“A costura do invisível” e o “Ato de criação”: moda, arte e política "The invisible sewing" and "The creation act": fashion, art and politics Valentim, Anamélia Fontana; Doutoranda; UNISUL/IFSC [email protected] Kauling, Graziela Brunhari; Doutoranda; UNISUL/IFSC [email protected] Resumo O estudo a seguir parte da análise do processo criativo documentado por Jum Nakao na coleção criada pelo estilista, “A costura do invisível”. Expondo o processo constantemente caótico da indústria da moda, o documentário, é carregado de questionamentos, que culminam com um desfile. Para tanto, esse desfile é percebido aqui como forma artística que reflete e estrutura movimentos sociais. O objetivo principal está na busca de atravessamentos entre a obra de Jum Nakao e o ato de criação de Gilles Deleuze e assim refletir a relação entre política, arte e moda. Palavras Chave: Criação. Moda. Política. Abstract The following study starts from the analysis of the creative process documented by Jum Nakao in the collection created by fashion designer, "The invisible sewing". Constantly exposing the chaotic process of the fashion industry, the documentary isloaded with questions, culminating with a fashion show. For both, this show is perceived here as an art form that structure and reflects social movements. The main objective is in finding crossings between the work of Jum Nakao and “The creation act” by Gilles Deleuze and so reflect the relationship between policy, art and fashion. Keywords: Creation. Fashion. Policy. 1 COSTURANDO O INVISÍVEL O documentário “A costura do invisível” relata o processo criativo no desenvolvimento de uma coleção de moda inusitada para os moldes comercias. Jum Nakao, diretor criativo e estilista da marca que leva o mesmo nome, narra inicialmente sua angústia pela busca de um conceito diferente para cada temporada de moda. Para ele o processo criativo é algo extremamente doloroso. O documentário, em sua maioria apresenta imagens em preto e branco, em momentos específicos ao longo do vídeo a cor aparece. O filme começa com imagens desfocadas unidas a uma narração que juntas remetem ao pensamento do estilista quando está buscando inspiração, nessa fasevde questionamentos ele faz perguntas a si mesmo. Primeiramente, palavras soltas são ditas enquanto são mostradas no vídeo, “conceito e forma, produtos, mercado, sobreviver, valor”, em seguida surgem os questionamentos, “o que determina o valor de uma ideia? do que ela é feita ou o que ela contém?, por onde começar?, quais os códigos?, territórios?, por que haver territórios?”. O documentário permeia a busca por estas respostas, o estilista precisa encontrar um caminho para a construção de uma coleção que seria apresentada em junho de 2004 no SPFW. Jum Nakao, em sua inquietude, questiona como desistir dentro de sua própria vocação de criar, da sua própria essência. Com imagens desfocadas e em movimento de seu rosto, ele se pergunta, “como uma estrutura pequena e criativa pode sobreviver numa cultura de mercado capitalista, de consumo industrial? Ele mesmo responde, acaba adotando a postura de uma grande empresa. Nesse ponto acontece o embate entre a vocação criativa e a necessidade de uma estrutura capitalista para sobreviver dentro do setor. Todo esse caos de perguntas e o vazio criado pela falta de respostas precisava ser resolvido a tempo de apresentar uma coleção. Ele precisava de uma solução para existir nesse mercado dentro da sua vocação de criar. O estilista junto a equipe de criação da marca começam a definir um formato e pensar uma forma de ordenar o caos, mas, chegam a ideia de que não deveriam organizá-lo e sim apresentá-lo. O suporte encontrado foi o papel. Para a equipe, a sugestão de rasgar o papel era totalmente pertinente, dava sentido e respondia várias questões. A destruição das roupas de papel no desfile não teria como apelo mostrar um fim, mas um começo ao expor o caos atual da moda, resistindo à efemeridade. Imagens da equipe e dos bastidores se intercalam com rapidez e se misturam dando a dimensão do número de pessoas envolvidas no desenvolvimento do projeto. Jum Nakao narra então, a procura por parceiros que materializariam o projeto. Além do projeto, enquanto roupa e forma, era necessário encontrar quais conceitos estariam por trás dessa forma. A coleção precisava gerar deslumbramento, precisava ser desejada, o estilista então narra as formas escolhidas para criar uma temática. As formas escolhidas remetem ao universo estético do final do século XIX e início do século XX, quando o tecido como base era muito explorado, o estilista pretende fazer relações com a art Nouveau. A riqueza dos detalhes remetia ao barroco, mas pela leveza com que é mostrado no se distancia dele. Todas as dificuldades são narradas e interpeladas pelas imagens que ajudam a mostrar o processo de criação. A escolha do papel vegetal foi feita após testes, além de mostrar a forma o papel vegetal fazia um convite ao invisível. Os problemas que apareciam na execução do projeto eram narrados junto às soluções encontradas, as imagens em preto e branco davam a dimensão das etapas que eram vencidas com alternativas criadas pela própria necessidade. A materialização começa a ganhar forma, vida, segundo o próprio estilista. O lúdico aparece no trabalho em forma de perucas playmobil1 que seriam utilizadas pelas modelos, para o estilista através desse boneco as pessoas poderiam ser qualquer coisa. A proposta da maquiagem era destacar as sombrancelhas e os lábios, para que todas ficassem parecidas, o rímel branco pretendia um olhar distante, de conto de fadas. A ideia precisava ficar presa ao conceito, fazer um link. A roupa era o destaque, precisava se tornar objeto de desejo. O vídeo percorre em plano detalhe a forma das roupas e seus detalhes. No vídeo, 1 Playmobil é uma linha de brinquedos produzidos pelo grupo Alemão Brandstatter. Criados por Hans Beck em 1970 para compensar o alto preço do petróleo, brinquedos menores que utilizavam menos material. imagens se misturam dando a impressão de junção entre o que é feito e o que o estilista pensa também a respeito do cenário. A trilha musical do desfile, que tinha a intenção de conduzir o olhar do espectador, precisava produzir significados. A intenção era gerar impacto, em nenhum momento o desfile poderia ser previsível. Nesse momento todas as estratégia estão definidas. As imagens dos croquis aparecem em movimento no projeto da passarela. Todo o processo de criação é filmado e há uma preocupação em documentar tudo, as filmagens ocorrem de forma caseira, a montagem, edição das imagens e sons intercalados entre diegético e extradiegético permitem mostrar um universo onde transparece o caos que envolve o caminho percorrido desde a procura por ideias até o momento do desfile. 1.1 O DESFILE No documentário a última etapa do processo, o desfile, mostra o transporte das frágeis roupas de papel do atelier até a chegada no local do desfile. Cabe lembrar que todo caminho percorrido até aqui pelo estilista é comum a toda coleção de moda, as inquietações, as dificuldades, a superação, a modelagem e a costura, o fato novo era o material e o que se pretendia com ele. A todo momento a câmera segue os passos do estilista e da produção, como se fosse alguém da própria equipe. O estilista participa de todas as decisões do espetáculo/desfile. Somente após o ensaio o estilista decide contar às modelos a performance completa que fariam. A roupa deveria ser rasgada após a entrada final, nos agradecimentos, junto a trilha de destruição e ao piscar incessante da luz. Quando as modelos escutam o pedido de rasgar as roupas por completo, a reação delas ganha destaque no vídeo, rostos espantados, boquiabertos, surpresos dão a noção do que o desfile deveria causar nos espectadores. O pedido é para que rasguem as roupas com sentimento de dor, mesmo que suas feições sejam escondidas pela cabeça playmobil e pela maquiagem. O estilista explica a performance, justificando que a destruição na realidade faria todo aquele momento ser eterno para quem o viu. As modelos então o aplaudem. O estilista parece ter noção do impacto que vai causar ao perceber o choque da proposta nas modelos. O desfile começa, a escuridão precede o acendimento da luz negra que está presente dentro das anêmonas de papel, construindo um caminho na passarela toda branca. A cor, agora faz parte do vídeo. A trilha sonora lembra o fundo mar e aos poucos se transforma com a junção do tango. As modelos desfilam lentamente, a dimensão das roupas, os detalhes e principalmente a fragilidade das peças impõem esse ritmo. Exibem a exuberância, a beleza, a perfeição e o trabalho empregado de setecentas horas em 12 minutos. Na edição do vídeo, esse momento constitui o aparecimento e o desaparecimento das modelos, misturando as imagens na transição de cada uma. O desfile acaba, a última modelo se retira e é mostrada num desfoque que evolui a medida que ela caminha para o início da passarela. As modelos retornam à passarela, fato comum a os todos desfiles, é o momento dos aplausos. A trilha tensa se transforma num estrondo de destruição, instantaneamente as modelos começam a rasgar a roupa que vestem, o que permanece é um macacão justo preto que usavam por baixo e a peruca playmobil. A iluminação pisca incansavelmente, mostrando junto a performance da destruição junto a reação da platéia, que até então não aparecia. Neste momento, a destruição das lindas e frágeis roupas construídas após muito empenho, fecham o ciclo e então conduzem ao fechamento do conceito, ou seja, a busca do estilista pelo que está por trás da forma. O caos que o estilista expôs a respeito do mercado capitalista da moda, são evidenciados pela mistura de imagens que se sobrepõem rapidamente mostrando o momento do rasgar, a reação em close-up das pessoas e o processo na construção das roupas, esse ultimo em cores. Junto a essas imagens, depoimentos de quem assistiu ao desfile ganham voz, vozes e rostos conhecidos do universo da moda explanam seu entendimento e relação à performance. O choque, a perturbação, a euforia, a catarse, os aplausos e lágrimas demonstram a afetação causada pelo momento vivido. O desfile não pretende achar respostas, perturba e pede reflexões. Após essa longa e leve descrição do desfile de Jum Nakao, permite-se elaborar uma tese. Seria o desfile documentado em forma de livro e vídeo, “A costura do invisível” um ato de criação nos moldes de Deleuze? Para tanto, é preciso esclarecer alguns aspectos da moda como instituição social. 2 A MODA ALÉM DO VESTIR O breve entendimento de moda que proponho aqui, não visa encontrar conceitos para moda, mas, destacar o que ela representa estando ligada ao indivíduo e sua relação com a sociedade. A definição de moda já passou por várias mudanças, porém, uma característica resiste à todas, a mudança constante. Esse movimento também permeia outras esferas culturais como a arte, arquitetura, música e etc.. A lógica da mudança que as aproxima é a mesma, a substituição. A todo momento, desde seu nascimento a moda brinca com mecanismos antagônicos de imitação e substituição, mas, não se reduz a isso. Serve à estrutura social, acentuando a divisão em classes; reconcilia o conflito entre o impulso individualizador de cada um de nós […] e o socializador […], exprime ideias e sentimentos, pois é uma linguagem que se traduz em termos artísticos. (SOUZA, 1987, p.29) O fato da moda sofrer alterações talvez corresponda à sua ligação com a arte, uma vez que o conceito de arte é inconstante e aberto. Para ambas, a industrialização e a reprodutibilidade técnica mudaram seu status. Walter Benjamin (1985), ao refletir o conceito de arte entendido como algo único e fundado na tradição elabora algumas teorias. Para o autor, a obra de arte sempre foi passível de reprodução, por meios mais ou menos elaborados. Essa reprodutibilidade, para os antigos conceitos de arte, fazia a obra perder sua aura, somente o original possuía esse invólucro singular, que era então característica principal da arte. Com a evolução das técnicas de reprodução, a arte fica mais próxima das massas. O mesmo acontece na moda com o advento do prêt-à-porter. A transformação da arte, segundo Benjamin se inicia com a fotografia e continua com o cinema. Outras formas de arte posteriores também colocam em discussão o status original e único da arte, o dadaísmo é um exemplo. “A obra de arte reproduzida é cada vez mais a reprodução de uma obra de arte criada para ser reproduzida.” (BENJAMIN, 1985, p.171) O embate entre todas as concepções de arte é constante na academia provocando reflexões, no entanto, entendemos que Benjamin insere a moda como forma de representação artística quando trata de reprodutibilidade também na arte. A forma de fazer arte mudou e possibilitou outras formas de demonstrá-la, a ideia e o conceito se tornam então protagonistas na obra de arte. Comparando a moda ao dadaísmo, Suzana Avelar nota um ponto interessante. “[...] é assim que muitos estilistas realizam hoje as suas experimentações. Buscam apontar de forma questionadora as dinâmicas ainda não percebidas da sociedade não só por meio do choque e do desconforto, mas também, muitas vezes, pela transgressão à própria indústria da moda.” (AVELAR, 2011, p.114) O documentário e o desfile idealizados por Jum Nakao, que pretendem refletir a moda, nos permitem agora fazer relações com o a obra de arte feita para ser reproduzida, da qual fala Benjamin. 3 A COSTURA DO INVISÍVEL E O ATO DE CRIAÇÃO EM DELEUZE: ATRAVESSAMENTOS O aspecto inicial da relação que propomos entre “A costura do invisível” e o Ato de criação de Deleuze, parte da definição de arte pelo autor, que a vê como ato de resistência à sociedade de controle. Essa sociedade, por sua vez, atua sobre nossas virtualidades sem nos darmos conta, dessa forma é mais difícil resistir. Guy Debord (1997) faz inclusive um diagnóstico dessa sociedade, a chamando de sociedade do espetáculo. A moda atualmente se caracteriza em função do modo de produção e também de criação. Quando há experimentação a moda se aproxima da produção artística e científica “justamente por conter elementos de experimentação e percepção de dados da sociedade ainda não codificados por uma grande maioria.”(AVELAR, 2011, p.111). Os questionamentos de Deleuze no inicio do texto, a respeito do seu fazer são semelhantes às perguntas que tomam o pensamento de Jum Nakao no inicio do documentário, no entanto, cada um formula perguntas e respostas que remetem ao seu saber. “Não temos uma ideia em geral. “Uma ideia, assim como aquele que tem a ideia, já está destinada a este ou àquele domínio.” (DELEUZE,1999). Um estilista então, tem ideias em moda. Ter ideia sobre alguma coisa é uma forma de refletir sobre a mesma. Portanto, ter ideias em moda, significa refletir sobre moda. Dessa forma, o estilista através de sua reflexão sobre o mercado de moda, reflete sobre seu próprioconteúdo. E qual o conteúdo da moda? Para Jum Nakao, existe nela a necessidade de encontrar o conceito por de trás da forma. Para Deleuze, essa necessidade é potência para a criação de conceitos. O estilista, no entanto, parece incomodar-se com a busca por conceitos diferentes de forma tão rápida e superficial como acontece na maioria das criações de moda com caratér comercial. Há no calendário da moda a necessidade de criar um conceito a cada semestre. Essa pressão de criar conceitos para vender, não permite refletir sobre o conteúdo, o que é fundamental para a formulação de ideias. O que faz um estilista ter a vontade de criar uma coleção de roupas de papel, documentar em vídeo e livro e ainda apresentar sua destruição num evento comercial? Provavelmente, o estilista vislumbra os grandes encontros, que também fazem com que um cineasta adapte um romance como exemplifica Deleuze. Ao meu ver, a ideia de todo esse espetáculo que define o desfile e a indústria da moda, faz luz às ideias que são fruto da reflexão sobre a moda. Uma ideia para Deleuze não é um conceito, mas de uma ideia podemos talvez tirá-lo. O estilista narra no documentário suas ideias em moda, a substituição dos materiais, a escolha de uma única cor, a transparência do papel, a caracterização das modelos, a trilha sonora, a iluminação, tudo isso permite ao estilista criar um conceito em moda. Ter uma ideia não compete à natureza da comunicação, em Deleuze a comunicação num primeiro momento é a transmissão e a propagação de uma informação, uma espécie palavra de ordem. Relacionando com a moda, a informação seria o sistema que controla as palavras de ordem na moda de uma determinada sociedade. A contra-informação também existe, mas não é suficiente segundo o autor para perturbar. A contra-informação só é eficaz quando se torna um ato de resistência. No caso do desfile de Jum Nakao, a contra-informação de moda apresentada é uma forma de resistir a própria moda. O desfile se aproxima aqui da arte e do atode resistência. Do ponto de vista que interessa a Deleuze a arte é aquilo que resiste, mesmo que não seja a única coisa que resiste. “Somente o ato de resistência resiste à morte, seja sob a forma de uma obra de arte, seja sob a forma de uma luta entre os homens.” (DELEUZE, 1999). Assim, nesse caso, o que resiste à moda não é somente o desfile das roupas de papel que foram rasgadas, os pedacinhos que foram levados pelos espectadores e o processo documentado, o que resiste é o conceito mostrado que exprime a resistência à moda capitalista. Jum Nakao, com o desfile que apresentou, fez apelo há um povo que ainda não existe. A moda, assim como a arte, contribui para a transformação do ser humano, podendo então, se tornar instrumento político. 4 CONCLUSÃO O abismo e a urgência de produzir um sentido convocou o estilista Jum Nakao a pensar a moda. Num primeiro momento, “A Costura do invisível” é a crítica ao sistema da moda, seu consumo exacerbado, o movimento de mudança constante e cada vez mais rápido. No entanto, essa crítica não é sua única intenção e é o que torna a análise deste desfile atemporal. . O desfile foi pensado como uma obra que leva ao extremo o conceito de efemeridade. O desejo é criado nas pessoas mas o estilista não às permite alcançálo. A destruição das peças acelera ainda mais o processo efêmero da moda. Porém, é nesse ato de criar que Jum Nakao se aproxima do status que a arte tem hoje, muito mais presa a ideias do que a formas. Ele não faz um desfile de moda, e sim um desfile sobre a moda, é muito mais que uma imagem, é uma forma de rompimento com os códigos pertinentes da moda e que estabelece um outro lugar que não o produto, fomentando rupturas desenhando uma nova configuração do possível. O documentário apresenta pontos de encontro entre o papel do designer de moda e do criador de Deleuze, a necessidade de criar faz o estilista refletir a moda, encontrar os conceitos a partir da ideia, o que proporciona encontros com outras disciplinas criadoras. O desfile resiste à doxa e trás uma contra informação que é efetiva no sentido de ser um ato de resistência. O trabalho do estilista se aproximainclusive da arte, por também resistir ao tempo. As roupas de papel se acabaram, mas, o apelo a um novo público foi feito. Resultam então experiências que perpassam tanto o plano social quanto o subjetivo, que firmam outros modos de fazer e pensar a moda atualmente. Referências AVELAR, S. Moda, Globalização e novas tecnologias. São Paulo: Estação das letras e cores, 2011. BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica. In: _____. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Obras Escolhidas, volume 1. São Paulo: Brasiliense, 1985. DELEUZE, Gilles. O ato de criação. Trad. José Marcos Macedo. Folha de São Paulo, Caderno Mais!, 27 de junho de 1999. NAKAO, Jum. A costura do invisível. Rio de Janeiro: Editora Senac Nacional; São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005. SOUZA, Gilda de Mello e. O espírito das roupas. São Paulo: Companhia das letras, 1987.