FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS DE CAMPOS GERAIS CURSO DE ENFERMAGEM BACHARELADO GLEISON VAGNER MARQUES REGINA RIBEIRO Exposição ocupacional a drogas antineoplásicas: condutas para uma manipulação segura Campos Gerais 2010 GLEISON VAGNER MARQUES REGINA RIBEIRO Exposição ocupacional a drogas antineoplásicas: condutas para uma manipulação segura Monografia apresentada ao Curso de Enfermagem Bacharelado da Faculdade de Ciências e Tecnologias de Campos Gerais como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Enfermagem. Orientadora: Profª Dra. Daniela Cristina Macedo Vieira Campos Gerais 2010 Ficha catalográfica Elaborada pela bibliotecária Ângela Cristina Pereira Caiafa CRB: 2422 M264 Marques,Gleison Vagner Exposição ocupacional a drogas antineoplásicas :condutas para uma manipulação segura.Gleison Vagner Marques./Regina Ribeiro. Campos Gerais: FACICA, 2010 39f. Trabalho de Conclusão de Curso(graduação)Faculdade de Ciencias e Tecnologias de Campos Gerais, Curso de Enfermagem. Orientadora: Daniela Cristina Macedo Vieira 1.Drogas antineoplásicas 2.Quimioterapia do cancêr 3.Risco ocupacional em ambiente hospitalar CDD:614 Exposição ocupacional a drogas antineoplásicas: condutas para uma manipulação segura GLEISON VAGNER MARQUES REGINA RIBEIRO Orientadora: Profª Dra. Daniela Cristina Macedo Vieira Monografia apresentada ao Curso de Enfermagem Bacharelado da Faculdade de Ciências e Tecnologias de Campos Gerais como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Enfermagem. Aprovada em: ___/___/_______. Banca Examinadora Profª. Dra. Daniela Cristina Macedo Vieira - Orientadora Faculdade de Ciências e Tecnologias de Campos Gerais - FACICA Prof. Noé D’Jalma de Araújo Faculdade de Ciências e Tecnologias de Campos Gerais - FACICA Prof. Ms. José Luiz Vieira Faculdade de Ciências e Tecnologias de Campos Gerais - FACICA Dedicamos às nossas famílias, aos colegas, professores e a todos que sempre estiveram ao nosso lado em todos os meus desafios e conquistas. Agradecimentos A Deus... Por me permitir participar dessa vitória! Aos meus pais Antônio e Lourdes, pelo esforço e dedicação de uma vida inteira! Aos familiares (irmãos, sobrinhos) e amigos pelo companheirismo. Aos professores pela jornada vivida durante estes quatro anos de curso. A minha orientadora Daniela e minha companheira de TCC, Regina... A todos, por participarem comigo desta vitória! Sem vocês não teria conseguido... Meu muito obrigado!!! Gleison Vagner Marques Agradeço somente a Deus por ter colocado no meu caminho pessoas como o prof. Noé que me deram uma amizade leal. À minha irmã Márcia e minha mãe Maria Inês por serem companheiras em todos os momentos difíceis que passei nos últimos meses. Agradeço ainda aos meus amigos Raquel e Antônio por terem me incentivado e apoiado em todos os momentos. E peço muito a Deus para continuar sempre iluminando o caminho da minha orientadora Daniela por todo apoio e confiança depositada em nós. Obrigada a todos!!! Regina Ribeiro “O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis”. JOSÉ DE ALENCAR RESUMO MARQUES, Gleison Vagner; RIBEIRO, Regina. Exposição ocupacional a drogas antineoplásicas: condutas para uma manipulação segura. Orientadora: Daniela Cristina Macedo Vieira. Campos Gerais: Faculdade de Enfermagem/FACICA, 2010. Monografia (Conclusão de Curso). 39 fls. O ambiente hospitalar propicia o desenvolvimento de diversos riscos à saúde do profissional e a enfermagem é a profissão que tem como essência o cuidado, portanto mantém um maior contato com o paciente e fica mais exposta a esses fatores. Na concepção de Venegas et. al. (1995), um dos riscos à saúde dos trabalhadores em ambiente hospitalar é a exposição a drogas antineoplásicas. Diante dessa discussão, a presente pesquisa tem como objeto a investigação sobre os riscos ocupacionais dos profissionais de saúde com relação à manipulação e administração destas drogas, além de investigar sobre os cuidados a serem tomados por estes profissionais para evitar danos à sua saúde. O objetivo geral desta pesquisa é discutir os efeitos danosos da exposição ocupacional às drogas antineoplásicas, à saúde do trabalhador da área de saúde, além de apresentar as condutas necessárias para a manipulação segura das mesmas. Frente ao objetivo do estudo, o levantamento bibliográfico consistiu de publicações nacionais. Foram realizadas buscas nos bancos de dados: LILACS, SCIELO, BDENF, MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde - Enfermagem – BVS e no Catálogo de Teses e Dissertações da Associação Brasileira de Enfermagem e Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem ABEn-CEPEn. Como descritores de assunto, palavras e títulos, foram utilizados os termos: drogas antineoplásicas, quimioterapia do câncer, risco ocupacional em ambiente hospitalar. De acordo com o discutido, considera-se que muitos podem ser os danos cumulativos decorrentes da exposição aos quimioterápicos antineoplásicos. Sendo que, muitos desses danos, podem ser irreversíveis a saúde dos trabalhadores. Além disso, é possível enfatizar que quando inseridas as práticas adequadas pelos enfermeiros durante a manipulação de antineoplásicos, observa-se uma diminuição do risco de contato direto das drogas e inalação de partículas aerossolizadas, melhorando a qualidade do trabalho. É possível concluir com a elaboração deste trabalho, que o processo de preparação, administração e descarte de drogas de risco podem colocar em exposição os profissionais de saúde a concentrações significantes dessas substâncias. O descarte de resíduos das drogas de risco deve ser feito obedecendo às normas adequadas. Segundo a pesquisa acima realizada é essencial a utilização de equipamentos de proteção por parte dos profissionais de saúde que manipulam medicamentos que propiciam riscos e danos à sua saúde. Os profissionais que utilizam os equipamentos de prevenção diminuem significativamente os riscos de contaminações. Palavras-chave: Drogas antineoplásicas. ocupacional em ambiente hospitalar. Quimioterapia do câncer. Risco ABSTRACT MARQUES, Gleison Vagner; RIBEIRO, Regina. Occupational exposure to antineoplastic drugs: procedures for safe handling. Advisor: Daniela Cristina Macedo Vieira. Campos Gerais: School of Nursing / FACICA, 2010. Monograph (Completion of course). 39 fls. The hospital environment conducive to the development of various health risks and the professional nursing is a profession that has the essence of care, thus maintaining greater contact with the patient and is more exposed to these factors. In the design of Venegas et. al. (1995), one of the health risks of workers in the hospital is exposure to antineoplastic drugs. Given this discussion, this research focuses the research on the occupational risks of health professionals regarding the handling and administration of these drugs in addition to investigate the care being taken by these professionals to prevent damage to your health. Given this discussion, this research focuses the research on the occupational risks of health professionals regarding the handling and administration of these drugs, and to investigate about the precautions to be taken by these professionals to prevent damage to your health. The objective of this research is to discuss the harmful effects of occupational exposure to antineoplastic drugs, to workers' health in the health field, and present the measures required for the safe handling of them. Faced with the aim of the study, the literature consisted of national publications. We performed searches in databases: LILACS, SCIELO, BDENF, MEDLINE, Virtual Health Library - Nursing - VHL and the Catalogue of Theses and Dissertations of the Brazilian Nursing Association and Center for Studies and Research in Nursing ABEn-CEPEn. As subject descriptors, words and titles were used terms: antineoplastic drugs, cancer chemotherapy, occupational hazard in hospitals. According to the discussion, it is considered that many may be the cumulative damage resulting from exposure to antineoplastic drugs. Since many such damage may be irreversible health workers. Moreover, it is possible to emphasize that when inserted the proper practices by nurses during the handling of antineoplastic agents, there is a decreased risk of direct contact and inhalation of drug particles aerosolized, improving the quality of work. It is possible to conclude with the preparation of this work, the process of preparation, administration and disposal of drugs can pose a risk of exposure to health care professionals to significant concentrations of these substances. The waste disposal of drugs of risk must be carried out according to appropriate standards. According to research carried out above it is essential to the use of protective equipment by health professionals who handle medicines that provide risk and damage to their health. Professionals who use the equipment to prevent significantly decrease the risk of contamination. Key-words: Antineoplastic drugs. Cancer chemotherapy. Occupational hazard in hospital. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO........................................................................................... 10 2 OBJETIVOS.............................................................................................. 12 2.1 OBJETIVO GERAL.................................................................................... 12 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS...................................................................... 12 3 REVISÃO DE LITERATURA..................................................................... 13 3.1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES SOBRE NEOPLASIA................................ 13 3.2 PRINCIPAIS DROGAS UTILIZADAS NA QUIMIOTERAPIA DO CÂNCER.................................................................................................... 3.3 RISCO OCUPACIONAL PARA PROFISSIONAIS QUE ATUAM COM DROGAS ANTINEOPLÁSICAS................................................................. 3.4 16 21 MEDIDAS DE SEGURANÇA NA MANIPULAÇÃO DE DROGAS ANTINEOPLÁSICAS................................................................................. 23 4 PERCURSO METODOLÓGICO................................................................ 27 4.1 NATUREZA DA REVISÃO DE LITERATURA........................................... 27 4.2 CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DOS ARTIGOS..................................... 28 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................ 29 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................... 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................... 38 10 1 INTRODUÇÃO Dentro os diversos ambientes de trabalho do profissional da enfermagem, o ambiente hospitalar ainda se constitui como sendo o ambiente de maior ocupação destes profissionais. A equipe de enfermagem em sua prevalência permanece a maior parte de sua vida produtiva dentro desse ambiente, muitas vezes em mais de um turno de trabalho, devido aos baixos salários (BULHÕES, 1998). A instituição hospitalar tem como principal missão a tarefa de recuperação da saúde das pessoas que se encontram enfermas, no entanto através de uma questão bastante contraditória, esta mesma instituição pode favorecer o adoecer das pessoas que nela trabalham. O enfermeiro enquanto cuidador e profissional inserido no ambiente hospitalar está intimamente envolvido e exposto aos riscos ocupacionais inerentes ao tratamento do paciente. Muitos são os riscos à saúde destas pessoas, estes riscos podem ser classificados dentro das seguintes categorias: riscos ergonômicos, psicossociais, físicos, biológicos e químicos (MARZIALE, 1999). Os riscos químicos podem provocar diversas reações, dependo de cada organização, da intensidade e do tempo da exposição a estes agentes, sendo que os mesmos podem provocar desde simples alergias até importantes neoplasias. Dentre os principais agentes encontrados, as drogas antineoplásicas são as que causam maior número de patologias de origem ocupacional na área hospitalar. Na concepção de Venegas et al (1995), um dos riscos à saúde dos trabalhadores em ambiente hospitalar é a exposição a drogas antineoplásicas. De acordo com esses autores as drogas antineoplásicas compõem uma classe de fámacos que compartilham no combate às neoplasias malignas, através da inibição da replicação celular e/ou morte das células em divisão. No entanto estas drogas trazem inúmeros efeitos colaterais, principalmente para os profissionais responsáveis pelo manejo e administração dessas drogas, de forma que se torna necessário que os profissionais sejam orientados sobre os riscos ocupacionais da manipulação desses fármacos e da necessidade de cuidados para minimizar estes riscos (VENEGAS et al., 1995). Diante dessa discussão, a presente pesquisa tem como objeto a investigação sobre os riscos ocupacionais dos profissionais de saúde com relação à manipulação 11 e administração destas drogas, além de investigar sobre os cuidados a serem tomados por estes profissionais para evitar danos à sua saúde. Diante de toda problemática que envolve a saúde do trabalhador, o presente trabalho traz como problema de pesquisa o seguinte questionamento: De que forma à exposição ocupacional às drogas anti-neoplásicas pode levar os trabalhadores de saúde, em especial os enfermeiros, aos riscos à sua saúde e quais as condutas de manipulação seguras para evitar esses danos? A hipótese deste trabalho é a de que uma manipulação correta dos fármacos antineoplásicos pode contribuir para a redução dos riscos que esses medicamentos podem provocar na saúde dos trabalhadores de saúde, principalmente dos enfermeiros. Por ser uma questão de saúde ocupacional do profissional da saúde em instituições hospitalares, essa pesquisa se justifica por questionar a necessidade de uma reflexão entre todos os membros da instituição hospitalar, na busca de uma mudança de postura e de um cuidado para que acidentes de trabalho, exposição à agentes danosos à saúde do trabalhados sejam cada dia menos frequentes. 12 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL - Descrever sobre os efeitos danosos da exposição ocupacional às drogas antineoplásicas à saúde do trabalhador da área de saúde, além de apresentar as condutas necessárias para a manipulação segura destas drogas. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Discorrer sobre as principais drogas utilizadas na quimioterapia do câncer; - Descrever sobre o risco ocupacional dos trabalhadores em ambientes hospitalares, principalmente dos profissionais que atuam diretamente com drogas antineoplásicas; - Pontuar as principais medidas de segurança para a manipulação correta dessas medicações, no sentido de promover condutas seguras para a manutenção da saúde ocupacional. 13 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES SOBRE NEOPLASIA O termo câncer tem sua originalidade no latim, cujo significado é caranguejo. Possui esse nome, pois as células doentes atacam e se infiltram nas células sadias como se fossem os tentáculos de um caranguejo (HIRATA, 2002). Neoplasia é o termo designado a um conjunto de mais de centenas de patologias que possui em comum o crescimento de maneira desordenada (maligna) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo se espalhar (metástase) para outras partes do corpo. É uma proliferação anormal do tecido que foge parcial ou totalmente ao controle do organismo e tende à autonomia e à perpetuação, com efeitos agressivos sobre o hospedeiro (BRASIL, 1995). O período de evolução desta patologia é bem longo, podendo, muitas vezes, levar anos para evoluir até ser descoberta. Atualmente, a maioria tem cura, desde que identificados num estágio inicial e tratados de forma correta. As últimas décadas têm envidado muitos esforços no sentido de desenvolver drogas extremamente eficazes para o tratamento de neoplasias. Atualmente, o tratamento do câncer compreende cada vez mais a quimioterapia combinada e, às vezes, em associação com outros métodos de tratamento (KOROLKOVAS; CARNEIRO, 2002). Tais fármacos são empregados com o objetivo de destruir as células tumorais, podendo agir direta ou indiretamente sobre elas. Segundo Hirata (2002), a forma primária de tratamento para algumas neoplasias se encontra no processo de quimioterapia. No momento em que uma quantidade de células susceptíveis é exposta a um agente antineoplásico apropriado, estas geralmente morrem seguindo uma cinética de primeira ordem, isto é, uma porcentagem constante de células é morta. Por isso a chance máxima de cura existe quando um número mínimo de células tumorais está presente. O objetivo do tratamento quimioterápico antineoplásico seria impedir que as células cancerosas se multiplicassem, invadissem estruturas, viessem a se metastatizar e, em última instância matar o hospedeiro (paciente). 14 O primeiro quimioterápico antineoplásico foi desenvolvido a partir do gás mostarda, usado nas duas Guerras Mundiais como arma química. Após a exposição de soldados a este agente, observou-se que eles desenvolveram hipoplasia medular e linfóide, o que levou ao seu uso no tratamento dos linfomas malignos. A partir da publicação, em 1946, dos estudos clínicos feitos com o gás mostarda e das observações sobre os efeitos do ácido fólico em crianças com leucemias, verificouse avanço crescente da quimioterapia antineoplásica. Atualmente, quimioterápicos mais ativos e menos tóxicos encontram-se disponíveis para uso na prática clínica. Os avanços verificados nas últimas décadas, na área da quimioterapia antineoplásica, têm facilitado consideravelmente a aplicação de outros tipos de tratamento de câncer e permitido maior número de curas (VENEGAS et. al., 1995). A utilização de antineoplásicos tem sido constante pelas suas propriedades terapêuticas; no entanto, tais substâncias apresentam efeitos mutagênicos, carcinogênicos e teratogênicos, os quais oferecem riscos aos trabalhadores que os manipulam, quando não são observadas medidas apropriadas de segurança. Citostáticos, gases anestésicos e agentes esterilizantes são alguns dos principais causadores de problemas relacionados à reprodução, como abortos e malformações congênitas em trabalhadoras expostas, confirmando a periculosidade da sua manipulação (XELEGATI et. al., 2006) Os primeiros estudos para o desenvolvimento de terapias antineoplásicas se iniciaram por volta do século XIX,onde descobriu-se a solução de Fowler (arsenito de potássio) por Lissauer, em 1865, e da toxina de Coley (associação de toxinas bacterianas), em 1890; porém, foi a partir da observação dos efeitos da explosão de um depósito de gás mostarda em Bari, Itália, em 1943, durante a Segunda Guerra mundial, e que ocasionou mielodepressão intensa e morte por hipoplasia de medula óssea entre soldados expostos, é que foi administrada em pacientes com linfoma de Hodgkin e leucemia crônica, em um projeto de pesquisa desenvolvido por farmacologistas do Pentágono; a partir de então, inúmeras pesquisas foram e vêm sendo desenvolvidas em ritmo acelerado, buscando-se ampliar o potencial de ação e reduzir a toxidade dessas drogas (BONASSA, 2005). Em consequência do alto grau de toxicidade e em particular da mutagenicidade e carcinogenicidade, tem sido objeto de muitas discussões os riscos decorrentes da exposição de profissionais de saúde responsáveis pela preparação e administração a longo prazo de fármacos antineoplásicos. Nas publicações 15 existentes, não há evidências definitivas da relação causal entre a exposição prolongada a baixos níveis de antineoplásicos na área de trabalho e a ocorrência de malignidades. No entanto, existem poucas evidências conclusivas de que tal exposição não seja danosa. A falta de evidências conclusivas exige a prudência dos profissionais envolvidos, devendo todos tomar medidas apropriadas. Nas décadas de 60 e 70, houveram várias publicações de artigos com envolvimentos de antineoplásicos com potencial de ocasionar malignidades e carcinogenicidade. Conforme Fonseca (2000), no fim da década de 70 e início da década de 80, começaram o surgimento de relatos não formais de efeitos colaterais e reações adversas em profissionais de enfermagem e farmacêuticos envolvidos na terapia antineoplásica. Dentre os mais comuns, destacam-se os de mutagenicidade, alterações da função imunológica e níveis sanguíneos ou urinário de fármacos antineoplásicos. Em conseqüência desses fatos, foram desenvolvidas diretrizes com a finalidade de reduzir a exposição ocupacional desses agentes pela Administração de Saúde e Segurança Ocupacional (OSHA), Sociedade Americana de Farmacêuticos Hospitalares (ASHP), Instituto Nacionais de Saúde (NIH) e pela Comissão Nacional de Estudo da Exposição a Citotóxicos (BONASSA, 2005). Ocorreu a publicação, na década de 90, de ensaios não controlados envolvendo poucos indivíduos, e em geral em uma única instituição. Em decorrência desses poucos estudos, não há limiar conhecido de segurança de exposição a esses fármacos, e tampouco foram desenvolvidas técnicas de monitoração confiáveis para avaliar a exposição, baseando-se no fato de que toda exposição é danosa e, portanto, deve ser evitada. As diretrizes e políticas institucionais de redução da exposição a materiais perigosos têm se apoiado na premissa de que a exposição ambiental acontece através de três formas: 1. Inalação da droga pulverizada ou de gotículas de aerosol; 2. Absorção através da pele; 3. Ingestão de bebidas ou alimentos contaminados. 16 O sucesso da prevenção de câncer se baseia na detecção precoce e na mudança de hábitos pessoais, procurando eliminar fatores causais do câncer. 3.2 PRINCIPAIS DROGAS UTILIZADAS NA QUIMIOTERAPIA DO CÂNCER Conforme a Revista Isto É (2002), em oposição à cirurgia e à radioterapia, o tratamento baseado em drogas é um tratamento que compreende “todo o corpo”. As fármacos anti-câncer são conduzidas pela circulação para todas as partes do corpo. Portanto, estas podem matar células cancerosas onde quer que elas se encontram. Fármacos, portanto, são particularmente úteis no tratamento de cânceres que se espalham do seu tumor original para outras partes do corpo ou quando há uma probabilidade significativa de que possam fazê-lo, embora não possa ser detectado. Há três razões segundo a Isto É (2002) para aplicação de drogas anticâncer: Tentativa de destruição do câncer, com o objetivo da cura completa. Tentativa de melhorar a probabilidade de cura, acabando com qualquer doença tecidual microscópica ocasionada após a cirurgia ou radioterapia, ou diminuindo o câncer suficientemente para facilitar ou tornar esses tratamentos mais bem-sucedidos. Tentativa de diminuição do câncer suficientemente para melhorar sintomas ou prolongar a vida. Segundo Bonassa (2005) há a existência de duas categorias principais de fármacos que são utilizadas para o tratamento das neoplasias: citotóxica e hormonal (endócrina). O tratamento com fármaco citotóxico (envenenamento da célula) é comumente chamada de quimioterapia. Frequentemente, a quimioterapia tem um efeito significativo em células normais, bem como em células cancerosas, que potencialmente resultam em uma variedade de efeitos colaterais. Ao contrário, tratamentos hormonais são muito mais “gentis”. No entanto, a quimioterapia é ativa contra uma variedade mais ampla de cânceres do que o tratamento hormonal e também tendem a agir mais rapidamente. Pessoas diferentes com o mesmo tipo de 17 câncer responderão de maneira muito diferente ao mesmo tratamento, independentemente de ser hormonal ou citotóxico. O processo de quimioterapia é a forma que mais faz uso de compostos químicos, definidos como quimioterápicos, no tratamento de patologias ocasionadas por agentes biológicos. Quando utilizada ao câncer, a quimioterapia é definida de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica (BRASIL, 1993). O desenvolvimento do primeiro quimioterápico antineoplásico aconteceu no período das duas Guerras Mundiais, onde o principal composto foi o gás mostarda, que era utilizado como arma química. Posteriormente a exposição de soldados a este agente, foi observada que ocorria o desenvolvimento de hipoplasia medular e linfóide, o que ocasionava ao seu uso no tratamento dos linfomas malignos. A partir da publicação, em 1946, dos estudos clínicos feitos com o gás mostarda e das observações sobre os efeitos do ácido fólico em crianças com leucemias, verificouse avanço crescente da quimioterapia antineoplásica. Atualmente, quimioterápicos mais ativos e menos tóxicos encontram-se disponíveis para uso na prática clínica. Os avanços verificados nas últimas décadas, na área da quimioterapia antineoplásica, têm facilitado consideravelmente a aplicação de outros tipos de tratamento de câncer e permitido maior número de curas. O uso dos agentes no tratamento do câncer afetava tanto as células normais como as cancerígenas, no entanto eles ocasionavam um dano maior às células malignas do que às dos tecidos normais, devido às diferenças quantitativas entre os processos metabólicos dessas duas populações celulares. Os citotóxicos não são letais às células neoplásicas de modo seletivo. As diferenças existentes entre o crescimento das células malignas e os das células normais e as pequenas diferenças bioquímicas verificadas entre elas provavelmente se combinam para produzir seus efeitos específicos (BRASIL, 1995). O material genético das células, ou seja o ADN, atua modelando as formas específicas de ARN transportador, ARN ribossômico e ARN mensageiro e, desta maneira, influencia na determinação de qual enzima irá ser produzida pela célula. As enzimas são responsáveis pela maioria das funções celulares, e a interferência nesses processos irá afetar a função e a proliferação tanto das células normais como das neoplásicas. A maioria das drogas utilizadas na quimioterapia antineoplásica interfere de algum modo nesse mecanismo celular, e a melhor compreensão do ciclo celular normal levou à definição clara dos mecanismos de 18 ação da maioria das drogas. Segue a classificação dos quimioterápicos conforme a sua atuação sobre o ciclo celular em: -Ciclo-inespecíficos - Aqueles que possuem sua atuação nas células que estão ou não no ciclo proliferativo. -Ciclo-específicos - Os quimioterápicos que possuem sua atuação somente nas células que se encontram em proliferação. -Fase-específicos - Aqueles que possuem sua atuação em determinadas fases do ciclo celular. Conforme Campos e colaboradores (2004), o processo de quimioterapia pode ser realizado com a aplicação de um ou mais quimioterápicos. A utilização de drogas isoladas (monoquimioterapia) apresentou-se sem eficiência em provocar respostas completas ou parciais significativas, na maioria dos tumores, sendo atualmente de uso muito restrito. Com seu grau de eficiência comprovada, a poliquimioterapia apresenta como objetivos, o acometimento de populações de células em distintas etapas do ciclo celular, fazendo uso da ação sinérgica das drogas, diminuindo o desenvolvimento de resistência às drogas e promovendo maior resposta por dose administrada. A quimioterapia pode ser utilizada em combinação com a cirurgia e a radioterapia. De acordo com as suas finalidades, a quimioterapia é classificada em: - Curativa: quando é utilizada com a finalidade de se alcançar o completo controle do tumor, como nos casos de doença de Hodgkin, leucemias agudas, e outros tumores. - Adjuvante: quando é seguido de cirurgia curativa, tendo a finalidade de destruir com as células residuais locais ou circulantes, reduzindo a incidência de metástases à distância. Exemplo: quimioterapia adjuvante aplicada em caso de câncer de mama operado em estádio II. - Neoadjuvante ou prévia: sua indicação se dá para obtenção da diminuição parcial do tumor, objetivando a permissão de uma complementação terapêutica com a cirurgia e/ou radioterapia. Exemplo: quimioterapia pré-operatória aplicada em caso de sarcomas de partes moles e ósseos. Paliativa – seu objetivo não é curativo. Utilizada com a finalidade de melhorar a qualidade da sobrevida do paciente. É o caso da quimioterapia indicada para carcinoma indiferenciado de células pequenas do pulmão. 19 Novas drogas estão sendo permanentemente isoladas e aplicadas experimentalmente em modelos animais antes de serem usadas no homem. De acordo com Bonassa (2005), as principais drogas utilizadas nessas quimioterapias podem ser dividas nos grupos descritos a seguir: agentes alquilantes, antimetabólitos, antibióticos antitumorais, plantas alcalóides, agentes múltiplos, hormônios e antagonistas hormonais. Os agentes alquilantes são compostos que possuem a capacidade de substituição em outra molécula de um átomo de hidrogênio por um radical alquil. Eles realizam a ligação ao ADN de maneira que impedem a separação dos dois filamentos do ADN na dupla hélice espiralar, fenômeno este indispensável para a replicação. Os alquilantes afetam as células em todas as fases do ciclo celular de modo inespecífico. Apesar de mostrarem uma ótima função como agentes isolados para várias formas de câncer, eles raramente processam efeito clínico ótimo sem a combinação com outros agentes fase-específicos do ciclo celular. As principais drogas empregadas dessa categoria incluem a mostarda nitrogenada, a mostarda fenil-alanina, a ciclofosfamida, o bussulfam, as nitrosuréias, a cisplatina e o seu análago carboplatina, e a ifosfamida (FONSECA, 2000). Os antimetabólitos apresentam suas ações nas células reduzindo a síntese biológica dos componentes que se apresentam como de grande essência do ADN e do ARN. Desta forma, levam ao impedimento da multiplicação e funções normais da célula. Esta inibição da biossíntese pode ser dirigida às purinas (como é a ação dos quimioterápicos 6-mercaptopurina e 6-tioguanina), à produção de ácido timidílico (5fluoruracil e metotrexato) e a outras etapas da síntese de ácidos nucléicos (citosinaarabinosídeo C). Os antimetabólitos são particularmente ativos contra células que se encontram na fase de síntese do ciclo celular (fase S). A duração da vida das células tumorais suscetíveis determina a média de destruição destas células, as quais são impedidas de entrar em mitose pela ação dos agentes metabólicos que atuam na fase S. Como podem ser visualizadas, as diferenças entre a cinética celular de cada tipo de tumor pode ter considerável efeito na clínica, tanto na indicação quanto no esquema de administração desses agentes. Os antibióticos são definidos como substâncias que apresentam variações em suas estruturas químicas, e que, apesar de apresentarem uma interação com o ADN e inibirem a síntese deste ácido ou de proteínas, não mostra nenhuma atuação específica sobre uma determinada fase do ciclo celular. Apesar de apresentarem tal 20 variação, possuem em comum anéis insaturados que permitem a incorporação de excesso de elétrons e a consequente produção de radicais livres reativos. Podem apresentar outro grupo funcional que lhes acrescenta novos mecanismos de ação, como alquilação (mitomicina C), inibição enzimática (actinomicina D e mitramicina) ou inibição da função do ADN por intercalação (bleomicina, daunorrubicina, actinomicina D e adriamicina e seus análogos mitroxantona e epirrubicina). Como todos os quimioterápicos, os antibióticos atuam tanto sobre as células normais como sobre as malignas. Por isso, também apresentam efeitos colaterais indesejáveis. Segundo Hirata (2002), com relação aos inibidores mitóticos, em consequência de sua atuação sobre a proteína tubulina (proteína formadora dos microtúbulos que formam o fuso espiralar, pelo qual migram os cromossomos), estes têm o poder de paralisar o processo de mitose na metáfase. Desta forma, durante a metáfase, os cromossomos, permanecem impedidos de migrar, acontecendo a interrupção da divisão celular. Esta função tem sido útil na "sincronização" das células quando os inibidores mitóticos são combinados com agentes específicos da fase S do ciclo. Devido ao seu modo de ação específico, os inibidores mitóticos devem ser associados a outros agentes para maior efetividade da quimioterapia. Neste grupo de drogas estão incluídos os alcalóides da vinca rósea (vincristina, vimblastina e vindesina) e os derivados da podofilotoxina (o VP-l6, etoposídeo; e o VM-26, teniposídeo). Há ainda a existência de drogas que ficam impossibilitadas de serem colocadas em grupos de uma determinada classe de ação farmacológica. Dentre estas, aparecem a dacarbazina, utilizada no tratamento do melanoma avançado, sarcomas de partes moles e linfomas; a procarbazina, cujo mecanismo de ação não foi ainda completamente explicado, e que é usada no tratamento da doença de Hodgkin; a L-asparaginase, que hidrolisa a L-asparagina e impede a síntese protéica, utilizada no tratamento da leucemia linfocítica aguda. É preciso frisar que a quimioterapia antineoplásica necessita, por seu grau de complexidade, profissional com a devida capacitação para a sua indicação e aplicação. Ela necessita ser utilizada e supervisionada por especialista bem treinado nas áreas da oncologia médica e/ou pediátrica e que disponha de condições físicas e materiais adequadas para a sua administração. É necessário que o oncologista clínico mantenha-se atualizado com o constante lançamento, no mercado, de novas drogas para uso em oncologia. 21 3.3 RISCO OCUPACIONAL PARA PROFISSIONAIS QUE ATUAM COM DROGAS ANTINEOPLÁSICAS Os efeitos patológicos da exposição à drogas antineoplásicas contínuo variam desde efeitos simples como: cefaléia, vertigens, tonturas, queda de cabelo, hiperpigmentação cutânea e vômitos até mais complexos como: carcinogênese, efeitos mutagênicos e teratogênicos, que podem ser observados em trabalhadores que preparam e administram antineoplásicos sem proteção coletiva ou individual, o que resulta em absorção considerável, sendo tais efeitos comparados àqueles apresentados por pacientes em tratamento com essas substâncias (MARTINS; ROSA, 2004). A teratogenicidade também é outro fator proveniente da exposição à agentes nocivos. Os efeitos teratogênicos da exposição às drogas antineoplásicas são alterações morfofisiológicas sobre o aparelho reprodutivo, sobre a fertilidade e a ocorrência de más formações congênitas no feto (SMELTEZER; BARE, 2005). O processo de manipulação de antineoplásicos envolve também, os mais diferentes aspectos do processo de preparação das drogas citotóxicas, desde o transporte, passando pelo momento da administração no paciente, até o seu descarte final. O possível risco laboral pressuposto e as graves consequências que podem produzir a manipulação de antineoplásicos fazem com que seja imprescindível adotar medidas que ajudem a reduzir esta exposição e a garantir condições melhores de trabalho. Neste sentido, Martins (2004), considera que a atuação de prevenção é a mais adequada. Muitas recomendações de segurança são publicadas com foco no uso de equipamentos de segurança na manipulação de antineoplásicos. A visão atual é a de que esse uso deve ser acompanhado de medidas educacionais, preventivas, administrativas e até de infraestrutura, pois, mesmo com o uso desses equipamentos já existem relatos de detecção de contaminação na superfície dos frascos dos medicamentos, na parte externa do fluxo laminar e até em pontos distantes do local de preparação. Em virtude da exposição dos profissionais a essas drogas é necessária a adoção de medidas de segurança para manipulá-las, quer seja no preparo, administração, descarte ou manuseio de excretas dos pacientes. Embora existam 22 recomendações e normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Enfermagem, órgão que regulamenta a prática da Enfermagem no Brasil e pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), muitos profissionais de Enfermagem não adotam as medidas necessárias para o manuseio e preparo de quimioterápicos, o que lhes pode ocasionar sérios problemas de saúde (BONASSA, 2005). Toda a equipe de atendimento nas unidades de quimioterapia fica exposta aos riscos de contaminação pela exposição a esses agentes. Devido ao processo de administração e o processo de descarte dos produtos quimioterápicos, o enfermeiro passa por um maior processo de exposição a estes produtos. E sua equipe fica exposta também durante a manipulação de urina, fezes e outros fluídos corporais, já que a contaminação ocorre por inalação da droga aerossolizada, por meio da via respiratória, por contato direto da pele e mucosas ou pela via digestiva através de alimentos e medicamentos contaminados pelos fármacos (BONASSA, 2005). A utilização de antineoplásicos tem sido constante pelas suas propriedades terapêuticas; no entanto, tais substâncias apresentam efeitos mutagênicos, carcinogênicos e teratogênicos, os quais oferecem riscos aos trabalhadores que os manipulam, quando não são observadas medidas apropriadas de segurança. Citostáticos, gases anestésicos e agentes esterilizantes são alguns dos principais causadores de problemas relacionados à reprodução, como abortos e malformações congênitas em trabalhadoras expostas, confirmando a periculosidade da sua manipulação (XELEGATI et.al., 2006, p.2). Segundo Portal da Educação (2010), no processo de manipulação de antineoplásicos, em específico na preparação, existem inúmeras checagens que deverão ser realizadas. Isto inclui uma checagem na montagem dos materiais que serão usados, uma checagem dos cálculos de dose e volume e uma checagem final do produto acabado, incluindo produtos e volumes usados e etiquetados. As condições de armazenamento e as datas de validade de todos os componentes devem ser averiguadas. Uma checagem do cálculo de volume deve ser realizada e o farmacêutico deverá realizar a conferência de que todos os componentes utilizados eram adequados. Uma inspeção visual do produto final deverá ser efetuada, inspecionando quaisquer partículas. As etiquetas deverão conter: nome do paciente, número de registro no hospital, droga, dose, volume de soro, tempo de administração, data da preparação, data de validade, condições de armazenamento, observações e assinatura do manipulador. 23 Para que diminua tal situação percebe-se que é necessária uma educação permanente dos profissionais, além do monitoramento nas instituições, explicitando as medidas de segurança ideais para a diminuição dos riscos ocupacionais, especificamente os químicos e seus efeitos adversos à saúde. Sendo assim é fundamental que se defina e revise, periodicamente, as normas e os procedimentos sobre o uso dos agentes antineoplásicos em conjunto com os trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente nesta exposição (MARTINS; ROSA, 2004). Portanto, é fundamental que todos os profissionais envolvidos no cuidado sejam adequadamente treinados, informados e supervisionados no cumprimento das medidas de proteção disponíveis. Recursos humanos insuficientes, falta de estímulo, estresse, salários reduzidos, desconhecimento e carga horária extensa foram apontados como as principais causas para a não utilização dos equipamentos de proteção individual (MONTEIRO et al, 1999). Em relação aos profissionais que manipulam antineoplásicos, a literatura evidencia casos de aparecimento de tumores secundários e de maiores chances de aparecimento de câncer, mutagenicidade, alterações genéticas e efeitos colaterais nesses trabalhadores. Dentre os danos, estão descritos alterações no ciclo menstrual, ocorrência de aborto, malformações congênitas e danos no DNA (ácido desoxirribonucléico) em profissionais que manipulam antineoplásicos (ROCHA; MARZIALE; ROBAZZI, 2004, p. 1). Vale ressaltar que a RDC 220/04 recomenda a utilização de vários dos equipamentos de proteção individual e coletivo citados. Porém, a área de oncologia no Brasil carece ainda de diretrizes relativas ao preparo de antineoplásicos. 3.4 MEDIDAS DE ANTINEOPLÁSICAS SEGURANÇA NA MANIPULAÇÃO DE DROGAS O desenvolvimento do câncer e seu processo ocorrem de forma gradativa. Muitas vezes, uma célula cancerosa demora anos para se proliferar e desenvolver tumores aparentes. Esse processo passa por vários estágios antes de chegar ao tumor. São eles: estágio de iniciação, promoção e progressão. Os efeitos mutagênicos são agentes físicos, químicos ou biológicos que, em exposição às células, podem causar mutação, ou seja, um dano na molécula de DNA que não é 24 reparado no momento da replicação celular, e é passado para as gerações seguintes (BONASSA, 2005). Segundo Marziale (1999), em consequências dos riscos e complexidades que abrangem o preparo e a administração de quimioterápicos antineoplásicos, é disposto na Resolução CFF 288/1996 e na Resolução COFEn 210/1998, respectivamente, que é de competência do farmacêutico o preparo de drogas antineoplásicas e de competência do enfermeiro a administração desses agentes conforme farmacocinética da droga e protocolo terapêutico. É necessária, durante o procedimento de preparo, a realização pelos enfermeiros do descarte de materiais perfurocortantes em vasilhas com paredes rígidas e fechadas, colocados no interior da câmara de fluxo laminar; o material nãocortante deverá ser colocado em uma lixeira, a qual necessita de tampa e saco tipo branco-leitosos e contendo símbolo de material infectante, práticas que corroboram as determinações do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Posteriormente a administração de antineoplásicos, é necessário que haja o descarte de materiais não-cortantes nas lixeiras dos quartos dos pacientes (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1995). Relacionado à utilização de EPI durante o descarte, é necessário o uso de luvas e aventais de tecido, como também do uso de óculos, sendo estas, práticas consideradas como redutoras dos riscos de contaminação. Bonassa e Santana (2005) apresentam resumidamente algumas das recomendações da Organização Administrativa de Segurança e Saúde (OSHA), com relação às normas técnicas e condutas de enfermagem durante a administração de quimioterápicos antineoplásicos, dentre elas, abordam sobre a utilização dos EPIs que o enfermeiro deve utilizar ao manusear (administrar) quimioterápicos antineoplásicos, tais como: avental de mangas longas, punhos ajustados, fechado frontalmente, preferêncialmente descartável. Se de tecido, trocar a cada utilização; recomenda-se o uso de luvas não entalcadas, com espessura entre 0, 007 a 0, 009 polegadas, longas (cobrindo os punhos); utilização de óculos de proteção e/ou protetores faciais; e uso de máscaras protetoras de aerossóis. Atualmente, através da Resolução COFEn 257/2001, o Conselho Federal de Enfermagem reafirma a competência ao enfermeiro da administração de drogas antineoplásicas e estabelece que o preparo desses agentes somente poderá ser executado pelo enfermeiro na ausência do farmacêutico. A mesma resolução 25 estabelece que técnicos e auxiliares de enfermagem não poderão assumir o preparo de agentes antineoplásicos sob hipótese alguma (BONASSA, 2000). Como forma de proteger a saúde do trabalhador, uma das medidas para essa transformação pode ser a realização de um processo de educação permanente dos profissionais, além do monitoramento nas instituições, explicitando as medidas de segurança ideais para a diminuição dos riscos ocupacionais, especificamente os químicos e seus efeitos adversos à saúde. Sendo assim é fundamental que se defina e revise, periodicamente, as normas e os procedimentos sobre o uso dos agentes antineoplásicos em conjunto com os trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente nesta exposição (MARTINS; ROSA, 2004). Para proteger o trabalhador durante o manuseio de quimioterápicos e de excretas de pacientes submetidos a quimioterapia, é considerada essencial a adoção de medidas, como a utilização de câmaras de fluxo laminar vertical para o preparo de antineoplásicos e o uso de EPI corretamente, nas diversas atividades que envolvem a manipulação de quimioterápicos (ROCHA; MARZIALE; ROBAZZI, 2004). Pesquisas vêm tentando realizar uma avaliação de forma indireta do potencial de exposição de profissionais em centros de saúde e as recomendações existentes pendem para o uso de barreiras físicas como meio primário para diminuir a exposição, dentre as quais as mais comumente utilizadas (ROCHA; MARZIALE; ROBAZZI, 2004) são: a) Separação: A manipulação destes é realizada com frequência em áreas reservadas somente para a preparação de agentes antineoplásicos. b) Cabines de segurança biológica: utilização de cabina de segurança biológica. c) Roupas de proteção: uso obrigatório de acessórios de proteção como luvas, aventais, óculos, máscaras e roupas especiais. d) Educação continuada: deve ser realizado para todo profissional envolvido com a preparação e administração de agentes antineoplásicos um treinamento inicial e contínuo para que esteja habilitado ao manuseio da terapia antineoplásica e) Monitoração periódica do estado de saúde: realização de exames sanguíneos e de urina para avaliação da exposição a agentes antineoplásicos. f) Monitoração das condições de trabalho: realização de uma avaliação, em cabine de preparação, dos níveis de agentes transportados pelo ar e da 26 contaminação de superfícies. Ralatam-se menções adicionais às técnicas de utilização de luz ultravioleta para detectar derramamentos ocultos de drogas e avaliar a técnica de manuseio. De frente a afirmativa anterior, fica constatado de que toda a equipe e os enfermeiros, precisam se unir para que se cumpra a obrigatoriedade da exigência das formas de proteção por meio do uso dos EPI’s bem como o correto descarte desses materiais, além da conscientização dos trabalhadores deste setor para a proteção individual frente aos riscos a que estão submetidos durante sua jornada de trabalho. Assim sendo, na concepção de Rocha, Marziale e Robazzi (2004), é necessário que os riscos a que estes profissionais estão expostos sejam discutidos de uma forma que se pense em trabalho de capacitação para a manipulação correta destas drogas. Pois, os trabalhadores de enfermagem que manipulam drogas citostáticas devem estar devidamente qualificados, preparados e cientes dos riscos, das precauções e das adequações nos procedimentos técnicos envolvidos no preparo e administração dessas substâncias e descarte de materiais, para que a prática de trabalho se torne mais segura. 27 4 PERCURSO METODOLÓGICO 4.1 NATUREZA DA REVISÃO DE LITERATURA Esta pesquisa situa-se na área da Enfermagem e Medicina do Trabalho, além de ser um tema importante a ser debatido em Saúde Pública, que investiga informações já contidas nos manuais do Ministério da Saúde (OMS e outros), em artigos científicos disponíveis em sites de pesquisa e de revistas científicas, obras literárias. A abordagem do tema será feita através de análises de textos, documentos, artigos e análise de autores de literaturas impressas e do meio eletrônico (com validação científica), pelos quais portam o respaldo de revistas científicas. A escolha pela realização de uma revisão integrativa da literatura justifica-se pelo fato desse método de pesquisa permitir a análise de estudos científicos de forma sistemática e ampla, o que viabiliza a caracterização do conhecimento produzido sobre o tema, conforme proposto pelo objetivo do estudo. A revisão de literatura fornece a base que dá sustentação para um problema de pesquisa e método científico a ser utilizado no desenvolvimento do estudo. Restringe-se aos estudos que são diretamente relevantes para o propósito da pesquisa. A metodologia será abordada de forma interdisciplinar, rompendo a fragmentação dos conhecimentos transmitidos pelos conteúdos prontos e acabados. A pesquisa será de cunho descritivo, baseada em estudo exploratório e análise bibliográfica da literatura especializada. De acordo com Gil (2007), a pesquisa descritiva tem como objetivo principal a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relação entre variáveis. A investigação exploratória, para Gil (2007), permite ao investigador aumentar sua experiência em torno de determinado problema, podendo ser descritiva quando observa, registra, analisa e correlaciona fatos com os fenômenos sem manipulá-los. Afirma Trivinõs (1994, p. 110) que “os estudos descritivos exigem do pesquisador 28 uma série de informações sobre o que se deseja pesquisar, pois pretende descrever com exatidão os fatos e fenômenos de determinada realidade”. 4.2 CRITÉRIOS PARA A SELEÇÃO DOS ARTIGOS Frente ao objetivo do estudo, o levantamento bibliográfico consistiu de publicações nacionais. Foram realizadas buscas nos bancos de dados: LILACS, SCIELO, BDENF, MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde - Enfermagem – BVS e no Catálogo de Teses e Dissertações da Associação Brasileira de Enfermagem e Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem ABEn-CEPEn. Como descritores de assunto, palavras e títulos, foram utilizados os termos: drogas antineoplásicas, quimioterapia do câncer, risco ocupacional em ambiente hospitalar. A seguir apresentam-se os critérios para seleção da amostra: Foram considerados apenas os artigos publicados em periódicos nacionais; Somente os artigos disponibilizados com texto completo foram incorporados neste estudo; Artigos que respondessen ao que foi proposto nos objetivos deste estudo; Periódicos indexados no banco de dados SCIELO e BDENF; Artigos publicados até o ano de 2010. Não se limitando à busca por período já que se tem o interesse de realizar uma revisão bibliográfica do mais completo possível; e, Todos os artigos independentes do método de pesquisa utilizados. Os critérios de exclusão para a pesquisa teórica foram: textos não encontrados na íntegra, escritos em língua estrangeira, aqueles encontrados em banco de dados não confiáveis e, aqueles que não abordem a temática proposta. Após a seleção foi realizado o fichamento do material, que permitiu reunir as informações necessárias e úteis à elaboração do texto. Posteriormente, foi realizada a classificação, a análise, a interpretação e a elaboração textual sobre as informações coletadas. 29 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO Este estudo teve como proposta, nos limites de realização de um trabalho acadêmico, trazer contribuições no sentido de ampliar o conhecimento relacionado aos efeitos danosos da exposição ocupacional às drogas antineoplásicas à saúde do trabalhador da área de saúde, além de apresentar as condutas necessárias para a manipulação segura destas drogas, na possibilidade de estruturar um conjunto de informações que possam contribuir nas informações a respeito de ações que colaborem para medidas de promoção de agravos. Após a leitura fluente das publicações relacionadas a temática desse estudo conseguiu-se identificar os principais autores que retrataram temáticas relacionadas às drogas antineoplásicas e a necessidade de condutas seguras com relação a elas. Na busca de literaturas especializadas, foram encontradas 85.007 publicações documentos relacionados ao tema proposto. Foi realizada então uma contextualização das publicações segundo os descritores da temática. De acordo com essa seleção foi possível elaborar o seguinte quadro: TABELA 1- Distribuição do número de publicações por banco de dados e descritores: BANCO DE DADOS Drogas antineoplásicas Quimioterapia do câncer Risco ocupacional em ambiente hospitalar 82 1.428 49 17.390 66.976 168 SCIELO 7 121 4 BDENF 3 49 10 TOTAL 17.482 67.294 231 LILACS MEDLINE Das publicações encontradas, pode-se melhor demonstrá-las no gráfico 1 que possibilita a visualização do número e de publicações encontradas de acordo com os bancos de dados selecionados. 30 GRÁFICO 1- Disposição gráfica dos descritores conforme o número de publicações encontradas nos bancos de dados: De acordo com os descritores apresentados, a seguir serão discutidos cada um deles. TEMA 1: Drogas antineoplásicas De acordo com Bonassa (2000), os quimioterápicos antineoplásicos, são considerados como drogas usadas no tratamento do câncer, e sua utilização tem elevado consideravelmente nos últimos anos, em conseqüência de suas propriedades terapêuticas. Estas drogas têm como objetivo a cura, melhora da sobrevida, bem como a promoção do efeito paliativo. A maior parte dos agentes quimioterápicos antineoplásicos é de natureza tóxica e sua administração exige grande cuidado e habilidade. Cometer um erro durante o manuseio ou na administração de um desses medicamentos pode levar a efeitos tóxicos graves, não apenas para o cliente, mas também para o profissional que prepara e administra estes medicamentos (FONSECA, 2000). 31 Segundo Gomes (1999), o uso das drogas antineoplásicas tem proporcionado aumento da sobrevida dos pacientes portadores de neoplasias diversas. Sabe-se, no entanto, que a exposição mais prolongada a essas drogas aumenta o risco de efeitos colaterais em diferentes órgãos e tecidos. Seu uso está sendo realizado de forma crescente no meio hospitalar em consequência dos promissores resultados obtido no tratamento de neoplasias. As açöes desejadas destas drogas, principalmente suas capacidades citotóxica/citostática e imunomoduladora são conseguidas à custa de efeitos colaterais frequentemente severos (VENEGAS et. al., 1995). No entanto, seus efeitos mutagênicos, carcinogênicos e teratogênicos podem oferecer riscos para os profissionais que os manipulam, quando medidas de segurança não são adotadas (BONASSA, 2000). Por este fato, os enfermeiros necessitam possuir além de habilidades psicomotoras, o conhecimento científico sobre a ação dos agentes quimioterápicos e o preparo do cliente, bem como estar assegurado de equipamentos de proteção individual que atendam as exigências para a administração de quimioterápicos antineoplásicos. Além disso, o enfermeiro deve ter conhecimento, à respeito da velocidade de aplicação, efeitos colaterais, toxicidade dermatológica e cuidados de enfermagem (ADAMI, 2001). A todo o momento, novos medicamentos estão sendo colocados à disposição dos oncologistas objetivando à diminuição da toxicidade dos quimioterápicos, à manutenção da quimioterapia (fatores de crescimento hematopoético e antieméticos, por exemplo), e a intensificação dos quimioterápicos (ácido folínico, por exemplo). O transplante de medula óssea também tem permitido superar o problema da toxicidade hematológica da quimioterapia como fator limitante do tratamento, a par de consitutuir-se ele próprio em um método terapêutico de doenças hematológicas. É preciso salientar, porém, que a maioria desses medicamentos e métodos tem se mostrado inacessível à maioria dos pacientes, mais por seus custos do que por sua disponibilidade (comercial, institucional ou de doadores de órgãos); além do que eles também se acompanham de efeitos tardios ainda não totalmente conhecidos nem bem controlados. 32 TEMA 2: Quimioterapia do câncer O câncer é considerado um importante problema de saúde pública tanto em países desenvolvidos como para os em desenvolvimento. É responsável por mais de 6 milhões de óbitos a cada ano, ou seja, cerca de 12% de todas as causas de morte no mundo. Estimativas afirmam que para 2008, no Brasil, surgiram um total de 466.730 casos novos da doença, sendo que, aproximadamente 16,92% acometeram a região Sudeste e 50,33% a população feminina brasileira. Há a existência de várias formas de tratamento para esta patologia, como por exemplo: cirúrgica, radioterapia, quimioterapia e terapia com agentes biológicos. No entanto neste capítulo será dado um maior enfoque para o processo de quimioterapia (BONASSA; SANTANA, 2005). Segundo Silva (2007), a quimioterapia é o método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica. De acordo com Araújo e Rosas (2008), os primeiros registros de utilização de quimioterápicos com atividade antitumoral são apresentados por volta dos de 1950 e atualmente, a quimioterapia é considerada a principal modalidade de tratamento de muitos tumores, mesmo que avançados. O uso de agentes químicos, isolados ou em combinação, com a finalidade de tratar tumores malignos, tem-se tornado uma das mais importantes e promissoras maneiras de se combater as neoplasias. O mecanismo de ação dessas drogas se constitui basicamente em interferir no processo de crescimento e divisão celular, destruindo dessa forma, células tumorais. É preciso dar ênfase à vantagem de começar um processo de quimioterapia quando a população tumoral ainda é pequena, a fração de crescimento é grande e a probabilidade de resistência por parte das células com potencial mutagênico é mínima. Estas são as condições ideais para se proceder à quimioterapia adjuvante. As toxidades e/ou os efeitos colaterais provenientes do processo de quimioterapia está relacionado à não-especificidade, ou seja, essas drogas não afetam em exclusivo as células que contém os tumores, mas também, aquelas 33 normais que possuem características semelhantes. Tais efeitos remetem à toxicidade hematológica, toxicidade gastrintestinal, cardiotoxicidade, hepatotoxicidade, toxicidade pulmonar, neurotoxicidade, disfunção reprodutiva, toxicidade vesical e renal, alterações metabólicas, toxicidade dermatológica, reações alérgicas, anafilaxias e fadiga (FERNANDES JÚNIOR, 2000). Conforme Fonseca (2000), outros efeitos a curto prazo também apresentados por esta patologia são: alopécia, náuseas, adinamia e maior risco de infecção, além de outros a longo prazo, como disfunção cardíaca e mielodisplasia. Embora estes efeitos colaterais sejam freqüentemente bem controlados por medicações administradas em conjunto com as sessões de quimioterapia, se não forem corretamente abordados podem acarretar uma piora importante da qualidade de vida do paciente. No entanto, ao ser realizada a prescrição da quimioterapia para pacientes com neoplasias, é necessário a ponderação de seus benefícios e malefícios, levando-se sempre em consideração as opiniões e as vontades das pacientes. De acordo com Johnson e Johnson (1997), a identificação correta e oportuna dos problemas dos pacientes, decorrentes da quimioterapia antineoplásica, e a implementação de ações direcionadas ao alcance de resultados nas esferas biológica, psicossocial e psicoespiritual, são essenciais para o manejo efetivo dos efeitos colaterais desse tratamento. Este ato torna-se ainda mais importante quando se trata de uma segunda quimioterapia pela qual a paciente passa, como por exemplo, em casos de recidivas, já que o valor mais ou menos traumatizante atribuído à experiência varia de acordo com a vivência e crenças pessoais de cada paciente, influenciando muito na decisão de aceitar ou não esse segundo tratamento. Porém, há poucas pesquisas na literatura que avaliam a opinião da paciente com câncer a respeito desta situação e qual o benefício mínimo necessário para que ela aceite uma nova quimioterapia (BRASIL, 1993). Segundo Adami e colaboradores (1997), também é importante que o profissional de saúde procure o aperfeiçoamento de suas competências e habilidades pedagógicas para que possa ser proporcionado uma maior participação do paciente, objetivando à efetividade do processo educativo e, para tanto, esse processo deve contemplar características especiais, tais como: ser democrático, participativo, problematizador e transformador. 34 TEMA 3: Risco ocupacional em ambiente hospitalar No Brasil, somente na década de 40 os problemas causados pelo trabalho começaram a ser estudados. Os trabalhadores da área de saúde no desenvolvimento de suas funções estão expostos a inúmeros riscos ocupacionais causados por fatores químicos, físicos, mecânicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais, que podem ocasionar doenças ocupacionais e acidentes de trabalho (MARZIALE; RODRIGUES, 2002). Os trabalhadores da área de saúde estão expostos aos mesmos riscos (químicos, físicos e ergonômicos) a que se sujeitam os demais trabalhadores, acrescidos daqueles representados por agentes biológicos, uma vez que se expõe constantemente ao contato com sangue e outros fluídos orgânicos contaminados por uma variedade imensa de patógenos desencadeadores de doenças ocupacionais (GERBERDING, 1995 apud ALMEIDA; BENATTI, 2007). Existem confirmações, por evidências científicas de que os riscos provindos da manipulação de quimioterápicos antineoplásicos envolvem a inalação de aerossóis, o contato direto da droga com a pele e mucosas e a ingestão de alimentos e medicações contaminadas por resíduos desses agentes, formas de contaminação que podem provocar danos à saúde dos trabalhadores, como mutagenicidade, infertilidade, aborto e malformações congênitas, disfunções menstruais e sintomas imediatos como tontura, cefaléia, náusea, alterações de mucosas e reações alérgicas em trabalhadores que manipularam essas drogas (HIRATA, 2002). Em exposição à estes riscos, os enfermeiros que trabalham com drogas citostáticas necessitam estar devidamente qualificados, preparados e cientes dos riscos, das precauções e das adequações nos procedimentos técnicos que abrangem o preparo e administração dessas substâncias e descarte de materiais, para que a prática de trabalho se torne mais segura. Alguns equipamentos de proteção, como: luvas de procedimento, seringas e agulhas, por exemplo, estão entre os itens cuja falta de utilização e cuidado interfere diretamente na incidência de contaminação no ambiente hospitalar. Cita-se que a falta de conhecimento dos procedimentos a serem realizados pelos profissionais também contribui para um maior risco de contaminação. A prevenção dos acidentes 35 é possível através de treinamento, supervisão, reuniões periódicas e informações claras e atualizadas a respeito. Segundo Fonseca (2000), as formas preventivas apresentadas nesta pesquisa tendem a diminuir esses riscos. No entanto, é necessário que os próprios profissionais estejam envolvidos e conscientes quanto aos cuidados essenciais que se devem ter com a administração e a manipulação dos quimioterápicos. Para isso, é preciso que haja capacitação continuada entre os trabalhadores, de maneira que eles possam conhecer bem os riscos que estão expostos e conscientizar-se de que devem dispor de medidas de prevenção. Os resultados desta pesquisa, no entanto, mostraram que os trabalhadores são informados parcialmente referente à finalidade do tratamento quimioterápico antineoplásico, em relação aos riscos potenciais a que estão expostos quando da manipulação dessas drogas e sobre as medidas de segurança que devem ser adotadas no sentido de minimizar a exposição dos trabalhadores (XELEGATTI, 2006). De acordo com o discutido, considera-se que muitos podem ser os danos cumulativos decorrentes da exposição aos quimioterápicos antineoplásicos. Sendo que, muitos desses danos, podem ser irreversíveis a saúde dos trabalhadores. Além disso, é possível enfatizar que quando inseridas as práticas adequadas pelos enfermeiros durante a manipulação de antineoplásicos, observa-se uma diminuição do risco de contato direto das drogas e inalação de partículas aerossolizadas, mehorando a qualidade do trabalho. 36 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com o desenvolvimento deste estudo foi possível reforçar a importância de possuir da prática adequada na manipulação de antineoplásicos, bem como a implementação de intervenções efetivas que contribuem para a diminuição dos efeitos de uma manipulação inadequada que podem ocasionar o comprometimento da saúde do trabalhador em saúde. É possível concluir por meio da realização deste trabalho, que o processo de preparação, administração e descarte de drogas de risco podem colocar em exposição os profissionais de saúde a concentrações significantes dessas substâncias. O descarte de resíduos das drogas de risco deve ser feito obedecendo às normas adequadas. Equipamentos de proteção, como luvas, vestimentas, seringas e recipientes utilizados no processo de preparação precisam ser descartados em dispositivos apropriadamente identificados e lacrados, sendo então manipulados por pessoal devidamente treinado e empregando equipamento de proteção individual. Ainda há uma escassez de pesquisas e publicações referentes à proteção dos trabalhadores atuantes nesta área da saúde, principalmente em relação aos riscos químicos que esses enfrentam, sendo as pesquisas realizadas ainda de forma bastante reduzida. Segundo a pesquisa realizada é essencial a utilização de equipamentos de proteção por parte dos profissionais de saúde de manipulam medicamentos que propiciam riscos e danos á sua saúde. Os profissionais que utilizam os equipamentos de prevenção diminuem significativamente os riscos de contaminações. É necessária a modificação da conduta de tais profissionais no intuito de eliminar possíveis danos à sua saúde. Para isso, seria necessária a adoção de medidas tais como a inserção dessa temática no currículo dos cursos de graduação da área de saúde, em especial ao de enfermagem e nos serviços de educação continuada das instituições, explicitando as medidas de segurança apropriadas à diminuição dos riscos ocupacionais, especificamente os químicos e seus efeitos adversos à saúde dos trabalhadores. 37 Por último, é de grande fundamento que se defina e revise, periodicamente, as normas e os procedimentos sobre a utilização dos agentes antineoplásicos em conjunto com os trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente nesta exposição. Essas são algumas medidas recomendadas para controlar a exposição e proteger a saúde dos indivíduos ocupacionalmente expostos aos agentes antineoplásicos. 38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMI, N.P, et al. Extravasamento de drogas antineoplásicas: notificação e cuidados prestados. Rev. Brás. Cancerologia, v. 47, n. 2, p. 147-51, 2001. ADAMI. N. P. et al. Estrutura e processo assistencial de enfermagem ao paciente com câncer. Rev Bras Enfermagem, v.50, n. 4, p. 551-68, 1997. ARAÚJO, C. R. G.; ROSAS, A. M. M. T. F. O papel da equipe de enfermagem no setor de radioterapia: uma contribuição para a equipe multidisciplinar. Rev Bras Cancerol, v. 54, n. 3, p. 231-37, 2008. BONASSA, E. M. A.; SANTANA, T. R. Enfermagem em terapêutica oncológica. 3ª edição. São Paulo: Atheneu, 2005. BONASSA, E.M.A. Enfermagem em terapêutica oncológica. 2ª edição. São Paulo (SP): Atheneu, 2000. BRASIL. Ministério da Saúde. Ações de enfermagem para o controle do câncer. Rio de Janeiro (RJ): Instituto Nacional do Câncer; 1995. BRASIL. Ministério da Saúde. Controle do Câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. 2ª edição revista e atualizada. Rio de Janeiro: Pró-Onco. 1993. BULHÕES, I. Riscos do trabalho de enfermagem. 2ª edição. Rio de Janeiro (RJ): Folha Carioca; 1994. CAMPOS, V.F. et al. Alterações do desenvolvimento dentofacial em pacientes da oncopediatria. JBC j. bras. clin. odontol. integr; v. 8, n. 44, p. 101-104, 2004. FERNANDES JÚNIOR, H. J. Introdução ao estudo das neoplasias. In: BARACAT, F. F.; FERNANDES, H. J.; SILVA, M. J. Cancerologia atual, um enfoque multidisciplinar. 1ª ed. São Paulo: Roca; 2000. p. 3-10. FONSECA, S.M. Manual de Quimioterapia Antineoplásica. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Ed., 2000, p. 66-92. GOMES, J. A. P., LIMA, A. L. H., ADAN, C. B. D. Avaliação da superfície ocular. In: LIMA, A. L. H., NISHIWAKI-DANTAS, M. C., RUIZ-ALVES, M. Manual do CBO: doenças externas oculares e córnea. Rio de Janeiro: Cultura Médica; 1999. v.1. p.57-109. HIRATA, M.H.; FILHO, J,M. Manual de Biossegurança. 1ª edição. Barueri: Manole 2002. JOHNSON, M.; JOHNSON, J. L. Divulgação de informações através da educação do paciente e da população. In: CLARCK, J. C.; MACGEE, R. J. Enfermagem 39 Oncológica: um curriculum básico. 2ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas; 1997. p.73-77. KOROLKOVAS, A. F.; CARNEIRO. F A. Dicionário Terapêutico. 8ª edição. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2002. MARTINS, I.; ROSA, H. V. D. Considerações toxicológicas da exposição ocupacional aos fármacos antineoplásicos. Rev. Bras. Med. Trab.. Belo Horizonte. v. 2, n 2, p. 118-125 abr-jun 2004. MARZIALE, M.H.P. Abordagem ergonômica do trabalho de enfermagem. [tese]. Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP; 1999. PORTAL EDUCAÇÃO. Curso de quimioterápicos e antineoplásicos. Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/cursos/388/curso-de-quimioterapicos-e-anti neoplasicos>. Acesso em: 01 set. 2010. REVISTA ISTO É. Radioterapia. Guia da Saúde Familiar - revista ISTOÉ - Volume 11 - 02/2002. Disponível em: <http://www.lincx.com.br/lincx/saude_a_z/prevencao/ can_radioterapia.asp>. Acesso em: 04 set. 2010. ROCHA, F.L.R.; MARZIALE, M.H.P.; ROBAZZI, M.L.C.C. Perigos potenciais a que estão expostos os trabalhadores de enfermagem na manipulação de quimioterápicos antineoplásicos: conhecê-los para prevení-los. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 12, n. 3, Jun. 2004. SILVA, L. M. G. Quimioterapia. In: MOHALLEM, A. G. C.; RODRIGUES, A. B. Enfermagem oncológica. 1ª edição. São Paulo: Manole; 2007. p. 61-88. VENEGAS, L. F. P. et al. Exposição ocupacional a drogas antineoplásicas: conduta para manipulação segura. Rev. AMRIGS; 39(4):269-76, out.-dez. 1995. XELEGATI, R. et al. Riscos ocupacionais químicos identificados por enfermeiros que trabalham em ambiente hospitalar. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 14, n. 2, Abr. 2006.