Portugalglobal Pense global pense Portugal Entrevista Tadeu Soares, Embaixador em Pequim China tem mercado para as empresas portuguesas 9 Destaque China O novo modelo de desenvolvimento económico 6 Fevereiro 2012 // www.portugalglobal.pt Empresas Ralut, MUNNA, Golfinho e Filkemp 36 FCR aicep Capital Global Internacionalização Visamos a sustentabilidade do tecido empresarial apoiando a exportação As Empresas alvo são todas aquelas: • Operacionalmente rentáveis • Com uma equipa de Promotores / Gestão competente • Que apresentem projetos com relevante componente de exportação O que esperamos dos Promotores: • Que estejam disponíveis para uma parceria acionista • Capacidade de concretização do projeto • Sustentabilidade económica do projeto e equilíbrio financeiro da empresa O que influencia a nossa Decisão: • Adequação às regras de enquadramento e prioridades de investimento; • Credibilidade dos parceiros, equipa de gestão e plano de negócios • Sustentabilidade económica e equilíbrio financeiro do projeto • Capacidade de retorno e rendibilização dos capitais investidos Um parceiro das PME exportadoras Saiba mais em www.capitalglobal.pt aicep Capital Global Lisboa: Av. da Liberdade, 258 – 5º • 1250-149 Lisboa Porto: Rua Júlio Dinis, 748 – 8º Dto. • 4050-012 Porto Fevereiro 2012 // www.portugalglobal.pt sumário Destaque // 6 A nova estratégia de desenvolvimento económico da China à luz do 12º Plano Quinquenal, iniciado em Março de 2011 e em vigor até 2015, é o tema forte desta edição da Portugalglobal. O novo modelo aposta num crescimento quantitativo inferior ao que se tem registado nos últimos anos e aponta para o reforço da mobilidade e o recurso mais intenso às novas tecnologias e energias mais limpas. Em entrevista, o Embaixador de Portugal na China, José Tadeu Soares, analisa o actual modelo de crescimento económico da China, mais focado na incorporação de tecnologia nos produtos, e aponta alguns dos sectores em que Portugal deve apostar naquele mercado no que respeita à exportação e ao investimento. Por seu lado, Zhang Beisan, Embaixador da China em Portugal, apresenta os principais pontos do 12º Plano Quinquenal. Igualmente em foco o papel que Macau desempenha como importante plataforma para a cooperação económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Empresas // 36 Ralut aposta na internacionalização. MUNNA, uma nova perspectiva do design português. Golfinho quer exportar para mais mercados. Filkemp, tecnologia alemã para exportação. Opinião // 44 Um artigo de Paulo Borges, Mestre em Economia Portuguesa e Integração Internacional (ISCTE–IUL) e Key Account Manager Grandes Empresas da AICEP, sobre a Centralidade Económica e Geográfica dos Países. Análise de risco por país – COSEC // 48 Veja também a tabela classificativa de países. Estatísticas // 51 Investimento directo e comércio externo. AICEP Rede Externa // 54 Bookmarks // 56 EDITORIAL Revista Portugalglobal Av. 5 de Outubro, 101 1050-051 Lisboa Tel.: +351 217 909 500 Fax: +351 217 909 578 Propriedade aicep Portugal Global O’Porto Bessa Leite Complex R. António Bessa Leite, 1430 – 2º 4150-074 Porto Tel.: +351 226 055 300 Fax: +351 226 055 399 NIFiscal 506 320 120 Conselho de Administração Pedro Reis (Presidente), António Almeida Lima, José Vital Morgado, Manuel Mendes Brandão, Pedro Pereira Gonçalves (Vogais) Directora Ana de Carvalho [email protected] Redacção Cristina Cardoso [email protected] Vitor Quelhas [email protected] Colaboram neste número Chang Hexi, Direcção Grandes Empresas da AICEP, Direcção de Informação da AICEP, Direcção Internacional da COSEC, Direcção PME da AICEP, Ilídio de Ayala Serôdio, Jackson Chang, José Meira da Cunha, José Tadeu Soares, Mariana Oom, Miguel Ataíde Coelho, Paulo Borges, Zhang Beisan. Fotografia e ilustração ©Fotolia, Rodrigo Marques Publicidade Cristina Valente Almeida [email protected] Secretariado Cristina Santos [email protected] Assinaturas REGISTE-SE AQUI Projecto gráfico aicep Portugal Global Paginação e programação Rodrigo Marques [email protected] ERC: Registo nº 125362 As opiniões expressas nos artigos publicados são da responsabilidade dos seus autores e não necessariamente da revista Portugalglobal ou da aicep Portugal Global. A aceitação de publicidade pela revista Portugalglobal não implica qualquer compromisso por parte desta com os produtos/serviços visados. 4 // Fevereiro 2012 // Portugalglobal Empresas, globalização e negócios com a China Dada a actual importância geopolítica e económica da China, bem como o percurso das relações bilaterais sino-portuguesas e o ambiente de cordial entendimento em matéria de negócios, tanto de Portugal na China, como da China em Portugal, consideramos que a revista da AICEP deve espelhar esta nova realidade. Fornecemos, pois, aos nossos leitores informação relevante que permita um maior conhecimento deste país/ mercado, dirigida àquelas empresas que já produzem, exportam e investem na China, bem como às que se preparam para o fazer. É de destacar que a China, economia emergente e pujante, visa atingir dois grandes objectivos com o seu novo Plano Quinquenal: primeiro, faz uma forte aposta na reestruturação e consolidação estratégicas do seu aparelho produtivo e financeiro, imprimindo-lhe mais inovação, qualidade e eficácia, face às novas condições da economia global e à crise internacional; segundo, coloca claramente na sua agenda o desenvolvimento sustentável e o consumo interno, numa óptica de distribuição social da riqueza gerada, de ajustamento das políticas sociais e de correcção das assimetrias urbanas e rurais, bem como regionais. Esta nova dinâmica interna e externa da realidade chinesa exige, por parte das empresas portuguesas, não só um melhor conhecimento das especificidades deste mercado, como também dos sectores geradores de negócio, das oportunidades das Regiões Administrativas Especiais, como Macau e Hong Kong, assim como das políticas locais e parcerias institucionais da AICEP e, factor incontornável, da cultura do mundo dos negócios na China. Para as empresas portuguesas, isto significa ainda maior exigência em matéria de profissionalismo empresarial e capacidade negocial, bem como mais inovação, qualidade e eficácia nos negócios com a China, o que não deixará de potenciar no nosso tecido empresarial novas dinâmicas de gestão, modernização e competitividade, factores que representam inevitavelmente negócios globais nas empresas portuguesas e uma mais intensiva internacionalização da nossa economia. Espero que com esta edição da nossa revista corporativa, os empresários portugueses fiquem a conhecer um pouco melhor a China, gigante económico mundial e um mercado atractivo, com vastas possibilidades de negócio e que é, claramente, uma nova “avenida de crescimento” para a nossa economia. PEDRO REIS Presidente do Conselho de Administração da AICEP DESTAQUE CHINA UMA NOVA ESTRATÉGIA DE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO Em Março de 2011 a China aprovou o 12º Plano Quinquenal, para vigorar até 2015. Definindo uma nova estratégia de desenvolvimento económico, o documento orientador da economia chinesa para os próximos anos terá importantes reflexos ao nível interno e externo, dada a posição cimeira do país em termos geopolíticos. Optando por uma economia baseada na qualidade e na eficiência, o novo modelo aposta num crescimento quantitativo inferior ao que se tem registado nos últimos anos. Por outro lado, aponta para o reforço da mobilidade e o recurso mais intenso às novas tecnologias e energias mais limpas. O Plano prevê um incremento do consumo interno e disponibiliza uma percentagem mais substancial da riqueza nacional para investir na investigação e na ciência. 6 // Fevereiro 12 // Portugalglobal DESTAQUE O novo Plano Quinquenal da China decorre num cenário geopolítico complexo e agitado, que se exprime também através da crise económica e financeira internacional em curso. O novo documento director da economia chinesa tem como mote a reestruturação económica assente na “qualidade e eficácia” e define como objectivo um crescimento económico médio de 7 por cento até 2015, abaixo da média de 10 por cento alcançada nos últimos 30 anos. A obsessão pelo crescimento cede lugar à preocupação sobre questões sociais, propondo-se atenuar diferenças entre realidades socioeconómicas regionais e entre zonas urbanas e rurais, aumentar salários, melhorar o sistema de protecção social e conter a inflação. Analistas internacionais consideram que o 12º Plano Quinquenal corresponde a uma alteração de 180 graus na orientação política e económica chinesa, tendo como princípio orientador a necessidade de responder com realismo e clarividência à envolvente geoeconómica mundial, onde a China desempenha um papel liderante e cada vez mais importante. A política planeada até 2015 assenta na convicção da existência de uma conjuntura de retracção externa e numa previsível alta nos índices de preços internos. O Primeiro-ministro Wen Jiabao, no discurso que pronunciou na Assembleia Nacional Popular, aquando da aprovação do Plano, em meados de Março do ano passado, foi claro acerca contexto político ao afirmar: “Enfrentamos uma situação doméstica e internacional complexa e teremos de trabalhar duramente para atingir os nossos objectivos, mas com confiança de que o sol brilhará frente a potenciais perigos”. Na verdade, as “placas tectónicas” da geopolítica estão a movimentar-se, num quadro civilizacional marcado pela globalização, pelo (re)surgimento de novas economias emergentes e num mundo fortemente condicionado pelas novas tecnologias que transformam hábitos, permutam culturas e revolucionam os processos de comunicação. A China é sem dúvida um dos elementos fulcrais nesta nova “arquitectura” geopolítica e económica. Assim o interpretam os próprios responsáveis dos Estados Unidos, nomeadamente através da nova Estratégia de Defesa recentemente aprovada, que define a China e a área do Pacífico como a sua primeira prioridade. “Vamos fortalecer a nossa presença na região da Ásia-Pacífico e as reduções orçamentais não serão feitas à custa desta região crítica”, acentuou o presidente Barak Obama. Por seu lado, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, em meados de Fevereiro, por ocasião da cimeira UE/China salientava a necessidade de “As ‘placas tectónicas’ da geopolítica estão a movimentar-se, num quadro civilizacional marcado pela globalização, pelo (re)surgimento de novas economias emergentes e num mundo fortemente condicionado pelas novas tecnologias que transformam hábitos, permutam culturas e revolucionam os processos de comunicação.” reforçar a parceria sino-europeia por “representar um pilar importante na estabilidade e na prosperidade globais”. Apelando à inovação, à qualidade e à eficácia produtiva e privilegiando o papel das pequenas e médias empresas de alta tecnologia como agentes de desenvolvimento, o Plano que orientará a política económica chinesa até 2015, visa “transformar em cinco anos o modelo de desenvolvimento económico e obter avanços científicos e tecnológicos”, segundo as próprias palavras de Wen Jiabao. De acordo com vários analistas, esta politica inaugura, de certa forma, um novo ciclo evolutivo da vida económica da China, bem longe da directiva maoista de 1958 quando foi adoptada a política do grande Salto em Frente, cujo lema era: três anos de esforços e privações, mil anos de felicidade. Depois do ciclo do esforço produtivo orientado para os mercados externos, com enormes cargas horárias, salários muito baixos, produções indiferenciadas e frequentemente por encomenda de marcas e empresas internacionais, o 12º Plano Quinquenal aponta agora para outra filosofia: “Devemos aproveitar totalmente esta oportunidade para ajustar o crescimento e regular os factores desequilibrados, descoordenados e insustentáveis que existiram na economia chinesa há muito tempo”, explicou o Primeiro-ministro Wen Jiabao. As opções do Plano chinês definem como sectores prioritários para investimentos nos próximos cinco anos: a geração de energia através fontes não fósseis; o incremento dos sectores industriais de alta tecnologia; novas matérias-primas; biotecnologia, indústria farmacêutica, tecnologia da informação e o de automóveis eléctricos. Objectiva-se subir do actual patamar de 1,8 por cento os investimentos em ciência e tecnologia para cerca de 4 por cento do PIB. Promover a inovação e incentivar talentos para avançar no crescimento científico é um dos eixos do novo figurino de desenvolvimento enunciado no novo Plano Quinquenal em curso. “Acho que, mais importante que o PIB, é o que se atribui à pesquisa e investimento no processo produtivo, já que ambos determinam a capacidade de inovação de um país, a fonte mais confiável e duradoura do desenvolvimento sustentado”, apontou o Primeiro-ministro da China. Os recursos dedicados à ciência e tecnologia na China têm vindo a expandirse nos últimos anos, incluindo em matéria relacionada com a exploração do espaço, o que faz com que o país ocupe um lugar de destaque entre os dez que mais investem em investigação. Em matéria energética, elemento essencial e transversal ao desenvolvimento social e económico, a China já é a maior produtora mundial de células solares e Portugalglobal // Fevereiro 12 // 7 DESTAQUE turbinas eólicas, na continuidade da execução do anterior Plano. O Plano actual volta a colocar a ênfase no desenvolvimento deste sector vital, porquanto o desenvolvimento industrial acelerado e o consequente aumento do consumo exponencial de combustíveis de origem fóssil fez agravar os problemas ambientais. Neste sentido, o Primeiro-ministro Wen Jiabao pediu o fim da mentalidade obsessiva do crescimento do PIB em dois dígitos e pretende uma melhoria da qualidade de vida da população, que “não deve ser obtida à custa do meio ambiente e dos recursos, pois isso não é sustentável e teria consequências para nossos filhos e netos”. Além da racionalização do crescimento económico, o Plano apresenta metas relativamente à inflação, que não deverá ultrapassar a fasquia anual de 4,5 por cento. Simultaneamente estabelece o objectivo de se criarem 50 milhões de empregos urbanos e a construção de 36 milhões de casas para população mais carenciada. Prevê ainda a valorização dos salários e a reorganização e amplificação de um sistema nacional de saúde. O que mais ressalta no 12º Plano Quinquenal em marcha, e que por certo não deixará de se repercutir à escala plane- “O que mais ressalta no 12º Plano Quinquenal em marcha, e que por certo não deixará de se repercutir à escala planetária, é a opção por um crescimento económico mais calmo e racionalizado, com uma aposta clara nas altas tecnologias, na inovação e no empreendedorismo, uma clara redução do consumo de energia com origem em fontes não renováveis.” sumidor de energia do mundo com elevadíssimas emissões de dióxido de carbono, pretende substituir o carbono por energias limpas e reduzir, até 2015, em cerca de 17 por cento, as emissões poluidoras em relação aos seus resultados económicos. Pela primeira vez, o Plano Quinquenal contém um longo capítulo sobre a mudança climática. Prevendo uma diminuição da procura externa, a filosofia deste 12º Plano Quinquenal aponta no sentido da dinamização do mercado interno, anunciando salários reais mais altos, um aumento do consumo privado, a expan- tária, é a opção por um crescimento económico mais calmo e racionalizado, com uma aposta clara nas altas tecnologias, na inovação e no empreendedorismo, uma clara redução do consumo de energia com origem em fontes não renováveis. Sendo a China o maior consão do sector de serviços e um estado social mais desenvolvido. Como grande continente populoso, continuará a investir intensivamente na mobilidade, desenvolvendo as redes de transporte e apostando principalmente na ferrovia. Até fim de 2012, o país terá mais de 110 mil quilómetros de ferrovias, incluindo mais de 13 mil quilómetros de alta velocidade. Em última análise, o 12º Plano Quinquenal corresponde a uma transformação do processo económico da China, em que o paradigma da produção intensiva, barata e indiscriminada, eminentemente destinada aos mercados externos mundiais, cede lugar aos critérios de eficiência e de inovação, com uma aposta forte na ciência e investigação e nas novas tecnologias. Enfim, o gigante prepara o grande salto para a qualidade e competir assim nos mercados internacionais. José Meira da Cunha, Assessor da AICEP 8 // Fevereiro 12 // Portugalglobal DESTAQUE Num cenário geopolítico bastante turbulento e de crise económica e financeira global, como vê o posicionamento da R. P. da China no contexto mundial e particularmente no que toca ao seu relacionamento com a Europa? ENTREVISTA AO EMBAIXADOR DE PORTUGAL NA R. P. CHINA CHINA TEM MERCADO PARA AS EMPRESAS PORTUGUESAS Embaixador em Pequim desde Maio de 2010, José Tadeu Soares considera que a China encerra “excelentes oportunidades” para as empresas portuguesas que apresentem produtos de qualidade e tecnologicamente inovadores. Em entrevista, Tadeu Soares fala-nos do actual modelo de crescimento económico da China, mais focado na incorporação de tecnologia nos produtos, e aponta alguns dos sectores em que Portugal deve apostar quer em termos de exportação quer enquanto investidor. O governo chinês, quer em questões políticas, quer em questões económicas, dá sempre preferência a soluções que promovam a estabilidade. Se tomarmos em consideração que o conjunto dos países da UE constitui o maior parceiro económico da China, torna-se evidente que o governo de Pequim segue atentamente os acontecimentos no espaço europeu e tudo fará para contribuir para uma estabilidade económica. Utiliza para isso diversos meios: apoio às instituições financeiras, multilaterais e europeias, aquisições de títulos de dívida pública de diversos Estados-membros, investimentos directos em todos os Estados da UE, e abertura crescente às importações vindas da Europa. Há, pois, um claro interesse da China na estabilidade e crescimento das economias europeias, devendo no entanto ter-se presente que se trata de operações em que os interesses chineses estão sempre salvaguardados, como é natural, por um mínimo de garantias. Por outras palavras, a China tem interesse numa estabilidade europeia que assegure a continuação de laços económicos que lhe são úteis e necessários. Os investimentos da China na Europa e também em Portugal têm vindo a intensificar-se. Qual a leitura que faz desta estratégia e como prevê o futuro nesta matéria? A China e as companhias chinesas dispõem de avultadíssimas reservas, resultado de políticas económicas concentradas no crescimento das exportações. É natural que queiram aplicar essas reservas em investimentos que considerem rentáveis e em economias em cujo futuro acreditam. O fenómeno dos investimentos chineses não se limita à Europa, visa igualmente os mercados dos EUA e Canadá, Austrália e Sudoeste Asiático, América Latina, África, etc. Sempre que existem boas oportunidades de negócio com um factor de risco moderado ou baixo, a desafogada situ- Portugalglobal // Fevereiro 12 // 9 DESTAQUE ação chinesa permite-lhes estar presente. Devemos, igualmente, ter presente que dos cerca de 60 mil milhões de dólares de investimento directo chinês no estrangeiro, em 2011, apenas um pouco mais de 5 mil milhões de dólares tiveram como destino a Europa. Não obstante muitas diferenças, recordaria um fenómeno idêntico, que se passou nas décadas de 80 e 90 do séc. XX, em relação ao Japão. Creio que as grandes empresas e bancos chineses continuarão a investir os seus elevados recursos sempre que boas oportunidades de negócios se lhes oferecerem. Por outro lado, é pouco referido, mas creio que merece a pena ser tomado em consideração, o facto de na China as possibilidades de investimento estarem limitadas a alguns sectores. É verdade que a China, na sua imensa vastidão, possui ainda largo campo de desenvolvimento interno, mas esses projectos caem, numa primeira fase, na alçada do governo central e das autoridades provinciais. O que temos 10 // Fevereiro 12 // Portugalglobal assistido é a poderosíssimos grupos financeiros e empresariais chineses utilizarem as enormes reservas que “A China e as companhias chinesas dispõem de avultadíssimas reservas, resultado de políticas económicas concentradas no crescimento das exportações, sendo natural que queiram aplicar essas reservas em investimentos que considerem rentáveis e em economias em cujo futuro acreditam.” obtiveram, para se internacionalizar e aproveitar, sempre que possível, as boas oportunidades que surjam. O 12º Plano Quinquenal, que anuncia uma evolução qualitativa do sistema económico da China, nomeadamente em termos sociais, tecnológicos e ambientais, que influências poderá ter no desenvolvimento das relações políticas e económicas com a Europa e Portugal? O 12º Plano Quinquenal, que entrou em vigor em meados de 2011, aponta para um tipo de desenvolvimento diferente dos anteriores. Já não será o crescimento económico a qualquer preço, com forte ênfase nas exportações e nos produtos baratos, mas sim um desenvolvimento baseado na incorporação de mais tecnologia nos produtos, ou seja, produtos de melhor qualidade, ao mesmo tempo que se dá maior atenção à protecção do ambiente, à melhoria da qualidade do ar e dos rios, melhor educação, melhor saúde, melhores cidades. Julgo que se abrem aqui excelentes oportunidades para as empresas portuguesas de qualidade que actuam nestes sectores. Referiria, entre outras, as questões ambientais (fornecimento das águas, tratamento de resíduos, solu- DESTAQUE ções urbanísticas como preservação da parte antiga das cidades), e todo um vasto leque de empresas que se dedicam a fornecer melhores serviços de saúde, apoio à 3ª idade, etc. Quais as linhas mestras da nossa política de diplomacia económica em relação à China? O principal desafio da diplomacia económica, no que toca à China, é estar atento à evolução do rumo da economia chinesa, divulgar as oportunidades que tal evolução cria para as empresas portuguesas e apoiá-las nos primeiros passos e na sua adaptação às especificidades do mercado. Existe ainda um profundo desconhecimento quer do gigantesco mercado de consumo que a China representa – mais de 300 milhões de pessoas que qualificaríamos na Europa como pertencentes a uma classe média –, quer da rapidez da evolução da economia e sociedade chinesas. Quantas pessoas sabem que na China se vendem mais automóveis do que nos EUA? (Gostaria de referir que o nosso principal item de exportação para a China são veículos, facto que até há pouco tempo nem sequer era referido nas estatísticas portuguesas). Desconhece-se, igualmente, que na China, onde não existia um único quilómetro de auto-estrada em 1980, tem hoje mais quilómetros desse tipo de via do que os EUA. Aparente- “O 12º Plano Quinquenal, que entrou em vigor em meados de 2011, aponta para um tipo de desenvolvimento diferente dos anteriores. Já não será o crescimento económico a qualquer preço, com forte ênfase nas exportações e nos produtos baratos, mas sim um desenvolvimento baseado na incorporação de mais tecnologia nos produtos.” mente desconhece-se que a China é o 2º maior “exportador” mundial de turistas, e pouco ou nada é feito para os atrair. Poderia falar de inúmeros sectores que vão desde os bens de consumo, às matérias-primas, de tecnologia variada e serviços que são procurados e podem ter sucesso na China, etc. Verifica-se, com raras e honrosas excepções, um generalizado desconhecimento da realidade chinesa e, o que é mais grave, uma limitada curiosidade, factor particularmente surpreendente se considerarmos o espírito irrequieto e aventureiro dos portugueses. Em seu entender, quais são as áreas em que existem maiores e melhores oportunidades para as empresas portuguesas, tendo em conta questões como a escala a diversidade e as tendências do mercado da China? Afirmei acima que os mercados chineses estão em rápida expansão, com um crescimento extraordinário do consumo e uma melhoria diária das condições de vida dos cidadãos. Mas, e devo insistir, que cada vez mais se exigem neste mercado produtos de qualidade ou produtos e tecnologias inovadoras. Com persistência e alguma capacidade de adaptação aos gostos chineses, todos os produtos de qualidade se vendem na China, dos agro-alimentares aos têxteis, dos automóveis aos serviços, para além, naturalmente, das exportações tradicionais associadas com Portugal. Empresas de advocacia e arquitectura, empresas que se apresentam como exemplos inovadores e de alta tecnologia, têm tido enorme sucesso na China. A China consome cada vez mais produtos de qualidade, importa sistemas e tecnologias de referência e aceita empresas que tragam estes valores na sua carteira de negócios. Tendo em conta a história do relacionamento de Portugal com a China e a nossa longa presença em Macau, qual o papel e como pode esta “memória cultural” influenciar as relações bilaterais? O papel de Macau nas relações entre Portugal e a China pode ser analisado sob diversas perspectivas. Foi, e ainda é, um fascinante ponto de encontro de civilizações. No domínio político, as negociações da transferência da administração deram-nos um acesso privilegiado para o relacionamento com as autoridades chinesas, e a forma como as mesmas foram conduzidas revelaram, essencialmente, respeito mútuo e uma preocupação partilhada com o bem estar da população local. No domínio económico, Macau surge-nos ainda como uma plataforma de negociações. E plataforma quer dizer isso mesmo: local onde as pessoas se podem encontrar para discutir negócios. Mas não devemos nunca confundir plataforma com destino pois estaríamos a iludirnos e as estatísticas rapidamente desmontam essa ilusão. Creio que Macau é um local extraordinário como encontro de civilizações. É um lugar que permitiu um diálogo político que demonstrou respeito mútuo entre os dois povos e é um lugar facilitador de contactos uma vez que ali dispomos ainda de enormes simpatias e influências. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 11 DESTAQUE A COOPERAÇÃO ECONÓMICO-COMERCIAL INTERNACIONAL E O DESENVOLVIMENTO DA CHINA NO SEU 12º PLANO QUINQUENAL >POR ZHANG BEISAN, EMBAIXADOR DA R. P. DA CHINA EM PORTUGAL Hoje, sob a direcção do 12º Plano Quinquenal do Desenvolvimento Económico-Social, o governo e o povo chinês estão a dedicar-se com confiança à construção da sua própria pátria. Nos próximos cinco anos, a China irá seguir o objectivo de transformar o seu modelo de crescimento económico, mantendo um crescimento estável e relativamente rápido, e, ao mesmo tempo, vai promover progressos no ajuste estrutural estratégico da sua economia, garantindo melhorias na vida do povo em termos sociais através de uma reforma e abertura mais profundas. Até ao ano 2020, a China visa obter maiores progressos na construção de uma sociedade modestamente confortável, melhorar as perspectivas do país e a vida da sua população, e manter o meio ambiente protegido. Uma sociedade motivada e coesa, mais aberta ao exterior, que honra as suas responsabilidades e obrigações internacionais, dando uma melhor contribuição ao Mundo. Para alcançar este objectivo ambicioso, a China vai acelerar a transformação do modelo de crescimento, apostar no aumento da procura interna, especialmente do consumo, optimizar a estrutura do investimento, apoiar o crescimento económico, dando igual importância ao consumo, ao investimento e à exportação, a fim de evitar uma dependência excessiva no investimento e na exportação. Vai valorizar uma cultura de poupança de recursos naturais 12 // Fevereiro 12 // Portugalglobal Em primeiro lugar, irá construir uma abertura económica melhor distribuida regionalmente e também mais equilibrada, enfatizando e aprofundando um desenvolvimento equilibrado entre as diferentes regiões litoral, interior e fronteiriça. e protecção do meio ambiente na vida económica, promovendo um crescimento com mais qualidade e efeciente através dos avanços científico-tecnológicos, mão-de-obra mais qualificada e inovações na gestão económica, fomentando desta forma um desenvolvimento coordenado e sustentável. Vai acelerar as reformas sociais focalizadas na melhoria da vida do povo, formando uma base bem fundamentada para uma sociedade mais harmoniosa. Neste novo contexto, o Plano Quinquenal estipula três áreas de acção no que diz respeito à política de cooperação económico-comercial e internacional. Na região litoral, irá aprofundar a abertura de economia ao exterior, acelerando a transformação da base de processamento e agregação para centros de pesquisa e desenvolvimento, produção avançada e fornecimento de serviços. Irá igualmente acelerar a abertura do sector de serviços e atrair a concentração dos núcleos de serviços internacionais; e aprofundar a abertura e construção das Zonas Económicas Especiais como as de Shenzhen, das Áreas Novas de Pudong em Xangai e Xingang, em Tianjin, construindo em Xangai um centro mundial económico-financeiro, de navegação marítima e de comécio. Na região interior, é objectivo acelerar a construção de uma economia aberta aproveitando as estruturas já existentes nas cidades-chave e futuras zonas de desenvolvimento; explorar as vantagens comparativas em recursos naturais e custos de trabalho, melhorar o ambiente de negócios para receber investimentos que vêm da migração do estrangeiro e da região litoral da China; construir algumas bases de indústria de transformação e de serviços terciários; e promover o desenvolvimento da Área Nova Liangjiang em Chongqing. DESTAQUE Quero chamar a atenção para a elaboração de um Catálogo das Indústrias Prioritárias para o Investimento Estrangeiro nas regiões do Centro e Oeste da China, actualmente em estudo no Comité Nacional do Desenvolvimento e Reforma da China, que ajudará a conhecer melhor quais são os sectores mais vantajosos para esta região. Na região fronteiriça, a China irá aproveitar as condições geográficas e políticas previlegiadas para estabelecer zonas de cooperação económica transfronteiriça. Irá ligar a rede de infra-estruturas com os países vizinhos; fomentar as conglomerações industriais transfronteiriças; construir nas províncias de Heilongjiang, Jilin, Liaoning e na Região Autómona da Mongólia Interior canais de ligação com o nordeste da Ásia; na Região Autónoma de Xinjiang, criar centros de ligações para o oeste; na Região Autónoma de Guangxi criar uma plataforma de cooperação com os países da Associação dos Países do Sudeste Asiático; e na província de Yunnan criar uma saída para os vizinhos do sudoeste da China. Segundo, transformar o seu modelo de comércio internacional, valorizando mais a qualidade do que a quantidade, diminuindo a dependência dos custos de produção muito baixos. Sem prejudicar a competitividade actual, irá fomentar novas competitividades baseadas na tecnologia, marcas registadas, qualidade e serviço, e exercer um controlo rigoroso na exportação de produtos de elevado consumo energético, altamente poluentes, e de produtos provenientes de recursos naturais escassos no país. É também objectivo modernizar a indústria transformadora, promovendo a investigação e o desenvolvimento, o design, a produção de componentes-chave e de logística, aumentando o valor agregado. Encorajar as empresas a construirem uma rede de venda internacional para aumentar a sua competitividade, promovendo a diversificação dos mercados internacionais. Aproveitar melhor as importações, aumentando a importação de tecnologia avançada, de componentes-chave, de recursos naturais escassos no país e de produtos ecológicos. Está também previsto o aumento da importação de bens de consumo a um ritmo equilibrado, bem como um melhor aproveitamento dos produtos agrícolas importados. O plano irá aproveitar a potencialidade do mercado interno para alcançar um equilíbrio macroeconómico e estrutural da economia chinesa e tentar diversificar as origens das importações. Fomentar o comércio de serviços e a sua respectiva abertura e internaciona- “A China segue hoje um caminho de desenvolvimento pacífico, num novo modelo de desenvolvimento que tem como base a sua tradição e cultura milenar, a sua visão sobre o essencial da globalização económica e sobre os interesses e valores comuns da humanidade no séc. XXI.” lização, elevar o peso dos serviços na pauta do comércio internacional. Ao mesmo tempo, consolidar a exportação de serviços como o turismo, transportes, serviços laborais; aprofundar a abertura nos sectores financeiro e logístico; e abrir os sectores da educação, saúde, desporto, etc., ao exterior, para um melhor aproveitamento dos recursos externos. Terceiro, construir uma cooperação internacional em dois sentidos, alcançando o equilíbrio entre Entradas e Saídas. Direccionar mais investimentos para uma agricultura mais moderna, de alta tecnologia, de produção avançada, com tecnologia ambiental, energias renováveis, serviços mais modernizados, etc.. Atrair mais investimento para a região do centro-oeste. Encorajar os investidores estrangeiros a participarem na compra de capital (ac- ções) de empresas chinesas, introduzir know-how e tecnologias estrangeiras, fomentar a instalação de centros de investigação na China para melhor se integrar no sistema global de inovação tecnológica. Ao mesmo tempo, apoiar as empresas chinesas a investirem no estrangeiro, instalar centros de pesquisa conjunta e construir redes de venda internacional. Fomentar grandes empresas e instituições financeiras transnacionais a melhor explorarem a internacionalização. Aperfeiçoar o ambiente de investimento no exterior com a assinatura de acordos de protecção ao investimento e evitar a dupla-tributação, etc.. Quero enfatizar que a China segue hoje um caminho de desenvolvimento pacífico, num novo modelo de desenvolvimento que tem como base a sua tradição e cultura milenar, a sua visão sobre o essencial da globalização económica e sobre os interesses e valores comuns da humanidade no séc. XXI. Os êxitos do desenvolvimento chinês devem-se muito às cooperações amistosas com outros países, através das quais concluímos que o desenvolvimento da China não se realiza sem o resto do mundo, e que a prosperidade e estabilidade mundial não se concretiza sem a China. A política chinesa de cooperação internacional económicocomercial visa aumentar a confiança entre os países, aprofundar a amizade e promover um desenvolvimento com benefício para todos. Queremos promover uma reforma no sistema económico internacional para construir um mundo melhor e mais equilibrado. Defendemos também uma reforma no sistema financeiro internacional e uma maior coordenação entre os principais actores mundiais para nos prevenir de outra crise como a actual, que tem vitimado muito países, incluindo Portugal, e que colocou em questão o bem geral da população mundial. O mundo no séc. XXI deve ser um mundo harmonioso, com paz duradoura e prosperidade compartilhada, e não um mundo de confrontação, isolamento e proteccionismo. Para isso, precisamos do esforço convergente de todos os países e povos. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 13 DESTAQUE OPORTUNIDADES PARA EMPRESAS PORTUGUESAS NA CHINA >POR MIGUEL ATAÍDE COELHO, DIRECTOR DO ESCRITÓRIO DA AICEP EM PEQUIM •a dificuldade em aceder a informação, que tende a estar dispersa, pouco sistematizada e em mutação acelerada; • algumas barreiras técnicas à entrada, onde se incluem por exemplo standards próprios para um conjunto alargado de produtos, sistema obrigatório de certificação para uma quantidade significativa de equipamentos (China Compulsory Certification System ou CCC); • questões relacionadas com a defesa de direitos de propriedade intelectual e industrial; A dimensão e a expansão generalizada e acelerada do mercado chinês fazem com que a definição de oportunidade se faça mais pela via da capacidade das empresas e não tanto através de uma selecção apertada de sectores de aposta, embora se apresentem mais à frente aqueles que parecem mais promissores e se explique porquê. • complexidade do sistema administrativo e um sistema legal pouco conhecido das nossas empresas. Apenas empresas capazes de lidar adequadamente com estes desafios poderão aspirar a um sucesso consistente no mercado chinês. E lidar com estes desafios é necessariamente caro: as viagens intercontinentais são mais caras, a disponibilidade e o período de apren- O principal motivo para este raciocínio decorre do facto da China colocar desafios proporcionais à sua dimensão às PME, portuguesas ou outras, entre os quais se elegem: • as óbvias distância geográfica, diferenças linguísticas dificilmente ultrapassáveis e especificidades culturais; • a dimensão do país, com uma escala continental e assimetrias importantes, que obrigam a pensar demoradamente no ponto de entrada no mercado e a ter capacidade de adaptar modelos de negócio dentro da própria China. A dimensão das empresas chinesas também exige uma navegação mais demorada dos departamentos e níveis de decisão envolvidos; 14 // Fevereiro 12 // Portugalglobal dizagem de recursos humanos internos à empresa são maiores, o que também custa dinheiro, e a potencial necessidade de recurso a terceiros (consultores, empresas de certificação, apoio jurídico) tem elevado grau de probabilidade. Tais exigências apontam para que o mercado chinês não esteja ao alcance de todas as empresas, sendo desaconselhável para empresas com reduzida experiência de exportação, baixa diferenciação, ou meios demasiado exíguos para dar uma resposta aos obstáculos. Os números globais do comércio bilateral são altamente encorajadores, tanto em termos de valores absolutos, como crescimento, evolução do número de empresas exportadoras, desempenho dos bens de consumo, etc., mas uma análise mais detalhada dos dados permite identificar algumas características, que carecem de melhoria e que justificam o anteriormente mencionado: • composição das exportações assenta em larga medida nos automóveis da Autoeuropa, matérias-primas e/ou bens intermédios; • multinacionais instaladas em Portugal, ou que subcontratam produção no nosso país, têm um grande peso nas nossas exportações, mesmo em bens de consumo tradicionais como os relacionados com moda (vestuário e calçado) e decoração (por exemplo, mobiliário) em que são marcas como a Zara e a IKEA que dinamizam muito do fluxo exportador para a China. Fica assim demonstrada a competitividade de Portugal em termos de custos e qualidade de produção, mas fica também visível a dificuldade de marcas nacionais para se afirmarem no mercado chinês, apesar de casos de sucesso cada vez mais frequentes. Passando das características necessárias ao sucesso no mercado para os DESTAQUE sectores que parecem mais promissores, importa começar por referir o enquadramento da política económica chinesa assente no Plano Quinquenal que terminará em 2015. As autoridades chinesas farão nos próximos anos, eventualmente década ou décadas, uma grande aposta na requalificação do seu crescimento, i.e., maior aposta na qualidade do crescimento, que se traduzirá em: nologias energeticamente eficientes e amigas do ambiente e tecnologias de informação de nova geração. Sendo de prever uma massificação de uma classe média urbana, com crescente poder de compra, tenderá a aumentar o segmento de procura entre o super premium/luxo e o baixo custo • diminuição da dependência do exterior (exportações) e do investimento (FBCF) como drivers do crescimento do PIB, o que implica a dinamização do mercado de consumo interno através, por exemplo, da melhoria da rede social de apoio à população, de forma a reduzir o receio e a propensão para poupar; • urbanização: a deslocação de população de zonas rurais para zonas urbanas permite geralmente aumento actualmente existentes, sendo este o segmento no qual a oferta portuguesa tem maior capacidade de resposta. Ao nível dos bens de consumo, as fileiras moda, casa e agro-alimentar e vinhos parecem estar entre as mais interessantes. No caso dos agro-alimentares, é relevante mencionar que a China, com 20 por cento da população mundial, dispõe apenas de 8 por cento de terra arável. dos rendimentos, tanto para quem fica no campo, como para quem se desloca para as cidades; • crescimento sustentável: redução de assimetrias regionais (política “Go West” é um dos exemplos) e políticas ambientais e energéticas que melhorem os gravíssimos problemas de poluição (redução da intensidade energética por unidade de PIB é um dos objectivos); • subida na cadeia de valor industrial: apostas já definidas em sectores estratégicos para o futuro, com forte investimento do estado – novos materiais, automóveis de energias alternativas, maquinaria de alta tecnologia, energias alternativas, biotecnologia, tec- Prevê-se igualmente a intensificação de investimentos em áreas ligadas à eficiência energética e ambiente, TIC e indústrias de ponta, podendo surgir maiores oportunidades para empresas nacionais com experiência e capacidade relevantes. Por capacidade relevante entende-se tecnologia própria e altamente avançada. A China continua a procurar tecnologia e empresas em sectores como moldes, componentes para a indústria automóvel e maquinaria que a tenham e saibam gerir aspectos de direitos de propriedade intelectual e industrial, deverão ter boas oportunidades de negócio. “Mera” integração ou operação de soluções não impressionam na China. No domínio concreto da energia, os recentes investimentos chineses nos grandes operadores portugueses do sector poderão criar oportunidades para empresas portuguesas correlacionadas. No domínio dos serviços, estima-se que arquitectura, ambiente e software possam ter procura. No entanto, as empresas chinesas não costumam confiar em prestadores de serviços “à distância”. Empresas do sector com ambição de servir grandes clientes chineses terão de lidar com o provável requisito de presença no mercado. Serviços financeiros e legais parecem também ter boas probabilidades de evolução, principalmente se souberem tirar partido da posição ímpar que em muitos casos têm nos PLP, países que merecem interesse crescente da China. Num momento histórico do investimento chinês em Portugal, é de referir que também neste domínio poderão surgir oportunidades para empresas portuguesas com bons projectos para apresentar. As movimentações e crescentes interligações entre bancos e escritórios de advogados dos dois países ajudarão certamente a multiplicar a divulgação de oportunidades, existindo uma tendência para o investimento chinês na Europa se concentrar na aquisição de participações em empresas ou projectos estabelecidos. Enquanto destino de investimento, a China continua a ser um alvo interessante, principalmente para quem quiser apostar no imenso mercado interno chinês. No entanto, há que ter em conta que, se a opção de base for a de pro- duzir exclusivamente para exportação para países terceiros, a tendência para o aumento dos custos laborais (salário mínimo deverá subir em média mais de 13 por cento até 2015) e a previsível apreciação do RMB tornarão a China um destino menos interessante. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 15 DESTAQUE EMPRESAS PORTUGUESAS EXPORTAM E INVESTEM NA CHINA As exportações portuguesas para a China aumentaram 67,9 por cento em 2011, fazendo daquele país o mercado onde Portugal mais cresceu. Hoje existem mais de cinco centenas de empresas portuguesas a fazerem negócios com a China. Ninguém fica indiferente a um mercado com mais de mil milhões de consumidores. Desde 2009, ano em que Portugal vendeu 222 milhões de euros para a China, mais 20 por cento que no ano anterior, as exportações portuguesas para aquele mercado mais do que duplicaram, o que é atribuído ao maior esforço português nas exportações e à maior abertura chinesa. As exportações portuguesas para a China aumentaram 67,9 por cento em 2011, estando hoje próximas de atingir a fasquia mais elevada de sempre, com cerca de 395 milhões de euros, um acréscimo exportador que fez daquele país o mercado em que Portugal mais cresceu, estando 16 // Fevereiro 12 // Portugalglobal neste momento a China entre os dez maiores parceiros do nosso país. Além da Autoeuropa, que já tem na China um dos seus principais mercados, estão entre as principais exportadoras não apenas empresas de rochas ornamentais, mas também outras de reconhecidas marcas, como a Gallo, a Bosch, a Swedwood Portugal/grupo IKEA, a Sonae, a Amorim, a Hovione ou a Sogrape, bem como bancos portugueses. São cada vez mais as empresas portuguesas, algumas com um representante ou um escritório permanente no país, que exportam e investem na segunda maior economia mundial, que aprecia os vinhos, o azeite, a cortiça ou a joalharia portugueses. Desde grandes companhias, como a Portugal Telecom (PT), a Cimpor ou a Corticeira Amorim, até estruturas de média dimensão como a Dão Sul, a Salsa Jeans ou a Fly London, Portugal está na China há vários anos. O leque de produtos que o nosso país mais quer vender na China é extenso e vai da tecnologia de ponta aos produtos DESTAQUE alimentares, das energias renováveis aos serviços turísticos, dos automóveis aos produtos farmacêuticos, passando pelas empresas de serviços, desde a arquitectura à advocacia. É de referir que nas exportações portuguesas para a China, a incorporação de alta e média alta tecnologia neste momento é cerca de 50 por cento. Ainda que as exportações de vinhos sejam residuais, a taxa de crescimento das vendas antecipa boas perspectivas para os produtores portugueses. A maior empresa nacional do sector, a Sogrape, também tem uma posição na IW Hong Kong e abriu recentemente um escritório em Xangai. Desde há algum tempo que os contactos entre Portugal e a China têm vindo a intensificar-se, mas com a entrada dos chineses da Three Gorges na EDP, as relações bilaterais ganharam novo fôlego. A emergência da classe média chinesa e a procura de bens e de serviços especializados por parte daquele país constitui, segundo os analistas, uma grande oportunidade para Portugal. CASOS DE SUCESSO A Cimpor está naquele mercado asiático desde Maio de 2007 e conta hoje com cinco fábricas, onde produz 5,3 milhões de toneladas de cimento por ano, e a perspectiva é de continuar a crescer. A Kyaia, o maior grupo português de calçado, optou por entrar na China por via de parcerias. Hoje tem um agente local que produz e vende nesse mercado a marca de sapatos Fly London. A Salsa, empresa de moda, marca presença na China, tendo começado por abordar aquele mercado através de Hong Kong. Mudou-se agora para o território chinês, onde já detém um escritório. O grupo PT detém uma participação de 28 por cento na Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM), operadora de comunicações móveis e fixas. Já na China continental, o grupo tem uma participação na Archway, empresa para prestação de serviços de localização remota em todo o espaço chinês. A Dão Sul criou uma joint-venture para o mercado chinês com o objectivo de reforçar as exportações de produtos vinícolas. A previsão é que, este ano, a facturação naquele mercado ultrapasse os dois milhões de euros, com a empresa a colocar na China mais de 50 mil garrafas de vinho por ano. A Unicer, que apesar de ter Angola como principal mercado externo, está atenta às novas tendências na China, onde conta com distribuidores em Macau, Hong Kong e China continental. Na banca, Portugal está representado, entre outros, pela Caixa Geral de Depósitos, que tem o Banco Nacional Ultramarino em Macau, com 14 agências em operação, e que continua a ser banco emissor de moeda naquele território, administrado até 1999 por Portugal. América do Sul) que trará novas sinergias em várias partes do mundo com destaque para a liderança em projectos de energia renovável, aposta que traduz bem um dos grandes desafios energéticos do século XXI para as economias europeia e chinesa: a necessidade de mudança de paradigma para uma energia limpa a nível global. Por outro lado, além do crescente desenvolvimento do sector dos serviços no país, destaca-se na China uma busca por mais e melhor desenho e criação de infra-estruturas eficientes, necessidade de uma constante melhoria e actualização dos sectores ligados à biotecnologia, ao design industrial, sem esquecer evidentemente o domínio informático (software) e o das telecomunicações, nos quais a China espera alcançar em breve os mais elevados padrões a nível mundial. O QUE PENSAM AS EMPRESAS EDP João Marques da Cruz, Administrador da EDP Tem sido reconhecida a importância das empresas europeias – como a EDP e outras empresas operando em sectores estratégicos da economia mundial – para a internacionalização de grandes empresas da China. Trata-se de uma tendência que poderá certamente continuar nos próximos anos, tendo em conta o aumento da interdependência e cooperação das economias da América e da Europa com o continente asiático nos mais variados sectores. A parceria estratégica entre a EDP e a China Three Gorges representa o estabelecimento de uma importante aliança entre uma empresa portuguesa de perfil global (presente na Europa mas também na América do Norte e na Deste modo, as empresas portuguesas exportadoras terão certamente oportunidades para desenvolver novas soluções a que – para além dos nossos tradicionais produtos de alta qualidade – esteja associada a oferta de serviços com elevado nível e relevo, tanto no contexto europeu como mundial. Neste contexto, o mercado chinês oferece reais oportunidades para as empresas portuguesas que consigam responder ao desafio proposto pelas necessidades emergentes das grandes cidades chinesas e dos seus novos e exigentes consumidores. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 17 DESTAQUE ENOPORT PLMJ Frederico Bragança, Executive Manager/Asia Rita Assis Ferreira, Associada Sénior PLMJ/Pequim Claramente a China é um mercado de oportunidades para os empresários portugueses. Pela sua dimensão geográfica e demográfica, pelo consumo interno em expansão e pela abertura dos consumidores a bens e serviços Verifica-se uma crescente tendência de investimento tecnológico das empresas chinesas, subindo na cadeia de valor em busca de maiores margens e procurando distanciar-se da imagem de produto de baixa qualidade e mão-deobra barata. De facto, a China já exporta mais tecnologia para os EUA do que importa. A oportunidade para as empresas portuguesas está num mercado que cresce, mesmo numa recessão europeia e americana, e que continuará a crescer. Está numa população urbana que, pela primeira vez na história, ultrapassou a população rural, e que continuará a aumentar. Está numa população jovem e de classe média que se transformou em early-adopter, vindos do exterior, a China pode-se tornar “o mercado” prioritário para qualquer empresa que queira expandir a sua área de actuação. Mas este “oásis” dos grandes números não implica sucesso ou facilitismo. As dificuldades são muitas e apenas com profissionalismo, com um plano de negócios bem definido, com experiência em mercados internacionais e, acima de tudo, com uma grande capacidade de adaptação às exigências específicas do mercado, só assim é possível ultrapassar este desafio. Se estas condições forem cumpridas, a China pode tornar-se num mercado estratégico para as empresas nacionais dispostas a arriscar. 18 // Fevereiro 12 // Portugalglobal e que continuará a liderar o mercado de consumo e a marcar tendências. E estará também numa economia apostada na internacionalização das suas principais empresas, apoiada em vastos recursos financeiros, e que buscam acordos e parcerias para acelerar essa internacionalização designadamente em países de língua portuguesa. Os sectores de consumo, tecnologia, matérias-primas, trading, energia e en- tretenimento são, entre outros, alguns que irão apresentar fortes crescimentos nos próximos anos. Para o sucesso das empresas que, avisadas, se estabeleçam na China com consciência da necessidade de investimento, presença física e que estejam prontas para, pacientemente, procurar resultados, sendo indispensável um planeamento atempado, uma estratégia clara e uma escolha adequada de parceiros. SOVENA Jorge de Melo, Vice-presidente do Grupo Sovena A Sovena marca já uma significativa presença no mercado chinês de azeite, um mercado que ainda é hoje dominado por marcas locais, ou seja, embaladas localmente a partir de azeite importado, maioritariamente de origem espanhola, e onde o consumo per capita, apesar de ainda ser muito baixo, apresenta um potencial de crescimento impressionante, com valores acima dos 60 por cento ao ano. Este crescimento deve-se ao facto de estarmos perante um produto que corresponde na perfeição às exigências de uma dieta mais saudável e de conceitos culinários inovadores. Se o mercado crescer durante os próximos anos a metade do ritmo que tem crescido até agora, será o 5º maior mercado do mundo em 4 anos. DESTAQUE É por tudo isto que a Sovena encara este mercado como uma oportunidade apetecível, o que nos leva a ansiar por um parceiro local com dimensão relevante para podermos afirmar a superior qualidade das nossas marcas de azeite junto dos consumidores chineses. SARAIVA + ASSOCIADOS Arq. Miguel Saraiva, Presidente Executivo / CEO A presença da Saraiva + Associados na China tem sido marcada pela extrema velocidade e pró-actividade que caracteriza este mercado. Como empresa de CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA LUSO-CHINESA >ILÍDIO DE AYALA SERÔDIO, VICE-PRESIDENTE DA CCILC Com a crise e recessão na Europa e a retracção das exportações portuguesas para o seu maior mercado, urge olhar para outros mercados e a China deve ser um deles. O Fórum China - Países de Língua Portuguesa criado em 2002 chamou a atenção da China para um conjunto de países em que os principais parceiros comerciais da China eram já o Brasil (minério de ferro) e Angola (petróleo). Portugal, apesar das relações centenárias, continuava a ser um parceiro menor com um natural défice na sua balança comercial e com pouco investimento bilateral. Com o novo programa de privatizações em Portugal de 2011 e no âmbito da reestruturação das dívidas soberanas europeias, a China optou por entrar nesse programa adquirindo recentemente posições estratégicas na EDP e na REN. arquitectura, lidamos habitualmente com as especificidades culturais dos mercados onde nos posicionamos. Sendo a China um país com uma riqueza cultural imensa, uma dimensão condizente e com um índice de crescimento elevado, temos de permanentemente sintetizar estas componentes de forma integrada, eficiente e com grande qualidade. O nível de exigência e competitividade assim o obriga. Existem grandes oportunidades mas há que saber respeitar o cliente chinês: a presença física é obrigatória, o envolvimento pessoal respeitado, o investimento considerável. É um mercado aliciante mas que exige preparação, disponibilidade e um bom plano de negócios. Estas acções passaram a constituir uma nova fase na relação comercial entre os dois países e as empresas portuguesas passaram a ter uma abertura de oportunidades que terão de ser exponenciadas pelo melhor conhecimento do mercado chinês. Tanto a AICEP como a CCIL-C conhecem bem a China e devem ajudar mais PME a aceder a esse mercado. Os chineses têm uma grande capacidade de poupança e os produtos de consumo de qualidade têm ali uma grande atractividade. Os chineses ainda sabem muito pouco sobre Portugal e as PME têm de despertar o interesse e a curiosidades dos chineses para os seus produtos. A oportunidade já não passa pela aposta em produtos de baixo preço, mas sim em nichos, nomeadamente no têxtil/vestuário, no calçado de luxo, nos produtos alimentares, incluindo vinhos de qualidade, nos equipamentos e metalomecânica, na engenharia relacionada com o ambiente e energias renováveis, em produtos de alta tecnologia como softwares especializados, em produtos químicos, farmacêuticos e em moldes. A União Europeia tem em Pequim o EU SME Centre que dá apoio e formação sobre estratégias de entrada no mercado chinês e que deve ser aproveitado. A CCIL-C através da EUCBA, EU-China Business Association, onde é Vice-presidente, pode organizar essas acções. Mas também há oportunidades para investimentos em Portugal de empresas chinesas que procuram fabricar ou acabar produtos na Europa para serem certificados para o mercado europeu e outros. Uma oportunidade ainda difícil de concretizar é a triangulação para os mercados africanos e sul-americanos através de associação entre empresas chinesas e portuguesas, tanto na construção, como no fabrico de equipamento e materiais de construção. Mas a área de energias renováveis poderá ser um nicho onde essa colaboração pode ser mais efectiva. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 19 DESTAQUE INVESTIMENTO CHINÊS APOSTA EM PORTUGAL O dinheiro chinês circula cada vez mais na Europa, estimando-se que existam aproximadamente 4.680 empresas chinesas com ligações a 28 países europeus, onde estão a adquirir posições de peso em grandes investimentos estratégicos, com mais incidência no Luxemburgo, Rússia, Alemanha, Suécia e Reino Unido. Em Portugal, a China ganha terreno no mundo dos negócios e reforça as relações bilaterais. Tudo indica que 2012 vai ser o ano do investimento chinês. É actualmente consensual que o interesse chinês por Portugal revela que o país tem um ambiente de bons negócios e boas empresas, nomeadamente no sector tecnológico, energia, transportes e banca, e que Pequim está atento às oportunidades do mercado, tanto mais que a China dispõe actualmente de grandes capitais e tem um interesse crescente na sua internacionalização. No final de 2011, as reservas da China em divisas somavam 2,47 biliões de euros, mais 257,3 mil milhões de euros do que em 2010, e durante o ano, o investimento chinês na Europa aumentou 57,3 por cento, para 3,6 mil milhões de euros. Não surpreende, pois, que a política oficial do governo chinês em matéria de investimento no estrangeiro, consideradas as imensas reservas que este país conseguiu acumular nos últimos anos através das suas exportações, esteja globalmente em marcha e que Portugal se encontre na agenda desse investimento, dadas as boas relações bilaterais. Por outro lado, a situação geográfica de Portugal, bem como as relações privilegiadas e a forte presença das nossas empresas em África e na América Latina, designadamente nos países de expressão portuguesa, constituem outros factores que fazem de Portugal um destino atractivo para o investimento e o comércio chineses, já que operam como ponte entre a Ásia, a África e a América Latina. Não deixa de ser significativo o incremento nas trocas comerciais entre a China e Portugal, que atingiram, no 20 // Fevereiro 12 // Portugalglobal seu conjunto, cerca de dois mil milhões de euros em 2011. Contudo, o interesse do investimento chinês por Portugal não é de agora. No país já existem várias empresas portuguesas a operar nos mercados, cujo capital é detido em parte ou em mais de 50 por cento por sociedades chinesas, como é o caso da ZTE Portugal - Projectos de Telecomunicações, Unipessoal, Lda., Huawei Tech. Portugal - Tecnologias de Informação, Lda. ou a APMCQ - Automotive Playback Modules Portugal, Unipessoal Lda.. “A situação geográfica de Portugal, bem como as relações privilegiadas e a forte presença das nossas empresas em África e na América Latina, designadamente nos países de expressão portuguesa, constituem outros factores que fazem de Portugal um destino atractivo para o investimento e o comércio chineses, já que operam como ponte entre a Ásia, a África e a América Latina.” Uma destas empresas destaca-se no entanto: a chinesa Huawei, a segunda maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo e líder mundial em soluções de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), que em Portugal tem um volume de negócios anual de 53,5 milhões de euros. A Huawei já opera em Portugal desde 2004 e acaba de investir no seu centro do Parque das Nações, mais 10 milhões de euros, reforçando deste modo o investimento de 40 milhões de euros já feito em Portugal. Outra empresa é a Geocapital - Investimentos Estratégicos, que tem sede em Macau e tem vindo a apostar nos países de língua portuguesa numa acção coordenada com o papel de Macau como plataforma económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa. Iniciou a sua actividade em 2006 e foi pensada para aproveitar as sinergias criadas pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa. Está em Portugal, China, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Brasil e Timor-Leste. O objectivo é reforçar a intervenção empresarial em projectos de realização de infraestruturas, aproveitamento de fontes de energia, exploração de combustíveis fósseis e energias renováveis, exploração e transformação de recursos naturais e produção agro-industrial. Foi no entanto a vitória da China Three Gorges na privatização da EDP, com a aquisição de 21,5 por cento da Energias de Portugal, que levou o governo chinês a dar o seu aval a múltiplos financiamentos à economia portuguesa DESTAQUE uma empresa chinesa estatal investe num sector estratégico da economia portuguesa, o que abre um novo capítulo nas relações privilegiadas entre os dois países. Outro investimento, este já inscrito na proposta que a Three Gorges apresentou no âmbito do concurso à entrada na empresa de electricidade portuguesa, é a construção de uma fábrica de turbinas eólicas em Portugal. O investimento será feito pela Goldwind, que tem ligações à Three Gorges, prevendose que no início deste ano comece a prospecção de terrenos para decidir a localização da nova unidade, que entrará em laboração até ao Verão de 2013. Quanto à REN - Rede Eléctrica Nacional, os chineses da State Grid estão compradores de até 25 por cento da empresa portuguesa, a percentagem máxima de acesso à fatia de 40 por cento – 592,21 milhões de euros – que o Estado colocou à venda. A opção pelos chineses sempre foi defendida pelos accionistas de referência da empresa que transporta a energia eléctrica dentro do país, uma vez que a entrada da State Grid é considerada como um valor acrescentado para a REN, possibilitando, em contrapartida, a abertura do mercado chinês a investimentos portugueses. A State Grid prevê ainda um financiamento de mil milhões de euros pelo China Development Bank à REN. A empresa chinesa, que se torna assim o maior accionista da REN, quer avançar com três projectos de investimento conjunto em linhas de transmissão de electricidade no Brasil e está a apostar em duas joint-ventures em Angola e Moçambique, detidas em partes iguais pelos portugueses e chineses. e à entrada de vários bancos chineses em Portugal. Refira-se que o negócio da China Three Gorges não só faz a ponte para que a EDP se possa vir a financiar em mercados como o de Hong Kong, como também abre caminho para que os bancos chineses venham a participar no esforço de melhoria da liquidez das instituições financeiras portuguesas. Esta é a primeira vez que Na sequência da privatização da EDP, a instalação de uma fábrica automóvel em Portugal pode vir a ser um entre outros investimentos com origem em Pequim, assim como a entrada de um banco chinês no capital de um grande banco português. Tudo indica que o novo ano chinês, o ano do Dragão, estará marcado por negócios com Portugal e pelo estreitar das relações entre os dois países. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 21 DESTAQUE MACAU E O PLANO QUINQUENAL O PAPEL DA AICEP O apoio do governo central chinês ao desenvolvimento económico de Macau no contexto do Plano Quinquenal pode trazer vantagens a Portugal. Mariana Oom, directora do escritório da AICEP em Macau e Hong Kong, e também delegada de Portugal junto do Secretariado Permanente do Fórum Macau, fala-nos das oportunidades que a RAEM oferece às empresas portuguesas e na forma como a AICEP as está a aproveitar. Marcando uma nova era, o 12º Plano Quinquenal da R.P. China inclui, pela primeira vez, um capítulo dedicado às duas Regiões Administrativas Especiais (RAE), Hong Kong e Macau, reforçando a política de “um país, dois sistemas”. É explícito o apoio do governo central às RAE, tirando partido das suas vantagens e dando-lhes um importante papel no desenvolvimento global da nação. No caso de Macau, o Plano é claro no apoio à região para que se torne um “Centro Mundial de Turismo e Lazer”; acelere o desenvolvimento como plataforma de serviços económicos e comerciais entre a China e os PLP; promova a diversificação da economia; e aprofunde a integração regional. 22 // Fevereiro 12 // Portugalglobal Embora não sejam medidas totalmente novas, o Plano reveste-se de um significado especial ao atribuir maior importância às RAE, com reflexos já em 2011, de que é exemplo a assinatura do Acordo-Quadro com a província de Cantão (Guangdong). É em linha de conta com esta política e perseguindo os objectivos comuns do governo central, que a RAEM define as Linhas de Acção Governativa (LAG) (http://portal.gov.mo/web/guest/info_ detail?infoid=134844) para 2012. No capítulo da Diversificação da Economia destacam-se alguns sectores de oportunidade para as empresas portuguesas, designadamente turismo e indústrias e serviços associados; indústrias culturais e criativas; comércio; cooperação regional; planeamento urbano e transportes; reforço da protecção ambiental (redução da emissão de CO2 dos veículos; poluição sonora; utilização de produtos ecológicos; teste de uso de autocarros eléctricos; estudo sobre planeamento e utilização de água reciclada). Atenta a estes desenvolvimentos e às políticas locais, a AICEP em Macau, que também cobre a RAE Hong Kong e o sul da China, tem estabelecido parcerias institucionais de forma a ampliar a sua capacidade de actuação, trabalhando em estreita colaboração com entidades públicas e privadas e com os agentes económicos locais, na promoção de Portugal e dos bens e serviços portugueses. Exemplo deste trabalho é a participação regular em exposições, feiras e seminários em Macau e na China continental, particularmente em Cantão, promovendo e incentivando a presença de agentes de produtos portugueses locais e de Portugal, cuja colaboração com entidades como o IPIM e associações locais, entre outras, tem sido fundamental. Falar da RAEM é também falar do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum Macau), onde a AICEP tem assento como representante de Portugal. O Fórum tem proporcionado a promoção de Portugal nas áreas de comércio, turismo e investimento em Portugal e de parcerias tripartidas nos PLP. Esta promoção efectua-se um pouco por toda a China (em coordenação com os escritórios de Pequim e Xangai) e também em Macau e em Portugal, na recepção a inúmeras comitivas de diferentes províncias. A AICEP Macau presta apoio a todas empresas que se deslocam ao mercado com informação sobre a região e contactos. Actua ainda na promoção da participação de empresas portuguesas em vários certames de relevo que têm lugar na RAEM e em Cantão, como são o caso da Feira do Ambiente de Macau (MIECF, Março) e Feira Agro-alimentar e Bebidas em Guangzhou (GIFMS, Abril), cuja preparação está em curso, além da Feira de Franchising (MFE, Julho) e da Feira Internacional de Macau (MIF, Outubro). Quer internacionalizar o seu negócio? Use a energia certa. A expansão nos mercados externos é uma possibilidade para inúmeras empresas, que estão preparadas e têm as condições necessárias para expandir as suas fronteiras e os seus limites. Amplie os seus mercados e aumente as suas exportações, com o nosso apoio. Somos parte de um grupo Bancário de grande dimensão, com capacidade financeira e reconhecido prestígio internacional. Estamos preparados e queremos apoiar o Negócio Internacional, dispomos de mais de 2300 agências bancárias na península ibérica, assim como de um conjunto de parcerias bancárias, para facilitar os seus negócios. www.bancopopular.pt DESTAQUE MACAU PLATAFORMA DE SERVIÇOS ECONÓMICOS E COMERCIAIS ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA A cooperação económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa tem sido desenvolvida por Macau, uma economia aberta que ao longo de séculos tem feito a ponte entre o ocidente e o oriente. Razões históricas e culturais, bem como o valor da língua portuguesa, comum a estes países, conferem à RAEM um papel de relevo neste processo. O presidente do IPIM – Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau, Jackson Chang, faz o ponto de situação do desenvolvimento desta Plataforma de cooperação. Situada a Oeste da Província de Guangdong, com uma área geográfica de 29,7 quilómetros quadrados e mais de quinhentos e cinquenta mil habitantes, a Região Administrativa de Macau (RAEM) dispõe de uma economia aberta e de outras vantagens peculiares para investimento e negócio, nomeadamente redes de comunicação com o exterior, infra-estruturas avançadas, porto franco e sistema fiscal simples e de baixa tributação. Aproveitando essas vantagens, a RAEM, mediante acções promocionais de cooperação económica regional e no exterior, tem envidado esforços na construção de plataforma de serviços económicos e comerciais, como, por exemplo, a plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP). Após a transferência de soberania, e no que respeita ao reforço da cooperação com os Países de Língua Portuguesa, a RAEM tem tido grande apoio do governo central da China, sendo exemplo disso a realização das três Conferências Ministeriais do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, em Macau. Para esse efeito, foi ins- 24 // Fevereiro 12 // Portugalglobal dada, numa base anual e rotativa, em diferentes países de língua portuguesa, a realização do “Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. Na última edição da citada Conferência, o Primeiro-ministro da República Popular da China, Dr. Wan Jiabao, anunciou o estabelecimento de um “Fundo de Desenvolvimento” de mil milhões de dólares americanos, destinado para desenvolver a cooperação entre a China e os PLP, mediante a concessão de crédito preferencial, formação de pessoal e outras medidas importantes visando aprofundar as relações entre a China e os referidos países. talado, em Macau, o Secretariado Permanente do Fórum de Macau. As três edições da Conferência Ministerial, em 2003, 2006 e 2010, respectivamente, foram muito bem sucedidas de modo que o papel da RAEM como ponte de ligação e laços de amizade tem sido objecto de cada vez maior consideração e reconhecimento. Durante a 1ª edição da referida Conferência, foi assinado um “Protocolo de Cooperação entre Organismos de Promoção Comercial/ Câmara de Comércio” no qual foi acor- Além disso, em Março de 2011, foi promulgado no 12º Plano Quinquenal da República Popular da China, o apoio ao aceleramento da RAEM como plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os PLP. A RAEM reúne as condições necessárias para a concretização da plataforma de cooperação económica e comercial entre a China e os PLP, oferecendo aos países acessos privilegiados no mercado do continente chinês, através do DESTAQUE Acordo de Estreitamento das Relações Económicas e Comerciais entre a China e Macau (CEPA), que tem como objectivo promover a prosperidade e o desenvolvimento comuns do interior da China e da RAEM, bem como a redução e eliminação das barreiras alfandegárias, alcançar a liberalização do comércio e serviços e a facilitação do comércio e do investimento. O governo da RAEM possui vários serviços de apoio à plataforma em causa, como sejam, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), que sendo um organismo público, tem vindo a manter relações estreitas com os organismos de promoção comercial dos PLP através de diversas actividades promocionais nesses países, dando a título de exemplo, a realização da Feira Internacional de Macau (MIF), para a qual tem vindo a ser convidadas delegações dos Organismos de Promoção do Comércio para participarem no evento. Encontra-se também instalado, no recinto da Feira, o Pavilhão dos Países de Língua Portuguesa com vista à divulgação dos produtos e o ambiente de investimento dos PLP. Por sua vez, com vista a consolidar a função e o estatuto de Macau como plataforma de serviços, o IPIM instalou o Centro de Exposição de Produtos de Macau, intitulado “Macao Ideas”, em Maio de 2011, onde se encontra uma zona dedicada à exposição de produtos dos Países de Língua Portuguesa com agentes de Macau, proporcionando, por esta via, um importante canal para a divulgação e promoção dos produtos dos referidos países. Importa ainda referir que, além de existirem profissionais com bom domínio de chinês e português, os mesmos possuem conhecimento aprofundado das normas jurídicas e das regras de mercado da China e dos PLP. Além da língua portuguesa, como uma das línguas oficiais da RAEM, constituir ainda uma mais-valia, razões históricas, comerciais e culturais, levaram a que a RAEM continue a manter amplos contactos e estreitas relações com os Países de Língua Portuguesa, tais como a Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor Leste, espalhados pelos quatro continentes, com uma população total de mais de 260 milhões e um mercado com grandes potencialidades de desenvolvimento. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 25 DESTAQUE O PAPEL DO FÓRUM DE MACAU NO CONTEXTO DO 12º PLANO QUINQUENAL >POR CHANG HEXI, SECRETÁRIO-GERAL DO FÓRUM PARA A COOPERAÇÃO ECONÓMICA E COMERCIAL ENTRE A CHINA E OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA (MACAU) Económica e Comercial, que contemplam a cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa em vários domínios, nomeadamente a cooperação intergovernamental, comércio, investimento e cooperação empresarial, agricultura, construção de infra-estruturas, recursos humanos, turismo, sector financeiro, cooperação de desenvolvimento e cultura. O Secretariado Permanente do Fórum de Macau foi criado em Abril de 2004, por iniciativas dos países participantes, com o apoio do governo da RAEM. Durante os cerca de nove anos desde a criação do Fórum, as diversas comunidades, bem como as Associações Civis dos Países Participantes, têm participado activamente e colaborado nas actividades do Fórum. Apraz-me oferecer com grande satisfação a minha contribuição para esta edição de Fevereiro da revista digital Portugalglobal dedicada à República Popular da China, sobre as políticas de crescimento apresentadas no 12º Plano Quinquenal (2011-2015) quanto à sua estratégia internacional para destacar o Papel do Fórum de Macau - Apoio na criação em Macau de um Centro Mundial de Turismo e Lazer. Aceleração da criação da plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. O Fórum de Macau foi criado em Outubro de 2003, por iniciativa do go- 26 // Fevereiro 12 // Portugalglobal verno central da China, com o apoio e participação dos Países de Língua Portuguesa nomeadamente Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. Com o apoio da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), realizaram-se em Macau, em 2003, 2006 e 2010, as três Conferências Ministeriais que contaram com a presença das delegações oficiais dos países participantes, bem como das organizações internacionais e delegações empresariais do interior da China, Macau e dos Países de Língua Portuguesa. Foram ainda assinados três Planos de Acção para a Cooperação I. Verifica-se a elevação do nível da cooperação económica e comercial entre os países participantes através das visitas recíprocas de alto nível, nomeadamente visitas à China da Presidente do Brasil, Dra. Dilma Vana Rousseff, do Presidente de Moçambique, Dr. Armando Guebuza, do Presidente de Timor-Leste, Dr. José Ramos Horta, e a visita ao Brasil e a Portugal do Presidente da China, Dr. Hu Jintao. II. Há grande contribuição do papel de Macau como plataforma no desenvolvimento das relações económicas e comerciais bilaterais. Os esforços comuns dos países participantes, do governo da RAEM, do Secretariado Permanente, bem como dos sectores empresariais permitiram que as trocas comerciais entre a China DESTAQUE e os Países de Língua Portuguesa em 2011 atingissem o volume de 117.234 milhões de dólares, um aumento de 25.811 milhões de dólares e um acréscimo de 28 por cento, face ao mesmo período de 2010 (91.423 milhões de dólares), alcançando, antecipadamente em dois anos, e superando a meta fixada para as trocas comerciais em 2013 (100 mil milhões de dólares americanos), definida na 3ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau. III. Tem-se alargado a cooperação na área de formação de recursos humanos para os Países de Língua Portuguesa. A cooperação na área de formação de recursos humanos entre a China e os Países de Língua Portuguesa tem sido fortemente consolidada. Autoridades e técnicos provenientes dos Países de Língua Portuguesa foram convidados a frequentarem vários cursos ou colóquios no interior da China, nas áreas de Administração Económica, do Comércio, Investimento e Cooperação Empresarial, Agricultura e Pescas, Construção de Infra-estruturas e Exploração de Recursos Naturais e Cooperação para o Desenvolvimento. Até à presente data, cerca de 3.000 responsáveis e técnicos, provenientes dos Países de Língua Portuguesa, participaram em actividades para a cooperação no domínio de desenvolvimento de recursos humanos. Em Março de 2011 teve lugar a Cerimónia de Descerramento da Placa do Centro de Formação do Fórum de Macau com a organização do governo da RAEM. O Centro de Formação contabilizou, para o ano transacto, um total de formação de 148 responsáveis e técnicos dos Países de Língua Portuguesa e três personalidades de Macau. IV. Organiza-se o Secretariado Permanente de actividades para a promoção das relações económicas e comerciais no quadro do Fórum. O Secretariado Permanente, no ano de 2011, marcou presença participando principalmente nos seguintes eventos: Reunião Anual das Agências para a Promoção do Investimento da China e dos Países Estrangeiros; 109ª e 110ª Feira de Cantão; 14ª China Chongqing International Investment and Global Sourcing Fair (CCISF); 2º Fórum Internacional sobre o Investimento e Construção de Infra-estrutura; 7ª Exposição de Comércio e Investimento do Nordeste da Ásia; 15ª Feira Internacional do Investimento e do Comércio da China, na Semana Dinâmica de Promoção de Macau – Nanning de Guangxi; 7º Fórum do Pan-Delta do Rio das Pérolas para Cooperação e Desenvolvimento Regional e Feira Comercial, etc. Dentro das referidas actividades o Secretariado Permanente divulgou as políticas e ambientes de investimento dos Países de Língua Portuguesa, explorando as oportunidades concretas de cooperação efectiva entre as empresas. V. Incrementa-se a participação das comunidades de Macau nos assuntos para a cooperação económica e comercial no quadro do Fórum. “As comunidades de Macau têm atribuído uma grande importância ao desenvolvimento da região, apresentando muitas e valiosas propostas sobre a consolidação da plataforma de serviços para a cooperação económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa assumida por Macau.” O Governo da RAEM prestou apoio na organização de delegações de empresários do interior da China e de Macau para efectuarem visitas aos Países de Língua Portuguesa, organizando de forma activa os Encontros dos Empresários para a Cooperação Económica e Comercial da China e dos Países de Língua Portuguesa realizados em Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Brasil e Portugal, prestando por sua vez apoio aos empresários dos Países de Língua Portuguesa para participarem em diversas exposições, feiras e bolsas de contactos organizados no interior da China e em Macau. As comunidades de Macau têm atribuído uma grande importância ao desenvolvimento da região, apresentando muitas e valiosas propostas sobre a consolidação da plataforma de serviços para a cooperação económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa assumida por Macau. As empresas de Macau têm prestado apoio em vários domínios aos empresários chineses que têm interesses em desenvolver negócios e realizar investimento nos mercados dos Países de Língua Portuguesa e vice-versa, na vertente de tradução, consultadoria, agentes, fornecimento de informações de projectos, estudo dos mercados potenciais, assim como apresentação dos parceiros. Em conformidade com as exigências previstas no 12º Plano Quinquenal e o estipulado no Acordo Quadro de Cooperação Guangdong - Macau, o Secretariado Permanente irá acompanhar seis medidas anunciadas por S. Exa. o Primeiro-ministro do Conselho de Estado da República Popular da China, Dr. Wen Jiabao, na 3ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau, concretizando o Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial (2010-2013), promovendo a cooperação na área de recursos humanos e facilitação do investimento e do comércio, utilizando o papel de Macau como plataforma de serviços comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Em simultâneo, o Secretariado Permanente irá apoiar também a RAEM na sua estratégia de diversificação adequada da economia e na aceleração do desenvolvimento das indústrias de turismo e lazer, convenções e exposições, medicina tradicional chinesa, educação, indústrias criativas e culturais, estudando ainda de forma pragmática a possibilidade de participar no desenvolvimento da exploração da Ilha de Hengqin, associando as estratégias de reconversão e valorização das indústrias e de “desenvolvimento externo” adoptadas por Guangdong, e reforçando o nível de cooperação entre a região do Grande Delta do Rio das Pérolas, a fim de contribuir para a melhor cooperação económica entre o interior da China, Macau e os Países de Língua Portuguesa. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 27 DESTAQUE SAIBA COMO NEGOCIAR E FAZER NEGÓCIOS NA CHINA >POR MIGUEL ATAIDE COELHO, DIRECTOR DO ESCRITÓRIO DA AICEP EM PEQUIM Tal como todos os países e culturas, a China tem características civilizacionais próprias que se reflectem no mundo dos negócios. Eis algumas sugestões, certamente úteis, para quem quer negociar e fazer negócios no Império do Meio. E vitar preconceitos e ideias feitas sobre a China e os chineses, uma vez que existe uma forte probabilidade de estarem desactualizados. A China é hoje uma grande potência comercial e industrial, com empresas e executivos altamente sofisticados e preparados. 28 // Fevereiro 12 // Portugalglobal anter uma atitude negocial tão flexível M quanto possível. As empresas chinesas podem estar confrontadas com restrições legais, ou meramente burocráticas, com as quais não estamos habituados a lidar, o que obriga a soluções alternativas. Paradoxalmente, uma atitude flexível obriga a uma preparação da negociação e da definição dos seus limites ainda mais cuidada e aturada, sob pena de se perder o controlo do processo. P or razões culturais e de dimensão média das empresas, os processos negociais tendem a ser mais longos e ritualizados. A decisão tende a ser mais colectiva e a envolver vários departamentos e níveis de aprovação, pelo que é relativamente comum terem lugar várias rondas negociais a vários níveis hierárquicos. É também comum estar presente um número elevado de interlocutores do lado chinês. Embora a regra seja a de que apenas o interlocutor hierarquicamente superior conduza a conversa, este pode passar a palavra ou consultar os restantes elementos sobre aspectos específicos. Sempre que possível, aconselha-se as empresas portuguesas a que também tenham à mesa das negociações mais do que uma pessoa para dividir e partilhar “as despesas” da reunião. s empresas e negociadores chineses A costumam ser competentes e preparar muito bem as negociações. A famosa expressão “win-win” (benefício mútuo) é quase sempre utilizada, mas a parte chinesa tentará, como aliás é natural, fazer reverter o benefício para o seu lado tanto quanto possível. DESTAQUE As equipas chinesas gerem habitualmente muito bem o processo negocial. Cabe às empresas portuguesas também fazer uma boa gestão da negociação e evitar concessões e decisões precipitadas. Capacidade de argumentação, de colocar questões até perceber o que realmente está em causa, gerir o tempo de decisão escudando-se também em validações hierárquicas, são algumas das técnicas a dominar. Sempre que necessário, saber dizer “não” com a elegância possível. Mesmo após uma conclusão da negociação por escrito, podem ainda ter lugar pedidos de alteração ou concessões adicionais. A negociação tende, assim, a tornar-se um processo constante. A tradução é outro aspecto a ter em conta. Vários problemas de interpretação e de entendimento podem resultar deste instrumento de negociação. Mais uma vez, questionar e clarificar conceitos e interpretações pode não ser uma perda de tempo. Se for possível ter do seu lado um tradutor competente que alerte para possíveis falhas de tradução e que até possa monitorizar as conversas entre a outra equipa, tal pode revelar-se um investimento útil. Aconselha-se as empresas portuguesas a não dispensarem aconselhamento jurídico no estabelecimento de contratos relevantes. A distância, a língua e o ordenamento jurídico chinês não serão fáceis de ultrapassar e navegar em caso de problemas, pelo que um bom contrato, com as defesas possíveis, poderá ser um instrumento de grande utilidade. Existem em Portugal muitos advogados ou escritórios com experiência em comércio internacional e alguns escritórios portugueses estão até presentes na China. Cartões de visita: são a primeira imagem da empresa e identificação do interlocutor e merecem o maior respeito. Devem ser entregues e recebidos com as duas mãos e tratados com cuidado. Troca de lembranças: é relativamente comum e mal não fará se as empresas portuguesas estiverem munidas de “give-aways” da empresa ou alusivos à região/país em que se inserem. Trata-se de lembranças e não de presentes caros. Almoços e jantares: encontros de negócios são muitas vezes seguidos de convites para uma refeição. As empresas chinesas, e os chineses em geral, costumam colocar muito cuidado na recepção dos seus interlocutores e têm orgulho em recebê-los o melhor que sabem. Ao longo da refeição, o ambiente fica progressivamente mais informal e convém preparar o estômago para iguarias menos comuns e o fígado para vários brindes… Por último, em termos de protocolo, sugere-se: Pontualidade: é comum as empresas chinesas chegarem até antes da hora marcada. Formalismo: respeito pela hierarquia. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 29 DESTAQUE CHINESES E PORTUGUESES NA CHINA NO SÉC. XVI Os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar à China por mar, no século XVI. Por terra, a primazia parece pertencer à família veneziana Polo, que andou por lá séculos antes a percorrer a Rota da Seda, tendo Marco Polo escrito sobre as suas viagens pelo oriente, incluindo a China. Séculos mais tarde, o português Fernão Mendes Pinto relataria também as suas andanças pelo Oriente no auge da expansão marítima portuguesa, numa obra magnífica – ”Peregrinação”. Os primeiros contactos dos portugueses com a China datam de 1513, quando Jorge Álvares chegou à Ilha de LingTing, e de 1515, quando Rafael Perestrelo chegou ao Rio da Pérola. Cerca de duas décadas mais tarde, os portugueses instalaram-se provisoriamente em Macau, mas as autoridades imperiais só concederam autorização para se fixarem ali permanentemente cerca de três anos depois, como recompensa do auxílio prestado aos chineses contra a pirataria marítima. 30 // Fevereiro 12 // Portugalglobal Desde o início marcado pela tolerância e pela convivência pacífica entre portugueses e chineses, Macau transformouse a partir de então num conhecido porto de abrigo para os navegadores portugueses, e não só, e tornar-se-ia num dos maiores entrepostos comerciais do Oriente, sendo paragem obrigatória nas viagens entre a Europa, a China e o Japão. Ao contrário do tratamento dispensado aos indianos, quando os portugue- ses chegaram à China identificaram os chineses não como infiéis, mas como gentios, interessando-se vivamente pela sua cultura – organização social, cidades, tecnologia, e especialmente pela tipografia – caracterizando os chineses como muito corteses. Gente estranha Apesar deste entendimento, nos princípios do séc. XVI, a percepção que os chineses tiveram dos portugueses quando DESTAQUE mar e em terra, onde cometiam com frequência excessos. Por isso, os chineses preferiam confiná-los territorialmente, como em Macau, onde pudessem ser observados, vigiados e avaliados, e até imitados, pelo seu engenho náutico, comercial e militar. Não que os chineses e o seu imperador temessem os portugueses pela sua capacidade ofensiva, pois quando estes conseguiam invadir o litoral da China, tentando estabelecer-se, a vitória era efémera: os reforços chineses não se faziam tardar e acabavam sempre por expulsar os invasores. A inexistência de feitorias ou fortalezas portuguesas na costa chinesa, decorre precisamente desta capacidade militar dos chineses em terra, havendo no entanto uma excepção, Macau, local onde os portugueses conseguiram fixar-se por negociação e com autorização do imperador da China. estes chegaram ao litoral de Cantão, vindos de Malaca pela mão dos comerciantes chineses que Afonso de Albuquerque protegia, era a de pessoas estranhas, vinda de muito longe, a que chamaram bo-yi (estrangeiros que vivem nos navios) e ao-yi (estrangeiros das enseadas). Os chineses viam os portugueses simultaneamente como temíveis e peculiares, em nada semelhantes à aparência dos povos que rodeavam o Império do Meio: rostos rosados e cabelos claros, narizes aduncos e olhos esverdeados, astutos e penetrantes como os dos felinos. Além disso, acreditavam inicialmente que os portugueses fossem canibais, raptassem crianças e caíssem facilmente na intemperança, ira e violência, operando-se neles uma estranha metamorfose em que deixavam de ser humanos para se transformarem em animais selvagens. Esta visão decorria do poder de fogo dos barcos portugueses – vistos como fortalezas flutuantes – e da capacidade de combate das suas tripulações no Os primeiros contactos entre chineses e portugueses haviam sido até certo ponto cordiais, embora os portugueses fossem sempre recebidos com desconfiança. Esta atitude de distanciada prudência era a forma com que os chineses acolhiam os bárbaros de regiões remotas como a Europa, de que faziam parte os navegadores e comerciantes portugueses, sobre os quais pouco “Os primeiros contactos entre chineses e portugueses haviam sido até certo ponto cordiais, embora os portugueses fossem sempre recebidos com desconfiança. Contudo, esta atitude de distanciada prudência era a forma com que os chineses acolhiam os bárbaros de regiões remotas como a Europa.” sabiam. Assim, os chineses preferiam manter um distanciamento amigável, cordial, quando não condescendente. Por outro lado, tinham pouco interesse em convertê-los aos costumes chine- ses, ao contrário dos portugueses que, pela via missionária, tentavam aculturar os chineses aos valores do Cristianismo. Apesar das boas relações com os estrangeiros, a China nunca se envolveu num contacto prolongado com outro país, numa base de igual para igual, pelo simples motivo de que nunca encontrou sociedades de cultura ou grandeza comparáveis às suas. Havia no entanto uma outra diferença de atitude, que separava os chineses dos portugueses: enquanto estes procuravam o lucro pessoal, o enriquecimento fácil, servindo-se do falso pretexto de servir o rei e a Deus, os chineses viviam dedicadamente para servir seu imperador e a grandeza da China, numa lógica de Império do Meio, de centro do Mundo. Centro do mundo Nos muitos milénios de civilização chinesa, a China nunca se viu forçada a lidar com outros países ou outras civilizações que fossem comparáveis a ela em escala e sofisticação. Assim, o isolamento chinês gerou uma auto-percepção muito particular: as elites chinesas e, com elas, o povo, interiorizaram a ideia de que a China era única, isto é, não apenas uma grande civilização entre outras, mas a própria civilização. Quando os portugueses chegaram à costa da China no século XVI, esta desde há muito que comerciava com estrangeiros e ocasionalmente adoptava ideias e invenções de fora, embora enquanto civilização, os chineses acreditassem profundamente que os mais valiosos bens materiais e conquistas intelectuais se encontravam dentro da própria China. No seu papel enquanto império, os chineses ofereciam aos povos estrangeiros imparcialidade, não igualdade, tratando-os de forma humana e compassiva (mas firme se necessário para defender o seu território e civilização), respeitando-os na medida da sua capacidade para absorver a cultura chinesa e da observância de rituais sociais que demonstrassem a sua sincera submissão à China, como civilização e centro do mundo. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 31 DESTAQUE PORTUGAL – CHINA COMÉRCIO BILATERAL uma taxa de crescimento médio anual de 24 por cento, dado que os acréscimos de 2008 e 2010 foram inferiores a 10 por cento. Quanto às importações, é de referir que os valores diminuíram 4,9 por cento em 2011, mas o crescimento médio anual foi de 11,4 por cento no período considerado. O saldo da balança comercial é tradicionalmente desfavorável para Portugal, tendo-se cifrado em menos 1,1 milhões de euros em 2011. As exportações portuguesas de bens para a China cresceram 67,9 por cento em 2011, face ao ano anterior, atingindo perto de 395 milhões de euros. No comércio de serviços registou-se igualmente um forte aumento das exportações (109,2 por cento), que permitiu reduzir substancialmente o défice da balança bilateral nesta área. De acordo com dados do INE, no ano passado o valor das exportações portuguesas de bens para a China au- Nas exportações portuguesas com destino à China, em 2011, surgem na primeira posição os minerais e minérios (20,6 por cento do total), seguindo-se os veículos mentou 67,9 por cento face a 2010. No período de 2007-2011 as vendas portuguesas para a China registaram BALANÇA BILATERAL - COMÉRCIO DE BENS 2007 2008 2009 2010 2011 Var %a 07/11 Var %b 10/11 Exportações 181.136 184.018 221.818 235.109 394.720 24,0 67,9 Importações 1.063.431 1.342.004 1.114.669 1.576.303 1.499.133 11,4 -4,9 Saldo -882.296 -1.157.987 -892.850 -1.341.194 -1.104.413 -- -- 17,0% 13,7% 19,9% 14,9% 26,3% -- -- Coef. Cobertura (%) Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística Unidade: Milhares de euros Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2007-2011; 2007 a 2009: Resultados definitivos; 2010 e 2011: Resultados preliminares 32 // Fevereiro 12 // Portugalglobal (b) Taxa de variação homóloga 2010-2011 DESTAQUE e outro material de transporte (16,3 por cento), as máquinas e aparelhos (14,9 por cento), as pastas celulósicas e papel (11,4 por cento) e os metais comuns (8,2 por cento), tendo-se registado incrementos nos valores de todos estes agrupamentos de produtos de 2010 para 2011. Refira-se que os cinco principais grupos de produtos absorveram cerca de 71 por cento do total das nossas vendas para esse mercado nesse ano. Numa análise mais em detalhe, há que referir que os subgrupos relativos a mármores, travertinos, granitos belgas e outras pedras calcárias de cantaria, e a minérios de cobre e seus concentrados representaram, em conjunto, cerca de 79 por cento do valor global de grupo de minerais e minérios em 2011. No grupo veículos e outro material de transporte é de salientar que 92 por cento do total exportado foram automóveis de passageiros e outros veículos de transporte de passageiros. Os produtos classificados como de baixa intensidade tecnológica representaram 38,8 por cento das exportações portuguesas para a China em 2010 (último ano disponível) de produtos industriais transformados (67,4 por cento das exportações totais), seguindo-se os produtos com graus de intensidade tecnológica alta (24 por cento), média-alta (23,1 por cento) e média-baixa (14,2 por cento). De acordo com o INE, o número de empresas portuguesas exportadoras de produtos para esse país tem vindo a aumentar, passando de 603 em 2006 para 832 em 2010 (mais 38 por cento), tendo as empresas importadoras daquele mercado atingido o número de 5.632 no mesmo ano (últimos dados disponíveis). No que respeita às importações portuguesas provenientes da China, na primeira posição situou-se o grupo das máquinas e aparelhos, que representou 33,8 por cento do montante global de 2011. Seguiram-se os metais comuns (10,7 por cento), vestuário (9,1 por cento), outros produtos (7,2 por cento) e produtos químicos (6,4 por cento). As cinco primeiras categorias de produtos representaram, em conjunto, cerca de 67 por cento do respectivo valor total desse ano. Desses agrupamentos de produtos, apenas o vestuário e os produtos químicos aumentaram em 2011 face ao ano anterior (respectivamente, 11,9 por cento e 5,4 por cento). Os produtos classificados como de baixa intensidade tecnológica representaram 31,9 por cento das importações portuguesas da China, em 2010, de produtos industriais transformados “O número de empresas portuguesas exportadoras de produtos para esse país tem vindo a aumentar, passando de 603 em 2006 para 832 em 2010 (mais 38 por cento), tendo as empresas importadoras daquele mercado atingido o número de 5.632 no mesmo ano (últimos dados disponíveis).” (98,7 por cento das importações totais). Seguiram-se os produtos com graus de intensidade tecnológica média-alta (29,8 por cento), alta (20,6 por cento) e média-baixa (17,7 por cento). Refira-se que ao nível das exportações a China registou, em 2011, a quota mais elevada dos últimos cinco anos (0,93 por cento), tendo o valor percentual de 2007 sido de 0,47 por cento. Em termos do respectivo ranking, passou da 24ª posição em 2007 para o 14º lugar em 2011. As quotas das importações portuguesas de bens provenientes daquele país aumentaram de 2007 a 2010, mas diminuíram em 2011, tendo a China passado de uma quota de 1,77 por cento em 2007 para 2,76 por cento em 2010 e para 2,6 por cento no ano passado. Apesar do valor percentual de 2011 ser superior ao de 2007, a China ficou no 9º lugar nos respectivos rankings de fornecedores relativos a esses dois anos, tendo ocupado, igualmente, essa posição em 2009. Serviços As exportações portuguesas de serviços para a China e as importações provenientes desse país são poucos relevantes, mas é de registar em 2011 o forte aumento das exportações nacionais para a China: mais 109,2 por cento face a 2010 e mais 44,2 por cento no período de 2007-2011. Pelo contrário, as importações de serviços da China diminuíram 11,2 por cento em 2011 face ao ano anterior, tendo crescido apenas 5 por cento no período de cinco anos em referência, o que permitiu reduzir substancialmente o défice da balança comercial de serviços bilateral. Em 2011 o coeficiente de cobertura das importações pelas exportações registou o valor percentual mais elevado dos últimos cinco anos, cifrando-se em 75,2 por cento. BALANÇA BILATERAL - COMÉRCIO DE SERVIÇOS 2007 2008 2009 2010 2011 Var %a 07/11 Var %b 10/11 Exportações 8.676 11.100 9.805 14.827 31.015 44,2 109,2 Importações 35.507 37.759 35.503 46.420 41.216 5,0 -11,2 Saldo -26.831 -26.659 -25.698 -31.593 -10.201 -- -- Coef. Cobertura (%) 24,4% 29,4% 27,6% 31,9% 75,2% -- -- Fonte: Banco de Portugal Unidade: Milhares de euros Notas: ( a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2007-2011 (b) Taxa de variação homóloga 2010-2011 Portugalglobal // Fevereiro 12 // 33 DESTAQUE CHINA EM FICHA ENDEREÇOS ÚTEIS EMBAIXADA DE PORTUGAL NA CHINA Pequim R. P. China San Li Tun Dong Wu Jie, 8 100600 Pequim China Tel.: +86-10-653 232 20/42 Fax: +86-10-653 246 37 [email protected] CENTRO DE NEGÓCIOS DA AICEP NA R. P. CHINA 8 San Li Tun Dong Wu Jie Beijing 100600 The PEOPLE’S REPUBLIC OF CHINA Tel: +86-10-65 32 04 01/5 Fax: +86-10-65 32 67 46 [email protected] Director: Miguel Coelho Área: 9.561.000 km2 População: 1.320,3 milhões de habitantes (estimativa 2011) Densidade populacional: 138 habitantes por km2 (estimativa 2011) Unidade monetária: Yuan (Renmimbi) da China (CNY) 1 EUR = 8,2759 CNY (média semanal - 7 de Fevereiro 2012) Risco País: Designação oficial: República Popular da China Risco monetário - BBB Chefe do Estado: Presidente Hu Jintao (desde Março 2003) Risco político - B Vice-Presidente: Xi Jinping (AAA = risco menor; D = risco maior) Primeiro-Ministro: Wen Jiabao Data da actual constituição: 4 de Dezembro de 1982; foram introduzidas alterações em 1993, 1999 e 2004. Principais partidos políticos: Partido Comunista Chinês (PCC). As últimas eleições para um novo governo, no Congresso Nacional Popular, ocorreram em Março de 2008. Capital: Pequim (Beijing) – 14 milhões de habitantes (estimativa 2010) Outras cidades importantes: Xangai; Shenzhen; Guangzhou (Cantão); Tianjin; Chongqinq; Chengdu; Wuhan; Xi’an; Zhengzhou; Nanjing; Changsha. Religião: A principal religião praticada é o budismo, existindo também o daoismo e minorias muçulmanas e cristãs. Língua: A língua oficial é o putonghua (dialecto de Pequim, usualmente conhecido por mandarim). No sudoeste e sudeste são falados dialectos locais. 34 // Fevereiro 12 // Portugalglobal Risco do sector bancário - B ESCRITÓRIO DA AICEP EM XANGAI 16th floor,Crystal Century Tower, Nº 567 Wei Hai Road Shanghai 200041 The PEOPLE’S REPUBLIC OF CHINA Tel. (geral): +86-21-628 867 67; extensões: 501 e 505 Tel. (linha directa): +86-21-628 865 70 Fax: +86-21-628 865 71 [email protected] Director: Filipe Costa Risco de estrutura económica - A (EIU - Fevereiro 2012) Ranking de negócios: Índice: 6,41 (10=Máximo) Ranking geral: 45 (entre 82 países) (EIU - Fevereiro 2012) Risco de crédito: 2 (1 = risco menor; 7 = risco maior) (COSEC - Janeiro 2012) Grau de abertura e dimensão relativa do mercado: Exp. + Imp. (bens e serviços) / PIB = 56,6% (estimativa 2011) Imp. (bens e serviços) / PIB = 26,8% (estimativa 2011) Imp. (bens) / Imp. Mundial = 9,06% (2010) Fontes: The Economist Intelligence Unit (EIU) Country Report (Fevereiro 2012); ViewsWire (Fevereiro 2012) U.S. Dep. of State - Bureau of East Asian and Pacific Affairs (Setembro 2011); World Trade Organization (WTO); Banco de Portugal. ESCRITÓRIO DA AICEP EM MACAU Consulado-Geral de Portugal Edifício S. Rafael Rua Pedro Nolasco da Silva, 45 - 2º Macau SAR The PEOPLE’S REPUBLIC OF CHINA Tel.: +853-28 72 83 00/1 Fax: +853-28 72 83 03 [email protected] Directora: Mariana Oom EMBAIXADA DA CHINA EM PORTUGAL Rua do Pau de Bandeira, 11-13 1200-756 Lisboa Tel.: +351 213 928 430 Fax: +351 213 928 431 [email protected] www.fmprc.gov.cn/ce/cept CÂMARA DE COMÉRCIO E INDÚSTRIA LUSO CHINESA Rua António Patrício, 5 - R/c B, 1700-047 Lisboa Tel.: +351 217 934 284 Fax: +351 217 934 316 [email protected] http://www.ccil-c.pt EMPRESAS RALUT APOSTA NA INTERNACIONALIZAÇÃO Apesar de ser uma empresa ainda jovem, a Ralut está já presente em vários mercados externos e aposta agora na expansão para a América latina e África. A PME de Águeda fabrica e comercializa mobiliário metálico para escritórios, escolas, hotéis e hospitais. 36 // Fevereiro 12 // Portugalglobal EMPRESAS A Ralut – Indústria de Mobiliário, Lda., é uma PME Líder que se dedica à fabricação e comércio, por grosso e a retalho, de mobiliário metálico. Fundada em Janeiro de 2006, a empresa está localizada em Vale do Grou, Águeda, com a respectiva sede e unidade fabril. A empresa disponibiliza mobiliário de escritório, hoteleiro, escolar, hospitalar, estanteria de armazenamento e vestiários/cacifos, entre outros, tendo vindo a aumentar progressivamente a gama de produtos com o objectivo de oferecer uma maior diversidade de soluções, que melhor se adaptem às necessidades e expectativas dos clientes. Apesar de ser uma empresa relativamente jovem, a Ralut pretende cimentar a sua presença no mercado nacional e ser reconhecida nos mercados internacionais pela qualidade dos produtos oferecidos, a relação de proximidade que mantém com o cliente, o factor preço, a funcionalidade de montagem dos produtos, bem como através de toda a equipa de colaboradores que permite que a mercadoria chegue ao cliente atempadamente e em óptimas condições. Fruto do sucesso alcançado, e após um estudo e análise dos factores internos e externos à empresa, a Ralut decidiu dar início, em 2010, a um projecto de internacionalização, nomeadamente para África, América do Sul e América Central, tendo, nesse sentido, apresentado um projecto ao Programa Mais Centro, um instrumento do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) com aplicação exclusiva à Região Centro. Com um volume de negócios superior a 1,6 milhões de euros em 2011, e com uma estrutura organizacional que conta com 24 colaboradores, a Ralut está actualmente presente em Moçambique, São Tomé, Cabo Verde e Angola, representando estes merca- dos 20 por cento do total do volume de negócios da empresa, percentagem que deverá registar um crescimento substancial em 2012. A abordagem ao mercado sul-americano, nomeadamente, Chile, Argentina, Peru e Uruguai só foi iniciada este ano, esperando-se, segundo fonte da empresa, um crescimento relevante para estes mercados em 2012 e 2013. ra, através da visita a feiras da especialidade, para conhecer novos produtos, novas tendências e novos mercados; a segunda, de prospecção, através da abordagem do mercado local, do estabelecimento de contactos comerciais e identificando potenciais clientes. Esta estratégia teve como objectivo conhecer o mercado e identificar nichos de mercado inexplorados, perspectivando-se assim a angariação de importadores locais de dimensão considerável, refere a mesma fonte. A Ralut tem como objectivos, a curto e médio prazo, chegar a novos mercados, nomeadamente na Europa (Espanha e França) e no continente africano, entre os quais Tunísia e Gana, utilizan- do a mesma a estratégia, e consolidar a presença nos mercados onde já se encontra. Ralut Vale do Grou 3750-906 Aguada de Baixo Águeda Portugal Tel.: +351 234 660 960 Fax: +351 234 660 961 [email protected] A abordagem a estes mercados abrangeu duas estratégias distintas: a primei- www.ralut.com Portugalglobal // Fevereiro 12 // 37 EMPRESAS MUNNA UMA NOVA PERSPECTIVA DO DESIGN PORTUGUÊS Exportar e internacionalizar são, desde a sua criação, as palavras de ordem e o caminho da MUNNA, a marca portuguesa de design de mobiliário que, em poucos anos, conseguiu afirmar-se nos mercados internacionais mais exigentes. 38 // Fevereiro 12 // Portugalglobal EMPRESAS A MUNNA é uma marca portuguesa dedicada à produção de peças de estofo únicas – poltronas, sofás, cadeiras de jantar e biombos –, feitas à mão por artesãos do Porto e utilizando técnicas tradicionais portuguesas. A marca surgiu em 2008, em Leça do Balio, pelas mãos da designer Paula Sousa que, um ano mais tarde, cria a empresa URBANMINT DESIGN com o objectivo de se tornar uma referência internacional na área do design. As peças são desenhadas por uma equipa de designers que fazem parte da marca, sempre com a identidade MUNNA. Desde a sua fundação que a estratégia da empresa estava bem definida: exportar e internacionalizar são as palavras de ordem e o caminho, como refere Paula Sousa. Actualmente a marca exporta para 32 países. Reino Unido, Arábia Saudita, França e Suíça são os principais clientes da marca portuguesa. para lançar a sua nova peça, a namoradeira Yes, No, Maybe So; na INTERIORS UAE em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos; e na DECOREX, em Londres, em Setembro, onde comemorou o seu 3º aniversário e lançou a poltrona Becomes Me. A nível nacional, passou pela Experimenta Design, em Lisboa, com a instalação SLOW DATING. Já este ano voltou a marcar presença na Maison et Objet, em Paris, e na Stockholm Furniture Fair, na Suécia. A MUNNA tem também recebido algumas distinções no exterior, designada- mente no Reino Unido onde já foi capa da IDFX (Interior Design For Professionals) e viu distinguida uma das poltronas da colecção MUNNA por esta revista como um dos melhores produtos do ano (“Best of 2008”). Em 2011 foi nomeada para os prémios Design et al, uma iniciativa da revista inglesa Design et al que visa distinguir o que de melhor se faz no mundo do design de interiores e da arquitectura. Além da marca de design de mobiliário MUNNA, a URBANMINT DESIGN conta já com um canal on-line, a DESIGN TV, e a agência de comunicação PRESSKIT. Em 2011 a MUNNA vendeu cerca de 450 peças, o que representou um crescimento de quase mil por cento em relação a 2010. Para este desempenho, frisa a responsável, muito contribuiu a participação em eventos e feiras sectoriais internacionais do sector. “Participar nas feiras estrangeiras permite essencialmente à marca comunicar os seus valores e estar próxima de onde os negócios acontecem, sendo uma óptima oportunidade para socializarmos com os clientes e estarmos a par do que está a acontecer no mercado”, defende Paula Sousa, acrescentando que o mercado internacional “absorve muito bem o conceito da marca, a produção artesanal aliada ao design, conceitos em extinção que são muito apreciados”. Refira-se que cerca de 90 por cento dos produtos MUNNA são vendidos para clientes estrangeiros. A MUNNA tem vindo a participar nas mais diversas exposições nacionais e internacionais de design. Em 2011 marcou presença na conceituada Maison et Objet em Paris, em parceria com a BALTAZARMAP; expôs na Milan Design Week, em Milão, aproveitando o evento Portugalglobal // Fevereiro 12 // 39 EMPRESAS Projectos recentes Hotel Royal Óbidos Spa & Golf Resort Óbidos | Portugal Hotel Four Seasons Baku Baku | Azerbeijão Hotel London May Fair Londres | Reino Unido Hotel Park Plaza, KUKU Club Cardiff | Reino Unido Mandarin Oriental Hyde Park Londres | Reino Unido Hotel Murmuri Barcelona | Espanha Hotel Infante Sagres Porto | Portugal A DESIGN TV tem por objectivo instruir e difundir o design a nível nacional e internacional. “Há muito trabalho a fazer pelo design no nosso país. Decidimos escolher um caminho claro, o de contribuir através da sua divulgação”, explica Paula Sousa, adiantando que a DESIGN TV pretende ser “um projecto único e criativo que divulgue a excelência do design português, não apenas para profissionais do sector, mas para toda a sociedade”. Todos os conteúdos do canal estão disponíveis em português e inglês. Em projecto está a criação da semana do design de Portugal, acrescenta a responsável da empresa. MUNNA Rua de Santana, 157, B1 4465-741 Leça do Balio Porto. Portugal Tel.: +351 220 165 782 Fax: +351 229 022 362 [email protected] www.munnadesign.com 40 // Fevereiro 12 // Portugalglobal EMPRESAS GOLFINHO QUER EXPORTAR PARA MAIS MERCADOS A Golfinho é uma PME de Águeda que fabrica componentes em madeira e que tem no mercado espanhol o seu principal cliente externo. A empresa distingue-se pela qualidade dos seus produtos e quer agora chegar a outros mercados na Europa e na América, bem como a Marrocos. Fundada em Outubro de 2010 no concelho de Águeda, a Golfinho – Inovação em Bricolage, Lda. tem no seu portefólio de produtos varões e acessórios em madeira e metal, calhas; cabides e sanitários, estores, persianas e cortinas, disponibilizando um leque de soluções diversificadas, que permite a combinação de diferentes materiais (como por exemplo, madeira e metal). No entanto, a empresa apenas produz nesta unidade componentes em madeira, como varões, suportes de varões, terminais de varões, argolas de madeira para cortinas, cabides e artigos casa de banho em madeira, sendo os restantes produtos em metal ou tecido adquiridos enquanto mercadorias ou materiais de consumo, como são o caso dos componentes metálicos (varões, argolas, terminais, bengalas) e têxteis (cortinas e estores em tecido). A Golfinho fechou o seu primeiro ano de actividade com um volume de negócios a rondar os 2 milhões de euros, realizado quase exclusivamente no mercado ibérico, representando Espa- nha cerca de 30 por cento do total. As exportações para outros países foram pontuais, não tendo ainda expressão no volume de negócios da empresa. A estratégia da empresa passa por uma forte aposta na internacionalização, razão que levou à candidatura a um projecto QREN, actualmente em execução, através da participação em Feiras e ações de prospeção em vários mercados considerados estratégicos para a sua área de negócio: Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Marrocos e América Latina, entre outros. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 41 EMPRESAS A empresa tem por objectivo, no curto e médio prazo, alcançar vendas fora do mercado ibérico na ordem dos 20 por cento, fortalecendo assim a visibilidade e notoriedade da marca Golfinho a nível global, refere fonte da empresa. A Golfinho é detentora de várias Certificações no âmbito da Qualidade e Ambiente: Certificação ISO 9001:2008, Certificação Ponto Verde e Certificação FSC, esta última começando já a ser um requisito imprescindível e uma mais valia tanto a nível nacional como internacional. A “grande capacidade de resposta e o cumprimento das especificações dos clientes, os curtos prazos de entrega das encomendas e uma área fabril com 12.000 metros quadrados, uma área logística com cerca 4.000 mil metros quadrados e mais de 4.500 referências activas e disponíveis, são igualmente elementos marcadamente diferenciadores em relação a outros ‘players’”, reforça a mesma fonte. “Queremos crescer ao lado e em prol da satisfação dos nossos clientes, respeitando e promovendo claras políticas amigas do ambiente”, afirma, acrescentando que é objectivo da empresa oferecer produtos inovadores, competitivos e de qualidade superior, “sempre focados em superar as expectativas dos clientes e acrescentar valor ao seu negócio”. Golfinho Inovação em Bricolage, Lda. Rua do Metalúrgico, 984 - ZI Giesteira 3750-325 Águeda PORTUGAL Tel.: +351 234 623 450 Fax: +351 234 621 596 www.golfinho.pt FILKEMP TECNOLOGIA ALEMÃ PARA EXPORTAÇÃO Fruto do know-how e da tecnologia herdados da antiga Hoechst, a Filkemp, localizada perto de Sintra, exporta 99 por cento das quatro mil toneladas de monofilamentos que fabrica anualmente. Tem na China, na Alemanha, em Espanha e na Finlândia os seus principais clientes. Além destes mercados, que representam 75 por cento do volume de exportação da Filkemp, a empresa vende ainda para Bélgica, Itália, França, Coreia do Sul e Estados Unidos, entre outros países. Da exportação total, refira-se que 65 por cento destina-se a países da União Europeia, onde se destacam a Alemanha (20 por cento do total), a Espanha (13 por cento) e a Finlândia (12 por cento). A Filkemp produz monofilamentos de poliamida para pesca desportiva e industrial, poliéster para a indústria de papel, filtração e telas transportadoras, e, mais recentemente, monofios abrasivos para polimento e rebarbamento na indústria metalomecânica automóvel, limpeza e rochas ornamentais. Actualmente com uma produção anual a rondar as 4 mil toneladas, a empresa aposta na diversificação do risco através da entrada em novos mercados (especialidades) de maior margem, como é o caso dos fios abrasivos para escovas industriais. A Filkemp investiu 1,4 milhões de euros nesta nova área de negócio, a dos 42 // Fevereiro 12 // Portugalglobal EMPRESAS monofios abrasivos para polimento e rebarbamento na indústria metalomecânica automóvel, limpeza e rochas ornamentais, um produto considerado topo de gama e com o qual espera facturar três milhões de euros em 2014. O sucesso da Filkemp, que nasceu em 1998 quando foi adquirida à alemã Hoechst pelo empresário e gestor Wolfgang Kemper e por outros dois colaboradores da empresa, deve-se ao know-how e tecnologia herdados da antiga casa-mãe que foram potenciados e desenvolvidos pelos novos gestores, em conjugação com o “excelente serviço e flexibilidade portugueses com focalização no cliente”, afirma fonte da empresa. Segundo a fonte, a Filkemp tem uma estrutura de gestão “ligeira que permite rapidez de decisão e actuação no que concerne a investimentos e desenvolvimento de produto”. É uma empresa familiar, cuja preocupação principal tem sido o investimento em produção e produtividade, “deixando os lucros na empresa em vez de a descapitalizar através do pagamento de dividendos”, o que permitiu chegar ao final de 2011 com 63 por cento de capitais próprios, mesmo investindo cerca de um milhão de euros ao ano em média, acrescenta. A dinâmica de exportação desenvolvida com a ajuda de agentes locais, especialistas nas áreas de negócio, contribuiu igualmente para o sucesso da empresa. A aposta no mercado chinês, que representa mais de 30 por cento das vendas totais, foi decisiva para o êxito dos últimos anos. A Filkemp iniciou a produção de monofilamentos PET para telas secadoras da indústria de papel para a China em 2006, sendo hoje o maior fornecedor mundial deste produto. Afirma o CEO da empresa, Wolfgang Kemper, que “muitas empresas portuguesas têm medo de exportar para a China por não se acharem competitivas, mas o mercado oferece imensas oportunidades”. A produção de monofilamentos PET para as telas secadoras implica um know-how muito específico e complexo. Para garantir a qualidade do produto, a empresa trabalha em quatro turnos, dia e noite, durante todo o ano. É a qualidade do produto, aliada aos preços competitivos “made in Portugal”, que permite a Wolfgang Kemper estar optimista em relação ao futuro e acreditar que as vendas ultrapassem os 20 milhões de euros nos próximos dois anos. Em 2011, a Filkemp registou um volume de negócios de aproximadamente 18 milhões de euros, as vendas cresce- ram 18 por cento face ao ano anterior e os lucros ascenderam a cerca de 2,5 milhões de euros. A empresa conta actualmente com 145 colaboradores. Filkemp Indústria de Filamentos, SA Rua Francisco Lyon de Castro, 28 2726-932 Mem Martins | Portugal Tel.: +351 219 229 427 Fax: +351 219 226 410 [email protected] www.filkemp.com Portugalglobal // Fevereiro 12 // 43 OPINIÃO CENTRALIDADE ECONÓMICA E GEOGRÁFICA DOS PAÍSES >POR PAULO BORGES, MESTRE EM ECONOMIA PORTUGUESA E INTEGRAÇÃO INTERNACIONAL (ISCTE–IUL) E KEY ACCOUNT MANAGER GRANDES EMPRESAS DA AICEP, DOCENTE CONVIDADO DO ISCTE-IUL ográficas e do seu nível de actividade económica. Constata-se, de forma inequívoca, que a Europa é a região que apresenta um maior nível de centralidade económica a nível mundial, sobretudo ao nível dos países do Centro e Leste da Europa. Ao nível das restantes regiões geográficas, apenas a América do Norte e as principais economias asiáticas demonstram níveis de centralidade semelhantes aos verificados no continente europeu, embora inferiores aos países europeus classificados no topo do ranking. Considerando a aplicação do conceito de Centralidade ao caso de Portugal verifica-se que se encontra posicionado ao nível do grupo de países com um nível de centralidade médio global a nível internacional, ocupando a (35ª) posição, em resultado das suas características geográficas de periferia em relação aos seus parceiros europeus e Dentro do actual contexto de globalização, o estudo do nível de centralidade económica e geográfica dos diferentes países a nível internacional reveste-se de um especial interesse e relevância em resultado de uma permanente competitividade patente na economia global, em que as empresas procuram de forma dinâmica as melhores localizações para o exercício da actividade económica, visando garantir um acesso mais vantajoso aos factores de produção e a uma maior acessibilidade a novos e diversificados mercados, verificando-se uma intensa concorrência entre os países pela atracção de actividade económica (nomeadamente de Investimento Directo Estrangeiro) e pelo controlo dos principais fluxos do comércio internacional. 44 // Fevereiro 12 // Portugalglobal A aplicação empírica realizada através da construção do “Índice de Centralidade Económica Global”, considerando 174 países, visa a quantificação dos níveis de centralidade dos países através da medição das distâncias geográficas internas dos países e entre países, utilizando dados disponibilizados pelo “CEPII – Centre d´études prospectives et d´ínformations internationales”, e também, naturalmente, sobre o seu nível de actividade económica aferido pelo PIB com base nos dados provenientes do Fundo Monetário Internacional (FMI) referentes ao ano de 2010. A evidência dos resultados obtidos comprova que o nível de centralidade dos países decorre essencialmente da conjugação das suas características ge- “O nível de centralidade dos países decorre essencialmente da conjugação das suas características geográficas e do seu nível de actividade económica, constatando-se que a Europa é a região que apresenta um maior nível de centralidade económica a nível mundial.” a alguns dos principais mercados mundiais, sendo no entanto importante realçar o seu bom nível de centralidade face a outros importantes mercados, como por exemplo o Brasil e a América do Norte. OPINIÃO Índice de Centralidade Económica Global dos Países CL Países Índice CL Países Índice CL Países Índice CL 1 Bélgica 0.96081 45 Marrocos 0.26385 89 São Vicente e Granadinas 0.17775 133 Republica Centro Africana Países 0.14272 Índice 2 Holanda 0.94347 46 Libia 0.26339 90 El Salvador 0.17754 134 Uruguai 0.14202 3 Luxemburgo 0.84096 47 Chipre 0.26321 91 Venezuela 0.17673 135 São Tomé e Principe 0.14016 4 Alemanha 0.76030 48 Jordânia 0.26118 92 Guatemala 0.17670 136 Gabão 0.14013 5 Reino Unido 0.69985 49 Rússia 0.25751 93 Granada 0.17655 137 Indonésia 0.13805 6 França 0.67053 50 Qatar 0.25645 94 Honduras 0.17478 138 Maldivas 0.13559 7 Suiça 0.63670 51 Bahrein 0.25614 95 Laos 0.17200 139 Uganda 0.13452 8 Canadá 0.54645 52 Síria 0.25455 96 Tailândia 0.17083 140 Paraguai 0.13323 9 Eslováquia 0.53727 53 Kuwait 0.24937 97 Filipinas 0.16941 141 Ruanda 0.13182 10 Japão 0.52332 54 Islândia 0.24373 98 Mauritânia 0.16840 142 Brasil 0.13178 11 Singapura 0.51947 55 China 0.23835 99 Nicarágua 0.16827 143 Republica do Congo 0.13129 12 Republica Checa 0.50993 56 Geórgia 0.23208 100 Panamá 0.16790 144 Quenia 0.13097 13 Áustria 0.50683 57 Arménia 0.23152 101 Costa Rica 0.16787 145 Burundi 0.12891 14 Dinamarca 0.49583 58 Egipto 0.23022 102 Níger 0.16559 146 Peru 0.12606 15 Itália 0.48296 59 Emirados Árabes Unidos 0.22884 103 Sudão 0.16520 147 Angola 0.12548 16 Eslovénia 0.47762 60 Mongólia 0.22636 104 Myanmar 0.16501 148 Bolívia 0.12368 17 Hong Kong 0.47008 61 Arzebeijão 0.22563 105 Eritreia 0.16408 149 Tanzânia 0.12193 18 Croácia 0.45386 62 Iraque 0.22159 106 Iémen 0.16372 150 Seychelles 0.12182 19 Irlanda 0.44115 63 Barbados 0.21809 107 Malásia 0.16297 151 Argentina 0.12177 20 Hungria 0.43351 64 Irao 0.21246 108 Togo 0.16285 152 Chile 0.11523 21 Polónia 0.40309 65 Republica Dominicana 0.20662 109 Burkina Faso 0.16224 153 Comores 0.11522 22 Coreia do Sul 0.40233 66 Paquistão 0.20657 110 Colômbia 0.16053 154 Malawi 0.11503 23 Bósnia e Herzegovina 0.39274 67 Haiti 0.20191 111 Senegal 0.16050 155 Zâmbia 0.11461 24 Espanha 0.38225 68 Quirguistão 0.20073 112 Cambodja 0.16016 156 Maurícias 0.11266 25 Noruega 0.38219 69 Jamaica 0.19967 113 Chade 0.15994 157 Zimbabwe 0.11197 26 Estónia 0.37028 70 Afeganistão 0.19862 114 Mali 0.15925 158 Namibia 0.11046 27 Suécia 0.36919 71 Arábia Saudita 0.19818 115 Cabo Verde 0.15925 159 África do Sul 0.10988 28 Lituânia 0.35559 72 Tadjiquistão 0.19648 116 Gâmbia 0.15915 160 Botswana 0.10799 29 Albânia 0.35325 73 Uzbesquistão 0.19605 117 Nigéria 0.15682 161 Madagáscar 0.10682 30 EUA 0.34600 74 India 0.19397 118 Guiana Francesa 0.15557 162 Suazilândia 0.10674 31 Bulgária 0.34533 75 Qasaquistão 0.19168 119 Guiné Bissau 0.15504 163 Lesoto 0.10526 32 Roménia 0.33903 76 Nepal 0.18954 120 Gana 0.15455 164 Moçambique 0.10508 33 Finlândia 0.33285 77 São Cristovão e Nevis 0.18888 121 Djibouti 0.15333 165 Papua Nova Guiné 0.10445 34 Tunísia 0.32683 78 Antigua e Barbuda 0.18796 122 Suriname 0.15165 166 Kiribati 0.10058 35 Portugal 0.32601 79 Omã 0.18664 123 Guiné 0.15029 167 Ilhas Salomão 0.09917 36 Malta 0.32219 80 Belize 0.18222 124 Guiné Equatorial 0.15014 168 Austrália 0.09821 37 Grécia 0.32165 81 México 0.18203 125 Serra Leoa 0.14914 169 Tuvalu 0.09298 38 Moldávia 0.32006 82 Butão 0.18168 126 Costa do Marfim 0.14858 170 Samoa 0.09286 39 Ucrânia 0.31761 83 Bangladesh 0.18143 127 Etiópia 0.14822 171 Vanuatu 0.09260 40 Argélia 0.31356 84 Dominica 0.18109 128 Equador 0.14732 172 Nova Zelândia 0.09183 41 Turquia 0.30641 85 Vietname 0.18106 129 Brunei 0.14695 173 Fiji 0.08953 42 Israel 0.29536 86 Trinidad e Tobago 0.18101 130 Libéria 0.14580 174 Tonga 0.08653 43 Bahamas 0.27381 87 Benim 0.18048 131 Camarões 0.14578 44 Libano 0.27238 88 Santa Lúcia 0.17939 132 Sri Lanka 0.14334 Países com elevado nível de centralidade Países com nível médio de centralidade Países com baixo nível de centralidade Fonte: Tese de Mestrado de Paulo da Cruz Borges “Sobre o conceito de Centralidade Económica, uma aplicação a nível internacional”, Mestrado em Economia Portuguesa e Integração Internacional - ISCTE-IUL. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 45 OPINIÃO Existem, no entanto, factores promotores do nível de centralidade que os países possuem, de natureza endógena e exógena, que lhes permitem melhorar o seu nível de centralidade. De entre os factores endógenos, destacam-se como prioritários para Portugal a existência de políticas públicas que “De entre os factores endógenos, destacamse como prioritários para Portugal a existência de políticas públicas que permitam a melhoria do seu ambiente de negócios como forma de aumentar a sua competitividade e confiança junto dos investidores e, sobretudo, através da aposta no desenvolvimento de uma política de intermodalidade das diversas infra-estruturas e meios de transporte.” permitam a melhoria do seu ambiente de negócios como forma de aumentar a sua competitividade e confiança junto dos investidores e, sobretudo, atra- vés da aposta no desenvolvimento de uma política de intermodalidade das diversas infra-estruturas e meios de transporte (marítimo, ferroviário, rodoviário, e aéreo). Todavia, é crucial iniciar desde já o desenvolvimento da promoção da utilização das linhas ferroviárias de mercadorias existentes em articulação com as restantes infra-estruturas de transporte para que, no futuro, a curto/médio prazo, possa igualmente ser utilizada a velocidade alta de mercadorias em bitola europeia. A título de exemplo da confirmação desta possibilidade, de referir a operação coordenada pela Autoeuropa em conjunto com a AICEP e a DB Schenker, em que a CP Carga realizou um primeiro comboio teste entre Portugal e a Alemanha, assegurando a ligação entre a fábrica de Palmela e unidades do grupo Volkswagen na Alemanha, permitindo fazer a substituição do transporte rodoviário por 25 camiões em cada sentido pelo transporte ferroviário, com impacto positivo ao nível da eficiência energética e benefícios ambientais. De entre os factores exógenos a nível internacional, e que se afiguram susceptíveis de apresentar um maior contributo para a melhoria da centralidade de Portugal, destacam-se o alargamento do canal do Panamá a partir de 2014, que permitirá a utilização de navios ULCS (Ultra Large Container Ships) de 18.000 TEU que chegarão ao mercado nos próximos anos, e a revisão da rede transeuropeia de transportes RTE-T. Ambos os factores criarão condições de excelência para que Portugal se posicione como um estratégico “HUB” nas complexas cadeias globais do comércio internacional, relevando a importância crucial do Porto de Sines, único porto em Portugal e dos poucos na Europa que possuem características geográficas enquanto porto de águas profundas superiores a 16 metros, com possibilidade de receber navios com capacidade superior a 10.000 TEU através do Terminal XXI, e da sua possível expansão a novos terminais. O Porto de Sines apresenta igualmente um enorme potencial Potenciais novas rotas marítimas proporcionadas pelo alargamento do Canal do Panamá 46 // Fevereiro 12 // Portugalglobal OPINIÃO dela e do Entroncamento, no seguimento da introdução da nova linha directa da MSC para a América do Sul e ao respectivo tráfego nos dois sentidos. De destacar igualmente a entrada em vigor, a partir a partir de 2014, do corredor logístico Sines – Espanha que consistirá numa nova linha em bitola ibérica, apta a adoptar posteriormente a existência em simultâneo do padrão europeu. de desenvolvimento do seu hinterland e de atracção de actividade económica que permitirá o aumento dos fluxos de mercadorias através das importações e exportações, encontrando-se a sua gestão a cargo da aicep Global Parques. Apresenta-se como solução lógica e natural a dotação do Porto de Sines de acessibilidades rodo-ferroviárias à rede transeuropeia de transportes numa lógica de intermodalidade, tornando-se na porta de entrada de mercadorias para a Europa, e um porto de transhipment para o norte da Europa, África e Mediterrâneo, para as mercadorias oriundas na sua maioria da Ásia, América do Norte e América do Sul, através do funcionamento em rede com os principais portos marítimos nacionais, nomeadamente o Porto de Lisboa, de Setúbal e Sesimbra, Douro e Leixões, e Aveiro e Figueira da Foz. Apenas a escala de operações das ligações ferroviárias consegue conferir aos portos portugueses da orla atlântica o hinterland alargado que necessitam para o seu desenvolvimento. Importa desde já referir o reforço efectuado na ligação ferroviária no corredor de Sines através da ligação ao terminal da Boba- “Considerando a aplicação do conceito de Centralidade ao caso de Portugal verifica-se que se encontra posicionado ao nível do grupo de países com um nível de centralidade médio global a nível internacional, ocupando a (35ª) posição, em resultado das suas características geográficas de periferia em relação aos seus parceiros europeus e a alguns dos principais mercados mundiais, sendo no entanto importante realçar o seu bom nível de centralidade face a outros importantes mercados, como por exemplo o Brasil e a América do Norte.” Salienta-se o inicio em 6 de Fevereiro de 2012 do novo serviço regular “California Express”, que liga o Porto de Sines directamente à costa Oeste da América do Norte, através do Canal do Panamá, utilizando navios com capacidade superior a 5.000 TEU, efectuando escalas nos portos dos Estados Unidos da América, finali- zando o percurso no porto de Vancouver no Canadá, sendo operado pela “MSC – Mediterranean Shipping Company”, o segundo maior operador mundial de transporte marítimo. Este novo serviço, efectuado a partir do Terminal XXI, inserese numa política de desenvolvimento sustentado na ligação às rotas do comércio internacional que permitem o acesso às principais economias mundiais, como a República Popular da China, Brasil, EUA e Canadá, assim como nas recentes ligações ao Uruguai e Argentina. A presente existência de rotas de acesso via canal do Panamá a alguns dos principais mercados mundiais facilitará, a partir da data do seu alargamento, a utilização dos mega navios “ULCS” que permitirão obter importantes economias de escala ao nível dos custos de transporte. A conjugação dos diversos factores promotores do nível de centralidade criará condições favoráveis para que Portugal se posicione no futuro como um país bastante competitivo para a atracção de actividade económica, nomeadamente de investimento directo estrangeiro, bem como um importante “HUB” do comércio internacional no actual contexto de economia global, aumentando a sua capacidade exportadora e, em simultâneo, a redução do custo das importações, contribuindo por esta via para a melhoria do saldo da balança de pagamentos e aumento da competitividade da economia nacional, permitindo a sua gradual convergência face aos restantes países, não sendo no entanto negligenciável a intensa concorrência internacional existente entre países pela atracção de actividade económica. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 47 ANÁLISE DE RISCO - PAÍS COSEC Políticas de cobertura para mercados No âmbito de apólices individuais África do Sul* C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária (decisão casuística). Angola C Caso a caso numa base restritiva. M/L Garantia soberana. Limite total de responsabilidades. Antilhas Holandesas C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Arábia Saudita C Carta de crédito irrevogável (decisão casuística). M/L Caso a caso. Argélia C Sector público: aberta sem restrições. Sector privado: eventual exigência de carta de crédito irrevogável. M/L Em princípio, exigência de garantia bancária ou garantia soberana. Argentina T Caso a caso. Barein C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. Benim C Caso a caso, numa base muito restritiva. M/L Caso a caso, numa base muito restritiva, e com exigência de garantia soberana ou bancária. Brasil* C Aberta sem condições restritivas. M/L Clientes soberanos: Aberta sem condições restritivas. Outros Clientes públicos e privados: Aberta, caso a caso, com eventual exigência de garantia soberana ou bancária. Bulgária C Carta de crédito irrevogável. M/L Garantia bancária ou garantia soberana. Cabo Verde C Aberta sem condições restritivas. M/L Eventual exigência de garantia bancária ou de garantia soberana (decisão casuística). Camarões T Caso a caso, numa base muito restritiva. Cazaquistão Temporariamente fora de cobertura. Chile C M/L Aberta sem restrições. Clientes públicos: aberta sem condições restritivas. Clientes privados: em princípio, aberta sem condições restritivas. Eventual exigência de garantia bancária numa base casuística. China* C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. Chipre C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Colômbia C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Coreia do Sul C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Geórgia C Caso a caso numa base restritiva, privilegiando-se operações de pequeno montante. M/L Guiné-Bissau T Fora de cobertura. Guiné Equatorial C Caso a caso, numa base restritiva. M/L Costa do Marfim T Decisão casuística. Costa Rica C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Croácia C Carta de crédito irrevogável ou garantia bancária. Extensão do prazo constitutivo de sinistro para 12 meses. Redução da percentagem de cobertura para 90 por cento. Limite por operação. M/L Garantia bancária ou garantia soberana. Extensão do prazo constitutivo de sinistro para 12 meses. Redução da percentagem de cobertura para 90 por cento. Limite por operação. Cuba T Fora de cobertura. Egipto C Carta de crédito irrevogável M/L Caso a caso. Emirados Árabes Unidos C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária (decisão casuística). Eslováquia C Carta de crédito irrevogável (decisão casuística). M/L Não definida. Eslovénia C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária (decisão casuística). Estónia C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. aso a caso, numa base muito C restritiva e com a exigência de contra garantias. Clientes públicos e soberanos: caso a caso, mediante análise das garantias oferecidas, designadamente contrapartidas do petróleo. Clientes privados: caso a caso, numa base muito restritiva, condicionada a eventuais contrapartidas (garantia de banco comercial aceite pela COSEC ou contrapartidas do petróleo). Hong-Kong C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Hungria C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária (decisão casuística). Iémen C Caso a caso, numa base restritiva. M/L Caso a caso, numa base muito restritiva. Índia C M/L Aberta sem condições restritivas. Garantia bancária. Indonésia C Caso a caso, com eventual exigência de carta de crédito irrevogável ou garantia bancária. M/L aso a caso, com eventual exiC gência de garantia bancária ou garantia soberana. Irão C M/L Carta de crédito irrevogável ou garantia bancária. Garantia soberana. Iraque T Fora de cobertura. Etiópia C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso numa base muito restritiva. Israel C C arta de crédito irrevogável (decisão casuística). Filipinas C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Jordânia C Caso a caso. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Gana C Caso a caso numa base muito restritiva. Koweit C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária (decisão casuística). M/L 48 // Fevereiro 12 // Portugalglobal Fora de cobertura. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Letónia C Carta de crédito irrevogável. M/L Garantia bancária. Líbano C Clientes públicos: caso a caso numa base muito restritiva. Clientes privados: carta de crédito irrevogável ou garantia bancária. M/L Clientes públicos: fora de cobertura. Clientes privados: caso a caso numa base muito restritiva. Líbia T Fora de cobertura. Lituânia C Carta de crédito irrevogável. M/L Garantia bancária. Macau C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Malásia C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Malawi C Caso a caso, numa base restritiva. M/L Clientes públicos: fora de cobertura, excepto para operações de interesse nacional. Clientes privados: análise casuística, numa base muito restritiva. Malta C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Marrocos* C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária ou garantia soberana. Martinica C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. México* C Aberta sem restrições. M/L Em princípio aberta sem restrições. A eventual exigência de garantia bancária, para clientes privados, será decidida casuisticamente. Moçambique C C aso a caso, numa base restritiva (eventualmente com a exigência de carta de crédito irrevogável, garantia bancária emitida por um banco aceite pela COSEC e aumento do prazo constitutivo de sinistro). M/L A umento do prazo constitutivo de sinistro. Sector privado: caso a caso numa base muito restritiva. Operações relativas a projectos geradores de divisas e/ou que admitam a afectação prioritária de receitas ao pagamento dos créditos garantidos, terão uma ponderação positiva na análise do risco; sector público: caso a caso numa base muito restritiva. ANÁLISE DE RISCO - PAÍS de destino das exportações portuguesas No âmbito de apólices globais Montenegro C Caso a caso, numa base restritiva, privilegiando-se operações de pequeno montante. M/L Caso a caso, com exigência de garantia soberana ou bancária, para operações de pequeno montante. Nigéria C Caso a caso, numa base restritiva (designadamente em termos de alargamento do prazo constitutivo de sinistro e exigência de garantia bancária). M/L Caso a caso, numa base muito restritiva, condicionado a eventuais garantias (bancárias ou contrapartidas do petróleo) e ao alargamento do prazo contitutivo de sinistro. Oman C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária (decisão casuística). Panamá C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Roménia C Exigência de carta de crédito irrevogável (decisão casuística). M/L Rússia C Sector público: aberta sem restrições. Sector privado: caso a caso. M/L Senegal C Em princípio, exigência de garantia bancária emitida por um banco aceite pela COSEC e eventual alargamento do prazo constitutivo de sinistro. M/L Paraguai C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso, numa base restritiva. Peru C Aberta sem condições restritivas. lientes soberanos: aberta sem C condições restritivas. Clientes públicos e privados: aberta, caso a caso, com eventual exigência de garantia soberana ou bancária. Polónia* C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária (decisão casuística). Qatar C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária (decisão casuística). Quénia C Carta de crédito irrevogável. M/L Caso a caso, numa base restritiva. República Checa C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária (decisão casuística). República Dominicana C Aberta caso a caso, com eventual exigência de carta de crédito irrevogável ou garantia bancária emitida por um banco aceite pela COSEC. M/L berta caso a caso com exigência A de garantia soberana (emitida pela Secretaria de Finanzas ou pelo Banco Central) ou garantia bancária. S ector público: aberta sem restrições, com eventual exigência de garantia bancária ou garantia soberana. Sector privado: caso a caso. S. Tomé e Príncipe T Fora de cobertura. Paquistão Temporariamente fora de cobertura. M/L E xigência de garantia bancária ou garantia soberana (decisão casuística). E ventual alargamento do prazo constitutivo de sinistro. Sector público: caso a caso, com exigência de garantia de pagamento e transferência emitida pela Autoridade Monetária (BCEAO); sector privado: exigência de garantia bancária ou garantia emitida pela Autoridade Monetária (preferência a projectos que permitam a alocação prioritária dos cash-flows ao reembolso do crédito). Sérvia C C aso a caso, numa base restritiva, privilegiando-se operações de pequeno montante. M/L aso a caso, com exigência de C garantia soberana ou bancária, para operações de pequeno montante. Singapura C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Síria T aso a caso, numa base muito C restritiva. Suazilândia C Carta de crédito irrevogável. M/L Garantia bancária ou garantia soberana. Tailândia C Carta de crédito irrevogável (decisão casuística). M/L Não definida. Taiwan C Aberta sem condições restritivas. M/L Não definida. Tanzânia T Caso a caso, numa base muito restritiva. Na apólice individual está em causa a cobertura de uma única transação para um determinado mercado, enquanto a apólice global cobre todas as transações em todos os países para onde o empresário exporta os seus produtos ou serviços. As apólices globais são aplicáveis às empresas que vendem bens de consumo e intermédio, cujas transações envolvem créditos de curto prazo (média 60-90 dias), não excedendo um ano, e que se repetem com alguma frequência. Tendo em conta a dispersão do risco neste tipo de apólices, a política de cobertura é casuística e, em geral, mais flexível do que a indicada para as transações no âmbito das apólices individuais. Encontram-se também fora de cobertura Cuba, Guiné-Bissau, Iraque e S. Tomé e Príncipe. Tunísia* C Aberta sem condições restritivas. M/L Garantia bancária. Turquia C Carta de crédito irrevogável. M/L Garantia bancária ou garantia soberana. Ucrânia C Clientes públicos: eventual exigência de garantia soberana. Clientes privados: eventual exigência de carta de crédito irrevogável. M/L C lientes públicos: eventual exigência de garantia soberana. Clientes privados: eventual exigência de garantia bancária. Zimbabwe C Caso a caso, numa base muito restritiva. M/L Fora de cobertura. Advertência: A lista e as políticas de cobertura são indicativas e podem ser alteradas sempre que se justifique. Os países que constam da lista são os mais representativos em termos de consultas e responsabilidades assumidas. Todas as operações são objecto de análise e decisão específicas. Legenda: C M/L Para todas as operações, o prazo constitutivo de sinistro é definido caso a caso. Uganda C Caso a caso, numa base muito restritiva. M/L T Curto Prazo Médio / Longo Prazo Todos os Prazos * Mercado prioritário. Fora de cobertura. Uruguai C Carta de crédito irrevogável (decisão casuística). M/L Não definida. Venezuela C Clientes públicos: aberta caso a caso com eventual exigência de garantia de transferência ou soberana. Clientes privados: aberta caso a caso com eventual exigência de carta de crédito irrevogável e/ou garantia de transferência. M/L Aberta caso a caso com exigência de garantia soberana. Zâmbia C Caso a caso, numa base muito restritiva. M/L COSEC Companhia de Seguro de Créditos, S. A. Direcção Internacional Avenida da República, 58 1069-057 Lisboa Tel.: +351 217 913 832 Fax: +351 217 913 839 [email protected] www.cosec.pt Fora de cobertura. Portugalglobal // Fevereiro 12 // 49 TABELA CLASSIFICATIVA DE PAÍSES COSEC Tabela classificativa de países Para efeitos de Seguro de Crédito à exportação A Portugalglobal e a COSEC apresentam-lhe uma Tabela Classificativa de Países com a graduação dos mercados em função do seu risco de crédito, ou seja, consoante a probabilidade de cumprimento das suas obrigações externas, a curto, a médio e a longo prazos. Existem sete grupos de risco (de 1 a 7), corresGrupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Alemanha * Andorra * Austrália * Áustria * Bélgica * Canadá * Checa, Rep. * Chipre Coreia do Sul * Dinamarca * Eslováquia * Eslovénia * Espanha * Estónia EUA * Finlândia * França * Grécia * Holanda * Hong-Kong Hungria * Irlanda * Islândia * Israel * Itália * Japão * Liechtenstein * Luxemburgo * Malta * Mónaco * Noruega * Nova Zelândia * Polónia * Portugal * Reino Unido * São Marino * Singapura * Suécia * Suiça * Taiwan Vaticano * Arábia Saudita Brunei Chile China • Gibraltar Koweit Macau Malásia Oman Qatar Trind. e Tobago África do Sul • Argélia Bahamas Barbados Botswana Brasil • Costa Rica Dep/ter Austr.b Dep/ter Din.c Dep/ter Esp.d Dep/ter EUAe Dep/ter Fra.f Dep/ter N. Z.g Dep/ter RUh EAUa Ilhas Marshall Índia Lituânia Marrocos • Maurícias México • Micronésia Namíbia Palau Panamá Peru Rússia Tailândia Tunísia • Uruguai Grupo 4 Aruba Barein Bulgária Colômbia El Salvador Fidji Filipinas Indonésia Letónia Roménia Turquia pondendo o grupo 1 à menor probabilidade de incumprimento e o grupo 7 à maior. As categorias de risco assim definidas são a base da avaliação do risco país, da definição das condições de cobertura e das taxas de prémio aplicáveis. Grupo 5 Grupo 6 Azerbeijão Cabo Verde Cazaquistão Croácia Dominicana, Rep. Egipto Gabão Gana Guatemala Jordânia Lesoto Macedónia Mongólia Nigéria Papua–Nova Guiné Paraguai S. Vic. e Gren. Santa Lúcia Vietname Albânia Angola Ant. e Barbuda Arménia Bangladesh Belize Benin Bolívia Butão Camarões Camboja Comores Congo Djibouti Dominica Geórgia Honduras Jamaica Kiribati Mali Moçambique Montenegro Nauru Quénia Samoa Oc. Senegal Sérvia Sri Lanka Suazilândia Tanzânia Turquemenistão Tuvalu Uganda Uzbequistão Vanuatu Zâmbia Grupo 7 Afeganistão Argentina Bielorussia Bósnia e Herzegovina Burkina Faso Burundi Campuchea Cent. Af, Rep. Chade Congo, Rep. Dem. Coreia do Norte C. do Marfim Cuba • Equador Eritreia Etiópia Gâmbia Grenada Guiana Guiné Equatorial Guiné, Rep. da Guiné-Bissau • Haiti Iemen Irão Iraque • Paquistão Quirguistão Ruanda S. Crist. e Nevis S. Tomé e Príncipe • Salomão Seicheles Serra Leoa Síria Somália Sudão Suriname Tadzequistão Togo Tonga Ucrânia Venezuela Zimbabué Kosovo Laos Líbano Libéria Líbia Madagáscar Malawi Maldivas Mauritânia Moldávia Myanmar Nepal Nicarágua Níger Fonte: COSEC - Companhia de Seguro de Créditos, S.A. * País pertencente ao grupo 0 da classificação risco-país da OCDE. Não é aplicável o sistema de prémios mínimos, à excepção do Chipre, Hong-Kong e Taiwan. • Mercado de diversificação de oportunidades • Fora de cobertura • Fora de cobertura, excepto operações de relevante interesse nacional NOTAS a) Abu Dhabi, Dubai, Fujairah, Ras Al Khaimah, Sharjah, Um Al Quaiwain e Ajma b) Ilhas Norfolk c) Ilhas Faroe e Gronelândia d) Ceuta e Melilha e) Samoa, Guam, Marianas, Ilhas Virgens e Porto Rico 50 // Fevereiro 12 // Portugalglobal f) G uiana Francesa, Guadalupe, Martinica, Reunião, S. Pedro e Miquelon, Polinésia Francesa, Mayotte, Nova Caledónia, Wallis e Futuna g) Ilhas Cook e Tokelau, Ilhas Nive h) A nguilla, Bermudas, Ilhas Virgens, Cayman, Falkland, Pitcairn, Monserrat, Sta. Helena, Ascensão, Tristão da Cunha, Turks e Caicos ESTATÍSTICAS INVESTIMENTO e COMÉRCIO EXTERNO >PRINCIPAIS DADOS DE INVESTIMENTO (IDE E IDPE), EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES. INVESTIMENTO DIRECTO COM O EXTERIOR INVESTIMENTO DIRECTO DO EXTERIOR EM PORTUGAL tvh 11/10 Dez./Dez. tvc 11/11 Dez./Nov. 0,0% 70,4% 178,4% -14,5% -45,9% 13,8% 272,5% 591,0% 2902,7% 35.885 2,2% 82,9% 209,9% 74,2% 3.741 -17,0% -33,6% -16,5% 88,6% -- 90,6% -- -- -- 11,4% -- 9,4% -- -- -- 2009 2010 tvh 10/09 2011 IDE bruto 32.018 39.622 23,8% 39.626 IDE desinvestimento 30.070 37.624 25,1% 32.185 IDE líquido 1.948 1.998 2,5% 7.441 IDE Intra UE 29.430 35.115 19,3% IDE Extra UE 2.588 4.507 IDE Intra UE 91,9% IDE Extra UE 8,1% tvh 11/10 Unidade: Milhões de euros % Total IDE bruto IDE bruto - Origens 2011 Jan./Dez. % Total tvh 11/10 % Total tvh 11/10 Países Baixos 22,5% 80,7% Comércio 38,9% 1,9% Espanha 17,7% 23,2% Act. financeiras e de seguros 22,3% -3,1% França 16,4% -2,4% Ind. transformadoras 21,0% -5,9% Reino Unido 13,8% 27,5% Act. informação e comunicação 5,7% 10,5% Alemanha 10,1% -37,4% Act. consultoria e técnicas 2,6% 12,6% 2009 2010 tvh 2010/09 2011 tvh 2011/10 tvh 11/10 Dez./Dez. tvc 11/11 Dez./Nov. IDPE bruto 7.770 9.790 26,0% 15.592 59,3% 126,8% 603,3% IDPE desinvestimento 7.182 15.447 115,1% 6.500 -57,9% -80,8% 81,9% IDPE líquido 588 -5.658 -1062,6% 9.092 -260,7% 330,7% 1381,4% IDPE Intra UE 5.500 5.740 4,4% 13.792 140,3% 293,3% 710,5% IDPE Extra UE 2.270 4.050 78,4% 1.800 -55,6% -86,1% 21,8% IDPE Intra UE 70,8% 58,6% -- 88,5% -- -- -- IDPE Extra UE 29,2% 41,4% -- 11,5% -- -- -- % Total tvh 11/10 % Total tvh 11/010 Países Baixos 73,2% 454,8% Act. financeiras e de seguros 82,2% 88,0% Espanha 9,2% 85,5% Ind. transformadoras 4,6% -7,4% Brasil 3,6% -67,0% Electricidade, gás, água 3,6% 633,4% Angola 1,6% -63,2% Act. consultoria e técnicas 3,5% -9,1% Polónia 1,2% -39,8% Construção 2,2% -25,4% INVESTIMENTO DIRECTO DE PORTUGAL NO EXTERIOR IDE bruto - Sector 2011 Jan./Dez. Unidade: Milhões de euros % Total IDPE bruto IDPE bruto - Destinos 2011 Jan./Dez. IDPE bruto - Sector 2011 Jan./Dez. 2009 Dez. 2010 Dez. tvh 10/09 Dez./Dez. 2011 Dez. tvh 11/10 Dez./Dez. tvc 11/11 Dez./Set. Stock IDE 79.626 83.585 5,0% 84.268 0,8% -1,1% Stock IDPE 47.530 49.942 5,1% 52.594 5,3% -4,0% Unidade: Milhões de euros Fonte: Banco de Portugal Portugalglobal // Fevereiro 12 // 51 ESTATÍSTICAS COMÉRCIO INTERNACIONAL 2009 2010 tvh 2010/09 2011 tvh 2011/10 tvh 11/10 Dez/Dez tvc 11/11 Dez/Nov Exportações bens 31.697 36.762 16,0% 42.367 15,2% 4,4% -15,4% Exportações bens UE27 23.892 27.573 15,4% 31.379 13,8% -1,1% -18,8% Exportações bens Extra UE27 7.804 9.189 17,7% 10.988 19,6% 19,2% -6,4% Exportações bens UE27 75,4% 75,0% -- 74,1% -- -- -- Exportações bens Extra UE27 24,6% 25,0% -- 25,9% -- -- -- % Total tvh 11/10 Espanha 24,8% 7,9% Alemanha 13,6% França BENS (Exportação) Unidade: Milhões de euros Unidade: % do total Exp. Bens - Clientes 2011 Jan./Dez. Meur Cont. p. p. Alemanha 969 2,6 20,2% Espanha 767 2,1 12,0% 17,2% França 746 2,0 Angola 5,5% 22,0% Angola 422 1,1 Reino Unido 5,1% 6,6% Bélgica 300 0,8 Países Baixos 3,9% 18,5% Países Baixos 259 0,7 Itália 3,6% 10,9% Líbia -31 -0,1 % Total tvh 11/10 Exp. Bens - Var. Valor (11/10) Meur Cont. p. p. Máquinas, Aparelhos 14,5% 11,7% Veículos, Out. Mat. Transp. 1.077 2,9 Veículos, Outro Material de Transporte 13,3% 23,7% Máquinas, Aparelhos 644 1,8 Metais Comuns 8,1% 17,2% Combustíveis Minerais 605 1,6 Combustíveis Minerais 7,2% 24,5% Químicos 547 1,5 Plásticos, Borracha 6,8% 14,5% Metais Comuns 500 1,4 2009 2010 tvh 2010/09 2011 tvh 2011/10 tvh 11/10 Dez/Dez tvc 11/11 Dez/Nov Exportações totais de serviços 16.318 17.578 7,7% 19.157 9,0% 3,2% 12,7% Exportações serviços UE27 11.997 12.689 5,8% 13.693 7,9% 1,0% 9,7% Exportações serviços extra UE27 4.321 4.889 13,2% 5.464 11,8% 8,3% 19,5% Exportações serviços UE27 73,5% 72,2% -- 71.5% -- -- -- Exportações serviços extra UE27 26,5% 27,8% -- 28.5% -- -- -- Exp. Bens - Produtos 2011 Jan./Dez. SERVIÇOS Exp. Bens - Var. Valor (11/10) Unidade: Milhões de euros Unidade: % do total 52 // Fevereiro 12 // Portugalglobal ESTATÍSTICAS 2009 2010 tvh 2010/09 2011 Importações bens 51.379 57.053 11,0% Importações bens UE27 40.376 43.205 7,0% Importações bens Extra UE27 11.003 13.849 Importações bens UE27 78,6% Importações bens Extra UE27 tvh 2011/10 tvh 11/10 Dez/Dez tvc 11/11 Dez/Nov 57.616 1,0% -16,9% -8,7% 42.039 -2,7% -22,8% -7,6% 25,9% 15.577 12,5% 6,2% -11,8% 75,7% -- 73,0% -- -- -- 21,4% 24,3% -- 27,0% -- -- -- % Total tvh 11/10 Espanha 31,6% 2,2% Alemanha 12,4% França 6,9% Itália Países Baixos BENS (Importação) Unidade: Milhões de euros Unidade: % do total Imp. Bens - Fornecedores 2011 Jan./Dez. Meur Cont. p. p. Angola 614 1,1 -10,0% Argélia 507 0,9 -4,4% Brasil 413 0,7 5,4% -5,0% Espanha 395 0,7 4,8% -6,3% Arábia Saudita 387 0,7 Reino Unido 3,3% -10,8% Líbia -724 -1,3 Nigéria 2,7% 11,0% Alemanha -794 -1,4 % Total tvh 11/10 Imp. Bens - Var. Valor (11/10) Meur Cont. p. p. Combustíveis Minerais 17,9% 23,5% Combustíveis Minerais 1.960 3,4 Máquinas, Aparelhos 15,0% -7,5% Agrícolas 563 1,0 Veículos, Outro Material de Transporte 10,6% -24,0% Plásticos, Borracha 280 0,5 Agrícolas 10,4% 10,3% Máquinas, Aparelhos -702 -1,2 Químicos 10,4% 4,4% Veículos, Out. Mat. Transporte -1.926 -3,4 Imp. Bens - Produtos 2011 Jan./Dez. Imp. Bens - Var. Valor (11/10) 2009 2010 tvh 2010/09 2011 tvh 2011/10 tvh 11/10 Dez/Dez tvc 11/11 Dez/Nov Importações totais de serviços 10.333 10.866 5,2% 11.413 5,0% 0,2% 3,1% Importações serviços UE27 7.467 7.678 2,8% 8.025 4,5% -4,3% 1,8% Importações serviços extra UE27 2.866 3.188 11,2% 3.389 6,3% 10,7% 5,9% Importações serviços UE27 72,3% 70,7% -- 70,3% -- -- -- Importações serviços extra UE27 27,7% 29,3% -- 29,7% -- -- -- SERVIÇOS Unidade: Milhões de euros Unidade: % do total PREVISÕES 2012 : 2013 (tvh real %) 2010 2011 FMI CE OCDE BdP INE INE Dez 11 Fev 12 Nov 11 Jan 12 PIB 1,4 -1,5 -3,0 : 0,7 -3,3 : 0,7 -3,2 : 0,5 -3,1 : 0,3 Exportações Bens e Serviços 8,8 7,8 (Jan/Set) 3,8 : 5,5 n.d. : n.d. 4,0 : 6,1 4,1 : 5,8 Fontes: INE/Banco de Portugal Notas e siglas: Meur - Milhões de euros Cont. - Contributo para o crescimento das exportações tvc - Taxa de variação em cadeia n.d. – não disponível p.p. - Pontos percentuais tvh - Taxa de variação homóloga Portugalglobal // Fevereiro 12 // 53 REDE EXTERNA DA AICEP ÁFRICA DO SUL / Joanesburgo BRASIL / São Paulo ALEMANHA / Berlim CABO VERDE / Praia CANADÁ / Toronto ANGOLA / Benguela CHILE / Santiago do Chile ANGOLA / Luanda CHINA, REPÚBLICA POPULAR DA / Macau ARGÉLIA / Argel ARGENTINA / Buenos Aires CHINA, REPÚBLICA POPULAR DA / Pequim ÁUSTRIA / Viena CHINA, REPÚBLICA POPULAR DA / Xangai BÉLGICA / Bruxelas Copenhaga Berlim Haia Bruxelas Dublin Londres Paris Milão Toronto Nova Iorque Vigo Barcelona S. Francisco Madrid Rabat Mérida Praia Cidade do México Caracas São Paulo Santiago do Chile Centro de Negócios Escritórios Representações 54 // Fevereiro 12 // Portugalglobal Buenos Aires Argel DINAMARCA / Copenhaga FINLÂNDIA / Helsínquia JAPÃO / Tóquio ROMÉNIA / Bucareste ESPANHA / Madrid FRANÇA / Paris LÍBIA / Tripoli RÚSSIA / Moscovo GRÉCIA/ Atenas MALÁSIA/ Kuala Lumpur SINGAPURA / Singapura HOLANDA / Haia MARROCOS / Rabat SUÉCIA / Estocolmo HUNGRIA / Budapeste MÉXICO / Cidade do México SUÍÇA / Zurique ÍNDIA, REPÚBLICA DA / Nova Deli MOÇAMBIQUE / Maputo TUNÍSIA / Tunes INDONÉSIA / Jacarta POLÓNIA / Varsóvia TURQUIA / Ancara IRLANDA / Dublin REINO UNIDO / Londres TURQUIA / Istambul ITÁLIA / Milão REPÚBLICA CHECA / Praga VENEZUELA / Caracas ESPANHA / Barcelona ESPANHA / Mérida ESPANHA / Vigo ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA / Nova Iorque ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA / S. Francisco Helsínquia Estocolmo Zurique Moscovo Varsóvia Praga Budapeste Viena Bucareste Pequim Ancara Istambul Atenas Tunes Tóquio Tripoli Nova Deli Xangai Macau Kuala Lumpur Singapura Jacarta Luanda Benguela Maputo Joanesburgo Portugalglobal // Fevereiro 12 // 55 BOOKMARKS AS IDEIAS QUE MUDARAM O MUNDO A HISTÓRIA NATURAL DA INOVAÇÃO Um dos mais inovadores pensadores da actualidade coloca uma questão fundamental: o que desencadeia as grandes ideias? Todos identificamos uma boa ideia quando a vemos. A prensa tipográfica, o lápis, o autoclismo, a bateria, o Google – são alguns dos exemplos de óptimas ideias. Mas de onde vêm? Que tipo de ambiente as impulsiona? Como geramos as ideias inovadoras que fazem avançar a nossa carreira, a nossa vida, a nossa sociedade e a nossa cultura? Na banda desenhada, as ideias brilhantes aparecem em forma de balões; na vida real, surgem de forma um pouco mais misteriosa. Neste livro, Steven Johnson recorda-nos o que transformou o jovem naturalista Charles Darwin no grande pensador que viria a mudar o mundo. De forma a mostrar porque é que algumas ideias – como o Facebook ou o You Tube – resultam enquanto outras nunca passam do papel, Johnson identifica sete princípios-cha- ve que estão na génese e crescimento das boas ideias. Steven Johnson nasceu há 37 anos e vive em Nova Iorque há 16. Formado em Semiótica e Literatura Inglesa, temse destacado como um dos maiores estudiosos da tecnologia digital. Fixou-se, recentemente, em Brooklyn, para onde, como diz no seu blogue (www.stevenberlinjohnson.com), se estão a mudar todos os escritores com crianças. É crítico cultural e professor na New York University, destacou-se como colunista dos jornais The New York Times e The Wall Street Journal e das revistas The New Yorker e Harper’s Magazine. Autores: S teven Johnson Editor: Clube d’Autor Nº de páginas: 304 Ano: 2011 Preço: 15,90€ MARKETING DIGITAL NA VERSÃO 2.0 O QUE NÃO PODE IGNORAR Este livro é para si, que, querendo saber como poderá utilizar os meios digitais, Internet, telemóveis, etc., para gerar mais negócio, não quer no entanto ser inundado de jargão inútil. Quer saber exactamente e de uma maneira simples com pode amanhã começar a utilizar estes meios. Também terá a percepção do que está a mudar estruturalmente em termos do comportamento do consumidor e da maneira de actuar das empresas, quer elas sejam PME ou grandes empresas. Os meios digitais vieram para ficar e estamos apenas no início de uma revolução que nos vai obrigar a uma actualização contínua e a ter uma abordagem criativa de um futuro em que a única constante será a mudança. Por essa razão, esta obra é apoiada por uma comunidade digital, Marketing Digital 2.0, disponível no Facebook, funcionando como um espaço de interactividade entre os leitores e o autor. Poderão aqui encontrar novos recursos em múltiplos formatos, onde 56 // Fevereiro 12 // Portugalglobal juntos poderemos criar novo conhecimento numa lógica de web 2.0. Filipe Carrera é Licenciado em Economia pelo ISEG - Instituto Superior de Economia e Gestão de Lisboa, tem MBA pela Universidad Politécnica de Madrid, tem Pós-Graduação em e-Business pela Universidad Politécnica de Madrid, tem PósGraduação em Gestão da Formação em e-Learning pela Universidad Complutense de Madrid e tem Pós-Graduação em Gestão de Marketing pela Universidad Politécnica de Madrid. É Professor dos Mestrados e Pós-Graduações do ISEG Universidade Técnica de Lisboa, no ISLA e no IPAM. Autor: Felipe Carrera Editor: Edições Sílabo Nº de páginas: 244 Ano: 2012 Preço: 19,70€