ARTE - EDUCAÇÃO
1
SOMESB
Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda.
ArteEducação
Presidente ♦ Gervásio Meneses de Oliveira
Vice-Presidente ♦ William Oliveira
Superintendente Administrativo e Samuel Soares
Financeiro ♦ Germano Tabacof
Superintendente de Ensino, Pesquisa e
Extensão ♦ Pedro Daltro Gusmão da Silva
FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância
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♦
♦
♦
♦
♦
Coord. de Softwares e Sistemas ♦
Coord. de Telecomunicações e Hardware ♦
Coord. de Produção de Material Didático ♦
Diretor Geral
Diretor Acadêmico
Diretor de Tecnologia
Gerente Acadêmico
Gerente de Ensino
Gerente de Suporte Tecnológico
Waldeck Ornelas
Roberto Frederico Merhy
Reinaldo de Oliveira Borba
Ronaldo Costa
Jane Freire
Jean Carlo Nerone
Romulo Augusto Merhy
Osmane Chaves
João Jacomel
EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO:
♦
PRODUÇÃO ACADÊMICA
♦
Gerente de Ensino ♦ Jane Freire
Autor (a) ♦ Ana Paula Amorim
♦
PRODUÇÃO TÉCNICA
♦
Revisão Final ♦ Carlos Magno e Idalina Neta
Equipe ♦ Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito,
Ederson Paixão, Fabio Gonçalves, Francisco França Júnior,
Israel Dantas, Lucas do Vale e Marcus Bacelar
Imagens ♦ Corbis/Image100/Imagemsource
copyright
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FTC EaD
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É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito,
da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância.
www.ftc.br/ead
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Sumário
AS CONTRIBUIÇÕES DA ARTE NA
FORMAÇÃO INTEGRAL DO SER HUMANO
A ARTE NA EDUCAÇÃO
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Conceitos e Concepções Acerca da Arte
Breve História da Arte
O Nascimento da Arte: A Pré - História
Idade Média
Renascimento
Arte Barroca
Arte Moderna
Arte Conteporânea
A Educação pela Arte
Caracterização da Área de Artes - Aspectos Legais
A Estética e a Expressão Artística
Juízos Estéticos
Experiência Estética
Atitude Estética
Criação Artística
Arte e Sociedade
A Interpretação da Obra de Arte
Atividades Complementares
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O ENSINO DA ARTE NO CURRÍCULO ESCOLAR
A Arte como Objeto de Conhecimento
Conteúdos e Objetivos da Arte no Ensino Fundamental
A Proposta Metodológica para o Ensino de Artes
Orientações Didáticas para a Arte
Atividades Complementares
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ARTE - EDUCAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DO
POTENCIAL CRIATIVO DO ENTE HUMANO
O que é Arte-Educação?
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Proposta Triangular para o Ensino da Arte
Desenvolvimento da Capacidade Criadora
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AS DIFERENTES LINGUAGENS ARTÍSTICAS
As Linguagem Artísticas e o Autoconhecimento
Artes Visuais
Dança
Música
Teatro
Atividades Complementares
Atividade Orientada
Glossário
Referências Bibliográficas
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Apresentação da Disciplina
Olá, caros alunos!
Ao longo dos anos, muito se tem falado e escrito sobre a
necessidade da inclusão da arte na escola de forma mais efetiva.
Desde 1971, pela Lei 5692, a disciplina Educação Artística tornase parte dos currículos escolares, sendo que, na nova LDB 9.394/
96, esta área do conhecimento, denominada então de Arte e
Educação, torna-se componente curricular obrigatório.
Muitas experiências têm acontecido, mas no contato direto
com professores, as intenções parecem apontar para um caminho
interessante, mas é no confronto com a prática pedagógica no
campo da arte que se nota a grande distância entre teoria e prática.
Acreditamos que o ensino da arte deve estar em consonância com
a contemporaneidade. Isto significa que a sala de aula deve ser
um espelho do atelier do artista ou do laboratório do cientista.
A pesquisa e a construção do conhecimento são valores tanto
para o educador quanto para o educando, rompendo com a relação
sujeito/objeto do ensino tradicional. Este processo poderá ser
desafiador. O ponto de partida e o ponto de chegada serão
resultantes da experimentação. Portanto, o ensino da arte estará
intimamente ligado aos interesses de quem ensina e de quem
aprende.
Sejam bem vindos!
Desejo discernimento, iniciativa e realizações.
Profª Ana Paula Amorim
“A arte não é um produto, mas sim origem. Não é criada,
mas sim criação e está presente no ente humano, quando
este deixa de existir na qualidade mental de pensador e
experimenta com a qualidade mental de perceptor”.
Grupo Kamaloka
5
ArteEducação
6
AS CONTRIBUIÇÕES DA ARTE NA
FORMAÇÃO INTEGRAL DO SER HUMANO
A ARTE NA EDUCAÇÃO
Conceitos e Concepções Acerca da Arte
“
A arte nos ensina que o mais importante é o esvaziar-se
para se preencher naturalmente do real, daquilo que não é por
nós construído, mas que nos constrói. Coisa que nos faz crescer.
”
Definir o que é arte é uma tarefa hercúlea, visto que as diversas concepções
existentes acerca da arte são tantas e tão diferentes que chegam a ser
divergentes e contraditórias. Em alguns momentos, a arte era considerada
a imitação da realidade; em outros, a sua própria sublimação. Na
modernidade, considera-se arte tudo aquilo que está no espaço poético,
ou seja, qualquer coisa que esteja dentro de uma galeria, de um museu,
de uma música, de um livro etc. Mas será apenas isso? Vamos analisar!
Na verdade, arte é aquilo que nos faz pensar. Aquilo que mexe com
o nosso intelecto, que faz com que reflitamos acerca de diversas idéias
universais. É a possibilidade de enxergar aquilo
que jamais veríamos sem a ajuda do artista. Arte é aquilo que
invade o nosso ser e fica guardado lá para sempre. É um
benefício espiritual tão necessário para todas as pessoas
quanto a religião.
E como isso ocorre?
Através da recepção, da percepção e da concepção. O que significa dizer que
recebemos a arte através dos nossos órgãos físicos (olhos, pele, ouvido, nariz, coração,
etc); percebemos a arte através do contato direto com a mesma através dos nossos sentidos
(gustação, olfação, tato, visão, audição, telepatia/pensamento e intuição/sentimento), ou
seja, através da percepção; e concebemos a arte através de valores ético-morais
evidenciados pela nossa conduta (vícios e/ou virtudes).
Mas o que diferencia a arte de todas as outras coisas?
7
O que diferencia a arte de todas as coisas é algo muito sutil, porém
muito significativo. A diferença está na maneira como o artista consegue
representar a realidade.
Tendo em vista que a arte é uma manifestação da ação humana que
Artenos causa admiração estética, se partirmos para a etimologia da palavra
Educação “ARTE”, poderemos dizer que arte significa método, habilidade.
A arte é, pois, a habilidade que o ser humano possui de criar algo,
segundo sua percepção e concepção de mundo. Dentro de um entendimento
mais específico, a arte envolve não apenas habilidade, mas, sobretudo, imaginação. Ela
varia de indivíduo para indivíduo, caracterizando a capacidade de representação,
sensibilidade, personalidade e interesse de cada um. No entanto, a verdadeira arte consiste
na manifestação da imaginação com uso da inteligência.
A arte é, pois, a interpretação peculiar de alguém diante dos
acontecimentos da vida, ou diante do comportamento social
que anunciam modificações significativas no mundo.
Para definirmos, de fato, o que é arte ou não, nos apropriamos
dos instrumentos da nossa cultura, ou seja, do repertório cultural
que dispomos, pois é esse repertório que dá aos objetos o
estatuto de arte. No entanto, a existência da arte liga-se a
fatores que a ultrapassam, pois cada cultura possui saberes,
códigos e valores próprios.
“
Em todas as suas manifestações, a arte
é uma expressão do sentir humano, pois a
arte deve ser sentida e não pensada.
”
A obra de arte é apenas uma expressão da arte, e toda expressão da arte denuncia
o artista, mas a expressão da arte não é a arte, pois a arte não é o produto em si, mas sim
a sua própria concepção, ou seja, a sua origem. A arte não é criada, mas é a própria criação,
e está presente e disponível no ser humano quando este
busca, através da sua capacidade de recepção,
percepção e concepção, a (re)significação da vida
enquanto Arte. Eis que a necessidade de expressão
artística é permanente e universal.
Ainda que tudo que exista a arte possa expressar,
ela não é produto da copia ou da imitação. Tudo isso faz
parte dela, mas não é a arte em si. Ela é em nós o
sentimento do belo, da rica, sublime e eterna criação, e
só o homem entusiasmado poderá estar em comunhão
com a arte, pois nele reside o sentimento do belo, do rico
8
e do significativo, que vem com o observar das coisas, sem rótulos e sem distração, pois
entre ele e as coisas não há distância, mas sim total integração, através da atenção plena,
sem preconceitos. O artista é único e insubstituível na interpretação do seu universo, e a
sociedade lhe proporciona conhecimento, visão de conjunto e toda uma infra-estrutura que
lhe permite expressar seus sentimentos. É ela, a sociedade, que chancela a sua criação,
aprovando ou reprovando, mas sempre reagindo, de
alguma forma, frente à obra criada. A arte, por sua vez,
não encontrará a sua principal razão de ser na
qualidade das sensações que provoca, nem no seu
conceito, mas na sua própria concepção.
Uma obra de arte encerra múltiplas
possibilidades de indagação. Recriamos as
imagens segundo nossa percepção e as
modificamos subjetivamente de acordo com nossa
experiência de vida. Projetamos sobre elas os
nossos valores e nossas inquietações. As obras de
arte se completam de formas diferentes na
imaginação de cada espectador.
Mas, afinal, O QUE É ARTE?
Podemos então concluir
que a ARTE é uma manifestação do
espírito universal, através de valores
morais, éticos e estéticos (beleza, riqueza
e significação) que se encontram
latentes em cada um de nós.
Apresenta-se sob variadas
formas, como: a música, o teatro, a
dança e as artes visuais ou plásticas.
9
Porque fazemos arte?
ArteEducação
• Para espelhar o mundo que nos cerca...
• Para auxiliar no dia-a-dia (utilitária)...
• Para explicar e descrever a história...
• Para ajudar na cura de doenças...
• Autoconhecimento...
Como entendemos a arte?
O que vemos e o que sentimos quando
admiramos uma arte depende da nossa experiência
e conhecimento, da nossa disposição no momento,
da nossa imaginação e daquilo que o ser, enquanto
artista, pretendeu mostrar.
Como conseguimos ver as transformações
do mundo através da arte?
Buscando compreender o que o artista quis
mostrar, verificando que tipo de arte foi feita (quando,
onde e como), quais foram as técnicas e os materiais
utilizados, qual o contexto social da época etc. Desta
maneira, estaremos dialogando com a obra de arte,
e assim podemos entender as mudanças que no
mundo ocorreram.
Quais as contribuições da arte
par
uc
ação?
paraa aed
aeduc
ucação?
• Fator de humanização (objeto de conhecimento
e reflexão);
• Formação artística e estética;
• Desenvolve a sensibilidade, a intuição, a
percepção, a reflexão e a imaginação;
• Auxilia na relação com outras disciplinas;
• Autoconhecimento.
10
Breve História da Arte
Encontramos arte desde a humanidade remota até nossos dias e, certamente, a
encontraremos sempre, pela simples necessidade de expressão que possui o ser humano.
Portanto, estudar a arte sem entender a sua evolução histórica é pouco significativo. Vamos
agora estudar um pouco da história da arte, de modo que possamos não só compreendêla, mas, principalmente, senti-la.
Descobrir juntos porque a arte surgiu, qual a sua essência, para que ela serve, será
um dos nossos objetivos. E como ela modifica o mundo e se configura como um dos meios
mais diretos de dominar o caos exterior e interior do homem, vamos dar à arte uma atenção
especial. Você deve estar se questionando:
Como faremos
isso?
Você verá que se trata de algo extremamente inteligente, interessante e instigante.
Inicialmente, queria deixar claro que as expressões “arte” e “artistas” são usadas
para todas as épocas. Portanto, quando estivermos nos referindo à arte, desde a pré-história
até os dias atuais, iremos utilizar esses termos.
O sentido da palavra “ARTE”, assim como a classificação das atividades a ela
ligadas, variou muito desde o início da Idade Média. Esta tinha herdado da Antiguidade a
noção de artes liberais, que eram atividades intelectuais opostas àquelas em que intervinham
a mão e o material.
Sendo assim, a arte é uma atividade absolutamente subversiva, exorbitante das
normas servis da realidade vivida, mas cuja finalidade poderia ser a de participar de uma
hipotética liberação da vida (único ideal humano verdadeiramente sério), até se fundir com
ela, ou seja, a arte é um excelente instrumento educativo.
A tentativa de apresentarmos um esboço da atividade artística do mundo ocidental
da pré-história à atualidade tem como objetivo um retorno ao passado, de modo que nos
faça compreender como e porque somos o que somos hoje. E quanto mais distante é o
passado, maior será a dificuldade de compreender as obras absorvendo dela seu verdadeiro
valor.
Quantas vezes já ouvimos falar das paredes de cavernas, das ferramentas utilizadas
pelos hominídeos, das formas que eram dadas às pedras da antiguidade, comentários
sobre as pirâmides do Egito? Pois então, vamos buscar entender como isso funcionava e
qual seu verdadeiro sentido.
A história da arte se confunde com a própria filosofia. E é também nos filósofos que
vamos buscar agora algumas concepções acerca da arte.
11
Sócrates nos diz que:
ArteEducação
“
Todos existimos, portanto,
todos somos artistas.
”
Quem não conhece ou nunca ouviu falar da famosa frase deste
grande filósofo? “Conhece-te a ti mesmo”. Para Sócrates, o perfeito
conhecimento do homem é o objetivo de todas as suas especulações, e a
moral o centro para o qual deve convergir toda ação humana. Ele distingue
duas ordens de conhecimento: o sensitivo e o intelectual. A moral é a parte culminante da
sua filosofia. Sócrates ensina a bem pensar para bem viver, pois quem boa condução tem,
em boa condição vive.
“
Há arte como há
Ser e há Tempo.
”
Analisando a afirmação deste grande filósofo,
podemos considerar que a arte surge quando surge o
próprio homem, na medida em que vemos a arte
enquanto manifestação da expressão humana. Ora, se
desde o seu nascimento já havia no homem a necessidade
de expressar-se, então o mesmo lançava mão dos recursos
que lhe eram disponíveis, indo buscar na própria natureza
instrumentos que pudessem ser utilizados para tal fim. Eis que surgem as pinturas primitivas,
que eram nada mais do que o homem já tentando se expressar de alguma maneira.
Para Heidegger, compreendemos a arte a partir da obra, num processo ligado à
experiência e ao pensamento, que aciona certas condições subjetivas do conhecimento.
Conhecemos o artista através de sua obra, e esta é uma invenção da atividade do artista.
Ele afirma também que a existência humana não é um simples fato: ela articula, no
próprio ato da sua manifestação, a questão do ser. Heidegger evidencia ainda que artista e
obra devem ser considerados em relação mútua, ao mesmo tempo sustentados pela arte.
Nisso reside a pertinência em abordar vários tópicos referentes à arte para que se possa
pensar sobre a contemplação da obra de arte, seguida pela interação com a mesma. Nas
palavras do filósofo alemão “o que seja a obra, só podemos sabê-lo pela essência da arte,
mediante sua contemplação” (HEIDEGGER, 1992, p.38).
Para Heidegger:
A arte, em sua essência, é uma origem e
não outra coisa: uma maneira extraordinária de
chegar a ser a verdade e fazer-se histórica”
(HEIDEGGER, 1992, p. 118).
12
Pode-se dizer, com isso, que a reflexão sobre a obra de arte se justifica para constatar
a arte verdadeira que está nela. Tal reflexão mostra que da coisa como matéria só se deduz
a essência do útil e não da coisa. Com isso, o pensador alemão complementa que a obra
de arte abre, a seu modo, o ser do ente, sendo que nessa abertura desentranha-se a verdade
do ente.
O Nascimento da Arte: A Pré-História
Considera-se arte pré-histórica as manifestações que existiram antes do
advento da escrita no planeta como um todo.
Para entendermos melhor como tudo aconteceu, é necessário
que saibamos que, historicamente relatada, a arte nasceu há cerca
de 25 mil anos, quando o aumento da inteligência trouxe a imaginação
e a habilidade de criar imagens esculpidas e pintadas. Na verdade,
eram nos locais quase que inacessíveis, como as cavernas,
que se encontravam as grandes pinturas.
Também era comum na antiguidade o uso de tintas a
partir do carvão e ocre para produzir as grandes obras de
arte, mesmo que de forma inconsciente, já que na pré-história
se fazia arte sem saber que se tratava de arte.
Entre 25.000 a.C, período que caracteriza a préhistória, a história da arte não é uma história de evolução do
simples para o complexo, mas sim uma história das formas
variadas que a imaginação assumiu na pintura, na escultura
e na arquitetura.
Vale ressaltar que os primeiros objetos artísticos não foram criados
para decorar cavernas. Eles eram utilizados como um dos caminhos para se controlar as
forças da natureza.
As pinturas rupestres, feitas pelos homens primitivos em cavernas, são os primeiros
traços, que buscam dar vazão a essa necessidade, de que temos indícios. No período
Paleolítico há um caráter figurativo que tenta representar cenas da vida cotidiana e marcas
de cujo significado não se tem clareza, mas que se acredita tratar de explicações da
cosmologia do homem primitivo e sua interpretação mítico-religiosa do mundo.
A produção do homem pré-histórico, pelo menos a que foi encontrada e conservada,
é representada por objetos em grande parte portadores de uma utilidade, seja ela doméstica
ou religiosa: ferramentas, armas ou figuras com uma simbologia específica. No entanto,
seu estudo e a comparação entre elas permitiram constatar que já existiam então noções
de técnica, habilidade e desenho, embora não se possa separar o conceito de arte, em
praticamente nenhum caso, dos conceitos de funcionalidade e religião.
Um dado interessante que vale à pena trazer para você é que os mais antigos objetos
que chegaram até nós são esculturas em ossos, marfim, pedra ou chifre.
Você já ouviu falar no bisão entalhado, em chifre de rena, encontrado em cavernas?
Pois, há cerca de 20.000 a.C foi utilizado um pedaço de chifre para representar elementos
naturais da formação da rocha. Esses e outros dados interessantes vamos estar descobrindo
aqui.
Estudos mostram que os primeiros seres humanos saíram das cavernas e se tornaram
fazendeiros ou criadores de gados no período Neplítico e começaram a fazer a primeira
escultura monumental. Primeiramente eram utilizados picaretas de pedra bruta e se levava
cerca de um ano para esculpir.
13
Para contextualizar um pouco mais, vamos dar uma “passeada” pelo
antigo oriente, compreendendo características importantes que fizeram parte
da história da arte.
ArteEducação
Egito – A cultura egípcia desenvolveu-se no
decorrer do 4º milênio a.C. e o que conservou de sua
cultura baseia-se nos templos e no conteúdo dos túmulos.
Acredita-se que tudo era construído de material perecível
como adobe e materiais vegetais, de modo que nada se conservou.
Muito do que se conhece sobre o Egito antigo provém das tumbas
que restaram. Como a cultura dos egípcios acreditava na
imortalidade, eram depositados em sua tumba todos os seus
pertences para que fossem utilizados na eternidade. A pintura e a
escultura obedeciam a rigorosos padrões que representasse a figura
humana. Sendo assim, as estátuas eram esculpidas em substâncias
duras, para que durassem eternamente. Rigor e vitalidade mostramse em toda sua grandeza nas figuras completamente esculturais
sentadas e de pé. A arte egípcia não era somente decorativa, ela
estava diretamnete ligada a educação e a religião, por isso, pelo sentido imutável da religião
egípcia a arte percorreu milênios sem modificação alguma.
Grécia – A arte grega era caracterizada
principalmente pela figura humana. Os gregos
tinham amplo conhecimento de pintura, o que dava
às suas obras um caráter vívido. Não tivemos a
oportunidade de acesso a essas obras, mas
podemos apreciá-las através dos objetos
domésticos de cerâmicas que contavam histórias
de deuses e heróis da mitologia grega. A arte e a arquitetura
de todo os períodos subseqüentes da civilização ocidental sofreram forte influência da cultura
grega. Foram eles que introduziram o nu na arte. Os gregos tentavam conquistar a
representação artística da forma humana, o que fazia com que eles buscassem a perfeição
do corpo e da mente. Os templos serviam como local onde aconteciam os ritos públicos,
com isso eles tratavam os monumentos como grandes esculturas.
Roma – A arte romana veio a ser a pedra fundamental da arte de todos os períodos
posteriores. Por serem menos idealizados e intelectuais, os romanos deram uma reviravolta
na arte e na filosofia grega. É comum confundirmos a arte e a arquitetura grega com a
romana. Sendo assim, é importante que fique claro que as esculturas romanas eram seres
humanos realísticos e os temas de arte eram líderes cívicos, triunfos militares. Roma
cresceu desde o início dentro da esfera de difusão da cultura grega
e praticamente não produziu nenhuma criação artística original.
O desejo de impressionar pela grandiosidade levou-a a
construção de obras de engenharia e arquitetura e isso
também a levou a embelezar suas obras com pedaços
de arquitetura grega. Quando Roma começou a
estabelecer sua soberania começou a investigar as
obras de bronze e pedra dos artistas e a sentir a
necessidade da arte, muito embora sem entendê-la.
14
Idade Média
A Idade Média representava o milênio entre os séculos V e XV desde a queda de
Roma até o Renascimento. Foi um período caracterizado pelo desinteresse pela
representação realista do mundo, o equilíbrio entre o corpo e a mente desapareceu, fato
este que proibia por completo as imagens marcadas pelo nu. Os artistas medievais fizeram
com que a arte se tornasse serva da igreja, onde toda arquitetura romana refletia o ideal
cristão. Três estilos diferentes marcaram esse período.
Vamos agora observar as principais características que
compõem os estilos bizantino, romano e gótico.
Bizâncio refere-se à arte do Mediterrâneo
Ocidental e se tornou o centro de uma brilhante civilização,
onde predominava a arte grega oriental com riqueza de
cores e de decoração. Foi o local de origem dos
mosaicos que expressavam Cristo como mestre e senhor
todo poderoso. Isso fazia com que a religião fosse muito Mosaico na Igreja de Santo Apolinário em Ravena,
Italia, representa os Reis Magos, século VI
forte em toda a arte bizantina. A arte bizantina está dirigida
pela religião; ao clero cabia, além das suas funções, organizar também as artes, tornando
os artistas meros executores.O regime era teocrático e o imperador possuía poderes
administrativos e espirituais; era o representante de Deus.
A arte românica foi marcada por uma arquitetura que se preocupava em receber
grandes multidões para visitas maciças, o que fazia com que todos os tetos das igrejas
fossem construídos em abóbadas de pedra. Mas
você deve estar se perguntando nesse momento
o porquê de tudo isso, não é mesmo? Naquela
época a fé católica romana era muito forte,
sendo assim, era muito comum a peregrinação.
Como os prédios romanos tinham tetos de
madeira, para receber grandes multidões era
mais seguro a substituição dessa arquitetura.
Um dado interessante que vale à pena
conhecermos, é o fato de que a maioria dos fiéis
era analfabeta, por esta razão as esculturas A Liberdade guiando o Povo, Delacroix, Museu do Louvre, Paris
ensinavam a doutrina religiosa, contando história gravada na pedra. Os manuscritos eram
considerados objetos sagrados que continham a palavra de Deus e eram as únicas formas
existentes de livros, onde se preservava não somente os ensinamentos religiosos, mas
também a literatura clássica. Os artistas românticos procuraram
se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre
expressão da personalidade do artista.
A arte gótica foi caracterizada por uma arquitetura bem
elaborada. Sua engenharia era marcada por abóbada com traves
e suportes externos chamados arcobotantes. Suas catedrais eram
símbolos de orgulho cívico, a beleza das igrejas inspirava a
meditação e a fé dos paroquianos. Sua fundamentação filosófica
está no Teocentrísmo. Sendo assim a educação e as artes estavam
dominadas pelos difames da Igreja. As paredes internas das
catedrais também contavam histórias bíblicas esculpidas, imensos
tapetes em lã e seda decoravam as paredes de pedras de castelos
Madona e Santos de Duccio
e igrejas. A arte gótica tinha como característica principal muita Buoninsegna,
National Gallery,
luz e altura. A pintura gótica desenvolveu-se nos séculos XII, XIV e
séc XIII
no início do século XV, quando começou a ganhar novas
características que prenunciam o Renascimento.
15
O Renascimento
O termo Renascimento é comumente aplicado à civilização européia
que se desenvolveu entre 1300 e 1650. Originou-se da vontade de muitos
Arteartistas e intelectuais dos séculos XV e XVI de recuperar ou retomar a arte
Educação greco-romana que esmorecera durante a Idade Média.
Neste período, o pensamento medieval, dominado pela religião, cede
lugar a uma cultura voltada para os valores
do indivíduo. Enquanto na Idade Média a vida do homem
era centrada em Deus (Teocentrismo), no Renascimento o
homem passa a ser o principal personagem
(Antropocentrismo).
Trata-se de uma volta deliberada, que propunha a
ressurreição consciente (o re-nascimento) do passado,
considerado agora como fonte de inspiração e modelo de
civilização por causa do descobrimento arqueológico da
cidade romana de Pompéia e suas obras de artes,
manuscritos e etc. Foi considerado o fim da Idade das Trevas.
Num sentido amplo, esse ideal pode ser entendido como a
valorização do homem (Humanismo) e da natureza, em
oposição ao divino e ao sobrenatural, conceitos que haviam
impregnado a cultura da Idade Média.
No Renascimento, a razão e a natureza passam a ser valorizadas com grande
intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos
experimentais e de observação da natureza e do universo. É o princípio da ciência.
Os artistas do Renascimento não vêem mais o homem como simples observador do
mundo que expressa a grandeza de Deus, mas como a expressão mais grandiosa do próprio
Deus. E o mundo é pensado como uma realidade a ser compreendida cientificamente, e
não apenas admirada. Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos
possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais,
por isso eles valorizavam a cultura greco-romana.
Duas grandes novidades marcam a pintura renascentista: a utilização da perspectiva,
através da qual os artistas conseguem reproduzir em suas obras a noção de profundidade
e de volume; e a utilização da tinta a óleo, que
possibilita a pintura sobre tela com uma qualidade
maior, dando maior ênfase à realidade e maior
durabilidade às obras. A temática era focada na
mitologia, em cenas quotidianas e o corpo humano
era exaltado na pintura de afrescos, madeira e na
escultura.
O maior representante do Renascimento foi o
artista Leonardo Da Vinci, e sua obra perdura até os
dias atuais. Ele inaugura o antropomorfismo em sua
arte e pensamento: “O homem é a medida de todas
as coisas”, além de ter sido possuidor de um espírito
versátil que o tornou capaz de pesquisar e realizar
trabalhos em diversos campos do conhecimento
humano. É considerado um gênio, pois mostrou-se
um excelente anatomista, engenheiro, matemático,
músico, naturalista, arquiteto, inventor e escultor.
16
Arte Barroca
O estilo barroco foi o mais suntuoso e ornamentado da história da arte, conseguiu
casar a técnica avançada e o grande porte da Renascença com a emoção, intensidade e a
dramaticidade do Maneirismo. A fim de reconquistar através da educação e do apelo visual,
os fiéis que se converteram ao Protestantismo de Lutero tornando-se
assim, o Barroco, a arate da Contra-Reforma. Foi através dela que se
expandiu o papel da arte para vida cotidiana. Foi uma arte que tinha
como elemento comum à sensibilidade e o absoluto domínio da luz, a
fim de que fosse obtido o máximo impacto emocional.
Mas, antes de nos aprofundarmos nas principais características
que marcaram a arte barroca, é preciso que saibamos primeiro onde
tudo começou. Então vamos lá!
A arte barroca começou em Roma por volta de 1600 e tinha
como ênfase temas não religiosos, derivados do modelo da Grécia e
de Roma. Suas pinturas tendiam à natureza morta, retratos, paisagens
e cenas do cotidiano, o que fazia a arte desse período ter uma
Obra de Aleijadinho:
representante do barroco
exuberância dramática, teatral.
brasileiro
Pensar na arte barroca é lembrar que ela possui em todas as
suas obras uma viva relação: vida e morte, terra e céu, os fiéis e o papa. As alegorias das
virtudes são mulheres repletas de vida e sentidos. Sendo assim, há naturalismo em tudo e
em todos, conferindo ao monumento uma perfeita coesão onde se une a arquitetura ao
espaço da igreja. O poder criativo dos arquitetos e escultores era muito grande. Os mecenas
da arte não eram somente os mercadores próprios, mas também os burgueses da classe
média que enfeitavam suas casas com os quadros comprados nessa época.
Um pouco depois o estilo barroco se expandiu por toda a Europa, onde se passou a
fundar academias de arte para ensinar os artistas as técnicas desenvolvidas na Renascença.
Vale lembrar que o barroco colocava muita ênfase na emoção e no dinamismo.
Arte Moderna
Os pré-modernistas roperam com a tradição acadêmica e passaram a criar seus
próprios temas, deixando para trás a pintura fotográfica. Dentre eles um grupo que influenciou
significativamante o surgimento da arte moderna foi o dos Impressionistas, que rompeu com
a tradição da arte francesa, deixando as paisagens
fotográficas para trás, passando a pintar suas impressões
particulares acerca do objeto a ser representado, por isso
o nome Impressionismo.
Novas tecnologias, novos materiais e
principalmente novas necessidades mudaram a profissão
do artista, levando-o a uma forma muito diferente de
construção.
No século XX, a arte passou a ser convulsiva, onde
um estilo se sobrepunha ao outro de forma muito ágil. A arte se concentrava menos na realidade
visual externa e mais na visão interna, produzindo a ruptura mais radical com o passado.
A arte do século XX levava em consideração qualquer tema para suas obras se
libertando das regras tradicionais, buscando incessantemente liberdade radical de expressão.
Os artistas modernos elegiam a imaginação, as preocupações e as experiências
individuais como única fonte de arte. Sua arte não tinha nenhuma pretensão em retratar a
natureza. As esculturas modernistas eram desligadas de muitos detalhes.
17
Nesse período houve o destaque do pintor Picasso, que no cubismo
(maior revolução da arte no século XX) quebrou as formas para recombiná-las
de novas maneiras. Picasso foi considerado o rei da arte moderna. Sua arte
sempre foi autobiográfica, tendo as mulheres como sua principal fonte de
Arteinspiração.
Educação
O cubismo foi um dos principais pontos de mutação do século XX, e
teve esse nome simplesmente porque seus representantes (Picasso, Braque,
Gris, Léger) quebravam objetos em pedaços que ganhavam forma de cubos, e
o nome pegou. Segundo o cubismo, a arte consiste em inventar e não em copiar.
Com o avanço da tecnologia, onde se transformou o mundo agrário em industrial e o rural
em urbano, os artistas sentiram a necessidade de expressar toda essa evolução. Foi daí que
surgiu o Construtivismo na Rússia, o Futurismo na Itália e o Presicionismo nos Estados Unidos.
Uma outra característica marcante do Modernismo foi o expressionismo, que tinha como
principal marca a expressão do sentimento dos artistas e não as imagens do mundo real,
fundamentando o período como uma tendência subjetiva. Sendo assim, a arte deve expressar
uma verdade além da aparência.
Arte Contemporânea
A arte contemporânea ainda está viva e em crescimento. Os seus artistas abraçaram
as imagens comerciais, deixando a arte existir mais na mente do que na tela. Suas imagens
expressavam intensidade, emoções, preocupações autobiográficas e sociais. Na arte pósmoderna tudo era avidez, o que fazia seus artistas darem ênfase à verdadeira originalidade e
não a simples novidade. Sendo assim, os artistas não precisavam
ficar no mesmo lugar ou na imitação. É uma época marcada pela
diversidade, sem que haja necessidade de uma área geográfica
dominante.
Observa-se uma propensão modernista a ver a obra de arte
como um objeto independente e não como uma visão da realidade
ou do psiquismo do pintor. Foi um movimento marcado pela oposição
ao Expressionismo Abstrato.
Para entendermos melhor a arte contemporânea, vamos
utilizar a etimologia da palavra “contemporâneo”, que significa coevo,
coetâneo, ou seja, o que pertence ao nosso tempo, o agora. Como
diz o crítico Alberto Beuttenmuller “A arte de linguagem contemporânea”, é aquela que traz as
influências características desta época: são as performances, as ocupações de espaço, as
instalações, as interferências, a arte virtual.
A pintura, a escultura, gravura e outras técnicas muito usadas na manifestação artística
do homem enfrentam hoje o desafio de atualizar-se, de inserir-se nestes tempos de
individualizações e de imagens instantâneas. Sendo assim, superar a riqueza do Período
Moderno ou introduzir um novo discurso: eis o desafio do fazer arte na contemporaneidade.
Para que uma obra de arte seja decodificada, esmiuçada em seus signos, símbolos e
ícones, é necessário, por parte de quem a observa, um bom conhecimento da vida e da obra
anterior, ou seja, da história do autor.
Desta forma, a História da Arte também dá subsídios para que uma obra seja localizada
em suas influências, mostrando onde estão as analogias, rupturas ou contraposições. A
observação da técnica e do uso de novas formas de expressão também contam na apreciação
de uma obra contemporânea.
A arte nos anos noventa abrange do figurativo ao abstrato, do engraçado ao sério, do
feito à mão ao fabricado por meios mecânicos.
Assim, a arte de hoje, ao mesmo tempo em que dispensa grandes racionalizações,
18
exige conhecimento e envolvimento pessoal, além de desprendimento de preconceitos para
ser apreciada. O artista que era um artesão desqualificado até o século XIV; a partir do
Renascimento passou a ocupar um lugar de destaque no território do conhecimento.
Naturalmente, fatores históricos e sociais modelam os tipos de arte, porém, a verdadeira
arte jamais se escravizará a códigos e será sempre inovadora e capaz de falar do seu tempo.
GRÁFICO CRONOLÓGICO DA ARTE
Pré-História absoluta 1.000.000 de anos
PRÉ-HISTÓRIA
Pré-História
aparecimento do
homem na face da terra
- início mais ou menos
entre 700.000 e
500.000 anos a.C
IDADE MÉDIA
Paleo-Cristão - séc. I a
IV d.C.
Bizantina - sec. IV a XII
Islâmica - sec. IV a VII
Românica - sec. X a XII
Gótica - sec. XII a XIV
IDADE MODERNA
Renascimento - sec. XIV
a XVI
Barroco - séc. XVII a
XVIII
Rococó ou Luís XV 1760
IDADE
CONTEMPORÂNEA
IDADE ATUAL
séc.XX e início XXI
Era Quartenária
Paleolítico Pedra
Lascada
Mesolítico - 20.000
anos
Neolítico - (Pedra Polida
10.000
Idade dos metais
(Ferro e Bronze)
3.000 anos
Proto-História
(Aparecimento da
escrita)
Neoclassico - séc. XVIII
- 1.800
Romantismo
ou
Neogótico - séc. XVIII a
XIX
Realismo - 1.830
Impressionismo - séc.
XIX
Pós-Impressionismo ou
Pontilhismo - séc. XIX
Art Nouveaux - séc. XIX
a XX
Simbolismo - final do
séc. XIX
Primitivismo
Expressionismo
Fauvismo
Ingênuos
Cubismo
Futurismo
Abstracionismo
Pintura Metafísica
Construtivismo
Suprematismo
Dadaísmo
Arte Fantástica
Neoplasticismo
Realismo Social
Surrealismo
Concretismo
Tachismo
Expressionismo
abstrato
Pop Art
Hiper-Realismo
Arte Cinética
Figurativismo
Nova Figuração
Arte Computacional
Arte Cibernética
etc. ...
19
A Educação pela Arte
ArteEducação
“A educação tem, também, por fim manter e/ou tornar o ser humano
integral e livre pelo despertamento de sua inteligência, bem como lhe
oportunizar não só o senso de integridade e liberdade, mas, também, o
impulso para a sua integração e libertação.”
Se considerarmos que educar é o processo de humanização do homem, o processo
pelo qual ele se torna capaz de compreender e usufruir do patrimônio coletivo de saber
criado pela humanidade ao longo da História, não poderemos deixar de dar um papel
relevante à educação em Arte.
Piaget e Vygotsky demonstram, através de seus estudos, que o processo de
desenvolvimento humano está intimamente relacionado com o exercício e aperfeiçoamento
da função simbólica e com as questões da afetividade, dois campos extremamente
abrangidos quando falamos em Arte. Portanto, se a educação formal pretende a formação
do ser humano integral, não tem como deixar de oferecer um papel de destaque ao estudo
da Arte.
O que se faz necessário ressaltar, portanto, é o papel fundamental da arte no processo
de ensino aprendizagem, através de uma metodologia pedagógica pautada em valores
morais, éticos e estéticos que visem oportunizar aos educandos o seu desenvolvimento
físico, psíquico e moral, utilizando a arte como objeto de sensibilização.
É fato que este paradigma existe e se chama educação pela arte. Em qualquer nível
de escolaridade, fundamental, médio ou superior, trata-se apenas de abordar os seus temas
pertinentes de forma estética. Afinal, a arte é um importante trabalho educativo, na medida
em que procura, através das tendências individuais, encaminhar a formação do gosto,
estimular a inteligência e contribuir para a formação da personalidade do indivíduo, sem ter
como preocupação única e mais importante a formação de artistas.
Cabe a cada qual fazer sua parte. Afinal, é fato insofismável que toda parte de um
organismo vivo, existe e funciona em razão do todo, portanto, o todo é o conjunto das partes
que nele se fundem. O Todo sem as Partes não é o Todo; e as Partes sem o Todo, não são
Partes, embora a soma das partes não seja superior ao Todo.
Vale acrescentar que importa levar em conta também as variáveis que, não raro,
influenciarão quanto à criação de um currículo que vise a busca da auto-integração dos
seres humanos, mas também na execução deste empreendimento, o qual deveria ser
instituído nas instituições de pesquisa e ensino do conhecimento teórico/prático, em todos
os níveis de ensino.
Caracterização da Área de Artes - Aspectos legais
LDB, PCN e Referenciais
Em 1971, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, a arte é
incluída no currículo escolar.
Desde 1996, os PCNs propostos pelo MEC figuram na pauta de discussões como
um referencial importante para o professor. Sua função é orientar e garantir a coerência de
políticas educacionais que propiciem melhor qualidade para o Ensino Fundamental, em
todas as áreas.
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Lei nº 9394/96
“O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos
diversos níveis da educação básica, de forma a promover o
desenvolvimento cultural dos alunos.” (art. 26, §2º)
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) foram elaborados com o objetivo de
ampliar e aprofundar um debate educacional que desse origem a uma transformação positiva
no sistema educacional brasileiro. E, diferentemente do que pensamos, eles já estão
presentes nas escolas influenciando as práticas pedagógicas.
Para o ensino fundamental, os PCN’s indicam alguns objetivos que valem a pena
analisarmos, são eles: oportunizar ao aluno a compreensão da cidadania como participação
social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais. Para
isso é importante que desperte no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e
respeitando mútuo; fazer com que os alunos sejam capazes de conhecer e valorizar a
pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro.
Vivemos em um país marcado pela riqueza de culturas. Sendo assim, é muito
significante que os alunos se posicionem contra qualquer discriminação baseada em
diferenças culturais, de classe social, de sexo, visto que, dessa forma, haverá a possibilidade
de construírem progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento
de pertinência ao país; perceber-se como agente transformador do ambiente e estabelecer
uma relação de interação com o mesmo de modo que venha contribuir para sua melhoria.
Já sabemos que somos nós os grandes causadores da visível destruição do planeta
e somos exatamente nós que estamos colhendo o fruto disso. É notória a falta de cuidado
que temos demonstrado ao meio ambiente; logo, é muito significante que despertemos
para isso e passemos a agir, no mínimo, fazendo uso da razão, bom senso e boa intenção,
ou seja, agir com base no uso da consciência.
Em todos os ciclos da educação fundamental, os Parâmetros
Curriculares Nacionais dão à área de Arte uma grande abrangência,
propondo quatro modalidades artísticas: Artes Visuais, englobando artes
plásticas, artes gráficas, vídeo, cinema, fotografia e as novas tecnologias,
como arte em computador; Música; Teatro; Dança, que é demarcada
como uma modalidade específica. Essas quatro modalidades iremos nos
aprofundar no decorrer do nosso estudo.
Segundo os próprios PCN’s, o “conjunto de conteúdos está articulado dentro do
processo de ensino e aprendizagem e explicitado por intermédio de ações em três eixos
norteadores: produzir, apreciar e contextualizar”.
A prática pedagógica nas escolas, aliada às propostas dos PCN’s para a Arte, opta
pelos conteúdos por modalidade artística delegando às escolas e a indicação das linguagens
artísticas e da sua seqüência no andamento curricular. Sendo assim, os projetos curriculares
se preocupam em variar as formas artísticas propostas ao longo da escolaridade, quando
serão trabalhadas Artes Visuais, Dança, Música ou Teatro.
Os conteúdos podem ser trabalhados em qualquer ordem, conforme decisão do
professor, em conformidade com a proposta curricular de sua equipe.
21
Vale ressaltar que se pensar nas propostas de arte sem flexibilidade
é praticamente improvável, visto que é deveras significativo atentarmos para
as diferentes condições das escolas, levando em consideração não só os
recursos humanos, como também materiais. Agindo dessa forma, evita-se
Arteque se ofereça uma proposta que a realidade das escolas não possa cumprir.
Educação
Fazer a arte e pensar sobre o trabalho artístico que realiza pode ofertar
ao aluno uma aprendizagem conectada com os valores e o modo de
produção artística nos meios socioculturais. Dessa forma, quando se pensa
em ensinar arte, não se pode isolar a escola da informação sobre a produção histórica e
social da arte.
É importante que fique claro o fato de que os conteúdos da arte não podem ser
banalizados. Faz-se necessário que sejam ensinados seguindo propostas que alcancem
os modos de aprender do aluno, de maneira que favoreça formulações de idéias, hipóteses,
teorias e formas artísticas.
Ensinar arte com arte é o caminho mais eficaz, visto que é no momento do ensino
fundamental que os alunos tendem a se aproximar e compreender as questões do universo
do adulto. É exatamente nesta fase que há a curiosidade em temas que envolvam a dinâmica
das relações sociais e de trabalho. Assim sendo, a aprendizagem em arte deve preservar a
autonomia do aluno e favorecer o contato sistemático com os conteúdos e atividades que
melhor garantirão seu progresso, integração com o meio e fortalecimento da consciência
criadora.
A formação dos professores é uma questão que ainda deixa muito a desejar. Além
do número reduzido de educadores habilitados, sobretudo nas séries iniciais, existem
realidades bastante díspares. Enquanto há grupos bem articulados, outros professores
mantêm práticas muito tradicionais, ou assumem novas abordagens, mas não as praticam
com boa qualidade.
A falta de conhecimento e de domínio técnico do professor atravessou a década e se
mantém como desafio fundamental, principalmente no contexto de aceleradas inovações
tecnológicas dos últimos anos.
Cabe salientar que o ensino da arte também é área de conhecimento, tendo, portanto
conteúdos específicos; logo, deve ser consolidada como parte constitutiva dos currículos
escolares, requerendo, com isso, capacitação dos professores para orientar a formação
do aluno.
Novo marco curricular: reivindicação de se designar a área por
Arte e de incluí-la na estrutura curricular como área com conteúdos
próprios ligados à cultura artística, e não apenas como atividade.
As Artes e os Temas Transversais dos PCN
O encanto pela arte se dá pelo fato dos trabalhos expressarem, através dela, questões
fundamentais humanas que vivenciamos no nosso dia-a-dia. Questões que exteriorizam
nossos medos, angústias, inquietações, problemas sociais e de relações humanas.
Quem nunca se deparou, num momento de angústia ou de
alegria, exteriorizando-se através da dança, da música, do teatro, enfim,
de qualquer manifestação artística, seu sentimento?
22
É só lembrarmos das belas telas e das canções que ouvimos por aí...
Vivemos em um país onde a diversidade cultural tem muita ênfase. É muito fácil
visualizar os diferentes modos de falar, de vestir, as culinárias diversas. Isso faz com que a
arte no Brasil seja muito rica, de modo que nos permite transitar por diferentes experiências,
nos oportunizando uma melhor compreensão acerca do conceito de pluralidade cultural.
Se definirmos uma definição, pluralidade significa maior número, multiplicidade.
Quando nos referimos ao universo da arte popular brasileira, levamos em
consideração as diferentes características de cada região, ofertando aos alunos uma fonte
inestimável de aprendizagem.
A representação da figura humana é uma constante na história da arte. Logo, transmitir
aos alunos a idéia de que eles são produtores de cultura, assim como possibilitar o diálogo
a partir do que as obras provocam neles, é muito significativo.
De fato, o ponto inicial do professor que trabalha com arte deve ser a relação dos
seres vivos com seu meio. Isso porque, já sabemos que estamos em constante relação,
seja com seres, coisas, pensamentos e/ou sentimentos. E se a base do nosso dia-a-dia
são as relações, as propostas para apreciação das obras artísticas não podem deixar de
levar em consideração elementos para uma reflexão sobre ambientes naturais, urbanos,
rurais, físicos e sociais, dando ênfase ao equilíbrio necessário para a preservação da vida
no planeta, reconhecendo como as manifestações artísticas intervêm no ambiente natural.
A Arte pode ser um eixo articulador do currículo, ao aglutinar o
humano nas suas dimensões ética, estética, histórica e científica.
A Estética e a Expressão Artística
As primeiras manifestações artísticas são, provavelmente, tão antigas como o próprio
homem, mas o conceito de estética é relativamente recente. A palavra estética só foi
introduzida no vocabulário filosófico em meados do século XVIII, pelo filósofo alemão
Alexander Gottlieb Baumgartem que publicou em 1750, “Estética”, onde procurava analisar
a formação do gosto. A reflexão sistemática na filosofia sobre a beleza e a arte são, todavia,
muito mais antigas, remontam à antiguidade clássica. Muitos autores preferem o termo
filosofia da arte, entendendo-o como uma reflexão centrada nas obras de arte e nas suas
relações com o criador que as produziu.
Ao estudarmos a estética nos deparamos com centenas de reflexões sobre a natureza
do belo. Na verdade, o conceito histórico de estética é limitado na medida em que se agrega
a uma beleza pré-determinada, pois o elemento particular de cada beleza advirá de conceitos
particulares, mas com uma finalidade múltipla.
A estética pode ser considerada teoria do belo, teoria do gosto ou filosofia da
arte. A teoria do belo não exclui do seu domínio muitas das obras de arte, e a filosofia da
arte não se desinteressa completamente de algumas obras belas, tal como à teoria do
gosto se pode aplicar tanto objetos belos quanto objetos de arte.
Mas não devemos confundir teoria do belo, teoria do gosto e filosofia da arte. Até
porque há obras de arte que não são belas, há obras de arte de que não gostamos, há
coisas belas que não são arte, e há coisas de que gostamos que não são arte nem são
belas.
23
ArteEducação
Pense agora em algumas dessas coisas!
Você consegue lembrar de alguma obra de arte que, para você,
não é bela? Você consegue lembrar de alguma coisa bela que não é
obra de arte?
Tanto a teoria do belo como a teoria do gosto dirige o seu interesse de forma particular
para as obras de arte. Para além do problema de saber o que é o belo, um dos problemas
colocados pela teoria do belo foi o da distinção entre o belo natural e o belo artístico. No
mesmo sentido, também os defensores da teoria do gosto procuraram compreender porque
é que a arte está na origem de grande parte dos nossos juízos de gosto.
A teoria do belo e a teoria do gosto não conseguem abarcar muitos dos problemas
que se colocam com o conceito de arte. É o caso das obras de arte que dificilmente podemos
considerar belas e daquelas de que não gostamos, mas não podemos deixar de considerar
obras de arte.
A ética, como estética da existência, tem os seus conceitos ligados definitivamente
à arte e esta varia de acordo com os padrões morais e de beleza de cada um.
O belo e a beleza têm sido objeto de estudo ao longo de toda a história da filosofia.
Para Pitágoras, o belo consiste na combinação harmoniosa de elementos variados e
discordantes. Platão afirma que a beleza de algo não passa de uma cópia da verdadeira
beleza que não pertence a este mundo. Aristóteles defende que o belo é uma criação humana,
e resulta de um perfeito equilíbrio de uma série de elementos. Na Idade Média identifica-se
a beleza com Deus, sendo as coisas belas feitas à sua imagem e por sua inspiração. Entre
os séculos XVI e XVIII predomina uma estética de inspiração aristótélica: a beleza é
associada à perfeição conseguida por uma sábia aplicação das regras da criação artística.
Kant atribuirá ao sentimento estético as qualidades de desinteresse e de universalidade.
Foi o primeiro a definir o conceito de belo e do sentimento que ele provoca. Hegel verá no
belo uma encarnação da idéia, expressa não num conceito, mas numa forma sensível,
adequada a esta criação do espírito.
Diante de tantas considerações acerca do belo, afinal,
qual é o modelo de beleza mais perfeito que existe no universo?
O que é sentir?
Considerando que o maior exemplo de artista é Deus, enquanto criador de grandes
potências realizadoras do universo, sejam elas o Homem e a Natureza, a obra mais perfeita
que existe no universo é a Natureza, pois tudo nela funciona perfeita e harmoniosamente.
Podemos observar tal fato pela conduta que os corpos celestes denunciam, em que as
diversas constelações de estrelas convivem sincronicamente em movimento constante sem
se chocarem e sem perderem o brilho.
Podemos observar ainda os diversos seres habitantes deste planeta que convivem
harmoniosamente entre si, fazendo parte de um grande sistema vivo. As plantas, os animais,
os seres humanos, seres habitantes de um mesmo universo, embora com características
bem definidas e diferentes, mas que convivem em harmonia perfeita.
Observe que na natureza tudo é perfeito, as cores, as formas, a luz, os movimentos,
enfim, podemos evidenciar ainda como obra deste grande artista divino o próprio homem,
24
o micro desse macrocosmo, que encerra em si a essência divina do grande criador. Então,
porque então não utilizarmos a natureza como referência da maior representação estética
que existe no universo?
O belo se faz belo na sua própria essência, ou seja, quando permitimos que o nosso
sentimento possa manifestar-se livremente, sem idéias pré-concebidas.
Juízos Estéticos
Um juízo, conforme vimos, não é mais do que a afirmação ou a negação de algo. Um
juízo estético é a apreciação ou valorização que fazemos sobre algo, traduzindo em
afirmações como “gosto” ou “não gosto”. Nem sempre estes juízos são baseados em critérios
explícitos que permitam fundamentar as nossas afirmações. Em termos gerais, todos os
juízos estéticos podem ser nos seguintes pressupostos:
a) Objetividade das apreciações - partimos do pressuposto que, independentemente
das épocas históricas, continuam a permanecer válidos um dado conjunto de valores.
b) Subjetividade das apreciações - partirmos do pressuposto que a arte não pode
ser separada dos contextos sócio-culturais a que está ligada. O que é arte ou não ou o valor
de cada obra tem que ser sempre equacionado em função destes determinados contextos
sociais, culturais ou outros.
Experiência Estética
O homem é razão, mas também é emoção. O meio envolvente desperta nele
emoções de agrado ou desagrado, de prazer ou de tristeza, de beleza ou fealdade. Mas o
homem não se limita a contemplar, também cria, produz objetos onde procura não apenas
expressar estas emoções, mas fazê-lo de forma que outros as possam igualmente
experimentar quando os contemplam. Para Jan Mukavousky a Função Estética da arte está
diretamente ligada a relação não preconceituosa do indivíduo diante de uma obra de arte,
valorizando em si os sentimentos despertados nesta relação.
Atitude Estética
As predisposições que o homem revela para produzir, mas também para valorizar
em termos emotivos os objetos e as situações, constitui o que designamos por atitude
estética. A atitude estética para com a arte depende da perspectiva como a encaramos.
Esta atitude deve ser desenvolvida nos educandos na sala de aula do arte-educador, através
de um método que sempre envolva uma experimentação prática de elementos plásticos, a
fim de serem realizadas análises acerca da percepção visual e da filosofia da Arte.
Criação Artística
O que designamos por criação artística nem sempre teve o mesmo sentido. Na antiga
Grécia, Platão afirmava que as obras de arte não eram mais do que “cópias” mais ou menos
perfeitas de modelos que a alma captara noutra dimensão da realidade. A criação artística
é, assim, uma descoberta ou reencontro com a beleza que trazemos escondida dentro de
nós. Na arte não se cria nada de novo, mas apenas dá-se forma a modelos pré-existentes.
Aristóteles, introduz o conceito de “mimésis”: as produções artísticas situam-se na
fronteira entre o imaginário e a imitação da realidade. A arte não imita, portanto, a natureza,
mas corrige-a, exalta-a ou rebaixa-a, transfigurando-a naquilo que ela deveria ser.
25
Durante a Idade Média, os artistas encaram as suas produções
artísticas como a expressão de uma louvor a Deus, o único e efetivo criador.
No Renascimento, ressurge o conceito do homem como criador,
divulgando-se o conceito da arte como imitação da realidade. Concepção
Arteque irá preponderar até ao século XIX.
Educação
No século XIX e princípios do século XX, face ao advento da fotografia
e depois do cinema, assiste-se à progressiva desvalorização da dimensão
imitativa da arte, em favor da sua dimensão expressiva (emotiva, formal,
simbólica, etc).
Arte e Sociedade
As relações entre a arte e a sociedade têm sido encaradas de múltiplas formas. Uns
encaram os artistas como simples seres, mais ou menos passivos, que se limitam a
expressar ou espelhar as idéias da sociedade e seus grupos dominantes, ou ainda a servirem
aos interesses do poder, nomeadamente em termos propangandísticos.
Outros autonomizam a função dos artistas e encaram-nos como interpretes das
preocupações ou dos valores de uma sociedade, muitas vezes antecipando-se mesmo à
sua própria evolução, revelando as conseqüências de determinadas tendências sociais.
Neste sentido, a arte tem funcionado como um instrumento de crítica social.
Não podemos, como é obvio, reduzir as criações artísticas apenas ao tempo em que
foram produzidas; a arte manifesta essa invulgar capacidade também de o superar. Para a
compreensão da criação artística, temos que levar em conta dois planos essenciais:
1.Sociedade, onde decorrem as vivências e as aprendizagens dos artistas; 2. O imaginário
ou fictício que o artista constrói e corporiza em cada obra. 3. O próprio artista que, ora se
apaga, ora se evidência naquilo que faz. assim, o artista deveria assumir, em cada obra de
arte produzida, o seu papel catalizador de transformações na sociedade. A mesma
responsabilidade repousa na consciência do arte-educador no seu planejar docente.
A Interpretação da Obra de Arte
A linguagem artística é por natureza polissémica, isto é, admite uma pluralidade de
sentidos, apelando à nossa capacidade para os descobrir. Não existe pois uma única forma
de as interpretar, como não existe uma maneira de as sentir.
A Percepção de Qualidades Estéticas - As Ações do Professor e dos Alunos
♦
Professor:
Antes da aula: pesquisador, apreciador de arte, organização da aula e do espaço,
estudioso da arte, profissional da escola.
Durante a aula: incentivador da produção, estimulador do olhar crítico, curiosidade
e desafio, inventor de formas de apreciação de arte, acolhedor de materiais, idéias e
sugestões dos alunos, destino para os trabalhos dos alunos, análise dos trabalhos.
Depois da aula: articulador das aulas, avaliador das aulas, imaginador do que irá
acontecer.
♦
26
Alunos: respeito, organização, curiosidade.
Atividades
Complementares
1.
Reflita sobre a afirmação abaixo e apresente 03 exemplos da arte na vida cotidiana
e nas escolas:
“A experiência estética não é necessariamente derivada da arte, mas a arte é uma das
principais fontes da mesma.” (Thomas Munro, 1956)
a) Exemplo de arte na vida cotidiana:
b) Exemplos de arte nas escolas:
2.
Faça uma pesquisa numa escola de ensino fundamental anotando quais
publicações e materiais (livros, revistas, textos, recortes, reproduções de obras de arte,
partituras musicais, discos, gravações, dispositivos, vídeos etc) na área artística se encontram
disponíveis para os estudos nas aulas de arte quanto a:
a) artistas de diversas épocas;
b) obras de arte;
c) história da arte;
d) bibliografias;
e) técnicas e materiais de produção artística.
27
O ENSINO DA ARTE
NO CURRÍCULO ESCOLAR
ArteEducação
“
A arte, magia e ciência de educar, também implicam
em descobrir as faculdades latentes do educando, e primar
por sensibilizá-lo ao autodespertamento das mesmas, ou
simplesmente despertá-las.
”
A Arte como Objeto de Conhecimento
Você já se indagou sobre as informações que nos deparamos no dia-a-dia? Algum
dia já se questionou sobre como adquirir conhecimento? Para que conhecer?
A Arte é objeto de conhecimento?
O conhecimento é a manifestação da consciência de conhecer. Apresenta-se como
uma reação entre o sujeito (homem) e o objeto (mundo) de forma tão natural que nem nos
damos conta que ele se faz presente toda vez que explicamos um dado vivido.
O fato é que podemos viver sem conhecer...
O sentido, a finalidade e a razão das coisas e do mundo fazem parte da necessidade
de sobrevivência do homem. Sendo assim, o conhecimento é uma forma de estar no mundo
seja criativamente, simplesmente ou criticamente.
O que é arte? Quem faz arte?
Como se faz arte?
O universo da arte caracteriza um tipo particular de conhecimento que o ser humano
produz. E assim como a arte, que tem seu caráter de criação e inovação, está o conhecimento
com seu caráter de constante transformação.
Quantas vezes você já não buscou compreender a razão de sua existência? Saber
seu papel aqui na terra? Compreender de onde você veio?
Esses questionamentos podem ser auxiliados tanto pela ciência quanto pela
arte, visto que expressam as diversas culturas, mediante construção de objetos de
conhecimento. A verdade é que nunca foi possível existir ciência sem imaginação, nem arte
sem sabedoria. E, desde as sociedades antigas, a arte integrava a vida dos grupos humanos,
auxiliando-os na compreensão da realidade. Desta forma, fica fácil perceber que a arte e a
ciência se complementam.
E se elas se complementam, é através delas que vamos fazer frente às transformações
políticas, sociais, anunciando o ser humano do século XXI. Portanto, através da educação
28
formularemos novos paradigmas que evitem a oposição entre a arte e a ciência e oportunize
um ensino criador que favoreça a integração entre a aprendizagem racional e estética dos
alunos.
A arte exige um conjunto de relações e de referências, pois suas regras transformamse nas mãos de cada artista, evoluindo com o tempo. Com isso, fica clara a idéia de
mutabilidade. Com a arte não se pode aprender regras de apreciação. Desse ponto de
vista, esclarecer o que seja a arte não é coisa muito fácil. Pense sobre o seguinte aspecto:
a arte está relacionada com a sensibilidade e a percepção de cada indivíduo. Levando em
consideração que os indivíduos apresentam concepções divergentes, contraditórias, visto
que, a sociedade exerce forte influência nos nossos padrões de comportamento, das
crenças, dos nossos valores espirituais e materiais, chegar a um denominador comum
quando pensamos em arte é uma tarefa que requer, no mínimo, reflexão. Mas, se é difícil
sabermos o que é a arte, precisamos ao menos compreender como nos comportar diante
dela.
O importante é não perdermos de vista que o estatuto da arte não parte de uma
definição abstrata, mas de atribuições feitas por instrumentos de nossa cultura, dignificando
os objetos sobre os quais ela recai.
Hoje, possuímos uma noção de arte que não é uma iminência, é uma projeção. Coli
(1995) nos dá sua contribuição quando nos convida a refletir que somos nós que enunciamos
o “em si” da arte, ou seja, aquilo que nos objetos é, para nós, arte.
Em suma, assim como o mito nos primórdios dos tempos e posteriormente a ciência,
a arte também é uma forma de organizar o vivido e transformá-lo em objeto de conhecimento
e, como tal, não pode ser desconsiderada pela escola.
Qual a maior contribuição da arte
par
a o ser humano?
para
A maior contribuição da arte para o ser humano é a oportunidade de autoconhecimento,
pois diante de uma obra de arte, em estado de contemplação, nos aproximamos da “coisa”,
ou seja da obra criada pelo artista, tal como ela é, e não como imaginamos que ela foi
concebida; e, neste momento, se buscarmos refletir acerca das sensações e emoções que
esta obra de arte nos causa, eis aí uma oportunidade de nos conhecermos melhor.
Como Mário de Andrade, tantas vezes citado, disse: “eu não sei o que é belo e nem
o que é arte mas, certamente sei que é belo o fundamento que nos leva a acreditar que
através da arte podemos construir uma sociedade melhor, tanto ética como esteticamente
falando, pois a arte integra todos os campos de aprendizado, disciplina o olho, a mão, o
corpo, enfim, e preenche o espírito e o tempo.”
A Arte é também grande aliada da Educação, contribuindo significativamente na
formação do educando, quando serve de base para o desenvolvimento de atividades lúdicopedagógicas, bem como quando serve de elemento integralizador de atividades inter, trans
e multidisciplinar onde são trabalhados valores morais, éticos e estéticos que visam
desenvolver e despertar, desenvolver e expandir o potencial criativo dos educandos, em
prol da sua formação integral.
Século
XXI
Ações que interferem na
melhoria do ensino e na
aprendizagem da arte
• Educação estética;
• Visão filosófica da arte;
• Formação artística dos
alunos.
29
Conteúdos e Objetivos da Arte no Ensino
Fundamental
ArteEducação
Você agora deve estar se questionando sobre qual a
finalidade da arte no ensino, não é mesmo?
Qual a contribuição que a arte pode dar
para a formação do indivíduo?
Então, essas e outras questões vamos tentar esclarecer agora. A seleção dos
conteúdos que serão estudados em Arte tem como pressuposto promover a formação
artística e estética do educando e sua participação na sociedade. Para isso, é importante
que a organização do espaço e do tempo de trabalho seja criada e concebida pelo professor,
de modo que promova a clareza visual e funcional do ambiente e a característica flexível e
mutável do espaço.
Vale ressaltar mais uma vez que todo o trabalho realizado com Arte não pode perder
de vista a diversidade de recursos humanos e materiais disponíveis, o que de certa forma
oportuniza ao educando vivenciar o maior número de formas de arte. Dessa forma, os
conteúdos de Arte no ensino fundamental devem estar relacionados de modo que sedimente
a aprendizagem dos educandos.
Muitos equívocos têm sido cometidos quando se fala em educação em Arte, muitas
vezes é comum depoimentos onde se enfatiza a área apenas como um mero transmitir de
técnicas e se esquece que a Arte pode ser um eixo articulador do currículo, ao aglutinar o
humano nas suas dimensões ética, estética, histórica e científica.
O conjunto dos conteúdos está articulado dentro de um contexto triangular que leva
em consideração a produção, ou seja, o fazer artístico, a possibilidade de experimentação
de técnicas conhecidas, a ousadia de propor outras, o olhar pelo já construído pelo homem
e o fazer pelo prazer de exprimir-se; a fruição, que contempla a fruição da produção dos
alunos e da produção histórico-social em sua diversidade, ou seja, a sensação e o prazer
advindos da ação que o educando realiza ao se apropriar dos sentidos e emoções gerados
no contato com as produções artísticas; e a reflexão, que é a própria construção de
conhecimento sobre o trabalho artístico pessoal e dos colegas.
A seleção de conteúdos de Arte deve levar em
consideração alguns critérios: seus conteúdos devem ser
compatíveis com as possibilidades de aprendizagem dos
alunos, deve haver especificidades do conhecimento e da
ação artística, valorizando o ensino de conteúdos básicos
de arte necessários à formação do cidadão.
Segundo o PCN Arte, os conteúdos gerais são a arte como expressão e comunicação
dos indivíduos; elementos básicos das formas artísticas; produtores em arte; diversidade
das formas de arte e concepções estéticas da cultura regional, nacional e internacional e a
arte na sociedade.
30
É importante frisar que um currículo que se pretenda abrangente deve dar atenção
às mais diferentes manifestações humanas, considerando-se, inclusive, a questão da carga
horária dos cursos regulares da educação básica que, em geral, dão ênfase à questão
lingüística e lógico–matemática, desconsiderando nas grades curriculares oficiais o potencial
formador da Arte.
No transcorrer do ensino fundamental, o ensino da Arte deverá organizar-se de
modo que, ao final do curso, os educandos possam compreender e identificar a arte como
fato histórico contextualizado nas diversas culturas, identificando a existência de diferenças
nos padrões artísticos e estéticos; expressar-se e saber comunicar-se em artes, transmitindo
sua emoção, imaginação, reflexão e sensibilidade ao realizar suas produções artísticas;
observar as relações entre o homem e a realidade com interesse e curiosidade; buscar
informações sobre a arte em contato com artistas, acervos, documentos, não só nas escolas,
mas, principalmente fora delas (acervos públicos – museus, galerias, bibliotecas etc.),
identificando a variedade dos produtos artísticos; estabelecer uma relação de autoconfiança
com a produção artística pessoal e o conhecimento estético.
A Proposta Metodológica para o Ensino de Artes
Fugindo do paradigma clássico de arte pela arte, insurge-se uma nova concepção
de estética e ensino de arte que quer autonomia no espaço da educação escolar, não
uma simples concessão eletiva como está explicitada na “atual” Lei de Diretrizes e Bases,
mas, ao contrário, esse novo paradigma exige cumplicidade corajosa entre professores
e alunos na derrubada das grades que embotam a liberdade de inventar e reinventar as
cenas e os scripts no palco da vida e da escola. Assim, esse novo paradigma requer a
coragem de romper com padrões estéticos e artísticos impostos e pelo ato de conhecer,
selecionar, apropriar-se, criticar historicamente, refazer com arte nossa existência
emancipatória cotidiana. O paradigma novo requer, de professores e alunos, a luta por
uma reorganização do tempo e do espaço escolar para além das grades.
Uma pedagogia da arte implica uma dinâmica diferenciada da escola, uma nova
organização de tempo e de espaço que não sejam eminentemente linear e que respeite
as diferenças e as singularidades culturais de cada educando. É na ação dos arteeducadores que podemos reverter o quadro e tornar o ensino da arte uma prática
significante para quem dela participa.
A escola é o primeiro espaço formal onde se processa o conhecimento, portanto
onde se dá o desenvolvimento de cidadãos, e nada melhor que por aí se dê o contato
sistematizado com o universo artístico e suas linguagens: artes visuais, teatro, dança e
música. Contudo, o que se percebe é que o ensino da arte está relegado ao segundo
plano, ou é encarado como mera atividade de lazer e recreação.
Reconhecendo não só a necessidade da arte, mas a sua capacidade
transformadora, os educadores estarão contribuindo para que o acesso a ela seja um
direito do homem. Aceitar que o fazer artístico e a fruição estética contribuem para o
desenvolvimento de crianças e de jovens é ter a certeza da capacidade que eles têm de
ampliar o seu potencial cognitivo e assim conceber e olhar o mundo de modos diferentes.
Esta postura deve estar internalizada nos educadores, a fim de que a prática pedagógica
tenha coerência, possibilitando ao educando conhecer o seu repertório cultural e entrar
em contato com outras referências, sem que haja a imposição de uma forma de
conhecimento sobre outra, sem dicotomia entre reflexão e prática.
31
Em 1971, pela LDB, a arte é incluída no currículo escolar
ArteEducação
Educação Artística
Atividade Artística
Como vimos no diagrama acima, em 1971, pela Lei de Diretrizes e Bases da
Educação, a arte passa a ser incluída no currículo escolar, embora ainda tratada apenas
como Educação Artística, ou seja, como atividades lúdicas e/ou recreativas, sem levar em
consideração as especificidades de sua área e os seus conteúdos específicos.
Inclusão na estrutura curricular como ÁREA (com conteúdos próprios ligados à cultura
artística e não apenas como atividade).
A consolidação da arte como disciplina contou ainda com inúmeros entraves, como
o despreparo dos professores para o domínio das várias linguagens artísticas que esta
disciplina requer, bem como dificuldades dificuldades na relação teoria X prática.
Década
de 90
Identificação da área por
“Arte”(e não mais
por Educação Artística)
Inclusão na estrutura curricular
como ÁREA (com conteúdos
próprios ligados à cultura artística
e não apenas como atividade)
Orientações Didáticas para a Arte
As atividades propostas na área de Arte devem garantir e ajudar os educandos a
desenvolver modos interessantes, instigantes e inteligentes, além de imaginativos e
criadores, de fazer e de pensar sobre a arte, exercitando seus modos de expressão e
comunicação.
Se considerarmos que educar é o processo de humanização do homem, o processo
pelo qual ele se torna capaz de compreender e usufruir o patrimônio coletivo do saber criado
pela humanidade ao longo da História, não poderemos deixar de dar um papel relevante à
educação em Arte.
32
SELEÇÃO E ORDENAÇÃO
DE CONTEÚDOS
Formação artística e estética do aprendiz e
sua participação na sociedade
¤ Objetivos Gerais do Ensino de Arte
• Adquirir sensibilidade e cognição em Artes Visuais, Dança, Música e Teatro,
exercitando sua cidadania cultural com qualidade.
• Experimentar e explorar as possibilidades de cada linguagem artística;
• Compreender e utilizar a arte como linguagem;
• Contextualizar a arte como fato histórico;
• Relações entre arte e realidade;
• Funções da arte, do trabalho e da produção dos artistas.
¤ Conteúdos de Arte no Ensino Fundamental
Produzir: fazer artístico; experimentação e uso das linguagens artísticas.
Apreciar: percepção, decodificação, interpretação, fruição de arte e do universo a
ela relacionado.
Contextualizar: situar o conhecimento da arte. Interação. Pensar sobre arte.
• Arte como expressão e comunicação dos indivíduos;
• Elementos básicos das linguagens artísticas, modos de articulação formal, técnicas,
materiais e procedimentos na criação da arte;
• Produtores de arte: vidas, épocas e produtos em conexões;
• Diversidade das formas de arte e concepções estéticas da cultura regional, nacional e
internacional: produções e suas histórias;
• A arte na sociedade, considerando os artistas, os pensadores da arte, outros profissionais,
as produções e suas formas de documentação, preservação e divulgação em diferentes
culturas e momentos históricos.
¤ Avaliação
A avaliação está afeita a como os conteúdos de arte são assimilados pelos estudantes.
Na verdade, trata-se de um processo pessoal e individual de cada aluno e da sua relação
com as atividades desenvolvidas em sala de aula. Deve-se levar em consideração também
a auto-avaliação.
33
¤ A Organização do Espaço e do Tempo de Trabalho
ArteEducação
Organização dos materiais a serem utilizados dentro do espaço de
trabalho; clareza visual e funcionamento do ambiente; marca pessoal do
professor; “estética do ambiente”; característica do espaço.
¤ Os Instrumentos de Registro e Documentação das Atividades dos
Alunos
Registrar e documentar as atividades.
¤ A Pesquisa de Fontes de Instrução e de Comunicação em Arte
Imagens, textos, vídeos, exposições.
Atividades
Complementares
1.
Entrevistar 04 pessoas de diferentes faixas etárias (60 anos, 30 anos, adolescente,
criança), seguindo o roteiro abaixo.
Nome do entrevistado:
a) Como eram suas aulas de arte?
b) Quais atividades eram realizadas em suas aulas de arte?
34
Idade:
c) Que materiais eram utilizados em suas aulas de arte?
d) Que técnicas artísticas você trabalhou em suas aulas de arte?
e) Quais foram os livros utilizados em suas aulas de arte?
2.
Com base nas informações coletadas nas entrevistas, elabore um texto de 10 linhas
evidenciando as mudanças ocorridas no ensino de artes ao longo das últimas décadas.
35
ARTE-EDUCAÇÃO
E CRIATIVIDADE
ArteEducação
ARTE-EDUCAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DO
POTENCIAL CRIATIVO DO ENTE HUMANO
“
Ser criativo é demonstrar o que é ser livre,
bem como o que é a liberdade.
”
O que é Arte - Educação?
Arte-Educação é um conhecimento multidisciplinar necessário para o desenvolvimento
do potencial criativo, expressivo e o autoconhecimento do educando.
O reconhecimento de sua importância e do valor da cultura como formador no
processo educacional é garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Na escola, a educação pela arte ganhou força com a mudança ocorrida no sistema
de ensino. A LDB – nº 9.394/96 – mudou o foco da educação, antes centrada apenas na
transmissão de conteúdos, e colocou-a no processo de aprendizagem do educando.
O ensino de arte, hoje, é uma área do saber, uma disciplina com origem, história,
questões e metodologia.
Todo esforço empreendido a partir do movimento de arte-educação (a partir dos
anos 80), em busca da reorganização política dos professores de arte, encontrou na
fragilidade conceitual da articulação entre ensino e arte o seu maior desafio: por um lado,
os professores não-habilitados formalmente em arte e, por outro, a formação polivalente e
de forte caráter tecnicista que predominava nas universidades foi um impasse que teve que
ser enfrentado e ainda não totalmente revolvido, considerando a perspectiva de melhoria
da qualidade da arte na educação escolar.
Movimento
Arte-Educação - 1980
36
Conscientização
e organização
dos profissionais
Novos andamentos à
ação educativa em artes
Das críticas à livre expressão enquanto método de ensino de arte, fortemente
enraizada na escola pública, nasce a necessidade de afirmar a arte como conhecimento
que possui uma epistemologia, uma história e, por isso, é uma importante área de ensino e
pesquisa para educação escolar.
“A critério das escolas e respectivos professores, (...) os projetos
curriculares se preocupem em variar as formas artísticas propostas
ao longo da escolaridade, quando serão trabalhadas”.
(PCN-Arte, p. 62-63)
Uma pedagogia da arte implica uma dinâmica diferenciada da escola, uma nova
organização de tempo e de espaço que não sejam eminentemente lineares e que respeitem
as diferenças e as singularidades culturais de cada aluno. É na ação dos arte-educadores
que podemos reverter o quadro e tornar o ensino da arte uma prática significante para
quem dela participa.
A ênfase dada ao trabalho do arte-educador não isenta o conjunto da escola da
responsabilidade de modificar a prática do ensino de arte, e com isto promover a educação
estética em sua totalidade. Uma proposta pedagógica em arte, por melhor que seja, não se
sustenta se não contar com profissionais bem formados que tenham uma visão humanista e
um maior conhecimento de arte, elementos básicos para a sua qualificação. Cabe aos
educadores redirecionar a sua atenção no sentido de fazer com que a arte ocupe seu espaço
na escola.
“Os conteúdos podem ser trabalhados em qualquer ordem,
conforme decisão do professor, em conformidade com o desenho
curricular de sua equipe.”
(PCN-Arte, p. 49).
Entraves para o ensino das modalidades artísticas
• Formação do professor de arte;
• Conhecimentos específicos da arte;
• Complexidade dos conteúdos nas diversas modalidades artísticas.
Perspectivas para o ensino das modalidades artísticas
• Polivalência do professor;
• Realização das propostas previstas nos PCNs.
Proposta Triangular para o Ensino de Arte
A proposta triangular para o ensino de arte foi o marco do novo conceito de ensinar
arte-educação e foi introduzida no Brasil pela arte-educadora Ana Mae Barbosa. Tal proposta
trata da prática de se ensinar arte não apenas estimulando o fazer autônomo, mas a ele
associando a Leitura da obra de Arte e a Contextualização dos fazeres individuais e das
37
obras lidas e analisadas e vem sendo utilizada e resignificada
constantemente pelos professores de arte.
Embora recente, a Proposta Triangular tem sido bastante divulgada
e, atualmente, muitos professores de artes já estão familiarizados com ela.
ArteSegundo Ana Mae (1991, p. 10): “O que a arte na escola
Educação principalmente pretende é formar o conhecedor, fruidor e decodificador da
obra de arte (...). A escola seria a instituição pública que pode tornar o acesso
à arte possível para a vasta maioria dos estudantes em nossa nação (...)”.
A proposta triangular para o ensino de arte propõe que ensino de Arte tenha como
base a fruição, ou seja, a reflexão advinda da ação que o educando realiza ao se apropriar
dos sentidos e emoções gerados no contato com as produções artísticas; a
contextualização, ou seja, o significado da arte no nosso dia-a-dia, inclusive sendo eixo
para a tão procurada interdisciplinaridade; e a produção, ou seja, o fazer artístico, a
possibilidade de experimentação.
PRODUZIR
APRECIAR
CONTEXTUALIZAR
Com esta proposta triangular, a educadora Ana Mae Barbosa, esboça um sofisticado
método de ensino de arte que está embasado na concepção de arte como produção humana
que pode ser ensinada, aprendida, apreendida e resignificada.
ARTICULAÇÃO DOS CONTEÚDOS
A Produção
Fazer Artístico
A Fruição
Apreciação significativa
EIXOS NORTEADORES
38
A Reflexão
Construção
de conhecimento
Desenvolvimento da Capacidade Criadora
“
As atitudes criativas levam o indivíduo não só a uma
maior independência interna e autoconfiança, estimulando-o a
desenvolver suas aptidões como a conhecer suas
características individuais e os seus próprios limites.
Criatividade é a emergência de um produto relacional novo,
resultante, por um lado, da unicidade do indivíduo e, por outro,
dos materiais dos eventos de outros indivíduos e das
circunstâncias de sua vida. (Rogers)
”
Todo ser humano, em maior ou menor grau, é criativo; A CRIATIVIDADE é algo
intrínseco ao homem. A AÇÃO DE CRIAR, ou melhor, A CRIATIVIDADE, é muito mais
que uma obra do acaso, bem como muito mais do que um simples exercício da faculdade
da imaginação humana, ou ainda, um lampejo subjetivo da mesma. Portanto, Criar,
significa, implica e indica um complexo relacionamento de valores, de elementos, enfim, de
códigos de Leis Naturais que inteligentemente interligados agem e interagem favorecendo
a realização de uma obra. No entanto, enquanto houver distância significativa entre a AÇÃO,
o PENSAMENTO e o SENTIMENTO, ou seja, entre O SENTIR, PENSAR e O AGIR, é
evidente que não haverá AUTO INTEGRAÇÃO. Assim não haverá AÇÃO CRIATIVA.
Por que a Cria
tividade é impor
tante par
a
Criatividade
importante
para
a formação do ente humano?
Assim como a inteligência, a criatividade é uma capacidade indispensável para a
sobrevivência na complexa sociedade humana, onde surpresas e imprevistos nos desafiam
constantemente. Podemos considerar como criatividade a capacidade das pessoas de
gerar idéias, de comunicá-las e de colocá-las em prática. Em síntese, ser criativo é um
processo que nasce com a criatura humana. Criar é uma capacidade que todos temos,
independente de classe social, mas interdependente do meio sócio-cultural em que você
está inserido.
Para que a educação cumpra sua finalidade, deve ser antes de tudo criadora,
favorecendo a mobilização do potencial criativo. Todos os alunos são possuidores de potencial
criador, ao qual evolui em diferentes níveis de intensidade e está fortemente relacionado às
condições ambientais e às intervenções pedagógicas adequadas. Uma educação criativa
deve favorecer a mobilização do potencial criativo em todas as disciplinas e assuntos, dando
valor ao pensamento produtivo e divergente e a promoção de atividades criadoras. O papel
do professor dentro do processo criador deve ser criar experiências e situações que
estimulem a criatividade. Existem fatores que constituem barreiras à criatividade: os recursos
ambientais, extenso conteúdo do currículo, ensino como mera transmissão de informações,
ênfase exagerada na disciplina.
Torrance [citado em ALE 86] propôs uma série de atitudes que visam fomentar a
criatividade e que poderiam ser praticadas pelos professores em sala de aula:
a) reconhecer e valorizar as potencialidades do educando;
b) ter uma atitude de respeito às idéias e questões dos educandos;
c) fazer perguntas provocativas e estimulantes que favoreçam a reflexão e o
raciocínio;
39
ArteEducação
d) reconhecer e valorizar a originalidade;
e) desenvolver e encorajar as habilidades de manipulação e
elaboração das idéias;
f) desenvolver leitores criativos;
g) buscar o conhecimento através de método de pesquisa;
h) fazer uso de habilidades criativas para solucionar problemas;
i) levar os alunos a trabalharem livres de ameaças de nota ou
julgamento de valor crítico.
Será que todos nós somos cria
tiv
os?
criativ
tivos?
Segundo Howard Gardner (1998): “a criatividade não é uma coisa que se guarda
no armário: ela passa a existir durante o processo de interação com outras pessoas”, não
é algo, portanto, que esteja inteiramente dentro do indivíduo, ela implica também adesão
dos outros.
De acordo com a psicologia de Vygotski (1990), a possibilidade de criar constitui-se
no desenvolvimento humano, em consonância com a constituição da consciência, e revela
uma relação entre o homem e seu entorno que supera a simples reprodução do que já é
conhecido.
A capacidade de ver as coisas de um ponto de vista novo é fundamental para o
processo criativo, e essa capacidade está sempre presente na nossa maneira de saber
pensar com inteligência, enfim, com a intuitividade. É importante notar que o ato criativo
também mantém uma dimensão social, visto que a ação do indivíduo também interage às
necessidades de outras pessoas.
Se atentos, verificaremos que hoje a educação nada mais é senão a codificação de
supostas descobertas e teorias, que tendem a ser ou se tornam dogmáticas; logo fixas,
bem como informações e conhecimentos através dos livros e afins e, insistentemente, fixandoos nos educandos, condicionando-os a agir aumentando tais teorias que estão hoje, em
sua maioria, fora da lei natural das coisas.
Será a ca
pacidade de criar um dom ina
to?
capacidade
inato?
Cumpre investigar, porém, se o homem pode tornar-se livre e criativo se não for
conhecendo seus processos, não somente superficiais ou periféricos, mas também
profundos. Deste modo, esta educação nos torna instruídos, só por sabermos ler e escrever,
mas não educados; torna-nos adequados por seguirmos regras, mas não integrados com
o movimento da vida.
A utilização de novos métodos de ensino, principalmente no que se refere ao método
criativista, dentro do contexto educacional presenciado, traz uma nova perspectiva, mudando
o foco do desenvolvimento intelectual para o desenvolvimento da inteligência e intuição,
afinal, ser criativista significa ter proficiências; ter atenção vigilante e ter talento
disponível.
40
Atividades
Complementares
Caros alunos, com base na leitura e análise do texto a seguir, responda as questões
abaixo:
1.
Quais são as modalidades artísticas propostas pelos Parâmetros Curriculares para
o ensino das artes?
2.
Quais são os eixos norteadores que fundamentam as ações pedagógicas para o
ensino de arte e qual a importância deles para a articulação dos conteúdos?
3.
Como realizar, na sala de aula, a proposta dos PCN para Arte, com suas quatro
modalidades artísticas?
4.
O que é necessário para a efetiva aplicação das propostas indicadas nos PCN-
Arte?
5.
6.
Como o professor poderia respaldar suas ações nas propostas dos PCN-Arte?
Qual a importância dos PCN-Arte para o sistema educacional vigente?
41
ArteEducação
PCN NAS ESCOLAS: E AGORA?
Em todos os ciclos da educação fundamental, os Parâmetros Curriculares
dão à área de Arte uma grande abrangência, propondo quatro modalidades
artísticas: (1) Artes Visuais - com maior amplitude que Artes Plásticas, englobando artes
gráficas, vídeo, cinema, fotografia e as novas tecnologias, como arte em computador; (2)
Música; (3) Teatro; (4) Dança, que é demarcada como uma modalidade específica.
Nos PCN-Arte, as propostas para essas diversas linguagens artísticas estão
submetidas à orientação geral, apresentada na primeira parte do documento, que estabelece
três diretrizes básicas para a ação pedagógica. São diretrizes que retomam, embora não
explicitamente, os eixos da chamada “Metodologia Triangular” - ou melhor, “Proposta
Triangular” -, defendida por Ana-Mae Barbosa. Segundo os próprios Parâmetros, o
“conjunto de conteúdos está articulado dentro do processo de ensino e aprendizagem
e explicitado por intermédio de ações em três eixos norteadores: produzir, apreciar e
contextualizar” (PCN-Arte, p. 49). Vale ressaltar que, em nosso país, a Proposta Triangular
representa a tendência de resgate dos conteúdos específicos da área, na medida em que
apresenta, como base para a ação pedagógica, três ações mental e sensorialmente básicas
que dizem respeito ao modo como se processa o conhecimento em arte.
Com os eixos norteadores adotados, os PCN-Arte colocam-se em sintonia com as
buscas desenvolvidas no campo do ensino de arte, refletindo o próprio percurso da área.
Neste sentido, podem ajudar a consolidar uma nova postura pedagógica e a concepção da
arte como uma área de conhecimento específico. No entanto, há certamente um grande
descompasso entre a realidade das escolas e essa renovação pretendida pelas instâncias
regulamentadoras e pelos trabalhos acadêmicos.
Ao se pensar a prática pedagógica na escola, a primeira grande questão é: como
realizar, na sala de aula, a proposta dos PCN para Arte, com suas quatro modalidades
artísticas? O fato é que os PCN-Arte, que apresentam uma proposta tão abrangente, não
chegam a apresentar de modo claro a forma de encaminhar concretamente o trabalho com
as diversas linguagens artísticas. As disposições neste sentido são poucas e dispersas
pelo texto, de modo que a questão de quais linguagens artísticas, quando e como serão
abordadas na escola permanece, em grande medida, em aberto. Os PCN-Arte optam pela
organização dos conteúdos por modalidade artística - e não por ciclo, como nos documentos
das demais áreas -, delegando às escolas a indicação das linguagens artísticas e “da sua
seqüência no andamento curricular” (PCN-Arte, p. 54). Neste sentido, sugerem que, “a critério
das escolas e respectivos professores, (...) os projetos curriculares se preocupem em variar
as formas artísticas propostas ao longo da escolaridade, quando serão trabalhadas
Artes Visuais, Dança, Música ou Teatro.” (PCN-Arte, p. 62-63 - grifos nossos).
À primeira vista, a flexibilidade presente na proposta de Arte procura considerar as
diferenciadas condições das escolas, levando em conta também a disponibilidade de
recursos humanos. Diante das condições do sistema de ensino em nosso país, seria irrealista
pretender vincular a abordagem de cada linguagem artística a séries determinadas, num
programa curricular fechado. Mas esta flexibilidade pode, em certa medida, comprometer
a função básica dos Parâmetros Curriculares, que é garantir um padrão de qualidade no
ensino, em nível nacional, inclusive em termos dos conteúdos estudados. Afinal, na área de
Arte, muito é deixado a cargo de cada escola ou mesmo do professor, inclusive com respeito
à abordagem dos conteúdos. Neste sentido, os PCN-Arte declaram que: “Os conteúdos
42
podem ser trabalhados em qualquer ordem, conforme decisão do professor, em
conformidade com o desenho curricular de sua equipe” (PCN-Arte, p. 49 - grifos nossos).
Esta flexibilidade tem, então, várias implicações, como nos casos de transferência,
que podem vir a trazer prejuízos para a formação do aluno. Já que cada escola pode
selecionar tanto as modalidades artísticas quanto os próprios conteúdos, um aluno que
tenha que se transferir pode tornar a repetir os mesmos conteúdos na mesma modalidade
artística, ou então pode ter dificuldades em acompanhar um trabalho mais aprofundado em
uma linguagem que não tenha sido contemplada em sua antiga escola. Nos casos de
mudanças de escola, que afetam com freqüência os alunos das camadas populares, os
efeitos práticos dessa flexibilidade podem até mesmo invalidar as recomendações do
próprio documento acerca da continuidade do processo educativo (cf. PCN-Arte, p. 62).
A nosso ver, a proposta dos PCN na área de Arte é ambiciosa e complicada de ser
viabilizada na realidade escolar brasileira. Para a sua aplicação efetiva, seria necessário
poder contar com recursos humanos com qualificação - o que implica desde a valorização
da prática profissional até ações de formação continuada e acompanhamento pedagógico
constante - além de recursos materiais que atendessem às necessidades da prática
pedagógica em cada linguagem artística.
Uma questão crucial, portanto, é o professor que irá colocar em prática os PCN-Arte:
qual deverá ser a sua qualificação? A característica geral da proposta, que se direciona
para o resgate dos conhecimentos específicos da arte, a complexidade dos conteúdos nas
diversas modalidades artísticas, tudo isso parece indicar a necessidade de professores
especializados em cada linguagem. Mas, na verdade, não há definições claras sobre a
formação do professor de Arte, nem nos PCN, nem na atual Lei de Diretrizes e Bases
(LDB). Por conseguinte, como muitas vezes a contratação de professores está submetida
à lógica de custos e benefícios, acreditamos que dificilmente as escolas contarão - a curto
ou médio prazo - com professores especializados em cada uma das quatro modalidades
artísticas dos PCN-Arte.
Diante deste quadro, vislumbramos três perspectivas, não muito promissoras:
1
Poderá ser exigida do professor uma polivalência ainda mais ampla - e
mais inconsistente - que aquela promovida pela Educação Artística e já tão criticada. Inclusive,
as provas dos concursos para ingresso em redes públicas de ensino poderão ser elaboradas
neste formato, abordando as diversas linguagens artísticas, como já acontece em muitos
locais nos concursos para Educação Artística.
2
As propostas dos Parâmetros serão realizadas apenas na medida dos
recursos humanos disponíveis. Assim, se o professor de Arte de uma dada escola for
formado em Música, por exemplo, será esta a linguagem artística contemplada no currículo.
Uma outra variante desta situação, que já começa a ter lugar em estabelecimentos
particulares, é a escola escolher a(s) modalidade(s) artística(s) que considera mais
conveniente(s) para os seus interesses, contratando um professor com formação adequada.
Neste caso, podem pesar argumentos acerca da conveniência de evitar reclamações dos
pais na hora de comprar material para as aulas de Artes Visuais, ou então sobre como
determinado campo da arte pode contribuir para o marketing da escola - ao produzir
apresentações teatrais, por exemplo.
3
Ou ainda - e pior - as propostas dos PCN poderão servir como base para
planejamentos e relatórios que ficarão apenas no papel, sem mudanças efetivas na prática
educativa em sala de aula.
Enfim, acreditamos que, em termos de Brasil, serão poucas as escolas - de elite,
certamente - que se empenharão em oferecer as quatro linguagens artísticas de modo
consistente, contratando para tal diversos professores com formação específica.
43
Tais perspectivas colocam em discussão a possibilidade dos PCNArte trazerem mudanças efetivas para a prática pedagógica na área. A
pretensão de um único professor realizando as propostas dos PCN-Arte em
todas as linguagens artísticas contradiz a amplitude e profundidade das
Artepropostas específicas, atualizando a polivalência e conduzindo,
Educação inevitavelmente, a um esvaziamento de conteúdos. Se os PCN-Arte forem
implementados desta forma, ou se ficarem apenas no papel - em belos
planejamentos e relatórios -, estarão sendo reduzidos a meros atos de
discurso, mascarando, na verdade, a ausência de renovação das ações pedagógicas em
arte.
Receamos que isto possa vir a acontecer, até porque os próprios PCN prevêem um
processo progressivo para sua aplicação, como base para a atuação do professor em sala
de aula - o que nem sempre está ocorrendo. Segundo os documentos introdutórios para os
diversos ciclos, os Parâmetros deveriam ser utilizados progressivamente para subsidiar:
1o) as próprias ações do MEC para o ensino fundamental – o que já está sendo feito; 2o) as
revisões ou adaptações curriculares desenvolvidas pelas secretarias de educação, no âmbito
dos estados e municípios; 3o) a elaboração do projeto educativo (proposta pedagógica) de
cada escola, construído num processo dinâmico de discussão, envolvendo toda a equipe.
E só então, no quarto e último nível de concretização, caberia ao professor a realização da
proposta curricular na sala de aula. Este processo seria capaz, portanto, de respaldar a
ação do professor na realização das propostas dos PCN-Arte. Temos observado, contudo,
que muitas vezes os PCN-Arte simplesmente “caem na cabeça” do professor, de quem a
direção da escola cobra a aplicação das propostas, a despeito da falta de apoio e de
condições.
Diante deste quadro, é fundamental que as escolas assumam a responsabilidade
de elaborar o seu “projeto educativo” (nos termos dos PCN) ou “proposta pedagógica”
(conforme a LDB). Seguindo princípios de flexibilidade e autonomia, a LDB delega aos
estabelecimentos de ensino a incumbência de “elaborar e executar sua proposta pedagógica”
(Lei 9394/96, Art. 12), o que é reafirmado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o
Ensino Fundamental (Resolução no 2/98 – CNE), que têm – estas sim – caráter obrigatório.
Vale lembrar que, embora o MEC esteja colocando os PCN como referência para a
avaliação das escolas e alocação de recursos, do ponto de vista formal eles não têm
obrigatoriedade. Segundo o Parecer 03/97 do Conselho Nacional de Educação (CNE), “os
PCN resultam de uma ação legítima, de competência privativa do MEC e se constituem em
uma proposição pedagógica, sem caráter obrigatório, que visa à melhoria da qualidade
do ensino fundamental e o desenvolvimento profissional do professor. É nesta perspectiva
que devem ser apresentados às Secretarias Estaduais, Municipais e às Escolas” (grifos
nossos).
Cada escola pode e deve, portanto, elaborar sua própria proposta pedagógica. Se
construída de forma participativa e compromissada – não se revestindo apenas de um caráter
burocrático –, deve decidir como utilizar os recursos humanos e materiais disponíveis de
modo a atender às necessidades específicas de seu alunado. A proposta pedagógica é,
pois, o espaço ideal para definir o melhor modo de encaminhar o trabalho de arte na escola,
fazendo uso da autonomia prevista na LDB e nas Diretrizes Curriculares, e atendendo à
flexibilidade da proposta dos PCN-Arte. Neste quadro, sendo analisados e discutidos com
cuidado, os PCN-Arte podem ser utilizados para respaldar uma atuação mais aprofundada
em determinada linguagem artística, ou ainda como base para reivindicar as condições
necessárias para uma prática pedagógica de qualidade.
Para concluir, é preciso deixar claro que, apesar de todos os questionamentos em
torno dos PCN-Arte, reconhecemos a importância destes documentos, que podem ajudar a
44
fortalecer a presença da arte na escola. Sem dúvida, os PCN-Arte sinalizam um
redirecionamento do ensino de arte, respondendo às buscas da própria área. É preciso
lembrar, no entanto, que as normas contam sobretudo pelos seus efeitos, de modo que os
PCN dependem de sua concretização - ou seja, de sua realização na prática escolar. Nesta
medida, tanto a renovação da prática pedagógica em arte quanto a “transformação positiva
no sistema educacional brasileiro”, a que se refere o Ministro da Educação, passam
necessariamente pela prática concreta – com todos os seus conflitos –, pois é nela que tais
mudanças terão que ser construídas e conquistadas.
PENNA, Maura. Professora do Departamento de Artes da UFPB, lecionando no curso de Educação Artística
e no Mestrado em Educação. Coordenadora do Grupo Integrado de Pesquisa em Ensino das Artes. Graduada em
Música e em Educação Artística pela UNB. Mestre em Ciências Sociais pela UFPB. Doutora em Lingüística pela
UFPE. (disponível on-line www.artenaescola.org.br/artigos/artigo026.html, em 20 de setembro de 2003)
AS DIFERENTES LINGUAGENS ARTÍSTICAS
As Linguagens Artísticas e o Autoconhecimento
A escola é o primeiro espaço formal onde se dá o desenvolvimento de cidadãos.
Portanto, nada melhor que por aí se dê o contato sistematizado com o universo artístico e
suas linguagens: artes visuais, teatro, dança e música. Contudo, o que se percebe é que o
ensino da arte é encarado como mera atividade de lazer e recreação. Desde o profissional
contratado, muitas vezes tendo que lidar com os conteúdos das linguagens de forma
polivalente, até o pequeno número de horas destinadas ao ensino das linguagens artísticas.
A arte valoriza a organização do mundo da criança e do jovem, sua autocompreensão,
assim como o relacionamento com o outro e com o seu meio.
Artes Visuais
A escola deve colaborar para que os educandos passem por um conjunto amplo de
experiências de aprender e criar, articulando percepção, imaginação, sensibilidade,
conhecimento e produção artística pessoal e grupal.
Conteúdos de Artes Visuais
Produção do Aluno em Artes Visuais
Desenho, pintura, colagem, gravura, construção, escultura, instalação, fotografia, cinema,
vídeo, meios eletroeletrônicos, design, artes gráficas, arte em computador e outros;
Elementos da linguagem visual, suas relações no espaço (bi e tridimensional); ponto,
linha, plano, cor, luz, volume, textura, movimento e ritmo e suas articulações nas imagens
produzidas;
Representação e comunicação das formas visuais;
Materiais, suportes, instrumentos, procedimentos e técnicas;
Trabalhos individuais e grupais.
45
Apreciação Significativa em Artes Visuais
ArteEducação
Análise de formas visuais;
Diferentes técnicas e procedimentos;
Análise de produções visuais e concepções estéticas presentes
nas culturas;
Leitura das formas visuais em meios de comunicação;
Análise crítica de elementos e formas visuais;
Apreciação de imagens.
As Artes Visuais como Produção Cultural e Histórica
Observação, pesquisa e conhecimento de obras, produtores e movimentos;
Compreensão sobre o valor das artes visuais e suas articulações com a ética;
Ação social dos produtores de arte;
Freqüência às fontes de informação e comunicação artística;
Reflexão sobre as artes visuais e a cultura brasileira;
Conhecimento crítico.
Critérios de Avaliação em Artes Visuais
Criar formas artísticas por meio de poéticas pessoais;
Estabelecer relações com o trabalho de arte produzido por si, por seu grupo e
por outros sem discriminação estética, artística, étnica e de gênero;
Identificar os elementos da linguagem visual e suas relações em trabalhos
artísticos e na natureza;
Conhecer e apreciar vários trabalhos e objetos de arte por meio das próprias
emoções, reflexões e conhecimentos e reconhecer a existência desse processo
em jovens e adultos de distintas culturas;
Valorizar a pesquisa e a freqüentação junto às fontes de documentação,
preservação, acervo e veiculação da produção artística.
Artes Visuais: objetivos gerais
Expressar, representar idéias, emoções, sensações, desenvolvendo trabalhos;
Construir, expressar e comunicar-se em artes plásticas e visuais articulando a
percepção, a imaginação, a memória, a sensibilidade e a reflexão;
Interagir com materiais e multimeios;
Técnicas de arte, com pesquisa, experimentação e comunicação próprios;
Autoconfiança com a produção pessoal;
Fontes de documentação de arte;
Relações entre as artes visuais e as outras áreas.
46
Dança
“A escola pode desempenhar papel importante na educação dos corpos e do processo
interpretativo e criativo de dança, pois dará aos alunos subsídios para melhor compreender,
desvelar, desconstruir, revelar e transformar as relações que se estabelecem entre corpo, dança
e sociedade”.
A dança é forma de conhecimento que envolve a intuição, a emoção, a imaginação e
a capacidade de comunicação, assim como o uso da memória, da interpretação, da análise,
da síntese e da avaliação crítica. O corpo é conhecimento, emoção, comunicação, expressão.
Para os alunos, dançar é uma possibilidade de se perceberem livres e estarem vivos.
Conteúdos de Dança
Habilidades básicas do corpo e dos elementos da dança. Percepção, sensação,
sinestesia. Técnica, conhecimento, habilidades corporais como caminho para
criação e interpretação pessoais em dança.
Princípios do movimento, do condicionamento físico, elementos de consciência
corporal e algumas técnicas codificadas.
Construir relações corporais críticas e construtivas com diferentes maneiras de
ver / sentir o corpo em movimento.
Coreologia: compreender a lógica da dança – o que, como, onde e com o que as
pessoas se movem. Como o corpo se move no tempo, no espaço e o uso da
energia. Ocupação da kinesfera (espaço pessoal).
História da dança, formas e estilos, estudos étnicos.
Dançar
Desenvolvimento de atividades corporais, iniciando memorização e reprodução
de seqüências de movimentos;
Transformações ocorridas no corpo quanto à forma, sensações, percepções;
Aquecimento, relaxamento e compensação do corpo, e noções de anatomia;
Prevenção às lesões.
Apreciar e Dançar
Elementos do movimento: partes do corpo, dinâmica, uso do espaço e das
ações;
Repertório, improvisação, composição coreográfica e apreciação;
Diferentes estímulos para improvisação e composição coreográfica.
Dimensões Histórico-Sociais e Culturais da Dança e seus Aspectos Estéticos
Conhecimento dos dançarinos / coreógrafos e grupos de dança brasileiros e
estrangeiros, reconhecendo e contextualizando épocas e regiões;
Reflexão e contextualização;
47
Análise, registro e documentação;
Relações entre olhar-fazer; o papel do corpo na dança.
ArteEducação
Critérios da Avaliação em Dança
Saber mover-se com consciência, desenvoltura, qualidade e clareza
dentro de suas possibilidades de movimento e das escolhas que faz;
Conhecer as possibilidades dos processos criativos em dança e suas interações
com a sociedade;
Tomar decisões próprias na organização dos processos criativos individuais e de
grupo em relação a movimentos, música, cenário e espaço cênico;
Conhecer as principais correntes históricas da dança e as manifestações culturais
populares e suas influências nos processos criativos pessoais;
Saber expressar com desenvoltura, clareza, critério suas idéias e juízos de valor a
respeito das danças que cria e assiste.
Dança: objetivos gerais
Experiências corporais, de movimento e de dança dos alunos.
Cooperação, respeito, diálogo e valorização das possibilidades de interpretação
e de criação em dança;
Capacidade de discriminação verbal, visual e sinestésica e de preparo corporal;
Relações entre corpo, dança e sociedade;
Informações sobre dança.
Fazer, apreciar e contextualizar a dança e a vida em sociedade.
Apropriação crítica, consciente e transformadora dos conteúdos específicos.
Música
Desenvolver uma educação musical que considere o mundo contemporâneo em suas
características e possibilidades culturais; que parta do conhecimento a das experiências
que o jovem traz de seu cotidiano.
Ecologia Acústica (percepção dos sons do meio ambiente): procura estudar os sons
quanto à sua propagação e densidade em espaços diferenciados. Atitude crítica diante
das conseqüências da poluição sonora. O aluno poderá, ao conectar o imaginário e a fantasia
aos processos de criação, interpretação e fruição, desenvolver o poético, a dimensão sensível
que a música traz ao ser humano.
Expressão e Comunicação em Música: improvisação, composição e interpretação
Utilização dos sistemas musicais: modal, tonal e outros;
Elementos da linguagem musical;
Sons de inúmeras procedências;
Construção de instrumentos musicais;
Trechos de músicas grafados;
48
Escuta e fazer musical, memória musical;
Músicas do meio sociocultural e do patrimônio musical;
Músicas das culturas populares brasileiras;
Jingles, trilha sonora, arranjos.
Apreciação Significativa em Música
Escuta, envolvimento e compreensão da linguagem musical.
Compreensão da Música como Produto Cultural e Histórico
Contextualização;
Posicionamento crítico.
Critérios de Avaliação em Música
Criar e interpretar com autonomia, utilizando diferentes meios e materiais sonoros;
Utilizar conhecimentos básicos da linguagem musical, comunicando-se e
expressando-se musicalmente;
Conhecer e apreciar músicas de seu meio sociocultural e do conhecimento musical
construído pela humanidade em diferentes períodos históricos e espaços
geográficos;
Reconhecer e comparar – por meio da percepção sonora – composições quanto
aos elementos da linguagem musical;
Refletir, discutir e analisar aspectos das relações socioculturais que os jovens
estabelecem com a música pelos meios tecnológicos contemporâneos, com o
mercado cultural.
Música: objetivos gerais
Progressivo desenvolvimento musical, rítmico, melódico, harmônico, tímbrico, nos
processos de improvisar, compor, interpretar e apreciar;
Percepção auditiva e memória musical;
Aprender a explorar diferentes estruturas sonoras, contrastar e modificar idéias
musicais.
Sons de diversas naturezas e procedências, desenvolvendo a autoconfiança,
senso estético crítico, concentração, capacidade de análise e síntese, trabalho
em equipe, respeito e cooperação;
Uso de formas de registro sonoro;
Voz como meio de expressão e comunicação musicais;
Interpretar e apreciar músicas;
Respeito diante da variedade de manifestações musicais;
Valorizar as diversas culturas musicais;
Sensibilidade e consciência estético-crítica diante do meio ambiente sonoro;
Música produzida pelos meios tecnológicos contemporâneos;
Profissões e profissionais da área musical.
49
Teatro
ArteEducação
“O teatro promove oportunidades para que adolescentes e adultos
conheçam, observem e confrontem diferentes culturas em diferentes momentos
históricos, operando com um modo coletivo de produção de arte. Ao buscar
soluções criativas e imaginativas na construção de cenas, os alunos afinam a
percepção sobre eles mesmos e sobre situações do cotidiano”.
Socialização, capacidade de dialogar, negociação, tolerância, convivência com a
ambigüidade. A tematização do texto dramático inicia-se no plano sensório-corporal, por
meio da experimentação com gestos e atitudes.
Processos de apreciação artística. Observação, pesquisa e entendimento de que
os textos dramáticos, as formas de representação e as formas cênicas tem tradições
inseridas em diversas épocas e culturas.
Linguagem do palco e presença de cena. O jovem encontra no teatro um espaço de
liberdade para se confrontar por meio do diálogo e da representação com questões éticas
como justiça e solidariedade.
Teatro como Comunicação e Produção Coletiva
Improvisações;
Expressar e criar significados no plano sensório-corporal;
Elementos para a construção de uma cena teatral: ator, papel, personagem, peça,
roteiro, enredo, cenário, locação;
Observação do universo circundante, do mundo físico e da cultura;
Elementos e recursos da linguagem teatral: maquiagem, máscaras, figurinos,
adereços, música, cenografia, iluminação;
Cenas com enredo, história, conflito dramático, personagens, diálogo, local e
ação dramática;
Divulgação do espetáculo teatral;
Processo intergrupal;
Recursos para a atividade teatral disponíveis na escola e na comunidade.
Teatro como apreciação
Interdependência dos elementos da cena: atuação, coordenação da cena, cenário,
iluminação, sonorização;
Palco-platéia (relação teatral) e jogos teatrais.
Teatro como produto Histórico-Cultural
História do Teatro; diversidade cultural; formas de construção das narrativas e
estilos: tragédia, drama, comédia, farsa, melodrama, circo, teatro épico; textos
dramáticos; teatro local, nacional e dramaturgia universal.
50
Critérios de Avaliação em Teatro
Saber improvisar a atuar nas situações de jogos, explorando as capacidades do
corpo e da voz;
Estar capacitado para criar cenas escritas ou encenadas, reconhecendo e
organizando os recursos para sua estruturação;
Estar capacitado a emitir opiniões sobre a atividade teatral, com clareza e critérios
fundamentados, sem discriminação estética, artística, étnica ou de gênero;
Identificar momentos importantes da história do teatro, da dramaturgia local,
nacional ou internacional, refletindo e relacionando os aspectos estéticos /cênicos;
Valorizar as fontes de documentação, os acervos e os arquivos da produção
artística teatral.
Teatro: objetivos gerais
Compreender o teatro em suas dimensões artística, estética, histórica, social e
antropológica;
Compreender a organização dos papéis sociais;
Improvisar com os elementos da linguagem teatral;
História do Teatro e estilos;
Produção teatral;
Respeito, compromisso e reciprocidade;
Desenvolvimento da solidariedade social.
Atividades
Complementares
Com base nas informações que você já adquiriu até então, responda as questões
abaixo:
1.
“O ensino da arte não deve deixar de interagir com as outras áreas do
conhecimento”. Com base nessa afirmativa, descreva de que maneira e com quais recursos
os conteúdos de arte poderiam estar articulados a outras áreas do conhecimento,
exemplificando num plano de aula resumido.
51
2.
“O ensino da arte deve estar em consonância com a
contemporaneidade”. De que maneira essa afirmativa poderia ser colocada
em prática. Justifique a sua resposta.
ArteEducação
Atividade
Orientada
Estamos chegando ao final da nossa disciplina e, como sempre, nessa etapa, chega
também a avaliação. Este é o melhor momento para refletirmos sobre nossas posturas até
então frente aos objetivos propostos para a nossa vida acadêmica.
Neste momento iremos realizar a última etapa da nossa disciplina: a ATIVIDADE
ORIENTADA. Esta atividade consta de 3 (três) etapas que deverão ser realizadas em grupo,
sob a supervisão do tutor. Nesta atividade, buscaremos experimentar, na prática, todos os
conteúdos que trabalhamos ao longo da nossa disciplina.
Etapa
1
Painel Artístico
Para a realização desta etapa, a turma deverá ser dividida em grupos. Cada grupo
irá apresentar um painel ilustrativo referente à arte-educação utilizando as diversas linguagens
artísticas (música, teatro, dança e artes visuais), tendo como referência os fundamentos da
metodologia científica.
O grupo poderá apresentar o painel em forma de: poesia, peça teatral, paródia,
música, apresentação de dança, artes plásticas, pintura, enfim, através da expressão artística
que mais o grupo se afinar.
Como será o processo? Vamos lá!
1. A turma deverá ser dividida em 06 grupos;
2. Cada grupo ficará responsável por apresentar um dos itens abaixo (a escolha
se dará através de sorteio):
a) objeto (o que é arte-educação);
b) finalidade (para que arte-educação);
c) justificativa (porque arte-educação);
d) método (como, onde e quando fazer arte-educação);
e) recursos (com que, com quem e com quanto se faz arte-educação);
f) fontes (fonte de busca em arte-educação)
3. As apresentações deverão ocorrer na ordem acima descrita;
52
4.
a)
b)
c)
d)
e)
Serão analisados os seguintes critérios:
criatividade;
originalidade;
clareza nas explanações;
organização;
trabalho em grupo, ou seja, participação dos integrantes da equipe.
Vale considerar a importância da construção do quadro de tirocínio para a realização
desta atividade, tendo em vista a clareza que ele nos proporciona acerca do assunto
estudado. Portanto, seria interessante que todos os grupos construíssem o quadro de tirocínio,
conforme modelo anexo.
QUADRO DE TIROCÍNIO
Tema: ARTE-EDUCAÇÃO
1. OBJETO (o que é?)
2. FINALIDADE (para que é?)
3. JUSTIFICATIVA (por que é?)
4. MÉTODO
Quanto:
Quando:
Onde:
5. RECURSOS
Com que:
Com quem:
FONTES
53
Etapa
2
Nesta etapa, a atividade consiste na construção
da Lei de Criatividade, fundamentada na metodologia
triangular para o ensino de arte, proposta pela educadora
Criatividade
Ana Mae Barbosa. Para a realização desta atividade, tome
como referência o texto da Profª Maribel Barreto para
Artefundamentar as suas colocações, assim como pesquisas na Internet e visitas a bibliotecas
Educação da sua cidade para busca de referências bibliográficas.
A atividade é simples, você deverá apenas extrair do texto trechos que representem
os itens solicitados. Por exemplo: qual é o parágrafo do texto que nos evidencia o que é a
Lei de Criatividade (Objeto)? Após localizá-lo, transcreve-lo no quadro respectivo. Você
deverá transcrever, no mínimo, 2 (dois) parágrafos para cada item.
LEI DE CRIATIVIDADE
APRECIAR
(Refletir acerca da concepção
da idéia da criação)
PRODUZIR
Reflexão + Ação
(O fazer, o realizar)
Analisar acerca de:
Analisar acerca das
FINALIDADE,
FONTES necessárias para
JUSTIFICATIVA, MÉTODO,
a criação da LEI DE
RECURSOS para a criação
CRIATIVIDADE.
da LEI DE CRIATIVIDADE.
Transcrever aqui os
parágrafos do texto que
evidenciam o item indicado
(FONTES)
Transcrever aqui os
parágrafos do texto que
evidenciam os itens indicados:
FINALIDADE:
JUSTIFICATIVA:
MÉTODO:
RECURSOS:
54
CONTEXTUALIZAR
(Construção adequada ao meio sócioeconômico-cultural)
Analisar acerca do OBJETO, ou
seja, o que é LEI DE
CRIATIVIDADE.
Transcrever aqui os parágrafos do
texto que evidenciam o item
indicado (OBJETO)
LEI DE CRIATIVIDADE
“
Quando dizemos que o homem pertence ao mundo da natureza,
indicamos que o funcionamento e, em parte,
o comportamento humano são submetidos a Leis.
Leis imutáveis, estáveis, universais (...)
”
(DEJOURS, 1999, p. 74)
O interesse pelo estudo da Criatividade tem um caráter pessoal, mas alcança
dimensões Universais, a partir da compreensão mais ampla da própria Criação Natural.
A Grande Obra da Criação Natural, na proporção que vai sendo razoavelmente
observada e estudada pelo gênero humano, ainda que num mínimo de considerações, deixanos clara a idéia de que a ação de Criar, ou melhor, a Criatividade é muito mais que uma
obra do acaso, bem como, muito mais do que um simples exercício da faculdade da
imaginação humana, ou ainda, um lampejo subjetivo da mesma.
De acordo com Mitjáns Martínez (19972) “a criatividade é parte de um processo
subjetivo e que implica em incluir e fazer dialogar as dimensões social, cultural e histórica
dos indivíduos”. Essa perspectiva, por sua vez, reflete uma concepção diferenciada da
imagem natural e intrapsíquica da criatividade.
Se bem observada, a Grande Obra do Princípio Criador Universal, onde se inserem
tanto a Obra Universo quanto a Obra Planeta, bem como a Obra Homem, dá-nos uma
demonstração factual de que Criar envolve, no mínimo, aptidões, conhecimentos, habilidades,
talento, sabedoria etc., por parte do Criador. E, se quisermos suscitar, no Ser Humano, ela
exige, no mínimo, querer, saber e poder, afinal, o querer só é poder quando se tem o saber
significativo como coadjuvante para esta, aquela ou aquel’outra realização.
Ninguém vive sem o saber, ou seja, sem o conhecimento. No entanto, o que importa
ao Ser Humano não é só o saber, mas também o saber e o sentir, porquanto o que nos
eleva como seres inteligentes não é só o que sabemos, mas o que sabemos e sentimos;
portanto, é necessário ao Ser Humano, cada vez mais, saber o que sente para sentir o que
sabe, sob pena de viver amando o que no fundo repele e querendo o que, na realidade, não
deseja.
Nesse contexto, vale ressaltar que o ato de criatividade demonstra o grau de
inteligência alcançado pelo seu criador. Deixar, por exemplo de notar a demonstração factual
da Criatividade do Princípio Criador Universal, que a conduta dos corpos celestes da Obra
Universo denuncia, através do que indica, por exemplo, o nosso sistema solar, em seu
equilíbrio dinâmico, é postura que, no mínimo, a razão se recusa a aceitar.
Isto porque é Lei Universal o fato de que toda parte de um organismo vivo existe e
funciona em razão do Todo; portanto, não é difícil concluir que o Todo pode ser considerado
como o conjunto das partes que nele se fundem. E, embora o Todo seja o somatório das
partes, a parte pode ser considerada como uma totalidade em si mesma.
Assim, o Todo sem a parte não é Todo, e a parte sem o Todo não é parte. O Todo em
parte demonstra no todo as partes que tem, e o Ser Humano que, em si mesmo, as partes
1
2
DEJOURS, Christophe. Banalização da injustiça social. São Paulo: FGV, 1999.
MITJÁNS MARTÍNEZ, Albertina. Criatividade, personalidade e educação. 3. ed. São Paulo: Papirus, 1997.
55
do Todo reconhece, ao agir, demonstra no todo as partes do Todo que é e já
tem. De uma outra forma considerada, geralmente a arte denuncia o artista.
E, ainda, geralmente os filhos são um reflexo dos pais; eles os imitam e/ou
os reproduzem. Eis que é fato que a humanidade é, também, elemento de
Artetransmissão do conhecimento.
Educação
É do conhecimento de todos que o equilíbrio dinâmico que a conduta
dos corpos celestes do nosso sistema solar denuncia, implica e indica uma
certa moralidade Universal que orienta, evidenciando, dentre a infinita
diversidade de valores, o fato de que no Universo, esse organismo vivo, nada vive isolado,
e tudo são relações; os corpos agem e interagem, entre si, com precisão e uniformidade
infalíveis que seu equilíbrio dinâmico, factualmente demonstra.
E, relacionando tal moralidade com o Ser Humano, é notório o fato de que a vida não
pode deixar de ser compreendida, e a primeira e última, enfim, a única atividade meio, que
é naturalmente dada ao Ser Humano para compreender a sua atividade fim, é o viver, que é
ação nas relações. Por outro lado, mais um fato concomitante: o de que o equilíbrio que o
Ser Humano deve procurar atingir não é o que produz a imobilidade, mas sim o que produz
o movimento, pois o movimento prova a vida, que é evolução, que é progresso e não
estagnação.
Isto tudo são valores irrefutáveis, e porque não dizer, são códigos perenes e imutáveis
de Leis Universais. Portanto, podemos afirmar o fato de que o Ser Humano para evoluir,
inclusive, abreviadamente, deve, conscientemente, lançar mão da moralidade Universal que
a conduta dos corpos celestes denuncia; enfim, dos valores da relatividade; E não das
religiões e/ou algo que equivalha, ainda que saibamos que no Universo nada se perca e
tudo se transforme.
Para Locke (apud BITTAR, 20043) a lei natural é uma regra eterna, sendo evidente e
inteligível para todas as criaturas racionais. A lei natural, portanto, é igual a lei da razão.
Para ele, o homem deveria ser capaz de elaborar a partir dos princípios da razão um corpo
de doutrina moral que seria seguramente a lei natural e ensinaria todos, os deveres da vida.
Pois bem, se a busca é a evolução inclusive abreviada, então abrir mão da moralidade
Universal, implica, no mínimo, em contradição. Porquanto, assim como todos cidadãos
precisam de ética para nortear e tornar comuns os seus interesses, visto que para vivermos
em equilíbrio dinâmico os interesses particulares devem ceder espaço para os interesses
gerais, também todos seres humanos precisam de moralidade, pois, embora todos queiram
ser felizes e evitar a dor, sofrem; se sofrem é porque estão fazendo o incorreto; se existe o
incorreto é porque existe o correto; se existe o correto e o incorreto então deve existir a
necessidade da moral.
Nesse contexto, ainda considerando o assunto, dentre outros fatos insofismáveis
que caracterizam o Criar, incluem-se: não existir efeito sem causa; Criatura sem Criador;
objeto sem objetivo; obra inteligente sem Criador inteligente; efeito inteligente sem causa
inteligente; causa inteligente sem origem inteligente; ação sem reação igual e em sentido
contrário; inteligência sem forma e forma sem inteligência; bem como Criação sem Criador
etc.
O que nos faz concluir que Criar, senão significa, implica e indica um complexo
relacionamento de valores, de elementos, enfim, de códigos de Leis Universais que
inteligentemente interligados agem e interagem, favorecendo a realização desta, daquela
ou daquel’outra obra que, enquanto não estudadas são, pelos incompreensivos, senão tidas
como duvidosas, ditas como inexistentes, porquanto, como pouco inteligentes, eles só podem
crer, senão somente naquilo que podem pegar e ver, em tudo aquilo que é o todo para sua
fé, e o nada para sua razão.
3
BITTAR, Carlos Alberto. Direito das obrigações. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
56
Assim, afeita ao fato do Criar, da Onda da Criação e/ou algo que eqüivalha, dentre a
diversidade de Leis Universais, insere-se a Lei de Criatividade.
Segundo aquilo que sustentamos, esta Lei, em função de suas realizações, quando,
por exemplo, manifestada no Ser Humano, não só como potencial latente, mas como
potencial despertado, não só estabelece, mas também, implica e indica a existência de
aptidões que, aqui e agora, caracterizamos como: Qualidades Natas, Faculdades Inatas e
Forças em Domínio, respectivas entre si.
Senão vejamos. Dentre a diversidade de Qualidades Natas do Ser Humano incluemse: sentir, querer, pensar, reconhecer, ousar, raciocinar e realizar. Dentre a diversidade de
Faculdades Inatas incluem-se: necessidade, vontade, imaginação, inteligência, verdade,
consciência e ciência. E, ainda, dentre a diversidade de Forças em Domínio incluem-se:
reflexão, concentração, meditação, vibração, percepção, contemplação e exaltação.
Aptidões estas que dão ao Ser Humano características tais como: espontaneidade,
inspiração, afeição, intuição, admiração, esforço desmedido, ação imensurada, paciência,
instinto etc. No entanto, na Natureza, esta mesma Lei implica na cumplicidade de outras
Leis Universais, tais como: Lei de Atração e Repulsão, Lei de Coesão e Afinidade, Lei de
Equilíbrio, Lei de Necessidade etc.
Aqui, ressaltamos a teoria da subjetividade anunciada pelo Prof. Dr. González Rey
4
(2003 ), que rompe com a limitação da subjetividade ao intrapsíquico e se orienta para uma
apresentação da subjetividade que em todo momento se manifesta na dialética entre o
momento social e o individual, este último representado por um sujeito implicado de forma
constante no processo de suas práticas, de suas reflexões e de seus sentidos subjetivos
(Id. Ibid., p.240).
O exercício daquilo que implica, indica e orienta a Lei de Criatividade nos oportuniza
experimentar, por exemplo, que a importância do saber criar é, de fato, imprescindível nos
nossos afazeres diários, porquanto, para compreender a vida, todo o tempo de nosso viver,
somos, contundentemente, desafiados, pois que o que temos em nós da unidade, embora
não desejemos, somos levados a perder e, ao mesmo tempo, resgatar, pela adversidade;
seja no campo pessoal, quando das relações de nós para conosco e para com os nossos
semelhantes, tanto próximos quanto distantes; seja no campo profissional, quando das
relações de nós para com o meio produtivo que construímos e no qual, artificialmente, somos
adequados e nos inserimos; e seja no campo espiritual, quando das relações de nós para
com o meio que nos constrói e no qual, naturalmente, somos inseridos.
No que se refere ao campo profissional, especialmente na área da educação, vale
destacar o foco de Mitjáns Martínez (2002, p. 1905) quanto à formação docente:
[...] uma das estratégias de trabalho que consideramos essenciais
para o desenvolvimento da criatividade do professor é trabalhar, nas
instituições formadoras de professores, no sentido de reestruturar o
processo de ensino-aprendizagem de maneira que possa contribuir de
forma mais efetiva para desenvolver os recursos pessoais, os
conhecimentos e habilidades que permitam uma ação profissional mais
criativa.
Até hoje, a busca da Moralidade, ou seja, do pensamento/conhecimento acerca do
porque, como e com que fora construído este Universo, e ainda de como ele funciona,
enfim, do todo da sua criação, para que possamos usá-lo como norte em nossas realizações,
representado, seja pelo nosso sistema solar - como se fosse a sua forma macroscópica,
seja pelo átomo - como se fosse a sua forma microcóspica, é a maior pretensão de todos
nós; mas, muito mais, particularmente, da ciência, esta esforçada amiga que incansavelmente
empreende paciente, persistente e inteligentemente acerca de tal realização.
4
5
REY, Fernando Gonzalez. Sujeito e subjetividade. São Paulo: Thomson Pioneira, 2003.
MITJÁNS MARTÍNEZ, Albertina. A criatividade na escola: três direções de trabalho. Revista Linhas Críticas. Brasília, v. 8., n. 15, p. 189-206, jul./dez. 2002.
57
Até então, concluímos que a Moralidade do Universo caracterizada
pelo equilíbrio dinâmico que a conduta dos corpos celestes denuncia, está
afeita, para alguns, segundo o conhecimento de matéria, movimento, tempo
e espaço plano. Evidenciando que a matéria atrai a matéria na razão direta
Artede suas massas, e na razão inversa do quadrado da distância que as
Educação separam. Isso que demonstra a Lei de Atração e Repulsão.
Para outros, mais atualmente, tal Moralidade está diretamente ligada
ao conhecimento de: matéria, movimento, tempo e espaço curvo, bem como
da energia. Evidenciando que energia e matéria se relacionam diretamente, num espaço
curvo, e com a participação de um elemento novo: a velocidade, e, para ser mais preciso, a
velocidade da luz. Indicam, ainda, que os corpos não são atraídos para baixo, mas tendem
a seguir caminhos por onde exista menor resistência. Dizem também, que a energia é
diretamente proporcional ao produto entre a matéria e o quadrado da velocidade da Luz.
Isso que demonstra a Lei de Relatividade.
O que nos proporciona considerar que, possivelmente, dia virá que provavelmente
melhor entenderemos tal Moralidade, ou melhor, tal mecânica celeste, levando em conta
mais um elemento no todo de sua construção ou de sua criação, se assim nos permitem
dizer: a não resistência. Que demonstrará; se assim podemos considerar, a Lei de
Imutabilidade, que evidencia o fato de que no Universo tudo é energia.
Daí, a evolução do pensamento/conhecimento humano. Antes o fato era matéria atrai
matéria; atualmente, o fato é energia e matéria se relacionam; e num futuro tão breve que a
necessidade exija e a razão justifique, o fato será no Universo tudo é energia. Pois bem,
isso vem denotando o fato de que quanto menos resistência, mais simplicidade, quanto
menos complexidade e/ou algo que equivalha, mais fácil é a realização.
Não é novidade se dizer que, geralmente, a criatura humana cria a partir, como se do
nada. Elas são tão realizadoras quanto mais vazias, livres e velozes são. São tão engenhosas
quanto mais são esforçadas, desmedidamente. Enfim, que a inspiração dos criativos advém
de seu próprio ser, mas de uma região, e, porque não dizer, de uma dimensão desconhecida.
Já se considera e valora a região do hemisfério direito do cérebro humano, este que
está diretamente relacionado com aquelas aptidões, aqui antes citadas, e mais especificamente:
a Intuição. Isto, definitivamente, significa avanço à totalidade do Ser Humano, enfim, da busca
ao Ser Humano integral segundo as Leis Universais, até porque a própria razão se recusa a
aceitar como provadamente falsa a teoria de que no Universo tudo são Leis; e que dentro delas
tudo é bem, porém fora delas nada é claro, definitivo ou seguro.
O fato do Ser Humano, quando não descrente de si mesmo, ter a capacidade de
suplantar, superar e/ou solucionar todo e qualquer problema, situação e/ou circunstância de
seu viver está diretamente ligado a um outro fato: o de estar na natureza tudo que implica,
indica e orienta a Lei de Criatividade. Mas não só como uma possibilidade, e sim como
uma disponibilidade. Basta ao Ser Humano pesquisar e analisar, até compreender, e praticar,
até sentir, tal saber, afinal, Ser Humano algum vive sem o saber, enfim, sem o conhecimento;
contudo, não pode esquecer de que deve, cada vez mais, saber o que sente para sentir o
que sabe. Bom que se rediga.
A partir dessa compreensão, cabe ao docente um novo compromisso pedagógico,
que inclua uma práxis, conforme já mencionado anteriormente, interessante, ou seja, que
desperte a admiração do aluno; instigante, que suscite indagação acerca do que está sendo
estudado; e, inteligente, que possibilite ao aluno identificar a utilidade dos conhecimentos
para sua vida. Isso é criatividade, aqui entendida como um elemento fundamental para o
desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. Afinal, segundo Mitjáns Martínez
(1997, p.576):
6
MITJÁNS MARTÍNEZ. Op. Cit.
58
[...] os professores que se destacam por seus níveis de criatividade em sua atividade
profissional possuem uma maior sensibilidade para a inovação e a mudança, o que lhes
permite perceber com maior clareza as possíveis expressões de criatividade de seus alunos
em sala de aula, ser mais tolerantes com muitos comportamentos vinculados à expressão
criativa e ter maior disposição para investir tempo e esforço em ações que estimulem o
desenvolvimento da criatividade.
No entanto, verificamos que existe uma carência de espaço e tempo para o
desenvolvimento da criatividade, através do processo ensino-aprendizagem. Poucos são
os docentes que pensam sobre práticas pedagógicas pautadas na criatividade e, por
conseqüência, as nossas Instituições de Ensino Superior têm sido pouco criativas. Os estudos
comprovam que a prática comum da memorização de conteúdos para as provas, por
exemplo, não favorecem, a contento, a expressão da criatividade, comprometendo o
desenvolvimento das habilidades criativas dos estudantes.
Nesse contexto, corroboramos com o posicionamento de Mitjáns Martínez (19977)
acerca de um dos importantes desafios do sistema educativo que é o de “investir no
desenvolvimento da criatividade dos professores e em sua formação específica para que
sejam capazes de estratégias e ações intencionais para o desenvolvimento da criatividade
de seus alunos”.
Assim, podemos concluir que a Criatividade não é uma invenção humana. Não é
uma opção, senão compreendida como Lei Universal, mas uma aptidão. Ela faculta ao Ser
Humano, realmente: a realização e, porque não dizer, a auto-realização. Ela não é uma
simples opinião, uma falsa teoria, ou uma indicação esporádica, e nada tem a ver com
entropias. Ela não é um capricho humano, tampouco somente uma construção humana,
muito pelo contrário, é uma Lei Universal que faculta ao Ser Humano o fato de querer, saber
e poder realizar aquilo que necessite ou deseje, independentemente de que o seu sentimento
dite ou não; Ainda que muito importe considerar que isso deva ser feito de acordo com o
que a necessidade exige e a razão justifica, em função do equilíbrio dinâmico da Obra
Universo, em sua eterna expansão.
Brasília, 21 de agosto de 2005.
Profª. Maribel Oliveira Barreto
7
Id. Ibid.
59
Etapa
ArteEducação
3
Nesta etapa da atividade orientada você vai experimentar na prática
como se planeja uma atividade docente. O que você vai realizar agora é um
Projeto de Aprendizagem, mais especificamente, um PROJETO DE
CURSO. Tal projeto consiste num processo de construção de conhecimento,
e busca subsidiar práticas pedagógicas inovadoras que favoreçam criar e desenvolver um
planejamento do projeto de forma que compreenda:
a) análise da realidade – identificação dos limites e possibilidades, solução de
problemas, identificação das contradições e localização das necessidades - definir/escolher/
criar procedimentos para testar a relevância das informações escolhidas;
b) projeção de finalidades – são os objetivos, ou seja, os fins desejados;
c) elaboração formas de mediação – trata-se da metodologia a ser utilizada para
alcançar os fins desejados. Busque nesta etapa do processo analisar o que será ensinado
(conteúdos), como será ensinado (forma, quando, com que, onde, com quem), quais serão
as regras e normas, como será o registro (memória), como será o acompanhamento, busque
também estabelecer critérios para avaliar a qualidade da sua produção (durante o processo);
Para a construção do seu projeto de aprendizagem, leve em consideração a realidade
concreta dos sujeitos envolvidos no processo. Analise criteriosamente o universo que você
irá trabalhar (educandos, escola, comunidade), bem como o seu próprio universo através
de uma auto-análise.
Desta forma, proponha um Projeto de Curso detalhado para o ensino de arte,
definindo conteúdos de arte a seu critério, porém propondo atividades inovadoras,
interessantes (causem admiração e interesse do educando), instigantes (suscitem
indagação e investigação acerca do assunto proposto) e inteligentes, segundo os itens
que seguem abaixo:
1. Nome do curso
2. Finalidade
2.1. Objetivo geral
2.2. Objetivos específicos
3. Metodologia de realização
3.1. Público Alvo
3.2. Tempo de duração (carga horária)
3.3. Atividades propostas/procedimentos didáticos (planos das aulas)
3.4. Critérios e procedimentos de acompanhamento e avaliação
4. Justificativa
5. Recursos
5.1. Recursos Humanos
5.2. Recursos Técnicos
5.3. Recursos Financeiros
6. Referências
60
61
ArteEducação
62
Glossário
COEVO - o que pertence ao nosso tempo, o agora.
INTUIÇÃO - S.f.1.Ato de ver, perceber, discernir. Percepção clara ou imediata;
discernimento. 2.Ato ou capacidade de pressentir;pressentimento. 3.Instinto.
IMAGINAÇÃO - S.f. 1.Faculdade que tem o espírito de representar imagens;
fantasia; imaginação reprodutora. 2. Faculdade de formar imagens de objetos que não foram
percebidos ou de realizar novas combinações de imagens. 3.Faculdade de criar mediante
a combinações de idéias.
INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS -teoria desenvolvida por Howard Gardner da
Universidade de Harvard nos Estados Unidos, segundo a qual cada pessoa seria proprietária
de diferentes inteligências, organizadas como sistemas no cérebro humano. Inicialmente,
Gardner mencionava sete inteligências: lingüística ou verbal, lógico-matemática, espacial,
musical ou sonora, sinestésica.
MIMESIS - segundo o filosofo grego Aristóteles: imitação do real.
POLISSÊMICA - admite uma pluralidade de sentidos.
63
Referências
ArteEducação
Bibliográficas
BARBOSA, Ana Mae. Arte e Educação no Brasil. São Paulo: Perspectiva, 2002.
________________. Som, Gesto, Forma e Cor. São Paulo: Com Arte, 1996.
CAMARGO, Luiz (org). Arte Educação da Pré-escola à Universidade. São Paulo: Nobel,
1994.
DUARTE JR., Joâo Francisco. Por que Arte-Educação? São Paulo: Papirus, 1996.
GARDNER, Howard. As artes e o desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artes Médicas,
2000.
LOWENFELD, Viktor. Desenvolvimento da Capacidade Criadora. Mestre Jou, 1999.
MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte / Secretaria de Educação Fundamental.
Brasília: MEC/SEF, 1997.
SANTOS, Denise. Orientações Didáticas em Arte-Educação. São Paulo: Com Arte, 2002.
Vídeos
ARTE E EDUCAÇÃO
Série: VIVER A ESCOLA; Duração: 16’20’’ ; Realização: IRDEB/TVE/IAT; Ano: 1998.
A Arte, além de desenvolver a sensibilidade, pode trabalhar a expressão oral, a criatividade
e a auto-estima dos alunos.
RELEITURA DA ARTE
Série: VIVER A ESCOLA; Duração: 18´; Realização: IRDEB / TVE / IAT; Ano: 1999.
O estudo dos movimentos artísticos de Vanguarda e a Semana de Arte Moderna de 1922
serviram de base para Releitura da Arte. Os alunos estabeleceram ligações entre o
Modernismo e os conteúdos curriculares de Língua Portuguesa, Desenho, Educação Artística,
História e Gestão Empreendedora. Também produziram suas próprias telas e incorporaram
ao projeto as linguagens do teatro, da dança e da música.
64
INTERDISCIPLINARIDADE
Série: VIVER A ESCOLA; Duração: 18’; Realização: IRDEB/TVE/IAT;
Ano: 1999
Este programa da série Viver a Escola apresenta a proposta pedagógica desenvolvida
pelo professor de História Robson Freire Farias, em Salvador. Na tentativa de estabelecer
diálogos entre as várias formas de conhecimento, Farias fundou o Grupocaso, que vem
facilitando o processo ensino-aprendizagem através do teatro e da arte. Essa equipe
incentivou os alunos a desenvolverem outras atividades no colégio, ligando todas as
disciplinas e os assuntos que estavam sendo estudados.
65
Anotações
ArteEducação
66
Anotações
67
Anotações
ArteEducação
68
FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância
Democratizando a Educação.
www.ftc.br/ead
69
www.ftc.br/ead
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O que é arte?