoria das artes e ofícios. Para lembrar sua teoria, as artes e ofícios tinha como o objetivo recriar a arte manual em tempos da era industrial. Para Zorzal (2006), a revista senhor não era diferente; seu espaço publicitário era limitado e os anúncios( figuras 21, 22 e 23), que não seguiam a linguagem da revista, apresentavam uma linguagem ousada, por meio de desenhos. Os anúncios tipográficos eram vetados ou reformulados pela equipe de arte da própria revista, assim como sua fotografia, que recebia tratamento manual, ampliações extremas e cortes ousados: 36 Figura 22: Anúncio da Shell na revista senhor n: 5 - 1959 Fonte: Revista senhor Figura 23: Anúncio Empresa artistica na revista senhor n: 5 - 1959 37 Figura 24: Anúncio Empresa bijouteria na revista senhor n: 5 - 1959 Fonte: Revista senhor 38 Conclusão A Revolução Industrial influenciou de várias formas a história do design, já que a ideia era o aumento do desempenho na produção e redução de custos, por meio da padronização. Apesar das linhas de produção em massa, presencia o surgimento do arts and crafts (artes e ofícios), que mostra as artes manuais produzindo tecidos, móveis, livros e outros, dando novamente a ideia de um produto totalmente exclusivo e único. No desenrolar desses acontecimentos, e com uma forte influência da semana de arte moderna no Brasil, caracterizada por se tornar claro um movimento renovador e por sua divulgação de obras e realizações modernistas, explicando que após sua realização, os artistas que participaram partiram para a Europa, enquanto outros nomes foram nascendo no continente, assim surge a revista Senhor, que vem trazer um fôlego novo em nome do design contemporâneo brasileiro, com sua postura editorial arrojada. A proposta da Senhor repensa o Belo. Sua modernidade desafiou as ideologias de algo moderno e único. Sua ousadia brincou com a diversidade de continuar vendo os problemas humanos e sociais com olhos de uma realidade presente sem perder a mania de ver o mundo do jeito brasileiro. Há outros jeitos,e eles divulgaram todos, ao jeito da Senhor. E, é claro, há humor, há mulher, há moda. Há uma revista para o Senhor. É importante dizer que a história do design editorial brasileiro passa pela história da revista Senhor. 39 Bibliografia NIEMEYER,LUCY. Revista Senhor e Suas Cores. Dissertação (Doutorado em Comunicação e Semiótica, Escola Superior de Desenho Industrial – UERJ) Rio de Janeiro,Janeiro 2009. CAMARGOS,Marci.Semana de 22 - Entre Vaias e Aplausos. Editora: Bomtempo Editorial , 2002 WOLLNER, Alexandre. Design visual 50 anos. São Paulo Editora: Cosac & Naify, 2003. GRUSZYNSKI,Ana Cláudia DESIGN GRAFICO: DO INVISIVEL AO ILEGIVEL. coleção textosdesign edição 2º. 2008 GUIDIN,Márcia Lígia. Das vanguardas europeias à Semana de Arte Moderna. ( Pedagogia & Comunicação) doutora em Letras pela USP, ensaísta e editora. MELO, Chico Homem O design gráfico brasileiro: anos 60 Editora:COSAC NAIFY, 2011 FREITAS, Verlaine. Adorno e a arte contemporânea, 2005 SOUZA , Maria das graças. 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