GIOVANI CLAUDIO BRANCHER ATIVIDADES EXTRACURRICULARES E SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO ACADÊMICA CANOAS, 2007 2 GIOVANI CLAUDIO BRANCHER ATIVIDADES EXTRACURRICULARES E SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO ACADÊMICA Trabalho de conclusão apresentado à banca examinadora do curso de Educação Física, do UNILASALLE – Centro Universitário La Salle, como exigência legal parcial para a obtenção do grau de Licenciado em Educação Física, sob a orientação do Prof. Ms. Rudnei de Andrade CANOAS, 2007 3 TERMO DE APROVAÇÃO GIOVANI CLAUDIO BRANCHER ATIVIDADES EXTRACURRICULARES E SUA IMPORTÂNCIA NA FORMAÇÃO ACADÊMICA Trabalho de conclusão apresentado a banca examinadora como requisito parcial para a obtenção do grau de Licenciatura em Educação Física do Centro Universitário La Salle – UNILASSALE, pelo seguinte avaliador: Prof. Ms. Rudinei de Andrade UNILASSALE Canoas, 10 de julho de 2007. 4 AGRADECIMENTOS A DEUS Obrigado por teu amor e proteção e por tudo que me proporcionou até hoje. A MINHA FAMÍLIA Obrigado por sempre estarem ao meu lado em todos os momentos da vida. AOS MEUS AMIGOS Por todos os momentos que passamos juntos, sejam eles na Universidade, na vida pessoal ou profissional. Por tudo que construímos e aprendemos. AOS MEUS MESTRES Obrigado por todo conhecimento que juntos compartilhamos nesta bela jornada acadêmica. Pelas críticas construtivas e pela sabedoria que adquirimos nesses anos. 5 PENSAMENTOS “Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor... Lembre-se: se escolher o mundo ficará sem o amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo.” Albert Eistein 6 RESUMO Esta pesquisa que integra o Trabalho de Conclusão do Curso de Educação Física do Unilasalle 2007/1 tem como objetivo identificar o valor e a importância das atividades práticas extracurriculares na formação acadêmica. Tem como metodologia uma pesquisa qualitativa do tipo estudo de caso. A pesquisa realizou-se através de entrevistas semi-estruturadas com uma população composta de sete acadêmicos do Curso de Educação Física do Unilasalle. Estas entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas, as informações obtidas foram analisadas e ordenadas de acordo com categorias de significados. Foram encontrados três categorias principais, Elaboração do Planejamento Escolar, Superar Dificuldades na Educação Física Escolar e Interesse na Formação Acadêmica e seis subcategorias: Consistência do Ensino, Participação Ativa dos Alunos, Adaptação à Realidade Escolar, Dificuldades Encontradas no Estágio, Área de Especialização e Valor da Pesquisa. Os resultados remetem a percepções mais críticas com o objetivo de qualificar e inserir novos conhecimentos na Educação Física Escolar a partir da pesquisa, formação continuada dos professores, elaboração de planos de ensino criativos e consistentes para que as dificuldades escolares não desmotivem os alunos contribuindo para o fortalecimento da Educação Física Escolar. Palavras-chaves: Extracurriculares. Formação. Especialização. ABSTRAT This research that integrates the work of conclusion of the Course of Physical Education of the Unilasalle 2007/1 it has as objective to identify to the value and the importance of the extracurricular practical activities in the academic formation. Has a methodology qualitive research of the type study case. The research was become fullfilled through interviews semi-structured with a composed population of seven academics of the course of Fhysical Education of unilasalle. These interviews had been recorded and later transcribing, the gotten information had been analyzed and commanded in accordance with the category of meanings. Three categories had been found main, Elaboration of the school Planning, To surpass Difficulties in the school Physical Education and Interest in the Academic Formation e six subcategorias: Consistency of education, Active Participation of the students, Adaptation the school Reality, Difficulties Found in the Periods of training, Area of Specialization and Valuation of the Research. The results send the perceptions most critical with the objective to characterize and to insert new knowledge in the school Physical Education from the research, continued formation of professors, elaboration of creative and consistent plans of education the to school, of surpass difficulties desmotive the students, contributing for the fortify of the school Physical Education. Keywords: Extracurriculares. Formation. Specialization. 7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................8 2 METODOLOGIA.....................................................................................................10 2.1 Pesquisa Qualitativa......................................................................................10 2.2 Estudo de Caso..............................................................................................11 2.3 Participantes...................................................................................................11 2.4 Instrumentos de Coletas de Informações..................................................11 2.4.1 Entrevista Semi-Estruturada.......................................................................12 2.4.2 Análise de Documentos.............................................................................12 2.5 Justificativa....................................................................................................13 2.6 Problema Pesquisa........................................................................................13 2.7 Objetivos.........................................................................................................13 3 REVISÃO DE LITERATURA.................................................................................14 3.1 Histórico da Educação Física.......................................................................14 3.2 Vivências Práticas de Ensino Extracurricular............................................16 3.3 Formação de Professores em Educação Física.........................................17 3.4 Estágios Curriculares na Formação de Professores.................................19 3.5 Especialização do Professor de Educação Física......................................20 3.5.1 Competências do Professor.......................................................................21 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS......................................................24 4.1 Elaboração do Planejamento Escolar..........................................................24 4.1.1 Consistência do Ensino..............................................................................25 4.1.2 Participação Ativa dos Alunos....................................................................27 4.2 Superar Dificuldades na Educação Física Escolar.....................................29 4.2.1 Adaptação Frente à Realidade Escolar.....................................................30 4.2.2 Dificuldades Encontradas nos Estágios....................................................32 4.3 Interesse na Formação Profissional............................................................34 4.3.1 Área de Especialização.............................................................................35 4.3.2 Valorização da Pesquisa...........................................................................36 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................39 5.1 As limitações da Pesquisa...........................................................................39 5.2 Idéias de Continuidade.................................................................................39 6 CONCLUSÃO........................................................................................................41 REFERÊNCIAS.....................................................................................................42 APÊNDICE A – Termo de Consentimento............................................................44 APÊNDICE B – Roteiro das Entrevistas...............................................................45 APÊNDICE C – Unidade de Significados..............................................................46 8 1 INTRODUÇÃO Nos últimos anos, temos observado nas diferentes áreas do conhecimento, um contínuo processo de especialização e atualização necessárias para a consolidação da profissão. Assim como em vários setores da sociedade, também nós acadêmicos de Educação Física devemos preparar de forma competente nossa formação. É neste cenário, incluindo as dificuldades que encontrei nos estágios supervisionados, e que segue minha linha de investigação. Com ausência de vivências práticas extracurriculares em Educação Física escolar, sendo minhas primeiras experiências os estágios supervisionados I e II, percebi a necessidade de buscar através da pesquisa o complemento para minha formação. De acordo com Lampert (2000, p.96), tem conceito de pesquisa: “o ato ou efeito de investigar, uma indagação ou busca minunciosa para averiguação da realidade, inquirição e ainda uma investigação e estudo, minudentes e sistemáticos, com o fim de descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos a um campo qualquer de conhecimento”. Sabemos que a universidade tem papel importante nesta formação, pois é através do grupo docente que aprendemos o caminho norteador, facilitando nosso trabalho na busca pelo conhecimento e garantindo condições de aprendizagem e pesquisa. Nesta perpectiva, Kanitz (2000 p.21) afirma que “o principal papel da universidade hoje é levar o graduando a apreender a pensar e tomar decisões.” 9 Através desta pesquisa, busco conhecer se as vivências práticas extracurriculares serão o diferencial na formação acadêmica. Saber das dificuldades encontradas nos estágios supervisionados, o nível de conhecimento profissional do acadêmico com maior vivência prática, e o caminho para consolidação da Educação Física na percepção dos entrevistados. A metodologia utilizada nesta pesquisa tem uma abordagem qualitativa do tipo estudo de caso, caracterizada pela presença intensiva do pesquisador. Os participantes deste estudo foi composto por sete acadêmicos do curso de Educação Física do Centro Universitário La Salle, do oitavo semestre que cursaram ou estão cursando a disciplina de estágio supervisionado II em 2007/1. Para coleta e análise de dados foi utilizada a entrevista semi-estruturada com cinco questões associadas ao assunto; as entrevistas foram gravadas, transcritas na íntegra, favorecendo assim a compreensão e interpretação dos dados através das unidades de significados para posterior análise. Para manter o sigilo dos participantes, de acordo com o termo de consentimento, foi-lhes dado um número de um a sete. A interpretação se dará pela revisão de literatura, respostas obtidas nas entrevistas e análise dos dados. 10 2 METODOLOGIA Esta pesquisa é de cunho qualitativo do tipo estudo de caso. Descreverei nesta sessão os referenciais teórico-metodológicos que conduziram esta investigação. 2.1 Pesquisa Qualitativa Caracteriza-se por identificar diferenças entre objetos, este tipo de investigação busca compreender um universo de significados obtidos através das entrevistas. Os métodos de investigação qualitativa pressupõem uma abordagem diferenciada também no que se refere aos instrumentos de coleta de informações. Eles devem ser colocados dentro de outra perspectiva, que não aquela que serve de modelos matemáticos. (TRIVIÑÖS; MOLINA NETO, 1999, p.61) Segundo Thomas e Nelson “A pesquisa qualitativa é caracterizada pela presença intensiva do pesquisador. As ferramentas de coleta de dados são: observação, entrevistas e instrumentos projetados pelos pesquisadores.” (THOMAS, NELSON, 2002, p.35) 11 2.2 Estudo de caso De acordo com Cauduro (2000, p. 22) defini estudo de caso como “estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, pessoas, de maneira a permitir o seu amplo e detalhado conhecimento.” No âmbito educativo, “o estudo de caso qualitativo pode ser definido como um processo que tenta descrever e analisar em termos complexos e compreensivos, que se desenvolve durante um período de tempo.” (MOLINA, ROSANE; apud TRIVINÕS, MOLINA NETO, 1999, p.96) A partir desta metodologia procuro identificar e compreender no conteúdo estudado as categorias e subcategorias de minha pesquisa. 2.3 Participantes Os colaboradores deste estudo foi composto por sete acadêmicos do curso de Educação Física do Centro Universitário La Salle, do oitavo semestre que cursaram ou estão cursando a disciplina de estágio supervisionado II em 2007/1. Os participantes foram comunicados previamente sobre o estudo e todos assinaram um termo de consentimento. 2.4 Instrumentos de Coleta das informações Os instrumentos utilizados para a coleta de dados da pesquisa foram entrevistas semi-estruturadas com os acadêmicos e análise de conteúdo. 12 2.4.1 Entrevista semi-estruturada A entrevista quando bem estruturada, constitui um excelente meio de investigação associado a outros métodos. Segundo Triviños Uma entrevista semi-estruturada é quando o instrumento de coleta está pensado para obter informações de questões concretas, previamente definidas pelo pesquisador, e, ao mesmo tempo, permite que se realize explorações não-previstas, oferecendo liberdade ao entrevistado para dissertar sobre o tema ou abordar aspectos que sejam relevantes sobre o que pensa. (1999, p.74). As entrevistas foram gravadas, transcritas na íntegra, favorecendo assim a análise e interpretação dos dados. 2.4.2 Análise de Conteúdo Análise de conteúdo ou revisão de literatura são instrumentos que possibilitam a coleta de outras fontes de informação. A análise de conteúdo pode ser realizada com fim descritivo ou inferencial, cujo propósito é descrever e explicar as idéias sobre determinado assunto. (NEGRINI apud TRIVIÑOS, 1999, p.79) Os instrumentos utilizados nesta pesquisa como fonte de informação para interpretação e análise foram: entrevista semi-estruturada e revisão de literatura. 13 2.5 Justificativa O saber profissional em Educação Física, que sempre esteve em debate na universidade, motivaram-me a pesquisar o conhecimento profissional do acadêmico na área de Educação Física, analisando a importância das atividades práticas durante a graduação. As dificuldades pessoais que encontrei, e as limitações que precisei superar durante as práticas supervisionadas de ensino, levaram-me a pesquisar de que forma as vivências complementares poderiam de alguma forma aprimorar meu conhecimento. 2.6 Problema de Pesquisa Em quais aspectos as atividades não curriculares, sejam elas supervisionadas ou não, aprimoram o conhecimento na formação acadêmica dos entrevistados? 2.7 Objetivos êmicos nos estágios supervisionados. ão complementares na formação do acadêmico. êmicos quais intervenções são mais importantes na preparação profissional, os estágios supervisionados ou atividades práticas livres de orientação. 14 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 Histórico da Educação Física Para que se compreenda o momento atual da Educação Física é necessário considerar suas origens no contexto brasileiro, abordando as principais influências que marcam e caracterizam esta disciplina e os novos rumos que estão se delineando. No século passado a Educação Física esteve estreitamente vinculada às instituições militares e a classe médica. Com o objetivo de melhorar a condição de vida, muitos médicos assumiram uma função higienista e buscaram modificar os hábitos de saúde e higiene da população. A Educação Física, então, favorecia a educação do corpo, Dentro dessa conjuntura, as instituições militares sofreram influência da filosofia positivista, o que favoreceu que tais instituições também pregassem a educação do físico. No ano de 1851 foi feita a Reforma Couto Ferraz, a qual tornou obrigatória a Educação Física nas escolas do município da Corte. Em 1882, Rui Barbosa deu seu parecer sobre o projeto 224 – Reforma Leôncio de Carvalho, Decreto nº. 7247, de 19 de abril de 1879, da Instrução Pública. “Defendendo a inclusão da ginástica nas escolas e destacando sua importância 15 como um exercício primordial para que construíssemos um povo mais forte, saudável e educado moralmente”. (NEUENFELDT; CANFIELD, 2000, p.23) Em 1929, na III Conferência Nacional da Educação, profissionais discutiram métodos e práticas e os problemas relativos a Educação Física, que neste período era baseada nos métodos europeus – o sueco, o alemão, e posteriormente o francês – firmando-se em princípios biológicos. Na década de 30, no Brasil dentro de um contexto histórico e político mundial, com a ascensão das ideologias nazistas e fascistas, o exército passou a ser a principal instituição a comandar um movimento em prol do ideal da Educação Física que se mesclavam os objetivos patrióticos e de preparação militar. Em 1937, na elaboração da Constituição, é que se fez a primeira referência à Educação Física, em textos constitucionais federais, incluindo-a no currículo como prática educativa obrigatória, porém não como disciplina curricular. Na promulgação da lei de Diretrizes e Bases da Educação ficou determinada a obrigatoriedade da Educação Física para o ensino primário e médio. Após 1964, a educação de um modo geral, sofreu as influências da tendência tecnicista. Era a época da difusão dos cursos técnicos profissionalizantes, com isso em 1968, com a Lei nº. 5540, a Educação Física teve seu caráter instrumental reforçado, sendo considerado uma atividade prática, voltado para o desempenho técnico e físico do aluno. Na década de 80 houve um novo rumo nas políticas educacionais na Educação Física escolar, tendo como enfoque o desenvolvimento psicomotor do aluno. Também surgiram neste período os primeiros cursos de pós-graduação em Educação Física, o retorno de professores doutorados que estavam fora do Brasil, e aumento das publicações de livros e revistas científicas. Com vista disso a Lei de Diretrizes e Bases de 1996 determina: A Educação Física, integrada a proposta pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e as condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos. ( NEUNFELDT; CANFIELD, 2000, p.23) 16 Atualmente a existência de algumas abordagens para a Educação Física Escolar no Brasil, resulta na articulação de diferentes teorias psicológicas, sociológicas e filosóficas, ampliando o campo de reflexão sobre a área e fortalecendo e sua importância no meio social. 3.2 Vivências Práticas no Ensino Extracurricular Assim como os demais profissionais, todos nós sabemos o que fazemos bem, o que realizamos satisfatoriamente, e o que precisa ser melhorado. Vivenciar a realidade escolar na prática seria hoje tão importante, quanto à vida acadêmica na Universidade. Sabemos do papel crucial que ela exerce enquanto responsável pela formação acadêmica dos estudantes. Segundo Fiori (1992, p.44), “A Universidade é o centro máximo da conscientização do processo cultural”. Aproximar cada vez mais a teoria da prática, mostra a realidade escolar que o aluno deverá enfrentar antes dos estágios curriculares. Nesta perspectiva Kosik (1976, p.10) afirma para a importância do conhecimento da realidade onde o aluno “exercita sua atividade prático-sensível, sobre cujo fundamento surgirá a imediata intuição prática da realidade.’ Na visão de Okuma (apud GHILARDI1996, p.7) sobre as vivências práticas na formação do profissional de Educação Física, ela nos apresenta que “tão importante quanto a aquisição do conhecimento, são as vivências práticas à medida que tais vivências forneçam subsídios necessários para que o graduando aprenda a lidar com pessoas e possa conduzir sua ação profissional num nível de excelência.” Não se trata de valorizar mais um tipo de conhecimento em detrimento a outro, ocorre de equalizar a construção do conhecimento de forma diversificada, reconhecendo a importância de ambos para a formação acadêmica, conforme 17 fundamenta Giroux (1997, p.82): “a teoria, no sentido mais geral, é essencial para quase todas as etapas do pensamento, não apenas porque nos ajuda ordenar e solucionar os dados, mas também porque nos fornece os instrumentos conceituais com os quais questionar os próprios dados.” As reformas curriculares que têm acontecido, já apontam para essa realidade, com a criação do Bacharelado na maioria das instituições de ensino, visando diferenciar as atividades do profissional da Educação Física, da área escolar, daquele com um novo perfil profissional voltado ao programa de atividades físicas, clubes, academias, empresas, personal trainners. Esta reforma tem como finalidade a compreensão do processo político-pedagógico da escola pelo licenciado, e a valorização da prática voltada aos esportes pelo Bacharel em Educação Física. 3.3 Formação de Professores em Educação Física Todos nós sempre que começamos algo novo, temos inicialmente inúmeras idéias de continuidade em benefício de nossa formação. Devemos ter como idéia principal uma prática pedagógica voltada para a educação e cidadania através da Educação Física. Seja qual for a teoria, ou a área aplicada deste ensino, ela perderá seu valor se não forem entendidos os princípios desta formação e das tendências pedagógicas aplicadas. Para Castro (apud NEIRA 2003, p.185), “o ensino se justifica como atividade autônoma e intencional, ato complexo que pode incluir ações observáveis e operações mentais, visando a aprendizagem.” Através desta abordagem, vemos a importância de sabermos a razão do nosso ensino ou prática desenvolvida, pois ficaria sem sentido ficarmos um longo tempo na Universidade, e depois aplicarmos nosso conhecimento sem compreender os conceitos e mecanismos que justifiquem seu propósito. 18 Colaborando neste sentido Tani diz: Princípios fundamentais, conceitos teóricos básicos e estratégias de ensino flexíveis constituem instrumentos indispensáveis que auxiliam os profissionais, senão a solucionar, ao menos a formular melhor seus problemas práticos. (1999, p.15) Em outra abordagem Piaget (apud NEIRA, 2003, p.196) afirma: Que o ensino em todas as suas formas, levanta três problemas centrais: finalidade do ensino, conteúdos ensinados e conhecimento do desenvolvimento mental para elaborar meios adequados para a formação educativa, cuja solução está longe de ser conhecida e acerca dos quais falta inclusive, perguntar como serão resolvidos sem a colaboração dos mestres ou de uma parte deles. Nesse pressuposto verificamos alguns componentes possíveis na formação dos futuros profissionais de Educação Física, e porque devemos conciliar nossos conhecimentos teóricos adquiridos na Universidade, com as vivências durante nossa formação. Abordando está questão, o Parecer CNE/CP 28/2001, expõe: A prática como componente curricular é, pois, uma prática que produz algo no âmbito do ensino. Sendo a prática um trabalho consciente(...) ela terá que ser uma atividade tão flexível quanto outros ponto de apoio do processo formativo, afim de dar conta dos múltiplos modos de ser da atividade acadêmico-científica. Assim, ela deve ser planejada quando da elaboração do projeto pedagógico e seu acontecer deve se dar desde o início da duração do processo formativo e se estender ao longo de todo o seu processo. Em articulação intrínseca com o estágio supervisionado e com atividades de trabalho acadêmico, ela concorre conjuntamente para a formação da identidade do professor como educador. Essas práticas visariam fortalecer a percepção do futuro profissional, sobre a organização e planejamento escolar, a cultura escolar, esportiva, artística, lúdica e educacional. Outro ponto que deve ter relevância na formação acadêmica, são os trabalhos de pesquisa realizados durante a graduação. Como concepção de pesquisa 19 devemos pensar na produção de conhecimento a ser aplicado em diferentes fases da graduação e diferentes disciplinas. (FREIRE; REIS, 2002, p.44) Enfatizar a importância da participação acadêmica em trabalhos de iniciação científica, ou qualquer evento semelhante existente na universidade, em alguma oportunidade durante o período de graduação poderá trazer contribuições diretas para a valorização profissional e desenvolvimento do aluno. Tradicionalmente a exigência de pesquisa ocorre apenas nos trabalhos de conclusão de curso. Além disso, essa participação contribui para a produção de conhecimento e preparação profissional. Preferencialmente estas pesquisas devem ser originadas na área específica de interesse do acadêmico, assim ele poderá colocar em prática os conhecimentos produzidos em seu meio de trabalho ou intervenção. Observando estas condições, poderemos disseminar e valorizar nossas práticas antecipando-se as constantes atualizações que a sociedade atual exige. 3.4 Estágios Curriculares na Formação de Professores Os estágios curriculares fazem parte de uma importante etapa na promoção do desenvolvimento acadêmico. Neste período buscamos formar uma base sólida de aprendizagem e, ainda, superar o distanciamento entre o conhecimento teórico do prático. Em outro entendimento podemos definir estágios curriculares como integração entre a teoria veiculada no curso de graduação e os conhecimentos advindos da observação e participação em situações reais de trabalho. (SILVA, 2003, p.1) Os estágios profissionalizantes em qualquer área profissional seguem a seguinte orientação: São regulamentados pela Lei nº. 6944 de 07/12/1977 e pelo Decreto Lei nº. 87497 de 18/08/1982, devendo propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. Além disso, envolvem atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao 20 estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio. (MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO, 2002) Quando iniciou-se estudos para novas diretrizes curriculares, (SILVA, 2003, p.3), assinalou que um aspecto importante referente aos estágios curriculares, afirmando que: “[...] se outrora, a prática de ensino podia ser desenvolvida sob a forma de Estágio Supervisionado, agora Prática e estágio reapresentam momentos distintos, ou seja, passam a ser cumpridos pelos alunos em duas modalidades: as práticas pedagógicas e o estágio profissional supervisionado.” Podemos concluir do referencial de Silva (2003), acima citado que, os estágios profissionais supervisionados aproximam o acadêmico da sua futura realidade profissional, favorecendo novas descobertas, aplicar os conhecimentos que já detém, e abrem o caminho para a futura identidade profissional. 3.5 Especialização do Professor de Educação Física Temos acompanhado uma sistemática preocupação com o desenvolvimento do país, com geração de riquezas, aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), diminuição do desemprego. Para que isso aconteça devemos pensar na especialização dos professores que serão os responsáveis por esse crescimento. “A formação especializada de professores é tida como um certo caminho em direção ao desenvolvimento do país e conseqüente preparação dos cidadãos.”(OLIVEIRA 2000 apud ALVES, 2005, p.35) Assim como desejamos uma sociedade com elevado nível de conhecimento científico, cultural e social, nós professores de Educação Física devemos nos preocupar em formar um conhecimento cada vez mais abrangente e especializado. Denominada formação continuada, ou formação continuum do educador, ela envolve todas as aprendizagens decorrentes da atualização permanente, das 21 experiências profissionais vivenciadas, associadas ou não aos cursos de atualização em nível de lato ou scricto sensu, que ampliam a formação inicial. Tais cursos se caracterizam como um importante caminho para o desenvolvimento e complementação dos conhecimentos adquiridos na formação universitária. Por isso, segundo (VEJA, 2002, p.16) acredito que “a formação não se conclui, ela é permanente.” Entre as contribuições que os cursos de especialização, além do desenvolvimento de conhecimentos, atitudes e habilidades, eles seguem duas tendências que serão determinantes na formação do educador. O aprimoramento da formação universitária, mesmo sendo de excelente nível, precisa de uma nova linha de pensamento e reflexão responsável pela ampliação do conhecimento e fornecer uma visão mais crítica das atividades docentes. E seguindo com a formação do professor pesquisador, pois a pesquisa poderá trazer ao professor melhores condições de compreender a atuação e intervenção em sua área de trabalho. 3.5.1 Competências do Professor Muito discutido durante a formação acadêmica, as competências profissionais do professor de Educação Física, ainda não possuem em parte da sociedade respaldo e clareza de seus objetivos e benefícios que definam a disciplina como área importante do conhecimento. Podemos constatar tais fatos, com a própria Lei de Diretrizes e Bases, que elaboram artigos que possibilitam aos alunos a dispensa da Educação Física em muitas oportunidades, contribuindo para a abstenção nestas aulas. Outro fato é a diminuição da carga horária da disciplina de Educação Física em algumas escolas, tornando o trabalho do professor limitado dentro da escola. Alheio à restrição do nosso espaço na escola, o professor deve: “Trazer às claras, 22 competências que podem apontar caminhos seguros sobre sua ação na pósmodernidade.” (VEJA, 2000, p.23) No momento atual devemos destacar a competência profissional, pessoal e a responsabilidade social, atividades essenciais para superar as incertezas e a restrição do espaço da Educação Física na escola. Nesta perspectiva a formação profissional contempla um conjunto de saberes assimilados no período acadêmico, que proporcionam ao professor um saber clássico e científico complementado através da prática pedagógica. Por sua relevância, podemos afirmar que esta competência formará a base de todo o conhecimento, será a partir disso criar caminhos para novas formas de atuação, com criatividade e planejamento de nossas ações. Conforme Vega (2000, p.25) “Buscar novas alternativas para os problemas que se apresentam no dia-a-dia, não deixe que aulas monótonas tomem conta do seu fazer pedagógico.” Nas relações pessoais, promover a formação integral dos alunos através de estilo de vida saudáveis, da afetividade, estabelecendo vínculos que aproximem os alunos dos professores, para que eles possam expor seus anseios, suas dúvidas pois é na escola que a maioria deles tem a oportunidade de esclarecer temas como sexualidade, drogas, atualidades, ética. Lidar com estes aspectos em casa ainda pode haver algum tipo de barreira, preconceito ou inibição. Portanto cabe ao professor paciência para ouvi-lo e confiança para orienta-lo com responsabilidade. Conforme Mosquera e Stöbaus Ouvir os outros e aprender a vê-los como são realmente é fundamental para as relações interpessoais, em especial para os professores, que devem de estar muito atentos e poder, assim, agir melhor na realidade. (2001, p.97) No segmento da sociedade, a Educação Física tem a seu favor, um amplo sentido de atuação, pois tem a formação do ser humano seu eixo norteador de estudo. Vemos neste meio a possibilidade de construir uma sociedade mais justa, 23 respeitando as diferenças sociais, a cultura, a liberdade de expressão, livre da discriminação, atuando com ética e boa regra de convivência. Como cita Delors (1999, p.19): “Trata-se de aprender a viver juntos, desenvolvendo o conhecimento a cerca dos outros, da sua história, tradições e espiritualidade.” 24 4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Neste capítulo será destinado a descrição e interpretação dos resultados extraídos da análise. A partir da unidade de significados foram encontradas três categorias e subcategorias denominadas: ão de Planejamento Escolar, como subcategorias, consistência do ensino e participação ativa dos alunos. ão Física Escolar, como subcategorias, adaptação frente à realidade escolar e dificuldades encontradas nos estágios. ão profissional, tendo a área da especialização e valorização da pesquisa, as subcategorias obtidas. Vemos nesta abordagem, que as atividades extracurriculares podem sugerir idéias muito mais abrangentes que a formação da experiência. Surgem aspectos importantes como a preocupação com o futuro da Educação Física, superar dificuldades no meio escolar, e especialização continuada do professor. Relataremos a seguir a análise destas categorias. 4.1 Elaboração do Planejamento Escolar Com participação mais atuante em atividades extracurriculares ou apenas em 25 trabalhos de observação, foi unânime na fala dos entrevistados, que o planejamento escolar passou a ter um caráter fundamental para a qualidade do ensino. Esta visão da prática pedagógica deverá trazer uma nova compreensão dos fundamentos a serem aplicados na escola, contemplando várias áreas do conhecimento. Segundo participante 5 Eu pesquisava muito em livros meus planos, pois eu tinha que aplicar as atividades com algum objetivo, ás vezes eu pegava uma atividade e planejava de acordo com a realidade e limitações da turma, com raras exceções eu alterava o plano durante a aula. Nesta linha de pensamento, podemos definir que o objetivo de um planejamento bem elaborado poderá ter várias finalidades e benefícios. De acordo com Santos (2002, p.68) A Educação Física tem várias finalidades, mas para que possa desempenhar seu papel em qualquer uma das concepções, seu profissional precisa demonstrar domínio da sistematização, organização e aplicação dos seus conteúdos teóricos e práticos. Assim seria mais fácil convencer as pessoas a usufruí-los como uma educação permanente, devendo a alegria e satisfação pessoal ser das principais razões para permanecerem gostando das atividades que envolvam o exercício corporal. 4.1.1 A Consistência do Ensino Através da experiência da prática docente, os entrevistados 1, 3, 4, 6, 7 procuram identificar e desenvolver uma prática pedagógica mais consistente, que favoreça o exercício de um ensino com qualidade e esteja em sintonia com a realidade dos alunos, facilitando a compreensão dos fenômenos e linguagens corporais, o pleno desenvolvimento do educando, adotando atitude de solidariedade que possibilitem a expressão dos sentimentos, afetos, emoções e a formação de elementos necessários à atuação cidadã. 26 Participante 1 “Minha grande preocupação era elaborar uma aula em que todos participassem, que ninguém ficasse de fora, e que aprendessem, essa era uma preocupação minha nas aulas, e que não fosse apenas uma aula.” Participante 4 Quando trabalhava com crianças, nas séries iniciais, eu sempre fazia círculos, criava uma história para facilitar o entendimento, colocava arco, cordas, cones [...] isso facilitava o objetivo do trabalho que era desenvolver a lateralidade, orientação espacial, desenvolvimento motor, atos reflexos. Participante 3 Quando fiz parte de uma equipe de recreação infantil, este foi o meu primeiro contato com crianças e também onde tive minhas primeiras orientações práticas de atuação fora da Universidade. Essas situações de vida e trabalho me mostravam naquele momento, o grande desafio que tinha pela frente, o crescimento profissional, pois desconhecia as etapas de aprendizagem das crianças, havia mais era um passatempo, sem intervenções que beneficiassem de forma literal o desenvolvimento psicomotor das crianças. Participante 6 [...] aqui na Universidade eu ajudei um professor no laboratório de psicomotricidade, e foi meu primeiro contato com alunos e uma experiência gratificante, daí percebi que meu caminho era trabalhar com crianças, participei de outro laboratório de psicomotricidade numa escola onde passei a trabalhar depois. Aplicando as experiências adquiridas neste período. Participante 7 “[...] eu acho que o profissional não pode só chegar lá e dar a bola, pra isso ele não precisaria ficar quatro, cinco anos estudando na Faculdade.” Percebemos que os participantes pretendem fortalecer a imagem da Educação Física, construindo um corpo de conhecimento com fundamentação 27 teórico acadêmicos que possibilitam aplicar na prática um ensino de qualidade e competência. Para Oliveira (2000, p.27) [...] é preciso que a Educação Física selecione seus valores específicos, inerentes a seus objetos de estudo, justificando seu papel de componente curricular propriamente dito, com objetivo claramente definido em termos de sua unidade. 4.1.2 Participação Ativa dos alunos É um aspecto muito importante nas aulas de Educação Física a participação dos alunos. Quantas vezes chegamos a escola, elaboramos nossa aula e ao colocar em prática, sempre observamos aqueles alunos que preferem não participar das aulas. Manter estes alunos interessados em nossa proposta de trabalho, é um item fundamental que devemos superar com nossa criatividade nas aulas aplicadas. Vemos na opinião dos entrevistados. Participante 1 Em certa oportunidade tive que retirar um aluno da aula, pois ele não estava participando com os outros, não participava porém atrapalhava os demais alunos. Conversando com ele depois ele entendeu minha atitude, passei pequenas responsabilidades a ele, me ajudar a buscar material, demarcar a quadra, e isso fez com que ele se sentisse mais útil nas aulas. Participante 2 Eu estabelecia um vínculo com os alunos, formando líderes que me ajudavam a trabalhar com a turma [...] estabelecia meus planos e caso eles participassem de todas as atividades propostas, teriam dez minutos no final da aula para atividades livres. 28 Participante 6 [...] com o passar do tempo parecia que éramos como amigos, as aulas começaram a ficar mais dispersas, descontraídas, bom depois eu comecei a exigir mais dos alunos. Tive que conversar, explicar tudo novamente o objetivo do trabalho, e exigir mais seriedade nas aulas. Participante 4 Dei aulas para as séries iniciais, 1º a 4º séries, as poucas dificuldades foram a dispersão das crianças, elas demoravam um pouco para fazer as atividades, e organizar as crianças para que elas participassem das atividades propostas. Conhecer, envolver-se cada vez mais com as dificuldades observadas nos alunos, estar próximo deles, criar oportunidades para que eles possam demonstrar seus talentos, estabelecer vínculos e possibilitar aos alunos o envolvimento integral na elaboração do próprio desenvolvimento, descentralizando o conhecimento apenas no professor e a transmissão aos alunos de soluções já prontas e definidas, favorecendo as reflexões e descobertas aos alunos. Assim como a prendemos na Universidade, onde aos poucos estamos deixando de ser apenas ouvintes e passamos a ter uma atitude mais ativa no processo de nossa formação. Afirma Neira (2003, p.167). Novos modelos de conceber o ensino e a aprendizagem supõem uma nova atitude por parte dos professores, dos alunos e toda a equipe escolar. Requerem ainda um clima favorável a mudança, altamente motivador tanto para o professor quanto para o aluno e, acima de tudo, um ambiente facilitador, sem pressões nem constrangimentos, em que o medo de errar, a tensão inevitável e a competição cedem lugar para o companheirismo, a lealdade, a solidariedade e o desejo de contribuir pra uma grande causa: a educação. 29 4.2 Superar dificuldades na Educação Física Escolar Informações coletadas nas entrevistas mostraram que, assim como outras áreas profissionais, a Educação Física enfrenta situações difíceis no meio escolar. Espaços limitados para a prática da Educação Física, carência de recursos materiais, principalmente nas escolas públicas, muitas vezes tendo que conviver com a aspereza do cotidiano escolar, diante destas condições adversas o professor se vê obrigado a buscar caminhos necessários para lidar com estes conflitos. Tal situação é evidenciada principalmente no aspecto comportamental de alguns alunos, das diferenças sociais, e do pouco interesse dos familiares com o crescimento educacional destas crianças deixando-os fazer as coisas sem intervir não demonstrando o que é certo e errado. Neste contexto a escola é que acaba ficando com a educação integral destas crianças, o que acaba gerando uma carga de responsabilidade enorme e desgastante para os professores. Podemos observar nestas entrevistas, a realidade que o acadêmico poderá encontrar nos estágios ou atividades extracurriculares, e que às vezes passam despercebidos no momento da graduação. Participante 1 “Eu participei numa observação em Canoas, onde via as crianças de chinelo, sem material ou uniforme adequado, no frio. Não havia condições de ter aulas de Educação Física.” Participante 7 [...] neste estágio eu pensei que ia desistir, porque foi um grande desafio, eu fiz numa escola bem carente do bairro Bom Jesus em Porto Alegre. Na comunidade havia o tráfico de drogas, que indiretamente acabava envolvendo algumas crianças, eu tive muita dificuldade de dominar a turma tanto que um dia quase chorei, o professor interviu porque eles não me respeitavam. 30 Este enfrentamento com a realidade, mostra que o processo de formação também acontece com as adversidades, numa concepção totalmente diferente daquela idealizada dentro da Universidade. Kosik (1976, p.10) “destaca a importância do conhecimento da realidade onde o sujeito pratica sua atividade prático sensível, sobre cujo fundamento surgirá a imediata intuição prática da realidade.” 4.2.1 Adaptação Frente à Realidade Escolar A Educação Física faz parte da escola, e sua importância cada vez mais incontestável traz uma adorável e benéfica alegria nas instituições. Para continuar com estes objetivos ela deve sobretudo, manter-se atualizada mas sem perder sua especificidade. As crianças quando chegam à escola querem divertir-se, brincar, viver com intensidade atividades corporais e artísticas dentro das suas possibilidades e limitações. A adoção de uma nova postura frente à realidade escolar estabeleceu novas idéias que abrem alternativas para o enfrentamento e criem soluções para que as aulas não se tornem monótonas e repetitivas, ampliando o horizonte dos alunos para afirmações e saberes. Vejamos as alternativas apresentados pelos entrevistados Participante 1 “[...] minhas atividades extracurriculares foram observações em escolas estaduais e municipais, com escassez de recursos materiais [...] daí vemos a necessidade do professor adapta as aulas a realidade de cada escola.” 31 Participante 4 A importância da diversidade de atuação, facilita a aplicação dos conhecimentos, pois na hora do trabalho depois de formado, essas práticas ajudam a criar brincadeiras, jogos dependendo da faixa etária, em escolas, uso de materiais alternativos, criatividade para elaborar as atividades, pois na maioria das escolas públicas contamos com poucos materiais. Participante 7 “Foram oito aulas, as cinco primeiras foram difíceis, daí as três últimas foram melhores, a gente se acostumou com a convivência, eu mudei minha estratégia, a partir da sexta aula passei a exigir mais dos alunos, então foram as melhores aulas.” Este diferencial corresponde a uma nova ação pedagógica que os entrevistados utilizam na elaboração de seus planos para driblar as dificuldades. Como afirma Cunha (1991, p.65) “a linguagem do saber deve corresponder a linguagem da ação.” Também houve casos em que os entrevistados vivenciaram em suas atividades práticas situações em que não conseguiram intervir potencialmente na inversão das adversidades. Participante 6 Eu usava muito nos estágios as aulas de atividades pré-desportivas, elas eram uma base para meu estágio onde eu aplicava com meus alunos, ás vezes não davam muito certo, então eu conversava com o professor da disciplina sobre como deveria proceder nestas situações. Participante 3 Sempre organizava os conteúdos a serem aplicados com a turma, porém ao coloca-los em prática acontecia sempre algo inesperado, haviam desistências, alunos sem interesse, situações que por fim acabavam desmotivando os demais alunos. 32 Ao se envolver em situações como esta o aluno deverá ter a clareza dos desafios a superar, eliminando aspectos negativos que interfiram em sua prática pedagógica, mobilizando recursos para enfrentar imprevistos do cotidiano profissional. Entre estes recursos está a elaboração de atividades associadas as dimensões cognitivas, afetivas e psicomotoras do comportamento humano, que compreendem as dimensões conceituais, que são os conhecimentos sobre conceitos e princípios; os procedimentais que constituem o saber fazer e por último as normas, valores e respeito a si e aos outros denominados atitudinais. A utilização destes conteúdos em Educação Física compõem um conjunto de conhecimentos necessários para o desenvolvimento das diferentes potencialidades do aluno. É fundamental para nós professores, o conhecimento dos conceitos, procedimentos e atitudes pois favorecem a integração entre saber, fazer e ser, atividades necessárias aos processos de desenvolvimento humano. 4.2.2 Dificuldades Encontradas nos Estágios Com o relato dos entrevistados, estabeleceu-se através da análise desta subcategoria uma relação entre alguns fatores que resultaram nas dificuldades enfrentadas por alguns acadêmicos nos estágios . A maior dificuldade observada está em manter o domínio e atenção sobre a turma. Formar um espírito de liderança que cative a confiança dos alunos, poderá ser adquirido através de uma facilidade natural de lidar com os alunos ou na preparação profissional, contemplando as necessidades do aluno e suas reações. Tani apud Guilard (1998, p.8) concorda “que as vivências práticas são importantes para aquisição da capacidade de lidar com as pessoas, no entanto ele acredita que tal capacidade é adquirida ao longo do exercício da profissão.” 33 Observando a fala dos entrevistados 1, 3, 7 sobre as dificuldades encontradas. Participante 1 “[...] dificuldade que eu tive foi de elaborar meus planos de aula de acordo com a turma, conforme eles gostavam, eles eram muito agitados, pois não sabia até que ponto poderia exigir comprometimento deles.” Participante 3 “Minha maior dificuldade foi o domínio sobre a turma durante as atividades [...] insistia na continuidade do plano, onde melhor seria ter alterado, ou seja fazer algo novo que despertasse o interesse dos alunos naquele momento.” Participante 7 “[...] eu tive muita dificuldade de dominar a turma, tanto que um dia quase chorei, [...]” Em contrapartida os participantes 2, 4, 5, 6 em seus relatos encontraram mínimas ou quase nenhuma dificuldade em seus estágios. Participante 2 Pra minha surpresa eu me considerei uma ótima professora, tanto para os alunos como para a professora titular, eu me surpreendi pois eu não encontrei dificuldade [...] quando eu tinha dúvidas sempre a professora me ajudava com livros e material de pesquisa da própria escola. 34 Participante 4 “[...] como dei aulas para as séries iniciais, as poucas dificuldades foram as dispersões das crianças, a única dificuldade em si foram organizar as crianças para que participassem das atividades propostas.” Participante 5 Meus estágios foram muito bons, eu fiz numa instituição particular e a professora titular foi fundamental para elucidação de qualquer dúvida, eu sempre mostrava os planos para ela e para a professora orientadora de estágio, e ela estava sempre presente, as crianças também colaboravam, talvez devido a professora estar sempre próximo da gente. Mesmo com essa proximidade nunca houve interferência nas aulas. Participante 6 “Eu não tive muita dificuldade em estágios, pois eu fiz estágio na escola onde trabalhava há três meses, não é que eu não tive dificuldade, elas foram minimizadas, pois a criançada já tinham sido meus alunos no ano anterior.” Os acadêmicos atribuem este bom desempenho ao correto planejamento das atividades de aula com conteúdos bem elaborados, observando os recursos disponíveis, tempo de aula e criatividade. 4.3 Interesse na Formação Pessoal Esta categoria tem sido pautada pelos acadêmicos como um eixo de trabalho que personaliza a atuação do professor no seu campo de intervenção. Eles entendem que a formação do professor, que educa, inova e transforma, nunca poderá ter um limite no exercício da profissão. Entendo que a sobrevivência da profissão, assim como em qualquer outra atividade, seja ela empresarial, comercial ou tecnológica deve seguir uma constante 35 evolução. Precisamos inovar para crescer e só conseguiremos isso com modelos de trabalho atualizados e consistentes. Tani (1998, p.4) afirma “que o não desenvolvimento de um corpo de conhecimentos capaz de dar uma sustentação acadêmico-científica à prática profissional coloca em cheque não só a autenticidade mas também a própria sobrevivência.” 4.3.1 Área de Especialização Defender o espaço da especialização é construir a própria identidade e autonomia. Ciente disso, os acadêmicos cada vez mais destacam o valor deste investimento, e a Universidade vem abrindo mais oportunidades para que o acadêmico após a sua formação inicial na graduação, evite distanciar-se do continuum ou formação continuada. As declarações os entrevistados 4, 5, 6, 7 indicam uma percepção favorável a está iniciativa. Participante 4 A instituição que concede o estágio, a partir da observação do teu trabalho poderá renovar o período de estágio e até haver a efetivação na escola, se o acadêmico estiver bem preparado, que também pode ser complementado num projeto de especialização. Participante 5 “É importante vivenciarmos as diferentes áreas da Educação Física, tanto academia, área escolar, de treinamento físico, pra depois quando tiver perto da graduação saber que linha irá seguir para trabalhar ou especializar-se.” 36 Participante 6 “Elas são fundamentais, por causa se tu não tiver estas etapas experimentais, tu não vai saber ao certo o caminho que tu queira seguir, ou especializar-se [...] pra mim foi onde abriu as portas do aperfeiçoamento dentro da Universidade.” Participante 7 “[...] o bom profissional hoje em dia, na minha opinião ele tem que se envolver, se atualizar todos os dias, procurar novas coisas, o conhecimento é dinâmico, quem não se atualiza é ultrapassado.” Através das situações vividas por estes acadêmicos, eles perceberam a necessidade de uma complementação em seu processo formativo frente as necessidades que irão encontrar e as próprias exigências de trabalho, que certificam ao profissional especializado melhores oportunidades e certa estabilidade. Fato esse apoiado por Delors (1998, p.18) quando sugere que a educação continuada deve “ser encarada como uma construção contínua da pessoa humana, dos seus saberes e aptidões, da sua capacidade de discernir e agir.” Complementa esta idéia Gunther e Molina Neto (apud ALVES 2005, p.39) afirmando que a “formação continuada do professor, precisa conjugar a experiência do professor, a competência técnico-científica e a competência comunicativa em um processo de contínua reflexão sobre a prática.” 4.3.2 Valorização da Pesquisa A Educação Física sempre passou a idéia de caracterização predominantemente na sua estrutura curricular, com ausência de conhecimentos teóricos, no que se refere a hábitos de saúde, higiene, maturação e asseio corporal. Estavam vinculadas apenas as atividades físicas habituais, nas quais os alunos 37 testam suas habilidades motoras e melhoram suas capacidades físicas, porém ficou evidenciado que os alunos necessitam algo mais que práticas, jogos e corridas. Felizmente esses métodos de trabalho já foram quase ou totalmente abolidos, permanecendo apenas na concepção de uma pequena parcela da sociedade. Nesta subcategoria novas idealizações mostraram-se bem vindas na percepção dos entrevistados, visando desmistificar está influência e agregar novos valores ao papel da disciplina. Participante 1 “Eu pesquisava muito sobre as disciplinas que eu tive na Universidade, relacionada a aprendizagem, desenvolvimento motor, didática, anatomia, que iriam me ajudar muito na escola.” Participante 3 O acadêmico que se preparou durante a graduação, construiu seu espaço neste período através da pesquisa [...] adquiri um conhecimento capaz de desenvolver vários tipos de atividades, desde a organização de eventos esportivos, dominar técnicas, princípios pedagógicos, e o aluno que tem a oportunidade de viver tudo isso terá muito mais que um diploma, irá contribuir para o desempenho pessoal e reconhecimento da nossa profissão. Participante 7 “Meu estágio II foi só com meninas do 1º ano do ensino médio, voltei para a qualidade de vida, emagrecimento, anorexia e bulimia, tudo que uma adolescente de 15 a 16 anos se interessa, se preocupa, e foi ótimo.” Apoiando essa idéia Soares (1996, p.10) diz: “É agradável constatar que os anos 90 trouxeram um olhar mais abrangente aos estudos e pesquisas sobre a Educação Física Escolar. Os assuntos de natureza biológica, psicológica e social parecem ter mais debate da área.” 38 A busca por ampliar os conhecimentos multidisciplinares através da pesquisa, retrata a importância de incluirmos em nosso cotidiano, não apenas técnicas de um determinado esporte, que não é algo que desabone nosso trabalho, mas diversidade de conteúdos, assim como os assimilados na graduação. A necessidade de levar aos nossos alunos um grau de conhecimento maior que o próprio desempenho físico tornará as aulas mais desafiadoras. E os alunos precisam e gostam de desafios, eles aprenderão mais e melhor, sem perder a especificidade da Educação Física. 39 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta etapa do trabalho falarei sobre as limitações deste estudo e algumas idéias de continuidade de pesquisa. 5.1 As Limitações da Pesquisa As limitações encontradas neste estudo foram a complexidade do estudo e o recebimento da literatura específica. Quando eram solicitadas literaturas importantes a bibliotecas ou seus respectivos autores, as respostas ou envio dos mesmos levaram um tempo excessivo. A falta de acesso aos relatórios das atividades extracurriculares e de Estágio dos acadêmicos também foi uma limitação. 5.2 Idéias de Continuidade Existem algumas alternativas para ampliação deste estudo. O assunto em questão concentra o interesse tanto de alunos como professores, e mesmo após a conclusão do trabalho, aparecem novas opções de pesquisa que serão úteis para a continuidade do trabalho. Abaixo possíveis idéias de continuidade. 40 ão dos professores sobre atividades extracurriculares aprendizado do acadêmico ão graduação. do interesse acadêmico pela especialização após a 41 6 CONCLUSÃO Através da análise das respostas obtidas pelos entrevistados, percebi que as práticas extracurriculares vivenciadas pelos acadêmicos, possuem valores mais importantes e significativos, que permitiram promover reflexões e novas idéias, alterando minha concepção inicial centrada apenas na experiência prática. Estando cada vez mais preocupados com o processo educacional, os acadêmicos entrevistados destacaram que o planejamento escolar, foram fundamentais em suas vivências práticas para a consistência do ensino, participação e interesse dos alunos em aula. Mesmo tendo que superar situações muito difíceis no âmbito escolar, os acadêmicos estão encontrando meios criativos para superar as limitações sejam elas sociais, de infra-estrutura ou carência de materiais para execução das aulas. A falta de experiência não foi considerado relevante para elaboração de suas aulas durante o período de estágio. Eles mostraram-se atentos e otimistas quanto ao futuro da Educação Física, justificando que o conhecimento científico, obtido através da formação continuada, após a graduação e o incentivo a pesquisa, são essenciais no processo de construção do conhecimento. Diante disso, mesmo estando ciente da fragilidade da educação, principalmente do setor público, vejo que os futuros profissionais da Educação Física, estão dispostos a enfrentar este quadro e fortalecer a imagem disciplina em todas as suas especialidades, atendendo as necessidades da sociedade e colaborando para a sua formação. 42 Com este estudo, através das situações registradas e do trabalho desenvolvido, espero aproximar o acadêmico da realidade escolar e que possibilite de alguma forma o fortalecimento de nossa profissão. 43 REFERÊNCIAS ALVES, Wanderson Ferreira. A Formação continuada e o desenvolvimento profissional do professor: paradigmas, saberes e práticas nos cursos de especialização em Educação Física escolar. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte. São Paulo, v.19, p.35-48, 2005. BACK, João Miguel. Manual para apresentação de trabalhos acadêmicos: graduação e pós-graduação. 2.ed. Canoas-RS: Salles, 2006. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. Brasília: MEC/1997 v.7. CAUDURO, Maria Tereza. Investigação em educação física e esporte: um novo olhar pela pesquisa qualitativa. Ed. Feevale, 2004. DELORS, Jaques. Educação, um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 1999. FIORI, Ernani Maria. Educação e política. Porto Alegre: L&PM, 1991. FREIRE, Elisabete dos Santos; REIS, Marise da Costa. Educação física: pensando a profissão e a preparação profissional. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte. São Paulo, nº1, p.39-46, 2002. GUILARD, Reginaldo. Formação profissional em educação física: A relação teoria e prática. Revista Motriz. São Paulo, v.4, nº1, jun.1998. 44 GIROUX, Henry. Rumo a nova sociedade do currículo. Os professores como intelectuais. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. KANITS, Stephen. Volta às aulas. Revista Veja. São Paulo, p.21, fev.2000. LAMPERT, Ernani. Universidade na virada do século 21. Porto Alegre: Sulina, 2000. MOSQUERA, Juan José Mourino. Vida adulta: personalidade e desenvolvimento. 3 ed. Porto Alegre: Sulina, 1997. NEIRA, Marcio Garcia. Educação Física: desenvolvendo competências. São Paulo, Phorte, 2003. NEUENFELDT, Derli Juliano; CANFIELD, Marta de Salles. Educação física: sociedade e identidade. Santa Maria: Imprensa Universitária, 2000, v.1. OLIVEIRA, Dario. Educação básica: gestão do trabalho e da pobreza. Petrópolis: Vozes, 2000. SANTOS, Luis Silva. Labirintos da educação física. Revista da Educação Física de Maringá. Maringá, v.13, nº2, p.63-70, 2002. TANI, GO. Vivências práticas no curso de graduação em educação física: necessidade, luxo ou perda de tempo? Cadernos Documentos. Universidade de São Paulo, nº2, p.1-22, 1996. THOMAS, Jerry; NELSON, Jack K. Métodos de pesquisa em atividade física. 3.ed. Porto Alegre-RS: Artmed, 2002. 45 TRIVIÑOS, Augusto N.S; MOLINA NETO, Vicente. A pesquisa qualitativa na educação física. Porto Alegre: Sulina, 1999. VEGA, Eunice H. Tamiosso. As competências do professor de educação física na pós-modernidade. Revista Movimento. Porto Alegre, v.8, nº3, p. 19-31, dez. 2002. 46 APÊNDICE A – Termo de Consentimento TÍTULO DA PESQUISA: Atividades Práticas e sua Importância na Formação Acadêmica. PESQUISADOR: Giovani Brancher ORIENTADOR: Prof. Rudinei de Andrade Eu,_____________________________________________________ sendo convidado(a) a participar das entrevistas para coleta de dados que será utilizado para conclusão do Trabalho de Conclusão do Curso de Educação Física 2007/1, fui informado dos objetivos deste estudo de forma clara, recebendo todos os esclarecimentos sobre o conteúdo do estudo. Minha participação é voluntária e poderei desistir em qualquer momento da entrevista. Todos os dados pessoais desta pesquisa será mantido em sigilo, e as informações serão de uso exclusivo do Trabalho de Conclusão de Curso. NOME:__________________________________________________ ASS.:___________________________________________________ DATA:_____ /_____/_____ 47 APÊNDICE B – Roteiro das Entrevistas 1) Como você avalia as atividades práticas extracurriculares e curriculares para sua formação acadêmica 2) Gostaria que relatasse como foram suas atividades práticas extracurriculares com a Educação Física? 3) Conte-me quais foram as dificuldades que você encontrou na realização dos estágios supervisionados. 4) Durante o período de estágio, relate quais eram seus principais meios de pesquisa e orientações. 5) Fale sobre as influências das experiências extracurriculares na qualificação do profissional de Educação Física, e quais contribuições elas podem trazer para o futuro exercício profissional. 48 APÊNDICE C – Unidade de Significados 1. É extrema importância atividades extracurriculares e curriculares. 2. Em relação ao contato inicial que você tem com a criança, com a escola, com os planos de aula, os planos de ensino. 3. Tu tem o início da vivência, uma preparação tua para os estágios. 4. O primeiro contato tira um peso enorme da responsabilidade que é ser professor. 5. Tu perde aquele medo inicial ao se integrar a escola 6. Minhas atividades extracurriculares na escola foram apenas observações 7. Numa observação que fiz as crianças não tinham material adequado para a prática de Educação Física. 8. Não havia condições de ter aula. 9. Daí vemos a necessidade do professor adaptar as aulas a realidade de cada escola. 10. Não foram muitas observações, mas ajudou para ter uma percepção dos futuros estágios. 11. Eram solicitadas pelo professor 12. A dificuldade que eu tive foi de elaborar meus planos de aula de acordo coma turma, conforme eles gostavam. 13. Como eu não tinha vivência nenhuma, foi difícil entrar na sala, estabelecer um primeiro contato, fazer a chamada. 14. Tentar elaborar uma aula que todos participassem que ninguém ficasse de fora. 15. Tive a preocupação que eles aprendessem em minhas aulas, e que não fosse apenas uma aula. 16. Alguns alunos não participavam, porém atrapalhavam os demais. 17. Não sabia até que ponto poderia exigir comprometimento deles. 18. Talvez por ser estagiário evitava cometer excessos na cobrança. 49 19. Pesquisava muito sobre disciplinas que eu tive na Universidade. 20. A professora titular da escola, os materiais didáticos que ela deixava na escola. 21. O professor orientador também tirava algumas dúvidas que eu tinha. 22. Mas poderia ter sido mais presente. 23. Teve pouca participação no estágio. 24. Toda vivência em qualquer área, é importante para diminuir a ansiedade. 25. Pois é um ambiente novo para nós. 26. Com essas experiências práticas estaremos iniciando nossa formação. 27. Facilitará o trabalho futuramente. 28. Qualifica o profissional ao entrar no mercado de trabalho. 29. Deveria ter me envolvido mais com essas atividades. 30. Depois de iniciar o estágio percebi isso. 31. É uma complementação, de vários estudos. 32. Que colocamos em prática a partir dos nossos conhecimentos. 33. Conhecimentos adquiridos na Universidade. 34. Foram apenas observações. 35. E as poucas que fiz deixaram a desejar. 36. Alunos participavam sem uniforme. 37. E nem sempre era falta de recursos. 38. Era opção do aluno. 39. Situações como esta não deveriam ser aceitas pelo professor. 40. Eu me considerei uma ótima professora. 41. Tanto para os alunos como para a professora titular. 42. Eu me surpreendi pois não encontrei dificuldade. 43. Estabeleci um vínculo com os alunos, formando líderes. 44. Meu estágio foi ótimo, queria ter ficado mais com a turma. 45. Sempre me entrosei bem com os alunos. 46. Estabelecia meus planos de aula. 47. Quando tinha dúvidas sempre a professora me ajudava. 50 48. E na escola havia livros e material de pesquisa com muitas atividades práticas. para planejamento das aulas. 49. As atividades extracurriculares qualificam o profissional. 50. Ele será um professor diferenciado caso tenha atividades consistentes. 51. Acho estas atividades muito importantes. 52. Principalmente as livres e espontâneas. 53. É o momento de tirar dúvidas, corrigir erros. 54. E aplicar o efeito significativo do aprendizado nos estágios curriculares. 55. Identificar métodos de trabalho. 56. Vivenciar os diversos problemas enfrentados na área da Educação Física. Escolar. 57. Tinha alguma experiência em academia quando entrei na faculdade. 58. Fiz parte de uma equipe de recreação infantil. 59. Este foi meu primeiro contato com crianças. 60. Onde tive minhas primeiras orientações práticas de atuação fora da Universidade. 61. Foram atividades consistentes de vida e trabalho. 62. E mostraram-me o grande desafio que tinha pela frente. 63. O crescimento profissional, pois desconhecia as etapas de aprendizagem das crianças. 64. Não havia intervenções que beneficiassem o desenvolvimento psicomotor das crianças. 65. Minha maior dificuldade no estágio foi o domínio sobre a turma. 66. Organizava os conteúdos a serem aplicados com a turma. 67. Porém ao colocá-los em prática acontecia algo inesperado. 68. Haviam desistências, alunos sem interesse. 69. Ocasionando desmotivação de alguns alunos. 70. Havia falta de um plano "B", insistia na continuidade do plano. 71. Acho que o melhor seria ter alterado, fazer algo novo nesses momentos. 72. Para despertar o interesse dos alunos mais dispersos. 51 73. Meu maior conhecimento estava em academia. 74. Na escola dei continuidade ao trabalho do professor. 75. Pesquisava em livros de recreação no estágio I. 76. E quando fiz a cadeira opcional de basquete II apliquei em minhas aulas no estágio II. 77. O professor da escola estava aplicando os fundamentos de basquete. 78. Existem dois referenciais entre os profissionais hoje formados nas Universidades. 79. Quem conquista a graduação e sai para o mercado de trabalho. 80. E aquele que se preparou durante a graduação, construindo seu espaço neste período. 81. O mercado está restrito e dinâmico. 82. Exigindo do profissional conhecimentos multidisciplinares. 83. E o aluno que tem a oportunidade de viver tudo isso. 84. Além do diploma terá reconhecimento profissional. 85. Fundamentando a relevância da nossa profissão. 86. Durante as práticas extracurriculares a diversidade de atuação facilita a aplicação de conhecimentos. 87. Pois na hora do trabalho, no exercício da profissão, nos tornaremos mais criativos. 88. Na elaboração de jogos, uso de materiais alternativos. 89. Pois na maioria das escolas públicas contamos com poucos materiais. 90. Trabalhei algum tempo em academia. 91. Foi importante pois eu tinha um conhecimento teórico. 92. Nem sempre a teoria que você apreende pode ser aplicado na prática. 93. Daí você busca estes conhecimentos teóricos, e as dúvidas que surgem são esclarecidas com as pesquisas e os professores. 94. Pois em cada local podemos encontrar necessidades e condições diferentes de trabalho. 52 95. Minha primeira experiência extracurricular foi com reabilitação de crianças, adultos e idosos. 96. Após a sessão de fisioterapia com outros profissionais. 97. Eu trabalhava amplitude de movimentos, alongamentos e reforço muscular. 98. Era gratificante ver meu trabalho reconhecido onde há poucas oportunidades nesta área. 99. E mostra a abrangência legal onde nós profissionais de Educação Física, podemos atuar. 100. Depois fui para uma escola particular, onde nesta mesma escola acabei fazendo o Estágio I. 101. Neste semestre estou trabalhando com a turma de 2º Grau. 102. É ótimo trabalhar com adolescentes, pois é uma fase de transformações e descobertas. 103. A gente acaba fazendo parte dessas fases, tornando-se além de professor, orientador e amigo. 104. Haviam poucos alunos difíceis de trabalhar, eram aqueles que só querem jogo. 105. Eu atuava com várias atividades recreativas, técnicas pré-desportivas, e no final um tempo para o jogo. 106. Fiz meu estágio em instituições particulares com boas condições estruturais. 107. Com matérias para colocar em prática minhas aulas. 108. Com relação às aulas também não tive dificuldades. 109. Já conhecia a escola, já havia ministrado aulas para séries iniciais antes do estágio. 110. As poucas dificuldades foram a dispersão dos alunos, elas demoravam para entender e realizar as atividades. 111. A tarefa que mais me exigia era organizar as crianças para que todas participassem das atividades. 112. Eu sempre fazia circuitos, criava uma história para facilitar o entendimento. 113. Isso facilitava o objetivo do trabalho. 114. Desenvolvia a lateralidade, desenvolvimento motor, atos reflexos. 53 115. Pesquisava muito em livros na maioria das vezes. 116. O professor supervisor de estágio me ajudou muito no desenvolvimento dos planos de aula. 117. Junto à alguns colegas também tirava dúvidas. 118. É muito importante pela experiência que a gente adquiri. 119. Essas atividades serão cada vez mais valorizadas pelas instituições de ensino. 120. Tempos atrás não havia tanta valorização por estas práticas. 121. Isso aumenta a responsabilidade do aluno, havendo uma cobrança maior nos estágios supervisionados. 122. Onde é o momento de errar, mas também aplicar nossas experiências. 123. Pois o estágio é uma vitrine, podendo ser o caminho da efetivação na escola se o acadêmico estiver bem preparado. 124. É de extrema importância para podermos vivenciar todas as áreas da Educação Física. 125. Para depois quando estiver próximo da graduação, saber a linha de trabalho que irá seguir, até para uma especialização. 126. Trabalhei bastante em academia, foi favorável e esclarecedor. 127. Pois podia aplicar os conhecimentos que nós aprendíamos nas aulas. 128. E identificar algumas diferenças que existem entre o conhecimento teórico na prática. 129. Meus estágios foram muito bons. 130. Fiz numa instituição particular, e a professora titular foi fundamental para elucidação de qualquer dúvida. 131. Ela me orientava sobre a turma. 132. Eu sempre mostrava os planos de aula para ela e para a professora orientadora de estágio. 133. As crianças sempre colaboravam, talvez devido a professora estar sempre próximo da gente. 134. Porém nunca houve interferência nas aulas. 135. Eu pesquisava muito em livros. 54 136. Pois eu tinha que aplicar as atividades com algum objetivo. 137. Eu usava livros, às vezes selecionava uma atividade e adaptava de acordo com a realidade e limitações da turma. 138. Com raras exceções eu alterava o plano durante a aula. 139. Tem como objetivo apreender, praticar. 140. Vivenciar todas as teorias que conhecemos durante a faculdade. 141. Também deveremos ter consciência e filtrar os conhecimentos que realmente fazem à diferença. 142. E contribua para nossa qualificação. 143. Pois é sábio que existem coisas erradas, maus exemplos. 144. Mas também existem muitas coisas boas de extremo valor educativo. 145. Devemos nos orientar nelas e fazer destas experiências uma prova. 146. Que deve ser superada e proporcione um aprendizado consistente para o futuro profissional. 147. Elas são fundamentais, importantes. 148. Sem estas etapas fundamentais, tu não irá saber ao certo o caminho que tu queira seguir, ou especializar-se. 149. Eu já vivenciei várias atividades extracurriculares. 150. Me identifiquei com a área escolar. 151. Para ter novas idéias de atuação, conhecer outros ramos. 152. Abre as portas do aperfeiçoamento dentro da Universidade. 153. Ah, foram muito boas. 154. Muito boas porque ajudei um professor no laboratório de psicomotricidade aqui na Universidade. 155. Foi meu primeiro contato com alunos, e uma experiência gratificante. 156. Era muito bom ter o reconhecimento das crianças. 157. Foi um ponto chave, daí fui descobrindo outras coisas. 158. Percebi que meu caminho era trabalhar com crianças, e aí que me encaixei. 159. Participei de outro laboratório de psicomotricidade numa escola onde passei a trabalhar depois. 55 160. Aplicando minhas experiências adquiridas. 161. Eu vou ser sincero, eu não tive muita dificuldade em estágios. 162. Eu fiz estágio na escola onde trabalhava há três meses. 163. Não é que eu não tive dificuldade, elas foram minimizadas pois a criançada já tinham sido meus alunos no ano anterior. 164. Depois parecíamos que éramos como amigos, 165. As aulas começaram a ficar mais descontraídas. 166. Comecei a exigir mais dos alunos. 167. Tive que conversar e explicar novamente o objetivo do trabalho e exigir mais seriedade nas aulas. 168. Eu usava muito nos estágios as aulas atividades pré-desportivas que eu tinha. 169. Eram uma base para meu estágio. 170. Ás vezes não davam muito certo, então eu conversava com o professor da disciplina. 171. Usei também memoriais de recreação. 172. As atividades extracurriculares têm uma influência muito importante, pois nelas teoricamente descobriremos nossa linha de trabalho. 173. Elas devem ser realizadas com dedicação. 174. E de alguma forma seremos beneficiado com estas vivências. 175. Mesmo não sendo uma área desejada de trabalho. 176. Contribuirá na nossa formação pedagógica. 177. São importantes porque, elas nos dão um embasamento, de atividades que a gente não vivencia dentro da Faculdade. 178. O nosso currículo é extenso. 179. Fala de muita coisa importante, mas as atividades extracurriculares são fundamentais. 180. Pois elas nos mostram práticas que não temos na Faculdade. 181. Eu fiz muitas atividades e pretendo ir sempre. 182. Todas para mim foram positivas. 183. Fiz muitos cursos em congressos. 56 184. Trabalhei em programas a serem aplicados a comunidade em geral. 185. É um conhecimento alternativo de grande subjetividade. 186. Me formou uma base para que eu tomasse certas atitudes, posturas dentro da nossa área. 187. A maioria dentro da Educação Física escolar. 188. Eu gosto dessa área de atuação. 189. O estágio I foi terrível, neste eu pensava que iria desistir. 190. Foi um grande desafio, fiz numa escola muito carente do Bairro Bom Jesus em Porto Alegre. 191. Eram alunos extremamente carentes, eles não tinham tênis nem roupa adequada para as práticas. 192. Com cultura fraca em relação aos esportes. 193. Havia preconceito em relação a alunos que não gostavam de futebol e optavam por outras modalidades. 194. Na comunidade havia o tráfico de drogas. 195. O que acabava envolvendo indiretamente algumas crianças. 196. Tive muita dificuldade em organizar a turma, um dia quase chorei. 197. Foi necessário o professor intervir, porque elas não me respeitavam. 198. As primeiras aulas foram difíceis, as últimas melhoraram. 199. Eu mudei minha estratégia, elaborei aulas que exigiam mais dos alunos. 200. As aulas melhoraram muito. 201. Tudo que aprendi sobre domínio de turma, tudo de melhor e de pior vivenciei neste estágio. 202. O estágio II foi um sonho, foi só com meninas do 1º ano do 2º grau. 203. Trabalhei com assuntos práticos e teóricos que adolescentes dessa faixa etária se preocupam. 204. Foram duas experiências bem diversificadas. 205. Com características sociais bem diferentes. 206. Hoje eu agradeço as duas oportunidades. 57 206. Pesquisei em livros e internet sobre artigos de planejamento e qualidade de vida. 207. Usava polígrafos da Faculdade que utilizávamos nas disciplinas práticas. 208. O professor me ajudou muito no estágio I. 209. São importantes para as pessoas que querem manter-se atualizados. 210. O profissional de Educação Física ele deve estar sempre atualizando os conhecimentos, reciclando. 211. Não basta apenas concluir a Faculdade e se acomodar. 212. Ficará para trás. 213. O profissional hoje em dia deve se envolver, ser dinâmico. 214. Quem não se atualiza é ultrapassado. 215. Tudo que estiver relacionado a nossa área, tem muito a acrescentar. 216. Não podemos chegar numa escola e dar a bola, os alunos não merecem isso. 217. Através destas experiências apreendemos a ser organizados. 218. Ter um planejamento com objetivos bem definidos e atualizados. 219. Com termos que se adaptem a realidade social e cultural da escola.