UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO PROGRAMA DE MESTRADO EM FISIOTERAPIA ANA LÚCIA DE GUSMÃO FREIRE AVALIAÇÃO DA MOBILIDADE TORÁCICA, FLUXO INSPIRATÓRIO E FORÇA MUSCULAR RESPIRATÓRIA E A REPERCUSSÃO DAS MANOBRAS DE ALONGAMENTO NOS MÚSCULOS ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO SUPERIOR EM ADOLESCENTES ASMÁTICOS SÃO PAULO 2011 E TRAPÉZIO ANA LÚCIA DE GUSMÃO FREIRE AVALIAÇÃO DA MOBILIDADE TORÁCICA, FLUXO INSPIRATÓRIO E FORÇA MUSCULAR RESPIRATÓRIA E A REPERCUSSÃO DAS MANOBRAS DE ALONGAMENTO NOS MÚSCULOS ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO E TRAPÉZIO SUPERIOR EM ADOLESCENTES ASMÁTICOS Defesa apresentada ao Programa de Mestrado em Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Luciana Dias Chiavegato e co-orientação do Prof. Dr César Ferreira Amorim, como requisito para obtenção do título de Mestre. SÃO PAULO 2011 ANA LÚCIA DE GUSMÃO FREIRE AVALIAÇÃO DA MOBILIDADE TORÁCICA, FLUXO INSPIRATÓRIO E FORÇA MUSCULAR RESPIRATÓRIA E A REPERCUSSÃO DAS MANOBRAS DE ALONGAMENTO NOS MÚSCULOS ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO E TRAPÉZIO SUPERIOR EM ADOLESCENTES ASMÁTICOS Defesa apresentada ao Programa de Mestrado em Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo, sob orientação da Prof.ª Dr.ª Luciana Dias Chiavegato e coorientação do Prof. Dr César Ferreira Amorim, como requisito para obtenção do título de Mestre. . Área de Concentração: Estrutura e função corporal Data da Defesa: 24/02/2012 Resultado: _________________________________________ BANCA EXAMINADORA Profa. Dra. Luciana Dias Chiavegato _______________________________________ Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. Celso Ricardo Fernandes de Carvalho _________________________________ Universidade de São Paulo Profa. Dra. Sandra Alouche ______________________________________________ Universidade Cidade de São Paulo AGRADECIMENTOS Agradecer é um gesto que deveria estar implícito em todos os seres humanos, desde minha infância aprendi que é na simplicidade que conseguimos enxergar o essencial. Para mim o essencial é o amor, que traduziria em diversas formas, mas que somente em compreender o amor em Cristo já me faz realizada. (...) “ se queres ser o maior, sejas o menor”. Paulo de Tarso Sendo assim, gostaria de fazer um passeio no tempo, voltar ao momento em que o Mestrado da UNICID me deu a oportunidade tão incansavelmente buscada, sonhada e desejada desde 1990, quando iniciei na carreira docente. Agradeço aos professores do mestrado pelo empenho e disponibilidade, sempre tão presente quando necessitamos, apaziguando as dores do corpo e o cansaço interminável, mas sempre suave e doce quando temos companheiros dedicados. Não vou citar nomes para não cometer o erro de esquecer, pois cada um me permitiu e contribui para que chegássemos ao momento da defesa. A minha orientadora, irmã e amiga Luciana Chiavegato, que muito ensina e ensinou, sendo sempre disponível e tranqüila quando nos meus momentos mais difíceis, em que eu pensava que não iria concluir, ela estava junto e sempre disponível. e que por ser tão disponível. Luciana, você acreditou em mim, obrigada. Nessa Jornada, iniciamos juntos com meus companheiros: Aline Carla Araújo Carvalho, Alexsandra de Souza Pedrosa, Fernando José de Vasconcelos Paes, sem esquecer a Renata Couto e Renato Sampaio , que estivemos juntos almejando iniciar o no programa, mas que não tiveram sucesso no início dessa jornada, mas estivemos juntas e isso é o que vale. Aos pacientes e voluntários deste estudo, que sempre de forma tão integra e disponível nos permitiram realizar e concretizar os nossos desejos de realização através da ciência oportunizar planos terapêuticos mais embasados. Ao Centro Universitário Cesmac, nas pessoas do Dr. João Sampaio, Dr Douglas Apratto Tenório, Profa. Enaura Quixabeira e Profa. Terzinha de Jesus, vocês foram essenciais, além de acreditarem, motivaram e permitiram, sou grata e muito feliz em ter encontrado vocês. Ao meus pais, irmão, meus avós e todos os meus amigos que lutaram comigo, que suportaram a minha ausência ao longo dos últimos dois anos. O que me fez chegar ao final desta dissertação, foi a força e a fé, acreditando sempre que “ tudo posso naquele que me fortalece. "Somos o que pensamos. Tudo o que somos, surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos construímos o mundo" - O Buda SUMÁRIO Página Prefácio .......................................................................................................................... i Capítulo 1: Introdução ............................................................................................... 1 Referências bibliográficas ..................................................................................... 8 Capítulo 2: Avaliação da mobilidade torácica, força muscular e fluxo inspiratório em adolescentes asmáticos..................................................................................... 12 Página de título .................................................................................................... 13 Resumo ................................................................................................................ 14 Abstract ............................................................................................................... 15 Introdução ............................................................................................................ 16 Materiais e métodos ............................................................................................. 18 Resultados ........................................................................................................... 22 Discussão ............................................................................................................. 24 Referências bibliográficas ................................................................................... 29 Capítulo 3: Efeito agudo do alongamento dos músculos esternocleidomastoideo e trapézio superior sobre a mobilidade torácica em adolescentes asmáticos – Ensaio clínico .................................................................................................................. 33 Página de título .................................................................................................... 34 Resumo ................................................................................................................ 35 Abstract ............................................................................................................... 36 Introdução ............................................................................................................ 37 Materiais e métodos ............................................................................................. 39 Resultados ........................................................................................................... 47 Discussão ............................................................................................................. 52 Referências bibliográficas ................................................................................... 56 Capítulo 4:Considerações finais .............................................................................. 59 Referências bibliográficas ................................................................................... 49 Anexos ........................................................................................................................ 62 Anexo 1 - Submissão à Revista Brasileira de Fisioterapia .................................. 63 Anexo 2 - Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa ...................................... 64 Anexo 3 –Registro do ensaio clínico - FIOCRUZ .............................................. 66 Anexo 4 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ................................... 68 Anexo 5 – Normas de publicação da Revista Brasileira de Fisioterapia............. 68 i PREFÁCIO Todo o material apresentado a seguir aborda conteúdos pertinentes ao um tema de grande interesse e que muito nos motivou que é o alongamento dos músculos esternocleidomastoideo e trapézio superior e a repercussão do mesmo sobre a mobilidade torácica em adolescentes acometidos pela asma. O assunto será discorrido em capítulos que podem ser apreciados pelos leitores independentemente pois, cada capítulo possui uma abordagem distinta. O Programa de Mestrado em Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo permite a inclusão de artigos publicados, aceitos ou submetidos para publicação em seu formato de publicação ou submissão no corpo do exemplar da dissertação. O capítulo 1 aborda de forma genérica a asma brônquica, conceito, classificação, alguns dados epidemiológicos e seus impactos clínicos e demográficos, como também algumas das principais considerações fisiopatológicas dos agravos da evolução desta patologia sobre a mecânica ventilatória. Também serão discorridas neste capítulo algumas propriedades dos músculos respiratórios e sua relação com as desvantagens mecânicas dos músculos sobre a mobilidade torácica. Serão também abordadas formas de instrumentação evidenciadas na literatura científica que aborda o tema “mobilidade toraco-abdominal” e a evolução das formas de mensuração, desde a cirtometria dinâmica do tórax até a pletismografia optoelectrônica. O capítulo 2 é constituído por um estudo que nos permitiu avaliar com mais objetividade a mobilidade e fluxo inspiratório de adolescentes asmáticos, com um equipamento que possui cintas de deslocamento e sensores de fluxo permitindo a captura integrada dos sinais. O capítulo 3 é um ensaio clínico controlado, devidamente registrado no REBEC (Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos) onde após termos conhecimento mais objetivo do comportamento da mobilidade e fluxo (capítulo 2), submetemos os adolescentes à manobras de alongamento de músculos que julgamos importantes para a mobilidade da caixa torácica: esternocleidomastoideo e trapézio superior. O intuito desta intervenção, foi conhecer a repercussão destas manobras na mobilidade torácica. Por fim, o capítulo 4 consiste em uma visão geral e também pessoal dos principais achados do capítulo 2 e 3, além de um destaque às suas implicações clínicas e direções para futuras pesquisas. ii O parecer de aprovação ética concedido pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Cidade de São Paulo, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e as “instruções para autores” da Revista Brasileira de Fisioterapia foram incluídas como anexos. 1 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO 2 INTRODUÇÃO Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores, que clinicamente, caracteriza-se por aumento da responsividade das vias aéreas a variados estímulos, com consequente obstrução ao fluxo aéreo, de caráter recorrente e tipicamente reversível1. No Brasil, estima-se a prevalência da asma em torno de 10%. Estudo realizado nas cidades de Recife, Salvador, Itabira, Uberlândia, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre concluiu que 13,3% das crianças na faixa etária de 6 a 7 anos e 13 a 14 anos eram asmáticas2. Conforme dados do DATASUS, em 2008 a asma foi a terceira causa de internação hospitalar pelo SUS, com cerca de 300 mil hospitalizações ao ano 3 . Apesar de serem apenas 5%-10% dos casos, pacientes com asma grave apresentam maior morbimortalidade relativa e são responsáveis por um consumo desproporcionalmente alto dos recursos de saúde em relação aos grupos de menor gravidade4, 5. Portadores de asma grave não controlada procuram 15 vezes mais as unidades de emergência médica e são hospitalizados 20 vezes mais do que os asmáticos moderados 1, 6 . Na década de 60, as maiores taxas de mortalidade foram observadas na faixa etária de 10 a 14 anos, e recentemente, no grupo etário de 15 a 24 anos2. Esta particularidade expressa a ineficácia do paciente ou do médico em reconhecer a gravidade da crise, padrões anormais de comportamento (atitude autodestrutiva), subemprego de corticosteróide e/ou superconfiança no uso de broncodilatadores 7. Além de ser responsável por um elevado custo social e econômico, gera ansiedade, angústia e sofrimento ao paciente e sua família, ao mesmo tempo em que lesa os cofres públicos e privados, com gastos médico-hospitalares, benefícios, pensões, baixa produtividade e morte prematura do asmático6, 8. O diagnóstico é confirmado pela presença de obstrução ao fluxo aéreo, que desaparece ou melhora acentuadamente após administração de broncodilatador9. A presença de sintomas como dispnéia aos esforços, sibilância difusa e tosse com expectoração clara e viscosa caracterizam a gravidade e são suficientes para classificar o paciente10. 3 Pode ser classificada9 como asma intermitente, sintomas diurnos pelo menos 1 vez por semana, assintomáticos e o Pico de Fluxo Expiratório – PFE ou Volume expiratório forçado – VEF1 > a 80% com variabilidade do PFE <20%; asma leve persistente o VEF1 é >80% com variabilidade do PFE entre 20-30%; moderada o VEF1 varia entre 60-80% com variabilidade do PFE >30% e asma severa e persistente os sintomas são frequentes o VEF1 é <60% e a variabilidade do PFE e >30% 3, 9. Na fase de exacerbação, o espasmo, o edema, e a hipersecreção são os fatores responsáveis pela obstrução brônquica com prejuízo das duas fases da respiração11, 12, sendo a obstrução expiratória sempre mais grave. Enquanto a inspiração se torna rápida e superficial, a expiração é longa e ineficaz, levando a hiperinsuflação pulmonar12. Ocorre alteração da mecânica ventilatória com rebaixamento das cúpulas diafragmáticas, redução de sua incursão durante os movimentos respiratórios prejudicando a ventilação basal13. Nesta situação observa-se retração dos espaços intercostais, infraesternal e fossa supraclavicular predominando a respiração torácica superior através da ação da musculatura acessória o que leva a grande consumo de energia12 . O estado de hiperinsuflação pulmonar é mantido pela contração tônica dos músculos acessórios da inspiração e dos intercostais, que são os principais responsáveis pelo aumento do volume expiratório final, permanecendo contraídos durante todo o ciclo respiratório14. Isto aumenta o gasto energético, o trabalho respiratório e diminui a força de contração, levando a contraturas e deformidades torácicas por vícios posturais. A cronicidade dos sintomas pode levar ao comprometimento da elasticidade toracopulmonar com repercussões sobre a função ventilatória 15. Assim, a força contrátil diminui em condições caracterizadas, por exemplo, pelo aumento do volume pulmonar (hiperinsuflação)13, desde que os músculos estejam estirados além do comprimento ótimo para gerar uma força máxima16 . Acontece, neste caso, uma menor relação tensão-comprimento, o que causa perda das zonas de aposição, com consequente diminuição da geração de força17. Isso nos deixa evidências de que a hiperinsuflação pulmonar resulta em adaptações estruturais dos músculos da caixa torácica12, 13 . 4 Durante um episódio de exacerbação4, 11 , o asmático adota posturas que permitem a ação efetiva dos músculos acessórios e adoção destas posturas atua reduzindo a expansão do tórax inferior, tornando a mobilidade da caixa torácica ineficiente, elevando a tensão dessa musculatura17. Entre as crises, a criança asmática pode apresentar remissão completa das manifestações ou permanecer com um padrão de mecânica respiratória anormal com instalação de posturas corporais patológicas16, 18 (cifose dorsal, protusão de ombros e escoliose) e deformidades torácicas em variados graus repercutindo na maior importância sobre a função ventilatória 13. Desvantagem mecânica dos músculos respiratórios e suas repercussões sobre a mecânica ventilatória O músculo respiratório possui propriedades mecânicas que influenciam a contração muscular: a força, que depende do número de unidades contráteis e de miofibrilas; e a resistência, que tem relação tanto com a densidade de capilares de motocôndrias, como da capacidade enzimática oxidativa19, 20 . Quando tratamos de aumento de força ela ocorre pelo recrutamento progressivo das unidades motoras (contração de baixa intensidade), e o aumento da taxa de ativação de cada unidade motora (contração de baixa intensidade)18, 21. A função contrátil do músculo pode ser modificada pelo comprimento do músculo em repouso, massa muscular e velocidade de contração21, 22. Duas condições são fundamentais para a análise da mecânica muscular, ou também denominadas de propriedades intrínsecas dos músculos respiratórios: 22 tensão-comprimento e força- velocidade, esta indica que, quanto mais rápido um músculo se encurta durante a contração, menor é a força contrátil que ele é capaz de gerar18, 22. Essa relação pode ser evidenciada ao analisarmos o fluxo aéreo ins e expiratório, o seu comportamento nos indica velocidade com que o músculo respiratório converte energia química em energia mecânica19, 22. A tensão-comprimento22 reflete força de contração desenvolvida por um músculo tem relação com o comprimento muscular, a força máxima desenvolvida encontra-se na sua posição de repouso, ou seja, no menor comprimento aonde não haja estiramento ativo22. Em relação aos músculos respiratórios podemos compreender que o volume pulmonar está para o índice de comprimento do músculo e que a tensão esta 5 para as medidas de pressão (ins e expirattória) mensurada ao nível da boca22. A máxima tensão muscular pode ser alcançada próximo ao volume residual, estando a fibra muscular dos músculos inspiratórios mais distendida, já o inverso pode ser observado durante a expiração máxima, obtida próximo a capacidade pulmonar total. Compreender a desvantagem mecânica dos músculos respiratórios é importante, pois o desequilíbrio entre a força por eles gerada e a alteração no seu comprimento pode, entre outras alterações, originar dispnéia23, 24 . O alongamento dos músculos respiratórios pode melhorar a mobilidade da caixa torácica e diminuir a dispnéia em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica - DPOC. Calverley, (2005)24 supunham ainda a existência de mecanorreceptores, localizados na caixa torácica e nos músculos respiratórios, que respondiam diante de alterações de comprimento, tensão e/ou movimento e que, diante do aumento ventilatório, poderiam exercer papel importante na sensação da dispnéia21. O alongamento muscular é utilizado com o objetivo de aumentar a flexibilidade muscular e a amplitude articular, melhorando a desenvoltura do aparelho muscular, podendo exercer influência sobre o rendimento da atividade desempenhada. Os alongamentos estáticos são utilizados durante o aquecimento (em atletas), permitindo a execução de movimentos com eficácia e menor gasto energético, além da facilidade de execução, aprendizagem e baixo risco de lesão25, 26 . Músculos como o esternocleidomastoideo, que atua elevando o esterno, aumentando assim o diâmetro antero-posterior do tórax; escalenos, que elevam as duas primeiras costelas; trapézio superior, que auxilia na elevação do gradil costal na inspiração forçada restringindo a expansibilidade torácica, são considerados acessórios da respiração e apresentam pouca ou nenhuma atividade na respiração tranqüila de um indivíduo normal, mas numa situação de exercício ou de angústia respiratória podem ser bastante solicitados27, 28. Os bloqueios inspiratórios ocorrem pelo encurtamento dos músculos ventilatórios por mecanismo compensatório em inspiração torácica superior favorecendo alto consumo metabólico a estes grupos musculares 27, 28. Dentre as formas de mensuração da mobilidade da caixa torácica podemos citar: a cirtometria dinâmica do tórax, faixas com sensores de deslocamento, biofotogrametria, pletismografia por indutância e optoeletrônica29-32. Todas utilizam os 6 mesmos padrões de referência das circunferências torácicas, são realizadas nas fases inspiratórias e expiratórias, levando em consideração o perímetro axilar, esternal (linha mamilar) e xifóide (linha do apêndice xifóide). O que diferencia as formas de instrumentação, além da evolução tecnológica , é a captura e registro das diferenças obtidas, sejam elas manualmente adquiridas (registros métricos) até a captura e integração de sinais processados por sistemas computadorizados, que nos possibilita maior fidedignidade na obtenção e leitura dos dados30, 33-36 . A cirtometria dinâmica do tórax é uma ferramenta utilizada para avaliação da expansibilidade e mobilidade toracoabdominal, consagrada entre as formas de mensuração da variação de mobilidade torácica por ser uma ferramenta de baixo custo, alta portabilidade e facilidade de execução, estes indicadores permitem sua utilização em maior escala37. Esta ferramenta suscita discussões no meio científico acerca da sua capacidade de reprodutibilidade e acurácia37. A necessidade de realizar estudos bem elaborados, com credibilidade científica faz com que os pesquisadores busquem ferramentas mais acuradas, com possibilidade de gerarem o maior número de variáveis para análise com critério e fidedignidade. Sendo assim surgem novas ferramentas para avaliação da mobilidade 37 toracoabdominal , mais restritas à realidade seleta da comunidade científica, sendo conhecidas como Biofotogrametria38, Pletismografia de indutância37 e Optoeletrônica39. A utilização dos sensores de movimento através das cintas de distensão torácica imprime ao sistema a praticidade do uso e a possibilidade de integração do sinal40 capturado com outras variáveis correlacionadas à função pulmonar (fluxo, pressão inspiratória/expiratória e eletromiografia (EMG) de superfície). A pletismografia de indutância através de sensores de deslocamento é utilizada na avaliação da mecânica ventilatória e cinemática do tórax e abdome de indivíduos normais ou portadores de patologias pulmonares. Feltrim et al (2011)23, 40, 41; Britto et al (2010)34 , Parreira et al (2010)34; utilizando a pletismografia de indutância, avaliaram a mecânica ventilatória de indivíduos saudáveis40, 42, 43 , a mecânica ventilatória associada aos incentivadores respiratórios, ao gênero e à idade42, em nadadores 44 , no pós operatório de Gastroplastia e obesos 36, 42e na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC29, 45 46, 47. 7 A biofotogrametria35 ou análise cinemática angular do movimento utiliza registros fotográficos com demarcações anatômicas precisas sendo analisadas por fotointerpretação38, já a pletismografia37 de indutância que obtém os seus registros através da decomposição de um sinal elétrico capturado de cintas de distensão torácicas e a Optoletrônica48 que obtém seus registros de 86 sensores ópticos reflexivos, capturados por 6 câmeras de vídeoconsideradas padrão ouro para análise e interpretação da mobilidade toracoabdominal. Ambas são ferramentas de avaliação para detecção de alterações de volumes pulmonares, não invasivos, capazes de detectar variações da mobilidade torácoabdominal por área seccional do tórax e abdomem, destes o sistema de aquisição optoeletrônico destaca-se por ser mais acurado48. As metas da Global Initiative for Asthma (GINA)9 é que até 2015 no Brasil, haja redução das hospitalizações por asma em até 50%. Para isso estão propostas a mobilização de uma legião de especialistas que possam atuar capacitando os profissionais do Sistema Único de Saúde ( SUS). Em face ao exposto, entende-se que medidas terapêuticas de baixo custo financeiro e fácil execução podem beneficiar os pacientes asmáticos reduzindo as limitações funcionais para o desempenho o mais normal possível do ciclo ventilatório, e ainda com preservação das condições normais de funcionamento da caixa torácica. Contar com um equipamento mais acessível, de tecnologia nacional que apresenta similaridades à pletismografia de indutância, por também utilizar sensores de deslocamento, nos possibilita evidenciar o impacto das manobras de alongamento dos músculos respiratórios sobre a caixa torácica e desta forma futuramente minimizar as deformidades adquiridas pelo tórax ao longo do desenvolvimento da criança. 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Saude Md. Portaria SAS/MS nº 709, de 17 de dezembro de 2010.: Ministério da Saúde da República Federativa do Brasil; 2010. p. 25 páginas. 2.Maia JGS, Marcopito LF, Amaral AN, Tavares BF, Santos FAN. Prevalência de asma e sintomas asmáticos em escolares de 13 e 14 anos de idade. Revista de Saúde Pública. 2004;38(292-9). 3.Pereira CAC, Nader JA. Diretrizes para testes de função pulmonar. Jornal de Pneumologia. 2002;28(243). 4.Society AT. Dyspneia Mechanisms, Assessment, and Management: A Consensus Statment. 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Thoracic mobility, muscular strength and inspiratory flow evaluation in asthmatic adolescents FREIRE, ALG; FREITAS, SMSF; AMORIM, CF; PAES, FJV; CHIAVEGATO, LD 1 Centro Universitário CESMAC, Maceió, Alagoas, Brasil 2 Programa de Mestrado em Fisioterapia, Universidade Cidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil * Autor correspondente: (011) 2178-1565, Rua Cesário Galeno 448/475, São Paulo, CEP:03071-000, Tatuapé, SP; [email protected] Palavras-chave: Asma. Força muscular respiratória. Mecânica respiratória. Key Word: Asthma. Respiratory muscle strength. Respiratory mechanics. 14 Resumo AVALIAÇÃO DA MOBILIDADE TORÁCICA, FORÇA MUSCULAR E FLUXO INSPIRATÓRIO EM ADOLESCENTES ASMÁTICOS Contextualização: Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores, que caracteriza-se por aumento da responsividade das vias aéreas com consequente obstrução ao fluxo aéreo, de caráter recorrente e reversível. Durante exacerbação, o asmático adota posturas que permitem a ação dos músculos acessórios reduzindo a expansão do tórax inferior, tornando a mobilidade da caixa torácica ineficiente.. Objetivos: Avaliar a força muscular respiratória, mobilidade torácica e fluxo inspiratório integrados a um sistema com sensores de deslocamento e fluxo em adolescentes asmáticos. Materiais e Métodos: Adolescentes asmáticos foram divididos em 2 grupos: asmáticos, e controle. Avaliado função pulmonar, força muscular respiratória (PImáx e PEmáx), mobilidade torácica e fluxo inspiratório utilizando-se transdutor de fluxo aéreo e sensores de deslocamento permitindo a visualização da mobilidade e mensuração do fluxo inspiratório, simultaneamente. Resultados: Estudo tranversal com 48 adolescentes, 28 asmáticos e 20 saudáveis, faixa etária de 12 a 20 anos, evidenciou mobilidade torácica estatisticamente inferior, 33%, (p=0,000) e o fluxo inspiratório estatisticamente superior, embora não clínicamente, para os asmáticos (p=0,038), além da diminuição PImáx em 18%(p=0,03). A PEmáx não mostrou-se diferente. Conclusão: A PImáx e a mobilidade torácica encontram-se diminuídas nos indivíduos asmáticos quando comparados ao controle por um sistema de captura e análise integrada para interpretação dos sinais biológicos que mostrou-se capaz de nos descrever as variáveis adequadamente. Palavras chave: asma, força muscular respiratória e mecânica ventilatória. ABSTRACT 15 Thoracic mobility, muscular strength and inspiratory flow evaluation in asthmatic adolescents Background: Asthma is a chronic inflammatory disease of the lower airways, which is clinically characterized by increased airway responsiveness resulting in airflow obstruction which is recurrent but can be reversible. During exacerbation, the asthmatic adopts positions that allow the action of accessory muscles to reduce the expansion of the lower chest, thus making mobility of the chest compromised. Some instruments are useful for the evaluation of chest expansion, such as motion sensors with attached stretch straps with a capture system and signal analysis to understand objectively chest mobility. Objectives: To evaluate respiratory muscle strength, mobility and thoracic inspiratory flow related to displacement and flow in asthmatic adolescents. Material and Methods: 48 asthmatic adolescents with asthma were divided into 2 groups: experimental (EG) and control (CG) and were evaluate pulmonary function, respiratory muscle strength (MIP and MEP), chest expansion and inspiratory flow rate using a transducer air flow and a coupled belt (displacement sensors) allowing for visualization of movement and measurement inspiratory flow simultaneously. Results: A transversal study with 48 adolescents, matched for age, 28 asthmatics and 20 healthy, age range 1220 years, showed significant lower thoracic mobility (p = 0.000) and inspiratory flow statistically higher, though not clinically, for the EG (p =0.038) , and MIP (p = 0.03). The MEP showed no significant difference. Conclusion: MIP and thoracic mobility are decreased in asthmatics when compared with a control group using a capture system for interpretation and integrated analysis of biological signals that prove to efficiently describe the variables. Keywords: asthma, respiratory muscle strength and ventilatory mechanics. INTRODUÇÃO 16 Asma clinicamente, caracteriza-se por aumento da responsividade das vias aéreas a variados estímulos, com consequente obstrução ao fluxo aéreo, de caráter recorrente e tipicamente reversível1,2,3.É classificada em asma intermitente, sintomas diurnos pelo menos 1 vez por semana ou assintomáticos e Volume expiratório forçado no primeiro segundo – VEF1 > a 80% com variabilidade do pico de fluxo expiratório (PFE) <20%, na asma leve persistente o VEF1 é >80% com variabilidade do PFE entre 20-30%, moderada o VEF1 entre 60-80% com variabilidade do PFE >30%, asma severa e persistente os sintomas são frequentes, o VEF1 é <60% e a variabilidade do PFE e >30%1,2. O mecanismo de obstrução bronco-pulmonar atua promovendo aumento do trabalho respiratório, ocasionando sobrecarga aos músculos respiratórios. Esta sobrecarga pode ser a causa de bloqueios inspiratórios e redução da mobilidade e expansibilidade da caixa torácica, limitando a mobilidade costal4. Dentre as formas de mensuração da mobilidade da caixa torácica citamos a cirtometria dinâmica do tórax5, biofotogrametria6, sensores de deslocamento, pletismografia7 por indutância7 e optoeletrônica8. Cada qual com sua particularidade e especificidade, buscam avaliar a mecânica ventilatória utilizando como padrões de referência, as circunferências toracoabdominais, nas fases inspiratórias e expiratórias, levando em consideração o perímetro axilar, esternal (linha mamilar), xifóide (linha do apêndice xifóide) e abdominal5, 7-9 . O que as diferenciam são as formas de instrumentação, captura e registro das diferenças obtidas, sejam manualmente adquiridas (registros métricos)10 até a captura e integração de sinais processados por sistemas computadorizados4, 11. A utilização dos sensores de movimento através das cintas de distensão torácica imprime ao sistema a praticidade do uso e a possibilidade de integração do sinal capturado com outras variáveis correlacionadas à função pulmonar (fluxo, pressão inspiratória/expiratória e eletromiografia - EMG de superfície)12. Parreira et al (2007)13 inferem que a expansibilidade torácica é discutida como avaliação qualitativa subjetiva. Na verdade, a semiologia clássica aborda o tema de maneira simples e de fácil execução na avaliação do exame físico do tórax, permitindo avaliar assimetrias e assincronias dos movimentos respiratórios13. A prática clínica necessita de praticidade, objetividade e 17 fidedignidade em suas avaliações, mas o custo operacional de recursos com alta tecnologia é dispendioso do ponto de vista financeiro e requerem tecnologia que não é produzida no Brasil13, 14. Entende-se portanto, que métodos de baixo custo financeiro e fácil execução podem beneficiar os pacientes asmáticos reduzindo as limitações funcionais para o desempenho o mais normal possível do ciclo ventilatório, e ainda com preservação das condições normais de funcionamento da caixa torácica. O objetivo do estudo foi avaliar a força muscular respiratória e o comportamento da mobilidade torácica e fluxo inspiratório integrados aos sensores de deslocamento e fluxo em adolescentes asmáticos MATERIAL E METODO 18 Estudo transvesal, realizado com adolescentes de ambos os gêneros na Clínica Escola de Fisioterapia em uma universidade privada, recrutados em uma escola da rede pública de ensino de Maceió – Al. Foram divididos em 2 grupos: GE grupo experimental (adolescentes asmáticos ) e GC – grupo controle (adolescentes saudáveis). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNICID (protocolo 13528814). Os pacientes e seus responsáveis foram esclarecidos sobre os procedimentos do estudo, leram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE. A coleta de dados foi realizada no período de outubro a dezembro de 2011. Os critérios de inclusão foram idade (entre 12 e 20 anos), não possuir déficit cognitivo e ou de compreensão, com diagnóstico de Asma Brônquica moderada persistente, em período assintomático2. Adolescentes com diagnóstico de asma grave, que não estivessem em acompanhamento médico, sem uso de broncodilatador e que apresentassem deformidades torácicas. Hipersecretivos ou apresentando hiperreatividade brônquica e qualquer descompensação respiratória no momento da realização do protocolo, foram excluídos. Foi aferido o peso Corporal e a estatura por uma balança antropométrica Welmy®, modelo RI W 200, devidamente calibrada. Para avaliação da força muscular15 inspiratória (PImáx) e expiratória (PEmáx) utilizou-se o manovacuômetro (GEAR©). Para aferição da PEmáx, o voluntario foi instruído a realizar uma inspiração máxima e profunda em nível de capacidade pulmonar total (CPT) seguida de expiração máxima e sustentada por 2 segundos em cada uma das três manobras. A PImáx foi obtida após a realização de expiração rápida e mantida em nível do volume residual (VR) seguida de inspiração máxima e sustentada por 2 segundos. Em todos os momentos foram realizadas três medidas consecutivas com intervalos de 1 minuto entre elas, admitindo-se o melhor valor das três. Para a mensuração foi acoplado ao manuvacuômetro uma peça bocal, e obturador nasal. A prova de função pulmonar1 (PFP) foi realizada com o espirômetro EASY ONE®, na posição sentada. Inicialmente foi realizada manobra de Capacidade Vital Forçada (CVF), obtida através de máxima expiração partindo de CPT até VR, de forma mais rápida possível, fazendo uso de obturador nasal com o objetivo de evitar escape de ar. Essa manobra permitiu a determinação dos valores de Capacidade Vital Forçada (CVF), Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1), Relação VEF1/CVF; 19 Pico de Fluxo Expiratório (PFE) e Fluxo Expiratório Forçado entre 25 e 75% da capacidade vital (FEF25-75%). Para a interpretação da PFP, foi utilizado o software EasyWare 2.7.1.0, o protocolo NLHELP, com referência predita – Polgar v 1.00., sendo PFP realizadas de acordo com as Diretrizes para Testes de Função Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia, 20021 e o laudo foi feito por um médico responsável pelo setor. Para a avaliação da mobilidade e fluxo inspiratório foi utilizado o programa EMGLab V1.1 - EMGSystem do Brasil® , com dois canais, um transdutor de fluxo aéreo e uma cinta (sensores de deslocamento) . Todo o sistema (sensores de deslocamento e transdutor de fluxo) estavam acoplados ao computador permitindo o acompanhamento e a visualização da análise do movimento e mensuração do fluxo inspiratório, simultaneamente. Este sistema de aquisição de dados permite ao avaliador interagir os sistemas de coleta da cinta de distensão torácica (figura 1) e do fluxo (figura 2) simultaneamente. A configuração da coleta é realizada por dois canais isolados, conjugados ao mesmo sistema de aquisição de dados, os limites para aquisição do fluxo foi estimado de 0 a 100 ml e o deslocamento da caixa torácica entre 0 e 10 cm, o tempo de captura de sinais foi de 30 segundos para cada avaliação. A taxa de amostragem estimada foi de 2000Hz . O sistema permite a análise dos resultados através de uma interface gráfica e de registros numéricos (ASSCII) software ORIGIN v.8. Figura 1. Referência do apêndice xifóide, sensor de distensão torácica, e registro do sinal capturado pela interface do computador na aquisição do movimento torácico. (EMGLab-EMGSystem®) 20 Figura 2. Sensor de fluxo e o sinal capturado pela interface do computador na aquisição do fluxo inspiratório. (EMGLab-EMGSystem®) A cinta torácica foi fixada utilizando-se como ponto de referência o apêndice xifóide. A cinta possui uma largura de 5 cm, uma extremidade fixa e outra móvel, em sua porção central encontram-se uma caixa de comando com um dispositivo de regulagem,e é mensurado em centímetros (cm). Após instalada a cinta torácica, só foi removida ao final de toda a coleta dos dados (figura 1). O transdutor de fluxo é composto por um dispositivo móvel acoplado a um bocal (figura 2), ajustado na boca do paciente conduzido e fixado pelo avaliador. a unidade de medida utilizada foi mililitros (ml). A instrumentação do paciente foi realizada com colocação da cinta de distensão de tórax, e transdutor de fluxo, deixando-o na posição de decúbito dorsal com os joelhos fletidos, em posição de relaxamento, sem visualizar a tela do computador para não haver interferência voluntária do paciente. A avaliação teve sequência após a instrumentação, adotando-se o mesmo posicionamento do paciente, utilizando-se uma inspiração máxima e profunda como marcador de referência para a coleta dos dados em ambos os grupos avaliados. A análise em telas contínuas foi utilizada, inicialmente em respiração basal (diafragmática), seguida da indução do paciente a uma inspiração máxima e profunda consciente, retornando a respiração basal. Para a realização da inspiração máxima e profunda foi utilizado comando verbal: “enche, enche, enche...... solta... solta... solta...” durante 30 segundos, tempo padronizado para a captura do sinal. Este momento foi denominado de marcador padrão utilizado por todos os participantes em uma única sessão de avaliação. 21 Foi realizada a análise estatística descritiva (médias e desvios- padrão) para todas as variáveis analisadas, e teste t simples para comparação das médias entre GE e GC, admitindo-se erro alfa de 5%, utilizando-se o Statistical Package for Social Sciences - SPSS v.15. Os resultados relacionados à captura do sinal do EMGSystem foram normalizados pelo valor máximo obtido entre os resultados em cada conjunto de aferição através do software ORIGIN v.8, em valores absolutos. 22 RESULTADOS Foram avaliados 76 adolescentes, 19 foram excluídos por estarem abaixo de 12 anos; dois por apresentarem alterações cognitivas; um por hiperatividade e baixa compreensão e seis deles por não terem realizado provas de função pulmonar com curvas aceitáveis. Os dados demográficos de ambos os grupos, a espirometria e a força muscular respiratória encontram-se na tabela1. Tabela 1 – Médias e desvios-padrão dos dados antropométricos e função pulmonar de 28 adolescentes asmáticos e de 20 adolescentes normais Faixa etária (anos) GE (n=28) GC (n=20) Experimental Controle P 14,19+2,228 15,63+2,094 0,106 Feminino (n) 12 13 Masculino (n) 16 7 Peso (kg) 58,50+9,61 59,95+12,41 0,695 Altura (cm) 164,85+9,14 165+9,17 0,960 % VEF1(%) 79,15+11,46 87,10+5,20 0,013* VEF1/CVF (%) 75,43+13,73 76,10+12,83 0,875 *p<0,05 A mobilidade torácica foi significantemente menor nos asmáticos quando comparados ao controle ( p=0,000) expressa em valores absolutos, que representam uma variação média entre os grupos avaliados (Tabela 2). O fluxo inspiratório apresentou-se significantemente maior nos asmáticos (p=0,038) , 23 Tabela 2. Comparação entre fluxo e mobilidade entre 28 adolescentes asmáticos e 20 controles Mobilidade Média (GC-GE) Fluxo GE GC GE GC n=28 n=20 n=28 n=20 3,9383+1,82 5,8153+1,85 2,6011+0,11 2,58471+0,07 1,876* (p=0,000) -0,016* (p=0,038) Mínimo 0,1474 2,5205 2,4835 2,4932 Máximo 6,9515 10,9427 2,9280 2,7277 *p<0,001 Quanto à força muscular respiratória, não houve diferença entre os grupos em relação à PEmáx, 85,40( ±26,58) cm H20 e 88,60(±19,86) cm H20 respectivamente para os asmáticos e controles(p=0,649). Já em relação à PImáx, encontramos 74,70(±26,31) e 90(±19,57) cm H20 , respectivamente para asmáticos e controles. 24 DISCUSSÃO O presente estudo teve o objetivo de avaliar a força muscular respiratória, a mobilidade toracoabdominal e o fluxo inspiratório em asmáticos, comparando-os com adolescentes sadios, avaliados por manovacuometria e por um sistema integrado de aquisição de dados com sensores de fluxo e de mobilidade. Os resultados revelam que os asmáticos apresentam menor pressão inspiratória máxima, menor mobilidade torácica e discreto aumento na variação do fluxo inspiratório quando avaliados em respiração espontânea e comparados ao grupo controle. Parreira et al (2007)13 inferem que a expansibilidade torácica é discutida na literatura como avaliação qualitativa subjetiva. Na verdade, a semiologia clássica aborda o tema de maneira simples e de fácil execução na avaliação do exame físico do tórax, permitindo avaliar as assimetrias e assincronias dos movimentos respiratórios13. A prática clínica necessita de praticidade, objetividade, e fidedignidade em suas avaliações, mas o custo operacional de recursos com alta tecnologia é dispendioso do ponto de vista financeiro e requerem tecnologia que não é produzida no Brasil5, 13 ,. A literatura é vasta em estudos sobre mobilidade tóracoabdominal Há estudos na doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)16-18, asmáticos19, cirurgias bariátricas e gastroplastia20, 21, obesos21, acidente vascular encefálico22, idoso24, sujeitos normais12, 23, 24 . Nestes estudos são utilizadas como medidas de avaliação a Cirtometria pletismografia de Indutância7, 23, 25 13 5, 21 , a Pletismografia optoelectrônica26, 27 ,a , a 6 biofotogrametria . O presente estudo utilizou como recurso de avaliação, a captura de sinais integrados através de sensores de fluxo e movimento, tecnologia nacional EMGSystem®, ainda de custo relativamente elevado mas que segundo Caldeira et al13 é acurado e se sobrepõe a cirtometria do tórax conferindo-lhe fidedignidade5. A utilização de sensores de movimento tem sido largamente utilizada na pesquisa clínica envolvendo a mecânica ventilatória desde a análise de padrões musculares ventilatórios em sujeitos normais evoluindo até as doenças respiratórias, analisando a mobilidade toracoabdominal e os recursos terapêuticos aplicados para a melhora ou recuperação da mecânica da caixa torácica e os seus impactos clínicos8, 26, 28. 25 Dentre os estudos com pletismografia de indutância avaliando a mobilidade toracoabdominal podemos citar estudos em voluntários saudáveis avaliando mobilidade correlacionada ao uso incentivadores respiratórios, onde, Feltrim et al (2011)29 analisaram o padrão respiratório de indivíduos saudáveis, concluindo que o maior volume corrente gerado foi relacionado aos incentivadores a volume associado ao maior deslocamento do perímetro abdominal24. Já Sampaio et al (2005)30 avaliaram o comportamento da mobilidade toracoabdominal e o volume corrente em voluntários normais, e concluíram que altos volumes estão associados com a diminuição da frequência respiratória e que o uso dos incentivadores não promovia aumento do deslocamento abdominal para alcançar este maior volume30. Outros estudos envolvendo sensores de movimento, como por exemplo Parreira et al (2010)7 avaliaram o padrão respiratório e mobilidade toracoabdominal após gastroplastia, utilizando-se padrão de respiração profunda e em três tempos, e não observou mudanças significativas sobre a mobilidade. Novamente, Parreira et al (2007)7 avaliaram a mobilidade toracoabdominal de DPOC durante o exercício, observando que o aumento na ventilação durante esta atividade foi associado ao aumento da mobilidade torácica, e à presença de assincronia independente da intensidade do exercício. No mesmo ano, Brant et al (2008)31 também utilizando a pletismografia de indutância avaliaram o padrão respiratório e a mobilidade toracoabdominal em crianças respiradores orais e concluíram que as variáveis analisadas são semelhantes às encontradas em respiradores nasais na mesma faixa etária31. Estudos com a pletismografia de indutância avaliando mobilidade e força muscular respiratória, como o estudo de Teixeira-Salmela et al (2005)22 que avaliaram PImáx e PEmáx e a mobilidade toracoabdominal em sequelados de acidente vascular encefálico – AVE, verificaram que a as pressões respiratórias são menores e que o abdome compensa esta perda de força quando comparados aos indivíduos saudáveis. Ou ainda avaliando padrões respiratórios associado ao gênero e idade, como Pareira et al (2010)7, e sua influência sobre o padrão respiratório e mobilidade toracoabdominal em sujeitos saudáveis, onde os resultados sugerem que a mobilidade pode ser influenciada pela idade dos indivíduos e o padrão respiratório pelo gênero, fato que não observamos em nosso estudo7, 22. 26 Observa-se que o interesse em estudar a mobilidade toracoabdominal é amplo e de grande importância para a prática clínica17, 23, 24, 32, 33 . Comparando-se o comportamento da mobilidade torácica dos asmáticos, em período assintomático, verifica-se que a mobilidade encontra-se reduzida quando comparados aos adolescentes saudáveis. A diferença verificada em valores absolutos embora significativa pode ser interpretada como pequena, e que o impacto clinico não represente algo substancial para estes adolescentes, mas estas perdas podem ser acumulativas e no futuro próximo podem repercutir sobre a mecânica como mecanismo de somação ao longo dos episódios de exacerbação e consequentemente em agravos à mecânica ventilatória24, 34. Analisando ainda a diminuição da mobilidade torácica dos adolescentes asmáticos em nosso estudo, é importante evidenciar que existem afirmativas de que o asmático em período intercrise seja “normal”35. Em nosso estudo, poderíamos caracterizar esta redução como “desvantagem mecânica” 36 , sem contraposição às definições clássicas desta fase de classificação da asma2. Mesmo o momento sendo assintomático (ausência dos sintomas), poderíamos considerar as repercussões que podem advir das exacerbações sobre a mobilidade torácica e força muscular17, 32, 33. A hiperinsuflação na asma resulta do aumento da resistência expiratória, proveniente da presença de obstrução de vias aéreas37. O fluxo expiratório na asma encontra-se correlacionado com a magnitude da hiperinsuflação e ao grau de obstrução ao fluxo aéreo, a medida mais usual na prática clínica para a verificação deste evento é o VEF1, que em nosso estudo apresentou-se diferente quando comparado aos adolescentes normais28. Devemos compreender que a relação da hiperinsuflação com a obstrução ao fluxo aéreo é bastante variável, varia de indivíduo para indivíduo, de maneira que a severidade do evento de agudização pode trazer consequências diferentes, com maior ou menor grau de obstrução e repercussões sobre a mecânica ventilatória38, 39 . Neste estudo os asmáticos apresentaram uma mínima variação que, embora estatísticamente significante parece não ser clinicamente importante. Acreditamos que esta discreta porém maior variação de fluxo encontrada no GE, tenha sido em resposta ao quadro obstrutivo e ao maior esforço em se manter o padrão respiratório solicitado pelo avaliador durante a verificação da variável40. 27 Quanto à força muscular respiratória, observamos a PEmáx sem diferença clínica e/ou estatística entre os grupos e que a PImáx, apresentou-se significantemente menor nos asmáticos (p<0,03) sugerindo que os asmáticos já tem um menor grau de força muscular inspiratória, mesmo estando no período inter crises. É importante evidenciar que o GE em nosso estudo, foi classificado como “moderado” na classificação de gravidade. Oliveira et al (2011)33 analisando a força muscular respiratória (manovacuometria) e a mobilidade torácica (cirtometria) em crianças e adolescentes com leucemia, concluíram que estes apresentam déficit de força e mobilidade torácica na fase de manutenção da quimioterapia quando comparados a escolares saudáveis, o que vem a corroborar com nossos resultados33. A apropriação de um novo software e a análise da mobilidade e fluxo, de forma integrada podem ser consideradas como uma limitação inicial deste estudo. O domínio de uma nova tecnologia nos permite pensar que novos estudos podem ter a integração de sinais com duas cintas, torácica e abdominal, sincronizados com a pressão e os fluxos ins e expiratórios. Analisar o impacto clínico destes resultados a longo prazo e operacionalizar melhor a relação do comando verbal reduziriam os vieses do estudo. Nossos resultados podem nos remeter a um olhar mais acurado para o paciente asmático, e a elaboração de planos terapêuticos envolvendo a funcionalidade da mecânica ventilatória em prol de boas condutas fisioterapêuticas. Reconhecer a influência dos mecanismos de obstrução na asma nos permite enveredar para uma prática clinica mais segura, com propostas consistentes que possam trazer respostas clínicas e funcionais para a vida do asmático. Concluímos que tanto a força muscular inspiratória e a mobilidade torácica encontram-se diminuídas quando comparamos indivíduos asmáticos e controles por um sistema de captura e análise integrada para interpretação dos sinais biológicos que mostrou-se capaz de nos descrever estas diferenças adequadamente. 28 AGRADECIMENTOS Aos pacientes da Clínica Escola do Centro Universitário Cesmac e aos voluntários da escola da rede Pública da cidade de Maceió-Alagoas. Ao Centro Universitário Cesmac, por ceder toda a infraestrutura (recursos humanos com profissionais capacitados e materiais) e aos professores do Mestrado da UNICID, pelo belo trabalho, empenho e seriedade na formação dos mestres deste Brasil. 29 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Pereira CAC, Nader JA. Diretrizes para testes de função pulmonar. Jornal de Pneumologia. 2002;28:243 p. 2. Bateman DE, Boulet LP, Cruz A, FitzGerald M, Levy M, Ohta K, et al. Global strategy for asthma management and prevention. 2011. p. 01-106. 3. Saude Md. Portaria SAS/MS nº 709, de 17 de dezembro de 2010.: Ministério da Saúde da República Federativa do Brasil; 2010. p. 25 páginas. 4. Filippelli M, Duranti R, Gigliotti F, Bianchi R, Grazzini M, Stendardi L, et al. Overall Contribution of Chest Wall Hyperinflation to Breathlessness in Asthma. Chest. 2003;124:2164-70. 5. Basso RP, Regueiro EMG, Jamami M, Di Lorenzo VAP, Costa D. 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Chest. 2006;130:1072-81. 33 CAPÍTULO 3 EFEITO AGUDO DO ALONGAMENTO DOS MÚSCULOS ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO E TRAPÉZIO SUPERIOR SOBRE A MOBILIDADE TORÁCICA EM ADOLESCENTES ASMÁTICOS – ENSAIO CLÍNICO 34 EFEITO AGUDO DO ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO ALONGAMENTO E TRAPÉZIO DOS SUPERIOR MÚSCULOS SOBRE A MOBILIDADE TORÁCICA EM DOLESCENTES ASMÁTICOS - ENSAIO CLÍNICO1 Acute stretching effects of the sternomastoid and upper trapezius muscles in the rib cage mobility in adolescents with asthma FREIRE, ALG,2, FREITAS, SMSF2, AMORIM, CF2, CHIAVEGATO, LD2. 1 Centro Universitário CESMAC, Maceió, Alagoas, Brasil 2 Programa de Mestrado em Fisioterapia, Universidade Cidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo, Brasil * Autor correspondente: (011) 2178-1565, Rua Cesário Galeno 448/475, São Paulo, CEP:03071-000, Tatuapé, SP; [email protected] Título resumido: Repercussão das manobras de alongamento muscular na mobilidade torácica em asmáticos jovens. Palavras-chave: alongamento muscular, asma, mecânica respiratória, músculos respiratórios Key Words: muscles stretching exercises, asthma, respiratory mechanics, respiratory muscles 35 RESUMO: Contextualização: Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores, que clinicamente, caracteriza-se por aumento da responsividade das vias aéreas a variados estímulos, com consequente obstrução ao fluxo aéreo, de caráter recorrente e reversível. Durante exacerbação, o asmático adota posturas que permitem a ação dos músculos acessórios reduzindo a expansão do tórax inferior, tornando a mobilidade da caixa torácica ineficiente. Manobras de alongamento da musculatura inspiratória podem repercutir positivamente na mobilidade torácica reduzindo mecanismos compensatórios inerentes à doença.. Objetivos: Avaliar a repercussão de manobras de alongamento dos músculos esternocleidomastoideo e trapézio superior na mobilidade torácica de adolescentes asmáticos. Materiais e Métodos: Adolescentes asmáticos foram divididos em 3 grupos: experimental(GE), “Sham”(GS) e controle (GC). O GE e o GC receberam o alongamento nos músculos esternocleidomastoideo e trapézio superior conforme protocolo e GC não recebeu intervenção. Foram mensurados força muscular respiratória, função pulmonar (VEF1) e mobilidade torácica utilizando cintas de deslocamento com sinais de captura e análise integrados antes e após às manobras. Em seguida foi realizada a manobra de alongamento nos músculos. Resultados: 60 adolescentes com idade média de 14,5(±2,19) anos: GE=20, GS=20 e GC=20. Obtivemos diferença estatísticamente significante na mobilidade torácica entre grupos após as manobras de alongamento (p<0,001), sendo que para GE e GC esta diferença foi ainda mais expressiva. Conclusão: Manobras de alongamento aumentam a mobilidade torácica de adolescentes asmáticos. Palavras-chave: alongamento muscular, asma, mecânica respiratória, músculos respiratórios 36 ABSTRACT ACUTE EFFECT OF STRETCHING ON THE MUSCLES STERNOMASTOID AND UPPER TRAPEZIUS IN THORACIC MOBILITY IN ADOLESCENTS ASTHMATICS - Clinical Trial Background: Asthma is a chronic inflammatory disease of the lower airways, which is clinically characterized by increased airway responsiveness to various stimuli, resulting in airflow obstruction which is recurrent but can be reversible. During exacerbation, the asthmatic adopts positions that allow the action of accessory muscles to reduce the expansion of the lower chest, thus making mobility of the chest compromised. Some instruments are useful for the evaluation of chest expansion, for this study we used motion sensors with attached stretch straps with a capture system and signal analysis to understand more objectively chest mobility in this population. Objectives: To evaluate the effect of stretching maneuvers of the sternocleidomastoid and upper trapezius muscles in the thoracic mobility of asthmatic adolescents. Material and Methods: Adolescents with asthma were divided into 3 groups: experimental (EG), "Sham" (GS) and control (CG). The EG and CG had stretching of the sternocleidomastoid and upper trapezius GC according to protocol and received no intervention. We measured respiratory muscle strength, lung function (FEV1) and thoracic mobility shift using straps with signs of integrated capture and analysis before and after the maneuvers. Then the operation was performed in muscle elongation. Results: 60 adolescents participating with a mean age of 14.5 (± 2.19) years: GE = 20, GS and GC = 20 = 20. We found statistically significant differences in the thoracic mobility between groups (p<0,001), the GE and GC mobilities were more expressive than GS. Conclusion: Stretching maneuvres increase thoracic mobility in adolescent asthmatics. Key Words: muscles stretching exercises, asthma, respiratory mechanics, respiratory muscles 37 INTRODUÇÃO Asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores, que clinicamente, caracteriza-se por aumento da responsividade das vias aéreas a variados estímulos, com consequente obstrução ao fluxo aéreo, de caráter recorrente e tipicamente reversível1, 2 3. O diagnóstico é confirmado pela presença de obstrução ao fluxo aéreo, que desaparece ou melhora acentuadamente após administração de broncodilatador 2. É classificada em asma intermitente, sintomas diurnos pelo menos 1 vez por semana, assintomáticos e o Pico de Fluxo Expiratório – PFE ou Volume expiratório forçado no primeiro segundo – VEF1 > a 80% com variabilidade do PFE <20%, na asma leve persistente o VEF1 é >80% com variabilidade do PFE entre 2030%, no moderado o VEF1 varia entre 60-80% com variabilidade do PFE >30%, na asma severa e persistente os sintomas são freqüentes o VEF1 é <60% e a variabilidade do PFE e >30%1,2. Na asma o mecanismo de obstrução broncopulmonar atua promovendo aumento do trabalho respiratório, ocasionando entre outros, sobrecarga aos músculos respiratórios. Esta sobrecarga pode ser a causa de bloqueios inspiratórios e redução da mobilidade e expansibilidade da caixa torácica, limitando a mobilidade costal 4. A mobilidade da caixa torácica pode sofrer consequências positivas da relação tensãocomprimento, diminuindo os estímulos aferentes para o controle respiratório central e reduzir a sensação de dispnéia4. O alongamento muscular é uma técnica utilizada para o tratamento de músculos esqueléticos expostos à sobrecargas, uma vez que a força de um músculo é função de seu comprimento e a tensão máxima desenvolvida por contração ocorre quando o músculo é estirado de cinco a dez por cento acima de seu comprimento de repouso 5 11. Estando a musculatura inspiratória do paciente asmático, mesmo em período intercrise, ativa durante todo o ciclo respiratório, funcionando como ponto de ancoragem da caixa torácica, estes músculos podem ser beneficiados pelos alongamentos minimizando o fenômeno da hiperinsulflação pulmonar6, 7. Dentre as formas de mensuração da mobilidade da caixa torácica podemos citar a cirtometria dinâmica do tórax8, biofotogrametria9, sensores de deslocamento, pletismografia7Parreira por indutância e optoeletrônica10. Cada qual com sua 38 particularidade e especificidade, buscam avaliar a mecânica ventilatória utilizando como padrões de referência, as circunferências toracoabdominais, nas fases inspiratórias e expiratórias, levando em consideração o perímetro axilar, esternal (linha mamilar), xifóide (linha do apêndice xifóide) e abdominal11-14. O que as diferenciam são as formas de instrumentação, captura e registro das diferenças obtidas, sejam elas manualmente adquiridas (registros métricos)15 até a captura e integração de sinais processados por sistemas computadorizados16. A utilização dos sensores de movimento através das cintas de distensão torácica imprime ao sistema a praticidade do uso e a possibilidade de integração do sinal capturado com outras variáveis correlacionadas à função pulmonar 17, 18 (fluxo, pressão inspiratória/expiratória e eletromiografia - EMG de superfície). Caldeira et al (2007)19 infere que a expansibilidade torácica é discutida na literatura como avaliação qualitativa subjetiva. Na verdade, a semiologia clássica aborda o tema de maneira simples e de fácil execução na avaliação do exame físico do tórax, permitindo avaliar as assimetrias e assincronias dos movimentos respiratórios19. A prática clínica necessita de praticidade, objetividade, e fidedignidade em suas avaliações, mas o custo operacional de recursos com alta tecnologia é dispendioso do ponto de vista financeiro e requerem tecnologia que não é produzida no Brasil9, 20. Em face ao exposto, entende-se que medidas terapêuticas de baixo custo financeiro e de fácil execução podem beneficiar os pacientes asmáticos reduzindo as limitações funcionais para o desempenho o mais normal possível do ciclo ventilatório, e ainda com preservação das condições normais de funcionamento da caixa torácica. O objetivo do estudo foi avaliar a repercussão de manobras de alongamento dos músculos esternocleidomastoideo e trapézio superior na mobilidade torácica de adolescentes asmáticos. 39 MATERIAL E METODO Ensaio clínico controlado, realizado com 60 adolescentes de ambos os gêneros (27 mulheres/33 homens) na Clínica Escola de Fisioterapia em uma universidade privada, e em uma escola da rede pública de ensino de Maceió – Al. Foram divididos em 3 grupos: GE n=20, grupo experimental e GS n=20, grupo “Sham” (adolescentes asmáticos ), GC n=20,grupo controle ( adolescentes saudáveis ) Figura 1. Figura 1. Fluxograma do protocolo realizado para os grupos experimental (GE), controle (GC) e para grupo sham (GS). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNICID (protocolo 13528814). Todos os pacientes e seus responsáveis foram esclarecidos sobre os procedimentos do estudo, e após devidamente esclarecidos, leram e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE. O GE e o GC receberam o alongamento conforme protocolo, o GS, manteve todas as posturas, teve as mãos do terapeuta simulando as posturas de alongamento e recebeu todos os comandos verbais igualmente aos demais grupos, mas não recebeu as manobras de alongamento. A coleta de dados foi realizada no período de outubro a dezembro de 2011. 40 Os critérios de inclusão foram idade (entre 10 e 20 anos), não possuir déficit cognitivo e ou de compreensão com diagnóstico de Asma Brônquica moderada persistente, em período assintomático2. Adolescentes com diagnóstico de Asma Grave, que não estivessem em acompanhamento médico, sem uso de broncodilatador e que apresentassem deformidades torácicas, hipersecretivos ou apresentando hiperreatividade brônquica e qualquer descompensação respiratória no momento da realização do protocolo, foram excluídos. Foi aferido o peso Corporal e a estatura por uma balança antropométrica Welmy®, modelo RI W 200, devidamente calibrada. O diagnóstico e a severidade da Asma Brônquica foram de acordo com os critérios descritos pelo GINA 20102. Para avaliação da força muscular21 inspiratória (PImáx) e força expiratória (PEmáx) utilizou-se o manovacuômetro (GEAR©). Para aferição da PEmáx, o voluntario foi instruído a realizar uma inspiração máxima e profunda em nível de capacidade pulmonar total (CPT) seguida de expiração máxima e sustentada por 2 segundos em cada uma das três manobras. A PImáx foi obtida após a realização de expiração rápida e mantida em nível do volume residual (VR) seguida de inspiração máxima e sustentada por 2 segundos. Em todos os momentos foram realizadas três medidas consecutivas com intervalos de 1 minuto entre as medidas, admitindo-se o melhor valor das três. Para a mensuração foi acoplado ao manuvacuômetro uma peça bocal, e o clipe nasal. A prova de função pulmonar1 (PFP) foi realizada com o espirômetro EASY ONE®, na posição sentada, usando roupas leves de forma a não limitar os movimentos. Inicialmente foi realizada manobra de Capacidade Vital Forçada (CVF), obtida através de uma máxima expiração partindo de uma CPT até o VR, de forma mais rápida possível, fazendo uso de um clipe nasal com o objetivo de evitar escape de ar. Essa manobra permitiu a determinação dos valores de Capacidade Vital Forçada (CVF), Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1), Relação VEF1/CVF; Pico de Fluxo Expiratório (PFE) e Fluxo Expiratório Forçado entre 25 e 75% da capacidade vital (FEF25-75%). Para a interpretação da PFP, foi utilizado o software EasyWare 2.7.1.0, o protocolo NLHELP, com referência predita – Polgar v 1.00. As PFP foram realizadas 41 de acordo com as Diretrizes para Testes de Função Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia (2002)1 e para seu diagnóstico contou-se com a presença de um médico responsável pelo setor. Para a avaliação da mobilidade e fluxo inspiratório foi utilizado o programa EMGLab V1.1 - EMGSystem do Brasil® , com dois canais, um transdutor de fluxo aéreo e uma cinta (sensores de deslocamento). Todo o sistema (sensores de deslocamento e transdutor de fluxo) estava acoplado ao computador permitindo o acompanhamento e a visualização da análise do movimento e mensuração do fluxo inspiratório, simultaneamente. O sistema de aquisição de dados EMGLab v 1.1 EMGSystem do Brasil®, permite ao avaliador interagir os sistemas de coleta da cinta de distensão torácica (figura 2) e do fluxo (figura 3) simultaneamente. A configuração da coleta é realizada por dois canais isolados, conjugados ao mesmo sistema de aquisição de dados, os limites para aquisição do fluxo foi estimado de 0 a 100 ml e o deslocamento da caixa torácica entre 0 e 10 cm, o tempo de captura de sinais foi de 30 segundos para cada avaliação. A taxa de amostragem estimada foi de 2000Hz . O sistema permite a análise dos resultados através de uma interface gráfica e de registros numéricos (ASSCII) software ORIGIN v.8. Figura 2. Referência do apêndice xifóide, sensor de distensão torácica, e registro do sinal capturado pela interface do computador na aquisição do movimento torácico. (EMGLab-EMGSystem®) 42 Figura 3. Sensor de fluxo e o sinal capturado pela interface do computador na aquisição do fluxo inspiratório. (EMGLab-EMGSystem®) A cinta torácica foi fixada ao tórax, utilizando-se como ponto de referência anatômica o processo xifóide. A cinta possui uma largura de 5 cm, uma extremidade fixa e outra móvel, em sua porção central encontram-se uma caixa de comando com um dispositivo de regulagem, o perímetro torácico é mensurado em centímetros (cm). Uma vez instalada a cinta torácica, esta permaneceu durante todo o experimento sendo removida ao final de toda a coleta dos dados. O transdutor de fluxo, composto por um dispositivo móvel acoplado a um bocal, foi ajustado ao paciente, mantido o clipe nasal durante a coleta, e conduzido pelo avaliador, a unidade de medida utilizada foi mililitros (ml). A instrumentação dos pacientes foi realizada através da colocação da cinta de distensão de tórax, e transdutor de fluxo, deixando-os na posição de decúbito dorsal com os joelhos fletidos, em posição de relaxamento, sem visualizar a tela do computador para não haver interferência voluntária do paciente. A avaliação teve sequência após a instrumentação, adotando-se a o mesmo posicionamento do paciente, utilizou-se uma inspiração máxima e profunda como marcador de referência para a coleta dos dados em todos os grupos avaliados. A análise em telas contínuas foi utilizada, inicialmente em respiração basal (diafragmática), seguida da indução do paciente a uma inspiração máxima e profunda consciente, retornando a respiração basal. Para a realização da inspiração máxima e profunda foi utilizado comando verbal: “enche, enche, enche...... solta... solta... solta...” 43 durante 30 segundos, tempo total padronizado para a captura do sinal. Este momento foi denominado de marcador padrão utilizado por todos os participantes em uma única sessão de avaliação. Após a avaliação, foi realizada a manobra de alongamento, em uma única sessão, levando o músculo ao comprimento máximo, mantido por um período de três incursões respiratórias, totalizando 30 segundos de alongamento para cada músculo, realizado sempre pelo mesmo terapeuta, cego à obtenção dos sinais. O tempo total para o procedimento foi de 90 segundos. Alongamentos utilizados em curtos intervalos de tempo (30 segundos)10, 22 refletem melhores resultados que os feitos em tempo ainda menor, e resultam em respostas semelhantes aos alongamentos de 1 minuto, em populações jovens10, 22. Manobras de alongamento22, 23 A avaliação e alongamento da musculatura acessória foram realizadas isoladamente para cada músculo esternocleidomastoideo - ECOM, e bilateralmente para o músculo trapézio superior - TS. Esternocleidomastoideo O músculo ECOM foi alongado em manobras isoladas, com o paciente em decúbito dorsal, a cabeça lateralizada, o queixo em inclinação em diagonal com o ombro. No sentido do giro da cabeça do centro (plano sagital) para a esquerda, o músculo alongado foi o ECOM direito, e no sentido centro para a direita, o alongamento do ECOM esquerdo. O avaliador, na cabeceira da mesa clínica, por trás do paciente, conduz o giro da cabeça sobre o pescoço com sua mão apoiada na região occiptal (esquerda para o movimento à direita e direita para o movimento à esquerda), com a mão livre, conduz a depressão da caixa torácica fazendo apoio supra esternal, tomando como orientação a região supra mamária (figura 4). 44 Figura 4. Posicionamento do paciente e do terapeuta durante o alongamento do músculo ECOM. Em (A) referência supra mamária para a depressão do esterno, e em (B) a referência do apêndice xifóide para a fixação da cinta torácica. Com o paciente devidamente posicionado: (1º) inicialmente foi solicitada inspiração máxima, seguida de expiração máxima (próximo ao volume residual) com o terapeuta exercendo pressão manual sobre a região esternal, deprimindo ao máximo a caixa torácica no sentido expiratório. Neste momento, ainda mantendo a depressão da caixa torácica (2º) é solicitado ao paciente que realize uma inspiração máxima, elevando a caixa torácica contra a resistência imposta pela mão do terapeuta até mais ou menos dois terços da fase inspiratória. A mão do avaliador continua exercendo pressão sobre o tórax, o terapeuta solicita que o paciente expire profundamente acompanhando com sua mão a depressão do tórax, no sentido expiratório até atingir o seu limite. (3º) o terapeuta solicita mais uma vez ao paciente que inspire profundamente contra a resistência de sua mão acompanhando a inspiração até a metade do ciclo inspiratório, novamente neste momento, o terapeuta solicita ao paciente que expire profundamente até atingir sua expiração máxima (próximo ao volume residual). A finalização é 45 realizada com o alívio da pressão sobre o tórax solicitando-se a inspiração profunda, a sequência descrita é realizada em cada músculo isoladamente ECOM direito e em seguida o ECOM esquerdo. Trapézio Superior O músculo Trapézio Superior (figura 5) foi alongado, com o terapeuta ainda posicionado posteriormente, na cabeceira da mesa clínica, agora com ambas as mãos supinadas, na região medial, entre o pescoço e a cabeça do úmero, apoiadas no bordo superior da escápula: (1º) solicita ao paciente que realize inspiração máxima profunda; na fase expiratória o terapeuta faz o rebaixamento bilateral dos ombros, com depressão mantida até que o paciente termine o ciclo expiratório (próximo ao volume residual). (2º) Imediatamente após a primeira sequência, ainda com o músculo em comprimento máximo, o terapeuta com suas mãos exercendo pressão sobre os ombros, solicita ao paciente que inspire profundamente tentando elevar os ombros contra a pressão de rebaixamento que esta sendo exercida pelo terapeuta; o terapeuta alivia a tensão até a metade do ciclo inspiratório, (3º) neste momento dá inicio a um novo ciclo expiratório deprimindo ainda mais os ombros até que o paciente atingir o final do ciclo expiratório, o terapeuta alivia a tensão permitindo que o paciente inspire livremente. Figura 5. Posicionamento do terapeuta e do paciente durante o alongamento do músculo TS. 46 Terminadas as sequências de 3 movimentos para cada músculo, sem perder o contato manual com a região a ser alongada, os pacientes foram reavaliados nas mesmas condições descritas anteriormente, com mesma posição e comandos verbais. Os procedimentos descritos foram realizados por duas pessoas: uma para realizar os alongamentos, e o outra para conduzir as coletas com os comandos verbais de inspiração máxima e profunda. Foi realizada a análise estatística descritiva (médias e desvios-padrão) para todas as variáveis analisadas, para a comparação entre os grupos foi utilizado a ANOVAanálise de variância tendo como fatores “grupo” e “tempo”, sendo que este último com medidas repetidas, e análise Post Hoc utilizando o Tukey para as interações entre os grupos considerando-se um nível de significância de 5%, utilizando-se o protocolo Statistical Package for Social Sciences - SPSS v.15. Os resultados relacionados à captura do sinal do EMGSystem foram normalizados pelo valor máximo obtido entre os resultados em cada conjunto de aferição através do software ORIGIN v.8, em valores absolutos. 47 RESULTADOS Foram avaliados 76 adolescentes, 15 foram excluídos pois não atenderam aos critérios de inclusão (idade e cognição) e um por hiperativiade, sendo então 60 adolescentes elegíveis e alocados em 3 grupos como observamos na figura 6. Figura 6. Fluxograma do Ensaio Clínico GE: grupo experimental, GS: grupo “sham”GC: grupo controle Os dados demográficos, função pulmonar e força muscular respiratória dos 60 adolescentes submetidos ao estudo encontram-se na tabela 1. 48 Tabela 1. Dados demográficos, função pulmonar e força muscular respiratória de 40 adolescentes asmáticos e 20 adolescentes controle. GE GS GC N=20 N=20 N=20 Feminino 5 9 13 Masculino 15 11 7 Idade (anos) 11,50+2,09 15,50+2,52 15,50+1,98 0,000 Peso (kg) 43,150+8,30 49,60+5,7 51,10+2,5 0,000 Altura (cm) 149,35+12,25 162,95+7,61 158,55+7,86 0,000 VEF1 (% pred) 78,95+10,51 77,30+10,56 87,10+5,2 0,003 VEF1/CVF(%) 74,35+12,23 74,50+13,43 88,15+5,35 0,000 PImáx (cmH2O) 82,50+8,81 71,60+15,55 100,25+17,98 0,000 PEmáx (cmH2O) 65,00+11,9 85,40+26,58 p= Dados Demográficos Função pulmonar Força muscular 94,90+20,34 0,000 Legenda: GE: grupo experimental; GC ( grupo controle) e GS( grupo “sham”); CVF ( capacidade vital forçada), VEF1( volume expiratório forçado no primeiro segundo), VEF1/CVF( relação do volume expiratório forçado no primeiro segundo sobre a capacidade vital forçada); % pred (percentual do predito); PImáx(pressão inspiratória máxima e PEmáx (pressão expiratória máxima) Após a intervenção tanto asmáticos (GE) quanto o grupo controle (GC) tiveram aumento da mobilidade torácica,que foi estatisticamente significante (p=0,000) (tabelas 2 e 3). A análise Post Hoc indicou que o GE e GC eram significativamente diferentes do grupo GS para as medidas antes e após manobras de alongamento (Tabela 4). 49 Tabela 2. Comparação da mobilidade torácica entre os grupos (GE, GS e GC) antes e após o alongamento estático dos músculos ECOM e Trapézio superior.. Mobilidade GE GS GC n=20 n=20 n=20 Média+DP Média+ DP Média+ DP p Pré 5,045+1,69* 4,092+2,28 5,253+2,72* 0,007 Pós 6,006+1,88* 4,275+2,55 6,760+1,9* 0,000 Legenda: GE: grupo experimental; GC ( grupo controle) e GS( grupo “sham”). *p<0,05. Tabela 3. Valores mínimos e máximos da mobilidade torácica de 60 adolescentes distribuídos entre os grupos GE, GS e GC. Mobilidade GE GS GC n=20 n=20 n=20 Mínimo Máximo Mínimo Máximo Pré 1,013 8,17 0,174 8,06 Pós 2,001 9,762 0,543 6,94 Mínimo 0,155 1,836 Máximo 9,80 10,57 Legenda: GE: grupo experimental; GC ( grupo controle) e GS( grupo “sham”). *p<0,05. 50 Tabela 4. Comparação dos efeitos da mobilidade entre os grupos – GE, GS e GC (análise Post Hoc), antes e após o alongamento estático dos músculos ECOM e Trapézio superior. Varáveis Grupos comparados Mobilidade Pré GE Mobilidade Pós GE p= Intervalo de confiança 95% Limite Limite inferior superior GS GC ,049* ,863 ,0029 -1,1548 1,9031 ,7391 GS GC ,000* ,115 ,83775 -1,6438 2,6231 ,1356 *p<0,05 (Tukey) Quando comparada a variação do fluxo entre os grupos GE, GS e GC verificouse que eles não apresentaram diferenças estatisticamente significativas (p>0,05) (Tabelas 5 e 6) . Tabela 5. Comparação do fluxo inspiratório entre os grupos (GE, GS e GC) antes e após o alongamento estático dos músculos ECOM e Trapézio superior em asmáticos. Fluxo GE GS GC n=20 n=20 n=20 Média Média Média p Pré 2,596+0,064 2,602+0,115 2,569+0,1047 0,125 Pós 2,788+0,710 2,666+0,317 2,608+0,734 0,006 Legenda: GE: grupo experimental; GC ( grupo controle) e GS( grupo “sham”). 51 Tabela 6. Valores mínimos e máximos do fluxo inspiratório de 60 adolescentes asmáticos divididos entre os grupos (GE, GS e GC) antes e após o alongamento estático dos músculos ECOM e Trapézio superior em asmáticos. Fluxo GE GS GC n=20 n=20 n=20 Mínimo Máximo Mínimo Máximo Mínimo Máximo Pré 2,433 2,708 2,492 2,928 2,04 2,884 Pós 2,464 6225 2,255 4,531 2,472 2,818 Legenda: GE: grupo experimental; GC ( grupo controle) e GS( grupo “sham”). 52 DISCUSSÃO O presente estudo teve como objetivo comparar o efeito agudo do alongamento estático dos músculos ECOM e Trapézio superior sobre a mobilidade torácica em asmáticos, comparando-os com adolescentes saudáveis (com intervenção), asmáticos (com intervenção e sem intervenção - “sham”), através de um sistema integrado de aquisição de dados com sensores de fluxo e de mobilidade. Os resultados ineditamente revelam que os grupos que receberam intervenção (asmáticos e saudáveis) apresentam aumento da mobilidade torácica, quando comparado ao grupo “sham” e que não houve variação significante de fluxo inspiratório entre os grupos. O alongamento estático utilizado como proposta terapêutica na fisioterapia respiratória tem como principal fundante promover a flexibilidade muscular. Segundo Alter (2000), os movimentos restritos da caixa torácica diminuem o volume corrente, decrescem o tempo inspiratório e expiratório e a contratilidade diafragmática aumenta o restabelecimento muscular abdominal ocorre na expiração e altera com isso o padrão de respiração, (...) “ Com um tórax móvel, os músculos podem mais facilmente mover a quantidade de ar necessária à respiração tranqüila, e a pessoa não alcança tão logo seu limite no exercício, o que demanda um considerável aumento no gasto energético” (Alter, 2000). Os estudos envolvendo o alongamento estático e o seu efeito agudo sobre os músculos respiratórios são escassos. Alcântara, et al, 20045, estudaram duas formas de alongamento baseados na inibição ativa e seus resultados indicaram que as técnicas produzem efeitos semelhantes sobre a flexibilidade do músculo, sugerindo que ambas podem ser efetivas em um programa de alongamento. Entretanto sugerem que mais estudos são necessários para que se avaliem os efeitos adaptativos do alongamento a longo prazo5. Em nosso estudo foi realizado o alongamento de cada músculo utilizando-se o tempo de 3010, 22 segundos para cada manobra isoladamente, Brandy et al,22 1994 com 50 pacientes, entre 21 e 37 anos, realizou sequências de alongamento entre 15, 30 e 60 segundos e, como resultados, sugere que a duração de 30 segundos é um tempo eficaz 53 para aumentar a flexibilidade dos músculos posteriores da coxa. Neste mesmo estudo, os autores questionam que tempos maiores podem comprometer o entendimento do que venha a ser um efeito agudo e dão indícios de que possa ser lesivo22. Em asmáticos, os músculos respiratórios sofrem adaptações, dentre as quais a hipertrofia dos músculos acessórios e intercostais e a contração da musculatura inspiratória durante a expiração4, 24-26. Nestes, os músculos realizam trabalho com um comprimento menor, e mesmo em período intercrise, necessitam recrutar os músculos denominados acessórios da respiração como forma de proteção, mesmo em respiração basal 24-26. Notamos em nosso estudo que os adolescentes se beneficiavam das manobras realizadas não só pelo que os sensores de deslocamento evidenciavam quanto à mobilidade, mas também porque pareciam respirar mais “livremente” e ainda referiam que tinham a sensação de maior entrada de ar. Acredita-se que nestes casos os alongamentos estáticos de músculos específicos como esternocleidomastoideo e trapézio superior 27 , podem oferecer maior liberdade ao tórax, melhorando a sua mobilidade e consequentemente favorecer a “desinsuflação” o que vem a corroborar com nossos resultados28. Dentre as particularidades da fisiopatologia da asma brônquica, o aprisionamento aéreo é uma das mais marcantes e a que traz maior prejuízo à mecânica ventilatória, caracterizado pela hiperinsulflação29. Como consequência, a parede torácica e abdominal, e os músculos respiratórios são obrigados a executarem seu trabalho de forma alterada como mecanismo de compensação às adaptações impostas pelas inúmeras crises ou processos de agudização provenientes da evolução clínica própria da patologia 4 - 12. Na hiperinsulflação ocorre um mecanismo compensatório necessário para minimizar as forças resistivas através da dilatação das vias aéreas e do aumento da pressão de recolhimento elástico, mas que leva a desvantagens mecânicas que, a longo prazo, comprometem a função respiratória do indivíduo30. Essas desvantagens seriam o aumento da capacidade residual funcional - CRF, que acompanhado da contração persistente da musculatura inspiratória pode levar à fadiga muscular e o aumento do raio de curvatura do diafragma, que empurrado para baixo pelo alto volume pulmonar horizontaliza-se, tornando-se inapto para gerar pressões inspiratórias eficazes29, 30 . Estando a ação diafragmática prejudicada pelo aumento de volume pulmonar, a 54 contribuição dos músculos do pescoço e do gradil costal durante a inspiração certamente estará aumentada para que seja gerada a pressão necessária para o deslocamento de ar para os pulmões26, 31, 32. Marin et al (2001) 20, mensuraram a capacidade inspiratória(CI) de indivíduos portadores de DPOC a fim de avaliar a hiperinsulflação dinâmica após o teste de caminhada de seis minutos. Todos os pacientes estudados referiram algum grau de dispnéia, aferida através da escala de Borg, e decréscimo significativo da CI. Duranti et al (2002) 21 avaliaram a CI e a hiperinsulflação em DPOC antes e após a administração de albuterol e observaram um incremento da CI com consequente redução da CRF. Infelizmente não temos medidas de função pulmonar após a realização das manobras de alongamento, mas acreditamos que possa ser explorada em futuros estudos. O desenho do presente estudo não teve como proposta avaliar a mobilidade abdominal, e os nossos resultados não nos permitem inferir sobre a hiperinsuflação, Entretanto, podemos sugerir que os agravos advindos da hiperinsuflação24, nos asmáticos podem estar relacionados aos sintomas e frequência das exacerbações ao longo do desenvolvimento fisico dos adolescentes. Carvalho et al, 200733, avaliaram a postura e flexibilidade das cadeias musculares do tronco em crianças, e sua influência sobre a mobilidade da caixa torácica, concluindo que asmáticos apresentam adaptações posturais e encurtamentos, sugerindo que estes podem estar relacionados ao aumento do esforço respiratório33. Homma et al, (2000)34, elucidando a tixotropia dos músculos respiratórios sobre a caixa torácica em normais e portadores de doença respiratória, evidenciou que a tixotropicidade pode promover efeitos acumulativos sobre a flexibilidade destes músculos. Em continuidade aos seus estudos abordando a tixotropicidade muscular através do condicionamento dos músculos inspiratórios em saudáveis e DPOC evidenciou características especificas que influenciam positivamente os efeitos do alongamento35-38. Em nosso estudo, tanto adolescentes asmáticos quanto os saudáveis responderam com aumentos na mobilidade torácica após o alongamento estático, fato este não observado no grupo “sham”. Mesmo sendo apenas uma manobra de alongamento, por 30 segundos em cada músculo, as respostas indicam que os efeitos do alongamento 55 estáticos, no presente estudo, podem se assemelhar às respostas da tixotropicidade dos estudos de Homma 35-38 e dessa forma deixar evidências de que os efeitos agudos do alongamento estático dos músculos ECOM e Trapézio em asmáticos aumentam a mobilidade torácica. Acreditamos também que o padrão respiratório adotado para a coleta não tenha sido suficiente para provocar variação do fluxo. Isso pode se atribuir ao fato de não ter havido uma exigência fora do padrão basal da respiração. A apropriação de um novo software e a análise da mobilidade e fluxo, de forma integrada pode ser considerada como uma limitação inicial deste estudo. O domínio de uma nova tecnologia nos permite pensar que novos estudos podem ter a integração de sinais com duas cintas, torácica e abdominal, sincronizados com a pressão e os fluxos ins e expiratórios. Analisar o impacto clínico destes resultados a longo prazo e operacionalizar melhor a relação do comando verbal reduziriam os vieses do estudo. Até mesmo se estabelecer e padronizar um comando de voz gravado a ser oferecido aos pacientes sitematicamente ao mesmo tempo. Futuros projetos incluindo a integração da eletromiografia de superfície dos músculos estudados com os sensores de fluxo e de deslocamento, afim de se analisar integralmente a condição real do músculo seriam muito bem vindos. O presente estudo conclui que as manobras de alongamento dos músculos esternocleidomastoideo e trapézio superior repercutem agudamente melhorando a mobilidade torácica de adolescentes asmáticos, porém sem qualquer influência sobre a variação do fluxo. 56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1.Pereira CAdC, Nader JA. Diretrizes para testes de função pulmonar. Jornal de Pneumologia. 2002;28:243 p. 2.Bateman DE, Boulet LP, Cruz A, FitzGerald M, Levy M, Ohta K, et al. Global strategy for asthma management and prevention. 2011. p. 01-106. 3.Saude Md. Portaria SAS/MS nº 709, de 17 de dezembro de 2010.: Ministério da Saúde da República Federativa do Brasil; 2010. p. 25 páginas. 4.Filippelli M, Duranti R, Gigliotti F, Bianchi R, Grazzini M, Stendardi L, et al. Overall Contribution of Chest Wall Hyperinflation to Breathlessness in Asthma. Chest. 2003;124:2164-70. 5.Alcantara MA, Firmino FR, Lage RF. Efeitos agudos do alongamento : uma comparação entre as técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva e energia muscular Immediate effects of the stretching : a comparison between. Revista Brasileira Ciência e Movimento. 2012;18:35-42. 6.Aliverti A, Rodger K, Dellaca RL, Stevenson N, Mauro AL, Pedotti A, et al. Effect of salbutamol on lung function and chest wall volumes at rest and during exercise in COPD. Thorax. 2005;60:916-25. 7.Aliverti A. Lung and chest wall mechanics during exercise : Effects of expiratory flow limitation. Respiratory Physiology & Neurobiology. 2008;163:90-9. 8.Costa D, Sampaio L, Lorenzzo V, Jamami M, Damaso A. Avaliação da força muscular respiratória e amplitudes torácicas e abdominais após RFR em indivíduos obesos. Revista Latino Americana de Enfermagem. 2003;11:156-60. 9.Ricieri DdV, Filho NAR. Effectiveness of a photogrammetric model for the analysis of thoracoabdominal respiratory mechanics in the assessment of isovolume maneuvers in children. 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A asma é uma doença multifatorial, que sugere acompanhamento multidisciplinar através de intervenções que atuem de maneira inclusiva para portador da doença sem dissociá-lo do seu meio social. O acompanhamento de uma criança, aqui especificamente as asmáticas, requer habilidades especificas não só de conhecimentos científicos e tecnológicos, mas também de formação humanística compreendendo este ser em formação, de maneira integral, e indissociada da sua relação familiar, emocional e sociocultural. No Brasil, os profissionais de saúde envolvidos no acompanhamento terapêutico destas crianças, buscam sempre formas de minimizar os impactos negativos advindos dos agravos consequentes à evolução clínica de asma, que evoluem desde a estabilização dos sintomas até as deformidades e limitações físico-funcionais. Dimensionando o universo terapêutico à formação do profissional em Fisioterapia, encontramos nesta especialidade limitações de recursos e de arsenal avaliativo, sendo então necessário evoluir com pesquisas com bom delineamento científico capaz de elucidar e promover acesso fisioterapêutico, principalmente no que tange à intervenção. Sendo assim, surge a idéia de colaborar com a pesquisa e desta forma desenvolver uma “técnica” que contribua positivamente na evolução terapêutica dos asmáticos, proporcionado por uma intervenção que evolua para ser auto aplicável e de baixo custo. O nosso estudo teve como objetivos avaliar, comparando a mobilidade entre asmáticos e normais, e intervir através do alongamento estático sobre a melhora desta, sob a égide da mecânica ventilatória, dos músculos respiratórios e da tecnologia accessível e aplicável a realidade do acompanhamento fisioterapêutico respiratório em nível ambulatorial. O desenvolvimento deste envolveu a participação de 76 voluntários adolescentes e asmáticos, que foram avaliados através dos sensores de deslocamento e fluxo, e 61 alongados em uma única manobra para cada músculo estudado. O convite de participar do estudo teve início na Clínica escola de Fisioterapia do CESMAC, recrutando asmáticos que buscam o serviço e realizam suas avaliações espirométricas em cooperação com o Centro de Saúde Dayse Breda, e dos voluntários, adolescentes estudantes, de uma Escola da rede publica de Maceió-Alagoas, no período de outubro a dezembro de 2011. Após o período de coleta dos dados, avaliações e intervenção, observamos que a mobilidade torácica dos asmáticos encontra-se reduzida, quando comparada aos normais. E que, a resposta ao alongamento estático dos músculos estenocleidomastoideo e trapézio superior demonstraram ter influência sobre a mobilidade torácica dos asmáticos e dos voluntários saudáveis. Entretanto, o grupo denominado “sham”, que não sofreu intervenção, apenas recebeu comandos verbais e aposição de mãos sobre o tronco em posturas correspondentes às aplicadas para a execução do protocolo, não aprentaram ganhos de mobilidade. Enfim, observamos a importância de avaliar e intervir o mais precocemente possível sobre a possibilidade das repercussões funcionais futuras sobre a mobilidade, possivelmente com a variação de fluxo / volume com impactos na qualidade de vida. 62 ANEXOS 63 Anexo 1 – Submissão à Revista Brasileira de Fisioterapia AGUARDANDO 64 Anexo 2 – Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa 65 Anexo 3 – Registro do Ensaio Clínico – FIOCRUZ Identificação do ensaio • Número do UTN: U1111-1127-2789 Situação: Em tramitação. • Título público: EFEITO AGUDO DO ESTERNOCLEIDOMASTOIDEO ALONGAMENTO E TRAPÉZIO DOS SUPERIOR MOBILIDADE TORÁCICA EM ADOLESCENTES ASMÁTICOS MÚSCULOS SOBRE A 66 Anexo 4 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Comitê de Ética em Pesquisa Termo de Consentimento Livre e Esclarecido O Sr(a) __________________________________________________________ RG no _____________________________, nascido em ___________________, do sexo _______________________, residente à ________________________ ________________________________________________________________ Legalmente responsável pelo menor __________________________________ ________________________________________________________________ na cidade de _________________________, está sendo convidado a participar do estudo “Efeito agudo do Alongamento dos músculos esternocleidomastoideo e trapézio superior sobre a mobilidade torácica em adolescentes asmáticos”, cujo objetivo é acompanhar um grupo de asmáticos e Quantificar os efeitos do alongamento estático dos músculos da cintura escapular sobre a mobilidade torácica em asmáticos. Os participantes serão submetidos a avaliação da mobilidade, força e atividade dos músculos respiratórios em uma única sessão de alongamento dos músculos do ombro e pescoço com o uso de um equipamento composto por cinta torácica e eletrodos de superfície que serão registrados em um computador e posteriormente analisados. Essas avaliações serão realizadas na clínica escola do CESMAC mesmo local aonde serão desenvolvidos os exercícios de alongamento dos músculos propostos. Qualquer dúvida ou esclarecimento poderá ser dado pelo pesquisador responsável, Ana Lúcia de Gusmão Freire, que pode ser encontrada à RUA cônego Machado, SN Farol Maceió Alagoas, e telefone de contato (82) 3215 5124. O Sr (a). tem garantia de sigilo de todas as informações coletadas e pode retirar seu consentimento a qualquer momento, sem nenhum prejuízo ou perda de benefício. 67 Declaro ter sido informado e estar devidamente esclarecido sobre os objetivos deste estudo, sobre os procedimentos a que estarei sendo avaliado e sobre os riscos e desconfortos que poderão ocorrer. Recebi garantias de total de sigilo e de obter novos esclarecimentos sempre que desejar. Assim, concordo em participar voluntariamente deste estudo e sei que posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem nenhum prejuízo ou perda de qualquer beneficio. Data: __ /__ / __ _____________________________________________ Assinatura do sujeito da pesquisa ( ou de seu representante legal) _____________________________________________ Pesquisador responsável / orientador Eu, Ana Lúcia de Gusmão Freire responsável pela pesquisa “Efeito agudo do alongamento dos músculos esternocleidomastoideo e trapézio superior sobre a mobilidade torácica em adolescentes asmáticos”, declaro que obtive espontaneamente o consentimento deste sujeito de pesquisa para realizar este estudo. Data: __/__/___ __________________________________________ Assinatura do Pesquisador Responsável 68 Anexo 4 – Normas de Publicação da Revista Brasileira de Fisioterapia Instruções aos autores INFORMAÇÕES GERAIS A submissão dos manuscritos deverá ser efetuada por via eletrônica, no site http://www.scielo.br/rbfis e implica que o trabalho não tenha sido publicado e não esteja sob consideração para publicação em outro periódico. Quando parte do material já tiver sido apresentada em uma comunicação preliminar, em Simpósio, Congresso, etc., deve ser citada como nota de rodapé na página de título, e uma cópia do texto da apresentação deve acompanhar a submissão do manuscrito. Os artigos submetidos e aceitos em português serão traduzidos para o inglês por tradutores da RBF/BJPT. Os artigos submetidos e aceitos em inglês também serão encaminhados aos revisores de inglês da RBF/BJPT para revisão final. Taxa de processamento e tradução/publicação Para artigos submetidos a partir de 5 de julho, 2010, a RBF/BJPT solicitará, ao autor de correspondência ou pessoa por ele indicada, o pagamento de taxa de processamento para os artigos que forem analisados e encaminhados para avaliação por pares e de taxa de tradução/publicação para os artigos aceitos para publicação, conforme valores definidos em reunião do seu Conselho Editorial. Procedimentos para pagamentos a) No Brasil, os pagamentos serão feitos por meio da quitação de boleto bancário que deverão ser gerados acessando o site http://www.rbf-bjpt.org.br; b) Outros paises: solicite informações sobre como efetuar os pagamentos para [email protected]; c) A taxa de processamento não será reembolsada no caso do artigo não ser publicado; d) Não haverá cobrança de taxas dos artigos submetidos por autores convidados formalmente pelos Editores da RBF. 69 FORMA E PREPARAÇÃO DOS MANUSCRITOS A RBF/BJPT aceita, no máximo, 6 (seis) autores em um manuscrito. O manuscrito deve ser escrito preferencialmente em inglês e pode conter até 3.500 palavras (excluindo Resumo/Abstract, Referências, Figuras, Tabelas e Anexos). Estudos de Caso não devem ultrapassar 1.600 palavras, excluindo Resumo/Abstract, Referências, Figuras, Tabelas e Anexos. Ao submeter um manuscrito para publicação (http://www.scielo.br/rbfis), os autores devem inserir no sistema, todos os dados dos autores e ainda inserir como documento(s) suplementar(es): 1) Carta de encaminhamento do material, contendo as seguintes informações: a) Nomes completos dos autores; b) Tipo e área principal do artigo (ver OBJETIVOS, ESCOPO E POLÍTICA); c) Número e nome da Instituição que emitiu o parecer do Comitê de Ética para pesquisas em seres humanos e para os experimentos em animais. Para as pesquisas em seres humanos, incluir também uma declaração de que foi obtido o Termo de Consentimento dos participantes do estudo; d) Número de Ensaio Clínico - Conforme descritos em OBJETIVOS, ESCOPO E POLÍTICA, os manuscritos com resultados relativos aos ensaios clínicos deverão apresentar número de identificação, que deverá ser registrado no final do Resumo/Abstract. (Sugestão de site para registro: http://www.anzctr.org.au/Survey/UserQuestion.aspx); 2) Declaração de responsabilidade de conflitos de interesse. Os autores devem declarar a existência ou não de eventuais conflitos de interesse (profissionais, financeiros e benefícios diretos e indiretos) que possam influenciar os resultados da pesquisa; 3) Declaração assinada por todos os autores, com o número de CPF, indicando a responsabilidade pelo conteúdo do manuscrito e transferência de direitos autorais (copyright) para a RBF/BJPT, caso o artigo venha a ser aceito pelos Editores. Os modelos da carta de encaminhamento e das declarações encontram-se disponíveis no site da RBF/BJPT: http://www.rbf-bjpt.org.br. É de responsabilidade dos autores a eliminação de todas as informações (exceto na página do título e identificação) que possam identificar a origem ou autoria do artigo. 70 FORMATO DO MANUSCRITO O manuscrito deve ser elaborado com todas as páginas numeradas consecutivamente na margem superior direita, com início na página de título. Os Artigos Originais devem ser estruturados conforme sequência abaixo: Página de título e identificação (1ª. página) A página de identificação deve conter os seguintes dados: a) Título do manuscrito em letras maiúsculas; b) Autor: nome e sobrenome de cada autor em letras maiúsculas, sem titulação, seguidos por número sobrescrito (expoente), identificando a afiliação institucional/vínculo (Unidade/ Instituição/ Cidade/ Estado/ País); para mais de um autor, separar por vírgula; c) Nome e endereço completo. (É de responsabilidade do autor correspondente manter atualizado o endereço e e-mail para contatos); d) Título para as páginas do artigo: indicar um título curto, em Português e em Inglês, para ser usado no cabeçalho das páginas do artigo, não excedendo 60 caracteres; e) Palavras-chave: termos de indexação ou palavras-chave (máximo seis), em Português e em Inglês. A RBF/BJPT recomenda o uso do DeCS - Descritores em Ciências da Saúde para consulta aos termos de indexação (palavras-chave) a serem utilizados no artigo <http://decs.bvs.br/>. Resumo/Abstract Uma exposição concisa, que não exceda 250 palavras em um único parágrafo, em português (Resumo) e em Inglês (Abstract) deve ser escrita e colocada logo após a página de título. Notas de rodapé e abreviações não definidas não devem ser usadas. Se for preciso citar uma referência, a citação completa deve ser feita dentro do resumo. O Resumo e o Abstract devem ser apresentados em formato estruturado, incluindo os seguintes itens separadamente: Contextualização (Background), Objetivos (Objectives), Métodos (Methods), Resultados (Results) e Conclusões (Conclusions). Corpo do texto: Introdução, Materiais e Métodos, Resultados e Discussão Incluir, em itens destacados: 71 Introdução: deve informar sobre o objeto investigado e conter os objetivos da investigação, suas relações com outros trabalhos da área e os motivos que levaram o(s) autor(es) a empreender a pesquisa. Materiais e Métodos: descrever de modo a permitir que o trabalho possa ser inteiramente repetido por outros pesquisadores. Incluir todas as informações necessárias - ou fazer referências a artigos publicados em outras revistas científicas - para permitir a replicabilidade dos dados coletados. Recomenda-se fortemente que estudos de intervenção apresentem grupo controle e, quando possível, aleatorização da amostra. Resultados: devem ser apresentados de forma breve e concisa. Tabelas, Figuras e Anexos podem ser incluídos quando necessários para garantir melhor e mais efetiva compreensão dos dados. Discussão: o objetivo da discussão é interpretar os resultados e relacioná-los aos conhecimentos já existentes e disponíveis, principalmente àqueles que foram indicados na Introdução do trabalho. As informações dadas anteriormente no texto podem ser citadas, mas não devem ser repetidas em detalhes na discussão. Os artigos de Revisão Sistemática e Metanálises devem incluir uma seção que descreva os métodos empregados para localizar, selecionar, obter, classificar e sintetizar as informações. Agradecimentos Quando apropriados, os agradecimentos poderão ser incluídos, de forma concisa, no final do texto, antes das Referências Bibliográficas, especificando: assistências técnicas, subvenções para a pesquisa e bolsa de estudo e colaboração de pessoas que merecem reconhecimento (aconselhamento e assistência). Os autores são responsáveis pela obtenção da permissão documentada das pessoas cujos nomes constam dos Agradecimentos. Referências Bibliográficas O número recomendado é de, no mínimo, 50 (cinquenta) referências bibliográficas para Artigo de Revisão; 30 (trinta) referências bibliográficas para Artigo Original, Metanálise, Revisão Sistemática e Metodológico. Para Estudos de Caso recomenda-se, no máximo, 10 (dez) referências bibliográficas. 72 As referências bibliográficas devem ser organizadas em sequência numérica, de acordo com a ordem em que forem mencionadas pela primeira vez no texto, seguindo os Requisitos Uniformizados para Manuscritos Submetidos a Jornais Biomédicos, elaborados pelo Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas - ICMJE <http://www.icmje.org/index.html>. Os títulos de periódicos devem ser referidos de forma abreviada, de acordo com a List of Journals do Index Medicus <http://www.index-medicus.com>. As revistas não indexadas não deverão ter seus nomes abreviados. As citações das referências bibliográficas devem ser mencionadas no texto em números sobrescritos (expoente), sem datas. A exatidão das referências bibliográficas constantes no manuscrito e a correta citação no texto são de responsabilidade do(s) autor(es) do manuscrito. (Ver exemplos no site: <http://www.nlm.nih.gov/bsd/uniform_requirements.html>). Tabelas, Figuras e Anexos: as Tabelas, Figuras e Anexos são limitados a 5 (cinco) no total. -Tabelas: devem incluir apenas os dados imprescindíveis, evitando-se tabelas muito longas (tamanho máximo permitido: uma página em espaço duplo), e devem ser numeradas, consecutivamente, com algarismos arábicos e inseridas no final do texto. Título descritivo e legendas devem torná-las compreensíveis, sem necessidade de consulta ao texto do artigo. Não devem ser formatadas com marcadores horizontais nem verticais, apenas necessitam de linhas horizontais para a separação de suas seções principais. Devem ser usados parágrafos ou recuos e espaços verticais e horizontais para agrupar os dados. -Figuras: as Figuras não devem repetir os dados já descritos nas Tabelas. Todas devem ser citadas e devem ser numeradas, consecutivamente, em arábico, na ordem em que aparecem no texto. Não é recomendado o uso de cores. As legendas devem torná-las compreensíveis, sem necessidade de consulta ao texto. Digitar todas as legendas em espaço duplo e explicar todos os símbolos e abreviações. Usar letras em caixa-alta (A, B, C, etc.) para identificar as partes individuais de figuras múltiplas. Se possível, todos os símbolos devem aparecer nas legendas; entretanto, símbolos para identificação de curvas em um gráfico podem ser incluídos no corpo de uma figura, desde que isso não dificulte a análise dos dados. 73 Em relação à arte final, todas as Figuras devem estar em alta resolução. Figuras de baixa qualidade podem resultar em atrasos na aceitação e publicação do artigo. As Tabelas, Figuras e Anexos publicados em outras revistas ou livros devem conter as respectivas referências e o consentimento, por escrito, do autor ou editores. Para artigos submetidos em língua portuguesa, um conjunto adicional em inglês das Tabelas, Figuras, Anexos e suas respectivas legendas deve ser anexado como documento suplementar. Notas de Rodapé As notas de rodapé do texto, se imprescindíveis, devem ser numeradas consecutivamente em sobrescrito no manuscrito e escritas em folha separada, colocada no final do texto. OUTRAS CONSIDERAÇÕES Unidades: usar o Sistema Internacional (SI) de unidades métricas para as medidas e abreviações das unidades. Cartas ao Editor: críticas às matérias publicadas de maneira construtiva, objetiva e educativa; consultas às situações clínicas e discussões de assuntos específicos da Fisioterapia serão publicados a critério dos editores (com até 700 palavras e até 8 referências). Quando a carta se referir a comentários técnicos (réplicas) sobre os artigos publicados na RBF/BJPT, esta será publicada junto com a tréplica dos autores do artigo objeto de análise e/ou crítica. Estudos de Caso: devem ser restritos às condições de saúde ou métodos/procedimentos incomuns sobre os quais o desenvolvimento de artigo original seja impraticável. Dessa forma, os relatos de casos clínicos não precisam necessariamente seguir a estrutura canônica dos artigos originais, mas devem apresentar um delineamento metodológico que permita a reprodutibilidade das intervenções ou procedimentos relatados. Recomenda-se muito cuidado ao propor generalizações de resultados a partir desses estudos. Desenhos experimentais de caso único serão tratados como artigos originais e devem seguir as normas estabelecidas pela RBF/BJPT. Estudos de Revisão Sistemática com Metanálise: Devem incluir: a) uma seção que descreva os métodos empregados para localizar, selecionar, obter, classificar e sintetizar as informações, b) número suficiente de artigos, com qualidade metodológica alta 74 (segundo mecanismos próprios de avaliação) de tal forma que seja possível uma análise apropriada sobre o tema de investigação, e c) técnica de metanálise, que integre os resultados dos estudos selecionados, sobre a questão de pesquisa. Manuscritos de revisão sistemática com metanálise que apresentem uma quantidade insuficiente de artigos selecionados e/ou artigos de baixa qualidade, que não utilizem técnica estatística para síntese ponderada dos efeitos dos estudos (metanálise) e que não apresentem uma conclusão assertiva e válida sobre o tema, não serão considerados para análise de revisão por pares. Conflitos de Interesse: os autores são responsáveis pela declaração de qualquer tipo de conflito de interesse na realização da pesquisa, tanto de ordem financeira como de qualquer outra natureza. O relator deve comunicar aos editores quaisquer conflitos de interesse que possam influenciar a emissão de parecer sobre o manuscrito e, quando couber, deve declarar-se não qualificado para revisá-lo. Considerações Éticas e Legais: evitar o uso de iniciais, nomes ou números de registros hospitalares dos pacientes. Um paciente não poderá ser identificado em fotografias, exceto com consentimento expresso, por escrito, acompanhando o trabalho original. Estudos realizados em humanos devem estar de acordo com os padrões éticos e com o devido consentimento livre e esclarecido dos participantes (reporte-se à Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que trata do Código de Ética para Pesquisa em Seres Humanos). Para os experimentos em animais, considerar as diretrizes internacionais (por exemplo, a do Committee for Research and Ethical Issues of the International Association for the Study of Pain, publicada em PAIN, 16:109-110, 1983). Para as pesquisas em humanos e em animais, deve-se incluir, no manuscrito, o número do Parecer da aprovação das mesmas pela Comissão de Ética em Pesquisa, que deve ser devidamente registrado no Conselho Nacional de Saúde do Hospital ou Universidade ou no mais próximo de sua região. A RBF/BJPT reserva-se o direito de não publicar trabalhos que não obedeçam às normas legais e éticas para pesquisas em seres humanos e para os experimentos em animais. É recomendável que estudos relatando resultados eletromiográficos sigam os "Standards for Reporting EMG Data", recomendados pela ISEK. 75 CONSIDERAÇÕES FINAIS Se o artigo for encaminhado aos autores para revisão e não retornar à RBF/BJPT dentro de 6 (seis) semanas, o processo de revisão será considerado encerrado. Caso o mesmo artigo seja reencaminhado, um novo processo será iniciado, com data atualizada. A data do aceite será registrada quando os autores retornarem o manuscrito após a correção final aceita pelos Editores. As provas finais serão enviadas aos autores por e-mail, no endereço indicado na submissão, para revisão final (dúvidas e/ou discordâncias de revisão), não sendo permitidas quaisquer outras alterações. Manuscrito em prova final não devolvido em 48 horas poderá, a critério dos editores, ser publicado na forma em que se apresenta ou ter sua publicação postergada para um próximo número. Após publicação do artigo ou processo de revisão encerrado, toda documentação referente ao processo de revisão será incinerada.