Portugalglobal
Pense global pense Portugal
Entrevista
Tadeu Soares,
Embaixador em Pequim
China tem mercado para
as empresas portuguesas 9
Destaque
China
O novo modelo
de desenvolvimento
económico 6
Fevereiro 2012 // www.portugalglobal.pt
Empresas
Ralut, MUNNA,
Golfinho e Filkemp 36
FCR aicep Capital Global
Internacionalização
Visamos a sustentabilidade do tecido empresarial apoiando a exportação
As Empresas alvo são todas aquelas:
• Operacionalmente rentáveis
• Com uma equipa de Promotores / Gestão competente
• Que apresentem projetos com relevante componente de exportação
O que esperamos dos Promotores:
• Que estejam disponíveis para uma parceria acionista
• Capacidade de concretização do projeto
• Sustentabilidade económica do projeto e equilíbrio financeiro da empresa
O que influencia a nossa Decisão:
• Adequação às regras de enquadramento e prioridades de investimento;
• Credibilidade dos parceiros, equipa de gestão e plano de negócios
• Sustentabilidade económica e equilíbrio financeiro do projeto
• Capacidade de retorno e rendibilização dos capitais investidos
Um parceiro das PME exportadoras
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Fevereiro 2012 // www.portugalglobal.pt
sumário
Destaque // 6
A nova estratégia de desenvolvimento económico da China
à luz do 12º Plano Quinquenal, iniciado em Março de
2011 e em vigor até 2015, é o tema forte desta edição
da Portugalglobal. O novo modelo aposta num crescimento
quantitativo inferior ao que se tem registado nos últimos
anos e aponta para o reforço da mobilidade e o recurso
mais intenso às novas tecnologias e energias mais limpas.
Em entrevista, o Embaixador de Portugal na China, José
Tadeu Soares, analisa o actual modelo de crescimento
económico da China, mais focado na incorporação de
tecnologia nos produtos, e aponta alguns dos sectores em
que Portugal deve apostar naquele mercado no que respeita
à exportação e ao investimento. Por seu lado, Zhang Beisan,
Embaixador da China em Portugal, apresenta os principais
pontos do 12º Plano Quinquenal.
Igualmente em foco o papel que Macau desempenha como
importante plataforma para a cooperação económica entre
a China e os Países de Língua Portuguesa.
Empresas // 36
Ralut aposta na internacionalização.
MUNNA, uma nova perspectiva do design português.
Golfinho quer exportar para mais mercados.
Filkemp, tecnologia alemã para exportação.
Opinião // 44
Um artigo de Paulo Borges, Mestre em Economia Portuguesa
e Integração Internacional (ISCTE–IUL) e Key Account
Manager Grandes Empresas da AICEP, sobre a Centralidade
Económica e Geográfica dos Países.
Análise de risco por país – COSEC // 48
Veja também a tabela classificativa de países.
Estatísticas // 51
Investimento directo e comércio externo.
AICEP Rede Externa // 54
Bookmarks // 56
EDITORIAL
Revista Portugalglobal
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Pedro Reis (Presidente),
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Redacção
Cristina Cardoso
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Vitor Quelhas
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Colaboram neste número
Chang Hexi, Direcção Grandes Empresas da AICEP,
Direcção de Informação da AICEP,
Direcção Internacional da COSEC,
Direcção PME da AICEP, Ilídio de Ayala Serôdio,
Jackson Chang, José Meira da Cunha,
José Tadeu Soares, Mariana Oom,
Miguel Ataíde Coelho, Paulo Borges, Zhang Beisan.
Fotografia e ilustração
©Fotolia, Rodrigo Marques
Publicidade
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Secretariado
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4 // Fevereiro 2012 // Portugalglobal
Empresas, globalização
e negócios com a China
Dada a actual importância geopolítica e económica da China, bem
como o percurso das relações bilaterais sino-portuguesas e o ambiente
de cordial entendimento em matéria
de negócios, tanto de Portugal na
China, como da China em Portugal,
consideramos que a revista da AICEP
deve espelhar esta nova realidade.
Fornecemos, pois, aos nossos leitores
informação relevante que permita
um maior conhecimento deste país/
mercado, dirigida àquelas empresas
que já produzem, exportam e investem na China, bem como às que se
preparam para o fazer.
É de destacar que a China, economia emergente e pujante, visa atingir
dois grandes objectivos com o seu
novo Plano Quinquenal: primeiro, faz
uma forte aposta na reestruturação
e consolidação estratégicas do seu
aparelho produtivo e financeiro, imprimindo-lhe mais inovação, qualidade e eficácia, face às novas condições
da economia global e à crise internacional; segundo, coloca claramente
na sua agenda o desenvolvimento
sustentável e o consumo interno,
numa óptica de distribuição social
da riqueza gerada, de ajustamento
das políticas sociais e de correcção
das assimetrias urbanas e rurais, bem
como regionais.
Esta nova dinâmica interna e externa
da realidade chinesa exige, por parte
das empresas portuguesas, não só
um melhor conhecimento das especificidades deste mercado, como
também dos sectores geradores
de negócio, das oportunidades das
Regiões Administrativas Especiais,
como Macau e Hong Kong, assim
como das políticas locais e parcerias
institucionais da AICEP e, factor incontornável, da cultura do mundo
dos negócios na China.
Para as empresas portuguesas, isto
significa ainda maior exigência em
matéria de profissionalismo empresarial e capacidade negocial, bem
como mais inovação, qualidade e
eficácia nos negócios com a China,
o que não deixará de potenciar no
nosso tecido empresarial novas dinâmicas de gestão, modernização
e competitividade, factores que representam inevitavelmente negócios
globais nas empresas portuguesas e
uma mais intensiva internacionalização da nossa economia.
Espero que com esta edição da nossa revista corporativa, os empresários portugueses fiquem a conhecer
um pouco melhor a China, gigante
económico mundial e um mercado
atractivo, com vastas possibilidades
de negócio e que é, claramente, uma
nova “avenida de crescimento” para
a nossa economia.
PEDRO REIS
Presidente do Conselho de Administração da AICEP
DESTAQUE
CHINA
UMA NOVA ESTRATÉGIA DE
DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO
Em Março de 2011 a China aprovou o 12º Plano Quinquenal, para vigorar até 2015.
Definindo uma nova estratégia de desenvolvimento económico, o documento
orientador da economia chinesa para os próximos anos terá importantes reflexos
ao nível interno e externo, dada a posição cimeira do país em termos geopolíticos.
Optando por uma economia baseada na qualidade e na eficiência, o novo modelo
aposta num crescimento quantitativo inferior ao que se tem registado nos últimos
anos. Por outro lado, aponta para o reforço da mobilidade e o recurso mais intenso às
novas tecnologias e energias mais limpas. O Plano prevê um incremento do consumo
interno e disponibiliza uma percentagem mais substancial da riqueza nacional para
investir na investigação e na ciência.
6 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
DESTAQUE
O novo Plano Quinquenal da China decorre num cenário geopolítico
complexo e agitado, que se exprime
também através da crise económica e
financeira internacional em curso. O
novo documento director da economia
chinesa tem como mote a reestruturação económica assente na “qualidade
e eficácia” e define como objectivo
um crescimento económico médio de
7 por cento até 2015, abaixo da média
de 10 por cento alcançada nos últimos
30 anos. A obsessão pelo crescimento cede lugar à preocupação sobre
questões sociais, propondo-se atenuar diferenças entre realidades socioeconómicas regionais e entre zonas
urbanas e rurais, aumentar salários,
melhorar o sistema de protecção social e conter a inflação.
Analistas internacionais consideram
que o 12º Plano Quinquenal corresponde a uma alteração de 180 graus
na orientação política e económica
chinesa, tendo como princípio orientador a necessidade de responder com
realismo e clarividência à envolvente
geoeconómica mundial, onde a China
desempenha um papel liderante e cada
vez mais importante. A política planeada até 2015 assenta na convicção da
existência de uma conjuntura de retracção externa e numa previsível alta
nos índices de preços internos.
O Primeiro-ministro Wen Jiabao, no
discurso que pronunciou na Assembleia Nacional Popular, aquando da
aprovação do Plano, em meados de
Março do ano passado, foi claro acerca contexto político ao afirmar: “Enfrentamos uma situação doméstica e
internacional complexa e teremos de
trabalhar duramente para atingir os
nossos objectivos, mas com confiança
de que o sol brilhará frente a potenciais perigos”.
Na verdade, as “placas tectónicas”
da geopolítica estão a movimentar-se,
num quadro civilizacional marcado pela
globalização, pelo (re)surgimento de
novas economias emergentes e num
mundo fortemente condicionado pelas novas tecnologias que transformam
hábitos, permutam culturas e revolucionam os processos de comunicação.
A China é sem dúvida um dos elementos fulcrais nesta nova “arquitectura”
geopolítica e económica. Assim o interpretam os próprios responsáveis dos Estados Unidos, nomeadamente através
da nova Estratégia de Defesa recentemente aprovada, que define a China e
a área do Pacífico como a sua primeira
prioridade. “Vamos fortalecer a nossa
presença na região da Ásia-Pacífico e
as reduções orçamentais não serão feitas à custa desta região crítica”, acentuou o presidente Barak Obama.
Por seu lado, o presidente da Comissão
Europeia, Durão Barroso, em meados
de Fevereiro, por ocasião da cimeira
UE/China salientava a necessidade de
“As ‘placas tectónicas’
da geopolítica estão a
movimentar-se, num quadro
civilizacional marcado
pela globalização, pelo
(re)surgimento de novas
economias emergentes e
num mundo fortemente
condicionado pelas novas
tecnologias que transformam
hábitos, permutam culturas
e revolucionam os processos
de comunicação.”
reforçar a parceria sino-europeia por
“representar um pilar importante na estabilidade e na prosperidade globais”.
Apelando à inovação, à qualidade e à
eficácia produtiva e privilegiando o papel das pequenas e médias empresas
de alta tecnologia como agentes de desenvolvimento, o Plano que orientará a
política económica chinesa até 2015,
visa “transformar em cinco anos o modelo de desenvolvimento económico e
obter avanços científicos e tecnológicos”, segundo as próprias palavras de
Wen Jiabao.
De acordo com vários analistas, esta
politica inaugura, de certa forma, um
novo ciclo evolutivo da vida económica da China, bem longe da directiva
maoista de 1958 quando foi adoptada
a política do grande Salto em Frente,
cujo lema era: três anos de esforços
e privações, mil anos de felicidade.
Depois do ciclo do esforço produtivo
orientado para os mercados externos,
com enormes cargas horárias, salários
muito baixos, produções indiferenciadas e frequentemente por encomenda
de marcas e empresas internacionais,
o 12º Plano Quinquenal aponta agora
para outra filosofia: “Devemos aproveitar totalmente esta oportunidade para
ajustar o crescimento e regular os factores desequilibrados, descoordenados
e insustentáveis que existiram na economia chinesa há muito tempo”, explicou o Primeiro-ministro Wen Jiabao.
As opções do Plano chinês definem
como sectores prioritários para investimentos nos próximos cinco anos:
a geração de energia através fontes
não fósseis; o incremento dos sectores
industriais de alta tecnologia; novas
matérias-primas; biotecnologia, indústria farmacêutica, tecnologia da informação e o de automóveis eléctricos.
Objectiva-se subir do actual patamar
de 1,8 por cento os investimentos em
ciência e tecnologia para cerca de 4 por
cento do PIB.
Promover a inovação e incentivar talentos para avançar no crescimento
científico é um dos eixos do novo figurino de desenvolvimento enunciado
no novo Plano Quinquenal em curso.
“Acho que, mais importante que o PIB,
é o que se atribui à pesquisa e investimento no processo produtivo, já que
ambos determinam a capacidade de
inovação de um país, a fonte mais confiável e duradoura do desenvolvimento
sustentado”, apontou o Primeiro-ministro da China.
Os recursos dedicados à ciência e tecnologia na China têm vindo a expandirse nos últimos anos, incluindo em matéria relacionada com a exploração do
espaço, o que faz com que o país ocupe um lugar de destaque entre os dez
que mais investem em investigação.
Em matéria energética, elemento essencial e transversal ao desenvolvimento
social e económico, a China já é a maior
produtora mundial de células solares e
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 7
DESTAQUE
turbinas eólicas, na continuidade da execução do anterior Plano. O Plano actual
volta a colocar a ênfase no desenvolvimento deste sector vital, porquanto o
desenvolvimento industrial acelerado e o
consequente aumento do consumo exponencial de combustíveis de origem fóssil fez agravar os problemas ambientais.
Neste sentido, o Primeiro-ministro Wen
Jiabao pediu o fim da mentalidade obsessiva do crescimento do PIB em dois
dígitos e pretende uma melhoria da
qualidade de vida da população, que
“não deve ser obtida à custa do meio
ambiente e dos recursos, pois isso não
é sustentável e teria consequências
para nossos filhos e netos”.
Além da racionalização do crescimento
económico, o Plano apresenta metas relativamente à inflação, que não deverá
ultrapassar a fasquia anual de 4,5 por
cento. Simultaneamente estabelece o
objectivo de se criarem 50 milhões de
empregos urbanos e a construção de 36
milhões de casas para população mais
carenciada. Prevê ainda a valorização
dos salários e a reorganização e amplificação de um sistema nacional de saúde.
O que mais ressalta no 12º Plano Quinquenal em marcha, e que por certo não
deixará de se repercutir à escala plane-
“O que mais ressalta no
12º Plano Quinquenal em
marcha, e que por certo
não deixará de se repercutir
à escala planetária, é a
opção por um crescimento
económico mais calmo e
racionalizado, com uma
aposta clara nas altas
tecnologias, na inovação e
no empreendedorismo, uma
clara redução do consumo
de energia com origem em
fontes não renováveis.”
sumidor de energia do mundo com
elevadíssimas emissões de dióxido de
carbono, pretende substituir o carbono
por energias limpas e reduzir, até 2015,
em cerca de 17 por cento, as emissões
poluidoras em relação aos seus resultados económicos. Pela primeira vez,
o Plano Quinquenal contém um longo
capítulo sobre a mudança climática.
Prevendo uma diminuição da procura externa, a filosofia deste 12º Plano
Quinquenal aponta no sentido da dinamização do mercado interno, anunciando salários reais mais altos, um aumento do consumo privado, a expan-
tária, é a opção por um crescimento
económico mais calmo e racionalizado,
com uma aposta clara nas altas tecnologias, na inovação e no empreendedorismo, uma clara redução do consumo
de energia com origem em fontes não
renováveis. Sendo a China o maior consão do sector de serviços e um estado
social mais desenvolvido.
Como grande continente populoso,
continuará a investir intensivamente
na mobilidade, desenvolvendo as redes
de transporte e apostando principalmente na ferrovia. Até fim de 2012, o
país terá mais de 110 mil quilómetros
de ferrovias, incluindo mais de 13 mil
quilómetros de alta velocidade.
Em última análise, o 12º Plano Quinquenal corresponde a uma transformação do processo económico da China,
em que o paradigma da produção intensiva, barata e indiscriminada, eminentemente destinada aos mercados
externos mundiais, cede lugar aos critérios de eficiência e de inovação, com
uma aposta forte na ciência e investigação e nas novas tecnologias. Enfim,
o gigante prepara o grande salto para
a qualidade e competir assim nos mercados internacionais.
José Meira da Cunha, Assessor da AICEP
8 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
DESTAQUE
Num cenário geopolítico bastante
turbulento e de crise económica e
financeira global, como vê o posicionamento da R. P. da China no
contexto mundial e particularmente no que toca ao seu relacionamento com a Europa?
ENTREVISTA AO EMBAIXADOR
DE PORTUGAL NA R. P. CHINA
CHINA TEM MERCADO
PARA AS EMPRESAS
PORTUGUESAS
Embaixador em Pequim desde Maio de 2010,
José Tadeu Soares considera que a China encerra
“excelentes oportunidades” para as empresas
portuguesas que apresentem produtos de qualidade
e tecnologicamente inovadores. Em entrevista, Tadeu
Soares fala-nos do actual modelo de crescimento
económico da China, mais focado na incorporação de
tecnologia nos produtos, e aponta alguns dos sectores
em que Portugal deve apostar quer em termos de
exportação quer enquanto investidor.
O governo chinês, quer em questões
políticas, quer em questões económicas, dá sempre preferência a soluções que promovam a estabilidade.
Se tomarmos em consideração que o
conjunto dos países da UE constitui o
maior parceiro económico da China,
torna-se evidente que o governo de
Pequim segue atentamente os acontecimentos no espaço europeu e tudo
fará para contribuir para uma estabilidade económica. Utiliza para isso
diversos meios: apoio às instituições
financeiras, multilaterais e europeias,
aquisições de títulos de dívida pública
de diversos Estados-membros, investimentos directos em todos os Estados
da UE, e abertura crescente às importações vindas da Europa. Há, pois,
um claro interesse da China na estabilidade e crescimento das economias
europeias, devendo no entanto ter-se
presente que se trata de operações
em que os interesses chineses estão
sempre salvaguardados, como é natural, por um mínimo de garantias. Por
outras palavras, a China tem interesse
numa estabilidade europeia que assegure a continuação de laços económicos que lhe são úteis e necessários.
Os investimentos da China na Europa e também em Portugal têm
vindo a intensificar-se. Qual a leitura que faz desta estratégia e como
prevê o futuro nesta matéria?
A China e as companhias chinesas dispõem de avultadíssimas reservas, resultado de políticas económicas concentradas no crescimento das exportações.
É natural que queiram aplicar essas reservas em investimentos que considerem rentáveis e em economias em cujo
futuro acreditam. O fenómeno dos
investimentos chineses não se limita à
Europa, visa igualmente os mercados
dos EUA e Canadá, Austrália e Sudoeste Asiático, América Latina, África, etc.
Sempre que existem boas oportunidades de negócio com um factor de risco
moderado ou baixo, a desafogada situ-
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 9
DESTAQUE
ação chinesa permite-lhes estar presente. Devemos, igualmente, ter presente
que dos cerca de 60 mil milhões de
dólares de investimento directo chinês
no estrangeiro, em 2011, apenas um
pouco mais de 5 mil milhões de dólares
tiveram como destino a Europa.
Não obstante muitas diferenças, recordaria um fenómeno idêntico, que se
passou nas décadas de 80 e 90 do séc.
XX, em relação ao Japão. Creio que as
grandes empresas e bancos chineses
continuarão a investir os seus elevados
recursos sempre que boas oportunidades de negócios se lhes oferecerem.
Por outro lado, é pouco referido, mas
creio que merece a pena ser tomado
em consideração, o facto de na China as possibilidades de investimento
estarem limitadas a alguns sectores. É
verdade que a China, na sua imensa
vastidão, possui ainda largo campo de
desenvolvimento interno, mas esses
projectos caem, numa primeira fase,
na alçada do governo central e das
autoridades provinciais. O que temos
10 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
assistido é a poderosíssimos grupos
financeiros e empresariais chineses
utilizarem as enormes reservas que
“A China e as companhias
chinesas dispõem de
avultadíssimas reservas,
resultado de políticas
económicas concentradas no
crescimento das exportações,
sendo natural que queiram
aplicar essas reservas em
investimentos que considerem
rentáveis e em economias em
cujo futuro acreditam.”
obtiveram, para se internacionalizar
e aproveitar, sempre que possível, as
boas oportunidades que surjam.
O 12º Plano Quinquenal, que
anuncia uma evolução qualitativa
do sistema económico da China,
nomeadamente em termos
sociais, tecnológicos e ambientais,
que influências poderá ter no
desenvolvimento das relações
políticas e económicas com a
Europa e Portugal?
O 12º Plano Quinquenal, que entrou
em vigor em meados de 2011, aponta
para um tipo de desenvolvimento diferente dos anteriores. Já não será o crescimento económico a qualquer preço,
com forte ênfase nas exportações e nos
produtos baratos, mas sim um desenvolvimento baseado na incorporação de
mais tecnologia nos produtos, ou seja,
produtos de melhor qualidade, ao mesmo tempo que se dá maior atenção à
protecção do ambiente, à melhoria da
qualidade do ar e dos rios, melhor educação, melhor saúde, melhores cidades.
Julgo que se abrem aqui excelentes
oportunidades para as empresas portuguesas de qualidade que actuam nestes sectores. Referiria, entre outras, as
questões ambientais (fornecimento das
águas, tratamento de resíduos, solu-
DESTAQUE
ções urbanísticas como preservação da
parte antiga das cidades), e todo um
vasto leque de empresas que se dedicam a fornecer melhores serviços de
saúde, apoio à 3ª idade, etc.
Quais as linhas mestras da nossa
política de diplomacia económica
em relação à China?
O principal desafio da diplomacia económica, no que toca à China, é estar
atento à evolução do rumo da economia chinesa, divulgar as oportunidades
que tal evolução cria para as empresas
portuguesas e apoiá-las nos primeiros
passos e na sua adaptação às especificidades do mercado.
Existe ainda um profundo desconhecimento quer do gigantesco mercado
de consumo que a China representa
– mais de 300 milhões de pessoas que
qualificaríamos na Europa como pertencentes a uma classe média –, quer
da rapidez da evolução da economia e
sociedade chinesas. Quantas pessoas
sabem que na China se vendem mais
automóveis do que nos EUA? (Gostaria
de referir que o nosso principal item de
exportação para a China são veículos,
facto que até há pouco tempo nem
sequer era referido nas estatísticas portuguesas). Desconhece-se, igualmente,
que na China, onde não existia um
único quilómetro de auto-estrada em
1980, tem hoje mais quilómetros desse
tipo de via do que os EUA. Aparente-
“O 12º Plano Quinquenal,
que entrou em vigor em
meados de 2011, aponta para
um tipo de desenvolvimento
diferente dos anteriores.
Já não será o crescimento
económico a qualquer
preço, com forte ênfase nas
exportações e nos produtos
baratos, mas sim um
desenvolvimento baseado
na incorporação de mais
tecnologia nos produtos.”
mente desconhece-se que a China é
o 2º maior “exportador” mundial de
turistas, e pouco ou nada é feito para
os atrair. Poderia falar de inúmeros sectores que vão desde os bens de consumo, às matérias-primas, de tecnologia
variada e serviços que são procurados
e podem ter sucesso na China, etc.
Verifica-se, com raras e honrosas excepções, um generalizado desconhecimento da realidade chinesa e, o que é
mais grave, uma limitada curiosidade,
factor particularmente surpreendente
se considerarmos o espírito irrequieto e
aventureiro dos portugueses.
Em seu entender, quais são as
áreas em que existem maiores e
melhores oportunidades para as
empresas portuguesas, tendo em
conta questões como a escala a
diversidade e as tendências do
mercado da China?
Afirmei acima que os mercados chineses estão em rápida expansão, com um
crescimento extraordinário do consumo
e uma melhoria diária das condições de
vida dos cidadãos. Mas, e devo insistir, que cada vez mais se exigem neste
mercado produtos de qualidade ou produtos e tecnologias inovadoras. Com
persistência e alguma capacidade de
adaptação aos gostos chineses, todos
os produtos de qualidade se vendem na
China, dos agro-alimentares aos têxteis,
dos automóveis aos serviços, para além,
naturalmente, das exportações tradicionais associadas com Portugal.
Empresas de advocacia e arquitectura, empresas que se apresentam como
exemplos inovadores e de alta tecnologia, têm tido enorme sucesso na China.
A China consome cada vez mais produtos de qualidade, importa sistemas e
tecnologias de referência e aceita empresas que tragam estes valores na sua
carteira de negócios.
Tendo em conta a história do
relacionamento de Portugal com a
China e a nossa longa presença em
Macau, qual o papel e como pode
esta “memória cultural” influenciar
as relações bilaterais?
O papel de Macau nas relações entre
Portugal e a China pode ser analisado
sob diversas perspectivas. Foi, e ainda
é, um fascinante ponto de encontro de
civilizações. No domínio político, as negociações da transferência da administração deram-nos um acesso privilegiado para o relacionamento com as autoridades chinesas, e a forma como as
mesmas foram conduzidas revelaram,
essencialmente, respeito mútuo e uma
preocupação partilhada com o bem
estar da população local. No domínio
económico, Macau surge-nos ainda
como uma plataforma de negociações.
E plataforma quer dizer isso mesmo:
local onde as pessoas se podem encontrar para discutir negócios. Mas não
devemos nunca confundir plataforma
com destino pois estaríamos a iludirnos e as estatísticas rapidamente desmontam essa ilusão.
Creio que Macau é um local extraordinário como encontro de civilizações.
É um lugar que permitiu um diálogo
político que demonstrou respeito mútuo entre os dois povos e é um lugar
facilitador de contactos uma vez que ali
dispomos ainda de enormes simpatias
e influências.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 11
DESTAQUE
A COOPERAÇÃO
ECONÓMICO-COMERCIAL
INTERNACIONAL E O
DESENVOLVIMENTO DA CHINA
NO SEU 12º PLANO QUINQUENAL
>POR ZHANG BEISAN, EMBAIXADOR DA R. P. DA CHINA EM PORTUGAL
Hoje, sob a direcção do 12º Plano
Quinquenal do Desenvolvimento Económico-Social, o governo e o povo
chinês estão a dedicar-se com confiança à construção da sua própria pátria. Nos próximos cinco anos, a China
irá seguir o objectivo de transformar
o seu modelo de crescimento económico, mantendo um crescimento
estável e relativamente rápido, e, ao
mesmo tempo, vai promover progressos no ajuste estrutural estratégico da
sua economia, garantindo melhorias
na vida do povo em termos sociais
através de uma reforma e abertura
mais profundas. Até ao ano 2020, a
China visa obter maiores progressos
na construção de uma sociedade modestamente confortável, melhorar as
perspectivas do país e a vida da sua
população, e manter o meio ambiente
protegido. Uma sociedade motivada
e coesa, mais aberta ao exterior, que
honra as suas responsabilidades e
obrigações internacionais, dando uma
melhor contribuição ao Mundo.
Para alcançar este objectivo ambicioso,
a China vai acelerar a transformação
do modelo de crescimento, apostar no
aumento da procura interna, especialmente do consumo, optimizar a estrutura do investimento, apoiar o crescimento económico, dando igual importância ao consumo, ao investimento
e à exportação, a fim de evitar uma
dependência excessiva no investimento
e na exportação. Vai valorizar uma cultura de poupança de recursos naturais
12 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
Em primeiro lugar, irá construir uma abertura económica melhor distribuida regionalmente e também mais equilibrada,
enfatizando e aprofundando um desenvolvimento equilibrado entre as diferentes regiões litoral, interior e fronteiriça.
e protecção do meio ambiente na vida
económica, promovendo um crescimento com mais qualidade e efeciente
através dos avanços científico-tecnológicos, mão-de-obra mais qualificada
e inovações na gestão económica, fomentando desta forma um desenvolvimento coordenado e sustentável. Vai
acelerar as reformas sociais focalizadas
na melhoria da vida do povo, formando uma base bem fundamentada para
uma sociedade mais harmoniosa.
Neste novo contexto, o Plano Quinquenal estipula três áreas de acção no que
diz respeito à política de cooperação
económico-comercial e internacional.
Na região litoral, irá aprofundar a
abertura de economia ao exterior,
acelerando a transformação da base
de processamento e agregação para
centros de pesquisa e desenvolvimento, produção avançada e fornecimento de serviços. Irá igualmente acelerar
a abertura do sector de serviços e
atrair a concentração dos núcleos de
serviços internacionais; e aprofundar a
abertura e construção das Zonas Económicas Especiais como as de Shenzhen, das Áreas Novas de Pudong em
Xangai e Xingang, em Tianjin, construindo em Xangai um centro mundial
económico-financeiro, de navegação
marítima e de comécio.
Na região interior, é objectivo acelerar
a construção de uma economia aberta
aproveitando as estruturas já existentes nas cidades-chave e futuras zonas
de desenvolvimento; explorar as vantagens comparativas em recursos naturais e custos de trabalho, melhorar
o ambiente de negócios para receber
investimentos que vêm da migração do
estrangeiro e da região litoral da China;
construir algumas bases de indústria de
transformação e de serviços terciários;
e promover o desenvolvimento da Área
Nova Liangjiang em Chongqing.
DESTAQUE
Quero chamar a atenção para a elaboração de um Catálogo das Indústrias
Prioritárias para o Investimento Estrangeiro nas regiões do Centro e Oeste
da China, actualmente em estudo no
Comité Nacional do Desenvolvimento e Reforma da China, que ajudará a
conhecer melhor quais são os sectores
mais vantajosos para esta região.
Na região fronteiriça, a China irá
aproveitar as condições geográficas
e políticas previlegiadas para estabelecer zonas de cooperação económica transfronteiriça. Irá ligar a rede
de infra-estruturas com os países vizinhos; fomentar as conglomerações
industriais transfronteiriças; construir
nas províncias de Heilongjiang, Jilin,
Liaoning e na Região Autómona da
Mongólia Interior canais de ligação
com o nordeste da Ásia; na Região
Autónoma de Xinjiang, criar centros
de ligações para o oeste; na Região
Autónoma de Guangxi criar uma plataforma de cooperação com os países
da Associação dos Países do Sudeste
Asiático; e na província de Yunnan
criar uma saída para os vizinhos do sudoeste da China.
Segundo, transformar o seu modelo
de comércio internacional, valorizando
mais a qualidade do que a quantidade,
diminuindo a dependência dos custos
de produção muito baixos.
Sem prejudicar a competitividade actual, irá fomentar novas competitividades baseadas na tecnologia, marcas
registadas, qualidade e serviço, e exercer um controlo rigoroso na exportação de produtos de elevado consumo
energético, altamente poluentes, e
de produtos provenientes de recursos
naturais escassos no país. É também
objectivo modernizar a indústria transformadora, promovendo a investigação e o desenvolvimento, o design, a
produção de componentes-chave e de
logística, aumentando o valor agregado. Encorajar as empresas a construirem uma rede de venda internacional
para aumentar a sua competitividade,
promovendo a diversificação dos mercados internacionais.
Aproveitar melhor as importações, aumentando a importação de tecnologia
avançada, de componentes-chave, de
recursos naturais escassos no país e
de produtos ecológicos. Está também
previsto o aumento da importação de
bens de consumo a um ritmo equilibrado, bem como um melhor aproveitamento dos produtos agrícolas
importados. O plano irá aproveitar a
potencialidade do mercado interno
para alcançar um equilíbrio macroeconómico e estrutural da economia
chinesa e tentar diversificar as origens
das importações.
Fomentar o comércio de serviços e a
sua respectiva abertura e internaciona-
“A China segue hoje um
caminho de desenvolvimento
pacífico, num novo modelo
de desenvolvimento que tem
como base a sua tradição
e cultura milenar, a sua
visão sobre o essencial da
globalização económica e
sobre os interesses e valores
comuns da humanidade
no séc. XXI.”
lização, elevar o peso dos serviços na
pauta do comércio internacional. Ao
mesmo tempo, consolidar a exportação de serviços como o turismo, transportes, serviços laborais; aprofundar a
abertura nos sectores financeiro e logístico; e abrir os sectores da educação,
saúde, desporto, etc., ao exterior, para
um melhor aproveitamento dos recursos externos.
Terceiro, construir uma cooperação internacional em dois sentidos, alcançando o equilíbrio entre Entradas e Saídas.
Direccionar mais investimentos para
uma agricultura mais moderna, de
alta tecnologia, de produção avançada, com tecnologia ambiental, energias renováveis, serviços mais modernizados, etc.. Atrair mais investimento
para a região do centro-oeste. Encorajar os investidores estrangeiros a
participarem na compra de capital (ac-
ções) de empresas chinesas, introduzir
know-how e tecnologias estrangeiras,
fomentar a instalação de centros de
investigação na China para melhor se
integrar no sistema global de inovação
tecnológica. Ao mesmo tempo, apoiar
as empresas chinesas a investirem no
estrangeiro, instalar centros de pesquisa conjunta e construir redes de
venda internacional. Fomentar grandes empresas e instituições financeiras
transnacionais a melhor explorarem
a internacionalização. Aperfeiçoar o
ambiente de investimento no exterior com a assinatura de acordos de
protecção ao investimento e evitar a
dupla-tributação, etc..
Quero enfatizar que a China segue
hoje um caminho de desenvolvimento
pacífico, num novo modelo de desenvolvimento que tem como base a sua
tradição e cultura milenar, a sua visão
sobre o essencial da globalização económica e sobre os interesses e valores
comuns da humanidade no séc. XXI.
Os êxitos do desenvolvimento chinês
devem-se muito às cooperações amistosas com outros países, através das
quais concluímos que o desenvolvimento da China não se realiza sem o
resto do mundo, e que a prosperidade
e estabilidade mundial não se concretiza sem a China. A política chinesa de
cooperação internacional económicocomercial visa aumentar a confiança
entre os países, aprofundar a amizade
e promover um desenvolvimento com
benefício para todos. Queremos promover uma reforma no sistema económico internacional para construir
um mundo melhor e mais equilibrado.
Defendemos também uma reforma no
sistema financeiro internacional e uma
maior coordenação entre os principais
actores mundiais para nos prevenir de
outra crise como a actual, que tem
vitimado muito países, incluindo Portugal, e que colocou em questão o
bem geral da população mundial. O
mundo no séc. XXI deve ser um mundo harmonioso, com paz duradoura e
prosperidade compartilhada, e não um
mundo de confrontação, isolamento e
proteccionismo. Para isso, precisamos
do esforço convergente de todos os
países e povos.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 13
DESTAQUE
OPORTUNIDADES PARA EMPRESAS
PORTUGUESAS NA CHINA
>POR MIGUEL ATAÍDE COELHO, DIRECTOR DO ESCRITÓRIO DA AICEP EM PEQUIM
•a dificuldade em aceder a informação, que tende a estar dispersa, pouco sistematizada e em mutação acelerada;
• algumas barreiras técnicas à entrada, onde se incluem por exemplo
standards próprios para um conjunto alargado de produtos, sistema
obrigatório de certificação para uma
quantidade significativa de equipamentos (China Compulsory Certification System ou CCC);
• questões relacionadas com a defesa
de direitos de propriedade intelectual
e industrial;
A dimensão e a expansão generalizada
e acelerada do mercado chinês fazem
com que a definição de oportunidade
se faça mais pela via da capacidade das
empresas e não tanto através de uma
selecção apertada de sectores de aposta, embora se apresentem mais à frente
aqueles que parecem mais promissores
e se explique porquê.
• complexidade do sistema administrativo e um sistema legal pouco conhecido das nossas empresas.
Apenas empresas capazes de lidar adequadamente com estes desafios poderão aspirar a um sucesso consistente no
mercado chinês. E lidar com estes desafios é necessariamente caro: as viagens intercontinentais são mais caras,
a disponibilidade e o período de apren-
O principal motivo para este raciocínio
decorre do facto da China colocar desafios proporcionais à sua dimensão às
PME, portuguesas ou outras, entre os
quais se elegem:
• as óbvias distância geográfica, diferenças linguísticas dificilmente ultrapassáveis e especificidades culturais;
• a dimensão do país, com uma escala
continental e assimetrias importantes, que obrigam a pensar demoradamente no ponto de entrada no mercado e a ter capacidade de adaptar
modelos de negócio dentro da própria China. A dimensão das empresas
chinesas também exige uma navegação mais demorada dos departamentos e níveis de decisão envolvidos;
14 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
dizagem de recursos humanos internos
à empresa são maiores, o que também
custa dinheiro, e a potencial necessidade de recurso a terceiros (consultores,
empresas de certificação, apoio jurídico) tem elevado grau de probabilidade.
Tais exigências apontam para que o
mercado chinês não esteja ao alcance
de todas as empresas, sendo desaconselhável para empresas com reduzida
experiência de exportação, baixa diferenciação, ou meios demasiado exíguos
para dar uma resposta aos obstáculos.
Os números globais do comércio bilateral são altamente encorajadores, tanto
em termos de valores absolutos, como
crescimento, evolução do número de
empresas exportadoras, desempenho
dos bens de consumo, etc., mas uma
análise mais detalhada dos dados permite identificar algumas características,
que carecem de melhoria e que justificam o anteriormente mencionado:
• composição das exportações assenta
em larga medida nos automóveis da
Autoeuropa, matérias-primas e/ou
bens intermédios;
• multinacionais instaladas em Portugal, ou que subcontratam produção
no nosso país, têm um grande peso
nas nossas exportações, mesmo em
bens de consumo tradicionais como
os relacionados com moda (vestuário
e calçado) e decoração (por exemplo,
mobiliário) em que são marcas como
a Zara e a IKEA que dinamizam muito
do fluxo exportador para a China.
Fica assim demonstrada a competitividade de Portugal em termos de custos e qualidade de produção, mas fica
também visível a dificuldade de marcas
nacionais para se afirmarem no mercado chinês, apesar de casos de sucesso
cada vez mais frequentes.
Passando das características necessárias ao sucesso no mercado para os
DESTAQUE
sectores que parecem mais promissores, importa começar por referir o enquadramento da política económica
chinesa assente no Plano Quinquenal
que terminará em 2015.
As autoridades chinesas farão nos próximos anos, eventualmente década ou
décadas, uma grande aposta na requalificação do seu crescimento, i.e., maior
aposta na qualidade do crescimento,
que se traduzirá em:
nologias energeticamente eficientes e
amigas do ambiente e tecnologias de
informação de nova geração.
Sendo de prever uma massificação de
uma classe média urbana, com crescente poder de compra, tenderá a aumentar o segmento de procura entre
o super premium/luxo e o baixo custo
• diminuição da dependência do exterior (exportações) e do investimento
(FBCF) como drivers do crescimento
do PIB, o que implica a dinamização
do mercado de consumo interno
através, por exemplo, da melhoria da
rede social de apoio à população, de
forma a reduzir o receio e a propensão para poupar;
• urbanização: a deslocação de população de zonas rurais para zonas urbanas permite geralmente aumento
actualmente existentes, sendo este o
segmento no qual a oferta portuguesa
tem maior capacidade de resposta.
Ao nível dos bens de consumo, as fileiras moda, casa e agro-alimentar e vinhos
parecem estar entre as mais interessantes. No caso dos agro-alimentares, é relevante mencionar que a China, com 20
por cento da população mundial, dispõe
apenas de 8 por cento de terra arável.
dos rendimentos, tanto para quem
fica no campo, como para quem se
desloca para as cidades;
• crescimento sustentável: redução de
assimetrias regionais (política “Go
West” é um dos exemplos) e políticas ambientais e energéticas que
melhorem os gravíssimos problemas
de poluição (redução da intensidade
energética por unidade de PIB é um
dos objectivos);
• subida na cadeia de valor industrial:
apostas já definidas em sectores estratégicos para o futuro, com forte investimento do estado – novos materiais,
automóveis de energias alternativas,
maquinaria de alta tecnologia, energias alternativas, biotecnologia, tec-
Prevê-se igualmente a intensificação
de investimentos em áreas ligadas à
eficiência energética e ambiente, TIC
e indústrias de ponta, podendo surgir
maiores oportunidades para empresas
nacionais com experiência e capacidade relevantes. Por capacidade relevante
entende-se tecnologia própria e altamente avançada. A China continua a
procurar tecnologia e empresas em sectores como moldes, componentes para
a indústria automóvel e maquinaria
que a tenham e saibam gerir aspectos
de direitos de propriedade intelectual e
industrial, deverão ter boas oportunidades de negócio. “Mera” integração
ou operação de soluções não impressionam na China. No domínio concreto
da energia, os recentes investimentos
chineses nos grandes operadores portugueses do sector poderão criar oportunidades para empresas portuguesas
correlacionadas.
No domínio dos serviços, estima-se que
arquitectura, ambiente e software possam ter procura. No entanto, as empresas chinesas não costumam confiar em
prestadores de serviços “à distância”.
Empresas do sector com ambição de
servir grandes clientes chineses terão
de lidar com o provável requisito de
presença no mercado. Serviços financeiros e legais parecem também ter
boas probabilidades de evolução, principalmente se souberem tirar partido
da posição ímpar que em muitos casos
têm nos PLP, países que merecem interesse crescente da China.
Num momento histórico do investimento chinês em Portugal, é de referir
que também neste domínio poderão
surgir oportunidades para empresas
portuguesas com bons projectos para
apresentar. As movimentações e crescentes interligações entre bancos e escritórios de advogados dos dois países
ajudarão certamente a multiplicar a
divulgação de oportunidades, existindo uma tendência para o investimento chinês na Europa se concentrar na
aquisição de participações em empresas ou projectos estabelecidos.
Enquanto destino de investimento, a
China continua a ser um alvo interessante, principalmente para quem quiser apostar no imenso mercado interno
chinês. No entanto, há que ter em conta que, se a opção de base for a de pro-
duzir exclusivamente para exportação
para países terceiros, a tendência para
o aumento dos custos laborais (salário
mínimo deverá subir em média mais de
13 por cento até 2015) e a previsível
apreciação do RMB tornarão a China
um destino menos interessante.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 15
DESTAQUE
EMPRESAS PORTUGUESAS
EXPORTAM E INVESTEM NA CHINA
As exportações portuguesas para a China aumentaram 67,9 por cento em 2011,
fazendo daquele país o mercado onde Portugal mais cresceu. Hoje existem mais de
cinco centenas de empresas portuguesas a fazerem negócios com a China. Ninguém
fica indiferente a um mercado com mais de mil milhões de consumidores.
Desde 2009, ano em que Portugal
vendeu 222 milhões de euros para a
China, mais 20 por cento que no ano
anterior, as exportações portuguesas
para aquele mercado mais do que duplicaram, o que é atribuído ao maior
esforço português nas exportações e à
maior abertura chinesa. As exportações
portuguesas para a China aumentaram
67,9 por cento em 2011, estando hoje
próximas de atingir a fasquia mais elevada de sempre, com cerca de 395
milhões de euros, um acréscimo exportador que fez daquele país o mercado
em que Portugal mais cresceu, estando
16 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
neste momento a China entre os dez
maiores parceiros do nosso país.
Além da Autoeuropa, que já tem na
China um dos seus principais mercados, estão entre as principais exportadoras não apenas empresas de rochas ornamentais, mas também outras de reconhecidas marcas, como a
Gallo, a Bosch, a Swedwood Portugal/grupo IKEA, a Sonae, a Amorim,
a Hovione ou a Sogrape, bem como
bancos portugueses. São cada vez
mais as empresas portuguesas, algumas com um representante ou um
escritório permanente no país, que
exportam e investem na segunda
maior economia mundial, que aprecia os vinhos, o azeite, a cortiça ou a
joalharia portugueses.
Desde grandes companhias, como a
Portugal Telecom (PT), a Cimpor ou a
Corticeira Amorim, até estruturas de
média dimensão como a Dão Sul, a
Salsa Jeans ou a Fly London, Portugal
está na China há vários anos. O leque
de produtos que o nosso país mais
quer vender na China é extenso e vai
da tecnologia de ponta aos produtos
DESTAQUE
alimentares, das energias renováveis
aos serviços turísticos, dos automóveis
aos produtos farmacêuticos, passando
pelas empresas de serviços, desde a arquitectura à advocacia. É de referir que
nas exportações portuguesas para a
China, a incorporação de alta e média
alta tecnologia neste momento é cerca
de 50 por cento.
Ainda que as exportações de vinhos
sejam residuais, a taxa de crescimento das vendas antecipa boas perspectivas para os produtores portugueses.
A maior empresa nacional do sector, a
Sogrape, também tem uma posição na
IW Hong Kong e abriu recentemente
um escritório em Xangai.
Desde há algum tempo que os contactos entre Portugal e a China têm vindo
a intensificar-se, mas com a entrada dos
chineses da Three Gorges na EDP, as relações bilaterais ganharam novo fôlego.
A emergência da classe média chinesa
e a procura de bens e de serviços especializados por parte daquele país constitui, segundo os analistas, uma grande
oportunidade para Portugal.
CASOS
DE SUCESSO
A Cimpor está naquele mercado asiático
desde Maio de 2007 e conta hoje com
cinco fábricas, onde produz 5,3 milhões
de toneladas de cimento por ano, e a
perspectiva é de continuar a crescer.
A Kyaia, o maior grupo português de
calçado, optou por entrar na China por
via de parcerias. Hoje tem um agente
local que produz e vende nesse mercado a marca de sapatos Fly London.
A Salsa, empresa de moda, marca presença na China, tendo começado por
abordar aquele mercado através de Hong
Kong. Mudou-se agora para o território
chinês, onde já detém um escritório.
O grupo PT detém uma participação de
28 por cento na Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), operadora de comunicações móveis e fixas.
Já na China continental, o grupo tem
uma participação na Archway, empresa
para prestação de serviços de localização remota em todo o espaço chinês.
A Dão Sul criou uma joint-venture para
o mercado chinês com o objectivo de
reforçar as exportações de produtos vinícolas. A previsão é que, este ano, a
facturação naquele mercado ultrapasse
os dois milhões de euros, com a empresa a colocar na China mais de 50 mil
garrafas de vinho por ano.
A Unicer, que apesar de ter Angola
como principal mercado externo, está
atenta às novas tendências na China,
onde conta com distribuidores em Macau, Hong Kong e China continental.
Na banca, Portugal está representado,
entre outros, pela Caixa Geral de Depósitos, que tem o Banco Nacional Ultramarino em Macau, com 14 agências em
operação, e que continua a ser banco
emissor de moeda naquele território,
administrado até 1999 por Portugal.
América do Sul) que trará novas sinergias em várias partes do mundo com
destaque para a liderança em projectos de energia renovável, aposta que
traduz bem um dos grandes desafios
energéticos do século XXI para as economias europeia e chinesa: a necessidade de mudança de paradigma para
uma energia limpa a nível global.
Por outro lado, além do crescente desenvolvimento do sector dos serviços no
país, destaca-se na China uma busca por
mais e melhor desenho e criação de infra-estruturas eficientes, necessidade de
uma constante melhoria e actualização
dos sectores ligados à biotecnologia, ao
design industrial, sem esquecer evidentemente o domínio informático (software)
e o das telecomunicações, nos quais a
China espera alcançar em breve os mais
elevados padrões a nível mundial.
O QUE PENSAM
AS EMPRESAS
EDP
João Marques da Cruz,
Administrador da EDP
Tem sido reconhecida a importância
das empresas europeias – como a EDP
e outras empresas operando em sectores estratégicos da economia mundial –
para a internacionalização de grandes
empresas da China. Trata-se de uma
tendência que poderá certamente continuar nos próximos anos, tendo em
conta o aumento da interdependência
e cooperação das economias da América e da Europa com o continente asiático nos mais variados sectores.
A parceria estratégica entre a EDP e a
China Three Gorges representa o estabelecimento de uma importante aliança entre uma empresa portuguesa de
perfil global (presente na Europa mas
também na América do Norte e na
Deste modo, as empresas portuguesas
exportadoras terão certamente oportunidades para desenvolver novas soluções a que – para além dos nossos
tradicionais produtos de alta qualidade –
esteja associada a oferta de serviços com
elevado nível e relevo, tanto no contexto
europeu como mundial. Neste contexto,
o mercado chinês oferece reais oportunidades para as empresas portuguesas
que consigam responder ao desafio proposto pelas necessidades emergentes
das grandes cidades chinesas e dos seus
novos e exigentes consumidores.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 17
DESTAQUE
ENOPORT
PLMJ
Frederico Bragança,
Executive Manager/Asia
Rita Assis Ferreira,
Associada Sénior PLMJ/Pequim
Claramente a China é um mercado de
oportunidades para os empresários
portugueses. Pela sua dimensão geográfica e demográfica, pelo consumo
interno em expansão e pela abertura
dos consumidores a bens e serviços
Verifica-se uma crescente tendência de
investimento tecnológico das empresas
chinesas, subindo na cadeia de valor
em busca de maiores margens e procurando distanciar-se da imagem de
produto de baixa qualidade e mão-deobra barata. De facto, a China já exporta mais tecnologia para os EUA do
que importa.
A oportunidade para as empresas
portuguesas está num mercado que
cresce, mesmo numa recessão europeia e americana, e que continuará
a crescer. Está numa população urbana que, pela primeira vez na história,
ultrapassou a população rural, e que
continuará a aumentar. Está numa
população jovem e de classe média
que se transformou em early-adopter,
vindos do exterior, a China pode-se
tornar “o mercado” prioritário para
qualquer empresa que queira expandir
a sua área de actuação. Mas este “oásis” dos grandes números não implica
sucesso ou facilitismo. As dificuldades
são muitas e apenas com profissionalismo, com um plano de negócios bem
definido, com experiência em mercados internacionais e, acima de tudo,
com uma grande capacidade de adaptação às exigências específicas do mercado, só assim é possível ultrapassar
este desafio.
Se estas condições forem cumpridas,
a China pode tornar-se num mercado
estratégico para as empresas nacionais
dispostas a arriscar.
18 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
e que continuará a liderar o mercado
de consumo e a marcar tendências. E
estará também numa economia apostada na internacionalização das suas
principais empresas, apoiada em vastos recursos financeiros, e que buscam
acordos e parcerias para acelerar essa
internacionalização designadamente
em países de língua portuguesa.
Os sectores de consumo, tecnologia,
matérias-primas, trading, energia e en-
tretenimento são, entre outros, alguns
que irão apresentar fortes crescimentos nos próximos anos. Para o sucesso
das empresas que, avisadas, se estabeleçam na China com consciência da
necessidade de investimento, presença física e que estejam prontas para,
pacientemente, procurar resultados,
sendo indispensável um planeamento
atempado, uma estratégia clara e uma
escolha adequada de parceiros.
SOVENA
Jorge de Melo,
Vice-presidente do Grupo Sovena
A Sovena marca já uma significativa
presença no mercado chinês de azeite,
um mercado que ainda é hoje dominado por marcas locais, ou seja, embaladas localmente a partir de azeite importado, maioritariamente de origem
espanhola, e onde o consumo per capita, apesar de ainda ser muito baixo,
apresenta um potencial de crescimento
impressionante, com valores acima dos
60 por cento ao ano. Este crescimento
deve-se ao facto de estarmos perante
um produto que corresponde na perfeição às exigências de uma dieta mais
saudável e de conceitos culinários inovadores. Se o mercado crescer durante
os próximos anos a metade do ritmo
que tem crescido até agora, será o 5º
maior mercado do mundo em 4 anos.
DESTAQUE
É por tudo isto que a Sovena encara
este mercado como uma oportunidade
apetecível, o que nos leva a ansiar por
um parceiro local com dimensão relevante para podermos afirmar a superior
qualidade das nossas marcas de azeite
junto dos consumidores chineses.
SARAIVA
+ ASSOCIADOS
Arq. Miguel Saraiva,
Presidente Executivo / CEO
A presença da Saraiva + Associados na
China tem sido marcada pela extrema
velocidade e pró-actividade que caracteriza este mercado. Como empresa de
CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA
LUSO-CHINESA
>ILÍDIO DE AYALA SERÔDIO, VICE-PRESIDENTE DA CCILC
Com a crise e recessão na Europa e a
retracção das exportações portuguesas para o seu maior mercado, urge
olhar para outros mercados e a China deve ser um deles.
O Fórum China - Países de Língua
Portuguesa criado em 2002 chamou
a atenção da China para um conjunto de países em que os principais
parceiros comerciais da China eram
já o Brasil (minério de ferro) e Angola
(petróleo). Portugal, apesar das relações centenárias, continuava a ser
um parceiro menor com um natural
défice na sua balança comercial e
com pouco investimento bilateral.
Com o novo programa de privatizações em Portugal de 2011 e no
âmbito da reestruturação das dívidas
soberanas europeias, a China optou
por entrar nesse programa adquirindo recentemente posições estratégicas na EDP e na REN.
arquitectura, lidamos habitualmente
com as especificidades culturais dos
mercados onde nos posicionamos. Sendo a China um país com uma riqueza
cultural imensa, uma dimensão condizente e com um índice de crescimento
elevado, temos de permanentemente
sintetizar estas componentes de forma
integrada, eficiente e com grande qualidade. O nível de exigência e competitividade assim o obriga. Existem grandes
oportunidades mas há que saber respeitar o cliente chinês: a presença física
é obrigatória, o envolvimento pessoal
respeitado, o investimento considerável. É um mercado aliciante mas que
exige preparação, disponibilidade e um
bom plano de negócios.
Estas acções passaram a constituir
uma nova fase na relação comercial
entre os dois países e as empresas
portuguesas passaram a ter uma
abertura de oportunidades que terão
de ser exponenciadas pelo melhor
conhecimento do mercado chinês.
Tanto a AICEP como a CCIL-C conhecem bem a China e devem ajudar
mais PME a aceder a esse mercado.
Os chineses têm uma grande capacidade de poupança e os produtos de
consumo de qualidade têm ali uma
grande atractividade. Os chineses
ainda sabem muito pouco sobre Portugal e as PME têm de despertar o interesse e a curiosidades dos chineses
para os seus produtos.
A oportunidade já não passa pela
aposta em produtos de baixo preço,
mas sim em nichos, nomeadamente
no têxtil/vestuário, no calçado de luxo,
nos produtos alimentares, incluindo
vinhos de qualidade, nos equipamentos e metalomecânica, na engenharia
relacionada com o ambiente e energias renováveis, em produtos de alta
tecnologia como softwares especializados, em produtos químicos, farmacêuticos e em moldes.
A União Europeia tem em Pequim o
EU SME Centre que dá apoio e formação sobre estratégias de entrada
no mercado chinês e que deve ser
aproveitado. A CCIL-C através da
EUCBA, EU-China Business Association, onde é Vice-presidente, pode
organizar essas acções.
Mas também há oportunidades para
investimentos em Portugal de empresas chinesas que procuram fabricar ou acabar produtos na Europa
para serem certificados para o mercado europeu e outros.
Uma oportunidade ainda difícil de
concretizar é a triangulação para os
mercados africanos e sul-americanos
através de associação entre empresas chinesas e portuguesas, tanto
na construção, como no fabrico de
equipamento e materiais de construção. Mas a área de energias renováveis poderá ser um nicho onde essa
colaboração pode ser mais efectiva.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 19
DESTAQUE
INVESTIMENTO CHINÊS
APOSTA EM PORTUGAL
O dinheiro chinês circula cada vez mais na Europa, estimando-se que existam
aproximadamente 4.680 empresas chinesas com ligações a 28 países europeus, onde
estão a adquirir posições de peso em grandes investimentos estratégicos, com mais
incidência no Luxemburgo, Rússia, Alemanha, Suécia e Reino Unido. Em Portugal, a
China ganha terreno no mundo dos negócios e reforça as relações bilaterais. Tudo
indica que 2012 vai ser o ano do investimento chinês.
É actualmente consensual que o interesse chinês por Portugal revela que o país
tem um ambiente de bons negócios
e boas empresas, nomeadamente no
sector tecnológico, energia, transportes e banca, e que Pequim está atento
às oportunidades do mercado, tanto
mais que a China dispõe actualmente
de grandes capitais e tem um interesse
crescente na sua internacionalização.
No final de 2011, as reservas da China em divisas somavam 2,47 biliões
de euros, mais 257,3 mil milhões de
euros do que em 2010, e durante o
ano, o investimento chinês na Europa
aumentou 57,3 por cento, para 3,6
mil milhões de euros. Não surpreende,
pois, que a política oficial do governo
chinês em matéria de investimento no
estrangeiro, consideradas as imensas
reservas que este país conseguiu acumular nos últimos anos através das
suas exportações, esteja globalmente
em marcha e que Portugal se encontre
na agenda desse investimento, dadas
as boas relações bilaterais.
Por outro lado, a situação geográfica de
Portugal, bem como as relações privilegiadas e a forte presença das nossas
empresas em África e na América Latina, designadamente nos países de expressão portuguesa, constituem outros
factores que fazem de Portugal um destino atractivo para o investimento e o
comércio chineses, já que operam como
ponte entre a Ásia, a África e a América
Latina. Não deixa de ser significativo o
incremento nas trocas comerciais entre
a China e Portugal, que atingiram, no
20 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
seu conjunto, cerca de dois mil milhões
de euros em 2011.
Contudo, o interesse do investimento
chinês por Portugal não é de agora. No
país já existem várias empresas portuguesas a operar nos mercados, cujo capital é detido em parte ou em mais de
50 por cento por sociedades chinesas,
como é o caso da ZTE Portugal - Projectos de Telecomunicações, Unipessoal,
Lda., Huawei Tech. Portugal - Tecnologias de Informação, Lda. ou a APMCQ
- Automotive Playback Modules Portugal, Unipessoal Lda..
“A situação geográfica
de Portugal, bem como
as relações privilegiadas
e a forte presença das
nossas empresas em África
e na América Latina,
designadamente nos países
de expressão portuguesa,
constituem outros factores
que fazem de Portugal um
destino atractivo para o
investimento e o comércio
chineses, já que operam
como ponte entre a Ásia, a
África e a América Latina.”
Uma destas empresas destaca-se no
entanto: a chinesa Huawei, a segunda
maior fabricante de equipamentos de
telecomunicações do mundo e líder
mundial em soluções de Tecnologias de
Informação e Comunicação (TIC), que
em Portugal tem um volume de negócios anual de 53,5 milhões de euros.
A Huawei já opera em Portugal desde
2004 e acaba de investir no seu centro
do Parque das Nações, mais 10 milhões
de euros, reforçando deste modo o investimento de 40 milhões de euros já
feito em Portugal.
Outra empresa é a Geocapital - Investimentos Estratégicos, que tem sede
em Macau e tem vindo a apostar nos
países de língua portuguesa numa
acção coordenada com o papel de
Macau como plataforma económica
e comercial entre a China e os países
de língua portuguesa. Iniciou a sua actividade em 2006 e foi pensada para
aproveitar as sinergias criadas pelo Fórum para a Cooperação Económica e
Comercial entre a China e os países de
língua portuguesa. Está em Portugal,
China, Angola, Moçambique, Cabo
Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil e Timor-Leste. O objectivo
é reforçar a intervenção empresarial
em projectos de realização de infraestruturas, aproveitamento de fontes
de energia, exploração de combustíveis fósseis e energias renováveis, exploração e transformação de recursos
naturais e produção agro-industrial.
Foi no entanto a vitória da China Three
Gorges na privatização da EDP, com a
aquisição de 21,5 por cento da Energias de Portugal, que levou o governo
chinês a dar o seu aval a múltiplos financiamentos à economia portuguesa
DESTAQUE
uma empresa chinesa estatal investe
num sector estratégico da economia
portuguesa, o que abre um novo capítulo nas relações privilegiadas entre
os dois países.
Outro investimento, este já inscrito na
proposta que a Three Gorges apresentou no âmbito do concurso à entrada
na empresa de electricidade portuguesa, é a construção de uma fábrica de
turbinas eólicas em Portugal. O investimento será feito pela Goldwind, que
tem ligações à Three Gorges, prevendose que no início deste ano comece a
prospecção de terrenos para decidir a
localização da nova unidade, que entrará em laboração até ao Verão de 2013.
Quanto à REN - Rede Eléctrica Nacional,
os chineses da State Grid estão compradores de até 25 por cento da empresa
portuguesa, a percentagem máxima de
acesso à fatia de 40 por cento – 592,21
milhões de euros – que o Estado colocou à venda. A opção pelos chineses
sempre foi defendida pelos accionistas
de referência da empresa que transporta a energia eléctrica dentro do país,
uma vez que a entrada da State Grid
é considerada como um valor acrescentado para a REN, possibilitando, em
contrapartida, a abertura do mercado
chinês a investimentos portugueses.
A State Grid prevê ainda um financiamento de mil milhões de euros pelo
China Development Bank à REN. A
empresa chinesa, que se torna assim
o maior accionista da REN, quer avançar com três projectos de investimento
conjunto em linhas de transmissão de
electricidade no Brasil e está a apostar
em duas joint-ventures em Angola e
Moçambique, detidas em partes iguais
pelos portugueses e chineses.
e à entrada de vários bancos chineses
em Portugal. Refira-se que o negócio
da China Three Gorges não só faz a
ponte para que a EDP se possa vir a financiar em mercados como o de Hong
Kong, como também abre caminho
para que os bancos chineses venham
a participar no esforço de melhoria
da liquidez das instituições financeiras
portuguesas. Esta é a primeira vez que
Na sequência da privatização da EDP,
a instalação de uma fábrica automóvel
em Portugal pode vir a ser um entre
outros investimentos com origem em
Pequim, assim como a entrada de um
banco chinês no capital de um grande banco português. Tudo indica que
o novo ano chinês, o ano do Dragão,
estará marcado por negócios com Portugal e pelo estreitar das relações entre
os dois países.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 21
DESTAQUE
MACAU
E O PLANO QUINQUENAL
O PAPEL DA AICEP
O apoio do governo
central chinês ao
desenvolvimento
económico de Macau
no contexto do Plano
Quinquenal pode trazer
vantagens a Portugal.
Mariana Oom, directora
do escritório da AICEP
em Macau e Hong Kong,
e também delegada
de Portugal junto do
Secretariado Permanente
do Fórum Macau, fala-nos
das oportunidades que
a RAEM oferece às
empresas portuguesas
e na forma como a AICEP
as está a aproveitar.
Marcando uma nova era, o 12º Plano
Quinquenal da R.P. China inclui, pela
primeira vez, um capítulo dedicado às
duas Regiões Administrativas Especiais
(RAE), Hong Kong e Macau, reforçando
a política de “um país, dois sistemas”. É
explícito o apoio do governo central às
RAE, tirando partido das suas vantagens
e dando-lhes um importante papel no
desenvolvimento global da nação.
No caso de Macau, o Plano é claro no
apoio à região para que se torne um
“Centro Mundial de Turismo e Lazer”;
acelere o desenvolvimento como plataforma de serviços económicos e comerciais entre a China e os PLP; promova a
diversificação da economia; e aprofunde a integração regional.
22 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
Embora não sejam medidas totalmente
novas, o Plano reveste-se de um significado especial ao atribuir maior importância às RAE, com reflexos já em
2011, de que é exemplo a assinatura
do Acordo-Quadro com a província de
Cantão (Guangdong).
É em linha de conta com esta política
e perseguindo os objectivos comuns do
governo central, que a RAEM define
as Linhas de Acção Governativa (LAG)
(http://portal.gov.mo/web/guest/info_
detail?infoid=134844) para 2012. No
capítulo da Diversificação da Economia
destacam-se alguns sectores de oportunidade para as empresas portuguesas,
designadamente turismo e indústrias e
serviços associados; indústrias culturais
e criativas; comércio; cooperação regional; planeamento urbano e transportes;
reforço da protecção ambiental (redução da emissão de CO2 dos veículos;
poluição sonora; utilização de produtos
ecológicos; teste de uso de autocarros
eléctricos; estudo sobre planeamento e
utilização de água reciclada).
Atenta a estes desenvolvimentos e às
políticas locais, a AICEP em Macau, que
também cobre a RAE Hong Kong e o
sul da China, tem estabelecido parcerias
institucionais de forma a ampliar a sua
capacidade de actuação, trabalhando
em estreita colaboração com entidades
públicas e privadas e com os agentes
económicos locais, na promoção de Portugal e dos bens e serviços portugueses.
Exemplo deste trabalho é a participação
regular em exposições, feiras e seminários em Macau e na China continental,
particularmente em Cantão, promovendo e incentivando a presença de agentes de produtos portugueses locais e de
Portugal, cuja colaboração com entidades como o IPIM e associações locais,
entre outras, tem sido fundamental.
Falar da RAEM é também falar do Fórum para a Cooperação Económica e
Comercial entre a China e os Países
de Língua Portuguesa (Fórum Macau),
onde a AICEP tem assento como representante de Portugal. O Fórum tem
proporcionado a promoção de Portugal nas áreas de comércio, turismo e
investimento em Portugal e de parcerias tripartidas nos PLP. Esta promoção
efectua-se um pouco por toda a China
(em coordenação com os escritórios de
Pequim e Xangai) e também em Macau
e em Portugal, na recepção a inúmeras
comitivas de diferentes províncias.
A AICEP Macau presta apoio a todas
empresas que se deslocam ao mercado
com informação sobre a região e contactos. Actua ainda na promoção da participação de empresas portuguesas em
vários certames de relevo que têm lugar
na RAEM e em Cantão, como são o caso
da Feira do Ambiente de Macau (MIECF,
Março) e Feira Agro-alimentar e Bebidas
em Guangzhou (GIFMS, Abril), cuja preparação está em curso, além da Feira de
Franchising (MFE, Julho) e da Feira Internacional de Macau (MIF, Outubro).
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DESTAQUE
MACAU
PLATAFORMA DE SERVIÇOS ECONÓMICOS
E COMERCIAIS ENTRE A CHINA E OS
PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA
A cooperação económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa tem sido
desenvolvida por Macau, uma economia aberta que ao longo de séculos tem feito
a ponte entre o ocidente e o oriente. Razões históricas e culturais, bem como o valor
da língua portuguesa, comum a estes países, conferem à RAEM um papel de relevo
neste processo.
O presidente do IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de
Macau, Jackson Chang, faz o ponto de situação do desenvolvimento desta Plataforma
de cooperação.
Situada a Oeste da Província de Guangdong, com uma área geográfica de
29,7 quilómetros quadrados e mais de
quinhentos e cinquenta mil habitantes, a Região Administrativa de Macau
(RAEM) dispõe de uma economia aberta e de outras vantagens peculiares
para investimento e negócio, nomeadamente redes de comunicação com
o exterior, infra-estruturas avançadas,
porto franco e sistema fiscal simples e
de baixa tributação.
Aproveitando essas vantagens, a
RAEM, mediante acções promocionais
de cooperação económica regional e
no exterior, tem envidado esforços na
construção de plataforma de serviços
económicos e comerciais, como, por
exemplo, a plataforma de cooperação
económica e comercial entre a China e
os Países de Língua Portuguesa (PLP).
Após a transferência de soberania, e no
que respeita ao reforço da cooperação
com os Países de Língua Portuguesa, a
RAEM tem tido grande apoio do governo central da China, sendo exemplo
disso a realização das três Conferências
Ministeriais do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a
China e os Países de Língua Portuguesa, em Macau. Para esse efeito, foi ins-
24 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
dada, numa base anual e rotativa, em
diferentes países de língua portuguesa,
a realização do “Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e
Comercial entre a China e os Países de
Língua Portuguesa”.
Na última edição da citada Conferência,
o Primeiro-ministro da República Popular da China, Dr. Wan Jiabao, anunciou
o estabelecimento de um “Fundo de
Desenvolvimento” de mil milhões de
dólares americanos, destinado para desenvolver a cooperação entre a China
e os PLP, mediante a concessão de crédito preferencial, formação de pessoal
e outras medidas importantes visando
aprofundar as relações entre a China e
os referidos países.
talado, em Macau, o Secretariado Permanente do Fórum de Macau. As três
edições da Conferência Ministerial, em
2003, 2006 e 2010, respectivamente,
foram muito bem sucedidas de modo
que o papel da RAEM como ponte de
ligação e laços de amizade tem sido objecto de cada vez maior consideração e
reconhecimento. Durante a 1ª edição
da referida Conferência, foi assinado
um “Protocolo de Cooperação entre
Organismos de Promoção Comercial/
Câmara de Comércio” no qual foi acor-
Além disso, em Março de 2011, foi
promulgado no 12º Plano Quinquenal
da República Popular da China, o apoio
ao aceleramento da RAEM como plataforma de cooperação económica e
comercial entre a China e os PLP.
A RAEM reúne as condições necessárias para a concretização da plataforma
de cooperação económica e comercial
entre a China e os PLP, oferecendo aos
países acessos privilegiados no mercado do continente chinês, através do
DESTAQUE
Acordo de Estreitamento das Relações
Económicas e Comerciais entre a China e Macau (CEPA), que tem como
objectivo promover a prosperidade e
o desenvolvimento comuns do interior da China e da RAEM, bem como
a redução e eliminação das barreiras
alfandegárias, alcançar a liberalização
do comércio e serviços e a facilitação
do comércio e do investimento.
O governo da RAEM possui vários serviços de apoio à plataforma em causa,
como sejam, o Instituto de Promoção
do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que sendo um organismo
público, tem vindo a manter relações
estreitas com os organismos de promoção comercial dos PLP através de
diversas actividades promocionais nesses países, dando a título de exemplo,
a realização da Feira Internacional de
Macau (MIF), para a qual tem vindo
a ser convidadas delegações dos Organismos de Promoção do Comércio
para participarem no evento. Encontra-se também instalado, no recinto da
Feira, o Pavilhão dos Países de Língua
Portuguesa com vista à divulgação dos
produtos e o ambiente de investimento dos PLP.
Por sua vez, com vista a consolidar a
função e o estatuto de Macau como
plataforma de serviços, o IPIM instalou
o Centro de Exposição de Produtos de
Macau, intitulado “Macao Ideas”, em
Maio de 2011, onde se encontra uma
zona dedicada à exposição de produtos dos Países de Língua Portuguesa
com agentes de Macau, proporcionando, por esta via, um importante
canal para a divulgação e promoção
dos produtos dos referidos países.
Importa ainda referir que, além de existirem profissionais com bom domínio
de chinês e português, os mesmos possuem conhecimento aprofundado das
normas jurídicas e das regras de mercado da China e dos PLP.
Além da língua portuguesa, como
uma das línguas oficiais da RAEM,
constituir ainda uma mais-valia, razões
históricas, comerciais e culturais, levaram a que a RAEM continue a manter
amplos contactos e estreitas relações
com os Países de Língua Portuguesa,
tais como a Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor Leste, espalhados pelos
quatro continentes, com uma população total de mais de 260 milhões e um
mercado com grandes potencialidades
de desenvolvimento.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 25
DESTAQUE
O PAPEL DO FÓRUM DE MACAU
NO CONTEXTO DO 12º PLANO
QUINQUENAL
>POR CHANG HEXI, SECRETÁRIO-GERAL DO FÓRUM PARA A COOPERAÇÃO ECONÓMICA E COMERCIAL
ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA (MACAU)
Económica e Comercial, que contemplam a cooperação entre a China e os
Países de Língua Portuguesa em vários
domínios, nomeadamente a cooperação intergovernamental, comércio, investimento e cooperação empresarial,
agricultura, construção de infra-estruturas, recursos humanos, turismo,
sector financeiro, cooperação de desenvolvimento e cultura. O Secretariado Permanente do Fórum de Macau
foi criado em Abril de 2004, por iniciativas dos países participantes, com
o apoio do governo da RAEM.
Durante os cerca de nove anos desde a
criação do Fórum, as diversas comunidades, bem como as Associações Civis
dos Países Participantes, têm participado activamente e colaborado nas actividades do Fórum.
Apraz-me oferecer com grande satisfação a minha contribuição para esta edição de Fevereiro da revista digital Portugalglobal dedicada à República Popular
da China, sobre as políticas de crescimento apresentadas no 12º Plano Quinquenal (2011-2015) quanto à sua estratégia internacional para destacar o Papel
do Fórum de Macau - Apoio na criação
em Macau de um Centro Mundial de Turismo e Lazer. Aceleração da criação da
plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China
e os Países de Língua Portuguesa.
O Fórum de Macau foi criado em Outubro de 2003, por iniciativa do go-
26 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
verno central da China, com o apoio
e participação dos Países de Língua
Portuguesa nomeadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal e Timor-Leste.
Com o apoio da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), realizaram-se em Macau, em 2003, 2006
e 2010, as três Conferências Ministeriais que contaram com a presença das delegações oficiais dos países
participantes, bem como das organizações internacionais e delegações
empresariais do interior da China,
Macau e dos Países de Língua Portuguesa. Foram ainda assinados três
Planos de Acção para a Cooperação
I. Verifica-se a elevação do nível da cooperação económica e comercial entre
os países participantes através das visitas recíprocas de alto nível, nomeadamente visitas à China da Presidente
do Brasil, Dra. Dilma Vana Rousseff,
do Presidente de Moçambique, Dr.
Armando Guebuza, do Presidente de
Timor-Leste, Dr. José Ramos Horta, e a
visita ao Brasil e a Portugal do Presidente da China, Dr. Hu Jintao.
II. Há grande contribuição do papel de
Macau como plataforma no desenvolvimento das relações económicas e comerciais bilaterais.
Os esforços comuns dos países participantes, do governo da RAEM, do
Secretariado Permanente, bem como
dos sectores empresariais permitiram
que as trocas comerciais entre a China
DESTAQUE
e os Países de Língua Portuguesa em
2011 atingissem o volume de 117.234
milhões de dólares, um aumento de
25.811 milhões de dólares e um acréscimo de 28 por cento, face ao mesmo
período de 2010 (91.423 milhões de
dólares), alcançando, antecipadamente
em dois anos, e superando a meta fixada para as trocas comerciais em 2013
(100 mil milhões de dólares americanos), definida na 3ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau.
III. Tem-se alargado a cooperação na
área de formação de recursos humanos
para os Países de Língua Portuguesa.
A cooperação na área de formação de
recursos humanos entre a China e os
Países de Língua Portuguesa tem sido
fortemente consolidada. Autoridades
e técnicos provenientes dos Países de
Língua Portuguesa foram convidados
a frequentarem vários cursos ou colóquios no interior da China, nas áreas
de Administração Económica, do Comércio, Investimento e Cooperação
Empresarial, Agricultura e Pescas,
Construção de Infra-estruturas e Exploração de Recursos Naturais e Cooperação para o Desenvolvimento. Até
à presente data, cerca de 3.000 responsáveis e técnicos, provenientes dos
Países de Língua Portuguesa, participaram em actividades para a cooperação no domínio de desenvolvimento
de recursos humanos.
Em Março de 2011 teve lugar a Cerimónia de Descerramento da Placa do
Centro de Formação do Fórum de Macau com a organização do governo da
RAEM. O Centro de Formação contabilizou, para o ano transacto, um total de
formação de 148 responsáveis e técnicos dos Países de Língua Portuguesa e
três personalidades de Macau.
IV. Organiza-se o Secretariado Permanente de actividades para a promoção
das relações económicas e comerciais
no quadro do Fórum.
O Secretariado Permanente, no ano de
2011, marcou presença participando
principalmente nos seguintes eventos:
Reunião Anual das Agências para a Promoção do Investimento da China e dos
Países Estrangeiros; 109ª e 110ª Feira de
Cantão; 14ª China Chongqing International Investment and Global Sourcing
Fair (CCISF); 2º Fórum Internacional
sobre o Investimento e Construção de
Infra-estrutura; 7ª Exposição de Comércio e Investimento do Nordeste da Ásia;
15ª Feira Internacional do Investimento e
do Comércio da China, na Semana Dinâmica de Promoção de Macau – Nanning
de Guangxi; 7º Fórum do Pan-Delta do
Rio das Pérolas para Cooperação e Desenvolvimento Regional e Feira Comercial, etc. Dentro das referidas actividades
o Secretariado Permanente divulgou as
políticas e ambientes de investimento
dos Países de Língua Portuguesa, explorando as oportunidades concretas de
cooperação efectiva entre as empresas.
V. Incrementa-se a participação das
comunidades de Macau nos assuntos
para a cooperação económica e comercial no quadro do Fórum.
“As comunidades de
Macau têm atribuído
uma grande importância
ao desenvolvimento da
região, apresentando
muitas e valiosas propostas
sobre a consolidação da
plataforma de serviços para
a cooperação económica
entre a China e os Países de
Língua Portuguesa assumida
por Macau.”
O Governo da RAEM prestou apoio na
organização de delegações de empresários do interior da China e de Macau
para efectuarem visitas aos Países de
Língua Portuguesa, organizando de
forma activa os Encontros dos Empresários para a Cooperação Económica
e Comercial da China e dos Países de
Língua Portuguesa realizados em Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Brasil e Portugal, prestando por sua vez
apoio aos empresários dos Países de
Língua Portuguesa para participarem
em diversas exposições, feiras e bolsas
de contactos organizados no interior
da China e em Macau.
As comunidades de Macau têm atribuído uma grande importância ao desenvolvimento da região, apresentando muitas e valiosas propostas sobre a
consolidação da plataforma de serviços
para a cooperação económica entre a
China e os Países de Língua Portuguesa
assumida por Macau. As empresas de
Macau têm prestado apoio em vários
domínios aos empresários chineses que
têm interesses em desenvolver negócios e realizar investimento nos mercados dos Países de Língua Portuguesa
e vice-versa, na vertente de tradução,
consultadoria, agentes, fornecimento
de informações de projectos, estudo
dos mercados potenciais, assim como
apresentação dos parceiros.
Em conformidade com as exigências
previstas no 12º Plano Quinquenal e o
estipulado no Acordo Quadro de Cooperação Guangdong - Macau, o Secretariado Permanente irá acompanhar
seis medidas anunciadas por S. Exa. o
Primeiro-ministro do Conselho de Estado da República Popular da China, Dr.
Wen Jiabao, na 3ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau, concretizando
o Plano de Acção para a Cooperação
Económica e Comercial (2010-2013),
promovendo a cooperação na área de
recursos humanos e facilitação do investimento e do comércio, utilizando o
papel de Macau como plataforma de
serviços comerciais entre a China e os
Países de Língua Portuguesa.
Em simultâneo, o Secretariado Permanente irá apoiar também a RAEM na sua
estratégia de diversificação adequada da
economia e na aceleração do desenvolvimento das indústrias de turismo e lazer, convenções e exposições, medicina
tradicional chinesa, educação, indústrias
criativas e culturais, estudando ainda
de forma pragmática a possibilidade de
participar no desenvolvimento da exploração da Ilha de Hengqin, associando as
estratégias de reconversão e valorização
das indústrias e de “desenvolvimento
externo” adoptadas por Guangdong,
e reforçando o nível de cooperação
entre a região do Grande Delta do Rio
das Pérolas, a fim de contribuir para a
melhor cooperação económica entre o
interior da China, Macau e os Países de
Língua Portuguesa.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 27
DESTAQUE
SAIBA COMO NEGOCIAR E
FAZER NEGÓCIOS NA CHINA
>POR MIGUEL ATAIDE COELHO, DIRECTOR DO ESCRITÓRIO DA AICEP EM PEQUIM
Tal como todos os países
e culturas, a China
tem características
civilizacionais próprias que
se reflectem no mundo
dos negócios. Eis algumas
sugestões, certamente
úteis, para quem quer
negociar e fazer negócios
no Império do Meio.
E vitar preconceitos e ideias feitas sobre a China e os chineses, uma vez
que existe uma forte probabilidade de
estarem desactualizados. A China é
hoje uma grande potência comercial e
industrial, com empresas e executivos
altamente sofisticados e preparados.
28 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
anter uma atitude negocial tão flexível
M
quanto possível. As empresas chinesas
podem estar confrontadas com restrições legais, ou meramente burocráticas,
com as quais não estamos habituados
a lidar, o que obriga a soluções alternativas. Paradoxalmente, uma atitude
flexível obriga a uma preparação da negociação e da definição dos seus limites
ainda mais cuidada e aturada, sob pena
de se perder o controlo do processo.
P or razões culturais e de dimensão
média das empresas, os processos negociais tendem a ser mais longos e ritualizados. A decisão tende a ser mais
colectiva e a envolver vários departamentos e níveis de aprovação, pelo
que é relativamente comum terem
lugar várias rondas negociais a vários
níveis hierárquicos.
É também comum estar presente um
número elevado de interlocutores do
lado chinês. Embora a regra seja a de
que apenas o interlocutor hierarquicamente superior conduza a conversa,
este pode passar a palavra ou consultar
os restantes elementos sobre aspectos
específicos. Sempre que possível, aconselha-se as empresas portuguesas a que
também tenham à mesa das negociações mais do que uma pessoa para dividir e partilhar “as despesas” da reunião.
s empresas e negociadores chineses
A
costumam ser competentes e preparar
muito bem as negociações. A famosa
expressão “win-win” (benefício mútuo) é quase sempre utilizada, mas a
parte chinesa tentará, como aliás é natural, fazer reverter o benefício para o
seu lado tanto quanto possível.
DESTAQUE
As equipas chinesas gerem habitualmente muito bem o processo negocial.
Cabe às empresas portuguesas também
fazer uma boa gestão da negociação e
evitar concessões e decisões precipitadas. Capacidade de argumentação, de
colocar questões até perceber o que realmente está em causa, gerir o tempo
de decisão escudando-se também em
validações hierárquicas, são algumas
das técnicas a dominar. Sempre que
necessário, saber dizer “não” com a
elegância possível.
Mesmo após uma conclusão da negociação por escrito, podem ainda ter lugar pedidos de alteração ou concessões
adicionais. A negociação tende, assim,
a tornar-se um processo constante.
A tradução é outro aspecto a ter em
conta. Vários problemas de interpretação e de entendimento podem resultar
deste instrumento de negociação. Mais
uma vez, questionar e clarificar conceitos e interpretações pode não ser uma
perda de tempo. Se for possível ter do
seu lado um tradutor competente que
alerte para possíveis falhas de tradução
e que até possa monitorizar as conversas entre a outra equipa, tal pode
revelar-se um investimento útil.
Aconselha-se as empresas portuguesas a não dispensarem aconselhamento jurídico no estabelecimento de contratos relevantes. A distância, a língua
e o ordenamento jurídico chinês não
serão fáceis de ultrapassar e navegar
em caso de problemas, pelo que um
bom contrato, com as defesas possíveis, poderá ser um instrumento de
grande utilidade. Existem em Portugal
muitos advogados ou escritórios com
experiência em comércio internacional
e alguns escritórios portugueses estão
até presentes na China.
Cartões de visita: são a primeira imagem da empresa e identificação do interlocutor e merecem o maior respeito.
Devem ser entregues e recebidos com
as duas mãos e tratados com cuidado.
Troca de lembranças: é relativamente
comum e mal não fará se as empresas portuguesas estiverem munidas de
“give-aways” da empresa ou alusivos à
região/país em que se inserem. Trata-se
de lembranças e não de presentes caros.
Almoços e jantares: encontros de negócios são muitas vezes seguidos de convites para uma refeição. As empresas chinesas, e os chineses em geral, costumam
colocar muito cuidado na recepção dos
seus interlocutores e têm orgulho em recebê-los o melhor que sabem. Ao longo
da refeição, o ambiente fica progressivamente mais informal e convém preparar
o estômago para iguarias menos comuns
e o fígado para vários brindes…
Por último, em termos de protocolo,
sugere-se:
Pontualidade: é comum as empresas chinesas chegarem até antes da
hora marcada.
Formalismo: respeito pela hierarquia.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 29
DESTAQUE
CHINESES E PORTUGUESES
NA CHINA NO SÉC. XVI
Os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar à China por mar, no século
XVI. Por terra, a primazia parece pertencer à família veneziana Polo, que andou
por lá séculos antes a percorrer a Rota da Seda, tendo Marco Polo escrito sobre as
suas viagens pelo oriente, incluindo a China. Séculos mais tarde, o português Fernão
Mendes Pinto relataria também as suas andanças pelo Oriente no auge da expansão
marítima portuguesa, numa obra magnífica – ”Peregrinação”.
Os primeiros contactos dos portugueses com a China datam de 1513, quando Jorge Álvares chegou à Ilha de LingTing, e de 1515, quando Rafael Perestrelo chegou ao Rio da Pérola. Cerca de
duas décadas mais tarde, os portugueses instalaram-se provisoriamente em
Macau, mas as autoridades imperiais
só concederam autorização para se fixarem ali permanentemente cerca de
três anos depois, como recompensa do
auxílio prestado aos chineses contra a
pirataria marítima.
30 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
Desde o início marcado pela tolerância
e pela convivência pacífica entre portugueses e chineses, Macau transformouse a partir de então num conhecido
porto de abrigo para os navegadores
portugueses, e não só, e tornar-se-ia
num dos maiores entrepostos comerciais do Oriente, sendo paragem obrigatória nas viagens entre a Europa, a
China e o Japão.
Ao contrário do tratamento dispensado aos indianos, quando os portugue-
ses chegaram à China identificaram os
chineses não como infiéis, mas como
gentios, interessando-se vivamente
pela sua cultura – organização social,
cidades, tecnologia, e especialmente
pela tipografia – caracterizando os chineses como muito corteses.
Gente estranha
Apesar deste entendimento, nos princípios do séc. XVI, a percepção que os chineses tiveram dos portugueses quando
DESTAQUE
mar e em terra, onde cometiam com
frequência excessos. Por isso, os chineses preferiam confiná-los territorialmente, como em Macau, onde pudessem ser observados, vigiados e avaliados, e até imitados, pelo seu engenho
náutico, comercial e militar.
Não que os chineses e o seu imperador temessem os portugueses pela sua
capacidade ofensiva, pois quando estes
conseguiam invadir o litoral da China,
tentando estabelecer-se, a vitória era
efémera: os reforços chineses não se
faziam tardar e acabavam sempre por
expulsar os invasores.
A inexistência de feitorias ou fortalezas portuguesas na costa chinesa, decorre precisamente desta capacidade
militar dos chineses em terra, havendo
no entanto uma excepção, Macau, local onde os portugueses conseguiram
fixar-se por negociação e com autorização do imperador da China.
estes chegaram ao litoral de Cantão, vindos de Malaca pela mão dos comerciantes chineses que Afonso de Albuquerque
protegia, era a de pessoas estranhas,
vinda de muito longe, a que chamaram
bo-yi (estrangeiros que vivem nos navios)
e ao-yi (estrangeiros das enseadas).
Os chineses viam os portugueses simultaneamente como temíveis e peculiares, em nada semelhantes à aparência
dos povos que rodeavam o Império do
Meio: rostos rosados e cabelos claros,
narizes aduncos e olhos esverdeados,
astutos e penetrantes como os dos
felinos. Além disso, acreditavam inicialmente que os portugueses fossem
canibais, raptassem crianças e caíssem
facilmente na intemperança, ira e violência, operando-se neles uma estranha metamorfose em que deixavam
de ser humanos para se transformarem
em animais selvagens.
Esta visão decorria do poder de fogo
dos barcos portugueses – vistos como
fortalezas flutuantes – e da capacidade de combate das suas tripulações no
Os primeiros contactos entre chineses
e portugueses haviam sido até certo
ponto cordiais, embora os portugueses fossem sempre recebidos com desconfiança. Esta atitude de distanciada
prudência era a forma com que os chineses acolhiam os bárbaros de regiões
remotas como a Europa, de que faziam
parte os navegadores e comerciantes
portugueses, sobre os quais pouco
“Os primeiros contactos entre
chineses e portugueses haviam
sido até certo ponto cordiais,
embora os portugueses
fossem sempre recebidos
com desconfiança. Contudo,
esta atitude de distanciada
prudência era a forma com
que os chineses acolhiam os
bárbaros de regiões remotas
como a Europa.”
sabiam. Assim, os chineses preferiam
manter um distanciamento amigável,
cordial, quando não condescendente.
Por outro lado, tinham pouco interesse
em convertê-los aos costumes chine-
ses, ao contrário dos portugueses que,
pela via missionária, tentavam aculturar os chineses aos valores do Cristianismo. Apesar das boas relações com
os estrangeiros, a China nunca se envolveu num contacto prolongado com
outro país, numa base de igual para
igual, pelo simples motivo de que nunca encontrou sociedades de cultura ou
grandeza comparáveis às suas.
Havia no entanto uma outra diferença
de atitude, que separava os chineses
dos portugueses: enquanto estes procuravam o lucro pessoal, o enriquecimento fácil, servindo-se do falso pretexto de servir o rei e a Deus, os chineses viviam dedicadamente para servir
seu imperador e a grandeza da China,
numa lógica de Império do Meio, de
centro do Mundo.
Centro do mundo
Nos muitos milénios de civilização chinesa, a China nunca se viu forçada a
lidar com outros países ou outras civilizações que fossem comparáveis a
ela em escala e sofisticação. Assim, o
isolamento chinês gerou uma auto-percepção muito particular: as elites chinesas e, com elas, o povo, interiorizaram
a ideia de que a China era única, isto
é, não apenas uma grande civilização
entre outras, mas a própria civilização.
Quando os portugueses chegaram
à costa da China no século XVI, esta
desde há muito que comerciava com
estrangeiros e ocasionalmente adoptava ideias e invenções de fora, embora
enquanto civilização, os chineses acreditassem profundamente que os mais
valiosos bens materiais e conquistas
intelectuais se encontravam dentro da
própria China.
No seu papel enquanto império, os
chineses ofereciam aos povos estrangeiros imparcialidade, não igualdade,
tratando-os de forma humana e compassiva (mas firme se necessário para
defender o seu território e civilização),
respeitando-os na medida da sua capacidade para absorver a cultura chinesa
e da observância de rituais sociais que
demonstrassem a sua sincera submissão à China, como civilização e centro
do mundo.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 31
DESTAQUE
PORTUGAL – CHINA
COMÉRCIO BILATERAL
uma taxa de crescimento médio anual
de 24 por cento, dado que os acréscimos de 2008 e 2010 foram inferiores
a 10 por cento.
Quanto às importações, é de referir
que os valores diminuíram 4,9 por cento em 2011, mas o crescimento médio
anual foi de 11,4 por cento no período
considerado. O saldo da balança comercial é tradicionalmente desfavorável para Portugal, tendo-se cifrado em
menos 1,1 milhões de euros em 2011.
As exportações portuguesas de bens para a China
cresceram 67,9 por cento em 2011, face ao ano anterior,
atingindo perto de 395 milhões de euros. No comércio
de serviços registou-se igualmente um forte aumento
das exportações (109,2 por cento), que permitiu reduzir
substancialmente o défice da balança bilateral nesta área.
De acordo com dados do INE, no ano
passado o valor das exportações portuguesas de bens para a China au-
Nas exportações portuguesas com destino à China, em 2011, surgem na primeira
posição os minerais e minérios (20,6 por
cento do total), seguindo-se os veículos
mentou 67,9 por cento face a 2010.
No período de 2007-2011 as vendas
portuguesas para a China registaram
BALANÇA BILATERAL - COMÉRCIO DE BENS
2007
2008
2009
2010
2011
Var %a 07/11
Var %b 10/11
Exportações
181.136
184.018
221.818
235.109
394.720
24,0
67,9
Importações
1.063.431
1.342.004
1.114.669
1.576.303
1.499.133
11,4
-4,9
Saldo
-882.296
-1.157.987
-892.850
-1.341.194
-1.104.413
--
--
17,0%
13,7%
19,9%
14,9%
26,3%
--
--
Coef. Cobertura (%)
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística Unidade: Milhares de euros
Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2007-2011;
2007 a 2009: Resultados definitivos; 2010 e 2011: Resultados preliminares
32 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
(b) Taxa de variação homóloga 2010-2011
DESTAQUE
e outro material de transporte (16,3 por
cento), as máquinas e aparelhos (14,9
por cento), as pastas celulósicas e papel
(11,4 por cento) e os metais comuns (8,2
por cento), tendo-se registado incrementos nos valores de todos estes agrupamentos de produtos de 2010 para 2011.
Refira-se que os cinco principais grupos
de produtos absorveram cerca de 71 por
cento do total das nossas vendas para
esse mercado nesse ano.
Numa análise mais em detalhe, há que
referir que os subgrupos relativos a
mármores, travertinos, granitos belgas
e outras pedras calcárias de cantaria, e
a minérios de cobre e seus concentrados representaram, em conjunto, cerca de 79 por cento do valor global de
grupo de minerais e minérios em 2011.
No grupo veículos e outro material de
transporte é de salientar que 92 por
cento do total exportado foram automóveis de passageiros e outros veículos
de transporte de passageiros.
Os produtos classificados como de baixa
intensidade tecnológica representaram
38,8 por cento das exportações portuguesas para a China em 2010 (último
ano disponível) de produtos industriais
transformados (67,4 por cento das exportações totais), seguindo-se os produtos com graus de intensidade tecnológica
alta (24 por cento), média-alta (23,1 por
cento) e média-baixa (14,2 por cento).
De acordo com o INE, o número de
empresas portuguesas exportadoras de
produtos para esse país tem vindo a aumentar, passando de 603 em 2006 para
832 em 2010 (mais 38 por cento), tendo
as empresas importadoras daquele mercado atingido o número de 5.632 no
mesmo ano (últimos dados disponíveis).
No que respeita às importações portuguesas provenientes da China, na
primeira posição situou-se o grupo das
máquinas e aparelhos, que representou
33,8 por cento do montante global de
2011. Seguiram-se os metais comuns
(10,7 por cento), vestuário (9,1 por
cento), outros produtos (7,2 por cento)
e produtos químicos (6,4 por cento).
As cinco primeiras categorias de produtos representaram, em conjunto, cerca
de 67 por cento do respectivo valor total desse ano. Desses agrupamentos de
produtos, apenas o vestuário e os produtos químicos aumentaram em 2011
face ao ano anterior (respectivamente,
11,9 por cento e 5,4 por cento).
Os produtos classificados como de
baixa intensidade tecnológica representaram 31,9 por cento das importações portuguesas da China, em 2010,
de produtos industriais transformados
“O número de empresas
portuguesas exportadoras de
produtos para esse país tem
vindo a aumentar, passando
de 603 em 2006 para 832
em 2010 (mais 38 por
cento), tendo as empresas
importadoras daquele
mercado atingido o número
de 5.632 no mesmo ano
(últimos dados disponíveis).”
(98,7 por cento das importações totais). Seguiram-se os produtos com
graus de intensidade tecnológica média-alta (29,8 por cento), alta (20,6 por
cento) e média-baixa (17,7 por cento).
Refira-se que ao nível das exportações
a China registou, em 2011, a quota
mais elevada dos últimos cinco anos
(0,93 por cento), tendo o valor percentual de 2007 sido de 0,47 por cento.
Em termos do respectivo ranking, passou da 24ª posição em 2007 para o 14º
lugar em 2011.
As quotas das importações portuguesas de bens provenientes daquele país
aumentaram de 2007 a 2010, mas diminuíram em 2011, tendo a China passado de uma quota de 1,77 por cento
em 2007 para 2,76 por cento em 2010
e para 2,6 por cento no ano passado.
Apesar do valor percentual de 2011
ser superior ao de 2007, a China ficou
no 9º lugar nos respectivos rankings
de fornecedores relativos a esses dois
anos, tendo ocupado, igualmente, essa
posição em 2009.
Serviços
As exportações portuguesas de serviços para a China e as importações
provenientes desse país são poucos relevantes, mas é de registar em 2011 o
forte aumento das exportações nacionais para a China: mais 109,2 por cento face a 2010 e mais 44,2 por cento
no período de 2007-2011.
Pelo contrário, as importações de serviços
da China diminuíram 11,2 por cento em
2011 face ao ano anterior, tendo crescido apenas 5 por cento no período de
cinco anos em referência, o que permitiu
reduzir substancialmente o défice da balança comercial de serviços bilateral.
Em 2011 o coeficiente de cobertura
das importações pelas exportações registou o valor percentual mais elevado
dos últimos cinco anos, cifrando-se em
75,2 por cento.
BALANÇA BILATERAL - COMÉRCIO DE SERVIÇOS
2007
2008
2009
2010
2011
Var %a 07/11
Var %b 10/11
Exportações
8.676
11.100
9.805
14.827
31.015
44,2
109,2
Importações
35.507
37.759
35.503
46.420
41.216
5,0
-11,2
Saldo
-26.831
-26.659
-25.698
-31.593
-10.201
--
--
Coef. Cobertura (%)
24,4%
29,4%
27,6%
31,9%
75,2%
--
--
Fonte: Banco de Portugal Unidade: Milhares de euros
Notas: ( a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2007-2011
(b) Taxa de variação homóloga 2010-2011
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 33
DESTAQUE
CHINA EM FICHA
ENDEREÇOS ÚTEIS
EMBAIXADA DE PORTUGAL
NA CHINA
Pequim
R. P. China
San Li Tun Dong Wu Jie, 8
100600 Pequim
China
Tel.: +86-10-653 232 20/42
Fax: +86-10-653 246 37
[email protected]
CENTRO DE NEGÓCIOS DA AICEP
NA R. P. CHINA
8 San Li Tun Dong Wu Jie
Beijing 100600
The PEOPLE’S REPUBLIC OF CHINA
Tel: +86-10-65 32 04 01/5
Fax: +86-10-65 32 67 46
[email protected]
Director: Miguel Coelho
Área: 9.561.000 km2
População: 1.320,3 milhões de habitantes
(estimativa 2011)
Densidade populacional: 138 habitantes
por km2 (estimativa 2011)
Unidade monetária: Yuan (Renmimbi) da
China (CNY)
1 EUR = 8,2759 CNY (média semanal - 7
de Fevereiro 2012)
Risco País:
Designação oficial: República Popular da
China
Risco monetário - BBB
Chefe do Estado: Presidente Hu Jintao
(desde Março 2003)
Risco político - B
Vice-Presidente: Xi Jinping
(AAA = risco menor; D = risco maior)
Primeiro-Ministro: Wen Jiabao
Data da actual constituição: 4 de
Dezembro de 1982; foram introduzidas
alterações em 1993, 1999 e 2004.
Principais partidos políticos: Partido
Comunista Chinês (PCC). As últimas
eleições para um novo governo, no
Congresso Nacional Popular, ocorreram em
Março de 2008.
Capital: Pequim (Beijing) – 14 milhões de
habitantes (estimativa 2010)
Outras cidades importantes: Xangai;
Shenzhen; Guangzhou (Cantão); Tianjin;
Chongqinq; Chengdu; Wuhan; Xi’an;
Zhengzhou; Nanjing; Changsha.
Religião: A principal religião praticada é o
budismo, existindo também o daoismo e
minorias muçulmanas e cristãs.
Língua: A língua oficial é o putonghua
(dialecto de Pequim, usualmente conhecido
por mandarim). No sudoeste e sudeste são
falados dialectos locais.
34 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
Risco do sector bancário - B
ESCRITÓRIO DA AICEP EM XANGAI
16th floor,Crystal Century Tower, Nº 567
Wei Hai Road
Shanghai 200041
The PEOPLE’S REPUBLIC OF CHINA
Tel. (geral): +86-21-628 867 67;
extensões: 501 e 505
Tel. (linha directa): +86-21-628 865 70
Fax: +86-21-628 865 71
[email protected]
Director: Filipe Costa
Risco de estrutura económica - A
(EIU - Fevereiro 2012)
Ranking de negócios: Índice: 6,41
(10=Máximo)
Ranking geral: 45 (entre 82 países)
(EIU - Fevereiro 2012)
Risco de crédito: 2 (1 = risco menor; 7 =
risco maior)
(COSEC - Janeiro 2012)
Grau de abertura e dimensão relativa
do mercado:
Exp. + Imp. (bens e serviços) / PIB =
56,6% (estimativa 2011)
Imp. (bens e serviços) / PIB = 26,8%
(estimativa 2011)
Imp. (bens) / Imp. Mundial = 9,06%
(2010)
Fontes:
The Economist Intelligence Unit (EIU) Country Report (Fevereiro 2012); ViewsWire
(Fevereiro 2012) U.S. Dep. of State - Bureau
of East Asian and Pacific Affairs (Setembro
2011); World Trade Organization (WTO);
Banco de Portugal.
ESCRITÓRIO DA AICEP EM MACAU
Consulado-Geral de Portugal
Edifício S. Rafael
Rua Pedro Nolasco da Silva, 45 - 2º
Macau SAR
The PEOPLE’S REPUBLIC OF CHINA
Tel.: +853-28 72 83 00/1
Fax: +853-28 72 83 03
[email protected]
Directora: Mariana Oom
EMBAIXADA DA CHINA
EM PORTUGAL
Rua do Pau de Bandeira, 11-13
1200-756 Lisboa
Tel.: +351 213 928 430
Fax: +351 213 928 431
[email protected]
www.fmprc.gov.cn/ce/cept
CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA
LUSO CHINESA Rua António Patrício, 5 - R/c B,
1700-047 Lisboa Tel.: +351 217 934 284
Fax: +351 217 934 316 [email protected]
http://www.ccil-c.pt
EMPRESAS
RALUT
APOSTA NA INTERNACIONALIZAÇÃO
Apesar de ser uma empresa ainda jovem, a Ralut está já presente em vários
mercados externos e aposta agora na expansão para a América latina e África. A
PME de Águeda fabrica e comercializa mobiliário metálico para escritórios, escolas,
hotéis e hospitais.
36 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
EMPRESAS
A Ralut – Indústria de Mobiliário, Lda.,
é uma PME Líder que se dedica à fabricação e comércio, por grosso e a
retalho, de mobiliário metálico. Fundada em Janeiro de 2006, a empresa está localizada em Vale do Grou,
Águeda, com a respectiva sede e unidade fabril.
A empresa disponibiliza mobiliário
de escritório, hoteleiro, escolar, hospitalar, estanteria de armazenamento e vestiários/cacifos, entre outros,
tendo vindo a aumentar progressivamente a gama de produtos com
o objectivo de oferecer uma maior
diversidade de soluções, que melhor
se adaptem às necessidades e expectativas dos clientes.
Apesar de ser uma empresa relativamente jovem, a Ralut pretende cimentar a sua presença no mercado
nacional e ser reconhecida nos mercados internacionais pela qualidade
dos produtos oferecidos, a relação de
proximidade que mantém com o cliente, o factor preço, a funcionalidade de
montagem dos produtos, bem como
através de toda a equipa de colaboradores que permite que a mercadoria
chegue ao cliente atempadamente e
em óptimas condições.
Fruto do sucesso alcançado, e após um
estudo e análise dos factores internos e
externos à empresa, a Ralut decidiu dar
início, em 2010, a um projecto de internacionalização, nomeadamente para
África, América do Sul e América Central, tendo, nesse sentido, apresentado
um projecto ao Programa Mais Centro,
um instrumento do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) com
aplicação exclusiva à Região Centro.
Com um volume de negócios superior a 1,6 milhões de euros em 2011,
e com uma estrutura organizacional
que conta com 24 colaboradores, a
Ralut está actualmente presente em
Moçambique, São Tomé, Cabo Verde
e Angola, representando estes merca-
dos 20 por cento do total do volume
de negócios da empresa, percentagem
que deverá registar um crescimento
substancial em 2012. A abordagem
ao mercado sul-americano, nomeadamente, Chile, Argentina, Peru e
Uruguai só foi iniciada este ano, esperando-se, segundo fonte da empresa,
um crescimento relevante para estes
mercados em 2012 e 2013.
ra, através da visita a feiras da especialidade, para conhecer novos produtos,
novas tendências e novos mercados;
a segunda, de prospecção, através da
abordagem do mercado local, do estabelecimento de contactos comerciais e
identificando potenciais clientes. Esta
estratégia teve como objectivo conhecer o mercado e identificar nichos de
mercado inexplorados, perspectivando-se assim a angariação de importadores locais de dimensão considerável,
refere a mesma fonte.
A Ralut tem como objectivos, a curto
e médio prazo, chegar a novos mercados, nomeadamente na Europa (Espanha e França) e no continente africano,
entre os quais Tunísia e Gana, utilizan-
do a mesma a estratégia, e consolidar
a presença nos mercados onde já se
encontra.
Ralut
Vale do Grou
3750-906 Aguada de Baixo
Águeda Portugal
Tel.: +351 234 660 960
Fax: +351 234 660 961
[email protected]
A abordagem a estes mercados abrangeu duas estratégias distintas: a primei-
www.ralut.com
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 37
EMPRESAS
MUNNA
UMA NOVA PERSPECTIVA DO DESIGN
PORTUGUÊS
Exportar e internacionalizar são, desde a sua criação, as palavras de ordem e o
caminho da MUNNA, a marca portuguesa de design de mobiliário que, em poucos
anos, conseguiu afirmar-se nos mercados internacionais mais exigentes.
38 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
EMPRESAS
A MUNNA é uma marca portuguesa
dedicada à produção de peças de estofo únicas – poltronas, sofás, cadeiras
de jantar e biombos –, feitas à mão
por artesãos do Porto e utilizando
técnicas tradicionais portuguesas. A
marca surgiu em 2008, em Leça do
Balio, pelas mãos da designer Paula
Sousa que, um ano mais tarde, cria a
empresa URBANMINT DESIGN com o
objectivo de se tornar uma referência
internacional na área do design. As
peças são desenhadas por uma equipa
de designers que fazem parte da marca, sempre com a identidade MUNNA.
Desde a sua fundação que a estratégia
da empresa estava bem definida: exportar e internacionalizar são as palavras de
ordem e o caminho, como refere Paula
Sousa. Actualmente a marca exporta
para 32 países. Reino Unido, Arábia
Saudita, França e Suíça são os principais
clientes da marca portuguesa.
para lançar a sua nova peça, a namoradeira Yes, No, Maybe So; na INTERIORS
UAE em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos; e na DECOREX, em Londres, em Setembro, onde comemorou
o seu 3º aniversário e lançou a poltrona
Becomes Me. A nível nacional, passou
pela Experimenta Design, em Lisboa,
com a instalação SLOW DATING.
Já este ano voltou a marcar presença
na Maison et Objet, em Paris, e na
Stockholm Furniture Fair, na Suécia.
A MUNNA tem também recebido algumas distinções no exterior, designada-
mente no Reino Unido onde já foi capa
da IDFX (Interior Design For Professionals) e viu distinguida uma das poltronas da colecção MUNNA por esta revista como um dos melhores produtos
do ano (“Best of 2008”). Em 2011 foi
nomeada para os prémios Design et al,
uma iniciativa da revista inglesa Design
et al que visa distinguir o que de melhor se faz no mundo do design de interiores e da arquitectura.
Além da marca de design de mobiliário
MUNNA, a URBANMINT DESIGN conta
já com um canal on-line, a DESIGN TV,
e a agência de comunicação PRESSKIT.
Em 2011 a MUNNA vendeu cerca de
450 peças, o que representou um crescimento de quase mil por cento em relação a 2010. Para este desempenho,
frisa a responsável, muito contribuiu a
participação em eventos e feiras sectoriais internacionais do sector.
“Participar nas feiras estrangeiras permite essencialmente à marca comunicar os seus valores e estar próxima de
onde os negócios acontecem, sendo
uma óptima oportunidade para socializarmos com os clientes e estarmos a
par do que está a acontecer no mercado”, defende Paula Sousa, acrescentando que o mercado internacional
“absorve muito bem o conceito da
marca, a produção artesanal aliada ao
design, conceitos em extinção que são
muito apreciados”.
Refira-se que cerca de 90 por cento dos
produtos MUNNA são vendidos para
clientes estrangeiros.
A MUNNA tem vindo a participar nas
mais diversas exposições nacionais e
internacionais de design. Em 2011 marcou presença na conceituada Maison
et Objet em Paris, em parceria com a
BALTAZARMAP; expôs na Milan Design
Week, em Milão, aproveitando o evento
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 39
EMPRESAS
Projectos
recentes
Hotel Royal Óbidos Spa
& Golf Resort
Óbidos | Portugal
Hotel Four Seasons Baku
Baku | Azerbeijão
Hotel London May Fair
Londres | Reino Unido
Hotel Park Plaza, KUKU Club
Cardiff | Reino Unido
Mandarin Oriental
Hyde Park
Londres | Reino Unido
Hotel Murmuri
Barcelona | Espanha
Hotel Infante Sagres
Porto | Portugal
A DESIGN TV tem por objectivo instruir
e difundir o design a nível nacional e
internacional. “Há muito trabalho a
fazer pelo design no nosso país. Decidimos escolher um caminho claro, o
de contribuir através da sua divulgação”, explica Paula Sousa, adiantando
que a DESIGN TV pretende ser “um
projecto único e criativo que divulgue
a excelência do design português, não
apenas para profissionais do sector,
mas para toda a sociedade”. Todos os
conteúdos do canal estão disponíveis
em português e inglês. Em projecto
está a criação da semana do design
de Portugal, acrescenta a responsável
da empresa.
MUNNA
Rua de Santana, 157, B1
4465-741 Leça do Balio
Porto. Portugal
Tel.: +351 220 165 782
Fax: +351 229 022 362
[email protected]
www.munnadesign.com
40 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
EMPRESAS
GOLFINHO QUER EXPORTAR
PARA MAIS MERCADOS
A Golfinho é uma PME de Águeda que fabrica componentes em madeira e que tem
no mercado espanhol o seu principal cliente externo. A empresa distingue-se pela
qualidade dos seus produtos e quer agora chegar a outros mercados na Europa e na
América, bem como a Marrocos.
Fundada em Outubro de 2010 no concelho de Águeda, a Golfinho – Inovação em Bricolage, Lda. tem no seu portefólio de produtos varões e acessórios
em madeira e metal, calhas; cabides e
sanitários, estores, persianas e cortinas,
disponibilizando um leque de soluções
diversificadas, que permite a combinação de diferentes materiais (como por
exemplo, madeira e metal).
No entanto, a empresa apenas produz nesta unidade componentes em
madeira, como varões, suportes de
varões, terminais de varões, argolas
de madeira para cortinas, cabides e
artigos casa de banho em madeira,
sendo os restantes produtos em metal
ou tecido adquiridos enquanto mercadorias ou materiais de consumo,
como são o caso dos componentes
metálicos (varões, argolas, terminais,
bengalas) e têxteis (cortinas e estores
em tecido).
A Golfinho fechou o seu primeiro ano
de actividade com um volume de negócios a rondar os 2 milhões de euros,
realizado quase exclusivamente no
mercado ibérico, representando Espa-
nha cerca de 30 por cento do total. As
exportações para outros países foram
pontuais, não tendo ainda expressão
no volume de negócios da empresa.
A estratégia da empresa passa por uma
forte aposta na internacionalização,
razão que levou à candidatura a um
projecto QREN, actualmente em execução, através da participação em Feiras
e ações de prospeção em vários mercados considerados estratégicos para a
sua área de negócio: Alemanha, Brasil,
Espanha, Estados Unidos, Marrocos e
América Latina, entre outros.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 41
EMPRESAS
A empresa tem por objectivo, no curto
e médio prazo, alcançar vendas fora do
mercado ibérico na ordem dos 20 por
cento, fortalecendo assim a visibilidade
e notoriedade da marca Golfinho a nível global, refere fonte da empresa.
A Golfinho é detentora de várias Certificações no âmbito da Qualidade e Ambiente: Certificação ISO 9001:2008,
Certificação Ponto Verde e Certificação
FSC, esta última começando já a ser
um requisito imprescindível e uma mais
valia tanto a nível nacional como internacional. A “grande capacidade de
resposta e o cumprimento das especificações dos clientes, os curtos prazos de
entrega das encomendas e uma área
fabril com 12.000 metros quadrados,
uma área logística com cerca 4.000
mil metros quadrados e mais de 4.500
referências activas e disponíveis, são
igualmente elementos marcadamente
diferenciadores em relação a outros
‘players’”, reforça a mesma fonte.
“Queremos crescer ao lado e em prol
da satisfação dos nossos clientes, respeitando e promovendo claras políticas
amigas do ambiente”, afirma, acrescentando que é objectivo da empresa oferecer produtos inovadores, competitivos e
de qualidade superior, “sempre focados
em superar as expectativas dos clientes
e acrescentar valor ao seu negócio”.
Golfinho
Inovação em Bricolage, Lda.
Rua do Metalúrgico, 984 - ZI Giesteira
3750-325 Águeda PORTUGAL
Tel.: +351 234 623 450
Fax: +351 234 621 596
www.golfinho.pt
FILKEMP
TECNOLOGIA
ALEMÃ PARA
EXPORTAÇÃO
Fruto do know-how e da
tecnologia herdados da
antiga Hoechst, a Filkemp,
localizada perto de Sintra,
exporta 99 por cento
das quatro mil toneladas
de monofilamentos que
fabrica anualmente. Tem
na China, na Alemanha,
em Espanha e na Finlândia
os seus principais clientes.
Além destes mercados, que representam 75 por cento do volume de exportação da Filkemp, a empresa vende ainda para Bélgica, Itália, França, Coreia
do Sul e Estados Unidos, entre outros
países. Da exportação total, refira-se
que 65 por cento destina-se a países
da União Europeia, onde se destacam
a Alemanha (20 por cento do total), a
Espanha (13 por cento) e a Finlândia
(12 por cento).
A Filkemp produz monofilamentos de
poliamida para pesca desportiva e industrial, poliéster para a indústria de
papel, filtração e telas transportadoras,
e, mais recentemente, monofios abrasivos para polimento e rebarbamento
na indústria metalomecânica automóvel, limpeza e rochas ornamentais. Actualmente com uma produção anual a
rondar as 4 mil toneladas, a empresa
aposta na diversificação do risco através da entrada em novos mercados
(especialidades) de maior margem,
como é o caso dos fios abrasivos para
escovas industriais.
A Filkemp investiu 1,4 milhões de euros nesta nova área de negócio, a dos
42 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
EMPRESAS
monofios abrasivos para polimento e
rebarbamento na indústria metalomecânica automóvel, limpeza e rochas
ornamentais, um produto considerado
topo de gama e com o qual espera facturar três milhões de euros em 2014.
O sucesso da Filkemp, que nasceu
em 1998 quando foi adquirida à alemã Hoechst pelo empresário e gestor
Wolfgang Kemper e por outros dois
colaboradores da empresa, deve-se ao
know-how e tecnologia herdados da
antiga casa-mãe que foram potenciados e desenvolvidos pelos novos gestores, em conjugação com o “excelente serviço e flexibilidade portugueses
com focalização no cliente”, afirma
fonte da empresa.
Segundo a fonte, a Filkemp tem uma
estrutura de gestão “ligeira que permite rapidez de decisão e actuação
no que concerne a investimentos e
desenvolvimento de produto”. É uma
empresa familiar, cuja preocupação
principal tem sido o investimento em
produção e produtividade, “deixando
os lucros na empresa em vez de a descapitalizar através do pagamento de
dividendos”, o que permitiu chegar
ao final de 2011 com 63 por cento de
capitais próprios, mesmo investindo
cerca de um milhão de euros ao ano
em média, acrescenta.
A dinâmica de exportação desenvolvida com a ajuda de agentes locais, especialistas nas áreas de negócio, contribuiu igualmente para o sucesso da
empresa. A aposta no mercado chinês,
que representa mais de 30 por cento
das vendas totais, foi decisiva para o
êxito dos últimos anos.
A Filkemp iniciou a produção de monofilamentos PET para telas secadoras
da indústria de papel para a China em
2006, sendo hoje o maior fornecedor
mundial deste produto. Afirma o CEO
da empresa, Wolfgang Kemper, que
“muitas empresas portuguesas têm
medo de exportar para a China por não
se acharem competitivas, mas o mercado oferece imensas oportunidades”.
A produção de monofilamentos PET
para as telas secadoras implica um
know-how muito específico e complexo. Para garantir a qualidade do produto, a empresa trabalha em quatro
turnos, dia e noite, durante todo o
ano. É a qualidade do produto, aliada aos preços competitivos “made in
Portugal”, que permite a Wolfgang
Kemper estar optimista em relação ao
futuro e acreditar que as vendas ultrapassem os 20 milhões de euros nos
próximos dois anos.
Em 2011, a Filkemp registou um volume de negócios de aproximadamente
18 milhões de euros, as vendas cresce-
ram 18 por cento face ao ano anterior
e os lucros ascenderam a cerca de 2,5
milhões de euros. A empresa conta actualmente com 145 colaboradores.
Filkemp
Indústria de Filamentos, SA
Rua Francisco Lyon de Castro, 28
2726-932 Mem Martins | Portugal
Tel.: +351 219 229 427
Fax: +351 219 226 410
[email protected]
www.filkemp.com
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 43
OPINIÃO
CENTRALIDADE ECONÓMICA
E GEOGRÁFICA DOS PAÍSES
>POR PAULO BORGES, MESTRE EM ECONOMIA PORTUGUESA E INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL
(ISCTE–IUL) E KEY ACCOUNT MANAGER GRANDES EMPRESAS DA AICEP, DOCENTE CONVIDADO DO ISCTE-IUL
ográficas e do seu nível de actividade
económica. Constata-se, de forma inequívoca, que a Europa é a região que
apresenta um maior nível de centralidade económica a nível mundial, sobretudo ao nível dos países do Centro e
Leste da Europa. Ao nível das restantes
regiões geográficas, apenas a América do Norte e as principais economias
asiáticas demonstram níveis de centralidade semelhantes aos verificados no
continente europeu, embora inferiores
aos países europeus classificados no
topo do ranking.
Considerando a aplicação do conceito
de Centralidade ao caso de Portugal
verifica-se que se encontra posicionado ao nível do grupo de países com
um nível de centralidade médio global
a nível internacional, ocupando a (35ª)
posição, em resultado das suas características geográficas de periferia em
relação aos seus parceiros europeus e
Dentro do actual contexto de globalização, o estudo do nível de centralidade económica e geográfica dos
diferentes países a nível internacional
reveste-se de um especial interesse e
relevância em resultado de uma permanente competitividade patente na
economia global, em que as empresas
procuram de forma dinâmica as melhores localizações para o exercício da actividade económica, visando garantir um
acesso mais vantajoso aos factores de
produção e a uma maior acessibilidade a novos e diversificados mercados,
verificando-se uma intensa concorrência entre os países pela atracção de
actividade económica (nomeadamente
de Investimento Directo Estrangeiro) e
pelo controlo dos principais fluxos do
comércio internacional.
44 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
A aplicação empírica realizada através
da construção do “Índice de Centralidade Económica Global”, considerando 174 países, visa a quantificação dos
níveis de centralidade dos países através da medição das distâncias geográficas internas dos países e entre países,
utilizando dados disponibilizados pelo
“CEPII – Centre d´études prospectives
et d´ínformations internationales”, e
também, naturalmente, sobre o seu
nível de actividade económica aferido
pelo PIB com base nos dados provenientes do Fundo Monetário Internacional (FMI) referentes ao ano de 2010.
A evidência dos resultados obtidos
comprova que o nível de centralidade
dos países decorre essencialmente da
conjugação das suas características ge-
“O nível de centralidade dos
países decorre essencialmente
da conjugação das suas
características geográficas
e do seu nível de actividade
económica, constatando-se
que a Europa é a região que
apresenta um maior nível de
centralidade económica a
nível mundial.”
a alguns dos principais mercados mundiais, sendo no entanto importante realçar o seu bom nível de centralidade
face a outros importantes mercados,
como por exemplo o Brasil e a América do Norte.
OPINIÃO
Índice de Centralidade Económica Global dos Países
CL
Países
Índice
CL
Países
Índice
CL
Países
Índice
CL
1
Bélgica
0.96081
45
Marrocos
0.26385
89
São Vicente e Granadinas
0.17775
133 Republica Centro Africana
Países
0.14272
Índice
2
Holanda
0.94347
46
Libia
0.26339
90
El Salvador
0.17754
134 Uruguai
0.14202
3
Luxemburgo
0.84096
47
Chipre
0.26321
91
Venezuela
0.17673
135 São Tomé e Principe
0.14016
4
Alemanha
0.76030
48
Jordânia
0.26118
92
Guatemala
0.17670
136 Gabão
0.14013
5
Reino Unido
0.69985
49
Rússia
0.25751
93
Granada
0.17655
137 Indonésia
0.13805
6
França
0.67053
50
Qatar
0.25645
94
Honduras
0.17478
138 Maldivas
0.13559
7
Suiça
0.63670
51
Bahrein
0.25614
95
Laos
0.17200
139 Uganda
0.13452
8
Canadá
0.54645
52
Síria
0.25455
96
Tailândia
0.17083
140 Paraguai
0.13323
9
Eslováquia
0.53727
53
Kuwait
0.24937
97
Filipinas
0.16941
141 Ruanda
0.13182
10
Japão
0.52332
54
Islândia
0.24373
98
Mauritânia
0.16840
142 Brasil
0.13178
11
Singapura
0.51947
55
China
0.23835
99
Nicarágua
0.16827
143 Republica do Congo
0.13129
12
Republica Checa
0.50993
56
Geórgia
0.23208
100 Panamá
0.16790
144 Quenia
0.13097
13
Áustria
0.50683
57
Arménia
0.23152
101 Costa Rica
0.16787
145 Burundi
0.12891
14
Dinamarca
0.49583
58
Egipto
0.23022
102 Níger
0.16559
146 Peru
0.12606
15
Itália
0.48296
59
Emirados Árabes Unidos
0.22884
103 Sudão
0.16520
147 Angola
0.12548
16
Eslovénia
0.47762
60
Mongólia
0.22636
104 Myanmar
0.16501
148 Bolívia
0.12368
17
Hong Kong
0.47008
61
Arzebeijão
0.22563
105 Eritreia
0.16408
149 Tanzânia
0.12193
18
Croácia
0.45386
62
Iraque
0.22159
106 Iémen
0.16372
150 Seychelles
0.12182
19
Irlanda
0.44115
63
Barbados
0.21809
107 Malásia
0.16297
151 Argentina
0.12177
20
Hungria
0.43351
64
Irao
0.21246
108 Togo
0.16285
152 Chile
0.11523
21
Polónia
0.40309
65
Republica Dominicana
0.20662
109 Burkina Faso
0.16224
153 Comores
0.11522
22
Coreia do Sul
0.40233
66
Paquistão
0.20657
110 Colômbia
0.16053
154 Malawi
0.11503
23
Bósnia e Herzegovina
0.39274
67
Haiti
0.20191
111 Senegal
0.16050
155 Zâmbia
0.11461
24
Espanha
0.38225
68
Quirguistão
0.20073
112 Cambodja
0.16016
156 Maurícias
0.11266
25
Noruega
0.38219
69
Jamaica
0.19967
113 Chade
0.15994
157 Zimbabwe
0.11197
26
Estónia
0.37028
70
Afeganistão
0.19862
114 Mali
0.15925
158 Namibia
0.11046
27
Suécia
0.36919
71
Arábia Saudita
0.19818
115 Cabo Verde
0.15925
159 África do Sul
0.10988
28
Lituânia
0.35559
72
Tadjiquistão
0.19648
116 Gâmbia
0.15915
160 Botswana
0.10799
29
Albânia
0.35325
73
Uzbesquistão
0.19605
117 Nigéria
0.15682
161 Madagáscar
0.10682
30
EUA
0.34600
74
India
0.19397
118 Guiana Francesa
0.15557
162 Suazilândia
0.10674
31
Bulgária
0.34533
75
Qasaquistão
0.19168
119 Guiné Bissau
0.15504
163 Lesoto
0.10526
32
Roménia
0.33903
76
Nepal
0.18954
120 Gana
0.15455
164 Moçambique
0.10508
33
Finlândia
0.33285
77
São Cristovão e Nevis
0.18888
121 Djibouti
0.15333
165 Papua Nova Guiné
0.10445
34
Tunísia
0.32683
78
Antigua e Barbuda
0.18796
122 Suriname
0.15165
166 Kiribati
0.10058
35
Portugal
0.32601
79
Omã
0.18664
123 Guiné
0.15029
167 Ilhas Salomão
0.09917
36
Malta
0.32219
80
Belize
0.18222
124 Guiné Equatorial
0.15014
168 Austrália
0.09821
37
Grécia
0.32165
81
México
0.18203
125 Serra Leoa
0.14914
169 Tuvalu
0.09298
38
Moldávia
0.32006
82
Butão
0.18168
126 Costa do Marfim
0.14858
170 Samoa
0.09286
39
Ucrânia
0.31761
83
Bangladesh
0.18143
127 Etiópia
0.14822
171 Vanuatu
0.09260
40
Argélia
0.31356
84
Dominica
0.18109
128 Equador
0.14732
172 Nova Zelândia
0.09183
41
Turquia
0.30641
85
Vietname
0.18106
129 Brunei
0.14695
173 Fiji
0.08953
42
Israel
0.29536
86
Trinidad e Tobago
0.18101
130 Libéria
0.14580
174 Tonga
0.08653
43
Bahamas
0.27381
87
Benim
0.18048
131 Camarões
0.14578
44
Libano
0.27238
88
Santa Lúcia
0.17939
132 Sri Lanka
0.14334
Países com elevado nível
de centralidade
Países com nível médio
de centralidade
Países com baixo nível
de centralidade
Fonte: Tese de Mestrado de Paulo da Cruz Borges “Sobre o conceito de Centralidade Económica, uma aplicação a nível internacional”, Mestrado em
Economia Portuguesa e Integração Internacional - ISCTE-IUL.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 45
OPINIÃO
Existem, no entanto, factores promotores do nível de centralidade que os
países possuem, de natureza endógena e exógena, que lhes permitem melhorar o seu nível de centralidade. De
entre os factores endógenos, destacam-se como prioritários para Portugal
a existência de políticas públicas que
“De entre os factores
endógenos, destacamse como prioritários para
Portugal a existência de
políticas públicas que
permitam a melhoria do seu
ambiente de negócios como
forma de aumentar a sua
competitividade e confiança
junto dos investidores e,
sobretudo, através da aposta
no desenvolvimento de uma
política de intermodalidade
das diversas infra-estruturas e
meios de transporte.”
permitam a melhoria do seu ambiente
de negócios como forma de aumentar
a sua competitividade e confiança junto dos investidores e, sobretudo, atra-
vés da aposta no desenvolvimento de
uma política de intermodalidade das
diversas infra-estruturas e meios de
transporte (marítimo, ferroviário, rodoviário, e aéreo).
Todavia, é crucial iniciar desde já o desenvolvimento da promoção da utilização das linhas ferroviárias de mercadorias existentes em articulação com as
restantes infra-estruturas de transporte
para que, no futuro, a curto/médio prazo, possa igualmente ser utilizada a velocidade alta de mercadorias em bitola
europeia. A título de exemplo da confirmação desta possibilidade, de referir
a operação coordenada pela Autoeuropa em conjunto com a AICEP e a DB
Schenker, em que a CP Carga realizou
um primeiro comboio teste entre Portugal e a Alemanha, assegurando a ligação
entre a fábrica de Palmela e unidades do
grupo Volkswagen na Alemanha, permitindo fazer a substituição do transporte rodoviário por 25 camiões em cada
sentido pelo transporte ferroviário, com
impacto positivo ao nível da eficiência
energética e benefícios ambientais.
De entre os factores exógenos a nível internacional, e que se afiguram susceptíveis de apresentar um maior contributo
para a melhoria da centralidade de Portugal, destacam-se o alargamento do
canal do Panamá a partir de 2014, que
permitirá a utilização de navios ULCS
(Ultra Large Container Ships) de 18.000
TEU que chegarão ao mercado nos próximos anos, e a revisão da rede transeuropeia de transportes RTE-T.
Ambos os factores criarão condições de
excelência para que Portugal se posicione como um estratégico “HUB” nas
complexas cadeias globais do comércio
internacional, relevando a importância
crucial do Porto de Sines, único porto
em Portugal e dos poucos na Europa
que possuem características geográficas enquanto porto de águas profundas
superiores a 16 metros, com possibilidade de receber navios com capacidade
superior a 10.000 TEU através do Terminal XXI, e da sua possível expansão a
novos terminais. O Porto de Sines apresenta igualmente um enorme potencial
Potenciais novas rotas marítimas proporcionadas pelo alargamento do Canal do Panamá
46 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
OPINIÃO
dela e do Entroncamento, no seguimento da introdução da nova linha directa
da MSC para a América do Sul e ao
respectivo tráfego nos dois sentidos. De
destacar igualmente a entrada em vigor,
a partir a partir de 2014, do corredor
logístico Sines – Espanha que consistirá
numa nova linha em bitola ibérica, apta
a adoptar posteriormente a existência
em simultâneo do padrão europeu.
de desenvolvimento do seu hinterland
e de atracção de actividade económica
que permitirá o aumento dos fluxos de
mercadorias através das importações e
exportações, encontrando-se a sua gestão a cargo da aicep Global Parques.
Apresenta-se como solução lógica e
natural a dotação do Porto de Sines de
acessibilidades rodo-ferroviárias à rede
transeuropeia de transportes numa lógica de intermodalidade, tornando-se
na porta de entrada de mercadorias
para a Europa, e um porto de transhipment para o norte da Europa, África
e Mediterrâneo, para as mercadorias
oriundas na sua maioria da Ásia, América do Norte e América do Sul, através do funcionamento em rede com os
principais portos marítimos nacionais,
nomeadamente o Porto de Lisboa, de
Setúbal e Sesimbra, Douro e Leixões, e
Aveiro e Figueira da Foz.
Apenas a escala de operações das ligações ferroviárias consegue conferir aos
portos portugueses da orla atlântica o
hinterland alargado que necessitam
para o seu desenvolvimento. Importa
desde já referir o reforço efectuado na
ligação ferroviária no corredor de Sines
através da ligação ao terminal da Boba-
“Considerando a aplicação do
conceito de Centralidade ao
caso de Portugal verifica-se
que se encontra posicionado
ao nível do grupo de países
com um nível de centralidade
médio global a nível
internacional, ocupando a
(35ª) posição, em resultado
das suas características
geográficas de periferia em
relação aos seus parceiros
europeus e a alguns dos
principais mercados mundiais,
sendo no entanto importante
realçar o seu bom nível de
centralidade face a outros
importantes mercados, como
por exemplo o Brasil e a
América do Norte.”
Salienta-se o inicio em 6 de Fevereiro de
2012 do novo serviço regular “California
Express”, que liga o Porto de Sines directamente à costa Oeste da América do
Norte, através do Canal do Panamá, utilizando navios com capacidade superior a
5.000 TEU, efectuando escalas nos portos dos Estados Unidos da América, finali-
zando o percurso no porto de Vancouver
no Canadá, sendo operado pela “MSC
– Mediterranean Shipping Company”,
o segundo maior operador mundial de
transporte marítimo. Este novo serviço,
efectuado a partir do Terminal XXI, inserese numa política de desenvolvimento sustentado na ligação às rotas do comércio
internacional que permitem o acesso às
principais economias mundiais, como a
República Popular da China, Brasil, EUA
e Canadá, assim como nas recentes ligações ao Uruguai e Argentina. A presente
existência de rotas de acesso via canal do
Panamá a alguns dos principais mercados
mundiais facilitará, a partir da data do seu
alargamento, a utilização dos mega navios “ULCS” que permitirão obter importantes economias de escala ao nível dos
custos de transporte.
A conjugação dos diversos factores promotores do nível de centralidade criará
condições favoráveis para que Portugal
se posicione no futuro como um país
bastante competitivo para a atracção de
actividade económica, nomeadamente de investimento directo estrangeiro,
bem como um importante “HUB” do
comércio internacional no actual contexto de economia global, aumentando a sua capacidade exportadora e,
em simultâneo, a redução do custo das
importações, contribuindo por esta via
para a melhoria do saldo da balança de
pagamentos e aumento da competitividade da economia nacional, permitindo
a sua gradual convergência face aos
restantes países, não sendo no entanto
negligenciável a intensa concorrência
internacional existente entre países pela
atracção de actividade económica.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 47
ANÁLISE DE RISCO - PAÍS
COSEC
Políticas de cobertura para mercados
No âmbito de apólices individuais
África do Sul*
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária (decisão
casuística).
Angola
C Caso a caso numa base restritiva.
M/L Garantia soberana. Limite total de
responsabilidades.
Antilhas Holandesas
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Arábia Saudita
C Carta de crédito irrevogável
(decisão casuística).
M/L Caso a caso.
Argélia
C Sector público: aberta sem restrições. Sector privado: eventual
exigência de carta de crédito
irrevogável.
M/L Em princípio, exigência de garantia bancária ou garantia soberana.
Argentina
T Caso a caso.
Barein
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária.
Benim
C Caso a caso, numa base muito
restritiva.
M/L Caso a caso, numa base muito
restritiva, e com exigência de
garantia soberana ou bancária.
Brasil*
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Clientes soberanos: Aberta sem
condições restritivas. Outros Clientes públicos e privados: Aberta, caso
a caso, com eventual exigência de
garantia soberana ou bancária.
Bulgária
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Garantia bancária ou garantia
soberana.
Cabo Verde
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Eventual exigência de garantia
bancária ou de garantia soberana
(decisão casuística).
Camarões
T Caso a caso, numa base muito
restritiva.
Cazaquistão
Temporariamente fora de cobertura.
Chile
C
M/L
Aberta sem restrições.
Clientes públicos: aberta sem
condições restritivas. Clientes privados: em princípio, aberta sem
condições restritivas. Eventual
exigência de garantia bancária
numa base casuística.
China*
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária.
Chipre
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Colômbia
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Caso a caso, numa base restritiva.
Coreia do Sul
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Geórgia
C Caso a caso numa base restritiva,
privilegiando-se operações de
pequeno montante.
M/L
Guiné-Bissau
T Fora de cobertura.
Guiné Equatorial
C Caso a caso, numa base restritiva.
M/L
Costa do Marfim
T Decisão casuística.
Costa Rica
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Croácia
C Carta de crédito irrevogável ou
garantia bancária. Extensão do
prazo constitutivo de sinistro para
12 meses. Redução da percentagem de cobertura para 90 por
cento. Limite por operação.
M/L Garantia bancária ou garantia
soberana. Extensão do prazo
constitutivo de sinistro para 12
meses. Redução da percentagem
de cobertura para 90 por cento.
Limite por operação.
Cuba
T Fora de cobertura.
Egipto
C Carta de crédito irrevogável
M/L Caso a caso.
Emirados Árabes Unidos
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária (decisão
casuística).
Eslováquia
C Carta de crédito irrevogável
(decisão casuística).
M/L Não definida.
Eslovénia
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária (decisão
casuística).
Estónia
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária.
aso a caso, numa base muito
C
restritiva e com a exigência de
contra garantias.
Clientes
públicos e soberanos:
caso a caso, mediante análise das
garantias oferecidas, designadamente contrapartidas do
petróleo. Clientes privados: caso
a caso, numa base muito restritiva, condicionada a eventuais
contrapartidas (garantia de banco
comercial aceite pela COSEC ou
contrapartidas do petróleo).
Hong-Kong
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Hungria
C Aberta sem condições restritivas.
M/L
Garantia bancária (decisão
casuística).
Iémen
C Caso a caso, numa base restritiva.
M/L Caso a caso, numa base muito
restritiva.
Índia
C
M/L
Aberta sem condições restritivas.
Garantia bancária.
Indonésia
C Caso a caso, com eventual
exigência de carta de crédito irrevogável ou garantia bancária.
M/L
aso a caso, com eventual exiC
gência de garantia bancária ou
garantia soberana.
Irão
C
M/L
Carta de crédito irrevogável ou
garantia bancária.
Garantia soberana.
Iraque
T Fora de cobertura.
Etiópia
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Caso a caso numa base muito
restritiva.
Israel
C C
arta de crédito irrevogável
(decisão casuística).
Filipinas
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Jordânia
C Caso a caso.
M/L Caso a caso, numa base restritiva.
Gana
C Caso a caso numa base muito
restritiva.
Koweit
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária (decisão
casuística).
M/L
48 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
Fora de cobertura.
M/L
Caso a caso, numa base restritiva.
Letónia
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Garantia bancária.
Líbano
C Clientes públicos: caso a caso
numa base muito restritiva.
Clientes privados: carta de crédito
irrevogável ou garantia bancária.
M/L Clientes públicos: fora de cobertura. Clientes privados: caso a
caso numa base muito restritiva.
Líbia
T
Fora de cobertura.
Lituânia
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Garantia bancária.
Macau
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Malásia
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Malawi
C Caso a caso, numa base restritiva.
M/L Clientes públicos: fora de cobertura, excepto para operações
de interesse nacional. Clientes
privados: análise casuística, numa
base muito restritiva.
Malta
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Marrocos*
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária ou garantia
soberana.
Martinica
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
México*
C Aberta sem restrições.
M/L Em princípio aberta sem restrições.
A eventual exigência de garantia
bancária, para clientes privados,
será decidida casuisticamente.
Moçambique
C C
aso a caso, numa base restritiva
(eventualmente com a exigência de
carta de crédito irrevogável, garantia bancária emitida por um banco
aceite pela COSEC e aumento do
prazo constitutivo de sinistro).
M/L A
umento do prazo constitutivo
de sinistro. Sector privado: caso a
caso numa base muito restritiva.
Operações relativas a projectos
geradores de divisas e/ou que
admitam a afectação prioritária
de receitas ao pagamento dos
créditos garantidos, terão uma
ponderação positiva na análise do
risco; sector público: caso a caso
numa base muito restritiva.
ANÁLISE DE RISCO - PAÍS
de destino das exportações portuguesas
No âmbito de apólices globais
Montenegro
C Caso a caso, numa base restritiva,
privilegiando-se operações de
pequeno montante.
M/L Caso a caso, com exigência de garantia soberana ou bancária, para
operações de pequeno montante.
Nigéria
C Caso a caso, numa base restritiva
(designadamente em termos de
alargamento do prazo constitutivo de sinistro e exigência de
garantia bancária).
M/L Caso a caso, numa base muito
restritiva, condicionado a eventuais
garantias (bancárias ou contrapartidas do petróleo) e ao alargamento
do prazo contitutivo de sinistro.
Oman
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária (decisão casuística).
Panamá
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Roménia
C Exigência de carta de crédito
irrevogável (decisão casuística).
M/L
Rússia
C Sector público: aberta sem restrições. Sector privado: caso a caso.
M/L
Senegal
C Em princípio, exigência de
garantia bancária emitida por
um banco aceite pela COSEC e
eventual alargamento do prazo
constitutivo de sinistro.
M/L
Paraguai
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Caso a caso, numa base restritiva.
Peru
C
Aberta sem condições restritivas.
lientes soberanos: aberta sem
C
condições restritivas. Clientes
públicos e privados: aberta, caso
a caso, com eventual exigência de
garantia soberana ou bancária.
Polónia*
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária (decisão
casuística).
Qatar
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária (decisão
casuística).
Quénia
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Caso a caso, numa base restritiva.
República Checa
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária (decisão casuística).
República Dominicana
C Aberta caso a caso, com eventual
exigência de carta de crédito irrevogável ou garantia bancária emitida
por um banco aceite pela COSEC.
M/L
berta caso a caso com exigência
A
de garantia soberana (emitida pela
Secretaria de Finanzas ou pelo Banco Central) ou garantia bancária.
S ector público: aberta sem restrições, com eventual exigência de
garantia bancária ou garantia soberana. Sector privado: caso a caso.
S. Tomé e Príncipe
T Fora de cobertura.
Paquistão
Temporariamente fora de cobertura.
M/L
E xigência de garantia bancária
ou garantia soberana (decisão
casuística).
E ventual alargamento do prazo
constitutivo de sinistro. Sector
público: caso a caso, com exigência de garantia de pagamento e
transferência emitida pela Autoridade Monetária (BCEAO); sector
privado: exigência de garantia
bancária ou garantia emitida pela
Autoridade Monetária (preferência
a projectos que permitam a
alocação prioritária dos cash-flows
ao reembolso do crédito).
Sérvia
C C
aso a caso, numa base restritiva,
privilegiando-se operações de
pequeno montante.
M/L
aso a caso, com exigência de
C
garantia soberana ou bancária,
para operações de pequeno
montante.
Singapura
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Síria
T
aso a caso, numa base muito
C
restritiva.
Suazilândia
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Garantia bancária ou garantia
soberana.
Tailândia
C Carta de crédito irrevogável
(decisão casuística).
M/L
Não definida.
Taiwan
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Não definida.
Tanzânia
T Caso a caso, numa base muito
restritiva.
Na apólice individual está em causa a cobertura de uma única
transação para um determinado mercado, enquanto a apólice
global cobre todas as transações em todos os países para onde o
empresário exporta os seus produtos ou serviços.
As apólices globais são aplicáveis às empresas que vendem bens
de consumo e intermédio, cujas transações envolvem créditos de
curto prazo (média 60-90 dias), não excedendo um ano, e que se
repetem com alguma frequência.
Tendo em conta a dispersão do risco neste tipo de apólices, a
política de cobertura é casuística e, em geral, mais flexível do que
a indicada para as transações no âmbito das apólices individuais.
Encontram-se também fora de cobertura Cuba, Guiné-Bissau, Iraque
e S. Tomé e Príncipe.
Tunísia*
C Aberta sem condições restritivas.
M/L Garantia bancária.
Turquia
C Carta de crédito irrevogável.
M/L Garantia bancária ou garantia
soberana.
Ucrânia
C Clientes públicos: eventual
exigência de garantia soberana.
Clientes privados: eventual
exigência de carta de crédito
irrevogável.
M/L
C
lientes públicos: eventual
exigência de garantia soberana.
Clientes privados: eventual exigência de garantia bancária.
Zimbabwe
C Caso a caso, numa base muito
restritiva.
M/L Fora de cobertura.
Advertência:
A lista e as políticas de cobertura são
indicativas e podem ser alteradas
sempre que se justifique. Os países
que constam da lista são os mais
representativos em termos de consultas
e responsabilidades assumidas. Todas
as operações são objecto de análise e
decisão específicas.
Legenda:
C
M/L
Para todas as operações, o prazo
constitutivo de sinistro é definido caso
a caso.
Uganda
C Caso a caso, numa base muito
restritiva.
M/L
T
Curto Prazo
Médio / Longo Prazo
Todos os Prazos
* Mercado prioritário.
Fora de cobertura.
Uruguai
C Carta de crédito irrevogável
(decisão casuística).
M/L
Não definida.
Venezuela
C Clientes públicos: aberta caso
a caso com eventual exigência
de garantia de transferência ou
soberana. Clientes privados: aberta
caso a caso com eventual exigência
de carta de crédito irrevogável e/ou
garantia de transferência.
M/L
Aberta caso a caso com exigência
de garantia soberana.
Zâmbia
C Caso a caso, numa base muito
restritiva.
M/L
COSEC
Companhia de Seguro
de Créditos, S. A.
Direcção Internacional
Avenida da República, 58
1069-057 Lisboa
Tel.: +351 217 913 832
Fax: +351 217 913 839
[email protected]
www.cosec.pt
Fora de cobertura.
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 49
TABELA CLASSIFICATIVA DE PAÍSES
COSEC
Tabela classificativa de países
Para efeitos de Seguro de Crédito à exportação
A Portugalglobal e a COSEC apresentam-lhe uma Tabela Classificativa de Países com a graduação dos mercados em função
do seu risco de crédito, ou seja, consoante a probabilidade de
cumprimento das suas obrigações externas, a curto, a médio e
a longo prazos. Existem sete grupos de risco (de 1 a 7), corresGrupo 1
Grupo 2
Grupo 3
Alemanha *
Andorra *
Austrália *
Áustria *
Bélgica *
Canadá *
Checa, Rep. *
Chipre
Coreia do Sul *
Dinamarca *
Eslováquia *
Eslovénia *
Espanha *
Estónia
EUA *
Finlândia *
França *
Grécia *
Holanda *
Hong-Kong
Hungria *
Irlanda *
Islândia *
Israel *
Itália *
Japão *
Liechtenstein *
Luxemburgo *
Malta *
Mónaco *
Noruega *
Nova Zelândia *
Polónia *
Portugal *
Reino Unido *
São Marino *
Singapura *
Suécia *
Suiça *
Taiwan
Vaticano *
Arábia Saudita
Brunei
Chile
China •
Gibraltar
Koweit
Macau
Malásia
Oman
Qatar
Trind. e Tobago
África do Sul •
Argélia
Bahamas
Barbados
Botswana
Brasil •
Costa Rica
Dep/ter Austr.b
Dep/ter Din.c
Dep/ter Esp.d
Dep/ter EUAe
Dep/ter Fra.f
Dep/ter N. Z.g
Dep/ter RUh
EAUa
Ilhas Marshall
Índia
Lituânia
Marrocos •
Maurícias
México •
Micronésia
Namíbia
Palau
Panamá
Peru
Rússia
Tailândia
Tunísia •
Uruguai
Grupo 4
Aruba
Barein
Bulgária
Colômbia
El Salvador
Fidji
Filipinas
Indonésia
Letónia
Roménia
Turquia
pondendo o grupo 1 à menor probabilidade de incumprimento
e o grupo 7 à maior.
As categorias de risco assim definidas são a base da avaliação do
risco país, da definição das condições de cobertura e das taxas
de prémio aplicáveis.
Grupo 5
Grupo 6
Azerbeijão
Cabo Verde
Cazaquistão
Croácia
Dominicana, Rep.
Egipto
Gabão
Gana
Guatemala
Jordânia
Lesoto
Macedónia
Mongólia
Nigéria
Papua–Nova Guiné
Paraguai
S. Vic. e Gren.
Santa Lúcia
Vietname
Albânia
Angola
Ant. e Barbuda
Arménia
Bangladesh
Belize
Benin
Bolívia
Butão
Camarões
Camboja
Comores
Congo
Djibouti
Dominica
Geórgia
Honduras
Jamaica
Kiribati
Mali
Moçambique
Montenegro
Nauru
Quénia
Samoa Oc.
Senegal
Sérvia
Sri Lanka
Suazilândia
Tanzânia
Turquemenistão
Tuvalu
Uganda
Uzbequistão
Vanuatu
Zâmbia
Grupo 7
Afeganistão
Argentina
Bielorussia
Bósnia e Herzegovina
Burkina Faso
Burundi
Campuchea
Cent. Af, Rep.
Chade
Congo, Rep. Dem.
Coreia do Norte
C. do Marfim
Cuba •
Equador
Eritreia
Etiópia
Gâmbia
Grenada
Guiana
Guiné Equatorial
Guiné, Rep. da
Guiné-Bissau •
Haiti
Iemen
Irão
Iraque •
Paquistão
Quirguistão
Ruanda
S. Crist. e Nevis
S. Tomé e Príncipe •
Salomão
Seicheles
Serra Leoa
Síria
Somália
Sudão
Suriname
Tadzequistão
Togo
Tonga
Ucrânia
Venezuela
Zimbabué
Kosovo
Laos
Líbano
Libéria
Líbia
Madagáscar
Malawi
Maldivas
Mauritânia
Moldávia
Myanmar
Nepal
Nicarágua
Níger
Fonte: COSEC - Companhia de Seguro de Créditos, S.A.
* País pertencente ao grupo 0 da classificação risco-país da OCDE. Não é aplicável o sistema de prémios mínimos, à excepção do Chipre, Hong-Kong e Taiwan.
• Mercado de diversificação de oportunidades
• Fora de cobertura
• Fora de cobertura, excepto operações de relevante interesse nacional
NOTAS
a) Abu Dhabi, Dubai, Fujairah, Ras Al Khaimah, Sharjah, Um Al Quaiwain e Ajma
b) Ilhas Norfolk
c) Ilhas Faroe e Gronelândia
d) Ceuta e Melilha
e) Samoa, Guam, Marianas, Ilhas Virgens e Porto Rico
50 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
f) G
uiana Francesa, Guadalupe, Martinica, Reunião, S. Pedro e Miquelon, Polinésia
Francesa, Mayotte, Nova Caledónia, Wallis e Futuna
g) Ilhas Cook e Tokelau, Ilhas Nive
h) A
nguilla, Bermudas, Ilhas Virgens, Cayman, Falkland, Pitcairn, Monserrat, Sta.
Helena, Ascensão, Tristão da Cunha, Turks e Caicos
ESTATÍSTICAS
INVESTIMENTO
e COMÉRCIO EXTERNO
>PRINCIPAIS DADOS DE INVESTIMENTO (IDE E IDPE), EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES.
INVESTIMENTO DIRECTO COM O EXTERIOR
INVESTIMENTO DIRECTO
DO EXTERIOR EM PORTUGAL
tvh 11/10
Dez./Dez.
tvc 11/11
Dez./Nov.
0,0%
70,4%
178,4%
-14,5%
-45,9%
13,8%
272,5%
591,0%
2902,7%
35.885
2,2%
82,9%
209,9%
74,2%
3.741
-17,0%
-33,6%
-16,5%
88,6%
--
90,6%
--
--
--
11,4%
--
9,4%
--
--
--
2009
2010
tvh 10/09
2011
IDE bruto
32.018
39.622
23,8%
39.626
IDE desinvestimento
30.070
37.624
25,1%
32.185
IDE líquido
1.948
1.998
2,5%
7.441
IDE Intra UE
29.430
35.115
19,3%
IDE Extra UE
2.588
4.507
IDE Intra UE
91,9%
IDE Extra UE
8,1%
tvh 11/10
Unidade: Milhões de euros
% Total IDE bruto
IDE bruto - Origens 2011 Jan./Dez.
% Total
tvh 11/10
% Total
tvh 11/10
Países Baixos
22,5%
80,7%
Comércio
38,9%
1,9%
Espanha
17,7%
23,2%
Act. financeiras e de seguros
22,3%
-3,1%
França
16,4%
-2,4%
Ind. transformadoras
21,0%
-5,9%
Reino Unido
13,8%
27,5%
Act. informação e comunicação
5,7%
10,5%
Alemanha
10,1%
-37,4%
Act. consultoria e técnicas
2,6%
12,6%
2009
2010
tvh
2010/09
2011
tvh
2011/10
tvh 11/10
Dez./Dez.
tvc 11/11
Dez./Nov.
IDPE bruto
7.770
9.790
26,0%
15.592
59,3%
126,8%
603,3%
IDPE desinvestimento
7.182
15.447
115,1%
6.500
-57,9%
-80,8%
81,9%
IDPE líquido
588
-5.658
-1062,6%
9.092
-260,7%
330,7%
1381,4%
IDPE Intra UE
5.500
5.740
4,4%
13.792
140,3%
293,3%
710,5%
IDPE Extra UE
2.270
4.050
78,4%
1.800
-55,6%
-86,1%
21,8%
IDPE Intra UE
70,8%
58,6%
--
88,5%
--
--
--
IDPE Extra UE
29,2%
41,4%
--
11,5%
--
--
--
% Total
tvh 11/10
% Total
tvh 11/010
Países Baixos
73,2%
454,8%
Act. financeiras e de seguros
82,2%
88,0%
Espanha
9,2%
85,5%
Ind. transformadoras
4,6%
-7,4%
Brasil
3,6%
-67,0%
Electricidade, gás, água
3,6%
633,4%
Angola
1,6%
-63,2%
Act. consultoria e técnicas
3,5%
-9,1%
Polónia
1,2%
-39,8%
Construção
2,2%
-25,4%
INVESTIMENTO DIRECTO
DE PORTUGAL NO EXTERIOR
IDE bruto - Sector 2011 Jan./Dez.
Unidade: Milhões de euros
% Total IDPE bruto
IDPE bruto - Destinos 2011 Jan./Dez.
IDPE bruto - Sector 2011 Jan./Dez.
2009 Dez.
2010 Dez.
tvh 10/09
Dez./Dez.
2011 Dez.
tvh 11/10
Dez./Dez.
tvc 11/11
Dez./Set.
Stock IDE
79.626
83.585
5,0%
84.268
0,8%
-1,1%
Stock IDPE
47.530
49.942
5,1%
52.594
5,3%
-4,0%
 
Unidade: Milhões de euros
Fonte: Banco de Portugal
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 51
ESTATÍSTICAS
COMÉRCIO INTERNACIONAL
2009
2010
tvh
2010/09
2011
tvh
2011/10
tvh 11/10
Dez/Dez
tvc 11/11
Dez/Nov
Exportações bens
31.697
36.762
16,0%
42.367
15,2%
4,4%
-15,4%
Exportações bens UE27
23.892
27.573
15,4%
31.379
13,8%
-1,1%
-18,8%
Exportações bens Extra UE27
7.804
9.189
17,7%
10.988
19,6%
19,2%
-6,4%
Exportações bens UE27
75,4%
75,0%
--
74,1%
--
--
--
Exportações bens Extra UE27
24,6%
25,0%
--
25,9%
--
--
--
% Total
tvh 11/10
Espanha
24,8%
7,9%
Alemanha
13,6%
França
BENS (Exportação)
Unidade: Milhões de euros
Unidade: % do total
Exp. Bens - Clientes 2011 Jan./Dez.
Meur
Cont. p. p.
Alemanha
969
2,6
20,2%
Espanha
767
2,1
12,0%
17,2%
França
746
2,0
Angola
5,5%
22,0%
Angola
422
1,1
Reino Unido
5,1%
6,6%
Bélgica
300
0,8
Países Baixos
3,9%
18,5%
Países Baixos
259
0,7
Itália
3,6%
10,9%
Líbia
-31
-0,1
% Total
tvh 11/10
Exp. Bens - Var. Valor (11/10)
Meur
Cont. p. p.
Máquinas, Aparelhos
14,5%
11,7%
Veículos, Out. Mat. Transp.
1.077
2,9
Veículos, Outro Material de Transporte
13,3%
23,7%
Máquinas, Aparelhos
644
1,8
Metais Comuns
8,1%
17,2%
Combustíveis Minerais
605
1,6
Combustíveis Minerais
7,2%
24,5%
Químicos
547
1,5
Plásticos, Borracha
6,8%
14,5%
Metais Comuns
500
1,4
2009
2010
tvh
2010/09
2011
tvh
2011/10
tvh 11/10
Dez/Dez
tvc 11/11
Dez/Nov
Exportações totais de serviços
16.318
17.578
7,7%
19.157
9,0%
3,2%
12,7%
Exportações serviços UE27
11.997
12.689
5,8%
13.693
7,9%
1,0%
9,7%
Exportações serviços extra UE27
4.321
4.889
13,2%
5.464
11,8%
8,3%
19,5%
Exportações serviços UE27
73,5%
72,2%
--
71.5%
--
--
--
Exportações serviços extra UE27
26,5%
27,8%
--
28.5%
--
--
--
Exp. Bens - Produtos 2011 Jan./Dez.
 SERVIÇOS
Exp. Bens - Var. Valor (11/10)
Unidade: Milhões de euros
Unidade: % do total
52 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
 
ESTATÍSTICAS
2009
2010
tvh
2010/09
2011
Importações bens
51.379
57.053
11,0%
Importações bens UE27
40.376
43.205
7,0%
Importações bens Extra UE27
11.003
13.849
Importações bens UE27
78,6%
Importações bens Extra UE27
tvh
2011/10
tvh 11/10
Dez/Dez
tvc 11/11
Dez/Nov
57.616
1,0%
-16,9%
-8,7%
42.039
-2,7%
-22,8%
-7,6%
25,9%
15.577
12,5%
6,2%
-11,8%
75,7%
--
73,0%
--
--
--
21,4%
24,3%
--
27,0%
--
--
--
% Total
tvh 11/10
Espanha
31,6%
2,2%
Alemanha
12,4%
França
6,9%
Itália
Países Baixos
BENS (Importação)
Unidade: Milhões de euros
Unidade: % do total
Imp. Bens - Fornecedores 2011 Jan./Dez.
Meur
Cont. p. p.
Angola
614
1,1
-10,0%
Argélia
507
0,9
-4,4%
Brasil
413
0,7
5,4%
-5,0%
Espanha
395
0,7
4,8%
-6,3%
Arábia Saudita
387
0,7
Reino Unido
3,3%
-10,8%
Líbia
-724
-1,3
Nigéria
2,7%
11,0%
Alemanha
-794
-1,4
% Total
tvh 11/10
Imp. Bens - Var. Valor (11/10)
Meur
Cont. p. p.
Combustíveis Minerais
17,9%
23,5%
Combustíveis Minerais
1.960
3,4
Máquinas, Aparelhos
15,0%
-7,5%
Agrícolas
563
1,0
Veículos, Outro Material de Transporte
10,6%
-24,0%
Plásticos, Borracha
280
0,5
Agrícolas
10,4%
10,3%
Máquinas, Aparelhos
-702
-1,2
Químicos
10,4%
4,4%
Veículos, Out. Mat. Transporte
-1.926
-3,4
Imp. Bens - Produtos 2011 Jan./Dez.
Imp. Bens - Var. Valor (11/10)
2009
2010
tvh
2010/09
2011
tvh
2011/10
tvh 11/10
Dez/Dez
tvc 11/11
Dez/Nov
Importações totais de serviços
10.333
10.866
5,2%
11.413
5,0%
0,2%
3,1%
Importações serviços UE27
7.467
7.678
2,8%
8.025
4,5%
-4,3%
1,8%
Importações serviços extra UE27
2.866
3.188
11,2%
3.389
6,3%
10,7%
5,9%
Importações serviços UE27
72,3%
70,7%
--
70,3%
--
--
--
Importações serviços extra UE27
27,7%
29,3%
 
--
29,7%
--
--
--
 SERVIÇOS
Unidade: Milhões de euros
Unidade: % do total
PREVISÕES 2012 : 2013 (tvh real %)
2010
2011
FMI
CE
OCDE
BdP
INE
INE
Dez 11
Fev 12
Nov 11
Jan 12
PIB
1,4
-1,5
-3,0 : 0,7
-3,3 : 0,7
-3,2 : 0,5
-3,1 : 0,3
Exportações Bens e Serviços
8,8
7,8 (Jan/Set)
3,8 : 5,5
n.d. : n.d.
4,0 : 6,1
4,1 : 5,8
Fontes: INE/Banco de Portugal
Notas e siglas: Meur - Milhões de euros
Cont. - Contributo para o crescimento das exportações
tvc - Taxa de variação em cadeia
n.d. – não disponível
p.p. - Pontos percentuais
tvh - Taxa de variação homóloga
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 53
REDE
EXTERNA
DA AICEP
ÁFRICA DO SUL / Joanesburgo
BRASIL / São Paulo
ALEMANHA / Berlim
CABO VERDE / Praia
CANADÁ / Toronto
ANGOLA / Benguela
CHILE / Santiago do Chile
ANGOLA / Luanda
CHINA, REPÚBLICA POPULAR DA
/ Macau
ARGÉLIA / Argel
ARGENTINA / Buenos Aires
CHINA, REPÚBLICA POPULAR DA
/ Pequim
ÁUSTRIA / Viena
CHINA, REPÚBLICA POPULAR DA
/ Xangai
BÉLGICA / Bruxelas
Copenhaga
Berlim
Haia
Bruxelas
Dublin
Londres
Paris
Milão
Toronto
Nova Iorque
Vigo
Barcelona
S. Francisco
Madrid
Rabat
Mérida
Praia
Cidade do México
Caracas
São Paulo
Santiago do Chile
Centro de Negócios
Escritórios
Representações
54 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
Buenos Aires
Argel
DINAMARCA / Copenhaga
FINLÂNDIA / Helsínquia
JAPÃO / Tóquio
ROMÉNIA / Bucareste
ESPANHA / Madrid
FRANÇA / Paris
LÍBIA / Tripoli
RÚSSIA / Moscovo
GRÉCIA/ Atenas
MALÁSIA/ Kuala Lumpur
SINGAPURA / Singapura
HOLANDA / Haia
MARROCOS / Rabat
SUÉCIA / Estocolmo
HUNGRIA / Budapeste
MÉXICO / Cidade do México
SUÍÇA / Zurique
ÍNDIA, REPÚBLICA DA / Nova Deli
MOÇAMBIQUE / Maputo
TUNÍSIA / Tunes
INDONÉSIA / Jacarta
POLÓNIA / Varsóvia
TURQUIA / Ancara
IRLANDA / Dublin
REINO UNIDO / Londres
TURQUIA / Istambul
ITÁLIA / Milão
REPÚBLICA CHECA / Praga
VENEZUELA / Caracas
ESPANHA / Barcelona
ESPANHA / Mérida
ESPANHA / Vigo
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
/ Nova Iorque
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
/ S. Francisco
Helsínquia
Estocolmo
Zurique
Moscovo
Varsóvia
Praga
Budapeste
Viena
Bucareste
Pequim
Ancara
Istambul
Atenas
Tunes
Tóquio
Tripoli
Nova Deli
Xangai
Macau
Kuala Lumpur
Singapura
Jacarta
Luanda
Benguela
Maputo
Joanesburgo
Portugalglobal // Fevereiro 12 // 55
BOOKMARKS
AS IDEIAS QUE MUDARAM O MUNDO
A HISTÓRIA NATURAL DA INOVAÇÃO
Um dos mais inovadores pensadores da
actualidade coloca uma questão fundamental: o que desencadeia as grandes
ideias? Todos identificamos uma boa
ideia quando a vemos. A prensa tipográfica, o lápis, o autoclismo, a bateria,
o Google – são alguns dos exemplos
de óptimas ideias. Mas de onde vêm?
Que tipo de ambiente as impulsiona?
Como geramos as ideias inovadoras
que fazem avançar a nossa carreira, a
nossa vida, a nossa sociedade e a nossa
cultura? Na banda desenhada, as ideias
brilhantes aparecem em forma de balões; na vida real, surgem de forma um
pouco mais misteriosa. Neste livro, Steven Johnson recorda-nos o que transformou o jovem naturalista Charles
Darwin no grande pensador que viria
a mudar o mundo. De forma a mostrar
porque é que algumas ideias – como o
Facebook ou o You Tube – resultam enquanto outras nunca passam do papel,
Johnson identifica sete princípios-cha-
ve que estão na génese e crescimento
das boas ideias.
Steven Johnson nasceu há 37 anos e
vive em Nova Iorque há 16. Formado
em Semiótica e Literatura Inglesa, temse destacado como um dos maiores estudiosos da tecnologia digital. Fixou-se,
recentemente, em Brooklyn, para onde,
como diz no seu blogue (www.stevenberlinjohnson.com), se estão a mudar
todos os escritores com crianças. É crítico cultural e professor na New York
University, destacou-se como colunista
dos jornais The New York Times e The
Wall Street Journal e das revistas The
New Yorker e Harper’s Magazine.
Autores: S
teven Johnson
Editor: Clube d’Autor
Nº de páginas: 304
Ano: 2011
Preço: 15,90€
MARKETING DIGITAL NA VERSÃO 2.0
O QUE NÃO PODE IGNORAR
Este livro é para si, que, querendo saber
como poderá utilizar os meios digitais,
Internet, telemóveis, etc., para gerar
mais negócio, não quer no entanto ser
inundado de jargão inútil. Quer saber
exactamente e de uma maneira simples
com pode amanhã começar a utilizar
estes meios.
Também terá a percepção do que está
a mudar estruturalmente em termos do
comportamento do consumidor e da
maneira de actuar das empresas, quer
elas sejam PME ou grandes empresas.
Os meios digitais vieram para ficar e estamos apenas no início de uma revolução
que nos vai obrigar a uma actualização
contínua e a ter uma abordagem criativa
de um futuro em que a única constante será a mudança. Por essa razão, esta
obra é apoiada por uma comunidade
digital, Marketing Digital 2.0, disponível
no Facebook, funcionando como um espaço de interactividade entre os leitores
e o autor. Poderão aqui encontrar novos
recursos em múltiplos formatos, onde
56 // Fevereiro 12 // Portugalglobal
juntos poderemos criar novo conhecimento numa lógica de web 2.0.
Filipe Carrera é Licenciado em Economia
pelo ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa, tem MBA pela
Universidad Politécnica de Madrid, tem
Pós-Graduação em e-Business pela Universidad Politécnica de Madrid, tem PósGraduação em Gestão da Formação em
e-Learning pela Universidad Complutense de Madrid e tem Pós-Graduação em
Gestão de Marketing pela Universidad
Politécnica de Madrid. É Professor dos
Mestrados e Pós-Graduações do ISEG Universidade Técnica de Lisboa, no ISLA
e no IPAM.
Autor: Felipe Carrera
Editor: Edições Sílabo
Nº de páginas: 244
Ano: 2012
Preço: 19,70€
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